1 Um Estudo Empírico da Percepção dos Alunos de Contabilidade sobre as Habilidades de Comunicação Adquiridas na Graduação MARIA ROSA TROMBETTA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO EDGARD BRUNO CORNACHIONE JÚNIOR UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO Resumo O desenvolvimento da habilidade de comunicação representa um assunto relevante no ambiente do ensino na contabilidade. Apresentação de seminários por estudantes, tem sido uma prática utilizada em universidades que favorece o desenvolvimento dessa habilidade. Este estudo busca responder às seguintes questões de pesquisa: 1) Qual a atitude dos alunos em relação à comunicação e aos seminários? 2)Existe correlação entre atitudes em relação à comunicação e em relação aos seminários segundo a perspectiva dos alunos? Se existem, quais as correlações significativas encontradas? 3) Existem diferenças na percepção dos alunos quanto à contribuição do curso para o desenvolvimento da capacidade de comunicação considerando-se o período? E considerando-se o sexo? 4) Existem diferenças significativas entre a percepção de preparo para a comunicação profissional considerando-se período? E considerando-se o sexo? Para responder às questões foi coletada a percepção dos alunos de graduação em contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo quanto às atitudes em relação à comunicação e em relação aos seminários. Os dados coletados foram analisados utilizando técnicas da estatística descritiva e submetidos ao teste de normalidade Kolmogorov-Smirnov que levou à adoção de procedimentos não-paramétricos tanto para a análise de correlação (Spearman) quanto para as análises de diferenças de médias (Kruskal-Wallis). Os resultados sugerem que os alunos de contabilidade reconhecem a importância da habilidade de comunicação para o seu desempenho profissional e são receptivos à utilização de técnicas de ensino mais diversificadas com ênfase na comunicação. INTRODUÇÃO O desenvolvimento da habilidade de comunicação nos cursos de graduação em contabilidade é tema que tem instigado profissionais e acadêmicos da área contábil. Embora o assunto suscite divergências de opiniões quanto às suas mais variadas dimensões, há certo consenso relacionado à existência de deficiências na habilidade de comunicação dos recém graduados em contabilidade que iniciam suas atividades profissionais na área (Rebele, 1985). As universidades têm reconhecido estas deficiências (Morgan, 1997) e têm empregado esforços para o desenvolvimento da capacidade de comunicação oral e escrita dos alunos de graduação em contabilidade. No entanto, para Sneed e Morgan (1999), enquanto estão ocorrendo grandes mudanças no contexto profissional da contabilidade, no âmbito do ensino, as mudanças têm sido bastante tímidas. Percepção coletada em um exame de larga escala realizado no Brasil em 2002, constatou que dos 22.694 alunos egressos do curso de contabilidade pesquisados, apenas 9,9% 2 perceberam que a habilidade melhor desenvolvida no curso de graduação foi a habilidade de comunicação, atrás de habilidades como: raciocinar logicamente e analisar criticamente; resolver problemas e tomar decisões; e trabalhar em equipe. Muitos autores têm salientado a importância da habilidade de comunicação para a contabilidade (Rebele, 1985; Maupin e May, 1993; Hirsch, Anderson e Gabriel,1994; Morgan, 1997; Sneed e Morgan, 1999; Dias Filho e Nakagawa, 2000; Marion, 2001). A comunicação, para Hirsch, Anderson e Gabriel (1994, p. 4), é o cerne da contabilidade já que os contadores são preparadores e usuários da informação e têm como responsabilidade o estabelecimento de uma comunicação com os mais variados agentes. Considerando a importância do tema, as seguintes questões de pesquisa foram estabelecidas: (1) Qual a atitude dos alunos em relação à comunicação e aos seminários? (2) Existe correlação entre atitudes em relação à comunicação e atitudes em relação aos seminários segundo a perspectiva dos alunos? Se existem, quais as correlações significativas encontradas? (3) Existem diferenças na percepção dos alunos quanto à contribuição do curso para o desenvolvimento da capacidade de comunicação considerando-se o período de matrícula? E considerando-se o sexo? (4) Existem diferenças significativas entre a percepção de preparo para a comunicação profissional considerando-se o período de matrícula? E considerando-se o sexo? Para responder às questões de pesquisa descritas, foi definido como objetivo deste trabalho a investigação da percepção dos alunos do curso de graduação de contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), quanto ao desenvolvimento de suas habilidades de comunicação decorrentes do curso. Revisão da Literatura Hendriksen e Van Breda (1999, p. 29) abordam uma classificação da teoria da contabilidade como uma linguagem, subdividindo seu estudo em três dimensões: a pragmática – estudo do efeito da linguagem; a semântica – estudo do significado da linguagem – e a sintaxe – estudo da lógica ou gramática da linguagem. Segundo os autores, o papel das teorias que enfatizam a semântica consiste em encontrar maneiras de melhorar a interpretação das informações contábeis. Defendem, ainda, que “a divulgação apropriada de informação relevante para os investidores e outros usuários deve ser adequada, justa e completa”. Dias Filho e Nakagawa (2000) procuram alertar para o aspecto da compreensibilidade das informações contábeis, declarando que falhas de comunicação decorrentes de problemas de linguagem estão entre os fatores que podem explicar uma eventual queda no grau de utilização das informações contábeis. Os autores discriminam como fatores que influenciam o emissor da mensagem quanto ao seu comportamento no ato comunicativo: as habilidades comunicativas; o grau de conhecimento que possui a respeito do objetivo e do próprio processo de comunicação e a posição que ocupam dentro do sistema sociocultural. Segundo Cherry (1974, p.31), a comunicação não implica em uma simples transmissão e recepção de sinais, mas, sobretudo na potencialidade que o sinal tem de selecionar uma 3 resposta no receptor. Esta “resposta”, no ambiente da informação econômica, é a tomada de decisão. Para o autor, o “significado” dependerá de quem ouve e de quem fala, de toda a experiência lingüística de ambos, do conhecimento que tenham um do outro, e da situação como um todo. Marion (2001, p 14), aborda as propostas de reforma do ensino da contabilidade nos EUA compreendendo uma maior ênfase na habilidade de comunicação. O mesmo autor sugere que a educação para os futuros contadores deveria produzir profissionais que tivessem amplo conjunto de habilidade e conhecimento, dentre elas, a habilidade de comunicação. O autor defende que a atividade contábil exige que seus profissionais sejam capazes de transferir e receber informações com facilidade e, portanto, devem estar preparados para “comunicar no mesmo nível dos gestores”. De acordo com Nossa (1999, p.56), muitas das dificuldades de aprendizagem encontradas pelos alunos da área contábil podem estar no processo de comunicação, além do processo motivacional. Gil (1997, p.70) enfatiza que o professor enfrenta diversos obstáculos para tornar as aulas mais interessantes: escassez de recursos audiovisuais; classes muito numerosas e a rejeição natural dos alunos às inovações propostas pelos professores. Para Cornachione Jr. (2004), existe não só um cuidado ou medo natural em relação ao novo, mas, sobretudo, uma inquietação quando “coisas familiares” estão inseridas em “circunstâncias não familiares”. Em pesquisa realizada com alunos da pós-graduação em contabilidade nos EUA e no Brasil sobre modelos colaborativos virtuais, os resultados da amostra demonstraram cautela dos estudantes em relação aos modelos não-tradicionais. Maupin e May (1993), investigaram os tópicos de comunicação de negócios percebidos como importantes por profissionais e o quanto estes tópicos eram abordados nos livros textos e nas aulas de comunicação de negócios. Os resultados da pesquisa demonstraram que tanto os livros textos quanto os cursos de comunicação de negócios não abordam suficientemente os tópicos considerados vitais para os profissionais. A pesquisa de Sneed e Morgan (1999) utiliza o desempenho dos estudantes no Accounting Aptitude Test para identificar em qual das três áreas específicas - verbal, quantitativa e solução de problemas – os estudantes demonstram maior deficiência. Os resultados da análise indicaram que as habilidades de comunicação verbal e de resolução de problemas dos estudantes são mais deficientes do que suas habilidades quantitativas. A pesquisa ainda compara os resultados entre homens e mulheres, sendo que os primeiros apresentam melhor desempenho nas habilidades quantitativas, enquanto que as mulheres têm melhor desempenho na área verbal. Os resultados do estudo sobre as habilidades de comunicação requeridas de recémgraduados em contabilidade realizado por Morgan (1997) indicaram que uma ampla gama de habilidades de comunicação, tanto escrita quanto oral, são requeridas dos recém-graduados que procuram exercer a profissão de contador no Reino Unido. As percepções de profissionais e professores da área contábil divergem quanto à ordem de importância destas habilidades. O estudo também sinaliza evidências de que as universidades britânicas reconhecem a necessidade de ampliar as oportunidades de desenvolvimento da habilidade de comunicação de seus alunos, embora as iniciativas nesta área ainda são bastante recentes e seus resultados não puderam ser mensurados. 4 Rebele (1985) examinou a percepção dos estudantes de contabilidade em relação à importância da comunicação. Os resultados da pesquisa indicaram que os alunos julgam moderadamente importante a capacidade de comunicação oral, enquanto que a escrita é tida como pouco importante. Estes resultados contradizem a opinião de profissionais e acadêmicos, principalmente no âmbito da comunicação escrita, julgada como extremamente relevante. Embora as limitações da pesquisa não permitam concluir sobre os resultados comparativos, o autor levanta uma questão sobre a possibilidade de contadores recémformados serem mais deficientes como comunicadores escritos porque, como estudantes, não percebem a importância da habilidade de comunicação escrita para o seu futuro trabalho como contador. Procedimentos Metodológicos Amostra A amostra definida originalmente contava com 156 sujeitos selecionados aleatoriamente dentro de uma população de 766 alunos matriculados no primeiro semestre de 2004 do curso de graduação de contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Da amostra inicialmente definida, 87 alunos efetivamente participaram da pesquisa. Segundo Rea e Parker (1997 p.121) para uma população de 1000 sujeitos, assumindo 95% de nível de confiança e um intervalo de confiança de 10%, o tamanho da amostra é de 88 sujeitos. Instrumento de Coleta Foram aplicados dois instrumentos de coleta simultaneamente. O primeiro constituiu de um questionário com oito questões relativas a autopercepção, impressões e interesses dos sujeitos e seus dados demográficos. 5 Questionário 1 Semestre que você está cursando: ( ) 1º ( ) 3º ( ) 5º ( ) 7º ( ) 9º ou acima Período: ( ) diurno ( ) noturno Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Idade: ( ) até 20 ( ) de 21 a 25 ( ) de 26 a 30 ( ) acima de 30 Você considera que para exercer uma atividade profissional na área contábil, é importante melhorar a sua comunicação: ( ) oral ( ) escrita ( ) ambas ( ) nenhuma ( ) não sei Você acredita que os professores utilizam as apresentações (seminários) como forma de avaliação porque: ( ) querem motivar a classe e incentivar a pesquisa ( ) buscam aprimorar a comunicação do aluno ( ) é uma estratégia ou metodologia de cada professor ( ) é uma estratégia ou orientação do Departamento de Contabilidade ( ) acham cômodo que os alunos apresentem os temas ( ) outros professores também utilizam este método Você tem mais dificuldades em comunicar-se profissionalmente (ou no curso) por qual meio? ( ) oral ( ) escrito ( ) ambos ( ) não tenho dificuldade ( ) não sei Assinale duas técnicas de ensino que você gostaria que fossem (mais) utilizadas no curso: ( ) estudo de caso ( ) jogos ( ) dramatização ( ) entrevistas ( ) seminário ( ) discussão com a classe ( ) outros ( ) nenhum ( ) não sei Como você acredita que o curso de Contabilidade poderia contribuir para desenvolver (ainda mais) a sua capacidade de comunicação? Quadro 1 – Questionário 1 O propósito da questão aberta foi colher, de forma livre, as impressões do aluno em relação às contribuições que o curso poderia oferecer para melhorar a sua capacidade de comunicação e observar a sua predisposição para a comunicação escrita. O segundo instrumento consistiu de uma escala de atitude tipo Likert composta de 15 itens, cada uma com cinco possibilidades de respostas pontuadas, onde (1) foi definida como discordo plenamente, (2) discordo (3) não sei, (4) concordo e (5) concordo plenamente. Todas as questões estão ligadas às atitudes do aluno quanto a sua concordância em relação à comunicação e seminários, como técnica de ensino amplamente utilizada no curso. 6 Q 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Questionário 2 Atitudes em relação à comunicação Considero a comunicação um fator importante para a contabilidade. Acredito que o curso está contribuindo para o desenvolvimento de minha capacidade de comunicação. Julgo que o profissional contador capaz de comunicar-se eficazmente. Considero que os seminários apresentados por mim no curso contribuíram para melhorar a minha comunicação. Julgo que os professores utilizam adequadamente as ferramentas de ensino com o objetivo de incentivar e aprimorar a comunicação dos alunos. Sinto-me preparado para comunicar-me profissionalmente. Gostaria de conhecer técnicas de comunicação. Sinto necessidade de conhecer teoria da comunicação. Acharia interessante que outros métodos de ensino que ajudem no aprimoramento da comunicação fossem utilizados no curso. Atitudes em relação aos seminários Acredito que seminários como forma de avaliação ajudam na aprendizagem da disciplina. Considero produtivos os seminários apresentados por colegas. Considero de boa qualidade os seminários apresentados por colegas. Considero de boa qualidade os seminários apresentados por mim. Minha experiência profissional contribui positivamente para os seminários que apresento. Acredito que os professores avaliam adequadamente os seminários. Quadro 2 – Questionário 2 Administração do questionário O questionário foi administrado de duas formas: abordagem direta em sala de aula e envio por e-mail. Durante o período de 12 a 30 de junho de 2004 foi realizada a abordagem direta em sala de aula aos sujeitos definidos na amostra, obtendo 76 respostas. Aos 89 alunos selecionados e não localizados neste período foi enviado o questionário por e-mail, sendo que 11 retornaram, correspondendo a uma taxa de retorno de 12,36%. Plano de Análise A análise das variáveis nominais do Questionário 1 baseou-se nas tabelas de freqüência e percentuais da estatística descritiva. As variáveis com escala ordinal do tipo Likert do Questionário 2 serão assumidas como intervalares e, além da análise de freqüência, também serão analisadas pelas medidas de moda, média, desvio padrão, correlação e diferenças de médias. Estas variáveis foram submetidas ao teste de normalidade KolmogorovSmirnov que levaram à adoção de procedimentos não-paramétricos tanto para a análise de correlação (Spearman) quanto para as análises de diferenças de médias (Kruskal-Wallis). O tratamento da escala Likert como uma medida paramétrica intervalar foi baseado nos argumentos de Kerlinger (1973, p.438-441). Mesmo adotando um ponto de vista pragmático da suposição de igualdade de uma escala ordinal a uma escalar intervalar, o autor alerta para erros de interpretação e relações inferidas dos dados, embora também reconheça 7 que o perigo não é tão grave quanto tem sido escrito. Sauaia (1995), em mesmo contexto, apoiou-se em autores outros (Parasuraman, 1991; Abelson e Tuley, 1970; Labovitz, 1970; Nie et alii, 1975; Kinnear e Taylor, 1981; Mazzon, 1981) que defendem este mesmo tratamento das escalas intervalares. O teste Alfa de Cronbach foi realizado para avaliar a consistência interna das variáveis dando maior segurança ao instrumento. Todos os tratamentos acima descritos foram desenvolvidos com o apoio do pacote estatístico SPSS versão 9.0 utilizando nível de significância de 0,05. Resultado das Análises Análise das variáveis nominais – Questionário 1 Com base nos dados coletados dos 87 sujeitos da amostra foi verificada, conforme dados da Tabela 1, uma ligeira predominância de indivíduos do sexo masculino (n=50; 57,47%). A maioria (n=57; 65,52%) dos alunos da amostra está matriculada no período noturno e situam-se na faixa etária de 21 a 25 anos (n=51; 58,62%). Há uma predominância de alunos matriculados no primeiro semestre (n=24; 27,6%) e daqueles que estão cursando o nono semestre ou acima (n=23; 26,44%) que representam os formandos e os que não concluíram o curso no tempo previsto. Tabela 1 - Freqüências e Percentuais das Variáveis Demográficas Freq % 1º 24 27.59% 3º 12 13.79% Semestre 5º 16 18.39% 7º 12 13.79% 9º ou acima 23 26.44% diurno 30 34.48% Período noturno 57 65.52% masculino 50 57.47% Sexo feminino 37 42.53% até 20 18 20.69% de 21 a 25 51 58.62% Idade de 26 a 30 8 9.20% acima de 30 10 11.49% Quando questionados sobre quais capacidades de comunicação (oral, escrita, ambas ou nenhuma) deveriam ser melhoradas para o exercício profissional na área contábil, 81,6% dos estudantes consideraram que ambas as capacidades (oral e escrita) de comunicação deveriam ser melhoradas. No entanto, ao expressaram sua dificuldade em comunicar-se profissionalmente, 46% julgam ter maior dificuldade na comunicação oral, enquanto 29,9% acreditam não ter dificuldades de comunicação. Este resultado, quando confrontado ao anterior, indica que, embora 11,5% não acreditem ter dificuldades em comunicar-se reconhecem que é importante desenvolver suas habilidades de comunicação para um bom desempenho profissional. Pesquisa anterior realizada na Indiana University por Rebele (1985) 8 indica que os estudantes percebem a comunicação oral como mais importante para o sucesso profissional do que a escrita, embora a percepção dos profissionais contradiz esta percepção. Os resultados da pesquisa mostram que 29,27% dos estudantes acreditam que a utilização de seminários como forma de avaliação é uma decisão individual dos professores e, apenas 8,13% acreditam que faz parte de um planejamento didático do Departamento de Contabilidade. A Tabela 2 apresenta os resultados obtidos a partir dessa questão. Tabela 2 - Você acredita que os professores utilizam as apresentações (seminários) como forma de avaliação porque... Freq. % 1) ...querem motivar a classe e incentivar a pesquisa. 28 22.76% 20 16.26% 2) ...buscam aprimorar a comunicação do aluno. 3) ...é uma estratégia ou metodologia de cada professor. 36 29.27% 10 8.13% 4) ...é uma estratégia ou orientação do Departamento de Contabilidade. 5) ...acham cômodo que os alunos apresentem temas. 26 21.14% 3 2.44% 6) ...outros professores também utilizam este método. Os alunos apontaram técnicas de ensino que eles gostariam que fossem utilizadas no curso (Tabela 3). O estudo de caso (28,42%) e as entrevistas (21,58%) foram as opções mais aceitas, enquanto que a dramatização (1,05%) e a discussão com a classe (1,05%) foram as menos aceitas. Os resultados corroboram com o argumento de Gil (1997, p.70) sobre a tendência dos estudantes a rejeitarem inovações propostas pelos professores, já que tanto o estudo de caso quanto as entrevistas são técnicas bastante conhecidas, enquanto que a dramatização, por exemplo, é uma técnica raramente utilizada no curso. Em pesquisa anterior, Cornachione Jr. (2004) também explora o tema do medo natural do novo, ampliando esta percepção para o medo de encontrar algo familiar em uma circunstância não-familiar também aqui aplicável, principalmente no item dramatização. Tabela 3 - Quais os métodos que você gostaria que fossem (mais) utilizados no curso: Freq. % 1) estudo de caso 54 28.42% 2) jogos 25 13.16% 3) dramatização 2 1.05% 4) entrevistas 41 21.58% 5) seminário 17 8.95% 6) discussão com a classe 2 1.05% 7) outros 10 5.26% 8) nenhum 34 17.89% 9) não sei 5 2.63% QUE_ 1 9_ 1 A questão aberta foi respondida por 75% dos sujeitos sugerindo uma boa V a l id Cu mu l a ti v predisposiçãoFreqàu encomunicação escrita o t interesse pelo tema abordado. Os comentários P e rce nt e Pe ercen cy Pe rce nt Va l id n ão 33 3 7.9 3 7.9 3 7.9 traçados refletem os resultados da Tabela 3, acima. si m 54 6 2.1 6 2.1 1 00 .0 T o tal 87 1 00 .0 1 00 .0 Análise das variáveis ordinais – Questionário 2 9 Com base nos dados coletados dos 87 sujeitos da amostra foi verificada a consistência interna do instrumento com base em um Alfa de Cronbach de 0,7217. a) Atitudes em relação à comunicação Os resultados da pesquisa referentes às atitudes em relação à comunicação indicam, conforme Tabela 4, que os estudantes consideram a comunicação um fator muito importante para a contabilidade (média=4,88), sentem-se relativamente preparados para comunicar-se profissionalmente (média=3,51) e percebem o profissional contador com uma relativa capacidade de comunicação (média=3,33). Tabela 4 - Atitudes em relação à comunicação Distribuição % n 1 2 3 4 5 mo X s Q 87 0 0 1,1 9,2 89,7 5 4,88 0,36 1 87 5,7 36,8 2,3 40,2 14,9 4 3,22 1,25 2 87 1,1 33,3 3,4 55,2 6,9 4 3,33 1,05 3 87 4,6 21,8 18,4 40,2 14,9 4 3,39 1,12 4 87 4,6 44,8 5,7 40,2 4,6 2 2,95 1,11 5 87 4,6 25,3 1,1 52,9 16,1 4 3,51 1,17 6 87 1,1 1,1 3,4 26,4 67,8 5 4,59 0,72 7 87 3,4 10,3 2,3 40,2 43,7 5 4,10 1,09 8 87 0 9,2 1,1 31 58,6 5 4,39 0,91 9 Legenda: Q = questão; n = observações; X = média; s = desvio padrão; mo = moda. Considerando, ainda, as atitudes em relação à comunicação, foram identificadas dez correlações significativas, todas positivas, das quais três merecem destaque por apresentarem os maiores índices. Tabela 5 - Principais Correlações Significativas: atitudes em relação à comunicação Questões 2 7 8 0.515** Correlação Spearman Sig. 0.000 5 n 87 0.441** Correlação Spearman Sig. 0.000 8 n 87 0.444** Correlação Spearman Sig. 0.000 9 n 87 Legenda: * Correlação significativa considerando-se o nível de 0,05 ** Correlação significativa considerando-se o nível de 0,01 As questões 2 e 5 apresentaram a maior correlação positiva significativa (0,515) o que mostra que os alunos percebem a influência das escolhas de técnicas de ensino utilizadas pelos professores no desenvolvimento das disciplinas como um fator que está diretamente relacionado com o desenvolvimento de sua habilidade de comunicação. Analisando os resultados da Tabela 4 para estes itens, enquanto 55,1% dos estudantes concordam ou concordam plenamente que o curso está contribuindo para o desenvolvimento de sua habilidade de comunicação, 49,4% discordam ou discordam plenamente que os professores 10 utilizam adequadamente as ferramentas de ensino com o objetivo de incentivar e desenvolver a comunicação. O interesse em conhecer técnicas de comunicação (Questão 7) está correlacionado ao interesse em conhecer teoria da comunicação (Questão 8), apresentando uma correlação positiva significativa de 0,441 e, respectivamente, médias de 4,59 e 4,10, ambas entre concordo (4) e concordo plenamente (5). A Questão 8, apresenta, ainda, uma correlação positiva significativa de 0,444 com a Questão 9 sinalizando que quanto maior o interesse dos alunos em conhecer teoria da comunicação, maior a sua predisposição quanto à utilização de técnicas de ensino que contribuam para o desenvolvimento das habilidades de comunicação no curso. b) Atitudes em relação aos seminários Quanto às atitudes em relação aos seminários (Tabela 5), 55,2% dos estudantes concordam ou concordam plenamente que os seminários apresentados por eles são de boa qualidade e 66,7% concordam ou concordam plenamente que a sua experiência profissional contribui significativamente para a apresentação de seminários. Os altos índices de respostas “não sei” (3) representam, em grande parte, alunos do 1º semestre que não tiveram uma experiência significativa para emitir uma opinião sobre os seminários. Tabela 6 - Atitudes em relação aos seminários Distribuição % n 1 2 3 4 5 mo X s Q 87 4,6 34,5 3,4 35,6 21,8 4 3,36 1,28 10 87 25,3 32,2 1,1 33,3 8 4 2,67 1,38 11 87 2,3 32,2 26,4 33,3 5.7 4 3,08 0,99 12 87 2,3 13,8 28,7 43,7 11,5 4 3,48 0,95 13 87 6.9 12,6 13,8 29,9 36,8 5 3,77 1,26 14 87 4,6 21,8 27,6 42,5 3,4 4 3,18 0.97 15 Legenda: Q = questão; n = observações; X = média; s = desvio padrão; mo = moda. De sete correlações positivas significativas encontradas, três foram consideradas relevantes. A maior (0,645) está relacionada às Questões 10 e 11 sinalizam que apesar de 57,4% dos alunos concordarem ou concordarem plenamente que a técnica seminário ajude na aprendizagem do conteúdo da disciplina, 57,5% discordam ou discordam plenamente de que assistir a seminários apresentados por colegas seja produtivo. A Questão 11 apresenta uma correlação positiva significativa de 0,450 com a Questão 12, mostrando que embora discordem ou discordem plenamente de que assistir a seminários apresentados por colegas seja produtivo, 39% concordam ou concordam plenamente que são de boa qualidade as apresentações realizadas por colegas. Uma correlação positiva significativa de 0,519 foi encontrada entre as Questões 12 e 15, explicitando que quanto melhor a qualidade dos seminários apresentados por colegas, maior a percepção de que os professores os avaliam adequadamente. 11 Desta forma, podemos concluir que quanto maior a satisfação com relação aos seminários apresentados pelos colegas, maior será a percepção quanto à aprendizagem do conteúdo da disciplina e melhor a percepção quanto à avaliação dos professores. Tabela 7 - Principais Correlações Significativas: atitudes em relação aos seminários Questões 10 11 12 0.645** Correlação Spearman 11 Sig. 9.999 n 87 0.450** Correlação Spearman 12 Sig. 0.000 n 87 0.519** Correlação Spearman 15 Sig. 0.000 n 87 Legenda: * Correlação significativa considerando-se o nível de 0,05 ** Correlação significativa considerando-se o nível de 0,01 c) Correlações entre as atitudes em relação à comunicação e as atitudes em relação aos seminários Relacionando as atitudes em relação à comunicação às atitudes em relação aos seminários, os resultados sinalizam quinze correlações significativas para o nível de significância adotado nos procedimentos estatísticos deste estudo. Foram consideradas as três maiores correlações para análise, conforme dados da Tabela 8. As Questões 04 e 10 apresentam uma correlação positiva significativa de 0,420, sinalizando que quanto maior a percepção de que os seminários apresentados contribuem para melhorar a habilidade de comunicação dos alunos (média=3,39), maior a percepção de que os seminários como forma de avaliação ajudam na aprendizagem da disciplina (média=3,36). Tabela 8 - Principais Correlações Significativas atitudes em relação à comunicação X atitudes em relação aos seminários Questões 10 12 13 0.420** 0.305** Correlação Spearman 4 Sig. 0.000 0.004 n 87 87 0.326** Correlação Spearman 5 Sig. 0.002 n 87 Legenda: * Correlação significativa considerando-se o nível de 0,05 ** Correlação significativa considerando-se o nível de 0,01 A Questão 05 apresenta uma correlação positiva significativa de 0,326 com a Questão 12, mostrando que quanto maior a percepção de que os professores utilizem adequadamente 12 as ferramentas de ensino com o objetivo de incentivar e aprimorar a comunicação dos alunos (49,4% discordam ou discordam plenamente), maior a percepção de que são de boa qualidade as apresentações realizadas por colegas (39% concordam ou concordam plenamente). Foi encontrada, ainda, uma correlação positiva significativa de 0,305 entre as Questões 13 e 04, explicitando que quanto maior a percepção de melhor a qualidade dos seminários apresentados por colegas, maior a autopercepção de qualidade quanto aos questionários apresentados (média=3,48), maior a percepção de que os seminários apresentados contribuem para melhorar a habilidade de comunicação dos alunos. Análise de diferenças de médias Kruskal-Wallis Os dados coletados foram submetidos ao teste de Kruskal-Wallis, especificamente as questões 02 (acredito que o curso está contribuindo para o desenvolvimento da minha capacidade de comunicação) e 15 (sinto-me preparado para comunicar-me profissionalmente). Inicialmente as respostas da questão 02 foram divididas em dois grupos em função do período de matrícula: noturno e diurno. Neste caso o resultado do teste mostra que não há diferenças significativas entre as respostas de sujeitos matriculados no período diurno e dos matriculados no período noturno (χ2= 0,003; p-value= 0,958). As respostas da questão 02 foram, então, divididas em dois outros grupos, agora em função do sexo dos sujeitos: masculino e feminino. Também para este caso, o resultado do teste mostra que não há diferenças significativas entre as respostas de homens e mulheres (χ2= 0,230; p-value= 0,631). A Questão 15, quando submetida ao teste por grupo de período de matrícula (noturno e diurno), resultou na aceitação da hipótese nula (χ2= 6,209; p-value= 0,013), ou seja, há diferenças significativas entre as respostas de alunos matriculados no noturno (média=48,46) e dos matriculados no diurno (média=35,52) quanto à percepção de preparo para a comunicação em âmbito profissional. No teste por grupo em função do sexo (masculino e feminino) dos respondentes das respostas da Questão 15 apresentou um resultado onde não há diferenças significativas entre a percepção de homens e mulheres (χ2= 0,330; p-value= 0,566). Conclusão Levando-se em conta as limitações de literatura na área pesquisada e a utilização da escala ordinal como intervalar, os resultados da pesquisa mostram que apesar dos estudantes considerarem que suas habilidades de comunicação têm sido desenvolvidas no curso, eles gostariam que uma maior diversidade de técnicas de ensino fossem adotadas pelos professores. Embora percebam que a apresentação de seminários contribui para aumentar a sua habilidade de comunicação, não consideram produtivo assistir a apresentações realizadas por colegas. A presença de correlações positivas entre atitudes em relação à comunicação e atitudes em relação aos seminários segundo a perspectiva dos alunos sugere que quanto maior a percepção de que os seminários apresentados contribuem para melhorar a habilidade de comunicação dos alunos, maior a percepção de que os seminários como forma de avaliação ajudam na aprendizagem da disciplina. Este resultado estabelece uma relação importante entre 13 a comunicação e o processo de aprendizagem, ou ainda, entre forma e conteúdo, onde uma boa comunicação contribui para um melhor aprendizado ao mesmo tempo em que a compreensão (aprendizado) contribui para o estabelecimento de uma comunicação mais eficaz. Os resultados não encontraram diferenças significativas entre as percepções dos alunos quanto à contribuição do curso para o desenvolvimento da capacidade de comunicação, nem para os grupos de período de matrícula (noturno e diurno). No entanto, quanto à percepção de preparo para a comunicação profissional para os mesmos grupos, os resultados evidenciaram diferenças significativas, mostrando que a percepção média dos alunos matriculados no noturno é significativamente maior do que a dos alunos matriculados no período diurno. Este resultado reflete o peso da experiência obtida no ambiente profissional relacionada ao desenvolvimento da capacidade de comunicação, já que os alunos que estão matriculados no período noturno geralmente exercem alguma atividade profissional durante o dia. Os alunos de contabilidade reconhecem a importância da habilidade de comunicação para o seu desempenho profissional e são receptivos à utilização de conceitos de teoria e, principalmente, técnicas de comunicação no contexto do ensino. Apesar das dificuldades já discutidas para a aplicação de inovações no ambiente universitário, é importante reconhecer que para o estabelecimento de novos padrões, faz-se necessário que a prática ocorra. Vale ainda ressaltar que qualquer prática torna-se muito mais eficaz quando associada a métodos de avaliação que possibilitem ao aluno uma reflexão sobre seus erros e acertos, tanto em forma quanto em conteúdo. Futuros estudos poderão relacionar quais as técnicas de ensino mais apropriadas para o ensino da contabilidade com o objetivo de desenvolver a habilidade de comunicação dos estudantes. Referências Bibliográficas CHERRY, Colin; A comunicação humana: uma recapitulação, uma vista de conjunto e uma crítica; 2. ed.; São Paulo; Cultrix; 1974. CORNACHIONE JR., Edgard Bruno; Tecnologia da educação e cursos de ciências contábeis: modelos colaborativos virtuais; Tese de Livre Docência apresentada à FEA/USP; São Paulo; 2004. DIAS FILHO, José Maria; NAKAGAWA, Masayuki; Análise do processo da comunicação contábil: uma contribuição para a solução de problemas semânticos, utilizando conceitos da teoria da comunicação; Congresso Brasileiro de Contabilidade; Brasília; 2000. 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