CÂMARA DOS DEPUTADOS DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COM REDAÇÃO FINAL COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA EVENTO: Audiência Pública N°: 0626/02 DATA: 18/06/02 INÍCIO: 14h57min TÉRMINO: 17h28min DURAÇÃO: 02h31min TEMPO DE GRAVAÇÃO: 02h37min PÁGINAS: 60 QUARTOS: 32 REVISÃO: Antonio Morgado, Lia, Madalena, Monica SUPERVISÃO: Ana Maria, Graça, Yoko CONCATENAÇÃO: Márcia DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO PAULO TONET CAMARGO – Diretor da RBS ROBERTO DIAS LIMA FRANCO – Vice-Presidente Corporativo da Rede Record de Televisão; WASHINGTON MELLO – Diretor-Geral da TV Bandeirantes de Brasília; ROBERTO WAGNER MONTEIRO – Presidente da ABRATEL — Associação Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações, e Diretor Nacional Corporativo da Rede Record de Televisão de Brasília; FLÁVIO MARTINEZ – Diretor-Presidente da CNT — Central Nacional de Televisão; EVANDRO GUIMARÃES – Vice-Presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo; CLÁUDIO SANTOS – Diretor Institucional da ABTA — Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura; MARCELO PETRELLI – Diretor-Superintendente da TV O Estado de Florianópolis; DANIEL KOSLOWSKY HERZ – Diretor de Relações Institucionais da Federação Nacional dos Jornalistas — FENAJ; PAULO MACHADO NETO – Presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão — ABERT. SUMÁRIO: Apreciação do Projeto de Lei nº 256, de 1991, que dispõe sobre regionalização da programação artística, cultural e jornalística das emissoras de rádio e TV. OBSERVAÇÕES CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 O SR. PRESIDENTE (Deputado Narcio Rodrigues) – Declaro aberta a presente reunião de audiência pública na qual será discutido o Projeto de Lei nº 256, de 1991, que dispõe sobre regionalização da programação artística, cultural e jornalística das emissoras de rádio e TV. O referido projeto é de autoria da Deputada Jandira Feghali e vem sendo relatado na Comissão de Ciência e Tecnologia pelo Deputado Marcelo Barbieri, autor do requerimento que resultou na realização desta audiência pública. Para a realização desta audiência pública foram convidados os Srs. Roberto Franco, Vice-Presidente Corporativo da Rede Record; Antonio Telles, VicePresidente-Executivo da Rede Bandeirantes; Roberto Wagner Monteiro, Presidente da ABRATEL; Washington Mello, Diretor-Geral da TV Bandeirantes de Brasília; Flávio Martinez, Diretor-Presidente da Central Nacional de Televisão; Flávio Cavalcanti Jr., Diretor-Regional do SBT; Jorge da Cunha Lima, Diretor-Presidente da TV Cultura de São Paulo; Evandro Guimarães, Vice-Presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo; Fernando Barbosa Lima, Diretor-Presidente da TV Educativa; José Augusto Moreira, Presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura; Álvaro Teixeira da Costa, Diretor-Superintendente da TV Alterosa, de Belo Horizonte e professor da Universidade de Brasília; Sr. Marcelo Corrêa Petrelli, Diretor-Superintendente da TV O Estado Florianópolis; Teodoro Marischen, Diretor-Presidente da TV Matão; Paulo Camargo, Representante de Assuntos Institucionais da Rede RBS; Alberto Dines, jornalista, Presidente do Observatório da Imprensa; Paulo Machado Neto, Presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão; Francisco Milani, ator, diretor e membro da Diretoria do Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro; Geraldo Carneiro, poeta e escritor; Gustavo Dahl, Presidente da Agência Brasileira de 1 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Cinema — ANCINE; e a Sra. Elisabeth Vilela da Costa, Presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas. Justificaram suas ausências os Srs. Jorge da Cunha Lima, Fernando Barbosa Lima, Álvaro Teixeira da Costa, Flávio Cavalcanti Jr., Antonio Telles, Teodoro Marishen e Gustavo Dahl. A Sra. Elisabeth Vilela da Costa indicou o Sr. Daniel Koslowsky Herz, Diretor de Relações Internacionais da FENAJ; e o Sr. José Augusto Moreira, Presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura, indicou o Sr. Cláudio Santos, Diretor da ABTA. Convido o Deputado Marcelo Barbieri, autor do requerimento, para tomar assento à mesa. Quero dizer ao Plenário que desde que o Deputado Marcelo Barbieri sugeriu a inclusão do tema na pauta da Comissão de Ciência e Tecnologia, esta Presidência o encampou por ver na iniciativa proposta pela Deputada Jandira Feghali a oportunidade de debate e, sobretudo, a discussão da importância da regionalização da comunicação no fortalecimento da cultura nacional e também na expansão das oportunidades de emprego em todo o País. Portanto, esta audiência pública também marca a instalação oficial da Subcomissão de Comunicação de Massa, da Comissão de Ciência e Tecnologia, presidida pelo Deputado Marçal Filho e tem como Relator o Deputado Bispo Wanderval. S.Exas. terão a tarefa, daqui até o fim do ano, além do tema regionalização da comunicação social, de discutir itens, tais como: Lei de Imprensa e direito de resposta; modificações na Lei nº 4.117, de 1962, que está em consulta pública pelo Executivo e se refere exatamente às mudanças na propriedade de empresas de radiodifusão; tecnologia digital; televisão por assinatura; além de outros 2 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 temas que serão abordados nesta Subcomissão, com prioridade para este projeto que será relatado pelo Deputado Marcelo Barbieri. Ao iniciar a audiência pública, convido o Sr. Paulo Camargo, Representante de Assuntos Institucionais da Rede RBS, para fazer sua exposição pelo prazo de dez minutos. Somente ao final da exposição é que abriremos oportunidade para os comentários do Relator do projeto e autor do requerimento, e também para que o Plenário possa fazer seus questionamentos. Para tanto, vamos abrir inscrição ao Plenário para participar conosco. Com a palavra, para discutir o Projeto de Lei nº 256, de 1991, da Deputada Jandira Feghali, que dispõe sobre regionalização da programação artística cultural e jornalística das emissoras de rádio e TV, o Dr. Paulo Camargo. O SR. PAULO TONET CAMARGO – Sr. Presidente, Deputado Narcio Rodrigues, eminente Deputado Marcelo Barbieri, Relator, Sras. e Srs. Deputados, meus cumprimentos em especial à Deputada Jandira Feghali, autora do projeto que hoje gera esta audiência pública. Quero inicialmente falar sobre a RBS, que é regional e atua nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e talvez seja uma das empresas brasileiras que mais gera programação local e regional. Estive em idêntica audiência pública a esta, quando se discutia projeto no Senado da República, de autoria do Senador Antero Paes de Barros. Na oportunidade, o Senador Antero disse que o que lhe inspirou a apresentar esse projeto foi uma ida ao sul do País onde verificou a quantidade de programação local existente em nossas emissoras. 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Baseado nisso, temos hoje dezoito geradoras entre a Capital e o interior dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Acho importante dizer como conseguimos fazer com que pequenas regiões, pequenas cidades tivessem sua emissora de televisão e alguma espécie de programação local voltada para os interesses da comunidade. Para isso, temos que ir um pouquinho na gênese da radiodifusão brasileira. Diferentemente do que a maioria dos países da Europa, a radiodifusão no Brasil não surgiu estatal. A radiodifusão no Brasil é de origem privada. Se analisarmos as realidades dos principais países de Primeiro Mundo, todas as grandes emissoras começaram estatais, algumas hoje foram privatizadas. No Brasil é o contrário. O fenômeno da estatização em alguns meios de comunicação aconteceu quando do Estado Novo, com a encampação da Rádio Nacional, e depois com a criação do sistema de televisão educativa no final das décadas de 60 e 70. Então, a tradição brasileira de formação do setor de radiodifusão é eminentemente privada. Hoje, a realidade disso é que as concessões são onerosas e o acesso da população aos sinais de radiodifusão são livres, gratuitos e sem qualquer espécie de restrição. Como pode ser sustentado o modelo de radiodifusão que se estabeleceu no País da década de 30 até hoje? A pergunta seria: como vocês conseguiram ter dezoito emissoras de televisão gerando programação nas mais longínquas cidades do interior do Rio Grande do Sul e Santa Catarina? Em função de um modelo que seja economicamente viável. Não posso pretender dizer que a mesma quantidade de programação que acontece na nossa geradora em Porto Alegre possa ser gerada em Santa Rosa, ou 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 em Uruguaiana, ou em Ijuí. Por quê? Porque temos um mercado para o qual podemos vender, mercado esse que dá sustentabilidade ao negócio em Porto Alegre, e outro em Uruguaiana. Porque temos um mercado que pode suportar a programação regional, mas talvez não consiga suportar a programação local. E o fundamental é a programação nacional que nos alavanca, um delta de audiência dos telespectadores que permite colocar a televisão em lugares tão longínquos. Costumo dizer que se um projeto de lei estabelecesse percentual de programação local não teríamos saída senão a de transformar nossa emissora no interior em repetidora. Por quê? Porque não seria economicamente viável; porque não tenho como produzir 20%, 15%, 18% de programação local numa comunidade como Uruguaiana. Não há como. Talvez em Porto Alegre, Florianópolis; quem sabe a metade disso em Caxias e Santa Maria; mas em Santa Rosa, não. Não sei como é a realidade em Cruzeiro do Sul, Estado do Acre. Não sei como é a realidade no interior da Paraíba. O Brasil é um país cheio de disparidades. E quero falar apenas de algumas premissas. Primeiro, o modelo de radiodifusão brasileira é privado. Portanto, vamos partir desse pressuposto. É privado e a concessão é onerosa, paga-se pela concessão. Não há outro meio de custeio senão a comercialização dos espaços publicitários. Assim, ou temos uma regra que nos permita fazer com que a viabilidade de cada emissora de televisão seja a forma de se estabelecer a quantidade de programação, ou estaríamos, por determinação genérica no País, inviabilizando uma série de pequenas emissoras hoje existentes no interior, fruto de um modelo que aí está, um modelo único, específico ou, melhor dizendo, inespecífico, segundo suas características locais e regionais, o que poderia inviabilizar tudo o que conseguimos. 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Nós, da RBS, costumamos orgulhosamente dizer que conseguimos trabalhar em programação local com o jornalismo, com especiais, do ponto de vista até da teledramaturgia hoje, mas só foi possível editar um programa aos sábados à tarde, chamado Província de São Pedro, que conta a história do Rio Grande do Sul, porque temos um modelo que nos permitiu tornar viáveis essa rede de dezoito emissoras que hoje operam no interior e prestam serviços a essas localidades. Então, parece-me não ser factível, do ponto de vista econômico, a menos que renunciemos ao modelo de radiodifusão privada, que tem sido a tônica até hoje no Brasil, que se tenha outro meio de custeio, seja de recursos públicos, seja de alguma espécie de cobrança, e ter que assentar a viabilidade econômica das emissoras em cima do mercado ao qual se destina. E esse mercado não pode ficar preso a um percentual único para todo o Brasil, porque a realidade do País é diferente. Há dificuldade de estabelecimento de percentual, como eu disse na audiência pública no Senado. Eu gostaria de deixar essa mensagem aos senhores, de quem tem a experiência de ter levado uma emissora de televisão a pequenas comunidades do interior, que sabe o quanto custa, como é viável e como se pode inviabilizar pela obrigatoriedade de se formular uma programação local e regional fora dos parâmetros do mercado. Aliado a esse fato, gostaria ainda de dizer que, com todas essas dificuldades nos contratos de concessão, aos quais as emissoras são submetidas, existem regras que nos obrigam a prestar determinados serviços locais às comunidades em que atuamos. São cláusulas contratuais. E eu acredito que talvez esse possa ser o caminho para dar o diferencial de viabilidade de programação local de uma e de outra região do País, de uma e de outra cidade de determinado Estado. 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Era isso, Sr. Presidente. Muito obrigado, eminente Relator, Sras. e Srs. Deputados. O SR. PRESIDENTE (Deputado Narcio Rodrigues) – Agradecemos ao Dr. Paulo Camargo, Diretor da RBS, a participação. Convidamos o Sr. Roberto Franco, Vice-Presidente Corporativo da Rede Record de Televisão, a tomar assento à mesa e fazer sua exposição. S.Sa. disporá de dez minutos. O SR. ROBERTO DIAS LIMA FRANCO – Boa tarde, Sr. Presidente, Deputado Narcio Rodrigues, Sr. Relator, Deputado Marcelo Barbieri, demais Parlamentares, não tenho muito a acrescentar ao que o Dr. Paulo acabou de falar, mas apenas reforçar algumas preocupações com o projeto de lei. Acredito que a iniciativa seja meritória. É muito interessante discutir a programação regional e a preservação cultural regional do País. Por outro lado, gostaria de dizer que não acredito que, através de lei que obrigue percentuais fixos para um país tão díspar, se consiga resolver o problema da produção cultural regional. Ainda mais, alerto para o fato de que quando a Constituição brasileira foi promulgada, em 1988, o panorama brasileiro era bastante diferente do atual e o da concorrência do setor também bastante diferenciado do atual. Não existia, à época, cobertura via satélite, que hoje tem no País, com algo em torno de 10 milhões de parabólicas nem tampouco concorrência com outros meios como o DPH, TV a cabo e MDS. A qualidade de programação dos centros de produção nacional cresceu absurdamente e mantém o Brasil numa posição semelhante a dos países de Primeiro Mundo. Temos uma das melhores televisões formada por talentos de todo o 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 País, ou seja, os grandes centros de produção de televisão no Brasil concentram talentos que vieram de todas as regiões. Então, alguma lei que obrigue a produção de 30%, percentual único para todo o País, além do problema socioeconômico de viabilizar investimentos necessários para outra produção, dependeria de recursos humanos e materiais hoje escassos até para a distribuição dessa produção nas regiões, imaginando que nelas há mais de um produtor, mais de uma emissora de televisão e que não dispomos de recursos suficientes para fazer essa distribuição. Outra questão é que a fonte financiadora das emissoras privadas é a receita publicitária que no Brasil está estacionada em menos de 1% do PIB há mais de dez anos, resultando no investimento publicitário em torno de 6,5 bilhões de dólares/ano, comparado com os Estados Unidos, algo mais do que dez vezes superior a isso. Hoje os desafios são: como produzir uma programação regional que possa substituir a qualidade da produção nacional e ao mesmo tempo competir com a programação estrangeira. Ou seja: com o fenômeno da globalização é muito meritório continuar defendendo a programação nacional e permitir que seja competitiva com a estrangeira que hoje chega a estar disponível, através de diversos meios e até das TVs abertas, quando se fala em produção de conteúdos culturais, teledramaturgia e filmes. Vejo que é realmente interessante discutir e aprofundar o assunto. Temos que entender as diferenças socioeconômicas de cada região do País e, ao mesmo tempo, acreditar ser interessante também discutir o fomento e o incentivo da produção regional não só da TV aberta, mas a produção de eventos culturais regionais e sua recuperação, a fim de que possam servir de matéria-prima para as 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 emissoras regionais que, muitas vezes, carecem de matéria-prima, que é o evento cultural, para que possa cumprir o proposto na lei. Ainda cito casos, por exemplo, como o Festival de Parintins: trata-se de evento regional ou atualmente é considerado internacional? Quando existe um evento realmente de grande valor cultural, deixa de ser regional e passa a ser nacional, ou até mesmo internacional, como é hoje Parintins. Ninguém discute mais se é evento regional ou internacional, com interesse de várias emissoras e de cadeias internacionais quando de sua cobertura. Acredito que esse assunto deve ser realmente aprofundado, que a lei por si só não é suficiente para garantir o desenvolvimento da cultura e da produção cultural regional, ao mesmo tempo em que reforço as palavras do Dr. Paulo na preocupação com a disparidade existente entre as diversas regiões e localidades. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Narcio Rodrigues) – Agradecemos ao Dr. Roberto Franco, Vice-Presidente Corporativo da Rede Record, a participação. Convidamos o jornalista Washington Mello, Diretor-Geral da TV Bandeirantes de Brasília, para fazer uso da palavra. Quero saudar a nossa amizade, pois ele é um grande mineiro. O SR. WASHINGTON MELLO – Exmo. Presidente, Narcio Rodrigues, Exmo. Relator, Deputado Marcelo Barbieri, Exma. Deputada Jandira Feghali, autora do projeto, quero defender um comportamento da Câmara dos Deputados no conjunto, mas especialmente desta Comissão. Considerando a relevância de temas como o deste projeto e outros em andamento nesta Casa, ressaltando o de autoria do Senador Antero de Barros que se aproxima um pouco do da Deputada Jandira Feghali, e em face de estarmos 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 vivendo nova realidade no Congresso Nacional, com a instituição do Conselho de Comunicação Social, quero dizer que a Comissão, especificamente seu Relator, deve analisar a possibilidade de termos uma decisão nesta Casa no sentido de estimular, de agora em diante, a que projetos referentes à temática comunicação social sejam discutidos, avaliados e analisados no plenário do Conselho de Comunicação Social. Faço esta sugestão no bojo desta discussão lembrando que o Conselho de Comunicação Social é antiga reivindicação, originária da categoria dos profissionais e trabalhadores da área de comunicação que culminou com a Assembléia Nacional Constituinte e se transformou num órgão assessor do Congresso Nacional, mas só veio a ser instalado, vamos dizer, institucionalizado, agora, com a recente indicação e nomeação de seus membros e futura posse dos 26 componentes do Conselho, entre suplentes e efetivos. Mas a razão de ser constitucional do Conselho e a proposta em andamento de regulamentação de seu funcionamento fazem com que se transforme no que poderíamos considerar a média da opinião de todos os envolvidos na área da comunicação, com a responsabilidade de analisar todas as propostas de modificação, aprimoramento e modernização. Considerando a relevância da proposta da Deputada Jandira Feghali, de regionalização da programação das emissoras, e, mais do que isso, que a proposta do Relator de realizar esta audiência pública ressalta ainda mais a relevância do tema, ao propor que representantes de todas as emissoras estivessem presentes, inclusive de entidades de classe, acredito que, efetivamente, estamos diante de tema que não só interessa diretamente ao Congresso Nacional, no caso específico à 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Câmara dos Deputados, mas a todo o Brasil e a todas as emissoras que trabalham na área da comunicação. Com a proposta de o Conselho de Comunicação Social ser acionado para dar início às suas discussões tratando de tema desse porte, até acredito que o Conselho teria uma injeção de ânimo, um grande estímulo, porque seria despertado para, já no início de sua existência, discutir exatamente a regionalização da programação. Acredito que, tendo participado do Conselho todos os setores envolvidos e que foram lembrados, haveria discussão profunda, tecnicamente relevante. Talvez essa composição, assessorando as Mesas da Câmara e do Senado, pudesse contribuir efetivamente para aprofundar e melhorar ainda mais o nível de discussão de projeto desse naipe aqui no Congresso. Abro um parêntese para ressaltar que a proposta de estimular o Conselho a discutir temas que envolvem a área de comunicação e defender que ele talvez tenha mais condições técnicas de discutir projeto dessa amplitude não desmerece ou não diminui em nada o trabalho que o Deputado Marcelo Barbieri vem fazendo nem atinge a intenção da Deputada Jandira Feghali com o projeto apresentado por S.Exa. A intenção é fazer com que um colegiado mais amplo, mais representativo dos setores envolvidos possa dar maior contribuição à Comissão e à Câmara. O segundo ponto que desejo comentar é a atuação das emissoras de rádio e televisão da área pública. Quando se trata de regionalização com o objetivo de resguardar, proteger, valorizar e até defender tradições, cultura, folclore, formação do povo brasileiro, os veículos de comunicação da área pública poderiam dar contribuição muito maior, atendendo talvez ao que está sendo proposto pelo projeto em exame. 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 O que temos visto, pelo menos no Brasil, é que os veículos de comunicação da área pública estão caminhando para disputar a fatia comercial com os veículos da área privada, quando nos países mais desenvolvidos vemos que há um esforço, uma insistência para que esses veículos públicos assumam, modelarmente, a iniciativa de tratar das tradições, divulgando e defendendo a cultura, a música regional, a formação da população, as identidades regionais. No Brasil, salvo exceções especiais, temos visto emissoras públicas disputarem no mercado comerciais com empresas privadas; procurarem patrocínio para programas de notícias; buscarem apoio comercial para a realização de projetos culturais, e por aí afora. Então, agradecendo a oportunidade de falar neste plenário, deixo para ser avaliada pela Comissão, especialmente pelo Relator, a sugestão de que o projeto seja submetido ao Conselho de Comunicação Social para que ele se posicione sobre a proposta e — não sei se caberia, mas pelo menos fica o registro — estude a possibilidade de ser recomendado às emissoras públicas que se esforcem mais na divulgação cultural regional deste País. Muito obrigado, Sr. Presidente e Sr. Relator. O SR. PRESIDENTE (Deputado Narcio Rodrigues) – Agradeço ao Diretor da TV Bandeirantes de Brasília, jornalista Washington Mello, a participação. Convidamos o próximo expositor, Sr. Roberto Wagner Monteiro, Presidente da ABRATEL — Associação Brasileira de Radiodifusão e Telecomunicações, que disporá de dez minutos. O SR. ROBERTO WAGNER MONTEIRO – Sr. Presidente, Sr. Relator, Ilma. Deputada Jandira Feghali, colegas da radiodifusão, represento aqui a ABRATEL, que congrega a Rede Record de Televisão, a CNT, a Rede TV! e a Rede Mulher, e 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 também o Conselho de Comunicação Social, do qual sou membro efetivo, onde represento as televisões. A Deputada Jandira Feghali apresentou em 1991 — portanto, há onze anos — projeto no qual já dizia que o Conselho de Comunicação Social trataria do cancelamento de concessões. Sr. Presidente, Sr. Relator, de fato, o caput do art. 221 da Constituição estabelece que a regionalização da produção cultural, artística e jornalística deve dar-se conforme percentuais estabelecidos em lei. A leitura desse dispositivo, no meu entendimento, remete às regiões macro do Brasil, que, segundo o IBGE, são cinco: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Então, é razoável imaginar que, em algum momento, haja um incentivo para que programas regionais sejam implantados nessas cinco grandes divisões territoriais. O dispositivo constitucional não é obrigatório, diz “atenderão”. No bem elaborado projeto da Deputada Jandira Feghali, pela leitura que fiz, a regionalização seria micro. Isto é, em qualquer Município do Brasil onde houvesse uma geradora, mesmo se tratar-se de micromunicípio, teria que se implementar o projeto de S.Exa., o que, no nosso entendimento, seria impraticável. Com isso, Sr. Presidente, Sr. Relator, inclusive obedecendo ao que está disposto no projeto da Ilma. Sra. Deputada, penso que devemos acatar o que diz a Constituição em seu art. 224: “Art. 224. Para os efeitos do disposto neste Capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei. “ 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Esse foi um projeto apresentado há onze anos, e o Conselho, instituído em 1988, seria instalado na próxima quinta-feira. Essa é a informação que me foi fornecida pelo Secretário-Geral do Senado, mas parece-me que não vai ocorrer. Enfim, o Conselho já foi criado, já foram escolhidos seus membros, a instalação, se não ocorrer nesta semana, certamente o será na próxima. De sorte que seria prudente aguardar. Aliás, seria até uma obediência constitucional, já que o Conselho foi criado para examinar tudo o que, nesta Casa e no Senado, disser respeito à comunicação social, ainda mais porque no projeto da ilustre Deputada já está inserida a observância do que o Conselho de Comunicação Social certamente definirá. Isto posto, Sr. Presidente, Sr. Relator, a ABRATEL também solicita estudos desta Comissão, no sentido de observar a forma jurídica e regimental, e sobrestar o andamento desse projeto e remetê-lo a estudos do Conselho de Comunicação Social. Penso que isso seria prudente, coerente com o mandamento constitucional, e também pela citação expressa do projeto da Deputada, que diz que o Conselho é quem teria a árdua tarefa de punir as emissoras de televisão que não obedecessem os preceitos do seu projeto. Então, esta é a proposta oficial da ABRATEL a esta Comissão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Narcio Rodrigues) – Agradecemos ao Dr. Roberto Wagner Monteiro, Presidente da ABRATEL, a participação. Convidamos o Dr. Flávio Martinez, Diretor-Presidente da Central Nacional de Televisão — CNT, para fazer sua exposição pelo prazo de dez minutos. O SR. FLÁVIO MARTINEZ – Sr. Presidente Narcio Rodrigues, Sr. Relator Marcelo Barbieri, Exma. Deputada Jandira Feghali, a CNT é uma das mais novas 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 redes abertas do País. Temos feito muita programação regional. Estabelecemos para as nossas geradoras a utilização freqüente de valores locais. Como nossos colegas da RBS e da Rede Record e o Presidente da ABRATEL disseram, as dificuldades regionais chocam-se com o problema econômico. Esse tem sido um fator importante no crescimento da regionalização da televisão brasileira. A partir do momento em que a televisão é criada pela iniciativa privada, como bem disse um dos palestrantes, as emissoras estatais, ao invés de virem no caminho da regionalização, têm ido no caminho da nacionalização. Acredito que haja isso bastante na comunicação, se chocando um pouco com essas idéias. Apesar de achar muito importante regionalizar a comunicação no País, é preciso salientar que é um desafio, porque choca determinar um percentual obrigatório com um problema econômico que existe em determinadas cidades. Hoje, as concessões, as licitações públicas já são feitas em cidades menores, atendendo a regiões menores. No País, quase todas as emissoras de rádio e televisão têm pelo menos o seu jornalismo local. Seria interessante que houvesse mais oportunidade, mais espaço para os talentos jornalísticos e também culturais. Ainda vai ser empossado o Conselho de Comunicação Social e, como disse o Presidente da ABRATEL há pouco, também acho que esse assunto precisaria ser abordado pelo Conselho para que se pudesse aprofundar um pouco mais no assunto. Se quisermos fazer uma coisa justa para a comunicação, precisaríamos debater um pouco mais, a fim de que possamos realmente usufruir de toda essa gama de talentos existente no Brasil afora, tanto em jornalismo como em entretenimento. 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 A CNT, durante o seu tempo de vida, apresentou alguns novos talentos ao Brasil, que tiveram a oportunidade de aparecer e estão hoje no ar. No Brasil, há uma quantidade de pessoas que podem e devem ser aproveitadas pelos veículos de comunicação, mas acho que é preciso tomar cuidado. Essa proposta não deve ser apresentada com um percentual. Ela precisa ser bastante discutida, porque, se for imposta, não trará um conteúdo de verdade para a comunicação no Brasil. Ouvi os outros palestrantes e concordo com eles. O projeto é importante, precisa ser discutido, precisa ser olhado com bastante prudência para que não cause à comunicação um atraso, porque as emissoras têm vivido grandes dificuldades econômicas. No caso das empresas estatais, vejo o contrário: elas não têm ido no caminho da programação local. Elas têm aumentado a sua programação nacional, não sei por quê. Gostaria que essa proposta fosse levada ao Conselho de Comunicação Social. É um caminho novo, estabelecido pela Constituição, que isso seja discutido lá. O SR. PRESIDENTE (Deputado Narcio Rodrigues) – Agradeço ao Dr. Flávio Martinez a exposição. Gostaria de esclarecer ao Plenário, não contestando os nossos expositores, que o papel do Conselho de Comunicação Social, que está sendo instituído neste momento na Câmara dos Deputados, de forma alguma vai substituir o papel desta Casa. O Conselho de Comunicação, naturalmente, vai cumprir a legislação que for aqui estabelecida. É muito importante ficar claro que o Conselho não substituirá o legislador, até porque este é constituído pelo voto popular. Convido o Dr. Evandro Guimarães, Vice-Presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo, para fazer sua exposição, pelo prazo de dez minutos. 16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 O SR. EVANDRO GUIMARÃES – Sr. Presidente Narcio Rodrigues, Deputado Marcelo Barbieri, Deputada Jandira Feghali, Sras. e Srs. Deputados, é inevitável que, em minha rápida contribuição, repita alguns aspectos já levantados pelos companheiros que me precederam. Assim, quero ressaltar o fato de que regionalização é um princípio constitucional. A Deputada Jandira Feghali tem feito, com os demais membros da Comissão, um trabalho no sentido de regulamentar o texto da Constituição, que é imperativo. Gostaria de dar uma contribuição ao Relator e à autora do projeto lembrando que o que está na Constituição, como já foi dito aqui, é um processo de definição de percentuais para as Regiões Norte, Sul, Sudeste etc. Quero ressaltar aspectos realmente importantes desse tema. O que se entende por regionalização? O que é o ato ou efeito de regionalizar? Buscando um pouco na literatura e nos dispositivos existentes, percebemos que regionalizar é dar caráter, aspecto ou feição; é tornar regional. Nesse sentido, cada uma das cinco regiões em que se divide o Brasil é subdivida em microrregiões, homogêneas ou não, com características, virtudes, e são alvo da legislação nesse sentido. A regionalização, que talvez seja um dos valores deste grande País continental e, conseqüentemente, bastante heterogêneo, reforça a necessidade da valorização das peculiaridades culturais, dos talentos e das especificidades das cinco regiões que compõem a Federação. Imaginemos que cada uma das regiões possa fornecer, individualmente, identidade à parte, sendo que essas identidades só podem ser compreendidas e concebidas como parte do conjunto, ou seja, como parte da nação. É aí que ganha um valor exponencial o entendimento e a importância de se estabelecer na 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Constituição percentuais que valorizem as regiões. Essa não é a única questão que os Srs. Deputados e Senadores discutem no que se refere ao desenvolvimento regional no Brasil. Também para o setor da mídia e da comunicação social, ele é de absoluta relevância. Quero abordar algumas questões que, provavelmente, sugeririam esforço efetivo, construtivo, cooperativo com os Srs. Deputados, que as entidades, as sociedades e outras áreas do País podem fornecer para verificarmos se essa lei da regionalização traria benefício e se seria praticável. Começo por uma coisa muito simples: a regionalização dependerá da facilidade de transporte de sinais — via satélite, comprimido ou aberto; banda “C”, analógico ou digital. Isso significa que, no Brasil, onde hoje estão consolidadas, sem contar as menores, pelo menos sete redes de televisão — a competição é uma realidade —, em cinco regiões, para que a regionalização de parte da programação se tornasse verdade, precisaríamos de pelo menos 35 transponders, uma facilidade estrutural que, infelizmente, neste momento, não temos. Quem sabe podemos examinar isso à luz da disponibilidade real do País? Quando falo dos transponders, quero dizer que, se uma programação sobe para todos os Estados que compõem o nosso querido Nordeste, isso tem que ter uma perna de subida, um uplink, e tem que ter descida, sistema de recepção e RDs nas respectivas emissoras e retransmissoras. Caso contrário, o grande número de retransmissoras e de recepções de banda “C” no Nordeste brasileiro continuarão a receber programação decodificada que vem da programação nacional ou mesmo internacional. Portanto, a regionalização depende de um sistema de transporte de sinais. 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Gostaria, certamente com o apoio do SBT e do Vice-Presidente da Rede Record, de oferecer aos Deputados, se for o caso, visitas a centros regionais de retransmissão de sinais, a fim de que fique mais clara a viabilidade real de se estabelecer regionalização com competição e com universalização. Creio que o projeto da Deputada Jandira Feghali precisaria avançar mais nesses aspectos. Acho importante repetir alguns conceitos. Por exemplo, o Brasil realmente é um país multifacetado. Temos um sistema absolutamente favorável à Nação, que permitiu a preservação da integração nacional, graças aos Correios, às Forças Armadas, aos projetos de integração nacional. Todo o Brasil recebe programação em português. Assiste-se ao jeito de ser gaúcho na Paraíba ou na Amazônia; conhece-se as dificuldades amazônicas em qualquer parte do Sudeste ou do Sul. Ou seja, de um ponto emissor a qualquer outro ponto receptor, o Brasil está na telinha. Não é privilégio da televisão; todas as atividades podem ser bastante melhoradas, mas mesmo com os defeitos que, todos sabemos, existem, às vésperas da implantação da ALCA, a contribuição da televisão brasileira aberta, gratuita — atualmente existem 23 sinais gratuitos no BRASILSAT — não foi ainda suficientemente valorizada. Tudo o que é nacional tem que ser absolutamente aplaudido; tudo o que ocupa a temática, a paisagem brasileira; tudo o que use o potencial artístico, técnico, literário brasileiro, enfim, tudo o que é produzido e emitido no Brasil, democraticamente. Inclusive, a obrigação que têm os meios de comunicação de segmentar sua comunicação nos horários gratuitos políticopartidários e eleitorais deve ser pensada como um grande ativo da sociedade brasileira. 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Eu diria que é necessário trabalhar, Deputada Jandira Feghali, Deputado Marcelo Barbieri, Deputado Narcio Rodrigues e outros, no sentido de segurarmos um santo sem derrubar o outro. É preciso segurar o santo da necessidade de algum tipo de movimento pró-regionalização sem derrubar o que consideramos a economia de escala necessária para que as empresas que produzem jornalismo nacional, eventos esportivos, eventos culturais e teledramaturgia não percam escala. No mundo, essa briga é de empresas grandes, e vamos confrontar-nos, daqui a pouco, com sistemas de satélites que mandam programação gerada do exterior, inclusive com o seu intervalo comercial; com sistemas de fibra ótica; e, em muito pouco tempo, com sistemas da convergência digital — sistemas que vão se popularizar, como a Internet, e sobre os quais não exerceremos nenhum tipo de controle. Gostaria de lembrar que, para qualquer esforço, estímulo, desenvolvimento ou estabelecimento de normas para a programação regional, deve-se levar em conta o fato de que pelo menos 40 milhões de habitantes no Brasil hoje assistem às programações nacionais via parabólicas. Eles estão 60% em território brasileiro geográfico, onde é inacessível a repetição, a retransmissão terrestre de televisão. Os aspectos geográficos e socioeconômicos poderiam identificar que somos um país de grandes florestas, montanhas e detentor de uma população heterogeneamente distribuída, embora muito concentrada nas classes C, D e E, que tem na televisão gratuita de qualidade um grande ativo para entretenimento, provavelmente um dos mais importantes ativos no lar do brasileiro. Falarei em seguida sobre o rádio, que não deve ser desprezado, tendo em vista o tipo de população e geografia que temos e também pelo fato de que todos 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 estão integrados quanto à geração de programas, noticiários, eventos culturais ou esportivos, gerados, freqüentemente, em português. O Brasil não é homogêneo, nós já sabemos disso. Só gostaria de dar alguns números. O que sustenta as operações das televisões e das rádios abertas é o investimento publicitário. O Sul tem 15% do investimento publicitário total; o Norte, que é aquela imensidão, tem 4%. Existem algumas televisões no Sudeste que são maiores do que todas as do Norte. O Nordeste, que tem quase 23% dos domicílios com TV, detém 12% do investimento publicitário total, concentrado em três grandes praças, que são: Salvador, Recife e Fortaleza. O Centro-Oeste, que é também um grande espaço com população rarefeita, tem apenas 8%. Aí, insisto: com essa participação de mercado, não há condições de unidades dessa região conseguirem sequer pagar o sistema de transporte do sinal via satélite — o sistema de transporte dos sinais via satélite da banda “C”, hoje, está acima do milhão de dólares anual. Então, essa diversidade, que acredito ser um dever de todos nós apresentar a V.Exas., precisa estar presente na visão dos Srs. Deputados, porque qualquer coisa que venha a ser feita deverá ser, realmente, a favor do telespectador brasileiro, nosso único e final patrão. Isso não pode ser esquecido no âmbito desse projeto, embora seja um projeto de regulamentação. Esse acesso gratuito à informação, cultura, lazer e entretenimento é o resultado de um trinômio composto pelo BRASILSAT — satélite de órbita alta, que hoje pertence à EMBRATEL, controlada por uma empresa estrangeira —, as redes regionais de televisão e as televisões regionais. Na verdade, muitas televisões regionais já transmitem, localmente, bastante programação jornalística. Pode até parecer um pouco pueril, secundário, mas permito-me lembrar que há algo que as televisões regionais fazem — quase tão importante quanto a 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 produção —, quando possível, de programação local: o intervalo comercial de todas as televisões brasileiras promovem os eventos culturais e locais. Elas promovem o circo que chega, o evento que ali se realiza. O papel da promoção e dos investimentos feitos a partir das leis de incentivo cultural em toda a região permitiram a recuperação, por exemplo, de um teatro em Belém, outro em Manaus, outro em Recife. Seguramente, a força que a televisão implementou às iniciativas locais pró-promoção cultural com característica local é absolutamente impressionante e riquíssima. A Rede Globo de Televisão, uma vez por ano, em São Paulo, promove uma feira nacional dos eventos das promoções culturais do que acontece na região. A próxima ocorrerá em agosto, e desde já convido todos os presentes. Falou-se aqui de Parintins, e poderíamos falar de trinta outros eventos de importância regional e local, valorizados pela janela de comunicação que a televisão exerce. Como os senhores sabem, o intervalo comercial é o maior programa que a televisão exibe. Se há algo importante no modelo brasileiro, que permite a segmentação do sistema de televisão no País, é o intervalo comercial que presta o serviço de oferta de bens e serviços com preços, com a informação de onde existe o produto ou serviço e a que preço está o produto e serviço localmente. Até há alguns anos, para quem está em televisão — eu estou há bastante tempo no setor —, era angustiante as televisões locais não poderem ter sequer uma correta operação comercial local, porque o grande instrumento de democratização da operação no mercado aberto brasileiro é a capacidade do intervalo comercial da televisão multiplicar, lubrificar, alavancar a oferta de bens e serviços. Acho que esses aspectos devem ser, e certamente o serão, compreendidos e atendidos pelos Deputados que irão avaliar essa matéria. O tema é relevante e não 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 há uma posição de antinomia radical, de negativa total em relação a algo que, tenho certeza, é feito nesta Comissão no sentido de tentar melhorar algo que é o valor da região e do País. É preciso, no entanto, chamar a atenção para o seguinte: para quem vive nas redes de televisão, para quem está neste momento na lida do dia-a-dia, no contato com as grandes empresas internacionais, a grande briga é para que em nenhum momento falte esforço, reforço, apoio, para quem tem coragem de produzir no Brasil e em português. Somos um mercado apetitoso, ordenado, basicamente segmentado, e estamos às vésperas de sermos atacados por agentes que não são nacionais e que estão dispostos a explorar esse mercado que nós conseguimos constituir até agora no Brasil. Certamente, é válido o pensamento que um companheiro expressou aqui. O projeto traz a obrigatoriedade de cotas por horário — 30% das 7h às 23h, ou seja, cerca de 72 minutos por dia nesse horário —, mas na empresa em que trabalho, e tenho certeza que o mesmo ocorre em boa parte das outras emissoras, já se transmite mais de uma hora diária de programação própria. Acontece que estabelecer horários específicos, grades de programação, ou seja, uma interferência exagerada, provavelmente deve fornecer um produto final não tão bom para o consumidor. Isto é, o princípio da mínima interferência na iniciativa privada e na competição entre os agentes talvez devesse ser perseguido, já que é um modelo vitorioso em todos os países do mundo. Acho ainda que não se pode deixar, em nenhum momento, de considerar que uma programação nacional também deriva do regional, e o que é regional também é nacional. 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Eu queria que os senhores entendessem que a escala que o mercado oferece para as redes operarem nacionalmente é vital para que o Brasil preserve a sua indústria de comunicação social audiovisual. Espero que o outro companheiro possa repercutir esses assuntos, levando em conta o aspecto complementar das rádios, porque não se pode imaginar um sistema de comunicação composto de apenas um veículo, seja ele televisão, rádio ou jornal. O sistema de comunicação é um conjunto, um composto. As emissoras de rádio são extremamente segmentadas. Todas elas se dedicam à programação local, embora toquem músicas de outras regiões e de outros países. Os 2.200 jornais locais existentes no Brasil, semanais ou diários, são uma prova de que há um complemento da informação e da circulação de informação em termos locais e regionais. Não podemos também pensar, isoladamente, em um sistema que é a televisão aberta, esse que é um ativo do povo brasileiro e que precisa hoje, mais do que tudo, ser fomentado, incentivado e financiado e não pode, eventualmente, perder alguma característica que o torne capaz de continuar a ser esse ativo. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Narcio Rodrigues) – Agradeço ao Dr. Evandro Guimarães, a quem solicito, se possível, nos disponibilizasse o material que trouxe para a apresentação, o qual distribuiríamos para todos os membros desta Comissão. Como disse no início desta sessão, nesta audiência pública instala-se, oficialmente, a Subcomissão de Comunicação de Massa, da Comissão de Ciência e Tecnologia. Convido, então, o Deputado Marçal Filho para assumir a condução dos 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 trabalhos, desejando-lhe um feliz desempenho. Esse tema ficará na Subcomissão para que possa trazer, o mais rapidamente possível, uma definição ao trabalho. Portanto, passo o comando da audiência pública a S.Exa. Convido o Dr. Cláudio Santos, Diretor da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura, para tomar assento à mesa, e a quem concedo dez minutos para sua exposição. O SR. CLÁUDIO SANTOS – Sr. Presidente, Sr. Relator, Sra. Deputada, em nome da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura, pedimos um espaço nesta audiência pública para trazer à discussão o modelo de negócio e as transformações que ocorreram desde a concepção desse projeto de lei, que regulamenta um dispositivo constitucional; foi concebido há onze anos. Nesse período, o cenário da comunicação brasileira mudou muito, principalmente com o advento do serviço de televisão por assinatura, que hoje emprega no País cerca de 15 mil funcionários diretos e 15 mil indiretos. Essa é uma indústria muito jovem no Brasil, e que tem, por coincidência, quase o mesmo tempo do projeto de lei, ou seja, dez anos. Ao ler esse projeto, quisemos trazer, tanto à sua autora como aos demais Srs. Deputados que irão avaliá-lo, uma visão dessa indústria, que tem dois aspectos. Primeiro, existe uma lei que regulamenta a indústria da TV paga, de 1995, que obriga a todos os operadores de TV a cabo — e no Brasil as concessões de operações de cabo, que são municipais, já são por volta de trezentas — àquilo que chamamos em inglês de must carry, que é a obrigação de se carregar uma série de canais, entre eles os Legislativos Municipais, os canais comunitários e os canais abertos, de uma forma geral, que estejam disponíveis naquela cidade. Ou seja, o operador de cabo é, no ambiente comunicação, no negócio comunicação, um 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 distribuidor de conteúdo; e esse tipo de distribuidor, por si só, está disponibilizando para aquela região todos os canais, sob o ponto de vista de televisão, que estejam abertos, seja em VHF ou UHF. É uma característica importante dessa indústria, que deve ser apresentada tanto para a Sra. Deputada que elaborou a lei, quanto para os demais Deputados que irão avaliá-la. Como segundo ponto importante temos as impossibilidades técnicas de se regionalizar a produção local. O conceito distribuição é inerente ao negócio e, mais ainda, ao negócio novo, volto a afirmar, porque ele surgiu no Brasil após a concepção desse projeto de lei. Por isso que, ao fazer a leitura do projeto, não se encontra a diferença entre comunicação, televisão aberta e fechada. Estamos aqui para acrescentar esses dados. Então, as impossibilidades técnicas partem do seguinte aspecto: quando lemos o projeto de lei, observamos a obrigação de as emissoras manterem um percentual de produção local, ou seja, 30%, divididos em dois, 15%, de programação da sua sede. Gostaria que todos refletissem sobre a dificuldade de se interpretar esse artigo — o art. 1º do projeto —, obrigando o Deutsche Welle, um canal alemão, com sede na Alemanha, a ser assistido num Município qualquer ou aqui em Brasília. Ou seja, como aplicar essa lei a um canal alemão ou a um canal inglês, como a CNN, que tem sua sede nos Estados Unidos? Então, como ressaltei, o art. 1º desse projeto de lei estabelece que o percentual é sobre a programação da sede da emissora. No caso de TV paga, essas emissoras têm suas sedes em outros países, daí a dificuldade de se regionalizar uma questão técnica. Ou seja, não temos como cortar o sinal no Brasil e embutir uma programação local. Como disse, é uma característica dessa indústria. 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Outro ponto de impedimento técnico, lançado no Brasil quase que simultaneamente com os Estados Unidos e outras regiões, como Europa e Ásia, é o serviço de DTH, o direct home, ou direto à casa do assinante. É um serviço pago que possibilita ao assinante acesso a uma série de canais e informações disponíveis no mundo. Duas grandes operadoras no Brasil, a Direct TV e a Sky, trazem o que de melhor existe no mundo do ponto de vista de programação e de conteúdo para seus assinantes. Estamos falando de canais disponíveis em satélite, em que o sinal vai direto para a casa do assinante, sem passar por nenhuma retransmissora. Neste caso, a dificuldade também é técnica, porque é impossível desenvolver programação num sistema de distribuição como o DTH. Queremos deixar registrado que a TV por assinatura já contempla todas as manifestações televisivas locais, através de suas operações de cabo, com toda a programação — e é uma especificidade da lei do cabo, volto a afirmar, dos canais legislativos, inclusive nacionais e municipais, dos canais comunitários, porque cada operador tem que carregar e distribuir, e também das TVs abertas que estarão sendo distribuídas com sua programação local. São basicamente essas as características da indústria de TV paga, ou da TV por assinatura, que gostaríamos de deixar registradas. Se aqui interpretarmos televisão como sendo televisão e distribuição, criaremos, pelas suas impossibilidades técnicas, um problema na implementação dessa lei de TV paga. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Esta Presidência agradece ao Sr. Cláudio Santos, Diretor da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura. Solicito aos convidados permanecerem neste plenário, porque, 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 certamente, haverá indagações a serem feitas a V.Sas. ou mesmo considerações por parte dos Srs. Parlamentares. Convido o Sr. Marcelo Petrelli, Diretor-Superintendente da TV O Estado Florianópolis, para tomar assento à mesa e iniciar sua exposição. O SR. MARCELO PETRELLI – Boa tarde, Sr. Presidente, Deputado Narcio Rodrigues; Sr. Relator, Deputado Marcelo Barbieri; Sra. Deputada Jandira Feghali; demais Sras. e Srs. Deputados e companheiros da radiodifusão. Represento o Clube de Comunicação em Santa Catarina, a Rede Santa Catarina de Comunicação e a Rede Independência do Paraná, filiadas ao SBT de Santa Catarina, e, no Paraná, a Rede Record, assim como a Presidência da Associação Catarinense de Radiodifusão, em Santa Catarina. Somos uma operadora de TV aberta, composta de nove geradoras, que opera com a questão regional, como disse o companheiro da RBS, Sr. Paulo Camargo. O mercado já vem regulamentando a condição de exigir uma parcela muito significativa na programação local de cada geradora. Isso vem acontecendo em todo o Brasil, no SBT, na Record, na Rede Globo de Televisão, mas se trata de aspecto muito subjetivo em relação a cada mercado. Quer dizer, é difícil imaginar realmente que uma televisão em Chapecó ou Xanxerê, Município com 50 mil habitantes, possa ter a mesma capacidade de produção de uma televisão carioca ou do interior daquele Estado. Por isso é muito importante que seja levada em consideração a condição da imposição de um modelo único para o Brasil. A sociedade e nós, empresários, já percebemos que devemos ter programação local e identidade regional — e, como disse o Sr. Evandro Guimarães, essa identidade não é só na programação, mas no break comercial, através de projetos especiais, de toda uma atividade que fazemos 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 de comunicação com o telespectador, constante e plena —, com a coordenação de profissionais de alto nível, remuneração e custos, mediante audiência. Se não houver audiência, não haverá cliente. O cliente é muito pragmático: sem audiência, não terá bons resultados e aí ele deixa de anunciar. Só se obtém audiência em função da programação local, que, na maioria dos casos, está comprimida dentro de uma audiência nacional. É claro que a Rede Globo de Televisão tem sua audiência; a Rede Record tem a sua; o SBT, outra; e assim por diante. Então, ao se criar a tal da uniformidade, exigindo-se que cada rede de televisão e cada emissora local tenham a mesma necessidade, talvez aí tenha início a inviabilidade econômica dessas empresas e, conseqüentemente, a inviabilização da programação. Nos últimos 25 anos, houve grande dificuldade na concessão de novas emissoras de televisão aberta, rádio etc. Esse modelo já foi alterado. Hoje, estamos vendo um volume muito grande de concessões por todo o Brasil. Tal situação vem gerando modificações na programação regional. No nosso Estado, Santa Catarina, temos a Globo, a Record, a Bandeirantes, mas não temos a CNT, nem a Rede Mulher, e essas novas concessões irão contemplar essas redes de televisão filiadas, que, claro, gerarão uma nova programação regional. Isso já vem ocorrendo em função do novo modelo e das novas concessões que vêm sendo dadas no Brasil. A contemplação da notícia regional também já vem ocorrendo, como mencionou o Sr. Evandro Guimarães, quando se referiu aos jornais. Santa Catarina adota modelo muito atípico. Temos, no interior, jornais fortíssimos, com circulação maior do que os da Capital. As estações de rádio em Santa Catarina alcançam a média de 14% no item publicidade, enquanto a média brasileira chega a 4%. Então, 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 gera-se a condição de a notícia regional também ser contemplada para a sociedade pelo meio do rádio. Quero apenas referir-me a outros pontos importantes. Nossos contratos de concessão já contemplam a necessidade de uma programação regionalizada, embora não identifiquem se local ou regional, mas já se exige a necessidade de programação. As redes de televisão já entenderam a situação. Até mesmo a Globo, que era a mais difícil, já abriu um sinal significativo, em termos de concorrência com a RBS. Sempre que a sociedade faz um apelo pela abertura de espaço, a Rede Globo, o SBT, a Record e outras televisões têm aberto o sinal, pois entendem que se não houver uma identidade regional, elas também não alcançarão audiência e comercialização nos seus espaços de uma forma adequada. A meu ver, isso já vem ocorrendo. Vou citar novamente Santa Catarina: em Florianópolis, temos quatro emissoras de televisão comerciais e mais uma educativa, que tem a mesma potência e praticamente a mesma qualidade das outras. Ela tentou implantar uma programação inteira regionalizada, mas, infelizmente, não conseguiu viabilidade. Como não tinha sustentação de audiência não conseguiu manter a comercialização nem seus profissionais. Por fim, abandonou o projeto. Evidentemente, é muito importante na discussão do modelo e da lei a preocupação com o cliente e a viabilidade econômica do nosso País. Fala-se muito no modelo americano — e alguém mencionou que o PIB americano é de 150 bilhões de dólares, e o nosso PIB, com a publicidade, chega a 8 bilhões de dólares —, mas não adianta achar que o Brasil vai ter o mesmo número de rádios, televisões, TVs por assinatura dos Estados Unidos. Tal argumento não se sustenta. Estou falando 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 apenas como um operador, mas é importante considerar que a rentabilidade das empresas de comunicação não é nada absurda — e os balanços são publicados, estão nas declarações de Imposto de Renda das empresas —; pelo contrário, a média nacional está em torno de 5 a 7%. Existe um ponto de equilíbrio na viabilidade e no sustento desses profissionais pelas nossas empresas. No meu entendimento, caso seja imposto um modelo único, ou mesmo que seja por região, as empresas vão se adaptar, vão colocar no ar, respeitando a determinação da lei, os 30%, ou o que seja, mas, inevitavelmente, a qualidade vai cair. Quer dizer, a qualidade da produção em Chapecó vai ser diferente da de Florianópolis e, assim por diante, em todo o Brasil. Precisamos saber se o telespectador quer essa qualidade, até porque o modelo da televisão brasileira já é de grande qualidade. Nossa média de audiência, comparada com outros países, é muito elevada, o que significa que a televisão independe de gostos. Há gosto para tudo; uns gostam de uma coisa, outros gostam de outra, mas a média de audiência brasileira é muito alta. O que a televisão vem apresentando ao telespectador tem caído no gosto dele. Portanto, é importante que essa discussão não comprometa a qualidade da programação em todo o Brasil. Podemos frisar que esta Casa levou em conta também um modelo de programação regional muito significativo, quando se preocupou com as televisões por assinatura, que ainda estão nas classes A e B. Sabemos que vai haver uma pulverização a médio e longo prazos, de acordo com a evolução da economia brasileira. Temos hoje uma operação de MDEs, TV a cabo. Em cada uma das médias e grandes cidades há exigência de um, às vezes, de dois ou três canais exclusivamente locais ou pela universidade ou pela comunidade. Posso citar alguns exemplos de Santa Catarina, como a TV Galega, de Blumenau; a TV Cidade, de 31 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Joinville; a TVCom, de Florianópolis, televisões que fazem parte da TV por assinatura, que contemplam o serviço local e que vêm obtendo sucesso de comercialização, mesmo adotando um modelo para audiências muito pequenas, de custos muito baixos e rentabilidade em função dessa audiência possível. Adotar esse modelo na TV aberta, por exemplo, na TV Cultura, já citada, talvez não desse certo. Ouvi o Presidente da ABTA, mas não imagino uma pessoa que esteja comprando um serviço de TV por assinatura para assistir a um canal alemão, a um canal suíço ou americano, como a CNN, queira assistir à programação regionalizada desse canal. Não entendi direito e não sei se isso seria também extensivo ao corte de programação para TVs por assinatura, nas programações de âmbito internacional. Não entendi direito, mas acho que não é o caso. Ao encerrar, quero fazer um chamamento, como disse o Sr. Evandro Guimarães, às Sras. e aos Srs. Deputados para conhecerem o que se realiza hoje no Brasil. Acredito que atualmente cada uma das televisões, evidentemente as maiores, localizadas nos grandes centros, já vêm realizando um processo de TV regional muito significativo. A RBS é um exemplo disso. Nós, acreditamos, também fazemos parte desse processo, bem como a TV Alterosa e várias outras em todo o Brasil. Nosso índice de programação regional chega a mais de 25%. Nosso faturamento é representativo, em torno de 25% na programação regional. Agora, é muito importante levar em consideração que, naturalmente, o mercado vai regulamentando a condição da viabilidade, isto é, onde essa programação deve e onde não deve estar. O que não podemos, no meu entendimento, é comprometer a qualidade da televisão brasileira hoje no que tange à audiência, resultado comercial e viabilidade de empregabilidade dos nossos colaboradores. 32 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Em princípio, era o que tinha a dizer. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Agradeço ao Sr. Marcelo Petrelli a participação. Convido a tomar assento à mesa o Deputado Bispo Wanderval, Relator desta Subcomissão de Comunicação de Massa. Convido a fazer uso da palavra o Sr. Daniel Koslowsky Herz, Diretor de Relações Institucionais da Federação Nacional dos Jornalistas — FENAJ. O SR. DANIEL KOSLOWSKY HERZ – Sr. Presidente, Sr. Relator, Deputado Marcelo Barbieri; Deputada Jandira Feghali, certamente este é um tema que está em muito boas mãos, pois tanto o Relator como o autor do projeto são Parlamentares muito atuantes em relação a temas da área de comunicação e muito empenhados em expressar uma abordagem de interesse público sobre assuntos relacionados com a comunicação. A discussão deste projeto neste momento deve ser encarada como a retomada de um debate que iniciou um período, como já foi assinalado por outros expositores. O interregno existente entre o início do debate e este momento apanha o mercado brasileiro com características bastante diferentes. Há oito anos, tivemos a oportunidade de participar de um debate com a Deputada Jandira Feghali, quando pudemos constatar, já àquela época, alguns problemas de equacionamento nesse projeto e que se agravaram com o passar do tempo. Entre eles destacamos vários dos tópicos apresentados. Vou apenas sistematizar para apontar algumas possibilidades de retomada do assunto em outras bases, como, por exemplo, aplicação indiscriminada do percentual em todas as regiões; outro, que não foi suficientemente destacado, prazo pequeno para adaptação das emissoras às exigências; a não-identificação de condições de viabilidade para esse tipo de 33 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 produção, tanto do ponto de vista de recurso de produção, como de infra-estrutura e recursos humanos; a não-especificação precisa das faixas de horário, como adotar uma programação dessa natureza, das 7 às 8h diferente das 20 às 21h, ou seja, não houve cautelas em relação a concentrações que frustrem o próprio espírito do projeto; por último e também importante, a indiferenciação entre regional e local, que o projeto sugere, mas não resolve conceitualmente. Esses pontos bastante elementares não são suficientes, entretanto, para invalidar a finalidade do projeto. Vale ressaltar que a análise em perspectiva desses tópicos precisa ser feita em relação ao conjunto do mercado, começando pela própria identificação da necessidade de regionalização da produção. A Federação Nacional dos Jornalistas tem posição claramente favorável a que se regionalize a produção, a que se desenvolva a produção local, inclusive. Porém, a solução deve vir com respostas consistentes, porque problemas que geram esse tipo de necessidade precisam considerar globalmente o mercado brasileiro. Entre eles destacamos a concentração do mercado a partir da hegemonia das redes de TV, que não só detêm grande número de emissoras, mas condicionam o mercado para uma forma de operar que consiste, como uma caixa-preta, em contratos não são sujeitos ao escrutínio público e que estabelecem condições draconianas para essas emissoras, operando um processo de enxugamento, de drenagem do mercado publicitário, outra face da inviabilidade dos mercados regionais. Outro aspecto, considerando adequadas as alegações em linhas gerais sobre a necessidade de economia de escala para financiar a produção, é a inexistência de abertura das redes de televisão para a produção de terceiros, para a produção 34 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 independente, que pode ser muito bem produção regional. A sede da produção independente pode ser tratada como um aspecto de estímulo à regionalização da produção. No entanto, nenhuma produção independente relevante tem sido exibida pelas emissoras integrantes das redes de TV. Portanto, se o mercado regional apresenta problemas de escala, o mercado nacional impede que se constitua, no plano regional, qualquer possibilidade de escala de produção capaz de viabilizar a existência de produtores independentes. Então, a carga exagerada de produção própria, somada à produção importada, impede que se crie escala de produção independente no Brasil. Outro aspecto que merece ser mais desenvolvido, embora tenha sido citado, e é uma problemática que não existia à época em que o projeto foi elaborado, é a necessidade de pensarmos produção regional atualmente na perspectiva do mercado nacional e internacional, inclusive com conexões necessárias que devem existir num mercado de TV por assinatura. Se o mercado de TV por assinatura apresenta uma crise hoje, em particular o serviço de cabo, podemos identificar algumas responsabilidades. Uma delas, por exemplo, sem dúvida alguma, é a inexistência de uma política que o Poder Executivo deveria estabelecer, e não estabeleceu, descumprindo a Lei nº 8.977, ao não elaborar a política que deveria nortear o desenvolvimento do serviço de TV a cabo. Do ponto de vista dos operadores, o exagero dos investimentos em redes hoje admitidos e que a Lei nº 8.977 desestimula mostra que o tipo de aventura a que os operadores se propuseram sofreu uma premiação às avessas e, sem dúvida alguma, esse fator de desinvestimento na produção e investimento em infraestrutura tornou-se aspecto realmente relevante de concorrência — não é único, 35 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 evidentemente, mas é um dos elementos que compõem a crise atualmente vivida pelo mercado de TV por assinatura. Finalmente, como responsabilidade do conjunto, o fracasso ou a impossibilidade que resultou na falta de desenvolvimento de políticas de popularização do acesso ao serviço de TV por assinatura. Por isso, abordar esse tipo de problema com medidas tópicas, isoladas, sem considerar aspectos mais abrangentes, faz com que praticamente seja inevitável esbarrarmos em situações de falta de escala, de impossibilidades que, na verdade, dizem respeito a problemas estruturais da organização do mercado e dos sistemas de comunicação. Se quiséssemos mexer topicamente sem mexer em todo o modelo, porque a imobilização também não seria uma resposta, deveríamos começar a mexer — e esta é uma proposição da FENAJ —, por exemplo, em algumas determinações de orientação da política de redes, no que diz respeito aos contratos estabelecidos entre as operadoras e as afiliadas regionais e à abertura das cabeças de rede à exibição de produção independente, talvez com perspectiva de quotas de regionalização da produção. Outro aspecto é a busca de condições de equiparação do mercado de concorrência que se dá não só entre as redes entre si, mas entre as cabeças de rede e as afiliadas e entre as emissoras que são afiliadas com outros veículos de comunicação. Gostaria de destacar algumas limitações de argumentação, com certeza decorrentes do tempo, que teriam de ser desdobradas, sob pena de permanecer apenas uma idéia parcial do problema. Citaria, por exemplo, a argumentação apresentada pelo Dr. Evandro Guimarães, que se referiu à adequação da veiculação de publicidade local, para 36 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 que, de fato, cumpra um determinado papel. Quando a publicidade local é simplesmente veiculada sem nenhuma produção local, serve para drenar apenas um mercado, para enxugar o mercado, sem uma contrapartida adequada. Pior e mais do que isso: além de drenar o mercado no segmento específico de televisão sem a contrapartida, estabelece uma concorrência com jornais e emissoras de rádio locais, fazendo com que as distorções de mercado só se acentuem. Outro aspecto citado pelo representante da ABTA, sobre as impossibilidades técnicas do DTH, por exemplo: o DTH que alega a impossibilidade de veiculação de programação local é o mesmo serviço que abre janelas de exibição regional de publicidade. Se pensamos em exibição de publicidade regional pelo DTH, podemos muito bem pensar em exibição de programação regional pelo DTH também como um componente de formulação de uma política. Esses dois exemplos abordados aqui não invalidam nem desmerecem os argumentos apresentados pelos autores, mas apontam para a necessidade de um desdobramento maior de argumentos e para composição de um quadro que inclua outras variáveis e possibilidades na formulação de uma política global. Citaria também alguns argumentos trazidos pelo jornalista Washington Mello quando chamou à responsabilidade as emissoras públicas. Faço a ressalva de que não existe emissora pública no Brasil. O sistema público é não só inexistente como sequer está conceituado. As emissoras estatais, algumas delas, colocam-se com a pretensão de se tornarem públicas, mas, de fato, é possível pensar-se num comprometimento maior das emissoras estatais na produção regional. A contrapartida que tem de existir é a eliminação das restrições existentes ao financiamento dessas emissoras pelo mercado publicitário, no mínimo, para se ter uma equiparação elementar das fontes de financiamento, sob pena de se chegar a 37 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 uma situação de descontentamento — e aqui lembro uma experiência concreta vivida pessoalmente na condição de Presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Cultural Piratini, um órgão de representação da sociedade, junto a duas emissoras estatais, uma de tevê e uma de rádio do Rio Grande do Sul. O descontentamento é decorrente do excesso de produção regional e local dessas emissoras relacionado a uma queda de qualidade. O Conselho está questionando a emissora de televisão quanto ao excesso de produção regional sem o correspondente aumento da qualidade. Portanto, a necessidade de atendimento regional e local tem de estar dimensionada com um critério político mais amplo. Destacaria, finalmente, dois pontos que a FENAJ trouxe para o exame desta Comissão — e estão à disposição —, que poderiam ser elementos tópicos capazes de constituir resposta imediata em relação à necessidade de regionalização e que dizem respeito à criação de um circuito de exibição e de pólos de produção regional capazes de dar sustentação e servir de base a produções regionais. Deixamos ao exame desta Comissão e nos comprometemos, não só a Federação dos Jornalistas, a levar este assunto para análise de entidades que compõem o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e a nos deter mais em aspectos que possam ajudar no desenvolvimento dessa temática. Concluindo, gostaria de deixar dois registros. Um deles parte da concordância do Deputado Narcio Rodrigues, já ausente a esta sessão, em relação ao equacionamento da competência do Conselho de Comunicação Social, que está prestes a ser instalado, e o outro à competência da Comissão, que só merece receber nossa saudação com a iniciativa meritória de criação da Subcomissão de Comunicação de Massa. 38 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Sem dúvida nenhuma, não pode haver nenhum tipo de confusão em relação à competência das duas instâncias do Congresso. O Conselho de Comunicação Social não pode ter a pretensão de se transformar em um minicongresso ou de se equiparar à condição de quem são os únicos nesta Casa que detêm mandato popular. Portanto, esse equacionamento vai ter que ser feito a partir de necessidades propostas pela sociedade, reconhecidas pelo Congresso, mas sobretudo com a condição de as Comissões Técnicas, tanto da Câmara como do Senado, habituarem-se a usar o Conselho no sentido das suas indagações, seus questionamentos e respostas que interpretam o que a sociedade precisa obter através do Congresso, o que não exclui a possibilidade de representantes da sociedade também proporem iniciativas ao Congresso. À medida que as Comissões Técnicas habituarem-se a usar o Conselho adequadamente, o trabalho, com certeza, estará fortalecido. Por último, gostaria de destacar, mesmo sem ser uma idéia acabada, que talvez fosse oportuno tomarmos esse projeto e, aproveitando essa defasagem de tempo, fazermos com que seja uma base para regulamentação da Emenda Constitucional nº 36, recentemente aprovada, envolvendo esses aspectos de regionalização. Ele poderia alavancar a regulamentação da Emenda Constitucional nº 33, surgida na Câmara dos Deputados, ajustando e ampliando seus conteúdos, enfocando suas emendas, a partir das necessidades de regulamentação trazidas pela Emenda Constitucional nº 36. Seria uma maneira de atualizarmos essas necessidades, aproveitarmos a tramitação e complementarmos esse projeto através de emendas com as respostas que o Congresso Nacional precisa dar no sentido da regulamentação da Emenda Constitucional nº 36. 39 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Agradeço ao Sr. Daniel Koslowsky Herz, representante da Federação Nacional dos Jornalistas. Gostaria de convidar o Sr. Paulo Machado Neto, Presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão — ABERT , a tomar assento à mesa e fazer sua exposição. O SR. PAULO MACHADO NETO – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, companheiros, durante esta audiência pública, tivemos a oportunidade de inúmeras vezes ouvirmos aspectos relacionados com a televisão. Porém, na condição de Presidente da ABERT, entidade que congrega 2.234 emissoras de rádio em todo o País, gostaria de chamar-lhes um pouco a atenção sobre a atual situação do rádio brasileiro. Somos hoje mais de 3 mil emissoras de rádio que operam na faixa de ondas médias, freqüência modulada e ondas tropicais neste País e que se dividem em emissoras de âmbito nacional, regional e local. Tenho convicção absoluta de que o cumprimento de 30% de programação local já é uma realidade no rádio de hoje, porque o rádio é um veículo essencialmente local, voltado exclusivamente à sua comunidade. Porém, preocupa-me sobremaneira a imposição de um percentual, tomandose por base aspectos como, por exemplo, a radiodramaturgia. Tenho convicção de que muito provavelmente os últimos programas dessa modalidade realizados no Brasil remontam à década de 50. Essa configuração tira do rádio talvez seu aspecto mais importante, o de possibilitar a essas mais de 3 mil emissoras de rádio viver comercialmente, tendo o 40 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 meio rádio uma participação no mercado publicitário da ordem de 4 a 5%. Como o rádio sobrevive? Sobrevive em função da sua segmentação. Essa segmentação é a possibilidade que o rádio tem de fazer programação para o jovem, para o adulto, para quem gosta de música brasileira, para quem gosta de música estrangeira, e isto não podemos tirar dele. Por quê? Porque são essas condições que dão sobrevivência ao rádio e que possibilitam, mais do que nunca, sobreviver em um mercado altamente competitivo. Quando se fala em multimídia, integração de mídias, é importante também se destacar que isso atinge o rádio de maneira direta. Temos pela frente, muito provável e lamentavelmente em um prazo muito curto, o rádio satelital. Já existe uma empresa internacional autorizada pelos órgãos competentes a operar no Brasil — o rádio satelital com 150 emissoras, transmissão via satélite em âmbito nacional. Vale destacar também que todos os países limítrofes com o Brasil recebem influência de nossas emissoras de rádio, e de uma forma absolutamente direta. O que nos preocupa sobremaneira neste projeto é o estabelecimento de limitantes, de condicionantes, ao veículo rádio que tirarão dele a grande possibilidade de se segmentar e, mais ainda, o aspecto mais importante, a interatividade desse meio de comunicação com a própria comunidade. Quero lembrar, voltando um pouco mais no tempo, àqueles que como eu têm quarenta anos nesta profissão que, no passado, havia a obrigatoriedade de as emissoras de rádio executarem um percentual mínimo de música brasileira, o que acabou não dando certo. A maioria das emissoras não tinha como cumprir essa meta, e isso, de alguma forma, acabou caindo no vazio. Hoje, talvez, não se execute tanta música brasileira nas emissoras de rádios brasileiras. Isso ocorre porque a 41 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 música popular brasileira também teve seus altos e baixos, e o rádio nada mais é que um veículo vivo que acompanha o dia-a-dia da população. Tenho convicção absoluta de que as emissoras de rádio, da forma como são operadas atualmente, de maneira absolutamente independente, cumprindo com suas obrigações na exploração do serviço que lhes cabe por lei, certamente, não necessitam de qualquer tipo de engessamento. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Agradeço ao Dr. Paulo Machado de Carvalho Neto, Presidente da ABERT, associação que congrega as emissoras de rádio e TV do País. Concedo a palavra à autora da proposição, Deputada Jandira Feghali. V.Exa. pode tomar assento à mesa, se assim achar mais conveniente. A SRA. DEPUTADA JANDIRA FEGHALI - Cumprimento o Presidente da Subcomissão de Comunicação de Massa, criada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; o Deputado Marcelo Barbieri; os demais colegas Parlamentares; os convidados que responderam prontamente ao convite para comparecerem a esta audiência pública proposta pelo Relator, Deputado Marcelo Barbieri. Este debate faz parte da evolução do processo de discussão. Como todos já se referiram, estamos discutindo o mandamento constitucional. Quer dizer, ou se muda a Constituição Federal, ou não há por que discutir a não- necessidade de uma lei que regule um artigo da Carta Magna. Se é um mandamento constitucional, como tal necessita de uma lei. Na verdade, antes de 1981, a Deputada Lídice da Mata, pelo PCdoB, apresentou um projeto de regionalização. Como não retornou, porque tinha outros projetos eleitorais, eu o reapresentei com modificações que considerei relevantes à 42 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 época. Há onze anos que tentamos avançar com esse debate no Congresso Nacional — onze anos, não são onze dias! Ele já voltou para debate diversas vezes. Houve evolução porque inicialmente não havia prosseguimento e agora as pessoas querem discuti-lo. É um avanço importante, ou seja, os representantes das grandes redes, ou mesmo das menores, ou da ABERT, já aceitam debater o assunto, apesar de conceitos de engessamento. É importante que se diga que a lei que criou o Conselho de Comunicação Social, que também regula a Constituição Federal, é de 1991, e por isso ela foi citada no projeto. Na primeira versão não existia essa citação — não sei nem se a pusemos no local certo, mas o fizemos no que diz respeito à fiscalização e à possibilidade de se criar punição pelo não-cumprimento da lei. Na verdade, foi uma tentativa de criar um fórum da sociedade para aquele projeto. Digo a V.Exas., sem nenhum constrangimento ou humildade, que nós, eu em particular, fomos responsáveis pelo desengavetamento do Conselho de Comunicação Social na gestão do Deputado Aécio Neves. Assim que S.Exa. assumiu, fomos procurá-lo para dizer-lhe que sua gestão ficaria marcada pela instalação do Conselho de Comunicação Social, projeto que estava na gaveta há onze anos. Essa iniciativa partiu da bancada feminina e também do movimento feminista que, naquele momento, lutava contra a vulgarização da imagem feminina na programação de rádios e TVs brasileiras. Foi a bancada feminina nesta Casa — repito — que contou com a participação da Deputada Luiza Erundina, e também várias entidades do movimento feminista solicitaram, ano passado, ao Presidente Aécio Neves o desengavetamento desse projeto, depois de muita pressão do fórum de democratização. Portanto, esse 43 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 momento foi importante para o desengavetamento do Conselho de Comunicação Social. O fato de este Conselho ser órgão auxiliar do Congresso Nacional não faz com que ele venha a ser utilizado como medida protelatória de debate e de decisão desta Comissão. O meu medo é que se utilize o argumento da existência do Conselho para protelar decisões. Nesta reunião estão presentes membros do Conselho, como o Daniel Koslowsky Herz, representantes das grandes redes de televisão, da ABERT, para serem ouvidos. A tramitação já se deu na Comissão de Constituição e Justiça e de Redação e agora se dá nesta Comissão. O projeto ainda terá de ir ao Senado Federal, onde o Conselho de Comunicação Social poderá discuti-lo e alterá-lo. Se isso acontecer, o projeto retornará à Câmara dos Deputados. Não se trata de atropelar o debate, mas permitir que esse projeto seja aprovado e que a regionalização aconteça tendo em vista a democracia da comunicação, o mercado de trabalho — aliás ninguém fez comentários decisivos a respeito, porque se falou muito do aspecto econômico, sob a ótica empresarial, esquecendo-se do mercado de trabalho regional e local — e o problema da pluralidade da riqueza cultural deste País. Quem já realiza a regionalização não deveria estar muito preocupado com esse projeto; deveria, na verdade, estar valorizando e ajudando na sua realização. Outro aspecto que desejo mencionar, antes de me referir especificamente a outros conceitos, é que, depois de onze anos de tramitação, sinceramente, tinha esperança de que os expositores presentes trouxessem propostas e atualizações. Nesta reunião houve questionamentos quanto ao projeto: um disse que o projeto está engessado; alguém disse que o Conselho precisa ser ouvido; outro, que está 44 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 desatualizado. Na verdade, quantas propostas V.Sas. trouxeram para resolver o problema? Se queremos realizar a regionalização e há uma concordância de que ela é justa, a minha esperança, sinceramente, é de que cada um diga que esse projeto está absolutamente ultrapassado — em alguns aspectos deve estar mesmo até porque não se discutia a TV a cabo, a TV por assinatura, em 1991 —, e que façam propostas de ajustes e não simplesmente um questionamento geral sem ajudar na finalização do texto e da sua proposta. Na verdade, não há engessamento, pois o projeto estabelece um percentual mínimo. De 100% estabelecemos 30% de percentual mínimo, sendo 15% jornalístico e 15% artístico cultural. A novidade do projeto é a questão da teledramaturgia. Lembro ao Presidente da ABERT que a radiodramaturgia foi citada no conceito, mas ela não estava no parágrafo que estabelece 5% de teledramaturgia. Talvez eu nem fosse nascida quando a radiodramaturgia estava no seu fim. Repito: estabelecemos um percentual mínimo. Alguns lugares vão cumprir 50%, 60%; outros, 30%. Talvez possamos mudar para 20%, 25%. Esse era o questionamento que eu esperava que V.Sas. estivessem fazendo, sobre o mais justo, viável, possível, dentro desse aspecto. Não adianta dizer que não precisa de lei. Precisa sim, porque já conhecemos essa história de auto-regulação no mercado. Ela existe para tudo, e me parece que isso não tem funcionado muito bem, principalmente observando-se sob a ótica do mercado de trabalho dos trabalhadores brasileiros que precisam estar inseridos na radiodifusão e na comunicação. Parece-me também que não se está levando em conta que apesar da regionalização de muitos lugares, muitas vezes, ela não é cultural nem artística. Fico 45 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 me perguntando quantas novelas e minisséries são produzidas pelas várias redes de TV. Pergunto à Rede Record, à Rede Bandeirantes, ao SBT qual o percentual de teledramaturgia, qual a produção de novela ou de minissérie que se referem à realidade brasileira? Observo que há muita novela mexicana no SBT. Talvez, hoje, isso ocorra por viabilidade econômica. Talvez seja mais fácil comprar por alguns mil reais uma novela mexicana do que produzir no Brasil uma teledramaturgia que empregue pessoas e que fale da realidade brasileira. O que estamos discutindo é a necessidade de haver produções e que os trabalhadores brasileiros ocupem o seu papel e isso não pode ocorrer numa visão apenas macrorregional. O Sudeste é uma macrorregião. É necessário estabelecer percentual mínimo, pois quando comparamos Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais com a Região Norte observamos as diferenças culturais. Talvez possamos discutir o critério. Em vez de determinar por Município poder-se-ia examinar o tamanho da população, o PIB, outros critérios de regionalização, considerando a macro e a especificidade micro, porque as cidades às quais me referi são absolutamente diferentes, não têm a mesma especificidade cultural e a mesma realidade de mercado, apesar de serem de uma macrorregião. Não se pode discutir somente as cinco macrorregiões, mas dentro delas devem estabelecer critérios de especificidades, aliás assunto abordado pelo Sr. Evandro Guimarães, sobre como caracterizar a regionalização. Por exemplo, na Região Sudeste não se pode usar como único critério a macrorregião. O Estado do Deputado Marcelo Barbieri, São Paulo; o meu, Rio de Janeiro, e o do Presidente da Comissão, Minas Gerais, têm especificidades culturais. 46 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Obviamente, se queremos restabelecer um critério de regionalização vamos ter que usar o macro e o micro dentro de um conceito de especificidade cultural e do próprio mercado de trabalho. Acredito que todos estão querendo discutir uma forma de resolver a votação do projeto. Se ele precisa ser alterado, vamos discutir, atualizá-lo, modificar os critérios e vamos avançar num mandamento constitucional, pois na minha opinião a questão da regionalização está absolutamente atual. Um outro aspecto que, rapidamente, gostaria de levantar é a questão do prazo. Vamos discutir se ele será de seis meses, um ano, um ano e meio ou dois anos. Se há necessidade de adaptação da rede de transplante de sinais, vamos discutir o assunto. Estabelecemos o prazo de seis meses, mas se não for viável, vamos debater concretamente o que todos queremos e não simplesmente negar ou protelar a discussão, remetê-la ao Conselho, ficar mais um ano discutindo. Na verdade, isso está sendo usado como medida protelatória. Já são onze anos de protelação. Daqui a dois anos, a realidade será outra, e o projeto não mais servirá. Muda tudo, tem-se de atualizá-lo novamente, isto é, não aplicar o que determina a Constituição. Sob o aspecto de mercado, ouvi — e é natural que se ouça — dizer que as empresas buscam lucratividade. Isto é óbvio, mas essas empresas de telecomunicação são concessão pública. Têm, portanto, responsabilidade social. Podemos discutir o mercado, observando onde se investe em publicidade. Daniel foi muito feliz quando disse que devemos discutir como as redes e as emissoras estão utilizando a questão do mercado, seja do ponto de vista dos banners publicitários, seja do ponto de vista da relação com a TV por assinatura ou sob o aspecto da produção local e independente. É fundamental saber quão valorizada é a produção independente na radiodifusão brasileira. 47 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 É muito fácil dizer que economicamente o setor é inviável. Não é. Já ouvi diversos depoimentos que mostram que a viabilidade econômica tem relação direta com a possibilidade, com a política, com a determinação, com o fazer acontecer. Existem regiões que já o realizam, os senhores mesmos devem ter exemplos. Talvez tenhamos a possibilidade não só de democratizar, como de confrontar a chamada produção estrangeira. Lembro que, quando dos debates da emenda constitucional sobre entrada do capital estrangeiro na radiodifusão, se discutiu muito a questão do mercado do trabalho. Conseguimos inserir o trabalhador brasileiro nessa discussão. Até mesmo a dublagem de produções nacionais estavam sendo feitas em Miami. Nem o dublador de português é brasileiro. Será que essa política de regionalização não é um confronto aberto e saudável para que a produção nacional e local aconteça e seja valorizada? Realmente, não vamos ter Fernanda Montenegro em todos os Municípios do Brasil. Às vezes discutir qualidade é complicado. A TV brasileira é de altíssima qualidade. Mas até quando vamos continuar divulgando apenas os grandes atores ou os artistas da música que aparecem no Rio de Janeiro e em São Paulo? Até quando a gíria do companheiro do Acre vai ser a mesma da do companheiro do Rio de Janeiro? Até quando esses eventos culturais locais, de que os senhores tanto falam, somente serão conhecidos quando conseguirmos fazer com que o bumbameu-boi se apresente na Cinelândia, na cidade do Rio de Janeiro? Precisamos ter um pouco mais de consciência e contribuir para resolver o problema, não para inviabilizar o projeto. Eu, como autora, estou aberta a sugestões para modificação do projeto. Ele pode conter contribuições concretas dos senhores no tocante ao percentual, ao prazo, ao critério de regionalização: se macro, se micro; se populacional; se pelo PIB; se pelas vias de transmissão. V.Sas. são muito mais 48 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 técnicos do que eu. Apesar de acompanhar o debate, não sou especialista na área de comunicações. Os senhores, sim, e podem contribuir. Peço, portanto, que nos tragam contribuições concretas sobre como regionalizar, sobre os critérios mais justos, sobre o prazo de aplicação. Deixemos de utilizar mecanismos que inviabilizem esse projeto. Se realmente quiserem fazer com que o estabelecido na Constituição aconteça, que contribuam num curtíssimo espaço de tempo com propostas concretas para que o projeto avance. Pode-se ver se é ou não o caso de esse projeto absorver a regulamentação da emenda constitucional. Talvez possamos viabilizar o início da regionalização e, ao mesmo tempo, continuar a discutir a regulação da emenda constitucional. Estou aberta ao debate e ao recebimento de contribuições. Que a regionalização torne-se fato, não sob a ótica do gerenciamento, mas da concessão pública. Discute-se um percentual mínimo, e esse mínimo, para alguns, pode ser 20%, ao passo que, para outros, pode ser 60%. Tudo depende da especificidade de cada lugar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Agradeço à Deputada Jandira Feghali, autora do projeto. Concedo a palavra ao Relator, Deputado Marcelo Barbieri. O SR. DEPUTADO MARCELO BARBIERI – Sr. Presidente, tendo em vista que estamos com problema de horário, pois às 17 horas a Ordem do Dia se iniciará, gostaria apenas de dizer, após ter ouvido a autora do projeto — e penso que os demais Deputados também gostariam de ouvi-la —, que recebi duas propostas: uma do SBT; outra da Associação dos Roteiristas Profissionais de Televisão, Cinema e outras Mídias. 49 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Esse debate avançou bastante. Eu o acompanho desde 1995, quando fui Presidente desta Comissão, e lembro-me de que houve debate preliminar sobre o assunto, porém muito difícil. Depois que assumi a Relatoria, propus várias vezes a realização de audiência pública. Finalmente, conseguimos, com o apoio do Deputado Narcio Rodrigues, entusiasta da realização desta audiência. Estamos avançando, sim. Contudo, é inevitável, diante dos fatos que ocorrem hoje no mundo, em particular na América, tendo em vista a ALCA, que ajustemos o projeto à realidade. Como disse o Sr. Evandro Guimarães, se não nos precavermos, a cultura nacional vai ser varrida pela produção que vem em pacote e que está crescendo muito no Brasil. Ficou provado no debate que as condições em que foi feito o projeto são absolutamente diferentes das atuais. Precisamos atualizar o projeto. A Deputada Jandira Feghali concorda que existe uma questão de temporalidade, motivo por que temos de modificar o conteúdo do projeto, adaptando-o à nova realidade do mercado brasileiro de comunicação de massa. Infelizmente, não tivemos um projeto de comunicação de massa apresentado pelo Governo, pelo Executivo — o Deputado Narcio Rodrigues sabe disso. Passamos todo o ano de 2001 cobrando isto do Ministro Pimenta da Veiga, a quem competia enviar à Câmara dos Deputados esse projeto. Até hoje ele não chegou. É difícil discutir sobre esse projeto de lei sem pensar no conjunto da comunicação social do Brasil de hoje, e não vejo perspectiva de que isso aconteça neste Governo, que está a seis meses de seu término. Fatalmente, isso não vai ocorrer. Mas que não se perca de vista essa questão. A lei de comunicação de massa no Brasil, que não existe, tem de fazer parte do escopo da legislação brasileira. 50 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 A contribuição da Deputada Jandira Feghali em promover a discussão em torno desse projeto foi positiva, e eu me somo a esse esforço, como Relator e autor do requerimento para realização desta audiência pública, aprovado pelos colegas da Comissão. Estamos vivendo, no Brasil, momento muito delicado. Louvo as observações dos representantes de redes nacionais, como a RBS, que é regional, e a rede de tevês de Florianópolis, representada pelo Sr. Marcelo Petrelli, Diretor Superintendente da TV O Estado de Florianópolis. Senti em todos os depoimentos que há empenho coletivo para valorização de produção regional. Ninguém se contrapôs à importância da produção regional, porque sabemos que é exatamente dela que nascem as condições para produção nacional. Desse celeiro das produções regionais, podemos ter grandes artistas, grandes produtores, grandes escritores da produção nacional, que são sucesso no Brasil. Indiscutivelmente, a qualidade da nossa televisão tem a ver com a qualidade da nossa produção. Se há audiência é porque há qualidade. Se não houver qualidade, não haverá audiência. Sabemos que, sem audiência, faltam as condições financeiras para seu sustento. Esse debate de hoje é importante por viabilizar algo que fortaleça a produção cultural brasileira de qualidade. Percebi também nos depoimentos que não há contraposição à necessidade de fortalecimento da nossa produção cultural. Se não nos preocuparmos com isso diante do debate que teremos no futuro, repito, corremos sério risco de ver a falência da nossa produção cultural, o que não é o desejo de ninguém, muito menos a vontade política deste Parlamento, que tem a intenção de representar o Brasil. Do contrário, faremos coro ao que disse recentemente o Sr. George Soros, ou seja, que a eleição não é para o Brasil ou para 51 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 os brasileiros; quem tem de escolher o Presidente da República é o mercado financeiro norte-americano, e coisas desse tipo — ele se arrependeu depois, mas o disse, e suas palavras foram veiculadas pela mídia brasileira. Sr. Presidente, temos de organizar visitas a algumas televisões. Elas poderão ser feitas em julho, durante o recesso Parlamentar, caso V.Exa. e o Deputado Wanderval concordem, aos centros de produção existentes no Brasil, no que, acho, podemos contar com o apoio das redes de televisão — essa foi a intenção manifesta aqui — para não ficarmos tratando do assunto de maneira superficial. É evidente que não poderemos visitar todos, haja vista o momento político que estamos vivendo. Estamos em campanha eleitoral, quase todos somos candidatos à reeleição. Mas poderíamos aproveitar o período do recesso, pelo menos um ou dois dias, para traçarmos um roteiro de visitas, com a finalidade de analisarmos um pouco o que está sendo feito em termos de produção cultural regional no País, tentando atender a todas as regiões. As regiões mais frágeis devem merecer maior atenção do nosso substitutivo, pois algumas apresentam baixos índices de densidade populacional e de ocupação do mercado publicitário. Temos dados da participação por região desse investimento publicitário em televisão: o Norte possui apenas 4%; o Centro-Oeste, apenas 8%; o Sudeste, 61%; o Nordeste, 12%; e o Sul, 15%. Esses dados reforçam a necessidade da regionalização, até para se poder fomentar o desenvolvimento do mercado publicitário nessas regiões. Eu, Relator que sou da matéria, e a própria autora do projeto estamos abertos a sugestões. Queremos avançar nesse projeto e não engavetá-lo. Minha experiência de doze anos como Parlamentar neste Congresso foi a de não protelar decisões. Quando tenho um projeto em mão, vou até o fim, tentando aprová-lo da melhor forma possível. Ninguém deve aprovar algo com que 52 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 não esteja de acordo. Se queremos aprovar um projeto repudiado pelo grande segmento, ele não passa. Temos essa consciência e essa experiência. Portanto, faço um apelo no sentido de que avancemos no projeto até o final deste ano. Melhor aprovarmos algo nesta atual Comissão com este atual Parlamento do que não aprovarmos nada. O Senado aprovou o projeto do Senador Antero Paes. Não sei se atende aos interesses nacionais, se está a contento dos segmentos aqui representados; quero crer que não. Mas precisamos avançar de alguma forma, e a Câmara é a Casa que pode expressar realmente, de maneira mais democrática e mais ampla, o conjunto dos interesses da população brasileira. Pelo menos é o que sentimos pela diversidade da representação parlamentar nesta Câmara. Assim, gostaria de sugerir que em julho fizéssemos as visitas. É evidente que entre agosto e setembro não teremos condições de vir a esta Comissão para discutir o projeto, mas que possamos trazer à votação, em outubro, o substitutivo com apoio da nobre colega Jandira Feghali, que provocou esse polêmico debate a partir da reapresentação do projeto da Lídice, que foi a autora na época. Caso os Presidentes da Comissão e da Subcomissão e seus respectivos Relatores concordem, poderemos chegar a um acordo quanto ao substitutivo. Não vamos trazer o substitutivo do Relator ou da autora porque sabemos ser limitante para efeito de aprovação, mas que seja o substitutivo do conjunto dos membros desta Comissão e da Subcomissão para que contribuamos e também representemos o anseio do setor de comunicações de massa do Brasil. Não devemos permitir que apenas amanhã tenhamos aqui o projeto do Senado, pois, desde 1991, a Câmara possui um projeto que, mal ou bem, tramita pela Casa, e o Senado aprovou, em pouquíssimo tempo, em sua Comissão de Educação, o projeto do Senador Antero Paes. 53 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Em 1995, como Presidente desta Comissão, batalhei pela aprovação do Conselho de Comunicação e houve enorme resistência à instalação do mesmo, que é instrumento democrático de participação. A votação que o aprovou na Câmara e no Senado mostrou que todos os segmentos lá estão representados. Mas não acho correto que o Conselho substitua nosso papel legislativo, conforme levantou o Presidente. Mas é óbvio que também podemos ouvi-lo, pois faz parte do processo legislativo. Uma vez instalado, o que esperamos aconteça ainda neste semestre, o Conselho muito contribuirá com nossa Comissão. Podemos ouvi-lo, receber seu substitutivo e sua sugestão, que será levada em consideração por esta Comissão. Nada do que foi dito deve ser desperdiçado, mas incorporado, e temos um prazo para aprovação do substitutivo na Comissão. Essa a minha intenção como Relator. Então, que realizemos as visitas em julho e, em outubro, aprovemos o projeto na Comissão e na Subcomissão. Essa a minha sugestão. A SRA. DEPUTADA JANDIRA FEGHALI – Deputado Marcelo Barbieri, desculpe-me a interrupção, mas solicitei ao Deputado Dr. Hélio que as sugestões do conjunto dos expositores e das entidades viessem num curto espaço de tempo, para que pudéssemos começar a trabalhar as idéias. O SR. DEPUTADO MARCELO BARBIERI – Acredito que, nesse prazo que estabelecemos, é plenamente possível que todos tragam sugestões e propostas de substitutivo. A SRA. DEPUTADA JANDIRA FEGHALI – Que seja feito até agosto. O SR. DEPUTADO MARCELO BARBIERI – Há uma proposta apresentada pelo Borghetti, que trabalha no SBT. A SRA. DEPUTADA JANDIRA FEGHALI – Seria bom conhecermos a proposta concreta. 54 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 O SR. DEPUTADO MARCELO BARBIERI – Recebi outra proposta da ARTV, Associação dos Roteiristas de Televisão, Cinema e outras Mídias, para que tivéssemos um prazo até outubro, ou antes disso, para recebermos as sugestões, a fim de que em outubro pudéssemos trazer uma proposta de acordo, passando pelo crivo da nossa Subcomissão e, depois, da Comissão. Esse o encaminhamento que sugiro aos nobres colegas da Comissão. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Esta Presidência acha correta a sugestão de V.Exa. e, inclusive, após essa visitação, poderemos ter uma conversa com o setor para que nos envie suas sugestões. Tenho certeza de que o Presidente da Comissão já se manifestou favoravelmente. O SR. DEPUTADO NARCIO RODRIGUES – Em função das considerações feitas pelo Deputado Marcelo Barbieri, acho gravíssima a omissão do Governo na não-remessa da Lei de Comunicação Eletrônica de Massa a esta Casa. O fato de o Ministro dizer que, por estarmos em ano eleitoral, não seria prudente enviá-la também é um erro. Nada há que impeça que essa lei, depois de ter sido alvo de duradoura consulta pública que permitiu que a sociedade apresentasse tantas contribuições, ficasse em poder do Executivo, sem vir para debate nesta Comissão, que poderia aperfeiçoá-la, melhorá-la e transformá-la em importante ferramenta de discussão. Desde que o Deputado Marcelo Barbieri nos procurou com o projeto da Deputada Jandira Feghali, identificamos essa iniciativa com clareza, pelo fato de ser uma proposta que está tramitando desde 1991, que mostra como as coisas são lentas quando não há vontade política de as mesmas serem executadas e o tanto que é necessário regulamentar essa área. Assim, entendo que esse assunto deve ser priorizado pela Presidência da Comissão. Devemos, ainda nesta Legislatura, tratar do assunto e dar resposta a 55 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 quem de direito. Devemos, conforme sugeriu o Relator, Deputado Marcelo Barbieri, realizar grande audiência pública abrindo o tema à discussão. Tenho certeza de que a Subcomissão, agora com a incumbência de debater e se aprofundar no tema, poderá dar contribuições ainda mais amplas para que se tenha o pretendido relatório, somando-se todo o esforço coletivo no sentido de construir lei que sirva ao interesse de todos. Vejo com clareza que há dificuldade de natureza técnica, há problemas de natureza operacional, há vários questionamentos a serem feitos, mas também não se pode negar que, hoje, mais do que nunca, é fundamental ao País que haja uma política de comunicação que atente para a questão regional e para a questão da comunicação, importante instrumento para criação da identidade cultural do País. Ao ouvir o Deputado Marcelo Barbieri, que tantos serviços tem prestado a esta Comissão e, por conseqüência, ao Brasil, concluí que talvez essa seja mais uma das oportunidades históricas de esta Comissão deixar marca para a próxima Legislatura. Votando esse projeto, vamos entrar no próximo exercício com uma lei que realmente poderá servir para melhorar a comunicação social no Brasil. De todos os projetos que estão tramitando na Comissão, incluiria este entre os dez prioritários para que esta Comissão possa dar sua contribuição aos debates da Câmara dos Deputados, inclusive no tocante às prioridades nacionais. Vamos dar amparo à Subcomissão e ao Relator para que seja cumprido o cronograma estabelecido, que me parece factível, possível de ser realizado. E, dentro desse espírito de somar todas as contribuições, que cheguemos a resultado que sirva, sobretudo, à sociedade brasileira. 56 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Deputado Narcio Rodrigues, se V.Exa. me permite, antes de passar a palavra ao Dr. Hélio, gostaria apenas de complementar suas palavras. Creio que o grande problema é que não recebemos do Poder Executivo a Lei de Comunicação de Massa nem a elaboramos conjuntamente. Todos esses assuntos deveriam estar no bojo dessa questão e ficaram de fora da Lei de Telecomunicações. E tanto para rádio como para televisão, hoje as concessões são tratadas de forma diferenciada. Atualmente, para que uma pessoa física ou jurídica possa concorrer à concessão de rádio ou de televisão, ela tem de garantir alguns pressupostos, entre os quais a proposta técnica que inclui os percentuais de programação local, de programa educativo, cultural e jornalístico. Tudo isso está nos novos contratos de concessão e na própria concorrência pública, que é uma pontuação a ser alcançada para continuar e passar para a terceira fase, que é a do preço. Portanto, existe um descompasso entre as atuais e as antigas concessões. Hoje ela é feita por concorrência pública e todas as questões estão ali inseridas, inclusive a programação local. Esse projeto, então, é bastante complexo, exatamente porque temos de dar tratamento igual a todas as rádios e televisões, as atuais e as antigas, o que não ocorre atualmente, porque, além da questão da baixa potência que às emissoras está sendo auferida — elas não podem ter concessões mais altas —, há descompasso entre o que era e o que é atualmente. A legislação não foi modificada; continua a mesma. Continuam todos os passos que rádio e televisão possuíam quando a concessão era discricionária e feita pelo Governo Federal. E, hoje, através da concorrência pública, continua vigorando a mesma legislação. Ela tem de ser modificada totalmente. 57 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Esse é apenas um detalhe da programação regional dentro da Lei de Comunicação de Massa. Passo a palavra ao Deputado Dr. Hélio. O SR. DEPUTADO DR. HÉLIO – Gostaria de levantar algumas questões durante esta audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia, mas, devido ao adiantado da hora e por termos de nos dirigir ao plenário, apenas cumprimento, em primeiro lugar, a colega Jandira Feghali pela obstinação. Já se vão onze anos. V.Exa. praticamente conseguiu seu intento, que é o de despertar esta Comissão para assunto de relevância, um grande desafio para todos aqueles que entendem da área de comunicação social, mas que é extremamente necessário por estar apontado na Constituição Federal e tem de ser perseguido. Cumprimento ainda o Relator, por trazer esse assunto à Comissão de Ciência e Tecnologia através de audiência pública. O último pedido de vista de relatório pronto foi feito em agosto de 1999 pelos Deputados Santos Filho e Júlio Semeghini, época em que já poderia ter sido apresentado. Hoje, ele adquire caráter conclusivo, para o que chamo a atenção de V.Exas., pois foi aprovado numa Comissão de mérito no Senado projeto que deverá vir a esta Comissão, na Comissão de Constituição e Justiça, não tendo seguido para o Plenário naquela Casa. Portanto, veio a esta Casa e, infelizmente, por questão regimental, seu projeto está apensado a outro aprovado no Senado, embora tenha o mérito de ser o primeiro, mas está apensado. E esta Comissão passa a ter caráter conclusivo. Daí a importância de aprimorarmos a discussão, modernizar o projeto, de levar em conta que houve imenso avanço tecnológico nesses onze anos, de considerar as questões econômicas e da necessidade de sobrevivência dos setores mediante o avanço dos programas estrangeiros do nosso País. 58 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 Mas o fato é que temos de ter chances e oportunidades de poder elaborar emendas e sugestões ao Relator diante do projeto do Senador Antero Paes, diante da realidade das modificações a que temos de nos adaptar, ou seja, essas novas tecnologias prevalentes, esse avanço de programações estrangeiras que para cá vêm. Recebi de vários profissionais da área a advertência de que temos a obrigação de cobrar do Poder Executivo incentivos às programações culturais regionais. A televisão não produz programas culturais, simplesmente os intensifica, reflete, aprimora e estabelece. Assim, temos o compromisso de cobrar do Poder Executivo que incentive e valorize mais os programas culturais regionais para que sejam transmitidos pelo rádio, que já cumpre satisfatoriamente essa questão, e pelas próprias televisões. Portanto, meu compromisso como membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, não membro da Subcomissão de Comunicação Social, é trazer emendas e sugestões ao Relator, considerando o caráter conclusivo desta Comissão nesse processo que vem sendo discutido há onze anos. Acredito que regimentalmente é importante trazer isso à baila, porque, senão, pensarão ser possível discutir, debater e aprofundar em plenário, e, na verdade, esta Comissão passa a ter importância estratégica devido ao seu caráter conclusivo pelo mérito da matéria. Era o que tinha a dizer. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Com a palavra o Relator. O SR. DEPUTADO MARCELO BARBIERI – Sr. Presidente, Deputado Dr. Hélio, estou aberto às sugestões das entidades, das empresas, dos segmentos 59 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática Número: 0626/02 Data: 18/06/02 sociais que aqui se pronunciaram e, evidentemente, dos meus colegas Parlamentares. Como já não há mais prazo de emenda, vou adotar um critério informal e depois trarei as sugestões ao debate. Assim, peço que todas as sugestões sejam feitas de junho até agosto, setembro, antes das eleições, pois, logo após, trarei um substitutivo que procurará refletir todos esses anseios e preocupações levantados nesta audiência pública. Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Marçal Filho) – Agradeço aos expositores e aos colegas Parlamentares presentes. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião. 60