XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção
Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
MOBILIDADE URBANA NA CIDADE DE
SANTA CRUZ DO SUL: ANÁLISE E
PERCEPÇÕES
Andre Luiz Emmel Silva (UNISC)
[email protected]
Lucas Vinicius Reis (UNISC)
[email protected]
Augusto Lauschner Bohnen (UNISC)
[email protected]
Leonardo Moraes Aguiar Lima dos Santos (UNISC)
[email protected]
Mauricio Sandim (UNISC)
[email protected]
Os problemas relacionados à falta de planejamento dos centros
urbanos estão presentes na grande maioria das cidades do território
brasileiro e seus impactos se refletem na qualidade de vida dos
cidadãos, no meio ambiente e na economia. Este artigo é um estudo
que visa compreender os principais conceitos relacionados à
Mobilidade Urbana, os problemas que a cidade alvo deste estudo vem
enfrentando e suas alternativas de melhoria. A cidade de Santa Cruz
do Sul, localizada na região central do estado do Rio Grande do Sul,
foi escolhida por ser um município que está enfrentando problemas
com o crescimento desordenado de sua área urbana e teve um aumento
de sua frota de veículos individuais superior a 50% nos últimos dez
anos. Através de uma pesquisa bibliográfica, soluções propostas por
diversos autores foram analisadas e um questionário foi elaborado e
aplicado a uma amostra representativa de pedestres e motoristas
selecionados ao acaso no centro da cidade. Como resultado do estudo,
foi possível identificar os motivos que levam as pessoas a se
deslocarem na área urbana, os meios de transporte utilizados, as vias
com piores condições de tráfego e os motivos da não adoção de meios
de transporte alternativo e opções para mudança de hábito.
Palavras-chave: Mobilidade Urbana, Congestionamentos, Trânsito
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Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015.
1. Introdução
Os problemas que as cidades enfrentam a partir de um determinado estágio de crescimento
são bem conhecidos, como o déficit habitacional, a poluição do ar, das águas e visual,
carência de infraestrutura básica, dificuldades de locomoção e, consequentemente, diminuição
da qualidade de vida dos habitantes (PIZZOL, 2006). A mobilidade é vista hoje como fator de
fundamental importância dentro das cidades quando se aborda a questão da qualidade de vida
de seus moradores. Seus debates têm oportunizado o desenvolvimento de medidas de
planejamento e controle do crescimento das cidades e de suas frotas de veículos. Para Bertini
(2005) a sensação de tempo perdido diante de um enorme congestionamento é preocupante e
são poucas as pessoas que sabem conviver com essa realidade naturalmente. Nos últimos
anos, milhões de pessoas têm perdido dinheiro e tempo por causa deles.
Mesmo que esteja relacionada aos deslocamentos realizados por indivíduos nas suas
atividades de estudo, trabalho, lazer e outras (MAGAGNIN, 2008), a mobilidade é um
complexo fenômeno social que ultrapassa as dimensões físicas, corporais e econômicas,
envolvendo também as dimensões cultural, afetiva, imaginária, espacial e individual (URRY,
2007). Dessa forma ela deve ser abordada não apenas baseando-se na movimentação das
pessoas, mas no motivo pelo qual isso ocorre e no por que delas utilizarem qualquer meio de
transporte.
A cidade de Santa Cruz do Sul, alvo deste estudo, possui um sistema viário que apresenta
deficiências, como dificuldade no deslocamento de veículos em diversos pontos da sua área
central nos horários de maior tráfego e falta de vagas de estacionamento. Sua população é de
118.374 habitantes (IBGE, 2010) e sua área urbana está em constante crescimento.
Apesar da ânsia por soluções universais, que possam ser replicadas em diferentes partes do
planeta, cada vez mais se percebe a importância de estudos e diagnósticos locais que
fundamentem a proposição de alternativas para mobilidade urbana (MOKHTARIAN e
SCHWANEN, 2005). Sendo assim, o presente artigo investigou a percepção da população de
Santa Cruz em relação ao trânsito, os principais problemas que o município enfrenta, suas
possíveis causas e algumas soluções cabíveis.
2. Materiais e métodos
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É possível enquadrar esta pesquisa como sendo uma abordagem qualitativa, que segundo Gil
(2010) é caracterizado do ponto de vista técnico, como uma pesquisa bibliográfica por meio
da qual se desenvolverá uma análise de conteúdo dos artigos publicados a cerca dos temas em
estudo. Também consiste em uma pesquisa exploratória pelo seu objetivo de analisar um
problema para propiciar uma melhor compreensão do mesmo (MALHOTRA, 2005).
A partir da pesquisa bibliográfica prévia, foi possível uma melhor compreensão dos
problemas oriundos da falta de planejamento da mobilidade urbana e a estruturação do
questionário aplicado durante o estudo, o qual encontra-se em anexo. A determinação do
tamanho da amostra a ser aplicado o questionário baseou-se no processo de amostragem
aleatória simples e utilizou-se a equação descrita por Luiz e Magnanini (2000), onde:
(1)
Sendo:
n = tamanho amostral;
Z²α/2 = quadrado do valor da tabela de distribuição t para o intervalo de confiança adotado;
N = tamanho da população;
P = prevalência amostral;
Є² = quadrado do erro tolerável de amostragem;
No cálculo, adotou-se o intervalo de confiança de 95% e para a prevalência amostral um valor
de 0,5 foi atribuído como forma de maximizar o tamanho da amostra e reduzir possíveis
distorções nos resultados.
A partir desta equação, chegou-se a uma amostra mínima de 383 questionários. As respostas
extraídas foram analisadas e agrupadas adequadamente, podendo então ser estabelecida uma
ordem de prioridade de ações que devem ser tomadas, para garantir uma maior qualidade na
mobilidade urbana do município.
2.1 Características da cidade alvo do estudo
Localizada na região central do estado do Rio Grande do Sul, a cidade de Santa Cruz do Sul
tem sua economia baseada na produção e beneficiamento de tabaco e vem se desenvolvendo
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em ritmo acelerado nos últimos anos. Fato este que pode ser observado na elevada quantidade
de empreendimentos imobiliários em fase de projeto e construção presentes em seu território e
na tabela 1, que demonstra o aumento da quantidade de veículos ao longo dos últimos anos.
Tabela 1 - Veículos emplacados na cidade de Santa Cruz do Sul de 2005 a 2014
Ano
Camin
hão
1468
Caminhão
trator
322
Camin
honete
1287
Camin
honeta
Microônibus
Motoci
cleta
Ônibus
Utilitá
rio
Set/05
Auto
móvel
30233
2162
124
10285
462
74
Set/06
31374
1568
334
1533
2143
132
11124
487
83
133
11857
516
117
Set/07
32413
1594
359
1940
1935
Set/08
33988
1628
397
2766
1312
139
12576
489
173
Set/09
35917
1731
415
2959
1431
137
13056
504
224
Set/10
38187
1893
405
3297
1633
147
13509
531
297
Set/11
40567
2030
415
3565
1870
149
13933
574
373
Set/12
43636
2180
423
3920
2145
164
14290
596
437
Set/13
46417
2276
428
4357
2447
161
14582
605
505
Set/14
48956
2333
462
4898
2718
172
14945
617
566
Fonte: Adaptado de Denatran (2014)
Santa Cruz do Sul é considerada uma cidade de médio porte em relação a sua região, pois
concentra um significativo contingente de indústrias, sobretudo, multinacionais vinculadas ao
beneficiamento de tabaco, sedia órgãos públicos, além de atividades comerciais e de prestação
de serviços (DEEKE, 2012). Possui um território de 733,412 Km², sendo 133,40 Km² de área
urbana e 661,09 Km² de área rural (RUOSO, 2012). Sua população é de 118.374 habitantes
sendo 88,9% na área urbana (IBGE, 2010).
Seus habitantes enfrentam muitos pontos de lentidão no trânsito em horários de pico, além da
falta de vagas de estacionamento na área central. Estes problemas acabam aumentando as
emissões de poluentes, o stress dos motoristas e pedestres e o número de acidentes.
3. Revisão bibliográfica
3.1 Mobilidade urbana
Problemas relacionados ao deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano existem desde o
surgimento das cidades, no entanto esses acabam tornando-se cada vez mais graves com o seu
crescimento desenfreado (MIRANDA, 2010). Tais problemas provêm tanto de escolhas
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históricas, como da falta de planejamento e investimentos, quanto atuais, decorrentes da
extrema dependência dos meios motorizados (SILVA, COSTA e MACEDO, 2008).
A Lei nº 12.587/12 – Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), em seu art. 4º, difere
transporte urbano de mobilidade urbana:
I – transporte urbano: conjunto dos modos e serviços de transporte público e privado utilizado
para o deslocamento de pessoas e cargas nas cidades integrantes da PNMU;
II – mobilidade urbana: condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no
espaço urbano (BRASIL, 2012).
A mobilidade pode ser definida como um atributo relacionado aos deslocamentos realizados
por indivíduos nas suas atividades de estudo, trabalho, lazer e outras (MAGAGNIN e SILVA,
2008) e visa conferir melhor circulação de bens e recursos humanos nas cidades
(NASCIMENTO, 2014). Uma cidade com um bom plano de mobilidade urbana deve
oportunizar meios de circulação que possibilitem o acesso a diferentes pontos de forma rápida
e segura. Evitando assim, congestionamentos e todos os prejuízos que estes podem trazer a
vida social e econômica dos indivíduos.
Resultados positivos em ações relacionadas à mobilidade urbana provêm de um conjunto de
políticas de transporte e circulação com a finalidade de proporcionar o acesso amplo e
democrático ao espaço urbano, através da priorização dos modos de transporte coletivo e não
motorizados, de forma efetiva, socialmente inclusiva e sustentável de modo a garantir a
acessibilidade (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2007). É preciso compreender que os
problemas relacionados à mobilidade têm muitas origens sendo que uma das principais esta
relacionada às opções de transportes oferecidas aos cidadãos e por eles adotadas. A forma
como se dá o processo de circulação urbana interfere diretamente na demanda por transportes,
nas áreas destinadas a estacionamento, nos congestionamentos, etc. (MAGAGNIN, 2008).
O estacionamento é uma peça chave nas estratégias de transporte das grandes cidades,
afetando a maneira como vivemos, a acessibilidade e o sucesso econômico de uma estratégia
de desenvolvimento sustentável. Além disso, a oferta e o custo do estacionamento podem
desempenhar um papel fundamental na mudança de um sistema dependente do automóvel
para modos de transportes mais ecológicos como os percursos pedestres, vias de ciclismo e os
transportes coletivos (FILOSA, 2006). A procura de um lugar de estacionamento livre cria
congestionamento de veículos que estão à espera ou à procura de uma vaga. Quase ninguém
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percebe a quantidade de veículos que estão inseridos neste ciclo, pois esses mesmos
condutores encontram-se misturados com os outros que realmente procuram circular para
determinada localização, tornando-se um catalisador dos grandes congestionamentos
(SHOUP, 2005).
Para Coyle, Bardi e Novack (2006) as principais perdas financeiras envolvidas em um
congestionamento são o preço do tempo perdido na viagem, o custo adicional de combustível,
manutenção e depreciação dos veículos e o custo da poluição sonora e atmosférica. Porém os
autores alertam que os custos advindos dos congestionamentos são transferidos para a
população, e vão além do prejuízo financeiro, com exposição aos riscos que gradualmente
reduzem a qualidade de vidas das pessoas.
O transporte público é apontado como uma possível solução para redução nos
congestionamentos do tráfego, redução da emissão de CO2, maior eficiência no consumo de
energia, bem como para melhoria da mobilidade urbana (FREITAS e REIS, 2013).
Representa um modo de deslocamento importante para a sociedade e pode contribuir
significativamente para o desenvolvimento de uma região (FUJII e VAN, 2009).
A eficiência dos sistemas de transporte coletivo é ainda maior quando a utilização de sistemas
de alta capacidade e baixo custo, como metrôs, trens de superfície e ônibus de alta capacidade
(RODIER, JOHNSTON e ABRAHAN, 2002; DESSOUKY, RAHIMI e WEIDNER, 2003).
3.2 Problemas e soluções
A expansão urbana acelerada nesse novo contexto contemporâneo constitui-se, portanto, em
uma nova forma de viver a cidade (OJIMA, MONTEIRO e NASCIMENTO, 2015). Os
estudos realizados por diferentes autores apontam uma forte relação entre os diferentes
problemas relacionados à mobilidade, sendo necessária bastante cautela na tomada de ações
para minimização dos seus impactos, pois resultados positivos com relação a um problema
específico podem agravar outro devido a esta relação já mencionada. Um exemplo disso é a
cobrança de taxas para a circulação de veículos motorizados em determinados setores das
cidades, medida esta que reduz os congestionamentos e as emissões de GEE (gases do efeito
estufa). Porém corre-se o risco de estimular uma dispersão urbana na medida em que se
introduz a taxação em determinadas áreas (DALKMANN e BRANNIGAN, 2007). Está
dispersão irá demandar uma maior quantidade de deslocamentos e consequentemente
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aumentar as emissões de GEE, além de penalizar alguns grupos sociais, restringindo seu
acesso a determinados serviços urbanos (BARCZAK e DUARTE, 2012).
As questões tratadas pela mobilidade urbana apresentam importância principalmente quando
analisadas quanto ao aumento do tempo e custos de viagens, fragmentação do espaço urbano,
acidentes de trânsito, segregação espacial, ruído, poluição atmosférica e outras externalidades
(NASCIMENTO, 2014).
Dentre os principais problemas observados, oriundos da falta de planejamento dos centros
urbanos podemos citar, conforme Evans (2005) e Ruberg (2007) formação de
congestionamentos; geração elevada de gases do efeito estufa; prejuízos financeiros e
econômicos; stress da população e consequente diminuição da qualidade de vida; e
dificuldade de gerenciamento de resíduos urbanos.
Os períodos entre 7h e 9h, e entre 17h e 19h são caracterizados por uma grande quantidade de
pessoas que necessitam se locomover, que juntamente com a preferência de grande parte da
população de utilizar o transporte individual agravam os congestionamentos das áreas urbanas
(RESENDE, 2009). Estes fatores podem explicar algumas das causas dos atuais problemas
relativos à mobilidade urbana. Ainda é possível acrescentar o crescimento desordenado e a
falta de políticas públicas que possam orientar o crescimento espacial de forma sustentável e
com qualidade de vida (MAGAGNIN, 2008) e o aumento do número de veículos superior a
construção de ruas e avenidas (DOWS, 2004).
É evidente que a utilização de transporte individual traz conforto e flexibilidade aos
deslocamentos dos cidadãos, porém o revés desta forma de deslocamento é o aumento da
poluição ambiental com as emissões de gases poluentes, poluição sonora por meio dos
elevados índices de ruídos, perda de tempo em congestionamentos crônicos, riscos a vida e de
ferimentos graves devido a acidentes de trânsito, e rupturas em comunidades e nos
ecossistemas (WBCSD, 2004).
Frente às causas e problemas presentes na organização dos centros urbanos, diferentes órgãos
governamentais ou não-governamentais e autores da área estão propondo e/ou implantando
ações para minimizar os impactos da ineficiência da mobilidade urbana. No quadro 1 estão
elencadas algumas das principais medidas já propostas ou implantadas.
Para garantir uma boa eficiência na utilização de qualquer medida relacionada à mobilidade
urbana é preciso realizar um bom planejamento anterior a sua implantação, porém não é isso
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que se pode observar nas cidades brasileiras. Normalmente o planejamento considera apenas o
transporte motorizado, esquecendo que grande parte dos deslocamentos é realizado por
pedestres ou outros meios não motorizados e que todo este sistema de transportes está
inserido em um sistema maior, a cidade.
Quadro 1 - Medidas para melhorar a mobilidade urbana
Medida proposta/implantada
Cobrança de tarifas, taxas ou emissão de
certificados de poluição e pedágios urbanos;
Adoção de normas regulatórias que visam
restringir atividades poluidoras;
Restrição de acesso a determinadas áreas
urbanas, em determinados dias e horários, por
automóveis;
Adoção de políticas de mobilidade urbana que
priorizem transporte público e não motorizado
e que garantam investimentos nesta área;
Resultado esperado
Gerar receita para os órgãos
reguladores e internalizar os custos de
atividades poluidoras;
Redução de danos ambientais causados
por estas atividades;
Redução de congestionamentos e
melhoria do fluxo. Incentivo ao uso de
transporte coletivo ou não motorizado;
Proporcionar acesso democrático ao
espaço urbano e garantir acesso aos
serviços públicos de transporte
coletivo;
Referência
LANFREDI, 2007;
MAY, 2010;
DALKMANN e
BRANNIGAN,
2007;
BARCZAK e
DUARTE, 2012;
MINISTÉRIO DAS
CIDADES, 2014;
Implantação de sistemas informatizados que
apresentam em tempo real as condições do
trânsito em diferentes pontos da cidade e
ofereçam informações sobre os serviços de
transporte coletivo (horário, rota, custo);
Mudança nas estratégias de
deslocamento da população, reduzindo
assim os congestionamentos;
SAYEG e
CHARLES, 2005;
BATISTA, 2013;
A utilização da bicicleta ao invés do carro
como meio de transporte.
Redução nos congestionamentos,
emissões poluentes, diminui a
necessidade de estacionamentos para
veículos motorizados e traz benefícios
para a saúde.
BOUWMAN e
MOLL, 2002;
MARTENS, 2004
4. Resultados e discussão
Através do questionário aplicado a 383 indivíduos durante os meses de fevereiro e março de
2015, foi possível identificar que 33% das pessoas que se locomovem pela área urbana de
Santa Cruz do Sul estão insatisfeitas com as condições de mobilidade e 50% parcialmente
insatisfeitas. Em uma das questões, foi solicitado aos entrevistados que atribuíssem uma nota
de 1 a 5 às condições de trânsito da cidade, sendo 1 totalmente insatisfeito e 5 totalmente
satisfeito. Como resposta, 6% atribuíram nota 1, 23% nota 2, 45% nota 3, 20% nota 4 e 3%
nota 5.
A pesquisa também identificou o período entre 17h e 19h como sendo o pior para se efetuar
deslocamentos na área urbana, com 68% das indicações. 21% responderam das 6:30 às 8:30, e
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11% das 11:30 às 13:30. Entre os motivos que levam aos deslocamentos, 84% citaram o
trabalho, 13% o estudo e apenas 3% o laser.
Ao serem perguntadas quais as ruas com piores condições de tráfego devido a lentidão e
congestionamentos, os entrevistas citaram 23 diferentes ruas, sendo que as principais
encontram-se na tabela 2. Já a tabela 3 mostra os meios de transporte mais utilizados.
Tabela 2 - Ruas com piores condições de trafego em Santa Cruz do Sul
Nome da Rua/Av.
Percentual
Av. Dep. Euclides N. Kliemann
35%
Rua Marechal Floriano Peixoto
21%
Av. Independência
11%
Acesso Grasel
7%
Rua Ernesto Alves
4%
Outras
22%
Tabela 3 - Meios de transporte utilizados em Santa Cruz do Sul
Meio de transporte
Percentual de utilização
Automóvel
58%
Motocicleta
15%
Ônibus
16%
Caminhada
9%
Carona
1%
Bicicleta
1%
Durante a aplicação do questionário buscou-se identificar os motivos da não adoção de meios
de transporte menos poluentes e que contribuam para a redução dos congestionamentos e
também, as formas de conseguir uma maior adesão deste tipo de meio de transporte. Duas
perguntas objetivas foram aplicadas, somente a entrevistados que não tem o hábito de utilizar
tais meios:
 Porque você não utiliza um meio de transporte alternativo?
 O que deve mudar em Santa Cruz do Sul, para que você passe a utilizar meios de
transporte alternativos?
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O resultado referente à aplicação destas questões está na tabela 4, onde as opções de resposta
com o percentual de entrevistados que às escolheram é apresentado.
Tabela 4 - Motivos da não adoção de meios de transporte alternativo e opções para mudança
de hábito
Motivo da não utilização de meio de
Percentual de
Opções para se obter
Percentual de
transporte alternativo
resposta
maior adesão
resposta
Acredita que perderia muito tempo com
outro meio de transporte
43%
Distância grande de deslocamento diário
28%
Não quer sair da rotina
16%
Outro
13%
Melhoria no sistema de
transporte coletivo
Implantação de ciclovias
Implantação de sistemas
(aplicativos) de carona
Outro
55%
28%
10%
7%
5. Considerações finais
Para garantir uma boa eficiência na utilização de qualquer medida relacionada à mobilidade
urbana é preciso realizar um bom planejamento anterior a sua implantação, porém não é isso
que se pode observar nas cidades brasileiras. Normalmente o planejamento considera apenas o
transporte motorizado, esquecendo que grande parte dos deslocamentos é realizado por
pedestres ou outros meios não motorizados e que todo este sistema de transportes está
inserido em um sistema maior, a cidade.
O presente estudo identificou as necessidades de deslocamento para trabalho e estudo como
sendo os principais causadores do fluxo elevado de pessoas na área urbana. Como a grande
maioria das pessoas encerra sua jornada de trabalho justamente no horário crítico (entre 17h e
19h), e este período coincide com o término das aulas do turno da tarde dos colégios e
universidade bem como o início das aulas do turno da noite, este é o período mais
problemático.
A ampliação do número de ciclovias é uma medida que apresenta grande potencial para
minimizar os impactos da mobilidade urbana em Santa Cruz do Sul, pois durante a pesquisa,
foi possível identificar que o uso da bicicleta como meio de transporte é baixo, porém a
implantação de ciclovias é a segunda medida mais solicitada pela população, para que passem
a utilizar menos os meios de transporte motorizados. Melhorias no sistema de transporte
coletivo foi a medida mais solicitada e deve ser priorizada na busca pela redução do número
de veículos individuais nas ruas.
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Para estudos futuros, podem-se realizar pesquisas que avaliem os custos da implantação de
medidas mitigadoras da mobilidade urbana e seus impactos na atividade econômica do
município.
REFERÊNCIAS
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ANEXO
Questionário aplicado aos entrevistados.
Data: ___ / ___ / ____
Sexo: M ( ) F ( )
1) Qual o principal meio de transporte que você utiliza?
( ) Carro ( ) Moto ( ) Bicicleta ( ) Ônibus ( ) Carona
( ) A pé ( ) Outro
Secção para indivíduos que não utilizam meios de
transporte coletivo ou não poluente.
6) Por que você não utiliza um meio de transporte
alternativo (ônibus, bicicleta, carona, etc)?
2) Qual o principal motivo que te leva a se deslocar?
( ) Trabalho ( ) Estudo ( ) Lazer ( ) Outro
3) Você esta satisfeito com as condições de trânsito de Santa Cruz
do Sul?
( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente
4) Qual a pior faixa de horário para trafegar nas ruas de Santa
Cruz do Sul?
( ) 6:30 às 8:30 ( ) 11:30 às 13:30 ( ) 17:00 às 19:00
5) Qual a rua/avenida/bairro que tem o pior transito para você?
(Apenas o nome do local).

________________________________________________
( ) Distância grande de deslocamento diário
( ) Acredita que perderia muito tempo com outro meio de
transporte
( ) Não quer sair da rotina
( ) Outro
7) O que deve mudar em Santa Cruz do Sul, para que
você passe a utilizar meios de transporte alternativos?
(
(
(
(
) Melhoria no sistema de transporte coletivo (ônibus)
) Implantação de ciclovias
) Implantação de sistemas (aplicativos) de carona
) Outro
8) Qual a nota que você da a situação atual do transito
em Santa Cruz do Sul? (Sendo 1 (um) totalmente
insatisfeito e 5 (cinco) totalmente satisfeito).
( )1 ( )2( )3( )4( )5
13
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mobilidade urbana na cidade de santa cruz do sul: análise