ANAIS DO I SINCAD – SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DE ADMINISTRAÇÃO UNIOESTE – CAMPUS DE CASCAVEL 04 A 06 DE NOVEMBRO DE 2009 CCeennttrroo AAccaaddêêm miiccoo ddee AAddm miinniissttrraaççããoo Ficha catalográfica Elaborada pela Biblioteca Central do Campus de Cascavel - Unioeste S474a Semana de Iniciação Científica de Administração, 1.: 2009: Cascavel, PR. Anais da I Semana de Iniciação Científica de Administração SINCAD. / Coordenação: Profa. Sandra Mara Stocker Lago. — Cascavel, PR: EDUNIOESTE, 2009. ISSN: 2176-8307 1. Iniciação científica - Congressos. 2. Administração – Congressos. 3. Ciências Sociais Aplicadas – Congressos. I. Universidade Estadual do Oeste do Paraná. II. Título. CDD 21ed. 658 Bibliotecária: Jeanine Barros CRB-9/1362 I SINCAD – Semana de Iniciação Científica de Administração Coordenação Geral Profª Sandra Mara Stocker Lago Comissão Organizadora (Discentes) Daniela Cavalheiro Diego Capponi Lucas Oliveira João Artur Scaburi Bruna Cristina Cé Aline Marjorie Forlin Diego Roberto Knebel Karlla Bambil Comissão Científica Profª Loreni Brandalise (Presidente) Profº Odacir Miguel Tagliapietra Profº Cláudio Antonio Rojo Profº Adir Otto Schimidt Profº Geysler Rogis Flor Bertolini Profº Márcio Nakayama Miura Profª Elizandra da Silva Profº Ivano Ribeiro Profª Sandra Maria Coltre Profª Aline Dario Silveira Colaboradores Jonatas Beque André Luiz Pelegrini Tamires Berleze Bruna Mariane Marcelo Tiago Raizel Fabiana Zulian Fátima Vilas Boas Daiane Monteiro Apresentação A necessidade de atividades extracurriculares para os cursos de graduação vem compactuar com as aspirações dos acadêmicos de aproximação com realidades práticas e contemporâneas que supram as lacunas não preenchidas pelas aulas teóricas desenvolvidas durante os anos de graduação. A realização da I SEMANA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DE ADMINISTRAÇÃO SINCAD justifica-se à medida que visa proporcionar evento acadêmico aos alunos do curso de Administração, a fim de crescimento profissional e pessoal e também o incentivo a produção e divulgação de trabalhos científicos, motivando-os para as atividades de pesquisa. Sumário Inflação inercial na economia brasileira ................................................................................ 1 Lixo que não é lixo: A iniciativa de uma indústria de confecção do oeste do Paraná.............................................................................................................................................. 12 Política ambiental para a UNIOESTE: uma proposta ..................................................... 21 O projeto GUA como suporte para a pluriatividade da agricultura familiar ......... 32 Avaliação do sistema produtor rural na Secretaria de Agricultura do município de Cascavel PR ............................................................................................................................ 39 A importância do treinamento nas organizações ........................................................... 55 Mapeamento do comportamento frente aos conflitos na Sicredi ............................ 64 Motivação dos funcionários de uma empresa contábil ............................................... 76 A eficácia do processo de comunicação da empresa A Fórmula.............................. 90 A importância da satisfação dos funcionários para o clima organizacional ........100 1 INFLAÇÃO INERCIAL NA ECONOMIA BRASILEIRA Raquel Adriana Pin (Unioeste) [email protected] Loreni Teresinha Brandalise (Unioeste) [email protected] RESUMO Este estudo objetiva definir, explanar e discorrer a respeito da inflação inercial e inseri-la no contexto histórico inflacionário brasileiro, a fim de relatar a evolução desta no tempo. A pesquisa embasou-se em bibliografia da área, bem como em publicações do governo disponiveis no meio eletrônico e demais sites relacionados. O assunto inflação é sempre de grande relevância pois está de algum modo sempre presente, mesmo com mudanças no cenário econômico, ela nunca se extinguiu, pois a inflação é capaz de configurar-se em diversos níveis. Palavras chave: inflação inercial, inflação, economia brasileira. 1 INTRODUÇÃO A inflação tornou-se fato na economia brasileira, especialmente a partir de 1950, quando o déficit do governo foi apontado como uma das principais causas dela. Só em 1986 a inflação brasileira foi diagnosticada como inflação inercial, pois naquela época todos os negócios, contratos, entre outros, eram firmados apoiados em um índice que procurava garantir a correção monetária dos valores envolvidos. Assim, todos os aumentos de preços eram captados pelo índice e conseqüentemente repassados para os demais preços da economia, o que pode ser chamado de processo de realimentação da inflação (VASCONCELLOS e GARCIA, 2005). Lacerda et al. (2003) acrescentam que a economia brasileira passou por uma crise muito mais grave que a crise dos anos 1930. Isso aconteceu no 2 decorrer dos anos 1980, onde o país atravessou uma densa crise, que teve como predicados a estagnação econômica e altas taxas de inflação. Esse colapso perdurou por aproximadamente 15 anos, onde em 1994 a renda per capita estava no mesmo nível de 1980. 2 INFLAÇÃO INERCIAL Há bastante divergência quanto à definição de inflação. Costa (1999, p. 145) destaca a mais usada e que apresenta uma série de problemas, onde inflação é “um aumento do nível de preços, isto é, uma depreciação do valor da moeda”. Este autor apresenta alguns desses problemas: existência de diferenças de medidas entre os diversos índices de preços possíveis; existência da necessidade de ajustes para produtos novos, alterações de hábitos de consumo, entre outros; a identificação de tipo ou alternativa de inflação; os preços como forma bruta ou líquida de impostos e subsídios, etc. Vasconcellos e Garcia (2005, p. 184) definem inflação como “um aumento persistente e generalizado no índice de preços”. As fontes de inflação diferem-se em função das condições de cada país como tipo de estrutura de mercado, grau de abertura da economia ao comércio exterior e estrutura das organizações trabalhistas. Costa (1999) afirma que a taxa inflação possui três dependências: “picos de renda real desejados pelos diversos agentes; periodicidades de reajuste de renda real, para cada um deles; estrutura de preços relativos médios existentes na economia”. A questão inflacionária pode ser divida em inflação de demanda, inflação de custos e inflação inercial. Neste trabalho a forma de inflação a ser abordado será o tipo inercial que se deve aos mecanismos de indexação de preços (VASCONCELLOS e GARCIA, 2005). Lacerda et al. (2003, p. 174) assinalam o possível marco inicial da teoria da inflação inercial, dado por um artigo que ficou conhecido como fundador desta: “em novembro de 1984 André Lara Resende e Pérsio Arida, após serem convidados por John Williamson para participar de um seminário sobre inflação 3 em Washington escreveram um artigo chamado Inertial inflation and monetary reform”. A inovação trazida por esse artigo de Resende e Arida foi uma sugestão alternativa ao congelamento através de tabelas de conversão, a fim de neutralizar as defasagens de preços existentes na inflação inercial. Costa (1999, p. 153) apresenta a idéia básica da hipótese inercial da tendência inflacionária: *num ambiente cronicamente inflacionário, o comportamento defensivo na formação de preços, em condições normais, é a tendência de recompor o pico anterior de renda real, no momento de cada reajuste periódico de preço; *quando todos os agentes adotam essa estratégia de recomposição periódica dos picos, a taxa de inflação existente no sistema tende a se perpetuar, ou seja, a tendência inflacionária mantém a inflação passada. Segundo Vasconcellos e Garcia (2005), “a inflação inercial é o processo automático de realimentação de preços”. Sendo assim, a inflação presente acontece em conseqüência da inflação passada, entendida também como memória inflacionária, pois há uma perpetuação da inércia. Isso ocorre devido aos mecanismos de indexação formal e informal. Lopes (1986, p. 44) esclarece que o termo indexação “poderia ser empregado para indicar qualquer regra de reajuste periódico de um valor nominal que pretenda impedir a erosão inflacionária de um valor real correspondente”. Em suma indexação é o reajuste automático de preços segundo a variação de um índice através de contrato ou lei. Uma indexação generalizada dos preços da origem a inflação inercial. Lacerda et al. (2003) apontam como componente de tendência, ou inércia, do sistema a indexação formal e informal da economia. Para melhor entendimento, apresenta-se a inflação inercial inserida na economia histórica do Brasil através de um corte entre 1950 até a implantação do Plano Real em 1994. 4 2.1 Contexto histórico da inflação inercial no Brasil Lopes (1986) destaca que “os aumentos de preços são motivados por aumentos de custo, mas ao mesmo tempo os aumentos de custo são causados por aumentos de preços”. A essa relação denomina-se equilíbrio inflacionário que pode dar origem a um processo crônico de inflação. Desde 1950 a inflação passou a ser um problema brasileiro. A primeira fase de combate à inflação foi entre 1964 e 1966 por meio de um tratamento de choque, que com uma rigorosa política monetária, fiscal e salarial conseguiu modificar o cenário de 100% de inflação em 1964 para aproximadamente 30% em 1967. Devido a altas taxas de crescimento da produção na economia brasileira ocorreu o chamado “milagre” econômico, caracterizado por uma queda da taxa de inflação de 25,4% em 1968 para 15,7% em 1973. Durante essa época, as causas da inflação foram diagnosticadas empregando-se a linha de pensamento econômico ortodoxa, que conferia a responsabilidade pelo processo inflacionário ao excesso de demanda. Entretanto, após 1973, o Brasil voltou a sofrer com taxas crescentes de inflação em decorrência da crise mundial do petróleo (VASCONCELLOS e GARCIA, 2005). Asseguram Lacerda et al. (2003), que “a estabilidade de uma inflação relativamente elevada ao longo de meados da década de 1960 até o final da década de 1970 pode ser explicada pela significativa indexação formal e informal da economia, caracterizando o que os teóricos inercialistas denominavam componente de tendência do sistema”. De 1980 a 1982 o Brasil registrava uma taxa de inflação próxima a 100%, mas a situação piorou, entre 1983 e 1985 bateu a casa de 200%. “A alta no preço do petróleo em 1979, a elevação das taxas mundiais de juros em 1980, a maxidesvalorização do cruzeiro em 1983, a mudança na periodicidade dos reajustes salariais e as sucessivas quebras de safras agrícolas no país em virtude de geadas e secas”, podem ser citadas como algumas das causas para esse aumento (LACERDA et al., 2003). Lopes (1986) corrobora afirmando que, ele juntamente com André Lara Resende, ao final de 1980 fizeram uma análise das causas de aceleração 5 inflacionária que aconteceu na segunda metade de 1979. A crítica dirigiu-se ao impacto dos mesmo fatores, citados por Lacerda et al. (2003), ao processo inflacionário. Carneiro (2002, p. 206), defende que: durante a segunda metade da década de 1980, vários programas de estabilização de inspiração heterodoxa foram postos em prática com vistas a eliminar a inflação e a restaurar a credibilidade da moeda. A constatação do fracasso de todos esses programas, sem exceção, nos permite formular hipóteses sobre os determinantes do processo hiperinflacionário durante o período, qual seja, a centralidade da restrição externa e mais, precisamente, da transferência de recursos reais para o exterior. O primeiro presidente da Nova República em 1985, José Sarney, enfrentou uma complicada situação econômica. Portanto a preocupação era retomar o caminho do elevado crescimento econômico só que agora em uma conjuntura de crise fiscal do Estado, condições de financiamento ainda mais restritas que em 1970 e a aceleração inflacionária. Assim fazia-se necessária a redução imediata das altas taxas de inflação e alteravam conforme a visão dos diferentes grupos de economistas para as crescentes elevações no índice geral de preços explica Lacerda et al. (2003). Em 28 de fevereiro de 1986, José Sarney “anunciou à população brasileira uma ampla reforma das bases que regiam a economia nacional, o Plano Cruzado”, onde a “substituição do cruzeiro pelo cruzado (Cz$) como a nova moeda do sistema monetário brasileiro, 1 cruzado equivalendo a 1.000 cruzeiros” (LACERDA et al. 2003, p. 184). A economia brasileira, a partir de março de 1986, encontrava-se altamente indexada, ou seja, existia um índice ao qual todas as negociações eram submetidas a fim de garantir a correção monetária, em decorrência de analises concluiu-se que a condição do país era de inflação inercial (VASCONCELLOS e GARCIA, 2005). 6 De acordo com Lacerda et al. (2003), em 24 de julho de 1986 o governo foi forçado a implementar uma nova medida econômica a fim de assegurar o desenvolvimento do Plano, que ficou popular como Cruzadinho, caracterizado pelo estabelecimento de empréstimos compulsórios para abrandar o excesso de demanda agregada, além de gerar poupança interna. Em novembro daquele mesmo ano, uma nova reforma ocorreu: O Cruzado II, que proclamava um brusco reajuste dos preços de diversos bens de consumo, o governo buscou abrandar a pressão sobre as contas públicas através de aumento de tributação sobre determinados produtos e por fim a criação de incentivos fiscais para os poupadores. O Plano Cruzado foi uma tentativa de eliminar a memória inflacionária. Vasconcellos e Garcia (2005), salientam que este plano teve vida efêmera, devido a inúmeras falhas, principalmente pela manutenção do congelamento por um período de nove meses, considerado muito longo. Sarney utilizou o congelamento de preços e salários em outros dois planos: Bresser e Verão, a fim de conter a inflação. Para Carneiro (2002), o fracasso do Plano Cruzado deu início a uma nova fase no processo inflacionário, uma vez que à instabilidade de preços macroeconômicos, provenientes do ajuste externo e agravada pelo Plano, somam-se as probabilidades de novos congelamentos de preços. Na concepção de Vasconcellos e Garcia (2005), Fernando Collor de Mello foi o mais ousado ao criar o Plano Collor em março de 1990. Esse Plano bloqueou totalmente os ativos mantidos pelos agentes econômicos nas instituições financeiras, um ato inconstitucional que de nada adiantou para a redução das taxas de inflação pós-Plano. Porém em 1994, no governo de Itamar Franco, tendo como ministro da fazenda Fernando Henrique Cardoso, implantou-se o Plano-Real que concebeu um grande progresso, pois as principais razões da inflação brasileira encontravam-se no desequilíbrio do setor público e nos mecanismos de indexação afirmam Vasconcellos e Garcia (2005). 7 O programa de estabilização econômica – Plano Real – foi implementado em três etapas citadas por Lacerda et al. (2003) e Vasconcellos e Garcia (2005): a) equilíbrio das contas do governo – criação da CPMF (Contribuição sobre Movimentação Financeira); b) criação da URV – Unidade Real de Valor – a quase total desindexação da economia; c) emissão da nova moeda com poder aquisitivo estável. Afirma Carneiro(2002), que o programa de estabilização colocado em prática a partir de 1994 faz parte da família de planos que se valeram da âncora cambial como mecanismo para conseguir mais rapidamente a estabilidade de preços. Lacerda et al. (2003, p. 234) asseguram que o Plano Real, na visão de vários analistas, é apontado como a melhor experiência da economia brasileira. “Na fase pós-real, a inflação caiu, o ambiente econômico tornou-se mais estável e previsível, mas a equação básica do crescimento não foi solucionada”. Desta forma, qualquer oscilação de crescimento de consumo é frustrada devido a medidas de restrição ao crédito, elevação dos juros e aumento dos empréstimos compulsórios, tornando o crescimento um subproduto, não a finalidade principal da política econômica. Um diagnóstico para a inflação brasileira é descrito por Lopes (1986, p. 110): em qualquer economia cronicamente inflacionada, a principal causa da inflação é a própria inflação. Num regime de alta inflação, os agentes econômicos são obrigados a desenvolver mecanismos para tentar defender suas rendas reais. Isto significa indexar da melhor maneira possível o preço da mercadoria que vende a uma media dos preços das mercadorias que compra. No Brasil alguns desses mecanismos foram estabelecidos por lei: é o caso da política salarial e da correção monetária no sistema financeiro. Numa economia fortemente indexada, os 8 preços sobem em resposta a aumentos de custos, e os custos sobem em resposta a aumentos de preços , ou seja, a inflação tende a se auto-sustentar. A cada ano a situação econômica brasileira e mundial transpõe várias mudanças. Na seqüência do estudo tratar-se-á da situação atual e das expectativas para o futuro em relação à inércia da inflação brasileira. 2.2 Conjuntura atual e expectativas futuras da inflação inercial no Brasil Em 1994, no Plano Real o governo manteve algumas indexações de maneira errônea. Em 1995 ampliou o erro devido a indexação dos preços dos serviços públicos que privatizava, isso acarretou taxa de inflação estabilizada em 3% ao ano. Já em 1999 houve uma aceleração da inflação, a inércia ficou em 6% e alcançou índices de 10% em 2002, assim apresenta Pereira (2003). O mesmo autor, em uma matéria escrita ao jornal Folha de São Paulo, dizia em 2003 que Henrique Meirelles, sendo o presidente do Banco central teria afirmado sobre a existência de “um componente inercial importante na inflação brasileira e agora o ultimo instrumento de que dispõe é a taxa de juros e por isso, sua instituição adota a atual política de juros”. O autor defende que “quando há uma inflação inercial a política monetária de elevação da taxa de juros é ineficiente”. News (2008) aponta trechos de uma entrevista com o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa onde ele expõe que o efeito inercial da atividade deste ano e novos investimentos garantirão um crescimento de 4 a 5%, mesmo que apenas parte do alargamento monetário reflita em 2009. Esse crescimento é a própria inércia que garante devido a aceleração da economia. O Copom e o Ministério da Fazenda não prevêem reajustes do preço da gasolina este ano, entretanto a situação pode vir a mudar e os preços do petróleo aumentar ainda mais no mercado internacional, em meio a incertezas analistas presumem queda enquanto outros estimam que o barril de petróleo chegue a US$200. Essa alta causaria uma recessão mundial, pois o preço deste “ouro negro” tem efeitos diretos sobre os custos de produção de alimentos. 9 Segundo matéria disponibilizada no site O Observador (2008), a baixa inflação dos alimentos projetada para 2009 não será satisfatória para que a inflação brasileira retroceda a índices inferiores aos 4,5% estabelecidos como alvo pelo governo. “A inflação inercial e o efeito do cambio farão com que a inflação se situe acima da meta”. Porém, Sardenberg (2008) em junho de 2007, discorrendo sobre a entrevista do presidente Lula ao jornal Valor Econômico, defendeu que o Brasil poderia traçar uma meta menor que 4,5% para 2009, já que a inflação corrente estava em 3,5% naquele ano. Defendeu que uma meta maior que o índice presente poderia denotar a intenção do governo em inflacionar a economia. Guido Mantega, ministro da Fazenda, em entrevista ao reportes da Agencia Brasil, Daniel Lima afirma que sua opinião é parecida com a de Lula a este respeito, e completou: “Nós temos 2% de margem, o que significa que a inflação pode ficar em 2,5%” (LIMA, 2007). Não se pode descartar a possibilidade de alguma nova calamidade financeira na economia mundial, ainda assim o diretor gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em entrevista ao jornal francês Le Parisien em 21 de novembro de 2008: “ o crescimento voltara a decolar no fim do próximo ano, embora ainda haja muitos riscos, como o de uma nova catástrofe no mundo das finanças”. Além do mais vários outros países têm traçada como meta, índices inflacionários entre 2% e 3% (PRESSE, 2008). 3 CONCLUSÃO Após estudo da abordagem inercial do processo inflacionário, pode-se compreender um pouco mais sobre a inflação de hoje, pois a inércia é uma memória histórica de inflações passadas. Isso acontece devido à maneira usada para controlar esse fenômeno, que consiste em reproduzir a taxa de inflação passada porque os agentes têm um padrão de comportamento defensivo de seus picos de renda real, isso realimenta a inflação. Por isso a tendência é a taxa em vigor. 10 Algo proeminente a ser entendido refere-se ao fato de a inflação passada e as correções cambiais e monetárias não serem mais um rumo seguro para reajuste de preços, pois a aceleração da inflação sugere essencialmente a demora das correções entre a inflação corrente em razão do tempo imprescindível para a apuração dos níveis de preços. Passos e Nogami (1998) apresentam dois modos de combate à inflação que seria a contratação da demanda, alcançada por meio de uma política monetária e fiscal contracionista, reduzindo desta maneira o nível de produção e de emprego na economia e o controle de preços e salários que é capaz de acarretar resultados favoráveis de curto prazo, mas no longo prazo a tendência é de que se crie uma inflação reprimida. Entretanto, ambas as soluções devem ser preocupação primeira do governo. O governo pretende trabalhar com previsão de um índice igual ou um pouco acima do ano de 2008 para o ano de 2009. Apesar da precaução, a condição recente da economia mundial denota grande instabilidade, que pode conduzir os preços do petróleo tanto para cima quanto para baixo, isso, posteriormente, refletirá nos preços dos alimentos desencadeando um novo processo de inflação. REFERÊNCIAS CARNEIRO, Ricardo. Desenvolvimento em crise: A economia brasiléia no último quarto do século XX. São Paulo: UNESP, IE – Unicamp, 2002. COSTA, Fernando Nogueira. Economia monetária e financeira: uma abordagem pluralista. São Paulo: Makron Books, 1999. LACERDA, Antônio Corrêa de; BOCCHI, João Ildebrando; REGO, José Márcio; BORGES, Maria Angélica; MARQUES, Rosa Maria. Economia Brasileira. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. LIMA, Daniel. Mantega volta a defender meta de 4,5% para inflação de 2008. Disponível em: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/06/21/materia.2007-0621.4039922845/view. Acesso em: 21 nov. 2008. 11 LOPES, Francisco Lafaiete de Pádua. Choque heterodoxo: combate a inflação e reforma monetária. 3 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1986. NEWS, Reuters. Fazenda: inflação menor dará alívio ao BC em 2009. Disponível em : http://www.seae.fazenda.gov.br/entrevista/13-06-2008-fazenda-inflacao-menor-daraalivio-ao-bc-em-2009. Acesso em 21 nov. 2008. O OBSERVADOR. Crise pode reduzir preço de alimentos. Disponível em: http://www.oobservador.com/nacional/not_nac2015,0.html. Acesso em 21 nov. 2008. PASSOS, Carlos Roberto Martins; NOGAMI, Otto. Princípios de Economia. São Paulo: Pioneira, 1998. PEREIRA, LUIZ Carlos Bresser. Juro alto é ineficaz contra inflação inercial. São Paulo. Folha de São Paulo, 02 de junho de 2003. Disponível em: http://www.provedor.nuca.ie.ufrj.br/eletrobras/artigos/pereira3.htm. Acesso em 21 nov. 2008. PRESSE, France. Economia mundial decolará no fim de 2009, diz diretor do FMI. Disponível em: http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL870453- 9356,00 ECONOMIA+MUNDIAL+DECOLARA+NO+FIM+DE+DIZ+DIRETOR+DO+FMI.html. Acesso em 21 nov. 2008. SARDENBERG, Carlos Alberto. Decisão embaralhada e ruim. Disponível http://colunas.g1.com.br/sardenberg/2007/06/26/decisao-embaralhada-e-ruim/ em: . Acesso em: 21 nov. 2008. VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandroval de; GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de economia. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. 12 LIXO QUE NÃO É LIXO: A INICIATIVA DE UMA INDÚSTRIA DE CONFECÇÃO DO OESTE DO PARANÁ Karoline Frison Petricoski (Unioeste) [email protected] Loreni Teresinha Brandalise (Unioeste) [email protected] Luiz Gustavo Santos Barboza (Unioeste) [email protected] Raquel Adriana Pin (Unioeste) [email protected] RESUMO O lixo vem adquirindo valor através da sua coleta seletiva, o que propicia além de diminuição do acúmulo no ambiente, a geração de renda através da sua reutilização e reciclagem. A proteção do ambiente não pode depender apenas de controles no final de processos, é preciso prevenir e racionalizar o uso dos recursos disponíveis. O controle e a destinação do lixo é uma preocupação constante de uma empresa do ramo de confecção instalada no Oeste do Paraná, onde se realizou esta pesquisa e após analisar o projeto sugestões foram apresentadas. Palavras chave: lixo; coleta seletiva; gestão ambiental. 1 INTRODUÇÃO Devido a grande produção mundial de resíduos verifica-se a necessidade de reduzir o volume de lixo por meio de práticas como a coleta seletiva, a reutilização, reciclagem e reuso dos materiais quando possível, pois lixo não é só sujeira ao contrário das generalizações feitas. Essa conscientização deve ser disseminada cada vez mais pelas empresas, governos, escolas e universidades entre os participantes da sociedade. Para 13 demonstrar essa crescente preocupação a respeito das questões ambientais por parte das organizações pesquisou-se uma empresa da região oeste do Paraná que exerce práticas neste sentido. 2 LIXO QUE NÃO É LIXO De acordo com Mucelin e Bellini (2008) lixo é uma palavra do vocabulário latim que significa cinza. Também afirma que o lixo é algo que não presta e que se joga fora, uma sujeira. Jardim e Wells citado por Mucelin e Bellini (2008, p. 113) descreve lixo como “os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis, ou descartáveis”. A cultura de um povo ou comunidade caracteriza a forma de uso do ambiente, os costumes e os hábitos de consumo de produtos industrializados e da água. No ambiente urbano tais costumes e hábitos implicam na produção exacerbada de lixo e a forma com que esses resíduos são tratados ou dispostos no ambiente, gerando intensas agressões aos fragmentos do contexto urbano, além de afetar regiões não urbanas (MUCELIN e BELLINI, 2008, p. 113). Enquanto a população mundial cresceu 18%, em 20 anos, de 1970 a 1990, o volume de lixo por ela produzido cresceu 25% (LERÍPIO, 1999). Somos a sociedade do lixo, mas só recentemente acordamos para este triste fato da realidade. As políticas adotadas para solucionar a questão dos resíduos sólidos devem ter origem tanto nas características e peculiaridades regionais de cada sociedade, quanto nos aspectos culturais e na percepção da realidade de cada povo. A compreensão desse problema com o lixo e a busca de sua resolução pressupõem mais do que a adoção de tecnologias, uma ação na origem do problema exige reflexão não sobre o lixo em si, no aspecto material, mas quanto ao seu significado simbólico, seu papel e sua contextualização cultural e, também das relações históricas estabelecidas pela sociedade com os seus rejeitos. A população mundial gera grande volume de resíduos, os quais representam um dos mais sérios problemas mundiais. Esses resíduos decorrentes das várias atividades humanas podem ser classificados como sólido, semi-sólido ou líquido (TEIXEIRA, 2009). 14 De acordo com Demajorovic (1995), os resíduos sólidos diferenciam-se do termo ‘lixo’ pois, lixo é aquilo que não possui qualquer tipo de valor, deve apenas ser descartado, enquanto os resíduos sólidos possuem valor econômico agregado, por possibilitarem reaproveitamento no processo produtivo. O lixo, quando não tratado adequadamente, pode ser responsável por impactos ambientais graves ao ambiente (MUCELIN e BELLINI, 2008, P. 117). Entretanto nem todo lixo é lixo, o que importa é a separação, pois a coleta seletiva permite: geração de recicláveis livres de contaminantes; diminui o volume do lixo a ser descartado; favorece a conscientização sobre a proteção do meio ambiente; em alguns casos, fortalece organizações comunitárias e pode ser fonte de renda e inclusão social. Vale destacar que muitos resíduos podem ser reciclados e transformados em outros produtos. A proteção ambiental não pode mais depender apenas de controles no final de processos, a prevenção da poluição e outras questões ambientais necessitam ser abordadas em todos os aspectos de um projeto, fabricação e processos de distribuição. É de extrema importância colocar em prática a política dos 3 Rs: Reduzir, Reusar e Reciclar. Elkington e Burke (1989) estabelecem 10 passos para alcançar a excelência ambiental: a) desenvolver e publicar uma política ambiental; b) estabelecer metas e continuar a avaliar os ganhos; c) definir com clareza as responsabilidades ambientais de cada uma das áreas e do pessoal administrativo; d) divulgar interna e externamente a política, objetivos, metas e responsabilidades; e) obter recursos adequados; f) educar e treinar o pessoal e informar os consumidores e a comunidade; g) acompanhar a situação ambiental da empresa e fazer auditorias e relatórios; h) acompanhar a evolução da discussão sobre a questão ambiental; 15 i) contribuir para os programas ambientais da comunidade e investir em pesquisa e desenvolvimento aplicada à área ambiental; j) ajudar a conciliar os diferentes interesses existentes entre todos os envolvidos: empresa, consumidores, comunidade e acionistas. Uma empresa que adota uma postura proativa diante das questões ambientais, precisa inovar não só em seus produtos e processos, mas também na sua organização. Ao realizar estas inovações, as empresas desenvolvem uma capacidade de se antecipar às exigências externas, dos governos, dos mercados ou da sociedade, mais do que esperar que essas exigências se desenvolvam e se tornem pressões para a adoção de práticas ambientais mais sustentáveis. 3 A INICIATIVA DE UMA INDÚSTRIA DE CONFECÇÃO DO OESTE DO PARANÁ A empresa pesquisada executa suas atividades em Toledo no oeste do Paraná e merece destaque por sua recente iniciativa em relação ao destino do lixo gerado por seu processo produtivo. A empresa, que está no mercado à aproximadamente 10 anos, ao longo do tempo passou por mudanças de razão social, sendo que a última sociedade já completa quatro anos. No atual endereço, as novas instalações estão funcionando a mais de um ano. Tal empresa conta com um amplo portfólio de produtos: uniformes térmicos (EPIs – Equipamentos de Proteção Individual) – onde se destaca o carro chefe de vendas a Japona Térmica, uniformes profissionais e uniformes descartáveis feitos de TNT – “Tecido Não Tecido, ou seja, é um tecido produzido a partir de fibras desorientadas que são aglomeradas e fixadas, não passando pelos processos têxteis mais comuns que são fiação e tecelagem ou malharia” (ACETEC, 2009). A clientela é formada por frigoríficos (uniformes para a parte operacional - chão de fábrica), empresas de logística, portuárias e também atendem a licitações. Com uma empresa de frigoríficos brasileira, é mantido um contrato de fornecimento, entretanto com a maioria dos clientes existem apenas acordos comerciais. 16 Para saber mais sobre a empresa e o projeto de cunho ambiental, a coleta de dados aconteceu através de métodos de observação e entrevista não estruturadas com o Gerente Administrativo em 18/04/2009. 3.1 Lixo gerado pela empresa O lixo proveniente das atividades desta empresa é composto de: papel, papelão, plástico e retalhos dos seguintes tecidos: malha, fibra, brim e TNT. Papel e papelão: o papelão é vendido atualmente à R$ 0,09 o Kg, porém este valor já chegou à R$ 0,15 o Kg. A crise mundial gerou a diminuição da demanda, o que reflete no preço, pois a principal destinação é o artesanato que também sofre os impactos deste colapso econômico. Plástico: O plástico é oriundo da embalagem dos rolos de tecidos. Para a venda ele pode ser deixado junto com papel e papelão. Também são separados os materiais descartáveis de plástico usados na fábrica e no escritório, como copos de café e água. O papel, papelão e plástico são vendidos a uma pessoa, que faz a coleta com veículo particular, leva para pesagem e volta para efetuar o pagamento, de acordo com relato do entrevistado: “ficamos na confiança, e ainda assim, isso é bom para nós, por não termos custo de retirar do pátio da empresa”. Malha: material que gera grande quantidade de lixo. São pedaços pequenos de retalhos que são colocados em sacos plásticos, juntamente com pedaços de papeis provenientes do processo de corte. O resíduo deste material é vendido por R$ 0,50 o Kg. A malha tem como destino a confecção de tapetes e estopas, usadas em oficinas mecânicas entre outros estabelecimentos. Segundo informou o entrevistado o Kg da estopa é vendido por aproximadamente R$ 2,50. Pode-se visualizar através da Figura 1 os retalhos de malha para descarte acumulados no pátio da indústria. 17 Figura 1: Retalhos de malha Fonte: Fotografado pelos autores (2009). Fibra: O matelacê da fibra é feito pela própria empresa e é utilizado para a confecção de uniformes térmicos. Os resíduos de fibras são estocados no pátio da empresa (Figura 2) nos mesmos sacos em que são adquiridas as fibras. Para a venda destes retalhos é estipulado o valor de R$5,00 o saco. Relatou o entrevistado que este material é usado por artesãos para confeccionar almofadas que são vendidas no comércio de Toledo. Figura 1: Resíduos de fibra 18 Fonte: Fotografado pelos autores (2009). Brim: como a malha, esse material acaba ficando com vários pedaços de papel proveniente do processo de corte. Os resíduos não têm preço comercial por não haver procura, ficando assim estocados no pátio da empresa. Este material tem quatro classificações: o 100% algodão, o 100% poliéster, e dois outros tipos de combinações de algodão e poliéster. O Brim 100% algodão já teve procura por um empresário de Santa Catarina, mas ele exigia a separação dos quatro tipos e para compra seria somente o puro algodão. Mas para a empresa analisada os recursos materiais e humanos não são suficientes para isso no momento, sendo assim a parceria não foi efetivada. TNT: material usado para a confecção de uniformes descartáveis, onde o principal cliente é um frigorífico que os utiliza para o ramo de aviários. O destino correto para o descarte destes uniformes fica sob responsabilidade do próprio comprador. Contudo os restos deste material ficam estocados no pátio da empresa, por não ter destinação correta, nem a procura para compra. Para todo tipo de resíduo vendido, mantem-se certo controle para evitar problemas futuros oriundos de descarte indevido, como o cadastro dos compradores por meio de nome, número do RG (Registro Geral) e data da compra. Esse controle é feito, pois a empresa tem preocupação com a destinação correta e responsável dos resíduos por ela gerados. 3.2 A preocupação ambiental e social da empresa Embora a empresa faça a separação há quase um ano, foi a partir de setembro de 2008 que teve início o programa de separação e venda de lixos gerados pela empresa. A venda do lixo gerado nos últimos 6 meses acumulou uma receita de aproximadamente R$ 1.260,00, que foi dividida entre os 60 funcionários e repassada em folha no início do mês de abril de 2009, resultando em um acréscimo de cerca de R$ 21,00 para cada colaborador. A direção da empresa pretende continuar e melhorar esta idéia, com o intuito de conscientizar os funcionários a fazerem a separação correta do lixo para que possam ser reutilizados ou reciclados. 19 A questão da divisão ainda não esta definida para uma ou duas vezes ao ano. O pagamento juntamente com o salário referente ao mês de março foi estrategicamente escolhido devido ao desconto estabelecido por lei de contribuição sindical neste período. Sendo assim, no início do mês de abril é certo que haverá divisão do montante gerado pela venda do lixo, e caso opte pela divisão em 2 vezes ao ano, ocorrerá outro pagamento em outubro. Ainda há muito trabalho pela frente, é necessário definir e colocar no papel algumas coisas em relação à regulamentação do projeto. A partir do próximo mês (maio de 2009), será fixado ao mural e atualizado constantemente o valor em caixa proveniente da venda do lixo. O programa 5S (sensos de utilização, organização, limpeza e higiene, saúde e autodisciplina), juntamente com as auditorias internas também estão sendo estudados para que no futuro auxilie no processo produtivo desta empresa. Apesar de já existirem ferramentas para auxilio na implantação do 5S, ainda não há data definida para início das atividades. Procura-se melhorar as iniciativas que estão dando certo e implantar novas para melhorar a vida organizacional. O trabalho da nesta organização vem sendo feito de forma a colaborar com a comunidade, o que justifica a preocupação com a responsabilidade socioambiental e a valorização do ser humano, pois “é preciso crescer com responsabilidade, e não esperar ser grande para se preocupar”, como declara o gerente administrativo da empresa estudada. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o intuito de efetivamente conscientizar os funcionários e a comunidade, sugere-se somar o lixo doméstico dos funcionários ao da empresa, para que sejam vendidos conjuntamente, transformando essa soma em dinheiro para ser revertido aos próprios colaboradores, o que aumentará o valor recebido pela venda a ser rateado. Poderá ser definida a coleta semanal no pátio da própria empresa, e neste dia específico da semana os funcionários levam seu lixo para o pátio da empresa, onde ficará por pouco tempo até ser recolhido por um caminhão. Isso 20 incentivará o funcionário para a separação em sua casa, justificado pelos resultados financeiros, e a empresa aumenta seu grau de responsabilidade ambiental, tornando uma prática benéfica, para ambos os lados. Vale ressaltar que a ação vai colaborar para a imagem da organização no mercado, de uma empresa preocupada com a destinação correta de seus resíduos, e também perante a comunidade, que poderá fazer práticas semelhantes, com o mesmo propósito. REFERÊNCIAS ACETEC. O que é TNT. Disponível em: http://www.acetec.com.br/index.php/duvidas/7o-que-e-tnt. Acesso em: 22 out. 2009. DEMAJOROVIC, Jacques. Da política tradicional de tratamento do lixo à política de gestão de resíduos sólidos. Revista de Administração de Empresas. São Paulo, v.35, n.3, p.88-93. mai/jun 1995. ELKINGTON, J.; BURKE, T. The green capitalists. Londres: Gallancz, 1989. LERIPIO, Alexandre de Ávila. Apostila Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção. Gestão de qualidade ambiental. PPGEP. UFSC – SC, 1999. MUCELIN, Carlos Alberto e BELLINI, Marta. Lixo e impactos ambientais perceptíveis no ecossistema urbano. Sociedade & Natureza: Uberlândia, 20 (1): 111-124, jun. 2008. Disponível em: www.scielo.br. Acesso em: set. 2009. TEIXEIRA, Antonio Carlos. Lixo ou rejeitos reaproveitáveis? Disponível em: http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=residuos/index.php3&conteud o=/residuos/rosto.html. Acesso em: 24 set. 2009. 21 POLÍTICA AMBIENTAL PARA A UNIOESTE: UMA PROPOSTA Karoline Frison Petricoski (Unioeste) [email protected] Loreni Teresinha Brandalise (Unioeste) [email protected] Luiz Gustavo Santos Barboza (Unioeste) [email protected] Raquel Adriana Pin (Unioeste) [email protected] RESUMO O desenvolvimento deste estudo iniciou-se devido à percepção da necessidade de inserção de uma política ambiental na Unioeste, visto que esta instituição possui papel importante na formação da sociedade. Assim, o objetivo deste artigo foi elaborar uma proposta de política ambiental para a Unioeste. A política ambiental como instrumento orientador de práticas de melhoria contínua em relação ao meio ambiente se apresenta como uma forma eficaz de conscientização da comunidade em que esta inserida. Neste sentido, por meio de pesquisa bibliográfica pertinente ao assunto, elaborou-se uma proposta à esta universidade. Palavras chave: política ambiental; gestão ambiental; sustentabilidade. 1 INTRODUÇÃO Devido à velocidade das mudanças ambientais causadas pelas ações humanas, torna-se cada vez mais indispensável reduzir os impactos e a utilização dos recursos, através da reutilização e/ou reciclagem quando possível, favorecidas por uma conscientização ambiental da sociedade. Uma política ambiental é uma ferramenta capaz de nortear essa nova visão por meio da disseminação de práticas sustentáveis. Sendo a Unioeste uma instituição que prioriza a responsabilidade social, ambiental e cultural pode esta contribuir para a humanização, a acessibilidade e a inclusão social, pois possui capacidade de orientar a sociedade. Uma política 22 ambiental inserida nesta instituição pode complementar seus valores e a formação de cidadãos mais conscientes e comprometidos em relação às práticas ambientalmente corretas. 2 POLÍTICA AMBIENTAL Entende-se por política ambiental, como apresenta Lustosa e Young (2002, p. 562), como “o conjunto de metas e instrumentos que visam reduzir os impactos negativos da ação do homem sobre o meio ambiente”. É preciso salientar que a política ambiental possui fundamentação teórica, metas e instrumentos que justificam sua existência e prevêem ainda, penalidades pelo não cumprimento de suas determinações e orientações. Sendo assim, verifica-se que esta age no âmbito econômico e pode influenciar as políticas públicas. Na visão de Tachizawa (2002), a política ambiental é a declaração de uma organização que expõe suas intenções a respeito da própria atuação ambiental, estabelecendo objetivos e metas ambientais, sendo essa política capaz de fixar princípios de ação que visam um menor impacto negativo ao meio ambiente. A política ambiental surge para normatizar e racionalizar através de um desenvolvimento sustentável, uma vez que os recursos naturais, em sua maioria, são finitos e não podem ser renovados, justificando-se a grande preocupação com as questões que envolvem o meio ambiente. A política tem poder de punir, o que estimula e muitas vezes, obriga a sociedade a adotar uma postura menos agressiva e conseqüentemente, mais consciente em relação ao meio ambiente (LUSTOSA e YOUNG, 2002). Segundo Moura (2000) uma política ambiental, através de instrumentos econômicos, visa ainda aliar o preço dos produtos aos impactos, danos e custos ambientais. A formulação de uma política específica pode ser forte indicador de melhorias no desempenho ambiental de uma organização, sendo esse indicador de desempenho caracterizado pelos resultados mensuráveis de um SGA (Sistema de Gestão Ambiental). O modelo SGA segue a visão básica de uma organização que atende aos seguintes princípios: comprometimento e política; planejamento; 23 implementação; medição e avaliação; análise crítica e melhoria” (BRANDALISE, 2002, p. 69). Faz-se necessário criar ferramentas com a finalidade de mensurar a sustentabilidade e assim avaliar as peculiaridades dos diferentes sistemas, adequando as aplicações a características específicas exigidas em cada caso (MANTEIGA apud BRANDALISE, 2008). A ISO 14000, que é um conjunto de normas técnicas referentes a métodos e análises, possibilita a certificação de produtos e organizações que estejam de acordo com a legislação ambiental e não produzam danos ao meio ambiente. A ISO 14000 é um processo e não um padrão de desempenho. A expectativa gerada através de sua implantação é a de que um melhor gerenciamento leve a um melhor desempenho de uma organização. (VALLE apud BRANDALISE, 2002, p. 68). Dentro da NBR ISO 14000, está o SGA contemplado pela ISO 14001, sendo que este modelo abrange “estrutura organizacional, planejamento, responsabilidade, práticas, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental” (BRANDALISE, 2002, p. 69). Outro ponto que vem a contribuir com a questão ambiental é a legislação, a qual em âmbito mundial teve seu marco inicial no século XX, quando começaram a surgir as normas de conduta. Essa intervenção legal se deve a maior preocupação a partir desta época a cerca do grande acumulo de resíduos e poluentes resultantes dos processos industriais, assim como do rápido crescimento da população (LUSTOSA e YOUNG, 2002). A partir de 1973, que o Brasil começa a dar maior atenção às questões ambientais, porém somente em 1981, por meio da Lei nº 6.938, foram determinados “os objetivos, as ações e os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente”. Tais determinações normatizam questões a respeito de “preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental, compromete-se a assegurar as condições para o desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana”. 24 Nesta lei (art 9) encontram-se os instrumentos: “estabelecimento de padrões de qualidade ambiental, zoneamento ambiental, avaliação de impactos ambientais, licenciamento e a revisão de atividades efetivas ou potencialmente poluidoras” (LUSTOSA e YOUNG, 2002, p. 583). O envolvimento constante e de um número cada vez maior de pessoas, poderes e organizações só vem a contribuir com a melhoria da qualidade ambiental do planeta. “A questão ambiental requer muito mais que reflexão e conscientização, exige ações concretas e mudanças de atitudes para com o próximo e a favor dele” (SANTOS, 2009). Sendo assim, cada integrante desse processo de mudança é responsável pelo seu desenvolvimento e o conseqüente sucesso. 3 ELEMENTOS PARA FORMULAÇÃO DE UMA POLÍTICA AMBIENTAL Verifica-se através da NBR ISO 14001 (ABNT, 1996), que é função da alta administração definir a política ambiental da organização, ficando a gerência encarregada por sua implementação e co-responsáveis pela formulação e modificação, com a finalidade de garantir que essa política: seja apropriada à natureza, escala e impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços; inclua o comprometimento com a melhoria contínua e a prevenção de poluição, refletindo os valores e princípios orientadores da organização; inclua o comprometimento com o atendimento à legislação e normas ambientais aplicáveis, e demais requisitos subscritos pela organização, designando a autoridade de alguém para supervisionar e implementar a política. A gerência ainda se encarrega de fornecer a estrutura para o estabelecimento e revisão dos objetivos e metas; de documentar, implementar, manter e comunicar a todos os empregados, através de tecnologias e práticas gerenciais apropriadas sobre as atualizações da política implantada; e ainda disponibilizar ao público para eventuais consultas. Diante do comprometimento da alta administração em buscar a melhoria da gestão ambiental das atividades, produtos e serviços gerados pela organização, a NBR ISO 14001 (ABNT, 1996) recomenda que uma política ambiental contemple primeiramente a missão, visão e valores da organização. 25 Em seguida sugere-se que sejam expostos os requisitos das partes interessadas e a comunicação com elas. Em seguida, apresentam-se pontos como melhoria contínua; prevenção da poluição; princípios orientadores; coordenação com outras políticas organizacionais (tais como: qualidade, saúde ocupacional e segurança no trabalho); condições locais ou regionais específicas; conformidade com os regulamentos, leis e outros critérios ambientais pertinentes subscritos pela organização. Ao formular uma política ambiental, deve-se verificar se esta é pertinente as atividades da organização, bem como se a política reflete os valores e princípios da organização. A política deve realmente orientar para o estabelecimento de metas ambientais e para o crescimento tecnológico. A política é uma declaração de um propósito da alta direção, sendo a base para o estabelecimento de objetivos e metas da empresa. Assim, para subsidiar a formulação de políticas ambientais numa empresa, pode-se utilizar documentos como Desenvolvimento’ a e ‘Declaração a ‘Carta do Rio sobre Empresarial para Meio o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável’ da Câmara de Comércio Internacional (MOURA, 2000). Todas as atividades, produtos e serviços podem ocasionar impactos sobre o meio ambiente e isto deve ser reconhecido pela política ambiental. Além de observar os regulamentos ambientais, a ABNT (1996) recomenda que a política declare comprometimento com o desenvolvimento de ações como: a) a minimização de impactos ambientais significativos de novos desenvolvimentos, pela adoção de planejamento e procedimentos de gestão ambiental integrados; b) o desenvolvimento de procedimentos para avaliação de desempenho ambiental e indicadores associados; c) a incorporação da abordagem do ciclo de vida; d) a concepção de produtos de forma a minimizar seus impactos ambientais nas fases de produção, uso e disposição final; e) a prevenção da poluição, redução de resíduos e de consumo de 26 recursos, e se possível, comprometimento com a reciclagem; f) educação e treinamento; g) o compartilhamento de experiências na área ambiental; h) o envolvimento e comunicação de todos os interessados; i) a busca do desenvolvimento sustentável; j) o encorajamento do uso de SGA por fornecedores e prestadores de serviço. 4 PROPOSTA DE POLÍTICA AMBIENTAL PARA A UNIOESTE Para a elaboração de uma política ambiental é necessário verificar alguns quesitos que indicam a forma de pensar da organização, seja ela qual for. No caso da Unioeste, a visão, missão e os valores estão disponíveis no site institucional e documentado na Universidade. Visão da Unioeste: Ser reconhecida como uma Universidade multicampi, com centros de excelência na produção e socialização do conhecimento, atenta às características regionais. Missão da Unioeste: Ser uma Universidade que promova permanentemente a inovação nos cursos de graduação e crie núcleos de competência, prioritariamente nas áreas de educação básica, integração regional e latino americana, saúde, biotecnologia, turismo e meio ambiente, e que busca a excelência na área de desenvolvimento agroindustrial. Os valores da Unioeste são apresentados na sequencia. I. Unidade de patrimônio e administração; II. Conduta ética em todos os setores com estrita observância aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade; III. Excelência no ensino, pesquisa e extensão; IV. Otimização no uso dos recursos físicos, financeiros, humanos e tecnológicos; V. Valorização e respeito à diversidade intelectual, cultural, institucional e política; 27 VI. Valorização e respeito ao pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e à diversidade das diferentes áreas do conhecimento, mantendo-se a excelência em todas as suas atividades, indissociáveis e transversais, de ensino, pesquisa e extensão; VII. Gestão democrática com base em instâncias deliberativas colegiadas; VIII. Autonomia didático-científica, administrativa e de gestão administração descentralizada, financeira e patrimonial; IX. Adoção de procedimentos de transparente e isonômica; X. Responsabilidade social, ambiental e cultural; XI. Humanização, urbanidade, acessibilidade e inclusão social. Através de estudo e análise da realidade da Unioeste, como uma organização envolvida e preocupada com questões sociais e ambientais, conforme apontado pelos seus valores, vem ao longo de sua história se propondo a incentivar a pesquisa, com intuito de encontrar soluções inovadoras. Desta forma, verifica-se a importância de se criar uma política ambiental, justificando-se a sugestão a seguir. 4.1 Política ambiental da Universidade Estadual do Oeste do Paraná Ser uma instituição que promova a integração entre funcionários, acadêmicos e a comunidade externa, buscando a conscientização ambiental e o comprometimento para a redução da utilização dos recursos, bem como seu reaproveitamento quando possível, visando proteção do meio ambiente. 4.1.1 Objetivos/Metas 1: Atender a legislação: Nas esferas federal, estadual, municipal e local. 4.1.2 Objetivos/Metas 2: Promover a integração entre a comunidade, assim como sua conscientização: Através da formulação de um cronograma contínuo ao longo do ano, promover palestras educativas regulares, discussões, e feiras envolvendo toda a comunidade interna e externa, realizando a conscientização da população sobre variados temas, tais como: Reciclagem, consumo de energia, poluição, utilização adequada dos recursos, sustentabilidade, qualidade de vida. 28 Estimular a apresentação de soluções aos problemas ambientais pertinentes na região pela comunidade, através da divulgação e merecida premiação de artigos, projetos, ações e sugestões propostas pela comunidade, que tragam resultados positivos para a população. Eleger e conseqüente capacitar um responsável, para a constante exposição de idéias e conteúdos gerais e específicos sobre a conscientização ambiental para os demais colegas, para cada um dos principais setores da universidade: biblioteca, laboratórios, clínicas, administração, colegiados, zeladoria, transportes, discentes, etc. Divulgar práticas ambientalmente corretas, através de diversos meios de comunicação, como cartazes espalhados pela estrutura da universidade (banheiros, corredores, cantina, biblioteca, salas de aula, clínicas, colegiados, etc.), pelo sitio eletrônico institucional, ou na caixa postal eletrônica utilizado pelos servidores. Estimular o desenvolvimento de projetos e tecnologias que visam a redução e/ou a reutilização dos recursos envolvendo funcionários, alunos e comunidade. Firmar parcerias com empresas e demais instituições que almejam objetivos comuns aos dessa instituição, quanto à preservação ambiental. 4.1.3 Objetivos/Metas 3: Reduzir a utilização dos recursos e reaproveitá-los quando possível. Redução do consumo de água (em aproximadamente 5% no ano), assim como seu reaproveitamento máximo quando possível: a) nos banheiros, conscientizando os usuários sobre o combate ao desperdício; b) nos laboratórios, reaproveitando a água usada para a realização de experiências, quando ela se mantenha adequada para outros fins tais como limpeza, irrigação, novas experiências, etc; c) utilizar a água da chuva, através de sistema adequado de captação e redistribuição; 29 d) verificar constantemente a manutenção de instalações, bebedouros e encanamentos, evitando vazamentos e conseqüentes desperdícios da água; Racionamento da energia (de aproximadamente 5% no ano): a) evitar a permanência de aparelhos eletrônicos ligados, quando não utilizados (monitores, rádios, retroprojetores, impressoras, computadores, entre outros); b) evitar o excesso de lâmpadas acesas, aproveitando ao máximo a luz natural e apagando-as quando o ambiente estiver vazio; c) elaborar um estudo sobre sistemas de iluminação natural, verificando a viabilidade de implantação nas salas de aulas e outros ambientes que se adaptam ao sistema; d) utilizar o ar condicionado somente em situações de real necessidade, dando preferência para a ventilação através da abertura de janelas e portas. Moderação no uso do telefone: a) evitar a utilização deste para ligações pessoais e/ou extensas conversas desnecessárias; b) aproveitar outros meios de comunicação mais baratos como a Internet e Correio Eletrônico; c) dar preferência para realização de ligações para fones fixos ao invés de chamadas para celulares, quando possível, reduzindo assim o custo da ligação. Controle e economia nas impressões (em 5% no número de impressões) e no papel (10% do consumo anual) utilizado: a) priorizar a utilização das “ilhas de impressão”, centralizando o uso da impressora entre diversos usuários; b) configurar página para impressão no formato frente/verso, quando possível; c) dar preferência às impressões em preto-branco ao invés das coloridas; d) reutilizar documentos sem uso e com verso em branco, para rascunhos e novas impressões; 30 e) optar preferencialmente por cartuchos ou tôners de tinta que tenham como matéria-prima materiais não poluentes. Diminuir a produção do lixo, assim como sua reutilização: a) incentivar a redução e reutilização do lixo quando possível; b) disponibilizar e identificar as lixeiras próprias para separação dos resíduos (papel, metal, plástico, orgânico); c) estabelecer parcerias com entidades que tenham o interesse no recolhimento do lixo reciclável separado, e que se comprometam a realizar essa ação e reaproveitá-los de maneira sustentável; d) utilização dos resíduos orgânicos em atividades e práticas onde eles possam ser inseridos, como integração na horta, uso em laboratórios, entre outros. Deve-se eleger uma pessoa que ficará responsável pelo acompanhamento do cumprimento das metas/objetivos propostos, bem como pela revisão e estabelecimento de novas metas quando forem necessárias. A política deverá ser revisada anualmente, buscando garatir a conscientização ambiental e o comprometimento de proteção do meio ambiente. 5. CONSDERAÇÕES FINAIS Qualquer passo na direção do desenvolvimento sustentável inclui o cuidado com o meio ambiente, o que leva, consequentemente, a um programa de gestão ambiental que, por sua vez, inicia com a elaboração da politica ambiental a ser desenvolvinda pela organização. A política ambiental, formalizada num documento simples e conciso impede a existência de políticas informais, eventualmente criada por pessoas que não têm essa atribuição delegada pela administração geral, e é nesse sentido que se espera ter contribuído. Vale destacar que por meio de comportamento ético e de suas habilidades de planejamento, comunicação, análise crítica de desenvolvimento, a direção deve servir de exemplo, procurando desenvolver a liderança em toda a instituição. 31 REFERÊNCIAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14000, 1996. BRANDALISE, Loreni Teresinha. A aplicação do método Gaia (gerenciamento de aspectos e impactos ambientais) em um laboratório de Análises Clínicas. Cascavel: Edunioeste, 2002. BRANDALISE, Loreni Teresinha. A percepção do consumidor na análise do ciclo de vida do produto: um modelo de apoio à gestão empresarial. Cascavel: Edunioeste, 2008. LUSTOSA, M. Cecilia e YOUNG, Carlos E. F. Politica Ambiental. In: KUPFER, David; HASENCLEVER, Lia. (Orgs). Economia industrial: fundamentos teóricos e práticos no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 2002. MOURA, Luiz Antonio Abdala de. Qualidade e gestão ambiental. 2 ed. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2000. SANTOS, Luis Antonio Gomes. Água para o próximo, atitude em favor do próximo. Disponível em: http://www.cenedcursos.com.br/agua-para-o-proximo.html. Acesso em: 24 set. 2009. TACHIZAWA, Takesky. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa: estratégias de negocios ficadas na realidade brasileira. São Paulo: Atlas, 2002. 32 O PROJETO GUA COMO SUPORTE PARA A PLURIATIVIDADE DA AGRICULTURA FAMILIAR Loreni Teresinha Brandalise (Unioeste) [email protected] Ana Raquel Ramires (Unioeste) [email protected] Fabiana Zulian (Unioeste) [email protected] Gislaine G. Machineski Marchetti (Unioeste) [email protected] Luan Skubisz (Unioeste) [email protected] Tiago Raizel (Unioeste) [email protected] RESUMO O presente trabalho aborda a realidade dos agricultores familiares atendidos pelo Projeto Gestão das Unidades Artesanais. Esse projeto tem por objetivo atender agricultores que buscam novas alternativas de renda e que, por esse motivo, possuem necessidade de conhecimentos de gestão. No que se refere à dinâmica do Projeto, os agricultores são inicialmente visitados por bolsistas que verificam o nível de conhecimento de cada participante. Posteriormente os agricultores vão relacionamento até a Unioeste interpessoal, onde cálculo, recebem custos, aulas de motivação, produção, vendas, desenvolvimento territorial e gestão ambiental. Por fim, os bolsista retornam às propriedades onde verificam se o conteúdo ministrado nas aulas estão sendo colocados em prática. Os dados de diagnóstico revelam que os participantes possuem baixa escolaridade, pequenas propriedades de origem familiar e que a grande maioria produz leite. Com relação aos resultados, verificou-se que os módulos de custos, cálculo e motivação foram os que tiveram maiores retornos, mas todos os módulos, segundo os questionários aplicados, contribuíram para a melhoria da gestão das propriedades. Palavras chave: agricultura familiar; gestão artesanal; capacitação rural. 33 1 INTRODUÇÃO Quando se fala em economia brasileira, é comum o pensamento de que grande parte do que integra o Produto Interno Bruto – PIB – provém do cultivo agrícola. No entanto, muitas vezes é desconhecido o fato de que a agricultura familiar, com um número de propriedades quase oito vezes maior do que a agricultura patronal, é também parte fundamental dos grandes números que compõem a produção agrícola do país. Parte significativa destas propriedades familiares tem buscado formas de diversificar a sua fonte de renda tornando-se pluriativos. Schneider (2003, p. 99) define os agricultores pluriativos como sendo aqueles “residentes no meio rural que passam a se dedicar a atividades não-agrícolas, praticadas dentro ou fora das propriedades”. O envolvimento na pluriatividade deve-se principalmente pela necessidade de ter uma fonte secundária de renda e não depender somente de atividades primárias. Desta forma, é possível que os agricultores agreguem valor ao seu produto, obtendo um preço de venda maior ou mesmo desenvolvendo produtos sem vinculação com as matérias-primas cultivadas na propriedade, trazendo assim, uma fonte alternativa de renda. Entretanto, nem todos os agricultores estão preparados para assumir tal empreendimento, tendo em vista a inexperiência unida à baixa escolaridade presente na agricultura de uma forma geral. Neste sentido, se faz importante a capacitação dos produtores da agricultura familiar no tocante à gestão da atividade, trazendo-os para a realidade atual de comércio, auxiliando e amenizando as dificuldades dos agricultores. Através deste conhecimento é possível buscar alternativas de melhorias dos pontos fracos dos empreendimentos, para que os agricultores tenham condições de permanecer no campo com qualidade de vida, proporcionando, com isso, o fortalecimento da agricultura familiar. É neste contexto que o Projeto Gestão das Unidades Artesanais – GUA se insere. Este trabalho tem por objetivo relatar a importância do Projeto GUA no contexto da pluriatividade como fortalecedor desse segmento, e apresentar dados e resultados da primeira turma desta edição do Projeto GUA. 2 MATERIAL E MÉTODOS 34 O projeto busca capacitar 04 (quatro) turmas de aproximadamente 30 empreendedores rurais cada, selecionados pela EMATER-PR. Em cada turma há a presença dos representantes da EMATER dos municípios envolvidos, com o objetivo de serem os auxiliares para orientações futuras, caso haja necessidade por parte dos agricultores. Para cada turma são ministrados, por professores do curso de Administração, conteúdos que incluem módulos de motivação, relacionamento interpessoal, cálculo, custos, produção, vendas, desenvolvimento territorial e gestão ambiental, nas salas de aula da UNIOESTE - campus Cascavel. O curso, para cada grupo, perfaz uma carga horária de 32 horas. As aulas ocorrem quinzenalmente, durante um bimestre. Para a efetiva realização do projeto, é necessária a parceria da Prefeitura de cada Município atendido, para que os agricultores tenham um meio de transporte até o campus. Segundo Lourenzani (2006), é fundamental que este tipo de projeto de extensão envolva parcerias entre instituições de ensino, associações e instituições de assistência técnica desde a concepção até a finalização. O projeto conta com a participação de cinco bolsistas, sendo três recémgraduados e dois graduandos, dos cursos de Administração e Ciências Econômicas. A novidade nas duas últimas edições é que os bolsistas se deslocam até as propriedades rurais para realizar as avaliações inicial e final, traçando o perfil do produtor e da propriedade e coletando informações a respeito do que foi realmente aplicado do conteúdo aprendido em sala. Essas visitas servem também como base para futuras melhorias no projeto. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Na primeira turma do projeto GUA 2009/2010, foram beneficiados dezoito agricultores diretamente e quarenta e uma pessoas indiretamente. Com relação à idade dos agricultores, três tinham entre 19 e 30 anos, dez entre 31 e 40 anos, três entre 41 e 50 anos e dois estavam na faixa de 51 a 61 anos de idade. No que se refere à escolaridade, oito agricultores possuíam ensino fundamental incompleto, dois o ensino fundamental completo, dois o ensino médio incompleto e seis participantes o ensino médio concluído. Os dados demonstram escolaridade. que, na grande maioria, os agricultores possuem baixa 35 Quando questionados a respeito da origem das propriedades, verificouse que todas eram de proveniência familiar, ou seja, nenhuma era arrendada ou financiada. Em relação ao tamanho da propriedade, os dados apontaram sete de 2,5 a 5 alqueires, cinco de 5,1 a 10 alqueires, quatro de 10,1 a 15 alqueires e duas propriedades de 15,1 a 25 alqueires. Com relação às atividades desenvolvidas pelos participantes da primeira turma, destacou-se a produção de leite, encontrada em quatorze propriedades. Em seguida, a produção de milho, em dez propriedades. As demais atividades realizadas são: produção de soja, feijão, suínos, bicho da seda, melancia, tomate, melão, laranja, aves, cabras, mel, fumo, queijo, panificação, bolachas, pamonha e também havia uma produtora que confecciona casas para animais domésticos. Para um possível confronto com os futuros resultados, a avaliação inicial procurou medir a situação dos agricultores naquele momento de partida, com relação aos tópicos lecionados em sala. No item relativo à satisfação com o trabalho, todos os agricultores responderam que sentem satisfação. Desses, apenas dois gostariam de ter a oportunidade de ir para a cidade e tentar realizar outra atividade. Uma das produtoras, apesar de ter satisfação no trabalho que realiza, gostaria de ir para a cidade em função da dificuldade que os filhos têm para estudar. Quando questionados a respeito da participação da família na tomada de decisões, quinze agricultores responderam que há participação dos membros da família. Desses, uma entrevistada ressaltou que apesar de haver participação, a decisão final é tomada apenas pelo marido. Três agricultores responderam que não há participação da família na tomada de decisões, ou seja, que ela é centralizada em um único membro. No que tange ao controle de qualidade e à organização do ambiente de trabalho, quinze agricultores responderam que existe controle de qualidade no processo produtivo, seja pelas exigências das empresas intermediárias ou para a realização das atividades no dia a dia. Apenas três entrevistados afirmaram que não possuem controle sobre a qualidade. A questão da comercialização dos produtos torna-se um tanto quanto dividida e complexa, tendo em vista que as atividades são diferenciadas e que a maioria não tem contato direto no ato da negociação, com o consumidor final. Mais especificamente, dos dezoito agricultores participantes, apenas dois deles têm esse contato direto com o cliente. Segundo os entrevistados, uma das maiores dificuldades que possuem para que negociem diretamente é a distância 36 a ser percorrida para levar os produtos até a cidade, bem como os custos que teriam para fazer o trajeto periodicamente. A partir da análise dos dados coletados, verificou-se que quatorze produtores de leite comercializavam o produto através da entrega para o laticínio. Dois agricultores entregavam seus produtos no celeiro municipal, um comercializava na feira e em estabelecimentos comerciais do município e dois produziam para a Sadia. Um dos agricultores possuía representante comercial e três repassavam o produto a um intermediário. O produtor de bicho da seda produzia para a empresa Bratack e o produtor de aves para a Globoaves. Nas entrevistas de resultado dessa turma, procurou-se levantar dados relativo a aplicação prática das informações adquiridas durante o curso. Com relação ao módulo de motivação, 61,54% dos alunos aplicaram os conhecimentos adquiridos e tiveram resultados positivos, 23,08% não aplicaram, desses, alguns já tinham o posicionamento repassado, e outros tiveram dificuldade por falta de iniciativa. 15,38% não estiveram presentes nesse módulo. No tópico de relacionamento interpessoal 46,15% dos agricultores melhoraram o relacionamento com as pessoas, tendo resultados positivos, 30,77% já tinham um bom relacionamento ou tiveram dificuldade em aplicar os conhecimentos devido a centralização da decisão em apenas um membro da família. 23,08% faltaram esse módulo. No que tange a qualidade da produção, 53,84% dos entrevistados aplicaram as informações e tiveram resultados positivos, 23,08% não aplicaram, alguns porque já faziam da forma ensinada, outros, ainda estão tentando aplicar, e alguns tiveram dificuldade em aplicar na prática. 23,08% não estiveram presentes nesse módulo. Com a melhora da qualidade de seus processos, um dos entrevistados, ressaltou que conseguiu aumentar a produção, e consequentemente aumentar em 60% sua renda mensal. Quando questionados sobre a comercialização dos produtos, 38,46% dos alunos tiveram resultados positivos com a aplicação da teoria aprendida, 53,85% não aplicaram o conhecimento por falta de contato direto com o consumidor, e 7,69% não estiveram presentes nessa aula. Destaca-se um dos agricultores 37 entrevistados, que aumentou em 20% sua renda mensal, pois passou a comercializar a bolacha, que antes só entregava para o programa Compra Direta do governo federal, diretamente ao consumidor. O mesmo, vendia laranja, com as informações adquiridas sobre comercialização e produção, verificou que teria um ganho maior se processasse a polpa para venda, e foi isso também que ajudou a aumentar sua renda. Relativo aos conhecimentos repassados sobre cálculos, 61,54% conseguiram aplicar e obtiveram resultados positivos, 38,46% não aplicaram, na maioria porque tiveram dificuldades. Nos custos, 76,92% dos agricultores tiveram resultados positivos com a aplicação das informações adquiridas e 23,08% não aplicaram por falta de organização e hábito. Sobre os conhecimentos repassados com relação ao desenvolvimento territorial e a gestão ambiental, 30,77% aplicaram e tiveram resultados positivos, 61,54% não aplicaram porque já tinham os cuidados devidos, e apenas 7,69% não estavam presentes. Torna-se importante ressaltar o resultado desse módulo, mostra-nos que a maioria dos agricultores estão tomando os devidos cuidados com o meio ambiente, e cumprindo as leis vigentes. Diante dos dados apresentados, pode-se concluir que o aproveitamento do curso foi bom, conforme demonstrado na Figura 1. Aplicação com Resultado Positivo Motivação 76,92% Relacionamento Interpessoal 61,54% 61,54% Qualidade 53,84% 46,15% Comercialização 38,46% 30,77% Cálculos Custos Desenvolvimento Territorial / Gestão Ambiental Figura 1 – Avaliação de Resultado Fonte: Pesquisa aplicada (2009) 38 Analisando o Grafico 1, observa-se que o módulo de custos apresentou o melhor retorno, com 76,92% de resultados positivos, seguido dos módulos de motivação e cálculo com aproveitamento de 61,54%. De forma geral, todos os módulos tiveram aproveitamento e contribuiram para a melhoria da gestão dos empreendimentos. 4 CONCLUSÃO Da coleta de dados da primeira turma, foi possível verificar que se trata de produtores predominantemente de baixa escolaridade, que possuem em sua maioria propriedades pequenas, todos possuem satisfação no trabalho que realizam e a grande maioria possui em comum algumas barreiras para comercializar diretamente com o cliente. Torna-se necessário ter conhecimento dessas informações para que a didática de sala de aula seja adaptada para a realidade deles, bem como o aprofundamento de cada módulo ministrado. O Projeto GUA, então, contribui no sentido de sanar as dificuldades encontradas. Houve uma intensa troca de saberes, acadêmico e prático, entre bolsistas, professores e agricultores envolvidos no projeto. Verificou-se que a capacidade empreendedora dos agricultores da região é muito grande, o que favorece a pluriatividade/diversificação das atividades como forma de superar a dependência de atividades meramente primárias, cujo valor agregado é muito baixo. No entanto, existem muitas dificuldades a serem vencidas para o pleno desenvolvimento dessas potencialidades. Assim, é fundamental a orientação e capacitação técnica para o bom andamento dessas novas atividades rurais e não agrícolas. REFERÊNCIAS SCHNEIDER, Sergio. Teoria social, agricultura familiar e pluriatividade. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v18n51/15988.pdf>.Acessado em 20 de agosto de 2009. LOURENZANI, Wagner Luiz. Capacitação gerencial de agricultores familiares: uma proposta metodológica de extensão rural. Organizações Rurais e Agroindustriais – Revista eletrônica da UFLA. Lavras. v.8, n.3, p. 313-322, 2006. Disponível em: <www.dae.ufla.br/revista>. Acessado em 19 de agosto de 2009. 39 AVALIAÇÃO DO SISTEMA PRODUTOR RURAL NA SECRETARIA DE AGRICULTURA DO MUNICÍPIO DE CASCAVEL-PR Tatiane Patrícia de Aguiar (Unioeste) [email protected] Sandra Mara Stocker Lago (Unioeste) [email protected] Geysler Rogis Flor Bertolini (Unioeste) [email protected] Resumo O tema do trabalho realizado foi avaliação do sistema produtor rural na Secretaria de Agricultura de Cascavel. A avaliação seguiu alguns fatores, são eles: precisão, acessibilidade, relevância, redundância, segurança, treinamento e agilidade. O estudo foi de caráter exploratório do tipo levantamento, com a coleta dos dados em outubro de 2008 e não considerou a evolução dos dados no tempo. A população estudada foram oito servidores usuários do sistema e produtores rurais que solicitaram notas fiscais na quarta semana de agosto de 2008. Com a análise e interpretação de dados foi possível verificar que o sistema apresenta insatisfação em alguns fatores. Desta maneira, foi sugerido treinamentos para usuários do sistema e produtores rurais e uma análise mais aprofundada pela equipe de sistemas de informações quanto à acessibilidade do sistema. O trabalho foi de grande importância para a organização, pois poderá ter aplicação prática com o intuito de atingir os objetivos do sistema e dos envolvidos de forma efetiva. Palavras-chave: qualidade da informação; sistemas de informações; governo eletrônico. 1 Introdução Numa época de transformações e competitividade os mercados se obrigam a participar de uma disputa acirrada e as organizações passam a necessitar das informações para sobreviver e crescer. A necessidade de que as organizações 40 sejam inteligentes, diante das mudanças constantes da sociedade da informação, fez com que elas também se modificassem e requeressem planejamento de suas informações auxiliadas pelos recursos da Tecnologia da Informação (REZENDE, 2002). A Tecnologia da Informação desempenha papel muito importante na reestruturação da maioria dos processos de negócios. A velocidade, a capacidade de processamento das informações e a conectividade das redes de computadores podem aumentar substancialmente a qualidade dos processos de negócios, bem como as comunicações e a colaboração entre as pessoas responsáveis por sua cooperação e administração (O’BRIEN, 2004). Juntamente com a importância que cresce da informação nas empresas, cresce também a importância das informações para a gestão pública, onde o grande desafio está em como o usuário do sistema público irá tratar, interpretar e utilizar a informação de forma a enxergar a cidade, estado ou país em sua totalidade. É importante salientar que, além da capacidade do usuário de adquirir, tratar, interpretar e utilizar a informação de maneira eficaz é de suma importância que os sistemas utilizados na gestão pública, atinjam a qualidade esperada. Um sistema de informação utilizado em organização pública que tenha qualidade trará benefícios para o governo (maior controle), usuários do sistema (padronização dos processos) e cidadãos (transparência dos gastos, facilidade de acesso, entre outros). Assim o objetivo deste estudo é avaliar o Sistema Produtor Rural na Secretaria de Agricultura do Município de Cascavel. O estudo foi desenvolvido na SEAGRI – Secretaria de Agricultura do Município de Cascavel, junto ao setor de Nota Fiscal de Produtor Rural, e na extensão da secretaria que se localiza nos distritos rurais de Cascavel – PR. A população pesquisada foram oito servidores usuários do sistema e 26 agricultores que solicitaram notas fiscais na quarta semana de outubro de 2008 na sede da SEAGRI. Dos usuários do sistema, dois atendem diretamente na Secretaria da Agricultura e seis atendem nos distritos rurais dentro das sub-prefeituras. 41 2. Revisão Teórica Organizações são compostas de pessoas e valores que trabalham em conjunto e utilizam recursos para atingirem objetivos, explorando um negócio qualquer, por meio de gestão e direção dessas pessoas e desses valores. Entre as características das organizações está a satisfação das necessidades dos clientes, permanente desenvolvimento e o alcance da modernidade e competitividade (REZENDE, 2002). Para alcançar essas características e objetivos existe a necessidade das empresas de procurarem um uso cada vez mais intenso e amplo de tecnologia de informação. Para que a informação traga apenas benefícios para as empresas ela deve ser adequada e confiável. Então, é necessário que o trabalhador do conhecimento formule um plano organizacional para introdução de mudança e que a tecnologia da informação trabalhe a favor da empresa. Para que isso aconteça é necessário entender o que é informação e quais parâmetros ela deve seguir para ter qualidade (ALBERTIN, 2001). Segundo Laudon e Laudon (2007), a informação é um conjunto de dados apresentados em uma forma significativa e útil, e conhecimento é o conjunto de ferramentas usadas para criar, armazenar e compartilhar a informação. Stair e Reynolds (2006) afirmam que, dados são formados por fatos básicos, e estes, após serem transformados em alguma forma significativa, aplicando-se o conhecimento, tornam-se então informação. Se forem juntadas regras e estabelecidas relações, os dados poderão se organizar e formar uma informação útil e valiosa. Para Foina (2001), existe um conjunto de características necessárias para que a informação atenda a necessidade dos gestores: agilidade, precisão entre outras, como segue. Stair e Reynolds (2006), definem informação precisa como aquela que não contém erros e relevante a que possui algum valor e utilidade para a organização. Para ser valiosa, a informação deve auxiliar o tomador de decisão alcançar as metas da organização. 42 Os autores também definem a agilidade como sendo um dos mais importantes critérios de performance para algumas organizações. Se a informação é difícil ou demorada, pode não valer a pena alcançá-la. A acessibilidade dos sistemas de informações está ligada diretamente a conectividade ou a capacidade de um computador estabelecer conexão com outro a fim de obter dados. Para Laudon e Laudon (2007), informações redundantes estão relacionadas com dados duplicados em múltiplos arquivos. A redundância das informações pode gerar prejuízo de tempo e dinheiro e ainda inconsistência de dados, ou seja, o mesmo arquivo gerado em diferentes arquivos apresenta-se contraditório. Segundo Batista (2006), na era da informação, a importância da segurança dos dados é uma característica especial para os sistemas de informações. O imenso conjunto de vantagens do uso de dispositivos eletrônicos para o armazenamento de dados pode ser facilmente descartado no momento em que a organização despreza as características básicas de segurança de dados. Ainda segundo ele, quando uma organização investe em um novo programa, a proposta inicial é que as pessoas envolvidas com o novo componente aprendam por seu próprio mérito, utilizando e descobrindo. Normalmente os custos decorrentes da falta de treinamento são elevadíssimos, porém muitas empresas continuam sem usar treinamento porque os custos passam despercebidos (BATISTA, 2006). Laudon e Laudon (2007) afirmam que os Sistemas de Informações vem sofrendo grandes evoluções a cada ano e há uma grande mudança na tecnologia da informação cuja importância concordam com uniformidade os executivos, que é o acadêmicos crescimento da e tecnólogos Internet nas organizações. Segundo Laudon e Laudon (2007), a Internet é de grande valia porque permite a comunicação de forma barata e simples. O acesso à informação correta com rapidez, a fim de direcionar melhores decisões de negócio, é cada vez mais exigido pelo mundo corporativo como algo essencial à sobrevivência das empresas. A Tecnologia da Internet pode ser utilizada para distribuir e compartilhar informações dentro da organização, bem como para interligá-la com o ambiente externo. Muitas organizações adotam redes internas para trabalhar, 43 aproveitando a tecnologia da Internet, é a Intranet que pode ser entendida como uma rede corporativa que engloba todos os padrões da Internet e todos os serviços que ela oferece, porém este tipo de rede tem acesso exclusivo aos usuários da rede corporativa (BATISTA, 2006). Conforme Medeiros e Guimarães citado por Vieira (2008), a Internet também funciona como um veículo de aproximação do estado com o cidadão e é o principal instrumento para tornar o governo cada vez mais de caráter eletrônico. A presença governamental na Internet visa tornar o administrativo menos aparente de forma presencial, porém está mais próximo do cidadão e mais eficiente na realização de seus objetivos. Turban e King (2004) definem Governo Eletrônico como sendo a utilização da Tecnologia da Informação no processo de oferecer a oportunidade de melhorar a efetividade das funções do governo. A tecnologia está sendo utilizada para melhorar os serviços dos cidadãos, servidores públicos, fornecedores da administração pública e entidades do governo. Desta maneira, pode-se observar o servidor público sendo beneficiado pela aplicação da tecnologia da informação, melhorando o nível de qualidade do contexto de trabalho e a eficiência interna e o cidadão não precisa ficar limitado a apenas um local físico (SILVA, RIBEIRO e RODRIGUES, 2005). Com isso é cada vez mais claro que o objetivo da implantação de sistemas de informação nesses setores é proporcionar maior agilidade na prestação dos serviços, assim como tornar o atendimento mais adequado e de qualidade, com dados disponíveis e atualizados. Dentro deste contexto, é que este estudo foi realizado na Secretaria de Agricultura da Prefeitura Municipal de Cascavel. 3 O Sistema Produtor Rural na Secretaria de Agricultura de Cascavel A Prefeitura Municipal de Cascavel é composta por unidades de apoio, atuantes em diversas áreas conforme determinadas pela Lei Municipal nº 2.557/95, que define a estrutura organizacional básica da prefeitura e suas atribuições, dentre elas está a Secretaria de Agricultura de Cascavel (SEAGRI), a qual foi criada com a Lei nº 3.720/2003.Além da sede em Cascavel a secretaria possui uma extensão com atendentes nos distritos rurais em Espigão Azul, Juvinópolis, São João do Oeste, São Salvador, Sede Alvorada e Rio do Salto. 44 Dentro do Setor de Assistência ao Produtor da Secretaria de Agricultura de Cascavel é realizado o cadastro de produtor rural e a emissão de notas fiscais. O sistema de cadastramento e emissão de notas teve uma mudança por ordem da Receita Estadual, antes apenas a prefeitura tinha acesso ao sistema, hoje os órgãos do governo estadual também têm acesso. No princípio, a emissão e prestação de contas de notas fiscais de produtor eram feitas em um software interno da Prefeitura. Dessa maneira era impossível a Receita Estadual ter controle da produção e comercialização de produtos primários. O cadastro era realizado com a documentação exigida pelo município, não existindo padronização. O novo sistema de produtor rural foi desenvolvido em ambiente web. A SEFANET (Intranet da Secretaria da Fazenda) é um portal de serviços personalizados do Governo do Paraná que é disponibilizado gratuitamente às prefeituras municipais mediante convênio, e o acesso se dá por intermédio de chave e senha individuais. O público-alvo é formado pelas pessoas que se relacionam com os sistemas do governo estadual. A chave é fornecida pela Assessoria e Gerência de Tecnologia da Informação da Receita Estadual. O sistema visa, além de outros objetivos a padronização do cadastro do produtor rural, bem como do modelo de nota fiscal a ser utilizado, resultando, dentre outros fatores, em melhoria da qualidade das informações sobre a comercialização dos produtos primários no Estado do Paraná. O sistema permite, através de um link, ao servidor autorizado, cadastrar o produtor rural, emitir notas fiscais de produtor, prestar contas das notas emitidas e acessar consultas e relatórios de acompanhamento das informações cadastradas nesse sistema. Para utilizar o serviço, basta acessar o endereço www.sefanet.pr.gov.br e digitar chave e senha. Descrito o Sistema de Produtor Rural da Secretaria da Agricultura, a seguir apresenta-se o resultado da avaliação deste junto aos usuários do sistema considerando os fatores: precisão, acessibilidade, relevância, redundância, segurança, treinamento, agilidade, e posteriormente a avaliação deste sistema pelos produtores rurais. 45 3.1 Avaliação do sistema pelos usuários operacionais do sistema Os dados a seguir tratam-se do questionário aplicado aos servidores municipais que utilizam o sistema de produtor rural, SEFANET, para cadastro e emissão de notas fiscais. Os questionários foram enviados por fax, e-mail e respondidos pessoalmente. Dos oito questionários aplicados, obteve-se um retorno de seis e foram detectados os resultados demonstrados nos gráficos e análises a seguir, separados pelos fatores estudados. 3.1.1 Fator precisão A primeira e a segunda questão buscaram avaliar a opinião dos usuários quanto 2 Nunca Raramente Frequentemente Sempre 4 à precisão das informações do sistema e se referem aos Gráficos 1 e 2 respectivamente. Gráfico 1 - Precisão das informações fornecidas pelo sistema Fonte: Questionários respondidos No que se refere à precisão das informações fornecidas pelo sistema, dois entrevistados consideram freqüentemente corretas e quatro avaliam como sempre corretas. Conclui-se que os entrevistados avaliam as informações de saída do SEFANET precisas. 1 Nunca Raramente 3 Frequentemente Sempre 2 Gráfico 2 - Avaliação dos usuários quanto à acusação de erros na entrada do sistema Fonte: Questionários respondidos 46 Quanto à acusação de possíveis erros detectados pelo sistema no momento da entrada, um entrevistado declarou que raramente isto acontece, dois declararam que freqüentemente e três dos usuários declararam que sempre que é digitado um erro o sistema acusa. Analisa-se pela maioria das respostas, que o sistema acusa possíveis erros no momento da digitação. Pode-se concluir com esta análise, que é provável que pelo fato do sistema acusar possíveis erros no momento da entrada seja esse o motivo pelo qual ele fornece, com freqüência, dados precisos, conforme visto no primeiro gráfico. 3.1.2 Fator acessibilidade As questões três, quatro e cinco buscaram avaliar se as informações do SEFANET são acessíveis para os usuários e correspondem aos Gráficos 3, 4 e 5 em sua devida seqüência. 1 2 Péssima Regular Boa Ótima 3 Gráfico 3 - Rapidez de acesso e processamento de informações do SEFANET Fonte: Questionários respondidos O Gráfico 3 revela que dos entrevistados: dois consideram as informações péssimas em relação à rapidez de acesso e processamento de informações, três consideram regular e um avalia como boa. Nenhum entrevistado considera a rapidez e processamento do sistema como ótima. Desta forma, pode-se visualizar que o sistema tem-se mostrado insatisfatório quando se trata de rapidez no acesso e processamento de informações. 47 1 Péssima Regular Boa Ótima 5 Gráfico 4 – Análise dos usuários em relação à qualidade dos relatórios e telas de consultas Fonte: Questionários respondidos Conforme se vê no Gráfico 4, na opinião de cinco dos entrevistados, os relatórios e telas de consultas do SEFANET se apresentam de forma boa e um avalia como sendo ótima. Nenhum respondeu como péssima ou regular. Segundo a pesquisa o sistema possui relatórios e telas de consultas boas, ou seja, no formato correto. 2 Nunca Raramente Frequentemente Sempre 4 Gráfico 5 - Freqüência com que o sistema congestiona e/ou fica fora do ar Fonte: Questionários respondidos O Gráfico 5 representa que, quando perguntados sobre a freqüência com que o sistema congestiona, dois responderam que raramente e quatro responderam que freqüentemente. Nenhum entrevistado respondeu que o sistema fica sempre fora do ar e/ou congestionado nem que o sistema nunca ficou fora do ar. Assim, percebe-se que com uma certa freqüência o sistema congestiona e/ou fica fora do ar. 3.1.3 Fator relevância O Gráfico 6 mostra o nível das informações relevantes do SEFANET. 48 1 Não existem Poucas Muitas 5 Gráfico 6 - Nível das informações que não tem utilidade no sistema Fonte: Questionários respondidos Verificou-se junto aos usuários as seguintes respostas: cinco consideram que existem poucas informações sem utilidade e um que não existe informações sem utilidade, ou seja, a maioria considera as informações do sistema úteis. 3.1.4 Fator redundância A redundância dos dados do SEFANET foi analisada nos e Gráficos 7 e 8. Sim Não 6 Gráfico 7 – Prestação de conta de notas em duplicidade Fonte: Questionários respondidos O Gráfico 7 mostra que todos os entrevistados responderam que o sistema não permite prestar conta de notas em duplicidade. 1 Sim Não 5 Gráfico 8 – Realização de cadastro em duplicidade Fonte: Questionários respondidos 49 Na opinião de cinco dos entrevistados o sistema não permite realizar cadastro em duplicidade, e na opinião de um usuário permite. Com a visualização dos Gráficos 7 e 8 é possível verificar que o sistema não permite armazenar dados em duplicidade. Se levadas em consideração estas duas questões, pode-se dizer que o sistema não é redundante. 3.1.5 Fator segurança Quando perguntados se o controle de acesso feito por meio de senhas é seguro, obteve-se o seguinte resultado: dois responderam que é totalmente seguro, três responderam que é seguro e um que é inseguro conforme ilustrado no Gráfico 9. Analisa-se, pela maioria dos entrevistados, que o SEFANET é um sistema seguro. 1 2 Totalmente seguro Seguro Inseguro 3 Gráfico 9 - Controle de acesso ao SEFANET Fonte: Questionários respondidos 3.1.6 Fator treinamento Os Gráficos dez e onze avaliam a realização de treinamentos e a adequação destes. Sim Não 6 Gráfico 10 - Realização de treinamento para utilização do SEFANET Fonte: Questionários respondidos 50 Todos os entrevistados responderam que fizeram o treinamento oferecido pela Receita Estadual para operar o sistema, conforme se vê no Gráfico 10. 1 Inadequada 1 Pouco adequada Muito adequada 4 Gráfico 11 – Nível de adequação do treinamento Fonte: Questionários respondidos Sobre o treinamento realizado, conforme visto no Gráfico 11, um avaliou como sendo inadequado, um como pouco adequado e quatro como muito adequado, portanto, a maior parte dos entrevistados analisou os treinamentos adequados, porém, dois deles não estão completamente satisfeitos com o treinamento. 3.1.7 Fator agilidade O gráfico a seguir avalia a agilidade do sistema. 1 Menos tempo Mesmo tempo Mais tempo 5 Gráfico 12 – Agilidade do SEFANET Fonte: Questionários respondidos Observa-se no Gráfico 12, que dos pesquisados, um respondeu que utiliza mesmo tempo com o novo sistema de produtor do que com o antigo sistema e cinco responderam que utilizam mais tempo. Levando em conta a consideração da maioria dos entrevistados, atualmente se utiliza mais tempo para fazer cadastro e emitir notas de produtores com o antigo sistema. 51 3.2 Avaliação do sistema pelos produtores rurais Os dados a seguir tratam do questionário aplicado aos produtores rurais que emitiram nota na quarta semana de outubro de 2008. O resultado dos 26 questionários estão mostrados nos Gráficos 13 e 14. Vale ressaltar que esses produtores já tinham CAD/PRO (Cadastro de Produtor) e já estavam emitindo a partir do segundo lote de notas, pois só assim as respostas seriam possíveis. 2 Sim Não 24 Gráfico 13 – Aumento da responsabilidade com as notas fiscais pelos produtores Fonte: Questionários respondidos Dos produtores pesquisados, 24 responderam que sim, que aumentou o controle e responsabilidade com as notas (preenchimento correto e prestação de contas), e apenas dois responderam que não. A maior parte dos entrevistados, a partir da implantação do novo sistema, passou a prestar conta das notas e a preenchê-las de forma correta , para assim conseguir emitir um novo lote de notas. 2 4 Menos tempo Mesmo tempo Mais tempo 20 Gráfico 14 – Tempo utilizado pelos produtores após a implantação do novo sistema Fonte: Questionários respondidos 52 O Gráfico 14 representa que: 20 dos produtores entrevistados utilizam mais tempo para preenchimento das notas, quatro mesmo tempo e dois utilizam menos tempo. Conclui-se então, que com o novo sistema, o produtor utiliza mais tempo em seus procedimentos. 3.3 Comparativo dos resultados obtidos entre agricultores e usuários do sistema Com a visualização dos Gráficos 12 e 14 é possível verificar que aumentou o tempo tanto para produtores quanto para usuários do sistema em relação aos mesmos procedimentos realizados com o antigo sistema. Este ponto é falho quando se trata de agilidade, porém, deve se levar em conta que os procedimentos realizados pelos agricultores e pelos usuários do sistema passaram a acontecer de forma mais eficiente e responsável como foi mostrado no Gráfico 13. 4. Considerações Finais A sociedade da informação trouxe novos desafios e mudanças nas expectativas dos cidadãos, nas estruturas organizacionais e nos processos de trabalho. Com isso, torna-se cada vez mais necessário que as instituições públicas e os governos se apropriem e adotem ferramentas e práticas de trabalho da sociedade da informação se quiserem continuar atendendo às expectativas dos cidadãos. Além disso, é necessário que sejam realizados processos de avaliações de desempenho do sistema para verificar se ele está alcançando sua meta com qualidade. Com base nas informações obtidas através dos questionários aplicados e observações diretas, pode-se verificar que o sistema, de uma forma geral, não atende todos os requisitos de eficiência. Em relação à precisão, o sistema se mostrou adequado, pois, acusa possíveis erros no momento da digitação e conseqüentemente, na geração das informações de saída ele gera informações precisas também. Em busca de total qualidade, é interessante a realização de mais treinamentos periódicos com a conscientização dos usuários de que não são todos os dados que o sistema acusa, e por isso, é importante que seja dedicada total atenção 53 aos documentos e dados fornecidos pelo produtor no momento da digitação de seu cadastro. Aproveitando o ensejo, ressalta-se aqui que o treinamento todos fizeram, portanto, existem usuários que avaliam como sendo inadequado, é a minoria, mas deve ser levado em conta. Em resumo, sugere-se uma reavaliação da forma que os treinamentos estão sendo realizados para o uso do sistema. Há um certo descontentamento dos usuários quanto se trata de acessibilidade. Quanto aos relatórios e telas de consulta, os mesmos demonstram satisfazer as necessidades dos usuários, já em relação ao congestionamento, processamento de informações e site não se pode dizer o mesmo. Uma reavaliação pela equipe de sistemas de informações é essencial. Descobrir o real motivo desses imprevistos e corrigi-los, seja o problema quantidade de servidores, manutenção em horários comerciais ou outro. Fazendo isso, é possível ter um sistema com mais acessibilidade. Também foi possível verificar que aumentou o tempo para produtores em seus procedimentos e também que aumentaram as responsabilidades de prestação de contas e preenchimento destas. Com isso, é possível deduzir que o dispêndio de tempo pelos produtores é compensável pelo fato da prestação de conta de notas estar acontecendo com maior freqüência e com maior responsabilidade no preenchimento, que foi um dos objetivos da implantação do sistema. Outra sugestão é a realização de reuniões com os produtores conscientizando sobre as vantagens, benefícios e responsabilidades que vieram juntamente com o novo sistema, para que possam entender o porquê desses novos procedimentos adotados. O estudo aqui apresentado permitiu uma avaliação de como está o desempenho do sistema de informação utilizado na Secretaria de Agricultura. Referências ALBERTIN, A. L. Comércio eletrônico: modelos, aspectos e contribuições de sua aplicação. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2001. BATISTA, E. de O. Sistemas de informações: o uso consciente da tecnologia para o gerenciamento. São Paulo: Saraiva, 2006. BRASIL, PARANÁ, CASCAVEL. Lei nº 3.720, de 04 de nov. de 2003. O Paraná, Cascavel, PR, 07 nov. 2008. Nº 8266, p. 26. FOINA, P. R. Tecnologia da informação: planejamento e gestão. São Paulo: Atlas, 2001. 54 LAUDON, K. ; LAUDON J. P. Sistemas de informações. 7.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. O’BRIEN, J. A. Sistemas de informação e as decisões gerenciais na era da internet. 2.ed. São Paulo: Saraiva, 2004. MANUAL DO SISTEMA PRODUTOR RURAL. Curitiba: Receita Estadual, 2007. REZENDE, D. A. Tecnologia da informação integrada à inteligência empresarial. São Paulo: Atlas, 2002. SILVA, A. ; RIBEIRO, J. A. ; RODRIGUES, L. A. Sistemas de informação na administração pública. Rio de Janeiro: Revan, 2005. STAIR, R M. ; REYNOLDS, G. W. Princípios de sistemas de informação. 6. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. TURBAN, E. ; KING, D. Comércio eletrônico: estratégia e gestão. São Paulo: PrenticeHall, 2004. VIEIRA, R. Governo Eletrônico na Administração Pública. Administração.com.br - Portal da Administração: Santa Catarina:, 2008. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos>. Acesso em: 15 out. 2008. 55 A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO NAS ORGANIZAÇÕES PYC, Elenice Aparecida¹ Maria Aparecida¹ COLTRE, Sandra Maria ² RESUMO Este estudo foi uma pesquisa bibliográfica e investigou a importância do treinamento nas organizações e o seu reflexo nos demais subsistemas de recursos humanos. A reflexão foca como o treinamento pode auxiliar as organizações a na formação continuada dos seus integrantes, contribuindo ao mesmo tempo para a eficácia organizacional. Palavras-chaves: educação corporativa, gestão pessoas, treinamento. 1 INTRODUÇÃO Este artigo trata-se da importância do treinamento nas organizações, e o seu reflexo nos demais subsistemas de recursos humanos como o recrutamento e seleção, gestão de cargos e salários, avaliação de desempenho e carreiras. O treinamento na atualidade é chave para o desenvolvimento de pessoas e das organizações. De acordo com Chiavenato (1999, p. 294), ―o treinamento é uma maneira eficaz de delegar valor às pessoas, à organização e aos clientes. Ele enriquece o patrimônio humano das organizações‖. É importante lembrar que existe uma diferença entre treinamento e desenvolvimento das pessoas. Entende-se que o treinamento tem a finalidade de melhorar as habilidades do profissional no desempenho de suas funções. Já o desenvolvimento tem o foco voltado a novos cargos a serem abertos na organização com novas capacidades e habilidades a serem aprendidas pelo empregado. 1 ² Pós-graduandas do curso MBA, do Programa de Pós-graduação da Faculdade Sul Brasil – FASUL. Doutora em Engenharia da Produção, docente da Unioeste e professora Convidada do Curso MBA, FASUL. 56 Robbins (2002) comenta que, o treinamento a afeta no resultado da empresa, já que por meio dele, a organização pode proporcionar ao funcionário a qualificação continuada para o trabalho que desenvolve e melhoria de sua performance profissional. Entende-se que o treinamento deve incentivar ao funcionário a se auto desenvolver, a buscar o seu próprio meio de reciclagem para que se integre a forma de trabalho da organização. Neste contexto, apontam França (2007) e Ribeiro (2009), que em virtude das mudanças macro ambientais atuais e pela grande competição no mercado, o treinamento toda uma importância nunca antes vista. As pessoas melhores preparadas produzem melhores e se sentem produtivas, contribuindo para si e para a organização. Destaca que cabe a organização não tratar o treinamento como uma série de cursos ou eventos promovidos pela organização. O treinamento deve possibilitar melhor capacitação, aumento de moral, eficiência e eficácia, produtividade, melhoria do ambiente de trabalho alinhado a estratégia da organização na qual se refletirá todo esse investimento. 2 ASPECTOS HISTORICOS DA GESTÃO DE PESSOAS A gestão com pessoas remonta à antiguidade, George (1968) aponta que somente no final do século passado é que essa questão assume a relevância necessária para merecer uma sistematização dos conhecimentos acumulados até então. Desde a Revolução Industrial, por pressões dos sindicatos e do parlamento tanto na Inglaterra, alguns empresários reagiram aos problemas humanos causados pela industrialização e criaram o posto de secretários para atender as necessidades dos trabalhadores e impedir que formassem sindicatos. Estes secretários sociais apontam Werther e Davis (1983) marcam o nascimento de uma gestão especializada de recursos humanos, diferente da supervisão cotidiana de pessoal pelos gerentes operacionais. Nos EUA, embora haja registros de gestão profissionalizada de empresas desde o inicio do século XIX, a gestão de pessoas é sistematizada no movimento de Administração Cientifica, mesmo que incipiente. A Administração Cientifica desenvolvida por Frederick Taylor, destaca Chiavenato (1999), mostrou ao mundo que o estudo sistemático e cientifico do trabalho podia levar a maior eficiência. Os argumentos de Taylor em prol da especialização e treinamento fomentaram a necessidade de um departamento de pessoal para administrar esta questão. Estimulados pelo desenvolvimento da Administração Cientifica e dos primeiros sindicatos, as décadas iniciais do século XX, 57 presenciaram os primitivos departamentos de pessoal sendo substituídos pelos secretários do bem estar constituídos primeiramente na Inglaterra. Para a Administração Científica, apontam Werther e Davis (1983) e Chiavenato (1999), o homem é compreendido como um ser racional que ao tomar uma decisão, conhece todos os cursos de ação disponíveis e as conseqüências da opção por qualquer um deles. Que existe apenas uma forma de fazer o trabalho e que para se fixar padrões de produção, havia a necessidade que a mão de obra fosse recrutada, selecionada e treinada para cada tarefa afim. Corrobora Motta (1979) explicando que esse modelo de organização do trabalho foi durante criticado por tornar o trabalho humilhante e degradante por não permitir um processo de desenvolvimento das pessoas por si mesmas. Nesta época o chefe é que tinha o conhecimento, ele que sabia pensar o trabalho, por isso ele mandava o outro fazer. Esse outro apenas era uma engrenagem da máquina. Com o tempo as restrições impostas pelas pressuposições desse modelo provaram que impedia a renovação e crescimento tanto dos trabalhadores como da organização. Na década de 60, segundo Werther e Davis (1983) são percebidas as primeiras fissuras nos modelos de gestão de pessoas centrados no paradigma tayloristafordista, mas é na década de 70 que criticas surgem e geram as bases para uma ruptura profunda com os princípios que sustentavam as políticas e praticas de gestão focada nos processos. Durante a década de 80 houve uma transição do referencial teórico de gestão de pessoas para as ferramentas de gestão de pessoas, focadas nos processos de recrutamento, seleção, treinamento, avaliação de desempenho e cargos e salários. Nos anos 90 aponta França (2007), as organizações perceberam que são feitas de pessoas para pessoas, e todas suas práticas devem objetivar a atender e manter e desenvolver pessoas, ou seja, as pessoas são o principal ativo das organizações. No caso brasileiro, o processo evolutivo passou por fases peculiares de nossa historia. Para a maior parte dos autores brasileiros, a evolução das relações de trabalho e gestão de pessoas no Brasil segue as fases históricas do país. Fleury e Fischer (1992); Aquino (1980); Almeida (1993), Tavares (1999), França (2005) e Ribeiro (2009), que foi apenas em 1930, que o Brasil desenvolve uma atividade industrial incipiente, resultado do esgotamento do modelo exportador cafeeiro, que transferiu parte dos recursos excedentes desse setor para a atividade industrial. De 1930 a 1945 inicia-se a formação de um corpo de leis para disciplinar as relações de capital e trabalho e no governo de Getulio Vargas que é criado o Ministério do 58 Trabalho e surge a carteira de trabalho. Também inicia a estrutura dos sindicatos de trabalhadores e de empresas e a formação de uma estrutura jurídica para medir conflitos entre capital e trabalho. Nesse período, apontam os autores, houve o fortalecimento da atividade industrial no país. Esse conjunto de fatos gerou a pressão para que as empresas buscassem estruturar a gestão de pessoas dentro das exigências legais estabelecidas. Esta busca gerou um modelo burocrático de gerir e controlar pessoas. Neste período, destacam Werther e Davis (1983), quase a totalidade das empresas desenvolvia uma administração empírica. Esse período ficou marcado pelo inicio da gestão burocrática e legalista de pessoas, que perdura ainda ate os dias de atuais, já que grande parte das empresas brasileiras, ainda a gestão pessoas resumese a atender as exigências legais aponta (FRANÇA, 2007). De 1945 a 1964, o país vive o processo de redemocratização preocupado com o desenvolvimento econômico por meio da intensificação na indústria de base do movimento da substituição de importações apontam (WERTHER E DAVIS, 1983). No governo de Juscelino o parque tecnológico do país começa com a criação da Petrobrás, construção e Brasília e a abertura de estradas para escoar a produção das indústrias nacionais e estrangeiras que se instalavam no país. Com isso, houve necessidade de fortalecer o setor de Recursos Humanos para dar suporte a um recrutamento adequado às funções, programar cursos técnicos, a criação do SEBRAE, SENAC e CIEE para fomentar a mão de obra necessária. As empresas multinacionais trouxeram práticas estruturadas de gestão de pessoas, que foram incorporadas pela cultura brasileira, já que não havia um estilo brasileiro de administrar. Essa pratica estava baseada no paradigma taylorista-fordista. Durante a década de 80, algumas empresas foram demandando novos conceitos e instrumentos de gestão, mas o desconforto com dessas praticas foi crescendo o que levou as organizações brasileiras na década de 90 a buscar novos modelos de gestão mais adequados a sua cultura, aponta (FLEURY e FISCHER, 1992). Neste contexto, as pessoas começam a ser compreendidas como o principal ativo das organizações e o setor de recursos humanos e principalmente o de treinamento tomar força, aponta França (2007), com o objetivo de qualificar e valorizar as pessoas no seu trabalho. Entretanto isso afetou os outros subsistemas de Recursos Humanos, os quais as organizações tiveram que dar mais atenção. 59 2.1 Os subsistemas de recursos humanos A área da administração de Recursos Humanos foi implementada originalmente pelas organizações com o objetivo principal de prestar serviços à própria empresa para suprir suas necessidades operacionais, e, também para atender a suas exigências legais. Os subsistemas de gestão de pessoas segundo MARRAS (2000) são: o recrutamento, seleção, treinamento, higiene e segurança no trabalho, cargos e salários e avaliação de desempenho. Todavia, recrutar não pode ser entendido como sinônimo de apenas atrair pessoa. Ao contrario, a função do recrutamento é suprir as necessidades da organização, ou, melhor abastecer adequadamente o processo de seleção aponta (CHIAVENATO, 1997). Em termos estratégicos, depende diretamente das políticas e diretrizes demanda da alta direção das organizações, as quais consideram o mercado de trabalho, os cenários, legislação, as alternativas mais adequadas para a procura de pessoas e meios de viabilizar a sua contratação. O recrutamento pode ser interno ou externo. Segundo Carvalho (2007), o recrutamento interno ocorre quando, havendo determinada vaga, a empresa procura preenchê-la através do remanejamento de seus empregados, que podem ser promovidos (movimentação vertical) ou transferidos (movimentação horizontal) ou ainda transferidos com promoção (movimentação diagonal). O recrutamento interno exige uma intensa e continua coordenação, bem como a integração do gestor de pessoas com dos demais da organização podendo envolver. Já o recrutamento externo, aponta o autor, o candidato vem de fora da organização, atraído pelas técnicas de recrutamento. Outro subsistema é da seleção, segundo Araújo (2006), nos processos de selecionar deve-se aplicar a técnica mais compatível de mão de obra ser recrutada. Além disso, deve considerar as informações contidas nas descrições do cargo bem como seus pré-requisitos e responsabilidades esperadas. As técnicas de seleção são várias, daí a importância do psicólogo no apoio dessa atividade, para selecionar a pessoa com o perfil mais adequado para o cargo. Com isso, aumenta a possibilidade de ter na organização um profissional produtivo e comprometido com a eficácia organizacional. Já a administração de cargos e salários está sempre ligada ao sistema de avaliação de desempenho e do plano carreira, corroboram Chiavenato (1999), Araújo (2006) e Ribeiro (2009). Estes subsistemas são integrados e formam o processo de 60 planejamento, execução e controle das recompensas salariais e a formação da política de pagamento e desenvolvimento na organização. Corrobora Robbins (2002) e Ribeiro (2009), que o estudo de cargos e salários é instrumento que permitirá a administração de pessoas na contratação, movimentação horizontal (méritos) e vertical (promoções) de seus profissionais e retenção de talentos da empresa. A definição de cargos e salários estabelecerá uma política salarial eficaz que permitirá a ascensão profissional por meio de um sistema de avaliação justo de acordo com suas aptidões e desempenho, subsidiando seu continuado desenvolvimento e construção de sua carreira. Por isso, o posicionamento de cargos na estrutura será obtido pelo seu posicionamento no mercado, por isso o gestor de pessoas, toma importância nos dias atuais, onde o principal ativo são as pessoas. Neste sentido, o treinamento é um subsistema de grande investimento no atual contexto organizacional. 2.2 O treinamento nas organizações O treinamento, segundo Chiavenato (2003) é um processo educacional de curto prazo que utiliza procedimento sistemático e organizado pelo qual o pessoal a não gerencial aprende conhecimentos e habilidades técnicas para um propósito definido. Por outro lado, o desenvolvimento é um processo educacional de longo prazo que utiliza procedimentos sistemáticos e organizados pelo qual o pessoal gerencial aprende conhecimentos conceptuais e teóricos para propósitos genéricos. Para Araújo (2006) e Carvalho (2007), o treinamento significa educação especializada compreende e todas as atividades desde a aquisição das habilidades motora até o fornecimento de conhecimentos de técnicas, o desenvolvimento de aptidões administrativas e de atitudes referentes a problemas sociais. Tem por finalidade ajudar a alcançar os objetivos da empresa, proporciona oportunidades aos empregados de todos os níveis de obter o conhecimento a pratica e a conduta requerida pela organização. Para Dutra (2002) e França (2007), o treinamento é um investimento dirigido de equipe, com finalidades de atingir o mais economicamente possível os objetivos da empresa. O treinamento não é despesa, mas um investimento cujo retorno é altamente estratégico e compensador para a organização, reforça (RIBEIRO, 2009). O desenvolvimento de pessoal por sua vez, segundo Chiavenato (1999) e Carvalho (2007), representa um conjunto de atividades e processos cujo objetivo o 61 explorar o potencial de aprendizagem e a capacidade produtiva continuada do ser humano na organização. Visa à aquisição de novas habilidades e novos conhecimentos e a modificação de comportamentos e atitudes. Procura métodos e procedimentos que possibilitem maximizar o desempenho profissional e elevar os de motivação para trabalho. Um plano de desenvolvimento atende as necessidades das pessoas da organização, cria perspectivas de evolução e contribui para a melhoria resultados, alem de criar um ambiente positivo de trabalho. Neste sentido, aponta França (2007) o acompanhamento da formação do executivo pelo coach e mentory a cada dia é mais requisitado nas organizações. Corrobora Ribeiro (2009) que esses procedimentos que são o desenvolvimento individual acompanhado por profissionais preparados para formar pessoas de alta qualificação para gerir estrategicamente as pessoas, a cada dia se tornam mais comum nas organizações. É um investimento que busca o potencial de talento existente nas pessoas nas organizações. Por esses argumentos, apontam França (2007) e Ribeiro (2009), o papel das organizações na aprendizagem de seus funcionários se amplia com investimento anuais nas cifras de milhões. A educação corporativa com a criação das Universidades Corporativa em várias organizações, objetiva alinharem o desenvolvimento das pessoas aos resultados organizacionais. Todavia corroboram Chiavenato (1999), França (2007) e Ribeiro (2009), a responsabilidade das organizações no gerenciamento do conhecimento não significa um paradoxo em relação à iniciativa das pessoas para a busca de seu autodesenvolvimento. As pessoas estão preocupadas com o futuro e ele está na educação, isso não há dúvida, corroboramos autores. E, a educação em cooperação com várias entidades está sendo estimulada por muitos órgãos de fomento para democratiza-la de forma ampla. Por isso, aproximação da organização com a universidade tende a gerar resultados extraordinários, uma vez que a demanda hoje é por profissionais de talento. Inovar e ousar são exigências do mundo moderno e a universidade abre caminho para esses profissionais. Neste atual ambiente inquieto, curioso e revolucionário e globalizado, de alto desenvolvimento tecnológico, a competitividade e as mudanças rápidas que causam impacto na gestão das organizações, apontam os autores, não impede que a organização contribua para o desenvolvimento das pessoas enquanto profissionais. 62 CONCLUSÃO As diferentes abordagens sobre gerir pessoas a cada dia avançam no sentido de abarcar a complexidade e as necessidades humanas de crescimento e sustentabilidade. Compreender sua evolução é fundamental para apreender os desafios atuais de um contexto globalizado em transformação rápida. Educar cabe em todos os contextos e os investimentos das organizações em treinamento e desenvolvimento de pessoas aumentam ano a ano. A educação corporativa incentiva à aprendizagem contínua para desenvolver atitudes, hábitos, competências e uma visão do negocio que possam dotar as pessoas de ferramentas mentais que aperfeiçoam seu trabalho. Todavia, esta educação extrapola os limites das organizações, onde esses talentos ao agirem nas organizações, afetaram com suas decisões a sociedade. Por isso, os autores utilizados neste estudo apontam que, a organização ao investir na educação como um dos objetivos organizacionais, querendo ou não, auxilia no fortalecimento de valores de desenvolvimento sustentável. Já que são as pessoas que fazem as organizações e elas afetam o contexto. Assim, a educação corporativa por meio do treinamento é o caminho para o conhecimento avançar, e as organizações contribuírem para o entendimento entre as pessoas e a construção de uma sociedade para todos. REFÊRENCIAS ARAUJO, Luiz Cezar G. Gestão pessoas. São Paulo: Atlas, 2006. CARVALHO, Antonio Vieira de. Funções básicas do sistema de RH. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007. CHIAVENATO, I. Gestão Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 6 ed.. Rio de Janeiro: Campus, 1999. ____. Treinamento de recursos humanos nas organizações, Rio de Janeiro: Elsevier, 1999. ____. Treinamento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresas, 5 ed. São Paulo: Atlas, 2003. DUTRA, Joel Souza. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2002. FLEURY, Maria; FISCHER, Rosa. Cultura e poder nas organizações, 2.ed. São Paulo: Atlas, 1996. FRANÇA, Ana Cristina L. Práticas de Recursos Humanos: conceitos, ferramentas e procedimentos. São Paulo: Atlas, 2007. 63 MARRAS, Jean Pierre. Gestão de pessoas em empresas inovadoras. São Paulo: Futura, 2005. RIBEIRO, Antonio de Lima. Gestão de Pessoas. São Paulo: Saraiva 2009. ROBBINS, Steven. Comportamento Organizacional. 9 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. TAVARES, Maria das Graças. Cultura organizacional: antropológica. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999. uma abordagem WERTHER, Willian; DAVIS, Keith. Administração de pessoal e recursos humanos. São Paulo: McGraw-Hill, 1983. 64 MAPEAMENTO DO COMPORTAMENTO FRENTE AOS CONFLITOS NA SICREDI Alexandre Centenaro, MBA FASUL, [email protected] Eliana Antonio Bottcher, MBA FASUL, [email protected] Sandra Maria Coltre, Unioeste, [email protected] Resumo Este estudo foi exploratorio e mapeou o comportamento frente aos conflitos na Sicredi Vale do Piquiri do setor administrativo da Superintendência Regional. O corte foi transversal em 2009 sem considerar a evolução dos dados no tempo. O instrumento de coleta de dados foi um questionário extraído de Robbins (2002) contendo 15 questões que identifica o perfil comportamental frente aos conflitos tais como: abstenção; a acomodação; imposição, conciliação e a colaboração. A população pesquisada os 14 colaboradores dos quais 3 são assessores, 3 assistentes e 8 auxiliares. Os dados foram tratados numericamente e analisados descritivamente. Os resultaram apontaram que somente 4 possuem possibilidade de flexibilidade frente a cada situação do conflito e que a maioria apresenta em primeiro lugar o comportamento de colaboração frente aos conflitos. Palavras chaves: comportamento, conflitos, relacionamentos. 1 INTRODUÇÃO Quando se fala em conflito, a primeira idéia que surge é de algo prejudicial para a organização e por conseqüência para o indivíduo. Contudo, Griffin e Moorhead (2006) comentam que, embora o conflito seja considerado quase sempre prejudicial e, portanto, algo a ser evitado, ele também pode ser vantajoso. A total ausência de conflitos costuma levar à apatia e estagnação. Um 65 grau moderado de conflitos específicos pode gerar novas idéias, promover competição saudável e energizar o comportamento. Nascimento e Sayed (2002) comentam que em alguns casos, o conflito pode ser considerado necessário se não quiser entrar num processo de estagnação. Os conflitos não são necessariamente negativos; a maneira como se lida com eles é que pode gerar algumas reações. Segundo Griffin e Moorhead (2006), os gestores precisam saber quando resolver um conflito e quando estimulá-lo, a fim de evitar seus efeitos potencialmente nocivos. Ao deparar com uma situação potencialmente prejudicial, o administrador precisa se empenhar na solução do conflito, já que, nesse caso, ele provoca prejuízos importantes à organização e consome tempo e esforço que poderiam ser empregados de maneira mais produtiva. Um conflito também deve ser solucionado quando se concentra mais nos objetivos internos de um grupo que nas metas da organização. Rondeau (1996) e Griffin e Moorhead (2006) ressaltam também que o manejo de situações de conflito é essencial para as pessoas e as organizações como fonte geradora de mudanças, pois das tensões conflitivas, dos diferentes interesses das partes envolvidas é que nascem oportunidades de crescimento mútuo. O conhecimento sobre o tratamento dos conflitos é o resultado do conhecimento dos processos bem como o conhecimento do grupo, para saber quais são os pontos a serem trabalhados frente aos comportamentos apresentados. Deste modo, os estilos frente aos conflitos não são positivos ou negativos, eles devem ser utilizados no contexto adequados ao estimulo do conflito, caso contrário não surgirá o efeito esperado. Se o contexto solicita colaboração não é estratégico abster-se ou conciliar, os resultados não serão alcançados. Por isso, é útil conhecer qual é a tendência de comportamento predominante frente aos conflitos e qual a facilidade em flexibilizar entre eles em relação ao estimulo do contexto. Em vistas desses argumentos, o estudo respondeu a seguinte questão: Qual é o comportamento frente aos conflitos, dos colaboradores da Sicredi do Vale Piquiri? 66 2 CONFLITOS Conflito, segundo Rondeau (1996), existe quando individuo ou um grupo percebe um outro como um obstáculo à satisfação de suas preocupações, o que provocará nele um sentimento de frustração, que poderá levá-lo, posteriormente, a reagir em face de outra parte. Isso coloca em relevo as características associadas à existência do conflito: a interdependência das partes e a incompatibilidade. Continua que, a interdependência das partes coloca em relevo o conflito como fenômeno relacional em que cada parte tem necessidade da outra, e, ao mesmo tempo, exerce sobre o outro certo poder, o que lhe permite impor ao outro, certas limitações restringindo-lhes a ação. A incompatibilidade percebida entre os objetivos do individuo ou grupo gera frustração que dá a origem do conflito. É preciso notar que a incompatibilidade não é necessariamente, percebida pelas duas partes. A evolução do conflito será então fortemente associada à interpretação que cada parte desenvolve da situação. Os mecanismos de resolução do conflito farão fortes apelo a tudo que é suscetível de provocar nas partes em causa uma reinterpretação dos parâmetros do conflito. Para Griffin e Moorhead (2006), os conflitos ocorrem no momento em que os grupos interagem. O conflito é um desacordo entre partes. Quando há discordância em questões importantes, surge o conflito e disputas sobre recursos limitados ou políticas são os motivos mais freqüentes. Em termos específicos, o conflito ocorre sempre que uma pessoa ou grupo acredita que suas tentativas de alcançar um objetivo são dificultadas por uma pessoa ou grupo. Destacam ainda que, embora o conflito seja considerado quase sempre prejudicial e, portanto, algo a ser evitado, ele também pode ser vantajoso. A total ausência de conflitos costuma levar à apatia e estagnação. Um grau moderado de conflitos específicos pode gerar novas idéias, promover competição saudável e energizar o comportamento. Já nos conflitos desvantajosos, os objetivos de um grupo põem em risco os dos outros, existe um incompatibilidade evidente entre eles e a conduta se orienta por poucas regras e procedimentos. Quando isso acontece, os objetivos se tornam 67 extremamente importantes, o antagonismo aumenta, regras e procedimentos são violados e ocorre o conflito. Robbins (2002), explica que nas organizações existem departamentos e especializações diferentes, geralmente dificultando a integração do grupo, e gerando diferentes opiniões sobre metas, responsabilidades, decisões a serem tomadas resultando em conflitos. Os conflitos podem ser quanto aos contrários, ou seja, por ideologias diferentes, inveja, ciúmes e baixa autoestima. Quanto à natureza devido à percepção das pessoas frente aos fatos, objetivos, metas ou valores. E, quanto às causas sejam sociais, psicológicas ou intelectuais. Conforme Chiavenato (2000), nos estudos organizacionais o conflito era negado tanto na Teoria Clássica da Administração, que focava apenas a busca da eficiência, ênfase nas tarefas e na estrutura organizacional, como na teoria das Relações Humanas onde o conflito era indesejável e devia ser evitado. Além disso, a visão burocrática também negou o a existência do conflito dando prevalência apenas aos objetivos da organização. Apenas na Teoria Estruturalista, em meados dos anos 60 que os conflitos são admitidos como inevitáveis. A Teoria Comportamental dirime que os conflitos são passíveis e negociáveis existindo equilíbrio entre a eficácia e eficiência. Assim, os investimentos em compreender e definir abordagens gerenciais de administrar os conflitos toma importância no mundo organizacional. 2.1 Reações ao Conflito As reações mais comuns ao conflito segundo Rondeau (1996), acomodação, competição, colaboração e conciliação. Sempre que acontece um conflito entre grupos ou organizações, na realidade são indivíduos que entrem em choque. Em muitos casos, essas pessoas agem como representantes dos grupos aos quais pertencem. De fato, elas trabalham juntas, representando sua equipe, enquanto se esforçam para fazer sua parte e ajudar essa equipe a alcançar seus objetivos. Assim, para o autor, não importa que o conflito aconteça entre pessoas que agem como indivíduos ou como representantes de grupos. 68 Segundo Griffin e Moorhead (2006), os cinco tipos de interações que podem ser analisados no que tange os objetivos. Quando há fuga a interação tem relativamente pouca importância para os objetivos de cada parte e esses objetivos são incompatíveis. Como as partes em conflitos não se esforçam para atingir objetivos compatíveis e as questões em jogo parecem irrelevantes, essas partes simplesmente tentam escapar da interação; acomodação - a acomodação ocorre quando os objetivos das partes são compatíveis, mas a interação não é considerada importante para a conquista desses fins. As interações desse tipo costumam envolver discussões sobre como as partes podem executar as tarefas interdependentes com um gasto mínimo de tempo e esforço. A competição existe quando os objetivos são incompatíveis, mas a interação é importante para cada parte atingir suas metas. Se todas as partes se esforçam por um objetivo, mas apenas um consegue atingi-lo, elas estão competindo. A colaboração existe quando a interação entre grupos é muito importante para a conquista dos objetivos, que, por sua vez, também são compatíveis. A concessão existe quando a interação tem importância moderada para a conquista dos objetivos, os quais não são completamente compatíveis nem completamente incompatíveis. Desta forma, é relevante administrar os conflitos, haja vista a necessidade constante de orientação e gestão das equipes em uma organização bem como sua neutralização para que o objetivo principal da organização não seja distorcido. 2.2 Administração de conflitos Segundo Griffin e Moorhead (2006), os gestores precisam saber quando resolver um conflito e quando estimulá-lo, a fim de evitar seus efeitos potencialmente nocivos. Ao deparar com uma situação potencialmente prejudicial, o administrador precisa se empenhar na solução do conflito, já que, nesse caso, ele provoca prejuízos importantes à organização e consome tempo e esforço que poderiam ser empregados de maneira mais produtiva. Um conflito também deve ser solucionado quando se concentra mais nos objetivos internos de um grupo que nas metas da organização. 69 Segundo Nascimento e Sayed (2002), a administração de conflitos consiste exatamente na escolha e implementação das estratégias mais adequadas ara se lidar com cada tipo de situação. Em alguns casos, o conflito pode ser considerado necessário se não quiser entrar num processo de estagnação. Assim, os conflitos não são necessariamente negativos; a maneira como lidamos com eles é que pode gerar algumas reações. Os seguintes passos são considerados de suma importância para administrar os conflitos: criar uma atmosfera afetiva; esclarecer as percepções, focalizar em necessidades individuais e compartilhadas; construir um poder positivo e compartilhado; olhar para o futuro, e em seguida, aprender com o passado; gerar opções de ganhos mútuos; desenvolver passos para a ação a ser efetivada e estabelecer acordos de benefícios mútuos. Ressalta Robbins (2002), que o manejo de situações de conflito é essencial para as pessoas e as organizações como fonte geradora de mudanças, pois tensões conflitivas, dos diferentes interesses das partes envolvidas é que nascem oportunidades de crescimento mútuo. Para Griffin e Moorhead (2006), às vezes o administrador deve se preocupar com a ausência de conflitos, que talvez signifique que a organização estagnou e os funcionários estão satisfeitos com o status quo. Isso também pode indicar que os grupos de trabalho não estão motivados a desafiar idéias tradicionais e bem aceitas. O estimulo ao conflito consiste na criação e no uso construtivo de um conflito pelo administrador. Seu propósito é incitar situações nas quais as diferenças de opiniões sejam expostas para a análise de todos. Destacam os autores que, conflito demais é algo preocupante. Se o conflito é excessivo ou destrutivo, o administrador precisa adotar alguma estratégia para reduzi-lo ou resolvê-lo. Se ela estiver em um dos dois indivíduos, talvez seja melhor alterar os membros de um grupo ou de ambos. Se o conflito se deve a diferenças de objetivos, à disparidade na percepção da dificuldade de atingi-los ou a divergência quanto a sua importância, o gestor precisa levar as partes conflitantes para um dos cinco tipos de reações ao conflito. Para fomentar a colaboração, o administrador deve ajudar os grupos a encarar suas 70 metas como parte de um objetivo superior, para o qual as partes conflitantes podem contribuir. Segundo Rondeau (1996) na literatura de gestão de conflitos, dois modelos que servem para descrever o fenômeno do conflito em meio organizacional o fazem pelas vias estruturais e processuais. Os modelos estruturais propõem diversos quadros de referência para compreender as condições gerais em que se desenvolve um conflito, para melhor apreender os fatores suscetíveis de influenciar o comportamento das partes envolvidas. Alguns destes modelos reconhecem as fontes de conflito como próprias à natureza humana ou às relações dos grupos entre si. Os processuais propõem uma grande e diversificada opções para análise das condições do conflito. Destaca ainda, que os modelos processuais tentam descrever a dinâmica de uma situação de conflito e buscam ilustrar as transformações vividas por cada parte quando ocorre um episódio conflitual. Em geral, estes modelos nunca se preocupam em fazer uma analise sistemática das causas dos conflitos, mas tentam enfatizar a influência subjetiva e recíproca das partes envolvidas. Eles se concentram nos comportamentos adotados por cada um dos atores em conflito e tentam apreender as consequencias destes comportamentos para o desenvolvimento do conflito. Neste contexto, os autores concordam que as intervenções no gerenciamento do conflito variam entre as organizações. As modalidades podem ser diretas entre as parte por que a comunicação deteriorou ou indireta pela via de terceiro, consultores ou terapeutas. Qualquer que seja o modo de intervenção, alerta Rondeau (2002), que ele seja útil ao gestor de forma a proporcionar alternativas para lidar a situação conflitual. 3 METODOLOGIA Este estudo foi exploratório que segundo Richardson et.al. (1999) objetivou a investigar de forma mais ampla sobre um tema inferir novas ações de melhoria. O corte foi transversal em setembro de 2009, sem considerar a evolução dos dados no tempo. Os dados foram coletados por meio de um questionário extraído de Robbins (2002). O questionário contém 15 questões 71 que identifica o perfil comportamental frente aos conflitos tais como: abstenção; a acomodação; imposição, conciliação e a colaboração. Quanto mais alta sua pontuação em determinado estilo de administração de conflitos, será sempre com esse comportamento que o individuo atuará frente a qualquer conflito. A população pesquisada foi todos os 14 colaboradores do Sicredi Vale do Piquiri, setor administrativo da Superintendência Regional, situada na Avenida Presidente Kennedy, 2268, Palotina – PR. Dos 14 respondentes 3 são assessores, 3 assistentes e 8 auxiliares. Os dados foram tratados de forma numérica, conforme gabarito do autor e analisados descritivamente. 4 RESULTADOS Após a aplicação do questionário aos 14 colaboradores, houve retorno de 100%, validando o estudo. Esclarendo que segundo Robbins (2002), não há estilo bons ou ruins. Qualquer desses comportamentos podem ser utilizados no sentido de construir ou destruir as relações, tudo depende a intenção de cada um, o que as organizações não podem controlar. È importante saber colaborar, impor, conciliar, acomodar ou abster-se, de acordo com a situação, já que frente a conflitos qual é a melhor estratégia? Impor? Colaborar? Ressalta ainda o autor que, a forma com a qual a pessoa utiliza cada comportamento também é fundamental para a resolução ou aumento do conflito. Este estudo se limitou apenas em mapear a tendencia comportamental dos envolvidos, e os dados não permitem explorar outras reflexões. Para isso, seria necessário uma abordagem individual como o coach. Assim, quanto mais alta a pontuação em determinado estilo, será sempre este comportamento que o indivíduo adotora preferencialmente frente a qualquer conflito. 4.1 Assessor FUNCIONÁRIO CARGO F ASSESSOR 1 D ASSESSOR 2 H ASSESSOR 3 ESTILO SUBJACENTE DE TRATO COM OS CONFLITOS ABSTENÇÃO ACOMODAÇÃO IMPOSIÇÃO CONCILIAÇÃO COLABORAÇÃO 7 9 10 11 13 9 10 12 11 13 13 11 11 12 14 Tabela 1 - Assessores Fonte: Questionário 72 Os assessore 1 frente qualquer situação de conflito, primeiro colabora (13), concilia (11), impo, (10), acomoda (9) e abstem-se (7) sucessivamente. O assessor 2 tem pontuação mais alta na colaboração (13) e imposição (12). Já o assessor 3 tem a pontuação maior na Colaboração (14) e abstenção (13). Ao observar o intervalo entre as posições do Assessor 1 e 2 ambos tem dificuldade de se abster quando a situação exigir esse comportamento, já que É o comportamento que menos articula frente a um conflito. O assessor 3 possui intervalos pequenos o que significa que ele tem maior flexibilidade de acionar um dos comportamentos de acordo com a situação. Para os assessores predomina o comportamento de colaborar frente ao conflitos, onde o Assessor 3 tem maior capacidade de adequar seu comportamento quando a situação exigir. O comportamento predominante frente aos conflitos dos assessores é de colaboração. 4.2 Assistente Administrativo FUNCIONÁRIO CARGO B ASSISTENTE ADM 1 C ASSISTENTE ADM 2 K ASSISTENTE ADM 3 ESTILO SUBJACENTE DE TRATO COM OS CONFLITOS ABSTENÇÃO ACOMODAÇÃO IMPOSIÇÃO CONCILIAÇÃO COLABORAÇÃO 11 12 10 7 14 12 13 10 13 14 11 10 14 9 14 Tabela 2 - Assistente Administrativo Fonte: Questionário O assistente 1 frente a conflitos colabora e acomoda (14, 12) com dificuldade em utilizar a conciliação (7) o mesmo ocorrendo com o assistente 3, que utiliza alternadamente a imposição ou colaboração (14,14) em relação ao contexto do conflito. O assistente 2 possui equilibrio entre os estilo, a preferencia é colaborar e acomodar/conciliar (14,13,13), ou seja, é o único que tem maior flexibilidade em alterar seu comportamento em relação a todos os estilos.Portanto, somente o assistente administrativo 2 tem facilidade de alternar seu estilo de acordo com o contexto do conflito. 73 4.3 Auxiliar Administrativo FUNCIONÁRIO A E G I J L N M CARGO AUXILIAR ADM 1 AUXILIAR ADM 2 AUXILIAR ADM 3 AUXILIAR ADM 4 AUXILIAR ADM 5 AUXILIAR ADM 6 AUXILIAR ADM 7 AUXILIAR ADM 8 ESTILO SUBJACENTE DE TRATO COM OS CONFLITOS ABSTENÇÃO ACOMODAÇÃO IMPOSIÇÃO CONCILIAÇÃO COLABORAÇÃO 10 12 11 9 12 9 13 7 9 12 10 14 11 10 12 14 13 11 11 13 14 12 10 11 13 14 12 12 10 14 12 12 13 11 13 11 12 10 12 11 Tabela 3 - Auxiliar Administrativo Fonte: Questionário O auxiliar 1 frente a um conflito opta preferencialmente ou em colaborar ou acomodar, se um não der o resultado esperado ele opta pelo outro devido ao empate (12), depois irá se impor(11). O comportamento que mais tem dificuldade de adotar é de conciliação(9). O auxiliar 2 tem de todos, é o que tem maior dificuldadae de alterar estrategicamente seu comportamento frente aos conflitos, ou se acomoda ou colabora (13,12). Se necessitar impor (7) dificilmente conseguirá. Os auxiliares 4, 5 e 6 preferem se abster frente aos conflitos (14) se não der então colaboram (13,13,14). Esses tres auxilares, devido a variação não ser grande entre os estilos, tem maior facilidade de alterar seu comportamento de forma mais adequada ao estimulo do conflito. Os auxiliares 3,7 e 8 variam os estilo e tambem conseguem alterar os estilos com maior facilidade. Destaca-se que o auxiliar 7 sabe se impor bem como colaborar e segundo Robbins (2002), a imposição positiva é um comportamento de pessoas com perfil para ocupar cargo deve ter. Portanto, os auxiliares 1 e 2 são os que mais tem dificuldade de variar o seu estilo frente aos conflitos e o comportamento que predominou para a maioria foi de colaboração, acomodação e abstenção, com maior dificulade em concilar e se impor. O Gráfico 1 compara a média das pontuações conforme o estilo por cargo. A abstenção e acomodação é o estilo mais utilizados pelos auxilares frente aos conflitos. O estilo de colaboração frente aos conflitos é mais forte nos assistentes do que bis assessores e auxiliares. O estilo de conciliação 74 predominou primeiro para os assessores, auxiliares e assistentes. Ou seja, os assistentes tem mais dificuldade de concilar do que os auxiliares. O estilo de imposição, predomina um pouco acima nos assistentes, depois assessores e auxiliares. . Estilo Subjacente de trato com os Conflitos 16,00 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 ASSESSOR ASSISTENTE ADM ABSTENÇÃO ACOMODAÇÃO IMPOSIÇÃO AUXILIAR ADM CONCILIAÇÃO COLABORAÇÃO Gráfico 1 - Comparativo entre os Cargos Fonte: Questionário Esta é a reflexão que se deve fazer, conforme orienta os autores utilizados, ao se mapear os estilos de cada pessoa. Neste sentido, em resposta a pergunta do estudo, os funcionários da empresa pesquisada, 1 assessor, 2 assistentes e 2 auxiliares tem maior dificuldade comportamental de compreender o contexto do conflito e flexibilizar o seu comportamento no sentido de conseguir adminstrar o conflito. 5 CONCLUSÃO O estudo identificou que a tendência de uma pessoa em conseguir variar entre os estilos subjacentes conforme o conflito e a situação são difíceis, ou seja a flexibilidade de decisão e atitudes frente ao conflito dependem de vários fatores. No grupo analisado conclui-se que, do total de 14 colaboradores, somente 4 possuem possibilidade de flexibilidade frente a cada situação do conflito, que representa 31%. Em todos os cargos analisados o estilo subjacente que se destacou foi a colaboração, todavia é interessante para a empresa este 75 tipo de posicionamento em todos casos? Tem situações onde o colaborador terá que se impor, conciliar, e muitas vezes o colaborador que está sempre colaborando, fazendo o ganha ganha, estará motivado com a situação? É a melhor decisão/postura para a empresa? São questões a ser resondidas pela empresa na condução do seu negócio. Ações que a organização pode tomar é treinamentos sobre o tema, consultoria especifica ou coach na qualificação dos executivos no trato de conflitos. Seja o que for, cabe o cuidado que estas ações, conforme explica Rondeau (2002), são intervenções para além de um treinamento de conhecimento, com retorno de resultados de medio a longo prazo. REFERENCIAS CHIAVENATO, I. Gestão pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 6 ed.. Rio de Janeiro: Campus, 1999. GRIFFIN, Ricky W., MOORHEAD, Gregory. Fundamentos do omportamento organizacional. São Paulo: Ática, 2006. NASCIMENTO, Eunice M., SAYED, Kassen M. El. Gestão do capital humano. Curitiba: Fae Business Scholl, 2002. RICHARDSON, et. al. Pesquisa social: métodos e práticas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1999. RONDEAU, Alain. A gestão dos conflitos nas organizações In: CHANLAT, Jean F. O indivíduo na organização. V.III, São Paulo: Atlas. 1996. p 205 226. ROBINS, Stephen Paul. Comportamento organizacional. São Paulo, São Paulo: Prencit Hall, 2002. 76 MOTIVAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS DE UMA EMPRESA CONTABIL Eleandro Marcos Bego, MBA, FASUL, [email protected] José Maria da Silva, MBA, FASU, [email protected] Sandra Maria Coltre, Unioeste, [email protected] RESUMO Este estudo foi exploratório que investigou a motivação dos funcionários de uma empresa contábil. O corte foi transversal 2009, sem considerar a evolução dos dados no tempo. Os dados de fonte primária foram coletados por meio de um questionario com 33 questões fechadas. A escala utilizada foi de 1 alta necessidade, 2 moderada necessidade, 3 não sei dizer, 4 pouca necessidade e 5 nenhuma necessidade. Os fatores pesquisados foram: fatores higiênicos (políticas da empresa, normas administrativas, salários diretos, relações interpessoais, condições de trabalho) e fatores motivacionais (sentido de realização, reconhecimento, conteudo do trabalho, responsabilidade e promoção). A população pesquisada foram todos os 14 funcionários. Os dados foram tratados de forma numérica e analisados descritivamente. Os dados apontaram que os fatores motivacionais como os higiênicos possuem quase o mesmo grau de alta e moderada necessidade, variando em 0,4. Palavras Chave: necessidade, satisfação, fatores motivacionais e higiênicos. 1 INTRODUÇÃO Segundo Maximiano (2000), a motivação para o trabalho é uma expressão que indica um estado psicológico de disposição ou vontade de perseguir uma meta ou realizar uma tarefa. Dizer que uma pessoa está motivada para o trabalho significa dizer que essa pessoa apresenta disposição favorável ou positiva para realizar o trabalho. Estudar a motivação para o trabalho é 77 procurar entender quais são as necessidades que influenciam o desempenho das pessoas. Ao atender necessidades dos trabalhadores ponderando as suas capacidades, competências, aspirações podem gerar um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam reconhecidas e daí elas se moverão para melhorar seu desempenho. A influência gerencial sobre os subordinados exige liderança eficaz e continuar na motivação da equipe E, para que isso aconteça é necessário que os gestores tenham políticas e comportamentos voltados a criar relacionamentos saudáveis e justos. A motivação humana parte dos motivos ou necessidades que as pessoas têm dentro de si. Destaca Bergamini (1997), que não possível motivar as pessoas, mas atender necessidades. A motivação é igual necessidade, e os indivíduos se movem em busca do que desejam para atender suas diversas necessidades. A satisfação no trabalho é um elemento de ordem individual e externa as pessoas, por isso nas organizações, suas políticas devem orientar quais fatores será necessário satisfazer para que a organização sobreviva. Todavia, nas organizações são os indivíduos que a congregam e estes são repletos de necessidades, daí o desafio de como manter a organização do trabalho de forma que as necessidades tanto das empresas como dos indivíduos sejam atendidas com sustentabilidade. Aponta Chiavento (2004) que, as empresas se preocupam o nível de motivação de seus empregados, um dos motivos é pelo fato de que desejam sua felicidade, mas também, pelo que isto representa em termos de resultados financeiros para a empresa. Além disso, todo processo produtivo somente se realiza com a participação conjunta de diversos parceiros, cada qual contribuindo com algum recurso. Mas, para isso acontecer é importante que os funcionários estejam motivados a ir em frente todos os dias. Cohen e Fink (2003) destacam que, as pessoas são motivadas por varias necessidades que vão além da sobrevivência e do pertencimento social. Com a globalização e a competitividade no âmbito empresarial, aliadas aos custos de contratação e formação profissional, fazem com que se intensifiquem as buscas por se conseguir o melhor dos funcionários. Para que isto ocorra, as empresas devem criar uma política de atraia os melhores e os melhores têm necessidades mais amplas a serem satisfeitas. Neste sentido, o estudo pretende responder a seguinte questão: Qual é a motivação dos funcionários de uma determina empresa de contabilidade? 2 O QUE É O QUE NÃO É MOTIVAÇÃO 78 Para Bergamini (1997, p.31), “a motivação deriva originalmente da palavra latina motivus, movere, que significa mover”. O que move as pessoas em busca de seus objetivos é a necessidade, logo motivação é igual necessidade. De acordo com Steers e Porter citados por Bergamin (1997) indicam que, a motivação é uma cadeia de eventos baseada no desejo de reduzir um estado interno de desequilíbrio e os indivíduos agem da maneira pela qual acreditam que serão levados até o objetivo desejado. Para Robbins (2002 p. 151), a “motivação é o resultado da interação do indivíduo com a situação, é o processo responsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para que alcance uma determinada meta”. Archer (1997) e Macedo (2007) destacam que muitos gestores acreditam nos mitos sobre motivação. Os mitos são as premissas falsas sobre as quais muitos gestores se baseiam para desencadear o processo motivacional nas organizações. São elas: que uma pessoa pode motivar a outra; que a pessoa é motivada é pessoa satisfeita; que aquilo que motiva é o mesmo que direciona o comportamento de forma positiva ou não; que a motivação induz sempre para comportamentos positivos e que fatores de motivação são iguais aos fatores de satisfação. Neste sentido, para Kondo (1994), Archer (1997), a motivação é necessidade e as pessoas possuem infinitas necessidades. Quando uma necessidade é atendida não significa que as outras foram e isso, não impede a pessoa de continuar buscando seus objetivos. A necessidade motiva, mas o que direciona como as pessoas agem para conseguir o que desejam é sua personalidade. Daí que o fato das pessoas se moverem a conquistar seus desejos, não quer dizer que exibirão comportamentos positivos. A motivação é intrínseca a cada pessoa, cada pessoa tem necessidades próprias e as coisas que estão fora são os fatores extrínsecos de satisfação. Os fatores de motivação (necessidades) são diferentes do de satisfação (fora das pessoas). Conforme Bergamini e Beraldo (1988 p. 29), “as necessidades que são os motivos pelos quais cada um se põe em movimento na busca de certos objetivos não podem ser visto de maneira direta”. E para Bergamini (1997 p. 32), “não é possível motivar quem quer que seja. As pessoas já trazem dentro de si expectativas pessoais que ativam determinado tipo de objetivos.” Muitos autores já 79 propuseram que supervisionar sem coagir significa criar um ambiente onde se conversa e, principalmente, se ouve. Mais do que qualquer outra coisa, isso faz com que os empregados sintam que têm algum poder, ressalta ainda que, à medida que um tipo de necessidade é suprida, a atenção do indivíduo volta-se para outros objetivos ou finalidades. Pelo fato de ter acalmada determinada necessidade, outra já pode estar sendo gerada como decorrência do surgimento de novos estados de desequilíbrio interno. 2.1 Principais estudos Segundo Macedo (2007), as teorias de conteúdo que são as que mais se destacam, pois, tratam-se da priorização das necessidades internas das pessoas como fatores capazes de alavancar o processo motivacional. As mais conhecidas são a Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow, a Teoria dos Motivos Humanos de McClelland e Teoria dos Dois Fatores de Herzberg. Na teoria da hierarquia das necessidades de Maslow explica Limongi-França. (2002), a motivação é algo constante, infinito e complexo encontrado em todos os seres humano. O individuo deseja sempre e raramente alcança um estado de completa satisfação, exceto durante um curto tempo. À medida que satisfaz um desejo sobrevém outro. Quando este é satisfeito surge outro. É característica do ser humano, em toda sua vida desejar sempre algo a mais. Para Maslow, citado por Macedo (2007), os níveis de necessidades que são: sobrevivência; proteção ou segurança; necessidade de pertencer a um grupo; estima ou ego; e, finalmente, auto-realização. Apenas as necessidades não-satisfeitas são fontes de motivação. A teoria de Maslow traz importantes contribuições, pois, permite identificar os grandes grupos de necessidades, o estabelecimento das prioridades e a relevância do crescimento pessoal e da auto-realização em consonância com os objetivos organizacionais. Já a Teoria dos Motivos Humanos de McClelland explica Macedo (2007), também destaca a importância da satisfação das necessidades básicas e identifica três conjuntos: 1) realização: busca da excelência, do sucesso, alcance de metas e desejo de reconhecimento; 2) afiliação: interesse por amizades e boa convivência. 3) poder: interesse pela liderança e de status. È a capacidade de influenciar ou dominar os outros. De acordo com Robbins (2002), esta foi proposta pelo psicólogo 80 Frederick Herzberg. Os fatores são fatores motivacionais que levam à satisfação e os higiênicos que não levam a satisfação, mas se faltarem leva à insatisfação. Dessa forma, os executivos que procuram eliminar os fatores que geram insatisfação podem conseguir a paz, mas não a motivação dos funcionários. Assim, as condições em torno do trabalho, como a qualidade da supervisão, remuneração, as políticas da empresa, as condições físicas de trabalho, o relacionamento com os outros e a segurança no emprego, foi caracterizada por Herzberg como fatores higiênicos. Macedo (2007) ressalta que, a grande contribuição de Herzberg foi mostrar que não basta criar boas políticas higiênicas ou de manutenção se não houver reformulação nos cargos e valorização efetiva das pessoas que os ocupam. Os principais fatores higiênicos são: salário, benefícios sociais, tipo de chefia ou supervisão que as pessoas recebem de seus superiores, condições físicas e ambientais de trabalho, políticas e diretrizes da empresa, clima de relacionamento entre a empresa e os funcionários, regulamentos internos. São fatores de contexto e se situam no ambiente externo que circunda o indivíduo, tradicionalmente apenas os fatores higiênicos eram utilizados na motivação dos empregados: o trabalho era considerado uma atividade desagradável e, para fazer com que as pessoas trabalhassem mais, tornava-se necessário o apelo para prêmios e incentivos salariais, supervisão, políticas empresariais abertas e estimuladoras, isto é, incentivos situados externamente ao indivíduo em troca do seu trabalho. Aponta Bergamini (1997) que os estudos de Herzberg revelaram que quando os fatores higiênicos são ótimos, eles apenas evitam a insatisfação e se elevam a satisfação, não consegue sustenta-la por muito tempo. Quando os fatores higiênicos são precários, eles provocam a insatisfação, pois eles apenas evitam a insatisfação, mas não provocam a satisfação. Seu efeito é similar ao de certos remédios higiênicos; evitam a infecção ou combatem a dor, mas não melhoram a saúde. No final dos anos 60, Edwin Locke apresentou sua teoria, baseada na necessidade que as pessoas têm de vislumbrar objetivos claros e diretrizes bem definidas. “A definição de metas claras e especificas para os trabalhadores contribuiu para a satisfação das necessidades dos indivíduos” (LIMONGI-FRANÇA, 2002, p. 255). A autora aponta que Locke também destacou que metas com razoáveis graus de dificuldades e definidas com a participação dos empregados produzem melhores resultados do que metas muito fácil ou que foram definidas sem a 81 participação dos envolvidos na sua consecução. A participação aumenta a aceitação da meta, o que torna mais atraente para o trabalhador. Segundo Macedo (2007, p. 96) “a intenção de trabalhar por algum objetivo constitui grande fonte de motivação, pois suscita comportamentos proativos”. As conclusões aplicadas à gestão de pessoas são: 1) os objetivos considerados mais difíceis conduzem a um melhor desempenho; 2) os objetivos específicos produzem melhor desempenho do que os objetivos vagos e imprecisos; 3) a participação na definição dos objetivos aumenta sua aceitação pelo colaborador e o seu grau de comprometimento; 4) pessoas com elevado grau de auto-eficácia tendem a vencer mais desafios. Para Locke (apud Wagner e Hollenbeck, 1999), os quatro principais métodos para provocar a motivação nas pessoas envolvem as recompensas financeiras, alcançarem metas, participação nas decisões e cargos com tarefas mais amplas. Além disso, “o grau de equidade é definido em termos da razão entre a entrega individual (esforço) e a recompensa (pagamento), comparada a uma relação similar para outra pessoa que seja relevante em termos de comparação” (LIMONGIFRANÇA, 2002, p. 255). De acordo com a autora, o maior determinante do desempenho e da satisfação no trabalho é o grau de equidade ou iniquidade que um indivíduo percebe na situação de profissional. Se um indivíduo acha que esta sendo menos recompensado quando comparado a outros, ele se sente insatisfeito e procura formas alternativas de eliminar a iniquidade.De acordo com Macedo (2007, p. 97), “o sentimento de justiça resulta da comparação de nossa contribuição e de nossas recompensas com as dos outros”. Por contribuição entendem-se o esforço e o tempo empregados, o talento e o nível de desempenho, enquanto as recompensas incluem o reconhecimento, os pagamentos, os benefícios e até as punições. Se houver igualdade nessa proporção, a certeza da eqüidade e do tratamento com justiça será reforçada. Havendo desigualdades, o processo motivacional será prejudicado pelo sentimento de injustiça. Conforme Macedo (2007), as pessoas podem aceitar receber a mais do que julgam merecer, mas não menos. Alguns são mais controlados com relação às desigualdades de tratamento, outros reivindicam imediatamente aquilo que, a seu ver, lhes é devidos. Em 1964, Victor Vroom propôs sua teoria voltada para o ambiente de trabalho. Sua teoria é considerada de processo e não simplesmente de conteúdo, pois identifica relações entre variáveis dinâmicas, que explicam o comportamento das pessoas no trabalho (LIMONGI-FRANÇA 2002). 82 Segundo Robbins e Finley (1997, p.355), a Teoria da Expectativa "ajuda a explicar por que muitos trabalhadores não são motivados em seus cargos e fazem apenas o mínimo necessário para não perde-los". Existem três relações: 1) entre a quantidade de esforço e o desempenho resultante: expectativa; 2) entre desempenho a mais e uma recompensa: instrumentalidade; 3) entre recompensa e satisfação de metas pessoais. Esses três fatores que podem gerar motivação e podem servir de base para a atuação do líder, daí a importância de criar um ambiente que promova o desempenho e reconhecimento. Para que estas ações de atendimento de necessidades sejam adequadas para as partes, cabe a Administração de Recursos Humanos, desencadearem as ações necessárias. Neste sentido, Chiavenato (1985, p. 16) afirma que “a administração de recursos humanos consiste no planejamento, na organização, no desenvolvimento, na coordenação e no controle de técnicas capazes de promover o desempenho eficiente de pessoas”. Já para Maximiano (2000), a administração de recursos humanos é uma série de decisões integradas que influencia diretamente na capacidade da organização em atingir seus objetivos. Corrobora Ribeiro (2009) que para a organização ter sucesso e atinja seus objetivos é necessário ter uma gestão de necessidades adequada ao contexto e as expectativas das partes. 2.2 A importancia da motivação nas organizações As ações dos gerentes é uma das muitas razões que possibilitam o aproveitamento das potencialidades e o aumento do desempenho. Por isso, Maximiano (2000), reforça que um bom líder é aquele consegue atender necessidade e gerar entusiasmo, empenho e lealdade, podendo tornar o ambiente de trabalho em um lugar mais positivo. Para Bergamini (1997), o relacionamento entre líderes e seguidores é importante para o processo motivacional. O líder só é autorizado a exercer o seu poder quando o seguidor reconhecer nele grande sensibilidade interpessoal. O seguidor só terá percepção positiva do líder a partir do momento que ele não só reconheça suas expectativas, mas também o ajude a atingir aquilo que por ele é desejado. Caso esse líder interfira nos objetivos que ele pretende atingir, dificultando ou impedindo a sua busca, logo o seguidor considerará o líder como alguém que não merece ser seguido. Complementa ainda que, nas organizações são comuns encontrar um grande contingente de pessoas que não nutrem a menor motivação por aquilo que fazem. Esses tipos de trabalhadores não possuem nenhuma satisfação ou realização pessoal gerada por aquilo que fazem em seu trabalho. Nesse caso, o trabalho deixa de exercer seu papel como referencial de 83 auto-estima e valorização pessoal, passando a ser fonte de sofrimento e não oportunidade de realização dos desejos interiores que cada um tem. Atualmente aponta Ribeiro (2009), que atualmente o fator de grande insatisfação e desmotivação dos funcionários são o estresse no trabalho. Para Chiavenato (2004) e Ribeiro (2009), o estresse no trabalho é fator que afeta a motivação para o trabalho e nos dias atuais. Ele é provocado por carga excessiva de trabalho e também pelo autoritarismo do chefe, a desconfiança, o cumprimento do horário de trabalho, a pressão das exigências e cobranças, monotonia de certas tarefas, o baixo astral dos colegas, a falta de perspectiva de progresso profissional e a insatisfação pessoal. Para que o estresse não influencie no desempenho do funcionário e no aumento de produtividade é necessário que a empresa proporcione um ambiente de trabalho adequado, onde tantos as necessidade higienicas e motivacionais possam ser atendidas. Ribeiro (2009) reforça que o estresse provoca muitas conseqüências negativas como ansiedade, depressão, angústia, e conseqüências físicas, como nervosismo, distúrbio gástricos e cardiovasculares, dores de cabeça e acidentes interferindo na quantidade e qualidade do trabalho, no aumento do absenteísmo e rotatividade, na predisposição a queixas, reclamações e greves. Corroboram Bergamini (1997) e Ribeiro (2009) que a satisfação da necessidade está diretamente proporcional ao estado de equilíbrio, porém quando não ocorre este conflito pode ser resolvido a partir de três maneiras diferentes. Pela satisfação da necessidade, pela frustração da necessidade, ou pela a compensação da necessidade por outra coisa. Destacam Wagner III e Hollenbeck (2004), que um dos maiores desafios atuais é motivar as pessoas, ou seja, faze-las compreender que nem todas as necessidades a organização pode atender e vice-versa. O que um bom ambiente organizacional e pode fazer é criar oportunidade de crescimento, enriquecimento do e buscar a integração e a produtividade para ambas as partes. São desafios complexos a serem obtidos na conjuntura atual, em que o conflito entre o capital e o trabalho aumentou de maneira assustadora em todas as partes do mundo. Todavia, cabe lembrar que a motivação é própria da pessoa e ela necessita dela tomar posse com coragem para lidar com desafios e com as progressivas mudanças do mundo globalizado, pois afinal só ela pode se motivar em prol dos seus desejos. 3 METODOLOGIA 84 Este estudo foi exploratório, segundo Marconi e Lakatos (1990), investigou sobre um tema para melhor compreende-lo para tomar ações de melhorias aplicadas ao contexto de uma empresa do ramo contábil de Palotina Paraná. O corte foi transversal em setembro de 2009, sem considerar a evolução dos dados no tempo. Os dados de fonte primária foram coletados pela primeira vez com questionário. O de fontes secundaria foram coletadas através dos registros a empresa e bibliografia. A população pesquisada foram todos os 14 funcionários. O instrumento de coleta foi um questionário contendo 33 questões fechadas. A escala utilizada foi de 01 alta necessidade, 02 moderada necessidade, 03 não sei dizer, 04 pouca necessidade, 05 nenhuma necessidade. Os fatores pesquisados foram: fatores higiênicos (políticas da empresa, normas administrativas, salários diretos, relações interpessoais, condições de trabalho) e fatores motivacionais (sentido de realização, reconhecimento, conteudo do trabalho, responsabilidade e promoção). A população foi todos os 14 funcionários da empresa. Os dados foram tratados de forma numérica e analisados descritivamente. 4 ANALISE DOS DADOS Após a aplicação dos 14 questionários houve retorno de 100% validando o estudo. 4.1 Fatores Higiênicos FATORES HIGIÊNICOS Alta Moder Não Pouca Nenhu Necessi ada Sei Necessi ma dade Necessi Dize dade Necessi 01 dade r 03 dade 04 02 Políticas da empresa 8,7 3,3 Conhecer minha empresa. 06 03 Gostar do meu trabalho. 08 05 Que minha empresa tenha 12 02 9,3 1,3 05 0,3 1,7 0 Média 05 01 objetivos definidos. Normas administrativas 1,7 1 0,7 85 Média Que minha empresa seja bem 10 03 01 organizada. Estar em dia com o meu trabalho. 11 02 01 Que minha carga de trabalho, seja 07 02 01 02 02 6,3 3,3 1,3 1,70 1 Que meu chefe saiba decidir bem. 06 02 04 02 Que o ambiente de trabalho criado 11 02 01 03 06 02 03 09 3,7 1 0,7 0,3 09 03 01 09 02 01 09 04 01 7,7 03 0,3 10 01 08 04 01 04 06 03 01 trabalho 7,3 3,7 1,3 0,3 1,3 Que o número de horas em que eu 06 03 02 03 10 01 03 geralmente é constante. Estilos de chefia Média pelo meu chefe seja bom. Que minha chefia me de bastante liberdade. Salários diretos Média Que meu salário seja igual/melhor 01 do que aqueles pagos em outras empresas para o mesmo trabalho. Que o meu salário seja aumentado 02 nas épocas devidas. Que minha remuneração seja justa em relação ao trabalho que faço. Relações interpessoais 2 1 Média Que as pessoas de minha área de 03 trabalho ajudam-se mutuamente. Que os meus colegas cooperem 01 comigo. Eu gostar da maioria dos meus colegas de trabalho. Condições de Média trabalho diariamente seja adequado. Que as condições de trabalho, na empresa, sejam boas. 86 Que na minha empresa, as 07 05 01 01 8,03 3,05 0,98 1,23 condições de trabalho sempre melhorem. Média total de necessidades 0,72 higienicas Tabela 1: Fatores Higiênicos Fonte: questionario (2009) Em relação aos fatores higiênicos todos os indicadores apontam alta necessidade. Nos três subindicadores de cada indicador higiênico constata-se que os que mais se destacam são: em Políticas da Empresa (Que minha empresa tenha objetivos definidos, 12), Normas Administrativas (estar em dia com meu trabalho, 11), Estilos de Chefia (Que o ambiente de trabalho criado pelo meu chefe seja bom, 11), Salários Diretos (Que meu salário seja igual/melhor do que aqueles pagos em outras empresas para o mesmo trabalho, (Que o meu salário seja aumentado nas épocas devidas), (Que minha remuneração seja justa em relação ao trabalho que faço, 9), Relações Interpessoais (Que as pessoas de minha área de trabalho ajudam-se mutuamente, 10), Condições de Trabalho (Que as condições de trabalho, na empresa, sejam boas, 10). Constata-se que pelas médias todos os fatores têm escores significativos na alta e moderada necessidade. Pelos dados pode-se concluir que quanto aos fatores higiênicos a maioria dos funcionários tem deles alta e moderada necessidade inclusive da definição clara das normas administrativas (9,3), salários indiretos (9) e políticas da empresa (8,7). 4.2 Fatores Motivacionais FATORES MOTIVACIONAIS Alta Moder Não Pouca Nenhu Necessi ada Sei Necessi ma dade Necessi Dize dade Necessi 01 dade r 03 dade 04 02 Sentido de realização 8,7 3,3 06 03 05 0,3 1,7 Média Conhecer minha empresa. 05 0 87 Gostar do meu trabalho. 08 05 01 Que minha empresa tenha 12 02 9,0 2,7 1,3 1,0 10 02 01 01 11 02 01 06 04 02 02 8,3 3,0 0 2,0 11 01 02 07 03 02 07 05 02 8,7 2,7 11 01 08 03 01 02 07 04 01 01 01 6,7 4,3 1,7 1,0 0,3 10 04 07 05 01 03 04 04 objetivos definidos. Reconhecimento pelo trabalho realizado 0 Média Receber elogios por um trabalho bem feito. Que a minha empresa saiba reconhecer o valor de seus funcionários. A dedicação dos funcionários é reconhecida na minha empresa. Conteúdo do Trabalho 0,7 Media Que meu trabalho exija o meu raciocínio. Que o meu trabalho não seja 02 monótono. Para executar o meu trabalho eu uso muito a inteligência. Responsabilidade 0,7 1,7 0,3 Media Sentir responsável pelo meu 02 trabalho. Que minha empresa me veja como responsável pelo meu trabalho. Eu posso decidir sobre os assuntos que afetam diretamente o meu trabalho. Promoção para tarefas mais amplas Média Que o sistema de promoções de minha empresa seja justo. Ser promovido para poder 01 enfrentar desafios maiores. A minha empresa sabe escolher as promoções que faz. 03 88 Média total de todas as 8,28 3,20 0,8 1,48 0,26 necessidades motivacionais Tabela 2: Fatores Motivacionais Fonte: questionário (2009) Quanto aos fatores motivacionais que os colaboradores possuem alta necessidade é: (Reconhecimento pelo trabalho realizado, 9) e (Responsabilidade, 8,7) e (Conteúdo do trabalho, 8.3). Nos subindicadores os valores também são maiores nos fatores motivacionais que nos higiênicos com intervalos menores, dando importância para eles. Apenas no subindicador de promoções (Minha empresa sabe escolher as promoções que faz, indicaram escore, 3 de alta necessidade). Ao somar as media total de alta e moderada necessidade constata-se que os fatores higiênicos 11,08 e os motivacionais 11, 48, ou seja, uma diferença de 0,4 pontos de necessidade. Para os respondentes os fatores higiênicos são tão importantes quanto os motivacionais. A organização deve observar que o não atendimento adequado de um fator higiênico, implicará na insatisfação dos envolvidos podendo afetar as questões motivacionais, principalmente a questão das normas administrativas, que sem regras claras, critérios bem definidos de carga de trabalho e objetivos organizacionais, fatores motivacionais de conteudo do trabalho, promoção e reconhecimento serão afetados. 5 Conclusão Motivar pessoas implica em conhecer suas necessidades e satisfaze-las. Todavia, as organizações não conseguem satisfazer todas as necessidades de seus colaboradores, bem como, a recíproca também é verdadeira. Neste sentido, conhecer o grau de necessidades dos envolvidos auxilia as partes compreender até onde se tem condições de atender as necessidades. A organização ao conhecer o grau de necessidades poderá realizar ações tais como: reuniões, treinamentos, grupos de estudos, debates dentre outras, no sentido tornar o processo e motivação conhecido de todos, desmistificando seus mitos e com isso, gerenciando a questão com conhecimento de causa. 89 REFERÊNCIAS ARCHER, Eanest R. O mito da motivação. In: CODA, Roberto; BERGAMINI, Cecília (org.). Psicodinâmica da vida organizacional: motivação e liderança. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997, p. 23 a 46. BERGAMINI, Cecília Whitaker; BERALDO, Deobel G. R. Avaliação de desempenho humano na empresa: 4. ed. São Paulo: Atlas, 1988. ____.Motivação nas Organizações: 4. edição: São Paulo: Atlas, 1997. CHIAVENATO, Adalberto Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2004. COHEN, Allan R. e FINK, Stephen L. Comportamento organizacional: Conceitos e Estudos de Casos. Rio de Janeiro, 7. ed. Editora Campos, 2003. KONDO, Yoshio. 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Comportamento organizacional, criando vantagem competitiva, São Paulo: Saraiva. 2004. 90 A EFICÁCIA DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO DA EMPRESA A FÓRMULA Cátia Simone Picinin, MBA, FASUL,[email protected] Geni Terezinha Batista, MBA, FASUL, [email protected] Sandra Maria Coltre, Unioeste, [email protected] RESUMO Este estudo avaliou a eficácia dos meios de comunicação da empresa A Fórmula. O estudo foi de avaliação com corte transversal em 2009 sem considerar a evolução dos dados no tempo. O instrumento de coleta de dados foi um questionário com 44 indicadores aplicado aos 19 funcionarios onde 12 da matriz e 7 da filial. Os dados foram tratados de forma numérica e analisados descritivamente. Os resultados apontam que os maiores valores da eficácia da comunicação tanto na Matriz (158) e Filial (111) é de media eficácia. No geral a eficácia comunicacional é maior na Matriz do que na Filial, com tendência de media para alta. Palavras Chave: eficácia, canais de comunicação, competitividade. 1 INTRODUÇÃO O mercado de trabalho torna-se cada vez mais competitivo, aumentando a necessidade de aprimoramento da eficácia organizacional. Neste contexto, os termos eficiência e eficácia tomam grande importância na gestão organizacional. A eficiência, segundo Drucker (2007) é fazer certo algo e se não fizer certo ocorre retrabalho e desperdício. Já a eficácia é fazer algo certo, e se não fizer que deve ser feito como o certo, o retrabalho e desperdícios serão maiores. Enquanto que a eficiência foca os meios a eficácia foca os resultados, ou seja, ser eficiente não é o suficiente para atingir resultados eficazes. No processo de comunicação organizacional estes termos são prioritários, visto que, não basta ter uma equipe altamente motivada, é preciso que haja uma comunicação eficaz e interação eficaz entre as pessoas. Para Alvarenga (2006), o mundo se constrói pela forma com a qual os individuos se comunicam por isso, é necessário assegurar que a informação seja divulgada e transmitida para todos os níveis organizacionais, para que as pessoas possam usá-la de forma mais eficaz. Nas organizações ocorrem de cima para baixo e vice-e-versa respeitando a hierarquia, de forma lateral e diagonal. Para Chiavenato (2003) e Brum (2004), uma comunicação eficaz ocorre quando uma informação é transmitida a alguém, e é então compartilhada também por esse alguém. O que acontece muitas vezes nas organizações é a não existência desse entendimento, causando as indesejáveis falhas na comunicação. Não se concebe mais que uma organização, em plena era de informação e com uma enormidade de instrumentos ao alcance de quem valoriza a eficiência, omita a 91 informação de seus funcionários e a comunicação tenha apenas uma eficiência parcial, comenta (DRUCKER, 2007). Continua que, a comunicação está deixando de ser uma atividade secundária para se tornar uma valiosa ferramenta de gestão empresarial, contribuindo não só para a capacitação profissional, mas também para a competitividade, já que funcionários bem informados são considerados um diferencial no que concerne a qualidade. Uma falha de comunicação gera transtornos imensos, por isso o esforço a ser feito para se manter uma boa comunicação é fundamental. A empresa A Fórmula, foi fundada em 1989 com o nome de O Formulário e no ano de 1992, quando assumia a então, atual administração, passou a chamar-se A Fórmula. A matriz fica na cidade de Cascavel - PR e a sua filial em Toledo - PR, porém o grupo conta com farmácias nas principais cidades Paranaenses. A equipe de Cascavel hoje conta com 17 colaboradores e em Toledo com 7. O MSN é uma ferramenta mais utilizada para a comunicação entre matriz e filial. Desta forma buscou responder a seguinte questão: qual é a eficácia do processo de comunicação da empresa A Fórmula? 2 A COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES Segundo Chiavenato (2003, p.109), ―as pessoas não vivem isoladas e nem são autossuficientes. Elas se relacionam continuamente com outras pessoas e seus ambientes através da comunicação‖. Ninguém consegue viver sem se comunicar, a comunicação é uma base para se viver em sociedade, família, criar grupos de amigos, e fazer uma organização alcançar seus objetivos. ―Embora a comunicação constitua uma das capacidades humanas mais fundamentais e seu desenvolvimento nos indivíduos se dê de forma que pode ser considerada natural, a verdade é que a grande maioria das pessoas não sabe comunicar-se‖ diz (GIL 2001, p.71). Para ele muitas pessoas confundem informar com comunicar. E diz que, ―informar é um ato unilateral, que envolve a pessoa que tem uma informação a dar, enquanto, comunicar implica tornar algo comum, fazer-se entender, provocar reações no interlocutor‖. Segundo Chiavenato (1992, p.114), ―na realidade, a comunicação é um processo de passar informações e compreensão de uma pessoa para outra‖. A compreensão da mensagem só será possível se todos os elementos da comunicação forem escolhidos adequadamente, observando a estrutura e as particularidades de cada organização. Por meio da comunicação, torna-se possível estabelecer canais que possibilitem o relacionamento ágil e transparente da direção da organização com o seu público interno e entre os próprios elementos que integram este público. Mais do que nunca nesses tempos de competitividade, é uma ferramenta imprescindível para que uma empresa possa cumprir as suas metas e atingir os resultados esperados aponta (RUDIGERO, 2009). Ressalta ainda que, a comunicação não pode ser vista isoladamente. Sua eficácia depende de um trabalho em equipe que abrange outras áreas de comunicação. O importante não é o instrumento de comunicação em si, mas a forma como este é utilizado. Para Ordens et al. (2004) entender a importância da comunicação interna em todos os meios hierárquicos, como um instrumento da administração estratégica é uma exigência para se atingir a eficácia organizacional. ―Uma comunicação eficaz não é, como à primeira vista pode parecer, um ato em que o emissor e receptor se envolvem numa mensagem, com resultados claros e consensuais para os dois. O emissor pode ter claramente em vista o objetivo de sua mensagem, com a qual concorda o receptor, mas ambos podem se comportar de maneira diferente, como se tivessem mensagens 92 diferentes‖ (REGO 1986 p.38). Para Minicucci (1995), a comunicação completa e eficaz entendida como fornecimento de troca de informações, idéias, sentimentos, através de palavras escritas ou orais ou de sinais é vital para o ajustamento das pessoas. É na comunicação que se estabelecem os objetivos de qualquer projeto e qual o papel de cada departamento para o público interno e externo. A comunicação eficiente faz com que as informações sejam distribuídas de maneira clara para cada receptor. 2.1 Tipos de comunicação nas organizações A comunicação pode ser verbal e não verbal. No primeiro caso explica Carvalho e Nascimento (2002), a comunicação envolve participação, transmissão e trocas de conhecimento e experiências. A comunicação verbal pode ser: interna quando o processo acontece dentro da empresa e externa quando o processo ultrapassa os limites da empresa, ocorrendo entre esta e funcionários ou instituições de fora da empresa. Conforme o autor, no processo de comunicação verbal, o indivíduo, de modo em geral, está consciente de sua fala, porém na comunicação nãoverbal, por ser silenciosa e transparente, ela é usada de forma involuntária na maioria das vezes, sendo em alguns casos utilizada de forma consciente e estratégica. O corpo fala se manifesta, se expressa, transmite mensagens, não apenas com palavras, mas através de expressões faciais gestos com as mãos, postura física, ritmo do corpo, perpassando informações muitas vezes importantes sobre si, sem utilizar-se das palavras. Na comunicação organizacional é importante o conhecimento da linguagem não-verbal, principalmente para que os indivíduos transmitam uma coerência sobre os que estão falando na linguagem verbal oral e o que realmente estão expressando por meio da linguagem não-verbal. As comunicações orais estão no cerne dos problemas de relacionamento entre setores ou na raiz das soluções de integração horizontal/vertical. Muitas questões pendentes poderiam ser resolvidas por meio de uma receita que inclui contatos, reuniões de integração, avaliação, análise, controle e feedback. ―Os canais formais são os instrumentos oficiais pelos quais passam tanto a informações descendentes como as informações ascendentes e que visam a assegurar o funcionamento ordenado e eficiente da empresa.‖ Rego (1986, p. 63). Na comunicação formal não há espaço para discussões, o funcionário apenas recebe a informação e direciona o seu trabalho da melhor maneira possível. Já a comunicação informal não é planejada pela diretoria da empresa. Muitas vezes esse tipo de comunicação acaba ignorando os canais de comunicação formal. ―O termo informal é aplicado comumente aos canais que divergem das vozes oficiais que nascem no interior da comunidade empresarial‖ (REGO 1986, p. 121). A comunicação informal, porém, pode gerar boatos, que rapidamente difundem uma informação errada, ou até mesmo intrigas entre os funcionários, isso faz com que o ambiente interno se torne ruim. Rego (1991, p. 177) diz que, ―O boato vem, de alguma forma, compensar as falhas existentes na comunicação formal‖. Para resolver esses distúrbios é preciso fazer ajustes na comunicação para que não haja conflitos internos. Outro fator que influencia negativamente a comunicação interna de uma empresa é a delação, que acontece em todos os tipos de organização quando uma pessoa faz denúncias contra outro funcionário, muitas vezes tentando tirar vantagem sobre isso. Seja através da comunicação verbal ou não verbal, apontam Aguiar (2004), a informação é indispensável aos funcionários de uma empresa como base para 93 atingir metas. Por meio da informação, pode detectar áreas problemáticas capazes de impedir a consecução de objetivos. É também, por meio dela que são avaliados desempenhos individuais e/ou coletivos. E ainda, só através de informações torna-se possível fazer ajustamentos necessários para que a eficiência no trabalho seja alcançada. Ruídos ou barreiras comunicacionais existem a cada passo do processo de comunicação, produzindo interferências que podem prejudicar a eficácia da informação. Dentre as mais citadas barreiras comunicacionais estão: motivação e interesse baixos, linguagem inapropriada, comunicação defensiva, filtro, comunicação não-verbal insuficiente, sobrecarga de informações ou de comunicações, habilidades de comunicação deficientes, problemas de comunicação eletrônica (AGUIAR, 2004). Para Birck e Keske (2008), os gerentes devem entender alguns fatores a fim de dirimir barreiras comunicacionais. São eles: os processos perceptivos (percepção seletiva, organização seletiva, estereótipo); a seleção dos canais de comunicação (que dependem do caráter rotineiro ou não da informação a ser transmitida); a comunicação não-verbal (representa a maior parte das mensagens que enviamos); a necessidade de ouvir (a fim de compreender o verdadeiro significado das mensagens); e fluência nas formas mais tradicionais de comunicação verbal. O fluxo de comunicação descendente é muitas vezes superestimado. Sendo o mais familiar, o mais utilizado pela gerência, é também o que causa maiores problemas, principalmente no que tange a diminuição, distorção ou perda do conteúdo da mensagem. Já a comunicação ascendente é a rede mais importante para manter a administração informada sobre problemas, um importante meio para o feedback. Algumas de suas abordagens são: política de portas abertas, programas de treinamento, programas de reclamações. A comunicação horizontal é o maior objetivo de uma boa estratégia de comunicação organizacional. Não apenas intramuros, mas uma comunicação participante, que envolva funcionários, fornecedores e clientes. Uma estratégia inteligente que trabalhe com idéias, sugestões e reclamações de todos os interessados na melhoria do atendimento, serviços e produtos oferecidos pela empresa, aponta (SPECTOR, 1998). Para que a horizontalização da comunicação aconteça são muito relevantes os canais de comunicação informal, a rede de comunicação não-oficial que complementa os canais formais. Os propósitos dessa forma de comunicação são satisfazer necessidades pessoais; contrabalançar efeitos do aborrecimento ou monotonia; procurar influenciar o comportamento dos outros; servir como fonte de informação relacionada ao trabalho ressalta (MEGGINSON et. al. ,1998). Neste sentido, para que a comunicação flua instrumentos são utilizados como memorandos, ofícios, instruções de serviços, telefones, fax email e o mais rápido o MSN. 2.2 comunicação eletrônica (MSN) Na contemporaneidade, o grau de exigência para que o profissional tenha uma maior agilidade e eficácia é muito alta. Por conta do compromisso com a rapidez nos resultados e feedbacks, muita organizações abriram espaço para seus colaboradores usarem canais de comunicação além dos corriqueiros telefone e e-mail como o MSN, Orkut e Google Talk no expediente para adiantar seus contatos. Para Nassar (2000), a tecnologia tem um dos principais papéis na transformação das atividades e no negócio da comunicação social. Além de representar para muitos, uma verdadeira revolução cultural, ela significa investimentos e até a definição de novos objetivos e rumos. A internet ressalta Nassar (2000), se tornou imprescindível nos planos de comunicação das grandes corporações, cujos 94 sites foram criados como centros de informação para consumidores. Em vez de vendas, muitas organizações estabelecem objetivos de comunicação e realizam online uma verdadeira estratégia de administração dos seus contatos e do relacionamento com os diferentes públicos que com elas se relacionam e interagem. A vídeo-conferência também faz parte dos avanços de tecnologia e, tem tido aceitação cada vez maior no mundo dos negócios. Através desse recurso, funcionário de uma organização em diferentes locais mantém um diálogo vendo as imagens na tela da televisão, realizando uma reunião em diversos lugares ao mesmo tempo. Esta tecnologia traz a vantagem da diminuição de gastos para a empresa, além do aumento da produtividade, pois os funcionários precisam ir apenas ao centro de vídeoconferência próxima à empresa. O MSN que era apenas uma forma de conversar com os amigos, se transformou em mais uma ferramenta de trabalho. Eles não trazem apenas mais rapidez, mas também economia. Essa facilidade traz muitas vantagens, como copiar e colar orçamento para vários contatos num mesmo instante, manter o histórico de conversa gravada e comunicação rápida. Porém, para que isso flua bem, é necessário bom senso e responsabilidade. O funcionário tem que ter em mente que no ambiente de trabalho o MSN não é uma forma de lazer, e sim uma ferramenta que pode ajudar ou atrapalhar a sua produtividade. Segundo Davis e Newstrom (2004, p.9), ―mesmo quando o receptor recebe a mensagem e realmente se esforça para decodificá-la, existe um grande numero de interferências que podem limitar sua boa compreensão, estes obstáculos atuam como barreiras à comunicação‖. O objetivo da comunicação eficaz é o entendimento, no entanto, nem sempre isso é concretizado. As causas são as mais variadas possíveis tais como sobrecarga de informações, credibilidade de quem passa a informação, distorções na interpretação da mensagem escrita e informações incompletas. Qualquer tipo de barreira atrapalha para que o processo de comunicação seja positivo e confiável, e um dos meios de se verificar se a mensagem foi entendida de maneira correta, é exigindo o retorno por parte de quem a recebeu, ou seja, adotar o feedback como parte fundamental na comunicação. 2.4 Feedback O feedback explica como a informação que entra em determinado setor e obedece ao fluxo de entrada, processamento e saída, podem retornar ao componente de entrada, realizando a retroalimentação e aperfeiçoando a comunicação. Para Araujo (1999), quando uma pessoa fornece feedback a alguém ele o torna consciente que o feedback também é importante pra ele. O conceito de feedback é na tradução literal retroalimentação, isto é, processar informações e transmiti-las ao sistema para a continuidade do seu funcionamento. Uma das vantagens do feedback é que ele dá a oportunidade de dentro do processo de comunicação às criticas possam ser feitas. Dar feedback reforça o autor, é a oportunidade de transmitir a percepção sobre eventos e pessoas. Por outro lado, explica o autor, receber feedback é a oportunidade de conhecer e aceitar a percepção dos outros ao meu respeito. Essa relação de trocas de informações fortalece o processo de comunicação e aumenta o nível de confiança desde que seja bem trabalhada. Todavia, incluir como prática comum o feedback no processo de comunicação não é fácil. As pessoas têm de receber feedback, no entanto, é importante que as organizações comecem adotar esse modelo, que irá muito contribuir para que sejam eliminadas as barreiras na comunicação, tornando o 95 processo de comunicação um fator chave para o sucesso da organização como um todo. 2.3 Eficiência na comunicação interna organizacional A alta direção de qualquer organização precisa conhecer e acreditar no poder da comunicação interna, pois, é através dela, com uma boa relação com o público interno, de forma eficiente, que a empresa poderá transmitir a sua imagem ao seu público externo, pois são eles, os responsáveis por essa imagem. Para Ruggiero et al. (2002), a qualidade de comunicação nas organizações deve pressupor individualização do processo em função das naturais diferenças em outro quadro de referência, nível de experiência, amplitude de interesses, grau de motivação de pessoa para pessoas. Comunicações feitas para a média do público acabam gerando mais problemas do que benefícios, sem falar no fato da pasteurização tornar as mensagens sem impacto. Para que haja eficiência na comunicação interna, é de fundamental importância conhecer em profundidade o público interno da empresa. Destaca Birck e Keske (2008), que os elementos para uma transmissão de mensagem eficiente são: comunicação assertivamente onde à mensagem será mais bem recebida se os funcionários expuserem suas idéias diretamente; uso de canais múltiplos é uso dos cinco sentidos para recepção; uso da comunicação bidirecional envolvimento da mensagem dos receptores na conversação; apoiar-se em certos tipos de comunicação fazem com que as pessoas se sintam apoiadas, facilitando o processo; ser sensível as diferenças culturais respeito às diferenças de estilo, sotaque, erros gramaticais, aparência pessoal; ser sensível as diferenças de gênero e identificar as diferenças no estilo de comunicação relacionadas ao gênero. Nesse sentido, homens e mulheres apesar da tendência à igualdade nas organizações, comunicam-se de formas diferentes. Explica Marques (2004), que a comunicação interna é uma via de mão dupla, portanto, tão importante como comunicar é saber escutar. Para atingir uma comunicação eficaz, deve escolher o meio de comunicação mais adequado aos objetivos desejados da organização sejam: Boletim interno, Jornal Interno, Jornal Mural, Revista Interna, Internet, Intranet. 4 METODOLOGIA Este estudo foi de avaliação segundo Gil (1999), objetivou investigar sobre um tema para conhecer melhor suas implicações e com isso, propor sugestões de ações de melhorias. O corte foi transversal em outubro de 2009, sem considerar a evolução dos dados no tempo. Os dados de fonte primária foram coletados pela primeira vez por meio de um questionário aplicado os 12 funcionários da matriz em Cascavel e 7 da filial de Toledo totalizando 19 pessoas. O questionario com 44 indicadores com escala de baixa, média e alta eficácia. Os dados foram tratados de forma numérica e analisados descritivamente. 5 RESULTADOS MATRIZ FILIAL Baixa eficácia Média eficácia Alta eficácia Baixa eficácia Média eficácia Alta eficácia 4 7 1 1 5 1 Como você considera a eficácia quanto a.... À comunicação na empresa como um todo. 96 Às informações recebidas que são necessárias ao desenvolvimento das atividades diárias. 2 7 3 1 6 0 Às informações repassadas pelo gerente para o desenvolvimento do seu trabalho. 0 8 4 1 4 2 E-mail 0 3 9 4 1 2 Revistas 7 1 4 4 3 0 Telefone 0 5 7 1 0 6 Msn 1 3 8 1 1 5 Internet 1 4 7 1 2 4 2 8 2 1 5 1 Centralizada e de fácil acesso 0 8 4 5 1 1 Centralizada e de difícil acesso 4 2 6 2 2 3 Descentralizada e de fácil acesso 1 4 7 0 5 2 Descentralizada e de difícil acesso 2 2 8 0 5 2 À importância da comunicação interna para o colaborador e a empresa. 3 4 5 1 3 3 À comunicação sobre as mudanças que ocorrem na empresa. 6 4 2 2 4 1 Ao repasse transparente das informações. 7 5 0 1 5 1 A clareza das informações repassadas por e-mail. 3 5 4 0 5 2 À comunicação horizontal, ou seja, dentro do mesmo setor. 3 4 5 0 5 2 Ruídos 3 2 7 3 4 0 Ambiente e equipamentos inadequados 5 3 4 0 2 5 Omissão de informações 2 7 3 1 0 6 Informações distorcidas 5 4 3 0 2 5 A comunicação da direção da empresa com seus funcionários 6 4 2 1 3 3 A dizer o que pensa. 9 3 0 2 3 2 Aos meios de comunicação utilizados pela empresa: À comunicação interna entre a organização e os colaboradores. À distribuição das informações dentro da empresa: Às barreiras mais encontradas no processo de comunicação 97 A empresa receber e reconhecer as críticas, opiniões e contribuições de seus funcionários. 6 5 1 0 4 3 Ao excesso de informação. 3 7 2 0 4 3 Em gerenciar as falhas na comunicação 2 8 2 1 4 2 À consistência das mensagens. 3 7 2 0 7 0 Clara 3 5 4 1 5 1 Consistente 2 4 6 3 3 1 Contínua e freqüente 3 3 6 1 0 6 Curta e rápida 1 5 6 0 3 4 Completa 4 7 1 1 5 1 103 158 135 40 111 80 A comunicação interna. Média de pontuação das colunas Tabela 1: Eficacia Fonte: questionário (2009) Quanto a Matriz, na opinião dos 12 respondentes os indicadores que estão com Baixa Eficacia são: dizer o que pensa (9 votos), revista e repasse transparente das informações (7), e sobre as mudanças que ocorrem, comunicação da direção com funcionários, e receber e reconhecer críticas (6). Os que estão com media eficácia são: informações, comunicação entre organização e colaboradores, distribuição das informações centralizada e de fácil acesso, gerenciar falhas de comunicação com (8 votos), comunicação como um todo, informações recebidas, Omissão de informações, excesso de informação, consistência das mensagens, comunicação completa (7). E os com Alta Eficácia: e-mail (9) Msn, distribuição das informações descentralizada e de difícil acesso (8) revistas, internet, distribuição das informações descentralizada e de fácil acesso, Ambiente e equipamentos inadequados, (7), e à distribuição das informações centralizada e de difícil acesso, e a comunicação consistente, contínua e freqüente e curta e rápida (6 votos). Os dados indicam que a tendência da eficácia comunicacional da Matriz é de média para alta. Quanto a Filial na opinião dos 7 respondentes os indicadores que estão com Baixa Eficácia são: distribuição das informações Centralizada e de fácil acesso (5 votos), E-mail e Revistas (4). Os que estão com média eficácia: consistência das mensagens (7 votos), às informações recebidas que são necessárias ao desenvolvimento das atividades diárias, (6), comunicação como um todo, comunicação entre a organização e os colaboradores, distribuição das informações descentralizada e de fácil acesso, descentralizada e de difícil acesso, repasse transparente das informações clareza das informações repassadas por e-mail., a comunicação horizontal, ou seja, dentro do mesmo setor, comunicação clara e completa com (5 votos). E, os com alta eficácia são: telefone, omissão de informações, comunicação continua e frequente (6 votos), Msn, ambiente e equipamentos inadequados, Informações distorcidas (5), internet e comunicação curta e rápida (4). Aos comparar os dados é possível fazer algumas inferências. Os 98 indicadores de baixas eficácias da Matriz não coincidem com da Filial. Na Filial metade das pessoas dizem que (tem permissão para dizer o que pensam e que suas contribuições são ouvidas e há comunicação com o chefe) e são ações de média para alta eficácia. Enquanto que na Matriz a eficácia nestes quesitos foi considerada de média para baixa eficácia. Quanto ao (repasse de informações sobre mudanças ocorridas e transparecia das informações), os dados indicam que a Filial tem mais acesso do que o pessoal da Matriz, ou seja, a eficácia em comunicar mudanças é mais alta na Filial do que na Matriz. O mesmo acontece para (excesso e consistência da informação e gerenciamento de falhas). Portanto, em resposta a pergunta do estudo ao comparar a média da eficácia na Matriz e na Filial, pode-se concluir que em ambas a coluna de média eficácia obteve maior pontuação e a coluna da baixa eficácia é maior na Matriz do que na Filial. No geral a comunicação entre a Matriz e Filial da empresa deixa vários pontos de inserção de melhorias. 6 CONCLUSÃO A comunicação é fator chave de sucesso nas organizações. Os dados apontam que a empresa necessita realizar ações para melhorar o seu processo comunicacional. Os autores utilizados recomendam que para a comunicação seja eficaz é necessário que as informações sejam distribuídas de maneira clara para cada receptor de forma a gerar os resultados esperados. O trabalho em equipe precisa ser incentivado com uma postura de empatia e cooperação evitando assim as falhas na comunicação. Para a eficácia da comunicação é imprescindível a melhoria na comunicação dos funcionários e encarregados em relação à expressão de opinião, com o intuito de uma melhor organização da empresa como um todo. Tendo em vista a transparência das informações provenientes da direção, todos os funcionários ficando informados sobre as mudanças e alterações no seu setor e na empresa, podem aumentar a eficácia comunicacional e da organização. As ações perpassam por melhorar o controle verificando diariamente como as informações repassadas e recebidas, por quem e se necessário, qualificar os envolvidos chaves em comunicação empresarial. REFERÊNCIAS AGUIAR, V.T. O verbal e o não verbal. São Paulo: Fundação Editora da UNESP (FEU). 2004. ARAUJO, Ane. Coach: um parceiro para o seu sucesso. São Paulo: Gente, 1999. ALVARENGA Mara Marciano A comunicação interna nas organizações 06 jun.2006. Disponível em http://www.artigos.com Acesso em: 20/09/2009. BRUM, Analisa de Medeiros. Um olhar sobre o marketing interno, Porto Alegre: Editora L&PM, 2000. CARVALHO, Antonio Vieira de; NASCIMENTO, Luiz Paulo do. Administração de recursos humanos. 1. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Leanirg, 2002. CHIAVENATO, Idalberto. 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Como criar e administrar organizações horizontais: lições práticas e valiosas para garantir mudanças bem-sucedidas. Rio de Janeiro: Campus, 1998. 100 A IMPORTÂNCIA DA SATISFAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS PARA O CLIMA ORGANIZACIONAL Jefferson Araujo dos Santos (Unioeste) [email protected] Tabatha Caroline Bonafin (Unioeste) [email protected] RESUMO Este artigo tem como objetivo identificar a importância da satisfação dos funcionários em relação aos fatores organizacionais para o clima organizacional da empresa Tapevel Automotiva. Por meio de questionários aplicados aos funcionários do setor administrativo e do setor da produção e uma entrevista com o responsável pelos Recursos Humanos, analisou-se o sentimento dos funcionários em relação ao crescimento, reconhecimento e realização profissional, ao próprio potencial, a estabilidade, ao volume de trabalho e a satisfação em trabalhar na empresa. Os resultados permitiram identificar quais fatores os colaboradores não estão satisfeitos e com isso propor melhorias para tornar o trabalho mais agradável e criar um clima organizacional positivo. De um modo geral, conclui-se que os funcionários não se sentem muito reconhecidos profissionalmente, mesmo considerando-se competentes para o trabalho, pois não estão satisfeitos com as oportunidades de crescimento profissional e com os critérios para as promoções, o que impacta diretamente em seu sentimento de realização profissional. Palavras-chave: clima organizacional; satisfação; trabalho. 1 INTRODUÇÃO Para Chiavenato (2003, p. 144) “clima organizacional é a qualidade do ambiente psicológico de uma organização. Pode ser positivo e favorável, quando é receptivo e agradável, ou negativo e desfavorável, quando é frio e desagradável”. Atualmente, as empresas estão mais preocupadas com os fatores que motivam os funcionários, devido à necessidade de maior comprometimento e desempenho dos mesmos. Portanto, deve-se propiciar um clima positivo na empresa, para que haja o desenvolvimento e crescimento pessoal, profissional e 101 organizacional (LUZ, 1995). Para Kanaane (1994), a tendência atual quanto à organização do trabalho, sugere uma relação mais humanizada entre as partes, na qual o trabalhador se compromete com os sistemas produtivos, colaborando com o alcance dos objetivos organizacionais, que são refletidos na qualidade do trabalho, na satisfação e realização do trabalhador, e na produtividade e competitividade da organização. Portanto, o equilíbrio entre os interesses organizacionais e individuais é que dá forma ao modo especial e único de como as pessoas agem e interagem dentro de uma organização, contribuindo para o estabelecimento de um clima organizacional favorável a todos. Então, este artigo tem como objetivo principal, avaliar a importância da satisfação dos funcionários em relação aos fatores organizacionais, e o impacto disso para o clima organizacional. Para isso, foram distribuídos 31 questionários para o setor administrativo e 37 para o setor da produção, totalizando 68 funcionários que abrangem todos os funcionários que trabalham na empresa. No entanto, para análise foram utilizados 18 questionários do setor administrativo e 24 do setor da produção, pois os demais questionários não retornaram. 2 CLIMA ORGANIZACIONAL Segundo Johann (2004), o clima organizacional é uma abstração que é percebida de forma diferente pelas pessoas que trabalham na empresa, pois cada indivíduo traz nas suas percepções o que lhe causa mais motivação ou desmotivação para o trabalho. O clima é formado pelo somatório de influência de fatores como reconhecimento, realização e crescimento profissional, que proporcionam uma visão do estado emocional da organização e do impacto ou receptividade que a intervenção terá sobre esse clima. Então, para Johann (2004, p. 97), o clima organizacional pode ser definido como um “indicador do nível de satisfação das pessoas no trabalho. Avalia até que ponto estão sendo cumpridas as expectativas das pessoas, sobre como se deveria trabalhar na organização. Percepção resumida da atmosfera e do ambiente psicológico da organização”. Para Luz (1995), para obter desempenho empresarial, que é o resultado da administração dos recursos disponíveis (humanos, materiais, financeiros, etc.) é preciso que os funcionários tenham competência e estejam satisfeitos, para 102 que possam alcançar bons resultados. Portanto, a administração de pessoal é a prática que visa o pleno aproveitamento dos recursos humanos, dispondo-os para que ofereçam um maior rendimento organizacional através da eficiência e produtividade, com melhor nível de realização individual em termos de satisfação pessoal e geral. 2.1 Motivação no trabalho Para Luz (1995, p. 28), “o tipo de trabalho exerce grande influência sobre a motivação ou sobre a satisfação na vida profissional”. O excesso de trabalho pode causar cansaço, estresse, mas por outro lado, a falta de trabalho pode gerar nas pessoas a sensação de inutilidade. Portanto, é importante que as chefias estejam atentas aos impactos do tipo de trabalho no clima organizacional. O autor diz que a falta de trabalho, a sobrecarga, o trabalho monótono, repetitivo, o excesso de responsabilidade, o desajuste funcional, entre outros, podem causar problemas psíquicos, que podem levar a distúrbios ou doenças como dor de cabeça, insônia, gastrite, fadiga, hipertensão, depressão, frustração, etc. O desajuste funcional é um sério problema, pois há pessoas que não tem a mínima vocação ou gosto pelo que fazem, não demonstram interesse ou aptidão física e/ou mental para o trabalho. Então, Luz (1995) sugere algumas medidas à administração de recursos humanos, nos casos de desajustes funcionais como: redistribuição de tarefas; polivalência; trabalhos em equipe; transferência; enriquecimento de cargos; multifunções; oportunidades para aprimorar o próprio trabalho; treinamentos. O trabalho não pode ser um fardo pesado ou uma fonte de desprazer, pelo contrário, deve proporcionar às pessoas condições de desenvolvimento de suas potencialidades e de auto-realização. A falta de perspectiva de desenvolvimento profissional causa sérios problemas no ambiente de trabalho, de modo que incentiva muitos profissionais a mudarem de emprego, pois as pessoas querem crescer tanto pessoalmente quanto profissionalmente, devido à competitividade no mercado de trabalho e também para se tornarem mais seguras e valorizadas. Contudo, treinamento e desenvolvimento requerem disponibilidade financeira e tempo, o que impede que o funcionário por si, promova o seu autodesenvolvimento. Portanto, uma das atividades da administração de recursos humanos é promover em todos os níveis hierárquicos o desenvolvimento das pessoas, 103 através de treinamentos que capacitem os funcionários para que possam desempenhar melhor as atividades e tenham oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Com isso, estarão mais qualificados para receber promoções de cargo e mais satisfeitos com a empresa, melhorando também o clima organizacional. Para Kanaane (1994), o trabalho provoca diferentes graus de motivação e de satisfação no trabalhador, principalmente quanto à forma e ao meio no qual desempenha suas atividades. Então, o comportamento do trabalhador é influenciado não somente pelas suas necessidades básicas, mas também pela sua percepção das condições existentes no ambiente organizacional para o alcance de seus objetivos e de suas necessidades. De acordo com Chiavenato (2003), os trabalhadores são criaturas sociais complexas, cheios de sentimentos, desejos, necessidades e temores. O comportamento no trabalho é uma conseqüência de muitos fatores motivacionais. De acordo com Maslow citado por Chiavenato (2003), as necessidades humanas estão organizadas em uma hierarquia de importância e de influência, que pode ser visualizada como uma pirâmide na qual as necessidades estão dispostas de baixo para cima na seguinte ordem: necessidades fisiológicas; necessidades de segurança, incluindo a estabilidade, busca de proteção; necessidades sociais, de participação, de amizade; necessidades de estima, que envolve a auto-apreciação, autoconfiança, aprovação social, status, prestigio, independência e autonomia; e as necessidades de auto-realização, relacionadas com a realização do próprio potencial e autodesenvolvimento contínuo. Segundo a teoria dos dois fatores de Herzberg citado por Chiavenato (2003), existem dois fatores que orientam o comportamento das pessoas no trabalho: os fatores higiênicos (extrínsecos), que são as condições administradas e decididas pela organização e que estão fora do controle das pessoas, como: salário, benefícios sociais, tipo de chefia, condições físicas e ambientais de trabalho, políticas da empresa, etc.; e os fatores motivacionais (intrínsecos), que são relacionados ao conteúdo do cargo e com a natureza das tarefas que a pessoa executa, envolvendo o trabalho em si, realização, reconhecimento, progresso profissional, responsabilidade, etc. A teoria pressupõe que a insatisfação no cargo depende dos fatores higiênicos, e a satisfação no cargo depende dos fatores motivacionais. Portanto, para proporcionar continuamente a motivação no trabalho, o 104 mesmo autor propõe o enriquecimento de tarefas ou do cargo, que consiste em substituir as tarefas simples e elementares do cargo por tarefas mais complexas para acompanhar o crescimento individual de cada funcionário, oferecendo-lhe condições de satisfação profissional. Esse processo pode ser vertical, com o acréscimo de tarefas mais complexas no lugar das mais simples ou horizontal, com a substituição de certas atividades por outras diferentes, mas do mesmo nível de dificuldade. Para Chiavenato (2003), a motivação é o impulso de exercer esforço para o alcance de objetivos organizacionais e também satisfazer as necessidades individuais. Um fator que decorre do estado motivacional dos indivíduos é o moral que é responsável pelas atitudes das pessoas, pois na medida em que as necessidades individuais são satisfeitas pela organização, há elevação do moral, que estimula a colaboração e a satisfação de trabalhar em grupo, porém quando as necessidades são frustradas pela organização ocorre abaixamento do moral, causando atitudes de desinteresse, negação, rejeição, pessimismo e apatia com relação ao trabalho. Então, o moral elevado conduz para um clima receptivo, amigável e agradável, enquanto o moral baixo provoca um clima negativo, adverso e desagradável. Portanto, a realização, o reconhecimento e crescimento profissional, são fatores muito importantes, pois se o funcionário está satisfeito com o seu trabalho e com a empresa, ele desempenha as suas atividades de forma mais eficiente, melhorando a sua produtividade e o clima organizacional. 3 ANÁLISE DOS DADOS A pesquisa foi realizada com os funcionários do setor administrativo e da produção, para analisar a satisfação dos funcionários em relação aos fatores motivacionais que envolvem o trabalho em si, como a realização, o reconhecimento e crescimento profissional, o próprio potencial e a liberdade para realizar o trabalho, e como estes fatores podem interferir no clima organizacional. Para isso, foram distribuídos 31 questionários para o setor administrativo e 37 para o setor da produção, totalizando 68 funcionários que abrangem todos os funcionários que trabalham na empresa. No entanto, para análise foram utilizados 18 questionários do setor administrativo e 24 do setor da produção, pois os demais não retornaram. 105 10 8 8 9 9 7 MUITO REALIZADO 6 REALIZADO 4 4 2 2 2 1 0 0 POUCO REALIZADO NÃO REALIZADO 0 ADMINISTRATIVO MAIS OU MENOS REALIZADO PRODUÇÃO Gráfico 1 – Sentimento em relação a realização profissional com o trabalho que os funcionários do setor administrativo e da produção executam Fonte: Questionário aplicado na Tapevel (2009, Agosto) Observa-se no gráfico 1, que 44% dos funcionários do setor administrativo estão realizados com o trabalho que executam e 39% estão mais ou menos realizados. Já no setor de produção 25% estão pouco realizados ou não estão realizados profissionalmente. 10 9 8 8 6 6 3 4 2 4 0 1 5 6 MUITO RECONHECIDO RECONHECIDO MAIS OU MENOS RECONHECIDO POUCO RECONHECIDO 0 NÃO RECONHECIDO 0 ADMINISTRATIVO PRODUÇÃO Gráfico 2 – Reconhecimento pelo trabalho que os funcionários do setor administrativo e da produção executam Fonte: Questionário aplicado na Tapevel (2009, Agosto) No gráfico 2, 44% dos funcionários do setor administrativo se sentem reconhecidos pelo trabalho que executam e 22% se sentem pouco reconhecidos ou não reconhecidos. No setor da produção, a maioria se sente com mais ou menos, pouco ou nenhum reconhecimento pelo trabalho que executa. 106 17 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 13 MUITO QUALIFICADO QUALIFICADO MAIS OU MENOS QUALIFICADO 4 4 1 POUCO QUALIFICADO 1 0 0 ADMINISTRATIVO DESQUALIFICADO 1 1 PRODUÇÃO Gráfico 3 – Sentimento em relação ao potencial para o trabalho que os funcionários do setor administrativo e da produção executam Fonte: Questionário aplicado na Tapevel (2009, Agosto) No gráfico 3, evidencia-se que a maioria do pessoal do setor administrativo e da produção se sente qualificada para o trabalho que realiza. 8 7 6 5 0 5 0 0 OPORTUNIDADES DE CRESCIMENTO PROFISSIONAL 4 2 2 PRODUÇÃO 1 0 2 4 3 2 0 0 ADMINISTRATIVO 3 78 7 MUITO SATISFEITO SATISFEITO MAIS OU MENOS SATISFEITO PRODUÇÃO 8 ADMINISTRATIVO 8 6 4 2 0 POUCO SATISFEITO INSATISFEITO NÃO RESPONDERAM CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA PROMOÇÕES Gráfico 4 – Satisfação dos funcionários do setor administrativo e da produção em relação as oportunidades de crescimento profissional e critérios utilizados pela empresa para promoções internas Fonte: Questionário aplicado na Tapevel (2009, Agosto) 107 A maioria dos funcionários do administrativo está satisfeita ou mais ou menos satisfeita com as oportunidades de crescimento e com os critérios para promoções, sendo que 39% estão pouco satisfeitos ou insatisfeitos. Já 1/3 dos funcionários da produção estão mais ou menos satisfeitos com as oportunidades de crescimento e 50% estão pouco satisfeitos ou insatisfeitos. Quanto aos critérios para promoções, a maioria do pessoal da produção está pouco satisfeita ou insatisfeita, conforme o gráfico 4. 10 10 8 6 6 FREQUENTEMENTE 4 3 4 SEMPRE 7 4 ÀS VEZES 2 2 2 2 2 RARAMENTE 0 0 NUNCA 0 NÃO RESPONDERAM ADMINISTRATIVO Gráfico 5 – Frequência PRODUÇÃO com que os funcionários do setor administrativo e da produção têm liberdade para realizar o trabalho da forma como consideram melhor Fonte: Questionário aplicado na Tapevel (2009, Agosto) Pode-se observar no gráfico 5, que para maioria dos funcionários do setor administrativo, às vezes ou frequentemente eles têm liberdade para realizar o trabalho da forma como consideram melhor, já no setor da produção, a maioria sempre e frequentemente tem liberdade, sendo que 17% raramente ou nunca tem esta liberdade. 13 15 11 MUITO SATISFEITO 10 5 SATISFEITO 6 3 1 MAIS OU MENOS SATISFEITO 3 3 0 2 0 POUCO SATISFEITO INSATISFEITO 0 ADMINISTRATIVO PRODUÇÃO 108 Gráfico 6 – Sentimento em trabalhar na empresa para os funcionários do setor administrativo e da produção Fonte: Questionário aplicado na Tapevel (2009, Agosto) Com relação à satisfação em trabalhar na empresa, se observa no gráfico 6 que a maioria dos funcionários do setor administrativo e da produção está satisfeita, 25% do pessoal da produção estão mais ou menos satisfeitos, 33% do administrativo estão mais ou menos satisfeitos e pouco satisfeitos. Aparece ainda, 8% de insatisfeitos no setor de produção. Então, conclui-se que os funcionários não estão muito satisfeitos com os seguintes aspectos: realização profissional, reconhecimento, oportunidades de crescimento, com os critérios para promoção e com a liberdade para realizar o trabalho, mesmo sentindo-se competentes para o trabalho. 4 CONCLUSÃO A maioria dos funcionários se sente qualificada para o trabalho, mas não se sente muito reconhecida, e não está satisfeita com as oportunidades de crescimento e com os critérios de promoção utilizados pela empresa. É importante adequar o profissional com o cargo, para que haja equilíbrio entre as habilidades individuais e as exigências da função. Assim, podem-se aproveitar melhor as competências do funcionário, valorizando o seu potencial, e deixando-o mais satisfeito com o trabalho realizado. Quando o funcionário tem mais qualificação do que a exigida para o cargo, sugere-se o enriquecimento das tarefas, ou seja, dar oportunidades ao funcionário para desenvolver atividades mais complexas ou diferentes das que ele executa, promovendo-o para outra função, com isso, o funcionário ficará mais satisfeito, se sentirá reconhecido pelo seu potencial e dará mais valor a empresa pela oportunidade de crescimento profissional. Como a empresa não possui uma política de promoção e os funcionários não estão muito satisfeitos com os critérios de promoção, sugerese que a empresa ofereça oportunidades de treinamentos que capacitem para o trabalho. Pode ser elaborado um programa de avaliação de desempenho dos funcionários, que conforme o desempenho do indivíduo, ele recebe uma recompensa, que pode ser treinamentos, promoções, entre outros. Com isso, os funcionários se sentirão mais importantes e valorizados, pois a empresa estará oferecendo condições de ascensão profissional e com isso buscarão 109 desempenhar melhor as atividades, comprometendo-se com a empresa, evitando também a rotatividade de pessoal. Na questão da liberdade para realizar o trabalho, depende muito da personalidade do funcionário, da sua responsabilidade e comprometimento com a atividade exercida, então cabe ao superior avaliar o contexto para saber quando permitir mais ou menos liberdade ao funcionário e delegar responsabilidades. Todos esses aspectos contribuem para a satisfação ou insatisfação do funcionário, por isso é importante reconhecer o trabalho que está sendo realizado, oferecer oportunidades de crescimento profissional, proporcionar treinamentos que capacitem para o trabalho, valorizar o potencial do funcionário, com isso o funcionário será mais leal e comprometido com a empresa, sentindo-se motivado e realizado profissionalmente. É importante que a empresa busque adequar os fatores organizacionais avaliados, pois interferem na satisfação e no desempenho dos funcionários. Portanto, para ter e manter um clima organizacional agradável é preciso equilibrar os interesses da empresa com as necessidades dos indivíduos. Se os funcionários estiverem satisfeitos com o trabalho, conseqüentemente estarão mais dispostos e comprometidos com a empresa, e assim, tem-se um ambiente positivo, no qual, tanto a empresa quanto o funcionário estarão atendidos em suas necessidades. REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a teria geral da administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. JOHANN, Sílvio Luiz. Gestão da cultura corporativa: como as organizações de alto desempenho gerenciam sua cultura organizacional. São Paulo: Saraiva, 2004. KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações: o homem rumo ao século XXI. São Paulo: Atlas, 1994. LUZ, Ricardo Silveira. Clima organizacional. 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