Revista Eletrônica Aboré Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo - Edição 03/2007
ISSN 1980-6930
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: NOVOS
RUMOS PARA A HUMANIDADE
Ieda Hortêncio Batista1
Carlossandro Carvalho de Albuquerque2
RESUMO
A garantia do real bem-estar das populações deve ser a premissa maior na elaboração
de políticas públicas. Porém, um dos mais complexos desafios para a efetivação de políticas
sustentáveis está no estabelecimento de modelos que contemplem as novas tecnologias, os
recursos naturais e o equilíbrio sócio-ambiental. É imprescindível a inclusão da temática
ambiental nos modelos de desenvolvimento que se delineiam na esfera global, entretanto
como o fazer, ainda é uma pergunta sem respostas definitivas. Aqui se recorre a alguns
importantes autores que aprofundaram o tema para se fazer uma abordagem acerca do
desenvolvimento sustentável e quais são os principais problemas que concorrem na sua não
implementação. Desta forma se procurará apresentar e discutir os conceitos e propostas em
torno da questão ambiental e de sua inclusão nos novos rumos sócio-político e econômico da
humanidade.
PALAVRAS-CHAVES
Políticas - Desenvolvimento sustentável - Qualidade de vida
ABSTRACT
SUSTAINABLE DEVELOPMENT: NEW WAY FOR MANKIND
The guarantee of real welfare of the people shall be the greatest premise in the
development of public policies. But one of the most complex challenges for the
implementation of sustainable policies is the establishment of models involving new
technologies, natural resources and the balance socio-environmental. It is vital to include the
environmental issues in development models around the world, as do however, is still a
question with no definitive answers. It draws on some important authors who deepened the
issue to make an approach on sustainable development and what are the main problems that
do not compete in their implementation. Thus there will present and discuss the concepts and
1
Licenciada em Ciência Biológica, Mestre em Ciências do Ambiente e doutoranda em Biotecnologia pela
Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Docente da Universidade do Estado do Amazonas UEA.
Contato: [email protected]
2
Licenciado e Bacharel em Geografia, Mestre em Ciências do Ambiente - UFAM. Docente da Universidade do
Estado do Amazonas - UEA. Contato: [email protected]
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proposals on the environmental issue and its inclusion in new directions socio-political and
economic of humanity.
KEY WORDS
Public - Sustainable development - Quality of life
INTRODUÇÃO
Efetivar políticas que garantam uma melhor qualidade de vida traduz o sentimento
maior da sociedade humana. Independente de cor, credo ou nível de desenvolvimento é
legítimo o desejo por alcançar padrões econômicos e sociais mais elevados.
O que se
constata, todavia, é uma complexidade das definições em torno do que seja, em seu sentido
mais amplo, qualidade de vida. A grande questão que se engendra é a perspectiva de
crescimento econômico como meta maior para alcance do real bem estar das populações.
Seria este o único e exclusivo objetivo sócio-político para efetivar uma melhor qualidade de
vida? Como atingir os patamares do desenvolvimento econômico sustentável preconizado por
todos? Quais seriam os principais elementos a serem considerados?
Em meio às análises das situações que realçam a magnitude dos problemas
enfrentados a nível mundial para estabelecer políticas de desenvolvimento mais justas e
eqüitativas, surgem, com cada vez mais evidências, como importantes componentes: as novas
tecnologias, os recursos naturais e o equilíbrio ambiental. A inserção gradual da temática
ambiental nas inúmeras discussões em torno do crescimento econômico que já foram
propostas e realizadas revela a vigente necessidade de considerar com muita atenção e
urgência o sustentáculo da economia mundial que são os referidos recursos e a manutenção de
um ambiente sadio e equilibrado.
Nesse contexto, situa-se um dos termos mais mencionados nas últimas décadas: o
desenvolvimento sustentável. É imprescindível a inclusão da temática ambiental nos modelos
de desenvolvimento que se delineiam na esfera global, entretanto como o fazer, ainda é uma
pergunta sem respostas definitivas. São várias as vertentes que surgem a partir dos conceitos
que se apresentam para o desenvolvimento com sustentabilidade, muitas interpretações e
poucos exemplos efetivos de como implementá-lo. É natural que ainda se perceba certa
desconfiança quando se trata da questão. Entretanto, não há como não recorrer a este termo na
atualidade. Ele é mais do que fundamental nas discussões que buscam alternativas de
crescimento e desenvolvimento econômico em termos mundiais.
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A QUESTÃO AMBIENTAL E O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
A trajetória em que se formulam conceitos e definições em torno do desenvolvimento
sustentável mostram claramente a premência de sua efetivação.
Os caminhos por qual
percorrem as políticas públicas tem sido rediscutidos nas últimas décadas também em função
da então necessidade de inserção de novas políticas ambientais, que a priori parecem ser
ainda motivos de dúvidas e indefinições constantes.
Não há precedentes que atestem resultados concretos de outros programas políticos
nesse sentido nem bases científicas que sejam conclusivas o suficiente para respaldar
quaisquer iniciativas quanto aos novos rumos de uma política de desenvolvimento. Como
bem situa Godard [...] não é evidente saber quais referências descritivas e funcionais podem
receber um valor normativo (1997a, p.116). Neste sentido Ollagnon afirma que
a
concretização de um padrão de gestão explícita da qualidade dos recursos e dos meios
naturais não deve ser vista como algo evidente nas sociedades agro-industriais e urbanizadas
de nossos dias (1997, p. 172). É certo que a inexistência de experiências mais duradouras de
programas de crescimento econômico sustentável não pode ser a barreira fundamental para as
incipientes iniciativas em implementá-los.
É exatamente o desafio do novo e do desconhecido frente a uma realidade onde
facilmente se identifica o alto consumo dos recursos naturais e também quadros crescentes de
degradação ambiental. Assim, é fator primordial compreender todos os fatores presentes no
conceito de desenvolvimento sustentável. Sem este entendimento, é inviável qualquer ação no
sentido de implementá-lo.
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL:
SOBRE AS ORIGENS DO CONCEITO
UMA
BREVE
ANÁLISE
O conceito de Desenvolvimento Sustentável foi introduzido e intensamente difundido
a partir de 1987 no relatório Brundtland, sendo este último resultado das análises feitas pela
Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, criada em 1983 pela
Assembléia Geral das Nações Unidas. Uma das características do relatório Brundtland, o que
inclusive o fez ser bem aceito pela comunidade internacional, é o fato de não trazer críticas
explícitas à sociedade industrial, e sim estimular o crescimento econômico e a superação da
pobreza através do desenvolvimento mesmo nos países ricos. Este em muito contribuiu para
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impor a referência ao desenvolvimento sustentável como novo elemento semântico da
linguagem internacional e como elemento de focalização dos trabalhos dos peritos das
organizações internacionais (Hatem apud Godard, 1997a, p.110).
Entretanto, discussões em torno da questão ambiental e de sua relação direta com a
política de crescimento econômico remontam há bem mais de duas décadas. São inúmeros os
trabalhos preexistentes sobre as relações entre meio ambiente e crescimento ou meio ambiente
e economia (Godard, 1997a, p.110). Estudos sobre desenvolvimento começam a se delinear a
partir de 1950. Na realidade a década de 50 foi denominada como a Primeira década das
Nações Unidas para o desenvolvimento. As expectativas eram então de que houvesse maior
cooperação internacional com transferência de tecnologia que pudesse diminuir as
disparidades entre os países pobres e ricos. O que se observou, no entanto, foi uma maior
dependência econômica, acentuando os desníveis de desenvolvimento entre as nações. A
partir de 1960, começa a ter destaque a questão ambiental, com a crescente preocupação da
comunidade internacional com os limites do crescimento econômico, evocando discussões
sobre os riscos da degradação ambiental e suas graves conseqüências para a qualidade de vida
das populações. A intensidade dessas discussões provocou a promoção pela ONU em 1972 da
Conferência sobre o Meio Ambiente em Estocolmo.
No mesmo ano houve a publicação do estudo Limites do Crescimento pelo Clube de
Roma que afirmava em suas conclusões a insustentabilidade dos níveis de industrialização,
poluição, produção de alimentos e exploração dos recursos naturais com vistas aos limites da
capacidade de suporte do planeta para os avanços industriais. As reações foram imediatas,
seja por parte dos intelectuais dos países industrializados seja pelos países subdesenvolvidos.
Estes últimos principalmente preocupados com a iminente interrupção de seu processo de
desenvolvimento pelos países ricos que poderiam então utilizar a nova justificativa ecológica.
Entre outras contribuições para o conceito de desenvolvimento sustentável destacamse os debates em torno do ecodesenvolvimento, termo abordado pela primeira vez em 1973.
A conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio
de Janeiro, em 1992, atestou o crescente interesse pela relação entre desenvolvimento sócioeconômico e meio ambiente.
O conceito de Desenvolvimento Sustentável que mais teve difusão é sem dúvida o
descrito no relatório Brundtland como o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do
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presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias
necessidades . Assis assim aborda o tema:
Desenvolvimento sustentável se refere principalmente às conseqüências
dessa relação na qualidade de vida e no bem-estar da sociedade, tanto presente
quanto futura. Atividade econômica, meio ambiente e bem-estar da sociedade
formam o tripé básico no qual se apóia a idéia de desenvolvimento sustentável
(2000, p. 59).
Apesar das inúmeras discussões realizadas em torno dos conceitos de desenvolvimento
sustentável, e da simples e de fácil assimilação de sua definição mais difundida, ainda não se
tem uma compreensão total e exata de sua aplicabilidade. É como afirma Godard: Há algo de
insólito quando se constata o avanço prático de uma noção ainda tão incerta (1997a, p.109).
Entretanto, é evidente que a incorporação desta nova noção de desenvolvimento nas
discussões políticas, econômicas e sociais mundiais reflete a atual tendência das nações,
desenvolvidas ou em desenvolvimento, de atentarem com maior interesse e consciência para o
fato da imprescindibilidade das questões referentes ao meio ambiente, seja no seu aspecto
mais restrito, seja no seu aspecto global.
QUALIDADE DE VIDA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Desenvolvimento Sustentável significa qualificar o crescimento e reconciliar o
desenvolvimento econômico com a necessidade de se preservar o meio ambiente
(BINSWANGER, 1997, p. 41). A sustentabilidade abordada neste conceito perpassa
obrigatoriamente pela manutenção de condições ideais de vida para os povos de todas as
nações. Qualidade de vida é, portanto, a meta principal de todas as ações que buscam
conciliar os novos rumos do desenvolvimento com a proteção ambiental.
Muito além de meras preocupações de cunho ecológico, a vertente ambiental que se
insere gradativamente nos planos políticos e econômicos de crescimento busca associar aos
demais indicadores de qualidade de vida um ambiente saudável e capaz de suportar as
demandas de recursos com possibilidades de reconstrução contínua. As alterações de
qualidade do meio ambiente vêm tendendo cada vez mais a ser compreendida como alteração
da qualidade de vida (Costa, 2001, p.304). No Relatório Brundtland destaca-se que
desenvolvimento sem melhoria da qualidade de vida das sociedades não pode ser considerado
desenvolvimento. É válido destacar que:
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Numa sociedade sustentável o progresso deve ser apreendido pela qualidade
de vida (saúde, longevidade, maturidade psicológica, educação, um meio ambiente
limpo, espírito de comunidade, lazer gozado de modo inteligente, e assim por
diante) e não pelo puro consumo material (Viola in Cavalcanti, 1997, p.28).
Qualidade de vida abrange um amplo espectro de variáveis que inclui inevitavelmente
o bem estar social. Este passa pelo acesso aos serviços e bens oriundos do desenvolvimento
socioeconômico aos quais todos aspiram e sem dúvida recai sobre a necessidade de um
ambiente equilibrado. Há, pois, uma relação direta entre qualidade de vida e desenvolvimento
sustentável. Torna-se uma relação sine qua non pois não há como pensar na primeira sem
passar pela última.
GLOBALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.
Nas discussões acerca do desenvolvimento sustentável na atualidade é imprescindível
a inserção do tema globalização. Este se traduz como a nova ordem econômica e social
mundial que vem impor importantes transformações, produzindo uma desconhecida sociedade
global, com a intensificação das relações sociais em escala mundial, associando localidades
distantes entre si.
A questão que se apresenta por conta desta recente ordem mundial é como a
globalização da economia pode influir nos caminhos preconizados para a humanidade a partir
da agenda 21 rumo à sustentabilidade.
Em uma sociedade globalizada, os fatos acabam por se tornarem interdependentes.
Como destaca Eriksson Na sociedade global, qualquer guerra é uma guerra civil (1997,
p.102). Diante desta nova configuração mundial, é com propriedade que se indaga sobre a
possibilidade de desenvolvimento
econômico com sustentabilidade. A globalização do
mercado e a redução do papel do Estado significarão que as pessoas serão forçadas a se
organizarem em comunidades solidárias para garantirem o futuro (CARVALHO, 1999). Esta
situação implica novos critérios para tornar justa a divisão dos bens. Globalizar, mais do que
encurtar as distâncias tem que significar auferir condições igualitárias de vida a todas as
pessoas.
O desenvolvimento, na era da globalização, acaba por determinar novas aspirações às
diferentes localidades. Como bem destaca Godard que não se pode exigir que cada economia
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local limite seu desenvolvimento somente às possibilidades de seus recursos locais (1997,
p.115).
Todavia, há que se questionar se a real capacidade de suporte do planeta permitirá que
o fenômeno da globalização atenue as desigualdades sociais ou, ao contrário, servirá para
agravar e eternizar quadros de injustiça econômica e social, frente a uma crescente
degradação ambiental.
O DESAFIO DA SUSTENTABILIDADE
A real implementação de políticas públicas ambientais que promovam efetivamente o
desenvolvimento sustentável representa um dos maiores desafios a serem enfrentados por toda
a sociedade. Se considerarmos que a degradação ambiental é resultante de um processo social,
determinado pelo modo como a sociedade apropria-se dos recursos naturais, observamos que
as mudanças necessárias a sustentabilidade só irão ocorrer frente a novos comportamentos e
novos processos sociais.
[...] A promoção de uma gestão integrada de recursos naturais e do meio
ambiente pode nos levar não só ao questionamento de certas modalidades técnicas
de exploração, mas também estimular a busca de transformação das condições
sociais que cercam seu exercício (Godard, 1997b, p.209).
É, por conseguinte, um dos mais importantes desafios que se apresentam para a
legitimação de políticas públicas: pensar e repensar esta atual modalidade de gestão, que
impõe rigor e atenção aos fundamentos que pressupõem a real sustentabilidade.
PROBLEMAS A SEREM ENFRENTADOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO
EFETIVA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Na abordagem das idéias e propostas em torno do desenvolvimento sustentável,
cumpre notar as questões que persistem em todas as discussões. São inúmeros elementos que
precisam ser constantemente reavaliados para que se tenha noção da dimensão exata do que é
e de como implementar o desenvolvimento com sustentabilidade.
O primeiro questionamento deveria ser referente a qual o procedimento ideal, rumo a
sustentabilidade. Seria adequar os rumos do desenvolvimento econômico à situações que
comprovadamente não representem riscos ao ambiente presente e nem futuro (o que vimos
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não existe na prática até o momento), através do então princípio da precaução ou instaurar
programas de crescimento econômico, mesmo com os riscos eminentes ao ambiente, mas que
mantenham medidas preventivas e mitigadoras que permitam ao ambiente suas características
naturais pelo maior tempo possível?
Segundo Godard
Assumir como regra a prevenção absoluta do roteiro do pior
levaria a uma paralisia que logo seria intolerável pela população. Então a atitude de precaução
não seria mais sustentável. (1997, p.121). É certo que ações baseadas no princípio de
precaução revelam uma visão extremista do que seja sustentabilidade.
A idéia de
sustentabilidade, por sua vez, implica uma limitação definida nas possibilidades de
crescimento (Cavalcanti, 1997, p.24). Fearnside assim descreve sobre esta situação:
Uma vez que os limites ao crescimento constrangem a utilização dos
recursos renováveis e não-renováveis, as estratégias para o desenvolvimento
sustentável devem, a longo prazo, concentrar-se na reorganização da maneira como
os recursos são utilizados e de como os benefícios são compartilhados (1997,
p.315).
Este, talvez seja um dos maiores impasses relacionados à questão do desenvolvimento:
o uso compartilhado dos bens do planeta, incluindo aí os recursos naturais e seus benefícios
econômicos, ou seja, a distribuição da renda mundial. O modo de consumo atual não é
homogêneo, muito menos justo, aos diferentes países. Os países industrializados do norte são
os responsáveis pela maior fatia da produção mundial. Ignacy Sachs apud Godard faz notar
[..].o quanto a degradação do meio ambiente do planeta pode ser imputada ao
modo de consumo do Norte; esse modo de consumo não lhe parece de qualquer
forma sustentável, posto que ele não pode ser generalizado ao conjunto das
populações do planeta; este modo deveria então ser profundamente alterado (1997,
p.126)
Estabelecer novos parâmetros de comportamento seria então imprescindível ao
preconizado desenvolvimento sustentável. Todavia, mudar paradigmas, não é tarefa das mais
fáceis, e nesta situação há que se perceber a real dimensão, considerando que estes novos
parâmetros indicam mudanças em todas as estruturas sócio-econômicas. Erickssom destaca
nesse sentido que:
Com a atual população do mundo, não é possível alimentar pessoas com
métodos pré-agrícolas. A produção industrial também tem aumentado a eficiência
em muitas atividades da sociedade a tal ponto que não pode ser revertida. Porém
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nem a agricultura nem a indústria estão no momento organizadas de maneira
sustentável. (1997, p.94).
É possível manter a produção industrial nos níveis atuais e ao mesmo tempo inferir a
ela sustentabilidade? Parece utopia, crer em uma resposta afirmativa para essa questão.
Contudo, é possível reavaliar as atuais condições de crescimento econômico e impor algumas
limitações. O controle das ações desenvolvimentistas públicas e privadas deve ter caráter de
rigor e continuidade. De acordo com Proops et al um pré-requisito adicional para uma
política ambiental de sucesso é um conjunto de instituições e uma burocracia que funcione,
implementando e monitorando as leis (1997, p.111). Sem o qual nada será realmente
concreto.
Um outro item de fundamental importância diz respeito a participação ainda
ineficiente da sociedade de um modo geral nas decisões políticas em torno de suas
especificidades. Afinal como afirma Ericksson
uma educação ampla, uma ampla
participação nas decisões e uma responsabilidade e coerência social são peças valiosas na
transição para uma sociedade sustentável (1997, p.99).
Godard ainda destaca, em relação às barreiras que ainda se fazem presente nas
questões relativas ao desenvolvimento sustentável que
a referência comum ao
desenvolvimento sustentável deveria equilibrar melhor o peso das disciplinas científicas e as
argumentações de justificação provenientes de diferentes tradições de pensamento, e facilitar
a comunicação entre essas disciplinas . (1997b, p.123)
Um dos grandes desafios enfrentados pela sociedade moderna é, sem dúvida,
implementar um desenvolvimento sustentável que busque conjugar os avanços tecnológicos e
científicos como ferramentas capazes de produzir bases para uso dos recursos naturais e
conservação do meio ambiente de forma duradoura.
PERSPECTIVAS PARA O FUTURO: OS NOVOS RUMOS DA
HUMANIDADE
Desenvolver com sustentabilidade, este é o grande desafio que se impõe para toda a
humanidade. Sem exceções, todos os setores da sociedade devem estar imbuídos dessa
intenção. No entanto, é mister considerar as atuais especificidades da sociedade industrial,
que não podem ser ignoradas e que não mostram vias claras de retrocesso. O homem, por
natureza, é um grande agente modificador de seu ambiente. Desta forma, não há como
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vislumbrar o ambiente sem a ação humana. Certos estudiosos parecem esperar que
especialistas das ciências da natureza forneçam indicadores de sustentabilidade tomando
como referência o estado dos ecossistemas quando estes escapavam à influência
humana... (GODARD, 1997, p.116).
O futuro que ora se vislumbra, é fruto das atitudes que deverão ser elencadas no
presente. Não há tempo em demasia para que posições sobre a implementação do
desenvolvimento sustentável sejam tomadas. É preciso urgência. Por um lado, sabemos
muito pouco sobre a natureza. Por outro lado, não há tempo para se esperar por um
conhecimento detalhado sobre a ecologia da nave espacial (BEGOSSI, 1997:67). É preciso
mais ainda, são imprescindíveis a coerência e o bom senso para não se utilizarem argumentos
e políticas irreais que além de não contribuírem em nada para o avanço da questão, apenas
atrapalham e confundem para implementação de um desenvolvimento sustentável. Nas
palavras de Weber, encontra-se o que realmente deve ser a intenção de toda a sociedade:
Nossa esperança é contribuir mesmo que seja em proporção mínima, para a
elaboração de cenários de desenvolvimento viável, capazes de assumir mais
efetivamente o respeito pelos modos de vida pelos ecossistemas e de autorizar
elevações dos níveis de renda, implicando um mínimo de irreversibilidade (1997,
p.141).
As perspectivas que se instauram na sociedade de modo geral, indubitavelmente,
contemplam a visualização de modos de vida com bases sustentáveis. Isto se traduz no avanço
de uma nova consciência ambiental, que poderá ser fator decisivo para a implementação nas
próximas décadas de programas de desenvolvimento econômico, se não totalmente, mas em
sua maior parte, sustentáveis.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante das diversas abordagens em torno desta tão premente questão que é o
desenvolvimento sustentável, nos inquieta e desafia a seguinte pergunta; é possível tornar
compatível e em que grau, o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente?
Ou seja, é possível o desenvolvimento sustentável?
A despeito de que desenvolvimento sustentável seja algo essencialmente utópico, ou
apenas um ideário, os novos rumos que a humanidade deve necessariamente percorrer têm
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que contemplar novas visões e quebrar paradigmas. A sociedade global tem que estar atenta
ao foco de maior importância de todas as suas esferas: a qualidade de vida do ser humano. Se
desenvolver com sustentabilidade é algo que nos parece irreal, é sempre importante lembrar
que para transformar essa utopia em realidade será preciso superar a visão de
desenvolvimento a partir de um espaço a ser ocupado e entendê-lo como possibilidade de
construção sustentável.
Os problemas que se destacam na análise global do tema desenvolvimento sustentável,
referidos no presente trabalho podem ser sintetizados dentro dos seguintes aspectos: falta de
uma política voltada a manutenção da produção industrial de caráter sustentável com os
recursos naturais existentes, o estabelecimento de uma gestão participativa nas decisões
públicas e privadas de interesse social e econômica, o estabelecimento de princípios
educacionais voltado ao desenvolvimento sustentável e a conjunção dos avanços científicos e
tecnológicos como instrumentos da sustentabilidade.
Uma maior reflexão no sentido de considerar estes aspectos como imprescindíveis à
sustentabilidade pode vir a representar o caminho para se chegar a uma nova política de
desenvolvimento.
As ondas perdem todos os dias para o rochedo, porém a longo
prazo elas vencem o rochedo (CARVALHO, 1999)
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