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Opinião
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O Estado do Maranhão - São Luís, 3 de dezembro de 2013 - terça-feira
OESTADOMaranhão
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“O Maranhão é uma saudade que dói
e não passa. Não o esqueço um só dia,
um só instante. É amor demais.
Maranhão, minha terra, minha paixão.”
DIRETOR COMERCIAL: GUSTAVO ASSUMPÇÃO
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FUNDADORES: JOSÉ SARNEY E BANDEIRA TRIBUZI
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Editorial
Expansão destruidora
O
avanço acelerado do desmatamento e
da ocupação do solo em São Luís tem
causado sérios danos ao meio ambiente da Ilha de Upaon-Açu, com a redução da fauna, prejuízos no equilíbrio ambiental, perda de
biodiversidade, poluição de rios e desaparecimento de córregos. São afirmações contundentes feitas pelo repórter André Lisboa na abertura de uma reportagem de sua autoria lastreada
por informações levantadas pelo Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), mantido pelo Governo do
Estado.
Os dados do Imesc mostram o aceleramento de um processo de degradação ambiental na
Ilha, em parte decorrente do crescimento da
área urbana, e em parte por causa do descaso
dos órgãos públicos e da própria população,
que talvez por não receber corretamente os estímulos necessários, ainda não alcançou um
estágio avançado de consciência ecológica. Tais
conclusões podem ser facilmente constatadas
numa incursão de observação nas mais diferentes regiões da cidade, incluindo o Centro,
bairros e arredores.
O primeiro problema de São Luís é o de
que, muito embora os grandes eixos de crescimento urbanos tenham sito traçados no Governo José Sarney - que desatou as amarras
do Centro em direção ao São Francisco e região das praias,
com a ponte que
leva seu nome; na
direção do Itaqui,
com a barragem do
Bacanga; com a
Cohab e outros caminhos -, as administrações municipais que se seguiram, com uma única exceção, não enxergaram a cidade por esse ângulo. A exceção
foi a do prefeito Haroldo Tavares, que destravou a cidade com o Anel Viário. O que se seguiu foram mais de duas décadas de expansão urbana não planejada pela Prefeitura, a
maior parte na forma de invasão, como o Co-
roadinho e a Vila Olímpica, para citar apenas
dois exemplos entre muitos.
Grande parte desse "crescimento urbano"
se deu com o desmatamento descontrolado,
sem áreas de reserva e sem qualquer preocupação ambiental. As ocupações viraram "bairros" gigantescos,
sem saneamento
básico e sem cuidados com o meio
ambiente, principalmente com as
matas à sua volta.
Além de ter a
maior parte da sua
expansão feita à
base de foice e facão, com a derrubada de reservas preciosas de mata nativa e
praticamente extinguir a fauna que resistiu a
décadas e décadas de agressão, a São Luis institucional tem na Prefeitura Municipal o seu
mais importante canal de expressão, representação, manutenção e projeção. O ponto
As ocupações viraram
“bairros” gigantescos,
sem saneamento básico
e sem cuidados com
o meio ambiente
Cabral
"...até que a morte
nos separe"
Sobe-Desce
BRENO ROSOSTOLATO
A estudante e consultora
de beleza Nayara Justino,
de 25 anos, ainda não está
acreditando que foi eleita a
nova garota Globeleza no
concurso promovido pelo
"Fantástico". Ela obteve
53% dos votos do público e
superou Camila Silva, que
ficou com 47% dos votos.
O procurador-geral da
República, Rodrigo Janot,
pediu a prisão imediata de
mais um condenado no
mensalão: o ex-deputado
federal Bispo Rodrigues (PRRJ). O pedido foi enviado ao
STF, o que abre caminho
para que o presidente da
Corte Joaquim Barbosa,
emita o mandado de prisão.
Um dia
como hoje
3 dezembro
1989
1937
2000
Nova ordem
Integralismo
Ranking
Com o fim do bloco socialista e da
URSS e em acordo com George
Bush termina a Guerra Fria. Nasce
uma nova ordem internacional. Os
principais pólos do poder passam a
ser Estados Unidos, Japão e
Europa.
Getulio Vargas resolver dissolver
a Ação Integralista, de ideologia
fascista, isto é, de extrema direita
e seu principal objetivo era
combater o comunismo e
defendia a implantação de um
governo ditatorial.
O tenista brasileiro Gustavo
Kuerten termina o ano como
melhor colocado nos rankings de
tênis profissional da ATP, ao
vencer o norte-americano
André Agassi, na final do torneio
Masters de Lisboa.
Um papa revolucionário
AMADEU GARRIDO
Não é exagero de expressão. Revolução não é insurgência violência contra as instituições assentadas. Tampouco é destruição de tudo para construção do inverso, do antípoda. É uma redefinição de
valores, em busca de um novo caminho de evolução. E foi exatamente isso o que constou da primeira exortação de Francisco, na terça-feira passada,
num documento sem a solenidade de uma encíclica, mas talvez mais importante por sua inteligência
profunda e compromissada com a vida feliz, que é
o fim do homem de nossos dias. A começar do titulo: "Evangeli Gaudium" ("A Alegria do Evangelho").
Um documento que propõe mudanças de valores, na Igreja e até mesmo na prática de seus irmãos
franciscanos, como se vê de comentário feito por
editorial do jornal O Estado de São Paulo. A tradicional filosofia dos franciscanos é manifestada, a procura dos desvalidos, mas com a consideração de novos ambientes sócio-culturais e mediante o emprego de novos procedimentos, "métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual". Não esqueceu sequer dos desafios ambientais.
Propõe que a Igreja "sinta o cheiro das ovelhas"
(a lembrança de uma infeliz confissão de um gene-
ral que comandou o Brasil é inevitável), é dizer, que
desde as paróquias até o Vaticano haja uma imersão
no barro das periferias do mundo.
Registrou as "novas formas de pobreza e fragilidade", como "os dependentes das drogas, os idosos
e refugiados". Criticou a "economia de exclusão", a
"idolatria do dinheiro" e a "tirania invisível dos mercados". Neste último passo, Francisco parece ter lembrado a inoperânia da "invisible hand" de Smith,
Justiça distributiva é
coisa bem diferente, é
reconhecimento de direitos
e não prestação de favores,
a cargo do Estado
mas é preciso não esquecer que o grande economista inglês jamais disse que essa mão invisível era capaz de criar um mundo sem pobres; muito ao contrário, o pai do liberalismo moderno sempre admitiu a trágica realidade dos despossuídos e propôs
que o enfrentamento da miséria fosse o ponto principal de seu Estado mínimo.
Ao longo da maior parte da história, o Estado deixou a cargo da Igreja o combate à miséria, e esta, so-
focal do problema ambiental de São Luís,
além da derrubada das matas, é o lixo. A cidade hoje padece de um gargalo nesse item de
serviços básicos, pois, além de prestar um serviço medíocre na limpeza urbana, ainda não
encontrou um caminho adequado e eficiente para manter a cidade e suas cercanias livres
dos problemas ambientais. Ao contrário, eles
só aumentam.
As informações levantadas pelo Imesc são
importantes e poderiam servir de referência para que as autoridades municipais balizassem
um processo de planejamento destinado a disciplinar a ocupação do solo com a expansão da
área urbana. Infelizmente, a julgar pelo que tem
acontecido nestes 11 primeiros meses da
atual gestão, não se vislumbra uma política visível e bem definida de ordenamento urbano.
O "choque de ordem" que todos esperavam nos
primeiros meses não veio. E de lá para cá as distorções se acomodaram, numa sinalização clara de que, para a atual administração, é melhor
deixar como está. Pelo menos até outubro do
ano que vem.
bretudo, aos franciscanos. Muito pouco se fez, porquanto o simples ou simplório assistencialismo é
somente um modo de manter o status quo, não de
transformá-lo. Tudo continua como dantes e o governo brasileiro de hoje parece concordar com essa
política imemorial, embora acredite que o assistencialismo começou com ele.
Justiça distributiva é coisa bem diferente, é reconhecimento de direitos e não prestação de favores, a cargo do Estado e não da Igreja, que pode
prestar uma colaboração subsidiária. O homem deve ser tratado como homem, por sua dignidade natural e não sob a demonstração de seus méritos,
não raro sem oportunidades, sem espaços públicos e privados para fazê-lo, como se verifica do número, na casa dos milhões, deplorável da atual geração de jovens "nem-nem" (que não trabalham e
não estudam).
O papa Francisco demonstrou ter plena consciência disso, ao dizer que o mais importante é a
abertura das portas, é dizer, a tal criação de condições para pescar. Uma mudança e tanto na concepção da Igreja, que ele conclui com a proposta de um
diálogo diuturno com esse povão de Deus. O pontífice que amassava o barro das periferias de Buenos
Aires talvez deixe a marca mais significativa na história da Igreja em todos os tempos.
Advogado
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A celebração e os votos solenes do casamento, baseados na Santa Eucaristia, fomentaram novas mentalidades e transformariam radicalmente o modo de pensar da
sociedade ocidental. Lapidada através de conceitos que,
na Idade Média, eram considerados algo sagrado e indiscutível, o casamento se consolida como uma instituição
através de três pilares: oposição aos conceitos pagãos e,
consequentemente, seu enfraquecimento; a obediência
divina, logo, um controle das pessoas; e, por fim, os interesses materiais e políticos.
Para os pagãos, o amor era subversivo, enquanto que
para os cristãos, o amor deveria ser caridoso. Amor este
que era visto com ressalvas, porque o casamento era
muito sério para se admitir este sentimento ou algum envolvimento mais afetivo. O cristianismo enaltece o amor
a Deus e somente assim deveria ser entendido. O casamento só é aceito através de uma relação monogâmica.
Assim, as relações poligâmicas são ofuscadas e o conceito
cristão de abdicar os bens materiais seria assim firmado
como compromisso divino. Desta maneira, o controle
das relações amorosas e principalmente ao sexo seria
muito eficaz. O pretexto para a realização do casamento
na Idade Média são os interesses políticos e sociais que
envolvem a união de duas pessoas e, portanto, duas famílias. O negócio do casamento tinha como intuito a possibilidade de aumentar o patrimônio da família e, por fim,
uma eficaz intervenção da igreja em uma sociedade sem
limites. O crescimento e a prática da evangelização seria
uma maneira de organizar a sociedade através da sujeição às leis divinas.
A concepção de indissolubilidade do casamento é o
grande marco na metamorfose social que as pessoas sofreriam. O amor não era cogitado entre o casal, no máximo poderia ser manifestado em casa de forma
superficial e sem maiores envolvimentos íntimos. O intuito primordial da união conjugal era procriar, deixar
herdeiros, ou seja, assegurar os bens da família e, principalmente, serventia religiosa.
O amor era um sentimento renegado a ser coadjuvante no casamento. Inclusive, demonstrações de afeto
em público eram consideradas vergonhosas e desrespeitosas, sinal de fraqueza dos homens que não sabiam ter
autoridade e não se impunham à mulheres levianas e desonradas. Os conceitos enraizados ao casamento criaram
visões e condutas sedimentadas através da repressão.
Muitas pessoas sacrificam suas vidas em prol de um ideal
e pagam altos preços pelo suposto conforto conjugal,
porque casamento sempre foi defendido como sinônimo
de felicidade, segurança e dignidade.
Acontece que muitos encaram a união conjugal como
uma oportunidade única de serem felizes e atribuem a
esta relação e ao companheiro a salvação de suas vidas.
Acreditam que suas vidas devem se fundir e criam muitas expectativas. Necessidades essas sustentadas por frustrações, faltas e perdas pessoais. Idealizam o outro e
esperam que a fantasia se torne realidade, o que gera
muita frustração e decepções, porque estas idealizações
não se concretizam como elas gostariam.
A necessidade de se moldar ao outro é uma tentativa
desesperada de lidar com a solidão e um sentimento insuportável de abandono e o conceito da indissolubilidade do
casamento eternizou a relação conjugal, logo, a possibilidade concreta de ter sempre alguém ao seu lado. A culpa
de não cumprirem o destino que lhe foi ofertado pela vida
faz com que as pessoas se sacrifiquem em prol da relação.
Viver como uma única pessoa, praticando todas as tarefas
juntas, faz com que comprometa suas identidades, características e singularidades. São relações sufocantes, em que
se acredita que os dois devem ser um só. Não se pode ter
prazer fora do casamento e, portanto, o conceito de exclusividade é inerente. Admirar ou achar alguém bonito fora
do casamento é interpretado como traição.
Concordo com a psicanalista Regina Navarro Lins, ao
afirmar que o casamento não é confessionário, muito
menos deve ser encarado como um conto de fadas ou
eternos. Qual a necessidade de falar tudo para o outro ou
saber tudo sobre o companheiro? Sentir desejo por outra
pessoa é muito natural, mas a culpa faz com que muitos
se confessem, dando margem para que o cônjuge acentue
esta culpa se vitimizando. O matrimônio que se baseia no
amor romântico, que possui como alicerces uma concepção de indissolubilidade e levam, muitas vezes, os casais
a passarem por cima do próprio limite para enaltecer o
parceiro, faz as pessoas acreditarem na crença de posse
pelo outro, gerando muitos conflitos. O que meu parceiro
faz ou deixa de fazer não é da minha conta.
O casamento pode ser muito melhor do que este modelo que ai está. Para tal, não precisamos adotar novos modelos, mas admitir que talvez o melhor seja não ter um
modelo a seguir. Rever o pacto de exclusividade e a indissolubilidade é preciso. O somaterapeuta e escritor, Roberto
Freire, afirma que o máximo de segurança é escravidão. Inclino-me a esta consideração, pois muitas pessoas ainda
acreditam que a felicidade é ter alguém na vida, buscando
desesperadamente se casar para se sentirem seguras. Ideia
equivocada. Temos que nos valorizar primeiro e encontrar
a felicidade superando nossos medos e anseios sem transferir a nossa salvação a ninguém
Psicólogo e professor da Faculdade
Santa Marcelina - FASM
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