UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA E ENGENHARIA DE MATERIAIS ULTRA-REFINAMENTO DE GRÃOS EM UM AÇO BAIXO CARBONO ATRAVÉS DE TRATAMENTOS TERMOMECÂNICOS Luis Henrique Guedes São Carlos 2004 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA E ENGENHARIA DE MATERIAIS ULTRA-REFINAMENTO DE GRÃOS EM UM AÇO BAIXO CARBONO ATRAVÉS DE TRATAMENTOS TERMOMECÂNICOS Luis Henrique Guedes Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais como requisito parcial à obtenção do título de MESTRE EM ENGENHARIA DE MATERIAIS Orientador: Prof. Dr. Oscar Balancin Agência Financiadora: CNPq São Carlos 2004 Ficha catalográfica elaborada pelo DePT da Biblioteca Comunitária da UFSCar G924ug Guedes, Luis Henrique. Ultra-refinamento de grãos em uma aço baixo carbono através de tratamentos termomecânicos / Luis Henrique Guedes. -- São Carlos : UFSCar, 2006. 78 p. Dissertação (Mestrado) -- Universidade Federal de São Carlos, 2004. 1. Microestrutura. 2. Ferrita. 3. Torção a quente. 4. Ultrarefino. 5. Baixo carbono. I. Título. CDD: 620.11299 (20 a) DEDICATÓRIA À minha esposa Cléo. VITAE DO CANDIDATO Engenheiro de Materiais pela UFSCar (2001). ii iii AGRADECIMENTOS A Deus, pela vida. Aos meus pais, Luiz e Marta, pelo apoio ao trabalho e estímulo ao sucesso. Aos Professores Oscar Balancin e Alberto M. J. Jr., pela amizade. Aos amigos Otávio Villar S. N., Marcelo E. F. Napolião, Enrico J. Giordani, Célia C. M. Decarli, Rover Belo e demais colegas do DEMa/UFSCar, pelos bons momentos desfrutados durante o período. Ao Dr. M. H. Ferrer, da EPUSP, pelos cálculos com o Thermo-Calc (R) e ao Dr. J. M. A. Rollo, da EESC-USP, pelos resultados de dilatometria. Aos técnicos M. A. Militão, Marcos Ferrari e Helena pelo suporte nas metalografias e microscopia eletrônica. Ao estudante de Engenharia de Materiais Douglas S. Magro, do DEMA/UFSCar, pelo grande auxílio na preparação das amostras. Ao Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Villares Metals S/A, Engenheiro C. A. Barbosa, pelo material cedido para as pesquisas. A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram na evolução deste trabalho. iv v RESUMO O refinamento microestrutural é uma metodologia eficiente para incorporar, simultaneamente, resistência e tenacidade aos aços sem adição excessiva de elementos microligantes. Tamanhos de grãos ferríticos da ordem de 1 µm são muito interessantes na melhoria das propriedades mecânicas. Um dos métodos mais empregados para se obter ferrita ultrafina em escala laboratorial é a transformação induzida por deformação. Neste trabalho, são investigadas algumas rotas para se obter tamanhos de grãos ferríticos ultrafinos, observando-se a simplicidade e habilidade de se refinar a microestrutura de um aço de custo relativamente baixo. Ensaios de torção a quente foram utilizados para estudar a relação entre a microestrutura e as variáveis que influenciam fortemente o tamanho de grão ferrítico final. Em um primeiro momento, realizou-se a simulação da laminação convencional e da laminação controlada convencional. Em seguida, algumas novas rotas de processamento, envolvendo altas taxas de resfriamento e deformações plásticas severas, foram investigadas com a utilização de fornos com aquecimento por radiação infravermelho e por indução. Em analogia à linha de raciocínio de alguns pesquisadores, pode-se inferir que a ferrita ultrafina se nucleia intragranularmente nos contornos de células presentes no interior dos grãos austeníticos prévios. Tamanhos de grãos ferríticos de 1-2 µm foram obtidos através de processamento termomecânicos envolvendo 1 passe de deformação. vi vii GRAIN ULTRA-REFINEMENT IN LOW CARBON STEEL THROUGH THERMOMECHANICAL TREATMENTS ABSTRACT Micro-structural refinement is an efficient technique to strengthen and toughen steels simultaneously without excessive addition of micro-alloying elements. Ferrite grain sizes close to 1 µm are very interesting improve mechanical properties. One of the most successful methods used to produce ultra-fine ferrite in laboratory scale is the strain-induced transformation. In this work some procedures for producing ultra-fine ferritic grain were investigated, focusing on simplicity and ability to refine the microstructure in relatively low cost steel. Hot-torsion tests were done to study the relation between microstructure and variables that strongly influence the final ferritic grain size. At the beginning a simulation of conventional rolling and conventional controlled rolling were carried out. After that some new novel procedures involving high cooling rates and severe plastic deformation were investigated using infrared and induction furnaces. It has been proposed in agreement with others authors that ultra-fine ferrite nucleates intra-granularly on cell boundaries within the previous austenitic grains. Final ferritic grain sizes of about 1-2 µm have been achieved through one pass thermo-mechanical processing. viii ix SUMÁRIO BANCA EXAMINADORA .....................................................................................i AGRADECIMENTOS ......................................................................................... iii RESUMO ............................................................................................................v ABSTRACT ....................................................................................................... vii SUMÁRIO .......................................................................................................... ix ÍNDICE DE TABELAS........................................................................................ xi ÍNDICE DE FIGURAS ...................................................................................... xiii SÍMBOLOS E ABREVIAÇÕES ........................................................................ xix 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 1 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................ 3 2.1 Processamentos termomecânicos de metais (TMP).................................... 3 2.2 Laminação convencional (CR) ..................................................................... 5 2.3 Laminação controlada .................................................................................. 6 2.3.1 Laminação controlada convencional (CCR) .............................................. 6 2.3.1.1 Reaquecimento ...................................................................................... 7 2.3.1.2 Desbaste ................................................................................................ 8 2.3.1.3 Acabamento ........................................................................................... 8 2.3.1.4 Resfriamento.......................................................................................... 9 2.3.2 Laminação controlada por recristalização (RCR).................................... 10 2.3.3 Laminação controlada por recristalização dinâmica (DRCR) .................. 11 2.4 Processos de restauração presentes no processamento termomecânico . 11 2.4.1 Recuperação........................................................................................... 11 2.4.2 Recristalização........................................................................................ 15 2.4.3 Ferrita ultrafina (UFF).............................................................................. 20 3 MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................ 27 3.1 Material ...................................................................................................... 27 3.2 O ensaio de torção a quente ...................................................................... 27 3.3 Determinação das temperaturas críticas.................................................... 31 3.4 Simulação da laminação convencional ...................................................... 33 3.5 Simulação da laminação controlada convencional..................................... 34 x 3.6 Investigação de novas rotas de processamento......................................... 35 3.6.1 Rotas do tipo 1 ........................................................................................ 36 3.6.2 Rotas do tipo 2 ........................................................................................ 38 3.6.3 Rotas do tipo 3 ........................................................................................ 41 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................. 45 4.1 Temperaturas críticas ................................................................................. 45 4.1.1 Determinação da temperatura de solubilização....................................... 45 4.1.2 Ensaios de torção .................................................................................... 46 4.1.3 Ensaios dilatométricos............................................................................. 52 4.1.4 Cálculos com o Thermo-Calc (R) .............................................................. 52 4.1.5 Resumo das diferentes técnicas.............................................................. 52 4.2 Simulação da laminação convencional....................................................... 54 4.3 Simulação da laminação controlada convencional ..................................... 56 4.4 Investigação de novas rotas de processamento......................................... 59 4.4.1 Rotas do tipo 1 ........................................................................................ 59 4.4.2 Rotas do tipo 2 ........................................................................................ 62 4.4.3 Rotas do tipo 3 ........................................................................................ 66 5 CONCLUSÕES ............................................................................................. 73 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................. 75 xi ÍNDICE DE TABELAS Tabela 4.1 Valores da TME (MPa) e T(oC) para as cinco amostras ensaiadas na determinação das temperaturas críticas. .................................................... 47 Tabela 4.2 Temperaturas críticas obtidas por dilatometria sob várias taxas de resfriamento. .................................................................................................... 52 Tabela 4.3 Resumo das temperaturas críticas obtidas. Os números entre parênteses indicam a taxa de resfriamento em que os ensaios foram realizados......................................................................................................... 53 Tabela 4.4 Valores de TME (MPa) e T (oC), na simulação da laminação controlada. ....................................................................................................... 55 Tabela 4.5 Valores de TME (MPa) e T (oC) para as amostras ccr1, ccr2 e ccr3, simulando a laminação controlada convencional. ............................................ 58 Tabela 4.6 TME e temperatura de deformação para as rotas 1A e 1B. ........... 61 Tabela 4.7 Valores de TME e temperaturas de deformação para as amostras da rota do tipo 2. .............................................................................................. 62 Tabela 4.8 Comparação entre as variáveis do processamento termomecânico e os tamanhos de grãos ferríticos obtidos ao final do processamento................ 66 Tabela 4.9 Valores das temperaturas de deformação para as quatro amostras das rotas do tipo 3............................................................................................ 69 xii xiii ÍNDICE DE FIGURAS Figura 2.1 Durante a laminação convencional o metal é aquecido entre 12001250 oC e deformado entre 1200-1000 oC, com 8-10 passes de deformação. Não existe nenhum controle da microestrutura ao longo do processo e o tamanho de grão ferrítico final obtido está em torno de 30 µm. ......................... 6 Figura 2.2 Na laminação controlada convencional objetiva-se o desenvolvimento de microestruturas específicas ao longo de cada etapa do processamento. A temperatura de reaquecimento utilizada é dada em função da solubilização dos carbonitretos. Nas etapas de desbaste e acabamento gera-se uma microestrutura austenítica condicionada, com aumento de Sv, de modo a se aumentar os sítios de nucleação para os futuros grãos ferríticos. Isso ocasiona o refino da ferrita após a transformação de fase, com tamanhos de grãos da ordem de 5 µm. .............................................................................. 7 Figura 2.3 Poligonização: durante o recozimento as discordâncias se alocam de modo que haja aniquilação de discordâncias de sinais opostos; as de mesmo sinal se movimentam no plano de escorregamento e escalam, agrupando-se em sub-contornos e minimizando o campo de deformação elástica [10]. ..................................................................................................... 12 Figura 2.4 Curva tensão-deformação típica de recuperação dinâmica. I – aumento da taxa de deformação, de zero até a taxa imposta ao material; II – início do escoamento plástico e encruamento do material; as linhas de discordâncias começam a se emaranhar e formar uma estrutura celular; III – estado estacionário onde a geração e aniquilação de defeitos possuem a mesma taxa [12, 13]......................................................................................... 14 Figura 2.5 Nucleação por migração de contornos induzida pela deformação. A força motriz é a diferença de densidade de discordâncias entre os grãos deformados e aqueles livres de deformação [11]............................................. 16 Figura 2.6 A condição para o crescimento de um novo grão é 2 ⋅ L > 4 ⋅γ , onde ∆E γ é a energia de superfície do contorno por área unitária e ∆E é a energia liberada devido à diminuição dos defeitos [11]................................................. 17 xiv Figura 2.7 Necklacing – os sítios preferenciais de nucleação são os grãos cujos contornos possuem alta densidade de discordâncias e as bandas de deformação dos grãos e/ou sub-grãos [11]. ..................................................... 18 Figura 2.8 Quando a deformação ultrapassa um valor crítico, εc, novos grãos começam a se formar nos contornos de grãos deformados e vão se propagando para o interior destes. Esse processo ocorre durante a deformação até que os grãos deformados sejam substituídos por novos grãos. A curva de escoamento apresenta uma tensão de pico, σp, típica para o caso de recristalização completa. Na curva acima, εc ≈ 0,8 εp e εss é a deformação a partir da qual atinge-se o estado estacionário de tensão [12, 13]. ................... 19 Figura 2.9 Limites de estabilização (sem crescimento) e crescimento normal e anormal dos tamanhos de grãos, considerando-se um metal com uma fração volumétrica, Fv, de partículas dispersas de segunda fase com diâmetro x [16]. ......................................................................................................................... 21 Figura 2.10 Efeito do tempo de recozimento no tamanho de grão ferrítico de um aço 0,15%C-1,39%Mn [17]............................................................................... 22 Figura 2.11 Curvas tensão-deformação para ferro puro, com diferentes tamanhos de grãos [18].................................................................................... 22 Figura 2.12 Relações da equação de Hall-Petch e dureza Vickers para o ferro puro [18]. .......................................................................................................... 23 Figura 2.13 Temperatura de transição frágil-dúctil (DBTT, ductile-brittle transition temperature) e limite superior da curva DBTT, para diferentes tamanhos de grãos de ferro puro [18]. ............................................................. 23 Figura 2.14 Comparação entre a tensão de escoamento e a tensão de ruptura, para ferrita ultra-fina e ferrita com tamanhos de grãos convencionais [19]. ..... 24 Figura 2.15 Curva tensão-deformação mostrando a falta de encruamento em material com microestrutura contendo grãos ferríticos ultrafinos e grãos ferríticos de tamanhos convensionais [19]. ...................................................... 24 Figura 3.1 Esquema dos corpos de prova utilizados nos ensaios de torção a quente, com as dimensões dadas em milímetros. Durante o ensaio, uma das extremidades é fixa na máquina; a outra é encaixada em um dispositivo que produz a torção na peça [24]. ........................................................................... 29 xv Figura 3.2 (a) Máquina de ensaio de torção a quente. Seu eixo é dividido em duas partes: o eixo torsor (lado esquerdo), no qual se aclopam a embreagem, o freio eletromagnético e o dispositivo ótico que é utilizado para as medidas do ângulo de rotação e da velocidade imposta pela máquina ao corpo de prova; e o dispositivo de translação (lado direito), no qual se acopla a célula de carga. (b) e (c) O forno de radiação infravermelho funciona com quatro lâmpadas halógenas, cuja potência individual é de 1500 W. A potência máxima do forno é de 6000 W........................................................................................................ 30 Figura 3.3 Rota de ensaio para determinação das temperaturas críticas Tnr, Ar3 e Ar1. ......................................................................................................... 32 Figura 3.4 Rotas empregadas nos ensaios de dilatometria. Corpos de prova de 2 mm de diâmetro por 12 mm de comprimento foram aquecidos a 1150 oC durante 10 min e resfriados sob taxas de 1oC/s, 3 oC/s, 5 oC/s, 7 oC/s e 9 oC/s, até o campo ferrítico. ....................................................................................... 32 Figura 3.5 Exemplo de resultado gráfico fornecido pelo equipamento de dilatometria. Na abscissa está representada a temperatura (oC) e na ordenada a variação dimensional (dL/L0) do corpo de prova. .......................................... 33 Figura 3.6 Rota para simulação física da laminação convencional. Os passes de deformação foram dados entre 1200-1000 ºC............................................. 34 Figura 3.7 Rota para simulação da laminação controlada convencional. As deformações ocorreram entre Ts (1150oC) e Ar3 (853oC). .............................. 35 Figura 3.8 Rotas de processamento com “congelamento” do nióbio dissolvido na rede e reaquecimento seguido de deformação antes da transformação de fase, para condicionamento da ferrita. Posterior aquecimento e deformações múltiplas em resfriamento na austenita objetivaram o refino de grãos ferríticos por transformação de fase. Rotas (a) 1A e (b) 1B............................................ 37 Figura 3.9 Rotas de processamento do tipo 2: o material sofreu resfriamento forçado com jato de ar comprimido, injetado dentro do tubo de quartzo no forno infravermelho, após a permanência em 60s na temperatura indicada em cada figura, imediatamente antes da deformação em resfriamento. (a) 2A , (b) 2B, (c) 2C e (d) 2D....................................................................................................... 40 Figura 3.10 Rotas de ensaio do tipo 3 objetivando o refino da microestrutura xvi através da utilização de altas taxas de resfriamento e deformações severas. (a) 3A, (b) 3B, (c) 3C e (d) 3D................................................................................ 43 Figura 4.1 Curva típica do ensaio de torção para obtenção das temperaturas críticas de processamento termomecânico do aço estudado. .......................... 46 Figura 4.2 Curva tensão-deformação equivalentes típica de um passe em uma seqüência de deformações [24]........................................................................ 48 Figura 4.3 TME (MPa) versus o inverso da temperatura absoluta (K-1) do aço estudado........................................................................................................... 48 Figura 4.4 TME versus 1000/T, segundo o esquema proposto por Borato et alli [20]. .................................................................................................................. 49 Figura 4.5 Curvas de transformação de fase em resfriamento contínuo indicando, também, as temperaturas críticas de processamento determinadas com ensaios de torção e as temperaturas de equilíbrio entre as fases............ 53 Figura 4.6 Curva tensão-deformação resultante da simulação da laminação convencional. Os baixos valores de tensão são devidos à alta temperatura de deformação....................................................................................................... 54 Figura 4.7 Metalografia de uma amostra deformada simulando a laminação convencional. Grãos ferríticos com 12,1 µm de diâmetro, em média, foram encontrados...................................................................................................... 56 Figura 4.8 Curva tensão-deformação resultante da simulação da laminação controlada convencional. Os valores mais elevados de tensão, em relação à rota anterior são devidos ao empanquecamento da austenita, em passes com temperaturas de deformação inferiores a Tnr (980 oC). ................................... 57 Figura 4.9 Grãos ferríticos de 4,9 µm de diâmetro, em média, oriundos da transformação de fase na simulação da laminação controlada convencional. . 58 Figura 4.10 Microestrutura do aço deformado a 730oC, antes da transformação de fase.............................................................................................................. 59 Figura 4.11 Curvas tensão deformação para as rotas (a) 1A e (b) 1B ............. 60 Figura 4.12 Microestruturas das rotas (a) 1A e (b) 1B, com tamanhos de grãos ferríticos de 6,4 µm e 4,8 µm, respectivamente................................................ 61 Figura 4.13 Curvas de tensão-deformação para as rotas (a) 2A, (b) 2B, (c) 2C e (d) 2D. .............................................................................................................. 64 xvii Figura 4.14 Tamanhos de grãos ferríticos no final do processamento, após resfriamento ao ar, das rotas (a) 2A: 5,2 µm, (b) 2B: 4,1 µm, (c) 2C: 2,7 µm e (d) 2D: 2,0 µm. ................................................................................................. 65 Figura 4.15 Curvas tensão-deformação para as amostras das rotas (a) 3A, (b) 3B, (c) 3C e (d) 3D. .......................................................................................... 68 Figura 4.16 Grãos ferríticos no final do processamento termomecânico, segundo as rotas 3A, 3B, 3C e 3D. Os tamanhos de grãos foram 1,3 µm, 2,2 µm, 1,5 µm e 1,3 µm, respectivamente............................................................ 69 Figura 4.17 Medidas de desorientação para a amostra deformada segundo a rota 3C. ............................................................................................................ 70 Figura 4.18 Representação esquemática do mecanismo de nucleação intragranular. Quando a deformação ocorre entre Ae1 e Ar1, condicionada por uma alta taxa de resfriamento, a austenita torna-se instável. A ferrita se nucleia induzida pela deformação na estrutura celular de discordânicas dentro dos grãos austeníticos. Em decorrência do crescimento e encontro dos grãos ferríticos dentro da austenita, a microestrutura ferrítica final torna-se muito menor que aquela obtida por métodos convencionais, atingindo-se valores de 1-2 µm.............................................................................................................. 72 xviii xix SÍMBOLOS E ABREVIAÇÕES a Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento a’ Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento Ac3 Temperatura de final de transformação de fase ferrita-austenita em aquecimento, oC Ae1 Temperatura de equilíbrio de início de transformação de fase ferrita-austenita, oC Ae3 Temperatura de equilíbrio de final de transformação de fase ferritaaustenita, oC Al Alumínio Ar1 Temperatura de final de transformação de fase austenita-ferrita em resfriamento, oC Ar3 Temperatura de início de transformação de fase austenita-ferrita em resfriamento, oC b Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento b’ Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento c Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento C Carbono CCR Conventional controlled rolling (laminação controlada convencional) Co Cobalto CR Conventional rolling (laminação convencional) Cr Cromo Cu Cobre d Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento d Tamanho de grão, µm xx D Diâmetro de tamanho de grão, µm DBTT Ductilie-brittle transition temperature (temperatura de transição frágil-dúctil) DEMa Departamento de Engenharia de Materiais dL Variação linear do corpo de prova de ensaios dilatométricos, mm DRCR Dynamic recrystallization controlled rolling (laminação controlada por recristalização dinâmica) E Módulo de elasticidade EBSD Electron back-scattered diffraction (técnica de difração por elétrons retro-espalhados) EESC Escola de Engenharia de São Carlos EFE Energia de falha de empilhamento EPUSP Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Fv Fração volumétrica de partículas de segunda fase k Constante de proporcionalidade da equação de Hall-Petch L Corda associada ao raio de curvatura do grão, µm L Comprimento útil do corpo de prova para ensaios de torção a quente, mm Lo Comprimento inicial do corpo de prova de ensaios dilatométricos, mm LYS Limit of yield stress (limite de escoamento), MPa m Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento Mn Manganês Mo Molibdênio n Constante das equações de Borato et alli para a obtenção das temperaturas críticas de processamento N Nitrogênio Nb Nióbio Ni Níquel O Oxigênio P Fósforo xxi R Coeficiente de confiabilidade R Raio do corpo de prova para ensaios de torção a quente, mm RCR Recrystallization controlled rolling (laminação controlada por recristalização) S Enxofre Si Silício SV Razão da área superficial versus volume do grão • T T Taxa de variação de temperatura, oC/s Temperatura, oC TermoMec Laboratório de tratamentos termomecânicos do DEMa-UFSCar Tf Temperatura final de deformação, oC Tf Temperatura de fusão, oC Ti Temperatura inicial de deformação, oC TiN Nitreto de titânio tip Tempo entre passes, s TME Tensão média equivalente, MPa TMP Thermo-mechanical processing (processamento termomecânico) Tnr Temperatura de não-recristalização, oC TRC Transformação de fase em resfriamento contínuo Ts Temperatura de solubilização, oC TS Tensile strengh (tensão de ruptura), MPa UFF Ultrafine ferrite (ferrita ultra-fina) UFSCar Universidade Federal de São Carlos USP Universidade de São Paulo Vf Fração volumétrica de ferrita em determinada temperatura x Diâmetro de partículas de segunda fase, µm • Taxa de deformação equivalente, s-1 • Taxa de deformação cisalhante, s-1 θ • Velocidade de rotação durante ensaios de torção a quente, rad/s γ Energia de superfície do contorno de grão por área unitária ε γ xxii φ Diâmetro do corpo de prova para ensaios de torção a quente, mm σ Tensão equivalente, MPa ε Deformação equivalente τ Tensão cisalhante, MPa γ Deformação cisalhante θ Ângulo de rotação durante ensaios de torção a quente, rad σ0,2 Limite de escoamento, MPa εc Deformação crítica σe Limite de escoamento, MPa ∆E Energia liberada devido à diminuição de defeitos durante o crescimento de grão σo Constante de proporcionalidade da equação de Hall-Petch, MPa σp Tensão de pico durante a recristalização dinâmica, MPa εp Deformação associada à tensão de pico durante a recristalização dinâmica εss Deformação associada ao estado estacionário de tensão durante a recristalização dinâmica 1 INTRODUÇÃO As propriedades de um metal ou liga metálica são fortemente influenciadas pelo tamanho de grão. Através do seu refino pode-se obter aumento significativo na resistência e, até certo nível, na ductilidade do material. A bem conhecida equação de Hall-Petch (Equação 1.1), que prediz o aumento do limite de escoamento, σe, com a redução do tamanho de grão, d, tem sido aplicada no estudo de muitos metais (σ0 e k são constantes proporcionais). σe = σ0 + k d 1.1 Outros exemplos benéficos do refino de grão são as melhorias na resistência à fratura dos aços e outras ligas e a diminuição da temperatura de transição frágil-dúctil. Com exceção do alongamento uniforme e da resistência em altas temperaturas, a maioria das propriedades mecânicas é melhorada ou, na pior das hipóteses, não é afetada por esse refino. Um dos principais objetivos no desenvolvimento dos aços tem sido o refino do grão ferrítico, devido ao aumento que se obtém na resistência e na tenacidade. Isso pode ser feito combinando-se deformação mecânica e temperatura através, por exemplo, de uma laminação controlada pesada, aliada a um resfriamento acelerado após a deformação. O propósito deste trabalho é estudar o refinamento de grãos ferríticos através de tratamentos termomecânicos em um aço com baixo teor de carbono microligado ao nióbio. O estudo foi feito através da simulação física da laminação a quente, utilizando-se uma máquina de ensaios de torção, e foi dividido em três fases principais: i Simulação física do processamento convencional; ii Simulação física do processamento controlado convencionalmente; iii Exploração das variáveis metalúrgicas empregadas na laminação 2 controlada visando obter grãos ultrafinos a partir de rotas simples de processamento termomecânico, ou TMP (do inglês, Thermo-Mechanical Processing). A justificativa para esse trabalho está no fato de que, por muito tempo, os métodos convencionalmente aplicados para se produzir aços estruturais de alta resistência baseiam-se em tratamentos térmicos após o processamento mecânico ou na manipulação da composição química, aumentando-se substancialmente o preço final do produto acabado. Recentemente, melhorias na resistência, tenacidade e soldabilidade têm sido alcançadas diretamente em produtos laminados a quente, através do desenvolvimento de técnicas de TMP que geram uma microestrutura ferrítica fina no final do processamento. Dessa forma, a laminação controlada tem se tornada uma das operações mais importantes para se produzir, a baixo custo, aços de alta resistência com limites de escoamento iguais ou maiores que 600 MPa. 3 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Processamentos termomecânicos de metais (TMP) O processamento termomecânico de um metal é definido por um programa de deformação a quente cujo objetivo é a obtenção de uma microestrutura pré-determinada da austenita, antes da ocorrência da transformação de fase. A princípio, ele pode ser realizado de duas formas: (a) modo convencional, sem qualquer controle das variáveis metalúrgicas, no que diz respeito à obtenção de uma microestrutura específica durante as várias etapas do processamento, ou (b) modo controlado, visando à obtenção de microestruturas estratégicas ao longo de todo o processo, a fim de que o refino da microestrutura final seja obtido. Um exemplo clássico de TMP é a laminação controlada. Nela, as temperaturas críticas de processamento do material e variáveis como tempo entre passes, deformação, e as taxas de deformação e resfriamento, são cuidadosamente manipuladas de forma a se garantir a obtenção da microestrutura final desejada. As temperaturas críticas são: Ts, temperatura de solubilização; Tnr, temperatura de não recristalização, aqui definida como a temperatura em que a recristalização da austenita é menor que 95%; Ar3, temperatura de início de transformação de fase austenita-ferrita, sob resfriamento; Ar1, temperatura de final de transformação de fase austenitaferrita, sob resfriamento [3]. Um dos benefícios mais marcantes do TMP é o refinamento de grão. O condicionamento adequado durante as várias etapas do processamento significa dizer que tanto a austenita quanto seus subseqüentes produtos de transformação poderão exibir refino microestrutural. Obviamente, o sucesso do TMP depende do controle dos processos de amaciamento e endurecimento dos metais, como aborda DeArdo [3]. Basicamente, esses tratamentos se dividem em quatro categorias: laminação convencional (CR), laminação controlada convencional (CCR), laminação controlada por recristalização (RCR) e laminação controlada por recristalização 4 dinâmica (DRCR), cujas siglas, do inglês, significam, respectivamente, conventional rolling, conventional controlled rolling, recrystallization controlled rolling, dynamic recrystallization controlled rolling. Industrialmente, partindo-se de um tamanho de grão austenítico inicial da ordem de 200-300 µm, a laminação convencional resulta em grãos ferríticos da ordem de 30 µm. Na laminação controlada o número é da ordem de 5 µm. Em escala laboratorial, através do controle da taxa de resfriamento e da deformação, têm-se conseguido tamanhos de grãos ferríticos da ordem de 1-2 µm. Hodgson et alli [4] aqueceram um aço baixo carbono a 1250 oC durante 15 min e laminaram com uma redução de 30%, com velocidade de 24 m/min, seguido de resfriamento controlado. Através de laminação posterior, em uma temperatura pouco acima de Ar3, conseguiram grãos ferríticos equiaxiais da ordem de 1 µm em chapas de aço baixo carbono, com aumento do limite de escoamento de 250 MPa para cerca de 450 MPa. A taxa de deformação utilizada foi de 10-4 s-1. Priestner e Ibraheem [5] conseguiram, através da laminação a quente de um aço microligado ao nióbio combinada com resfriamento controlado, refinar o grão austenítico prévio à transformação até 5 µm. Após, conseguiram um tamanho de grão ferrítico da ordem de 1,5 µm no centro e sub-micrométrico na superfície de uma chapa de 3 mm de espessura. Deformações entre 0,5 e 1,0 foram utilizadas, juntamente com uma taxa de resfriamento de 8 oC/s. Seo et alli [6] mostraram que o tamanho de grão ferrítico em um aço microligado Nb-V-Ti sofre influência da quantidade de passes durante a laminação a quente. Isto é, para uma mesma quantidade total de deformação, os grãos ferríticos se tornam menores conforme se diminui a deformação por passe, necessitando-se de mais passes de deformação para se atingir a deformação total previamente estabelecida. Através da moagem mecânica de pó de ferro durante cerca de 200 h, seguida de conformação mecânica dentro de um tubo selado de aço inoxidável, por volta de 600 oC, Takaki et alli [7] conseguiram dureza Vickers da ordem de Hv 9,5 GPa. Eles mostraram que, para tamanhos de grãos ferríticos até 0,1 µm, a relação de Hall-Petch (Equação 2.1) é válida. Contudo, para tamanhos 5 de grãos ferríticos menores que 0,1 µm os dados experimentais se desviaram para o lado de baixo da linha de Hall-Petch. Essa perda de capacidade de encruamento, dado o ultra-refino do grão, também foi mencionada por Priestner e Ibraheem [5]; eles observaram uma inclinação na curva de dependência da dureza Vickers com o tamanho de grão ferrítico menor que aquela esperada pela relação de Hall-Petch. Hv[ MPa ] = 330 + 2 d 2.1 Ainda em escala laboratorial é sabido que, para condições extremas de taxa de resfriamento, taxa de deformação e deformações severas, pode-se atingir tamanhos de grãos da ordem de 0,5 µm. 2.2 Laminação convencional (CR) A laminação convencional é realizada aquecendo-se o material entre 1200-1250 oC, seguido de 8-10 passes de deformação no intervalo 1200-1000 o C sob resfriamento contínuo, com resfriamento ao ar até a temperatura ambiente após o último passe. O tamanho de grão austenítico inicial está em torno de 300 µm e, ao final do processo, o tamanho de grão ferrítico está em torno de 30 µm (Figura 2.1). O processo é realizado sem qualquer controle da microestrutura. Por outro lado, a atenção está voltada para o controle de variáveis de processamento como carga do laminador, tempo entre passes e temperatura, sob aspectos de produtividade. 6 Figura 2.1 Durante a laminação convencional o metal é aquecido entre 12001250 oC e deformado entre 1200-1000 oC, com 8-10 passes de deformação. Não existe nenhum controle da microestrutura ao longo do processo e o tamanho de grão ferrítico final obtido está em torno de 30 µm. 2.3 Laminação controlada Na laminação controlada as variáveis como temperatura, deformação, taxa de deformação e tempo entre passes são de suma importância para a obtenção da microestrutura adequada para o refino dos grãos ferríticos. O controle resulta em uma seqüência de passes disciplinados [9]. 2.3.1 Laminação controlada convencional (CCR) A laminação controlada convencional é o primeiro tipo de laminação controlada utilizada industrialmente. O reaquecimento, o desbaste, o acabamento e o resfriamento são controlados de modo a se obter microestruturas estratégicas ao longo das várias etapas do processamento (Figura 2.2). Isso visa não apenas garantir o refino microestrutural, mas 7 também excluir tratamentos térmicos posteriores. Figura 2.2 Na laminação controlada convencional objetiva-se o desenvolvimento de microestruturas específicas ao longo de cada etapa do processamento. A temperatura de reaquecimento utilizada é dada em função da solubilização dos carbonitretos. Nas etapas de desbaste e acabamento gera-se uma microestrutura austenítica condicionada, com aumento de Sv, de modo a se aumentar os sítios de nucleação para os futuros grãos ferríticos. Isso ocasiona o refino da ferrita após a transformação de fase, com tamanhos de grãos da ordem de 5 µm. 2.3.1.1 Reaquecimento Nesse tipo de laminação a temperatura de reaquecimento está em torno de 1050-1300 o C e depende da composição química do material. Essa temperatura tem influência na quantidade de elemento microligante dissolvido na rede do material antes da laminação e, aliada ao tempo de permanência, no tamanho de grão austenítico inicial. Se, por um lado, é vantajosa a maximização da temperatura de reaquecimento para promover a completa solubilização dos nitretos, carbetos e carbonitretos, por outro, um tamanho de 8 grão austenítico inicial muito grande pode produzir uma estrutura austenítica duplex, através de recristalização secundária. Essa estrutura é composta por uma distribuição que engloba, pelo menos, dois grupos de tamanhos de grãos. Após a laminação, a estrutura duplex prejudica a tenacidade do material, uma vez que pode existir a ocorrência de deformação localizada, influenciando de forma negativa a continuidade das propriedades mecânicas do material. A temperatura de solubilização, Ts, dada em graus Celsius, pode ser calculada pela modificação da equação de Irvine (Equação 2.2). Ts = 6.770 ⎡ 12 ⎞⎤ ⎛ 2,26 − log10 ⎢% Nb ⋅ ⎜ %C + ⋅ % N ⎟⎥ 14 ⎠⎦ ⎝ ⎣ − 273.15 2.2 2.3.1.2 Desbaste A etapa de desbaste envolve passes de deformação entre Ts e Tnr. A temperatura de não-recristalização varia de material para material, sofrendo influências de variáveis como composição química e taxa de deformação [3]. Nesse estágio, a recristalização ocorre rapidamente e pode ser acompanhada pelo crescimento de grão. A escolha adequada da quantidade e taxa de deformação pode fazer com que a recristalização estática ocorra completamente, resultando em grãos austeníticos pequenos. Caso essas variáveis não sejam bem controladas, a recristalização estática pode ocorrer parcialmente entre passes, levando a uma estrutura duplex após a transformação de fase, o que é indesejável. 2.3.1.3 Acabamento A etapa de acabamento ocorre entre Tnr e Ar3. Como nesse intervalo a recristalização não é completa, os grãos se tornam alongados conforme vão 9 sendo deformados, levando ao acúmulo de deformação de um passe a outro. Esse processo é conhecido como “empanquecamento”, e caracteriza o condicionamento da austenita. Durante o empanquecamento a razão superfície do grão , também volume do grão chamada de Sv, é aumentada, embora o volume seja mantido constante. Isso é responsável pelo surgimento de sítios preferenciais de nucleação da ferrita durante a transformação de fase. Outra fonte em potencial são as bandas de deformação dentro dos grãos austeníticos. Elas surgem quando a deformação é maior que, aproximadamente, 50% na etapa de acabamento. Com o aumento dos sítios de nucleação a ferrita sofre refino durante a transformação de fase, ocasionando um aumento na tenacidade e na tensão de escoamento. 2.3.1.4 Resfriamento O resfriamento controla as propriedades do material, além de sua relação estreita com a economia e a produtividade de uma planta de laminação. Uma alta taxa de resfriamento diminui Ar3, prevenindo a austenita de se recristalizar antes da transformação de fase e reduzindo a quantidade de precipitação na austenita. A diminuição de Ar3 não só aumenta a região de não recristalização da austenita, mantendo sua estrutura empanquecada, como auxilia no refino dos grãos ferríticos, já que o crescimento destes é limitado em temperaturas mais baixas. A diminuição da precipitação na austenita significa que os elementos microligantes permanecerão mais tempo dissolvidos na rede e se precipitarão com maior proeminência durante a transformação de fase. Dessa forma, esses precipitados agirão como elementos endurecedores, já que a formação de precipitados é fina em temperaturas mais baixas. Resfriamentos acelerados geram melhorias na ductilidade e na resistência do material, mas as taxas utilizadas são limitadas pela 10 temperabilidade do material. 2.3.2 Laminação controlada por recristalização (RCR) A laminação controlada convencional se baseia na utilização de baixas temperaturas durante os últimos passes, de onde provém o refino da ferrita após a transformação de fase. Contudo, alguns materiais não podem ser deformados em temperaturas tão baixas, devido à necessidade de cargas excessivas. Por isso, o controle da microestrutura é obtido através da laminação controlada pela recristalização estática. Nesse tipo de TMP a recristalização é controlada de forma cuidadosa, de modo que ocorra em temperaturas cada vez menores, durante a etapa de acabamento. Contudo, essas temperaturas estão acima de 900 oC; isto é, são maiores que as empregadas na laminação controlada convencional. O material é aquecido entre 1250-1050 oC, onde sofre a etapa de desbaste. A etapa de acabamento é realizada ente 1000-900 oC com o controle do crescimento de grão nos últimos passes, através da adição de elementos microligantes. Dois requisitos básicos para o sucesso desse processamento são: i A recristalização entre passes deve ser suficientemente rápida para que se tenha otimização do processo, pois uma recristalização lenta demanda muito tempo morto de processamento. Isso pode ser conseguido através da adição de vanádio no lugar do nióbio, uma vez que entre os elementos nióbio, alumínio, titânio e vanádio, o primeiro tem a maior temperatura de solubilização (e maior Tnr) e o último a menor temperatura de solubilização (e menor Tnr) [3]. ii O crescimento dos grãos recristalizados deve ser evitado, caso contrário o processo perde sua objetividade. O controle do crescimento de grãos pode ser feito através da adição de titânio para a formação de partículas finas de TiN durante a fusão. Com tamanhos e freqüência de distribuição adequados essas partículas podem inibir completamente o crescimento 11 dos grãos austeníticos recristalizados após cada etapa da recristalização. Isso gera uma microestrutura ferrítica fina após a transformação de fase. Os tamanhos de grãos ferríticos obtidos por meio desse processamento são da ordem de 10 µm. 2.3.3 Laminação controlada por recristalização dinâmica (DRCR) Quando o tempo entre passes é muito curto, o controle da laminação é feito através de recristalização dinâmica, já que não há tempo suficiente para a ocorrência da recristalização estática. A quantidade de precipitação de carbonitretos também é prejudicada. Assim, a recristalização dinâmica começa a operar com nucleação e crescimento durante a deformação, devido ao acúmulo de deformação que é passado de um passe para outro durante o processo de conformação. Como na laminação controlada convencional, esse tipo de processamento termomecânico gera tamanhos de grãos ferríticos da ordem de 5 µm. 2.4 Processos de restauração presentes no processamento termomecânico 2.4.1 Recuperação A recuperação é um processo de amaciamento termicamente ativado. A energia armazenada no material após a deformação plástica é aliviada através da aniquilação ou rearranjo de discordâncias em eventos individuais. Esse processo de amaciamento é importante em metais com alta energia de falha de 12 empilhamento (EFE) e restaura significativamente as propriedades do metal. Quando a recuperação ocorre após o processo de conformação é chamada de recuperação estática. Quando, após a deformação, o metal é submetido a baixas temperaturas de recozimento (0,2 Tf, onde Tf é a temperatura de fusão) ocorrem reações entre os defeitos puntuais, como aniquilação de lacunas e migração de defeitos puntuais para contornos de grãos ou discordâncias. Sob temperaturas intermediárias (0,2-0,3 Tf) ocorre a aniquilação de discordâncias de sinais opostos e um rearranjo de discordâncias nos contornos de baixo ângulo, apenas delineando-os. Em temperaturas mais altas (acima de 0,4 Tf) as discordâncias podem escalar e escorregar transversalmente, o que propicia a ocorrência de poligonização e formação de sub-grãos. Dentre os mecanismos de amaciamento que atuam na recuperação estática, o que ocorre em temperaturas mais elevadas é a poligonização (Figura 2.3). Figura 2.3 Poligonização: durante o recozimento as discordâncias se alocam de modo que haja aniquilação de discordâncias de sinais opostos; as de mesmo sinal se movimentam no plano de escorregamento e escalam, agrupando-se em sub-contornos e minimizando o campo de deformação elástica [10]. Durante a recuperação estática não ocorre o movimento de contornos de grãos. Contudo, os sub-contornos passam a ser melhores definidos e a densidade de discordâncias no interior dos sub-grãos diminui, alterando suavemente a forma ou o tamanho dos grãos. A temperatura, a quantidade e taxa de deformação e as adições de elementos microligantes alteram a taxa de recuperação. Quanto maior for a 13 temperatura de recozimento maior será essa taxa; quanto maior for a quantidade e/ou taxa de deformação mais rapidamente o processo de recuperação ocorrerá, devido ao aumento da densidade de discordâncias. A presença de solutos diminui a energia de falha de empilhamento, dificultando a recuperação. Inversamente à recuperação estática, a recuperação dinâmica ocorre durante o processo de deformação. No início da deformação a quente a densidade de discordâncias aumenta. Ao mesmo tempo, a aniquilação e o rearranjo dessas discordâncias começam a acontecer. A continuidade da deformação pode levar a dois caminhos [10, 11]: i Em materiais com alta energia de falha de empilhamento as discordâncias parciais podem facilmente se juntar para escalar ou escorregar transversalmente. Esse processo é responsável pelo aumento na taxa de aniquilação de discordâncias, o que resulta na diminuição da taxa de encruamento. Quando a taxa de aniquilação se iguala à taxa de geração de discordâncias atinge-se um regime estacionário, no qual a tensão torna-se constante. Nesse estágio os grãos são levemente deformados, mas os sub-grãos se tornam constantes em forma e tamanho. ii Em materiais com baixa energia de falha de empilhamento as discordâncias parciais caminham longe umas das outras e não podem se juntar facilmente para se aniquilar. Por isso, os sub-grãos possuem contornos mal delineados e são de pequeno tamanho. A taxa de aniquilação é menor que a taxa de geração de discordâncias, de forma que um acúmulo de deformação vai sendo incorporado ao material durante a conformação. A densidade de discordâncias aumenta rapidamente com a deformação. Quando um valor crítico é atingido a recristalização dinâmica começa a operar. A curva tensão-deformação típica para materiais que se recuperam dinamicamente (Figura 2.4) apresenta três estágios. O primeiro é caracterizado 14 pelo aumento da taxa de deformação, de zero até a taxa imposta ao material. De forma geral, a inclinação da curva nesse estágio vale E/50, para altas temperaturas e baixas taxas de deformação, e E/5, para baixas temperaturas e altas taxas de deformação, onde E é o módulo de elasticidade. O fim desse estágio é evidenciado pelo decréscimo na inclinação da curva. O segundo estágio tem início juntamente com o escoamento plástico e encruamento do material e termina quando a taxa de encruamento decresce até zero. Nele, as discordâncias começam a se emaranhar e formar uma estrutura celular. A inclinação da curva nesse estágio vale, aproximadamente, E/500 para altas temperaturas e baixas taxas de deformação e E/100 para baixas temperaturas e altas taxas de deformação. Finalmente, o terceiro estágio é caracterizado por um estado estacionário, onde a geração e a aniquilação de defeitos possuem a mesma taxa e, assim, a densidade de discordâncias se torna constante. A perfeição, dimensões, orientação etc, de sub-grãos dependem do material, da temperatura e da taxa de deformação. Figura 2.4 Curva tensão-deformação típica de recuperação dinâmica. I – aumento da taxa de deformação, de zero até a taxa imposta ao material; II – início do escoamento plástico e encruamento do material; as linhas de discordâncias começam a se emaranhar e formar uma estrutura celular; III – estado estacionário onde a geração e aniquilação de defeitos possuem a mesma taxa [12, 13]. 15 2.4.2 Recristalização A recristalização estática ocorre após o término da deformação. A recristalização é um processo de amaciamento que ocorre com a nucleação e crescimento de novos grãos, onde grãos deformados são substituídos por novos grãos livres de deformação. A diferença de densidade de discordâncias entre a região deformada e a região não deformada é a força-motriz de todo o processo. Enquanto a recuperação é responsável por, aproximadamente, 25% do amaciamento do material, a recristalização pode ser responsável pelos outros 75%. Isso faz com que ela seja o processo de amaciamento mais importante na laminação controlada de metais. A temperatura, quantidade e taxa de deformação e o tamanho de grão inicial influenciam grandemente na taxa de recristalização estática. Pequenos tamanhos de grãos iniciais e altas temperaturas e taxas de deformação aumentam a taxa de recristalização. A deformação, por sua vez, é uma variável de importância elevada, uma vez que é necessária uma quantidade de deformação crítica (εc) para que a recristalização ocorra. A taxa de recristalização aumenta com o aumento da deformação. O tamanho dos grãos recristalizados aumenta com o aumento da temperatura e com a diminuição da taxa de deformação e da quantidade de deformação. Na recristalização grande quantidade de discordâncias é consumida durante o movimento dos contornos de grãos. Existem pelo menos três mecanismos de nucleação de novos grãos durante esse processo. i Migração induzida pela deformação de contornos de alto ângulo preexistentes: um grão menos deformado migra para o interior de um grão mais deformado (Figura 2.5). A condição para sua ocorrência é que, durante o processo, existe um balanço energético favorável, considerando-se a redução de energia armazenada pela eliminação de defeitos e o aumento da superfície total do contorno devido ao encurvamento (Figura 2.6). 16 ii Nucleação por migração de contornos de baixo ângulo: o mecanismo operante é a poligonização (Figura 2.3) onde se tem a formação de regiões com baixa densidade de discordâncias envolvidas por subcontornos. Quando o sub-grão é formado, pode crescer em detrimento de seus vizinhos através da migração de seus sub-contornos, em função de uma ativação térmica. Esse sub-contorno absorve discordâncias e sofre aumento de desorientação, energia e mobilidade, caracterizando a nucleação de um novo grão. iii Nucleação por coalescimento de sub-grãos: equivale à 'rotação' de dois sub-grãos vizinhos, de forma que seus reticulados cristalinos se tornem coincidentes. O coalescimento promove o crescimento de um sub-grão e a diminuição da energia armazenada através da eliminação de subcontornos. Além disso, existe uma diferença de orientação entre aquele conjunto de sub-grãos que sofreu coalescimento e os seus vizinhos. Isso leva ao surgimento de um contorno de alto ângulo que pode migrar com alta velocidade, caracterizando um núcleo. Figura 2.5 Nucleação por migração de contornos induzida pela deformação. A força motriz é a diferença de densidade de discordâncias entre os grãos deformados e aqueles livres de deformação [11]. 17 Figura 2.6 A condição para o crescimento de um novo grão é 2 ⋅ L > 4 ⋅γ , onde ∆E γ é a energia de superfície do contorno por área unitária e ∆E é a energia liberada devido à diminuição dos defeitos [11]. Dentre os mecanismos de nucleação apresentados, os mais aceitos pela literatura são o de migração de contornos de baixo ângulo e o de coalescimento de sub-grãos. O primeiro está associado a altas deformações, larga distribuição de tamanhos de sub-grãos, altas temperaturas de recozimento e metais com baixa energia de falha de empilhamento. O segundo, a uma larga distribuição de desorientação entre sub-grãos, deformações moderadas, regiões que são vizinhas a contornos de grãos, baixas temperaturas de recozimento e metais com alta energia de falha de empilhamento [11]. A recristalização dinâmica ocorre durante o processo de deformação. Ela atua quando a recuperação dinâmica não é suficiente para manter a energia armazenada abaixo de um valor crítico. Esse valor de energia é aquele necessário para o início da nucleação e é atingido quando se submete o material a uma deformação crítica, εc. Os sítios preferenciais de nucleação de novos grãos são os contornos dos grãos com alta densidade de discordâncias. O mecanismo de nucleação atuante é conhecido como necklacing (Figura 2.7). 18 Após a nucleação, os grãos formados vão caminhando para o interior do grão em cujo contorno se originaram. A diminuição de energia livre causada pela eliminação de defeitos compensa o aumento de energia livre gerado pela criação de área de contornos de grãos. As bandas de deformação no interior de grãos e sub-grãos também atuam como sítios preferenciais de nucleação dos novos grãos. Conforme a deformação continua, esses grãos recém formados são alongados à medida que crescem até atingir um valor crítico de deformação suficiente para que sejam substituídos por novos grãos através de nova nucleação e crescimento. Uma curva de escoamento típica de um material que se recristaliza dinamicamente apresenta um pico de tensão, σp (Figura 2.8). A deformação crítica necessária para o início da recristalização dinâmica é εc ≈ 0,8 εp. Após o pico há uma diminuição da tensão até que um valor estacionário seja atingido. Figura 2.7 Necklacing – os sítios preferenciais de nucleação são os grãos cujos contornos possuem alta densidade de discordâncias e as bandas de deformação dos grãos e/ou sub-grãos [11]. Geralmente, na laminação industrial não se atinge a tensão de pico, εp, em um único passe, devido à necessidade de uma grande redução. Contudo, na conformação através de múltiplos passes, se o tempo entre passes for suficientemente pequeno, a recristalização estática não é completada e o encruamento é passado de um passe para outro. A quantidade de deformação 19 irá atingir o valor crítico, devido ao seu acúmulo progressivo, e a recristalização dinâmica irá operar. Para tempos entre passes muito curtos a precipitação induzida por deformação também é limitada, permitindo a ocorrência da recristalização dinâmica. A recristalização metadinâmica ocorre no caso de um material que se recristaliza dinamicamente. Na conformação a quente de um metal muitos núcleos se encontram presentes imediatamente após o término da deformação. Eles podem crescer em função dos grãos deformados, via migração de contornos. Como não é necessário um tempo de incubação, esse processo de amaciamento atua rapidamente após o término do processamento. Os grãos resultantes da recristalização metadinâmica são menores que aqueles provenientes da recristalização dinâmica [14]. Figura 2.8 Quando a deformação ultrapassa um valor crítico, εc, novos grãos começam a se formar nos contornos de grãos deformados e vão se propagando para o interior destes. Esse processo ocorre durante a deformação até que os grãos deformados sejam substituídos por novos grãos. A curva de escoamento apresenta uma tensão de pico, σp, típica para o caso de recristalização completa. Na curva acima, εc ≈ 0,8 εp e εss é a deformação a partir da qual atinge-se o estado estacionário de tensão [12, 13]. 20 2.4.3 Ferrita ultrafina (UFF) Diferentemente dos mecanismos apresentados anteriormente, o ultrarefinamento de grãos ferríticos (tamanhos de grãos menores que 1 µm) envolve um novo conceito de nucleação, onde os sítios preferenciais não são simplesmente os contornos de grãos ou as bandas de deformação, mas a subestrutura presente dentro dos grãos austeníticos, envolvendo arranjos particulares de discordâncias, imediatamente anterior à transformação de fase. Pesquisadores têm mostrado que a nucleação da ferrita ultrafina (UFF, do inglês ultrafine ferrite) se dá intragranularmente, imediatamente após a deformação, em uma estrutura austenítica instável, super-resfriada, conforme Hurley et alli [2, 15]. Humphreys et alli [16] demonstraram que uma rota de TMP envolvendo grande quantidade de deformação, juntamente com a ocorrência de recristalização dinâmica geométrica, pode ser utilizada para produzir grãos sub-micrométricos em alumínio e aços, obtendo-se em alguns casos uma boa combinação de propriedades mecânicas. Microestruturas finas têm grande área de contornos de grãos e, assim, grande quantidade de energia armazenada. Por isso, são propícias ao crescimento de grãos durante recozimento em altas temperaturas ou quando a deformação ocorre em temperaturas suficientemente altas. A estabilização da microestrutura depende, geralmente, da dispersão de partículas de segunda fase, embora ainda assim possa ocorrer crescimento anormal de grãos. A Figura 2.9 mostra a eficiência das partículas de segunda fase (definida em termos de fração volumétrica, Fv, dividida pelo diâmetro da partícula, x), na prevenção do crescimento normal e anormal dos grãos. Contudo, uma dispersão muito fina dessas partículas pode prevenir a recristalização dinâmica, em temperaturas baixas, impedindo a migração de contornos que é a condição necessária para a operação desse mecanismo. 21 Figura 2.9 Limites de estabilização (sem crescimento) e crescimento normal e anormal dos tamanhos de grãos, considerando-se um metal com uma fração volumétrica, Fv, de partículas dispersas de segunda fase com diâmetro x [16]. Santos et alli [17] obtiveram tamanhos de grãos ferríticos da ordem de 1 µm através da austenitização a 900 oC de um aço 0,15%C-1,39%Mn, laminado a morno, com 3 passes de 20% cada, a 700 oC, seguido de recozimento em 800 oC, durante 60 min. A variação do tamanho de grão ferrítico ao longo do recozimento é mostrada na Figura 2.10. Há três fatos interessantes em relação ao ultra-refinamento de grãos ferríticos: i O alongamento uniforme diminui com a diminuição do tamanho de grão, quase se extinguindo para tamanhos inferiores a 1 µm (Figura 2.11); ii Há um desvio considerável da equação de Hall-Petch, para baixo, quando o tamanho de grão é inferior a 1 µm, e esse desvio se acentua quando o refinamento aumenta (Figura 2.12); iii A temperatura de transição frágil-dúctil diminui com a diminuição do tamanho de grão, mas a diferença entre o limite superior e o inferior na curva de transição frágil-dúctil também diminui consideravelmente, e tende a desaparecer quando se atinge tamanhos de grãos da ordem de 1 µm (Figura 2.13). 22 Figura 2.10 Efeito do tempo de recozimento no tamanho de grão ferrítico de um aço 0,15%C-1,39%Mn [17]. Esses fatos foram observados por Takaki et alli [18] através da moagem mecânica de pó de ferro puro com posterior tratamento termomecânico, obtendo-se grãos da ordem de 0,2 µm. Figura 2.11 Curvas tensão-deformação para ferro puro, com diferentes tamanhos de grãos [18]. 23 Figura 2.12 Relações da equação de Hall-Petch e dureza Vickers para o ferro puro [18]. Figura 2.13 Temperatura de transição frágil-dúctil (DBTT, ductile-brittle transition temperature) e limite superior da curva DBTT, para diferentes tamanhos de grãos de ferro puro [18]. 24 Hodgson et alli [19] mostraram que existe pouco encruamento em materiais com grãos ferríticos ultra-finos, quando submetidos a carregamento. A concordância entre a tensão de escoamento e tensão de ruptura é mostrada nas Figuras 2.14 e 2.15. Figura 2.14 Comparação entre a tensão de escoamento e a tensão de ruptura, para ferrita ultra-fina e ferrita com tamanhos de grãos convencionais [19]. Figura 2.15 Curva tensão-deformação mostrando a falta de encruamento em material com microestrutura contendo grãos ferríticos ultrafinos e grãos ferríticos de tamanhos convensionais [19]. A maioria dos pesquisadores envolvidos no assunto tem encontrado que há, pelo menos, três mecanismos potenciais que podem produzir o nível de 25 refino de grãos citados até agora, isto é, para tamanhos de grãos próximos ou menores que 1 µm: i Transformação dinâmica induzida por deformação; ii Transformação da austenita recristalizada dinamicamente; iii Recristalização dinâmica da ferrita. No caso da transformação dinâmica induzida por deformação, um artifício é tornar a austenita instável, através de super-resfriamento, e aplicar uma grande quantidade de deformação (deformação severa), fazendo com que a transformação de fase seja provocada pela quantidade excessiva de deformação. O refino de grão ferrítico provém do fato de uma subestrutura “celular” de discordâncias estar presente na austenita instável, o que serve como sítio extremamente potencial para a nucleação da ferrita, durante ou imediatamente após a deformação [2, 15, 19]. 26 27 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Material O material estudado foi fornecido pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Villares Metals S.A., Sumaré/SP. O aço possui um baixo teor de carbono e é microligado ao nióbio, com a seguinte composição química (% em peso): 0,076%C, 0,49%Si, 1,36%Mn, 0,07%Cr, 0,19%Ni, 0,01%Mo, 0,04%Nb, 0,01%Co, 0,03%Cu, 0,011%Al, <0,005%P, 0,005%S, 0,004%N e 0,001%O. Após solidificação em um lingote de 50 kg, o material foi forjado entre o 1250 C e 1150 oC. Devido à pouca massa da peça e, conseqüentemente, alta perda de calor, foram necessárias três etapas de reaquecimento durante o processamento. Ao final, obteve-se um tarugo de seção transversal quadrada de 80x80 mm e comprimento de 950 mm. A peça foi laminada a quente, com temperatura de início de deformação entre 1200 oC e 1180 oC, chegando a uma dimensão final de 6 m de comprimento, com seção transversal circular de 34,9 mm de diâmetro. Essa barra foi cortada em 6 partes com comprimentos iguais e enviadas para o Laboratório de Tratamentos Termomecânicos (TermoMec) do DEMa/UFSCar. As barras cilíndricas foram cortadas em pedaços menores, aquecidas até 1200 oC durante 30 min e laminadas a quente convencionalmente até uma espessura de 15 mm. A placa laminada foi dividida em “fatias” menores e usinada em torno mecânico para a confecção de corpos de prova para ensaios de torção, com seus eixos na mesma direção de laminação. 3.2 O ensaio de torção a quente Um ensaio de torção com o propósito de se avaliar a resistência mecânica de processamento um material industrial, deve permitir controlando-se simulações variáveis físicas metalúrgicas de um como 28 temperatura, deformação, taxa de deformação, tempo entre passes etc. Além disso, deve permitir a realização de ciclos de deformação, sob resfriamento e/ou aquecimento, além do resfriamento rápido em quaisquer estágios da deformação, a fim de se acompanhar as mudanças metalográficas que ocorrem na amostra. A tensão e a quantidade e a taxa de deformação variam com o raio da seção transversal do corpo de prova, sendo máximas na superfície (onde são considerados). Por esse motivo, a região do comprimento útil do corpo de prova que deve ser analisada em conjunto com a curva tensão-deformação é apenas uma fina casca superficial. Esse cuidado deve ser tomado na análise metalográfica do material para que o tratamento dos dados seja coerente. O desenho do corpo de prova utilizado nos ensaios de torção a quente é mostrado na Figura 3.1. Durante o ensaio, uma das extremidades do corpo de prova é fixada à máquina, enquanto a outra é encaixada em um dispositivo que produz a torção [24]. Os ensaios de torção a quente foram realizados utilizando-se uma máquina horizontal computadorizada (Figura 3.2). Os esforços mecânicos são aplicados às amostras através de um motor-variador, cuja velocidade varia entre 25 e 1000 rpm, e são medidos por uma célula de carga com capacidade máxima de 1000 kgf·cm [25]. O eixo da máquina de torção é dividido em duas partes: (a) o eixo torsor, no qual se aclopam a embreagem, o freio eletromagnético e o dispositivo ótico que é utilizado para as medidas do ângulo de rotação e da velocidade imposta pela máquina ao corpo de prova e (b) dispositivo de translação, no qual se acopla a célula de carga. Os corpos de prova foram aquecidos através de um forno de radiação infravermelho, desenvolvido no Laboratório de Tratamentos Termomecânicos (TermoMec) do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar. Sua potência máxima varia de acordo com a potência das lâmpadas utilizadas. Neste trabalho foram utilizadas quatro lâmpadas halógenas com potência individual de 1500 W, resultando em uma potência máxima de 6000 W. 29 Figura 3.1 Esquema dos corpos de prova utilizados nos ensaios de torção a quente, com as dimensões dadas em milímetros. Durante o ensaio, uma das extremidades é fixa na máquina; a outra é encaixada em um dispositivo que produz a torção na peça [24]. A fim de se proteger os corpos de prova da oxidação durante o aquecimento utiliza-se um tubo de quartzo que é alocado no eixo longitudinal do forno, por onde se faz circular fluxo contínuo de gás argônio. Dentro do tubo também pode ser injetado água corrente, instantaneamente e em qualquer etapa do ensaio, para o congelamento da microestrutura. O controle da temperatura foi realizado utilizando-se um controlador de temperatura da marca Gefran, modelo 3500/s. Termopares do tipo “K” foram utilizados para as medições, sendo mantidos em contato com a parte útil do corpo de prova durante os ensaios. O controle dos ensaios e a aquisição de dados foram realizados através de um microcomputador conectado à máquina de torção. A partir de medidas do momento de torção, e ângulo e velocidade de rotação obtém-se resultados de tensão (σ), deformação (ε) e taxa de • deformação ( ε ) equivalentes e tensão (τ), deformação (γ) e taxas de • deformação ( γ ) cisalhantes. Para um corpo de prova de comprimento útil L, raio R e ângulo de rotação θ, tem-se que γ = velocidade de rotação. Assim, ε = γ 3 • eε= • • R R• θ e γ = θ , onde θ é a L L • γ 3 . [10] 30 (a) (b) Figura 3.2 (a) Máquina de ensaio de torção a quente. Seu eixo é dividido em duas partes: o eixo torsor (lado esquerdo), no qual se aclopam a embreagem, o freio eletromagnético e o dispositivo ótico que é utilizado para as medidas do ângulo de rotação e da velocidade imposta pela máquina ao corpo de prova; e o dispositivo de translação (lado direito), no qual se acopla a célula de carga. (b) e (c) O forno de radiação infravermelho funciona com quatro lâmpadas halógenas, cuja potência individual é de 1500 W. A potência máxima do forno é de 6000 W. 31 3.3 Determinação das temperaturas críticas Para o cálculo da temperatura de solubilização empregou-se a equação de Irvine, com Ts em graus Kelvin (Equação 3.1). ⎡ 12 6770 ⎛ ⎞⎤ log⎢%Nb ⋅ ⎜ %C + %N ⎟⎥ = 2,26 − 14 Ts ⎝ ⎠⎦ ⎣ 3.1 Para se determinar as temperaturas críticas de processamento do material (Tnr, Ar3 e Ar1), utilizou-se a metodologia proposta por Boratto et alli [20]. Foram realizados cinco ensaios de torção a quente nas mesmas condições e os valores apresentados são uma média das temperaturas críticas obtidas em cada ensaio. Para cada corpo de prova, aqueceu-se o material com uma taxa de 1,7 oC/s até 1200 oC, permanecendo nessa temperatura durante 600 s (Figura 3.3). O material foi resfriado até 630 oC com uma taxa de 1,0 oC/s e deformado com intervalos entre passes de 30 s, resultando em 20 passes de deformação. A quantidade e taxa de deformação aplicadas em cada passe foram 0,30 e 1,0 s-1, respectivamente. As temperaturas de deformação inicial e final foram 1200 0C e 630 oC e, após o ensaio, as amostras foram resfriadas ao ar até a temperatura ambiente. Foram realizados cinco ensaios e as amostras foram identificadas como tc1, tc2, tc3, tc4 e tc5. Além dessa técnica, também utilizou-se a de dilatometria para se obter as temperaturas críticas sob diferentes taxas de resfriamento. O equipamento utilizado foi da marca ADAMEL LHOMARGY, modelo DT 1000, do Departamento de Engenharia de Materiais da EESC-USP. O objetivo foi determinar as temperaturas de início e fim da transformação austenita-ferrita sob resfriamento. Nesses ensaios os corpos de prova possuiam 2 mm de diâmetro e 12 mm de comprimento e foram aquecidos a uma taxa de 2,0 oC/s até 1150 0C, sendo mantidos nesta temperatura por 10 minutos. Em seguida, foram resfriados sob taxas de 1, 3, 5, 7 e 9 oC/s (Figura 3.4). Um exemplo de 32 resultado gráfico fornecido pelo equipamento de dilatometria pode ser visto na Figura 3.5. o Temperatura ( C) o 1200 C durante 600s 1200 1100 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 20 passes Ti = 1200 o C Tf = 630 o C o • 1,0 C/s ε = 1,0s −1 ε = 0,3 t ip = 30s o 1,7 C/s 0 200 400 600 800 1000 1200 tempo (s) 1400 1600 1800 2000 Figura 3.3 Rota de ensaio para determinação das temperaturas críticas Tnr, Ar3 e Ar1. Figura 3.4 Rotas empregadas nos ensaios de dilatometria. Corpos de prova de 2 mm de diâmetro por 12 mm de comprimento foram aquecidos a 1150 oC durante 10 min e resfriados sob taxas de 1oC/s, 3 oC/s, 5 oC/s, 7 oC/s e 9 oC/s, até o campo ferrítico. 33 Figura 3.5 Exemplo de resultado gráfico fornecido pelo equipamento de dilatometria. Na abscissa está representada a temperatura (oC) e na ordenada a variação dimensional (dL/L0) do corpo de prova. Finalmente, o programa Thermo-Calc(R) foi utilizado para se obter as temperaturas de equilíbrio Ae1 e Ae3 (temperaturas de equilíbrio de início e final de transformação de fase da ferrita em austenita, respectivamente). Esses cálculos foram realizados pelo Dr. M. H. Ferrer na Escola Politécnica da USP, SP, (EPUSP). 3.4 Simulação da laminação convencional O material foi aquecido sob uma taxa de 1,7 oC/s até 1200 oC, com um tempo de permanência de 600 s (Figura 3.6). Em seguida, foi resfriado sob uma taxa de 1,0 oC/s e submetido a 7 passes de deformação, entre 1200 oC e 1020 oC, com posterior resfriamento ao ar até a temperatura ambiente. O tempo entre passes utilizado foi de 30 s, a quantidade e a taxa de deformação foram de 0,30 e 1,0 s-1, respectivamente, e as temperaturas inicial e final de deformação foram 1200 oC e 1020 oC, respectivamente. Foram realizados três 34 ensaios e as amostras foram identificadas como cr1, cr2 e cr3. Figura 3.6 Rota para simulação física da laminação convencional. Os passes de deformação foram dados entre 1200-1000 ºC. 3.5 Simulação da laminação controlada convencional De posse da Ts, calculada teoricamente, o material foi aquecido numa taxa de 1,7 oC/s até 1200 oC (acima da temperatura de solubilização) e deixado em encharque durante 600 s (Figura 3.7). Sob resfriamento, com taxa de 1 o C/s, o material sofreu uma seqüência de 12 passes de deformação entre 1200 o C e 870 oC (faixa de temperaturas entre Ts e Ar3), com intervalos entre passes de 30 s e quantidade e taxa de deformação de 0,30 e 1,0 s-1, respectivamente. Em seguida, a amostra foi resfriada ao ar até a temperatura ambiente. Foram realizados três ensaios e as amostras foram identificadas como ccr1, ccr2 e ccr3. 35 Figura 3.7 Rota para simulação da laminação controlada convencional. As deformações ocorreram entre Ts (1150oC) e Ar3 (853oC). 3.6 Investigação de novas rotas de processamento Nesta etapa, o material foi submetido a diversas rotas diferentes de processamento, objetivando-se o ultra-refino microestrutural. Elas foram planejadas a partir das temperaturas críticas obtidas e podem ser tomadas como um tipo de laminação controlada não industrial. As rotas foram distribuídas em 3 grupos. As etapas iniciais das rotas do tipo 1 englobam a solubilização e têmpera em água do material, seguidas por aquecimento e deformação em temperatura abaixo e próxima de Ae3. Após a deformação, o material foi aquecido acima da Tnr, sofrendo passes múltiplos de deformação em resfriamento numa faixa de temperaturas compreendida entre a Tnr e Ar1. Nas rotas do tipo 2 o material foi solubilizado, temperado em água e revenido. Posteriormente aos tratamentos térmicos houve deformação à frio seguida de aquecimento sob alta taxa até acima da Tnr. O material foi resfriado sofrendo 36 deformações múltiplas ou um único passe de deformação na faixa de temperaturas compreendidas entre a Tnr e Ar1. Nas duas rotas anteriores o forno utilizado foi o aquecido por radiação infravermelho. Na seqüência de ensaios do tipo 3 o forno utilizado foi o de aquecimento por indução, pela possibilidade de impor taxas de aquecimento e resfriamento superiores àquelas alcançadas com o forno de radiação infravermelho. Nas rotas do tipo 3 o material foi aquecido com alta taxa até acima de Tnr. Após um tempo de permanência, o material foi resfriado de forma forçada e deformado severamente, objetivando-se uma temperatura compreendida entre Ar3 e Ae3. 3.6.1 Rotas do tipo 1 O material foi aquecido a 1,7 oC/s até 1200 oC e mantido durante 600 s, seguido de têmpera em água (Figuras 3.8 (a) e (b)). Esse procedimento foi tomado para assegurar a dissolução de todo o nióbio na rede cristalina. Em seguida, o corpo de prova foi aquecido numa taxa de 1,7 oC/s até 700 oC (abaixo de Ae1) e mantido durante 1200 s. Ao fim desse tempo, o material sofreu 1 passe de deformação, com quantidade de 1,0 e taxa de 1,0 s-1, com o objetivo de aumentar os sítios de nucleação na transformação de fase ferritaaustenita. Imediatamente após o passe o material foi reaquecido até 1000 oC, numa taxa de 1,7 oC/s e mantido nessa temperatura durante 60 s, após o qual sofreu deformações múltiplas em resfriamento. A quantidade de deformação imposta foi de 0,3, sob taxa de 1,0 s-1. A taxa de resfriamento utilizada foi de 1,0 o C/s, o tempo entre passes foi de 30 s e a temperatura inicial de deformação foi de 1000 o C. Seguiu-se com resfriamento ao ar até a temperatura ambiente. Na rota 1A o material sofreu 5 passes e, na rota 1B, 7 passes de deformação, culminando numa temperatura final de deformação de, respectivamente, 880 e 820 oC. As amostras foram identificadas como 1a e 1b em referência às rotas 1A e 1B, respectivamente. 37 (a) (b) Figura 3.8 Rotas de processamento com “congelamento” do nióbio dissolvido na rede e reaquecimento seguido de deformação antes da transformação de fase, para condicionamento da ferrita. Posterior aquecimento e deformações múltiplas em resfriamento na austenita objetivaram o refino de grãos ferríticos por transformação de fase. Rotas (a) 1A e (b) 1B. 38 3.6.2 Rotas do tipo 2 Nessa rota, um pedaço da barra cilíndrica recebida da Villares Metals S.A. foi aquecido até 1200 o C em forno do tipo mufla e mantido nessa temperatura por 1800 s, seguido de têmpera em água e revenimento a 600 oC durante 3600 s. Em seguida, o material foi laminado a frio, partindo de um diâmetro inicial de 34,9 mm até uma espessura de 13,9 mm, com uma deformação verdadeira de 0,92. A partir da peça laminada, confeccionaram-se corpos de prova para ensaios de torção. Esses corpos de prova foram utilizados nas 4 seqüências da rota do tipo 2. O corpo de prova usinado foi aquecido até 1000 oC sob uma taxa de 7,0 o C/s e mantido nessa temperatura durante 60 s. Subseqüentemente, foram dados passes de deformação em resfriamento, com intervalo entre passes de 30 s. Na rota 2A foram dados 7 passes com quantidades de deformação de 0,3, taxa de 1,0 s-1, taxa de resfriamento de 1,0 oC/s e temperatura inicial e final de deformação de 1000 oC e 820 oC, respectivamente (Figura 3.9 (a)). Na rota 2B foi dado 1 passe com quantidade de deformação de 1,5, taxa de 1,0 s-1, taxa de resfriamento de 1,0 oC/s e temperatura de deformação de 830 oC (Figura 3.9 (b)). Na rota 2C foi dado 1 passe com quantidade de deformação de 1,5, taxa de 1,0 s-1, taxa de resfriamento de 3,0 oC/s e temperatura de deformação de 830 oC (Figura 3.9 (c)). Na rota 2D o corpo de prova foi aquecido até 900 o C, após a laminação a frio foi dado um passe com quantidade de deformação de 3,0, taxa de 1,0 s-1, taxa de resfriamento de 3,0 o C/s e temperatura de deformação de 830 oC [Figura 3.9 (d)]. Aqui, as amostras foram identificadas como 2a, 2b, 2c e 2d para referência às rotas 2A, 2B, 2C e 2D, respectivamente. 39 (a) (b) 40 (c) (d) Figura 3.9 Rotas de processamento do tipo 2: o material sofreu resfriamento forçado com jato de ar comprimido, injetado dentro do tubo de quartzo no forno infravermelho, após a permanência em 60s na temperatura indicada em cada figura, imediatamente antes da deformação em resfriamento. (a) 2A , (b) 2B, (c) 2C e (d) 2D. 41 3.6.3 Rotas do tipo 3 Nessa seqüência de rotas os materiais foram aquecidos até acima da Tnr e resfriados bruscamente em uma temperatura muito próxima a Ar3, onde foram deformados de forma severa. O forno utilizado foi o de indução. As vantagens desse tipo de forno são as altas taxas de aquecimento e as possibilidades de maior taxa de resfriamento, quando comparado às mesmas variáveis obtidas através da utilização do forno infravermelho, uma vez que a amostra está em contato direto com o ar. A desvantagem é a formação de carepas na superfície do corpo de prova em altas temperaturas que gera, caso não haja um bom controle, resultados duvidosos nas medições de temperatura. A medição de temperatura foi feita com a utilização de um pirômetro acoplado ao computador. Na rota 3A o material foi aquecido a uma taxa de 1,7 oC/s até 1000 oC, sendo deixado nessa temperatura por 600 s. Foi resfriado até 594 oC com uma taxa de 5,8 oC/s e nessa temperatura sofreu uma deformação de 1,0 com taxa de 1,0 s-1, sendo seguida por resfriamento ao ar (Figura 3.10 (a)). Na rota 3B, e nas próximas dessa série, a taxa de aquecimento do material foi de 3,3 oC/s. O corpo de prova foi aquecido até 1200 oC e mantido nessa temperatura com um tempo de encharque de 600s. O material foi resfriado sob uma taxa de 9,6 o C/s, com sopro de ar comprimido sobre a amostra até 575 oC e submetido a uma deformação de 1,5 com taxa de 1,0 s-1, seguido de resfriamento ao ar (Figura 3.10 (b)). Na rota 3C O material foi aquecido até 1200 oC e deixado nessa temperatura durante 600 s. Foi, então, resfriado até 625 oC com uma taxa de 8,9 oC/s e deformado sob uma taxa de 1,0 s-1. A deformação imposta foi de 2,0 e o material foi resfriado ao ar após o passe de deformação (Figura 3.10 (c)). A rota 3D é semelhante à rota 3C; a taxa de aquecimento, temperatura e tempo de encharque são iguais. Contudo, o material foi resfriado até 544 oC sob uma taxa de 8,4 oC/s para ser deformado. A deformação imposta foi de 1,5 e a taxa de deformação foi de 1,0 s-1 (Figura 3.10 (d)). As amostras foram identificadas como 3a, 3b, 3c e 3d, em referência às rotas 3A, 3B, 3C e 3D, respectivamente. 42 (a) (b) 43 (c) (d) Figura 3.10 Rotas de ensaio do tipo 3 objetivando o refino da microestrutura através da utilização de altas taxas de resfriamento e deformações severas. (a) 3A, (b) 3B, (c) 3C e (d) 3D. 44 45 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 Temperaturas críticas Inicialmente serão apresentados os valores calculados e medidos das temperaturas críticas de processamento; ou seja, temperatura de solubilização (Ts), temperatura de não-recristalização (Tnr), temperatura de início de transformação austenita-ferrita em resfriamento (Ar3) e temperatura de final de transformação austenita-ferrita em resfriamento (Ar1). Essas temperaturas foram determinadas por diferentes técnicas: cálculos termodinâmicos, ensaios de torção, ensaios dilatométricos e cálculos através do software Thermo-Calc (R) . 4.1.1 Determinação da temperatura de solubilização Por Irvine, reescrevendo a Equação 3.1, substituindo os valores dos teores de C, Nb e N do aço estudado e subtraindo a constante de transformação de temperatura Kelvin para graus Celsius, tem-se que Ts = 6770 − 273,15 = 1150 o C ⎡ ⎤ 12 ⎛ ⎞ 2,26 − log⎢%Nb ⋅ ⎜ %C + %N ⎟⎥ 14 ⎝ ⎠⎦ ⎣ O resultado mostra que a temperatura de solubilização utilizada nos ensaios foi superior àquela necessária para a solubilização dos carbonitretos de nióbio existentes. Assim, pode-se inferir que todo o nióbio foi dissolvido na rede cristalina durante o aquecimento e encharque em 1200 oC. 46 4.1.2 Ensaios de torção Dos cinco ensaios realizados para obtenção das temperaturas críticas Tnr, Ar1 e Ar3 obtiveram-se cinco curvas típicas, semelhantes àquela representada na Figura 4.1. Elas mostram o comportamento da tensão com a deformação nos ensaios descritos. tc1 300 Tensão (MPa) 250 200 150 100 50 0 0 1 2 3 4 5 6 Deformação Figura 4.1 Curva típica do ensaio de torção para obtenção das temperaturas críticas de processamento termomecânico do aço estudado. A tensão média equivalente (TME) para cada uma das deformações impostas foi calculada de acordo com a Equação 4.1, como mostra a Figura 4.2. A tensão média equivalente foi determinada calculando-se a área sob a curva por integração numérica e dividindo-se o valor obtido pela deformação imposta. Aliada à temperatura do passe de deformação, a TME foi colocada em um gráfico TME versus 1000/T, a fim de se aplicar as instruções de Boratto et alli [20]. Os dados obtidos encontram-se na Tabela 4.1 e a Figura 4.3 mostra a curva TME versus 1000/T obtida. 47 TME = 1 ε n − ε1 n ∑ i +1 (σ i +1 + σ i )(ε i +1 − ε i ) 2 4.1 Tabela 4.1 Valores da TME (MPa) e T(oC) para as cinco amostras ensaiadas na determinação das temperaturas críticas. Passe tc1 tc2 tc3 tc4 tc5 TME T real TME T real TME T real TME T real TME T real MPa (oC) MPa (oC) MPa (oC) MPa (oC) MPa (oC) 1 45,2 1198 37,0 1197 41,5 1198 42,9 1200 38,9 1198 2 44,1 1183 41,7 1185 45,6 1187 47,3 1177 44,1 1184 3 48,9 1152 49,2 1153 50,9 1155 52,5 1146 48,6 1153 4 54,1 1121 53,7 1120 56,2 1121 56,3 1113 53,4 1119 5 60,2 1088 59,0 1088 63,7 1086 63,6 1079 60,6 1087 6 66,8 1054 66,7 1052 69,6 1051 70,1 1050 65,6 1055 7 74,0 1022 72,3 1024 74,6 1024 76,5 1019 72,1 1024 8 81,3 993 79,6 997 82,2 1000 85,2 988 79,6 998 9 92,6 964 91,8 965 91,9 969 98,6 960 88,8 968 10 112,4 935 110,3 935 110,3 936 117,7 932 108,9 935 11 131,6 907 125,6 908 130,8 907 135,8 901 128,7 906 12 145,4 875 144,1 874 146,9 878 150,8 870 143,6 876 13 161,7 843 154,5 843 162,3 842 164,4 840 158,8 841 14 170,0 814 160,4 815 165,9 812 173,2 809 170,3 813 15 142,7 784 137,1 782 143,2 785 151,2 777 151,1 784 16 141,6 751 136,9 753 142,8 752 142,5 749 139,5 751 17 161,1 722 153,4 725 162,0 722 159,4 717 154,3 724 18 183,9 694 178,2 693 185,5 695 186,5 687 175,2 694 19 213,2 666 206,8 665 213,6 667 212,0 661 205,6 664 20 238,4 648 222,6 645 234,3 647 238,4 639 232,4 643 48 Figura 4.2 Curva tensão-deformação equivalentes típica de um passe em uma seqüência de deformações [24]. 300 tc1, tc2, tc3, tc4, tc5 250 TME (MPa) 200 150 100 50 0 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 -1 1000/T (K ) Figura 4.3 TME (MPa) versus o inverso da temperatura absoluta (K-1) do aço estudado. Os pontos apresentados na Figura 4.3 se comportam de maneira semelhante aqueles mostrados por Boratto et alli [20] e podem ser divididos em 4 regiões (Figura 4.4). 49 i Região I – Acima da temperatura de não-recristalização da austenita; ii Região II – Abaixo da temperatura de não-recristalização da austenita e acima da temperatura de início de transformação da austenita em ferrita (em resfriamento); iii Região III – Entre as temperaturas de início e fim de transformação da austenita em ferrita (em resfriamento); iv Região IV – Abaixo da temperatura de fim de transformação da austenita em ferrita (em resfriamento). Figura 4.4 TME versus 1000/T, segundo o esquema proposto por Borato et alli [20]. Na região I tem-se 1000 ⎞ ⎛ TME = ⎜ a ' + b ' ⋅ ⎟ T ⎠ ⎝ 4.2 Nas regiões II, III e IV tem-se 1000 ⎞ 1000 ⎞ ⎛ ⎛ TME = ⎜ a + b ⋅ ⎟ Vf ⎟(1 − Vf ) + ⎜ c + d ⋅ T ⎠ T ⎠ ⎝ ⎝ 4.3 50 onde a’, b’, a, b, c e d são constantes a serem determinadas; Vf é a fração volumétrica de ferrita na temperatura T, calculada empiricamente, e que varia de zero em Ar3 até 1,0 em Ar1. Vf vale n ⎛ 1000 ⎞ m⋅⎜ ⎟ T ⎠ ⎝ Vf = n ⎛ 1000 ⎞ 1+ m ⋅ ⎜ ⎟ ⎝ T ⎠ 4.4 onde m e n também são constantes a serem determinadas. Para essas regiões, a análise foi feita segundo o tratamento que se segue. Na região I existe somente a fase austenita que se recristaliza totalmente entre cada passe de deformação. A inclinação positiva da curva é proveniente da diminuição de temperatura em cada passe de deformação. Na região II existe somente austenita que não se recristaliza completamente e na região IV existe somente ferrita transformada. Para esses três casos, foi feita uma regressão linear da curva obtendo-se os valores das constantes a’, b’, a, b c e d da equação Y = AX + B, onde Y é a TME e X é 1000/T. No caso da região III, que contém uma mistura de austenita que se extingue e ferrita que se forma, caracterizada pelo termo Vf na Equação 4.3, durante a transformação em resfriamento, os valores das constantes foram obtidos através de regressão não-linear. Assim, os valores obtidos foram: Região I a’= -203,08 ± 5,66 b’= 359,72 ± 7,75 R2 = 0,98265 51 Região II a = -590,05 ± 21,97 b = 846,95 ± 26,18 R2 = 0,98309 Região IV c = -728,81 ± 36,88 d = 881,32 ± 35,14 R2 = 0,97219 Região III m = 42,04 ± 8,36 n = 60,66 ± 3,06 R2 = 0,98833 As temperaturas críticas podem, então, ser calculadas a partir das Equações 4.2 e 4.3: Tnr = 1000 ⋅ b' − b − 273,15 = 986 o C a − a' Para Vf = 3% 1000 Ar3 = n Para Vf = 97% Vf (1 − Vf ) ⋅ m 1000 Ar1 = n Vf (1 − Vf ) ⋅ m − 273,15 = 853oC − 273,15 = 730oC 52 4.1.3 Ensaios dilatométricos Os valores das temperaturas de início e final de transformação de fase da austenita em ferrita, obtidos por dilatometria para várias taxas de resfriamento, são mostrados na Tabela 4.2. Tabela 4.2 Temperaturas críticas obtidas por dilatometria sob várias taxas de resfriamento. Taxas de Ar3 Ar1 1 oC/s 791,5 561,7 3 oC/s 732,8 513,2 5 oC/s 717,4 520,9 7 oC/s 714,9 513,2 9 oC/s 712,3 505,5 resfriamento 4.1.4 Cálculos com o Thermo-Calc (R) Através do software Thermo-Calc(R) encontraram-se as temperaturas de 879oC para o domínio austenita-ferrita e 727oC para o domínio ferrita-perlita. Essas temperaturas são temperaturas de equilíbrio. 4.1.5 Resumo das diferentes técnicas A Tabela 4.3 mostra o resumo de todos os dados relacionados às temperaturas críticas de processamento do aço estudado, envolvendo as diferentes técnicas aplicadas. Tomando os dados da Tabela 4.3 pode-se construir uma curva de transformação de fase em resfriamento contínuo (TRC), como mostrado na 53 Figura 4.5. Nesta figura, estão indicadas, também, as temperaturas críticas de processamento e as temperaturas de equilíbrio entre as fases. Tabela 4.3 Resumo das temperaturas críticas obtidas. Os números entre parênteses indicam a taxa de resfriamento em que os ensaios foram realizados. Temperatura (oC) Ts Tnr Ar3 Ar1 Ae3 Ae1 1.150 - - - - - - 986 853 730 - - (1oC/s) - - 791,5 561,7 - - (3oC/s) - - 732,8 513,2 - - (5oC/s) - - 717,4 520,9 - - (7oC/s) - - 714,9 513,2 - - (9oC/s) - - 712,3 505,5 - - - - - - 879 727 Irvine (Equação 3.1) Boratto (1oC/s) Dilatometria Thermo-Calc (equilíbrio) TNR 1000 A 800 R3 600 A A E3 A E1 R1 400 1 C/s 3 C/s 200 9 C/s 7 C/s 5 C/s 0 10 1 1.5 100 2 tempo (s) 2.5 1000 3 Temperatura (C) Temperatura (C) 1200 900 850 800 750 700 650 600 550 500 450 400 A E3 A R3 A E1 1 C/s 3 C/s 5 C/s 9 C/s 1.5 A R1 7 C/s 100 2 2.5 1000 3 tempo (s) Figura 4.5 Curvas de transformação de fase em resfriamento contínuo indicando, também, as temperaturas críticas de processamento determinadas com ensaios de torção e as temperaturas de equilíbrio entre as fases. 54 4.2 Simulação da laminação convencional Nessa simulação foram utilizadas três amostras. Uma das três curvas tensão-deformação obtidas é mostrada na Figura 4.6. A partir dos valores de tensão obtidos calcularam-se os valores da TME, mostrados na Tabela 4.4, para cada amostra, juntamente com as temperaturas dos passes de deformação. Nesse ensaio, o material foi deformado em uma faixa de temperaturas onde a recristalização da austenita se completa entre passes. A cada deformação a austenita se recristaliza, e isso gera um refino para o próximo passe, desde que o tempo entre passes não seja suficientemente grande para que ocorra crescimento de grão. Esse fato também explica os valores relativamente baixos de TME, da ordem de 30-40 MPa a 1000oC. cr3 100 Tensão (MPa) 80 60 40 20 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 Deformação Figura 4.6 Curva tensão-deformação resultante da simulação da laminação convencional. Os baixos valores de tensão são devidos à alta temperatura de deformação. O tamanho médio de grão ferrítico final foi de 12,1 µm (Figura 4.7). 55 Usualmente, no processamento convencional, tem-se obtido grãos ferríticos da ordem de 20-30 µm, sendo que o tamanho mínimo está em torno de 10 µm [27]. O valor do tamanho médio dos grãos obtido nos experimentos realizados, que está próximo ao limite inferior, pode ser associado ao efeito de arraste de soluto promovido pelo nióbio em solução, inibindo o crescimento de grão [28]. Pela curva da Figura 4.6 nota-se que, de fato, o material foi deformado em uma região onde a recristalização estática se completa. O aumento da tensão de escoamento apresentado é proveniente do decréscimo de temperatura com o decorrer dos passes de laminação. Os valores obtidos para as três amostras são muito semelhantes e refletem a confiabilidade e a possibilidade de repetitividade do ensaio. Isso se torna claro com a curva TME versus 1000/T (Figura 4.3). A Figura 4.7 mostra uma imagem metalográfica dos grãos ferríticos obtidos por esse ensaio. Pode-se observar que os grãos ferríticos nuclearam nos contornos de grãos austeníticos prévios e que houve crescimento de grão durante o resfriamento ao ar. Isso é evidenciado pela distribuição de tamanho de grãos e pela microestrutura, apresentados no final do processamento. Tabela 4.4 Valores de TME (MPa) e T (oC), na simulação da laminação controlada. cr2 cr3 Passe cr1 TME T real TME T real TME T real MPa (oC) MPa (oC) MPa (oC) 1 34,0 1199 36,6 1198 41,2 1201 2 37,1 1182 42,0 1180 44,5 1185 3 41,8 1154 47,0 1154 48,5 1156 4 45,9 1121 51,2 1121 54,4 1121 5 50,7 1085 56,9 1086 61,0 1088 6 57,5 1054 64,2 1054 66,9 1057 7 63,4 1023 69,5 1023 74,9 1023 56 Figura 4.7 Metalografia de uma amostra deformada simulando a laminação convencional. Grãos ferríticos com 12,1 µm de diâmetro, em média, foram encontrados. 4.3 Simulação da laminação controlada convencional Nesse ensaio foram utilizadas três amostras. Uma das curvas tensãodeformação obtidas é mostrada na Figura 4.8. Diferentemente da laminação convencional, na laminação controlada convencional as deformações foram dadas numa faixa de temperaturas entre a Ts e pouco acima de Ar3. Isso significa que a austenita se recristaliza a cada passe na faixa de 1200 ºC a 1000 ºC. A partir desse ponto, começa a existir o empanquecamento dos grãos austeníticos, uma vez que abaixo de 980 ºC a recristalização já não se completa. Na transformação de fase, os grãos ferríticos encontram mais sítios de nucleação a partir do aumento de Sv devido ao condicionamento da austenita prévia à transformação. Isso gerou um refino microestrutural, quando comparado à rota anterior, atingindo-se valores da ordem de 5 µm, como esperado para esse tipo de processamento termomecânico. A respeito dos valores da TME, nesse caso atingiu-se valores da ordem de 160 MPa, uma vez que a temperatura final de deformação foi de 880 ºC e o material encontrava-se parcialmente encruado (Tabela 4.5). 57 Na Figura 4.9 são mostrados grãos ferríticos após o resfriamento ao ar. Como na laminação convencional, há evidências de que o mecanismo de nucleação dos grãos ferríticos foi através dos contornos de grãos austeníticos prévios. O refino se deu devido ao aumento de Sv pelo condicionamento prévio da austenita antes da transformação de fase. Na Figura 4.8 pode-se notar que há um aumento na inclinação da curva de tensão-deformação, considerando-se a tensão média equivalente. Isso é indício de que a recristalização estática da austenita não ocorre totalmente. Há encruamento em cada passe de deformação e parte do material não é restaurado. Assim, a austenita é condicionada, de forma que, na transformação de fase, devido ao aumento de Sv, a ferrita encontra maior número de sítios em potenciais para se nuclear (contornos de grãos, bandas de deformação), o que é responsável pelo seu refino microestrutural. De fato, os tamanhos de grãos ferríticos finais observados nessa rota são da ordem de 4,9 µm. ccr1 200 Tensão (MPa) 150 100 50 0 0 1 2 3 4 Deformação Figura 4.8 Curva tensão-deformação resultante da simulação da laminação controlada convencional. Os valores mais elevados de tensão, em relação à rota anterior são devidos ao empanquecamento da austenita, em passes com temperaturas de deformação inferiores a Tnr (980 oC). 58 Figura 4.9 Grãos ferríticos de 4,9 µm de diâmetro, em média, oriundos da transformação de fase na simulação da laminação controlada convencional. Tabela 4.5 Valores de TME (MPa) e T (oC) para as amostras ccr1, ccr2 e ccr3, simulando a laminação controlada convencional. ccr2 ccr3 Passe ccr1 TME T real TME T real TME T real MPa (oC) MPa (oC) MPa (oC) 1 42,0 1200 37,6 1199 42,3 1198 2 42,7 1189 39,4 1190 45,2 1187 3 46,8 1167 43,0 1166 48,2 1163 4 53,5 1138 48,6 1136 53,8 1133 5 58,9 1104 55,4 1102 59,6 1102 6 64,8 1069 61,0 1069 66,2 1068 7 73,4 1034 69,4 1033 72,7 1033 8 82,4 999 77,4 1000 82,0 999 9 92,2 968 87,8 968 93,1 968 10 113,2 935 110,3 936 109,9 935 11 138,8 907 132,9 907 134,9 907 12 159,4 881 151,2 881 155,7 880 A distribuição de tamanhos de grão ferríticos pode estar ligada tanto à heterogeneidade de deformação quanto ao crescimento desses grãos durante 59 o resfriamento ao ar, após o último passe de deformação a 880 ºC. 4.4 Investigação de novas rotas de processamento 4.4.1 Rotas do tipo 1 Em todas as simulações subseqüentes foi utilizada apenas uma amostra por ensaio. O material foi previamente aquecido até acima de Ts com a finalidade de dissolver todo o nióbio. Em seguida, foi temperado em água para que todo o nióbio dissolvido na rede cristalina pudesse ser efetivo como agente retentor do crescimento de grão da austenita durante o aquecimento posterior. A 700 ºC o material foi deformado objetivando-se o condicionamento da ferrita antes da transformação de fase, no intuito de se refinar a austenita. O material foi novamente aquecido a 1000 oC e deformado sob resfriamento. A Figura 4.10 mostra a microestrutura deformada a 730 ºC, resfriada ao ar após o passe de deformação. Figura 4.10 Microestrutura do aço deformado a 730oC, antes da transformação de fase. A Figura 4.11 mostra os valores tensão-deformação das duas rotas do tipo 1 e a Tabela 4.6 incorpora os valores da TME com a temperatura de deformação. 60 1a 350 300 Tensão (MPa) 250 200 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 Deformação (a) 1b 350 300 Tensão (MPa) 250 200 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 Deformação (b) Figura 4.11 Curvas tensão deformação para as rotas (a) 1A e (b) 1B É interessante notar o aumento da TME na rota 1B devido, principalmente, a um acréscimo no número de passes em temperaturas menores. No primeiro caso (1A) obteve-se um tamanho de grão ferrítico médio de 6,4 µm e, no segundo (1B), 4,8 µm (Figura 4.12). O decréscimo do tamanho 61 de grão ferrítico na rota 1B é devido ao acúmulo de deformação que ocorre nos dois últimos passes, em relação à rota 1A. Nota-se claramente uma heterogeneidade nos tamanhos de grãos. Tabela 4.6 TME e temperatura de deformação para as rotas 1A e 1B. 1b Passe 1a TME T real TME T real MPa (oC) (MPa) (oC) 1 229,6 700 227,9 700 2 83,6 1007 85,3 1003 3 99,9 992 105,6 980 4 100,0 955 113,0 949 5 114,1 924 117,3 913 6 123,1 888 151,1 884 7 135,2 852 8 162,3 823 (a) (b) Figura 4.12 Microestruturas das rotas (a) 1A e (b) 1B, com tamanhos de grãos ferríticos de 6,4 µm e 4,8 µm, respectivamente. 62 4.4.2 Rotas do tipo 2 Nessas rotas de ensaios foi utilizada a laminação a frio com a intenção de condicionar a ferrita antes da transformação de fase em aquecimento. Após a laminação a frio a amostra foi rapidamente aquecida (7 ºC/s) e deformada em uma seqüência de passes, sob resfriamento. O tempo de permanência foi utilizado apenas para homogeneização da temperatura no corpo de prova. Foi utilizada uma amostra para cada ensaio. O rápido aquecimento da ferrita teve a intenção de promover refino na transformação de fase da austenita, em aquecimento. Dessa forma, a austenita previamente refinada geraria uma ferrita também refinada, durante a transformação de fase em resfriamento. A laminação a frio visou incorporar grande quantidade de deformação no material, a fim de maximizar tanto quanto possível o valor de Sv, antes da transformação ferrita-austenita. A redução imposta foi equivalente a uma deformação verdadeira de, aproximadamente, 0,9. As curvas apresentadas na Figura 4.13 mostram os valores de tensão deformação obtidos para cada rota do tipo 2, durante a deformação em resfriamento. Tabela 4.7 Valores de TME e temperaturas de deformação para as amostras da rota do tipo 2. 2b 2c 2d Passe 2a TME T real TME T real TME T real TME T real MPa (oC) (MPa) (oC) (MPa) (oC) (MPa) (oC) 1 91,8 1001 131,7 824 152,5 845 160,4 844 2 89,5 978 3 100,1 951 4 107,1 922 5 123,0 888 6 142,1 857 7 154,7 824 A Tabela 4.7 mostra os valores de TME e temperatura obtidas através 63 dos ensaios. Os tamanhos de grãos obtidos no final do processamento são 5,2 µm, 4,1 µm, 2,7 µm e 2,0 µm, para as rotas 2A, 2B, 2C e 2D, respectivamente. 2a 200 Tensão (MPa) 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 Deformação (a) 2b 200 Tensão (MPa) 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 Deformação (b) 2,5 3,0 3,5 64 2c 200 Tensão (MPa) 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 Deformação (c) 2d 200 Tensão (MPa) 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 Deformação (d) Figura 4.13 Curvas de tensão-deformação para as rotas (a) 2A, (b) 2B, (c) 2C e (d) 2D. Nota-se que uma única deformação na temperatura adequada causou maior refino que uma seqüência de deformações, com quantidade menor de 65 deformação por passes. Mantendo-se as outras variáveis constantes, o refino aumentou quando se aumentou a taxa de resfriamento de 1 oC/s para 3 oC/s (rota 1B versus rota 1C), gerando grãos com 4,7 µm e 2,7 µm, respectivamente. O refino foi ainda maior quando se aumentou a quantidade de deformação. Maximizando-se a taxa de resfriamento (3 oC/s) e a quantidade de deformação (3,0), mantendo-se a temperatura do passe e a taxa de deformação constantes, obteve-se um tamanho de grão ferrítico de 2,0 µm. Esses dados estão resumidos na Tabela 4.8. A Figura 4.14 mostra os tamanhos de grãos ferríticos representativos de cada rota do tipo 2. (a) (b) (c) (d) Figura 4.14 Tamanhos de grãos ferríticos no final do processamento, após resfriamento ao ar, das rotas (a) 2A: 5,2 µm, (b) 2B: 4,1 µm, (c) 2C: 2,7 µm e (d) 2D: 2,0 µm. 66 Tabela 4.8 Comparação entre as variáveis do processamento termomecânico e os tamanhos de grãos ferríticos obtidos ao final do processamento. Tamanho T inicial T final tx. def. def. por tx. resf. número grão (µm) (oC) (oC) (s-1) passe (oC/s) de passes 5,2 1000 824 1,0 0,3 1,0 7 4,7 - 824 1,0 1,5 1,0 1 2,7 - 845 1,0 1,5 3,0 1 2,0 - 844 1,0 3,0 3,0 1 4.4.3 Rotas do tipo 3 Nos ensaios que se seguem incorporou-se altas taxas de aquecimento e resfriamento utilizando-se um forno de indução. Foi utilizada uma amostra para cada ensaio. As variações dessa rota foram a temperatura inicial (campo austenítico), taxas de aquecimento e resfriamento, e quantidade e temperatura do passe de deformação. As curvas tensão-deformação obtidas são mostradas na Figura 4.15, para as rotas 3A a 3D. Os tamanhos de grãos obtidos ao final do processamento são 1,3 µm (3A), 2,2 µm (3B), 1,5 µm (3C) e 1,3 µm (3D). Observa-se a presença de heterogeneidade nos tamanhos de grãos. As medidas apresentadas são relacionadas às regiões com refino de grãos, pois o interessante, nesse caso, é o fato de existir um mecanismo de refino operante que leve os grãos ferríticos a dimensões da ordem de 1-2 µm. A Figura 4.16 mostra os grãos ferríticos representativos, em relação aos tamanhos encontrados em cada rota. 67 3a 250 Tensão (MPa) 200 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 Deformação (a) 3b 250 Tensão (MPa) 200 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 Deformação (b) 2,0 2,5 68 3c 250 Tensão (MPa) 200 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 Deformação (c) 3d 250 Tensão (MPa) 200 150 100 50 0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 Deformação (d) Figura 4.15 Curvas tensão-deformação para as amostras das rotas (a) 3A, (b) 3B, (c) 3C e (d) 3D. Comparando-se os valores das temperaturas mostradas na Tabela 4.9 com os resultados apresentados na curva de transformação de resfriamento contínuo (Figura 4.5) observa-se que, para as rotas do tipo 3, o passe de 69 deformação foi dado entre Ae1 e Ar1. Considerando-se a taxa de resfriamento adotada, juntamente com o resultado de ultra-refino da ferrita, pode-se dizer que a deformação foi dada num campo onde a austenita estava instável, superresfriada. Alguns autores têm citado esse fato como um dos requisitos para a obtenção dos grãos ultrafinos [22]. Tabela 4.9 Valores das temperaturas de deformação para as quatro amostras das rotas do tipo 3. Passe 3a 1 3b 3c 3d TME T real TME T real TME T real TME T real (MPa) (oC) (MPa) (oC) (MPa) (oC) (MPa) (oC) 188,7 594 146,8 575 167,1 625 176,6 544 (a) (b) (c) (d) Figura 4.16 Grãos ferríticos no final do processamento termomecânico, segundo as rotas 3A, 3B, 3C e 3D. Os tamanhos de grãos foram 1,3 µm, 2,2 µm, 1,5 µm e 1,3 µm, respectivamente. 70 Figura 4.17 Medidas de desorientação para a amostra deformada segundo a rota 3C. As simulações de tratamentos termomecânicos realizadas visando a obtenção de grãos ultrafinos conduziram a grãos com tamanhos médios próximos a 1 µm. Particularmente, para a amostra da rota 3C foi feita uma análise microestrutural utilizando-se a técnica de EBSD que mostra que a microestrutura final é composta de grãos e subgrãos. Considerando que a desorientação de 15 graus delineia a desorientação entre grãos e subgrãos, tem-se na Figura 4.17 que 30% dos contornos são de subgrãos e 70% de grãos, caracterizando um material recristalizado. Analisando os procedimentos e resultados obtidos nestes experimentos, pode-se associar o refinamento microestrutural à aplicação de grandes deformações em temperaturas próximas às de transformação de fase (acima de Ar3) ou dentro da região intercrítica (entre Ar3 e Ar1), as quais tendem a: i Aumentar drasticamente os sítios de nucleação e a força motriz para a 71 transformação de fase e a recristalização, e facilitar a transformação difusional austenita-ferrita e a recristalização da fase ferrita em intervalos de temperaturas muito menores do que aqueles que ocorrem nos tratamentos termomecânicos tradicionais. ii Ativar fenômenos dinâmicos como a transformação de fase dinâmica induzida por deformação ou a recristalização dinâmica, que acarretam numa deformação continuada em uma microestrutura já refinada. De forma geral, os resultados obtidos são condizentes com os trabalhos de vários autores que abordam o assunto. Nas seqüências de deformação das rotas 1A a 2D observa-se que o mecanismo de refino é a transformação de fase, com grãos ferríticos surgindo nos contornos de grãos da austenita prévia. No caso específico das rotas do tipo 3, onde se prezou o refino através de um único passe de deformação severa com altas taxas de resfriamento, Hurley et alli [2, 15] têm proposto um mecanismo de ultra-refino onde a ferrita se nucleia, induzida por deformação, a partir de uma subestrutura muito específica da austenita instável. Essa subestrutura é composta por arranjos de discordâncias que resultam em conjuntos celulares de tamanhos da ordem de 1,0 µm e que possuem uma relação de orientação de 45o com o plano de laminação e 90o com a direção de laminação. O mecanismo proposto é o de uma nucleação intra-granular que ocorre rapidamente, durante ou imediatamente após a deformação. A Figura 4.18 é uma representação esquemática do mecanismo de nucleação intragranular. Esse conceito ainda não está totalmente claro e alguns autores sugerem que o ultra-refino de grão ferrítico possa ser obtido através da recristalização dinâmica da ferrita [23]. De qualquer modo, o fato é que a ferrita formada por transformação de fase induzida pela deformação é caracterizada por arranjos planares de grãos ferríticos muito próximos, que se formam intragranularmente na austenita. Esses arranjos são resultados de uma subestrutura austenítica prévia rica em pequenas células de discordâncias que funcionam efetivamente como sítios potenciais para a nucleação da ferrita. De fato, a aparência da ferrita no final do processo confirma o modelo proposto pelo autor, sendo semelhante aos resultados obtidos por ele, tanto em forma 72 (grãos equiaxiais), distribuição de tamanhos (grãos extremamente finos acompanhados de regiões de grãos ‘grosseiros’) e o ‘lay-out’ contendo um conjunto de grãos finos geralmente orientados em relação a uma direção, separados por regiões bem características (‘rafts’) de outros grãos ferríticos (não tão bem refinados, com tamanhos de grãos da ordem de 10-20 µm). Figura 4.18 Representação esquemática do mecanismo de nucleação intragranular. Quando a deformação ocorre entre Ae1 e Ar1, condicionada por uma alta taxa de resfriamento, a austenita torna-se instável. A ferrita se nucleia induzida pela deformação na estrutura celular de discordânicas dentro dos grãos austeníticos. Em decorrência do crescimento e encontro dos grãos ferríticos dentro da austenita, a microestrutura ferrítica final torna-se muito menor que aquela obtida por métodos convencionais, atingindo-se valores de 1-2 µm. 73 5 CONCLUSÕES No presente trabalho mostrou-se a possibilidade de se obter grãos ferríticos extremamente finos através de uma rota muito simples de processamento, envolvendo apenas um passe de deformação. Obviamente, existe uma distância a ser superada entre o experimento laboratorial e as aplicações industriais. Contudo, o objetivo foi o de investigar a possibilidade de ultra-refino no material selecionado. Em relação às rotas de processamento termomecânico do tipo 1A a 2D, onde se utilizou um forno com aquecimento por infravermelho, pode-se concluir que: 1. É possível se obter grãos ferríticos superficiais extremamente finos, da ordem de 2-3 µm, pelos mecanismos convencionais de nucleação da ferrita. 2. Esses grãos têm uma heterogeneidade de nucleação e a microestrutura é composta por grãos finos (em torno de 1-2 µm) e grãos grosseiros (10 µm), o que resulta em um tamanho de grão médio de 2-3 µm. 3. A limitação das taxas de resfriamento utilizadas no forno infravermelho não permitiu a obtenção de austenita super-resfriada (instável) antes da deformação. Isso é caracterizado pelos resultados obtidos com relação ao tamanho e forma dos grãos ferríticos. Para caso das investigações em que se utilizou o forno com aquecimento por indução, concluiu-se que: 1. O ultra-refinamento de grãos ferríticos é fortemente influenciado pela temperatura de aquecimento, taxas de resfriamento e quantidade de deformação. 2. Em todos os casos das rotas do tipo 3, a deformação da austenita foi feita entre Ae1 e Ar1, o que sugere que o ultra-refino da ferrita ocorreu por um novo mecanismo de nucleação na subestrutura austenítica, 74 composta por arranjos planares de linhas de discordâncias, durante ou imediatamente após a deformação da austenita instável. 3. A heterogeneidade dos tamanhos de grãos ferríticos pode ser conseqüência de deformação localizada. 75 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] MILLER, R. L., "Ultra fine-grained microstructures and mechanical properties of alloy steels", Metallurgical Transactions, Vol. 3, April, pp. 905-912, 1972. [2] HURLEY, P. J., HODGSON, P. D., "Formation of ultra-fine ferrite in hot rolled strip: potential mechanisms for grain refinement", Materials Science and Engineering A302, pp. 206-214, 2001. [3] DEARDO, A. J., "Modern thermo mechanical processing of micro alloyed steel: a physical metallurgy perspective", Micro alloying '95 Conference Proceedings, pp. 15-33, 1995. 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