CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UniCEUB
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE - FACS
CURSO DE ENFERMAGEM
A REINTEGRAÇÃO NA SOCIEDADE DE PACIENTES COM
SEQÜELAS DE QUEIMADURAS GRAVES NA PELE
ISIS BARBOSA DA SILVA
Brasília-DF
Maio / 2007
ISIS BARBOSA DA SILVA
A REINTEGRAÇÃO NA SOCIEDADE DE PACIENTES
COM SEQÜELAS DE QUEIMADURAS GRAVES NA
PELE
Monografia apresentada ao Centro
Universitário de Brasília – UNICEUB,
como requisito parcial à conclusão do
Curso de Bacharel em Enfermagem, sob a
orientação da Professora MSc. Rita de
Cássia Minetto.
Brasília-DF
Maio / 2007
É concedida ao Centro Universitário de Brasília (UNICEUB)
permissão para reproduzir cópias somente para propósitos acadêmicos
e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma
parte desta monografia pode ser reproduzida sem autorização do autor.
_________________________________
Isis Barbosa da Silva
[email protected]
Isis Barbosa da Silva
Brasília, 17 maio de 2007
Nome: Professora MSc. Nílvia Jaqueline Reis Linhares
Coordenadora do Curso
Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB)
------------------------------------------------------Assinatura
Nome: Professora Tereza Cristina Segatto
Professora de Monografia
Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB)
------------------------------------------------------Assinatura
Nome: Professora MSc. Rita de Cássia Minetto
Orientadora da Pesquisa
Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB)
------------------------------------------------------Assinatura
Dedicatória
Dedico este trabalho especialmente a
Deus, que me concedeu forças para lutar e
alcançar meus objetivos; aos meus irmãos
Baltazar, Angélica, Jonas e, em especial, à
Maria Antônia; ao Tiago, meu sobrinho e,
ao Lucas, meu filho.
Agradecimentos
Agradeço primeiramente a Deus, por
ter aumentado as minhas forças para vencer
os obstáculos que apareceram em minha
vida
acadêmica.Aos
amigos
que
contribuíram com palavras de conforto nos
momentos difíceis.
Aos colegas de trabalho, pelo apoio e
cooperação
nas
muitas
horas
de
necessidade.
Aos Mestres que tanto contribuíram
para o meu desenvolvimento intelectual e,
especialmente, à Professora Rita Minetto,
pelos ensinamentos e atendimento cordial
na orientação deste trabalho.
Resumo
O presente trabalho teve por objetivos conhecer e discutir a reintegração na sociedade de
pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele, visto que se constituem num
problema de saúde pública significativo no Brasil, atingindo pessoas de todas as idades e de
ambos os sexos. Para o alcance dos objetivos, como metodologia, recorreu-se revisão
bibliográfica que discute como as queimaduras configuram em causa de mortalidade, além de
resultarem em considerável morbidade pelo desenvolvimento de seqüelas. Assim, constatouse que, apesar do aumento de sobrevida dos pacientes portadores de queimaduras, dos
avanços terapêuticos na avaliação, classificação, tratamento e controle da área corporal
queimada, a aquisição de infecção é tida como a principal complicação se comparada com
outros fatores preponderantes. Desse modo, a implantação de centros especializados para o
tratamento de pacientes queimados com formação de equipes especializadas, aplicando
medidas técnicas, terapêuticas, educativas permanentes e adequadas, associadas à introdução
de medidas de vigilância epidemiológica, favorece sensivelmente a diminuição dos índices de
morbidade e mortalidade.
Palavras-chave: Enfermagem – Queimaduras de Pele – Reintegração Social
Abstract
This work aimed to know and discuss reintegration in society of people who burnt their skin
in accidents, because this kind of occurrence constitutes a public healthy problem in Brazil, of
people of all ages and sex. To reach the goals, as methodology, we made a literature review
which discusses how burns cause death and result in a considerable morbidity by development
of sequels. This way, we verified, spite of increasing of survival of patients with burns, of
therapeutic advances in valuation, classification, treatment and control of burning corporeal
area, infections is shown as principal complication if compared with others preponderant
aspects. Thus, implantation of specialized centers to treatment of people with skin burns and
with expert professionals, applying permanent and adequate, educative, therapeutic
techniques measures, in association to introduction of measures, of epidemiological vigilance,
support sensitively a decreasing of rate of morbidity and death.
Key-words: Nursery – Skin Burns – Social Reintegration
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .........................................................................................................10
1.1 O SER HUMANO E SUA RELAÇÃO COM O FOGO............................................................................. 11
1.2 ALGUNS CONCEITOS E DEFINIÇÕES IMPORTANTES.................................................................... 13
2 OBJETIVOS ...........................................................................................................15
2. 1 GERAL.......................................................................................................................................................... 15
2.2 ESPECÍFICOS .............................................................................................................................................. 15
3 METODOLOGIA DA PESQUISA...........................................................................16
4 ETIOLOGIA, EPIDEMIOLOGIA E MEDIDAS PREVENTIVAS ...........................18
4.1 FISIOPATOLOGIAS DAS QUEIMADURAS ........................................................................................... 20
4.2 AVALIAÇÃO DAS QUEIMADURAS ........................................................................................................ 20
4.3 LOCALIZAÇÃO DAS QUEIMADURAS .................................................................................................. 25
4.4 DOENÇAS E CONDIÇÕES ASSOCIADAS .............................................................................................. 26
4.5 A INALAÇÃO DE PRODUTOS DE COMBUSTÃO ................................................................................ 26
4.6 OS PRIMEIROS CUIDADOS ..................................................................................................................... 27
4.6.1 Resfriamento da área Queimada................................................................................................................... 27
4.7 TRATAMENTOS E TÉCNICAS DE RECONSTITUIÇÃO .................................................................... 28
4.7.1 Tratamento Cirúrgico ................................................................................................................................... 29
4.8 PRINCIPAIS SEQÜELAS DE QUEIMADURAS...................................................................................... 31
4.8.1 Contraturas ................................................................................................................................................... 32
4.8.2 Cicatriz Hipertrófica e Quelóide................................................................................................................... 33
4.8.3 Quelóide ....................................................................................................................................................... 33
4.8.4 Cicatriz Hipertrófica..................................................................................................................................... 33
5 A REINTEGRAÇÃO DE PACIENTES COM SEQÜELAS DE GRAVES
QUEIMADURAS NA PELE.......................................................................................34
5.1 REABILITAÇÃO.......................................................................................................................................... 35
5.1.1 O Papel do Enfermeiro ................................................................................................................................. 35
5.1.2 O Papel do Fisioterapeuta............................................................................................................................. 36
5.1.3 O Apoio Psicológico..................................................................................................................................... 37
5.1.2 Terapia Ocupacional..................................................................................................................................... 38
5.2 MEDIDAS PREVENTIVAS......................................................................................................................... 39
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................43
10
INTRODUÇÃO
A queimadura é um dos traumatismos mais devastadores que pode atingir os seres
humanos. Sua importância decorre não só da freqüência com que ocorre, mas, principalmente
pela sua capacidade de provocar seqüelas funcionais, estéticas e psicológicas, além das altas
taxas de mortalidade.
Este estudo tem como objetivos principais levantar informações e discutir a
reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele e que
trazem seqüelas desse doloroso incidente.
No Brasil, a ocorrência e o tratamento especializado de queimaduras em nosso meio é
um importante problema de saúde pública. Apesar dos avanços terapêuticos na avaliação,
classificação, tratamento e controle da área corporal queimada, a aquisição de infecção é tida
como a principal complicação se comparada com demais fatores preponderantes.
Realiza-se neste estudo, uma revisão da literatura, buscando conhecer ações
interventivas de reintegração na sociedade de pessoas com seqüelas de queimados, destacando
o acompanhamento pela enfermagem dessas vítimas.
Estudo realizado em 2005 mostra que a média de pacientes vítimas de queimaduras
atendidas no serviço de emergência do Hospital Regional da Asa norte-(HRAN) foi de sete
pacientes por dia, totalizando 2.509 pacientes no período de 12 meses do estudo, sendo que
11% desses pacientes necessitaram de internação para cuidados semi-intensivos ou intensivos
(Revista de Saúde do Distrito Federal).
Desse modo, a implantação de centros especializados, o conhecimento médico e as
técnicas cirúrgicas para tratamento de queimados evoluíram muito, permitindo um aumento
significativo da sobrevida destes pacientes. O efeito imediato destes avanços foi o
11
reconhecimento da crescente necessidade de abordagens da queimadura sob uma ótica
multidisciplinar.
Assim, os esforços para integrar da prevenção primária até cuidados que visem limitar
seqüelas funcionais e estéticas e suporte psicológico são essenciais para a plena reintegração
do queimado ao seu meio social. Uma equipe multiprofissional atua com a finalidade não
apenas de reverter um quadro grave, provocado inicialmente, mas estendendo-se ao fato de
que a formação de cicatrizes e deformidades resultantes não devem ser negligenciadas,
visando os melhores resultados com o menor prejuízo ao paciente através de medidas técnicas
e terapêuticas, educativas permanentes adequadas e de forma individualizada associadas à
introdução de medidas de vigilância epidemiológica, favorece sensivelmente a diminuição dos
índices de morbidade e mortalidade, principalmente relacionados ao controle de infecção.
Esta monografia consta de seis capítulos. No primeiro, resgata-se a relação do ser
humano com o fogo; no segundo, levanta-se o vocabulário relevante para este estudo, com
conceitos e definições; o terceiro aborda a metodologia empregada nesta pesquisa; no quarto
capítulo, resgata-se aspectos relevantes do quadro clínico e psicológico do paciente com
queimaduras de pele, no quinto, discute-se formas de reintegração de pacientes com seqüelas
de queimaduras graves na pele, por meio de propostas viáveis, condizentes com realidade, e
por fim o sexto capitulo apresenta as considerações finais do estudo.
1.1 O SER HUMANO E SUA RELAÇÃO COM O FOGO
Segundo Souza (1975), o sol, após sua formação há quatro bilhões de anos, tornou-se
uma estrela de quinta grandeza, provendo-nos de uma fonte de calor e energia vital a todos os
seres da Terra.
12
A Pré-História iniciou-se aproximadamente há 250 milhões de anos, e por volta de 150
milhões de anos atrás, surgiu o Pithecantrophus erectus que desenvolveu a fala e conheceu o
fogo através de raios, vulcões e terremotos, que geravam ainda grandes mudanças no planeta.
O fogo era, pois, roubado da natureza, uma vez que o homem primitivo, não possuía
conhecimento para reproduzi-lo.
O Homo erectus consegue, por sua vez, manter o fogo aceso em condições ambientais
hostis, utilizando a resina de eucalipto. O Homo sapiens arcaico era nômade, constituía
comunidades onde predominava a propriedade coletiva dos meios de produção, usava
vestuário de pele de animais, utilizava magia simpática e a pintura como arte suprema, vivia
em cavernas, caçava, pescava e alimentava-se com o auxílio do fogo, constituindo-se a
organização de tribos que deram origem a formações sociais mais complexas, tudo isto já com
o domínio no manuseio do fogo (SOUZA, 1975).
Na Idade dos metais, o Homo sapiens aperfeiçoa técnicas de metalurgia com o fogo,
elaborando instrumentos de trabalho e armas.
A Idade Antiga foi marcada por guerras de posse pela terra e poder. No Egito, por
volta de 280 a.C., era criado o primeiro Farol da História em Alexandria, considerado uma das
sete maravilhas do Mundo Antigo, cujo fogo iluminava o Porto orientando as embarcações à
noite no mar. Neste mesmo período, o mel era associado a outras especiarias na conservação
de múmias e utilizado no tratamento de queimaduras.
O fogo também era utilizado na iluminação de castelos e ruelas; o sol, fonte maior de
calor, servia de guia para o calendário e relógio solar, inspirando a invenção da roda no século
II, Império babilônico; e na China eram inventados a pólvora e o papel (SOUZA, 1975).
A Idade Contemporânea foi iniciada pela Revolução Francesa que provocou uma
transformação política, social e econômica da França e Europa. Por volta de meados do séc.
13
XIX a eletricidade e os derivados de petróleo substituem o vapor. Em 1879, a lâmpada de
Edson, antes concebida por Humphfrey Davy, em 1820, recebe o filamento incandescente.
Com os grandes conflitos mundiais, Primeira e Segunda guerras, são criadas e
utilizadas armas sofisticadas, mísseis e bombas atômicas que deixaram vítimas de radiação até
os dias de hoje (SOUZA, 1975).
1.2 ALGUNS CONCEITOS E DEFINIÇÕES IMPORTANTES
Neste estudo, pretende-se trazer alguns conceitos e definições com vistas a embasar a
pesquisa bibliográfica e que são importantes para o seu desenvolvimento, tais como:
CALOR
Calor é energia que se transfere de um corpo a outro, em virtude, unicamente, da
diferença de temperatura entre eles. Quando um corpo recebe ou cede calor, ocorre variação
de temperatura ou mudança de estado físico (SEARS; SALINGER, 1979). Neste caso, os
efeitos sobre a pele humana de calor em excesso são devastadores.
QUEIMADURA
A queimadura é a lesão dos tecidos orgânicos em decorrência de trauma de origem
térmica (SERRA; MACIEL, 2004).
Nesse sentido, a queimadura é toda e qualquer lesão produzida pela ação curta ou
prolongada de temperaturas extremas no tecido de revestimento, presente no ser vivo
denominado pele, podendo atingir mucosas, músculos, vasos sanguíneos, nervos e ossos,
14
podendo ser superficiais ou profundas e estão classificadas de acordo com a gravidade, pelo
grau da lesão e pela extensão da área atingida. São geralmente provocadas por agentes físicos
e químicos.
A PELE HUMANA
Considerado o maior órgão do corpo humano, veste o corpo como uma roupa sob
medida, pesa aproximadamente 5 kg e esticada mede mais de 2 metros quadrados, aquece no
frio e refresca no calor, armazenando uma quantidade enorme de sensores (DI FIORE, 1980).
A pele constitui o mais extenso órgão sensorial do corpo, para recepção de estímulos
táteis, térmicos e dolorosos. O seu teor de água é de cerca de 70% do peso da pele livre de
tecido adiposo, contendo perto de 20% do conteúdo total de água do organismo. Sua
espessura situa-se entre 0,5 e 4,0 milímetros. É composta de duas camadas principais: a
epiderme, camada superficial composta de células epiteliais intimamente unidas e; a derme,
camada mais profunda composta de tecido conjuntivo denso irregular (GUIRRO; GUIRRO,
2002).
A pele forma uma barreira física que protege o corpo contra a invasão de
microrganismos e a entrada de substâncias estranhas do meio exterior (incluindo a água).
Também protege contra o excesso de radiação ultravioleta e reduz grandemente a perda de
água do corpo para o meio.
SEQÜELA
De acordo com Dicionário Houaiss (2001, p. 675), seqüela na área de Saúde é o efeito
de uma causa; conseqüência, resultado. Neste caso, estamos tratando do efeito do fogo e do
calor sobre a pele humana.
15
2 OBJETIVOS
2. 1 GERAL
•
Discutir a reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves
queimaduras na pele.
2.2 ESPECÍFICOS
•
Explicar as principais causas e conseqüências de queimaduras na pele;
•
Conhecer tratamentos e técnicas de reconstituição de tecidos da pele com
queimaduras;
•
Propor ações de prevenção a queimaduras em crianças e adultos.
•
Conhecer os tratamentos psicológicos e de reintegração de pessoas com graves
queimaduras;
16
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
Segundo Medeiros (2004, p. 50), a pesquisa deve se constituir num procedimento
formal para a aquisição do conhecimento sobre a realidade que nos cerca. Desse ponto de
vista, esta pesquisa fundamenta-se na revisão da literatura vigente sobre causas,
conseqüências e tratamento de pacientes com graves queimaduras na pele.
Desta maneira, recorremos à pesquisa bibliográfica:
A pesquisa bibliográfica é passo decisivo em qualquer pesquisa científica, uma vez
que elimina a possibilidade de se trabalhar em vão, de se despender tempo com o
que já foi solucionado.
O êxito nos estudos depende em grande parte da leitura que o estudioso realiza. A
leitura feita segundo regras elementares favorece a tomada de notas, de
apontamentos, a realização de resumos e o estudo propriamente dito (MEDEIROS,
2004, p. 51).
Segundo Barros; Lehfeld (2003), só conheceremos realmente o objeto de pesquisa, se
nos envolvermos no estudo todos os aspectos, justificando o porquê de resgatar a história e
comentar sobre a importância do fogo e suas conseqüências benéficas e/ou maléficas,
afirmam:
Para conhecermos realmente o objeto de pesquisa temos que abarcar e estudar todos
os seus aspectos, todas as suas ligações, mediações e contradições. Deve-se
considerar o objeto no seu desenvolvimento, no movimento próprio, na sua
transformação. Não há verdades abstratas, pois elas são sempre realidades concretas
(BARROS; LEHFELD, 2003, p. 52).
Para Gil (2002, p. 61), a escolha do tema de trabalho monográfico é um importante
passo na elaboração de uma pesquisa bibliográfica, entretanto o autor alerta que este processo
é bastante complexo e por isso logo após a escolha do tema, sugere um levantamento
bibliográfico preliminar:
17
Esse levantamento bibliográfico preliminar pode ser entendido como um estudo
exploratório, posto que tem a finalidade de proporcionar a familiaridade do aluno
com a área de estudo no qual está interessado, bem como sua delimitação. Essa
familiaridade é essencial para que o problema seja formulado de maneira clara e
precisa.
Para este estudo, realiza-se revisão da literatura, buscando conhecer e discutir a
reintegração na sociedade de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele,
destacando o acompanhamento pela enfermagem dessas vítimas e que trazem seqüelas desse
doloroso incidente, buscando conhecer ações interventivas de reintegração na sociedade de
pessoas com seqüelas de queimaduras.
Desse modo, recorremos à bibliografia que discute como as queimaduras configuram
importante causa de mortalidade, além de resultarem em considerável morbidade pelo
desenvolvimento de seqüelas, estando entre as mais graves a incapacidade funcional,
especialmente quando atingem as mãos, as deformidades inestéticas, sobretudo da face, e
também aquelas de ordem psicossocial, podendo causar inclusive complicações neurológicas,
oftalmológicas e geniturinárias.
Dessa discussão, pretende-se buscar conhecer por meio da leitura de artigos e
principais livros que tratam das causas mais freqüentes das queimaduras em adultos e
crianças, provocadas por diversas razões, propondo ações de prevenção e adequação dos
primeiros cuidados adequados dispensados à vítima de queimadura, constituindo determinante
fundamental no êxito final do tratamento, contribuindo decisivamente para a redução da
morbidade e da mortalidade.
Por isso, é necessário educar a população e treinar grupos populacionais de risco para
agir corretamente diante de um caso de queimadura. Nesta perspectiva, nos programas de
educação para a saúde deve-se incluir o ensino de procedimentos de primeiros socorros ao
queimado.
18
4 ETIOLOGIA, EPIDEMIOLOGIA E MEDIDAS PREVENTIVAS
Segundo os Anais Brasileiros de Dermatologia, entre as causas mais freqüentes das
queimaduras, temos: a chama de fogo, o contato com água fervente ou outros líquidos quentes
e o contato com objetos aquecidos.
Entre os combustíveis, destaca-se o álcool etílico. Menos comuns são as queimaduras
provocadas pela corrente elétrica, transformada em calor ao contato com o corpo. Queimadura
química é denominação imprópria dada às lesões cáusticas provocadas por agentes químicos,
em que o dano tecidual nem sempre resulta da produção de calor (RAMOS E SILVA, 2002,
p. 715).
As queimaduras em crianças, na maioria dos casos, acontecem no ambiente doméstico
e são provocadas pelo derramamento de líquidos quentes sobre o corpo, como água fervente
na cozinha, água quente de banho, bebidas e outros líquidos quentes, como óleo de cozinha.
Nesses casos costumam ser mais superficiais, porém mais extensas.
Segundo Costa et al (1999, p. 181), ainda é causa comum de queimaduras, no Brasil, a
chama de fogo pela manipulação de álcool etílico líquido, responsável pela maioria dos casos
em adolescentes e pela segunda maior causa em crianças atendidas em hospital de referência
em urgência de Minas Gerais e por 40% das queimaduras de crianças entre sete e 11 anos de
idade em um hospital-escola no Estado de São Paulo.
Em 2002, o Ministério da Saúde adotou uma importante medida para evitar acidentes
com queimaduras. A Resolução n.º 46 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA proibiu a fabricação e a venda do álcool etílico na forma líquida e restringia para a
apresentação em gel com volume máximo de 500g. Entretanto, os fabricantes conseguiram
suspender essa resolução e continuam comercializando livremente essa substância causadora
de muitas queimaduras em adultos e crianças, representando 18% das causas de queimaduras
19
dos pacientes internados no Hospital Regional da Asa Norte - HRAN, em Brasília-DF
(Revista de Saúde do Distrito Federal).
Ao contrário, os adultos queimam-se com mais freqüência com a chama de fogo
principalmente no ambiente profissional. As queimaduras resultantes, portanto, costumam ser
mais profundas e, usualmente, acompanham-se dos danos causados pela inalação de fumaça.
Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, no Brasil, ocorrem um milhão de
casos de queimaduras a cada ano, 200 mil são atendidos em serviços de emergência, e 40 mil
demandam hospitalização. As queimaduras estão entre as principais causas externas de morte
registradas no Brasil, perdendo apenas para outras causas violentas, que incluem acidentes de
transporte e homicídios. Estudo conduzido no Distrito Federal demonstrou taxa de
mortalidade de 6,2% entre os queimados internados em hospital de emergência (MACEDO;
ROSA, 2000, p. 87).
Partindo do pressuposto de que 90% das queimaduras poderiam ser evitadas, medidas
preventivas se impõem para diminuir sua incidência e dependem de educação e legislação. As
medidas educativas de prevenção consistem em orientar desde cedo as crianças a evitar
situações de risco para queimaduras no ambiente doméstico, em incluir nos currículos
escolares o ensino de prevenção de acidentes, entre eles as queimaduras, além de campanhas
preventivas gerais voltadas para toda a população.
Lamentavelmente todas as estratégias de prevenção implementadas ainda não foram
capazes de produzir o esperado impacto no dramático quadro epidemiológico das
queimaduras.
20
4.1 FISIOPATOLOGIAS DAS QUEIMADURAS
A queimadura compromete a integridade funcional da pele, responsável pelo controle
da temperatura interna, flexibilidade e lubrificação da superfície corporal. Portanto, o
comprometimento dessas funções depende da extensão e profundidade da queimadura.
Além da resposta local, nas grandes queimaduras, o dano térmico desencadeia ainda
uma reação sistêmica do organismo, em conseqüência da liberação de mediadores pelo tecido
lesado. Ocorre extenso dano à integridade capilar, com perda acelerada de fluidos, seja pela
evaporação através da ferida ou pela seqüestração nos interstícios, que é agravada por
subprodutos da colonização bacteriana (PORTAL BIBLIOMED).
A perda de calor através de vaporização em uma queimadura maior que 40% da
superfície corporal total é influenciada pela temperatura ambiental e pela incapacidade do
paciente de realizar vasoconstrição, isolar o corpo ou limitar a transferência de calor do centro
do corpo para a superfície. Portanto, o ambiente de tratamento do paciente deve ser mantido
aquecido (KOTTKE; LEHMANN, 1994).
A queimadura acarreta acentuadas perdas calóricas. Uma das causas responsáveis é a
destruição do epitélio protetor e o aumento das perdas líquidas que dela resulta. Admite-se
que a queimadura de 1m2 leve a perdas calóricas entre 2.000 e 3.350 calorias em decorrência
da evaporação (SHEPHERD, 1995).
Nas queimaduras extensas, superiores a 40% da área corporal, o sistema imune é
incapaz de delimitar a infecção, que, sistematizando-se, torna rara a sobrevida nesses casos.
4.2 AVALIAÇÃO DAS QUEIMADURAS
Vários são os fatores envolvidos nas queimaduras que devem ser observados em sua
avaliação. A profundidade, extensão e localização da queimadura, a idade da vítima, a
21
existência de doenças prévias, a concomitância de condições agravantes e a inalação de
fumaça têm de ser considerados na avaliação do queimado. O ambiente da avaliação deve
manter-se aquecido, devendo a pele ser descoberta e examinada em partes, de modo a
minimizar a perda de líquido por evaporação (www.cip.saude.sp.gov.br).
Para calcular a área queimada utiliza-se a “regra dos nove”, que constitui o método
mais rápido para avaliação da extensão das queimaduras. Este método consiste na divisão do
corpo em múltiplos de nove: a cabeça vale 9%, cada membro superior vale 9%, o tórax
anterior vale 18% e o posterior 18%, cada membro inferior vale 18% e o períneo vale 1%.
Esta regra não deve ser aplicada em crianças (SERRA; MACIEL, 2004).
Profundidade da queimadura
Depende da intensidade do agente térmico, se gerador ou transmissor de calor, e do
tempo de contato com o tecido. É o fator determinante do resultado estético e funcional da
queimadura e pode ser avaliada em graus
Queimadura superficial - primeiro grau
O traumatismo e a lesão celulares ocorrem apenas na parte externa da epiderme
(camada superficial da pele composta de células epiteliais intimamente unidas) e; a derme,
camada mais profunda composta de tecido conjuntivo denso irregular.
Devido à natureza avascular da epiderme externa, não ocorrerá sangramento. Haverá
uma reação eritematosa, devido à irritação da derme subjacente, mas não há lesão ao tecido
dérmico. Normalmente, ocorre uma leve reação inflamatória e a pele estará dolorida ao toque,
mas não se formarão bolhas, e a cicatrização normalmente ocorrerá dentro de 2 a 5 dias.
22
Haverá também um “despelamento” (descamação) da epiderme externa. Exemplos de lesão
de primeiro grau são os eritemas provocados pelos raios solares ou por água aquecida.
Queimaduras superficiais de espessura parcial - segundo grau
Numa queimadura superficial de espessura parcial, a lesão ocorre através da epiderme
e até as camadas superiores da derme. A camada epidérmica é completamente destruída, mas
a camada dérmica sofre apenas lesão leve a moderada. Devido à dilatação vascular ocorrente
para ajudar na dissipação do calor pela exposição térmica, formar-se-ão bolhas, e haverá
edema na área localizada da queimadura.
Este tipo de queimadura é extremamente doloroso, devido à irritação das terminações
nervosas e dos sensores para a dor que sobrevivem ao insulto térmico. A ferida e o tecido
lesionado são protegidos por uma barreira celular, a bolha, que é estéril e resistirá à infecção.
Com a cicatrização da ferida e com o rompimento da bolha, as camadas dérmicas terão
cicatrizado suficientemente para reter a função de barreira da pele, e a cicatrização completa
se dará dentro de 5 a 21 dias. Como exemplo de queimadura de segundo grau, estão as bolhas
decorrentes de uma escaldadura ou lesão térmica causada por líquidos superaquecidos.
Queimadura profunda de espessura parcial - segundo grau profundo
Esta lesão por queimadura envolve a destruição da epiderme e uma grave lesão
também da camada dérmica. A maioria das terminações nervosas, folículos pilosos e
glândulas sudoríparas serão lesionadas, com a destruição da maioria da derme. A queimadura
tem um aspecto vermelho, cor de bronze, ou branco, e um tom baço, dependendo da
profundidade da lesão. Quanto mais profunda a lesão, mais branca e baça será. A rede
23
vascular e o leito capilar estarão lesionados, e assim ocorrerá sangramento, com um edema
mais desseminado ao nível das junções dermoepidérmicas.
Esta é ainda uma lesão dolorosa, porque nem todas as terminações nervosas foram
destruídas; contudo, o tecido pode estar anestesiado imediatamente após o traumatismo
provocado pela queimadura e, haverá o desenvolvimento de escaras, ou de tecido morto
resultante da lesão e da destruição tissular, em decorrência da presença das células necrosadas
e do plasma.
A pele nova será delgada, e normalmente não ocorrerão as usuais secreções sebáceas
que fazem com que a pele seja mantida úmida. Assim, os novos tecidos serão ressecados,
pruriginosos e descamativos. A sensação estará diminuída, e o número de glândulas
sudoríparas ativas ficará inicialmente reduzido, podendo permanecer reduzido, na
dependência da extensão da lesão. Em geral, o tecido cicatrizará em 3 a 5 semanas, se não
estiver infectado. A infecção numa queimadura profunda de espessura parcial pode fazer com
que esta se converta numa queimadura de espessura integral.
Queimadura de espessura integral - terceiro grau
No caso da queimadura de espessura integral, todas as camadas epidérmicas e
dérmicas estão completamente destruídas. Ademais, a camada adiposa subcutânea sofrerá
alguma lesão. Todo o epitélio de revestimento no local da queimadura será destruído e
descartado. Devido a profundidade da queimadura, não haverá região viável para a
regeneração de tecido dérmico e epidérmico na área da queimadura de espessura integral. A
extensão da lesão leva à necrose de coagulação das células, destruição dos vasos sangüíneos,
edema maciço, e infiltração celular na ferida. As escaras terão ao toque, um aspecto ressecado
e coriáceo. A ferida será rígida e inelástica.
24
Devido à completa destruição das terminações nervosas na área, a ferida estará
relativamente indolor. A ferida não sofrerá branqueamento. Branqueamento refere-se a
resposta cromática do tecido à pressão. Este é um teste diagnóstico para que se determine se
uma queimadura é do tipo de espessura parcial, ou integral. Devido a extensão da destruição
tissular numa queimadura de espessura integral, ela não branqueará, enquanto que uma
queimadura de espessura parcial branqueará sob pressão.
Por causa da destruição do leito epitelial, a regeneração tissular ocorrerá apenas a
partir das margens ou bordas do tecido lesionado. Portanto, será necessária a aplicação de
enxerto tissular sobre esta área de espessura integral. É altamente provável a ocorrência de
infecção, e todos os esforços precisam ser feitos para manter a infecção a um mínimo. Em
caso contrário, a queimadura de espessura integral pode converter-se numa queimadura de
quarto grau, incluindo a destruição das estruturas subjacentes: fáscia, músculo, e/ou osso.
Extensão da área queimada
Os riscos gerais do queimado nas primeiras horas dependem fundamentalmente da
extensão da área queimada, sendo maior a repercussão sistêmica, devido à perda das funções
da pele, quanto maior for a área afetada, em conjunto com a avaliação de profundidade
determinarão a gravidade do paciente, indicando assim o procedimento terapêutico. A
extensão é calculada em porcentagem da superfície corporal total (SC), sendo consideradas
apenas as áreas queimadas com profundidade de segundo e terceiro graus.
25
CLASSIFICAÇÃO DE QUEIMADOS, DE ACORDO COM A PORTARIA 1.273 DO
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Pequeno queimado
1º e 2º grau até 10% da superfície corporal queimada (SCQ)
Médio queimado
Grande queimado
1º e 2º grau entre 10 e 25% SCQ
3º grau até 10% SCQ
Queimadura de mãos, pés ou face.
1º e 2º grau acima de 26% SCQ
3º grau acima de 10% SCQ
Queimaduras de períneo
Queimaduras elétricas
Queimaduras de vias aéreas
Presença de comorbidades (lesão inalatória, politrauma, TCE, choque,
insuficiência renal, insuficiência cardíaca, insuficiência hepática,
distúrbio de coagulação, embolia pulmonar, infecção, doenças
consuptivas e síndrome compartimental).
Fonte: Ministério da Saúde, 2000.
4.3 LOCALIZAÇÃO DAS QUEIMADURAS
Em razão dos riscos estéticos e funcionais, são desfavoráveis as queimaduras que
comprometem face, pescoço e mãos.
Além disso, aquelas localizadas em face e pescoço costumam estar mais
freqüentemente associadas à inalação de fumaça, a qual pode ser o determinante mais
importante da mortalidade, prevalecendo sobre a extensão da queimadura e idade assim como
podem causar edema considerável, prejudicando a permeabilidade das vias respiratórias e
levando à insuficiência respiratória.
Por outro lado, as queimaduras próximas a orifícios naturais apresentam maior risco
de contaminação séptica (Portal Bibliomed.com.br).
26
4.4 DOENÇAS E CONDIÇÕES ASSOCIADAS
As condições associadas são aquelas que pioram o prognóstico os traumas
concomitantes, principalmente neurológicos, ortopédicos e abdominais, ou mesmo
politraumatismos, assim como a presença de doenças preexistentes, tais como insuficiência
cardíaca, insuficiência renal, hipertensão arterial, diabete e etilismo.
Além disso, também tendem a evoluir com pior prognóstico as vítimas alcoolizadas ou
sob efeito de drogas ilícitas. Essas situações devem ser consideradas e adequadamente
abordadas.
Nesses casos a recuperação das alterações decorrentes da queimadura fica
substancialmente prejudicada.
4.5 A INALAÇÃO DE PRODUTOS DE COMBUSTÃO
Além dos danos provocados pela inalação de gases tóxicos, como monóxido de
carbono, os produtos de combustão são irritantes e causam inflamação com edema da mucosa
traqueobrônquica, que se manifesta por rouquidão, estridor, dispnéia, broncoespasmo e
escarro cinzento.
Essas lesões costumam ser graves, pioram muito o prognóstico, pois o envenenamento
por monóxido de carbono e asfixia eleva a mortalidade dos queimados. O monóxido de
carbono se une à hemoglobina, fazendo com que esta seja incapaz de transportar oxigênio
ocasionando hipóxia rapidamente e são responsáveis por elevar a mortalidade dos queimados.
27
4.6 OS PRIMEIROS CUIDADOS
Os primeiros cuidados adequados dispensados à vítima de grande queimado, segundo
os princípios do Advanced Trauma Life Support Course (ATLS), constituem um determinante
fundamental no êxito final do tratamento, contribuindo decisivamente para a redução da
morbidade e da mortalidade:
• Avaliação imediata das vias respiratórias;
• Administração de oxigênio úmido a 100% ;
• Instalação de acessos venosos;
• Observação do nível de consciência;
• Remoção das roupas do paciente.
4.6.1 Resfriamento da área Queimada
Os cuidados com as queimaduras são prestados nessa fase, ou seja, após os primeiros
cuidados vitais:
• Remoção de roupas queimadas ou intactas nas áreas da queimadura
• Aplicação de compressas úmidas com soro fisiológico até alívio da dor.
• Remoção de contaminantes
• Resfriar agentes aderentes (ex. piche) com água corrente, mas não tentar a
remoção imediata;
Em casos de queimaduras por agentes químicos, irrigar abundantemente com água
corrente de baixo fluxo (após retirar o excesso do agente químico em pó, se for o caso), por
pelo menos 20 a 30 minutos. Recomenda-se, nesta situação, não aplicar agentes
neutralizantes, pois a reação é exotérmica, podendo agravar a queimadura;
28
Após a limpeza das lesões, é aconselhável que os curativos devam ser confeccionados.
O resfriamento com água corrente deve ser instituído o mais precocemente possível.
Porém, deve ser mais breve quanto mais extensa for a queimadura, devido ao risco de
hipotermia, não sendo recomendável em queimaduras superiores a 15% da SC. Após o
resfriamento, a área queimada, se menor do que 5% da SC podem ser protegidas com gazes,
compressas ou toalhas de algodão, úmidas, em seguida coberta por plástico ou outro material
impermeável, e por fim o paciente deve ser envolvido com manta ou cobertor. Aqui cabe a
lembrança: "resfriar a queimadura, mas aquecer o paciente".
4.7 TRATAMENTOS E TÉCNICAS DE RECONSTITUIÇÃO
A higiene corporal está entre os primeiros requisitos ou fatores essenciais para uma
vida sadia. No paciente queimado, a lesão da pele dificulta de forma parcial ou total essa
higiene, favorecendo a entrada de germes de infecção.
Com o intuito de minimizar a dor da lesão e o trauma psicológico, foi criada, nas
Unidades de Queimaduras, a balneoterapia, que consiste no banho de aspersão, com o
paciente anestesiado ou não.
O objetivo á a retirada de tecido necrótico livre, fibrina flutuante, flictenas e
higienização.
A sala de balneoterapia deverá estar em perfeitas condições de funcionamento no que
diz respeito à aeração, iluminação, mobiliário e lavabos, possui estrutura similar a do Centro
Cirúrgico com material de anestesia e urgência. (LIMA JÚNIOR, 2004).
29
4.7.1 Tratamento Cirúrgico
Debridamento
Debridamento é a remoção da escara ou tecido necrosado do paciente, objetivando o
preparo do tecido viável para enxerto e cicatrização.
Escaratomia
Uma escaratomia é uma incisão através do tecido queimado para aliviar a pressão
tecidual aumentada, estando indicada em lesões de espessura total que atingem circularmente
algum segmento do corpo (DELISA, 2002).
Excisão cirúrgica precoce
A excisão cirúrgica de queimaduras que atingem toda a espessura cutânea possui como
objetivo preparar o leito da ferida para enxertia imediata no período pós-queimadura. O
paciente é levado à cirurgia tão logo esteja estabilizado. É, então, anestesiado, e todas as
escaras são removidas de uma só vez. A técnica é vantajosa por ser menos traumática para o
paciente, em comparação aos debridamentos repetidos, e pelo fato que promove uma
cicatrização mais rápida, reduz a infecção e a formação de cicatrizes e é mais econômica em
termos do tempo hospitalar e da equipe (SULLIVAN; SCHMITZ, 1993).
30
Enxertia
A enxertia de pele consiste no transplante de um fragmento de pele, isto é, separação
deste tecido de revestimento do seu local de origem, para colocação e reintegração em outra
parte do organismo. Pode ser chamado de transplante livre de pele.
Toda queimadura de 3º grau necessita de enxertia de pele para a cicatrização. Porém,
queimaduras profundas, mas pouco extensas, cicatrizam espontaneamente através de
crescimento celular das bordas da lesão para o centro.
Retalho
Os retalhos consistem na transferência de tecidos vascularizados para a cobertura de
lesões em áreas extensas e desvascularizadas, como tendões e ossos, onde não é possível
conseguir uma cobertura com enxertos livres. Geralmente, os retalhos são mais espessos
quando comparados aos enxertos, sendo constituídos de pele, tecido subcutâneo e, algumas
vezes, músculos; suas bordas cicatrizam-se por primeira intenção, ou seja, são reaproximadas
por suturas (TEIXEIRA; MARTINS, 2000).
Zetaplastia
A zetaplastia se baseia em incisões em forma de Z com ângulos de 60°, aumentando
em três vezes a longitude da cicatriz, diminuindo a largura e alterando a direção da mesma.
Assim, se forma uma cicatriz em linha quebrada (ziguezague) antitencional, conseguindo uma
cicatriz mais fina e menos hipertrófica, por seguir mais as linhas de tensão da pele e devido às
múltiplas incisões pequenas unidas em ângulos, que darão um aumento de elasticidade, tipo
sanfona.
31
Expansores cutâneos
A expansão dos tecidos se deve à aplicação de uma força mecânica constante sobre os
tecidos vivos, induzindo o aumento de mitoses e conseqüente crescimento dos mesmos. A
capacidade de expansão cutânea é um fenômeno que pode ser observado fisiologicamente no
abdômen e nas mamas durante a gestação e o aleitamento.
A utilização de expansores cutâneos em diversas regiões anatômicas obedece a
princípios básicos como: o local do implante, o volume e a forma do expansor, o tipo de
retalho que se pretende criar com o tecido expandido e em que direção será rodado e como o
processo deve ser planejado para deixar o mínimo de deformidade na área doadora.
4.8 PRINCIPAIS SEQÜELAS DE QUEIMADURAS
As cicatrizes são o resultado inevitável da lesão, intencional ou acidental, da pele. A
cicatriz final, secundária a um processo de reparação, é variável e nunca completamente
previsível.
Ao longo de um período de muitos meses, a resposta antiinflamatória e as
características de hipervascularidade de uma queimadura profunda começarão a retroceder, e
a pele se tornará mais elástica. A cicatriz resultante adquire cerca de 70% a 80% da força
elástica da pele intacta, podendo persistir pelo resto da vida. A recuperação da força elástica
resulta da síntese aumentada de colágeno que ultrapassa a sua degradação durante os
primeiros 2 meses e de modificações estruturais das fibras de colágeno, quando a síntese de
colágeno cessa posteriormente (COTRAN ET AL, 2000).
Três seqüelas das queimaduras que provocam muita frustração são as contraturas e as
cicatrizes hipertróficas e as queloidianas. Essas complicações na cicatrização de feridas
32
surgem em decorrência de anormalidades em qualquer um dos processos básicos de reparo. O
risco de contratura ou hipertrofia do tecido cicatricial persiste durante toda a fase de
maturação cicatricial, durante a qual a cicatriz cresce ativamente.
A ocorrência de cicatrizes hipertróficas e contraturas de feridas são prováveis se a
lesão inicial da queimadura se estender para baixo, ao nível da derme profunda. A
cicatrização destas feridas profundas resulta na substituição tegumentar normal em tecidos
altamente ativos do ponto de vista metabólico, porém ausentes na arquitetura normal da pele
(SMELTZER ET AL., 1998).
4.8.1 Contraturas
A contração no tamanho de uma ferida constitui uma importante parte no processo
normal de cicatrização. O exagero desse processo, denominado contratura, resulta em
deformidades da ferida e dos tecidos circundantes. O tecido de ferimento queimado sofrerá
retração devido à força exercida pelos fibroblastos e à flexão dos músculos na cicatrização
normal. As contraturas são particularmente propensas a desenvolver-se nas palmas das mãos,
plantas dos pés e face anterior do tórax, sendo favorecidas por vários fatores, inclusive pela
preferência do paciente por determinadas posições confortáveis e pela sua hesitação em
movimentar-se (SHEPHERD, 1995).
As contraturas são comumente observadas após queimaduras graves e podem
comprometer o movimento das articulações (COTRAN ET AL, 2000). A amplitude dos
movimentos pode ser perdida muito rapidamente, devido à tendência do colágeno de contrairse e reter seu menor comprimento possível. Em conseqüência, facilmente ocorrem
contraturas, podendo resultar não só em limitações na amplitude dos movimentos existente,
33
mas na degeneração desta camada de tecido, e na interrupção do processo de cicatrização
(SULLIVAN; SCHMITZ, 1993).
4.8.2 Cicatriz Hipertrófica e Quelóide
As cicatrizes hipertróficas e os quelóides constituem problema estético significativo e
são de tratamento problemático. Caracterizam-se por uma síntese de colágeno preponderante,
sendo que as fibras colágenas não se orientam como nas cicatrizes normais, ao longo das
linhas de fenda, mas sim em espiral projetando-se sobre a superfície cutânea.
4.8.3 Quelóide
O quelóide representa o caso particular da cicatrização excessiva. Certas influências
traumáticas tornam exagerado o processo de regeneração do tecido conjuntivo formando uma
saliência elevada em platô, bastante consistente, de cor rósea e lisa. Apresenta-se
arredondado, linear, alongado e com digitações diversas, sempre extravasando os limites da
lesão original (GUIRRO; GUIRRO, 2002).
4.8.4 Cicatriz Hipertrófica
A cicatrização hipertrófica é a resposta exagerada do tecido de granulação, que leva à
proliferação anárquica dos fibroblastos e miofibroblastos, conduzindo à reparação tecidual
alterada e hipertrófica, com deposição colagenosa exacerbada. Este tipo de hipertrofia formase a partir e um feixe colagenoso rígido e avermelhado de tecido conjuntivo que cresce sobre
a superfície de uma lesão por queimadura (SILVA ET AL, 2001).
34
5 A REINTEGRAÇÃO DE PACIENTES COM SEQÜELAS DE GRAVES
QUEIMADURAS NA PELE
De modo abrangente, a assistência nos primeiros socorros até a reintegração do
paciente vítima de graves queimaduras na sociedade ainda é um assunto pouco discutido pela
enfermagem. Entretanto, as queimaduras são acidentes comuns em qualquer comunidade e
constituem situações de emergência e exigem do enfermeiro conhecimentos adequados para
sua atuação.
Assim, o paciente queimado enfrenta situações muito difíceis, por uma série de
fatores, entre eles: ameaça à sobrevivência, medo do desfiguramento, dor, desconforto físico
prolongado, receio de incapacidade e rejeição e separação da família.
No entanto, nos últimos anos os acidentes e violências vêm sendo identificados como
problemas de saúde pública no Brasil, de grande magnitude, devido ao forte impacto que
provocam na morbidade e mortalidade da população.
Conforme determina a Resolução CFESS n° 383/99, a prática profissional do
assistente social deve estar direcionada para o atendimento das demandas imediatas da
população e, a partir destas, possibilitar o acesso às informações e ações educativas,
contribuindo para que a saúde seja entendida como resultado das condições gerais de vida e
da dinâmica das relações sociais, econômicas e políticas vigentes no país (Portal da Secretaria
de Saúde do Rio de Janeiro).
Desta forma, o atendimento à pessoa queimada requer uma atuação voltada para as
temáticas como a violência, especialmente a intrafamiliar, os acidentes domésticos e de
trabalho e as tentativas de suicídio.
Nesse sentido, a atuação do assistente social se volta para a discussão destes temas,
para o acesso a informações de saúde e direitos sociais e, ainda: estímulo à reintegração
familiar pós-trauma; incentivo à adesão ao tratamento, durante a internação; encaminhamento
35
e orientações para tratamentos complementares após a alta hospitalar; orientação quanto a
direitos previdenciários e trabalhistas; encaminhamentos para aquisição de órteses e próteses e
encaminhamento para a rede de serviços e recursos disponíveis na comunidade (Portal da Sec.
Saúde do RJ).
5.1 REABILITAÇÃO
Segundo Russo (1976, p. 85), a ocorrência de queimaduras (lesões dos tecidos
orgânicos em decorrência de um trauma de origem térmica) pode acometer as diversas
camadas da pele, podendo nos casos mais graves acometer músculos, tendões, vasos
sangüíneos, nervos e ossos.
As conseqüências sistêmicas são proporcionais à extensão e profundidade dessas
lesões, e quando não tratada de forma adequada pode resultar em lesões incapacitante.
A assistência de reabilitação, por meio de abordagem multidisciplinar (médico,
fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeiro, psicólogo), tem por objetivo minimizar as
seqüelas que venham comprometer o desempenho funcional do paciente, permitindo-lhe
assim a máxima independência motora e autonomia possíveis.
5.1.1 O Papel do Enfermeiro
O papel do enfermeiro na Unidade de Queimados abrange as responsabilidades nos
planos administrativo, educacional e assistencial.
Desse modo, cabe ao profissional de enfermagem o planejamento, organização,
coordenação, execução e avaliação dos serviços da equipe e prescrições de enfermagem.
36
O paciente queimado passa necessariamente pelo Pronto Socorro na sua chegada ao
hospital, a equipe médica é notificada, recebe o paciente e presta os primeiros socorros; na
Unidade de Tratamento de Queimados – UTQ, o enfermeiro e sua equipe se preparam para
receber o paciente estabelecendo prioridades para que o mesmo seja bem assistido.
A prioridade número um é o estabelecimento das vias aéreas superiores e a
disponibilidade de todo o equipamento necessário, para um possível suporte ventilatório;
providenciar um acesso venoso o mais rápido possível para reposição hídrica, e cateterismo
vesical, procedimento fundamental para que haja um maior controle de fluidos.
Cabe ao enfermeiro prescrever os cuidados de enfermagem que julgar necessário
juntamente com seus horários de realização de acordo com o seu diagnóstico obtido após
detecção dos problemas constantes no histórico.
5.1.2 O Papel do Fisioterapeuta
O apoio e o trabalho da equipe multiprofissional é de grande valia. O profissional da
fisioterapia tem uma abordagem humanística ao lidar com o paciente queimado, pois tem o
verdadeiro desafio da reabilitação, complicações de todo tipo que, às vezes, não são
resolvidas e que tem de amenizar as seqüelas do queimado. Dentro deste projeto de prevenção
e cura do queimado, encontra-se a fisioterapia aliada ao tratamento clínico e cirúrgico com o
objetivo básico de garantir o melhor restabelecimento funcional e estético possível do
indivíduo.
Assim, as seqüelas funcionais e estéticas provocadas pelas queimaduras podem ser
evitadas e tratadas se houver intervenção fisioterápica precoce e contínua ao longo do
processo cicatricial. A fisioterapia abrange o tratamento dos problemas já existentes e a
prevenção dos problemas previstos para o futuro. Devido à complexidade e gravidade das
37
lesões por queimadura, a assistência fisioterapeutica ao grande queimado exige competência,
habilidade e conhecimentos atualizados.
A abordagem do fisioterapeuta, que integra a equipe multiprofissional da Unidade,
começa a sala de curativos. É importante que o profissional conheça a extensão da lesão
queimada. A recuperação dos movimentos se faz ainda na fase inicial, com a observação e os
exercícios ativos e assistidos.
Existe outra abordagem após alta. O paciente enfrenta a sua realidade, as suas
deformidades e as restrições de movimento. O processo de cicatrização é ativo (24 horas por
dia), enquanto o trabalho fisioterápico trabalha com a desvantagem da cicatrização. A maior
causa são as retrações cicatriciais que levam às deformidades (quelóides). Os recursos
utilizados para manter e recuperar as atividades funcionais são os exercícios de todo tipo, uso
das malhas compressivas e uso de órteses e próteses.
5.1.3 O Apoio Psicológico
Os pacientes-vítimas de queimaduras recebem apoio psicológico ainda no leito. A
perda de membros ou função deprime o paciente vitima de queimaduras. A síndrome póstraumática leva o profissional a ter que resgatar a identidade e auto-estima do paciente.
Geralmente a pessoa traz consigo traumas ou mesmo alguma patologia que irá
desencadear durante o tratamento. Existem casos de pacientes que se envolvem com álcool e
outras drogas. Outros têm problemas familiares e há casos de atentado ao suicídio,
complicando e agravando o tratamento.
O resgate da identidade à vida, ao mundo, a sociedade e à família é um trabalho árduo
que começa ainda no leito e se estende no ambulatório. Em alguns casos se faz necessário a
intervenção do psiquiatra para uso de medicação. Existem casos em que o tratamento
38
psicológico dura 30 dias e outros levam anos. Em muitos casos a alta hospitalar baseia-se no
fato do paciente suportar as seqüelas.
5.1.2 Terapia Ocupacional
Marcando sua especificidade de conhecimento na prática clínica e de pesquisa, o
Terapeuta Ocupacional vem demarcando a sua história e tendo como objeto de estudo a
atividade humana, esse profissional vem provando sua relevante presença nas equipes de
saúde, procurando mostrar suas ações num aspecto cada vez mais amplo, com a visão de uma
atenção integrada do sujeito, vem proporcionar com cuidados em cada clínica, seu bem estar
físico-mental e social.
O Terapeuta Ocupacional atua desde sua internação dando ênfase primeiramente ao
ajuste emocional, pois o trauma reduz sua auto-estima, segurança, independência e
compromete sua imagem corporal. Na sala de curativos é importante para orientar a equipe
sobre as imobilizações e curativos que envolvam articulações e outros seguimentos, a fim de
preservar a independência e o conforto do paciente.
Portanto, a atuação do Terapeuta Ocupacional é importantíssima, pois favorece
situações que venham minimizar e facilitar o progresso na aceitação do tratamento até sua alta
e pós-alta.
Nas queimaduras, o enfoque está voltado para o processo de cicatrização das lesões
cutâneas, face à predisposição para formação de cicatrizes hipertróficas com aumento da
vascularização dos fibroblastos, miofibroblastos, deposição de colágeno e edema.
O exercício precoce, além da manutenção dos ângulos articulares, auxilia o paciente
no habitual receio de movimentar-se. Exercícios hidroterápicos também são benéficos,
resguardados os cuidados de infecção. As férulas e calhas de posicionamento estão indicadas
39
nos comprometimentos dos membros superiores e inferiores, evitando-se posições viciosas
que venham comprometer o apoio na marcha, e os movimentos de preensão das mãos.
A atenção tem início ainda na fase aguda, afastado o risco de vida do paciente,
compondo a abordagem terapêutica proposta, discutida em equipe, em especial com o
cirurgião plástico. Nessa etapa, a mobilização passiva das articulações e o cuidado com a
postura no leito são importantes para o combate das contraturas viciosas, bem como o
alongamento dos músculos, atentando-se para as contraturas da pele e dos enxertos cirúrgicos
que não devem ser estirados.
5.2 MEDIDAS PREVENTIVAS
(SEGUNDO MANUAL DA SEC DE SAÚDE DO RIO DE JANEIRO)
• Evitar crianças na cozinha no horário de preparo das refeições;
• Evitar cabos de panelas voltados para fora do fogão;
• Não manusear material inflamável (gasolina, álcool, tinner, querosene, cera) perto de
fogo ou cigarro aceso.
• Não derreter cera ao fogo;
• Proteger as tomadas elétricas;
• Apagar o toco de cigarro antes de jogá-lo fora;
• Não deixar crianças cuidando de outra criança;
• Não colocar álcool diretamente na churrasqueira acesa, mesmo que ela pareça apagada
(utilizar álcool gel para acender churrasqueira ou fogueira etc.)
• Não chegar perto do fogo quando sua roupa estiver molhada por álcool, perfume, cera,
gasolina, bebida alcoólica;
• Ao trocar o botijão de gás, certificar-se que não haja nenhum tipo de vazamento.
Desligar a chave geral de eletricidade e não usar fogo perto do local de troca;
40
• Não deixar vela acesa ou lampião próximo ao berço de crianças;
• Evitar exposição prolongada ao sol e uso de bronzeadores caseiros (óleo de avião,
folha de figo etc.);
• Manter produtos de limpeza, fósforo e isqueiro longe do alcance das crianças.
41
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho teve por objetivos conhecer e discutir a reintegração na sociedade
de pessoas que são acometidas de graves queimaduras na pele, visto que se constituem num
problema de saúde pública significativo no Brasil, atingindo pessoas de todas as idades e de
ambos os sexos.
Neste sentido, os sobreviventes de queimaduras graves ainda carregam um pesado
fardo de seqüelas físicas e psicossociais que geram grande sofrimento a ser superado. Não há
dúvida de que o prognóstico final de uma queimadura depende essencialmente de um pronto e
adequado primeiro atendimento.
Sabe-se que a sobrevivência de pacientes vítimas de queimaduras tem aumentado
significativamente devido aos avanços do tratamento. Como conseqüência, a quantidade de
pacientes apresentando seqüelas também aumentou. Entretanto, ainda se busca a melhora na
qualidade de vida de pacientes com cicatrizes hipertróficas resultantes de queimaduras ou
após enxertos de pele, através da redução do estigma causado por estas cicatrizes.
Várias abordagens têm sido descritas para prevenir e tratar cicatrizes patológicas,
freqüentemente sem sucesso em alguns pacientes, por causa do método ou pela dificuldade
em se conseguir a aderência do paciente ao tratamento.
Mesmo com os crescentes progressos obtidos ultimamente no tratamento dos grandes
queimados, ainda são consideráveis as taxas de mortalidade e morbidade. As estratégias
preventivas implementadas ainda não foram capazes de alterar significativamente o dramático
quadro epidemiológico das queimaduras. E, os sobreviventes de queimaduras graves ainda
carregam um pesado fardo de seqüelas físicas e psicossociais que geram grande sofrimento a
ser superado.
Portanto, há a necessidade da implantação de centros especializados para o tratamento
de pacientes queimados e equipes especializadas no sistema de saúde brasileiro, aplicando
42
medidas técnicas, terapêuticas, educativas permanentes adequadas e associadas à introdução
de medidas de vigilância epidemiológica. Estas medidas visam, principalmente, a diminuição
dos índices de morbidade e mortalidade, sobretudo, relacionados ao controle de infecção.
43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e
documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2002.
_________________. NBR 10520: informação e documentação – citações em documentos
– apresentação. Rio de janeiro, 2000.
_________________. NBR 14724: informação e documentação – trabalhos acadêmicos –
apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
BARROS, A. P.; LEHFELD, N. A. S. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. 14.
ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1990.
BRASIL. Ministério da Saúde - Portaria nº 2.616, de 12 de maio de 1998.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.273, de 21 de novembro de 2000.
COSTA, D. M. ET AL. Estudo descritivo de queimaduras em crianças e adolescentes. Jornal
de Pediatria. 1999.
COTRAN ET AL. Patologia estrutural e funcional. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2000.
COUTO, C. R.; PEDROSA, G. M. T. Guia prático de infecção hospitalar. Rio de Janeiro:
Medsi, 1999.
DI FIORE, M. Atlas de histologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1980.
DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Instituto Antônio Houaiss de
Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GOMES, D. R; SERRA, Maria C. V. F.; JUNIOR, Luiz M. G. Condutas atuais em
queimaduras. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.
GUIRRO, Elaine; GUIRRO, Rinaldo. Fisioterapia dermato-funcional. 3. ed. São Paulo:
Manole, 2002.
INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA ALBERT EINSTEIN. Espaço da Saúde, 2003.
KOTTKE, Frederic J.; LEHMANN, Justus F. Tratado de medicina física e reabilitação de
Krusen. 4. ed. vol. 2. São Paulo: Manole, 1994.
LEÃO, C. E. G. Queimaduras. In: FONSECA, F. P; ROCHA, P. R. S. (eds.) Cirurgia
ambulatorial. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1999.
44
MACEDO, J. L.S.; ROSA, S. C. Estudo epidemiológico dos pacientes internados na
Unidade de Queimados: Hospital Regional da Asa Norte, Brasília, 1992-1997: Brasília Med.
2000.
MEDEIROS, J. B. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos, resenhas. 6. ed.
São Paulo: Atlas, 2004.
MENEZES, Eni-Leci M.; SILVA, Maria José. A enfermagem no tratamento dos
queimados. São Paulo: EPU, 1988.
ROSSI L.A. ET AL. Queimaduras: características dos casos tratados em um hospital
escola em Ribeirão Preto: Panam Salud Publica, 1998.
RUSSO, A C. Enxertia de pele nas queimaduras. In: Tratamento das Queimaduras. São
Paulo: Savier, 1976.
SEARS, F. W; SALINGER, G. L. Termodinâmica: teoria cinética e termodinâmica
estatística. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1979.
SERRA, Maria Cristina; MACIEL, Edmar. Tratado de queimaduras. São Paulo: Atheneu,
2004.
SHEPHERD, Roberta B. Fisioterapia em Pediatria. 3. ed. São Paulo: Santos,1995.
SULLIVAN, Susan B.; SCHMITZ, Thomas J. Fisioterapia: avaliação e tratamento. 2. ed.
São Paulo, 1993.
SILVA, André G. S.; AZEVEDO, Flávio N.; VIEIRA, Rodrigo S. Cicatrização hipertrófica
no paciente queimado. Fisio&Terapia. Nº 26, 2001.
SMELTZER ET AL. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 8. ed. vol. 2. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.
SOUZA, O. R. História geral. 11. ed. São Paulo: Ática, 1975.
VALE, Everton C. S. Primeiro atendimento em queimaduras: a abordagem do dermatologista
Anais Brasileiro de Dermatologia. vl. 80. nº. 1. Educação médica continuada, 2005.
Download

a reintegração na sociedade de pacientes com seqüelas