AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS Relatório ESCOLA SECUNDÁRIA DA AMADORA AMADORA Datas da visita: 14 e 15 de Fevereiro de 2007 Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 1 I - Introdução A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa. Por sua vez, o programa do XVII Governo Constitucional estabelece o lançamento de um “programa nacional de avaliação das escolas básicas e secundárias que considere as dimensões fundamentais do seu trabalho”. Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho Conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação de acolher e dar continuidade ao processo de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade. O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa da Escola Secundária da Amadora, realizada pela equipa de avaliação que visitou a Escola em 14 e 15 de Fevereiro de 2007. Os diversos capítulos do relatório – caracterização da unidade de gestão, conclusões da avaliação, avaliação por domínio-chave e considerações finais - decorrem da análise dos documentos fundamentais da Escola, da apresentação de si mesma e da realização de múltiplas entrevistas em painel. Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para a Escola, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades de desenvolvimento e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada Escola/Agrupamento, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação. O texto integral deste relatório, bem como um eventual contraditório apresentado pela Escola, será oportunamente disponibilizado no sítio internet da IGE (www.ige.min-edu.pt). Escala de avaliação utilizada – níveis de classificação dos cinco domínios Muito Bom - A escola revela predominantemente pontos fortes, isto é, o seu desempenho é mobilizador e evidencia uma acção intencional sistemática, com base em procedimentos bem definidos que lhe dão um carácter sustentado e sustentável no tempo. Alguns aspectos menos conseguidos não afectam a mobilização para o aperfeiçoamento contínuo. Bom - A escola revela bastantes pontos fortes, isto é, o seu desempenho denota uma acção intencional frequente, relativamente à qual foram recolhidos elementos de controlo e regulação. Alguns dos pontos fracos têm impacto nas vivências dos intervenientes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem frequentemente do empenho e iniciativa individuais. Suficiente - A escola revela situações em que os pontos fortes e os pontos fracos se contrabalançam, mostrando frequentemente uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco determinada e sistemática. As vivências dos alunos e demais intervenientes são empobrecidas pela existência dos pontos fracos e as actuações positivas são erráticas e dependentes do eventual empenho de algumas pessoas. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo. Insuficiente - A escola revela situações em que os pontos fracos ultrapassam os pontos fortes e as vivências dos vários intervenientes são generalizadamente pobres. A atenção prestada a normas e regras tem um carácter essencialmente formal, sem conseguir desenvolver uma atitude e acções positivas e comuns. A capacidade interna de melhoria é muito limitada, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco consistentes ou relevantes para o desempenho global. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 2 II – Caracterização da Unidade de Gestão A Escola Secundária da Amadora (ESA) está localizada na freguesia da Reboleira, uma das doze freguesias do concelho da Amadora. Este concelho tem características urbanas e está integrado na Área Metropolitana de Lisboa. A freguesia da Reboleira possui boas condições de acessibilidade e segurança, já que não constitui área problemática em termos sociais, nem se localiza perto de nenhuma, com essas características. Tendo começado por ser uma secção do Liceu de Oeiras, rapidamente se autonomizou passando a ser o Liceu Nacional da Amadora, instalado posteriormente em edifício construído de raiz, comemorando, este ano, 35 anos de existência. Depois de alguns anos em que o funcionamento foi, de alguma forma, afectado por um excesso de população escolar, pois chegou a ter 5000 alunos e a funcionar em três turnos consecutivos, actualmente, a ESA lecciona o Ensino Secundário e tem uma população escolar de cerca de 1664 alunos, dos quais, 432 estão no Ensino Recorrente Nocturno e os restantes distribuídos por Cursos Cientifico-Humanísticos, Cursos Tecnológicos e, pela primeira vez este ano, numa tentativa de contrariar o abandono escolar, a ESA oferece Cursos Profissionais Nível III, dentro dos Percursos Qualificantes. A média de idades destes alunos oscila entre os 16 anos no 10.º ano e os 18 no 12.º. É uma população escolar que integra, com elevado sentido de inclusão, alunos oriundos de outros países, nomeadamente vindos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), de tal forma, que permite não se notar, no conjunto dos alunos, a diversidade étnica, cultural e linguística. O edifício, composto por pavilhões, não apresenta sinais graves de degradação ou vandalização e é evidente o cuidado posto na sua manutenção e limpeza. Percebe-se, no entanto, que a Escola já atingiu as suas capacidades máximas em termos de ocupação, pois há falta de espaços para as actuais necessidades de professores e alunos, nomeadamente a nível do Centro de Recursos, Sala dos Professores e Gabinetes de Trabalho. De um modo geral, a população escolar pertence a uma classe média cujos pais são empresários ou quadros técnicos ou empregados do comércio e serviços, com uma literacia que se situa, essencialmente, ao nível do 3.º ciclo do Ensino Básico ou do Ensino Secundário. Cerca de 50% dos alunos tem acesso, em casa, às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A Escola dispõe 229 professores que pertencem, na sua maioria (86%), ao Quadro de Nomeação Definitiva, têm elevada experiência profissional (efectividade de funções lectivas continuada) e o absentismo não chega a causar impacto na organização educativa. Quanto ao pessoal não docente, quer os Auxiliares de Acção Educativa quer os Assistentes Administrativos são em número claramente insuficiente (58) para as necessidades da Escola dado o seu nível etário, a dispersão dos edifícios escolares e o elevado número de professores e alunos. III – Conclusões da avaliação 1. Resultados Bom Os resultados educativos, na sua globalidade, revelam que a ESA definiu objectivos e estabeleceu prioridades, tendentes à sua melhoria. Existem provas claras de que as estratégias implementadas, apesar de denotarem a falta do conhecimento do Projecto Educativo (PE) por parte da comunidade escolar, geraram melhorias consistentes e caracterizadoras de uma cultura de escola no domínio das atitudes, motivação, comportamentos, promoção da auto-estima e desenvolvimento pessoal. No entanto, é no presente ano lectivo que os progressos académicos apresentam maior visibilidade, o que ainda não permite retirar conclusões rigorosas, quanto à sua consolidação. Emerge, contudo, do tratamento dos resultados académicos e das decorrentes decisões, que o maior investimento estratégico, que tem sido ultimamente feito a nível do 10.º ano, se está a revelar adequado e potencialmente apropriado à sua extensão ao 11.º e 12.º ano, solucionadas, que sejam, as dificuldades com a gestão dos recursos humanos e dos espaços com que a ESA se debate. Assim, afigura-se que a via pela qual a Escola optou para melhorar o desempenho neste domínio, nomeadamente, a reorganização da oferta educativa, a coordenação curricular, o desenvolvimento das actividades de complemento curricular, a promoção das práticas de auto-avaliação, a remediação e reforço das aprendizagens (embora o balanço efectuado não inclua a análise estatística do impacto directo nas Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 3 aprendizagens das disciplinas), a atenção prestada à qualidade dos equipamentos e dos espaços e a dinamização da participação das famílias, constitui a sustentabilidade do progresso conseguido. 2. Prestação do serviço educativo Muito Bom Enquanto Escola Secundária, a ESA tem, como objectivo, trabalhar para os alunos e com os alunos na preparação para o seu ingresso no Ensino Superior ou para a sua integração na vida activa, respeitando o critério da excelência. É evidente a articulação curricular intra e interdepartamental que inclui a articulação e cooperação entre os respectivos professores. Em reuniões formais e informais ou utilizando o correio electrónico, os docentes partilham informações e documentos de trabalho, para assim aferirem, continuamente, os critérios de exigência e rigor pelos quais a escola quer continuar a pautar-se, bem como os critérios de avaliação que são divulgados junto dos alunos e das famílias. A sequencialidade nas aprendizagens é outra das preocupações da ESA que a pratica a todos os níveis, nomeadamente, na transição de ano, para o que contribui o critério da continuidade pedagógica na constituição das turmas e na distribuição do serviço docente. Nos Departamentos procede-se à coordenação das actividades dos professores respeitantes ao planeamento do ensino e da aprendizagem, não tendo sido corrente a supervisão e o acompanhamento da prática lectiva. Contudo, quando necessário, são desenvolvidas estratégias que visam a resolução de eventuais problemas e a integração dos professores colocados na escola, pela primeira vez. O Serviço de Psicologia e Orientação (SPO), que diagnostica, desde o início do ano, as possíveis dificuldades/ potencialidades dos alunos, regista uma grande adesão, uma vez que o procuram com frequência, revelando-se um serviço de grande impacto e utilidade na escola. 3. Organização e gestão escolar Bom Os documentos de planeamento geral reflectem a conformidade com o Projecto Educativo, revelando a ESA que, de um modo geral, as práticas, neste domínio, estão institucionalizadas, são sistemáticas e apontam no sentido da sustentabilidade dos efeitos de melhoria pretendidos. No entanto, o Plano Anual de Actividades não expressa toda a dinâmica da actividade escolar, não facilitando, desta forma, a sua avaliação global, e não se encontrando, também, elaborado o Projecto Curricular de Escola. A gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros, embora encontre alguns constrangimentos, nomeadamente a falta de pessoal não docente e de espaços, respeita as prioridades estabelecidas, a partir do Projecto Educativo, e as necessidades identificadas no planeamento para a melhoria. O Conselho Executivo promove, em todas as estruturas intermédias e restante comunidade escolar, uma motivação interventiva de que resulta a planificação participada e cooperativa das actividades escolares. Tendo em conta a importância dos resultados educativos, foram definidas orientações gerais dando prioridade aos objectivos do Projecto Educativo mais relacionados com a promoção da auto-avaliação da Escola, com a reorganização da oferta curricular e com o funcionamento dos Departamentos, numa linha de trabalho intra e interdepartamental, e da promoção da interdisciplinaridade. No entanto, não se encontram definidas orientações específicas no referente à supervisão e acompanhamento das práticas dos docentes, em contexto de sala de aula. A Escola revela organização, disciplina e segurança que se concretizam num clima de bem-estar, verificando-se uma estratégia positiva de articulação com as famílias e a comunidade local, exceptuando a ligação às empresas que ainda não foi totalmente conseguida. Embora não exista um Plano de Formação da Escola, é dada resposta às necessidades de formação do pessoal docente e não docente, sobretudo, de acordo com a oferta do Centro de Formação da Área 4. Liderança Muito Bom Os órgãos de gestão têm uma visão clara do Projecto Educativo e do projecto de auto-avaliação (em fase de conclusão), com vista à melhoria contínua, que faz parte da “cultura de escola” e é bem aceite e assumida com empenho pela comunidade educativa. Assim, demonstram abertura à inovação na oferta curricular, nas actividades de complemento do currículo e no estabelecimento de parcerias e protocolos, sendo evidente a articulação entre todos os órgãos de gestão e estruturas de orientação educativa, bem como entre os elementos da comunidade escolar. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 4 O Conselho Executivo desenvolve um papel fundamental na actividade da ESA, pela motivação e empenho que projecta para todas as estruturas intermédias e restantes elementos da Escola. A Assembleia de Escola, que está organizada em comissões, demonstrou ter uma participação efectiva e articulada com os outros órgãos e estruturas educativas e uma estreita e continuada colaboração com a Autarquia e as associações culturais da cidade da Amadora. O Conselho Pedagógico revelou que existe uma actuação dinâmica e participada dos Departamentos e da Coordenação das Direcções de Turma, o que lhe permite uma avaliação regular dos procedimentos e dos resultados educativos, assumindo os Departamentos Curriculares e os Conselhos de Turma uma acção mobilizadora dos docentes que os integram. A promoção da melhoria da qualidade do serviço educativo e dos seus níveis de eficiência são objectivos de toda a actividade dos órgãos de gestão e das estruturas intermédias. 5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da Escola Bom A visão estratégica da auto-avaliação da ESA revela que o processo de auto-regulação está directamente relacionado com os objectivos e as prioridades que foram identificadas a partir dos aspectos a melhorar em áreas importantes tais como: os resultados educativos, o processo ensino e aprendizagem e a organização e gestão. Existe, portanto, uma clara coerência entre a auto-avaliação, a valorização dos recursos e a melhoria dos processos estratégicos expressa no Plano de Acção de Melhoria (em fase de conclusão) e em outros documentos de planeamento. O investimento nos domínios organizacional e do sucesso educativo, resultante de um aperfeiçoamento contínuo com vista à excelência, revela que a ESA tem capacidade para pôr em prática uma estratégia de avaliação que, quer em detalhe, quer de uma forma global, vise melhorar o seu desempenho. IV – Avaliação por domínio-chave 1. Resultados 1.1. Sucesso Académico Na globalidade, os resultados escolares, nos 10.º, 11.º e 12.º anos dos Cursos do Ensino Secundário regular, evidenciam que, nos anos lectivos de 2003/04, a 2005/06, as taxas de transição/conclusão melhoraram, embora não tenham atingido ainda um nível de consolidação, dentro do pretendido pela escola, cujos objectivos, neste campo, visam a maximização do sucesso. Os resultados escolares dos 10.º e 11.º anos dos mesmos Cursos mostram oscilações na melhoria ocorrida ao longo deste triénio. Analisando comparativamente os valores das taxas de sucesso obtidos pela escola, em 2004/05, em cada ano de escolaridade dos Cursos Cientifico-Humanísticos/Gerais, verifica-se que são superiores à média dos resultados académicos nacionais, com excepção do 11.ºano (resultados da escola superiores aos nacionais em 9,8% e 23,7%, nos 10.º e 12.º anos, respectivamente, e inferiores em 13%, no 11.º ano). Nos Cursos Tecnológicos, os valores das taxas de transição/conclusão encontram-se acima dos resultados nacionais (34,1%, 9,4% e 33,6%, de diferença, nos 10.º, 11.º e 12.º anos, respectivamente). No 12.º ano, comparando, ao longo do mesmo triénio, a classificação interna com a classificação obtida nos exames nacionais (CE), verifica-se que, na generalidade das disciplinas, as classificações internas registam valores superiores às classificações nos exames nacionais. Ainda assim, na maioria das disciplinas, os resultados obtidos nos exames são superiores à média das classificações de exame a nível nacional que, por seu lado, apresentam valores pouco elevados. Decorrente do diagnóstico que tem sido feito pela própria Escola sobre os resultados académicos, desde há vários anos, particularmente em 2006, foi prestada uma atenção especial às medidas a tomar, relativamente às razões apontadas pelos Departamentos Curriculares, para os resultados académicos mais problemáticos. A dificuldade no domínio da língua materna, a iniciação tardia à aprendizagem da língua estrangeira, a falta de empenho dos alunos e a pressão a que estão sujeitos em situação de exame, bem como a extensão dos programas, foram considerados como factores com forte influência no insucesso registado. No sentido da obtenção de melhores resultados e mais consistentes, a escola empreendeu acções nos domínios do desenvolvimento das estratégias de aprendizagem, da coordenação curricular e da análise reflexiva dos procedimentos de avaliação e dos resultados dos alunos. Estas acções de melhoria Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 5 operacionalizaram-se na diferenciação de estratégias, na articulação curricular e gestão dos programas, numa perspectiva de interdisciplinaridade, bem como no investimento na aplicação de testes de avaliação diagnóstica e na identificação de pontos fortes e fracos revelados pelos alunos nas provas dos exames nacionais. Sobre esta questão, está a ser prestada colaboração por parte da Universidade de Aveiro, no âmbito do Projecto TD- MAT, tendo sido ainda solicitada a colaboração do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE). No que diz respeito ao acesso ao Ensino Superior, em 2006, apresentaram candidatura 26% dos alunos, dos quais, 79% foram colocados na 1.ª fase e destes, 63% na 1.ª opção. A iniciação do funcionamento dos Cursos Profissionais e o desenvolvimento das actividades de complemento do currículo, sobretudo no 10.º ano (o investimento, nos 11.º e 12.º anos, é condicionado pela falta de espaços), constituem outras medidas tomadas para promover a qualidade dos resultados académicos e contrariar o abandono escolar cujos valores têm vindo a diminuir, nos três últimos anos lectivos. O significado deste abandono não se encontra ainda bem determinado, por parte da Escola, em virtude de, no apuramento da respectiva taxa, estarem incluídas situações que podem não corresponder a um efectivo abandono escolar. Outra iniciativa tomada neste campo consiste em, sobretudo no caso dos alunos que, por razões económicas, abandonam a Escola para ingressar na vida activa, os directores de turma procurarem motivá-los a matricularem-se no Ensino Recorrente. A monitorização que a ESA faz dos resultados escolares no 10.º ano, num ciclo bem definido, regular e sistemático, mostra-se ajustada ao acompanhamento do progresso dos alunos, o mesmo não sucedendo nos 11.º e 12.º anos, dado haver uma certa indefinição na regularidade da análise dos resultados das avaliações trimestrais por parte do Conselho Pedagógico. Quanto aos resultados académicos no Ensino Recorrente, os dados recolhidos referem-se ao último ano lectivo, 2005/2006, o que não permite retirar conclusões em termos da evolução destes resultados. Segundo informações do Conselho Executivo e de outros professores que leccionam esta modalidade de ensino, o insucesso significativo dos alunos deve-se, principalmente, à dificuldade que estes têm em conciliar as exigências da vida profissional, com a assiduidade às aulas e a disponibilidade para o estudo. Salvo no que respeita aos resultados dos exames nacionais, não são tomadas iniciativas no sentido de se comparar os resultados académicos da Escola, incluindo o abandono, com os de escolas semelhantes, tendo em consideração os contextos específicos, muito embora, no âmbito do Programa Avaliação de Escolas com Ensino Secundário (AVES) a Escola já se tenha comparado com outras, em termos de competências do domínio cognitivo. 1.2. Participação e desenvolvimento cívico Os alunos bem como os outros elementos da comunidade educativa são, de um modo geral, auscultados e envolvidos na discussão do Projecto Educativo e de outros documentos organizadores da vida da ESA, através dos seus representantes nos órgãos de gestão, designadamente, na Assembleia de Escola e no Conselho Pedagógico, verificando-se, contudo, que são sobretudo os docentes que conhecem o referido Projecto. A Escola promove a co-responsabilização dos alunos nas decisões a tomar e nas actividades escolares, através, não só da sua representatividade nos órgãos de gestão e na equipa de avaliação interna, mas também na participação em outras actividades, como seja, na eleição para o cargo de delegado(a) e subdelegado(a) de turma e de ano (com assinatura de compromissos, existindo formação dos alunos para o desempenho destes cargos), na prestação de primeiros socorros a alunos acidentados e em acções promotoras da educação para o ambiente e para a saúde. Os alunos identificam-se com a Escola e apontam como um dos pontos fortes o estabelecimento de regras de convivência entre os vários elementos da comunidade escolar, existindo práticas de colaboração e de disponibilidade, bem como de respeito solidário. É fomentada a valorização colectiva e individual pela institucionalização de prémios de mérito e de valor (para os alunos que se distingam pelo aproveitamento excelente e comportamento exemplar) e pela participação em Projectos organizados por entidades exteriores, concursos nacionais e outros eventos, em que a Escola tem dado provas de que tem em vista objectivos de excelência. Testemunho disso é também a institucionalização (ainda em perspectiva) do Prémio Sebastião da Gama a atribuir ao professor que se destaque pelo seu desempenho profissional. 1.3. Comportamento e disciplina Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 6 É reconhecido pela comunidade educativa que a indisciplina não constitui um problema na Escola, existindo evidências de que este aspecto tem vindo a ser, progressivamente, controlado e melhorado e que o comportamento dos alunos se enquadra numa disciplina, não só consentida, como também resultante da apropriação, por parte dos mesmos, de um código de conduta que é reforçado pelo bom relacionamento entre os vários elementos da comunidade educativa. É de salientar a relação dos alunos com os directores de turma, o que concorre para a criação de condições facilitadoras da aprendizagem. O módulo “ Atitudes e Comportamentos” que, juntamente com outros dois módulos, integra o projecto “Aprender a Aprender”, tem contribuído para a consciencialização dos alunos da importância dos seus direitos e deveres, incluindo o da assiduidade e pontualidade, contemplados no Regulamento Interno, sendo a dinamização do processo da competência do director de turma. 1.4. Valorização e impacto das aprendizagens Faz parte da cultura da escola a atenção prestada à relação da qualidade e utilidade das aprendizagens com as expectativas diversificadas dos alunos, dadas as características, em parte, heterogéneas do meio sociocultural de que são oriundos, sendo tomadas várias iniciativas no sentido da promoção do sucesso educativo e da valorização dos que se distinguem pelo desempenho. A auscultação dos vários elementos da comunidade educativa, sobre a sua satisfação com o desempenho educativo prestado, foi tida em conta na reorganização da oferta educativa. Também o lançamento do Projecto Alumnus e a Oficina de Aprendizagem constituem estratégias concorrentes para motivar e apoiar os professores, no sentido do impacto positivo do seu desempenho nas aprendizagens escolares. Os pais e encarregados de educação reconhecem a existência de uma cultura de escola quanto ao nível da exigência e da qualidade das aprendizagens, que transparece para o exterior, havendo testemunhos do impacto destes critérios no sucesso dos alunos após a entrada no Ensino Superior e na vida activa. No entanto, nestes campos, ainda não se procede a uma recolha intencional de evidências. No autoquestionamento sobre o ingresso ao Ensino Superior, a escola incluiu o facto de, embora os seus alunos tenham vindo a obter bons resultados quanto a esse ingresso, têm, por outro lado, encontrado constrangimentos no acesso ao Curso de Medicina, apontado pelos alunos e pais, como resultante da exigência, eventualmente excessiva, dos professores da ESA, comparada com a dos docentes das outras escolas da área. 2. Prestação do serviço educativo 2.1. Articulação e sequencialidade De um modo geral, considera-se que existe uma boa articulação inter e intradepartamental, assumindo o Conselho Pedagógico a coordenação da actividade das estruturas educativas, em termos de acompanhamento do planeamento do ensino e da aprendizagem e das actividades de avaliação. Existe uma cooperação sistemática entre os elementos de cada Departamento, que se reúnem formal e informalmente, com frequência, utilizando, também o correio electrónico que os mantém sempre actualizados e em sintonia. Assim, as sugestões que saiem dos Departamentos são levadas a debate ao Conselho Pedagógico e regressam aos Departamentos, já sob a forma de orientações para os respectivos professores e para os coordenadores de ano. Estes reúnem-se com os professores que leccionam o mesmo ano e, posteriormente, transmitem as decisões na reunião geral de Departamento. É ainda de salientar a articulação de professores no que se refere à contínua aferição dos critérios de avaliação, pois é comum a troca de testes, aquando da sua correcção, mesmo entre disciplinas diferentes, para aferirem a avaliação de cada um. É dada particular atenção à transição de nível de ensino e de ano de escolaridade, em termos da sequencialidade das aprendizagens (por exemplo, a prática da avaliação diagnóstica) para o que contribui a aplicação da continuidade pedagógica na distribuição do serviço docente, o que não é difícil nesta Escola que regista uma grande estabilidade e efectividade no corpo docente pelo que os alunos se mantêm nas mesmas turmas, sempre que possível, com os mesmos professores. 2.2. Acompanhamento da prática lectiva na sala de aula Embora nos Departamentos se proceda à análise reflexiva sobre os resultados escolares e à supervisão e acompanhamento da gestão programática, não tem sido corrente o acompanhamento das actividades docentes, dentro da sala de aula, ainda que este procedimento esteja incluído no conjunto das estratégias que visam a resolução de eventuais problemas. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 7 Os Directores de Turma interagem com todos os professores da turma, fomentando a troca de experiências, de informações sobre as avaliações/comportamentos dos alunos e até de testes (de diferentes disciplinas), contribuindo assim, para uma contínua aferição e credibilidade dos critérios de avaliação praticados. Os resultados das avaliações dos alunos são, trimestralmente, analisados pelo Conselho Pedagógico. 2.3. Diferenciação e apoios O SPO, cujo lema é “A ponte para o futuro”, começa por diagnosticar, no início do ano, não só as possíveis dificuldades como as potencialidades dos alunos, principalmente do 10.º ano, a que dão especial enfoque. Esse diagnóstico é confirmado ao longo do ano, registando este serviço uma grande adesão dos alunos que dispõem, sempre, de um atendimento individualizado, com registos diários que são comunicados ao Conselho Executivo. Nos casos em que são identificadas dificuldades pontuais na aprendizagem, os alunos são encaminhados para o Reforço de Aprendizagem (RA), para a Oficina de Aprendizagem e para as actividades de enriquecimento curricular. No entanto, embora haja um relatório que identifica os principais frequentadores destas actividades, bem como da Oficina e quais as necessidades e deficiências detectadas na sua prestação de serviço, a avaliação do trabalho aí desenvolvido não contempla informações estatísticas sobre a sua influência no resultado das aprendizagens. A ESA pertence ao Grupo “Escolas Promotoras de Saúde” e é apoiada pelo Centro de Saúde local (programa “Olá Jovem”) que permite a deslocação de uma enfermeira à escola sempre que necessário. Também, neste programa, se insere o projecto “Sexualidades” que começou a funcionar apenas este ano, é de participação voluntária e encontra-se aberto a todos os elementos da escola. O professor do apoio especializado articula directamente com o Conselho Executivo e com os docentes das aulas curriculares, não tendo, ainda, dados quantitativos relativamente à eficácia dos apoios prestados que abrangem alunos com necessidades educativas especiais permanentes, alguns deles acompanhados segundo um Plano Educativo Individual (PEI). 2.4. Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem A ESA promove o cumprimento dos currículos, procedendo à avaliação e acompanhamento do planeamento do ensino e das aprendizagens, acrescentando-lhes a valorização constante dos saberes, através do incentivo aos alunos para a prática de uma aprendizagem contínua que ultrapasse o âmbito do currículo normal e que contribua para uma estruturação e consolidação eficaz dos conhecimentos e atitudes. É conhecida a exigência do ensino nesta escola que leva os alunos a esforçarem-se para atingirem as classificações necessárias para ingresso no Ensino Superior. Apesar de não haver orientações de incentivo especial ao ensino experimental ou artístico, ressalta o cuidado no equipamento e manutenção dos diversos laboratórios e na utilização intensiva das novas tecnologias. Ao nível dos clubes, há dois especificamente ligados ao teatro e à dança. 3. Organização e gestão escolar 3.1. Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade É evidente, nos procedimentos de planeamento, a orientação educativa no sentido da articulação entre os órgãos de gestão e as outras estruturas da Escola, de que resulta uma planificação participada e cooperativa, envolvendo e co-responsabilizando a comunidade educativa, a nível da análise reflexiva e da consequente tomada de decisões. Os documentos de planeamento reflectem, de um modo geral, a conformidade com os princípios e as linhas orientadoras do Projecto Educativo. No entanto, apesar de haver orientações dirigidas ao desempenho do pessoal docente e não docente, não se encontram definidas orientações específicas no sentido da supervisão da prática lectiva. O Plano Anual de Actividades não demonstra toda a dinâmica da actividade escolar, ao não integrar os planos de acção dos vários órgãos de gestão e estruturas educativas, o que não facilita a avaliação global do respectivo desempenho. Decorrente da importância atribuída ao impacto directo nos resultados educativos, foi dada prioridade aos objectivos do Projecto Educativo referentes à organização pedagógica e à organização dos recursos. Por isso, as actividades em curso incidem na promoção da auto-avaliação da escola, na reorganização da oferta educativa (com a iniciação dos cursos mais vocacionados para a vida activa e o desenvolvimento e adequação das actividades de complemento do currículo), na reorganização das estruturas pedagógicas, como seja o funcionamento dos departamentos curriculares, numa linha do reforço do trabalho intra e interdepartamental, Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 8 já traduzidas na gestão articulada dos programas de várias disciplinas e na promoção de projectos multi e interdisciplinares. Neste domínio, verifica-se que as orientações estabelecidas para o planeamento da Área de Projecto, que incluem o perfil do professor, são adequadas à transversalidade inerente a esta área. Apesar de se notar a falta de um Plano Curricular de Escola (cuja elaboração a Escola prevê que esteja concluída brevemente), como documento norteador e integrador, não só da valorização do contexto escolar, já visível nas práticas pedagógicas, mas também do ensino diferenciado que a ESA está a promover, verificase a existência de linhas orientadoras definidas pelos órgãos de gestão, embora não contemplem de forma clara e precisa todos sectores, como seja o funcionamento dos departamentos curriculares, quanto à coordenação, por ano de escolaridade, do planeamento do ensino e da aprendizagem. Não existe um Plano de Formação da Escola pelo que a formação do pessoal docente e não docente não se encontra estruturada e organizada num plano de acção integrador das necessidades de desenvolvimento profissional, decorrentes das medidas de melhoria previstas ou já em curso. No entanto, principalmente, no caso dos docentes, a formação tem tido em atenção as necessidades identificadas a partir da auto-avaliação e tem incidido, fundamentalmente, no domínio das didácticas subjacentes aos programas. 3.2. Gestão dos recursos humanos A distribuição do serviço docente e não docente revela que foi objecto de reflexão por parte dos órgãos de gestão, particularmente do Conselho Executivo que, na atribuição das actividades lectivas, estabeleceu como critérios prioritários, a continuidade pedagógica, a experiência profissional e a rotatividade nos cargos, já que o corpo docente é estável e qualificado. A gestão do serviço não docente, dificultada pela falta de pessoal, a qual é reconhecida na comunidade educativa, atende às competências profissionais e pessoais, não se verificando a rotatividade na atribuição das tarefas, ainda que os funcionários dos Serviços de Administração Escolar considerem interessante esta modalidade. Na constituição das turmas, além da adopção dos critérios legalmente estabelecidos, o Conselho Pedagógico privilegiou também a sua continuidade. Acresce que, no 10. º ano, sempre que possível, são mantidos juntos os alunos que, no 9.º ano, frequentavam a mesma turma, na escola de onde provieram. 3.3. Gestão dos Recursos Materiais e Financeiros As instalações da escola, em termos de espaço e equipamentos, estão, de um modo geral, adequadas aos currículos do Ensino Secundário, embora se note a insuficiência de certos espaços quer para os alunos, quer para os professores. Assim, a Biblioteca/Centro de Recursos, a Sala dos Professores, a Oficina das Aprendizagens e a Sala dos Clubes são manifestamente insuficientes para as necessidades dos professores e alunos, necessitando todos estes espaços de serem alargados para melhor responderem às inúmeras solicitações. Para uma população escolar, com uma incidência notória em cursos de Ciência e Tecnologia, a ESA dispõe de vários laboratórios (Ciências, Biologia, Física e Química, Matemática), todos devidamente equipados, um pavilhão inteiramente dedicado às TIC, espaços destinados à Educação Física (um pavilhão com 2 ginásios e salas para aulas teóricas e um pavilhão polivalente que se abre à comunidade para a prática de desportos), uma Biblioteca/Centro de Recursos, cantina, bar e reprografia. Todas estas instalações revelam existir grande preocupação com a limpeza e com a manutenção quer dos edifícios, quer dos equipamentos utilizados por professores e alunos. No entanto, há necessidade de reparações urgentes a fazer nos telhados, que não podem ser feitas pela escola e que podem pôr em perigo a segurança da comunidade escolar. Em termos financeiros, a ESA consegue captar receitas inscritas no Orçamento de Dotações com Compensação em Receita, com os lucros provenientes do bufete, papelaria e reprografia e, também, do aluguer do pavilhão polivalente à autarquia e às associações desportivas, sendo essas verbas utilizadas, por exemplo, na atribuição dos prémios aos alunos e na aquisição de material de desgaste. 3.4. Participação dos Pais e de outros elementos da comunidade educativa As famílias, nomeadamente, através da Associação de Pais, manifestaram uma grande ligação à ESA que leva os pais quererem nela matricular os seus filhos porque eles próprios já a frequentaram. A Escola começa, assim, a tornar-se uma “escola de gerações” porque tem sabido oferecer, na opinião dos pais, um clima de estabilidade, segurança, disciplina e uma louvável exigência na transmissão de saberes e valores. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 9 Logo no início do ano lectivo, as famílias são informados (e assinam um documento comprovativo) das disponibilidades dos directores de turma, dos programas das disciplinas e dos critérios de avaliação. Através do cartão magnético, os pais têm acesso, a qualquer hora, a todas as informações sobre os seus educandos ou sobre a vida da escola. No entanto, preferem a troca de e-mails com os directores de turma/professores, prática esta muito generalizada na Escola e que permite uma comunicação rápida na comunidade educativa. Tem havido uma clara intenção em atrair os pais e encarregados de educação à escola, envolvendo-os em várias iniciativas/projectos, mas, por agora, a sua intervenção ocorre, sobretudo, ao nível das direcções de turma e não da orgânica da vida escolar. Apesar de esta participação ainda não ser a desejada pela ESA, é relevante a imagem muito positiva que os Pais projectam, desta escola, na comunidade, e que está na base da enorme procura que ela regista todos os anos. 3.5. Equidade e Justiça Existe um sentimento generalizado de co-responsabilização dos elementos da comunidade educativa na vida da Escola. As regras definidas fazem parte da sua “cultura” e são assumidas por todos e naturalmente cumpridas. Há um cuidado especial em detectar, o mais cedo possível, situações problemáticas que são encaminhadas para alternativas curriculares (Cursos Profissionais) ou espaços de Recuperação da Aprendizagem (Reforço da Aprendizagem, Oficina de Aprendizagem). A inclusão de alunos de outros países (nomeadamente, dos PALOP) é conseguida de tal forma que a sua presença não provoca qualquer impacto cultural ou linguístico no conjunto dos alunos, estando todos sujeitos às mesmas oportunidades e opções. Os alunos eleitos para os cargos de delegado e sub-delegado de Turma e depois para delegado de ano são coresponsabilizados na manutenção do clima de justiça, disciplina e segurança que existe na escola. 4. Liderança 4.1. Visão e Estratégia A ESA tem uma liderança com visão prospectiva, que gere para o futuro, e tem vindo ao longo da sua existência a perseguir, sistematicamente, a melhoria da qualidade do desempenho, visando atingir a excelência. Os órgãos de gestão revelam ter uma ideia clara e objectiva do que pretendem implementar na Escola através do sistema de auto-avaliação: uma auto-avaliação que permita detectar as suas fragilidades e identificar os seus pontos fortes e possíveis áreas de melhoria, através do planeamento adequado de todas as actividades, numa perspectiva de construção de uma escola de excelência. As soluções educativas encontradas para os alunos com mais dificuldades (mas abertas a todos) são evidências da preocupação da ESA em assegurar o sucesso educativo: Projecto Alumnus, Oficina da Aprendizagem e Reforço da Aprendizagens. Todos estes processos têm sido desenvolvidos com base na cooperação de grupos de trabalho que envolvem professores e alunos, o que tem garantido o sucesso da sua aplicação prática. A liderança articulada dos órgãos de gestão é visível e reflecte-se na mobilização de todas as lideranças intermédias. A escola está perfeitamente integrada no meio e contexto social que a rodeia, com o qual interage e que tem dela uma imagem muito boa, imagem essa que a ESA quer preservar e desenvolver, no futuro, numa perspectiva de optimização. 4.2. Motivação e empenho Os elementos da comunidade educativa, presentes nos painéis, manifestaram ter uma boa imagem da Escola e revelaram disponibilidade, empenho e grande motivação para participarem nas tarefas e projectos, mesmo quando eles ultrapassam as suas capacidades físicas ou tempo de trabalho. É evidente o profissionalismo e o sentimento de pertença à Escola e até um certo orgulho em nela trabalhar. O Conselho Executivo é muito motivado para a resolução de problemas e estimula a intervenção das lideranças intermédias e de todos os elementos da escola, numa perspectiva de gestão participada. 4.3. Abertura à Inovação Existem evidências de abertura a novas iniciativas, na sua maioria, resultantes do processo de auto-avaliação, que têm tido uma boa adesão por parte de todos os intervenientes. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 10 A dinâmica imprimida pelos órgãos de gestão tem expressividade, por exemplo, na implementação dos Cursos Profissionais, na criação da Oficina de Aprendizagem como local de eleição para os alunos estudarem e tirarem dúvidas, e nas aulas de Reforço de Aprendizagem que, de 15 em 15 dias, em qualquer disciplina, servem para colmatar insuficiências na leccionação dos programas ou nas aprendizagens. Também os Projectos: “Português como 2ª Língua” (frequentado por alunos chineses), “Alumnus” que se dedica, essencialmente, ao insucesso no 10.º ano e que começa com a realização de um teste diagnóstico em Matemática, Físico-Quimica e Língua Estrangeira (pois consideram prioritário combater o insucesso logo no início do 10.º ano), “Aprender a Aprender” (que mobiliza, desde o primeiro mês de aulas, os directores de turma, os professores de Educação Física e os de Matemática), bem como as aulas de substituição (organizadas com sugestões fornecidas pelos alunos), o Dia Aberto aos Pais e à comunidade, a recepção aos novos alunos (10.º ano) e aos novos professores atestam a abertura das várias estruturas da Escola à inovação. A comunicação, entre os vários sectores e os vários actores da comunidade educativa, foi privilegiada pela agilização de mecanismos como a Intranet, a difusão por e-mail, o uso do cartão magnético e a colocação estratégica de caixas para sugestões. 4.4. Parcerias, protocolos e projectos Além dos projectos já enunciados, a Escola tem uma dinâmica de articulação com a comunidade local através da ligação à Autarquia (que colabora, sobretudo, nas actividades de complemento do currículo), à Associação Académica da Amadora (que colabora na realização de actividades desportivas), tendo também participado em projectos nacionais como Ciência Viva e Desporto Escolar e em algumas actividades de âmbito internacional, tais como: Parlamento Europeu dos Jovens, Agência Espacial Europeia, NASA, Programa Sócrates/Comenius. A articulação com outras escolas da área pedagógica limita-se à EB 2,3 Roque Gameiro, com quem partilha as instalações para o Ensino Recorrente e donde recebe a maioria dos alunos que iniciam o Ensino Secundário. Não tem sido fácil a colaboração com as empresas locais o que se reflecte em parcerias pouco desenvolvidas nesse domínio. 5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da escola 5.1. Auto-avaliação Muito embora já existam, desde há vários anos, práticas institucionalizadas de auto-avaliação na ESA, fundamentadas, essencialmente, nos relatórios das actividades, e, por consequência, não concebidas e enquadradas numa visão estratégica global, foi a insatisfação com os resultados obtidos nos exames nacionais do 12.º ano, em 2001, bem como a publicação da Lei nº 31 / 2002 de 20 de Dezembro que motivou a escola para o auto-questionamento mais aprofundado, na área do processo de ensino e de aprendizagem. O Grupo de Avaliação do Desempenho Escolar (GADE), então criado, passou a coordenar o processo de autoavaliação da Escola, em articulação com os órgãos de gestão e as estruturas educativas, verificando-se um aperfeiçoamento nos procedimentos que, presentemente, envolvem a comunidade educativa. O Programa AVES, integrado neste processo, foi aplicado de 2003 a 2006, tendo a informação recolhida sido analisada pelos departamentos curriculares que identificaram pontos fortes e fracos no desempenho e propuseram prioridades, de acordo com as recomendações consideradas ajustadas, tendo todo o processo sido analisado e acompanhado pelos diversos órgãos de gestão. Todavia, em virtude de o Programa AVES já não se adequar ao processo de avaliação interna pretendido pela ESA, por não abranger os professores e os funcionários nem incluir os processos de monitorização, está a ser implementada a CAF (Common Assessment Framework,) na Escola, desde 2006, para o que foi constituída a Equipa de Auto-avaliação, que integra professores e funcionários e é apoiada por duas consultoras externas. Desta actuação, existem evidências de melhoria, não só nas práticas educativas, nomeadamente o investimento na coordenação curricular, na comunicação (interna e com os pais e encarregados de educação), mas também nos resultados académicos obtidos no final do 1º Período do presente ano lectivo, mesmo nas disciplinas onde o desempenho da escola havia sido considerado menos conseguido A metodologia do processo contempla a intervenção da comunidade educativa, encontrando-se, nesta altura, elaborado o Plano de Melhoria resultante da recolha e tratamento de dados de opinião. Com este trabalho está a iniciar-se o Observatório de Qualidade da ESA, cujo âmbito está previsto que seja alargado, progressivamente, a todas as áreas-chave do funcionamento da Escola. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 11 Na estratégia para a ESA se auto-avaliar, incluindo a passagem à fase da implementação do citado Plano, os coordenadores deste processo reconhecem a importância da definição de um ciclo de auto-avaliação, regular e bem planeado, em consonância com a utilização de uma metodologia sistemática para monitorizar a eficácia da actividade desenvolvida, pois encaram a auto-avaliação como actividade progressiva, abrindo sucessivamente novos campos de análise. 5.2. Sustentabilidade do progresso Os resultados obtidos, não só com a experiência de avaliação interna até 2006, mas também com o processo que se lhe seguiu, evidenciam melhorias, quer a nível dos processos estratégicos, quer dos resultados educativos, designadamente na globalidade dos resultados académicos, onde ainda não existem provas de melhoria consistentes, e no bom ambiente da escola, favorável à aprendizagem, este sim já consolidado. Os resultados apontam, portanto, para que o projecto de auto-avaliação, a concluir em tempo útil, venha a conferir sustentabilidade ao progresso da melhoria do desempenho da Escola, afigurando-se que a mesma tem capacidade para definir as suas necessidades de mudança. V – Considerações finais No conjunto das práticas observadas nos domínios anteriormente referidos, a ESA apresenta vários pontos fortes no seu desempenho, considerando-se mais relevantes os seguintes: - Clima de segurança e bem-estar; - Valorização das aprendizagens contínuas; - Promoção da intervenção pedagógica visando a inovação e a coordenação curricular; - Coordenação das actividades de avaliação, tendo em conta a credibilidade e a qualidade das aprendizagens; - Gestão dos recursos humanos orientada para a rendibilização das competências pessoais e profissionais; - Liderança solidária dos órgãos de gestão, com visão prospectiva e articulada com as lideranças intermédias; - Auto-avaliação sustentada em processos participativos de toda a comunidade escolar. A Escola apresenta, contudo, algumas debilidades: - Inexistência de documentos estruturantes das actividades desenvolvidas pela ESA, designadamente do Projecto Curricular de Escola e do Plano de Formação da Escola; - Insuficiências na estruturação do Plano Anual de Actividades, integrador de toda a actividade desenvolvida na Escola; - Insuficiente recolha de dados quantitativos sobre o impacto directo dos apoios educativos e das actividades de enriquecimento curricular no sucesso dos resultados académicos; - Insuficiência de parcerias com as empresas locais. Todavia, a ESA apresenta oportunidades de desenvolvimento que constituem desafios para a melhoria da Escola, das quais se destacam: - A melhoria generalizada e consistente dos resultados académicos, rendibilizando as potencialidades decorrentes da estabilidade, profissionalismo e empenhamento do corpo docente; - A implementação, em tempo útil, do projecto de auto-avaliação, para o que concorre a cultura de Escola favorável à mudança e as práticas de avaliação institucionalizadas e já consolidadas; - A supervisão e o acompanhamento das actividades docentes na sala de aula, firmada em orientações específicas e práticas, tanto mais que dispõe de um corpo docente com elevada experiência profissional; - O estabelecimento de parcerias com empresas locais, a fim de criar novas oportunidades de percursos qualificantes, sustentadas no sucesso de emprego, em termos de oferta/procura. Constituem constrangimentos a serem resolvidos: - Necessidade de obras de fundo, em algumas das instalações deterioradas da Escola para segurança de toda a comunidade escolar; - Insuficiência de espaços para as actividades de apoio e complemento curricular e para o convívio dos docentes; - Falta de pessoal não docente, tendo em conta o número de alunos e a tipologia do edifício escolar. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 12 Este relatório foi alterado nos aspectos abaixo referidos, em função do contraditório apresentado pela unidade de gestão avaliada: - Página 6 - onde se lia “Sobre esta questão, está a ser prestada colaboração por parte do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) e da Universidade de Aveiro, encontrando-se esta última enquadrada no Projecto TD-Mat”, alterou-se para “Sobre esta questão, está a ser prestada colaboração por parte da Universidade de Aveiro, no âmbito do Projecto TD-MAT, tendo sido ainda solicitada a colaboração do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE).” - Página 8 - onde se lia “Os resultados das avaliações são, trimestralmente, avaliados pelo Grupo do Desempenho Escolar (GADE) e depois analisados pela Assembleia de Escola”, alterou-se para “Os resultados das avaliações dos alunos são, trimestralmente, analisados pelo Conselho Pedagógico.” - Página 9 – onde se lia “Apesar de se notar a falta de um Plano Curricular de Escola (cuja elaboração a Escola prevê que seja iniciada brevemente),” alterou-se para “Apesar de se notar a falta de um Plano Curricular de Escola (cuja elaboração a Escola prevê que esteja concluída brevemente)”. Escola Secundária da Amadora - Amadora 14 e 15 de Fevereiro de 2007 13