UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO PÓS GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU EM CLÍNICA MÉDICA DE PEQUENOS ANIMAIS DIABETES MELLITUS EM GATOS Jéssica Yuri Hayama Marchetti São Paulo, jan. 2007 JÉSSICA YURI HAYAMA MARCHETTI Aluna do curso de Pós graduação Especialização Lato Sensu em Clínica Médica de Pequenos Animais da UCB Diabetes Mellitus em Gatos Trabalho monográfico de conclusão do curso de Pós graduação Especialização Latu Sensu em Clínica Médica de Pequenos Animais (TCC), apresentado à UCB como requisito parcial para a obtenção do título de Pós Graduação em Clínica Médica de Pequenos Animais, sob a orientação da Prof.a Amorim. São Paulo, jan. 2007 Fernanda Vieira DIABETES MELLITUS EM GATOS Elaborado por Jéssica Yuri Hayama Marchetti Aluna do Curso de Pós graduação Especialização Lato Sensu em Clínica Médica de Pequenos Animais da UCB Foi analisado e aprovado com grau: ................................ São Paulo, _____ de _____________ de _______. ______________________ Membro ______________________ Membro _______________________ Professor Orientador Presidente São Paulo, jan. 2007 ii RESUMO MARCHETTI, Jéssica Yuri Hayama Diabetes mellitus é um distúrbio endócrino crônico manifestado pela incapacidade absoluta ou relativa das células β produzirem e secretarem insulina e/ou ação deficiente de insulina nos tecidos, incapacitando a utilização de glicose pelo organismo, ocorrendo como conseqüência mais comum à hiperglicemia prolongada, podendo causar cetoacidose e outras alterações na maioria dos sistemas corpóreos que podem ser fatais se não tratados. O Diabetes mellitus tem sido diagnosticado progressivamente na prática da clínica de felinos, afetando um a cada 200-300 gatos. A doença apresenta diversas classificações, porém para o uso em felinos utilizam-se os termos: Tipo 1 e Tipo 2. Os quatro sintomas clássicos do Diabetes Mellitus são: poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. A patogênese em felinos ainda não está totalmente elucidada, porém a hipofunção das células β, hiperprodução de amilina, intoxicação por glicose, doença pancreática exócrina, redução da sensibilidade à insulina, obesidade, endocrinopatias e sexo são fatores que predispõem a ocorrência da doença. Gatos podem apresentar patas geladas, posição palmígrada e/ou plantígrada como resultado de neuropatia diabética, uma das principais complicações em longo-prazo. O Diabetes mellitus não-complicada é diagnosticada quando há presença de hiperglicemia persistente em jejum e glicosúria, associada a pelo menos três sintomas clássicos de diabetes. O tratamento tem os objetivos de: resolver os sinais clínicos associados com o diabetes, evitar períodos de hipoglicemia e prevenir o desenvolvimento de complicações que podem ser alcançados através da correção do peso e dieta, uso de drogas hipoglicemiantes orais e insulinoterapia. Já a cetoacidose diabética é considerada uma emergência podendo o paciente morrer em poucas horas se não tratado de forma adequada e intensa. A monitoração do paciente pode ser feita através da: avaliação diária da glicosúria, monitoração da glicemia domiciliar, realização da curva glicêmica, determinação de corpos cetônicos no sangue e dosagem de proteínas glicosiladas. Um bom controle glicêmico é obtido quando alcança-se os seguintes valores de referência: glicemia pontual: 100-300 mg/dl, hemoglobina glicosilada: <2,5 e frutosamina sérica: 249406µmol/l . O paciente felino apresenta peculiaridades como o Diabetes Transitório, fenômeno de Somogyi e hiperglicemia de estresse fazendo com que principalmente esta última, dificulte o diagnóstico. O prognóstico para o Diabetes mellitus felino em geral é reservado em longo prazo. iii ABSTRACT MARCHETTI, Jéssica Yuri Hayama Diabetes mellitus is a chronic endocrine disturbance manifested by the incapacity absolute or relative of the cells ß produce and they secrete insulin and/or deficient action of insulin in the fabrics, disabling the glucose use for the organism, happening as consequence more common lingering hyperglycemia could cause ketoacidosis and other alterations in most of the corporal systems that can be fatal if no treated. The Diabetes Mellitus have been diagnosed progressively in practice of the clinic of felines, it affects one to each 200-300 cats. The disease presents several classifications however for the use in felines the terms are used: Type 1 and Type 2. The four classic symptoms of the diabetes mellitus are: polyuria, polydipsia, polyphagia and weight loss. The pathogenesis in felines is not still totally elucidated, but, impaired of the cells ß, hipper production of amylin, intoxication for glucose, exocrine pancreatic disease, reduction of the sensibility to the insulin, obesity, endocrinopathies and sex are factors that predispose the occurrence of the disease. Cats can present cold paws, palmigrade and/or plantigrade stances as a result of diabetic neuropathy, one of the main ones complications to long-period. To Diabetes no-complicated mellitus it is diagnosed when there is presence of persistent hyperglycemia in fast and glycosuria, associated the at least three classic symptoms of diabetes. The treatment has the objectives of: to solve the clinical signs associated with the diabetes, to avoid hypoglycemia periods, to prevent the development of complications and can be gotten through: correction of the weight and diet, use of oral hypoglycemic drugs and insulin therapy. The diabetic ketoacidosis is considered an emergency being able to the patient to die in few hours if no treated in an appropriate and intense way. The patient's monitoration can be made through the daily evaluation of the glycosuria, home monitoration of the glycemia, accomplishment of the blood glucose curve, determination of ketones bodies in the blood and dosage of glycosylated proteins. A good one glycemic control is obtained when is reached the following reference values: punctual glyicemia: 100-300 mg/dl, hemoglobin glycosylated: <2,5 and serum fructosamine: 249-406µmol/l. The feline patient presents peculiairities like the transitory Diabetes, phenomenon of Somogyi and stress Hyperglycemia doing with that mainly this last one hinders the diagnosis. The prognostic for the diabetes feline mellitus in general, is long term reserved. iv SUMÁRIO Página Resumo........................................................................................................................iii Índice de quadros ....................................................................................................... vii Índice de figuras ........................................................................................................viii Índice de abreviações ................................................................................................... x Índice de símbolos.....................................................................................................xiii 1. Introdução............................................................................................................... 1 2. Histórico da descoberta do Diabetes Mellitus e da Insulina .................................. 2 3. O Pâncreas.............................................................................................................. 5 3.1. Aspectos Anatômicos 3.2. Aspectos Morfológicos 3.3. Aspectos Fisiológicos 4. Metabolismo dos Carboidratos............................................................................. 14 5. Desarranjos Metabólicos ...................................................................................... 17 6. Classificação......................................................................................................... 18 7. Patogênese............................................................................................................ 22 8. Sinais Clínicos...................................................................................................... 27 8.1. Diabetes Mellitus não complicada 8.2. DM complicada ou Cetoacidótica e Síndrome Hiperosmolar v 9. Diagnóstico........................................................................................................... 32 9.1. Proteínas Glicosiladas 9.2. Exames Laboratoriais 9.3. Testes de Resposta 10. Tratamento ........................................................................................................... 39 10.1. Correção do Peso e Dieta 10.2. Hipoglicemiantes Orais 10.3. Insulinoterapia 10.4. Exercícios Físicos 10.5. Monitoração do Paciente Diabético 10.6. Hipoglicemia 10.7. Tratamento da Cetoacidose Diabética 10.8. Tratamento da Síndrome Hiperosmolar 11. Diabetes Mal Controlado ..................................................................................... 68 12. Prognóstico........................................................................................................... 71 13. Conclusão ............................................................................................................. 72 Referências Bibliográficas ......................................................................................... 73 vi ÍNDICE DE QUADROS 1. Tipos celulares e hormônios liberados nas ilhotas de Langerhans......................... 13 2. Comparação entre DMDI e DMNI em humanos e gatos ....................................... 21 3. Freqüência dos sinais clínicos de DM nos gatos.................................................... 28 4. Sinais Clínicos observados durante o exame físico de gatos diabéticos ................ 29 5. Guia para o diagnóstico diferencial de DM em gatos ............................................ 33 6. Principais alterações metabólicas em gatos diabéticos .......................................... 36 7. Agentes hipoglicemiantes orais.............................................................................. 46 8. Propriedades das preparações insulínicas utilizadas em gatos............................... 55 9. Etapas para diagnóstico das causas de resistência à insulina, procedimento e tratamento................................................................................................................... 70 vii ÍNDICE DE FIGURAS 1. Papiro Ebers .......................................................................................................................... 2 2. Minkowisk e Mering ............................................................................................................ 3 3. Fotografia mais comum de Banting e Bast, juntos da cadela Marjorie................................ 4 4. Anatomia do pâncreas, em relação ao estômago e duodeno ................................................ 6 5. Diagrama esquemático do pâncreas ...................................................................................... 7 6. Fotomicrografia do pâncreas humano ................................................................................... 8 7. Fotomicrografias das Ilhotas de Langerhans......................................................................... 8 8. Demonstração da secreção de insulina pelas células β, através de método imunocitoquímico...................................................................................................................... 9 9. Secreção de glucagon .......................................................................................................... 11 10. Secreção de Somatostatina ................................................................................................ 12 11. Cortes histológicos do pâncreas ........................................................................................ 23 12. Neuropatia diabética.......................................................................................................... 29 13. Glicemia pós-prandial ....................................................................................................... 41 14. Efeito do Psyilium sobre a glicose sanguínea pós-prandial .............................................. 42 15. Perfusão com diferentes metabólitos................................................................................. 43 viii 16. Molécula de insulina ......................................................................................................... 52 17. PZI VET ............................................................................................................................ 55 18. Método correto de mensuração de insulina....................................................................... 58 19. Técnica de venopunção para a monitoração do paciente diabético .................................. 62 20. Curva glicêmica ideal........................................................................................................ 63 ix ÍNDICE DE ABREVIAÇÕES a.C. ......................................................................................................... antes de Cristo acetil-CoA ........................................................................................Acetil-coenzima A µU/ml .............................................................................. Micro unidades por mililitros µmol/ l .............................................................................................. Micromol por litro ¼.................................................................................................................... Um quarto AA ............................................................................................................. Acetoacetato ACTH ........................................................................... Hormônio adrenocorticotrófico AHOs............................................................................ Agentes hipoglicemiantes orais ALT ....................................................................................... Alanina aminotransferase AMPc ........................................................ Nucleotídio cíclico adenosina-monofosfato AST .................................................................................... Aspartato aminotransferase beta-HOB ....................................................................................... beta-hidroxibuurato Co ....................................................................................................................Company CO2 ................................................................................................. Dióxido de carbono CT....................................................................................Tomografia computadorizada d.C. ....................................................................................................... depois de Cristo dl....................................................................................................................... Decilitro DM .....................................................................................................Diabetes Mellitus DMDI ........................................................... Diabetes Mellitus dependente de insulina DMNDI ................................................. Diabetes Mellitus não dependnete de insulina Dr.........................................................................................................................Doutor et al. ....................................................................................................... e colaboradores Ex .....................................................................................................................Exemplo g........................................................................................................................... Grama g/Kg.......................................................................................... Gramas por quilograma x h.............................................................................................................................. Hora HCl .......................................................................................................Ácido clorídrico HF...................................................................................................................High fiber i.e. ...............................................................................................................Por exemplo IGF-1 ...............................................................................Insulin-Like Growth Factor-1 IM ............................................................................................................Intra-muscular Inc.............................................................................................................Incorporadora IV................................................................................................................ Intra-venoso kcal/kg/dia ............................................................ Quilocaloria por quilograma por dia Kg ................................................................................................................ Quilograma L ...............................................................................................................................litro l.................................................................................................................................litro LF ................................................................................................................... Low fiber mEq/L......................................................................................Miliequivalente por litro MEV .........................................................................................Veia marginal da orelha mg.................................................................................................................. Miligrama mg/dl..........................................................................................Miligrama por decilitro min.......................................................................................................................minuto ml.......................................................................................................................Mililitro ml/h....................................................................................................Mililitros por hora ml/Kg.................................................................................... Mililitros por quilogramas mmol...................................................................................................................milimol mmol/L ................................................................................................ Milimol por litro mol............................................................................................................................ mol mOsm ............................................................................................................. miliosmol mOsm/kg .............................................................................. Miliosmol por quilograma xi Na Cl ....................................................................................................Cloreto de sódio NaHCO3 ....................................................................................... Bicarbonato de sódio Ng .................................................................................................................Nanograma NPH................................................................................... neutral protamine Hagedorn pH ................................................................................Concentração do íon hidrogênio PZI.......................................................................................... Insulina protamina-zinco RX ...................................................................................................................... Raio-X T4 ..................................................................................................................... Tiroxina TCO2...................................................................................... Dióxido de Carbono total TTGIV........................................................... Teste de tolerância à glicose intravenosa U ........................................................................................................................Unidade U/Kg ........................................................................................ Unidade por quilograma U/ml.............................................................................................. Unidade por mililitro UI.................................................................................................Unidade internacional vs .......................................................................................................................... versus xii ÍNDICE DE SÍMBOLOS %....................................................................................................................... Porcento <.....................................................................................................................Menor que >......................................................................................................................Maior que ®.......................................................................................................... Marca registrada µ............................................................................................................................ Micro α............................................................................................................................... Alfa β...............................................................................................................................Beta δ ..............................................................................................................................Delta xiii 1. INTRODUÇÃO O número de pacientes felinos geriátricos vem crescendo nas clínicas e hospitais veterinários. Por isso, é necessário que o médico veterinário possua conhecimento especial das enfermidades mais comuns dessa faixa etária. Dentre essas, se destaca-se o Diabetes Mellitus (DM), por ser a endocrinopatia mais importante do gato idoso. Desde a primeira descrição em 1927, o Diabetes Mellitus tem sido diagnosticado progressivamente na prática da clínica de felinos, contudo, ainda é um assunto de intensa pesquisa, pois ainda existem diversas particularidades a serem descobertas e melhor entendidas (PANCIERA et alii, 1990). Diabetes Mellitus é uma enfermidade metabólica manifestada pela incapacidade absoluta ou relativa das células β do pâncreas de produzirem e secretarem insulina, ou pela resistência periférica dos tecidos à sua ação. Ela resulta em um metabolismo anormal da glicose e da gordura e, como conseqüência, hiperglicemia prolongada, cetoacidose e outras alterações na maioria dos sistemas orgânicos, que podem ser fatais se não tratados (LURYE e BEHREND, 2004). Devido às diferenças fisiologias e particularidades do paciente felino diabético, esse trabalho objetiva um revisão bibliográfica sobre os conceitos básicos e a fisiologia do Diabetes Mellitus nessa espécie. 2. HISTÓRICO DA DESCOBERTA DO DIABETES MELLITUS E DA INSULINA As primeiras referências sobre o Diabetes Mellitus datam de 1000 anos a.C. e foram encontradas no Egito. Os primeiros registros escritos foram encontrados no papiro egípcio descoberto por Ebers, datado de 1.500 a.C. (ROCCA e PLÁ, 1963) (Figura 1). Além disso, cientistas descobriram vestígios da disfunção em algumas múmias, através de análises de órgãos embalsamados (NEGRÃO, 2000). Figura 1: Papiro Ebers. Primeiros registros sobre o Diabetes Mellitus. Fonte: http://www.diabete.bz/Images/papiro_ebers.jpg Acesso em 21/02/2007. O nome Diabetes Mellitus é originário da Grécia Antiga e foi dado por Celsus, há cerca de 2000 mil anos. A palavra Diabetes significa "sifão", pois o sinal clínico mais evidente da doença é o aumento do volume da urina (MESSINA et alii, 2002, NEGRÃO, 2000, ROCCA e PLÁ, 1963). Na Índia, por volta de 400 anos a.C., os médicos Charak e Surust diagnosticaram uma alteração na urina de um paciente diabético, devido ao seu sabor adocicado (NEGRÃO, 2000). O médico egípcio Arateus, o Capadócio, no ano 300 dC., relatou com precisão o estado do paciente diabético que, naquela época, evoluía para a morte (NEGRÃO, 2000). Desde Areteu, num período de 1600 anos, a Medicina não evoluiu no estudo dessa enfermidade (ROCCA e PLÁ, 1963). Foi só por volta de 1674, que o médico britânico Thomas Willis descobriu o porquê da atração das formigas pela urina dos doentes. Ele anotou em seus registros que ela era "maravilhosamente doce". O nome da doença passou então a ser denominado Diabetes Mellitus, (meli do grego: mel), ou seja, "sifão de mel" (MESSINA et alii, 2002). Em 1815 o Dr. M. Chevreul demonstrou que o açúcar dos diabéticos era a glicose. Os trabalhos clínicos e anatomo-patológicos adquiriram bastante importância ao final do século passado, quando Mering e Minkowski (Figura 2), em 1889, demonstraram que a pancreactomia em cães resulta em Diabetes grave e letal (ROCCA e PLÁ, 1963). Figura 2: Minkowski e Mering. Fonte: http://www.iqb.es/d_mellitus/historia/historia04.htm. Acesso em 21/02/2007. Em 1921, os canadenses Banting e Best (Figura 3) conseguiram isolar a insulina (palavra de origem latina, Insula significa “ilha”) e demonstrar seu efeito hipoglicemiante utilizando cães como cobaias (ROCCA e PLÁ, 1963). Figura 3: Fotografia mais comum de Banting e Bast, juntos da cadela Marjorie. Fonte: http://vivisection-absurd.org.uk/diabetes.html#3. Acesso em 21/02/2007. Em janeiro de 1922, pela primeira vez, foram usados extratos pancreáticos para o tratamento de Diabetes Mellitus em Leonard Thompson, uma criança de 14 anos. Logo após, processos de isolamento e purificação da insulina bovina e porcina tornaram-nas disponíveis comercialmente, o que foi considerado uma das mais importantes intervenções terapêuticas já feitas na história da medicina. Em 1923 Best e Macleod receberam o Prêmio Nobel de Medicina (NEGRÃO, 2000). 3. O PÂNCREAS 3.1 Aspectos Anatômicos O pâncreas é constituído por dois lobos estreitos (direito e esquerdo), que se unem num ângulo agudo ao piloro (Figura 4). Além dos lobos, normalmente há dois ductos pancreáticos (menor e maior) (ELLENPORT, 1986). O lobo direito é circundado pelo mesoduodeno, e é localizado caudal e dorsalmente ao lobo caudado do fígado e rim direito e, geralmente, termina a uma pequena distância caudal a este último. O lobo esquerdo localiza-se caudalmente entre a face visceral do estômago e o cólon transverso e termina no pólo cranial do rim esquerdo (Figura 4) (ELLENPORT, 1986). Em relação aos ductos pancreáticos, o menor possui uma abertura no duodeno próximo ou junto com o ducto biliar, já o maior possui uma abertura três a cinco cm mais caudalmente no intestino (ELLENPORT, 1986). Porém, no gato existe uma singular relação anatômica entre o ducto pancreático e o ducto biliar. Ao contrário de outras espécies, o ducto pancreático do gato, une-se ao ducto biliar comum antes que o ducto solitário verta para o duodeno (SCHERK, 2004). Figura 4: Anatomia do pâncreas, em relação ao estômago e duodeno. 1- Esôfago. 2Cárdia. 3- Fundo. 4- Curvatura maior do estômago. 5- Corpo do estômago. 6- Curvatura menor do estômago. 7- Antro pilórico. 8- Piloro. 9- Duodeno descendente. 10- Duodeno ascendente. 11- Lobo direito do pâncreas. 12- Lobo esquerdo do pâncreas. 13- Jejuno. Fonte: BOYD e PATERSON, 1991. 3.2 Aspectos Morfológicos O pâncreas é uma glândula túbulo-alveolar composta que apresenta porções endócrina e exócrina (HERDT, 1999). A porção exócrina do pâncreas, formada pelos ácinos pancreáticos (Figura 5), produz bicarbonato de sódio (NaHCO3) e enzimas que auxiliam no processo digestivo (HERDT, 1999). As enzimas que compõe a secreção pancreática esócrina são: lipase, colesterolesterase, amilase, ribonuclease, desorribonuclease, tripsinogênio, quimiotripsinogênio e pré-carboxipeptidase. Figura 5: Diagrama esquemático do pâncreas, demostrando os ácinos secretórios e seus tipos de células, além das ilhotas de Langerhans. Fonte: GARTNER e HIATT, 1997. A porção endócrina do pâncreas é uma estrutura diferenciada para manter a homeostase da glicemia. Ela consiste de grupos isolados de células poligonais ou arredondadas. Essas áreas são vasculares e são denominadas ilhotas de Langerhans. As ilhotas de Langerhans, por sua vez, são circundadas pelas células acinares pancreáticas de secreção exócrina (Figuras 6 e 7), e são constituídas, basicamente, de células α produtoras de glucagon, células β produtoras de insulina, células δ secretoras de somatostatina e células F ou PP, que secretam o polipeptídeo pancreático (Quadro 1). (GARTNER e HIATT, 1997, NELSON e STRUBLE, 1997). Além das células descritas anteriormente, Gartner e Hiatt descrevem também a presença de células G produtoras de gastrina. Uma disfunção que envolva qualquer destas linhagens celulares resulta num excesso ou deficiência do hormônio respectivo na circulação (NELSON e STRUBLE, 1997). Figura 6: Fotomicrografia do pâncreas humano, evidenciando um ácino secretório e ilhotas de Langerhans (I) (H&E - 132X). Fonte: GARTNER e HIATT, 1997. Figura 7: Fotomicrografias das Ilhotas de Langerhans. A - I - Ilhota de Langerhans. E – Células que compõem a porção exócrina do pâncreas. C - Cápsula fibrocolágena que delimita as ilhotas de Langerhans (H&E 40X). B – Notar que cada célula está em contato com um capilar sanguíneo (C) (H&E 400X). Fonte: STEVENS e LOWE, 1997. 3.3. Aspectos Fisiológicos Insulina A insulina é um hormônio protéico que tem como principal função a manutenção da glicemia dentro dos valores de normalidade. Sua produção e ação são reguladas de acordo com a quantidade de alimentos ingeridos pelo indivíduo (COSTA e ALMEIDA NETO, 1994). O mais importante fator que controla a secreção de insulina é a concentração de glicose sangüínea. Altos níveis séricos de glicose sangüínea desencadeiam a síntese e a liberação de insulina pelas células β (Figura 8) (GRECO e STABENFELDT, 1999). A insulina é liberada por exocitose e se liga ao seu receptor, acarretando a ativação rápida dos sistemas de transporte de glicose e aminoácidos da membrana, o aumento da síntese protéica e a inibição da sua degradação, além da inibição da lipólise e da gliconeogênese hepática (NOGUEIRA, 2002). Figura 8: Demonstração da secreção de insulina pelas células β, através de método imunocitoquímico. Fonte: STEVENS e LOWE, 1997. Portanto, o efeito resultante das ações da insulina é a diminuição das concentrações sanguíneas de glicose, ácidos graxos e aminoácidos e a conversão intracelular desses compostos em formas de armazenamento, como glicogênio, triglicerídeos e proteínas, respectivamente (GRECO e STABENFELDT, 1999). Desse modo, a insulina age nas vias metabólicas de carboidratos, gorduras e proteínas, impedindo que a glicose sangüínea aumente drasticamente após uma alimentação e armazenando glicose no fígado e nos músculos (na forma de glicogênio). Além disso, ela intervém decisivamente na formação do tecido gorduroso e de participa de modo importante no crescimento ósseo, muscular e de vários órgãos (COSTA e NETO, 2004). Glucagon Hormônio protéico produzido pelas células α das ilhotas de Langerhans que participa, juntamente com a insulina, no controle do metabolismo glicêmico (GARTNER e HIATT, 1997, GRECO e STABENFELDT, 1999). Existem também outros locais onde o glucagon é produzido. O estômago produz uma substância chamada glucagon intestinal, que é idêntico ao glucagon pancreático, e o intestino delgado produz uma substância imunologicamente semelhante, chamada glicentin (GRECO e STABENFELDT, 1999). Fisiologicamente, o glucagon tem ação oposta à insulina, sendo que a maioria de seus efeitos está centrada no fígado. O glucagon aumenta a produção de AMPc, que resulta em diminuição da síntese de glicogênio, aumento da glicogenólise e da gliconeogênese, estando esta última relacionada ao metabolismo protéico. Desse modo, ocorre um aumento nas concentrações de glicose sanguínea (GARTNER e HIATT, 1997, GRECO e STABENFELDT, 1999). Normalmente, após o consumo de alimentos, a resposta inicial do sistema metabólico é a secreção aumentada de insulina, que resulta na conservação de energia através da formação de meios de armazenamento de carboidratos, gorduras e proteínas. A secreção de glucagon (Figura 9) aumenta no intervalo entre a ingestão de alimentos, momento em que as concentrações sanguíneas de glicose começam a declinar. Tal secreção faz com que o animal mobilize os depósitos de energia para a manutenção da homeostasia da glicose, prevenindo uma hipoglicemia pós-prandial (GRECO e STABENFELDT, 1999). Figura 9: Secreção de glucagon. As células secretórias de glucagon estão localizadas principalmente na periferia das ilhotas pancreáticas. Fonte: STEVENS e LOWE, 1997. Somatostatina Secretada pelas células δ pancreáticas, tem efeitos tanto endócrinos como exócrinos (GARTNER e HIATT, 1997). As ações da somatostatina podem ser classificadas como inibidoras. A somatostatina pancreática inibe o processo digestivo, pois diminui a absorção e a digestão de nutrientes, levando à redução da motilidade e da atividade secretória no trato gastrintestinal (GARTNER e HIATT, 1997, GRECO e STABENFELDT, 1999). Uma das funções fisiológicas mais importantes da somatostatina é a regulação das células pancreáticas. Ela inibe a secreção de todas as células endócrinas das ilhotas de Langerhans. As células α são mais afetadas que as β. Desta forma, a secreção de glucagon é mais afetada pela secreção de somatostatina do que a de insulina (GRECO e STABENFELDT, 1999). A secreção de somatostatina (Figura 10) é aumentada por nutrientes, tais como glicose e aminoácidos, e pelos neurotransmissores do sistema nervoso autônomo, adrenalina, noradrenalina e acetil-colina. Dos hormônios pancreáticos, somente o glucagon estimula a secreção de somatostatina (GRECO e STABENFELDT, 1999). Figura 10: Secreção de somatostatina. Células secretoras de somatostatina são as que estão presentes em menor quantidade no parênquima pancreático e estão localizadas aleatoriamente nas ilhotas de Langerhans. Fonte: STEVENS e LOWE, 1997. Gastrina Secretado pelas células G, estimula a secreção gástrica de HCl, a motilidade e o esvaziamento gástrico (GARTNER e HIATT, 1997). Polipeptídio pancreático É secretado pelas células PP em resposta à ingestão de alimentos, via secretagogos gastrintestinais e por estimulação colinérgica. É estimulado também pela hipoglicemia e inibido pela ingestão de glicose. Sua ação mais conhecida é a inibição da secreção pancreática exócrina. Desse modo, atua de forma regulatória após a alimentação e causa a redução no apetite (CINGOLANI et alii, 2004). Quadro 1 – Tipos celulares e hormônios liberados nas ilhotas de Langerhans. CELULA β % TOTAL 70% α 20% LOCALIZAÇÃO Ao longo da ilhota (mais concentrada no centro) Periferia da ilhota δ 5% Ao longo da ilhota G 1% Ao longo da ilhota PP (F) 1% Ao longo da ilhota FUNÇÃO Reduzir a concentração de glicose sanguínea Aumentar a concentração de glicose sanguínea Paracrina: inibir secreção hormonal. Exócrina: inibe o processo digestivo. Estimular produção de HCl pelas células parietais do estômago Inibe secreção exócrina do pâncreas Fonte: modificado de GARTNER e HIATT, 1997. 4. METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS A oxidação da glicose é a principal fonte de energia para a maioria das células corporais. A glicose está presente no organismo em sua forma simples e na forma de glicogênio. A gliconeogênese inclui todos os mecanismos e vias responsáveis pela conversão de não-carboidratos a glicose ou glicogênio (HERDT, 1999). O glicogênio está presente na maioria das células, sendo que em maior parte no fígado e no músculo esquelético. Tanto a síntese como a quebra do glicogênio, ou seja, a glicogenólise, são reguladas por mecanismos complexos (MARTINS, 2001). A glicose é especialmente essencial para a manutenção da função do sistema nervoso central (SNC), pois ele não possui capacidade de sintetizá-la nem de armazená-la. Por isso, uma hipoglicemia pode apresentar efeitos deletérios ao SNC. Para a defesa do organismo, existem os sistemas reguladores da glicose, os quais objetivam prevenir ou corrigir a hipoglicemia (MARTINS, 2001). O estado basal Por convenção, o estado basal é a condição metabólica seguinte a uma noite de jejum (10 a 14 horas). Esse momento permite uma observação clínica e experimental da produção glicêmica endógena basal. (MARTINS, 2001). No estado basal, o consumo de glicose é igual à sua produção hepática, por definição. O estado basal é caracterizado pelo uso parcimonioso da glicose como combustível, a qual é seletivamente dirigida aos órgãos que não têm reservas energéticas alternativas (MARTINS, 2001). Produção de glicose Na presença de hiperglicemia, a produção hepática de glicose é significativamente reduzida em comparação com a euglicemia. Fica evidente que, normalmente, dois sinais inibitórios, hiperglicemia e hiperinsulinemia endógena, concorrem para bloquear a produção hepática de glicose. De maneira oposta, a hipoglicemia pode levar a um aumento da liberação hepática de glicose (MARTINS, 2001). A insulina é um inibidor potente, específico e de ação rápida da produção hepática de glicose. Portanto, todos os hormônios antagonistas da insulina agem facilitando a glicogenólise e a gliconeogênese. O glucagon e as catecolaminas agem rapidamente, enquanto o cortisol, GH e hormônio tireóideo, nessa ordem, estão envolvidos no controle tardio da liberação da glicose (MARTINS, 2001). Consumo de Glicose O estado Pós - Prandial O estado pós-prandial é o período absortivo no intervalo entre as refeições (MARTINS, 2001). Estado de jejum A glicose e os aminoácidos são conservados pela utilização extensa de gorduras e corpos cetônicos para a produção de energia. Grandes porções dos ácidos graxos liberados do tecido adiposo são captadas diretamente pelo fígado para a produção de corpos cetônicos. A formação hepática de corpos cetônicos é promovida pela baixa disponibilidade de glicose, pela alta proporção entre glucagon e insulina e pelo pronto suprimento de ácidos graxos. O glucagon desempenha importante função na produção excessiva de corpos cetônicos no Diabetes Mellitus. Os ácidos graxos não podem ser utilizados para a síntese de glicose. Os corpos cetônicos são formados na mitocôndria a partir da acetil-CoA. As lipoproteínas hepáticas de muito baixa densidade podem ser sintetizadas a partir de ácidos graxos derivados do tecido adiposo bem como de ácidos graxos recém-sintetizados. Condições hormonais determinam a distribuição de ácidos graxos de lipoproteínas de muito baixa densidade no organismo. Variações nas concentrações do hormônio de crescimento podem ajudar no desvio da utilização do combustível periférico oriundo da glicose e de aminoácidos para corpos cetônicos e ácidos graxos (MARTINS, 2001). 5. DESARRANJOS METABÓLICOS Com o processo de digestão, há um aumento da concentração de glicose sangüínea, aminoácidos e hormônios intestinais que fazem com que as células β secretem insulina. (MIGLIORINI, 1991). Num gato diabético, a deficiência de insulina diminui a absorção e a utilização de glicose pelos diversos tecidos, causando uma hiperglicemia moderada a grave. Com isso, o organismo do animal reconhece esse estado como se fosse inanição, e cataboliza de maneira intensa a gordura e a proteína corporal para serem utilizadas como fonte de energia (KIRK et alii, 1993). Para a compensação deste processo, ocorre a gliconeogênese, que remove aminoácidos e glicogênio do fígado, piorando o desarranjo no metabolismo dos carboidratos. Ácidos graxos, derivados do tecido adiposo, são transportados até o fígado e convertidos a corpos cetônicos através da oxidação. Em curto prazo, há a preservação da vida do animal, porém quando em excesso, causa cetonúria e cetoacidose (SCHAER, 1977). 6. CLASSIFICAÇÃO O sistema de classificação para o Diabetes Mellitus é complicado ao tentar comparar o Diabetes nos gatos com o Diabetes nos seres humanos. Nos seres humanos, o Diabetes é classificado freqüentemente em tipos. O Tipo 1 é considerado insulinodependente (DMDI), e é denominado freqüentemente de Diabetes juvenil. O Tipo 2 é chamado de não-insulino-dependente (DMNDI), ou de início tardio, porque acomete pessoas mais idosas. Alguns médicos veterinários na Europa utilizam uma classificação diferente para os animais. O “tipo” de Diabetes é determinado pelas alterações microscópicas verificadas no pâncreas. Ambos os tipos podem ter subcategorias insulinodependentes e não-insulino-dependentes (Quadro 2) (FRISBY, 2004a). Em felinos, utiliza-se os termos Tipo 1, Tipo 2 (NELSON e STRUBLE, 1997) e Tipo 3 ou Diabetes secundária, com base nos mecanismos fisiopatológicos e alterações que afetam as células β (NORMAN e MOONEY, 2000). Porém, FELDMAN e NELSON (1996), também classifica o Diabetes, em Diabetes Transitório. Dependente de insulina ou Tipo 1 (DMDI) Causado pela destruição das células β com perda progressiva, e eventualmente completa, da secreção de insulina. (NELSON e STRUBLE, 1997, REPETTI e BORLINA, 2003, FRISBY, 2004a). A perda da função das células β é irreversível, portanto o paciente é obrigado a manter a terapia insulínica para o controle glicêmico (REPETTI e BORLINA, 2003, FRISBY, 2004a). A etiologia da degeneração de células β em gatos ainda não foi elucidada. A pancreatite crônica é encontrada histologicamente em alguns gatos com DMDI e pode ser a responsável pela destruição destas células. Outros gatos não apresentam amiloidose, inflamação, ou degeneração de suas ilhotas pancreáticas, mas a avaliação imunohistoquímica revela que estes animais sofreram redução numérica das ilhotas pancreáticas e/ou células β (NELSON e STRUBLE, 1997). Não dependente de insulina ou Tipo 2 (DMNDI) Caracteriza-se por resistência periférica à ação da insulina ou por células betas disfuncionais (REPETTI; BORLINA, 2003). A identificação clínica do DMNDI é mais freqüente no gato do que no cão (NELSON, 1992, NELSON e STRUBLE, 1997). Isto significa que a insulina desses pacientes é menos efetiva, e inicialmente, eles podem ter hiperinsulinemia além de hiperglicemia. O tratamento, então, se baseia em aumentar a produção de insulina e a eficiência da sua utilização (ZERBÉ, 2001). Seu desenvolvimento parece estar relacionado com a presença de fatores como a obesidade, doenças concomitantes, ou uso de medicamentos que interferem com a atividade deste hormônio (LURYE e BEHREND, 2001). Inicialmente, a DM tipo 2 pode não requerer tratamento com a insulina, mas frequentemente, a necessidade de seu uso se desenvolve posteriormente, devido ao fato desta evoluir para o Tipo 1 (ZERBÉ, 2001). Secundário ou Diabetes Mellitus Tipo 3 O Diabetes Mellitus secundário pode ser resultado de uma série de doenças como: pancreatite, acromegalia, hiperadrenocorticismo (raro em gatos), e também pelo emprego de certos medicamentos como glicocorticóides e acetato de megestrol, que são hormônios que antagonizam a ação da insulina e causam exaustão da função pancreática (NORSWORTHY, 1993, NELSON e STRUBLE, 1997). Possivelmente, há um mecanismo pós-receptor defeituoso, levando à hiperglicemia e aumento da insulina sérica (NORMAN e MOONEY, 2000). Se a doença primária ou a administração do fármaco são eliminadas, a DM secundária, que não havia progredido além dos estágios iniciais, é revertida (LURYE e BEHREND, 2001). Diabetes Transitório Diabetes Transitório é um fenômeno que ocorre exclusivamente na espécie felina (KIRK et alii, 1993). Os gatos diabéticos podem perder, de forma gradual ou súbita, a necessidade de insulina desenvolvendo sintomas de hipoglicemia e rebote hiperglicêmico caso a administração de insulina continue. Ocorre em aproximadamente 20% dos gatos (NORSWORTHY, 1993). Gatos com Diabetes Transitório estão em um estado subclínico de Diabetes, que começa a ser clínico quando o pâncreas é sensibilizado por fármacos ou doenças que causam antagonismo à insulina. Ao contrário aos gatos saudáveis, gatos com Diabetes Transitório tem alterações patológicas nas ilhotas, o que prejudica a habilidade de compensar o antagonismo à insulina e a intolerância aos carboidratos. A secreção de insulina pelas células β se torna suprimida reversivelmente, piorando a intolerância aos carboidratos e o desenvolvimento da toxicidade à glicose. A hiperglicemia crônica prejudica a secreção de insulina pelas células β e induz a resistência periférica por promover baixa regulação do sistema de transporte glicêmico e causar defeito da ação insulínica. As células β têm diminuição na resposta de estimulação de secreção de insulina mimetizando o Diabetes Mellitus Tipo 1. Os efeitos da toxicidade da glicose são potencialmente reversíveis com a correção do estado hiperglicêmico (FELDMAN e NELSON, 1996). A reversão do quadro de Diabetes irá depender da correção da hiperglicemia, associada à eliminação dos fatores que prejudicam a atividade da secreção de insulina (NORSWORTHY, 1993). Quadro 2 – Comparação entre DMDI e DMNI em humanos e gatos. Seres humanos Características % CASOS DMDI 10-20 Idade no início Geralmente < 30 anos Velocidade de início Geralmente rápido Peso Gatos DMNDI 80-90 Geralmente > 35 anos DMDI 50-75 DMNDI 25-50 Meia-idade ou idoso Meia-idade ou idoso Gradual Geralmente rápido Gradual Magro Geralmente acima do peso Geralmente magro; às vezes acima do peso. Sinais Clínicos Moderado a severo, polidipsia, poliúria e polifagia. Suave, freqüentemente não reconhecido. Cetose Comum Raro Fatores De Risco Infecções virais, toxinas, doenças autoimunes. Obesidade, nutrição. Obesidade, determinadas medicações e doenças. Insulina Necessário Necessário Necessário Geralmente obeso; às vezes magro. Variável, geralmente suave; polidipsia, poliúria, polifagia e perda do peso. Raro Obesidade, determinados medicações e doenças. Geralmente não necessário Agentes Hipoglicemiantes Orais Ineficaz Geralmente eficaz Ineficaz Freqüentemente eficaz Dieta Importante, com insulina. Sozinho pode ser eficaz Importante, com insulina. Sozinho pode ser eficaz Moderado a grave; polidipsia, poliúria, polifagia e perda do peso. Comum Fonte: Modificado de FRISBY, 2004a. 7. PATOGÊNESE A patogênese em felinos ainda não está totalmente elucidada (KIRK et alii, 1993, NELSON e STRUBLE, 1997). Porém, a DM mais freqüente no gato é a do Tipo 2, cujas características patofisiológicas incluem a resistência periférica à insulina e sua capacidade secretória diminuída (LURYE e BEHREND, 2001). A diminuição da secreção de insulina resulta da perda das células β ou da diminuição da função de células remanescentes. A capacidade de secretar insulina tem base genética e é afetada por um número de fatores que contrariamente afetam o número e a função das células β (RAND e MARTIN, 2001). Alguns pesquisadores acreditam que possa ocorrer um distúrbio metabólico chamado amiloidose pancreática em alguns gatos diabéticos, que é causado por uma hiperprodução de um polipeptídeo amilóide, a amilina, um hormônio produzido pelas células β pancreáticas e secretado junto com a insulina (Figura 11) (NELSON e STRUBLE, 1997). A amiloidose pode levar a uma destruição e substituição das células betapancreáticas, como também a uma insensibilidade destas células aos níveis de glicemia. Dessa maneira, ela acarreta uma produção inadequada de insulina e contribui para um maior estímulo à sua secreção e, consequentemente, de amilina (ZERBÉ, 2001). Figura 11: Cortes histológicos do pâncreas. A – Ilhota de Langerhans normal. (200X). B Amiloidose grave na ilhota de um gato com DMDI. (100X). Fonte: NELSON e STRUBLE, 1997. Ainda não está comprovado se o aumento da produção de amilina é causado por uma disfunção das células β ou se é secundário à hiperestimulação destas células em resposta à resistência periférica à ação da insulina (PLOTNICK e GRECO, 1995). A piora progressiva da amiloidose pode resultar, eventualmente, em evolução do DMNDI para DMDI, quando a quantidade de células β funcionais continua a declinar (NELSON, 1992). A hiperglicemia persistente suprime a secreção de insulina, fenômeno paradoxal chamado intoxicação por glicose (LUTZ e RAND, 1995, PLOTNICK e GRECO, 1995, NELSON e STRUBLE, 1997, RAND e MARTIN, 2001). Isto resulta em alterações no sistema de receptores e transporte de glicose na membrana das células β, reduzindo a capacidade secretória. Em gatos, a supressão da secreção de insulina ocorre entre 3 e 7 dias de hiperglicemia crônica e a gravidade varia de acordo com o nível da hiperglicemia. Inicialmente, a supressão da função das células β é reversível, mas com o tempo, há perda dessas células (RAND e MARTIN, 2001). Pode ocorrer também um aumento dos ácidos graxos livres na circulação sanguínea, acarretando efeitos deletérios nas células β, o que é conhecido como lipotoxicidade. Num primeiro momento do Diabetes, a maioria dos gatos tem células β que permanecem funcionais. É importante que haja uma intervenção imediata para minimizar a glicotoxicidade e a lipotoxicidade, além de preservar a função das células β. Se houverem células β remanescentes suficientes, 30% dos gatos diabéticos conseguem controlar a glicose sanguínea (RAND e MARTIN, 2001), o que pode explicar o Diabetes transitório, já que os efeitos desta “intoxicação” são potencialmente reversíveis quando se inicia o tratamento e a correção da obesidade (LUTZ e RAND,1995, NELSON e STRUBLE, 1997). Os animais diabéticos tratados inadequadamente podem apresentar total perda da função destas células, causando deficiência absoluta de insulina (DMDI ou Tipo1) (PLOTNICK e GRECO, 1995). Muitos gatos diabéticos têm evidências histológicas de pancreatite, porém poucos apresentam sinais clínicos e diagnóstico ante-mortem de pancreatite. Baseado na histologia, a gravidade da destruição das células β é insuficiente para causar Diabetes na maioria dos gatos, entretanto, contribui para a perda destas células em outros (GOOSSENS et alii, 1998). Se a pancreatite é causa ou conseqüência de Diabetes em gatos, não está explicado. A hipertrigliceridemia está sendo associada com um aumento na incidência de pancreatite em humanos e, curiosamente, gatos obesos e diabéticos apresentam-se hipertrigliceridêmicos (GREENBERGER, 1973). Gatos com sinais agudos de pancreatite estão freqüentemente hiperglicêmicos (GOOSSENS et alii, 1998). A obesidade é o maior fator de risco para o desenvolvimento do Diabetes tipo 2 em humanos e gatos. A obesidade diminui a sensibilidade à insulina por afetar receptores do metabolismo da glicose. Em gatos, os índices de sensibilidade à insulina estão diminuídos pela metade quando há um aumento de 44% no peso. A obesidade também diminui reversivelmente a tolerância à glicose e causa hiperinsulinemia, contribuindo para falência das células β (BIOURGE et alii, 1997). A resistina é um hormônio secretado pelos adipócitos que recentemente tem sido apontada como um fator que resulta na piora da intolerância à glicose e da ação da insulina. Futuramente, as terapias terão a resistina e seus receptores no fígado e músculo como alvo, com o objetivo de inibir a ação de dissensibilização à insulina (RAND e MARTIN, 2001). A proporção de gatos diabéticos machos castrados para a de fêmeas castradas é de 1,5: 1 (PANCIERA et alii, 1990). Os fatores que aumentam o risco de Diabetes em machos são multifatoriais. Gatos machos têm maiores riscos de obesidade em relação às fêmeas, pois quando são alimentados pelo sistema ad libitum, eles ganham mais peso do que as fêmeas (RAND e MARTIN, 2001). Os gatos que apresentam baixa sensibilidade à insulina, ou reduzida secreção da mesma, podem desenvolver Diabetes quando existe aumento dos níveis de hormônios diabetogênicos. Isso pode ocorrer via exógena, ou seja, pela administração de drogas, especialmente glicocorticóides ou progestina, ou de neoplasias funcionais que produzem excesso de hormônios antagonistas à insulina como hormônio do crescimento (GH), cortisol ou tiroxina (FELDMAN e NELSON, 1996). O adenocarcinoma pancreático tem sido apontado como causa de Diabetes em 9% a 18% dos casos nos gatos diabéticos necropsiados nas universidades de referências da América do Norte (GOOSSENS et alii, 1998). Mais de 80% dos gatos com hiperadrenocorticismo desenvolvem Diabetes (PETERSON, 1995) e alguns demonstram resistência à insulina. Tipicamente gatos com hiperadrenocorticismo espontâneo têm Diabetes pouco controlado. Eles continuam apresentando poliúria, polidipsia e perda de peso, apesar de receberem maiores doses de insulina do que os outros. (FELDMAN e NELSON, 1996). O hipertireoidismo produz relativamente pouca resistência à insulina quando comparado ao hipersomatotrofismo, que é um potente indutor de extrema resistência à insulina e por si só pode causar Diabetes (RAND e MARTIN, 2001). O hipersomatotrofismo associado à acromegalia é uma potente causa de Diabetes Mellitus em gatos. Tipicamente, dosagens altas de insulina (>131 UI/kg) são necessárias para controlar a hiperglicemia nesses gatos (BIOURGE et alii, 1997). Gatos portadores de acromegalia geralmente apresentam feições grosseiras, engrossamento da língua, espaços entre os dentes aumentados, cardiomegalia e ganho de peso, apesar do Diabetes mal controlado (FELDMAN e NELSON, 1996). 8. SINAIS CLÍNICOS 8.1 Diabetes Mellitus não complicada Os sinais clínicos de Diabetes Mellitus em gatos são súbitos e progressivos. Muitas vezes, a obesidade associada à hiperglicemia sejam os únicos sinais precoces de Diabetes. Porém, os sinais clínicos clássicos do gato diabético não complicado incluem polidipsia, poliúria, polifagia e perda de peso (Quadro 3) (FELDMAN e NELSON, 1996). O exame físico dos gatos diabéticos são geralmente nãoespecíficos. Por volta de 35% dos gatos são obesos ao exame inicial (GRECO, 2004). Porém, os achados clínicos mais comuns são letargia e depressão (70%), desidratação (63%), pêlos arrepiados (52%) e perda muscular (47%) (Quadro 4) (PLOTNICK e GRECO, 1995). Alguns gatos apresentam anormalidades gastrintestinais e sinais de neuropatia diabética antes de demonstrarem polidipsia e poliúria. Entretanto, a etiologia dos sinais gastrintestinais é desconhecida. Eles podem decorrer de uma neuropatia autonômica diabética ou ocorrer em virtude de uma pancreatite concomitante, colangiohepatite, ou doença intestinal inflamatória (DIEHL, 1995, PLOTNICK e GRECO, 1995). Quadro 3: Freqüência dos sinais clínicos de DM nos gatos. SINAIS CLÍNICOS Polidipsia Poliúria Perda de peso Anorexia Fraqueza Depressão Vômito Anormalidades ao andar Polifagia Fonte: Modificado de GRECO, 2001. nº de gatos 68/88 61/85 54/87 54/89 79/90 66/90 34/89 8/60 11/90 % 77 72 62 61 54 73 38 13 12 Estudos recentes evidenciam que gatos diabéticos podem ter uma variedade de sinais clínicos sugestivos de neuropatia diabética, como dor à palpação das extremidades distais dos membros, anormalidades de andadura e posição palmígrada, além da posição plantígrada (Figura 12) (GRECO, 2001). Estudos realizados com eletromiografia, histopatologia e avaliação nervo condutora, demonstraram que todos os gatos diabéticos têm algum grau de neuropatia diabética no momento da avaliação clínica (GRECO, 2001). A causa não é conhecida, porém, a partir de estudos em seres humanos, os pesquisadores criaram três hipóteses: vascular, a axonal e a metabólica (FELDMAN e NELSON, 1996). SHELTON (1994) relata como etiopatogenia predominantemente à degeneração axonal. Figura 12: Neuropatia Diabética. Posição plantígrada associada à neuropatia periférica em um gato diabético com dez anos de idade. 1A - Notar a inclinação do membro torácico direito na região do carpo. 2B - Gato apresentando dificuldades de locomoção. Observar apoio do jarrete do membro pélvico direito totalmente no chão. Fonte: SOUZA, 2003. Quadro 4: Sinais Clínicos observados durante o exame físico de gatos diabéticos. SINAIS CLÍNICOS Letargia/ depressão Pelos arrepiados Desidratação Perda muscular/ magreza Obesidade Nefromegalia Hepatomegalia Sopro cardíaco Posição plantígrada Catarata Hálito cetônico Icterícia nº de gatos 63/90 31/60 57/90 28/60 21/60 17/90 27/90 14/90 05/60 Não relatado Não relatado 10/30 % 70 52 63 47 35 19 30 16 08 33 Fonte: Modificado de GRECO, 2001. 8.2 DM complicada ou Cetoacidótica e Síndrome Hiperosmolar Ocorre quando a deficiência de insulina leva à mobilização de gorduras para a produção de energia. A lipólise resulta no aumento da produção de corpos cetônicos, cetonúria, cetonemia, acidose metabólica, desidratação e em vários desequilíbrios eletrolíticos (NORSWORTHY, 2004a). Como a deficiência de insulina culmina em cetoacidose diabética, o acúmulo de cetona e ácido láctico no sangue, e a perda de eletrólitos e água na urina, causam desidratação profunda, hipovolemia, acidose metabólica e choque. A cetonúria e a diurese osmótica são causadas pela glicosúria e resultam na perda de sódio e de potássio na urina, o que exacerba a hipovolemia e a desidratação (GRECO, 2001). A desidratação e o choque levam à azotemia pré-renal e a um declínio na taxa de filtração de glomerular. O declínio da taxa de filtração glomerular conduz a um acúmulo adicional de glicose e cetonas no sangue. Hormônios como cortisol e epinefrina contribuem para hiperglicemia em um ciclo vicioso. Eventualmente, a desidratação grave pode resultar em hiperviscosidade, tromboembolismo, acidose metabólica, fracasso renal, e finalmente em morte (GRECO, 2001). Os sinais clínicos mais comuns em gatos portadores de Diabetes cetoacidótica são anorexia, fraqueza, depressão e vômito (PLOTNICK e GRECO, 1995). Freqüentemente, animais que sofrem de cetoacidose são levados ao veterinário quando em estado de choque. No exame físico, pode-se evidenciar depressão, taquipnéia, desidratação, fraqueza, vômito e, ocasionalmente, um odor de acetona forte na respiração (GRECO, 2001). Além disso, 33% de gatos portadores de Diabetes cetoacidótica exibem icterícia clínica ao exame físico. A icterícia pode ser um resultado de hemólise, lipidose hepática, ou pancreatite aguda (GRECO, 2001). A síndrome hiperosmolar é uma forma grave de crise diabética que geralmente vem associada a outras doenças sistêmicas graves. Gatos diabéticos e portadores de uma doença concomitante, principalmente insuficiência renal e insuficiência cardíaca congestiva, apresentam maiores riscos. Geralmente, ocorre em felinos mais idosos que estavam recebendo insulina por tempo prolongado. Os animais apresentam anormalidades neurológicas, incluindo ataxia, desorientação, convulsões e coma, devido à desidratação do tecido nervoso. Sinais de DM e de cetoacidose também podem estar presentes (LURYE e BEHREND, 2001). 9. DIAGNÓSTICO Não há critério para o diagnostico do Diabetes Mellitus em gatos (RAND e MARTIN, 2001). Sinais clínicos como polidipsia, poliúria, perda de peso, ou polifagia não são patognomônicos, e por isso, o diagnóstico não pode ser confirmado apenas através do exame clínico. O Diabetes Mellitus não-complicado é diagnosticado quando há presença de hiperglicemia persistente em jejum (acima de 200mg/dL) e glicosúria, (KIRK et alii, 1993, FELDMAN e NELSON, 1996, LURYE e BEHREND, 2004) associada a pelo menos três sinais clínicos mais comuns de Diabetes (KIRK et alii, 1993, FELDMAN e NELSON, 1996). O diagnóstico em gatos é complicado devido à hiperglicemia de estresse, que pode causar glicosúria transitória ou aumento na concentração da glicose sanguínea (NORSWORTHY, 1993), podendo chegar de 300 a 400mg/dl (GRECO, 2001). Sendo assim, deve-se considerar o máximo de dados para chegar a um diagnóstico definitivo (NORSWORTH, 1993). A dosagem de hemoglobina glicosilada e de frutosamina podem auxiliar no diagnóstico de Diabetes Mellitus, pois indicam hiperglicemia de longa duração e ajudam na diferenciação da hiperglicemia de estresse (NELSON et alii, 1993, GRECO, 2001). A glicose sanguínea deve ser mensurada várias horas após a primeira mensuração, para que haja a confirmação de hiperglicemia persistente, principalmente se o primeiro resultado for menor que 360mg/dL. Sinais de DM ocorrem quando a glicose sanguínea excede o limiar renal, que é de aproximadamente 288mg/dL para gatos normais. A glicosúria, em geral, não ocorre paralelamente à hiperglicemia por estresse, porque a elevação temporária da glicose sangüínea impede que a glicose urinária se acumule até concentração detectável (NELSON et alii, 1992, NELSON e STRUBLE, 1997). Os sinais clínicos do Diabetes Mellitus não são patognomônicos desta doença, por isso deve-se fazer um diagnóstico diferencial (Quadro 5) (NORSWORTHY, 1993). Quadro 5: Guia para o diagnóstico diferencial de DM em gatos. Causas de poliúria e polidipsia Insuficiência renal Colangite Cirrose hepática Colangiohepatite Piometra Diabetes insípido Causas de polifagia • Parasitismo • Linfoma intestinal • Insuficiência pancreática exócrina • Enterite linfocítica-plasmocítica • Enteropatia com perda de proteínas • • • • • • Fonte: modificado de SOUZA, 2003. • • • • • • • • Causas de hiperglicemia Estresse Cio Medicamentos Causas de posição plantígrada Lesão no nervo ciático Neoplasia Lesão no tendão gastrocnêmico Comprometimento vascular Tromboembolismo 9.1 Proteínas Glicosiladas Proteínas glicosiladas, como a hemoglobina glicosilada e a frutosamina, podem auxiliar no diagnóstico do Diabetes Tipo 2 em gatos (GRECO, 2001, NELSON et alii,1993). A hemoglobina glicosilada é formada por uma ligação irreversível da glicose à hemoglobina. Quando as concentrações de glicose plasmática aumentam, a hemoglobina glicosilada aumenta proporcionalmente (GRECO, 2001). Portanto, a meia-vida da hemoglobina glicosilada está relacionada à duração das hemáceas no sangue, que no caso dos gatos, equivale à aproximadamente dois meses. Uma hemoglobina glicosilada elevada indica uma hiperglicemia durante os 1 a 2 meses precedentes. No entanto, a hemoglobina glicosilada não é apropriada para gatos que estão sofrendo mudanças na dosagem de insulina ou que estejam anêmicos (BENNETT, 2002). A frutosamina é formada pela glicosilação de proteínas séricas, principalmente a albumina. A concentração de frutosamina no soro é relacionada diretamente à concentração de glicose sanguínea. (GRECO, 2001). Portanto, a dosagem de frutosamina sérica é um método que permite o conhecimento do nível da glicose nas 2 ou 3 semanas anteriores (CANNON, 2003, NORSWORTHY, 2004b). Este é o exame laboratorial mais indicado para os animais que estejam sofrendo ajustes na dosagem de insulina e também para diferenciar hiperglicemia por estresse, já que sua dosagem não é afetada por mudanças agudas na glicemia (BENNETT, 2002). 9.2 Exames Laboratoriais Os exames de urina e a dosagem da concentração de glicose sanguínea são imperativos para o diagnóstico de Diabetes Mellitus. Outros exames complementares poderão ser realizados para identificar distúrbios concomitantes, que podem vir a complicar o manejo do paciente diabético (FELDMAN e NELSON, 1996). As principais anormalidades detectadas na urinálise são: glicosúria, cetonúria (KIRK et alii, 1993, NELSON, 1997a), baixa concentração urinária (KIRK et alii, 1993), proteinúria, bacteriúria, com ou sem piúria, e hematúria associadas. Em geral o paciente diabético não complicado apresenta glicosúria sem cetonúria. Porém, um gato diabético sadio pode revelar traços de corpos cetônicos ao exame de urina. A presença de piúria, bacteriúria, hematúria e proteinúria indicam infecção do trato urinário. Proteinúria também pode indicar lesão glomerular secundária ao rompimento da membrana basal (NELSON, 1997a). O gato diabético possui aparente pré-disposição à infecção urinária em virtude da disponibilidade de glicose para utilização bacteriana, além de menor resistência a infecções em geral, devido a alterações imunológicas causadas pela Diabetes (PANCIERA et alii, 1990). Por isso, o sedimento urinário deverá ser cuidadosamente inspecionado em buscas de alterações consistentes com infecção (leucócitos, hemácias, proteínas e bactérias). Sempre que possível, a urina obtida por cistocentese, com emprego de técnicas assépticas, deverá ser apresentada para a realização de cultura bacteriana e testes de sensibilidade, mesmo que não tenham sido detectadas piúria e hematúria (NELSON, 1997a). Para um paciente diabético não complicado, o hemograma apresenta-se geralmente normal. Contudo, podemos identificar algumas alterações como: policitemia de leve intensidade se o animal apresenta-se desidratado, leucocitose devido a processo inflamatório grave (especialmente se presente pancreatite subjacente), presença de neutrófilos tóxicos ou degenerativos, ou desvio significativo à esquerda devido à presença de processo infeccioso como causa da leucocitose. (NELSON, 1997a). Um leucograma de estresse e anemia não regenerativa podem ser encontrados em gatos diabéticos, principalmente nos casos de cetoacidose. A anemia pode ocorrer por depressão da eritropoese, diminuição da meia vida dos eritrócitos e por má digestão de alimentos (NORSWORTHY, 1993). As principais alterações metabólicas observadas na análise bioquímica dos gatos diabéticos são: hiperglicemia, hipercolesterolemia, elevação de ALT e AST, azotemia prérenal, hiperalbuminemia, hiponatremia, hipocalcemia e hipofosfatemia, como também hiperosmolaridade e acidose (Quadro 6) (SOUZA, 2003). Quadro 6: Principais alterações metabólicas em gatos diabéticos. Hiperglicemia Hipercolesterolemia É a alteração bioquímica mais comum associada à Diabetes Mellitus, decorrente da deficiência absoluta ou relativa de insulina. É resultante da dissociação de gordura, associação com o catabolismo do diabético e diminuição da degradação de colesterol pelo fígado. Aumento das enzimas hepáticas, hiperbilirrubinemia Azotemia pré-renal, hiperalbunemia e hiponatremia Hipocalemia (déficit corporal total). Hipofosfatemia (déficit corporal total). Hiperosmolaridade Acidose Pode resultar da lipidose hepática que se desenvolve em gatos anoréticos. Associados à desidratação moderada ou grave (comum em casos de cetoacidose). É resultante da translocação da água do compartimento intracelular para o extracelular em resposta à hiperglicemia e pela perda excessiva pela via urinária. Ocorre devido à diurese osmótica, vômito, diarréia e má nutrição. As concentrações plasmáticas podem estar normais ou até mesmo aumentadas, em virtude da translocação de potássio intracelular para o plasma, induzida pela hipoinsulinemia e acidose. Ocorre secundária à diurese osmótica, perdas gastrintestinais e falta de ingestão de fosfato. Causada pela desidratação acentuada, hiperglicemia e azotemia pré-renal. Ocorre pela produção e acúmulo de corpos cetônicos a partir da oxidação de ácidos graxos. Fonte: Modificado de SOUZA, 2003. 9.3 Testes de Resposta Uma vez estabelecido o diagnóstico de Diabetes Mellitus, deve-se diferenciar entre DMDI e DMNDI. A mensuração da concentração sérica basal de insulina não permite facilmente essa diferenciação, devido à extensa sobreposição em valores. Freqüentemente, observa-se uma concentração basal de insulina inferior à 20µU/ml, tanto no DMDI quanto no DMNDI. Uma concentração basal de insulina superior a 20µU/ml sugere a existência de função residual das células beta e a possibilidade de DMNDI ou de intolerância a carboidratos induzida por um distúrbio, como por exemplo o hiperadrenocorticalismo, ou fármacos antagônicos à insulina, (NELSON, 1992). Deve-se realizar um teste de resposta à insulina para avaliar a função das células β. Um teste de tolerância à glicose intravenosa (TTGIV) envolve a administração de 500mg de glicose por quilo de peso corpóreo durante 30 segundos e amostras de sangue colhidas antes da administração e cinco, 15, 30, 45 e 60 minutos depois da administração de glicose. Este constitui o teste padrão de resposta à insulina. A concentração sanguínea de insulina em gatos com DMDI permanecerá dentro ou abaixo da faixa basal normal de insulina (i.e., > 20 µU/ml) durante todo o TTGIV. Gatos com DMNDI devem ter uma ou mais concentrações de insulina, menores do que 20 µU/ml (NELSON et alii,1992). Infelizmente, alguns gatos que aparentam ter DMNDI não respondem a um estímulo de glicose, provavelmente por causa da concomitante toxicidade da mesma. Células β funcionais podem tornar-se não responsivas a alterações na concentração de glicose sanguínea, possivelmente como um mecanismo protetor diante de hiperglicemia persistente (NELSON et alii, 1992). Segundo BIOURGE et alii (1997) e KIRK et alii (1993), o uso prévio do teste de resposta para diagnóstico precoce Diabetes Mellitus tipo 2 em gatos tem sido desaconselhado, devido a extrapolação da medicina humana, onde testes provocantes como resposta à glicose e testes de resposta ao glucagon são protocolos básicos para diagnostico precoce do DM tipo 2. Gatos secretam insulina em resposta aos aminoácidos e não da glicose. O teste de resposta à arginina pode ser usado em gatos, para diferenciar DMDI de DMNDI. O teste baseia-se na administração de 0,1g/kg de hidrocloreto de arginina intravenoso e as amostras de sangue são analisadas no tempo 0, 2, 4, 6, 10, 20, e 30 minutos (KITAMURA et alii, 1999). Outra alternativa para avaliar a função das células beta é realizar o teste de tolerância ao glucagon intravenoso. Nesse teste, administra-se 0,5mg de glucagon por gato por via intravenosa, e a colheita das amostras de sangue são realizadas antes da administração e após cinco, 10, 20 e 30 minutos. A interpretação desse teste é semelhante a do TTGIV (NELSON et alii, 1992). 10. TRATAMENTO As principais metas do tratamento do gato com Diabetes Mellitus são: resolver os sinais clínicos associados com a doença, evitar períodos de hipoglicemia e prevenir o desenvolvimento de complicações, como a cetoacidose e a polineuropatia (CANNON, 2003, PETERSON e GRAVES, 1993). Rotineiramente, o gato diabético é considerado “sob controle” quando os sinais clínicos estiverem resolvidos, o peso estabilizado e quando a concentração de glicose sanguínea mantiver-se entre 100 e 300mg/dl em um período de 24 horas (FELDMAN e NELSON, 1996). A terapia consiste na correção do peso, alteração da dieta, insulinoterapia, administração de agentes hipoglicemiantes orais (FELDMAN e NELSON, 1996, LURYE e BEHREND, 2004) e exercícios físicos (FELDMAN e NELSON, 1996). 10.1 Correção do Peso e Dieta A correção da obesidade ou da desnutrição diminui a resistência à insulina e, no DM Tipo 2, melhora sua secreção. Para a perda de peso, a ingestão calórica deve ser restringida a aproximadamente 75% das necessidades calóricas de manutenção, ou seja, 60 a 70kcal/kg/dia. Os gatos com baixo peso corpóreo devem ser alimentados com as necessidades calóricas de manutenção até atingirem um peso ideal. Quaisquer tentativas para alterar o peso corpóreo devem ser feitas gradualmente. Os valores da glicose sanguínea devem ser monitorados rigorosamente porque as necessidades de insulina alteram-se com a condição corpórea (LURYE e BEHREND, 2004). Uma dieta apropriada e um esquema de alimentação são partes importantes do controle diabético. Porém, a melhor combinação de proteínas, gorduras e carboidratos para gatos diabéticos ainda não é conhecida (RAND e MARTIN, 2001). Mas evidências sugerem que um alto nível protéico e uma dieta rica em fibras possam ser benéficos. As dietas devem também levar em consideração qualquer doença concomitante (LURYE e BEHREND, 2004). As metas de uma dieta específica para gatos diabéticos visam: controlar a sobrecarga ponderal, minimizar a estimulação das células beta do pâncreas pela glicose, estimular a secreção de insulina das células beta restantes e combater o stress oxidativo. Controlar a sobrecarga ponderal O objetivo é a perda do tecido adiposo e conservação da massa magra. Para isso devemos utilizar uma dieta com teor energético moderado, com redução das gorduras e glicídios e alto teor protéico (DIEZ, 2002, NGUYEN, 2002). A suplementação pode ser feita à base de L-carnitina que favorece a manutenção da massa magra e auxilia na redução do tecido adiposo (BIOURGE et alii, 2000). Minimizar a estimulação das células β do pâncreas pela glicose Dietas com teor elevado a moderado de fibras alimentares totais e teor elevado de glicídeos (>30% de MS) eram recomendadas para o controle do Diabetes no gato (FELDMAN e NELSON, 1996). Estes níveis elevados de carboidratos induzem um nível alto de glicemia pós-prandial (HOENIG e ALEXANDER, 2004) e por conseqüência, uma pressão acentuada nas células β enfraquecidas. No decorrer dos últimos anos, diversos estudos demonstraram que comparativamente à abordagem tradicional, os alimentos com teor moderado a reduzido de glicídeos (< 20% de MS) e teor muito elevado de proteínas (> 45% de MS) reduzem o nível de glicose sanguínea pós-prandial e, conseqüentemente, a estimulação do pâncreas (Figura 13). FRANK (2001) realizou ensaios clínicos em gatos diabéticos alimentados com dietas pobres em glicídeos, mas ricos em proteínas, e evidenciou um melhor controle glicêmico, uma redução na dosagem de insulina e uma taxa de reversão da Diabetes superior comparativamente à abordagem tradicional (60% vs 10% dos gatos) (HOENIG e ALEXANDER, 2004). Glicose (mg/dl) 90 80 70 TEOR ELEVADO DE AMIDO 60 TEOR ELEVADO DE PROTEÍNA 50 40 0 2 4 6 Horas após a refeição 8 10 Figura 13: Glicemia pós-prandial. Efeito de uma alimentação rica em proteínas (50%) e podre em amido (10%) vs uma alimentação rica em amido (30%) e pobre em proteínas (30%) na glicemia do gato. Fonte: NGUYEN et alii, 2002. As fontes de glicídeos são igualmente importantes: os cereais menos refinados e outros com um índice glicêmico reduzido, como a cevada ou o milho, produzem uma glicemia pós-prandial inferior à que é produzida pelo arroz. Entretanto, as mucilagens, como o psyllium, retardam a digestão e absorção dos glicídeos, prolongando o esvaziamento gástrico e a difusão de glicose desde o lúmen até a mucosa intestinal (Figura VARIAÇÃO GLICOSE SANGUÍNEA (mmol/L) 14) (FLORHOLMEN et alii, 1982). 6 4 CONTROLE 2 APÓS 1 DIA 0 -2 0 50 100 150 200 REFEIÇÕES TESTE INSULINA APÓS 1 SEMANA Figura 14: Efeito de psyilium sobre a glicose sanguínea pós-prandial. Nove pacientes humanos com Diabetes Tipo 1 - 3,6g psyilium. Fonte: FLORHOLMEN et alii, 1982. No decorrer dos últimos anos, a tecnologia da extrusão evoluiu bastante, permitindo hoje formular alimentos secos com níveis de glicídeos < 20% e níveis de proteínas > 45% de matéria seca. Assim é possível formular um alimento seco que minimize a glicemia pósprandial (BIOURGE et alii, 2000). Além de reduzir a densidade energética dos alimentos, as fibras alimentares desempenham um papel importante no controle da glicemia dos pacientes diabéticos (NELSON et alii, 2000). Elas retardam a absorção da glicose e contribuem para minimizar a glicemia pós-prandial e a estimulação das células β. Tanto as fibras solúveis quanto as insolúveis são benéficas. As fibras e os seus produtos de fermentação, particularmente os ácidos graxos voláteis, modificam também a secreção de alguns hormônios do trato digestivo e a sensibilidade desses tecidos à insulina (BIOURGE et alii, 2000). Segundo uma pesquisa realizada por NELSON et alii (2000) o consumo calórico diário, peso corporal ou dosagem de insulina diária não diferem significantemente entre gatos que se alimentam de dietas ricas em fibras insolúveis e pobres em fibras insolúveis. A concentração de glicose sérica pré-prandial, pós-prandial e após 12 horas da alimentação é significantemente menor quando gatos consomem dietas ricas em fibras insolúveis, comparado com valores obtidos quando gatos comem dieta pobre em fibras insolúveis. Estimular a secreção de insulina das células β restantes No gato, alguns aminoácidos, em particular a arginina, são promotores poderosos da secreção de insulina (CURRY et alii, 1982). Enquanto que a secreção de insulina em resposta à glicose apresenta-se reduzida em situações de hiperglicemia crônica, em resposta a arginina está normal ou aumentada (Figura 15) (KITAMURA et alii, 1999). Um alimento rico em proteínas e em arginina1 contribui para estimular a secreção de insulina endógena no paciente diabético e favorece a reversão do DM. PICO DA SECREÇÃO DE INSULINA ng/min 120 GLICOSE 100 80 ARGININA 60 20 GLICOSE + ARGININA 0 MISTURA aa 40 Figura 15: Perfusão com diferentes metabólitos. Glicose, arginina, glicose mais arginina e mistura de aminoácidos. Fonte: CURRY et alii, 1982. 1 Spidufen®, Zambon, São Paulo – SP. Combater o estresse oxidativo Existem provas comprobatórias que o estresse oxidativo possui um efeito sobre o metabolismo da glicose, contribuindo para as complicações crônicas (OPARA, 2002). Como tal, os antioxidantes estão indicados na abordagem terapêutica nutricional devido ao fato de atuarem em sinergia para combater os radicais livres. Assim, recomenda-se a utilização de um complexo de antioxidantes, como por exemplo, a vitamina C (BIOURGE et alii, 2000). Quando alimentar? O programa dietético pode variar dependendo do tipo, quantidade e freqüência da administração das medicações (FRISBY, 2004b). Segundo RAND e MARTIN (2001) não é prático relacionar alimentação com administração de insulina, porque gatos comem pequenas refeições e com uma alta freqüência diária. Já para LURYE e BEHREND (2004), o ideal para minimizar a hiperglicemia pósprandial inclui múltiplas refeições em pequenas quantidades durante o dia, porém esse esquema não é prático. Portanto, a insulinoterapia é mais bem sucedida quando a dieta e o horário de alimentação são regulares. Os horários da alimentação devem minimizar as flutuações pós-prandiais na glicose sanguínea e coincidir com os efeitos fisiológicos dos picos de insulina. Segundo FRISBY (2004b), a alimentação depende da administração de insulina. Se um gato recebe só uma injeção de insulina por dia, geralmente é recomendável que o gato coma metade da sua refeição mais ou menos no mesmo tempo da administração de insulina e a outra metade quando a insulina estiver em seu pico de ação. E os gatos que recebem insulina ou qualquer outra medicação duas vezes ao dia, geralmente devem ser alimentados com metade da alimentação total em cada administração. A alimentação à vontade pode ser utilizada quando o gato se recusa a comer refeições programadas, mas a quantidade deve ser restringida às necessidades calóricas de manutenção. O problema com essa abordagem é a dificuldade de saber se o gato está se alimentando bem, e a insulina pode ser administrada de modo inadequado (LURYE e BEHREND, 2004). 10.2 Hipoglicemiantes Orais Os agentes hipoglicemiantes orais (AHOs) estimulam a secreção de insulina pelas células β, aumentam a sensibilidade à insulina, ou diminuem a absorsão de glicose no trato gastrointestinal (GRECO, 2003a). Porém, um tratamento bem sucedido com os AHOs exige a presença de algumas células beta funcionais. Isso varia consideravelmente entre os gatos diabéticos e é geralmente estabelecido pela resposta a um teste do tratamento. Alguns relatos publicados sugerem que até um terço dos gatos diabéticos respondem aos AHOs, mas a experiência em geral tem sido menos animadora do que isto (CANNON, 2003). Os casos mais apropriados para o teste do tratamento com AHOs são os gatos obesos, gatos com comprometimento moderado mas saudáveis, e gatos com histórico recente de tratamento com medicações diabetogênicas. O uso de AHOs é contra-indicado em gatos com cetoacidose diabética, gatos debilitados ou com doença concomitante (CANNON, 2003). Os agentes hipoglicemiantes orais são divididos em diversas categorias de fármacos e são utilizados no tratamento do Diabetes Mellitus em humanos (Quadro 7) (LURYE e BEHREND, 2004) Sulfoniluréias Primeira geração Tolbutamida Acetohexamida Chlorpropamida Segunda geração Glyburida Glipizida Terceira geração Glimepirida Biguanidas Metformina Tiazolidinedionas Troglitazona Rosiglitazona Inibidores da α- glicosidade Acarbose Metais de transição Cromo Vanádio Quadro 7: Agentes hipoglicemiantes orais SULFONILURÉIA NOME GENÉRICO POTÊNCIA RELATIVA Primeira geração Tolbutamida 1 Acetohexamida 2,5 Tolazamida 5 Chlorpropamida 6 Glipizida 100 Gliburida 150 Segunda geração Fonte: modificado de NELSON, 1992. Sulfoniluréias As sulfoniluréias são a classe de AHOs mais amplamente utilizada e melhor documentada. Sua ação é aumentar a liberação de insulina das células β (CANNON, 2003, LURYE e BEHREND, 2004), reduzir a resistência periférica à insulina e a produção hepática de glicose (CANNON, 2003). A principal diferença entre as sulfoniluréias é a sua duração de ação e o modo pelo qual são metabolizadas e excretadas (NELSON, 1992). A segunda geração de sulfoniluréias tem sido alterada quimicamente para benefício da absorção, metabolismo, secreção, toxicidade, potência e duração de ação, quando comparada com as sulfoniluréias de primeira geração (GERICH, 1989). Um benefício das sulfoniluréias de segunda geração é o aumento na afinidade da ligação com os receptores das células β. O aumento na afinidade desta ligação aumenta a estimulação de secreção de insulina (FORD, 1995). As sulfoniluréias tem efeitos extra pancreáticos e pancreáticos. O primeiro efeito é estimulação direta da secreção de insulina das células β pancreáticas que se inicia dentro de 10 minutos após a administração oral. (GERICH, 1989, NELSON, 1992). Em humanos, ratos e cães, sulfoniluréias agem em específicos receptores das células β. Reações intracelulares estimuladas por essa ligação resultam em despolarização da membrana celular, influxo de cálcio para as células β, e subseqüente liberação de insulina (GERICH, 1989). Porém, a síntese de insulina não é aumentada. Efeitos extra pancreáticos incluem aumento na sensibilidade tissular à insulina circulante, aumento da ligação de receptores de insulina, inibição da glicogenólise hepática, aumento no uso da glicose hepática e diminuição da extração de insulina hepática (KOLTERMAN et alii, 1984; NELSON et alii, 1992). Estes efeitos extra-pancreáticos, que ocorrem em longo prazo, são oriundos da ação direta do fármaco ou são secundários à estimulação da secreção de insulina (LEBOVITZ et alii, 1977, NELSON, 1992). Efeitos extra pancreáticos promovem o controle glicêmico necessário para o sucesso da DMNDI (FORD, 1995). Glipizida 2 É a medicação hipoglicêmica oral mais utilizada para o tratamento de gatos diabéticos (FELDMAN et alii, 1997, LURYE e BEHREND, 2004). Esse agente deve ser utilizado se os proprietários recusarem-se a aplicar as injeções de insulina. (FELDMAN et alii, 1997, LURYE e BEHEND, 2004). No início, muitos proprietários que se recusam a administrar insulina e concordam, subseqüentemente, em tentar a insulinoterapia após uma falha do tratamento com glipizida. Aproximadamente 35% a 45% dos gatos respondem à terapia com glipizida em longo prazo (LURYE e BEHREND, 2004). FELDMAN et alii (1997) estudaram 50 gatos tratados com glipizida e obtiveram um resultado de 38% de animais que conseguiram controlar o Diabetes. Contudo, existe a possibilidade da glipizida levar à progressão da amiloidose pancreática, pois também estimula a secreção de amilina (RAND, 1997). 2 Minidiab® , Pharmacia Brasil, São Paulo – SP. A dosagem recomendada para a glipizida é de 2,5 a 5,0 mg por gato, duas vezes ao dia, junto com o alimento (CANNON, 2003, FORD, 1995, LURYE e BEHREND, 2004). Porém, no início do tratamento, deve-se utilizar a menor dosagem de 2,5 mg durante duas semanas. Deve-se, porém, avaliar as enzimas hepáticas, a glicemia, a glicose e as cetonas urinárias antes de iniciar o tratamento e depois de uma ou duas semanas (CANNON, 2003, LURYE e BEHREND, 2004, NELSON et alii, 1993). Se não ocorrer nenhuma melhora clínica depois de duas semanas, recomenda-se aumentar a dose para 5mg e reavaliar com intervalos de duas semanas (CANNON, 2003, LURYE e BEHEND, 2004). Os valores da glicose sanguínea inferiores 200 mg/dl e a ausência de glicosúria indicam uma boa resposta terapêutica. Deve-se ter cuidado, pois a hipoglicemia pode ocorrer em gatos que estejam recebendo a glipizida. Se uma resposta clínica for adequada, a terapia é mantida e reavaliada a cada quatro semanas, contanto que uma cetoacidose ou perda de peso e sinais clínicos da DM não se desenvolvam (CANNON, 2003). LURYE e BEHREND (2004) afirmam que a resposta à terapia pode ocorrer em até 12 semanas, porém FELDMAN et alii (1997) indicam que o período para resposta à glipizida em gatos que nunca receberam injeções de insulina é variável para serem observadas mudanças na concentração de glicose sanguínea. NELSON et alii (1993) relatam que, às vezes, não se consegue a estabilização sintomatológica nas primeiras quatro a oito semanas. Portanto, na ausência de resposta após 12 semanas, a administração da glipizida deve ser interrompida e a insulinoterapia iniciada (CANNON, 2003, LURYE e BEHEND, 2004). Se ocorrer uma resposta clínica, a terapia com a glipizida deverá ser suspensa e a glicose sérica reavaliada em uma semana. Caso haja recorrência de hiperglicemia, a terapia com glipizipa deve ser restituída, iniciando com metade da dose prévia. Se a normoglicemia persistir, uma terapia dietética apropriada deve ser imposta e o gato rotineiramente monitorado quanto à recorrência dos sinais clínicos e da hiperglicemia. A normoglicemia pode ser mantida por volta de 12 a 14 meses ou mais (LURYE e BEHEND, 2004). Os efeitos adversos geralmente são bem tolerados. Entretanto, pode ocorrer vômitos, hepatotoxicidade ou icterícia. (CANNON, 2003, LURYE e BEHEND, 2004, NELSON et alii, 1993). NELSON et alii (1993) relataram hipoglicemia como efeito colateral da administração da glipizida. Esses efeitos ocorrem em aproximadamente 15% dos gatos (FELDMAN et alii, 1997). Se os efeitos adversos aparecerem, deve-se cessar o tratamento, pelo menos durante cinco dias e depois reiniciá-lo gradativamente (CANNON, 2003, LURYE e BEHEND, 2004). Se os sinais ocorrerem novamente, recomenda-se que interrompa o tratamento e inicie a insulinoterapia. Se for conseguido um bom controle, deve-se diminuir a dose gradativamente até cessar o uso. É recomendado à monitoração do animal para a observação da recidiva do Diabetes, e se isso ocorrer, pode-se reinstituir o tratamento coma a glipizida. (CANNON, 2003, LURYE e BEHEND, 2004). Glimepirida 3 É uma sulfoniluréia de terceira geração com ação similar à glipizida. Tem uma maior duração de ação do que as glipizidas e geralmente é administrada uma vez ao dia. Existe pouca experiência com o uso desse fármaco no tratamento de gatos diabéticos. Entretanto, em localidades onde a glipizida não está disponível, o tratamento com a glimepirida pode ser considerado como inicial, numa dose de 0,625mg/gato/dia. A resposta à terapia e as reações adversas são similares às descritas para a glipizida (CANNON, 2003, FELDMAN e NELSON, 1996). Outros agentes Recentemente, tem havido um interesse por outros agentes AHOs que trazem algum benefício no tratamento de Diabetes no homem. Há muito poucas informações atualmente disponíveis com relação a sua eficácia e segurança em gatos, mas podem tornar-se mais amplamente utilizados no futuro. (CANNON, 2003, LURYE e BEHEND, 2004). Os relatos de emprego de troglitazona e biguanidas sugerem que eles possam não ser eficazes. A acarbose (inibidor da α- glicosidase) parece ter efeitos brandos na redução da concentração de glicose sangüínea e pode ser um auxílio útil na insulinoterapia. Contudo, os efeitos colaterais gastrintestinais são comuns e podem superar os benefícios. O vanádio pode aliviar os sinais clínicos do DM Tipo 2 precoce (LURYE e BEHEND, 2004). 3 Amary®, Aventis Pharma, São Paulo – SP; Bioglic®, Biolab Sanus, São Paulo – SP; Diamellitis®, Cifarma, Santa Luzia – MG; Glimepibal®, Baldacci, São Paulo – SP; Glimepil®, Farmoquímica, Rio de Janeiro – RJ; Glimepirida®, Biossintética, São Paulo – SP; Glimeprid®, Hexal, São Paulo – SP; Glimesec®, Marjan, São Paulo – SP. 10.3 Insulinoterapia É o tratamento mais importante do Diabetes Mellitus (GRECO, 2003a). Insulinas provenientes de mamíferos são estruturalmente similares, com pequenas diferenças na seqüência de aminoácidos entre as espécies. São compostas por 51 aminoácidos arranjados em duas cadeias polipeptídicas. A cadeia A contém 21 aminoácidos e a cadeia B contem 30 aminoácidos (Figura 16) (SMITH, 1972). Figura 16: Molécula de Insulina. Ela é um peptídeo de 51 aminoácidos com duas cadeias polipeptídicas. A cadeia A possui 21 aminoácidos e a cadeia B possui 30 aminoácidos com 2 pontes. Fonte: http://www.cardiologiapertutti.org/Images%20-%20004%20-%20151-200.htm. Acesso em 21/02/2007. Tipos de insulina A determinação do tipo de insulina leva em consideração alguns fatores como: gravidade do estado do paciente, presença de doenças secundárias, resposta individual a cada tipo de insulina e a preferência do clínico (FELDMAN e NELSON, 1996b). Estão disponíveis insulinas de curta ação (ou insulina regular), de ação intermediária (Lenta e NPH), de longa ação (Ultralenta e PZI) (Quadro 8) (FELDMAN e NELSON, 1996b) e mistas. Insulina de curta ação ou Insulina Regular 4 A insulina regular possui um rápido início e curta duração de ação. É utilizada para tratamento do Diabetes cetoacidótico ou coma no Diabetes hiperosmolar e pode ser administradas pelas vias intravenosa, intramuscular ou subcutânea. A insulina regular pode também ser utilizada juntamente com a intermediária ou de longa ação para tratar a hiperglicemia pós-prandial (FELDMAN e NELSON, 1996b). Insulina de ação intermediária (Lenta e NPH) A insulina de ação intermediária pode ser administrada pela via subcutânea e é usada no controle a longo-prazo do Diabetes Mellitus (KINTZER, 1997). A insulina NPH 5 (Neutral Protamine Hagedorn) contém protamina, enquanto que a insulina lenta6 contém zinco (KINTZER, 1997). A absorção desta última insulina é controlada pelo tamanho dos cristais de zinco. Quanto menor, melhor a absorção. Portanto, a insulina lenta possui cristais pequenos, diminuindo a hiperglicemia pós-prandial (NELSON, 1997). 4 Biohulin R®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Humalog®, Eli Lilly, São Paulo – SP; Humulin R®, Eli Lilly, São Paulo – SP; Iolin R®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Neosulin R®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Novolin R®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Novolin R Penfill®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Novomix 30 Flexpen®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Novomix 30 Penfill®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Novorapid Penfill®, Novo Nordisk, São Paulo – SP. 5 Biohulin N®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Humulin N®, Eli Lilly, São Paulo – SP; Iolin N®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Neosulin N®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Novolin N®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Novolin N Penfill®, Novo Nordisk, São Paulo – SP. 6 Biohulin L®, Novo Nordisk, São Paulo – SP; Humulin L®, Eli Lilly, São Paulo – SP; Lantus®, Aventis Pharma, São Paulo – SP; Neosulin L®, Eli Lilly, São Paulo – SP. Insulina de longa ação (Ultralenta e PZI) A insulina ultralenta7 também contém zinco, porém, possui menor biodisponibilidade e é clinicamente menos potente que a insulina de ação intermediária (KINTZER, 1997). A PZI (insulina protamina-zinco) é uma insulina de longa ação preparada através da insulina bovina e porcina. Foi uma das primeiras insulinas recomendadas para o tratamento de DMDI em gatos (SCHAER, 1973). Infelizmente o fabricante original (“Eli Lilly Co”) suspendeu sua produção e distribuição em dezembro de 1991. Desde então, as insulinas bovina, suína, recombinante humana ultralenta, lenta e NPH passaram a ser utilizadas no tratamento de gatos diabéticos (BERTOY et alii, 1995, NELSON et alii, 1992). Durante a década passada, se tornou evidente que o controle da glicemia em gatos diabéticos poderia ser problemático com o uso das insulinas ultralentas devido à sua lenta absorção no sítio subcutâneo da injeção e devido à curta duração do seu efeito (BERTOY et alii, 1995, DOWLING, 1995). DOWLING (1995) quantifica esse problema em 20% e que isto tem como conseqüência o atraso ou efeito mínimo na absorção de glicose. Ele também relata que, nestes casos, a insulina de lenta ação, quando administrada duas vezes ao dia, pode ser efetiva nos casos de insucesso com a insulina ultralenta, devido a sua maior potência em relação a esta última. 7 Biohulin U®, Novo Nordisk, São Paulo – SP. Recentemente, preparações compostas de PZI têm sido oferecidas por farmacêuticos através de requisições veterinárias, porém, essas preparações têm sido inconsistentes no controle da glicemia de gatos diabéticos. Em 1998, uma companhia farmacêutica de saúde animal (“Blue Ridge Pharmaceuticals Inc”) começou a produzir PZI, usando os mesmos métodos do fabricante original (Figura 17). Figura 17: PZI VET. Insulina protamina. Utilização específica para gatos. Fonte: http://www.idexx.com/animalhealth/pharmaceuticals/pzivet/pzistudy2.pdf Acesso em: 21/02/2007. NELSON et alii (2001) sugere que a PZI é efetiva para o controle da glicemia em gatos recentemente diagnosticados ou pouco controlados do Diabetes, e que ela também pode ser utilizada como tratamento inicial ou tratamento alternativo em gatos que não respondem a outras insulinas. Quadro 8: Propriedades das preparações insulínicas utilizadas em gatos. Tipo de insulina Via de administração Rapidez do efeito Regular IV IM SC SC Imediato 10-30 minutos 10-30 minutos 0,5-3 horas NPH Tempo máximo do efeito 0,5-2 horas 1-4 horas 1-5 horas 2-8 horas Duração do efeito 1-4 horas 3-8 horas 4-10 horas 4-12 horas PZI LENTA ULTRALENTA SC SC SC 1-4 horas <1 hora 1-8 horas 3-12 horas 2-8 horas 4-16 horas 6-24 horas 6-14 horas 8-24 horas Fonte: Modificado de: FELDMAN e NELSON, 1996. Insulinas mistas 8 As insulinas mistas contêm porcentagens de insulina de ação intermediária e insulina regular, porém não é comum a prescrição deste tipo para gatos (KINTZER, 1997). Concentração A insulina normalmente está disponível comercialmente nas concentrações de 40, 100 e 500 U/mL, onde são designadas por U-40, U-100 e U-500, respectivamente. Uma unidade de insulina é aproximadamente equivalente a 36µg. Para pequenos animais que necessitam de uma baixa dosagem de insulina, um tratamento com U-40 oferece mais vantagens do que um tratamento com U-100, pois uma pequena dose pode ser mensurada mais facilmente (GRECO et alii, 1995). Dosagem A insulinoterapia deve repor as quantidades de insulina necessárias para a manutenção, sem causar hipoglicemia. A terapia inicial deve ser conservativa e baseada em monitoração através de curvas glicêmicas, exames laboratoriais e sinais clínicos (GRECO et alii, 1995). Em gatos, a dosagem inicial varia de 0,2 a 0,5 U/kg. A terapia pode ser administrada duas vezes ao dia devido ao rápido metabolismo da insulina. A maioria dos autores recomenda usar insulina ultralenta duas vezes ao dia. Se a insulina PZI for usada, uma dosagem de 1 a 3 U/gato é recomendada, uma vez ou duas vezes ao dia. 8 Humalog Mix 25®, Eli Lilly, São Paulo – SP; Humulin 70N/30R®, Eli Lilly, São Paulo – SP; Novolin 70/30®, Novo Nordisk, São Paulo – SP. MOISE e REIMERS (1983) relatam um bom controle glicêmico quando a insulina ultralenta é administrada uma vez ao dia. Insulinas de ação intermediária devem ser administradas 2 vezes ao dia devido à sua curta duração em gatos (FELDMAN e NELSON, 1996). NORSWORTHY (2004b) afirma que o peso corporal é um dos fatores determinantes da dose de insulina. Gatos que perdem ou ganham quantidade substancial de peso podem necessitar de ajuste da dose. Técnica e local da injeção De acordo com o local, a insulina possui diferentes tempos de absorção. Por exemplo, a absorção de insulina no abdômen é mais rápida do que nos membros. No entanto, a injeção de insulina na extremidade da parte superior do membro resulta em inconsistente absorção dependendo do exercício ou movimento realizado (GRECO et alii, 1995). A parte de trás do pescoço foi usada como um local para a injeção de insulina. Porém, este local possui várias desvantagens, incluindo a falta de fluxo sanguíneo e a possibilidade de desenvolvimento de fibrose devido a injeções repetidas neste local. Um autor recomenda administração de insulina em locais ao longo do abdômen lateral e tórax (GRECO et alii, 1995). O proprietário deve ser instruído para utilizar a seringa correta. Primeiramente, o frasco de insulina é retirado do refrigerador e aquecido à temperatura ambiente ou movimentação com as mãos, mas sem agitar. O frasco é então virado para baixo, a agulha introduzida e são retiradas unidades necessárias de insulina. Depois disso o proprietário deve introduzir a agulha, por via subcutânea, no animal num ângulo de 45º, paralelo ao eixo longitudinal da dobra da pele. Se a agulha for inserida perpendicular à dobra da pele, a agulha pode transpassá-la e a insulina será depositada no pêlo. Deve-se também mensurar a quantidade de insulina corretamente (Figura 18) (GRECO et alii, 1995). Figura 18: Método correto de mensuração de insulina. Deve-se mensurar quando a insulina chegar na unidade desejada e não quando o final do embolo marcar a unidade. Fonte: FRISBY, 2004d. 10.4 Exercícios Físicos A prática de exercícios é importante na manutenção do controle glicêmico do gato diabético. Ela ajuda a promover perda de peso, a corrigir a resistência à insulina devido à obesidade e a diminuir a concentração de glicose sanguínea (FELDMAN e NELSON, 1996). 10.5 Monitoração do Paciente Diabético Glicosúria Há pouco tempo atrás, os ajustes na dose de insulina eram realizados com base na avaliação diária da glicosúria. Freqüentemente, a conseqüência dessa prática era a hipoglicemia. Entretanto, a avaliação da glicosúria pode auxiliar na monitoração de alguns pacientes instáveis, principalmente aqueles predispostos à hipoglicemia. A monitoração domiciliar da glicosúria é especialmente útil em felinos, pois elimina o efeito do estresse. A glicosúria negativa não distingue entre hipoglicemia, normoglicemia e hiperglicemia discreta e, baseando-se nos resultados, a dose de insulina pode ser reduzida, porém nunca aumentada (MATHES, 2002). A monitoração da glicosúria não deve ser o único método de avaliação do controle glicêmico do paciente (SIMÕES, 2003). Para este tipo de monitoração em gatos, é recomendado que se retire a areia higiênica e a substitua por pedrinhas de aquário, pois elas não absorvem a urina depositada na vasilha sanitária. SCHAER (2001) recomenda que caso haja um grande aumento da glicosúria (1% a 2%), a dose de insulina deve ser aumentada em uma unidade. Este protocolo pode ser aplicado para a insulina NPH, lenta, ultralenta e PZI. A leitura de glicose negativa na urina requer uma imediata redução na dosagem de insulina em duas unidades. O ideal para SCHAER (2001) é que se colete a urina de manhã e no fim da tarde, mas esta disponibilidade depende do hábito individual do gato. Glicemia domiciliar Segundo SIMÕES (2003), a monitoração da glicemia domiciliar não deve ser rotineira, devido à inabilidade dos proprietários em colher uma amostra de sangue. Os novos glicosímetros, que utilizam quantidades pequenas de sangue e dispositivos para colheita de sangue capilar de locais alternativos (além da "ponta do dedo"), podem tornar essa tarefa mais fácil. A amostra de sangue pode ser colhida com o uso de lancetas convencionais, da região de calos de apoio ou coxins plantares e também da gengiva, embora muitos animais não tolerem a manipulação da face. O uso de uma lanceta especial (“Microlet Vaculance Device - Bayer®”) vem aumentando recentemente, pois ela é dotada de um dispositivo capaz de realizar pressão negativa, o que facilita a obtenção da gota de sangue capilar de regiões como a face interna das orelhas ou o abdômen ventral. Este procedimento não deve ser feito para o cliente evitar o retorno à clínica, pois segundo a experiência da autora, os pacientes que utilizam deste método apresentaram episódios de hipoglicemia grave devido à falta de retorno ao veterinário (SIMÕES, 2003). Curva glicêmica A realização da curva glicêmica é indicada para (CRYSTAL e NORSWORTHY, 2004, FELDMAN e NELSON, 1996): Regular inicialmente o paciente diabético; A monitoração do Diabetes Mellitus; Verificar periodicamente o estado glicêmico do animal; Restabelecer o controle glicêmico no paciente no qual se desenvolveram as manifestações clínicas de hiper ou hipoglicêmica; A exclusão ou confirmação de hiperglicemia de rebote. Os objetivos da realização da curva glicêmica incluem: Determinar o tempo de efeito do pico de insulina; Fixar o pico de insulina (nadir da glicemia); Demarcar a duração da insulina. Antes do teste, é importante que se estabelecida a dose de insulina e o tipo e freqüência de alimentação durante um período de 5 a 7 dias (CRYSTAL e NORSWORTHY, 2004). SIMÕES (2003) atualmente adota a realização de curvas glicêmicas em casa, onde os proprietários são instruídos em como colher sangue, utilizar o glicosímetro e realizar a curva. Com esse procedimento, ela procura minimizar a interferência dos efeitos do estresse nos resultados da curva. O teste deve começar logo pela manhã. Colhem-se amostras de sangue por venopunção da veia marginal da orelha (em caso de pequenas amostras) ou sugere-se a colocação de um cateter venoso central (para as curvas prolongadas ou amostras mais volumosas) (NORSWORTHY, 1998, CRYSTAL e NORSWORTHY, 2004). A coleta de sangue através da veia marginal da orelha tem algumas vantagens pois miniza o desconforto do paciente, preserva a integridade das veias periféricas e ainda diminui a necessidade de contenção do animal (Figura19). A primeira leitura da concentração de glicose sanguínea é feita em jejum e deverá ser de 400mg/dL ou menor. Em seguida, a insulina é administrada e o gato alimentado normalmente. As leituras da glicose sanguínea subsequentes são feitas a cada duas horas, durante 24 horas (curva completa, que é mais indicada) ou durante 12 a 14 horas (curva abreviada), até que os seguintes dados possam ser determinados (NORSWORTHY, 1998, CRYSTAL e NORSWORTHY, 2004): Tempo necessário para o pico de ação da insulina. O nadir, ou seja, a menor concentração da glicemia. Duração da ação da insulina. Figura 19: Técnica de venopunção para a monitoração do paciente diabético. A - Técnica de venopunção da veia marginal da orelha. Aplica-se leve pressão à base e extremidade da borda cranial da orelha, para identificar a veia marginal. B - Utiliza-se uma agulha calibre 25 para a punção da veia. C - Em seguida, aplica-se leve pressão a ambos os lados da punção, para obter uma gota de sangue. D - Utilização da gota se sangue para e determinação da glicose com o auxílio de um glicômetro. Fonte: CRYSTAL e NORSWORTHY, 2004. A curva glicêmica deve sempre ser interpretada junto com os sinais clínicos, pois os resultados variam de um dia para o outro e o estresse pode alterar significativamente os seus resultados (Figura 20) (CRYSTAL e NORSWORTHY, 2004). Figura 20: Curva glicêmica ideal. O ideal é que a glicemia seja mantida entre 100 e 300 mg/dL durante um período de 24 horas, com o tempo de pico de ação da insulina de 6 horas. Fonte: GRECO, 2003a. A dose de insulina deve ser ajustada de acordo com o nadir, que deve ser de 80 a 250mg/dl (NORSWORTHY, 1998, LURYE e BEHREND 2004). A determinação do tempo decorrido entre a administração da insulina até o pico de sua atividade possibilita a escolha do tipo apropriado de insulina, bem como a frequência de sua administração (NORSWORTHY, 1998). Caso o nadir estiver acima destes valores, é necessário o aumento da dosagem de insulina em 0,5 a 1 unidade. O estresse do animal e a presença de doenças concomitantes devem ser considerados antes de se realizar este ajuste (LURYE e BEHREND 2004). Caso o nadir esteja abaixo de 80mg/dL, deve-se diminuir a dose de insulina. Já a frequencia de administração da insulina deve ser ajustada de acordo com o tempo de pico, que deve ser de 6 horas. Caso este seja menor do que 5 horas, devese aumentar a frequencia da insulina pra três vezes ao dia, ou mudar pra uma insulina de ação mais longa. Caso o pico esteja entre 5 e 8 horas, o insulina deve ser administrada duas vezes ao dia, e se estiver maior do que 8 horas, o tratamento deve ser continuado apenas uma vez ao dia (LURYE e BEHREND 2004). Também é indicada a diminuição da dose de insulina caso seja identificada a hipoglicemia seguida por hiperglicemia de rebote (efeito Somogyi) (NORSWORTHY, 2004b). Segundo SIMÕES (2003) um bom controle glicêmico é obtido quando se alcança os seguintes valores de referência: Glicemia pontual: 100 a 300mg/dL Hemoglobina glicosilada: <2,5µmol/l Frutosamina: 249 a 406µmol/L (LUTZ et alii, 1995). O Efeito Somogyi resulta da administração de insulina excessiva, para compensar a grave hipoglicemia. A overdose faz com que a concentração de glicose sanguínea diminua para menos de 65mg/dL, o que estimula a liberação de hormônios diabetogênicos, especialmente a epinefrina e o glucagon. Dessa maneira, há um incremento da gliconeogênese e da glicogenólise, bem como a redução da utilização de glicose pelos tecidos periféricos. Como resultado, a concentração de glicose sanguínea aumenta, e ainda é potencializada pela liberação de cortisol e de hormônio de crescimento, que possuem como objetivo a convulsão hipoglicêmica. Dentro de 12 horas, a concentração de glicose sanguínea pode estar extremamente elevada (400 a 800mg/dL), e há um aumento da glicosúria matutina (NORSWORTHY, 1993, FELDMAN e NELSON, 1996, ROSS, 1999). Determinação de corpos cetônicos no sangue Na rotina da clínica veterinária, o grau de cetonemia é normalmente estimado por meio da detecção de corpos cetônicos na urina, utilizando-se tiras reagentes que proporcionam uma estimativa semi-quantitativa dos corpos cetônicos. Esse método é capaz de detectar apenas a presença do acetoacetato (AA), mas não o beta-hidroxibutirato (betaHOB), que é o ânion cetônico predominante na cetoacidose diabética (sua concentração é aproximadamente três vezes maior do que a do AA). Com a instituição da terapia e melhora do quadro, ocorre à conversão do beta-HOB em AA e, desse modo pode parecer ao clínico que, apesar da melhora clínica do paciente, a cetonúria esteja aumentando. Portanto, a monitoração da cetonúria como método de avaliação do progresso clínico durante o tratamento da cetoacidose não é clinicamente útil. A mensuração do beta-HOB no sangue pode ser uma alternativa à da cetonúria. Em cães com cetoacidose diabética, a concentração do beta-HOB é geralmente superior a 2mmol/L (frequentemente > 4mmo/L) (DUARTE et alii, 2002). 10.6 Hipoglicemia Uma das complicações mais comuns ligadas à terapia insulínica é a hipoglicemia (glicemia <80mg/dL). Ela pode ser sintomática ou assintomática (FELDMAN e NELSON, 1996, ROSS, 1999). Os sinais clínicos de hipoglicemia incluem fraqueza, letargia, tremor, ataxia, cegueira aparente, convulsões, e coma (ROSS, 1999). A ausência de glicosúria, baixos valores de frutosamina e glicemia diminuída confirmam o estado hipoglicêmico (BENNETT, 2002). A hipoglicemia pode ser causada por overdose de insulina, uso incorreto da seringa de insulina, insulina diluída incorretamente, duração de ação da insulina exagerada, má-digestão devido à insuficiência pancreática exócrina ou crescimento bacteriano e máabsorção devido à doença infamatória intestinal, linfangectasia ou linfoma (LURYE e BEHREND, 2001). O tratamento consiste em fornecer alimento, friccionar xarope de milho ou água com açúcar na mucosa oral, ou administrar dextrose por via endovenosa (FELDMAN e NELSON, 1996, ROSS, 1999). 10.7 Tratamento da Cetoacidose Diabética O objetivo da terapia é corrigir a desidratação, os desequilíbrios hidroeletrolíticos e ácido-básicos, cessar a produção de corpos cetônicos e corrigir a hiperglicemia. Fluidoterapia Tem o principal objetivo de corrigir a desidratação e reduzir a glicemia através da filtração glomerular. NORSWORTHY (2004a) e GRECO (2003b) recomendam o uso de Solução Fisiológica NaCl a 0,9% ou Solução de Ringer’s Lactato. Geralmente, a terapia com bicarbonato de sódio não é necessária, exceto quando a acidose metabólica for grave (pH sanguíneo inferior a 7,1) (LURYE e BEHREND, 2001). Devido ao fato de a insulinoterapia e a correção da acidose deslocarem o potássio do espaço extra para o intracelular, a sua suplementação é indicada. Os níveis de fósforo também podem cair durante o tratamento inicial, sendo indicada a sua suplementação na presença de valores inferiores a 2,0mg/dL (LURYE e BEHREND, 2001). Insulinoterapia A insulina regular deve ser utilizada por via intramuscular ou endovenosa. A dosagem inicial deve ser de 0,2U/kg, com aplicações subseqüentes de 0,1U/kg a cada hora, conforme a necessidade. Nas primeiras 4 a 6 horas, a glicemia deve ser mantida acima de 250mg/dL, porque uma rápida diminuição da glicose sanguínea pode causar edema cerebral. Caso ocorra uma queda brusca da glicemia, deve-se adicionada a dextrose 2,5% ou 5% à fluidoterapia. Após este controle, o intervalo de administração de insulina deve ser de 4 a 6 horas (LURYE e BEHREND, 2001). Uma outra opção é a administração de insulina por via endovenosa, através de infusão contínua na dosagem de 1,1 U/kg, e monitoramento da insulina de hora em hora (GRECO, 2003b). 10.8 Tratamento da Síndrome Hiperosmolar O tratamento consiste na reposição de fluidos, redução da hiperglicemia, e correção dos distúrbios eletrolítico e ácido-básico. No entanto, há um risco pronunciado de edema cerebral, pois as substâncias osmóticas acumuladas no tecido nervoso não se dissipam caso a glicemia caia bruscamente. Assim, a administração de fluidos deve ser feita lentamente, e a dosagem de insulina deve ser menor do que a utilizada na cetoacidose diabética. 11. DIABETES MAL CONTROLADO Para muitos gatos, quando há persistência dos sinais clínicos ou desenvolvimento de complicações, o controle mais rigoroso da curva glicêmica poderá trazer benefício clínico adicional, havendo também a necessidade de uma pesquisa mais abrangente na procura de doenças concomitantes e ou outras alterações. O monitoramento da frutosamina pode ser útil para confirmar que o Diabetes está mal controlado (CANNON, 2003). Há diversas razões para que a terapia com insulina pareça ter falhado, mas é mais provável que problemas de manejo sejam os responsáveis e, por isso, a rotina do proprietário deve ser reavaliada (CANNON, 2003). Em um primeiro momento, deve-se reavaliar o exame físico, as glicemias e o desempenho de uma curva glicêmica para identificar se a insulina está sendo eficiente em reduzir a glicemia e se a duração da ação da insulina é adequada. Com base nas informações obtidas com a curva glicêmica, podem ser introduzidas alterações na dose, freqüência e preparação da insulina usada (CANNON, 2003). Os problemas que podem ser identificados pela curva glicêmica incluem (CANNON,2003): Nenhuma resposta ou resposta inadequada à aplicação de insulina Isto pode acontecer devido a uma dose inadequada de insulina, redução da atividade da mesma, condições de armazenamento inadequadas, ou devido a um aumento da necessidade de insulina pelo gato (CANNON, 2003, NORSWORTHY, 2004a). Outras possíveis causas incluem a resistência ou antagonismo à insulina (CANNON, 2003), problemas no local da injeção (Quadro 9), como a utilização de técnicas inadequadas (injeção intradérmica), provocando um comprometimento na absorção de insulina (CANNON, 2003, NORSWORTHY, 2004a). A produção de anticorpos contra a insulina exógena constitui também uma importante causa, além da presença de doenças concomitantes (Quadro 9), como infecções bacterianas orais (NORSWORTHY, 2004a). Ação com duração inadequada Uma redução inicial na glicemia que não é mantida durante 24 horas pode indicar que a duração da preparação de insulina utilizada é inadequada. Os gatos mostram uma variação considerável na taxa de metabolização da insulina. Na maioria dos casos, uma injeção de insulina lenta permanece ativa por cerca de 8 a 10 horas e uma injeção de insulina PZI permanece ativa durante 18 a 20 horas (CANNON, 2003). Contudo, alguns gatos irão metabolizar a insulina muito mais rapidamente e, ocasionalmente, a insulina permanece ativa por mais tempo do que o previsto (CANNON, 2003). A dose de insulina, também pode estar elevada demais, induzindo ao efeito de Somogyi, ainda que este seja um fenômeno raro na prática (CANNON, 2003). Quadro 9: Etapas para diagnóstico das causas de resistência à insulina, procedimento e tratamento. ETAPAS Etapa 1 Etapa 2 CAUSA DA PROCEDIMENTO OU RESISTÊNCIA A TESTE INSULINA Glicocorticoides ou administração acetato de Histórico megestrol Obesidade Exame físico, peso Avaliação da resposta TRATAMENTO Interromper o uso Mudança na dieta (baixa em caloria e rica em fibra) à Mudança de insulina de Etapa 3 Etapa 4 Etapa 5 Etapa 6 Etapa 7 Etapa 8 Etapa 9 mudança no tipo de insulina; Pobre absorção Avaliação da glicose sérica em subcutânea da insulina resposta à insulina regular de longa ação administrada IV ou IM Análise bioquímica sérica; Infecção, cetoacidose ou urinálise; cultura de urina; doença concomitante radiografias, US abdominal, Concentração de T4 sérico longa ação para insulina de curta ação; utilizar misturas insulínicas (NPH/ regular). Administração de antibióticos, corrigir cetoacidose, tratamento da doença concomitante Fármacos para tratar o Hipertireoidismo Concentração de T4 sérico hipertireoidismo; tireoidectomia Avaliação clínica e exame Adrenalectomia, radiação Síndrome de Cushing físico, estimulação ACTH e (cobalto) na pituitária teste de supressão de dexametasona; CT Avaliação clínica e exame físico, mensuração sérica de Terapia de radiação Acromegalia insulina como fator de (cobalto) na Pituitária crescimento; CT Mensurar a concentração de Mudar para insulina insulina sérica de 24 horas humana (ou bovina se Anticorpos insulínicos depois da ultima injeção de disponível) insulina Fracionar a dose de Causa de resistência à Todos os procedimentos e insulina: mudar a insulina insulina indefinida testes acima para a de curta duração, clinicamente mista NPH/ regular. Fonte: Modificado de PETERSON, 1995. 12. PROGNÓSTICO O prognóstico para gatos diabético depende em primeiro lugar da execução do tratamento pelo proprietário. A orientação do proprietário é o ponto principal para um tratamento bem sucedido. A uniformidade das injeções de insulina e o horário das aplicações das mesmas são essenciais, assim como a manutenção e execução do programa dietético recomendado. Além disso, o prognóstico também pode ser influenciado pelo surgimento de doenças concomitantes e pela estabilidade do controle glicêmico. (SOUZA, 2003, LURYE e BEHREND, 2004). Em geral, propõe-se um prognóstico reservado em longo prazo (LURYE e BEHREND, 2004). 13. CONCLUSÕES Apesar da alta freqüência do Diabetes Mellitus felino, mais pesquisas são necessárias para o esclarecimento da sua etiologia. Sendo imprescindível o diagnóstico o mais cedo possível, pois o prognóstico depende do estado de equilíbrio entre a doença e o paciente. Dentre as peculiaridades da espécie, a mais evidente é o desenvolvimento da hiperglicemia de estresse. Ela deve ser levada em consideração durante o diagnóstico e também na monitoração do Diabetes. Muitas vezes, a realização de exames complementares, como por exemplo, a mensuração da frutosamina sérica, é necessária. Para o tratamento, atualmente vêm sendo testados inúmeros medicamentos de uso humano, porém, a insulinoterapia de modo geral é o tratamento mais preconizado para o paciente felino. A terapia dietética é de extrema importância, já que deve ser combinada à administração da insulina para pacientes insulino-dependentes, e poder ser formulada com ingredientes que ajudam no controle da glicemia. A monitoração do paciente diabético é essencial, uma vez que o paciente pode desenvolver o Diabetes transitório, assim como também necessitar de ajustes na terapia insulínica por diminuição ou aumento de peso, ou por desenvolvimento de complicações da própria terapia, como por exemplo, a hipoglicemia. Contudo, o sucesso da estabilização do paciente felino diabético depende exclusivamente da dedicação do proprietário ao tratamento, da capacidade do médico veterinário e da resposta individual à terapia. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁRICAS AKOL, K. G.; WADDLE, J. R. WILDING, P. Glycated Hemoglobin and Fructosamine in Diabetic and Nondiabetic Cats. Journal of the American Animal Hospital Association. V.28, p. 227-231, may/jun, 1992. BENNETT, N. Monitoring techniques for diabetes mellitus in the dog and the cat. Clinical Techniques in Small Animal Practice, v.17, n.2, p.65-69, 2002. BERTOY, E. H.; NELSON, R. W.; ELDMAN, E. C. Effect of lente insulin for treatment of diabetes mellitus in 12 cats. 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