Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Avaliação Citotóxica em três linhagens de células tumorais das frações Obtidos da Casca do Caule de Salacia crassifolia (MART. ex. Schult.) G. Dom. (Celastraceae) Clayton Rodrigues de Oliveira1, Adriana Gomes Pereira1, 2, Letícia de Melo Viera1 ,2, Rosa Silva Lima 2,3; Mirley Luciane dos Santos2,4 ,Antônio Carlos Severo Menezes5. 1. Bolsista PIBIC /UEG; 2. Colaboradores (as); 3. Mestranda em Ciências Moleculares / UEG; 4.Curso de Ciências Biológicas, Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas / UEG; 5. Orientador. Universidade Estadual de Goiás, 75132-903, Brasil. [email protected]; [email protected] ; [email protected]; [email protected]. Palavras-chave: Salacia crassifolia, MDA-MB-435 (melanoma), HCT-8 (cólon-humano) e SF295 (sistema nervoso central) 1 INTRODUÇÃO 1.1. A Família Celastraceae Encontradas principalmente em regiões tropicais, as plantas da família Celastraceae estão representadas em 98 gêneros e aproximadamente e 1264 espécies (FONSECA, 2007). São representadas em seus habitats naturais como árvores, arbustos, trepadeiras e cipós (LIÃO, 1997). Atualmente, plantas da família da Hippocrateaceae vêem sendo classificadas como plantas da família Celastraceae, devido à ocorrência de substâncias químicas comuns entre as duas espécies, além da filogenia revelarem de Hippocrateaceae em Celastraceae tornarem um grupo parafilético(LIÃO, 1997; SOUSA e LORENZI, p. 279, 2005). Além disso, são conhecidas como “Bacupari”, “Bacupari-do-Cerrado”, “Saputá”, “Seputá” e outros nomes populares (RODRIGUES, 2006). No Brasil, os gêneros mais representativos da família Celastraceae são: Maytenus e Salacia, respectivamente (LIÃO, 1994). Segundo Simmons (et al., 2001 apud SOUSA e LORENZI, p. 279, 2005) um dos gêneros mais representativos da família, Maytenus, não formam um grupo 1 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 monofiléticos, desta forma precisaria ser recircunscrito. No entanto, o gênero Goupia em Celastraceae, não encontrou sustentação nos trabalhos de filogenia, com isto o gênero tem sido tratado como uma família a parte, Goupiaceae. Muita atenção tem sido dada às espécies desta família, devido ao seu amplo leque de atividades biológicas que vem sendo descritos na literatura como: antireumáticas, antibacterianas, antitumorais (no tratamento de câncer de pele), ações curativas de feridas de pele, ações antiulcerogênicas, antiinflamatórias, cicatrizantes,, imunossupressoras, antimicrobianas, antimalariais, tripanomicidas, no tratamento de diabéticos e outras (LIÃO, 1997; FONSECA, 2007; RODRIGUES, 2006). 1.2 O Gênero Salacia O gênero da Salacia está formado por aproximadamente 200 espécies. Com baixo percentual, apenas 15,5% das espécies do gênero foram estudas, o que corresponde a 31 espécies, considerando que muitos desses estudos precisariam de uma nova abordagem (LIÃO, 1997). Estudos fitoquímicos das diversas espécies de Salacia resultaram no isolamento de triterpenos (fridelanos, maiteninos, oleananos, ursanos e lupanos), flavonóides, esteróides, alcalóides (sesquiterpênicos, macrocíclicos ou maitansinóides), e outras substâncias, além dos triterpenos quinonametídios os mais representativos, os quais são considerados marcadores quimiotaxonômicos em Salacia (LIÃO, 1997; RODRIGUES, 2006; FONSECA, 2007). Segundo Oe e Ozaki (2008), estudos com Kothala-himbutu (Salacia reticulata) têm recebido muita atenção no tratamento de diabetes, por apresentar atividade inibidora em α-glicosidase, uma enzima especifica no tratamento antidiabete. No entanto, na literatura não há relatos de estudos fitoquímicos e atividades farmacológicas de Salacia crassifolia, conhecida popularmente como “Bacupari-do-Cerrado”. Na medicina popular, S. crassifolia é utilizada no tratamento de problemas renais, tosse crônica, dores de cabeça, cicatrizantes, ulcerogênicas e na terapia da malaria. Esta planta foi selecionada para estudo, tendo por base os argumentos até então apresentados, bem como pela grande disponibilidade nos cerrados brasileiros. 2 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Além disso, a facilidade de coleta foi um fator determinante, visto que esta espécie foi coletada dentro dos limites do Campus Henrique Santillo da Universidade Estadual de Goiás. 1.3 Câncer: definições e estatísticas Uma das doenças que causam maior medo a sociedade é o câncer, o qual apresenta um elevado nível de mortalidade e dor. Do latim, a palavra câncer significa “caranguejo”, tal qual é empregada de maneira análoga ao crescimento infiltrante e similar às pernas do crustáceo quando introduzida na lama ou areia, que causa grande dificuldade de sua remoção (ALMEIDA et al., 2005). Hoje o termo neoplasia, ou mais especificamente aos tumores malignos, é apresentado como definição de câncer, este apresenta um crescimento caótico de células transformadas. As células cancerosas passam a substituir as células normais, promovendo insuficiências das funções dos tecidos, já que essas células cancerosas são menos especializadas em suas funções do que as células normais (ALMEIDA et al., 2005). Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2005, o câncer foi responsável por 13% das mortes ocorridas no mundo, este percentual representa 7, 6 milhões, de um total de 58 milhões de mortes incididas no mundo. Cânceres como: pulmão (1,3 milhão); estômago (1 milhão); fígado (662 mil); cólon (655 mil); e, mama (502 mil), foram os tipos mais freqüentes. Estima-se um valor na ordem de 15milhões de novos casos de câncer para o ano de 2020, dos quais 60% destes novos casos ocorrerão em países desenvolvidos. Sabe-se que, um terço destes novos casos de cânceres que ocorrem anualmente no mundo poderiam ser prevenidos. 1.4 Câncer: Classificação O câncer é classificado pelo tipo de célula normal que o originou, e não pelo tipo de tecidos que ele disseminou isto é conhecido como classificação primária do câncer, além da velocidade de multiplicação das células e capacidade de invasão de tecidos e órgãos (BRASIL, 2009). Quase todos os tipos de classificações 3 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 primárias do câncer, podem ser colocados em um único grupo, onde o “sufixo – oma” significa tumor. Os principais tipos de câncer podem ser classificados em: a) Carcinomas: originam-se a partir de células que revestem o corpo, incluindo um extenso grupo de revestimentos internos (endodermais), tais como os da boca, brônquios, garganta, intestino, esôfago, bexiga, estômago, útero e ovários, e também aquelas que compreendem a pele (ectodermais), além daqueles de revestimentos dos ductos mamários, pâncreas e próstata, são os tipos de câncer mais comuns (MURAD e KATZ, 1996). b) Sarcomas: desenvolvem-se nos tecidos de suporte, tais como ossos, tecido gorduroso, músculos e tecidos de fibroso de reforço, localizados na maior parte do corpo (ALMEIDA et al., 2005). c) Linfomas: estes tipos de células são encontrados em todo organismo, especificamente em glândulas linfáticas e no sangue, conhecidas como linfócitos. No alcance em que os tipos de células do linfoma são afetados, estas são divididas em Hodgkin e não – Hodgkin (ALMEIDA et al., 2005). d) Leucemia: este tipo de câncer desenvolve-se a partir de células da medula óssea, que produzem as células brancas. Um elevado nível na concentração de glóbulos brancos (cerca de 7,5.103/mm3 para 105–106/mm3) (MACHADO, 2000),provocando danos no funcionamento adequado das células, além de reduzirem o espaço da medula óssea para a promoção de novas células. e) Mielomas: a malignidade nas células plasmáticas da medula óssea que produzem os anticorpos. Dividindo-se rapidamente, estes tipos de células possuem tendência de serem muito agressivas e incontroláveis, ocasionando a formação de tumores, são características de neoplasias malignas (BRASIL, 2009). f) Tumores das células germinativas: originam-se nas células provenientes dos testículos e/ou ovários, as quais são responsáveis pela produção de óvulos e espermas (ALMEIDA et al., 2005). g) Melanomas: desenvolvem-se nos melanócitos, células da pele que são responsáveis pelos pigmentos (ALMEIDA et al., 2005). h) Gliomas: desenvolve-se em células do tecido de suporte cerebral ou da medula espinhal, porém dificilmente ocorre metástase (ALMEIDA et al., 2005). 4 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 i) Neuroblastomas: tumores geralmente pediátricos (8 milhões de crianças até 15 anos de idade por ano; 80% dos casos com até 4 anos de idade) derivados de células malignas embrionárias provenientes de células neuronais primordiais, desde gânglios páticos até medula adrenal e outros pontos (SPENCE e JONHSTON, 1996). 1.5 Tipos de tratamento contra o câncer De acordo com o tipo e a gravidade do câncer, é que determina como a doença será tratada. Os principais tipos de tratamento para o câncer consistem na, radioterapia e a quimioterapia, ou ainda na combinação destas técnicas (SOUZA, 2004). A técnica cirúrgica pode levar a remoção de tumores com eficácia, desde que não ocorra metástase, como no caso da leucemia em que costuma ser necessário o uso de outros tipos de terapias, incluindo o transplante de medula (MURAD e KATZ, 1996). A radioterapia é usada comumente em conjunto com a cirurgia, para obter- se uma maior eficácia do tratamento (MURAD e KATZ, 1996). É um tratamento no qual se utilizam radiações para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. No período em que o paciente está em contato com a radiação ele não sente nada e estas radiações não podem ser vistas. A radioterapia também pode ser usada em combinação com a quimioterapia ou outros recursos usados no tratamento dos tumores (BRASIL, 2009). A quimioterapia, ao contrário da cirurgia e da radioterapia, é empregada em tratamento sistêmico, ou melhor, que atua em todo corpo, à base de fármacos que impedem a reprodução celular e, conseqüentemente, levam as células malignas à morte. O manuseio destes fármacos pode ser empregado isoladamente (monoquimioterapia) ou combinados (poliquimioterapia), sendo que a última apresenta resultado mais eficaz ao conseguir maiores resposta a, diminuindo o risco de resistência aos fármacos e conseguindo atingir as células em diferentes fases do seu ciclo (SOUZA, 2004). O objetivo primário da quimioterapia é erradicar as células neoplásicas e manter as células normais. No entanto, grande parte dos agentes quimioterápicos 5 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 não atua especificamente, afetando células malignas quanto normais, ou melhor, células de crescimento rápido, tais como as gastrointestinais, capilares e as do sistema imunológico (ALMEIDA et al., 2005). Várias substâncias citotóxicas mais potentes operam em etapas especificas do ciclo celular, consequentemente atuam apenas contra células em processo de reprodução. Atualmente, as neoplasias malignas humanas que são suscetíveis a esta técnica quimioterápica frequentemente são curadas, para isso, as células devem apresentar uma elevada porcentagem em seu processo de divisão (OLIVEIRA e ALVES, 2002). Para obter êxito no tratamento quimioterápico, um fato relevante é o diagnóstico precoce do tumor, entre 109 e 1012 células tumorais, ou seja, tumor com tamanho menor que 1 cm (SPENCE e JONHSTON, 1996). Existem outras técnicas para o tratamento de cânceres como a de fotorradiação, a qual permite a localização e a destruição com maior seletividade a da emissão de radiação especifica com fluorescência (λ de 620-640 nm) pelo uso de fibras óticas (MACHADO, 2000). E a imunoterapia, que atualmente é usada para o estímulo das próprias defesas do corpo, mas apesar de promissora, a imunoterapia é uma técnica adjuvante, pois é empregada especificamente para destruir as células cancerosas residuais após a intervenção cirúrgica ou outro tratamento (ALMEIDA et al., 2005). 2 2.1 MATERIAIS E MÉTODOS Coleta do Material Botânico As cascas do caule da planta S. crassifolia (Celastraceae) foram coletadas no Campus da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Anápolis, Goiás, Brasil, no mês de janeiro de 2008, em período matutino. A identificação do material vegetal foi feita pela professora Dra. Mirley Luciene dos Santos, e as exsicatas foram depositadas no herbário do departamento de Ciências Biológicas da UEG com número de registro equivalente a 5910. 6 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 2.2 Obtenção das Frações Após a coleta do material vegetal, o mesmo foi colocado à estufa com circulação de ar a 45oC (MA035 – Marconi), em seguida pulverizado em moinho de facas (Modelo MA-580) e colocado em erlenmeyer de 2 Litros, posteriormente foi extraído com metanol exaustivamente, exposto na Figura 1 abaixo. Figura 1: Esquema para obtenção do extrato bruto metanólico. Fonte: OLIVEIRA, C. R.. UEG, 2008. Produção do próprio autor O solvente orgânico foi evaporado à pressão reduzida em um evaporador rotativo resultando em um resíduo, denominado extrato bruto metanólico. O extrato bruto metanólico foi ressuspendido em metanol: água (1:3), e particionado com solventes por ordem de polaridade: hexano, diclorometano e acetato de etila. Então, obtiveram-se as frações: hexânica (SCCcM-H), diclorometânica (SCCcM-D), acetatode etila (SCCcM-A) e hidroalcoólica (SCCcM-W), conforme indica a Figura 2: Extração exaustiva com MeOH 7 Fracionamento líquido-líquido Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 casca do caule 2143,74 g Extrato Bruto Metananólico (SCCcM) 390,0 g Resíduo Fração hexânica (SCCcMH) 4,65g Fração diclorometano (SCCcMD) 0,41 g Fração Acetato de Etila (SCCcMA) 26,84 g Fração Hidroalcoólica (SCCcMW) 256,15 g Figura 2: Obtenção das Frações a partir da casca do caule de S. crassifolia. Fonte: OLIVEIRA, C. R.. UEG, 2008. Produção do próprio autor. 2.3 Teste de Verificação de Alcalóides Foi realizado teste para a verificação da possível presença de alcalóides nas frações obtidas da casca do caule de S. crassifolia, através de cromatografia em camada delgada (CCD), utilizando como fase móvel diclorometano:metanol (5%)para as frações SCCcM-H, SCCcM-D e SCCcM-A, e diclorometano:metanol (10%)para a fração SCCcM-W, e como revelador o reagente Dragendorff. 2.4 Linhagem de Células Tumorais As linhagens de células utilizadas no experimento foram cedidas pelo Instituto Nacional do Câncer (USA), correspondentes as seguintes células:melanoma (MDA-MB-435), cólon – humano (HCT-8) e sistema nervoso central (SF-295). 8 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 2.5 Preparação das Frações Vegetais e das Células para Teste de Citotoxicidade in vitro As frações SCCcM-H, SCCcM-D, SCCcM-A e SCCcM-W, foram diluídas em dimetilsulfóxido (DMSO) na concentração estoque de 5mg/mL. As células foram cultivadas em meio de RPMI 1640, suplementos com 10% de soro fetal bovino e 1% de antibióticos, mantidas em estufa a 37°C e atmosfera contendo 5% de CO2. 2.6 Ensaio da Citotoxicidade in vitro Os ensaios de Citotoxicidade foram realizados no Laboratório de Oncologia Experimental da Universidade Federal do Ceará com as frações de S. crassifolia. Os ensaios foram baseados em uma analise colorimétrica na conversão do sal 3-(4,5-dimetil-2-tiazol)-2,5-difenil-2-H-brometo de tetrazolium (MTT) em azul de formazam, a partir de enzimas mitocondriais presentes somente nas células metabolicamente ativas. Este método foi descrito primeiramente por Mosman (1983) e modificado por Alley (1996). As células foram plaqueadas na concentração de 0,1 x 10 6 céls./100μL, para células aderidas. As frações SCCcM-H, SCCcM-D, SCCcM-A e SCCcM-W utilizadas no teste foram acrescidas em concentrações de 5μg/mL, em dose única. Em seguida, foram incubadas por 72 horas em estufa a 5% de CO 2 a 37°C. Antes do término do período de incubação, as placas foram centrifugadas e o sobre nadante foi removido. Em seguida, foram adicionados 200μL da solução de MTT (sal de tetrazolium), e as placas foram incubadas por 3 horas. A absorbância foi lida após dissolução do precipitado com DMSO em espectrofotômetro de placa de 550nm. 2.7 Análise Estatística Nos experimentos de MTT, os resultados foram analisados segundo suas médias e respectivos desvios-padrão no programa Graph Pad Prism. Cada amostra foi analisada a partir de dois experimentos realizados em duplicata. As frações são 9 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 selecionadas de acordo com o percentual de inibição do crescimento tumoral maior que 90% nas linhagens de celulares utilizadas em MTT. 3 RESULTADO E DISCUSSÃO Alguns constituintes químicos são oriundos de metabólitos secundários, metabólitos os quais podem ser provenientes do reino vegetal. A família Celastraceae é apontada como fonte rica de triterpenos e alcalóides. No teste para verificação de alcalóides, com o reagente de Dragendorff, ficou evidenciado a presença destes constituintes químicos nas frações hexânica (SCCcM-H), acetato de etila (SCCcM-A) e hidroalcoólica (SCCcM-W) obtidos da casca do caule de S. crassifolia. Perante estes resultados, podem-se destacar os elevados níveis de citotoxicidade apresentados nas frações hexânica (SCCcM-H) e acetato de etila (SCCcM-A), podendo ser explicados por meio da presença destes metabólitos. As frações obtidas da casca do caule de S. crassifolia tiveram suas citotoxicidades testadas frente às linhagens MDA-MB-435 (melanoma), HCT-8 (cólon- humano) e SF-295 (sistema nervoso central) em concentração única de 5μg/mL. As atividades citotóxicas das frações SCCcM-H, SCCcM-D, SCCcM-A e SCCcM-W frente à linhagem MDA-MB-435 (melanoma) estão ilustradas no gráfico na Figura 3 com suas respectivas porcentagens de inibição celular e desvio padrão 10 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Figura 3: Percentual de citotoxicidade in vitro das frações frente à célula tumoral MDA-MB435. Fonte: OLIVEIRA, C. R.. UEG, 2008. Produção do próprio autor. As atividades citotóxicas das frações obtidas da casca do caule de S.crassifolia e que estão ilustradas no gráfico na Figura 7 destacam-se por seus percentuais de inibição do crescimento tumoral maior que 90% frente à célula MDAMB-435 (melanoma) utilizada em MTT. Com isso, a fração de SCCcMH(101,22%) demonstrou potencial citotóxico relevante, que corresponde a inibição no crescimento celular. As frações SCCcM-A (81,46%) e SCCcM-D (20,75%) não demonstraram potenciais citotóxicos relevantes, devido as considerações feitas anteriormente, consequentemente, a fração SCCcM-W (-3,23% de inibição) ao contrário, levou a proliferação celular. Já Figura 4 ilustra o percentual de citotoxicidade e desvio padrão dessas frações frente à linhagem HCT-8 (cólon humano). 11 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Figura 4: Percentual de citotoxicidade in vitro das frações frente à célula tumoral HCT-8. Fonte: OLIVEIRA, C. R.. UEG, 2008. Produção do próprio autor. As atividades citotóxicas das frações obtidas da casca do caule de S.crassifolia e que estão ilustradas no gráfico da Figura 4 destacam-se por seus percentuais de inibição do crescimento tumoral maior que 90% frente à célula HCT8(cólon - humano) em MTT. Com isso, as frações de SCCcM-H (95,45%) e SCCcMA(95,96%) demonstraram potenciais citotóxicos relevantes, que correspondem a inibição no crescimento celular. As frações de SCCcM-D (56,37%) e SCCcMW(3,85%) não demonstraram potenciais citotóxicos satisfatórios, devido às considerações feitas anteriormente. A Figura 5 ilustra o percentual de citotoxicidade e desvio padrão dessas frações frente à linhagem SF-295 (sistema nervoso central). 12 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 Figura 5: Percentual de citotoxicidade in vitro das frações frente à célula tumoral SF-295. Fonte: OLIVEIRA, C. R.. UEG, 2008. Produção do próprio autor A fração de SCCcM-H (95,54%) demonstrou potencial citotóxico relevante, que corresponde à inibição no crescimento celular. As frações de SCCcMA (75,95%), SCCcM-D (21,83%) e SCCcM-W (1,54%) não demonstraram potenciais citotóxicos relevantes, devido às considerações feitas anteriormente. Por meio dos testes de Citotoxicidade realizados in vitro, o qual faz parte de um screening inicial para determinar o possível potencial antitumoral, além dos registros dos conhecimentos da medicina do senso comum, observou-se resultados expressivos de atividade citotóxica para as frações hexânica (SCCcM-H) e acetato de etila (SCCcM-A) frente ao modelo utilizado. O valor que deve ser dado ao screening (triagem) de frações vegetais quanto às atividades biológicas, deve ser valorizado pelos pesquisadores de áreas como a Biologia, a Farmácia e Química, caracterizadas como Trabalhos Multidisciplinares como este. Estes trabalhos multidisciplinares possibilitam a escolha de melhores métodos a serem utilizados na busca de novos compostos com atividade biológica derivados de plantas, que em trabalhos póstumos possam promover o isolamento e a identificação química. 13 Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica e V Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 10 a 12 de novembro de 2010 4 CONCLUSÕES A partir dos resultados conseguidos pode-se concluir que: - As frações de SCCcM-H e SCCcM-A foram as que demonstraram ter maior atividade citotóxica frente ao modelo experimental utilizado; - As frações de SCCcM-H e SCCcM-A foram as que apresentaram atividade citotóxica superior a 90% frente à linhagem HCT-8 (cólon – humano) em concentração única de 5μg/mL; - A fração SCCcM-H foi a que apresentou atividade citotóxica superior a 90% frente às linhagens MDA-MB-435 (melanoma), HCT-8 (cólon humano) e SF-295 (sistema nervoso central) em concentração única de 5μg/mL; - A fração SCCcM-D não apresentou atividade citotóxica relevante frente às linhagens de celulares; - A fração SCCcM-W não apresentou atividade citotóxica frente às linhagens de celulares. Ao contrário, frente à linhagem MDA-MB-435 levou à proliferação celular. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, V. L.; LEITÃO, A.; REINA, L. C. B.; MONTANARI, C. A.; DONNICI, C. L.;LOPES, M. T. P.. Câncer e agentes antineoplásicos ciclo-celular específicos e ciclo-celular não específicos que interagem com o DNA: uma introdução. Química Nova. Belo Horizonte, MG. Vol. 28. N°. 01, p.118-129, 200 5. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Instituto Nacional do Câncer. (Online). Disponível em: http://www.inca.org.br/cancer. Acesso em 10 de Julho de 2009. FONSECA, A. P. N. D.; SILVA, G. D. F.; CARVALHO, J. J. C.; SALAZAR, G. D. C.M.; DUARTE, L. P.; SILVA, R. P.; JORGE, R. M.; TAGLIATI, C. A.; ZANI, C. L.;ALVES, T. M. A.; PERES, V.; VIEIRA FILHO, S. A.. Estudo fitoquímico do decocto das folhas de Maytenus truncata REISSEK e Avaliação das Atividades antinociceptiva, antiedematogênica e antiulcerogênica de extratos do Decocto. Química Nova. Belo Horizonte, MG. Vol. 30. N° 04. p. 842-847, 2 007. LIÃO, L. M.. 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