CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UniCEUB FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE - FACS CURSO DE ENFERMAGEM A REINTEGRAÇÃO NA SOCIEDADE DE PACIENTES COM SEQÜELAS DE QUEIMADURAS GRAVES NA PELE ISIS BARBOSA DA SILVA Brasília-DF Maio / 2007 ISIS BARBOSA DA SILVA A REINTEGRAÇÃO NA SOCIEDADE DE PACIENTES COM SEQÜELAS DE QUEIMADURAS GRAVES NA PELE Monografia apresentada ao Centro Universitário de Brasília – UNICEUB, como requisito parcial à conclusão do Curso de Bacharel em Enfermagem, sob a orientação da Professora MSc. Rita de Cássia Minetto. Brasília-DF Maio / 2007 É concedida ao Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) permissão para reproduzir cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta monografia pode ser reproduzida sem autorização do autor. _________________________________ Isis Barbosa da Silva [email protected] Isis Barbosa da Silva Brasília, 17 maio de 2007 Nome: Professora MSc. Nílvia Jaqueline Reis Linhares Coordenadora do Curso Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) ------------------------------------------------------Assinatura Nome: Professora Tereza Cristina Segatto Professora de Monografia Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) ------------------------------------------------------Assinatura Nome: Professora MSc. Rita de Cássia Minetto Orientadora da Pesquisa Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) ------------------------------------------------------Assinatura Dedicatória Dedico este trabalho especialmente a Deus, que me concedeu forças para lutar e alcançar meus objetivos; aos meus irmãos Baltazar, Angélica, Jonas e, em especial, à Maria Antônia; ao Tiago, meu sobrinho e, ao Lucas, meu filho. Agradecimentos Agradeço primeiramente a Deus, por ter aumentado as minhas forças para vencer os obstáculos que apareceram em minha vida acadêmica.Aos amigos que contribuíram com palavras de conforto nos momentos difíceis. Aos colegas de trabalho, pelo apoio e cooperação nas muitas horas de necessidade. Aos Mestres que tanto contribuíram para o meu desenvolvimento intelectual e, especialmente, à Professora Rita Minetto, pelos ensinamentos e atendimento cordial na orientação deste trabalho. Resumo O presente trabalho teve por objetivos conhecer e discutir a reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele, visto que se constituem num problema de saúde pública significativo no Brasil, atingindo pessoas de todas as idades e de ambos os sexos. Para o alcance dos objetivos, como metodologia, recorreu-se revisão bibliográfica que discute como as queimaduras configuram em causa de mortalidade, além de resultarem em considerável morbidade pelo desenvolvimento de seqüelas. Assim, constatouse que, apesar do aumento de sobrevida dos pacientes portadores de queimaduras, dos avanços terapêuticos na avaliação, classificação, tratamento e controle da área corporal queimada, a aquisição de infecção é tida como a principal complicação se comparada com outros fatores preponderantes. Desse modo, a implantação de centros especializados para o tratamento de pacientes queimados com formação de equipes especializadas, aplicando medidas técnicas, terapêuticas, educativas permanentes e adequadas, associadas à introdução de medidas de vigilância epidemiológica, favorece sensivelmente a diminuição dos índices de morbidade e mortalidade. Palavras-chave: Enfermagem – Queimaduras de Pele – Reintegração Social Abstract This work aimed to know and discuss reintegration in society of people who burnt their skin in accidents, because this kind of occurrence constitutes a public healthy problem in Brazil, of people of all ages and sex. To reach the goals, as methodology, we made a literature review which discusses how burns cause death and result in a considerable morbidity by development of sequels. This way, we verified, spite of increasing of survival of patients with burns, of therapeutic advances in valuation, classification, treatment and control of burning corporeal area, infections is shown as principal complication if compared with others preponderant aspects. Thus, implantation of specialized centers to treatment of people with skin burns and with expert professionals, applying permanent and adequate, educative, therapeutic techniques measures, in association to introduction of measures, of epidemiological vigilance, support sensitively a decreasing of rate of morbidity and death. Key-words: Nursery – Skin Burns – Social Reintegration SUMÁRIO INTRODUÇÃO .........................................................................................................10 1.1 O SER HUMANO E SUA RELAÇÃO COM O FOGO............................................................................. 11 1.2 ALGUNS CONCEITOS E DEFINIÇÕES IMPORTANTES.................................................................... 13 2 OBJETIVOS ...........................................................................................................15 2. 1 GERAL.......................................................................................................................................................... 15 2.2 ESPECÍFICOS .............................................................................................................................................. 15 3 METODOLOGIA DA PESQUISA...........................................................................16 4 ETIOLOGIA, EPIDEMIOLOGIA E MEDIDAS PREVENTIVAS ...........................18 4.1 FISIOPATOLOGIAS DAS QUEIMADURAS ........................................................................................... 20 4.2 AVALIAÇÃO DAS QUEIMADURAS ........................................................................................................ 20 4.3 LOCALIZAÇÃO DAS QUEIMADURAS .................................................................................................. 25 4.4 DOENÇAS E CONDIÇÕES ASSOCIADAS .............................................................................................. 26 4.5 A INALAÇÃO DE PRODUTOS DE COMBUSTÃO ................................................................................ 26 4.6 OS PRIMEIROS CUIDADOS ..................................................................................................................... 27 4.6.1 Resfriamento da área Queimada................................................................................................................... 27 4.7 TRATAMENTOS E TÉCNICAS DE RECONSTITUIÇÃO .................................................................... 28 4.7.1 Tratamento Cirúrgico ................................................................................................................................... 29 4.8 PRINCIPAIS SEQÜELAS DE QUEIMADURAS...................................................................................... 31 4.8.1 Contraturas ................................................................................................................................................... 32 4.8.2 Cicatriz Hipertrófica e Quelóide................................................................................................................... 33 4.8.3 Quelóide ....................................................................................................................................................... 33 4.8.4 Cicatriz Hipertrófica..................................................................................................................................... 33 5 A REINTEGRAÇÃO DE PACIENTES COM SEQÜELAS DE GRAVES QUEIMADURAS NA PELE.......................................................................................34 5.1 REABILITAÇÃO.......................................................................................................................................... 35 5.1.1 O Papel do Enfermeiro ................................................................................................................................. 35 5.1.2 O Papel do Fisioterapeuta............................................................................................................................. 36 5.1.3 O Apoio Psicológico..................................................................................................................................... 37 5.1.2 Terapia Ocupacional..................................................................................................................................... 38 5.2 MEDIDAS PREVENTIVAS......................................................................................................................... 39 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................43 10 INTRODUÇÃO A queimadura é um dos traumatismos mais devastadores que pode atingir os seres humanos. Sua importância decorre não só da freqüência com que ocorre, mas, principalmente pela sua capacidade de provocar seqüelas funcionais, estéticas e psicológicas, além das altas taxas de mortalidade. Este estudo tem como objetivos principais levantar informações e discutir a reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele e que trazem seqüelas desse doloroso incidente. No Brasil, a ocorrência e o tratamento especializado de queimaduras em nosso meio é um importante problema de saúde pública. Apesar dos avanços terapêuticos na avaliação, classificação, tratamento e controle da área corporal queimada, a aquisição de infecção é tida como a principal complicação se comparada com demais fatores preponderantes. Realiza-se neste estudo, uma revisão da literatura, buscando conhecer ações interventivas de reintegração na sociedade de pessoas com seqüelas de queimados, destacando o acompanhamento pela enfermagem dessas vítimas. Estudo realizado em 2005 mostra que a média de pacientes vítimas de queimaduras atendidas no serviço de emergência do Hospital Regional da Asa norte-(HRAN) foi de sete pacientes por dia, totalizando 2.509 pacientes no período de 12 meses do estudo, sendo que 11% desses pacientes necessitaram de internação para cuidados semi-intensivos ou intensivos (Revista de Saúde do Distrito Federal). Desse modo, a implantação de centros especializados, o conhecimento médico e as técnicas cirúrgicas para tratamento de queimados evoluíram muito, permitindo um aumento significativo da sobrevida destes pacientes. O efeito imediato destes avanços foi o 11 reconhecimento da crescente necessidade de abordagens da queimadura sob uma ótica multidisciplinar. Assim, os esforços para integrar da prevenção primária até cuidados que visem limitar seqüelas funcionais e estéticas e suporte psicológico são essenciais para a plena reintegração do queimado ao seu meio social. Uma equipe multiprofissional atua com a finalidade não apenas de reverter um quadro grave, provocado inicialmente, mas estendendo-se ao fato de que a formação de cicatrizes e deformidades resultantes não devem ser negligenciadas, visando os melhores resultados com o menor prejuízo ao paciente através de medidas técnicas e terapêuticas, educativas permanentes adequadas e de forma individualizada associadas à introdução de medidas de vigilância epidemiológica, favorece sensivelmente a diminuição dos índices de morbidade e mortalidade, principalmente relacionados ao controle de infecção. Esta monografia consta de seis capítulos. No primeiro, resgata-se a relação do ser humano com o fogo; no segundo, levanta-se o vocabulário relevante para este estudo, com conceitos e definições; o terceiro aborda a metodologia empregada nesta pesquisa; no quarto capítulo, resgata-se aspectos relevantes do quadro clínico e psicológico do paciente com queimaduras de pele, no quinto, discute-se formas de reintegração de pacientes com seqüelas de queimaduras graves na pele, por meio de propostas viáveis, condizentes com realidade, e por fim o sexto capitulo apresenta as considerações finais do estudo. 1.1 O SER HUMANO E SUA RELAÇÃO COM O FOGO Segundo Souza (1975), o sol, após sua formação há quatro bilhões de anos, tornou-se uma estrela de quinta grandeza, provendo-nos de uma fonte de calor e energia vital a todos os seres da Terra. 12 A Pré-História iniciou-se aproximadamente há 250 milhões de anos, e por volta de 150 milhões de anos atrás, surgiu o Pithecantrophus erectus que desenvolveu a fala e conheceu o fogo através de raios, vulcões e terremotos, que geravam ainda grandes mudanças no planeta. O fogo era, pois, roubado da natureza, uma vez que o homem primitivo, não possuía conhecimento para reproduzi-lo. O Homo erectus consegue, por sua vez, manter o fogo aceso em condições ambientais hostis, utilizando a resina de eucalipto. O Homo sapiens arcaico era nômade, constituía comunidades onde predominava a propriedade coletiva dos meios de produção, usava vestuário de pele de animais, utilizava magia simpática e a pintura como arte suprema, vivia em cavernas, caçava, pescava e alimentava-se com o auxílio do fogo, constituindo-se a organização de tribos que deram origem a formações sociais mais complexas, tudo isto já com o domínio no manuseio do fogo (SOUZA, 1975). Na Idade dos metais, o Homo sapiens aperfeiçoa técnicas de metalurgia com o fogo, elaborando instrumentos de trabalho e armas. A Idade Antiga foi marcada por guerras de posse pela terra e poder. No Egito, por volta de 280 a.C., era criado o primeiro Farol da História em Alexandria, considerado uma das sete maravilhas do Mundo Antigo, cujo fogo iluminava o Porto orientando as embarcações à noite no mar. Neste mesmo período, o mel era associado a outras especiarias na conservação de múmias e utilizado no tratamento de queimaduras. O fogo também era utilizado na iluminação de castelos e ruelas; o sol, fonte maior de calor, servia de guia para o calendário e relógio solar, inspirando a invenção da roda no século II, Império babilônico; e na China eram inventados a pólvora e o papel (SOUZA, 1975). A Idade Contemporânea foi iniciada pela Revolução Francesa que provocou uma transformação política, social e econômica da França e Europa. Por volta de meados do séc. 13 XIX a eletricidade e os derivados de petróleo substituem o vapor. Em 1879, a lâmpada de Edson, antes concebida por Humphfrey Davy, em 1820, recebe o filamento incandescente. Com os grandes conflitos mundiais, Primeira e Segunda guerras, são criadas e utilizadas armas sofisticadas, mísseis e bombas atômicas que deixaram vítimas de radiação até os dias de hoje (SOUZA, 1975). 1.2 ALGUNS CONCEITOS E DEFINIÇÕES IMPORTANTES Neste estudo, pretende-se trazer alguns conceitos e definições com vistas a embasar a pesquisa bibliográfica e que são importantes para o seu desenvolvimento, tais como: CALOR Calor é energia que se transfere de um corpo a outro, em virtude, unicamente, da diferença de temperatura entre eles. Quando um corpo recebe ou cede calor, ocorre variação de temperatura ou mudança de estado físico (SEARS; SALINGER, 1979). Neste caso, os efeitos sobre a pele humana de calor em excesso são devastadores. QUEIMADURA A queimadura é a lesão dos tecidos orgânicos em decorrência de trauma de origem térmica (SERRA; MACIEL, 2004). Nesse sentido, a queimadura é toda e qualquer lesão produzida pela ação curta ou prolongada de temperaturas extremas no tecido de revestimento, presente no ser vivo denominado pele, podendo atingir mucosas, músculos, vasos sanguíneos, nervos e ossos, 14 podendo ser superficiais ou profundas e estão classificadas de acordo com a gravidade, pelo grau da lesão e pela extensão da área atingida. São geralmente provocadas por agentes físicos e químicos. A PELE HUMANA Considerado o maior órgão do corpo humano, veste o corpo como uma roupa sob medida, pesa aproximadamente 5 kg e esticada mede mais de 2 metros quadrados, aquece no frio e refresca no calor, armazenando uma quantidade enorme de sensores (DI FIORE, 1980). A pele constitui o mais extenso órgão sensorial do corpo, para recepção de estímulos táteis, térmicos e dolorosos. O seu teor de água é de cerca de 70% do peso da pele livre de tecido adiposo, contendo perto de 20% do conteúdo total de água do organismo. Sua espessura situa-se entre 0,5 e 4,0 milímetros. É composta de duas camadas principais: a epiderme, camada superficial composta de células epiteliais intimamente unidas e; a derme, camada mais profunda composta de tecido conjuntivo denso irregular (GUIRRO; GUIRRO, 2002). A pele forma uma barreira física que protege o corpo contra a invasão de microrganismos e a entrada de substâncias estranhas do meio exterior (incluindo a água). Também protege contra o excesso de radiação ultravioleta e reduz grandemente a perda de água do corpo para o meio. SEQÜELA De acordo com Dicionário Houaiss (2001, p. 675), seqüela na área de Saúde é o efeito de uma causa; conseqüência, resultado. Neste caso, estamos tratando do efeito do fogo e do calor sobre a pele humana. 15 2 OBJETIVOS 2. 1 GERAL • Discutir a reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele. 2.2 ESPECÍFICOS • Explicar as principais causas e conseqüências de queimaduras na pele; • Conhecer tratamentos e técnicas de reconstituição de tecidos da pele com queimaduras; • Propor ações de prevenção a queimaduras em crianças e adultos. • Conhecer os tratamentos psicológicos e de reintegração de pessoas com graves queimaduras; 16 3 METODOLOGIA DA PESQUISA Segundo Medeiros (2004, p. 50), a pesquisa deve se constituir num procedimento formal para a aquisição do conhecimento sobre a realidade que nos cerca. Desse ponto de vista, esta pesquisa fundamenta-se na revisão da literatura vigente sobre causas, conseqüências e tratamento de pacientes com graves queimaduras na pele. Desta maneira, recorremos à pesquisa bibliográfica: A pesquisa bibliográfica é passo decisivo em qualquer pesquisa científica, uma vez que elimina a possibilidade de se trabalhar em vão, de se despender tempo com o que já foi solucionado. O êxito nos estudos depende em grande parte da leitura que o estudioso realiza. A leitura feita segundo regras elementares favorece a tomada de notas, de apontamentos, a realização de resumos e o estudo propriamente dito (MEDEIROS, 2004, p. 51). Segundo Barros; Lehfeld (2003), só conheceremos realmente o objeto de pesquisa, se nos envolvermos no estudo todos os aspectos, justificando o porquê de resgatar a história e comentar sobre a importância do fogo e suas conseqüências benéficas e/ou maléficas, afirmam: Para conhecermos realmente o objeto de pesquisa temos que abarcar e estudar todos os seus aspectos, todas as suas ligações, mediações e contradições. Deve-se considerar o objeto no seu desenvolvimento, no movimento próprio, na sua transformação. Não há verdades abstratas, pois elas são sempre realidades concretas (BARROS; LEHFELD, 2003, p. 52). Para Gil (2002, p. 61), a escolha do tema de trabalho monográfico é um importante passo na elaboração de uma pesquisa bibliográfica, entretanto o autor alerta que este processo é bastante complexo e por isso logo após a escolha do tema, sugere um levantamento bibliográfico preliminar: 17 Esse levantamento bibliográfico preliminar pode ser entendido como um estudo exploratório, posto que tem a finalidade de proporcionar a familiaridade do aluno com a área de estudo no qual está interessado, bem como sua delimitação. Essa familiaridade é essencial para que o problema seja formulado de maneira clara e precisa. Para este estudo, realiza-se revisão da literatura, buscando conhecer e discutir a reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele, destacando o acompanhamento pela enfermagem dessas vítimas e que trazem seqüelas desse doloroso incidente, buscando conhecer ações interventivas de reintegração na sociedade de pessoas com seqüelas de queimaduras. Desse modo, recorremos à bibliografia que discute como as queimaduras configuram importante causa de mortalidade, além de resultarem em considerável morbidade pelo desenvolvimento de seqüelas, estando entre as mais graves a incapacidade funcional, especialmente quando atingem as mãos, as deformidades inestéticas, sobretudo da face, e também aquelas de ordem psicossocial, podendo causar inclusive complicações neurológicas, oftalmológicas e geniturinárias. Dessa discussão, pretende-se buscar conhecer por meio da leitura de artigos e principais livros que tratam das causas mais freqüentes das queimaduras em adultos e crianças, provocadas por diversas razões, propondo ações de prevenção e adequação dos primeiros cuidados adequados dispensados à vítima de queimadura, constituindo determinante fundamental no êxito final do tratamento, contribuindo decisivamente para a redução da morbidade e da mortalidade. Por isso, é necessário educar a população e treinar grupos populacionais de risco para agir corretamente diante de um caso de queimadura. Nesta perspectiva, nos programas de educação para a saúde deve-se incluir o ensino de procedimentos de primeiros socorros ao queimado. 18 4 ETIOLOGIA, EPIDEMIOLOGIA E MEDIDAS PREVENTIVAS Segundo os Anais Brasileiros de Dermatologia, entre as causas mais freqüentes das queimaduras, temos: a chama de fogo, o contato com água fervente ou outros líquidos quentes e o contato com objetos aquecidos. Entre os combustíveis, destaca-se o álcool etílico. Menos comuns são as queimaduras provocadas pela corrente elétrica, transformada em calor ao contato com o corpo. Queimadura química é denominação imprópria dada às lesões cáusticas provocadas por agentes químicos, em que o dano tecidual nem sempre resulta da produção de calor (RAMOS E SILVA, 2002, p. 715). As queimaduras em crianças, na maioria dos casos, acontecem no ambiente doméstico e são provocadas pelo derramamento de líquidos quentes sobre o corpo, como água fervente na cozinha, água quente de banho, bebidas e outros líquidos quentes, como óleo de cozinha. Nesses casos costumam ser mais superficiais, porém mais extensas. Segundo Costa et al (1999, p. 181), ainda é causa comum de queimaduras, no Brasil, a chama de fogo pela manipulação de álcool etílico líquido, responsável pela maioria dos casos em adolescentes e pela segunda maior causa em crianças atendidas em hospital de referência em urgência de Minas Gerais e por 40% das queimaduras de crianças entre sete e 11 anos de idade em um hospital-escola no Estado de São Paulo. Em 2002, o Ministério da Saúde adotou uma importante medida para evitar acidentes com queimaduras. A Resolução n.º 46 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA proibiu a fabricação e a venda do álcool etílico na forma líquida e restringia para a apresentação em gel com volume máximo de 500g. Entretanto, os fabricantes conseguiram suspender essa resolução e continuam comercializando livremente essa substância causadora de muitas queimaduras em adultos e crianças, representando 18% das causas de queimaduras 19 dos pacientes internados no Hospital Regional da Asa Norte - HRAN, em Brasília-DF (Revista de Saúde do Distrito Federal). Ao contrário, os adultos queimam-se com mais freqüência com a chama de fogo principalmente no ambiente profissional. As queimaduras resultantes, portanto, costumam ser mais profundas e, usualmente, acompanham-se dos danos causados pela inalação de fumaça. Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, no Brasil, ocorrem um milhão de casos de queimaduras a cada ano, 200 mil são atendidos em serviços de emergência, e 40 mil demandam hospitalização. As queimaduras estão entre as principais causas externas de morte registradas no Brasil, perdendo apenas para outras causas violentas, que incluem acidentes de transporte e homicídios. Estudo conduzido no Distrito Federal demonstrou taxa de mortalidade de 6,2% entre os queimados internados em hospital de emergência (MACEDO; ROSA, 2000, p. 87). Partindo do pressuposto de que 90% das queimaduras poderiam ser evitadas, medidas preventivas se impõem para diminuir sua incidência e dependem de educação e legislação. As medidas educativas de prevenção consistem em orientar desde cedo as crianças a evitar situações de risco para queimaduras no ambiente doméstico, em incluir nos currículos escolares o ensino de prevenção de acidentes, entre eles as queimaduras, além de campanhas preventivas gerais voltadas para toda a população. Lamentavelmente todas as estratégias de prevenção implementadas ainda não foram capazes de produzir o esperado impacto no dramático quadro epidemiológico das queimaduras. 20 4.1 FISIOPATOLOGIAS DAS QUEIMADURAS A queimadura compromete a integridade funcional da pele, responsável pelo controle da temperatura interna, flexibilidade e lubrificação da superfície corporal. Portanto, o comprometimento dessas funções depende da extensão e profundidade da queimadura. Além da resposta local, nas grandes queimaduras, o dano térmico desencadeia ainda uma reação sistêmica do organismo, em conseqüência da liberação de mediadores pelo tecido lesado. Ocorre extenso dano à integridade capilar, com perda acelerada de fluidos, seja pela evaporação através da ferida ou pela seqüestração nos interstícios, que é agravada por subprodutos da colonização bacteriana (PORTAL BIBLIOMED). A perda de calor através de vaporização em uma queimadura maior que 40% da superfície corporal total é influenciada pela temperatura ambiental e pela incapacidade do paciente de realizar vasoconstrição, isolar o corpo ou limitar a transferência de calor do centro do corpo para a superfície. Portanto, o ambiente de tratamento do paciente deve ser mantido aquecido (KOTTKE; LEHMANN, 1994). A queimadura acarreta acentuadas perdas calóricas. Uma das causas responsáveis é a destruição do epitélio protetor e o aumento das perdas líquidas que dela resulta. Admite-se que a queimadura de 1m2 leve a perdas calóricas entre 2.000 e 3.350 calorias em decorrência da evaporação (SHEPHERD, 1995). Nas queimaduras extensas, superiores a 40% da área corporal, o sistema imune é incapaz de delimitar a infecção, que, sistematizando-se, torna rara a sobrevida nesses casos. 4.2 AVALIAÇÃO DAS QUEIMADURAS Vários são os fatores envolvidos nas queimaduras que devem ser observados em sua avaliação. A profundidade, extensão e localização da queimadura, a idade da vítima, a 21 existência de doenças prévias, a concomitância de condições agravantes e a inalação de fumaça têm de ser considerados na avaliação do queimado. O ambiente da avaliação deve manter-se aquecido, devendo a pele ser descoberta e examinada em partes, de modo a minimizar a perda de líquido por evaporação (www.cip.saude.sp.gov.br). Para calcular a área queimada utiliza-se a “regra dos nove”, que constitui o método mais rápido para avaliação da extensão das queimaduras. Este método consiste na divisão do corpo em múltiplos de nove: a cabeça vale 9%, cada membro superior vale 9%, o tórax anterior vale 18% e o posterior 18%, cada membro inferior vale 18% e o períneo vale 1%. Esta regra não deve ser aplicada em crianças (SERRA; MACIEL, 2004). Profundidade da queimadura Depende da intensidade do agente térmico, se gerador ou transmissor de calor, e do tempo de contato com o tecido. É o fator determinante do resultado estético e funcional da queimadura e pode ser avaliada em graus Queimadura superficial - primeiro grau O traumatismo e a lesão celulares ocorrem apenas na parte externa da epiderme (camada superficial da pele composta de células epiteliais intimamente unidas) e; a derme, camada mais profunda composta de tecido conjuntivo denso irregular. Devido à natureza avascular da epiderme externa, não ocorrerá sangramento. Haverá uma reação eritematosa, devido à irritação da derme subjacente, mas não há lesão ao tecido dérmico. Normalmente, ocorre uma leve reação inflamatória e a pele estará dolorida ao toque, mas não se formarão bolhas, e a cicatrização normalmente ocorrerá dentro de 2 a 5 dias. 22 Haverá também um “despelamento” (descamação) da epiderme externa. Exemplos de lesão de primeiro grau são os eritemas provocados pelos raios solares ou por água aquecida. Queimaduras superficiais de espessura parcial - segundo grau Numa queimadura superficial de espessura parcial, a lesão ocorre através da epiderme e até as camadas superiores da derme. A camada epidérmica é completamente destruída, mas a camada dérmica sofre apenas lesão leve a moderada. Devido à dilatação vascular ocorrente para ajudar na dissipação do calor pela exposição térmica, formar-se-ão bolhas, e haverá edema na área localizada da queimadura. Este tipo de queimadura é extremamente doloroso, devido à irritação das terminações nervosas e dos sensores para a dor que sobrevivem ao insulto térmico. A ferida e o tecido lesionado são protegidos por uma barreira celular, a bolha, que é estéril e resistirá à infecção. Com a cicatrização da ferida e com o rompimento da bolha, as camadas dérmicas terão cicatrizado suficientemente para reter a função de barreira da pele, e a cicatrização completa se dará dentro de 5 a 21 dias. Como exemplo de queimadura de segundo grau, estão as bolhas decorrentes de uma escaldadura ou lesão térmica causada por líquidos superaquecidos. Queimadura profunda de espessura parcial - segundo grau profundo Esta lesão por queimadura envolve a destruição da epiderme e uma grave lesão também da camada dérmica. A maioria das terminações nervosas, folículos pilosos e glândulas sudoríparas serão lesionadas, com a destruição da maioria da derme. A queimadura tem um aspecto vermelho, cor de bronze, ou branco, e um tom baço, dependendo da profundidade da lesão. Quanto mais profunda a lesão, mais branca e baça será. A rede 23 vascular e o leito capilar estarão lesionados, e assim ocorrerá sangramento, com um edema mais desseminado ao nível das junções dermoepidérmicas. Esta é ainda uma lesão dolorosa, porque nem todas as terminações nervosas foram destruídas; contudo, o tecido pode estar anestesiado imediatamente após o traumatismo provocado pela queimadura e, haverá o desenvolvimento de escaras, ou de tecido morto resultante da lesão e da destruição tissular, em decorrência da presença das células necrosadas e do plasma. A pele nova será delgada, e normalmente não ocorrerão as usuais secreções sebáceas que fazem com que a pele seja mantida úmida. Assim, os novos tecidos serão ressecados, pruriginosos e descamativos. A sensação estará diminuída, e o número de glândulas sudoríparas ativas ficará inicialmente reduzido, podendo permanecer reduzido, na dependência da extensão da lesão. Em geral, o tecido cicatrizará em 3 a 5 semanas, se não estiver infectado. A infecção numa queimadura profunda de espessura parcial pode fazer com que esta se converta numa queimadura de espessura integral. Queimadura de espessura integral - terceiro grau No caso da queimadura de espessura integral, todas as camadas epidérmicas e dérmicas estão completamente destruídas. Ademais, a camada adiposa subcutânea sofrerá alguma lesão. Todo o epitélio de revestimento no local da queimadura será destruído e descartado. Devido a profundidade da queimadura, não haverá região viável para a regeneração de tecido dérmico e epidérmico na área da queimadura de espessura integral. A extensão da lesão leva à necrose de coagulação das células, destruição dos vasos sangüíneos, edema maciço, e infiltração celular na ferida. As escaras terão ao toque, um aspecto ressecado e coriáceo. A ferida será rígida e inelástica. 24 Devido à completa destruição das terminações nervosas na área, a ferida estará relativamente indolor. A ferida não sofrerá branqueamento. Branqueamento refere-se a resposta cromática do tecido à pressão. Este é um teste diagnóstico para que se determine se uma queimadura é do tipo de espessura parcial, ou integral. Devido a extensão da destruição tissular numa queimadura de espessura integral, ela não branqueará, enquanto que uma queimadura de espessura parcial branqueará sob pressão. Por causa da destruição do leito epitelial, a regeneração tissular ocorrerá apenas a partir das margens ou bordas do tecido lesionado. Portanto, será necessária a aplicação de enxerto tissular sobre esta área de espessura integral. É altamente provável a ocorrência de infecção, e todos os esforços precisam ser feitos para manter a infecção a um mínimo. Em caso contrário, a queimadura de espessura integral pode converter-se numa queimadura de quarto grau, incluindo a destruição das estruturas subjacentes: fáscia, músculo, e/ou osso. Extensão da área queimada Os riscos gerais do queimado nas primeiras horas dependem fundamentalmente da extensão da área queimada, sendo maior a repercussão sistêmica, devido à perda das funções da pele, quanto maior for a área afetada, em conjunto com a avaliação de profundidade determinarão a gravidade do paciente, indicando assim o procedimento terapêutico. A extensão é calculada em porcentagem da superfície corporal total (SC), sendo consideradas apenas as áreas queimadas com profundidade de segundo e terceiro graus. 25 CLASSIFICAÇÃO DE QUEIMADOS, DE ACORDO COM A PORTARIA 1.273 DO MINISTÉRIO DA SAÚDE Pequeno queimado 1º e 2º grau até 10% da superfície corporal queimada (SCQ) Médio queimado Grande queimado 1º e 2º grau entre 10 e 25% SCQ 3º grau até 10% SCQ Queimadura de mãos, pés ou face. 1º e 2º grau acima de 26% SCQ 3º grau acima de 10% SCQ Queimaduras de períneo Queimaduras elétricas Queimaduras de vias aéreas Presença de comorbidades (lesão inalatória, politrauma, TCE, choque, insuficiência renal, insuficiência cardíaca, insuficiência hepática, distúrbio de coagulação, embolia pulmonar, infecção, doenças consuptivas e síndrome compartimental). Fonte: Ministério da Saúde, 2000. 4.3 LOCALIZAÇÃO DAS QUEIMADURAS Em razão dos riscos estéticos e funcionais, são desfavoráveis as queimaduras que comprometem face, pescoço e mãos. Além disso, aquelas localizadas em face e pescoço costumam estar mais freqüentemente associadas à inalação de fumaça, a qual pode ser o determinante mais importante da mortalidade, prevalecendo sobre a extensão da queimadura e idade assim como podem causar edema considerável, prejudicando a permeabilidade das vias respiratórias e levando à insuficiência respiratória. Por outro lado, as queimaduras próximas a orifícios naturais apresentam maior risco de contaminação séptica (Portal Bibliomed.com.br). 26 4.4 DOENÇAS E CONDIÇÕES ASSOCIADAS As condições associadas são aquelas que pioram o prognóstico os traumas concomitantes, principalmente neurológicos, ortopédicos e abdominais, ou mesmo politraumatismos, assim como a presença de doenças preexistentes, tais como insuficiência cardíaca, insuficiência renal, hipertensão arterial, diabete e etilismo. Além disso, também tendem a evoluir com pior prognóstico as vítimas alcoolizadas ou sob efeito de drogas ilícitas. Essas situações devem ser consideradas e adequadamente abordadas. Nesses casos a recuperação das alterações decorrentes da queimadura fica substancialmente prejudicada. 4.5 A INALAÇÃO DE PRODUTOS DE COMBUSTÃO Além dos danos provocados pela inalação de gases tóxicos, como monóxido de carbono, os produtos de combustão são irritantes e causam inflamação com edema da mucosa traqueobrônquica, que se manifesta por rouquidão, estridor, dispnéia, broncoespasmo e escarro cinzento. Essas lesões costumam ser graves, pioram muito o prognóstico, pois o envenenamento por monóxido de carbono e asfixia eleva a mortalidade dos queimados. O monóxido de carbono se une à hemoglobina, fazendo com que esta seja incapaz de transportar oxigênio ocasionando hipóxia rapidamente e são responsáveis por elevar a mortalidade dos queimados. 27 4.6 OS PRIMEIROS CUIDADOS Os primeiros cuidados adequados dispensados à vítima de grande queimado, segundo os princípios do Advanced Trauma Life Support Course (ATLS), constituem um determinante fundamental no êxito final do tratamento, contribuindo decisivamente para a redução da morbidade e da mortalidade: • Avaliação imediata das vias respiratórias; • Administração de oxigênio úmido a 100% ; • Instalação de acessos venosos; • Observação do nível de consciência; • Remoção das roupas do paciente. 4.6.1 Resfriamento da área Queimada Os cuidados com as queimaduras são prestados nessa fase, ou seja, após os primeiros cuidados vitais: • Remoção de roupas queimadas ou intactas nas áreas da queimadura • Aplicação de compressas úmidas com soro fisiológico até alívio da dor. • Remoção de contaminantes • Resfriar agentes aderentes (ex. piche) com água corrente, mas não tentar a remoção imediata; Em casos de queimaduras por agentes químicos, irrigar abundantemente com água corrente de baixo fluxo (após retirar o excesso do agente químico em pó, se for o caso), por pelo menos 20 a 30 minutos. Recomenda-se, nesta situação, não aplicar agentes neutralizantes, pois a reação é exotérmica, podendo agravar a queimadura; 28 Após a limpeza das lesões, é aconselhável que os curativos devam ser confeccionados. O resfriamento com água corrente deve ser instituído o mais precocemente possível. Porém, deve ser mais breve quanto mais extensa for a queimadura, devido ao risco de hipotermia, não sendo recomendável em queimaduras superiores a 15% da SC. Após o resfriamento, a área queimada, se menor do que 5% da SC podem ser protegidas com gazes, compressas ou toalhas de algodão, úmidas, em seguida coberta por plástico ou outro material impermeável, e por fim o paciente deve ser envolvido com manta ou cobertor. Aqui cabe a lembrança: "resfriar a queimadura, mas aquecer o paciente". 4.7 TRATAMENTOS E TÉCNICAS DE RECONSTITUIÇÃO A higiene corporal está entre os primeiros requisitos ou fatores essenciais para uma vida sadia. No paciente queimado, a lesão da pele dificulta de forma parcial ou total essa higiene, favorecendo a entrada de germes de infecção. Com o intuito de minimizar a dor da lesão e o trauma psicológico, foi criada, nas Unidades de Queimaduras, a balneoterapia, que consiste no banho de aspersão, com o paciente anestesiado ou não. O objetivo á a retirada de tecido necrótico livre, fibrina flutuante, flictenas e higienização. A sala de balneoterapia deverá estar em perfeitas condições de funcionamento no que diz respeito à aeração, iluminação, mobiliário e lavabos, possui estrutura similar a do Centro Cirúrgico com material de anestesia e urgência. (LIMA JÚNIOR, 2004). 29 4.7.1 Tratamento Cirúrgico Debridamento Debridamento é a remoção da escara ou tecido necrosado do paciente, objetivando o preparo do tecido viável para enxerto e cicatrização. Escaratomia Uma escaratomia é uma incisão através do tecido queimado para aliviar a pressão tecidual aumentada, estando indicada em lesões de espessura total que atingem circularmente algum segmento do corpo (DELISA, 2002). Excisão cirúrgica precoce A excisão cirúrgica de queimaduras que atingem toda a espessura cutânea possui como objetivo preparar o leito da ferida para enxertia imediata no período pós-queimadura. O paciente é levado à cirurgia tão logo esteja estabilizado. É, então, anestesiado, e todas as escaras são removidas de uma só vez. A técnica é vantajosa por ser menos traumática para o paciente, em comparação aos debridamentos repetidos, e pelo fato que promove uma cicatrização mais rápida, reduz a infecção e a formação de cicatrizes e é mais econômica em termos do tempo hospitalar e da equipe (SULLIVAN; SCHMITZ, 1993). 30 Enxertia A enxertia de pele consiste no transplante de um fragmento de pele, isto é, separação deste tecido de revestimento do seu local de origem, para colocação e reintegração em outra parte do organismo. Pode ser chamado de transplante livre de pele. Toda queimadura de 3º grau necessita de enxertia de pele para a cicatrização. Porém, queimaduras profundas, mas pouco extensas, cicatrizam espontaneamente através de crescimento celular das bordas da lesão para o centro. Retalho Os retalhos consistem na transferência de tecidos vascularizados para a cobertura de lesões em áreas extensas e desvascularizadas, como tendões e ossos, onde não é possível conseguir uma cobertura com enxertos livres. Geralmente, os retalhos são mais espessos quando comparados aos enxertos, sendo constituídos de pele, tecido subcutâneo e, algumas vezes, músculos; suas bordas cicatrizam-se por primeira intenção, ou seja, são reaproximadas por suturas (TEIXEIRA; MARTINS, 2000). Zetaplastia A zetaplastia se baseia em incisões em forma de Z com ângulos de 60°, aumentando em três vezes a longitude da cicatriz, diminuindo a largura e alterando a direção da mesma. Assim, se forma uma cicatriz em linha quebrada (ziguezague) antitencional, conseguindo uma cicatriz mais fina e menos hipertrófica, por seguir mais as linhas de tensão da pele e devido às múltiplas incisões pequenas unidas em ângulos, que darão um aumento de elasticidade, tipo sanfona. 31 Expansores cutâneos A expansão dos tecidos se deve à aplicação de uma força mecânica constante sobre os tecidos vivos, induzindo o aumento de mitoses e conseqüente crescimento dos mesmos. A capacidade de expansão cutânea é um fenômeno que pode ser observado fisiologicamente no abdômen e nas mamas durante a gestação e o aleitamento. A utilização de expansores cutâneos em diversas regiões anatômicas obedece a princípios básicos como: o local do implante, o volume e a forma do expansor, o tipo de retalho que se pretende criar com o tecido expandido e em que direção será rodado e como o processo deve ser planejado para deixar o mínimo de deformidade na área doadora. 4.8 PRINCIPAIS SEQÜELAS DE QUEIMADURAS As cicatrizes são o resultado inevitável da lesão, intencional ou acidental, da pele. A cicatriz final, secundária a um processo de reparação, é variável e nunca completamente previsível. Ao longo de um período de muitos meses, a resposta antiinflamatória e as características de hipervascularidade de uma queimadura profunda começarão a retroceder, e a pele se tornará mais elástica. A cicatriz resultante adquire cerca de 70% a 80% da força elástica da pele intacta, podendo persistir pelo resto da vida. A recuperação da força elástica resulta da síntese aumentada de colágeno que ultrapassa a sua degradação durante os primeiros 2 meses e de modificações estruturais das fibras de colágeno, quando a síntese de colágeno cessa posteriormente (COTRAN ET AL, 2000). Três seqüelas das queimaduras que provocam muita frustração são as contraturas e as cicatrizes hipertróficas e as queloidianas. Essas complicações na cicatrização de feridas 32 surgem em decorrência de anormalidades em qualquer um dos processos básicos de reparo. O risco de contratura ou hipertrofia do tecido cicatricial persiste durante toda a fase de maturação cicatricial, durante a qual a cicatriz cresce ativamente. A ocorrência de cicatrizes hipertróficas e contraturas de feridas são prováveis se a lesão inicial da queimadura se estender para baixo, ao nível da derme profunda. A cicatrização destas feridas profundas resulta na substituição tegumentar normal em tecidos altamente ativos do ponto de vista metabólico, porém ausentes na arquitetura normal da pele (SMELTZER ET AL., 1998). 4.8.1 Contraturas A contração no tamanho de uma ferida constitui uma importante parte no processo normal de cicatrização. O exagero desse processo, denominado contratura, resulta em deformidades da ferida e dos tecidos circundantes. O tecido de ferimento queimado sofrerá retração devido à força exercida pelos fibroblastos e à flexão dos músculos na cicatrização normal. As contraturas são particularmente propensas a desenvolver-se nas palmas das mãos, plantas dos pés e face anterior do tórax, sendo favorecidas por vários fatores, inclusive pela preferência do paciente por determinadas posições confortáveis e pela sua hesitação em movimentar-se (SHEPHERD, 1995). As contraturas são comumente observadas após queimaduras graves e podem comprometer o movimento das articulações (COTRAN ET AL, 2000). A amplitude dos movimentos pode ser perdida muito rapidamente, devido à tendência do colágeno de contrairse e reter seu menor comprimento possível. Em conseqüência, facilmente ocorrem contraturas, podendo resultar não só em limitações na amplitude dos movimentos existente, 33 mas na degeneração desta camada de tecido, e na interrupção do processo de cicatrização (SULLIVAN; SCHMITZ, 1993). 4.8.2 Cicatriz Hipertrófica e Quelóide As cicatrizes hipertróficas e os quelóides constituem problema estético significativo e são de tratamento problemático. Caracterizam-se por uma síntese de colágeno preponderante, sendo que as fibras colágenas não se orientam como nas cicatrizes normais, ao longo das linhas de fenda, mas sim em espiral projetando-se sobre a superfície cutânea. 4.8.3 Quelóide O quelóide representa o caso particular da cicatrização excessiva. Certas influências traumáticas tornam exagerado o processo de regeneração do tecido conjuntivo formando uma saliência elevada em platô, bastante consistente, de cor rósea e lisa. Apresenta-se arredondado, linear, alongado e com digitações diversas, sempre extravasando os limites da lesão original (GUIRRO; GUIRRO, 2002). 4.8.4 Cicatriz Hipertrófica A cicatrização hipertrófica é a resposta exagerada do tecido de granulação, que leva à proliferação anárquica dos fibroblastos e miofibroblastos, conduzindo à reparação tecidual alterada e hipertrófica, com deposição colagenosa exacerbada. Este tipo de hipertrofia formase a partir e um feixe colagenoso rígido e avermelhado de tecido conjuntivo que cresce sobre a superfície de uma lesão por queimadura (SILVA ET AL, 2001). 34 5 A REINTEGRAÇÃO DE PACIENTES COM SEQÜELAS DE GRAVES QUEIMADURAS NA PELE De modo abrangente, a assistência nos primeiros socorros até a reintegração do paciente vítima de graves queimaduras na sociedade ainda é um assunto pouco discutido pela enfermagem. Entretanto, as queimaduras são acidentes comuns em qualquer comunidade e constituem situações de emergência e exigem do enfermeiro conhecimentos adequados para sua atuação. Assim, o paciente queimado enfrenta situações muito difíceis, por uma série de fatores, entre eles: ameaça à sobrevivência, medo do desfiguramento, dor, desconforto físico prolongado, receio de incapacidade e rejeição e separação da família. No entanto, nos últimos anos os acidentes e violências vêm sendo identificados como problemas de saúde pública no Brasil, de grande magnitude, devido ao forte impacto que provocam na morbidade e mortalidade da população. Conforme determina a Resolução CFESS n° 383/99, a prática profissional do assistente social deve estar direcionada para o atendimento das demandas imediatas da população e, a partir destas, possibilitar o acesso às informações e ações educativas, contribuindo para que a saúde seja entendida como resultado das condições gerais de vida e da dinâmica das relações sociais, econômicas e políticas vigentes no país (Portal da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro). Desta forma, o atendimento à pessoa queimada requer uma atuação voltada para as temáticas como a violência, especialmente a intrafamiliar, os acidentes domésticos e de trabalho e as tentativas de suicídio. Nesse sentido, a atuação do assistente social se volta para a discussão destes temas, para o acesso a informações de saúde e direitos sociais e, ainda: estímulo à reintegração familiar pós-trauma; incentivo à adesão ao tratamento, durante a internação; encaminhamento 35 e orientações para tratamentos complementares após a alta hospitalar; orientação quanto a direitos previdenciários e trabalhistas; encaminhamentos para aquisição de órteses e próteses e encaminhamento para a rede de serviços e recursos disponíveis na comunidade (Portal da Sec. Saúde do RJ). 5.1 REABILITAÇÃO Segundo Russo (1976, p. 85), a ocorrência de queimaduras (lesões dos tecidos orgânicos em decorrência de um trauma de origem térmica) pode acometer as diversas camadas da pele, podendo nos casos mais graves acometer músculos, tendões, vasos sangüíneos, nervos e ossos. As conseqüências sistêmicas são proporcionais à extensão e profundidade dessas lesões, e quando não tratada de forma adequada pode resultar em lesões incapacitante. A assistência de reabilitação, por meio de abordagem multidisciplinar (médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeiro, psicólogo), tem por objetivo minimizar as seqüelas que venham comprometer o desempenho funcional do paciente, permitindo-lhe assim a máxima independência motora e autonomia possíveis. 5.1.1 O Papel do Enfermeiro O papel do enfermeiro na Unidade de Queimados abrange as responsabilidades nos planos administrativo, educacional e assistencial. Desse modo, cabe ao profissional de enfermagem o planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços da equipe e prescrições de enfermagem. 36 O paciente queimado passa necessariamente pelo Pronto Socorro na sua chegada ao hospital, a equipe médica é notificada, recebe o paciente e presta os primeiros socorros; na Unidade de Tratamento de Queimados – UTQ, o enfermeiro e sua equipe se preparam para receber o paciente estabelecendo prioridades para que o mesmo seja bem assistido. A prioridade número um é o estabelecimento das vias aéreas superiores e a disponibilidade de todo o equipamento necessário, para um possível suporte ventilatório; providenciar um acesso venoso o mais rápido possível para reposição hídrica, e cateterismo vesical, procedimento fundamental para que haja um maior controle de fluidos. Cabe ao enfermeiro prescrever os cuidados de enfermagem que julgar necessário juntamente com seus horários de realização de acordo com o seu diagnóstico obtido após detecção dos problemas constantes no histórico. 5.1.2 O Papel do Fisioterapeuta O apoio e o trabalho da equipe multiprofissional é de grande valia. O profissional da fisioterapia tem uma abordagem humanística ao lidar com o paciente queimado, pois tem o verdadeiro desafio da reabilitação, complicações de todo tipo que, às vezes, não são resolvidas e que tem de amenizar as seqüelas do queimado. Dentro deste projeto de prevenção e cura do queimado, encontra-se a fisioterapia aliada ao tratamento clínico e cirúrgico com o objetivo básico de garantir o melhor restabelecimento funcional e estético possível do indivíduo. Assim, as seqüelas funcionais e estéticas provocadas pelas queimaduras podem ser evitadas e tratadas se houver intervenção fisioterápica precoce e contínua ao longo do processo cicatricial. A fisioterapia abrange o tratamento dos problemas já existentes e a prevenção dos problemas previstos para o futuro. Devido à complexidade e gravidade das 37 lesões por queimadura, a assistência fisioterapeutica ao grande queimado exige competência, habilidade e conhecimentos atualizados. A abordagem do fisioterapeuta, que integra a equipe multiprofissional da Unidade, começa a sala de curativos. É importante que o profissional conheça a extensão da lesão queimada. A recuperação dos movimentos se faz ainda na fase inicial, com a observação e os exercícios ativos e assistidos. Existe outra abordagem após alta. O paciente enfrenta a sua realidade, as suas deformidades e as restrições de movimento. O processo de cicatrização é ativo (24 horas por dia), enquanto o trabalho fisioterápico trabalha com a desvantagem da cicatrização. A maior causa são as retrações cicatriciais que levam às deformidades (quelóides). Os recursos utilizados para manter e recuperar as atividades funcionais são os exercícios de todo tipo, uso das malhas compressivas e uso de órteses e próteses. 5.1.3 O Apoio Psicológico Os pacientes-vítimas de queimaduras recebem apoio psicológico ainda no leito. A perda de membros ou função deprime o paciente vitima de queimaduras. A síndrome póstraumática leva o profissional a ter que resgatar a identidade e auto-estima do paciente. Geralmente a pessoa traz consigo traumas ou mesmo alguma patologia que irá desencadear durante o tratamento. Existem casos de pacientes que se envolvem com álcool e outras drogas. Outros têm problemas familiares e há casos de atentado ao suicídio, complicando e agravando o tratamento. O resgate da identidade à vida, ao mundo, a sociedade e à família é um trabalho árduo que começa ainda no leito e se estende no ambulatório. Em alguns casos se faz necessário a intervenção do psiquiatra para uso de medicação. Existem casos em que o tratamento 38 psicológico dura 30 dias e outros levam anos. Em muitos casos a alta hospitalar baseia-se no fato do paciente suportar as seqüelas. 5.1.2 Terapia Ocupacional Marcando sua especificidade de conhecimento na prática clínica e de pesquisa, o Terapeuta Ocupacional vem demarcando a sua história e tendo como objeto de estudo a atividade humana, esse profissional vem provando sua relevante presença nas equipes de saúde, procurando mostrar suas ações num aspecto cada vez mais amplo, com a visão de uma atenção integrada do sujeito, vem proporcionar com cuidados em cada clínica, seu bem estar físico-mental e social. O Terapeuta Ocupacional atua desde sua internação dando ênfase primeiramente ao ajuste emocional, pois o trauma reduz sua auto-estima, segurança, independência e compromete sua imagem corporal. Na sala de curativos é importante para orientar a equipe sobre as imobilizações e curativos que envolvam articulações e outros seguimentos, a fim de preservar a independência e o conforto do paciente. Portanto, a atuação do Terapeuta Ocupacional é importantíssima, pois favorece situações que venham minimizar e facilitar o progresso na aceitação do tratamento até sua alta e pós-alta. Nas queimaduras, o enfoque está voltado para o processo de cicatrização das lesões cutâneas, face à predisposição para formação de cicatrizes hipertróficas com aumento da vascularização dos fibroblastos, miofibroblastos, deposição de colágeno e edema. O exercício precoce, além da manutenção dos ângulos articulares, auxilia o paciente no habitual receio de movimentar-se. Exercícios hidroterápicos também são benéficos, resguardados os cuidados de infecção. As férulas e calhas de posicionamento estão indicadas 39 nos comprometimentos dos membros superiores e inferiores, evitando-se posições viciosas que venham comprometer o apoio na marcha, e os movimentos de preensão das mãos. A atenção tem início ainda na fase aguda, afastado o risco de vida do paciente, compondo a abordagem terapêutica proposta, discutida em equipe, em especial com o cirurgião plástico. Nessa etapa, a mobilização passiva das articulações e o cuidado com a postura no leito são importantes para o combate das contraturas viciosas, bem como o alongamento dos músculos, atentando-se para as contraturas da pele e dos enxertos cirúrgicos que não devem ser estirados. 5.2 MEDIDAS PREVENTIVAS (SEGUNDO MANUAL DA SEC DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO) • Evitar crianças na cozinha no horário de preparo das refeições; • Evitar cabos de panelas voltados para fora do fogão; • Não manusear material inflamável (gasolina, álcool, tinner, querosene, cera) perto de fogo ou cigarro aceso. • Não derreter cera ao fogo; • Proteger as tomadas elétricas; • Apagar o toco de cigarro antes de jogá-lo fora; • Não deixar crianças cuidando de outra criança; • Não colocar álcool diretamente na churrasqueira acesa, mesmo que ela pareça apagada (utilizar álcool gel para acender churrasqueira ou fogueira etc.) • Não chegar perto do fogo quando sua roupa estiver molhada por álcool, perfume, cera, gasolina, bebida alcoólica; • Ao trocar o botijão de gás, certificar-se que não haja nenhum tipo de vazamento. Desligar a chave geral de eletricidade e não usar fogo perto do local de troca; 40 • Não deixar vela acesa ou lampião próximo ao berço de crianças; • Evitar exposição prolongada ao sol e uso de bronzeadores caseiros (óleo de avião, folha de figo etc.); • Manter produtos de limpeza, fósforo e isqueiro longe do alcance das crianças. 41 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho teve por objetivos conhecer e discutir a reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele, visto que se constituem num problema de saúde pública significativo no Brasil, atingindo pessoas de todas as idades e de ambos os sexos. Neste sentido, os sobreviventes de queimaduras graves ainda carregam um pesado fardo de seqüelas físicas e psicossociais que geram grande sofrimento a ser superado. Não há dúvida de que o prognóstico final de uma queimadura depende essencialmente de um pronto e adequado primeiro atendimento. Sabe-se que a sobrevivência de pacientes vítimas de queimaduras tem aumentado significativamente devido aos avanços do tratamento. Como conseqüência, a quantidade de pacientes apresentando seqüelas também aumentou. Entretanto, ainda se busca a melhora na qualidade de vida de pacientes com cicatrizes hipertróficas resultantes de queimaduras ou após enxertos de pele, através da redução do estigma causado por estas cicatrizes. Várias abordagens têm sido descritas para prevenir e tratar cicatrizes patológicas, freqüentemente sem sucesso em alguns pacientes, por causa do método ou pela dificuldade em se conseguir a aderência do paciente ao tratamento. Mesmo com os crescentes progressos obtidos ultimamente no tratamento dos grandes queimados, ainda são consideráveis as taxas de mortalidade e morbidade. As estratégias preventivas implementadas ainda não foram capazes de alterar significativamente o dramático quadro epidemiológico das queimaduras. E, os sobreviventes de queimaduras graves ainda carregam um pesado fardo de seqüelas físicas e psicossociais que geram grande sofrimento a ser superado. Portanto, há a necessidade da implantação de centros especializados para o tratamento de pacientes queimados e equipes especializadas no sistema de saúde brasileiro, aplicando 42 medidas técnicas, terapêuticas, educativas permanentes adequadas e associadas à introdução de medidas de vigilância epidemiológica. Estas medidas visam, principalmente, a diminuição dos índices de morbidade e mortalidade, sobretudo, relacionados ao controle de infecção. 43 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2002. _________________. NBR 10520: informação e documentação – citações em documentos – apresentação. Rio de janeiro, 2000. _________________. NBR 14724: informação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro, 2002. BARROS, A. P.; LEHFELD, N. A. S. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. 14. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1990. BRASIL. Ministério da Saúde - Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 1998. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.273, de 21 de novembro de 2000. COSTA, D. M. ET AL. Estudo descritivo de queimaduras em crianças e adolescentes. Jornal de Pediatria. 1999. COTRAN ET AL. Patologia estrutural e funcional. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. COUTO, C. R.; PEDROSA, G. M. T. Guia prático de infecção hospitalar. Rio de Janeiro: Medsi, 1999. DI FIORE, M. Atlas de histologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1980. DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. GOMES, D. R; SERRA, Maria C. V. F.; JUNIOR, Luiz M. G. Condutas atuais em queimaduras. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. GUIRRO, Elaine; GUIRRO, Rinaldo. Fisioterapia dermato-funcional. 3. ed. São Paulo: Manole, 2002. INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA ALBERT EINSTEIN. Espaço da Saúde, 2003. KOTTKE, Frederic J.; LEHMANN, Justus F. Tratado de medicina física e reabilitação de Krusen. 4. ed. vol. 2. São Paulo: Manole, 1994. LEÃO, C. E. G. Queimaduras. In: FONSECA, F. P; ROCHA, P. R. S. (eds.) Cirurgia ambulatorial. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1999. 44 MACEDO, J. L.S.; ROSA, S. C. Estudo epidemiológico dos pacientes internados na Unidade de Queimados: Hospital Regional da Asa Norte, Brasília, 1992-1997: Brasília Med. 2000. MEDEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. MENEZES, Eni-Leci M.; SILVA, Maria José. A enfermagem no tratamento dos queimados. São Paulo: EPU, 1988. ROSSI L.A. ET AL. Queimaduras: características dos casos tratados em um hospital escola em Ribeirão Preto: Panam Salud Publica, 1998. RUSSO, A C. Enxertia de pele nas queimaduras. In: Tratamento das Queimaduras. São Paulo: Savier, 1976. SEARS, F. W; SALINGER, G. L. Termodinâmica: teoria cinética e termodinâmica estatística. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1979. SERRA, Maria Cristina; MACIEL, Edmar. Tratado de queimaduras. São Paulo: Atheneu, 2004. SHEPHERD, Roberta B. Fisioterapia em Pediatria. 3. ed. São Paulo: Santos,1995. SULLIVAN, Susan B.; SCHMITZ, Thomas J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 2. ed. São Paulo, 1993. SILVA, André G. S.; AZEVEDO, Flávio N.; VIEIRA, Rodrigo S. Cicatrização hipertrófica no paciente queimado. Fisio&Terapia. Nº 26, 2001. SMELTZER ET AL. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 8. ed. vol. 2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. SOUZA, O. R. História geral. 11. ed. São Paulo: Ática, 1975. VALE, Everton C. S. Primeiro atendimento em queimaduras: a abordagem do dermatologista Anais Brasileiro de Dermatologia. vl. 80. nº. 1. Educação médica continuada, 2005.