OBSERVATÓRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL
BANCO DE DADOS REGIONAL
Variável: Produto Interno Bruto e Valor Adicionado1
O Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios do Vale do Rio Pardo é
apresentado como indicador parcial na introdução das discussões sobre o
desenvolvimento regional. Desta forma, tornam-se interessantes para análise
não apenas os dados municipais ,mas comparações com o total da região e
dados a nível estadual.A discussão sobre o PIB abrange o indicador de três
formas: nominal, real, e per capita. Para MANKIN (1998, p.17) o PIB nominal
consiste na soma do valor monetário de todos os bens e serviços produzidos
em determinado espaço geográfico. Este índice apresenta valores a preços
correntes, sendo que, para uma avaliação/comparação temporal consistente,
deve-se considerar outra variação do PIB. O PIB real apresenta o valor dos
serviços e produtos produzidos em determinado espaço geográfico a preços
constantes, ou seja, considera apenas o valor/quantidade do produzido,
desconsidera as variações da inflação que podem falsear a realidade
(MANKIN, 1998). Para calcular o PIB real utiliza-se um deflator2 tendo por base
um determinado ano. O deflator consiste em um índice geral de preços que
representa a variação da inflação a cada ano. Para obter o PIB real utiliza-se o
seguinte calculo:
PIB Nominal
PIB real =
X 100
Deflator do PIB
O PIB per capita apresenta o total dos produtos e serviços produzidos
em determinado espaço geográfico dividido pela sua população total. Para
obter o indicador utiliza-se o seguinte calculo:
PIB per capita = PIB / n° total de habitantes
Os dados referentes ao indicador foram pesquisados junto à Fundação
de Economia e Estatística (FEE). Foram selecionados os anos de 2001, 2005 e
2008. As tabelas, gráficos, percentuais e mapas que fundamentam esta análise
1
Este texto foi elaborado pelos mestrandos do PPGDR da UNISC, Victor Oliveira e Deivid
Forgiarini sob supervisão da Prof. Drª. Cidonea M. Deponti.
2
O deflator utilizado nesta análise foi obtido através da Fundação de Economia e Estatística
(FEE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com ano base 2001.
encontram-se disponíveis no sítio do Observatório do Desenvolvimento
Regional.
Sobre o PIB nominal serão apontadas considerações anuais, sendo que
sua comparação com outros anos não apresenta relevância.
- no ano de 2001 destacam-se como maiores PIBs entre os municípios Santa
Cruz do Sul, Venâncio Aires e Rio Pardo respectivamente. Os três municípios
respondem a 68,85% do total do PIB Regional, sendo que apenas Santa Cruz
do Sul representa 45,6%. Desta maneira, apenas o município representa
destaque a nível estadual, 1,8%, enquanto a região expressa 3,94% do total do
PIB estadual.
- em 2005, na participação regional, Rio Pardo perde expressividade, sendo
ultrapassado por Vera Cruz. Este passou a ser responsável por 5,93% do PIB
da região. Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires mantiveram-se como principais
produtores, com 48,12% e 16,4% respectivamente. O Vale do Rio Pardo foi
responsável por 4,11% do PIB estadual, sendo que Santa Cruz do Sul
representa 1,98%.
- em 2008, Rio Pardo novamente apresenta uma representatividade a nível
regional maior que Vera Cruz, com 5,9% e 4,03% respectivamente. Santa Cruz
do Sul mantem uma expressividade considerável, representando 45,03% a
nível regional e 1,65% frente ao Estado. Já Venâncio Aires produz 16,4% da
região e 0,6% do Estado.
O PIB real apresenta a possibilidade de uma comparação da evolução
do valor do PIB, sendo que, com a subtração das flutuações da inflação, temos
um cenário possível de comparação. Da mesma forma, com a indexação dos
valores, uma comparação proporcional pode ser realizada:
- em 2001 o PIB real apresenta-se muito semelhante ao PIB nominal, de forma
que a análise do PIB Real se equivale a análise do PIB Nominal.
- em 2005, comparando a 2001, alguns municípios destacaram-se no aumento
do índice, como Vera Cruz, 34,8%, e Mato Leitão 22,53%. Entretanto, o maior
PIB real manteve-se com Santa Cruz do Sul, tendo também um aumento de
14,07%. O Vale do Rio Pardo teve considerável aumento 17,11%. Ao comparar
estes resultados com os resultados do Estado (no mesmo período, o estado do
Rio Grande do Sul obteve apenas 3,8% de crescimento no PIB) percebe-se o
destaque da região. Entre os municípios que tiveram maior decréscimo
estiveram Estrela Velha, -27,88% e Rio Pardo -16,32%.
- na comparação 2008 – 2005 algumas constatações merecem destaque.
Como o decréscimo do indicador em Santa Cruz do Sul -4,46%. Devido a
grande importância do município para o PIB regional, esta queda acarretou ao
decréscimo total da região de -5,77%, enquanto o Estado aumentou 14,57%.
Nos demais municípios, Vera Cruz também apresentou grande queda, 30,67%. Entre os municípios que aumentaram seu indicador, Estrela Velha,
Tunas e Passa Sete destacam-se.
O PIB per capita apresenta semelhanças com as análises de PIB real.
Contudo, o incremento da variável ‘per capita’ aufere diferenças pertinentes:
- no ano de 2001, Santa Cruz do Sul apresentava maior PIB per capita da
região, com R$ 15.019, consideravelmente acima da média da região, R$
6.605, e do Estado R$ 8.900. Destaca-se também o indicador de Mato Leitão e
Venâncio Aires entre os maiores da região. Os municípios com piores índices
eram Tunas, Herdeiras e Encruzilhada do Sul, respectivamente.
- comparando o ano de 2005 com 2001, nota-se um considerável aumento do
PIB per capita no Vale do Rio Pardo – 51,71% - e no Estado – 49,41%.
Novamente Santa Cruz do Sul destaca-se como maior índice, aumentado
60,86%, alcançando o valor de R$ 24.160. Apresentaram índices menos
expressivos na região os municípios de Tunas e Encruzilhada do Sul
novamente, com o incremento de Segredo.
- em 2008, novamente ouve aumento nos índices de PIB per capita. A região
teve aumento de 34,72% e o Estado de 38,2%. Nota-se também um grande
aumento no município de Mato Leitão, R$ 24.808 (aumento de 43,5%)
aproximando-se ao índice de Santa Cruz do Sul R$ 27.129. Há uma mudança
também entre os municípios com índices menores. Encruzilhada do Sul,
Boqueirão do Leão e General Câmara, respectivamente, apresentaram
menores indicadores.
Passaremos agora a analisar o Valor Adicionado.
Para Mankiw (1998, p.16) o valor adicionado demonstra a real ação de
uma empresa em uma perspectiva geral de desempenho, para formação de
riqueza na economia em que faz parte, evidenciando o resultado do empenho
dos vários fatores de produção que combinados transformam o produto,
adicionando-o valor.
Neste sentido pode-se afirmar que valor adicionado é a receita de venda
(outputs) descontada os custos das matérias-primas, dos produtos adquiridos
(inputs) para que transformados se tornem um novo produto com valor
adicionado (ROSSETI, 1997 p.543). Ou seja, é a efetiva colaboração da
organização (empresa, produtor rural...) para a constituição do Produto Interno
Bruto.
Neste sentido a respeito do VAB Nominal do Vale do Rio Pardo
podemos tecer algumas análises pertinentes:
Na comparação da série histórica 2001-2005, todos os municípios
tiveram crescimento nominal acima de uma casa decimal, exceto Estrela Velha
que mostrou menor variação na casa de 8,48%. Em geral os municípios
ficaram acima dos 40%, fazendo com que a média da região tivesse uma
variação superior aos 60%. Vale destacar o papel preponderante de Santa
Cruz do Sul e Venâncio Aires que juntas correspondiam a mais de 60% do VAB
da região e assim as pequenas alterações em seus números interferiu
demasiadamente no valor total da região. Deste modo mesmo Venâncio Aires
que correspondia a mais de 15% do VAB da região ter uma variação menor
que a média regional (56,26% e a média regional foi de 60,90%) seu números
interferiram muito na média geral, bem como Santa Cruz do Sul que
correspondia sozinha a quase metade do VAB da região, e obtendo uma
variação de 71,60% alçou o índice da região para acima dos 60%.
Nesta mesma série histórica ao traçar o perfil do VAB nominal podemos
destacar que na soma dos munícipios as áreas de agropecuária e serviços são
os principais setores de suas economias, e isso só não se configura a nível
regional devido à preponderância industrial de Santa Cruz do Sul e Venâncio
Aires, fazendo com que mais de um terço do VAB regional seja originário do
setor industrial. Contudo vale destacar que no início desta série histórica
apenas nove municípios (ou seja 40,90%) possuíam participação da indústria
de aproximadamente 10% ou mais. Já no final desta série histórica este
número passa para doze municípios (ou seja, 54,54%).Também destaca-se
negativamente Vale Verde que vê a sua participação industrial decair de
10,16% em 2001, para 4,99% em 2004, recuperando-se em 2005 para 7,65%.
Já na série histórica de 2005-2008 observa-se que praticamente todos
os municípios tiveram crescimento acima de 10% exceto Vera Cruz que teve
um grande impacto em 2008 fazendo que a sua variação ficasse negativa em
mais de 13%. Nesta série histórica fica ainda mais evidente a participação
preponderante de Santa Cruz e Venâncio Aires. Nesta série histórica suas
evoluções foram menores de 15,27% para Santa Cruz do Sul e 24,77% para
Venâncio Aires, o que fez com que a média regional não ultrapasse os 24,78%.
Sobre o perfil do VAB da série histórica de 2005-2008, podemos
perceber uma grande variação para baixo da participação industrial do VAB da
região. Se, no período de 2001 a 2005 houve uma pequena variação para cima
da participação industrial de 32,97% em 2001, para 35,97% em 2005. Na série
histórica de 2005 para 2008 há uma grande diferença saindo dos 35,97% em
2005, e chegando a 29,76% em 2008. A maior queda foi em 2006, quando
Santa Cruz do Sul teve uma expressiva perda de participação industrial
(48,26% em 2005 para 43,77% em 2006) afetando fortemente toda a região,
que caiu de 35,72% para 31,99%, em apenas um ano. Uma análise superficial
poderia induzir que a fuga da indústria poderia levar a economia para a
agropecuária. Contudo, não é isto que se observa. Em 2005 o setor de serviços
tem um aumento expressivo, partindo de 43,66% em 2004 para 49,37% em
2005, o que faz diminuir a participação da agricultura de aproximadamente
19% para menos de 15%. Com a queda da indústria em 2006, a agricultura
recupera parte do seu espaço, voltando para a casa dos 18%, mas são os
serviços que mais se expandem, até a casa de quase 52% em 2008.
No que tange ao VAB indexado, podemos perceber que a indexação
apenas suaviza as discrepâncias numéricas do VAB nominal, mas que a
tendência segue a mesma direção. Tendo como ano base o ano de 2001,
percebe-se um consistente crescimento da participação dos serviços na região
saindo de 100% (ano base 2001) para 123% em 2008, seguindo a tendência
de todo o Rio Grande do Sul.
A agricultura teve forte queda em 2002 e mantendo-se até 2004 com
pouca variação até sua reversão em 2005, seguindo a tendência do Estado
(que percebia isso de forma mais acentuada), contudo obteve forte
recuperação em 2006 e observou-se uma tendência de queda desde então,
chegando a 110% em 2008 (sendo o ano base de 2001 igual 100%) sendo que
em 2006 chegou a possuir 129%.
Esta recuperação da agricultura, está diretamente ligada com a forte
queda da Indústria, que caiu de 111% em 2005 para 103% em 2006, chegando
em 2008 ao mesmo índice de 2001, mostrando que apesar dos grandes
ganhos na primeira metade da década, a segunda metade fez com que região,
neste quesito, ficasse estagnada no tempo.
De uma forma geral podemos classificar a região com forte presença
dos setores terciários e primários na composição do PIB. O setor secundário só
tem a sua importância devido à participação de Santa Cruz do Sul e Venâncio
Aires. Santa Cruz do Sul que nestas séries históricas nunca teve a participação
do setor primário na casa dos 5% fecha em 2008 em menos de 3,9%. Sua
predominância industrial atinge a média de toda a região e quando este sofre
uma queda em 2006, toda a região sofre, fazendo que os índices de 2008, já
indexados, sejam os mesmos de 2001. A queda em 2006 restitui a importância
do setor primário, e abre caminho para já em marcha expansão do setor
terciário.
De forma geral a metade da década é um momento de grande
apreensão na região. A região que até então sempre obtivera crescimentos
médios maiores que o Estado, em percentuais comparativos, observa-se na
segunda metade da década passada, o Estado gaúcho galgar crescimentos
percentuais bem maiores do que a região, que desde então estaciona o seu
crescimento devido ao grande problema industrial que teve em meados da
década passada. Contudo, ainda assim consegue manter sua economia,
diversificando o seu campo de atuação, restituindo a importância da agricultura
e dando espaço para a expansão dos serviços.
Referências Bibliográficas:
MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia. 3ª. ed. Rio de Janeiro: Ltc, 1998.
ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à Economia. 17ª São Paulo: Atlas
S.A.., 1997.
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Produto Interno Bruto e Valor Adicionado