UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE EDUCAÇÃO DA UNIVALI EM SÃO JOSÉ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO – HABILITAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR BRUNO CARVALHO GONZAGA O MERCADO BRASILEIRO DE EXPORTAÇÃO DE MÓVEIS DE ALTA DECORAÇÃO COM FOCO NAS EXPORTAÇÕES INDIRETAS São José 2007 2 BRUNO CARVALHO GONZAGA O MERCADO BRASILEIRO DE EXPORTAÇÃO DE MÓVEIS DE ALTA DECORAÇÃO COM FOCO NAS EXPORTAÇÕES INDIRETAS Trabalho de Conclusão de Curso – projeto de aplicação – apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração da Universidade do Vale do Itajaí. Orientador: Prof. Deonir J. Tomaselli São José 2007 3 BRUNO CARVALHO GONZAGA O MERCADO BRASILEIRO DE EXPORTAÇÃO DE MÓVEIS DE ALTA DECORAÇÃO COM FOCO NAS EXPORTAÇÕES INDIRETAS Este Trabalho de Conclusão de Estágio foi julgado adequado e aprovado em sua forma final pela Coordenação do Curso de Administração – Habilitação em Comércio Exterior da Universidade do Vale do Itajaí, em 19 de Julho de 2007. Prof (a) Luciana Merlin Bervian Univali – CE São José Coordenador (a) do Curso Banca Examinadora: Prof Deonir J. Tomaselli Univali – CE São José Professor Orientador Prof Julio César Schimidt Univali – CE São José Membro Prof Msc. Amarildo Felipe Kanitz Univali – CE São José Membro 4 Chegamos exatamente onde precisamos chegar, porque a mão de Deus sempre guia aquele que segue seu caminho com fé. Paulo Coelho 5 RESUMO O comércio é uma das atividades mais antigas de que se tem notícia, com a evolução do mundo e do homem, houveram grandes mudanças na forma de se comercializar produtos. Hoje o comércio não se atém mais apenas ao mercado interno, tendo alcançado a magnitude de caráter mundial, onde tem-se a negociação de bens de consumo entre os mais variados países. Este estudo está baseado numa pesquisa do tipo exploratória. O objetivo da pesquisa foi estudar o mercado de móveis de alta decoração brasileiro com foco nas exportações indiretas. Com os objetivos específicos se pretende: apresentar um panorama do mercado brasileiro de móveis de madeira; apresentar órgãos de apoio às exportações brasileiras; identificar detalhes das exportações diretas e indiretas abordando questões comerciais e financeiras e apresentar um roteiro de uma exportação direta e indireta. Este estudo teve como fonte de inspiração a Feira de móveis organizada pela ABIMAD, realizada em São Paulo no presente ano. Foi demonstrado que exportar móveis de madeira é uma alternativa viável para os fabricantes brasileiros, mesmo para os que não possuem know-how, pois por intermédio de uma empresa comercial exportadora os mesmos poderão estar adentrando o mercado internacional e assim aumentando a lucratividade da empresa. Palavras-chave: Exportação. Móveis de madeira e comercial exportadora. 6 ABSTRACT The commerce is one of the most old activities that we have notice, with the world and human evolution, there were big changes in the way of commercialize products. Today the commerce it´s not more restricted to the internal market, it has reached world magnitude, where we have products being negociated between several countries. This study is based in a exploratory research of application. The research objective was to analyze the viability of implementation of a trading company to attend the needs of the associates from the Brazilian Association of High End Furniture and Acessories – ABIMAD. The specific goals are: identify the characteristics of the furniture sector in Brazil; identify export incentives programs; identify the advantages of the direct and indirect exports and check the legals characteristics and demands of constitution of a trading company. This study had as inspiration font the ABIMAD Fair that took place at São Paulo on the present year. It was showed that wood furniture exports it´s a viable option for the ABIMAD associates, even for those that does not have know-how at this area, trough the trading company they would be able to join the international market, therefore have their sales increased in the process. Key-words: Export. Wood furniture and trading company. 7 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Análise das exportações no setor moveleiro.............................................................. 30 Tabela 2 – Demonstrativo de custos na Exportação Direta......................................................... 59 Tabela 3 – Demonstrativo de custos na Exportação Indireta...................................................... 60 Tabela 4 – Quadro comparativo: Exportação Direta x Exportação Indireta................................ 61 Tabela 5 – Impostos..................................................................................................................... 63 Tabela 6 – Isenção de Impostos nas Exportações........................................................................ 63 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................................. 10 1.1 DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA................................................................ 11 1.2 OBJETIVOS.................................................................................................................... 11 1.2.1 Objetivo Geral.............................................................................................................11 1.2.2 Objetivos Específicos.................................................................................................. 12 1.3 JUSTIFICATIVA.............................................................................................................12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................................... 13 2.1 PANORAMA BRASILEIRO DO SETOR MOVELEIRO............................................. 13 2.1.1 Panorama Mundial do Setor Moveleiro....................................................................16 2.2 A QUESTÃO DO REFLORESTAMENTO.................................................................... 17 2.2.1 MDF – Medium Density Fiberboard......................................................................... 19 2.3 O SETOR DE ALTA DECORAÇÃO NO BRASIL....................................................... 21 2.3.1 ABIMAD – Associação Brasileira de Móveis e Artigos de Alta Decoração ......... 22 2.3.2 Programa Quality For Export.....................................................................................24 2.4 A COMPETITIVIDADE E O SETOR MOVELEIRO....................................................25 2.4.1 O Setor Moveleiro e à Exportação.............................................................................27 2.4.2 Pré-requisitos para Exportar Móveis....................................................................... 29 2.5 INCENTIVOS À EXPORTAÇÃO............................................................................... 31 2.5.1 Programas de Apoio às Exportações......................................................................... 32 2.5.1.1 APEX – Agência de Promoção de Exportações.....................................................32 2.5.1.2 Programa Brazilian Furniture.................................................................................34 2.5.1.3 PRÓMOVEL.............................................................................................................36 2.5.1.4 Drawback....................................................................................................................37 2.5.2 Modalidades de Financiamento às Exportações........................................................38 2.5.2.1 Modalidades de Captação Direta..............................................................................38 2.5.2.2 Modalidades de Captação via Órgão Público...........................................................40 2.6 EXPORTAÇÃO DIRETA X EXPORTAÇÃO INDIRETA........................................... .41 2.6.1 Exportação Direta....................................................................................................... .41 9 2.6.2 Exportação Indireta.................................................................................................... ..42 2.6.3 Questões Legais de Constituição de uma Comercial Exportadora...........................44 2.6.4 Exportação Indireta: Aspectos Tributários.................................................................46 2.7 DESPACHO ADUANEIRO...............................................................................................48 3 DESCRIÇÃO DO MÉTODO.......................................................................................... 55 4 PESQUISA......................................................................................................................... 57 4.1 ASPECTOS COMERCIAIS............................................................................................ 57 4.2 ASPECTOS FINANCEIROS......................................................................................... 59 5 CONCLUSÃO................................................................................................................... 59 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................ 61 10 1 INTRODUÇÃO As novas tendências do comércio internacional, que levam uma empresa a adentrar o mercado internacional, são caracterizadas principalmente pela globalização e pelo intenso comércio entre as nações. Quando as empresas competitivas do mundo passam a funcionar em sua globalidade, os meios de comunicação, informação, transporte e distribuição, assim como os de produção e consumo, agilizam-se universalmente. Dentro deste âmbito de comércio internacional, mudanças, alterações e inovações são elementos visíveis na lógica da competitividade, neste conceito o cliente pode ser encontrado em qualquer parte do planeta e o mercado se identifica por oportunidades de negócios, cabe às empresas irem ao seu encontro, buscando para isso se necessário deixar de lado os caminhos convencionais e habituais. Constata-se dentro deste comércio globalizado, onde temos produtos sendo ofertados da Europa, América, China a até mesmo de países antigamente tidos como economias fracas que a qualidade dos produtos é muito importante, porém mais importante é fazer com que esses produtos cheguem ao mercado internacional. Os móveis de alta decoração brasileiros vem ganhando força no mercado internacional, fator esse impulsionado pela qualidade e design empregados na produção. Alguns anos atrás era muito difícil ver estes produtos em outros países, a grande força moveleira destinada a exportação era composta por produtos de baixa qualidade ou de produtos de fabricação em larga escala. Atualmente, os móveis de alta decoração fabricados no Brasil podem ser vistos em países como Estados Unidos, Emirados Árabes, Rússia, Espanha e outros países dos quatro continentes. Dado esse grande crescimento do setor o presente trabalho tem por objetivo o setor de móveis de alta decoração com foco nas exportações indiretas. Segundo o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, exportar é preciso. Vale salientar que é preciso também identificar os caminhos pelos quais as empresas brasileiras podem seguir para exportar seus produtos. No presente trabalho são abordados o panorama do mercado moveleiro nacional e mundial. Para que assim se possa compreender o que move este setor e como o Brasil se apresenta perante o mercado internacional. Serão identificados também os programas de incentivo às exportações, programas esses que são essenciais para que as empresas brasileiras sintam-se confiantes e amparadas para escoarem sua produção. Através desses programas expor-se-á também as modalidades de 11 financiamento a disposição das empresas brasileiras que tem o intuito de facilitar a entrada dos produtos fabricados em território nacional no mercado internacional. Uma vez que é necessário investimento para poder exportar. Faz-se importante apresentar um roteiro de exportação das modalidades direta e indireta. Podendo assim ser apresentado um comparativo entre as duas, frisando aspectos comerciais, tributários e financeiros. 1.1 DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA O setor de móveis de alta decoração teve um crescimento no decorrer dos últimos 05 anos. Crescimento esse, estimulado pela qualidade e design que os produtos fabricados em território nacional apresentam. Hoje esse setor graças á promoção comercial no exterior goza de grande confiança por parte dos importadores, os quais vem aumentando gradativamente suas aquisições do Brasil. Hoje o fabricante brasileiro conta com duas modalidades para ingressar no mercado internacional, através da exportação direta e indireta. Existem diferenciações entre as modalidades, a direta exige uma maior comprometimento por parte da empresa, enquanto a indireta exige que a empresa se utilize de uma outra empresa para realizar os trâmites de exportação em seu nome. Os custos para a empresa nas duas modalidades são diferenciados. Há um maior custo por parte da exportação indireta, mas em contrapartida há uma agregação maior de valor e vantagens comerciais em se utilizar esta modalidade. Tais custos foram analisados para que se possa elaborar uma análise dentre as duas modalidades de exportação referidas. O presente estudo tem como intenção demonstrar os caminhos á serem seguidos para a exportação de móveis e artigos de alta decoração com foco nas exportações indiretas. 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo geral 12 Apresentar as alternativas de exportação para os fabricantes de móveis de alta decoração com ênfase nas exportações indiretas. 1.2.2 Objetivos Específicos a) Apresentar panorama do mercado brasileiro de móveis de madeira. b) Identificar órgãos e políticas de apoio às exportações brasileiras. c) Diferenciar detalhes das exportações diretas e indiretas: questões comerciais, financeiras e tributárias. d) Elaborar um roteiro de exportação via processo direto e indireto. 1.3 JUSTIFICATIVA A exportação de móveis e artigos de alta decoração tem apresentado um crescimento no período de 2003 à 2007, período esse que coincide com a fundação da ABIMAD – Associação Brasileira de Móveis e Artigos de Alta Decoração. Tal crescimento tem-se dado principalmente devido á promoção comercial destes produtos no mercado internacional, através de participações em feiras, encontros e rodadas de negócio. A competitividade do setor fica comprovada devido a grande procura pelos produtos brasileiros. Hoje os produtos fabricados no Brasil apresentam alta qualidade e inovação. Chegou-se ao ponto onde os produtos brasileiros competem com produtos fabricados em países tidos como referencial no setor, como é o caso de Itália, França e Alemanha. O tema deste trabalho começou a ser elaborado durante a Feira da ABIMAD, realizada entre os dias 09 e 12 de Fevereiro de 2007 na cidade de São Paulo. Nesta ocasião pode-se constatar através de observação e conversas informais com importadores e fabricantes que alguns fabricantes brasileiros ainda não possuem uma cultura exportadora forte. Notou-se durante a rodada de negócios o despreparo de alguns em lidar com o mercado internacional e com os importadores que lá estavam presentes. 13 A escolha do tema visa analisar se a exportação indireta constitui-se em uma opção viável para os fabricantes de móveis brasileiros exportarem seus produtos. Dado que à maioria das exportações do setor são realizadas de forma direta, buscou-se uma forma alternativa de adentrar o mercado internacional. 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo apresenta-se um estudo dos principais tópicos abordados neste trabalho visando buscar sustentação teórica para embasar as idéias aqui defendidas. 2.1 PANORAMA BRASILEIRO DO SETOR MOVELEIRO O setor moveleiro nacional avançou muito nos últimos anos e hoje sua produtividade, em alguns segmentos, já se aproxima dos níveis internacionais, o que inclusive possibilitou um grande salto exportador em meados da década de 90. Marion Filho (1998, p. 56) salienta que: O setor moveleiro brasileiro caracteriza-se pela junção de diversos tipos de matérias-primas, produzidos por distintas cadeias produtivas, e que são reunidos pelas empresas de móveis em processos produtivos diversos que obtêm como resultado produtos que podem ser segmentados de acordo com os materiais dos quais são confeccionados: madeira, metal, plástico, e outros, e também de acordo com o uso a que são destinados: móveis residenciais, para escritórios e institucionais. Além disso, as empresas se especializam em alguns tipos de móveis: cozinha, banheiro, sala, quarto e complementos. Os móveis de madeira, que são a maioria da produção do setor, são ainda segmentados em dois tipos: retilíneos (lisos, com desenhos simples de linhas retas) cuja matéria-prima principal são painéis de madeira em geral (compensados, aglomerados, MDF etc); e os torneados, ou também chamados de móveis de alta decoração, que reúnem detalhes mais sofisticados de acabamento, misturando formas retas e curvilíneas e cuja principal matéria-prima é a madeira maciça – de lei ou de reflorestamento – podendo ser também utilizados painéis de MDF, passíveis de serem usinados. Estes produtos são produzidos artesanalmente, ou em série, customizados ou não. No segmento de móveis artesanais há grande presença de micro e pequenas empresas que utilizam alguns equipamentos de tecnologia madura, bastante trabalho artesanal, e focam os produtos para o mercado regional. No nicho de móveis seriados, as empresas de maior porte atuam ou produzindo móveis padronizados em massa, visando um mercado de menor 15 poder aquisitivo, ou produzem móveis customizados voltados para mercado intermediário de preços. Mas, independente do nicho de atuação estas empresas maiores produzem em escala e aplicam tecnologia mais avançada (SEBRAE, 2007). A indústria moveleira brasileira faz parte do chamado “setor tradicional da economia”, cujo padrão tecnológico é determinado pelos fornecedores de máquinas e equipamentos. Os principais países fornecedores destes equipamentos são Itália e Alemanha, que além de produtores de bens de capital são grandes produtores e consumidores mundiais de móveis e a estreita cooperação entre ambas indústrias permite constante incremento tecnológico. Segundo Gorini (2000, p. 81), o processo produtivo não é contínuo, e a modernização/automatização é possível em algumas etapas da produção, e dependendo do tipo de móvel a possibilidade de automatização é maior – móveis de painéis de madeira retilíneos. Assim é comum encontrar nas empresas máquinas modernas coexistindo com máquinas mais obsoletas. Outra fonte de inovação para o setor são os fornecedores de insumos, ou seja, indústria química, petroquímicas (plásticos, tintas, materiais para acabamentos) e fornecedores de chapas de madeira. Além da inovação tecnológica e insumos, as inovações realizadas internamente pelo setor baseiam-se principalmente no produto, através do aprimoramento do design; nos processos organizacionais, através de novas formas de gestão e de processos; e em modificações das estratégias comerciais, distribuição e de marketing. Porém quando se modifica um destes fatores, os outros também são afetados e rearranjados, acomodando todos os fatores em um novo patamar competitivo (MARION FILHO, 1998). Outra modificação na dinâmica da cadeia dentro do setor moveleiro no Brasil ocorre com a maior pressão do mercado consumidor em relação ao uso de madeiras de lei, com isto desenvolveu-se tecnologia produtiva para processamento de madeiras menos nobres como Eucalyptus e Pinus, hoje principal matéria-prima para o mercado externo. É importante ressaltar que neste setor aqueles que possuem competência em comercialização e desenvolvimento de produto conseguem assumir posições de comando e coordenação sobre os outros elos e se apropriam da maior parte do valor gerado pela cadeia. Pensando-se na cadeia global, o Brasil se insere como produtor, e a eficiência produtiva e preço baixo do produto são os principais fatores de competição. Esta é a forma de inserção para a maioria dos países. Já a Itália agrega grande valor em seus produtos por meio do design e alcança renda maior pelo móvel diferenciado. Taiwan, segundo Gorini (2000, p.44), vem desenvolvendo linha de produtos de maior valor agregado em mercados poucos 16 explorados, e o foco são os móveis de metal composto com outros materiais com grande diversidade de estilos. Parte significativa das empresas produtoras de móveis está concentrada nos chamados pólos moveleiros. O maior de todos fica na cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, com um total de 370 empresas. Em seguida estão Ubá (MG), 310 empresas; Votuporanga (SP) e São Bento do Sul (SC), ambas com 210 empresas; Arapongas (PR), 145 empresas; Linhares (ES), 130; e Mirassol, com 85 empresas. Só a região metropolitana de São Paulo reúne 3.000 empresas (ABIMÓVEL, 2006). Através da implantação de arranjos produtivos locais, diversas micro-regiões localizadas principalmente no Norte e Centro-Oeste do País, têm sido consideradas “pólos emergentes”. Alguns exemplos são Cuiabá/Várzea Grande-MT, interior de Rondônia, Paragominas-PA, Imperatriz-MA, Macapá-AP entre outros. Muitos dos móveis produzidos nestas regiões utilizam madeira maciça. Com estas iniciativas desencadeia-se um processo de geração de valor, transformando a madeira em produto acabado, oferecendo um novo panorama à região. A concentração de indústrias numa mesma região ou cidade aumenta a competitividade e, desde os anos 90, o governo brasileiro baseia suas políticas de desenvolvimento industrial no estímulo aos Arranjos Produtivos Locais. Este conceito de Arranjos Produtivos Locais foi inspirado no modelo dos distritos industriais italianos, que impulsionou ás micro e pequenas empresas daquele país no pós-guerra e visa consolidar as cadeias produtivas entre as empresas de uma mesma região, difundindo informações, promovendo a capacitação de trabalhadores e a transferência de tecnologia, entre outras ações. Segundo artigo publicado por Roseane Suardi no site do Centro Gestor de Inovação Moveleiro em Maio de 2007, as vendas externas de móveis brasileiros de Janeiro a Abril de 2007 somaram US$ 303.686,227, uma variação de 6,5% ante mesmo período do ano passado, quase 1% a mais que no mês anterior. O Brasil vendeu para os Estados Unidos no período, US$ 83.484.163 em móveis, queda de – 15,2%, em relação ao período anterior, apesar da baixa, o Brasil vendeu vinte milhões a mais para os americanos se comparado ao primeiro trimestre do ano. A Argentina comprou o equivalente a US$ 20.442.990, variação de 24,2%, mantendo a recuperação das vendas do setor moveleiro para os argentinos. A Alemanha responsável por 5% das exportações dos móveis brasileiros, comprou o equivalente a US$ 13.905.077, variação de 50,8%, tendo comprado três milhões a mais que no último período. 17 O Rio Grande do Sul exportou em móveis o total de US$ 84.637.300, de Janeiro a Abril de 2007, índice positivo de 10,2%. As exportações gaúchas do setor para os Estados Unidos totalizaram US$ 10.185.502, queda de – 33,9%, porém o estado vendeu três milhões a mais que no primeiro trimestre de 2007, para os estadunidenses. Santa Catarina apresentou índice positivo um pouco menor que no período anterior, 0,8%, ante 1%. O estado catarinense exportou US$ 116.629.701, de Janeiro a Abril, tendo vendido trinta milhões a mais que no primeiro trimestre do ano. Os catarinenses participam com 38% do total das vendas externas do setor moveleiro, seguido pelo Rio Grande do Sul com 28% e São Paulo com 13%. 2.1.1 Panorama Mundial do Setor Moveleiro A indústria moveleira exerce grande influência no contexto mundial, sendo um dos setores que mais emprega mão-de-obra. Embora trate-se de um segmento constituído por empresas pequenas, a industria moveleira é responsável por parte significativa do comércio mundial. (PORTAL REMADE, 2007) Hoje, segundo o Ministério das Relações Internacionais e Comércio Exterior, o Brasil ocupa a nona posição dentre os maiores fabricantes de móveis, participando com 2,4% da produção mundial do setor, sendo o maior produtor mundial os Estados Unidos que detém 26,7% da produção mundial. A introdução de novas matérias-primas além das tradicionais madeiras nobres - cuja comercialização, devido a preocupações ambientais, encontra-se hoje restrita - também vem influenciando tanto o processo produtivo quanto o mercado consumidor. Madeiras reflorestáveis, como o Eucalipto e o Pinus, já são largamente utilizadas em países como Nova Zelândia, Austrália, Chile, entre outros, para a confecção de móveis. O mesmo já pode ser observado no Brasil. Na Malásia, Indonésia, Filipinas e Ceilão já começam a surgir móveis feitos de seringueira e outras madeiras ecologicamente corretas ( PORTAL REMADE, 2007). As exigências de certificações de caráter ambiental e a própria norma ISO-14000 deverão inibir o mercado de móveis confeccionados com madeira de lei e estimular o uso de madeira de reflorestamento, que parece ser uma tendência a ganhar força no mercado mundial e para a qual a indústria brasileira revela condições de competitividade. 18 Uma outra tendência também observada é a de misturar diferentes materiais na confecção do móvel. O sofisticado design do móvel italiano, por exemplo, em geral, mistura metais, madeira, vidro, pedra, couro, entre outros materiais, procurando distinguir seus produtos e perseguindo uma estratégia de diferenciação, que visa obter uma renda diferencial advinda da exclusividade. Além disso, o novo estilo de vida da sociedade moderna passou a priorizar maior funcionalidade e conforto, tendência típica nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Outros países vêm se especializando em segmentos do mercado ainda pouco explorados. É o caso de Taiwan, que tem forte presença no comércio internacional e vem desenvolvendo móveis em metal, com maior valor agregado, em pequenos volumes e grande diversidade de estilos (PORTAL REMADE, 2007). 2.2 A QUESTÃO DO REFLORESTAMENTO O setor moveleiro é movido pela matéria-prima que é empregada na fabricação dos produtos. Matéria-prima essa advinda diretamente de fontes de recursos naturais encontradas não mais em tanta abundância devido á exploração desordenada que vem ocorrendo. Atualmente existe uma maior preocupação e proteção por parte dos órgãos ambientais com a questão ecológica e de preservação dos recursos naturais. Além da necessidade de vender e expandir mercado há também a necessidade de preservação da flora para as gerações futuras. No Brasil os povoamentos com bases sustentadas são formados por espécies nativas na região norte do país, e espécies dos gêneros Pinus e Eucalyptus nas demais regiões, onde o Pinus se destaca mais na região Sul do Brasil, e o Eucalyptus é mais freqüente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste (JUVENAL, 2002). O interesse pela utilização de espécies de rápido crescimento, como fonte de matéria prima para a obtenção de produtos sólidos da madeira, tem aumentado de maneira significativa nos últimos anos. As restrições impostas ao uso de madeiras provenientes de florestas tropicais nativas têm sido apontadas como um dos principais fatores que levaram à busca de espécies de rápido crescimento para atender à demanda da indústria moveleira. Os reflorestamentos com Pinus e Eucalyptus, quase totalmente destinados às indústrias de polpa e de carvão, começam a ser direcionados a outros usos como para a indústria moveleira. Em muitos casos esse direcionamento não tem obedecido a uma 19 orientação de maior rigor tecnológico, o que pode comprometer a imagem do material ou levar a conclusões equivocadas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FLORESTAS RENOVÁVEIS, 2003). Assim, a maior diversidade do emprego da madeira de Pinus e Eucalyptus tem gerado reflexões sobre sua comercialização para atender à demanda interna dos setores moveleiro e de construção civil, à sua importância estratégica para geração de divisas provenientes da exportação de produtos sólidos e quanto ao seu papel social na geração de empregos. O setor florestal brasileiro exportou, em 2006, aproximadamente US$ 5,2 bilhões, com consumo de madeira de 300 milhões m3/ano, incluindo nativas e plantadas. A área plantada total de Pinus e Eucalyptus atinge 5,8 milhões ha, sendo 3,0 milhões ha de eucalipto e 2,8 milhão ha de Pinus (REFLORESTADORES UNIDOS S/A, 2007). A introdução de outras espécies, provenientes de reflorestamento, como por exemplo, o cinamomo, que apresenta características estéticas semelhantes ao cedro e ao mogno, a grevilea, que se assemelha ao carvalho, a teca, utilizada no comércio internacional para a confecção de móveis de alto nível, etc, surge como garantia de matéria-prima, consistente em volume, qualidade e custo, ao mesmo tempo reduzindo as pressões sobre as florestas nativas, contribuindo para evitar a abertura de novas áreas de exploração. O sucesso de introdução de novas madeiras no setor moveleiro depende do conhecimento sobre suas características anatômicas, de comportamento e uso, além do aspecto estético, muito importante na substituição de madeiras em extinção, uma vez que os padrões de desenhos e cores intrínsecos a cada material, influem na aceitação de determinadas espécies pelos consumidores de produtos derivados de madeira. Segundo Fábio Belmonte, engenheiro de qualidade da ADIMAD, uma das propriedades mais importantes na fabricação de móveis, e bastante influenciada pelas características anatômicas da espécie em questão, é a trabalhabilidade, que se refere ao comportamento da madeira no processamento com ferramentas manuais e mecânicas, bem como o acabamento superficial obtido nas operações de usinagem, como por exemplo, serrar, furar, aplainar, lixar, colar, etc. De acordo com o SINDIMÓVEIS – Sindicato das Indústrias do Mobiliário, 2005 por ocasião do seu processamento, algumas espécies possuem características desfavoráveis, como retratibilidade relativamente alta, susceptibilidade ao colapso durante a secagem da madeira serrada e a presença das tensões de crescimento. A madeira de melhor qualidade é aquela que 20 apresenta menos defeitos, os quais podem ser intrínsecos à madeira ou resultantes do processo de corte, transporte, desdobro e/ou secagem. Atualmente, apesar dos problemas inerentes aos gêneros, as madeiras oriunda de reflorestamento podem ser perfeitamente utilizadas como madeira serrada, desde que se leve em consideração as suas limitações, representando assim um grande potencial de matériaprima para o setor industrial florestal, uma vez que os plantios estão localizados perto de grandes centros consumidores. Através da utilização de técnicas de design e marketing, para agregar valor aos produtos derivados de madeira, deve ocorrer uma mudança de mentalidade por parte de produtores e consumidores no que diz respeito à aceitação de novas espécies. A produção de madeira aglomerada, que foi de 758 mil m³ em 1994, aumentou para 1.808 mil m³ em 2005, o que significou um crescimento de 238% (IBGE, 2005). Os pólos moveleiros são os principais mercados consumidores de aglomerados, posto que entre 80% e 90% do volume produzido são destinados à fabricação de móveis. A maior parcela da produção nacional é absorvida diretamente pela indústria moveleira. Um volume menor é comercializado pelas revendas e destinado ao setor moveleiro de pequeno porte (IBGE, 2005). 2.2.1 MDF – Medium Density Fiberboard Conforme já mencionado, a preocupação com o meio ambiente e o risco de que a matéria-prima venha a ficar escassa com o passar dos anos, fez com que os fabricantes de móveis de madeira buscassem formas alternativas de continuar trabalhando. Como cada vez mais buscam-se formas alternativas de produção sustentável, cabe aqui algumas explicações sobre o MDF, produto que, acredita-se, em alguns anos poderá vir a substituir a madeira na fabricação de móveis de madeira no Brasil e exterior. O MDF é uma chapa fabricada a partir da aglutinação de fibras de madeira com resinas sintéticas e ação conjunta de temperatura e pressão. Para a obtenção das fibras, a madeira é cortada em pequenos cavacos que, em seguida, são triturados por equipamentos denominados desfibradores. 21 Produto relativamente novo, foi fabricado pela primeira vez ao início dos anos 60 nos Estados Unidos. Em meados da década de 70, chegou à Europa, quando passou a ser produzido na antiga República Democrática Alemã e, posteriormente, foi introduzido na Europa Ocidental através da Espanha. No Brasil, a primeira indústria iniciou sua produção no segundo semestre de 1997 (ABIMOVEL, 2000). O MDF possui consistência e algumas características mecânicas que se aproximam às da madeira maciça. A maioria de seus parâmetros físicos de resistência são superiores aos da madeira aglomerada, caracterizando-se, também, por possuir boa estabilidade dimensional e grande capacidade de usinagem. A homogeneidade proporcionada pela distribuição uniforme das fibras possibilita ao MDF acabamentos do tipo envernizado, pinturas em geral ou revestimentos com papéis decorativos, lâminas de madeira ou PVC. Podem também ser executadas junções com vantagens em relação à madeira natural, já que não possui nós, veios reversos e imperfeições típicas do produto natural (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE PAINÉIS DE MADEIRA, 2007) As chapas de MDF são fabricadas com diferentes características, que variam em função de sua utilização final. Como exemplo pode-se citar, além das chapas “standard”, as chapas FR (resistentes ao fogo) e as chapas MR (resistentes à umidade, que são usadas em ambientes externos). Existem também chapas de maior resistência mecânica, fabricadas com maior quantidade de fibras e resinas, o que lhes permite aplicações que requeiram maior resistência à flexão ou ao impacto. As espessuras das chapas variam de 3 mm até 60 mm, sendo as mais grossas utilizadas em elementos estruturais ou decorativos de arquitetura e móveis, como nos pés torneados para mesas, por exemplo. O MDF destina-se, principalmente, à indústria moveleira. O uso do MDF é freqüente como componente de móveis para partes que requerem usinagens especiais. Destaca-se a fabricação de pé de mesa, caixas de som, componentes frontais, internos e laterais de móveis, fundos de gaveta e tampos de mesa. O MDF vem ganhando, em diversos países, parcelas dos mercados de madeira maciça, do compensado e do aglomerado, especialmente em produtos de alto valor agregado. O consumo mundial de MDF, que em 1995 representava 5,4% do total de painéis de madeira, passou a corresponder a 8,5% em 1998, aumentando de forma contínua nesse período (FINAME/BNDES). 22 No ano de 1998, existiam em operação, em todo o mundo cerca de 240 unidades industriais de MDF, com capacidade instalada de 24,1 milhões de m³ por ano. As principais regiões produtoras foram a Europa (38%), Ásia/Oceania (38%) e a América do Norte (20%). Entre os principais países produtores destacam-se os Estados Unidos, com 19% da produção mundial, e a Alemanha, com 12%. O Brasil fabrica cerca de 1% dos painéis de MDF produzidos (JORNAL DO COMÉRCIO, 2006). A produção mundial de MDF apresenta hoje uma taxa média de crescimento de cerca de 21,4% ao ano, atingindo, neste último ano, o volume de aproximadamente 22 milhões de metros cúbicos. A expectativa é que até 2009 a produção atual possa triplicar (JORNAL DO COMÉRCIO, 2007). 2.3 O SETOR DE ALTA DECORAÇÃO NO BRASIL Existem hoje no Brasil, diversos segmentos de móveis de madeira, sejam eles em escala, de escritório, hospitalares, de baixo custo ou móveis de alta decoração. Esse último é tema desse trabalho. Cabe explicar o que diferencia este setor dos demais. Segundo Lana Lima (2007), coordenadora do projeto Brasil Competitivo, identidade própria, marketing, design, maior agressividade no mercado e participação em feiras fazem parte das estratégias da indústria de móveis de alta decoração para aumentar a competitividade e ocupar espaços no Brasil e exterior. Para isso, toda a movimentação do setor passa por uma nova visão de produção, com maior integração entre as diversas etapas da cadeia. Vem sendo feito um investimento em design dos produtos e qualidade das matérias-primas. Segundo Fabio Belmonte, engenheiro responsável pela avaliação da qualidade dos produtos da ABIMAD, um dos fatores que diferencia os móveis de alta decoração dos demais segmentos de móveis é o fator matéria-prima. Os móveis são fabricados utilizando madeiras nobres como Mogno, Imbuia, Carvalho, dentre outros. Esse também é um fator determinante no preço dos produtos, por utilizar madeiras nobres tais produtos têm preços mais elevados que no geral, fator que não espanta os consumidores que buscam qualidade. Segundo Minervini (1991), “[...] exportando, a empresa ganha em competitividade, pois estará estimulada a ser mais eficiente”. 23 Outro fator a ser destacado dentro do mercado de móveis de alta decoração é a questão do design, vez que todos os móveis desse setor são planejados e desenhados por designers próprios dos fabricantes, buscando sempre uma integração entre a modernidade e atualidade. O design dos produtos é fator determinante para que o público-alvo deste segmento venha a adquirir tais produtos. O mercado de alta decoração vem ganhando espaço no Brasil nos últimos 05 anos através de investimentos em tecnologia, promoção comercial e participação em feiras nacionais. Com a entrada de empresas moveleiras tradicionais nesse segmento de mercado houve uma maior variedade de produtos a disposição dos consumidores (ABIMAD, 2007). Antigamente o consumidor ao entrar em uma loja de móveis ao se deparar com um produto nacional e um italiano, ambos com a mesma qualidade e mesmo preço, optava pelo importado. Hoje em dia com o avanço tecnológico desse setor no país, os móveis de alta decoração produzidos aqui têm seu valor reconhecido pelo mercado nacional e internacional. O crescimento desse setor se deu de forma muito rápida, conquistando espaço dentro do mercado nacional e abrindo as portas para o mercado internacional. De acordo com Domingos Rigoni, ex-presidente da ABIMOVEL “O setor de alta decoração no Brasil cresceu muito, tanto no design como na modernização da produção. Isso reflete no crescimento dos negócios”. 2.3.1 ABIMAD – Associação Brasileira de Móveis e Artigos de Alta Decoração Ao abordar o tema de móveis e artigos de alta decoração fica inviável não falar sobre a ABIMAD, associação que desde 2003 vem coordenando e investindo nesse setor. Como o foco desse estudo serão os móveis e artigos de alta decoração, procurou-se uma aproximação com a Associação Brasileira das Indústrias de Móveis de Alta Decoração – ABIMAD, presidida pelo Sr. Paulo Augusto Pereira Allemand. A ABIMAD é uma associação civil fundada em 22 de maio de 2003, sem fins lucrativos. Sua sede é na Cidade de Palhoça, na região de Florianópolis no Estado de Santa Catarina. Foi criada visando uma maior integração entre os fabricantes e buscando uma diferenciação dos produtos de alta decoração dos demais. Ao criar-se uma associação buscou- 24 se também dar suporte aos fabricantes, através de palestras, seminários e feiras.Dentre os objetivos listados no site da associação faz-se necessário citar: a) Estimular e promover o consumo de móveis e artefatos de alta decoração; b) Congregar as Entidades e empresas industriais do setor moveleiro de alta decoração, patrocinando e promovendo os seus interesses e objetivos comuns, visando sempre ao engrandecimento social e econômico dos Associados; c) Promover a aproximação de seus dirigentes, para permanente intercâmbio de informações entre empresas e entidades, visando ao aprimoramento de seus processos de desenvolvimento em todos os campos e o companheirismo entre os seus dirigentes d) Ter uma maior representatividade na busca de incentivos e financiamentos no mercado; e) Representar o setor de móveis de alta decoração e seus interesses junto aos organizadores de feiras e exposições e a promoção direta desses e outros eventos. f) Aprimorar o relacionamento com clientes, empregados, representantes, fornecedores de matérias-primas e com as empresas do setor, promovendo eventos através e em conjunto com as entidades filiadas; g) Estabelecer programas de desenvolvimento dirigidos a qualidade, produtividade e normalização do móvel brasileiro e aperfeiçoamento de suas matérias-primas e insumos; h) Aperfeiçoar a mão-de-obra vinculada à indústria do setor; i) Desenvolver e orientar o desenvolvimento e aprimoramento do desenho industrial do móvel de alta decoração; j) Estabelecer programas de intercâmbio entre as entidades filiadas objetivando a melhoria do relacionamento entre estas; k) Estimular e zelar pelo elevado relacionamento ético entre as suas empresas associadas e destas com terceiros. Um outro ponto a ser destacado dentro das atribuições da ABIMAD é a organização da feira que a associação realiza todos os anos em São Paulo, que tem o intuito de mostrar aos lojistas nacionais e internacionais os lançamentos do mercado. Conforme entrevista concedida pela gerente executiva da ABIMAD a Revista Hall (2007): 25 A ABIMAD é uma feira de negócios organizada pela ABIMAD. Nessa feira, os expositores (fabricantes de móveis e acessórios de linha alta) apresentaram seus produtos e novidades aos lojistas e pessoas ligadas ao setor, tais como arquitetos, decoradores, designers de interiores e imprensa especializada [...]. Por isso, a entrada na feira foi limitada a estas pessoas e também devido a isto, a ABIMAD patrocinou a vinda de 600 lojistas de todo o Brasil e mais 30 compradores internacionais, vindos de 17 países. Os compradores internacionais são selecionados pela equipe internacional da ABIMAD, levando em conta estudos de prospecção de mercado realizados em quatro continentes. Para os fabricantes a visita dos importadores é muito importante, pois os mesmos têm a oportunidade de expor seus produtos para o mercado internacional sem ter que sair do país. 2.3.2 Programa Quality for Export O interesse em exportar cresce continuamente nas empresas associadas a ABIMAD. Porém, é necessário ter qualidade para exportar, e atender aos vários requisitos internacionais. O empresário não pode ser simplista em pensar que exportar é fácil ou simples. Pensar que basta ter apenas um bom produto e vender lá fora. A realidade não é essa. Para conquistar os mercados externos é preciso muita competência e se enquadrar em várias exigências internacionais (REVISTA HALL, 2007, p. 58). Para Fabio Belmonte (REVISTA HALL, 2007, p. 58) “Conquistar os mercados externos é uma tarefa árdua que requer muito empenho e competência. Qualidade do produto é indispensável, porém não basta. É preciso ter qualidade em todo o processo de exportação”. Seguindo esse conceito, baseado em adequar e orientar da melhor maneira possível as empresas para adentrarem no mercado internacional, a ABIMAD criou em Outubro de 2005 o Programa Quality for Export, que tem como objetivo central qualificar os associados interessados na exportação. Um dos objetivos principais é preparar o associado para a Rodada de Negócios que é realizada anualmente junto da feira que a associação promove. Nessa rodada de negócios, o associado terá um primeiro contato com os importadores que virão a feira. Outro objetivo é a qualificação do associado que tem a intenção de participar das ações internacionais promovidas pela ABIMAD, tais como feiras internacionais e missões empresariais. 26 Os participantes do programa, após cumprirem todas as normas exigidas pela associação recebem o Selo Quality for Export, que certifica estar a empresa apta a exportar. As empresas que recebem o selo o utilizam para serem visualizadas no exterior. Para alcançar o essa certificação a empresa precisa se enquadrar em alguns padrões solicitados pela associação, dentre eles: a) Deve participar do Seminário promovido pela ABIMAD; b) Possuir um site com versões em inglês e espanhol; c) Possuir um Departamento de Exportação; d) Conhecer as informações técnicas sobre os produtos e serviços; e) Trabalhar com embalagens que atendam aos trâmites da exportação. Após a regularização através destes e de outros procedimentos, a empresa estará apta a receber e solicitar uma audiência técnica. Nessa audiência serão verificadas as instalações, produtos e serviços. A audiência é realizada anualmente e a empresa precisa estar constantemente enquadrada nas exigências da associação para que continue participando do programa. Essa iniciativa da ABIMAD foi muito bem vista por seus associados, pois facilita a entrada das mesmas no mercado internacional, porém a certificação é apenas uma etapa, os associados que realmente querem prospectar seus produtos no mercado internacional devem buscar fortalecer seu Departamento de Exportação ou buscar empresas que possam fazer o link entre elas e os clientes. 2.4 A COMPETITIVIDADE E O SETOR MOVELEIRO A competitividade é fator determinante para o ingresso no mercado internacional, as empresas brasileiras devem tornar-se competitivas para que consigam conquistar seu espaço. Segundo Porter (1986, p.34), o desenvolvimento de uma estratégia competitiva é, em essência, o desenvolvimento de uma fórmula ampla para o modo como uma empresa irá competir, quais deveriam ser as suas metas e quais as políticas necessárias para levarem-se a cabo estas metas. 27 Seguindo a linha de raciocínio de Porter, identifica-se que a empresa que almeja ingressar ou até mesmo permanecer no mercado internacional deve ser altamente competitiva, pois a concorrência é grande e o mercado vive em constante mudança. Dentre as abordagens descritas por Porter (1986, p. 37) que devem ser foco das empresas moveleiras nacionais fazse necessário destacar: a) Posicionamento – A empresa que tem o intuito de ingressar no mercado internacional deve saber como se posicionar para não acabar fadada a uma curta jornada nesse mercado. A empresa deve estudar os pontos fortes e fracos do mercado em questão para saber por onde adentrar. Não adiantaria para os produtores brasileiros de móveis por exemplo, lançarem-se no mercado Italiano, onde a competitividade é muito alta e quase em sua totalidade dominada por empresas locais. b) Estratégia de diversificação – A diversificação é uma das abordagens utilizadas pelas empresas brasileiras para entrar no mercado externo. A diversificação se dá dentro de um nicho de mercado específico, não havendo a necessidade de troca de mercado para execução da mesma. No caso dos móveis de madeira, o Brasil diversifica sua produção agregando aos produtos um toque brasileiro no desenvolvimento dos mesmos, como por exemplo a utilização de fibras naturais, materiais alternativos encontrados somente em território nacional, como é o caso dos móveis com detalhes em madeiras nativas e até mesmo frutos de árvores agregados a produção. A indústria moveleira mundial caracteriza-se por ser altamente competitiva. Fatores como modernização tecnológica, eficiência nos processos produtivos, elevado conteúdo tecnológico, organização industrial desverticalizada e estratégias comerciais agressivas são fatores que contribuem pra esse alto nível competitivo (ABIMAD, 2007). Países como Itália e Alemanha, tidos como uns dos mais competitivos no setor moveleiro buscaram a integração entre a indústria de móveis e a indústria de máquinas, o que permite uma atualização constante da base técnica da industria moveleira a custos menores que em outros países (MDIC, 2006). O Brasil ainda não formou parcerias fortes nesse sentido, porém deve buscar competitividade em outros fatores, como por exemplo a matéria-prima, que é abundante e fator essencial na fabricação de móveis. O país vem investindo muito em madeiras de 28 reflorestamento, já pensando no mercado daqui alguns anos, quando a escassez de madeira ao redor do mundo trará efeitos significativos para o setor. 2.4.1 O Setor Moveleiro e a Exportação Para embasar este estudo deve-se responder a esta pergunta: afinal com um mercado consumidor interno de dimensões muito grandes, porque seria interessante para os fabricantes brasileiros exportarem seus produtos? Vários são os motivos que incentivam/impulsionam a exportação de móveis brasileiros, segundo informações contidas no site do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior - MDIC os principais são: a) Setor organizado e Competitivo: A indústria moveleira nacional, apesar das diferenças regionais, possui produtos de qualidade internacional, farta mão-deobra, e excelentes matérias-primas. O que se deve é fazer com que a tecnologia e o conhecimento, hoje concentrados nos pólos, sejam ampliados, incentivados, multiplicados e disseminados por todo o País, fazendo assim com que as exportações no país evoluam. b) Disponibilidade de matéria-prima: As condições geográficas naturais em nosso país são extremamente favoráveis à produção e exploração de matérias-primas de qualidade. Florestas nativas apresentam grande diversidade e, desde que manejadas corretamente, podem oferecer grande variedade de madeira com excelente padrão de qualidade. A geografia e o clima favorecem o cultivo de madeira reflorestada, representando uma significativa vantagem competitiva, desde que haja um mínimo de planejamento. Recursos minerais não nos faltam, desde metais até derivados de petróleo, setor onde o Brasil ruma rapidamente para auto-suficiência. c) Lucratividade: Raros são os casos de exportadores tradicionais que deixaram de exportar, por uma razão simples: exportar é seguro e lucrativo. Tomando os cuidados necessários, é mais fácil levar um calote vendendo para o mercado nacional que para o internacional. Com um orçamento e um faturamento em dólar, o empresário deixa de se preocupar com as crises e se concentra naquilo que realmente interessa: produzir bem e faturar. Entretanto, a curto prazo, não espere lucros excepcionais. Comércio exterior é para ser pensado a médio e longo prazo. 29 d) Novos clientes e mercados: O comércio exterior abre novas e ilimitadas possibilidades para todos os envolvidos. Assim como as empresas estão preocupadas em vender, milhares de pessoas e empresas estão, neste momento, procurando fornecedores de confiança. Muitos, inclusive, dispostos a pagar mais por um produto de qualidade, normalmente significando preços mais rentáveis. e) Diluição e redução do custo de produção: O aproveitamento otimizado da capacidade produtiva da empresa diminui o custo proporcional. O aumento no volume provoca redução importante no custo de produção e, ainda, favorece a aprendizagem sobre o processo produtivo. Além disso, a diminuição do custo fortalece o poder de competição no próprio mercado interno. f) Redução de carga tributária: Quem exporta pode contar com um regime aduaneiro especial. Isso significa que parte substancial dos impostos não se aplica sobre os produtos exportados. Inclusive na hora de importar componentes, acessórios por exemplo, utilizando um mecanismo chamado Drawback, pode-se diminuir parte significativa dos tributos. Menos tributos representam maiores lucros, e em dólar. g) Know-How Internacional: Participar de feiras, eventos e missões internacionais é rotina para os exportadores tradicionais. Além dos negócios que tais oportunidades representam, também possibilitam ao empresário manter-se atualizado sobre as novidades e avanços no comércio internacional. h) Proteção contra competidores no mercado interno: Com a globalização da economia, é cada vez mais freqüente bater de frente com os competidores na porta de casa. A exportação reduz o impacto da presença dos concorrentes externos, uma vez que o exportador estará habituado a disputar mercado com os mesmos no exterior. Nota-se que os motivos para que os fabricantes brasileiros exportem seus produtos são muitos e variados, portanto identifica-se que exportar é realmente preciso e necessário. Com essa oportunidade aberta, fica provado que há necessidade/espaço para implantação de empresas que atuem prestando assessoria neste setor. Para demonstrar o crescimento do setor a tabela 1 mostra a evolução das exportações de móveis de madeira dos fabricantes brasileiros nos últimos 07 anos: 30 Tabela 1 – Análise das exportações moveleiras no Brasil ANO 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 VALOR EXPORTADO (EM US$) 485.174.452 479.085.232 532.486.497 661.556.905 940.574.475 990.424.209 945.255.001 Fonte: Panorama da ABIMOVEL Pode-se constatar, que as exportações brasileiras do setor vem crescendo gradativamente, desde o ano 2000, início da coleta de dados da tabela 1. Isso demonstra que apesar das oscilações cambiais e medidas protecionistas por parte de alguns países, a produção brasileira vem impulsionada por bons resultados alcançados no decorrer desse período. 2.4.2 Pré-Requisitos para Exportar Móveis Conforme demonstrado anteriormente, exportar móveis é uma operação viável e vantajosa para os fabricantes brasileiros, contudo, existem alguns pré-requisitos para que as empresas brasileiras possam exportar seus produtos. Abaixo é apresentado um pequeno roteiro retirado do site do MDIC demonstrando os passos a serem seguidos por aqueles que planejam exportar móveis: a) Querer exportar: Esse é com certeza o primeiro passo. Onde a empresa manifesta o desejo de exportar seus produtos para outros países. b) Estar habilitado para exportar: Como pessoa Jurídica basta que a empresa esteja registrada e que cadastre seu CNPJ no SISCOMEX. Legalmente falando, esse seria o segundo passo para tornar a empresa uma exportadora. Além disso a empresa deve incluir a atividade de exportação em seus atos constitutivos, declaração de Firma Individual, Contrato Social, Estatuto, etc, ou buscar a assessoria de uma comercial exportadora. c) Planejamento: Esta fase vai garantir o sucesso, ou não, da transação comercial internacional. É preciso definir, antes, todas as condições, os prós e os contras, os 31 prazos, as formas de pagamento, o transporte, a quantidade, a freqüência, seguro e questões ambientais para evitar prejuízos futuros e principalmente garantir o lucro. d) Internacionalização da empresa: Vender para o mercado externo é bem diferente do mercado interno. Em determinados casos é preciso adaptar ou reformular, não só o produto, como toda a estrutura da empresa. Esse processo vai da forma de gerenciar até o chão de fábrica, passando inevitavelmente por design, tecnologia e normalização. Possuir um departamento habilitado, falando mais de uma língua inclusive, é fundamental para atender aos atuais e potenciais clientes internacionais. e) Tecnologia: O desenvolvimento tecnológico é um dos grandes responsáveis pela vida da empresa, pela qualidade dos produtos, pelo atendimento do mercado, e pelo desenvolvimento das pessoas no meio empresarial. Investir na constante atualização tecnológica de máquinas, equipamentos, produtos e informação são, além de fundamental para o sucesso no comércio exterior, questão de sobrevivência frente aos desafios que o mercado apresenta. f) Design: O design tem sido considerado o ponto mais vulnerável da indústria moveleira nacional, devendo ser aprimorado se quisermos aumentar as exportações, pois o consumidor de maior poder aquisitivo é bastante exigente e está disposto a pagar preços razoavelmente maiores por produtos que considere elegantes, funcionais e resistentes. g) Normalização: O uso de normas oferece a devida segurança para o fabricante e para o consumidor, melhorando o funcionamento do mercado e utilizando uma linguagem precisa e comum. A Normalização é a base para a garantia da qualidade. Quanto maior o número de normas implantadas para se fabricar um produto qualquer, maior a qualidade do produto e, portanto, maior a confiança do consumidor. h) Permanente atualização: Estar a par da situação vigente do setor moveleiro mundial no que se refere a produto é fundamental. Até mesmo para poder fazer diferente se essa for a estratégia adotada, mas, além disso, as estratégias comerciais e financeiras vencedoras, e a avaliação empresarial na tomada de decisões, dependem de uma permanente atualização, pois as informações requeridas por cada empresa variam de acordo com o seu estágio no processo de 32 internacionalização e as mudanças freqüentes, tanto na legislação como nas políticas governamentais. Segundo Lima (1998), “Substituindo o modelo exportador ora vigente, desenvolvendo um design que dê características próprias ao móvel brasileiro e investindo na marca Brasil, conseguiremos, em curto espaço de tempo, aumentar significativamente o valor de nossas exportações”. 2.5 INCENTIVOS À EXPORTAÇÃO O mercado nacional encontra-se hoje repleto de opções para o consumidor que busca móveis e artigos de alta decoração. As empresas há muito vem buscando o mercado internacional para escoar sua produção e gerar divisas. A maioria das empresas brasileiras é de pequeno e médio porte, e nem sempre disponibilizam recursos para adentrar no mercado internacional, mercado esse que exige um investimento inicial. Algumas empresas não são bem sucedidas nessa investida e a culpa acaba recaindo sobre o mercado.Dado esse fato é comum ouvirmos alguns comentários onde se diz que o mercado internacional só traz prejuízos. A verdade é que traz despesas, para só depois oferecer o retorno esperado, é difícil assimilar o mercado internacional dando lucros a curto prazo, deve-se sempre pensar a médio e longo prazo. Hoje em dia, as empresas que almejam alcançar o mercado externo, podem contar com alguns programas de apoio por parte do Governo Federal. Para o Governo é interessante que as empresas brasileiras escoem sua produção para fora, pois isso fortalece a economia. O Governo através de alguns programas incentiva as exportações de pequenas e médias empresas.Há necessidade de que se tenha uma promoção comercial forte para aproximar a oferta exportável brasileira da demanda mundial. Alguns dos principais programas e incentivos do Governo para essa finalidade serão listados no tópico seguinte. 33 2.5.1 Programas de Apoio às Exportações Para Ricardo André (2000), cada país deve aperfeiçoar constantemente sua política de Comércio Exterior, como também suas Relações Internacionais, e adaptá-las à nova realidade. No caso do Brasil existe uma grande necessidade de aumentar o contingente exportador. Segundo ele, é válida a revisão de algumas medidas governamentais no que diz respeito à promoção de exportações, sejam estas relacionadas à desoneração fiscal, financiamento e seguro de crédito, bem como aos incentivos localizados geograficamente. 2.5.1.1 APEX – Agência de Promoção de Exportações O diagnóstico das exportações brasileiras e o desempenho dos produtos nacionais nos mercados externos, levaram o Governo a instituir a APEX, com o propósito de introduzir mudanças significativas nas políticas voltadas a estimular o comércio de produtos brasileiros no exterior. Criada em novembro de 1997 por Decreto Presidencial (DECRETO 4.584 de 05 de Fevereiro de 2003 – Anexo), a APEX funcionou como uma Gerência Especial do Sebrae Nacional até 6 de fevereiro de 2003. Nesta data, passou a ser denominada APEX-BRASIL, constituindo-se em um Serviço Social Autônomo ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Dessa forma, a agência ganhou autonomia, passando a desempenhar, no Governo Federal, a função de coordenar e executar a política de promoção do país. O seu principal objetivo é o de inserir mais empresas no mercado internacional, diversificar a pauta dos produtos exportados, aumentar o volume vendido e abrir novos mercados, além de consolidar os atuais. Com essa estratégia, está sendo possível gerar mais renda e empregos diretos nas empresas nacionais. Ao implementar a política de promoção comercial das exportações, a APEX-Brasil atendeu não só à complexidade da economia brasileira, mas também, ao alto grau de sofisticação da comercialização de bens e serviços nos mercados globalizados. Resultados obtidos por meio da preparação das empresas para exportar. Adequar os produtos brasileiros 34 ao mercado internacional e realizar ações de marketing no exterior tem sido fundamental para divulgar e consolidar a “Marca Brasil”. Esse trabalho vem sendo realizado por meio de ações internas, junto aos Governos Estaduais e aos diversos segmentos do setor produtivo, e também de ações externas, junto aos governos e entidades empresariais, às organizações internacionais de promoção comercial e às embaixadas brasileiras. Entre 2003 e 2004, ações importantes foram implementadas com o objetivo de atingir as metas estabelecidas. A agência passou por uma modernização gerencial. Foram implantados Sistemas de planejamento, Gestão estratégica e de Inteligência Comercial, aumentando significativamente o número de atividades e ações de promoção no Brasil e no exterior. Visando garantir que as empresas brasileiras estejam informadas sobre os diversos mercados, aptas a inserir e manter seus produtos no exterior e atrair investimentos estrangeiros para o Brasil, a APEX-Brasil conta com o trabalho integrado de cinco unidades: a) Unidade de Projetos: analisa, acompanha e monitora projetos de promoção de exportações. Os projetos têm abordagem setorial - compreendendo um ramo de atividade econômica ou cadeias produtivas. b) Unidade de Eventos Internacionais: trabalha para a geração de negócios e a promoção da imagem do Brasil no exterior por meio de eventos especiais, feiras e missões nos quais a Agência cria oportunidades de negócio para as empresas participantes. c) Unidade de Centros de Distribuição (CDs): coordena a instalação e operação dos CDs de produtos brasileiros no exterior. O objetivo é facilitar o acesso a mercados regionais e proporcionar custos mais baixos na armazenagem de mercadorias. Os CDs são estratégicos para a internacionalização de pequenas e médias empresas, eliminando intermediários, encurtando a distância entre a produção e o consumidor e permitindo também negociar preços competitivos. d) Unidade de Investimentos: tem por objetivo captar investimentos estrangeiros diretos. Esses investimentos são principalmente dirigidos aos setores industriais e de serviços cujos representantes mantém parceria com a APEX-Brasil. e) Unidade de Inteligência Comercial: identifica mercados e clientes potenciais para produtos brasileiros, buscando também informações estratégicas como preço médio de mercado, volumes de compras, tendências, logísticas de transporte e distribuição, concorrentes, clientes potenciais, além das barreiras tarifárias e não 35 tarifárias. Esse trabalho é complementado com a contratação de consultorias especializadas nos mercados-alvo. 2.5.1.2 Programa Brazilian Furniture O Brazilian Furniture foi criado pelo Governo Federal para o incentivo das exportações de móveis de madeira, programa esse que vem apresentando resultados positivos dentro do setor e tendo altos índices de aprovação dentre os fabricantes brasileiros. (APEX, 2007) Em 1998 a Abimóvel em parceria com a APEX, assinou convênio do Programa Brasileiro de Incremento à Exportação de Móveis (Promóvel). O Promóvel, programa da ABIMÓVEL, surgiu com a percepção por parte dos setores público e privado, da potencialidade de expansão das exportações do setor moveleiro brasileiro. Percebeu-se que seria necessária a realização de um amplo trabalho que envolvesse desde a estruturação e a capacitação das empresas até sua efetiva inserção no mercado internacional. O programa foi apresentado ao mercado Internacional como "Brazilian Furniture", marca hoje conhecida mundialmente, e cada vez mais vem atraindo interesses de grandes importadores. Dentre os objetivos principais do programa destacam-se: a) Converter o modelo de exportação da indústria moveleira brasileira, para um modelo de maior valor agregado, baseado em design próprio. b) Aumentar a competitividade da indústria moveleira nacional, através da melhoria dos índices de qualidade, produtividade e atendimento. Capacitar as indústrias moveleiras brasileiras para exportar aos mercados selecionados. Até 2006 o programa trabalhou em 12 estados brasileiros e 502 empresas foram organizadas através do trabalho realizado pelos sindicatos e entidades de classe regionais, constituindo os grupos regionais do Brazilian Furniture. Através do trabalho dos grupos foi possível disseminar junto às empresas os conhecimentos necessários ao trabalho mais eficaz de capacitação das empresas, uma vez que levam em conta também as realidades locais e individuais de cada pólo. 36 Em cada um destes pólos o Brazilian Furniture foi representado por uma entidade de classe do setor participante do Projeto que coordenou os trabalhos, o que via de regra, deveria facilitar a implementação das ações e dinamizar a obtenção de resultados, por viabilizar a adequação das metas propostas ao estágio de desenvolvimento do pólo local. As empresas participantes dos Grupos do Brazilian Furniture no decorrer de sua existência tiveram acesso e oportunidades para participar das diversas ações realizadas pelo programa. As ações desenvolveram-se em 3 Blocos: Cultura Exportadora, Estruturação e Negócios. Todas estas atividades foram apresentadas às entidades parceiras na execução do projeto, de forma que mesmo com a diversidade cultural e tecnológica existente no setor moveleiro nacional, a empresa que buscasse participar de todos os projetos pró-ativamente, pudesse alcançar um estágio tal que lhe permitisse participar do comércio internacional do setor moveleiro (APEX, 2007). Conforme o plano de ação do Brazilian Furniture disponibilizado em seu site, faz-se necessário citar: a) Missões empresariais; b) Aquisição de Know-How; c) Adequação de plantas fabris; d) Sensibilização ISO 9000 e 14000; e) Mostras no Exterior; f) Capacitação Gerencial; g) Publicações; h) Normatização; i) Qualidade e Produtividade; j) Missões empresariais; k) Mostras no exterior; l) Projetos Compradores. 2.5.1.3 Promóvel Programa contratado pela ABIMOVEL em parceria com órgãos governamentais, apresenta-se como uma iniciativa para as empresas do setor moveleiro. O objetivo do programa é fortalecer as empresas, capacitando-as para os desafios advindos da globalização 37 da economia. O PROMÓVEL, segundo o site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior tem como meta o desenvolvimento dos seguintes projetos: a) ISSO 9000 b) Sensibilização ISSO 14000 c) Selo Verde d) Produção de normas técnicas para fabricação de móveis e) Prospecção do mercado de móveis nos Estados Unidos f) Desenvolvimento de design g) Missões empresariais h) Aquisição de know-how no exterior O PROMOVEL busca converter o modelo de exportação da indústria moveleira brasileira para um modelo de maior valor agregado, baseado em design próprio, o que há alguns anos atrás não seria possível devido à alta tecnologia e design dos móveis Italianos, Alemães, dentre outros. Hoje com o despertar do setor moveleiro para o mercado externo esse objetivo vem sendo traçado e alcançado pelos fabricantes brasileiros. Busca também, aumentar a competitividade da indústria moveleira nacional, por meio da melhoria dos índices de qualidade, produtividade e atendimento. Pois não há como o Brasil tornar-se competitivo sem evoluir tecnologicamente, com investimentos em P&D, maquinário e aperfeiçoamento dos envolvidos no processo, que são as chaves para a prospecção dos produtos brasileiros no mercado externo. O PROMOVEL busca prospecção de novos mercados para poder oferecer a indústria moveleira possibilidades de exportar para mercados selecionados. Com essa prospecção o programa pode identificar os pontos fortes e fracos do mercado em questão. Estudar os melhores nichos de mercado para onde a indústria moveleira irá focar seus esforços com intuito de ganhar competitividade no mercado externo (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 2007). 38 2.5.1.4 Drawback Além dos incentivos citados acima, faz-se necessário destacar também neste capítulo uma ferramenta instituída pelo Governo Federal que incentiva os produtores brasileiros que necessitam de matérias-primas importadas a comprarem tais insumos com isenção de impostos conforme descrito abaixo com base no Regulamento Aduaneiro. O Drawback possibilita ao fabricante importar insumos sem a incidência de impostos, desde que estes sejam utilizados na fabricação de bens destinados a uma exportação futura. O Regime Aduaneiro Especial de Drawback está descrito no capítulo V do Regulamento Aduaneiro e na Portaria 4/97 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Segundo Regulamento Aduaneiro são três as modalidades de drawback: a) Suspensão – vinculada ao compromisso de futura exportação, deve ser pleiteada antes da importação dos insumos. O prazo de cumprimento do compromisso de exportar é de um ano, podendo ser prorrogado por igual período. Em caso de bens de longo período de fabricação, o prazo máximo é de cinco anos. Para habilitar-se ao benefício, a empresa deve apresentar formulário específico denominado “Pedido de Drawback”, que dará origem ao Ato Concessório no qual é fixado o prazo de cumprimento. Na chegada da importação, a empresa firma Termo de Responsabilidade junto à Receita Federal para a suspensão dos impostos (Regulamento Aduaneiro, Artigo 338). b) Isenção – caracteriza-se pela reposição de estoques de insumos utilizados na fabricação de mercadorias já exportadas. Assim como na suspensão, são necessárias a expedição do Pedido de Drawback e do Ato Concessório, documentos que comprovem a exportação e os respectivos Comprovantes de Importações (Regulamento Aduaneiro, Artigo 345). c) Restituição - restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam sido pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. O prazo para pleitear o benefício é de até dois anos contados a partir da data de registro da primeira Declaração de Importação utilizada para a comprovação da compra de insumos no mercado externo. Os embarques para a reposição dos estoques também devem ocorrer no período de um ano após a emissão do Ato 39 Concessório, prazo que pode ser prorrogado para dois anos (Regulamento Aduaneiro, Artigo 349). Encargos beneficiados pelo Drawback de acordo o Artigo 335 do Regulamento Aduaneiro: a) Imposto de Importação - II; b) Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI; c) Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS; d) Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante – AFRMM; e) Programa de Integração Social – PIS/COFINS 2.5.2 Modalidades de Financiamento às Exportações Com o intuito de facilitar o caminho para que os produtores brasileiros possam exportar seus produtos, criaram-se mecanismos que tem como objetivo auxiliar o acesso ao capital necessário para que os fabricantes possam comprar matéria-prima e produzir os bens destinados ao exterior. Os dados abaixo foram extraídos da cartilha Aprendendo a Exportar, elaborada pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior disponibilizada no site do Ministério. 2.5.2.1 Modalidades de captação direta a) ACC – Adiantamento sobre Contrato de Câmbio O ACC é um serviço que antecipa recursos em moeda nacional, decorrentes de uma exportação que irá ser realizada no futuro, para aplicação na produção, acondicionamento e despesas referentes ao embarque da mercadoria. Esta modalidade de financiamento,é colocada à disposição das empresas exportadoras pela rede bancária e permite que o exportador obtenha recursos financeiros antes de embarcar a mercadoria. Com o ACC, o exportador poderá contar antecipadamente com recursos para a produção dos bens que pretende 40 exportar. O ACC tem prazo de até 360 dias, sendo contado a partir da data prevista para o embarque da mercadoria. Como o ACC trabalha com uma taxa reduzida, isso proporciona às empresas menores custos de produção e maior competitividade, além de ganhos pelas aplicações financeiras no mercado interno. Ao obter um ACC o exportador precisa ter a certeza que o seu produto será embarcado dentro do prazo previsto, caso contrário, terá que devolver ao banco o valor obtido através do ACC, incluindo correção monetária, diferenças cambiais, multa decorrente ao não embarque da mercadoria e outros encargos. b) ACE – Adiantamento sobre Cambiais Entregues O ACE tem como finalidade antecipar ao exportador, após o embarque da mercadoria destinada ao exterior, recursos em moeda nacional, mediante a transferência ao banco dos documentos e direitos sobre a venda a prazo. É um instrumento de financiamento às exportações que consiste no desconto da cambial junto ao banco escolhido pelo exportador. Sendo assim o exportador pode obter recursos financeiros após o embarque da mercadoria para o exterior. O prazo do ACE é de 180 dias. c) Auto-financiamento A empresa tem a opção de ela mesma arcar com os custos do processo de exportação. Essa opção é geralmente utilizada por grandes empresas, que possuem capital de giro alto para investir nessas operações. Pode também ser aplicada as outras empresas, desde que as mesmas disponibilizem de capital para investimento onde o retorno será á médio ou longo prazo. d) Financiamento via Comercial Exportadora 41 Nesta modalidade a empresa tem a opção de recorrer a uma empresa Comercial Exportadora caso a mesma opere com antecipação de crédito. A antecipação de crédito se dá mediante a um acordo firmado entre a empresa e a Comercial exportadora. Onde a segunda compromete-se a antecipar o valor total da operação a ser realizada antes mesmo da mercadoria embarcar para o destino. 2.5.2.2 Modalidades de captação via órgão de apoio a) BNDES-EXIM Vem a ser uma linha de crédito do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que tem como objetivo financiar as exportações de bens e serviços brasileiros em condições competitivas. O BNDESEXIM compreende dentro dessa linha de crédito, as seguintes modalidades: - Pré-Embarque: financia a produção de bens manufaturados, principalmente os de longo ciclo, a serem exportados em embarques específicos. - Pré-Embarque Especial: financia a produção, o capital de giro envolvido e também os investimentos referentes aos bens que serão exportados, sem contudo, vinculação com embarques específicos, mas com período prédeterminado para sua efetivação - Pós-Embarque: financia a comercialização de bens e serviços no exterior, por intermédio do refinanciamento ao exportador, ou ainda por meio da modalidade conhecida como buyer’s credit (crédito ao comprador). c) PROEX – Programa de Financiamento às Exportações Programa instituído pelo Governo Federal que tem como objetivo conceder às exportações brasileiras condições de financiamento equivalentes as do mercado internacional, através das modalidades Financiamento e Equalização. Trata-se de um financiamento concedido diretamente ao exportador ou ao importador de bens e serviços brasileiros com recursos do Tesouro Nacional, previstos no Orçamento Geral da União. Estas operações são conduzidas com exclusividade pelo Banco do Brasil. financiamento: O programa oferece dois tipos de 42 - Supplier’s credit (Financiamento ao exportador) – Modalidade em que o financiamento é concedido mediante descontos de títulos de crédito ou cessão de direitos creditórios, após contratada a venda externa e o embarque das mercadorias do serviço. - Buyer’s credit (Financiamento ao importador) – Modalidade em que o financiamento é concedido mediante contrato firmado entre entidades estrangeiras e o governo brasileiro. O financiado, na medida em que recebe o bem ou serviço contratado, autoriza o crédito na conta do exportador. 2.6 EXPORTAÇÃO DIRETA X EXPORTAÇÃO INDIRETA Existem inúmeras formas de ingressar no mercado externo: através de exportação, licenciamento, joint venture, centros de distribuição, filiais próprias entre outras. A escolha se baseará em fatores como a natureza do produto ou serviço que se pretende vender e as condições de ingresso nos mercados selecionados ou de acordo com a política comercial de cada empresa. Neste trabalho serão analisadas as modalidades de exportação direta e indireta com uma maior ênfase nas operações indiretas. 2.6.1 Exportação Direta Na exportação direta, a empresa vende seu produto ou serviço diretamente ao cliente estrangeiro. Exige que a empresa encontre o comprador e realize todos os procedimentos para concluir a venda. O cliente pode ser um usuário final do produto ou serviço, distribuidor ou varejista. A empresa detém um maior controle sobre o processo de exportação, tem a possibilidade de obter lucros mais elevados e pode manter um relacionamento mais próximo dos mercados e compradores. Entretanto, a exportação direta exige da empresa uma dedicação maior de tempo, pessoal e recursos que outras formas de exportar. 43 Segundo o Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio exterior essa modalidade de exportação poder feita através de: a) Contato direto com o importador: O primeiro passo é identificar o comprador estrangeiro, o que pode ser feito por meio de câmaras de comércio, consulados, embaixadas, participação em feiras e missões no exterior ou mesmo por iniciativa do importador em buscar novos fornecedores ou produtos. O passo seguinte, é a troca de correspondências para negociação das condições de venda: preço, forma de pagamento, prazo de entrega e responsabilidades de cada parte, dentre outros aspectos. Essa modalidade requer do exportador um mínimo de conhecimento sobre a forma de se realizar uma exportação. É preciso, também, que o exportador estruture sua empresa para esta tarefa ou contrate os serviços de profissionais experientes na área. b) Agente a serviço do exportador: É o profissional que, mediante a cobrança de uma comissão previamente acertada, intermedia as vendas entre o exportador e o importador. Esse tipo de comercialização é a mais comum quando se pretende manter um fluxo regular de vendas para um grande número de clientes. A figura do agente é especialmente indicada quando a empresa não tem conhecimento da cultura comercial do mercado-alvo ou de aspectos relativos à legislação comercial local e a barreiras alfandegárias. c) Agente Revendedor (Distribuidor): Neste tipo de parceria comercial, a empresa pode fazer um acordo com um agente, dando-lhe exclusividade para a importação do seu produto num determinado mercado, e ele, por sua vez, pode montar uma rede de distribuição dentro do seu território. Ele adquire as mercadorias, ou seja, assume a titularidade e a posse dos bens comercializados e se responsabiliza pela divulgação e distribuição dos produtos dentro do território estipulado. d) Agente que trabalha para compradores (Buyer): Além do agente de vendas, existe também o agente de compras, também conhecido no mercado internacional como buyer. Nos grandes centros costuma haver centrais de compras, encarregadas de adquirir grandes quantidades de produtos para seus representados. Esses agentes costumam operar, por exemplo, para lojas de departamentos e grandes cadeias de lojas. 44 No mercado internacional é comum a figura do buyer nas empresas que importam produtos de outros países. Geralmente são funcionários com longo tempo de empresa e com uma noção de mercado e de valores muito aguçada. São responsáveis pelo levantamento de preços dentre os fornecedores e pela aquisição dos produtos. Informações sobre a existência de agentes ou empresas de compras em mercados específicos podem ser obtidas por meio dos Consulados brasileiros ou das entidades de classe. 2.6.2 Exportação Indireta Nesta modalidade a empresa utiliza os serviços de outra, cuja função é encontrar compradores para seus produtos em outros mercados. Esta modalidade requer a participação de uma empresa mercantil, que adquire mercadorias no mercado interno para posterior exportação. Há vários tipos de intermediários que operam de diferentes maneiras. No geral, podem ser classificados como agentes ou Trading Companies. Neste tópico serão abordadas as Trading Companies. As Trading Companies podem adquirir o produto internamente para posterior exportação ou representá-lo no exterior operando, neste caso, através de comissão sobre os negócios realizados. Procuram negócios adequados para a empresa e cuidam de todos os aspectos da exportação: negociam contratos de exportação, parte documental, transporte, seguro e fornecem suporte após a venda, o pós-venda, pouco difundido no comércio internacional, mas que segundo pesquisas é um dos itens que levam os importadores a voltar a comprar com determinado fabricante. A utilização de seus serviços é uma boa opção para os que não possuem know-how necessário para exportar. As empresas que são iniciantes ou as que não possuem recursos humanos e capital, necessários para se dedicar às atividades exportadoras mais complexas podem optar pelo método indireto de exportação. Neste caso sua principal responsabilidade será encontrar um intermediário adequado que cuidará de quase todos os detalhes As Trading Companies conforme exposto, apresentam algumas vantagens comerciais para o fabricante, tais como ausência de custos de pesquisa e prospecção de mercados, eliminação de despesas na elaboração da parte documental do processo de exportação, que fica a cargo da comercial exportadora e pode-se destacar também a segurança no recebimento do valor da venda, que é cursada em moeda nacional. 45 2.6.3 Questões Legais de Constituição de uma Comercial Exportadora A constituição de uma comercial exportadora é uma realidade cada vez mais freqüente no Brasil, onde existe uma necessidade por parte dos fabricantes de diversos setores, inclusive o moveleiro em utilizarem dos serviços ofertados por esse tipo de empresa. Ratti (1991) afirma que “[...] uma comercial exportadora, nada mais é que uma modalidade de trading company, criada pelo Decreto-lei nº 1.248/72 e que se dedica à exportação unicamente”. Já Vazquez (1999) dá uma definição diferente, “empresas constituídas sob a égide do Decreto-lei nº 1248/72, com a finalidade de incrementar as exportações brasileiras. São muito ativas no mercado internacional e podem representar uma canal de vendas ao exterior para as pequenas e médias empresas que não disponham de estrutura suficiente para tal empreitada.” A criação e regulamentação dessas empresas, ocorreu em um período de grande crescimento e desenvolvimento em nosso país, conhecido como “milagre brasileiro”. Tal crescimento e desenvolvimento, entretanto, vieram acompanhados por um grande endividamento público. A empresa comercial exportadora surge como uma forma de dinamizar as exportações brasileiras, uma vez que facilita o acesso de produtos, ou empresas, que não possuem condições, ou know-how de realizar vendas diretas ao exterior, e de tentativa de controle da balança comercial. Conforme Decreto-lei 1.248/72 a empresa comercial exportadora possui um tratamento tributário diferenciado. Art. 1.º. As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-lei. Parágrafo Único. Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas ao estabelecimento do produtor/vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto aduaneiro, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário d exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Vale ressaltar aqui, que a exportação da maioria dos bens é amparada por incentivos fiscais como a isenção de impostos e contribuições. As vendas realizadas às empresas 46 comerciais exportadoras no mercado interno têm os mesmos benefícios das operações de exportação. Como forma de incentivo a criação das empresas comerciais exportadoras, o Decreto-lei, em seu art. 7º, previu que essas empresas poderiam “abater do lucro sujeito ao imposto de renda uma quantia igual à diferença entre o valor dos produtos manufaturados comprados de produtores/vendedores na forma do artigo 1.º e o valor FOB (Free On Board, condição de venda internacional na qual o exportador é responsável por todas as despesas, inclusive riscos de perdas e danos até que a mercadoria esteja a bordo do navio) em moeda nacional das vendas dos mesmos produtos no exterior”. Os requisitos para a concessão dos benefícios previstos no art 1.º do Decreto-lei 1248/72 são previstos pelo art. 2º do mesmo ato normativo: a) registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.S. (CACEX) e na secretaria da Receita Federal; b) constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; c) capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), disponibiliza em seu site as condições mínimas para a constituição da empresa comercial exportadora: Art. 1.º Considera-se Empresa Comercial Exportadora, para os efeitos de que trata o Decreto-lei n.º 1.248/72, as empresas que obtiverem o Certificado de Registro Especial, concedido por este DECES em conjunto com a Secretaria da Receita Federal. Art. 2.º A empresa que desejar obter o Registro Especial deverá satisfazer os seguintes requisitos: I – possuir capital mínimo realizado equivalente a 703.380 Unidades Fiscais de Referência – UFIR, tomando-se por base a expressão monetária da UFIR mensal para o mês de Abril imediatamente anterior a data do pedido do registro, conforme disposto na Resolução n.º 1.928 de 26 de Maio de 1992, co Conselho Monetário Nacional; II – constituir-se sob a forma de sociedade por ações; III – não haver sido punida, em decisão administrativa final, por infrações aduaneiras, de natureza cambial, de comércio exterior o de repressão ao abuso do poder econômico. É importante lembrar, que além dos detalhes supra citados a comercial exportadora deverá seguir os processo de habilitação, segundo a IN SRF 650/06 que são abordados mais 47 adiante no capítulo que versa sobre Despacho Aduaneiro. Podendo assim estar habilitada para viabilizar legalmente todas as suas operações comerciais, sejam elas de exportação ou importação. 2.6.4 Exportação Indireta: Aspectos Tributários Com o objetivo de desenvolver e incentivar a atividade exportadora brasileira, o Governo, por meio do Decreto-Lei 1.248, de 29.11.72, estendeu às operações de compra de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação, os mesmos benefícios fiscais concedidos por lei às exportações efetivas. Assim, criou-se condições para o desenvolvimento, no Brasil, das empresas comerciais exportadoras, conhecidas no mercado internacional como “trading companies” A atividade dessas empresas não se confunde com a de produção para exportação ou de representação comercial internacional, caracteriza-se, especialmente, pela aquisição de mercadorias no mercado interno para posterior exportação. De acordo com o DL 1.248/72, para que as empresas comerciais exportadoras possam usufruir dos benefícios fiscais, é necessário que: a) obtenham registro especial na SECEX e RFB; b) sejam constituídas sob forma de sociedade por ações; c) possuam capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. No âmbito da SECEX, as normas para obtenção do registro estão disciplinadas na Portaria SECEX nº 35, de 24.11.2006. É grande a importância das empresas comerciais exportadoras que realizam a intermediação entre os produtores nacionais e os importadores externos, vez que a exportação depende de conhecimentos específicos, tais como: procedimentos comerciais; mercados e suas características; riscos comerciais e fiscais; procedimentos necessários à contratação de transporte e seguro; formas de pagamentos; financiamentos disponíveis, sem que se mencione as dificuldades devidas às diferenças de idiomas e costumes. Detendo conhecimento especializado, estrutura adequada e o aporte financeiro necessário, essas empresas facilitam a colocação dos produtos no exterior. Após a aquisição das mercadorias, as atividades especializadas e os riscos inerentes ao comércio internacional passam para as empresas comerciais exportadoras, constituídas ao 48 amparo do DL 1.248/72, que promovem sua exportação sem que os respectivos produtores, na grande maioria das vezes empresas de pequeno e médio porte, que isoladamente não teriam condições de exportar os seus produtos, necessitem conhecer qualquer mecanismo relacionado ao comércio exterior. Outro benefício decorrente de operações através das empresas comerciais exportadoras constituídas ao amparo de DL 1.248/72, para as pequenas e médias empresas que não exportam diretamente, é a possibilidade de utilização do regime de drawback. Conforme a Portaria SECEX nº 35, de 24.11.2006, pode ser considerada para fins de comprovação do referido regime, a venda no mercado interno efetuada à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. As operações efetuadas por “tradings” caracterizam-se, principalmente, por: a) exportação de produtos de diferentes fornecedores de forma consolidada; b) necessidade de menor capital de giro, devido às operações casadas; c) melhor atendimento aos clientes, por oferecer variada gama de produtos; d) redução dos custos operacionais; e) estoques que permitam regularidade de fornecimento. f) atuação em diversos mercados. Com relação ao tratamento tributário, em geral os Governos evitam onerar com encargos tributários os produtos destinados à exportação, para poder manter sua competitividade no mercado externo. Dado esse fato, tem-se o costume de isentar os produtos exportados dos impostos indiretos, inclusive os incidentes nos insumos que são incorporados aos produtos finais. Segundo as normas da OMC – Organização Mundial do Comércio, este procedimento não caracteriza subsídio à exportação. O IPI – Imposto sobre Produto Industrializado, é um tributo federal incidente sobre o valor adicionado. Ao adquirir os insumos, o fabricante anota como crédito, no seu registro fiscal, o valor do IPI indicado nas notas fiscais. Ao efetuar a venda do produto elaborado, deve contabilizar o valor do IPI como débito, no registro fiscal, Assim, o montante do IPI que o fabricante deverá recolher é dado pelo saldo do registro fiscal. O ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços é um tributo estadual com alíquota uniforme, salvo algumas exceções, e também incidente sobre o valor adicionado. O procedimento fiscal é equivalente ao do IPI. As exportações de produtos manufaturados, semi-elaborados, primários e de serviços estão isentas do pagamento da COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade 49 Social, cuja alíquota de 7,6% incide internamente sobre o faturamento das empresas. Esta isenção incide nas duas modalidades de exportação, direta e indireta. As exportações estão também isentas de pagamento do PIS – Programa de Integração Social, cuja alíquota de 1,65% incide, nas operações internas, sobre a receita operacional bruta. Esta isenção aplica-se às vendas do fabricante às trading companies. Não se aplica, porém, às vendas para comerciais exportadoras, cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes. A Receita Federal Brasileira exige que as empresas que pretendem trabalhar com exportação/importação de produtos devem realizar cadastro no Sistema de Rastreamento da 2002 através da IN SRF nº 229/02, vinha passando por um processo de rigidez cada vez mais acentuada, como prova a edição das subseqüentes IN SRF nº 286/03 e 332/03, atingindo seu apogeu em 2004 com a IN SRF nº 455/04. Este último normativo foi objeto de diversas críticas devido ao gargalo econômico criado em virtude da dificuldade e morosidade advindas do modelo de habilitação proposto. E tal resultado se posicionou na contramão não só da política nacional de incentivo às exportações, mas também dos preceitos internacionais de facilitação de comércio e transparência perseguidos pela OMC e pela OMA - Organização Mundial das Alfândegas. 2.7 DESPACHO ADUANEIRO As operações de exportação, aquelas onde há produtos nacionais ou nacionalizados destinados ao exterior requerem um procedimento especial para que sejam realizadas. Este processo é denominado despacho aduaneiro. O despacho aduaneiro de mercadorias na exportação é o procedimento fiscal mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo exportador em relação às mercadorias, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas a seu desembaraço e a sua saída para o exterior. Toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive aquela admitida temporariamente e reexportada, está sujeita a despacho de exportação, que é realizado com base em declaração apresentada à unidade aduaneira que jurisdicione o local de conferência e desembaraço da mercadoria a ser exportada (Regulamento Aduaneiro, Artigo 519). 50 Em geral, o despacho de exportação é processado por meio de Declaração de Exportação, registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), tendo a si vinculado um ou mais Registros de Exportação conforme rege a Instrução Normativa SRF 28/94. Entretanto, em algumas situações o exportador pode optar pelo despacho aduaneiro simplificado, que pode se dar por meio do SISCOMEX ou por formulários, conforme o caso. Em regra geral, o despacho aduaneiro deve ser processado no SISCOMEX. Entretanto para que seja efetuada uma exportação de mercadorias por meio do SISCOMEX, primeiramente a empresa deverá providenciar, junto a Receita Federal, sua habilitação, para operação no sistema e o credenciamento de seus representantes para a prática de atividades relacionadas ao despacho aduaneiro, conforme versa a IN da SRF n 650/06. O procedimento de habilitação pode ocorrer em quatro modalidades, conforme o tipo e a atuação do interveniente, são elas: a) Ordinária: para pessoas jurídicas que atuem habitualmente no comércio exterior; b) Simplificada: para as pessoas físicas, as empresa públicas ou sociedades de economia mista, as entidades sem fins lucrativos e, também para as pessoas jurídicas que se enquadrem em alguma situação especial, como é o caso da Linha Azul; c) Especial: para órgãos da administração pública direta, autarquias e fundações públicas, organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais; d) Restrita: exclusivamente para a realização de consultas ou retificações de declarações aduaneiras de pessoas físicas ou jurídicas que tenham operado anteriormente no comércio exterior e não estejam habilitadas em nenhuma das modalidades anteriores. Após confirmação da habilitação no SISCOMEX inicia-se a fase administrativa/comercial, controlada pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). Essa fase é composta por três operações principais realizadas no sistema: a) Registro de venda: é o conjunto de informações que caracterizam a operação de exportação de produtos negociados em bolsas internacionais de mercadorias ou commodities, por meio de enquadramento específico. O preenchimento do Registro de Venda é prévio ao Registro de Exportação a que ele se vincula e, por conseqüência, anterior ao embarque da mercadoria. b) Registro de Crédito: representa o conjunto de informações de caráter cambial e financeiro relativo à exportação financiada. É obrigatório para operações com 51 prazo de pagamento superior a 180 dias e, com prazos iguais ou inferiores, sempre que houver incidência de juros; c) Registro de Exportação: é o conjunto de informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal que caracterizam a operação de exportação de uma mercadoria e definem o se enquadramento. Deve ser obtido previamente à Declaração de Exportação. É nesta fase que é realizado o chamado tratamento administrativo da exportação (Regulamento Aduaneiro, Artigo 523) A obtenção do Registro de Exportação é o passo inicial da maioria das operações de exportação. Uma vez concluído seu preenchimento, o Registro de Exportação passará a situação de efetivado ou, no caso de existência de tratamento administrativo, pendente de efetivação, quando então será analisado pela SECEX ou por algum outro órgão governamental, até ser efetivado, estando então disponível para ser vinculado a uma Declaração de Exportação. A declaração de Exportação por sua vez, de acordo com o Regulamento Aduaneiro, Artigo 525 é o documento base do despacho de exportação. Deverá ser instruída com a primeira via da nota fiscal do fabricante, a via original do conhecimento e do manifesto internacional de carga, nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre e os demais documentos exigidos na legislação específica. Após realizado este processo, dá-se início a conferência aduaneira, que tem por finalidade de acordo com Regulamento Aduaneiro, Artigo 528, identificar o exportador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e preço, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da exportação. O processo legal tem encerramento com o desembaraço aduaneiro, quem vem a ser o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira. Autorizando o embarque ou a transposição de fronteira da mercadoria destinada à exportação. Para ilustrar melhor o processo de exportação abaixo é exposto um roteiro com os principais passos a serem dados no processo: 1. Planejamento: A empresa deve planejar antes de adentrar no mercado internacional. Deve-se buscar novos mercados onde haja demanda pelos produtos ofertados pela empresa. 52 2. Pesquisa de Mercado: É necessário que a empresa busque pesquisar os mercados que pretendem adentrar. Há a necessidade de procurar estudar o mercado para se ter uma idéia da aceitação ou não do produto. 3. Negociação com o importador: Após definido o mercado o exportador deve negociar as condições de venda com o importador. Fatores como frete, seguro, local de embarque e condições de pagamento são de extrema importância. 4. Elaboração da fatura Pro-forma: Após a negociação passar para a Pro-forma tudo que foi acertado com o importador. 5. Envio da fatura Pro-forma: Após elaborada, o exportador deve enviá-la ao importador para que o mesmo de o seu aceite e seja gerado o pedido de compra. 6. Elaboração da Fatura Comercial: Após gerado o pedido de compra o exportador emite a Fatura Comercial, documento que no mercado externo equivale a nota fiscal. 7. Produção da mercadoria: Tendo a Fatura Comercial pronta e aprovada, o exportador passa a ordem de produção para a fábrica. 8. Preparar a mercadoria para o embarque: Finalizada a produção o exportador prepara a embalagem para o embarque seguindo as exigências internacionais para embalagem das mercadorias. Ao mesmo tempo ele dá início ao Registro de Exportação. 9. Elaborar Packinglist: Este documento é necessário para o desembaraço da mercadoria e também para a orientação por parte do importador no recebimento da mesma. 10. Emissão da Nota Fiscal: O exportador emite a nota fiscal para que a mesma possa acompanhar a mercadoria da fábrica até o local onde será desembaraçada pela Receita Federal. 11. Providenciar transporte: O exportador deve providenciar transporte da mercadoria até o porto, no caso de modal marítimo, de destino. 12. Solicitar Despacho Aduaneiro: Nessa etapa o exportador deverá efetuar o registro da Declaração para Despacho Aduaneiro, efetuar a confirmação de presença de carga, recepcionar os documentos, haverá também nessa etapa a parametrização da mercadoria. 53 13. Pagamento de frete e seguro: Caso a exportação seja realizada na modalidade de incoterm CIF (Cost Insurance and Freight) a responsabilidade de pagamento cabe ao exportador. Que deverá saudá-las antes do embarque. 14. Recebimento do Conhecimento de Embarque: Também conhecido como B/L (Bill of Landing) é o documento emitido pela companhia transportadora, no caso do modal marítimo, pelo armador, que atesta o recebimento da carga, as condições de transporte e a obrigação de entrega da mercadoria ao importador. 15. Desembaraço e averbação junto a Receita Federal: Nessa etapa caso a mercadoria caia no canal verde o desembaraço será registrado no SISCOMEX pelo auditor fiscal da Receita Federal. A averbação consiste no ato final do despacho de exportação onde o exportador tem a confirmação, pela fiscalização aduaneira do embarque da mercadoria e do registro dos dados do transportador. 16. Emissão do comprovante de exportação: Após concluída toda a operação de exportação é fornecido ao exportador o documento comprobatório de exportação, emitido pelo SISCOMEX. 17. Consolidação da documentação: O exportador consolida toda a documentação do processo e envia uma cópia não negociável ao importador. 18. Contratação do fechamento de câmbio: É nessa etapa que ocorre a venda para o banco por parte do exportador da moeda estrangeira resultante da operação de exportação. 19. Entrega da documentação ao banco: O exportador entrega os originais ao banco para que o mesmo possa liquidar a operação de exportação. 20. Liquidação do câmbio: Nessa etapa dá-se o procedimento de entrega da moeda estrangeira ao banco autorizado, que por sua vez efetua o pagamento do valor equivalente em moeda nacional mediante a taxa de câmbio acertada da data do fechamento do câmbio. 21. Agradecimentos: É importante que após a chegada e desembaraço do container o exportador entre em contato com o importador agradecendo e verificando se a mercadoria chegou em perfeitas condições. O roteiro acima ilustra os passos a serem seguidos pelos fabricantes que exportam seus produtos para o mercado externo. É válido dizer que deve-se haver uma preocupação 54 com a elaboração dos documentos do processo, pois na maioria das exportações onde detectase problemas, os mesmos vem da parte documental. O despacho aduaneiro é apenas um passo dentro do processo de exportação. Cabe a empresa buscar clientes, recursos e mercados para exportar seus produtos. 55 3 DESCRIÇÃO DO MÉTODO Este capítulo trata da metodologia referente ao desenvolvimento deste trabalho de conclusão de curso. O presente trabalho caracteriza-se pela pesquisa do tipo exploratória, segundo Oliveira (1997), “[...] consiste na observação dos fatos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente para posteriores análises”. Gil (1994) complementa, “As pesquisas exploratórias tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e idéias, com vistas na formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores”. Como ponto de partida para a elaboração deste trabalho buscou-se conhecer através de leitura de livros e informes eletrônicos do setor a situação do mercado brasileiro de móveis de madeira. Buscou-se essa interação para que se tivesse uma avaliação de como esse mercado se comporta. Vale ressaltar que o panorama que foi elaborado inclui também o setor de móveis de alta decoração, que é um sub-setor do mercado moveleiro nacional. Após elaborado o panorama do mercado brasileiro de móveis de madeira foi realizado uma pesquisa literária para identificar os órgãos e políticas de apoio às exportações brasileiras. As informações encontradas nos sites do Governo Federal serviram de base para que se pudesse identificar tais órgãos e políticas. Para que fosse possível diferenciar os detalhes das exportações diretas e indiretas, abordando questões comerciais, financeiras e tributárias, foi apresentado um estudo paralelo entre os procedimentos e custos inerentes aos dois processos. Esse estudo demonstrou que existem diferenças entre os dois processos, diferenças essas embasadas na literatura utilizada para elaboração desta etapa do estudo. A busca por literaturas sobre os temas abordados foi de grande valia para o embasamento teórico e para o desenvolvimento do trabalho como um todo. Foram abordados temas como exportação direta e indireta para que se pudesse obter um comparativo entre as duas modalidades. Procurou-se dar uma ênfase as literaturas que abordam os custos dos processos, podendo assim entender e esclarecer os custos envolvidos. Os procedimentos de exportação também foram abordados e maneira objetiva, ilustrando o cenário do comércio exterior no Brasil. Foram consultadas fontes virtuais através de sites governamentais ou não a fim de obter informações concisas sobre os programas de apoio às exportações brasileiras, 56 demonstrando assim que os incentivos estão a disposição das empresas. Dentro da literatura pesquisada foi utilizada de instrumentos legais para fundamentar a base legal no que diz respeito aos processos de exportação abordados neste trabalho. Por fim foi realizado um cruzamento das informações coletadas com os objetivos traçados pelo acadêmico culminando na representação dos tópicos sugeridos ao estudo. Onde desenvolvendo e seguindo os objetivos específicos chegou-se ao resultado final. 57 4 PESQUISA Neste capítulo serão abordados tópicos referentes à pesquisa realizada pelo acadêmico. Os tópicos abordados tem como finalidade demonstrar como foram obtidos os dados para se chegar à conclusão deste trabalho. 4.1 ASPECTOS COMERCIAIS Existem duas modalidades para os fabricantes brasileiros que pretendem exportar seus produtos para adentrarem o mercado externo. Os mesmos podem fazer isso através de uma exportação direta, que consiste na operação em que o produto exportado é faturado pelo próprio produtor ao importador. Este tipo de operação exige da empresa o conhecimento do processo de exportação em toda a sua extensão. De acordo com o Portal BrazilTradeNet, a utilização de um agente comercial pela empresa produtora/exportadora não deixa de caracterizar a operação como exportação direta. Nesta modalidade, o produto exportado é conforme já mencionado, isento de impostos federais. A outra modalidade a disposição dos fabricantes, é a exportação indireta que é realizada por intermédio de empresas estabelecidas no Brasil, que adquirem produtos para exportá-los ou os exportam em nome do fabricante sem a aquisição dos mesmos, trabalhando como um tipo de representante comercial do fabricante. Essas empresas podem ser: a) Trading Companies – a venda da mercadoria pelo fabricante para uma Trading Company que atua no mercado interno é equiparada a uma operação de exportação, em termos fiscais; b) Empresas comerciais exclusivamente exportadoras; c) Empresa comercial que opera no mercado interno e externo; d) Outro estabelecimento da empresa produtora – neste caso a venda a este tipo de empresa é considerada equivalente a uma exportação direta, assegurando os mesmos benefícios fiscais. Conforme exposto, ambas as modalidades de exportação, apresentam isenção tributária para o envio de produtos ao exterior, abaixo são listadas algumas das vantagens que o fabricante brasileiro terá ao utilizar-se de uma comercial exportadora: 58 a) Terceirização de Processos Operacionais (TPO). A TPO tem sido cada vez mais utilizada pelas empresas como alternativa para reduzir seus custos e redirecionar os recursos internos para suas atividades fins. No segmento de comércio exterior, esse sistema é altamente viável, pois o mercado dispõe de um número considerável de empresas especializadas na prestação de serviços de exportação e importação. Como resultado de uma boa gestão terceirizada, pode advir uma melhor performance operacional com impactos positivos para a imagem da empresa. A razão dessa terceirização deve-se à complexidade dos regulamentos aduaneiros e à burocracia exigida. b) A imagem da organização. O caráter de “empresa exportadora” é uma referência importante, nos contatos da firma no Brasil e no exterior; a imagem da empresa fica associada a mercados externos, em geral mais exigentes, com reflexos positivos para os seus clientes e fornecedores. Ao produzir produtos exportáveis, o fabricante nacional estará elevando os padrões de qualidade das suas mercadorias e dos seus processos internos, o que resulta em uma empresa mais competitiva. c) Ampliação de contatos. Através da utilização da comercial exportadora a empresa poderá ter seu leque de clientes ampliado, dado que às comerciais exportadoras mantém uma rede de contatos muito grande com clientes em diversos países. Existem duas formas de se firmar contrato com uma empresa comercial exportadora. Pode-se assinar um contrato de representação, onde a comercial exportadora irá atuar como representante do fabricante no mercado internacional, recebendo por esse serviço comissões atreladas as quantidades vendidas e abertura de novos clientes. Essa modalidade cria um vínculo maior entre a comercial exportadora e o fabricante devendo haver para isso comprometimento de ambas as partes. Há também a possibilidade do fabricante vender seus produtos para uma comercial exportadora, que irá vender os produtos no mercado internacional. Essa modalidade representa riscos menores para o fabricante que irá realizar uma operação no mercado interno com a qual já está acostumado. Livrando-se de entraves burocráticos, oscilações cambiais, barreiras tarifárias e não-tarifárias e de complexa logística. 59 4.2 ASPECTOS FINANCEIROS Para melhor ilustrar os custos e riscos de uma exportação direta foi é apresentada uma tabela baseada em uma exportação realizada pela empresa “X”. Neste processo, foram exportados móveis de madeira para a Venezuela. O montante da operação foi de USD 10.000, a forma de pagamento utilizada foi CAD – Cash Against Documets, ou seja, o pagamento é realizado quando o importador recebe a documentação da exportação através do seu banco no país destino. Os custos apresentados na tabela abaixo são fidedignos aos praticados pelo mercado, no decorrente ano, não tendo sofrido nenhum tipo de alteração valoral. Tabela 2 - Demonstrativo de custos na Exportação Direta CUSTOS VALOR Frete marítimo Transporte de CNTR Armazenagem Fumigação B/L THC Despachante Courrier Comercial Exportadora Certificado de Origem Deságio CPMF ICMS IPI PIS/COFINS R$3.000,00 R$ 550,00 R$ 160,00 R$ 120,00 R$ 150,00 R$ 450,00 R$ 266,00 R$ 60,00 DESCRIÇÃO Frete Marítimo + Bunker até o destino + capatazia no destino. Transporte do CNTR Porto x Fábrica – Fábrica x Porto. Armazenagem do container no Porto. Máximo 50 dias. Tratamento Fitosanitário nas embalagens de madeira. Emissão do Bill of Landing (Conhecimento de Embarque). Capatazia no Porto de Origem. Honorários pelo serviço de despacho aduaneiro. Envio de documentos ao importador. Não Há R$ 24,00 Não Há R$ 38,00 Não Há Não Há Não Há Valor pago pelos serviços prestados. Emissão de Certificado de Origem pela FIESC. Valor pago pelo adiantamento do valor exportado. 0,38% Sobre o valor FOB da mercadoria. CF, art. 155, inciso X CF, art 153, parágrafo 3, inciso III MP 2.158-35, de 24/08/2001. Em tramitação no CN TOTAL R$4.818,00 Fonte: Pesquisa realizada pelo Acadêmico. Pela ótica comercial do processo, a exportação direta acarreta maiores esforços por parte da empresa que pretende exportar. Todo o processo de exportação será administrado pela própria empresa, processo esse que começa com a decisão de exportar, passando pela captação de novos clientes, registro nos órgãos competentes, contatos com possíveis importadores, promoção comercial e finalmente e exportação propriamente dita. 60 A empresa que optar pela exportação direta deverá contar com uma equipe qualificada, não somente comercialmente, mas também qualificada no quesito de comércio exterior, pois o mercado nacional se diferencia, e muito, do mercado internacional. Com relação aos tributos, não há uma diferenciação quanto às exportações indiretas, pois ambas as modalidades estão isentas de tributos que incidem sobre as exportações, decisão essa amparada pela Constituição Federal. Outra forma de atingir o mercado internacional é através das exportações indiretas. Para melhor ilustrar os custos deste processo, pegaremos a mesma exportação da empresa “X” para a Venezuela, com montante avaliado em USD 10.000 e condição de pagamento CAD – Cash Against Documents para demonstrarmos a diferenciação valoral das duas operações. Tabela 3 - Demonstrativo de custos na Exportação Indireta CUSTOS Frete Marítimo Transporte de CNTR Armazenagem Fumigação VALOR R$ 3.000,00 R$ 550,00 R$ 160,00 R$ 120,00 B/L THC Despachante Courrier Comercial Exportadora Certificado de Origem Deságio CPMF ICMS IPI PIS/COFINS R$ 150,00 R$ 450,00 R$ 266,00 R$ 60,00 R$ 1.818,00 R$ 24,00 R$ 300,00 R$ 38,00 Não Há Não Há Não Há TOTAL R$ 6.956,00 DESCRIÇÃO Frete Marítimo/Bunker + Capatazia no destino. Transporte do CNTR Porto x Fábrica - Fábrica x Porto. Armazenagem do container no Porto. Máx. 50 dias. Tratamento Fitosanitário nas embalagens de madeira Emissão do Bill of Landing (Conhecimento de Embarque). Capatazia no Porto Origem Honorários pelos serviços de despacho aduaneiro. Envio dos documentos originais ao importador. Valor pago pelos serviços prestados. Emissão de Certificado de Origem pela FIESC Valor pago pelo adiantamento do valor exportado 0,38% Sobre o valor FOB da mercadoria CF, art. 155, inciso X CF, art 153, parágrafo 3, inciso III MP 2.158-35, de 24/08/2001. Em tramitação no CN Fonte: Pesquisa realizada pelo Acadêmico. Nas exportações indiretas a parte de promoção, negociação, captação, cobrança e pagamento fica a cargo da empresa comercial exportadora. Ao fabricante caberá esclarecer a comercial exportadora qual o objetivo e o mercado a serem alcançados. Com base nessas informações a comercial exportadora irá representar o fabricante no mercado internacional. Essa modalidade de exportação é amplamente utilizada e recomendada para as empresas que não possuem cultura exportadora, pois a entrada no mercado internacional depende de uma política comercial focada para o mercado que se pretende adentrar. Através 61 da comercial exportadora esse processo torna-se mais fácil e ágil, pois a cultura exportadora já é característica marcante nesse tipo de empresa, fora o leque de possíveis importadores que a mesma já possui para oferecer os produtos da empresa exportadora. A tabela 4 ajuda a ter uma melhor compreensão dos custos relativos à exportação direta e indireta. Tabela 4 – Quadro comparativo: Exportação Direta x Exportação Indireta. DIRETA INDIRETA Frete Marítimo Transporte deCNTR Armazenagem Fumigação R$3.000,00 R$ 550,00 R$ 160,00 R$ 120,00 R$ 3.000,00 R$ 550,00 R$ 160,00 R$ 120,00 B/L THC Despachante Courrier Comercial Exportadora CertificadodeOrigem Deságio CPMF ICMS IPI PIS/COFINS R$ 150,00 R$ 450,00 R$ 180,00 R$ 60,00 R$ 150,00 R$ 450,00 R$ 180,00 R$ 80,00 Frete Marítimo/Bunker + Capatazia no destino. Transporte do cntr Porto x Fábrica - Fábrica x Porto. Armazenagem do container no Porto. Máx. 50 dias. Tratamento Fitosanitário nas embalagens de madeira Emissão do Bill of Lading (Conhecimento de Embarque) Capatazia no Porto Origem Honorários pelos serviços de despacho aduaneiro Envio dos documentos originais ao importador Não Há R$ 24,00 Não Há R$ 38,00 Não Há Não Há Não Há R$ 1.818,00 R$ 24,00 R$ 300,00 R$ 38,00 Não Há Não Há Não Há Valor pago pelos serviços prestados Emissão de Certificado de Origem pela FIESC Valor pago pelo adiantamento do valor exportado 0,38% Sobre o valor FOB da mercadoria CF, art. 155, inciso X CF, art 153, parágrafo 3, inciso III MP 2.158-35, de 24/08/2001. Em tramitação no CN TOTAL R$4.732,00 R$ 6.870,00 Fonte: Pesquisa realizada pelo acadêmico. Ao observarmos as duas tabelas podemos constatar que os gastos são menores quando realizada uma exportação direta, porém, em algumas situações “o barato pode sair caro”. Para a empresa que tem know-how, é uma alternativa viável, mas quando falamos de empresas que não possuem uma cultura exportadora, a exportação direta é também viável, porém um pouco mais complicada devido aos trâmites legais que devem ser cumpridos para a realização da mesma. Deve-se levar em consideração que na exportação direta o fabricante deverá realizar o processo desde o princípio, inclusive, buscando possíveis importadores para seus produtos. A exportação direta demanda estudo de mercado e muito conhecimento sobre a área em questão. A empresa deve estar em conformidade com a legislação vigente, ser cadastrada 62 junto a Receita Federal Brasileira e ter um cadastro no RADAR, o que possibilita que a mesma realize operações de Comércio Exterior. As empresas que optarem pela utilização da exportação indireta através da comercial exportadora terão sim, um custo mais elevado sobre o processo de exportação, porém terão algumas vantagens bem atraentes do ponto de vista do comércio exterior: a) Equipe qualificada para efetuar operações de Comércio Exterior b) Prospecção de seus produtos em feiras internacionais c) Controle sobre as operações realizadas d) Possibilidade de obter o selo Quality for Export da ABIMAD e) Aumento do leque de clientes f) Aumento da produção devido à demanda gerada pela prospecção internacional g) Maior segurança quanto ao pagamento das exportações h) Assessoria e Consultoria especializadas Fora essas vantagens apresentadas, faz-se necessário citar que algumas comerciais exportadoras atuantes no mercado trabalham com um sistema de adiantamento de crédito, ou seja o fabricante não precisará esperar que o importador receba a documentação original (quando a forma de pagamento for CAD) para poder receber o acordado. A comercial exportadora adianta o valor da exportação para o fabricante assim que a mesma localiza o container destinado á exportação no chão do Porto de origem ou conforme contrato firmado entre as partes. Isso faz com que o fabricante tenha capital de giro num período curto, o que possibilita investimentos em matéria-prima, capacitação e maquinário. Faz-se necessário salientar que em ambas as modalidades de exportação, a empresa poderá utilizar-se do Drawback, procedimento esse que possibilita ao fabricante importar insumos sem a incidência de impostos, desde que estes sejam utilizados na fabricação de bens destinados a uma exportação futura. O Regime Aduaneiro Especial de Drawback está descrito no Regulamento Aduaneiro, Capítulo V e na Portaria 4/97 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e complementares. Na prática o Drawback é vantajoso para empresas que utilizem em seu processo de fabricação matérias-primas que são importadas do exterior, como tintas e outros insumos, e que possuam presença constante no comércio exterior exportando seus produtos. Faz-se necessário explanar dentro deste tópico sobre a questão tributária não incidente nas operações de exportação. Para tal será utilizada a mesma exportação dos dois exemplos anteriormente apresentados. 63 Abaixo são apresentados os impostos e a porcentagem dos mesmos sobre as vendas: Tabela 5 - Impostos IMPOSTOS IRPJ CSSL PIS COFINS IPI TOTAL % 1,20% 1,08% 0,65% 3,00% 5,00% 10,93% Fonte: Alíquotas vigentes para empresas tributadas sob a modalidade de lucro presumido. O percentual de 10,93% é o total de impostos que incidiria sobre as operações de exportação, não fossem elas isentas de acordo com a Instrução Normativa 247/02 Art. 46. Além dos impostos citados acima há necessidade de citar também o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que aqui tomaremos como base o Estado de Santa Catarina que tem porcentagem estipulada em 17%. Utilizou-se como exemplo uma Nota Fiscal de exportação emitida no valor de R$ 20.000 tomando a cotação fictícia do dólar a R$ 2,00 meramente para análise nesse trabalho de conclusão de curso. A tabela 6 demonstra os valores dos impostos citados acima: Tabela 6 – Isenção de Impostos nas Exportações IMPOSTOS IRPJ CSSL PIS CONFINS IPI ICMS TOTAL VALOR R$ 240,00 R$ 216,00 R$ 130,00 R$ 600,00 R$ 1.000,00 R$ 3.400,00 R$ 5.586,00 % 1,20% 1,08% 0,65% 3,00% 5,00% 17,00% 27,93% Fonte: Alíquotas vigentes para empresas tributadas sob a modalidade de lucro presumido. Dada a isenção do ICMS nos processos de exportação, não há necessidade de ser destacado o referido imposto na Nota Fiscal que acompanhará a mercadoria até o porto de origem. Sendo assim, se no mês em questão foi feita uma venda interna no valor de R$ 100.000,00 haveria a necessidade de ser recolhido, conforme legislação do Estado de Santa Catarina, 17% de ICMS, que se apresentaria numericamente no valor de R$ 17.000,00. Saliento que esse valor deverá ser pago na íntegra, pois as operações de exportação são 64 isentas da incidência de impostos, porém os valores isentos não podem ser utilizados como crédito em outras operações. Ficando para a empresa pagar referente ao ICMS da venda de mercadoria no mercado interno o valor de R$ 17.000,00. 65 5 CONCLUSÃO O mercado de móveis de alta decoração no Brasil expandiu muito no decorrer dos últimos 05 anos, chegando ao ponto onde o setor viu a necessidade de criar uma associação voltada para os interesses dos fabricantes dessa área. Buscou-se criar uma identidade nova para esses produtos e seus fabricantes. Junto desse crescimento foi criada a ABIMAD – Associação Brasileira de Móveis e Artigos de Alta Decoração. Associação esta que foi criada com a intenção de diferenciar os produtos deste grupo dos demais comercializados no Brasil e buscar uma maior integração entre os associados. A demanda no mercado interno por produtos de alta qualidade deu-se devido à qualidade e desing que vem sendo apresentados pelos fabricantes desta área. Hoje graças a investimentos feitos pelo setor, os móveis de alta qualidade fabricados no Brasil são comparados aos advindos de países com grande know-how na área, como Itália, Alemanha e França. Vale ressaltar que os produtos brasileiros ganharam também o mercado externo graças aos investimentos que foram realizados pelo Governo no setor. Programas de incentivo, financiamentos e agências de promoção internacional são alguns dos fatores que contribuíram para que estes produtos alcançassem o tão almejado mercado externo. Neste trabalho buscou-se apresentar o setor de móveis de alta decoração com foco nas exportações indiretas, traçando uma fundamentação teórica o mais abrangente possível, a fim de contemplar todos os temas pertinentes às exportações, partindo-se do princípio, que os produtos em questão já tem reconhecimento no mercado externo, no qual são bastante procurados. No decorrer do trabalho, pôde-se acompanhar um panorama de como se encontra o setor moveleiro no Brasil e no mundo. Ponto relevante deste trabalho, pois assim pôde-se observar que este setor é forte e vem conseguindo evoluir gradativamente. Apesar de entraves ambientais como uma maior fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, onde os fabricantes buscaram de forma inteligente outros materiais para utilizarem na produção de seus produtos. Caso das madeiras de reflorestamento e de produtos alternativos como é o caso do MDF, material que hoje vem sendo muito utilizado dentro do setor de móveis de alta decoração. Através das bibliografias utilizadas e do convívio do acadêmico com o comércio exterior que foi possível através do estágio realizado no departamento de exportação de uma empresa associada a ABIMAD foi possível identificar detalhes das exportações diretas e 66 indiretas. Os aspectos abordados nessas modalidades de exportação foram de caráter comercial, financeiro e tributário. Pôde-se concluir que os fabricantes brasileiros tem a sua disposição as duas modalidades para adentrar no mercado externo. Analisando ás exportações diretas, conclui-se que as mesmas exigem por parte das empresas, um maior comprometimento com o processo. Nessa modalidade, cabe às empresas todo o acompanhamento do processo, de suas etapas iniciais, onde temos a prospecção de mercado e a capitação de clientes, cabendo a empresa realizar viagens internacionais e participar de feiras, até as etapas finais do processo onde temos o envio da documentação necessária, fechamento de câmbio e posterior recebimento pelos serviços prestados. Tal modalidade dentro do entendimento do acadêmico deve ser buscada por empresas que já possuem certo know-how no comércio exterior, dado que há uma maior empenho de tempo, pessoal e recursos para que o processo de exportação seja realizado com êxito. Tem-se entendimento como êxito de um processo de exportação o processo onde o importador consegue realizar a exportação com qualidade, dentro dos prazos acertados com o importador e realizando as exigências legais do processo de forma clara e eficiente. Ao focar este trabalho nas exportações indiretas, o acadêmico pode constatar que às empresas brasileiras tem nesta modalidade uma alternativa para adentrar o mercado externo mesmo não possuindo know-how na área. Esta opção é viável graças às empresas comerciais exportadoras, que atuam no mercado externo vendendo produtos adquiridos de empresas brasileiras, ou ainda, atuando como agentes de venda. As comerciais exportadoras são empresas que já possuem grande conhecimento no comércio exterior e algumas delas conhecimento no setor de móveis. Os custos referentes ao processo de exportação indireta conforme demonstrado neste trabalho são maiores que os custos relativos ao processo de exportação direta. Fato esse que foi justificado pelo acadêmico, levando-se em consideração que a comercial exportadora tem custos para a realização do processo. Vale salientar que a comercial exportadora atuará como o “braço exportador” da empresa brasileira, ficando a cargo dela, a prospecção de mercados, o contato com clientes, a participação em feiras internacionais e toda a parte legal, documental e operacional do processo. Diante deste contexto, pode-se concluir que a exportação indireta para os fabricantes de móveis de alta decoração brasileiros é uma opção viável, pois inclusive algumas delas tem a capacidade de antecipar o crédito referente à exportação a ser realizada. Para a empresa brasileira que necessita de capital de giro a curto prazo, esse vem a ser mais um atrativo para a utilização dessa modalidade de exportação. 67 Para trabalhos futuros recomenda-se a elaboração de um estudo mais detalhado com os associados da ABIMAD com o intuito de identificar aqueles que apresentam dificuldades ou desinteresse em adentrar no mercado externo, pois estes serão clientes potenciais caso haja interesse em criar-se uma comercial exportadora para atender este setor. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CERVO, Amado Luiz. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: MAKRON Books, 1996. COELHO, Luiz Carlos. Panorama do setor de móveis de madeira no Brasil, com ênfase na competitividade. Tese de Mestrado. Universidade do Minho Escola de Economia e Gestão, 2000. COSTA, Ricardo André. Prospecção de negócios para uma empresa de agenciamento e representação internacional. Trabalho de conclusão de curso. São José: UNIVALI, 2002. DEMO, Pedro. 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