MARISA DE MEDEIROS CHAVES O SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS COMO VANTAGEM DIFERENCIAL COMPETITIVA NO ENSINO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE Belo Horizonte Junho de 2001 MARISA DE MEDEIROS CHAVES O SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS COMO VANTAGEM DIFERENCIAL COMPETITIVA NO ENSINO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE Belo Horizonte Junho de 2001 2 SINOPSE O presente trabalho pretende evidenciar o papel do “sistema integrado de Recursos Humanos”, como vantagem diferencial competitiva, nas instituições de ensino superior com curso de Administração de Empresas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Para tanto analisa alguns casos escolhidos na área supracitada, ao final do ano de 1999. Contextualizada em um ambiente com marcantes e dinâmicas alterações, a discussão e proposição de políticas de organização e gestão de pessoas nas instituições em análise podem ganhar uma dimensão gerencial diferenciada a partir da efetiva incorporação do conteúdo aqui tratado. A propósito, destaca-se a especial inserção das instituições de ensino na funcionalidade social, como matrizes geradoras dos quadros e da cultura mentora da elite social. ABSTRACT This paper intent to evidence the hole of the “human resources integrated system”, asumed like a competitive diferential advantage, to the college education institutions with “Bussiness Administration Course”, in the Belo Horizonte Metropolitan Region. Concern this, some selected cases was analyzed in the referred region, in the last days of 1999. Insert in an environment with striking and dynamics changing, the discussion and proposition of organizational policies and human resources management practices, here under analysis, may obtain a differential management dimension upon the effective consideration of the contents refereed here. By the way, a special insertion of the college education institutions in the scope of social functionality was emphasized, like a generation matrix of staffs and culture of the social elite. ii 3 AGRADECIMENTOS Registra-se um agradecimento especial aos profissionais de recursos humanos das instituições pesquisadas pela atenção e boa vontade dedicadas ao atendimento aos pedidos de respostas às questões relativas à pesquisa de campo. Sem este imprescindível auxílio tal tarefa não poderia ter sido concluída. iii 4 DEDICATÓRIA Dedico o fruto do presente esforço ao meu marido Ricardo e à nossa filha Clarice, fontes de inspiração e de renovada confiança em todos os momentos, na assertividade do empenho requerido para a conclusão deste trabalho. iv 5 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1.1. OBJETIVOS 1.1.1. OBJETIVO GERAL 1.1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1.2. JUSTIFICATIVA 1.3. OBJETO DE ESTUDOS 1.3.1. O TEMA 1.3.2. A NATUREZA DO PROBLEMA E SUAS HIPÓTESES BÁSICAS 2. EMBASAMENTO TEÓRICO 3. METODOLOGIA DA PESQUISA 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 4.1. O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL – QUADRO ATUAL 4.2. AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR NA RMBH 4.3. AS QUESTÕES PESQUISADAS 4.3.1. O QUESTIONÁRIO DE PESQUISA 4.3.2. A TABULAÇÃO DAS QUESTÕES 5. CONCLUSÕES E SUGESTÕES ANEXOS APÊNDICES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS v 6 Obs: Foi necessário suprimir alguns quadros para acelerar o processo de transmissão de dados via e-mail. O original escrito estará completo. LISTA DE QUADROS QUADRO I - CARACTERÍSTICAS DA ANTIGA E DA NOVA ECONOMIA QUADRO II - AS MACROTENDÊNCIAS DA GESTÃO DE PESSOAS QUADRO III - O SISTEMA INTEGRADO DE RECURSOS HUMANOS QUADRO IV - O SISTEMA SOCIOTÉCNICO - A ABORDAGEM DO TAVISTOCK INSTITUTE QUADRO V - O DESENHO MECANÍSTICO TÍPICO DA ERA INDUSTRIAL CLÁSSICA QUADRO VI - O DESENHO MATRICIAL DA ERA INDUSTRIAL NEOCLÁSSICA QUADRO VII - O DESENHO ORGÂNICO TÍPICO DA ERA DA INFORMAÇÃO QUADRO VIII - AS TRÊS ETAPAS DAS ORGANIZAÇÕES NO DECORRER DO SÉCULO XX QUADRO IX - AS MUDANÇAS E TRANSFORMAÇÕES NA ÁREA DE RH QUADRO X - AS TRÊS ETAPAS DA GESTÃO DE PESSOAS QUADRO XI - ÁREA METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE - CIDADES INDUSTRIAIS E PRINCIPAIS VIAS DE ACESSO vi 7 O homem deve criar oportunidades e não somente encontrá-las. 8 Francis Bacon 9 O SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS COMO VANTAGEM DIFERENCIAL COMPETITIVA NO ENSINO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE 1. INTRODUÇÃO A presente dissertação resulta de uma pesquisa sobre o sistema integrado de recursos humanos considerado como vantagem diferencial competitiva, no âmbito das instituições de ensino superior com curso de Administração de Empresas, localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais. Em decorrência da metodologia e dos recursos disponíveis, o esforço de pesquisa se concentrou em 04 (quatro) instituições de ensino superior, eleitas como amostra significativa do universo em consideração. Portanto, o estudo em tela permitiu sintetizar uma avaliação crítica do sistema de recursos humanos no setor de ensino universitário de graduação, na região em referência. Possibilitou também, a proposição de uma configuração para o sistema de recursos humanos de instituições de ensino superior, como modelo de capacitação estratégica e indutor da criação de vantagens diferenciais competitivas 1. A referência teórica para tais objetivos, inspira-se na concepção do modelo integrado de recursos humanos, como modelo de desenvolvimento institucional. 1.1 OBJETIVOS 1.1.1. OBJETIVO GERAL Este trabalho de pesquisa pretendeu obter e sistematizar dados e informações capazes de permitir a avaliação crítica do sistema de recursos humanos no setor de ensino superior, no nível de graduação em Administração de Empresas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, diante dos desafios concorrenciais e sob a ótica da busca de excelência e da economicidade do sistema analisado. 1.1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Dentre os objetivos específicos deste trabalho, podem ser destacados os seguintes: a) Obter dados estatísticos que possibilitem a proposição de uma configuração para o sistema de recursos humanos em instituições de ensino superior com curso de Administração de Empresas, que 3 O conceito de “vantagem diferencial competitiva”, atribuído por Wroe Alderson ( Dynamic Marketing Behavior – Homewood , Illinois – Richard D. Irwin – 1965 – Cap. VIII) a J. M. Clark e E. H. Chamberlain, traduz ou “designa uma característica ou condição capaz de conferir uma vantagem à uma firma sobre seus competidores”. Citado por FERREIRA, Ricardo J. F. – Os Canais de Distribuição da 10 melhor corresponda a um modelo de capacitação estratégica, condicionante da criação de vantagens diferenciais competitivas em tais instituições. b) Descrever as condições atuais do sistema de recursos humanos de instituições de ensino superior com curso de Administração de Empresas, notadamente aquelas que mantenham unidades educacionais localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a partir de conjuntos de variáveis identificadoras de funcionalidade, competitividade e economicidade do sistema. c) Avaliar o nível de desenvolvimento das normas e dos procedimentos relativos aos recursos humanos nessas instituições, assim como sua política salarial e a existência de instrumentos adequados para sua administração, com destaque para um Plano de Cargos e Salários. d) Identificar os processos e fontes utilizadas pela instituição para o recrutamento do seu pessoal docente e administrativo, bem como os principais métodos para sua seleção. e) Confrontar a existência de orçamento ou dotação de recursos previstos para um programa de desenvolvimento de pessoal, bem como sua periodicidade de ocorrência e efetiva implementação e controle. f) Constatar a existência, a forma e a freqüência de utilização de uma avaliação e acompanhamento do desempenho dos docentes e do pessoal administrativo nas instituições pesquisadas. g) Classificar os benefícios eventualmente concedidos aos empregados das instituições pesquisadas, quais suas formas de concessão e controle, bem como avaliar a importância relativa de tais benefícios na remuneração do pessoal docente e administrativo. h) Relatar a existência e a formatação dos programas de segurança e medicina do trabalho já implementados. i) Apurar a existência de um planejamento de recursos humanos de curto, médio e longo prazo, avaliando a respectiva funcionalidade. j) Tabular e analisar os resultados obtidos na pesquisa, com vistas à obtenção de informações cruzadas e de valor, tanto para a pesquisa em curso, como para eventuais trabalhos correlatos. Indústria Automobilíst ica em Minas Gerais – Uma Avaliação – Dissertação de mestrado aprovada pela Fundação Getúlio Vargas – Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV-EAESP – 1977. – Pagina 265 11 1.2. JUSTIFICATIVA A escolha do tema e as motivações do presente trabalho alicerçam-se na interpretação da dinâmica das questões relevantes que se apresentam ao gestor de pessoas e de organizações, na atual fase histórica. Em função disso, torna-se pertinente destacar as características predominantes do ambiente sócio – econômico ao final do século XX, tanto no Brasil como no resto do mundo, as quais podem ser sintetizadas na “incerteza geral acerca do papel das instituições tradicionais, das crenças, atitudes e valores que, durante a maior parte dos últimos cem anos, parecia direcionar o comportamento individual e grupal na civilização planetária”. Em tais condições, genericamente batizadas pela denominação “era da incerteza”2, o desempenho das instituições vem sofrendo um intenso desafio de eficácia 3, como condição necessária embora não suficiente, para a respectiva perpetuação, tal como demonstra o quadro abaixo. QUADRO I CARACTERÍSTICAS DA ANTIGA E DA NOVA ECONOMIA Características Antiga Economia Nova Economia Escopo Doméstica Global Força Motriz Produção de massa Tecnologia, inovação Recurso Capital Conhecimento, informação Empregos Estáveis, em grandes empresa Dinâmicas, em empresas menores Organização Centralizada, hierárquica Matriz, fluída, descentralizada Mercados Estáveis Fluídos Trabalhadores Não instruídos, não especializados Instruídos, especializados e adaptáveis Tarefas Simples e Manuais Complexas, intelectuais e participativas Tecnologia Mecânica Eletrônica, biológica Ênfase Previsibilidade Inovação e criatividade Fluxo de Informações De cima para baixo De baixo para cima Oportunidades Limitadas, fixas Fluídas, rotativas, móveis Negócios/governo Interferência mínima Colaboração, sociedade Símbolo Fábrica, chaminé Computador Fonte: Idalberto, CHIAVENATO, Gestão de Pessoas, o novo papel dos recursos humanos nas organizações, Rio de Janeiro, Editora Campus, 1999, p. 450. As possibilidades de sobrevivência e de crescimento das instituições no mundo atual passam assim, a ser cogitadas em termos de acentuação de sua capacidade competitiva, onde as variáveis passíveis de manipulação e rearranjo intencional devem ser submetidas a uma adequada condução organizacional e gerencial. Não será difícil perceber que, somente com uma concepção estratégica, a intervenção gerencial 2 GALBRAITH, John Kenneth – A ERA DA INCERTEZA – Ed. Pioneira – S. P. –1980 12 encontraria condições de otimizar custos e benefícios, balizando condições econômicas para a sua viabilidade. Elaborando-se os aspectos distintos dos sistemas organizacionais, a referida concepção não poderia deixar de considerar a relevância do sistema de recursos humanos, para os seus propósitos de sobrevivência e crescimento, tal como podemos ver no Quadro II. E, destacadamente para as instituições que competem no setor de serviços, o peso relativo da otimização do desempenho do sistema de recursos humanos adquire uma importância acentuada. E sem dúvida, este é o caso das instituições de ensino superior na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. QUADRO II AS MACROTENDÊNCIAS DA GESTÃO DE PESSOAS 1. Uma nova filosofia de ação: não mais administrar RH, nem administrar pessoas, mas sim administrar com pessoas. 2. Enxugamento e downsizing voltado para o core business da área de RH. 3. Metamorfose da área de serviços para uma área de consultoria interna. 4. Transferência de decisões e ações para a gerência de linha. 5. Intensa ligação com o negócio da empresa. 6. Ênfase na cultura organizacional participativa e democrática. 7. Utilização de mecanismos de motivação e de realização pessoal. 8. Adequação das práticas de RH às diferenças individuais dos funcionários. 9. Virada em direção ao cliente interno ou externo. 10. Preocupação com a criação de valor para empresa e para o cliente. 11. Contínua preparação da empresa e das pessoas para o futuro. 12. Visão voltada para o ambiente externo e utilização do benchmarketing. Fonte: Idalberto, CHIAVENATO, Gestão de Pessoas, o novo papel dos recursos humanos nas organizações, Rio de Janeiro, Editora Campus, 1999, p. 454. A partir dessa visão, desenvolveu-se aqui, um modelo geral de sistema de recursos humanos, capaz de orientar a concepção de políticas de desenvolvimento institucional, com diretrizes organizacionais e de desempenho para a função de recursos humanos, e aplicável às instituições de ensino superior em nível de graduação de curso de Administração de Empresas. 1.3. OBJETO DE ESTUDO 1.3.1. O TEMA O tema da pesquisa centrou-se na proposição de um sistema integrado de recursos humanos como vantagem diferencial competitiva, para as instituições de ensino superior, no nível de graduação para curso de Administração de Empresas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. 3 O conceito de eficácia, não deve ser confundido com eficiência, ou seja, a correta execução do que é feito, mas sim a execução do que deve ser feito corretamente, e com resultados positivos diante dos objetivos visados. 13 A concepção de um sistema integrado de recursos humanos foi desenvolvida como se contrapondo à estruturação funcional parcial e caracterizada por um processo decisório fragmentado, sem unicidade de concepção e implementação, que caracteriza a visão tradicional de organização na maioria das instituições de ensino superior, em nosso meio. Por sua vez, uma abordagem sistêmica à questão gerencial de recursos humanos, induz a uma concepção de funcionalidades integradas (Quadro III) de maior abrangência operativa e, certamente, de eficácia gerencial ampliada. Na compreensão de Ferreira 4 “o sistema integrado de recursos humanos, foi concebido como um modelo orientador da gestão de recursos humanos, cujo objetivo fundamental é a integração e a compatibilização das decisões na área, incorporando as variáveis do ambiente relevante da organização no qual se insere”. Aquele autor ressalta ainda que “a pesquisa em busca do instrumento cognitivo em questão, foi, portanto, presidida pela necessidade de orientação para a ação gerencial, de forma integrativa, que considerasse o alcance, a complexidade, a mutabilidade e as demais características do sistema de recursos humanos em uma organização complexa”. 5 A presente pesquisa evidencia a composição decisória, a estrutura relevante e as inter-relações do sistema de recursos humanos nas instituições de ensino universitário na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cabe ressaltar também que, na atual conjuntura, como bem comenta a professora Maria Auxiliadora Monteiro de Oliveira6, o setor de ensino universitário no Brasil, defronta-se com algumas influências determinantes com relação às políticas educacionais adotadas, sendo que as mais significativas podem ser assim destacadas: § A globalização da economia vem provocando em todo o mundo, e notadamente nos países emergentes, um processo de mudança muito rápida nos valores em geral, inclusive com perda de sua identidade nacional. Na área educacional esse impacto leva o sistema escolar a se configurar como um mercado educacional apoiado em estratégias competitivas, enfatizando a difusão tecnológica por excelência, apresentando uma postura utilitarista. • O neoliberalismo, impulsionado pela onda da globalização, prega a redução do papel do Estado e a ampliação da liberdade para a livre interação das forças do mercado permitindo, no âmbito da FERREIRA, Ricardo J.F. - O Sistema Integrado de Recursos Humanos Como Modelo de Desenvolvimento. Institucional – XI º Congresso da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) – Fortaleza – Ceará – 1981 -( pág. 96) 5 ( Op. Cit., pág. 96). 6. OLIVEIRA, M. A. M. O. Aprender a aprender: um novo paradigma ou uma rearticulação do pragmatismo de Dewey. Cadernos de Educação, Belo Horizonte, v. 4, n. 4, p. 31-38, 1999 (Maria Auxiliadora é professora do Departamento de Educação e do Mestrado em Educação da PUC/MG). 4 14 educação, a interferência de agentes econômicos externos que estabeleceram metas de qualidade total para o atendimento das demandas mercantis, prioritariamente. § A revolução tecnológica em curso tem colocado em questão até os paradigmas mais bem estabelecidos do conhecimento científico, colocando em dúvida até o que a educação deve privilegiar. A valorização de conteúdos vinculados à educação geral prevê que a escola deve buscar a disseminação de conhecimentos e informações que contemplam a polivalência na formação das novas gerações. Esta interpretação parece retratar o vetor melhor adaptado às constantes e rápidas obsolescências de campos restritos de conhecimentos e de tecnologias que se tornam ultrapassadas com rapidez, privilegiando o alcance de habilidades intelectuais de caráter multidisciplinar. Nesta perspectiva, atualmente é cada vez mais requerido que a educação tenha qualidade assentada nos princípios pragmáticos e de interesse econômico apontados acima. No entanto, a verdadeira qualidade só acontecerá se for assegurada, também a valorização: § do professor; § de um ensino baseado em um consistente e atualizado referencial teórico e § da formação do cidadão, do sujeito ético-político. A concepção de educação, ora dominante, vem priorizando ações a partir de certas premissas, que embora cada vez mais difundidas no meio educacional, baseiam-se em uma perspectiva equivocada e prejudicial à eficácia do sistema educacional e dentre as quais, cabe destacar: § “a centralidade no aluno enquanto sujeito condutor da sua aprendizagem pela via da pesquisa autônoma e independente”. Essa perspectiva do “aprender a aprender” pode levar à dissolução da diferença existente entre ensino e pesquisa, o que pode acarretar o empobrecimento do primeiro e a inviabilidade da segunda. Sem uma base teórica consistente, sem a direção e o acompanhamento docente, corre-se o risco de apoiar a realização de pesquisas que pouco contribuem para o real aprendizado do aluno, e cujo valor social e para o desenvolvimento do conhecimento, venha a ser irrelevante. § “o uso de novas tecnologias como fonte principal da construção do conhecimento”. As tecnologias na educação jamais poderão substituir o professor e a ação docente. Embora se constituindo como importantes recursos, valiosas ferramentas auxiliares do processo de ensino aprendizagem, as novas tecnologias são criações humanas, impregnadas de ideologia e, enquanto tais, não são más nem boas, dependendo do uso que é feito delas . O emprego de tecnologias como sinônimo de qualidade no ensino, constitui uma falácia que poderá custar caro aos inocentes que nela confiarem exclusivamente, desprezando uma adequada e competente supervisão docente. 15 § “desvalorização do professor e da ação docente”. A formação docente vem se transformando em mera capacitação em serviço, na medida em que se negligencia a formação inicial e a importância de uma fundamentação teórica e política consistentes. A desvalorização do professor fica evidente na contenção salarial e na supervalorização do livro didático, entendido como uma formatação prévia e capaz de prover “suficiente conhecimento” aos estudantes com minimização da interferência docente, o que permitiria o aumento do número de alunos na sala de aula, privilegiando conceitos meramente econômicos de eficiência e produtividade, segundo uma visão ingênua e utilitarista do processo educacional. Sem a revisão de tais premissas e a conseqüente reorientação das práticas a elas associadas, a concepção de educação não poderá iluminar adequadamente a prática docente que conforme acreditamos, deve estar assentada em três pilares, a saber: § Constituição de uma consistente base teórico-prática; § Valorização do binômio professor - aluno; e § Orientação para a constituição do sujeito ético - político capaz de garantir a formação do cidadão e de um profissional competente e compromissado socialmente. Não será necessário ressaltar que a operacionalização de tais pilares, definidos como necessários para a conquista de níveis de excelência no processo educacional, em instituições universitárias, necessitará da construção de um ambiente organizacional, conceitual e de infra-estrutura gerencial para a função de recursos humanos em tais instituições. E neste contexto, foi inserido o presente trabalho de pesquisa. 1.3.2. A NATUREZA DO PROBLEMA E SUAS HIPÓTESES BÁSICAS O ensino superior brasileiro, nos últimos anos, modificou-se radicalmente para atender às premências de um mercado cada vez mais complexo. As exigências crescent es de capacitação profissional, a concorrência acirrada no mercado de trabalho, a elevação dos custos envolvendo todos os processos educacionais e de preparação para o mercado de trabalho, ao lado da relativa lentidão das estruturas tradicionais do ensino superior em nosso meio, ensejaram as condições para a criação de novas unidades e conseqüente ampliação do número de estabelecimentos de ensino superior. Assim, a disseminação de faculdades regionais, isoladas ou vinculadas a uma Universidade de maior port e, atesta o crescimento que o setor alcançou nas últimas décadas, configurando-se hoje em um sistema bastante diversificado e complexo. Tal dinâmica, longe de se apresentar próxima do esgotamento, apresenta sinais de que deverá se aprofundar e ampliar. Agravam as condições ambientais relativas ao mercado de trabalho dos profissionais de nível superior no Brasil de nossos tempos, a crescente importação de profissionais de alta e média qualificação, como se tem verificado nos últimos anos. A contratação dess es profissionais no exterior tem sido promovida pelas 16 empresas transnacionais que vêm adquirindo o controle das maiores e melhores empresas estatais e privadas no Brasil, de forma rápida e até facilitada por favores creditícios, cambiais e pelas condições, tanto conjunturais como estruturais, desfavoráveis às empresas e ao capital brasileiro, apresentadas já de longa data nos mercados financeiros e de capitais em nosso País. Tais favorecimentos ao capital estrangeiro emergem ainda, como compromissos institucionais assumidos pelo governo brasileiro junto às instituições internacionais, como forma de assegurar créditos externos e impedir o agravamento ao já precário acesso ao mercado internacional para nossas exportações, em um complexo sistema de valores parcialmente constituídos e em nada benéficos aos países menos desenvolvidos no contexto internacional 7 . Referência especial pode ser feita aos termos dos acordos ainda vigentes na jurisdição da Organização Mundial de Comércio – OMC que, em última instância, impõem liberdade de comércio para os bens exportados pelos países mais desenvolvidos e restrições agravadas para os bens exportados pelos países ditos em desenvolvimento, dentre eles o Brasil. Tais condições restritivas afetam tanto os produtos primários como os industrializados. Dentre esses últimos, destacam-se os produtos siderúrgicos, os têxteis, os calçados, e o açúcar, dentre outros. Já o capítulo relativo aos bens agrícolas e de elaboração primária, apresenta-se como um paradoxo nas relações econômicas internacionais, onde os países ditos desenvolvidos aplicam anualmente, quantias substanciais em subsídios a uma produção gravosa e altamente concentrada em poucos produtores de grande porte, excluindo a produção agrícola do mundo em desenvolvimento de seus mercados internos, em flagrante contradição entre princípios e prática de comércio internacional. A luta política atualmente em curso no âmbito da OMC mostra sinais de que este problema internacional está longe de solução satisfatória e justa. As instituições que compõem o sistema de formação e habilitação de profissionais de nível superior no Brasil, embora distintas em suas particularidades, executam todas um mesmo processo de integração de funções, expressando-o em uma política geral que visa superar as carências fundamentais do ensino superior, tentando equacionar os principais problemas técnicos (com destaque para a qualificação, motivação e capacidade de ação integrada do corpo docente), além dos aspectos econômicos e políticos aparentemente de difícil solução na forma tradicional. O grande prejuízo, neste caso, fica exatamente para a eficácia do ensino, ou seja, para os estudantes que utilizam a sala de aula, de onde esperam obter as qualificações suficientes para a sua inserção favorável em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e com oportunidades decrescentes proporcionalmente ao número de profissionais graduados a cada ano. Curiosamente, o governo brasileiro ultimamente, vem adicionando maior conturbação à viabilização econômica das instituições de ensino instituindo-lhes ônus tributários suplementares, cujos questionamentos legais mais uma vez se arrastam sob a forma de pendências judiciais sem solução visível em curto prazo e, como se tornou regra na sociedade brasileira, somente resolvidos ou a partir de fatos políticos, ou quando o dano causado pelo arbítrio já não tiver mais possibilidade de recuperação. Como exemplo de tal situação, pode ser citada a Lei Federal No. 9.732, de 11 de dezembro de 1998, que retirou a imunidade da contribuição previdenciária de entidades filantrópicas, entre as quais muitas escolas em 7 SIMONETTI, Eliana – O Brasil está à venda – Revista VEJA, 29 de Maio de 1996 – Pág. 34 a 39. 17 todos os níveis, elevando imediata e irreversivelmente as mensalidades cobradas aos estudantes matriculados em seus cursos, além da suspensão de bolsas de estudos, então concedidas. Diante deste quadro, formulou-se as seguintes hipóteses básicas deste trabalho: I) Ao longo do seu desenvolvimento, as instituições de ensino superior, com curso de graduação em Administração de Empresas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, têm procurado fortalecer seus sistemas operacionais, financeiros e de marketing como prioridade máxima na alocação de recursos escassos; II) Em segundo lugar, em prioridade, têm sido relegados os sistemas gerenciais, de incentivos, de remuneração e sociais das instituições de ensino superior com curso de Administração de Empresas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, resultando em um conjunto não harmônico e altamente susceptível de desequilíbrios por alterações no ambiente interno e externo dessas mesmas organizações: III) As instituições de ensino superior, com curso de graduação em Administração de Empresas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, atualmente apresentam insatisfatórias condições para o desempenho de suas tarefas básicas, decorrentes da atrofia das relações de incentivo e valorização do seu corpo docente, bem como do necessário apoio para o desenvolvimento de projetos de pesquisas relevantes e inovadores. 18 É importante estar sempre aberto a mudanças e ter habilidade para mudar o rumo dos acontecimentos. Autor Desconhecido 19 2. EMBASAMENTO TEÓRICO A referência para o tratamento teórico aqui delineado, e para a formulação das hipóteses básicas da pesquisa realizada, foi encontrada em Kingdon8 (1973) que sugere a compreensão das organizações como o resultado sinérgico da interação de três subsistemas distintos e identificados, respectivamente, como sistemas técnico, social e gerencial. Tal abordagem caracteriza o sistema técnico, ou de tarefas, como se encarregando do fluxo objetivo de trabalho e do emprego da tecnologia e de todo o conjunto de recursos pertinentes. Já o sistema social é concebido como compreendendo o universo humano, com os seus desdobramentos de necessidades, aspirações, papéis sociais e valores subjacentes, espelhando a cultura dominante na esfera intra e interorganizacional, abrangendo inclusive os aspectos da organização informal. O sistema gerencial, por sua vez, é descrito como compreendendo a estrutura de organização formal, as políticas, as normas de conduta institucionalizadas tanto para premiar como para punir, além do processo de tomada de decisão como fenômeno típico das organizações. Tal referência conceitual é conhecida como a abordagem aos “sistemas sociotécnicos”, proposta pelo Tavistock Institute (London - UK). A grande contribuição de tal abordagem à compreensão do fenômeno organizacional e de sua dinâmica no mundo moderno, foi a consideração do papel da tecnologia e de suas mudanças, na modulação de um caráter contingencial da organização e de sua funcionalidade. Concebendo as organizações como a conjugação de subsistemas distintos, porém interdependentes e interativos, a abordagem aos sistemas sociotécnicos, afirma que a combinação de tecnologia com um sistema social exige a coordenação de um sistema gerencial, capaz de equacionar e compatibilizar a interação decorrente da ação recíproca e conjunta desses subsistemas, em um equilíbrio dinâmico e eficaz, tanto entre os subsistemas organizacionais, como nas relações destes com o meio ambiente da organização. O Quadro IV a seguir ilustra graficamente os subsistemas componentes do sistema organizacional, sob a ótica da abordagem aos sistemas sociotécnicos. A par da relevância estratégica da função de recursos humanos, a sua funcionalidade plena tem sido sistematicamente minimizada em nosso meio, por diversos fatores. As referências teóricas invocadas em auxílio à melhor compreensão desta questão, permitem propor uma abordagem sistêmica ao tratamento conceitual do tema, como efetuado por Bertalanffy9 e outros. Por oportuno, convém destacar o fato de que a abordagem aqui invocada do Tavistock Institute, por sua vez, já incorporara não só a noção de ambiente da organi zação, mas a interação permanente dos subsistemas entre si, e destes e do todo com o seu ambiente externo, tornando a concepção das organizações como sistemas abertos, uma inferência necessária. KINGDON, Donald Ralph - Matrix Organization, Managing Information Technologies – London, UK – Tavistock 8 20 Dentre esses referidos outros autores, merecem citações os trabalhos de Davis10, e Edler 11(1980). Sem dúvida, o suporte conceitual das contribuições de Daniel Katz e Robert L. Kahn12 foram de grande relevância para os propósitos do presente trabalho, notadamente na abordagem sistêmica às organizações e na ênfase às suas características sob uma ótica funcionalista. Aliás, o método funcionalista melhor se destina à interpretação do que propriamente, à investigação nas ciências sociais, como bem observam Lakatos & Marconi (1995)13. Utilizado por Malinowski14, o método induz ao estudo dos fenômenos sociais do ponto de vista da função de suas unidades, isto é, o sistema social é entendido como um conjunto organizado de atividades, envolvendo a afirmação dogmática da integração funcional de toda a sociedade, onde cada parte tem uma função específica a desempenhar no todo. O papel das partes nesse todo é compreendido como “funções” por eles exercidas no conjunto social. Tal interpretação tanto se aplica nas relações entre instituições sociais na sociedade maior, como entre os subsistemas de uma mesma instituição social, esta última aqui tomada como o sistema referencial. Neste momento, torna-se oportuna uma referência mais detalhada, apesar de não exaustiva, à interpretação das instituições de ensino superior, em análise, como sistemas abertos. Tal conceito evoluiu para a sua aplicabilidade às ciências sociais, desde a sua utilização nas ciências biológicas, quando foi destacado pela sua utilidade conceitual na compreensão das interações dos seres vivos com o seu meio ambiente. Nas ciências sociais, a compreensão das organizações como sistemas abertos permite a consideração em um todo integrado, das interações dos componentes estruturais internos entre si, e destes com os fatores ambientais externos, tornando melhor compreensível a complexidade típica de tal fenômeno. Para tais fins, um sistema deve ser entendido como “um conjunto de elementos (ou subsistemas) dinamicamente inter-relacionados, desenvolvendo atividades ou funções para atingir os propósitos ou finalidades desejadas, ou seja, os objetivos para os quais o sistema foi instituído”. Como características dos sistemas abertos, em decorrência dos postulados da Teoria Geral de Sistemas, são destacados: § a importação ou entrada ( inputs) de insumos a partir do ambiente, suprindo–os de energia, recursos e informação; § a conversão ou transformação dos inputs em resultados ou outputs, através da diferenciação; § a saída para o ambiente, do output diferenciado pela transformação; Luwdwig von Bertalanffy – Teoria Geral dos Sistemas – Ed. Vozes – Petrópolis – R.J. –1973. DAVIS, Keith - Human Relations at Work - The Dinamics of Organizational Behavior – Mc Graw Hill – N. Y. – 1972 11 EDLER, Paulo Soares - A Administração de Recursos Humanos no Enfoque Tradicional e Sistêmico - Estudo Comparativo – Revista Executivo, No. 24 , Ano 6 - !980. 12 KATZ, Daniel e KAHN, Robert - Psicologia Social das Organizações – Ed. Atlas S.A – S. P.- 1970 13 LAKATOS E MARKONI M.A. , Fundamentos de Metodologia Científica, 3ª Edição, S. P. , Atlas - 1995 14 MALINOWSKI, B. , Crime and Custom in Savage Society, N. York: Harcourt, Brace - 1926 9 10 21 § a retroalimentação, retroação ou feedback, referindo-se à energia de retorno que funciona como um mecanismo sensor que orienta o sistema na busca da consecução dos seus objetivos, corrigindo e reorientando a respectiva conduta, quando necessário. O conceito de retroação, ou feedback, originou-se dos trabalhos em cibernética de Wiener (1948)15, constituindo-se na ferramenta conceitual por excelência na descrição do ajustamento dinâmico dos sistemas abertos ao seu ambiente em permanente mutação, de forma a preservar o respectivo caráter básico e os seus obj etivos ou propósitos. Por fim, o contexto objetivo da atual realidade brasileira, quanto à organização e funcionalidade do sistema de recursos humanos em nossas organizações, poderá ser mais bem esclarecido por diversas e constantes contribuições acadêmi cas e técnicas disponíveis na atualidade. Dentre essas, especial destaque deve ser dado à abordagem de “gestão de pessoas”, de preferência à abordagem de “recursos humanos”, como descrito por Chiavenatto (1999) 16. Essencialmente, tal enfoque propõe que as organizações passem a considerar a função de gestão de pessoas como a abordagem adequada à obtenção da melhor integração e funcionalidade do fator trabalho, de preferência à consideração da abordagem mais tradicional de “recursos humanos”, onde as pessoas são vistas como recursos à disposição das organizações. A abordagem ao fator trabalho, e às pessoas como tais, facilmente pode se revelar uma opção conceitual e gerencial mais adequada às sociedades evoluídas, onde a própria sofisticação da qualificação do trabalho passa a exigir um nível de conduta, de autoconhecimento e respeito, que somente um ambiente mais participativo, respeitoso e democrático pode ensejar. A consideração das pessoas como “recurso” à disposição das organizações, empobrece a necessária amplitude requerida das pessoas empenhadas na sofisticada exigência de desempenho, típicas das instituições de ensino superior, objetos deste estudo. Como ilustração do necessário processo de evolução do sistema de gestão de pessoas apresentamos, a seguir uma seqüência de quadros que mostram os desenhos típicos de cada era representativa das mudanças e transformações no cenário mundial. 15 WIENER, Norbert – Cybernetics- John Wiley & Sons – New York – 1948 CHIAVENATO, Idalberto – Gestão de Pessoas ; O Novo Papel dos Recursos Humanos Nas Organizações– Ed. Campos Ltda – Rio de Janeiro – R.J. -1999 16 22 Os negócios, mais do que qualquer ocupação, são um cálculo continuo, um exercício instintivo de previsão. Henry Luce 23 3. METODOLOGIA DA PESQUISA A pesquisa aqui desenvolvida visa, basicamente, identificar, classificar, comparar e analisar uma amostra não probabilística de instituições de ensino superior, quanto à organização e abrangência da função de recursos humanos não só em si mesma, mas, principalmente na respectiva capacidade de alavancar a competitividade e a eficácia geral das instituições. Assim, o estudo aqui desenvolvido tem um alcance metodológico basicamente comparativo e descritivo, não sendo descartadas detecções e inferências quanto a um relativo alcance normativo que o trabalho de pesquisa tenha atingido. Neste caso, são oferecidas sugestões ou formulações de recomendações acerca de como o sistema de recursos humanos deva ser organizado e apresentado, apresentando-o como um modelo geral de melhor desempenho dessas instituições perante aos seus clientes básicos, os estudantes, como ainda oferece recomendações aplicáveis ao objetivo de sucesso competitivo das instituições educacionais pesquisadas, não só visando a própria sobrevivência como apontando meios ou caminhos de expansão em seus segmentos de atuação, atuais ou potenciais. O método utilizado na presente pesquisa pode ser descrito como um estudo de casos sele cionados, onde a analogia torna -se o recurso analítico mais aplicável, possibilitando identificar fatores e ocorrências comuns a todos os casos analisados, fatores ou ocorrências que não são comuns a todos os casos embora o sejam em grupos ou subgrupos, ou ainda fatores ou ocorrências únicos a certos casos específicos. Nesta ótica analítica, chega-se a conclusões comparando-se semelhanças e diferenças. A principal vantagem desta opção metodológica reside no fato de estarmos comparando situações concretas, e não abstrações estatísticas, o que se contrapõe à desvantagem de exigir-se um desenho amostral consistente o suficiente para afastar as inconveniências da subjetividade inerente à escolha dos casos específicos. A generalização das conclusões obtidas, embora feitas com reservas, ainda assim permitem o levantamento de hipóteses que poderão ser posteriormente confrontadas por métodos de pesquisa mais formais. O método de amostragem escolhido pode ser definido como não casual, por julgamento. Através desta escolha, foi composta uma amostra das instituições de ensino, a partir do julgamento ou conveniência da pesquisa, onde uma avaliação criteriosa e equilibrada, porém subjetiva, foi usada na seleção de uma amostra do universo pesquisado. No entanto, cumpre destacar que a metodologia utilizada não permite determinar se a amostra selecionada é realmente representativa do universo em referência. Contudo, as conclusões obtidas guardam um interesse analítico considerável. A escolha do método não só se acha de acordo com o perfil básico da questão, objeto desta pesquisa, como também teve que se render às limitações da mesma. Os dados relevantes para a pesquisa foram obtidos através de entrevistas com representantes das instituições de ensino superior localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, selecionadas para 24 compor uma amostra não probabilística do universo dessas instituições, objeto do interesse da pesquisa. Os dados obtidos resultaram das respostas a um questionário estruturado, aplicado de forma uniforme e padronizada em todas as instituições pesquisadas, decorrentes da respectiva inclusão na amostra selecionada. Portanto, o universo da pesquisa foi definido como circunscrito à Região Metropolitana de Belo Horizonte – RMBH - A Figura II ilustra o universo aqui delimitado, evidenciando que a região compõe-se atualmente, de 31 municípios, sendo os mais importantes e próximos à Belo Horizonte, os municípios de Nova Lima, Sabará, Santa Luzia, Vespasiano, Ribeirão das Neves, Contagem, Ibirité, Brumadinho, dentre outros . Cabe ressaltar que a relevância da RMBH, no contexto estadual, deriva da concentração populacional e econômica ali verificada. Para ilustrar, pode ser lembrado que cerca da metade da arrecadação de tributos estaduais tem origem na RMBH. Outro indicador da significância da RMBH é a população, sendo que atualmente a população de Belo Horizonte já atinge à casa dos 5,0 (cinco) milhões de habitantes. O contorno da Região Metropolitana de Belo Horizonte – RMBH vem sofrendo modificações em função de necessidades econômicas, de integração de transportes e de interesses político – administrativos, de diversas naturezas. Um exemplo dessas gestões pode ser encontrado em projetos de lei complementar, como por exemplo, aquele de no. 4/99 que em novembro de 1999 tramitava na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, visando à inclusão dos municípios de Matozinhos, Capim Branco, Taquaraçu de Minas e Jaboticatubas no contexto da RMBH. Naquela época, o total de municípios incluídos na RMBH atingia a 26. 25 As empresas que querem crescer não podem resistir à inovação. David Ogilvy 26 4 - APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 4. 1 – O ENSINO SUPERIOR NO BRASIL – QUADRO ATUAL O esforço de caracterização do quadro atual do ensino superior no Brasil torna-se uma condição prévia para a compreensão ordenada das forças prevalentes na configuração do ambiente geral e de tarefa 17 das instituições em análise. Quanto ao ambiente geral na atualidade brasileira, deve ser destacada a dinâmi ca das mudanças que afetam os seus componentes, classificados quanto à respectiva natureza em tecnológicos, políticos, econômicos, legais, sociais, demográficos e ecológicos. Portanto, quanto à: a) Tecnologia Dada a natureza e o papel social das instituições de ensino superior, como formadoras de quadros da elite sócio - política, a dinâmica da inovação tecnológica a coloca em uma posição de especial desafio, quando a tecnologia como variável ambiental afeta o comportamento dessas instituições e ao mesmo tempo, torna-a responsável pela modificação tecnológica capaz de possibilitar-lhe alterar o meio ambiente, por sua vez. O grau de interação tecnológica com o ambiente, nas instituições de ensino superior, tende a ser maior do que na maioria das outras organizações, e a variável mais significativa na manutenção dessa interação será, sem dúvida, a qualificação individual e coletiva do contingente humano dessas instituições. b) Política O contexto político e ideológico, no Brasil, vem sofrendo uma rápida e significativa alteração nos últimos anos, no bojo das mudanças de poder no mundo, a partir do final da década de oitenta. A dissolução do sistema de poder centrado na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, cujo marco mais significativo foi a derrubada do “muro de Berlim”, ensejou a reorientação da política e da ideologia da maioria dos governos em todo o mundo, no sentido do “liberalismo”, tal como entendido para os novos tempos que então tiveram início, desdobrando-se em rápidas e radicais reorientações das prioridades e da ação dos governos. No caso do ensino superior, no Brasil, assiste-se a uma decidida privatização da atividade, com uma rápida e inusitada “desburocratização” dos processos de autorização e credenciamento de novas escolas de ensino superior. A interpretação de tais medidas, à luz da “lógica liberal” em curso, indica que as autoridades “apostam” na corrida de empresários para o aproveitamento das oportunidades então abertas à atividade de comercialização do ensino superior, na seleção “natural” entre as instituições do setor e na consolidação de um mercado para tais serviços no CHIAVENATO, Idalberto- Administração de Empresas – Uma Abordagem Contingencial . 3º ed. Makron Books, São Paulo – S. P. –1994 – Capítulo 3 17 27 Brasil, em curto prazo, com ofertas de cursos e matrículas suficientes para as condições do País, agora operando por uma lógica de mercado. Ao lado disso, assiste-se à implementação de uma nova política na esfera da educação pública, caracterizada por uma gradual, mas nada lenta e bem decidida implementação de medidas de transferência de jurisdição de escolas federais para os estados, e destes para os municípios, quando de nível fundamental e médio. Quanto às escolas de nível superior sob jurisdição federal, achamse as mesmas relegadas a um processo de restrições de recursos para investimentos de qualquer espécie, de rebaixamento da remuneração dos professores cujo último reajuste de salários ocorreu em 1994, e com exigências confusas e crescentes de desempenho e carga de trabalho sem precedentes. O resultado já se fez sentir, no aumento dos índices de evasão de docentes e no agravamento das condições gerais do ensino ali ministrado. A persistência de tais condições fará com que seja apenas uma questão de tempo, para que a sociedade possa ser “informada” da inviabilidade do sistema público federal de ensino superior no Brasil. b) Economia Os efeitos econômicos devem ser interpretados conforme a sua natureza seja estrutural (permanente), ou conjuntural (transitória). Dentre os aspectos estruturais, destacam-se aqueles relativos ao nível geral da atividade econômica do País e da região ou da localidade onde se situa a instituição de ensino, a configuração da estrutura econômica pertinente – grau de industrialização, por exemplo – e a distribuição da renda em geral. No caso do Brasil, os efeitos da política econômica e das condições de tal natureza que afetam o País, indicam um grau crescente de vulnerabilidade às perturbações externas, a transferência de controle dos setores estratégicos para grupos privados em grande parte estrangeiros, a permanência de desequilíbrios crônicos nas relações econômicas com o exterior, consorciado ainda com o grau decrescente de autonomia política resultante dessa estratégia de inserção do País na nova ordem mundial, apontando para o agravamento das condições de emprego e renda em um horizonte inclusive de médio prazo. Tal perfil econômico sugere como mercadologicamente promissora, uma clientela mais vinculada aos estratos de renda mais alta, sugerindo uma tendência à elitização do ensino superior no Brasil. Dentre os aspectos conjunturais, destacam-se os níveis de atividade econômica locais, o comportamento da inflação e das políticas monetária e fiscal, e das condições cambiais. No Brasil da atualidade, assiste-se a uma rápida elevação da carga tributária, simultaneamente à modernização e capitalização da máquina arrecadadora, em todos os níveis de governo e de agências oficiais e para – oficiais. A participação do setor público na renda nacional atingiu a níveis inusitados na história econômica brasileira e tal tendência não apresenta sinais de que tenha 28 se esgotado, considerando o nível excessivo do endividamento público, as condições gravosas do comércio exterior, a rápida oligopolização dos setores econômicos mais dinâmicos, além do aspecto que viabiliza a permanência de tais forças que é o eficaz controle político da sociedade civil por forças majoritárias. A resultante de tal quadro econômico e político, embora precária porque instável, tem sido a manutenção de um controle das pressões inflacionarias, baseado em uma compressão de rendas cujo limite ainda não foi divisado, já que o comportamento social do brasileiro típico, permite uma série de acomodações sócio – econômicas de certa forma surpreendentes. Tal conjuntura tem afetado o segmento das instituições de ensino superior no Brasil, elevando as respectivas responsabilidades tributárias, os custos que devem suportar e os preços que praticam em geral, reforçando as indicações da prevalência do vetor de elitização do ensino superior. c) Legais O contexto econômico e político, por si só permite inferir o padrão dos seus desdobramentos no referencial legal que regulamenta e restringe as atividades ligadas ao ensino superior no País. Nos aspectos gerais do direito (tributários, trabalhistas, civil, e comercial dentre outros), além dos aspectos específicos relacionados à atividade, observa-se uma tendência geral de “empresarialização” da atividade, ou seja, da conformação das instituições de ensino superior a um padrão equiparado às empresas de negócios e, portanto, sujeitos às mesmas regras e leis básicas. Tal orientação rompe com a tradição secular de diferenciação das instituições de ensino como uma classe especial de organização, à parte do mundo e das regras tipicamente econômicas. Reafirma-se, portanto, a tendência à criação de um mercado de serviços educacionais, onde os padrões econômicos deverão ser os julgadores e definidores de sucessos e fracassos, e o resultado da atividade será definido predominantemente, por critérios de natureza econômica. d) Sociais As tradições culturais do Brasil, sempre indicaram que a obtenção de uma graduação de nível superior deveria conferir uma distinção segura para a inserção privilegiada do graduado na vida social. Os tratamentos socialmente aceitos, sempre diferenciaram o graduado pela sua titulação. Também na incerteza generalizada dos valores na sociedade cambiante dos últimos tempos, a educação superior surgia como a “mais segura herança ou dote, que os pais poderiam legar aos seus descendentes”. Tais crenças justificam um esforço superior das famílias na busca da educação de seus filhos, apesar da rápida restrição dos favores governamentais, em todos os níveis, e dos custos crescentes de tal empreendimento, nos últimos anos. Assim, não arrefeceu pela adversidade, a importância 29 dada pela família ao estudo superior de seus filhos, ou mesmo o autocusteio dos mesmos estudos por indivíduos que não lograram encontrar tal apoio no seio de suas famílias. A busca por empregos ou ocupações melhores, e a mais favorável inserção no mercado de trabalho e na vida social, diante das dificuldades de outras opções no contexto de uma sociedade limitada por graves questões de ordem social, política e econômica, tem reafirmado a crença no projeto educacional no seio da classe média. No entanto, o alcance de tais objetivos parece cada vez mais distante para as classes populares. e) Demográficas As condições demográficas da sociedade brasileira têm sofrido uma substancial alteração nos últimos anos. A desaceleração das taxas de natalidade e de mortalidade vem modificando o perfil etário da população, com o crescimento da idade média das pessoas, dentre outros aspectos. Essas modificações não só alteram o ambiente das instituições de ensino, como também o seu contexto interno, onde as pessoas que dela participam passam a apresentar as influências do contexto modificado, alterando comportamentos, valores, prioridades e desempenho. As modificações na legislação previdenciária têm agido no sentido de prolongar o tempo de atividade dos trabalhadores, retardando e dificultando as aposentadorias, acentuando assim, as condições gerais das modificações demográficas já detectadas. De um lado, os desdobramentos de tais condições deverão resultar em custos adicionais para as instituições de ensino superior, já que as populações trabalhadoras mais idosas são estatisticamente mais sujeitas às incertezas atuarialmente verificáveis, mas de outro lado, o perfil dos estudantes também deverá ser alterado, no sentido de incorporar pessoas também de mais idade, esforçando-se para se manter “empregáveis” no contexto das transformações e diante da compulsão a uma vida de trabalho mais longa. f) Ecológicas Sob este aspecto, interessa às instituições de ensino superior não só as questões relativas à ecologia natural, mas, sobretudo as questões relativas à ecologia social onde as interações com o conjunto das demais organizações delimitam um padrão de inserção no contexto social, econômico e político da sociedade. Sob este prisma, a dinâmica do ambiente próximo será determinante para o segmento das instituições de ensino superior no Brasil, desdobrado nas relações com os clientes em seus múltiplos aspectos, desde o estudante em si até a comunidade em geral, além das relações com os grupos regulamentadores, com o mercado fornecedor em geral e com a comunidade de docentes em particular, passando pelas relações com o conjunto de instituições assemelhadas e concorrentes entre si. 30 Aliás, tais condicionantes serão mais bem definidos no conceito de Ambiente de Tarefa, significando o ambiente próximo, e em relação ao qual a instituição dirige o seu melhor e mais concentrado esforço em prol da realização de seus objetivos. Analisado em seus componentes principais, o ambiente de tarefa deverá se caracterizar, quanto aos: a) Consumidores, pela demanda crescente de qualificação nos serviços oferecidos, acentuando – se tais exigências por um nível crescente de complexidade da vida social em geral. b) Grupos regulamentadores, desde as agências governamentais até as associações e sindicatos em geral, cujo perfil de atuação deverá se pautar por crescentes exigências de toda ordem, além daquelas de caráter puramente econômicas. c) Fornecedores em geral e a comunidade docente em particular, sendo destacada nesta última o segmento dos pesquisadores capazes de geração de inovações e tecnologias, situando-se como diferencial no crescente contexto competitivo do ambiente em análise. d) Concorrentes, compreendendo o conjunto das instituições que atuam competindo por recursos e por clientes, no ambiente próximo, cujo vetor determinante de comportamento deverá combinar atitudes competitivas basicamente diferenciadores e capazes de inserções em “nichos ecológicos” específicos, com atitudes de cooperação e organização do setor, visando criar frentes convergentes de contraposição à ação constrangedora das forças ambientais, minimizando a incerteza geral. Neste contexto, cabe destacar o forte apelo associativo que as incertezas do ambiente têm acentuado nos últimos tempos, junto às instituições de ensino superior, sugerindo um vetor de “cartelização” cujo contorno ainda não se definiu e assim permanecerá o mais tempo possível diante da opinião pública. 4.2) AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE – RMBH Para as finalidades deste trabalho, foram pesquisadas quatro instituições de ensino superior de Administração de Empresas na Região Metropolitana de Belo Horizonte – RMBH, sendo duas delas públicas e duas privadas, a saber: a) Instituições Públicas . Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG . Fundação João Pinheiro 31 b) Instituições Privadas . Faculdade de Ciências Humanas - Fundação Mineira de Educação e Cultura – FUMEC . União de Negócios e Administração – UNA Consoante o desenho da metodologia, as instituições aqui relacionadas configuram uma representativa amostra do universo em questão, permitindo um encorajador grau de generalização das observações colhidas. 4.3 – AS QUESTÕES PESQUISADAS 4.3.1 – O QUESTIONÁRIO DA PESQUISA O questionário da pesquisa foi estruturado para abordar 12 (doze) blocos ou questões básicas, desdobrados em seus diversos aspectos relevantes. O formato do questionário encontra-se apresentado em anexo, sendo destacada a simplicidade das respostas exigidas, sendo o mesmo concebido como questionário estruturado e não disfarçado, onde as respostas são diretas do tipo por assinalar a opção, quando couber, ou ainda por “sim ou não”. A configuração das questões se apresentava por blocos de assuntos, como segue: BLOCO I: IDENTIFICAÇÃO Desdobrada em 11 (onze) quesitos, refere-se à identificação específica da instituição pesquisada, identificando-lhe o nome, endereço, cidade de localização, código de endereçamento postal, telefones, nome do titular da área de recursos humanos, quantidade de empregados na instituição, quantidade de empregados na área de recursos humanos, valor bruto da folha de pagamentos da instituição, valor bruto da folha de pagamentos da área de recursos humanos, além de solicitar a inclusão da cópia da estrutura organizacional da instituição, até o nível 3º e da área de recursos humanos, indicando a quantidade de empregados por unidade. BLOCO II: NORMAS E PROCEDIMENTOS DE RECURSOS HUMANOS Desdobrada em 15 (quinze) quesitos, abrange a consulta à situação vigente sobre questões diversas, desde o regimento interno, passando pelo horário de trabalho, rotinas de admissão e demissão de empregados, dentre outras, até ao registro e arquivamento de documentos pertinentes às rotinas de trabalho. BLOCO III: PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS (FATORES CONSIDERADOS) Desdobrada em 12 (doze) quesitos, indaga sobre os fatores considerados para a avaliação de cargos e salários, considerando desde a instrução, passando por referências à complexidade, exigência de iniciativa e responsabilidades, até ao esforço físico exigido na função. 32 BLOCO IV: PESQUISA SALARIAL Desdobrada em 06 ( seis) quesitos, indaga sobre a situação em que se encontra o desenvolvimento das pesquisas salariais, desde a sua simples realização até a efetiva utilização da mesma para correção de eventuais discrepâncias existentes. BLOCO V: REAJUSTE SALARIAL Desdobrada em 07 (sete) quesitos, indaga sobre a política de reajustes salariais da instituição, desde se existe até às regras das promoções horizontais. BLOCO VI: RECRUTAMENTO E SELEÇÃO Desdobrada em 14 (quatorze) quesitos, indaga sobre a situação em que se encontra a atividade de recrutamento e seleção de pessoal, desde a configuração organizacional até ao detalhamento das técnicas utilizadas. BLOCO VII: POLÍTICA DE PROMOÇÕES Desdobrada em 60 (seis) quesitos, indaga sobre a situação atual da política de promoções, desde a instituição de um plano de carreiras, até à eventual prioridade dada aos empregados da instituição para o preenchimento de cargos. BLOCO VIII: TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO Desdobrada em 08 (oito) quesitos, indaga sobre as atividades de treinamento e desenvolvimento, desde se é realizado um levantamento de necessidades de treinamento, até se a instituição possui um programa de integração de novos funcionários. BLOCO IX: AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO DE PESSOAL Desdobrada em 04 (quatro) quesitos, indaga sobre a situação encontrada quanto à avaliação de pessoal, desde se a instituição possui um plano desta natureza, até se são realizadas entrevistas de desligamento. BLOCO X: BENEFÍCIOS Desdobrada em 05 (cinco) quesitos, indaga sobre a política de benefícios da instituição, desde a disponibilidade de convênios médicos à existência de uma unidade responsável por atividades de serviço social. BLOCO XI: SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO Desdobrada em 07 (sete) quesitos, indaga desde a constituição de uma unidade responsável pela área, até sobre a rotina eventual do exame médico para a mudança de cargo. 33 BLOCO XII: RELAÇÕES TRABALHISTAS Desdobrada em 07 (sete) quesitos, indaga desde se a instituição processa a sua própria folha de pagamentos, até se a mesma mantém um banco de dados trabalhistas. BLOCO XIII: PLANEJAMENTO DE RECURSOS HUMANOS Desdobrada em 06 (seis) quesitos, indaga desde se existe o planejamento de recursos humanos na instituição, até se é realizada a auditoria de cargos. 4.3.2 – A TABULAÇÃO DAS QUESTÕES A tabulação das questões procurou identificar não só a simples ocorrência do fenômeno em observação, mas principalmente a situação discrepante ou anômala, diferenciadora entre as instituições analisadas, com destaque para os procedimentos aplicáveis ao setor público e/ou ao setor privado, permitindo conclusões e inferências sobre as políticas em curso em ambas as classes de instituições de ensino superior. Os comentários decorrentes dessa modalidade de tabulação são apresentados a seguir, agrupados pelos blocos de questões pelos quais o questionário da pesquisa foi formatado. Portanto: BLOCO I: IDENTIFICAÇÃO Foram pesquisadas quatro instituições de ensino superior, sendo duas públicas e duas privadas, conforme identificadas no item 4.2 deste trabalho. Em relação às respostas obtidas, cabe destacar que: § todas as instituições localizam-se na cidade de Belo Horizonte; § uma das instituições públicas deixou de informar os valores da respectiva folha de pagamentos, tanto da própria instituição como da respectiva área de recursos humanos. • valor da folha de pagamentos da única instituição pública que informou tal valor supera a soma dos valores informados de ambas as instituições privadas. Pode-se inferir dos dados apresentados, que o porte das instituições públicas – medido pelos valores de suas folhas de pagamento – é superior ao porte das instituições privadas de ensino superior. Apresenta ainda, as primeiras, uma complexidade organizacional significativamente maior do que as representantes do setor privado. BLOCO II: NORMAS E PROCEDIMENTOS DE RECURSOS HUMANOS Considerando as respostas ao conteúdo deste bloco, pode-se observar que: • uma das instituições públicas declarou que se encontra em estudos, a elaboração do regimento interno de trabalho, enquanto que as demais instituições declararam que o mesmo já existe em suas normas e procedimentos; • ambas as instituições públicas declararam a inexistência de normas para a demissão de empregados, registradas como existentes entre as instituições privadas; 34 • uma das instituições públicas registrou a inexistência de normas para o recrutamento e seleção de pessoal e para os exames médicos admissionais e revisionais, consignadas como existentes nas demais instituições; • uma das instituições públicas informou que se encontra em estudos um plano de cargos e de remuneração, consignado como existente nas demais instituições; • ambas as instituições públicas indicaram encontrar-se em estudos as normas para a avaliação de desempenho, registradas como existentes nas instituições privadas; • os demais quesitos foram consignados como existentes por todas as instituições. Portanto, conclui-se que as instituições privadas, em geral, apresentam um arsenal normativo e de procedimentos de recursos humanos mais abrangente e integrado, do que as instituições públicas, apesar da diferença de porte entre tais classes de instituições de ensino superior. BLOCO III: PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS (FATORES CONSIDERADOS) Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, pode-se considerar que: • apenas uma das instituições públicas assinalou considerar a “instrução” e a “experiência”, como os únicos fatores levados em consideração para as decisões relativas a cargos e salários, enquanto que ambas as instituições privadas assinalaram tais fatores como consorciados, mas não exclusivos em suas avaliações; • as duas instituições privadas registraram levar também em consideração, a “responsabilidade por supervisão”; • uma das instituições privadas informou que leva em consideração nas suas avaliações, os fatores de “complexidade, iniciativa, responsabilidade por valores, por decisão, por resultados e ainda pelo nível hierárquico”; • nenhuma das instituições pesquisadas informou considerar os fatores “responsabilidade por contatos, condições de trabalho e esforço físico” para avaliar cargos e salários. Conclui-se diante do observado, que as instituições privadas praticam uma avaliação de cargos e salários mais compreensiva, multidimensional e inovadora do que o padrão praticado no setor público, destacando-se o fato de que uma das instituições públicas omitiu-se na totalidade dos quesitos, permitindo supor que assim procedeu, ou porque desconhece a utilização de tais fatores, ou porque realmente não os utiliza. BLOCO IV: PESQUISA SALARIAL Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • enquanto que ambas as instituições privadas realizam pesquisa salarial geral, uma das instituições públicas declarou não realizar tal pesquisa, mas adquiri-la de terceiros, enquanto a outra instituição pública se omitiu na resposta; 35 • a periodicidade de realização de tal pesquisa no setor privado, para uma das instituições é anual e para a outra e ocasional; já para uma das instituições públicas, a periodicidade com que adquire pesquisa salarial foi declarada anual; • a abrangência das pesquisas realizadas foi declarada como nacional; • apenas uma das instituições privadas ajusta os salários a uma única data, na realização das pesquisas salariais, considerando as diferentes datas de dissídio; • também, apenas uma das instituições privadas declarou utilizar-se das pesquisas salariais para corrigir (eventuais) discrepâncias existentes, enquanto que a outra instituição privada declarou achar-se em estudo tal possibilidade; • a única instituição pública que contrata pesquisas salariais, declarou não utilizar tais dados para correções salariais. À vista dos resultados, depreende-se que o setor público não utiliza o referencial de mercado para estabelecer e/ou corrigir a remuneração paga aos seus recursos humanos, ao contrário do verificado entre as instituições privadas – onde uma delas já o faz, enquanto a outra estuda a possibilidade de fazê-lo. BLOCO V: REAJUSTE SALARIAL Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • apenas o setor público, e neste caso em ambos os casos analisados, utiliza a aplicação de reajuste salarial proporcionalmente ao tempo de serviço do empregado; • a negociação com os sindicatos envolve a área de recursos humanos apenas no setor privado, observando-se que uma das instituições públicas registrou claramente a negativa, enquanto a outra omitiu a sua resposta; • apenas o setor público registrou a prática de conceder antecipações para descontos nos reajustes salariais (posteriores), como também as promoções horizontais vinculadas à avaliação de desempenho; • quanto às promoções horizontais, uma das instituições privadas declarou estar estudando a possibilidade de implementá-las, também vinculadas à avaliação de desempenho; Os reajustes salariais no setor público não envolvem negociação nem o empenho direto dos gestores de recursos humanos das instituições envolvidas, sendo gerados por determinações legais e normativas de órgãos políticos, permitindo antecipações (possivelmente conjunturais) além da prática da promoção horizontal, ao contrário do setor privado que possivelmente deve apresentar salários mais próximos das referências do mercado de trabalho. BLOCO VI: RECRUTAMENTO E SELEÇÃO Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: 36 • apenas uma das instituições públicas assinalou possuir unidade organizacional responsável pela atividade de recrutamento e seleção, sendo que a outra omitiu a resposta ao quesito, enquanto a existência da referida unidade orgânica foi reconhecida pela totalidade das instituições privadas; • as instituições públicas deixaram de registrar conexão entre o recrutamento e seleção de pessoal ao planejamento de recursos humanos, enquanto que o setor privado reconhece tal conexão quer por praticá-la em uma das instituições privadas, quer por tê-la em estudo na outra; • apenas duas instituições – uma delas pública e a outra privada - registraram praticar conexões entre uma prévia descrição e especificação de cargos com o recrutamento e seleção; • a existência de cadastro para recrutamento externo e a apresentação de candidatos a emprego por atuais empregados foram assinaladas por três instituições, sendo omitido por uma instituição pública; • a indicação de candidatos por políticos foi reconhecida por uma das instituições públicas e omitido pela outra, sendo tal possibilidade negada por ambas as instituições privadas; • apenas duas instituições – uma delas pública e a outra privada – declararam utilizar -se de concursos para a seleção de pessoal, enquanto que a outra instituição privada negou tal possibilidade e a outra pública omitiu a resposta; • a utilização de exames de currículos, testes e entrevistas na seleção foram práticas reconhecidas nas instituições privadas e em apenas uma das instituições públicas, sendo que a outra instituição pública omitiu a resposta aos quesitos. Diante das respostas obtidas, conclui-se que o processo de recrutamento e seleção de pessoal ocorre no setor privado de forma mais racional, porque é adequada aos propósitos de se recrutar os mais capazes, enquanto que as instituições públicas ainda se ressentem da ingerência política, dentre outros constrangimentos à racionalidade gerencial. BLOCO VII: PROMOÇÕES Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • a existência de um plano de carreira foi verificada em duas instituições, sendo uma pública e a outra privada, e negada na outra instituição privada enquanto que a segunda instituição pública omitiu a resposta ao quesito; • três instituições, sendo duas do setor privado, reconheceram o uso da avaliação de desempenho para a promoção, enquanto que a outra instituição pública omitiu a sua resposta; • a “antigüidade” ( tempo de trabalho na instituição), constitui critério de promoção apenas em uma das instituições públicas que nega a existência de outros critérios, sendo que a outra omitiu a resposta ao quesito, sendo negado seu uso no setor privado que, por sua vez declara utilizar outros critérios para promoções; • setor privado declara conceder prioridade aos seus atuais empregados para preencher cargos vagos na instituição, enquanto que uma das instituições públicas declara assim proceder e a outra se omitiu na resposta. 37 Conclui-se que o setor privado baseia a sua política de promoções em fatores diversos da “antigüidade”, único referencial detectado para o mesmo fim no setor público, tornando as políticas de promoções diferenciadas nitidamente entre os setores. BLOCO VIII: TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • levantamento de necessidades de treinamento é praticado por todas as instituições pesquisadas, tanto quanto os treinamentos internos; • no entanto, o orçamento para tais atividades inexiste em uma das instituições públicas, encontrandose nas demais; • a avaliação dos programas de treinamento quanto aos respectivos padrões de “custo - benefício”, é praticada em três das instituições pesquisadas, sendo a resposta ao quesito omitido por uma das instituições públicas; • as correlações entre as atividades de recrutamento e seleção com as de treinamento são reconhecidas pelas instituições privadas, enquanto que uma das instituições públicas nega tal correlação e a outra omite a sua resposta ao quesito; • programa de integração para novos funcionários foi reconhecido por duas instituições, sendo uma delas pública e a outra privada, enquanto que as demais omitiram a sua resposta ao quesito. Percebe-se que neste assunto, as instituições privadas apresentam um maior grau de integração de funções e racionalidade gerencial do que as instituições públicas. BLOCO IX: AVALIAÇÃO DE PESSOAL Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • a existência de planos de avaliação de desempenho e a sua efetiva utilização gerencial foram reconhecidas pelas instituições privadas e por uma das instituições públicas, enquanto que a outra instituição pública omitiu a sua resposta ao quesito; • no entanto, a existência de um plano de desenvolvimento correlacionado à avaliação, foi reconhecido apenas pelo setor privado, enquanto efetivamente aplicado em uma das instituições e em estudo na outra, sendo negada a sua existência em uma das instituições públicas e omitida a resposta ao quesito pela outra instituição do setor público; • a prática das entrevistas de desligamento de pessoal foi reconhecida como prática corrente no setor privado, negada a sua existência por uma das instituições públicas e omitida a resposta a este quesito pela outra instituição pública. Observa -se a integração dessas funções ao sistema de recursos humanos mais bem pronunciada no setor privado do que no setor público, sendo que este último exerce a avaliação de forma parcial e desconectada da sua referência. 38 BLOCO X: BENEFÍCIOS Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • a oferta de convênios de assistência médica e de refeições aos empregados, foi confirmada em todas as instituições do setor privado e em uma das instituições do setor público, sendo negada a sua existência pela outra instituição pública; • a concessão de empréstimos sobre salários, aos empregados, foi confirmada por duas instituições, sendo uma pública e a outra privada, além de ser informado que tal benefício encontrava-se em estudo na outra instituição privada e negada, simplesmente, a exist6encia ou cogitação na outra instituição pública; • custeio ( parcial) do transporte para o trabalho foi reconhecido por todas as instituições, possivelmente na forma da legislação vigente; • a prestação de atenção do serviço social aos empregados foi reconhecida apenas como “em estudo” por uma das instituições privadas, e negada a sua existência por uma instituição pública e outra privada, e omitida a resposta ao quesito pela outra instituição pública. Diante do exposto, conclui-se que a oferta de “salários indiretos” na forma de benefícios tende a ser uma prática mais do setor privado do que do setor público, na maioria de suas formas. BLOCO XI: SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • acatamento das normas legais do Ministério do Trabalho, sobre as atividades de segurança e medicina do trabalho, atendimento às normas e regulamentações pertinentes foi reconhecido apenas pelo setor privado, registrando-se a omissão de resposta a estes quesitos por uma das instituições públicas; • mesmo, essencialmente se aplica à questão de exames revisionais, demissionais e para a mudança de cargos, ressalvando-se o caso de exames médicos pré – admissionais, apenas omitido por uma das instituições públicas; Torna-se curioso observar que a legislação tende a ser observada mais rigorosamente pelas instituições privadas, que conseqüentemente suportam um custo administrativo maior quanto a tal aspecto. BLOCO XII: RELAÇÕES TRABALHISTAS Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • a totalidade das instituições declara processar a sua folha de pagamentos, sendo que apenas uma das instituições públicas não a executa de forma centralizada; • existem contratos de trabalho do tipo mensalista, exceto para uma das instituições públicas que omitiu a sua resposta a este quesito, e do tipo horista reconhecido por uma das instituições privadas; 39 • as instituições do setor privado e uma do setor público reconheceram a existência de reclamações trabalhistas contra elas no último ano, sendo que a outra instituição pública omitiu a sua resposta a este quesito; • a mesma observação acima se aplica à existência de banco de dados sobre recursos humanos nas instituições. A principal disti nção quanto a este tópico, entre o setor público e o setor privado, parece ser a maior flexibilidade de contratação verificada neste último, que se utiliza também de contratos do tipo horista, por exemplo. BLOCO XIII: PLANEJAMENTO DE RECURSOS HUMANOS Considerando-se as respostas ao conteúdo deste bloco, deve-se registrar que: • a referência organizacional para a atividade de planejamento de recursos humanos foi reconhecida pelo setor privado, sendo efetiva em uma das instituições e encontrando-se em estudos na outra instituição, enquanto que tal ocorrência foi reconhecida como efetiva em uma das instituições públicas e negada a sua existência na outra instituição pública; • as integrações de planos de ação de recursos humanas foram reconhecidas como integrados aos planos globais da instituição, no setor privado, enquanto que no setor público uma das instituições negou a sua ocorrência e a outra omitiu a sua resposta ao quesito; • a mesma observação anterior se aplica às perguntas quanto à participação da área de recursos humanos na formulação de planos e programas da organização e no orçamento de pessoal; • dimensionamento das necessidades de pessoal foi atividade reconhecida por três das instituições pesquisadas, sendo que uma das instituições públicas respondeu que o assunto achava-se em estudo; • a auditoria de cargos foi reconhecida apenas por uma das instituições privadas, negada a sua existência pela outra instituição privada e por uma das instituições públicas, enquanto que a outra instituição pública omitiu a sua resposta a este quesito. Através deste tópico, confirma -se a observação anteriormente já destacada, segundo a qual a integração de funções de recursos humanos encontra -se mais amadurecida e avançada no setor privado, quando comparado com o estágio de tais procedimentos no setor público. 40 Não basta saber, é preciso também aplicar. Não basta querer, é preciso também agir. Fausto 41 5 - CONCLUSÕES E SUGESTÕES As atividades inerentes aos Recursos Humanos assumem, a cada dia, uma maior relevância estratégica, na medida em que as empresas, independentes do seu porte, melhor se posicionam para suportar as pressões sócio - econômicas e as contingências organizacionais, em um ambiente crescentemente mutável e competitivo. Antes de conceber os processos de trabalho, seus controles e resultados, é preciso que sejam estabelecidas as políticas de desenvolvimento da organização e que estas modulem a dinâmica que movimenta o próprio negócio. Entretanto, a alma que vitaliza todo o sistema emerge dos seus recursos humanos que deverão se encontrar em condições de contribuir para a eficácia de toda a organização. Isto ocorrerá de maneira mais rápida e objetiva se os subsistemas da organização estiverem suficientemente desenvolvidos e integrados, permitindo que o processo decisório possa ser desenvolvido de forma acertada, tanto às necessidades emergentes como aos objetivos de médio e longo prazo. Destacada a relevância estratégica da função de recursos humanos em qualquer das inúmeras modalidades de organizações, recomenda-se uma especial atenção para o significado da mesma nas instituições de ensino superior. Afinal, a meta destas entidades é o aprimoramento profissional humano, destinando as capacidades desenvolvidas ao processo produtivo e sócio – político da sociedade em geral. Assim, o papel ou a função primordial das instituições de ensino superior no processo social, voltado à formação e ao preparo abrangente de quadros superiores em toda a vida social, torna o seu próprio processo interno mais exigente, quando os recursos humanos empregados em tal tarefa ganham especial ponto de destaque. Portanto, desde o corpo administrativo, passando pelo corpo discente e terminando no corpo docente, a qualificação dos recursos humanos na n i stituição formadora por excelência, dos recursos humanos para a sociedade em geral, torna – se com destaque uma questão estratégica. Desta forma, os objetivos e propósitos deste estudo evoluíram no sentido de caracterizar um modelo de “sistema integrado de recursos humanos” que pudesse oferecer maiores possibilidades de viabilização e de sucesso à missão das instituições de ensino superior. Para tanto, apoiou-se em uma metodologia que incluiu uma pesquisa de campo, visando conferir uma medida de verificação do estágio atual e das necessidades mais evidentes para a consecução dos propósitos então visados. À luz dos dados e das informações obtidas ao longo deste trabalho, e inspirados pelas hipóteses básicas previamente delineadas, pode-se concluir que: Quanto à Hipótese I “Ao longo do seu desenvolvimento, as instituições de ensino superior, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, têm procurado fortalecer seus sistemas operacionais, financeiros e de marketing como prioridade máxima na alocação de seus recursos escassos”. 42 Esta hipótese surge como confirmada, na medida em que as instituições de ensino superior vêm se afirmando em um ambiente de crescente incerteza e turbulência, apresentando respostas aos desafios crescentes às respectivas capacidades de sobrevivência e de crescimento. Cabe destacar, contudo, que o setor privado vem apresentando uma crescente e diferenciada manifestação de integração de funções gerenciais de recursos humanos em particular, superior à verificada nas instituições educacionais do setor público, permitindo inferir o delineamento de uma capacidade competitiva melhor estruturada e adaptada às mudanças ambientais. Quanto à Hipótese II “Em segundo lugar em prioridade, têm sido relegados os sistemas gerenciais, de incentivos, de remuneração e sociais das instituições de ensino superior, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, resultando em um conjunto não harmônico e altamente susceptível de desequilíbrios por alterações no ambiente interno e externo dessas mesmas organizações”. Esta hipótese surge também como confirmada, na medida em que a remuneração e a valorização dos recursos humanos das instituições em análise tem sido tradicionalmente colocados em plano de prioridade secundário no contexto gerencial dessas organizações. Recentemente, as mudanças ambientais vêm acentuando a necessidade de ampliação da capacitação técnica dos recursos humanos em geral, e dos docentes em particular, como requisito viabilizador em médio prazo da própria instituição. Tal contexto vem ensejando no setor privado, um esforço de adaptação e reequilíbrio dos subsistemas gerencial, técnico e social, com muito mais efetividade do que no setor público, já que este último parece encontrar na rigidez institucional no qual se insere, um obstáculo cada vez mais evidente à sua efetiva modernização. Um efeito curioso parece derivar do quadro acima delineado, quando uma imposição crescente de exigências aos profissionais lotados no setor público não se apresenta acompanhado de medidas valorizadoras do empenho requerido, dadas em contrapartida pelo empregador público, criando uma situação anômala e constrangedora aos profissionais atingidos. A solução desse tipo de conflito resulta inevitavelmente, na expulsão de profissionais dos quadros das instituições públicas, de forma desordenada atingindo na maior parte aqueles mais jovens e promissores, realizando uma seleção onde os melhores são afastados porque atraídos pelo mercado de trabalho privado, e retendo os menos “empregáveis” por critérios de mercado. O rebaixamento da qualidade do ensino e do desempenho das instituições públicas deverá se apresentar como resultado esperado, se tal modelo continuar a operar. Quanto à Hipótese III “As instituições de ensino superior, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, atualmente apresentam insatisfatórias condições para o desempenho de suas tarefas básicas, decorrentes 43 da atrofia das relações de incentivo e valorização do seu corpo docente, bem como do necessário apoio para o desenvolvimento de projetos de pesquisas relevantes e inovadores”. Também esta hipótese surge como confirmada pelo estudo aqui empreendido, quando no ambiente da economia globalizada e tendendo a uma padronização cultural acelerada, as condi ções de trabalho e de remuneração oferecidas ao corpo docente das instituições de ensino superior pesquisadas deixam a desejar quando confrontadas com os padrões necessários à competitividade global. Tais condições se apresentam ainda mais agravadas para as instituições do setor público, onde as restrições são acrescidas por uma política não declarada de restrições de toda ordem ao desenvolvimento daquelas instituições, além de uma confusa configuração de poder e prioridades gravitando em torno de um perfil monolítico e enigmático emanado das instituições públicas, cuja omissão de dados e informações sobre as suas atividades ao público, surge como a mais inocente das manifestações do seu atual estado gerencial. Além da confrontação com as hipóteses previa mente levantadas, o resultado obtido logrou ainda atender aos objetivos propostos, tanto ao objetivo geral como aos específicos, amplamente contemplados na tabulação e análise dos dados e no encadeamento das informações. Finalizando, ressalta-se as limitações do atual trabalho de pesquisa, desenvolvido a partir dos limitados recursos pessoais da autora, que, no entanto apresenta-se à avaliação dos leitores, esperançosa de ter descortinado horizontes válidos para a reflexão e o conhecimento de um dos setores mais vitais ao progresso e à própria perpetuação da sociedade brasileira constituída como nação soberana e próspera. Almeja-se através deste trabalho, o alcance de uma efetiva contribuição, ou pelo menos, de sustentação conseqüente de debates em torno do tema abordado, congregando as opiniões e o empenho dos envolvidos em ações que visam ao bem comum, através da melhoria da educação superior em nosso meio. 44 ANEXOS 45 ÁREA QUESTIONÁRIO No. INFORMAÇÃO IDENTIFICAÇÃO 01 Instituição: 02 Endereço: 03 04 05 06 Cidade: Cep: Telefones: Nome do titular da área de RH: 07 08 09 10 11 Quantidade de empregados da Instituição: Quantidade de empregados da área de RH: Valor Bruto da Folha de Pagamentos da Instituição: Valor Bruto da Folha de Pagamentos da área de RH: Anexar a estrutura organizacional da Instituição até o 3º Nível e da área de Recursos Humanos, indicando a quantidade de empregados por unidade. Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra o RESPOSTAS Não Em desenvolvimento das normas e procedimentos sobre: NORMAS E PROCEDIMENTOS DE RECURSOS HUMANOS Existe 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 existe estudo Regulamento interno de trabalho Horário de trabalho de empregados Registro de freqüência de empregados Pagamento a empregados Concessão de férias Aplicação de advertências e punições Promoção e transferência de pessoal Demissão de empregados Recrutamento e Seleção Treinamento Exames médicos admissionais e revisionais Plano de cargos e remuneração Avaliação de desempenho Acompanhamento Registro e arquivamento de documentos X 01 Instrução 02 Experiência 03 Complexidade 04 Iniciativa 05 Responsabilidade por supervisão 06 Responsabilidade por valores 07 Responsabilidade por decisão 08 Responsabilidade por resultados 09 Responsabilidade por contatos 10 Nível Hierárquico 11 Condições de trabalho 12 Esforço Físico Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra o RESPOSTAS desenvolvimento de pesquisas salariais: Sim Não Em PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, quais fatores são considerados para a avaliação de cargos: estudo PE SQ UI 01 A instituição realiza pesquisa salarial geral? 02 A instituição adquire pesquisa de terceiros? 46 03 A periodicidade para a realização de pesquisas salariais é anual? Se não é anual, qual é a periodicidade? 04 Sua abrangência é nacional? 05 Na realização de pesquisas salariais, os salários são ajustados a uma única data em virtude das diferentes datas de dissídio? 06 Os resultados das pesquisas são utilizados para corrigir as discrepâncias existentes? Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a política RESPOSTAS de reajustes salariais: Sim Não Em estudo REAJUSTE SALARIAL 01 Existe reajuste salarial aplicado proporcionalmente ao tempo de serviço do 02 03 04 05 empregado? A área de administração de salários participa nas negociações com os sindicatos? A instituição concede antecipações a serem descontadas nos reajustes salariais? A instituição possui plano de promoção horizontal? Qual a percentagem estabelecida sobre o total da folha de pagamentos para concessão da promoção horizontal? 06 A promoção horizontal está vinculada ao plano de avaliação de desempenho? RECRUTAMENTO E SELEÇÃO 07 O plano de promoção horizontal abrange todos os cargos da instituição? Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a atividade de recrutamento e seleção de pessoal: 01 02 03 A instituição possui unidade responsável para recrutamento e seleção? 01 02 A instituição possui plano de carreira? O plano de carreira está interligado com as atividades da área de recrutamento? A avaliação de desempenho é um critério para promoção na instituição? A antiguidade é um critério de para promoção na instituição? Existem outros critérios para promoção na instituição? É dada prioridade aos empregados para preenchimento de vagas na instituição? RESPOSTAS Sim Não Em estudo O recrutamento e seleção é feito com base no planejamento de recursos humanos? As atividades de recrutamento e seleção são precedidas de uma análise, descrição e especificação dos cargos a serem preenchidos? 04 Existe cadastro para recrutamento externo? 05 Candidatos são apresentados por empregados? 06 Candidatos são indicados por políticos? 07 Candidatos apresentam-se através de anúncios de jornais? 08 Candidatos são apresentados por agências de recrutamento? 09 Candidatos apresentam-se espontaneamente? 10 A instituição utiliza concurso para seleção? 11 A instituição utiliza entrevistas na seleção? 12 A instituição utiliza testes de conhecimentos gerais? 13 A instituição utiliza testes práticos? 14 A instituição utiliza exame de currículo? 15 A instituição utiliza testes práticos? Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a política RESPOSTAS de promoções: Sim Não Em PROMOÇÕES estudo 03 04 05 06 Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a RESPOSTAS atividade de treinamento e desenvolvimento de pessoal: Sim Não Em estudo TREINAM ENTO E DESENV 01 02 03 04 05 É realizado levantamento de necessidades de treinamento? Existe orçamento para treinamento? Existem treinamentos internos? Existem treinamentos externos? Existem treinamentos mixtos? 47 06 07 08 Os programas de treinamento desenvolvidos são avaliados sob o aspecto custo/benefício? Existe correlação entre as atividades de recrutamento e seleção com as de treinamento? A instituição possui programa de integração para novos funcionários? Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a RESPOSTAS avalia ção e acompanhamento de pessoal: Sim Não Em AVALIAÇÃO DE PESSOAL estudo 01 02 03 04 A instituição possui plano de avaliação de desempenho? Os administradores da instituição utilizam essas informações? Após a avaliação é formulado um plano de desenvolvimento? São realizadas entrevistas de desligamento? Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a política RESPOSTAS de benefícios da instituição: Sim Não Em BENEFÍCIOS estudo 01 02 03 04 05 A instituição possui convênio de assistência médica aos empregados? A instituição possui sistema de fornecimento de refeições? A instituição concede empréstimos sobre salários? A instituição fornece ou paga transporte para o trabalho? A instituição possui unidade responsável por atividades de serviço social? SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a área de RESPOSTAS segurança e medicina do trabalho: Sim Não 01 02 03 04 05 06 07 A instituição possui unidade responsável por segurança e medicina do trabalho? O quadro de pessoal atende as normas do Ministério do Trabalho? Foi homologado pelo Ministério do Trabalho? É realizado exame médico pré-admissional? É realizado exame médico revisional? É realizado exame médico de demissão? É realizado exame médico de mudança de cargo? RELAÇÕES TRABALHISTAS Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontram as RESPOSTAS relações trabalhistas: Sim Não 01 02 03 04 05 06 07 PLANEJAMENTO DE RECURSOS HUMANOS 02 03 05 06 Em estudo A instituição processa sua folha de pagamentos? O processamento da folha de pagamentos é centralizado? Existe contrato de trabalho do tipo mensalista? Existe contrato de trabalho do tipo horista? Existe contrato de trabalho do tipo diarista? Houve reclamações trabalhistas contra a instituição no último ano? A Instituição possui banco de dados? Assinalar com um “X”, no quadro de respostas, a situação em que se encontra a área de RESPOSTAS planejamento de recursos humanos: Sim Não 01 Em estudo Em estudo A área de recursos humanos possui unidade responsável por planejamento de recursos humanos para a instituição? Os planos de ação de RH estão integrados aos planos globais da Instituição? A área de recursos humanos participa na formulação dos planos e programas das demais unidades da instituição? É feito um dimensionamento das necessidades de pessoal? É feita auditoria de cargos? 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTALANFFY, Luwdwig von - Teoria Geral dos Sistemas – Ed. Vozes – Petrópolis – R.J., 1973. CHIAVENATO, Idalberto – Gestão de Pessoas; O Novo Papel dos Recursos Humanos nas Organizações– Ed. Campos Ltda – Rio de Janeiro – R.J., 1999 CHIAVENATO, Idalberto - Administração de Empresas – Uma Abordagem Contingencial. 3º ed. Makron Books, São Paulo – S. P., 1994 – Capítulo 3 DAVIS, Keith - Human Relations at Work - The Dinamics of Organizational Behavior – Mc Graw Hill – N. Y., 1972 EDLER, Paulo Soares - A Administração de Recursos Humanos no Enfoque Tradicional e Sistêmico - Estudo Comparativo – Revista Executivo, No. 24 , Ano 6 - !980 FERREIRA, Ricardo J. F. – Os Canais de Distribuição da Indústria Automobilística em Minas Gerais – Uma Avaliação – Dissertação de mestrado aprovada pela Fundação Getúlio Vargas – Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV-EAESP , 1977. – p. 265 FERREIRA, Ricardo J.F. - O Sistema Integrado de Recursos Humanos Como Modelo de Desenvolvimento Institucional – XI º Congresso da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) – Fortaleza – Ceará, 1981 - p. 96 GALBRAITH, John Kenneth – A ERA DA INCERTEZA – Ed. Pioneira – S. P., 1980 KATZ, Daniel e KAHN, Robert - sicologia Social das Organizações – Ed. Atlas S.A – S. P., 1970 OLIVEIRA, M. A. M. O. Aprender a aprender: um novo paradigma ou uma rearticulação do pragmatismo de Dewey. Cadernos de Educação, Belo Horizonte, v. 4, n. 4 , 1999 - p. 31 a 38 KINGDON, Donald Ralph - Matrix Organization, Managing Information Technologies – London, UK – Tavistock LAKATOS E MARKONI M.A. , Fundamentos de Metodologia Científica, 3ª Edição, S. P. , Atlas, 1995 MALINOWSKI, B. , Crime and Custom in Savage Society, N. York: Harcourt, Brace, 1926 SIMONETTI, Eliana – O Brasil está à venda – Revista VEJA, 29 de Maio de 1996 – p. 34 a 39. WIENER, Norbert – Cybernetics- John Wiley & Sons – New York, 1948 49 CURRICULUM VITAE SÚMULA Marisa de Medeiros Chaves Formação: Graduada em Administração de Empresas e Psicologia. Especialista em Gestão de Recursos Humanos e Doutoranda Ciências Empresariais pela UNIAAL e a UNIVERSIDADE DEL MUSEO SOCIAL ARGENTINO. Experiência Profissional: Consultora nas áreas de Diagnóstico Empresarial, Planejamento Estratégico e Gestão de Recursos Humanos. Instrutora e responsável técnica na elaboração, organização e produção de programas de cursos internos, treinamentos e desenvolvimento organizacionais. Consultora para recrutamento e seleção de pessoal. Psicóloga clínica. Experiência Didática: Professora universitária, em cursos de Administração de Empresas, nas disciplinas de Administração de Recursos Humanos I e II e de Psicologia Aplicada às Organizações. Chefe do Departamento Administrativo e Coordenadora do Projeto de Extensão Universitária. ENDEREÇO RESIDENCIAL: Rua Gonçalves Veloso 248/201 Bairro Coração de Jesus Belo Horizonte - Minas Gerais CEP: 30.380.620 TELEFONE DE CONTATO: (31) 3561 3750 (Fax) (31) 9967 5138 E-MAIL: [email protected] 50