o Pró-Reitoria de Graduação Curso de Farmácia Trabalho de Conclusão de Curso II DIAGNÓSTICO SITUACIONAL SOBRE ADESÃO À MEDICAÇÃO EM CUIDADORES DE IDOSOS DE UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA NO DISTRITO FEDERAL - DF Autora: Débora Oliveira Itacaramby Orientadora: Esp. Débora Santos Lula Barros Brasília - DF 2013 DÉBORA OLIVEIRA ITACARAMBY DIAGNÓSTICO SITUACIONAL SOBRE ADESÃO À MEDICAÇÃO EM CUIDADORES DE IDOSOS DE UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA NO DISTRITO FEDERAL - DF Monografia apresentada ao curso de graduação em Farmácia da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do título de Farmacêutico. Orientadora: Esp. Débora Santos Lula Barros Brasília – DF 2013 CIÊNCIA DO ORIENTADOR Eu, Débora Santos Lula Barros professora do curso de Farmácia, orientadora da estudante Débora Oliveira Itacaramby autora do trabalho intitulado, DIAGNÓSTICO SITUACIONAL SOBRE ADESÃO À MEDICAÇÃO EM CUIDADORES DE IDOSO EM UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA NO DISTRITO FEDERAL – DF estou ciente da versão final entregue à banca avaliadora quanto ao conteúdo e à forma. Taguatinga: ____/_____/______ Débora Santos Lula Barros FOLHA DE APROVAÇÃO Monografia de autoria de Débora Oliveira Itacaramby, intitulada “DIAGNÓSTICO SITUACIONAL SOBREADESÃO À MEDICAÇÃO EM CUIDADORES DE IDOSOS, DE UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA NO DISTRITO FEDERAL - DF”, apresentada como requisito parcial para obtenção de grau de licenciado em Farmácia da Universidade Católica de Brasília, 13 de junho de 2013, definida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada: _______________________________________________________________ Prof. Esp. Débora Santos Lula Barros Orientadora Farmácia - UCB ______________________________________________________________ Prof. Esp. Débora Moraes Nunes Farmácia - UCB _______________________________________________________________ Prof. MSc. Samara Haddad Simões Machado Farmácia - UCB Brasília 2013 AGRADECIMENTOS Gostaria de prestar meus agradecimentos às pessoas que contribuíram para a conclusão deste trabalho e do curso de graduação: A Deus, que é a base de tudo na minha vida. Aos meus pais, Mariene e Manoel, pelo carinho, incentivo e compreensão durante todos esses anos, a eles todo meu amor e gratidão. Aos meus irmãos, Cleiton e João Alberto, em especial, o Cleiton que contribui de forma direta nesses últimos anos de graduação. Ao meu noivo José Carlos, pelo carinho e compreensão. Agradeço principalmente a minha orientadora, Débora Santos Lula Barros, pelo conhecimento compartilhado, pelo carinho e, sobretudo pela sua dedicação dia após dia. Aos professores de curso de farmácia da Universidade Católica de Brasília. “Com o passar dos anos, as árvores tornam-se mais fortes e os rios, mais largos. De igual modo, com a idade, os seres humanos adquirem uma profundidade e amplitude incomensurável de experiência e sabedoria. É por isso que os idosos deveriam ser não só respeitados e reverenciados, mas também utilizados como o rico recurso que constituem para a sociedade”. (Kofi Annan) RESUMO ITACARAMBY, Débora Oliveira. Diagnóstico situacional sobre adesão à medicação em cuidadores de idosos de uma instituição de longa permanência no Distrito Federal - DF. 2013. 50f. Monografia (Trabalho de Conclusão de curso). Curso de Farmácia, Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2013. Em virtude do aprimoramento tecnológico e melhora das condições de saúde da população, é fenômeno mundial o envelhecimento populacional. Atrelado a esse processo, observa-se que o aumento da expectativa de vida está relacionado com maior prevalência de doenças crônico-degenerativas, e, consequentemente, maior consumo de medicamentos pelos idosos. Nas instituições de longa permanência, as atividades de medicação são executadas pelos profissionais de saúde e, dentre eles, encontra-se a figura do cuidador de idosos. Esses profissionais precisam ser instrumentalizados de conhecimentos sobre a promoção do uso racional de medicamentos, de forma que a assistência à saúde do idoso seja compatível com as ações de prevenção, recuperação e promoção da saúde. O objetivo deste estudo foi realizar um diagnóstico situacional sobre adesão à medicação em cuidadores de idosos de uma instituição de longa permanência no Distrito Federal – DF. O estudo foi realizado em uma instituição mantida por instituições filantrópicas, destinada a amparar pessoas necessitadas, idosos ou portadores de necessidades especiais. A amostra foi constituída por oito cuidadoras de idosos da instituição. A pesquisa trata-se de estudo qualitativo. Os instrumentos utilizados foram um formulário de identificação e uma entrevista semi-estruturada. As informações foram gravadas e posteriormente transcritas. As principais dificuldades identificadas em relação adesão à medicação foram: complexidade do regime terapêuticos, falta de conhecimento sobre medicamentos e doenças, sobrecarga de atividades advinda da pouca disponibilidade de técnica por plantão assim como a resistência das idosas na utilização dos medicamentos. A partir desse estudo foi possível conhecer os principais fatores que impactam na adesão a medicação, assim como as principais necessidades dos cuidadores de idosos frente à farmacoterapia. Esses dados são importantes para elaboração de políticas públicas voltadas para cuidador, com intuito de minimizar tais dificuldades, e dessa forma, contribuir para o sucesso da terapia proposta para idoso dependente. Palavras-chave: adesão à medicação, instituição de longa permanência, cuidadores, idoso. LISTA DE TABELAS Tabela I - Distribuição das cuidadoras de idosos de acordo com a faixa etária de cada profissional.........................................................................................................................22 Tabela II - Estado civil das cuidadoras de idosos ILPI.......................................................................................................................................23 em LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANVISA - Agencia Nacional de Vigilância Sanitária CEP\ UCB - Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Católica de Brasília DA - Doença de Alzheimer DM- Diabetes mellitus HAS- Hipertensão Arterial Sistêmica IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INSS- Instituto Nacional de Seguro Social ILPI- Instituição de Longa Permanência Para Idoso OMS - Organização Mundial de Saúde SUS – Sistema Único de Saúde TCEL - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 6 2 OBJETIVOS GERAL E ESPECÍFICO ................................................................................. 8 2.1 OBJETIVO GERAL ........................................................................................................... 8 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................................. 8 3 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................... 9 3.1 FARMACOTERAPIA DO IDOSO .................................................................................... 9 3.2 CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DO CUIDADOR DE IDOSOS NO BRASIL ........ 11 3.3 ADESÃO AO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO ................................................... 14 3.4 INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA DO DISTRITO FEDERAL ................. 16 4 MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................................. 18 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................... 21 5.1 CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DO CUIDADOR DE UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA ............................................................................................................. 21 5.2 ADESÃO À MEDICAÇÃO E CUIDADORES DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: FATORES RELACIONADOS A ADESÃO À MEDICAÇÃO ,NECESSIDADES E PRÁTICAS ......................................................................................................................................... 23 6 CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 29 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 31 APÊNDICES .............................................................................................................................. 37 ANEXO I .................................................................................................................................... 41 6 1 INTRODUÇÃO Dados constatam que a população idosa no Brasil tem aumentado de forma radical e bastante acelerada. No entanto, esse fenômeno não se restringe somente a esse país, nota-se que esse contingente populacional tem elevando-se mundialmente (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2010) existem no Brasil, aproximadamente, 20 milhões de pessoas idosas com idade igual ou superior a 60 anos. Dessa forma, em 2020 o Brasil passará a ser o sexto país do mundo em números de idosos, ou seja, 300 milhões de pessoas nessa faixa etária de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Estima-se que a cada novo ano, 650 mil idosos são inseridos à população brasileira, sendo que, a maior parte com doenças crônico-degenerativas e alguns com limitações funcionais (VERAS, 2009). Associado às alterações patológicas de faixa etária, surge a necessidade de farmacoterapia, porém nem sempre esses idosos estão aptos para responsabilizar-se por tal função (idosos dependentes) e, nesse contexto surge a necessidade do cuidador (MOREIRA; CALDAS, 2007). A portaria de nº 1.395\GM, de 10 de dezembro de 1999, define cuidador como: A pessoa podendo ser membro ou não da família, que, com ou sem remuneração, cuida do idoso doente ou dependente no exercício de suas atividades diárias, tais como alimentação, higiene pessoal, medicação de rotina, acompanhamento ao serviço de saúde ou outros serviços requeridos no cotidiano. A transição demográfica da população brasileira tem exigido maior número de instituições de longa permanência para idosos (ILPI) e, consequentemente, maior número de cuidadores formais (PINTO; SIMSON, 2012). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) (2004) define a ILPI como: Instituição mantida por órgãos governamentais e não governamentais, destinada a propiciar atenção integral em caráter residencial com condições de liberdade e dignidade, cujo publico alvo são as pessoas acima de 60 anos, com ou sem suporte familiar, de forma gratuita ou mediante remuneração. Como nas ILPI a responsabilidade de administração de medicamentos é do cuidador e não do idoso. Seja por conta do déficit cognitivo seja pela incapacidade física, o idoso nessas instituições não pode responsabilizar-se pela terapia medicamentosa. Deste modo, os cuidadores, juntamente como os demais profissionais da saúde, são co-responsáveis na condução da terapêutica racional. Nesse momento, a 7 adesão ao tratamento torna-se aspecto fundamental, pois os cuidadores poderão suspender o uso do medicamento sem sentir o impacto do ato (OLIVEIRA; NOVAES, 2012). Tendo em vista a importância da adesão ao tratamento pelo cuidador como requisito primordial para a promoção do uso racional dos medicamentos dos idosos institucionalizados, bem como a escassez de estudos que abordem esse tema, justifica-se a realização desse trabalho para preenchimento da lacuna do conhecimento. 8 2 OBJETIVOS GERAL E ESPECÍFICO 2.1 OBJETIVO GERAL Realizar um diagnóstico situacional sobre as necessidades relacionadas a adesão à medicação em cuidadores de idosos de uma instituição de longa permanência no Distrito Federal – DF 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Discutir os fatores relacionados à adesão à medicação dos cuidadores de idosos. b) Detectar as necessidades dos cuidadores de idosos sobre a adesão à medicação. c) Identificar as práticas dos cuidadores de idosos frente à adesão à medicação. 9 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 FARMACOTERAPIA DO IDOSO Envelhecer é um processo natural, no entanto esse fenômeno apresenta algumas especificações e necessidades as quais merecem bastante atenção (FREIRE, 2009). Marin et al (2008), demonstram que nos últimos tempos tem aumentado a preocupação com melhoria das condições de vida na velhice. Tais preocupações surgem em virtude do aumento da população de idosos, principalmente a faixa etária com oitenta anos ou mais, sendo essa a que mais cresce, tanto em países em desenvolvimento quanto em países já desenvolvidos. Associada às modificações da estrutura etária dessa classe encontram-se as doenças crônico-degenerativas, como por exemplo, diabetes mellitus (DM), acidente vascular cerebral, neoplasias, hipertensão arterial sistêmica (HAS), demência senil, que necessitam de acompanhamento médico e farmacoterapêutico (LYRA JUNIOR et al, 2006). Em decorrência dessas doenças crônicas os idosos são consumidores de grande número de medicamentos que, embora necessários em muitas ocasiões, quando mal utilizados podem desencadear complicações sérias para a saúde, além dos custos individuais (MARIN et al,2008). De acordo com Silva (2011), o uso de medicamento por idosos cresce com aumento da idade e do número de doenças crônicas. No Brasil essa população apresenta elevada prevalência de uso de medicamentos, entre 60 % a 92%, e a média de produtos utilizados varia entre dois e cinco medicamentos por idoso (ACURCIO et al, 2009). Os grupos terapêuticos mais prescritos pra esses pacientes são: os medicamentos que atuam no sistema cardiovascular, trato gastrointestinal, sistema nervoso central e metabolismo (MARIN et al, 2008). A farmacoterapia em pacientes idosos necessita de cuidados especiais, pois para esta população os riscos envolvidos são maiores se comparadas com outras faixas etárias, já que o envelhecimento traz consigo alterações fisiológicas e patológicas que levam a variações em paramentos farmacológicos, tais como farmacodinâmica e farmacocinética (SILVA, 2011). Em decorrência dessas alterações, esse contingente 10 populacional torna-se mais vulnerável aos problemas relacionados aos medicamentos como interações medicamentosas e reações adversas1, por exemplo. Pode-se observar que o descumprimento terapêutico, a automedicação e o uso indevido são fatores que quando somados a tais alterações contribuem para a elevação dos riscos nesses pacientes (MEDEIROS, 2008). A inserção de prescrição nessa faixa etária é algo comum, já que tal conduta é a forma mais frequente de intervenção para o tratamento dos problemas de saúde. No entanto esse procedimento pode contribuir para a prática de polifarmácia o que pode vir a ocasionar resultados negativos na terapêutica do paciente (LYRA JUNIOR et al, 2006). Além da medicalização presente na formação de parte expressiva dos profissionais da saúde o poder da indústria farmacêutica e do marketing relacionados a medicamentos também contribui para promoção da polifarmácia (SECOLI, 2010). Para Baldoni (2010), a polifarmácia é compreendida como o uso de vários medicamentos ou ainda como o uso de, pelo menos, um medicamento desnecessário. Essa prática geralmente está associada ao aumento da probabilidade de ocorrências de interações medicamentosas, do uso inadequado de medicamentos, da baixa adesão ao tratamento e da ocorrência de reações adversas em idosos (SANTOS, 2010). De acordo com Secoli (2010), pacientes idosos submetidos à polifarmácia possuem de três a quatro vezes mais chances de desenvolver reações adversas1amedicamentos, podendo precipitar quadros de confusão, incontinência e quedas. O autor ainda constata que a incidência de erros de medicação aumenta em decorrência da polifarmácia, onde se observa 15% de erros quando o idoso utiliza um medicamento, elevando para 35% quando o número for igual ou superior a quatro. Além de utilizarem mais medicações, os idosos também parecem receber um maior número de fármacos inapropriados (ALMEIDA et al, 1999). Por apresentarem alterações nos parâmetros farmacológicos (farmacocinéticos e farmacodinâmicos), algumas classes farmacológicas passaram a ser consideradas impróprias para o idoso, seja por falta de eficácia terapêutica ou por um risco aumentado de efeitos adversos que supera seus benefícios quando comparadas com outras categorias de medicamentos, devendo ter seu uso evitado (NÓBREGA; KARNIKOWSKI, 2005). Quinalha e Correr 1 Define-se como qualquer resposta prejudicial ou indesejável, não intencional, a um medicamento, que ocorre nas doses usualmente empregadas para profilaxia, diagnóstico ou terapia de doenças ou para a modificação de funções fisiológicas humanas (ANVISA, 2012). 11 (2010) destacam a importância de identificar quais são estes medicamentos inapropriados, a fim de estabelecer uma terapia farmacológica adequada. Uns dos métodos mais utilizados para identificação de medicamentos impróprios para idosos é o critério de Beers. Esse método foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1991 com idosos institucionalizados com o intuito demonstrar quais eram os fármacos considerados inadequados e\ou medicamentos cuja dose, frequência de uso e duração do tratamento eram inadequadas para pessoas com 65 anos ou mais (QUINALHA; CORRER, 2010). No entanto o critério de Beers apresenta como limitação a rápida desatualização, isso pela constate retirada e inclusão de medicamentos no mercado farmacêutico e, além disso, não sugere alternativas terapêuticas mais segura para idosos (LAROCHE, ET AL, 2007). Apesar dessas limitações as listas de medicamentos inadequados servem como guia para os profissionais de saúde podendo ser uma ferramenta da promoção de Uso Racional de medicamento (URM) (QUINALHA; CORRER, 2010). Alguns estudos realizados no Brasil a respeito da qualidade da farmacoterapia constataram que entre 17% e 46% dos medicamentos utilizados por idosos são considerados inapropriados (MEDEIROS, 2008). Nos Estados Unidos um total de 6171 pessoas com 65 ou mais anos de idade foi entrevistado, onde identificou-se que um total de 23,5% dos idosos que vivia na comunidade fazia o uso de pelo menos 1 medicamento considerado inadequado (ALMEIDA et al, 1999). 3.2 CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DO CUIDADOR DE IDOSOS NO BRASIL De acordo com PEIXOTO e HOLANDA (2011), cuidar é “atenção”, “precaução”, “cautela”, “preocupação”, “inquietação”, “encargo”, “incumbência”, e toda uma complexidade de atos que envolvem e coloca o ser dentro de um contexto. O ato de cuidar é próprio da condição humana, pois à medida que se passa o tempo os seres humanos são alvos de cuidados ou prestadores dos mesmos (OLIVEIRA; QUEIROS; GUERRA, 2007). É fato que a vida humana tem se prolongado no decorrer dos tempos. Isso decorre, por consequência, dos progressos científicos e tecnológicos da medicina, das 12 transformações socioeconômicas, da diminuição da fecundidade e outros fatores que conjuntamente estabelecem a base do envelhecimento demográfico. Porém, não é sempre que o aumento da longevidade acompanha uma vida sem problemas de saúde, propiciado um estilo de vida funcional e independente. Ao contrário, observa-se maior número de doenças crônicas e incapacidades que resulta para os indivíduos, especialmente os idosos, perda da autonomia, havendo necessidade de atuação de um cuidador (SANTOS, 2010; OLIVEIRA; QUEIROS; GUERRA,2007). Segundo Cruz e Ramdam (2008), não existe na literatura um consenso definido do conceito de cuidador, mesmo sendo esse bastante discutido e estudado. Portanto, pode ser definido como aquele que fornece suporte físico e psicológico, disponibilizando ajuda prática, quando solicitado, sendo este o principal responsável por promover auxílios ou recursos solicitados pelo paciente. De acordo com Lemos et al, (2006) esse termo ainda pode ser classificado de acordo com vínculo entre cuidador e paciente, tipos de cuidados prestados e frequência de cuidados. Observa-se, ainda, duas formas de denominar os cuidadores: formais e informais. No qual entende-se como cuidadores formais, os profissionais de saúde que assumem formalmente o exercício de uma profissão. Entre esses profissionais destacase o enfermeiro e os técnicos de enfermagem. Esse cuidado pode ser prestado nas instituições de longa permanência ou no domicílio em serviços de home cares. Já o cuidador informal, é na maioria das vezes, familiares, podendo ser filho(a),cônjuge, irmão(ã), tio(a)ou qualquer membro da família, não remunerado e pouco assistido pelo serviço de saúde, sendo esses os responsáveis pela maior parte dos cuidados que o doente necessita (CARDOZO et al,2011;OLIVEIRA; QUEIROS; GUERRA,2007; VIEIRA, 2004). Os cuidadores podem ainda ser classificados em primários e secundários. Como o próprio nome sugere, cuidador primário é o responsável pela execução das principais tarefas. Já o secundário compartilha os cuidados de forma casual, portanto não é sempre que ele se faz presente (DUARTE, 2007). Para Vieira (2004) os cuidadores, sejam eles formais ou informais, são os responsáveis pela rotina da vida diária do idoso, como medicação, alimentação, vestuário, higiene pessoal, acompanhamento ao médico, dentre outras funções. O autor ressalta, ainda, que os cuidadores são os responsáveis por observar e informar aos médicos ou equipe de saúde as reações do idoso ao tratamento proposto e as alterações quando essas se fazem presentes. 13 De acordo com uma pesquisa realizada com pacientes e cuidadores assistidos pelo serviço pós-alta hospitalar no estado do Rio Grande do Sul, há três tipos de cuidadores: dedicados, por obrigação e sem iniciativa. Cuidadores dedicados são aqueles que estão sempre disponíveis, pacientes e preocupados com quem cuidam, demonstram conhecer o assunto. Cuidadores por obrigações são aqueles que cuidam do idoso por não haver outra pessoa para cuidar. Esses não se mostram disponíveis e queixam-se da tarefa exercida. Cuidadores sem iniciativa mostram-se distantes, ou seja, pouco envolvimento com as orientações que possam contribuir para melhor bem-estar do idoso (RESTA; BUDÓ, 2004). Segundo um estudo realizado em uma unidade de clínica médica com um grupo de idosos dependentes hospitalizados e seus respectivos cuidadores, constatou que a maioria dos cuidadores era do sexo feminino, com faixa etária em torno de 31 e 40 anos de idade, porém 18% da população estudada tinham entre 61 e 70 anos, demonstrando que muitos idosos são cuidados por pessoas pertencentes à mesma faixa etária. Quanto à escolaridade, o predomínio foi de cuidadores com segundo grau incompleto (MARIN; ANGERAMI, 2002). Pode-se perceber que, ao longo da história o ato de cuidar de idosos era exercido principalmente por mulheres, sendo principalmente esposas, filhas e netas. De maneira geral esse fato pode ser compreendido, pois no passado essa era uma tradição, já que as mulheres não tinham espaço no mercado de trabalho, justificava-se, assim, sua maior disponibilidade para cuidados com os membros da família (PIMENTA et al, 2008). Pesquisas revelam que a maioria das cuidadoras mora com os idosos, e na maioria das vezes é casada, acarretando, além do cuidado com idosos, outras tarefas, tais como: atividades domésticas, papel de mãe, esposa, avó dentre outra funções, que em conjunto acabam sobrecarregando o cuidador, seja em questões emocionais, físicas ou sociais, o que contribui para seu descuido e comprometimento da saúde como um todo (SANTOS, 2010). Estudos realizados em instituições filantrópicas e privados de longa permanência em Belo Horizonte - MG, demostraram que o perfil de cuidadores formais de idosos é semelhante ao do cuidador informal, ou seja, os profissionais em sua maioria são do sexo feminino, com menos de 50 anos de idade (RIBEIRO et al, 2008). Há algumas diferenças quando avalia-se o processo de cuidar nessas instituições (RIBEIRO, et al. 2009). Nos estabelecimentos filantrópicos a razão de idosos por cuidador foi maior quando comparadas as instituições privadas. Em percentual, esse 14 dado mostra que os cuidadores desses lugares auxiliam 33,3% mais idosos que as instituições privadas, sendo assim, conclui-se que esses têm menor disponibilidade para os idosos. Dos 180 cuidadores avaliados a maioria relatou ter sido capacitado na própria instituição. Essa informação vai de encontro com as descrições de Duarte (2007), no qual muitos dos cuidadores de idosos não possui capacitação para tal função. Dentre as variáveis encontradas nos perfis dos cuidadores de idosos formais e informais, podemos citar a idade e a escolaridade como fatores de extrema importância para a promoção de saúde dessas pessoas. A idade é um aspecto importante na atividade de cuidar, pois a dependência dos idosos, principalmente em relação às atividades da vida diária, demanda esforço físico daqueles que atuam nesta função. A escolaridade também proporciona qualidade à vida do idoso, pois pessoas com mais tempo de ensino tem melhor raciocínio lógico. Portanto cuidadores com maior grau de escolaridade possuem maior capacidade de auxiliar os idosos em funções mais complexas tais como: auxílio na medicação, receber e transmitir orientações médicas, acompanhar as consultas e ajudar com serviços bancários, recebimento de benefícios e compras. A obtenção de auxílio nestas atividades favorecerá a manutenção da autonomia e bemestar do idoso (MARIN; ANGERAMI, 2002). 3.3 ADESÃO AO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO A adesão ao tratamento medicamentoso é uma questão complexa, em que vários fatores podem interferir, dentre esses, pode-se destacar elementos individuais e familiares, cognitivos, relacional (médico-paciente) e cultural (concepção de saúde doença) (AVRICHIR, 2008). De acordo com Leite e Vasconcellos (2003), não há um consenso na literatura que defina o termo adesão ao tratamento. Em geral, essa pode ser definida como cumprimento da prescrição, onde se deve observar: dose, horários e tempo de tratamento. O autor ressalta que, para ser considerada adesão ao tratamento, 80% das prescrições devem ser seguida em seu total. Já para Sousa et al, (2011), a adesão é compreendida como a submissão de uma determinada pessoa as recomendações 15 médicas ou a de outros profissionais de saúde, implicando comportamentos como: tomar medicamentos, seguir as dietas ou realizar as mudanças nos hábitos de vida. Marin et al (2008), considera a adesão como um processo que envolve muitos fatores e que se estabelece em uma parceria entre quem cuida e quem é cuidado, estando relacionada com à: frequência, constância e prevalência em relação ao cuidados necessários para quem vive algum problema de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS), diante de várias posições quanto à terminologia adequada para definir adesão ou aderência à prescrição, a define como a magnitude com que o comportamento de um paciente coincide com o aconselhamento do seu médico (ROCHA, et al 2008). Em países de língua inglesa utiliza-se as seguintes terminologias para referir-se ao contexto de adesão ao tratamento medicamentoso compliance e adherence, tendo essas significados diferente. O primeiro pode ser traduzido como obediência, que conceitua o paciente como um cumpridor de recomendações, ou seja, um sujeito passivo sem autonomia para decidir se segue ou não o tratamento e adherence ou aderência como um termo que sugere um esforço voluntário do paciente para seguir o tratamento prescrito (SOUSA, et al. 2011; LEITE; VASCONCELLOS, 2003). Ainda em termos de definição Rocha et al,(2008) diz que é necessário a distinção entre descontinuar e não-aderir ao tratamento, pois descontinuar significa parar de administrar medicamentos, ou seja, cessar o uso de uma só vez, enquanto que a não-aderência é forma incorreta de seguir um esquema terapêutico, no entanto essa conduta, pode permitir a continuação do tratamento. Contudo, essas duas situações repercutem na saúde dos usuários de medicamentos, quando se considera o fármaco, a severidade da patologia e sua morbidade. Portanto pode-se determinar por meio desses pressupostos que em eventuais situações a não aderência pode ser uma precursora da descontinuidade da farmacoterapia prescrita. Para Leite e Vasconcellos (2003) diferentes enfoques estão sendo abordados pela literatura para explicar o comportamento da não-adesão ao tratamento. Alguns autores focalizam o fenômeno no paciente (fatores sociodemográficos, psicológicos e crenças em saúde), enquanto outros buscam a compreensão em fatores externo ao paciente (acesso aos medicamentos, regime terapêutico e característica das doenças). Dentre estes fatores, podem-se destacar as reações adversas que interferem decisivamente na adesão, pois o medo do paciente em apresentar efeitos adversos pode fazê-los interromper o tratamento (SMITH et al, 2003); tratamento crônicos que demonstram em 16 geral menor adesão, visto que os esquemas terapêuticos exigem um grande empenho do paciente que, em algumas circunstâncias, necessita modificar seus hábitos de vida para cumprir seu tratamento; a exposição a múltiplos medicamentos, ou seja, tratamento mais complexo, que exija maior atenção, memória e organização diante dos horários de administração dos fármacos (MARIN et al, 2008) e as propriedades cognitivas que resulta em certa dificuldade para o entendimento e/ou para a recordação correta dos regimes terapêuticos prescritos (LEITE e VASCONCELLOS, 2003). Para Paniz et al, (2008), o acesso pode ser descrito como um desses fatores limitantes para a adesão à medicação. 3.4 INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA DO DISTRITO FEDERAL A transição demográfica da população brasileira tem exigido maior número de instituições de longa permanência para idosos (ILPI). No Brasil essa demanda começou a crescer em meados do século XX, onde observa-se aumento na expectativa de vida, redução da fecundidade e pouca disponibilidade da família para prestar cuidados aos idosos (PINTO; SIMSON, 2012). Segundo a legislação brasileira a família deve responsabilizar-se pelos idosos dependentes, no entanto, tem-se observado que tal conduta torna-se cada vez mais escassa. Nesse contexto surgem como opção os cuidados não familiares exercidos pelas ILPI. (CAMARANO; KANSO, 2010). ILPI é um termo relativamente novo usado pra substituir o termo asilo, pois no passado esse tinha apenas uma função social. Porém, o aumento da expectativa de vida, com redução da capacidade física e cognitiva, está exigindo que os asilos ofereçam, além de apoio social, serviços de assistência à saúde. Por esse motivo foi proposto pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia a substituição do termo asilo por ILPI. Além disso, o termo antigo é fortemente marcado pelo preconceito, já que no passado eram destinadas apenas para pessoas de baixa renda ou abandonados pelas famílias (RIBEIRO, et al, 2009). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)(2005) define instituições de longa permanência como: 17 Instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinada a domicilio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade e dignidade e cidadania. Pesquisas realizas por Danilow et al, (2007), sobre perfil epidemiológico em sete ILPI no Distrito Federal, demostraram que os idosos (n=149) residentes nessas instituições apresentaram idade média de 76,6 anos, sendo42,3% do sexo masculino. As doenças com maior prevalência foram: a hipertensão arterial sistêmica (51,6%), acidente vascular (26,5%) e diabetes mellitus (19,4%). A média do número de medicamentos em uso foi de 4,7 (homens) e 4,4 (mulheres) ± 2,4. Esses dados são semelhantes aos resultados encontrados Aires et al,(2009) na região Norte do Estado do Rio Grande do Sul (RS) que indicam a predominância do sexo feminino, sendo a média de idade entre as pessoas idosas de 79,5±9,6. Ao se avaliar a situação de saúde, 83,9% das pessoas idosas referiram presença de uma morbidade, e 34,6% apresentavam comorbidades. As doenças referidas pelos idosos e/ou por seus cuidadores foram: 37,5% por doenças cardiovasculares; 13,9% doenças psiquiátricas e 48,6% dos idosos apresentam outras doenças, como: doença de Parkinson, osteoporose, catarata, sequelas de acidente vascular encefálico, artrose, esclerose, diabete mellitus, bronquite, epilepsia, acuidade auditiva e visual diminuída, cegueira, deficiência física, psoríase. No que se refere ao uso de fármacos diariamente, 83,9 % fazem uso de medicamentos. 18 4 MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de um estudo qualitativo. A pesquisa qualitativa é frequentemente definida por referência à pesquisa quantitativa. Implica a ênfase nas qualidades das entidades e em processos e significados que não são experimentalmente examinados ou medidos em termos de quantidade, intensidade ou frequência (FOLLE, 2012). Está relacionada aos significados que as pessoas atribuem às suas expectativas do mundo social e como as pessoas compreendem esse mundo (POPE; MAYS, 2006). Há muito tempo os métodos qualitativos de pesquisa têm sido usados nas ciências sociais. No entanto, está em crescente utilização na pesquisa em serviço em saúde, pois tendo muito a oferecer para profissionais (POPE; MAYS, 2006). O objetivo da abordagem qualitativa é o nível mais profundo de experiência no campo sociológico, em nível de significados, motivos, atitudes, aspirações e valores que se expressão pela linguagem, comum na vida cotidiana (FOLLE, 2012). Os métodos mais utilizados na pesquisa qualitativa incluem: observação direta, entrevista, análise de texto ou documentos ou discursos e ou comportamentos gravados (fitas de áudio\vídeo) (POPE; MAYS, 2006). Os métodos de coleta de dados utilizado nesse estudo foi entrevista com gravação em áudio. Local de realização do estudo A Associação São Vicente de Paulo, mais conhecida como Lar dos Velhinhos, é um estabelecimento mantido por instituições filantrópicas, geralmente religiosas, destinado a amparar pessoas necessitadas, idosos ou portadores de necessidades especiais. Nessa instituição são oferecidos cuidados de saúde, além de moradia e alimentação (LAR DOS VELHINHOS, 2012). A associação atua há 38 anos em Brasília, na qual é realizada assistência a mulheres idosas, com 60 anos ou mais, oriundas de outros estados, sem família, de baixa renda, que moram sozinhas ou tem problemas familiares (LAR DOS VELHINHOS, 2012). Dentre os serviços oferecidos pelo lar estão: psicologia, nutrição, enfermagem, fisioterapia, assistência social e geriatria. São oferecidas também atividades como 19 hidroginástica, oficinas, cursos, passeios pela cidade e eventos. Algumas delas são abertas para o público de todas as idades (LAR DOS VELHINHOS, 2012). Atualmente existem 32 mulheres internas no lar e cerca de 400 idosas e não idosas que participam de outros serviços oferecidos à comunidade. A associação sobrevive de doações e colaboração da comunidade e também possui um convênio com o Governo do Distrito Federal (GDF), que fornece ajuda no custeio dos gastos financeiros (LAR DOS VELHINHOS, 2012). Técnicas de coleta de dados A priori, foram coletadas sistematicamente as informações dos cuidadores de idosos sobre a adesão à medicação, utilizando-se da técnica de entrevista com gravação de áudio e anotação de observações em papel para obtenção dos dados e opiniões da amostra. Para tanto, utilizou-se um roteiro para a identificação dos cuidadores (apêndices I) bem com um questionário com perguntas semi-estruturadas (apêndices II). O roteiro de identificação foi inspirado no referencial teórico de Folle (2012). A amostra foi selecionada por conveniência, onde foram empregados os seguintes critérios de inclusão: ser cuidador de idoso na instituição de longa permanência e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (apêndice III). Foram excluídos do estudo todos cuidadores que recusaram participar da pesquisa ou não efetuar a assinatura no TCLE. Tratamento e análise de dados O tratamento de dados procedeu-se da seguinte forma: as entrevistas foram transcritas e analisadas com intuito de discutir os fatores, as necessidades e práticas dos cuidadores de idosos frente a adesão à medicação. Assim com a caracterização do perfil dos cuidadores nessa instituição. 20 Aspectos éticos A pesquisa Foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Católica de Brasília (UCB), atendendo à Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. A partir do deferimento do projeto, com número de parecer 266.934 (anexo I), iniciou-se a coleta de dados na Instituição de Longa Permanência para Idoso na cidade de Taguatinga - DF. Todos os cuidadores que participaram assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (apêndice III). A eles foram garantido sigilo e confiabilidade. 21 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 CARACTERIZAÇÃO DO PERFIL DO CUIDADOR DE UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA Para análise das informações sobre as características sócio-demográficas utilizou-se um questionário como forma de identificação do perfil dos cuidadores de idosos institucionalizados (apêndice I), da cidade de Taguatinga– DF. O perfil dos cuidadores de idosos na instituição de longa permanência em estudo é representado por profissionais do gênero feminino, dados semelhantes foram encontrados em outras pesquisas com cuidadores de idosos institucionalizados (SAMPAIO et al, 2011; RIBEIRO et al, 2009; RIBEIRO et al, 2008). Percebe-se, portanto, que, tanto no ambiente formal quanto informal, há predominância de cuidadoras. Segundo Muraro e Boff, (2002), a expressiva presença feminina como cuidadora é explicada, pela forte e histórica relação entre fêmeas e prole como origem do cuidado e afetividade da espécie humana. Em outras palavras a prática das mulheres em cuidar de seus filhos é um facilitador na adaptação a está nova atividade. Brêtas, (2003) relatou que os cuidadores de idosos são majoritariamente mulheres, assumindo esta função por delegação (familiares) ou por necessidade de emprego, e neste caso, vende sua força de trabalho para cuidar de outras pessoas. Na ILPI em estudo oito profissionais eram contratadas como cuidadora de idoso. Todas essa cuidadoras participaram desta pesquisa, sendo que, seis tinham idade entre trinta a trinta e sete anos, e duas com idade entre quarenta e um a quarenta e sete anos, dados estes, apresentado no quadro I. Quadro I: Distribuição das cuidadoras de idosos de acordo com idade de cada profissional. CUIDADORAS IDADE Cuidadora I 30 anos Cuidadora II 30 anos Cuidadora III 32 anos Cuidadora IV 34 anos Cuidadora V 37 anos Cuidadora VI 37anos Cuidadora VII 41 anos Cuidadora VIII 46 anos Fonte: Autoria própria 22 De acordo com Ribeiro et al, (2008), o fator idade pode refletir duplamente na atividade de cuidadores de idosos institucionalizado, pois restringe o acesso dos mais velhos a esse mercado de trabalho e limitando o tempo de atuação desses profissionais em ILPI, esse fator pode estar relacionado ao estresse profissional e ao desgaste físico produzido por essa profissão. Na instituição em estudo foi constado que a maioria dos cuidadores trabalhava há menos de quatro anos, portanto, os dados encontrados vão ao encontro do trabalho de Ribeiro et al, (2009), que demonstra que o tempo de trabalho de cuidadores de idosos formais é inferior a cinco anos, tanto, em instituição privadas quanto filantrópicas. O relato da cuidadora abaixo expressa muito bem o que foi dito por esses autores. “Estou aqui há quatro anos, mas achava que não iria aguentar uma semana, é um trabalho que exige muito, pois aqui temos que ser rápidas, por conta da rotina, além do lado psicológico, aqui somos xingadas e acusadas pelas idosas (cuidadora V)”. É importante considerar, entretanto, que profissionais mais experientes podem contribuir em outros aspectos relativos ao bem-estar e qualidade de vida do idoso, uma vez que o cuidado é influenciado por crenças, valores e experiências vividas na trajetória de vida pessoal e profissional (BRUM et al , 2005). A maioria das cuidadoras é casada (quadro II). Além dos afazeres referentes ao cuidado dos idosos institucionalizados, essas cuidadoras apresentam uma segunda jornada de trabalho, na qual assume o papel de esposa, zeladora do lar e dos filhos, fator esse que contribui para sobrecarga de atividades. A carga horária prestada na ILP é de doze horas executadas em dias alternados. Quadro II: Estado civil das cuidadoras de idosos em ILPI. CUIDADORAS IDADE Cuidadora I Casada Cuidadora II Solteira Cuidadora III Solteira Cuidadora IV Casada Cuidadora V Casada Cuidadora VI Solteira Cuidadora VII Casada Cuidadora VIII Casada Fonte: Autoria Própria. 23 Quanto ao grau de instrução das cuidadoras, duas tinha primeiro grau incompleto, cinco apresentava o segundo grau completo (sendo que, três eram técnicas em enfermagem e uma fazendo o curso técnico) uma cuidadora apresentava superior incompleto (assistência social). De acordo com Sampaio et al, (2011) não há uma regulamentação específica, quanto a formação do cuidador, nem como os requisitos para a contratação e atuação dos mesmos nas instituições. Como base nas informações coletadas percebe-se que essa situação condiz com a realidade do local de estudo, pois, observou-se que toda as entrevistadas recebeu treinamento depois da contratação. “No início foi difícil, ficava igual uma barata tonta, não sabia o que fazer, fui acostumando, ficava olhando as outras cuidadoras, elas também ia me dizendo o que fazer (cuidadora, IV)”. Das oito participantes do estudo, seis eram contratadas como cuidadora, essas eram responsáveis pela alimentação, higiene pessoal e ajudam na administração dos medicamentos das idosas. Já duas eram contratadas como técnicas de enfermagem a principal função dessas eram em relação à medicação, acesso ao prontuário dos pacientes para averiguação de qual medicamento administra, bem como realização de conferência de dose e horário. Elas também efetuam os curativos nas idosas. Somente uma cuidadora relatou fazer uso de medicamentos de uso crônico descritos a seguir: carbolítio, propranolol e risperidona (de acordo com cuidadora para o tratamento de depressão, embora esses medicamentos possuam classes diferentes, tais como estabilizante do humor, tratamento de problemas cardiovasculares e antipsicótico atípico, respectivamente). As demais relataram usar medicamento de forma esporádica, em eventuais enfermidades de baixa complexidade. 5.2 ADESÃO À MEDICAÇÃO E CUIDADORES DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: FATORES RELACIONADOS A ADESÃO À MEDICAÇÃO ,NECESSIDADES E PRÁTICAS Na pesquisa em estudo, notou-se, que no ambiente formal, a complexidade do esquema terapeutico é fator que gera dificuldades no momento de administar os medicamentos para as idosas. A complexidade na farmacoterapia tem sido relacionada a distintas características dos regimes terapêuticos, como, o alto número de medicamentos, a alta frequência das doses, a falta de instruções para a administração e 24 as formas de dosificação prescritas, podendo influência nos resultados do tratamento(ACURCIO et al, 2009). O alto número de medicamentos em uma prescrição contribui para não adesão ao tratamento (Nogueira, 2012). Acurcio et al, (2009), ressalta a importância de simplificar os regimes terapêuticos e de evitar a polifarmácia, tanto para prevenir a ocorrência de interações medicamentosas e de efeitos adversos (aos quais os idosos são mais vulneráveis), quanto para facilitar o acesso aos medicamentos realmente necessários e o cumprimento da prescrição (já que regimes complexos favorecem a baixa adesão terapêutica). Em consonância com a discussão da literatura supracitada, fica evidente diante do relato da cuidadora, que a complexidade do esquema terapêutico é um fator que prejudica na administração de medicamentos na ILPI em estudo, e consequentemente, tem impacto sobrea adesão à medicação. “Em relação à quantidade é complicado, porque tem idosa que toma 10 comprimido em um determinado horário e outra idosa toma 1 comprimido. Aí elas ficam, eu quero meu remédio, tá demorando demais, eu quero ir para minha missa, quero minha comida. Aí você tem que medir glicemia de quem é diabético, aplicar insulina, fazer medicação, ajudar na alimentação, fazer curativo e aí nessa correria você perde muito tempo. Quando são só dois comprimidos para um idosa, beleza, e quando são dez, aí eu tenho que sentar e olhar comprimido por comprimido, dosagem por dosagem, e como a gente recebe doação se uma idosa tomar um losartana de100 mg, e eu recebo de 50 mg, eu tenho que dar dois de 50 mg, pra forma100 mg, né? aí tem que ter muita atenção (Cuidadora II).” A abordagem multiprofissional deve ser enfatizada como uma estratégia relevante. O acompanhamento farmacoterapêutico, pelo farmacêutico, por exemplo, pode contribuir na identificação de problemas relacionados aos medicamentos, bem como na prevenção de prescrições de medicamentos desnecessários por diferentes prescritores, minimizando a complexidade da farmacoterapia (ACURCIO et al, 2009). A função de administração de medicamentos é uma das atividades assistenciais exercida na maioria das vezes pela equipe de enfermagem. Na realidade brasileira, o exercício dessa atividade está sendo praticado, na maioria das instituições de saúde, por técnicos e auxiliares de enfermagem sob a supervisão do enfermeiro (COIMBRA; CASSIANI, 2001), realidade essa, encontrada na ILPI em estudo. 25 Silva e Santos (2006) relata que na maioria das vezes, as ILPIs não apresentam pessoal nem recursos materiais e físicos suficientes para o atendimento aos idosos. Em algumas, o trabalho é realizado por cuidadores não qualificados para trabalhar com essa população. Nota-se diante do relato da cuidadora abaixo, que a adesão a medicação pode ser prejudicada pela sobrecarga de trabalho advindas da pouca disponibilidade de técnicas por plantão. Essa situação pode resultar em administração de medicamentos em horários diferentes daqueles presentes na prescrição. “Eu acho que uma técnica é muito pouco por plantão, são 32 idosas, tem horas que uma passa mal, se for no horário de medicação, eu tenho de parar de dar medicação e acudir a idoso que ta passando mal, depois eu volto e do o remédio mesmo fora do horário mais eu tenho que dar (cuidadora, IV).” A recusa em tomar os medicamentos foi outra dificuldade expressa pela cuidadoras no momento da administração dos medicamentos para as idosas. Oliveira e Novaes (2012) citam esse comportamento como fator que leva ao comprometimento da adesão terapêutica, pois o consumo do medicamento pode não ser concretizado. Dentre os principais motivos da não aceitação dos medicamentos pelos idoso estão sensação de desconforto gástrico, dificuldades de deglutição, queixa do gosto ou cheiro ruim e/ou administração incomoda (OLIVEIRA; NOVAES, 2012). “Quando o idoso não quer tomar o medicamento, não adianta você pode amassar, pode colocar embaixo da língua, não adianta ela te xinga todinha, xinga até sua alma, se você vacilar ela te agride(cuidadora III). Silva et al, (2010), em um estudo de avaliação do uso de medicamentos pela população idosa, apontam que o esquecimento como a principal dificuldade no uso correto da terapêutica para idosos, pois normalmente esses, apresentam déficit de memória. Tem-se constatado que, as dificuldades em se obter adesão ao tratamento quase sempre é agravada pelo ‘déficits’ de memória e acuidade visual, sendo que ambos dificultam a distinção e utilização de diversos medicamentos ao mesmo tempo. Quando se questionou as cuidadoras se já esqueceram de administra os medicamentos para os idosas todas disseram que não. Percebeu-se diante dessas respostase resultados de outros estudos em ILPI (OLIVEIRA; NOVAES 2012) que a institucionalização de idosos favorece a adesão à medicação, pois a responsabiliadade passa ser das cuidadoras, tornando menos frequentes fatores como esquecimento, suspensação do uso ou alteração do esquema terapeutico por conta própria, condutas frequente adotadas 26 entreidosos não supervisionados por familiares ou profissionais de saúde.Estudo realizado por Lenardt et al,(2006) com cuidadores formais de uma ILPI situada em Curitiba-PR identificaram que há preocupação dos profissionais em não deixar de administrar a medicação, pois recorrem até mesmo ao alto falante da instituição, quando não conseguem encontrar o paciente para dar a medicação. Fica evidente que na ILPI o cuidador asumime papel essencial para o cumprimento racional da terapia medicamentosa. Rozenfeld, (2003) afirma que os benefícios da farmacoterapia não se distribuem homogeneamente entre as camadas sociais, pois o acesso aos medicamentos segue as desigualdades sociais e econômicas. Na atual pesquisa mostrou que instituição não apresenta dificuldade no acesso a medicamentos, pois os cuidadores desenvolveram estratégias para a garantia do abastecimento dessas tecnologias em saúde para os usuários do serviço. Esse dado vai ao encontro do trabalho de Oliveira; Novaes (2012), realizado em Brasília em cinco ILPI, onde também não encontrou obstáculos no acesso dos medicamentos. Nessas instituições além de serem abastecidas pela rede de Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS); as ILPI em sua maioria por serem de caráter filantrópico têm o abastecimento de medicamentos garantido por meio de doações da comunidade e de recursos obtidos através de eventos beneficentes, sendo pequeno o gasto financeiro da instituição com medicamentos. A forma de aquisição de medicamentos da instituição em estudo é semelhante às ILPI do estudo de Oliveira e Novaes (2012), ou seja, os idosos recebem medicamento tanto dos programas do governo, (farmácia popular, componente especializado da assistência farmacêutica e postos de saúde) quanto da compram e das doações da comunidade. Quando questionada se já deixaram de administra o medicamento por falta na instituição a maioria disseram que não, com exceção de duas cuidadoras, demonstrando que a falta de medicamento não é algo frequente. “Já mais não é frequente. À vezes é questão de um a dois dias sem o medicamento (cuidadora IV) “Sim, que eu me lembre uma vez, mas quando falta de uma idosa pega da outra (cuidadora VIII)”. Ao contrário do que são observados em ILPI os idosos não institucionalizados tem dificuldade de acesso a medicamentos (OLIVEIRA; NOVAES, 2012), pois, para ter acesso, os idosos muitas das vezes precisam comprar o medicamento, o que pode ser considerado umas das principais causas para a não adesão. As compras de 27 medicamentos pelas famílias dos idosos não institucionalizados muitas vezes fazem-se necessárias devido à falta de regularidade no abastecimento de medicamentos no sistema público (PANIZ, et al, 2008). Tendo em vista que o acesso ao medicamento não se limita simplesmente ao valor de custeio para comprar o medicamento caso não consiga o mesmo na rede cabe ressaltar que a locomoção até a farmácia, o dinheiro gasto no transporte para chegar ao local de destino também se enquadram no que diz respeito ao acesso (BYRD, 2007). Os fatores citados como limitantes na adesão à medicação em idosos não institucionalizados, não é evidenciado na ILPI, motivos esses que contribuem para o acesso e, por consequência a adesão à medicação. RDC Nº 283, de 26 de setembro de 2005, define o cuidador formal como pessoa capacitada para auxiliar o idoso que apresenta limitações para realizar atividades básicas da vida diária. Portanto, espera-se, que seja alguém capaz de desenvolver ações de ajuda naquilo que estes não podem mais fazer por si só. Ribeiro et al, (2009), em um estudo para identificação do processo de cuida em ILPI identificou que, mesmos profissionais com curso superior ou técnicos na área de enfermagem, descreveram a importância do trabalho da instituição em sua formação. É visível o despreparo dos trabalhadores que assistem os idosos institucionalizados, pois além da formação básica é essencial a formação continuada para o empoderamento de conhecimentos específicos necessários ao atendimento do idoso(SILVA; SANTOS, 2006). Os profissionais de saúde que atendem os idosos institucionalizados devem ter como princípio que eles protagonizam ações para a promoção da saúde do idoso. “Sou cuidadora particular de uma idosa, eu sei quais ela toma, e para que serve os medicamentos. Aqui, eu sei alguns, todos a gente não sabe. Sabe quais são os males, mais saber exatamente para que serve cada medicamento a gente não sabe. Acredito que nenhuma cuidadora sabe (cuidadora V).” “Experiência que tive como balconista em farmácia contribuiu muito, a enfermagem só pra dizer que é técnica mesmo, fazer um curativo que o balconista não faz, banho no leito que é a enfermagem (II)” “Não tenho dificuldades, só quem pode mexer com medicamento é que tem um pouco de conhecimento, no caso as técnicas de enfermagem, e eu por que no meu caso já tem bastante tempo, por que desde quando eu comecei trabalhar aqui eu já tive acesso a medicação (IV)” “O falta de conhecimento dificulta, gostariam de ajudar, no entanto tenho medo de errar, prefiro me neutralizar (I)”. 28 Estudo realizado com seis cuidadoras domiciliares mostrou que as mesmas exibiam necessidades de aquisição de orientações quanto às doenças, à terapia medicamentosa, dietas e exercícios físicos, evidenciando que não possuíam nenhuma formação para cuidar dos idosos (CALOME et al, 2011). Araújo et al, (2012) em uma pesquisa para determinação do perfil dos cuidadores de idosos com doença de Alzheimer (DA), identificou que os cuidadores sem conhecimento adequado da problemática em que estão envolvidos, ou desamparados em suas dúvidas, e, acima de tudo, sem ações sociais de ajuda e suporte, não têm mesmo como prestar uma assistência de qualidade ao idoso acometido com a DA. Vale destacar que, essa dificuldade pode ser minimizada com a realização de capacitações destinadas aos cuidadores a fim de torná-los menos desamparados, permitindo que eles prestem um atendimento mais efetivo e integral ao idoso. Quando questionadas se possuíam dificuldade para entender as informações passadas pelos outros profissionais de saúde sobre a medicação, todas disseram que não, sendo as dúvidas esclarecidas com as técnicas de enfermagem e com enfermeira chefe. 29 6 CONCLUSÃO De acordo com o diagnóstico situacional suscitado pelo estudo fica nítido que idoso é um público frágil quando o assunto é medicamento. Portanto deve-se ter atenção redobrada à farmacoterapia dessa faixa etária, uma vez que esses são grandes consumidores de medicamentos e apresentam maior risco de desenvolverem eventos adversos. Diante de todos esses riscos, o papel do cuidador é essencial, pois estes devem estar orientados para a promoção de um tratamento efetivo e seguro. O perfil de cuidadores da instituição condiz com os achados de outros estudos na literatura em ILPI, onde há predominância do gênero feminino, a maioria da amostra cursou o nível médio de ensino, apresenta estado civil casado e faixa entre 30 a 46 anos. Os fatores que foram identificados e que impactaram na adesão à medicação em cuidadores formais de idosos da instituição em estudo foi a complexidade do regime terapêutico, a falta de informação sobre medicamentos e doenças, sobrecarga de trabalho advinda da pouca disponibilidade de técnicos por plantão, assim como a resistência das idosas na utilização dos medicamentos. Observa-se que o ato de cuidar é uma tarefa complexa, pois a qualidade de vida do paciente depende da função exercida pelo cuidador. Por meio desse estudo pode-se perceber que ILPI necessita de cuidadores aptos e comprometidos para desenvolverem tal função, pois em sua dependência existem pessoas que muitas das vezes não têm autonomia para desempenhar a mais simples atividade do dia-dia. Dentro das necessidades dos cuidadores identificadas por esse estudo, como a indispensabilidade na simplificação dos esquemas terapêuticos e realização de intervenções educativas, é essencial a atuação do farmacêutico junto ao cuidador, de modo a potencializar a geração de valores e práticas que favoreçam o uso racional de medicamentos pelos executores do cuidado. Foi constatado que idosos institucionalizados possuem facilidade de acesso a medicação, quando comparados com relatos da literatura sobre idosos não institucionalizados. Esse processo de maior aquisição de medicamentos é decorrente das estratégias desenvolvidas/utilizadas pela instituição, tais como: uso rotineiro dos benefícios do programa farmácia popular, organização da dinâmica do cuidado para concretizar o acesso via componente básico e especializado da assistência farmacêutica, 30 realização de eventos comunitários para ampliação dos recursos financeiros para a compra de medicamentos e recepção de doações da comunidade desses produtos. A partir desse estudo foi possível conhecer os principais fatores que impactam na adesão a medicação, assim como as principais necessidades dos cuidadores de idosos frente à farmacoterapia. Esses dados são importantes para elaboração de políticas públicas voltadas para cuidador e idoso, com intuito de minimizar tais dificuldades, e dessa forma, contribuir para o sucesso da terapia proposta para idoso dependente. Diante dos resultados apresentado fica evidente a necessidade de detectar a adesão à medicação na farmacoterapia do cuidador, isso pode ser evidenciado em novas pesquisas. No estudo atual isso não foi possível, pois somente uma cuidadora de idoso relatou fazer uso de medicamento de uso crônico, no entanto outras literaturas trazem que, apesar de idosos dependentes estarem bem cuidados, o cuidador apresenta-se descuido consigo mesmo, informando ter problemas de saúde ou ainda estar cansado. 31 REFERÊNCIAS ACURCIO, Francisco de A.et al. Complexidade do regime terapêutico prescrito para idosos. Revista de Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 55, n. 4, p.468-474, 17 mar. 2009. AIRES, Marines; PAZ Adriana A; PEROSA, Cleci, T. Situação de saúde e grau de dependência de pessoas idosas institucionalizadas. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v.30, n. 3, p.492-499. set. 2009. ARAÚJO, Claudia L. O. de; OLIVEIRA, Janaina F.; PEREIRA, Janine Maria. 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( ) Depressão ( ) HAS ( ) Diabetes mellitus ( ) Depressão ( ) Transtorno do sono ( ) Problema de coluna ( ) Ansiedade ( ) Outras_____________ 38 APÊNDICE II ROTEIRO DE ENTREVISTA 1ª PARTE – ESCLARECIMENTO Apresentação do entrevistador e entrevistado Explanação dos objetivos e metodologia da pesquisa Coleta da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido 2ª PARTE - ENTREVISTA O/A Senhor(a) possui dificuldade em lidar com os medicamentos do idoso no dia-a-dia? O/A Senhor(a) já esqueceu de administrar os medicamentos para o idoso? Quando se lembra de que se esqueceu de dar o medicamento para o idoso e já passou o horário, o que o senhor(a) faz? O/A Senhor(a) apresenta alguma dificuldade de administrar o medicamento para o idoso? O/A Senhor(a) já parou de dar o medicamento para o idoso porque ele faltou na instituição de longa permanência? O/A senhor(a) precisa da ajuda de alguém para dar os medicamentos para o idoso? O/A senhor(a) considera ter conhecimento suficientes para dar medicamentos ao idoso? O/A senhor(a) tem dificuldade de entender as informações passadas pelos outros profissionais de saúde sobre a medicação? Com quem o/a senhor(a)tira dúvidas sobre os medicamentos? 3ª PARTE – ENCERRAMENTO Esclarecimento de dúvidas por parte da pesquisadora e participante do estudo. Agradecimento 39 APÊNDICE III TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) O (a) Senhor(a) está sendo convidado(a) a participar do projeto MATERIAIS EDUCATIVOS E ADESÃO À MEDICAÇÃO EM CUIDADORES DE IDOSOS EM UMA INSTITUIÇÃO DE LONGA PERMANÊNCIA NO DISTRITO FEDERAL – DF sob responsabilidade do Prof. Débora Santos Lula Barros e alunos Débora Oliveira Itacaramby, Jéssica Gomes e Steffany de Andrade. O objetivo desta pesquisa é: Elaborar e validar materiais educativos sobre a adesão à medicação em cuidadores de idosos de uma instituição de longa permanência no Distrito Federal, esta pesquisa justifica-se, pois vários estudos da literatura científica tem demonstrado a importância de trabalhar a adesão à medicação nos prestadores de cuidados para os idosos. O(a) senhor(a) receberá todos os esclarecimentos necessários antes e no decorrer da pesquisa e lhe asseguramos que seu nome não aparecerá sendo mantido o mais rigoroso sigilo através da omissão total de quaisquer informações que permitam identificá-lo(a). Senhor(a) pode se recusar a responder qualquer questão (no caso da aplicação de um questionário) que lhe traga constrangimento, podendo desistir de participar da pesquisa em qualquer momento sem nenhum prejuízo para o(a) senhor(a). A sua participação se fará por meio de entrevistas. A primeira visa o levantamento das suas necessidades sobre a adesão à medicação. A entrevista posterior objetiva a sua avaliação em relação a adequação dos materiais educativos desenvolvidos pelas pesquisadoras. O tempo estimado para sua realização será de 45 minutos, aproximadamente. Os resultados da pesquisa serão divulgados na Universidade Católica de Brasília podendo ser publicados posteriormente. Os dados e materiais utilizados na pesquisa ficarão sobre a guarda do pesquisador. Este projeto possui o benefício de disponibilizar materiais educativos validados sobre adesão à medicação que poderão ser utilizados nas intervenções educativas e na promoção da saúde e uso racional de medicamentos pelos idosos. Você não passará por nenhuma intervenção sobre a sua saúde. A pesquisa apresenta como risco a possibilidade de você ficar aflito e/ou angustiado por revelar as suas práticas relacionadas à adesão à medicação, com receio de receber críticas severas pela pesquisadora. Contudo, esse risco será minimizado pois a entrevista será conduzida de forma que você sinta-se livre para relatar a sua opinião e experiência. Se o(a) Senhor(a) tiver qualquer dúvida em relação à pesquisa, por favor telefone para Prof. Débora Santos Lula Barros, do curso de farmácia da Universidade Católica de Brasília, telefone 3967-0110, no horário das 8:00 às 17:00. 40 Este projeto foi Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB, número do protocolo 266.934. As dúvidas com relação à assinatura do TCLE ou os direitos do sujeito da pesquisa podem ser obtidos também pelo telefone: (61) 3356-9784. Este documento foi elaborado em duas vias, uma ficará com o pesquisador responsável e a outra com o voluntário da pesquisa. ______________________________________________ Nome / assinatura ____________________________________________ Pesquisador Responsável Nome e assinatura Brasília, ___ de __________de _________ 41 ANEXO I DOCUMENTO DE APROVAÇÃO COMITÊ DE ÉTICA PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP DADOS DO PROJETO DE PESQUISA Título da Pesquisa: MATERIAIS EDUCATIVOS SOBRE ADESÃO PARA CUIDADORES DE IDOSOS Pesquisador: Débora Santos Lula Barros Área Temática: Versão: 2 CAAE: 14516413.2.0000.0029 Instituição Proponente: Curso de Farmácia Patrocinador Principal: Financiamento Próprio DADOS DO PARECER Número do parecer:266.934 Data da Relatoria: 09/05/2013 Apresentação do Projeto: Em virtude do aprimoramento tecnológico e melhora das condições de saúde da população, é fenômeno mundial o envelhecimento populacional. Atrelado a esse processo, observasse que o aumento da expectativa de vida está relacionado com maior prevalência de doenças crônico-degenerativas, e, consequentemente, maior consumo de medicamentos pelos idosos. Nas instituições de longa permanência as atividades de medicação são executadas pelos profissionais de saúde e, dentre eles, encontrasse a figura do cuidador de idosos. Esses profissionais precisam ser instrumentalizados de conhecimentos sobre a promoção do uso racional de medicamentos, de forma que a assistência à saúde do idoso seja compatível com as ações de prevenção, recuperação e promoção da saúde. Dentre os fatores cruciais para a consolidação da promoção do uso racional de medicamentos encontra-se a adesão à medicação, e ela constitui a última etapa para a concretização do uso racional dos medicamentos. Os cuidadores, assim como os idosos, são agentes importantes no processo de adesão, pois eles são coresponsáveis no ato da administração de medicamentos. Levando-se em consideração a 42 importância de capacitar o cuidador sobre os aspectos compreendidos na adesão à medicação, nesse sentido, é fundamental a inserção de ferramentas que subsidiem aprendizagens aos cuidadores de idosos sobre esse processo. Nesse cenário, na concepção da educação em saúde, ganha destaque os materiais educativos como instrumentos facilitadores na construção de aprendizagens significativas sobre a medicação. Dessa forma, o presente estudo possui como método a pesquisa-ação e a entrevista com roteiro semi-estruturado da pesquisa qualitativa, objetivando elaborar e validar materiais educativos sobre a adesão à medicação em cuidadores de idosos de uma instituição de longa permanência no Distrito Federal. Objetivo da Pesquisa: OBJETIVO GERAL Elaborar e validar materiais educativos sobre a adesão à medicação em cuidadores de idosos de uma instituição de longa permanência no Distrito Federal. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar os aspectos compreendidos na adesão à medicação dos cuidadores de idosos. Detectar as necessidades dos cuidadores de idosos sobre a adesão à medicação. Identificar as práticas dos cuidadores de idosos frente a adesão à medicação. Elaborar materiais educativos textuais em prol da adesão à medicação nos cuidadores de idosos. Desenvolver materiais educativos audiovisuais sobre a adesão à medicação. Validar os materiais educativos que abordam a adesão à medicação pelos cuidadores de idosos. Avaliação dos Riscos e Benefícios: Riscos: Os cuidadores que serão assistidos pela pesquisa não passarão por nenhuma intervenção. Contudo, aqueles que participarem da entrevista com o emprego de instrumento semi-estruturado, poderão ficar aflitos por revelar as suas práticas relacionadas à adesão à medicação, com receio de receber críticas severas pela pesquisadora. Para prevenir que essa situação ocorra, a pesquisadora no momento da entrevista deixará bem claro que as informações podem ser relatadas com liberdade e que esses dados serão discutidos somente no estudo (conforme orientações constantes no TCLE). Também será ressaltado que a discussão dos dados não identificará a fonte de informação, sendo mantido o sigilo do participante. Não há informações dos critérios para suspender ou encerrar a pesquisa, caso o pesquisador perceba algum risco ou dano à saúde do sujeito participante da pesquisa (RES 196/96 Item V.3), sugere-se descrever. Benefícios: Os materiais educativos validados sobre adesão à medicação para os cuidadores de idosos de instituição de longa permanência poderão ser utilizados por outros serviços nas intervenções educativas, de modo que esses atuem como 43 instrumentos de promoção do uso racional de medicamentos e, consequentemente, contribuintes da promoção da saúde e da qualidade de vida dos idosos institucionalizados. Comentários e Considerações sobre a Pesquisa: A pesquisa esta adequada aos princípios científicos que a justifiquem e com possibilidades concretas de responder a incertezas atendendo a RES 196/96 Item III.3ª.E apresenta antecedentes científico e dados que justifiquem a pesquisa (RES 196/96 Item VI.2b). O percurso metodológico da pesquisa será constituído por triangulação de métodos de pesquisa e é composto por duas fases descritas a seguir: 1ª Fase: Entrevista com roteiro semi-estruturado A priori, serão coletadas sistematicamente as informações de 10 cuidadores de idosos sobre a adesão à medicação, utilizando-se da técnica de entrevista da pesquisa qualitativa. Para tanto, os pesquisadores utilizarão o roteiro com perguntas semiestruturadas. A amostra será selecionada por conveniência. Sugere-se descrever o cálculo amostral,10 cuidadores é suficente para concluir os objetivos? Não estão descritas as características da população a estudar: tamanho, faixa etária, sexo, cor (classificação do IBGE), estado geral de saúde, classes e grupos sociais, etc. (De acordo com RES 196/96 Item VI.3a). Os critérios de inclusão (RES 196/96 Item VI.3d)serão: ser cuidador de idoso na instituição de longa permanência e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O projeto esta bem elaborado e embasado, porém não há descrição de quantos avaliadores realizarão a pesquisa e se haverá algum método de calibração inicial. Serão excluídos do estudo todos cuidadores que recusarem participar da pesquisa ou não efetuar a assinatura no TCLE. 2ª Fase: Validação dos materiais educativos textual e audiovisual. Essa etapa trata-se de um método pesquisaação (Heberte, Hoga e Gomes, 2012). Após a obtenção dos dados referentes as necessidades e práticas dos cuidadores no que tange a adesão à medicação, serão estruturados materiais educativos textuais na forma de cartilha e audiovisuais na formatação de vídeos de curta duração. Baseado nos referenciais teóricos de Alves (2009), Brasil (2009) e Heberte, Hoga e Gomes (2012), será confeccionada cartilhas com informações objetivas e ilustrações para subsidiar aos cuidadores de idosos as orientações necessárias à concepção de adesão à medicação e conduta racional do tratamento medicamentoso. Os vídeos serão dinâmicos e constarão situações do cotidiano dos cuidadores que estejam relacionados a adesão à medicação, com a finalidade de desenvolver processos de ensino-aprendizagem em conformidade com a pedagogia problematizadora de Paulo Freire. Após a criação dos materiais educativos, eles serão submetidos a avaliação de três especialistas, utilizando-se a técnica de validade de conteúdo. Após essa apreciação, os materiais educativos será fornecido aos cuidadores que também avaliaram a sua adequação. Após a compilação dos dados da avaliação dos cuidadores e dos especialistas, será confeccionada a versão final do materiais educativos e os mesmos serão distribuídos na instituição de longa permanência. Há uma autorização da diretora da Instituição de longa permanência 44 Associação São Vicente de Paula de Belo Horizonte, onde será realizada a pesquisa. Entretanto não há uma descrição do local da pesquisa, detalhando as instalações dos serviços, comunidades e local nas quais se processarão as várias etapas da pesquisa (RES 196/96 Item VI.2h), sugere-se descrevê-las. Não há informações dos critérios para suspender ou encerrar a pesquisa (RES 196/96 Item VI.2f), sugere-se descrevê-los. Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória: A folha de rosto está adequada. Não consta carta de encaminhamento do projeto, sugere-se providenciar. O orçamento financeiro da pesquisa esta adequado e de acordo com a RES 196/96 Item VI.2j. Em relação ao cronograma, consta 2 tipos diferentes, um devidamente correto na ficha preenchida durante a emissão do projeto de pesquisa na plataforma Brasil, e outro que consta no projeto colocando o mesmo período de coleta com o período de emissão ao CEP, sugere esclarecimentos. No TCLE, consta "Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde da UCB", sugere-se remover (...) da "Faculdade de Saúde", pois o CEP é da UCB. No TCLE ainda, sugere-se descrever os desconfortos e riscos possíveis e os benefícios esperados (RES 196/96 Item IV.b), uma vez que consta que "Sua participação nesta pesquisa não oferece riscos à sua saúde e à sua dignidade", entretanto de acordo com a Resolução CNS 196/96, "toda pesquisa envolvendo seres humanos envolve risco" seja uma possibilidade de danos à dimensão física, psíquica, moral, intelectual, social, cultural ou espiritual do ser humano. Recomendações: 1. Sugere-se modificação de algumas questões metodológicas: quantidade de avaliadores, calibração e descrever melhor a população a ser estudada. Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações: Primeira análise: A proposta atende em parte às exigências da Resolução CNS 196/96 e para sua aprovação necessita apresentar resposta aos itens indicados no parecer: 1. Inserir os riscos possíveis da pesquisa e o que poderia ser feito para minimizálos no TCLE. 2. Modificar o que foi sugerido acima no TCLE. 3. adequar o cronograma conforme descrito acima. 45 4. Não consta carta de encaminhamento do projeto, sugere-se providenciar. 5. Sugere-se descrever informações dos critérios para suspender ou encerrar a pesquisa. 6. Sugere-se descrever melhor a instituição que será realizada a pesquisa. Segunda análise: O texto apresentado responde as exigências da RES 196/96. O documento foi aprovado pelo CEP/UCB. Após a realização do estudo é compromisso (RES 196/96) dos pesquisadores apresentar o relatório final. Situação do Parecer: Aprovado Necessita Apreciação da CONEP: Não Considerações Finais a critério do CEP: BRASILIA, 09 de Maio de 2013 Assinador por: Yomara Lima Mota (Coordenador)