4 Opinião - [email protected] O Estado do Maranhão - São Luís, 3 de dezembro de 2013 - terça-feira OESTADOMaranhão DIRETOR DE REDAÇÃO: RIBAMAR CORRÊA “O Maranhão é uma saudade que dói e não passa. Não o esqueço um só dia, um só instante. É amor demais. Maranhão, minha terra, minha paixão.” DIRETOR COMERCIAL: GUSTAVO ASSUMPÇÃO José Sarney FUNDADORES: JOSÉ SARNEY E BANDEIRA TRIBUZI PRESIDENTE: TERESA SARNEY SECRETÁRIO DE REDAÇÃO: ADEMIR SANTOS - [email protected] COORDENADOR DE REDAÇÃO: CLÓVIS CABALAU - [email protected] COORDENADOR DE REPORTAGEM: DANIEL MATOS - [email protected] Editorial Expansão destruidora O avanço acelerado do desmatamento e da ocupação do solo em São Luís tem causado sérios danos ao meio ambiente da Ilha de Upaon-Açu, com a redução da fauna, prejuízos no equilíbrio ambiental, perda de biodiversidade, poluição de rios e desaparecimento de córregos. São afirmações contundentes feitas pelo repórter André Lisboa na abertura de uma reportagem de sua autoria lastreada por informações levantadas pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), mantido pelo Governo do Estado. Os dados do Imesc mostram o aceleramento de um processo de degradação ambiental na Ilha, em parte decorrente do crescimento da área urbana, e em parte por causa do descaso dos órgãos públicos e da própria população, que talvez por não receber corretamente os estímulos necessários, ainda não alcançou um estágio avançado de consciência ecológica. Tais conclusões podem ser facilmente constatadas numa incursão de observação nas mais diferentes regiões da cidade, incluindo o Centro, bairros e arredores. O primeiro problema de São Luís é o de que, muito embora os grandes eixos de crescimento urbanos tenham sito traçados no Governo José Sarney - que desatou as amarras do Centro em direção ao São Francisco e região das praias, com a ponte que leva seu nome; na direção do Itaqui, com a barragem do Bacanga; com a Cohab e outros caminhos -, as administrações municipais que se seguiram, com uma única exceção, não enxergaram a cidade por esse ângulo. A exceção foi a do prefeito Haroldo Tavares, que destravou a cidade com o Anel Viário. O que se seguiu foram mais de duas décadas de expansão urbana não planejada pela Prefeitura, a maior parte na forma de invasão, como o Co- roadinho e a Vila Olímpica, para citar apenas dois exemplos entre muitos. Grande parte desse "crescimento urbano" se deu com o desmatamento descontrolado, sem áreas de reserva e sem qualquer preocupação ambiental. As ocupações viraram "bairros" gigantescos, sem saneamento básico e sem cuidados com o meio ambiente, principalmente com as matas à sua volta. Além de ter a maior parte da sua expansão feita à base de foice e facão, com a derrubada de reservas preciosas de mata nativa e praticamente extinguir a fauna que resistiu a décadas e décadas de agressão, a São Luis institucional tem na Prefeitura Municipal o seu mais importante canal de expressão, representação, manutenção e projeção. O ponto As ocupações viraram “bairros” gigantescos, sem saneamento básico e sem cuidados com o meio ambiente Cabral "...até que a morte nos separe" Sobe-Desce BRENO ROSOSTOLATO A estudante e consultora de beleza Nayara Justino, de 25 anos, ainda não está acreditando que foi eleita a nova garota Globeleza no concurso promovido pelo "Fantástico". Ela obteve 53% dos votos do público e superou Camila Silva, que ficou com 47% dos votos. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão imediata de mais um condenado no mensalão: o ex-deputado federal Bispo Rodrigues (PRRJ). O pedido foi enviado ao STF, o que abre caminho para que o presidente da Corte Joaquim Barbosa, emita o mandado de prisão. Um dia como hoje 3 dezembro 1989 1937 2000 Nova ordem Integralismo Ranking Com o fim do bloco socialista e da URSS e em acordo com George Bush termina a Guerra Fria. Nasce uma nova ordem internacional. Os principais pólos do poder passam a ser Estados Unidos, Japão e Europa. Getulio Vargas resolver dissolver a Ação Integralista, de ideologia fascista, isto é, de extrema direita e seu principal objetivo era combater o comunismo e defendia a implantação de um governo ditatorial. O tenista brasileiro Gustavo Kuerten termina o ano como melhor colocado nos rankings de tênis profissional da ATP, ao vencer o norte-americano André Agassi, na final do torneio Masters de Lisboa. Um papa revolucionário AMADEU GARRIDO Não é exagero de expressão. Revolução não é insurgência violência contra as instituições assentadas. Tampouco é destruição de tudo para construção do inverso, do antípoda. É uma redefinição de valores, em busca de um novo caminho de evolução. E foi exatamente isso o que constou da primeira exortação de Francisco, na terça-feira passada, num documento sem a solenidade de uma encíclica, mas talvez mais importante por sua inteligência profunda e compromissada com a vida feliz, que é o fim do homem de nossos dias. A começar do titulo: "Evangeli Gaudium" ("A Alegria do Evangelho"). Um documento que propõe mudanças de valores, na Igreja e até mesmo na prática de seus irmãos franciscanos, como se vê de comentário feito por editorial do jornal O Estado de São Paulo. A tradicional filosofia dos franciscanos é manifestada, a procura dos desvalidos, mas com a consideração de novos ambientes sócio-culturais e mediante o emprego de novos procedimentos, "métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual". Não esqueceu sequer dos desafios ambientais. Propõe que a Igreja "sinta o cheiro das ovelhas" (a lembrança de uma infeliz confissão de um gene- ral que comandou o Brasil é inevitável), é dizer, que desde as paróquias até o Vaticano haja uma imersão no barro das periferias do mundo. Registrou as "novas formas de pobreza e fragilidade", como "os dependentes das drogas, os idosos e refugiados". Criticou a "economia de exclusão", a "idolatria do dinheiro" e a "tirania invisível dos mercados". Neste último passo, Francisco parece ter lembrado a inoperânia da "invisible hand" de Smith, Justiça distributiva é coisa bem diferente, é reconhecimento de direitos e não prestação de favores, a cargo do Estado mas é preciso não esquecer que o grande economista inglês jamais disse que essa mão invisível era capaz de criar um mundo sem pobres; muito ao contrário, o pai do liberalismo moderno sempre admitiu a trágica realidade dos despossuídos e propôs que o enfrentamento da miséria fosse o ponto principal de seu Estado mínimo. Ao longo da maior parte da história, o Estado deixou a cargo da Igreja o combate à miséria, e esta, so- focal do problema ambiental de São Luís, além da derrubada das matas, é o lixo. A cidade hoje padece de um gargalo nesse item de serviços básicos, pois, além de prestar um serviço medíocre na limpeza urbana, ainda não encontrou um caminho adequado e eficiente para manter a cidade e suas cercanias livres dos problemas ambientais. Ao contrário, eles só aumentam. As informações levantadas pelo Imesc são importantes e poderiam servir de referência para que as autoridades municipais balizassem um processo de planejamento destinado a disciplinar a ocupação do solo com a expansão da área urbana. Infelizmente, a julgar pelo que tem acontecido nestes 11 primeiros meses da atual gestão, não se vislumbra uma política visível e bem definida de ordenamento urbano. O "choque de ordem" que todos esperavam nos primeiros meses não veio. E de lá para cá as distorções se acomodaram, numa sinalização clara de que, para a atual administração, é melhor deixar como está. Pelo menos até outubro do ano que vem. bretudo, aos franciscanos. Muito pouco se fez, porquanto o simples ou simplório assistencialismo é somente um modo de manter o status quo, não de transformá-lo. Tudo continua como dantes e o governo brasileiro de hoje parece concordar com essa política imemorial, embora acredite que o assistencialismo começou com ele. Justiça distributiva é coisa bem diferente, é reconhecimento de direitos e não prestação de favores, a cargo do Estado e não da Igreja, que pode prestar uma colaboração subsidiária. O homem deve ser tratado como homem, por sua dignidade natural e não sob a demonstração de seus méritos, não raro sem oportunidades, sem espaços públicos e privados para fazê-lo, como se verifica do número, na casa dos milhões, deplorável da atual geração de jovens "nem-nem" (que não trabalham e não estudam). O papa Francisco demonstrou ter plena consciência disso, ao dizer que o mais importante é a abertura das portas, é dizer, a tal criação de condições para pescar. Uma mudança e tanto na concepção da Igreja, que ele conclui com a proposta de um diálogo diuturno com esse povão de Deus. O pontífice que amassava o barro das periferias de Buenos Aires talvez deixe a marca mais significativa na história da Igreja em todos os tempos. Advogado O ESTADO DO MARANHÃO não se responsabiliza por opiniões emitidas nesta seção. Os comentários, análises e pontos de vista expressos pelos colaboradores são de sua inteira responsabilidade. As cartas para esta seção devem ser enviadas com nome, número da carteira de identidade, endereço e, se possível, telefone de contato. Os textos devem ser encaminhados para a Redação em nome do editor de Opinião, avenida Ana Jansen, 200 - Bairro São Francisco - São Luís-MA - CEP 65.076-902 ou para os e-mails: [email protected] ou [email protected], ou ainda pelo fax (098) 3215-5054. A celebração e os votos solenes do casamento, baseados na Santa Eucaristia, fomentaram novas mentalidades e transformariam radicalmente o modo de pensar da sociedade ocidental. Lapidada através de conceitos que, na Idade Média, eram considerados algo sagrado e indiscutível, o casamento se consolida como uma instituição através de três pilares: oposição aos conceitos pagãos e, consequentemente, seu enfraquecimento; a obediência divina, logo, um controle das pessoas; e, por fim, os interesses materiais e políticos. Para os pagãos, o amor era subversivo, enquanto que para os cristãos, o amor deveria ser caridoso. Amor este que era visto com ressalvas, porque o casamento era muito sério para se admitir este sentimento ou algum envolvimento mais afetivo. O cristianismo enaltece o amor a Deus e somente assim deveria ser entendido. O casamento só é aceito através de uma relação monogâmica. Assim, as relações poligâmicas são ofuscadas e o conceito cristão de abdicar os bens materiais seria assim firmado como compromisso divino. Desta maneira, o controle das relações amorosas e principalmente ao sexo seria muito eficaz. O pretexto para a realização do casamento na Idade Média são os interesses políticos e sociais que envolvem a união de duas pessoas e, portanto, duas famílias. O negócio do casamento tinha como intuito a possibilidade de aumentar o patrimônio da família e, por fim, uma eficaz intervenção da igreja em uma sociedade sem limites. O crescimento e a prática da evangelização seria uma maneira de organizar a sociedade através da sujeição às leis divinas. A concepção de indissolubilidade do casamento é o grande marco na metamorfose social que as pessoas sofreriam. O amor não era cogitado entre o casal, no máximo poderia ser manifestado em casa de forma superficial e sem maiores envolvimentos íntimos. O intuito primordial da união conjugal era procriar, deixar herdeiros, ou seja, assegurar os bens da família e, principalmente, serventia religiosa. O amor era um sentimento renegado a ser coadjuvante no casamento. Inclusive, demonstrações de afeto em público eram consideradas vergonhosas e desrespeitosas, sinal de fraqueza dos homens que não sabiam ter autoridade e não se impunham à mulheres levianas e desonradas. Os conceitos enraizados ao casamento criaram visões e condutas sedimentadas através da repressão. Muitas pessoas sacrificam suas vidas em prol de um ideal e pagam altos preços pelo suposto conforto conjugal, porque casamento sempre foi defendido como sinônimo de felicidade, segurança e dignidade. Acontece que muitos encaram a união conjugal como uma oportunidade única de serem felizes e atribuem a esta relação e ao companheiro a salvação de suas vidas. Acreditam que suas vidas devem se fundir e criam muitas expectativas. Necessidades essas sustentadas por frustrações, faltas e perdas pessoais. Idealizam o outro e esperam que a fantasia se torne realidade, o que gera muita frustração e decepções, porque estas idealizações não se concretizam como elas gostariam. A necessidade de se moldar ao outro é uma tentativa desesperada de lidar com a solidão e um sentimento insuportável de abandono e o conceito da indissolubilidade do casamento eternizou a relação conjugal, logo, a possibilidade concreta de ter sempre alguém ao seu lado. A culpa de não cumprirem o destino que lhe foi ofertado pela vida faz com que as pessoas se sacrifiquem em prol da relação. Viver como uma única pessoa, praticando todas as tarefas juntas, faz com que comprometa suas identidades, características e singularidades. São relações sufocantes, em que se acredita que os dois devem ser um só. Não se pode ter prazer fora do casamento e, portanto, o conceito de exclusividade é inerente. Admirar ou achar alguém bonito fora do casamento é interpretado como traição. Concordo com a psicanalista Regina Navarro Lins, ao afirmar que o casamento não é confessionário, muito menos deve ser encarado como um conto de fadas ou eternos. Qual a necessidade de falar tudo para o outro ou saber tudo sobre o companheiro? Sentir desejo por outra pessoa é muito natural, mas a culpa faz com que muitos se confessem, dando margem para que o cônjuge acentue esta culpa se vitimizando. O matrimônio que se baseia no amor romântico, que possui como alicerces uma concepção de indissolubilidade e levam, muitas vezes, os casais a passarem por cima do próprio limite para enaltecer o parceiro, faz as pessoas acreditarem na crença de posse pelo outro, gerando muitos conflitos. O que meu parceiro faz ou deixa de fazer não é da minha conta. O casamento pode ser muito melhor do que este modelo que ai está. Para tal, não precisamos adotar novos modelos, mas admitir que talvez o melhor seja não ter um modelo a seguir. Rever o pacto de exclusividade e a indissolubilidade é preciso. O somaterapeuta e escritor, Roberto Freire, afirma que o máximo de segurança é escravidão. Inclino-me a esta consideração, pois muitas pessoas ainda acreditam que a felicidade é ter alguém na vida, buscando desesperadamente se casar para se sentirem seguras. Ideia equivocada. Temos que nos valorizar primeiro e encontrar a felicidade superando nossos medos e anseios sem transferir a nossa salvação a ninguém Psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina - FASM