PUBLICAÇÃO OFICIAL DA MARINHA • Nº 426 • ANO XXXVIII JANEIRO 2009 • MENSAL • € 1,50 Documentos Históricos da Saúde Naval N o passado dia 28 de Outubro, pelas 12:00 horas, numa pequena cerimónia, não isenta de alguma solenidade, decorreu a entrega pelo Director da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), Professor Doutor Jorge Couto, ao Presidente da Comissão Cultural da Marinha (PCCM) CALM MN Rui de Abreu, de um conjunto de 49 documentos referentes aos Doutores Bernardino António Gomes - pai e filho - 16 referentes ao pai e 33 ao filho que assim se juntam aos fundos que já existiam, referentes às duas individualidades, no Arquivo Histórico da Marinha. A comitiva da Marinha era composta pelo Presidente da Comissão Cultural, Director da Revista da Armada, CALM Roque Martins, Director do Serviço de Saúde, VALM Valdemar Goulart Porto, Sub ‑Director da Biblioteca Central de Marinha - CMG Oliveira Guimarães, Secretário do CCM CMG EMQ Raul Isidro Valente, Director do Hospital de Marinha CMG MN Menezes Cordeiro, Chefe do Arquivo Central da Marinha CMG Marques da Silva, o ex-Chefe do ACM CFR Piedade Vaz e a Drª. Isabel Beato Chefe do Arquivo Histórico. A alargada representação da Marinha, traduzia a importância que a Corporação atribuía aos documentos e vinha culminar um processo que começara em Maio de 2008. Foi o Presidente da CCM alertado nos finais de Abril, para um lote de documentos referentes às personalidades já citadas que iria à praça num leilão organizado por Pedro de Azevedo, que decorreria no dia 20 de Maio. A lista dos documentos era impressionante. No caso de Bernardino António Gomes, Pai incluía o Diploma da Universidade de Coimbra, um treslado da sua Carta Patente, vários louvores individuais, Diploma de Sócio da Academia de Ciências, entre vários Alvarás Régios, desde a nomeação de Médico da Real Câmara, à concessão do hábito de Cavaleiro da Ordem de Cristo, e à elevação a Fidalgo da Casa Real entre outros. No caso de Bernardino António Gomes, Filho a lista de diplomas é imensa com a concessão da Ordem da Torre e Espada, a Nomeação de Presidente do Conselho de Saúde Naval e do Ultramar, Comendador da Ordem de Cristo, múltiplos diplomas de condecorações estrangeiras, e de membro da Academia de Ciências e de sócio honorário de Sociedades Médicas Europeias e Americanas. Os autógrafos iam desde D. João, Príncipe Regente, a D. João VI, D. Pedro de Bragança, D. Maria II, Costa Cabral, Vítor Emanuel II, D. Pedro V, Isabel de Espanha, etc. Indispensáveis e imprescindíveis para a Marinha. Nomeados o então Chefe do ACM - Com. Piedade Vaz e a Chefe do Arquivo Histórico, para estarem presentes e licitarem. Restava-nos aguardar que o lote não ultrapassasse o valor calculado previamente. Não dispondo a BCM de fundos suficientes, foi pedida autorização superior para a despesa ser suportada pela CCM. Vão os lotes à praça, o preço não sobe em demasia, tudo parecia correr bem, o Chefe do ACM é o último licitante, o preço final cabe no orçamentado, eis senão quando, surge um representante da BNP a exercer o direito de opção! Comunicado telefonicamente para o Funchal. Ficamos todos desolados! Mesmo no local do leilão - um hotel situado na Rua da Fábricas dos Pentes, às Amoreiras - os dois representantes da Marinha identificaram-se perante o seu homólogo da BNP, dando conta do grande interesse do Arquivo Histórico da Marinha pelos documentos. Não nos sendo fechada a porta, foi logo acrescentado que cumpria ordens estritas e que só superiormente o assunto poderia ser decidido. Regressado a Lisboa, o PCCM procurou logo um contacto telefónico com o Director da BNP. Estava o Prof. Jorge Couto ausente no estrangeiro. Mais um compasso de espera. A conversa telefónica foi cordial. O PCCM argumentou, falou do grande interesse da Marinha. Pela parte da BNP, o caso tinha mais a ver com aspectos jurídicos. Uma vez adquiridos pela BNP era extremamente difícil desistir da sua posse. Havia que encontrar uma saída que o permitisse. Nas semanas imediatas foi o assunto passado a escrito e objecto de uma carta do PCCM enquanto Director da BCM para o Director da BNP. Finalmente e muito graças ao interesse pessoal do Professor Jorge Couto pela resolução do assunto, as negociações chegaram ao desfecho ambicionado pela Marinha, tendo em conta que os documentos ficariam em Arquivo de Estado - o Arquivo Central da Marinha. Depois foi só esperar pelos aspectos burocrático administrativos, confirmar a entrega e acordar o dia. DR. BERNARDINO ANTÓNIO GOMES–pai, nasceu em Paredes de Coura em 29 OUT 1768, vindo a falecer em Lisboa, Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro de Ordem de Cristo, Médico da Real Câmara e Membro da Academia das Ciências, em 13 JAN 1823. Licenciou-se em Medicina em 1793, vindo a ser nomeado Físico da Armada em 1797. Fez parte do Corpo Clínico do Hospital da Marinha, fez comissões de serviço no Brasil, onde fez um estudo relevante da flora local e trabalhos de prestígio internacional sobre Cópia de retrato a lápis de Domingos Sequeira a chinchonina e a ipecacuanha fusca. Relevante o papel que desempenhou em 1802, no combate a uma epidemia de Tifo declarada nos navios da Esquadra do Estreito, em que a fragata “Thetis” foi aprontada como navio-hospital, tendo conseguido debelar a epidemia em dois meses. Da experiência resultou uma publicação “Methodo de curar o Tipho…” que teve repercursão europeia. Veio a pedir demissão de Médico Naval no posto de capitão-de-fragata em 1810, na sequência de uma nomeação indevida e depois de relevantíssimos serviços prestados à Marinha, passando a exercer funções no Hospital Militar de Xabregas, regressando ao Hospital de Marinha em 1811 quando este foi transferido para o Exército. Fundou o Instituto Vacínico. Tem uma obra escrita, médica, botânica, e cientifica impressionante. O seu “Ensaio Dermosográfico” publicado em 1820 é considerado o primeiro tratado de Dermatologia, moderno, escrito em Portugal. É considerado o Patrono da Sociedade Portuguesa de Dermatologia. DR. BERNARDINO ANTÓNIO GOMES–filho, nasceu em Lisboa em 22 SET 1806, vindo a falecer na mesma cidade em 08 ABR 1877. Licenciado em Matemática pela Universidade de Coimbra, foi obrigado a exilar-se por motivos políticos, vindo a doutorar-se em Medicina pela Universidade de Paris. Com ideias liberais acompanhou outros exilados para a Terceira, onde privou com o Sr. D. Pedro I do Brasil, desembarcando no Mindelo. Foi o chefe sanitário da Expedição, bem como autoridade máxima dos Hospitais Militares do Porto durante o cerco e a grande epidemia da cólera que grassou na cidade naquele período. Em 1833, apenas com 27 anos, foi nomeado Director do Hospital da Marinha, e dos Serviços de Saúde Naval e da Saúde do Ultramar. Desenvolveu uma obra de modernização notável em todos os campos, tendo durante os 14 anos que chefiou os Serviços de Saúde da Marinha e do Ultramar na dependência directa do Ministro, criado as Escolas Médico-cirúrgicas de Goa e do Funchal, o primeiro serviço moderno de Psiquiatria, no Hospital da Marinha e o Regulamento de Saúde Naval de 1835 que veio servir de modelo a todos os que se lhe seguiram. Continuou uma Carreira Médica e Clínica de prestígio depois de deixar a Marinha, vindo a fundar os primeiros periódicos médicos portugueses - a “Gazeta Médica” e o “Jornal da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa”. Foi o médico que usou pela primeira vez o clorofórmio como anestesiante em Portugal. Foi um dos fundadores do Hospital de Rilhafoles e considerado o Patrono dos Psiquiatras Portugueses. SUMÁRIO Publicação Oficial da Marinha Periodicidade mensal Nº 426 • Ano XXXVIII Janeiro 2009 Director CALM EMQ Luís Augusto Roque Martins Chefe de Redacção CMG Joaquim Manuel de S. Vaz Ferreira Redacção 2TEN TSN Ana Alexandra Gago de Brito Secretário de Redacção 1SAR M António Manuel L. Pires Afonso Colaboradores Permanentes CFR Jorge Manuel Patrício Gorjão CFR FZ Luís Jorge R. Semedo de Matos CFR SEG Abel Ivo de Melo e Sousa 1TEN Dr. Rui M. Ramalho Ortigão Neves Administração, Redacção e Publicidade Revista da Armada Edifício das Instalações Centrais da Marinha Rua do Arsenal 1149-001 Lisboa - Portugal Telef: 21 321 76 50 Fax: 21 347 36 24 Endereço da Marinha na Internet http://www.marinha.pt e-mail da Revista da Armada [email protected] Fotocomposição, paginação electrónica, fotolito, montagem e produção Página Ímpar, Lda. Estrada de Benfica, 317 - 1º F 1500-074 Lisboa Tiragem média mensal: 6000 exemplares Preço de venda avulso: € 1,50 Registada na DGI em 6/4/73 com o nº 44/23 Depósito Legal nº 55737/92 ISSN 0870-9343 PUBLICAÇÃO OFICIAL DA MARINHA • Nº 426 • ANO XXXVIII JANEIRO 2009 • MENSAL • € 1,50 ANUNCIANTES: ROHDE & SCHWARZ, Lda. 5 Mensagem de Ano Novo do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada 12 A Comissão Permanente de Uniformes 17 Cerimónia de Abertura do Ano Operacional 2008/09 21 Comandante António Marques Esparteiro DOCUMENTOS HISTÓRICOS DA SAÚDE NAVAL 2 REFLECTINDO ... XVI 4 O PROCESSO DE MUDANÇA NA MARINHA 6 85º ANIVERSÁRIO DA LIGA DOS COMBATENTES 7 A VIAGEM DA “SAGRES” 8 JORNADAS DO MAR 2008 10 A MARINHA DE JOÃO III (41) 17 ALOCUÇÃO DO ALMIRANTE CEMA 18 ENTREGA DE COMANDO / TOMADA DE POSSE 20 EDIÇÕES CULTURAIS DA MARINHA 24 PÁGINA DA SAÚDE 16 27 VIGIA DA HISTÓRIA 6 / GRUPO DE AMIGOS DO MUSEU DE MARINHA 28 50º ANIVERSÁRIO DO CURSO “D. LOURENÇO DE ALMEIDA” 29 HISTÓRIAS DA BOTICA (60) 30 AINDA AS COMEMORAÇÕES DO DIA DA MARINHA 2008 31 QUARTO DE FOLGA 33 NOTÍCIAS PESSOAIS / CONVÍVIOS 34 INSTALAÇÕES DA MARINHA CONTRACAPA Revista da Armada • JANEIRo 2009 3 REFLECTINDO… XVI A UNIVERSALIDADE DOS DIREITOS HUMANOS A referência aos direitos humanos é antiga, bem como a tentativa de os identificar, caracterizar e fazer respeitar. Há mesmo quem pretenda que a primeira evocação desses direitos foi publicada por Ciro II, rei dos persas, em 538 a.C., e que chegou até nós gravada no “Cilindro de Ciro”, descoberto em 1879 1. Porém, neste édito, Ciro apenas concede direitos aos povos por ele libertados quando conquistou Babilónia. Declarando a liberdade religiosa e abolindo a escravatura, os hebreus puderam regressar à Palestina, após cerca de 50 anos de cativeiro. É notável para a época. Mas, pondo de parte as referências históricas remotas, o conceito surgiu no século XVIII, divulgado durante a Revolução Francesa, através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 26 de Agosto de 1789. E só passaram a ter o carácter de direitos universais após a Declaração Universal dos Direitos Humanos ter sido adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de Dezembro de 1948. Foi assinada por 48 dos 56 Estados então existentes, em Paris, em consideração pelo local onde havia sido proclamada a Declaração de 1789. Já foi referido em artigo anterior 2 que este e de outros importantes documentos estruturantes da Ordem Internacional nascida da Segunda Guerra Mundial foram escritos por personalidades da cultura ocidental ou com forte influência da cultura ocidental. Embora todas as Nações tenham adoptado a Declaração Universal e hoje todas sejam membros da ONU 3, os direitos humanos não têm aplicação na grande maioria dos Estados. Basta ler a Declaração e acompanhar os noticiários internacionais 4. São várias as razões que justificam esta frustrante situação. Em primeiro lugar, há muitos Estados que entendem que o interesse nacional sempre terá que prevalecer, ou que o interesse comum se sobrepõe aos direitos individuais de qualquer natureza. No entanto, mesmo nestas circunstâncias, tais opções não teriam que ignorar os direitos humanos pois não são incompatíveis com o respeito que estes direitos devem merecer. Para outros Estados, há valores morais que estão em contradição com os direitos humanos, assunto que foi já tratado no número anterior da Revista da Armada 5. Por último, os direitos humanos são clara e constantemente ofendidos em grande número de países considerados como Estados Irresponsáveis (Rogue States), Estados Falhados (Failed States) ou Estados Preocupantes (States of Concern). Como exemplo destes casos basta evocar a situação no 4 JANEIro 2009 • Revista da Armada Darfur (Sudão), na RD do Congo, no Zimbabué, no Ruanda, no Burundi, na Libéria, na Somália, etc. Há assim razões de ordem política, outras de ordem cultural, outras ainda relacionadas com a acção de governos tiranos e com a má-governação, que mostram como estamos longe de poder considerar universal a aplicação dos direitos humanos. Nos dois primeiros casos, a comunidade internacional tem manifestado as suas críticas através da acção diplomática, recorrendo também a meios que vão desde a persuasão à ameaça de sanções de diversa ordem, frequentemente de natureza económica. No último caso e a partir de 1995, tem vindo a admitir recorrer a atitudes bem mais duras, como a intervenção militar coerciva. Mas, as diferenças culturais continuam a ser a mais frequente dificuldade para o respeito efectivo dos direitos humanos. Na verdade, embora a universalidade dos direitos humanos tenha sido reconhecida pela Organização da Conferência Islâmica na Declaração do Cairo de 5 de Agosto de 1990, pelos Estados africanos na Declaração de Tunes de 6 de Novembro de 1992, pelos paí ses asiáticos na Declaração de Bangkok de 23 de Abril de 1993 e pela América Latina e Caraíbas na Declaração de S. José da Costa Rica de 22 de Janeiro de 1993, frequentemente foi referida nestas conferências a necessidade de atender às diferenças culturais e tradicionais dos povos. Como escreveu o professor brasileiro António Trindade, que participou nos trabalhos daquelas conferências, alguns países da Conferência Islâmica resistentemente identificam no movimento internacional dos direitos humanos um suposto produto do «pensamento ocidental» que não tem levado em conta as chamadas «particularidades regionais» 6. E não é só isto. Como a Declaração Universal dos Direitos Humanos não é praticável para todos nem pode ser emendada de modo a todos satisfazer, fazem-se outras declarações, mesmo no seio da cultura europeia. Só para referir algumas, temos a Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais (Conselho da Europa 04NOV59), a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (Roma 07.12.00, adaptada em Estrasburgo 12.12.07 e referida na Tratado de Lisboa), a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (Bogotá, Abril 1948), a Convenção Interamericana sobre os Direitos do Homem (San José 22NOV69, com protocolo de San Salvador 17N0V98), a Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos (Nairobi 26JUN81), etc. A responsabilidade universal dos Estados, nomeadamente daqueles que são exemplo de estabilidade e desenvolvimento, está bem recordada no documento da ONU de 2 de Dezembro de 2004: Ao assinarem a Carta das Nações Unidas, os Estados não só beneficiam dos privilégios da soberania, como também aceitam as suas responsabilidades. Quaisquer que tenham sido as percepções que prevaleceram quando o sistema vestfaliano pela primeira vez criou a noção de Estado soberano, hoje, esta noção inclui claramente a obrigação do Estado proteger o bemestar do seu próprio povo e de assumir as suas obrigações em relação à mais vasta comunidade internacional 7. Entre estas obrigações, certamente que está incluído o apoio e a solidariedade na defesa dos direitos humanos, em qualquer parte do mundo. É necessário continuar a lutar pelo princípio da aplicação dos direitos humanos a toda e qualquer pessoa humana. Diz Souto de Moura: a condição para se ser sujeito dos direitos humanos é, simplesmente, ter-se nascido 8. Os direitos humanos devem existir em cada pessoa humana. Não são negociáveis nem constituem um meio para alcançar algo. Os direitos humanos constituem um ‘fim’. A paz e a justiça no mundo, outras duas grandes aspirações da humanidade, só são possíveis numa base de respeito pelos direitos humanos e pela dignidade do homem. António Emílio Sacchetti VALM Notas 1 Em cerâmica, hoje no British Museum. 2 Reflectindo XV, ‘A Moral e a Ética’, Revista da Armada, Nov 2008, p. 5. 3 A ONU tem hoje 192 membros, mais a Santa Sé com o estatuto de Observador. Só a República da China (Taiwan) não é membro da ONU, por não ser reconhecida pela grande maioria dos Estados. Aguarda-se o desenvolvimento de várias declarações unilaterais de independência: Kosovo (17Fev2008), República Turca do Norte de Chipre (1974), Abcásia e Ossétia do Sul (Agosto 2008). 4 Em 3NOV08 foi noticiada no DN mais uma jovem somali morta por lapidação, estamos a assistir a mais uma tragédia humana no Kivu Norte (RD do Congo) e a revista Além-mar de NOV08 noticiou que em 2007 pelo menos 1252 pessoas foram executadas, em 24 países. 5 O já citado Reflectindo XV, ‘A Moral e a Ética’. 6 Trindade, Ph.D. António Augusto, “O Processo Preparatório da Conferência Mundial de Direitos Humanos, Viena, 1993, p. 28. http://ftp.unb.br/pub/download/ipr/rel/rbpi/1993/130.pdf (45p.). 7 Follow-up to the outcome of the Millennium Summit, Assembleia-geral das Nações Unidas, Doc. A/59/565, 2 de Dezembro de 2004, pp. 21 e 22. In signing the Charter of the United Nations, States not only benefit from the privileges of sovereignty but also accept its responsibilities. Whatever perceptions may have prevailed when Westphalian system first gave to the notion of State sovereignty today it clearly carries with it obligation of a State to protect the welfare of its own peoples and meet its obligations to the wider international community. 8 Moura, José Souto de (do Supremo Tribunal de Justiça), Relativismo, tolerância, multiculturalismo, Brotéria, Vol. 166, n.º 5/6, Mai/Jun 2008, p. Mensagem de Ano Novo do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada N este virar de página para um novo ano, saúdo todos militares, militarizados e civis da Marinha, fazendo votos de um feliz Ano Novo. Sendo esta quadra festiva tradicionalmente vivida em ambiente familiar, o meu primeiro pensamento está com todos aqueles que, no cumprimento da sua missão, no mar ou em terra, estão longe dos que lhes são mais queridos, na certeza de que a honra do dever cumprido e os valores da camaradagem e da solidariedade próprias dos marinheiros lhes amenizará o afastamento. Este é, também, o momento propício para fazer um balanço e reflectir sobre o futuro. O ano que agora findou não foi fácil. Na recente cerimónia de Abertura do Ano Operacional sublinhei os desempenhos da Marinha, na vertente da acção militar e não militar, enaltecendo a forma como potenciámos sinergias e tirámos proveito dos meios que Portugal nos disponibiliza para honrarmos os nossos compromissos. Só com a vossa dedicação, disponibilidade e espírito marinheiro foi possível superar os desafios e cumprir com sucesso a nossa missão. Temos razões para estar orgulhosos e convictos do valor que representamos para o País! O Ano de 2009 será particularmente exigente, não o ignoro. Mas sei que temos as capacidades necessárias para enfrentar com sucesso as dificuldades, pois conheço a vossa têmpera e sei que posso contar com a vossa determinação e ânimo. Será convosco que continuaremos a cumprir de forma eficiente as nossas missões e a honrar a Marinha. Estou consciente da complexidade da conjuntura em que vivemos e do que o país espera de nós. Sou também conhecedor das justas aspirações dos que comigo servem e dos desafios que nos esperam. É neste enquadramento que procurarei desenvolver a minha acção, ciente das dificuldades, mas seguro da valia dos homens e mulheres que comando. Bom Ano para todos. Fernando de Melo Gomes Almirante Revista da Armada • JANEIRo 2009 5 O PROCESSO DE MUDANÇA NA MARINHA P areceu-nos adequado abordar, hoje, nesta nossa Revista da Armada, de forma necessariamente breve e contida, a problemática da “Mudança na Marinha”. Trata-se de um tema actual, de que muito se fala e que por isso mesmo con siderámos conveniente contextualizá-lo melhor na sua matriz de base, de conceitos e princípios enquadradores. Este, pois, o nosso propósito! Na realidade é comum ouvir falar-se da “Transformação nas Forças Armadas” e sequentemente questionar os ramos sobre os seus projectos e programas com vista a uma sua concretização efectiva. Mas, a par de “Transformação” igualmente se ouve falar em “Reestruturação”, em “Racionalização”, em “Adaptação”, em “Modernização” das Forças Armadas (FA) e tantas vezes sem cuidar de saber o que isso possa representar, em termos de organização e processo de mudança da “coisa” militar. E será que todos estes termos quererão significar uma mesma coisa? De acordo com o dicionário, o termo “Transformação” tem a ver com o acto de transfigurar, de dar uma forma nova, de alterar qualquer coisa. Enquanto que “Adaptação” significa o ajustamento a uma nova realidade, pôr em harmonia com novas condições, aclimatar-se a uma nova situação. Por outro lado, o termo “Modernização” implica a acção de tornar moderno, de adequar a uma nova moda, a usos e costumes de uma nova época. Deste modo, fácil será constatar que apesar da palavra “nova” constituir, aqui, o denominador comum, as pequenas diferenças encontradas, pouca, ou nenhuma importância terão numa lógica, somente, de significado literal. Mas, em termos militares não será bem assim. De facto, autores1 há que consideram que o termo “Adaptação” tem a ver, apenas, com o reajustamento dos meios a missões que, em substância, em nada se alteraram; enquanto que a palavra “Modernização” subentenderá já uma determinada melhoria de meios, num cenário em que as missões se mantêm igualmente inalteráveis. No que respeita ao termo “Transformação” o entendimento mais comum vai, porém, no sentido da existência de uma mudança bem mais radical e profunda. Na sua génese estará implícita, pois, a tal “forma nova” do significado literal, de que acima falávamos, e isso, segundo António Telo2, quererá mesmo dizer uma “forma nova de fazer a guerra”, muito marcada pela “Revolução nos Assuntos Militares” (RAM) e pela “Era da informação e do conhecimento”. Mas também, pela tecnologia e os avanços verificados, por novos meios, sistemas de armas e equipamentos, por menos militares profissionais e ainda por um tempo de inovação e por uma cultura de pró-actividade que não deixarão, 6 JANEIro 2009 • Revista da Armada por certo, de influenciar o ser e o estar da “coisa militar”. O grande objectivo será o reequacionar de tudo: missões, orgânica, instrução, doutrina, equipamento e tecnologia, bem como, o pugnar por uma maior flexibilização de estruturas e organizações, em simultâneo com uma mais conseguida agilização de processos e uma mais necessária e fluida relação interdepartamental. Do nosso ponto de vista este entendimento representa mesmo a necessidade de um envolvimento político bem mais próximo e presente do que em qualquer das outras modalidades referidas, de “adaptação”, ou “modernização”, onde o envolvimento técnico e militar será quase sempre condição bastante e suficiente. Feito este pequeno enquadramento encontrar-nos-emos melhor posicionados para olhar, agora, o processo de mudança na Marinha que, nas suas diversas vertentes de “adaptação”, “modernização” e “transformação”, vem sendo desenvolvido, praticamente desde 1976/77. Na realidade, poderemos aí situar o início do nosso último processo de mudança, o qual, como todo o processo de mudança nas FA, não poderá, por nunca, deixar de atender ao “Meio” onde se actua, aos “Meios” que se operam e à “Tecnologia” que se utiliza. Mas não só! Igualmente terá que atender à “Finalidade” que se prossegue, ao tipo de “Missão” que se cumpre, à “Organização” que se preenche e, bem assim, ao “desempenho operacional” que, no caso da Marinha, mais não é do que o tal serviço que o ramo oferece e presta 24H por dia, 365 dias por ano. Como costumamos dizer3 a Marinha (e os ramos) confrontam-se diariamente com a sua natureza e a própria essência da sua razão de ser. Por economia de espaço não nos será possível abordar com alguma profundidade e desenvolvimento todos estes aspectos. No entanto, sobre a “Missão” da Marinha, sobre a sua razão de ser gostaria de sublinhar um, ou outro aspecto mais, que reputamos da maior importância, na contextualização do tema e que nem sempre é bem compreendido. Tem a ver com o carácter expediconário de que as forças, hoje, se revestem, relacionado com o facto da defesa dos interesses do país se fazer longe do território nacional e das suas fronteiras de soberania. E, também, com a expressão “novas missões” que vulgarmente vem sendo utilizada e que de “novo”, do nosso ponto de vista, nada acrescenta à missão da Marinha. De facto, a projecção de força e o carácter expedicionário que lhe está subjacente é mesmo da sua própria essência, enquanto objecto do poder naval. Tanto assim que os seus objectivos sempre tiveram a ver com o uso do mar em proveito próprio e, neste sentido, com a defesa da soberania e da jurisdição marítima sobre os espaços de responsabilidade nacional; com a exploração económica dos seus recursos, a liberdade e segurança das comunicações marítimas; e, ainda, com a utilização do mar e do navio como plataforma para influenciar os acontecimentos em terra, onde e quando necessário. Será pois, neste preciso contexto que o poder naval poderá ser chamado a desempenhar uma diversidade enorme de papéis e tarefas de que a Marinha sempre se encarregou, e encarregará, atentos alguns dos seus principais atributos, de versatilidade e flexibilidade, de manobralidade e sustentabilidade. Para tanto, bastará ao País ter uma Marinha de Guerra oceânica e uma firme vontade de a utilizar. Daí o afirmarmos que qualquer processo de mudança na Marinha, qualquer que seja a modalidade de que se possa revestir, não poderá deixar de atender, também ele, a este outro princípio-base de que o País precisa e quer, de facto, ter umas FA, ter uma Marinha, porque se assim não for, tudo o que se faça no sentido da mudança poderá ser em pura perda. Posto isto, começaríamos, então, a nossa observação pelo período que considerámos de “Adaptação”, o qual, do nosso ponto de vista, teve o seu início por volta de 1977, terminado que foi o tempo das longas estações em África, com o ajustamento da estrutura de força da Marinha a um tempo e espaço outros, de vivência e intervenção. Como exemplos ilustrativos deste período apenas dois. Um, relativo aos “Navios”, em especial, às Fragatas e às Corvetas que, de um certo modo independente, actuavam em África e que, por isso, mais do que quaisquer outros meios navais, foram objecto de processos de ajustamento das respectivas organizações internas e sujeitos a períodos de treino específico, por forma a poderem operar integrados em Forças Navais Operacionais. A “Força Naval Operacional Permanente”, a FORNAVOP, assim conhecida, e o trabalho por ela desenvolvido é, no nosso entendimento, um muito bom exemplo do que se fez nesta matéria. Um outro exemplo, tem a ver com a reconversão dos “Fuzileiros” que deixaram de se organizar em unidades de fuzileiros autónomas – Destacamentos ou Companhias - para passarem a ser integrados numa estrutura mais tradicional e permanente, embora ligeira, de Corpo de Fuzileiros com os seus órgãos próprios de Comando e Estado-Maior, as suas unidades de manobra e de apoio de combate e serviços. Quanto ao período que apelidámos de “Modernização” coincidiu ele, de alguma maneira, com a entrada ao serviço, em 1990/91, de novos meios navais, os quais marcaram, em muito, o exercício de desenvolvimento organizacional que em consequência houve necessidade de conceber e concretizar. Na realidade, a aquisição das Fragatas da Classe Vasco da Gama e a introdução dos helicópteros navais como seu elemento orgânico determinaram ajustamentos orgânicos substantivamente mais coerentes e uma maior racionalização de estruturas e meios de apoio. Em decorrência, os sistemas logísticos de pessoal e material e os respectivos processos de gestão tiveram que ser adequados aos novos requisitos. Reformulou-se toda a orgânica dos serviços de bordo e acautelaram-se novos padrões de formação técnica e profissional que as novas tecnologias embarcadas, obviamente, vieram a impôr. Registe-se que apesar deste período ter sido muito marcado por uma vontade política de modernização das FA, ciente de que “Portugal teria que fazer um investimento que outros já fizeram há muito”, também o foi, é bom lembrar, numa lógica concomitante, de “menos forças melhores forças”, de “redimensionamento militar” e de “redução de custos”. Nestas circunstâncias, a Marinha, ciente de que a improvisação não seria lema a adoptar, reflectiu profundamente sobre o assunto e através do já conhecido estudo dos “Contributos para o planeamento de Forças da Marinha”, assumiu, já em 1996, e conscientemente, o desiderato político, então, estabelecido, de que se deveria racionalizar a força em torno de uma base financeira de alguma credibilidade, compatibilizando as missões, o sistema de forças e os efectivos de pessoal, com os recursos financeiros do País. A Marinha foi mesmo mais longe neste seu processo de reflexão e, numa lógica típica de “Revolution of business affairs”, refinou os seus estudos, o seu conhecimento estru- E turado e saber, as suas orientações internas de política e estratégia e em consequência idealizou a sua própria “Documentação Estruturante da Estratégia Naval” (DEEN)4. Será, pois, todo este conjunto de documentos que permitem à Marinha iniciar, então, a sua verdadeira “Transformação”. E como? Passando, com lógica e coerência, da política e dos fins, à estratégia e aos meios; da grande estratégia à estratégia genética, estrutural e operacional; do desenho e concepção dos meios à sua própria organização, sustentação e emprego. É ela, a DEEN, que em desiderato último permite também à Marinha e às suas gentes conhecer a todo o tempo, em nome de que politica se trabalha, quais as balizas que enquadram os objectivos que fixa e as tarefas que realiza. Ainda, é toda esta nova metodologia de trabalho que, do nosso ponto de vista, representa, na realidade, uma enorme mudança qualitativa de processos e métodos de gestão, de comportamento e atitude, acima de tudo de postura no modo como a Marinha, ela própria, encara, hoje, as suas actividades e a organização da sua força de trabalho. São estas circunstâncias que, inclusivamente, habilitam a Marinha a poder submeter, em todo o tempo, aos níveis de decisão adequados, todos os elementos pertinentes, para que se possa conhecer verdadeiramente a sua situação e em decorrência considerar as alternativas necessárias à concretização das soluções, políticamente tidas por mais razoáveis. Se não houver decisão, também se ficará a saber a vulnerabilidade que se abre e o risco que se corre. Daí a afirmação de que é com esta alteração interna de métodos e processos que a Marinha vinca, de facto, estruturalmente aquilo a que se convencionou apelidar de “Transformação”. Onde, mais do que as mu- danças verificadas ao nível do ambiente, da tecnologia, dos conceitos, das missões, dos meios, dos sistemas de armas e equipamentos, a transformação também é, como vimos, muito marcada pela inovação, pela abertura de espírito e pela firme vontade de mudar. Vontade de mudar esta que, no caso da Marinha, foi assumida e incorporada na sua própria liderança, ao mais alto nível da sua hierarquia e gestão de topo. O comprometimento efectivo da chefia superior da Marinha em todo este processo poderá não ser condição suficiente de sucesso. Todos nós o sabemos. Mas é seguramente condição sine qua-non a assegurar, em primeiro lugar, em qualquer processo de mudança que, como este, se deseja ver prosseguido com continuidade, forte motivação, especial rigor e uma grande determinação, tendo em vista o propósito, de sempre, de se edificar e construir uma Marinha “firme na defesa”, “empenhada na segurança” e “parceira no desenvolvimento” de Portugal e dos portugueses. João M. L. Pires Neves VALM RES Presidente do CSDA Notas 1 Covarrubias. Dr. Jaime. “Os Três Pilares de uma Transformação Militar”. “Military Review”, de NovDez 2007. 2 Telo. Prof. Doutor António. “A Transformação das Forças Armadas”. “Segurança e Defesa, nº 3”, de MaiJul 2007. 3 Neves. Valm. João Pires. “As Forças Armadas e a Defesa Nacional”. “Ed. Culturais da Marinha”. 2007. (p.105). 4 De acordo com a Directiva do CEMA nº 03/05, com a redacção que lhe foi dada pela a alteração, de 31.01.07, o modelo de planeamento adoptado pela Marinha compreende como principais documentos estruturantes da sua Estratégia: a “Directiva de Política Naval” (e as Directivas Sectoriais)”, o “Conceito Estratégico Naval, as “Missões Sectoriais” e os “Paradigmas de Planeamento - Genético, Estrutural e Operacional”. 85º Aniversário da Liga dos Combatentes m 15 de Novembro a Liga dos Combatentes organizou uma cerimónia que se realizou junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, em que se comemoraram as seguintes efemérides: - o Bicentenário da Ordem da Torre e Espada, - o 90º Aniversário do Armistício da I Guerra Mundial, - a celebração do 85º Aniversário da Liga dos Combatentes. A cerimónia foi presidida pelo Ministro da Defesa Nacional – Prof. Dr. Nuno Severiano Teixeira, tendo estado presentes os chefes militares, CEMGFA, CEMA, CEME e CEMFA, o Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar – Dr. João Mira Gomes, muitas autoridades civis e militares e muitos combatentes dos 72 núcleos da Liga espalhados pelo País. Foi orador da cerimónia o ex-Bispo de Dili – D. Ximenes Belo – Prémio Nobel da Paz que proferiu uma alocução subordinada ao tema “Os Combatentes e a Paz”. Na cerimónia procedeu-se à homenagem a todas as entidades civis e militares que foram galardoadas com a Medalha da Torre e Espada ao longo dos duzentos anos da sua existência, tendo as entidades presentes na cerimónia feito uma saudação com o hastear do respectivo estandarte. Foi feita ainda uma invocação religiosa e uma deposição de flores em homenagem aos mortos pela Pátria. Na sequência da cerimónia foram assinados protocolos de cooperação com Associações de Combatentes de Moçambique e de Marrocos, no âmbito da “Conservação das Memorias” e da “Troca de experiências entre Combatentes” e foi feito o lançamento do livro “A Mulher e a Guerra” que foi escrito com base nos depoimentos das mulheres, companheiras e outras familiares de militares durante o conflito em Àfrica. (Colaboração da LIGA DOS COMBATENTES) Revista da Armada • JANEIro 2009 7 A Viagem da “Sagres” D epois de visitar países como Cabo VerO dia seguinte, 24, ficou igualmente marcado de, S. Tomé e Príncipe, Angola, África pelas Provas de Aptidão Física efectuadas por 80 do Sul e Moçambique, o NRP “Sagres” elementos da guarnição que se deslocaram às largou cabos no dia 4 de Outubro de Simon’s instalações desportivas da Base de Fuzileiros de Town – África do Sul, e governou, desta vez, Salvador, gentilmente cedidas para o efeito. rumo a Salvador no estado da Baía – Brasil, dobrando ainda nesse mesmo dia o Cabo da Boa Esperança de Leste Para Oeste. Durante o trânsito para o porto de Salvador o navio navegou sob a influência de centros de altas pressões localizados ao longo do Trópico de Capricórnio – contornando-os por Norte –, responsáveis pelos ventos alísios sentidos de SE e ondulação dos quadrantes S-SE. Com o aproximar do continente SulAmericano foi sentida grande variabilidade das condições meteorológicas, característica dos O NRP “Sagres” visto dos penedos de São Pedro e São Paulo. climas tropicais, com o Mas a passagem do navio pelo Brasil ficéu alternando entre limpo e forrado e alguns aguaceiros que resolviam “baldear” de tempos cou sem dúvida marcada pelos eventos que se seguiram: No dia 26 foi recebido a bordo a tempos o convés do navio. A corrente favorável que se foi sentindo per- o Contra-almirante Pires da Cunha, Comanmitiu fundear um dia antes para a preparação dante da Flotilha e 2º Comandante Naval, do navio. Pela manhã do dia 23 de Outubro que se deslocou ao Brasil no âmbito da visita suspendeu, salvou a terra com 21 salvas à pas- do navio a este porto, e o dia 27 ficou marsagem do Molhe Sul, e após terem sido res- cado pela recepção realizada a bordo. Foram pondidas por uma bataria do 2.º Distrito Naval convidadas entidades civis e militares locais da Marinha do Brasil, atracou finalmente em e representantes da comunidade portuguesa, Salvador. Ainda nessa manhã o Comandan- e a recepção contou igualmente com a prete prestou cumprimentos às entidades locais, sença do Primeiro-ministro português, Eng.º retribuindo-os num almoço realizado a bordo José Sócrates, e da sua comitiva – Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ministro da Cultura e no dia seguinte. Conclusão Ministro da Economia entre outras entidades –, que visitou o país no âmbito da “IX Cimeira Luso-Brasileira”. Em postos de Honras Militares, no dia 28 o navio contou novamente com a presença da delegação portuguesa e também, desta vez, a do Brasil, chefiadas respectivamente pelo Primeiro ‑ministro, Eng.º José Sócrates, e pelo Presidente do Brasil, Lula da Silva, que visitaram o navio por ocasião das actividades realizadas no âmbito da mesma Cimeira. À saída do Presidente Lula da Silva, com a guarnição estendida à borda, foram dados os “Vivas” de acordo com a Ordenança, e após esta cerimónia, o Contra-almirante Pires da Cunha, perante formatura geral do navio, cumprimentou toda a guarnição e proferiu palavras de reconhecimento pela boa prestação e incentivo à boa continuação da missão. Para além do carácter estratégico, a presença do 2º Comandante Naval contribuiu ainda para motivar a guarnição ao testemunhar e reconhecer o esforço realizado, atestar a importância dos eventos realizados e da missão. De salientar o importante apoio prestado pela Marinha do Brasil à estadia do navio, disponibilizando 2 oficiais de ligação, bem como as instalações desportivas para a realização das PAF. De salientar também os inúmeros cumprimentos recebidos pela beleza e apresentação da “Sagres” de entidades locais, de elementos da comunidade portuguesa e das várias altas O Primeiro-ministro, Engº José Sócrates, na recepção oferecida pelo navio à comu- O Presidente Lula da Silva comentando um quadro de arte de marinheiro a bordo nidade portuguesa em Salvador. da “Sagres”. 8 JANEIro 2009 • Revista da Armada individualidades recebidas a bordo, reforçan- plomático, civis, militares e religiosas locais. No dia 13, o Comandante e seis oficiais da do mais uma vez a motivação da guarnição No dia seguinte realizou-se a última acti- barca assistiram a um espectáculo de benefipela presença do navio em Salvador, cerca de vidade no âmbito da “Operação Mar Aberto cência realizado na Academia de Música do cinco meses após a largada de Lisboa e a um 2008”, um workshop que contou desta vez Mindelo, com a participação de diversos artismês do regresso à Base. com a participação de 42 militares da Guar- tas locais conceituados, a favor de um músiAinda no dia 28, o Comandante e o Ime- da-Costeira de Cabo Verde (GCCV), a que se co residente na Ilha, organizado pelo Centro diato acompanharam o Contra-almiCultural Português em parceria com a rante Pires da Cunha numa recepção Câmara Municipal do Mindelo, especa bordo do Navio-Escola Rou Capitan táculo onde todos os presentes tiveram Miranda que se encontrava de visita a a oportunidade de ouvir tocar e cantar a este porto. morna “A Barca Sagres”, música criada O navio largou então no dia 29 de em honra da antiga “Sagres”. Outubro, governando a rumos Norte, A presença de inúmeros oficiais da bordejando a costa nordeste do Brasil Marinha de Cabo Verde, ex-alunos da até à latitude do Cabo Branco, passanEscola Naval, actualmente a prestar serdo depois a governar em direcção ao viço na Ilha de Santiago, permitiu mais arquipélago de Cabo Verde. uma vez aprofundar laços entre oficiais A “Sagres” cruzou a Linha do Equada Marinha cabo-verdiana e da Maridor no sentido Sul-Norte no dia 3 de nha Portuguesa. Novembro, passando à vista dos PeneO navio permaneceu atracado no dos de S. Pedro e S. Paulo nessa mesma porto do Mindelo, cumprindo o progratarde. Mais próximo dos ilhéus, foram ma de actividades previsto, e largou no enviadas à “Estação Cientifica do Ardia 14 de Novembro rumo a Las Palmas quipélago”, por semi-rígida, algumas – Gran Canária, onde atracou na malembranças do navio pelas mãos de um nhã do dia 20 de Novembro. Efectuaoficial de bordo e do oficial brasileiro dos os cumprimentos protocolares, foi embarcado, assinalando assim de uma realizado um almoço de retribuição de forma singela a passagem do navio por cumprimentos e à noite uma recepção estas paragens. oficial com a presença do Cônsul de Fundeou no dia 9 de Novembro no Portugal entre outras entidades diploporto da Praia, embarcando a Embaixamáticas, militares e civis, incluindo eledora de Portugal em Cabo Verde, Adimentos da comunidade portuguesa redo de Defesa, Comandante da Guardasidente na Ilha. De realçar o importante A lancha “Tainha” da GCCV cumprimenta o NRP “Sagres” à chegada apoio prestado pela Marinha Espanhola Costeira de Cabo Verde e doze militares ao porto do Mindelo. da Guarda-Costeira, atracando no pore o acolhimento do navio na sua Base to do Mindelo no dia seguinte, visitando este seguiu um almoço com todos os participantes Naval, muito bem localizada na cidade. porto pela 27ª vez. De regresso a casa, o navio largou de Las e uma cerimónia de entrega dos Certificados Ainda no dia 9, realizou-se a navegar a ce- de Participação, tendo sido mais uma vez ma- Palmas no dia 24, passando ainda por Lagos rimónia de despedida dos dois militares ca- nifestado o elevado interesse pelas activida- onde, fundeada, recebeu novamente o Contrabo-verdianos embarcados desde 25 de Junho, des relacionadas com a “Operação Mar Aber- almirante Pires da Cunha e 28 civis da orgacom entrega de Certificado e Menção Honro- to 2008”. Após a cerimónia, foi realizada na nização “Marinha do Tejo” que reúne vários sa pelo muito bom desempenho e atitude de- Câmara de Oficiais uma palestra apresentada clubes da região, vencedores de prémios de monstrados, com a presença regatas embarcações tradicioda Embaixadora, do Comannais, que efectuaram o trânsito dante da Guarda-Costeira de Lagos-Lisboa. Cabo Verde, Adido de Defesa Na madrugada de 28 para e guarnição. 29, a “Sagres” passa finalmenAo despedir-se do navio, te “entre-torres”, fundeia frente após atracar no dia 10, a Emao Terreiro do Paço para se probaixadora de Portugal em teger do temporal que se estaCabo Verde agradeceu a posva a agravar na costa oeste, e sibilidade de voltar a embaratraca, na manhã do dia 29 no car na “Sagres”, enaltecendo Cais de Alcântara, perante ceno papel do navio como emtenas de familiares e amigos da baixada itinerante no apoio às guarnição que, à chuva e ao representações diplomáticas. frio, fizeram questão de assisDestacou ainda o sucesso da tir ao final de uma viagem de cooperação técnico-militar quase seis meses. em Cabo Verde, amplamente Durante as estadias nos pordivulgado através da presença tos, o navio esteve aberto a do navio. visitas mais de 210 horas, foi A Embaixadora de Portugal em Cabo Verde, a Presidente da Câmara Municipal do Mindelo visitada por 27.880 pessoas e Ainda no dia 10, o Comane a Cônsul de Portugal com o Comandante da “Sagres”. dante, acompanhado pela recebeu mais de 50 equipas Cônsul de Portugal no Mindelo e do Adido de por representantes da Direcção-geral da Auto- de órgãos de comunicação social nas várias Defesa, apresentou cumprimentos protocola- ridade Maritima que contou com a presença conferências de imprensa realizadas a bordo, res às entidades locais, realizou-se o almoço de uma representante da Ministra da Defesa números que contribuíram para o sucesso e de retribuição de cumprimentos e, à noite, uma de Cabo Verde, da Embaixadora dos EUA em divulgação da missão. recepção com a presença da Embaixadora de Cabo Verde e oficiais da Guarda-Costeira, enPortugal entre diversas entidades do corpo di- tre outras entidades. (Colaboração do N.R.P. “SAGRES”) Revista da Armada • JANEIro 2009 9 ESCOLA NAVAL Jornadas do Mar 2008 A Marinha, através da Escola Naval, organiza um Colóquio de Estudantes para Estudantes, do Ensino Universitário, quer graduado, quer pós-graduado, cujos objectivos gerais são, resumidamente, promover o estudo e a reflexão sobre o Mar, o papel que desempenha na vida nacional e as suas potencialidades no contexto europeu, no espaço lusófono e no Mundo e, proporcionar o diálogo entre os estudantes e personalidades ligadas a várias áreas da sociedade, nomeadamente a política, académica, científica, de defesa, económica e cultural. O figurino inicialmente escolhido mostrou-se bastante adequado, tendo-se mantido nas suas linhas gerais. Contudo, nalguns aspectos tem sido alterado, tendo sido efectuadas mudanças pontuais, fruto das lições retiradas de cada um dos eventos. Assim, nas primeiras Jornadas os prémios não eram atribuídos por áreas temáticas, facto que tornava o trabalho da Comissão Científica altamente complicado. Essa situação foi alterada logo nas Jornadas de 2000, tendo as áreas temáticas sofrido ligeiras alterações, em função dos trabalhos que têm sido apresentados pelos participantes. Nas Jornadas de 2008, intituladas «O Oceano - Riqueza da Humanidade», foram considerados todos os trabalhos abrangidos pelos seguintes domínios do conhecimento: • Matemática, Modulação e Engenharia • Geografia, Oceanografia, Ambiente e Ciências Naturais • História e Sociologia • Economia e Gestão • Relações Internacionais, Direito e Estratégia • Literatura e Linguística • Tecnologias de Informação e Comunicação A iniciativa tem contado, desde o início, com o alto patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República, quer presidindo à Comissão de Honra das Jornadas do Mar em cada edição, quer presidindo às Cerimónias de Encerramento das I e II edições e da actual Edição. As Jornadas do Mar tiveram a sua génese em 1998, sendo estas primeiras jornadas intituladas: «Vasco da Gama, Os Oceanos e o futuro». A partir daí, têm mantido uma periodicidade bienal, com os seguintes títulos: • 2000 – «Dos Mares de Cabral ao Oceano da Língua Portuguesa»; • 2002 – «Pedro Nunes – Novos Saberes na Rota do Futuro»; 10 Janeiro 2009 • Revista da Armada • 2004 – «O Mar – Um Oceano de Oportunidades»; • 2006 – «Os Oceanos – Uma Plataforma para o Desenvolvimento». As Jornadas deste ano, que decorreram entre 10 e 14 de Novembro, foram subordinadas ao tema: «O Oceano - Riqueza da Humanidade». O seu objectivo, tal como nas anteriores, foi contribuir para que a sociedade portuguesa, nas suas variadas vertentes, continue a valorizar, debater e estudar os Assuntos do Mar, como uma oportunidade para a definição de uma estratégia de desenvolvimento do País. No evento deste ano foram admitidas 57 comunicações de 70 autores, oriundos de 23 estabelecimentos do ensino superior diferentes. Para além dos estudantes nacionais, civis e militares, participaram também estudantes da University of Sussex, da Universidade Paulista e da Universidade Roland Eotvos de Budapeste. Para além das sessões de apresentação de trabalhos, por parte dos estudantes, que constitui a essência das Jornadas do Mar, têm sido proporcionados diversos eventos de natureza social e cultural. Assim, no primeiro dia, foi efectuado o lançamento de um livro, intitulado: Os Submarinos em Portugal, sendo em simultâneo inaugurada uma exposição sobre o mesmo tema. Foram realizadas duas Mesas Redondas que contaram com a participação de especialistas de elevado nível. No dia 11, a Mesa Redonda foi subordinada ao tema «O Ensino Profissionalizante na Marinha», enquanto que a do dia 13 teve como tema «A Extensão da Plataforma Continental». No período nocturno foram realizados dois concertos: um pelo «Projecto ALBA» e outro pela Banda da Armada. Foi ainda realizado um jantar-convívio nas instalações do IASFA na Rua de São José. Tal como nos eventos anteriores, foram proporcionadas visitas a diversos organismos da Marinha, nas suas diferentes vertentes: operacional, formação, científica e cultural. Como novidade, este ano foi ainda proporcionado um embarque numa unidade naval dedicada à hidrografia e oceanografia. As Jornadas do Mar contam ainda com dois momentos solenes, a Sessão Solene de Abertura, no primeiro dia, e a Sessão de Encerramento, no último dia, que coincide com a Sessão Solene de Abertura do Ano Lectivo. Na primeira presidida por Sua Excelência o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, foi proferida uma conferência, pelo Professor Doutor Emanuel Gonçalves, intitulada: «M@rBIS: A Estratégia Nacional para o Mar ao Serviço da Biodiversidade». Na Sessão de Encerramento, este ano presidida por Sua Excelência o Senhor Presidente da República, a Oração de Sapiên cia de Abertura Solene do Ano Lectivo foi proferida pelo Professor Doutor Adriano Moreira. Tal como referiu, Sua Excelência o Senhor Presidente da República no discurso proferido na Sessão Solene das Comemorações do Dia 10 de Junho de 2007, “dispomos de uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas da Europa, de um património oceânico que é único e de recursos geológicos, minerais, biotecnológicos e energéticos muito relevantes. Mas a verdade é que não só o nosso património ligado ao mar se encontra sub-aproveitado, como a própria ligação dos Portugueses ao mar se caracteriza por um certo alheamento”. As Jornadas do Mar de 2008, e as iniciativas no seu âmbito, encerram uma oportunidade de divulgar, estimular o debate e o estudo dos Assuntos do Mar, potencialmente junto dos futuros decisores deste País e, assim, não só contribuir para a identificação das condições que hão-de conduzir a um melhor aproveitamento dos nossos recursos marinhos, mas também fortalecer a ligação dos Portugueses ao mar, o que certamente muito contribuirá para o desenvolvimento do País, bem como para a afirmação da sua posição na comunidade internacional. PRÉMIOS DAS JORNADAS DO MAR 2008 Área da Matemática, da Modelação e da Engenharia: 2º Escalão - Prémio Telemetria utilizando a norma IEEE 802.11g, Germano Gonçalves Capela, Nuno Pessanha Santos, João Marques Vieira, César Bastos Monsanto, Escola Naval. Área da Geografia, da Oceanografia, do Ambiente e das Ciências Naturais: 1º Escalão - Prémio Simulação da propagação de ondas no litoral, Andreia Afonso, Miguel Souto, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. 2º Escalão - Prémio Análise da influência do caudal fluvial no regime de marés do estuário do Minho, Joana Cristina Mano Lucas dos Reis, Instituto Superior Técnico. Área da História e da Sociologia: 2º Escalão - Prémio ex-aequo Pedro Nunes e Edward Wright: o programa noniano na construção do império britânico, Bruno José M. G. Pereira de Almeida, Centro de História das Ciências – Universidade de Lisboa. Diagnóstico das fontes de stress e estratégias de coping privilegiadas pelos cadetes da Escola Naval, Ana Rita Rosado da Palma Rosa, Universidade de Lisboa – Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Área das Relações Internacionais, do Direito e da Estratégia: 2º Escalão - Prémio ex-aequo Apoio Aéreo Próximo no Corpo de Fuzileiros, Pedro Filipe da Fonseca Freire, Escola Naval. Da perenidade do poder naval no século XXI, Sara Margarida da Silva Peralta, Universidade Católica Portuguesa. Área da Literatura e Linguística: 2º Escalão - Prémio Metamorfoses do mar no Portugal oitocentista: o ministério da escrita, Joana Duarte Bernardes, Universidade de Coimbra - Faculdade de Letras. Área da Tecnologia da Informação e Comunicação: 2º Escalão - Prémio Planeamento de percursos em UAV’s baseado em densidades de eventos, Roberto Henriques, Instituto Superior de Estatística e Gestão da Informação. Área da Economia e Gestão: 2º Escalão - Prémio Teoria da Agência aplicada à Marinha, Liliana Sofia Marques de Azevedo, Escola Naval. Área da Matemática, da Modelação e da Engenharia: - Menção honrosa Estudo hidrodinâmico de um recife artificial para surf., Luís Miguel Ribeiro Dantas Leite, Universidade de Aveiro. Área da História e da Sociologia: 1º Escalão - Menção honrosa António de Miranda de Azevedo – estudo biográfico de um membro da Nobreza que protagonizou a expansão ultramarina portuguesa na primeira metade do século XVI, Maria Paula Pereira Bastião, Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. 2º Escalão - Menções honrosas Memória de uma viagem à Índia a bordo da nau Nossa Senhora dos Mártires (1605-1606), Carlos Manuel Montalvão de Sousa, Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras/Escola Naval. Outro Método de Pedro Nunes para Determinação da Latitude por Alturas Extrameridianas do Sol a Qualquer Hora do Dia, Jorge Manuel Moreira Silva, Universidade de Lisboa - Faculdade de Letras/Escola Naval. Área da Tecnologia da Informação e Comunicação: - Menção honrosa Determinação da Adequabilidade de Implementação de Jaulas de Aquicultura ao Largo de Portugal Continental com Recurso a Análise Multi-Critério Geo-Espacial, Paula Sofia Castiel de Castro, Universidade de Lisboa – Faculdade de Ciências. (Colaboração do COMANDO DA ESCOLA NAVAL) Revista da Armada • Janeiro 2009 11 A A Comissão Permanente de Uniformes Comissão Permanente de Uniformes (CPU) funciona na dependência da Superintendência dos Serviços do Pessoal competindo-lhe, de acordo com o estipulado no Regulamento Interno daquela superintendência, “dar parecer sobre os artigos de uniforme dos militares da Marinha e respectivo uso, com vista à contínua actualização do Regulamento de Uniformes dos Militares da Marinha”. Nesse sentido, à CPU compete não só responder a todas as solicitações a que é chamada a intervir no âmbito dos artigos de uniforme dos militares da Marinha, como também lhe cumpre promover iniciativas próprias que entenda por bem efectuar, sempre com o objectivo de melhorar os uniformes, de adaptá-los às necessidades emergentes e de dar continuidade às correspondentes actualizações do Regulamento de Uniformes dos Militares da Marinha (RUMM, muitas vezes designado de forma errónea por RUMA). Para o efeito, a CPU delineou um conjunto de procedimentos “standard” destinados ao cumprimento da sua missão. Assim, sempre que um assunto lhe é colocado, é aberto um processo, que será objecto de análise pelos membros da comissão podendo resultar num parecer que, por sua vez, é submetido à aprovação do vice-almirante Superintendente dos Serviços do Pessoal. O triénio de 2004 a 2006 foi um período de actividade particularmente intensa. Com efeito, quer determinado por imperativos legais que obrigaram à alteração ou criação de novos artigos de fardamento, quer por necessidade de dar continuidade e concluir processos anteriores, quer ainda por outro tipo de necessidades entretanto identificadas, estes foram anos que trouxeram grandes novidades em matéria de uniformes, as Administrativos 12 quais vieram colmatar necessidades reconhecidas e que se traduziram numa melhoria significativa para a família naval. Sublinham-se, seguidamente, os principais processos tratados e concluídos pela CPU, durante esse período: Fato impermeável de embarque e uniforme de trabalho para unidades navais e de mergulhadores1 – Este era um projecto antigo face à reconhecida necessidade de melhorar as condições de trabalho de quem anda no mar. Tendo sido objecto de um estudo preliminar efectuado pela Direcção de Abastecimento em 2003, foi continuado e concluído pela CPU, onde foram inseridas algumas novidades, designadamente: • A criação do conceito do kit para o uniforme de trabalho, distribuído gratuitamente pelo pessoal que presta serviço nas unidades navais e de mergulhadores. Esta iniciativa surge no contexto dos objectivos da Tarefa n.º 24 da Directiva Sectorial de Recursos Humanos (DSRH), designadamente na necessidade de criar um sistema que incremente os índices motivacionais para o pessoal militar, com especial atenção ao pessoal embarcado. O conceito do kit surge como uma necessidade logística facilitadora da distribuição dos artigos de fardamento àquele universo de militares: o militar toma conhecimento do seu desta- Electromecânicos JANEIro 2009 • Revista da Armada Manobra e Serviços camento para uma unidade naval ou de mergulhadores, através da publicação em OP, e dirige-se à Direcção de Abastecimento para levantar o seu kit, que leva consigo quando se apresenta a bordo. Este kit é constituído pelos seguintes artigos de fardamento: • Fato de embarque • Botas de trabalho • Camisola interior branca • Meias de enchimento pretas • Cobertura para a cabeça • A criação, em simultâneo, do fato impermeável de embarque, a distribuir às unidades navais e de mergulhadores. A criação deste artigo de uniforme surge da constatação de que não seria lógico dotar os militares com um uniforme de trabalho, sem simultaneamente dotar estas unidades de fatos impermeáveis, de uso comum, que completassem o kit de fardamento destes militares, uma vez que é amplamente reconhecido que os ‘oleados cor de laranja’, existentes outrora, não satisfaziam cabalmente as necessidades do pessoal. • E a extensão deste Kit ao pessoal mergulhador. Com efeito, este pessoal não tinha direito a fardamento compatível com as missões que lhe são atribuídas, o que não acontecerá no futuro. Esta proposta da CPU é sem dúvida uma medida que se impunha pela natural evolução dos uniformes do pessoal embarcado e do pessoal mergulhador, e que trouxe elevados benefícios àquele universo de militares da Marinha. Distintivos das novas classes de sargentos e praças2 – O novo EMFAR (1999) aprovou as novas classes de Administrativos, Electromecânicos, Manobra e Serviços, Operações e Técnicos de Armamento, para sargentos e praças. Decorrente desta alteração legislativa, tornou-se necessário criar os distintivos para estas novas classes. Operações Técnicos de Armamento Distintivo de especialização em arquitectura e construção naval2 – Na sequência das alterações aos quadros de oficiais da Marinha, designadamente a criação da classe de Enge- nheiros Navais – Ramo Mecânica (EN-MEC) e a extinção da classe de Engenheiros Construtores Navais (ECN), a Marinha tem promovido a especialização dos oficiais EN-MEC com o curso “MSC in Naval Architecture”. Sendo prática na Marinha, distinguir os oficiais especializados pelo uso do respectivo distintivo de especialização, tornou-se necessária a sua criação. Cordão de ajudante-de-ordens ou ajudante de campo – A experiência tem demonstrado que existe um elevado conjunto de situações em que o uso do uniforme n.º 5 é o mais adequado, ou então é aquele que é estabelecido para determinados eventos. Como não está prevista a utilização de cordões neste uniforme, a identificação da função de oficial ajudante-de-ordens ou de campo não é perceptível. Nesse sentido, a CPU propôs a criação de um cordão para usar com a camisa deste uniforme. Jaqueta para sargentos e praças das classes e subclasses da taifa do sexo masculino2 – A Portaria n.º 1445-A/95, de 30 de Novembro, que aprova o RUMM, previu a atribuição de jaqueta aos militares do sexo masculino, determinando que se trataria de um artigo de uniforme do 3º grupo (artigos pertencentes ao Estado e a cargo das unidades e serviços), e consequentemente sem comparticipação. Considerando que esta medida estaria a implicar a não aquisição deste artigo de fardamento por parte daqueles militares, a CPU propôs que esta si tuação fosse corrigida, passando-o para artigo de uniforme do 1º grupo (artigos de uso obrigatório pertencentes aos próprios militares). Uniforme n.º 4A para cadetes da Escola Naval2 – Atendendo à tradição e norma em uso, foi proposta uma alteração a este uniforme por forma a que os cadetes usassem peúgas e sapatos brancos, em vez de botas pretas e polainitos, nas formaturas de alunos da Escola Naval. Com a introdução destes distintivos, houve a necessidade de alterar a limitação do uso do número de distintivos, passando a ser de quatro distintivos, com prioridade para os de especialização4. Distintivo alusivo ao tempo de embarque e ao tempo de navegação e distintivo de comando de unidade naval3 – Na sequência dos objectivos da Tarefa n.º 24 da DSRH, designadamente a criação de um sistema de incentivos para o pessoal militar com especial atenção para o pessoal embarcado, o Comando Naval remeteu uma proposta de criação dos distintivos em apreço, os quais foram objecto de análise e de posterior parecer da CPU. O distintivo alusivo ao tempo de embarque e ao tempo de navegação é constituído por uma âncora sobreposta ao mar na parte inferior; este conjunto está contido numa cercadura circular que reproduz um cabo cochado. A âncora, o mar e o cabo cochado são símbolos navais bastante fortes. O distintivo de comando de unidade naval é metálico com acabamento em dourado, e é constituído por uma estrela, sendo ao centro vazada e com uma flâmula; este conjunto está contido numa cercadura circular que reproduz um cabo cochado. A flâmula é um símbolo representativo de comando no mar que, associado ao cabo cochado, completam a inerente componente naval. Ainda no sentido de estabelecer um paralelo ou representativida- Distintivo do pessoal apto a servir no Destacamento de Acções Especiais e passadeiras camufladas5 – O pessoal fuzileiro há muito que Tempo de embarque e de navegação Comando de unidade naval de equivalente com as marinhas ocidentais, propôs-se inserir igualmente o símbolo frequentemente identificado para o efeito, que é uma estrela. vinha solicitando alterações ao RUMM que satisfizessem algumas das suas necessidades, designadamente: • A substituição do distintivo do pessoal fuzileiro que presta serviço no DAE, por outro que caracterizasse as operações especiais em todas as vertentes de actuação deste corpo de elite. De facto, o distintivo anterior estava completamente desfasado do conceito de distintivo utilizado por todas as forças congéneres com quem o DAE se relaciona. Neste conceito, o elemento característico das Operações Especiais é as asas, sendo o elemento Marinha representado pelo ferro tipo almirantado. Assim, a CPU propôs um novo distintivo, indo ao encontro de uma velha aspiração dos militares que prestam serviço no DAE, dignificando o elevado contributo operacional e profissional que tem caracterizado aquele Destacamento ao longo da sua existência, constituindo-se portanto como elemento motivador para o pessoal. • A criação de passadeiras camufladas, a serem usadas em uniforme camuflado. Criação do “Half-Blue” e uso obrigatório da gravata de lã e da traqueta nos uniformes de praças6 – Uma das linhas de acção por que sempre se pautou a CPU foi a preocupação no aperfeiçoamento dos uniformes dos militares da Marinha, com o inerente melhoramento das condições de trabalho, e consequentemente conduzindo a um aumento da motivação e da moral do seu pessoal. A imagem e o atavio foram pois um objectivo perseguido pela CPU. Neste sentido foi proposto que fosse estendido o uso obrigatório da gravata de lã e da traqueta às praças, no uniforme n.º 6. Foi também proposto que Revista da Armada • JANEIro 2009 13 fosse estendido às praças do sexo masculino o uso facultativo do uniforme designado por “half-blue”, já em vigor para os oficiais e sargentos masculinos, e para todos os militares femininos. Esta proposta da CPU, já aprovada e em vigor, foi sem dúvida uma medida de grande impacto, que se impunha, e que constitui sem dúvida um marco histórico na evolução dos uniformes das praças da Marinha. Blusão de cabedal azul7 – A proposta da CPU de criação do blusão de cabedal azul teve como finalidade colmatar uma necessidade que se fazia sentir há muito nos uniformes dos militares da Marinha, e que passava pela não existência de um artigo de uniforme, tipo casaco, que se pudesse usar nos exteriores e em climas frios. De facto, o único artigo de fardamento que se poderia adequar a estas funções, era a camisola de lã, a qual se revelava manifestamente limitada quando os militares e f e c t u ava m deslocações nos exteriores, em condições de clima frio ou chuvoso. Este artigo de fardamento veio a revelar-se um grande sucesso face à sua ampla aceitação pelos militares da Marinha. Cobertura da cabeça para o fato de embarque8 – Com a aprovação do modelo de fato que iria constituir o uniforme de embarque, tornou-se necessário definir o artigo de uniforme que seria utilizado para a cobertura da cabeça, e que faria parte integrante do kit de embarque. A proposta da CPU acabou por recair no tradicional ball cap. 14 JANEIro 2009 • Revista da Armada Uniforme camuflado9 – O Comando do Corpo de Fuzileiros propôs a adopção de um novo uniforme camuflado, semelhante ao uniforme adoptado pelo Exército Português, o qual foi projectado e concebido pelo Centro de Estudos de Uniformes do Exército. Este uniforme insere-se no conceito “casca de cebola” que permite ao combatente acrescentar ou diminuir peças de uniforme em função da temperatura envolvente, cobrindo uma significativa variação térmica, o que confere a este camuflado características únicas que permitem a sua utilização em quase todos os teatros de operações onde, previsivelmente, possam ser empregues militares portugueses. A adopção deste uniforme assumiu particular relevância pelo facto de terem sido detectadas deficiências no camuflado em uso na Marinha, tanto na qualidade do tecido como no talhe, que tinha deixado de corresponder às exigências actuais de conforto, facilidade de utilização e adaptação a diferentes tipos de clima. Por outro lado, houve ainda a considerar a necessidade de ir ao encontro dos requisitos identificados pela NATO e pela EU quanto à necessidade de fornecer uniforme e equipamento de combate a todos os militares colocados nas estruturas militares destas OI. Assim, a CPU aprovou o modelo de uniforme que está contemplado na Central de Compras. Artigos de fardamento para os veleiros da Marinha10 – São amplamente reconhecidas as necessidades específicas que tem o pessoal que presta serviço a bordo dos veleiros da Marinha. Nesta medida a CPU propôs a criação de dois tipos de uniforme: • Uniforme impermeável de vela, pertencente às unidades navais, e composto pelos seguintes artigos de fardamento: • Fato de vela impermeável • Botas de vela impermeáveis • Luvas de protecção • Gorro • Uniforme de vela, pertencente aos militares, fornecido gratuitamente, e composto pelos seguintes artigos de fardamento: • Calções • Pólo de manga curta • Sapatos de vela Refira-se a este propósito que estes uniformes já existiam de forma não regulamentada, o que originava que cada veleiro tivesse o seu próprio uniforme. Uniforme para o pessoal de reforço ao serviço da fiscalização das praias11 – Uma das necessidades identificadas, foi a criação de um uniforme a usar pelo pessoal da Marinha que efectua serviço de reforço da acção de fiscalização das praias. Este uniforme teria que ser compatível com as necessidades específicas da função a desempenhar, e seria uma alternativa ao uso dos uniformes n.º 5 ou n.º 7. Sendo reconhecido que o uso de calças não seria o mais adequado para o exercício desta função, a CPU propôs a criação de uma alternativa de uniforme constituída pelos seguintes artigos de fardamento: • Boné • Corpete • Calções brancos • Meias brancas • Sapatos de ginástica. Sapatos brancos para sargentos – No sentido de uma maior harmonização do uniforme branco, e seguindo a tendência da maioria das Marinhas NATO (EUA, RU e Itália são exemplos) que já adoptaram calçado de cor branca, para uso com farda branca pelos sargentos, a CPU propôs que fosse adoptado o uso dos sapatos brancos por aqueles militares, ciente no entanto da dificuldade de exequibilidade desta proposta face aos custos envolvidos. Anoraque impermeável – O RUMM prevê uma quantidade de artigos de uniforme (casacão azul; impermeável azul; anoraque azul; anoraque verde; blusão impermeável cor de laranja; calças impermeáveis cor de laranja; capote de abafo azul; impermeável preto) que para além de serem muito diversificados, ou não protegem da chuva, ou são pouco confortáveis, ou ainda são feitos de tecido de características ultrapassadas face a alternativas que o mercado hoje oferece. Nesta perspectiva, a CPU propôs uma alteração ao RUMM, que consiste na eliminação destes 8 artigos de uniforme e a criação de um novo artigo de uniforme, o anoraque impermeável. Platinas e dólman branco – O RUMM prevê dois dólman brancos, padrão n.º 1 e padrão n.º 2 cujas diferenças apenas residem nos ombros (o primeiro dispõe em cada ombro de duas pequenas passadeiras fixas para colocação de platinas rígidas, e o segundo tem nos ombros platinas fixas, que abotoam junto à gola, onde vestem passadeiras e recebem botões metálicos). Numa perspectiva de simplificação de artigos de uniforme, designadamente para passar a existir um único dólman branco, a CPU propôs a eliminação do dólman branco padrão n.º 1, passando o dólman branco padrão n.º 2 a ter a designação de dólman branco, num período de transição de 6 anos. Luvas pretas – O uso de luvas castanhas, deve-se ao facto de, no passado, os sapatos que se usavam com o dólman azul eram de cor castanha. Como sabemos esta não é a realidade actual. A esta situação, acresce o facto dos militares do sexo feminino fazerem uso de luvas pretas. Não existindo pois um racional que justifique, actualmente, o uso de luvas castanhas pelos militares do sexo masculino, a CPU propôs a substituição das luvas castanhas por luvas pretas, num processo que deveria ocorrer num período de transição de 3 anos, e que se traduzia também na redução de mais um artigo de fardamento. Cinto azul naval12 – A CPU propôs a substituição do cinto azul por outro de cor azul naval (tonalidade idêntica ao uniforme n.º 1 e n.º 3). A proposta apresentada é suportada pelo aspecto estético, designadamente por se tornar pouco estético quando usado nos uniformes n.º 1 e n.º 3, devido à cor padrão destes artigos de fardamento. Assim, a CPU propôs a substituição do cinto azul pelo cinto azul naval, medida esta que não só trará um benefício estético aos militares quando uniformizados com aqueles uniformes, e com o “half-blue”, como também ficará igualmente bem quando em uso nos uniformes n.º 6 e n.º 7. Uniformes para os pilotos e pessoal de manutenção dos helicópteros – Os uniformes dos pilotos e do pessoal de manutenção dos helicópteros não se encontram definidos no RUMM. Acresce ainda o facto de que não estava definida uma política de distribuição de fardamento àquele universo de militares, nem mesmo a sua existência na corrente de abastecimento. Nesse sentido, a CPU propôs a criação do uniforme de voo, destinado aos pilotos de helicóptero, constituído pelos seguintes artigos de fardamento: • Fato de voo, verde, igual ao usado pelos pilotos da Força Aérea; • Blusão de voo, verde, igual ao usado pelos pilotos da Força Aérea; • Botas de voo, pretas, iguais às usadas pelos pilotos da Força Aérea; no entanto irá ser estudada a viabilidade de serem adoptadas as botas utilizadas pelos militares a bordo das UN’s; • Camisola de interior verde; • Meias de enchimento verdes; • Bivaque. A CPU propôs ainda que, ao pessoal de manutenção dos helicópteros que faz parte do destacamento dos helicópteros embarcados nos navios, será distribuído o kit de embarque, na altura do seu destacamento para os navios, nos mesmos moldes em que é feito para os militares nas unidades navais. A CPU propôs ainda que o restante pessoal de manutenção de helicópteros (a prestar serviço na Esquadrilha de Helicópteros), seguirá a mesma política que os restantes militares da Marinha, ou seja, a unidade requisita para o seu pessoal o vestuário e equipamento necessários à execução da sua actividade. Boina para militares não fuzileiros13 – A CPU analisou o projecto de implementação de uma boina a usar por militares não fuzileiros, designadamente como artigo de fardamento opcional ao boné tipo ball cap, usado com o uniforme de embarque e opcional ao barrete camuflado e ao chapéu camuflado previstos para uso com novo uniforme camuflado, e elaborou o respectivo parecer e proposta de implementação da boina. Uniformes n.º 3 e n.º 4 / n.º 5 das praças – A CPU fez uma análise aos uniformes n.º 3 e n.º 4 / n.º 5 das praças do sexo masculino e do sexo feminino, designadamente à diferenciação existente nestes artigos. De facto, a situação presente é a seguinte: as praças do sexo masculino da classe dos músicos usam jaquetão / dólman, camisa branca e gravata de seda; as restantes praças do sexo masculino usam blusa, corpete, colarinho de alcaxa e manta de seda; as praças do sexo feminino usam casaco, camisa branca e laço de seda. Esta matéria tem sido várias vezes questionada, sem que tenha sido até hoje dada resposta para a sua resolução. Os trabalhos desenvolvidos pela CPU para avançar com uma proposta de solução, demonstraram por um lado haver consenso no reconhecimento da existência de uma incongruência entre os uniformes de saída das praças masculinos e femininos, mas por outro lado mostrou-se divergente na apresentação de soluções para a sua resolução. A CPU, pelo seu Presidente, rejeitou de todo qualquer proposta que passasse pela eliminação da blusa, corpete, colarinho de alcaxa e manta de seda, uniforme de fortes tradições navais não só em Portugal, como em outras Marinhas congéneres. Assim, uma solução seria a separação ao nível do QP e do RC/RV, considerando não existir uma discriminação pelo facto de o pessoal RC/RV estar na Marinha por um período normalmente não superior a 6 anos, numa idade jovem, pelo que deveria fazer uso da alcaxa. Ao fim deste período, ou sairia da Marinha, ou ingressaria nos QP’s; e nesta última hipótese, passaria a fazer uso do jaquetão. A solução final foi a seguinte: • Praças QP’s do sexo masculino uniformizam como as praças da classe dos músicos; • Praças RC’s e RV’s do sexo masculino, e praças QP’s do sexo feminino mantêm o seu uniforme; • Praças RC’s e RV’s do sexo feminino passam a uniformizar com blusa, corpete, colarinho de alcaxa e manta de seda, criando-se para o efeito este uniforme. Em resumo, as praças QP’s uniformizam como as praças da classe dos músicos, e as praças RC’s e RV’s uniformizam como as praças do sexo masculino das outras classes. Estes foram os principais processos objecto de propostas para aprovação superior. De uma forma geral, a CPU conseguiu sempre um consenso entre os seus membros na procura de soluções para os assuntos que se lhe deparavam, o que facilitou de sobremaneira o trabalho de equipa (o último processo apresentado foi talvez a excepção, pois a proposta final não foi consensual, tendo cabido a decisão final ao Presidente da CPU). É pois com satisfação que se regista que, de uma forma geral, as propostas tiveram um bom acolhimento por parte das chefias e, na fase de implementação, por parte dos militares da Marinha, o que atesta o trabalho muito profícuo desenvolvido pela CPU. Importa ainda fazer uma breve referência à qualidade dos uniformes, e em particular na responsabilidade da CPU nesta matéria. Conforme foi referido anteriormente, à CPU compete dar parecer sobre os artigos de uniforme, e nessa medida esta Comissão poderá pronunciar-se sobre esta matéria; mas não é à CPU que compete fazer o controlo de qualidade dos uniformes, havendo um organismo específico na Marinha para este efeito, fora da esfera da SSP. No entanto, é reconhecido que este assunto está na ‘ordem do dia’, pelo que deverá ser feita uma reflexão na Marinha de como estivemos ontem, como estamos hoje, e como queremos estar amanhã. Como será o futuro? O trabalho da CPU não se esgota nestes processos que se vão resolvendo, com maior ou menor celeridade. Com efeito, a portaria que aprova o RUMM carece de ser actualizada. Desde a sua publicação em 1995, muitas alterações aos uniformes foram feitas, sem que se produzisse a respectiva proposta de alteração legislativa. Assim, este foi um objectivo da CPU durante o ano de 2006, o qual foi iniciado, mas não foi concluído. Importa ainda referir que a actividade da CPU só tem sentido com a participação de todos os militares. Todas as sugestões relacionadas com o fardamento, deverão ser colocadas à CPU, quer através da cadeia de comando, quer através dos membros da comissão. Concluindo, espera-se que este testemunho sirva de registo histórico da evolução dos uniformes dos militares da Marinha patenteado neste período, destacando-se naturalmente a mudança de uniforme dos militares embarcados, e o uso obrigatório da gravata pelas praças da Marinha. Paulo Sousa Costa CMG (Ex. Presidente da CPU) Notas 1 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 28/05, de 06 de Maio 2 Aprovado pela Portaria n.º 1425/2004, de 25 de Novembro 3 Aprovados por Despachos do Alm. CEMA n.º 29/05, de 06 de Maio e n.º 30/05, de 06 de Maio 4 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 51/06, de 18 de Maio 5 Aprovados por Despacho do Alm. CEMA n.º 31/05, de 06 de Maio 6 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 50/06, de 18 de Maio 7 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 56/06, de 02 de Junho 8 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 67/05, de 07 de Novembro 9 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 29/08, de 04 de Setembro 10 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 38/07, de 17 de Julho 11 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 52/06, de 18 de Maio 12 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 12/07, de 16 de Março 13 Aprovado por Despacho do Alm. CEMA n.º 83/06, de 10 de Novembro Revista da Armada • JANEIro 2009 15 A MARINHA DE D. JOÃO III (41) Guerra e diplomacia com a pimenta do Malabar J orge Cabral foi mais um dos muitos fi- particularmente os portugueses porque as gressar a Goa. Deixou, contudo, instruções esdalgos que prestaram serviço no Oriente naus carregavam naquele porto uma merca- peciais à esquadra do Malabar para atacar os durante décadas, acumulando uma vas- doria que vinha do sertão, alimentando um interesses do Samorim, e colocou uma armada ta experiência sobre todas as nuances da ad- comércio que era o fulcro da política da co- de oito navios, sob o comando de Fernão Roministração portuguesa e do relacionamento roa no Oriente. Obrigava a diplomacia que se drigues Castello Branco, para assolar a costa com os múltiplos poderes locais. Durante a mantivesse a amizade com o rei de Cochim, a sul de Panane, onde se concentravam as fordécada de vinte encontramo-lo nas Molucas, desenvolvendo as necessárias influências (e ças inimigas. Quando o “Príncipe da Pimenta” Malaca, Golfo Pérsico, no cerco de Diu e, natu- pressões) para que se mantivessem sujeitos a saiu de Calecut e se refugiou numa pequena ralmente, em todo o resto da Índia cumprindo ele os principais produtores de pimenta. Era ilha a norte de Cochim, designada pelos croas mais variadas missões. Passou por Lisboa, necessária uma política de equilíbrio diplo- nistas portugueses como ilha de Bardela (é dina primeira metade dos anos trinta, mas re- mático entre pequenos potentados que – de fícil identificá-la com clareza, mas tudo indica gressou em 1535, levando consigo a sua mu- forma directa ou indirecta – precisavam da ser uma das ilhas baixas a norte da barra, hoje lher, Lucrécia Borges, o que não deixa de ser protecção portuguesa porque a sua subsis- separadas do oceano por um dique), Francisuma atitude inédita na nobreza portuguesa tência dependia do escoamento marítimo da co Silva decidiu atacá-lo e prendê-lo, obriganque buscava fortuna no Oriente. do-o à obediência que devia ao Dª Lucrécia viveu na fortaleza de rei de Cochim. Acontece que ele Baçaim e foi a primeira esposa de foi abatido acidentalmente logo um governador da Índia que ocuno primeiro embate, e essa perda, pou a residência oficial em Goa. em vez de desmoralizar as suas Sabendo ainda em Junho de tropas acicatou ainda mais os âni1549 que as cartas de sucessão mos. Debaixo de uma chuva diapontavam o seu nome para suluviana, que apagava os morrões ceder a Garcia de Sá, só em Agosdas espingardas, os portugueses to conseguiu aprontar uns quandeixaram-se surpreender por um tos navios ligeiros, que à força violento contra-ataque que ceifou de remo conseguiram levá-lo a a vida ao capitão e a vários outros Goa, onde chegou entre 11 e 15 de fidalgos; e uma missão que parecia Agosto. Foi recebido com as honsimples, complicou-se subitamenras e festividades que eram norte, com perdas nacionais de vulmais, nestas circunstâncias, e desto, e com o Samorim a aproveitar pachou, de imediato, um conjunto a morte do seu novo aliado para de assuntos pendentes. O primeiinvadir o território de Cochim, ro deles era nomear alguém que o numa altura do ano em que não substituísse no cargo que acabara era fácil receber reforços por mar, de deixar, recaindo a escolha em devido aos rigores da monção. Francisco Barreto. A monção de Podia repetir-se, de certo modo, sudoeste estava a chegar ao fim e o que sucedera em 1503, quando havia um conjunto de coisas que Duarte Pacheco Pereira ficou isoera necessário levar a cabo, logo lado na região lagunar, resistindo que terminassem a chuvas e os desesperadamente aos sucessivos temporais. Uma delas era dar pro“Fragmento de um mapa da zona sul da Índia, datado de 1744, da autoria do grava- ataques dos guerreiros de Calecut. vimento à esquadra do Malabar, dor Emanuel Bowen, onde é possível identificar a costa do Malabar, com alguns dos O governador soube do que estatopónimos que estiveram ligados à presença portuguesa e aos conflitos ocorridos du- va a acontecer, ainda em Julho, que seguiu com doze navios, e ourante o governo de Jorge Cabral.” tra era acudir de novo às Molucas, mas não podia deixar Goa numa sobre que corriam novos rumores de que mais sua produção. A alternativa era a formação altura em que se aguardava a chegada da esuma armada castelhana demandava aquelas de alianças contra Portugal, entrando nos cir- quadra do reino, onde viria, certamente, um ilhas. Para ali partiu, em Abril do ano seguin- cuitos paralelos que canalizavam a especiaria novo governador. À falta de notícias dos nate, D. Rodrigo de Menezes “com cinco navios para o Mar Vermelho, quase sempre com o vios de Lisboa, partiu, finalmente, no final de grossos” guarnecidos com 300 homens, com apoio velado do Samorim e dos mapillas (mu- Outubro, dispondo-se a atacar a ilha de Bar“muitas munições, roupas e outros provimen- çulmanos) de Calecut, mas isso significava a dela, onde já estavam conluiados vários reis tos”. Eram informações sem fundamento, mas guerra e a instabilidade. do Malabar, aliados de Calecut e desagradaDe início, o conflito não parecia ser comple- dos com a atitude do rei de Cochim. Alguns todo o cuidado era pouco. O problema mais grave que Jorge Cabral xo, mas rapidamente ganhou proporções qua- deles velhos amigos dos portugueses. O atateria de resolver durante o seu curto mandato se incontroláveis, porque o rei de Cochim não que foi, contudo, suspenso por ordem exprescomo governador da Índia seria no Malabar, estava disposto a perder aquela vassalagem, sa de D. Afonso de Noronha, o novo Vice-Rei exactamente onde se produzia a pimenta que contando com a colaboração de Francisco Sil- da Índia que chegava do reino e mandava carregava os navios das esquadras que iam e va, capitão da fortaleza. O próprio governa- notícias de Coulão, onde se encontrava. Mas vinham de Lisboa para esse efeito. Mais uma dor, Jorge Cabral, se deslocou ao Malabar para da sua atribulada viagem e do que se seguiu vez era um conflito que envolvia o Samorim reforçar a posição portuguesa, mas não teve daremos notícia na próxima revista. de Calecut e o rei de Cochim, neste caso com uma noção clara da borrasca que aí vinha e, o chamado “Príncipe da Pimenta” no meio. quando viu as naus carregadas de pimenta e J. Semedo de Matos CFR FZ Estes problemas eram cíclicos e afectavam a estação seca a chegar ao fim, acabou por re16 JANEIro 2009 • Revista da Armada Foto SAJ FZ Silva Foto SAJ FZ Silva Foto Júlio Tito treino de mar, com o NTM. “Creoula”; a capacidade submarina corporizada pelo submarino “Barracuda” e finalmente a representar a Autoridade Marítima a lancha da Polícia Marítima “Tufão”. As forças em parada foram comandadas pelo CMG Costa e Sousa, actualmente a desempenhar as funções de Comandante da Esquadrilha de Helicópteros. Constituíam as forças em parada: a Banda da Armada e a Fanfarra; o Bloco de Estandartes Nacionais, constituído por Estandartes pertencentes a unidades e organismos do Comando Naval, da Escola Naval e da ETNA, e a respectiva escolta constituída por um pelotão da Companhia de Apoio de Fogos; o Bloco de Guiões constituído por guiões pertencentes a unidades e organismos do Comando Naval; três batalhões a duas companhias cada, o primeiro batalhão, constituído por elementos das guarnições das Unidades Navais, o segundo batalhão, constituído por elementos do Batalhão de Fuzileiros nº1 e da Unidade de Polícia Naval; finalmente, o terceiro batalhão, constituído por elementos do Batalhão de Fuzileiros nº2. Assistiram também a esta cerimónia os cadetes, alunos do 1º ano da Escola Naval. A fechar as Forças apeadas, desfilou, em marcha acelerada, o Batalhão de Fuzileiros Nº2, a duas Companhias, que foram, sobrevoadas por helicópteros LYNX, precedendo uma Força Motorizada constituída por: um elemento de comando; um grupo de abordagem; um destacamento de acções especiais, um elemento de manobra; um elemento de apoio de combate; um elemento de apoio de serviços em combate e um elemento de assalto anfíbio. Encerrou o desfile das Forças Motorizadas, o Grupo da Direcção-Geral de Autoridade Marítima com uma viatura pick-up com pistola pneumática lança-cabos e moto 4 em atrelado; uma viatura do ISN com mota-de-água a reboque; uma viatura da Direcção de Faróis, uma viatura de combate à poluição por hidrocarbonetos e uma viatura do grupo de intervenção da Polícia Marítima. Este desfile foi também sobrevoado por helicópteros Lynx, formados em linha. Finalmente um helicóptero Lynx MK95 sobrevoou o local da cerimónia e cumprimentou em despedida o Almirante CEMA e todos os convidados. Após a conclusão da cerimónia militar, foi servido um porto de honra a bordo do N.R.P “Côrte-Real”. Foto SAJ FZ Silva R ealizou-se no passado dia 20 de Novembro a já tradicional Cerimónia Militar que assinala a Abertura do Ano Operacional 2008/09, na Base Naval de Lisboa tendo sido presidida pelo Almirante CEMA. Esta cerimónia tem como objectivo principal fazer o balanço anual da actividade operacional e perspectivar o futuro. Momento oportuno também para o Comandante Naval fazer a análise da actividade operacional, tendo feito um breve resumo das acções mais relevantes no âmbito do Comando Naval. Congratulando mulheres e homens das guarnições pelo dever cumprido, num ano operacional exigente, revelou os desafios para o novo ciclo de actividades. É, em suma, o reforço da motivação e espírito de missão, apanágio dos marinheiros. Esta cerimónia congregou unidades navais nos cais 2 e 3 da BNL, de elementos das guarnições dos navios e de fuzileiros dispostas em forças apeadas e motorizadas, uma formação de helicópteros, uma formação de meios do Destacamento de Mergulhadores Sapadores e ainda, de meios terrestres e de uma lancha pertencentes à Direcção-Geral de Autoridade Marítima. O Almirante CEMA, acompanhado pelo Comandante Naval, embarcou na Doca da Marinha no N.R.P. “Escorpião”, comandado pelo 2TEN Paciência da Silva e navegou até à BNL onde efectuou a Revista Naval às unidades atracadas nos cais 2 e 3 e à corveta “Jacinto Cândido” que se encontrava fundeada. Após a Revista, teve início a cerimónia militar onde foram condecorados diversos militares e prestada homenagem aos mortos em defesa da Pátria, com uma evocação proferida pelo Capelão Chefe da Marinha, seguida das alocuções do Comandante Naval e do CEMA. Na BNL, encontravam-se representadas as diversas capacidades operacionais da Marinha, designadamente: a capacidade oceânica de superfície, através da fragata “Côrte-Real”; a capacidade de fiscalização oceânica, com a corveta “Afonso Cerqueira”; a capacidade de fiscalização costeira e ribeirinha, pelo patrulha “Cuanza”, a lancha de fiscalização “Cassiopeia”; a capacidade de projecção de força, pelo Batalhão Ligeiro de Desembarque e pelo Destacamento de Acções Especiais; os Destacamentos de Mergulhadores Sapadores, revelando a capacidade de guerra de minas que desfilaram em botes e semi-rígida; a capacidade de Foto SAJ FZ Silva Cerimónia de Abertura do Ano Operacional 2008/09 Revista da Armada • JANEIro 2009 17 Alocução do Almirante CEMA E parte dos meios de que dispomos, é um factor condicionante da nossa capacidade para bem cumprir a missão e, até, de atrairmos e retermos os recursos humanos de que necessitamos. Por isso, tenho procurado por todos os meios ao meu alcance evidenciar a urgente necessidade da renovação da Esquadra antes que as condicionantes de operação se transformem em impossibilidade. Novos atrasos nos programas dos Patrulhas Oceânicos e nas Lanchas de Fiscalização Costeira, serão impeditivos do cumprimento de algumas missões, para além de obrigarem à afectação de recursos financeiros e humanos desproporcionados na manutenção das corvetas e dos patrulhas da classe “Cacine”. Trabalha-se para o evitar. Felizmente, os desafios que temos pela frente evidenciam outras perspectivas bem animadoras. Contrastando com os que atrás aludi, é com enorme satisfação que, passados dezassete anos desde o aumento ao efectivo das fragatas da classe “Vasco da Gama”, iremos receber duas fragatas de igual valia militar, estando prevista para o dia 16 de Janeiro de 2009 a entrega à Marinha da primeira, que será o N.R.P. “Bartolomeu Dias”. No passado dia 15 de Julho, tive a honra de Distintos convidados participar, na cerimónia A Marinha continua a de lançamento à água do trabalhar num conjunsubmarino “Tridente”, to muito diversificado um dos dois que vamos de missões, contribuinreceber em 2010/2011. do para a construção da Estes meios, de elevadíspaz e da segurança, para sima valia operacional e o exercício da autoridatecnológica, representade do Estado nos esparão um enorme avanço ços marítimos sob sua que se traduzirá numa soberania e jurisdição e capacidade de afirmação para o conhecimento do mar. Ao executar acções de serviço pú- a nível político-estratégico que Portugal não pode dispensar. blico militar, típicas das armadas e não militares, características Nos próximos dois anos, prevê-se a recepção de vinte viaturas das guardas costeiras, de forma a potenciar sinergias, consubs- blindadas de rodas com capacidade anfíbia. Trata-se de um desentancia o paradigma operacional que designamos por Marinha de volvimento de grande significado para o Corpo de Fuzileiros pelo duplo uso. aumento da capacidade de manobra táctica em situações de risÉ neste quadro que a Marinha pode rentabilizar os recursos que co acrescido, permitindo o emprego destas forças em situações de lhe são atribuídos, empenhando continuamente a Esquadra (com maior exigência operacional. as suas unidades navais, de fuzileiros e de mergulhadores) e os Na sequência do recente aumento ao efectivo de duas embarmeios operativos da Autoridade Marítima e do Instituto Hidrográ- cações salva-vidas da classe “Vigilante”, iremos brevemente profico, ao longo de todo o ano e vinte e quatro horas por dia ao ser- ceder ao baptismo da terceira Unidade de Apoio de Mar. São três viço dos portugueses. embarcações de elevada capacidade, integralmente concebidas e De facto, os indicadores operacionais referidos pelo senhor Vice construídas no Arsenal do Alfeite, que vão reforçar o dispositivo ‑Almirante Comandante Naval, no que concerne ao último ano, do Instituto de Socorros a Náufragos tornando-o ainda mais casão gratificantes e motivadores, traduzindo bem o produto do in- paz para cumprir a sua nobre missão de salvamento de vidas huvestimento que é feito. manas no mar. Estes resultados são, também, a face visível do esforço e dedicaSendo certo que estes novos instrumentos nos deixam bastante ção de todos os que diariamente superam dificuldades na manu- satisfeitos e nos permitem encarar o futuro com algum optimismo, tenção da Esquadra, bem como os que asseguram que ela é guar- não posso deixar de referir que a nossa ambição, ainda que temnecida por pessoal preparado e treinado de acordo com os mais perada pelo pragmatismo das reais capacidades do país, não pode elevados padrões internacionais. deixar de ter em conta outras necessidades que reputo imprescindíTemos, no entanto, que reconhecer que estes indicadores não veis. Refiro-me, em concreto, ao Navio Polivalente Logístico, o mais são susceptíveis de sustentação, sem que se concretizem im- conjunto de todos os meios do nosso sistema de forças, e aos navios portantes investimentos de renovação programados há anos. de combate à poluição, todos eles vectores incontornáveis à nossa Na realidade, apesar das corvetas e dos patrulhas apresentarem circunstância de nação que deve ao mar a sua existência e que nele ainda uma taxa de operacionalidade aceitável, a longevidade des- reconhece um elemento central da sua identidade. tes navios, alguns com mais de 35 anos de serviço, não garante a Continuaremos pois a aguardar com serenidade o arranque descontinuidade daquela prestação, nem oferece os níveis tecnológi- tes projectos, já previstos designadamente na Lei de Programação cos e de habitabilidade adequados às exigências de hoje. Militar, seguros da sua imprescindibilidade para a Marinha, para as Tenho repetidamente afirmado que a idade avançada de grande Forças Armadas e para Portugal. 18 JANEIro 2009 • Revista da Armada Foto SAJ FZ Silva m primeiro lugar saúdo os Marinheiros que neste momento se encontram em missão, muito em especial os destacados no Afeganistão, bem como aqueles que cumprem as suas tarefas no mar. Lembro, igualmente, todos os servidores da Marinha que, no seu posto de trabalho, tornam possível os desempenhos operacionais. Agradeço, também, a disponibilidade dos ilustres convidados que nos distinguem com a sua presença nesta cerimónia. Cerimónia cujo significado nos é particularmente caro, enquanto testemunho simbólico da essência da Marinha, ou seja, da afirmação da disponibilidade dos seus meios para operar quando e onde necessário. O meu muito obrigado pela Vossa presença. Sejam bemvindos à Marinha dos Portugueses. Marcamos, hoje, o início do ano operacional 2008/2009, momento propício para se fazer um balanço do ano anterior, para se perspectivar a actividade para o novo ano operacional e para me dirigir, em especial, àqueles que, no mar, dão o melhor do seu esforço e dedicação à Marinha, e portanto ao País. Ilustres convidados Para garantir a satisfação dos princípios da eficiência e da eficácia porque nos regemos é essencial aprofundar, ainda mais, a cooperação institucional na defesa dos nossos interesses no mar. É convicção que defendo há muito e com grande empenho. É disso testemunho a recente operacionalização do Centro Nacional Coordenador Marítimo, órgão que visa agilizar a articulação de um conjunto alargado de entidades e departamentos no quadro da segurança e do exercício da autoridade do Estado no mar. Também inaugurámos o Centro de Operações da Marinha (COMAR) em Junho passado, o qual poderá servir outros órgãos do Estado que ne- Foto Júlio Tito cessitem de idênticas funcionalidades. Estamos no princípio, mas estamos, também, no bom caminho. No âmbito externo, promoveu-se a articulação com diversas agências internacionais e foram dados passos significativos na componente multinacional de que são exemplos, a Declaração Comum sobre Cooperação Aeromarítima entre as Marinhas de Portugal e de França e a assinatura de um protocolo para a troca de informação entre os Serviços de Busca e Salvamento de Portugal e das Antilhas. Merece ainda destaque a muito recente adesão da Marinha ao North Atlantic Coast Guard Forum, organização que visa a troca de informações operacionais no quadro das funções típicas das Guardas Costeiras. A Marinha está ciente de que só com uma articulação eficaz se pode concretizar um sistema que se pretende coerente, estruturado e eficiente na utilização dos recursos e na busca da segurança, indispensável ao bem-estar dos cidadãos e ao desenvolvimento económico do país. Ninguém, nem nenhuma organização, poderá responder sozinho às inúmeras questões que o mar nos coloca. Marinheiros; Neste ano operacional, cujo início hoje marcamos, são muitos os desafios que temos pela frente. Há que continuar a operar permanentemente no sentido de contribuir para o reforço da autoridade do Estado nas nossas águas jurisdicionais tirando melhor partido dos navios de que dispomos, mesmo que desactualizados; há que garantir Importantes compromissos internacionais: o comando de duas forças navais multinacionais, a SNMG 1 no âmbito da NATO e a EUROMARFOR no plano europeu, e aprontar adicionalmente uma companhia de fuzileiros para integrar o Grupo de Batalha Anfíbio da União Europeia; Simultaneamente há que integrar novos meios. Tudo isto numa conjuntura muito difícil. Saberemos responder com dedicação, brio e profissionalismo. Os resultados alcançados no ano operacional que agora se completa são o garante que conseguiremos superar outros desafios. Como comandante, sinto-me orgulhoso do que tem sido feito em conjunto e, neste novo período que agora se inicia, sei que posso contar com a guarnição, para que a Marinha possa continuar a honrar Portugal. Foto SAJ FZ Silva Senhores oficiais, sargentos, praças, militarizados e civis da Marinha: A democracia é um regime recente na longa história da humanidade. Mesmo hoje, não é a regra no mundo. Tem, portanto, que ser construída e sustentada no dia a dia. Por todos. Pelos que têm o direito de mandar e pelos que têm o dever de obedecer. Muito especialmente pelos que assumem, sem reservas, o dever de defender Portugal até ás ultimas consequências e o compromisso cívico de abdicar de parte da sua cidadania. Só assim, poderemos exigir direito ao respeito e ao reconhecimento que é devido à condição militar e à especificidade de marinheiro. É sobre isto que devemos reflectir, assumindo as nossas posições com verdade e a razão que nos assiste. Só a verdade, só ela, nos possibilita a conciliação. Sabemos, todos, que as pessoas e sua qualidade são a grande riqueza que a Marinha se orgulha de possuir, constituindo o pilar mais importante de toda a sua estrutura. Como sempre foi, e será, só o empenho e a motivação do pessoal permite ultrapassar dificuldades, aparentemente insuperáveis, com que muitas vezes somos confrontados. O sentido do dever não se compra. Nem se vende. Reconhece-se por quem comanda e por quem obedece. Como repetidamente tenho afirmado, é necessário resolver de forma equilibrada e progressiva as questões relativas a carreiras, vencimentos e remunerações. São questões centrais em que é necessário encontrar um justo equilíbrio, eliminando assimetrias negativas com outros Corpos do Estado que há muito tempo se têm vindo a aprofundar. Espera-se que os trabalhos em curso venham a solucionar estas dificuldades. Estas obrigações têm sido, e continuarão a ser, compromissos inalienáveis da minha visão de comando e da constância da minha actuação. Muito obrigado Fernando de Melo Gomes Almirante Revista da Armada • JANEIro 2009 19 ENTREGA DE COMANDO COMANDANTE NAVAL Foto Júlio Tito l Realizou-se no passado dia 10 de Outubro a cerimónia militar na Estação Naval da BNL, da entrega de comando do Comandante Naval ao VALM Saldanha Lopes, rendendo o VALM Vargas de Matos e foi presidida pelo ALM CEMA. Na presença das mais altas entidades da Armada e civis, formou o batalhão naval comandado pelo CMG Maia Martins a três companhias. Após as honras da Ordenança o anterior Comandante Naval, usou da palavra tendo sido condecorado com a medalha Militar de Serviços Distintos – Ouro. Seguiu-se a leitura da ordem da entrega de Comando, tendo o novo Comandante Naval usado da palavra de que se realça: “ ... outros desafios, a curto e médio prazo que, pela sua relevância, não posso deixar de enumerar: - A integração na esquadra dos novos meios, designadamente das fragatas “Bartolomeu Dias” e “D. Francisco de Almeida”, dos submarinos da classe “Tridente” e dos Navios Patrulha Oceânicos; - O comando do Standing NATO Maritime Group 1, já a partir de JAN09, e o comando da EUROMAFOR no período compreendido entre SET09 e SET11; - A participação de uma companhia de fuzileiros no Battle Group da União Europeia, no 1ª semestre de 2009, e a edificação do Destacamento de Guerra de Minas...” Por último proferiu algumas palavras o ALM CEMA, enaltecendo a acção do Comandante anterior, a confiança no novo Comandante Naval, e da sua importância para a Marinha. Após o desfile das forças na parada foi encerrada a cerimónia, a que se seguiu um porto de honra no NRP “Côrte-Real”. O VALM José Saldanha Lopes alistou-se na EN, tendo sido promovido a G/M em OUT 73. Na sua carreira, de 40 anos de serviço, esteve embarcado em várias UN’s, e desempenhado funções como Oficial de Comunicações, Chefe de Operações e Imediato, designadamente em Patrulhas, Corvetas e Fragatas, e participado em várias missões no âmbito da STANAVFORLANT . Em terra foi instrutor na Escola de Comunicações, desempenhou funções no EMA, na Missão Militar em Bruxelas e foi CEM do Comando Naval (CN). Foi Comandante do NRP “Ribeira Grande”, em acumulação com funções no Departamento de Marinha na EN. Especializou-se em Comunicações, e possui, os CGNG e CSNG, o “Communications Staff Course” (Reino Unido), o NATO Electronic Warfare Staff Course”, o “Principal Warfare Officer Course for Surface Warfare”, o “MTC” e o “Gunnery Course” (Reino Unido). Desempenhou cargos na STANAVFORLANT, como assessor na área da Guerra Electrónica no SACLANT e Oficial de Operações do EM. Em terra foi Chefe do CC e encarregado da Secção de Busca e Salvamento (SAR) na Div. OP’s do CN, oficial de Operações Navais do COMCHEFE das FA’s nos Açores, e ainda Chefe da Secção de Treino e Exercícios do CN. Em 1991 foi o primeiro oficial de ligação português no FOST em Portland, e responsável pelo treino das FF’s “Vasco da Gama”. Desempenhou funções na Div. de Log, do EMA e foi Comandante da Esquadrilha de Helicópteros. Comandou o NRP “Côrte-Real”, que foi designado para uma operação na Guiné-Bissau durante a guerra civil em 1998, e integrou a STANAVFORLANT, que incluiu a operação “Allied Force” (intervenção no Kosovo). Foi Subchefe do EMA. Da sua folha de serviços constam vários louvores e condecorações. TOMADA DE POSSE director do hospital da marinha 20 JANEIro 2009 • Revista da Armada gão essencial à prontidão dos militares da Marinha, para o cumprimento da Missão, e ao tratamento do pessoal da Marinha e dos seus familiares. Mas, mais ainda. O HM, para além de apoiar os outros Ramos das FA, constitui hoje, ao nível nacional, um valioso recurso, quase único, nalguns domínios de intervenção específica, como é o caso da medicina hiperbárica, na interligação e apoio à comunidade académica, através da sua acção no ensino pré e pós graduado e, não menos significativo, pela disponibilidade de capacidades e meios próprios à sociedade e ao sistema de saúde civis...” Foto CAB L Figueiredo l No passado dia 18 de Setembro teve lugar na sala da Biblioteca do Hospital da Marinha, a cerimónia da tomada de posse do cargo de Director do Hospital da Marinha (HM), pelo CMG MN Menezes Cordeiro, em substituição do CMG MN Silva Roque. A posse foi presidida pelo SSP VALM Vilas Boas Tavares. Estiveram presentes o VALM Rebelo Duarte, o CALM Goulart Porto, o CALM Bonifácio Lopes e outros oficiais generais, oficiais de diversas unidades e militares e civis que prestam serviço no HM. Das palavras do novo Director é de realçar: “... Propomo-nos: aumentar o leque das valências em cirurgia o que é em parte facilitado com a chegada de novos médicos diferenciados em especialidades cirúrgicas. Providenciar internamento em medicina hiperbárica tornando mais completo o serviço prestado ao sector civil por obviar á deslocação desnecessária entre hospitais de doentes durante o período de tratamento. … Em termos de perspectivas futuras propomo-nos: Implementar a coronáriografia por TAC valência a desenvolver entre os serviços de imagiologia e de cardiologia. Apoiar o incremento da actividade da recém criada valência de senologia. Unidade essa que integra diversas especialidades: Imagiologia, ginecologia, cirurgia, hematologia e psicologia. Desencadear um programa de rastreio do cancro do cólon a ter início ainda este ano através da nova técnica de colonoscopia virtual desenvolvida no serviço de Imagiologia em sintonia com o serviço de Gastroenterologia. Providenciar um apoio contínuo de medicina interna e de cirúrgia geral ao atendimento permanente do hospital...” No final e das palavras do VALM SSP refere-se: “ ... O HM é um ór- O CMG MN João Nuno da Rocha e Menezes Cordeiro é licenciado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa; assistente em Radiodiagnóstico pelos Hospitais Civis de Lisboa e especialista pela Ordem dos Médicos (OM); Consultor de imagiologia da carreira médica hospitalar; detentor do certificado europeu de ecografia clínica; da competência em gestão dos serviços de saúde da OM, do certificado de estudos complementares de Neuroradiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Paris e do diploma de radiologia de intervenção osteo-articular pela Universidade Rene/Descartes. Quando oficial subalterno integrou a guarnição dos NRP´s “Sacadura Cabral”, “Honório Barreto” e “Hermenegildo Capelo”. Foi Interno do Internato Policlínico dos Hospitais Civis de Lisboa; Interno do Internato Complementar de Radiodiagnóstico dos HCL; Director de serviço de Radiologia do Hospital a CVP; Membro executivo do Conselho Regional do Sul da Ordem dos médicos; Fundador e primeiro vice presidente da AMI; Chefe do Serviço de Imagiologia do HM; Director Clínico e Subdirector do HM. É membro da Sociedade Portuguesa de Radiologia e Medicina Nuclear, da American Society of Breast Disease e do Colégio de Radiodiagnóstico da OM. Tem múltiplas publicações e comunicações técnicas nas áreas da imagiologia e da Arte e Património religioso e numismática. O Comandante António Marques Esparteiro A Marinheiro, Historiador e Cronista Naval descrição de viagens, o conto naval cargo demonstrada na elaboração de programas, e a história de navios são algumas descrições e esquemas no método de instrução de das áreas da escrita a que se têm que resultaram excelentes provas com cargas de dedicado oficiais de Marinha. Destacar no- exercício das peças de 120 mm. mes não será totalmente correcto, já que a Mantém-se no aviso durante três anos apreciação de textos é sempre muito sub- e no último como oficial imediato. Presta jectiva. No entanto, pela produção de um diversificado e muito vasto conjunto de obras escritas, aliada a uma longa e distintíssima carreira naval, justifica-se dar a conhecer a biografia de António Marques Esparteiro, nascido em 21 de Outubro de 1898 em Mouriscas, Concelho de Abrantes e tendo ingressado na Escola Naval em Fevereiro de 1920. Promovido a 2º tenente, em Julho de 1924, especializa-se em Artilharia e embarca no cruzador “Carvalho Araújo” a bordo do qual visita portos da costa ocidental africana. Segue-se um período em terra, na Brigada de Marinheiros, tendo sido, em 1927, Comandante da Escola de Alunos Marinheiros. Dedica-se então a questões relacionadas com o Pessoal, respectiva organização e instrução, especialmente a Marinharia, tendo sido louvado pela competência e zelo no desempenho da Comissão que tem por fim reunir num só diploma todas as disposições relativas a uniformes de sargentos e praças da Armada e mais tarde António Marques Esparteiro - Aspirante de Marinha. igualmente pela competência e grande interesse pela instrução militar naval revelada no em seguida serviço no navio escola “SaManual de Embarcações Miúdas. É promo- gres” até que, em Abril de 1939, passa a vido a 1º tenente em Novembro de 1929, chefiar uma secção da Direcção de Mateum ano depois volta ao mar, para coman- rial de Guerra e Tiro Naval e por acumudar o torpedeiro “Lis”, até Junho de 1931 lação nomeado subdirector da mesma Die em seguida o rebocador “Lidador” na fiscalização da pesca no Algarve, tendo na ocasião sido louvado por na barra da Fuzeta haver coadjuvado o salvamento de 2 pescadores. Terminados em Setembro de 33 os comandos no mar, amplia os conhecimentos de Artilharia frequentando, no ano lectivo de 1933 e 34, cursos no Royal Naval College, de Greenwich e na Gunery School de Portsmouth, após o que, em Julho de 34, faz parte da Missão Portuguesa dos Avisos de 1ª classe que, em New Castle, Inglaterra, O Torpedeiro “Lis”. acompanhava a construção destes navios. Em Fevereiro de 1935, quando recção, onde é louvado pelas suas elevadas o aviso “Afonso de Albuquerque” é aumen- qualidades de trabalho, de inteligência, de hutado ao efectivo dos navios da Armada, o 1º manidade e espírito de colaboração prestados no tenente Esparteiro assume o cargo de Chefe desempenho do seu difícil cargo. Regressa ao do Serviço de Artilharia, sendo depois lou- “Afonso de Albuquerque” em Fevereiro de vado pela alta compreensão das funções do seu 1940, sendo promovido a capitão-tenente em Maio desse ano. No “Afonso” visita, de Outubro de 41 a Março do ano seguinte, portos das costas africanas banhados pelo Atlântico e pelo Índico. Desembarca para ser Director dos Serviços Marítimos durante cerca de um ano assumindo, em Setembro de 43, o cargo de Capitão do Porto de Leixões e por acumulação Comandante da Defesa Marítima de Leixões e Barra do Douro. Este tempo de serviço em terra é interrompido em Junho de 44 quando é nomeado comandante do contratorpedeiro “Douro”, em missões no Atlântico Norte, tendo então sido louvado pela forma dedicada, inteligente e criativa como exerceu o comando do C/T Douro conseguindo manter o seu navio eficiente e pronto para qualquer comissão e organizando e instruindo a sua guarnição durante largos períodos de exercícios individuais nas manobras conjuntas de 1945.. Os períodos de embarque e em unidades em terra vão-se alternando. Assim, em Outubro de 1946 volta à Direcção de Material de Guerra agora nas funções de seu director. Os profundos conhecimentos de Artilharia que demonstra possuir, não só na área operacional como na sua gestão técnica, são reconhecidos quando é louvado pela leal e inteligente cooperação prestada em todos os serviços técnicos em que foi pedido o seu parecer. Na qualidade de especialista do armamento dos navios patrulhas “tipo PC”, fornecidos pelos Estados Unidos, integra desde Setembro de 1947 até igual mês do ano seguinte, em Washington, a respectiva Missão de Fiscalização. Será o seu último cargo no âmbito da Artilharia Naval. Apesar de, contrariamente ao sucedido com a maioria dos oficiais do seu tempo, o Comandante Esparteiro ter um conhecimento limitado das terras portuguesas de África, em Junho de 49, é nomeado Capitão do Porto da Beira. Promovido a capitão ‑de-fragata em Março de 51, confirmará, mais uma vez, ser possuidor de elevadas qualidades profissionais, alto espírito de compreensão, grande interesse pelo serviço e notável acção de camaradagem reveladas pelo valioso auxílio prestado à Missão Hidrográfica de Moçambique, conforme louvor que lhe foi concedido em meados de 1955, quando já capitão-de-mar-e-guerra, desde Janeiro, regressa a Lisboa. Em Novembro desse Revista da Armada • JANEIro 2009 21 ano volta ao serviço no mar ao assumir, dendo assim aos períodos em que prestou no presente trabalho os elementos básicos para em Goa, o comando do “Afonso de Albu- serviço na Brigada de Marinheiros e se es- penetrar os mistérios da tecnologia naval. De querque”, então um dos mais valiosos na- pecializou e exerceu funções relacionadas destacar também neste período: “Peça Skovios da Armada. com a Artilharia . “Questionários de Mari- da de 67,5 m/m”, de 1931, uma pormeCom um ano de comissão norizada descrição da peça nos mares da Índia é louvaque armava o torpedeiro por do pela competência e zelo com ele comandado; “Instalações que desempenhou as missões de Artilharia dos Avisos de atribuídas ao navio sob seu co1ª classe”, de 1937, conforme mando e pelo elevado espírito citado o tenente Esparteiro de cooperação com que nas misfoi o primeiro Chefe de Sersões orientou os valiosos auxíviço de Artilharia do aviso lios prestados às entidades civis “Afonso de Albuquerque” e e militares da Índia pela guarni“Comandos e Manobras de ção do navio. Vela”, trabalho merecedor do A partir de fins de 1956 é, Prémio Almirante Magalhães em acumulação com o coOsório do Clube Militar Namando do navio, nomeado val referente a 1940 e fruto da Comandante Chefe das Forexperiência quando embarcaças Navais do Estado da Índo na “Sagres”, constitui as dia e em Abril de 57, ao largar primeiras indicações escritas sode Goa, novamente louvado, bre comandos e manobras a usar O Comandante do C/T “Douro” com os seus oficiais em Ponta Delgada neste navio. sendo considerado um oficial a 15 de Novembro de 1944. distinto de muitas elevadas quaDesenvolveu igualmenlidades de iniciativa e energia, revelou sempre nharia”, de 1928, é o seu primeiro trabalho te estudos sobre Tecnologia Naval tema firme lealdade para com o Comando superior, publicado. Tendo tido oito edições, verifi- onde podem ser incluídos, entre outros, o qualidades que aliadas a sólida competência ca-se que esta obra durante mais de qua- “Dicionário Ilustrado de Marinharia”, de profissional que deu largas pro1936, quando o anterior divas o creditam como um chefe cionário português de Maride muita categoria que honra a nharia tinha sido publicado Marinha de Guerra Nacional. no longíquo ano de 1855 e Chega a Lisboa em Junho e “Panoramas Navais” em que em Outubro de 1958, data procura focar alguns aspectos em que passa à Reserva, entípicos da vida, do mar, visando trega o comando e termina para uso e fraseologia marinháo serviço no mar, se exceptica que permite em frases curtuar-se quando em 1967 e 68 tas e firmes exprimir nitidamenexerce, por breves períodos, te ideias determinantes. o cargo de Capitão de BanCom a experiência de ofideira, respectivamente dos cial imediato na “Sagres” paquetes “Vera Cruz” e “Íne no “Afonso” publica em dia”, utilizados como trans1942 “A Acção do Oficial porte de tropas. Imediato a Bordo”, o seu úniEram passadas três déco trabalho sobre Liderança, cadas e meia em que o Cocolectânea de um conjunto mandante Esparteiro tinha de regras da Arte de Mandar, servido no mar e em terra, termo usado na época, consicom destaque para o comanderando que mais importante do de quatro navios desde o ainda do que a eficiência do mapequeno torpedeiro até ao terial é a condução do pessoal, aviso de 1ª classe e cumprido verdadeira arte que pelo estudo, comissões em Moçambique e pela observação e pela prática, na Índia. Uma carreira naval todos podem melhorar os dons plenamente preenchida! que neste âmbito a Natureza Com a nomeação, em Selhe entregou. tembro de 1959, como DiEntretanto, a partir de rector do Arquivo Geral da 1940, dedica-se à História Marinha, inicia a última fase de Navios, com a colecção da sua vida na Marinha, que “Subsídios para a História agora seria inteiramente deda Marinha de Guerra” que dicada ás Letras. inclui estudos sobre 14 naPassando a reportarmo vios e será publicada nos ‑nos à numerosa bibliograAnais até 1952 e “Corvetas fia de que é autor constata-se Mistas”, correspondentes a 8 que até cerca de 1940, ano em navios, igualmente nos Anais que se iniciou como colaborador da “Gran- tro décadas foi uma referência, de acordo de 1959 e 1963. A Guerra no Mar é outro de Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, com o afirmado na Introdução da edição tema assim como Navios e Marinheiros os temas versados incidem principalmente de 1968 – as praças do primeiro alistamento e que iniciou com “Heróis do Mar”, publisobre Marinharia e Artilharia correspon- todos os que iniciam a vida do mar encontram cado em 1953 na cidade da Beira, quando 22 JANEIro 2009 • Revista da Armada exercia o cargo de capitão do porto, depois, Compulsando os vários escritos do Coem 54, é “Portugal no Mar (1608-1923)” e mandante Esparteiro constata-se o seu proem 59 “O Famoso Botão de Âncora (1600- fundo conhecimento das coisas do mar e 1895)”, nos quais através de episódios descri- de realidades que se têm mantido inaltetos se poderá fazer uma leve ideia do valor e da ráveis ao longo dos tempos, como é o caso capacidade dos nossos marinheiros. quando afirma: os sucessos no mar são sem Um tipo de escrita também constante da significado para o homem da terra, sem excluir sua bibliografia é a Crónica de que sobressa- a grande maioria dos políticos e estadistas ,emem “Crónicas do Mar”, editadas nos Anais bora os grandes acontecimentos da vida interna década dos anos 40 e onde afirma que os incidentes e os episódios do mar têm o sabor a água salgada e a forma do mar imenso. A partir dos anos 60, período em que é Director do Arquivo, publica Biografias de Marinheiros Ilustres e dedica-se a trabalhos sobre a História Geral, incidindo em episódios re- nacional das Nações, quer económicos quer polacionados com a Marinha. De referir que a líticos, quer ainda mesmo sociais, hajam sido biografia “O Almirante Marquês de Nisa” já resultado das vitórias no mar. tinha sido feita pelo Comandante Esparteiro Após se ter feito uma muito breve sínteem 1944, data da sua 1ª edição. se da extensa bibliografia do Comandante O estudo de Tecnologia Naval desper- Esparteiro e voltando à sua carreira naval, tou continuamente o seu interesse e além assinala-se que em Maio de 1960 foi nomea dos trabalhos atrás indicados relativos aos do Vogal do Conselho Consultivo do Muanos 40 e da “A Linguagem do Marinheiro” de 1965, é de referir que o seu perfeito domínio da língua inglesa o levou a apresentar em 71 “Analogias das línguas portuguesa e inglesa” e em 74 e 75 “Dicionário de Termos Navais” (Inglês-Português e Português-Inglês), que são as duas últimas obras publicadas em vida. Do conjunto da sua muito numerosa obra, contam-se 120 títulos, deve claramente distinguir-se, por constituir uma referência para a investigação historico ‑naval correspondente à Dinastia de Bragança, o ciclópico trabalho “Três Séculos no Mar – (1640-1910)”, distribuído por 30 volumes da “Colecção Documentos” e publicados de 1974 a 1987 pelo Ministério da Marinha. Reportando-se ao muito expressivo número de 1.306 navios, é um registo de vida a bordo dos navios do período Brigantino organizado principalmente através de pesquisas nos CMG António Marques Esparteiro. arquivos de Goa, de Marinha e do Ultramar e apresentado em forma de inventário, de modo seu de Marinha, em Setembro do mesmo a mostrar a influência do elemento moral na ano Vogal do Centro de Estudos Históricos vida militar, política e social de Portugal na- Ultramarinos e em Setembro de 62 igualquela época. O primeiro volume inclui um mente vogal, mas agora da Comissão de pormenorizado plano da obra, uma intro- História Militar. Em Maio de 1969 é um dos dução geral em que são caracterizadas as dez membros fundadores do Grupo de EsMarinhas de Remos e de Vela e uma síntese tudos da História Marítima, que em Agosto histórica do período brigantino. Nos volu- de 70 dava origem ao Centro de Estudos de mes em que se inicia cada uma das partes Marinha, o antecessor da actual Academia é feita a descrição geral e evolução dos ti- de Marinha, criada em Dezembro de 1978. pos de navios correspondentes. Torna-se notório que na década dos anos 60 do século XX o Comandante Esparteiro era, no âmbito da História, uma referência não só na Marinha como em outras instituições que se dedicavam ao seu estudo. Em Outubro de 1968 passa à situação de Reforma, mas só deixa a efectividade do serviço em Março de 1970 e por consequência o cargo de Director do Arquivo Geral de Marinha. Nessa mesma data recebeu o último louvor onde é afirmado que da sua folha de serviços constam muitos cargos e alguns comandos de unidades navais todos exercidos com a maior devoção e entusiasmo ... por último durante cerca de 10 anos o de director do Arquivo Geral que muito lhe ficou devendo. Paralelamente à actividade profissional de oficial de Marinha, dedicou-se o Comandante António Marques Esparteiro à investigação histórica e à elaboração de inúmeros trabalhos .... A extensa obra que publicou de grande utilidade, interesse e prestígio para a Armada, bem atesta a erudição do seu autor ao mesmo tempo que constitui, talvez a manifestação mais vincada e notável da sua personalidade de marinheiro. Nestes termos manda o Governo da República, pelo Ministro da Marinha louvar o CMG António Marques Esparteiro pela devoção, entusiasmo e competência com que serviu a Armada durante toda a sua carreira, classificando os serviços prestados de muito importantes, distintíssimos e relevantes, pelo que lhe foi concedida a medalha de ouro de serviços distintos. Apesar de ter deixado a efectividade do serviço continuou os seus estudos, mantendo-se a publicação das obras de que era autor. Deslocou-se pela última vez ao estrangeiro, em Agosto de 1972, para apresentar a comunicação “Três Datas que Importam à Independência do Brasil (1808-1815-1822)”, quando da realização, no Rio de Janeiro, do colóquio “A Marinha e a Independência”. Em 28 de Dezembro de 1976 falecia em Lisboa o capitão-de-mar-e-guerra António Marques Esparteiro, notável oficial da Armada que, além de ter tido uma exemplar e longa carreira naval, é autor de uma vastíssima e valiosa bibliografia, especialmente dedicada à Marinha, aos seus navios e aos seus marinheiros. José Luís Leiria Pinto Fontes Biblioteca Central de Marinha Arquivo Histórico Livros Mestres: K/182,N/23 e P/43 Documentação avulso: Caixa 1411 CALM Revista da Armada • JANEIro 2009 23 EDIÇÕES CULTURAIS DA MARINHA Lançamento do 3º Livro da Colecção Documentos N o passado dia 16 de Outubro, foi apresentado ao público nas instalações da Biblioteca Central da Marinha, o terceiro volume da Colecção Documentos das Edições Culturais da Marinha. Trata-se da reprodução dos Diários Náuticos dos submersíveis “Foca”, “Golfinho” e “Hidra” na sua viagem inaugural de La Spezia para Lisboa, que decorreu entre 15 de Dezembro de 1917 e 10 de Fevereiro de 1918, escoltados pelo vapor “Patrão Lopes”, cujo Diário também é reproduzido na integra. É um livro de 384 páginas, compilado e revisto a partir dos originais pelo Contra Almirante Leiria Pinto que inclui a reprodução fac-simile dos respectivos diários. De leitura quase obrigatória para os submarinistas, interessa a todos os que andam (ou andaram) no mar. A viagem destes três submersíveis, realizada em plena 1ª Guerra Mundial, sendo já Portugal uma das potências beligerantes, através de águas infestadas de submersíveis inimigos e durante um Inverno particularmente rigoroso constituiu um notável feito da Marinha, e da competência e dedicação dos oficiais e guarnições dos navios. Os três submersíveis, com 389 toneladas de deslocamento à superfície e um comprimento de fora a fora de 45,60 metros, tinham uma lotação de 21 elementos (3 oficiais e 18 sargentos e praças). Eram de facto uns pequenos navios que na maior parte do tempo navegavam emersos, podendo entrar em imersão por períodos relativamente curtos para os padrões actuais dos submarinos. O “Patrão Lopes” era uma dos vários navios alemães que no dia 24 de Fevereiro de 1916, se encontrava fundeado no Tejo e como tal foi apresado. Deslocava 1100 toneladas, com 49 metros de comprimento. O Entregue à Marinha de Guerra, foi-lhe atribuído o nome “Patrão Lopes”, fixada uma guarnição de 61 homens, sendo dotado de modestís simo armamento. Na tormentosa viagem pormenorizada nos registos dos Diários de bordo, foram evitados os portos espanhóis, já que a Espanha permaneceu neutral na 1ª Grande Guerra. A pequena cerimónia do lançamento decorreu segundo um modelo já habitual: o responsável pela obra, CALM Leiria Pinto foi apresentado pelo Presidente da Comissão Cultural da Marinha, CALM MN Res. Rui de Abreu. Seguiu-se uma intervenção do CALM Leiria Pinto, com comentários sobre alguns episódios registados nos Diários entre uns mais picarescos e outros mais sérios, relatando o mau tempo e o mar grosso, as pequenas avarias, as dificuldades da navegação as compras para o rancho. Finalizou o acto uma interessante palestra proferida pelo CMG Brites Nunes, sobre o universo e a vivência dos submarinos e dos submarinistas. A sessão terminou com um Porto de Honra. “Submarinos e Submarinistas” lançamento do presente livro – emprego táctico e estratégico, transformaVIAGEM DE LA SPEZIA PARA ram progressivamente os imberbes submerLISBOA dos submersíveis “Foca”, síveis numa arma poderosíssima, altamente “Golfinho” e “Hidra” -, no âmbito das Edi- dissuasora e primordial na colecta discreta ções Culturais da Marinha, reveste-se de um particular significado para os submarinistas, ao fazer-nos recuar aos primórdios da arma submarina na Marinha Portuguesa, numa altura em que se completam três meses sobre o lançamento à água do NRP “Tridente” – 1.º submarino da 5.º Esquadrilha. Mais de 95 anos nos separam da longínqua data de 15 de Abril de 1913, quando o NRP “Espadarte” - primeiro submersível da Marinha, fez a sua priO “Espadarte” - primeiro submersível português. meira imersão já sob a bande informações, fundamentais no apoio à dedeira de Portugal. Ao longo de mais de 9 décadas, os signifi- cisão de alto nível e cruciais na execução de cativos desenvolvimentos tecnológicos, quer missões classificadas, assentes num desemem termos de construção quer em termos penho desejavelmente pouco visível e, talvez de equipamentos, aliados a uma completa por isso, algumas vezes incompreendido. O designado “silent service” sempre asrevolução no que concerne aos conceitos de 24 JANEIro 2009 • Revista da Armada sumiu essa desvantagem em favor do adequado cumprimento das missões que lhe são confiadas. Curiosamente, antes da sua concretização, o conceito de navio que pudesse navegar em imersão, passou por reacções profundamente controversas, de que é exemplo, no início do século XIX, a reacção do almirante inglês Conde de Saint Vincent, ao ser confrontado com a hipótese de construção de um “navio submersível” para combater as esquadras de Napoleão, ao contrapor: “Esqueçam essa possibilidade. Se a adoptarmos, todas as outras nações farão o mesmo, e isso será o mais grave golpe que se possa imaginar para a nossa supremacia naval”. Esta reacção perspectivava já em antecipação, a enorme importância do factor combatente e dissuasor da futura arma submarina. Regressemos contudo à razão de ser des- ta cerimónia, socorrendo-nos de uma breve das pela Marinha Francesa com o “Gymno- Fevereiro de 1890. resenha histórica para enquadrar o nasci- te”, em 1893, deu-se início à construção do A comissão de análise do projecto, premento, a importância e o esforço titânico dos “Gustave Zedée”, com 266 toneladas e 48,5 sidida pelo Comandante Nunes de Carvacamaradas pioneiros da arma submarina, metros de comprimento. Depois de um com- lho, emitiu contudo um parecer desfavoránuma época em que a mesma acabava de se preensivelmente lento processo de constru- vel à respectiva concretização pratica, com apresentar ao mundo como arma combaten- ção e de experiências, só em 3 de Julho de base nas limitações técnicas identificadas te, dotada de condições de segurança ainda 1901, o submersível efectuou o seu primeiro no projecto. muito débeis. Finalmente em 17 de Junho Quando em 1910 o então de 1910, o então Ministro da Ministro da Marinha – CoMarinha Comandante João de mandante João de Azevedo Azevedo Coutinho, sob o conCoutinho, “arrostou” com a selho autorizadíssimo do almiresponsabilidade de mandar rante Morais e Sousa, assinou construir o primeiro submera encomenda aos estaleiros sível português, a arma subFiat San Giorgio do primeiro marina estava ainda na sua submersível para a Marinha vacilante infância e, não se anPortuguesa – baptizado NRP tevia a enorme influência que “Espadarte”, de cujas caracteviria a ter durante as duas GG rísticas básicas se salientam as e, posteriormente, nos sucessiseguintes: vos eventos bélicos e de forte - deslocamento 250 tonetensão mundial. ladas; Como referido em diversos - comprimento 45,15 m; escritos da época, e cito: “exis- velocidade máxima em As guarnições dos submersíveis “Foca”, “Golfinho” e “Hidra” no porto de La Spezia. tia em Portugal algum cepticisimersão 7,9 nós; mo quanto à arma submarina, até no seio da lançamento de torpedo de exercício, ao lar- casco resistente para 40 metros de proprópria Marinha. Só se pensava em cruza- go de Toulon. fundidade; dores e canhoneiras”. - 2 tubos lança torpedos AV; Por seu turno, os Estados Unidos confiaPreconceito similar parece ter acompanha- ram a construção de submarinos ao Eng.º O lançamento à água do “Espadarte” do os submarinos portugueses ao longo dos Holland, conseguindo em 1899 passar a dis- ocorreu no dia 5 de Outubro de 1912 e, a tempos, contudo, bem avisados andaram por de um submersível de 75 toneladas. entrega oficial fez-se em La Spezia às 11.00 aqueles que corajosamente fomentaram o Contudo, em 1914, os americanos já pos- horas do dia 15 de Abril de 1913, sob o codesenvolvimento da arma submarina na suíam submersíveis de 1000 toneladas de mando do 1.º tenente Joaquim de Almeida nossa Marinha e a têm mantido com digni- deslocamento. Henriques e com uma guarnição de 3 oficiais dade e brilhantismo há mais de 95 anos, sem A Alemanha, só em 1903 decidiu come- (Com.te Almeida Henriques, 2.º tenente Ferinterrupção, ao serviço do País. çar a construir o seu primeiro submarino nando Augusto Branco e guarda-marinha O desempenho operacional dos nossos de combate, adoptando os motores Diesel Eng.º maq. O’Sullivan Simões) e 16 sargensubmarinos, nas quatro esquadrilhas exis- em 1906. tos e praças. tentes até ao presente, permitiu ainda consA viagem do “Espadarte” entre La Spezia Estamos a falar de submersíveis de pequeciencializar e consolidar a importância da no deslocamento, com pouca manobrabili- e Lisboa, feita sem escolta, foi absolutamente existência de uma escola de tormentosa e temerária, tratancivismo e de disciplina espondo-se de um submersível com tânea, inteligentemente aceite, apenas 250 toneladas de desassente num específico espírito locamento. de camaradagem e de solidaO “Espadarte” largou de riedade, entre homens irmanaLa Spezia na manhã de 4 de dos pelos mesmos riscos nas Maio de 1913, para uma viaprofundezas oceânicas. gem inaugural de cerca de Nos submarinos se forjam 1.400 milhas. Após múltiplas carácteres e se estreitam laços avarias, reparações, arribadas de amizade e de colaboração e violentas tempestades, a temútua, enquadrados numa nacidade e perseverança da postura singular de união, únisua guarnição fê-lo entrar orca em todas as Marinhas. gulhoso a barra do porto de O submarinista sente o casLisboa às 08.35 horas do dia 5 co do seu submarino como a de Agosto de 1913, três meses sua segunda pele. Vive com após a data da largada. Os submersíveis da 2ª Esquadrilha no porto da Horta. a máquina e para a máquina, Este exemplo de profissionuma relação biunívoca sempre com o objec- dade, ainda sem disporem de snort e, com nalismo e de determinação, permitiu confitivo de optimizar o respectivo produto ope- deficientíssimas capacidades de controlo gurar a importância da criação de uma escoracional, a fim de retirar o melhor proveito do ar ambiente, necessitando de pelo me- la de navegação submarina que, para além das suas capacidades, sem se preocupar com nos 10 minutos para entrarem em imersão da formação técnica especializada essencial, a “visibilidade” das acções. começasse por transmitir às futuras guarni“rapidamente”. O objectivo é sempre o cumprimento da Em Portugal também ocorreram estudos e ções, os altos valores da competência profismissão atribuída. O serviço é silencioso, tem definiram-se propostas para a construção de sional, do aprumo moral, da dedicação e do que ser silencioso por definição. submersíveis, designadamente com o apare- espírito de sacrifício. Voltemos contudo ao despontar da “arma cimento do projecto “Fontes” da autoria do Os submersíveis requeriam um manesubmarina” como navio de combate. 1.º tenente João Augusto de Fontes Pereira jo complexo e exigiam pessoal altamente Após as experiências promissoras realiza- de Mello, apresentado ao Governo em 8 de especializado e treinado, a fim de permitir Revista da Armada • JANEIro 2009 25 alcançar a eficiência e a eficácia pretendida, dades sentidas, os sentimentos vividos peinteriorizando-se desde muito cedo que a las guarnições, a angústia do desconhecido improvisação era totalmente inaceitável. e a interiorização das fragilidades assumiAinda só com o “Espadarte”, organiza- das, enquadradas num ambiente real de ram-se os primeiros programas de especia- guerra, numa vivência difícil de conceber lização em submersíveis, com a criação, por nos dias de hoje. diploma de 11 de Março de 1914, da escola Imaginemos contudo, como terá sido de navegação submarina. um cruzeiro de submersível, com base No início de 1916 e apesar das polémicas, na descrição do Comandante Fernando o governo português através do Ministro da Branco (comandante do NRP “Hidra”) Marinha Victor Hugo de Azevedo Coutinho, encomendou mais três submersíveis ao estaleiro italiano, de características similares e de deslocamento ligeiramente superior ao “Espadarte” Os três submersíveis foram solenemente entregues a Portugal em La Spezia no dia 20 de Outubro O submersível “Narval” da 3ª Esquadrilha. de 1917, baptizados como “Golfinho”, comandado pelo capitão- nas suas “Novelas Submarinas” (passo a tenente Joaquim de Almeida Henriques, citar): “um pequeno invólucro de aço repleto “Hidra”, comandado pelo 1.º tenente Fer- de maquinaria, onde nada existe que se possa nando Augusto Branco e “Foca”, comanda- alcunhar de comodidade, onde o ar é por vedo pelo 1.º tenente Serrão Machado. zes irrespirável; com 21 homens a bordo, vai As lições aprendidas com as dificuldades permanecer quatro dias afastado do contacto e os problemas sentidos durante a viagem do mundo, alapardado entre águas como um pelo “Espadarte” e o facto de o País se en- grande cetáceo, exposto ao mar e ao mau tempo, contrar já envolvido na I GG, levou a consi- às minas, aos ataques do inimigo, dos amigos, derar a conveniência dos três submersíveis dos neutros, das baterias de costa, das patruefectuarem o trânsito La Spezia – Lisboa, lhas nacionais, etc. com escolta. Os indivíduos que compõem a guarnição O Ministério da Marinha concordou com são todos conhecedores do perigo que correm, a organização dessa escolta, mas, por carên- e cônscios da responsabilidade que lhes cabe na cia de navios e atendendo às emergências manobra dos vários aparelhos e da qual pode da guerra, apenas foi disponibilizado o vapor “Patrão Lopes”, modestamente armado, tendo complementarmente sido solicitada, por via diplomática, a colaboração das Marinhas francesa, italiana e britânica para acompanhamento e protecção, em cada uma das fases do trânsito. São as peripécias desta viagem, iniciada ao entardecer do dia 15 de Dezembro de 1917, que são relatadas nas páginas dos respectivos Diários Náuticos dos 3 submersíveis, reproduzidas na Edição Três submarinos da 4ª Esquadrilha. que hoje é dada a conhecer. Com o raiar da manhã do dia 10 de Fe- depender a salvação do submarino, todos olham vereiro de 1918, os três submersíveis en- o seu camarada como se olhassem a si próprios, traram em formação no Rio Tejo, ao fim de dedicando à sua missão a atenção que dedicam quase dois meses de viagem, efectuando à conservação da sua preciosa vida. navegação perigosa, com mau tempo e em O Comandante vê em todos os seus homens, zonas de guerra, onde a presença de sub- não uns autómatos humanos que a uma voz mersíveis inimigos era assinalada com in- cumprem disciplinadamente sob o peso dos gaquietante frequência. lões, um serviço que não percebem, mas sim uns A mais de 9 décadas de distância destes colaboradores preciosos que inteligentemente eventos e para as realidades presentes, é sabem pôr em pratica aquilo que ele lhes diz difícil percepcionar e sensoriar as dificul- apenas quando é oportuno que se faça. 26 JANEIro 2009 • Revista da Armada Por sua vez, os homens olham o seu comandante, como um amigo, como um irmão mais velho em quem depositam a máxima confiança, entregando-lhe a sua vida. É esta a verdadeira escola da solidariedade. Cada um vê no outro o seu irmão, o seu salvador e sente-se responsável por ele. Sabe que se o navio ficar no fundo, terá de aguardar a morte lenta ao lado do seu camarada, enquanto à superfície os técnicos discutem a possibilidade do salvamento e os mergulhadores martelam o casco pelo lado de fora, para ver…se eles ainda estão vivos! Com o submersível já em imersão, a atenção redobra-se até porque a divisa assumida pelas Marinhas aliadas de superfície durante a guerra era: “Mais vale destruir um submarino aliado, do que deixar de destruir um submarino inimigo”. Estranho, curioso e macabro. Se o valor do submarino, como arma de guerra naval, não fosse enorme, certamente não teria sido necessário chegar a tão rasgados lemas e a tão profundas reviravoltas psicológicas. A tensão a bordo é enorme, mas todos estão prontos. Os músculos repisados, magoados pelos esforços contínuos. O comandante tem os olhos injectados do uso do periscópio. Todos estão pouco asseados…porque estão há quatro dias sem se lavarem e a dormirem vestidos. De resto o ambiente cheira a óleo, a comida, a cebo e a humidade. As anteparas gotejam vapor de água, a atmosfera é já quase irrespirável. (fim de citação) Estes excertos da narrativa, são amplamente elucidativos da realidade da vida a bordo dos submersíveis da 1.ª Esquadrilha, cujos homens, pioneiros da arma submarina, são hoje aqui globalmente lembrados e homenageados. A evolução tecnológica permitiu contudo dotar progressivamente os submarinos com capacidades crescentes, conferindo-lhes presentemente amplas potencialidades tácticas e estratégicas, justificando o facto de que, presentemente, as nações que dispõem de submarinos não os querem perder e as que ainda deles não dispõem, os querem adquirir. Termino, desejando longa vida à “família submarinista” ao serviço da Nação, na Marinha, com a certeza de que continuarão a honrar a divisa: EFICIÊNCIA - PROFISSIONALISMO – DEDICAÇÃO, no presente e no futuro muito próximo, a bordo dos submarinos da 5.º Esquadrilha. C. Brites Nunes CMG PÁGINA DA SAÚDE 16 Marinha Portuguesa no desenvolvimento da Medicina Subaquática e Hiperbárica Actividade assistencial e de instrução desenvolvida pelo Centro de Medicina Hiperbárica do Hospital da Marinha (CMH-HM) A actividade desenvolvida pelo corpo clínico do CMH ‑HM, reparte-se pelas consultas, pela prescrição de tra tamentos de rotina e de urgência, pela participação nas escalas para o tratamento das urgências, pela realização de es tudos clínicos, pela selecção de candidatos ao mergulho profis sional e militar, pela avaliação periódica do seu grau de aptidão psico-física, pelo treino, em câmara, para o mergulho militar profundo e pela realização de testes de tolerância aos gases em ambiente hiperbárico (oxigénio e azoto, por exemplo). O CMH-HM presta, na actualidade, apoio terapêutico aos acidentes resultantes da prática de actividades em ambiente hiperbárico, em atmosfera seca (trabalhos com ar comprimi do, constituindo exemplo o apoio permanente que é dado pelo CMH-HM, em caso de acidente disbárico, aos trabalhadores envolvidos nas obras de construção e de ampliação da rede do metro em Lisboa), ou em atmosfera húmida (mergulho militar, profissional, desportivo, recreativo, científico). Trata também todas as outras doenças causadas ou agrava das pela falta de oxigénio ao nível dos tecidos e com indicação clínica para oxigenoterapia hiperbárica (OTHB). Neste contexto, e por ter sido único no Continente até ao iní cio do ano de 2006, a actividade clínica desenvolvida ao nível do CMH-HM aumentou de forma significativa no decurso da última década. É de realçar o importante apoio terapêutico facultado ao sec tor civil da nossa comunidade, possibilitando aos Hospitais Civis recorrer aos serviços do CMH-HM, sempre que aquelas instituições acorram situações clínicas, agudas ou crónicas, com indicação para OTHB. Como corolário da actividade clínica desenvolvida entre 1989 e 2007, foram neste Centro consultados 4.499 doentes, 78% (3.510) dos quais oriundos de outros hospitais, 18% (830) por indicação dos respectivos médicos assistentes, e 4% (159) por iniciativa própria. De entre o total de doentes consultados, foram efectivamen te tratados 3.698, 2.537 dos quais em regime rotineiro, 1.161 em regime de urgência. No total, e até 31/12/2007, foram realizadas 99.188 sessões individuais de tratamento, das quais 98% em regime de roti na, e 2% em regime de urgência; foram realizadas 9.685 con sultas (35% primeiras de rotina, 53% de reavaliação, e 12% de urgência). È de realçar o apoio terapêutico prestado pelo CMH-HM à comunidade civil na área da toxicologia clínica, tendo sido tra tados, até finais de 2007, 948 casos de intoxicação pelo monó xido de carbono, todos eles em regime de urgência. Foram também tratados em regime de urgência, 88 casos de surdez súbita, 73 casos de doença de descompressão, 40 casos de infecções graves dos tecidos moles, 4 casos de embolia gaso sa vascular, 3 casos de intoxicação por sulfureto de hidrogénio em trabalhadores de condutas de água e esgotos, 2 casos com patologia vascular retiniana aguda. Quanto à actividade clínica rotineira, foram tratados, até fi nal de 2007, 2.537 doentes, na sua maioria oriundos de hospi tais civis, com diversas patologias, de entre as quais destaca mos a surdez súbita, as úlceras crónicas das extremidades, a cistite hemorrágica e proctocolite rádicas, a cistite química, a osteíte crónica, a osteorradionecrose da mandíbula e a osteo necrose asséptica. Este Serviço tem promovido continuamente acções de forma ção pré e pós-graduada, nomeadamente 10 Estágios Básicos em Medicina do Mergulho, 5 Estágios em Medicina Hiperbárica e 3 Cursos de Pós-graduação em Medicina Subaquática e Hiperbá rica, conducentes à formação de 67 médicos, 53 enfermeiros da Marinha e 27 alunos do 3º ano de medicina da Escola Naval. O CMH-HM realizou Estágios Profissionais em Medicina Hi perbárica, para formação dos elementos (médicos, enfermeiros e técnicos) do Serviço de Medicina Hiperbárica do Hospital de Pedro Hispano e do Centro Hiperbárico do Hospital Central do Funchal, estágios estes que contribuíram para que o nosso país disponha, na actualidade, de três Centros de OTHB com activi dade diária, geograficamente dispersos de forma estratégica. Ao abrigo de protocolo com a Faculdade de Medicina da Uni versidade de Lisboa e, destinado a licenciados em medicina, está em fase de implementação o 1º Curso de Pós-Graduação, con ducente a Mestrado, em Medicina Subaquática e Hiperbárica Ainda no âmbito daquele, teve início, a 1 de Outubro de 2007, nas instalações do CMH-HM, a Cadeira Optativa de Medicina Hiperbárica e Subaquática, destinada aos alunos do 4º ano do Curso de Medicina da FMUL e da Escola Naval. O CMH-HM realizou Jornadas de Medicina Hiperbárica, em 1997, 1999, e 2001, destinadas à divulgação desta área do conhe cimento no nosso país e organizou em Lisboa - 2001, a Conferên cia Europeia de Consenso sobre o papel do oxigénio hiperbári co no tratamento das lesões rádio-induzidas dos tecidos moles, sob a égide da Sociedade Europeia de Radioterapia e Oncologia e do Comité Europeu de Medicina Hiperbárica. O CMH-HM tem promovido a realização de ensaios clínicos consubstanciados em participações em Congressos e Jornadas Médicas, nacionais e estrangeiras e em publicações em revis tas médicas. O Centro tem desenvolvido actividade de cooperação cien tífica, no âmbito de iniciativas empreendidas pelo European Committee for Hyperbaric Medicine (ECHM) e pela European Underwater Baromedical Society (EUBS), e também no âmbi to da acção COST B14, destinada especificamente ao desenvol vimento da oxigenoterapia hiperbárica, numa iniciativa dos países da comunidade europeia. Estes dados de actividade do CMH-HM projectam-no para um plano cimeiro, no âmbito dos Centros de Medicina Hiper bárica sediados no espaço geográfico da Comunidade Europeia, e atestam o papel pioneiro desempenhado pela Marinha Portu guesa no âmbito do desenvolvimento da Medicina Subaquática e Hiperbárica, a nível nacional e internacional. (Colaboração da DIRECÇÃO DO SERVIÇO DE SAÚDE) Revista da Armada • JANEIro 2009 27 VIGIA DA HISTÓRIA 6 O Salva-Vidas S endo a Salvaguarda da Vida Humana no Mar uma das principais p re o c u p a ç õ e s c o m que se deparam todos os que fazem do mar a sua vida, é natural que muita da capacidade inventiva dos humanos se aplique na procura de soluções para os problemas que tal vida, com frequência, acarreta. O caso que hoje nos traz aqui prende-se com algo que constitui o sonho de quem anda no mar, um salva-vidas que seja inafundável já que um navio com essas características parece impossível de conseguir. Recordo-me de há uns anos ter surgido nos jornais de Lisboa a existência de um salva-vidas que, para além de quem nele se encontrava não sofrer balanço, tinha como característica, se a memória não me falha, o que aliás já ocorre com alguma frequência, ser praticamente inafundável. Recordo-me também de alguns anos depois encontrar o protótipo do tal salva-vidas abandonado, numa doca de Lisboa e, em parte, já submerso. E, no entanto, a solução para o problema já havia sido encontrada muito antes, como se poderá observar pela leitura de uma carta de 6 de Julho de 1811 escrita pelo Intendente dos Arsenais para o Ministro Secretário dos Negócios da Marinha e que se transcreve: “ No tempo em que o Exmº António de Araújo (2) servia de Ministro Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra mandou conduzir do Porto uma pequena embarcação de cortiça a que se deu o especioso nome de salva-vidas. Mandou o dito ex. Ministro entregar neste Arsenal a dita embarcação depois de algumas experiências, e aqui existiu até à invasão dos franceses, os quais a removeram para a casa dos escaleres de Belém (3), e depois, consta-me, para o Arsenal da Marinha. Recentemente escreve-me o predito ex-Ministro persuadido de aquela sua embarcação se conserva neste Arsenal insinuando-me a entrega ao oficial da secretaria Manuel José Sarmento. Levo pois o expendido à presença de V. Exª para dignar-se expandir a este respeito as ordens que for servido” Através duma informação, de 12 de Julho desse mesmo ano, veio a saber-se que o dito salva-vidas se encontrava na Azinheira e que o seu estado geral era satisfatório. Não são conhecidas quais as experiências que haviam sido efectuadas nem qual o destino que teve o salva-vidas. Com. E. Gomes Notas: (1) Nem sempre as soluções encontradas recolhem aprovação unânime como ocorreu, por exemplo, com o Regulamento Internacional para Evitar Abalroamentos, cuja obrigatoriedade, queixavam-se os armadores ingleses, acarretava grandes encargos podendo, inclusivé, constituir causa de ruína económica. (2) Trata-se do ministro António Araújo de Azevedo mais tarde 1º conde da Barca que acompanhou o Rei na ida para o Brasil onde continuou como ministro. (3) Deverá tratar-se muito provavelmente do armazém existente junto à Cordoaria, no local em que a toponímia ainda conserva a memória do facto, na Travessa dos escaleres, na mesma zona existem ainda a Travessa das Galeotas e a Travessa dos Algarves, designação dos remadores daquelas embarcações. Fonte: Caixa 14 do Arquivo Central de Marinha Grupo de Amigos do Museu de Marinha (GAMMA) N o passado dia 4 de Outubro, na sede do GAMMA, foi assinado um Acordo entre esta Instituição, representada pelo seu Presidente da Direcção, CALM Leiria Pinto e a Associação de Amigos do Museu Marítimo de Barcelona, representada pelo Sr. Albert Campanera I Rovira, na qualidade de seu VicePresidente. Este Acordo, à semelhança do já efectuado com a Liga dos Amigos do Museu Naval do Brasil, visa estabelecer uma linha de constante colaboração que beneficie ambas as Partes e a colaboração que oferecem aos seus respectivos Museus e igualmente a troca entre as duas Partes, de informação relacionada com as suas actividades. A fim de dar a conhecer o contexto histórico em que estão inseridas determinadas peças museológicas pertencentes à exposi28 Janeiro 2009 • Revista da Armada ção permanente do Museu de Marinha, tem o GAMMA promovido a realização, habitualmente, aos segundos Sábados de cada mês, pelas 11 horas no Museu, as denominadas “Conversas Informais”. Para o próximo semestre estão programadas as seguintes: 10 Janeiro - “Novos Piratas ….. Velhos Problemas” - Dra. Alexandra Amoly, 14 Fevereiro - “A Batalha Naval de Diu – 1509” - CMG Saturnino Monteiro, 21 Março - “A Aviação Naval” - CMG José Cyrne de Castro, 18 Abril - “O Aparelho dos Navios de Vela” - CTEN António Manuel Gonçalves, 9 Maio - “Os Novos Submarinos da Classe Tridente” - CTEN Salgueiro Frutuoso. (Colaboração do GAMMA) Foto Júlio Tito Foto CAB FZ Ramos 50º Aniversário do Curso “D. Lourenço de Almeida” O dia 2 de Dezembro foi dia grande para o nosso Curso, pois nesta data, há 50 anos, 63 cadetes entravam pela primeira vez na Escola Naval. Para comemorar o acontecimento foi estabelecido um intenso programa com início às 09,30 na Capela de S. Roque, do Arsenal da Marinha, onde foi rezada missa por alma dos dez camaradas já falecidos – Maldonado Machado, Machado Ramos, Socorro Domingues, Ferreira Gonçalves, João Silva Dias, Pericão de Almeida, Guerreiro Pereira, Baptista da Silva, Mota dos Santos e Leite de Novais, e de Acção de Graças por todos os presentes. Presidiu à celebração o Capelão Chefe da Armada CMG J. Ilídio da Costa, sendo a cerimónia acompanhada musicalmente por Catarina Anacleto (violoncelo) e Inês Hkan (soprano). Seguiu-se, numa acção conjugada com a Comissão Cultural da Marinha, a visita à Exposição que se encontrava no átrio da Unidade de Apoio e que contemplava três efemérides – os 150 anos do primeiro navio a vapor construído no Arsenal da Marinha, os 75 anos da Esquadra do Plano Magalhães Corrêa e os 50 anos da Reforma da Escola Naval. Apresentou as exposições o Presidente da Comissão Cultural, CALM Rui Abreu, que se deteve mais detalhadamente na Reforma da Escola Naval, amabilidade que agradecemos. Houve então tempo para a confraternização, pois já se encontravam na parada frente à Casa da Balança todos os elementos do Curso vindos de diversos pontos do país e os nossos professores, que tiveram a amabilidade de nos acompanhar à Escola Naval. E assim, à hora prevista, num autocarro da Marinha o Curso D. Lourenço de Almeida e seus professores soltaram rumo à Margem Sul. Já no Alfeite e por a viagem ter sido mais rápida que o previsto, houve tempo para visitar a Estação Naval, na Base Naval de Lisboa, onde todos ficaram agradavelmente surpreendidos com a boa apresentação do que observaram, nomeadamente aqueles que há muito tempo por lá tinham passado. Alguns já há 49 anos! A chegada à Escola Naval, só surpreendeu, por à primeira vista se encontrar na mesma. Todos o reconheceram! Depois da apresentação de cumprimentos ao Comandante da Escola Naval, CALM Macieira Fragoso, da entrega do Livro do Curso e da Medalha, foi assinado o Livro de Honra e observado o “Livro de Assentos” do Curso, com as classificações e também ... os castigos. Com os cadetes formados na parada, armados de espada, o nosso curso e seus professores posicionaram-se no átrio da parada, tendo na oportunidade usado da palavra o VALM Duarte Reis que numa curta intervenção e depois de explicar o acto em si, exortou os cadetes ... “Decorridos 50 anos não viemos só em romagem de saudade, viemos também em reconhecimento e gratidão por esta nossa Casa, pelos valores morais que nos incutiu e pela formação técnica e profissional que nos deu” e a terminar ... “Caros cadetes. Os cadetes de 1958, de novo nesta Casa, e antes de voltarmos a partir queremos deixar um abraço de camaradagem, os votos de boa viagem para o longo caminho que vos espera, e o testemunho do reconhecimento e gratidão à Escola Naval e à Marinha”, após o que o Corpo de Alunos desfilou. Depois da fotografia junto à porta de entrada, deslocámo-nos para o Edifício do Internato onde perante todos, o chefe do curso, CMG ECN José Baião do Nascimento descerrou uma placa, onde em linguagem muito simples e no bronze, lá ficou a “HOMENAGEM À ESCOLA NAVAL”. Na “Camarinha do Comandante” foi então servido um agradável almoço, que nos reuniu num grande convívio. Aos brindes falou oVALM Junqueiro Sarmento que agradeceu ao Comandante da Escola Naval a calorosa recepção que proporcionou, reconhecimento extensivo aos nossos professores pela forma como nos acompanharam nesta jornada e por tudo o que nos ensinaram. Para o Curso, foram as suas palavras finais, enaltecendo principalmente a sua coesão e a camaradagem, que fizeram com que não se “perdesse” ninguém, face aos múltiplos obstáculos que foram surgindo ao longo dos tempos. Em nome dos nossos professores falou o Comandante Serra Brandão, com o seu habitual brilho e perspicácia. O CALM Macieira Fragoso fechou os brindes congratulando-se com a presença do Primeiro Curso da Nova Reforma e a camaradagem manifestada naquela ocasião. Durante o regresso à “Casa da Balança” era evidente a boa disposição de todos, não só pelo excelente encontro mas também pela forma como viam a sua Marinha. Já em Lisboa o Almirante CEMA recebeu uma delegação do Curso que lhe expôs de uma forma geral e resumida a comemoração em questão. O Almirante Melo Gomes manifestou a sua satisfação, e da Marinha que representa, pelo acontecimento e dirigiu--se então até à “Casa da Balança”, onde foi cumprimentado por todos nós e connosco fotografado. Por fim realizou-se nas instalações do Farol da Guia o “Jantar de Cerimónia” que juntou o Curso e suas famílias, incluindo familiares dos camaradas falecidos, num total de 125 pessoas, em ambiente de grande amizade e camaradagem. Após os habituais discursos de circunstância, foram distribuídos a todos os presentes o DVD relativo à Escola Naval, a Medalha Comemorativa e o Livro do Curso. (Colaboração do CURSO “D. LOURENÇO DE ALMEIDA”) Revista da Armada • Janeiro 2009 29 HISTÓRIAS DA BOTICA (60) A Escolha Desenho enviado de Kabul, Afeganistão pelo autor em 10 Dez 08 (…) Quem não puser a imortal bandeira da pátria à janela da sua casa, não merece estar vivo, Aqueles que não andarem com a bandeira nacional bem à vista é porque se venderam à morte, Junte-se a nós, seja patriota, compre uma bandeira (…) In “As intermitências da Morte”, José Saramago N ão é da nossa escolha a época em que vivemos, não a podemos escolher mais pacífica, ou menos conturbada. Se assim fosse, muitos teriam escolhido, por exemplo, não ter sofrido a guerra ou qualquer outro tempo de desgraça em que, infelizmente, a humanidade é fértil. A única escolha, que nos é permitida fazer – como seres humanos – é do que vamos fazer com o tempo que nos foi concedido nesta vida. Esta importante decisão marcará, profundamente, quem somos. Existiram sempre os proverbiais dois caminhos: o fácil e o difícil. Alguns de nós, perdidos no turbilhão do mundo tentam fazer o melhor que podem das suas escolhas. Eu acredito – ainda que raramente me peçam opinião – que as melhores escolhas são as que não têm apenas os interesses do próprio em mente. Estas últimas, que implicam sempre um “salto de fé” – isto é implicam geralmente muito sacrifício no imediato, para atingir recompensas tardias, e, muitas vezes mesmo, muito distantes. Estes são os caminhos das pessoas que estudaram para 30 JANEIro 2009 • Revista da Armada chegar a determinado grau académico, ou que se dedicaram, com alma e coração, às várias fases de uma qualquer profissão até atingirem um grau de mestria, que lhes será certamente reconhecido. Vivemos agora, em Portugal, um período de profunda crise económica e social. Estes tempos, compreenderão os leitores, têm profundas consequências na saúde do indivíduo e, consequentemente, na prática dos médicos. Nestes dias tenho visto militares (na reforma) e imensos não militares, que contam histórias tristes de vida, impregnadas de um sofrimento generalizado, que até agora não me havia sido dado conhecer, neste nosso país. As histórias mais comuns têm pura e simplesmente a ver com a incapacidade de pagar os medicamentos. Neste particular, tem havido uma verdadeira revolução entre nós. Os medicamentos baixaram o preço, por decreto, mas isso de pouco alívio tem servido aos pacientes, pois o valor das comparticipações tem evoluído de forma progressiva, mas decididamente no sentido do “utilizador pagador”…Estamos na época das receitas pré-datadas (sim, como os cheques), em que o paciente gere os medicamentos ao longo dos meses consoante os seus proventos. Muitos, particularmente os mais velhos e necessitados, não tomam tudo o que precisam e chegam mesmo a mentir – por vergonha de dizer que não têm dinheiro para pagar a farmácia… Existe ainda, logo após a superfície, um deses- pero social profundo. Este provém de um sentimento de tragédia pessoal, que muitos assumem com foros de irreversibilidade, que provém de expectativas falhadas. Refiro-me, particularmente, a uma legião de pais cujos filhos fizeram cursos superiores, almejando empregos e proventos que a geração anterior não atingiu, mas que estão desempregados, ou sujeitos a empregos indiferenciados, precários, bastante piores que os dos seus pais…Existe agora, também, de forma forçada, um novo conceito de família alargada. Trata-se dos avós, dos pais, dos filhos, muitas vezes também, dos netos. Todos partilham um qualquer dois ou três assoalhadas dos vastos subúrbios de Lisboa, porque os filhos, mesmo com emprego, não conseguem suportar os encargos de um aluguer, e, muito menos ainda, um crédito para a compra de uma casa… A depressão é a regra social prevalente neste tempo, que nem os milhares de centros comerciais – aspecto em que estamos na cabeça do mundo civilizado, com todos as suas luzes brilhantes e néones fosforescentes – conseguem remediar. Chegou a altura, pensará o leitor e muitos outros, de achar culpados para toda esta situação, que afecta uma vasta multidão. Ao contrário do que muitos pensam, admito que a culpa não é deste ou daquele governo, mas de todo um sistema – que se criou e manteve as diferenças sociais mais acentuadas da Europa Ocidental. Ora eu que não sou, nem tenho pretensões a ser, político, acredito ainda que esse sistema tem raízes culturais profundas – fundamentadas na máxima “mais vale parecer do que ser”. Assim, muitas famílias gastaram o que tinham e o que não tinham em bens de luxo, com acesso facilitado por um crédito disponível (a acreditar nos anúncios) a custo quase nulo…É ver agora as filas intermináveis de carros de luxo, que aguardam abastecimento nas gasolineiras com preços mais reduzidos – onde vão poupar uns formidáveis dois ou três cêntimos por litro, “que já dão para a ajuda da prestação do carro”… O país como um todo viveu acima das suas capacidades, o que para uma mente simples como a minha quer dizer simplesmente acima dos bens que produz, da mais-valia que cria. Todo o país me parece a crédito, já que quase todos os bens que consumimos foram produzidos por outrem. Por outro lado, e isto afigura-se particularmente preocupante, não parecemos reunidos – da fora como se subentende no o texto acima – à volta da mesma bandeira. Dito de outro modo, foi possível colocar uma bandeira em cada casa a propósito de assuntos de interesse nacional, como o será certamente o caso do futebol, mas não tem sido possível, ao longo de anos, erguer uma bandeira, ser patriota, ao redor de uma causa comum – o bem da nação…Em vez disso, observamos, quotidianamente uma dança de interesses, económicos, corporativos e muitos outros de natureza obscura (como os escândalos bancários de que fomos, a medo, tendo conhecimento). Assim, compreender-se ‑á, não venceremos nunca… Chegou a altura, acredito profundamente, de fazermos a nossa escolha – íntima e como nação. Em épocas de crise parece-me e sei que muitos estão de acordo comigo – deveria ser atingido o consenso em múltiplos temas, particularmente quanto à sociedade que queremos ter. Na linguagem, as distinções entre os vários quadrantes parecem mínimas – em especial em temas de cariz social. Todos querem tratar bem os pobres e promover a tão apregoada “justiça social”. Deveria, portanto, ser fácil produzir entendimentos quanto a temas como o emprego, a saúde e a habitação – só para citar alguns. Oxalá assim seja, de contrário, admite-se, outros com maior poder económico, e dos quais dependemos, forçarão esses entendimentos. Aos meus leitores habituais, peço agora desculpa. Este tema não está ao nível da história pessoal – que tanto gosto de escrever. É que, compreenderão por certo, seria injusto, para um grande número de pessoas, se só contasse este ou aquele pormenor de uma situação que afec- ta toda uma nação. Os outros, os que acharem que estes temas não têm qualquer cabimento na cabeça de um médico, que se não deveria imiscuir em tais assuntos, tranquilizem‑se. Continuarei a ser o mesmo, só um médico da Margem Sul, longe, muito longe, dos corredores de qualquer forma de poder. A minha escolha, essa que é minha por direito, é na direcção da verdade. Com ela fiz um compromisso, neste tempo que me foi concedido… Finalmente, gostaria de deixar a certeza – a todos o que nesta quadra festiva passam grandes dificuldades – de que vamos vencer. Depois de falar com muitos dos que agora sofrem, fico, sozinho, no silêncio que a sua dignidade imprime ao ar que respiro…Sei nesses momentos que venceremos, na economia, venceremos na educação, venceremos como país.Venceremos, porque, estou certo, ainda há um conjunto suficiente de pessoas honestas, trabalhadoras e, é claro, amantes da verdade. São todos aqueles que acreditam no valor do trabalho, numa melhor vida para os seus filhos e que, teimosamente, continuam agarrados à esperança de uma vida melhor. É neles, principalmente neles, que devemos confiar… Doc Ainda as Comemorações do Dia da Marinha – 2008 D e há seis anos a esta parte o Núcleo de Radioamadores da Armada (NRA) vem efectuando um Concurso de Radioamadorismo integrado nas Comemorações do Dia da Marinha. Este ano, e já disso se falou na R.A., o ciclo iniciou-se nos primeiros dias de Maio, mas foi só em 27 de Setembro passado que ocorreu a entrega de prémios e diplomas, cerimónia que no panorama radioamadorístico nacional, ibérico e além mais, prima pela originalidade, visto que ao mesmo tempo que expõe ao exterior a arte de bem receber, tão peculiar à Marinha, divulga o seu património histórico-naval. Disso foram exemplo as visitas ao Museu do Fuzileiro em 2007, havia sido anteriormente a efectuada a um navio da classe “Vasco da Gama”; à Estação Ibéria-NATO e ao Museu de Marinha, fora-o à Sala de Armas do então Grupo nº 2 de Escolas da Armada, actual Escola de Tecnologias Navais (ETNA) e mais recentemente a actividade, concretizada em Julho último, a bordo da fragata “D. Fernando II e Glória”, lembrando a existência desta última nau da Carreira da Índia. No presente ano o evento aconteceu nas instalações do Centro de Comunicações e Cifra da Marinha (CCCM) – Pólo de Monsanto. Entre as várias personalidades presentes citam-se o Presidente da Comissão Cultural de Marinha (CCM), CALM Rui Abreu, o CALM Leiria Pinto, também ele um radioamador integrante do NRA, o último director da ex-Estação Rádio-Naval “Comandante Nunes Ribeiro”, CMG Gamito Candeias, além do Presidente da Rede das Emissões Portuguesas (REP), Sr. Carlos Nora e de outras associações de radioamadores congéneres que a convite se fizeram representar. De salientar que mais uma vez de entre os participantes no Concurso que ali estiveram presentes, alguns vieram do estrangeiro propositadamente para o efeito. O evento também contou com a imprescindível presença do CMG Antunes Rodrigues, Comandante da ETNA, onde o NRA tem a sua sede e do CFR Rodeia Ribeiro, Director do CCCM que, na sua qualidade de anfitrião, recebeu os radioamadores e seus convidados, tendo posteriormente dado as boas vindas, ao que se seguiu uma breve alocução do Presidente da CCM. Fez-se então a entrega dos prémios e diplomas, acto complementado com uma visita às instalações, durante a qual foram recordados vários factos históricos relacionados com aquela que foi a principal Rádio-Naval da Marinha e onde em 11 de Novembro de 1918 foi recebida, em primeira mão, a notícia do fim da Grande Guerra em 18 de Dezembro de 1961 estabelecido, através do aviso “Afonso de Albuquerque”, o último contacto com o Estado Português da Índia e igualmente efectuada a derradeira comunicação com Timor, em 26 de Agosto de 1975, via Rádio-Naval de Dili. O acontecimento, para o qual foi produzido um folheto com o resumo histórico do NRA e da Unidade, veiculando as diferentes fases e funções de que a mesma foi epicentro, terminou com um muito apreciado vitaminico, almoço durante o qual os presentes teceram rasgados elogios e agradecimentos à Marinha na pessoa do Director do CCCM. Como antigo bastião das radiocomunicações na Marinha, a Central Transmissora de Monsanto, como era antes chamada, conheceu com esta cerimónia um importante contributo para a divulgação de sua história, dos feitos radiotelegráficos em que se viu envolvida e especialmente as diversas fases a que assistiu na modernização permanente das comunicações na Marinha e em Portugal. SMOR António Gamito CT1CZT Revista da Armada • JANEIro 2009 31 QUARTO DE FOLGA JOGUEMOS O BRIDGE PALAVRAS CRUZADAS Problema Nº 114 Problema Nº 397 TAPE OS JOGOS DE E-W PARA TENTAR CUMPRIR A 2 MÃOS. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Norte (N): Oeste (W): V 5 R R 9 3 V D 7 V 5 10 9 A D 9 6 10 V 7 3 2 5 2 4 2 Sul (S): D A A A 3 R D 7 10 5 9 8 4 Este (E): R 7 10 8 8 6 8 4 6 6 4 3 2 N-S vuln. S abre em 4ª posição em 1♥, W intervém em 2♣, N marca 2♥, E passa e S fecha em 4♥. Face ao leilão, que hipóteses deverão ser analisadas por S para cumprir o seu contrato com segurança, recebendo a saída de ♣R? Para ajudar, informo que os trunfos estão 2-2. SOLUÇÕES: PROBLEMA Nº 114 Analisando as 2 mãos constata-se que existem 4 perdentes (1♠+1♦+2♣), embora a de ♦ possa ser eliminada se o R estiver em E. O passe inicial de W e depois a sua intervenção em 2♣ e saída, mostra-nos que não terá os outros 2 reis, mas de certeza que tem 1 deles. Como esta informação é insuficiente, não devemos tentar acertar a passagem, mas escolher uma linha de jogo em que apenas vamos precisar dos trunfos 2-2 e dos ♦ 3-3 ou 4-2, sendo independente da colocação dos reis que faltam. Vejamos então o desenvolvimento: S pega de ♣A e joga ♦A e D que W faz de R, jogando ♣DV seguido de uma pequena ♠; A do morto e ♦ para cortar de alto; trunfo para o morto e mais um ♦ para cortar seguro, tendo apurado o quinto ♦; volta ao morto em trunfo para destrunfar e no ♦ apurado balda a ♠ perdente. Repare que se W tem ♠R, uma jogada que resultava seria destrunfar e depois bater ♠A e ♠ para a D, obrigado W a jogar para corte e balda, ou para ♦AD, mas como falhava iria cabidar. HORIZONTAIS: 1 – Cerrar incompletamente. 2 – Curvatura; soltara mios. 3 – É quase tirso; o mesmo que gago (inv). 4 – Traz à lembrança; é quase Ajacio. 5 – Basta; torna feliz; prefixo de negação. 6 – Pequeno aro. 7 – Ruim; provisão de mantimentos; prefixo de movimento. 8 – Cidade de Portugal; eventualidade. 9 – Possuída; gostar muito. 10 – Dor nos rins; lavrara. 11 – Aqueles que são versados em ornitologia. VERTICAIS: 1 - Instrumento para medir as dimensões do peito. 2 – Cidade da Colômbia à beira do Madalena; revia na confusão. 3 – Cidade da antiga Fenícia, fundada pelos sidónios; é o deus supremo da mitologia escandinava e germânica. 4 – Pão de farinha fina, em forma de argola retorcida; cidade do Estado do Maranhão (Brasil), 5 – Estás; cidade da Turquia; símbolo químico do astato. 6 – O mesmo que eiró. 7 – Preposição; não acentuada; símbolo químico da prata. 8 – Cidade da Argentina, que fica no sopé da serra de Velasco; iguaria de massa de feijão cozido (Bras). 9 – Fêmea do rato; mamífero ruminante do Perú (inv). 10 – Bebida alcoólica preparada na Índia e na América, especialmente com a fermentação do arroz; planta medicinal. 11 – Máquina com que se ratina o pano. SOLUÇÕES: PALAVRAS CRUZADAS Nº 397 HORIZONTAIS: 1 – Entrecerrar. 2 – Seios; Miara. 3 – Tirs; Otat. 4 – Evoca; Ajaci. 5 – Ta; Adita; An. 6 – Aro; 7 – Ma; Anona; Ad. 8 – Evora; Acaso. 9 – Tida; Amar. 10 – Reira; Arara. 11 – Ornitolgalos VERTICAIS: 1 – Estetometro. 2 – Neiva; Avier. 3 – Tiro; Odin. 4 – Rosca; Arari. 5 – Es; Adana; At. 6 – Iro. 7 – Em; Atona; Ag. 8 – Rioja; Acara. 9- Rata; Amal. 10 – Araca; Asaro. 11 – Ratinadoras. Nunes Marques CALM AN Carmo Pinto 1TEN REF CONVÍVIO CLUBE ESCOLAMIZADE l No último dia 13 de Novembro pp, realizouse na sede do Clube Escola Amizade, Clube que junta alguns dos Ex-Marinheiros que residem no Algarve, um Porto de Honra, para comemorar mais um aniversário do Clube. Estiveram presentes, o Presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Desidério Silva, o Comandante da Zona Marítima do Sul, CMG Reis Ágoas, o Adjunto do Capitão do Porto de Portimão para Albufeira, o Cmdt do Destacamento da GNR e da GNR-BF de Albufeira, bem como vários Sócios. Nas várias alocuções proferidas pelas Entidades presentes, foram referidas as acções levadas a cabo pelo Clube, no aproximar da Marinha - Socidade Civil , tendo o Presidente da Câmara de Albufeira oferecido uma lápide alusiva ao aniversário do Clube. Revista da Armada • JANEIro 2009 33 NOTÍCIAS PESSOAIS COMANDOS E CARGOS REFORMA NOMEAÇÕES CMG João Manuel Pinto Basto Ribeiro Ferreira CMG AN Armando Manuel da Rocha Deus CFR AN Hermano José Corujo da Silva e Costa CFR SEE Jacinto Manuel Ferreira de Oliveira CTEN OT António Lino de Sousa Rodrigues CTEN OT Henrique Agostinho Marques CTEN OT António Bispo Cardoso CTEN Luís Humberto Ávila da Silva 1TEN EM Victor Manuel da Costa Cavaco SMOR CE José Alberto Sebastião SMOR HE Ernesto de Oliveira Dias SMOR TES Arménio Pedrosa Gaspar SCH TF Manuel Francisco Ramalhete SAJ L Manuel Joaquim Jorge SAJ L José Xisto de Jesus Silva SAJ A Adelino Ramos Sebastião SAJ CE Franclim de Oliveira Ferreira SAJ ETA Luís de Aguiar Costa SAJ CE André Manuel Bruno Rosado SAJ T Carlos Manuel Guerra Pena 1SAR A Mário Nunes André CAB FZ Abílio Torres de Carvalho CAB CM António Barbosa da Cruz CAB A José Manuel Teixeira da Cruz CAB FZ Luís Manuel de Jesus Agostinho CAB M Joaquim António Mestre Russo CAB M Amâncio da Silva Valdire CAB CM Luís António Reinas Caldeira CAB CM Manuel Silvestre Noválio Alves CAB M António Carlos Valente Caldeira. VALM Álvaro Sabino Guerreiro nomeado director do Instituto de Estudos Superiores Militares VALM João da Cruz Carvalho Abreu nomeado Comandante Operacional dos Açores em substituição do VALM Álvaro Sabino Guerreiro CFR FZ António da Silva Campos nomeado Comandante da Base de Fuzileiros em substituição do CFR FZ António Manuel Ferreira Campos CFR FZ Jorge Manuel de Oliveira Monteiro nomeado 2º Comandante do Corpo de Fuzileiros em substituição do CMG FZ João Alberto Pires Carmona CFR Paulo Jorge da Silva Ribeiro nomeado OPS 432 Staff Office NDC em Bruxelas em substituição do CMG Rui Manuel Martins de Carvalho 1TEN AN Ricardo Miguel Abreu Ribeiro de Melo nomeado Chefe do Serviço Administrativo e Financeiro do Comando da Zona Marítima dos Açores em substituição do CTEN AN Octávio Manuel da Costa 1TEN Humberto Arbona Palmeiro Santos Rocha nomeado Chefe do Serviço de Comunicações da Zona Marítima dos Açores em substituição do 1TEN Luís Bernardo da Costa Gomes Brito e Abreu 2TEN STC Paulo Alexandre de Sousa Falé nomeado Chefe do Centro de Comunicações do Comando da Zona Marítima da Madeira em substituição do 2TEN STC José Duarte Coelho Paixão. EXONERAÇÕES FALECIMENTOS CFR FZ Carlos Teixeira Moreira exonerado de Chefe do Estado-Maior do Comando da Força de Fuzileiros. CALM AN REF Carlos Alberto Mota CMG RES Mário Manuel Lajoso 1TEN OT REF Abílio Claudino SMOR GRD FZ REF António da Cunha Pereira SAJ E REF Ângelo Carapeta Penado SAJ Q REF Augusto Ribeiro Maia SAJ CM REF José Bernardino Batista SAJ CE REF Graciano da Costa Santos SAJ CM REF Mariano José Júnior 1SAR L REF Agostinho do Carmo Fernandes CAB T REF José Pais de Sousa CAB T REF José Maria da Cruz CAB TFH REF Manuel Joaquim Bonito AG 1CLAS PM APOS João Godinho Paquete AG 1CLAS PM APOS João Marçalo Horta. RESERVA CFR SEU Victor Manuel Dias Martins SMOR US Alberto dos Santos Sequeira SCH H António Fernando Furtado da Costa Oliveira SAJ MQ João Carlos Freire Mesquita SAJ U João Farinha Lopes CAB CM Martinho António Rita Carvalho. CONVÍVIOS 25º Aniversário da Associação de Marinheiros da Armada Portuguesa, EUA l Realizou-se no Portuguese-American Community Center, em Yonkers, New York, EUA, no passado 15 de Novembro de 2008, o jantar comemorativo do 25º aniversário da Associação de Marinheiros da Armada Portuguesa (AMAP). A AMAP é uma associação privada, sem fins lucrativos, que serve a finalidade de promover o bom relacionamento, convívio e amizade entre a Comunidade Portuguesa, sendo dela associados antigos militares da Marinha Portuguesa, que nesta serviram o País, alguns deles na Guerra Colonial, e nela reconhecem parte da formação e experiência de vida, mantendo como referência “A Pátria Honrai que a Pátria vos Contempla”. Neste jantar de celebração, com a presença de mais de 150 antigos marinheiros, familiares e amigos, que se deslocaram de Massachu setts, Connecticut, Rhode Island, Pennsylvania, New Jersey, New York e Washington, além do rico menu com as preciosidades gastronómicas da comida Portuguesa, houve baile com actuação do “Duo Reflexo” e do artista e marinheiro Dinis Paiva. Foram convidados de honra o Cte. Carlos Lopes da Costa, adido naval na Embaixada de Portugal em Washington DC e mulher, que foram muito bem recebidos por todos e organização e em particular os Sr. José Ferreira, Sr. António Pires, Sr. Joaquim Rio e Sr. José Matos. A abrir a celebração os estandartes entraram no salão nobre ao som do Hino da Marinha e de seguida foram cantados os hinos nacionais de Portugal e dos EUA, tendo sido também entregues várias bolsas de estudo a familiares jovens de associados, distribuídas lembranças a convidados, lido o texto de reconhecimento de apreço do município de Yonkers, e proferidas palavras de felicitação e de estímulo às actividades da AMAP pelo adido naval. GRUPO AMIZADE MARINHEIROS DO CONCELHO DE ESPOSENDE l Realizou-se no passado dia 8 de Novembro, o almoço convívio do Grupo Amizade Marinheiros do concelho de Esposende, que contou com a presença de uma centena de convivas, entre eles alguns familiares. A concentração teve lugar no Largo Rodrigues Sampaio em Esposende. Foi celebrada um Missa na Igreja Matriz em sufrágio dos Marinheiros falecidos, seguindo-se o almoço numa es34 JANEIro 2009 • Revista da Armada talagem da Cidade de Esposende. Recordaram-se velhos tempos da Armada e assim foi celebrado o 23º Aniversário da colectividade. Foi nomeada um nova Comissão para a Organização das Comemorações do próximo ano, que é composta por Marinheiros da Freguesia de Curvos, deste Concelho, e prometeram dar o seu melhor, para que em 2009 o Grupo esteja ainda maior. Instalações da Marinha 11. O Arsenal do Alfeite O Arsenal do Alfeite iniciou a sua actividade em 1939 sucedendo ao antigo Arsenal da Marinha. Ocupa uma área de 35 hectares, oito dos quais cobertos. Fora do perímetro do Alfeite, no antigo Depósito de Munições NATO do Marco do Grilo, dispõe ainda de oficinas destinadas à manutenção de torpedos, mísseis e minas. Actualmente, o património edificado do Arsenal, perfaz cerca de uma centena de imóveis. Na interface marítima dispõe de cinco carreiras de construção, uma doca seca (138m de comp. e 18m de larg.), dois planos inclinados (deslocamento máx. até 1250t), uma doca flutuante (60m de comp., 12m de larg. e capacidade de elevação máx. de 900t) e pontes e cais de atracação com um comprimento total de 672 m. A história da implantação física do Arsenal no Alfeite remonta ao início de Séc.XX, tendo sido criada, em 1918, por decisão governamental, uma junta autónoma para o estudo da transferência do Arsenal de Marinha, da Rua do Arsenal em Lisboa, para o Alfeite. A primeira fase de efectiva construção do Arsenal do Alfeite foi iniciada em 1928, com o financiamento proveniente das indemnizações da Primeira Guerra Mundial. A construção é adjudicada por concurso público, à firma Grun e Bilfinger de Mannheim, que também é responsável pelo equipamento da maioria das suas oficinas. Após uma interrupção entre 1931 e 1933 devido ao cancelamento do financiamento, foram formalmente dadas por concluídas a 31 de Dezembro de 1937. Grande para do terreno ocupado foi conquistado ao rio, por meio de aterros executados com areia proveniente das escarpas confinantes. Com ruas de traçado geométrico, edifícios de grande pé direito, com fachadas austeras e rectas, o Arsenal estende-se ao longo da margem, de olhos postos nas obras marítimas. Quebra a simetria dos arruamentos e dos edifícios, a edificação da Sala do Risco – fora do alinhamento de todos os restantes - e a orientação dada à oficina de Construções Navais de Ferro, questões que desde o início engrossaram as vozes críticas aos erros de concepção e apetrechamento. O primeiro relatório e contas do Arsenal do Alfeite refere-se da seguinte forma ao erros do projecto: ”A implantação dos edifícios do Arsenal do Alfeite , tanto de armazéns e outros, é de difícil compreensão e, nalguns casos mesmo, duvidamos que se possa dar qualquer explicação razoável sobre os motivos que presidiram à orientação e localização de alguns, sendo também bastante inexplicável as distancias inter-oficinas, que por muito grandes, vêm prejudicar o bom rendimento do trabalho e aumentar inutilmente o custo dos transportes.(...) Na construção de edifícios notam-se nitidamente duas fases diferentes. Uma, a grandiosa, em que as dimensões , principalmente no que diz respeito ao pé direito, são manifestamente exageradas(...) outra, a modesta, em que se entrou de tal forma na fase da economia, que alguns edifícios são insuficientes para as necessidades do serviço.(...) Mau grado estas dificuldades e o facto de os primeiros anos de laboração terem sido anos de guerra e, portanto, de duras condições económico-sociais, a actividade do Arsenal foi intensa. No ano seguinte ao da inauguração entrou em funcionamento aquela que será a ponte de acostagem para os maiores navios da Armada, a ponte-cais para atracação simultânea de dois navios e perspectivaram-se também obras de construção da carreira de lançamento de navios 10.000t, finalizada em 1943. Em 1944 construiu-se a carreira de 140 m de comprimento e montou-se o respectivo guindaste. Em 1947 foram entregues algumas importantes instalações: a nova ponte-cais nº 2 em betão armado, o prolongamento da ponte cais nº 1, ficando com um comprimento de 130m, o prolongamento do murocais do molhe leste e o edifício para os serviços de fiscalização. As obras de remodelação das infra-estruturas, reivindicadas desde a sua inauguração, têm inicio em 1952. A tentativa de melhoria efectiva das instalações fabris e as condições de laboração recorre a novas técnicas de engenharia e a novos materiais e reflecte-se a curto prazo no aumento da produtividade do estaleiro. As primeiras obras são a dragagem dos cais acostáveis e do plano inclinado a construção de uma ponte cais e o prolongamento do existente. Seguem-se as intervenções como o prolongamento do muro cais do molhe leste a construção de um parque de material laminado e de um desembarcadouro privativo, entretanto desaparecido. Na décadas seguintes, o estaleiro continuará a auto-financiar a remodelação através do regime de amortizações criado pela respectiva Lei Orgânica. Na década de 60, de grande instabilidade, é decidida a construção da doca seca que acaba por ser concluída em Março de 1978. É também concluída a 80ª construção do Arsenal, a Doca Flutuante Eng. Joaquim Perestrelo de Vasconcelos que se destinava à alagem de submarinos da classe Albacora. Na sua construção foram aproveitados restos de chapas de aço excedentários de construções anteriores e, igualmente por economia, utilizou-se um sistema de alagamento por gravidade e esgoto de ar comprimido, em vez do tradicional sistema de bombagem. Em 1976 ocorreu a integração no Arsenal das Oficinas Gerais de Armas e Electrónica surgindo os novos edifícios das Divisões de Armamento e de Electrónica e Comunicações, este último apenas finalizado em 1979. Graças a auto-financiamento, resultante de recursos provenientes de contratos de novas construções navais, durante a década de 80, assistiu-se a assinaláveis melhorias nas infra-estruturas e nos meios de elevação e movimentação. Na mesma altura, é de realçar a total renovação da rede eléctrica de média tensão. Na década de 90, apesar das grandes expectativas criadas com a inclusão na 1ª LPM duma série de propostas de meios para o Arsenal, tudo se resumiu a um guindaste de 40t de capacidade, que só foi colocado em serviço em 2005. Já na presente década, não obstante as enormes contenções orçamentais, desenvolveram-se enormes esforços de manutenção e reabilitação dos edifícios, instalações e infra-estruturas. Reafirmaram-se preocupações relativamente às condições das instalações da frente marítima, e, já em 2008, iniciaram-se os trabalhos de requalificação da doca seca e estão em curso as adaptações para acolher as actividades industriais dos sistemas electrónicos e de comunicações num único espaço físico. Iniciou-se ainda a fase de fusões de outras áreas tecnológicas e de reutilização de naves e outras instalações. Para enfrentar os desafios da nova Esquadra, a par da continuidade da manutenção do património edificado, é necessário efectuar uma profunda requalificação das instalações e infra-estruturas, adequando-as às novas necessidades. Na ausência de novas instalações que resolvam as insuficiências detectadas há que maximizar os recursos existentes e as condições legadas do passado. As instituições valem sobretudo pelo seu capital humano mas, na indústria naval, os meios materiais para a eficiente e eficaz laboração são igualmente fundamentais. (Colaboração do ARSENAL DO ALFEITE) Instalações da Marinha 11. O Arsenal do Alfeite