UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA–CCET CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DESEMPENHO DE FUNDAÇÕES Aspectos Gerais e o Caso de Reforço das Fundações de Uma Residência Com Estacas Mega Leandro Araujo Sidrim Franco de Almeida Mario Cesar Mazzini Nascimento Belém - PA 2007 1 UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA–CCET CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DESEMPENHO DE FUNDAÇÕES Aspectos Gerais e o Caso de Reforço das Fundações de Uma Residência Com Estacas Mega Leandro Araujo Sidrim Franco de Almeida Mario Cesar Mazzini Nascimento Orientador: Wandemyr Mata dos Santos Filho Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de Engenheiro Civil, submetido à banca examinadora do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia. Belém – PA 2007 2 Trabalho de Conclusão de Curso submetido à Congregação do curso de Engenharia Civil do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia, como parte dos requisitos para obtenção do título de Engenheiro Civil, sendo considerado satisfatório e APROVADO em sua forma final pela banca examinadora existente. APROVADO POR: _______________________________________________ Prof. Wandemir Mata dos Santos Filho, Mestre (UNAMA) _______________________________________________ Prof. Leonardo Belo, Doutor (UNAMA) _______________________________________________ Prof. Stoessel Farah Sadala Neto, Mestre DATA: BELÉM – PA, 20 de novembro de 2007 3 Agradeço primeiramente a Deus, por tudo que me aconteceu ate esta fase da minha vida. Aos meus pais, em especial a minha mãe, por toda dedicação, aos meus amigos que sempre me ajudam nas horas em que preciso, a todas as pessoas que me ajudaram a superar barreiras e conquistar meus objetivos, e aos meus inimigos que são o combustível do meu sucesso. (Leandro Franco) A Deus, pelo dom da vida e por abençoar meus caminhos, tornando possíveis meus sonhos. Aos meus pais Dionísio e Marineuza que sempre foram exemplos de coragem, amor e determinação compartilhando comigo os meus ideais e incentivando-me a prosseguir nesta jornada, independente de quaisquer obstáculos. A todos que colaboram direta e indiretamente para a concretização desta vitória. (Mario Mazzini) 4 AGRADECIMENTOS Ao professor e amigo Wandemyr Mata dos Santos Filho, pela orientação e principalmente pela compreensão, fundamentais para a realização deste trabalho. Aos funcionários da WS GEOTECNIA, pela ajuda nas mais variadas formas Aos outros profissionais envolvidos que nos forneceram dados necessários para a realização desta pesquisa. 5 Quem viveu em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu, foi espectro de homem, não foi homem, so passou pela vida e não viveu. (Autor desconhecido) O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas. (Willian George Ward) 6 RESUMO Este trabalho aborda inicialmente e de forma resumida, a história das fundações, procurando embasamento técnico-histórico para a importância do estudo da mesma para a construção civil, em seguida e de forma mais profunda, aborda-se as patologias das fundações, procurando explicar suas causas e conseqüências para mais a frente falar da importância de seguir regras básicas da engenharia para poder se executar fundações que trabalhem de forma correta sem causar danos à construção como um todo. Logo após inicia-se o capitulo onde se trata de um estudo de caso, onde retornamos inúmeras vezes aos tópicos antes já citados, neste caso procura-se encontrar as possíveis causas dos danos estudados e também encontrar uma solução de reforço para a edificação. Encerra-se com o acompanhamentos das obras de recuperação, e com uma análise crítica do estudo do caso. PALAVRAS – CHAVE: Fundações, Desempenho e Reforço. 7 ABSTRACT This effort approaches initially, and in a summarized way, the history of foundations, searching for technical and historical ground for the importance of its study in civil construction. After that, and in a deeper way, it approaches the pathologies of foundations, while trying to explain their causes and consequences so that further ahead it can bring up the importance of following basic rules of engineering in order to execute foundations that work the right way, without causing damages to the building as a whole. Soon after starts the chapter in which the case study is dealt with, where we return several times to the topics mentioned before. In this case, we try to find the possible causes of the damages and also to find a solution of reinforcement to the foundation. It ends with the observation of the recuperation works, and a critical analysis of the case study. KEYWORDS: Foundations, Performance and Reinforcement 8 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS 12 LISTA DE TABELAS 14 1. INTRODUÇÃO 1.1. HISTÓRIA DAS FUNDAÇÕES 15 1.2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA E JUSTIFICATIVA 16 1.3. DELIMITAÇÃO DA PESQUISA 17 1.4. HIPÓTESES 17 1.5. OBJETIVOS 18 2. PATOLOGIA DAS FUNDAÇÕES 2.1. CONCEITOS INTRODUTÓRIOS 18 2.2 ESTUDO DE RECALQUES 2.2.1. Introdução aos recalques 2.2.2. Recalque admissível 2.2.3. Efeitos da distorção angular 2.3. INVESTIGAÇÕES DO SUBSOLO 2.3.1. Insuficiência, Falha ou má interpretação das investigações geotécnicas 2.4. CASOS ESPECIAIS 2.4.1. Influência da vegetação 2.4.2. Colapsibilidade do solo 2.4.3. Solos Expansíveis 2.4.4. Zonas de mineração 2.4.5. Zonas carsticas 2.4.6. Ocorrência de matacões 19 20 21 23 24 25 26 27 27 29 9 2.5 DETERIORAÇÃO DOS MATERIAIS 2.5.1. Concreto 2.5.2. Aço 2.5.3. Madeira 30 33 34 2.6. CASOS DE INSTABILIDADE PÓS-PROJETO 2.6.1. Alterações relativas ao uso da edificação 2.6.2. Ampliações e modificações não prevista em projeto estrutural 2.6.3. Movimento do solo decorrente de fatores externos 2.6.4. Alterações do uso dos terrenos vizinhos 2.6.5. Execução de grandes escavações próximas a edificação 2.6.6. Rompimento de canalização enterrada 2.6.7. Ação dos animais 2.6.8. Vibrações e choques 2.7. Danos arquitetônicos, Funcionais e Estruturais 34 35 35 35 35 36 36 36 37 3. EXECUÇÃO E RECUPERAÇÃO DE FUNDAÇÕES 3.1. Projeto e execução de fundações 3.2. Reforço de fundações 3.2.1. Conceito de reforço de fundação 3.2.2. Tipos de solução 3.2.3. Condições para escolha do tipo de reforço 3.2.4. Recuperação de nível e prumo 37 37 38 39 40 4. CASO DE REFORÇO DAS FUNDAÇÕES DE UMA RESIDÊNCIA 4.1. Introdução 4.2. Características da edificação 4.3. Características do terreno 4.4. Histórico da edificação 40 40 40 42 4.5. ANÁLISE DO PROBLEMA 4.5.1. Revisão do projeto 4.5.2. Retro análise das fundações 43 45 4.6. REFORÇO DAS FUNDAÇÕES 4.6.1 Elaboração do projeto de reforço 4.6.2. Estaca mega, conceito, e método executivo 4.6.3. Execução dos serviços 46 48 51 10 5. Considerações finais 55 Referências Bibliográficas 56 Anexos 59 11 LISTA DE FIGURAS p. Figura 2.0 - Fluxograma das etapas de projeto e possíveis causas de patologias 19 Figura 2.1 - Torre de Pisa 20 Figura 2.2 - Edifício Núncio Malzoni, desaprumo de 2,1m 22 Figura 2.3 - Patologia da edificação por causa da influência da vegetação 25 Figura 2.4 - Localização de solos colapsíveis. 26 Figura 2.5 - Fenômeno de subsidência em áreas de mineração 27 Figura 2.6 - Zonas cársticas de rochas calcárias 28 Figura 2.7 - Rochas calcárias desgastadas 28 Figura 2.8 - Matacões 30 Figura 4.0 - Perfil do solo parte inicial da casa 41 Figura 4.1 - Perfil do solo fundos da casa 42 Figura 4.2 – Corte transversal com inclinação indicada 43 Figura 4.3 - Concentração de trincas 44 Figura 4.4 - Trincas 44 Figura 4.5 - Verificação do grau de inclinação feita com prumo 45 Figura 4.6 - Cravação à reação 49 Figura 4.7 - Colocação de cabeçote e concretagem 50 12 Figura 4.8 - Reaterro com Solo cimento 51 Figura 4.9 - Estaca Mega 52 Figura 4.10 - Esgotamento da água 52 Figura 4.11 - Posicionamento da estaca 53 Figura 4.12 - Cravação à reação 53 Figura 4.13 - Execução de bloco sobre estacas 54 Figura 4.14 - Verificação de Nível 54 13 LISTA DE TABELA Tabela 2.0 - Relação entre dano e deformação horizontal 21 Tabela 4.0 - Valores de K e α propostos por Aoki-Velloso 47 Tabela 4.1 - Valores de F1 e F2 47 Tabela 4.2 - Coeficiente k de Décourt-Quaresma 48 Tabela 4.3 - Comparativa Entre métodos 48 14 1. INTRODUÇÃO 1.1 HISTÓRIA DAS FUNDAÇÕES Mais sensível ao clima que os outros animais do paleolítico, o homem procurou abrigar-se em cavernas e grutas e, onde não existiam, tratou de improvisar abrigos imitando-as. Assim é provável que, no neolítico uma idade depois, o homem já tivesse uma noção empírica a respeito dos materiais da crosta terrestre. (Antonio Neto, 1998) Com o passar dos tempos o homem utilizou os mais variados materiais para construir seus abrigos como: terra, madeira, pedra, etç... . Nos antigos impérios do oriente próximo, os materiais cerâmicos passaram a ser o tijolo cerâmico e a pedra. Os terrenos que recebiam as construções maiores e mais pesadas em geral cediam e suas construções ruíam ou eram demolidas, com posterior aproveitamento dos escombros, uma vez que não havia fundações preparadas, como em épocas mais modernas. Assim obras como as de palácios e templos eram erguidas sobre fundações arrumadas com resto de outras estruturas e paredes, misturados com terra e tudo socado. Das construções que resistiram aos séculos, muitos apresentam algum tipo de deformação causada por suas superestruturas em suas fundações, por deficiências destas, ou por condições desfavoráveis em seus terrenos de apoio. Kérisel (KÉRISEL, 1985) aponta quatro situações gerais: solos muito compressíveis, taxas de compressão do solo elevadas (500 – 1000 kpa), momentos de tombamento nas superestruturas e conseqüentemente carregamento excêntrico das fundações e obras edificadas em cima de taludes naturais. As conseqüências foram deformações como rachaduras, afundamentos (recalques naturais), inclinações (recalques diferenciais) e deslizamentos. (modificado - Antonio Neto, 1998) 15 1.2. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA E JUSTIFICATIVA É bastante comum, andarmos em Belém e nos depararmos com edificações inclinadas, inclinações essas que conhecemos pelo nome técnico de recalque. Estes recalques se dão em sua maioria por fundações mal projetadas e executadas por profissionais não qualificados para tal serviço, existe também o fato de que “A região metropolitana de Belém está situada em plena zona equatorial, numa bifurcação entre o Rio Guamá e a Baia de Guajará” (Oliveira Filho, 1981). Em Belém, é freqüente encontrarmos locais com grande incidência de recalques, quando o Engenheiro responsável pela execução das fundações de uma edificação depararse com tal situação, é imprescindível que este tenha sua atenção redobrada. Contudo, existem locais em Belém, onde o quadro acima citado não existe como é o caso da residência que trata este trabalho. Na época atual, as pessoas mudaram um pouco seus conceitos sobre a contratação de um profissional habilitado para a execução de suas obras, porém, esta mudança ainda é muito pouca quando entendemos a importância que tem este profissional em todas as etapas da obra. Quando falamos em projetos: estruturais, arquitetônicos, hidráulicos, elétricos ou ate mesmo um simples, mas essencial furo de sondagem como condições para a execução da obra, corremos o risco de perdermos o cliente. Sabemos que uma fundação muito bem projetada “em cima” do laudo de sondagem tem que suportar as cargas que agem sobre ela e distribuí-las para o solo, sem que as tensões oriundas destas cargas provoquem, a ruptura do solo e conseqüentemente o recalque a estrutura. O caso que nosso trabalho trata, é uma edificação onde funciona uma associação, este imóvel tem uma patologia de recalque diferencial bastante avançado, onde podemos perceber sem qualquer tipo de equipamento ou instrumento o recalque, alem de rachaduras causadas pela patologia, andando pelas vizinhanças não constatamos outros imóveis com o mesmo problema. Esta patologia inicialmente causou medo aos ocupantes do imóvel, que chamaram os bombeiros para fazerem uma pré-avaliação do caso, onde foi constatado que não havia risco imediato de desabamento, mas foram orientados a procurar uma empresa especializada em fundações para solucionar o problema e acabar com o desconforto causado pelo desnível e desaprumo da casa. 16 Considerando que a fundação é um elemento de transição entre a estrutura e o solo, seu comportamento está intimamente ligado ao que acontece com o solo quando submetido a carregamento através dos elementos estruturais das fundações, um estudo detalhado do caso tem que ser feito, levando em consideração uma serie de estudos e laudos, para que assim seja apontada uma solução técnica compatível com as condições econômicas dos proprietários. (modificado – Milititsky, Consoli e Schnaid, 2005) 1.3 . DELIMITAÇÃO DA PESQUISA A pesquisa bibliográfica limitou-se em publicações sobre: patologia de fundações e fundações de um modo geral. Com relação ao estudo do caso e dos serviços dos reforços executados, os cálculos e projetos serão apresentados no trabalho. 1.4 HIPÓTESES a) As mudanças arquitetônicas sofridas durante a execução de uma obra podem ter influenciado no comportamento estrutural da edificação. b) O desconhecimento do perfil do solo e de suas condições geotécnicas pode ter influenciado no desempenho da fundação da residência em estudo. c) O estudo das causas da distorção angular do imóvel apresentado enquadra-se entre as situações mais comuns de problemas de fundações na cidade de Belém. 17 1.5 . OBJETIVOS Como objetivo geral, buscamos analisar as condições de uma fundação existente em uma residência, para que, com esta análise possamos apresentar soluções de reforço para suas fundações, tendo como objetivos específicos: a) Discorrer sobre os principais conceitos e recomendações das patologias das fundações. b) Analisar as condições do solo das fundações da referida residência, por meio do laudo de sondagem, e através desses dados realiza a retro-análise das fundações executadas. c) Realizar a medição do recalque sofrido pela edificação e monitorar as movimentações depois de realizado o reforço das fundações. d) Apresentar os custos financeiros da execução dos serviços de reforço e analisar o desempenho das fundações. 2. PATOLOGIAS DAS FUNDAÇÕES 2.1. CONCEITOS INTRODUTÓRIOS Como é do conhecimento de todos e tivemos a oportunidade de ver anteriormente, o homem vem ao longo do tempo desenvolvendo novas técnicas construtivas, temos como exemplo disso as fundações, que hoje são extremamente necessárias para as construções de um modo geral. A fundação, segundo (Milititsky, 2005), é o resultado da necessidade de transmissão de cargas ao solo pela construção de uma estrutura, dessa forma espera-se que a fundação suporte as cargas que atuam sobre ela e a distribuam sobre o solo sem que as tensões resultantes provoquem a ruptura do mesmo e o conseqüente recalque significativo ao conjunto estrutural. Nos dias de hoje, é comum se construir sem a orientação de um profissional habilitado, em conseqüência deste fato temos cada vez mais problemas estruturais, que na maioria das vezes envolve diretamente as fundações, por este motivo tornouse de suma importância para o profissional de engenharia o conhecimento das patologias das fundações, contudo este assunto ainda é pouco difundido nas 18 universidades de engenharia, valendo-se ressaltar que “num projeto de fundação, diferente de um projeto estrutural, trabalha-se com o solo, ou seja, um material não fabricado pelo homem, portanto a competência e a experiência do projetista são bastante relevantes para a obtenção de parâmetros do solo e processamento de dados para projeto. (modificado – Veloso, 1990) Sabemos que as patologias manifestam-se nas mais variadas situações e estruturas, o que faz se tornar necessário um aprofundamento no assunto. A seguir apresentaremos um fluxograma (figura 2.0) que faz relação entre as etapas de projeto de uma fundação e as possíveis causas de patologias. FIGURA 2.0 Fluxograma das etapas de projeto e possíveis causas de patologia Fonte: Milititsky, Consoli, Schnaid (2005) 2.2. ESTUDO DE RECALQUES 2.2.1. INTRODUÇÃO AOS RECALQUES 19 Como a fundação de um prédio é compostas por um conjunto de sapatas ou por grupos de estacas, os bulbos de tensões das sapatas ou do grupo de estacas se sobrepõe sendo, portanto, necessário o calculo da resultante dessas tensões na camada de interesse, para então poder-se calcular os recalques do edifício. Quando se aplicam tensões no maciço de um solo, ocorrem deformações cisalhantes ou de distorção que causam deslocamentos verticais da fundação, esses deslocamentos são conhecidos como recalques imediatos ou secundários. É comum observarmos construções que sofrem desta patologia, a mais famosa de todas e a Torre de Pisa, localizada na Itália, (figura 2.0). (modificado - Alberto Teixeira, 1998), (modificado - Nelson Godoy, 1998), (modificado - Alonso, 1991) Figura 2.1 Torre de Pisa Fonte: Desconhecida 2.2.2 RECALQUE ADIMISSÍVEL Atualmente para o profissional de engenharia civil, o conhecimento de recalque admissível torna-se importante em duas situações: a primeira é durante a análise e projeto de fundações, quando se calcula e estima-se o recalque das fundações e tem que se tomar a decisão relativa à adequação dos resultados obtidos com o comportamento desejado da estrutura; a segunda é quando é feito o controle de recalque durante uma construção e torna-se necessário saber um limite, a partir do qual, considera-se problemática a segurança e o desempenho da estrutura. 20 O estabelecimento dos recalques admissíveis tem valor para indicar aos profissionais envolvidos com o problema, os níveis nos quais eles usualmente ocorrem. É importante ressaltarmos que esses valores não devem ser utilizados como limites únicos, pois a previsão dos recalques de uma estrutura que tem sua base de apoio no solo, não é tão precisa mesmo se adotando modernas ferramentas numéricas. Nos casos mais complexos, torna-se necessário a utilização de análises sofisticadas, que permitam estabelecer ralação entre solo e estrutura, ao invés de simplesmente calcularmos os recalques de forma isolada e compará-los com valores empíricos. (MILITITSKY, 2005), (CONSOLI, 2005), (SCHNAID, 2005). Tabela 2.0 Categoria de dano Severidade Limite de deformação 0 Desprezivel 0-0,05 1 Muito Pequeno 0,05-0,075 2 Pequeno 0,075-0,15 3 Moderado 0,15-0,3 4 Alto e muito alto >0,3 Relação entre dano e deformação horizontal Fonte: Apud Laefer (2001) 2.2.3. EFEITOS DA DISTORÇÃO ANGULAR Os efeitos da distorção angular gerados pela movimentação das fundações são extremamente desagradáveis gerando incômodos aos moradores, e em alguns casos podendo levar a estrutura até mesmo ao seu colapso. O caso mais famoso de distorção angular conhecido no Brasil é do edifício Núncio Malzoni de 17 andares situado na Avenida Bartolomeu de Gusmão em Santos-SP, (figura 3.0) que em 2000 virou noticia nacional ao ser colocado novamente no prumo. Construído em 1967 sobre um bolsão de argila marinha está edificação sofreu um desaprumo de 2,1m e vinha crescendo a cerca de 1 cm por ano até o inicio das obras em 1998 e caso não tivesse sido realinhado teria sofrido colapso em no Máximo 7 anos, segundo engenheiro responsável pela obra. A cerca de 100 edificações com o mesmo problema no litoral santista isso se dá porque naquela época, a tecnologia de fundações não era desenvolvida o suficiente para fornecer soluções econômicas aos 21 construtores. A opção foi utilizar fundações apoiadas diretamente sobre a primeira camada de areia existente. Sob essa camada, na maior parte da Orla, temos uma espessa faixa de sedimentos depositados ao longo de séculos, conhecidos como argila marinha, cuja consistência é muito frágil. Essa argila suporta uma carga muito pequena e o prédio, bastante pesado, quando apoiado diretamente na areia, pode, em determinadas circunstâncias, começar a afundar Os incômodos sofridos pelos moradores em uma situação como essa são inúmeros e vão do mal estar pelo aparecimento de trincas, falta de nivelamento do piso, portas e janelas que não fecham e até mesmo a completa desvalorização do imóvel no caso do Núncio os moradores ainda tiveram que abandonar o imóvel durante a execução das obras. O desempenho das fundações não são as únicas causas do aparecimento de fissuras nas edificações, outras causas também são bastante conhecidas como: Dilatação térmica, falta de vergas e contra-vergas, desaprumo da edificação, acomodação estrutural. FIGURA 2.2 Edifício Núncio Malzoni, desaprumo de 2,1m Fonte: A tribuna de Santos (2001) 22 2.3. INVESTIGAÇÕES DO SUBSOLO 2.3.1. Ausência, insuficiência, Falha ou má interpretação das investigações geotécnicas. As patologias de fundações relacionados à falta de uma adequada investigação geotécnica ocorrem com uma maior intensidade em obras de pequeno porte onde o custo em relação ao preço final da obra acaba tornando inviável economicamente tais procedimentos. Isto é muito preocupante, pois tais dados são necessários para que se tenha certa garantia de segurança, evitando gastos futuros com reforços que certamente vão custar muitas vezes mais do que uma investigação inicial satisfatória. Em alguns casos nem a investigação inicial é garantia de um bom desempenho das fundações, isso ocorre quando existe ausência de dados necessários a compreensão dos laudos ou até mesmo má interpretação dos mesmos. Segundo Milititsky, Consoli, Schnaid (2005) Seguem a seguir alguns casos de problemas relacionados a investigações geotécnicas. • Ausência de investigação do subsolo é uma das mais comuns das causas de problemas que comprometem as fundações, esta ausência esta ligada a falta de conhecimento da importância dessa investigação. • Falha do Projetista ao analisar laudos de campo, falha em equipamentos de medição, fraudes em apresentação de resultados, adoção de procedimentos inadequados • Numero insuficiente de numero de sondagens ou ensaios para áreas extensas ou de subsolo variado, eventualmente cobrindo diferentes unidades geotécnicas (causa comum de problemas em obras correntes, pela extrapolação indevida de informações) • Profundidade de investigação insuficiente, não caracterizando camadas de comportamento distinto, em geral de pior desempenho, também solicitadas pelo carregamento • Propriedades de comportamento não determinadas por necessitar ensaios especiais (expansibilidade, colapsibilidade etc.) casos especiais serão tratados no item 2.4 23 É bom lembrar para uma adequada investigação deve se seguir as normas ABNT NBR 6122/1996; ABNT NBR 8036/1983 e fazer de uso da experiência e do bom senso. 2.4. CASOS ESPECIAIS As dificuldades de se planejar um programa racional de investigação podem ser acrescidas de ocorrencias especiais, tais como: influencia da vegetação, solos colapsiveis, solos expansiveis, zonas de mineraçãozonas cársticas e ocorrência de matacões, que podem resultar de patologias importantes e custos elevados de recuperação, daí a necessidade de se fazer uma investigação bastante minuciosa do solo onde pretende-se construir. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005). 2.4.1. INFLUÊNCIA DA VEGETAÇÃO A vegetação proxima de uma edificação, pode causar interferência física com suas raíses ou pela modificação do teor de umidade do solo. O segundo efeito e menos conhecido e ocorre da seguinte forma, as raízes extraem água do solo para seu crescimento e vida, modifecando o teor de umidade do solo. Em alguns solos como o argiloso isto pode causar variações volumétricas; consequentemente, qualquer edificação nesta área apresentará movimento e provavelmente patologia da edificação por causa de recalques localizados como podemos ver na figura abaixo (figura 2.2), . (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) 24 FIGURA 2.3 Patologia da edificação por causa da influência da vegetação Fonte: Patologia das Fundações (2005) 2.4.2 COLAPSIBILIDADE DO SOLO Solos colapsiveis, tambem conhecidos como solos porosos, devidos aos macroporos que os constituem. O colapso ocorre por causa de um arranjo das partículas, com variação de volume, causado pelo aumento do grau de saturação do solo, sendo dependente das seguintes condições: • Estrutura do solo parcialmente saturada; • Tensões existentes para desenvolver o colapso; • Rompimento dos agentes cimentantes. A ocorrência de acidentes de maiores proporções por colapso da estrutura do solo está normalmente associada a vazamento de canalizações pluviais ou cloacais, reservatórios, piscinas, etc..., nas quais a água é liberada em grande quantidade pelo terreno, ocasionando variações da umidade e provocando o colapso, na figura abaixo temos uma noção das incidências dos solos colapsíveis (figura 2.3). (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) 25 FIGURA 2.4 Localização de solos colapsíveis. Fonte: (Ferreira, 1981) 2.4.3. SOLOS EXPANSIVEIS São aqueles que apresentam argilo-minerais expansivos nos grãos que compõe a fração argila, e é responsável por grande variação de volume destes materiais, decorrentes de mudanças do teor de umidade. Controlar a variação de umidade nos solos expansivos é uma tarefa difícil, tendo em vista que a água pode deslocar-se em variadas direções e ouros fatores podem influenciar nas variações de umidade, como chuvas, vegetação, nível do lençol freático e regime de chuvas. Este tipo de comportamento provoca problemas especialmente em fundações superficiais. Existem três procedimentos básicos para reduzir ou evitar efeitos de solos expansivos sobre fundações e estruturas (Peck, 1974): isolar a estrutura dos materiais expansivos, reforçar a estrutura para resistir aos esforços provocados pelas forças de expansão e eliminar os efeitos de expansibilidade. Estes procedimentos podem ser utilizados individualmente ou em combinação, contudo, o mais utilizado é o isolamento da estrutura. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) 26 2.4.4. ZONAS DE MINERAÇÃO Este problema é bastante limitado no Brasil, devido ao pequeno numero de situações que esta condição ocorre. Este tipo de problema esta ilustrado na figura abaixo (figura 2.4). Quando este tipo de situação ocorre, temos a possibilidade de implantação das fundações apoiadas sobre o topo das galerias, quando a condição de estabilidade pode ser garantida, ou abaixo da cota inferior, quando tal situação não pode ser assegurada. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) FIGURA 2.5 Fenômeno de subsidência em áreas de mineração Fonte: Patologia das Fundações (2005) 2.4.5 ZONAS CÁRSTICAS As zonas cársticas são caracterizadas como um carste residual, constituído por vários morrotes de pequenas dimensões, que em sua totalidade, abrigam uma centena de cavidades, dentre elas, sítios arqueológicos e paleontológicos. Estes dois conjuntos cársticos são considerados como uma única unidade geológica, onde os morros individualizados são escamas calcárias, basculadas por uma fase tectônica de cavalgamento (Rodet, 1997). A ocorrência de zonas compostas de carbonato de cálcio e magnésio, podem também levar a problemas com fundações. Deve-se dar uma maior atenção em locais onde possa haver a ocorrência de rochas calcárias realizando-se um criterioso programa de investigações de campo. As mudanças nessas rochas ocorrem de forma mais rápida do que a de outros materiais geológicos (figura 2.6) e (figura 2.7), e por este motivo pode levar a um 27 mau desempenho das fundações. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) FIGURA 2.6 Zonas cársticas de rochas calcárias Fonte: desconhecida FIGURA 2.7 Rochas calcárias desgastadas Fonte: desconhecida 28 2.4.6 OCORRÊNCIA DE MATACÕES Fragmento de rocha maior do que bloco e que, na escala de Wentworth de uso principal em sedimentologia, tem diâmetro maior do que 25 cm, apresentando, muitas vezes, formas esferóides (figura 2.7). Estes fragmentos ainda não sofreram decomposição e estão alojados no solo residual. Os matacões podem ter várias origens: formação in situ como blocos não intemperizados, muitas vezes redondos por esfoliação esferoidal, remanescente da erosão do solo, ou como material sedimentar originado por desgaste erosivo em rios, em leques aluviais, junto a falésias com o embate de ondas, por transporte glacial . A presença desses matacões pode gerar problemas na interpretação dos resultados de uma sondagem, pois se não forem feitos um numero suficiente de investigações, esses matacões podem ser confundidos com a ocorrência de perfil de rocha continua, o que pode induzir a elaboração de um projeto de fundação não compatível com a realidade do solo. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) 29 FIGURA 2.8 Matacões Fonte: (Milititsky, 2005) 2.5 DETERIORAÇÕES DOS MATERIAIS É muito importante levar em consideração a ação dos elementos naturais e agressivos em qualquer projeto de engenharia onde se tem elementos estruturais em contato com o solo ou com a água. 2.5.1 Concreto O concreto é um dos materiais mais utilizados na construção civil; Por ter uma utilização bastante eclética, o concreto armado tem sido utilizado nos mais variados tipos de meio ambiente. Com isso, faz-se necessário a execução de obras duráveis de acordo com a agressividade a qual elas estão expostas, além de resistir adequadamente às solicitações mecânicas. Até pouco tempo, o concreto era visto como o material de maior durabilidade. Mas, nas últimas décadas, são cada vez maiores os índices que indicam que esta durabilidade está sendo comprometida. Isto pode ser atribuído ao grande crescimento da aparição de manifestações patológicas. Devido ao elevado grau de 30 deterioração, e a freqüência com que as manifestações patológicas vêm acontecendo em estruturas de concreto situadas nos mais diversos tipos de ambientes, é de suma importância o conhecimento das principais causas e conseqüências dos ataques provenientes de cada um destes ambientes. O estudo da durabilidade das estruturas de concreto tem evoluído devido ao melhor conhecimento dos mecanismos de transporte de agentes agressivos ao concreto. O Comitê 201 do American Concrete Institute (ACI) define durabilidade do concreto de cimento Portland, como sendo a sua capacidade de resistir à ação das intempéries, ataques químicos, abrasão ou qualquer outro processo de deterioração. Para Neville, o concreto é considerado durável, quando desempenha as funções que lhe foram atribuídas, mantendo a resistência e a utilidade esperada, durante um período de vida previsto. E acrescenta ainda, que a durabilidade do concreto não implica uma vida indefinida, nem suportar qualquer tipo de ação. Seguindo esta linha de raciocínio, Metha e Monteiro dizem que nenhum material é essencialmente durável; e justificam afirmando que, como um resultado das interações ambientais, a microestrutura e as propriedades dos materiais mudam ao longo do tempo. De Souza define como durabilidade, o parâmetro que relaciona a aplicação das características da deterioração do material do concreto e dos sistemas estruturais, a uma determinada construção, individualizando-a através da avaliação da resposta que será dada aos efeitos da agressividade do ambiente. No entanto, podemos constatar que a durabilidade do concreto está intimamente ligada com a agressividade que o meio proporciona; além da boa execução e utilização das estruturas. A seguir algumas causas químicas e eletroquímicas da deterioração do concreto: • Reação álcali-agregado: A reação álcali-agregado é um dos fenômenos deletérios mais importantes que podem ocorrer no concreto. Consiste, basicamente, numa reação química em que alguns constituintes do agregado reagem com hidróxidos alcalinos, que estão dissolvidos na solução do concreto. Essa reação tem sido comumente, dividida em 31 três tipos: Reação Álcali-Sílica (RAS), Reação Álcali-Sílica-Silicato (RASS) e Reação Álcali-Carbonato (RAC). A principal delas e a que mais ocorre no Brasil, é a reação entre a sílica reativa contida nos agregados, a cal liberada pelo cimento, e os álcalis (sódio e potássio) da pasta de cimento. . Os vários tipos de sílica presentes nos agregados reagem com os íons hidroxila presentes nos poros do concreto. A sílica, agora dissolvida, reage com os álcalis sódio e potássio formando um gel de álcalisílica, altamente instável. Uma vez formado, o gel começa a absorver água e a expandir-se, ocupando um volume maior que os materiais que originaram a reação. A água absorvida pelo gel pode ser parte da que não foi usada para a hidratação do cimento, água existente no local (reservatório, por exemplo), água de chuva e, até mesmo, água condensada da umidade do ar. Se o gel estiver confinado pela pasta de cimento seu inchamento implica na introdução de tensões internas que, eventualmente, podem causar fissuras no concreto . • Reação com íons sulfatos O ataque às estruturas de concreto por íons sulfato provenientes da água do mar, águas e solos sulfatados é fenômeno já bastante conhecido, que ocasiona fissurações, expansões e comprometimento da sua vida útil. Os sulfatos reagindo com os produtos de hidratação do cimento formam gipsita e etringita secundária que, por seu caráter expansivo, levam à deterioração do concreto. Casos de patologias do concreto decorrentes do ataque por sulfatos em ambientes isentos desses íons têm sido registrados na literatura. Esses ataques derivam supostamente da ação de íons sulfatos internos ao concreto, provenientes de seus constituintes, quais sejam o cimento, os agregados ou a água de amassamento. São apresentados resultados de ensaios químicos, físico-mecânico e mineralógicos realizados com o intuito de avaliar a inter-relação entre o tipo de cimento utilizado, as formas de patologia, e os mecanismos de formação dos agentes mineralógicos responsáveis pelas patologias, como contribuição para adoção de medidas preventivas para evitá-las. • Carbonatação O concreto quando exposto aos gases como o gás carbônico (CO2), o dióxido de enxofre (SO2) e o gás sulfídrico (H2S), pode ter reduzido o pH da solução existente nos seus poros. A alta alcalinidade da solução intersticial devido, principalmente, à presença do hidróxido de cálcio, Ca (OH)2, oriundo das reações de hidratação do cimento, também poderá ser reduzida. Tal perda de alcalinidade, 32 em processo de neutralização, por ação, principalmente, do CO2 (gás carbônico) que transforma os compostos do cimento em carbonatos é um mecanismo chamado de carbonatação. A armadura, quando envolvida por concreto carbonatado, pode sofrer corrosão como se estivesse exposta à atmosfera, sem qualquer tipo de proteção, com a agravante de que a umidade perdura, no interior do concreto, por tempo bastante superior do que se estivesse exposta ao ar. O concreto é um material que absorve a umidade do ambiente com muita facilidade e, em contrapartida, seca muito devagar. • Ataque dos íons Cloreto: Os íons cloretos atacam as armaduras do concreto através de um fenômeno de natureza eletroquímica e a intensidade dos ataques pode variar dependendo do da porosidade do concreto e da falta de cobrimento. Tais íons podem estar presentes no concreto através de várias fontes: da água de amassamento, de certos aditivos, da impureza dos agregados e da atmosfera, principalmente em locais perto do mar. • Reações com ácidos: Na reação entre concreto e ácido a ação do íon hidrogênio provoca geralmente a formação de produtos solúveis que ao serem transportadas para o interior do elemento de concreto acabam deteriorando o mesmo. Os ácidos mais perigosos para o concreto são: inorgânicos (clorídrico, sulfídrico, sulfúrico, nítrico, carbônico) e orgânicos (acético e láctico) 2.5.2. Aço As estacas de aço utilizadas em solos naturais, ar ou água devem ser dimensionadas com base a combater a corrosão do aço. No caso de ambientes marinhos, agressivos ou aterros, ou até mesmo em ambientes suscetíveis a variação do nível de água. A ação da corrosão deve ter uma atenção especial do projetista. É também importante observar que segundo (Corus Contruction Centre, 2003) elementos metálicos para sempre enterrados em solo natural usualmente não são afetados de forma significativa por degradações sendo usado uma taxa de corrosão de 0,015mm/face/ano a nível de calculo. Abaixo segue tabela com valores 33 de corrosão em estacas metálicas em solos, acima e abaixo do lençol freático e em água doce e água do mar. 2.5.3. Madeira Segundo (Milititsky, Consoli e Schnaid 2005) no Brasil as estacas de madeira são usadas como fundações de estruturas provisórias, mais em certas regiões e circustâncias ela tem uso como elementos de suporte permanente. Mais essas estruturas tambem sofrem com os elementos naturais os mais comuns são os ataques biologicos, insetos ou moluscos. E quando estão na água essas estacas apodrecem se no ambiente ouver a variação do nivel de água, a degradação ocorre com mudanças fisicas e quimicas podendo apresentar mudança na coloração, amolecimento e variação de densidade. 2.6. CASOS DE INSTABILIDADE PÓS - PROJETO Mesmo se fazendo tudo certo como: selecionar os materiais, escolher o tipo mais apropriado de fundação para cada caso, realizar os estudos e verificações pertinentes ao solo, podem ocorrer problemas nas fundações da residência, pois ela também sofre influencia de outras naturezas, em virtude dessa situação explanaremos neste capitulo um pouco sobre estas possíveis influências. 2.6.1 ALTERAÇÕES RELATIVAS AO USO DA EDIFICAÇÃO Quando projetamos uma edificação, temos que ter informações precisas sobre a utilização da mesma, tendo em vista que iremos projetar a superestrutura para agüentar uma carga compatível com sua utilização, contudo se após a obra concluída o proprietário mudar sua utilização, esta mudança pode prejudicar a estrutura, considerando que sua carga irá exceder o limite para qual a mesma foi projetada, podendo até entrar em colapso, ex: se projetamos uma edificação para uso residencial e posterior a execução ela é utilizada como deposito de materiais de construção. Esta mudança de uso e de sobrecarga pode afetar a fundação, causando sérios danos a ela. 34 2.6.2. AMPLIAÇÕES E MODIFICAÇÕES NÃO PREVISTAS EM PROJETO ORIGINAL É bastante comum a adição de mezaninos, andares e outros elementos que podem sobrecarregar as fundações da edificação, todas essas novas situações podem exceder o limite original de carga da fundação existente ou causar recalque, o que vai resultar no aparecimento de fissuras e outros problemas já visto anteriormente no trabalho. 2.6.3. MOVIMENTO DO SOLO DECORRENTE DE FATORES EXTERNOS Muitos são os problemas decorrentes de movimentação ou instabilidade do solo, da qual depende diretamente a estabilidade das fundações. Esta movimentação do solo pode ser causada por diversos motivos, que apresentamos a seguir. 2.6.4. ALTERAÇÃO DO USO DOS TERRENOS VIZINHOS Quando uma nova é construção feita sem os cuidados essenciais, para que as construções ao seu redor não sejam afetadas por ela, isto pode se tornar um problema com elevadas proporções, tendo em vista que não estamos falando somente de bens materiais e sim de vidas humanas. Ao se executar uma edificação devemos tomar alguns cuidados como a colocação de juntas entre as edificações para que quando a nova edificação carregue suas fundações não danifique a edificação lateral causando trincas a ela. 2.6.5. EXECUÇÃO DE GRANDES ESCAVAÇÕES PRÓXIMAS A EDIFICAÇÕES As escavações provocam uma movimentação do solo junto a elas, em razão da perda de material ou rebaixamento do lençol freático com o adensamento de solos saturados. Os efeitos nas vizinhanças dependem diretamente da estabilidade das fundações das mesmas e da sensibilidade aos recalques. O movimento do solo que resulta somente do processo construtivo depende da técnica empregada. O movimento causado por estas escavações podem causar danos as estruturas existentes na vizinhança e resultar danos as mesmas, quando isto ocorrer é importante acompanhar a evolução dos efeitos, através de um cuidadoso controle de recalques, fissuras, desaprumos, etç. Nos casos em que se faz necessário uma intervenção para garantir a segurança de construções afetadas, tem que se 35 avaliarem os efeitos das ações reparadoras propostas para se evitar danos ainda maiores. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) 2.6.6. ROMPIMENTO DE CANALIZAÇÕES ENTERRADAS Problemas de rompimento de canalizações enterradas podem conduzir a complicações para a obra, pode causar o carregamento de solo, originando vazios e o solapamento das fundações existentes. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) 2.6.6. AÇÃO DOS ANIMAIS Existem situações em que ocorre a ação de animais, como: formigas, cupins e tatus, que causam o aparecimento de consideráveis vazios abaixo das fundações, o que provoca sua movimentação sob carga. (modificado – MILITITSKY, 2005), (modificado – CONSOLI, 2005), (modificado – SCHNAID, 2005) 2.6.7. VIBRAÇÕES E CHOQUES A cravação de estacas por esforços dinâmicos ou o uso de equipamentos de vibração, muitas das vezes afetam os elementos das fundações já implantados. A ocorrência de recalques significativos de fundações devido à cravação de estacas, não é muito comum, contudo quando essas vibrações acontecem em solos não coesivos ela é rapidamente atenuada, já quando é em solos coesivos, essas cravações propagam-se a grandes distâncias. Alguns autores recomendam que sejam tomadas algumas medidas para auxiliar na cravação de estacas, como: • Usar estacas com menor área de seção transversal possível; • Executar um pré-furo; • Usar pequenas alturas para a queda do martelo; • Usar energia de impacto muito alta somente em solos coesivos. 36 2.7. DANOS ARQUITETÔNICOS, FUNCIONAIS E ESTRUTURAIS Os danos em uma edificação podem ser definidos como qualquer manifestação que possa ocasionar transtornos no uso do imóvel mesmo este sendo apenas estético os tipo de danos são divididos em três categorias. Arquitetônicos, são aqueles que comprometem somente a estética da edificação, como por exemplo, trincas em paredes, rompimento de esquadrias, painéis de vidro, mármores, etc. Sendo o reforço neste caso optativo. Os Funcionais são aqueles que causam o mau funcionamento das instalações prediais como, por exemplo, rompimento de tubulações hidráulicas e sanitárias, desgaste excessivo dos trilhos-guias dos elevadores, a partir de certo ponto é necessário o reforço uma vez que podem gerar transtornos no uso da edificação. E os estruturais quê são aqueles que causam danos a estrutura propriamente dita, pilares, vigas e Lajes. Nesta situação o reforço e sempre recomendado, pois a ausência dele pode gerar o colapso da estrutura. 3.0 EXECUÇÃO E RECUPERAÇÃO DE FUNDAÇÕES 3.1 PROJETO E EXECUÇÃO DE FUNDAÇÕES Para se elaborar um bom projeto de fundação deve-se realizar algumas etapas preliminares, que são: investigação do subsolo, levantamento de cargas, topografia, vizinhos, concepção do projeto, detalhamento do projeto e por fim o acompanhamento dos serviços. Na fase de detalhamento do projeto, elaboram-se as plantas para execução, especificações e método executivo, acompanhar os serviços é de extrema importância para se verificar a boa execução dos mesmos, levantar a quantidade de cargas que as fundações irão suportar e essencial, os demais itens que citamos neste parágrafo já foram comentados anteriormente neste trabalho. Neste parágrafo podemos ter uma idéia de quanto cada fase é importante para o bom andamento do projeto e da obra, devendo ser obedecido todos os processos citados acima. 3.2. REFORÇO DE FUNDAÇÕES 3.2.1 Conceito de reforço de fundação Reforço da fundação é uma intervenção no sistema estrutural da edificação original visando aumentar a segurança da fundação original. Ela se torna necessária em virtude do mau desempenho ou do aumento do carregamento por mudanças do 37 tipo de uso da edificação, tornando as fundações existentes ineficientes. É bom salientar que a ausência de investigações geotécnicas ou a má interpretação dos resultados da investigação também são causas para o mau desempenho das fundações. 3.2.2 Tipos de solução Quando se fala de reforço de fundação existem dezenas de tipos de soluções que são usadas de acordo com características especiais de cada caso como, por exemplo: tipo de fundação existente, nível de água, tipo de solo, espaço físico e etc. que devem ser analisadas muito minuciosamente até chegar à solução ideal. Gotlieb 1998 relaciona alguns tipos de soluções em reforço de fundações: a) Reparo ou reforço dos materiais Trata-se de um problema tipicamente estrutural, não associado à transferência de carga para o solo. Estes seriam os casos de, por exemplo, agressão ao concreto corrosão das armaduras quem compõem sapatas, estacas, tubulões, blocos de coroamento e etc. b) Enrijecimento da estrutura Ocorre quando é necessário a diminuição dos recalques diferenciais, este enrijecimento poderia ser alcançado através de implantações de vigas de rigidez interligando as fundações ou a inclusão de peças estruturais capazes de gerar o travamento da estrutura. c) Aumento da área de apoio Estes reforços são muito usados quando ocorre aumento das cargas originais da estrutura e constitui-se na ampliação da seção da sapata ou do tubulão caracterizado pelo chumbamento de ferragens na peça existente, apicoamento de suas superfícies e o uso de resinas colantes e traços especiais para dar aderência do concreto novo com o velho. d) Estacas prensadas Constitui-se na instalação de segmentos de estacas que podem ser de perfis metálicos ou de concreto que variam e 0,5 a 1,00 metro cravadas com auxilio de macaco hidráulico reagindo com um dispositivo de reação que na maioria das vezes se trata da própria estrutura existente. Este tipo de reforço Será mais bem detalhado posteriormente e) Estacas injetadas 38 Estas estacas são executadas por perfuração com circulação de água e os equipamentos para execução deste tipo de estaca caracterizam-se por suas pequenas dimensões, permitindo o acesso a locais com limitações de altura. E tem vantagens de não causar vibrações porem injeção e circulação de água podem gerar instabilidade nas fundações f) Estacas Convencionais Este tipo de estaca só pode ser usada em casos onde haja altura suficiente para a instalação de um bate estacas, é possível considerar-se o emprego de estacas metálicas por perfis soldados, laminados, trilhos ou tubos de parede grossa. É bom lembrar que este tipo de estaca gera muita vibração o que poderia prejudicar ainda mais a instabilidade das fundações já doentias. g) Sapatas, Tubulões, e Estacas adicionais Consiste da instalação de mais apoios, por meio do acréscimo de sapatas, tubulões ou estacas de tal forma a reduzir o carregamento nas fundações originais. 3.2.3. Condições para escolha do tipo de reforço Existem inúmeras variantes para a escolha do tipo de reforço a ser executado elas estão dividas em quatro categorias. Técnicas, econômicas, exeqüibilidade e segurança, as técnicas dependem das características basicamente da edificação e do solo, por exemplo, e engenheiro responsável deve verificar se a estrutura da edificação está apta a receber os novos apoios ou se precisa de um enrijecimento na estrutura como também calcular a novas cargas quem vão passar a atuar em cima das novas fundações evitando o risco de sobrecargas. A econômica diz respeito aos custos envolvidos e se o proprietário tem condições de arcar com os mesmos. Na condicionante de exeqüibilidade são levados em consideração métodos construtivos como, por exemplo, o acesso de equipamentos, muita vezes um projeto de reforço pode se tornar inviável, pois não é possível o acesso das maquinas ao local desejado. E a condicionante Segurança que diz respeito ao acesso do pessoal com segurança ao local de trabalho, devem ser verificados se o local não gera nenhum risco a integridade dos trabalhadores e o uso de equipamentos de proteção coletiva e individual. 39 3.2.4. RECUPERAÇÃO DE NÍVEL E PRUMO Como foi comentado anteriormente a distorção angular pode causar alguns desconfortos aos ocupantes do imóvel, dentre esses desconfortos estão o desnível e desaprumo, que na maioria dos casos, o cliente quer que sejam regularizados voltando o mais próximo do normal possível. Contudo este procedimento de recuperação exige alguns critérios de segurança, pois tem que se monitorar com muito cuidado as movimentações do conjunto estrutural e se calcular a redistribuição de cargas em vigas e nos pilares, tendo em vista que esses elementos estruturais da edificação devem suportar esse novo deslocamento de forma eficaz. 4.0. O CASO DE REFORÇO DAS FUNDAÇÕES DE UMA RESIDÊNCIA 4.1. Introdução Neste capítulo, trataremos com maior detalhe do caso da patologia da fundação de uma residência que sofreu uma inclinação bastante considerada e por este motivo passou por uma recuperação na qual optou se pela utilização de estacas mega. No estudo do caso explanaremos os motivos que levaram a escolha do tipo de reforço, método executivo dos serviços, características do terreno, custos do reforço, elaboração do projeto de reforço e etç... 4.2. Características da edificação A estrutura a casa é composta de 2 (dois) pavimentos em concreto armado, laje convencional maciça e forro em madeira, as vedações são feitas de alvenaria em blocos cerâmicos e a cobertura em telhas cerâmicas com telhas cerâmicas e estrutura de madeira. As fundações foram executadas em alicerce corrido nas dimensões 0,30x0,30x0,30 metros e blocos e concreto ciclópico de 0,50x0,50x0,50 metros em baixo de cada pilar. Essas informações foram obtidas através de escavações e inspeções na edificação 4.3. Características do terreno A edificação esta localizada na Rua Diogo Moia entre Rua Dom Romualdo de Seixas e av. Almirante Wandenkolk, no bairro do Umarizal, região metropolitana de Belém. O terreno mede 11,70 x 25,00m que da um total de 292,5m 2 e tem área 40 construída de 10,45 x 20,84m totalizando uma área de 217,78m 2, contudo a construção possui dois pavimentos o que totaliza 435,56m 2. Para podermos definir um projeto de fundação e retro-analisarmos a existente, era necessário realizarmos um estudo do subsolo, como visto anteriormente, por este motivo foi realizado uma prospecção geotécnica do tipo SPT, no dia 01/03/2007, e outra nos dia 02/03/2007. Após esta investigação obtevese dois laudos de sondagem, um do início da casa e outro do final da casa (figuras 4.0 e 4.1) respectivamente, com os laudos podemos observar claramente, que ambos apresentam nível d`água muito próximo da superfície do terreno. Figura 4.0 Perfil do solo parte frontal da casa Fonte: WS Geotécnia (2007) 41 Figura 4.1 Perfil do solo fundos da casa Fonte: WS Geotécnia (2007) 4.4. Histórico da edificação A edificação em questão é antiga e já apresentava este problema de recalque antes de ser vendida, contudo seu antigo proprietário, o “camuflou” nivelando o solo da residência e as esquadrias, mas o problema não foi solucionado, pois se tomou apenas medidas estéticas para que a mesma fosse vendida sem que se desvalorizasse, obrigando a nova proprietária a arcar com os custos da execução dos serviços, uma vez que a casa encontra-se alugada, e ela não podia perder o 42 valor do aluguel. Por este motivo os serviços foram executados com os inquilinos dentro do imóvel. 4.5. Análise do Problema 4.5.1. Revisão do projeto A análise inicial foi em busca de informações como projetos arquitetônicos estruturais e de fundações que ajudassem na analise das causas da patologia. Através das dimensões atuais da casa foi elaborado um novo projeto de cargas que irão atuar sobre as novas fundações. Com o auxilio de prumos Foi constatado dois níveis de inclinação na casa o primeiro de 1,51% considerado de grau moderado e o segundo de 0,51% considerado de muita pequena gravidade, segundo Apud Laefer (2001) Figura 4.2 Corte transversal com inclinação indicada 43 Figura 4.3 Concentração de trincas Figura 4.4 Trincas 44 Figura 4.5 Verificação do grau de inclinação feita com prumo 4.5.2. Retro-análise das fundações As escavações e investigações no subsolo da casa mostraram que a antiga fundação da residência foi executada em alicerce corrido nas dimensões de 0,3m x 0,3m e blocos de concreto ciclópico com dimensões de 0,5m x 0,5m x 0,5m abaixo dos pilares. Como não existe metodologia para o calculo deste tipo de fundação devido sua simplicidade, ficando a cargo da experiência do projetista todo seu dimensionamento, detalhamos a capacidade de suporte do solo onde foi assentada a fundação. Carga estimada da residência = 2,35 Tf/m Área de suporte (Alicerce) = 0,3 m2/m Tensão gerada pelo alicerce= 2,35Tf / 0,3 m2 = 7,83 Tf/m2 Tensão Admissível do solo = 8Tf/m2 Coeficiente de segurança da fundação = 8/7, 83= 1,02 45 Como visto o coeficiente de segurança está muito próximo de 1(um) o que não garante a segurança da estrutura e logo abaixo desta camada existe uma camada de argila orgânica que em decorrência do peso extra, pode ter sofrido adensamento ocasionando em recalques diferenciais na casa. 4.6. REFORÇO DAS FUNDAÇÕES 4.6.1 Elaboração do projeto de reforço Para garantir a boa eficiência das novas fundações seria necessário atravessar a camada de argila mole, entretanto, equipamentos necessários para executar fundações profundas são grandes e difíceis de transportar não sendo possível sua utilização, optou-se então pelo método de estaca mega. O dimensionamento da estaca foi realizado pelos métodos de Aoki-Velloso e Décourt-Quaresma os quais mostram que a 7 (sete) metros de profundidade as estacas atingiriam a capacidade de suporte necessário. Método de Aoki-Velloso PU=PL+PB PU=Capacidade de carga última PL=Capacidade de carga lateral PB=Capacidade de carga de ponta PB= (K x NB x AB) / F1 K=Coeficiente de correlação com resultado do cone NB=Valor de Nspt da base (ponta) da estaca AB=Área da base (ponta) da estaca F1=Coeficiente de correlação de resistência de ponta PL=∑(α x KH x NM x P x ΔL) / F2 α=Razão de atrito na camada h KH=Coeficiente de correlação com resultados do cone na camada h NM=Valor de Nspt médio na camada h P=Perímetro da estaca 46 ΔL=Comprimento da estaca na camada h F2=Coeficiente de correlação de resistência lateral Tabela 4.0 TIPO DE SOLO Areia Areia Siltosa Areia silto Argilosa Areia Argilosa Areia argílo siltosa Silte Silte arenoso silte areno siltoso Silte argiloso Silte Argilo Arenoso Argila Argila arenosa Argila areno Siltosa Argila siltosa Argila silto arenosa K 100 80 70 80 50 40 55 45 23 25 20 35 30 22 33 α 0,014 0,02 0,024 0,03 0,028 0,03 0,022 0,028 0,04 0,03 0,06 0,024 0,028 0,04 0,03 Valores de K e α propostos por Aoki-Velloso Tabela 4.1 TIPO DE ESTACA Franki Pré-moldada Metálica Escavadas F1 2,5 1,75 1,75 3,3 F2 5 3,5 3,5 7 Valores de F1 e F2 Dimensionamento de estacas com 7 metros: PL= (0,02 x 80 x 3 x 0,8 x 2,7) / 3,5 = 2,97 TF PB= (80 x 6 x 0,04) / 1,75 = 10,97 TF PU= 2,97 + 10,97 = 13,94TF Método de Décourt-Quaresma PU=PL+PB PU=Capacidade de carga última PL=Capacidade de carga lateral 47 PB=Capacidade de carga de ponta PB= C x NB x AB C= Coeficiente de correlação de ponta NB= Valor de Nspt de base (ponta) da estaca AB=Área da base (ponta) da estaca PL= (NL/3 +1) x AL AL= Área lateral da estaca em contato com a camada NL=Valor médio de Nspt ao longo do fuste Tabela 4.2 TIPO DE SOLO Argila Silte argiloso Silte arenoso Areia k 12 20 25 40 Coeficiente k de Décourt-Quaresma Dimensionamento de estacas com 7 metros: PB= 40 x 6 x 0,04 = 9,6 TF PL= 3/3+1 x 2,16 = 4,32 TF PU= 9,6 + 4,32 = 13,92 TF Tabela 4.3 Carga de Ponta Atrito Lateral Total Décourt- Quaresma 9,6 TF 4,32 TF 13, 92 TF Aoki-Veloso 10,97 TF 2,97 TF 13,94 TF Comparativa Entre métodos 4.6.2. Estaca mega, Conceito e método executivo Como já foi definida a estaca prensada ou estaca mega é um tipo de fundação que se caracteriza por ser usada apenas em reforços estruturais e é cravada estaticamente com isso se tem a ausência de vibrações durante a cravação, reduzindo os riscos de uma eventual instabilidade que por ventura venha a ocorrer, 48 devido à precariedade das fundações existentes. A seguir segue o procedimento executivo segundo ABEF: a) Escavação: A primeira etapa é a escavação de uma vala com dimensões míninas de 1,00m x 1,50m e profundidade que possibilite a livre movimentação da equipe e equipamentos, após a escavação deve-se providenciar o esgotamento da água caso seja necessário. Em alguns casos pode ser necessário o escoramento das paredes do buraco para que não haja risco de desmoronamento. b) Transporte de materiais: Após a escavação concluída segue-se a segunda etapa a transporte de componentes e materiais que deve seguir um plano de trabalho para permitir o acesso seguro dos materiais equipamentos c) Cravação a reação: Na terceira etapa já com a estaca posicionada deve-se acoplar as unidades hidráulicas colocando os calços sob a estrutura de reação e sobre a cabeça da estaca, inicia-se o carregamento interpondo calços à medida que se processa a cravação, deve-se continuar inserindo segmentos até a profundidade de projeto. É importante salientar que a continuidade das estacas deve ser garantida por meio de solda, rosca ou parafusada dependendo do tipo de estaca utilizada. Figura 4.6 Cravação à reação Fonte: Manual de especificações da Abef d) Preparo do cabeçote e cunhagem: Após a cravação deve ser colocado sobre a estaca um cabeçote de concreto armado de dimensões 25mx45cmx30cm, permitindo a colocação de macaco, calços e cunhas. Após a colocação das cunhas 49 necessárias, sob pressão, por meio de batidas, retira-se o macaco de cunhamento. Caso necessário deve-se colocar uma chapa metálica entre a estaca e o cabeçote. e) Concretagem: Após a retirada do macaco deve-se executar forma, deixando espaço para a introdução do concreto, preencher integralmente com concreto o volume do miolo remanescente distribuindo-o e socando-o manualmente com uma barra fina. Após o inicio da cura deve-se retirar a forma. Figura 4.7 Colocação de cabeçote e concretagem Fonte: Manual de especificações da Abef f) Reaterro: O reaterro deve ser feito com mistura de solo-cimento de 5% a 10% 50 Figura 4.8 Reaterro com Solo cimento Fonte: Manual de especificações da Abef 4.3.3. Execução dos serviços: A execução das estacas Mega ficou sob responsabilidade da WS Geotecnia, os procedimentos e recomendações obedeceram às recomendações da Abef com algumas alterações para ganhar velocidade na execução dos serviços às obras foram finalizadas em outubro de 2007. A seguir mostramos algumas das etapas de execução do reforço de fundações. 51 Figura 4.9 Estaca Mega Figura 4.10 Esgotamento da água 52 Figura 4.11 Posicionamento da estaca Figura 4.12 Cravação à reação 53 Figura 4.13 Execução de blocos sobre estaca Figura 4.14 Verificação de Nível 54 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho deixou bastante claro, que para se desenvolver um projeto de fundações, é necessário e extremamente importante que um profissional habilitado, com o domínio da técnica, experiência e pode-se dizer até audácia, tome frente deste, para que o mesmo não tenha nenhum tipo de problema, pois se sabe que para se obter um bom desempenho de uma fundação tem que se atentar para uma serie de fatores como: investigação do subsolo, utilização do imóvel, forma de como foi feita sua execução dentre outros que influenciam diretamente as fundações como um todo. Contudo se existirem falhas de qualquer que sejam as origens, podemos ter absoluta certeza de que os métodos que dispomos para a execução de reforço das fundações estão cada vez mais modernos e ao alcance de boa parte da população. Quanto ao caso do reforço executado na residência de que o trabalho trata, podemos concluir de forma sucinta, que: o método de reforço utilizado, que foi a estaca mega foi escolhido porque era o mais apropriado para o caso, sua execução foi acompanhada de forma bastante atenciosa por parte dos profissionais envolvidos em seu projeto, sua execução também foi feita de forma correta, contudo poderia ter sido feito um acompanhamento de desnível pós-execução da obra com equipamentos mais precisos, mas este fato não teve nenhuma influencia negativa na sua execução e nem neste trabalho, já que foram feitas visitas depois do reforço executado. Existiu também a preocupação de um acompanhamento das trincas antes apresentadas, no sentido de saber se ainda avia avanço das mesma, este avanço não foi constatado. 55 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABEF - Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e geotecnia. Manual de especificações de produtos e procedimentos, 3. Ed. São Paulo: PINI, 2004 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6122: Projeto e Execução de Fundações, Rio de Janeiro, 1996. ________. NBR 6484: Solo: Sondagens de simples reconhecimento com SPT: método de ensaio. Rio de janeiro, 1996 ________. NBR 6118: Projeto de Estruturas de Concreto. Rio de Janeiro, 2003 ALONSO, Urbano Rodrigues. Exercício de Fundação, São Paulo, Edgard Bluncher, 1991 ________. Fundações Profundas, São Paulo, Edgard Bluncher, 1998. ________. Previsão e Controle de Fundações, São Paulo, Edgard Bluncher, 2003 ANDRADE, Alyson Rodrigues; SANTOS, Fabiano Ventura; ZIMMERMANN, Cláudio C. 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