UNIVERSIDADE DO CONTESTADO (UnC) PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL GISELE MAROLLI DESENVOLVIMENTO LOCAL: UM ESTUDO BASEADO NA IMPORTÂNCIA DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO MUNICÍPIO DE PITANGA/PR CANOINHAS 2011 GISELE MAROLLI DESENVOLVIMENTO LOCAL: UM ESTUDO BASEADO NA IMPORTÂNCIA DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO MUNICÍPIO DE PITANGA/PR Dissertação apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Mestre do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional pela Universidade do Contestado (UnC), Canoinhas, sob orientação do Profº. Dr. Valdir Roque Dallabrida. CANOINHAS 2011 Dedico este trabalho aos meus pais Elzira Marolli e Juarez Marolli, pelo amor incondicional e pela confiança depositada todos os dias. Por terem feito o possível e o impossível para me oferecerem a oportunidade de estudar, longe deles, acreditando e respeitando minhas decisões e nunca deixando que as dificuldades acabassem com os meus sonhos, serei imensamente grata. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, pelo dom da vida, por ter me dado sabedoria, força, saúde física e mental para vencer os obstáculos encontrados ao longo do caminho. Aos meus pais, meu irmão e minha irmã que são o meu grande alicerce. A toda a minha família, que mesmo distante, me apoiaram na subida de mais este degrau tão importante da minha vida. Ao amigo e orientador Profº Dr. Valdir Roque Dalabrida, pela confiança demonstrada, pelo empenho, paciência e incisivas pontuações, obrigada por tudo. Aos meus amigos e companheiros de trabalho da UCP que foram flexíveis e compreensíveis nos momentos que precisei me ausentar. Às empresas participantes pela atenção e colaboração em passar as informações buscadas, imprescindíveis para a concretização da presente pesquisa. Aos amigos da turma de mestrado, pelos momentos felizes, divertidos e animados, pelas agradáveis lembranças que serão eternamente guardadas no coração, meu muito obrigado. A todos os professores e colaboradores do programa, pela valiosa contribuição nos ensinamentos que colaboraram para minha formação. À Universidade do Contestado, por proporcionar as condições necessárias para a realização desta dissertação. À todas as pessoas que, direta ou indiretamente colaboraram com o sucesso deste estudo. RESUMO Apesar do potencial e do crescimento observado em Pitanga/PR e região, o crescimento e expansão econômica ainda ocorrem em ritmo lento se comparado com outras regiões do Estado e do País. Nesta dissertação pretendeu-se levantar informações sobre o setor empresarial no município de Pitanga, buscando identificar fatores limitantes e potencialidades para o crescimento empresarial tendo em vista o desenvolvimento local. O trabalho de investigação foi desenvolvido no ano de 2010 e 2011 abordando empresas de diferentes segmentos com o objetivo de obter informações destacando fragilidades e potencialidades para o desenvolvimento empresarial e local. O crescimento empresarial gera emprego e renda, melhorando a qualidade de vida da comunidade. Mas para que haja tal crescimento é necessária a construção de bases como é o caso do incentivo à educação, mas especificamente no que se refere à capacitação profissional da força de trabalho local. Observou-se que, apesar da importância do segmento empresarial para a comunidade de Pitanga/PR e região, este ainda carece de avanços. Um aspecto positivo observado é o bom relacionamento dos clientes para com funcionários e dirigentes das empresas. Outro aspecto que deve ser destacado é a necessidade de maior conhecimento acadêmico dos dirigentes e funcionários das empresas. A escolarização e a capacitação profissional é um investimento empresarial de baixo custo, considerando que as instituições de ensino superior da região adéquam as mensalidades de seus cursos à capacidade de pagamento da comunidade. Constatou-se também a necessidade de incentivo ao desenvolvimento do setor industrial na região. Este seria o investimento mais importante para o desenvolvimento local almejado para o município. Como foi destacado nos resultados, o agronegócio tem grande representação na economia, ou seja, há que se incentivar a agroindustrialização em atividades como a bovinocultura leiteira e a suinocultura que são bem difundidas na região. Acredita-se que uma forma eficiente de se planejar o crescimento industrial é promover a participação e a abertura ao diálogo com a comunidade, criando oportunidades para que a sociedade civil participe mais ativamente da gestão municipal. Palavras-Chave: Desenvolvimento Local e Regional, Micro e Pequenas Empresas, Município de Pitanga, Administração de Empresas ABSTRACT Despite the potential and the growth in Pitanga / PR and the region, growth and economic expansion still occur at a slow pace compared with other regions of the state and country this dissertation was intended to gather information on the business sector in the city of Pitanga in order to identify limiting factors and potential for business growth in view of local development. The research was developed in 2010 and 2011 dealing with companies of different sectors with the purpose of obtaining information highlighting weaknesses and potential for business development and location. The business growth generates employment and income, improving the quality of community life. But there is such an increase is required the construction of bases such as the stimulation of education, but specifically with regard to professional skills of local work force. It was observed that, despite the importance of the business segment for the community of Pitanga / PR and region, this still needs improvements. One positive note is the good relationship with customers to employees and company directors. Another aspect to be highlighted is the need for greater academic knowledge of officers and employees of companies. Schooling and vocational training is a low cost business investment, considering that the higher education institutions in the region fit the tuition of their courses to the community's ability to pay. It was also the need to encourage the development of the industrial sector in the region. This would be the most important investment for local development desired for the city. As was highlighted in the results, agribusiness have great representation in the economy, ie, we must encourage industrialization in activities such as dairy cattle and swine that are well spread in the region. It is believed that an efficient way to plan for industrial growth is to promote participation and openness to dialogue with the community, creating opportunities for civil society to participate more actively in municipal management. Keywords: Local and Regional Development, Small and Medium Enterprises, the city of Pitanga, Business Administration SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................... 13 2 2.1 2.2 2.3 2.6 2.7 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................. 17 CLASSIFICAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (MPE’S) ......... 17 CARACTERÍSTICAS DAS MICRO E PEQUENAS........................................ 19 DISCUSSÕES SOBRE O PAPEL DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS (PEMES) E EMPRESAS TRANSNACIONAIS (ETS) ..................................... 22 A IMPORTÂNCIA DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS ....................... 26 As PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES ENVOLVENDO AS MICROS E PEQUENAS EMPRESAS ...............................................................................29 AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL .................................... 31 O ESTADO DO PARANÁ E AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS ........... 34 3 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ....................................................... 37 MÉTODOS DE PESQUISA NO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO ............... 37 TÉCNICAS DE PESQUISA ............................................................................ 38 PLANO OPERACIONAL DA PESQUISA ....................................................... 40 DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO DA PESQUISA ............................................ 42 PLANO DE AMOSTRAGEM........................................................................... 43 INSTRUMENTO E PROCEDIMENTOS DA COLETA DE DADOS ................ 44 TRATAMENTO DOS DADOS ........................................................................ 46 4 RESULTADO E DISCUSSÃO DA PESQUISA .............................................. 48 2.4 2.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 78 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 83 APÊNDICE ..................................................................................................... 91 LISTA DE QUADROS Quadro 01 – Classificação das empresas segundo o número de funcionários ....................................................................................................................................18 Quadro 02 – Classificação das empresas segundo o faturamento anual ........... .... 19 Quadro 03 – Representação das micro e pequenas empresas no Brasil ........... .... 33 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01- Ramo de atividades das empresas........................................................ 48 Gráfico 02 - Época de criação das empresas........................................................... 49 Gráfico 03 - Terceirização de serviços conforme o ramo de atividade..................... 51 Gráfico 04 - Serviços terceirizados pelas empresas................................................. 52 Gráfico 05 - Grau de escolaridade do dirigente conforme o ramo de atividade da empresa..................................................................................................................... 53 Gráfico 06 - Idade do principal dirigente da empresa................................................ 54 Gráfico 07 - Tempo de trabalho do dirigente conforme o ramo de atividade da empresa..................................................................................................................... 55 Gráfico 08 - Atividade exercida pelo dirigente antes de trabalhar na empresa..................................................................................................................... 56 Gráfico 09 - Experiência do dirigente antes da implantação da empresa................. 57 Gráfico 10 - Origem de capital para iniciar a empresa.............................................. 58 Gráfico 11 - Estudos prévios realizados para implantar a empresa de acordo com o ramo de atividade...................................................................................................... 59 Gráfico 12 - Motivo que levou à abertura da empresa.............................................. 60 Gráfico 13 - Apoio obtido para a abertura do negócio.............................................. 61 Gráfico 14 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa: Ramo de serviços...................................................................................................... 63 Gráfico 15 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa: Ramo de indústria..................................................................................................... 63 Gráfico 16 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa: Ramo de comércio.................................................................................................... 64 Gráfico 17 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa: Profissionais liberais.................................................................................................. 65 Gráfico 18 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa: Situação geral das empresas.................................................................................... 65 Gráfico 19 - Problemas mais freqüentes observados nas empresas: Ramo de serviços..................................................................................................................... 66 Gráfico 20 - Problemas mais freqüentes observados nas empresas: Ramo de comércio.....................................................................................................................68 Gráfico 21 - Principais desafios à sustentabilidade da empresa: Ramo de serviços 69 Gráfico 22 - Principais desafios à sustentabilidade da empresa: Ramo de comércio.................................................................................................................... 70 Gráfico 23 - Outros destinos dos rendimentos da empresa: Ramo de serviços....... 71 Gráfico 24: Outros destinos dos rendimentos da empresa: Ramo de comércio....... 72 Gráfico 25 - Outros destinos dos rendimentos da empresa: Ramo de indústria....... 72 LISTA DE TABELAS Tabela 01 - Total de empresas existentes no município de Pitanga no primeiro semestre de 2010...................................................................................................... 42 Tabela 02 – Funcionários familiares de acordo com a atividade desenvolvida pela empresas .................................................................................................................. 50 Tabela 03 – Principal contribuição da empresa para o desenvolvimento do município .................................................................................................................................. 73 Tabela 04 – Quais os motivos que justifica a sobrevivência da sua empresa ................................................................................................................................... 74 Tabela 05 – Quais os principais apoios que sua empresa recebeu para contribuir na sua sobrevivência e eficiência .................................................................................. 75 Tabela 06 – O futuro da empresa na visão do dirigente........................................... 75 Tabela 07 - Quais os principais desafios que você observa para a permanência de sua empresa no mercado? ....................................................................................... 76 LISTA DE SIGLAS BB - Banco do Brasil BNB - Banco do Nordeste do Brasil BNDS - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CEF – Caixa Econômica Federal CRFB/88 – Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 ETs - Empresas Transnacionais FMI - Fundo Monetário Internacional IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços IDH - Índice de Desenvolvimento Humano IPARDES - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social IRPJ - Imposto de Renda Pessoa Jurídica MPE’s - Micro e Pequenas Empresas OMC - Organização Mundial de Comércio PeMEs - Pequenas e Médias Empresas PIB – Produto Interno Bruto Brasileiro PROBEM - Programa Bom Emprego Pequena Empresa SIMPLES - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro e mpresas e de Pequeno Porte SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas RAIS - Relação Anual de Informações Sócias 13 1. INTRODUÇÃO Este estudo tem como tema central, as micro e pequenas empresas (MPE’s) e o desenvolvimento local, destacando os contornos que envolvem o conceito de micro e pequena empresa no Brasil e a relevância para o desenvolvimento brasileiro fornecendo informações sobre a geração de empregos, rendas e participação no mercado empresarial. Pretendeu-se analisar até que ponto a micro e pequena empresa tem influência no ciclo econômico brasileiro e, conseqüentemente, a partir daí, verificar o quanto estas empresas contribuem para o desenvolvimento local onde estão inseridas. Como campo empírico de observação, utiliza-se como recorte espacial o município de Pitanga/PR. As micro e pequenas empresas tem se destacado no atual cenário socioeconômico, em várias faces, em sua participação nos processos produtivos, na geração de emprego e renda, ou junto ao total de empresas, mas sobretudo ao gerar qualidade de vida e redução das desigualdades sociais e no desenvolvimento das regiões e municípios. Esta relevância pode ser vista através dos estudos realizados por autores como Chiavenato (1995, p.3): “As pequenas empresas constituem o cerne da dinâmica da economia dos países, as impulsionadoras dos mercados, as geradoras de oportunidades, as proporcionadoras de empregos mesmo em situação de recessão”. Segundo Silva (2004), as empresas de pequeno porte têm demonstrado flexibilidade para constituir arranjos organizacionais, valorizando a estrutura simples, mais dinâmica, inovadora e sensível às exigências de mercado e prestando atendimento personalizado ao consumidor. Além disto, a expressiva presença numérica das micro e pequenas empresas na estrutura produtiva dos mais diversos países não permitem que as discussões econômicas as ignorem, e exige que o debate sobre sua relevância para o dinamismo econômico e sobre as suas formas de inserção seja permanentemente realizado. Os estudos demonstram que as micro e pequenas empresas têm um papel a desempenhar na sociedade onde estão inseridas. Estes dados são constantemente avaliados por instituições como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Federações das Associações Comerciais e Empresariais dos Municípios/Estados e outras instituições ligadas ao setor. Neste sentido, o presente estudo visa ampliar o conhecimento teórico sobre este modelo de empresa que se mantem presente em 14 todas as regiões e assim ampliar ainda os estudos realizados sobre o segmento, servindo de apoio acadêmico e empresarial para o desenvolvimento local. Apesar do potencial e do crescimento observado em Pitanga/PR e região, o desenvolvimento e expansão econômica ainda ocorrem em ritmo lento se comparado com outras regiões do Estado e do País. O município de Pitanga possui 32.638 habitantes e está localizado no centro geográfico do Estado do Paraná (24º 45’ 26” S e 51º 45’ 41” W) e suas principais atividades econômicas estão relacionadas aos setores agrícola, madeireiro e de serviços. Em seu entorno estão os municípios de Roncador, Nova Tebas, Manoel Ribas, Boa Ventura de São Roque, Santa Maria do Oeste, Palmital, Mato Rico, Altamira do Paraná, Campina do Simão, Candido de Abreu, Iretama, Laranjal, Nova Cantú e Turvo. Foram levantadas informações sobre as MPE’s no município de Pitanga buscando identificar fatores limitantes e potencialidades para o crescimento empresarial tendo em vista o desenvolvimento local. Entende-se que por meio do avanço do setor empresarial é possível melhorar a qualidade de vida da comunidade. Mas para que haja o crescimento empresarial é necessário a construção de bases como é o caso do incentivo à educação, mas especificamente no que se refere à capacitação profissional da força de trabalho local. Na região são evidenciados baixos índices de formação de pessoal capacitado para atuar no mercado de trabalho, o que explica a tradição para o trabalho informal e o desemprego. As rápidas e profundas mudanças sociais geradas pela política global têm exigido no mundo moderno uma adaptação constante do ser humano. Cada etapa de uma pesquisa científica é importante, mas a definição do problema é a mais significativa, o que não constitui tarefa fácil, em virtude das diferentes acepções que envolvem este termo. A relevância do problema decorre dos benefícios que sua solução pode trazer. O problema deve ser definido de tal forma que a solução seja possível e deve corresponder a interesses pessoais, sociais e científicos (VERGARA, 2005; MARCONI; LAKATOS, 1996). Assim, o problema de pesquisa definido para o presente estudo pode ser apresentado como: quais as variáveis que podem ser consideradas significativas para o crescimento do setor empresarial de Pitanga/PR, tendo em vista o desenvolvimento local deste município? 15 Teve-se como objetivo geral: identificar as ações necessárias para o crescimento do setor empresarial de Pitanga/PR, tendo em vista o desenvolvimento local deste município. Especificamente pretendeu-se através deste estudo: (a) identificar as principais oportunidades e desafios das micro e pequenas empresas na atual conjuntura econômica; (b) diagnosticar a situação das micro e pequenas empresas do município de Pitanga, quanto à sua estrutura organizacional; (c) reconhecer aspectos, em termos de pontos fortes ou oportunidades e desafios, que se assemelham ou diferenciam da situação geral das MPE‘s; (d) apontar em que aspectos as empresas do município de Pitanga contribuem para o desenvolvimento local, bem como, sugerir mudanças de estratégias para seu fortalecimento. Para responder ao problema de pesquisa foi realizado um estudo empírico de natureza qualitativa no Município de Pitanga, voltado para as micro e pequenas empresas. Sabe-se que o crescimento empresarial tem por o objetivo a geração de empregos e a melhoria do nível de renda da população e como beneficio uma melhor qualidade de vida para a população local. A importância da micro e pequena empresa na economia brasileira é inquestionável. Porém, encontramos situações bastante diferentes, dificultando chegar-se a uma visão consistente. Os estudos sobre o tema são constantes, mas mesmo assim, é de fundamental importância, que novos estudos e pesquisas sejam desenvolvidos junto a estas empresas, que têm representação significativa no contexto econômico do país a fim de retratar as mudanças ocorridas. As micro e pequenas empresas, que representam a grande maioria dos empreendimentos organizacionais no Brasil, demonstrando a inquestionável importância das mesmas na economia brasileira, sem deixar de destacar os desafios encontrados para se manter no mercado tais como: alta carga tributaria, reduzida margem de lucro, profissional despreparado para enfrentar os avanços tecnológicos e os desafios de uma economia globalizada e competitiva e principalmente falta de experiência e conhecimento na atividade exercida pelo empreendedor do negocio. Diante das mudanças no ambiente global, é essencial que o mercado, o governo e a sociedade possam conviver integrados e com sinergia entre suas atuações. De um lado, tem-se o executivo privado, em busca do lucro e da rentabilidade, de outro tem-se, o executivo público, em busca da manutenção do poder político, fundamentado em estruturas democráticas que viabilizem as 16 operações (locais, regionais e de livre comércio), vitais para a inserção da comunidade nas relações econômicas globalizadas. As crescentes exigências que as empresas devem atender no tocante à produtividade e à competitividade, como a exposição externa de suas economias, são desafios significativos, tornando-se necessária a criação de um ambiente sistemático que permita introduzir as inovações tecnológicas. Portanto, entende-se que este estudo seja da maior importância, a propor-se avaliar a importância das micro e pequenas empresas para o desenvolvimento do município de Pitanga. Deste modo o estudo está estruturado em quatro capítulos. No primeiro capítulo apresenta a introdução do estudo, abrangendo um enfoque sobre o objeto a ser estudo e os objetivos pretendidos. No segundo capítulo apresenta fundamentação teórica sobre as micro e pequenas empresas tratado sobre enfoque geral e local. No terceiro capítulo apresenta procedimentos metodológicos utilizados neste estudo, discriminando a amostra e os critérios de seleção e analises das variáveis. O capítulo quatro apresenta a analise dos dados com os resultados e discussões sobre o tema pesquisado. O estudo é finalizado com as considerações finais, avaliando e validando os resultados pesquisados no presente estudo. 17 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 CLASSIFICAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (MPE'S) Antes de se definir o que são micro e pequenas empresas é imprescindível entender o que é empresa. Pelo Artigo 6 da Lei nº 4.137, de 10 de setembro de 1962, “Considera-se empresa, toda organização de natureza civil ou mercantil destinadas à exploração por pessoa física ou jurídica de qualquer atividade com fins lucrativos.” Para Krepsky (1992, p.14) “A empresa é um organismo econômico que sob seu próprio risco recolhe e põe em atuação, sistematicamente, os elementos necessários para obter um produto destinado à troca”. A partir dessas definições pode-se entender que a empresa seja ela, micro e pequena, são organizações de atividade econômica, cuja objetivo em comum é utilizar os recursos matérias, financeiros e humanos e transformá-los em produto ou serviço em função de seu consumidor/cliente. Ao tratar-se da classificação da empresa quanto ao seu porte, é prudente a recorrência a algum parâmetro. Não há no mundo, uma concordante universal no que se refere à conceituação e classificação das MPE`s, pois cada país adota conceitos particulares e de acordo com suas realidades para ser capaz de atender o mercado de origem. Para Longenecker et al (1997, p. 27) Especificar qualquer padrão de tamanho para definir empresas é algo necessariamente arbitrário porque as pessoas adotam padrões diferentes para propósitos diferentes [...].Uma empresa pode ser descrita como ‘pequena’ quando comparada com empresas maiores, mas ‘grande’ quando comparada com menores. Segundo Chér (1991, p. 17), “Existem muitos parâmetros para definir as pequenas e médias empresas, muitas vezes dentro de um mesmo país, como no Brasil”. Isso mostra que nenhuma definição que se possa ter a respeito de micro e pequenas empresas será algo absoluto, que não possa ser questionado, mas apenas limitado a determinados pontos de vista, ou órgãos aos quais essas definições estão vinculadas. 18 No caso do Brasil, atualmente faz-se uso de duas formas de classificação do porte das empresas brasileiras: quanto ao número de funcionários e quanto ao faturamento das empresas. O Serviço Brasileiro de Apoio ás Micro e Pequenas Empresa (SEBRAE) e a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego do Governo Federal promovem a classificação das referidas empresas segundo o número de funcionários combinado com o setor de atuação da empresa, conforme apresentado na Tabela 1: Quadro 01: Classificação das empresas segundo o número de funcionários Classificação Micro empresas Pequenas Empresas SEBRAE (comércio e até 09 funcionários De 10 a 49 funcionários serviços) SEBRAE (indústria) até 19 funcionários de 20 a 99 funcionários RAIS até 19 funcionários de 20 a 99 funcionários Fonte: SEBRAE (2010). Resnik (1991) destaca que é comum a utilização do critério acima também pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quando procede às suas análises que dão origem ao Relatório Estatístico do Cadastro Central de Empresas, utiliza os dois parâmetros e divulga os resultados alcançados. Já o Governo Federal, para fins de tributação e vigência do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro e mpresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES1) lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, faz a classificação das empresas considerando o faturamento bruto anual que também é definido pelo Estatuto da Micro e mpresa e empresa de Pequeno Porte (Lei nº 9841, de 5 de outubro de 1999; Decreto nº 5.028, de 31 de março de 2004.) que utilizam como forma de classificação, a receita bruta anual. 1 O SIMPLES está em vigor desde 1.º de janeiro de 1997, instituído pela MP nº 1.526, de 1996, posteriormente convertida na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Ele consiste no pagamento unificado dos seguintes impostos e contribuições: IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, INSS Patronal e IPI (se for contribuinte do IPI). O imposto simplificado a ser recolhido pela empresa tem como base de cálculo a receita bruta mensal, sobre a qual é aplicado um percentual, que varia de 3% a 8%, conforme a receita anual da empresa, e mais 0,5% se a empresa for contribuinte do IPI. Assim, o SIMPLES veio para tentar suavizar a tributação das micro empresas e empresas de pequeno porte e tentar tornar menos complexo o pagamento de tributos. (http://www.sebrae.com.br/br/aprendasebrae/tributacao_simples.asp). 19 Quadro 02: Classificação das empresas segundo o faturamento anual Agentes Classificadores Micro e mpresa Pequena Empresa Faturamento Anual (R$)¹ Receita bruta anual Receita bruta anual superior igual ou inferior a R$ a R$ 240.000,00 e igual ou 240.000,00 inferior a R$ 2.400.000,00 Faturamento Anual (R$)² Receita bruta anual Receita bruta anual superior igual ou inferior a R$ a R$ 244.000,00 e igual ou 244.000,00 inferior a R$ 1.200.000,00 Faturamento Anual (R$)³ Receita bruta anual Receita bruta anual superior igual ou inferior a R$ a R$ 433.755,14 e igual ou 433.755,14 inferior a R$ 2.133.222,00 2 Fonte : Estatuto das micro e pequenas empresas Lei nº 9.841 de 05 de outubro de 1999, Simples Federal nº 9.317 de 05 de dezembro de 1996 e o Decreto nº 5.028, de 31 de março de 2004. O critério número de funcionários é considerado o de mais fácil entendimento e mensuração e é adotado pelo SEBRAE e pelo IBGE. 2.2 CARACTERÍSTICAS DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS No Brasil o número de micro e pequenas empresas têm aumentando todos os dias, passando a ser um dos principais pilares de sustentação da economia brasileira, quer pela sua geração de empregos, quer pelo infindável número de estabelecimentos desconcentrados geograficamente (Koteski, 2004). Já para Chinem (2006, p.13) “São as micro e pequenas empresas quem mais distribuem renda, contribuindo para diminuir a divida social com os menos favorecidos, incluindo-os no processo de produção e abrindo-lhe novas oportunidades.” O surgimento de uma PMEs’ ocorre por duas razões. Uma delas é para aproveitar uma oportunidade de negócio. A outra é por necessidade de um empreendedor3, que ao se tornar o principal executivo/dirigente, acaba por influenciar a organização, dando-lhe seu próprio estilo considerando sua empresa como um prolongamento de si mesmo, como exemplo: arranjo, crenças, valores, obstinação pelo trabalho e pelo sucesso. Como o processo de planejamento e de decisão é realizado quase sempre por uma única pessoa, e esta pessoa é o dono da 2 Nota: Elaborado com base nos dispositivos da Lei nº 9.317/96, Lei nº 9.841/99 e Decreto nº 5.028/04. (1) Lei nº 9.317/1996 – Simples (2) Lei nº 9841/1999 – Estatuto (3) Decreto nº 5.028/2004 – altera os limites previstos na Lei nº 9.841/9. 3 Empreendedores são indivíduos que descobrem as necessidades do mercado e abrem novas empresas para satisfazer essas necessidades. (Longenecker et al, 1997, p.7) 20 negócio, as atitudes tomadas são relacionadas diretamente ao conjunto de crenças e valores do sócio/gerente, ou seja, passa a vigorar o perfil do dono. Por este motivo muitas vezes a característica gerencial é autoritária, centralizadora, pouco participativa e integrada o que acaba prejudicando, de certa forma, o desempenho da PMEs, levando-a ao conservadorismo e individualismo, predominando o improviso em relação às ações planejadas mesmo porque os donos das PMEs costumam desempenhar múltiplas tarefas dentro e fora da empresa. (LEONE, 1999). As MPEs na atual conjuntura possuem características que se referem a sua forma de organização, ao seu relacionamento com clientes, fornecedores, recursos humanos/colaboradores, instituições governamentais e demais setores que estão ao seu redor. Dentre estas características, podem apresentar pontos fortes e fracos no que se refere a sua competitividade, comparando-se com suas similares (empresas que atuam no mesmo segmento), pela forma como são gerenciadas por seu principal executivo para promover o seu crescimento e desenvolvimento. Conforme DEITOS (2002), as principais características dessas organizações são: estrutura organizacional simples; limitação de recursos humanos e financeiros; ausência de burocracia interna; baixo grau de diversificação produtiva; produção para mercados locais ou especializados; proximidade do mercado ao cliente; rapidez de resposta e; flexibilidade e adaptabilidade à mudanças. As PMEs têm características próprias que as distinguem das grandes empresas, como gestão, competitividade e inserção no mercado. Segundo Cezarino; Campomar, apud Gonçalves (1994) em países como o Brasil onde há alto desequilíbrio regional, micro e pequenas empresas podem apresentar um importante papel para a descentralização dos segmentos. As MPE’s constituem atualmente uma alternativa de ocupação para uma minoria da população que tem condição de desenvolver seu próprio negócio, os chamados empreendedores e em uma alternativa de emprego formal ou informal, para uma grande maioria da força de trabalho excedente, que neste caso não tem condição de ter seu próprio negocio e em geral com pouca qualificação, que não encontra emprego nas empresas de maior porte (CAVALCANTE, 2005, apud BGE). Observando as considerações anteriores um dos principais pontos fracos das empresas de pequeno porte tem sido a visão distorcida dos recursos humanos, e por isso, não se observa com clareza a relação custo/benefícios dos investimentos no capital humano 21 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desenvolveu em 2003, um estudo sobre as principais características de gestão das MPEs brasileiras. Entre os principais destaques estão: i. Baixo volume de capital empregado; ii. Altas taxas de natalidade e mortalidade; iii. Presença significativa de proprietários, sócios e funcionários com laços familiares; iv. Grande centralização do poder decisório; v. Não distinção da pessoa física do proprietário com a pessoa jurídica, inclusive em balanços contábeis; vi. Registros contábeis pouco adequados; vii. Contratação direta de mão-de-obra; viii. Baixo nível de terceirização; ix. Baixo emprego de tecnologias sofisticadas; x. Baixo investimento em inovação tecnológica; xi. Dificuldade de acesso a financiamento de capital de giro; xii. Dificuldade de definição dos custos fixos; xiii. Alto índice de sonegação fiscal; xiv. Utilização intensa de mão-de-obra não qualificada ou sem qualificação. Atualmente tem se percebido a necessidade de se buscar estratégias e ações que possam ser aplicadas às micro e pequenas empresas com a finalidade de manter sua sobrevivência e seu crescimento. A falta de estratégia e de planejamento é o principal motivo para a alta taxa de mortalidade das pequenas empresas no cenário brasileiro. Porter (1990) ressalta que a competitividade consiste na capacidade de a organização gerar vantagens competitivas e o desenvolvimento de uma organização depende de sua capacidade de gerar vantagens competitivas a longo prazo. Outro problema enfrentado pelas micro e pequenas empresas é a administração centralizada, em razão da estrutura simples que elas tem é necessário que essas funções administrativas sejam ampliadas. Este é um dos desafios a ser superado pelas micro e pequenas empresas, reformular a estrutura organizacional torná-la mais moderna. Não se pode esquecer que, apesar da significativa importância deste segmento, ele tem apresentado uma alta taxa de mortalidade o que traz prejuízos sociais e financeiros (SEBRAE, 2004). 22 Há, ainda, outros desafios que precisam ser superados pelas micro e pequenas empresa, tais como: o pequeno respaldo econômico e as conseqüentes dificuldades inerentes; a falta de políticas públicas no planejamento de ações e programas de apoio às MPEs; carga tributária elevada; falta de mão de obra qualificada; poucos conhecimentos gerenciais. Os desafios para a sobrevivência das MPEs são muitos. Cada etapa precisa ser bem avaliada, sem deixar de levar em conta as circunstâncias atuais da economia globalizada em que estão inseridas (diferenças regionais). Somente desta forma será possível manter este segmento cada dia mais relevante à economia (SEBRAE, 2004). Não se pode esquecer neste contexto de desafios a importância das demais categorias de empresas, que estão inseridas no mesmo ambiente das micros e pequenas empresas, que é o caso das médias empresas e as transnacionais. No texto a seguir será abordado a importância destas empresas e os desafios que elas representam para as micros e pequenas empresas. 2.3 DISCUSSÕES SOBRE O PAPEL DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS (PEMES) E EMPRESAS TRANSNACIONAIS (ETS) Vários autores, no final da década de 1990, produziram uma interessante análise crítica das abordagens feitas sobre as experiências exitosas de desenvolvimento regional endógeno4. Centra-se, aqui, a atenção na discussão sobre a adequação das PeMEs ou ETs. No novo cenário da globalização, tomando-se como referência a Terceira Itália, ao longo da década de 1980, foram se impondo abordagens regionalistas, algumas admitindo a possibilidade das PeMEs passarem a converter-se os novos atores hegemônicos e estratégicos da etapa pós-fordista. No entanto, Martinelli; Schoenberger (1994), já chamavam atenção, no início da década de 1990: os oligopólios estão com boa saúde, obrigado ! Cassarotto; Pires (2001, p. 25), também chamavam atenção para um desafio: “A globalização cada vez mais acentuada dos mercados e da produção está pondo em questionamento a competitividade das micro e pequenas empresas”. 4 Adiante, faz-se menção às principais revisões críticas. 23 Atualmente, esta realidade está cada vez mais evidente. Assim, em relação às empresas transnacionais, constata-se que persistem estratégias de fusão de conglomerados produtivos com o capital financeiro, aumentando sua capacidade de operar com altos volumes de capitais, o que as habilita realizar grandes investimentos. Frente ao domínio das ETs, não existe uma predisposição generalizada nos padrões de acumulação que tendam a expandir conglomerados de PeMEs. As ETs, conseguiram capitalizar as novas tecnologias da informação, adequar-se às novas estratégias descentralizadas, acentuando-se a fusão de conglomerados produtivos com o capital financeiro, associado a capacidade de operar com altos volumes, além do fato de dispor de grandes volumes de recursos para investimentos. Alguns trabalhos, compreendendo uma comparação entre EUA, Japão e Europa Ocidental, mostram que a dependência financeira, tecnológica e comercial das PeMEs em relação às ETs, assim como o seu crescente controle do capital e dos mercados, têm aumentado nos últimos anos5. Soma-se a isso, dificuldades do tipo estruturais e específicas nas PeMEs, tais como: (1) problemas de escala para desenvolver adequados níveis de inovação; (2) subdesenvolvidos serviços reais de apoio ao processo produtivo; (3) dificuldades para ingressar nas redes globais de comercialização, altamente concentradas nas mãos da empresas transnacionais; (4) ausência de mudanças geracionais, como a re-inserção dos recursos jovens, formados externamente; (5) a escassa transferência geracional de habilidades produtivas locais, e (6) a necessidade de uma maior mobilidade de pessoas, que afeta a persistência da lógica de reprodução intra-territorial6. Já Vázquez-Barquero (1997, p. 9), ao destacar o papel das grandes empresas nos processos de desenvolvimento local-regional, afirma que quando se avalia os resultados dos investimentos externos em termos de desenvolvimento, se observa que seus efeitos não são sempre suficientes para criar processos de crescimento auto-sustentado. “A razão reside em que a transferência dos recursos (capital, tecnologia, trabalho qualificado) das regiões desenvolvidas às áreas atrasadas pode produzir disfunções, que tendem a reduzir a potencialidade de desenvolvimento da área de difusão”. Afirma o autor que, antes de tudo, os 5 6 Refere-se, especialmente a trabalho empírico de Harrison (1994). Conforme Fernández (2001), com base em vários autores por ele citados. 24 investimentos externos alteram o funcionamento dos mercados de trabalho, atraindo a mão-de-obra mais qualificada. Cita duas regiões da Europa, onde a estratégia de atração de investimentos externos foi implementada, afirmando que nas regiões de acolhida dos investimentos externos, se produzem, ademais, fortes restrições ao desenvolvimento do sistema produtivo. Por um lado, freqüentemente, as plantas externas se convertem em "enclaves" econômicos, com escassas vinculações com o sistema produtivo local, realizando a subcontratação e a compra de produtos intermediários e de serviços a redes de empresas e de provedores localizados ou procedentes de outras regiões, com as que a empresa externa mantem relações econômicas (VÁZQUEZ-BARQUERO,1997,p. 9). Além disso, freqüentemente, a empresa externa gera mecanismos de absorção dos recursos empresariais locais, com o fim de incorporar aos postos de gestão recursos humanos qualificados, com níveis salariais acima dos que as pequenas empresas locais podem sustentar. “Desta forma, se reduz a capacidade empresarial da zona onde se localiza a nova planta e se debilita a resposta da área aos desafios da competitividade” (VÀZQUEZ-BARQUERO, 1997, p. 9). A questão principal, segundo o autor (p. 9-10), é a escassa inserção das plantas subsidiárias ao tecido produtivo local, a autonomia limitada dos gestores locais na tomada de decisões estratégicas, além da drenagem de recursos empresariais locais, o que limita um desenvolvimento auto-sustentado da região atingida. As possibilidades de que se produzam processos de desenvolvimento endógeno são reduzidas devido a que o mecanismo em seu conjunto tende a limitar o nascimento e crescimento das empresas locais [...]. Em resumo, as políticas de difusão favorecem ao fortalecimento da hierarquização do crescimento, no entanto nem sempre atingem a criação de pólos de desenvolvimento, já que existem filtrações do impulso inicial que reduzem a capacidade difusora dos investimentos externos. Tudo conduz a um mal desenvolvimento das áreas periféricas não tanto porque se fomenta um modelo de crescimento alheio a seu entorno como porque não se aproveitam as potencialidades locais de crescimento, exportando-as às áreas centrais (VÀZQUEZ-BARQUERO, 1997, p. 9-10). Existem casos em que as grandes empresas vêm adotando modelos de organização mais flexíveis e vêm utilizando estratégias, que lhes permitem estabelecer relações mais eficientes entre as diferentes unidades da empresa e 25 entre a empresa e seus provedores e clientes, permitindo estreitar os vínculos com as empresas e instituições locais das cidades e regiões onde se localizam. Isso, resulta da transformação das estratégias territoriais econômicas das cidades e regiões, que têm deixado de ser receptoras passivas das decisões de investimento dos agentes econômicos e das administrações públicas e têm-se convertido em agentes ativos das estratégias de desenvolvimento local. Mas esta é uma realidade que se apresenta em poucas regiões periféricas do mundo. Por isso, a situação acima descrita, ainda está presente na maioria das áreas atingidas. Assim, a convergência de interesses entre a grande empresa e o desenvolvimento localregional parece possível, desde que a grande empresa e as organizações locais confluam no espaço local, impulsionando um mesmo processo de desenvolvimento (VÁZQUEZ-BRAQUERO, 1997). Vázquez-Barquero (1997, p. 15) acrescenta: A convergência de interesses contribuiria a ampliar a competitividade da grande empresa e do território e, portanto, incitaria a um processo de desenvolvimento auto-sustentado. Assim, pois, a competitividade e a luta pelos mercados converteria as cidades e regiões [e territórios] em sócios das grandes empresas e grupos empresariais (grifo pessoal). Esta possibilidade de convergência de interesses é ainda um desafio. O próprio Vázquez-Barquero (1997) afirma que uma das questões centrais é a relação de poder entre a grande empresa e as organizações territoriais, que condicionam as negociações de acordos de planejamento. Num país democrático, a solução passa pelo fortalecimento da sociedade civil e da capacidade de controle do processo de negociação por parte da administração do Estado-Nação. Exige um Estado não submisso, comprometido com os interesses da nação. Como se vê, a relação grande empresa-desenvolvimento territorial, apresenta um quadro nada alentador. Pelo contrário, é um cenário fortemente selecionado, no qual um grupo de cidades-regiões assume um posicionamento seletivo e estratégico que, operando como motores da globalização configuram uma rede de arquipélagos imersos em um oceano de centros territoriais subalternos e deprimidos (DOLFUS, 1997). Estes arquipélagos estão representados por um reduzido número de cidades globais que concentram e acumulam serviços estratégicos à produção, através dos quais se planeja e controla a gestão global das redes transnacionais. 26 São desafios que se interpõem às micro e pequenas empresas na atualidade. No entanto, mesmo assim, não restringem a importância destas. 2.4 A IMPORTÂNCIA DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Como visto anteriormente, a realidade brasileira atualmente é composta por MPE’s, que são fundamentais para a geração de emprego e renda. O empreendedorismo é o impulso fundamental neste caso, o que ocasiona e mantêm em marcha o motor capitalista constantemente criando novos produtos, novos métodos de produção, novos mercados e sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros (SCHUMPETER, 1982). Neste cenário, as MPE’s surgem, dando oportunidade para que os empreendedores consigam buscar com êxito seus sonhos norteados por valores éticos e justos. As micro e pequenas empresas proporcionam oportunidade e iniciativa para que as pessoas possam ver as coisas sob um ponto de vista diferente, aproveitando as oportunidades para começar e desenvolver negócios. Desta forma ocupam-se novos nichos, identificando a utilização de recursos tecnológicos, mercadológicos, entre outros. De acordo com Souza (1995), além da relevância socioeconômica, as pequenas empresas oferecem contribuições em todos os campos, merecendo destaque: - estímulo à livre iniciativa e à capacidade empreendedora; - relação capital/trabalho mais harmoniosa; - possível contribuição para a geração de novos empregos e absorção de mão-de-obra, seja pelo crescimento das pequenas empresas já existentes ou pelo surgimento de novas; - efeito amortecedor dos impactos do desemprego; - efeito amortecedor das conseqüências das flutuações na atividade econômica; - manutenção de certo nível de atividade econômica em determinadas regiões; - contribuição para a descentralização das atividades econômicas, em especial na função de complementação às grandes empresas; - potencial de assimilação, adaptação, introdução e, algumas vezes, geração de novas tecnologias de produto e de processo (SOUZA, 1995, p.25). Desta forma, as micro e pequenas empresas buscam oportunidades de negócios através da observação de tendências que influenciam o dia a dia, tentando prever quais e quando vão ocorrer mudanças e como estas mudanças podem afetar 27 os negócios. Essas mudanças acabam gerando novas tendências, que podem desenvolver novas oportunidades. Segundo Longernecker et al (1997) as empresas de pequeno porte no cenário empresarial não são só compostas por empresas comerciais, mas também é bem representado por organizações industriais que contribuem para o bem estar- econômico da nação, pois produzem uma parte substancial do total de bens e serviços, contribuindo assim de forma geral similar às grandes empresas. A situação financeira das micro e pequenas empresas está atrelada à demanda por seus produtos e serviços e ao respectivo pagamento por eles. Geralmente estas empresas costumam ter pouca reserva financeira no curto prazo, dificultando os negócios. Outro fator limitador do crédito para as micro e pequenas empresas são as garantias exigidas e o histórico destas empresas junto às instituições de crédito. Apesar da importância que as micro e pequenas empresas possuem os empresários brasileiros encontram dificuldades para comercializarem seus produtos e serviços, por fatores diversos que afetam sua produtividade e que estão relacionados à sua estrutura organizacional simples (PINHEIRO, 1996). Desta forma percebe-se que inovar é a palavra de ordem para o sucesso dos negócios das micro e pequenas empresas, assim como para qualquer ramo de atividade independentemente do seu tamanho. Segundo Chiavenato (1995, p.3), As pequenas empresas constituem o cerne da dinâmica da economia dos países, as impulsionadoras do mercado, as geradoras de oportunidades, as proporcionadoras de empregos mesmo em situações de recessão. Boa parte da oferta de empregos nos países adiantados provém das empresas de pequeno porte, ao passo que as grandes empresas estão reduzindo seus quadros de pessoal. A inovação oferece oportunidade para as micro e pequenas empresas exportarem seus produtos. Segundo o IBGE (2010) os setores que se destacam são a fabricação de máquinas e equipamentos, produtos de madeira, móveis e indústrias diversas, produtos alimentícios, bebidas e produtos agropecuários. Estes negócios se destacam pela grande utilização de mão de obra, diferente de algumas das grandes empresas, cujos processos produtivos se caracterizam por fatores como a economia em escala e a robotização. De acordo com Silva et al (1996, p.12), 28 O setor de serviços vem ocupando um lugar de destaque na maioria dos países que outrora tiveram sua economia sustentada pela atividade manufatureira. A urbanização das populações, o avanço tecnológico, a automação das indústrias e, ainda, a busca por melhoria de qualidade de vida são alguns fatores que impulsionam o crescimento deste setor nos países industrializados. A fusão entre métodos tradicionais e as novas tecnologias podem representar o sucesso das micro e pequenas empresas, uma vez que as mudanças no mercado não param. Também as práticas de gestão e de inovação devem levar em consideração a sustentabilidade. Desta forma as micro e pequenas empresas poderão continuar o trabalho, empregando e oportunizando o desenvolvimento da economia, visto que elas são de extrema importância para o cenário econômico local, regional e nacional (DORNELAS, 2005). Diante do processo de globalização, o qual significa fazer negócios em um determinado número de países em todo o mundo, uma vez que a globalização é algo muito mais abrangente, novas maneiras se criam na busca do equilíbrio tanto na produção de qualidades de produtos ou serviços como na qualidade destes. Com as necessidades específicas das diversas bases de clientes locais, novas empresas se formam na busca constante da melhoria da qualidade, e da capacidade de satisfação do cliente e da redução dos tempos de ciclo dos processos. Segundo Morelli (1994, p. 11): As grandes corporações, por causa de seu gigantismo e sua burocracia, têm encontrando muita dificuldade em adaptar-se aos novos conceitos de flexibilidade, competitividade e inovação, conceitos estes oportunos para caracterizarem globalização. Uma das soluções está, então, em subdividirse e desdobrar-se (fragmentação) em pequenos empreendimentos, pois, assim, conseguem com maior facilidade adaptar-se rapidamente às mudanças, especialmente no que tange à tecnologia, qualidade e redução de custos, mesmo porque o tempo é fator fundamental neste cenário de globalização. Porém, Morelli (1994, p.12), revela que "Há cem anos, eminentes autoridades têm nos dito que as empresas pequenas estão sendo engolidas pelas "gigantes" e tendem a desaparecer. Há cem anos os fatos têm provado que tais afirmações não têm sentido. A empresa pequena vai tão bem, como ia há cem anos." Deste modo há grandes oportunidades para os pequenos empreendimentos, especialmente no setor de serviços, já que é um segmento onde se verifica forte demanda. Por outro lado, o fenômeno da globalização parece foi adotado pelas 29 pequenas unidades de negócios e a idéia de que as grandes indústrias manufatureiras já não mais detêm as melhores oportunidades de sucesso profissional é uma verdade comprovada. Finalmente pode-se dizer que as pequenas e as grandes empresas são antagônicas, ou seja, uma tende a buscar a eliminação da outra neste processo de globalização. Por outro lado percebe-se que o relacionamento de ambas são complementares. 2.5 AS PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES ENVOLVENDO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESA Mesmo para as empresas formalizadas, uma das grandes preocupações, ou até mesmo, problemas é o planejamento. “O planejamento é a busca por organizar e gerenciar os negócios, definindo objetivos e metas buscando informações sobre clientes, concorrentes e fornecedores” (LOPES, 2005, p. 30). Neste mesmo contexto as MPE’s tem dificuldades com as atividades de gerência que pode-se definir como o conhecimento de princípios básicos como conhecimento mercadológico, análise de custos e conhecimento contábil financeiro. Também dificuldades em estabelecer planejamento quanto a contabilidade financeira, esta tem como principal propósito fornecer relatórios e demonstrativos financeiros. De acordo com Atkinson et al. (2008, p.37), a contabilidade financeira, É o processo de geração de demonstrativos financeiros para públicos externos, como acionistas, credores e autoridades governamentais. Esse processo é fortemente limitado por autoridades governamentais que definem padrões, regulamentações e impostos, além de exigir o parecer de auditores independentes [...]. Diante da constante mudança e pelo fato do aumento na competitividade entre as empresas brasileiras, torna-se cada vez mais importante adotar técnicas de gestão especializadas, entretanto, muitas das micro e pequenas empresas não estão estruturadas para enfrentar tal desafio. Além disso, as dificuldades são aumentadas, na medida em que o fluxo de informações necessárias para uma boa gestão empresarial fica maior e mais complexo. O planejamento é um dos principais pontos de partida para o desenvolvimento das funções gerenciais, sendo um importante processo de reflexão 30 que precede a ação de tomada de decisão. A habilidade do gestor em utilizar-se da contabilidade gerencial como ferramenta de gestão e suporte ao planejamento, contribui fortemente para o sucesso dessas micro e pequenas empresas. Nesse sentido as empresas têm buscado treinamento, ajuda e conhecimento, de modo que correm grande risco de falência se providências não forem tomadas. Conforme menciona Schumpeter (1982, p.52), em relação ao conhecimento, [...] podemos identificar duas atividades básicas que devem ser realizadas para que as corporações atinjam seus objetivos: coordenação e motivação. As várias atividades da firma precisam ser adequadamente coordenadas e os gestores e demais envolvidos precisam estar motivados para a realização de suas funções. Para a realização dessas funções, um elemento é primordial: informação. Para que as atividades sejam bem coordenadas, os gestores precisam receber informações sobre seu desenvolvimento. Para que esses mesmos gestores adequadamente motivados, é necessário que sistemas [...] sejam implementados como base para a remuneração. Assim, as firmas precisam de sistemas capazes de fornecer informações com a finalidade de coordenação e motivação dos agentes econômicos envolvidos em suas atividades. Desta forma Schumpeter (1982, p. 55), destaca que as micro e pequenas empresas não são empresas organizadas, pois fogem da departamentalização ou da segmentação de setores, não servindo de base para comparação para grandes empresas, uma vez que se trata de organizações grandes em miniatura”. Geralmente as micro e pequenas empresas atuam no mercado de bens, produtos e serviços com volatilidade de demanda, além da dificuldade para entrar no mercado, pois sempre há forte concorrência seja ela grande, média, pequena ou micro. Outro apontamento que se pode perceber principalmente por dados elaborados e divulgados pelo SEBRAE, é a dificuldade das micro e pequenas empresas se manterem vivas, parte dessas empresas encerram suas atividades em menos de dois anos. Estas empresas, em seus primeiros anos de vivência, são inseguras em relação às vendas de seus produtos, movimentação do mercado, clientes, localização. Neste contexto ainda se faz necessário que a gestão da empresa, obedeça a ótica da legalidade, ou seja, perante a legislação vigente. Desta forma as micro e pequenas empresas, podem se beneficiar, a para que, no longo prazo, possam firmar-se no mercado competitivo que se denota atualmente. 31 Como prevenção da falência prematura das empresas, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB/88) – no caput do art. 179, elucida que: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às micro e mpresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributáveis, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. Quando escrita, a CRFB de 1988 já previa que as micro e pequenas empresas poderiam sofrer dificuldades, assim assegurou-lhes benefícios, que de certa forma, com a criação da Lei Complementar Federal nº 123/06, a chamada "Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas", só veio a confirmar tal zelo. A Lei Complementar nº 123/2006, já em seu caput, elucida para qual fim foi elaborada: "Institui o Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa e da Empresa de Pequeno Porte". Tal dispositivo legal foi criado com o intuito de fortalecer as micro e pequenas empresas, estabelecendo tratamento diferenciado que sirva de oportunidade para que estas empresas possam se estruturar no mercado.. 2.6 AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL A história das micro e pequenas empresas no Brasil começam a ganhar destaque com o advento do processo de globalização. Segundo Oliveira (1997) este processo teve início nas últimas décadas do século XX fazendo com que os governos do ocidente comecem a liberar o comércio, o fluxo de capitais, a privatização de empresas estatais, conscientes de que esta nova arma estratégica sirva para o desenvolvimento da economia de mercado, orientados por organismos tais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e a Organização Mundial de Comércio (OMC). A economia de mercado é conduzida pelas forças capitalistas, que de certa forma se utilizam da cultura neoliberalista que defende os interesses dos países que possuem a hegemonia econômica mundial. Por outro lado a lógica do capital pertencente à sociedade civil não implica no total afastamento do Estado, porém este se desvencilha das áreas econômicas lucrativas, privatizando-as, e mantendo contato com as questões sociais dando inicio ao chamado terceiro setor. Contudo, o 32 terceiro setor se organiza em torno de instituições de promoção daqueles setores prejudicados no mercado, dentre eles as micro e pequenas empresas. Para que isto ocorra, aparece a oferta de créditos, capacitação e assessoria através de serviços de apoio como o SEBRAE e outras instituições (MONTAÑO, 1999). De acordo com Mamede (2007), a inserção das micro e pequenas empresas no mercado, pode-se distinguir de duas formas fundamentais: aquelas que produzem certa mercadoria ou serviço para o consumidor direto, ou para o distribuidor, ou seja, o intermediário comercial, e aquelas que produzem certa mercadoria ou serviço para uma grande ou média empresa. No primeiro caso, as chamadas empresas de produção final, por encontrarem-se livres no mercado, definem o tipo de produto, sua qualidade, seu preço e seu público-alvo. Na outra forma, do segundo caso, as chamadas empresas satélites, produzem uma mercadoria ou serviço para uma grande empresa matriz ou subcontratante. Assim, o mercado desta forma de micro e pequenas empresas está restrito às empresas subcontratadas que utilizam sua produção como insumo. Estes modelos encontram muita dificuldade para enfrentar o mercado, uma vez que não apresentam condições favoráveis de competitividade. Seguindo esta afirmação e dentro de uma visão de economia globalizada, as micro e pequenas empresas necessitam de estratégias integradoras, ou seja, de união para que possam negociar dentro de um perfil de escala. Segundo o BNDS (2010) a proliferação das micro e pequenas empresas é um resultado do processo de globalização, uma vez que as grandes empresas buscam maior eficiência, com a contratação de empresas menores, ou seja, terceirizando atividades. Outro fator importante vivido no Brasil em relação ao aumento do número de micro e pequenas empresas é em decorrência a mão de obra demitida em virtude dos avanços tecnológicos. Estas pessoas saindo do mercado formal de trabalho criam novas empresas que prestam serviços às empresas maiores. Muito se fala em relação a morte de novas micro e pequenas empresas, porém o numero de novas empresas no mercado ainda é maior. Além disso, o espírito empreendedor brasileiro leva as empresas a buscarem se adequar a novas tendências de gestão, havendo a necessidade de que as empresas sejam mais enxutas, menores e que apresentem maior produtividade sem deixar de lado a qualidade desta produção. 33 A seguir dados do SEBRAE sobre as micro e pequenas empresas que representam o maior marco de sustentação da economia brasileira, gerando empregos e divisas. Em termos estatísticos, o segmento tem grande representatividade conforme é destacado no quadro a seguir: Quadro 03: Representação das micro e pequenas empresas no Brasil Representatividade % Produto Interno Bruto (PIB) 20% Geração de emprego 53% Estabelecimentos formais existente 98% Empresas criadas a cada ano 99,8% Fonte: SEBRAE (2010). Segundo Drucker, (1992, p. 34): “Empreendedores inovam; empreender é a ação que contempla os recursos com a nova capacidade de criar riqueza”. No momento em que o país busca contornos para a crise econômica, optando pelo combate ao desemprego e pela busca do crescimento sustentável, o estímulo aos empreendedores e às micro e pequenas empresas representa uma alternativa eficaz. Desta forma O Portal do Administrador (2010) afirma que: O BNDS e o FINAME incluem a aquisição de máquinas e equipamentos novos, operações no âmbito dos programas de desenvolvimento regional e financiamento de parcela de capital de giro necessário à consecução do empreendimento. O custo financeiro dos financiamentos concedidos é composto da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e de um spread para cada produto. Pelo Programa de Geração de Emprego e Renda (PROGER), o governo busca promover ações que gerem emprego e renda, mediante concessão de linhas especiais de crédito e programas integrados de capacitação técnico-gerencial e de qualificação profissional a setores normalmente com pouco ou nenhum acesso ao sistema financeiro, Basicamente compostos de pequenos empreendimentos. O PROGER utiliza recursos do FAT em financiamentos realizados por intermédio do Banco do Brasil (BB), do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e da Caixa Econômica Federal (CEF). O Banco do Brasil disponibiliza a empresas com faturamento bruto anual de até R$ 5 milhões e que proporcionem geração ou manutenção de emprego e renda linhas de investimentos de até R$ 400 mil, a serem pagos no prazo máximo de 60 meses (incluindo 12 meses de carência), a uma taxa de 5,33% ao ano. Desta forma é possível perceber que as micro e pequenas empresas possuem um papel fundamental no contexto econômico e social brasileiro. A realidade da economia brasileira ainda passa por inúmeras dificuldades, sobretudo pela importância que tem neste cenário, uma vez que os programas 34 governamentais ainda são insuficientes para atender a demanda destas empresas, principalmente no tocante ao crédito, pela dificuldade que as micro e pequenas empresas encontram na aquisição destes créditos e também em relação as taxas de juros ainda existentes. O crescimento do mercado, acessível no momento de qualquer parte do mundo, promovendo o crescimento contínuo tanto nas variedades de produtos e serviços, quanto na abertura de novos espaços, principalmente às micro e pequenas empresas. Para Barros (1997) uma das saídas para as micro e pequenas empresas discutidas em encontros no Brasil, é a formação de redes, cooperativas e consórcios capazes de permitir a potencialização de recursos, contribuindo assim para o processo de inovação, a busca do conhecimento, do relacionamento, dos sistemas logísticos, de comunicação e principalmente na garantia financeira 2.7 O ESTADO DO PARANÁ E AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. A economia paranaense é a quinta maior do País, segundo o IBGE e o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES, 2010, p. 3) e ainda o Estado responde atualmente por 6,12% do PIB nacional. Se tratando do setor empresarial o Paraná tem buscado destaque conforme dados do IPARDES (2010). O Paraná oferece um inteligente conjunto de incentivos e benefícios fiscais que privilegiam tanto as empresas paranaenses, em especial as micro e pequenas empresas, como também aquelas que vierem a se instalar ou expandir suas atividades no Estado, de origem nacional ou estrangeira. Existem incentivos fiscais para importação de bens de capital e de insumos industriais e mercadorias. Dentre as políticas de incentivo, destaca-se o programa de geração de emprego e renda. Este programa, denominado Bom Emprego, concede dilação de prazo para pagamento de imposto gerado por implantação, reativação ou expansão de indústrias. Pelo programa, o prazo de pagamento de parte do imposto é de 48 meses, e a duração do benefício é de 96 meses (8 anos). As alíquotas são diferenciadas para cada região do Estado. O programa também oferece dilação de prazo para pagamento do imposto sobre a energia elétrica consumida. (IPARDES, 2010, p 6) A situação das micro e pequenas empresas no Estado representam também segundo o IBGE (2010) 98% das empresas formalizadas. É mencionado pelo 35 IPARDES (2009) que as micro e pequenas empresas são responsáveis por 67% da mão de obra empregada no estado. Pensando no crescimento e na sustentabilidade das micro e pequenas empresas, o governo paranaense segundo a Agência de Fomento do Estado do Paraná (2009) criou o Programa Bom Emprego Pequena Empresa (PROBEM): O programa oferece recursos para financiar as empresas de setores industriais e comerciais que necessitam ampliar seus negócios através de aumento da área construída, aquisição de novas máquinas, compra de mobiliário, investimento em inovação de produtos e melhoria de qualidade, entre outros. A linha atende também a capital de giro quando este está associado ao investimento pretendido. Porém o problema identificado, principalmente pelas pesquisas elaboradas por estudantes e prefeituras é o número existente de empresas informais. O programa tem por objetivo auxiliar as empresas, mas para que isso aconteça essas empresas precisam existir formalmente. A informalidade não gera só falta de apoio as empresas vai, além disso, deixa de arrecadar impostos e divisas para os municípios faz com que o trabalho informal tire a oportunidade do trabalhador de ter suas garantias, como amparo legal em situações de doença e acidentes, aposentadoria e estabilidade social. Neste sentido o trabalho precário tanto dos que prestam serviços quanto do pequeno empreendedor retiram a dignidade do cidadão. Como incentivo para a formalização das micro e pequenas empresas, o estado do Paraná conta com o esforço do governo paranaense, pelo Decreto 4.222, do art. 87, inciso V, da Constituição Estadual. Deste modo o estado do Paraná oferece incentivos e benefícios fiscais que privilegiam tanto as empresas paranaenses, em especial as micro e pequenas empresas, como também aquelas que vierem a se instalar ou expandir suas atividades no estado, de origem nacional ou estrangeira. Segundo o IPARDES (2010), existem estímulos fiscais para importação de bens de capital e de insumos industriais. Dentre as políticas de incentivo, destaca-se o programa de geração de emprego e renda. Este programa, denominado “Bom Emprego”, concede dilação de prazo para pagamento de imposto gerado por implantação, reativação ou expansão de indústrias situadas em municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Quanto menor for o IDH do município, maior o percentual de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de 36 Serviços (ICMS) que pode ser dilatado. Pelo programa, o prazo de pagamento de parte do imposto é de 48 meses, e a duração do benefício é de 96 meses (8 anos). O programa também oferece dilação de prazo para pagamento do imposto sobre a energia elétrica consumida. A realidade das micro e pequenas empresas é difícil em todo país principalmente se tratando na busca por créditos, mas o Estado do Paraná tem buscado fazer a diferença apoiando as pequenas empresas, com o objetivo de contribuir na sua sobrevivência, este é o grande diferencial para um trabalho de qualidade e de competitividade. Mesmo enfrentando tantas dificuldades as micro e pequenas empresas continuam empregando uma grande parte da mão de obra existente no Estado. Finalmente, se faz necessário mencionar que há uma grande preocupação em relação ao desempenho destas micro e pequenas empresas, no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico para buscarem cada vez mais competitividade e continuarem a manter a economia no mercado no Estado do Paraná. 37 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Neste item descreve-se como foi organizado o desenvolvimento deste estudo, enfatizando-se sua natureza, a classificação e as etapas seguidas para obtenção dos resultados. A metodologia da pesquisa aparece para suprir essas características, lidando com a subjetividade do pesquisador e buscando legitimar o estudo (VERGARA, 2006). Segundo Larosa (2005), a metodologia consiste em um plano detalhado de como alcançar os objetivos, respondendo as questões e testando as hipóteses que foram formuladas durante o estudo. Metodologia é o método para se seguir o conhecimento verdadeiro, analisando o objetivo real, viabilizando sua comprovação e benefícios sociais, ou seja, o conhecimento é provado por qualquer pessoa em qualquer parte do universo. A ciência cria novos objetos de estudo que não existem no cotidiano (LAROSA, 2005, p.36). Vieira (2004, p. 19) ao abordar o tema, coloca: “A metodologia é uma parte extremamente importante, pois é a partir dela que os tópicos gerais de cientificidade (validade, confiabilidade e aplicação) poderão ser devidamente avaliados”. 3.1 MÉTODOS DE PESQUISA NO PROCESSO DE INVESTIGAÇÃO A ciência é uma forma de conhecimento cujo principal objetivo é encontrar a veracidade dos fatos. Este conhecimento passa a ser distinto dos demais por ter uma característica fundamental: a sua verificabilidade (Gil, 1999). A escolha do método a ser utilizado na elaboração da pesquisa é de extrema importância para a sustentação do estudo (Marconi; Lakatos, 1996). Assim, o método é importante para aplicar a sua verificação. A adoção de um método depende de muitos fatores: “da natureza do objeto que se pretende pesquisar, dos recursos materiais disponíveis, do nível de abrangência do estudo e, sobretudo, da inspiração filosófica do pesquisador” (GIL, 1999, p. 27). Prevaleceu neste estudo o método indutivo, por fornecer bases lógicas à investigação que, segundo Gil e Marconi; Lakatos apud Silva; Menezes, 2001, p. 26), é um método proposto pelos empiristas como Bacon, Hobbes, Locke e Hume. 38 Os autores consideram que o conhecimento é fundamental na experiência, não se levando em conta princípios pré-estabelecidos. Este método, parte do particular e coloca a generalização como um produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares. O presente estudo utilizou o método indutivo, por coletar dados de empresas consideradas particularmente, para chegar a conclusões gerais e definir como as micro e pequenas empresas do município de Pitanga (PR) contribuem para o desenvolvimento da região onde estão inseridas. 3.2 TÉCNICAS DE PESQUISA Técnica é um conjunto de preceitos ou processos de que serve uma ciência ou arte: é a habilidade para usar esses preceitos ou normas, a parte prática. (Marconi; Lakatos, 2009, p. 176). Toda ciência utiliza inúmeras técnicas na obtenção de seus propósitos. Para classificação do tipo de pesquisa utilizada para este estudo foi o proposto por Vergara (2005), quanto os meios e quanto aos fins. Quanto aos meios a pesquisa para este estudo é bibliográfica e documental. A primeira fase do estudo teve inicio com pesquisa bibliográfica, tipo de estudo considerado por Vergara (2005, p. 48) como sendo “O estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao publico em geral.” A pesquisa bibliográfica tem como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, falado ou filmado sobre determinado assunto. A pesquisa bibliográfica representa um levantamento geral em relação ao tema/assunto escolhido. Na verdade, mais que uma técnica entre outras, a pesquisa bibliográfica é uma exigência de qualquer estudo. Não se admite um estudo que não seja apoiado em consulta às bibliografias. Os dados fornecidos pela bibliografia constituem-se em complementares e também são utilizados para a interpretação dos resultados. Há estudos em que os dados bibliográficos são utilizados de maneira exclusiva (GIL, 1996). Outra fonte de dados secundários utilizada é a pesquisa documental, assim entendida por Vergara (2005, p. 48): 39 Investigação documental é a realizada em documentos conservados no interior de órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: registros, anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, balancetes, comunicações, informais, filmes, microfilmes, fotografias, videoteipe, informações em disquetes diários, cartas pessoais e outros. Neste estudo, as pesquisas secundárias proporcionaram a compreensão do tema, como também, às visões de diferentes autores a respeito do mesmo, podendo-se visualizar os pontos fortes e fracos do procedimento, com o intuito de posteriormente, utilizá-los na prática. O levantamento bibliográfico procurou levantar um panorama teórico sobre a importância das micro e pequenas empresas na atual conjuntura econômica, suas características e principalmente como elas podem contribuir para o desenvolvimento da região onde estão inseridas, por meios de matérias já publicados, pesquisa esta que durou até o final do estudo. Quanto aos fins a pesquisa é exploratória e descritiva. A pesquisa exploratória para Gil (1999) na maioria dos casos envolve, levantamento bibliográfico e documental, entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado, análise de exemplos que estimulem a compreensão e estudo de caso. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. A pesquisa descritiva tem como objetivo principal “a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou estabelecimento de relações entre variáveis” (Cervo; Bervian, 2002, p. 66). Uma das suas características mais significantes refere-se à utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados (Cervo; Bervian, 2002). Gil (1999) afirma que este tipo de pesquisa muitas vezes é utilizado e aplicado principalmente nas ciências humanas e sociais, abordando aqueles dados e problemas que merecem ser estudados e cujos registros não constam de documentos. Todo o processo de pesquisa social envolve: “planejamento, coleta de dados, análise e interpretação dos dados e redação do relatório”. Devido ao fato de que as pesquisas sociais envolvem exaustivas tarefas de planejamento, coleta de dados, analise e interpretação dos dados, a comunicação dos resultados “só é possível após decorrido razoável período de tempo a contar de seu inicio” (Gil, 1999, p. 4647). Quando é feito uma pesquisa descritiva tem como descrever com exatidão os fenômenos da realidade estudada. 40 Neste estudo a pesquisa descreve sobre os critérios sociais, políticos e econômicos que caracterizam o desenvolvimento local, que são referenciados em muitos outros estudos. Outra característica que também a classifica como descritiva, está no fato da pesquisa buscar estabelecer uma correlação entre os critérios sociais, políticos e econômicos. 3.3 PLANO OPERACIONAL DA PESQUISA O plano operacional da pesquisa decorreu do modelo teórico proposto na pesquisa, procurando as opções de caminhos que apresentassem uma maior eficácia dos dados a serem obtidos e com o menor custo. Orientou-se por Malhotra (2001, p. 103): No planejamento de uma pesquisa, enfrenta-se uma série contínua de concessões. Como normalmente existem numerosas alternativas que irão funcionar, a meta é achar a que amplie o valor das informações obtidas e reduza o custo de sua obtenção. Segundo Malhotra (2001) as atividades desenvolvidas no plano operacional da pesquisa permite visualizar a sua seqüência, com o objetivo de criar uma seqüência procurando as opções de caminhos que apresentassem uma maior eficácia dos dados a serem obtidos com o menor custo. As atividades desenvolvidas estão descritas no fluxograma da Figura 1, que permite visualizar a sua seqüência. 41 Figura 1- Fluxograma das etapas operacionais da pesquisa Fonte: Adaptado de Malhotra (2001). Inicialmente, para relacionar as organizações Pitanguenses como micro e pequenas empresas, procurou-se alguma fonte de dados ou informações. A primeira a ser pesquisada foi a Associação Comercial e Empresarial de Pitanga – (ACEPI), que possuía somente um cadastro de empresas associadas e não havia um cadastro de todas as micro e pequenas empresas existentes na cidade, por isso precisou ser descartada como fonte de pesquisa para levantamento dos dados necessários. A segunda opção foi a Junta Comercial, por sua natureza, a qual 42 também não possuía um cadastro de organizações que fosse amplo e fosse suficiente para identificar as micro e pequenas empresas do Município. Procuraramse então, os dados na Prefeitura Municipal de Pitanga. De acordo com o setor de expedição de alvarás, não seria possível identificar o porte das empresas, porque esta informação não é exigida na hora de fazer a abertura da empresa, porém a prefeitura teria condição de fornecer o número total de empresas existentes no município no primeiro semestre de 2010. Diante do exposto, optou-se no primeiro momento em trabalhar com o universo da base de dados oficiais existentes na Prefeitura Municipal de Pitanga, que trás o número total de empresas. 3.4 DELIMITAÇÃO DO UNIVERSO DA PESQUISA A decisão de fazer o estudo com base de dados da Prefeitura Municipal de Pitanga parecia ser o melhor caminho, especialmente após os dados conseguidos. O setor de expedição de alvarás da prefeitura forneceu uma lista contendo o número de empresas existentes no município por ramo de atividade. Os totais encontrados por atividade no cadastro da prefeitura são apresentados na Tabela 1. Tabela 1– Total de empresas existente no município de Pitanga no primeiro semestre de 2010. Código Atividade Freqüência % 001 Comércio 365 empresas 35,78% 002 Indústria 50 empresas 4,90% 003 Profissional liberal e afins 166 empresas 16,28% 004 Serviços 439 empresas 43,04% Total 1020 100% Fonte: Base de dados da Prefeitura Municipal de Pitanga (2010). Os dados da Tabela 1 referem-se às organizações que estavam em atividades no primeiro semestre de 2010, entretanto, não houve qualquer condição quanto à data de abertura. Desta forma, podem-se encontrar, neste universo, organizações que há décadas contribuem para o desenvolvimento do Município, bem como empresas que iniciaram suas atividades no ano de 2010. Verificou-se na Tabela 3 que o setor de serviço tem maior número, com 43,04% das empresas existente, sugerindo pesquisas e análises mais detalhada para este setor. Também é possível avaliar a baixa participação da indústria, menos de 5% das empresas. 43 De posse destas informações ainda não era possível ter o universo real a ser pesquisado. Foi preciso então buscar outro caminho para obter os dados desejados, desta forma procurou-se a classificação das empresas junto a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Os dados coletados pela RAIS (2010) definiram o universo da pesquisa, que até então, era desconhecido. Para surpresa o número de empresas qualificadas como micro e pequena empresa é quase o total: 99,4% das empresas localizadas no município de Pitanga estão enquadradas como micro e pequenas empresas pela classificação da RAIS e do SEBRAE que utilizam o número de funcionários para classificá-las. 3.5 PLANO DE AMOSTRAGEM O universo de 99,4% das organizações pitanguense é considerado grande. Houve dificuldade de encontrar os elementos deste universo. Assim, decidiu-se fazer o estudo com uma parte deste universo, ou seja, com uma amostra. Este procedimento é freqüentemente utilizado nas pesquisas sociais e normalmente justificado, quando é impossível ou mesmo quando é difícil, pesquisá-lo em sua totalidade. Malhotra (2001, p. 298) esclarece que: É quase impossível fazer um censo completo da maioria das populações. Uma amostra bem planejada adequadamente é gerenciada com maior eficiência, tem menor potencial para a tendenciosidade (do que um censo defeituoso) e pode proporcionar o nível de informação necessário para preencher a maior parte dos objetivos. Há um momento em que o público-alvo precisa ser identificado, por essa razão, nas pesquisas é muito freqüente trabalhar por amostragem, ou seja, com uma pequena parte dos elementos que compõem o universo Optou-se então, pela amostragem não probabilística ou determinística. Nesta técnica de amostragem, os elementos escolhidos são julgados como típicos da população que se deseja estudar (Barbetta, 1994; Malhotra, 2001; Mattar, 1996). A meta de estar bem representada para atender aos objetivos da pesquisa e a definição do tamanho da amostra também levaram a esta decisão. Mattar (1996) justifica que se os critérios de julgamento na escolha da amostra forem corretos, ela poderá trazer melhores resultados do que outras alternativas. 44 Para determinação do tamanho da amostra, alguns fatores foram considerados. Nem sempre uma fórmula estatística é suficiente para determinar o tamanho adequado. Inúmeros outros fatores concorrem para esta definição do tamanho amostral. Entre eles podem ser citados os fatores psicológicos, objetivos da pesquisa, restrições de tempo e de custo e o plano de análise dos dados (Gil, 1999; Malhotra, 2001; Mattar, 1996). Os parâmetros e cálculos estatísticos de amostra probabilística não se aplicam para este tipo de amostra. Em razão da natureza e das condições expostas, o dimensionamento da amostra exigiu muito rigor e senso prático. O tamanho da amostra foi definido em 10% (dez por cento) das empresas classificadas como micro e pequenas empresas do município de Pitanga. Para a realização do trabalho de campo, foi escolhido o centro do município de Pitanga, que sedia a grande parte das empresas, mas também foi feito uma coleta de dados nos demais bairros para que o universo da pesquisa pudesse contemplar a totalidade do município objeto, desta pesquisa. 3.6 - INSTRUMENTO E PROCEDIMENTOS DA COLETA DE DADOS Na escolha do instrumento para coleta de dados, destacou-se aquele que apresentasse um maior entrosamento das tarefas científicas com as organizacionais e pessoais dos elementos envolvidos (MARCONI; LAKATOS, 1996). Das alternativas existentes em técnicas de pesquisa para coleta de dados escolheu-se o questionário e a entrevista semi-estruturada, pesquisa esta feita junta as micro e pequenas empresas do Município de Pitanga. Segundo Cruz, et al (2007), se o pesquisador executa seu estudo valendo-se de questionários aplicados ao objeto de seu estudo, com a finalidade de coletar dados que lhe permitam responder ao problema, a pesquisa é denominada de campo. O questionário foi o principal instrumento utilizado para a coleta de dados com perguntas, em sua grande maioria fechadas. Há várias vantagens nas perguntas fechadas. Uma delas é a facilidade de comparação entre os pesquisados. A padronização das informações facilita também a transferência dessas informações para a base de dados do computador. Outra vantagem é que a existência de opções de respostas torna a pergunta mais clara ao pesquisador. 45 Por outro lado, as perguntas fechadas podem trazer alguns inconvenientes, tais como limitar as opções de respostas, não dando chance ao pesquisador de expor a sua realidade especifica. Essa desvantagem foi resolvida com o uso da opção “Outra, Qual e Mencione?” que aparece em algumas perguntas, dando aos pesquisados a oportunidade de responder de forma mais abrangente. Outro fator importante que foi levado em consideração na hora de se elaborar as questões foi o fator tempo com a relação à extensão do questionário. Os autores Rea; Parker (2000) alertam que, quanto mais extenso for o questionário, maiores serão os custos variáveis associados à sua implementação, tais como: tempo de entrevista, processamento de dados e custos de produção e distribuição. Outro aspecto levantado pelos autores é que os questionários longos tendem a provocar menores índices de resposta. O questionário esta estruturado em três partes com 25 (vinte cinco) perguntas entre abertas e fechadas com o objetivo de atingir os objetivos proposto pelo estudo. A seguir, estão as seções com uma breve descrição: - A 1ª parte: busca a identificação do negocio; - A 2ª parte: refere-se ao perfil dos empreendimentos e dos dirigentes das empresas em destaque; - A 3ª parte: considerações sobre o papel das empresas no desenvolvimento local. Após a elaboração do questionário seguiu-se a aplicação do “pré-teste” realizado exclusivamente pelo autor. Aplicou-se 10 questionários. Com a avaliação do “feedback”, realizou-se alguns pequenos ajustes no questionário, que deixo as questões mais claras e precisas para a coleta de dados. Depois do “pré-teste”, o questionário mostrou-se confiável e capaz de responder aos objetivos do estudo, sendo assim foi possível iniciar a coleta de dados. Ela foi aplicada pelo autor deste projeto e por um auxiliar contratado, com experiência em pesquisa. Desde o início, até o final da coleta de dados, o autor deste trabalho esteve ao lado do referido profissional, para supervisionar e também entrevistar os empresários/dirigentes com o objetivo de obter o maior número de informações possíveis para contemplar os objetivos deste estudo. Já a entrevista, para Szymanki (2004), possibilita o estudo de significados, pois permite a emissão de opiniões sobre fatos, sentimentos, planos de ação e condutas. Produzem dados de natureza concreta sobre fatos verificáveis na 46 realidade e também trata da subjetividade, visto que lida com atitudes e valores perante os fatos. A entrevista estruturada traz perguntas elaboradas, com antecedência, pelo pesquisador, sobre os fatos em estudo, ganhando assim tempo e facilitando a tabulação dos dados. As entrevistas tiveram como objetivo identificar a percepção dos empresários/dirigentes das empresas acerca da importância das micro e pequenas empresas para o município de Pitanga bem como o quanto elas contribuem para o desenvolvimento local. O cronograma inicialmente calculado para 30 dias estendeu-se por 60 dias. O questionário demonstrou se razoavelmente longo, entretanto verificou-se que mais de 95% (noventa e cinco por cento) deles foram prestativos e tiveram boa vontade de responder o questionário até o final. A tabulação e, sobretudo a análise dos resultados obtidos são abordados no próximo capítulo. 3.7 TRATAMENTOS DOS DADOS Para a análise do material coletado e produzido, usou-se a técnica de pesquisa qualitativa. Essa abordagem preocupa-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado. A pesquisa desenvolvida foi qualitativa devido às razões como: custo, rápida execução, flexibilidade e vínculo direto com a população alvo. Somando-se a isto, as informações recolhidas são interpretadas o que pode originar a busca por novos dados ou até proceder a uma pesquisa quantitativa futura. Para Godoy (1995, p. 21), ao referir-se sobre a abordagem qualitativa, coloca que “(...) o pesquisador vai a campo buscando “captar” o fenômeno em estudo a partir das perspectivas das pessoas nele envolvidas, considerando todos os pontos de vista relevantes”. Vale ressaltar, que por ser uma situação onde se conhece relativamente pouco sobre o universo a ser estudado, Barbetta (1994) nesses casos, sugere a realização de uma pesquisa qualitativa que seja aplicada em um pequeno número de elementos e que nem sempre precisa utilizar métodos estatísticos para a análise dos resultados. 47 O autor ressalta também a importância da utilização da abordagem qualitativa na análise de processos sociais, pois oferece descrições ricas, possibilitando o conhecimento aprofundado sobre um fenômeno sem separá-lo de seu contexto, além de permitir maior flexibilidade ao pesquisador na adequação do referencial teórico ao fenômeno em estudo. Como a intenção é avaliar a importância das micro e pequenas empresas e a sua contribuição para o desenvolvimento local o questionário utilizado junto aos empresários/dirigentes tinha basicamente duas funções: coletar informações sistematizadas relativas aos aspectos econômicos, sociais e culturais das empresas e, segundo e mais relevante, servir como um instrumento de avaliação. O modelo de entrevista semi-estruturado, que também norteou a nossa análise, foi concebido para subsidiar uma análise de cunho qualitativo. As análises permitiram estabelecer um cruzamento de todas as informações coletadas e produzidas, apresentadas de forma descritiva e ilustradas por meio de gráficos. A pesquisa permitiu também identificar e analisar diversos aspectos da empresas, bem como identificar pontos socioeconômicos comum entre elas e muito outros fatores até então desconhecido. No capítulo seguinte encontra-se a apresentação dos dados coletados e uma análise da importância das micro e pequenas empresas no Município de Pitanga e também sua contribuição para o desenvolvimento local. 48 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO DA PESQUISA Os itens anteriores abordaram a discussão sobre o tema, os objetivos, o modelo e a metodologia da pesquisa que orientaram o desenvolvimento para a análise dos dados. Este item trata da análise dos dados coletados e tem por objetivo explorar em maior profundidade, bem como identificar possíveis interrelações entre as variáveis analisadas. Cabe ressaltar que como a pesquisa não possui rigor estatístico, não intenciona afirmar que, a realidade encontrada ilustra a situação das micro e pequenas empresas dos ramos pesquisado, e sim, procura demonstrar uma tendência de comportamento destas. O Gráfico 1 apresenta os primeiros dados como a distribuição das empresas por ramo de atividade, abordadas no presente estudo, no Município de Pitanga. Gráfico 1 - Ramo de atividades das empresas Fonte: Marolli (2011). Constatou-se que entre as empresas pesquisadas em Pitanga, o ramo do comércio teve um maior destaque, com 83% (oitenta e três por cento) das empresas e, posteriormente, o de serviços 15% (quinze por cento) das empresas, situação inversa à observada na Tabela 3 no início do ano de 2010. Quando se compara os percentuais dos ramos de atividade do universo da pesquisa e da amostra observa- 49 se que estes não são proporcionais. No serviço, chegou-se a uma diferença de 28,04% pró universo da pesquisa, mas no comercio, percebeu-se que o universo superou a amostra em 47,22%, diferença esta considerável O panorama indica a possibilidade de crescimento empresarial nos demais ramos, como na indústria. A baixa participação do ramo “indústria” demonstrada no universo da pesquisa também se manifesta na amostra e pode ser explicada pelo perfil econômico do município. Por muito tempo, a atividade econômica do Município de Pitanga esteve orientada para a agricultura e a agropecuária, o que impulsionou o setor de comércio e serviços, sendo que a indústria ficou em segundo plano. A indústria permite que sejam agregados valores aos produtos na região em que são produzidos, portanto, um dos ramos mais importantes para o desenvolvimento regional. É importante destacar que na região o Agronegócio tem grande representação na economia. Há que se incentivar a agroindustrialização em atividades comuns da região como a bacia leiteira e a Suinocultura. Na região também merecem destaque as produção de grãos. A seguir são apresentadas informações sobre a época de criação das empresas abordadas no estudo. Gráfico 2 - Época de criação das empresas Fonte: Marolli (2011). Conforme observado no Gráfico 2 houve uma tendência de aumento do número de novas empresas nos últimos 10 anos. Com o passar dos anos um maior número de empresas foi sendo criada num menor espaço de tempo. Esta realidade 50 é mais marcante a partir de 1998 e, em especial, nos anos de 2009 e 2010, momento em que foram criadas 10 e 18 empresas, respectivamente. O surgimento de empresas se deve ao aumento do apoio à abertura de empresas e maior acesso a créditos. Neste contexto o SEBRAE tem desenvolvido um importante trabalho no sentido de incentivar e orientar a abertura de novas empresas no Brasil. De acordo com as informações apresentadas (Gráfico 2) observa-se que o surgimento das empresas acontece a partir da década de 1980. Segundo Viapiana (2001) um momento de destaque para a micro e mpresa no Brasil aconteceu em novembro de 1984, quando o presidente da república decretou e sancionou o Estatuto da Micro e mpresa (lei 7 256). Esse foi o período da história do Brasil no qual a micro e pequena empresa foi reconhecida por lei recebendo maior atenção por parte dos órgãos governamentais. A seguir (Tabela 3) observa-se o número de funcionários familiares de acordo com a atividade desenvolvida pelas empresas. Tabela 2 – Funcionários familiares de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa Atividade 0 Familiares 1 a 3 Familiares 4 a 10 Familiares 21 Empresas 48 Empresas Comércio 16 Empresas 05 Empresas Indústria 10 Empresas 01 Empresas Profissionais liberais e afins 01 Empresas Serviços Total 26 Empresas 60 Empresas 16 Empresas Fonte: Marolli (2011). De um modo geral observa-se que as empresas do Município de Pitanga, contratam membros do grupo familiar para desempenhar funções dentro da empresa. Esta é uma característica das empresas de pequeno porte, que já advém de longa data e apresenta grande participação e importância frente ao quadro empresarial. Nesse sentido, quando se consulta a literatura, percebe-se, por exemplo, de acordo com Lethbridge (2007), que em nível mundial, empresas controladas e administradas por familiares são responsáveis por mais da metade dos empregos e, dependendo do país, geram de metade a dois terços do PIB. Dentre as coisas que os seres humanos consideram importantes podem-se destacar a convivência com sua família e o desempenho de suas atividades dentro da empresa. A empresa familiar tem a interessante possibilidade de agrupar essas 51 duas necessidades, tornando o trabalho mais harmonioso e produtivo e quem ganha com esta junção é a empresa. Não se pode deixar de destacar que empresa familiar também tem algumas desvantagens e enfrenta muitos desafios, que se não adequadamente enfrentados podem vir a destruir a organização. Os problemas são os mais diversos e o nível de complexidade varia de acordo com o porte da empresa e as características da estrutura familiar. Talvez um dos problemas mais comum enfrentado nas empresas familiares seja a centralização das tomadas de decisões. Ainda avaliando as características das micro e pequenas empresas de Pitanga, na análise sobre terceirização de serviços (Gráfico 3) observa-se que na “Situação Geral das Empresas” que 79,41% das empresas não terceiriza serviços. Gráfico 3 - Terceirização de serviços conforme o ramo de atividade Fonte: Marolli (2011). O resultado obtido no Gráfico 3 já era esperado, 79,41% das MPE’s conseguem executar seus serviços dentro da própria empresa. Dentre os serviços terceirizados pelas empresas de Pitanga predominam “serviços especializados” e “frete” (Gráfico 4). Os serviços especializados são contratados muitas vezes pelas empresas de pequeno porte em razão do custo, sendo inviável desenvolver este tipo de serviço pela própria empresa. 52 Gráfico 4 - Serviços terceirizados pelas empresas Fonte: Marolli (2011). Sabe-se que a terceirização apresenta vantagens e desvantagens para a empresa e devem ser levadas em consideração e analisadas. Por um lado alguns empregadores preferem manter seus funcionários para desempenhar os serviços e consideram que se o serviço quando é executado dentro da própria empresa é mais fácil garantir sua qualidade. Por outro lado, trabalhar com empresas terceirizadas para executar serviços acaba sendo mais vantajoso financeiramente que manter funcionários por tempo indeterminado. Borges e Druck (1993, p. 28) complementam afirmando que: A terceirização "à brasileira" reduz, não apenas, o emprego no conjunto da economia, mas também leva à eliminação exatamente de postos de trabalho melhor remunerados (salários e benefícios) nas grandes empresas e à sua substituição por empregos menos importantes ou de pior qualidade, nas terceiras. Ainda abordando a questão de terceirização Borges e Druck (1993), afirmam que a divisão de competências tende a ser desigual entre as empresas originando relações assimétricas entre elas. Mencionam o fato de que grandes empresas optam por concentrar aquelas atividades principais, de maior valor agregado, e deslocam atividades rotineiras para regiões que apresentam mão-de-obra barata. De um modo geral, quanto maior o porte de uma empresa, maior o desafio que ela enfrenta no que se refere à gestão de seus trabalhadores. Muitas vezes ocorre na prática os 53 chamados “tempos mortos”, ou seja, o mau aproveitamento do tempo de seus trabalhadores. Nas empresas que executam serviços terceirizados, ou também chamadas de “terceiras”, o aproveitamento do tempo de trabalho é melhor. Sobre a caracterização dos dirigentes das empresas, o primeiro requisito abordado foi o grau de escolaridade dos dirigentes da empresa. Gráfico 05 - Grau de escolaridade do dirigente conforme o ramo de atividade da empresa Fonte: Marolli (2011). Observa-se na “situação geral das empresas” (gráfico 05) o nível de escolaridades dos dirigentes. Um fato que chama atenção é que entre os respondentes 30% tem o segundo grau completo e quase o mesmo percentual 29% tem nível superior. Apesar dos resultados mencionados parecerem satisfatórios, é importante considerar que se tratando de dirigentes de empresas, portanto, esperase o melhor nível de escolaridade possível. No Gráfico 05 observa-se que há também dirigentes com o 2º grau incompleto (9%) o que é um número relativamente importante para as empresas. Estas informações somente reforçam a desconfiança de que o grau de instrução talvez possa influenciar na mortalidade de empresa. Com níveis de escolaridade mais baixos, muitas vezes as pessoas desconhecem o quanto esta ferramenta é importante para abertura de uma empresa. Mesmo desconhecendo o que é um plano de negócios, muitos empresários não procuram auxílio profissional para a abertura de empresa como, por exemplo, o SEBRAE. A não realização de um 54 plano de negócios muitas vezes resulta no fracasso empresarial. Em pesquisa realizada por Pereira; Araújo; Wolf (2011) observou-se que dos empresários que tinham apenas o ensino médio, a grande maioria (79%) não adotou um plano de negócios. Ainda de acordo com a mesma pesquisa um número considerável dos entrevistados com curso superior (43%) utilizou um plano de negócios. Para os autores a educação formal pode contribuir para o sucesso dos negócios, não só por ampliar novas propostas, inventar novos produtos ou processos, mas também por ampliar a capacidade de aproveitar oportunidades e gerar conhecimentos para então transformá-los em bens sociais. O Gráfico 6 evidencia o perfil dos dirigentes da empresa por faixa etária, por ramo de serviço. Gráfico 06 - Idade do principal dirigente da empresa Fonte: Marolli (2011). A idade do dirigente isoladamente não é um aspecto que define o sucesso ou fracasso empresarial. Uma conclusão desta natureza só é possível quando a idade é associada à falta de capacitação para a atividade desenvolvida na empresa. Dos entrevistados 76% dos dirigentes estão em faixa etária superior a 31 anos. Desta faixa, 14% possuem acima de 50 anos, enquanto que 33% possuem entre 41 e 50 anos e, completando, 29% possuem entre 31 e 40 anos. Porém a idade mais avançada do dirigente associada a um baixo nível de escolaridade não é o desejável para a empresa. A educação formal pode contribuir para o sucesso dos negócios, 55 não só por ampliar novas propostas, inventar novos produtos ou processos, mas também por ampliar a capacidade de aproveitar oportunidades e gerar conhecimentos para então transformá-los em bens sociais. Por outro lado, a maior faixa etária do dirigente pode indicar maior tempo de experiência e preparo por meio de treinamentos e de avanço de escolaridade. A faixa etária compreendida entre 21 e 30 anos apresentou 24% de freqüência e aquela até 20 anos não apresentou resultado. De fato, alguns estudos mostram que idade não é barreira, e que apesar dos empreendedores de sucesso terem em média 35 anos, existe diversos casos de empreendedores situados em outras faixas etárias (Timmons, 1994). Portanto, em outras palavras o sucesso empresarial tende a ser maior quanto mais tempo o dirigente tem para se preparar. Gráfico 07 – Tempo de trabalho do dirigente por ramo de atividade da empresa Marolli (2011). Fonte: Dos entrevistados das empresas do ramo de serviços predominam dirigentes com 6 a 10 anos de tempo de trabalho na empresa (40% das empresas). Já nas empresas do ramo do comércio predominam dirigentes com 1 a 5 anos e com mais de 15 anos de trabalho. Ao somar-se as duas faixas etárias, encontra-se 60% dos entrevistados. Este percentual evidenciou a maior participação de dirigentes com mais experiência na empresa. De um modo geral observa-se que o tempo de trabalho dos dirigentes (Gráfico 07) mantém certa relação com a época de abertura das empresas (Gráfico 02), ou seja, de um modo geral, os dirigentes acompanham a empresa desde a 56 época de sua criação. Este fato é positivo, pois a rotatividade de dirigentes pode refletir instabilidade na empresa. Segundo Ferreira e Freire (2001), os custos da rotatividade de pessoal podem ser significativos; abranger desde a queda da produtividade até a perda da historicidade da instituição, que parece também demitida com os veteranos que partem. Além do tempo de trabalho na empresa, um aspecto importante que resulta no bom trabalho na empresa é a atividade e experiência anterior do dirigente. Se o dirigente já tinha experiência na mesma atividade e no mesmo ramo há probabilidade em se obter maior sucesso, pois na maioria dos casos há um aprendizado com erros e acertos do passado. Gráfico 8 - Atividade exercida pelo dirigente antes de trabalhar na empresa Fonte: Marolli (2011). Dos dirigentes entrevistados 33%, independentemente do ramo da empresa (ver situação geral das empresas) trabalhavam anteriormente como funcionário de empresa privada antes de montar seu próprio negócio, sendo que 26% trabalhavam como autônomo. Já os proprietários de outras empresas que juntamente com os funcionários públicos, aposentados e estudantes formam um conjunto de 41%. Estes resultados demonstram equilíbrio de proporção entre os ex-empregados/funcionários e os demais, levando a desconsiderar uma relação mais profunda entre o vínculo de trabalho anterior do dirigente e o tempo de atividade das empresas. 57 Gráfico 9 – Experiência do dirigente antes da implantação da empresa Fonte: Marolli (2011). Quanto à experiência anterior do dirigente, observa-se (Gráfico 9) que 39% dos dirigentes mencionaram ter boa experiência no ramo de trabalho da empresa . A experiência no setor privado dá ao profissional importante preparo quando este deseja abrir uma empresa ou ao menos trabalhar em cargos superiores numa organização. Por outro lado, a falta de experiência anterior neste caso 24% das empresas pesquisadas pode, em muitos casos, levar ao fracasso da empresa. Pereira e Santos (1995), contudo, consideram dois aspectos que levam os empreendimentos ao fracasso: falta de experiência empresarial anterior. Este talvez seja o mais importante, pois dele decorrerão diversas outras falhas. E falta de competência gerencial; este motivo é, juntamente com o anterior, a explicação da maioria do fracasso empresarial. No processo de abertura das empresas, os empresários recorreram mais ao capital próprio do que ao capital de terceiros (gráfico 10). Dos empresários que iniciaram as atividades do negócio com 100% de capital próprio estes representam 50%. Ainda 40% iniciou sua atividade com o mínimo de 50% de capital próprio ou maior parte. Esta realidade é desejável uma vez que o empresário “se livra” dos juros de um empréstimo, assim, o retorno do investimento é mais rápido comparando-se a um eventual empréstimo Por outro lado, créditos bem aplicados, dão ótimos resultados e devem ser utilizados pelas empresas. Muitas vezes, a reduzida capacidade financeira dos dirigentes das empresas de micro e pequeno porte apresentam-se como fator limitante ao equilíbrio e ao 58 crescimento, sendo muitas vezes responsável pela falência das empresas. Por outro lado há empresas que aplicam seu crédito inadequadamente em razão da falta de conhecimento. Em se tratando de fracasso ou sucesso empresarial, o planejamento que precede a abertura da empresa é fator determinante. Gráfico 10 - Origem de capital para iniciar a empresa Fonte: Marolli (2011). O Gráfico 11 evidência se as empresas pesquisadas realizaram estudos prévios antes de iniciar as atividades. Informações apresentadas retratam um quadro crítico em comparação ao que é observado em empresas bem sucedidas. 71% das empresas independente do ramo de atividade não realizaram pesquisa de mercado. Para Kotler (1995) o estudo que viabiliza o entendimento das oportunidades de mercado é a análise de mercado, que determina, além das situações favoráveis o potencial de tamanho de mercado e as influências externas que afetam positivamente ou negativamente uma empresa. É necessário que, ao se estudar o mercado, o empreendedor obtenha respostas relacionadas aos objetivos (missão) do empreendimento, tamanho do mercado, pontos fortes e fracos, recursos disponíveis, oportunidades e ameaças e estratégias dos concorrentes. Já se tratando de estudos sobre viabilidade econômica, técnica e estudos ambientais ou de responsabilidade social, o ramo de indústria teve uma situação diferente dos demais setores, se destacou pela utilização destes recursos para dar inicio às atividades. 59 Gráfico 11 - Estudos prévios para implantar a empresa por ramo de atividade Fonte: Marolli (2011). Obs: S: realizam estudos prévios; N: não realizam estudos prévios Diante de tal quadro, a que conclusão pode-se chegar? Que estudos são necessários? Que as empresas em questão poderiam ter se desenvolvido mais rapidamente se tivessem realizados estudos prévios? Estudos prévios são necessários independentemente do porte e do ramo empresarial. Na maioria das vezes, o sucesso da empresa no curto, médio e longo prazo. É importante considerar que quanto maior a concorrência, maior a exigência do consumidor, mais evidentes são os “prejuízos” da não realização de estudos prévios. No meio empresarial os estudos prévios à abertura de empresas é chamado de “Plano de Negócios”. Num plano de negócios são focados todos os aspectos necessários à abertura de uma empresa, como um documento para auxiliar o empreendedor na validação de seu empreendimento (Dornelas, 2001). Para Peters (2004, p. 210), “O plano de negocio é um documento preparado pelo empreendedor em que são descritos todos os elementos externos e internos relevantes envolvidos no inicio de um novo empreendimento”. Em estudo desenvolvido por Pereira et al (2011) ao serem questionados se tinham ou não um plano de negócios para iniciar e manter o empreendimento, 72% dos entrevistados afirmou não ter adotado nenhum tipo de plano formal. Outro aspecto que chama a atenção no estudo realizado pelos autores é que considerando 60 apenas aqueles empresários que tinham curso superior, o percentual de quem não adotou o plano de negócios é menor (51%). Isso mostrou para aquele universo de pesquisa que quem tem curso superior percebe com mais clareza a importância de se ter um planejamento antes da abertura de uma empresa. Portanto, percebe-se que há um paradigma a ser “quebrado” que traz a idéia de que estudos prévios na abertura de empresas são “exageros” desnecessários. Um aspecto que também interfere no sucesso da empresa é o motivo de sua abertura. (Gráfico 12). Gráfico 12 - Motivo da abertura da empresa Fonte: Marolli (2011). Observa-se que as maiores motivações para a abertura das empresas independentemente do ramo de atividade são: em primeiro lugar (39%), “Conhecimento no ramo de atividade” e, em segundo lugar (31%), “Oportunidade de negócio”. Este panorama é positivo e, de certa forma, contribui para o sucesso das empresas no mercado. No entanto, um fato que chama atenção é que “Oportunidade de Negócio” deveria ser a mais citada, pois ela define a demanda por produtos ou serviços em qualquer região. Nenhuma motivação faz sentido se não houver a demanda por produtos ou serviços, ou seja, uma oportunidade de negócio bem definida. Para Dolabela (1999), ao pensar em se abrir uma empresa, mesmo sendo de pequeno porte, é preciso elaborar um plano de negócio, a fim de verificar sua viabilidade. Nesse plano, serão definidos o negócio, sua identidade e suas 61 atribuições, os objetivos, quais informam a finalidade da criação do negócio, e serão estabelecidas, também, as prioridades estratégicas em relação aos consumidores, concorrentes e fornecedores. Ou seja, é importante antes de abrir uma empresa fazer um plano de negócio, não sendo aconselhável abrir uma empresa pelo simples fato de se ter experiência ou vontade de ter um negócio próprio. É preciso planejamento antes de tudo. A realidade em que se vive está mudando constantemente. Portanto, se não houver planejamento de todas as atitudes a serem tomadas, pode ser que muitas delas não tenham sucesso. Daí, a importância da elaboração do plano de negócio para a empresa. A gestão eficiente de uma empresa deve começar na abertura oficial do empreendimento. Assim, se a empresa começa a funcionar tendo como base um planejamento administrativo sólido, bem elaborado, será mais provável que seu desenvolvimento seja saudável e sem maiores problemas no futuro (RESNIK ,1990). A fase inicial de uma empresa é uma das mais importantes, pois pode definir a sua permanência ou não no mercado. Assim, o apoio recebido nesta fase é de extrema importância. Gráfico 13 – Apoio obtido para a abertura do negócio Fonte: Marolli (2011). Observa-se que independentemente do ramo de atividade da empresa, a maior motivação que o empresário teve para abrir a empresa foi o apoio “somente da família”. É importante ressaltar que, apesar do apoio da família ser fundamental, muitas vezes não é o suficiente ou o mais necessário para o empresário. Os apoios 62 governamentais ou bancários são de extrema importância tendo em vista que uma grande limitação aos empresários é o acesso a crédito como, por exemplo, ao financiamento do capital de giro para investimento na empresa, tanto na fase inicial quanto nas fases posteriores. A realidade observada nas empresas da região não é positiva, pois se tivesse havido esse apoio, qual seria o resultado ou efeito? O desenvolvimento das empresas teria sido mais rápido? Mais empresas teriam surgido na região? São questionamentos que devem ser pensados, sobre os quais a presente pesquisa não conseguiu produzir evidências. Novos estudos, portanto, são necessários. Muitas vezes a falta de capital é um dos motivos para o encerramento das atividades da empresa, na gestão financeira, quando não há dinheiro no momento adequado, a empresa está fora de seus negócios. Após a fase inicial onde se estabilizam as atividades da empresa no mercado, é importante manter o crescimento, assegurando um adequado posicionamento de mercado. Nesse contexto há aspectos que contribuem dentro e fora da empresa. A seguir os gráficos de nº 14 a 18 apresentam a opinião dos empresários quanto aos aspectos internos e externos que contribuem para a sobrevivência da empresa no mercado de acordo com o ramo de atividade. Para se ter uma avaliação mais detalhada dos fatores que contribuem para a sobrevivência foi preciso separar as empresas por área de atuação, aspecto este de grande relevância, já que na maioria dos estudos realizados sobre micro e pequenas empresas são sobre os fatores que causam fechamento delas. O ramo de serviços (Gráfico 14) observa-se que o aspecto que mais contribuiu para a sobrevivência das empresas foi “O fato de que os membros da direção e funcionários têm bons relacionamentos com os clientes” teve destaque sendo considerado pelos empresários como um aspecto significante e muito significativo. Isso traduz o bom atendimento ao cliente, que é uma prioridade para qualquer empresa de sucesso no mercado atual. Um dado que chamou atenção foi em relação ao “fato das empresas serem administradas por pessoas com alta formação técnica e profissional” obteve-se um empate e foi considerado um aspecto pouco significante e ao mesmo tempo muito significante, podendo assim ser considerado um ponto a ser estudo em novos trabalhos. Já os demais aspectos foram considerados pelos empresários “insignificantes” para a sobrevivência da empresa. 63 Gráfico 14 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa – Ramo de serviços Fonte: Marolli (2011). Para as empresas do ramo industrial (Gráfico 15) o aspecto mais importante e considerado como “muito significativo” também foi “direção e funcionários tem bons relacionamentos com os clientes”. Já o aspecto “atuam na empresa mais membros da família trabalhando sem remuneração fixa” foi considerado “significativo”. Percebe-se que ter funcionários da família trabalhando sem remuneração fixa é mais viável para os empresários, pois assim, a empresa pode adequar o pagamento pelos serviços de acordo com a receita mensal da empresa. Por outro lado as empresas mencionaram que quando a situação financeira é favorável, também é favorável para o funcionário familiar. Os demais aspectos são considerados insignificantes para os empresários. Gráfico 15 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa – Ramo de indústrias Fonte: Marolli (2011). 64 Da mesma forma que para os ramos empresariais já mencionados, 56% das empresas do ramo do Comércio também apontou o aspecto direção e funcionários tem bons relacionamentos com os clientes como muito significante. Situação semelhante também foi observada no Gráfico 17. Gráfico 16 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa – Ramo do comércio Fonte: Marolli (2011). Um dado importante a ser destacado no ramo do comercio é que o aspecto os administradores da empresa e os funcionários possuem alta formação técnica e profissional foi considerado 27% empresas deste ramo como significante. Este quadro retrata a preocupação das empresas deste ramo em relação à formação técnica e profissional do quadro de funcionário da empresa. Este tipo de preocupação pode contribuir para o desenvolvimento e manutenção da empresa no ramo de atuação. Para os ramos dos profissionais liberais foram considerados significantes os aspectos “direção e funcionários têm bons relacionamentos com os clientes”, “os funcionários da empresa possuem alta formação técnica e profissional”, “no local ou região há poucas ou não há empresas que concorrem no setor”. Os demais aspectos foram considerados insignificantes. 65 Gráfico 17 - Aspectos que contribuem atualmente para a empresa – Ramo de profissionais liberais Fonte: Marolli (2011) sobrevivência da De um modo geral, independentemente do ramo, o atendimento ao cliente por parte da direção e dos funcionários da empresa, é fator que mais tem importância para a sobrevivência no mercado (Gráfico 18). Este quadro mostra a dimensão que o atendimento ao cliente tem para o sucesso das empresas no Município. Por outro lado, se este aspecto é observado com destaque pela maioria das empresas, estas devem se preocupar-se, também, com outros diferenciais, já que o mercado é garantido para aqueles que fazem diferente, para agradar ao cliente/consumidor. Gráfico 18 - Aspectos que contribuem atualmente para a sobrevivência da empresa – Situação geral das empresas Fonte: Marolli (2011). 66 Na seqüência (Gráfico 19) são apresentadas informações quanto aos problemas mais freqüentes observados nas empresas para o ramo de serviços. Nota-se que os problemas com administração do fluxo de caixa são os mais citados como “significantes”. Os problemas “custos elevados” e “dificuldade de aperfeiçoar produtos e serviços de acordo com a necessidade dos clientes” foram os segundos mais citados como “significantes”. A administração do fluxo de caixa é uma ferramenta da gestão que é causa de sucesso ou fracasso empresarial. A má administração do fluxo de caixa pode resultar em gastos maiores que as despesas no médio e logo prazos. Por um lado muitas empresas acabam comprometendo seu capital de giro com gastos indevidos ou empregam indevidamente esse capital gerando retornos menores do que o esperado/possível. Para Antonik (2004, p. 4), a sustentabilidade econômica e financeira é elemento essencial para o sucesso da organização. O desenvolvimento sustentável de uma pequena e média empresa requer a definição de uma política realista, focada nas condições do mercado. O fluxo de caixa é uma ferramenta para o gerenciamento financeiro, a fim de tornarem mais sólidas as decisões a serem tomadas e são importantes para o planejamento do fluxo de caixa nas MPE’s. É a forma mais eficaz de ver as movimentações financeiras e saber como anda a situação financeira da empresa, podendo por meio destas informações salvar e empresa da falência. Gráfico 19 – Problemas mais freqüentes observados na empresa – Ramo de serviço Fonte: Marolli (2011). 67 Antonik (2004, p.41) afirma ainda que, O fluxo de caixa, que retrata o movimento real do caixa no mês, é necessário para complementar a análise financeira da empresa (entradas e saídas de dinheiro). Ele deve ser planejado para no mínimo seis meses, evitando assim sobressaltos durante a gestão empresarial ou necessidade de ajuste de caixa por meio de empréstimos a bancos, os quais, se realizados às pressas, acabam tornando-se dispendiosos para a empresa. Para o pequeno ou médio empresário, é essencial desenvolver essa atividade. Esses dados financeiros podem ser organizados e controlados por meio de uma simples planilha de Excel. Diferente do que foi observado nas empresas do ramo de serviços, os “custos elevados” foram apontados em iguais proporções pelas empresas do ramo do comércio como sendo “significantes” e “muito significantes” (Gráfico 20). Este fato faz sentido uma vez que no ramo do comércio a dimensão da receita depende em parte dos custos dos produtos principalmente quando estes são revendidos na região. Em se tratando de produção própria os custos tentem a serem menores, resultando em maiores receitas para a empresa. O fato das empresas estarem localizada distante dos grandes centros é um fator critico que condiciona os custos de produção e distribuição. Segundo estudos realizados os custos com operações de transporte normalmente atingem os 25% do preço de venda do produto, o que significa que 1/4 das receitas das empresas são utilizadas para cobrir os gastos com a entrada de matéria prima e a distribuição de produto acabado. Além disso, os custos das matérias-primas e as tarifas de impostos locais podem oscilar conforme o local em que a empresa se instala (BALLOU, 2006). Diante desta realidade as empresas de Pitanga precisam encontrar uma alternativa para minimizar os custos, só assim serão capazes de aumentar a competitividade, seja pelo aumento da eficiência na operação da cadeia logística, rapidez no atendimento, redução de custos de transporte ou de impostos, entre outros além de possibilitar novos mercados e novos negócios. É importante destacar que a grande maioria das empresas considerou os demais problemas como sendo “insignificantes”. Tal realidade pode ser vista como positiva, uma vez que diversos problemas tidos como importantes para muitas empresas não são significantes para as empresas de Pitanga. No momento há que se voltar esforços para a minimização de custos, investindo-se, por exemplo, em pesquisas de preços de mercado na compra de produtos para revenda e busca de produtos alternativos com preços mais competitivos. 68 Gráfico 20 – Problemas mais freqüentes observados na empresa – Ramo do comércio Fonte: Marolli (2011). Para os profissionais liberais e o setor de indústria todos os problemas mencionados no Gráfico foram considerados como “insignificantes”. A seguir (Gráficos 21 e 22) são apresentadas as informações referentes aos principais desafios à sustentabilidade das empresas do ramo de serviços e comércio. Independentemente do ramo observou-se que a maioria das empresas considerou os desafios apresentados como “insignificantes”. Para os dois ramos de atividade a “concorrência exercida pelas empresas locais e de maior porte da região e de outros locais foram citadas por um numero maior de empresas como sendo “significante”. Atualmente ser competitivo é fundamental para as organizações sobreviverem no mundo globalizado. Para Ferraz (1997, p. 03) “(...) a competitividade é a capacidade da empresa em formular e implementar estratégias de concorrências, que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado”. Para Porter (1990), a vantagem competitiva surge do valor que a empresa consegue criar para seus clientes e que este valor ultrapasse o custo de fabricação. Existem dois tipos básicos de vantagem competitiva, a liderança de custo e a diferenciação. 69 Possuir uma visão de futuro se torna fundamental para as empresas serem competitivas, principalmente para as empresas de pequeno porte. Não basta apenas ser competitivo no presente, é necessário olhar para o futuro e estar preparado para as novas oportunidades, ter em mente um planejamento de curto e longo prazo faz parte deste processo. As empresas do município de Pitanga, ainda não estão preparadas para competir com a concorrência existente, lembrando que nos tempos atuais a concorrência vem de onde menos se espera. Alguns anos atrás a coerência era as empresas vizinhas que muitas vezes só atuavam no mesmo segmento, já hoje com a tecnologia, as trocas de informações e os processos avançados de entrega, uma empresa do outro lado do mundo por ser nossa concorrente direta. Um exemplo deste processo é a internet, com o que muitas empresas vendem hoje para o mundo todo através de site, ou seja, concorrência em que algumas décadas atrás era praticamente local passa a ser global. Segundo Casarotto (1998), com a globalização cada vez mais acentuada os riscos para as pequenas e médias empresas estão aumentando rapidamente. Gráfico 21 – Principais desafios à sustentabilidade da empresa – Ramo de serviços Fonte: Marolli (2011). 70 No cenário globalizado em que vivemos ser competitivo é fundamental para as empresas manterem-se e evoluírem nos mercados onde estão inseridas ou que pretende conquistar. A todo o momento empresas de grande porte fazem fusões e alianças com a finalidade de tornarem-se mais competitivas. Estas soluções buscadas pelas empresas de maior porte, também precisa ser buscada pelas empresas de pequeno porte com o objetivo de se manter no mercado e conseguir prosperar até se torna uma grande empresa. Segundo Casarotto, (1998), a globalização veio para ficar, colaborando para que a qualquer momento uma empresa possa ver surgir um concorrente produzindo melhor e mais barato. Segundo o autor a forma de se diminuir os riscos das pequenas e médias empresas é a formação de alianças estratégicas. Para os profissionais liberais entrevistados todos os desafios mencionados no Gráfico foram considerados como “insignificantes”. Este é um fator que preocupa e muito, pois não podemos ignorar a existência dos desafios e não tem empresa que esteja totalmente preparada no mercado. Gráfico 22 – Principais desafios à sustentabilidade da empresa – Ramo do comércio Fonte: Marolli (2011). 71 O setor indústria destacou que, de todos os desafios mencionados o que realmente é significante para o ramo de atuação é “a falta de qualificação técnica e profissional do quadro funcional da empresa” os demais itens são insignificantes. Considerando os outros destinos dos rendimentos da empresa nota-se para os ramos de Serviços e Comércio (Gráficos 23 e 24) que os destinos atingem em grande maioria valores de até 1%. Poucas empresas realizam doações diversas comprometendo em até 5% de seus rendimentos. Para o ramo de serviços (Gráfico 23) o destino dos rendimentos mais citado foi “outras contribuições à comunidade local” e, em segundo lugar, “auxílios ou doações individuais, eventuais, para pessoas que têm necessidades de sobrevivências”. Como “outras contribuições à comunidade local” algumas empresas citaram como exemplos: festas locais, quermesse, bailes, prendas, auxílio às Policias Militar e Civil. Percebe-se que as empresas têm contribuído com seus rendimentos em ações sociais, mas a iniciativa ainda é pequena. Outro aspecto que merece ser destacado é que as ações observadas não são estruturadas na forma de projetos de responsabilidade social como é comum para muitas empresas. Gráfico 23 – Outros destinos dos rendimentos da empresa – Ramo de serviços Fonte: Marolli (2011). 72 Gráfico 24 – Outros destinos dos rendimentos da empresa – ramo do comércio Fonte: Marolli (2011). Para o ramo da indústria os rendimentos são praticamente todos investidos nas atividades das empresas propriamente ditas (Gráfico 25). Gráfico 25 – Outros destinos dos rendimentos da empresa – Ramo da indústria Fonte: Marolli (2011). 73 A seguir são apresentadas e discutidas as informações obtidas por meio de perguntas abertas realizadas aos dirigentes das empresas. As perguntas foram apresentadas em tabelas com suas respectivas respostas e com que cada resposta foi mencionada pelo dirigente. Tabela 03: Principal contribuição da empresa para o desenvolvimento do Município Resposta Não responderam Qualidade dos produtos, sem que haja necessidade do cliente ir buscar em outros centros Pagamento de impostos Desconhece Gerar empregos Investimento local Qualidade de vida aos moradores, questões ambientais Acesso da população aos meios de comunicação Atendimento personalizado Cultura, entretenimento e conhecimento Estética Giro de capital devido à natureza do negocio Informações diárias e necessárias a população Patrocínio de festas Prestação de serviço em conta e com maior rapidez Fonte: Total de empresas 67 8 6 4 3 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 Marolli (2011). Observa-se que 8 empresários acredita que a principal contribuição de suas empresas é a oferta de produtos de qualidade incentivando os clientes a comprarem no próprio município. Esta realidade é importante considerando que a compra de produtos no município estimula a geração de renda “aquecendo” a economia local, ou seja, contribui para o desenvolvimento do município. A segunda resposta mais freqüente destaca a função das empresas em gerar impostos para o município. No entanto, acredita-se que a contribuição do setor empresarial para qualquer município deve ir além do que se observou. Um dos aspectos importantes é a geração de empregos para a força de trabalho local. Nesse sentido, quanto maior a empresa, maior a demanda por trabalhadores. No entanto, as empresas de maior porte demandam profissionais qualificados o que faz surgir no município a busca por conhecimento e por qualificação. 74 Tabela 04: Quais os motivos que justificam a sobrevivência de sua empresa? Resposta Não responderam Bom relacionamento com o cliente Oferta de produtos originais com qualidade Agilidade e qualidade no atendimento Serviço de qualidade Pessoal qualificado Serviço especializado Qualidade na administração da empresa Exclusividade de prestação de serviço Experiência no ramo de atividade Conhecimento dos clientes Falta de oportunidade de emprego Necessidade da população em ter dinheiro Continuidade do negocio da família Controle financeiro Vendas garantidas Fonte: Total de empresas 44 12 8 8 4 4 4 3 3 3 2 1 1 1 1 1 Marolli (2011). A sobrevivência empresarial (tabela 5) segundo 12 dos dirigentes das empresas,é garantida pelo bom relacionamento existente entre a empresa e o cliente. Esta questão foi abordada anteriormente em questões fechadas e obteve semelhança em respostas. Esta realidade é positiva para as empresas de pequeno porte, como foi visto anteriormente na literatura, a falta de cliente é um fator que leva as pequenas empresas a falência, este é um ponto que as empresas de Pitanga tem trabalhado para manter, garantindo assim sua sobrevivência. Mas para muitos é preciso mais que apenas se manter no mercado, é preciso crescer, gerar empregos, proporcionar a comunidade onde estas empresas estão inseridas qualidade de vida. È importante destacar que oportunidade de negócios podem acontecer a partir da oferta de um conjunto mais amplo de produtos e serviços, que no final vai gerar ganhos não somente para as empresas, mas todos os envolvidos. 75 Tabela 05: Quais os principais apoios que sua empresa recebe para contribuir na sua sobrevivência e eficiência? Total de empresas Respostas Não responderam 64 Nenhum Informações sobre os serviços pelo franqueador Preferência dos clientes/ Satisfação Qualificação freqüente - cursos de capacitação Dedicação dos sócios Acompanhamento bimestral dos resultados (controle das finanças) Instituição bancaria, mas estas não justificam a sobrevivência da empresa Projetos do governo Governo federal através da isenção de alguns impostos Apoio da família e amigos Fonte: Marolli (2011). 25 2 2 1 1 1 1 1 1 1 Quando abordados sobre o apoio que recebem para sobreviver no mercado os dirigentes manifestam grande insatisfação mencionando que não recebem apoio algum. Tal realidade não é desejável e não representa uma base sustentável para o desenvolvimento almejado. Independentemente que esta realidade seja um pouco mais ou pouco menos acentuada do que o identificado por meio dos questionamentos, há que se demandar esforços para promover mudanças. Muitas vezes o apoio às micro e pequenas empresas pode ser dado por determinados órgãos locais (ex: Associação Comercial, SEBRAE, Secretaria de Indústria e Comércio, entre outros) ou por auxílio de instituições financeiras para busca de recursos financeiros, qualificação aos dirigentes, treinamento para os colaboradores, organização de eventos, feiras, entre outros. Tabela 06: O futuro da empresa na visão do dirigente Respostas Não responderam Expansão dos serviços e/ou negócio Ampliação das instalações Aumento de Mao de obra Melhoria no atendimento ao cliente Serviços especializados Filiais Seguir os mesmos caminhos aprimorando os possíveis erros Fonte: Dados da pesquisa (2011). Total de empresas 54 19 8 6 5 4 3 1 76 Quando abordados sobre o que é almejado para o futuro de suas empresas a resposta predominante indica expansão do negócio. Esta realidade indica o anseio pelo desenvolvimento empresarial na região. Apesar de existirem vontades específicas por parte de alguns dirigentes como apontado pelas demais respostas, a visão de expansão é a mais desejada. Também foi apontado (8%) a necessidade de ampliação das instalações e aumento da mão de obra. No que se refere à mão de obra, com o desenvolvimento das empresas, espera-se uma mão de obra mais qualificada para as funções das empresas. Tabela 07: Quais os principais desafios que você observa para a permanência de sua empresa no mercado? Total de empresas Respostas Não responderam 43 Concorrência Diminuição dos impostos Serviços especializados Satisfação do cliente Apoio do governo local Incentivo das autoridades em cursos profissionalizantes Baixo índice de indústria no município Êxodo para grandes centros Investimento da população no próprio mercado Especialização dos colaboradores Extinção da pirataria Maior fiscalização do governo local e federal Agilidade na prestação dos serviços Baixa renda da população Economia municipal Aumento dos custos fixos e variáveis Atualização dos produtos Falta de comprometimento com os clientes Nenhum Administração do governo federal Fonte: Marolli (2011). 11 8 6 6 6 3 3 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Em relação aos desafios para a permanência das empresas no mercado 11% aponta a concorrência como sendo o maior desafio. Esta preocupação é coerente considerando que o desenvolvimento do setor empresarial traz concorrência de mercado. No entanto, tal concorrência resulta em melhoria em diversos setores das 77 empresas tendo em vista a captação e fidelização de clientes. A concorrência tem efeito positivo no preço e na qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos consumidores. Considerando, ainda, a Pergunta 5, observa-se que uma parte considerável dos dirigentes das empresas estão insatisfeitos com a carga tributaria aplicada sobre as empresas, o que é um obstáculo para a permanência dessas empresas no mercado e tem levado algumas empresas a falência. Nas perguntas aberta muitos dos dirigentes não responderam, se fosse possível ter um número maior de respostas, seria importante para identificar outros pontos importantes. 78 CONSIDERAÇÕES FINAIS Em se tratando de desenvolvimento local inevitavelmente relaciona-se o desenvolvimento ao papel das MPE’s. No Brasil, as pequenas e médias empresas representam uma importante atividade principalmente no interior e nas zonas periféricas. Em Pitanga/PR esta realidade não é diferente, é preciso incentivar o crescimento e evolução empresarial para que haja o desenvolvimento local em suas esferas: econômica, social e ambiental. Apesar da importância do segmento empresarial para a comunidade de Pitanga/PR e região, nota-se que este segmento ainda carece de avanços. As empresas são em maioria de pequeno porte, comportando um pequeno número de funcionários e que, possuem baixa qualificação profissional. Dados do IBGE (2010) indicam a alta taxa de natalidade e, também, de mortalidade para empresas com menor número de funcionários o que retrata uma maior fragilidade dessas empresas. O aumento do número de funcionários é resultado do aumento do volume de atividades, do número de setores, ou seja, do crescimento da empresa como um todo. Um aspecto positivo observa-se que chama atenção para as empresas de todos os ramos pesquisados, é o bom relacionamento dos clientes para com funcionários e dirigentes das empresas. Este aspecto positivo também é citado pelos dirigentes das empresas por meio das entrevistas realizadas como o fator mais importante atualmente para a sobrevivência das empresas no município. Estudos voltados a administração de empresas apontam a satisfação do cliente como o fator primordial para o sucesso da empresa. Dentre os fatores que geram satisfação para os clientes, o atendimento é um dos mais importantes. Assim, nota-se que o atendimento é um dos pontos fortes das empresas estudadas. Lembrando que o cliente é a razão de existir de uma empresa. Outro aspecto que chama a atenção nos resultados do estudo é a falta de apoio na fase de implantação da empresa. Não basta ter conhecimento e uma grande oportunidade de negócio no mercado se não há capital para iniciar a empresa. Muitas vezes o empresário não tem o capital necessário ou inicia a empresa de uma forma não adequada e esperada por não ter o capital necessário para iniciar o negócio. Assim, os resultados esperados não são alcançados o que 79 pode levar a empresa à falência. Esta realidade é preocupante na região, pois predominam empresas de pequeno porte que iniciaram suas atividades quase que totalmente com capital próprio. Iniciar com capital próprio, a principio, é a situação ideal, mas quando o capital próprio não é suficiente, o resultado esperado para a empresa não será obtido. Assim, fica a indagação: se houvesse maior apoio aos empresários da região para a implantação das empresas, qual seria o desenvolvimento atual observado para essas empresas? Os dirigentes das empresas também chamam a atenção para a falta de apoio nas demais fases de vida empresarial. Destacam também a carga de impostos aplicada sobre elas, o que é um obstáculo para a permanência dessas empresas no mercado. Portanto, há que se promover um diálogo entre lideranças municipais e do segmento empresarial para levantar demandas e possibilidades de incentivo ao desenvolvimento das empresas de Pitanga. Também deve ser destacado a necessidade de maior conhecimento acadêmico dos dirigentes das empresas. Conforme observado nos resultados, cerca de 30% das empresas são dirigidas por pessoas com apenas o ensino médio. Os outros 29% das empresas são dirigidas por pessoas com apenas o superior completo. Constatou-se, também, que a maioria dos dirigentes, independentemente do ramo da empresa trabalhava anteriormente como funcionários de empresas privadas ou como profissionais autônomos. Observou-se também que os dirigentes mencionaram ter boa experiência no ramo de trabalho da empresa. Tal realidade é positiva, mas não é suficiente para o sucesso no segmento empresarial. Hoje sabe-se que no “mundo globalizado” a experiência prática deve estar acompanhada do conhecimento acadêmico, de conceitos e fundamentos. Assim, o conhecimento poderá ser empregado na empresas resultando em melhores estratégias, produtos inovadores, melhor relação com o cliente e, por fim, maior desenvolvimento. É importante mencionar também que muitas empresas iniciam por uma motivação pessoal e pela existência de uma oportunidade no mercado. Muitas vezes estas empresas são frutos de olhares empreendedores. No entanto, a visão empreendedora deve estar sempre acompanhada da visão administrativa para que haja sustentabilidade na empresa. Outro reflexo constatado pela falta de conhecimento é a não utilização do plano de negócios pelos empresários locais na hora de abrir a empresa, sabe-se que a adoção do plano de negócios é mais freqüente em empresas cujos 80 empresários têm maior nível de escolaridade/conhecimento. Apesar dos esforços do SEBRAE em orientar a abertura de empresas por meio do plano de negócios, ainda é grande o numero de empresários que abrem suas empresas sem orientação e sem o devido conhecimento para tanto. Nesse contexto os cursos de graduação e de pós-graduação têm papel importante na formação de empresários e empreendedores, pois neles são trabalhados diversos conhecimentos da Administração de Empresas, bem como, o plano de negócios. Uma realidade observada de um modo geral para as MPE’s, o que não é diferente do observado para o segmento empresarial do município de Pitanga, é a baixa qualificação da mão de obra. Observou-se que as MPE’s constituem uma alternativa de ocupação para uma pequena parcela da população que não teve condição de desenvolver seu próprio negócio. As MPE’s representam, também, uma alternativa de emprego formal ou informal para a comunidade local que, muitas vezes, não têm a qualificação necessária para trabalhar nas empresas de maior porte. Embora os resultados obtidos no presente estudo nota-se que o quesito “os funcionários da empresa possuem alta formação técnica e profissional” foi considerado pela maioria das empresas como sendo “insignificante”. Esta realidade observada para o município de Pitanga está de acordo com o observado por IBGE (2003) para MPE’s. De acordo com IBGE (2003) as pequenas empresas têm uma visão distorcida dos recursos humanos, e por isso, não observam com clareza a relação custo/benefícios dos investimentos no capital humano no Município de Pitanga depende, em grande parte, do crescimento e qualificação empresarial. As empresas de pequeno porte devem ser incentivadas a aprimorarem suas formas de trabalho, revendo suas estratégias e, principalmente, buscando atualizar conhecimento técnico de dirigentes e funcionários. Com o incentivo ao desenvolvimento local, impulsionado principalmente pelo crescimento e qualificação do setor industrial, serão demandados profissionais mais qualificados. Portanto, é necessario o incentivo à escolarização/capacitação de funcionários e dirigentes de empresa, bem como de toda a comunidade local. Assim, segmentos municipais precisariam somar forças para incentivar o ingresso desses profissionais em faculdades para cursarem graduações e pós-graduações. Nesse contexto os cursos profissionalizantes ofertados no ensino médio (cursos técnicos) ou por empresas privadas especializadas também têm sua importância na capacitação profissional. 81 A escolarização/capacitação profissional é um investimento empresarial de baixo custo, considerando que as instituições de ensino superior da região adéquam as mensalidades de seus cursos à capacidade de pagamento da comunidade. O conhecimento é a base necessária para o desenvolvimento empresarial almejado na região. O desenvolvimento traz concorrência, como é visto em todos os grandes centros empresariais. A sobrevivência das empresas depende do grau de conhecimento/capacitação, não apenas dos dirigentes, mas também de todos os funcionários das empresas. Conforme observa-se nos resultados, grande parte dos dirigentes afirma que a principal contribuição de suas empresas para o desenvolvimento do município é a oferta de produtos de qualidade incentivando os clientes a comprarem na região. Essa contribuição é fundamental e indica a qualidade do trabalho realizado pelas empresas voltado a produtos e serviços. No entanto, ainda há que fortalecer mais o potencial das empresas em gerar novos empregos para fixar e atrair novos trabalhadores no município. Uma das formas de desenvolvimento do setor empresarial é o incentivo às indústrias. Acredita-se que este seria o investimento mais importante para o desenvolvimento local, almejado para o município. Constatou-se que o número de empresas do ramo industrial ainda é pequeno. De acordo com a Base de dados da Prefeitura Municipal de Pitanga do ano de 2010, o número de indústrias instaladas corresponde há apenas 4,9% do total de empresas do município. A industrialização na região é necessária para se promover o desenvolvimento e a expansão das atividades produtivas, produto interno bruto local, agregação de valor aos produtos locais, aumento da renda local e a qualidade de vida da comunidade. O desenvolvimento industrial e das empresas como um todo traz benefícios aos consumidores locais, bem como a toda comunidade. Com o desenvolvimento surge uma concorrência mais acirrada entre as empresas “obrigando-as” a melhorarem seu trabalho em todos os seus setores tendo em vista a captação e fidelização de clientes. A concorrência tem efeito positivo no preço e na qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos consumidores. Como foi destacado nos resultados o agronegócio tem grande representação na economia, ou seja, há que se incentivar a agroindustrialização em atividades como a bovinocultura leiteira e a suinocultura que são bem difundidas na região. As indústrias, sejam elas voltadas ao agronegócio ou não, têm o importante papel de 82 geração de empregos, agregação de valor às commodities e, conseqüentemente, aquecimento da economia local. Portanto, são necessárias políticas voltadas para o incentivo industrial, a serem criadas na esfera municipal. É importante lembrar também que a busca do crescimento industrial na região não deve “ofuscar” a visão das lideranças locais, pois a transformação do crescimento industrial em qualidade de vida depende, dentre vários fatores, de planejamento e de ações contínuas. Acredita-se que uma forma eficiente de se planejar o desenvolvimento industrial é promover a participação e a abertura ao diálogo com a comunidade, criando oportunidades para que a sociedade civil participe mais ativamente da gestão municipal. Uma estratégia interessante para viabilizar o desenvolvimento das micro e pequenas empresas do Município de Pitanga seria a união de empresas através de cooperativas, consórcio, cluster ou arranjo produtivo local (APLs) que são aglomerações de empresas com a mesma especialização produtiva e que se localizam em um mesmo espaço geográfico e que tem como o objetivo aumentar a competitividade das empresas cooperadas, criar oportunidades para participação em feiras com um menor custo, maior variedade de produtos, maior facilidade para conseguir financiamento juntos aos órgãos de apoio, aumentando assim também seu poder de negociação e promovendo seu desenvolvimento. Para que esta união de empresas aconteça é preciso buscar uma forma de unir estas empresas de pequeno porte, do mesmo ramo de atividade, localizadas em um mesmo território, com os mesmos objetivos, que sejam capazes de adequar seu produto para competir com seus concorrentes maiores. Este é o momento das micro, pequenas e médias empresas se associarem para alcançar melhorias, expandir seus negócios, para ter uma nova alternativa de mercado, por que podem através destes arranjos locais contar com o apoio do governo, associações empresarias, instituições de crédito, ensino e pesquisa. Participar de sistema de aglomeração de empresas fortalece as empresas, com possíveis reflexos no desenvolvimento local e regional. 83 REFERÊNCIAS AGÊNCIA DE FOMENTO DO ESTADO DO PARANÁ. Abertura - fomento pequenos negócios. Disponível em: <http://www.afpr.pr.gov.br/search.php?query=MICRO+E+PEQUENAS+EMPRESAS &action=results>. Acesso em 20 out. 2010. ANTONIK, L. R. 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Acesso em: 20 jun 2011. 91 APÊNDICE QUESTIONÁRIO 1. IDENTIFICAÇÃO 1.1. Razão Social: ____________________________________________________ 1.2. Nome Fantasia: __________________________________________________ 1.3. Ramo de Atividade: (Especificar a atividade dentro do setor) 1.3.1. Serviços ( ) 1.3.2. Indústria ( ) 1.3.3. Comércio ( ) 1.3.4 Profissional liberal e afins ( ) 1.4. Data da Criação: _________________________________________________ 1.5. Porte da empresa: Número total de funcionários que trabalham na empresa: 1.5.1 Número sócios/proprietários________________________________________ 1.5.2 Número de familiares _____________________________________________ 1.5.3 Número de empregados assalariados_________________________________ 1.5.4 Total __________________________________________________________ 1.6. A empresa terceiriza serviços? 1.6.1 Sim ( ) 1.6.2 Não ( ) 1.6.3 No caso de haver terceirização quais os serviços?_______________________ 1.6.4 Estimativa de funcionários terceirizados que a empresa utiliza _____________ 2. INFORMAÇÕES SOBRE O EMPREENDIMENTO/DIRIGENTE Obs. NAS QUESTÕES ABAIXO, MARCAR SOMENTE UMA ALTERNATIVA. 2.1 Idade do principal dirigente 2.1.1 ( ) Até 20 anos 2.1.2.( ) 21 a 30 anos 2.1.3 ( ) 31 a 40 anos 2.1.4 ( ) 41 a 50 anos 2.1.5 ( ) Acima de 50 anos 92 2.2. Grau de escolaridade do principal dirigente: 2.2.1. ( ) Até o 1º grau incompleto 2.2.2. ( ) 1º grau completo 2.2.3. ( ) 2º grau incompleto 2.2.4. ( ) 2º grau completo 2.2.5. ( ) Superior incompleto 2.2.6. ( ) Superior completo 2.2.7 ( ) Pós-graduação/Mestrado/Doutorado 2.3 Há quanto tempo o dirigente trabalha na empresa? 2.3.1 ( ) Menos de 1 ano 2.3.2 ( ) Entre 1 e 5 anos 2.3.3 ( ) Entre 6 e 10 anos 2.3.4 ( ) Entre 11 e 15 anos 2.3.5 ( ) Mais de 15 anos 2.4 Qual atividade que o principal dirigente exercia antes de montar este negócio: 2.4.1. ( ) Estudante 2.4.2. ( ) Funcionário público 2.4.3. ( ) Empregado de empresa privada 2.4.4. ( ) Autônomo 2.4.5. ( ) Proprietário de outra empresa 2.4.6. ( ) Aposentado 2.4.7. ( ) Outra. _______________________________________________________ 2.5. A empresa iniciou suas atividades com: 2.5.1. ( ) 100% de capital próprio 2.5.2. ( ) 100% de capital de terceiros 2.5.3. ( ) 50% capital próprio e 50% cap. de terceiros 2.5.4. ( ) Maior parte com capital próprio 2.5.5. ( ) maior parte com capital de terceiros 2.6. Antes de iniciar as atividades, o dirigente: ( Responder S-SIM, ou N-NÃO 2.6.1. Realizou/encomendou pesquisa de mercado ............................................... ( ) 2.6.2. Realizou/encomendou estudos de viabilidade econômico-financeira do negócio .....................................................................................................................( ) 2.6.3. Realizou/encomendou estudos de viabilidade técnica do negócio ................( ) 2.6.4. Realizou estudos ambientais ou de responsabilidade social .........................( ) 2.7. Qual era a experiência empresarial do principal dirigente antes de iniciar esta atividade: 2.7.1. ( ) Nenhuma (ex. primeiro negócio) 2.7.2. ( ) Razoável (ex. já tinha trabalhado nesta atividade como empregado) 2.7.3. ( ) Boa (ex. já tinha trabalhado e/ou já tinha tido experiência como empresário) 2.7.4. ( ) Excelente (ex. já tinha tido experiência(s) bem sucedida(s) com outro(s) negócio(s)) 93 2.8. Qual foi o principal motivo que o levou a abertura do negócio: 2.8.1. ( ) Conhecimento do ramo de atividade 2.8.2. ( ) Oportunidade de negócio 2.8.3. ( ) Falta de oportunidade de trabalho 2.8.4. ( ) Desejo de liberdade e vontade de ganhar mais dinheiro 2.8.5. ( ) Realização profissional 2.8.6. ( ) Disponibilidade de capital 2.8.7. ( ) Outra._______________________________________________________ 2.9. Houve algum apoio à abertura do negócio: 2.9.1. ( ) Nenhum 2.9.2. ( ) somente da família 2.9.3. ( ) Incentivo do governo (redução de impostos, compra de terrenos, etc.) 2.9.4. ( ) Parceria com outra empresa (terceirização, por exemplo) 2.9.5. ( ) Incentivo de entidades bancárias (redução de taxas p/ empréstimo, financeiro, etc.) 2.9.6. ( ) Outro.______________________________________________________ 2. 10. Quais os aspectos que mais tem contribuído para a sobrevivência da sua empresa? Destaque por ordem de importância: Insignificante-1 - Pouco significativo-2 – Significativo-3 – Muito Significativo-4 2.10.1. O fato de que atuam na empresa mais membros da família, os quais trabalham sem remuneração fixa ..............................................................................( ) 2.10.2. O fato de que os membros da direção e funcionários tem bons relacionamentos com os clientes ..............................................................................( ) 2.10.3. O fato da empresa ser administrada por pessoas com alta formação técnica e profissional .............................................................................................................( ) 2.10.4. O fato de que o quadro de funcionários da empresa possui alta formação técnica e profissional .................................................................................................( ) 2.10.5. O fato de que no local ou região não existe ou existem poucas empresas que concorrem no setor ...................................................................................................( ) 2.10.6. Devido a outro fator – Mencione: ___________________________________ 2.11 Quais os problemas mais freqüentes encontrados pela empresa: Destaque os mesmos por ordem de importância: Insignificante-1 - Pouco significativo-2 – Significativo-3 – Muito Significativo-4 2.11.1 Problemas com a qualidade dos produtos e serviços oferecidos................................................................................................................. ( ) 2.11.2 Problemas com empregados .........................................................................( ) 2.11.3 Problemas com fornecedores ........................................................................( ) 2.11.4 Problemas com sócios ...................................................................................( ) 2.11.5 Problemas com administração do fluxo de caixa (falta de sincronia entre receitas e despesas) .................................................................................................( ) 2.11.6 Custos elevados .............................................................................................( ) 2.11.7 Não consegue (ia) aperfeiçoar os produtos ou serviços de acordo com a necessidade dos clientes...........................................................................................( ) 2.11.8 Devido a outro problemas. Quais? ___________________________________________________________________ 94 2.12 Quais os principais desafios que prejudicaram, ou ainda prejudicam, a sustentabilidade de sua empresa? Destaque os mesmos por ordem de importância: Insignificante-1 - Pouco significativo-2 – Significativo-3 – Muito Significativo-4 2.12.1. A grande concorrência exercida pelas empresas de maior porte da região e de outro lugares ........................................................................................................( ) 2.12.2. A grande concorrência exercida pelas empresas locais ...............................( ) 2.12.3. A falta de estabelecimento de bons relacionamentos com os clientes .........( ) 2.12.4. A falta de qualificação técnica e profissional dos dirigentes da empresa .....( ) 2.12.5. A falta de qualificação técnica e profissional do quadro funcional da empresa ...................................................................................................................................( ) 2.12.6. Por que os dirigentes e quadro funcional têm relações familiares, ocasionando em falta de profissionalismo 2.12.7. Outro fator mencione: ____________________________________________ 3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O PAPEL DA EMPRESA NO DESENVOLVIMENTO LOCAL: 3.1 Além da remuneração aos membros da empresa, na forma de salário, qual o destino dos rendimentos da empresa? -Avalie em porcentagem dos rendimentos: 1- Em torno de 1% - 2- Entre 2 e 5% - 3- Entre 6 e 10% - 4- Mais de 10% - 5- Não ocorre 3.1.1. Auxílios sob a forma de doações eventuais à entidades assistenciais, culturais ou religiosas locais ....................................................................................................( ) 3.1.2. Doações fixas para entidades assistenciais, culturais ou religiosas locais ....( ) 3.1.3. Auxílios ou doações individuais, eventuais, para pessoas que tem necessidades de sobrevivências ..............................................................................( ) 3.1.4. Auxílios ou doações individuais, eventuais, para pessoas de influência, por exemplo, candidatos políticos ...................................................................................( ) 3.1.5. Outras contribuições à comunidade local .......................................................( ) Mencione de que tipo:_________________________________________________ 3.2. A empresa e o desenvolvimento local 3.2.1 Além de gerar rendimentos ao(s) proprietário(s) e manter um certo número de empregos para remuneração de pessoas do local, na sua opinião, qual a principal contribuição que sua empresa dá ao desenvolvimento do município? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 95 3.3. Motivos que justificam a sobrevivência de sua empresa 3.3.1. Relate e justifique, na sua opinião, quais os principais motivos que permitiram sua empresa permanecer no mercado? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 3.3.2. Quais os principais apoios que sua empresa recebe, para contribuir na sua sobrevivência e eficiência? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 3.4. Futuro de sua empresa 3.4.1. O que de bom você vislumbra para o futuro de sua empresa? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 3.4.2. Quais os principais desafios que você vislumbra para a permanência de sua empresa no mercado? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________