REFLEXÃO DA EFICÁCIA DAS PROVAS PROVINCIAIS NO ENSINO SECUNDÁRIO GERAL: UMA ANÁLISE CENTRADA NA DISCIPLINA DE GEOGRAFIA Co-autor ( Alice Abdala Omar); Co-autor (Gessy José Carangueza); (Universidade Pedagógica de Moçambique- Delegação de Nampula,[email protected]) RESUMO A presente comunicação contextualiza-se sobre a temática “Ensino Médio” e aborda sobre a eficácia das provas provinciais no Ensino Secundário Geral. Neste sentido, no âmbito das modalidades de sistema de avaliações do processo de ensino e aprendizagem pretendemos reflectir sobre a eficácia das provas provinciais no ESG e na aprendizagem dos alunos. A análise qualitativa da pesquisa foi realizada através de entrevista e de análise de documentos bem como na revisão bibliográfica. Esta comunicação questiona sobre as modalidades de implementação das provas provinciais e sua elaboração no contexto provincial e consequentemente a sua eficiência. Os resultados da pesquisa demonstram que existe uma fraca consistência na elaboração das provas provinciais uma vez que os contextos de leccionação e aprendizagem apresentam discrepâncias em relação aos procedimentos metodológicos de ensino. Assim, o estudo concluiu que as provas provinciais influenciam na aprendizagem dos alunos e no aproveitamento pedagógico tanto no sentido positivo ou negativo havendo a necessidade de metodologias de ensino bastante integrada entre os contextos escolares dentro da província para uma efectivação objectiva. Palavras-chave: Provas provinciais, avaliação, Ensino Secundário. I-INTRODUÇÃO Reconhece-se que no processo de ensino e aprendizagem são várias as práticas educativas que buscam de uma ou de outra maneira estratégias, reformas e mudanças com a finalidade de trazer melhor qualidade ao ensino. A avaliação é uma prática social que levanta questionamento por parte de muitos autores pela sua abrangência em várias áreas do currículo, e afecta de forma geral todo o contexto escolar, entre os professores, pais encarregados de educação, do estado, da escola, comunidade e alunos. A qualidade de ensino no ESG é associado ao nível do aproveitamento pedagógico insatisfatório em vários anos consecutivos, e uma das Estratégias de Ensino Secundário Geral 2012-2016 refere-se a reformas no sistema de avaliação e exames. Neste contexto implementou-se em 2012, pela Instrução Ministerial Nº1 de 05/01/2012, um novo sistema de avaliações em que as provas finais do 1º e 2º trimestre são elaboradas e realizadas ao nível provincial. É neste sentido que considera-se, segundo Alves (2010), que o ensino e a avaliação são dois requisitos essenciais para o cumprimento da aprendizagem e veiculam, segundo a autora “por um lado, a necessidade de eficácia e da equidade dos sistemas educativos e, por outro, a necessidade da efectividade das aprendizagens pelos alunos”. O objectivo proposto nesta comunicação é de reflectir sobre a eficácia das provas provinciais no ESG e na aprendizagem dos alunos. Assim, a intencionalidade da implementação das provas provinciais e os procedimentos metodológicos de elaboração desta avaliação e a sua eficácia leva-nos a vários questionamentos tais como: até que ponto os professores estão capacitados para esta avaliação? Qual é o critério de escolha de conteúdos a serem avaliações? Até que ponto existe a interacção dos planos a médio prazo entre os contextos escolares distritais? Tendo em conta os objectivos da investigação optou-se por uma abordagem qualitativa. Recorreu-se aos métodos documental e bibliográfico e como instrumentos de colectas de dados usou-se a entrevista. Optamos por centrar a análise do Ensino Secundário Geral que engloba a análise das 8ª, 9ª e 10ªclasses. II-CONTEXTUALIZAÇÃO A característica do sistema educativo em Moçambique não é muito diferente de outros sistemas educativos tendo em conta que toda a preocupação nesse âmbito passa pela necessidade de formação, educação e instrução dos indivíduos. A organização curricular do sistema educativo em Moçambique é constituída por 3 subsistemas: o ensino pré-escolar; ensino escolar (ensino geral, ensino técnico – profissional e ensino superior) e finalmente o ensino extra-escolar (alfabetização, aperfeiçoamento e actualização cultural e cientifica realizadas fora do sistema regular de ensino). O ensino geral onde se enquadra o objecto de estudo da presente comunicação caracteriza-se por dois níveis: ensino primário (1ºciclo – 1ª e 2ª classe; 2ºciclo – 3ª e 5ª classe; 3ºciclo – 6ª e 7ª classe) e ensino secundário geral (1ºciclo – 8ª, 9ª e 10ªclasse; 2ºciclo – 11ª e 12ªclasse). No contexto da melhoria da qualidade de ensino, MEC (2009:14) identifica a qualidade de ensino como o principal constrangimento do sistema e que a solução seja reflectida no aumento da eficiência do sistema, isto é, na redução da reprovação, repetição, e desistência e no aumento das taxas de conclusão, evidenciado a continuidade das reformas curriculares como um dos aspectos mais importantes para garantir a qualidade no ESG. Segundo MEC (2009:30), uma das principais acções estratégicas para qualidade de ensino referidas no documento é que o “o plano deverá ser acompanhado através de um sistema de supervisão descentralizada e a qualidade de ensino monitorada através de um sistema de avaliação da aprendizagem”. Tendo em conta estas transformações, no ano 2012 o extinto Ministério de Educação e Cultura (actual Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano) pela Instrução Ministerial nº 1 de 5/01/2012 institui no Subsistema de Ensino Secundário Geral e no Ensino Primário avaliações do âmbito provincial com a necessidade de melhorar o aproveitamento dos alunos nas escolas públicas como resultado das altas taxas de reprovações nas classes de exame do Ensino Secundário Geral, principalmente nas disciplinas de Matemática, física, química e biologia (Quinkardete, 2012 in Jornal o País). O principal objectivo da introdução desta modalidade de avaliação denominadas “avaliações/testes províncias” tem em vista incentivar aos professores a desenvolverem as competências básicas de aprendizagem e familizar os alunos com avaliações externas como o caso de exames realizados na 10ª Classe e 12ª Classes. O processo de avaliação da aprendizagem é predominantemente constituído por avaliação formativa, contínua, sistemática e diversidade “para que se possa obter uma imagem real do progresso do aluno” (Instrução Ministerial nº1 de 05/12). Para o Governo, a avaliação da aprendizagem no ESG (Ensino Secundário Geral) como também no Ensino Primário (EP) é bastante preocupante uma vez que esta componente influencia bastante no rendimento dos alunos. Assim, da necessidade de melhorar o aproveitamento pedagógico dos alunos nestes níveis intui-se estas avaliações de carácter provincial, para o Ensino Secundário e carácter distrital, para o Ensino Primário. Refere-se ainda, que estas avaliações substituem o último(a) teste/prova do 1º e do 2ºtrimestre (MEC, 2012). III- AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS: QUE IMPLICAÇÕES? No âmbito do desenvolvimento do Currículo, Villar (1994) coloca entre muitas questões a seguinte: quê, como e quando avaliar? Este tipo de questionamento sobre a avaliação atrai cada vez mais teóricos desta área. Por exemplo, Abreu e Masseto (1990) referem que para muitos de nós professores, avaliar constitui uma das actividades pedagógicas mais difíceis no processo de ensino aprendizagem quando confrontamos com situações que se expressam em: como é que vou dar a prova? que aspectos ou pontos vou avaliar/ que técnica de avaliação vou utilizar? Antes de definirmos as diferentes formas de avaliação há necessidade imprescindível de saber que avaliar consiste em conferir valores e atributos conforme a importância que apresenta. Segundo Pacheco (1994), a avaliação da aprendizagem dos alunos é um dos indicadores preponderantes da qualidade escolar e de todo o sistema educativo. Na realidade, o processo de avaliação de aprendizagem dos alunos constitui o momento onde as relações do professor, aluno, os métodos de ensino, os conteúdos, as diferenças individuais e cognitivas dos alunos são postas a prova pois, “a avaliação tem como finalidade melhorar o desempenho do aluno” (Alves, 2004). Simão (2008) perspectiva a avaliação como uma regulação das aprendizagens no sentido de adequação da acção desenvolvida por cada professor às necessidades e dificuldades que o aluno apresenta e também de auto-regulação do próprio com a finalidade de ir construir um sistema pessoal para aprender e melhorar progressivamente. Na mesma ordem de ideias, Duarte (2007:28-29) afirma que “no nosso dia-a-dia efectuamos inúmeras avaliações: em contacto entre amigos, colegas, familiares, nos locais de trabalho e de diversão, a avaliação ocorre sempre”. A prática da avaliação é actualmente reconhecida como um dos mais privilegiados pontos de referência para estudar o PEA, uma forma de colocar em questão todos os problemas decorrentes da Pedagogia (Sacristán, 1996) Assim, a avaliação da aprendizagem “é o processo sistemático, contínuo e integral destinado a verificar até que ponto os objectivos institucionais alcançados, ou seja, como está o rendimento dos alunos no assunto que está sendo ministrado e no curso que realiza” (LUCKESI, 2000:178). Para a Direcção Nacional do Ensino Secundário Geral (2010:3), a avaliação é uma componente curricular, presente em todo o processo de ensino- aprendizagem, a partir da qual se obtêm dados e informações, permitindo relacionar o que foi proposto e o que foi alcançado, analisar criticamente os resultados, formular juízos de valor e tomar decisões visando promover o desenvolvimento de competências, melhorar a qualidade do ensino e do sistema educativo. Geralmente tudo que fizemos merece uma avaliação, mesmo porque serve de guião para nos orientar. Este é um processo contínuo que ocorre sempre no nosso ambiente de convívio entre as pessoas em relação a nós e o nosso habitat, isto também se opera nas diferentes actividades docentes. No âmbito da Educação realizam-se vários tipos de avaliações e nesta área constam a avaliação do currículo, de programas, de projectos pedagógicos, de políticas educativas, de instituições, de organizações, de estabelecimentos educativos e de formação, de profissionais de educação e formação, do rendimento escolar ou da aprendizagem (DUARTE, 2007). Em todos momentos que envolve a Educação, a avaliação está presente, para equipar as actividades realizadas em função das posteriores com a função obter uma imagem do desempenho do aluno em termos de competências básicas previstas no currículo. Nos nossos tempos tem vindo a repensar-se em diferentes maneiras de avaliar o comportamento dos alunos/estudantes. A prática mostra que a avaliação pode ser um instrumento para ajudar o aluno a aprender, quando centrada nas actividades diárias da sala de aulas e tem um papel mais amplo do que testar e/ou atribuir graus, como por exemplo: adaptar as actividades de ensino/aprendizagem em função dos dados colhidos; determinar onde e porque o estudante fracassou; fornece ao professor e estudante um feedback respeitante ao progresso do aprendente. Segundo Tyler citado por Haydt (1995:11) ‘o processo de avaliação consiste essencialmente em determinar em que medida os objectivos educacionais estão sendo realmente alcançados pelo programa do currículo e do ensino’. Nesta vertente, Moçambique implementa uma nova forma de avaliação que tem em vista repensar-se em diferentes maneiras de avaliar o comportamento dos alunos/estudantes e o desenvolvimento das suas competências. No entanto, importa salientar que a prática mostra que a avaliação pode ser um instrumento para ajudar o aluno a aprender, quando centrada nas actividades diárias da sala de aulas mas que mal implementada pode colocar em questão as estratégias definidas para a sua execução. O plano de avaliação do ESG prevê como modalidades de avaliação as seguintes: diagnóstica; formativa; sumativa e aferida. Dai que, o sistema de avaliações da aprendizagem dos alunos propostos no ESG é integrado a diferentes modalidades mas que, tratando-se da avaliação formativa neste sistema aplica-se a avaliação de controlo sistemático (ACS) e avaliação de controlo parcial (ACP), actualmente, implementado no regulamento de avaliação em 2012 as ditas avaliações trimestrais também denominadas “provas provinciais”. IV-PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DAS PROVAS PROVINCIAS Prova provincial, em que consiste? A primeira vista pode-se dizer que é uma prova da província. Por isso, deixa muita subjectividade e abstracção no significado prático da mesma. A objectividade da avaliação das aprendizagens dos alunos e do currículo é um grande desafio. Referiu-se, anteriormente, que o Ministério da Educação e Cultura (actualmente designada Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano) na tentativa de melhorar o aproveitamento pedagógico dos alunos desenvolveu-se reformas no sistema de avaliações, em que as províncias e os distritos tem a responsabilidade de elaborar e realizar as “provas provinciais” em substituição da última prova/teste do 1º e 2º trimestre. Desenvolvido e implementado neste contexto, concordamos com Weis (1975) apud Pacheco (2001:128) ao considerarem a avaliação como uma questão política, uma vez que é uma actividade racional que se situa num contexto político na medida em que “as políticas e programas tratados pela avaliação são oriundos das decisões politicas; a avaliação é realizada com a finalidade de alimentar a tomada de decisões; a avaliação tem um posicionamento político”. A elaboração e realização das provas provinciais no ESG é da responsabilidade da escola, o que significa que, todas as escolas secundárias dos distritos devem elaborar uma proposta da avaliação e respectivos guiões e enviar-se para a Direcção Provincial de Educação. A partir desta fase as Direcções Provinciais de Educação (DPE) elaboram 6 variantes e respectivos guiões de correcção, seleccionadas a partir das propostas recebidas de várias escolas do distrito (Instrução Ministerial Nº1 de 05/01/12). As DPE`s têm uma Comissão de Apoio Pedagógico (CAP) responsável de analisar, discutir e harmonizar as propostas de avaliação das diferentes escolas ao nível distrital que, para a Província de Nampula são dezenas de escolas distribuídas por 23 distritos consequentemente, igual número das propostas. Segundo a CAP, a prática real deste processo na província tem-se feito 4 variantes para o 1º Ciclo (8ª-10ª Classes) e 4 variantes para o 2º Ciclo (11ª-12ª Classes). A avaliação provincial assume neste sentido uma nova roupagem para o 1º ciclo. A proposta de cada escola deve em média trazer no máximo de 8 perguntas abertas do tipo subjectivas e/ou objectivas e o/s professor/res deve/m entregar a Direcção Pedagógica da escola em média 2- 3 variantes e no 2º ciclo o número de perguntas é de 20 na forma de múltipla escolha e objectivas com vista a preparar os alunos para os exames do fim do ciclo. Um dos aspectos que chama atenção neste instrumento de avaliação como procedimento na elaboração das avaliações nas escolas, é que as propostas são discutidas e aprovadas por um grupo composto de 5 professores de cada disciplina e de reconhecida competência. Em que consistiria esta competência? facto questionado uma vez que a Instrução Ministerial nº1 faz menção que as DPE`s devem elaborar os termos de referência para a selecção de professores para a elaboração dos referidos testes. No regulamento da carreira docente de N1, o professor deve ter 20 a 24horas semanais o que significa, que em média numa escola secundária de Classe A ou B com cerca de 10 a 12 turmas exista apenas um professor de Geografia, sendo ele o único responsável na elaboração da avaliação. Assim, compete a este professor, de acordo com sua planificação à médio prazo (trimestral), a realidade da escola e da comunidade estudantil onde está inserido, apresentar sua proposta de avaliação que poderá em algum momento constar na selecção que servirá para um número maior de escolas. Muitas questões podem surgir diante deste instrumento mas, a nossa inquietação está relacionada com a relação desta avaliação com a planificação à médio e a curto prazo (dosificações locais) e as competências desenvolvidas pelos alunos serão postas à prova no âmbito provincial. Ai ficam outras questões de reflexão: até que ponto as provas províncias podem melhorar o aproveitamento pedagógico e desenvolver nos alunos competências básicas? Que relação se pode encontrar entre as provas provinciais e as particularidades locais de cada escola? No processo de ensino/aprendizagem é de praxis a relação professor/aluno e estende-se até na avaliação da aprendizagem dos alunos e o seu professor. Nas suas abordagens sobre a avaliação, Batalloso (2003) salienta que a avaliação significa democratizar a relação professor/aluno, tornando-a mais comunicativa e igualitária dando a possibilidade de analisar profundamente os problemas, necessidade e sobretudo de intervir em todos os elementos que configuram o processo educativo. Ao longo do ano lectivo os alunos desenvolvem uma dinâmica específica com o professor que começa no conhecimento de cada interveniente do ensino e aprendizagem, os modos de aprendizagem, de leccionação, metodologias de ensino e principalmente os modos de avaliação. Nesta linha metodológica, a avaliação formativa é indiscutivelmente essencial porque, segundo A. Ribeiro e L. Ribeiro (1989:348) “a avaliação formativa acompanha todo o processo de ensino/aprendizagem, identificando aprendizagens bem sucedidas e as que levantaram dificuldades”. Na modalidade da avaliação de “Prova Provincial” os alunos estão sujeitos uma avaliação externa, ou seja, como reitera Sacristán (1996:319) “é uma forma de controlo de currículo que se retira a exclusividade de avaliação de alunos/as pelos professores/as, diminuindo lhes autonomia no planejamento e a realização de sua prática metodológica lectiva”. Ainda, nesta ordem de ideias, na elaboração destas provas não existe interacção entre os contextos escolares, a proposta de conteúdos a serem avaliados são definidos tendo em conta a planificação a médio prazo daquele grupo de professor e pelas competências desenvolvidas pelos seus alunos. Outro aspecto não menos importante é o facto da realidade do ensino ser diferente das escolas dos centros urbanos e da periféria em que, jogam as melhores oportunidades, classes sociais com diferenças acentuadas, acesso as bibliotecas, professores com melhor qualificação e sobretudo o acesso a informação, que de certa forma irão influenciar na qualificação destas provas que não atendem estas particularidades. Como elucida Duarte (2007) a escola é reprodutora das relações sociais, e os alunos de classes sociais de alto e médio rendimento têm um acolhimento diferenciado na escola em relação aos de menor rendimentos e no acesso a informação para o desenvolvimento dos seus conhecimentos. Há que frisar um outro aspecto importante atinente a Instrução Ministerial nº 1 em relação a esta última prova do 3ºtrimestre que é a responsabilidade da escola (MEC, 2012). Porquê a mudança de metodologia na elaboração desta avaliação? Será uma forma de corrigir possíveis fracassos do aproveitamento pedagógico das avaliações provinciais? Por último, importa referenciar que, no inicio da implementação das provas provinciais em 2012, o aspecto negativo que se verificou nesta avaliação foi a anulação da mesma, pelo facto dos conteúdos avaliados não terem sido vistos ao longo do trimestre e, como confirma Carlos (2014), dado as disparidades dos planos usados na elaboração dos mesmos, contra os planos analíticos peculiares de cada disciplina na escola. Há que realçar de facto, a maior preocupação por parte dos alunos em preparar as avaliações no entanto, têm dificuldades pela limitação de conteúdos leccionados, que se reflectem nas questões que constam das avaliações. Tendo em conta que a CAP, ao sistematizar as perguntas, toma em consideração a dosificação proposta pelo DPEC que engloba todos conteúdos previstos naquele trimestre que, não é realidade das escolas. Assim que, estas discrepâncias levam a um fracasso massivo, uma vez que o tipo, concepção destas avaliações não são uniformes, variam entre escolas e professores. Diz Sacristán (1996:303), que “a avaliação de alunos/as evidencia que estamos diante de uma prática profissional nada simples, em cuja realização há várias operações envolvidas, já que consiste num processo de aquisição, elaboração de informação expressão de um julgamento a partir da informação coletada”. Nesta perspectiva, há necessidade de uma avaliação significativa o que pressupõe uma mediação da avaliação, ou seja, segundo Hoffamann (2005), uma avaliação reflexiva e desafiadora do educador favorecendo a troca de ideias entre e com seus alunos num movimento de superação do saber transmitido a uma produção do saber adquirido construído a partir da compreensão dos fenómenos estudados. V-CONCLUSÃO Tendo em conta as reflexões feitas, fica da vez mais claro que a avaliação da aprendizagem dos alunos no sistema de provas provinciais é um desafio para sua eficácia tendo conduzido as seguintes conclusões: a avaliação no sistema de provas provinciais não é consistente com a forma como se desenvolve o currículo na sala de aulas. Isto significa que há uma disparidade entre a organização do plano de aulas dos professores, diferenciação das condições materiais de ensino e da actividade do professor; esta avaliação traz uma controversa prática de ensino pois, acentua-se num sistema de controlo do processo avaliativo não somente em acompanhar no desenvolvimento das competências dos alunos e aprática metodológica do professor; - Entre as Escolas Secundárias integradas nas Zonas de Influência Pedagógica (ZIP) não existe uma coordenação sistematizada na elaboração das propostas de avaliação como forma de harmonizar as particularidades das escolas nelas integradas; ao nível dos professores não há termos de referência para a selecção de professores para a elaboração dos testes pelo efectivo que a escola muitas vezes tem no seu quadro; Em jeito de recomendação, apelamos ao Ministério da Educação o seguinte: as avaliações devem ser elaboradas a nível das escolas do distrito, tanto que, a sua sistematização pela CAP deva ter em conta essa particularidade; há necessidade de uma coordenação a nível das ZIP por forma a produzir propostas únicas. 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