2.
IQIQRDlIlJIIIlDQllllUIlIIlIDlDllllUllllUllllIlIQlIlDDlllllllllmQlllllllllUlllUlIDlllllmill
==
~
I
§
F. C. SOUZA .PINTO
==========
FREI MJGUELINHO
ª
E
I
§
, (Urna pagina da revo)uçao d~ 1817)
I
Cam al~~' ~:::~: erilieo.
ªI
§
i
I
~
I
ª
I
I
~c
F.
38.
BRIGUIET
& Cia
I
"~:~i:~~~:;;~~;:::NO
.'.
5
~"III1UIIII/llI/IIIIIII"I/II1I1HIIIII/II1II11IJ1I1II1II
ª
5
1111I11I111I1111111111
IIl11l111111111nUllllJUIIIIUld
'1
I
1
1
I
1
1
1
I
I
,
,
i
FREJ
MJGUELJNHO
,
F. C. SOUZA PINTO
FREI MJGUELINHO
(il ma pagina
da revoluçâo
de
J
8 I 7)
Sa eáiçao
Com alguns juizos
criticas
F. BRIGUIET
&
Oa
LlVREJ ROS-EDITORES
38, rua Sao-José -
Caixa No -+58
RIO DE JANEJRO
19:18
BANCO DE LA REPLJBLlCA
r\f1'.I0Té'C,6. lUl~ •••.I~G -',
J.~ .,~.~(-,:
Constitue
paginas
urna
da
.pernambucana
biographico
precursor
das
malJograd~
de·
mais. beBas
revoluçao
18J7 o estudo
deste sereno
sacerdote,
da ) ndependancia.
.------
o autor desta importante monographia - um
brazileiro illustre por muitos titulas - j¡'t é fallecido. Publicou-a
(1
Pedro
elle em 1885 no jornal
II », de Fortaleza,
seguida
numa ediçào
circulo
de seus amigos
ccarense
enfeixando-a
em
que ficou circu¡nscripta
e collegas.
Quando
festas commemorativas
do centenario
insurreiçâo
de Pcrnambuco,
republicana
ao
das
da gloriosa
o inde-
fessa e sabio historiographo
Barâo de Studart
inseriu-a na « Revista Trimensa; do Instituto do
Ceani " como um « estudo raro hoje e de poucos
conhecido
», antecedida
de um esbàço biographico de sua penna sobre o autor,
reproduzida
ulteriormente
tuto Historico
Norte
«
Revista do Insti-
¿o Rio Grande
) como um « substancioso
panhada
do mesmo
N a presente
traz o subsidio
Souza
na
e Geographico
Pinto
inserem-se
tendo ella sido
do
cstudo ", acom-
esbôço.
ediçâo
que, como
para biographia
tracejado
por
a antccedente,
do doutor
Hugo
algul1s juizos que o trabalho
v
F. C.
de Lacerda,
suscitou.
DOUTOR F. C. SOUZA PINTO
--
Subsidio
=
para a sua biographia
A principal Iltilidlldc das biogrllphias consiste cm cllas nos offerccêrem ~rande copia de nobres exemplos que nos podern
servir
de
moMlos.
SAIoIUF.L !"'lILES.
o
doutôr
Francisco
foi um brazileiro
predicados
Pobre,
das Chagas
notavel
pelos
civicos, intcllectuacs
que bens nlio herdara
Souza
Pinto
seus peregrinos
e moraes.
de seus honrados
paes, conquistou a golpes de talento e de inquebrantavel força de vontade elevada posiçâo social,
distinguíndo-se
brilhantemente
e jurisconsulto,
hornem
como
advogado
de letras e jornalísta.
O que elle foi e o que fez, deveu-o a si rnesrno,
¡í sua galharda
tenacidade
a serviço de um grande
VI
ideal. 1\ sua vida foi exclusivamente
ao estudo
e ao cultivo
coisas du intell¡gencia
Rio grandcnse
berça,
os vêrdcs
dcvotamento
tÍ.
das
a 7 de março
floresccnte
se ufana
scus genitórcs
dona Anna Francisca
Dêsde
nasceu
hojc
quc muito
senda
ao amor
e ao cuita do trabalho.
do norte,
dc 1848, na cntâo villa,
de Mossoró,
consagrada
do direito,
c¡dadc
de tcr-Ihc
Pcdro
sido
José Pinto
e
dc Souza Pinto.
annos
manifestou
instrucç1io,
alJiado
arraigado
a urna intelli-
gencia viváz e promissôra
c, mostrando
pelas
suas acç()es em plena mcnillicc· a homem que
veria a scr no futuro,
discipulos
como
faz-se mcstre dos scus con-
substituto
cschóla cm que iniciou
Tenda
pcrdido
nao sc dcixou
Era
um forte;
de\'cria trabalhar
dcnse-do-norte
muito
abatêr
do scu didacta
os cstudos
na
primarios.
cêdo os seus gcnitôres,
por tamanho
nascêra
para
para vencêr.
acariciando
los deixa a tcrra matricia
O moço rio-gran-
os mais bellos anhée transporta-se
YII
infortunio.
a corn batividade
tÍ.
capital
=_=========
;
da vizinha
provincia
do Ceará, á procura
tro mais adeantado
que melhor
a desenvolvimento
do seu cspirito,
de cen-
contribuisse
para
avido
de lar-
gos surtas.
Abraçando
a carrcira
burocratica
na gloriósa
terra de José de Alencar, serviu coma 3° cscripturario da Thezouraria
Provincial
c logo depois
coma
20
da Thcsouraria
se submettido
obtençâo
aos concursos
respectivos
de urna perseverança
cendo corn admiravcl
para a
sem haveres,
sem peias,
desassombro
ces que se antepunham
ven-
todos os obi-
no seu caminho
de moço
Souza Pinto nas horas vagas do seu
na sedentaria
publico,
tendo
desses cargos.
Dotado
labôr
Gerai da Fazenda,
entregava-se
profissâo
de funccionario
de alma e cerebro
ao con-
vivio dos livras, aviventado
por insaciavel sêde
de sabêr, - esperançôso e sonhadôr de supremos
idéaes e aspiraçoes
tado
«
ncsta
supremas,
epocha
A Revoluçâo
»,
-
tcndo
manifes-
o seu republicanisrno
jornal que fundou a
VIII
=-
2
corn
de novem-
=========
bro de
cam Joiio Cordeiro,
18]2
des, Alexandre
propaganda
Gadelha
indispensaveis
sua
nambuco,
em Fortaleza,
para
dama
Recife,
trata
Thczouraria
Gerai
para a Alfandega
tendo despozado
em Abril
cearense,
Herbster,
os exames
em cuja capital se matriculou
dade de Direito,
para
no celebre
criteriosamente
da
Praxè-
Severo,
delineados
ao curso juridico-social,
transferencia
Fazenda,
e Frederico
dos principios
Manifesta de 1870.
Concluindo
muito
Oliveira
da
da
de Perna Facul-
antes de partir
de 1876, uma
filha do preclaro
virtuoza
Dr. Adolpho
engenheiro-architeclO,
de
saudosa
memoria.
Como
alumno
pernambucana,
da legendaria
Souza
Pinto
eschóla
sima conceita
entre lentes e collegas,
suas selectas
qualidades
acrysolado
Foi no inolvidavel
phase
pessoaes,
amor que dcdicava
memoravel
tanto
pelas
quanta
pela
aos eSludos.
tempo de academista,
cm que ia accêza
IX
juridicJ.
gozo u de elevadis-
-
nD.
a chamma.
radióza da campanha
de Iraccma,
grandeza
-
pelejando
da libertaçÎlo
rita sociedade
l(
Pedro
Pereira
tendo
tura. Arthur
de
Ribeiro,
e outras
e amigos,
filhos
e' Tiburcio.
tirocinio
de forma-
Cesar Villaboim,
da Costa,
Urbano
Machado
Portella,
Lapes, Goes de Vasconcellos
e outros,
Niïo satisfcito
que oblivera
brazi-
Catunda
1881, após bello
a gráo de bacharel
e juridicas.
ao lado de Clo-
por companheiros
Orlando,
Torrcào
Clodoaldo
attestasse
na
Raymundo
Alarico
de Sampaio
novembro
acadcmico,
conquistar
»,
seus contemporaneos
da terra heroica
recebcu
a
cearenses,
hoje a maior jurisconsulto
de Queiroz,
Santos,
humanitarios
dos escravos
de Alvaro de Alencar,
estudantes,
Em
na gléba
demonstrou
nessa cruzada santa no seio da beneme-
vis Bevilaqua,
Pedro
Pinto
dos seu s sentimentos
propaganda
leiro;
do abolicionismo
que Souza
cm scicncias
sociaes
cam esse titulo honrozo
com a mais lidima dignidade,
um outra
de mais subido
cloquentemente
a seu talento
x
quiz
valor que
masculo
e a sua salida
cultura
galhardamente,
doutorando-se
juridica.
E alcançou-o
no anno
subse-
q uente, recebendo a borla e o capêllo após aprescntaçiio de thezes que dcfendeu corn a pujança
de sua mentalidade
Abandonando
ao
seu
nomeado
de largo descortino.
a carreira
doutoramento,
por Decreto
da Fazenda
em seguida
regressou
ao
do Governo
Ceará,
Imperial
para
exercer as funcçôes de Secretario do Tribunal da
RclaçflO de Fortale7.a, tendo sido antes convidado
para o cargo de Inspector
cial do Rio Grande
recuzando,
a presidencia
\laquelle
egregio
da Provin-
que lhe fûra offerecida
depois.
Em 1888 dcmittiu-se
Amazonas,
Provin-
do N arte, q uc nâo acceitou;
igualmente,
cia da Parahyba,
do Thezouro
do cargo
Tribunal
que
e embarcou
em euja capital
abriu
tempos
honrou
para o
escriptorio
de
foi e1cito deputado
ao
advogado.
Militando
Congresso
na politica
Amazonense
no triennio
Xl
de 1892-1894,
tendo sido um dos principaes callaba radares da
Constituiçào
promulgada
a 23 de julho daquelle
anno.
Coma politico,
a doutor
Souza Pinto demol1s-
trou sempre ser um espirito
aos principios
dor,
severos
da moral;
teve a preoccupaçào
idéas dentro
da ordem,
educado
como
de disciplinar
das verdadeiras
tendo merecido
normas
legislaas suas
da justiça
e
de seus pares a distin-
cçào de fazer parte, como relator,
missôes, no desempenho
no respeito
de varias com-
das quaes muito pugnou
pelos interesses ec?nomicos e pelos surtos de progressa do grande Estado nortista.
O doutor
pobre,
Souza
Pinto
cm Manáos,
fallcceu
a 6 de Julho
47 annos de idade, victimado
cerebral que zombou
medicina.
Typo
representativo
tor Souza
moço
e
de 1895, aos
por uma congestâo
de todos
os recursos
de virtudes
Pinto foi, camo politico,
si, fiel á sua palavra
ainda
da
raras, a dou«
senhor
de
e firme em todas as suas
XII
»;
acçôes e pensamentos
dade, a seu caracter
como homem
de urna integridade
creou-Ihe
urna aureola
fazendo-o
alvo das mais vivas attençôes
tos a conheciam;
pelo coraçào,
austeridade,
de respeito
como
dentro
de socieabsoluta,
e sympathia,
de quan-
chefe de familia,
de urna linha
impeccavel
pela carinhosa
que votava ao lar e pelos formosos
viveu
singular
de
veneraçào
ensinamentos
que deu a seus tilhos.
Afóra
alguns
Souza Pinto,
me,
muito
fugindo
trabalhos
operózo
um
archivo
estudos
ineditos
escripto
assiduamente
do Amazonas,
a doutor
de grande
e excessivamente
systhematicamente
daè.es, dcixou
honrosa
publicados,
que era advogado
e outras
reno-
modesto,
a todas
as exteriori-
valioso
corn varios
por
concluir,
na imprensa
onde a seu nome
tendo
do Ceará
deixou
e
a mais
tradiçâo.
N a fôro
manauense
por inconfundivel
a sua opiniào
tinha
o nome
aureolado
apreço e muito respeito,
sobre jurisprudencia
XIII
sempre
senda
aca-
tada. Pendem
de autos magistraes
Disse algures
trabalhos
José de Alencar
cardial
de toda a superioridade
duvida
a vontade
sempre
que a homem
: a poder
que
«
a razao
humana
é sem
nasce
applique
seus.
do querer
e
a vehemencia
e
perseverante
energia de sua alma a um fim, elle
vencerá os obstaculos
e, se nào attingir o alvo,
fará pelo menos couzas admiraveis
)l.
O dOUlor Souza Pinto nao desmentiu
conccito
do immortal
estylista
do
«
foi a que quiz ser, e, se nào houvesse
prematuramente
a seu tributo
rante destaque
lhe estava reservado
masa
cerebraçâo
esse feliz
Guarany
XI\'
fulgu-
pela sua forconfiadamente
muito tinha ainda a esperar.
HUGO
:
pago tâo
á Morte,
da quai a Patria
)l
DE LACERDA.
FREI MIGUELINHO
GUIZOT
na sua
Washinglol/
-
bella
clem·~ntos da historia.
do illustre
meu
estadista
modestissimo
mas muito
plesmentc
obra
Histoire
-
disse que a biographia
valendo
Adopto
o elevado conceito
e historiador
trabalho,
francez para o
que nada
pelo seu objecto,
o elogio do extraordinario
OrlO
brilhante
por si,
é sim-
vulto norte-
que foi Freí Miguelinho,
rio-grandense
urna pagina tragicamente
de
é um dos
porém,
da revoluçào
de 181í.
MIGNET,
escrevendo
que silo outras
ROEDERER,
LEYRAND,
tantas
as Notices Histo¡-Ïques,
biographias
LIVINGSTON,
ROSSI,
de SIEYÈS,
MERLIN,
CABANIS,
B.
TALFRAN-
KLIM e muitos outras, diz queja/ando de todas
estas importaI/tes personagens passau em rellista
l"!NTO.
a relloluçâO e suas crises, o imperio e seu estabelecimcnto, a restauraçáo e suas lutas, a monarchia de julho e suas livres instituiçiJes,. ligou os
acontecímentos políticos á bíographia de particulares e mos'rou o movímento geral das idéas nas
obras dos que tanto contribuiram para o seu
desenvolvimento.
Muito bem, pois, asseverou EMERSON, no
seu livro A Phílosophia Amedcana : « A historia
toda reduz-se por si mesma, com facilidade, á
biographia de alguns individuos apaixonados e
fortes. »
As particularidades biographicas (1) dos grandes homcns têm a importancia de nos explicarem
o condicionalismo em que se desenvolvcu a sua
natureza de excepçào, e a complexidade extraordinaria dos phenomenos sociaes exigindo constantemente a intervcnçiio de individuos cujo
(1) Theophilo Braga, ClOS Centenarios
e
IR!.
2
ll,
pags. 94
poder se limita a dar convergencia
aos sentimentos,
lectividade,
sentantes
ás opinioes
tornam-se
aos interesses,
e aspiraçoes
por isso mesmo
da colos repre-
de uma época.
A vida do incJyto patriota
acha-se inteiramente
ligada áquelIa phase de commoçâo
politico-social
da historia
factos que tor-
naram
do BrazÍl;
memoravel
uma revoluçâo,
surgir
ahi deram-se
urna epoca cm que irrompeu
malIograda
glorias esplendidas
da mais estoica
é certo, mas que fez
COol
abnegaçào,
a pratica
do mais
de actos
admiravel
patriotismo.
a
magno
acontecimento
pódc ser amesquinhado
nelle figuraram
podem
d'aqueIle
tempo
e nem os pro-homens
ser considerados
n11.o
que
como
nuIlidades. (1) - 1817, foi o precursor
de 1822,
nÚo ha negá-lo; sem aqueIle este tal vez nÚo tivesse
existido!
(1) Como o fazem
Pereira da Silva.
os historiadores
3
Porto
Seguro
e
¿ Houve um èrro deplorabilissimo
quencias
funestas,
nào se rcalisou
sustentado
houve
a plana
traçado
partidarias
car Portugal
do mappa
e ninguem
incontestavel
zileiros
pela quai
par Napoleào
de quem
prctcndcu
das naçôes?
foram
de bôa fé a negará;
levados
« E esses Leandros
como
nova
Se resvalaram
-
foi no chào da historia ...
-
foi na eternidade
Os martyres
...
foi no mar da gloria ...
immolados,
furor do despotismo,
para
politica.
do Hellesponto
-
porque
n'aquelle
4
ao
abnega-
nacional,
Fluctuantes
» (1).
tempo,
se votaram
á causa da independencia
(1) Castro Alves, « Espumas
l:
bra-
a fazer a revoluçâo
Sc tropeçaram
Se naufragaram
ris-
Certamentc
que, apesar d'isto, os patriotas
consecuçîLO de sua autonomia
damente
L
na Côrte de Lisbôa por notabilidades
portuguezas,
houve,
e de conse-
precipitaçào
»,
têm
pago 24.
incol1testavcl
direilO à vCl1craçâo da patria
quaI soffreram
Entre
corno
rado
e pereccram.
elles achou-se
de Almcida
e Castro.
attestam
pelo
mento
a padrc Miguci .loaquim
(t \ N obilitado
pelo saber
os scus col1tcmporaneos,
patriotismo,
glorificado
c pelo martyrio,
homcnagem
pcla.
pelo
inspisoffri-
bem merece a prcilO e ;:;
da postcridade.
l.m homem que era scctario ardente da l:mal1.::ipG.ç<1o
politica do SCl! paiz, mas, por seu caracter sacerdotal,
evitando
turba ignara,
trabalhava
vamentc
trin¡:ndo
a motcjo
modesta,
nos clubs patrioticos
ao
POyO,
-
ou applauso
de instrucçào,
discutindo
dE
mas productidou-
e investigando
(1) Os que cscre','eram sobre os aconte.::ime:1tos L!e
ùizcm : ~1I1S,que o nom~ de Frei Miguelinho er~..
~1iguel Joaquim
ùe Almeida Castro; outras,
COl11(;
;;cima escrevi. Deste numero é o monsenhor
Muniz
Tavares,
auctor da (( Historia da RevoluS:Üo de Pernambuco
em 1817 », discípulo
e companheiro
do
inclyto martyr brazileiro
na cruzada líbertadora
de.
patria.
ISri,
~========== 5
os me lOS mais
grande
idéa,
querendo
propicIOs
que
para
que a revoluçâo
em que occorreu,
ccndo, marchou
do combate;
a realisaçào
habilmente
propagava;
irrompesse
da
nào
ao tempo
mas infelizmente
assim acontc-
á frente da tropa
para o campo
secretario
do governo
republicano,
de posse de todo o archivo,
pouco
preso
a vida dos cOO1pro-
destroe-o
mettidos;
outros
para poupar
nào se occulta,
o fizeram,
como facil lhe seria e
mas espera
casa que o viessem
antes de ser
resignado
prender;
em sua
insinuando-lhe
o
principal de seus terriveis e crucis juizes uma desculpa para que se retractasse, e, certo de que salvaria
a vida, repelle
um homem
o alvitre
que assim
procede
juz á gratidií.o nacional,
da historia:
no firmamento
valiosos
subsidios
será,
é um heróe, fez
immortalisou-se
seus astros mais fulgurantes.
O estudo das biographias,
MA\VDSLAY,
com indignaçào;
da patria
segundo
no futuro,
para constituiçào
(j
um
no céo
é um dos
HENRY
dos
mais
da psycholo-
gia social.
Esta parte
da historia
coma diz a physiologista
de caracter
inglez,
de tal homem,
trabalho,
pelo decurso
aqui
que surgiram
muitas
particula-
na elaboraçii.o
das quaes
do tempo
insuperaveis
e falta de documentos,
corn que elle nao fosse completo;
se acharú
homem
notavel
mas
compendiado
a que sobre
anda escripto
por ahi, rectifica-
dos alguns erras e prcenchidas
Passa elle auxiliar
a outrem
algumas
esse
omiss6cs.
que se encarrcgar
da missiio de que ora me incumbi,
mais efficazmente
a
do individuo.
As diflieuldades
nzeram
como a affectaram,
da luta para as condiçùes
res da evoluçito
d'este
quaI foi a força
a das circumstancias,
de que modo as combateu,
que resultou
deve inquirir,
contribuindo
do que cu para a historia patria.
7
GENEALOGIA E CULTURA
DE FREI MIGUELINHO
N a cidade de Natal, capital da provincia
Grande-doa padre
N o rtc, nasceu a J 7 de setem b ro de 17G8,
Miguel
vulgarmente
Joaquim
cOllhecido
de Almcida
portuguez,
Teixeira, (1), os quaes,
tiveram outras filhos
Almeida
da
Manoel Pinto
e D. Francisca
(2)
j
Antonia
além do insigne patriota,
: D. Clara Joaquina de
Castro, que esteve cncarcerada
rcvoluçào
e Castro.
por freí Míguelinho:
Fóram seus pais o tenentc-coronel
de Castro.
do Rio-
padre
Ignacio
par causa
Pinto
de
(1) ]';a sua «( Memoria historica e biographica do
clero pernambucano », diz o padre Lino do MonteCarmelIo Luna que o nome da mai de Miguelinho era
lzabcl Teixeira, o que é equivoco.
(2) Mons. Moniz Tavares, na t< Historia da re\'oluçáo dll Pernambuco em 1817 » diz que o nome dessa
irmtL de Migudinho era Anna. E' outra equivoco.
Almeida Castro, vigario de J aboatào,
b'Jco,
provincia
scrviços,
por sens mcn:cimentos
a elegeu deputado
no. primeira
dencia,
¡fanoel
que,
cm Pcrnam-
legislatura,
à Asser;1bléa
c
GeraI,
depois da nossa Indepen-
nos annos de 1826 1SZSí ; (1), pad re
Pinto de Castro, vigario de Natal e yiœ-
pëesidenre
da provincia
de Almeida
Castro,
; padre
Francisco
José
Pinheiro
.loaquim
Teixcira.
Joaquim
Felicia Pinto de Almeida Castro, que
importante
papel representou
nos aconIecimcntos de 1824 na provincia
de
Castro
Aimcida,
e D.
Bonifacia
de quem
descende
maz Xavier
s3lienrou
do Ceará;
Garcia
DamiÜo Pinto
Pinto
Garcia
o conselhciro
de Almeida,
na politica e magistratura
que
de
Tho-
muito
sc
do raiz.
(1) « Annaes do Parlamento Brazileiro ., volun~e
de 11\2(;. O padre l\lonte-Carrnello Luna (obra citada).
informa que o padre Isnacio Pinto de Almeida C:lS11'0 fÙl'ucleito deputado
il Constituinlc,
o que nÜo é
ex,lcto. llomem de ;\1.el1o,na « Constitui:1te perante a
historia H, e Pereira Pinto, nos « Annaes do Parla¡nento Brazileiro H nao dao noticia dessa eJeiçùo,
~)
Nào padendo dar aos filhos, em Natal,
caçào literaria que desejavam, os genitores
Miguelinho
viram-se
na necessidade
a edude frei
de mandá-Io
para a Recife junto cam os irmaos Ignacio, José
e Clara, aos quaes acompanhou
sua mài (1).
A 4 de noycmbro
melita da reforma
seu instituto
do Recife,
de 1784 entrou
de Pernambuco
no Convento
(3) tomando
entâo
hantes
mestres,
todos.
conquistando
predicados
a nome
pelo talel1to
de frei
e bril-
a predilecçào
a estima dos confrades
Terminado
a
(2) ou no
Ahi fez regularmente
morues
a curso, desejou
foi corn liccnça á metropole,
car-
e professou
de Goyanna,
Miguel de Sào Bonifacio.
seus estudos,
na ordem
dos
e o applauso
de
viajar á Europa;
senda companheiro
(1) Nos cc Martyres Pernambucanos
» referc o seu
auctor, padre Joaquim Dias Martins, que Miguelinho
se domiciliara
cm Pernambuco
desde os 16 annos.
(2) Padre Montc-Carmel\o
Luna, - obra citada.
(3) Padre Dias ,'\-lartins, - obra citada.
JO
do procqrador
que a sua Ordem
tinha na Cône
de Lisbôa.
Por suas raras qualidades, o padre frei Miguel
soube attrahir a amisade das grandes celebridades lusitanas;
frequentou
cas e literarias;
conseguiu
J oaquim
de Azeredo
Pernambuco,
amigo
de
particular,
patriota
Coutinho,
quem
bispo eleito para
se fez posteriormente
a ponto
desenvolveu
acontecimentos
as sociedades scientifia estima de Dom José
de, quando
a illustre
toda a sua actividade
politicos,
afrouxarem-sc
suas rcla-
çôes coro o bispo, sem que este, recordando-se
muito que lhe quizera,
A differença
do
o odiasse ou o perseguisse.
do roeio social em que se achou e
o sentimento
vivo do patriotismo
ardenteroente
a sua alma de brazileiro
pendencia
nos
da patria, -
que dominava
pela inde-
idéa que desde os fins do
seculo
penultimo
mêsmo
Brazil-
em Portugal, e já por vezes explosira no
fizeram com que elle, ávido de gloria e
a fortuna
Estève sempre
a sorrir-lhe,
perdêsse
Il
cm
cbuliçào,
a primitiva
voca-
çào, e secularizou-se,
impetrando
o respectivo
breve á Santa Sé que lh'o concedeu
Regressou
em
1800
bido corn grande
(1).
a Pernambuco,
enthusiasmo
sendo rece-
por seus amigos,
que, reconhecendo
nelle uro sabio theologo,
fundo
e oradÔr
philosopho
insigne,
pro-
desejavam
tè-lo entre si.
N a tribuna
sagrada
galh ardamente
demons-
trava a sua erudiçào
e fecunda eloquencia,
sahindo
panegyricos
em
conhecimentos
seus
que possuia,
sificado o primeiro
orador
os
sobre-
vastissimos
sendo por isso classacro do seu tempo (2)
(1) O padre Almeida e Castro jamais quiz a vida
claustral,
para a quai nao tinha pendÔr ; professou
tlío somente para cumprir UIl1 \'oto que sua mtle fizera.
(2) Acêrca ùos seus extraorJinarios
dotes oratorios,
escreveu o padre Dias ~lartins, obra já citada:
• A amisaJe e familiaridade,
que sempre Ihe tivc;',10S,
exi¡;em que aventuremos
aqui urna confissao
que nada tem de exagerada
: vimos e ouyimos nns
primeiros
theatros da monarchia
muitos e mui abalis:1,los oraùores
e os mais fa mosos no publico;
mas
12
real.;undo
ainda
rela modestia
!;l11utos.
maIS o
e virtudes
seu
N'esse mesma at1t1o, obispo
iDaugurando
o seminario
n',eiro e regular
pouco da Europa,
nidadc (2).
e mcrito
Azeredo Coutinho,
de Olinda,
cstabelecimento
teve a Brazil, (1) ou, pela menas,
zll, foi a padre Almeida
saber
que Ibe eram predicados
e Castro,
entâo a pri-
scientifico
que
a norte do Brachegado
quem fez o discurso
havia
da soIem-
avançamos
muitas vezes e ainda repetimos
que só
vimos e ouvimos um, e esse era Miguelinho ! O nosso
','oto era compartilhado
por quantos tinham a fortuna
è.e ouvir 'o sermao do padre Miguelinho.
»
(1) O seminario foi aberto corn as seguintes aulas:
latim, grego, franccz, rhetorica,
poetica, geographia,
chronologia
e historia
universal,
desenho,
logica,
¡netaphysi.::a,
ethica,
mathematicas
puras,
historia
natural, sagrada e ccc1csiastica,
theologia dogmatica
è moral è canto cháo.
(2) O manuscripto
está no Instituto Archeologico
e
Jeographico
Pernambucano.
Intitula-se « Oraçáo de
sapiencia 1J.
Encarregou-o
torica,
ainda o bispo da cadeira de rhe-
que leccionou
pernarnbucano
discipulos,
corn satisfaçii.o do prelado
e grande aproveitarnemo
até o fim de
corneço de sua immortalidade.
I~
de seus
seus infortunios
ou
VIDA POLlTICA 00
PADRE MlGUELINHO ATE'
N REVOLUÇÁO PELA QUAL MORREU
1
A idea da emancipaçii.o
muito,
arraigada
timento
hum
era traduzido
brazileiro
recusava
do pavo, e esse sen-
já. por muitos
de illustraçâo
faetos;
nen-
e patriotismo
lhe
apoio para vê-la victoriosa.
O primciro
facto para conseeuçii.o d'esse nobi-
lissimo
e elevado
durante
a dominio
abandonando
intuito
aos seu s proprios
os Estados
em Pernambuco,
a partido
a elemento
recursos;
entregando
de 26 de janeiro
dos indepenbrazilciro,
do mesmo modo que
Geraes nâo enviaram
hollandezes,
convençâo
deu-se de 1649 a 1654
hollandez,
a metropole
dentes, ande preponderava
aos
do Brazil estava, dêsde
no espirito
mais soccorros
estes pela
celebre
de 1654 a cidad.::
Mauricéa,
as ilhas de Fernào
de Noronha
e de
Itamaracá
e as provincias
da Parahyba,
Rio
Grande do Norte e Ceará, servindo de plenipotenciario
o heroico
parahybano
N egreiros.
Desdc a expulsào
ter-se
constituido
raças combatem
ao invasor
André Vidal de
do batavo, que a Brazil podia
Estado
independenw.
uma ao lado da Olltra disputando
a solo que tem de unidas
demonstram
As tres
de modo
evidente
habitar,
que podiam
e
lan-
çar-se na Iucta pela vida.
Em 1708 occorreu
Minas;
os paulistas
do dominio
abnegaçào
rosamente
luctam
hespanhol,
de Amador
para
dos emboabas em
a guerra
durante
todo tcmpo
em que a modestia
Bueno contribuiram
terminar
a guerra;
podc-
cm
deu-se nava lucta entre a nobre'{a de Olinda
mascates do Recife;
foi enforcado,
no dia
21
decapitado e esquartejado
J osé da Silva Xavier, o Tira-dentes,
piraçào
de abril
mincira.
e
Iï Io
e os
de 1792
J oaq uim
chcfe da cons-
Jú eram cm 1776 independentes
do:>, e a primeira
das colonias
J11aisapplaudiram
a emancipaçào
~'ovo, foi a Brazil,
s~m poder
que,
realizar
con:inuava
quando
hispano-americanas,
de Buenos
Ayrcs
que
politica daq L1elle
entretanto,
a sua autonomia,
:!.Igumas das colonias
a provincia
os Est<:dos Uniamericanas
como
cm ,810, o Para-
:;uay e a Venezuela em 18",
nâo contando as
wntativas da Bolivia em 1809, do Ci":ile e do
Mexico
cm
jÚ tinham
¡810,
proclam<:Qo
a sua
independencia.
Simultaneamen1C
systcma
comcçava
colonial americano;
entre nfÍs, apesar da extensào
a dcsagrcga~'iio
as condiçàes
do territorio,
"am-SI: mais ou menos un:formisadas,
a obter-se a formaç¿lO da nova patria.
A Portugal
nao passavam
a.:ontecimentos;
(·ccultá-los,
1'0-105
outros,
divuIgavam.
estivera,
porém,
esses
deseiariam
os observavam
O padre Miguelinho,
provavclmentc
acha-
de modo
despercebidos
mLlÏtos portuguczes
tcria noticia
do
¡ocaes,
c
que ali
do que se
dizia e propalava
independencia
na côrte portugueza
submetter
a Inglaterra,
usava de todos os meios de que cogitava,
limitando
nente
da
do Brazil.
1, querendo
N apoleao
acerca
sómente
europeu
a trancar
: soprava
entre os Estados
os portas
a facha
visinhos,
nao se
do conti-
da discordia
ou promovia
a guerra
civil.
Em
180 1,
Francisco
Albuquerque,
de Paula
capit1io-mór
cam seu irm1io Luiz Francisco
canti de Albuquerque,
Cavalcanti
de Olinda,
de Paula
Republica,
Outra
seu irmao,
cisco
de Paula,
de Pernambuco
sob a protecçao
entâo
de Napoleao.
em Lisboa,
figurando
na
junto ao protector,
ser preso, fugindo
para a Inglatcrra
botanico
parahybano,
(1) Padre Dias Martins, -
José Fran-
conspiraçao
agente acreditado
O illustre
Caval-
camo autor de uma cons-
piraçiio, que tinha por fim formar
uma
de
fôra preso
escapou
de
de
(r).
Dr. Manoel
obra citada, pago 12.
de Arruda
fins do seculo
!també,
passado,
sociedade
mente estabclecida
Pcrnambuco
conhecido
(1) chegando
Camara,
da Europa
o Areopago,
fundou
politica,
nos limites
e Parahyba,
secreta,
das idéas
vacillantes
.os governos
com o intuÏto
absolutos,
André
Felix Velho Cardoso,
Joll0 Ribciro
::}issolveu-se
de Figueircdo
de Albuquerque
sob
se achavam
parte o capitâo
Antonio
de fazer
da quai faziam
padres Antonio
Tboco,
Dias
de
e quamo
democraticas
de
proposital-
das provincias
o estado geral da Europa
o influxo
nos
e os
J osé Pereira
Montencgro
e
Pessoa (2).
essa sociedade
pela denuncia
da
(1) Pereira da Costa, no seu « Diccionario biographico de pernambucanos celebres :o, diz que Arruda
Camara é natural de Pernambuco; mas M. L. Machado, na sua (ntroducçáO á « Historia da revoluçao
de Pernambuco, em 1817 ", do monsenhor Muniz
Tavares, diz que ellc é parahybano. Seu pai era capitao-môr e commandante da nova villa de Pombal, na
provincia da Parahyba.
:2) M. L. Machado - fntrod. cit., pago Jg.
conspirùçilo
Arruda
de
1801 c a viagem
Camara,
quez de Abrantes,
no governo
para o Brazil.
revoluçào,
substituto
de Portugal,
de Abrames
do Principe
quanto
Em Lisboa
se entendêsse
e, em ultimo
Dom Rodrigo
caso,
(1).
O desembargador
enviado
Regente
fugiu
recebeu
novas ins1rucçoes
de
com o marem 1807
do marquez
sobre
nas quaes Ihe declarava
ses apertados
Falcilo.
á Lisboa
que se correspondia
o plano
da
que, em tran-
com Gomes de Araujo,
com o conde
de Linhares
J oâo Osorio de Castro Souza
da côrte
mento da revoluçâo
para
tomar
conhcci-
de 1817, escrcvia ao ministro
do reino Thomaz Antonio de Villa Nova Portugal dizcndo ,( que o projecto da revoluçâo era
amigo cm Pernambuco.
lucionarias
de Paula
por causa das idéas revo-
transmittidas
Cavalcanti
en ¡801 por Francisco
e Luiz Francisco
de que hou\'c denuncia
(¡) 1\1.1.. Machado -
de Paula,
e estes dois foram
Intr. cit., pago
20
20.
presos
e depois soltos por falta de ,provas, porque no
e:xame ¿os papeis (como se vê da devassa), urna
das cartJ.s foi abafada pclo escrivào Fonseca, que,
cm premio, recebeu quatro cemos mil réis >l.
No
gabinete
particular
d'esse
ministro
encol1tre.do um massa de cartas anonymas
das
80
Rei e
maçonicas
Rainha,
Ii
do Brazil,
eram subtrahidas
El-Rei,
por uro espiào
tomou
JoaqLÎna,
a quaI desconfiando
o a}vitre de escrever
-
Ha muito tempo,
a
a D. Carlota
gano cam o caracter
«
Soberana
Real Scnhora,
que
devêra ter um total dcsendos inconfidcntes
em que lcm dcscançado
e de todo
ministros
entregue
a
Llo Reino!
((Es:e carpa,
cheguc
que
espôsa de Dom Joâo.
EI-Rei Nosso Senhor
govefllo
dirigi-
das lajas
e !idas as carta~ cndereçadas
UIT.a d'cssas cartas assim começa :
Senhora.
foi
á Bahia,
que se acha a sahir, Üio de pressa
lago aquellc
2\
Estado
se levan,a
assim como em Pernambuco,
o que tudo é auxi-
liado pelos ministros d'esta córte, pois todos elles
sao do caracter
um conde
de um marquez
de Ega,
de um
outros que nao guardam
Dom
de Alorna,
Rodrigo
fidelidade
de
e de
ao seu sobe-
rano » (1).
E', pois, sem duvida
intempestivamente
fôra planejada
partidarios
cram
alheios,
marquez
de 1817
no dia 6 de março,
desde os fins do ultimo seculo pelos
de Napoleao
pela politica
que a revoluçào
rompida
em Portugal.
mas a promoviam,
franceza,
de Alorna,
o marquez
A' elle nao
corrompidos
de Abrantcs,
conde de Ega e out ros (2).
(1) Mello Moraes - « O Brazil imperio e o Brazil
reino », tomo l°, pago 177.
(2) O marquez de Abrantes presidiu a commiss:io
que, protestando a Napoleâo obediencia em nome da
naçáo portugueza, pedira-Ihe um rei de sua familia
para Portugal. O tenenete general Marquez de Alorna
esteve no exercito francez ao serviço do Imperio. O
conde de Ega pediu a NapoleAo a throno de Portugal
Até Dom
revoluçào
Pedro
foi accusado
de cumplice
da
de 1817 (I)!
Corn a abdicaçao de N apoleào em 1814, arrcfeceu a fcrvor politico dos scus partidarios
em
Portugal;
suprema
mas nâo diminuiu
aspiraçâo
nos brazileiros
da independencia
a
patria.
para Junot. Pereira da Silva, « Historia da Fundaçáo
ùo Imperio Brazileiro ", tomo 20, § 40, secçao la.
(1) Oliveira Martins - « O 13razil e as Colonias Portuguezas )l, pago 112.
II
Sc na mctropole,
prisioneiro
par causa da infelicidadc
de Santa
dos partidarios
Helena,
arrefeceu
do heroe de Austerlitz
verem a emancipaçào
politica
a ardor
cm promo-
do Brazil,
nlio era mais' possivel deter a movimento
impulsionado
do
aqui já
que [Ôra
d'além-mar.
A idéa propagava-se
em todas as classes, por
todos os meios e modos de que entào dispunham
seus adeptos:
para todas as partes seguiam
dos dos clubs e associaçóes
selitismo,
a attrahir
envia-
polidcas
a fazer pro-
o maior numero
de adhcsoes
á causa da independencia.
Covardemente,
tropole,
Dom Joào VI abandona
em 1807, transportando-se
real para a America
portugueza,
a me-
cam a familia
acompanhado
enxame de aventureiros necessitados e
sem principios ». As despezas para sustentar esta
de um
«
¡..;entcer:l n1 c:,traordinarias;
sobresahindo
a extra-
vagan,~i:l t: a prodigalidade
da côrte, cujo. moral
era a mais baixa.
Dom Joào VI era um pobre
Portugal,
egrcja;
mas
ia para
Mafra
~I) seu caracter
as ::ltidelidades
escandalosas,
homem,
cantar
individual
de sua
que obrigaram-
que, cm
no
córo
da
cra incorrupto,
espósa
eram
tfio
no a viver separado
della (:JI.
A L¡;aria
cruzados,
(dispensa),
consumia
seis milhües de
que eram pontualmcnte
pagos;
os por-
tUf!llCZCS.que acompanharam
a Rei foram admit-
tidos
da administraç1io,
aos di[erentes
mas considerando
Brazil, propunham-se
do Estado,
ramos
temporaria
antes a enriquecer
do que administrar
Pan.: occorrer
a sua estada
no
:í custa
justiça.
a essas enormes
dcspezas,
dela-
(:) Oliveira
Martins « Politica
e économiea
nacion;}l », pago 60.
(.~) J. Armita~e - « Historia do Brazil », pago la
e t'!..
25
pidaçôes e toda sorte de corrupçào,
das contribuiçôes
plas. O pavo,
sua côrte,
pesadissimas,
injustas
cada vez mais odiava
que d'este
scientemente,
foram lança-
modo
os germens
e multi-
ao Rei e a
semeavam,
incon-
para a revoluçâo,
e, o
que mais é, justificando-a.
No Rio de Janeiro
çonicas
trabalhando
independencia
estabeleceram-se
corn
brazileira,
todas
lojas ma-
as forças
e nas provincias
pela
tive-
ram clIas outras lojas suas filiaes.
Em
parte
alguma
a movimento
da indepen-
dencia patria recebeu impulsa mais forte, ou pela
menos tào forte e vigoroso, do que em Pernambuco
: tornou-se
propulsor
incontestavelmente
o centro
do norte do paiz.
Extincto
o Areopago
de !també,
logo no Recife duas outras associaçôes
as « academias
" Suassuna
Regressando
os patriotas
da Europa
identicas
e Paraizo.
o padre Miguelinho,
pernam bucanos
ou, antes, fôram
crcaram-se
conquistaram-no,
par clIc conquistados,
pois que
:
lhe cediam a preeminencia,
oraculo
ranças
e depositavam
ouviam-no
como um
nelIc todas as suas espe-
(1).
Ninguem,
boraçâo
de quantos
entrara m para essa ela-
occulta de meios a investigar
ficios a fazer para que realisassem
do Brazil, soube unirtanta
actividade
consummada
havendo
a revoluçao,
dcraçao
nella.
prudencia:
muitas
ignoravam
¿ Seria covardia,
ponsabilidade
Pcnsá-lo
pessoas
e de sacri-
a emancipaçùo
cam a mais
já rebentado
illustres
se Miguelinho
e de consi-
tomara
tatica para subtrahir-se
e perigos que lhe pudessem
parte
ú res-
advir?
sómente seria um crime. Aquelle carac-
ter spartano
Os moços
abraçaram
os discipulos
provou que sabia marrer
que cam elle se haviam
ardentementc
seguiam
Sl:a evangclisaçùo
a causa
instruido,
da liberdade,
ao mestre
politico-social;
pela patria.
na predica
dedicadamente
(1) Padre Dias Martins, obra citada.
da
a auxiliavam e merece especial mençâo a padre
J oào Ribciro, que brilhante papel rcpresentou
n'esta tragi-historiea
confiando
revoluçào;
do exito da causa,
mas no fim, descomo
Claudio
Ma-
noel, em Ouro Preto, suicido u-se !
lago no começo il academia Suas-
Associou-se
suna, nome
patriota
querque,
do
de .Paula
seu fundador.
padre
quinze
que lhe veiu do engenho
Francisco
M iguelinho
de Albu-
A' circumspecç;lO
deveu
sem explosâo,
allllOS
do notavel
Cavalcanti
ella
ainda
e taticu
tcr
du rada
mais extem-
poranea e fatal do que a de 6 de março.
Era ahi n'esse club de Minerva e de ~'larte, que
se iniciavam
cruzados
nos mystcrios'
do patriotismo
d'essa legiào de martyres
l'am corn stoica
Brazil a cadeira,
abnegaçâo
os
quc se vota-
a reclamar
para
que lhe cabia, no congresso
o
das
naçóes como um povo livre e independente.
Posteriormente
votou para a fundaçâo
academia do Paraizo por Francisco
rico morgado
e capitào-mór
da nava
Paes Barreta,
da villa do cabo de
S. Agostinho.
Nâo
crear-se
de força e luz, que impellisse
centro
movimento
o padre
enscjo
il consecuçiio
dcmocratico
l10bres e elevados
j)'ahi
perdia
de
a
de sens
fins.
lhe provieram
desgostas
corn obispo,
que levou muito a mal a exclusâo de seu afilhado,
o ex-frade,
padre
Antonio
trLdor do Hospitùl
O caracter
faIhou,
Caetano,
de adminis-
do Paraizo.
altiyo e nobre, que nem uma só vez
do padre
Almeida
a nÏlo dar satisfaçôes
e Castro,
ao diocesano,
vez cm seu melindre,
compellia-o
que ferido lal-
se resentisse
ainda
mais
pela amisade que lhe dcdicava;
mas o ceno é que
aquelle niio infringin
porque
a destituiçiio
dentro
medida
da esphera
Foprias.
Aggravaram-se
a justiça,
geralmeme
sobre
reclamada,
das attribuiçôes
as suas relaçôes
ser
agin
que lhe eram
corn obispo,
e seu irmào, padre Ignacio Pinto, vigario de Ja·.)oatao, esteve a ser victima do resentimento
de
Azeredo
Coutinho.
Aos que o aconselhavam
29
a
interceder
pelo irmào, respondía
dígnidade
: -
( se obispo
nao tcm que temer
meu irmào,
j
cheio de brio e
é justo,
se é injusto,
meu irmào
nem cu, nem
ternos forças para rcsistir-lhe.
»
Tanta nobreza d'alma compellíu
a virtuoso
prelado a entrar em seu dever, ainda que alcunhando-o
de orgulhoso
e augurando-Ihe
fim tra-
gico.
Orgulho
jusliça
nobilissimo,
de seu irmao,
inspirado
no direíto
que nao tomando
causa que elle advogava,
nâo podia
tas, se as houvesse,
ser responsave1;
a tragedia heroica
posleridade.
do manyrio,
30
e na
parte na
par suas falo seu fim foi
glorificado
pela
III
Caminhavam
os trabalhos
dos patriotas
adean-
tadamente.
Domingos
J osé Martins,
que represcmou
papel
do maior relêvo na revoluçao de 1817, enviado,
ao que parece, pelas sociedades secretas da Europa, sob o pretexto de examinar o estado das
casas tiliaes da firma commercial
Dourado Dias
&: Companhia,
da praça
das no Maranh1io,
Ceará,
de Londres,
estabeleci-
Pernambuco
e Bahia,
certifico u-se dos progressos
que tinha fcito a idéa
da revoluçâo no Brazil.
Depois de sc haver demorado
do Cearà
Bahia,
e de Pernambuco,
acom panhado
Domingos
Theotonio
do
capitâo
Jorge,
para Londres e, este, acreditado
31
nas provincias
seguiu
para
a da
de artilheria
partindo
aquelle
perante o Grande
Oriente, embarcou
regressou
para o Rio de Janeiro, de onde
dcpois de alguma demora, ao Recife (1\.
O capitào-mór
Cavalcanti
dois,
de Olinda,
Francisco
de Albuquerque,
seguia
occultamente
hyba, Rio Grande
fôra certamente
da Para-
e Ceará,
onde nào
tratar da causa realista;
Em 1815 regressou
reuniÔes politicas,
envidando
publicas,
demora
Martins
a principio
mais
os patriotas
lizar o que aspiravam.
previdcllcia : facilitaram
tou t;lo caro.
dos
o caminho
do Norte
ao Recife depois de alguma
se quasi
de Paula
após a viagem
voltando
(2).
da Inglaterra,
secretas,
assiduas
e as
tornaram-
e frequentes,
todos os meios para reaEra,
d(~ facto, muita
im-
de mais; o que lhes cus-
(1) Padre Dias Martins, Ineùicto do padre Francisco
zes, - soh numero 279 do
Pernambucano, vol. 4.0 pago
Introducçao citada, pág. 32.
(2) PaJ.rc Dias l\Iartins, -
obra citada, pago 258 :
Corrêa Telles de !lleneInstituto Archeologico
17; M. L. Machado obra citada, pago 12.
!';;lo procediam
Stautfacher,
os
personagens
Fürst,
do drama
quando juntos
da Suissa, entrelaçadas
as màos
juravam,
como
cuntócs de Schwytz,
representantes
secretamente
á esquerda
tùcs ou de Lucerna,
do Mytheinstein,
dos tres
Uri e Unterwalden,
dos na vida e na morte;
monas
tres
e Walter
Tel!, de SCHILLER,
Gllilhenne
;,us mantanhas
d¡rcitas
assim
Melchtal
ser uni-
e congregados
muito
do lago dos Quatro Call-
indo para Brunnen,
em frente
na campina
de Ruttli, ás haras
da noite deliberavam
sobre a libertaçào
da patria commum.
Unido Martins
]os¿
d:: Barras
tinhall~ alliciado
a Domingos
cam
alguns
e a muitos
e a um
da praça,
as tropas corn promessa
cido solda, a que agradou
caro;
Theotonio
grandes
de cres-
em tempo que ludo é
sacerdotes
de os empossar
dos
dizimos ... e ao demais pavo que ficaria isenlo de
cizas e dos navas impostos,
baptise.dos
aos parochos,
cam as braneas
pobres e fiearem libertas;
33
l"IraQ.
de pagar desobrigas
e
e aos prelos de casarem
a eujos
respeitos
em adjuntos
conferenciavam
á. espera
do signal ou aviso dos seus mes tres do sul, os
quaes esperavam da Europa para se distribuir
pelo Bra{il ... Além de outras brindes nas suas
mezas
maçonicas,
por estranhas
ouvintes da plebe perceberam
metaphoras,
versos, ditos por um do congresso
prophecia exhortati~a,
a seu favor:
Quando
á maneira
se ajuntarem
mil patriotas,
Entào veremos
surtir
sobre derrotas
(1).
Como se vê, os meios de propaganda
licitas e decorosos;
suadindo
tempo,
de
se bem a cegueira entendia
Quarenta
Derrotas
os
de fóra os seguintes
mas seduziam
as classes per-
a revoluçAo, mostrando-lhes,
a sua utilidade
nAo eram
ao mesmo
e proveito.
(1) Padre Telles de Menezes, - inedito citado,
vol. 4.0, pago 17; M. L. Machado, - lntroducçiío
citada, pago 34.
As lajas maçonicas
"am corn actívídade,
as vigia"a
e trahia,
no Rio de Janeiro
trabalha-
e a espiÜo da policia
a 24 de abril
que
de ¡817, em
carta a Dom J oào VI dizia, « que compareceram
Ü
urna secçào
tres inglezes
dos mais poderosos,
do Rio, o barào de S. Lourenço, o ouvidor Clemente Ferreira França, frei José de S. Jacintho
:\1aviRnier,
penzambucano,
Gama,
tambem
per-
;¡ambucano e irmào do ouvidor de Sabará (¡) o
contador da fazenda de Pernambuco,
Ludgero
Francisco
como este,
da
Paz e mais
cujas
F. Cavalcante
nomes
(2), dois
tres pernambucanos
nào sabia;
correspondentes
guezes, um da Bahia, e outro
que S. M. ficava reduzido,
(1) José
nardo
Fernandes
José da Gama
um militar
portu-
de Pernambuco;
segundo
o projecto
da Gama, irmiío do Dr. Ber(visconde de Goyana), ouvidor
em Sabarit.
(2) Supplie-se ser o tenente Antonio Vieira Cavalcanti.
e titulo
que
ganha )
(1:1.
Ningucm
dencia
lhe
dar, a Joâo de Rnl-
jamais póde contestar
do Rrazil
popular;
queriam
estava decretada
faltava o momento,
sou beram
esperar
que a indepenpela vontade
e esse foi que
os pernam bucanos,
nÍlo
por isso
foram infelizes !
Theophilo
24 de março
Pedro
Ottoni
na sua celebre publicaçào
de 1862 sobre
a estatua equestre
de
de
l, assim se exprime:
~ Em 1817 a drama,
scena navas actores.
(de Tiradcntes),
teye cm
A revoluçâo fôra decretada no Rio de Janeiro
cm casa de Ledo e devia romper na briosa provincia de Pernambuco.
« N'essas
Thermopilas
do Sr. Salles Torres
do heroismo,
Homem,
os barbaros
¡am mais urna vez par sôbre os carpas
phrase
passa-
de livres. )
(1) Mello l\1oraes - « O Brazil reino e o Brazil
», pags. '77 e '78.
imperio
IV
o
n¡[c[¡o
vomitou
cia;
revolucionario,
em slla
todas as lavas pela cratera
precipitaral11-se
insigne
patriota
erupc;flO.
da impruden-
os acontecimen1os
Almeida
e Castro
que
por
o
tal/to
tem::'oprep.1rara, dirigira e suspel1dera (1).
Pouco
balhos
a pouco
foram
e commettimentos
vezcs foi delatado
ral Caetano
se divulgando
os tra-
dos clubs, e divt.:rsas
ao governador
Pinto de Miranda
cm academia e assembléas
de entitO, geneMomcnegro,
qUl:
privadas planejavam-se
e discLltiam-se os meios de realisar a i:1dcpendenci<1do Brazil.
l ndicavam os delatôres
se esforçavam
pelo reconhecimemo
um povo escravizado,
quistando
que queria
do direilO de
ser livre, C011-
a sua auto11omia corn a abnegaçflo
inspira a redempçào
(1) Padre
. -
os nomes dos q lIC mais
-
da patria.
Dias Martins,
..
-.
obra citada,
37
pago
127'
que
A principIO
criterioso,
temporisando
as ao espirito
riormente,
o go\'crnador
foi con-
com aquellas delaçàes, attribuindoardente dos pernambucanos;
porém,
foi dando
credito
poste-
aos boatos,
até que no dia 1° de março de 1817 o f1uminense
José da Cruz Ferrcira, ex-juiz de fúra do Ceará,
e ouvidor
de uma comarca
nambuco,
descobriu
procurando
do sertiio, cm Per-
a celebridade
do delator,
a conspÏ1-açrïo.
Escutando-o,
o Governador
faz uma procla-
maçâo ás tropas nos dias 4 e 5 para que se nào deixem
dirigir
por
homens
somente pelo egoísmo,
Conselho
perversos
e convoca
extraordinario,
portuguezcs,
extremados
sendo excluido
deiro Campello,
dominados
para o dia 6 um
composta
inimigos
de gcneraes
dos brazilciros,
por ser pernambucano,
tendo sido determinada
dos cabeças Antonio
Gonçalves
o brigaa prisao
da Cruz Cabugá,
Domingos Theotonio Jorge, padre J oâo Ribeiro
Pessoa de Mello Montenegro,
Pedro da Silva
Pedroso,
Vicente
Ferreira
38
dos
Guimariíes
Pei-
•
xoto, Manoel de Souza Teixeira
Lima,
pernambucanos;
querque
Cavalcanti,
cearenses,
e José de Barros
José Mariano
Antonio
e Domingos
José
santense (1).
E foram condemnados
Henrique
Martins,
de AlbuRabello,
espir¡to
•
a soffrer os homens per-
versos, dominados pelo egoísmo,. elles que se inspiravam
no santo amor da patria ...
« Ordem,
filha dos céos abençoada,
livres entre si ligaste,
« Chamando-os
á concordia, á paz dourada
« Tu " as c¡dades e suas Icis fundaste,
« Attrahiste
dos bosques intrataveis
« O barbaro, selvage e a facil, brando
« Trato Ihe déste, e os usos sociaveis,
« Que os homens
«
«
:
Porém de tuas obras o primor
E' dapatria a ardente e santo amor!)) (2)
(1) Padre Dias Martins, obra citada, pago 127- Monsenhor Muniz Tavares nüo menciona todos estes.
(2) Schiller, - « Cançáo ", traducçao
de Gomes
i\lonteiro.
39
Sabcndo dos acontecimentos
cm Olinda, onde
residia, o padre Miguelinho
veio lago na tarde
do dia 6 de março ao Recife. A' noite hou\'e urna
reuni;-IO na casa da guarda do Erario,
estando
presentes
elle,
a padre
J01l0
Ribeiro,
Jacome
Bezerra, vigario de Sào Pedro Gonçalves,
Nery
Ferreira
e Antonio
sendo unanimente
fortaleza
perigosas
panhou
que a
nunca,
porém,
nas emprezas
entre
JO
quc
fortaleza,
deixar-sc-á
difficeis,
os primeiros.
() Exercito,
d'aquella
da Cruz,
que se del'Ía tomar
a
do Brum.
Prudente,
encontrar
Gonçalves
decidido
Felippe
nas
de
o
occasiôes
N o dia 7 acom-
marchou
capitulando
ao
assalto
o governador.
de março seguia barra a fóra do Capiba-
r¡be, cobcrto da indignaçâo
gcral do seu e do par-
tido adverso.
Effectuada
a capitulaçïLO, rcgressaram
Campo
do Erario,
que ficou sendo
Campo
da Honra
-
do
Campo
-
das
todos ao
chamada
-
e é hoje o elegante' jardim
Princezas
-lO
-,
corn
frente
para o Palacio
da Presidcncía
Ahi, dcsvairados
;)rimeiro
guíam
passa
para
talvez
errado
de Pcrnambuco.
pelo prazer,
no camínho
a realisaçào
de scu
deram
o
que prosedcsidcratlll12.
:~Iegem o govcrno
provisorio
irregularmcnte,
sem él votaçiio do pavo, scm tcr oJ.;vido algun~
dos de mais merecimentos,
retiraram-se ¡Í vida intima.
Senda provísorio
mcnos attcnuada,
8U
,1uando
fosse
composta
definitivo
governadores
tonio Jorge, das Armas;
de Mendonça,
Araujo,
da Justiça
: Domingos
Domingos
Jaita Ribeiro
do Ecclesiastíco;
e Manacl
ficou
(jUC
Theo~
Pcssoa de
.J osé Luiz
Corrcia
de
Marink
no
da Agricultura.
O nava governo
cargo
o governo,
do Commercio;
Mello Montenegro,
desgostosas,
(1), ficou aquella falta mais
podendo-se corrigir~) dcfcito
de cinco
J osé Martins,
que,
de secretario,
(1) Monsenhor
confirmou
Carlos
que era do govcrno
deca~
Muniz Ta,"ares, - obra citaùa.
hido;
nomeou
Mi¡;lld
Joaqllim
substituir
causa
outra
secretario
de Almeida
ao primeiro
de seu estado
que foi a pad,"e
e Castro
e, para
nos impedimentos,
valetudinario,
por
nomeou
a
padre Pedro de Souza Tenorio.
O cargo para o qual fora nomeado,
linho « desempcnhou-o
elle nada /lem peqlleno, nem grande,
Republica;
suas virtudes
cial civilidade
frei Migue-
táo dignamente,
civis e religiosas,
e humanidade
com o seu nava emprego,
que sem
se fa'{ia
receberam
na
espe-
tal realce
que ainda nào encontra-
nws mn su zmmigo, nem um sÔ coraç.lo insensivel
Ú sua
lamelltavcl
tragedia ou glorioso martyrio» (I).
Investido
conhecida
çôes, ordcns,
de gabinete,
do cargo elaborou
intelligencia
officios
cam
os decretos,
e todos
proclama-
os mais trabalhos
que se fizeram necessarios
revoluçào.
(1) Padre Dias Martins, -
a sua bem
obra citada.
durante
a
Sendo
preciso
vantagens,
explicá-Ia,
quaes
os motivos
fazê-Ia, a governo
c1amaçilo:
«(
Habitantes
Divina, que
sabe extrahir
provisorio
as suas
que impelliram
fez a seguinte
de Pernambuco!
mal sen1io porque
A Providencia
nao permitte
que alguns
cretos, e inadvertidos,
se podern
originar
cipiassem
a espalhar
mal entendido
a existencia
espiriws
de que grandes
de urna pequena
algumas
indis-
incendios
fa¡sca, prin-
sernentes
ciurne e rivalidade
do Brazil e os de Portugal,
de urn
entre os tilhos
habitantes
d'esta capi-
tal, desde a época em que os encadeamentos
da Europa
entraram
aquella
consideraçâo,
digno,
a que
nâo
podiam
concorrer
que culpa
tiveram
de que era
concorreram,
os brazileiros.
Par
nem
quanta,
estes de que a Principe
-l3
dos
a dar ao conti-
ncnte do Brazil
e para
do
sabe tirar delle maior bem e a
consentiu
successos
a
pro-
por seus inexcrutaveis
designios,
das trevas a luz mais viva, e pela
sua infinita bondade
felicidade,
mostrando
de
Portugal
sacudido
impetuosos
faminto
da sua capital
de urna
d'entre
os seus luzitanos,
abrigo no franco e generoso
e matar
pelos
invas1i.o inimiga,
a fome
viesse achar
continente
e a sède na altura
buco pela quasi Divina providencia
de seus habitantes!
do Brazil
de Pername liberalidade
Que culpa tiveram
leiros de que o mesmo
¡Í gratidào
principe
Regente
quizesse honrar a terra, que'o
com a sua
residencia,
estabelecimento
Côrte, e elevá-la á cathegoria de Reino?
las sementes de discordia desgraçadamente
titicaram
dotou
cm um
de
urna
paiz
que
fertilidade
Longe de serem extirpadas
n:ntos
sahindo
a natureza
illimitada
os brazisensivel
acolhêra
da sua
Aquelfrucamiga
e geral.
por uma mfw habil,
que tenha para isso todo a poder e suffocá-las na
sua origcm, foram nutridas por mutuas indiscripçoes dos brazileiros
ceram a ponto
hou\'essc
e europcus:
mas nunca cres-
de se nâo podercm
um espirito
çasse a csta empreza,
conciliador,
extinguir,
se
que se abalan-
que era ardua.
Mas o espi-
rilO do despotismo e do máo conselho, recorreu
¡Olsmedidas mais violentas e perfidas, que podia
cxcog;:aï
a demonio
ao mcio tyranno
da perseguiçùo.
cie ¡x:rder patriotas
H.ecorreu-se
honrados
e
bencn:eritos
da patria, de fazè~la ensopar nas
lagrimas de mizeras familias, que subsistiam do
trabalho
e soccorros
arrastava
comsigo
ruina. A natureza,
desgraça,
dos seus chcfes, e cuja perda
irresistivelmente
a defeza natural,
nia e a injustiça.
a sua
total
a valor, a vista espantadora
A tropa
da
reagiu contra a tyraminteira se 0ppoz envol-
vida na ruina de alguns dos seu s officiaes ; a grito
da defeza foi geral; e elle resoou em todos os anRulos da povoaçâo
110U
soldado
de Santo Antonio;
e protector
a pavo se tor-
dos soldados,
porque
eram brazileiros
camo elles. Os despotasatcrrados
l'cIo incsperado
espectaculo
dos pela prorria
dos impios
e ainda
consciencia,
levanta o seu tribunal,
juizes c crava os seus punhaes,
lugar d'onde
haviam
mais aterra-
que ainda
no scia
dicta os seu s
desampararam
{cito sahir as ordens
a
homi-
cidas.
Habitantes
haviam
tramado
meios
de Pernambllco,
contra
de assassinar
humanidadc.
agitada
estae tranquillos,
ros e curopeus,
da
apparccei
provisorio,
todas as ordens
confiae
A providencia,
termo.
Pcrnambucanos
na capital,
origem,
o povo
entre brazilei-
todos se conhecem
mesmo paiz, professores
revol-
tudo foi obra
já nào ha distincçào
mesma
no meio
e de um pavo
e do patriotismo.
está contente,
e da
: era pre-
da anarchia
se fez em um instante,
da prudencia
dade;
da honra
no fim de duas horas
as desordens
de uma povoaçào
tado. Tudo
governo
compatriotas
sem chefe, sem governador
ciso precaver
cendentes
indignos
Os patriotas
acharam-se
crêde, até se
os nossos
irmâos,
des-
habitantes
do
da mesma religiào.
illuminado
do Estado
e escolhido
Um
entre
preside a vossa felici-
no seu zelo e, no seu patriotismo.
que dirigiu
a obra,
Vós vereis consolidar-se
ao
a vossa fortuna,
vós sereis livres do peso de enormes
grava m sobre vós; o vosso e nosso
46
a levará
tributos,
que
paiz subirá
ao ponto de grandeza,
v6s colhereis
que, ha muito,
a fructo dos trabalhos
vossos cidadàos. Ajudae-os
sêlhos, elles serao ouvidos;
ços, a patria
corn os vossos concorn os vossos bra-
espera por elles;
caçao á agricultura;
o espera,~e
e do zclo dos
corn a vossa appli-
urna naçiio rica é urna naçào
poderosa. A patria é a nossa mâe commum, vós
sois seus filhos, sois descendentes
dos valorosos
bzos;
sois portuguezes,
sois americanos,
sois
brazileiros, sois pernambucanos.
»
.O autor desta proclamaçâo
foi o padre Miguel
Joaquim de Almeida e Castro e corn a quai elle
retratou
fielmente
mada prudencia:
pitados,
desejava
o seu doce caracter
aborria
a revoluçâo,
Republica,
queria
uma
postas
os elementos,
tentar
se proporcionassem
quando
Nao se esquecia
tuguezes
contra
que a patria
fossem dis-
os meios de a susá difficuldade
da antipathia
os brazilciros,
precisava
preci-
nao a provocava;
mas quando
empreza.
e consum-
os movimentos
da
dos por-
mas reflectindo
de braços e que cam urna
4ï
violcnta
expulsâo
imaginando
de proposito
todos
muito se perderia
tratau
os membros
fazendo
em capitaes.
vencer a dureza corn a generosidadc.
publicar
de acarinhá-Ios.
Cria-se
do governo,
assignando
um tal escripta,
iguaes scntimentos
c
partilhassem
; bem de pressa desvanecen-se
essa crença (J).
Estau muito longe de chamá-Ia
de direito publico;
se encontrem
que
urna bella peça
nem tào pouco direi que ahi
razèies, que justificassem
a revolu-
çao ; mas se se attender que elle nùo queria esta
quando rebcntou, que nào cursara as sciencias
juridicas,
e que, por causa do atropello
cios do go\'erno,
nito dispunha
merece desculpa;
revelou
vcito
deram,
deve-se
um politico
das
convir,
porém,
habil, procurando
circumstancias
emprehendendo
dos nego-
da precisa calma.
e dos
conciliar
factos
que se
tirar proque
os animos
se
dos
estrangeiros e nacionaes, uni-los para promoye(f) Monsenhor
Muniz Tavares, -
obra citada.
rcm a fclicidade
constituir
Tem-se
dando
da nava patria,
dito que o po\'o luso-americano,
os maiores
csforços
sasse politicamente
monarchica,
para
quanta
cnvi-
que se organi-
a naçüo brazileira,
idéa fixa e determinada
nito tinha
á forma:
se a
se a republicana.
Nilo tratarei
que o plano
da soluçiï.o d'este problema,
de mcu trabalho
ïílcsmo, confesso
a minha
co'Jerta da incognita
Em Portugal,
cscriptorcs
cmancipaçÜo :
,( As córtes devem
vistas particularmente
en
quanto
por-
nao o pcrmitte,
insuHiciencia
d'essa equaçào
zes assim se cxprimiam,
Circulam
que prelendiam
politicamente.
historica.
e politicos
1821,
e,
para desperspica-
acerca da nossa
antes fixar as suas
no vasto reino do Brazil ...
por lfi idéas de confede1'aç<io republi-
cana. Houvc
no sectdo passado
cm Minas Geracs,
e, n'este,
uma sublevaçfLO
outra
em Pernam-
buco, ainda mais séria. Se algum partido
cano se levanta e toma carpa
veremos
republi-
reproduzi-
dos no Brazil os espantosos
hcspanhola.
« Nilo
falta quem
Portugál
muito
vaticine
e o Brazil
serodia,
monarchias
estragos
como
repetindo
sao para
da America
a separaçâo
provavel
a este respeito
a Europa
entre
e tal vez nao
que as
e as rcpublicas
para a America ... » (1).
O escriptor
portuguez
attribuiu
tí revoluçii.o de
Minas ea de Pernambuco
em 1817 o fim de constituir-se a republica brazileira.
Ainda
observarei
que o nortc do Brazil havia
estado sob o dominio
de duas naç5es de regimens
de governo
differentes
: a Hollanda
O padre
Miguelinho
queria
padre J o1io Ribeiro
e Portugal.
a republica
(2) ; o
Pessoa de Mello Montenegro,
(1) Joaquim José Pedro Lopes - « Refiexoes sobre
a necessidadc
de promover
a uniáo dos Estados
que canta
reino unido de Portugal, Brazil e Algarves, etc. »~-pags. 14, 103 e 104; - Veiga.« O primeiro
reinado ou A revoluçào de 7 de abril », pags. 12 á 17(2) Monsenhor .\1oniz Tavares, - obra citada.
:0
So
que foi um dos membros
do governo
em sua carta de 3, de março
?ereira
e Ignacio
Leopoldo,
provisorio,
ao padre
Antonio
parahybanos,
dizia
que persiste na opiniüo de que Pernambuco, Para-
lzyba, Rio Grande e Ceará devem formar uma
republica, devendo-se edificar na Parahyba
uma cidade central para capital; mas que 110 conselho havia quem fosse de vota contrario. Essa
S(j
idéa me parece ter sido do dr. Arruda Camara.
¿ Os de voto contrario ao padre Jaita Ribeiro
eram
quanta
quatro
á forma
provincias
devendo
republicana,
formarem
ou quanta
uma
ás
só republica,
cada uma d'elIas ter o seu govcrno
pro-
pria?
Em
irmàos
,801, como
jÚ, se viu,
Cavalcanti,
na supposiçào
sem envolvidos
Napoleâo
1, tcndo
inspirada
por tim formar
os
por
de Pernam-
sob o seu protectorado.
da independencia
cutiu na Bahia,
presos
de que estives-
numa conspiraçâo,
buco uma republica
A tentativa
foram
de Minas reper-
e, cm 1798, foram
:>
denunciados
¡
BANr.O nF 1 A
R1="OIIRI
Ir'A
pelo padr~ José da Fonseca
Cypriano
José Barata
Antonio
Neves os conjurados
de Almeida
e Marcelino
de Souza.
Confirmada
randa-se
a denuncia
Dom Fernando
de agosto,
apodç-
J osé de Portugal,
a
gover-
12.
nadar da Bahia, de papeis sediciosos
o povo á revolta,
conjurados.
mandou
sendo
prender
reconhecidos
convidando
e devassar
¡u raçito o alfaiate J oào de Deus do N ascimento,
soldados
Luiz Gonçalves
os
cabeças da conos
das Virgens e Luiz Dan-
tas, Luiz Pires, (lavrante;
e Manoel Faustino
dos
Santos Lyra, os quaes, condemnados
á pena de
morte, foram suppliciados no dia 8 de novcmbro
de 1 í99 na praça da Picdade,
e outros
degradados para Africa, onde terminaram
tencia (1).
José Clemente
¡aneira
de
1822
(1) 1. Accioly,
-
~lell() Moraes,
ùo BrJzil
)l.
Pereira
quando
-
no
SCll
discurso
aprcsentou
~ Memoria historica
(( A Independencia
¡ng. 64.
J2
foram
a exisde 9 de
a Dom Pedro
da Bahia»;
do Imperio
as reprcsentaçües do pavo, pcdindo que o principe
ticass¡; no Brazil, assim se exprimiu :
« Será passive!
partido
r¡;publicano,
semeado
Brazii,
mais ou n1enos fofte, existe
aqui e alli cm muitas das provincias
por nllo d¡zer cm todas
cabeças
que
expiraram
e poderosos,
opiniâo
que V. A. Real ignore que um
intervieram
ellas?
Acaso
na explosâo
já? E se existem
? Quai outra Ihes parecerá
as
181í
de
e sfio cspiritos
como se crê que tenharn
do
forte:;
mudado
de
mais bem fun~
dada que a sua? »
¿ O que significa
o tcntamen
de 1824 da repu-
blica do Equador?
A questào de fórma de governo
é, no dizêr de
Tobias
urna questflO
BarrctO de Menezes,
de esthet:ca
Cam
mais
do que de ethica politica.
a Biblia,
invocando
o Evangelho,
visto preco:1isar tanto a monarchia,
blica, e n'elles se fundam
como a repu-
os reis de direito divino
p~ra sustentar o governo absoluto.
Segundo as theorias naturalisticas,
=-..o=..co=...:==.;:====;;";'
ten ha
53
é sabido ()
debate
CER
que se agitou
: um,
nao
senào exemplos
nchando
entre
de politiea
licçÜes de politica
JAEGER,
HUXLEY
achando
despotica;
a OlItrO,
naturalistaallemao,
da mesma
individualidade
no seu « .\1anual
todo estado formado
raça como
psychologica,
divide-os
por
aggregaçtï,o,
como
U nidos e a Suissa. Estes sÓ cxistern
dos individuos,
silo, cm sua opiniào,
riores da individualidadc
tituindo
urna grande
cm esta-
por geraçiío, como a Allemanha,
dos formados
formados
natural,
liberal.
de Zoología )), considerando
de individuos
e SPEN-
na historia
social;
um só e mesmo
os
e
Estados-
pela vontade
formas
os outros,
infeCOIlS-
ser, urna só e mesma
que padern attingir o
grúo mais elevado a que pride c}¡egar lima sociedade, a monarchia constitucional.
consciencia.
Esta
sao os unieos
politica
A. FOUILLÉE,
tirada
da historia
diz
nao nos parece mais scicntifica,
nern menos metaphorica,
da Escriptura
natural,
Santa.
de que a politica
E' urna mithologia
tirada
analoga
a doutrina
nomens
do direito
divino
a -
que teriam a privilegio
de se figurar
de possuir
a con-
sciencia de sua naçiio ou de sua raça (t).
O monismo
naturalista
de HAECKEL,
de LUDWIG
losopho
gica,
NOIRE;
sergipano,
é realmente
mechanismo,
de JAEGER,
nào é a monismo
como a
philosophico
e, coma diz a douto phi-
a dualismo,
uma
i{[usao;
a theoria unitaria
a theoria teleolomas
o
tambem
nÜo estrí
110
caso
de satísfa'{er todas as exigencias e interpellaçrJes
da ra'{ào, crescendo assim a inexplicabilidade
mechanica,
á proport¡Üo que os organismos
mais desenvolvidos
e as f ullcçôes mais complicadas.
Como quer que fôsse, uma idéa principal
nava a tudo
Brazil;
e a todos, -
nùo era a do regimen
çào franceza
absoluto
impossivcl,
pois
da revoluchamava
a
modernas.
(1) « Revue de Deux Mondes",
55
do
a adoptar
de Portugal,
depois
de 1789 que CAVOUR
magna carta das liberdades
domi-
a independencia
e corn certeza a fórma politica
que issa se tornau
sao
tomo 34, pago 606.
v
Auspiciosamente
proseguia
¡ectada pelos destemidos
Todos
os que se interessavam
democracia,
perdiam
a grande
-
estrangeiros
opporrunidade
obra pro-
patriotas.
pela causa
e nacionaes,
de demonstrar
e o clero niio este ve aquem
applaudiam
o estado de cousas de entào.
A diocese estava senda governada
Pastoral
da
nùo
o seu con-
tentamento,
gas, que em edificante
-
dos que
por tres conemostravam
aos
fieis a perfeito accôrdo entre a rcligiâo do Christo
e a bem entendida liberdade.
O parocho
da freguesia
de Santo Antonio
Recife, padre Luiz José de Albuquerque,
no terceiro
acçâo
dia da revoluçâo
de graças, fazenda-se
nia solenne,
sumptuoso
um
ouvir
em que se ostentou
das decoraçoes
ecclesiasticas,
do assumpto.
56
cm
ceremo-
o luxo
Almeida e Castro na altu l'a do seu grande
e da magnitude
cantou
Te-Deum
nessa
do
mais
a padre
talento
o
liLa
u~Jdi;orio licou pcnctrado
que aquellc
COlO'
brazilciros
lagrimas,
sabio
c portuguczes
juravam
da unç:lO eyangcccclesiastico
nâo podiam
todos mutua
contcr as
concordia.
oraç:1O nào apparcceram
nem violentos
rios cont;·3. a monarchia,
nem exagerados
;', republica;
(llC
descrevendo
o Altissimo
pCrI;am::,ucuno,
orou :
impropcelogios
os dons naturacs
dignou-sc
a enriquecer
prcsagia a orador
Na
corn
o solo
a perda de tan-
tas riq uaus e a serie innumcraveJ
de calamidades
scn:1O p2rsistisse sincera uniÜo entre todos os habitantcs,
c se a u niüo nào fôsse cimentada
dic.:ncia ás autoridades
Com
él
maior
constituidas
brevidade,
que n'aquelle
podia huycr, a noticia transmittiu-se
Ù
j;í no d:a 8 de março eram cOlihecidos
da provincia
os acontecimentos
De It:J.~layanna parte
nario
50b
o inftuxo
(1) Monsenhor
paS' 54·
Tavares,
tempo
Parahyba:
no interior
do Recifc.
o movimento
de Manoel
Moniz
na obc-
(1).
revolucio-
Clemente
-
oora
Cavalcitada,
cami que, unido a J oâo Luiz Freire,
quistar
um auxiliar
milicias
Joao
para onde
poude con-
poderosissimo
Baptista
se dirigira,
Rcgo.
o capÏtâo
Na villa do Pilar,
já achou
a expediçfw
campo corn a sua gente a padre Antonio
de Albuqucrque,e
que Maranhâo.
Compondo-se
Ignacio Leopoldo
12,
reuniram-se
cm
Pereira
de Albuquer-
de mais de mil pessoas,
forças marcharam
de
as duas
sobre
a capital
e ahi,
á tropa
de linha
commandada
pelo tcncnte-coronel
Estevam
no dia
José Carnei ro da
Cunha, senda no dia 1:; eIeito o governo provisorio composto do padre Antonio Pereira de Albuquerque,
Ignacio
Macanhao,
tenente-coronel
veira,
Francisco
Leopoldo
Xavier
de
Albuquerque
Francisco
Monteiro
José da Silda França
advogado Augusto Xavier de Carvalho (1).
Para o Rio Grande do Norte enviaram
{Il M. L. Machado - Notas 22 e 23
« Historia
da revoluçiío de Pernambuco
de Mons. Moniz Tavares.
58
il
e
urna
pago 263 ùa
em ¡8Ii
)',
deputaçào
ao coronel
Maranhào.
composta
André
de
Albuquerque
de J oao Antonio
de Albu-
querque
Xavier,
Maranhâo,
padre
J oâo Damasceno
visitador
do Ceará, padre Francisco
Manoel
de Barros,
conseguindo
persuadi-Io a abraçar
independencia.
por um estratagema
Attrahido
Albuquerque,
ao engenho
dor .José Ignacio
ahi chegando
lamentc
que
cc
Borges,
a causa da
de André
de
Belém ", o govcrnacaraClcr
corrompido,
a 23 de março foi preso e immedia-
remettido
seguiram
onde foram
instituindo
os emissarios
sem diHiculdade
os
para Pernambuco;
revolucionarios
bem lccebidos
um governo
Joao Hibciro
Maranhâo,
de Siqueira
Natal,
a 25 daquelle
provisorio
And~'é de Albuquerque
depois do
para
Aragâo,
mez,
composto
de
presidente,
Joaquim
José
do Rego Barros, Antonio
Germano
Cavalcanti
Albuquerque
Feliciano
José Dorncl-
e do padre
las, vigario da freguezia.
Para
o Ceará
foram
enviados
59
o subdiacono
de
José
Martiniano
Cezar,
padre
de Alencar,
Francisco
raldo Henrique
Miguel
Manoel
Joaquim
de Barros,
Francisco
Alves Pontes,
afim de promovcrcm
revoluçào
na provincia,
fazenda
acompanhasse
Emquanto
com
qllC
e
a
ella
as suas irmàs.
estas causas
de Pernambuco,
se passavam
ahi o governo
tava de construir
destroços
Ge-
de Mira, Mathias Jose Pacheco
a sociedade
da que demolira;
ao nortc
provisorio
politica
tra-
sobre
os
o consul inglc/- John
Lempriere requereu-Ihe,
e foi deferido. rara continuar livremcnte no exercicio de suas funçÜes, o
que lhe custou
britannico
a demissào
quando
por parte do governo
lhe consto u
:0 revcz
da revo-
luçào.
Para a Bahia foi enviado
Ribeiro
Roma
encarregado
o padre José Ignacio
de obter a Sua adhc-
sâo á causa revolucionaria.
Mas,
eram
baldados
todos
esses
estava por terra a obra dos patriotas
o acontecimento
mais importante
61)
-----
csforços
:
brazileiros.
do Brazil,
-
que
--
-
até eJ1tÜo houve
para a obra de nossa emancipa-
çÜo politica.
O direito
de um pavo,
enccndrado,
a seu patriotismo
a mais stoica abncgaçào
cio mais pungente,
tudo estava
mais
e o sacrifi-
fatalmente
dcs-
truido.
A Bahia, ou porque
desapprovassc
a prccipita-
çào, como creio, dos acontecimentos
de Pernambuco e, por tanto julgando sem exito o seu commettimento,
ou por qualquer
acompanhou
o movimento
outra
causa,
nflo
: curVOll-se no
Go\'crnador
conde dos Arcos.
Este, antes que chegasse o emissario
SUI
do governo
provisorio,
já sabia por denuncia de dois negociantes bahianos, da missâo de que se incumbira
o desventurado
padre, que saltando
a ncite de 26 de março,
dos depois
cm terra em
tres dias naO eram rassa-
da sua fatal chegada,
e já die
nao
cxistia (1) !
(1) Monsenhor
Moniz
Tavares,
pago 87.
61
-
obra
citada,
Immediatamente
depois, a conde dos Arcos fez
aprestar
uma corveta,
um brigue e uma escuna
armadas
para que bloqueassem
A chegada de Caetano
profunda
sensaçào,
sua indole apathica,
a porto do Recife.
Pinto,
mesmo
na Côrte, causou
a EI-Rei,
apesar
e aos seus ministros;
abril partiu o vice-almirante
gata Thetis acompanhado
Rodriga
a
de
2
de
Lobo na fra-
de duas corvetas e urna
cscuna.
Por
tcrra
caminhava
a cxercito
conde dos Arcos, sob o commando
enviado
pelo
do marechal
de campo Joaquim
de Mello Cogominho
de
Lacerda que desde Alagôas foi batendo os revoltosos que se antcpunham
cm sua marcha para a
Recife.
Emquanto
estas causas
se passavam
norte,
a governador
Ceará,
ia dando cabo dos cmissarios
buco,
senda
ou-sc
na serra
governo
Sampaio,
todos presos;
inspirado
ao sul, ao
da provincia
do
de Pernam-
no Rio Grande,
cre-
ou Port'alegre
um
do Martins
nas mesmas
idéas de indepen-
dencia,
em substituiçào,
e em opposiçâo,
segundo
segundo
uns chronistas
outros,
onde a 25 de abril foi assassinado
querque,
e arvorada
hyba,
em cujas
guerra,
enviado
a bandeira
aguas
crusava
na Para-
um
brigue
de
do bloqueio,
triumphou
a causa
perdidos,
resolve-
Nosso SenllOr.
Vendo-se
irremissivelmente
ram os independelltcs
o que enviaram
do bloqucio,
entregando
realista;
pelo commandante
de}ois de alguma reluctancia,
de El-Rei
ao de Natal,
André de Albu-
capitular
um emissario
corn honra,
ao commandante
com a pro posta de amnistia
elles os cofres
para
publicos,
geral,
muniçôes
e
mais effeitos pertencentes
outr'ora aS. M. Fidclissima, senda a nota assignada por Domingos
Theotonio
Jorge,
de Albuquerque,
Francisco
padre
de Paula Cavalcanti
J oilo
Ribeiro
Pessoa,
Manoel J oaquim Pereira Caldas, padre Miguel
J oaquim de Almeida e Castro e padre Pedro de
Souza Tenorio.
Dissolvendo-se
A capitulaçào
entilo
é rcgeitada.
o governo
63
provisorio,
Domingo:; Theotonio
e apresenta no dia
chcio de terriveis
Jorge assume a dictadura
de maio um ultimatum
18
ameaças
a Rodrigo
Loba,
o dcspreza ; e, antes que viesse a resposta,
tador
impensadamcnte,
Recife retirando-se
Paulista.
No dia
I~),
abandona
a
com as tropas para a engenho
ao lado da c¡dade de Olinda.
20
a governo
desembarca
da provincia,
Co.gominho
Recife.
Rodriga
Lobo e assume
e no dia
2 (
a marechal
cam a sua tropa entra na cidade do
E assim terminou
terminou
no dia
que
a dic-
o governo
a infeliz nascente
provisorio,
republica
assim
dos setenta
e cinco dias ~
O padre Almeida
e Castro acompanhou
coIlegas e tropas na retirada
os seus
que fizeram e, aban-
donando-as depois, foi para Olinda, onde residía,
resignado e disposto á superar todos os perigos e
trabalhos
que a outras
esposado
a nobre causa a que se votaram,
rando a morrer
podessem
como heróe.
6.¡.
advir par terem
delibe-
Chcgando
extrcmoza
ú casa,
abraça
ternamente
a sua
irmâ e lhe diz : « Mana,
e idolatrada
nada de clzóros, estás orplui, tenho enchido os
meus dias; logo me vém buscar para a mOl"te;
entrego-me Il vontade de Deus, n'elle te dou um
pae que /lIio morre,. mas aproveitemos a noite,
imita-me, a.iuda-me a salvar a vida a milhares de
desgraçados! »
Immcdiatamentc,
sem perda
ram na sala, onde se achavam
mais
ahi
importantes
110
lar sagrado
da secretaria
da familia,
infortunio trabalhavam
cidade de muitos.
de tempo,
os autos
entrae papeis
do govcrno,
e,
os dais anjos do
esforçadamcme
pela feli-
Apenas bastou toda a noite de 20 de maio para
que se consummasse
estc acto de abnegaçiio e
heroismo
exemplarissimos,
dos os papeis que fariam
sendo destruidos
a desgraça
to-
de milhares.
Se a dcstruiçào do archivo pelo padre Miguelinha foi uma perda para a historia, foi incontestavelmente
um acto de benemerencia
e humani-
65
PIHTO.
3
tarismo
corn que elle mais ainda
gloria de martyr
Para
realçou
a sua
da patria.
elle, porém,
hora do seu assassinio
nao tinha
de soar
legal. A victima
ainda
a
do sacri-
ficio s6 mais tarde devia ser immolada
em holo-
causto á tyrannia.
No dia subsequente,
ram-se
instante
assustados,
que seriam
elle e a irma. prepa-
21,
para a separaça.o
fatal e eterna;
pois que havia
assassinados,
esperavam
a cada
indicios
de
os algozes.
N'esses momentos terriveis era a oraçào d'alma
fervida e procel/osa que os agitava : era essa oraçào que todos IZÓS sabemos no momento de suprema agonia e que nenhumas palavras, nenhuma
escriptura, poderiam representar, oraçào que é
um mysterio entre Deus e o homem, e que nem os
anjos comprehendem : gemido energico de todas
as miserias terrenas, cuja intensidade so a providencia que as accumula ou dissipiJ sabe pesarnas
balanças da justiça e piedade divinas (1).
(1) Alexandre
Herculano,
66
-
« Eurico », pago 283.
Quasi
todo esse dia passaram
em uma lenta e
Rrolongada
agonia, em anciedades
profundas,
n'um extasi e arrebatamento
pero até que chegou
A' tarde
dos braços
do despotismo
os mais companheiros,
E por suspeita
mentas
ordem
para bordo
empilhando
e navego u para a Bahia.
de cumplicidade
revolucionarios,
nos aconteci-
D. Clara
J oaquina
Castro, irma do insigne patriota,
de Luiz do Rego, que chegou
29 de junho
seguinte,
pris¿w depois
ordenou
da desolada
Carrasco, ande se fôram
do navio
do deses-
a termo fatal da separaçào.
foi arrancado
irmû pelos soldados
Almeida
e consternaçûo
encarcerada,
que o governo
peremptoriamente
desembargador
alçada, para
syndicar
Donzella
admiravel,
cam inabalavel
e julgar
67
e perverso
presidente
da
os su ppostos
cri-
que désse por finda
soffreu
constancia;
da
do Rio de Janeiro
Teixeira,
minosos de Jesa-magestade,
a deyassa.
ao Recife a
sahindo
ao pedido
Bernardo
de
foi, de
a injusta
prisao
as suas raras virtudes
tinham promovido a suspeita e a perseguiçào ; os
assassinos n110 puderam consumar a vilipendio,
nao haviam perjurado (1).
Foi-sc a padre Almeida e Castro para n1i.omais
vahar
il terra,
chegaram
que tanto amou.
as victimas
A nave de junho
ao porto
do seu destino.
nll.o desembarcando
de dia
desenfreada
mas depoi$ de meia noite.
Todos
desejava,
os presos
desembarque,
fôram
excepto
José Luiz de Mendonça,
. Caldas,
o padre
como
acorrentados
Domingos
José
antes do
Martins,
o dr. Manoel José Pereira
Miguel Joaquim de Almeida
e Castro e a deào de Olinda,
caminhavam
a gentalha
separados,
que, alg<:mados,
signal infallivel da morte
que os esperava.
Em armas a guarniçào da cidade, parte levando
archotes, conduzia os presos á cadeia lugubre e
tétrica, ande lhes parecia
entrar no inferno,
todas as legiôes de demonios
e que
preparavam-se
recebê-Jos.
(1) Monsenhor Moniz Tavares, - obra citada.
68
para
U m dos que estiveram
onde pareciam
Lasciate
estas palavras
agni speran'{a,
assim descreve
«
n'esse castello Ù![erllaf,
escriptas
de Dante:
voi ché ¡¡trate,
a sua habitaçfLO de algum tempo:
A luz opaca de um velho candeciro,
nas mostrava
o ingresso
verna,
reflectindo
roda,
prestava-Ihes
estrondo
das
fechavam-se
d'aquella
sobre os diversos
mais
portas
ao mesmo
tempo,
rentes que preparavam-se
para troca das que foram
cm barcaçâo,
os gemidos
pelos escravos
aspecto;
o
abriam-se
e
o rumor
mandados
da enxovia
e que todos
açoitados;
cloaca
amalgamado
exhalavam
os córnos em que trabalhavam
encarcerados
concorria
para
debilitada
.pelos actos
alterar
mais
69
fedor
com a fumo quc
alguns
diligentes,
a imaginaçao,
violentos
praticados.
os dias
o empestado
de nojenta
dos velhos
das cor-
como mais pesadas
trasidas de bordo da
ahi detidos,
eram barbaramcnte
que
ca-
objeclOs cm
lugubre
ferradas
que ape-
medonha
tudo
já assaz
anteriormente
« Os miseras
procu rando
ligeiro
senâo
pernambucanos
encontrar
serpentes
revestidas
Antonio
os recebia
que sempre
que désse
de carne humana;
exercitados
vomitando
se embriagava,
os olhos
e nao descobriam,
José Correia
dan te, e dois negros
algoz,
um semblante
signal de compaixâo
carcereiro
volviam
a
cam o seu ajunas funcç6es
de
corn os licores
de
injurias
que a mais
Eu sou
portugue{, sou o governador deste castello (dizia
elle entre m uitas outras san dices ), e quero ser o
carrasco para enforcar hoje mesmo a vós todos
infames rebeldes. Pronunciava
taes ditos esgrivil arreiro
envergonhar-se-ia
de repetir.
Olinda urna espada desembainhada.
« Os cinco presos, que vieram
rados
ficaram
em um quarto
separados,
da mesma
até ao amanhecer
do dia, tempo
levados ao palacio
do capitiio general,
vam-se
militar»
congregados
os membros
sepacadeia
em que foram
ande acha-
da commissao
(1).
(1) Monsenhor Moniz Tavares, -
7°
ohra citada.
Ahi fôram
S1:
mmario,
tr'.ca.
Sobre
interrogados
inquisitorial
esta
no dia
e de uma
tcrrivcl
10 :
precipitaçâo
general
Francisco
imperial
(em officio de 13 de fevereiro
referindo-se
tudo
rapidez
de Lima
aos acontecimentos
era
elec-
dizia
o
e Silva ao governo
de 1825),
de 1817."
Porém a acceleraçiïo com que se procedeu
contra alguns, que, pa1"ecendo a primeira vista
criminosos e que, depois de justificados, [oram
ju/gados innocentes, excito u o rancor das familias e amigos d'estes infeli~es contt"a o governo! )
«
O general
Pernambuco,
Lima
e Silva achava-se
á frente
entùo
de uma commissâo
cm
mili-
tar, syndicando
dos acontecimentos
de 1824 e
dizia n'essa mesma occasiâo ao governo : parece
mais conforme com o systema constitucional mandado adoptar por S. Magestade que todos os que
se acham comprehendidos nos crimes de rebel/Ùîo
sejam julgados pelos tribunaes de justifia» (1).
(1) Pereira Pinto, (( Memoria sobre a confederaçao
do Equador », pago 153.
O illustre general condemnava
as commiss6es
militares, e quem haver;). que nào as condemnc
para os crimes politicos
!
O padre Miguelinho,
desde o momento
sÜo até entào, nem uma sú vez fallara;
010
da pri-
nem mes-
diante dosjui'{es quc deviam julgá-lo ; e com
razào,
pois que podia
dizer-lhes,
como o advo-
gado de Luiz XVI, quando
compareceu
a celebre commissào
creada em 1796 pelo
directorio
militar
executivo
vos rcconheço
da França
como
juizes,
perante
: « Cidadàos!
declino
nao
de vossa
corn petencia legal. »
E foi justamente
o que fez o insigne patriota
corn o seu silencio
do que quantas
mais expressivo
defezas
pudesse
e eloquente,
produzir
-
si-
lencium verbis facundiis.
Quebrou
o silencio
quando
foi preciso
repellir
a pedlda insinuaçao
que lhe foi fcita pelo conde
dos Arcos, e falou mais do que este desejava.
Contou
o conde, presidente
sao, ao bispo de Pernambuco
da feroz commisDom Frei Antonio
de S. José Bastos, ambos se encontrando
de Janeiro,
que desejou salvar a vida dos dais cle-
rigos, a defw e a padre Almeida
do silencio
que este guardara
que se lhe fazia, disse-Ihe
«
Padre,
e Castro.
sobre
Pasmo
a ¡:ccllsaçiio
cm plena sess;¡o : -
IlIio cuide que somos al¡:;uns jarbaros
sclvagclls
que súmente
gallça ,. fale,
diga
fesa. »
Proseguindo
pcrgunta-Ihe
evasiva:
no Rio
-
respiram
alguma
ainda
sangue
causa
mais
em SIta
profundo
a conde, como querendo
« a padre
lhe falsificassem
mIo
a firma
tem inimigos
d'.!-
silencio.
insinuar
a
que elles
e, cam ella, subscreves-
sem todos ou pal"te dos papeis
tes? »
Nü.o sc pôde mais conter,
vcz, respondendo
e
e vill-
que est(!o presen-
falou
pela primeira
cheio de indignaçiio
e brio:
-
« Niio, senllOr, nllo senhor, nào siio contrafeitas
:
as minhas firmas II'esses papeis sâo todas authell-
ticas, e l'or signal que n'um d'elles a-a-do
ultimo sobrenome
nzeu
Castro jicou metade por acabar
73
porque fa/tou papel».
qualquer
Heroismo
grande
Calou-se,
recusando
outra
resposta.
e abnegaçâo
incomparavcis!
valor civico em afrontar
Contrastava
corn
tanta
Que
a morte!
grandeza
d'alma
a
covardia do deïlO pela quaI comprou
a vida 1
NAo declinava da responsabilidade que lhe cabia
por ter trabalhado
sempre
que
pela causa da patria. Affirmou
queria
pela quaI morreu
a independencia
do Brazil
!
NAo cede nada em valor aos hcrócs das antigas
Grecia
e Roma,
abnegaçào
e d'esses
está cheia
nosso povo desconhece,
tes exemplos
actos
a historia
quando
se devia formar
de prodigiosa
patria,
que
o
n'esses edifican-
a caracter nacional.
se la gioventu' fosse piu'
studiosa della storia potrebbe servir meglio la
patria.
N o dia onze o tribunal de sangue deu, este reoBem diz Tommaseo:
typando-se
seguintc
os feras canibacs
scntença
:
74
que a assignaram,
a
« Venda-se
v9rbal
dos
n'esta cidade
réas
Domingos
Luiz de Mendonça,
Manoel
Bernardo
Lui~ Ferreira
José
de dclicto, tcstcmunhas
S~
sobreditas
das,
do livra
penas
«
Pereira
de
e padre
auto de carpa
sobre elle perguntadas,
réas:
e
decidill-
e por todos os votos, que as
d'elias
5.0 das Ordenaçóes
do ~ 9.° da mesma
commcttido
será
natural
cruelmente;
Reino,
e man-
sobreditos
ordenaçâo
réas as
que diz :
e em cada um d'elles, é
a crime de lesa-mages-
tade, e havido por trahidor
d'elles
prova-
nos ~~ 5.° e 8.°
do
nos
e cm todos estes casos,
e senda a commettcdor
plenamente
incursos
que se executem
propriamente
José
Joaquim
Caldas
Portugal;
culpas se achavam
e os réas
dam,
Miguel
feitos aos mesmos
uniformemente
a processo
José' Martins,
padre
I.lmeida,
interrogatorios
da Bahia
a que a commctter;
convencido
condemnado
que
por cada um
marra
morte
e todos os seus ben:; que tiver
ao lempo da condemnaçâo,
serào confiscados,
para a coróa do reino, posto que tellha fi/ho:; ou
75
outros
alguns
descendentes,
depois : dc haver
Entendem
militar,
havidos
commettido
cam tudo os ministros
que, por perfeita
sciencias,
recommendando
José
e Bernardo
Pereira
Caldas
a illimitada
Rei N osso Senhor,
conce-
-
Luiz
beneficencia
M anoel
Ferreira
de S. M. EI-
em attençÜo á decrepitude
e circumstancia
».
de suàs con-
devem fazer uso da permissào
Portugal-
ou
da commissào
segurança
dida a taes tribunaes,
primeiro
antes,
o tal maleficio
do
de ser elle natural da
provincia do Minho, e por isso muito provavel
violencia,
que o forçara
nambucano,
o unico
para
partido,
forte
mos de março
quando
revoluçào,
individuos
ter fcito,
do..:umentos,
Em
igual
offcrece
n<;>calor
em que se declara
Nosso
que
convinha
o segundo
ainda
Senhor,
da
fiel
e a que ajun-
tal vez minorem
¡f¡
ser
nos dias ulti-
da Europa.
que
seu testamento
vassalo de El-Rei
tava
e a quem
fins associar
a coarctada,
asscgura
per-
que pelos autos consta
e supremo,
setls damnados
attençâo
a ceder ao partido
a
o seu
crimc, e lhe sejam baldados pela brevidade da
senten.¡a. Bahia, cm commissào
militar, 1 I de
junho de 1817' - Henrique
de Mello Coutinho
de Vilhena,
relator.
Manoel Pedro de Freitas
Guimaràes,
major.
Manoel Gonçalves
major. José Antonio
Manoel
Fernandes
de Mattos,
da Silva,
Antonio
de Menezes
Fructuoso
Felisberto
Caldeira
Manoel Joaquim
D. Marcos,
Brant
tenente-coronel.
tenente-coronel.
Doria,
Pontes,
os crÚnes do padre
Almeida
sentença
e Castro.
receu
a juiz relator
á cadeia e leu-a;
ouviu
em silencio,
e sem a menor
O
marchou
ande foram
que passaram
brigadeiro.
conde dos Arcos, general.
e iniqua
torio,
coronel.
de Manos, brigadeiro
Foi esta a terrivel
impaciencia
da Cunha,
calmo
introduzidos
»)
que puniu
Campaa martyr
indicio
para a terrivel
de
ora-
os tres infelizes,
a noite entre os espasmos
sota-carcereiro,
de legiao.
escarnecen do,
da morte.
apontava
depo is aos patriotas recem-chegados
a castello,
lagar onde para os tres desventurados
foram
í7
pastos tres leitos, tendo a padre Alrrieida e Castro
regeitado
a que lhe deram,
sobre os degraos
preferindo
rcpousar
do altar para mcIhor
chorar
os
seus pcccados.
N a manhà
fatal -
do dia subsequente
lhe fôram
lêr a
sem embargo - e José Luiz principiando
a lastimar-se
da iniquidade
MigucIinho,
olhando-o
da sentença,
enternecidamente,
o padre
falou
pela segunda vez, e lhe disse: « querido amigo,
jaçamos e digamos unicamente aquil/o para que
temas tempo »), e ajoelhando diante do Crucifixo,
começou,
debulhado
psalmo -
.'v1isereremei Deus.
Revestido
em lagrimas,
de aIva, carda ao pescoço,
pés descalços,
cabeça
descoberta,
urna escolta de soldados,
quillidade
a
de um innocente
o
aIgcmado,
no meio de
caminhou
corn a tran-
e de um invicto mar-
tyr ao Campo da Po/vara, onde,
companheiros,
rezar
foi arcabusado!
corn os dois
... (1).
(1) Mello :Horaes diz que no dia 12, pelas quatro
Apenas expirou, a soldadesca homicida e sanguinaria cntoou os vivas do esrylo ao Rei, cm
nome de quem assassinavam
!!!...
horas da tarde, Miguelinho foi fusilado, senda a seu
carpa tratado corn a maior desprezo. (( A Independencia e o Imperio do Brazil ll, pago 67.
FIM
79
JUIZOS CRITICOS
Da correspondencia
epistolar dirigida a P. H. de
Souza-Pinto
a respeito de sta monographia,
inserem-se
- linhas ahaixo - « data venia », alguns dos topicos
mais interessantes,
transcrcvendo-se
em seguida
alguma <:oisa do que foi publicado
nos jornaes.
« .• , Trahalho
notavel pelo saber, talento de exposiçáo e patriotismo
de seu saudoso autor ... II
COl'mE
nE AFFONSO
CELSO.
«
Considera esse trabalho a mais completa publicado sohre a grande martyr, aproveitando
as fontes
melhores e juntando
quanta
andava disperso sobre
os incidentes
da vida do integro c1erigo liberal e
democrata.
Li-o com praser e commoçào ...
OLIVEIRA Ln.u.
oo'
)l
cc
.là conhecia
esse trabalho,
inserto na Re\'Îsta
do Instituto
do Ceaní cm 1917; e tAo importante
()
reconheci que lamentei
nâo o ter podido aproveitar
para a parte da minha « Historia»
relativa á revoluÇ~{) de 1817."
»
ROCHA POMBO.
oo'
«
Lion cam
nclle uma optima
oo.
muilO praser e attcnçáo e aprendi
licçl10 da nossa Independencia
...
CARLOS D. FERNANDES.
Sa
Il
REVOLUÇAO DE ~8J7
FREI MlGUELlNHO
Nác ha muitos dias, um sabio professor Argentino
o doutor Revarola, affirmou que tanto a sua patria
como o Brazil sáo paizes essencialmente
unitarios.
Nâo sabemos o bastante da historia argentina para.
a verificaçáo indispensavel
d'aquelle conceito, excessivamente dogmatico.
Parece-nos
que no Brazil a processo
historico
accusa divergencia fundamental
em perfeita antinomia, com o espirito de unidade nacional.
O que ha de organico, espontaneo, antigo e irreprimivel entre nós é o espirito antiunitario,
federalista
e quasi separatista.
Corr,eçou assim o Brazil desde o primeiro povoa:nento. As capitanias
hereditarias,
primeira e mais
antiga formula da vida colonial, eram feudos interindependcntes,
verdadeiro
archipelago
de ilhas sem
outra cocrdenaçáo
que a da visinhança e da expressáo gcographica.
o
primeiro
Governo GeraI foi creado, politicamente, como urna correcçào
de artificio a aquelle
estado da natureza. Mas lago se dividiu em dais, um
ao norte, outro ao sul, e sem tardar muito logo outra
unidade subsidiaria
se gerou e surgiu no extremo
norte corn o Estado do Maranháo.
D'esta arte, em pouco mais de meio seculo de
esforço unitario o que d'elle resultou foi a creaçùo de
tres nucleos regionaes (entre 1550 e 16:w).
Eis ahi urna unidade mnito duvidosa, pois nem
existía na administraçao
nem era possivel exístir sob
qualquer aspecto, dada a immensa grandeza da colonia de terras ignoradas e impervias.
Quando a espirito revolucionario
agita qualquer
d'esses nucleos, os outras, nao teem a minima sensibilidade nem sentem nenhuma repercussao.
Questáo
de facto.
A revoluçâo de Bekmann abrasa toda a Amazonia
e lá mesmo expira no terceiro nuc\eo de creaçáo
federativa.
As revoluçues de Pernambuco nfLOpassam da antiga
zona hollandeza.
Este nucleo, de extenso intluxo
coordenada
desde Alagôas ao Ceará, foi tal vez urna
creaçâo inconsciente
dos batavos.
A propria Independencia
nacional começou corn as
chamadas o: provincias unidas»;
foi a obra da côrte
ajudada por S. Paulo e Minas, desde entao até agora,
sêde regional e imperativa da politica brazileira.
Em resumo, e ao contrarío do que affirma o professor Argentino, no Brazil o espirito de unidade é sempre um proposito educativo, reformista, conscientemente civilizador, que busca unir e coordenar a dispersao organica e arraigada que ainda nos domina.
Sem duvida, ha um compromisso entre essas duas
correntes, e convem respeital-as até o ponto em que
urna nao sacrifique a outra.
Podemos,
em synthese,
definil-as dizendo que,
entre nós, a natureza é a federaçll.o, mas o hornem
civilizador e consciente é a unidade.
Toda a gente vê e percebe,
entretanto,
que os
c.pparelhos de coordenaçào nacional: governo, camaras, justiça, força o diplomacia accusam urna debilidade extrema deante do regionalismo.
é'.
Acodem-nos essas reflexóes ao lêr o estudo episo<lieo do doutor Souza Pinto acerca de um dos vultos
da revoluçào de 1817, o padre Miguelinho.
A revoluçào de 17, como quasi todas as revoluçôes
latinas da America foi o echo da tragedia de Napoleáo
na Europa.
O formidavel imperador do mundo havia desacreditado todos os absolutismos,
demonsttando
praticamente que a éra da democracia entrava na realidade
das coisas.
--------.
83
Os proprios portuguezes
na Europa,
e até () principe D. Pedro, na America,
napoleonizavam,
a seu
modo.
Era. comtuùo,
urna <1. moda » perigosa para os
colonos,
a quai podia degenerar
em patriotismo
e
ansia ùe liberdade.
Foi o que succedeu aos pernambucanos,
nas terras
que eram segundo a phrase de Salles Torres 1I0mem
« as Thermopylas
do heroismo ».
Desde as guerras
hollandezas
a consciencia
do
valor proprio havia creado em Pernambuco
o espirito
de personalidade
e de independencia
..
O euphemismo
aulico da « Transmigraçao
» ùa
familia real n<Ïo escondia o sentido e a express<Ïo verdadeira que era a da fuga e covardia deante do catacJysma europeu.
Se a revoluçao pernambucana
fosse menos letrada
e mais popular,
e se tivesse elementos
de organizaçâo e disciplina de que carecía, o exito seria seguro.
Bravura, heroismo, martyres e sacrificados,
fanaticos e convencidos
sohejavam por toda a parte; mas,
tal vez por que padres e frades, entre elles, eram
numerosos,
acreditara m, mais do que convinha,
na
Divina Providencia.
Neste ponto, falhava a napoleonismo
d'ellcs pois
era costume de Bonaparte
dizer que a • bon Dieu »
sempre estava ao lado da boa artilharia.
Desp:-c\'e:1iJos,
inertes, SÓ occupados
no byzantivernal das proclnmaçoes
rhetoricas,
deixaram
'lue at~ ~ile chegassem
as forças morosas de Cogo.11inho q;.¡c rompíam a Cllsto leguas c leguas de deserto.
Falhou a rC\'oluçfLO, e a padre Miguel¡nho uma das
pcrsonaliè.ades
mais sympathicas
e intelligentes
do
goverr.o republicano,
pagou corn a vida a temeridade
do seu liberalismo.
Corr.o outras muitos, foi condemnado
segundo a
esùuxula
expressâo
das « Ordenaçoes
» a « marrer
;¡aturalmente
morte cruel ».
Assi :n, na Bahia, no Campo da Polvora, corn os
seus companheiros,
loi arcabuzado
sob os vivas a
EI-Hei ùos lealistas.
JOAO RlBEIRO.
>1ÎS!TIO
P. S. - O autor da monographia
do Padre Miguelinho J.bo~a publicada,
é o Dr. Souza Pinto, bureaucrata, juiz e advogado,
que morreu pobre, honesta:":1ente C(;[:lO v¡vera.
A piedade filial dc P. H. de Souza Pinto recolheu
as pagi,~as paternas
corn o carinho de filho extre7.l0W,
j:mtando
a ellas a biographia
escripta por
Hugo d~ i.-acerda.
Da - Historia da Revoluçào de 181 ï - de .\i uniz
Tavarcs,.la
a magnifica ediçâo anotada por Oliveira
Lima (1917) que é a principal fonte.
J. R.
« O Imparcial
85
», de û-IX-1921.
BIBLIOGRAPHIA
FREI MIGUELINHO ."
«
(Urna pagina da revoluçáo
de
1817). F. C. Souu Pinto, Rio de
Janeiro, 1921.
Vulto dos mais singulares do gloriosa jornada pcrnambucana, nao só pelo seu patriotismo e dcsprendimento, como tambcm pelo seu saber e intelligcncia,
o padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro suggcriu ao Dr. F. C. Souza Pinto, de saudosa memoria,
coma elle tambem rio-grandense do norte, esta excellente monographia, digna de figurar em todas liS
bibliothecas eruditas ao lado dos melhores livras da
historia patria.
O trabalho do inolvidavel Dr. Souza Pinto foi
publicado em 1885 no jornal cearense « Pedro II »,
de Fortaleza, tendo sido em seguida enfei][ado numa
pequena ediçíio, restringida ao circulo de seu s ami-
86
gos e collegas. Por occasiâo das [estas commemorativas do centenario daquelIe glorioso acontecimento, foi
a mesmo inserido na « Revista Trimensal do Instituto
do Ceará. )l, por iniciativa do eminente Sr. Barào de
Studart, que escreveu a esboço biographico do autor.
Foi ahi que o erudito professor Rocha Pombo, uma
das nossas mais authenticas mentalidades, veiu conheccr a monographia escripta pelo Dr. Souza Pinto,
achando-a til.o importante que lamentou náo a ter
podido aprovcitar para a parte da sua monumental
« Historia do Brazil ~, relativa á revoluçáo de 1817'
Dito isto, esta feito o melhor elogio ao trabalho
do Dr. F. C. Souza Pinto.
« Jornal do Brazil )J.
« Um trabalho historíco de valor é a que acaba de
ser publicado, de autoria do doutor Francisco das
Chagas Souza Pinto, rio grandense do norte, fallecido
em Manáos a 6 de julho de 1895.
Traçando uma pagina da revoluçao de 1817, essa
obra, que os amigos do morto deram a lume, constitue uma documentaçao meritoria para os annaes
daquella jornada heroica. A figura de frei Miguelinho
resalta nesse estudo, cam o brilho que a engrandeceu entre os que participara m do arrojado movimento
em pral de nossas liberdades.
87
O doutor Souza Pinto biographando o martyr da
idéa republicana, fê-Io em traços seguros, corn urna
farta copia de contribuiç<les docurnentativas sobre a
sua cultura, o seu caracter e a sua firmeza de animo.
estendendo-se em minucias sobre episodios varios da
revoluçâo.
O volume traz um prefacio de Hugo de Lacerda
sobre a vida do maIlogrado autor, que era, náo SÓ 11m
investigador profundo, como um escriptor eruJito .•
CI
Jornal do Commercio
»
(Recife).
« .•• Difficilmente poder-se-ia tratar desse assumpto,
de especial relevancia para os rio grandenses e parahybanos, corn maior proficiencia do que o fez o
Dr. F. C. Souza Pinto.
O autor nâo se limitou apenas a um estudo completo sobre a personalidade do padre Miguelinho, o
vulto primacíal da revoluçllo republicana de 1817,
mas perscrutou Jemoradamente os archivos e memorias existentes a respeito, conseguindo fazer a biographia verdadeira e sensata do heroico sacerdote rio
grandense ... "
« A Unillo l> (Parahyba).
88
« ..• o estudo biographico ùe Miguelinho, o bravo
norte-riograndense
immolado á causa ùa Republica,
nas vesperas da independencia nacional, constitue,
realmente, urria das mais bellas paginas da mallogada revoluçiiO de 1817.
Varios contam-se os trabalhos, embora todos de
rt·duzido tomo, respeitantes ao filho heroico de Natal,
mas nenhum, certamente, é possivel comparar-se ao
ùo illustrado Dr. F. C. Souza Pinto, onde real.;am as
melhores virtuùes do historiador.
Em verdade, a biographia de Miguelinho, quai a
traçou a penna brilhante e autorizada do salldoso
Dl'. Souza Pinto um dos mais formosos talentos da
terra potyguara é, ainda hoje, a melhor, mais seguro
e .;:ompleto estuùo que se conhece do glorioso revolucionario.
Sabem-n'o quantos o leram, e nem por outra
motivo a insigne Rocha Pamba lamentou nao a ter
podido aproveitar, no discorrer sobre a rel'oluçiiO de
Ii, em sua monumental"
Historia do Brazil », recentemente ultimada, corn a publicaçilo do X volume.
Este, o maior elogio que se pode fazer ao pequeno,
mas importante trabaIho do Dr. Souza Pinto, já
cOClhecido e apreciado entre nós, atravez das paginas
ùa « Revista do Instituto Historico e Geographico do
Rio Grande do Norte )l. »
« A Noticia» (Natal).
89
« ••• o trabalho do esforçado historiographo náo é
urna narrativa sensaborona dos principaes eventos da
existencia do grande pro-homem daquelle movímento libertador, é a psychologia da figura serena e
valorosa ùo patriota immolado.
A monographia do Dr. F. C. Souza Pinto é verdadeiramente um escorço sociologico traçado corn erudiçáO e sentimento .. , »
cc
Diario do Ceará
II
(Fortaleza).
« .,. « Frei Miguelinho Il é urna elegante brochura
em que está editado magnifico trahalho do saudoso
escriptor F. C. Souza Pinto sobre a nobre figura suggestil'a do padre Miguel Joaquim de Almeida e Castro, vulto glorioso ùa revoluçáo republicana de 1817.
Constitue urna das mais bellas paginas desse memoravel movimento patriotico.
Na excellente monographia, calorosamente louvada
por autoridade em assumptos historicos, ha muito
que admirar : estylo, modelar clareza expositiva,
saber e sentimento civico.
No genero, é das melhores, mais interessantes e
mais uteis publicaçóes ultimamente feitas no Brazil,
onde o estudo da historia patria vai ganhando agora,
go
felizmente, mai or numero de brilhantes e competentes cultores.
Vern, nas primeiras
paginas do volume um bem
feito estudo biographico
do autor, por Hugo de
Lacerda .,. ))
«
Minas Geraes
l)
(Bello Horizonte).
NA
LIVRARIA
F. BRIGUIET
&
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LIVR.OS
ClfR.ISTOVÀM
DE
DB
MAUR.ICÉA
ANTHOLOGIA
DE POETAS
Cla
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BRAZILEIROS
Trabalho de erguido rncrilo lilerario,
sem congenere na
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nacional,
encerrando
tudo <¡uanto a poe~ia
tem de mais caracleristico,
symbolico e original no dominio do rnysticismo e da espirilualidade.
E
ESCaLA
LAR
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Livro que mereceu os mais justos elogios de Osoria
Duque-Eslrada,
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Frei Miguelinho - Actividad Cultural del Banco de la República