Grau de Internacionalização das Empresas Listadas na BM&FBovespa Autoria: André Aroldo Freitas de Moura, Márcia Martins Mendes De Luca RESUMO O estudo tem o objetivo geral de investigar o grau de internacionalização das empresas listadas na BM&FBovespa, segundo o critério de Hassel et al. (2003). Adicionalmente, investiga-se se há relação entre os graus de internacionalização e variáveis empresariais, como valor de mercado, tamanho e tempo de emissão de ações no exterior. Utiliza-se Análise de Correspondência para análise dos dados. A pesquisa constatou que ainda é baixo o grau de internacionalização das 64 empresas componentes da amostra. Somente foi constatada relação estatisticamente significante entre grau de internacionalização e tamanho, verificando-se uma associação entre baixo grau de internacionalização e pequeno porte. 1. INTRODUÇÃO A globalização tem propiciado novas oportunidades de negócios e imposto desafios competitivos para as empresas. A internacionalização é uma das estratégias mais importantes para as empresas que buscam oportunidade de crescimento, e essa estratégia tem sido amplamente implementada nas economias avançadas (SAPIENZA et al., 2006; GRUNDEY, 2007). Diante do rápido desenvolvimento de algumas economias emergentes, muitas empresas nesses países passaram a explorar os mercados estrangeiros e se internacionalizar (BIANCHI; OSTALE, 2006; ATHREYE; KAPUR, 2009). Nos últimos anos cresceu significativamente a importância das principais economias emergentes – Brasil, China, África do Sul e Índia – como fontes de investimentos estrangeiros diretos nos países em desenvolvimento (KUMAR, 2008). Por outro lado, entende-se que a expansão das atividades para o mercado internacional traz consigo vários desafios, que se somam àqueles específicos associados ao crescimento doméstico (local) da firma. Nesse cenário, verificam-se também o aumento da concorrência e a necessidade de uma gestão empresarial a cada dia mais eficiente. Dessa forma, a internacionalização também pode ser considerada uma estratégia de sobrevivência. No Brasil, o movimento de internacionalização ocorreu tardiamente, principalmente devido às pressões competitivas após a abertura comercial nos anos 1990 (ZEN; FENSTERSEIFER, 2008). Espera-se que, na medida em que aumenta a experiência internacional, a empresa entre em contato com mercados mais diversificados, de modo a construir uma rede de relacionamentos mais profundos e de longo prazo, o que estabelece uma base para comprometimentos mais fortes (FORD, 1980). Gripsrud (1990) constatou que o conhecimento e os contatos provenientes do mercado proporcionam um aumento futuro das exportações. As empresas com menos experiência em mercados internacionais preferem adotar uma estratégia operacional de menor risco, como exportação direta ou indireta, enquanto as empresas com maior experiência têm uma tendência a optar por formas de atuação que implicam maior comprometimento de recursos e assunção de maiores riscos, como o estabelecimento de subsidiárias e unidades produtivas em outros países (ZEN; FENSTERSEIFER, 2008). Dessa forma, pode-se afirmar que a internacionalização é um processo crescente, envolvendo a relação da empresa com o mercado estrangeiro (PAIVA; CARVALHO; FENSTERSEIFER, 2004). Forte e Sette Júnior (2005) e Forte e Moreira (2007) estudaram a temática em alguns setores da economia brasileira. Zen e Fensterseifer (2008) e Denberg e Gomes (2011) concordam que as empresas brasileiras apresentam baixo grau de internacionalização, devido ao seu tardio envolvimento com o mercado estrangeiro. Assim, é 1 importante apresentar o panorama da internacionalização das diversas empresas listadas na BM&FBovespa, independentemente de setor de atuação. Nesse contexto, surge a seguinte questão de pesquisa: Quais os graus de internacionalização das empresas listadas na BM&FBovespa? A pesquisa se delineia nas empresas listadas na BM&FBovespa, de acordo com uma das variáveis da dimensão financeira – composição do capital – do modelo de Hassel et al. (2003), ou seja, empresas com ações negociadas em mercados estrangeiros, indicando que elas possuem algum grau de internacionalização. Dessa forma, o objetivo geral da pesquisa consiste em investigar os graus de internacionalização das empresas listadas na BM&FBovespa. Adicionalmente, destaca-se como objetivo específico verificar a existência de relação entre os respectivos graus de internacionalização e variáveis empresariais como valor de mercado; porte, avaliado segundo o Ativo Total; e tempo de internacionalização, considerando o tempo de emissão de ações no exterior. Devido ao crescimento das empresas e aos permanentes desafios impostos pela internacionalização dos mercados, a pesquisa se justifica na medida em que pretende identificar os graus de internacionalização das empresas brasileiras, decorrente do forte cenário de negócios internacionais motivado pela globalização, além de buscar as relações com outras variáveis inerentes à internacionalização. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Abordagens Teóricas sobre Internacionalização Duas abordagens principais discorrem sobre o processo de internacionalização: a comportamental, representada pela escola de Uppsala, na Suécia; e a econômica, representada pela escola Eclética. Uma das primeiras teorias de referência sobre a internacionalização de empresas vem da escola de Uppsala (JOHANSON; VAHLNE, 1977), que apresenta uma ótica impulsionada pela interação da aprendizagem, no que tange às operações comerciais, com o comprometimento com o mercado exterior escolhido. Alguns estudos testaram o modelo em questão nas mais diversas organizações e setores relacionados ao campo da gestão internacional (WERNER, 2002; CANABAL; WHITE III, 2008), assim como os modelos teóricos da Empresa Multinacional de Buckley e Casson (1976, 2009), o Paradigma Eclético de Dunning (1980) e, posteriormente, a evolução do paradigma, que consta no estudo de Dunning e Lundan (2008). O modelo de Uppsala evoluiu incorporando variáveis em sua estrutura analítica, a fim de aumentar o dinamismo e se compatibilizar com as novas demandas nesse campo de estudos, resultando no modelo revisado por Johanson e Vahlne (2009). Várias alterações foram realizadas desde o modelo original de Uppsala, de 1977, até o revisado em 2009, destacando-se que o foco na direção do investimento realizado pela firma foi alterado para a rede de negócios da companhia. A teoria de Uppsala defende que a experiência internacional pode influenciar as decisões da firma no tocante ao comprometimento de recursos no mercado estrangeiro, bem como o desempenho de suas atividades atuais (JOHANSON; VAHLNE, 2009). Ela também admite que a experiência pode influenciar o desempenho da companhia no mercado internacional. À medida que se adquire experiência por meio das atividades internacionais, os negócios no exterior vão se ampliando, até mesmo em mercados mais remotos (JOHANSON; WIEDERSHEIM-PAUL, 1975; JOHANSON; VAHLNE, 1977). Para tratar com as especificidades dos mercados estrangeiros, de modo a maximizar o desempenho dos negócios realizados no exterior, as grandes empresas devem destinar mais recursos ou possuir estruturas de governança mais sofisticadas (FORD, 1980; GRIPSRUD, 1990; VERWAAL; DONKERS, 2002). 2 Até os dias atuais, a escola de Uppsala e a Eclética servem de base para pesquisas sobre internacionalização de empresas. A pesquisa realizada por Lau, Ngo e Yiu (2010), por exemplo, averiguou os motivos que levam as empresas chinesas a se internacionalizar segundo o Paradigma Eclético de Dunning. Em estudos realizados com a finalidade de entender o processo de internacionalização em companhias da Turquia, Erdilek (2008) e ErenErdogmus et al. (2010) constataram que elas seguiam parcialmente o modelo de Uppsala. Outros estudos analisaram os aspectos que influenciam o processo de internacionalização em diversos países, como, por exemplo, o de Mtigwe (2005), que analisou o processo de internacionalização em pequenas empresas na África do Sul, e o de Hutzschenreuter, D’Aveni e Voll (2009), envolvendo empresas da Alemanha. Alguns autores abordam ainda como deve ser mensurado o processo de internacionalização de uma companhia. Outros elencam variáveis para compor um índice de internacionalização. 2.2 Índices de internacionalização Dentre os índices desenvolvidos para mensurar o grau de internacionalização de uma companhia, cinco se destacam entre os mais frequentemente utilizados pela literatura: o Índice de Transnacionalização, da Unctad (1995), o Índice de Extensão da Atividade Transnacional, de Ietto-Gillies (1998), a Escala de Grau de Internacionalização, de Sullivan (1994), o Índice de Hassel et al. (2003) e o Índice de Forte e Sette Júnior (2005). 2.2.1 Índice de Transnacionalização O índice foi lançado no World Investment Report 1995, e corresponde à média de três outros índices, obtidos pelas seguintes divisões: vendas externas por vendas totais, ativos no exterior por ativos totais, e número de empregados no exterior por total de empregados. Salienta-se que o uso da média dos índices tem por finalidade evitar o favorecimento de empresas em que alguma das proporções seja elevada, como, por exemplo, o número de empregados no exterior, e ao mesmo tempo seja baixo o valor dos ativos no exterior e/ou das vendas externas. Dentre as vantagens do Índice de Transnacionalização, destacam-se a sua simplicidade e o fato de incluir três dimensões essenciais para mensurar o grau de internacionalização: mercados, colaboradores e ativos internacionais. Uma das desvantagens é que não abrange outras dimensões críticas da internacionalização, como, por exemplo, o grau de extensão da presença internacional (BARCELLOS; CYRINO, 2007). 2.2.2 Índice de Extensão da Atividade Transnacional Esse índice é representado pela combinação de dois outros índices: o Índice de Transnacionalização e o “índice de extensão da rede”, criado por Ietto-Gillies. Seu objetivo é acrescentar ao Índice da Unctad a diversificação regional. Dessa forma, é proposta a ponderação do Índice da Unctad pelo índice de extensão da rede, aferido como a proporção entre o número de países em que a empresa está presente e o número total de países onde há investimento direto externo, excetuando-se o de origem. O índice de Ietto-Gillies é mais complexo, possuindo maior abrangência que a do Índice da Unctad, ao acrescentar o grau de extensão da presença internacional. 2.2.3 Escala de Grau de Internacionalização Sullivan (1994) utilizou dados públicos, tomando por base nove indicadores estruturais de desempenho e atitudinais, em uma amostra de 74 empresas multinacionais. Utilizando-se a análise fatorial (item-total análise) dos dados, foram identificados cinco indicadores relevantes: (i) proporção de vendas externas sobre vendas totais; (ii) proporção de ativos no exterior sobre ativos totais; (iii) proporção de subsidiárias no exterior sobre o total de subsidiárias; (iv) experiência internacional dos executivos de alto escalão (proporção da duração acumulada dos anos de experiência de trabalho no exterior sobre o total de anos de experiência dos altos executivos da empresa); e (v) dispersão psíquica das operações 3 internacionais (proporção do número de zonas psíquicas onde a empresa está presente sobre o número total de zonas psíquicas do mundo, identificadas por Ronen e Shenkar) (1985). Percebe-se que esse índice não considera a proporção do número de empregados no exterior sobre o total de empregados, considerada no Índice da Unctad e utilizada também por IettoGillies. Cabe ressaltar que o Índice de Sullivan é mais abrangente e representativo do que o Índice de Ietto-Gillies, já que, além de indicadores estruturais e de desempenho, inclui um indicador atitudinal. Destaca-se, no entanto, a dificuldade de cálculo do índice com amostra de empresas em países onde alguns dados não são públicos, em especial no caso do Brasil, no que tange à “experiência internacional dos altos executivos”. 2.2.4 Índice de Hassel et al. Trata-se de índice que defende a existência de duas dimensões da internacionalização: uma referente às atividades de produção das empresas no exterior (dimensão real) e outra referente à governança corporativa das empresas (dimensão financeira). Para medir a dispersão física das atividades das multinacionais pelo mundo (dimensão real), foram incluídos a proporção externa de empregados e de vendas e o número de países em que opera a empresa. Para medir a proximidade da empresa com os mercados internacionais de capitais (dimensão financeira), foram acrescentados o número de mercados de ações onde a empresa é listada, o uso ou não de padrões de contabilidade e a proporção de ações mantidas por estrangeiros. O Índice de Hassel et al. (2003) demonstra a importância da análise da internacionalização da estrutura de governança corporativa das empresas e incorpora os critérios incluídos no Índice de Transnacionalização. Destaca-se que o presente estudo utiliza como base uma das variáveis da dimensão financeira adotada por Hassel et al. (2003), que é a participação do capital estrangeiro no capital total das empresas da amostra. 2.2.5 Índice de Forte e Sette Júnior Consiste em uma adaptação do Índice de Sullivan, baseada na soma dos seguintes indicadores: vendas externas / total de vendas, número de atividades exercidas no exterior / número total de atividades passíveis de serem exercidas, número de subsidiárias no exterior / total de subsidiárias; dispersão psíquica das operações internacionais; e experiência internacional da empresa com o mercado internacionalizado (anos de atividade internacional / quantidade máxima de anos de fundação da amostra). O Índice de Forte e Sette Júnior foi aplicado em uma amostra de empresas brasileiras em estágio inicial de internacionalização. 2.3 Estudos empíricos anteriores Nas décadas de 1970 e 1980, o volume de vendas internacionais foi um dos aspectos mais utilizados para caracterizar o grau de internacionalização (SULLIVAN, 1994). Na década de 1990, diversas pesquisas passaram a considerar também aspectos não financeiros, como, por exemplo, aqueles relacionados à dispersão geográfica, ou seja, à expansão da companhia em diferentes regiões ou mercados estrangeiros. Alguns aspectos foram considerados para designar a dispersão geográfica internacional, como o número de subsidiárias no exterior, o número de países ou regiões onde são realizados negócios internacionais (SULLIVAN, 1994; TALLMAN; LI, 1996; HITT; HOSKISSOM; KIM, 1997; ZAHRA; IRELAND; HITT, 2000) e aspectos relacionados a distância geográfica ou psíquica entre países que realizam transações comerciais (DOW, 2000; FORTE; SETTE JÚNIOR, 2005). Estudos de Forte e Sette Júnior (2005) e Forte e Moreira (2007), que averiguaram setores específicos da economia brasileira – rochas ornamentais e revestimento e calçados, 4 respectivamente –, constataram um baixo grau de internacionalização das empresas analisadas, apontando a exportação como estratégia preferida de atuação internacional. Os estudos sobre internacionalização que utilizam como base o volume de vendas internacionais revelam não haver um consenso em termos de resultados (HONÓRIO, 2009). Outros estudos constataram que a diversificação geográfica internacional proporciona uma lucratividade inicial, decorrente do aumento nas vendas, mas que declina em seguida, devido aos custos associados ao processo de expansão (TALLMAN; LI, 1996; HITT; HOSKISSOM; KIM, 1997). Estudo realizado por Barcellos e Cyrino (2007) com multinacionais brasileiras que possuem ativos no exterior (incluindo escritórios comerciais) revela que as empresas em estágio mais avançado de internacionalização são amplamente respaldadas por exportações. Segundo os autores, ativos e recursos humanos no exterior representam os menores indicadores do grau de internacionalização dessas empresas. Os autores constataram ainda que as empresas com os maiores graus de internacionalização atuam há mais tempo no mercado estrangeiro (experiência internacional), direcionam suas atividades para diferentes mercados mundiais e auferem maiores receitas brutas com as operações internacionais (BARCELLOS; CYRINO, 2007). O estudo de Forte e Sette Júnior (2005) observou que a participação das exportações na receita das empresas estudadas vinha se elevando após alguns anos de experiência internacional, denotando uma possível relação entre o comprometimento de recursos e o grau de internacionalização. Forte e Moreira (2007) identificaram que a exportação era a estratégia mais utilizada pelas grandes empresas calçadistas brasileiras participantes da pesquisa. Ressalta-se que as empresas pesquisadas apresentaram baixo grau de internacionalização, mas estavam procurando aumentar a inserção e o desempenho internacional. As empresas que apresentaram patamares mais elevados de internacionalização utilizavam estratégias mais complexas e já contavam alguns anos de experiência internacional. Vale ressaltar que a literatura parece não apontar um consenso sobre o impacto do tamanho da companhia e as suas atividades internacionais (HONÓRIO, 2009). Estudos realizados por Holzmüller e Kasper (1991) e Rasheed (2005) constataram que o tamanho da companhia teve pouca ou nenhuma influência no desempenho corporativo referente ao retorno financeiro das atividades internacionais. O estudo de Zahra, Ireland e Hitt (2000) não constatou relação entre o tamanho da firma e as vendas internacionais. Calof (1994) estudou empresas canadenses de variados portes, vindo a constatar que as maiores empresas são mais propensas a exportar, apresentam atitudes mais internacionalizadas e atuam em maior número de países, apesar de os resultados apresentarem uma associação limitada. Estudo realizado por Vaatanen, Podmetina e Pillania (2009) em multinacionais russas evidenciou que as operações internacionais têm significativa relação com uma maior rentabilidade, medida pelo crescimento nas vendas, pela margem de lucro líquida e pelo crescimento captalizado de mercado; e com a produtividade no trabalho, medida pela divisão entre a receita de vendas líquida e a quantidade de empregados. Pattnaik e Elango (2009) realizaram uma análise empírica em uma amostra de 787 multinacionais emergentes indianas, identificando uma relação não linear entre internacionalização e desempenho, avaliada segundo o Retorno sobre o Patrimônio (ROE). 3. METODOLOGIA Considerando os objetivos elencados neste estudo, e em conformidade com a classificação proposta por Collis e Hussey (2005), a pesquisa se caracteriza como descritiva, já que promove a descrição das características de determinada população ou fenômeno. 5 Quanto à abordagem, a pesquisa é considerada quantitativa, já que faz uso de técnica estatística para verificar a relação entre as variáveis do estudo (COLLIS; HUSSEY, 2005). Consiste, ainda, de uma pesquisa documental, porquanto utiliza informações obtidas a partir de relatórios e outras fontes públicas, disponibilizadas pelas empresas no portal eletrônico da BM&FBovespa e em seus próprios websites. Foram analisadas informações contidas no Formulário de Referência. Relativamente à participação do capital estrangeiro, verificou-se no Formulário de Referência o item 15 – Controle acionário, que segmenta os acionistas por país de origem. Ressalta-se que as informações referem-se ao ano de 2010. Inicialmente foram analisadas as 535 empresas listadas na BM&FBovespa, na posição de 10 de maio de 2012, com a finalidade de se identificar aquelas com ações em mercados estrangeiros. Dessa forma, o estudo investiga os graus de internacionalização de 64 empresas com essa característica – ações negociadas no mercado estrangeiro. O reduzido número de empresas da amostra (12% do total listado na BM&FBovespa na posição de 10 de maio de 2012) pode ser atribuído a fatores como dificuldade burocrática, dispêndio de recursos e outros problemas identificados pelas empresas que ofertam ações em países estrangeiros. Bomfim, Santos e Pimenta Júnior (2007) destacam as várias dificuldades enfrentadas pelas empresas ao fazer a IPO (Initial Public Offering). Na presente pesquisa, o grau de internacionalização de cada empresa foi obtido pelo Índice da Unctad, ajustado pela variável capital estrangeiro no capital total da empresa, conforme proposto por Hassel et al.. Assim, o índice representa a média aritmética de três variáveis: receitas provenientes do exterior sobre receitas totais, quantidade de empregados no exterior sobre total de empregados, e proporção do controle acionário em posse de estrangeiros. O volume de receitas provenientes do exterior foi extraído do item 7.6 (Receitas Relevantes Provenientes do Exterior) do Formulário de Referência; a quantidade de empregados no exterior foi extraída do item 14.1 (Descrição dos Recursos Humanos); e a proporção do controle acionário em posse de estrangeiros foi extraída do item 15 (Controle), também do Formulário de Referência. Na análise dos dados, adotou-se uma combinação de duas técnicas, na forma a saber: (1) Análise de Conteúdo, para identificação e análise dos graus de internacionalização das empresas estudadas; e (2) Análise de Correspondência (Anacor), para se verificar a associação entre os graus de internacionalização e os respectivos portes; entre os graus de internacionalização e os respectivos valores de mercado; e entre os graus de internacionalização e os respectivos tempos de internacionalização. O valor de mercado e o porte de cada empresa, atribuídos segundo o valor do seuAtivo Total, foram extraídos do software Economática®. Para se identificar o tempo de internacionalização de cada empresa, contabilizou-se 1 ponto para cada mês, a partir da data em que a empresa passou a ofertar ações fora do país. Hair et al. (2005) assinalam que a Anacor tem por finalidade agrupar variáveis altamente associadas, dando como resultado a representação das relações entre as categorias das variáveis em um mapa perceptual. No presente estudo, a variável grau de internacionalização foi agrupada em função dos quartis ‘baixo’, ‘médio’, ‘alto’ e ‘muito alto’. A variável valor de mercado foi segmentada em ‘pequena’, ‘média’, ‘grande’ e ‘muito grande’; e a variável tamanho, assim como o tempo de internacionalização, foi segmentada em ‘pequena’, ‘média’, ‘grande’ e ‘muito grande’. Inicialmente, deve-se verificar a dependência dos dados, utilizando-se o Teste Quiquadrado (χ2). Esse teste verifica se há dependência entre as variáveis, sendo necessário para avaliar a adequação da aplicação da Anacor. Vale ressaltar que a Anacor apresenta uma natureza essencialmente descritiva, não comportando inferências de causa e efeito (FÁVERO et al., 2009). O presente estudo utilizou nível de significância 5%, o que corresponde a 95% de segurança na fidedignidade dos resultados. Para a coleta e processamento dos dados, foram 6 utilizados o software estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) e a planilha Excel. 4. RESULTADOS DA PESQUISA 4.1 Grau de Internacionalização Com base na dimensão financeira descrita por Hassel et al. (2003), que considera a participação do capital estrangeiro no capital total da empresa, a Tabela 1 apresenta a relação dos países onde são negociadas as ações das empresas da amostra. Tabela 1 – Países onde as ações das empresas são negociadas País Estados Unidos Espanha Luxemburgo Bermudas Argentina França Holanda Canadá Suíça Hong Kong Colômbia Singapura Irlanda Fonte: Dados da pesquisa. Número de empresas 54 11 7 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Pela Tabela 1, percebe-se que as empresas da amostra listadas na BM&FBovespa, em sua grande maioria (quase 2/3), ofertam ações nos Estados Unidos. Em número menor, porém relevante, são negociadas ações na Espanha e em Luxemburgo. Conforme dados da pesquisa, a Bombril S. A. foi a primeira empresa a ofertar ações em outros países, na posição de primeiro de junho de 1994. O BTG Pactual Participations Ltd. foi a que transacionou ações no estrangeiro mais recentemente (26 de abril de 2012), tomando-se como referência a data utilizada da coleta dos dados (10 de maio de 2012). Destaca-se que, comparativamente aos outros anos analisados, 2007 registrou a maior quantidade de empresas que ofertaram ações em outros países, totalizando 12 companhias. A Tabela 2 apresenta a estatística descritiva das variáveis que compõem o grau de internacionalização de 62 empresas da amostra; duas empresas foram excluídas, por não apresentar os dados necessários para a análise. Tabela 2 – Estatística descritiva das variáveis Variáveis Controle Acionário Receita de Exportação Número de Empregados Fonte: Dados da pesquisa. N 62 62 62 Mínimo 0 0 0 Máximo 0,75 1 1 Média 0,13887 0,13758 0,06903 Desvio-padrão 0,20520 0,25851 0,21261 Com relação à participação de capital estrangeiro, o Banco Santander Brasil S. A. e a empresa Wilson Sons Ltd. apresentaram elevados níveis de controle acionário estrangeiro, correspondentes a 75,1% e 73,8% do total de ações, respectivamente. Quanto à proporção do número de empregados no exterior em relação ao total de empregados, as empresas Pacific Rubiales Energy e TGLT S. A. registraram índice correspondente a 100%. Na maioria das empresas essa proporção não é significativa, o que corrobora o estudo de Barcellos e Cyrino (2007), segundo o qual se trata de uma das menores variáveis em relação ao grau de internacionalização. 7 No que tange à proporção da receita de exportação em relação à receita líquida total, a Pacific Rubiales Energy também registrou índice correspondente a 100%. É preciso destacar também a atuação das empresas Embraer S. A., Fibria Celulose S. A. e Vale S. A., cujas receitas de exportação corresponderam a 87,3%, 86,4% e 83,2% das respectivas receitas totais. Considerando-se as três variáveis, o Gráfico 1 traz a representação gráfica do grau de internacionalização de cada empresa analisada neste estudo. As empresas mais internacionalizadas, segundo os critérios da pesquisa e apresentadas no Gráfico 1, são a Pacific Rubiales Energy, com 66,7% de internacionalização, e a Dufry AG, com 64,1%. Onze das 62 empresas analisadas (17,7%) não chegaram a pontuar na pesquisa: Centrais Elétricas de Santa Catarina, Companhia Paranaense de Energia, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, CPFL Energia, CTEEP, Duke Energy, Eletropaulo, Gafisa, Laep, Tim e Vanguarda Agro. Considerando o conjunto da amostra, registrou-se um baixo grau de internacionalização, correspondente a 11,5%, sendo que 60 delas (96,8%) apresentaram grau de internacionalização inferior a 50%. Nenhuma empresa, portanto, chegou a alcançar 70% de internacionalização. 8 WILSON SONS LTD. VANGUARDA AGRO S.A. VALE S.A. USINAS SID DE MINAS GERAIS S.A.‐USIMINAS ULTRAPAR PARTICIPACOES S.A. TRACTEBEL ENERGIA S.A. TIM PARTICIPACOES S.A. TGLT S.A TELEFÔNICA BRASIL S.A TAM S.A. PORTX OPERAÇÕES PORTUÁRIAS S.A. PETROLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS PACIFIC RUBIALES ENERGY CORP. OI S.A. NET SERVICOS DE COMUNICACAO S.A. MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES S.A. MPX ENERGIA S.A. MMX MINERACAO E METALICOS S.A. MINERVA S.A. LUPATECH S.A. LIGHT S.A. LAEP INVESTMENTS LTD. KLABIN S.A. JHSF PARTICIPACOES S.A. ITAU UNIBANCO HOLDING S.A. HYPERMARCAS S.A. GOL LINHAS AEREAS INTELIGENTES S.A. GERDAU S.A. GAFISA S.A. FIBRIA CELULOSE S.A. ETERNIT S.A. EQUATORIAL ENERGIA S.A. EMBRAER S.A. ELETROPAULO METROP. ELET. SAO PAULO S.A. DUKE ENERGY INT. GER. PARANAPANEMA S.A. DUFRY A.G. CYRELA COMMERCIAL PROPERT S.A. EMPR PART CYRELA BRAZIL REALTY S.A.EMPREEND E PART CTEEP ‐ CIA TRANSMISSÃO ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA CSU CARDSYSTEM S.A. CR2 EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS S.A. CPFL ENERGIA S.A. COSAN LIMITED CIA SIDERURGICA NACIONAL CIA SANEAMENTO BASICO EST SAO PAULO CIA PARANAENSE DE ENERGIA ‐ COPEL CIA ENERGETICA DE MINAS GERAIS ‐ CEMIG CIA BEBIDAS DAS AMERICAS ‐ AMBEV CENTRAIS ELET DE SANTA CATARINA S.A. CENTRAIS ELET BRAS S.A. ‐ ELETROBRAS BRF ‐ BRASIL FOODS S.A. BRASKEM S.A. BRADESPAR S.A. BR MALLS PARTICIPACOES S.A. BOMBRIL S.A. BHG S.A. ‐ BRAZIL HOSPITALITY GROUP BCO SANTANDER (BRASIL) S.A. BCO BTG PACTUAL S.A. BCO BRADESCO S.A. B2W ‐ COMPANHIA GLOBAL DO VAREJO AGRENCO LTD. AES TIETE S.A. 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral 1900ral Gráfico 1 – Graus de internacionalização das empresas Fonte: Elaborado pelos autores. 9 Os resultados da presente pesquisa, apresentados no Gráfico 1, corroboram os estudos de Forte e Sette Júnior (2005) e Forte e Moreira (2007), que também constataram baixo grau de internacionalização em empresas brasileiras. Os resultados corroboram ainda estudos anteriores segundo os quais o baixo grau de internacionalização das empresas brasileiras, provavelmente, se deve à tardia internacionalização (ZEN; FENSTERSEIFER, 2008; DENBERG; GOMES, 2011). 4.2 Grau de Internacionalização e Valor de Mercado Das 62 empresas cujos graus de internacionalização foram analisados, para se verificar a sua relação com os respectivos valores de mercado, houve a exclusão de duas que não apresentaram informações sobre o valor de mercado, no banco de dados Economática®. A Tabela 3 apresenta a estatística descritiva das variáveis necessárias para essa análise. Tabela 3 – Estatística descritiva das variáveis Variável N Mínimo Valor de Mercado 60 320.958.040,00 (R$) Controle Acionário 60 0 Exportações 60 0 Número de 60 0 Empregados Fonte: Dados da pesquisa Máximo 380.246.723.170,00 Média Desvio-padrão 26.968.284.061,18 65.120.463.774,74 1 1 0,14250 0,12390 0,20888 0,23737 1 0,03815 0,12790 Destaca-se que a CSU Cardsystem S.A. apresentou o menor de valor de mercado, enquanto a Petrobras S. A. registrou o maior valor. Ao nível de 5% de significância, com 6 graus de liberdade, o Teste Qui-quadrado foi rejeitado com p-value=0,076, o que dá suporte para aceitar a hipótese nula de independência entre as variáveis; ou seja, o grau de internacionalização não possui associação com o valor de mercado, não sendo, portanto, adequado para aplicar a Anacor. 4.3 Grau de Internacionalização e Tamanho A análise da relação entre o grau de internacionalização e o tamanho foi realizada com 62 empresas. O Itaú Unibanco Holding S. A. registrou o maior Ativo Total, enquanto a CSU Cardsystem S. A. apresentou o menor valor. Similarmente à análise em relação ao valor de mercado, o Teste Qui-quadrado foi realizado com seis graus de liberdade, sendo significante ao nível de 5% com p-value = 0,002, o que rejeita a hipótese nula de independência entre as variáveis. Dessa forma, a Anacor foi realizada de modo a identificar alguma associação porventura existente entre as variáveis. As variáveis foram categorizadas conforme descrito na metodologia, a partir de quartis, de modo a identificar e separar quatro níveis distintos para o grau de internacionalização e para o tamanho, mensurado segundo o Ativo Total. A partir da Anacor, foi possível a construção do mapa perceptual, que possibilita a visualização das relações entre o grau de internacionalização e o tamanho. A Anacor apresentada no mapa perceptual (Gráfico 2) mostrou que há uma associação intensa entre um ‘baixo’ grau de internacionalização e um ‘pequeno’ porte. Pode-se inferir ainda que há uma associação entre um ‘grande’ porte e um ‘médio’ grau de internacionalização. Observa-se também a ausência da representação do quartil ‘muito alto’ referente ao grau de internacionalização, já que nenhuma empresa atingiu esse nível. 10 Gráfico 2 – Mapa perceptual Fonte: Elaborado pelos autores. Apesar de este estudo haver constatado uma intensa associação entre um pequeno porte e um baixo grau de internacionalização, Honório (2009) comenta que a literatura não traz um consenso sobre o impacto do tamanho da companhia e as atividades internacionais. Holzmüller e Kasper (1991) e Rasheed (2005), por exemplo, identificaram que o tamanho da companhia não apresenta relação com a sua internacionalização. 4.4 Grau de Internacionalização e Tempo de Internacionalização De forma similar às demais análises, foi realizado o Teste Qui-quadrado ao nível de 5% de significância, com 6 graus de liberdade, para verificar a dependência entre as variáveis grau de internacionalização e tempo de internacionalização. O valor do teste é de pvalue=0,402, o que dá suporte para aceitar a hipótese nula de independência entre as variáveis, ou seja, que o grau de internacionalização não possui associação com o tempo de internacionalização. Dessa forma, não foi possível fazer a aplicação da Anacor. Buscava-se aqui uma associação em que se esperava que as primeiras empresas a ofertar ações no mercado estrangeiro apresentassem grau de internacionalização maior que o das demais. Como a maioria das empresas apresentou baixo grau de internacionalização, o teste não conseguiu encontrar qualquer associação entre as variáveis. Vale destacar que a Bombril S. A. foi a primeira empresa a ofertar ações no mercado estrangeiro em 1994, apresentando baixo grau de internacionalização (12%). Conforme já mencionado, estudos anteriores confirmam que o baixo grau de internacionalização das empresas brasileiras pode estar relacionado com a sua tardia internacionalização (ZEN; FENSTERSEIFER, 2008; DENBERG; GOMES, 2011). 5. CONCLUSÕES O estudo teve por objetivo investigar o grau de internacionalização das empresas listadas na BM&FBovespa cujas ações são negociadas em bolsas de valores de outros países. A pesquisa reúne 64 empresas de capital aberto e utiliza o modelo da Unctad, ajustado com a variável da dimensão financeira – composição do capital – do modelo de Hassel et al., para a determinação do grau de internacionalização. Além disso, o estudo verificou a existência de relação entre o grau de internacionalização e as seguintes variáveis: valor de mercado; porte, avaliado segundo o Ativo Total; e tempo de internacionalização. 11 Os resultados revelam que as empresas brasileiras com ações negociadas em outros países apresentam baixo grau de internacionalização, corroborando estudos anteriores, que indicam baixo grau de internacionalização das empresas brasileiras em virtude de um tardio processo de internacionalização, provavelmente em decorrência da abertura dos blocos econômicos na década de 1990. Pôde-se constatar ainda que o número de empregados das empresas brasileiras no exterior é, em sua maioria, bastante reduzido, o que implica, apesar de não ter sido objeto de estudo, uma quantidade pequena ou nula de subsidiárias no exterior. É preciso destacar que a maioria das empresas também apresentou baixo grau de exportação em relação à sua receita total. Destaca-se que as empresas Pacific Rubiales Energy e Dufry AG atingiram os maiores graus de internacionalização entre as empresas pesquisadas. Enquanto isso, 11 das 64 empresas nem sequer pontuaram nesse quesito. Por meio da aplicação da Anacor, não foi encontrada para nenhuma das 64 empresas qualquer relação entre o grau de internacionalização e o valor de mercado. Também não foi encontrada associação entre o grau de internacionalização e o tempo de internacionalização. Constatou-se, no entanto, uma intensa associação entre um porte pequeno e um baixo grau de internacionalização. É preciso salientar que esta pesquisa se limitou a construir um grau de internacionalização com base em dados disponibilizados pelas empresas para o mercado (dados públicos), o que pode ser considerado uma limitação da pesquisa, já que foram utilizadas poucas variáveis para se determinar o grau de internacionalização das empresas. Sugerem-se novas pesquisas nessa temática, utilizando maior número de variáveis e em períodos distintos, com a aplicação de ferramentas estatísticas mais complexas. REFERÊNCIAS ATHREYE, S.; KAPUR, S. Introduction: the internationalization of Chinese and Indian firms trends, motivations and strategy. Industrial and Corporate Change, v. 18, n. 2, p. 209-221, 2009. BARCELLOS, E. P.; CYRINO, A. B. Quão internacionalizadas são as nossas multinacionais? Proposta de metodologia e resultados da sua aplicação a empresas brasileiras com atuação no exterior. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 31., 2007, Rio de Janeiro. 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