EMBRAPA
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA
Vinculada ao Ministério da Agricultura
Departamento de Diretri zes e Método s de Planejamento
TAXAS D E RETORNO
DOS INVESTIMENTOS DA EM BRAPA:
NVESTIMENTOS TOTAIS E CAPITAL FlslCO
Departamento de I nformação e Documentação
Brasília, DF
1982
EM'RAPA
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA
Vinculada do Minist'rio da Agricultura
Departamento de Diretrizes e M'todos de Planejamento - DOM
TAXAS DE RETORNO DOS INVESTIMENTOS DA EMBMPA:
INVESTIMENTOS TOTAIS E CAPITAL FlslCO
Elmar Rodriguee da Cruz
Victor Palma
Antonio Flavio Dias Avila
DIip.".",cMto de InformaçlO e Documentaçlo
Brasflia, DF
1982
EMBRAPA - DOM. Documentos. 1
Exemplares deste trabalho devem ser solicitados ao
Departamento de InformaçAo e DocumentaçAo da EMBRAPA
Ediffcio Venâncio 2.000 - 2° subsolo
Caixa Postal 11-1316
70333 - Brasflia. DF - Brasil
Cruz~
Elmar Rodriguas da
Taxas de retorno dos invastimentosda EMBRAPA: investimentos totais e capital flsico. por Elmar Rodriguas da Cruz. Victor
Palma e Antonio Flavio Dias Avila. Brasflia. EMBRAPA-DID. 1982.
47p. (EMBRAPA-DDM. Documantos. 11
, . Instituições de pasquisa - EMBRAPA - Pesquisa - InvestimeDtos - Retorno. 2. Economia rural. I. Palma. Victor. colab.
11. Avila. Antonio Flavio Dias. colab.lII. Emprasa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Departamento de Diretrizes e Métodos de
Planejamento. Brasflia. DF. IV. Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária. Departamento de Informação e Documentação.
Brasflia. DF. V. Titulo. VI. Série.
CDD
338.1
@ EM8BAPA. 1982
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
5
2. ASPECTOS CONCEITUAIS E METODOLOGICOS DA
TEORIA DO CAPITAL
6
3. CUSTOS E BENEF(CIOS DA PESQUISA DA EMBRAPA 20
4. TAXAS DE RETORNO DA PESQUISA 38
5. ·SI'NTESE E CONCLUSOES 41
6. LITERATURA CITADA 42
ANEXO 47
TAXAS DE RETORNO DOS INVESTIMENTOS DA EMBRAPA:
hweetimentos Totais e Capital Fisico·
,Elmar Rodrigues da Cruz··
Victor Palma···
Antonio Flavio Dias Avila····
1. INTRODUÇÃO
A pesquisa agropecuária de vários paises é alvo constante de avaliação
buscando-se estimar as taxas de retomo de seus investimentos. Os resultados
têm mostrado que a pesquisa é altamente rentável para a sociedade, tanto a
nivel agregado como a nivel de produtos isolados. No caso brasileiro, as avaliações até agora feitas se limitaram a programas de pesquisa ligados a produtos especificos, mas, de qualquer forma, igualmente mostraram a elevada
rentabilidade de seus investimentos.
Segundo Schuh & Tollini (1978), a avaliação da pesquisa agropecuária
é de fundamental importAncia, já que ela dá valiosos subsidios para se justificar o apoio recebido dos órgãos financeiros, assim como, fornece a base
para tomar mais eficiente o processo de alocação de recursos. Por conseguinte,
a pesquisa terá melhores condições de contribuir para o desenvolvimento agricola do pais .
• A realizaçlo deste trabalho nlo teria sido possIwl sem a colaboraçlo dos economiatas
agrlcolas das Unidades de Pesquisa da Empresa, os quais contribulram para o célculo
dos benefIcios de pesquise. A relaçlo nominal desses colegas encontra-se no Anaxo.
Igualmente. a colaboraçlo do Departamanto de Petrimônio e Administraçlo (OPA) e do
Departamento da Receita e Programaçlo Orçamentjria (ORO,. foi fundamantal pera
este trabalho. pois eles forneceram informaç6es dos investimentos e custos da
EMBRAPA desde SUl criaçlo.
•• Peequisador do DOM, com Ph.D. em Economia AgrlcoJa.
••• Chefe do DOM, com Ph.D. em Economia ~grlcoIJ .
•••• l"e&quisador do DOM. com doutorado em Economia Rural.
5
A EMIsRAPA, principal órgão braaileiro de pe8qUiaa alP'opecuAria,
a.,.ar de ter começado a operar recentemente. chegou atual~ente a um ~n.to
em que uma avaliaçAo agresada de seu programa de peaqulsa se toma andls,
penaivel. Onde 1973. o pat. vem fazendo altos inveetimentos em peaquÍBa
atravéa da Empawa. tendo no pertodo 1973/80. evoluldo de cerca de
UM 10 mi1h6ee a maia de USf 150 milhões. Em contrapartida. o Bra8i1 na 8ua
coadiçlo de pala em via de desenvolvimento e, portanto. com recursos limita·
do•• nlo pode.e dar ao luxo de fazer grandes inve8timento8 na pesquisa sem
88 preocupar com a rentabilidade e com o retomo d08 mesm08.
Eua preocupaçio exÍ8te. atualmente. no Ambito da EMBRAPA. Este
trabalho pioneiro tem por objetivo eetimar as taxaa de retomo dos inve8timen·
to. tanto para a Empresa como um todo. quanto somente em relação ao seu
capital ftmco·
O trabalho serA apresentado de acordo com o .eguinte plano:
Primeiramente. aerlo revisad08 08 principais a8pectos conceituais f
metodol6lico8 da teoria do capital relacionados com o proce8SO de avaliação.
Apó8. eerIo apreeentadoe 08 cU8to8 totais e o capital ftsico da Empre8a. assim
como 08 benefici08 por ela gerados. Na seçAo seguinte. 8erio di8cutidas a8
taxa8 de retomo obtidaa (taxa interna e taxa média de retomo), e comparadas
com outru taxa8 obtidaa em trabalho8 de avaliaçAo da pe8quisa realizadas
no pat. e no exterior. Ao final do trabalho. apresentar-se-A uma 8inte8e do
mesmo, realçando-se 8088 conclusões principais.
2. ASPECTOS CONCEITUAIS E METODOLÓGICOS DA TEORIA
DO CAPITAL
2.1. Aspectos Conceituaie de "Capital"
O conceito de "capital", na literatura econômica. apresenta certa
ambigUidade. Por iato se justifica o fato de que e8tud08 na Area especificam,
tipicamente. o tipo de capital a que se referem. Kendrlck (1961) menciona o fato
que Irving Fisher. foi o primeiro economÍBta a 8eparar claramente os aspectos
de eetoque de capital e o fluxo de 8eus 8erviços. A abordagem do capital como
um estoque faz o elo entre o conceito econômico de capital e o correspondente
conceito amtAbil. Para o Produto Nacional Bruto daa contas nacionais o
capital entra com aquela quantidade do fator de produçio que é con8umida
no P~80 produtivo para a geraçAo do produto final. E. portanto, um fluxo
de l81'Vlçoa, a exemplo do que ocorre com 08 serviços de mão-de-obra para a
geraçlo do produto. <>Cone que a mão-de-obra teria que ser dividida em duas
parte~
• No ....... de 1982. o DDM dev_ publicar nests mesma sérIe um trabalh~ que analisa os
retornoe do. Investlmentoe da EMBRAPA em capItal Ilumano
6
l")Mlo-de-obra utilizada na produçAo. cuja remuneração é totalmente
incorporada ao. cuto. de produçAo de um (mico pertodo contAbil. Tal
serviço da mio-de-obra provoca deslocamentos ao 10Dgo da meema
função de produção.
2")Serviçoe canali ••dOl para o avanço tecnol6lico, delll.".wlo a
"'nolo de produção. Tal praçio de conhecimmta. poder6~iDcor­
porada ao capital ftaico, e provocar dMta fonna um fluxo de virios
ano. de serviçoll de capital. t eutamente este o tipo de serviço que
a peeqUÍ8a presta é sociedade, através do deelocamento da função de
produção all'8trada da agricultura, é medida em que os resultados da
peequiaa forem sendo incorporados ao processo produtivo. Neste
contexto. todos os gaato8 com a peaquiaa podem ser coDBideradoa
como investimento em capital. Nestes gaatoa, incluem-ae a parcela
deatinada ao capital ftaico, aos aa1Arios e aos outros cuateios.
Para Domar (1961), o capital ftsico pode ter vãrios papéis~
1°)aer uDÍcamente produto final, no sentido de que ele é vendido para
fora do setor produtivo (por exemplo, exportado);
2")aer o produto de uma indústria e o insumo de outra;
3°) ser parte do produto de uma ind6atria e usado como insumo na
mesma indústria; e
4°) ser de caráter ÍDSumo-produto, simultaneamente, entre viria.
indíi8trias.
Levando-ae em conta estas peculiariedadea, aeguado Kendrick (1961), o
capital como estoque tem sido definido como o valor presente do fluxo de uma
série de receitas I1quidas esperadas de um bem ou de um conjunto de bens.
Taia bens podem ser tanto tangiveis (bena ftaicoe), como intaDgiveis (formas
de organização. por exemplo).
~2.
Priacipais Hip6tesee Utilizada. na Literat1Íra do Capital
Ffaieo
Embora a definiçlo de capital dada anteriormente posaa ser intuitivamente simples, há certas dificuldades de ordem prática para a sua mensura. ção, o que provoca a utilização de hipóteses simplificadoras. Segundo
. Jorgen80n & Griliches (1967). a mensuração de capital do apresentaria problemas caso fosse p088ivel aeparar, sem dificuldade-, os componentes de preço
e quantidade. No caao da mio-de-obra. por exemplo, pode-se calcular a teu
de salários (preço) e o níimero de horas trabalhadas (quantidade) de cada
operário. Acontece que, no caso de capital, seus serviçoe nlo slo, geralmente,
comprados e vendidos por unidades econômicaa distintas. O preço do serviço
de capital (valor de seu aluguel) e sua quantidade (ex. horas/máquina) nem
sempre podem ser pn!CÍsamente detel1DÍl!ados. Mesmo em casos mais simples,
7
onde o preço do aluguel pode ser determinado, imperfeições do mercado podem
implicar em sérias distorções sobre a medição de capital. Tome-se, por exem·
pIo, o caso de dois tratores da mesma potincia, mas um deles dispondo de
tecnologia mais avançada, que prolonga a sua vida 6til. Dado o fato do trator
comum dispor de menor nÍlmero de horas de vida 6til, seu valor de mercado
(o valor presente do fluxo de beneficios futuros) será menor que o do trator
novo, muito embora o fluxo de serviços de um dado ano po888 ser o mesmo para
ambos. Diferenças no valor de mercado poderiam resultar em diferençaa no
valor de aluguel de cada trator.
Para Griliches (1963), o verdadeiro valor de aluguel de um bem não
mudaria simplesmente por causa do aparecimento de novas máquinas. Este
valor mudaria somente se o fluxo flsico de serviços se deteriorasse em virtude
do desgaste do equipamento. Tal colocação evitaria que donos de bens de
capital tivessem preju1zos com o custo de oportunidade de miquinas ainda
em bom estado de uso. Dentro deste racioclnio, justifica-se a hipótese, comumente utilizada na literatura (ex. Jorgenson &: Griliches 1967), de que o serviço
de bens de capital é proporcional ao seu estoque (independentemente de sua
utilização relativa).
Outra hipótese, bastante utilizada na literatura, é a de que o desgaste do
equipamento declina exponencialmente, através do tempo (Diamond 1965).
-Combinando.ea.estas duas hipõteses, o estoqu~ acumulado de investimentos passadosl~k)..no k.fiimo bem de capital k, Uquido de depreciação
satisfaz a relação:
(1)
onde,3t;é a taxa de depreciação do bem de capital.
Antes de se considerar a tributação. o preço'Pk do serviço de um bem de
capital poderia ser estabelecido:
Pk •
Clt
ir. ê\ --!;- J.
(2)
~nde r é a taxa de retomo do capital como um todo (custo de oportunidade) e
~CJt é a taxa do ganho do k-ésimo bem de capital. Dadas as imperfeições
de mercado,. "t'pode ser bastante diferente do aluguel de um bem de capital•.
• Para detalhas de outros problemas na mensuraçao de capital (p. ex. agregaçaol, veja
Jorgenson & Grilichas (19671.
8
2.3. Aspectos Metodológicos do Retorno do Capital
Uma p'a rte substancial dos textos legados pelos economistas clãssicos
está voltada para a remuneração dos fatores de produção. Tal assunto permanece controvertido até hoje, ocupando bastante espaço na análise da distribuição da renda, onde a determinação do preço dos fatores produtivos ocupa
importância primordial (Samuelson 1967 - Parte 4, Capo 28). O ponto de partida
foi a remuneração do fator terra. Em que pese ó fato da teoria econômica deno. minar de renda os pagamentos feitos a fatores de produção com oferta inelãstica, é a terra que, sem dúvida, oferece o exemplo mais tipico deste conceito.
Por outro lado, hã certos fatores de produção cuja oferta é elãstica a
longo prazo, porém inelãstica a curto prazo. Marshall (1920) cita, por exemplo, o caso de "máquinas e outros instrumentos feitos pelo homem", que são
parte do que hoje se denomina "capital fisico". Para Marshall, os proventos
decorrentes destas máquinas não se aj ustam rapidamente às variações das
condições do mercado. Portanto, a remuneração deste tipo de capital não pode
ser enquadrada como juro, que é a remuneração do capital livre. Surgiu, então,
a denominação de quase-renda para representar a remuneração do capital
fisco. Observe-se que, quanto menor o periodo de tempo, maior é o número de
recursos fixos, e vice-versa. Portanto, o conceito de quase-renda é inteiramente dependente do periodo de tempo considerado. Neste contexto, existe
uma implicação direta entre quase-renda e o valor de mercado de um bem de
capital. Segundo Baily (1981), o valor de mercado do capital é o valor presente
descontado do fluxo de quase-rendas anuais, durante a vida útil do capital.
2.3.1. ApresentaçAo gráfica e albébrica da quase-renda
Graficamente, o conceito de quase-renda poderá ser ilustrado através
da Figura 1 (Bilas, 1967):
Ao preço PAI, serão produzidas AI unidades de produto. A firma em
concorrência pura estará maximizando os lucros, pois no ponto ,D a receita
marginal (RM.I) se iguala ao custo marginal de curto prazo (CM,.,.).
O pagamento aos fatores variáveis (ex. mão-de-obra) será, OBCAI, pois
é no ponto C que a curva de custos variáveis de curto prazo (CVMq.) relaciona-se com a quantidade AI.
A quase-renda será então representada pela área BPAIDC, pois é no
ponto F que a curva de custo total mécljo de curto prazo (Cl'M,.) oonE8pOllde à quantidade AI. Como a área BEFC cobre os custos fixos (correspondendo a diferença entre o custo total médio e o custo variável médio), o lucro puro do empresário será EPAIDF no curto prazo, e a quase-renda representa simplesmente
a diferença entre a receita total e o custo variável.
Se, para uma ~ova máquina adicion8I, ocorrer o caso em que seu custo
de oportunidade seja igual à sua recêita ~tal (PAIoA I), então o lucro desapare-
9
,,
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A,
Alt
Figur. 1 - lIustreçio de qu.... rend.
ce, e a quase-renda se aproxima do conceito de "juro", remuneração de capital
livre.
Observa-se que a Figura 1 omite pontos importantes do aspecto tempo
que é fundamental para o entendimento do conceito de quase-renda. Por esta
razão, deve-se recorrer à representação algébrica deste conceito.
Henderson & Quandt (1971) apresentam de forma bastante compacta
o conceito da função quase-renda. Suponha-se que um empresàrio deseja
operar uma máquina no período t=O a t=l. O problema deste empresàrio ê
maximizar o valor presente do fluxo da quase-renda resultante da operação
da máquina. Este fluxo representa a diferença entre a receita anual de vendas
menos os custos variáveis anuais desta máquina.
O fluxo da qu.ase-renda no instante t, representado por Z.~:
Z, = pq, - C{q.) - M(q"t)
onde:
10
(3)
p = preço do produto
q. = quantidade produzida no ano t
C(q.) = custos variáveis
M(q.,t) = c~stos de manutenção que dependem do ritmo de utilização da
máquina e do fator tempo.
Para maximização dos lucros, diferencia-se 'Z, com respeito a q•. e
iguala-se a zero, a exemplo do que se faz nas aplicãções convencionais de
maximização,
.
. (4)
e,manipulando-se algebricamente, obtém-se o resultado clássico da receita
marginal igual ao custo marginal:
(5)
Desta forma, o empresário iguala, em cada ponto do tempo, o preço do
produto (receita marginal) com os custos marginais, constituidos da soma dos
custos de insumos e de manutenção. Esta relação vale para todos os pontos
de tempo de vida útil da máquina, presumindo-se o valor zero da máquina ao
final de sua vida útil. Novamente aqui fica implicito que a quase-renda em (3)
tem que ser, no minimo, igual ao custo de oportunidade do capital para a máquina ser atrativa ao empresário.
2.3.2. Mensuraçio da quase-renda
As taxas de retomo de capital divulgadas na literatura apresentam
vários métodos para a mensuração da quase-renda. Sob o nome genérico de
"rendas imputadas" ("imputed rents") ·para designar a remuneração do capital fisico, Harberger (1980) apresenta um quadro de comparações internacionais de taxas de retomo do capital. A fim de ilustrar a diversidade de métodos para a mensuração da remuneração do capital fisico, far-se-áreferência
a quatro dos trabalhos citados por Harberger.
O primeiro deles refere-se à índia (Harberger 1965). ~ um estudo clássico na literatura, onde Harberger utilizou-se de uma amostra de 1.001 firmas
conduzidas pelo Reserve Bank of 1ndia cobrindo quase todos os ramos da
indústria privada daquele pais. A remuneração do fator capital foi enquadrada como "produtividade social liquida do capital fisico". Como as receitas
constantes do balanço das firmas, incluidas na amostra, já vinham deduzidas
da remuneração do fator mão-de-obra e do pagamento a outros insumos variáveis, para serem classificadas como receita liquida houve a dedução de uma
11
provisão para depreciação. O caráter social deste retorno foi levado em con ta
medindo-se esta produtividade com o impacto de renda incluído para estas
firmas. São. portanto. resultados antes da incidência de impostos ("pretax
figures"). Segundo Harberger, este fato leva em conta uma das mais importantes fontes de divergência entre a produtividade privada e a produtividade
social do capital fisico. A taxa média de retomo do capital ftsico foi medida
através de cinco métodos alternativos:
1°) Utiliza a razão da receita liquida explicada anteriormente sobre o valor
contábil dos bens fisicos (ativos) existentes no inicio do ano contábil, conforme os valores acusados nos registros das empresas da amostra
("book-value figures").
2°) Utiliza uma correção do denominador. atualizando o valor do ativo das
empresas, não através de seus registros, mas da cotação da bolsa de valores no inicio do ano a qual, implicitamente, reflete o valor de mercado
destes ativos.
3°) Omite a depreciação tanto do numerador (que passa a ser receita "bruta")
como do denominador, tentando assim eliminar possiveis exageros no
valor contábil da depreciação imputada pelas empresas. Posto que normalmente a taxa de retomo do capital ftsico é inferior a lOO%. este procedimento tende a resultar numa superestimação da mesma, uma vez que a depreciação entra de forma aditiva no cálculo.
4°) Usa a técnica de fluxo de caixa para cálculo da taxa interna de retomo,
ao invés da razão receita liquida/estoque de capital. Nesta abordagem
todos os gastos (investimentos) em capital ftsico das empresas são deduzidos da renda total proveniente deste capital, resultando num fluxo liquido de receitas para servir de base ao cálculo da taxa interna de retomo_
5°)
t
uma variação do 4° método, onde foi adotada a hipótese extrema de que
não existe depreciação do capital ftsico, de modo que o váIor dos ativos em
termos reais é sempre em termos brutos, sem margens para depreciação_
Observe-se que, nas três primeiras abordagens para cálculo da taxa de
retomo, o numerador é uma variável fluxo, enquanto o denominador é uma
variável estoque.
O segundo estudo a ser mencionado aqui é o de Jorgenson & Griliches
(1~7) para o retomo do capital da indústria dos E.U.A. Foram tomados os
dados das contas nacionais relativas ao produto bruto da indústria americana
para um periodo de vinte anos. A partir dos dados originais foram efetuados
diversos ajustes, para a correção de erros de mensuração encontrados nas
contas nacionais. No produto bruto industrial foram incluidos os ganhos de
capital, sendo deduzida uma margem para depreci'a ção por item de capital e
a remuneração do fator mão-de-obra. Dividindo-se o valor resultante pelo
valor dos estoques acumulados de capital, encontrou-se a taxa de retorno do
capital para cada ano considerado na análise.
12
Como uma terceira ilustraç1o, citar-ae-' o trabalho de Harberger (1972)
sobre o retomo do capital na Colômbia. Usaram·se dados das contas nacionais
colombiana- ,.,Iativ08 a um pertodo de oito anos. Da renda nacional, foram
subtra1dol OI montantee proveDÍentee de pagamentoe da mão-de-obra de um
modo geral Embora o reetante data operação pudelse, teoricamente, representar a parte da renda nacional atribuida ao capital, Harberger teve ainda
que fazer ajustamentos n.te montante para levar em conta o fato de que parte
do lucro daa pequenas empreeas não era, na realidade, remun:eração do capital,
mas muito mais remuneração peeeoal·. Após alguns ajustamentos nas contas
nacionais para a obtenção do estoque de capital, Harberger obteve a taxa de
retomo do capital na Col6mbia, dividindo a renda nacional atribuida ao capital pelo estoque inicial deite, em cada ano considerado na análise. Tais tipos
de ajustamento serlo descritos no estudo apresentado a seguir.
Como quarto e 6ltimo exemplo de cilculo de taxa de retomo do capital,
far...,..' referência à abordagem feita por Langoni (1974) para o capital ftsico
. das eociedad. anônimas brasileiras. Tomando dados de balanços de Sociedades Anônimas publicados na Conjuntura Econômica da Fundação Getúlio
Vargas, LangoDÍ calculou a taxa média de retomo do capital ftsico de 18 indústrias (setora) do ramo manufatureiro brasileiro, para o. penodo 1954-1967.
A equação utilizada por LangoDÍ foi:
RLti
Kti
(6)
onde:
taxa de retomo da indústria i durante o pertodo t.
TRtj
111
RLti
= receita liquida da indústria i atribuida ao capital no pertodo t
Kti' -_ estoque d
t a l da indústria i no inicio do periodo t.
e ·capl
A receita liquida de cada indústria ê definida pelos lucros relatados
em balanços (antes do imposto de renda) menos os retornos de ativos financeiros, mais os juros pagos pelas empresas a bancos e outras instituiçõa, menos a
depreciação anual do capital. O autor, no caso, tinha interesse em calcular a
renda liquida e não bruta. por isso depreciou o capital. Como detlator para a
• Sobre este aspeCto. Samuelson 11987 - capo 31) lembra que a palavra "lucros" pode significar muitas coi.... Por exemplo. o lucro pode ser a remuneraçlo impllcita 1) pelo trabalho
pe..o.l do proprietário da firma. 2) pelos recursos flsicos pessoais que o propriedrlo coloca
ê disposiçlo dÍlBte. e 3) pelos juros do capital empetadq na firma; e há quem pense que
"luCros" •
a recompense do empresário dinAmico' ("entrépreneur"). que Introduz inovaç6e& ISchumpeter) ou. ainda. o risco do capital empregtldo (Knighi).
13
MUla l1qaida foi utilizado o d.oator ImpUcito do ~a&o Inlano Bruto
(IPA ·lnctice de Pr~ por Atacado · coluna 11I pabtieado me"lmea1e na
Coaj1m&ara I'.eonaaúea.
o..eoqud.eapiuJ de cada indútria foi compu...... atraw.da acumu.
~_ fI_ de ÍDvMdment.oe anUBÍ8 ~ na. t.'-C_ Uma deey....sS ' .... m6todo • que o eet.oqdeue de ~pital :::-U d pc ~i~d
eoub_'an ,ar ..ta dePantqem. ver·...a tra
ar ~ ......
e
d ...... deill.vurment.oedeilUlWlon.oprazo. Porraahadetim"achdededoe.
J enpni tJabelhoa com uma .me de 14 anoe.
A aaapJo ela fonnala(io repreeentada.peIa eqneçAo.(1),14IJ&DDi pre•
_..........
M'n"U .
......
1IIIIIII qft'"
. . o m' v..mnen·lU anual declina ril ...........b
dotaDpo.Ataadedepi"';8ç10\varioude5iJII~ • ..,~, ........, tllC.... a emaiJri1ida de doe rMUItàdoe com reapero i de; • q*'"
"Una_
x.. para o inicio de cada
A a&ie de _toques de capital
iDd6eazia i foi computada através de:
lIDO
t em cada
(7)
ê)j= .... ele dep""';açio ele 0,05 até O.~. llOIWn .... ji ...,..;.......
AFt -I = uC tque de atiwe mos de cada indútria DO pedodo &-1
li - I =WiUplU ele ativoe moa Cinveatimentoe bt atos) DO pertodo ..1
Z. = ÍDveaürio acamulado de bena. no periodo t.
Uma vez ca1cu1ada a receita liquida e o estoque de capital para cada
indúaia. a tua média de retorno do capital ftsico foi calculada para opeRado
eouejderado, através da expr esaão (6).
2.4.
Tu.-
de Retomo da Peequiaa
2.4.1.
AJcuae problemas eapeeificoa
No caao deinaamos de produçio inteiramente consnmidoadentrodeum
dado PiC-. .~o ~vo (caso de combuat1veia e lubrificante., hol'88 de trabalho e matêriae-PI'IDUl8, entre outroa), todoa 08 .aatoe com estee insumos aio
~..+e dentro de um ítnico perlodo. Entretanto, conforme argumentação
8D~. oe gastos com pesquisa não aão, de modo pral. depreciados instan.
14
taneamente Tais gaatoa devem, pois, ser tratadoe como investimentos para a
geração de um estoque de capital.
Segundo Griliches (1979), um doa problemas aérioa na abordagem da
pesquisa como um item de capital é a medição do produto da peaquiaa, de um
modo geral. Um aspecto muito importante, relacionado com a medição do
produto da pesquisa, é aquele referente aoa efeitos das transferências de conhecimentoe ("spiU-in anti spiU-over effecú"). Tais efeitos aio resultantes de
imitações de firmas na mesma indústria. tranaf~ciaa negais e ilegais) de
idéias, proceelJOll e inovações em geral entre diversos setores e regiões e até .
mesmo pa1ses. No caso da pesquisa agrlcola. cujo produto, muitas vezes, não é
patenteado, 08 conhecimentos se originam de universidades, instituições de
pesquisa internacionais. indo da iniciativa privada para órgãos públicos, e
vic~versa. ~ extremamente dificil estabelecer qual a proporção dos méritos
que deve ser atribuida a uma única fonte. Ayer & Schuh (1972). por exemplo,
supuseram, para o caso de pesquisas com algodão em São Paulo, que o estoque
de conhecimentos que antecedeu às pesquisas do Instituto Agronômico de
Campinas (IAC) era um "bem gratuito" ("free gift"). Semelhante atitude tem
sido implicitamente adotada em estudoa de retomo de peequisaa no setor industrial (Minasian 1969).
Ultimamente. o papel destas transferências inter-regionais de conhecimentos tem sido estudado mais de perto e coeficientes. estatisticamente significantes, têm sido encontrados, pelo menoa, entre os estados americanos
(White & Havlicek Jr. 1981, Sundquist et ai. 1981, Norton 1981). Entretanto, o
estãgio atual de conhecimentos, neste aspecto. ainda deixa muito a desejar.
Além destas transferências de informações. que se processam no lado
da origem da geração dos conhecimentos. hã ainda que se considerar o problema da medição dos beneficios no lado do destino, ou seja, na adoção. Enquanto
hã autores que atribuem à pesquisa a totalidade dos beneficios (Kahlon et ai.
1977), em alguns estudos, dependendo da natureza das inovações tecnológicas,
parte dos beneficios gerados aio rateados com os serviços de extensão e com a
iniciativa privada, sendo atribuidos à pesquisa. custeada com fundos públicos,
apenas uma parte dos beneficios. Sobre este aspecto, Sundquist et aI. (1981)
dão como exemplos o milho, o trigo e a soja nos E.U.A.• onde os beneficios
totais foram distribuidos entre pesquisa, extensão e iniciativa privada. fican- .
do cada parte com 1/3 destes.
Outro problema existente na medição dos beneficios da pesquisa são
as defasagens. Sabe-se que, para o caso da pecuãria e das culturas perenes,
os resultados tendem a consumir mais tempo para serem gerados e adotados
do que para culturas anuais. Para um mesmo produto, determinadas pesquisas
de carãter mais exploratório, ou de transformação muito radical nas características de uma planta ou animal, levam muitos anos para produzirem resultados. Se, para produtos individuais. já é diftcil determinar estas defasagens,
muito mais o serã a um nlvel agregado para a EMBRAPA como um todo.
Detalhes sobre a estrutura de defasagens da pesquisa são apresentados por
IS
Evenson (1967, 1971 e 1977) e Norton 119141 I. As abordagens para contemplar
estas defasagens têm sido as mais variadas possiveis. Griliches (1964) usou a
média do fluxo de gastos em pesquisa do ano anterior (t-l) com o nlvel de seis
anos antes (t-6) para representar a variável pesquisa em sua funçio de produção agregada da agricultura americana, usando dois cortes seccionais.
Sundquist et alo (1981) usaram simplesmente o periodo de seis anos para efetuar a defasagem da pesquisa em seu estudo de milho, trigo e soja para a
agricultura dos E.U .A Oavis & Peterson (1981) após terem testado vários
periodos de defasagens, e nio encontrando nenhuma diferença significativa
entre os resultados, adotaram a formulação [(t-2) + (t-6»)/2 como sendo
"razoavelmente realista". A falta de sensibilidade dos resultados, a partir
de düerentes defasagens, levaram Bredahl & Peterson (1976) a utilizar valores
correntes de pesquisa em sua anãlise agregada da agricultura americana.
Abordagem semelhante foi feita por Norton (1981). O argumento utilizado é
que, se a taxa de crescimento de gastos na pesquisa for aproximadamente
constante: então não haverá tendenciosidade no valor médio do coeficiente de
regressão ·da variável pesquisa, qualquer que seja a defasagem utilizada_
Evidentemente, para a taxa interna de retomo da pesquisa, o periodo de defasagem poderá apresentar diferenças significativas. devido ao fator de desconto do fluxo de beneficios liquidos.
Um ponto adicional que merece consideração neste tópico é o problema
da escolha do deflator para a pesquisa. Oficialmente. ainda não existe disponivel um deflator de preços para a pesquisa (Griliches 1979). Isto dá origem
a uma diversidade de deflatores que têm sido utilizados na literatura. Griliches
(1963), por exemplo. em seu estudo do setor agricola americano. usa o indice de
preços pagos pelos produtores, ou combinações deste indice com outros gerados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Jorgenson & Griliches (1967) utilizaram um deflator impl1cito para bens duráveis
na indústria. usando o indice de preço de bens duráveis pagos pelos consumidores, além de outros deflatores para os demais itens de capital. White &
Haviicek Jr. (1981) utilizaram o indice de salários médios de professores universitários como deflator impl1cito de gastos de pessoal com pesquisa e extensão. e os demais gastos foram deflacionados pelo deflatorimpl1cito de despesas
governamentais com bens e serviços.
Apesar disso, Mansfield et alo (1977) argumentaram que a escolha do
deflator dificilmente afetará os res~ltados de modo substancial. Dentro deste
raciocinio, tais autores usaram o indice de preços JiO consumidor (Consumer
Price Index) em seu estudo para, 17 inovações industriais, várias delas destinadas exclusivamente à própria indústria.
2.4.2. Cálculo das taxas de retorno da pesquisa
A nivel de investimento agregado, Harberger (1965) argumentou que
é quase tautoló~co dizer que a contribuição de um dado investimento ao crescimento econômico é medida pelo incremento anual liquido do produto nacio-
16
nal atribulvel àquele investimento. Se o investimento liquido de um dado ano
foi de 10% da renda nacional, e gerou uma taxa de retorno de 15"0 ao ano, a
renda nacional do ano seguinte deveria ser 1,5% maior. em função desteinvestimento adicional. Observe-se que este investimento pode ser relativo a qual·
quer setor da economia. Como abordar o investimento, de um modo tão geral,
tão agregado? A resposta parece ser dada por Solow (1971). Em termos gerais,
a sociedade. sacrificando h unidades de consumo presente, pode ganhar k
:unidades de consumo extra no perlodo seguinte. Nestes termos, a taxa de
retomo do investimento ITRI) ou o consumo presente sacrificado, em termos de
um perlodo único, seria a seguinte:
TRI _k-h
_ _ -k - l ,
h
(8)
h
Seguindo o racioclnio de Solow, pode-se afirmar que, se através do sacrificio de Cr$ 1,00 de consumo neste ano, a sociedadedesfrutadeCrSl,10deconsumo no ano seguinte (sem prejudicar o consumo dos anos posteriores) então.
dir-se-la que a sociedade obteve uma taxa de retomo de 10% em seu investimento.
t
dentro deste contexto geral que se coloca a pesquisa agropecuãria.
O Governo pode estimular o consumo ou a produção de alimentos através de
créditos ou subsidios, por exemplo. Ou pode sacrificar parte dos recursos para
consumo presente e investir em alternativas de mais longo prazo, como a
pesquisa. A pergunta que cabe então é a seguinte: serâ o investimento em pesquisa mais rentâvel do que aqueles destinados a outras atividades alternativas? Para se responder a esta pergunta, o ideal seria conhecer as taxas esperadas de retorno de cada projeto individual contemplado pela economia. Entretanto, como Harberger (1965) argumenta:tem-se que começar de algum ponto,
. e retornos médios de setores agregados são pontos de partida tão bons como
quaisquer outros, na falta de dados detalhados.
Entre os métodos utilizados para calcular taxas de retornos, destacam-se os que se seguem.
2.4.3. Taxa interna de retorno
Para um fluxo de t anos de custos (<;) e beneficios
retomo r terâ que satisfazer a relação:
n
1:
t • O
_O
0\) a taxa interna de
(9)
17
o numerador desta expressão .·,~ - Ct ) representa o fluxo de benetlcios
liquidos anuais. A taxa interna de retomo r terá que ser maior ou igual ao custo
de oportunidade de outros investimentos para o empreendimento ser considerado rentável.
Para o caso de projetos individuais com vida útil definida, toma-se
relativamente fácil determinar n, o fim do fluxo de benetlcios liquidos do
projeto.
Para o caso de benetlcios agregados (ex. a nivel de setor ou de uma instituição) englobando vários projetos ou atividades, não se pode esperar um periodo de vida útil tão claramente definido. A definição de tal periodo é necessariamente arbitrária, conforme argumenta Harberger (1965).
A taxa interna de retomo pode ser obtida ex-ante ou ex-posto Em se
tratanto da abordagem ex-ante, usualmente se utilizam valores esperados
médios de benetlcios e custos futuros de um determinado projeto (ou conjunto
destes), utilizando-se conceitos de fluxo de caixa, usados na teoria de avaliação
de projetos. Certos estudos utilizam o conceito de excedente econômico (de produtores e consumidores) para tal fim. Para o caso de estudos ex-post, utilizam-se também, em muitos casos, modelos econométricos para o ajustamento
de funções de produção. Exemplos desta abordagem são dados por Peterson
(1967), White & Havlicek Jr. (1981) e Norton (1981). O cálculo da taxa interna
de retomo para estes cásos é feito achando-se a taxa de desconto, que satisfaz
a expressão:
n
1:
t • k
- 1• O
(lO)
onde:
Pt = Preço do produto no periodo t.
MP= produtividade marginal da pesquisa (obtida a partir da função de produção),
r = taxa interna de retomo da pesquisa, a ser determinada, e
k = número de anos após inicio da pesquisa quando se inicia o processo de
adoção doa conhecimentos.
Em análises de beneficios ex-post, é também muito utilizado o conceito
de excedente econômico para o cálculo da taxa interna de retomo, a exemplo
de Ayer & Schuh (1972), Fonseca (1978), Moricochi (1980), e Avila (1981). A
desvantagem desta abordagem é a dificuldade em isolar os efeitos no excedente econômico, devidos à pesquisa, extensão, educação, crédito e .preços.
18
2.4.4. Taxa média em retorno
Este conceito é bastante utilizado em estudos empiricos baseados na
teoria do capital, tais como Harberger (1965), Jorgenson & Griliches (1967),
Harberger (1'972) e Langoni (1974). Em termos gerais, a taxa média de retomo
é a razão entre uma variável fluxo sobre uma variável estoque. Suas aplicações têm sido, usualmente, no sentido ex-posto
A taxa média de retomo da pesquisa atribuida ao seu capital tisico é
calculada usando a relação (6), indicada no item 2.3.2, onde:
RLt = receita liquida da pesquisa atribuida ao seu capital tisico, no
periodo t.
~ = estoque de capital tisico da pesquisa no inicio do periodo t.
A receita liquida da pesquisa seria calculada através da seguinte fórmu-
la:
(11)
onde:
BLt
=beneticios liquidos no periodo t.
OPt = despesas com pessoal, no periodo t.
DOCt = despesas com outros custeios, no periodo t.
0t
= depreciação do capital flsico total, no periodo t.
2.4.5. Retorno marginal de um fator de produção
Uma medida do retomo marginal de um fator de produção pode ser diretamente obtida a partir dos coeficientes de funções de produção, eetimadu
por técnicas econométricas usuais. A maioria dos estudos deste tipo usa a
função de produção Cobb-Oouglas ou suas variantes. Assim sendo, o produtQ
marginal de um fator é computado pela elasticidade de produção deate fator
multiplicada pelo seu produto médio·. O conceito de retomo marginal é uma
medida da taxa de retomo, pois indica o retomo, em cruzeiros, de um cruzeiro
adicional gasto em um determinado fator.
..
A vantagem da abordagem da função de produção é que, havendo disponibilidade de dados, é possivel uma separação mais objetiva dos efeitos de cada
insumo incluido na função I de produção. Estes insumos são, normalmente,
terra, mão-de-obra, capital, pesquisa, extensão, educação e outros. O fato de se
·Veja-se Pelerson (19671 e While & Havlicek Jr. (19811.
19
poder analisar os efeitos de cada um desses fatores isoladamente tomou a
abordagem econométrica para medição de retornos extremamente popular,
tanto em estudos de capital (Solow 1962, Mansfield 1965, Binswanger 1974,
Holland & Myers 1980 e Fraumeni & Jorgenson 1980), como também em estudos de retornos da pssquisl!- (Griliches 1958, 1963 e 1964, Peterson 1967,
Evenson 1967 e 1974 e,Terleckyj 1980)_
..
.
Apesar de a EMBRAPA contar com uma boa série de dados sobre seu
orçamento (1974-1981), a existência de defasagens entre investimentos e
retornos da pesquisa faz com que não haja ainda um número de anos de beneficios suficientes para a estimação da função de produção (poucos graus de
liberdade) usando o orçamento da Empresa como uma das variáveis explicativas.
2,4.6. Abordagem da razão incremental
. Kahlon et a1. (1977) divulgaram um estudo sobre os retornos dos investimentos (RI) da pesquisa na Índia, onde foi usada a seguinte relação:
Yt - Yt -I
/::'Y
RI. __.....::..............::..:....!:.....-.--=-Rt_S - Rt-6
(12)
onde o numerador (A Y) é o acréscimo do produto agricola devido à pesquisa, e o
denominador (AR) é o incremento de investimentos em pesquisa cinco anos
antes. Trata-se de uma abordagem marginal, onde RI representa o retomo do
investimento em pesquisa realizado cinco anos antes.
A desvantagem desta abordagem é de que ela pressupõe que todos os
bel?eficios (AY) ~sultap~ do acréscimo de investimento em pesquisa serio
atribuídos a apenas um ano.
.
.-
.
Há evidências, todavia, de que os beneficios da pesquisa podem estender-se, em certos casos, por mais de 30 anos.
3. CUSTOS E BENEFIcIOS DA PESQUISA DA EMBRAPA
3.1. Custos da Pesquisa e Cálculo do seu Capital Fisico
.
.
.3.1.1. Custos da ~squisa
Os custos da pesquisa no periodo 1974/82 aio apresentados na Tabela l.
Tais valores foram corrigidos pelas ORTNs, a preços de dezembro de 1981, e
não incluem as transferências feitas ao Sistema Estadual de Pesquisa Agropecuária.
20
....N
77.704
168.861
441 .646
643.017
1.021 .608
1.859.894
3.930.678
7.898.000
15.866.366
Passoal
43.726
162.633
169.109
347.542
410.803
1.102.266
1.621 .896
3.391 .600
11.211.646
Outros
Custeios
30.764
39.966
96.473
70.367
151.770
433.309
1.364.310
2.360.000
6 .511 .684
Investimentos
Grupos de Despesa (Valores Nominaisl
• Previslo
•• Indica de correçlo = 0.626
Fonte: DRO/EM8RAPA
Obs.: Nlo inclui as transferências ao Sistema Estadual de Pesquisa Agropecuária
1974
1976
1976
1977
1978
1979
1980
1981
1982'
Anos
162.194
361.349
706.128
1.060.916
1.684.081
3.395.468
6.906.783
13.639.600
33.579.696
Total
Total
Valores Reais
(Cr$ 1.000.001
1.996.263
3 .816.846
5 .430.1 24
6 .270.014
6.874.912
10.016.631
13.468.227
13.639.600
17.662.867 00
(Dezembro 19811
Tabela 1 • Custos da pesquiaa da EMBRAPA por grupo de despesas. Perlodo 1974/82
•
3.1.2. Capital físico
O capital fisico da EMBRAPA atingiu, em 311~2/~O, o total de
Cr$ 14.512.404.173,00 dos quais 66%sãotern:nos, 22% benfelto.naseos 12%restantes, bens móveis. Os investimentos anU81S em bens de capItal são apresentados na Tabela 2, por tipo de bem, para o periodo de 1973/80.
Para o câlculo do estoque de capital fisico, a EMBRAPA conta com um
sistema contábil implantado em regime de computação eletrônica que di vulga
mensalmente dados do estoque de capital fisico da Empresa em valores constantes.
A relação utilizada para atualizar mensalmente cada bem j de capital
pode ser representada por:
(13)
onde:
~t
. 3j
= novo valor do j-ésimo bem de capital ao fim de cada mês
= taxas anuais de depreciação (Tabela 3)
3j ~t = valor da depreciação no periodo
I 't
l
= novas aquisições no periodo (investimento bruto)
I.Dt
= deflator impl1cito para o periodo
As vantagens do sistema mensal da EMBRAPA evidenciam-se no tratamento das variáveis mencionadas a seguir:
1a) Deflação
Nas abordagens convencionais deflacionam-se os bens de capital apenas
uma vez para todo o ano (pois normalmente os dados são conhecidos apenas
uma vez por ano). Assim sendo, os bens comprados no começo do ano recebem
o mesmo pesd na deflação que bens adquiridos no meio ou no final do periodo.
O sistema da EMBRAPA deprecia e deflaciona os bens numa base mensal,
reduzindo acentuadamente as discrepâncias que possam ocorrer nos sistemas
de deflação convencionais.
22
~
9.676.667.823
Capital Total
3.214.677.841
4.041.784 ·
167.886.922
-(7.302.3771
33.762.436
26.388.809
628.063.198
860.686.189
1.812.263.881
. ~@nfeitorias
1 .683 .984.~99
1.034.645
38.661 .798
21 .284.883
42.668.236
66.246.640
261.697.689
362.631.240
800.971.069
Móveis
Bens Móveis
• Valores depreCiados por tipo de bem e deflacionados mensalmente por ORTN
Fonte: DPA/EMBRAPA
1.083.241 .181
13.206.680
30.666.964
-116.914.9471
3.266.804.714
2.037.082.833
3.262.681.608
Imóveis
Terrenos.
1973
1974
1976
1976
1977
1978
1979
1980
Ajlo
14.612.404.173
16.464.143
-12.344.6991
1.673.834
-(1.613.9301
6.906.966
4 .471 .611 . .
12.616.486
37.173.610
Total
6.076.329
1.306.164.044
24.844.487
108.860.438
83.203.472
4.061 .471.667
3.064.670.873
6.888.322.943
Sg[IIIwentes
Tebele 2 - Eltoque de cepltel flllco de EMBRAPA.1973-1980 ICr' de 31/12/801·
T.... 3 . Tu. de clepredeçlo u. . . . pele EM.RAPA o
Bem de capit.,
Tu•• nu.' dedeprecieçlo
~)
Terrenos
EdiflciOl e benfeitorias
Instaleç6es
M6quinas .grlcol.
ImplementOl egrlcol.
Motores e congtneres
Aparelhos e instaleç6es de laboratório
Vefculas
Bibliotecas (mówis e utenallios)
Semoventes
0.0
4.0
10.0
20.0
10.0
20.0
10.0
20.0
10.0
10.0
Fonte: DPA/EMBRAPA
2-)
Depreciação
o 8ÍBteIDa adotado pela EMBRAPA leva em conta a natureza de cada
tipo de bem, atribuindo diferentes taxas de depreciação para cada tipo. Além
do mais, para o caso de bens de capital com altas taxas de depreciação
(ex. tratores com vida útil prevista para cinco anos), o método convencional de
depreciação poderia esconder a diferença resultante da aquisição de um bem
no inicio do ano em relação a outro adquirido no fim do penodo, ao atribuir
uma única taxa de depreciação a ambos. No caso do sÍBtema da EMBRAPA. a
depreciação anual é dividida em doze parcelas, usando-se as taxas de depreciação por bem de capital, mostradas na Tabela 3.
3a ) Estoque de capital inicial da EMBRAPA
Tendo em vista que a Empresa teve um estoql1e de capital inicial ~
. bido do Departamento Nacional de Pesquisa e Experimentação Agropecuériá
(DNPEA), do Ministério di. Agricultura, não foi preciso medir indiretamente
tal estoque, a exemplo de Langoni (1974), que usou o método de inventário
continuo. Este capital inicial, entretanto, não está isento de problemas. Os
bens pertencentes ao DNPEAlMA foram incorporados de forma gradual nos
registros da EMBRAPA somente alguns anos mais tarde, em virtude de atrasos de inventário e das formalidades relativas à transmissão de tais bens.
°Es.'es valores "lo diferem muito dos previstos nas contas nacionais dos Estados Unidos
utlll~dos por Griliches & Jorgenson (1966): Terra =0.0%, Editlcios e Benfeito ' =4 4% •
EqUipamentos = 13.9%.
nas , e
24
Aaaim sendo. na.Uria um hiato entN o. auvoeem UHeo.llUVo. fonualmente
pertencen- a Empreu .. Ea\a a~te di.aepAncia par~ maia do ..Loque
de capital em \180. quetena prevalecsdo por a1pn. ano.. fOI. em ..,ande parte.
rompen ..da por efeito em ..nudo conlririo. Eate efeito prend.H ao fato de
que mui\a8 du faaenda.. benfeitoriu .. equipamentoe recebido. do
DNPEA/MA. pertencem (ou pertenceram ap611 a baixa) • EMBRAPA
apenu de ronua nominal. porque nlo foram uulizado. para peequiaa. Para
fina deste _tudo. p....um... que _te. doi••feitoe H anulem mutuamente.
t impor\ante deixar claro que ..te moderno .iatema patrimonial meneai
implantado tem aplicaçlo apeou para o. bena dà EMBRAPA, rulo pela qual
este ..tudo ......trin8iu ao capital ftaico d ..\a.
3.2. Benefleioe Geredoe pela Peeq.....
3.2.1. Problem. . na eatimaçAo do. beneficio.
A EMBRAPA. criada em 1973, encontra..e, atualmente, numa fase em
que os beneftciosgerados aio relativamente baixos. SelfUDdo padr6ee internacionais, o prazo de oito anos'ê relativamente curto para uma aubatancial adoção de resultados da peequisa, j6 que a maioria deles exile mais tempo que
iato a6 para serem prados.
.
. Segundo Evenson (1981). o tempo médio entre os investimentos em pesquisa e efeitos na produção, para o caso dos Estados Unidos, é de seis a sete
anos e meio. Por outro lado, embora sujeitos à depreciação pnética (ou obaol.
cência) os beneficios da pesquisa tendem a ser duradouros. A titulo de ilustração, algumas variedades de milho lançadas pelo IAC h6 mais de trinta anos
sio bastante populares até os dias de hoje. Esta durabilidade de beneficios
mais do que compensa o tempo gasto na geração de conhecimentos. Embora
varie de caso para caso, Evenson (1977) arguDÍenta que h6 uma defasagem
de no minimo três anos entre o inicio das investigações e a divulgação dos
resultados. Comparações internacionais efetuadas por EVeDson demonstram
que existe uma defasagem média de sete anos (em alguns casos chega até
15 anos) entre a divulgação dos resultados e a adoção máxima por parte dos
produtores, podendo eventualmente haver um decréscimo dos beneftcios após
este periodo, caso haja depreciação da tecnologia. Tal situação é ilustrada na
Figura 2, onde m é o ponto de beneficios máximos:
2S
Fluxo
de
Beneficios
m - - - - - - - - - - - - -;..__,-'""'-'-~- - - -
1+3
1+10
Tempo
Figure 2 - Curve tlpice de edoçAo do. reeultedo. de peequiA
Considerando que a maioria das unidades da EMBRAPA s6 pode iniciar
suas operações de pesquisa propriamente dita ap6s a contratação de pessoal,
montagem de laboratórios. e outras atividades de implantação, poder-se-ia
tomar o peliodo to como sendo 1974175 enquanto que1977178 (t+3) seria o
prazo esp~rado para que as primeiras pesquIsas de carAter mais simples tivessem seus resultados divulgados. Isso significa que as tecnologias geradas
pela Empresa encontram-se ainda numa fase inicial de adoção. Mesmo admitindo-se o fato de que, em geral, parte dos resultados de pesquisa são o desdobramento ou extensões de conhecimentos gerados em épocas anteriores (pois
o processo cientifico é cumulativo), com base nos padrões internacionais de
pesquisa, pode-se supor que os retornos de pesquisas da EMBRAPA ainda se
encontram muito aquém do seu potencial.
Os beneficios da pesquisa desenvolvida pela EMBRAPA s6 tiveram inicio a partir de 1978, dada a defasagem natural entre pesquisa e adoção. Tais
beneficios refletem, tanto quanto possivel, os beneficios diretos gerados pelos
resultados de pe.squisa, baseados em informações prestadas pelos pesquisadores das unidades envolvidas, pelos 6rgãos de assistência técnica e pela iniciativa privada (cooperativas, firmas produtoras de insumos e assim por
diante). Estes beneficios diretos referem-se às receitas liquidas (deduzidas de
custos adicionais) obtidas através de aumento de produtividade ou por redução
de custos, auferidas pelo setor produtivo (agricultores, cooperativas e outras
empresas envolvidas na produção agropecuAria), resultantes da adoção efetiva de novos conhecimentos gerados pela pesquisa.
26
Nos casos em que houve participação visivel da pesquisa pré-EMBRAPA
(antes de 1973), de outros órgãos de pesquisa do sistema cooperativo, dos
órgãos de assistência técnica e extensão rural ou da iniciativa privada na
geração e/ou adoção dos resultados, os beneficios foram rateados dependendo
da intensidade do esforço das instituições envolvidas. Os diversos critérios
de rateio dos beneficios encontrados na literatura são até certo ponto arbitrários. Entre os vários exemplos disponiveis, citam-se os trabalhos de Sundquist
et aI. (1981), Kahlon et aI. (1977), Evenson & Flores (1978), entre outros.
~ importante salientar que eStie problema de transferência interinstitucional não teve até agora nenhuma solução satisfatória. O estoque de conhecimentos anteriores, por exemplo, é geralmente considerado como "bem gratuito" (Ayer e Schuh, 1972, entre outros). Neste trabalho, entretanto, estimou-se também a participação das outras instituições, e atribuiram-se a estas
os beneficios correspondentes.
Embora tenha havido essa preocupação de rateio dos beneficios, admite-se, ainda, que parte dos beneficios atribuidos à EMBRAPA possa ter sido
. influenciada, especialmente, por pesquisas relativas ao penodo anterior à
criação da Empresa.
Os efeitos dos resultados de pesquisa normalmente manifest&m-se também junto aos consumidores. A médio prazo, uma expansão da produção
poderá resultar em queda de preços, o que beneficiaria a grande massa de consumidores. Porém, a existência de numerosos mecanismos de intervenção
governamental. de mercado no Brasil, resultantes de crédito subsidiado, estocagem oficial de grãos e outros produtos e preços administrados (caso do trigo,
entre outros), faz com que o efeito da pesquisa sobre os preços dos produtos
agricolas seja diftcil de ser detectado a curto prazo. Por esta razão, tais efeitos
foram omitidos do presente estudo, o que aliás ocorreu também na maioria
dos casos de avaliação da pesquisa, divulgados na literatura econômica.
~ igualmente dificil mensurar os efeitos indiretos da adoção de resulta-
dos de pesquisa, tais como os resultados do aumento ou retração da indústria
de insumos, efeitos ecológicos, e assim por diante. Observe-se, também, que
os beneficios são medidos antes da incidência de impostos, para se obter uma
medida de caráter social destes beneficios. Portanto, fica excluida a arrecadação de impostos resultante da produção adicional, quando for o caso. Tais
impostos revestem-se muito mais de um caráter de transferência de recursos
(para o setor público) do que propriamente de geração liquida de riqueza. Para
evitar problemas de dupla contagem nas contas nacionais, não se deve também adicionar ganhos de divisas resultantes de exportações adicionais (ou redução de importações) resultantes da adoção de novas tecnologias, muito
embora estes aspectos sejam de alta relevância para o pais.
27
3.2.2. Beneficios gerados e participação da EMBRAPA
Os beneficios gerados pelas inovações tecnológicas e a participação
da EMBRAPA foram calculados com base em informações obtidas junto às
Unidades de Pesquisa da Empresa. O ano base para estimação dos beneficios
foi o ano de 1981. Baseando-se na metodologia usada para o cãlculo dos beneticios gerados pela pesquisa em 1981, estimaram-se, ainda, os beneficios para
o perlodo 1978/80 e para o ano de 1982.
~
importante realçar que os beneticios estimados e, a seguir apresentados, referem-se a tecnologias geradas pela pesquisa e jã adotadas pelos produtores. Isso significa que se usou a adoção efetiva e não a adoção potencial.
3.2.2.1. Beneficios da pesquisa - 1981
Os beneficios da pesquisa foram calculados adotando-se diferentes
procedimentos metodol6gicos, tendo em vista a diversidade da tecnologia.
Para facilitar o entendimento da metodologia de cãlculo, essas tecnologias
foram distribuidas entre três grandes grupos, determinados segundo a orientação final de tais tecnologias: lO) acréscimos de produtividade; 2°) reduções
de custos de produção; e 3°) acréscimos de produção.
10) Acréscimos de produtividade
A Tabela 4 apresenta os beneficios totais gerados e a participação da
EMBRAPA a nlvel de cada uma das tecnologias. As tecnologias orientadas
para promoverem acréscimo de produtividade geraram beneficios da ordem de
Cr$ 33,4 bilhões, dos quais Cr$ 11,1 bilhões foram atribuidos à Empresa*.
Para o cãlculo desses beneticios, foram feitos levantamentos para determinar os acréscimos de produtividade obtidos com a adoção das tecnologias
geradas e, em seguida, calculou-se a receita liquida adicional (beneficios). A
partir dos beneficios totais, estimou-se a parcela da EMBRAPA, segundo o
envolvimento da Empresa na geração e/ou adaptação de cada uma das tecnologias consideradas.
A titulo de exemplo, pode-se citar o caso de novas cultivares criadas
pelas Unidades da EMBRAPA, mas que tiveram a participação de outros
órgãos a nível da adoção dos mesmos (CNT-8, 9 elO, BR-Ol e 02, etc), ou até
mesmo a nlvel de geração (BRlIRGA-409 e 410) onde o Instituto Riograndense
do Arroz - IRGA, participou ativamente. Desta forma, a participação da
EMBRAPA na criação de cultivares, em termos percentuais, variou de 33 a 70%.
·Valores em Cr$ de dezembro de 1981.
28
Tabela 4 - Beneficios totais e participaçio da EMBRAPA: ,créscimos de produtividade. 1981
Tecnologias geradas elou adaptadas
Total
1. Crlaçlo de novas cultivares de trigo
2. Criaçlo de novas cultivares de milho para o consórcio
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11 .
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
~
milho-feijlo
Seleçlo de novas cultivares de milho para o trópico úmido
Criaçlo de novas cultivares de malva
Criaçlo de novas cultivares de pêssego
Criaçlo de novas cultivares de arroz
Introduçlo do capim Buffel
Introduçllo do capim quicuio-da-amaz6nie
Produçllo de semente básica de novas cultivares de milho
Utilizaçllo de semente sadia na cultura do feijllo
Mudas de morangueiro livres de vírus
Adubaçlo complementar com zinco em arroz
Adubaçlo profunda na cultura do feijllo
Estimulaçllo da produçlo de látex em seringal nativo
Controle de plantas daninhas em seringal de cultivo
':poca de plantiO em morangueiro
Poda do algodoeiro herbáceo
Raleio de frutas no pessegueiro
Acondicionamento de sementes de seringueira em sacos de
plástico
Partlcipaçlo
EMBRAPA
Benefícios gerados"
(Cr$ 1_000.001
.Yo
EMBRAPA
1.299.967
909.977
70
357.947
56.287
7.285
349.809
722.517
355.963
1.250.800
697.481
19.602
1.187.408
50.115
1.188.215
138.445
17.018
281 .402
10.308
250.563
33.772
5.010
174.904
238.431
177.982
875.560
488.237
76.804
9!801
593.704
42.598
653.518
69.222
8 .509
140.701
5.154
70'
60
70
50
33
50
70
70
30
50
50
85
55·
50
50
50
50
10.825
5.413
50
~56. 013
lo)
,
o
Beneficios totais
Arranquio de mudas de seringueira com o uso do "Ouiau"
Método eficiente para desbaste da baJ;laneira
Reduçlo de perdas da colheita em soja
Sistema de produçllo de soja para os cerrados
Sistema de produçlo de milho para os cerrados
Sistema de produçllo de tr igo para os cerrados
Sistema de produçllo para tomate industrial para o submédio
Slo Francisco
Sistema de produçllo de melancia para o
submédio Slo Francisco
Sistema de produçllo de guaraná
Sistema de produçllo de mandioca
Desm ame precoce de bazerros e reduçllo do intervalo entre
partos
Tratamento estratégico de bezerros desmamados com anti-helminticos de largo espectro
• Preços de dezembro de 1981
Fonte: Unidades de Pesquisa da EMBRAPA
31 .
28.
29.
30.
27.
20.
21 .
22.
23.
24.
25.
26.
Tecnologias geradas e/ou adaptadas
33.387.436
70
34
650.010
11.075.054
50
61 .802
103.604
928.686
9°1
60
65.301
.296.213
126.752
130.602
328.014
263.504
60
60
173.626
6ó[
347.260
.
60
30
20
20
20
-
Y.
11.146
6.960
1.001 .820
1.506.213
2.360.660
76.802
.
EMBRAPA
Parlicipaçlo
EM8RAPA
22.292
13.900
3 .339.400
7.631.067
11 .762.800
379.010
Totel
Beneficios gerados(Cr' 1.000.00)
'.
Tebele 4 - Beneflciol totell e particip~lo da EMBRAPA: acr'lcimol de produtividade. 1981
Na maioria dos casos, a participação da Empresa situa-se ao nivel de
50%, tendo eQ,l vista o envolvimento dos órgãos de extensão, e mesmo da peso
quisa pré-EMBRAPA ou de outras instituições.
No caso da pesquisa na área dos cerrados, por exemplo, os beneficios
ai gerados foram estimados em função dos acréscimos de produtividade dos
últimos cinco anos, para as culturas da soja, do milho e do trigo. Calculados
os acréscimos anuais médios de produtividade'nos cerrados, foram atribuidos
à EMBRAPA 20% desses ganhos, ficando os 80% restantes à extensão rural e
aos programas especiais do Governo (POLOCENTRO, GEOECONÔMICA,
etc).
2°) Reduções de custos de produção
Os beneficios gerados pela pesquisa que permitiram reduções nos custos
de produção são. apresentados na Tabela 5. O volume total de beneficios
alcançou Cr$ 27,0 bilhões, tendo a Empresa participado, em média, com
54% desse montante.
O manejo integrado de pragas, tanto no caso da soja como do algodão,
permitiu uma redução substancial dos custos devido à diminuição no n6mero
de aplicações de inseticidas. A participação da EMBRAPA foi estimada em
40% na pesquisa com soja e em 60% no manejo integrado das pragas do algodão. No caso da soja, tanto a assistência técnica como a iniciativa privada
tiveram participações importantes na adoção do referido manejo.
Uma outra tecnologia gerada pela pesquisa foi a fixação biológica de
nitrogênio. Os resultados alcançados para a cultura da soja permitem, atualmente, seu cultivo sem adubação nitrogenada. Através da simbiose leguminosa - Rhizobium o nitrogênio atmosférico é fixado, e atende a maior parte
das necessidades da planta. Uma pequena parcela é retirada do solo, mas
é restituida novamente pela incorporação de restos vegetais. Dos beneficios
, gerados pela pesquisa sobre a fixação biológica de nitrogênio, apenas 50%
foram atribuídos à EMBRAPA, já que houve uma participação importante
da pesquisa pré-EMBRAPA, das Universidades, de outras instituições de
pesquisa do pais e da iniciativa privada.
Foram também gerados importantes beneficios ao nivel da pesquisa
com sumos. As reduções da dieta de porcas em gestação, bem como do nivel de
proteina das rações, permitiram decréscimos substanciais nos custos de produção de suinos. Apesar de ter sido a Empresa a principal responsável pela
geração dessas valiosas inovações, foram' atribuidos 30% dos beneficios gerados à assistência técnica e a iniciativa privada.
Significativas reduções nos custos !ie produção foram ainda obtidas
graças à diminuição do número de aplicações de inseticidas (controle biológico de pulgões em trigo) e-dos niveis de adubação em diversas culturas, entre
outras inovações poupadoras de insumos.
31
IN
N
Beneficios tc;ltais
Manejo integrado de pragas da soja
Fixaçllo biológica de nitrogênio na cultura da soja
Manejo integrado de pragas do algodlo
Controle biológico de pulgOes na cultura do trigo
Reduçlo dos nlveis de adubaçlo na cultura do arroz
Reduçlo das doses de nitrogênio e potássio em abacaxi
Plantio direto nas culturas de trigo e soja
Plantio convencional com palha incorporada em trigo e soja
Reduçllo de custos de mllo-de-obra na indústria de pêssegos
Reduçllo da dieta de porcas em gestação
Redução do nlvel de protelna das rações nas fases de crescimento e terminaçllo
• Preços de dezembro de 1981 .
Fonte: Unidades de Pesquisa da EMBRAPA.
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11 .
Tecnologias geradas e/ou adaptadas
54
14.382.793
26.982.371
70
2.389.452
3.413.504
60
60
60
50
50
50
70'
50
70
40
(%)
2.773.000
4 .797.901
144.162
1.455.370
88.284
20.642
467.654
691.85B
31.860
1.532.610
EMBRÀPA
Participaçlo
EMBRAPA
6.932.500
9.595.802
240.269
2.426.617
176.668
41.283
916.307
988.368
63.720
2.189.433
Total
jCr$ 1.0001001
Beneficios gerados'
Tabela 6 - Beneflciol totail e participeçlo da EMBRAPA: reduç6tll de cultOI de produçlo. 1981
ao I
Acréscimos de produção
Neste grupo incluem-se as tecnologias geradas que permitiram importantes acréscimos na produção agrícola. Esses aumentos da produção foram
obtidos pela expansão da área cultivada. viabilizados graças a zoneamentos,
seleções de variedades, etc. Os beneficios desse grupo, discriminados na
Tabela 6, totalizaram Cr$ 3.2 bilhões, dos quaill.o montante de Cr$ 1,5 bilhões
foi atribuído à EMBRAPA.
Pesquisas desenvolvidas permitiram aumentar a produção do algodoeiro herbáceo nas regiões do sertão e vales úmidos das zonas semi-áridas do
Nordeste. Nos últimos dois anos houve uma expansão da área de 150.000 hectares, o que resultou numa receita adicional de Cr$ 1,3 bilhões. Desse total.
50% são atribuídos à EMBRAPA,
Atualmente, graças às pesquisas desenvolvidas. já se cultiva feijão
·durante o inverno (3B época de plantio). Em 1981. a área cultivada atingiu cerca
de ::10.000 hectares. gerando recursos adicionais da ordem de Cr$ 1,6 bilhões.
Como os estímulos da polltica de crédito agrícola to. as ações da exténsão
rural foram também importantes. foram atribuídos apenas 50% dos beneficios
gerados à EMBRAPA.
3.2.2.2. Beneficios da pesquisa: periodo 1978/80
A partir do inventário de tecnologias que geraram beneficios em 1981,
estimaram-se os beneficios dos anos anteriores. Informações fornecidas pelos
economistas das diversas Unidades de Pesquisa permitiram o cálculo dos
beneficios gerados a partir de 1978, Considerou-se, assim, que a Empresa não
gerou beneficios no período 1974177. Os beneficios gerados em tal periodo
foram atribuidos à pesquisa pré-EMBRAPA.
A Tabela 7 mostra os beneficios gerados pela inovação tecnológica no
período 1978/80. Deve-se salientar que em tal período alguns beneficios gerados pela Empresa foram omitidos· devido a limitações na coleta dos dados
relevantes (taxa de adoção. área cultivada, produção. etc).
3.2.2.3. Beneficios da pesquisa previstos para 1982 e
beneficios potenciais
aI Beneficios previstos para 1982
Para o cálculo dos beneficios da pesquisa relativos ao ano de 1982, usaram-se dados levantados pelos economistas das Unidades de Pesquisa da
EMBRAPA referentes. na maioria dos casos, à safra agrícola 1981 /82, e a mesma metodologia utilizada para 19R1 Adotou-st' ('omo taxa de participação
33
~
• Preços de dezembro de 1981
Fonte: Unidades de Pesquisa da EMBRAPA
Beneffcios totais
1. Manejo de solo e água: irrigaçlo de salvaçllo ("barreiros"'. em
consórcio milho x feljlo
2. Agricultura de vaiante: milho e feijlo em cultivos isolados
3. Cultivo de arroz com irrigaçlo natural nas várzeas do rio Caetá
4. Sistema.de produçlo para seringal de cultivo("domesticaçllo'"
6. ZClneamj!nto do algodoeiro herbéceo nas zonas sel1'1i-áridas do
Nordeste
6. Produçllo de feijlo no inverno
Tecnologias geradas e/ou adaptadas
60
60
49
630.310
784.914
-
1.260.620
1.669.827
3.169.346
1.620.9B1
70
60
90
10
3.434
81.820
6.026
16.477
EMBRAPA
Panicipaçlo
EMBRAPA
(%,
4.906
163.640
6.684
164.769
Total
BenefIcios gerados"
(Cr. 1.000.00'
Tabela 6 - Beneffclo. total. e partlcipaçlo da EMBRAPA: acnitclmo. de produçlo. 1981
VI
w
2.673.461
3.178.597
2.140.101
6.429.735
140.426
3.086
26.923
481 .558
16:477
343.380
84.175
1.167.113
1979
533.360
1978
Beneficios gerados (Cr$ 1 .000,00)··
11 .106.076
154.640
1.895.000
366.165
1.733.303
1.063.770
4 .339.412
454.988
70.350
296.852
3 .788
33.772
678.669
15.477
1980
• No cálculo dos beneficios da pesquisa de 1978/80, utilizou-se o mesmo percentual de rateio já usado na estimação dos beneficios
de 1981 .
.. Preços de dezembro de 1981 .
Fonte: Unidades de Pesquisa da EMBRAPA
Beneficios totais
, . Manejo integrado de pragas da soja
2. Zoneamento do algodoeiro herbéceo
3. Controle biológico de pulgi5es do trigo
4. Reduçllo de perdas da colheita da soja
5 . Fixaçllo biológica de nitrogênio
6 . Criaçllo de novas cultivares de trigo
7. Poda do algodoeiro herbéceo
8 . Adubaçllo complementar com zinco em arroz
9. Cultivo de arroz com irrigaçllo natural (rio Caeté)
10. Seleçllo de novas cultivares de milho para o trópico úmido
11. Introduçilo do capim-quicuio-da-amaz6nia
12. Sistema de produçllo para seringal de cultivo (" domesticaçlo" )
13. Tratamento estratégico de bezerros desmamados com
anti-helmlnticos de largo espectro
Tecnologias geradas e/ou adaptadas
Tabela 7 - Beneflclol gerados pela ~quila da EMBRAPA no parfodo 1978/80·
da Empresa na geração dos beneficios. a nivel de cada inovação tecnol6gica.
a mesma explicitada para 1981.
Na Tabela 8 estio discriminadas apenas as novas tecnologias geradas
pela pesquisa mas não adotadas em anos anteriores. De um total de Cr$ 39,9
bilhões, cerca de Cr$ 2,9 bilhões referem-se aos benetlcios a serem gerados por
eS888 novas tecnologias.
T..... 8 - Beneffcio. da peaquiaa d. EMBRAPA prevÍ8to. par. 1982 0
(Cr' 1.000.001
Tecnologias geradas e/ou adaptadas
. 1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11 .
12.
13.
Crieçlo de novas cultivaras de feijlo (Manaus e MaravilhaI
Seleçlo de novas cultivaras de alho
Seleçlo de novas cultivaras de batata
Seleçlo da cultivar Cenoura 8rasilia
Introduçlo da cultura de alho no Distrito Federal
Produçlo de ervilha nos cerrados
Controle de pragas nas culturas de repolho e couve-flor
Tratamento da rinite atrófica em sufnos
Uso astratl6gico de pastagens cultivadas para novilhas de
primeira cria
Mineralizaçlo de novilhos de corte. em recria e engorda
Uso da flor de enxofre no controle do berne
Controle da cara inchada em bovinos
Plantio de mudas de seringueira com uso de espeque
Subtotal
Beneficios. serem
gerados oo
255.613
167.560
75.376
24.860
94.400
10.620
1.130
1.016.219
389.591
694.377
427
166.220
16.255
2.912.648
14. Tecnologias diversas (Tabelas. 4. 5 e 6. a nfvais da adoçlo de
1982)
36.954.626
8eneflcios totais
39.867.274
No c:élculo dos benefIcios da pesq"isa previstos para 1982. utilizaram-se os mesmos parcentuais de rateio j6 usados na estimaçlo dos benefIcios de 1981 .
00 Preços de dezembro de 1981
Fonte: Unidadae da Pesquisa da EMBRAPA
o
b)BeD.aciospo~
Nos pr6ximos anos, certamente, estarão sendo gerados beneficios
anuais bem superioree àqueles previstos para 1982 (Cr$ 39,9 bilhões), uma vez
que jA ..tarA à disposição dos produtores um número bem' mais expressivo
de inovaÇÔ8s tecnolÓlic8s. Essa previsão. amplamente analisada 80 longo
36
desse trabalho. pode ser ilustrada com a estimativa de Alves (1980) que calculou os beneficios potenciais anuais da Empresa em cerca de Cr$ 97 bilhões.
Este valor. corrigido a preços de dezembro de 1981. corresponde a cerca de cinco
vezes os beneficios previstos para o ano de 1982. ou seja. Cr$ 196.0 bilhões.
Ressalte-se que. no câlculo desses beneficios. o autor se baseou na adoção potencial das tecnologias geradas. e não na adoção efetiva. usada na previsão
de 1982.
3.3. Benefícios Líquidos da Pesquisa'
3.3.1. Beneficios líquidos totais
Na Tabela 9. são apresentados os beneficiosliquidos totais da pesquisa
da EMBRAPA. no periodo 1974/82.
Tebele 9 - Beneficio. liquido. totei. de EM.BRAPA. no período 1974/82
(Em Cr$ 1.000.000)*
Beneflcios·1
Ano
1974
1975
1976
1977
197B
1979
1980
1981
19B2
Beneficios IIquidos
(Bt - Ct )
(B )
t
2.673.5
5.429.7
11 .106.1
26.978.8
39.867.3
• Preços de dezembro de 1981 .
Fonte: ai Tabelas 4. 5. 6. 7 e 8.
bl Tabela 1.
1.995.3
3.815.8
5 .430.1
6.270.0
6.874.9
10.016.6
13.468.2
13.639.6
17.662.9
-1.995.3
-3.815.8
-5.430.1
-6.270.0
-4.201.4
-4.586.9
-2.362.1
13.339.2
22.204.4
.
Como no periodo 1974177 não foram gerados beneficios, os beneficios
liquidos são negativos e iguais aos custos em valores absolutos. No periodo
1978/80, como os custos são superiores aos beneficios, os beneficios liquidos
permanecem negativos. Somente a partir de 1981 foram gerados beneficios
anuais em montante superior a seus custos .
.
Esse lóngo periodo sem geração de beneficios liquidos encontra justificativas tanto do lado dos beneficios, como dos custos. Os beneficios da
EMBRAPA, uma empresa de pesquisa relativamente nova, estio ainda muito
aquém do nivel mâximo. Por outro lado, desde a sua criação até fins da década
de 70, investiu-se maciçamente em obras civis, equipamentos e desenvolvimento de recursos humanos (pós-graduação e capacitação continua), enquanto
37
que a partir da atual década haverá uma tendência de custos muito mais vol.tada para a manutençAo do capital da Empresa.
3.3.2. Receita liquida atribuida ao capital ftsico
A receita liquida atribuida ao capital fisico da EMBRAPA, em 1~~~)
~ . d Cr$ 15 1 bilhões. Este valor foi obtido substitui~do-se, ~a expressã o
d~ it:m 2.4.4'., os valores cor:esponddentes ~o~be;e~~~~~~~i~~sd~s ;:::::::.
de pessoal e de outros CUSteiOS, e à epreclaç o o
relativos a 1981.
4. TAXAS DE RETORNO DA PESQUISA
As taxas de retomo da pesquisa foram estimadas usando-se o método
da taxa interna de retomo, no caso de avaliação da Empresa como um to~o
(investimentos totais), e o método da taxa média de retomo, no caso da avahação do retomo de seu capital fisico.
4.1. Taxa Interna de Retorno
Usando-se a expressão (9). calculou-se a taxa interna de retomo dos
investimentos da EMBRAPA. Neste cálculo, os beneficios liquidos(B t - Ct }
foram obtidos a partir de 1974 (Tabela 9), ano de inicio de funcionamento
efetivo do programa de pesquisa da Empresa. A avaliação, porém, estende-se
até 1992. Considerou-se que os beneficios liquidos gerados alcançarão 33% dos
beneficios potenciais indicados no item 3.2.2.3, no periodo 1983/87 e 50% desses
beneficios potenciais nos cinco anos seguintes.
A taxa interna de retomo dos investimentos obtida foi de 42,8%.
Dado este resultado, constata-se que a EMBRAPA, a nivel nacional,
encontra-se numa situação bastante privilegiada. Resultados obtidos para o
cacau (Monteiro 1975), para o café (Fonseca 1978), e para citricos (Moricochi
1980) situam-se em tomo de 19%. 25% e 24%, respectivamente. :E: importante
destacar que estas taxas dizem respeito à avaliação de programas de pesquisa
com maior tempo de investimento e perlodo mais longo de adoção de resultados do que o programa avaliado neste trabalho. O fato de ser uma empresa
relativamente nova e, portanto, com um volume grande de projetos que ainda
não geraram beneficios, pode explicar porque sua taxa interna de retomo
(42,8%) é mmor que as taxas obtidas por Ayer e Schuh (1972) para o algodão, e
Avila (1981) para o arroz irrigado (entre 77% e 110% para o algodão e entre 87% e
119% para o al'roz UTlgado). Além disso, estes dois casos tratam-se ue-avilliações de programas de pesquisa de amplo sucesso, que serão dificilmente
igualados.
.
38
A nível internacional. li taxa interna de retorno obtida situa-se igualmente numa posição bastante favorável. Em estudos agregados conhecidos na
literatura. cita-se. por exemplo. o caso do .Japão. no qual Tang (196;~)* estimou
a taxa de 35%: dos Estados Unidos. onde a evidência de Evenson (1975) mostra
que. para o período 1868/ 1926, a taxa de retomo foi de 65%, mas que, em anos
mais recentes (1969172), caiu para 23,5%, segundo Lu & Cline (1977)*. A ní vel
de avaliação de produtos, citam·se, os trabalhos de Griliches (1958) para o
milho híbrido nos Estados Unidos, de Peterson (1967) para a avicultura no
Canadá, de Hayami & Akino (1977) para o arroz no Japão, ede Nagy& Furtan
(1978) para a colza no Canadá. os auais estimaram taxas internas de retorno
da ordem de 37%,21%,74% e 100%, respectivamente.
Para o caso de avaliação agregada da pesquisa em países em desen volvimento, pode-se citar o caso da índia, em que Evenson & Jha (1973)* obtiveram 40%, e do Punjab. no Paquistão, no qual Pray (1978)* obteve taxas de
. retomo de 23% a 37%. A nível de avaliação de produtos. cita-se o trabalho de
Little & Tipping (1972) para o dendê na Malásia, que estimou uma taxa de
16')l..
Na avaliação dos retornos dos investimentos de pesquisa a cargo da
EMBRAPA ainda foram calculadas duas outras taxas internas de retomo
usando-se hip6teses mais conservadoras. Em uma delas, considerou-se
que os beneficios liquidos se manterão por um período de dez anos no mesmo
nível alcançado em 1982. Obteve-se uma taxa interna de 28,9%. Em outra
hip6tese, ainda mais conservadora, considerou-se que os beneficios liquidos
futuros se manterão ao nível alcançado em 1981, e a taxa interna calculada foi
de 21.8'){,.
Comparando-se tais resultados com aqueles já mostrados, verifica-se
que a Empresa ainda apresenta um desempenho bastante satisfat6rio. Assim,
por exemplo, bancos de desenvolvimento econômico como o BNDE tem
acatado uma média de lÔ% a 12'Yc, ao ano como uma adequada remuneração do
investimento. Já o Banco Mundial requer, em média, uma taxa de retorno
anual de 10% em seus empréstimos internacionais.
4.2. Taxa Média de Retorno do Capital Físico
A taxa média de retomo atribuída ao capital fisico da EMBRAPA foi
calculada para o ano de 1981. utilizando a expressão (6) indicada no item
2.:3.2. A taxa média de retomo obtida foi de 53,2'Yu.
Segundo Langoni (1974;, que usou a mesma metodologia, as taxas de
retomo setoriais das sociedades anônimas brasileiras, no período 1954-1967,
,
.
• Citado em Evenson (1981).
39
alcançaram valores de 22.1'11,. para o setor de mineração. até 3.9%, para o setor
têxtil. Outros setores importantes foram: energia elétrica (19.1%). madeira
(18,9%). grâfico (17,9%). química (17.2%). construção (16,0%), e equipamentos
e instrumentos (15,1%).
A taxa média de retomo da EMBRAPA, atribuivel ao sev capital ftsico
(53,2%), situa-se acima das taxas de retomo setoriais.mencionadas- Em se
tratando de taxas reais. esse resultado não contradiz a hipótese de que haveria
um subinvestimento em capital para a pesquisa agropecuâria no Brasil, em
relação à outros setores da economia.
No que diz respeito a comparações internacionais que usaram metodologias semelhantes, Harberger (1980), cita seus próprios estudos para a índia
e Colômbia (1965 e 1972), nos quais, as taxas médias de retomo de capital de
. empresas privadlUl foram 7.1% e 12%, respectivamente. No caso dos Estados
Unidos, cita o estudo de Jorgenson & Griliches (1967), onde a taxa calculada
foi de 12,7%_ Ficam registradas, portanto, evidências de que haveria superioridade das taxas médias de retomo do capital da EMBRAP A também em
relação a outros empreendimentos realizados no exterior_
A tendência da taxa média de retomo do capital da EMBRAPA é de
aumentar nos próximos anos em termos reais, tendo em vista que os resultados
da pesquisa encontram-se em fase crescente de adoção, conforme salientado
diversas vezes neste trabalho.
4.3. Retornos da Pesquisa e Contribuição da EMBRAPA ao Crescimento do PIB Agrícola
Além da discussão dos resultados obtidos ao nivel da taxa interna e
média de retorno da EMBRAP A cabem, ao final deste trabalho, algumas colocações que situem a Empresa no cenârio da economia brasileira.
Tomando-se por base os dados de 1980 relativos à economia \>rasileira,
verifica-se que o PIB brasileiro atingiu o nivel de Cr$ 12,51 trilhões, dos quais
11 % referem-se à parcela da agricultura no PIB (Cr$ 1,376 trilhões, a preços
de dez.l80)_ Considerando que a agricultura cresceu 10,8% em 1981, segundo
dados preliminares do IBGE, e que a variação da ORTN, em 1981, foi de 95,6%,
o PIB agricola atingiu Cr$ 2,982 trilhões, a preços de dezembro de 1981. Como
os investimentos na pesquisa da EMBRAPA em 1981 foram de Cr$ 13,64
bilhões, o pais estâ investindo cerca de 0,5% de seu PIB agricola na pesquisa_
Dados preliminares jã levantados indicam que a pesquisa agropecuãria
brasileira, como um todo, recebe investimentos da ordem Ele 1%do PIB agricola
do pais. Este valor coloca o Brasil numa faixa intermediãria dentro do cenãrio
internacional, onde a proporção do PIB agricola destinado à pesquisa pública
varia de 1,48%, para paises com renda per capita acima de 1.750 dólares
anuais, até 0,62%, para paises com renda per capita em tomo de 150 dólar.es
anuais (Evenson 1981).
I
40
.
•
Quanto aos retomas da EMBRAPA no contexto da agricultura brasileira, obaerve-se que o valor de seus beneftcios gerados em 1981, Cr$ 26,9 bilhões,
eq uivale a 0,9% do PIB agrlcola deste mesmo ano. O crescimen to do PIB agricola foi de. aproximadamente, Cr$ 290.7 bilhões, e os beneftcios da EMBRAPA,
de Cr$ 26,9 bilhões; logo, a Empresa contribuiu co~ ~erca de 9,3% do aumento real do PIB agrlcola em 1981. Isto significa que, do crescimento real de
10,8% do Pffi agrlcola em 1981, a EMBRAPA participou com cerca de 1%,
ficando os restantes 9,8% para outros fatore •.
Como a literatura de politica agrlcola aponta mais de uma dezena de
outros fators que contribuem para o crescimento do PIB agricola (terra,
capital, mão-de-obra, crédito, extensão, etc), a contribuição da EMBRAPA foi
bastante expressiva. Uma anãlise das tecnologias que geraram beneftcios em
1981 (item 3.2.2.1.) revela que esta contribuição ao crescimento do Pffi agrtcola
foi resultante principalmente de tecnologias que permitiram acréscimos
importantes de produtividade ou reduções substanciais nos custos de produção. A maioria destas tecnologias entraram com um valor relativamente baixo
no clllculo dos beneftcios, tendo em vista ainda se encontrarem em fase inicial
de adoção.
Considerando que os beneftcios da pesquisa da EMBRAPA, previstos
para 1982, deverão crescer 48% em termos reais, graças a uma maior adoção
dos resultados atuais e o lançamento de novas tecnologias, e que os investimentos em pesquisa crescerão cerca de 30%, espera-se, para o ano de 1982, uma
contribuição da pesquisa da Empresa ainda maior para o crescimento do
PIB agrlcola brasileiro.
5. SíNTESE E CONCLUSÕES
o objetivo deste trabalho foi fazer uma avaliação econômica e agregada
da pesquisa agropecullria brasileira, no âmbito da EMBRAPA Como a
Empresa s6 começou a operar a partir de 1973, o prazo foi relativamente curto,
segundo padrões internacionais, para uma substancial adoção de seus resultados. Isto significa que, na avaliação aqui feita, os valores considerados
cobrem, inclusive, investimentos em unidades, programas e projetos de pesquisa que ainda não geraram beneftcios.
Os retomas dos investimentos em pesquisa foram calculados sob duas
formas distintas: a) tomando-se os beneftciosliquidos do periodo 1974/81, os
previstos para 1982, e uma proporção dos beneficios potenciais anuais para o
periodo 1983/92. calculou-se a taxa interna de retorno (usaram-se três hipóteses na projeção dos beneftcios); e b) considerando-se os beneftcios liquidas
gerados em 1981 e o capitaI 'ftsico da Empresa; calculou-se a taxa média de
retomo.
As taxas de retomo obtidas revelaram que'os investimentos em pesquisa
na EMBRAPA estão dando altos retomas para a sociedade, pois se situam
acima das taxas obtidas em outros usos alternativos na economia.
41
No que se refere à taxa mtema de retomo. I) valor encontrado foi de
42.8%. Coneiderou-ee que os beneficios I1quidos anuais. no perlodo 1983/92,
serio mantidos. nos primeiros cinco anos. ao nivel equivalente a 33% dos
beneficios potenciaia anum eetimados por Alves (1980). e a 50% deesee beneficios. nos cinco anos subaeqQentee.
Uaando-se hip6te.ee maia conservadoras, ou aeja. que os beneficios
nos pr6ximos dez anos serio mantidos ao n1vel de 1981 ou de 1982. os valores
das taxas internas de retomo foram igualmente elevados (21.8% e 28,9911,
respectivamente).
Quanto à tua média de retomo ao capital fiaico, o valor obtido (53,2%)
mostrou igualmente a alta rentabilidade da Empreea. Eua taxa ê cerca de
duas vezes superior aos valOI'88 encontrados por Langom (1974) para outros
setores da economia brasileira.
A obtenção de altas taxas de retomo neeta avaliação das peaquiau
da EMBRAPA confirma a hip6teee de que a pesquisa agropecuiria brasileira
tem 'prado enormetl benefleioe à ~oaaa sociedade, dando assim, em um pruo
!'1!Iâtivamerite curto, Uma excelente reeposta ao apoio financeiro recebido do
Governo.
8~
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46
ANEXO
RELAçAo DOS ECONOMISTAS AGRICOLAS DA EMBRAPA
QUE COLABORARAM NESTE TRABALHO
Alfredo Kingo Oyama Homma - Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico
Úmido-CPATU
Antonio Carlos Roessing - Centro Nacional de Pesquisa da Soja-CNPSo
Arnaldo José de Conto - Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijl!lo-CNPAF
Carlos Augusto Pereira Filho - Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura-CNPMF
Carlos Roberto Machado Pimentel - Centro Nacional de Pesquisa de Algodl!lo-CNPA
Celso Roberto Crocomo - Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados-CPAC
Dante Daniel G. Scolari - Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados-CPAC
Fernando Paim Costa - Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte-CNPGC
Flávia.Guilhon de Castro - Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite-CNPGL
Francisco Mendes Rodrigues - Centro Nacional.de Pesquisa de Seringueira e
Dendê-CNPSD
Ivo Ambrosi - Centro Nacional de Pesquisa de Trigo-CNPT
Jol!lo Carlos Garcia - Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo-CNPMS
José Diniz de Araújo· - Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves-CNPSA
José Fernando Silva Protas - Centro Nacional de Pesquisa de Surnos e Aves-CNPSA
Juan Carlos de Grandi - Centro Nacional de Pesquisa de Trigo-CNPT(Convênio FAO)
Luiz Corsino Freire - Centro de Pesquisa Agropecuária do Trópico Semi-Árido-CPATSA
Nrbio Milagres Teixeira - Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo-CNPMS
Otoniel Soares Castor - Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças-CNPH
Paulo Brasil Paes - Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças-CNPH
Roque Gilberto Annes Tomasini - Centro Nacional de Pesquisa de Trigo-CNPT
Vera Osório da Fonseca - Unidade de Execuçl!lo de Pesquisa de Ambito Estadual de
Cascata-UEPAE/Cascata
Victor Hugo da Fonseca Porto - Unidade de Execuçl!lo de Pesquisa de Ambito Estadual de Pelotas-UEPAE/Pelotas
Zenith Jol!lo de Arruda - Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte-CNPGC
• Também colaborou na revisllo editorial da versllo final do trabalho.
47
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TAXAS DE RETORNO DOS INVESTIMENTOS DA EMBRAPA