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O indicador do desenvolvimento
humano (IDH)
O IDH é um indicador composto por três índices (saúde, instrução e renda)
e é elaborado e divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), desde 1990. É expresso em uma escala que vai de 0 a 1;
quanto mais próximo de 1, melhor o nível de desenvolvimento humano. Tratase de um critério relativamente novo para analisar os diversos países do globo,
sejam eles desenvolvidos ou subdesenvolvidos.
O nível de saúde é avaliado considerando-se a expectativa de vida ao nascer, isto é, “o número de anos que um recém-nascido pode esperar viver, em
média, considerando-se a hipótese de que as taxas de mortalidade, por faixa
etária, permaneçam, durante toda a sua vida, iguais às do ano de nascimento”.
Observe que, para se determinar a expectativa de vida (ou esperança de vida),
é necessário fazer uso do índice de mortalidade. Ou seja, se poucas pessoas
morrem em cada faixa etária, significa dizer que as condições de existência são
boas, permitindo deduzir que a violência é baixa, que muitos têm acesso à
água tratada, que as doenças se encontram controladas etc. Daí essas pessoas
poderem esperar viver por um longo tempo. Ao contrário, localidades onde
esses índices são precários, a esperança de vida ao nascer pode ser relativamente baixa. No quadro a seguir são apontados exemplos significativos. Analise-os criticamente, busque conclusões a seu respeito.
EXPECTATIVA DE VIDA EM ALGUNS PAÍSES (IDADE)
234
JAPÃO
80
NORUEGA
78
AUSTRÁLIA
78
URUGUAI
74
CHILE
75
BRASIL
68
ANGOLA
47
UGANDA
40
COSTA DO MARFIM
47
LIBÉRIA
48
SERRA LEOA
38
FONTE: Enciclopédia do Mundo Contemporâneo, 2002.
Escola primária em Dacar, no Senegal.
Quanto ao nível de instrução, é obtido levando-se em
conta o índice de analfabetismo das pessoas com 15 anos
ou mais de idade e pela média de anos de estudos (grau de
escolaridade).
As pessoas analfabetas (ou iletradas) são aquelas que
não dominam os códigos da leitura e da escrita. Contudo,
definir o que é uma pessoa alfabetizada é algo que varia
muito de país para país, pois os critérios utilizados nem sempre são os mesmos. Há casos em que o indivíduo é considerado letrado se souber escrever o próprio nome; noutros, se
for apto a produzir uma redação sobre si mesmo.
Diante dessa questão, o PNUD leva em ÍNDICE DE ALFABETISMO EM ALGUNS PAÍSES (%)
conta o número de anos de escolaridade da
população dos países. Fica evidenciado que
DINAMARCA
100
esse critério acrescenta maior seriedade e quaPARAGUAI
92
lidade ao nível de instrução. No entanto, é
CINGAPURA
91
necessário questioná-lo, uma vez que na África, e mesmo na América Latina, inúmeras soCATAR
79
ciedades independem da escrita. Suas tradiCHINA
82
ções e sua história são repassadas, de geraBRASIL
87
ção para geração, oralmente. Na África, por
exemplo, há sociedades tribais em que deterBANGLADESH
38
minados membros são preparados, a partir de
HAITI
44
uma certa idade (14 anos, por exemplo), para
SOMÁLIA
24
receberem toda a história, de vários séculos,
de sua comunidade. Caberá a esses indivíduos
LIBÉRIA
45
o papel de transmissores da história social
SERRA LEOA
31
para as novas gerações. E para isso não é utilizada uma folha de papel escrita sequer.
FONTE: Enciclopédia do Mundo Contemporâneo, 2002.
Contudo, em um mundo onde a informação e o conhecimento são bens
cada vez mais valorizados, os anos de estudo são fundamentais para o desenvolvimento tecnológico. Além disso, é crescente o número de empresas que
contrata seus empregados tomando como critério inicial o grau de escolaridade. Vale a pena mencionar o caso do Brasil, onde estudos da Fundação Getúlio
Vargas apontaram que, para cada ano adicional de estudo, para aqueles que
possuem as quatro séries iniciais do Ensino Fundamental, ocorre um acréscimo
de aproximadamente 16 % ao valor de seus rendimentos. Afora isso, esses
estudos concluem que, quanto menor o grau de escolaridade do trabalhador,
maior a possibilidade de permanecer fora do mercado de trabalho ou, o que é
tão grave quanto, demorar mais tempo para obter uma nova colocação, em
comparação àqueles que possuem maior escolaridade.
Este e o próximo texto são mostras de programas empreendidos em países com graves problemas sociais, tendo em vista
aumentar o grau de prosperidade da população. A participação da sociedade civil na solução dos problemas e a existência de
projetos sociais de geração de renda bem definidos têm sido apontados como fórmulas de sucesso nos países pobres.
Bolívia: contratando ONG para melhoria do ensino
Num programa experimental na Bolívia, o governo contratou com a organização religiosa Fe y
Alegría a administração de certo número de escolas públicas, principalmente secundárias. Antes de
aceitar a incumbência, a Fe y Alegría pleiteou (e recebeu) o direito de nomear diretores e professores e
de permitir que os professores trabalhassem nos turnos da manhã e da tarde, em vez das três horas e
meia reservadas para a instrução nas escolas públicas.
Em todos os demais detalhes, os educandários da Fe y Alegría são idênticos às demais escolas
públicas bolivianas. Embora especialmente selecionados, os professores recebem pouco treinamento
especial e o mesmo salário dos seus colegas das escolas públicas. As escolas da Fe y Alegría não
recebem financiamento adicional para livros ou material e os seus currículos e métodos de ensino são
idênticos aos utilizados nas outras escolas públicas.
A única vantagem comparativa das escolas da Fe y Alegría é um excepcional esprit de corps que une
alunos, pais e funcionários. Os professores e alunos convergem em massa para as escolas da Fe y Alegría,
e muitas famílias pagam taxas adicionais para que seus filhos as freqüentem. Nas raras ocasiões em que
foram tentados métodos de ensino inovadores (como um curso de matemática transmitido por uma emissora de rádio pública), estes também foram bem recebidos tanto nas escolas como na comunidade. Essa
parceria público-privada entre o governo e uma ONG religiosa parece ser tão bem-sucedida que o governo está considerando a sua adoção como possível modelo para a reforma nacional do ensino.
FONTE: Adaptado do Relatório Sobre o Desenvolvimento Mundial, 1997, do Banco Mundial, p. 94.
235
Por último, resta comentar o nível de renda, representada pelo PIB
per capita ajustado. Esse índice considera a diferença de poder de compra
da moeda americana existente entre um país e outro. No cálculo da renda,
a metodologia empregada considera que o aumento do bem-estar da população não ocorre de forma linear, isto é, se a renda de uma população passa de
US$1 000 para US$2 000 anuais, por habitante, seus efeitos são muito mais
representativos do que se ela passasse de US$15 000 para US$16 000. Isso
permite concluir que, programas geradores de renda para a população menos
favorecida dos países mais pobres, é da máxima importância para o aumento
da sua prosperidade.
Redução da pobreza na Indonésia: como a assistência social complementa
o crescimento de base ampla
FONTE: Adaptado do Relatório Sobre o Desenvolvimento Mundial, 1997, do Banco Mundial, p. 63.
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O crescimento rápido e amplo da Indonésia teve um efeito espetacular na redução da pobreza.
Entre 1970 e 1990, a proporção da população que vive abaixo da linha da pobreza diminuiu de 56 %
para 15 %; outros indicadores de bem-estar, como a mortalidade infantil, mostram melhoria semelhante. Agora, o governo fixou a meta ambiciosa de erradicar a pobreza absoluta na próxima década. O
problema é que os grupos restantes se concentram em bolsões isolados de pobreza, com poucos recursos naturais, baixa densidade demográfica e outras características socioeconômicas que tornam difícil
atingi-los. Recentemente foram iniciadas, entre outras, as seguintes intervenções dirigidas:
• O programa Inpres Desa Tertinggal (IDT), lançado em 1994, destina-se a povoações que o
desenvolvimento do país deixou para trás. O programa distribui doações num total de US$200
milhões por ano entre 20.000 aldeias – o terço mais pobre das aldeias da Indonésia –, a serem
utilizadas como capital-semente para atividades geradoras de renda. O IDT está combinado
com programas de frentes de trabalho.
• O programa Família Próspera, lançado em 1996, visa melhorar, mediante pequenas doações e
crédito subsidiado, as condições das famílias que vivem em aldeias não atendidas pelo programa IDT e cujo padrão de vida está abaixo de certo nível.
• No âmbito do Programa de Transmigração, cerca de 750.000 famílias, ou mais de 3,6 milhões
de pessoas, foram transferidas de Java, já superpovoada, para ilhas menos populosas. O programa visa combater a carência de terras como uma das causas de pobreza e proporcionar aos
novos colonos terras agrícolas e outros benefícios.
• O Programa de Melhoria de Kampung, destina-se a melhorar a provisão de serviços sociais e
infra-estrutura a bairros urbanos de baixa renda densamente povoados.
Eliminar as mazelas decorrentes
da pobreza é um desafio para a
humanidade.
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