I Curso de Doutoramento em Direito Ramo de Direito Público Direito Constitucional Tema geral: “A Justiça Constitucional e os seus Modelos” Prof. Doutor Nuno Piçarra Prof. Doutor Raul Araújo A) Programa: I. Definições preliminares. 1. Estado de Direito, Separação de Poderes e Justiça Constitucional. 2. A garantia da Constituição no Estado de Direito democrático e as suas espécies. 3. A justiça constitucional como garantia jurisdicional da Constituição. 4. O modelo norte-americano e o modelo europeu de justiça constitucional. II. Antecedentes, origens e evolução do modelo norte-americano de justiça constitucional 1. O Federalista n.º 78. 2. O dispositivo da Constituição norte-americana de 1787. 3. O acórdão Marbury v. Madison (1803) e a sua retórica argumentativa. 4. O carácter essencialmente difuso e concreto do modelo: significado e consequências jurídicas. 5. O papel e as características da Supreme Court federal. 1 6. Os desenvolvimentos ulteriores do modelo. Do “governo de juízes” à protecção dos direitos fundamentais e das minorias. 7. As principais questões em aberto. Em especial, a questão recorrente da legitimidade da justiça constitucional. III. Antecedentes, origens, evolução e variantes do modelo europeu de justiça constitucional 1. Os antecedentes oitocentistas franceses e alemães. Ausência quase total de impacto prático. 2. As razões de mais de um século de “atraso” em relação ao sistema norteamericano: uma concepção de lei e de poder legislativo nos antípodas da norte-americana. A influência teórica de Rousseau e de Kant. 3. A concepção de Hans Kelsen sobre a garantia jurisdicional da Constituição. 4. O modelo kelseniano de justiça constitucional. A Constituição austríaca de 1920 e o primeiro Tribunal Constitucional europeu. Formação, composição, competência e funcionamento. 5. A complementação do modelo com a “questão prejudicial de constitucionalidade” e com a “queixa constitucional” ou o “recurso directo de constitucionalidade”. 6. O carácter essencialmente concentrado do modelo e as suas componentes de fiscalização abstracta e concreta. Significado e alcance. 7. A variante francesa do Conseil Constitutionnel. A evolução deste órgão para um verdadeiro Tribunal Constitucional com competência de fiscalização preventiva e sucessiva concentrada da constitucionalidade. 2 IV. Os sistemas mistos 1. O caso português. 2. O caso brasileiro. 3. O caso da União Europeia. V. O caso angolano B) Bibliografia: - AA VV, Legitimidade e Legitimação da Justiça Constitucional. Colóquio no 10.º Aniversário do Tribunal Constitucional, Coimbra, 1995; - AA VV, “Judicial Review. O Sonho Americano”, in Sub Júdice, n.º 12, 1998; - Ahumada Ruiz, Marian, “Alternativas a la Judicial Review y variedades de Judicial Review”, in Themis, ano VI, n.º 10, pp. 41-65; - Amaral, Maria Lúcia, “Problemas da Judicial Review em Portugal”, in Themis, ano VI, n.º 10, 2005, pp. 67-90; - Barbosa, Rui, Os Actos Inconstitucionais do Congresso e do Executivo, Rio de Janeiro, 1962; - Canotilho, José Joaquim Gomes, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7.ª edição, Coimbra, 2003, pp. 883-1053; - Cappelletti, Mauro, O Controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, tradução portuguesa, Porto Alegre, 1984; - Corwin, Edward S., “The Higher Law Background of American Constitutional Law”, in Harvard Law Review, XL, 1928, pp. 149-185 e pp. 365-409; - Ferraz, Anna Candida da Cunha, “Aspetos da projeção da democracia participativa na atuação do Supremo Tribunal Federal”, Revista de Direito Público, n.º 5, 2011. 3 - Fried, Charles, “Judicial Review”, in Anuário Português de Direito Constitucional, Volume I, 2001, pp. 31-42; - Gouveia, Jorge Bacelar, Manual de Direito Constitucional, Volume II, 3.ª edição, Coimbra, 2009, pp. 1293-1383; - Graça, José Lopes da, Controlo da Constitucionalidade das Leis no Espaço Lusófono, Praia, 2003; - Häberle, Peter, “O recurso de amparo no sistema germânico de justiça constitucional”, tradução portuguesa, in Sub Júdice, n.º 20/21, pp. 33-64; - Kelsen, Hans, “A Garantia Jurisdicional da Constituição (A Justiça Constitucional)”, tradução portuguesa, in Sub Júdice, n.º 20/21, pp. 9-32; - Medeiros, Rui, A Decisão de Inconstitucionalidade. Os autores, o conteúdo e os efeitos da decisão de inconstitucionalidade da lei, Lisboa, 1999; - Miranda, Jorge, Manual de Direito Constitucional, Tomo VI, Inconstitucionalidade e Garantia da Constituição, 3.ª edição, Coimbra, 2008; - Morais, Carlos Blanco, Justiça Constitucional, Tomo I, Garantia da Constituição e Controlo de Constitucionalidade, 2.ª edição, Coimbra, 2006, pp. 11-308; - Novais, Jorge Reis, “Em defesa do recurso de amparo constitucional (ou uma avaliação crítica do sistema português de fiscalização concreta da constitucionalidade)”, in Themis, ano VI, n.º 10, 2005, pp. 91-117; - Piçarra, Nuno, A Separação dos Poderes como Doutrina e Princípio Constitucional. Um contributo para o estudo das suas origens e evolução, Coimbra, 1989; - Piçarra, Nuno “A Justiça Constitucional da União Europeia”, in Estudos Jurídicos e Económicos em Homenagem ao Prof. Doutor António de Sousa Franco, Volume III, Coimbra, 2006, pp. 467-501; - Rosenfeld, Michel, “Constitutional Adjudication in Europe and the United States”, in I-CON, volume 2, n.º 4, 2004, pp. 633-668; - Rousseau, Dominique, “Do Conselho Constitucional ao Tribunal Constitucional”, tradução portuguesa, in Sub Júdice, n.º 20/21, 2001, pp. 65-70; 4 - Schmitt, Carl, La Defensa de la Constitución, tradução castelhana, Madrid, 1983; - Segorbe, Beatriz e Trabuco, Cláudia, O Conselho Constitucional Francês. Legitimidade e vias de legitimação da justiça constitucional, Coimbra, 2002. 5