X Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo Fatos e Mitos em Ciência do Solo Pelotas, RS - 15 a 17 de outubro de 2014 Núcleo Regional Sul INFLUÊNCIA DO Pisolhitus microcarpus NO CRESCIMENTO DE Eucalyptus grandis EM SOLO CONTAMINADO COM COBRE Andre Luís Grolli(1); Douglas Leandro Sheid(1) ; Rodrigo Ferreira da Silva(2); Toniel Ohlweiler(3) (1) Estudante; Universidade Federal de Santa Maria; Centro de Educação Superior Norte do Rio Grande do Sul, Linha Sete de Setembro s/n, BR386, Km 40, CEP 98400-000, Frederico Westphalen (RS); [email protected]; [email protected]; (2) Professor; Universidade Federal de Santa Maria; Centro de Educação Superior Norte do Rio Grande do Sul, Linha Sete de Setembro s/n, BR386, Km 40, CEP 98400-000, Frederico Westphalen (RS) [email protected]; (3) Estudante; Universidade Federal de Santa Maria; Centro de Educação Superior Norte do Rio Grande do Sul, Linha Sete de Setembro s/n, BR386, Km 40, CEP 98400-000, Frederico Westphalen (RS) [email protected]. RESUMO–O cobre é um micronutriente essencial para as plantas, porém em excesso no solo causa toxidez e redução da fotossíntese. As Ectomicorrizas são fungos que formam associação simbiótica com plantas vasculares, aumentando a absorção de água e nutrientes, bem como auxiliando na tolerância das plantas a metais pesados. O eucalipto é uma planta do gênero das Mirtáceas, nativo da Oceania e cultivado em diversos países. O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito de Pisolhitus microcarpus em mudas de Eucalyptus grandis cultivadas em solo contaminado com cobre. O experimento foi conduzido em casa de vegetação na Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen – RS. O isolado ectomicorrízico utilizado para inoculação das mudas foi o Pisolithus microcarpus, a espécie testada foi o Eucalyptus grandis, o delineamento experimental foi inteiramente casualizado em arranjo fatorial (2 x 4), (com ou sem inoculação de fungo ectomicorrízico) ((com quatro doses de cobre) (nível natural do solo, 150, 300 e 450 mg kg-1)), com cinco repetições sendo avaliado os seguintes parâmetros altura, massa seca aérea e radicular e percentual de colonização radicular. As mudas inoculadas com fungos ectomicorrízicos apresentaram maior altura em relação as não inoculadas, e o peso da massa seca radicular foi maior na dose mais elevada de Cu nas mudas inoculadas. A inoculação com fungo ectomicorrízico Pisolithus microcarpus proporciona maior altura das mudas em doses elevadas de cobre no solo. Palavras-chave: cobre, eucalipto e ectomicorrízas. INTRODUÇÃO- A intensificação das atividades industriais, agrícolas e de urbanização, vem aumentando a poluição do solo por metais pesados, resultando em impactos ambientais (ANDREAZZA et al., 2010). O cobre é um micronutriente essencial para as plantas, sendo um pré-requisito para seu crescimento e desenvolvimento, porém em excesso no solo, o cobre causa sintomas de toxicidade e redução da fotossíntese (YRUELA, 2013). No estado do Rio Grande do Sul, a contaminação com elevadas concentrações de Cu ocorrem na serra do nordeste, nas áreas de vitivinicultura por utilização da calda bordalesa [CuSo4 + Ca(OH)2], e na serra do sudeste, nas áreas de mineração de cobre (Andreazza et al., 2013) Ectomicorrízas são fungos que formam associação simbiótica com plantas vasculares, ao associarem-se com as raízes das plantas estes desenvolvem estruturas que aumentam a absorção de água e nutrientes pelas plantas (ANDREAZZA et al., 2004), estas estruturam também podem formar uma barreira físico-química, protegendo as plantas da presença de metais pesados e outros poluentes tóxicos as plantas (MOREIRA e SIQUEIRA, 2006). Assim a associação entre planta e fungo pode contribuir para o desenvolvimento de plantas em solo contaminado com cobre. Os benefícios indiretos das ectomicorrizas proporcionam maior tolerância a diversos estresses bióticos ou abióticos, aos quais as plantas são submetidas (BRUNDRETT, 2009) e na ausência da aplicação de fertilizantes as plantas tornam-se mais dependentes da simbiose com fungos ectomicorrízicos (SOUSA et al., 2012). O eucalipto é uma planta do gênero das Mirtáceas, nativo da Oceania e cultivado em diversos países (HASSE, 2006). Algumas espécies apresentam capacidade de crescer em solo contaminado com Zn e outros metais pesados, Magalhães et al. (2011), ao avaliar o potencial de duas espécies de eucalipto na fitoestabilização de solo contaminado com Zn, observaram que o E. urophylla, acumula Zn principalmente no caule, e o E. saligna mantém maior parte do Zn retido nas raízes. Assim, estudos que contemplam avaliar o efeito da micorrização no Eucalyptus saligna e seu comportamento em solo contaminado por metais ganham importância para aumentar a oferta de madeira e utilizar áreas degradadas à fins lucrativos. O objetivo desse trabalho foi avaliar o efeito de Pisolhitus microcarpus em mudas de Eucalyptus grandis cultivadas em solo contaminado com cobre. MATERIAL E MÉTODOS- O experimento foi conduzido em casa de vegetação na Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen – RS. O solo utilizado foi classificado como Latosssolo Vermelho Distrófico típico (Embrapa, 1999), com as seguintes X Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo Fatos e Mitos em Ciência do Solo Pelotas, RS - 15 a 17 de outubro de 2014 características físicas e químicas: pH água: 4,9; Ca + Mg = 5,4 cmolc kg-1; Al = 4,3 cmolc kg-1; H+Al = 6,6 cmolc Kg1 ; P = 6,6 mg dm-3; K = 111,0 mg dm-3; Zn = 1,6 mg dm-3; Cu = 15,1 mg dm-3; matéria orgânica = 2,4%; e argila = 81%. O solo foi esterilizado em autoclave, em três ciclos a temperatura de 121°C durante 30 minutos. O isolado ectomicorrízico utilizado para inoculação das mudas foi o UFSC-Pt116 (Pisolithus microcarpus). O fungo foi multiplicado em placas de Petri contendo meio MNM sólido (Melin-Norkrans Modificado) (MARX, 1969), em BOD com temperatura de 25°C. Para a realização da inoculação dos fungos foi utilizado o micélio fúngico contido em duas placas de Petri, sendo triturado em liquidificador durante 10 segundos em 600 mL de água destilada. Posteriormente foi aplicado 2 mL dessa solução em cada muda. As inoculações foram realizadas em intervalos de 15 dias, sendo a primeira 15 dias após emergência das plantas, totalizando 5 inoculações durante o período de condução do experimento. As mudas sem inoculação, receberam 2 mL de uma solução contendo somente o meio de cultura MNM triturado em liquidificador. As mudas foram mantidas em casa de vegetação durante 180 dias. A espécie de eucalipto testada foi o Eucalyptus grandis, cujas sementes foram fornecidas pela Estação de Pesquisas Florestais - FEPAGRO de Santa Maria - RS. As unidades experimentais (UE) utilizadas foram tubetes com volume de 96 cm³. Foram semeadas 5 sementes por tubete e, 10 dias após a emergência foi realizado o desbaste, deixando-se apenas uma planta por UE. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em arranjo fatorial (2 x 4), sendo qualitativo em A (com ou sem inoculação de fungo ectomicorrízico) e quantitativo em D ((com quatro doses de cobre) (nível natural do solo, 150, 300 e 450 mg kg-1)), com cinco repetições. A contaminação do solo foi por meio da adição de sulfato de cobre (CuSO4 . 5H2O). Os parâmetros avaliados foram altura de planta, massa seca aérea (PMSA), massa seca radicular (PMSR), percentagem de colonização radicular (CM). A altura de planta foi avaliada com régua graduada de 30 cm. A massa seca da arte aérea e radicular foi obtida com a separação da parte aérea da parte radicular na região do colo da muda e posteriormente secado em estufa com circulação de ar forçado a temperatura de 65°C até peso constante. Após, ambas as partes foram pesadas. As raízes foram submetidas ao procedimento de clareamento e coloração descrito por Brundrett et al. (1996) e posteriormente foi calculado o percentual de colonização radicular pelo método da placa quadriculada (GIOVANNETI e MOSSE, 1980), pela equação CM = (n° total de raízes colonizadas / n° total de raízes) x 100. A área superficial específica do sistema radicular foi estimada segundo Tennat (1975). Os resultados foram submetidos à análise de variância e quando encontrado significância, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. Equações de regressão foram ajustadas para as doses Núcleo Regional Sul de cobre no solo, tomando-se como base os níveis de significância maiores que 95% (p < 0,01), utilizando o programa estatístico SISVAR (FERREIRA, 2011). RESULTADOS E DISCUSSÃO- Os resultados evidenciaram interação significativa entre os tratamentos com dose de cobre e associação com os fungos ectomicorrízicos para a altura, massa seca aérea, massa seca radicular e porcentagem de colonização radicular. As doses de cobre influenciaram negativamente a altura, massa seca da parte aérea e radicular e no percentual de colonização radicular. As mudas inoculadas com fungos ectomicorrízicos apresentaram maior altura em relação as não inoculadas (Figura 1A). Esse resultado é semelhante aos obtidos por Steffen et al. (2011), no qual mudas de Eucalyptus grandis inoculadas com o isolado UFSCPt116 também apresentaram maior altura, cultivadas em solo arenoso contaminado com cobre. Os resultados demonstram o efeito positivo da inoculação de fungos ectomicorrízicos na altura de mudas de Eucalyptus grandis em solo argiloso contaminado com cobre. A massa seca radicular da mudas inoculadas com o isolado ectomicorrízico apresentou decréscimo linear com o aumento das doses de cobre, entretanto, na dose mais elevada as plantas inoculadas apresentaram médias superiores às mudas sem inoculação (Figura 1C), este resultado pode estar relacionado aumento a área de absorção das raízes em decorrência da presença de hifas dos fungos possibilitando o crescimento de plantas em solos degradados e com baixa disponibilidade de nutrientes (BERTOLAZI et al., 2010). O percentual de colonização radicular apresentou ponto de máxima eficiência com 105 mg kg-1 de cobre adicionado no solo (Figura 1D). Campos et al. (2011) encontrou percentual de colonização radicular similar, isto é, colonização radicular de 21.7% em plantios jovens de eucalipto. Embora as doses de cobre tenham reduzido a porcentagem de colonização radicular, a formação de ectomicorríza pode auxiliar o desenvolvimento de Eucalyptus grandis, conforme observado para a altura de mudas. CONCLUSÕES– A inoculação com o fungo ectomicorrízico Pisolithus microcarpus proporciona maior altura das mudas de Eucalyptus grandis em doses elevadas de cobre no solo. Isto demonstra um potencial de utilização do isolado em estudo em áreas contaminadas com cobre. 2 X Reunião Sul-Brasileira de Ciência do Solo Fatos e Mitos em Ciência do Solo Pelotas, RS - 15 a 17 de outubro de 2014 Núcleo Regional Sul Figura 1: Altura de planta (A), massa seca aérea (B), massa seca radicular (C) e percentual de colonização radicular (D) Eucalyptus grandis produzida nas diferentes doses de cobre, com e sem inoculação de fungo ectomicorrízico Pisolithus microcarpus. REFERÊNCIAS ANDREAZZA, R.; et al. Espécies de Pisolithus sp. na produção de mudas de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden em solo arenoso. 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