Conteúdo 1 O PLANO 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6 1.7 1.8 Equação Geral do Plano . . . . . . . . . . . . . . . Determinação de um Plano . . . . . . . . . . . . . . Equação Paramétrica do Plano . . . . . . . . . . . Ângulo de Dois Planos . . . . . . . . . . . . . . . . 1.4.1 Planos Perpendiculares . . . . . . . . . . . . 1.4.2 Plano Paralelos . . . . . . . . . . . . . . . . Paralelismo e Perpendicularismo entre Reta e Plano Reta contida em Plano . . . . . . . . . . . . . . . . Interseção de Dois Plano . . . . . . . . . . . . . . . Interseção de Reta com Plano . . . . . . . . . . . . 2 DISTÂNCIAS 2.1 2.2 2.3 2.4 Distância entre dois pontos . . . . . Distância de um Ponto a uma Reta Distância de Ponto a Plano . . . . Distância entre Duas Retas . . . . 2.4.1 Retas Concorrentes . . . . . 2.4.2 Retas Paralelas . . . . . . . 3 COORDENADAS POLARES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 3 7 11 13 14 16 17 18 19 20 21 21 21 22 22 22 23 24 3.1 Mudança de Coordenadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 3.1.1 Mudança de Coordenadas Cartesianas para Polares . . . . . . . . . 24 3.1.2 Mudança de Coordenadas Polares para Cartesianas . . . . . . . . . 26 1 GEOMETRIA ANALÍTICA II Ementa: O plano. Distâncias. Coordenadas polares. Cônicas. Superfícies Quádricas. Bibliograa Básica: Boulos, P. Camargo, I. Geometria Analítica - Um Tratamento Vetorial, São Paulo: MAKRON Books, 1987. Winterle, P. Vetores e Geometria Analítica, São Paulo, MAKRON Books, 2000. Caroli, A. Callioli, C.A. Matrizes, Vetores e Geometria Analítica: Teoria e Exercícios, Nobel, São Paulo,1984. Bibliograa Complementar: Murdoch, David C. Geometria Analítica. Editora LTC, Rio de Janeiro, 1980. Kletenik, D. Problemas de Geometria Analítica. Editora Mir Moscu, Belo Horizonte, 1967. Machado, A. S. Álgebra Linear e Geometria Analítica. Editora Atual, São Paulo, 1982. Riguetto, A. Vetores e Geometria Analítica. Editora IBLC. São Paulo, 1988. Professor Ms. Renan Fernandes Capellette 2 Capítulo 1 O PLANO 1.1 Equação Geral do Plano Seja um vetor formado pelos pontos A (x1 , y1 , z1 ) e P (x, y, z) pertencentes a um plano π → e um vetor n= (a, b, c) normal (ortogonal) ao plano, como ilustra a gura abaixo: → → Qualquer vetor AP representado em π (ou seja A e P ∈ π ) é ortogonal a n , então: → → n × AP → n × (P − A) (a, b, c) × (x − x1 , y − y1 , z − z1 ) ax + by + cz − ax1 − by1 − cz1 Assim, a equação geral do plano π é: ax + by + cz + d = 0 onde d = −ax1 − by1 − cz1 Observações: 3 = = = = 0 0 0 0 → → • (i) Assim, como n é um vetor normal, qualquer vetor k n, k 6= 0, é normal ao plano. • (ii) Considere a equação geral do plano π : 3x + 2y − z + 1 = 0 os componentes do → vetor normal n ao plano π é (3, 2, −1). • (iii) Para obter pontos de um plano dado por uma equação geral do plano, basta atribuir valores aleatórios a duas variáveis e calcular. Tome o exemplo anterior e faça x = 4 e y = −2, tem-se 3(4) + 2(−2) − z + 1 = 0 z = 9 portanto, o ponto A(4, −2, 9) pertence a este plano Exercícios Resolvidos: → 1 - Obter um equação geral do plano π que passa pelos ponto A(2, −1, 3) e tem n= (3, 2, −4) como vetor normal. Solução: → Como n é normal ao plano tem-se 3x + 2y − 4z + d = 0 Como A é um ponto do plano, suas coordenadas devem satisfazer a equação: 3x + 2y − 4z + d 3(2) + 2(−1) − 4(3) + d 6 − 2 − 12 + d −8 + d d = = = = = 0 0 0 0 8 Logo, uma equação geral do plano π é: π : 3x + 2y − 4z + 8 = 0 É possível calcular a equação do plano utilizando a seguinte equação: 4 → → n × AP = a(x − x1 ) + b(y − y1 ) + c(z − z1 ) = 0 → Substituindo as coordenadas do ponto A(2, −1, 3) e n= (3, 2, −4), tem-se a(x − x1 ) + b(y − y1 ) + c(z − z1 ) 3(x − 2) + 2(y − (−1)) + (−4)(z − 3) 3x − 6 + 2y + 2 − 4z + 12 3x + 2y − 4z + 8 = = = = 0 0 0 0 com isso a equação do plano é: π : 3x + 2y − 4z + 8 = 0 2 - Escreva uma equação geral do plano π que passa pelo ponto A(2, 1, 3) e é paralelo ao plano: α : 3x − 4y − 2z + 5 = 0 → Solução: Como os planos são paralelos, o vetor nomal n do plano α também é normal ao plano π , assim, a equação geral do plano π é da forma: 3x − 4y − 2z + d = 0 Como A pertence ao plano π , suas coordenadas devem vericar a equação: 3x − 4y − 2z + d 3(2) − 4(1) − 2(3) + d 6−4−6+d d = = = = Dessa forma uma equação de π é π : 3x − 4y − 2z + 4 = 0 5 0 0 0 4 3 - A reta x = 5 + 3t y = −4 + 2t z =1+t é ortogonal ao plano π que passa pelo ponto A(2, 1, −2). Determinar uma equação geral de π e representá-lo gracamente. ( r: Solução: Como r⊥π , qualquer vetor diretor de r é um vetor normal ao plano. Sendo n= (3, 2, 1) um destes vetores, uma equação de π é da forma: → 3x + 2y + z + d = 0 Como A pertence ao plano π , deve-se vericar: 3x + 2y + z + d 3(2) + 2(1) + (−2) + d 6+2−2+d d = = = = 0 0 0 −6 Porntanto, uma equação de π é π : 3x + 2y + z − 6 = 0 Em resumo, para determinar a equação geral de um plano é necessário um ponto do plano e um vetor normal a ele. Exercício 1: Determinar a equação geral do plano que é paralelo ao plano π : 2x − 3y − z + 5 = 0 e que contenha o ponto A(4, −2, 1). Resposta: π1 : 2x − 3y − z − 13 = 0 Exercício 2: Determine a equação geral do plano π sabendo que ele é perpendicular a reta: ( r: x = 2 + 2t y = 1 − 3t z = 4t e que contenha o ponto A(−1, 2, 3) Resposta: π : 2x − 3y + 4z − 4 = 0. 6 1.2 Determinação de um Plano Anteriormente viu-se que a equação geral de um plano pode ser determinada por um ponto ∈ ao plano π e um vetor normal a ele, porém, exitem outras maneiras de se determinar um plano, pois, existe apenas um plano que: → → (i) Passa por um ponto A e é paralelo a dois vetores v1 e v2 não colineares. → → → Neste caso: n=v1 × v2 Exemplo Resolvido: Determinar a equação geral do plano que passa pelo ponto A(1, −3, 4) e é paralelo aos vetores v1 = (3, 1, −2) e v2 = (1, −1, 1). → → Solução: Um vetor normal ao plano obtido a partir dos vetores-base v1 e v2 é: → → → i j k → → → n=v1 × v2 = 3 2 −1 = (−1, −5, −4) 1 −1 1 → Assim, um vetor normal ao plano é: n= (−1, −5, −4) A equação do plano é dada pela seguinte equação: −x − 5y − 4z + d = 0, e para encontrar o valor de d, tem-se: −x − 5y − 4z + d −(1) − 5(−3) − 4(4) + d −1 + 15 − 16 + d d = = = = 0 0 0 2 Assim, a equação do plano é: −x − 5y − 4z + 2 = 0 ou x + 5y + 4z − 2 = 0 → → (ii) Passa por dois pontos A e B e é paralelo a um vetor v não colinear ao vetor AB Colinear: pertencem a mesma reta e/ou são paralelos → → . → Neste caso: n= v × AB . Exemplo Resolvido: Determinar a equação geral do plano que passa pelos pontos A(1, −3, 4) e B = (3, 1, −2) e é paralelo ao vetor v = (1, −1, 1). → Solução: Um vetor normal ao plano obtido a partir dos vetores-base AB= (2, 4, −6) e → v é: 7 → → → k → → → i j n= v × AB= 2 4 −6 = (−2, −8, −6) 1 −1 1 → Assim, um vetor normal ao plano é: n= (−2, −8, −6) A equação do plano é dada pela seguinte equação: −2x − 8y − 6z + d = 0, e para encontrar o valor de d, tem-se: −x − 5y − 4z + d −2(1) − 8(−3) − 6(4) + d −1 + 15 − 16 + d d = = = = 0 0 0 2 Assim, a equação do plano é: −2x − 8y − 6z + 2 = 0 ou 2x + 8y + 6z − 2 = 0 (iii) Passa por três pontos A B e C que não pertencem a mesma reta (não colineares). → → → Nesta caso: n=AB × AC . Exemplo resolvido: Estabelecer a equação geral do plano determinado pelo pontos A(2, 1, −1), B(0, −1, 1) e C(1, 2, 1). → → Solução: Os vetores base do plano são: AB= (−2, −2, 2) e AC= (−1, 1, 2) e, portanto, um vetor,normal do plano é: → → → i j k → → → n=v1 × v2 = −2 −2 2 −1 1 2 = (−6, 2, −4) → Assim, o vetor normal ao plano é: n= (−6, 2, −4) A equação do plano é dada pela seguinte equação: −6x + 2y − 4z + d = 0, e para encontrar o valor de d, tem-se: −6x + 2y − 4z + d −6(2) + 2(1) − 4(−1) + d −12 + 2 + 4 + d d 8 = = = = 0 0 0 6 Então a equação do plano é: −6x + 2y − 4z + 6 = 0 ou 3x − y + 2z − 3 = 0 (iv) Contém duas retas concorrentes r1 e r2 (concorrentes: ). que se cruzam → → → Neste caso os vetores diretores das retas r1 e r2 são v1 e v2 e vale n=v1 × v2 (vetor normal ao plano). Vetores diretores da reta: Tem a mesma direção e determinam o sentido da reta (v) Contém duas retas paralelas r1 e r2 . Neste caso tem-se que o vetor normal é: → → → n=v1 × A1 A2 Assim v1 é um vetor diretor de r1 (ou r2 ) e A1 ∈ r1 e A2 ∈ r2 . Exemplo resolvido: Determinar a equação geral do plano que contém as retas r1 : n ( y = 2x + 1 z = −3x − 2 e r2 : x = −1 + 2t y = 4t z = 3 − 6t Solução: Primeiramente deve-se determinar os vetores diretores das retas r1 e r2 . Vetor diretor de r1 Dois pontos pertencentes a reta r1 são os pontos A1 (0, 1, −2) e B1 (1, 3, −5). Utilizando o ponto A1 , obtem-se as equações paramétricas de r1 : ( r1 : x = 0 + ta y = 1 + tb z = −2 + tc → o vetor diretor da reta r1 é v1 = (a, b, c), cuja coordenadas são encontradas fazendo t = 1 e utilizando as coordanas do ponto B . a = x=1 b = y−1=3−1=2 c = z + 2 = −5 + 2 = −3 → Assim o vetor diretor de r1 é v1 = (1, 2, −3) 9 → O vetor diretor da reta r2 é v2 = (2, 4, −6) → → Observe que as retas são paralelas, pois v2 = 2 v1 Um ponto pertencente a reta r2 é A2 (−1, 0, 3). → Então: A1 A2 = (−1, −1, 5) → pode-se determinar o vetor normal n ao plano em questão: → → → j k → i n= 1 2 −3 = (7, −2, 1) −1 −1 5 Após alguns cálculos tem-se que a equação geral do plano é: 7x − 2y + z + 4 = 0 (vi) É determinado por uma reta r e um ponto B 6∈ r (não pertence a reta). → → → O vetor normal a este plano é determinado pela expressão: n= v × AB . → onde v é um vetor diretor de r e A ∈ r. Exemplo resolvido: Determine a equação do plano que contém a reta r: x=4 y=3 e o ponto B(−3, 2, 1) → Solução: Primeiramente deve-se encontrar o ponto A ∈ r e o vetor diretor v . Como não aparece a variável z o plano é paralelo a este eixo, assim, pode-se escolher qualquer valor real para representar z , neste caso, por conveniencia escolhe-se z = 0, assim, o ponto A(4, 3, 0) ∈ r . → O vetor diretor é: v = (0, 0, 1) → AB= (−7, −1, 1). Cálculo do vetor normal. → → → j k → → → i n=v1 × v2 = 0 0 1 = (1, −7, 0) −7 −1 1 → Assim, um vetor normal ao plano é: n= (1, −7, 0) A equação do plano é dada pela seguinte equação: x−7y −0z +d = 0, e para encontrar o valor de d, tem-se: 10 x − 7y + d 4 − 7(3) + d 4 − 21 + d d = = = = 0 0 0 17 Assim, a equação do plano é: x − 7y + 17 = 0 Outra forma de obter a equação geral de um plano é utilizando a denição de vetores coplanares, ou seja, o produto misto entre eles é nulo. Considere o exemplo do item (iv), neste problema temos um ponto A(1, −3, 4) que é paralelo aos vetores v1 = (3, 1, −2) e v2 = (1, −1, 1). Assim, tome um ponto P (x, y, z) ∈ → → → ao plano, dessa forma os vetores AP , v1 , v2 são coplanares, ou seja, o produto misto entre eles é igual a zero. → → → (AP , v1 , v2 ) = 0 Ou seja: x−1 y+3 z−4 3 = −x − 5y − 4z + 2 1 −2 1 −1 1 Dessa forma, a equação geral do plano é x + 5y + 4z − 2 = 0 Este método é aplicável a todos os outros exemplos. Exercício: Encontre a equação geral do plano dos exemplos anteriores embasando-se na denição de vetores coplanares. 1.3 Equação Paramétrica do Plano → → Dado um ponto A(x0 , y0 , z0 ) petencente ao plano π e u= (a1 , b1 , c1 ) e v = (a2 , b2 , c2 ) não → → paralelos, porém, paralelos ao plano. Qualquer que seja o ponto P ∈ π , ou vetores AP , u → e v são coplanares. O ponto P (x, y, x) pertence ao plano se, e somente se existem números reais tais que: 11 → → P − A = h u +t v → → P = A + h u +t v (x, y, z) = (x0 , y0 , z0 ) + h(a1 , b1 , c1 ) + t(a2 , b2 , c2 ) onde h, t ∈ R, e os vetores u e v são vetores diretores do plano π . Dessa maneira a Equação Paramétrica do plano é: (x, y, z) = (x0 , y0 , z0 ) + h(a1 , b1 , c1 ) + t(a2 , b2 , c2 ) podendo ser escrita como: ( x = x 0 + a1 h + a2 t y = y 0 + b1 h + b2 t z = z0 + c1 h + c2 t Exemplo: Seja o plano π que passa pelo ponto A(2, 2, −1) e é paralelo aos vetores → u= (2, −3, 1) e v = (−1, 5, −3). Obter uma equação vetorial, um sistema de equações paramétricas e uma equação geral de π . → Solução: Equação vetorial: (x, y, z) = (2, 2, −1) + t(2, −3, 1) + v(−1, 5, −3) Equações paramétricas ( x = 2 = 2t − v y = 2 − 3t + 5v z = −1 + t − 3v Para obter a equação geral do plano é necessário calcular o vetor normal ao plano ou utilizar a idéia de vetores coplanares, ou seja, o produto misto entre os vetores é igual zero. → Considere o ponto P (x, y, z) ∈ π , assim o vetor AP = (P − A) = (x − 2, y − 2, z + 1) x−2 y−2 z+1 2 −3 1 −1 5 −3 =0 9x − 5x − y + 6y + 10z − 3z − 6 − 5 = 0 Assim a equação geral de π é: 4x + 5y + 7z − 11 = 0. Exercício 1: Dado um plano π determinado pelos pontos A(1, −1, 2), B(2, 1, −3) e C(−1, −2, 6) não alinhados. Encontre um sistema de equações paramétricas e uma equação geral do plano π . 12 Dica: Encontrar os vetores diretores de π . Os pontos A, B e C ∈ π e não estão alinhados, dessa maneira, dene-se os dois vetores diretores como segue: → → u=AB= (1, 2, −5) e → → v =AC= (−2, −1, 4). os vetores acima são vetores diretores de π . Resposta: ( Equações paramétricas: x = 1 + h − 2t y = −1 + 2h − t z = 2 − 5h + 4t Equação geral do plano: π : 3x + 6y + 3z − 3 = 0 ou π : x + 2y + z − 1 = 0. Exercício 2: Dado o plano π de equação 2x − y − z + 4 = 0, determinar um sistema de equações paramétricas de π . Dica: Encontrar três pontos distintos A, B e C não alinhados e encontrar os vetores diretores. A(0, 0, 4), B(1, 0, 6) e C(0, 1, 3) ( x=h Equações paramétricas: y = t z = 4 + 2h − t 1.4 Ângulo de Dois Planos Dados dois planos π1 e π2 e n1 = (a1 , b1 , c1 ) e n2 = (a2 , b2 , c2 ) vetores normais aos planos π1 e π2 respectivamente, como ilustra a gura abaixo: O Ângulo entre esses dois planos é o menor ângulo formado entre os seus respectivos vetores normais. Denominando este ângulo de θ, tem-se: 13 → → n1 × n2 cos(θ) = → → n1 n2 com 0 ≤ θ ≤ π 2 Exemplo: Determine o ângulo entre os planos: e π1 : 2x + y − z + 3 = 0 π2 : x + y − 4 = 0 Solução: n1 = (2, 1, −1) e n2 = (1, 1, 0) cos(θ) = cos(θ) = cos(θ) = cos(θ) = θ = θ = 1.4.1 |(2, 1, −1) × (1, 1, 0)| |(2, 1, −1)| × |(1, 1, 0)| |2 + 1 + 0| p p (22 + 1 + (−1)2 ) × (12 + 12 + 02 ) |3| p √ 12 × (12 + 12 + 02 ) √ 3 2 √ ! 3 arccos 2 π 6 Planos Perpendiculares Dois planos são perpendiculares se, e somente se o ângulo formado entre seus respectivos vetores diretores for igual a noventa graus (θ = 90◦ ), ou seja, → → → → π1 ⊥π2 ⇔n1 ⊥ n2 ⇔n1 × n2 = 0 14 Exemplo: Verique se os planos e π1 : 3x + y − 4z + 2 = 0 π2 : 2x + 6y + 3z = 0 ou ( e π1 : x + y − 4 π2 : x = 2 − h + 2t y =h+t z=t são perpendiculares. Solução: (i) π1 : 3x + y − 4z + 2 = 0 e π2 : 2x + 6y + 3z = 0 → → n1 = (3, 1, −4) e n2 = (2, 6, 3) são vetores normais aos planos π1 e π2 respectivamente. → → → → → → n1 × n2 = (3, 1, −4) × (2, 6, 3) n1 × n2 = 3.2 + 1.6 + (−4).3 n1 × n2 = 0 Portanto os planos π1 e π2 são perpendiculares. ( (ii) π1 : x + y − 4 e π2 : x = 2 − h + 2t y =h+t z=t → Em π1 tem-se o vetor normal n1 = (1, 1, 0) . → → Porém em π2 tem-se os vetores diretores: u= (−1, 1, 0) e v = (2, 1, 1), através do produto misto entre eles determina-se o vetor normal ao plano π2 . → → → i j k → → → n2 = u × v = −1 1 0 = (1, 1, −3) 2 1 1 15 Assim: → → → → → → n1 × n2 = (1, 1, 0) × (1, 1, −3) n1 × n2 = 1.1 + 1.1 + 0.(−3) n1 × n2 = 2 6= 0 portanto os planos π1 e π2 não são perpendiculares. 1.4.2 Plano Paralelos Considere os planos π1 e π2 , estes planos serão paralelos se, e somente se, seus respectivos vetores normais forem paralelos: → → π1 //π2 ⇔n1 // n2 portanto a1 b1 c1 = = . a2 b2 c2 Dois planos são coincidentes se: b1 c1 d1 a1 = = = . a2 b2 c2 d2 Porém, se a1 = a2 , b1 = b2 , c1 = c2 e d1 6= d2 , os planos também são paralelos. Exemplo: Calcule os valores de m e n para que o plano: π1 : (2m − 1)x − 2y + nz − 3 = 0 seja paralelo ao plano π2 : 4x + 4y − z = 0 Solução: → → Os vetores normais são: n1 = (2m − 1, −2, n) e n2 = (4, 4, −1). 2m − 1 −2 n = = , 4 4 −1 isto é: 2m − 1 1 =− 4 2 1 m=− 2 16 e −n = − n = 1 2 1 2 1 2 Assim os planos π1 : −2x − 2y + z − 3 = 0 e π2 : 4x + 4y − z = 0 são paralelos. 1 2 → → Note que: n1 = − n2 1.5 Paralelismo e Perpendicularismo entre Reta e Plano → → Considere uma reta r na direção de um vetor v e um plano π , seja n o vetor normal ao plano, como ilustram as guras abaixo: → → → → (i) Se r//π ⇔ v ⊥ n⇒ v × n= 0 → → → → (ii) Se r⊥π ⇔ v // n⇒ v = α n ( x = 1 + 2t Exemplo: A reta r : y = −3t z=t é paralela ao plano π : 5x + 2y − 4z − 1 = 0? → Se a reta é paralela ao plano, implica que o vetor diretor da reta r, v = (2, −3, 1) é → ortogonal ao vetor normal n= (5, 2, −4) veja: (2, −3, 1) × (5, 2, −4) = 0. 17 Porém, esta mesma reta é perpendicular ao plano π1 : 4x − 6y + 2z − 5 = 0, pois o → → vetor diretor v = (2, −3, 1) de r é paralelo ao vetor nomal n1 = (4, −6, 2) de π , veja: → v= 1 → n1 2 → para isso basta dividir as componente de v e 1.6 → n1 : 2 −3 1 = = 4 −6 2 = 1 1 1 = = . 2 2 2 Reta contida em Plano Uma reta r esta contida em uma plano π se: (i) Dois pontos A e B da reta r pertencerem ao plano π , ou → → (ii) Dado vetor diretor v da reta r e o vetor normal n do plano π satisfazer a seguinte igualdade: → → v × n= 0 ou seja, se r está contida em π o vetor diretor de r é normal ao vetor normal de π . Exemplo: Determinar os valores de m e n para que a reta: x=3+t r : y = −1 − t z = −2 − t esteja contida no plano π : 2x + my + nz − 5 = 0 ( Solução: Fazendo t = 0 e t = 1 e substituindo na equação paramétrica de r obtem-se os pontos A(3, −1, −2) e B(4, −2, −3), e substituindo na equação do plano tem-se o seguinte sistema linear: 2(3) + m(−1) + n(−2) − 5 = 0 2(4) + m(−2) + n(−3) − 5 = 0 donde m = 3 n = −1. Observação: Se a reta esta contida no plano, então os pontos da reta pertencem ao . plano, portanto eles devem satisfazem a igualdade da equação geral do plano 18 1.7 Interseção de Dois Plano A interseção de dois planos não paralelos é uma reta r cuja equações reduzidas ou paramétricas deve-se determinar. Para determinar uma reta é necessário conhecer dois de seus pontos, ou um ponto e um vetor diretor de r. Exemplo: Consideremos os planos não paralelos e π1 : 5x − y + z − 5 = 0 π2 : x + y + 2z − 7 = 0 Um ponto da reta determinada pela intereseção entre os dois planos, é o ponto cuja coordenadas satisfazem o sistema 5x − 2y + z + 7 = 0 3x − 3y + z + 4 = 0 Resolvendo o sistema, tem-se innitas soluções em função de x. n y = −2x − 3 z = −9x − 13 ou seja, a solução acima são as equações reduzidas da reta obtida pela intersecção dos planos π1 e π2 . Seus pontos são: (x, y, z) = (x, −2x − 3, −9x − 13) Para determinar as equações paramétricas da reta r atribui-se dois valores distintos para x de modo a determinar os pontos A e B , assim se x = 0 e x = 1, tem-se respectivamente A(0, −3, −13) e B(1, −5, −22), com isso é possível determinar o vetor diretor da reta r: → → v =AB= B − A = (1, −2, −9) As equações paramétricas de r utilizando o ponto A e o vetor diretor são: ( r: x=t y = −3 − 2t z = −13 − 9t 19 1.8 Interseção de Reta com Plano Neste caso deseja-se encontrar um ponto da reta r em comum com o plano π . Exemplo 1: Determinar o ponto de interseção da reta r com o plano π , onde: ( x = −1 + 2t y = −1 + 3t z = 4 − 2t e π : 2x − y + 3z − 4 = 0 Solução: Qualquer ponto de r é da forma: (x, y, z) = (−1 + 2t, 5 + 3t, 3 − t), estas coordenadas deve satisfazer a equação do plano, assim, este ponto será a interseção entre r e π : 2x − y + 3z − 4 = 0 2(2t − 1) − (5 + 3t) + 3(3 − t) − 4 = 0 donde resulta t = −1. Substituindo esses valores nas equações paramétricas de r tem-se as coordenadas da interseção de r com π . r ∩ π = (−3, 2, 4) Exemplo 2: Determinar a interseção da reta r com o plano π onde: r: x − 2y − 2z + 2 = 0 2x + y − z = 0 e π : x + 3y + 2z − 5 = 0 Nesse caso deve-se solucionar o sistema: ( x − 2y − 2z + 2 = 0 2x + y − z = 0 x + 3y + 2z − 5 = 0 obtendo-se x = 2, y = −1 e z = 3. Logo a interseção (I) é I(2, −1, 3). 20 Capítulo 2 DISTÂNCIAS 2.1 Distância entre dois pontos A distância d entre dois pontos P1 (x1 , y1 , z1 ) e P2 (x2 , y2 , z2 ) é dada pela expressão: → P1 P2 = P2 − P1 = (x2 − x1 , y2 − y1 , z2 − z1 ) q d(P1 , P2 ) = (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 + (z2 − z1 )2 Exemplo: Calcular a distância entre P1 (2, −1, 3) e P2 (1, 1, 5). d(P1 , P2 ) = 2.2 q (1 − 2)2 + (1 − (−1))2 + (5 − 3)2 = √ 9=3 Distância de um Ponto a uma Reta Para calcular a distância de um ponto P a uma reta r utiliza-se a expressão: → → v × AP → d(P, r) = v → onde v é o vetor diretor da reta r e A e um ponto petencente a reta. Exemplo: Calcular a distância do ponto P (2, 1, 4) à reta 21 ( r: x = −1 + 2t y =2−t z = 3 − 2t → Soluçao: A reta r passa pelo ponto A(−1, 2, 3) e tem direção do vetor v = (2, −1, −2). → O vetor AP é (3, −1, 1). → → → j k → → i v × AP = 2 −1 −2 = (−3, −8, 1) 3 −1 1 Assim: p √ (−3)2 + (−8)2 + 12 74 |(−3, −8, 1)| =p = u.c. d(P, r) = |(2, −1, −2)| 3 22 + (−1)2 + (−2)2 2.3 Distância de Ponto a Plano A distância de um ponto P0 a um plano π , ou seja d(P0 , π) é dado pela expressão: d(P0 , π) = |ax0 + by0 + cz0 + d| √ a2 + b 2 + c 2 → onde (a, b, c) são as coordenadas do vetor normal n . Exemplo: Calcular a distância do ponto P0 (4, 2, −3) ao planoπ : 2x + 3y − 6z + 3 = 0 Solução: d(P0 , π) = 2.4 2.4.1 |2(4) + 3(2) − 6(−3) + 3| p =5 22 + 32 + (−6)2 Distância entre Duas Retas Retas Concorrentes A distância d entre duas retas r e s concorrentesé nula, por denição. 22 2.4.2 Retas Paralelas A distância entre duas retas paralelas se reduz ao cálculo da distância de um ponto a uma reta. A fórmula apresentada anteriormente é: → → v × AP → d(r, s) = v → onde v é o vetor diretor da reta e A e um ponto desta mesma reta, P é um ponto pertencente a outra reta. Exemplo: Calcular a distância entre as retas: r: n ( y = −2x + 3 z = 2x e s: x = −1 − 2t y = 1 = 4t z = −3 − 4t → Solução: O vetor diretor da reta s é v2 = (−2, 4, −4) e A(3, 2, −1) um ponto pertencente → a esta reta. P (0, 3, 0) é um ponto ∈ r, então AP = (1, 2, 3). → → → i j k → → v × AP = 1 2 3 2 4 −4 d(r, s) = d(r, s) = d(r, s) = d(r, s) = d(r, s) = = (−20, −2, 8) p (−20)2 + (−2)2 + 82 p (−2)2 + 42 + (−4)2 √ 400 + 4 + 64 √ 4 + 16 + 16 √ 468 36 √ 6 13 √6 13u.c. 23 Capítulo 3 COORDENADAS POLARES 3.1 3.1.1 Mudança de Coordenadas Mudança de Coordenadas Cartesianas para Polares Vimos anteriormente que dado um ponto P no plano, utilizando as coordenadas cartesianas, ou retangulares é possível descrever sua localização no plano P (x, y), porém também representar este mesmo ponto a partir da distância da origem 0 do sistema cartesiano até o ponto P e o ângulo formado pelo eixo x, denotado P (r, θ), onde r é a distância da origem do plano até o ponto P e θ é o ângulo formado com o eixo x. A partir das propriedades aplicadas no triângulo retângulo e o teorema de Pitágoras, tem-se: p x2 + y 2 y θ = arctang x r = Exemplo 1: Transforme as coordenadas cartesianas em coordenadas polares os seguintes pontos: 24 (a) P √ ! 5 35 2 2 (b) Q(1, −1). Solução. (a) r r r r θ θ θ v u √ !2 u 5 3 5 = t + 2 2 r 25 · 3 25 + = 4 4 r 100 = 4 = 5 √ 5 3 2 = arcT g 5 2 ! √ 5 3 2 = arcT g · 2 5 √ = arcT g 3 = 60 Assim, P (5, 60◦ ) √ Solução (b): De maneira análoga ao anterior, tem-se: Q( 2, −45◦ ) Exemplo 2: A circunferência de centro na origem e raio 3 tem equação cartesiana x2 + y 2 = 9, encontre a equação polar: Solução: Sabe-se: x = rcos(θ) y = rsen(θ) assim, (rcos(θ))2 + (rsen(θ))2 r2 cos2 (θ) + sen2 (θ) r2 r 25 = = = = 9 9 9 3 ou seja, a equação polar dessa circunferência é r = 3. 3.1.2 Mudança de Coordenadas Polares para Cartesianas π Seja P um ponto com coordenadas polares (r, θ). Considerando inicialmente 0 < θ < 2 do triângulo retangulo OP X , obtem-se as seguintes relações: x = rcos(θ) y = rsen(θ) Se θ = 0 tem-se P no eixo das abscissas, portanto P tem coordenadas cartesianas π (x, 0), para os casos em que θ = , tem-se P no eixo das ordenadas, portanto P tem 2 coordenadas cartesianas (0, y). Exemplo: Se P tem coordenadas polares −2, π , então: 3 π x = −2cos( ) = −1 3 √ π y = −2sen(− ) = − 3 3 √ logo P tem coordenadas cartesianas (−1, − 3). 26