INTERVENÇÃO DO DIRECTOR GERAL DO CIS, PROF. MESTRE
EMMANUEL MOREIRA CARNEIRO NA SESSÃO SOLENE DE
OUTORGA DOS DIPLOMAS AOS PRIMEIROS FINALISTAS DO
CIS AOS 14 DE NOVEMBRO DE 2012
Sua Excelência, Senhor Prof. Doutor Adão do Nascimento, Ministro do
Ensino Superior
Ilustres Representantes de Membros do Governo
Excelências
Caros convidados, Caros finalistas
A todos damos as nossas boas vindas a esta singela mas significativa
Cerimónia. Muito significativa por se tratar da primeira vez em que a nossa
Instituição outorga Diplomas aos seus finalistas. Trata-se do termo de um
processo que se iniciou no Ano Académico de 2008, altura em que, após
um período de preparação de um ano, encetámos a nossa actividade.
Assim, um conjunto de 115 alunos (16 de Economia, 24 de Relações
Internacionais, 29 de Ciência Política e 46 de Administração Pública),
recebe hoje os seus Diplomas. São os primeiros licenciados da Instituição.
Muitos estão já a trabalhar, outros serão, a partir de agora, lançados no
mercado de trabalho.
Seja como for, uma coisa é certa: uma licenciatura, mais do que um ponto
de chegada, constitui um ponto de partida. É preciso que tenhamos bem
consciência desse facto. Uma licenciatura apetrecha-nos para a vida, dá-nos
a base para o exercício de uma profissão a qual exige, de cada um, um
esforço de estudo permanente, uma permanente pesquisa, uma permanente
adaptação num contexto de humildade intelectual sem a qual não é possível
a evolução, ou como comummente se diz (expressão muito em voga, muito
assimilável à noção ingénua de “crescimento do PIB”), do
“desenvolvimento”. O desenvolvimento é a transformação estrutural a
partir de dentro, é um processo. E é um processo dialéctico como, aliás,
tudo é na vida. Uma licenciatura é um marco, um marco pessoal, uma etapa
nesse processo de transformação interna, de aquisição de conhecimento e,
essencialmente, de valores.
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Pouco sabemos quando nos licenciamos. Temos somente uma base, um
instrumento de trabalho para sermos alguém! Nunca esqueçamos que o
nosso progresso pessoal e colectivo é incompatível com a arrogância, com
a vaidade, com o espírito de auto-suficiência, com a prepotência (esta,
tantas vezes, aliada ao dinheiro, numa simbiose explosiva mas tão comum,
de estupidez). Estas conclusões não são simples lugares comuns, tão
comuns na nossa terra: são verdades profundas que só a maturidade e os
anos da vida tornam claros. O nosso objectivo como Instituição é o da
educação através do trabalho. A não assunção deste princípio, a sua
ignorância, acarreta fatalmente, consequências funestas.
A nossa preocupação é formar homens e profissionais. Sublinho, não só
profissionais. É assim que entendemos a nossa missão de prestação de
serviço público, principalmente nas condições concretas do nosso país. O
nosso ponto de partida não é normal: as condições em que massivamente os
discentes ascendem ao Ensino Superior são, no mínimo, e para não
adjectivar de forma mais contundente, lamentáveis; em relação a tantos, os
seus valores, são aquilo que são. A nossa missão, além de instruir, é de
educar. Daí as nossas “regras”, daí o nosso espírito de instruir e de formar
através do trabalho. Descemos ao aluno para tentar que ele suba connosco,
numa viagem conjunta. Mas quem não subir através do trabalho árduo, da
reeducação através do trabalho, repito da reeducação através do trabalho, é
excluído. Não vale a pena pensar que no CIS se paga e se tem um Diploma.
Não temos clientes. Temos alunos, a formar e a instruir. Quem não vier
com esse espírito é convidado a não entrar ou, então, a sair. Não vale a
pena tentar. Não cedemos nem ao populismo, nem a alienação fácil, nem ao
affairismo. Esse é o nosso propósito e essa é a nossa linha de acção!
Temos uma missão! Por isso, são aparentemente rígidos os nossos
regulamentos, concebidos e reajustados de forma criadora e não mimética –
sublinhe-se – incluindo a luta contra a tão generalizada fraude académica
que nega o ensino e desvirtua o homem. Não podemos deixar generalizar a
delinquência e é preciso que, no nosso ethos, a fraude seja assumida como
delinquência. Não permitiremos que seja transportada para a Universidade
a informalidade da vida, essa sim, ganhando cada vez mais uma expressão
universal na nossa sociedade. Assim não!
Mas também essa informalidade, aliada ao affairismo, corrói as
instituições. Ela é a fonte de inúmeros erros cometidos. Não vivemos
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isolados. Estamos, como instituição, inseridos num contexto que nos
constrange, contexto esse, que envolve todo o nosso tecido humano, que
não só o dos alunos entenda-se e interprete-se devidamente. Mas uma coisa
é certa: estamos conscientes dos inevitáveis erros cometidos e
reprimiremos, na prática e progressivamente, aquilo que nos desvia do
caminho certo. Que não haja a mínima ilusão sobre o nosso espírito de
missão e sobre a nossa determinação. Sublinho: a nossa determinação,
incompatível com o “faz de conta”, com o copiar mimético ou burocrático
de realidades que pouco têm a ver com a nossa, com a tentação de ceder a
uma abordagem administrativa fácil que fugazmente nos pode dar uma
ilusão de comando e de eficácia.
Não cederemos à irresponsabilidade, sejam em que circunstâncias forem.
Temos uma missão!
É demasiado relevante o papel do ensino, e do ensino superior, em
particular, na formação da nossa juventude. O conhecimento é uma arma
terrível. É a arma que constrói o futuro. O desconhecimento, a ignorância e
a alienação são factores de destruição do futuro. O nosso objectivo é o do
conhecimento verdadeiro, não de um pseudo conhecimento, vassalo da
alienação, esta sim, desgraçadamente tão generalizada. A título de
curiosidade, bastará referir que o “terror do conhecimento” fez com que as
autoridades coloniais tivessem, durante tanto tempo, proibido o ensino
superior em Angola, barreira essa só ultrapassada quando um GovernadorGeral resolveu desobedecer às ordens da metrópole colonial criando,
timidamente, os “Estudos Universitários de Angola”, contornado o termo
“universidade”. O Governador-Geral foi demitido… Mas a História estava
em marcha…
Quero assim exortar à continuação do trabalho por parte de todos os recém
licenciados e a todos desejar as maiores felicidades. Muitos continuarão
connosco, pois são já quadros do CIS. A essas e a esses, nomeadamente,
bem hajam colegas! Outros irão continuar a sua formação, cuidando da sua
pós graduação e/ou frequentando Mestrados. Aliás, é nossa ambição e
propósito vir a leccionar, no CIS, um Mestrado em Estudos Africanos, logo
que as circunstâncias o permitam. Temos a intenção de que as sucessivas
fornadas de licenciados e de mestrados do CIS venham a constituir, um dia,
o núcleo central do nosso corpo docente, perpetuando o espírito da nossa
Instituição, uma Instituição que só os anos formarão. Esta longue durée das
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Instituições e da própria História (como diria Braudel), impõe o ritmo da
vida. E tal como diria Goran Hyden, infelizmente No Shortcuts to
Progress. É a vida, tal como objectivamente ela se nos apresenta.
Uma vez mais e a todos, desejamos as maiores felicidades, um total
empenho e entrega nas vossas tarefas e profissões, e um futuro pleno de
êxitos. E, mais do que a nível pessoal, essencialmente, a bem do nosso
país!
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intervenção do director geral do cis, prof. mestre emmanuel moreira