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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ENGENHARIA FLORESTAL
CURSO DE ENGENHARIA FLORESTAL
NOTAS DE AULAS DE SILVICULTURA TROPICAL
PROF. CARLOS ALBERTO MORAES PASSOS
CUIABA
MATO GROSSO – BRASIL
MAIO - 2003
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
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CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
"Silvicultura é a ordenação ou o manejo científico das florestas para a produção
contínua de bens e serviços" (DANIEL et al., 1982).
Regulação florestal
É o controle da estrutura da floresta
mediante a proporção entre árvores
caducas, maduras, jovens e mudas,
arbustos e herbáceas.
Requer entendimento da estrutura, dos
processos (sucessão, regeneração) e das
relações (animal – planta, planta – planta,
meio físico – meio biótico, etc.) do
ecossistema florestal.
→
Meios físico e biótico influenciam no
comportamento fisiológico das espécies
(crescimento, competição e reprodução)
→
Meio antrópico
Influência das relações
Sócio-econômicas-culturais
→
Controle da estrutura
Tratamentos silviculturais (limpeza,
poda, desbaste, colheita, etc.)
Adaptado de DANIEL et al, 1982.
• Região Tropical:
• entre os paralelos 23º 27' latitude norte (Trópico de Câncer) e sul (Trópico de
Capricórnio);
• Clima:
• Temperatura média anual: 20ºC - lat. 30o N a 26o S - 47% da superfície terrestre;
• Segundo Köppen: temperatura do mês mais frio superior a 18ºC - 30% da superfície
terrestre;
• Oscilações térmicas diárias maiores que as anuais;
• Pequena variação na luminosidade ao longo do ano; e
• Umidade sem configuração típica.
• Superfície emergida da terra com cobertura florestal: 3.442 milhões de ha (FAO, 1995);
(cobertura florestal - sistemas ecológicos com mínimo de 10% de cobertura arbórea)
• Florestas Tropicais
• 52% da superfície florestal do mundo (florestas temperadas 48%);
Tabela 1 - Área de florestas e volume total de madeira segundo as regiões do mundo
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
Região
Mundo
África
Am. Norte e Central
Am. do Sul
Ásia
Europa
Oceania
URSS
Países
desenvolvidos
Países em
desenvolvimento
Fonte: FAO (1995)
Florestas e
terras arb.
106 ha
5.121
1.137
916
1.093
658
174
201
942
2
Total de
florestas
106 ha
(%)
3.442
27
352
2,8
528
4,1
893
7,0
490
3,8
132
1,0
88
0,7
755
5,9
Vol. total madeira
(%)
100,0
10,2
15,3
25,9
14,2
3,8
2,6
21,9
106 m3
383.727
54.938
57.564
124.969
52.062
18.541
10.056
84.234
(%)
100,0
14,3
15,0
32,6
13,6
4,8
2,6
22,0
Volume
por ha
(m3/ha)
111,4
156,1
109,0
139,9
106,3
140,5
114,3
111,6
2.064
1.433
11,2
41,6
163.451
42,6
114,1
3.067
2.010
15,8
58,4
220.276
57,4
109,6
Tabela 2 - Países com as maiores áreas de florestas no mundo e respectiva porcentagem de
superfície com floresta e área de floresta por habitante
País
ex-URSS
Brasil
Canadá
EUA
Outros
Total
Fonte: FAO (1994)
Superfície florestal
terrestre
106 ha
(%)
748
22
544
16
238
7
204
6
1.666
49
3.400
100
% da superfície
de terra
35
66
27
23
Área de floresta por
habitante
(ha)
2,6
3,7
9,3
0,8
27
Tabela 3 - Superfícies das formações florestais tropicais
Região
África
Ásia
Am. Latina
e Caribe
Total
(%)
Superfície
florestal
total
Florestas
Ombrófilas
527,6
310,6
86,6
177,3
918,1
1.7556,3
52
454,3
718,2
21
Flor.
Semideci
duais
Flor.
Deciduais
Zona
Montanhosa
Zona
Árida
Zona
Desértica
251,1
41,8
109 ha
92,5
41,1
35,3
47,2
58,7
0,0
3,4
3,1
294,3
587,3
17
44,9
178,6
5
121,9
204,3
6
1,1
59,7
1,8
1,6
8,1
0,2
Fonte: FAO (1994)
Principais regiões de FTU no mundo:
• Bacia do Amazonas e Orenoco - a maior massa contínua de floresta;
• Bacia do Congo, Niger e Zambeze e no Madagascar - África;
• Índia, Malásia, Bornéo e Nova Guiné;
•
FT possui alta biodiversidade:
• Canadá e norte dos EUA: 700 espécies de árvores;
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•
•
•
•
Malásia em 50 ha: 835 espécies de árvores;
Número médio de espécies de árvores por ha de FTU: 250;
Amazônia: cerca de 400 espécies de madeiras comerciáveis;
FTU: 50 % da diversidade biológica do planeta;
• Estimativas de perdas de espécies devido ao desmatamento em FT:
• até o ano 2000 - 10% das espécies;
• até o ano 2008 - 25% das espécies;
• No mundo: 5 a 30 milhões de espécies - somente 1 milhão descritas;
• Taxa de desmatamento na Amazônia brasileira: 2,0 milhões de ha ao ano;
• Em 1988: 4,8 milhões de ha queimados na Amazônia brasileira;
• Causas do desmatamento:
• agricultura e pecuária;
• colonização (pequeno produtor);
• especulação imobiliária;
• exploração madeireira;
• urbanização; e
• infra-estrutura.
• Uso e função das florestas pelo homem variam com as condições:
• ecológicas;
• sociais;
• econômicas; e
• culturais.
• "Preconceitos" históricos - florestas eram consideradas:
• foco de doenças;
• impedimento ao desenvolvimento;
• abrigo de animais perigosos;
• áreas potenciais para serem substituídas pela agricultura e pecuária; e
• áreas para serem exploradas as madeiras valiosas.
• Exploração florestal predatória:
• crença do recurso florestal inesgotável – alta relação oferta/demanda;
• lucro fácil e rápido;
• desconhecimento da importância e dinâmica das florestas;
• carência de profissionais habilitados;
• especificidade do manejo florestal; e
• fins agropecuários.
• Alternativas para a produção de bens florestais:
• manejo de florestas naturais; e
• plantio de florestas:
• 16 milhões de ha no mundo; 4,6 milhões de ha no Brasil, 30.000 ha no MT.
• Manejo de florestas naturais:
• praticado há muito tempo nas regiões temperadas;
• recente nas regiões tropicais: a partir da Segunda Guerra Mundial;
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
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• Manejo de florestas naturais no Brasil (experimental):
• Curuá-Una - PA;
• FLONA do Tapajós - PA;
• CPATU - PA;
• CVRD em Linhares - ES;
• INPA - AM;
• Flor. Est. de Antimari - AC
• IMAZON - Paragominas - PA
• FFT/FEMA-MT e PRONATURA/FEMA-MT – Marcelândia, Cláudia e Juína - MT.
• CPAA – Mil Madeireira S.A - AM
• CPATU/Moju e Belterra –PA
• Jarí - AP
• Manejo de florestas naturais para uso múltiplo:
• Parque Estadual de Campos do Jordão; e
• Parque Estadual de Passa Quatro;
• Situação atual do manejo de florestas naturais no Brasil:
• obrigatoriedade legal do plano de manejo;
• planos de manejo sem execução;
• exploração seletiva - erosão genética (poucas espécies e os melhores indivíduos);
• Na Amazônia: 400 espécies de madeiras comerciais, menos de 100 usadas no
mercado local e menos de 40 no mercado nacional;
• Exportação de 30 a 35 espécies amazônicas: 75% das exportações são das espécies:
mogno, virola, sucupira, cedro e ipê;
• exploração feita sem critérios técnicos e econômicos;
• desenvolvimento incipiente de sistemas silviculturais para as florestas nacionais;
• Sistema Silvicultural SEL - Seleção de Espécies Listadas (INPA);
• Sistema Bracatinga;
• Sistema Silvicultural Aplicado ao Manejo Empresarial - CPATU
• Pontos negativos do manejo de florestas naturais:
• falta de conhecimento a respeito das espécies e das comunidades florestais;
• baixo IMA (± 2 m3/ha/ano): requer grandes áreas;
• ciclo de corte desconhecido (± 30 anos); e
• danos na colheita ao solo e à vegetação remanescente.
• Pontos positivos do manejo de florestas naturais:
• maior diversidade biológica;
• impacto ambiental relativamente baixo;
• produção de espécies de madeiras duras – espécies clímax.
• Plantio de florestas no Brasil
• início na cidade do Rio de Janeiro;
• incentivos fiscais: plantios industriais;
• fomento florestal: plantios em pequenas e médias propriedades rurais;
• espécies predominantes: Eucalyptus spp., Pinus spp., Acacia sp., Araucaria angustifolia,
Gmelina arborea, Tectona grandis;
• Plantios florestais no MT
• Início na década de 70;
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• Aumento da área na segunda metade dos anos 90;
• Principais espécies: Eucalyptus spp., Hevea brasiliensis, Schizolobium amazonicum e
Tectona grandis
• Situação precária dos plantios da maioria das espécies - poucos estudos científicos
• Pontos negativos dos plantios florestais:
• impacto ambiental relativamente maior que o manejo das florestas naturais,
principalmente na fase de implantação;
• redução acentuada da biodiversidade;
• necessidade de elevado capital; e
• longo tempo de retorno do capital.
• Pontos positivos dos plantios florestais:
• maior IMA: requer menores áreas;
• menor ciclo de corte;
• padronização do produto; e
• produção regulada.
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
CAPÍTULO II: FITOGEOGRAFIA BRASILEIRA
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1. INTRODUÇÃO
• Fitogeografia: distribuição geográfica dos tipos de vegetação;
• Necessidade de classificar os tipos de vegetação para o planejamento e a pesquisa.
• Mapeamento da vegetação é feito há muito tempo;
• Alexandre F. Von Humboldt (1806): descreveu a paisagem natural dos agrupamentos
terrestres.
• Grisebach (1872): agrupou as plantas por caráter fisionômico definido (florestas, campos,
etc.) denominando-os de formações.
• Engler e Prantl (1887): iniciaram a moderna classificação sistemática das plantas.
• Drude (1889): dividiu a Terra em zonas, regiões, domínios e setores, de acordo com
endemismo apresentado pelas plantas.
• Classificação
• deve ser universal (Botânica, Zoologia, Geologia, etc.); e
• variável com a escala de trabalho;
2. SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO
1º PASSO: Definição da escala de trabalho
Quadro 1 - Escala cartográfica de acordo com o nível de detalhamento
Nível de detalhamento
Regional
Exploratório
Semi-detalhe
Detalhe
Escala cartográfica
1:2.500.000 - 1:10.000.000
1: 250.000 - 1: 1.000.000
1: 25.000 - 1: 100.000
1:
1 - 1:
25.000
• A classificação da vegetação poderá atingir 3 metas:
• 1ª . Classificação florística;
• 2ª . Classificação fisionômico-ecológica;
• 3ª . Classificação fitossociológico-biológica;
2.1. Sistema de classificação florística
• DRUDE (1889): dividiu o império florístico (flora mundial) em: zona, região, domínio e setor
Quadro 2 - Império florístico de acordo com a escala de trabalho e endemismo
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Escala de trabalho
Regional à exploratória
Semidetalhe a detalhe
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Império florístico
Zona
Região
Domínio
Setor
Endemismo
Família
Gênero
Espécie
Raça (variedade)
• zona: área caracterizada por famílias endêmicas;
• zona Neotropical: do México até a Argentina;
• zona Paleotropical: África e Ásia;
• zona Holoártica: norte da África, Ásia e Europa;
• zona Australiana: Austrália e Oceania.
Flora brasileira pertence à zona Neotropical com a seguintes famílias endêmicas:
Bixaceae, Cactaceae, Cannaceae, Caryocaraceae, Cyclathaceae, Cyrillaceae,
Lacistemaceae, Marograviaceae, Quiinaceae, Sarraceniaceae, etc.
• região: área caracterizada por gêneros endêmicos;
Regiões Florísticas Brasileiras
• MARTIUS (1858): 5 regiões florísticas com nomes de divindades gregas;
• Nayades - Flora Amazônica
• Hamadryades - Flora Nordestina
• Oreades - Flora do Centro-Oeste
• Dryades - Flora da Costa Atlântica
• Napeias - Flora Subtropical
Divisão ainda permanece pois apresenta ligações filogenéticas com base em coletas e
identificações botânicas confiáveis. É sugerido o acréscimo das regiões:
• Chaco Boreal - Flora Sul-mato-grossense; e
• Campinarana - Flora dos Podzóis Hidromórficos dos Pântanos Amazônicos.
• SAMPAIO (1940): dividiu a vegetação o brasileira em:
• Flora Amazônica ou Hyleae Brasileira - íntima correlação o com a Flora Africana;
• ligação também com a Flora da América do Norte, através dos Andes;
• Flora Extra-Amazônica - apresenta ligação afro-americanas e australásicas; origem na
Amazônia, Andes e Argentina;
• RADAMBRASIL (1982): dividiu a vegetação o em cinco regiões florísticas:
Quadro 3 - Principais gêneros de acordo com as regiões florísticas brasileiras
Região florística
Amazônica
Brasil Central
Nordestina
Sudeste
Gêneros
Bertholletia, Erisma, Vochysia, Qualea, Swietenia;
Vochysia, Qualea, Calisthene, Curatella, Parkia,
Dimorphandra;
Enterolobium, Hymeneae, Zizyphus, Cereus, Amburana,
Prosopis;
Araucaria, Podocarpus, Drymis, Ocotea, Cabralea, Lithraea;
• domínio: área caracterizada por espécies endêmicas;
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• setor: área caracterizada por variedades (raças) endêmicas;
2.2. Sistema de classificação fisionômico-ecológica
(ELLEMBERG e MUELLER-DOMBOIS, 1965-66)
1o PASSO: Delimitação da região ecológica, correspondente a um tipo de vegetação.
• No Brasil 4 regiões ecológicas:
• Amazônica
• Brasil Central
• Nordestina
• Sudeste
2o PASSO: Separação em classes de formação (fase fisionômica), caracterizada pelas
formas de vidas das espécies vegetais dominantes.
• Formas de vida: formas de crescimento das plantas (RAUNKIER, 1934);
• diferenciação através da proteção e dos órgãos de crescimento (gemas e brotos) em
relação aos períodos climáticos;
• fanerófitos: plantas lenhosas com gemas e brotos protegidos, situados acima de 0,25 cm
do solo;
• macrofanerófitos: 30 - 50 m
• mesofanerófitos: 20 - 30 m
• microfanerófitos: 5 - 20 m
• nanofanerófitos: 0,25 - 5 m
• caméfitos: plantas sublenhosas e, ou, ervas com gemas e brotos situados acima do solo;
atingem até 1 m de altura; ocorrem em áreas campestres e pantanosas.
• hemicriptófitos: plantas herbáceas com gemas e brotos protegidos ao nível do solo; ocorrem
em áreas campestres;
• geófitos: plantas herbáceas com gemas e brotos (gema, xilopódio, rizoma e bulbo) situados
no subsolo; ocorrem em áreas campestres;
• terófitos: plantas anuais, cujo ciclo vital é completados por sementes; ocorrem em áreas
campestres;
• lianas: plantas lenhosas e, ou, herbáceas reptantes (cipós) com gemas e brotos situados
acima do nível do solo; ocorrem em áreas florestais;
• epífitos:
• xeromórfitos: plantas lenhosas e, ou, herbáceas que apresentam duplo modo de
sobrevivência ao período desfavorável: um subterrâneo, pelos xilopódios, e outro aéreo, com
gemas e brotos protegidos; possuem altura de 0,25 a 15 m; ocorrem em áreas de savanas;
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Quadro 4 - Tipo de vegetação de acordo com as formas de vida
Tipo de vegetação
Formas de vida
Classe de
Formação
Floresta
Savana
Savana
Estépica
Estepe
Campinarana
Fanerófito
Macro
Meso
x
x
Caméfito
Hemicriptófito
Terófito
Geófito
Liana
Epífito
Micro
Nano
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
x
3º PASSO: Separação em subclasse de formação (fase climática) caracterizada por dois
parâmetros de clima, ambos diferenciados pelas correlações das médias mensais
de temperatura e precipitação, checada pela adaptação dos órgãos de crescimento
das plantas.
• Ombrófilo: até 4 meses secos;
• Estacional: até 6 meses secos ou com temperaturas baixas;
Quadro 5 - Tipo de vegetação de acordo com as subclasses de formação
Classe de formação
Floresta
Campinarana
Savana
Savana Estépica
Estepe
Tipo de vegetação
Subclasse de formação
Ombrófila
Estacional
Ombrófila
Estacional
Estacional
Estacional
4º PASSO: Separação em grupo de formação, caracterizado pelo tipo de transpiração
estomática foliar e pela fertilidade do solo.
• Higrófita: plantas adaptadas às condições de alta umidade;
• Xerófita: plantas adaptadas às condições de déficit hídrico;
• Eutrófico: alta fertilidade;
• Distrófico: baixa fertilidade;
• Álico: alto teor de alumínio trocável;
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Quadro 6 - Tipo de vegetação de acordo com a subclasse de formação e grupo de formação
Classe de Formação
Tipo de vegetação
Subclasse de Formação
Floresta
Ombrófila
Estacional
Campinarana
Ombrófila
Savana
Estacional
Savana Estépica
Estacional
Estepe
Estacional
Grupo de Formação
Fisiologia
Solo
Higrófita
Distrófico
Eutrófico
Higrófita
Álico
Xerófita
Distrófico
Eutrófico
Higrófita
Álico
Distrófico
Higrófita
Álico
Xerófita
Distrófico
Higrófita
Eutrófico
Xerófita
Higrófita
Eutrófico
Xerófita
5º PASSO: Separação em sub-grupo de formação que indica o comportamento das plantas
segundo seus hábitos. Ë a fisionomia estrutural da formação.
Quadro 7 - Tipo de vegetação de acordo com a subclasse de formação, grupo de formação e
sub-grupo de formação
Classe
Subclasse
Floresta
Ombrófila
Estacional
Tipo de vegetação
Grupo
Fisiologia
Solo
Higrófita
Distrófico
Eutrófico
Higrófita
Xerófita
Álico
Distrófico
Eutrófico
Álico
Distrófico
Campinarana
Ombrófila
Higrófita
Savana
Estacional
Higrófita
Xerófita
Álico
Distrófico
Savana
Estépica
Estacional
Xerófita
Higrófita
Eutrófico
Estepe
Estacional
Higrófita
Xerófita
Eutrófico
Sub-Grupo
Densa
Aberta
Mista
Semidecidual
Decidual
Florestada
Arborizada
Gramíneo-Lenhosa
Florestada
Arborizada
Parque
Gramíneo-lenhosa
Florestada
Arborizada
Parque
Gramíneo-lenhosa
Arborizada
Parque
Gramíneo-lenhosa
6º PASSO: Separação em formação (propriamente dita) que indica a fase ambiental da
formação, onde são observados o ambiente e o relevo
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Quadro 8 - Classificação das formações (propriamente ditas) de acordo com a latitude e a
altitude
Latitude (º)
Altitude (m)
Terras Baixas
Sub-Montana
Montana
Altimontana
4 N - 16 S
5 - 100
100 - 600
600 - 2.000
> 2.000
16 S - 24 S
5 - 50
50 - 500
500 - 1.500
> 1.500
24 S - 32 S
5 - 30
30 - 400
400 - 1.000
> 1.000
Quadro 9 - Classificação ao nível de formações (propriamente ditas) das principais formações
brasileiras
Classe
Floresta
Tipo de vegetação - Formação
Subclasse
Grupo
Ombrófila
Fisiologia
Higrófita
Solo
Distrófico
Eutrófico
SubGrupo
Densa
Aberta
Mista
Estacional
Higrófita
Xerófita
Álico
Distrófico
Semidecidual
Eutrófico
Decidual
Florestada
Arborizada
Gramíneolenhosa
Florestada
Arborizada
Parque
Gramíneolenhosa
Florestada
Arborizada
Parque
Gramíneolenhosa
Arborizada
Parque
Gramíneolenhosa
Campinarana
Ombrófila
Higrófita
Álico
Distrófico
Savana
Estacional
Higrófita
Xerófita
Álico
Distrófico
Savana
Estépica
Estacional
Xerófita
Higrófita
Eutrófico
Estepe
Estacional
Higrófita
Xerófita
Eutrófico
Formação
Propriamente
dita
Aluvial
Terras Baixas
Sub-Montana
Montana
Altimontana
Terras Baixas
Sub-Montana
Montana
Aluvial
Sub-Montana
Montana
Altimontana
Aluvial
Terras Baixas
Sub-Montana
Montana
Aluvial
Terras Baixas
Sub-Montana
Montana
Relevo
Tabular
Depressão
Fechada
Planaltos
Tabulares
Planícies
Tabulares
Depressão
Interplanáltica
Depressão
Sedimentares
Recentes
Planaltos
Pediplanos
7º PASSO: Separação em sub-formação propriamente dita que faz parte da formação mas
diferencia-se por apresentar fácies específicas que alteram a fisionomia da
formação.
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Quadro 10 - Principais sub-formações da vegetação brasileira
Classe
Floresta
Subclasse
Ombrófila
Tipo de vegetação
Grupo
Higrófita
Distrófico
Eutrófico
SubGrupo
Densa
Aberta
Mista
Estacional
Higrófita
Xerófita
Álico
Distrófico
Semidecidual
Eutrófico
Decidual
Florestada
Arborizada
Gramíneolenhosa
Florestada
Arborizada
Parque
Gramíneolenhosa
Florestada
Arborizada
Parque
Gramíneolenhosa
Arborizada
Parque
GramíneoLenhosa
Campinarana
Ombrófila
Higrófita
Álico
Distrófico
Savana
Estacional
Higrófita
Xerófita
Álico
Distrófico
Savana
Estépica
Estacional
Xerófita
Higrófita
Álico
Distrófico
Estepe
Estacional
Higrófita
Xerófita
Eutrófico
Formação
Aluvial
Terras
Baixas
SubMontana
Montana
Altomontana
Terras
Baixas
SubMontana
Montana
Aluvial
SubMontana
Montana
Altomon
Tana
Aluvial
Terras
Baixas
SubMontana
Montana
Aluvial
Terras
Baixas
SubMontana
Montana
Relevo
Tabular
Depressão
Fechada
Planaltos
Tabulares
Planícies
Tabulares
Dep. InterPlanáltica
Depressão
Sedimentares
Recentes
Planaltos
Pediplanos
2.3. Sistemas edáficos de primeira ocupação - formações pioneiras
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Formação
Subformação
Dossel
Uniforme
Dossel
Emergente
Com palmeiras
Com cipó
Com bambu
Com sororoca
Dossel
Uniforme
Dossel
Emergente
Dossel
Uniforme
Dossel
Emergente
Dossel
Uniforme
Dossel
Emergente
Com Palmeiras
Sem Palmeiras
Com Floresta
de galeria
Sem Floresta
de galeria
Com Floresta
de galeria
Sem Floresta
de galeria
Com Floresta de
Galeria
Sem Floresta de
Galeria
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13
• Vegetação em constante sucessão de terófitos, criptófitos, hemicriptófitos, caméfitos e
nanofanerófitos, presente em terrenos instáveis (dunas, restingas e mangues) e ao redor de
depressões aluviais (pântanos e lagoas);
• Vegetação que nem sempre indica estar no caminho da sucessão para o clímax circundante;
• Vegetação de influência marinha - restingas: Ramirea e Saliocornia;
• Vegetação de influência fluviomarinha - manguezal e campos salinos: Rhizophora e Avicenia;
• Vegetação de influência fluvial - planícies aluviais, áreas alagáveis: Euterpe, Mauritia, Typha,
Cuperus, Juncus, Panicum, Paspalum.
2.4. Sistema de transição - tensão ecológica
• Comunidades indiferenciadas existentes entre duas regiões ecológicas ou tipos de vegetação,
onde as floras se interpenetram, constituindo as transições florísticas (ecótono) ou contatos
edáficos (mosaico de áreas edáficas ou encraves);
• Ecótonos podem ser imperceptíveis em fotointerpretação, como nos contatos entre Floresta
Ombrófila/Floresta Estacional, ou perceptíveis em fotointerpretação, como nos contatos entre
Floresta Ombrófila /Savana;
• Mosaicos de áreas edáficas (encraves) são facilmente delimitados cartograficamente mesmo
quando o contato se dá entre dois tipos de vegetação com estruturas fisionômicas
semelhantes.
2.5. Sistema dos refúgios vegetacionais - relíquias
• Vegetações que diferem florística e fisionômico e ecológicamente da região ecológica ou tipo
de vegetação no qual se insere, como nos cumes litólicos das serras e nas áreas tufosas;
2.6. Sistema da vegetação disjunta
• Disjunções são repetições, em menor escala, de um tipo de vegetação próximo, que se insere
no contexto da região ecológica dominante, tal como os encraves edáficos;
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CAPÍTULO III: ANÁLISE ESTRUTURAL DE FLORESTAS
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1. INTRODUÇÃO
• Vegetação é um recurso natural amplamente utilizado pelo Homem da qual obtém-se
madeira, fibras, óleos, resinas, gomas, substâncias químicas medicinais, sementes, frutos,
flores, néctar, etc.;
• A vegetação é o resultado da interação dos fatores ambientais dos meios físico (clima, solo,
geologia, etc.), biótico (flora e fauna) e antrópico (intervenções - alterações ambientais
positivas e negativas);
• Os estudos da vegetação visam (MATTEUCCI e COLMA, 1982):
• determinar os padrões espaciais, horizontais ou verticais, dos indivíduos ou das espécies;
• estudar os processos populacionais que influenciam nos padrões espaciais ou temporais;
• determinar as tendências ou classes de variação das relações de similaridade das
comunidades ou de grupos de espécies;
• estabelecer correlações ou de associações entre os padrões espaciais das comunidades
ou de grupos de espécies e padrões de mais variáveis ambientais, e formular hipóteses
acerca das relações causais entre os fatores ambientais e as respostas da vegetação;
• avaliar o potencial econômico da vegetação.
• Manejo de florestas tropicais naturais é um grande desafio:
• alta biodiversidade; e
• relações ecológicas pouco conhecidas;
• Necessidade de conhecer as características das vegetações para manejá-las
adequadamente;
• fisionomia: formas de vida predominantes;
• composição florística;
• estruturas horizontal e vertical;
• estrutura interna.
Floresta
Eqüiânea
Ineqüiânea
Regulação
Idade de corte
Ciclo de corte
Classificação
Idade e tamanho
Volume, estrutura e
composição florística
• Análise da vegetação permite:
• conhecer a composição florística da comunidade;
• determinar o estágio de desenvolvimento da comunidade;
• identificar o papel das espécies na comunidade;
• identificar características espaciais das espécies na comunidade;
• qualificar as árvores comerciais.
2. MÉTODOS DE ANÁLISE DE VEGETAÇÃO
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15
• Aspectos a serem considerados na escolha do método de análise de vegetação:
• natureza da vegetação (floresta, savana, estepe, vegetação aquática, etc).;
• objetivo do estudo (preservação, produção madeireira, uso múltiplo, etc.);
• informações (botânica, geologia, solos, clima, mapas, acesso, etc.) e recursos préexistentes (recursos materiais, humanos e financeiros);
• padrão espacial de populações específicas; e
• homogeneidade.
• Método deve fornecer informações qualitativas e, ou, quantitativas da estrutura da floresta;
• Características quantitativas:
• densidade
• dominância
• freqüência
• Características qualitativas:
• uniformidade
• estratificação
• vitalidade
• periodicidade
• forma
• Etapas do estudo da vegetação:
• definição do objetivo;
• definição dos conceitos, categorias de análise, métodos e técnicas;
• amostragem e obtenção dos dados;
• descrição das unidades de vegetação;
• análise e discussão;
• Etapas do levantamento da vegetação:
• Reconhecimento: exame preliminar da área, obtendo-se dados de solo, topografia,
mapas, condições de trabalho, etc.
• Levantamento primário: reconhecimento e descrição das principais espécies e
associações de plantas, indicando sua distribuição;
• Levantamento intensivo: pode ser conduzido em toda a comunidade ou tratar de uma
comunidade particular. Em geral, são áreas menores que as usadas no levantamento
primário, que são estudadas detalhadamente;
2.1. Tipos de amostragem
• A seleção da amostra passa pelos seguintes passos:
• seleção da área de estudo;
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• determinação do método para situar as unidades de amostra;
16
• seleção do tamanho da amostra, ou seja, do número de unidades amostrais; e
• determinação do tamanho e forma da unidade de amostra.
• Seleção e delimitação da área de estudo
⇒ depende do objetivo do estudo;
• Método para localizar a amostra e a unidade de amostra (MATTEUCCI E COLMA, 1982):
• depende do padrão de distribuição das populações;
• as amostras podem ter os seguintes padrões espaciais: aleatório, sistemático ou aleatório
restringido;
• aleatório: a amostra ou unidade de amostra é lançada ao acaso. Cada unidade da
população tem igual probabilidade de fazer parte da amostra. Não é indicado para
detectar variações na área de estudo. É indicado para áreas pequenas e homogêneas;
• sistemático: a amostra ou unidade de amostra é lançada em um padrão regular em
toda a área de estudo. Indicada para captar variações espaciais da comunidade;
• aleatório restringido: reúne algum dos benefícios dos padrões aleatório e sistemático.
Consiste em dividir a área de estudo em blocos de igual tamanho e de forma igual ou
distinta e lançar, em cada bloco, um número igual de unidade de amostra ao acaso.
• estratificação: consiste na subdivisão da área de estudo em unidades, estratos ou
compartimentos homogêneos, de acordo com algum critério da vegetação (espécies
dominantes, fisionomia, estrato vertical, etc.), geográfico, topográfico, etc. As amostras
são lançadas segundo qualquer um dos padrões acima mencionados. Esta técnica
reduz a variabilidade (erro padrão) dos dados em áreas de alta heterogeneidade.
• Tamanho da amostra:
• quanto maior o número de unidade de amostra:
• mais precisão na estimativa da variável considerada;
• maior o custo da estimativa;
• critérios para se determinar o tamanho da amostra:
• porcentagem da área total de estudo;
• ajuste da série de Poison;
• grau de flutuação da média de subconjuntos de unidades de amostra. Calcula-se a
média para subconjuntos de números crescentes de unidades amostrais, acumulando
para cada subconjunto, os dados dos subconjuntos prévios. É colocada num gráfico a
média da variável considerada dos subconjuntos em função do número de unidades
amostrais de cada um.
• fatores que afetam o tamanho da amostra:
• forma de vida;
• padrão espacial da população;
• Tamanho da unidade de amostra
• o tamanho da unidade de amostra deve satisfazer a três requisitos:
• - deve se facilmente demarcada;
• - deve ter regras claras sobre inclusão e exclusão do material vegetal a ser medido;
• - uniformidade da forma e tamanho da unidade de amostra;
• fatores que afetam o tamanho e a forma das unidades de amostras:
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• padrão espacial dos indivíduos, quando aleatório, usa-se qualquer tamanho de
unidade de amostra;
• tamanho dos indivíduos amostrados: quando pequenos usa-se unidades amostrais
pequenas e quando grandes ou espaçados, unidades de amostras grandes;
• homogeneidade da comunidade;
17
• Cálculo da área da mínima da comunidade: método da curva espécie x área;
• toma-se uma parcela de área pequena, p. ex. 0,25 m2 e conta-se o número de
espécies que ocorre nesta área; dobra-se a área e repete-se a contagem; repete-se o
procedimento até que o número total de espécies se estabilize; colocam-se estes
dados num gráfico área da unidade de amostra x # de espécies; trace uma reta unindo
a origem ao ponto com maior área e # de espécie; trace uma tangente à curva obtida,
paralela à reta origem-ponto máximo; projete o ponto da tangente sobre o eixo X para
conhecer a área mínima da comunidade.
• quanto mais homogênea a comunidade menor o tamanho da área mínima;
Quadro 1 - Determinação da área mínima de amostragem
# de Parcelas (500 m²)
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
5000
5500
6000
6500
7000
7500
8000
8500
9000
9500
10000
Fonte: LAMPRECHT (1990)
# de Espécies Novas
19
12
0
1
0
1
0
0
3
0
1
0
1
1
1
0
2
0
0
0
# Total de Espécies
19
31
31
32
32
33
33
33
36
36
37
37
38
39
40
40
42
42
42
42
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45
40
35
# espécies
30
25
20
15
10
5
0
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
8000
9000
10000
Unidade amostral (m2)
Quadro 2 - Área de amostra por estrato e tipo de vegetação
Tipo de formação
Floresta
Savana
DAP > 10 cm
500 a 10.000
200 a 5.000
Área de amostra (m²)
Estrato amostrado
5 > DAP > 10 cm
100 a 500
50 a 200
Condições
Homogêneas
Heterogêneas
Unidade de amostra
<
>
# Parcelas
<
>
DAP < 5 cm
1 a 25
1 a 25
Amostragem
Aleatória
Estratificada
Sistemática
Aleatória restringida
• - Em Florestas Tropicais Ombrófilas a área mínima recomendada é de 1,00 ha;
• Forma da parcela
• Retângulo
• Quadrado
• Círculo
• Linha (Transecto)
• Ponto
•
•
•
•
Indivíduo mais próximo;
Vizinho mais próximo;
Método do Quadrante;
Método de Bitterlick;
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Exemplo:
. Inventário florestal do Estado do Mato Grosso:
.. objeto de amostragem:
Florestas: árvores com DAP > 25 cm;
Savana: árvores com DAP > 5 cm;
.. tipo de amostragem em conglomerados (em forma de cruz);
.. parcelas de 1 ha, constituídas por e subparcelas de 2.500 m² (10 x 250 m), cada qual
orientada numa das direções N, S, L e O;
.. Dados coletados:
DAP, altura total, altura comercial, qualidade do fuste, condição sanitária da árvore;
3. ESTRUTURA HORIZONTAL
• Fornece informações a respeito da dinâmica espacial das populações da comunidade;
3.1. Densidade ou Abundância
• Mede a participação das espécies na associação vegetal;
• É a relação entre o número de indivíduos de dada população e a área da comunidade;
• Densidade Absoluta (Dai):
Dai = ni / S
• Densidade Total (Dt):
Dt = N / S
• Densidade Relativa (Dri):
Dri = (Dai / ∑ Dai) x 100
ou
Dri = ni /N x 100
ou
Dri = (Dai / Dt) x 100
Onde:
ni = # de árvores da espécie "i";
N = # total de espécies;
S = área (ha);
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3.2. Dominância
• Mede o potencial produtivo da floresta ou a qualidade de sítio;
• Dá a influência de cada população na associação;
• Dominância Absoluta (DOai):
DOai = gi = ∑ASi / S
• Dominância Relativa (DOri):
DOri = ( gi / G ) x 100
Onde:
ASi == área seccional da espécie “i”;
gi = área basal da espécie "i";
G = ∑ gi = área basal total;
3.3. Freqüência
• Padrão espacial da população na comunidade;
• Freqüência Absoluta (Fai):
Fai = ( pi / P ) x 100
• Freqüência Relativa (Fri):
Fri = ( Fai / ∑ Fai ) x 100
Onde:
pi = # de parcelas em que a espécie "i" ocorreu;
P = # total de parcelas;
3.4. Índice de Valor de Importância (IVI)
• Estima a importância ecológica de uma dada espécie na comunidade vegetal;
• Integra os parâmetros Dri , DOri e Fri;
IVIi = Dri + DOri + Fri
3.5. Índice do Valor de Cobertura (IVCi)
• Fornece um valor que congrega os parâmetros (Dri e DOri) que determinam a ocupação de
uma espécie numa associação;
IVCi = Dri + DOri
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4. ESTRUTURA VERTICAL
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• Parâmetros da estrutura horizontal são insuficientes para caracterizar a importância
ecológica das espécies;
• Estrutura vertical expressa a dinâmica temporal da comunidade;
• Estrutura vertical pode ser representada por:
• - perfis: "stand" natural ou padronizados; e
• - parâmetros numéricos
• - distribuição da área basal nos estratos da comunidade;
• Parâmetros da estrutura vertical consistem:
• posição sociológica, que fornece a composição florística dos diferentes estratos verticais
do povoamento;
• regeneração natural relativa, estimada pela freqüência, densidade, classe de tamanho
relativa da regeneração natural;
4.1. Posição sociológica
• Fornece a composição florística dos diferentes estratos verticais do povoamento;
• A posição sociológica é determinada pelo seguinte passos:
• estratificação vertical do povoamento;
• determinação do valor fitossociológico de cada estrato; e
• estimativa dos valores absoluto e relativo da posição sociológica da espécie i na
comunidade.
a. Estratificação vertical do povoamento
• estratificação varia com as características:
• da comunidade (homogeneidade de espécies e idade); e
• do ambiente (rigor climático acentua a estratificação).
• varia com os critérios adotados:
LAMPRECHT (1964): 4 estratos - superior, médio, inferior e sub-bosque;
LONGHI (1980): 3 estratos - superior, médio e inferior;
critério de estratificação: freqüência relativa das alturas encontradas tendo cada estrato,
33% das árvores;
b. Determinação do valor fitossociológico
• Valor fitossociológico das espécies em cada estrato é a percentagem do total de plantas da
espécie no referido estrato, em relação ao total geral;
VFij = nij / N x 100
VFj = nj / N x 100
onde:
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VFij = valor fitossociológico da espécie i;
22
VFj = valor fitossociológico do estrato j;
nij = número de indivíduos da espécie i no estrato j;
nj = número de indivíduos no estrato j; e
N = número total de indivíduos de todas as espécies em todos os estratos.
c. Estimativa da posição sociológica
• Posição sociológica absoluta (PSAi) da espécie i é obtida pelo somatório dos produtos do
valor fitossociológico de cada estrato (VFj) pelo número de plantas da espécie i no referido
estrato j (nij);
PSAi = ∑ VFj x nij = VF1 x ni1 + VF2 x ni2 + VF3 x ni3
ou
PSAi = ∑ VFij
Onde:
j = 1 (estrato inferior);
j = 2 (estrato médio); e
j = 3 (estrato superior).
• Posição sociológica relativa (PSRi) é a razão entre a posição sociológica absoluta da
espécie i (PSAi) e o somatório da posição sociológica de todas as demais espécies;
PSRi = PSAi / ∑ PSAi x 100
4.2. Estrutura da regeneração natural
• A regeneração natural (RN) representa os descendentes das árvores de uma floresta;
• A RN proporciona a substituição natural dos indivíduos;
• A RN das espécies varia em função do estágio de sucessão da floresta:
• floresta clímax: < proporção de espécies pioneiras;
• início de sucessão: > proporção de espécies pioneiras;
• clareiras: > proporção de espécies oportunistas;
• Em florestas naturais, a RN agrega o maior número de indivíduos da comunidade (função "j"
invertido);
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• A regeneração natural relativa é dada pelas estimativas de densidade relativa, freqüência
relativa, classes de tamanho relativa;
23
a. Freqüência
• Freqüência absoluta da regeneração natural da espécie i (FARNi) é a razão entre o
número de parcelas de regeneração em que ocorre a espécie i (ui) e o número total de
parcelas destinadas à regeneração natural (ut);
FARNi = ui / ut x 100
• Freqüência relativa da regeneração natural da espécie i é a percentagem da freqüência
absoluta da espécie i em relação à freqüência absoluta total da comunidade;
FRRNi = FARNi / ∑ FARNi X 100
b. Densidade
• Densidade absoluta da regeneração natural da espécie i (DARNi) é a razão entre o
número de indivíduos de cada espécie em regeneração natural e a área da amostra (S);
DARNi = ni / S
• Densidade relativa da regeneração natural da espécie i (DRRNi) é a percentagem da
densidade absoluta da espécie i em relação à densidade absoluta total da amostragem;
DRRNi = DARNi / ∑ DARNi x 100
c. Classes de tamanho
• É a participação de cada espécie nas classes de tamanho da regeneração natural;
• As classes de tamanho da regeneração natural são estabelecidas de acordo com as
características da vegetação:
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. FINOL (1971): 3 classes de tamanho (CTij) de regeneração natural:
Classe de tamanho
CTi1
CTi2
CTi3
Altura total (m)
0,10 - 1,00
1,00 - 3,00
> 3,00
DAP (cm)
< 9,90
. FAO (1971): classes de tamanho para florestas tropicais naturais:
Classe de tamanho
R
U1
U2
E
1.A
1.B
2
3
...
Altura total (m)
< 0,30
0,30 - 1,50
1,50 - 3,00
> 3,00
...
DAP (cm)
< 5,00
5,00 - 10,00
10,00 - 15,00
15,00 - 20,00
20,00 - 25,00
...
• O peso de cada classe de tamanho (kj) é a razão entre o número de indivíduos de cada
classe (Nj) e o número total de indivíduos da RN (N);
kj = Nj / N
• A classe absoluta de tamanho da espécie i (CATRNi) é o total do produto do número de
indivíduos da espécie i nas diferentes classes de tamanho da RN (njj) pelo peso da
respectiva classe (kj);
CATRNi = ∑ njj x kj
• A classe relativa de tamanho da espécie i (CRTRNi) é a percentagem da classe absoluta
de tamanho da espécie i em relação ao total de classe de tamanho da comunidade;
CRTRNi = CATRNi / ∑ CATRNi x 100
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25
d . Regeneração natural relativa
• A regeneração natural relativa da espécie i (RNRi) é a média aritmética dos parâmetros
FRRNi, DRRNi e CRTRNi;
RNRi = ( FRRNi + DRRNi + CRTRNi ) / 3
4.4. Índice de valor importância ampliado (IVIAi)
• O IVIA da espécie i integra os parâmetros da estrutura horizontal e da estrutura vertical;
IVIAi = IVIi + PSRi + RNRi
5. ESTRUTURA INTERNA
• A estrutura interna é dada por características qualitativas das árvores, como a qualidade de
fuste, mas que podem ser convertidas em parâmetros quantitativos;
5.1. Qualidade de fuste
• reflete as características econômicas da floresta;
• a classificação do fuste é com base na sua forma e na sua sanidade, mediante avaliação
visual;
Classe de fuste
CQ1
CQ2
CQ3
Forma
boa
aceitável
irregular (ou)
Sanidade
sadia
sadia
não sadia
Aproveitamento
+ 2 toras de 4,0 m
+ 1 tora de 4,0 m
sem uso madeireiro
Fonte: HIGUCHI et al. (1985)
CQ1
CQ2
CQ3
CQ4
CQ5
Classe de fuste
comercial
comercial
comercial no futuro
comercial no futuro
não comercial
Aproveitamento
toras > 4,0 m
toras < 4,0 m
toras > 4,0 m
toras < 4,0 m
sem uso madeireiro
Diâmetro do topo (cm)
> 30,0
> 30,0
< 30,0
< 30,0
-
Fonte: FLORES (1993)
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• A qualidade de fuste absoluta da espécie i (QAFi) é a razão entre o total do produto do
número de indivíduos da espécie i na classe de fuste j (nij) e o número total de indivíduos
nas respectivas classes de fuste (Nj), pelo número total de indivíduos da amostragem (N);
26
QAFi = ∑ (nij x Nj) / N
• A qualidade de fuste relativa da espécie i (QRFi) é a percentagem do total da qualidade
absoluta de fuste;
QRFi = QAFi / ∑ QAFi x 100
5.2. Índice de valor de importância economicamente ampliado (IVIAi)
• Qualifica comercialmente o IVIAi pela adição da qualidade de fuste;
IVIAi = IVIAi + QRFi
6. COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA
• Florestas tropicais naturais possuem alta diversidade florística - florestas ineqüiâneas;
• Condução do manejo pela adoção de tratamentos silviculturais:
• promover e estimular a regeneração natural;
• estimular o crescimento; e
• incrementar e melhorar a qualidade e o valor do grupo de espécies de árvores desejáveis.
• Cuidados para não alterar demasiadamente a composição florística original e não
depauperar o potencial produtivo da floresta;
• Análise florística:
• listagem das espécies existentes na comunidade;
• variabilidade de espécies (homogeneidade ou heterogeneidade); e
⇒ padrão de distribuição espacial e associação de espécies.
4.1. Variabilidade de espécies
4.1.1. Coeficiente de Mistura de Jentsch (QM)
• Informa sobre a composição florística da floresta;
• Indica o número médio de árvores de cada espécie encontrado no povoamento;
• Relaciona o número de espécies e o número total de plantas da comunidade;
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27
QM = # spp / # total de indivíduos da comunidade
6.1.2. Índice de Diversidade de Shannon & Weaver (Hi)
• Relaciona o número de indivíduos de cada espécie com o número total de indivíduos da
comunidade;
• É influenciado pela amostragem, mas fornece indicação confiável da diversidade de
espécies;
• Pode ser utilizado para comparar tipos de formações e estágios de desenvolvimento;
n
Hi = ∑ pi.(ln . pi)
i=1
Onde: pi = ni / N
ni = # de indivíduos amostrados da espécie "i";
N = # total de indivíduos amostrados;
• A diversidade de espécies cresce com o valor de "H";
6.2.3. Grau de Homogeneidade (H)
• Expressa a homogeneidade de uma associação florestal através da freqüência;
H = (∑x - ∑y) . n / N
Onde:
∑x = # de espécies com freqüência absoluta entre 80 e 100 %;
∑y = # de espécies com freqüência absoluta entre 0 e 20 %;
N = # total de espécies;
n = # de classe de freqüência;
Classe
1
2
3
4
5
freqüência (%)
0 - 19,9
20 - 39,9
40 - 59,9
60 - 79,9
80 - 100,0
• Quando H tende a 1, a vegetação tende a homogeneidade.
6.2. Agregação de espécies
• Indica o padrão de distribuição espacial dos indivíduos das espécies;
• Uma espécie pode apresentar agregação quando apresenta:
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⇒ baixa eficiência na disseminação de sementes ou propagação vegetativa;
⇒ alta regeneração em clareiras;
6.2.1. Índice de McGuines (IGA)
IGAi = Di / di
Onde:
Di = # total de árvores da espécie "i" / # total de parcelas
di = - ln ( 1 - Fri / 100 )
IGA
<1
=1
1 < IGA < 2
>2
Padrão de Dispersão da Espécie
Uniforme
Aleatória
Tendência ao Agrupamento
Agrupada
6.2.2. Índice de Sociabilidade (IS)
ISi = ( Ami / Fai ) x 100
Onde:
Ami = Abundância média por parcela da espécie "i";
6.2.3. Índice de Morista (I)
n
Ii = (∑ ni . ( ni - 1 )) . P / N . ( N - 1 )
i=1
Onde:
N = # total de indivíduos;
ni = # de indivíduos da espécie "i";
P = # total de parcelas;
6.2.4. Índice de Dispersão (ID)
• Expressa a dispersão de uma dada espécie;
IDi = ( Fri ) Ari
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6.2.5. Índice de McIntosh (Mc)
• Expressa a distribuição do número de indivíduos entre as espécies;
Mc = (N - ∑ ni²) / (N - ni)
Onde:
N = # total de indivíduos;
ni = # de indivíduos da espécie "i";
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29
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
CAPÍTULO IV: SUCESSÃO
30
1. INTRODUÇÃO
• Sucessão é o conjunto de mudanças que ocorrem na composição e estrutura de uma
comunidade vegetal de certa área, e no seu ambiente, com o tempo;
• As mudanças num ecossistema são relativamente lentas, exceto quando ocorre um distúrbio
causado por agentes que aceleram ou retardam os processos, tais como:
• biológicos (herbívoros ou patógenos);
• físico-químicos (seca, enchente, fogo, vento, vulcão, terremoto, O3, chuva ácida, etc.);
• antrópico (desmatamento, plantio, tratos silviculturais, etc.)
• Tipos de sucessão:
• primária: tem início em área estéril, sob condições desfavoráveis;
ex: dunas, depósitos aluviais, derrame de lavas, etc.
• secundária: tem início em áreas previamente ocupadas por outras comunidades já
estabelecidas, sob condições relativamente favoráveis;
ex: terras de culturas abandonadas, florestas derrubadas, etc.
• A velocidade de mudança difere com:
• tipo de sucessão:
• sucessão primária - lenta; e
• sucessão secundária - rápida;
• características ambientais:
• qualidade do sítio ou capacidade suporte
• estoque de propágulos;
• distúrbios (naturais ou antrópicos);
2. ESTÁGIOS DE SUCESSÃO
• Estágios de sucessão são denominados estágios seriais
• envolvem mudanças na composição e estrutura da comunidade biótica, nas condições
ambientais (luminosidade, umidade, solo, etc.) e nas relações entre os componentes do
ecossistema;
• pioneiro
• secundário inicial
• secundário tardio
• clímax
Mudanças na composição e na estrutura
• Ecossistema florestal composto por diferentes tipos de organismos: animais, vegetais e
microorganismos;
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• Sucessão em regiões tropicais:
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• rápida cobertura do solo por uma mistura de plantas herbáceas e trepadeiras;
• colonização com espécies de alta capacidade de dispersão;
• árvores pioneiras formam dossel fechado com poucas espécies;
• surgimento das espécies tolerantes → aumento da biodiversidade.
• aumento no número de estratos verticais e redução da sua diferenciação;
• o padrão de distribuição das espécies passa a ser mais influenciado pela abundância de
sementes, pela interação com animais e por micro "sites";
Interação entre componentes ambientais
• Influenciam no estabelecimento e no crescimento das espécies;
• São modificados com os diferentes estágios de sucessão;
a. Ambiente físico
• temperatura (ar e solo);
• umidade
• circulação de ar
• luminosidade
• solo
b. Ambiente biótico
• Relação planta-planta
• composição
• estrutura
• competição
• alelopatia
• Relação planta-animal
• Herbívoros/frutívoros
• polinizadores/dispersores
• vetores
• cicladores de nutrientes
• Relação planta-microrganismo
• micorriza
• patógenos
• decompositores
Estabilidade
• É a capacidade do ecossistema resistir ou se recuperar de distúrbios;
• Resistência: capacidade do ecossistema se manter frente a um distúrbio;
• Elasticidade: capacidade do ecossistema se recuperar de um distúrbio;
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Tabela 1 - Características dos componentes arbóreos dos estágios seriais numa floresta
tropical úmida na América Latina
Característica
Pioneira
Idade (ano)
Altura (m)
Epífitas
1-3
5-8
ausente
Comunidade
Secundária
Secundária
tardia
inicial
5 - 15
20 - 50
12 - 20
20 - 30
pouca
abundante e
pouca spp.
Lianas
abundante e
pouco diverso
abundante e
pouco diverso
Arbustos
abundante
pouco diverso
sempre verdes
pouco
abundante e
pouco diverso.
1 - 10
Cecropia,
Ochroma,
Trema,
Heliocarpus
sempre verdes
pequeno
pequeno
longa, latente
no solo
pássaros,
morcegos e
vento
muito rápido
longa, latente
no solo
pássaros,
morcegos e
vento
muito rápido
muito curta
< 10 anos
muito
intolerante
curta
10 a 25 anos
muito
intolerante
muito leve
peq. diâmetro
1 (denso)
muito leve
DAP < 60 cm
2 (bem
diferenciado)
ramificado e
denso
denso
spp. herbáceas
praticamente
ausente
# espécies arbóreas
Composição
florística
Folhas
Tamanho das
sementes ou frutos
Durabilidade da
semente
Disseminação de
sementes
Crescimento
Expectativa de vida
Tolerância ao
sombreamento
Madeira
# de estratos
Estrato superior
1-5
Cecropia,
Ochroma,
Trema
Estrato mais baixo
homogêneo e
denso
denso
Regeneração
muito escassa
abundante
pouca spp.
lenhosa
pouco
abundante
30 - 50
Meliaceae,
Bombacaceae,
Tiliaceae
Clímax
> 100
> 30
muitas
espécies e
formas de vida
abundante
muita spp.
lenhosa
pouco
abundante e
muito diverso
> 100
muito diversa
muitas
decíduas
pequeno a
médio
curta a média
sempre verdes
vento
gravidade,
mamíferos e
pássaros
lento ou muito
lento
muito longa
> 100 anos
tolerante
exceto qdo
adulta
rápido e algum
lento
longa
40 a 100 anos
tolerante qdo.
jovem e
intolerante
quando adulta
Leve
dureza média
3 (difícil
diferenciação)
Heterogêneo
Escasso
spp. tolerantes
Ausente ou
abundante,
alta
mortalidade
grande
curta
dura e pesada
4 - 5 (difícil
diferenciação)
heterogêneo
escasso
spp. tolerantes
abundante
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
33
CAPÍTULO V: REGENERAÇÃO FLORESTAL
1. INTRODUÇÃO
• Regeneração florestal é a reposição total ou parcial de uma floresta por meio de sementes
(reprodução sexuada) ou por estruturas vegetativas (reprodução assexuada ou propagação
vegetativa);
• É constituída pelo conjunto de descendentes das árvores de uma floresta que se encontram
até a fase juvenil;
• Permite a perpetuação das espécies e da floresta;
Æ
Planta
adulta
Ê
Senescência
Ì
Planta jovem
Floração
Ç
È
Plântulas
Frutificação
Ë
É
Ç
Germinação
Sementes
Figura 1 - Ciclo de vida das árvores
• O estabelecimento ou a renovação de uma floresta pode ser por diferentes métodos de
regeneração;
• Avaliada na estrutura vertical da floresta;
2. MÉTODOS DE REGENERAÇÃO
• Conjunto de tratamentos silviculturais adotado para criar ou manter as condições favoráveis
para iniciar e estabelecer a regeneração florestal;
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34
• Os métodos de regeneração são influenciados pelo tipo de intervenção humana, pelas
características ambientais (temperatura, água, luz e solo) e pela auto-ecologia das espécies
(competição e exigências ecofisiológicas, dormência, predação, periodicidade na produção
de sementes, etc.);
• Os métodos de regeneração podem ser classificados quanto à:
• Intervenção humana:
• Regeneração natural
• Regeneração artificial
• Regeneração mista
• Forma de propagação das árvores:
• Alto fuste - por sementes (reprodução sexuada)
• Talhadia - por propagação vegetativa (reprodução assexuada)
• Tipo de corte da floresta:
• Corte raso
• Corte progressivo regular
• Corte progressivo irregular
• Tipo de cobertura da floresta
• Céu aberto
• Sob cobertura
2.1. Regeneração natural
• É a forma de estabelecimento ou substituição de árvores por meio de semeadura e, ou,
propagação vegetativa, no qual a natureza é que estabelece o equilíbrio dinâmico;
• A regeneração natural é um processo que envolve:
• produção de sementes e, ou, o desenvolvimento de estruturas vegetativas;
• disseminação de propágulos;
• germinação de sementes ou brotação de estruturas vegetativas;
• desenvolvimento de plântulas;
• estabelecimento das mudas;
• Fatores que afetam a regeneração natural:
• Ambientais
• Temperatura
• Luz
• Água
• Solo
• Processos
• Competição
• Germinação
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Água
→
Ì
35
Germinação
Ê
È
Ì
Luz
Ë
Ë
Ê
↑
↓
←
È
Regeneração
Ê
Ç
ÌË
Temperatura
Competição
←
Solo
Figura 2 – Interação dos fatores do meio que influenciam a regeneração natural
2.1.1. Tratamentos silviculturais de regeneração natural
•
São operações silviculturais que favorecem o estabelecimento da regeneração natural;
• São realizadas de acordo com:
• método silvicultural;
• composição e estrutura da floresta;
• características ambientais
• Auto-ecologia da espécie
• Reprodução: Hermafrodita/monóica/dióica
• Floração: Sazonalidade: anual/plurianual
• Grupo ecológico: Pioneiras/secundárias/clímax
• Polinização e dispersão de frutos e sementes: Anemófila/hidrófila/zoófila;
OBS.: Deve-se considerar que toda intervenção na floresta eleva custo de implantação e de
manutenção do povoamento florestal, além de causar impactos na floresta, devendo os
tratamentos silviculturais ser aplicados somente quando necessários;
2.1.1.1. Derrubada de semeadura (derrubada de melhoramento da regeneração)
• Aberturas no dossel da floresta virgem ou explorada, em intervalos sucessivos, e posteriores
cortes no sub-bosque;
• Objetivo: livrar as árvores produtoras de sementes para aumentar a produção de sementes,
facilitar a disseminação e germinação de sementes e favorecer endurecimento de mudas;
• fatores que afetam:
• a produção de sementes das espécies de interesse;
• distribuição espacial das árvores matrizes;
• característica da semente (peso e forma);
2.1.1.2. Abertura de copagem
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• Consiste no corte de plantas herbáceas, trepadeiras e arvoretas sem valor comercial, no
final da estação chuvosa, e de árvores de valor e no anelamento e envenenamento de
árvores sem valor comercial nos diferentes estratos; no início da estação seca;
36
• Objetivo: tirar as mudas que crescem sob dossel fechado do estado de supressão, pela
abertura na copagem da floresta, buscando-se uma distribuição homogênea da luminosidade
por toda a área;
• - fatores que afetam:
• exigências ecológicas das espécies de interesse;
• Efetuado nos sistemas silviculturais de alto fuste e corte progressivo;
a) Anelamento
• Incisão na casca em torno do fuste feita com facão, machadinha ou machado, que atinge
interrompe o fluxo do floema;
30
30
entalhe
anelamento
Figura 3 - Tipos de incisões
• Ponto positivos:
• baixo custo;
• não contamina o ambiente;
• Pontos negativos:
• favorece a queda de galhos;
• muitas espécies resistentes ao anelamento - rebrota;
b) Envenenamento
• É a injeção ou aplicação de arboricidas em incisões, folha, casca e raízes de árvores
resistentes ao anelamento, aplicados com injetor, pulverizador ou pincel;
• Arboricidas são produtos químicos usados para eliminar árvores sem maiores danos à
vegetação remanescente;
• A eficiência dos arboricidas depende:
• da espécie florestal - madeira, casca, seiva, forma e tamanho;
• forma de aplicação - pincelamento da casca, anelamento e pincelamento e injeção no
sistema vascular da planta;
• Aspecto positivo:
• reduzem a queda de galhos;
• Aspectos negativos:
• tóxico e perigoso ao homem;
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37
• não atinge todas as espécies;
• contaminação do ecossistema;
• requer cuidado na armazenagem, no manuseio e na sua aplicação: armazenamento em
local arejado e em armário trancado, uso de equipamentos de segurança pessoal e
cuidados ambientais na lavagem de equipamentos de aplicação e no descarte de
embalagens;
• Classificação:
• quanto à composição:
• base de arsênico
• base butilésteres
• quanto à seletividade:
• não seletivo - amate, arsenito de sódio;
• seletivo - ação hormonal: 2,4 - D, 2,4,5 - T e óleos derivados;
2.1.1.3. Tratamento de solo
• Consiste na conservação ou melhoria das condições do solo por processos físicos
(gradagem, aração, escarificação, etc.), por processos químicos (correção do pH e
fertilização), físico-químicos (fogo) ou por processos biológicos (cobertura vegetal,
simbiontes - rizobium e micorrizas, minhocas, organismos de compositores, etc);
• Objetivo: melhorar as condições do solo para o estabelecimento da regeneração;
Quadro 2 - Principais arboricidas e seus princípios ativos e nomes comerciais
Produto
Amate
Arsenito de sódio
2,4 - D
Princípio ativo
Sulfamato de amônio
Na2HAS2O3
Aminas, ésteres e sal
sódico do Ácido 2,4 Diclorofenoxiacético
2,4,5 - T
Ésteres do Ácido 2,4,5
- Triclorofenoxiacético
Hidrocarbonetos
aromáticos
Óleos derivados de petróleo
Nome comercial
Amate x
Arsenito de sódio
Aminas:
2,4 - D weed killer fórmula 40,
Hedonal amina, Aminol
Éster:
Esteron 44, Difenox E, Weedone
LV4, Esteron, Ten-Ten
Sal sódico:
metoxone, Sódium 2,4-D weed
killer, Hedonal
Arbuxone, Arbusticida, Trifenox E,
Esteron 245, Weedone 2,4,5 - T
Óleo diesel, Varsol, Shellaraz,
Herbi-Shell n° 10
2.1.1.4. Refinamento
• É a remoção das impurezas formadas por misturas de parasitas, herbáceas, trepadeiras,
arbustos e árvores sem valor comercial e aquelas comerciais defeituosas ou caducas, que
estejam ou não interferindo negativamente nas espécies desejáveis;
• O refinamento pode ser feito pelas práticas de limpeza, remoção da concorrência e
queimada;
a) Limpeza
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
• Corte de trepadeiras e plantas herbáceas competidoras, com auxílio de facão, foice,
machado, etc.
38
• Trepadeiras e lianas podem provocar:
• redução do ICA;
• defeitos na forma pelo estrangulamento do fuste;
• redução na sobrevivência e na produtividade de madeira;
• danos à copa pela quebra de galhos e de parte do fuste;
• As árvores podem ser classificadas quanto à infestação com trepadeiras em:
• árvores livres de trepadeiras:
• árvores com fuste com trepadeiras e copa livre;
• copas com trepadeiras com brotos terminais intactos;
• copas totalmente recurvadas pelo domínio de cipós e com brotos terminais totalmente
perdidos;
• Controle feito por roçada e herbicida;
• Época de controle: + 3 anos antes da colheita florestal e + 2 anos após este tratamento e
sempre quando necessário;
• Recomendações:
• controlar somente o necessário;
• controlar todas as trepadeiras com diâmetro maior que 2,5 cm;
• aplicar herbicidas em trepadeiras lenhosas;
• cortar trepadeiras com dois cortes: um rente ao solo e o outro o mais alto possível do
solo;
• certificar se a planta é trepadeira ou regeneração natural;
b) Remoção da concorrência
• Eliminação de espécies sem interesse econômico atual e de algumas de interesse mas que
estejam atrapalhando o crescimento de árvores de interesse com características mais
desejáveis;
• Objetivo: formar desde cedo uma copagem que forneça maior incremento e suprima a
concorrência e dominância de espécies sem uso atual;
• Época de aplicação da prática: quando a avaliação do povoamento acusar que pelo menos
40% das amostras estão estocadas com espécies desejáveis;
• Cuidados: controlar a intensidade de remoção da concorrência pois quando em
determinadas circunstâncias, pode ter efeitos negativos sobre a conservação do solo,
favorecer a regeneração de herbáceas e trepadeiras e comprometer a regeneração de
espécies desejáveis tolerantes;
c) Queimada
• Prática usada eventualmente para rebaixamento da camada de matéria orgânica sobre o
solo ("litter", serapilheira), combater pragas, doenças ou incêndio, reduzir o material
combustível, limpeza do sub-bosque após o refinamento e colheita e para estimular a
regeneração natural de algumas espécies;
• Cuidados:
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
39
• empilhar o material a ser queimado;
• queimar pela manhã ou à noite;
• não queimar quando estiver ventando;
• tomar medidas para evitar a propagação do fogo;
• tomar medidas de segurança legais e de rotina.
2.1.1.5. Derrubada de melhoramento
• Corte feitos no povoamento com objetivo de agregar o crescimento num menor número de
indivíduos com características superiores, pela retirada de indivíduos de espécies sem
interesse econômico atual e aqueles indesejáveis quanto à forma, sanidade ou crescimento;
• Operação pode causar danos à regeneração natural e é de custo elevado, portanto, deve ser
feita somente para elevar o incremento pela redução da competição e quando existe a
possibilidade da utilização do material a ser retirado
• Pode ser feita pela derrubada propriamente dita das árvores ou pelo anelamento e, ou,
envenenamento das árvores inferiores;
2.1.1.6. Derrubada comercial
• Derrubada de árvores de valor para atender às necessidades do mercado e do
empreendimento, assim como à dinâmica do ecossistema;
• O planejamento da derrubada comercial deve estar condicionado ao:
• Método silvicultural
• Volume a ser retirado
• Qualidade do fuste
• É precedida de inventário, marcação e mapeamento das árvores, anelamento e, ou, abate;
• Alguns sistemas silviculturais estabelecem o anelamento dos indivíduos a ser abatidos com
antecedência de 18 a 24 meses do abate. Esta prática visa reduzir os danos à vegetação
remanescente;
• A derrubada envolve a desgalha e a toragem das árvores abatidas de acordo com o objetivo
do uso da madeira;
• A derrubada é um dos tratamentos silviculturais que mais causa impactos na floresta,
portanto, requer cuidado especial;
• Os danos estão relacionados à direção de queda das árvores, à intensidade de colheita e à
densidade do povoamento;
• Cuidados:
• direcionamento da queda das árvores de modo a reduzir danos às árvores já
estabelecidas e à regeneração natural;
• época de derrubada: época chuvosa causa menores danos à regeneração mas causa
grande impacto ao solo; época seca pode aumentar os riscos de incêndio pela grande
quantidade de biomassa residual;
Quadro 3 - Tipos de danos às árvores numa floresta tropical úmida de Sabah
Efeito
Sem dano, ótima forma
N°. de árvores/ha
204
(%)
34,8
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
Sem dano, péssima forma
Dano à casca
Dano à copa
Dano na casca e na copa
Quebrada ou arruinada
Total
Fonte: Nicholson, 1958.
74
33
71
32
175
588
12,6
5,6
12,2
5,3
29,8
100,0
40
2.1.1.7. Extração
• Tratamento que consiste nas operações de classificação e arraste das árvores do
povoamento florestal;
• O seu planejamento está condicionado ao método silvicultural adotado e as características
do produto a ser extraído, da vegetação, do clima, da topografia, do solo e dos recursos
disponíveis;
• Derrubada e a extração causam grandes danos à floresta: destrói 40% dos indivíduos
remanescentes e 50% da regeneração, reduzem o estoque de nutrientes do solo;
• O planejamento adequado pode reduzir os danos;
2.2. Regeneração artificial
• É o estabelecimento de povoamentos florestais por meio do plantio direto de sementes, de
estruturas vegetativas ou por meio de mudas, pelo homem;
• Semeadura direta ou plantio direto de estruturas vegetativas:
• reduz custos de regeneração florestal por não exigir a produção de mudas;
• requer plantio mais adensado para posterior raleio das plantas;
• requer abundância de sementes ou de material de propagação vegetativa;
• indicado para espécies com facilidade de germinação da semente ou enraizamento de
estacas, ou que apresentam problemas no estabelecimento do sistema radicular quando
provenientes de mudas;
• pode ser feita em linha, covas, faixas ou a lanço;
• Plantio de mudas:
• quando existe carência de sementes ou material vegetativo, ou quando estas possuem
alto custo;
• dificuldade de germinação ou de enraizamento de estacas;
• A regeneração artificial é indicada para:
• espécies com produção de sementes irregular;
• espécies com produção de sementes regular, mas a regeneração natural tem dificuldade
de adaptação e estabelecimento;
• espécies com sementes que perdem a vitalidade em curto espaço de tempo;
• espécies com dificuldade de estabelecimento da regeneração natural devido à ocorrência
de pragas ou doenças;
• substituir povoamentos com baixo valor econômico devido à ausência de regeneração
natural de espécies de interesse;
• estabelecer espécies exóticas ou enriquecer ou adensar um povoamento florestal;
• estabelecer povoamentos com densidade e arranjo espacial das árvores predefinidos;
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• Pontos positivos da regeneração artificial:
41
• flexibilidade na escolha do local, da composição, da densidade, do arranjo espacial e do
arranjo temporal;
• maior controle local;
• usar mecanização;
• planejar a execução dos tratamentos silviculturais;
• reduzir o tempo de estabelecimento florestal, principalmente de reflorestamentos;
• estabelecer espécies de outras regiões;
• Limitações da regeneração artificial:
• custo elevado;
• possibilidade de introdução de espécies inadaptadas ou de difícil controle;
• possibilidade de introduzir doenças ou pragas na área de plantio, provenientes de
sementes ou mudas;
2.2.1. Operações de regeneração artificial
• Colheita ou aquisição de sementes ou estacas;
• Produção de mudas em viveiros;
• Implantação florestal (sementes, estacas ou mudas);
• preparo do solo
• plantio
• Tratamentos silviculturais
• limpeza
• desrama
• desbaste
• colheita e extração
2.3. Regeneração mista
• É a reposição total ou parcial de uma floresta por meio de sementes ou por estruturas
vegetativas, na qual além da regeneração natural é feita a regeneração artificial;
• É indicada para povoamentos com distribuição espacial agrupada dos indivíduos, com
necessidade de adensamento e, ou, enriquecimento;
• Podem ser empregados os tratamentos silviculturais para a regeneração natural quanto os
para a regeneração artificial;
2.4. Regeneração por auto fuste
• O povoamento florestal é originado por sementes disseminadas diretamente na área
(regeneração natural) ou com auxílio do homem (regeneração artificial);
• A colheita florestal pode ser total ou parcial;
• Vantagem: proporciona uma maior diversidade genética ao povoamento, o que reduz os
riscos de perdas totais devido a pragas ou doenças;
• Desvantagem: não garante que todos os indivíduos sejam geneticamente superiores;
2.5. Regeneração por talhadia
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
• O povoamento florestal é originado por meio de estruturas vegetativas tais como: raiz,
ramo, folha, etc.
• Indicado:
• para espécies de difícil germinação de sementes;
• para homogeneizar geneticamente o povoamento;
• propagar híbridos superiores;
• Limitações:
• reduz variabilidade genética aumentando os riscos de ataques maciços de pragas ou
doenças;
• Vantagens:
• possibilidade de propagar material genético superior;
• homogeneidade de produção e das características das árvores;
• Cuidados:
• plantar grande número de clones em pequenos talhões;
• trabalhar com clones resistentes a pragas e doenças;
2.6. Corte raso
• É o método de regeneração em que todas as árvores são cortadas simultaneamente;
• Dá origem a povoamentos eqüiâneos e, por vezes, homogêneos;
• Os resíduos do corte podem ser enleirados e, ou, queimados;
• Método indicado para regeneração de espécies intolerantes (pioneiras ou secundárias) e
para povoamentos cuja composição é indesejável;
• Pode ser aplicado tanto associado à regeneração natural por alto fuste ou talhadia
(bracatinga, paricá, aroeira, eucalipto, teca) ou à regeneração artificial (reflorestamento);
• Vantagens: método de aplicação simples e de baixo custo; facilita o corte e a extração da
madeira;
• Desvantagem: expõe o solo;
• Cuidados:
• deve ter um estoque adequado de sementes no solo ou na vegetação vizinha para
assegurar a regeneração da espécie desejada;
• evitar a adoção do método em áreas declivosas;
• fazer cortes em faixas para aumentar a eficiência da regeneração natural e da proteção
ao solo;
2.7. Corte progressivo regular
• Povoamento florestal é cortado parceladamente por sucessivas derrubadas, ou por
eliminação de árvores agrupadas ou espaçadas, sem que haja exposição do solo;
• Árvores formam camadas (planos ou estratos) regulares que protegem a regeneração e o
solo contra os rigores climáticos;
• Dá origem a povoamentos florestais eqüianeos;
• Indicado para espécies tolerante na fase juvenil e intolerante na fase adulta;
2.8. Corte progressivo irregular
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42
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
• Povoamento florestal é cortado parceladamente, a medida em que as árvores vão
atingindo o diâmetro de corte desejado;
43
• Mantém a estrutura da floresta (distribuição diamétrica segue o da floresta natural, ou seja,
um "j" invertido);
• Dá origem a povoamentos ineqüiâneos.
• Indicado para espécies tolerantes na fase juvenil e clímax;
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
CAPÍTULO VI. SISTEMAS SILVICULTURAIS
44
1. INTRODUÇÃO
• Domesticação: primeiro passo para o manejo de florestas até então não manejadas. É o
conjunto de medidas voltadas para a elevação da produtividade econômica dos
povoamentos até que seja atingido o manejo sustentado (LAMPRECHT, 1990).
• A domesticação envolve transformações nos povoamentos que poderão ser profundas,
chegando até a sua substituição completa.
• As medidas de domesticação têm como objetivo a instalação de povoamentos iniciais aptos
para a aplicação dos princípios de um manejo sustentado e ordenado (LAMPRECHT, 1990).
• Os fatores que influenciam na domesticação são:
• condições e qualidade do sítio;
• composição da vegetação;
• legislação e política florestal;
• custos de manutenção e aspectos administrativos da empresa;
• acesso;
• disponibilidade de mão-de-obra e de outros recursos;
• mercado de produtos florestais.
Floresta não domesticada
• maior heterogeneidade florística e de
qualidade do produto
• menor proporção de árvores comerciais
• menor produção de madeira
Floresta domesticada
• maior homogeneidade florística e de
qualidade do produto
• maior proporção de árvores comerciais
• maior produção de madeira
• Sistemas silviculturais são os processos pelos quais uma floresta é tratada, removida ou
substituída por outra, produzindo madeira. Envolve os métodos de regeneração, distribuição,
melhoria, utilização e formas de produção da floresta (TROUP, 1928);
• OBJETIVO: atingir sucesso na regeneração de espécies desejadas, pelo uso de tratamentos
adequados que criam condições propícias para a regeneração;
• O desenvolvimento de sistemas silviculturais requer conhecimento dos princípios
silviculturais, que se relacionam com o controle do estabelecimento, do crescimento, da
composição e da qualidade da vegetação florestal;
• As práticas silviculturais variam com:
• o objetivo da floresta;
• características ambientais:
• meio biótico: flora (composição e estrutura) e fauna (composição e estrutura);
• meio físico: clima, solo, relevo, água, geologia;
• meio antrópico: aspectos sociais, econômicos e culturais;
• A extração de matéria-prima florestal deve ser feita segundo métodos silviculturais;
• Os métodos silviculturais estão direcionados aos objetivos de (FLOR, 1985):
• Estímulo, mediante cortes de aproveitamento e tratamentos silviculturais, das espécies
econômicas nas florestas naturais mistas;
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
i.exe
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
• Enriquecimento das florestas naturais, com plantio em talhões, grupos, linhas ou outro
qualquer;
• Substituição de florestas originais, improdutivas ou já exploradas, por outra com
regeneração artificial;
45
Avaliação do povoamento atual
(composição, estrutura)
↓
↓
Viabilidade econômica do
povoamento
Suficiente
↓
Insuficiente
↓
Medidas silviculturais
Garantir a produção natural
sustentada
Domesticação
↓
↓
Transformação:
simplificação da
composição e/ou
estrutura da floresta
natural
Substituição:
substituição do
povoamento natural
por maciços mais
homogêneos
Adaptado de LAMPRECHT (1990)
2. CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS SILVICULTURAIS
• Quanto à origem da floresta:
• alto fuste - reprodução sexuada;
• talhadia - reprodução assexuada ou propagação vegetativa;
• Quanto à regeneração:
• regeneração natural
• regeneração artificial
• regeneração mista
• Quanto ao tipo de corte:
• corte raso
• corte progressivo regular
• corte progressivo irregular
• Quanto à estrutura e composição da futura floresta:
• transformação
• melhoramento
• enriquecimento
• substituição - florestamento ou reflorestamento
• produção sustentada
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
46
3. SISTEMAS SILVICULTURAIS DE FLORESTAS DE ALTO FUSTE
• Florestas são originadas por reprodução sexuada;
• Vantagem: maior diversidade genética
• Desvantagem: menor homogeneidade da floresta
3.1. Corte raso
• floresta originada por sementes, a qual é removida totalmente de uma só vez;
3.1.1. Regeneração natural
• floresta originada por sementes presentes no solo ou em áreas vizinhas, disseminadas
naturalmente pelo vento, água ou animais, sendo removida totalmente de uma só vez;
• vantagens:
• método simples
• as espécies são adequadas ao sítio
• baixo custo
• rápido recobrimento do solo
• mudas não sofrem estresse com plantio
• desvantagens:
• não se tem controle do microclima
• indicado somente para espécies lucíferas
• pode expor solos à erosão
• pode facilitar a invasão de plantas indesejáveis
• danos à regeneração
• distribuição irregular das espécies
• acúmulo de material orgânico
• Condições de adoção:
• espécies desejáveis lucíferas, com germinação rápida e homogênea;
• condições favoráveis de clima e solo;
• existência de estoque de sementes no solo ou em áreas adjacentes;
• regeneração natural existente e suficiente;
• baixo risco de incêndio;
• Espécies potenciais:
• Araucaria angustifolia (pinheiro-brasileiro), Mimosa scabrella (bracatinga), Schizollobium
spp. (paricá, guapuruvu), Astronium fraxinifolium (aroeira), Sclerollobium panuculatum
(tachi-branco), Qualea homossepala (mandioqueira-áspera), Qualea acuminata
(mandioqueira-escamosa), Qualea albiflora (mandioqueira-lisa), Vochysia maxima
(quaruba);
• Tectona grandis (teca), Shorea robusta (sal), Eperua falcata (mangue), Pinus spp., etc.
3.1.2. Regeneração artificial
• Florestas formadas a partir de sementes plantadas diretamente no campo ou por mudas,
após o corte simultâneo de toda a vegetação;
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
47
• Gêneros mais plantados no mundo: Araucaria, Acacia, Agathis, Albizia, Casuarina,
Cedrela, Dipterocarpus, Eucalyptus, Khaya, Pinus, Shorea, Swietenia, Tectona e Terminalia.
• Gêneros mais plantados no Brasil: Araucaria, Pinus, Acacia, Eucalyptus, Gmelina e Tectona.
• Florestamento - plantio de florestas em área que não possui cobertura florestal há mais de
20 anos;
• Reflorestamento - é a regeneração imediata da floresta a qual foi parcialmente ou
completamente removida. Em geral ocorre a substituição de uma floresta mista multivariada
por outra pura e eqüiânea;
• Vantagens:
• facilidade de planejamento e controle da floresta;
• estrutura simples da floresta;
• permite o uso de espécies melhoradas;
• Desvantagens:
• possibilidade de formação de grandes maciços florestais monoespecíficos; . maior
possibilidade de perdas de nutrientes pela erosão, pela lixiviação e pela colheita;
• alteração da ciclagem de nutrientes;
• aumento dos riscos de doenças e pragas;
• distúrbios no ciclo hidrológico local;
• Medidas mitigadoras:
• reflorestamentos em pequenas áreas;
• plantios mistos;
• sistemas agroflorestais;
3.1.2.1. Plantação em grupos espaçados - Método Anderson
• É o reflorestamento em grupamentos densos e distanciados entre si;
• Originário da Escócia em 1928;
• Princípios do método:
• a unidade de plantio (up) é um agrupamento de árvores;
• as up’s devem ser espaçadas para facilitar os tratamentos silviculturais;
• Pontos a observar:
• número de árvores por up;
• em geral varia de 3 a 25 árvores por grupo;
• composição da up e entre up - pura e mista;
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
1
1
2
1
1
1
1
2
1
1
3
1
4
1
48
1
1
2
1
1
1
1
1
1
3
1
2
2
1
1
1
1
1
3
1
4
1
1
1
1
2
2
1
1
1
1
4
1
1
1 - pioneira; 2 - secundária inicial; 3 - secundária tardia; 4 - clímax;
• espaçamento entre indivíduos na up e entre up;
• o número de árvores não deve exceder a densidade usada em plantios
convencionais;
• Vantagens:
• a estrutura do povoamento facilita o monitoramento e os tratamentos silviculturais;
• permite a extração de material proveniente de desbastes sem danos às árvores
remanescentes;
• favorece a estabilidade do povoamento às intempéries;
3.1.1.2. Plantios consorciados
• Sistemas agroflorestais: método taungya;
3.2. Corte progressivo regular
• As árvores são cortadas parceladamente por meio de sucessivas derrubadas, ou por
eliminação de árvores agrupadas ou espaçadas, formando tetos regulares protetores, que
protegem o solo e a regeneração;
• Objetivo: permitir mudanças microclimáticas controladas de modo a satisfazer as
necessidades ecofisiológicas das espécies em regeneração;
• Vantagens:
• maior proteção ao solo;
• maior proteção à regeneração contra intempéries;
• modificação microclimática gradual e controlada;
• reduz a ocorrência de plantas invasoras dos estágios iniciais da sucessão
• melhora a qualidade do fuste;
• Desvantagens:
• alto custo;
• não é indicado para espécies lucíferas;
• Tipos de cortes efetuados:
• corte preparatório:
• feito para permitir a entrada de luz até o solo da floresta;
• permite a germinação de sementes e o estabelecimento inicial de mudas;
• corte de regeneração:
• feitos alguns anos após o corte inicial;
• favorece o desenvolvimento da regeneração;
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
49
• corte de renovação:
• é a retirada dos últimos indivíduos da antiga floresta
• possibilita o estabelecimento total da nova regeneração;
3.2.1. Regeneração natural
• Vantagens:
• menor estresse das mudas devido ao plantio;
• reduz o custo;
• uso de espécies já adaptadas;
• Desvantagens:
• requer estoque de sementes no solo, na própria área ou em áreas vizinhas;
• requer a manutenção de árvores matriz;
• Classificação:
• Método uniforme
• Método de floresta de cobertura
• Método de melhoramento
3.2.1.1. Método Uniforme
• regeneração das espécies de maior interesse predomina, formando um estrato compacto
que interrompe totalmente a passagem da luz;
• condições de adoção:
• regeneração natural rica e abundante;
• espécies tolerantes à sombra na fase juvenil e que respondem à abertura do dossel;
• Resumo e seqüência das operações na exploração pelo método uniforme (WALTON et al.,
1958):
Período (n)
Operações
- 1,5 a 0
• Amostragem de regeneração e enumeração de árvores
maduras;
• Exploração completa de todo o compartimento e anelamento ou
envenenamento de fustes inúteis e de espécies com menos de
5 cm de diâmetro, no prazo de 2 anos;
• Amostragem linear de regeneração de 25 m2, sem efetuar
qualquer tratamento;
• Amostragem linear de regeneração, sem efetuar tratamento ou
plantação suplementar;
• Amostragem e enumeração seguida por corte seletivo comercial
de varas e das árvores que já produzem tábuas;
0a1
3a5
10
20 a 40
n - ano do início da exploração comercial.
a) Método Malaio Uniforme ("Malayan Regeneration System")
• desenvolvido nas florestas ombrófilas de Dipterocarpaceae (Shorea) de baixas altitudes da
Malásia;
• Prevê a exploração das espécies desejáveis e eliminação (envenenamento e, ou
anelamento) das indesejáveis;
• Após as operações de regeneração não se aplicam tratamentos até o final da rotação;
• Condições de adoção:
• Estoque mínimo de mudas das espécies desejáveis antes de qualquer derrubada: 10 a 25
mil mudas/ha;
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
• Não se aplicam tratamentos até a regeneração suplantar a competição com cipós;
50
• Aplicam-se desbastes para aumentar a quantidade de produtos com melhor qualidade;
• É composto das seguintes operações:
Período (ano)
-1,5 a 0
0a2-3
2a3-5
10
20 - 40
Operação
• Avaliação da regeneração das espécies florestais de interesse econômico.
É considerada satisfatória quando ocorre em 40% das amostras.
• Avaliação de porta-sementes existente;
• Avaliação do volume explorável: 10 - 20% com DAP > 40 cm;
• Estoque remanescente (40%) deverá estar bem distribuído;
• Marcação das árvores exploráveis (DAP > 40 cm);
• Exploração completa das árvores comerciais do talhão (DAP > 40 cm);
• Anelamento e, ou, envenenamento das árvores indesejáveis: fustes inúteis
e indivíduos com DAP < 5 cm;
• Amostragem da regeneração sem aplicação de tratamentos silviculturais;
• Amostragem da regeneração sem aplicação de tratamento;
• Amostragem e marcação das árvores para corte seletivo comercial;
b) Método Uniforme da Índia
• Espécie: Shorea robusta
c) Método Uniforme da África
• Espécies: Teca (Tectona grandis), sal (Shorea robusta), limba (Terminalia superba),
Triplochyton scleroxylon, Chlorophora excelsa, Khaya grandiflora;
3.2.1.2. Corte de Floresta de Cobertura
• Origem: Europa;
• Desenvolvido para Quercus sp. e Fagus sp.;
• Favorece a germinação de sementes que estão sobre o solo;
• Efetuam-se aberturas de copas pela eliminação de arbustos e trepadeiras;
• Remove-se a cobertura pela derrubada e baldeio de árvores maduras que já produziram e
dispersaram suas sementes, e por árvores caducas de valor comercial;
• São deixadas árvores matrizes estrategicamente distribuídas para garantir uma produção e
distribuição de uniforme de sementes pela floresta;
• Eliminação de espécies indesejáveis por anelamento e, ou, envenenamento - evita-se a
regeneração de espécies indesejáveis;
• Vantagens:
• Opção na determinação da época de remoção da cobertura, de acordo com a regeneração
natural;
• Exposição lenta e gradativa à medida que as espécies vão adquirindo resistência;
• Controle de plantas invasoras;
• Oferece maior proteção ao solo e à regeneração;
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
51
• Oferecer condições de aumento de umidade do solo aumentando a resistência da
vegetação ao fogo;
• Fatores a considerar:
• Aproveitamento do rendimento das fontes de sementes;
• Quantidade e qualidade do estoque de sementes;
• Condição sucessional do povoamento;
• Intensidade de abertura do povoamento;
• Método adotado em:
• Ilhas Andamans (Ásia)
• Congo, Costa do Marfim e Nigéria (África)
• Trinidad e Tobago e Guiana Inglesa (América Latina)
• Diferenças entre os métodos de cobertura e o uniforme:
• Método de cobertura:
• mantém tetos superiores compostos por árvores matrizes, formando uma cobertura
alta na floresta;
• mantém na floresta todas as árvores imaturas de bom fuste;
• primeira derrubada é de semeadura - eliminação de grandes árvores não comerciais e
defeituosas de qualquer espécie, evitando a propagação de fenótipos mal constituídos;
• próximos cortes são: derrubadas de melhoramento;
• realiza-se derrubadas sucessivas até a remoção e substituição da antiga cobertura;
• Método uniforme:
• mantém tetos superiores compostos por árvores para proteger a regeneração já
existente das espécies de interesse;
• a primeira derrubada é comercial, sendo aneladas e, ou, envenenadas árvores sem
interesse comercial;
• são efetuadas aberturas gradativas no dossel, por meio de anelamento e, ou, de
envenenamento, até a remoção total e substituição da antiga cobertura;
a) Método de cobertura de Andamans
•
•
•
•
origem: Ilhas Andamans (Ásia);
abrigo temporário formado de 2 a 5 anos antes da exploração comercial;
método desenvolvido para espécies do gênero Dipterocarpus;
favorecimento das espécies de interesse pela remoção gradual das árvores do dossel
superior e limpeza do sub-bosque;
• abertura gradativa dos tetos dominantes por anelamento e, ou, envenenamento, para
evitar danos à regeneração;
• privilegia a ascensão gradual dos níveis dos estratos intermediários constituídos por
indivíduos jovens;
• quando o dossel superior apresenta-se ralo, com excessiva penetração de radiação solar,
mantém-se a vara e árvore jovem do sub-bosque para atenuar a luz, sendo retiradas após
cumprirem esta função;
Resumo das operações do método de corte progressivo de Andamans:
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
Período (ano)
-5 a -2
-1
0
1
2
3
6
52
Operação
•
•
•
•
•
•
limpeza e remoção do sub-bosque;
corte de trepadeiras;
derrubada comercial e remoção do sub-bosque;
derrubada de melhoramento e remoção do sub-bosque;
derrubada de melhoramento e remoção do sub-bosque;
derrubada de melhoramento, remoção do sub-bosque e dos tetos
intermediários superiores;
• cortes sucessivos até a remoção e substituição da vegetação antiga;
b) Método de cobertura por uniformização da altura
• Aplicado em florestas com considerável número de árvores nas classes intermediárias, o
que possibilita prolongada exploração seguida pela regeneração natural com cortes
sucessivos.
• Método desenvolvido na África Ocidental – Congo Belga e Costa do Marfim.
• Baseia no melhoramento da floresta irregular convertendo em florestas regulares:
• Estrato dominante e co-dominante com espécies comerciais;
• Estrato intermediário com árvores jovens para a 3a geração.
• Difere dos métodos, Uniforme e de Seleção, por possuir maior número de estratos do que o
primeiro e menor que o segundo.
• Operações concentram-se na remoção contínua de árvores menos desejáveis dos estratos
dominantes e co-dominantes, seguido dos estratos intermediários e inferior;
• Visam erguer o estrato principal e reduzir a idade das classes na floresta;
• Podem ser repetidas sempre que necessárias;
• Seqüência de operações:
Período (ano)
0
1
Operação
•
•
•
•
Avaliação por amostragem: 10% da área total
Derrubada de todas as árvores comerciais com DAP > 60 cm;
Envenenar todas as árvores indesejáveis Dom DAP >50 cm;
Limpeza dos arbustos e corte das espécies dos estratos inferiores;
•
Operações podem ser alteradas de acordo com o ambiente, devendo-se observar:
• Remover as copas de copas das árvores que formam o teto dominante, criando
aberturas antes da RN surgir e, em seguida, tratar os estratos inferiores;
• Após a derrubada comercial, reter o teto de proteção sobre a regeneração existente;
• Retirar do teto superior somente as árvores que competem diretamente com as
desejáveis ou ultrapassem o DAP máximo.
3.2.1.3. Método de Melhoramento
• Tratamentos silviculturais com objetivo de melhor as árvores da floresta primária, sem fazer
derrubadas comerciais;
• São cortadas árvores de pequeno porte ou jovens, de espécies de interesse ou não,
arbustos e outras vegetações inferiores e anelamento ou envenenamento de grandes
árvores;
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
• Os critérios usados na escolha dos indivíduos a serem eliminados são: sanidade e
genética (fenótipo);
• Realiza-se um "melhoramento" por meio de seleção natural:
• Observações:
• método caro, pelo fato de se fazer intervenções na floresta e não se efetuar a colheita
comercial nos primeiros anos do estabelecimento dos sistemas;
• não prioriza a condução da regeneração natural, que pode causar modificações
indesejáveis na composição da futura floresta;
• Método de Melhoramento Malaio
53
3.2.2. Regeneração artificial
• Método em que, após a derrubada comercial e extração do material de interesse, realiza-se
a regeneração artificial e se aplicam tratamentos silviculturais com objetivo de favorecer essa
regeneração, sob abrigos temporários;
• Os abrigos temporários têm o objetivo de proteger a regeneração e o solo das intempéries e
são retirados gradativamente até a sua retirada total;
• As árvores podem ser plantadas por sementes, diretamente no campo, ou por mudas, em
linhas ou em grupos;
• Requer a limpeza do sub-bosque sempre quando os indivíduos plantados entrem em
competição com a vegetação do sub-bosque;
• Operações básicas do sistema de autofuste, corte progressivo regular e regeneração
artificial:
Tempo (ano)
-2 a –1
0
1
Operação
•
•
•
•
Corte de trepadeiras
Corte seletivo;
Plantio de árvores;
Anelamento e, ou, envenenamento de árvores de grande porte sem
interesse;
• Corte sucessivos de abertura e limpeza do sub-bosque;
• Métodos:
• Martineau
• Plantio sob abrigo temporário em Trinidad e Tobago
• Recrus
• Limba
• Okumé
• Método Martineau
• Costa do Marfim
• Plantio de espécies florestais tolerantes sob coberturas primárias, secundárias ou
formadas com auxílio de bananeiras, mandioca ou mamona;
• Objetivo: regenerar espécies exóticas ou nativas tolerantes, em povoamentos puros ou
mistos;
Tempo (ano)
Operação
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
0
1 - 10
54
• Corte seletivo;
• Plantio de 2.500 árvores por há sob 10% de luz;
• Cortes sucessivos de abertura e limpeza do sub-bosque;
• Plantio sob abrigo temporário em Trinidad e Tobago
• Rotação de 60 anos
• Método Recrus
• Gabão, 1958;
• Costa do Marfim, 1961;
• Objetivo: converter progressivamente florestas naturais em uniformes, por meio de
plantios de enriquecimento;
Tempo (ano)
Operação
-2
-1
0
•
•
•
•
1–5
6
7
15
30
60
•
•
•
•
•
•
Corte de trepadeiras
Encoivara, envenenamento das árvores maiores;
Plantio de árvores nas clareiras;
Anelamento e, ou, envenenamento de árvores de grande porte sem
interesse;
Limpeza do sub-bosque;
Remoção das árvores do abrigo temporário
Corte seletivo
Corte seletivo
Derrubada comercial
Derrubada comercial
• Seqüência de operações básicas:
• derrubada comercial;
• Eliminação das espécies sem interesse com altura até 0,90 me, as com diâmetro entre
15 e 20 cm;
• Anelamento e, ou, envenenamento de todas as árvores de grande diâmetro;
• Plantio de enriquecimento;
• Plantio de árvores em densidade equivalente de 25 a 50% da densidade de árvores na
rotação florestal (4 m x 4 m; 6 m x 6 m);
• Método Limba
• Congo e África Ocidental
• Terminalia superba Eng. E Diels.
• Intermediário entre céu aberto e sob cobertura
• Linhas de plantio na direção leste-oeste;
• Espaçamentos: 6 m x 6 m, 7 m x 7 m, 12 m x 12 m, 14 m x 14 m.
• Limpezas nas linhas de plantio, mantendo-se algum estoque da regeneração natural;
Tempo (ano)
-2
Operação
• Delimitação dos blocos de 100 m x 100 m;
• Marcação das linhas de plantio;
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
-1
0
• Mapeamento, seleção dos sítios, inventário florestal e marcação da
madeira comercial;
• Extração comercial e pré-envenenamento;
• Queima controlada;
• Abertura das linhas de plantio;
3.3. Método de regeneração de corte progressivo irregular
• Origem na Europa;
• Distribuição das árvores em diferentes idades e tamanhos;
• Plenterwald – padrão de distribuição diamétrica das árvores da floresta em “j” invertido;
y = k.e-ax
• Florestas tropicais úmidas:
• Possuem comportamento Plenterwald
• Possuem > amplitude de classes diamétricas por área;
• Corte progressivo irregular em FTU forma o método de seleção em diversos países
tropicais.
3.3.1. Regeneração natural
Tempo (ano)
0
9
10
20
Operação
•
•
•
•
•
•
•
•
Derrubada comercial;
Envenenamento das árvores sem valor comercial com DAP > 60 cm;
Amostragem diagnóstica
Seleção das árvores de espécies desejáveis com DAP > 5 cm;
Envenenamento das espécies sem valor com DAP > 40 cm
Limpeza dos estratos inferiores
Liberação das candidatas
Repetir tratamentos se necessários
3.3.1.1. Método de Seleção
• Árvores espalhadas por toda a área
• Derrubada policíclica - retirada periódica do estoque excedente de volume;
• Regeneração de exploração
• Manutenção da distribuição balanceada
• Cortes de colheita e de regeneração feitos na mesma época
• Retirada de árvores isoladas ou em pequenos grupos
• Método aumenta a proporção de espécies de valor;
• Método aplicado nas Filipinas, Birmânia, Malásia, Porto Rico e Austrália
a) Método de Seleção das Filipinas
• Dipterocarpaceaes – Shorea sp.
• Objetivo: deixar população residual com 60% de árvores comerciais;
• Árvores distribuídas entre classes de 20 – 70 cm;
b) Método de Seleção de Teca
• Florestas naturais de teca na Birmânia
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
55
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
•
•
•
•
•
56
Determinação da faixa de segurança: acima, excesso e corte; abaixo, esperar.
Marcação das árvores para corte
Permanência de árvores-matrizes bem distribuídas (até 15)%;
Após a derrubada, limpeza do sub-bosque e envenenamento das indesejáveis;
Aspectos negativos:
• Exploração é dispendiosa e danosa à regeneração;
• Espécie é exigente em luz e o método fornece baixa luminosidade – reduz incremento.
c) Método de Seleção de Espécies Listadas - SEL
• Brasil – EMBRAPA
• Seleção de espécies listadas comerciais
d) Método do Limite da Circunferência
• Preserva as espécies de interesse econômico
• Estabelece intervalo máximo e mínimo de circunferência para derrubada;
• Requer legislação e fiscalização
• Prática sem base científica – circunferência de indivíduos maduros varia entre espécies
3.3.3. Regeneração Mista
• Auxílio à regeneração natural
• Falhas na RN
• Recomendado para florestas que sofreram ventos, queimadas, etc.
• Enriquecimento: em linhas, faixas, grupos
Distância entre linhas: 4 a 20 m
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
CAPÍTULO VII: SISTEMAS AGROFLORESTAIS
57
1. INTRODUÇÃO
1.1. OBJETIVO
Ensinar noções gerais sobre sistemas agroflorestais (SAF): conceitos, classificação,
planejamento, manejo e avaliação.
1.2. CONCEITOS
Sistemas Agroflorestais - SAF
São formas de uso e manejo dos recursos naturais, nos quais espécies lenhosas (árvores,
arbustos e palmeiras) são utilizadas em associações deliberadas com cultivos agrícolas e/ou
animais, na mesma área, de maneira simultânea ou seqüencial (OTS/CATIE, 1986), visando
tirar benefícios das interações ecológicas e econômicas resultantes (LUDGREN & RAINTREE,
1982; NAIR, 1983).
Prática Agroflorestal
Operação específica de manejo da terra de natureza agroflorestal, em uma propriedade rural ou
outra unidade de manejo e, geralmente, consiste nos arranjos espacial e temporal dos
componentes. Diversas práticas constituem um SAF (NAIR, 1990).
Princípios dos SAF
Características dos SAF
Plantio deliberado de árvores, ou outras plantas lenhosas perenes, com culturas agrícolas e/ou
animais, na mesma unidade de terra ou em alguma outra forma de arranjo espacial ou
temporal, e pelas interações (ecológicas e/ou econômicas) significativas (positivas ou
negativas) entre os componentes arbóreos e os não arbóreos do sistema (NAIR, 1990).
A presença de árvores nos sistemas de produção agrícola
Quadro 1 - Características dos SAF
Característica
Componente
Limite
Entrada
Saída
Interação
Hierarquia
Dinâmica
Sistema Agroflorestal
Homem, árvore, cultura agrícola, animal;
Cercas, rios, divisor de águas, etc;
Energia solar, precipitação, fertilizante, ração;
Energia, água, nutrientes (colheita, lixiviação, erosão);
Fixação de N, competição, alelopatia;
Parcela, propriedade, micro-bacia hidrográfica;
Arranjo espacial, sucessão de espécie.
SAF baseiam-se nas interações entre as árvores e os demais componentes do sistema.
Funções das Árvores nos SAF
• Funções Ecológicas
• Funções Sócio-Econômicas
Funções Ecológicas
✓AUMENTO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA
• uso diferencial dos recursos naturais no espaço e no tempo (energia solar, água e
nutrientes);
• amplia a base alimentar e o habitat para a fauna;
Prof. Dr. Carlos Alberto Moraes Passos - DEF/FENF/UFMT – Cuiabá/MT, maio de 2003.
Notas de Aula de Silvicultura Tropical
• aumenta o número de componentes interagindo.
58
✓CONTROLE DAS CONDIÇÕES MICROCLIMÁTICAS
NOS AMBIENTES COPA-SOLO E NO SOLO
• radiação (intensidade e qualidade);
• temperatura (amplitude e variação);
• umidade (amplitude e variação);
• vento (amplitude e variação).
✓CONSERVAÇÃO OU MELHORIA DAS PROPRIEDADES FÍSICAS, QUÍMICAS E
BIOLÓGICAS DO SOLO
• redução do impacto direto da chuva sobre o solo;
• redução da erosão hídrica e eólica;
• restabelecimento da ciclagem de nutrientes;
• enriquecimento das camadas superficiais do solo com matéria orgânica (raízes, troncos,
ramos, folhas, flores, frutos e sementes);
• redução das variações microclimáticas do solo;
• interações biológicas (mutualismo).
Funções Sócio-Econômicas
Resultam das interações ecológicas estabelecidas entre as árvores e os demais componentes
que fornecem PRODUTOS e SERVIÇOS.
PRODUTOS
• produtos das árvores: madeira para diversos fins, lenha, folhas, néctar, frutos, sementes,
forragem, substâncias químicas e/ou medicinais, óleos, resinas, gomas e fibras.
SERVIÇOS
• sombreamento de cultivos e pastagens;
• redução da velocidade de ventos;
• conservação do solo e da água;
• melhoria da qualidade do solo.
✓ECONÔMICOS
• rentabilidade líquida da propriedade (possibilidade de elevar a produtividade agrícola e/ou
florestal e reduzir os custos de manutenção e de capital);
• redução de riscos de perdas da produção e de comercialização.
✓SOCIAIS
• efeitos na qualidade de vida do produtor rural:
• condição de trabalho (sombreamento);
• diversificação da alimentação;
• diversificação de materiais para uso na propriedade
• diversificação no conhecimento.
CLASSIFICAÇÃO DOS SAF
Critérios mais frequentementes usados:
Estrutural
natureza dos componentes (arbóreo, agrícola e animal);
dinâmica (arranjo espacial e temporal dos componentes),
Funcional
saídas (produção ou serviço);
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Sócio-Econômico
entradas (nível tecnológico e de insumos);
hierarquia (escala da produção)
Ecológica
ambiente do sistema (agro-ambiental).
☞A árvore é o referencial para a classificação dos SAF
Base Estrutural
Ð
Base Funcional
Ð
Base Sócio-Econômica
Ð
Base Ecológica
Figura - Passos seguidos para a classificação dos SAF (NAIR, 1990)
Classificação em Base Estrutural
Natureza dos Componentes Adaptado de NAIR (1990)
Sistema
Agrissilvicultural
Silvipastoril
Agrissilvipastoril
Componentes
Culturas agrícolas e árvores
Pastagem e/ou animal e árvores
Culturas agrícolas e/ou animal e árvores
Arranjo dos Componentes
Arranjo Espacial
• Stand - Denso ou Aberto
• Padrão de Distribuição - Azonal (Misturado) ou em Zonas (Microzonal ou Macrozonal)
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
60
Arranjo Temporal
• OTS/CATIE (1986) - Simultâneo ou Seqüencial
• NAIR (1990) - Coincidente, Concomitante, Sobreposto, Separado ou Interpolado
Base Funcional
• produção de bens (madeira, fruto, semente, forragem, lenha)
• serviços (quebra-ventos, cercas-vivas, conservação do solo)
Base Ecológica
• condições agro-ecológicas (Zonas de Vida)
Base Sócio-Econômica
• escala de produção: comercial, intermediário e de subsistência
• nível tecnológico e de manejo alto, médio e baixo
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Arranjo Misturado
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Arranjo Macrozonal em Bordas
❄ - Cultura Florestal
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Arranjo Macrozonal em Faixas
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❄
Arranjo Microzonal em Fileiras
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❄
❄
❄
✳ - Cultura Agrícola
Figura - Arranjos Espaciais das Culturas nos SAF (Adaptado de VERGARA, 1981)
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
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Arranjo Temporal Coincidente
Arranjo Temporal Concomitante
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Arranjo Temporal Intermitente
Arranjo Temporal Sobreposto
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Arranjo Temporal Separado
Arranjo Temporal Interpolado
❄
✳
Cultura Florestal
Cultura Agrícola ou
Animal
Figura - Arranjo Temporal dos Componentes dos SAF (Adaptado de NAIR, 1986)
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
62
PRINCIPAIS SISTEMAS E PRÁTICAS AGROFLORESTAIS
Quadro - Sistemas e Práticas Agroflorestais mais Utilizados (Adaptado de NAIR, 1986)
Sistemas/
Adaptação
Descrição
Componente
Dinâmica
Práticas
Sistema Agrissilvicultural – Silviagrícola
Plantio de
Arv-pioneiE-azonal
Pousio
ras, legumiT-sobreMelhorado árvores na
fase de
nosas.
posto
pousio.
Ag- culturas
comuns
E-azonal ou
Plantio de
Método
Armicrozonal
espécies
Taungya
espécies
T- concoagrícolas
comerciais mitante
nos primeiros anos do Ag-culturas
povoacomuns
mento
florestal
Plantio de
Ar- pioneiE- zonal
Alley
árvores em ras, legumi(faixas)
Cropping
fileiras ou
nosas
T-concomifaixas,
Ag- comuns tante a ininterplantermitente
tadas com
cultivos
agrícolas
Plantio de
Ar-comerE-azonal ou
Culturas
culturas
ciais
zonal
agrícolas
agrícolas
Ag-comuns e T-todos
em áreas
em áreas de tolerantes a
de floresflorestas ou sombra
tas ou de
culturas
cultivos
arbóreas
arbóreos
Ar-sombrea- E-azonal ou
Árvores em Plantio de
árvores para doras, fixazonal
áreas de
diversos fins doras de
T-todos
cultivos
em áreas
nitrogênio,
agrícolas
de, culturas uso múltiplo
agrícolas
Ag-comuns e
tolerantes a
sombra
CombinaAr- uso
E- azonal
Jardins
T- interpoldomésticos ção de plan- múltiplo e
tio multiesfrutíferas
ado
“Home
tratificado
Ag-comuns,
gardens”
de árvores e hortícolas e
culturas
medicinais
agrícolas
Árvores
Ar- árvores
E- zonal
Cercasplantadas
de diferen(faixas ou
vivas e
em torno de tes alturas
bordas)
quebraculturas
Ag- comuns T-coincideventos
nte ou
interpolado
Função
da Árvore
SócioEconômica
Pd-madeira
lenha, frutos
Se-melhoria do solo
Área de
agricultura
migratória
Ee-subsist.
Nt- baixo
Pd- madeira Ee- todos
Nt- todos
Pd- lenha
Se-conservação ou
melhoria do
solo
Área com
grande pressão antrópica
Ee-variada
Nt-todos
Agro-Ecológica
Regiões ombrófilas ou estacionais
Todas
Regiões ombrófilas ou estacionais
Pd-variado Ee-todas
Se-melhoNt-todos
ria ou conservação do
solo, sombreamento
Regiões ombrófilas ou estacionais
Pd- varia-do Ee-todas
Se-melhoNt-todos
ria ou conservação do
solo
Regiões ombrófilas ou estacionais
Pd- variodo Ee-subsisSe-conser- tência
vação do
Nt- baixo
solo, proteção da casa
Todas
Pd- vários
Se- cerca
ou quebraventos
Áreas sujeitas a
vento, de alta
pressão antrópica
ou vizinha a
pastagens
Ee- todas
Nt- todos
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Notas de Aula de Silvicultura Tropical
63
Quadro - (continuação)
Sistemas/
Descrição
Component
e
Dinâmica
Práticas
Sistema Silvipastoril
Árvores em Árvores
pastagens plantadas
naturais ou ou de regeneração
plantadas
natural em
pastagens
naturais ou
plantadas
Ar- uso
multiplo e
forrageira
Ag- gramíneas e leguminosas
An-bovinos,
suínos ou
ovino
Pastejo em Povoamen- Ar-espécies
to florestal
comerciais
área de
Ag-gramífloresta ou natural ou
de cultivos artificial sob neas e lepastejo
guminosas
arbóreos
An-bovinos,
suínos ou
ovinos
Plantio de
Ar-legumiBanco de
árvores em nosas forproteína
áreas para a rageiras
produção de Ag- gramíproteína
neas
para corte
An-bovinos,
ou pastejo
caprinos ou
direto
ovinos
Sistemas Agrissilvipastoris
Plantio
Ar- uso
Jardins
múltiplo e
domésticos multiestratificado de
frutíferas
com
árvores,
Ag- comuns
animais
animais e
An- pequeculturas
nos animais
agrícolas
em torno da
casa
Floresta
Ar-comerSistemas
natural ou
ciais
Agrissilvipastoris em artificial com Ag-comuns e
plantios
gramíneas e
áreas de
agrícolas e leguminosas
florestas
pastejo de
forrageiras
ou de
animais
An-diversos
cultivos
arbóreos
Área de
Ar-comerSistemas
cultivo
ciais
AgrissilviAg-comuns,
pastoris em agrícola e
pastagem
gramíneas e
áreas
com floresta leguminosas
agrícolas
ou cultivos
forrageiras
arbóreos
An-diversos
Função
da Árvore
Adaptabilidade
SócioEconômica
Agro-Ecológica
E-azonal ou
zonal
T-concomitante a
coinciden-te
Pd-forragem e
outros
Se-sombreamento
Ee- todas
Nt- todos
Todas
E-azonal ou
zonal
T-concomitante a
coinciden-te
Pd-madeira, forragem
Se-sombra,
conservaçã
o do solo
Ee- todas
Nt- todos
Todos
E- zonal
Pd-forraT-coincigem
dente ou
intermiten-te
Ee- todas
Nt- todos
Todas
E- azonal
T- intermitente ou
interpo-lado
Pd- variado
Se-conservação do
solo
Ee-subsistência
Nt- baixo
Todas
E- misturado ou zonal
D- denso
T- interpolado
Pd- vários
Se-sombra
Ee- todas
Nt- todos
Todos
E-azonal ou
zonal
T- interpolado
Pd- variado
Se-sombra,
conservação do solo
Ee- todas
Nt- todos
Todos
Ar- espécie arbórea; Ag- espécie agrícola; An- espécie animal; E- arranjo espacial; Ddensidade;
T- arranjo temporal; Ee- escala econômica; Nt- nível tecnológico.
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