FICHEIRO 1 Título da Comunicação: A gestão de custos: estudo de caso em uma fundação Nome dos Autores: a)Neusa Teresinha Ballardin Monser Email : [email protected] b) Isabel Cristina Bonatto Email : [email protected] Área Temática: A3 – Custos e gestão de custos no setor público e organizações sem fins lucrativos Palavras chave: Método de custeio; gestão de custos; fundações. Metodologia de Investigação Utilizada: M2 – Case/Field Study 2 A GESTÃO DE CUSTOS: ESTUDO DE CASO EM UMA FUNDAÇÃO Neusa Teresinha Ballardin Monser Mestre em Engenharia de Produção pela UFRGS, graduada em Ciências Contábeis, professora do MBA de Gestão Organizacional da FUNDATEC e do Centro Universitário Metodista do IPA, Rua Cel. Joaquim Pedro Salgado, 80 – Porto Alegre/RS - Brasil Isabel Cristina Bonatto Pós graduada em MBA de Gestão Organizacional pela FUNDATEC, graduada em Ciências Contábeis, Rua Cristiano Fischer, 2012 – Porto Alegre/RS - Brasil RESUMO O estudo foi desenvolvido a partir de uma pesquisa realizada com base na gestão de custos em uma fundação privada, sem fins lucrativos, caracterizada como organização do terceiro setor. Essas organizações requerem um processo de gestão eficaz, visando torná-las sustentáveis e transparentes no gerenciamento dos recursos. São fiscalizadas pelos órgãos de controle interno, como o Conselho Superior, e externo, o Ministério Público Estadual. Este estudo tem por objetivo analisar a gestão de custos em uma fundação privada como apoio a tomada de decisão. Os procedimentos metodológicos empregados caracterizam a pesquisa como qualitativa, sob uma análise descritiva. Os dados foram coletados por meio de entrevista individual, com quatro gestores, que teve como objetivo analisar o entendimento sobre o tema proposto, na visão dos gestores da instituição. Por meio da revisão bibliográfica, identificaram-se os principais métodos de custeio existentes, observou-se, com a aplicação do questionário aos gestores da fundação em estudo, que, para os custos diretos, existe uma melhor clareza na identificação e distribuição. Por outro lado, verificou-se que não existe na organização um critério definido que possa mensurar adequadamente seus custos, de acordo com os sistemas de custeio indicados pela literatura. Concluiu-se que nem todos os gestores possuem total conhecimento do método de custeio utilizado pela fundação, porém percebem a importância de um sistema de custo para atribuir aos serviços todos os gastos e, assim, melhor avaliar seus resultados. Palavras chave: Método de custeio; gestão de custos; fundações. 3 ABSTRACT The study was developed from a research held with basis on cost management in a private foundation, with no profit purposes, characterized as a third section organization. These organizations require an efficient management process, in view of helping them to become sustainable and transparent in the resource management. They are supervised by internal control organs, such as the Board of Counsel, and external, the State Public Ministry. This study has a purpose of analyzing the costs management in a private foundation. The methodological procedures engaged characterize the research as qualitative, under a descriptive analysis. The data was collected through an individual interview with four managers, with the expectation of analyzing the understanding of the proposed theme, through the eyes of the institution’s managers. Through bibliographic review, the main existent costing methods were identified and by the application of a questionnaire on the foundation’s managers in study it was stated that for the direct costs there is a better clarity on the identification and distribution. On the other hand, it was found that it is non existent in the organization a defined criteria that might properly measure their costs, according to the costing systems identified by the literature. It was found, as conclusion, that not all the managers have complete knowledge of costing methods used by the foundations, hence they perceive the importance of a costing system to assign all the expenses to the services and therefore better assess their results. Keywords: Costing method; management costs; foundation. 1 INTRODUÇÃO O ambiente em que as empresas estão inseridas, atualmente, é muito mais complexo e desafiador. Elas estão em constante mudança e crescimento para alcançar seus objetivos. Isso também ocorre em organizações consideradas do terceiro setor, caracterizadas por serem sem fins lucrativos. A complexidade e a instabilidade deste ambiente, causadas pelas mudanças contínuas, fazem com que as organizações lutem para manter-se em atividade. Nesse aspecto, elas necessitam direcionar maiores esforços ao planejamento e controle de seus custos e despesas geradas na elaboração dos produtos e serviços. 4 As organizações do terceiro setor dependem, em boa parte, de recursos gerados pelas próprias atividades desenvolvidas. Outras dependem de recursos disponibilizados pelos governos ou por doações, como é o caso das organizações não governamentais (ONGs) e demais formas de organização, além das instituições públicas. Esse fato gera dificuldades para manter sua sustentabilidade econômico-financeira, no entanto, elas necessitam de um maior controle e mensuração de seus custos. Isso tem levado os gestores a buscar instrumentos que possam melhor auxiliá-los no gerenciamento das atividades. Nesse contexto, o processo da gestão de custos tem sua importância em organizações do terceiro setor, as quais buscam estratégias para a redução de gastos e o aumento da eficácia na gestão dos recursos. A contabilidade também deve desempenhar seu papel, prestando informações adequadas, de modo a facilitar o desenvolvimento e a implementação das estratégias para a sustentabilidade da organização. Desse modo, este estudo visa responder a seguinte questão: Como é desenvolvida a gestão de custos em uma fundação privada? Partindo-se desta questão, este estudo tem por objetivo analisar a gestão de custos em uma fundação privada como apoio a tomada de decisão. Visando responder ao objetivo geral, estabeleceram-se os seguintes objetivos específicos: a) abordar a literatura que trata sobre custo e demais aspectos relativos a este tema; b) descrever o sistema de custeio adotado pela fundação privada em estudo e c) analisar aspectos da gestão de custo da fundação. Justifica-se a escolha do tema em parte por observar no local de trabalho da pesquisadora, uma organização do terceiro setor, especificamente em uma fundação privada, a necessidade de aprofundar estudos sobre o tema proposto. Este estudo é relevante, a partir da observação do crescimento econômico das instituições sem fins lucrativos. Dessa forma, surge a necessidade de informações mais específicas sobre o desempenho na gestão de custos, visando contribuir com informações mais precisas às decisões dos gestores. Tratar dessas questões tem grande relevância para as organizações do terceiro setor e para a sociedade. Nesse aspecto, a gestão de custos estruturada e definida tem grande importância para a organização, principalmente em organizações sem fins lucrativos, pois elas se mantêm através de recursos provenientes de fontes públicas e privadas. A aprovação das suas contas depende da análise de órgãos competentes, requerendo, dessa forma, um maior controle dos seus registros contábeis e, portanto, sendo necessária a otimização dos gastos. Para fins acadêmicos, o estudo contribui para desenvolver outros trabalhos mais específicos sobre a gestão de custos em entidades sem fins lucrativos, em diferenciadas formas de atividades de produtos ou serviços oferecidos ao mercado. A utilização de métodos 5 de custeios adequados para gerenciá-las serve, inclusive, como instrumentos de apoio na oferta de maior transparência das informações econômicas das organizações. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Aborda-se neste tópico a fundamentação teórica que serviu de base na elaboração desse estudo. 2.1 Sistemas de Custos Com o crescimento das empresas e a diversidade de produtos e serviços produzidos, constata-se a importância das informações fornecidas pela contabilidade de custos para fins gerenciais. Para Bornia (2002), os sistemas de custos podem ajudar a gerência da organização de duas maneiras: auxiliando o controle e as tomadas de decisões e indicando onde podem estar ocorrendo situações não previstas, por meio de comparações padronizadas e orçadas. A análise de um sistema de custeio serve para mostrar a relevância das informações dentro das necessidades da organização, bem como saber gerenciar os dados de forma que se transformem em informações adequadas nas decisões. A qualidade de um sistema de informações em organizações do terceiro setor depende da habilidade dos responsáveis pela alimentação do sistema com dados apropriados. Da mesma forma, a partir do momento em que a informação correta é produzida, torna-se necessária a ação de um usuário (gestor), para fazer o uso adequado dela. Conforme Parisi (2001), o sistema de gestão atua proporcionando simulações das aplicações dos recursos, com a criação otimizada de valor, a fim de que seja elaborado o melhor plano de ação e orçamento possível. Para isso, o sistema detecta e fornece os padrões físicos de recursos necessários para cada tipo de serviço, subprocesso e área da organização, bem como a formação dos seus preços de venda de produtos e serviços. Dessa forma, os sistemas de custos ou de informações gerenciais devem estar ligados aos objetivos da contabilidade de custos de maneira correta e confiável para posterior tomada de decisão. Por isso, as organizações, especialmente as sem fins lucrativos ou fundações, necessitam ter esse controle para uma análise de qual o custo unitário de um produto ou serviço oferecido. Também é possível se obter um melhor gerenciamento dos custos de forma que não acarretem resultados insatisfatórios para essas entidades, visto que elas, em sua maioria, são geradoras de seus próprios recursos. 6 2.2 Métodos de Custeio O método de custeio de produtos e serviços tem como objetivo trazer informações relativas aos gastos, sendo considerada uma função da contabilidade de custos. Os métodos adotados geram informações específicas que contribuem no controle de custos e nas decisões dos gestores das organizações. 2.2.1 Custeio Variável ou Direto No custeio variável, ou direto, apenas os custos variáveis em nível unitário são relacionados aos produtos, sendo os fixos considerados como custos do período. Pode-se dizer que o custeio variável está relacionado com a utilização de gastos para o apoio à decisão de curto prazo, em que os custos variáveis tornam-se relevantes e os fixos não, pois estes independem da produção (BORNIA, 2002). Para Hansen e Mowen (2001), os fixos são tratados como custos do período e não entram no estoque como os outros custos do produto, sendo registrados no resultado do exercício em que são realizados. Os autores destacam ainda que o fato de tratar os custos fixos como despesa do período reduz os custos de fabricação dos produtos que ficam em estoque. 2.2.2 Custeio por Absorção Integral Esse método atribui todos os custos (fixos e variáveis) relacionados ao esforço de fabricação, sendo eles alocados aos produtos e serviços. Os custos fixos são alocados aos produtos através de um critério de rateio estabelecido, e os custos variáveis são alocados diretamente aos produtos e serviços. Para Martins (2003), o custeio por absorção integral consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados e somente os de produção, e todos os gastos referentes ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos e serviços elaborados. Segundo Hansen e Mowen (2001), o custeio por absorção aloca todos os custos de manufatura, materiais diretos, mão de obra direta, custo indireto de fabricação variável e uma parte dos custos indiretos de fabricação fixos para cada unidade de produto. Assim, cada unidade produzida e completada leva esses custos para o estoque e, quando o produto é vendido, o custo será registrado na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) como 7 custo dos produtos vendidos. Esse custeio é usado para calcular três medidas de lucro: lucro bruto, resultado operacional e resultado líquido. 2.2.3 Custeio Baseado em Atividades ou ABC (Activity-Based Costing) O Custeio Baseado em Atividades atribui os custos de acordo com o consumo de recursos pelas atividades e destas pelos produtos e serviços. O ABC aloca, primeiramente, os custos indiretos de fabricação a uma unidade funcional, criando grupos de custos das fábricas ou de departamentos. Após, esses custos agrupados são distribuídos ao produto usando apenas os direcionadores de atividade baseados em unidade. Esses direcionadores são fatores que medem as demandas colocadas nas atividades em nível unitário por produto, ou seja, para cada uma das vezes que uma unidade de um produto é produzida (HANSEN; MOWEN, 2001). Para Bornia (2002), as informações fornecidas pelo ABC servem para orientar a atenção das gerências às atividades responsáveis pelos custos, permitindo melhor visualização dos impactos causados por decisões e melhor controle dos custos fixos. Ou seja, ele é um modelo de apoio às decisões de longo prazo. Esse método atribui todos os custos diretos e indiretos bem como as despesas administrativas e comerciais a)Para Martins (2003), o ABC enfoca cada etapa do processo como um centro de custos, onde, cada atividade de transformação, agregará custos aos produtos ou serviços, sendo assim, a distribuição dos gastos será utilizada de forma mais distinta e sucinta, fornecendo um custo mais próximo do real, permitindo ao administrador uma visão mais clara sobre a situação financeira da organização. Portanto, o método de custeio ABC é uma importante ferramenta de gestão empresarial, sendo necessário definir os direcionadores mais adequados para a obtenção das informações desejadas para um efetivo gerenciamento eficaz dos custos e decisões da organização. 2.2.4 Método de custeio por centro de custos ou RKW (Reichskuratorium fur Wirtschaftlichtkeit) O método de custeio por centro de custos, ou RKW (Reichskuratorium fur Wirtschaftlichtkeit), aloca aos produtos e serviços todos os gastos fixos e variáveis da organização, não somente os custos, mas também as despesas operacionais e financeiras. 8 Dessa forma, mensura-se o montante total gasto pela organização na obtenção de receitas com produtos e serviços de um período. De acordo com Martins (2003), o método RKW considera o custo de oportunidade, referindo-se à remuneração do capital próprio. Destaca ainda a importância no uso do método em considerar o rateio dos custos e despesas totais, demonstrando-se, assim, que dessa forma é possível chegar ao valor de produção e vendas para mensurar o preço de venda final do produto ou serviço. Nesse contexto, Bornia (2002) destaca que a distribuição dos custos deve representar da melhor forma possível o uso dos recursos. Segundo o autor, os custos são os valores dos insumos, e sua distribuição deve respeitar o consumo daqueles insumos pelas unidades. No entanto, cada unidade que usou certo recurso deve arcar com os custos correspondentes. Diante das definições dos quatro métodos de custeio apresentados, podemos concluir que cada um deles tem uma funcionalidade específica, sendo uns mais indicados como instrumentos gerenciais, outros para fornecer informações através dos relatórios gerenciais e são mais abrangentes na visão de curto e longo prazo. Isso varia de acordo com as características e atividades desenvolvidas por cada organização. Na representação a seguir, no quadro 1, é possível verificar a relação dos métodos de custeio de acordo com a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), a qual demonstra as comparações dos valores unitários em cada método. Quadro 1 : Métodos de Custeio e demonstração de resultados Total - R$ Receita Operacional Bruta (-) Impostos s/ vendas (20%ICMS,PIS,COFINS,ISS) (=) Receita Operacional Líquida I (-) comissões sobre venda líquida Qtd. Produtos Custo Unitário dos Produtos e Serviços Custeio Custeio Custeio ABC e Direto/Variável p/absorção Integral RKW 1.250.000,00 250.000,00 1.000.000,00 80.000,00 2.500 2.500 32,00 32,00 32,00 32,00 100,00 Receita Operacional Líquida (-) Custo dos Produtos e Serviços Vendidos 920.000,00 2.500 660.000,00 2.500 Materiais diretos 250.000,00 2.500 100,00 100,00 100,00 2.500 36,00 36,00 36,00 Mão de obra direta 90.000,00 36,00 continua 9 Mão de obra indireta 130.000,00 Despesas gerais 90.000,00 2.500 52,00 52,00 52,00 2.500 36,00 36,00 36,00 40,00 40,00 40,00 2.500 34,00 34,00 44,00 44,00 Depreciações 100.000,00 2.500 (=) Lucro Bruto 260.000,00 2.500 (-) Despesas Operacionais 195.000,00 2.500 Despesas administrativas 85.000,00 Despesas comerciais 110.000,00 2.500 (=) Lucro Operacional 65.000,00 2.500 (-) Despesas financeiras (=) Lucro líquido antes dos impostos sobre o Lucro Custo Unitário Total do produto ou Serviço Fonte: Padoveze, 2006 (adaptado) 25.000,00 2.500 40.000,00 2.500 10,00 296,00 374,00 168,00 384,00 Com os dados neste quadro, pode-se fazer uma análise da diferenciação dos custos unitários dos produtos em diferentes métodos de custeio. Tomando-se por base o resultado obtido de cada método, é possível analisar a rentabilidade, ou seja, qual a margem de lucro viável para a organização, considerando um preço de venda adequado ao produto ou serviço. No quadro 2, a seguir, apresenta-se um resumo da rentabilidade obtida com apuração dos custos em cada método. Quadro 2 - Análise da rentabilidade - Custo unitário Custeio Custeio Custeio ABC e Direto/Variável p/absorção Integral RKW Preço de venda 400,00 400,00 400,00 400,00 Custo Unitário 168,00 296,00 374,00 384,00 Lucro Unitário 232,00 104,00 26,00 16,00 Margem de Lucro (%) 58,0% 26,0% 6,5% 4,0% Fonte: Padoveze, 2006 (adaptado) Considerando que cada método possui uma definição específica, há diferenciação nos resultados. Assim, chega-se à mensuração mais viável dos custos agregados ao produto ou serviço. Esses resultados são informações importantes de apoio à gestão, pois apresentam de forma mais detalhada dados do andamento e do desempenho atual dos custos de um período. 10 2.3 Gestão de custos no setor de serviços O setor de serviços abrange aproximadamente três quartos da economia e dos empregos nos Estados Unidos, segundo Hansen e Mowen (2001). É previsto ainda um aumento nesse número em tamanho e importância, de acordo com o crescimento da produtividade dos serviços em diversos segmentos. A expansão da concorrência deixou os gestores desse setor mais preocupados em relação à necessidade de usar informações contábeis para o planejamento, o controle e a tomada de decisão. Com a procura por melhores informações, o setor de serviços aumentará a sua demanda por informações mais precisas sobre a gestão de custos (HANSEN; MOWEN, 2001). O setor de serviços (ou terciário) da economia brasileira envolve a comercialização de produtos e a prestação de serviços comerciais, pessoais ou comunitários à população. As estatísticas disponíveis revelam a importância do setor de serviços para a economia brasileira. Em 2008, o setor contribuiu com 65,3% do valor adicionado ao PIB e foi, no mesmo período, o principal receptor de investimentos diretos (38,5%). Tradicionalmente, é também o maior gerador de postos formais de trabalho do País. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2007, os empregos registrados nas categorias construção civil, comércio, serviços e administração pública totalizaram 76,03% do volume de empregos formais no Brasil. Esses dados em conjunto demonstram um mercado com grande potencial de desenvolvimento, pois mais de 50% da riqueza produzida no Brasil provêm do setor de serviços, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 2010. Com o crescimento desse setor e o avanço nas tecnologias de informações, do ambiente econômico atual das organizações, criou-se a necessidade de uma reestruturação na gestão de custos, com foco em sistemas de contabilidade gerencial. Estes levam a informação detalhada à diretoria das instituições, com ou sem a finalidade de lucros, como é o caso das fundações privadas, objeto desse estudo. Segundo Bornia (2002, p. 32), “todas as empresas (inclusive de serviços) estão sendo obrigadas a se adaptar à nova realidade do mercado e a se aperfeiçoar de forma contínua e eficiente”. De acordo com o autor, os gerentes da organização devem identificar e eliminar os desperdícios ocorridos na realização das atividades, pois, com a concorrência acirrada, para uma empresa manter-se ativa no mercado, depende da competência e conhecimento do gestor. 11 Segundo o autor, entende-se por desperdício todo o insumo consumido de forma não eficiente e não eficaz, e isso acontece desde o uso dos materiais até as atividades desnecessárias, então há necessidade de controle dos custos de bens e serviços geridos pela organização. Trata-se, portanto, da gestão de custos voltada ao setor de serviços, ou seja, definir práticas gerenciais de custos através da utilização de métodos de custeio. Os métodos são necessários para assegurar os resultados dos serviços. Nas organizações, principalmente nas de serviços, um dos objetivos fundamentais é fornecer suporte para o controle dos custos. Bornia (2002) defende que a ideia básica de custos para controle é manter um padrão de comportamento e análise dos custos, ou seja, definir quais deveriam ser os montantes para, ao final da apuração dos custos do período, fazer a comparação com os custos realizados. Um modelo de gestão é a matriz do subsistema de gestão, que é traduzido dentro da organização em um processo orientado, que permite a ordenação de sua administração para o fluxo do processo de tomada de decisão, em todas as estratégias empresariais (PADOVEZE, 2005). Nesse contexto, pode-se dizer que a gestão de custos deverá estar bem conduzida para que as organizações, inclusive as do terceiro setor, tenham um controle minucioso dos seus gastos gerais, de acordo com cada atividade ou unidade de negócio, exercido pela organização. É fundamental definir critérios de rateio para um melhor planejamento e controle dos gastos, de forma a atingir o objetivo na execução das atividades. A gestão estratégica de custos representa uma comunicação entre o processo de gestão dos custos com o processo de gestão e de tomada de decisão da organização. Nesse aspecto, Hansen e Mowen (2001, p. 423) caracterizam a gestão estratégica de custos como sendo “o uso de dados de custos para desenvolver e identificar estratégias superiores que produzirão uma vantagem competitiva sustentável.” Assim, a organização passa a tomar suas decisões levando-se em conta a informação de custos de seus produtos e serviços. 2.4 Conceitos e características das organizações do terceiro setor As entidades do terceiro setor, consideradas sem fins lucrativos, vêm desenvolvendo funções cada vez mais amplas e relevantes, realizando atividades de caráter beneficente, filantrópico, caritativo, religioso, cultural, educacional, científico, artístico, esportivo, entre outros serviços, objetivando sempre a consecução de fins sociais. Essas organizações adotam 12 a forma jurídica de associações ou de fundações, ambas previstas pelo Código Civil Brasileiro, com evidente contribuição para o desenvolvimento econômico, social e político das nações (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE; FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE CONTABILIDADE, 2003). Olak e Nascimento (2006) acrescentam ainda que as entidades sem fins lucrativos em geral: São instituições privadas com os propósitos específicos de provocar mudanças sociais e cujo patrimônio é constituído, mantido e ampliado, a partir de contribuições, doações e subvenções e que, de modo algum, se reverte para os seus membros ou mantenedores (OLAK; NASCIMENTO, 2006, p.6). As finalidades definidas no estatuto da instituição (missão) devem compreender os objetivos e valores da organização, sendo definidas quando constituídas, ou seja, do estatuto consta o objetivo básico da fundação, o qual ela deverá seguir no desempenho das atividades. Segundo Olak e Nascimento (2006), para as entidades sem fins lucrativos ou do terceiro setor, o lucro não é o objetivo, por outro lado, elas precisam ter superávits que devem ser utilizados na manutenção ou expansão das atividades da entidade. Drucker (2001) salienta que numa empresa o resultado (lucro ou prejuízo) será usado para avaliar seu desempenho e poderá, caso haja lucro, ser distribuído aos dirigentes. Por outro lado, para as entidades sem fins lucrativos, os resultados gerados e o desempenho são importantes, mas nem sempre fáceis de medir, controlar e destinar, ou seja, os dirigentes devem definir onde aplicar os recursos em benefício da organização. De acordo com esses autores, as entidades do terceiro setor seguem, no seu âmbito organizacional, características próprias para realizarem a adequada gestão. As características das entidades sem fins lucrativos são assim descritas por Olak e Nascimento (2006): O lucro não é a razão de ser, mas é necessário para garantir a continuidade e o cumprimento dos seus propósitos institucionais; seus propósitos institucionais, quaisquer que sejam suas preocupações específicas, objetivam provocar mudanças sociais; o patrimônio pertence à sociedade como um todo ou segmento dela, não cabendo aos seus membros ou mantenedores quaisquer parcelas na sua participação econômica; as contribuições, doações e subvenções constituem-se, normalmente, as principais fontes de recursos financeiros, econômicos e materiais dessas entidades (OLAK; NASCIMENTO, 2006, p.6). 13 A partir dessas características, pode-se dizer que essas organizações necessitam ser bem geridas, mesmo que não possuam donos (sócios). Os administradores devem direcionar os resultados gerados em benefício da organização, e assim como nas empresas com fins lucrativos, as do terceiro setor também necessitam de resultados econômicos para sua sustentabilidade. Sem isso elas não sobreviveriam. A seguir, no quadro 3, apresenta-se um resumo das principais características das entidades sem fins lucrativos. Quadro 3: Características das entidades sem fins lucrativos Objetivos Institucionais Principais Fontes de Recursos Financeiros e Provocar mudanças sociais Doações, contribuições, subvenções e prestação Materiais Lucro Patrimônio/Resultados Aspectos Fiscais e Tributários Mensuração do Resultado Social de serviços comunitários. Meio para atingir os objetivos institucionais e não um fim. Não há participação ou distribuição aos dirigentes. Normalmente são imunes ou isentas. Difícil de ser mensurado monetária e economicamente Fonte: Olak e Nascimento (2006). Tendo em vista a complexidade e a abrangência do terceiro setor, a pesquisa limita-se ao estudo de uma fundação privada sem fins lucrativos, cuja atuação está focada no setor de serviços. 2.4.1 As Fundações As Fundações são entes jurídicos que têm como fator preponderante a constituição do seu patrimônio. O estatuto disporá sobre a administração da fundação, especificando quais os órgãos que farão parte dela e quais as suas competências. A administração é composta de, no mínimo, dois órgãos: um deliberativo e outro executivo. O órgão deliberativo é denominado de Conselho Curador, e a este cabe deliberar sobre as diretrizes da fundação para atingir os fins estatutários, bem como aprovar a composição dos membros do órgão executivo da fundação; deliberar sobre as prestações de contas e relatórios de atividades do órgão executivo 14 e alterar o estatuto (CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE; FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE CONTABILIDADE, 2003). Segundo o Código Civil Brasileiro (2003), a criação de uma fundação se dá pelo instituidor, que, através de uma escritura ou testamento, destina bens livres, especificando o fim a ser alcançado. As fundações possuem sua própria legislação e classificação e são administradas de modo a atingir o cumprimento das finalidades estatutárias. Não existe uma fundação sem que haja a constituição de seu patrimônio, quer seja em dinheiro, imóveis, móveis, títulos ou outros bens. O Ministério Público Estadual (MP) é responsável por acompanhá-las e fiscalizá-las por meio da utilização do Sistema de Cadastro e Prestação de Contas (SICAP), conforme Resolução nº 2.434/2002 da Procuradoria Geral de Justiça. Para tanto, as fundações devem apresentar, de forma detalhada, a prestação de contas anual, até o último dia útil do mês de junho de cada ano, todas as informações estratégicas da fundação e os dados das movimentações econômico-financeiras ocorridas durante o ano anterior. Como visto, essas instituições possuem sua própria legislação e classificação e são administradas de modo a atingir o cumprimento das finalidades estatutárias, ou seja, o objetivo para o qual foram constituídas. 2.4.2 Gestão de Custos em Fundações A preocupação com a gestão das fundações tem se intensificado e se revelado um grande desafio para os gestores dessas entidades. Um dos maiores desafios é o desenvolvimento de uma estrutura de gestão adequada inerente às suas especificidades. Dessa forma, a gestão de custos é uma ferramenta importante para essas fundações, o que torna os resultados dos produtos e serviços mais precisos e confiáveis, bem como a veracidade e controle das informações apresentadas pela contabilidade de custos. Segundo Martins (2003, p.25), “a contabilidade de custos tem duas funções relevantes: o auxílio ao controle e a ajuda às tomadas de decisões”. A partir das informações obtidas dos custos e da posição estratégica de uma fundação, os gestores possuem as informações necessárias para estabelecer os preços de vendas de seus produtos e serviços. Assim como muitas organizações com fins lucrativos adotam uma contabilidade de custos estruturada, a fundação pesquisada também deveria ter seu método de custeio estruturado para que os gestores pudessem ter a visão mais ampla dos custos diretos e indiretos de cada área as quais gerenciam, bem como poder avaliar e definir um planejamento 15 estratégico aplicável, em conjunto com a diretoria. Atualmente existe a separação dos custos e despesas (fixas e variáveis) por área através de um sistema, onde é possível mensurar os custos diretos de cada serviço da fundação. Mas existe dificuldade na mensuração de despesas e gastos gerais indiretos, pois a organização ainda não possui um critério de rateio estabelecido para distribuição desses custos aos serviços. 3 ASPECTOS METODOLÓGICOS Este tópico aborda a metodologia a qual orientou o desenvolvimento desse estudo. A metodologia tem como objetivo descrever como a pesquisa foi realizada. A pesquisa é classificada com base nos objetivos do estudo os quais devem responder ao problema proposto. Dessa forma, ela pode ser classificada quanto à natureza, aos objetivos, e quanto à abordagem do problema. Quanto à natureza esta pesquisa classifica-se como aplicada, pois tem como objetivo apresentar um estudo sobre a gestão de custos em organizações do terceiro setor. Segundo Oliveira (2002), a pesquisa aplicada requer determinadas teorias mais amplas como ponto de partida, e tem como objetivo pesquisar, comprovar ou rejeitar ideias sugeridas pelos modelos teóricos e fazer a sua aplicação às diferentes necessidades humanas na pesquisa. E quanto aos objetivos este estudo caracteriza como uma pesquisa descritiva. Para Beuren (2004), a pesquisa descritiva configura-se em um estudo intermediário entre a pesquisa exploratória e a explicativa. Quanto à abordagem do problema este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, pois realizou-se uma análise mais detalhada sobre a investigação. BEUREN(2004) menciona que: Os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais (BEUREN, 2004, p. 91). Esta caracteriza-se como uma pesquisa participante, um estudo de caso, em que foi possível identificar os problemas, assim como as melhorias através da interação do pesquisador com gestores da organização pesquisada. A pesquisa participante faz a interação entre investigadores e grupo social, com o propósito de coletar informações sistemáticas, 16 diretamente do contexto ou situação específica do grupo. O estudo de caso refere-se ao levantamento com mais profundidade de determinado assunto sob todos os aspectos, mas é limitado, pois será específico ao caso que estuda, não podendo ser generalizado. Ele agrupa o maior número de informações detalhadas, com diferentes técnicas de pesquisa, visando aprender uma determinada situação e descrever a complexidade de um fato (MARCONI; LAKATOS, 2008). A pesquisa limita-se a analisar especificamente o caso de uma fundação privada. A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevistas individuais com quatro gestores das áreas de atividades operacionais, os quais ocupam cargos gerenciais nas Unidades de Negócios: Ensino, Projetos & Educação Corporativa; Gestão & Tecnologia; Marketing & Comunicação e Processos Seletivos & Concursos. Este estudo não tem a pretensão de confrontar de forma numérica valores entre os sistemas de custeio. Também não objetiva analisar profundamente as vantagens e desvantagens desses sistemas. O instrumento de coleta de dados utilizado foi a entrevista estruturad , a qual Marconi e Lakatos (2008, p. 92) descrevem como: Um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social (MARCONI; LAKATOS, 2008, p.92). As autoras destacam ainda que se trata de uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica, que pode proporcionar resultados satisfatórios e informações importantes para o desenvolvimento da pesquisa. A coleta de dados foi realizada no segundo semestre de 2010, sendo aplicada aos gestores de uma fundação privada. Por se tratar de uma pesquisa qualitativa, a técnica utilizada para analisar os dados foi a análise de conteúdo. Beuren (2004) relata que esse método tem por objetivo estudar as comunicações entre as pessoas, com maior ênfase no conteúdo das mensagens. Assim, ele privilegia dados qualitativos, embora também seja aplicável na abordagem quantitativa. Na análise de dados, Gil (1999 apud BEUREN 2004, p. 136) “explica que o objetivo é organizar sistematicamente os dados de forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema de investigação”. 17 Neste estudo, após as entrevistas realizou-se a análise dos dados. Para melhor análise e interpretação, organizou-se os resultados em três categorias conforme a ordem aplicada no roteiro de entrevista, as respostas obtidas dos gestores na aplicação da técnica, possibilitou comparar os dados a partir da informação coletada a qual permitiu interpretar e explicar os resultados. 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS A fundação, objeto do estudo, foi constituída em 1973 por um grupo de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com a finalidade de organizar e apoiar projetos científicos de pesquisa, em ensino, saúde, turismo, agronegócio, informática, entre outros. Entidade privada, sem fins lucrativos e com duração indeterminada, não visa à obtenção de lucros. Os resultados positivos gerados são aplicados no objetivo básico, citado no estatuto da fundação. Atualmente, os serviços oferecidos pela fundação requerem qualidade e bom atendimento aos clientes, fornecedores e consultores. Dessa forma, cada área possui um grupo de colaboradores que auxiliam no desenvolvimento das suas atividades de acordo com as necessidades do cliente. A fundação atua no mercado em diversas linhas de serviços, ou seja, integra como agente de estágios entre alunos, instituições educacionais e empresas; capacita profissionais nas áreas de pós-graduação e especialização; presta serviços de consultoria e treinamentos a empresas e pessoas físicas; na escola profissional, oferece cursos técnicos em nível médio a clientes; executa todo o processo na elaboração de concursos públicos e vestibulares desde a inscrição dos candidatos até a classificação final dos aprovados e atua na área de pesquisa, desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos. A fundação, atualmente, utiliza como sistema de rateio dos custos e despesas diretas a identificação por centro de custos ou centro de atividades. No entanto, para os custos indiretos, é utilizado um percentual estimado sobre os custos e as despesas administrativas. Portanto, ainda não está bem estruturada a utilização de um dos métodos de custeio propostos pela literatura, mas a partir dos conceitos sobre esses métodos, o que melhor se enquadra na fundação é o método de custeio variável ou direto. Para a realização desta pesquisa tomou-se por base o comparativo utilizado por Padoveze (2006, p.154), o qual utiliza quatro métodos de custeio de forma comparativa. Neste estudo buscou-se apresentar somente as características destes métodos, tendo por finalidade 18 identificar o que melhor atende a necessidade de informação de custos nesta fundação, objeto do estudo de caso. A pesquisa, com o objetivo de identificar as necessidades de informação de custos possíveis de se aplicar nesta fundação, foi realizada em forma de entrevista, in loco, com quatro gestores de áreas distintas, cujo tempo de permanência nos cargos é de dois a cinco anos. Isso evidencia que são profissionais experientes e acredita-se que conhecem a organização, bem como seu funcionamento, estrutura física e gerencial e que, em princípio, possuem conhecimento sobre a gestão de custos da fundação. Quanto ao perfil dos entrevistados e área de formação, dois deles possuem formação acadêmica em Administração de Empresas, um em Psicologia e outro em Jornalismo. Três deles estão realizando cursos de especialização na área de gestão organizacional. A análise e a interpretação dos dados foram realizadas a partir das respostas obtidas às perguntas, utilizadas no instrumento de pesquisa, aplicado por meio do roteiro de entrevista com perguntas fechadas, de forma estruturada. Os pontos abordados estão organizados em três grupos, a saber: a) Grupo I – Conhecimento em relação ao custo; b) Grupo II – Necessidade de informação de custos; c) Grupo III – Características dos métodos de custeio; Na seqüência, apresenta-se a análise e interpretação das respostas obtidas dos respectivos grupos e as conclusões do estudo. 4.1 Grupo I – Conhecimento em relação ao custo Na questão um, com o objetivo de identificar o conhecimento do gestor em relação à forma como são identificados os custos da organização, perguntou-se para os quatro entrevistados se possuem a informação de que a organização adota algum dos métodos de custo. Obtiveram-se quatro respostas positivas em relação ao conhecimento da existência de um método de custo. Na segunda questão, no caso de a resposta anterior ser positiva, perguntou-se sobre qual dos métodos de custos é utilizado na fundação. Para essa questão, das alternativas apresentadas, obtiveram-se três respostas de que o método utilizado é variável ou direto e uma resposta de que o gestor desconhece o método. Na pergunta três, foi questionado se a organização possui centros de custos ou centros de atividades para a distribuição dos custos. Foram quatro respostas positivas em relação ao 19 fato de que, na visão dos gestores, há um método utilizado na fundação para separar os custos, as despesas e obter com mais precisão os resultados das áreas. Depois disso, os registros são efetuados pela contabilidade para posterior análise dos resultados das áreas por meio de relatórios informativos por centro de custos ou atividades. Constatou-se, neste grupo de respostas, que nem todos os gestores possuem o mesmo conhecimento em relação aos métodos de custos utilizados na fundação. Isso prova que é deficiente o entendimento dos conceitos entre eles, mas a maioria dos entrevistados concorda que o método mais aplicável em relação aos conceitos propostos pela literatura é o custeio variável ou direto, em que apenas os custos variáveis são alocados aos serviços. 4.2 Grupo II – Necessidade de informação de custos No segundo grupo da pesquisa, objetivou-se identificar a necessidade de informação de custos para as tomadas de decisões e gerenciamento dos negócios na organização. A questão um foi referente ao fato de as áreas ou os gestores utilizarem informações de custo para a tomada de decisão. Foram três respostas positivas e uma negativa, ou seja, em 75% dos casos, a utilização das informações de custos é um item importante nas decisões. A questão dois teve por objetivo saber o percentual que cada gestor da área atribui em relação à utilização das informações de custo para a tomada de decisões estratégicas na organização. Identificou-se nas respostas dessa questão que cada gestor a entende e a identifica com percentuais diferenciados. Nas respostas, um dos gestores afirma que se utiliza 100%; dois entendem que utilizam 75% e um apenas 25% das informações dos custos da área é analisada e utilizada em uma decisão importante. A pergunta seguinte questiona os gestores em relação à necessidade de informação de custos, e se eles consideram adequados os preços dos serviços prestados pela fundação, e se entendem ser necessário monitorar os custos com vistas a sua otimização. Obtiveram-se quatro respostas positivas para essa questão, deixando claro que todos os gestores entendem ser necessárias as melhorias contínuas nos processos e controle dos custos e despesas, bem como a otimização dos resultados. Para tanto, na visão da literatura, a informação de custos, gerada por meio de um dos métodos de custeio, é um dos fatores importantes nas decisões, considerando que assim é possível analisar a continuidade na venda de um serviço e identificar se é rentável ou não mantê-lo nesse mercado competitivo. 4.3 Grupo III – Características dos métodos de custeio 20 No terceiro grupo de perguntas, objetivou-se identificar as características dos métodos de custeio e dos procedimentos aplicados em relação à alocação dos custos através do método utilizado. A questão um foi a seguinte: se o gestor considera que somente os custos diretos devem ser atribuídos ou alocados ao serviço da fundação. Em relação a esse questionamento, obtiveram-se aqui todas as respostas negativas, pois, na visão dos gestores, para que se possam identificar melhores resultados, é necessário somar também outros custos gerados na elaboração da precificação do serviço a ser realizado. A segunda questão foi realizada sobre a forma de acompanhamento do desempenho econômico, perguntando se o gestor considera que somente os custos diretos e indiretos devem ser atribuídos aos produtos ou serviços. Das respostas obtidas, foram três positivas e uma negativa. A outra pergunta foi saber a opinião do gestor sobre atribuir ao serviço os custos diretos, os indiretos e as despesas administrativas. Nesse caso, para essa questão, as quatro respostas foram positivas. A quarta pergunta refere-se à alocação dos custos aos serviços: “Na sua opinião, você considera que se deve atribuir ao produto os custos diretos, os indiretos, as despesas administrativas e também as despesas financeiras?” Duas repostas foram positivas e duas negativas. Na questão seguinte foi perguntado ao gestor se ele considera que um método de custos deve possibilitar a gestão dos custos com a finalidade de otimizá-los. Todas as respostas foram positivas, mostrando com isso a importância de um sistema que pudesse extrair informações detalhadas para avaliação da rentabilidade de cada serviço da área. Pelas respostas obtidas, observa-se que a fundação precisa melhorar o método de custos e sua estrutura, dessa forma, facilitaria a atribuição dos custos aos serviços. O controle e o entendimento conceitual sobre custos e despesas, são indispensáveis para o cálculo do valor unitário do serviço e necessário, para a formação do preço de venda final. Na sexta pergunta foi questionado se o gestor acha importante analisar as atividades que são desempenhadas pela fundação com vistas a avaliar o seu custo, para a identificação de quais agregam valor ou não ao serviço. Também para essa pergunta obtiveram-se quatro respostas positivas, em que todos entendem necessário analisar as atividades da fundação e avaliar melhor seus gastos. 21 Diante da análise das respostas, descreve-se na íntegra o comentário de um dos gestores: “acredito que este tema, método de custeio, é imprescindível para realizar uma boa gestão, e sugiro que a fundação adote uma política de custos e compartilhe com os gestores as diretrizes e acompanhamento dessa forma de custeio”. Constatou-se pelas respostas dos gestores que seria possível obter um resultado melhor de cada serviço, se a fundação otimizasse o sistema de mensuração dos custos e despesas utilizado atualmente. Com a implantação de um dos sistemas de custeio propostos, a organização teria um resultado mais adequado nos seus negócios. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo tem por objetivo analisar a gestão de custos em uma fundação privada como ferramenta de tomada de decisão. Desta forma foi possível identificar os principais conceitos sobre gestão de custos, bem como os principais métodos de custeio existentes. A fundação privada escolhida para a realização do estudo é uma organização sem fins lucrativos, porém necessita de resultados econômicos positivos para assegurar a sua continuidade. Baseado nas teorias propostas por diversos autores, o estudo possibilitou concluir que as informações de custos e o conhecimento dos gestores precisam ser otimizados na organização, a fim de melhor atender as necessidades internas na busca de resultados para a continuidade da instituição, visto que os recursos são gerados pelas próprias atividades. Portanto apresentam-se as principais conclusões deste estudo, sendo: Quanto ao conhecimento dos gestores em relação ao custo, se pode afirmar que o conhecimento de conceitos básicos sobre custos, bem como a utilização de um método de custeio possui uma significância expressiva nas decisões. Isso porque, com os custos distribuídos, é possível obter um resultado mais preciso de um produto ou serviço, e verificar a possibilidade de ser viável ou não manter em atividade nesse mercado competitivo. A pesquisa permite concluir que os gestores entrevistados não conhecem, no momento, toda a informação teórica e a prática quanto à gestão de custos e sua aplicação na fundação em estudo. Por outro lado, também se confirma que os gestores possuem diferentes formações acadêmicas. Entretanto, não estão buscando o conhecimento específico na área de custos, de modo a obter a informação para o entendimento dos conceitos necessários recomendados pela literatura, para assim contribuir no alcance da eficiência e eficácia na gestão de custos. 22 Em relação à necessidade de informação de custos se pode afirmar que a utilização de um critério de rateio dos custos e melhoria da qualidade do sistema utilizado atualmente na fundação contribuirá para gerar informações de custos das áreas e agregar valor aos serviços. A informação de custos é necessária para que o gestor avalie a rentabilidade do tipo de serviço e, assim, analisar seu resultado. E a partir destas informações tomar decisões acertadas considerando o resultado de cada área. Os gestores afirmam que utilizam informações de custos como base para tomada de decisão. No entanto, observou-se que estas informações entendidas como custos, não estão conceituadas adequadamente e nem assimiladas entre os gestores. Acredita-se que isso é devido ao fato das informações serem específicas da área da contabilidade de custos. Mas considera-se a base do conhecimento na gestão, necessária devido ao cargo que os gestores ocupam na organização. Quanto as características dos métodos de custeio percebe-se que os gestores concentraram suas respostas positivas em todos os modelos de custos. O que se pode concluir é que eles, apesar do pouco conhecimento teórico sobre os métodos, percebem a necessidade de atribuição das despesas administrativas e também financeiras ao custo. Essa visão permite concluir que há uma necessidade de aprofundamento de todos os custos e despesas incidentes sobre o serviço. Por meio da pesquisa, foi possível conhecer a realidade da fundação quanto à existência ou não de um método de custeio adequado, partindo-se da necessidade de informações de custo para tomada de decisão. Esta análise poderá trazer uma vantagem competitiva, considerando-se que exercerá a possibilidade de melhor gerenciamento dos gastos da instituição. Conclui-se que, na fundação estudada, os gestores tem a necessidade de obterem informações de custos mais qualificadas para apoiar a tomada de decisão. Portanto, considerando a relevância desse tema cabe destacar a necessidade de um projeto de melhoria para a fundação pesquisada, com o desenvolvimento de um sistema de custos, para mensurar melhor os gastos originados de cada unidade de negócio da organização. É necessária a adoção de critérios de contabilização de custos e despesas de forma mais eficiente para que as áreas consigam planejar e gerarem melhores resultados. Como sugestão de estudos futuros recomenda-se uma avaliação dos diversos métodos de custeio na perspectiva de identificar qual o melhor método que se adapta à fundação em estudo, a partir de uma análise mais detalhada, bem como a avaliação das condições de sua operacionalização. 23 REFERÊNCIAS BEUREN, Ilse Maria. Como elaborar trabalhos monográficos em Contabilidade -Teoria e prática. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2004. BORNIA, Antonio Cesar. Análise gerencial de custos aplicação em empresas modernas. Porto Alegre: Artmed, 2002. BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. Emprego e renda. Disponível em: <http://www.portal.mte.gov.br>. Acesso em: 06 nov. 2010. CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO. São Paulo: Escala, 2003. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE; CONTABILIDADE Fundação Brasileira; PROFIS. Manual de procedimentos contábeis para fundações e entidades de interesse social. Brasília-DF, 2003. DRUCKER, Peter F. Administração de organizações sem fins lucrativos: princípios e práticas. 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