INOVAÇÃO PARA O CONFORTO TÉRMICO: ANÁLISE DAS POTENCIALIDADES DA TINTA REFLETIVA Guilherme Ribeiro de Moura, (G, Engenharia Civil, PROBIC – Programa de Bolsas de Iniciação Científica da UniCesumar), UniCesumar, [email protected] Julio Ricardo de Faria Fiess, [email protected] RESUMO: : Este projeto visou verificar se o uso de determinada tinta refletiva seria capaz de diminuir a temperatura dos ambientes internos de uma edificação. Por meio de uma pesquisa exploratória de campo na qual se utilizou um termo higrômetro, foram feitas medições no intuito de comparar temperaturas internas de ambientes, de modo que as amostras foram salas de aula de uma instituição de ensino superior de Maringá, Paraná, Brasil. O ambiente que possuía sua cobertura cromatizada com tinta branca refletiva demonstrou temperaturas menores, resultando num conforto térmico maior em comparação aos ambientes cujo tratamento refletivo fazia-se ausente. Palavras-chave: Conforto térmico. Sustentabilidade. White Roof.. INTRODUÇÃO Este projeto visou verificar se o uso de determinada tinta reflexiva/sensível ao calor seria capaz de fazer com que acontecesse uma diminuição da temperatura dos ambientes internos de certa edificação. Devido à crescente temperatura que o mundo vem sofrendo (detectada pela ciência, e também comum em pautas jornalísticas da grande mídia), há de se analisar o cenário atual para avaliar suas inferências no ramo da construção civil. Isto é, trata-se de pesquisar e buscar uma maneira de diminuir a temperatura interna dos cômodos de residências sem a utilização de condicionadores de ar mecânicos, que só agravariam ainda mais o problema do calor (pela emissão de poluentes causadores de males ambientais globais). Problematizou-se a seguinte questão: a pintura de diferentes tipos de telhas com uma tinta especial é capaz de garantir menor transferência de calor externo para o ambiente interno? Segundo Vitorrino et al, o saber das diferentes alternativas para isolação térmica dos elementos da construção servem de base para acharmos soluções construtivas que proporcionem condições satisfatórias de conforto térmico aos usuários sem utilizar equipamentos de controle mecânico do ambiente. DESENVOLVIMENTO Bioclimatologia Uma área de concentração focada neste propósito é a arquitetura bioclimática (preocupação em integrar a edificação ao clima local, visando a habitação centrada no conforto ambiental do ser humano e sua repercussão no planeta). Corbella (2003, p.17) introduz o conceito da arquitetura IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 sustentável: explicando que se trata de considerar “a integração do edifício à totalidade do meio ambiente, de forma a torná-lo parte de um conjunto maior”. O autor ensina que o melhor modo de planejar pelo viés ambientalmente responsável, neste sentido, é “integrado com as características da vida e do clima locais, consumindo a menor quantidade de energia compatível com o conforto ambiental, para legar um mundo menos poluído para as futuras gerações” (p.17). Corbella (2003) apresenta, ainda, o conceito de conforto ambiental: “uma pessoa está em um ambiente físico confortável quando se sente em neutralidade com relação a ele”. Esse índice de conforto ambiental engloba principalmente o conforto térmico, ou seja, uma espécie de neutralidade de temperatura em relação ao indivíduo que se encontra numa determinada habitação. E, seguindo a mesma linha de pensamento, Hertz, 2003, p. 16, afirma que “na verdade, os projetos que utilizam as ecotécnicas em sua elaboração devem levar em conta, sobretudo, os aspectos gerais, ou seja, as tendências do clima”. Para obter o conforto ambiental descrito, portanto, sem gastar energia em excesso e desperdiçar recursos, existem diversas formas ecológicas de aplicabilidade da sustentabilidade na engenharia. Isto é, ao se considerar a edificação de modo sistêmico, analisando não apenas opções de energia renovável e limpa (de extrema importância), mas também a própria arquitetura e o revestimento de modo geral (o que inclui, neste caso, tintas sensíveis ao calor que são capazes de influenciar no conforto térmico de modo simples), é um modo de pensar conforme propõem os autores supracitados. Microclima e cenário urbano Outro elemento, tal como o índice de conforto térmico propriamente dito deve ser considerado. “à arquitetura cabe amenizar as sensações de desconforto impostos por climas muito rígidos, tais como os de excessivo calor, frio ou ventos” (FROTA, 2001, p. 53). O Brasil apresenta dois climas típicos extremos: quente seco e quente úmido. “Nas regiões predominantemente quentes no Brasil, a arquitetura deve contribuir para minimizar a diferença entre as temperaturas externas e internas do ar” (p. 66), a quantidade de radiação solar recebida pelas diversas edificações inseridas numa cidade vai variar com relação às posições das edificações vizinhas, as quais podem constituir barreiras umas às outras ao sol e ao vento. Isto é, o que o autor aponta é que além de considerar a estrutura construída como um todo é preciso analisar o cenário urbano que circunda o edifício. Neste sentido, “é preciso levar em conta o fato de que, em geral, é impossível mudar as características básicas de um clima. No entanto, o microclima de um lugar pode ser alterado e influenciado pelo projeto, e manipulado pelas ecotécnicas de arquitetura e paisagismo’’, analisa Hertz (2003, p. 29). Ou seja, é preciso saber lidar com o clima do local em que se projeta a edificação e IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 utilizá-la pensando a favor de um futuro conforto térmico e ambiental para os moradores. Esse contexto destaca uma prática comum que é amplamente estudada atualmente: o beneficio da utilização do white roof (telhado branco). Analisando e solucionando problemas: white roof e coberturas Segundo Costa & Machado Cereda (2009), o uso do white roof está relacionado com a temperatura de grandes centros urbanos, nos quais acontece um fenômeno microclimático conhecido como “ilha de calor”, as quais surgiram, principalmente, devido a falta de planejamento e preocupação com impactos ambientais durante a construção das cidades. “O que se verifica nas cidades é que, devido à opção geométrica dos edifícios e a escolha dos materiais e revestimentos adotados na construção dos mesmos, a circulação do ar fica prejudicada e a taxa de absorção da radiação térmica elevada” (COSTA & MACHADO CEREDA, 2009, p. 2). Tratando desse assunto, Corbella (2003, p. 17) comenta que “olhando o panorama atual no Brasil, poucos edifícios contemporâneos no Rio de Janeiro (Latitude 22,9º S; Longitude 44ºE) são capazes de prover conforto térmico e visual para seus usuários, sem uma forte dependência dos sistemas convencionais de energia”. O desenvolvimento de uma arquitetura voltada ao meio ambiente capaz de nos livrar dessa dependência, segundo ele, é um dos desafios que enfrenta a presente geração de arquitetos e engenheiros brasileiros. Costa (1982, p. 222), analisa o problema não só pelo viés do desafio de amenizar temperaturas muito elevadas de forma eco sustentável evitando o uso excessivo de energia convencional para buscar uma qualidade de vida, mais elevada ao individuo ocupante da habitação (assim como FROTA (2001) e CORBELLA (2003)), apresentando inclusive soluções para a insolação: “a melhor proteção contra a insolação sobre as superfícies é o sombreamento dessas por meio de vegetação ou uso de pára-sóis verticais no leste e no oeste, e horizontais no norte”, lembrando sempre que o uso de outros materiais para evitar a insolação tal como persianas, cortinas e até mesmo vidros reflexivos são de pouca eficácia. Desse modo, ao buscarem-se novas alternativas, que vão ao encontro dos objetivos deste estudo, Sevegnani et al. (1994) propõem que a “pintura reflectiva” pode ter um grande efeito na construção, principalmente em edificações sem forro. Segundo os autores, o uso de tal revestimento proporcionaria benefícios. Provavelmente ocorreria um decréscimo substancial na temperatura do ar e há também a possibilidade de acontecer aproximadamente um decréscimo de 400% na carga térmica radiante (CZARICK, 1989 apud SEVEGNANI et al, 1994). Ou seja, deve-se prestar atenção aos elementos originais mais simples, não somente aos tecnologicamente desenvolvidos para fins que poderiam ser substituídos por características inerentes IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 locais quando se trata do desconforto térmico nas habitações, e, neste cenário, a tinta reflexiva apresenta uma inovação capaz de trazer resultados eficientes e eficazes. Além de buscar evitar gastos de energia com ares-condicionados e ventiladores/circuladores de ar, deve-se considerar de uma forma mais ampla o impacto dos materiais da edificação no meio ambiente. “A escolha dos materiais de construção afeta o impacto ambiental de uma casa”, explica Roaf (2006, p. 50): Todos os materiais são processados de alguma maneira antes que sejam incorporados à edificação. O processo pode ser mínimo, como no caso da cabana tradicional construída com materiais encontrados na região, ou pode ser extensivo, como no caso da construção pré-fabricada. Esse processamento de materiais requer, inevitavelmente, o uso de energia e resulta na geração de resíduos. Isto é, podemos calcular o impacto ambiental geral de uma casa se soubermos o impacto resultante do uso diário e da fabricação e entrega desses materiais e componentes de construção, percebendo como a escolha dos materiais influi no impacto ambiental, explica a autora. E o material de revestimento e acabamento, como a tinta reflexiva, é parte componente deste planejamento em busca de uma construção menos poluente e mais responsável ambiental e socialmente. Para medir impactos ambientais, citados por Roaf (2006), não há ainda maneiras viáveis de se chegar a números exatos, no entanto, podemos considerar alguns fatores como a qualidade dos materiais, energia que se dedicou a produção do material, emissão de gases tóxicos durante a fabricação, impacto ambiental na extração da matéria-prima, toxidade do material, vida útil e reutilização deste etc. São inúmeros os componentes os quais podem contribuir na decisão por um material sustentável, ou seja, que represente o mínimo de impacto ambiental e poluição possível em determinado projeto civil, mas há que se pensar, ainda, em conforto térmico, pois a edificação além de respeitar o ambiente em que se insere deve atender as necessidades de seu morador. Segundo Campos (1986 apud SEVEGNANI et al. 1994), os materiais que apresentam melhor desempenho para melhorar o conforto térmico são as telhas de barro (do tipo francesa, com e sem forro). Ainda, para confirmar este dado, um estudo feito sobre a comparação de vários materiais de cobertura através de índices de conforto térmico Sevegnani; Ghelfi Filho; Da Silva (1994, p.1), aponta que “a telha de barro continuou sendo a mais eficiente e a telha de fibra transparente a de menor eficiência térmica e as demais apresentaram um comportamento intermediário”. Para denotar esse julgamento, estes autores (SEVEGNANI et al., 1994), utilizaram-se do estudo do comportamento térmico de diferentes materiais de cobertura analisando efeitos do Índice de Temperatura de Globo e Umidade (ITGU) e da Carga Térmica Radiante (CTR) no interior de abrigos. E, a fim de avaliar dos IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 índices de conforto foram registrados: temperatura máxima e mínima, velocidade do vento, umidade relativa e temperatura de globo negro (medidor de temperatura - esfera feita de cobre, com raio de 7,5 cm, aproximadamente, que é pintada exteriormente de preto fosco, na qual se insere um termômetro). Ghelfi filho (1991 apud SEVEGNANI et al, 1994) também estudou diferentes materiais de cobertura ao longo das várias estações do ano: telhas de barro, cimento amianto e térmicas, chegando à mesma conclusão: de que as telhas de barro apresentam os melhores índices de conforto, seguidas das telhas térmicas, dado também confirmado por Moura et al. (1991 apud SEVEGNANI et al, 1994). Neste tema, tudo gira em torno do conforto térmico destinado ao individuo que habitará a edificação. E, conforme analisou Corbella (2003, p. 37), “o objetivo do projeto de arquitetura bioclimática é prover um ambiente construído com conforto físico, sadio e agradável, adaptado ao clima local, que minimize o consumo de energia convencional e precise da instalação da menor potência elétrica possível, o que também leva a mínima produção de poluição”. Vários autores, dessa forma, analisam o assunto de modo similar: “é conveniente ressaltar, mais uma vez, que todos os esforços do projetista devem estar concentrados em produzir o melhor nível de conforto nos interiores. Todos os espaços precisam de ventilação e sombra” (HERTZ, 2003, p. 46). Pode-se perceber, desse modo, que os fatores ecossustentáveis aplicados a engenharia civil englobam, ao mesmo tempo, âmbitos cada vez maiores e mais detalhados, e exigem análises cada vez mais minuciosas de clima, material, sociedade, cenário urbano, arquitetura, produção e conservação de energia e conforto, além de inúmeros outros elementos congêneres de suma importância em se tratando do tema, o que coloca em pauta a proposta deste projeto que é analisar os efeitos da tinta reflexiva e seus possíveis benefícios de inovação e conforto. De acordo com Eternit (1981 apud SEVEGNANI et al. 1994 p. 2), a radiação solar, incidindo sobre a cobertura, gera um fluxo térmico que se transmite para o interior da instalação. Hassab & Timmons (1989 apud SEVEGNANI et al, 1994 p. 1) apontam que “enquanto os novos materiais de cobertura (alumínio ou aço) são bons reflectores, metais ferrosos podem absorver mais a entrada de radiação solar”. E, a proteção da radiação solar pode ser conseguida utilizando-se um telhado com alto valor de isolamento térmico e com alto valor de reflexão da radiação (SEVEGNANI et al, 1994),ou seja, cabe aí a sugestão de que esse resultado pode ser conseguido com o uso da tinta refletora. Costa & Machado Cereda (2009, p. 1) citam uma campanha denominada “One Degree Less” (www.onedegreeless.org), que aponta que O simples fato de se revestir o topo de uma edificação com uma tinta que reflete de 70 a 80% da energia solar, uma solução fácil de ser implementada, pode representar reduções significativas na temperatura interna do prédio e, dessa forma, corroborar à redução do consumo de energia elétrica, de 20% a IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 70% dependendo do caso, em virtude da menor utilização de aparelhos de ar condicionado e de ventiladores. O uso de barreiras radiantes em coberturas nas construções do Brasil, para reduzir o fluxo de calor emitido pelos telhados durante horários mais quentes do verão são muito usuais, embora nem sempre efeitvas, segundo Vittorino et al. (2003). E, os autores listam o modo como são constituídos os principais produtos oferecidos no mercado nacional como barreiras radiantes: Folha de alumínio aderida a uma ou ambas as faces de um substrato que pode ser de diversos materiais como por exemplo, malha polimérica, papel kraft, etc; Folha de alumínio em uma ou em ambas as faces de “plástico bolha”, com espessura de 3 a 5mm; Camada metálica entre filmes de polietileno aderidos a espuma plástica também de polietileno, com espessura de 2 a 5 mm; Filme plástico com camada metálica aderida por deposição a vácuo (VITTORINO; SATO; AKUTSU, 2003 p. 1280). E, assim como as barreiras radiantes, é muito usual o white roof, aqui citado anteriormente. O uso de pintura branca nas telhas de cimento-amianto promove significativamente a reflexão da radiação solar e, com isto, acarreta uma redução na quantidade de calor de radiação gerado na cobertura. Se a quantidade de calor é menor, menor será o fluxo térmico e melhores serão as condições de conforto térmico (ETERNIT, 1981 apud SEVEGNANI et al. 1994). Segundo o autor, executando-se in loco a pintura dos telhados de fibrocimento, usando tinta acrílica (Metalatex), há como constatar-se que as casas de telhas de cimento-amianto pintadas com a cor branca, de modo geral, apresentam temperaturas efetivas internas essencialmente menores se comparadas às temperaturas registradas em casas que possuem telhas de barro na cor natural. A solução através da pintura em cor branca na telha se revelou ótima em termos de melhoria do conforto, mas esta solução por si só não resolve o problema, devido ao caráter temporário da propriedade reflectiva à radiação solar (ETERNIT, 1981 apud SEVEGNANI et al. 1994), o que se propõe, deste modo, é buscar uma solução a longo prazo, mais eficaz para estes fins aos quais o estudo em questão se propõe. Propôs-se deste modo, a hipótese de que a pintura reflexiva pode apresentar-se, a partir de comprovações de testes térmicos, como alternativa válida e legítima de busca sustentável pelo conforto térmico a nível de ambiente interno, o que pode estender-se para âmbitos maiores, representando possivelmente auxílio na diminuição de ilhas de calor e condições térmicas de modo geral. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 MATERIAIS E MÉTODOS Foi realizada uma pesquisa exploratória de campo, de acordo com o conceito de Martins Junior (2009, p. 88), ao passo que se buscou avaliar o efeito que uma variável pode causar sobre outra. A técnica amostral foi não probabilística, já que foram selecionados cômodos de determinada construção a qual se sabia haver tratamento térmico (com a tinta branca refletiva) em partes da edificação. Desta maneira, compuseram o corpus do estudo duas salas de aula da instituição de ensino superior UniCesumar, Centro Universitário Cesumar, de Maringá-PR. Esta escolha partiu de uma triagem preliminar composta por salas com diferentes tipos de forro, que podem ser observadas abaixo. Imagem 1: Salas de aula testadas. Fonte: Arquivo pessoal. Para que as medições seguissem um padrão correspondente em se tratando do espaço em que se realizou a medição, utilizou-se como parâmetro a sala 7 do bloco 6, já que este bloco é o único da instituição que possui a pintura com a tinta refletiva (Imagem 2). Para comparar os dados coletados, deste modo, utilizou-se a sala 16 do bloco 5, que se encontra em posição geográfica similar que possibilita certa equidade em se tratando da incidência de raios solares e, ainda, possui o mesmo tipo de forro interno. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 Imagem 2: Localização das medições. Fonte: Arquivo pessoal. O equipamento utilizado foi um termo higrômetro (Imagem 3). A análise destes dados teve uma abordagem de cunho quantitativo. Imagem 3: Termo higrômetro. Fonte: Arquivo pessoal. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 1. Temperaturas obtidas em ºC. Bloco 06 - Sala 07 Bloco 05 – Sala 16 Inicial Final Média Inicial Final Média Medição 1 25,6 24,6 25,1 26,1 26,4 26,25 Medição 2 21,1 24,4 22,75 24,7 26,5 25,6 Medição 3 26,2 25,3 25,75 26 26,7 26,35 Medição 4 26,5 25,4 25,95 25,9 26,7 26,3 Medição 5 22,9 25 23,95 26,2 27,8 27 Medição 6 28,1 26,4 27,25 27,6 28,4 28 TOTAL 25,12 26,58 Fonte: Autores (2014). A temperatura no município de Maringá - PR nos dias das medições, para fins de uma análise macroambiental, foram as seguintes: Medição 1 - 28ºC; Medições 2 , 3 e 4 - 26ºC e Medições 5 e 6 29ºC (CLIMATEMPO, 2014). É importante ressaltar que o equipamento foi transportado para as salas (entre as medições) dentro de uma maleta própria para evitar interferências externas e este era deixado na parte central das salas durante 1 minuto para estabilizar-se com a temperatura do ambiente, sendo que, as janelas estavam fechadas, com as cortinas abertas, ventiladores desligados e porta fechada. Depois de estabilizado, o termo higrômetro permanecia por 30 minutos no local, sendo feita a leitura da temperatura inicial e a final, retirando-se a média, dados estes expostos acima na Tabela 1. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em um panorama geral, notou-se leve alteração positiva no ambiente com tratamento refletivo em sua cobertura, de modo que houve um decréscimo de 1,46ºC na temperatura deste. A literatura e casos empíricos aqui citados, entre outros existentes, demonstram a eficácia do white roof como auxiliar no conforto térmico, caso este que, em menor escala, pôde ser percebido também por este estudo. No entanto, não é possível afirmar categoricamente a eficiência deste material sem considerar demais fatores externos e internos com maior atenção para situações que exigem análises mais complexas. Vê-se, contudo, um caminho para novas investigações e para o uso do material pesquisado. IX EPCT – Encontro de Produção Científica e Tecnológica Campo Mourão, 27 a 31 de Outubro de 2014 ISSN 1981-6480 REFERÊNCIAS CLIMA TEMPO. Disponível em: <http://www.climatempo.com.br/previsao-dotempo/cidade/278/maringa-pr> Acesso em 08 ago. 2014. CORBELLA, Oscar. Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos – conforto ambiental. Rio de Janeiro: Revan, 2003. COSTA, Ennio Cruz da. Arquitetura ecológica: condicionamento térmico natural. São Paulo: Edgard Blucher, 1982. FROTA, Anésio Barros. Manual de conforto térmico. 5 ed. São Paulo: Studio Nobel, 2001. HERTZ, John B. Ecotécnicas em arquitetura: como projetar nos trópicos úmidos do Brasil. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. 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