SUPERAÇÃO DE DORMÊNCIA EM Sapindus saponaria L. (SAPINDACEAE)
Júnior César de Andrade1, Marcos Felipe Ferreira Silva, Aderlan Gomes da silva,
Rodrigo Alexandre Sobreira, Cláudia Aparecida Pontes.
1
Instituto Federal de Minas Gerais – IFMG campus São João Evangelista/Curso Superior de Tecnologia em
Silvicultura, Avenida 1º de Junho Nº 1043 - Centro - São João Evangelista - MG CEP: 39705-000,
[email protected]
Resumo - Espécies florestais com sementes duras freqüentemente apresentam consideráveis problemas
para os viveiristas, por serem impermeáveis à água, o que dificulta ou retarda a germinação. Este trabalho
teve como objetivo determinar uma metodologia eficiente, prática e de baixo custo na superação da
dormência em sementes de saboneteira. Os tratamentos foram: sementes com tegumento integro coletadas
no solo; sementes com tegumento trincado naturalmente coletadas na planta-mãe; sementes com
tegumento trincado naturalmente coletadas no solo; sementes escarificadas com lixa d’água N° 100
colhidas na árvore e sementes também escarificadas com lixa, coletadas no solo. As características
avaliadas foram a porcentagem de emergência (PEp), índice de velocidade de emergência (IVEp) e tempo
médio de emergência (TMEp). Os resultados obtidos permitiram recomendar o uso de sementes com
tegumento trincado naturalmente tanto na planta-mãe quanto do solo, demonstrando ser um método
simples e eficiente na superação da dormência em sementes de saboneteira.
Palavras-chave: Sapindus saponaria, dormência e germinação.
Área do Conhecimento: Engenharia Florestal, Silvicultura e Propagação de espécies florestais.
Introdução
A saboneteira (Sapindus saponaria L.) é uma
espécie
arbórea
pertencente
à
família
Sapindaceae com altura entre 5 a 9 metros,
utilizada em reflorestamento de áreas degradadas
e de preservação permanente, é também utilizada
na construção civil por apresentar tronco cilíndrico.
Apresenta grande potencial para ser utilizada no
paisagismo, por apresentar copa densa. Pode ser
encontrada na região Amazônica até Goiás e Mato
Grosso, em floresta pluvial e semidecidual. A
emergência da plântula ocorre normalmente com
cerca de 20 a 40 dias após a semeadura e,
geralmente a porcentagem de germinação é
moderada a baixa (LORENZI, 2000).
Espécies florestais tropicais com sementes
duras, freqüentemente apresentam consideráveis
problemas para os viveiristas por apresentarem
tegumentos impermeáveis, restringindo a entrada
de água e oxigênio, oferecendo alta resistência
física ao crescimento do embrião (MOUSSA et al.,
1998). Assim, a dormência passa a ser um
transtorno quando as sementes são utilizadas
para produção de mudas, em virtude do longo
tempo para que ocorra a germinação, ficando as
mesmas sujeitas às condições adversas, o que
favorece
o
ataque
de
fungos
e,
conseqüentemente, pode acarretar grandes
perdas (BORGES et al., 1982).
Entre os métodos utilizados para superação da
dormência tegumentar, a escarificação mecânica é
uma técnica freqüentemente utilizada e constitui a
opção mais prática e segura para pequenos
agricultores (HERMANSEN et al., 2000), além de
ser um método simples, de baixo custo e eficaz
para promover uma rápida e uniforme germinação.
No entanto, deve ser efetuada com muito cuidado
para evitar que a escarificação excessiva possa
causar danos ao tegumento e diminuir a
germinação (McDONALD & COPELAND, 1997).
Este trabalho teve como objetivo identificar os
métodos mais eficientes na superação da
dormência
tegumentar
em
sementes
de
saboneteira.
Metodologia
O experimento foi conduzido na casa de
vegetação do campus do Instituto Federal de
Minas Gerais, (IFMG) que apresenta altitude de
680 metros, com temperatura média de 22º C
(PORTALSJEVANGELISTA, 2008).
As sementes de saboneteira (Sapindus
saponaria) utilizadas no experimento foram
obtidas de uma única árvore matriz, colhidas em
março de 2008. O processo da extração da
semente envolveu primeiramente a abertura dos
frutos, manualmente, estas passaram por uma
triagem
manual
descartando-se
aquelas
deformadas, inviáveis para o experimento. Após a
abertura, as sementes extraídas sofreram
processo de desinfecção, lavadas com detergente
neutro e imersa em álcool 70% (sob agitação por 1
minuto), logo após imersas em hipoclorito de sódio
10% (15 minutos sob agitação), em seguida
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foi calculado a partir da primeira plântula que
lavada em água corrente e levada para secagem à
emergiu sob o substrato, no período de 30 dias
sombra.
após a semeadura. Considerou-se como plântulas
O processo de escarificação foi feito na região
emergidas, aquelas que apresentavam o epicótilo
oposta à micrópila, por meio de uma lixa d’água N°
com no mínimo 0,5 centímetro acima da superfície
100, também manualmente. Após este processo
do substrato.
as sementes foram selecionadas quanto à
O delineamento experimental utilizado foi em
integridade do tegumento e o local da coleta
blocos casualizado (DBC), com quatro repetições
(árvore/solo), em seguida divididas em lotes
em seis tratamentos de 25 sementes (4 x 6).
contendo 150 sementes para cada tratamentos em
quatro repetições de 25.
A semeadura foi feita em bandejas de
Resultados
polietileno com 42 cm de comprimento por 28 de
As sementes que apresentavam tegumento
largura e oito de profundidade contendo areia
integro, tratamentos 1 e 2, apresentaram as
como substrato, sob condições de casa de
menores médias de porcentagens de emergência,
vegetação com 50% de sombreamento. As
14 e 9% respectivamente e os menores índices de
sementes foram semeadas de modo que a
velocidade de emergência, o que leva a crer que o
mesmas ficassem a 1,0 cm abaixo do nível do
tegumento é o fator limitante da germinação dessa
substrato. Foram realizadas regas diárias com
espécie. O tratamento 4 foi o que apresentou os
vistas a manter o substrato sempre úmido.
melhores resultados tanto para a porcentagem de
As sementes foram submetidas a cinco
emergência quanto para o IVE, 85% e 1,587
tratamentos: T1 - testemunha (sementes com
respectivamente, seguido pelo tratamento 3 com
tegumento integro, coletadas na planta-mãe); T2 uma porcentagem média de emergência de 69% e
sementes com tegumento integro coletadas no
o IVE de 1,267, demonstrando ser os métodos
solo; T3 - sementes com tegumento trincado
mais eficientes na superação da dormência em
naturalmente coletadas na planta-mãe; T4 sementes de saboneteira (Tabela 1).
sementes com tegumento trincado naturalmente
Destacaram-se também os tratamentos 5 e 6
coletadas no solo; T5 - sementes escarificadas
que foram submetidos a escarificação mecânica,
com lixa d’água N° 100 colhidas na árvore e T6 esses tratamentos apesar de apresentarem
sementes também escarificadas com lixa, colhidas
valores
significativamente
menores
na
no solo.
porcentagem
de
emergência
e
no
índice
de
Os parâmetros de resposta considerados foram
velocidade de emergência em relação aos
a porcentagem de emergência de plântulas (PEp),
tratamentos 3 e 4, também demonstraram ser
obtidos através de contagens diárias para calcular
eficientes na superação da dormência imposta
a porcentagem de plântulas emergidas para cada
pelo tegumento, apresentado uma média de 54 e
repetição. O índice de velocidade de emergência
55% de emergencia de plântulas e um índices de
de plântula (IVEp), abtido através de contagens
velocidade de emergência de 0,921 e 0,905
diárias, a partir do primeiro dia em que a primeira
respectivamente.
plântula emergiu sob o substrato ao final do 30°
Em relação ao tempo médio de emergencia
dia após a semeadura, os dados diários do
(TMEp),
não houve diferença significativa entre
número de plântulas foram empregados na
tratamentos
(Tabela 1).
formula de velocidade de emergência, segundo a
metodologia proposta por (MAGUIRRE, 1962). O
tempo médio de emergência de plântulas (TMEp)
Tabela 1 – Porcentagem de emergência (PEp), índice de velocidade de emergência (IVEp) e tempo médio
de emergência (TMEp).
PEp
IVEp
TMEp
TRATAMENTOS
(%)
T.1
14 (8,32) c
0,201 (0,09) d
16,58 (2,88)
T.2
9 (5,03) c
0,142 (0,06) d
16,12 (4,32)
T.3
69 (10,51) a b
1,267 (0,15) b
13,57 (0,24)
T.4
85 (6,00) a
1,587 (0,13) a
13,58 (0,24)
T.5
54 (7,65) b
0,921 (0,12) c
14,83 (0,62)
T.6
55 (6,00) b
0,905 (0,07) c
14,53 (2,02)
As médias nos tratamentos seguidas pela mesma letra nas colunas não diferem entre si, pelo teste de
Tukey ao nível de significância de 5%. Para o TMEp não houve diferença significativa na ANOVA. Os
valores entre parênteses são referentes ao desvio padrão da média.
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Discussão
Segundo Vazquez-Yanes e Orozco-Segovia
(1993), sob condições naturais, a escarificação
pode se dar pelo aquecimento úmido ou seco do
solo, ou por temperaturas alternadas, o que
permitiria a entrada de água no interior da
semente. Esse processo pode ocorrer também
pela ação de ácidos, ingestão das sementes por
animais dispersores, além da ação dos
microorganismos presentes no solo.
Com
isso,
os
valores
encontrados
evidenciaram que os tratamentos em que as
sementes apresentavam tegumento trincado
naturalmente tanto na árvore quanto no solo,
foram eficientes na superação da dormência das
sementes, apresentando bons resultados na
porcentagem de emergência e no índice de
velocidade de emergência, onde os resultados
foram significativamente superiores os demais
tratamentos. Esses resultados demonstraram que
essas sementes provavelmente tenham sofrido
uma ruptura significativa no tegumento pela
alternância de temperatura no ambiente, essa
ruptura fez com que as mesmas embebessem e
dessem inicio ao processo germinativo.
Verificou-se
comportamento
similar
nas
sementes escarificadas manualmente, onde
promoveu a ruptura do tegumento permitindo a
entrada de água e oxigênio nas sementes,
demonstrando tambem ser um método simples e
eficiente para promover uma rápida e uniforme
germinação.
Com relação à testemunha, T1 e o T2, pode-se
verificar que as sementes intactas não permitiram
a absorção de água, caracterizando a processo de
dormência em nível de tegumento. A dormência
das sementes é causada por um bloqueio físico
representado pelo tegumento resistente e
impermeável que, ao impedir o trânsito da água e
as trocas gasosas, não permite a embebição da
semente nem a oxigenação do embrião, por isso
permanece
latente.
Essas
sementes,
denominadas
duras,
alcançam
grande
longevidade, e qualquer procedimento que permita
romper o tegumento (escarificação) fazendo-as
absorver água, promove sua germinação e
emergência de plântulas geralmente vigorosas
(GRUS, 1990).
Conclusão
A utilização de sementes com tegumento
trincado naturalmente tanto da árvore quanto no
solo, são eficientes na superação da dormência
tegumentar em saboneteira, porém sementes com
essas características podem não ser encontradas
em quantidades significativas na natureza,
recomendando-se então o tratamento com
escarificação mecânica, que além de ser um
método eficiente na superação da dormência é um
método simples, eficaz, de baixo custo e que pode
ser utilizado seguramente pelos viveiristas, sem
causar danos físicos a eles nem ao meio
ambiente.
.
Referências
-BORGES, E. E. L. et al. Comparação de métodos
de quebra de dormência em sementes de copaíba.
Revista Brasileira de Sementes, v. 4, n. 1, p. 912, 1982.
-GRUS, V. M. Germinação de sementes de Pauferro e Cassia javanesa submetidas a tratamentos
para quebra de dormência. Revista Brasileira de
Sementes, Brasília, v.2, n.6, p. 29 -35, 1990.
-HERMANSEN, L. A. et al. Pretreatments to
overcome seed coat dormancy in Dimorphandra
mollis. Seed Science & Technology, v. 28, n. 1,
p. 581-595, 2000.
-LORENZI, H. Árvores brasileiras: Manual de
identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas
do Brasil. Nova Odessa: Editora Plantarum, v.1,
2000. 368p.
-MAGUIRRE, J. D. Speed of germination aid in
selection and evaluation for seedling and
vigour. Crop Science, Madison, v.2, n.2, p.176177, mar./apr. 1962.
-McDONALD, M. B.; COPELAND, L.O. Seed
production: principles and practices. New Jersey:
Chapmam & Hall, 1997. 749 p.
-MOUSSA, H.; MARGOLIS, H. A.; DUBÉ, P. A.;
ODONGO, J. Factors affecting the germination of
doum palm (Hyphaene thebaica Mart.) seeds from
the semi-arid of Niger, West Africa. Forest
Ecology and Management, Amsterdam, v. 104, n.
1/3, p. 27-34, May 1998.
-PORTAL
SÃO
JOÃO
EVANGELISTA.
Localização. Cidade, 2008. Disponível em:
<http://www.portalsjevangelista.com/localizacao.as
p>. Acesso em: 17/11/2008
-VAZQUEZ-YANES, C.; OROZCO-SEGOVIA, A.
Patterns of seed longevity and germination in the
tropical rainforest. Annual Review of Ecology
and Systematics, v.24, p.69-87, 1993.
XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e
IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
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SAPINDACEAE