Coevos Filmes e Imagem Filmes apresentam
OLHOS AZUIS
Um filme de José Joffily
Festival Paulínia 2009 / Prêmio Menina de ouro
Melhor filme
Melhor roteiro / Paulo Halm e Melanie Dimantas
Melhor montagem / Pedro Bronz
Melhor atriz / Cristina Lago
Melhor ator coadjuvante / Irandhir Santos
“O filme vai revelando sua história aos poucos e consegue
envolver o espectador como um thriller psicológico” – André
Miranda (O Globo)
“Um belo trabalho de Joffily: forte e corajoso”.
Sabadin
– Celso
“Olhos Azuis mescla elementos de suspense, drama e
policial sem cair na facilidade dos desgastados clichês que
permeiam estes três gêneros”. – Celso Sabadin
“Ao lado de Rasche, os atores Frank Grillo (no papel de
Bob), Erika Gimpel (Sandra) e principalmente Irandhir
Santos (Nonato) brilham como coadjuvantes de primeira
linha.” - Celso Sabadin
APRESENTAÇÃO
Depois da bem sucedida participação no Festival de Paulínia
2009 – em que levou seis prêmios, incluindo o de melhor
filme - o thriller Olhos Azuis, de José Joffily, tem sua
estreia nacional dia 28 de maio.
Olhos Azuis acompanha a história de Marshall (David
Rasche), chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto de
Nova Iorque, que, em seu último dia de trabalho, detém um
grupo de latino-americanos, expondo-os a uma série de
situações humilhantes. Nonato (Irandhir Santos) é um dos
personagens que mais sofre na mão de Marshall. Anos depois,
os papéis se invertem. Marshall é um estrangeiro no Brasil,
a procura de uma menina de nome Luiza. Em Recife, ele
conhece a garota de programa Bia (Cristina Lago), que o
acompanha nessa jornada em busca de redenção. O filme vai
revelando a relação entre as histórias dos personagens aos
poucos. Paulo Halm e Melaine Dimantas receberam o prêmio de
melhor roteiro. E Pedro Bronz, o de melhor montagem.
Completando a ficha técnica, Claudio Amaral Peixoto assina
a direção de arte, Nonato Estrela é o diretor de fotografia
e Ellen Millet assina o figurino. A trilha sonora é de
Jaques Morelembaum.
O filme conta com um elenco internacional, formado por
atores
brasileiros,
norte-americanos,
argentinos
e
hondurenhos.
SINOPSE LONGA
UM DUELO NA FRONTEIRA
É o último dia de trabalho de Marshall, chefe da imigração
do Aeroporto JFK, que na esperança de deixar uma lição para
seus subordinados, detém arbitrariamente um grupo de
latinos. Nesse momento, os viajantes que sonhavam com o
“paraíso americano” vão lentamente entrando no inferno. Em
clima de alta tensão, Marshall cria situações cada vez mais
constrangedoras, até provocar um duelo entre “olhos azuis”
e “olhos negros”. Após um desfecho trágico, o todo poderoso
da imigração americana torna-se também um estrangeiro.
Marshall abandona seu país e parte para terras longínquas
em busca do perdão. Angustiado e culpado, atravessa o
Nordeste brasileiro, cruza o sertão até encontrar a bela
região do rio São Francisco. Nessa travessia, é guiado por
Bia, uma garota que irá transformar sua vida.
O thriller Olhos azuis traz um grande elenco internacional,
formado por atores americanos, argentinos, hondurenhos e
brasileiros.
SINOPSE CURTA
UM THRILLER DAS DIFERENÇAS
Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de
Imigração do aeroporto JFK, em Nova York. Comemorando seu
último dia de trabalho, Marshall resolve se divertir
complicando a entrada no país de vários latino-americanos.
Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), um brasileiro
radicado nos EUA, dois poetas argentinos, uma bailarina
cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Dois anos
depois, Marshall vem ao Brasil procurar uma menina de nome
Luiza.
Quando ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em
busca de redenção se inicia. Olhos Azuis foi o grande
vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis
prêmios, incluindo o de Melhor Filme.
ELENCO
David Rasche (Marshall)
Cristina Lago (Bia)
Irandhir Santos (Nonato)
Erica Gimpel (Sandra)
Frank Grillo (Bob)
Valeria Lorca (Assumpta)
Pablo Uranga (Martin)
Branca Messina (Calypso)
Hector Bordoni (Augustin)
Everaldo Pontes (Avô)
Zezita Matos (Socorro)
Fernando Teixeira (Medico)
FICHA TECNICA
Direção: José Joffily
Produção: José Joffily e Heloisa Rezende
Produtor Associado: João Vieira Jr.
Produção Executiva: Heloisa Rezende
Argumento: José Joffily, Jorge Duran e Paulo Halm
Roteiro: Paulo Halm e Melanie Dimantas
Direção de fotografia: Nonato Estrela, ABC
Direção de arte: Claudio Amaral Peixoto
Figurino: Ellen Millet
Montagem: Pedro Bronz
Trilha Sonora: Jaques Morelenbaum
Direção de Produção (Argentina): Jaime Lozano
Elenco (EUA): Steve Vicent e Sig Miguel
Elenco (Argentina): Jaime Lozano e Emiliano Lozano
Distribuição: Imagem Filmes
Produção: Coevos Filmes
Gênero: drama
Ano: 2009
Duração: 111 minutos
Classificação: 16 anos
Idioma: português, inglês e espanhol
Subtítulos: português e inglês
Cor: colorido
Som: Dolby SRD
Formato: 35mm
ENTEVISTA COM O DIRETOR JOSÉ JOFFILY
Nascido em 1945 em João Pessoa/PB, José Joffily é Cineasta e
Mestre em Comunicação pela UFRJ. Paralelamente à sua atividade
como realizador e produtor, trabalhou durante 20 anos junto ao
Departamento
de
Cinema
e
Vídeo
da
Universidade
Federal
Fluminense, como professor adjunto. Em 2000 foi presidente da
ABRACI, Associação Brasileira de Cineastas. Foi em 1981 que
fundou a produtora Coevos Filmes, com a qual passou a produzir
seus projetos audiovisuais. Seus trabalhos mais recentes são a
produção e direção do longa-metragem de ficção Olhos Azuis
(2007), e a direção do documentário A Paixão Segundo Callado
(2007),
produzido
pela
Lumén
Produções.
Como
roteirista
escreveu, entre outros, os longas-metragens: O Sonho Não Acabou;
Parahyba Mulher Macho; Avaeté, A Semente da Vingança (Melhor
Roteiro Rio Cine Festival); O Rei do Rio; A Filha dos
Trapalhões; Terra Para Rose; Vai Trabalhar Vagabundo II (Melhor
Roteiro Festival de Natal); O Guarani; Urubus e Papagaios; A Cor
do Seu Destino (Melhor Roteiro Festival de Brasília); A Maldição
do Sanpaku e Quem Matou Pixote? (Melhor Roteiro Festival de
Gramado).
A inspiração
A pedagoga americana, Jane Elliot, organizava uma oficina
sui-generis. A proposta era oferecer a possibilidade dos
americanos conhecerem na prática as dores de pertencer a
uma minoria. Os interessados, os “olhos azuis”, sentavam-se
no chão, tendo em sua volta um semicírculo formado por
representantes de minorias, chamados de “olhos negros”. A
pedagoga estimulava o confronto, duvidando da verdade das
respostas dos “olhos azuis” e promovendo o início um duelo,
no qual ela sempre saia vencedora e os “olhos azuis”
submetidos a sua lógica implacável. O documentário nos
serviu de inspiração.
A ideia
Um amigo de longa data foi interrogado no aeroporto de NY e
em seguida, deportado. Sem residência fixa no Brasil, ficou
hospedado na minha casa. Foi meu convidado ao longo de três
meses e no decorrer desse tempo contou com detalhes sua
experiência de persona non grata. Boa parte do que acontece
no filme é factual, o resto é inspirado.
Com o tempo, à sua história somaram-se relatos de amigos e
conhecidos,
todos
testemunhando
experiências
com
funcionários da imigração americana.
Atraído pelas migrações
Já havia falado sobre migrações em 2 Perdidos Numa Noite
Suja. Me parece uma boa questão o fato de que o dinheiro
sempre teve livre circulação, mas o mesmo não acontece com
as pessoas. Por uma razão ou outra, as pessoas são
monitoradas em suas movimentações pelo planeta. Isso é
curioso e revelador.
Aos vinte anos, por dois anos, como outros tantos da minha
idade, circulei pelo mundo, trabalhando aqui e acolá.
Talvez a experiência tenha me marcado. Embora o filme trate
da busca de um lugar no planeta, nossa ambição era dar ao
tema o tratamento de um filme de suspense. Se as decisões
das personagens sob pressão são mais reveladoras, na
história que montávamos não faltavam essas ocasiões. Na
migra, pressão era o que não faltava.
Sobre o roteiro
O primeiro parceiro foi o velho amigo Jorge Durán. Além de
grande contador de historias, o Durán é imigrante, conhece
bem essa experiência. Com ele, desenvolvi o primeiro
argumento do filme. Em seguida, convidamos a Melanie
Dimantas. Com ela, a história ganhou sabor especial.
Irônica,
Melanie
trouxe
humor
e
sarcasmo
para
os
personagens.
Depois de alguns meses de trabalho, outros projetos se
apresentaram mais viáveis e abandonei, provisoriamente, o
Olhos Azuis. Até que, em 2006, nove anos depois da primeira
versão, a Petrobrás aportou com os recursos iniciais,
definitivos para se começar o projeto.
Simultaneamente,
a
Coevos,
nossa
produtora,
recebeu
recursos do PAQ, prêmio de qualidade, promovido pela
Ancine. A repetição da minha parceria com a distribuidora
Imagem Filmes também foi crucial para permitir que o
projeto se transformasse, finalmente, em filme.
O dinheiro alavanca, dá coragem e nos compromete. O roteiro
tinha ficado nove anos parado, mas, com aqueles apoios, ele
voltou a avançar. E, na medida em que se concretizava a
possibilidade de realização do filme, a gente identificava
a necessidade de cortar e modificar o roteiro. Chamei o
Paulo Halm. Discutimos uma nova vertente para a história e
foi essa que filmamos.
Como sabemos, um roteiro, pode ser escrito eternamente
(assim como a montagem de um filme, como diria Orson
Welles). Depois de posta no papel a versão do Halm, fizemos
mais algumas mudanças e partimos para a produção.
Elenco estrangeiro
Uma das razões na demora para a produção do filme foi que
sempre considerei que o elenco deveria ser originário dos
países dos personagens. Fazer essa agenda foi difícil, cara
e trabalhosa, mas necessária. Contratamos agências na
Argentina e nos EUA. Vi testes gravados e depois viajei
para ratificar as escolhas.
Direção
Trabalhei muito com todos os atores antes de filmar. Gosto
muito quando os intérpretes dos personagens trazem suas
contribuições. Gosto de passar o roteiro e escutar. Procuro
segurar a ansiedade, falar o mínimo e só fazer isso quando
é absolutamente necessário.
A comunicação
No set falávamos em inglês, em espanhol, em spanenglish e
portunhol. Depois do primeiro dia, todos se entendiam,
todos tocavam a mesma música.
Os brasileiros
Queríamos atores desconhecidos. O rosto desconhecido de um
bom ator é prazeroso de ver e pode conferir maior
credibilidade. É uma experiência espetacular.
Os americanos
Pesquisaram muito sobre o tema. Visitaram os organismos
encarregados dos aeroportos e trouxeram uma contribuição
imensa. Os três eram muito comprometidos com o filme.
Certamente que eles percebiam a rejeição aos americanos, à
política americana. Na verdade, os preconceitos são de
ambas as partes.
Os personagens
Nunca tratei o Marshall (David Rasche) como uma personagem
metáfora. A Sandra (Erica Gimpel) e ao Bob (Frank Grillo),
que apesar de suas origens negra e latina, agem de forma
preconceituosa,revelam que o preconceito não é só de fora
para dentro. Ele também age nas entranhas do país.
A Bia (Cristina Lago) é uma peça importante na história.
Ela começa assim e termina assado. De início, é apenas uma
garota de programa interessada em dar um tapa numa grana.
Em seguida a personagem ganha consistência e termina
responsável pelo desfecho da história. A Cristina entendeu
a progressão e soube conduzi-la muito bem.
A mãe e o avô
Duas participações especiais. São personagens que não
atravessavam o filme, estão somente de passagem. Mas, um
personagem que entra e sai, precisa deixar sua marca. O avô
(Everaldo Pontes) faz uma participação precisa, contribui
para compreensão da Bia. A mãe do Nonato (Zezita Matos) não
só tinha o biotipo, mas o talento que leva o espectador a
conhecer as raízes do imigrante.
O jogo das diferenças: olhos azuis versus olhos negros
Não existem bons nem maus na história. Todos têm razão. O
Marshall, alcoólatra e revoltado com a aposentadoria
obrigatória, tem razão em muitas de suas falas. Ele está
doidão, mas suas considerações estão presentes em corações
e mentes americanas.
Idem o Nonato (Irandhir Santos). Ele também interpela os
oficiais de forma abusada, mas suas falas revelam um
julgamento comum a boa parte dos latinos.
Dois mundo: o frio e o quente – Uma história política
De um lado, um mundo “organizado”, de outro, um universo
caótico. Aparentemente é isso. Mas, na medida em que a
história avança, essa aparência revela outra faceta. Todo
filme é político, tudo que se diz é político, mas política
mesmo é a história do Super-Homem.
Som e imagem
Ruídos versus música. Assim como no tratamento fotográfico,
também no som, procuramos distinguir os dois mundos,
reforçar as diferenças também na edição de som: o espaço da
migra e o Nordeste. A migra não comportava música, ali,
apenas os ruídos deveriam reinar. Caprichamos nesse tipo de
sonoridade, dispensando a melodia.
A fotografia, a edição de som, a direção de arte, tudo foi
numa única direção. A música atonal do Jaques
(Morelenbaum),contribuiu generosamente com a ruidagem do
filme. De modo que, algumas vezes, fica difícil identificar
o que é uma e outra.
Maracatu, Siba e o Nordeste
Filmando nas ruas do Recife antigo, várias bandas de
maracatu ensaiavam para as festas do carnaval.
A
interferência
dessa
sonoridade
no
som
direto
inviabilizava as gravações. Íamos tentando um take depois
outro, e para desespero do Louzeirinho, nosso técnico de
som, o ruído das ruas importunava. Finalmente, decidimos
incorporar o problema. Ou seja, o Louzeirinho gravou a
banda de maracatu. Assim, na edição dos diálogos, se a fala
de um personagem era gravada no silencio, na edição
acrescentávamos o maracatu ao fundo. O Jaques escutou
aquele o maracatu de rua e gostou imensamente. Assim,
sugeriu que deveríamos abrir e fechar o filme com aquela
mesma gravação “selvagem”.
A escolha do Siba foi iniciativa do nosso montador, o Pedro
Bronz. Quando retomamos a montagem, depois de uma parada
estratégica, vi que o Pedro tinha editado a musica Vale do
Jucá. Escutei e me pareceu que o Siba tinha composto
especialmente para a cena. A música é ambígua, muito
apropriada.
Principalmente, porque naquele momento, o personagem da
Cristina (Lago) passa a ter as rédeas da história. E a
música anuncia essa passagem. A partir desta canção do
Siba, o Jaques desentranhou outros momentos sonoros.
A sanfona
Luiza, filha de Nonato, toca a sanfona. Pedi ao Arlindo,
sanfoneiro conhecido em Recife, uma canção simples, que
pudesse ser tocada por uma criança. Ele pediu que contasse
em poucas palavras o que era o filme. Quando terminei, ele
não pensou 2 vezes, pegou a sanfona e tocou os acordes.
Mais tarde, fui agradecer e perguntar pelos autores da
música. Para minha surpresa, o Arlindo revelou que a música
não era de sua. Foi então que meu irmão descobriu que a
música chamava-se Saudade de Matão. Não era de domínio
público e a produção teve que comprar. Aqueles singelos
acordes terminaram custando uma pequena fortuna.
Maquiagem e estética
O David (Rasche), um ator experiente, era inteiramente
obcecado pela maquiagem. Sobretudo porque o personagem
dele, à medida que a filmagem avançava fica mais
depauperado. O fato do personagem passar por uma grande
transformação física, desde o momento em que aparece na
migra,barbeado, composto, penteado, até chegar na caatinga,
aumenta a importância da maquiagem. Há uma progressão na
viagem do Marshall. Ele vai ficando decrépito. O retoque
final da maquiagem era sempre dele, o David finalizava sua
maquiagem.
ENTREVISTA COM O ATOR IRANDHIR SANTOS (Nonato)
O pernambucano Irandhir Santos interpreta Nonato, o corajoso
emigrante brasileiro que encara Marshall, chefe da imigração
americana em Olhos Azuis. O ator fez sua formação em artes
cênicas na Universidade Federal de Pernambuco, do teatro
ingressou na televisão, onde trabalhou na minissérie A Pedra do
Reino. Sua estreia em longa metragem foi em Cinema, Aspirinas e
Urubus, depois veio Baixio das Bestas, com o qual conquistou o
Troféu Candango de melhor ator coadjuvante no Festival de
Brasília de 2006. Em 2009 atuou no filme Besouro. No inicio de
2010, pôde ser visto também como o protagonista do longa Viajo
Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Ainouz.Sua atuação
em Olhos Azuis foi premiada no Festival de Paulínia, 2009. Em
maio deste ano, Irandhir estreia também o filme Quincas Berro
D´Água, adaptação para a cinema do livro de Jorge Amado.
Atualmente, o ator está filmando Tropa de Elite 2.
Varias línguas
Minha formação foi em teatro, onde é possível experimentar
mais. Em cinema é tudo corrido, mais matemático, tem que
ter mais concentração.
Repetir a mesma cena com a mesma intensidade, sem perder a
emoção.
Mas o maior desafio desse papel foi sem dúvida interpretar
em inglês. Inglês sempre foi um problema, desde o tempo da
escola. Porque não tinha motivação para estudar como
deveria. Mas o engraçado é que eu sempre soube que um dia
precisaria do inglês. Até que um dia liga a Helô (produtora
do filme) e me convidada para interpretar o papel. Nesse
momento ela diz: tem uma questão, você tem que interpretar
em inglês.
Então eu tive que voltar para a escola. Ela disse: você tem
3 meses para se preparar.
Se tive dificuldades no inglês no passado, por outro lado,
sempre encarei os desafios da vida.
Então pensei: em 3 meses o Nonato estará pronto. E assim
foi, o aprendizado continuou durante a filmagem. No set,
tive a ajuda do Joffily, do David Rache, da Erica Gimpel e
do Frank Grillo, os atores americanos. Depois de alguns
dias rodando, ensaiando o clima tomou conta do set, o
inglês foi ganhando força e eu fui assimilando.
Tem ainda o espanhol, o Nonato fala portunhol. Na verdade,
na sala de espera da imigração existe uma tentativa de
comunicação, as pessoas se comunicam de várias formas, há
outras
linguagens
presentes
ali,
talvez
até
mais
significativas do que a verborragia.
Cumplicidade
Calypso, a cubana que fica detida juntamente com Nonato e o
outros latinos na ante-sala da imigração americana, é a
personagem mais próxima do brasileiro. Os dois estão em
situação parecidas, talvez para ela seja mais difícil,
porque é a primeira vez que ela viaja para os Estados
Unidos. Para Nonato é mais tranquilo, ele está mais
preocupado com seu tempo. Ele quer aparentar ser um homem
de negócios. Naquela sala ele encontra uma cumplicidade com
Calypso. Às vezes não há palavras. Eu e Branca (Messina)
que interpreta a Calypso, conversamos sobre isso, às vezes
basta um olhar. O que vem dos outros personagens em relação
ao Nonato são coisas muito desumanas. Os policiais estão
atirando o tempo todo, são outros sentimentos, mas estes
também ultrapassam a barreira da língua.
A construção de Nonato
A partir de uma palavra: emigração. Uma pessoa que vai
sempre em frente, que se estabelece.Nonato saiu de
Petrolina, superou dificuldades para ir até o Recife
estudar história, depois vai para os Estados Unidos. Lá ele
se estabeleceu, sempre seguindo em frente, trilhando um
caminho reto. Até que chega uma pessoa e diz: pare por aí.
Daqui você volta. Desconsidera todo o seu passado.
Dentro da bolsa que Nonato carrega está a filha,a mãe e a
sua história. É difícil você abrir mão da sua história.
Confesso que me detive no Nonato do aeroporto e em um
passado que o motivasse a ir para os EUA. Mas tem o outro
Nonato. Na imigração ele está constantemente preocupado,
transpira, tem rugas na testa. Quando está no Recife é um
Nonato relaxado, sorridente, seu tempo é mais devagar,
observa, sente o clima, aproveita o sol, o mar, a filha.
No primeiro interrogatório, Nonato se expressa com um
inglês perfeito. Mas à medida que vai sendo pressionado,
seu inglês vai piorando. Sua emoção vai crescendo quando se
sente atingido,aí retoma a língua mãe, o português. No
momento da virada, precisa se fazer entender, então Nonato
volta para o inglês perfeito. São várias trajetórias desse
personagem.
Olhos Azuis fala do ser humano
A cor azul representa a memória. Para o Nonato e para mim
também. Quando acordo, lembro dos meus sonhos com a cor
azul. O meu passado também é azul. A cor está presente nos
olhos de duas pessoas significativas na vida dele: o
policial, esse monstro que diz, você não vai em frente e a
filha, que é o há de mais precioso para ele. Duas pessoas
com cores iguais em seu olhos, mas que trazem emoções
totalmente diferentes. Marshall e Luiza. Como podem ser
iguais e diferentes ao mesmo tempo? Estamos falando das
mesmas pessoas.
Esse filme fala das mesmas pessoas, somos iguais,
independente da cor, ou dos olhos, somos iguais. Pessoas
iguais e diferentes. Muda-se a cor, mas os infortúnios são
os mesmos. todos são iguais, as questões são as mesmas. Não
é uma questão de país ou de cultura. É uma questão humana.
Como lidar com os nossos infortúnios?
Nonato volta a ser um animal, ao seu instinto de
sobrevivência e defesa. Volta ao que todo homem tem, seja
em que país for, independente da cor dos olhos, da cor da
pele. Esse filme fala sobre o homem. São as conseqüências
da vida.
Imagens e cores
Meu personagem tem uma câmera, então o fotógrafo do filme,
Nonato Estrela, me perguntou: o que o seu Nonato filmaria?
Acho que Nonato sai captando a imagem dos pés de sua filha,
sua filha correndo, a praia de Boa Viagem, os momentos de
carinho com Luiza.
Assisti a uma reportagem sobre segurança nos aeroportos e
ali surgiu a ideia das cores. Para demonstrar os níveis de
atenção, eles usam cores.
Por exemplo, alerta laranja, alerta vermelho, etc. Eu
peguei essa referência como guia das emoções das cenas que
faria. Então tenho cenas amarelas e quando começa a
incomodar passo para as cenas laranjas até chegar o “pega
pra capar”, as cenas de vermelhas.
ENTREVISTA COM A ATRIZ CRISTINA LAGO (Bia)
Cristina Lago nasceu em Foz do Iguaçu no Paraná, e aos três anos
mudou-se com a família para Ouro Preto do Oeste no estado de
Rondônia. Em 2001, veio para o Rio de Janeiro estudar teatro no
Tablado e na Casa de Cultura Laura Alvin. Juntamente ao estudo
do teatro, formou-se em Dança pela Faculdade Angel Vianna.
Estreou no cinema vivendo a protagonista Analídia, no longametragem musical Maré, nossa história de amor, dirigido por
Lúcia Murat. No teatro, participou de vários espetáculos sendo
os mais recentes, Ariano, do diretor Gustavo Paso e Agora! da
diretora Claudia Mele. Conquistou o Prêmio de Melhor Atriz no II
Festival de Cinema de Paulínia, com a atuação em Olhos Azuis.
Seu último trabalho em cinema é no longa O doce veneno do
escorpião, de Marcos Baldini.
A trajetória de Bia
A Bia é uma personagem solar, alegre, que se mostra sempre
muito bem disposta com as pessoas e situações apesar de ser
uma prostituta. A complexidade dessa personagem vai
aparecendo aos poucos e se revela por completo no encontro
com seu avô. Ali ela se desnuda, se expõe e sua verdade
aflora. Acho que as fragilidades, os defeitos, os segredos
das personagens as tornam mais próximas das pessoas da vida
real, mais interessantes.Ninguém é perfeito, e compartilhar
algo é um bom caminho para comunicação.
Construção do personagem
De certa forma, como a Bia, eu também sou uma imigrante em
busca de realizações, temos histórias diferentes, mas
existe uma persistência e resistência nela que também me
pertencem.
Foram muitas as informações que somaram para construção da
Bia: as leituras do roteiro com o Zé, que delicadamente
apontava a Bia que ele queria, os ensaios com o David, os
encontros com a Paloma Riani, as aulas de inglês com a
Barbara Harrington. O encontro com a aridez do sertão foi
impactante, aquele vento quente me transportou para um
outro estado da alma.
Entender que a Bia era uma personagem solar, que ela
deveria ter uma luz que fizesse as pessoas desejarem estar
perto dela, apesar do seu histórico ser de uma vida
difícil, foi um grande passo para dar vida a essa
personagem que já tem no nome um pouquinho da sua essência.
Bia, apelido para Beatriz, significa aquela que faz os
outros felizes.
Contracenando com um americano
Confesso que estava um pouco apreensiva de trabalhar com um
ator americano, pois na época das filmagens meu inglês não
era muito bom. Como é que íamos nos comunicar? Mas foi
incrível como nos demos bem, fosse pela palavra, com
gestos, e depois com olhares, sempre conseguíamos nos
comunicar. E o David é um ator maravilhoso, e muito
generoso.
Posso dizer que ele foi um mestre, na verdade já disse isso
para ele. Tive a sorte desse encontro que me fez crescer
como atriz e que ampliou o meu olhar para as possibilidades
desse ofício. Adoro esse gringo! Rs...
Desafios
A Bia foi um grande desafio, a começar pela língua. No
filme ela fala em inglês quase o tempo todo como Marshall,
e encontrar a medida de ser bem compreendida por ele, um
americano que não sabia nada de português, e ao mesmo tempo
ter a pouca fluência que a sua condição permitia, foi bem
difícil.
Facilidades? E é fácil dar vida a uma personagem? Posso
dizer que é delicioso mas não é nada simples.
SOBRE O ELENCO INTERNACIONAL
David Rasche EUA
Rasche nasceu em St. Louis, Missouri . O ator, que começou
no teatro, já participou de vários filmes e seriados de
tv. Alguns críticos o consideram o melhor interprete das
peças do dramaturgo americano David Mamet. Na televisão,
Rasche ficou conhecido por sua interpretação do personagemtítulo do clássico cult, Sledge Hammer!
Rasche é pós-graduado pela Universidade de Chicago e
trabalhou como professor e escritor antes de entrar para o
showbusiness. Começou a aparecer na TV e em filmes em 1977,
fazendo sua estreia no cinema em 1978 no filme Uma Mulher
Solteira, dirigido por Paul Mazursky. No ano seguinte, ele
teve um pequeno papel no celebrado Manhattan de Woody
Allen. Desde então Rasche não parou mais de trabalhar. Já
atuou em mais de 80 produções para tv e cinema.
Recentemente, integrou o elenco da terceira temporada da
série de tv Ugly Betty.
Erica Gimpel EUA
Erica Gimpel é mais conhecida por seu papeis na televisão
nos seriados Fame, Profiler, ER e Veronica Mars. No seriado
Fame, Erica foi a interprete da musica tema – I wanna live
forever. Erica vem de uma família de artistas, sua mãe é a
cantora Shirley Bash e seu pai é o autor de contos Joseph
Gimpel. Já participou de vários filmes para o cinema.
Frank Grillo EUA
Grillo é provavelmente mais conhecido por seu papel como
Nick Savrinn, da primeira temporada de Prison Break. Ele
também teve papéis em outros programas de televisão e
filmes, incluindo a série de televisão Blind Justice e
Battery Park. Grillo ficou conhecido por seu papel na série
dramática Guiding Light, que participou de maio de 1996 a
março de 1999. Já participou de vários filmes para o
cinema.
Valeria Lorca Argentina
Valeria
várias
Angel,
cinema,
é uma respeitada atriz de teatro. Trabalhou também em
novelas e séries na televisão Argentina, sendo Wild
a serie que a tornou conhecida do grande público. No
seu último filme foi El Infinito sin estrellas .
Pablo Uranga Argentina
Pablo nasceu na Argentina, mas mora e trabalha no Brasil.
Dirigiu o longa A Cartomante. Como ator, atuou no curta
Como se morre no cinema e no longa Chama Verequete. Na
televisão, participou da minissérie Labirinto e da novela
Malhação.
Hector Bordoni Argentina
Estudou teatro com Norman Briski na escola de teatro
Caliban e com Luis Agustoni na escola de teatro El Ojo. Na
peça Criaturas de aire, de Lucía Laragione, com direção de
Luciano Cáceres, foi indicado ao premio ACE de melhor ator
coadjuvante.
No cinema protagonizou El Cóndor de oro, de Enrique Muzio,
e Tupac el grito, de Oscar Disisto. Participou dos filmes
Imagining Argentina de Christopher Hampton, Encarnación de
Anahí Berneri, Historias Extraordinárias de Mariano Llinás,
La mosca en la ceniza de Gabriela David, First Mission,
longa metragem holandês de Boris Conen, entre outros.
ENTREVISTA COM PAULO HALM, ROTERISTA
Nascido no Rio de Janeiro em 1962, Paulo Halm se formou em
cinema na UFF. Um dos mais atuantes roteiristas de cinema,
escreveu os roteiros para os filmes Guerra de Canudos, Pequeno
Dicionário Amoroso, Amores Possíveis, Dois Perdidos numa Noite
Suja.
Halm já dirigiu diversos curtas-metragens. Em 2010,
estreou na direção com o longa
Histórias de amor duram apenas
90 minutos. Por Olhos Azuis, Halm recebeu, ao lado de Melaine
Dimantas, o premio de melhor roteiro no Festival de Paulínia
2009.
Vida nova para o roteiro
O tema do imigrante, do brasileiro que vai fazer a vida nos
EUA, é uma ideia recorrente do JJ. De certa forma, já
havíamos tratado do assunto em 2 perdidos numa noite suja.
O roteiro (que ficou parado por 10 anos) trazia uma ideia
interessante, mas era pouco cinematográfico,precisava de um
olhar diferenciado. Para mim, o protagonista não era o
brasileiro. Era sobre o americano que a história deveria
refletir.
O paraíso fechado com um buldogue na porta
O roteiro antigo era uma crônica de costumes. Trazia a
situação de vários personagens que não entravam nos Estados
Unidos, todos vindos de países latino-americanos, de
nacionalidade diversas, tinha árabe, gay, perua, etc.
Minorias de todo jeito, cor e raça. Porém, achava que a
história não evoluída dramaticamente. Era preciso deslocar
o ponto de vista da narrativa para o Marshall (David
Rasche), o personagem mais forte. E reduzir drasticamente a
questão da imigração. Assim, o personagem brasileiro acabou
crescendo junto com o americano.
Abrimos o lado brasileiro na história, um contraponto
importante. Daí surgiu a ideia do confinamento e do espaço
aberto. A migra, é quase uma anti-sala do inferno. E a
viagem pelo Nordeste, uma redescoberta que leva ao paraíso.
Criamos uma duplicidade de leitura: a ideia de sair do
inferno em busca do paraíso.
A história é contada em tempos paralelos, criando um jogo
dramático interessante. O tempo da migra, mais tenso e
agressivo. E o tempo da viagem de Marshall (Recife a
Petrolina), num ritmo de observação e percepção.
Do inferno ao paraíso
Eu e o José Joffily fizemos essa longa viagem de carro e
percebemos que havia um acerto nessa perspectiva.
Saímos do litoral, cruzamos o estado de Pernambuco até o
rio que atravessa o sertão, o semi-árido, a zona da mata, o
agreste. Chegamos num lugar paradisíaco. Temos aí a ideia
de sair de um lugar feio para chegar a um lugar bonito.
No roteiro antigo já havia a ideia do Nonato (o brasileiro)
ter uma filha no Brasil. Na história não fica claro porque
o americano quer encontrar a filha do Nonato. O que ele
deseja com a filha do outro no Brasil. Simplesmente
conhece-la? Pedir perdão? Indeniza-la?
Abandono e retorno
A Bia não é apenas um personagem funcional na história. Ela
vai sendo construída no sentido de entender o que leva uma
pessoa a sair de sua casa, abandonar seu passado por um
futuro incerto. Ela mesma sai do sertão para o Recife. E
depois volta à sua raiz. O americano, faz o caminho
inverso, ele sai do seu país para reencontrar sua natureza,
o que ele perdeu em sua trajetória de embrutecimento.
Voltar para avançar
Todos os personagem abandonam suas raízes, seja no sentido
da imigração ou no sentido mais profundo, das perdas ao
longo da existência.
Todos estão fazendo uma viagem. Seja uma viagem para frente
ou para traz. Pra frente, em busca de uma novidade, de uma
melhora de vida. Pra traz, na busca de entender o que se
passou.
A Bia reforça o desejo de entender o que ficou para traz,
da mesma forma que o argentino e a cubana, ela foi forçada
a sair, para buscar uma perspectiva de vida. Talvez naquela
casinha com o avô, ela não tivesse crescido, teria apenas
envelhecido. O avô, ao contrário, está ali para morrer. É o
único que fincou raízes, ele está condenado, como uma
árvore, a crescer e morrer onde nasceu. É assim que ele
entende a vida, a permanência do homem no seu lugar.
Diversidade cultural
Todos os personagens têm funções dramáticas, desde criar
uma polifonia no gabinete da imigração até a ganhar com o
jogo do poder. Os argentinos, por exemplo, tentam se
aproveitar do confronto.
Os personagens latinos existem para que o embate entre o
americano e o brasileiro se fortaleça. Se não fosse assim,
seria uma estrutura maniqueísta.
Não há maniqueísmo, pois o Nonato está ilegal, do ponto de
vista do americano, ele está cometendo uma ilegalidade. E o
americano está protegendo a sua nação, o seu país.
Verdades diversas
Não existe uma verdade única, todos têm razões diferentes,
a verdade se torna um mosaico, vai mudando à medida que o
ponto de vista é deslocado. Ela toma a forma tanto do
americano quanto dos latinos.
O Marshall com toda a sua arrogância quer transformar o
último dia dele na imigração num espetáculo. Mas ele perde
o controle e a situação acaba se voltando contra ele.
Marshall no limite
O espectador vai tomar o partido de quem ele mais se
identificar e, esse partido é o de quem está mais próximo.
A Sandra (Erica Gimpel) e o Bob (Frank Grillo) provam que
os americanos não formam um bloco monolítico.
O discurso vazio do poder
Ironicamente os únicos que entram nos Estados Unidos estão
com droga, os argentinos que são mulas, estão fazendo
tráfego. Essa ironia torna o discurso do controle vazio e
inócuo. Apesar de todo o aparato de controle da migra, o
discurso não funciona. Da mesma forma que eles deixaram
passar os caras que derrubaram as Torres Gêmeas.
Uma bomba relógio
Qualquer pessoa que já viajou para fora do Brasil, passou,
em algum grau, por constrangimento. Parece que o viajante
cometeu
algum
crime.
Em
tese
somos
meliantes,
contrabandistas. Seja na ida, seja na volta, devemos nos
submeter a algum tipo de ritual de exceção, somos mal
tratados fora e dentro do país. Inevitavelmente qualquer
viajante vai passar por algum tipo de desconforto.
Ocorre que as metrópoles estão recebendo hordas.
Isso é uma bomba relógio. São pessoas do Brasil e do México
que vão para os Estados Unidos. Do Oriente Médio para a
França, da África para a Europa. Os países do extremo
oriente e do hemisfério sul estão exportando gente. Pessoas
que vão em busca de saúde, educação e trabalho.
Porque nos países delas não tem. A História está aí para
explicar esse desgaste econômico. Todo mundo quer ir para
os Estados Unidos. Todo mundo quer “fazer a América”.
Thriller: um filme se faz com uma garota e um revólver
As narrativas paralelas são construídas no sentido de criar
um clímax, há um crescimento da ação dramática. O filme tem
uma pegada de ação. Tanto no episódio da migra, quanto na
trajetória do Marshall, existem elementos para criar o
suspense. Fica claro que algo grave vai acontecer na migra.
Assim como na viagem, percebe-se que surgirá uma revelação.
E ainda tem uma arma. Um filme, segundo Samuel Fuller, se
faz com uma garota e um revólver. A tensão está presente. O
filme sempre teve a perspectiva de buscar um desenho
dramatúrgico de tensão e clímax.
ENTREVISTA COM HELOISA REZENDE, PRODUTORA
Conceituada produtora de cinema, trabalhou, entre outras
produções, nos filmes Quase Nada (2000), O veneno da madrugada
(2004), Zuzu Angel (2006), Casa da mãe Joana (2008), Salve geral
(2009) e Histórias de amor duram apenas 90 minutos (2010).
O desafio da produção
A primeira questão que surgiu do ponto de vista da produção
foi a apreensão em relação ao elenco, principalmente os
americanos, que vinham revestidos de uma pompa. Contudo,
nossa primeira impressão não se confirmou. Eram pessoas
muito simples, que se adaptaram bem às nossas condições. No
RioCentro, por exemplo, fazia muito calor, e não era
possível deixar o ar condicionado ligado o tempo todo
porque fazia muito barulho. E ainda assim, tudo correu bem.
Outra curiosidade foi a diversidade de línguas durante a
filmagem, o Zé dirigia falando parte em espanhol, parte em
inglês, parte em português. Se não era confuso, era no
mínimo engraçado. Para os americanos colocamos uma pessoa
traduzindo o que era dito em português. Mas no set se
falava uma mistura de línguas.
Estratégia na imigração
Para facilitar e aproveitar a disponibilidade do elenco
estrangeiro no Brasil, filmamos com duas câmeras, assim foi
possível agilizar a filmagem.
Uma câmera cobria parte de embate, no território entre os
oficiais e outra enfocava os imigrantes.
Assim, enquanto uma estava enquadrando o americano, a outra
estava voltada para o imigrante que era interrogado.
Engenharia financeira
O filme tinha um orçamento muito apertado, mesmo assim
aceitamos o desafio. Filmar em duas cidades no Nordeste
(Recife e Petrolina), voltar para o Rio e, construir a
imigração, uma obra cenográfica grande (Rio Centro), trazer
atores de fora do país, o que implicou em hospedagem,
alimentação, per diem em dólar, carro, enfim, uma logística
complexa.
Deu tudo certo porque priorizamos certo, escolhemos um
elenco de qualidade, demos a esse elenco condições ideais,
para estarem satisfeitos no Rio. Mas foi uma produção que
exigiu um controle financeiro grande.
Contratação do elenco estrangeiro
Pensamos que acontecia como ocorre aqui, um contrato de dez
folhas. Com todas as condições explicadas. Perdemos muito
tempo tentando traduzir um contrato nos moldes dos
brasileiros.
Na verdade, fomos surpreendidos com um contrato muito
simples, de apenas uma única folha. Lá como o sindicato é
forte, eles partem do pressuposto de que tudo está
subentendo. Ou seja, quantas horas de trabalho por dia, o
que exceder é hora extra. Aqui, no Brasil coloca-se tudo no
contrato, repetindo as leis trabalhistas. No contrato
americano o que está consolidado na Lei, não precisa mais
ser dito. Os americanos pensam nas condições específicas de
uma filmagem, estabelecem no contrato quantas estrelas deve
ter o hotel, o valor que o ator receberá por dia para
alimentação, se a passagem deve ser na classe executiva ou
na primeira classe, enfim, muito mais simples do que a
gente tinha imaginado.
O desafio da produção
Eu adoro o filme, o resultado ficou além das minhas
expectativas. Quando você engrena num processo de produção,
perde a noção de como vai ficar o filme no final. São
tantas as questões, dificuldades a serem superadas, que a
gente se afasta. Mas o filme supera isso, hoje me
surpreendo com o resultado. A parte da imigração, por
exemplo, é impressionante. E nem foi a parte mais difícil,
ali o desafio foi reunir o elenco estrangeiro naquele
local, acertar as agendas.
Contudo, estávamos confinados numa única locação, portanto,
com um maior controle da situação. Por outro lado, o
Nordeste, que aparentemente se mostrava mais fácil, foi uma
produção mais complexa. Primeiro por uma questão de
deslocamento e depois porque trabalhamos com uma equipe
local que não era nossa conhecida.
SOBRE A IMAGEM FILMES (DISTRIBUIDORA)
Atuando no mercado de entretenimento desde 1998, a Imagem
Filmes segue consolidando-se cada vez mais no mercado de
Cinema
e
Home
Video
como
umas
das
distribuidoras
independentes mais importantes do país. Capaz de reunir em
seu catálogo diversos filmes com potencial extremamente
comercial e também produções independentes de qualidade
rara, vindas dos quatro cantos do mundo.
Neste curto período de história a Imagem Filmes foi
responsável pelo lançamento de produções que obtiveram
grande destaque no mercado nacional, como: Kill Bill,
Super-Herói: O Filme (Superhero Movie), 1408 (1408), A Loja
Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium Wonder Emporium), Superheróis e a Liga da Injustiça (Disaster Movie), Vicky
Cristina Barcelona, entre tantos outros.
Além de sempre apoiar as produções nacionais, como Cidade
de Deus, Casa da Mãe Joana, Budapeste e Jean Charles, além
do inédito: Doce Veneno do Escorpião.
SOBRE A COEVOS FILMES (PRODUTORA)
A Coevos Filmes, fundada em 1981 pelo diretor José Joffily,
tem por objetivo o desenvolvimento de projetos ligados ao
audiovisual. Desde sua fundação, a produtora já realizou
mais de 15 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens.
Entre os longas realizados destaca-se Quem matou Pixote?
(1996), A Maldição de Sanpaku (1992), Urubus e Papagaios
(1985), Dois Perdidos numa noite suja (2002) e Achados e
Perdidos (2006), recebendo diversos prêmios por essas
produções. A
Coevos Filmes produziu ainda
diversos
programas para tv, filmes institucionais e mostras de
cinema.
ASSESSORIA DE IMPRENSA
Primeiro Plano
21 2286-3699 / 2266-0524
Anna Luiza Muller
[email protected]
Mariana Azevedo
[email protected]
Imagem Filmes
Rodrigo Fante
[email protected]
11 4052-2500
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Pressbook - Coevos Filmes