XI Salão de
Iniciação Científica
PUCRS
A imprensa das Colônias de Expressão Portuguesa – A imprensa
de Angola
Caroline Corso de Carvalho, Antonio Carlos Hohlfeldt (orientador)
Faculdade de Comunicação Social, PUCRS, Faculdade de Comunicação Social, PUCRS
Resumo
A Imprensa Colonial de Expressão Portuguesa
A imprensa de Angola
A pesquisa sobre a imprensa das colônias de expressão portuguesa, realizada pelo
Prof. Dr. Antonio Hohlfeldt, promove o estudo sobre a criação das primeiras publicações
jornalísticas, suas características, o desenvolvimento e momento histórico em que os
periódicos oficiais e independentes surgiram, especificamente em Angola, Cabo Verde, Goa e
Moçambique, atuais nações que, desde o século XV até os anos 1974/1975 estiveram sob a
autoridade portuguesa. Para Hohlfeldt (2009), imprensa colonial de expressão portuguesa “
tem a ver com toda aquela produção realizada nas mais diferentes colônias de Portugal, e
neste sentido se incluiria o Brasil, não importando se produzida por autóctones ou por
portugueses localizados nas colônias”.
É impossível não observar o domínio e a influência de Portugal e a posterior
contribuição do Brasil nas características do jornalismo das colônias de expressão portuguesa.
Portugal era país metrópole, e tinha suas notícias impressas desde 1626 (HOHLFELDT,
2009). O Brasil, sua maior colônia, teve a independência conquistada quase um século antes,
se comparado aos quatro atuais países. O Brasil já possuía imprensa jornalística desde junho
de 1808, com o Correio Brasiliense, apesar de editado em Londres. Pouco tempo depois, em
setembro de 1808, surgia a Gazeta do Rio de Janeiro, editado na então capital do império
português.
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Introdução
De acordo com A. Borges de Melo em A influência do Brasil no Jornalismo de
Angola (1975), é importante citar também as ligações entre as terras brasileiras e as demais
colônias, como no caso de Angola, através da exportação de mercadorias e importação de
escravos e marfim.
Certamente as colônias tiveram um grande atraso na produção impressa, se comparado
a Portugal. Angola, por exemplo, teve seu primeiro diário oficial apenas em 1845, com a
edição do Boletim do Governo Geral da Província de Angola. Quanto a Moçambique,
começou apenas em 1854. Goa, na Índia, que recebera a imprensa ainda no século XVI, após
1750, com a expulsão dos jesuítas, pelo Marquês do Pombal, só vai produzir impressos a
partir de 1821. E Cabo verde passou a conhecer a imprensa a partir de 1842.
Na segmentação de estudos proposta pelo pesquisador, cabe a esta aluna de iniciação
científica trabalhar com a história da imprensa de Angola.
A evolução jornalística de Angola, segundo Júlio de Castro Lopo, em Jornalismo de
Angola (1964), dependeu, dentre outros fatores, do incremento da colonização européia, do
desenvolvimento do comércio interno e do comércio exportador. Na medida em que o
território foi progredindo no intercâmbio com a Europa e com o aumento das exportações de
gêneros agrícolas e minerais, igualmente foram se estabelecendo as tipografias e os
periódicos.
Vários pesquisadores classificam em três etapas a história do jornalismo das colônias
africanas, assim como o faz Lopo a respeito da comunicação em Angola (TENGARRINHA,
1989). O primeiro período iniciou com o Boletim Official, em 13 de setembro de 1845, época
da imprensa oficial. O segundo período marca a criação de um jornal mais autônomo, A
civilização da África Portuguesa, na cidade de Luanda, em 1866; e o terceiro período é
caracterizado por um padrão mais profissional, a partir de 1923, também em Luanda, com o
jornal A Província de Angola, fundado por Adolfo Pina. Lopo acredita que esses três períodos
satisfazem a sistematização da evolução jornalística durante a possessão portuguesa. Por outro
lado, Hohlfeldt (2009) defende que é necessária uma quarta etapa, posterior aos
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acontecimentos do 25 de abril de 1974, que se desdobraram e se concretizaram em projetos
independentistas das colônias, com conseqüências mais do que evidentes.
Metodologia
O professor pesquisador Dr. Antonio Hohlfeldt desenvolveu, em estágio Pós-doutoral,
na Universidade Fernando Pessoa, do Porto (Portugal), pesquisa na Biblioteca Pública
Municipal do Porto sobre os jornais das colônias de expressão portuguesa. De
retorno
ao
Brasil, trouxe uma coleção digitalizada de documentos sobre essa imprensa, notadamente as
primeiras edições de cada jornal estudado; fichamento amplo de todas as publicações e
material bibliográfico a respeito do tema.
Posteriormente, o professor recebeu Bolsa de produtividade do CNPq para
desenvolver os seus estudos no Brasil, e vem montando um grupo de alunos bolsistas, de
iniciação científica, para a organização do material alcançado.
Cabe a esta aluno de iniciação científica a tarefa de trabalhar com a imprensa de
Angola. Isso implica em: a) leitura da bibliografia; b) fichamento do material digitalizado; c)
organização das anotações digitadas pelo pesquisador; d) juntada das imagens digitalizadas
com as fichas de estudo; e) organização de todo o material em ordem alfabética e em ordem
cronológica, formando duas coleções de materiais a respeito de cada colônia, o que facilitará,
no futuro, o desenvolvimento dos estudos e produção de papers variados e trabalho editorial.
Portanto, as metodologias utilizadas são de pesquisa histórica e comparada; pesquisa
bibliográfica.
Resultados (ou Resultados e Discussão)
Os resultados projetados permitem a concretização de uma história cultural da
imprensa colonial de expressão portuguesa, no meu caso, daquela de Angola. Pretende-se
disponibilizar este material no espaço digital do NUPECC – Núcleo de Pesquisas em Ciências
da Comunicação, criando-se links com outros grupos de estudo sobre jornalismo, na
Universidade Fernando Pessoa e mesmo com a Biblioteca Pública Municipal do Porto.
Pretende-se, igualmente, apresentar diferentes estudos em congressos e revistas
especializadas, tendo no horizonte a produção de um livro que buscará abordar todo esse
conjunto de conhecimentos.
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Referências
HOHLFELDT, C. A. Imprensa das colônias de expressão portuguesa: Primeira aproximação. Comunicação &
sociedade, São Paulo, Universidade Metodista de São Paulo, N° 51 (2009), PP. 135 – 154
HOHLFELDT, C. A. Imprensa das colônias de expressão portuguesa: Principal bibliografia. VI encontro
nacional de pesquisadores em jornalismo, São Paulo, SBPJor 2008
LOPO, J. C. Jornalismo de Angola – Subsídios para a sua história. Luanda: Centro de Informação e Turismo
de Angola, 1964.
MELO, A. B. A influência do Brasil no jornalismo de Angola. Nova Iguaçu: Semana Ilustrada, 1985
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