Coevos Filmes e Imagem Filmes apresentam OLHOS AZUIS Um filme de José Joffily Festival Paulínia 2009 / Prêmio Menina de ouro Melhor filme Melhor roteiro / Paulo Halm e Melanie Dimantas Melhor montagem / Pedro Bronz Melhor atriz / Cristina Lago Melhor ator coadjuvante / Irandhir Santos “O filme vai revelando sua história aos poucos e consegue envolver o espectador como um thriller psicológico” – André Miranda (O Globo) “Um belo trabalho de Joffily: forte e corajoso”. Sabadin – Celso “Olhos Azuis mescla elementos de suspense, drama e policial sem cair na facilidade dos desgastados clichês que permeiam estes três gêneros”. – Celso Sabadin “Ao lado de Rasche, os atores Frank Grillo (no papel de Bob), Erika Gimpel (Sandra) e principalmente Irandhir Santos (Nonato) brilham como coadjuvantes de primeira linha.” - Celso Sabadin APRESENTAÇÃO Depois da bem sucedida participação no Festival de Paulínia 2009 – em que levou seis prêmios, incluindo o de melhor filme - o thriller Olhos Azuis, de José Joffily, tem sua estreia nacional dia 28 de maio. Olhos Azuis acompanha a história de Marshall (David Rasche), chefe do Departamento de Imigração do Aeroporto de Nova Iorque, que, em seu último dia de trabalho, detém um grupo de latino-americanos, expondo-os a uma série de situações humilhantes. Nonato (Irandhir Santos) é um dos personagens que mais sofre na mão de Marshall. Anos depois, os papéis se invertem. Marshall é um estrangeiro no Brasil, a procura de uma menina de nome Luiza. Em Recife, ele conhece a garota de programa Bia (Cristina Lago), que o acompanha nessa jornada em busca de redenção. O filme vai revelando a relação entre as histórias dos personagens aos poucos. Paulo Halm e Melaine Dimantas receberam o prêmio de melhor roteiro. E Pedro Bronz, o de melhor montagem. Completando a ficha técnica, Claudio Amaral Peixoto assina a direção de arte, Nonato Estrela é o diretor de fotografia e Ellen Millet assina o figurino. A trilha sonora é de Jaques Morelembaum. O filme conta com um elenco internacional, formado por atores brasileiros, norte-americanos, argentinos e hondurenhos. SINOPSE LONGA UM DUELO NA FRONTEIRA É o último dia de trabalho de Marshall, chefe da imigração do Aeroporto JFK, que na esperança de deixar uma lição para seus subordinados, detém arbitrariamente um grupo de latinos. Nesse momento, os viajantes que sonhavam com o “paraíso americano” vão lentamente entrando no inferno. Em clima de alta tensão, Marshall cria situações cada vez mais constrangedoras, até provocar um duelo entre “olhos azuis” e “olhos negros”. Após um desfecho trágico, o todo poderoso da imigração americana torna-se também um estrangeiro. Marshall abandona seu país e parte para terras longínquas em busca do perdão. Angustiado e culpado, atravessa o Nordeste brasileiro, cruza o sertão até encontrar a bela região do rio São Francisco. Nessa travessia, é guiado por Bia, uma garota que irá transformar sua vida. O thriller Olhos azuis traz um grande elenco internacional, formado por atores americanos, argentinos, hondurenhos e brasileiros. SINOPSE CURTA UM THRILLER DAS DIFERENÇAS Marshall (David Rasche) é o chefe do Departamento de Imigração do aeroporto JFK, em Nova York. Comemorando seu último dia de trabalho, Marshall resolve se divertir complicando a entrada no país de vários latino-americanos. Entre eles está Nonato (Irandhir Santos), um brasileiro radicado nos EUA, dois poetas argentinos, uma bailarina cubana e um grupo de lutadores hondurenhos. Dois anos depois, Marshall vem ao Brasil procurar uma menina de nome Luiza. Quando ele conhece Bia (Cristina Lago), uma jornada em busca de redenção se inicia. Olhos Azuis foi o grande vencedor do II Festival Paulínia de Cinema com seis prêmios, incluindo o de Melhor Filme. ELENCO David Rasche (Marshall) Cristina Lago (Bia) Irandhir Santos (Nonato) Erica Gimpel (Sandra) Frank Grillo (Bob) Valeria Lorca (Assumpta) Pablo Uranga (Martin) Branca Messina (Calypso) Hector Bordoni (Augustin) Everaldo Pontes (Avô) Zezita Matos (Socorro) Fernando Teixeira (Medico) FICHA TECNICA Direção: José Joffily Produção: José Joffily e Heloisa Rezende Produtor Associado: João Vieira Jr. Produção Executiva: Heloisa Rezende Argumento: José Joffily, Jorge Duran e Paulo Halm Roteiro: Paulo Halm e Melanie Dimantas Direção de fotografia: Nonato Estrela, ABC Direção de arte: Claudio Amaral Peixoto Figurino: Ellen Millet Montagem: Pedro Bronz Trilha Sonora: Jaques Morelenbaum Direção de Produção (Argentina): Jaime Lozano Elenco (EUA): Steve Vicent e Sig Miguel Elenco (Argentina): Jaime Lozano e Emiliano Lozano Distribuição: Imagem Filmes Produção: Coevos Filmes Gênero: drama Ano: 2009 Duração: 111 minutos Classificação: 16 anos Idioma: português, inglês e espanhol Subtítulos: português e inglês Cor: colorido Som: Dolby SRD Formato: 35mm ENTEVISTA COM O DIRETOR JOSÉ JOFFILY Nascido em 1945 em João Pessoa/PB, José Joffily é Cineasta e Mestre em Comunicação pela UFRJ. Paralelamente à sua atividade como realizador e produtor, trabalhou durante 20 anos junto ao Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense, como professor adjunto. Em 2000 foi presidente da ABRACI, Associação Brasileira de Cineastas. Foi em 1981 que fundou a produtora Coevos Filmes, com a qual passou a produzir seus projetos audiovisuais. Seus trabalhos mais recentes são a produção e direção do longa-metragem de ficção Olhos Azuis (2007), e a direção do documentário A Paixão Segundo Callado (2007), produzido pela Lumén Produções. Como roteirista escreveu, entre outros, os longas-metragens: O Sonho Não Acabou; Parahyba Mulher Macho; Avaeté, A Semente da Vingança (Melhor Roteiro Rio Cine Festival); O Rei do Rio; A Filha dos Trapalhões; Terra Para Rose; Vai Trabalhar Vagabundo II (Melhor Roteiro Festival de Natal); O Guarani; Urubus e Papagaios; A Cor do Seu Destino (Melhor Roteiro Festival de Brasília); A Maldição do Sanpaku e Quem Matou Pixote? (Melhor Roteiro Festival de Gramado). A inspiração A pedagoga americana, Jane Elliot, organizava uma oficina sui-generis. A proposta era oferecer a possibilidade dos americanos conhecerem na prática as dores de pertencer a uma minoria. Os interessados, os “olhos azuis”, sentavam-se no chão, tendo em sua volta um semicírculo formado por representantes de minorias, chamados de “olhos negros”. A pedagoga estimulava o confronto, duvidando da verdade das respostas dos “olhos azuis” e promovendo o início um duelo, no qual ela sempre saia vencedora e os “olhos azuis” submetidos a sua lógica implacável. O documentário nos serviu de inspiração. A ideia Um amigo de longa data foi interrogado no aeroporto de NY e em seguida, deportado. Sem residência fixa no Brasil, ficou hospedado na minha casa. Foi meu convidado ao longo de três meses e no decorrer desse tempo contou com detalhes sua experiência de persona non grata. Boa parte do que acontece no filme é factual, o resto é inspirado. Com o tempo, à sua história somaram-se relatos de amigos e conhecidos, todos testemunhando experiências com funcionários da imigração americana. Atraído pelas migrações Já havia falado sobre migrações em 2 Perdidos Numa Noite Suja. Me parece uma boa questão o fato de que o dinheiro sempre teve livre circulação, mas o mesmo não acontece com as pessoas. Por uma razão ou outra, as pessoas são monitoradas em suas movimentações pelo planeta. Isso é curioso e revelador. Aos vinte anos, por dois anos, como outros tantos da minha idade, circulei pelo mundo, trabalhando aqui e acolá. Talvez a experiência tenha me marcado. Embora o filme trate da busca de um lugar no planeta, nossa ambição era dar ao tema o tratamento de um filme de suspense. Se as decisões das personagens sob pressão são mais reveladoras, na história que montávamos não faltavam essas ocasiões. Na migra, pressão era o que não faltava. Sobre o roteiro O primeiro parceiro foi o velho amigo Jorge Durán. Além de grande contador de historias, o Durán é imigrante, conhece bem essa experiência. Com ele, desenvolvi o primeiro argumento do filme. Em seguida, convidamos a Melanie Dimantas. Com ela, a história ganhou sabor especial. Irônica, Melanie trouxe humor e sarcasmo para os personagens. Depois de alguns meses de trabalho, outros projetos se apresentaram mais viáveis e abandonei, provisoriamente, o Olhos Azuis. Até que, em 2006, nove anos depois da primeira versão, a Petrobrás aportou com os recursos iniciais, definitivos para se começar o projeto. Simultaneamente, a Coevos, nossa produtora, recebeu recursos do PAQ, prêmio de qualidade, promovido pela Ancine. A repetição da minha parceria com a distribuidora Imagem Filmes também foi crucial para permitir que o projeto se transformasse, finalmente, em filme. O dinheiro alavanca, dá coragem e nos compromete. O roteiro tinha ficado nove anos parado, mas, com aqueles apoios, ele voltou a avançar. E, na medida em que se concretizava a possibilidade de realização do filme, a gente identificava a necessidade de cortar e modificar o roteiro. Chamei o Paulo Halm. Discutimos uma nova vertente para a história e foi essa que filmamos. Como sabemos, um roteiro, pode ser escrito eternamente (assim como a montagem de um filme, como diria Orson Welles). Depois de posta no papel a versão do Halm, fizemos mais algumas mudanças e partimos para a produção. Elenco estrangeiro Uma das razões na demora para a produção do filme foi que sempre considerei que o elenco deveria ser originário dos países dos personagens. Fazer essa agenda foi difícil, cara e trabalhosa, mas necessária. Contratamos agências na Argentina e nos EUA. Vi testes gravados e depois viajei para ratificar as escolhas. Direção Trabalhei muito com todos os atores antes de filmar. Gosto muito quando os intérpretes dos personagens trazem suas contribuições. Gosto de passar o roteiro e escutar. Procuro segurar a ansiedade, falar o mínimo e só fazer isso quando é absolutamente necessário. A comunicação No set falávamos em inglês, em espanhol, em spanenglish e portunhol. Depois do primeiro dia, todos se entendiam, todos tocavam a mesma música. Os brasileiros Queríamos atores desconhecidos. O rosto desconhecido de um bom ator é prazeroso de ver e pode conferir maior credibilidade. É uma experiência espetacular. Os americanos Pesquisaram muito sobre o tema. Visitaram os organismos encarregados dos aeroportos e trouxeram uma contribuição imensa. Os três eram muito comprometidos com o filme. Certamente que eles percebiam a rejeição aos americanos, à política americana. Na verdade, os preconceitos são de ambas as partes. Os personagens Nunca tratei o Marshall (David Rasche) como uma personagem metáfora. A Sandra (Erica Gimpel) e ao Bob (Frank Grillo), que apesar de suas origens negra e latina, agem de forma preconceituosa,revelam que o preconceito não é só de fora para dentro. Ele também age nas entranhas do país. A Bia (Cristina Lago) é uma peça importante na história. Ela começa assim e termina assado. De início, é apenas uma garota de programa interessada em dar um tapa numa grana. Em seguida a personagem ganha consistência e termina responsável pelo desfecho da história. A Cristina entendeu a progressão e soube conduzi-la muito bem. A mãe e o avô Duas participações especiais. São personagens que não atravessavam o filme, estão somente de passagem. Mas, um personagem que entra e sai, precisa deixar sua marca. O avô (Everaldo Pontes) faz uma participação precisa, contribui para compreensão da Bia. A mãe do Nonato (Zezita Matos) não só tinha o biotipo, mas o talento que leva o espectador a conhecer as raízes do imigrante. O jogo das diferenças: olhos azuis versus olhos negros Não existem bons nem maus na história. Todos têm razão. O Marshall, alcoólatra e revoltado com a aposentadoria obrigatória, tem razão em muitas de suas falas. Ele está doidão, mas suas considerações estão presentes em corações e mentes americanas. Idem o Nonato (Irandhir Santos). Ele também interpela os oficiais de forma abusada, mas suas falas revelam um julgamento comum a boa parte dos latinos. Dois mundo: o frio e o quente – Uma história política De um lado, um mundo “organizado”, de outro, um universo caótico. Aparentemente é isso. Mas, na medida em que a história avança, essa aparência revela outra faceta. Todo filme é político, tudo que se diz é político, mas política mesmo é a história do Super-Homem. Som e imagem Ruídos versus música. Assim como no tratamento fotográfico, também no som, procuramos distinguir os dois mundos, reforçar as diferenças também na edição de som: o espaço da migra e o Nordeste. A migra não comportava música, ali, apenas os ruídos deveriam reinar. Caprichamos nesse tipo de sonoridade, dispensando a melodia. A fotografia, a edição de som, a direção de arte, tudo foi numa única direção. A música atonal do Jaques (Morelenbaum),contribuiu generosamente com a ruidagem do filme. De modo que, algumas vezes, fica difícil identificar o que é uma e outra. Maracatu, Siba e o Nordeste Filmando nas ruas do Recife antigo, várias bandas de maracatu ensaiavam para as festas do carnaval. A interferência dessa sonoridade no som direto inviabilizava as gravações. Íamos tentando um take depois outro, e para desespero do Louzeirinho, nosso técnico de som, o ruído das ruas importunava. Finalmente, decidimos incorporar o problema. Ou seja, o Louzeirinho gravou a banda de maracatu. Assim, na edição dos diálogos, se a fala de um personagem era gravada no silencio, na edição acrescentávamos o maracatu ao fundo. O Jaques escutou aquele o maracatu de rua e gostou imensamente. Assim, sugeriu que deveríamos abrir e fechar o filme com aquela mesma gravação “selvagem”. A escolha do Siba foi iniciativa do nosso montador, o Pedro Bronz. Quando retomamos a montagem, depois de uma parada estratégica, vi que o Pedro tinha editado a musica Vale do Jucá. Escutei e me pareceu que o Siba tinha composto especialmente para a cena. A música é ambígua, muito apropriada. Principalmente, porque naquele momento, o personagem da Cristina (Lago) passa a ter as rédeas da história. E a música anuncia essa passagem. A partir desta canção do Siba, o Jaques desentranhou outros momentos sonoros. A sanfona Luiza, filha de Nonato, toca a sanfona. Pedi ao Arlindo, sanfoneiro conhecido em Recife, uma canção simples, que pudesse ser tocada por uma criança. Ele pediu que contasse em poucas palavras o que era o filme. Quando terminei, ele não pensou 2 vezes, pegou a sanfona e tocou os acordes. Mais tarde, fui agradecer e perguntar pelos autores da música. Para minha surpresa, o Arlindo revelou que a música não era de sua. Foi então que meu irmão descobriu que a música chamava-se Saudade de Matão. Não era de domínio público e a produção teve que comprar. Aqueles singelos acordes terminaram custando uma pequena fortuna. Maquiagem e estética O David (Rasche), um ator experiente, era inteiramente obcecado pela maquiagem. Sobretudo porque o personagem dele, à medida que a filmagem avançava fica mais depauperado. O fato do personagem passar por uma grande transformação física, desde o momento em que aparece na migra,barbeado, composto, penteado, até chegar na caatinga, aumenta a importância da maquiagem. Há uma progressão na viagem do Marshall. Ele vai ficando decrépito. O retoque final da maquiagem era sempre dele, o David finalizava sua maquiagem. ENTREVISTA COM O ATOR IRANDHIR SANTOS (Nonato) O pernambucano Irandhir Santos interpreta Nonato, o corajoso emigrante brasileiro que encara Marshall, chefe da imigração americana em Olhos Azuis. O ator fez sua formação em artes cênicas na Universidade Federal de Pernambuco, do teatro ingressou na televisão, onde trabalhou na minissérie A Pedra do Reino. Sua estreia em longa metragem foi em Cinema, Aspirinas e Urubus, depois veio Baixio das Bestas, com o qual conquistou o Troféu Candango de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília de 2006. Em 2009 atuou no filme Besouro. No inicio de 2010, pôde ser visto também como o protagonista do longa Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Ainouz.Sua atuação em Olhos Azuis foi premiada no Festival de Paulínia, 2009. Em maio deste ano, Irandhir estreia também o filme Quincas Berro D´Água, adaptação para a cinema do livro de Jorge Amado. Atualmente, o ator está filmando Tropa de Elite 2. Varias línguas Minha formação foi em teatro, onde é possível experimentar mais. Em cinema é tudo corrido, mais matemático, tem que ter mais concentração. Repetir a mesma cena com a mesma intensidade, sem perder a emoção. Mas o maior desafio desse papel foi sem dúvida interpretar em inglês. Inglês sempre foi um problema, desde o tempo da escola. Porque não tinha motivação para estudar como deveria. Mas o engraçado é que eu sempre soube que um dia precisaria do inglês. Até que um dia liga a Helô (produtora do filme) e me convidada para interpretar o papel. Nesse momento ela diz: tem uma questão, você tem que interpretar em inglês. Então eu tive que voltar para a escola. Ela disse: você tem 3 meses para se preparar. Se tive dificuldades no inglês no passado, por outro lado, sempre encarei os desafios da vida. Então pensei: em 3 meses o Nonato estará pronto. E assim foi, o aprendizado continuou durante a filmagem. No set, tive a ajuda do Joffily, do David Rache, da Erica Gimpel e do Frank Grillo, os atores americanos. Depois de alguns dias rodando, ensaiando o clima tomou conta do set, o inglês foi ganhando força e eu fui assimilando. Tem ainda o espanhol, o Nonato fala portunhol. Na verdade, na sala de espera da imigração existe uma tentativa de comunicação, as pessoas se comunicam de várias formas, há outras linguagens presentes ali, talvez até mais significativas do que a verborragia. Cumplicidade Calypso, a cubana que fica detida juntamente com Nonato e o outros latinos na ante-sala da imigração americana, é a personagem mais próxima do brasileiro. Os dois estão em situação parecidas, talvez para ela seja mais difícil, porque é a primeira vez que ela viaja para os Estados Unidos. Para Nonato é mais tranquilo, ele está mais preocupado com seu tempo. Ele quer aparentar ser um homem de negócios. Naquela sala ele encontra uma cumplicidade com Calypso. Às vezes não há palavras. Eu e Branca (Messina) que interpreta a Calypso, conversamos sobre isso, às vezes basta um olhar. O que vem dos outros personagens em relação ao Nonato são coisas muito desumanas. Os policiais estão atirando o tempo todo, são outros sentimentos, mas estes também ultrapassam a barreira da língua. A construção de Nonato A partir de uma palavra: emigração. Uma pessoa que vai sempre em frente, que se estabelece.Nonato saiu de Petrolina, superou dificuldades para ir até o Recife estudar história, depois vai para os Estados Unidos. Lá ele se estabeleceu, sempre seguindo em frente, trilhando um caminho reto. Até que chega uma pessoa e diz: pare por aí. Daqui você volta. Desconsidera todo o seu passado. Dentro da bolsa que Nonato carrega está a filha,a mãe e a sua história. É difícil você abrir mão da sua história. Confesso que me detive no Nonato do aeroporto e em um passado que o motivasse a ir para os EUA. Mas tem o outro Nonato. Na imigração ele está constantemente preocupado, transpira, tem rugas na testa. Quando está no Recife é um Nonato relaxado, sorridente, seu tempo é mais devagar, observa, sente o clima, aproveita o sol, o mar, a filha. No primeiro interrogatório, Nonato se expressa com um inglês perfeito. Mas à medida que vai sendo pressionado, seu inglês vai piorando. Sua emoção vai crescendo quando se sente atingido,aí retoma a língua mãe, o português. No momento da virada, precisa se fazer entender, então Nonato volta para o inglês perfeito. São várias trajetórias desse personagem. Olhos Azuis fala do ser humano A cor azul representa a memória. Para o Nonato e para mim também. Quando acordo, lembro dos meus sonhos com a cor azul. O meu passado também é azul. A cor está presente nos olhos de duas pessoas significativas na vida dele: o policial, esse monstro que diz, você não vai em frente e a filha, que é o há de mais precioso para ele. Duas pessoas com cores iguais em seu olhos, mas que trazem emoções totalmente diferentes. Marshall e Luiza. Como podem ser iguais e diferentes ao mesmo tempo? Estamos falando das mesmas pessoas. Esse filme fala das mesmas pessoas, somos iguais, independente da cor, ou dos olhos, somos iguais. Pessoas iguais e diferentes. Muda-se a cor, mas os infortúnios são os mesmos. todos são iguais, as questões são as mesmas. Não é uma questão de país ou de cultura. É uma questão humana. Como lidar com os nossos infortúnios? Nonato volta a ser um animal, ao seu instinto de sobrevivência e defesa. Volta ao que todo homem tem, seja em que país for, independente da cor dos olhos, da cor da pele. Esse filme fala sobre o homem. São as conseqüências da vida. Imagens e cores Meu personagem tem uma câmera, então o fotógrafo do filme, Nonato Estrela, me perguntou: o que o seu Nonato filmaria? Acho que Nonato sai captando a imagem dos pés de sua filha, sua filha correndo, a praia de Boa Viagem, os momentos de carinho com Luiza. Assisti a uma reportagem sobre segurança nos aeroportos e ali surgiu a ideia das cores. Para demonstrar os níveis de atenção, eles usam cores. Por exemplo, alerta laranja, alerta vermelho, etc. Eu peguei essa referência como guia das emoções das cenas que faria. Então tenho cenas amarelas e quando começa a incomodar passo para as cenas laranjas até chegar o “pega pra capar”, as cenas de vermelhas. ENTREVISTA COM A ATRIZ CRISTINA LAGO (Bia) Cristina Lago nasceu em Foz do Iguaçu no Paraná, e aos três anos mudou-se com a família para Ouro Preto do Oeste no estado de Rondônia. Em 2001, veio para o Rio de Janeiro estudar teatro no Tablado e na Casa de Cultura Laura Alvin. Juntamente ao estudo do teatro, formou-se em Dança pela Faculdade Angel Vianna. Estreou no cinema vivendo a protagonista Analídia, no longametragem musical Maré, nossa história de amor, dirigido por Lúcia Murat. No teatro, participou de vários espetáculos sendo os mais recentes, Ariano, do diretor Gustavo Paso e Agora! da diretora Claudia Mele. Conquistou o Prêmio de Melhor Atriz no II Festival de Cinema de Paulínia, com a atuação em Olhos Azuis. Seu último trabalho em cinema é no longa O doce veneno do escorpião, de Marcos Baldini. A trajetória de Bia A Bia é uma personagem solar, alegre, que se mostra sempre muito bem disposta com as pessoas e situações apesar de ser uma prostituta. A complexidade dessa personagem vai aparecendo aos poucos e se revela por completo no encontro com seu avô. Ali ela se desnuda, se expõe e sua verdade aflora. Acho que as fragilidades, os defeitos, os segredos das personagens as tornam mais próximas das pessoas da vida real, mais interessantes.Ninguém é perfeito, e compartilhar algo é um bom caminho para comunicação. Construção do personagem De certa forma, como a Bia, eu também sou uma imigrante em busca de realizações, temos histórias diferentes, mas existe uma persistência e resistência nela que também me pertencem. Foram muitas as informações que somaram para construção da Bia: as leituras do roteiro com o Zé, que delicadamente apontava a Bia que ele queria, os ensaios com o David, os encontros com a Paloma Riani, as aulas de inglês com a Barbara Harrington. O encontro com a aridez do sertão foi impactante, aquele vento quente me transportou para um outro estado da alma. Entender que a Bia era uma personagem solar, que ela deveria ter uma luz que fizesse as pessoas desejarem estar perto dela, apesar do seu histórico ser de uma vida difícil, foi um grande passo para dar vida a essa personagem que já tem no nome um pouquinho da sua essência. Bia, apelido para Beatriz, significa aquela que faz os outros felizes. Contracenando com um americano Confesso que estava um pouco apreensiva de trabalhar com um ator americano, pois na época das filmagens meu inglês não era muito bom. Como é que íamos nos comunicar? Mas foi incrível como nos demos bem, fosse pela palavra, com gestos, e depois com olhares, sempre conseguíamos nos comunicar. E o David é um ator maravilhoso, e muito generoso. Posso dizer que ele foi um mestre, na verdade já disse isso para ele. Tive a sorte desse encontro que me fez crescer como atriz e que ampliou o meu olhar para as possibilidades desse ofício. Adoro esse gringo! Rs... Desafios A Bia foi um grande desafio, a começar pela língua. No filme ela fala em inglês quase o tempo todo como Marshall, e encontrar a medida de ser bem compreendida por ele, um americano que não sabia nada de português, e ao mesmo tempo ter a pouca fluência que a sua condição permitia, foi bem difícil. Facilidades? E é fácil dar vida a uma personagem? Posso dizer que é delicioso mas não é nada simples. SOBRE O ELENCO INTERNACIONAL David Rasche EUA Rasche nasceu em St. Louis, Missouri . O ator, que começou no teatro, já participou de vários filmes e seriados de tv. Alguns críticos o consideram o melhor interprete das peças do dramaturgo americano David Mamet. Na televisão, Rasche ficou conhecido por sua interpretação do personagemtítulo do clássico cult, Sledge Hammer! Rasche é pós-graduado pela Universidade de Chicago e trabalhou como professor e escritor antes de entrar para o showbusiness. Começou a aparecer na TV e em filmes em 1977, fazendo sua estreia no cinema em 1978 no filme Uma Mulher Solteira, dirigido por Paul Mazursky. No ano seguinte, ele teve um pequeno papel no celebrado Manhattan de Woody Allen. Desde então Rasche não parou mais de trabalhar. Já atuou em mais de 80 produções para tv e cinema. Recentemente, integrou o elenco da terceira temporada da série de tv Ugly Betty. Erica Gimpel EUA Erica Gimpel é mais conhecida por seu papeis na televisão nos seriados Fame, Profiler, ER e Veronica Mars. No seriado Fame, Erica foi a interprete da musica tema – I wanna live forever. Erica vem de uma família de artistas, sua mãe é a cantora Shirley Bash e seu pai é o autor de contos Joseph Gimpel. Já participou de vários filmes para o cinema. Frank Grillo EUA Grillo é provavelmente mais conhecido por seu papel como Nick Savrinn, da primeira temporada de Prison Break. Ele também teve papéis em outros programas de televisão e filmes, incluindo a série de televisão Blind Justice e Battery Park. Grillo ficou conhecido por seu papel na série dramática Guiding Light, que participou de maio de 1996 a março de 1999. Já participou de vários filmes para o cinema. Valeria Lorca Argentina Valeria várias Angel, cinema, é uma respeitada atriz de teatro. Trabalhou também em novelas e séries na televisão Argentina, sendo Wild a serie que a tornou conhecida do grande público. No seu último filme foi El Infinito sin estrellas . Pablo Uranga Argentina Pablo nasceu na Argentina, mas mora e trabalha no Brasil. Dirigiu o longa A Cartomante. Como ator, atuou no curta Como se morre no cinema e no longa Chama Verequete. Na televisão, participou da minissérie Labirinto e da novela Malhação. Hector Bordoni Argentina Estudou teatro com Norman Briski na escola de teatro Caliban e com Luis Agustoni na escola de teatro El Ojo. Na peça Criaturas de aire, de Lucía Laragione, com direção de Luciano Cáceres, foi indicado ao premio ACE de melhor ator coadjuvante. No cinema protagonizou El Cóndor de oro, de Enrique Muzio, e Tupac el grito, de Oscar Disisto. Participou dos filmes Imagining Argentina de Christopher Hampton, Encarnación de Anahí Berneri, Historias Extraordinárias de Mariano Llinás, La mosca en la ceniza de Gabriela David, First Mission, longa metragem holandês de Boris Conen, entre outros. ENTREVISTA COM PAULO HALM, ROTERISTA Nascido no Rio de Janeiro em 1962, Paulo Halm se formou em cinema na UFF. Um dos mais atuantes roteiristas de cinema, escreveu os roteiros para os filmes Guerra de Canudos, Pequeno Dicionário Amoroso, Amores Possíveis, Dois Perdidos numa Noite Suja. Halm já dirigiu diversos curtas-metragens. Em 2010, estreou na direção com o longa Histórias de amor duram apenas 90 minutos. Por Olhos Azuis, Halm recebeu, ao lado de Melaine Dimantas, o premio de melhor roteiro no Festival de Paulínia 2009. Vida nova para o roteiro O tema do imigrante, do brasileiro que vai fazer a vida nos EUA, é uma ideia recorrente do JJ. De certa forma, já havíamos tratado do assunto em 2 perdidos numa noite suja. O roteiro (que ficou parado por 10 anos) trazia uma ideia interessante, mas era pouco cinematográfico,precisava de um olhar diferenciado. Para mim, o protagonista não era o brasileiro. Era sobre o americano que a história deveria refletir. O paraíso fechado com um buldogue na porta O roteiro antigo era uma crônica de costumes. Trazia a situação de vários personagens que não entravam nos Estados Unidos, todos vindos de países latino-americanos, de nacionalidade diversas, tinha árabe, gay, perua, etc. Minorias de todo jeito, cor e raça. Porém, achava que a história não evoluída dramaticamente. Era preciso deslocar o ponto de vista da narrativa para o Marshall (David Rasche), o personagem mais forte. E reduzir drasticamente a questão da imigração. Assim, o personagem brasileiro acabou crescendo junto com o americano. Abrimos o lado brasileiro na história, um contraponto importante. Daí surgiu a ideia do confinamento e do espaço aberto. A migra, é quase uma anti-sala do inferno. E a viagem pelo Nordeste, uma redescoberta que leva ao paraíso. Criamos uma duplicidade de leitura: a ideia de sair do inferno em busca do paraíso. A história é contada em tempos paralelos, criando um jogo dramático interessante. O tempo da migra, mais tenso e agressivo. E o tempo da viagem de Marshall (Recife a Petrolina), num ritmo de observação e percepção. Do inferno ao paraíso Eu e o José Joffily fizemos essa longa viagem de carro e percebemos que havia um acerto nessa perspectiva. Saímos do litoral, cruzamos o estado de Pernambuco até o rio que atravessa o sertão, o semi-árido, a zona da mata, o agreste. Chegamos num lugar paradisíaco. Temos aí a ideia de sair de um lugar feio para chegar a um lugar bonito. No roteiro antigo já havia a ideia do Nonato (o brasileiro) ter uma filha no Brasil. Na história não fica claro porque o americano quer encontrar a filha do Nonato. O que ele deseja com a filha do outro no Brasil. Simplesmente conhece-la? Pedir perdão? Indeniza-la? Abandono e retorno A Bia não é apenas um personagem funcional na história. Ela vai sendo construída no sentido de entender o que leva uma pessoa a sair de sua casa, abandonar seu passado por um futuro incerto. Ela mesma sai do sertão para o Recife. E depois volta à sua raiz. O americano, faz o caminho inverso, ele sai do seu país para reencontrar sua natureza, o que ele perdeu em sua trajetória de embrutecimento. Voltar para avançar Todos os personagem abandonam suas raízes, seja no sentido da imigração ou no sentido mais profundo, das perdas ao longo da existência. Todos estão fazendo uma viagem. Seja uma viagem para frente ou para traz. Pra frente, em busca de uma novidade, de uma melhora de vida. Pra traz, na busca de entender o que se passou. A Bia reforça o desejo de entender o que ficou para traz, da mesma forma que o argentino e a cubana, ela foi forçada a sair, para buscar uma perspectiva de vida. Talvez naquela casinha com o avô, ela não tivesse crescido, teria apenas envelhecido. O avô, ao contrário, está ali para morrer. É o único que fincou raízes, ele está condenado, como uma árvore, a crescer e morrer onde nasceu. É assim que ele entende a vida, a permanência do homem no seu lugar. Diversidade cultural Todos os personagens têm funções dramáticas, desde criar uma polifonia no gabinete da imigração até a ganhar com o jogo do poder. Os argentinos, por exemplo, tentam se aproveitar do confronto. Os personagens latinos existem para que o embate entre o americano e o brasileiro se fortaleça. Se não fosse assim, seria uma estrutura maniqueísta. Não há maniqueísmo, pois o Nonato está ilegal, do ponto de vista do americano, ele está cometendo uma ilegalidade. E o americano está protegendo a sua nação, o seu país. Verdades diversas Não existe uma verdade única, todos têm razões diferentes, a verdade se torna um mosaico, vai mudando à medida que o ponto de vista é deslocado. Ela toma a forma tanto do americano quanto dos latinos. O Marshall com toda a sua arrogância quer transformar o último dia dele na imigração num espetáculo. Mas ele perde o controle e a situação acaba se voltando contra ele. Marshall no limite O espectador vai tomar o partido de quem ele mais se identificar e, esse partido é o de quem está mais próximo. A Sandra (Erica Gimpel) e o Bob (Frank Grillo) provam que os americanos não formam um bloco monolítico. O discurso vazio do poder Ironicamente os únicos que entram nos Estados Unidos estão com droga, os argentinos que são mulas, estão fazendo tráfego. Essa ironia torna o discurso do controle vazio e inócuo. Apesar de todo o aparato de controle da migra, o discurso não funciona. Da mesma forma que eles deixaram passar os caras que derrubaram as Torres Gêmeas. Uma bomba relógio Qualquer pessoa que já viajou para fora do Brasil, passou, em algum grau, por constrangimento. Parece que o viajante cometeu algum crime. Em tese somos meliantes, contrabandistas. Seja na ida, seja na volta, devemos nos submeter a algum tipo de ritual de exceção, somos mal tratados fora e dentro do país. Inevitavelmente qualquer viajante vai passar por algum tipo de desconforto. Ocorre que as metrópoles estão recebendo hordas. Isso é uma bomba relógio. São pessoas do Brasil e do México que vão para os Estados Unidos. Do Oriente Médio para a França, da África para a Europa. Os países do extremo oriente e do hemisfério sul estão exportando gente. Pessoas que vão em busca de saúde, educação e trabalho. Porque nos países delas não tem. A História está aí para explicar esse desgaste econômico. Todo mundo quer ir para os Estados Unidos. Todo mundo quer “fazer a América”. Thriller: um filme se faz com uma garota e um revólver As narrativas paralelas são construídas no sentido de criar um clímax, há um crescimento da ação dramática. O filme tem uma pegada de ação. Tanto no episódio da migra, quanto na trajetória do Marshall, existem elementos para criar o suspense. Fica claro que algo grave vai acontecer na migra. Assim como na viagem, percebe-se que surgirá uma revelação. E ainda tem uma arma. Um filme, segundo Samuel Fuller, se faz com uma garota e um revólver. A tensão está presente. O filme sempre teve a perspectiva de buscar um desenho dramatúrgico de tensão e clímax. ENTREVISTA COM HELOISA REZENDE, PRODUTORA Conceituada produtora de cinema, trabalhou, entre outras produções, nos filmes Quase Nada (2000), O veneno da madrugada (2004), Zuzu Angel (2006), Casa da mãe Joana (2008), Salve geral (2009) e Histórias de amor duram apenas 90 minutos (2010). O desafio da produção A primeira questão que surgiu do ponto de vista da produção foi a apreensão em relação ao elenco, principalmente os americanos, que vinham revestidos de uma pompa. Contudo, nossa primeira impressão não se confirmou. Eram pessoas muito simples, que se adaptaram bem às nossas condições. No RioCentro, por exemplo, fazia muito calor, e não era possível deixar o ar condicionado ligado o tempo todo porque fazia muito barulho. E ainda assim, tudo correu bem. Outra curiosidade foi a diversidade de línguas durante a filmagem, o Zé dirigia falando parte em espanhol, parte em inglês, parte em português. Se não era confuso, era no mínimo engraçado. Para os americanos colocamos uma pessoa traduzindo o que era dito em português. Mas no set se falava uma mistura de línguas. Estratégia na imigração Para facilitar e aproveitar a disponibilidade do elenco estrangeiro no Brasil, filmamos com duas câmeras, assim foi possível agilizar a filmagem. Uma câmera cobria parte de embate, no território entre os oficiais e outra enfocava os imigrantes. Assim, enquanto uma estava enquadrando o americano, a outra estava voltada para o imigrante que era interrogado. Engenharia financeira O filme tinha um orçamento muito apertado, mesmo assim aceitamos o desafio. Filmar em duas cidades no Nordeste (Recife e Petrolina), voltar para o Rio e, construir a imigração, uma obra cenográfica grande (Rio Centro), trazer atores de fora do país, o que implicou em hospedagem, alimentação, per diem em dólar, carro, enfim, uma logística complexa. Deu tudo certo porque priorizamos certo, escolhemos um elenco de qualidade, demos a esse elenco condições ideais, para estarem satisfeitos no Rio. Mas foi uma produção que exigiu um controle financeiro grande. Contratação do elenco estrangeiro Pensamos que acontecia como ocorre aqui, um contrato de dez folhas. Com todas as condições explicadas. Perdemos muito tempo tentando traduzir um contrato nos moldes dos brasileiros. Na verdade, fomos surpreendidos com um contrato muito simples, de apenas uma única folha. Lá como o sindicato é forte, eles partem do pressuposto de que tudo está subentendo. Ou seja, quantas horas de trabalho por dia, o que exceder é hora extra. Aqui, no Brasil coloca-se tudo no contrato, repetindo as leis trabalhistas. No contrato americano o que está consolidado na Lei, não precisa mais ser dito. Os americanos pensam nas condições específicas de uma filmagem, estabelecem no contrato quantas estrelas deve ter o hotel, o valor que o ator receberá por dia para alimentação, se a passagem deve ser na classe executiva ou na primeira classe, enfim, muito mais simples do que a gente tinha imaginado. O desafio da produção Eu adoro o filme, o resultado ficou além das minhas expectativas. Quando você engrena num processo de produção, perde a noção de como vai ficar o filme no final. São tantas as questões, dificuldades a serem superadas, que a gente se afasta. Mas o filme supera isso, hoje me surpreendo com o resultado. A parte da imigração, por exemplo, é impressionante. E nem foi a parte mais difícil, ali o desafio foi reunir o elenco estrangeiro naquele local, acertar as agendas. Contudo, estávamos confinados numa única locação, portanto, com um maior controle da situação. Por outro lado, o Nordeste, que aparentemente se mostrava mais fácil, foi uma produção mais complexa. Primeiro por uma questão de deslocamento e depois porque trabalhamos com uma equipe local que não era nossa conhecida. SOBRE A IMAGEM FILMES (DISTRIBUIDORA) Atuando no mercado de entretenimento desde 1998, a Imagem Filmes segue consolidando-se cada vez mais no mercado de Cinema e Home Video como umas das distribuidoras independentes mais importantes do país. Capaz de reunir em seu catálogo diversos filmes com potencial extremamente comercial e também produções independentes de qualidade rara, vindas dos quatro cantos do mundo. Neste curto período de história a Imagem Filmes foi responsável pelo lançamento de produções que obtiveram grande destaque no mercado nacional, como: Kill Bill, Super-Herói: O Filme (Superhero Movie), 1408 (1408), A Loja Mágica de Brinquedos (Mr. Magorium Wonder Emporium), Superheróis e a Liga da Injustiça (Disaster Movie), Vicky Cristina Barcelona, entre tantos outros. Além de sempre apoiar as produções nacionais, como Cidade de Deus, Casa da Mãe Joana, Budapeste e Jean Charles, além do inédito: Doce Veneno do Escorpião. SOBRE A COEVOS FILMES (PRODUTORA) A Coevos Filmes, fundada em 1981 pelo diretor José Joffily, tem por objetivo o desenvolvimento de projetos ligados ao audiovisual. Desde sua fundação, a produtora já realizou mais de 15 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. Entre os longas realizados destaca-se Quem matou Pixote? (1996), A Maldição de Sanpaku (1992), Urubus e Papagaios (1985), Dois Perdidos numa noite suja (2002) e Achados e Perdidos (2006), recebendo diversos prêmios por essas produções. A Coevos Filmes produziu ainda diversos programas para tv, filmes institucionais e mostras de cinema. ASSESSORIA DE IMPRENSA Primeiro Plano 21 2286-3699 / 2266-0524 Anna Luiza Muller [email protected] Mariana Azevedo [email protected] Imagem Filmes Rodrigo Fante [email protected] 11 4052-2500