UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADE CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
DIAGNÓSTICO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS E
SÓLIDOS EM EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS
AUTOMOTIVOS
KETTY GISELE DE MEIRA
Foz do Iguaçu - PR
2009
ii
KETTY GISELE DE MEIRA
DIAGNÓSTICO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS E
SÓLIDOS EM EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS
AUTOMOTIVOS
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica de Cataratas –
UDC, como requisito parcial para
obtenção de grau de Engenheiro
Ambiental.
Orientador(a):
Rodrigo
Zembrzuski Pelissari
Foz do Iguaçu – PR
2009
Augusto
iii
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
DIAGNÓSTICO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES LÍQUIDOS E SÓLIDOS EM
EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS AUTOMOTIVOS
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
BACHAREL EM ENGENHARIA AMBIENTAL
Aluno(a): Ketty Gisele de Meira
Orientador(a): Prof(ª) Rodrigo Augusto Zembrzuski Pelissari
Conceito Final
Banca Examinadora:
Prof(ª). Elisandro Pires Frigo
Prof(ª). Marcelo Silva
Foz do Iguaçu,
de
2009.
iv
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, que sempre iluminou a minha caminhada e
permitindo que eu chegasse até aqui, cumprindo meus objetivos.
Ao o meu professor e orientador Rodrigo A.Z. Pelissari, por me ajudar a realizar este
trabalho.
Aos colegas de curso pelo incentivo e troca de experiências.
A todos os meus familiares e amigos pelo apoio e colaboração.
Agradeço principalmente ao meu marido Wanderley pelo companheirismo e apoio
emocional.
Aos os meus filhos Matheus, Lucas e Isabelli pela compreensão nos momentos de
ausência, e por serem a razão do meu esforço e empenho nos estudos para deixálos o exemplo.
Agradeço também aos meus professores que no decorrer do curso estiveram me
auxiliando nos estudos.
v
SUMÁRIO
RESUMO............................................................................................................08
ABSTRACT.........................................................................................................09
1. INTRODUÇÃO................................................................................................10
1.1 Objetivos..........................................................................................12
1.1.1 Objetivo Geral..........................................................................12
1.1.2 Objetivos Específicos...............................................................12
1.2 Justificativa........................................................................................12
2. REFERENCIAL TEÓRICO..............................................................................14
2.1. Origem e Produção de Resíduos Sólidos no Meio Urbano..............14
2.2. Origem e Formação dos Resíduos Sólidos......................................15
2.3. Resíduos Sólidos..............................................................................17
2.3.1 Embalagens de Óleo Lubrificante............................................17
2.3.2 Filtros de óleo lubrificante........................................................20
2.3.3 Estopas....................................................................................21
2.3.4 Resíduo de caixa separadora de água e óleo........................21
3. Efluentes Líquidos...............................................................................22
3.1 Óleos Lubrificantes.....................................................................22
3.2 Gasolina......................................................................................25
3.3 Efluentes da Lavagem de Peças................................................25
3.4 Tratamento e Acondicionamento.......................................................26
3.4.1 Líquidos...................................................................................26
3.5 Descrições das Caixas Separadora de Água e Óleo........................29
3.5.1 A – Caixa de retenção de areia...............................................29
3.5.2 B e C – Caixas de retenção de óleo........................................30
3.5.3 D – Caixa de inspeção.............................................................30
3.5.4 E - Caixa de óleo....................................................................31
3.6 Sólidos...............................................................................................33
4. MATERIAL E MÉTODOS................................................................................37
4.1 Caracterização da área de Estudo...................................................37
4.2 Procedimentos metodológicos.........................................................38
5. RESULTADO E DISCUSSÃO.........................................................................39
6. CONCLUSÃO..................................................................................................57
7. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA.....................................................................58
vi
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Dimensionamento das caixas separadoras de água e óleo................32
vii
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Planta Caixa Separadora de água e óleo.............................................28
Figura 2: Caixas de retenção de óleo..................................................................29
Figura 3: Caixas de inspeção..............................................................................30
Figura 4: Localização de Sistema no Terreno.....................................................33
Figura 5: Embalagens de óleo lubrificante usadas, jogadas no chão.................40
Figura 6: Prática de escoamento de óleo lubrificante automotivo residual das
embalagens.........................................................................................................42
Figura 7: Tanque de armazenamento de óleo lubrificante usado.......................43
Figura 8: Tanque de armazenamento de óleo lubrificante usado, exigido pela
norma..................................................................................................................45
Figura 9: Armazenamento incorreto de embalagens de óleo lubrificante..........46
Figura 10: Equipamento para armazenamento de embalagens de óleo
lubrificante...........................................................................................................46
Figura 11: Estopas armazenadas de forma incorreta.........................................48
Figura 12: Lixeira de plástico para armazenamento de estopas........................49
Figura 13: Pia para lavagem de peças...............................................................50
Figura 14: 1º Caixa onde cai a água da lavagem das peças..............................51
Figura 15: 2º Caixa onde cai a água da lavagem das peças..............................51
Figura 16: Mesa para lavagem de peças automotivas........................................52
Figura 17: Equipamento para lavagem das peças automotivas..........................53
Figura 18: Filtros de óleo lubrificante, armazenamento irregular.........................54
Figura 19: Filtros de óleo lubrificante, processo de escoamento e
armazenamento em bandejas..............................................................................55
8
MEIRA, Ketty Gisele. Diagnóstico de Tratamento de Efluentes Líquidos e Sólidos em
Empresa Prestadora de Serviços Automotivos. Foz do Iguaçu, 2009. Trabalho Final
de Graduação (Bacharelado em Engenharia Ambiental) – Faculdade Dinâmica das
Cataratas.
RESUMO
Este trabalho tem como principal objetivo, diagnosticar os problemas quanto à
geração de efluentes líquidos e sólidos oriundo do processo da manutenção de
veículos na empresa Digital Serviços Automotivos na cidade de Foz do Iguaçu. O
foco principal é diagnosticar os resíduos, e através deste diagnóstico realizar o
armazenamento e tratamento adequado para estes resíduos e também orientar os
responsáveis pela a empresa sobre a destinação correta para estes resíduos
gerados dentro da empresa. Para isso foram feitas visitas em dias e horários
alternados, e através de imagens foram observados tais problemas, como
armazenamento e tratamento inadequados dos resíduos gerados na empresa.
Palavras - chaves: Resíduos, Impacto, Preservação Ambiental.
9
MEIRA, Ketty Gisele. Diagnosis of liquid and solid waste treatment in an automotive
service company. Completion of course work (Bachelor of Environment Engineering)
- Faculdade Dinâmica das Cataratas.
ABSTRACT
The main purpose of this work is to diagnose problems about liquid and solid wastes
generation coming from the maintaining process of vehicles ate the company Digital
Serviços Automotivos in Foz do Iguaçu. The main focus is to diagnose the waste,
and through this diagnosis execute the appropriate storage and treatment for these
wastes and also guide on the correct destination for the generated waste of the
company. It was made visits in alternate days and times, and through images it was
observed problems as improper storage and handling of waste generated in the
company.
Key words: Residue; Impact; Environment preservation.
10
1. INTRODUÇÃO
A poluição é um dos graves problemas mundiais que pode afetar a
sobrevivência dos seres vivos.
À medida que a população vai crescendo aumenta a demanda de
veículos, e através disso o ser humano vai buscando novidades no setor automotivo.
E para atender as necessidades das pessoas, surge o crescimento
da frota de veículos, e com isso surgem também muitos problemas com relação aos
resíduos gerados através na manutenção dos veículos, e entre as principais
atividades desenvolvidas nas oficinas mecânicas, destacam-se as trocas de óleo
lubrificante, manutenção em geral e lavagem de peças de veículos automotores.
As atividades desenvolvidas nas oficinas automotivas podem ser
desempenhadas de modo seguro e saudável, tanto do ponto de vista de saúde
11
humana quanto da proteção ambiental desde que sejam conhecidas e corretamente
controladas, como a geração de efluentes líquidos e geração de resíduos sólidos.
O setor de serviços automotivos pode gerar diversas formas de
impactos ao meio ambiente, sendo que neste trabalho, vamos nos ater a tentativa de
solucionar o caso dos efluentes líquidos e sólidos, através do diagnostico feito na
empresa prestadora de serviços automotivos.
12
1.1 Objetivos
1.1.1 Objetivo Geral
Realizar um diagnóstico do tratamento de efluentes líquidos e
sólidos produzidos na manutenção de veículos na empresa prestadora de serviços
automotivos.
1.1.2 Objetivos Específicos
● Investigar os resíduos sólidos e líquidos em atividades de
manutenção de veículos;
● Orientar a destinação correta dos resíduos;
1.2 Justificativa
A preservação ambiental é importante elemento em um futuro
próximo. A falta de controle de resíduos em alguns lugares do mundo esta sendo
tratado como um problema contaminação gravíssimo.
Haja vista a realidade de nossa cidade na questão de conservação
dos recursos hídricos, solos e tratamento de resíduos, este se tornou um tema
interessante para o desenvolvimento de estudos, onde temos por base que para
melhorar as características, já muito comprometidas dos mesmos, precisamos
inicialmente buscar cessar os motivos de degradação ambiental. As principais
causas de degradação são: a inexistência de mata ciliar, permitindo processos
13
erosivos e de assoreamento dos cursos d água, esgotamento sanitário, passivos
ambientais da mineração de carvão e lançamento de efluentes líquidos industriais e
resíduos sólidos lançados sem os devidos tratamentos.
Por ser muito extenso, o tema é muito difícil de ser trabalhado,
porem sugere-se estudar, com o interesse de colaborar para uma parcela do setor
automotivo, realizando um diagnóstico e oferecendo soluções para os problemas
dos resíduos gerados, com isso vindo a servir de exemplo aquelas empresas de
serviços automotivos que ainda não tomaram consciência da importância de
medidas de controle ambiental. No caso das empresas de serviços automotivos é
comum a contaminação pelo óleo lubrificante no solo, nas águas e contaminação
por outros resíduos também como: embalagens de óleo lubrificantes, filtros de óleo
lubrificantes e estopas.
Diante destes problemas, propondo estudar através de diagnóstico
os efluentes líquidos e sólidos em uma empresa prestadora de serviços automotivos.
14
2. REFERÊNCIAL TEÓRICO
2.1 Origem e Produção de Resíduos Sólidos no Meio Urbano
Segundo Lima (2004), o problema do lixo urbano envolve aspectos
relacionados à sua origem e produção, assim como o conceito de inesgotabilidade e
os reflexos de comprometimento do meio ambiente, principalmente a poluição do
solo, do ar e dos recursos hídricos.
Sumariamente, podemos dizer que o lixo urbano resulta da atividade
diária do homem em sociedade e que os fatores principais que regem sua origem e
produção são, basicamente, dois: o aumento populacional e a magnitude da
industrialização (LIMA, 2004).
15
O fato mais preocupante é que a população mundial esta crescendo
em ritmo acelerado, esperando-se que a duplique nos próximos vinte ou trinta anos,
o que ira gerar inevitavelmente abundantes volumes de lixo (LIMA, 2004).
Segundo Trigueiro (2005), um dos graves problemas ambientais do
Brasil e do Mundo é, uma das maiores paixões da humanidade o automóvel. O
século 20 foi marcado pela explosão do automóvel, que se transformou num sonho
de consumo da era moderna.
Para Grimberg (1998), o modo de vida urbano é um fator
determinante da degradação ambiental e do comprometimento crescente da
qualidade de vida. A confusão do estilo de vida das cidades, combinada a um
pesado marketing, com isso gera nas pessoas necessidades de um intenso
consumo.
De acordo com Bidone (2001), no Brasil, todos resíduos, inertes,
tóxicos, orgânicos, inorgânicos, recicláveis ou não, podem ser encontrados
aparelhados na natureza de forma inadequada, sem tratamento algum, expondo a
população a sérios riscos de contaminação, degradando o ambiente, poluindo
indiscriminadamente os cursos de água ou interferindo nos rios e galerias.
2.2 Origem e Formação dos Resíduos Sólidos
Definir
como
lixo
todo
e
quaisquer
resíduos
compõem-se
basicamente de sobras de alimentos, papéis, papelões, plásticos, trapos, couros,
madeira, lata, vidros, lamas, gases, vapores, poeiras, sabões, detergentes e outras
substâncias descartadas pelo homem no meio ambiente. Segundo Motta (1998), a
geração de resíduos sólidos (domiciliares, hospitalares, industriais e agrícolas) é
16
considerada também um dos principais problemas ambientais. O lixo não coletado
corretamente e disposto compõe uma carga poluidora que escorre pelas águas
pluviais (runoff) urbanas e rurais. O lixo coletado e acondicionado inadequadamente
em aterros ou a céu aberto e em áreas alagadas provoca grandes problemas
sanitários e de contaminação hídrica nos locais onde é jogado. Quando se trata de
carga tóxica, na maioria das vezes de origem industrial ou agrícola, as
conseqüências ambientais na saúde humana e na preservação da fauna e flora são
mais prejudiciais (LIMA, 2004). Diante deste problema podemos classificar as
poluições em:
Poluições do Solo: o lixo, jogado inadequadamente, sem qualquer
tipo de tratamento, pode poluir o solo, pode alterar suas características físicas,
químicas e biológicas, gerando um problema de ordem estética e, ainda uma séria
ameaça à saúde publica (LIMA, 2004).
Poluições das Águas: pode classificar os danos causados pela
disposição inadequada do lixo em cursos d água da seguinte maneira: a poluição
física, química, biológica química, biológica e radioativa (LIMA, 2004).
Poluição física: os mecanismos de poluição das águas são
desenvolvidos a partir do momento em que os resíduos industriais e domésticos são
jogados diretamente nos cursos d água, como forma de destino final. Esse
comportamento
pode
causar
uma
série
de
perturbações
físicas
que,
conseqüentemente, vai modificar as condições iniciais do meio (LIMA, 2004).
Poluição química: a poluição química dos recursos hídricos naturais
acontece, principalmente, em função de resíduos industriais como detergentes nãobiodegradáveis e resíduos tóxicos, e pelo grande uso de herbicidas, fungicidas etc.
17
Lixo Industrial é aquele gerado das atividades dos vários ramos da
indústria, tais como metalúrgica, química, petroquímica, papelaria, alimentícia, etc
(LIMA, 2004).
O lixo industrial é basicamente variado, podendo ser representado
por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papéis, madeiras,
fibras, borrachas, metais escorias, vidros e cerâmicas, etc. Nesta categoria, inclui-se
a grande maioria do lixo considerado tóxico (classe I) (LIMA, 2004).
Segundo a NBR 10.004/2004, todos os resíduos são classificados
em função de suas propriedades físico-químicas e por meio da identificação dos
contaminantes presentes. A segregação dos resíduos na fonte geradora e a
identificação da sua origem são partes integrantes dos laudos de classificação, nos
quais a descrição de matérias-primas, de insumos e do processo gerador do resíduo
deve ser citada.
2.3 Resíduos Sólidos
2.3.1 Embalagens de Óleo Lubrificante
Conforme a NBR 10.004/2004, Resíduos Sólidos - Classificação,
embalagens plásticas e baldes contendo residual de óleo lubrificante, são
classificados como classe I – perigosos, por apresentar características de toxicidade
e, essa periculosidade induz a conscientização de que o descarte no lixo comum
é uma prática que deve ser eliminada, pela possibilidade de causar danos ao meio
ambiente e a saúde pública.
18
A redução do descarte no lixo comum e o incentivo à coleta seletiva
e reciclagem das embalagens plásticas usadas trazem uma série de benefícios à
sociedade, tais como: o aumento da vida útil dos aterros, geração de empregos,
economia de energia e de recursos naturais, entre outros (MINISTÉRIO DO MEIO
AMBIENTE, 2007).
O óleo lubrificante é acondicionado em embalagens plásticas de
vários volumes. Além do (PEAD), polietileno de alta densidade, faz parte da
embalagem plástica sua tampa, que é formada pelo polímero sintético polipropileno
(PP). Segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de
Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), são produzidos por ano 1.000.000 m3/ano
de óleo lubrificante.
De acordo o Ministério do Meio Ambiente, nessa seção são
abordados os cuidados necessários para operações com as embalagens plásticas
usadas contendo óleo lubrificante. As informações fornecidas seguem as mesmas
regras gerais de segurança e higiene industrial estabelecidas para o manuseio de
óleos lubrificantes.
Para a prevenção do trabalhador o manuseio das embalagens deve
seguir a orientação prevista nas normas regulamentadoras (NR’s) do Ministério do
Trabalho. O uso de equipamentos de proteção individual (EPI), principalmente luvas
impermeáveis (PVC, polietileno ou neoprene) é recomendado, para evitar contato
direto com o produto contendo óleo lubrificante residual (MINISTÉRIO DO MEIO
AMBIENTE, 2007).
Ainda de acordo com Ministério de Meio Ambiente é também
recomendado que a área de manuseio possua ventilação local natural ou mecânica,
que todos os elementos condutores do sistema em contato com o co-produto devam
19
ser aterrados eletricamente e que o uso de ferramentas seja feito com equipamentos
antifaiscantes.
Com relação à coleta das embalagens depois de efetuado o
procedimento de reposição ou troca do óleo lubrificante de motores, veículos e
equipamentos, as embalagens plásticas usadas deverão ser submetidas a processo
de escoamento do óleo lubrificante contido nas paredes e fundo da embalagem.
Para esse procedimento, são utilizados equipamentos de escoamento de óleo
lubrificante ainda contido nas embalagens plásticas, essa embalagem deverá ser
deixada no equipamento de escoamento a fim de reduzir ao máximo a quantidade
de óleo contida na embalagem de PEAD. O tempo de escoamento é variável em
função da temperatura local, da viscosidade do óleo lubrificante etc. Recomenda-se
manter a embalagem plástica em um período não inferior a 1 (uma) hora emborcado
no recipiente (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2007).
Ainda de acordo com Ministério do Meio Ambiente não é
recomendado descartar a tampa do frasco plástico usado, depois do escoamento do
restante do óleo lubrificante, a tampa deverá ser recolocada na embalagem. Com
isso minimiza o escorrimento do óleo ainda restante na embalagem durante o
transporte do co-produto para o tratamento ou disposição final. Recomenda-se
fechar a embalagem de PEAD com a tampa de PP e encaminhar para
armazenamento temporário.
O óleo recolhido no equipamento de escoamento deverá ser
encaminhado ao processo de rerrefino em empresas especializadas (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, 2007).
20
2.3.2 Filtros de Óleo Lubrificante
Conforme
a
NBR-10004/2004,
esses
resíduos
sólidos
são
classificados residuos perigosos, ela classifica esses resíduos sólidos quanto aos
seus riscos potenciais de contaminação ao meio ambiente e a saúde pública,
indicando quais resíduos devem ter manuseio. É classificado como resíduos sólidos
perigosos (classe I) por apresentar toxicidade.
A quantidade de óleo lubrificante armazenado nas carcaças dos
filtros de óleo usado nos automóveis de pequeno porte contem aproximadamente
250ml em seu interior. Existe ainda falta de tecnologias para a reciclagem dos filtros
de óleo lubrificante (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2007).
O IAAP – Instituto de Apoio a Ação Participativa (2008) diz que um
grande problema também é o alto custo nos processos de reciclagem, o custo mais
elevado é no recolhimento dos filtros. O descarte dos filtros no meio ambiente é
preocupante, pelo potencial de contaminação nos recursos hidricos, há um grande
volume desse material no meio ambiente.
O Ministério do Meio Ambiente (2007) diz que a falta de
comprimento dos fabricantes, além de comprometer o abastecimento e o equilíbrio
dos ecossistemas o óleo lubrificante contido no filtro tem em sua composição metais
pesados como niquel, cádmio e chumbo de alto teor e causam o câncer.
21
2.3.3 Estopas
De acordo o Ministério do Meio Ambiente (2007) as estopas devem
ser acondicionadas em sacos plásticos ou tambores e deverão ser encaminhadas
para a mesma empresa que recolhe as embalagens, e passar pelo processo de
descontaminação. O estabelecimento em hipótese alguma deve realizar a lavagem
dos panos, bem como o reaproveitamento desses resíduos.
2.3.4 Resíduo de caixa separadora de água e óleo
Segundo a Secretária de Estado do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos – SEMA (2007) para evitar a contaminação por poluentes em corpos d
água, é necessário realizar a limpeza dos separadores de água e óleo a fim de
manter o bom funcionamento do sistema de tratamento de efluentes. A limpeza deve
ser realizada mensalmente, ou quando houver acúmulo de óleo ou areia em seu
interior.
A coleta geralmente é feita por caminhões de sucção e o resíduo
deve ser encaminhado para tratamento físico-químico por empresa autorizada e
licenciada pelos os órgãos ambientais. A empresa coletora do resíduo fornece ao
estabelecimento a nota fiscal e manifesto de resíduo (Secretaria de Estado do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos – SEMA, 2007).
Lembrando que é crime ambiental o lançamento de resíduos
contaminados em corpos d água (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos – SEMA, 2007).
22
A NBR – 10004/2004 fala sobre a classificação de resíduos e
envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem e de seus
constituintes e características e a comparação destes constituintes com listagens de
resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido. Para
os efeitos desta Norma, os resíduos são classificados em:
Resíduos Classe I – Perigosos: Resíduos que Apresentam
periculosidade, como por exemplo, lâmpadas fluorescentes, óleo combustível /
lubrificante, embalagem fitossanitária e bateria veicular.
Resíduos Classe II - Não-Perigosos
Resíduos Classe II A - Não-Inertes – resíduos biodegradáveis,
solubilidade em água, como por exemplo, sucata de madeira, cinzas da fornalha da
caldeira de queima de bagaço, lixo doméstico, papel / papelão, resíduos de
alimentos.
Resíduos Classe II B – Inertes - Insolúveis em água, conforme NBR
10.007/04 e 10.006/04, como por exemplo, sucata de borracha, sucata ferrosa e não
ferrosa, vidro, eletrodos, pneu, cartucho de impressora.
3 Efluentes Líquidos
3.1 Óleos Lubrificantes
Os óleos lubrificantes são considerados perigosos para o meio
ambiente devido a sua persistência e sua capacidade de expandir-se em grandes
áreas de solo e água, formando um filme que impede a entrada de oxigênio, que
produz uma degradação rápida e significativa da qualidade do meio ambiente (ABNT
NBR-10.004/2004). Eles não são biodegradáveis, desta forma, têm alto poder de
bioacumulação no meio ambiente (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e
Recursos Hídricos – SEMA, 2007).
23
Diversos setores automotivos possuem oficinas que prestam
serviços de troca de óleo lubrificante. Normalmente, o descarte do óleo lubrificante
usado, das embalagens de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) contaminadas com
óleos lubrificantes e aditivos, das buchas têxteis de limpeza e de outros produtos
usados (areia, serragem e papelão) para evitar os possíveis vazamentos ocorridos
durante a operação de troca de óleo dos veículos automotores, ocorre de forma
imprópria (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2007).
O óleo lubrificante automotivo usado ou contaminado contém metais
e compostos altamente tóxicos e, por esse motivo, é classificado como resíduo
perigoso (classe I), por apresentar toxidade segundo a Norma 10004 da ABNT. Essa
mesma norma diz que não pode ser utilizado como combustível, a sua queima
libera, para a atmosfera, metais pesados como cádmio, chumbo, níquel todos
potencialmente carcinogênicos, além de gases residuais e particulados
A Resolução CONAMA 362/2005 proíbe a queima e a incineração
dos óleos lubrificantes automotivos usados ou contaminados, pois isto significaria a
destruição de frações nobres de petróleo que se encontram no óleo lubrificante
usado. A mesma Resolução não autoriza o aterramento de óleo lubrificante usado.
Ao contrário, determina que todo óleo lubrificante automotivo usado ou contaminado
deve ser coletado e destinado à reciclagem. Diz ainda, que a reciclagem deve ser
realizada por meio do processo de rerrefino, priorizando o aproveitamento de todos
os materiais contidos no óleo lubrificante automotivo usado.
O rerrefino é um processo industrial, e serve para remoção de
contaminantes, de produtos de oxidação e de aditivos do óleo
lubrificante
automotivo usado ou contaminado, entregando ao produto final do processo as
mesmas características do óleo lubrificante básico (QUELHAS, 2003).
24
Um processo de rerrefino compreende em etapas com as seguintes
finalidades: remoção de água e contaminantes leves; remoção de aditivos
poliméricos, produtos de degradação termo-oxidativa do óleo de alto peso molecular
e
elementos
metálicos
oriundos
do
desgaste
das
máquinas
lubrificadas
(desasfaltamento); fracionamento do óleo desasfaltado nos cortes requeridos pelo
mercado; acabamento, visa a retirada dos compostos que conferem cor, odor e
instabilidade aos produtos, principalmente produtos de oxidação, distribuídos em
toda a faixa de destilação do óleo básico. (REVISTA MEIO AMBIENTE
INDUSTRIAL, 2001).
A prática de colocar os frascos de óleo lubrificante automotivo
residual para escorrer e, depois, encaminhá-lo ao rerrefino, já é uma realidade em
alguns postos de combustíveis e oficinas mecânicas Isto evita o descarte
inadequado de uma grande quantidade de óleo lubrificante automotivo no ambiente
(Ministério do Meio Ambiente – MMA, 2007).
O transporte de óleo lubrificante automotivo usado é uma atividade
com potencial de risco e somente poderá ser realizada por empresa devidamente
licenciada para este fim. Essas empresas transportadoras de óleo lubrificante
automotivo usado devem ser autorizadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).
Entre 1991 - 1993, a ONU financiou estudos sobre a destinação de óleos
lubrificantes usados (Ministério do Meio Ambiente – MMA, 2007).
Os
óleos
lubrificantes
usados
de
base
mineral
não
são
biodegradáveis e podem ocasionar sérios problemas ambientais quando não
adequadamente dispostos (Ministério do Meio Ambiente – MMA, 2007).
25
3.2 Gasolina
Os combustíveis, através de seus efluentes contendo compostos
orgânicos, tais como combustíveis hidrocarbonatados (gasolina, diesel, e outros),
graxas e óleos e, são uma das principais causas de poluição das águas superficiais
e subterrâneas, e ainda representam perigo constante quando os despejos líquidos
são ligados à rede de esgotos. Ou, são contribuintes constantes nos cursos da água
por meio de ligação direta nas galerias de águas pluviais, sem tratamento prévio. A
tecnologia para a solução desses problemas baseia-se na utilização de caixas
separadoras, que faz o escoamento da água e a retenção dos óleos e graxas,
reduzindo a poluição das águas (Centro Nacional de Tecnologias Limpas - CNTL
SENAI, 2009).
3.3 Efluentes da Lavagem de Peças
Segundo IMHOFF (1985), o destino final de qualquer efluente é o
encaminhamento a um corpo de água. Em conseqüência desse lançamento,
aparece a possibilidade de virem a ser gerados certos inconvenientes, como, por
exemplo, o desprendimento de maus odores, o sabor estranho na água potável,
mortalidade de peixes e outros. A saúde publica pode ser ameaçada pela
contaminação das águas de abastecimento, dos balneários e dos gêneros
alimentícios.
A água é um elemento essencial à manutenção de toda forma de
vida na Terra. A ela são atribuídos diversos valores da atividade humana, sejam
sociais, culturais ou econômicos. Óleos lubrificantes e graxas usados em postos de
26
gasolina e oficinas mecânicas e lavagem de peças automotivas comprometem a
qualidade da água eliminada e dificultam o processo de despoluição em cursos
d’água. (UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa, 2008).
Este estudo visa destinação a estes efluentes gerados em lavagens
de automóveis e peças na empresa, sugerindo práticas a serem adotadas com o
intuito de aprimorar as técnicas de tratamento do efluente e o reuso da água de
lavagem.
3.4 Tratamento e Acondicionamento
3.4.1 Líquidos
Segundo a NBR 17505-4/2006, o armazenamento de líquidos
inflamáveis e combustíveis – devem-se armazenar em recipientes, tanques portáteis.
Os requisitos para o armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis nas
seguintes condições: tambores ou outros recipientes que não ultrapassem 450 L em
sua capacidade individual; tanques portáteis/recipientes intermediários para granel,
com a capacidade acima de 450 L e que não ultrapasse 5000 L em sua capacidade
individual nas transferências eventuais entre recipientes.
Reter e armazenar os óleos lubrificantes automotivos usados de
uma forma segura e acessível à coleta, em recipientes adequados e resistentes a
vazamentos, no caso de uma instalação própria. Tomar medidas claras para evitar
que o óleo lubrificante usado venha a ser contaminado por produtos químicos, como
combustíveis, solventes e outras substâncias que possa contaminar esse óleo. O
local de armazenamento do óleo lubrificante usado deve ser mantido de forma
27
adequada para evitar infiltrações e vazamentos, o recipiente deve ser mantido
fechado (Ministério do Meio Ambiente – MMA, 2007).
No
caso
de
vazamento
ou
derramamento,
é
fortemente
recomendada que o óleo lubrificante não seja direcionado para quaisquer sistemas
de drenagem pública. Esse óleo vazado ou derramado, juntamente com efluentes
oleosos, deverá ser encaminhado para sistemas de tratamento água-óleo.
(Ministério do Meio Ambiente – MMA, 2007).
O efluente das oficinas mecânicas apresenta, entre outros, três
constituintes básicos: água, sólidos (areia, terra, etc.) e óleo. Se misturarmos os três
em um recipiente transparente, após um tempo em repouso nota-se que os sólidos
(mais densos que a água e o óleo - ex: areia) decantarão. O óleo, imiscível em água,
e de menor densidade que esta, flotará. Estas caixas podem ser construídas em
qualquer material inerte, resistente e impermeável. Normalmente são construídas em
alvenaria com reboco interno, porem algumas pessoas preferem construí-las com
tubos de cimento (manilhas) (Ministério do Meio Ambiente – MMA, 2007).
Os processos de tratamento de efluentes líquidos são formados por
uma serie de operações unitárias, sistemas que são empregados para a remoção de
substancias indesejáveis, ou para a transformação destas substâncias em outras de
forma aceitável, como podemos mostrar na planta abaixo. (Ministério do Meio
Ambiente – MMA, 2007).
Na figura 1 observa-se um corte transversal em uma caixa
separadora de água e óleo.
28
Fonte: Secretária do Meio Ambiente, 2009.
Figura: 1 – Planta (Caixa Separadora de Água e Óleo)
As medidas mostradas na figura acima são para uma vazão de
1.000 litros por hora.
29
3.5 Descrição das caixas Separadora de água e óleo
3.5.1 .A - Caixa de retenção de areia.
Esta Está caixa mostra os tubos de entrada e saída estão no mesmo
nível. Nesse percurso entre a entrada e a saída os sólidos decantam acumulando-se
no fundo da caixa (SECRETÁRIA DO MEIO AMBIENTE, 2009).
Fonte: Secretária do Meio Ambiente, 2009.
Figura: 2 – Caixas de retenção de óleo
30
3.5.2 B e C - Caixas de retenção de óleo
Nessa caixa os tubos de entrada e saída apresentam cotovelos.
Quando entram nesta caixa a água e o óleo separam-se. O óleo fica
acumulado na superfície e a água sai pelo segundo tubo (SECRETÁRIA DO
MEIO AMBIENTE, 2009).
Fonte: Secretária do Meio Ambiente, 2009.
Figura: 3 – Caixas de inspeção
3.5.3 D - Caixa de inspeção
Esta caixa não participa diretamente do processo de tratamento. Ela
serve para o monitoramento da água tratada. Se a água, nesta caixa, apresentar
óleo sobrenadantes ou sólidos em suspensão é porque as caixas anteriores não
estão tratando adequadamente o efluente, essas caixas devem ser examinadas
(SECRATÁRIA DO MEIO AMBIENTE, 2009).
31
3.5.4 E – Caixa de óleo.
Esta caixa é de construção opcional, ela serve para acumular o óleo
retido nas caixas B e C, evitando assim que o óleo seja coletado em períodos
menores das outras duas caixas. Todas as caixas devem possuir tampa de fácil
remoção (SECRETÁRIA DO MEIO AMBIENTE, 2009).
Para a instalação das caixas de retenção, no pátio da empresa,
deve-se tomar os seguintes cuidados:
- Evitar locais de tráfego intenso.
- Evitar proximidade de locais de escoamento de águas pluviais.
- Promover desníveis de modo a aproveitar a ação da gravidade para o
escoamento, evitando a utilização de bombas.
--Para que estas caixas de retenção de areia e óleo funcionem
adequadamente depende que sejam bem planejadas e construídas, e também de
uma boa manutenção. Não adianta investir num projeto de autovalor se no dia-a-dia
o uso das caixas dispensar uma correta manutenção (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo – FIESP e Departamento de Meio Ambiente – DMA, 2007).
Na tabela 1, mostra o dimensionamento das caixas separadoras de
água e óleo.
32
Tabela 1 – Dimensionamento
Tanque
Altura
Diâmetro
A
70 cm de altura
mais 30 cm p/
ventilação
60 x 60 de largura
B
70 cm de altura
mais 30 cm p/
ventilação
60 x 60 de largura
C
70 cm de altura
mais 30 cm p/
ventilação
60 x 60 de largura
D
70 cm de altura
mais 30 cm p/
ventilação
40 X 40 cm de
largura
E
100 cm de altura
80 x 80 cm de
largura
Diâmetro do Tubo
Tubo de entrada e
saída: 100 mm e
Tubo de ventilaçao:
40 mm
OBS: Caixa B e C, altura interna com tubulação: lado 1 com 45 cm e lado 2 com 15 cm.
Fonte: Secretária do Meio Ambiente, 2009.
33
Figura 04: Localização do Sistema no Terreno
3.6 Sólidos
Os resíduos devem ter o acondicionamento adequado, o sistema de
coleta e transporte dos resíduos deve ser planejado e os diversos serviços de
limpeza complementares devem ser feitos com toda qualidade e produtividade, a
baixo custo (D ALMEIDA, 1995).
Segundo Novaes (1994), o planejamento do transporte se faz
primeiramente rota por rota. É preciso determinar as condições de operação e
custos para a condição atual, de forma a se ter uma referencia básica de
comparação para depois analisar alternativas.
Para o acondicionamento adequado dos resíduos devem-se ter
embalagens que apresentem bom desempenho para que atendam a requisitos de
acondicionamento local e estático do lixo (D ALMEIDA, 1995).
34
O armazenamento provisório das embalagens plásticas usadas tem
como função, entre outras, de criar volumes significativos para a sua negociação,
tanto para o transporte das embalagens ou disposição final (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP e Departamento de Meio Ambiente –
DMA, 2007).
As embalagens devem ser acondicionadas em local arejado e em
recepiente móvel basculante, os tambores de 200 litros ou menores, até a empresa
autorizada recolher ( ABNT – 12.235/1992).
O local de armazenamento deve ter o piso impermeável, isento de materiais
combustíveis e com dique de contenção para retenção do óleo lubrificante no caso
de vazamento. Armazenar em local fresco, ventilado, longe de fontes de ignição e à
pressão atmosférica, pois temperaturas elevadas podem degradar óleo lubrificante
contido nas embalagens plásticas usadas causando odor desagradável em razão do
desprendimento de gás sulfídrico (H2S) (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo – FIESP e Departamento de Meio Ambiente – DMA, 2007).
Como medida adicional no caso de vazamento ou derramamento, é
fortemente recomendada que o óleo lubrificante não seja direcionado para quaisquer
sistemas de drenagem pública. Esse óleo vazado ou derramado, juntamente com
efluentes oleosos, deverá ser encaminhado para sistemas de tratamento água-óleo
(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP e Departamento de
Meio Ambiente – DMA, 2007).
O transporte das embalagens plásticas usadas, contendo óleo
lubrificante é classificado como resíduos perigosos para transporte, conforme
Resolução n° 420/2004 da ANTT, com o código ONU (Organização das Nações
Unidas).
35
Portanto, deve seguir o estabelecido pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) previstos em sua norma técnica 13.221/2005 – Transporte
terrestre de resíduos (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP e
Departamento de Meio Ambiente – DMA, 2007).
O tratamento e a disposição final das embalagens plásticas usadas
contendo óleos lubrificantes têm varias formas, entre as principais podem ser
citadas: a reciclagem, a incineração para fins de recuperação energética, ou a
disposição final em aterros.
Os
fatores
preponderantes
para
a
adoção
da
forma
de
gerenciamento adotado dependem, de forma intrínseca, da estratégia estabelecida
pelo empresário em seu plano gerencial, observando-se os fatores econômicos,
ambientais e sociais de sua empresa (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo – FIESP e Departamento de Meio Ambiente – DMA, 2007). - óleo
Há vários órgãos de fiscalização e controle ambientais que atuam
nos três níveis federativos na área de resíduos sólidos. Dentre eles podem ser
citados: a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
(SMA),Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), o Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (IBAMA), a Polícia Civil,
a Polícia Ambiental, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Submetidas a uma infinidade de órgãos de controle e a uma
legislação vasta, em alguns casos contraditórios, verifica-se que as empresas
necessitam urgentemente gerenciar seus resíduos sólidos e co-produtos, como uma
forma de prevenção a possíveis problemas futuros, principalmente ligados a multas,
processos civis e criminais (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo –
FIESP e Departamento de Meio Ambiente – DMA, 2007).
36
Para o acondicionamento das estopas, serragem, pano e papelão,
devem ser em sacos plásticos ou tambores identificados e deverão ter o mesmo
destino final – aterro industrial ou co-processamento.
O estabelecimento não poderá de maneira alguma realizar a
lavagem dos panos, bem como o reaproveitamento desses resíduos (Secretaria de
Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SEMA, 2009).
37
4. MATERIAL E MÉTODOS
4.1 Caracterizações da Área de Estudos
A empresa utilizada nesse estudo está localizada na Avenida José
Maria de Brito, número 1633, no município de Foz do Iguaçu e atende veículos de
pequeno porte, contando com 5 (cinco) funcionários, oferecendo assim serviços
automotivos, ou seja, manutenção para veículos de passeio ou pequeno porte.
Uma vez por semana realiza-se a lavagem no piso, havendo uma
contaminação de produtos químicos, que caem direto encanamento de esgoto, não
havendo uma caixa separadora destes produtos químicos que caem dos veículos.
38
4.2 Procedimentos metodológicos
A pesquisa aconteceu através de visitas no estabelecimento em dias
e definido pelo proprietário da empresas prestadoras de serviços automotivos em
Foz do Iguaçu.
Foram feitas observações em todas as dependências da empresa, e
registrada através de imagens, que no local existe muitos problemas em relação a
tratamento dos resíduos, estes registros foram feitos com o acompanhamento da
pessoa responsável pelo estabelecimento forneceu as informações necessárias à
pesquisa.
Através do diagnóstico realizado na empresa, foram levantados
dados com relação ao não tratamento dos resíduos gerados na empresa, e através
destes dados foram analizados problemas que a falta de armazenamento e
tratamento dos resíduos pode causar ao meio ambiente.
As visitas no estabelecimento foram realizadas nos mêses de
setembro de 2009, à outubro de 2009, com a autorização do proprietario do
estabelecimento, somente duas vezes por semana na segunda feira e quinta feira,
por razão de ser dias com pouco serviço de manutenção dos veículos.
39
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados esperados com a proposta deste projeto são de
desenvolver na empresa prestadora de serviços automotivos um destino adequado
para os resíduos gerados na mesma, com isso amenizar os impactos causados por
esses resíduos usados no dia-a-dia.
O descarte irregular das embalagens de óleo lubrificante, sem os
devidos cuidados de escoar e armazenar adequadamente pode ocasionar o
derramamento do mesmo de forma inadequada, e com a lavagem do local esse
resíduo pode ir diretamente para rede de esgoto, ocorrendo à contaminação das
águas.
A figura 5 mostra embalagens de óleo lubrificante que já foram usadas
jogadas no chão sem o devido cuidado de escoamento.
40
Figura 5: Embalagens de óleo lubrificante usadas, jogadas no chão.
Esse óleo e também o óleo usado proveniente da troca nos veículos
quando é jogado na rede coletora de esgoto, diminui o rendimento do tratamento
dos efluentes, aumentando a carga de poluentes lançada nos rios. O óleo quando
jogado nos rios, esse óleo bloqueia a passagem de ar e luz, dificultando as trocas de
oxigênio com o ambiente, assim impedindo a respiração e a fotossíntese, podendo
causar mortes na fauna e na flora (CEMPRE, 2000).
De acordo com Ambiente Brasil (2005), todas as embalagens de
óleo lubrificante, quando são descartadas, ainda mantêm uma importante
quantidade de óleo, no interior de cada frasco.
41
O óleo lubrificante automotivo usado ou contaminado contém metais
compostos altamente tóxicos e, por esse motivo, é classificado como resíduo
perigoso (classe I), segundo a Norma 10.004/2004 da ABNT.
Na figura 6, mostra como deve ser feito com as embalagens
plásticas de óleo lubrificante antes de mandá-las para a reciclagem, deve-se colocálas em um equipamento de escoamento, esse processo ocorre para que os resíduos
que ficaram na embalagem possam ser escoados totalmente. Essa prática de
escoamento do óleo lubrificante das embalagens deve ser exigida em oficinas
mecânicas e postos de combustíveis, para não comprometer a reciclagem das
embalagens e evitar que o óleo lubrificante contido dentro das embalagens não
venha escorrer e contaminar o solo, a água e o ar. O óleo lubrificante que foi
recolhido desta embalagem plástica fica armazenado nesse equipamento, para
depois ser recolhido pela a empresa autorizada e passar pelo processo de rerrefino.
42
Fonte: Projeto Propaganda Piloto para a minimização dos impactos
gerados por resíduos perigosos, 2006.
Figura 6: Prática de escorrimento de óleo lubrificante automotivo
residual das embalagens.
43
A figura 7 mostra um tanque de armazenamento para resíduos
sólidos, mas que está sendo usado para o armazenamento de óleo lubrificante em
processo inadequado, o tanque de armazenamento está aberto, com isso pode
ocorrer a contaminação deste óleo por outros produtos o que compromete sua
reciclagem e também futuros acidentes.
Figura 7: Tanque de armazenamento de óleo lubrificante usado
A NBR-10004/2004, diz que os
"Resíduos Sólidos
-
são
classificados como resíduos perigosos, ela classifica os resíduos sólidos quanto
44
aos seus riscos potenciais de contaminação ao meio ambiente e a saúde pública,
indicando quais resíduos devem ter manuseio. A NBR-10004/2004, classifica os
resíduos sólidos perigosos (classe I) por apresentar toxicidade.
É considerado resíduos perigosos de classe I, resíduos sólidos e
algum tipo de mistura de resíduos que, em função de suas características de
inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, podem
apresentar riscos à saúde pública (ROCCA, 1993).
A figura 8, mostra um tanque de armazenamento do óleo lubrificante
proveniente da troca, que é feita nos veiculos. Dentro do tanque fica armazenado
todo o óleo usado que é descartado.
Esse óleo fica armazenado dentro do tanque até uma empresa
autorizada recolher e manda para o rerrefino.
O rerrefino é um processo industrial, e serve para remoção de
contaminantes, de produtos de oxidação e de aditivos do óleo
lubrificante
automotivo usado ou contaminado, entregando ao produto final do processo as
mesmas características do óleo lubrificante básico (QUELHAS, 2003).
A Resolução do CONAMA 362/2005, diz que torna mais severa a
punição pelo descumprimento das normas relativas ao gerenciamento, coleta,
transporte e rerrefino dos óleos usados.
O tanque de armazenamento deve ficar em um local seguro, coberto
e que tenha boa ventilação e acessível a coleta, e é muito importante fazer
inspeções periódicas para evitar vazamento.
45
Figura 8: Tanque de armazenamento de óleo
lubrificante usado.
Segundo a NBR – 17505-1/2006, Armazenamento de líquidos
inflamáveis e combústiveis – Disposições Gerais, diz que para fins de
armazenamento de líquidos seja utilizado, qualquer recipiente fechado contendo
capacidade líquida superior a 450 L e inferior a 5000 L e que não seja destinado à
instalação fixa, como mostra na figura 9. Inclui os recipientes intermediários para
granel (IBC) conforme definidos e regulamentados pela Agência Nacional de
Transportes Terrestres.
46
Todas as embalagens plásticas de óleo lubrificantes usadas e
descartadas são consideradas resíduo, que é composto basicamente do material
plástico, polietileno de alta densidade (PEAD). Por esse motivo as embalagens
devem ser armazenadas adequadamente, em local adequado e devidamente
identificado. Até a empresa autorizada fazer o recolhimento desta embalagem para
a reciclagem (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, 2007).
A figura 9 mostra que as embalagens estão sendo armazenadas de
forma irregular, esse tipo de armazenamento não é recomendado pela NBR –
12.235/1992 que diz que, o armazenamento das embalagens plásticas usadas
contendo óleo lubrificante, devem ficar em um local temporário, em lixeiras grandes,
e em um local arejado e de fácil manuseio, como mostra na figura 10. Essas
embalagens têm como função entre outras, de criar volumes significativos, tanto
para o transporte como para o tratamento ou disposição final.
Figura 9: armazenamento incorreto de embalagens de óleo lubrificante.
47
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, (2007), o PEAD é um
polímero derivado do eteno, do grupo dos Termoplásticos que pode ser produzido
por poliadição, sem a formação de sub-produtos. Também conhecido como
Polietileno de Baixa Pressão ou Linear, sua aplicação está ligada à fabricação de
contentores, bombonas, frascos, entre outros.
No caso dos materiais plásticos, como as embalagens de PEAD dos
óleos lubrificantes, os aspectos negativos relacionados à disposição direta desses
resíduos em lixões e aterros, como método único e definitivo, são ainda mais
pronunciados.
A figura 10 mostra embalagens de óleo lubrificante que já foram
descartadas, elas estão armazenadas em lixeira indentificada.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente, 2007.
Figura 10: Equipamento para armazenamento de embalagens de
óleo lubrificante.
48
As estopas são um dos grandes problemas das oficinas mecânicas e
postos de combustíveis, elas são usadas para a limpeza de peças e também para a
limpeza das mãos. Depois de usadas elas não podem ser lavadas e nem
descartadas em lixo comum, essas estopas contém restos de óleo e solventes por
esse motivo elas não podem ser lavadas para reutilização e nem descartadas em
lixo comum.
A figura 11 mostra as estopas sendo descartadas em lixo comum e
com outros tipos de resíduos.
Figura 11: Estopas armazenadas de forma incorreta.
De acordo com a NBR 10004/2004, as estopas se enquadram na
classe I – Perigosos, pois apresentam uma ou mais das seguintes características:
inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Depois de
usadas a estopa deve ser estocada em local coberto anexo à oficina mecânica.
49
A disposição desses resíduos deve ser em Aterro para Resíduos
Perigosos
(ARIP)
ou
incineração,
outra
alternativa
é
encaminhá-los
ao
reaproveitamento, devido ao seu poder calorífco em substituição aos combustíveis
fósseis, após licenciamento pelo órgão ambiental (alternativa adotada pela
empresa).
A figura 12 mostra o armazenamento correto para as estopas, elas
devem ser acondicionadas em lixeiras de plástico de 200 litros. Essas estopas ficam
armazenadas nas lixeiras até a empresa autorizada fazer o recolhimento.
Figura 12: Lixeira de plástico para armazenamento de estopas
50
Essa prática de lavagem de peças automotivas em pias, é muito
usada nas oficinas mecânicas, e é um processo incorreto, a figura 13 mostra bem
que o local esta totalmente irregular. Lavando as peças dessa forma irregular todo o
resíduo que esta nas peças vai direto para o sistema de esgoto, sem nenhum tipo de
tratamento.
Figura 13: Pia para lavagem de peças
O recomendado para realizar a limpeza destas peças automotivas, é
usar uma mesa de lavagens de peças, como mostra na figura 16, a água com
resíduo proveniente da lavagem das peças escorre pelo ralo e vai direto para as
caixas separadora de água e óleo.
As figuras 14 e 15 mostram o destino da água proveniente da
lavagem das peças, a água está sendo despejada em tanques improvisados para
depois serem despejadas direto no solo ou na rede de esgoto, sem nenhum tipo de
tratamento.
51
Figura 14: 1° caixa onde cai a água da lavagem das peças
Figura 15: 2° caixa onde cai a água da lavagem das peças
52
A figura 16 mostra a mesa para lavagem das peças automotivas,
nesta mesa são lavadas as peças e a água escorre direto nas caixas separadora de
água e óleo.
Figura 16: Mesa para lavagem de peças automotivas
Já a figura 17, mostra um equipamento para lavagem das peças,
esse equipamento serve para lavar as peças automotivas, esse equipamento é
bastante utilizado quando o local não tem caixas separadoras de água e óleo.
Quando são lavadas as peças a água com resíduos escorre e fica armazenada
dentro de um recipiente de plástico para que depois uma empresa autorizada
recolha esta água com resíduo para realizar o tratamento adequado.
53
Figura 17: Equipamento para lavagem das peças automotivas
54
Os filtros de óleo lubrificante, deve ser trocado a cada troca de óleo,
o material do filtro é alumínio, esses filtros são considerados resíduos não podem
ser jogados no lixo comum (IAAP – Instituto de Apoio a Ação Participativa, 2008)
A figura 18 mostra filtros de óleo lubrificante sendo armazenadas de
forma inadequada.
Figura 18: Filtros de óleo lubrificante, armazenamento irregular.
Conforme
a
NBR-10004/2004,
esses
resíduos
sólidos
são
classificados resíduos perigosos, ela classifica esses resíduos sólidos quanto aos
seus riscos potenciais de contaminação ao meio ambiente e a saúde pública,
indicando quais resíduos devem ter manuseio. É classificado como resíduos sólidos
perigosos (classe I) por apresentar toxicidade.
55
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2007) os filtros devem ser
armazenados em uma bandeja para escoar todo o óleo contido no filtro, para depois
ser mandado para uma empresa de reciclagem autorizada. Conforme mostra a
figura 19.
Fonte: IAAP- Instituto de Apoio a Ação Participativa, 2008.
Figura 19: Filtros de óleo lubrificante, processo de escoamento e armazenamento
em bandejas.
Esses filtros usados ficam armazenados nesta bandeja até a
empresa autorizada recolher, e fazer a reciclagem. Na empresa autorizada os filtros
são desmontados, a parte metaliza vai para a reciclagem, transformando-se em
matéria-prima para a indústria de aço, o papel filtro vai passar por um processo de
prensagem até esgotar todo o óleo que esta contido nesse papel filtro e é
56
encaminhado para o co-processamento, e o óleo que estava contido neste filtro vai
para o rerrefino (IAAP – Instituto de Apoio a Ação Participativa, 2008).
57
6. CONCLUSÃO
Através do diagnóstico feito in loco, em uma empresa prestadora de serviços
automotivos, foram diagnosticados problemas com relação ao tratamento e
acondicionamento de seus resíduos gerados. Todo resíduo gerado na empresa fica
acondicionado de forma irregular e é descartado sem nenhum tipo de tratamento
evidenciado nos resultados e discussão, com isso contaminando água, solo e ar.
Chegando a conclusão que o estabelecimento não está dentro do que
preconiza o órgão fiscalizador.
58
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT - 12.235/1992.
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59
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