Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP Departamento de Engenharia de Construção Civil ISSN 0103-9830 BT/PCC/470 Reciclagem do lodo de esgoto da região metropolitana de São Paulo – RMSP. Ailton Dias dos Santos Vanderley Moacyr John São Paulo – 2007 Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Departamento de Engenharia de Construção Civil Boletim Técnico – Série BT/PCC Diretor: Prof. Dr. Vahan Agopyan Vice-Diretor: Prof. Dr. Ivan Gilberto Sandoval Falleiros Chefe do Departamento: Prof. Dr. Alex Kenya Abiko Suplente do Chefe do Departamento: Prof. Dr. Orestes Marraccini Gonçalves Conselho Editorial Prof. Dr. Alex Abiko Prof. Dr. Francisco Ferreira Cardoso Prof. Dr. João da Rocha Lima Jr. Prof. Dr. Orestes Marraccini Gonçalves Prof. Dr. Paulo Helene Prof. Dr. Cheng Liang Yee Coordenador Técnico Prof. Dr. João Petreche O Boletim Técnico é uma publicação da Escola Politécnica da USP/ Departamento de Engenharia de Construção Civil, fruto de pesquisas realizadas por docentes e pesquisadores desta Universidade. O presente trabalho é parte da dissertação de mestrado apresentada por Ailton Dias dos Santos, sob orientação do Prof. Dr. Vanderley Moacyr John: “Estudo das Possibilidades de Reciclagem dos Resíduos de Tratamento de Esgoto da Região Metropolitana de São Paulo”, defendida em 23/10/2003, na EPUSP. A íntegra da dissertação encontra-se à disposição com o autor e na biblioteca de Engenharia Civil da Escola Politécnica/USP. FICHA CATALOGRÁFICA Santos, Ailton Dias dos Reciclagem do lodo de esgoto da região metropolitana de São Paulo - RMSP / Ailton Dias dos Santos, Vanderley Moacyr John. -São Paulo : EPUSP, 2007. 19 p. – (Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de Construção Civil ; BT/PCC/470) 1. Lodo 2. Esgotos sanitários - São Paulo(SP) 3. Reciclagem de resíduos urbanos I. John, Vanderley Moacyr II. Universidade de São Paulo. Escola Politécnica. Departamento de Engenharia de Construção Civil III.Título IV. Série ISSN 0103-9830 RECICLAGEM DO LODO DE ESGOTO DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO – RMSP. Ailton Dias dos Santos Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo – SABESP e-mail: [email protected] Vanderley Moacyr John Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – EPUSP e-mail: [email protected] RESUMO O processo de tratamento de esgotos gera vários resíduos sólidos, destacando-se o lodo devido a sua maior quantidade. Hoje, a Região Metropolitana de São Paulo – RMSP gera cerca de 120 mil t/ano de lodo, cujo teor de sólidos está em torno de 40%, com uma previsão de 750 mil t/ano para 2015. Este material está sendo disposto em aterros sanitários. Porém, nas grandes metrópoles a disposição do lodo em aterros tem sido dificultada pela escassez de locais adequados, legislação ambiental cada vez mais restritiva, e altos custos. Para gerir esses resíduos busca-se a redução de seu volume e sua reutilização. Este trabalho levantou informações sobre o processo de geração e caracterização do resíduo gerado na RMSP, bem como alternativas para sua reciclagem. Como resultado obteve-se um conjunto de dados capaz de auxiliar na discussão da gestão da disposição final do lodo através da sua reciclagem e emprego na fabricação de materiais de construção civil como agregado leve, produtos de cerâmica vermelha e cimento Portland. ABSTRACT The wastewater treatment process generates some solid wastes among which the sludge is the most significant due to the amount produced. Presently, the Metropolitan Region of São Paulo – RMSP generate approximately 120,000 tons/year of sludge, whose solid fraction is around 40%, with a forecast for 750,000 tons/year in 2015. This material is being disposed in sanitary landfills. However, in the great metropolises the landfill disposal has been made it difficult for the scarcity of places adjusted, environment legislation each more restrictive time, and high costs. To manage these wastes it searches reduction of its volume and its recycling. This work collected information on the generation process and characterization of the residue generated in the RMSP, and alternatives for its recycling. As result got a data set capable to assist in the discussion of the management of the final disposal of the sewage sludge through its recycling and use in the manufacture of materials of civil construction as lightweight aggregate, bricks and cement Portland. 1. INTRODUÇÃO A Região Metropolitana de São Paulo — RMSP possui cerca de 18 milhões de habitantes e mais de 1.250 indústrias de médio e grande porte oficializadas, além de uma vasta presença de atividades industriais de caráter informal. O serviço de saneamento básico em boa parte da RMSP é de responsabilidade da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp e compreende as etapas de coleta dos esgotos sanitários, transporte até as Estações de Tratamento de Esgotos — ETEs, bem como o próprio tratamento destes esgotos. Nesse tratamento os poluentes presentes nos esgotos são separados e removidos de modo que o efluente tratado possa ser devolvido aos corpos d'água em melhores condições. Logo, é inerente a esse processo a geração de resíduos sólidos, dentre os quais o mais importante é o lodo de esgoto. Há, porém, um paradoxo: quanto mais se trata de esgotos visando a preservação da qualidade das águas, mais aumenta a quantidade de resíduos sólidos a serem dispostos em aterros sanitários. Na RMSP esses atualmente os lodos de esgoto são dispostos nos dois únicos aterros sanitários da região — administrados pela Prefeitura do Município de São Paulo — através de um convênio onde a contrapartida da Sabesp é o recebimento e tratamento em estações de esgoto do chorume gerado pelos aterros sanitários. Entretanto, esses aterros estão em vias de atingir sua capacidade limite. A produção de lodo de esgoto, por outro lado esta crescendo. Atualmente são geradas 120 mil t/ano, com um teor de sólidos de 40%, havendo previsão de aumento para 750 mil t/ano em 2015. Adotando-se uma massa específica média de 1,1 t/m3, o volume de lodo gerado equivale ao volume de um prédio de 145 andares, com previsão de quadruplicar em 2015. Além disso, o cenário é completado pela inexistência de áreas adequadas e próximas à RMSP para a construção de novos aterros sanitários, restando apenas aterros particulares e distantes, o que implica aumento de custos incompatível com a estrutura financeira do tratamento de esgotos atualmente praticada. A estratégia principal da Sabesp para enfrentar este problema se concentrou no desenvolvimento de um conjunto de pesquisas com o objetivo de aproveitar o lodo de esgoto na agricultura, compatibilizando suas características para esse fim; porém, em muitas situações a contribuição clandestina de esgotos industriais introduz contaminantes no lodo em teores acima dos limites permitidos para a aplicação (SANTOS, 2003). Adicionalmente, os mercados principais de fertilizantes encontram-se relativamente afastados das estações localizadas na RMSP. Finalmente, observa-se a nível internacional uma crescente tendência de desenvolver novas aplicações para o lodo de esgoto (SAHLSTRÖM et al, 2004; ONAKA, 2000), como será discutido adiante. Este artigo técnico insere-se nesse contexto, e busca apresentar alternativas com potencial viabilidade técnica e econômica, bem como competitivas no mercado da RMSP, com objetivo de proporcionar novas opções para pesquisa e desenvolvimento. A abordagem utilizada está baseada em JOHN (2000), ZORDAN (2003) e JOHN & ÂNGULO (2003) e é resultado da dissertação de mestrado do autor principal (SANTOS, 2003). 2. PROCESSO DE GERAÇÃO DOS LODOS DE ESGOTO NA RMSP O Sistema Principal de Esgotos da RMSP é constituído por cinco sistemas integrados de tratamento com estações de mesmo nome: ETE ABC, ETE Barueri , ETE Parque Novo Mundo, ETE São Miguel e ETE Suzano. Estas estações apresentam características próprias na concepção das suas unidades constituintes. Todas as estações são dotadas de tratamento de fase sólida com o uso de filtros-prensa, portanto todas geram tortas de lodo. A diferença mais significativa está no condicionamento químico dos lodos. Nas ETEs Barueri e São Miguel, ele é feito com polímeros e nas demais com cal e cloreto férrico. Também é necessário destacar que a ETE Parque Novo Mundo é a única das cinco que não possui os processos de decantação primária e de digestão dos lodos, implicando suas substituições respectivamente por peneiras rotativas e estabilização química. Os relatórios operacionais do período de julho de 2001 a junho de 2002 (SABESP, 2002) foram analisados. A primeira observação é a preponderância das quantidades de tortas de lodo comparada à geração de material gradeado, areia e peneirado. Isto elege as tortas de lodo como o resíduo a ser estudado, porém não implica desconsideração dos demais resíduos. São 327 toneladas de lodo — com teor de sólidos de 40% — geradas por dia para uma vazão de 10,50 m3/s atualmente. Considerando-se as previsões de aumento do tratamento de esgotos para 2015, a produção de tortas de lodo será de 1.551 t/dia. As quantidades bem menores de material gradeado, areia e material peneirado, respectivamente 0,5%, 2,5% e 0,4% da produção das tortas, não despertam interesse para um estudo exclusivo, porém talvez o processo de reciclagem que envolva as tortas possa incorporá-los. Uma outra observação importante e que serve de diretriz para uma abordagem de reciclagem das tortas de lodo é que cada ETE deve ser estudada individualmente. Pelos dados analisados, foi possível perceber que todas tem características próprias: quantidade e qualidade dos sólidos removidos, fluxo de processos, processos (volumes e tempos), condicionadores e/ou dosagens diferentes. As ETEs estão em áreas muito distintas da RMSP, com vazões de tratamento e geração de quantidades de resíduos muito diferentes. Além disso, a garantia de produção é discutível, não do ponto de vista da continuidade do tratamento de esgoto, mas sim da regularidade do processo. Foi observado em campo que as cinco ETEs estão aperfeiçoando o tratamento da fase sólida, implicando mudanças de processo, paradas na produção, muitas vezes longas, alterações sensíveis nos resíduos gerados. Tudo isto se traduz em dificuldades de comprometimento com outras empresas, nas quais o resíduo da Sabesp venha a ter importância de matéria-prima e/ou combustível auxiliar. 3. COMPOSIÇÃO DOS LODOS DE ESGOTO Os lodos de esgoto são compostos basicamente de uma mistura de matéria orgânica, de inorgânicos e de água. A proporção entre as fases principais e a composição da fração inorgânica variam de acordo com a origem dos esgotos e detalhes do processo de tratamento, como o tipo de floculante (polímero ou cal hidratada), eficiência dos filtrosprensa, presença e eficiência de biodigestor. Eventualmente os lodos de esgoto são submetidos a secagem, reduzindo ainda mais o teor de água, ou até mesmo a incineração, gerando as cinzas de lodo. A Tabela 1 apresenta exemplos de composição do lodo de esgoto gerado na RMSP. Como pode ser observado, nesta tabela, a composição do lodo gerado em uma mesma estação de tratamento pode variar significativamente ao longo do tempo em função de mudanças no processo de tratamento. Tabela 1 Exemplos de composição principal do lodo de esgoto gerado na RMSP por diferentes estações e em diferentes épocas. Valores expressos na base calcinada (SANTOS, 2003). Espécie Un. ETE Barueri 1999 12,00 17,00 10,00 45,00 4,40 5,50 1,50 0,75 1,30 0,31 1,10 2003 26,50 19,20 13,30 11,60 11,50 6,33 1,20 1,07 1,00 0,49 0,39 ETE Suzano Péletes 2003 13,50 16,00 9,88 39,30 7,78 nd 1,17 0,51 nd 0,37 0,34 2002 45,55 12,55 29,27 6,96 0,11 10,40 4,04 1,27 1,81 0,25 nd % SiO2 % Fe2O3 % Al2O3 % CaO % SO3 % P2O5 % MgO % K2O % TiO2 % Na2O % Cl Perda ao % 26,23 72,27 59,25 51,60 Fogo Condicionador Ca(OH)2 e FeCl3 Polímero e FeCl3 Ca(OH)2 e FeCl3 Polímero e FeCl3 nd = não detectado. Além da presença destes compostos, deve-se destacar a presença de nitrogênio (entre 2,1 e 3% em diferentes análises em São Paulo), fósforo, além de contaminação por metais pesados e compostos orgânicos (SANTOS, 2003). Dentre os contaminantes listados na NBR 10004 (1987), cujos teores ultrapassam eventualmente os limites desta norma, encontram-se o fenol, cromo, níquel, zinco e molibdênio (SANTOS, 2003). A contaminação de lodos por metais pesados é também bastante comum na Europa; van der SLOOT et al (1997) identificaram cádmio, cromo, cobalto, cobre, ferro, manganês, níquel, chumbo e zinco. Os lodos de esgoto também podem conter microorganismos, inclusive patogênicos (CESÁRIO SILVA et al, 2001). GASPARD et al (1997) detectaram a presença de ovos viáveis de helmintos em lodos franceses. SAHLSTRÖM et al (2004) analisaram 64 amostras de lodos de 8 estações de tratamento suecas e encontraram contaminação por Salmonella em 55% delas. Além do risco de contaminação, a presença de microorganismos provoca a degradação da matéria orgânica, podendo causar mau cheiro em depósitos de lodo. A presença de matéria orgânica confere aos lodos de esgoto poder calorífico. A bibliografia corrente faz referência a valores entre 11 e 12 MJ/kg (WERTHER, OGADA, 1999), valor equivalente ao da lenha. Medidas realizadas em lodos de esgoto da RMSP revelaram poder calorífico inferior variando entre 3 e 13MJ/kg (SANTOS, 2003). Existem poucos dados sobre a natureza mineralógica da fração inorgânica dos lodos de esgoto. Os lodos gerados na RSMP contem calcita (quando Ca(OH)2 é adicionado no tratamento), quartzo e teores menores de feldspato, mica e caulinita (SANTOS, 2003). 4. RECICLAGEM DO LODO DE ESGOTO A seleção de alternativas tecnicamente viáveis para reciclagem de um resíduo deve levar em conta inicialmente as características químicas e físicas do resíduo (JOHN & ANGULO, 2003). Estas mesmas características podem servir também para ressaltar potenciais problemas das diferentes aplicações tecnicamente possíveis. Para selecionar dentre as aplicações tecnicamente possíveis as mais atrativas em uma situação específica devem ser considerados aspectos como riscos do processo de pesquisa e desenvolvimento e viabilidade econômica nos diferentes mercados. Aspectos como sazonalidade de consumo do resíduo devem ser considerados e, por exemplo, tem sido um dos fatores limitantes da utilização agrícola das cinzas de lodo de esgoto no Japão (ONAKA. 2000). Assim, aplicações que explorem o poder calorífico e a fração inorgânica são potencialmente interessantes. Processos térmicos eliminam possíveis microrganismos enquanto geram energia neutra em termos de contribuição ao efeito estufa. A composição básica da fração inorgânica, silício, alumínio e, eventualmente cálcio é a mesma da maioria dos materiais de construção largamente consumidos e produzidos por processos térmicos, como produtos cerâmicos e cimentos. Não por outra razão que a revisão bibliográfica revelou três grupos de materiais de construção civil produzidos por processos térmicos, nos quais o lodo de esgoto pode ser inserido no processo produtivo: agregados cerâmicos leves, cimento Portland e produtos de cerâmica vermelha. Durante o processo de calcinação os patógenos presentes são destruídos, eliminando-se portanto a chance de contaminação dos usuários. Finalmente, a RMSP é um grande mercado consumidor potencial dos produtos de construção civil, sendo que estes mercados não são sazonais. 4.1 Fabricação de agregados cerâmicos leves A utilização dos lodos de esgoto como matéria prima para produzir um agregado leve, através de um processo cerâmico é uma aplicação onde o Brasil foi certamente um dos pioneiros mundiais. Esta aplicação se diferencia da cerâmica convencional por explorar a capacidade expansiva das misturas contendo lodo de esgoto. 4.1.1 Experiência brasileira A pesquisa nacional sobre o aproveitamento do lodo de esgoto gerado nas estações de tratamento como material de construção iniciou-se em 1974, quando a Sabesp solicitou ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas — IPT — um estudo a respeito do assunto. Os pesquisadores da Divisão de Tratamento de Minérios do IPT, Prof. Dr. Carlos Dias Brosch, Engº Silvio Benedicto Alvarinho, Engº Hiran Rodrigues de Souza e Engº Oscar de Nucci, efetuaram uma pesquisa experimental de aproveitamento do lodo digerido da Estação de Tratamento de Esgotos de Pinheiros. Essa pesquisa lhes conferiu o prêmio “Governador do Estado de São Paulo”, em 1976, de melhor invenção graças à sua originalidade e importância. Eles conseguiram obter, a partir de lodo digerido, um material que após britagem era classificado dentro das especificações de agregado leve para fins de construção civil, com emprego em estruturas de concreto, isolamento térmico, enchimento de vazios, préfabricação de edifícios e blocos para alvenaria e pisos. Uma instalação semi-industrial, cujo projeto foi desenvolvido por empresas brasileiras, foi implantada junto à ERQ Leopoldina (Estação Recuperadora da Qualidade das Águas, com componentes mecânicos e elétricos de fabricação nacional, e esteve em operação de junho de 1979 até o final de 1982 (SANTOS, 1992). O processo de produção do agregado leve, a partir do lodo digerido dos esgotos, passava pelas seguintes operações unitárias (BROSCH; ALVARINHO; SOUZA, 1976; SANTOS, 2001): 1) Desidratação do lodo O lodo proveniente da digestão anaeróbia, com cerca de 5% de sólidos, era bombeado para centrífugas, onde o teor de sólidos atingia 30%. O teor de matéria orgânica em base seca desse lodo era cerca de 57% da sua massa. Do total da fração inorgânica restante, em valores médios, os principais teores eram: 52% de SiO2, 27% de Al2O3, 7% de Fe2O3 e 5% de CaO. 2) Pós-secagem do lodo centrifugado Esse lodo seguia para o pátio de pós-secagem, cujo piso era de asfalto, com paredes a meia altura que favoreciam a aeração natural, e cobertura de telhas transparentes que permitia a passagem da luz solar, onde o lodo passava por secagem natural até atingir um teor de sólidos entre 40 e 54%. Um pequeno trator provido de pá frontal descarregava o lodo numa moega, que tinha um alimentador de disco acoplado na sua parte inferior. 3) Dosagem e mistura dos componentes Do disco alimentador, o lodo era introduzido no misturador, e recebia parte do sínter de retorno em dosagens convenientes para a conformação da mistura com suas características de umidade. Após essa mistura, o material era triturado em um moinho e depois seguia para o tambor peletizador. 4) Peletização Um tambor rotativo de baixa velocidade, no percurso desde a boca de entrada até a boca de saída, transformava a mistura disforme em pequenas pelotas, cujo diâmetro máximo era de 4 mm, teor de umidade nominal de 45% e densidade aparente de 800 kg/m3. 5) Secagem das pelotas por leito fluidizado As pelotas eram encaminhadas através de uma correia transportadora para o leito fluidizado, onde era insuflado ar por meio de um ventilador, ao mesmo tempo em que era queimado biogás procedente dos digestores anaeróbios. Este ar aquecido atravessava uma placa perfurada no sentido de baixo para cima e mantinha as pelotas em estado de flutuação, de tal maneira que o teor de umidade das pelotas passava de 45% na entrada para 10% na saída. Os pós finos que se originassem no interior do leito fluidizado eram encaminhados a dois ciclones através de um exaustor, e daí se dirigiam para a saída do leito fluidizado juntandose ao produto seco peletizado, após o que o material era transportado para um silo de estocagem. 6) Sinterização Ao lado do silo de estocagem das pelotas procedentes do leito fluidizado existia um outro silo que continha um material chamado “sínter de cama”, resultante de bateladas anteriores. Sob estes silos deslocava-se um carrinho que recebia uma parte do “sínter de cama” e nove partes de pelotas, para então descarregar tudo em um dos sinterizadores. Um carro maçarico deslocava-se sobre o sinterizador carregado, munido de um maçarico de ignição que era alimentado pelo biogás dos digestores anaeróbios. Iniciada a ignição do sinterizador, ela se auto-sustentava a cerca de 1.000 ºC por 20 minutos, devido à combustão da matéria orgânica contida no lodo; o carro maçarico era desligado ao mesmo tempo em que se ligava o sistema de exaustão dos gases de sinterização. 7) Quebramento e britagem do sínter Abriam-se as comportas laterais dos sinterizadores, descarregando-se os blocos sinterizados em um carrinho, que seguia até o sistema de britagem do sínter. O carrinho era descarregado sobre uma grade onde era feita a quebra manual dos blocos de sínter. O material quebrado caia sobre uma peneira vibratória que possuía aberturas de 25 mm. O material maior que 25 mm era desviado para um britador de mandíbulas e, após ser processado, reunia-se com aquele que tinha atravessado as malhas da peneira vibratória; em seguida, através de um elevador de canecas, o material era encaminhado para a entrada do tambor estabilizador. 8) Estabilização e classificação do sínter O sínter era submetido a uma abrasão recíproca em um tambor giratório, obtendo-se três produtos distintos: o sínter de retorno, o sínter de cama e o sínter útil (agregado leve). Esses três materiais eram classificados através de um sistema de peneiras rotatórias existentes no tambor estabilizador. O sínter de retorno era encaminhado para um silo de estocagem e posteriormente para o misturador no início do processo para modificar a umidade do lodo procedente do pátio de pós-secagem. O sínter de cama era encaminhado para um silo e utilizado como falsa grelha no processo de sinterização, formando a cama das pelotas no sinterizador. O sínter útil (agregado leve) era o produto final acabado a ser encaminhado para o pátio de estocagem. A planta produzia aproximadamente 500 kg de agregado leve por hora, processando 2 t/h de lodo de esgoto. A densidade aparente do agregado encontrava-se em torno de 570 kg/m³. Após britagem a granulometria dos produtos se situava entre 2,4 a 10 mm. O fluxograma do processo de fabricação do ALL é apresentado na Figura 1. Durante as diversas fases da produção do agregado leve havia formação de finos em várias unidades do processo. Esses finos eram aspirados por exaustores e retidos no filtro de manga e, a partir daí, eram automaticamente descarregados e encaminhados ao silo de pó juntamente com o sínter de retorno. Os gases eram aspirados por exaustores, passando antes por ciclones recolhedores de partículas. Logo após, eram incinerados em um queimador de gás que utilizava como combustível o biogás produzido nos digestores. No processo formava-se pequena quantidade de alcatrão, que poderia ser aproveitado. O controle de qualidade do ALL era feito pelos laboratórios do IPT e pelo laboratório de concreto da Sabesp. Os concretos feitos com o ALL, comparados com concretos de mesmo traço usando argila expandida Cinasita, única concorrente no mercado nacional na época, mostraram melhor trabalhabilidade. Quanto a resistência à compressão axial, obtiveram valores máximos de 29 MPa, apenas 12% abaixo dos concretos produzidos com argila expandida. Devido à alta absorção do ALL, este era usado no estado saturado com superfície seca. O ALL foi usado em obras da própria Sabesp, no concreto das passarelas da Rodovia Anchieta, e como enchimento nas lajes rebaixadas do Shopping Ibirapuera. Em 1981, estava sendo desenvolvido um projeto para aplicação do ALL na construção do Edifício de Administração da futura ETE Barueri, com concreto de fck = 15 MPa (SIMONDI, YAMADA, SARDINHA, 1981). Figura 1 Fluxograma do processo de produção do agregado leve de lodo (SANTOS, 1992). Em 1982, a unidade de ALL foi transformada para produzir fertilizante organomineral. “Uma instalação definitiva manteria ambas as linhas de fabricação, com a produção orientada pela qualidade do lodo entrando no processo e pela demanda do produto” (SANTOS, 2001). Não foram encontrados documentos que expliquem os fatores que determinaram a desativação da produção do ALL. Além dessa experiência na cidade de São Paulo, houve uma pesquisa com o lodo da cidade de Londrina. MORALES (1989) caracterizou o agregado leve produzido com esse lodo e analisou seu desempenho em concretos, considerando-o compatível com os agregados leves convencionais. 4.1.2 Experiência internacional Entre vários trabalhos detectados é possível destacar aquele desenvolvido pelo Dr. George Harrison para a San Diego Region Water Reclamation Agency. Ele passou a produzir agregado leve a partir do lodo de esgoto por um processo chamado CCBA (Coordinate Chemical Bonding Adsorption). O processo constava das seguintes etapas: mistura do esgoto com argila, alumínio e ácido poliacrílico; coagulação e floculação; decantação (lodo com 45% de sólidos); mistura com argila; extrusão; corte para formação de pelotas com cerca de 6 mm de diâmetro; e queima entre 1070 a 1095 ºC, vide Figura 2. O agregado leve produzido estava em conformidade com as normas da ASTM. A partir deste agregado obteve-se concretos de resistência à compressão acima de 35 MPa e blocos com mais de 6,5 MPa (GEORGE, 1986). Figura 2 Fluxograma do processo CCBA de fabricação de agregado leve (GEORGE, 1986). YIP; TAY (1990) investigaram misturas de argila e tortas de lodo, queimadas entre 800 °C e 1.080 °C num forno para tijolos. O material queimado até 1.000 °C mostrou-se fraco e friável. A partir de 1.000 °C o material ganhava resistência. Foi então quebrado e classificado por tamanho, originando agregados leves miúdos e graúdos muito angulares. A trabalhabilidade dos concretos em relação a esses agregados era prejudicada, porém sua característica de agregado leve conferiu ao concreto as mesmas características dos agregados leves comerciais, inclusive isolamento térmico, em virtude de sua baixa condutividade térmica, além de resistência a altas temperaturas. TAY; YIP; SHOW (1991) repetiram o processo com várias proporções de argila e tortas de lodo que, depois de misturadas, foram queimadas a temperaturas entre 1.050 °C e 1.080 °C num forno para tijolos. O material queimado foi quebrado e classificado por tamanho. Os agregados leves mais resistentes resultaram de misturas com teores de argila superiores a 40% em massa. Em cidades de pouca extensão territorial, principalmente metrópoles asiáticas, a incineração é a forma mais comum de redução do volume das tortas de lodo. Porém, isso implica formação de cinzas, cujo volume é de 10 a 15% do volume das tortas, e que também necessitam de uma destinação. Em Singapura, TAY (1987) pesquisou o uso destas cinzas como fíler, isto é, com função de preenchimento substituindo parte do cimento no concreto. Para tanto, as cinzas resultantes da queima a 550 °C foram pulverizadas e selecionadas aquelas com diâmetro menor que 150 µm. Para um mesmo traço de concreto, foram investigadas quatro substituições na massa de cimento (5, 10, 15 e 20%), além da referência sem substituição. Notou-se melhoria na trabalhabilidade com maiores teores de substituição. Os efeitos na segregação, tempo de início e fim de pega, retração e absorção de água não foram significativos. Quanto a resistência à compressão após 28 dias, a substituição de 10% de cimento implicou queda de 10% da resistência, porém a substituição de 20% causou queda acima de 30% na resistência do concreto sem substituição. 4.2 Matéria prima para fabricação de cimento Portland e pozolanas Um estudo de TAY; SHOW (1991), em escala laboratorial, procurou desenvolver um cimento Portland a partir de tortas de lodo de esgoto. O cimento Portland tem como matérias-primas rocha calcária e argila, sendo que a última foi substituída no estudo pelo lodo desidratado. O primeiro passo foi a secagem da torta de lodo, condição necessária para moagem e mistura adequada com a pedra calcária. Esta etapa deve ser sempre considerada em processos de produção ou apenas de incorporação de tortas na indústria de cimento. As amostras de lodo desidratado foram secas a 105 °C, moídas e misturadas com pó de pedra calcária, CaCO3, em diferentes proporções. Estas misturas foram moídas entre 250 e 350 µm, incineradas a temperaturas e tempos de detenção diferentes. O produto final foi moído numa granulometria menor que 80 µm. Foram analisadas as propriedades do cimento assim produzido, bem como do cimento Portland convencional. O melhor cimento produzido foi o resultante da mistura de 50% de lodo seco e 50% de pedra calcária, em massa, com temperatura de queima de 1.000 °C e tempo de residência no forno de 4 horas. A composição química do cimento produzido com lodo de esgoto apresentou conformidade com as faixas de variação de um cimento convencional, com exceção do CaO, que ficou abaixo dos padrões, e do SO3, que ficou acima destes. O baixo teor de CaO pode afetar a resistência, e o alto teor de SO3 pode causar instabilidade no volume, prejudicando a durabilidade do concreto. O estudo não apresentou as características mineralógicas do clínquer assim produzido. Os testes revelaram que não ocorreram problemas de expansão. O tempo de início de pega foi rápido, o que pode ser atribuído à falta da adição de gipsita normalmente incorporada aos cimentos convencionais, e a reatividade pozolânica foi muito baixa. A resistência à compressão após 28 dias atingiu 6,28 MPa — cerca de 27% do valor obtido para um cimento Portland comum. Apesar das deficiências inerentes do estudo, o mesmo revela uma aplicação potencial. ONAKA (2000) testou o processamento de lodo diretamente em uma fábrica de cimento durante durante nove meses consecutivos, com bons resultados. O processo utilizado iniciava com a secagem do lodo, transformando-o em péletes, porém conservando seu teor de matéria orgânica e energia. Esses péletes, de 2 a 10 mm de diâmetro, foram lançados no forno junto com o restante da matéria-prima do cimento. A matéria orgânica foi utilizada como fonte complementar de calor e a parte inorgânica integrou o clínquer. Os traços de metais pesados foram fixados em teores ainda mais diluídos na massa do cimento. O monitoramento dos gases e o controle de qualidade do produto não indicaram nenhuma alteração em relação aos valores sem o uso do lodo. Os resultados revelam que a incorporação de apenas 2% de lodo seco como matéria prima em fornos de clínquer permitiria consumir todo o lodo gerado no Japão. Uma simplificação dessa idéia está em vias de ser estudada em São Paulo. Consta do uso dos pré-calcinadores existentes em algumas fábricas de cimento, para executar a secagem das tortas de lodo sem transformá-las em péletes. Este material seco poderia entrar junto com a matéria-prima no forno de cimento, fornecendo calor e incorporando-se ao produto final. Nesta pesquisa, porém, o foco é a redução de NOx nas emissões atmosféricas das cimenteiras (USEPA, 2000a), através da reação química representada pela equação 1: NOx + NH3 (amônia) + O2 → N2 + H2O. (1) Outra aplicação é o uso de cinzas do lodo calcinado de maneira controlada na produção de pozolanas que podem substituir parcialmente o clínquer do cimento. MORALES (1994) confirmou reatividade pozolânica no lodo calcinado entre 750 °C e 800 °C devido à presença de montmorilonita, concluindo ser possível substituir até 35% do consumo de cimento Portland. 4.3 Matéria prima para fabricação de cerâmica A informação mais antiga encontrada sobre produção em escala industrial de tijolos utilizando resíduos de tratamento de esgoto refere-se a ETE de Fishwater Flats, Port Elizabeth, na Africa do Sul. Desde 1979, uma olaria distante 15 km da ETE, produziu mais de 120 milhões de tijolos a partir de uma mistura em volume de 30% de lodo com 70% de argila, para tijolos comuns, e de 5 a 8% de lodo para tijolos de acabamento (SLIM; WAKEFIELD, 1991 apud WERTHER; OGADA, 1999). As tortas de lodo misturadas à argila são moídas formando uma massa; esta massa homogênea recebe água tendo sua umidade ajustada em 20%; a massa é extrudada e os tijolos cortados. A etapa seguinte é a secagem em ambiente coberto a temperatura ambiente por duas semanas, ou em estufas por dois dias, numa temperatura entre 60 e 65 °C; seguem para a queima, resfriamento e estocagem. Num forno contínuo, os tijolos moldados da mistura de lodo e argila aquecem até atingir uma temperatura de cerca de 150 ºC. Nesse momento o lodo começa a pirolizar e a combustão dos voláteis se inicia, aumentando rapidamente a temperatura dos blocos para 800 ºC. No ponto do forno em que o lodo é completamente queimado e o gradiente térmico diminui, um combustível externo é queimado para elevar a temperatura a 960 ºC. O uso do lodo nesta fábrica é responsável por uma economia de 55 L de óleo combustível para cada 1.000 tijolos produzidos (WERTHER; OGADA, 1999). Tais tijolos são reconhecidos pela excelente qualidade: cor e textura uniformes, ausência de trincas e são indistinguíveis dos tijolos convencionais em aspecto e odor. Os valores de resistência a compressão para os tijolos aparentes e não-aparentes são respectivamente de 40,7 e 38,3 MPa — valores extremamente superiores às normas locais que são de 17,0 e 14,0 MPa. A absorção de água em 24 h foi de 13%, 30% maior que os tijolos fabricados na região, o que agregou vantagem ao produto, pois aumentou sua aderência às argamassas e aumentou os confortos térmico e acústico. As vantagens do processo são a economia de água, a produção de tijolos mais leves, redução do custo de transporte, economia de combustível no forno e o aproveitamento dos gases de queima para secagem das tortas de lodo (SLIM; WAKEFIELD, 1991 apud WERTHER; OGADA, 1999). Outro estudo é o projeto Ecobrick, desenvolvimento na Catalunha — Espanha, em 1993, e atualmente desativado. Tratava-se também da incorporação de tortas de lodo de ETE na argila, em um processo comum de fabricação de tijolos. Os efeitos eram semelhantes aos da experiência de Port Elizabeth. Além disso, foi observado que após a queima acima de 1.000 °C, os metais pesados são encapsulados na matriz cerâmica, uma vez que a fase líquida, formada nas argilas expostas a altas temperaturas, ataca e integra os óxidos metálicos. Dessa forma os metais fixados na fase vítrea não podem ser lixiviados (ETEP; ESTÁTICA; JNS, 1998). A School of Civil and Structural Engineering de Singapura, trabalha intensamente com o aproveitamento das cinzas provenientes da incineração do lodo de esgoto. TAY (1987) produziu tijolos a partir dessas cinzas misturadas com argila, encontrando resistências à compressão de 70 MPa para composições com 40% de cinzas, e redução da massa específica em relação ao bloco convencional. Muitos outras pesquisas de incorporação de lodo desidratado e de cinzas de lodo foram desenvolvidas. Foram encontrados diferentes valores absolutos para as propriedades de diversas proporções de incorporação de lodo em blocos cerâmicos. Isto se deve à diversidade de matérias-primas, processos, dimensões dos blocos e as normalizações de cada país. Mesmo assim é possível observar tendências e características dessa incorporação de lodo nos produtos cerâmicos (TAY; SHOW, 1997). Com teores de incorporação de tortas de lodo entre 0 e 40% da massa total, os melhores resultados limitaram-se a 10% de incorporação, representando aproximadamente reduções de 2,5% na massa específica e de 30% na resistência mecânica. A absorção de água e a retração de queima aumentaram respectivamente em 35% e 2,5% (TAY, 1987; ALLEMAN; BERMAN, 1984; SLIM; WAKEFIELD, 1991 apud TAY; SHOW, 1997). O primeiro fator limitante no teor de lodo foi a capacidade da mistura ser extrudada. Além disso, a incorporação de lodo implica em incorporação de matéria orgânica, que ao ser destruída pela queima no forno, deixa vazios no interior do bloco, os quais levam à redução da massa específica e da resistência mecânica, e ao aumento da absorção e da retração dimensional na queima. A retração na secagem tende a não ser alterada, uma vez que é influenciada pela umidade, a qual foi ajustada para a mistura com argila mais seca compensando o teor de umidade da torta de lodo. Os blocos cerâmicos produzidos com a incorporação de cinzas de lodo tiveram suas propriedades afetadas em função de uma característica peculiar das próprias cinzas. Elas têm a capacidade de reter uma quantidade de água equivalente à sua massa sem, entretanto, desenvolver plasticidade (NORTON, 1970 apud TRAUNER, 1993). Desta forma no processo de secagem, a perda de umidade não se traduz em retração dimensional, uma vez que as cinzas não haviam sido influenciadas pela adição desta mesma água. Um pequeno aumento da retração de queima pode ter sido resultado da fusão de alguns compostos das cinzas a temperaturas menores, merecendo estudo mais aprofundado. Este mesmo fenômeno poderia explicar o aumento da absorção, da queda da resistência mecânica e até do ligeiro aumento da massa específica. Ressalva deve ser feita à redução da massa específica no estudo de TRAUNER (1993), atribuída à redução da água quimicamente combinada da argila, bem como à volatilização de alguns de seus compostos. A qualidade da superfície do bloco feito com cinzas foi superior ao do bloco feito com lodo desidratado (TAY; SHOW, 1997), porém, apesar dos resultados mais favoráveis à incorporação de cinzas, é importante considerar que para obtê-las houve um dispêndio de energia. Segundo ONAKA (2000) no Japão cerca de 70% das tortas de lodo é incinerada, sendo que parte das cinzas é utilizada na produção de tijolos e blocos de piso intertravados. O autor apresenta vários problemas dessa abordagem, dentre eles o alto consumo de combustível da incineração, alto custo da fabricação de materiais de construção a partir das cinzas e da escória. No Japão, atualmente existem oito fábricas de blocos usando apenas cinza de lodo de esgoto incinerado, sem nenhum aditivo (OKUNO; TAKAHASHI, 1997). É usada moldagem de alta pressão e queima ajustada entre 1.020 ºC a 1.080 ºC. Estas fábricas fazem parte das ETEs, sendo que uma delas, inaugurada em 1991, produz cerca de 5.500 blocos por dia, a partir de 15 m3 de cinza. Esses blocos somente passaram a ser competitivos quando os problemas de crescimento de fungos devido ao teor de umidade e o aparecimento de manchas pela lixiviação do carbonato de cálcio foram solucionados. Tal solução incluiu o aumento da temperatura de queima e a adoção de uma camada impermeabilizante. Esse processo atende aos três requisitos básicos fixados pelo governo desse país: redução do volume das cinzas; o produto não libera metais por lixiviação e; a produção não é sazonal. O volume do produto final é 20% do volume das cinzas. O único metal pesado detectado nas cinzas é o arsênio, lixiviado em concentração muito menor que a padrão em pH = 3 e também em pH = 6, porém no bloco não é detectado em nenhuma destas condições de pH. A fábrica opera oito horas por dia, durante cinco dias por semana, o ano todo. As fábricas de blocos fazem parte das ETEs e pertencem ao Governo Metropolitano de Tóquio, assim parte dos blocos é utilizado para os serviços público da cidade. O restante é comercializado pelo mesmo preço do bloco concorrente de mercado — cerca de um dólar. O custo de fabricação é de dois dólares, porém, segundo o Governo de Tóquio, esta diferença é muito vantajosa diante dos custos de disposição das cinzas (OKUNO; YAMADA, 2000). 5. PROBLEMAS NA RECICLAGEM DO LODO DE ESGOTO Apesar das vantagens e benefícios proporcionados pela reciclagem do lodo de esgoto para fabricação de materiais de construção, não se deve negligenciar a presença de poluentes orgânicos, metais pesados e organismos patogênicos inerentes à constituição desse resíduo. 5.1 Saúde ocupacional no manuseio do lodo de esgoto No Brasil, inexistem informações sobre saúde ocupacional dos trabalhadores que tem contato direto com os resíduos de tratamento de esgotos. Portanto, em princípio valem as mesmas informações relativas aos contaminantes do próprio esgoto, e apesar de tratar-se de lodo digerido, não se deve perder de vista que, por exemplo, basta um ovo de helminto para ter-se a dose infectante por ingestão ou inalação. A agência de proteção ambiental americana faz uma série de recomendações aos trabalhadores em seu manual, baseando-se em princípios de higiene pessoal e treinamento básico (USEPA, 2000b). Apesar destas recomendações estarem dirigidas a lodo com destinação agrícola, as mesmas podem servir como orientações básicas para a incorporação do lodo de esgoto em processos industriais. Em tese, o contato direto de pessoas com o lodo nas indústrias é menor, o que reduz ainda mais um risco de contaminação que já é considerado baixo. Quanto maior o grau de automação, mais interessante é a indústria para receber e processar o lodo, porém a existência de processos de moagem, com emissão de poeira, conforme as condições particulares da instalação, eventualmente poderia introduzir risco de contaminação por inalação. A mesma preocupação deve ser tomada nos processos térmicos no tocante a emissão de gases e partículas. 5.2 Transporte e armazenamento de lodo de esgoto Dada a inexistência de literatura específica sobre transporte e armazenagem de lodo, os preceitos válidos nos estudos e na prática de uso de biossólidos na agricultura são expostos aqui apenas como referência. Entretanto, deve-se observar as diferenças no caso das circunvizinhanças de uma propriedade rural e de uma indústria, por vezes próxima ou até inserida em conglomerados urbanos, e demais particularidades que diferenciam as possíveis destinações do lodo de esgotos. O processo de transporte de biossólidos da ETE até o local de armazenagem pode atrapalhar o trânsito, ser desagradável e emitir odores desagradáveis para a comunidade. Assim ele deve ser gerenciado para minimizar estes problemas, inclusive a exposição pública de odores. Os lodos de esgoto bem estabilizados podem ser estocados sem gerar problemas de mau cheiro (USEPA, 2000b). Contudo, o potencial de emissão de odores (compostos de enxofre ou amônia) aumenta se certas condições ocorrerem durante a estocagem, como por exemplo: elevação da temperatura e umidade; pH caindo a menos de 9 em lodos estabilizados com cal; condições anaeróbias ou deficiência de oxigênio; contato do lodo com água; estocagem prolongada de lodos estabilizados inadequadamente; limpeza e controle de perdas deficientes. A agência de proteção ambiental americana em seu manual de estocagem de biossólido, lodo adequado para aplicação agrícola portanto, considera possível a amazenagem por até 1 dia em local sem cobertura, porém a preocupação com uma potencial contaminação da água permanece. Para períodos mais longos, até dois anos, são necessárias obras adequadas, como galpões de estocagem com piso de concreto ou asfalto e cobertura (USEPA,2000b). 5.3 Processamento térmico de lodos de esgoto e poluição do ar Na maioria dos incineradores de resíduos urbanos e de lodos de esgoto, são usados precipitadores eletrostáticos para remoção das cinzas. Eles operam em temperaturas acima de 400 ºC, precedidos ou não de ciclones para remoção das partículas mais grossas, inclusive com aproveitamento de calor. Sob as altas temperaturas de combustão nos incineradores, a maioria dos metais pesados é vaporizada. Porém, eles se condensam na superfície das partículas das cinzas numa parte mais fria do evaporador e são removidos com essas cinzas. Cerca de 78 a 98 % do Cd, Cr, Cu, Ni, Pb e Zn são retidos na cinzas, enquanto que mais de 98% do mercúrio pode ser liberado para atmosfera junto com os gases de saída (WERTHER; OGADA, 1999). Sendo assim, a técnica de controle de emissão de metais pesados na atmosfera é o emprego de um dispositivo eficiente de captura das cinzas nos gases de saída da chaminé, tais como lavadores Venturi e precipitadores eletrostáticos, entre outros. Com a limitação na emissão de partículas, o problema de metais pesados é transferido de poluição do ar para a manipulação das cinzas contaminadas. Porém o problema com a lixiviação dos metais pesados pode ser resolvido durante a incineração com o uso de temperaturas mais altas, causando a fusão das cinzas. As emissões de metais pesados não são um problema durante o uso do lodo de esgoto na produção de tijolos ou na co-combustão na fabricação de cimento. Na produção de tijolos os metais pesados são encapsulados na matriz do tijolo e não são lixiviáveis, enquanto que na produção de cimento os metais pesados do lodo são adsorvidos nas partículas e retornam para o forno depois da separação no precipitador eletrostático (WERTHER; OGADA, 1999). Os compostos de mercúrio, devido a suas baixas temperaturas de vaporização, são prontamente vaporizados. Contudo, devido à instabilidade dos compostos de mercúrio em temperaturas mais altas, geralmente acima de 700 ºC, os compostos decompõem-se para formar mercúrio elementar. O mercúrio elementar não é prontamente solúvel e depois, diferente dos outros metais pesados, não é removido com as cinzas durante o tratamento dos gases da combustão. Porém mais adiante os gases da chaminé esfriam, e é possível que o mercúrio metálico possa reagir com outros componentes dos gases de saída e formar outros compostos. Em um estudo na Suécia, com incinerador de resíduos sólidos municipais — resíduo que contém maior presença de mercúrio que o lodo de esgoto — mais de 97% do mercúrio foi removido através de sistema de três estágios composto por precipitador eletrostático, lavagem de gases e filtro-adsorção (HYLANDER et al, 2003). As dioxinas e furanos, no caso do lodo de esgoto, sob temperaturas de incineração acima de 1.200 ºC, são completamente destruídos, de forma que no incinerador suas concentrações são desprezíveis. Porém na limpeza do gás, onde a temperatura é menor que 450 ºC, pode ocorrer uma nova formação de dioxinas e furanos. Felizmente no caso dos lodos de esgoto, este nível de formação é muito menor do que nos incineradores de resíduos urbanos, pois a relação S/Cl é de 7 a 10 vezes maior nos lodos de esgoto. Um teor alto de enxofre inibe a formação de dioxinas e furanos, o que é comprovado por pesquisas em incineradores na Europa e comparações com os respectivos limites legais de emissão, demonstrando que a incineração dos lodos de esgoto não é uma fonte, e sim um redutor de dioxinas e furanos. Os balanços de massa tem mostrado que a partir da quantidade de entrada, mais de 94% é destruído durante a combustão, menos de 1% escapa para a atmosfera com os gases de saída, e cerca de 5% é retido nas cinzas (WERTHER; OGADA, 1999). A adoção do sistema de três estágios obteve remoções superiores a 99% de dioxinas (EDULJEE; CAINS, 1997; HYLANDER et al, 2003). No Brasil não se tem muitos dados sobre incineração, e sobre co-processamento de lodo de esgotos. Assim atenção especial é recomendada para os processos de reciclagem do lodo no que tange à emissão de gases num ciclo de queima, os quais podem envolver diferentes temperaturas, e conseqüentemente liberar gases tóxicos em alguma destas temperaturas. Ressaltando-se que apenas a temperatura máxima do processo não é parâmetro suficiente para esta análise. Hipotéticas simulações de queima, associadas a temperaturas e tempos de residência nos fornos, tem probabilidade mínima de detecção de gases tóxicos em escala de laboratório, devido a seus baixíssimos valores de concentração. Logo, o monitoramento de emissões gasosas deve ser feito em escala real, tão logo seja desenvolvido o processo de reciclagem, representando uma etapa de extrema importância. 5.4 Contaminação do ambiente por lixiviação A lixiviação de metais pesados e outras espécies perigosas incorporadas nos materiais produzidos a partir de resíduos é um dos problemas ambientais a ser enfrentado (van der SLOOT, 1997) também no caso do lodo de esgoto. As matrizes cerâmicas e mesmo cimentícias tem sido propostas para inertização de resíduos contendo alto teor de metais pesados, mas certamente os resultados dependem das características do produto final. Estas características podem, no entanto, ser controladas aplicando conceitos básicos de engenharia de materiais de forma a imobilizar os metais pesados, desde que o teor dos mesmos permaneça dentro de limites razoáveis. Aspectos como dosagem de resíduo, processos de mistura (MAGALHÃES et al, 2004), porosidade dos produtos (CHEESEMAN et al 2003), etc estão relacionados a esses conceitos. CHEESEMAN et al (2003) investigaram a lixiviação de cerâmicas produzidas a partir das cinzas de lodo de esgoto e constataram uma acentuada redução dos produtos agressivos lixiviados. 6. CONCLUSÕES Os resultados do presente trabalho permitem concluir que: • os lodos gerados não podem ser considerados como um resíduo único, mas constituem uma família de lodos diferentes de ETE para ETE e certamente irão requerer técnicas de reciclagem específicas; • é desejável desenvolver outros mercados para o lodo de esgoto, alternativas ao uso na agricultura, particularmente para lodos da RMSP, devido a contaminação com metais pesados e até a possível presença de patógenos; • poder calorífico da matéria orgânica presente, combinado com o teor de inorgânicos tornam os lodos de esgotos atrativos a processos industriais cerâmicos, como por exemplo agregados leves, componentes de cerâmica vermelha e até materiais cimentícios; • desenvolvimento destes novos mercados para o lodo de esgoto depende de investigação tanto de adequação dos processos industriais para as diferentes características do lodos de esgoto, quanto de aspectos de risco ambiental e segurança do trabalho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Resíduos Sólidos – Classificação – NBR 10004. Rio de Janeiro, 1987. ALLEMAN, J. E.; ASCE, M.; BERMAN, N. A. Constructive sludge management: Briobrick. Journal of Environmental Engineering, v. 110, n. 2, April 1984. ANDREOLI, C. V.; PEGORINI, E. S.; FERNANDES, F. Disposição do lodo no solo. In: VON SPERLING, M.; ANDREOLI, C. V.; FERNANDES, F. (Ed.) Lodo de esgotos: tratamento e disposição final. Belo Horizonte: DESA-UFMG, 2001. p.319-397. (Princípios do tratamento biológico de águas residuárias, v.6). BROSCH, C.D.; ALVARINHO, S. B.; SOUZA, H. R. Fabricação de agregado leve a partir de lodo de esgoto de São Paulo. São Paulo, Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, 1976. (Relatório nº 8779). CESÁRIO SILVA, S. M. et al. Principais contaminantes do lodo. In: VON SPERLING, M.; ANDREOLI, C. V.; FERNANDES, F. (Ed.) Lodo de esgotos: tratamento e disposição final. Belo Horizonte: DESA-UFMG, 2001. p.69-121. (Princípios do tratamento biológico de águas residuárias, v.6). CHEESEMAN, C. R.; SOLLARS, C. J.; MCENTEE, S. Properties, microstructure and leaching of sintered sewage sludge ash. Resources. Conservation and Recycling, Volume 40, Issue 1, December 2003, Pages 13-25. EDULJEE, G.; CAINS, P. Control of dioxin emissions from waste combustors. Filtration & Separation, p. 599-603, July/August 1997. ETEP; ESTÁTICA; JNS. Plano diretor de uso/disposição dos lodos das ETE da RMSP. São Paulo, SABESP, 1998. (Projeto Tietê). GASPARD, P.; WIART, J.; SCHWARTZBROD, J. Parasitological contamination of urban sludge. Waste Management & Research (1997) 15, 429–436 GEORGE, M. S. Concrete aggregate from wastewater sludge. Concrete International Design & Construction, v. 8, n. 11, p. 27-30, November 1986. HYLANDER, L. D.; SOLLENBERG, H.; WESTAS, H.. A three-stage system to remove mercury and dioxins in flue gases. The Science of the Total Environment, n. 304, p. 137-44, 2003. JOHN, V. M.; ÂNGULO, S. C. Metodologia para desenvolvimento de reciclagem de resíduos. In: JOHN, V. M.; ROCHA, J. C. (Org.). Utilização de resíduos na construção habitacional. Porto Alegre: 2003. v. 1, p.8-71 JOHN, V.M. Reciclagem de resíduos na construção civil: contribuição à metodologia de pesquisa e desenvolvimento. 2000. 113p. Tese (Livre-Docência) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2000. MAGALHÃES, J. M.; SILVA, J. E.; CASTRO, F. P.; LABRINCHA, J. A. Role of the mixing conditions and composition of galvanic sludges on the inertization process in clay-based ceramics, Journal of Hazardous Materials, Volume 106, Issues 2-3, 30 January 2004, Pages 169-176. MORALES, G. Verificação e avaliação da reatividade pozolânica da cinza de lodo de esgoto da cidade de Londrina. 1994. 170p. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1994. ____. Caracterização do agregado leve obtido a partir do lodo de esgoto da cidade de Londrina. 1989. 123p. Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1989. OKUNO, N.; TAKHASHI, S. Full scale application of manufacturing bricks from sewage. Water Science & Technology, v. 36, n. 11, p. 243-50, 1997. OKUNO, N.; YAMADA, A. Evaluation of full scale thermal solidification processes implemented in Tokyo lightweight aggregate, slag and brick. Water Science & Technology, v. 41, n. 8, p. 69-76, 2000. ONAKA, T. Sewage can make Portland cement: a new technology for ultimate reuse of sewage sludge. Water Science & Technology, v. 41, n. 8, p. 93-8, 2000. SABESP. São Paulo. Página na Intranet da Superintendência de Esgotos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Apresenta relatórios operacionais das ETEs da RMSP. Disponível em: < http://10.7.129.15/aonline/net_a/AE/AE.asp >. Acesso em: 02 de set. 2002. SAHLSTRÖM, L.; ASPAN, A.; BAGGE, E.; DANIELSSON-THAM, M. L.; ALBIHN, A. Bacterial pathogen incidences in sludge from Swedish sewage treatment plants. Water Research. In Press, Corrected Proof. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com>. Acesso em: 20 March 2004. SANTOS, A. D. Estudo das possibilidades de reciclagem dos resíduos de tratamento de esgoto da Região Metropolitana de São Paulo. 2003. 265p. Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003. SANTOS, H. F. Tecnologias de uso útil do lodo dos esgotos. In: Encontro Técnico Associação dos Engenheiros da SABESP, XII, São Paulo, 2001. Anais. São Paulo: 2001. 1 CD-ROM. ____. Light aggregate and organo-mineral fertilizer from digested sewage sludges. A general view on other beneficial uses for sewage treatment plants by-products. In: FIRST ITALIAN-BRAZILIAN SYMPOSIUM ON SANITARY AND ENVIRONMENTAL ENGINEERING, São Paulo, 1992. 17 p. ŠÈANÈAR, J. et al. Total metal concentrations and partitioning of Cd, Cr, Cu, Fe, Niand Zn in sewage sludge. The Science of the Total Environment, n. 250, p.9-19, 2000. SIMONDI, S.; YAMADA, Y.; SARDINHA, V. L. A. Propriedades e aplicações do agregado leve de lodo de esgoto.. Revista DAE, Sabesp, n. 126, p. 291-8, 1981. TAY, J.H. Bricks Manufactured from sludge. Journal of Environmental Engineering, v. 113, n. 2, p. 278-84, April 1987. ____. Sludge ash as filler for Portland cement concrete. Journal of Environmental Engineering, v. 113, n. 2, p. 345-51, 1987. TAY, J. H.; SHOW, K.Y. Resource recovery of sludge as a building and construction material – a future trend in sludge management. Water Science & Technology, v. 36, n. 11, p. 259-66, 1997. ____. Properties of cement made from sludge. Journal of Environmental Engineering, v. 117, n. 2, p. 236-46, Mar./Apr. 1991. TAY, J. H.; YIP, W. K.; SHOW, K.Y. Clay-blended sludge as lightweight aggregate concrete material. Journal of Environmental Engineering, v. 117, n. 6, p. 834-44, 1991. TRAUNER, E. J. Sludge ash bricks fired to above and below ash-vitrifying temperature. Journal of Environmental Engineering, ASCE, v. 119, n. 3, p. 506-19, 1993. USEPA – UNITED STATES ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY. NOx control technologies for the cement industry. EPA Contract nº 68-D98-026. USA, 2000a. 114p. ____. Guide to field storage of biosolids. EPA/ 832-B-00-007. Washington, DC, USA, 2000b. 134p. van der SLOOT, H. A. et al. Harmonization of leaching/extraction tests. Amsterdam:Elsevier, 1997. 277p. WERTHER, J. OGADA, T. Sewage sludge combustion. Progress in Energy and Combustion Science, n. 25, p. 55-116, 1999. YIP, W. K.; TAY, J. H. Aggregate made from incinerated sludge residue. Journal of Materials in Civil Engineering, v. 2, n. 2, p. 84-93, May 1990. ZORDAN, S. E. Metodologia de avaliação do potencial de reciclagem de resíduos. 2003. 481p. 2v. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003.