A ECONOMIA BRASILEIRA E O COMÉRCIO VAREJISTA
Análise, Desempenho e Projeções
2008 – 2009
SUMÁRIO
1. ECONOMIA BRASILEIRA: BALANÇO E PERSPECTIVAS ................................................. 3
1.1 ASPECTOS MACROECONÔMICOS - 2008...................................................................................... 3
1.1.1 Fatores positivos - 2008............................................................................................. 4
1.1.2 Fatores negativos - 2008 ........................................................................................... 5
2. ESTIMATIVAS 2009 - PRINCIPAIS INDICADORES ....................................................... 7
2.1 HIPÓTESES ECONÔMICAS........................................................................................................ 7
2.1.1 Projeções baseadas na hipótese provável.................................................................... 8
3. PESQUISA CONJUNTURAL DO COMÉRCIO VAREJISTA - PCCV ................................... 13
3.1 DESEMPENHO EM 2008 E PERSPECTIVAS .................................................................................. 13
3.2 TENDÊNCIA - NATAL 2008 ................................................................................................... 15
3.3 TENDÊNCIAS – COMÉRCIO 2009 ............................................................................................ 16
3.4 DESEMPENHO SETORIAL DO VAREJO - 2008 .............................................................................. 17
3.4.1 Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados ..................................................................... 17
3.4.2 Lojas de Material de Construção ............................................................................... 18
3.4.3 Concessionárias de Veículos ..................................................................................... 19
3.4.4 Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos............................................................ 19
3.4.5. Lojas de Móveis e Decorações ................................................................................. 20
3.4.6. Farmácias e Perfumarias ......................................................................................... 21
3.4.7 Supermercados ....................................................................................................... 22
3.4.8 Lojas de Departamentos .......................................................................................... 23
3.4.9 Lojas de Autopeças e Acessórios .............................................................................. 24
4. PESQUISA DE ENDIVIDAMENTO E INADIMPLÊNCIA DO CONSUMIDOR - PEIC ......... 26
5. ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR – ICC ....................................................... 29
6. ÍNDICE DE PREÇOS NO VAREJO – IPV ........................................................................ 31
7. PESQUISA DO CONJUNTURAL DO PEQUENO VAREJO - PCPV ..................................... 36
7.1 DESEMPENHO EM 2008 E PERSPECTIVAS .................................................................................. 36
7.2 DESEMPENHO SETORIAL DO PEQUENO VAREJO - 2008 ................................................................. 37
7.2.1 Lojas de Material de Construção ............................................................................... 37
7.2.2 Lojas de Móveis e Decorações .................................................................................. 37
7.2.3 Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados ..................................................................... 37
7.2.4 Farmácias e Perfumarias .......................................................................................... 38
7.2.5 Lojas de Eletroeletrônicos ........................................................................................ 38
7.2.6 Alimentos e Bebidas ................................................................................................ 38
7.2.7 Lojas de Autopeças ................................................................................................. 38
8. ÍNDICE DE SENTIMENTO DOS ESPECIALISTAS EM ECONOMIA - ISE ........................ 40
ANEXO I – NOTAS METODOLÓGICAS .............................................................................. 42
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1. ECONOMIA BRASILEIRA: BALANÇO E PERSPECTIVAS
1.1 Aspectos macroeconômicos - 2008
O Brasil atravessou um período de prosperidade sem precedentes na história
recente do país entre o final de 2004 e o ano de 2008. Crescimento sólido,
recuperação das contas externas, geração de reservas internacionais superiores a
US$ 200 bilhões, aumento de renda e empregos durante esses quase 5 anos. O
final de 2008, infelizmente, parece marcar o fim desse momento próspero. Resta
saber se o próximo ciclo econômico mundial, mais complicado sem dúvida, terá
uma duração muito prolongada e qual a profundidade das mudanças que estão
por ocorrer no ambiente de negócios, propensão a investir e a consumir, aqui e no
resto do mundo.
O bom desempenho de 2008 não chega a ser apagado pela crise internacional que
chegou de forma mais incisiva a partir do final de setembro início de outubro. O
ano deve terminar com uma taxa de desemprego baixa para os padrões
brasileiros, reservas internacionais ainda bastante elevadas, saldos comerciais
substanciais (e recordes de exportação), além de ter sido o segundo ano de forte
acréscimo no consumo das famílias, principalmente no tocante a automóveis e
imóveis. Crédito e renda real em crescimento foram os responsáveis por esse
desempenho bastante positivo, se o olhar for sobre o resultado agregado final de
2008. O problema está em fazer a análise marginal, quando se observa que a
tendência é desse desempenho murchar em 2009, fazendo com que o Brasil volte
a se incomodar com taxas de desemprego mais elevadas e um padrão de consumo
mais modesto no ano que vem.
O país se mostrou preparado para crescer mais de 5%, apesar das dúvidas quanto
à pressão inflacionária. Houve momentos no ano em que, por conta da elevação
dos preços de commodities, a inflação obrigou o BC a elevar juros. Todavia a
pressão de preços pouco teve a ver com gargalos produtivos ou excesso de
demanda não contemplada pela oferta. Foi uma inflação importada e por muitos
momentos a Fecomercio se pronunciou contrária à elevação de juros sob o
argumento de controle de inflação, dado que esta estava fora do alcance do BC
brasileiro. Ironicamente a crise que se abate sobre o mundo reduz os preços de
commodities, como, por exemplo, aço, café e petróleo. Essa não é uma boa
notícia, nem mesmo para a inflação, já que concomitante a isso o câmbio passou a
se desvalorizar após setembro.
A mudança de cenários internacionais é também uma variável extremamente
importante para que se possam traçar perspectivas sobre a economia em 2009.
Com a tendência de forte desaceleração nas maiores economias do mundo (EUA,
3
Europa e Japão), dificilmente o Brasil escapará de ter que fazer ajustes bastante
severos na sua política econômica. O mais provável é que a equipe econômica
esteja atenta a cada onda de alteração que surja exogenamente e prepare
medidas pontuais que possam reduzir os efeitos de contágio, atenuando os piores.
Adiante alguns comentários sobre os principais
macroeconômica, divididos por seu desempenho.
campos
de
análise
1.1.1 Fatores positivos - 2008
Comércio Internacional: Mesmo com todos os problemas externos do final do
ano e com a valorização cambial ocorrida desde o final de 2005 até setembro
desse ano, a Balança Comercial continuou superavitária, sendo que as exportações
atingem em 2008 US$ 200 bilhões, um recorde histórico. Evidentemente tal
desempenho se deveu aos preços elevados de commodities e do aquecimento
econômico percebido até o mês de setembro, quando rompe a crise internacional
de forma mais aguda. Todavia o resultado alcançado até aquele momento foi
suficiente para garantir um bom desempenho anual, que, infelizmente, não deve
se repetir em 2009. O Brasil, em 2008, voltou a aumentar sua pauta de
exportações e seu leque de clientes, o que garante ao país uma exposição menor
ao risco.
Equilíbrio Fiscal: O governo conseguiu em 2008, manter o superávit rimário em
patamares elevados. Evidentemente o fez de forma enviesada, com aumento da
arrecadação e não com ajustes de eficiência e cortes de gastos. Com o consumo
crescendo a taxas de 10% e com o aquecimento da produção, a arrecadação
atingiu patamares recordes nesse ano. De qualquer maneira a obtenção de um
superávit primário superior aos 4,25% estimados no início do ano é uma boa
notícia, que, agregada à redução de juros médios permitiu – principalmente até a
primeira metade do ano – reduzir a relação dívida/PIB. Dificilmente esse resultado
se repetirá em 2009, tanto por conta do ambiente econômico adverso quanto por
conta da armadilha preparada pelo governo que continuou a contratar aumento de
gastos futuros.
Controle Inflacionário: no início do ano ocorreram pressões inflacionárias por
causa do aumento dos preços de commodities internacionais. O Banco Central
reagiu interrompendo a trajetória de queda dos juros e passou a atuar com
apertos monetários. A Fecomercio se pronunciou, na ocasião, contrária a essa
estratégia, apontando que os apertos monetários do Brasil não seriam eficientes
para conter os preços internacionais. Todavia o Banco Central optou por um
excessivo conservadorismo naquele momento. A partir do final de agosto início de
setembro, os preços de commodities passaram a cair rapidamente, mas, por outro
lado, e exatamente por esse motivo, o real começou uma trajetória de
desvalorização desconhecida do país desde 2005. Esses efeitos opostos fazem com
4
que parte dos choques externos sejam amortizados por conta da flutuação
cambial. De qualquer forma, o IPCA deve terminar 2008 ao redor de 6,3%
(próximo ao teto da meta de inflação) e estima-se que em 2009 o BC mantenha os
preços bastante comportados, ainda que esteja diante de uma crise internacional
bastante severa.
1.1.2 Fatores negativos - 2008
Falta de reformas: Na ausência de uma política de reformas de base nos
âmbitos fiscal, previdenciário e burocrático, o Brasil ainda não se firmou como
candidato efetivo do bloco dos países desenvolvidos. No aspecto microeconômico
são necessárias reformas que revolucionem o ambiente de negócios, reduzam a
burocracia e elevem fortemente o grau de segurança jurídica. Do lado
macroeconômico, as reformas devem garantir a sustentabilidade das políticas fiscal
e monetária no longo prazo.
Aumento dos gastos do governo: Outro aspecto negativo bastante evidente
em 2008 foi a continuidade do aumento de gastos do governo. O governo apenas
manteve elevado superávit primário por conta do consumo e da atividade
econômica aquecida. Mesmo assim os resultados dessa verdadeira armadilha
tendem a se mostrar desastrosos no futuro próximo. Em um ambiente de
desaquecimento econômico, como provavelmente o país vai passar em 2009, o
governo não terá graus de liberdade para efetuar cortes de gastos por conta das
contratações extemporâneas que vem fazendo há pelo menos dois anos. Esse
continua a ser outro ponto crítico da economia nacional, uma vez que o controle
da dívida pública e seu equilíbrio de longo prazo se tornam comprometidos de
partida.
Valorização cambial exagerada: Com a entrada forte de reservas
internacionais pelo menos até meados de 2008, o país experimentou a taxa de
câmbio mais valorizada da história recente, em relação a todas as moedas fortes
do mundo. A queda do Risco Brasil, o excedente de liquidez internacional e a
elevada taxa de juros interna fizeram com que os capitais fluíssem para o país
permitindo essa forte valorização do Real. Como efeito colateral dessa valorização
do Real, houve um estímulo desproporcional à importação (que cresceu 45% neste
ano) e causou sérios problemas para a indústria nacional. Aparentemente, o
Banco Central não interpretou todos os sinais como um indicativo claro de que a
taxa de juros básica do país estava desalinhada com o cenário internacional. Ao
final do ano houve uma reversão do quadro, mas também iniciado o agravamento
da crise internacional que contaminou os humores dos agentes no Brasil,
principalmente no setor financeiro. O risco é que esse quadro seja exatamente o
inverso em 2009, com forte volatilidade da moeda, tendendo à desvalorização.
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PAC: Em 2007 o anúncio do PAC teve impactos positivos, pois atestava a
preocupação do setor público com aspectos críticos para o desenvolvimento
nacional. A ausência de sua execução ao longo de 2007 e 2008 mostrou que o PAC
de fato era apenas uma peça de propaganda, sem efeitos práticos. Vale ressaltar
que nesse momento em especial seria muito importante para o país que o governo
conseguisse mostrar capacidade de orquestrar com eficiência gastos públicos no
sentido dos investimentos. Mas essa não parece ser a aposta da maioria dos
analistas para 2009.
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2. ESTIMATIVAS 2009 - PRINCIPAIS INDICADORES
Tabela 1 – Estimativas 2009
2009
Variável
2008
Otimista
Provável
Pessimista
IPCA (% - estimativa)
6,50%
4,00%
5,50%
7,00%
Meta Taxa Selic (Final de Período)
13,75%
11,00%
13,00%
18,00%
Taxa de Câmbio (final de período)
R$ 2,30
R$ 1,90
R$ 2,40
R$ 3,00
Balança Comercial (US$ bi)
25
20
15
cinco
Conta Corrente (US$ bi)
-30
-25
-30
-40
Produção Industrial (% crescimento)
6,00%
5,00%
3,00%
0,00%
PIB (% crescimento)
5,20%
4,00%
3,00%
1,00%
Varejo SP
6,00%
2,00%
0,00%
-4,00%
Varejo Brasil (IBGE)
10,00%
6,00%
4,00%
2,00%
Fonte: Fecomercio, IBGE, Banco Central do Brasil
Elaboração: Fecomercio
2.1 Hipóteses econômicas
Hipótese otimista: (Probabilidade de 10% de ocorrência) - A crise com epicentro
no setor financeiro americano e europeu é rapidamente equacionada. Os pacotes
de ajuda do Tesouro americano serão suficientes para reequilibrar balanços do
setor financeiro e também para garantir a calma e tranqüilidade de consumidores,
credores e bancos. Os agentes econômicos recuperam rapidamente sua confiança
e a economia volta a ter relações comerciais normais. A ocorrência deste cenário
faria com que os efeitos da crise ficassem restritas ao final de 2008 e apenas ao
primeiro semestre de 2009, e com magnitude moderada e controlada.
Hipótese pessimista: (Probabilidade de 10% de ocorrência) - O pacote de
auxílio americano seria absolutamente irrelevante, o mercado financeiro entra em
pânico e as perdas no momento inicial geram ciclos de saques e vendas de ativos,
culminando com novas perdas. O Tesouro e o Federal Reserve, juntamente com
outros bancos centrais, não seriam capazes de reverter a percepção dos mercados
acerca de uma crise de proporções parecidas com 1929. A duração do período de
crise é mais longa, ultrapassando a barreira de 2009 e a magnitude intensa, sem
7
momentos de alívio. O processo se assemelha a uma depressão econômica com a
inevitável quebra de grandes empresas ícones da economia mundial.
Hipótese Provável: (Probabilidade de 80% de ocorrência) - A crise perdura ao
longo de 2009, porém com claros indícios de que os mercados caminham para o
equilíbrio e para a normalidade. A intensidade da crise seria elevada, porém com
momentos de alívio. Além disso, os ajustes feitos seriam severos mas insuficientes
para gerar uma quebra generalizada do setor bancário europeu e americano.
Certamente ocorrerão novas aquisições e fusões, porém o setor financeiro
consegue se sanear com base em pacotes pontuais de auxílio e com a constituição
de fundos de crédito hoje de pouca liquidez. Empresas de grande porte serão
auxiliadas por governos ao redor do mundo, e isso reduzirá a perda de empregos e
de confiança dos consumidores, restringindo os efeitos a um quadro sério, porém
não trágico em 2009.
2.1.1 Projeções baseadas na hipótese provável
Juro e Déficit Público – Já a partir do primeiro semestre de 2008 o governo
reverteu a trajetória de queda da Selic e passou a operar elevações de juros por
conta de pressões de preços. Essa reversão de comportamento fez com que as
projeções de queda dos custos da dívida pública se invertessem, causando certo
desconforto em muitos analistas, que não viam necessidade de aperto monetário.
Não obstante, o governo ainda conseguiu reduzir durante 2008 a dívida pública em
relação ao PIB principalmente por conta da arrecadação recorde e do crescimento
do PIB. Seria importante, todavia, que o governo tivesse aproveitado o bom
momento para gerar reservas estratégicas elevando o superávit primário para a
casa dos 6% e reduzindo as taxas de juros a patamares mais condizentes com a
situação do Brasil. Foi feito o contrário: elevou-se o gasto público e a taxa de
juros, comprometendo a queda da dívida e o equilíbrio de longo prazo. O que
garantiu a manutenção do bom desempenho foram os ventos favoráveis que
sopravam, mas que deveriam ter sido entendidos como uma oportunidade para
elevar a musculatura das contas públicas, mal comparando, como aproveitar o
tempo das vacas gordas para armazenar reservas para os dias de vacas magras.
Essa ausência de visão e de empenho nos melhores momentos é que tem sido a
pior inimiga do crescimento sustentável e de longo prazo no país, que continua a
depender de fatores exógenos e fortuitos. Talvez já em 2009 o país perceba que
seria muito bom ter uma relação de dívida/PIB menor, um colchão de reservas
públicas maiores e um equilíbrio fiscal de longo prazo e que fosse
significativamente robusto para atravessar momentos de perda de arrecadação se
eventual necessidade de pacotes de gastos do governo.
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Inflação - A trajetória da inflação medida pelo IPCA em 2008 está praticamente
pré-determinada devendo ficar próxima de 6,5% no teto do intervalo da meta préestabelecida. A reversão do cenário cambial nos últimos meses comprometeu
principalmente o comportamento dos preços livres, que registraram variação muito
superior aos administrados (6,3% contra 2,9% no acumulado do ano).
Dentro dos itens livres, os serviços acumularam variação de 5,5% em 2008,
correspondendo à elevação da renda e do emprego, que ocasionaram
aquecimento da demanda doméstica nos últimos dois anos. Os bens duráveis, que
vinham registrando deflações nos anos anteriores devido à apreciação do Real,
reverteram a trajetória de queda, apresentando alta de 1,1% nos últimos dez
meses. No entanto, o grupo ainda permanece com o melhor comportamento entre
os demais bens devido aos seus principais itens - veículos e eletroeletrônicos – que
variaram 0,7% e -7,4% no ano, respectivamente. Os bens semiduráveis obtiveram
aceleração, passando de 2,5% nos primeiros dez meses de 2007 para 5,2% no
mesmo período de 2008. Dentre o grupo, destaque para roupa feminina e
calçados, que apresentaram variações 7,9% e 5,5%, respectivamente.
Já os bens não-duráveis continuaram a apresentar aceleração significativa em
2008, obtendo alta de 9,3% no acumulado de janeiro a outubro. A expressiva
queda das cotações das commodities no segundo semestre devido ao
agravamento da crise financeira internacional não impediu que o grupo
apresentasse a maior variação na composição dos índices de preços, com destaque
para alimentos que acumulam alta de 10% no ano. No entanto, nos últimos três
meses já se verificou uma reversão da aceleração de não-duráveis, com melhores
resultados mensais do grupo, reflexo principalmente das quedas acentuadas dos
preços agrícolas.
Tabela 2 - Índice de preços ao consumidor amplo (IPCA)
JAN-OUT
IPCA
Livres
Administrados
Duráveis
Não-Duráveis
Semi-Duráveis
Serviços
2007
2008
3,30
4,26
1,20
-0,05
6,50
2,49
4,28
5,2 3
6,2 8
2,8 8
1,0 9
9,2 5
5,1 8
5,4 5
Fonte: IBGE
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Para 2009, a variável chave para o cenário inflacionário é a evolução da taxa de
câmbio. O ponto a ser destacado é o risco inflacionário que a taxa de câmbio
impõe em momentos de falta de liquidez e aversão a risco. O impacto positivo
queda na cotação das commodities internacionais sobre a inflação foi reduzida pelo
impacto negativo que impõe a desvalorização do câmbio.
Espera-se uma maior aceleração dos preços administrados no próximo ano devido
à inércia que o índice sofre. Logo a evolução dos preços livres altamente
dependentes da demanda determinarão o desdobramento do processo
inflacionário em 2009.
Hoje, as expectativas são do que o BC tentará atingir a meta central de 4,5%.
Entretanto, a desvalorização realizada impõe uma dificuldade maior à convergência
da inflação para a meta em 2009, objetivo que não será possível em 2008.
Contudo, há muitas incertezas em relação ao desaquecimento da atividade
econômica que poderá atenuar as pressões inflacionárias ao longo do ano e impor
novas condições com os quais o Banco Central terá que lidar, fazendo escolhas
muito mais complexas do que nos últimos três anos.
Crédito - Em 2008, a relação entre o crédito concedido pelo sistema financeiro
nacional e o Produto Interno Bruto superou os 40%. Parcialmente esse resultado
não decorreu de novos empréstimos, mas sim de trocas havidas entre as linhas de
financiamento disponibilizadas como, por exemplo, deixou de lado o crédito
pessoal em favor do crédito consignado.
Quanto à situação em 2009, os efeitos da crise financeira global captados no
Brasil, e mais significativos a partir do último trimestre de 2008, continuarão a se
refletir. Isto acontecerá de forma mais intensa nos primeiros meses do próximo
ano, acarretando desaceleração no ritmo de concessões de crédito, tanto para os
consumidores quanto para as empresas.
Para as pessoas físicas, os financiamentos bancários prosseguirão restritivos. Os
emprestadores levarão em conta o grau de endividamento das mesmas e o
comportamento da renda em função do menor crescimento da massa salarial. Esta
estará influenciada pela menor demanda por trabalho qualificado e pela
possibilidade latente do final do ciclo da queda de desemprego. Neste quadro,
estarão pesando, igualmente, as perdas nos ganhos desses consumidores nas
aplicações no mercado de capitais e em fundos de investimento.
Na área empresarial, a obtenção de crédito junto ao sistema financeiro será mais
onerosa e também rigorosa explicada pela queda na taxa de investimentos.
Relativamente ao parcelamento nas vendas, os produtos de maior valor agregado
serão os mais afetados.
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Seja como for, as intervenções governamentais por meio da redução dos
patamares dos depósitos compulsórios certamente adicionarão liquidez ao
mercado interbancário. Entretanto, os efeitos sobre as concessões de crédito não
serão automáticos. As expectativas contemplam expansão dos financiamentos para
as pessoas físicas e para as pessoas jurídicas em níveis inferiores aos que
aconteceram neste ano de 2008.
Da mesma forma, certamente as autoridades econômico-financeiras iniciarão um
processo de flexibilização da política monetária centrado na redução da Selic, mas
cujo efeito sobre as taxas de juros a serem praticadas, ao contrário do que se
desejaria, não será muito significativo com a permanência delas em níveis
inadequados ao processo de recuperação da economia nacional. Os prazos dos
financiamentos continuarão se retraindo.
Dentro deste contexto, válido particularmente para o primeiro semestre de 2009,
ocorrerá aumento da taxa de inadimplência, fator que as empresas e o sistema
financeiro estarão certamente levando em conta nos negócios a serem praticados.
Setor Externo – Em 2008, apesar da apreciação cambial do início do ano e da
queda dos preços das commodities da segunda metade do ano, o Brasil vai
apresentar exportações recordes, que são responsáveis pela manutenção do saldo
comercial superavitário. As exportações devem fechar 2009 ao redor de US$ 200
bilhões – crescimento de 25% em relação a 2007. Enquanto isso, as importações
subiram 45%, atingindo US$ 175 bilhões, o que totaliza um saldo esperado de US$
25 bilhões.
Outra boa notícia do setor externo também provém da balança comercial: além do
saldo positivo mesmo em momentos um pouco mais complicados, a pauta de
exportações continuou a evoluir e o leque de clientes do Brasil também se elevou.
Isso reduz sobremaneira o risco de concentração, como ocorre com a economia
mexicana, por exemplo, que depende totalmente do desempenho da economia
americana. Hoje o Brasil é um país multilateral de fato no comércio internacional.
No tocante às outras contas, o Brasil conseguiu acumular reservas que ainda
chegarão ao final de 2008 no patamar próximo a US$ 200 bilhões, apesar da
necessidade de venda de dólares a partir de outubro para fazer frente aos
exageros do mercado financeiro em dias de crise aguda. Mas em termos de
transações correntes e outras contas o ano não foi tão positivo. As contas
correntes devem fechar 2008 no vermelho, com déficit de US$ 25 bilhões e podem
atingir déficit superior a US$ 35 bilhões em 2009. Os investimentos diretos
mostraram queda na margem no final do ano e as perspectivas de curto prazo não
são animadoras dada a crise de liquidez internacional. É exatamente por conta
dessa saída de dólares e de outras moedas que o Real passou de super valorizado
para um período de ajustes de desvalorização.
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Em 2009, o quadro não parece muito positivo, pois a contaminação da crise se
dará principalmente sob o balanço de pagamentos. A balança comercial poderá
apresentar superávit muito menor e o déficit nas transações correntes, por outro
lado, aumentará. É exatamente esse tipo de visão que faz com que os agentes se
antecipem e provoquem corridas para adquirir dólares, pressionando a cotação. A
restrição de liquidez e o encolhimento do comércio internacional e dos preços de
commodities devem pressionar de forma bastante negativa a economia brasileira,
sendo o principal canal de contágio da nossa economia.
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3. PESQUISA CONJUNTURAL DO COMÉRCIO VAREJISTA - PCCV
3.1 Desempenho em 2008 e perspectivas
O ano de 2008 começou sob a ameaça e apreensão quanto a magnitude da crise
imobiliária americana e, para o varejo, com a indefinição sobre uma questão
central: se a crise traria ou não reflexos sobre a economia brasileira e,
especificamente, sobre o nível do consumo interno.
Com os primeiros resultados das vendas apurados, o comércio iniciou o ano com
vigor além das expectativas, registrando índices expressivos e consecutivos de
aumento de vendas, encerrando o primeiro semestre com uma taxa média mensal
de crescimento ao redor de 6,5%. Essas taxas foram consideradas ainda mais
impressionantes considerando que foram obtidas sobre uma base já aquecida de
vendas, que foi o primeiro semestre de 2007.
Graças a continuidade desses bons números do varejo, havia quem considerasse
que a crise passaria pelo Brasil sem gerar grandes mudanças sobre esse cenário
positivo, e as vendas até o final do terceiro trimestre ainda exibiam números de
expansão surpreendentes - o varejo até setembro 2008 mostrou um padrão
bastante vigoroso, estimuladas pela oferta de crédito e pela recuperação na renda
e no emprego - contrastando com os indicadores preocupantes do quadro
internacional.
Essa crise internacional ganhava contornos cada vez mais graves, com quebras e
falências de grandes instituições financeiras, anúncios de prejuízos de importantes
empresas, demissões e redução drástica da liquidez internacional. As ações
emergenciais dos bancos centrais dos países industrializados davam a noção da
proporção da crise e da apreensão mundial.
Os dados de vendas do varejo de outubro, no entanto, mudaram repentinamente
esse panorama e podem ser indício de uma reversão de ciclo: o faturamento real
caiu 6,8% ante o mesmo mês de 2007, reduzindo o crescimento acumulado no de
5,4% até setembro para 4% nesses 10 meses de 2008. Esse resultado negativo
interrompeu uma série de 30 meses de índice de crescimento sucessivos.
Na base dessa retração encontra-se a queda aguda no segmento das
Concessionárias de Veículos em outubro, quando registrou um movimento 17,9%
menor do que no mesmo período do ano passado. Pela característica do setor, a
causa provável de tal retração foi a repentina interrupção do crédito para veículos,
principalmente usados de baixo valor, o que não permite extrapolar tal fenômeno
como tendência geral para as demais áreas do varejo, pelo menos para o curto
prazo.
13
O mais provável é que, nos próximos meses, tenhamos a continuidade de quedas
em segmentos isolados, principalmente nas Concessionárias, que tendem, pelo seu
peso relativo no total do comércio a impactar negativamente o resultado geral,
mas ao lado da continuidade do bom desempenho de outros setores, como o de
vestuário
Mesmo porque, ao contrário do ano passado, onde o crédito foi o protagonista do
crescimento das vendas, neste ano a recuperação na renda tem sido a causa
primária para o ciclo positivo do consumo, muito embora o crédito para PF ainda
tenha crescido de forma significativa, pelo menos até outubro. No entanto, na
RMSP, até outubro, a massa de rendimento real foi 7% maior do que no mesmo
período do ano passado. Em termos de volume financeiro, trata-se de um fator
expressivo de sustentação ao consumo das famílias.
PESQUISA CONJUNTURAL DO COMÉRCIO VAREJISTA NA RMSP
FATURAMENTO REAL (*)
GRUPO/ATIVIDADE
COMÉRCIO GERAL
out/2008
set/2008
outubro de 2008
out/2008 Acumulado
out/2007
no ano
-5,8%
-6,8%
4,0%
Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados
-4,7%
4,3%
21,9%
Lojas de Material de Construção
-8,2%
12,6%
15,6%
-25,3%
-17,9%
14,5%
Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos
3,5%
3,3%
11,5%
Lojas de Móveis e Decorações
-2,8%
3,1%
10,0%
Farmácias e Perfumarias
0,7%
10,7%
4,9%
Supermercados
4,8%
-10,3%
-3,4%
Lojas de Departamentos
8,6%
-8,8%
-12,2%
6,8%
-21,1%
-27,8%
Concessionárias de Veículos
Lojas de Autopeças e Acessórios
Fonte: FECOMERCIO
14
PCCV - Faturamento Real (variações mesmo mês ano anterior)
COMERCIO VAREJISTA RMSP - 2008
12%
10,5%
9,5%
10%
8%
6,1%
6,0%
6%
5,2%
4,7%
3,1% 2,6%
4%
2,1%
2%
0%
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
o ut
no v
-2%
dez
-0,6%
-2,7%
-4%
-6%
-8%
-6,8%
3.2 Tendência - Natal 2008
A tendência para este final de ano é que o crédito fique menos acessível, mais
caro e com prazos menores, mas será compensado por esse aumento da massa de
salários. Um aspecto deve compensar o outro - basta considerar que, com
aumento de 7% no volume de rendimentos, o 13º salário tende a crescer em
proporção muito próxima a isso, comparativamente ao ano passado.
A restrição ao crédito, certamente em menor volume e mais seletivo, deverá afetar
com maior ênfase o consumidor de baixa renda, devendo permanecer menos
restrito para o segmento de bens duráveis de alto valor unitário (eletroeletrônicos
e eletrodomésticos). Mesmo que ocorra uma pequena redução nos prazos e
elevação moderada nos preços desses produtos, em função do câmbio, esse setor
ainda assim tende a registrar crescimento em dezembro.
A oferta de importados deve ser menor neste final de ano,em especial de produtos
ligados ao Natal (frutas seca, bacalhau, etc.) , mas seu consumo tende a ser
substituído por artigos nacionais, ou seja, sem maiores efeitos sobre o volume
global de vendas.
Considerando tais aspectos, a tendência é que as vendas reais em dezembro deste
ano fiquem muito próximo daquele registrado em 2007, talvez com uma pequena
queda ante o Natal do ano passado, e tendendo a registrar índices bastante
distintos entre as atividades que compõem o varejo.
15
PREVISÃO DEZEMBRO 2008 - FATURAMENTO REAL
Atividade / Grupo
DEZ 2008/
NOV 2008
DEZ 2008/
DEZ 2007
ANO 2008
Comércio Geral
34%
-1%
3%
- Lojas de Departamentos
49%
5%
-10%
- Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos
48%
9%
10%
- Lojas de Móveis e Decorações
7%
-1%
8%
- Lojas de Vestuário, Tecidos e Calcados
93%
17%
20%
- Supermercados
34%
-3%
-4%
- Farmácias e Perfumarias
13%
16%
7%
- Concessionárias de Veículos
0%
-11%
10%
- Lojas de Autopeças e Acessórios
4%
-16%
-25%
- Lojas de Materiais de Construção
-2%
9%
15%
Fonte: FECOMERCIO SP
3.3 Tendências – Comércio 2009
(Utilizando-se as premissas das hipóteses descritas anteriormente)
Hipótese otimista: (Probabilidade de 10% de ocorrência) – Na hipótese otimista,
a crise com epicentro no setor financeiro americano e europeu é rapidamente
equacionada. Os pacotes de ajuda do Tesouro americano serão suficientes para
reequilibrar balanços do setor financeiro e também para garantir a calma e
tranqüilidade de consumidores, credores e bancos. Os agentes econômicos
recuperam rapidamente sua confiança e a economia volta a ter relações comerciais
normais. A ocorrência deste cenário faria com que os efeitos da crise ficassem
restritas ao final de 2008 e apenas ao primeiro semestre de 2009, e com
magnitude moderada e controlada.
Hipótese pessimista: (Probabilidade de 10% de ocorrência) – Nesta hipótese, o
pacote de auxílio americano seria absolutamente irrelevante, o mercado financeiro
entra em pânico e as perdas no momento inicial geram ciclos de saques e vendas
de ativos, culminando com novas perdas. O Tesouro e o Federal Reserve,
juntamente com outros bancos centrais, não seriam capazes de reverter a
percepção dos mercados acerca de uma crise de proporções parecidas com 1929.
A duração do período de crise é mais longa, ultrapassando a barreira de 2009 e a
magnitude intensa, sem momentos de alívio. O processo se assemelha a uma
depressão econômica com a inevitável quebra de grandes empresas ícones da
economia mundial.
Hipótese provável: (Probabilidade de 80% de ocorrência) – Aqui, a crise perdura
ao longo de 2009, porém com claros indícios de que os mercados caminham para
o equilíbrio e para a normalidade. A intensidade da crise seria elevada, porém com
momentos de alívio. Além disso, os ajustes feitos seriam severos mas insuficientes
para gerar uma quebra generalizada do setor bancário europeu e americano.
16
Certamente ocorrerão novas aquisições e fusões, porém o setor financeiro
consegue se sanear com base em pacotes pontuais de auxílio e com a constituição
de fundos de crédito hoje de pouca liquidez. Empresas de grande porte serão
auxiliadas por governos ao redor do mundo, e isso reduzirá a perda de empregos e
de confiança dos consumidores, restringindo os efeitos a um quadro sério, porém
não trágico em 2009.
Considerando-se essas hipóteses, é possível estimar-se as seguintes taxas de
desempenho de vendas reais para o comércio em 2009 na Região Metropolitana
de São Paulo.
P C C V - R EG I Ã O M E T R O P O L I T A N A D E S Ã O P A U L O
C EN Á R I O S
GR UPO S
P e s si m i s ta
O t i m i st a
P r o v áv el
B e n s D u r á v e is
-5%
0%
-2%
B e n s Se m id u r á v e is
-2%
6%
4%
B e n s N ã o D u r á v e is
-4%
2%
0%
T o ta l d o V a r e j o R M S P
-4%
2%
0%
F o nte : F EC O M E R C I O
3.4 Desempenho setorial do varejo - 2008
3.4.1 Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados
A atividade de Vestuário, Tecidos e Calçados, há mais de dois anos registra
variações positivas em seu faturamento real, mantendo a tendência percebida nos
dois últimos anos. Em 2008, é a atividade com o melhor desempenho acumulado
até outubro.
Apenas
no
primeiro
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
LOJAS DE VESTUÁRIO, TECIDOS E CALÇADOS - 2008
semestre do ano o setor
acumulou
25,2%
de
30%
elevação na comparação
25%
com
o mesmo período de
22%
20%
2007, mesmo sendo a base
20%
de comparação elevada. À
15%
época o cenário favorecia a
10%
manutenção dos preços
4%
5%
3%
baixos em virtude da
0%
desvalorização do dólar
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Lojas de Vestuário, Tecidos e Calcados
Comércio Geral
frente ao real e contava
com crédito bastante facilitado. Além disso, o período conta com a comemoração
17
de duas datas que costumam alavancar as vendas destes bens, o Dia das Mães e o
Dia dos Namorados. As variações mais relevantes no primeiro semestre do ano
ocorreram nos meses de abril (30,6%), maio (27,9%) e junho (30,7%).
No segundo semestre o faturamento real do setor mostrou sinais de arrefecimento
provocado pelos preços mais elevados da coleção primavera-verão, somado à
valorização do dólar, iniciada em meados de setembro. Parte das mercadorias do
setor é composta por produtos importados, que flutuam de acordo com as
valorizações da moeda norte-americana. Em outubro o faturamento real da
atividade passou de 29,9% em setembro para 4,3% em outubro. Nos primeiros 10
meses do ano a atividade acumula 21,9% de alta, a maior taxa dentre todos os
grupos pesquisados pela PCCV.
Com a injeção do décimo terceiro na renda dos consumidores, há expectativa de
um leve aquecimento nas vendas do setor nas comparações interanuais de
novembro e dezembro. Projeta-se para o último mês do ano um crescimento de
17%, na comparação com o ano passado. O segmento deve finalizar 2008 com
crescimento acumulado de 20%.
3.4.2 Lojas de Material de Construção
As Lojas de Material de Construção registraram, no acumulado no ano até
outubro, alta de 15,6% no faturamento real em relação ao mesmo período de
2007. Essa é a segunda maior alta da pesquisa, ficando atrás somente das Lojas
de Vestuário, Tecidos e Calçados. No comparativo com o mesmo mês do ano
passado, o faturamento real do grupo registra elevação de 12,6%.
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
Apesar das expectativas
negativas em relação à crise
25%
financeira internacional e os
impactos
sobre a economia
20%
brasileira, o desempenho do
16%
15%
15%
setor
continua
sendo
favorecido
pelo
crescimento
10%
da massa real de salários e
pela oferta de crédito,
5%
principalmente o destinado
0%
a habitação. Dados do
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
Lojas de Materiais de Construção
Comércio Geral
Banco Central referentes ao
mês de outubro apontam
para um crescimento de 36% no saldo total de financiamento imobiliário em
relação ao mesmo período do ano passado.
LOJAS DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO - 2008
18
Os preços dos materiais de construção, por sua vez, segundo o Índice de Preços
no Varejo (IPV) da Fecomercio, registraram alta de 20,45% no acumulado no ano
até novembro. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, os preços
registraram alta de 21,55%. Tal alta nos preços pode ser explicada pela inflação
de demanda devido ao excesso de consumo em relação à oferta disponível.
Num cenário otimista, o setor tende a continuar em expansão até o final do ano. A
estimativa da Fecomercio é que o setor registre um crescimento anual em torno de
15% no faturamento real em 2008, alta significativa, considerando que no ano
passado o crescimento foi de 16%.
3.4.3 Concessionárias de Veículos
Depois de apresentar, ao longo dos nove meses de 2008 recordes históricos de
produção e vendas, amparados pela fartura de crédito, mas acessível e barato,
além do aumento da renda e do emprego no Brasil, o setor de veículos a partir de
outubro passou a mostrar sinais de forte retração: as Concessionárias de
Veículos em outubro registraram um movimento 17,9% menor do que no mesmo
período do ano passado, interrompendo uma série de 25 meses de crescimento
consecutivos.
A causa mais provável dessa
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
abrupta
queda
de
CONCESSIONÁRIAS DE VEÍCULOS - 2008
movimento foi a interrupção
do crédito para veículos,
20%
principalmente usados de
18%
16%
baixo valor, gerando um
14%
14%
efeito em cadeia até atingir
12%
10%
rapidamente a esfera de
10%
8%
carros novos.
6%
4%
4%
Dados
disponíveis
de
0%
produção
indicam
nova
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
queda
em
novembro,
que
Concessionárias de Veículos
Comércio Geral
deverá se repetir em
dezembro e impactar diretamente o faturamento agregado do varejo.
Mesmo assim, graças os excepcional desempenho conseguido até setembro, o
setor deverá encerrar o ano de 2008 com crescimento bastante significativo, ao
redor de 10% ante 2007, que já havia sido um ótimo período de vendas para as
Concessionárias.
2%
3%
3.4.4 Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos
Os primeiros sinais dos efeitos da crise internacional sobre o comportamento do
consumidor apareceram apenas em outubro, modificando totalmente o panorama
19
do ano de 2008. As Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos é
fortemente influenciado pela confiança do consumidor e pela disponibilidade de
crédito. Ao longo dos primeiros nove meses do ano o segmento cresceu a taxas
de dois dígitos, pouco superiores a 10%.
Até outubro, o segmento
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
havia incrementado seu
LOJAS DE ELETRODOMÉSTICOS - 2008
faturamento
real
em
11,5%, sendo que no mês
30%
de
outubro o crescimento
25%
em foi de 3,3%, ambas
20%
comparações são relativas
15%
ao mesmo período do ano
12%
10%
passado. A tendência para o
10%
4%
5%
final de 2008 e início de
3%
2009 é ainda de um
0%
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
mercado bastante restrito,
Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos
Comércio Geral
com o consumidor ainda
pouco confortável com relação ao desempenho da economia e, portanto, do
mercado de trabalho. Também é fato que o mercado de crédito está e estará mais
conservador no final deste ano e provavelmente em todo primeiro semestre de
2009. Todavia é bom ressaltar que a queda nas taxas de crescimento das vendas
se devem muito mais a uma decisão unilateral dos consumidores em fazer uma
parada técnica para entender os possíveis efeitos da crise do que a uma efetiva
falta de recursos advindos da massa de salários ou de crediários (que ainda
apresentaram crescimento em outubro). A perspectiva de crescimento do
faturamento real do setor é de 10% em 2008.
Em 2009 as condições para o segmento não parecem ser as ideais. Provavelmente
no início do ano ainda existirão muitas dúvidas sobre o desempenho geral da
economia (portanto do emprego e renda) fazendo com que o consumo seja
postergado quando possível, principalmente em se tratando de consumo baseado
em endividamento. No decorrer de 2009 poder-se-á avaliar melhor os efeitos da
crise, de forma mais precisa, sobre as vendas no segmento.
3.4.5. Lojas de Móveis e Decorações
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
LOJAS DE MÓVEIS E DECORAÇÕES - 2008
14%
12%
10%
10%
8%
8%
6%
4%
4%
3%
Como outros segmentos do
varejo as Lojas de Móveis
de
Decorações
percorreram um caminho
bastante positivo ao longo
de
todo ano, apenas
começando a se deparar
2%
0%
jan
fev
mar
abr
mai
jun
Lojas de Móveis e Decorações
jul
ago
set
out
nov
dez
Comércio Geral
20
com restrições mais severas no último trimestre do ano.
As taxas de crescimento de vendas reais em 2008 devem terminar o ano ao redor
de 8%, sendo que até outubro o segmento acumulava alta de 10,7% no
faturamento real. No mês de outubro, especificamente, as vendas cresceram a
taxas bem mais modestas: 3,1%. Certamente esse resultado pode ser creditado
como o primeiro sintoma dos efeitos internos da crise internacional de liquidez e
confiança.
Esse segmento também reflete, em suas vendas, bastante bem o comportamento
de um consumidor que esteve bastante otimista ao longo de quase todo ano, mas
que por conta do cenário recente se tornou menos otimista com relação ao futuro.
O fator mais importante na decisão de compra de um bem de elevado valor
agregado e que envolve muito provavelmente o comprometimento de renda futura
é a confiança do consumidor.
A partir do final de setembro início de outubro, a contaminação de nossa economia
com os maus presságios do setor externo se mostrou mais intensa. Contaminação
que se tornou bastante evidente no mercado financeiro e menos perceptiva no
lado real da economia. Os consumidores, então, parecem ter revisto suas
prioridades em favor de contenção de gastos, pelo menos até que o cenário se
torne mais claro. A previsão de crescimento para o faturamento real do setor, em
2008, é de 8%.
Para o ano de 2009, a tendência é a inversa do que foi vista em 2008. Espera-se
um início bastante complexo, talvez com redução do faturamento real, mas, ao
longo do ano, a depender do grau de agravamento da crise e dos efeitos
difundidos no Brasil, a tendência é o segmento ir normalizando seu ritmo de
atividade a partir do segundo semestre.
3.4.6. Farmácias e Perfumarias
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
FARMÁCIAS E PERFUMARIAS - 2008
9%
8%
7%
7%
6%
5%
5%
4%
4%
3%
3%
2%
1%
0%
jan
fev
mar
abr
mai
Farmácias e Perfumarias
jun
jul
ago
set
out
nov
Comércio Geral
dez
Em outubro, o setor de
Farmácias e Perfumarias
registrou
expansão
de
10,7% no faturamento real
em relação ao mesmo mês
do ano anterior. De janeiro
a outubro a variação
acumulada aponta para
uma alta de 4,9% em
relação ao mesmo período
do ano anterior.
O movimento positivo do
21
setor vigorou ao longo de 2008, com exceção dos meses de março (-1,1%) e
junho (-0,3%), principalmente a partir do segundo semestre, e pode ser
justificado, principalmente, pela forte expansão da oferta de crédito e pela
disponibilidade de um novo mix de produtos (medicamentos e perfumaria) nas
lojas.
Outro fator que merece ser destacado é o crescimento do consumo de
medicamentos genéricos em detrimento dos medicamentos tradicionais,
principalmente, entre a população de menor poder aquisitivo, colaborando, desta
forma, para o aumento das vendas e conseqüentemente do faturamento desta
atividade.
O Índice de Preços no Varejo (IPV) da Fecomercio, por sua vez, registrou alta de
6,31% em novembro comparativamente ao mesmo mês do ano anterior,
acumulando no ano uma elevação de 6,28%.
Mantendo-se o cenário atual, a expectativa é de que o setor encerre o ano com
resultado positivo de 7% em relação ao ano anterior, resultado esse que pode ser
considerado bom, dada a base de comparação. Em 2007, o setor encerrou em alta
de 7,9%.
3.4.7 Supermercados
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
SUPERMERCADOS - 2008
10%
8%
6%
4%
4%
3%
2%
0%
-2%
-4%
-3%
-4%
-6%
jan
fev
mar abr
mai
Supermercados
jun
jul
ago
set
out
nov
Comércio Geral
O
setor
de
Supermercados na Região
Metropolitana de São Paulo,
setor que tradicionalmente
apresenta
melhor
desempenho de vendas no
segundo semestre do ano,
apresentou ao longo de
2008
dois
momentos
distintos em comparação ao
mesmo período de 2007.
dez
No primeiro trimestre o
desempenho foi positivo,
registrando crescimento de vendas de 8,3%, em relação ao mesmo período de
2007. O pico de vendas ocorreu em março, com crescimento de 14,1% em relação
a março do ano anterior, resultado explicado pela Páscoa, data responsável pelo
segundo melhor movimento do setor supermercadista.
Entretanto, a partir de abril, inclusive, o setor passou a colher resultados
desfavoráveis em relação aos registrados nos respectivos meses de 2007. No
22
acumulado do primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de
2007, apesar da queda de 9,1% registrada em junho, o faturamento real marcou
aumento de 1,2%.
No segundo semestre, contudo, apesar da redução da taxa de desemprego, que
atingiu o menor índice do ano (7,7%) na RMSP e da melhora da renda do
trabalhador, as vendas do setor supermercadista foram negativas, em relação ao
mesmo período do ano passado. As vendas acumuladas, até outubro,
apresentaram queda de 3,4%.
O arrefecimento do setor supermercadista, a partir de abril, pode ser atribuído a
alguns fatores: ao aumento de preços, principalmente sobre os produtos
alimentícios; ao efeito substituição - o consumidor optando por produtos de preços
mais baixos em detrimento daqueles de maior valor e incompatíveis com o seu
orçamento; e, ainda, à perda do poder de compra, decorrência sobretudo do
comprometimento da renda líquida, pelo crediário.
Além disso, analisando-se a série histórica do setor, observa-se que a base de
comparação do segundo semestre de 2007 é bastante elevada, principalmente
para os meses do último quadrimestre do ano, que contribuíram para o resultado
negativo de 2008. Num cenário otimista, o setor deverá fechar o ano com queda
de 4% no faturamento real ante o resultado apurado em 2007.
3.4.8 Lojas de Departamentos
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
LOJAS DE DEPARTAMENTOS - 2008
10 %
4%
5%
3%
0%
-5%
- 10 %
- 10%
- 12%
- 15 %
ja n
f ev
m ar
a br
m ai
jun
jul
Lojas de Departamentos
a go
se t
o ut
no v
dez
O faturamento real das
Lojas de Departamentos
finaliza o ano de 2008 com
resultados
poucos
satisfatórios em relação aos
anos anteriores. A atividade
finalizou o ano de 2007 com
alta de 1,4% e ingressou
em uma trajetória negativa
no ano passado, sendo esta
agravada
a
partir
de
outubro do referido ano.
Comércio Geral
Somente no primeiro semestre deste ano, influenciado pela base de comparação
mais robusta em 2007 (crescimento médio de 7,4% no primeiro semestre de
2007), o setor amargou taxas de crescimento médias de cerca de -13,6%. Em abril
a série histórica acusou a maior queda em seu faturamento real desde agosto de
2005: -17,8% (agosto/05: -19,6%).
23
Nos meses subseqüentes as taxas vistas continuaram sinalizando sinais de
desaceleração e em outubro de 2008 o segmento mostrou queda de 8,8% em seu
faturamento real. A partir de então o segmento experimentou quedas sucessivas e
expressivas, acumulando no período compreendido entre janeiro a outubro queda
de 12,2%.
Um fator que prejudica o desempenho do segmento é a concorrência entre as
lojas de Departamento e outros estabelecimentos que comercializam a mesma
gama de produtos a condições de pagamento facilitadas através de cartões de
marca própria, atendendo principalmente um público de menor poder aquisitivo.
Para os próximos meses há expectativa de que o segmento mantenha sua
tendência negativa, com as vendas levemente aquecidas em dezembro, graças às
vendas de Natal e da injeção do décimo terceiro salário na renda dos
consumidores. Em dezembro, projeta-se uma expansão de 5% no faturamento
real do setor em relação a dezembro de 2007 e, o segmento deve encerrar o ano
com variação acumulada de -10%.
3.4.9 Lojas de Autopeças e Acessórios
PCCV - Faturamento Real (variações acumuladas no ano)
LOJAS DE AUTOPEÇAS E ACESSÓRIOS - 2008
15%
10%
4%
5%
3%
0%
-5%
jan
fev
mar
abr
mai
jun
jul
ago
set
out
nov
dez
-10%
-15%
-20%
-25%
-25%
-30%
-28%
-35%
Lojas de Autopeças e Acessórios
Já há mais de dois anos, as
Lojas de Autopeças e
Acessórios
vêm
registrando
os
piores
desempenhos do varejo.
Após uma queda de 21,2%
em 2007, este segmento
varejista já apresenta em
2008, no acumulado até
outubro, uma redução de
27,8% no seu faturamento
real.
Comércio Geral
Independente das razões
conjunturais – queda real de preços dos produtos importados da China, forte
aumento da frota de veículos novos, dentre outros - esse comportamento de
quedas sistemáticas parece apontar para uma mudança estrutural desse mercado:
há indícios de que tanto consumidores quanto aplicadores (oficinas) tem buscado
adquirir os produtos diretamente dos distribuidores, e as Concessionárias
passaram a ter maior demanda também pelos serviços e fornecimento de
autopeças e acessórios, valendo-se do forte aumento de clientes ocorrido nos
últimos anos.
24
Se o setor, ao longo desses três anos de aquecimento generalizado de vendas do
comércio não conseguiu obter nenhum ganho de movimento, ao contrário,
mostrando uma contração de mercado surpreendente, para o próximo ano é quase
impossível esperar qualquer mudança de tendência.
25
4. PESQUISA DE ENDIVIDAMENTO
CONSUMIDOR - PEIC
E
INADIMPLÊNCIA
DO
Em 2008, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da
Fecomercio sinalizou um quadro ainda favorável do nível de endividamento das
famílias paulistanas, ainda mais quando se leva em conta os níveis recordes
alcançados pelo indicador. Em novembro de 2006, por exemplo, cerca de 70% das
famílias possuíam algum tipo de dívida.
Assim, o nível de endividamento dos consumidores encerra o ano praticamente
estável em relação ao mês anterior, passando de 49% em novembro para 50% em
dezembro. Comparativamente ao mesmo mês do ano passado, quando 48% dos
consumidores informaram possuir algum tipo de dívida, observa-se uma alta de
dois pontos percentuais.
Em dezembro, do total de consumidores endividados, cerca de 30% possuem
contas em atraso, queda de 7 pontos percentuais em relação ao mês anterior e de
6 pontos percentuais no comparativo interanual. Com a proximidade das
festividades de final de ano, os consumidores procuram realizar o pagamento de
dívidas em atraso, principalmente com o recebimento do 13º salário, evitando,
assim, possíveis problemas de restrição de crédito para a realização de novas
compras.
A pesquisa ainda aponta que quanto menor a renda, maior é o nível de
endividamento dos consumidores. Vale salientar que a expansão da oferta de
crédito verificada nos últimos anos proporcionou a entrada das pessoas de baixa
renda no mercado consumidor. Assim, o consumo de baixa renda apresentou
aumento de R$ 118 bilhões de reais entre 2002 e 2006. Somente em 2006
movimentou mais de R$ 550 bilhões.
Por faixa de renda, observa-se que entre os consumidores com rendimento até 3
salários mínimos, 53% possuem algum tipo de dívida. Na faixa de 4 a 10 salários
mínimos, 53% estão endividados, enquanto que entre as famílias que ganham
mais de 10 salários mínimos, o percentual de endividamento alcança 38%.
A PEIC mostra que 41% dos endividados com renda até 3 salários mínimos estão
com contas em atraso, contra 24% dos que ganham entre 4 e 10 salários
mínimos, e 21% entre os que possuem renda acima de 10 salários mínimos.
Na análise segmentada por sexo nota-se que entre as mulheres, cerca de 49%
possuem algum tipo de dívida contra 50% no grupo dos homens. Por outro lado,
na divisão por faixa etária, observa-se que entre os consumidores com idade entre
26
18 e 34 anos, 52% estão endividados, enquanto que os acima de 35 anos, o
percentual de endividados situa-se em 51%.
No que diz respeito a intenção do pagamento de contas em atraso, observa-se que
houve uma melhora nas expectativas, fato esse decorrente do recebimento do 13º
salário. Assim, entre os consumidores endividados com contas em atraso em
dezembro, 28% acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente as
suas dívidas, registrando uma queda de 4 pontos percentuais em relação ao mês
anterior. Em contraparte, dentre os consumidores que informaram a intenção de
pagar total ou parcialmente as suas dívidas, passou de 66% para 70%.
Com relação ao prazo médio de comprometimento da renda dos consumidores
com dívidas, a maior incidência é verificada no período de por mais de 1 ano
(30%). O restante divide-se entre os seguintes períodos: de 3 meses a 6 meses
(24%), de 6 meses a 1 ano (22%), e até 3 meses (23%).
Quando analisado o tempo de atraso de dívidas, constatou-se que para 38% o
prazo é acima de 90 dias, enquanto que para 27% o período é de até 30 dias. Já
para 22% o atraso é de 30 a 60 dias e para outros 14%, o tempo de atraso das
dívidas é de 60 a 90 dias.
O cartão de crédito continua sendo o grande vilão dos paulistanos, e assim foi ao
longo de 2008. Cerca de 46% dos consumidores possuem dívidas nesta
modalidade. Em seguida estão os carnês (29%). Vale salientar que o cartão de
crédito está no ranking das modalidades de pagamento que possuem as maiores
taxa de juros do mercado, alcançando mais de 229% a.a.
PESQUISA DE ENDIVIDAMENTO E INADIMPLÊNCIA DO
CONSUMIDOR
55%
50%
45%
40%
35%
30%
25%
dez/07
fev/08
abr/08
Tot al de endividados
jun/08
ago/ 08
out/08
dez/08
Endividados com cont as em atraso
Quando os consumidores
são indagados sobre as
principais despesas que
mais afetaram as dívidas
atuais, 33% apontaram os
gastos com alimentação.
Dentre outros principais
gastos
estão:
eletrodomésticos
e
eletroeletrônicos
(22%),
vestuário (23%), móveis
(17%), veículos (13%),
remédios (7%) e financiamento imobiliário (3%).
Mais pessoas tentaram renegociar suas dívidas neste mês. Enquanto em novembro
43% dos entrevistados informaram que tentaram renegociar as dívidas com
27
credores, neste mês o percentual atinge 48%. A taxa de juro elevada foi a
principal dificuldade encontrada por 56% dos consumidores, seguida da falta de
recursos financeiros (31%), prazo de pagamento curtos (2%) e credor não admite
renegociação (8%).
Em resumo, pode-se concluir que a expansão da massa real de rendimentos e a
oferta de crédito tem impedido que o aumento do endividamento das famílias
paulistanas se traduzisse em elevados níveis de inadimplência ao longo deste ano.
Adicionalmente, no final do ano, tem-se a entrada de recursos do 13º salário,
contribuindo para a redução do nível de consumidores endividados com contas em
atraso.
Para o próximo ano, os níveis de endividamento e inadimplência dos
consumidores, dependerão, basicamente, da intensidade dos reflexos das variáveis
macroeconômicas na economia brasileira. Mas como a expectativa é de
desaceleração do ritmo de crescimento da economia e como isso trás como
conseqüência uma redução dos níveis de emprego, renda e oferta de crédito, a
tendência é de que a inadimplência seja maior no próximo ano.
Pesq u isa d e E nd ivid amen to e In ad im plên cia d o Consu mido r
Pau lista
D eze mb ro 200 8
Nível de End ividamen to
TOTAL %
Muit o en d ivid ado
3 1,1%
Po uco e nd ivid ad o
1 8,5%
Nã o t em d ívid as
4 6,8%
Nã o s abe / nã o res pond eu
3,6 %
Qua l o p rinc ipal tipo de dív ida que voc ê pos su i ne ss e m om en to?
Cartão de Cré di to
4 5,9%
Che qu e E sp ecial
3,5 %
Che qu e P ré-d ata do
3,1 %
Cré di to Co nsig nad o
3,1 %
Cré di to P es so al
7,3 %
Carnê s
2 8,7%
Out ra s D ívid as
7,9 %
NS/ N R
0,5 %
Tem dívidas em atraso
Si m
3 0,2%
Nã o
6 9,1%
Nã o s abe / nã o res pond eu
0,7 %
Intenç ão de Qu itação de D ívid as
Si m, t ota lme nte
3 0,2%
Si m, em pa rt e
3 9,5%
Nã o t erá co nd ições d e pa ga r
2 8,3%
Nã o s abe / nã o res pond eu
2,0 %
Temp o com d ívid a em atraso
Até 30 dia s
2 6,8%
D e 30 a 6 0 d ias
2 1,7%
D e 60 a 9 0 d ias
1 3,8%
Acima d e 9 0 d ias
3 7,5%
Nã o s abe / nã o res pond eu
0,2 %
ACU M. %
31 ,1%
49 ,6%
96 ,4%
1 00,0 %
45 ,9%
49 ,3%
52 ,5%
55 ,5%
62 ,9%
91 ,6%
99 ,5%
1 00,0 %
30 ,2%
99 ,3%
1 00,0 %
30 ,2%
69 ,7%
98 ,0%
1 00,0 %
26 ,8%
48 ,4%
62 ,3%
99 ,8%
1 00,0 %
fon te : Fe co mercio
28
5. ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR – ICC
O ano de 2008 iniciou gerando um ambiente de grandes incertezas para economia
internacional e quanto aos seus reflexos para economia brasileira.
Mesmo assim, de janeiro a abril o índice de confiança do consumidor obteve três
altas consecutivas, começando o ano no patamar de 142,8 e atinge em abril os
149 pontos, o maior nível da série histórica. Essa melhora na confiança do
consumidor foi pela conjuntura econômica positiva naquele momento, a
consistente expansão da massa real de rendimentos principalmente da renda real
combinada com a maior eficiência das ferramentas de concessão e de gestão de
carteiras de crédito.
Uma mudança nos preços relativos a partir de abril decorrente de um forte
aumento no preço das commodities afetou a confiança do consumidor e a partir
deste mês alterou a trajetória que estava positiva e foi acompanhado por três
quedas consecutivas, tendo como a principal de junho para julho com queda 8%,
e em julho chegou ao patamar de 131,5 pontos. Esses resultados mostraram a
dimensão negativa que a alta dos preços observadas naquele período teve na
percepção dos consumidores.
Ao final do primeiro semestre, a partir da melhora das expectativas o consumidor
voltou a melhorar seu humor. Um grau de previsibilidade maior da economia e
evidências de um arrefecimento inflacionário fizeram com que esse indicador
apresentasse melhora.
Em setembro, o Índice de Confiança do Consumidor alcançou 140 pontos.
Podendo assim dizer que nesse mês o índice veio a atingir o seu ponto de inflexão,
fruto de uma percepção mais atenta com relação às possíveis trajetórias dos
indicadores econômicos frente às incertezas do cenário externo, sobretudo em
questões relacionadas á juros, câmbio e inflação.
O índice encerrou 2008 com mais uma queda chegando aos 127 pontos, 4,2% em
relação a novembro e 9,4% em relação a dezembro do ano passado. Esta foi a
terceira queda consecutiva do índice, registrando o menor nível de confiança do
ano e o menor nível para os meses de dezembro desde 2003.
Para o próximo ano, a trajetória do ICC dependerá primordialmente dos reflexos
da crise internacional na vida dos consumidores, basicamente da intensidade dos
reflexos que variáveis macroeconômicas venham a atingir o consumidor. O
primeiro ponto está relacionado ao impacto que o curso dos juros e do câmbio
venha a ter sobre o estado geral das expectativas, mais especificamente do acesso
ao crédito – como também o comportamento da inflação.
29
ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR
Dezembro 2008
ÍNDICE DE
ÍNDICE DAS CONDIÇÕES
EXPECT ATIVAS DO
ECONÔMICAS ATUAIS
CONSUMIDOR (Situação
(Situação Pr esente)
Futura)
Segmentação
Índice
RENDA
SEXO
IDADE
Menos de 10SM
10SM ou mais
Ho mens
Mulheres
Menos de 35 anos
35 anos ou mais
TOTAL
Variação
mensal
117,5
126,5
122,2
115,0
123,9
103,3
118,6
-8,4%
-9,0%
-8,6%
-9,5%
-8,8%
-17,5%
-9,0%
Índice
131,9
139,1
136,9
128,3
135,7
122,9
132,5
Variação
m ensal
-0,7%
-0,9%
-1,4%
-1,4%
-1,5%
-6,3%
-1,3%
ÍNDICE DE
CONFIANÇA DO
CONSUMIDOR
Índice
126,1
134,1
131,0
123,0
131,0
115,1
127,0
Variação
m ensal
-3,8%
-4,1%
-4,2%
-4,6%
-4,4%
-10,7%
-4,3%
fonte: Fecomer cio
ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR
160,00
150,00
140,00
130,00
120,00
110,00
100,00
dez/06
mar/07
jun/0 7
set/07
dez/07
ma r/08
ju n/08
set/08
dez/08
30
6. ÍNDICE DE PREÇOS NO VAREJO – IPV
O Índice de Preços no Varejo (IPV) deve fechar o ano de 2008 levemente
pressionado quando comparado ao ano anterior. O índice geral elevou-se em
4,22% em 2007 e no período compreendido entre janeiro a novembro deste ano já
acumula alta de 4,79%. Seguindo o mesmo comportamento do ano passado, os
meses de maio (1,46%) e junho (1,25%) foram os de maior impacto no bolso do
consumidor, mas o período de altas nos preços do varejo paulistano iniciou em
abril e foi retomado de maneira menos significativa em setembro.
No primeiro semestre do ano as pressões foram influenciadas pelas elevações em
Materiais de Construção, Supermercados, Padarias e Açougues. Nos primeiros 6
meses do ano estes segmentos mostraram crescimento acumulado de 10,42%,
5,87%, 9,98%, 9,08%, respectivamente. Por outro lado, os setores de
Eletroeletrônicos, CDs, Combustíveis e Lubrificantes e Eletrodomésticos ajudaram a
manter as pressões inflacionárias em patamares menos preocupantes.
A partir de julho outros grupos compostos por produtos alimentícios também
mostraram sinais de arrefecimento, fazendo com que a oscilação do indicador
geral se desse de forma mais suave. O indicador passou de uma alta de 0,45% em
julho para uma queda de 0,07% em agosto. Nos meses de setembro (0,19%) e
outubro (0,39%) o indicador acelerou novamente em virtude dos preços de
Materiais de Construção e sinalizou discreto arrefecimento com o fechamento do
mês de novembro (0,31%).
O maior vilão do bolso dos consumidores foi o segmento de Supermercados. Este
foi pressionado em virtude da elevação do preço das commodities e da questão da
suspensão da exportação do trigo Argentino para o mercado nacional. Houve
também influência das instabilidades climáticas, que prejudicou o desempenho de
algumas safras, fazendo com que os preços fossem ainda mais pressionados. Na
segunda metade do ano os alimentos continuaram exercendo pressão altista no
índice geral, por conta das proteínas animais e ao crescente volume exportado
destes bens. Nos onze meses do ano o grupo atinge alta de 7,06% e em virtude
da sua elevada participação no índice geral, cerca de 32%, o grupo é responsável
pela maior contribuição no resultado final verificado até novembro.
Já a atividade de Materiais de Construção, com demanda aquecida ao longo de
todo o ano graça ao bom desempenho do segmento de construção, acumula
nestes primeiros 11 meses do ano alta de 20,45%. Verificou-se, em novembro,
aumento de 0,71% nos preços deste setor. Em algumas regiões do país houve
escassez de cimento em virtude da elevada demanda. Os reajustes no preço do
minério de ferro também favoreceram a alta dos preços uma vez que este insumo
é de extrema importância para a indústria da construção.
31
O grupo Padarias foi outro que descreveu trajetória relevante, acumulando no
período de janeiro a novembro alta de 11,50% com somente uma variação
negativa, ou estabilidade (-0,01%), ao longo de todo o período. A maior variação
foi verificada em maio quando o IPV da atividade elevou-se em 3,89%. Este
comportamento se deu devido a problemas de safra de trigo ocorridos na
Argentina e à suspensão da exportação deste produto, que foi paulatinamente
retomada em meados de abril. Para suprir sua demanda interna o Brasil passou a
comprar trigo de outros países e até o final do ano as alíquotas de impostos que
incidem neste produto estão zeradas, entretanto, esta medida não conseguiu frear
o impacto da suspensão das exportações.
Os preços do grupo de Vestuário, Tecidos e Calçados descreveram comportamento
sazonal específicos do setor: nos meses de abril, maio e junho, normalmente da
entrada da coleção de outono inverno, os preços subiram 0,66%, 1,53% e 0,69%,
respectivamente. No início do segundo semestre os preços recuaram por conta das
liquidações de queima de estoque, acusando queda de 0,25% em julho e 0,36%
em agosto. Nos meses subseqüentes, notou-se uma pressão nos preços destes
bens por conta da instabilidade cambial iniciada em meados de setembro. Como
parte das mercadorias do setor é composta por produtos importados, os preços
acompanham a valorização da moeda norte-americana. Em novembro o segmento
registrou alta de 0,29%, acumulando em 11 meses alta de 2,91%.
A atividade de Açougues finalizou o primeiro trimestre do ano com variações
negativas em resposta ao embargo à carne brasileira que gerou um excedente no
mercado interno. Com a liberação da carne brasileira no mercado internacional os
preços do setor mostraram uma inversão de tendência, fazendo o grupo acumular
9,08% no primeiro semestre. Além disso, as elevadas cotações dos grãos,
utilizados como ração animal, trouxeram efeitos altistas nos preços das carnes. Em
novembro a atividade mostrou alta de 0,58%. A demanda externa por proteínas de
origem animal encontra-se elevada e isso pressiona os preços no mercado interno
já que se reduz oferta internamente.
Drogarias e Perfumarias registraram apenas duas quedas ao longo dos primeiros
onze meses do ano: -0,08% em janeiro e -0,09% em julho. No primeiro semestre
do ano os reajustes dos medicamentos ocorridos em março foram responsáveis
pela alta verificada no grupo, que atingiu no período de janeiro a junho alta de
4,96%. No segundo semestre o subgrupo de Perfumarias influenciou a alta
verificada no segmento graças ao mix de produtos importados, dotado de preços
maiores e que também foram pressionados pela valorização do dólar. Até
novembro a atividade acumula alta de 6,28%.
O setor de Veículos registrou variações moderadas ao longo do ano, alternando
preços levemente pressionados por conta do aquecimento da demanda no
32
primeiro semestre. Neste período o grupo acumulou alta de 1,20%. No início do
segundo semestre o segmento manteve a trajetória de altas modestas, havendo
uma ligeira inversão de tendência com as quedas verificadas em outubro (-0,10%)
e novembro (-0,53%). As vendas da atividade foram arrefecidas em virtude do
período de incerteza na economia mundial e isso acabou surtindo efeito, também,
nos preços destes bens. Em onze meses acumulado a atividade acumula 1,16% de
alta.
Outros grupos que descreveram comportamento semelhante no acumulado entre
janeiro a novembro de 2008 foram: Feiras (5,08%), Relojoarias (9,33%),
Combustíveis e Lubrificantes (0,77%), Autopeças e Acessórios (4,39%), Óticas
(4,27%) e Materiais de Escritório (3,22%).
Ao longo destes onze meses de 2008 somente 2 grupos acumulam queda:
Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.
Eletroeletrônicos mostraram quedas sucessivas e elevadas ao longo do todo o
primeiro semestre de 2008, acumulando queda de 7,17%, a maior dentre todos os
grupos pesquisados pelo IPV no período. Os preços destes bens respondem
diretamente às oscilações da taxa cambial em virtude da participação dos
importados neste segmento e o cenário do primeiro semestre favorecia justamente
a queda nos preços. Já no período subseqüente os preços do segmento
continuaram a registrar variações negativas mas a trajetória de queda foi
interrompida em outubro quando o indicador do segmento acusou 0,03%, seguido
da alta de 0,58% verificada em outubro. O grupo ainda acumula no período de
janeiro a novembro queda de 9,63%, mantendo-se como a maior queda dentre
todos os pesquisados.
Já os Eletrodomésticos mostraram queda em seus preços entre março e junho,
acumulando queda de 0,43% no primeiro semestre do ano. Muitos insumos
utilizados na cadeia produtiva destes bens são cotados em dólar e a desvalorização
do dólar neste período exerceu papel importante na manutenção dos preços em
patamares reduzidos. Entre julho a outubro os preços alternaram a tendência com
altas modestas, finalizando novembro com mais uma queda, provavelmente em
virtude de um arrefecimento no ritmo de vendas. No período de janeiro a
novembro o segmento acumula queda de 0,08%.
Mantendo a mesma tendência de 2007, no primeiro semestre deste ano a
desvalorização do dólar frente ao real manteve os preços do varejo em patamares
comedidos. Os alimentos sofreram pressões por conta de problemas de safra
(internamente e de alguns parceiros comerciais, que é o caso específico do trigo).
No segundo semestre, quando a crise internacional começou a dar sinais de que
impacto de alguma forma a economia brasileira, os preços passaram a responder à
valorização do dólar - e essa variável assumirá papel extremamente relevante para
33
os preços no próximo ano. Até mesmo o arrefecimento do preço das commodities
foi amenizado por conta desta valorização cambial, não causando efeitos imediatos
nos preços dos alimentos. Há expectativas, também, de que o preço da gasolina
seja reduzido em virtude da defasagem entre o preço no mercado interno e
externo. Como as perdas do período anterior, da valorização do petróleo, ainda
não foram recuperadas, isso deve levar algum tempo a se concretizar. Alguns
produtos alimentícios podem sofrer impactos em virtude das instabilidades
climáticas e é importante ressaltar que são justamente os produtos que mais
pesam no bolso dos consumidores.
ÍNDICE DE PREÇOS NO VAREJO
Novembro 2008
Atividade / Grupo
Ponderação
nov/2008 /
out/2008
nov/2008 /
nov/2007
nov/2008 /
dez/2007
GERAL
100,00%
0,31%
5,73%
4,79%
-
32,02%
13,82%
2,51%
2,61%
0,77%
0,19%
0,80%
0,46%
0,81%
0,78%
5,64%
0,85%
0,76%
0,86%
2,27%
8,87%
4,13%
12,20%
4,59%
2,20%
2,87%
0,42%
0,29%
2,63%
0,58%
1,26%
0,43%
0,54%
0,23%
1,75%
0,16%
0,14%
0,16%
2,30%
0,60%
-0,32%
-0,05%
0,34%
-0,53%
0,42%
0,58%
0,71%
8,64%
3,76%
4,14%
-11,20%
1,41%
10,77%
4,81%
0,83%
4,48%
3,77%
6,31%
2,28%
11,24%
3,01%
-0,33%
2,05%
12,70%
1,19%
3,68%
24,08%
21,55%
7,06%
2,91%
5,08%
-9,63%
1,29%
11,48%
4,27%
0,83%
4,39%
3,22%
6,28%
1,57%
9,33%
2,68%
-0,08%
0,77%
11,50%
1,16%
3,23%
16,16%
20,45%
Supermercados
Vestuários, Tecidos e Calçados
Feiras
Eletroeletrônicos e outros
CDs
Floriculturas
Óticas
Jornais e Revista
Auto-Peças e Acessórios
Mat. De Escritório e outros
Drogarias e Perfumarias
Brinquedos
Relojoarias
Livraria
Eletrodomésticos
Combustíveis e Lubrificantes
Padarias
Veículos
Móveis e Decorações
Açougues
Material de Construção
Fonte: Fecomercio
34
Ín d ic e de P re ç o s n o V a re jo
V a ria ç ã o m e n s a l
1, 6 0 %
1, 4 0 %
1, 2 0 %
1, 0 0 %
0, 8 0 %
0, 6 0 %
0, 4 0 %
0, 2 0 %
0, 0 0 %
-0, 2 0 %
o ut / 0 7
d e z/ 0 7
fe v/ 0 8
a b r/ 08
ju n / 0 8
a go / 0 8
ou t / 08
35
7. PESQUISA DO CONJUNTURAL DO PEQUENO VAREJO - PCPV
7.1 Desempenho em 2008 e perspectivas
Os resultados até o mês de outubro não apontaram nenhum efeito da crise
econômica global sobre o desempenho de vendas das pequenas empresas do
varejo. Ao contrário, entre setembro e outubro os resultados na margem
mostraram aceleração, e esse resultado certamente deriva do crescimento do
emprego e da renda real que, no caso da indústria, acumula cerca de 7% de alta,
segundo dados do IBGE, sendo 3% o crescimento de postos de trabalho e 4% de
salário médio real. Em São Paulo, local da pesquisa, a elevação da massa de
salários, extremamente relevante para o desempenho das pequenas empresas, foi
de 7,5% ao longo do ano.
Em outubro o crescimento real do pequeno varejo atingiu 13% perfazendo no ano
10,3% - manteve-se a aceleração percebida a partir de agosto. Essa tendência
era esperada dado que o nível de emprego e renda atingiu seu recorde histórico –
segundo IBGE – e o pequeno varejo reage mais intensamente a essas variáveis.
Os setores que devem ser afetados primeiro por conta dos efeitos da crise, são os
imediatamente dependentes de crédito e da confiança do consumidor,
representados pelos setores de vendas de automóveis e imóveis, segmentos não
presentes nas amostras das pequenas empresas. As pequenas empresas não
estão imunes à crise mas provavelmente o resultado será percebido após um
efeito em cascata que começa no segmento automotivo e imobiliário, se o país não
conseguir amortecer esses efeitos antes deles se permearem em toda cadeia
produtiva. Foram essas empresas, voltadas ao setor automobilístico e imobiliário,
que mais alavancaram suas vendas através dos financiamentos super facilitados.
São essas as mesmas que sofrem imediatamente com os períodos de dúvidas do
consumidor e turbulências internacionais como o atual.
A expectativa é de que, de fato, ao longo dos próximos meses o varejo –
independentemente do porte - acabe sentindo os reflexos de uma crise
internacional que se agrava e mostra-se muito mais incisiva do que os analistas
anteviam. Todavia é possível que os efeitos sejam amortecidos por conta da boa
situação financeira média das empresas brasileiras e pela pouca exposição ao risco
de crédito dos bancos no país. Outro fator que pode pesar positivamente é a
percepção de que o governo poderá atuar pontualmente, de forma a reduzir o
efeito no foco da crise por enquanto: montadoras e mercado imobiliário. Mesmo
assim os efeitos não devem ser desprezíveis e dependem também da confiança
que os agentes demonstrarem em relação à capacidade do governo em lidar com
os problemas. Até o momento as ações de política econômica no Brasil foram
razoáveis, podendo ser refinadas.
36
7.2 Desempenho setorial do pequeno varejo - 2008
7.2.1 Lojas de Material de Construção
O melhor desempenho do mês de outubro e do ano foi das Lojas de Material de
Construção. Com o segmento de construção ainda aquecido apesar da tendência
de desaceleração já sentida entre as grandes incorporadoras, os dados de outubro
e acumulados no ano ainda não captaram essa alteração de mercado. Vale
ressaltar que o pequeno varejo de construção não depende diretamente dos
lançamentos de grandes incorporadoras, e, além disso, a construção efetiva de
unidades ocorre cerca de 1 ano após o lançamento. Desta forma os efeitos serão
mais tardios e indiretos, mas deverão ocorrer. Até o momento a venda de
materiais de construção cresceu 32,6% com relação a 2007 sendo que na margem
o crescimento foi de 26,7%, descontada a inflação.
7.2.2 Lojas de Móveis e Decorações
O segundo melhor desempenho do ano foi o das Lojas de Móveis e
Decorações, na esteira do que ocorre com o mercado imobiliário e das facilidades
de crédito ainda existentes. O segmento teve alta de 17,5% no seu faturamento
real em outubro e no ano o crescimento acumulado é de 10,1%. Esse segmento
tem seguido de perto o que ocorre com materiais de construção e toda a
movimentação do setor imobiliário - portanto corre os mesmos riscos desses dois
setores. Nos próximos meses e início de 2009 pode ser relevante para o
desempenho do segmento a percepção dos consumidores em relação ao mercado
de crédito. Se houver um sentimento de que as linhas de crédito serão cortadas
em breve, no curto prazo alguns consumidores podem se antecipar para garantir a
oportunidade e isso pode até alavancar os resultados, paradoxalmente.
7.2.3 Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados
Em outubro as Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados, mostraram
direcionamento positivo, porém, inferior à média do ano. Enquanto essas lojas do
pequeno varejo vinham crescendo em média 8,6% (média de janeiro a outubro de
2008 em comparação ao mesmo período de 2007), nesse mês o setor cresceu
7,1%, descontados os efeitos da inflação. O segmento experimenta comparações
com uma base mais elevada e também compete pela renda dos consumidores.
Mesmo assim é de se esperar ainda que até o final do ano o desempenho se
mantenha ao redor de 6% a 8% de crescimento. Resta entender como a crise vai
afetar emprego e renda no início de 2009, para poder antecipar as perspectivas no
ano que vem. Até o momento as variáveis disponíveis e o nível de incerteza não
permitem conjecturas muito refinadas.
37
7.2.4 Farmácias e Perfumarias
As Farmácias e Perfumarias vêm mostrando uma trajetória mais consistente de
recuperação desde julho. Neste mês houve acréscimo de 12,9% no faturamento
real do setor em relação a outubro de 2007 e o ano agora mostra números
positivos da ordem de 4,4%. Apesar de estarem abaixo da média, o desempenho
tem melhorado muito, e provavelmente é reflexo da continuada melhora da renda
média e do nível de emprego. Importante acompanhar o desenvolvimento da crise
e principalmente seus efeitos sobre o desemprego, pois esses fatores serão
decisivos no desempenho de 2009, principalmente em segmentos como esse.
7.2.5 Lojas de Eletroeletrônicos
As Lojas de Eletroeletrônicos apresentam resultado acumulado de 2,8% em
2008, com crescimento de 3,2% na margem e veio se recuperando nos últimos 4
meses de um resultado abaixo de 0. Conforme previsto ao longo do ano o
segmento está no azul, porém justamente quando começava a se mostrar mais
vigoroso se depara com alta do dólar (que pode elevar os preços dos produtos) e
com uma crise que pode redundar em restrições de crédito, ao menos nos
próximos meses. Em outubro a alta foi menor do que em setembro, que por sua
vez havia sido menor do que a alta de agosto. Isso provavelmente se deve a essa
modificação no patamar do câmbio, além de eventuais efeitos deletérios da crise
internacional.
7.2.6 Alimentos e Bebidas
O segmento de Alimentos e Bebidas ainda apresenta um quadro crítico, apesar
da recuperação dos últimos meses. Em outubro as pequenas empresas desse
setor cresceram 3,6% em termos reais em relação a 2007 e no ano o resultado
acumulado é de pífio 1,1%, ou seja, praticamente a estabilidade. A tendência de
melhorar não deverá ser suficiente para que o segmento apresente resultados
exuberantes ainda em 2008 ao fechar do exercício. Teoricamente o setor tende a
ter bom desempenho em 2009, por conta da base não tão forte de comparação
que deixará para trás em 2008 e ainda pelo acréscimo de massa de rendimentos
que deve perdurar pelo menos no início do próximo ano. Além disso, se o
consumidor optar pelo conservadorismo durante o ano que vem tendo em vista o
receio dos efeitos da crise, existe forte possibilidade disso favorecer os pequenos
empreendimentos de venda de bebidas e alimentos pela folga orçamentária pelo
não comprometimento deste com dívidas parceladas de longo prazo.
7.2.7 Lojas de Autopeças
O pior desempenho do ano será com certeza o de Lojas de Autopeças. Essa
posição bastante ruim não é propriamente uma novidade para as empresas do
38
segmento que enfrentam problemas de concorrência com grandes redes, a venda
de autos novos recorde em 2007 e 2008 que reduziu a necessidade de
manutenção, o aumento da participação de mercado por parte das concessionárias
e a entrada de peças chinesas. Apresentam também problemas com a venda de
peças piratas, roubadas ou em desmanches. Todo esse cenário resulta em queda
de 15,7% de faturamento real acumulada em 10 meses do ano sendo que na
margem a queda foi de 5,4%. Vale ressaltar que em 2009 grande parte desses
problemas devem persistir, porém uma eventual retração da venda de novos pode
incentivar consumidores a fazer uma manutenção mais adequada de seus veículos.
É difícil dizer com certeza qual o caminho que o segmento deve tomar no ano que
vem.
PESQUISA CONJUNTURAL DO PEQUENO VAREJO - PCPV
ESTADO DE SÃO PAULO
FATURAMENTO REAL
OUTUBRO DE 2008
Índice(*)
OUT 2008 /
SET 2008
OUT 2008 /
OUT 2007
ACUMULADO
NO ANO
125,28
-0,1%
13,0%
10,3%
- Lojas de Eletroeletrônicos
98,09
-5,3%
3,2%
2,8%
- Lojas de Móveis e Decorações
143,66
3,4%
17,5%
10,1%
- Lojas de Vestuário, Tecidos e Calcados
157,85
0,3%
7,1%
8,6%
- Alimentos e Bebidas
107,65
-1,2%
3,6%
1,1%
- Farmácias e Perfumarias
91,40
4,0%
12,9%
4,4%
- Lojas de Autopeças e Acessórios
56,46
-0,1%
-5,4%
-15,7%
- Lojas de Materiais de Construção
103,23
-0,8%
26,7%
32,6%
Atividade / Grupo
Comércio Geral
Fonte: FECOMERCIO
39
8. ÍNDICE DE SENTIMENTO DOS ESPECIALISTAS EM ECONOMIA ISE
Em dezembro, o Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia
(ISE) alcançou 71,1 pontos. O resultado apresentou queda de 9,5% em relação
ao mês anterior, quando o indicador marcou 78,6 pontos. Essa é a quinta queda
consecutiva na pesquisa. Desde setembro, quando os efeitos da crise começaram
a ganhar força, foi notável a queda da confiança por parte dos especialistas. Nesse
período a queda do índice foi de 28%, sendo que há um pessimismo maior em
relação ao momento atual, com moderada elevação em relação ao momento
futuro. Isto aponta para uma clara preocupação dos economistas em relação ao
cenário econômico atual.
O resultado deste mês continua a refletir a piora do otimismo dos economistas em
relação às incertezas sobre os reais impactos da crise econômica internacional e os
seus possíveis efeitos sobre a economia brasileira, principalmente no que se refere
à percepção presente que registrou neste mês uma queda de 15%, passando de
60,4 pontos em novembro para 51,3 pontos em dezembro. Contudo destaca-se
que a redução foi menor do que a observada em novembro, quando o índice havia
caído 26,5%.
A perspectiva futura, por sua vez, inverteu a tendência de novembro, quando o
índice havia apresentado melhora de 6,7%. Em dezembro houve nova queda de
5,9%, passando de 96,8% para 90,9%, demonstrando sinais de cautela na
percepção dos economistas sobre as variáveis econômicas futuras. Tais oscilações
podem ser explicadas, em parte, pela divulgação de conseqüências que começam
a alterar os planos de investimento e contratação nas empresas, indicando que a
crise possa ter proporções maiores, bem como pela dimensão dos desdobramentos
no cenário externo e seus possíveis impactos sobre o nível de atividade econômica
mundial, dando sinais de que podemos assistir a um alongamento desse momento
econômico crítico.
Dentre os itens pesquisados, identificou-se que maior otimismo em relação ao
futuro das variáveis relacionadas a câmbio e juros, identificando expectativa de
melhora. Menores expectativas puderam ser sentidas em relação ao cenário
internacional, aos gastos públicos e aos salários reais. O otimismo para os
próximos meses dependerá da intensidade dos reflexos das variáveis
macroeconômicas sobre a economia brasileira.
Em síntese, a trajetória do ISE para os próximos meses dependerá
primordialmente dos reflexos da crise internacional na vida dos consumidores e no
lado real da economia.
40
Meses
Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia
Geral
Atual
Futuro
jun-08
94,9
90,1
99,8
jul-08
101,3
93,8
108,9
ago-08
100,2
92,7
107,7
set-08
98,7
92,7
104,6
out-08
86,5
82,2
90,8
nov-08
78,6
60,4
96,8
dez-08
71,1
51,3
90,9
Fonte Pesquisa direta FECOMERCIO
41
ANEXO I – NOTAS METODOLÓGICAS
PESQUISAS FECOMERCIO
42
PESQUISA CONJUNTURAL DO COMÉRCIO VAREJISTA - PCCV
A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) é apurada mensalmente pela
Fecomercio desde 1970, tendo sido atualizada periodicamente de forma a se
manter moderna e adequada ao perfil do varejo. Os dados são coletados junto a
cerca de 1.800 estabelecimentos comerciais na região metropolitana de São Paulo.
A pesquisa tem como objetivo acompanhar e avaliar o desempenho do comércio
varejista em seus vários ramos de atividade. Das informações apuradas, são
gerados indicadores de faturamento nominal e faturamento real. Os dados da
pesquisa auxiliam o empresário varejista na realização de investimentos,
priorização de atividades, identificação de tendências do consumidor e do
mercado, adequação a novos padrões, redefinição de diretrizes, alteração nos
padrões de consumo, inserção no mercado, servindo, assim, como um balizador
das suas atividades no curto prazo. Para a indústria auxilia no planejamento da
produção, vendas e estoques, orientando a tomada de decisões estratégicas.
PESQUISA DO CONJUNTURAL DO PEQUENO VAREJO - PCPV
A Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo (PCPV) é apurada mensalmente pela
Fecomercio com dados desde 2004 que são coletados junto a cerca de 600
estabelecimentos comerciais no Estado de São Paulo. A pesquisa tem como
objetivo medir o desempenho das micro e pequenas empresas do comércio
varejista em seus vários ramos de atividade. Das informações são gerados
indicadores de faturamento nominal e faturamento real. Os dados da pesquisa
auxiliam o empresário varejista na comparação da evolução do seu negócio em
relação as demais empresas do setor, servindo como um balizador das suas
atividades no curto prazo. O indicador permite ainda identificar as diferenças de
desempenho por porte de empresa, contribuindo para a geração de políticas e/ou
estratégias específicas de acordo com o porte e setor de atuação das empresas.
Para a indústria auxilia no planejamento da produção, vendas e estoques,
orientando a tomada de decisões estratégicas.
PESQUISA
DE
ENDIVIDAMENTO
CONSUMIDOR - PEIC
E
INADIMPLÊNCIA
DO
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada
mensalmente pela Fecomercio desde fevereiro de 2004. Os dados são coletados
junto a cerca de 2.200 consumidores no município de São Paulo. O objetivo da
PEIC é diagnosticar o nível de endividamento e inadimplência do consumidor. Das
informações coletadas são apurados importantes indicadores: nível de
endividamento, percentual de inadimplentes, intenção de pagar dívidas em atraso
43
e nível de comprometimento da renda. Tais indicadores são observados
considerando-se três faixas de rendas, duas faixas de idade, distinguindo-se entre
homens e mulheres. A pesquisa permite o acompanhamento do nível de
comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação à
capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos
empresários do comércio e demais agentes econômicos.
ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR - ICC
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela
Fecomercio desde 1994. Os dados são coletados junto a cerca de 2.200
consumidores no município de São Paulo. O objetivo da pesquisa é identificar o
sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais
e suas expectativas quanto à situação econômica futura.
Os dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de 0
(pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral,
apresenta-se em: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das
Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um
balizador para decisões de investimento e formação de estoques por parte dos
varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.
A metodologia do ICC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index,
índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início
da década de 90, a equipe econômica da Fecomercio adaptou a metodologia da
pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação
é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco
Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no país, a exemplo
do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo Banco Central Americano.
ÍNDICE DE PREÇOS NO VAREJO - IPV
O Índice de Preços no Varejo (IPV) é apurado mensalmente pela Fecomercio
desde 1992, tendo sido atualizado periodicamente de forma a se manter moderno
e adequado ao perfil do varejo. Os dados são coletados junto a cerca de 2.000
estabelecimentos comerciais no município de São Paulo, contemplando 21
segmentos varejistas e 450 subitens pesquisados. A pesquisa conta com uma
amostra mensal de aproximadamente 105 mil tomadas de preços. O indicador tem
como objetivo acompanhar as variações relativas de preços praticados no comércio
varejista em seus vários ramos de atividade. Os resultados obtidos, de forma
bastante ampla e precisa, são úteis para o acompanhamento da variação de
preços ao longo do tempo em diferentes setores do varejo, além de permitir a
44
análise da evolução dos custos ao consumidor de acordo com o tipo específico de
consumo. Permite também à indústria conhecer a evolução dos preços praticados
no varejo, auxiliando na determinação de margens adequadas para a formação do
preço de venda.
ÍNDICE DE SENTIMENTO DOS ESPECIALISTAS EM ECONOMIA - ISE
O Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE) é o mais novo
indicador da Fecomercio, realizado em parceria com a Ordem dos Economistas do
Brasil (OEB). Calculado desde junho de 2008, a pesquisa detecta as perspectivas
dos economistas em relação às tendências da economia nacional e mundial. Sua
composição, além do índice geral, apresenta-se em: percepção presente e
expectativa futura. O ISE varia de 0 (pessimismo total) a 200 (otimismo total). É
realizada mensalmente com mais de 100 economistas renomados de todo País, por
meio de metodologia similar àquela utilizada para a apuração do Índice de
Confiança do Consumidor (ICC), da Fecomercio.
DE
16/12/2008
45
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Análise, Desempenho e Projeções