PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
Adolescent mother and the care about the newborn
De la madre y del adolescente de cuidado para recién nacido
Camila Irene da Silva Araújo
Enfermeira, Pós-Graduanda em Terapia Intensiva
pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI. Bacharel em
Enfermagem pela Faculdade Santo Agostinho-FSA.
Teresina – PI.
Flávia da Costa Rodrigues Lima
Enfermeira,Pós-Graduanda em Terapia Intensiva
pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI; Bacharel em
Enfermagem pela Faculdade Santo Agostinho-FSA.
E-mail: [email protected]
Géssica Walquíria Sampaio Borges
Moita
Enfermeira; Pós-Graduanda em Terapia Intensiva
pela Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e
Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI; Bacharel em
Enfermagem pela Faculdade Santo Agostinho-FSA .
Teresina – PI.
Silvana Santiago da Rocha
Enfermeira, Doutora em Enfermagem pela UFRJ,
Mestre em Educação pela Universidade Federal do
Piauí – UFPI, Professora Adjunta da Universidade
Federal do Piauí – UFPI. Atual Conselheira Secretária
do Conselho Regional de Enfermagem - COREN-PI.
Tatiana Maria Melo Guimarães dos
Santos
Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela
Universidade Federal do Piaui – UFPI; Especialista em
Obstetrícia pela UFPI, Graduada pela UFPI, Professora
da Faculdade Santo Agostinho – FSA.
Submissão: 13.02.2011
Aprovação: 21.03.2011
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RESUMO
Estudo qualitativo de caráter exploratório tem o objetivo de compreender o que significa para as
adolescentes o cuidar do seu filho recém-nascido e analisar como as mães-adolescentes vivenciam
o cuidar do recém-nascido. Sujeitos de pesquisa foram treze mães adolescentes. Para a produção
de dados utilizou-se análise de conteúdo de Bardin. Evidenciou-se que o cuidado com esse recém-nascido é prazeroso, mas demanda muita responsabilidade, há a necessidade de desenvolver habilidades e destreza especifica para esse cuidar do bebê.
Descritores: Enfermagem. Mãe adolescente. Cuidado ao recém-nascido.
ABSTRACT
Exploratory qualitative study aims to understand what it means for adolescents to take care of her
newborn son and look at how adolescents perceive their mothers to care for the newborn. Study
subjects were thirteen teenage mothers. For the production data was used content analysis of Bardin. It was evident that the care of this baby is fun, but demands a lot of responsibility, there is a need
to develop skills and dexterity for that specific care for the baby.
Descriptors: Nursing. Adolescent mother. Care for newborns.
RESUMEN
Estudio exploratorio cualitativo busca comprender lo que significa para los adolescentes a cuidar de
su hijo recién nacido y observar cómo los adolescentes perciben a sus madres a cuidar a los recién
nacidos. Los sujetos del estudio fueron trece madres adolescentes. Para la producción de datos se
utilizó el análisis de contenido de Bardin. Era evidente que El cuidado de este bebé ES divertido, pero
que requiere mucha responsabilidad, hay uma necesidad de desarrollar habilidades y destreza para
que La atención específica para El bebé.
Descritores: Enfermería. Madre adolescente. Cuidado del recién nacido.
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A adolescência é um período de transição entre a infância e a fase adulta em que acontecem
mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência é um período da vida, que começa aos 10 anos e vai até aos 19 anos, e de acordo com o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a adolescência inicia-se nos 12 anos e vai até aos 18
anos de idade (BRASIL, 2008).
É na fase da adolescência que ocorrem profundas mudanças, caracterizadas principalmente por crescimento rápido, surgimento das características sexuais secundárias, conscientização da
sexualidade, estruturação da personalidade, adaptação ambiental e integração social. Com a introdução dos cuidados de puericultura, melhores condições nutricionais para a população em geral,
o desenvolvimento dos programas de vacinação em todo o país, entre outros, tem-se promovido a
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
diminuição dos índices de mortalidade infantil, o que resulta no aumento da população de adolescentes. No Brasil, esta corresponde a 20,8% da
população geral, sendo 10% na faixa de 10 a 14 anos e 10,8% de 15 a 19
anos, estimando-se que a população feminina seja de 17.491.139 pessoas
(YAZLLE, 2006).
A sexualidade é um dos importantes aspectos da adolescência,
muito enfatizado não apenas pelos dados já apontados, mas também por
que é nessa fase da vida do ser humano que a identidade sexual está se
formando. As mudanças físicas correlacionadas com as mudanças psicológicas levam o adolescente a uma nova relação com os pais e com o mundo, mas isto só será possível se o adolescente puder elaborar lentamente
os vários lutos pelos quais passa, ou seja, o da perda do corpo infantil,
a perda dos pais na infância e a perda da identidade infantil. Quando o
adolescente vive todo esse processo, ele se inclui no mundo com um novo
corpo já maduro e uma imagem corporal formada, que muda sua identidade, e é esta a grande função da adolescência, a busca da identidade
que ocupa grande parte de sua energia (CANO; FERRIANI; GOMES, 2000).
Sob o termo gravidez na adolescência, abriga-se uma faixa etária
que, por muito tempo, foi considerada a ideal para a mulher ter filhos. O
fenômeno também ganha importância no cenário de mudanças operadas
na concepção social das idades e do gênero que redefinem as expectativas sociais depositadas nos jovens nos dias atuais, sobretudo nas adolescentes do sexo feminino. Parecem ser precisamente as chances abertas
às jovens, no que diz respeito à escolarização, à inserção profissional, ao
exercício da sexualidade desvinculado da reprodução, que fundamentam
uma nova sensibilidade quanto à idade ideal para se ter filhos.
Nesse panorama, a gravidez na adolescência desponta como um
desperdício de oportunidades, uma subordinação precoce a um papel do
qual, durante tanto anos, as mulheres tentaram se desvencilhar. Essa argumentação subestima o fato de esse leque de oportunidades sociais não
ser igualmente oferecido para jovens de diferentes classes e, além disso,
supõe como universal o valor ou o projeto de um novo papel feminino
(HEILBORN, et al., 2002).
Durante esta fase, as jovens não estão preparadas psicologicamente e nem fisicamente para enfrentar uma gravidez, por isso podem ocorrer
complicações para mãe e o recém- nascido. A mãe adolescente tem maior
risco de mortalidade durante a gravidez, no parto e no puerpério, os recém – nascidos nascem de baixo peso, a incidência de morte neonatal e a
taxa de prematuridade são elevadas e as adolescentes apresentam maior
freqüência de sintomas depressivos no pós - parto (CARNIEL, et al., 2006).
Diante dessas circunstâncias, o cuidado ao recém-nascido (RN)
deixa a desejar, pois surgem diversos fatores que dificultam esse cuidado como: as preocupações maternas primárias, novas responsabilidades
e amadurecimento pessoal. Uma mãe adolescente pode estar se sentindo
muito jovem ou imatura para assumir a maternidade principalmente por
defrontar-se com alterações provocadas pela gravidez, que afetam sua
auto - imagem e auto- estima.
Cuidado é ação planejada, deliberada ou voluntária, resultante da
percepção, observação e análise do comportamento, situação ou condição do indivíduo, estendendo-se a família no contexto em que se encontra. Cuidar é um modo de estar com o outro. Cuidado é um ato humano
e como tal, praticado e vivenciado por pessoas. Permite a interatividade
entre seres e a possibilidade de dar e receber ajuda.
Significa o modo de ser no mundo e possibilita sua prática em momentos de promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamentos de
enfermidades, no viver e no morrer. O Cuidado é o fenômeno universal
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essencial a sobrevivência do ser humano. Para cuidar, transmitir segurança e confiança a quem é cuidado precisa-se estar imbuído tanto do fazer
como do ser (SANCHES, 2006).
No que diz respeito ao cuidado que permeia toda a nossa vida enquanto seres humanos, e que se faz necessário para a sobrevivência do
bebê que se forma no ventre da adolescente, ainda inexperiente, para Boff
(2000), significa preocupar-se e sentir-se responsável pelo outro. Logo, a
pessoa que tem cuidado tem amor por algo ou alguém, é o querer bem.
Assim “cuidado é uma relação amorosa para com a realidade, com o objetivo de garantir-lhe a subsistência e criar-lhe espaço para o seu desenvolvimento”.
Para Waldow, (2004, p.19)
Ser é cuidar, e as várias maneiras de estar-no-mundo compreendem diferentes
maneiras de cuidar. Para se tornar um ser de cuidado, o cuidador, o ser precisa,
primeiro, ter experienciado o cuidado, ou seja, ter sido cuidado. A capacidade de
cuidar está, portanto, relacionada ao quanto e como o ser foi cuidado. Através do
cuidado, percebe-se a existência de outros além do que se é; o outro dá o sentido
de Eu.
Ainda para Waldow, (2006, p.28) “o cuidado é responsivo, ou seja, a
capacidade de cuidar é evocada em resposta a alguém ou a alguma coisa
a quem ou à qual se atribui alguma importância e representa um valor”.
Assim, entendemos que o recém-nascido demanda esse cuidar responsivo, considerando que é um ser totalmente dependente do outro para
sobreviver, e logo necessitará também de sentir-se inserido numa família
que o acolhe e lhe dedica não só o básico para a subsistência, mas o afeto
e o carinho essencial para se desenvolver na sociedade.
O cuidado materno constitui um conjunto de ações biopsicossociambientais que permitem à criança desenvolver-se bem. Além de sentir-se rodeada de afeição, a criança precisa de um potencial de cuidados e
providencias a serem tomadas: o sono tranqüilo, alimentação, a higiene
e outros. Reconhecer e saber interpretar corretamente os sinais que o
recém-nascido emite é imprescindível para a sua saúde e seu bem-estar,
(FOLLE; GEIB, 2004).
Diante do exposto, e considerando que a primeira semana de vida
do RN é o período de adaptação à vida extra - uterina, sendo também
uma fase de que necessita de cuidados primordiais da mãe para com o
filho, cuidar de recém - nascido não se apresenta como uma tarefa fácil
para nenhuma mulher e muito menos para uma adolescente inexperiente
e que está na fase de descobertas. A adolescente terá que abdicar de sua
juventude, talvez necessite afastar-se dos estudos, deverá estar atenta ao
choro, sono, alimentação e higiene do bebê, ou seja, atenção integral ao
recém-nascido.
Como acadêmicas de enfermagem constatamos durante as
práticas de campo, numa maternidade, que são muitas as mães adolescentes. Observou-se que sempre estava por perto as avós, dando
sua ajuda prática e aconselhamento a essas jovens. Tudo isso nos preocupou por entendermos que as adolescentes de fato, necessitam de
apoio, pois se vêem diante de uma situação especial, cuidar de outra
criança numa fase em que as próprias ainda demandam atenção especial. Logo, elas ainda estão numa fase de transição entre a vida da
infância e a adulta.
De fato, temos constatado que com o amadurecimento precoce
das adolescentes, o número de gravidez nesta fase tem aumentado nos
últimos anos levando essas mães adolescentes a enfrentarem muitos problemas durante a gravidez e no puerpério, sendo fundamental, então, que
a enfermagem esteja atenta para essas mães adolescentes. A demanda de
cuidados para elas e para o recém-nascido é muito grande.
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Araújo, C. I. S.; et al.
A associação maternidade e adolescência, além de está relacionada com os aspectos de maturação biológica e psicológica, também
possuem grande ligação com outros fatores importantes como o ambiente social. Portanto, é indispensável conhecer o mundo social dessas jovens
e aprender como vive em suas relações pessoais dentro da sociedade, que
com certeza repercutirá no seu modo de agir diante das diferentes situações que se apresentam.
Surge, então, como objeto do estudo o significado do cuidar de
filhos recém-nascidos por mãe adolescentes. Tem como objetivos do estudo compreender o que significa para as adolescentes o cuidar do seu filho
recém-nascido; e como questões norteadoras desta investigação: o que
significa para as mães adolescentes cuidarem de seus filhos recém - nascidos? como as mães adolescentes vivenciam o cuidar do recém - nascido?
2
METODOLOGIA
Para a realização deste estudo foram respeitados os princípios
éticos que envolvem a realização de pesquisa. O projeto de pesquisa foi
encaminhado para parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição,
no caso a Faculdade Santo Agostinho. O projeto de estudo segue o preconizado na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. A coleta de
dados foi realizada após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa.
As entrevistas forma realizadas após a assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, que garante o anonimato e o caráter
confidencial das informações. No estudo as depoentes foram nomeadas
com nomes de pedras preciosas e não preciosas (rubi, esmeralda, opala,
ametista, topázio, turquesa, turmalina, ônix, jade, cristal, coral, safira, ágata) como uma forma de homenageá-las por terem aceitado participar da
pesquisa.
Este estudo é qualitativo e exploratório, onde utilizou-se a entrevista semi-estruturada como método de coleta de dados. Participaram do
estudo 13 (treze) mães-adolescentes, que estavam internadas com seus
filhos recém-nascidos na unidade de Alojamento Conjunto de um hospital público de urgência e maternidade, situado na cidade de Timon-Ma. As
questões que foram elaboradas tinham como eixo norteador o cuidado, as
mães-adolescentes e o recém-nascido. As entrevistas foram gravadas em
MP3 e transcritas logo após sua realização, para evitar-se perca das falas,
ou não entendimento desta. Para trabalhar os dados utilizou-se Análise de
Bardin (2004).
Conforme mencionado, fizeram parte deste estudo 13 mães-adolescentes que permaneceram internadas com os recém-nascidos nas enfermarias. Os dados foram coletados no período de fevereiro a março de
2009. As mães-adolescentes entrevistadas eram jovens com idade entre
treze a dezenove anos. Das 13 mães-adolescentes, 9 eram primíparas , 7
não tinham acompanhantes e as demais eram acompanhadas pelas as
avós dos recém-nascidos. Todas fizeram pré-natal e tiveram parto normal.
No geral entre as mães-adolescentes o número de consultas no pré-natal
foi considerada satisfatória para se ter uma gestação segura e livre de riscos tanto para a mãe-adolescente quanto para o recém-nascido.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
sentando as categorias elaboradas, que se referem ao cuidado do filho
recém-nascido apresentado as dificuldades e a vivência das mães adolescentes diante do sentimento de ser mãe.
Caracterização dos sujeitos
Conforme mencionado, fizeram parte deste estudo 13 mães-adolescentes que permaneceram internadas com os recém-nascidos nas enfermarias. Os dados foram coletados no período de fevereiro a março de
2009. As mães-adolescentes entrevistadas eram jovens com idade entre
treze a dezenove anos. Das 13 mães-adolescentes, 9 eram primíparas , 7
não tinham acompanhantes e as demais eram acompanhadas pelas as
avós dos recém-nascidos. Todas fizeram pré-natal e tiveram parto normal.
No geral entre as mães-adolescentes o número de consultas no pré-natal
foi considerada satisfatória para se ter uma gestação segura e livre de riscos tanto para a mãe-adolescente quanto para o recém-nascido.
Cuidar do recém-nascido significa prazer, trabalho e
responsabilidade
Ao serem questionadas sobre o significado de cuidar desse filho,
um aspecto que surge de forma bem clara nas falas é a relação prazerosa com o recém-nascido, que é uma relação envolvente, cuidadosa e de
aprendizado indicando o fortalecimento do vínculo mãe-adolescente e
recém-nascido, dedicação total ao bebê, que se torna o sentido único de
sua vida. Cuidar, na percepção das adolescentes, é estar atenta à saúde do
filho, dando todos os subsídios para crescer saudável, além de afeto, amor
e carinho que são essenciais para a criação de um filho e formação de sua
personalidade.
Quando as mães-adolescentes dizem que cuidar do filho “dá trabalho” entendemos que é a forma de descreverem que são muitas as tarefas
que devem ser prestadas ao recém-nascido durante o dia e a noite. As
mães falam que levantam muito à noite, que trocam muitas fraldas, que
acordam porque o filho está chorando por um motivo qualquer, isto é,
realmente o trabalho a que as jovens se referem.
Muitas delas ainda não se deram conta que ser mãe é ser vigilante
do filho; o recém-nascido nos primeiros meses não sabe o que é dia e o
que é noite, não controla seus esfíncteres, isso é um processo normal que
toda criança passa. Acreditamos que cuidar do filho é exaustivo e trabalhoso, mas como a vida é sempre cheia de fases com certeza esta também
passará, cabendo à mãe-adolescente ter uma postura madura e consciente para tentar adaptar-se a esse momento, de forma que o recém-nascido
não sofra e cresça saudavelmente.
A necessidade emocional mais importante para a criança é a de ser
e sentir-se amada. O amor deve ser transmitido através de palavras, ações
e gestos, pois a mãe-adolescente relata alegria e sente-se feliz ao cuidar
do filho, portanto, esse amor demonstrado traz uma satisfação ao recém-nascido e a mãe se sente contente por está atendendo às necessidades
do filho. Quando seguras desse amor, as crianças são capazes de superar
as crises normais associadas ao desenvolvimento, bem como as crises
inesperadas: doenças e perdas.
É importante, é amor. Tudo depende de mim (Jade).
Nesse momento do nosso estudo, apresentamos a caracterização
dos sujeitos da pesquisa, evidenciando faixa etária, número de filhos, presença de acompanhante durante a internação hospitalar, tipo de parto e
se fizeram pré-natal. Em seguida discutiremos os dados produzidos apre16
Significa tudo pra mim, respeito, amor, carinho, dedicação (Cristal).
Tá sendo um momento muito bom, a primeira filha é novidade, tá sendo muito
trabalhoso (Esmeralda).
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
Os sentimentos experimentados pelas adolescentes após o nascimento do bebê foram variados, porém predominou o sentimento de
responsabilidade. De acordo com os depoimentos a maioria das mães-adolescentes relataram que para cuidar do recém-nascido deve-se ter o
cuidado adequado não sendo uma tarefa fácil. Como adolescência trata-se de uma fase de transição, esta pode ainda ter características infantis,
apresentando imaturidade, expressões de medo, insegurança e falta de
conhecimento sobre os cuidados ao filho, isso se deve a antecipação das
fases da vida, ou seja, citam as responsabilidades e dificuldades, mas essas
se tornam ainda maiores do que na realidade são; isso acontece por não
terem tido um amadurecimento natural no percurso da vida.
As expectativas negativas em relação ao cuidado com o recém-nascido vão se dissolvendo durante a vivência da maternidade, quando
passam a perceber que cuidar do filho é bom e prazeroso, e faz com que a
jovem se sinta bem. Foi o que observamos nas falas das adolescentes, que
no inicio realmente é difícil, pois é um momento de adaptação de ambos
e que as dificuldades vão diminuindo de acordo com a convivência com o
recém-nascido. No entanto, o sentimento de responsabilidade se aflora na
consciência da mãe-adolescente, pois já tem noção de que o filho é totalmente dependente e que em cada fase precisa de orientação da mãe.
Dá trabalho. Mais ou menos. (...) Tem que ter muita responsabilidade (Turmalina).
Muito trabalho, responsabilidade, tem que ter muita paciência e cuidado (Safira).
Muita responsabilidade, ainda não sei cuidar dele direito, não tenho experiência
nenhuma (Ágata).
É bom. Muita responsabilidade, amor, cuidado, tem que ter muita paciência com
ele (Coral).
Possivelmente, esses sentimentos refletem a influência cultural e
familiar sobre a concepção de maternidade predominante no contexto
em que este estudo foi desenvolvido, o status de mãe leva a adolescente
a sentir-se mais adulta e comprometida e, com isso, mais capaz de responder às expectativas em relação ao papel das mulheres na sociedade
(MAZZINI et al., 2008).
Vivenciando tarefas de um cuidar que demanda desenvolver
destreza e habilidades
Em relação às tarefas que devem ser desenvolvidas com o recém-nascido, uma das principais dificuldades enfrentadas pelas mães-adolescentes é a hora da amamentação. A pega incorreta no peito se apresenta
como uma queixa constante. Durante a amamentação, observamos que
alguns recém-nascidos até mamavam, porém largavam a mama e choravam. Devido a essa pega incorreta, as mães queixaram-se de dor durante a
amamentação. Outro problema encontrado foi à anatomia da mama, pois
algumas das mães tinham o mamilo plano.
De acordo com Bergman et al., (2004), as principais dificuldades
para amamentar são: “mamilos feridos”, “criança não pegava o peito” e “produção insuficiente de leite”, essas dificuldades se fazem presentes nos primeiros dias, independente se é mãe-adolescente ou não. Essas dificuldades citadas pelo autor estão presentes no estudo, a adaptação à nova vida,
não é só sentida pela mãe-adolescente, mas também pelo recém-nascido
um novo ambiente, alterações fisiológicas e várias outras mudanças que
vão acontecendo ao passar dos dias. Por isso, que a mãe-adolescente deve
ser persistente nessa fase de adaptação, pois o recém-nascido aprenderá
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
a viver no novo espaço, agora ao redor de pessoas que lhe querem bem e
que estão prontas para ajudá-lo.
Tenho muito medo, às vezes ele se engasga e eu não sei o que fazer, e também
no inicio para pegar no peito é difícil, mas agora ele já tá pegando direitinho.
(Turmalina).
Não sei pegar direito no bebê, botar para amamentar porque eu não sei o jeito
certo, ela é muito molinha, acho que na hora de usar mamadeira quando ela
tiver mais velha acho que eu não vou saber botar. (Opala).
[...] e dói na hora de dar de mamar, agora que ela tá se acostumado a pegar no
peito. (Rubi).
Não. Só meu peito que tá doendo. (Ametista).
Nos primeiros dias da amamentação, a maioria das mães pode
sentir uma discreta dor no início das mamadas. Contudo, mamilos muito
dolorosos ou lesionados, apesar de serem muito comuns, não são normais. A dor na amamentação, seja ela causada por lesões mamilares ou
por sensibilidade da mãe, geralmente decorre de inadequação da técnica
de amamentação ou do padrão de sucção do bebê. Muitas vezes, numa
avaliação superficial, pode parecer que a lesão e a dor referidas são desproporcionais. Porém, ao ajudar a mãe a resolver essa intercorrência tão
comum e difícil, devemos levar em conta sua sensibilidade à dor e seus
sentimentos sobre a situação vivenciada. A insensibilidade dos profissionais de saúde, ou mesmo da família, frente à dor da mulher pode ser um
fator que desperta nela sentimentos de solidão e isolamento, fazendo-a
desistir de amamentar (CARVALHO; BICA; MOURA, 2007).
Por desconhecimento da importância da amamentação, falta de
conhecimento sobre a pega correta no peito, fatores de ordem biológica,
psicológica e sócio-culturais podem contribuir para que o bebê faça uma
pega incorreta no peito, ocorrendo uma ordenha ineficiente (MARQUES;
MELO, 2008).
A baixa prevalência do aleitamento materno, especialmente o exclusivo pode ser explicado tanto pela falta de conhecimento das mães
sobre os benefícios, a importância do leite materno e a continuidade do
aleitamento quanto pela indisponibilidade dos profissionais de saúde
para ministrar orientações direcionadas à manutenção da amamentação
ou, até, para manejar adequadamente a dieta infantil, ao orientarem precocemente o uso de chás, sucos e fórmulas lácteas (NARCHI et al., 2005).
Outra dificuldade enfrentada no processo de cuidado com o recém-nascido é quanto à higiene do mesmo, principalmente a falta de habilidade durante o banho ou mesmo ao segurar o bebê. As mães-adolescentes
relataram que se sentem inseguras em pegar nos seus filhos, pelo fato de
serem “molinhos”, frágeis recusam-se a realizar cuidados de higiene como
banhar o recém-nascido, deixando esse cuidado para a avó. A presença
das avós para as mães-adolescentes era de grande importância, pois além
de desempenharem o papel de avós, realizavam os cuidados junto ao
recém-nascido e ensinavam as mães-adolescentes a superar as dificuldades e o medo de manusear com o filho, incentivando e encorajando-as a
enfrentar o temor, e assim aumentando o afeto entre mãe e filho.
[...] ele é muito pequeno e frágil, tenho medo de banhar ele. (Cristal).
Na hora de tomar banho tenho dificuldade sim, porque ele é muito molinho ainda, e ele se meche muito. (Ônix).
Ah! o banho, eu num sei banhar não, Tô esperando a mãe chegar na hora da
visita, pra banhar ele. (Jade).
Nesse contexto, percebe-se que as crianças, filhos de mães ado17
Araújo, C. I. S.; et al.
lescentes, recebem cuidados do núcleo familiar em que a mãe se insere,
porque, muitas vezes, a adolescente não consegue desenvolver sozinha
os cuidados ao bebê, por viver um processo de reorganização da sua vida.
Portanto, muitas são as práticas de cuidado realizadas pelas diferentes famílias, embasadas na cultura e na condição socioeconômica de cada um.
As meninas grávidas precisam adquirir habilidades para cuidar de seus
bebês, e essas habilidades, na maioria das vezes, vêm de suas mães, irmãs mais velhas, avós e vizinhas, ou da própria experiência em cuidar de
irmãos mais jovens (MOTTA, et al., 2004).
Vivenciando tarefas de um cuidar compartilhado com
familiares
Durante a internação hospitalar da mãe-adolescente foi possível
perceber o apoio familiar a esta jovem, especialmente com a presença da
avó que aparece auxiliando a mãe-adolescente, ajudando a superar as dificuldades do cuidado ao recém-nascido, o que favorece o desenvolvimento das habilidades e amadurecimento para desenvolver com segurança
o cuidado ao recém-nascido. Para adquirir confiança na realização das
tarefas com o recém-nascido, a mãe-adolescente deve ter muita paciência
e amor com seu filho, pois é com a vivência no dia-a-dia que ela desenvolverá habilidades durante as tarefas e para que isso ocorra é necessário
que elas vivam realmente a maternidade renunciando a muitas coisas
para cuidar do filho. Portanto, o apoio da família é bastante importante
na adaptação dessa mãe-adolescente. Quando questionadas sobre com
quem contavam para ajudá-las mencionaram:
Conto com a minha mãe. Ela vai me ajudar a cuidar e me ensinar o que preciso
para que ele fique sadio. (Topázio).
Da minha mãe, em quase tudo, cuidar, banhar e também uma ajuda na hora de
comprar algumas coisas quando precisar. (Turquesa).
Ajuda da mãe, na hora de banhar e pegar (segurar). (Ágata).
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Em função dessas dificuldades e medos a mãe adolescente elabora
estratégias que a auxiliem na superação das mesmas, buscando ajuda para
cuidar, procura reaproximar-se de seus familiares, para que a auxiliem e
orientem quanto aos cuidados do bebê e que lhe ofereçam apoio pessoal.
Ao interagir com familiares e profissionais da saúde, a mãe adolescente vai
tendo ajuda para cuidar do filho. Na maioria das vezes, a ajuda advém de
sua mãe ou de sua sogra, que a acolhem e favorecem para que se perceba
apoiada e segura. Como conseqüência revê valores de sua vida e começa
a imprimir-lhes outro olhar, o que favorece que seu relacionamento com
a família torne-se menos conflituoso. Ao sentir-se apoiada, seu cuidado se
traduz em qualificação, satisfação e fortalecimento em seu desempenho, e
essa experiência se reverte em valorização de sua auto-estima (ANDRADE;
RIBEIRO; SILVA, 2006).
A família está sempre apoiando a adolescente no cuidado com o
filho, tanto no aspecto financeiro, quanto nos afazeres domésticos. Apesar
de ser mãe, é necessário que a adolescente retome alguns projetos de
vida, como estudar e trabalhar. E isso parece ser aceito e estimulado pelos
familiares, já que não vêem outra saída, senão em assumir os cuidados
com a criança na ausência da adolescente. No entanto, várias vezes, este
suporte interfere no cuidado da criança. Os mais velhos com suas experiências, suas crenças e seus mitos, sempre fazem ou ditam o melhor a fazer
para o cuidado da criança e não confiam nas condutas tomadas pelas adolescentes (MACHADO; MEIRA; MADEIRA, 2003).
Considerando que a familia é fundamental para esse cuidar do
recem-nascido, chamou-nos a atenção de que as mães-adolescentes
pouco falaram sobre o pai da criança, o que pode prejudicar a aceitação
da maternidade e provavelmente a mãe terá mais dificuldades nos cuidados com o recém-nascido, pois será menos um apoio durante esta fase da
vida. Essa falta da figura paterna se deve a diversos fatores, como a imaturidade diante de uma gravidez indesejada, o medo de perder a liberdade
e assumir responsabilidades com a mãe e o filho. Por esses fatores, tem-se
aumentado o numero de mães solteiras, estas tentam superar a ausência
paterna e buscam atender às necessidades do filho.
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.4, n.3, p.14-19, Jul-Ago-Set. 2011.
A mãe adolescente e o cuidado ao recém-nascido
REFERÊNCIAS
ANDRADE, P. R.; RIBEIRO, C. A.; SILVA, C. V. da. Mãe adolescente vivenciando o
cuidado do filho: um modelo teórico. Rev. Bras. de Enferm, Brasília v.
59 n. 1, p. 30-35, jan/fev. 2006.
MACHADO, F. N; MEIRA, D. C. S; MADEIRA, A. M. F. Percepções da família
sobre a forma como a adolescente cuida do filho. Revista da Escola de
Enfermagem da USP. São Paulo, v. 37, n. 1, p.11-18, mar. 2003.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. 3. ed. Lisboa:Edições 70, 2004.
MARQUES, M. C. S; MELO, A. M. Amamentação no alojamento conjunto.
Revista CEFAC, São Paulo, v. 10, n. 2. p.261-271. 2008.
BERGMAN, V. et al. Amamentação entre mães adolescentes e não adolescentes, Montes Claros, MG. Revista de Saúde Pública. São Paulo ,
v. 38 n.1, p. 85-92, fev. 2004.
BOFF, L. Ethos Mundial: um consenso mínimo entre os humanos. Brasília: Letra viva, 2000. p.106.
BRASIL, Ministério da Saúde. Saúde de Adolescentes e Jovens. [s.l],,
2008.
CANO, M. A.T.; FERRIANI, M. G. C.; GOMES, R. Sexualidade na adolescência:um
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