Ciência Animal 21(2): 135-142, 2011 1 SUPLEMENTAÇÃO DE OVINOS COM VITAMINA E, SUA REPERCUSSÃO NA QUALIDADE DA CARNE: REVISÃO (Supplementation of sheep with vitamin e and it’s impact on the quality of meat) Victor Costa e SILVA1, PauloEduardo Silva MARTINS1, Nailson Lima SANTOS1, Natasha Gandolfi MICELI1, Leandro GALZERANO1, Naomi Cristina MEISTER1 1. Universidade Estadual Paulista RESUMO O objetivo desse trabalho foi elucidar a importância da vitamina E como suplemento dietético na alimentação de ovinos, com reflexo no aumento do tempo de vida de prateleira da carne. A cor é um fator primordial utilizado pelos consumidores para avaliar a qualidade da carne, especialmente da carne fresca. Estudos recentes indicam que a suplementação dietética de vitamina E para a carne ovina aumenta a concentração de alfa-tocoferol no músculo. O tecido com uma maior concentração de lipídeos-tocoferol protege a mioglobina membranal da oxidação. Isso resulta em atraso no aparecimento de manchas, com supressão de ranço lipídico, especialmente em carnes congelada. A vitamina E tem sido reconhecida como um nutriente essencial para o crescimento e a saúde de todas as espécies de animais, incluindo ovinos. Desempenha funções aparentemente diversas, devido à sua participação, por exemplo, reabsorção de morte fetal, hemólise de eritrócitos, síntese das prostaglandinas e resposta de linfócitos T e B. Esta revisão abordará a importância da vitamina E no acúmulo muscular de alfa-tocoferol e seus benefícios na seqüência da carne fresca, congelada e carne cozida. PALAVRAS-CHAVE: Ovinos, nutrição, palatabilidade ABSTRACT The objective of this study was to elucidate the importance of vitamin E as a dietary supplement in the diet of sheep, reflecting the increasing length of shelf life of meat. The color is a major factor used by consumers to assess the quality of meat, especially fresh. Recent studies indicate that dietary supplementation of vitamin E for lamb increases the concentration of alpha-tocopherol in the muscle. The tissue with a higher concentration of lipid-tocopherol protects the membranal myoglobin oxidation. This results in delay in the appearance of spots, with suppression of lipid rancidity, especially in frozen meat. Vitamin E has been recognized as an essential nutrient for the growth and health of all species of animals, including sheep. Apparently play different roles because of their participation, for example, resorption of fetal death, hemolysis of erythrocytes, prostaglandin synthesis and response of T and B lymphocyte this review will address the importance of vitamin E in the accumulation of muscle alpha-tocopherol and its benefits as a result of fresh, frozen and cooked meat. KEYWORDS: Sheep, nutrition, palatabilidade * Endereço para correspondência: “Victor Costa e Silva”: <victorzootecnia@gmail; “Paulo Eduardo Silva Martins”: <[email protected] Ciência Animal 21(2): 135-142, 2011 135 INTRODUÇÃO A carne é considerada um alimento nobre pelo alto valor biológico de suas proteínas e quantidades significantes de vitaminas do complexo B, e minerais como ferro e zinco, respondendo em grande parte às necessidades nutricionais humanas. Não só devido a estas características, como também pelos hábitos alimentares do homem, tornou-se um alimento de grande consumo, inclusive sendo utilizado como indicador de desenvolvimento de uma nação. Tem-se observado que, com o crescimento econômico de um país, há também um aumento no consumo de carnes e produtos cárneos. Nos EUA, o consumo de carnes, em 2002 foi estimado em 113,5 kg/pessoa/ano (em equivalente carcaça), enquanto no Brasil este consumo cai pra 80,5 kg/pessoa/ano (Anualpec, 2002). De modo geral, considera-se produto de qualidade, aquele que atende perfeitamente, de forma confiável, acessível, segura e no momento em que for solicitado, às necessidades e os anseios dos clientes (Tubino, 1997). Segundo Felício (1997), os dois atributos de qualidade da carne são: qualidade visual, que atrai ou repele o consumidor na hora da compra e a qualidade gustat iva, normalmente só percebida após o preparo. Esses atributos podem sofrer influência de vários fatores, destacandose os intrínsecos vinculados ao genótipo dos animais, às condições ambientais e os fatores extrínseco s que se confundem com pro cediment os t écnicos adot ados pelos matadouros ou frigoríficos (manejo pré e pósabate), e demais segmentos, até o consumidor final. (Pereira, 2002) A cor dos diversos cortes cárneos é diferente, isto é, pode ser mais clara ou escura. Essas diferenças de coloração ocorrem, entre outros fatores, porque os cortes têm diferentes 136 concentrações de mioglobina. Além disso, a estrutura e textura dos músculos influenciam na reflexão e absorção da luz, contribuindo com as diferenças visuais nas cores de diversos cortes de carnes (Judge et al., 1989). A coloração da carne, resultante da presença de vários pigmento s, pode ser influenciada por fatores biológicos, como pH do músculo, temperatura muscular, umidade relativa, condições visuais, como iluminação e raios ultravioletas, e contaminação bacteriana (Cichoski et al., 1996). A cor da carne pode variar ainda, em função do manejo pré-abate. Caso o animal esteja muito estressado momentos antes do abat e, haverá co nsumo excessivo de glicogênio muscular, o que acarretará uma pequena queda no pH post mortem dos músculos, possivelmente resultando em pH acima de 6,6. Sabe-se que neste caso, a carne terá uma coloração escura. Essa anomalia é conhecida como “dark cutting beef” (DFD) (Gasperlin et al., 2000). A química da cor da carne envolve os pigmentos heme, especificamente o pigmento mioglobina, que é similar em estrutura à hemoglobina, porém de maior peso molecular, e é formado por uma proteína globular e uma porção não protéica, denominada grupo heme. A porção heme do pigmento é de interesse tecnológico, por que a cor da carne é fortemente dependente do estado de oxidação do ferro presente neste grupo. Quando o ferro estiver associado a uma molécula de oxigênio, a carne apresentará coloração vermelho brilhante e o pigmento é chamado de oximioglobina. Quando estiver associada a uma molécula de água, a cor será vermelho púrpura por causa da mioglobina reduzida. Assim, quando houver associação com a molécula de dióxido de carbono, ou mesmo, quando houver oxidação do ferro, a cor da carne será marrom (Hedrick et al., 1993). Normalmente, a superfície da carne é Ciência Animal 21(2): 135-142, 2011 vermelha brilhante por que a mioglobina está oxigenada. Mas pode ocorrer deterioração dessa cor durante o armazenamento e exposição, devido à oxidação de pigmentos e/ou mesmo de lipídeos, entre outros motivos. Radicais livres produzidos durante a oxidação de lipídeos podem alterar a química do grupo heme e iniciar a oxidação da mioglobina, provocando a perda de cor da carne (Pereira, 2002). No mercado, a carne é exposta em geral por um período de tempo variável, em uma área de exibição antes de ser vendida ao consumidor. Em tais condições, as mudanças podem ocorrer tanto nas características de cor quanto sabor. A aparência visual da carne fresca é muito importante porque a descoloração da superfície pode ser interpretada pelo consumidor como produto impróprio ao consumo (Macit et al., 2002). A palatabilidade e a “vida de prateleira” da carne congelada são limitadas principalmente devido à ocorrência de oxidação lipídica e descoloração da superfície. Nesse caso particular, algumas tecnolo gias têm sido testadas recentemente, com o propósito de garantir a qualidade da carne durante a estocagem, destacando-se o emprego da vitamina E na alimentação animal, antioxidante que, além de retardar a oxidação lipídica, pode atuar diminuindo a oxidação da mioglobina (Pereira, 2002). Um dos grandes problemas com o tecido cárneo é a instabilidade lipídica que ocorre devido à falência de sistemas enzimáticos responsáveis pela redução de radicais livres na célula muscular viva, predispondo a matriz tecidual à oxidação, tanto de lipídeos quanto de outras substâncias, como a mioglobina. A oxidação da fibra muscular não só é importante em relação a alteração da cor da carne, como também é responsável pela alteração de outras características como sabor e aroma, perda de suco e produção de compostos deletérios para a saúde humana. A oxidação lipídica dá origem a produtos, como o malonaldeído e os óxidos de colesterol, que são incriminados em muitos estudos como causadores de importantes danos à saúde, como aterosclerose, o derrame e o câncer, sendo que no caso da aterosclerose, os óxidos de colesterol são responsáveis diretos pela doença. OXIDAÇÃO LIPÍDICA EM PRODUTOS CÁRNEOS Lipídeos em sistemas biológicos podem sofrer oxidação, levando à deterioração. Em alimentos, estas reações podem levar à rancidez e à possível formação de compostos tóxicos. A deterioração oxidativa de lipídeos em alimentos envolve primariamente reações de autoxidação, as quais são acompanhadas por várias reações secundarias tendo características oxidativas e não oxidativas. Os lipídeos mais impo rtantes envolvidos na oxidação são os ácidos graxos insaturados oléico, linoleico e linolênico. A taxa de oxidação desses ácidos graxos aumenta de forma geométrica com o grau de insaturação (Pearson et al, 1983). Ácidos graxos insat urados são especialmente vulneráveis a oxidação. Um destes produtos é o malonaldeído, o qual têm sido extensivamente medido pela reação com o ácido 2-tiobarbitúrico para dar os chamados valores de TBA ou substancias reativas ao TBA (TBARS), os quais tem sido utilizados para estimar o desenvolvimento da rancidez em alimentos cárneos (Lages, 2004). IMPLICAÇÕES DA OXIDAÇÃO LIPÍDICA NA SAÚDE HUMANA Embora a oxidação lipídica ocorra, praticamente, em todos os alimentos estocados, a preocupação com a toxidez relativa destes compostos não foi expressa até recentemente. Ciência Animal 21(2): 135-142, 2011 137 Com o aumento da ênfase da relação da dieta com doenças humanas, tais como doenças coronarianas, câncer e derrame cerebral, questões tem sido levantadas relativas às funções dos lipídeos e seus produtos de ciclagem na dieta. A gordura animal na dieta tem sido indicada como contribuinte para a alta taxa de mortalidade nos EUA, ocasionadas por tais enfermidades (Levy, 1981). O colesterol somente, ou em conjunto com outros fatores, tem sido largamente utilizado para induzir aterosclerose experimental. Os primeiros estudos indicaram que hipercolesterolemia, induzida endogenamente, é somente minimamente aterogênica, enquanto a hipercolesterolemia induzida pela dieta, com níveis comparáveis de elevação do colesterol sérico, produz uma severa aterosclerose. Embora a autoxidação do colesterol seja conhecida há muitos anos, somente com o desenvolvimento da inst rumentação e mét odos analíticos sofisticados, tais como a cromatografia gasosa, cromatografia liquida de alta eficiência e espectometria de massa, que os produtos de oxidação tem sido isolados e identificados (Lages, 2004). IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE SENSORIAL PARA A AVALIAÇÃO DAS ALTERAÇÕES DE SABOR PELA OXIDAÇÃO EM PRODUTOS CÁRNEOS Há uma busca incessante por métodos instrumentais que substituam a analise sensorial tradicional. Muitos equipamento s fo ram desenvolvidos com o objetivo de se detectar compostos voláteis constituintes do aroma e compostos não voláteis responsáveis pelo gosto. Mas estes equipamentos não consegeum definir se um alimento tem sabor agradável ou não, já que os instrumentos analíticos não avaliam situações de sinergismo ou antagonismo entre compostos ou mistura de compostos. Por isso 138 métodos tradicionais de avaliação sensorial utilizando provadores humanos ainda são insubstituíveis (Lages, 2004). Na avaliação de alterações sensoriais oxidat ivas nos aliment os, principalmente produtos cárneos, o uso de provadores humanos é imprescindível e, até o momento, a única forma de fazer um diagnóstico confiável de alterações no sabor. Trabalhos recentes tem demonstrado a eficiência da avaliação sensorial com provadores humano s para alteraçõ es o xidativas, principalmente o WOF (Warmed-flavor), para produtos cárneos (Brondun et al., 2000). VITAMINA E A oxidação lipídica é inibida por nitrito, agentes quelantes e antioxidantes. Em anos recentes, entretanto, a resistência ao uso de antioxidantes sintéticos em alimentos tem aumentado. Há agora um interesse considerável nas propriedades antioxidantes de substancias ocorrendo naturalmente, incluindo a vitamina E, acido ascórbico, Beta-caroteno, glutationa, carnosina, homocarnosina e anserina. A vitamina E foi descoberta em 1922 e isolada em 1936. Sua estrutura foi determinada em 1938 e a síntese foi concluída neste mesmo ano. Os co mpostos de vitamina E são lipossolúveis, portanto insolúveis em ambiente aquoso (Pereira, 2002). Tem sido reconhecida como um nutriente para o crescimento e saúde de todas as espécies animais. O termo vitamina E é usado como uma descrição genérica para todos os derivados do tocol e tocotrienol que exibem a atividade biológica do alfa-tocoferol (Combs, 1998). SUPLEMENTAÇÃO DE VITAMINA E NA DIETA Segundo MCDOWEL (1996), a vitamina E é sintetizada e encontrada primariamente nas plantas. Os óleos encontrados nas plantas Ciência Animal 21(2): 135-142, 2011 constituem uma rica fonte de vitamina E. Todas as plantas contêm alfa-tocoferol em suas folhas e outras partes verdes. Devido ao fato de o alfatocoferol estar contido em grande parte nos cloroplastos das células das plantas, as plantas verdes contêm mais vitamina E do que plantas amarelas. A vitamina E não pode ser sintetizada nos animais, portanto a presença da vitamina em tecidos animais reflete a disponibilidade na dieta. Devido as características de lipossolubilidade da vit amina E, a absorção é dependente da habilidade dos animais digerirem e absorverem gordura (Pereira, 2002) A estratégia de suplementar animais de corte é para adquirir suficiente concentração de alfa-tocoferol para aproximar o máximo da eficácia antioxidante. Suplementação além desta, para saturar o músculo, renderia um pequeno benefício relativo a um grande custo. O ideal seria uma concentração mínima que aproximasse da supressão máxima de oxidação lipídica e formação de Metmb em carne fresca (Liu et al., 1995). É importante observar que a adição post mortem de alfa-tocoferol à carne não é efetiva como na suplementação da dieta, desde que o alfa-tocoferol não é incorporado diretamente dentro da membrana onde a oxidação de lipídeos é iniciada (Mitsumoto et al., 1993). carne fresca durante a exposição e condições de varejo (Lages, 2004). A vitamina E é considerada um supressor de radicais livres em membranas biológicas, pois sua localização dentro da biocamada biológica das membranas celulares provê um meio de controlar a oxidação lipídica ao sitio de iniciação e propagação (Jensen et al., 1998). VITAMINA E E OXIDAÇÃO DO COLESTEROL Produtos da oxidação do colesterol (POCs) tem sido detectados em uma variedade de alimentos, incluindo as carnes. Foi observado que os POCs aumentavam significativamente no cozimento de carnes e durante estocagem sob refrigeração subseqüente. A oxidação de lipídeos e colesterol pode ser efetivamente retardada pela suplementação na dieta. Este processo ajudaria a manter a imagem de saudável das carnes processadas (Lages, 2004)). VITAMINA E E DETERIORAÇÃO DO SABOR DA CARNE A oxidação lipídica é umas das maiores causas de deterioração na qualidade da carne e produtos cárneos. O desenvolvimento da rancidez oxidativa em produtos tornaram-se inaceitáveis para o consumidor. O sabor tornase uma propriedade crítica de qualquer produto alimentar quando difere daquele esperado pelos EFEITO DA VITAMINA E NA DIETA consumidores, isto é, esses não aceitarão os SOBRE A OXIDAÇÃO LIPÍDICA sabores estranhos pronunciados associados com Um dos objetivos da suplementação da os produtos cárneos pré-cozidos. O rápido vitamina E é retardar a oxidação de lipídeos nos desenvolvimento de sabores estranhos nestes alimentos cárneos. Como é uma vitamina produtos é um grande desafio aos processadores lipossolúvel, o alpha-tocoferol se distribui entre de carne devido ao grande aumento da demanda as biomembranas e assim sua concentração por carnes pré-cozidas nas últimas décadas aumenta com a suplementação da dieta de forma (Lillard, 1987). a proteger os ácidos graxos insaturados da O termo “warmed-over flavor” (WOF) é membrana contra a oxidação. Suplementação definido como o rápido inicio da rancidez em com vitamina E retarda a oxidação lipídica em carnes cozidas durante a estocagem sob Ciência Animal 21(2): 135-142, 2011 139 temperatura de refrigeração. Produtos précozidos reaquecidos após um curto período de estocagem sob refrigeração desenvolvem sabor desagradável distinto referido como WOF. WOF é considerado um problema de qualidade no setor de alimentos, onde o reaquecimento de carnes antes de servir é largamente utilizado (Lillard 1987). VITAMINA E NA DIETA E PERDA DE SUCO DA CARNE Membranas biológicas funcionam como barreiras importantes às alterações deteriorativas que podem afetar tanto na qualidade de alimentos de origem animal como vegetal. Tem sido observado que a oxidação dos fosfolipídeos das membranas levam a diminuição na fluidez, o rompimento da estrutura e perda da função normal da membrana (Lages, 2004). A perda da integridade da membrana celular do músculo pode afetar a habilidade da biomembrana at uar como uma barreira semipermeável e pode contribuir para a perda exsudativa da carne. Tem sido demonstrado que um alto conteúdo de alfa-tocoferol na carne tem um efeito positivo em minimizar a perda de suco da carne após o descongelamento (Mitsumoto, 1998). A suplementação leva a uma redução tanto na oxidação lipídica como na perda de suco. Foi sugerido que o alfa-tocoferol poderia preservar a integridade das membranas durante a estocagem, e isto poderia inibir a passagem de fluido sarcoplasmático através da membrana (Asghar et al., 1991). EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DE VITAMINA E NO DESEMPENHO E CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DE CARNE DE CORDEIROS MORKARAMAN Macit et al. (2002) realizaram um estudo para determinar os efeitos da suplementação de 140 vitamina E sobre as características de qualidade da carne de cordeiros da raça Morkaraman com aproximadamente oito meses de idade. Em seu estudo, os cordeiros foram divididos em dois grupos: controle (GC, n = 7) e experimental (GE, n = 6) no início do período de engorda. A dieta dada aos grupos GC e GE consistiram de concentrado e feno de capim. Além disso, o grupo GE recebeu um suplemento de 45 mg de vitamina E durante 75 dias no período de engorda. No final do est udo, os valo res encontrados para o ganho de peso médio diário e eficiência de conversão alimentar foram 208 e 6,3 g para o GC e 223 gramas e 6,0 g para o GE, respectivamente. A suplementação de vitamina E resultou em 8,8% de melhoria na eficiência de conversão alimentar. Da mesma forma, a suplementação de vitamina E resultou em 6,7% de aumento no ganho de peso diário. As características de carcaça dos cordeiros também foram avaliadas e não foram significativamente diferentes entre os grupos. Os efeitos da vitamina E sobre características da carne como, cor, ácido tiobarbitúrico e teor de substâncias reativas (TBARS), perda por gotejamento e pH foram determinados utilizando m. Longissimus dorsi (LD) obtidos a partir de músculos dos animais do GC e GE. Embora o efeito da suplementação com vitamina E sobre a maioria das características de qualidade da carne não foi estatisticamente significativo (P> 0,05), os valores em músculo LD do grupo GE foram preservados por um período de 12 dias de maturação. Além disso, foram encontrados valores mais elevados de TBARS em amostras do grupo GC comparado ao grupo que recebeu vitamina E (GE). Neste estudo, concluiu-se que a suplementação de vitamina E de cordeiros Morkaraman reduziu significativamente a Ciência Animal 21(2): 135-142, 2011 oxidação lipídica e a perda por gotejamento, além Produção do novilho de corte. A.M. PEIXOTO, de que houve uma tendência em manter a J.C. MOURA & V.P. 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Também, diminui as perdas por Dietary Rape Seed Oil, Copper (II) Sulphate an gotejamento, aumentando o tempo de prateleira Vitamin E on Drip Loss, Colour and Lipid Oxiadt ion of Chilled Pork Packed in da carne. Com o avanço nas pesquisas a respeito At omosfhere Air or in a High Oxigen do poder antioxidante da vitamina E, problemas Athmosfhere. Meat Science, v.50, n. 2, p. 211como tempo de vida curto de prateleira serão 221, 1998. amenizados, diminuindo os prejuízos e JUDGE, M., ABERLE, E. D., FORREST, J.C., aumentando os lucros, com um produto de HEDRICK, H.B., MERKEL, R. A. Principles of meat science. Dubuque: Kendall/Hunt, p. 351, melhor qualidade. 1989. LAGES, A.S.C. Suplementação nutricional de REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANUALPEC –Anuário da Pecuária Brasileira. novilhos nelore com alpha-tocoferol (vitamina São Paulo, FNP Consultoria e Comércio, 2002. E) e seus efeitos na qualidade da carne. 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