PESQUISA EM
ANDAMENTO
No 76, jun./00, p.1-5
ISSN 1517-5022
PERÍODO CRÍTICO DE COMPETIÇÃO DE PLANTAS DANINHAS COM A
CULTURA DA ERVA-MATE (Ilex paraguariensis St. Hil.)
Adelino Pelissari*
Moacir José Sales Medrado**
Dalnei Neiverth Dalzoto***
Conforme Christin (1992), dependendo da circunstância, qualquer planta pode
ser daninha, definindo-se como tal, toda planta que vegete em local e momento
indesejável. Há, segundo o autor, plantas tidas como daninhas para outras culturas,
que na erva-mate são inofensivas, como: cicuta (Coriandrum cicuta), nabo-silvestre
(Raphanus raphanistrum Cav.), colza (Brassica campestris Hegetschw.), língua-devaca (Rumex obtusifolius Auct. Ex Meissn.), falsa-cevada (Bromus unioloides
H.B&K.), pasto romano (Phalaris sp.) e picão (Bidens pilosa Linn.)
O controle das plantas daninhas nos ervais é importante porque elas limitam a
produção (Christin, 1992), devido à competição por água, luz, CO2 e nutrientes
(Dehle, 1992). Para evitar esse prejuízo, gasta-se boa parte do que se obtém com a
produção no controle das plantas daninhas.
A utilização de um único método de controle de plantas daninhas tem
apresentado problemas. Em razão disso, tem crescido o número de estudos visando a
combinação de métodos mecânicos, químicos, físicos e biológicos.
A época e a duração do período de ocorrência das plantas daninhas, afetam
sensivelmente o grau de competição entre a cultura e a comunidade infestante. Por
isso, é importante que se determine o período crítico de competição das plantas
daninhas com a erva-mate, que do ponto de vista prático, é o período em que elas
devem ser controladas (Pitelli & Durigan, 1983).
Este trabalho está sendo executado com o objetivo de determinar, para as
condições do município de Ivaí, PR, o período crítico de competição das plantas
daninhas, em cultivo solteiro de erva-mate, com 7 anos de idade.
*
**
***
Professor Doutor do Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná.
Eng.-Agrônomo, Doutor, CREA no 1742-D, Pesquisador da Embrapa Florestas.
Eng.-Agrônomo da Fazenda Vila Nova, Ivaí, PR.
No 76, abr./99, p.2-5
O experimento foi implantado em delineamento de blocos ao acaso, com 4
repetições. Cada unidade experimental constituiu-se de 3 linhas de 12 plantas, com
4,5 m de largura, para cada lado da linha de plantio da erva-mate, com bordadura
comum. Na instalação do experimento, em outubro de 1994, efetuou-se uma capina
em todas as parcelas.
Os tratamentos consistem de diferentes períodos de competição das plantas
daninhas, com a cultura da erva-mate. A capina manual foi utilizada para exclusão da
competição das plantas daninhas, nas unidades experimentais. Os tratamentos estão
descritos na Tabela 1.
TABELA 1. Relação dos tratamentos testados.
Tratamento
T1
T2
T3
T4
T5
T6
T7
T8
T9
T10
T11
T12
Competição
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Sem
Período
Out/nov
Out/dez
Out/jan
Out/fev
Out/mar
Out/abr
Out/mai
Out/jun
Out/jul
Out/ago
Out/set
Out/out
Tratamento
Competição
T13
T14
T15
T16
T17
T18
T19
T20
T21
T22
T23
T24
Com
Com
Com
Com
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Com
Período
Out/nov
Out/dez
Out/jan
Out/fev
Out/mar
Out/abr
Out/mai
Out/jun
Out/jul
Out/ago
Out/set
Out/out
Os resultados parciais obtidos nos 3 primeiros anos são apresentados nas
Figuras 1, 2 e 3.
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2000
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1000
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0
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Massa verde foliar (g/planta)
No 76, abr./99, p.3-5-
Períodos críticos de competição
sem competição
com competição
Polinômio (sem competição)
Polinômio (com competição)
Massa verde foliar (g/planta)
FIGURA 1. Produção de massa verde foliar da erva-mate em cada período crítico de
competição, com as plantas daninhas, em 1995.
3500
3000
2500
2000
1500
1000
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Períodos críticos de competição
sem competição
Polinômio (sem competição)
com competição
Polinômio (com competição)
FIGURA 2. Produção de massa verde foliar da erva-mate em cada período crítico de
competição, com as plantas daninhas, em 1996.
No 76, abr./99, p.4-5
Massa verde foliar(g/planta)
8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
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0
Períodos críticos de competição
sem competição
Polinômio (sem competição)
com competição
Polinômio (com competição)
FIGURA 3. Produção de massa verde foliar da erva-mate em cada período crítico de
competição, com as plantas daninhas, em 1997.
Analisando-se as figuras 1, 2 e 3, pode-se constatar que:
•
A maior diferença de produção de massa foliar verde de erva-mate, entre as
parcelas mantidas sem e com competição das plantas daninhas, deu-se no período
de outubro até abril.
•
Controlando-se as plantas daninhas no final do mês de outubro, a erva-mate
dispensa outros controles até o mês de janeiro.
•
A parcela mantida sem competição com plantas daninhas (capina) durante doze
meses, teve sua produção de massa verde foliar próxima daquela obtida na
parcela mantida com competição, com plantas daninhas.
•
Controlando-se as plantas daninhas através de capinas promove-se um efeito
danoso à produção de massa verde foliar, provavelmente, devido à perda de solo.
Os resultados indicaram que o erval deve estar livre de competição com
plantas daninhas nos períodos de março a abril e de novembro a janeiro. Nos meses
de março a abril controlam-se as plantas daninhas remanescentes do verão e preparase o terreno para a semeadura de inverno, deixando-se o solo limpo para colheita.
Nos meses de novembro a janeiro controlam-se as plantas daninhas emergentes no
verão. Desaconselha-se a limpeza do erval durante o inverno e no início da primavera,
pois estas operações aumentam o custo de produção e os riscos de erosão do solo.
No 76, abr./99, p.5-5
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DEHLE, R.A. Malezas en plantaciones de yerba mate. In: CURSO DE CAPACITACION
EN PRODUCCION DE YERBA MATE, 1., 1992. I Curso... Cerro Azul: INTA,
1992. p 45-52.
CHRISTIN, O. “Control de malezas: distintas experiencias a nivel de productor”,
malezas en plantaciones de yerba mate. In: CURSO DE CAPACITACION EN
PRODUCCION DE YERBA MATE, 1., 1992. I Curso... Cerro Azul : INTA, 1992. p
53-54.
PITELLI, R.A.; DURIGAN, J.C. Manejo das plantas daninhas na cultura do arroz de
sequeiro. In: SIMPÓSIO SOBRE A CULTURA DO ARROZ DE SEQUEIRO, 1.,
Jaboticabal, 1983. Anais... Jaboticabal, FCAV / UNESP, 1983. p 184-203.
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