1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE EDUCAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR Claus Fossati Noé A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO 1º E 2º CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL I Uma experiência profissional na Escola Nova Divinéa RECIFE 2010 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE EDUCAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR Claus Fossati Noé A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO 1º E 2º CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL I Uma experiência profissional na Escola Nova Divinéa Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Educação Física Escolar da UFPE, como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em Educação Física Escolar. Orientador: Prof.º Ms. Júlio Ricardo de Barros Rodrigues RECIFE 2010 3 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO 1º E 2º CICLOS DO ENSINO FUNDAMENTAL I Uma experiência profissional na Escola Nova Divinéa Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Educação Física Escolar da UFPE, como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em Educação Física Escolar. Aprovada em BANCA EXAMINADORA _____________________________________________________ Prof. Ms. Júlio Ricardo de Barros Rodrigues – Orientador _____________________________________________________ Prof. Msnda. Izabel Adriana Gomes de Sena – 1ª Examinadora 4 Dedico este trabalho a minha esposa e a minha filha, pela paciência, estimulo e apoio dedicados ao longo da realização desse estudo. 5 AGRADECIMENTOS Para realização desse trabalho foi determinante poder contar com a ajuda e colaboração de várias pessoas, sem as quais essa pesquisa não teria se concretizado. A cooperação, disponibilidade e doação das mesmas fizeram com que o objetivo final dessa especialização, que foi o trabalho de conclusão de curso (monografia), tenha se tornado viável, encerrando assim, mais uma etapa da minha formação profissional. A estas pessoas, presto aqui, meus sinceros agradecimentos: A meu pai Djalma Noé, e minha mãe Suzana Fossati Noé, que me deram todas as condições e oportunidades de estudo, formação e educação. A minha esposa Kátia, companheira de todas as horas, que dedica grande parte de sua vida ao meu bem estar, com sua atenção e carinho. A minha filha Amanda, que é uma das principais razões e motivo para viver. Ao meu professor Ms. Júlio Rodrigues, que através de suas orientações, conhecimentos e paciência possibilitaram a realização desse trabalho. Aos Professores, Doutores e Mestres pelo valor de suas aulas, sabedorias e conhecimentos. A coordenação do curso e a secretaria do curso, pela cordialidade com que me receberam em seus setores, e pelas colaborações prestadas, e aos funcionários do curso pela logística e andamento do curso. 6 RESUMO Essa pesquisa teve como objetivo investigar a importância da Educação Física, e seus benefícios para o 1º e 2º ciclos escolares do Ensino Fundamental I, direcionados a Rede Pública de Ensino. Foi também intenção do estudo, apresentar uma concepção pedagógica que mais se adaptasse às características naturais e biológicas das crianças nessa fase escolar, e que atendesse às necessidades básicas de aprendizagem dos alunos através de seus conteúdos e propostas. A ação investigativa foi composta por um conjunto de técnicas e procedimentos, quais sejam: método de análise bibliográfico, método descritivo e método de estudo de caso. Entre os objetivos específicos foram discutidos os Ciclos de Escolarização e suas origens. Como o objeto de estudo da pesquisa é a Educação Física Escolar, foi incluído, a análise e apresentação das práticas pedagógicas de uma escola pública, para servir de parâmetro e referência, com a finalidade de mostrar sua relevância e confrontar suas práticas com a teoria apresentada pelos especialistas da área. Nas conclusões, a concepção pedagógica que mereceu maior destaque e consideramos ser a mais importante para esses ciclos, fazendo jus às particularidades das crianças nessa fase escolar, que são: os movimentos e as brincadeiras – foi a Concepção Psicomotora, aproximando e diminuindo a distância entre teoria e prática. Palavras-chave; Educação Física. Ciclos de Escolarização. Prática Pedagógica. Movimento Corporal. ABSTRACT 7 This survey aims to investigate the importance of Physical Education and benefits to the beginnings at middle school, at the public educational service. The study was also intended to submit a pedagogical design more suited to natural and biological characteristics of children at school, and attended basic learning needs of students through their contests and proposals. The research investigative action was composed of a set of techniques and procedures, which are: bibliographic analysis method, descriptive method and case study method. Among the survey’s specific objectives, discussions of Cycles of Schooling and the benefits of discipline for the first school cycles, had been considered. As the research object of study is Physical Education at school, it was included analysis and presentation of educational practices of public school, to serve as a parameter and reference to the study, with the purpose to show its relevance and confront their practices with the theory presented by specialist. At the research conclusion the pedagogical design deserved attention and think is more important for these cycles, going to the particularities of children at this school phase, which are: the movements and children’s play – it was Psychomotor Pattern, reducing the gap between theory and practice. Key- words: Physical Education. Pedagogical Practice. Cycles of Schooling. Body Movement. LISTAS DE ILUSTRAÇÕES 8 TABELA 01: Diferenças das propostas de Organizações Educacionais Séries X Ciclos................................................................................................................21 QUADRO 01: Especificação por ciclos............................................................32 QUADRO 02: Blocos de conteúdos.................................................................33 IMAGEM 01: ...................................................................................................56 IMAGEM 02: ...................................................................................................56 IMAGEM 03: ...................................................................................................57 IMAGEM 04: ...................................................................................................58 SUMÁRIO 9 INTRODUÇÃO......................................................................................................................11 CAPÍTULO I ORGANIZAÇÃO ESCOLAR EM CICLOS E SÉRIES....................................................14 1.1 Origens................................................................................................................................14 1.2 Confronto da Organização Seriada e a Organização em Ciclos.........................................20 1.3 Aprovações, Progressões automáticas, Repetência, Progressão Continuada, possíveis críticas e questionamentos........................................................................................................23 1.4 Os Ciclos de Escolarização (Município, Estado e PCN)....................................................27 1.5 Os Ciclos de Escolarização na Educação Física, propostas apontadas pelo livro: “Coletivo De Autores”. Concepção Crítico-Superadora, Rede Oficial de Ensino, PE.............................................................................................................................................28 1.6 Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, livro7, Educação Fundamental - 1º e 2º ciclos) e os Ciclos de escolarização..........................................................................................31 CAPÍTULO II METODOLOGIA..................................................................................................................35 2.1 Justificativas........................................................................................................................35 2.2 Ação investigativa..............................................................................................................46 2.3 Objetivos.............................................................................................................................51 CAPÍTULO III SOBRE A ESCOLA NOVA DIVINÉA.................................................................................52 3.1 Caracterização da Escola....................................................................................................52 3.2 Práticas pedagógicas desenvolvidas na Escola Nova Divinéa, e sua proposta para a Educação Física nos ciclos do Ensino Fundamental I..............................................................61 3.3 Conteúdos abordados na Escola Nova Divinéa, e as concepções pedagógicas que mais se aproximam do objetivo e objeto pedagógico da disciplina, nessa unidade escolar.......................................................................................................................................65 3.4 Breve análise das abordagens pedagógicas das décadas de 1980 e 1990, e a opção do professor em se adequar por uma delas....................................................................................67 10 3.5 Seleção de conteúdos pertinentes aos primeiros Ciclos de Escolarização, indicados por especialistas da área..................................................................................................................72 3.6 Os professores da Escola – depoimentos, ponderações, conceitos e os significados da Educação Física no 1º e 2º ciclos escolares.............................................................................76 CAPÍTULO IV OS BENEFÍCIOS DO ACESSO ÀS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO 1º E 2º CICLOS DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL INFANTIL..............................................80 CONCLUSÕES.......................................................................................................................91 REFERÊNCIAS......................................................................................................................99 11 INTRODUÇÃO A credibilidade e a importância da disciplina Educação Física enquanto componente curricular obrigatório nas escolas, por muitas vezes ainda é posta em dúvida, quando nos referimos ao contexto da educação escolar. A disciplina com frequência é sujeita a questionamentos e desconfianças, quanto às suas competências, significados e relevância de seus conteúdos. Sendo assim, e por esses motivos, a disciplina comumente está na pauta de discussões e debates, tentando reverter esse quadro estabelecido a respeito de sua significância e condição de desconfianças e marginalidade. Diante dessa circunstância supostamente instituída, professores, estudiosos do assunto, especialistas e todos que estejam envolvidos na área, deveriam ter o comprometimento e a incumbência de ampliar essa discussão com objetivos de assegurar, resgatar, justificar e afirmar a relevância da disciplina na esfera educacional. Um dado importante e preocupante que vem crescendo a cada ano é a deficiência na oferta de aulas de Educação Física para os primeiros ciclos escolares, especificamente do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental na Rede Pública de Ensino. São raras as escolas que oferecem aulas de Educação Física na grade curricular, e são poucos os professores que se dispõem a lecionar para esse nível escolar, gerando assim, perdas para as crianças que ficam sem a oportunidade de adquirir os conhecimentos, habilidades e destrezas promovidos pela disciplina; e os professores, em decorrência desses fatos, renegam um valioso espaço de intervenção pedagógica. A intenção dessa pesquisa e suas discussões não é superar ou comparar a Educação Física às outras disciplinas, mais sim, colocá-la a em patamares mais elevados e condizentes com seu status de disciplina curricular obrigatório nas escolas. Moreira, Pereira e Lopes (2009), sobre essa questão, abordam que para a disciplina superar essa condição de marginalidade e diferenças que se encontra é preciso que a própria disciplina descubra, defina e identifique, o que, e como ensinar; e a partir desse argumento avançar nos debates. Considerando que uma das finalidades da Educação Física nas escolas é contribuir com a formação integral de cidadãos autônomos, espera-se também que essa autonomia possa ser utilizada para desenvolver o potencial motor, valores e habilidades construídos na escola através da disciplina e utilizá-los também fora da escola, e na vida diária. Outro ponto 12 importante que precisa ficar bem claro, sobre a Educação Física nas escolas e suas práticas, é que a disciplina não deixe dúvidas em relação aos seus significados e sentidos, não basta apenas à prática pela prática o fazer por fazer e sim “saber fazer” e “porque está fazendo” A partir desses pressupostos, e o intento de situar a disciplina em níveis adequados às suas discussões e organização internas, surgem motivos que nos incitam a realizar pesquisas e investigações sobre o tema, nesse caso, a importância da Educação Física no 1º e 2º Ciclos escolares, mais especificamente para a Rede Pública de Ensino. É fato que essa temática já foi bastante abordada por especialistas do assunto, mas isso não impede o interesse em avançar nos debates, para construirmos e buscarmos mais subsídios, argumentos e elementos que contribuam e consolidem o papel da disciplina nas instituições escolares. Isso significa dizer, que quanto mais estudos e pesquisas forem realizados nessa área e nesse sentido, mais forte a Educação Física Escolar permanecerá. A apresentação dessa pesquisa será composta por procedimentos e técnicas com características distintas, entre elas, o método de procedimento descritivo, o método de procedimento bibliográfico e o método de estudo de caso. Essa investigação lida com mais de um objetivo, mas o objetivo capital e o mais importante é investigar a relevância da Educação Física nos primeiros ciclos escolares, mas irá além. É intento do trabalho, do ponto de vista da comunidade cientifica ou especifica da área, apontar propostas que relevem a importância de se estudar esse objeto. Outros tópicos serão investigados. Como a pesquisa discute a Educação Física nos ciclos escolares, analisaremos como são abordadas as Organizações em Séries e Ciclos. Posteriormente incluiremos no trabalho uma experiência com aulas de Educação Física em uma escola pública. Essa unidade de ensino é a Escola Nova Divinéa que oferta aulas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, está localizada em Jaboatão dos Guararapes e tem 500 alunos matriculados, aproximadamente. Foi objetivo analisar e discutir suas práticas pedagógicas e sua realidade. Estabelecendo uma relação do que é dito pelos autores teoricamente, em confronto com a prática realizada na escola Com a hipótese de se afirmar que as práticas das aulas de Educação Física são importantes, discutiremos quais os benefícios relevantes para as crianças, ao ter acesso a essas aulas, e como os conteúdos da disciplina podem contribuir para a aquisição de aprendizagens, habilidades e valores significativos para os anos iniciais do ensino. 13 A investigação do trabalho foi realizada, através de análises bibliográficas específicos da área da disciplina Educação Física. Serão selecionados os autores e obras literárias mais significativas atinentes a essa temática. Serão descritos os conceitos e idéias principais das produções selecionadas, após isso, vamos discutir e analisar os conceitos, e por fim extrairemos as conclusões pertinentes relacionados aos objetivos da pesquisa. Como recursos empregáveis na investigação serão utilizados depoimentos de professores da escola pública em analise, e imagens que possam colaborar com a veracidade das propostas apresentadas e apontadas na pesquisa para a disciplina Educação Física, voltados para o 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental, esses argumentos e depoimentos que serão expostos no trabalho, terão o intuito de colaborar com as idéias e concepções apresentadas ao longo da pesquisa, por professores de outras disciplinas. Situando que a escola tem a característica interdisciplinar em seu projeto político – pedagógico. No capítulo que descreveu como foi realizada a ação investigativa, ou seja, o capitulo que aborda a metodologia as justificativas e os objetivos, trouxe dados mais detalhados de todo o processo que será empregado. E expõe os motivos pessoais que nos levaram a realizar esse trabalho, dando continuidade assim, a essa introdução. As conclusões que chegamos, são as que comprovam que a disciplina Educação Física é extremamente indispensável e importante nos currículos escolares, e que pesquisas mais aprofundadas continuem sendo realizados para ratificar e consolidar a disciplina como fundamental enquanto matéria escolar. Entre essas conclusões, destaco a importância em se desenvolver as aulas de Educação Física, respeitando as características particulares das crianças nessa fase escolar que são permeadas por movimentos, brincadeiras e jogos, fundamentado em João Batista Freire (1994). Concluo também que as práticas da Escola Nova Divinéa têm a função de alfabetizar as crianças nessa fase escolar, para o movimento e pelo movimento, aprimorando e desenvolvendo gestos e habilidades motoras, criando um alicerce para movimentos mais elaborados, nos próximos ciclos. Eliana Ayoub (2001) dá sustentação e fundamenta essa teoria e conceito de alfabetizar as crianças através da linguagem corporal, através do corpo e através do movimento. As crianças alfabetizam-se nessa linguagem. 14 CAPÍTULO I - A Organização Escolar em Ciclos e Séries 1.1 Origens: Nas décadas de 1950 a 1970, a palavra de ordem era “industrialização”. O objetivo do mercado (econômico) era vender mais, ter maiores lucros, estimular o consumo em massa. Assim, as grandes empresas tinham como meta especializar o operário-padrão, transformando-o em um trabalhador individualista, determinado, concentrado e especializado (Carneiro, 2002). Para atender a esses anseios, a política de educação da época não poderia ser diferente: enfatizava a importância em se formar trabalhadores que atendessem ao modelo de produção desse mundo industrializado. A partir desse cenário, o sistema educacional intensifica sua direção para dois segmentos básicos de trabalhadores, com o objetivo de atender às necessidades da época que eram a massificação do trabalho para as grandes indústrias - fundamentada na concepção Fordista-Taylorista1 - esses trabalhadores, tinham funções predeterminadas e especificas. Os primeiros trabalhadores, ou seja, o primeiro escalão eram os planejadores, tinham formação universitária e faziam pesquisas, que por sua vez, lideravam os executores (segundo escalão), com a escolarização de 1º e 2º graus, que apresentavam conhecimentos básicos para o desenvolvimento industrial e a função de disciplinar os trabalhadores (operários) para a produção. Isso quer dizer que a hierarquização dos cargos era seguida com rigor e tinha funções definidas e determinadas. Diante dessas conjunturas de hierarquia, cargos e especializações de funções, ao nos transportarmos para o sistema educacional e traçarmos um paralelo, vamos observar que o professor da mesma forma tinha o seu prestigio e poder destacado, e naquele período era visto pela sociedade como figura de proeminência no processo educacional: autoritário, ditador e sem inclinações democráticas. O objetivo principal do professor e suas tendências pedagógicas nessa época eram reproduzir conhecimentos, disciplina e padrões de comportamentos fundamentais para formação de operários. Segundo Neubauer (2003), a 1 Taylorismo - Conjunto das teorias para o aumento da produtividade do trabalho fabril, elaboradas pelo engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915), tem por objetivo simplificar ao máximo a produção, tornando as operações únicas e repetitivas. Fordismo – Conjunto de métodos de racionalização da produção elaborados pelo industrial norte-americano Henry Ford (1863-1947) que aprimora os princípios de Taylor em seu modelo, para diminuir os custos, a produção deveria ser em massa, a mais elevada possível e aparelhada com tecnologia capaz de desenvolver ao máximo a produtividade por operário. 15 disciplina deveria ser mantida a qualquer preço, e os castigos físicos, as punições e as humilhações psicológicas, imitavam as relações autoritárias e antidemocráticas da sociedade. O regime militar e a ditadura eram impostos, com condutas e posturas a ”serem seguidas e respeitadas”- características políticas e sociais dessa época. Essa proposta de educação e o perfil autoritário do professor, supostamente trouxeram como conseqüências a elevação dos índices de reprovação nas escolas públicas, que nesta época já eram altos; do mesmo modo, nesse tempo a escola e o professor eram eximidos pela sociedade de qualquer responsabilidade pelo insucesso escolar dos alunos (AGNES DULCINÉA et al, 2009) Ao término da década de 1980, o cenário começou a sofrer mudanças - a crise na indústria e a recessão econômica iniciaram um novo processo e novas concepções de formação e educação dos trabalhadores. Por decorrência desses fatos passam a existir as grandes companhias internacionais (multinacionais), as organizações sindicais, os primeiros movimentos grevistas, dificuldades sociais e a crise do petróleo, esses episódios proporcionaram mudanças, entre elas, os avanços tecnológicos buscando o aumento de produtividade, a diminuição dos custos, a modernização, a exportação e novos mercados para o consumo e capital, assim como a necessidade de mudanças no sistema educacional. Com as mudanças no sistema político se concretizando, foram desvendadas novas possibilidades de regimes governamentais, como a democracia e o capitalismo que começaram a brotar no cenário político, originando novas propostas pedagógicas e políticas educacionais, em contraponto a ditadura, que nessa época estava encerrando seu ciclo. Carneiro (2002) afirma que o trabalhador deixa de ser individualista e especializado para ser polivalente, instável, criador e capaz de trabalhar em equipe e se adaptar às mudanças, possuindo vasta gama de informações e usar a criatividade. Iniciando assim, uma nova fase de políticas educacionais, de imediato surge também novas propostas pedagógicas, análogas a essa nova fase histórica e política. As necessidades de mudanças devido às novas tendências políticas, econômicas e sociais estarem se reestruturando ou se modernizando (tecnologia, indústria), deram início a uma nova era no sistema de produção das empresas. A partir das mudanças que começaram a serem instituídos, os comportamentos e as atitudes da sociedade precisaram ser revistos, e levaram a educação a redefinir sua função, e pensar em novas concepções e objetivos 16 pedagógicos, revendo seus conceitos e buscando novas propostas (profissionalizar a mão de obra) para sanar e atender às demandas da sociedade. Diante disso, a aproximação entre escola e mercado (indústrias), buscava justapor, ou vincular o trabalhador as empresas – os conhecimentos teóricos e formação geral eram responsabilidades da escola e a empresa encarregada da formação profissional. (Carneiro, 2002). A partir desses acontecimentos, fatos e dados, indagaram-se quais seriam os objetivos educacionais pertinentes ao novo modelo de sociedade emergente que estava sendo construído, isto proporcionou dúvidas e interrogações. As concepções pedagógicas e as novas tendências da educação se diversificaram e surgiram com características inovadoras, entre elas: a psicologia do desenvolvimento, o desenvolvimento psicomotor (psicomotricidade), a pedagogia moderna, o construtivismo e a cultura produzida e transmitida como conhecimento, enfim, todos esses fatores, e novas tendências, indicavam que as crianças tinham características próprias de aprendizagem. Verificou-se que na aprendizagem das crianças o processo poderia ser progressivo, cumulativo e por etapas, avesso ao dos adultos, que eram confrontados objetivos educacionais e pedagógicos de formato autoritário, elitista e excludente, contrapondo-se a um novo modelo - onde o aluno é o centro do processo de aprendizagem abalizado na participação, atividade, pesquisa e comportamento autônomo e crítico. Com a evolução das novas propostas pedagógicas e novos conceitos de educação o professor teve a necessidade de rever seus conceitos, acompanhar as novas propostas políticas e educacionais que estavam em discussão naquele momento; ampliar seus horizontes e sua especialização específica teve que ser diversificada. Com as inovações do novo modelo educacional em pauta, o professor sentiu também a necessidade de trabalhar em equipe, envolver-se com a comunidade, atualizar-se, conhecer as outras disciplinas e ampliar sua jornada de trabalho. Essas eram características da Escola Aberta - com origem na Espanha em 1987 - que buscava uma aproximação da escola com a comunidade onde: O ensino tinha como fundamento a formação ética e moral, constituindo-se compreensivo, diversificado e personalizado, privilegiando-se a flexibilidade metodológica e os trabalhos em equipe, uma organização escolar em ciclos, um planejamento globalizador e construtivista, com uma proximidade entre escolafamília, propondo-se temas transversais (AGNES DULCINÉA, 2009, p.3) 17 Isso significa dizer que: a direção escolar, a supervisão, a coordenação e os professores passaram a ser solidariamente responsáveis pela garantia de aprendizagem das crianças e jovens. Como afirma Neubauer (2003): “não basta ensinar, a condição necessária à função do professor é levar o aluno a aprender”. Com todas essas alterações acontecendo, dentre elas, à modernização e a evolução das concepções educacionais, o próximo questionamento e as dúvidas que surgiram estavam relacionados a essa nova fase educacional, e qual currículo seria mais eficaz e apropriado para as crianças nas escolas - sua forma de organização e adequação as disciplinas, e a pesquisa por um melhor desempenho por parte dos alunos - na efetivação e construção do conhecimento e retenção dos conteúdos propostos no currículo. Por esses motivos, novas propostas e alternativas surgem para superar os currículos tradicionais e as possibilidades de organização da aprendizagem cíclica (Organização em Ciclos Escolares). Nesta organização são apresentadas suas teorias e características. Seus conceitos são implementados no currículo escolar e se solidificam como alternativa de um modelo para combater a reprovação, a dificuldade de aprendizagem e a evasão escolar - que apresentavam nesse período e década (1980) índices muito altos nas escolas públicas. Pressupondo serem estes problemas a causa e motivos diagnosticados pelo formato da Organização de Currículos Escolares Seriados. No entanto, é necessário e importante aprofundarmos e tratarmos das origens dos ciclos para compreendermos, como foi implantada a estrutura atual da Organização Cíclica nas escolas da Rede pública de Ensino. Uma das primeiras Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei 4024/612, cita que a estrutura escolar será formada pelo ensino primário (04 anos) e o ensino médio dividido em dois ciclos - Ginasial (04 anos) e o colegial (03 anos). Como cita (BARRETO, ELBA SIQUEIRA DE SÁ et.al, 2004, p.3). A Lei 4024/61 usando a denominação Ciclos, institucionalizou o regime seriado como forma de organização escolar, que perdurou por bastante tempo. Mais a partir da Constituição de 1988 e a nova LDB (Lei 9394/963), são ampliadas as possibilidades e o direito à educação institucional para as crianças, como também a garantia de diferentes formas de organização do ensino. Essa lei apontou formas de implantar a 2 BRASIL, Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, Diretrizes e Bases. BRASIL, Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, in diário Oficial da União, Ano CXXXIV, nº 248, 23.12.96. 3 18 progressão continuada na forma de ciclos – suas principais características eram: recuperação paralela e contínua, ampliação da jornada escolar, aceleração da aprendizagem (alunos fora de faixa–etária, distorção idade/ série) e remuneração aos professores pra avaliação e capacitações. (AGNES DULCINÉA, et. al, 2009). Enquanto se discutia qual deveria ser a organização escolar mais apropriada aos currículos, é implantada nos primeiros anos de vida das crianças uma estrutura escolar ou sistema educacional, onde as Creches e a Pré-escola acolheriam as crianças, permitindo assim, que os pais pudessem deixar as crianças nesses locais, enquanto estivessem no trabalho. Progressivamente outros períodos da vida passaram a ser regulado pelo Estado mediante a massificação da educação básica e a expansão do ensino superior (BARRETO, ELBA SIQUEIRA DE SÁ, et.al 2004). A educação infantil nessas décadas (1980-1990) é seriada e colocada em formato de periodização seguindo as etapas de desenvolvimento das crianças. Devido às necessidades e condição social e econômica dos pais, as creches e a préescola incluíram sua normatização e institucionalização sancionadas pelo Estado, devido à condição de vida e de subsistência da população e das famílias carentes e com filhos em escolas públicas. Habitamos em um país capitalista onde o trabalho é assalariado, e os pais que deixavam seus filhos em entidades filantrópicas, igrejas ou outras formas de assistencialismo, passaram a ser beneficiados por instituições estaduais com respaldo político legalizado, que assegurou legalmente e institucionalmente uma condição importante para minimizar problemas no setor educacional. Voltando a tratar das Organizações Curriculares, que é objetivo dessa etapa do estudo, a forma predominante e tradicional de organização do currículo escolar até o inicio da década de 1990 é a estrutura curricular em séries que aparece desde a década de 1970 ou meados de 1980, onde os alunos eram designados as suas respectivas séries pela faixa etária e o conhecimento cognitivo desenvolvido naquela fase. Explanar com mais precisão como se caracteriza a Organização Escolar em Séries nas turmas é indispensável e elucidativo, a Organização em Séries tinha como principal critério a faixa etária homogênea dos alunos, por exemplo: 4ª série (10 anos), 5ª série (11 anos), 8ª série (14 anos). Mas observamos que até hoje, mesmo com as novas possibilidades de organização do currículo onde os ciclos de aprendizagem estão sendo implantados como nova perspectiva 19 pedagógica, na rede pública de ensino (Municipal e Estadual - abordado inclusive pelos PCN ou concepção Crítico-Superadora - abraçada oficialmente pela rede de ensino oficial de Pernambuco e em diversos outros estados do Brasil), é raro ouvir de professores ou alunos o termo “Ciclos”. A expressão mais usual e pronunciada ainda é “Séries”. Para delinear o parágrafo anterior, Souza Junior (2007) enfatiza que o currículo por séries tem suas características próprias como: os conteúdos e objetivos já são préestabelecidos dentro de uma perspectiva formal e tradicional de ensino institucionalizado, a faixa etária é homogênea, o desenvolvimento cognitivo é similar, o desenvolvimento motor e de habilidades são uniformes, a reprovação é possível e a aprovação é seriada e contínua, como afirma: O currículo por séries procura agrupar as crianças, a partir de padrões normais de desenvolvimento, principalmente, de ordem cognitiva, organizando de forma préconcebida conteúdos, objetivos, habilidades, disciplinas a serem oferecidos aos alunos como forma universal e natural dos saberes escolares, estabelecendo um ritmo fixo para as aprendizagens e seguindo uma lógica formal para a estruturação do pensamento (SOUZA JUNIOR, 2007, p.89, grifo nosso) Isso significa dizer que a organização seriada indica que os conhecimentos que serão transmitidos aos alunos já são previamente selecionados e planejados de forma contínua e periódica. É suposto que a educação de forma seriada repassa o conhecimento, desenvolve habilidades e depois avalia. Segundo Rodrigues (2001), essa situação mostra que o objetivo da organização seriada é a retenção de conteúdos segundo uma metodologia que opta pela fragmentação. Essa fragmentação a que se refere Rodrigues (2001), ou a divisão da organização do tempo escolar seriado, durante o ano letivo é limitada: os conteúdos tem prazos determinados para serem transpostos aos alunos e a composição desse tempo é dividida em bimestres, semestres e anual. Se o aluno não atingir índices ou metas pré- estabelecidas (notas) será reprovado e retido, não avançando à série seguinte. Ainda sobre o currículo seriado, é notório que o aluno se prepara para uma prova (avaliação), um teste de conhecimentos, provavelmente apenas decorando ou memorizando os assuntos e conceitos (teorias) que o professor selecionou naquele período, naquele bimestre (unidade) ou naquela série, com o objetivo específico de passar de ano. Mas esse mesmo aluno que foi aprovado, ao mesmo tempo, talvez não tenha obtido reter os conhecimentos, ou não garantiu nenhuma forma de aprendizagem significativa para mudar o seu comportamento e utilizar esse conhecimento como bagagem cultural e apropriação do saber. Prado (2003), 20 afirma que a verdadeira questão que se coloca diante dessas questões é: ”ensinar para passar de ano ou fazer a turma compreender o sentido do que aprende”. Para Souza Junior (2007, p.92) “O regime seriado estabelecia um verdadeiro ranking em relação às notas, porém agora esse ranking não existe, pois não interessa mais quem foi melhor ou pior”. Essas são considerações especificas da Organização do Currículo em Séries, que estão sendo discutidas nesse estudo. Partindo do principio que o regime seriado procura contemplar os alunos mais capacitados ou os que progridem através de suas qualificações e notas, seria natural acontecer e se consolidar, que os melhores do ranking avançam, e os menos capacitados são reprovados, excluídos e discriminados na escola. Essas conseqüências desencadeariam em reprovações que poderiam causar prejuízos financeiros ao Estado e Municípios ou prejudicar as crianças e famílias que ficam estigmatizadas como incapazes e fracassadas PCN (1997, livro1, p. 61) 1.2 Confrontos da Organização Seriada e a Organização em Ciclos Para o alcance dos objetivos aos quais se destina o presente estudo, as diferenças e principais características entre a Organização Seriada e a Organização em Ciclos são colocadas em confronto e analisadas nessa parte do estudo. Criando assim condições e subsídios relevantes no momento em que compararmos suas identidades e teorias, colocandoas em discussão dentro de suas concepções e propostas. Esperasse que nos próximos parágrafos, esse confronto possa identificá-las e diferenciá-las com precisão. Avaliando-as e tirando conclusões. Podemos observar no quadro4 a seguir e visualizar suas respectivas propostas. 4 (AGNES, DULCINÈIA, et.al 2009) Organização seriada e sua Transição para Organização em Ciclos, disponível em: htpp://www.fae.ufmg.br/caderno/backup/artigosX.doc ,acesso em - 09/08/2009 . 21 Itens Série Ciclos Concepção de Educação Educação como repassadora de conhecimentos de habilidades Educação como formadora dos sujeitos plenos Tempo Fechado, modelar Aberto Avaliação Quantitativa Processual Papel do Educador Transmissor dos conteúdos Mediador de conhecimentos Tabela 01. Diferenças das propostas educacionais entre Séries e Ciclos. O quadro acima, procura estabelecer as diferenças e caracterizar as organizações cíclica e a seriada e apontar as possibilidades pedagógicas dos Ciclos de Aprendizagem, distinguindo as diferenças básicas entre a Organização Seriada e a Organização em Ciclos, objeto que fundamenta essa pesquisa – A Educação Física nos primeiros ciclos Escolares. Não há unanimidade (consenso) entre professores e especialistas em eleger a Organização Cíclica ou a Organização em Série como proposta oficial das Redes Públicas de Ensino, mas basta que se enuncie que os ciclos são acusados de apresentarem pioras no ensino, contudo as pesquisas indicam que não. Os exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e Sistema de Avaliação da Rede Estadual de São Paulo (Saresp) indicam que quase não há diferença no desempenho de alunos de Ciclos ou Séries (Prado, 2003). Portanto não há consenso entre qual organização seria mais adequada a Rede Pública de ensino. Alguns pressupostos como a evasão escolar e os altos índices de reprovação, observados na década de 80, induziram Estados e Municípios a questionar a organização dos Ciclos por Séries. Ampliando a partir desses pressupostos e buscando a flexibilidade no sistema de Séries, buscou-se aumentar o tempo de aprendizagem como também o ritmo de aprendizagem dos alunos com o objetivo de superar e reestruturar a Organização por Séries, (PCN, livro 1, 1997) Justificada abaixo que: “Entre nós a idéia de ciclos vem associada, de certo modo, a propostas de promoção automática, avanços progressivos, progressão continuada, sendo que a própria denominação ciclos, para alternativas de organização escolar não seriada, apenas surge nos anos 80, e passa, a partir de então, a ser acompanhada de vários qualificativos“ (Elba Siqueira. et al,2004,p.6) . 22 Seguindo este raciocínio, e ainda debatendo a confrontação entre Ciclos e Séries, por ser o assunto pertinente nessa etapa, fica claro que os currículos organizados em Séries definam as seguintes particularidades e indicam: repartição, fragmentação, intervalos, unidades e etapas; enquanto os Ciclos sugerem que o tempo deve ser mais bem aproveitado e que deve haver uma melhor distribuição de conteúdos, mediante agrupamento, aproximação, continuidade e espiralidade, destes (SOUZA JUNIOR, 2007). Os benefícios e possíveis vantagens, de acordo com a Organização em Ciclos, recomendam possibilidades de trabalho (pedagógico), que tratam as diferenças e características individuais dos alunos como: retenção dos saberes, lentidão na aprendizagem, desenvolvimento cognitivo e habilidades desenvolvidas. De forma que: passa a ser considerado que cada aluno tem o seu tempo e o seu ritmo de aprendizagem, as capacidades biológicas e psicológicas individuais são respeitadas... Todos podem aprender. Acredita-se, que todos esses fatores e características da organização em Ciclos sejam benévolos e lucrativos na construção do conhecimento. É conhecido pela sociedade e especialistas da área, que na escola pública as diferenças, aptidões e capacidades dos alunos quanto ao aspecto cognitivo, ritmo de aprendizagem, hábitos e condutas sociais são muito diversificados e heterogêneos. Isso ocorre em função, e devido à diversidade dos problemas e a heterogeneidade dos alunos bem como: condição econômica, analfabetismo, semi-analfabetismo, violência, alcoolismo, drogas, falta de respeito, apoio e atenção por parte dos pais – todos esses fatores podem trazer consequências negativas na formação das crianças - desempenhos, desenvolvimento escolar e aprendizagens. A bagagem cultural (conhecimentos adquiridos historicamente), e valores (morais, éticos) construídos pelos alunos da rede pública são muito distintos. Coletivo de autores (1992) adverte que isto não impede, mais pode dificultar o processo de aprendizagem das camadas populares prejudicando o conhecimento organizado e sistematizado da escola. Restringindo o desenvolvimento da aquisição dos saberes, contraponde-se as elites ou as camadas mais favorecidas financeiramente que tem mais oportunidades e acesso a educação e cultura, essa posição (classe) social denominada “elite” é beneficiada por uma melhor qualidade de vida e poder. “nas sociedades de classe, como é o caso do Brasil, o movimento social se caracteriza, fundamentalmente, pela luta entre as classes sociais a fim de afirmarem seus interesses.” (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p.13) 23 Analisadas essas dificuldades e problemas na base, ou nível de instrução (escolarização) e cultural (valores) da família, isso indica que esses fatores limitam e influenciam no sucesso ou fracasso no rendimento escolar das crianças na escola pública, constituindo-se em um dos motivos que sugerem caminhos e levam a pensar em adotar a Organização por Ciclos na rede de ensino público, onde o tempo de aprendizagem será maior. Respeitando as dificuldades individuais de cada aluno, aumentando suas chances de progressão e possivelmente diminuindo a evasão e a repetência escolar: Os ciclos repensam o ensino da escola, das ações didáticas das avaliações dos saberes; mudam as concepções e práticas pedagógicas; tem a chance de contribuir para a diminuição do desperdício de recursos financeiros, causado pelo alto índice de reprovação; solicitam maior destinação de recursos; mudam a atitude dos pais. (SILVA E DAVIS, apud MAINARDES, 2001, citado em SOUZA JUNIOR, 2007, p.90, grifo nosso) Finalizando o confronto entre as características das formas de Organização em Ciclos e Seriada, a discussão fica aberta assim, a qual o melhor sistema adotar, ou qual o melhor sistema que realmente contribui de forma significativa para o aprimoramento e avanços da qualidade do ensino, a retenção dos saberes do aluno na escola, bem como, para com o desenvolvimento e a continuidade do processo de construção de conhecimentos durante a vida escolar das crianças e jovens. 1.3 Aprovações, Progressões automáticas, Repetência, Progressão Continuada, possíveis críticas e questionamentos. A proposta da organização em Ciclos remete a uma polêmica quanto à eliminação da reprovação. São comumente postos em discussão os reais interesses do governo quanto à preocupação com os elevados índices de reprovação na Rede Pública de Ensino - o desperdício ou investimento financeiro são muito altos, o governo tem preocupações com estatísticas e números que podem comprometer seus planos de políticas públicas com a educação, e a repercussão negativa desses números e índices para com a sociedade. Segundo Barreto, Elba, (2004), sobre reprovações, a mesma atribui que: “denuncia-se estar, a escola, diplomando analfabetos, e os governos, divulgando as taxas de aprovação como evidência de melhoria de qualidade de ensino, sendo que este tem como alvo a economia de recursos, que decorria da extinção da reprovação” 24 Envolvido nesse contexto, o governo busca alternativas para superar e evitar esses problemas educacionais da Rede Publica, entre eles estão: o aluno ficar retido em uma determinada série ou ciclo (reprovação), melhorar os índices do IDEB (Índice de desenvolvimento da educação básica), congestionamento do sistema escolar, aumento do desestímulo por parte de alunos e pais (SILVA e DAVIS, apud MAINARDES, 2001, citado em SOUZA JUNIOR 2007). A expectativa do governo, através de suas ações é esperar que, a mudança para o sistema de Organização Cíclica possa impulsionar e promover avanços quanto à natureza desses aspectos e colaborar com a permanência do aluno na escola e, assim, a melhoria e evolução no sistema de educação. Um contraponto importante que deve ser observado está referenciado na citação da autora, Agnes Dulcinéa, et.al (2009, p.11), ao afirmar que: “Quanto aos pontos negativos da organização em ciclos, os itens mais comuns se referem a não retenção dos alunos, que passam pelos ciclos sem ter todas as aptidões desenvolvidas”. Sobre reprovações e retenções de alunos nas séries, assunto pertinente nessa parte da pesquisa, fica evidente que uma das grandes preocupações do governo, dos professores, estudiosos e dos pesquisadores do tema: Organização em Ciclo e Séries são os altos índices de retenção ou reprovação dos alunos e a busca de alternativas para solucionar ou amenizar estes problemas. Problemas estes citados abaixo, por autores especialistas da área: “Um dos problemas de longa data na educação brasileira refere-se às altas taxas de reprovação e abandono dos estudantes. Esses elevados índices impulsionaram a implementação de ações visando à superação desse problema” (ALVES, FÁTIMA, 2009, p.5,) Por sua vez, SOUZA JUNIOR (2007, p.87) afirma, quanto aos problemas de evasão e repetência escolar que: “A Organização Curricular por Ciclos de aprendizagens surge com a motivação de combater os altos índices de reprovação e evasão escolar, como também pela intenção de superação da organização por séries” Perante a esse conjunto de problemas relacionados a reprovações, retenções, progressões automáticas e progressivas, o intuito a partir dessas prerrogativas, e o maior desafio e objetivo a alcançar é sem dúvida melhorar a qualidade da educação. Os problemas da reprovação e da evasão escolar precisam ser resolvidos independentes de Organização Seriada ou Cíclica; há que se buscarem indicadores, pensar em novas alternativas, realizar 25 pesquisas, colher fatos e dados que fundamentem e possam dar sustentação ás dúvidas que ecoam quanto à Organização em Séries e a Organização em Ciclos. No entanto, mais importante do que a organização escolar é a proposta pedagógica assumida pela comunidade escolar. Como bem aponta um de nossos entrevistados, independente da organização escolar o processo educativo deve visar o aluno e o atendimento as suas necessidades. A mudança do foco da discussão da organização escolar em ciclos ou em séries, para o entendimento das necessidades dos alunos contribuiria para o apontamento de alternativas e a solução de problemas relativos ao fracasso e desmotivação em muitas trajetórias escolares (AGNES, DULCINÉA, et.al 2009, p.15, grifo nosso). Isso significa dizer, e completando o raciocínio, que independente de organização escolar a prioridade é o aluno, seu desempenho, seu processo educativo, o aprendizado e suas mudanças de comportamento. Ainda nesse argumento, cita a autora que: Na verdade, não considero que o problema seja ciclo ou série, mas como se trabalha. Pode–se ter uma escola que faça um bom trabalho, que perceba o aluno na sua individualidade, e que faça a promoção/retenção apenas por notas. E pode-se ter uma escola por ciclo que promova automaticamente o aluno, sem trabalhar suas necessidades (profº. Da rede privada, citado em AGNES, DULCINÉA, 2009, p.15, grifo nosso). Completando essas idéias, pode ser consenso que: a retenção dos saberes, a aprendizagem dos conteúdos, o desenvolvimento de habilidades, a ampliação do censo crítico, como também, não excluir e discriminar reprovando, sejam requisitos que ajudem a mudar comportamentos, e ao mudar comportamento, o que se alcança é a aprendizagem. Esperasse que todos esses fatores colaborarem e sejam os norteadores que promovam a qualidade do ensino, que deve ser o objetivo principal da educação independente de organização em Ciclos ou Séries. Retornando ao ponto que discute a preocupação e o interesse do governo com a educação e com os números e estatísticas - que tanto inquieta os planos e metas educacionais, e ao mesmo tempo são tão incisivos para averiguar os desempenhos e resultados do alunado, o próprio governo criou mecanismos para averiguar e medir os Índices de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Submetendo os alunos da escola pública a realizarem uma avaliação de seus conhecimentos de aprendizagem e posteriormente aos resultados, indicar metas a serem atingidas pelo ensino público (ALVES FÁTIMA, 2009, p.5) Como é notório e contumaz, o baixo desempenho escolar é preocupação constante na educação brasileira. O Governo Federal avalia o desempenho dos estudantes brasileiros pelo (IDEB) Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, no contexto do Plano de Desenvolvimento da Educação Básica (PDE). O IDEB integra os resultados sobre o 26 desempenho dos estudantes na Prova Brasil e no Sistema De Avaliação Da Educação Básica (SAEB) com os indicadores de fluxo escolar obtidos via Censo Escolar. O princípio básico do IDEB é o de que a qualidade da educação envolve que o aluno aprenda e passe de ano. “A despeito das pesquisas brasileiras mostrarem a associação negativa entre organização escolar em ciclos e desempenho dos estudantes é importante assinalar que a organização em ciclos tem tido impacto na permanência do aluno na escola e menor distorção idade – série” (SOUZA, 2007; ALAVARSE, 2007, citado em ALVES FÁTIMA, 2009, p.11, grifo nosso) Aceito isso, pode se afirmar que, a permanência na escola e diminuição da distorção entre idade e série são avanços e conquistas importantes, contudo almeja-se buscar e melhorar a taxa de reprovação e o baixo desempenho escolar. Além de propor o indicador, o PDE definiu metas para 2022. Para que o Brasil consiga atingir um IDEB igual à nota 6,0, até 2022, para isso é necessária a quase total regularização do fluxo escolar e que o desempenho das escolas brasileiras melhore sensivelmente, de modo que em 2021, a escola brasileira mediana tenha desempenhos muito melhores e eficazes, que os atuais5 (ALVES, FÁTIMA, 2009, p.12). Analisados todos esses fatores e dados sobre o assunto das reprovações, respectivamente caracterizados nas organizações Seriadas e Cíclicas, ainda há controvérsias e questionamento sobre o assunto, é comum observar que as políticas de não reprovação implantadas pela organização cíclica nas redes de ensino Estadual e Municipal, sofrem grande resistência por parte de professores e técnicos em educação. A resistência também é grande por parte da sociedade e pelos pais, por associar que os alunos progridem nas séries e ciclos, mais em contrapartida o desempenho e a qualidade da educação ficam comprometidos – não atendendo assim, aos anseios da comunidade em geral, que espera uma educação de maior qualidade. Em virtude dessas circunstâncias, por vezes o trabalho dos professores e o desempenho dos mesmos, são afetados ou postos em dúvidas, sendo sujeitos a aprovarem alunos sem condições de progressão, interferindo e propiciando alterações no cotidiano escolar e também na evolução e continuidade dos conhecimentos e saberes construídos pelos alunos. 5 Disponível em <http://www.educacao.ufrj.br/revista/indice/.../org_ensino_fund.pdf> acesso em 05/09/2009 27 1.4 Os Ciclos de Escolarização (Município, Estado e PCN) Na rede Municipal do Recife, os ciclos de aprendizagem têm o seguinte formato: Educação Infantil. 1º Ciclo - 0 a 3 anos 2º Ciclo - 4 a 5 anos Ensino Fundamental. 1º Ciclo - 6 a 8 anos 2° Ciclo - 9 e 10 anos 3º Ciclo - 11 e 12 anos 4º Ciclo - a partir de 13 anos (SOUZA, JUNIOR, 2007, RECIFE, 2003, p. 157) Na Rede Estadual (adota a concepção Crítico - Superadora), tem o seguinte formato: 1º Ciclo - Pré-escola a 3ª série - Educação Infantil e Fundamental 2º Ciclo - 4ª a 6ª séries - Ensino Fundamental 3º Ciclo - 7ª a 8ª séries - Ensino Fundamental 4º Ciclo – 1ª, 2ª e 3ª séries - Ensino Médio (COLETIVO DE AUTORES, 1992) Especificação dos ciclos segundo os PCN 1º Ciclo - 1ª e 2ª séries - Ensino Fundamental 2º Ciclo - 3ª e 4ª séries - Ensino Fundamental 3º Ciclo - 5ª e 6ª séries - Ensino Fundamental 4º Ciclo - 7ª e 8ª séries - Ensino Fundamental 1ª 2ª e 3ª séries (PCN, 1997) - Ensino Médio. 28 1.5 Os Ciclos de Escolarização na Educação Física, propostas apontadas pelo livro: “Coletivo De Autores”. Concepção Crítico-Superadora, Rede Oficial de Ensino, PE. O Governo de Miguel Arraes (1987- 1990), através da Secretaria de Educação de Pernambuco apresentou uma nova proposta curricular de organização do pensamento sobre o conhecimento – para as escolas publicas. Objetivando adotar a Organização em Ciclos de aprendizagem na escolarização Básica, contrapondo-se ao sistema de organização Seriada, e a busca pela necessidade de rever ou superar seus conceitos e formas (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p.22) A perspectiva Crítico – Superadora é eleita pela Rede Pública Estadual de Ensino (oficial), que fundamenta e subsidia os princípios norteadores na elaboração dos currículos da escola. Na disciplina Educação Física. Embasado na atual política educacional do Estado de Pernambuco e suas intenções para o setor educacional. 6 Estabelecida como abordagem oficial do governo, analisar suas idéias e diretrizes para a educação é bastante relevante, pois a mesma conduz os caminhos da educação pública do estado. Como indica a abordagem Crítico – Superadora os conteúdos de ensino (nos ciclos de escolarização) são tratados simultaneamente, os conhecimentos e as referências ampliam-se no pensamento dos alunos de forma espiralada. Segundo Coletivo de Autores (1992), o aluno de forma crítica, constata, interpreta, compreende e explica os dados da realidade. Ao analisar suas propostas verificamos que a intenção é superar aos poucos o sistema de organização em Séries, os ciclos não se organizam por etapas (unidades, bi-mestre ou semestres), os alunos convivem com diferentes ciclos ao mesmo tempo, dependendo dos conteúdos ou dados que estejam sendo abordados. Os currículos no modelo Cíclico indicam: distribuição melhor dos conteúdos, agrupamento, aproximação, continuidade e espiralidade. Características da organização em Ciclos que já confrontamos e diferenciamos no capitulo passado. Podemos concluir então, na citação que será descrita abaixo, qual a principal proposta e intenção da concepção Crítico – Superadora e sua reflexão sobre a Cultura Corporal, através do currículo escolar (ciclos escolares), no âmbito da escola e da disciplina Educação Física, citam os autores que: “Desenvolver uma reflexão pedagógica sobre o acervo de formas de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da história, exteriorizadas pela expressão corporal: jogos, danças, lutas, exercícios ginásticos, esportes, malabarismos, contorcionismo, mímica e outros que podem ser identificados como 6 Texto resumido, do documento (TEXTO SUBSÍDIO PARA PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA: contribuições para elaboração da matriz curricular) SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO GOVERNO DE PERNAMBUCO 2008. (LORENZINI, ANA, et, al 2008) 29 formas de representação simbólica vividas pelo homem, historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas”. (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p.26) Como podemos identificar, a preocupação é desenvolver as manifestações da expressão corporal, construídas pelo homem através dos tempos e da história, ou seja, a cultura corporal, e seus conteúdos devem permear as aulas de Educação Física nos ciclos escolares. A seguir será feita a análise de como são distribuídos, caracterizados e quais atribuições são relevantes aos ciclos de aprendizagem proposto pelo livro Coletivo de Autores (eleito para subsidiar a rede oficial de ensino de Pernambuco) 1º Ciclo: Pré- Escola a 3ª série do fundamental- Organização da identidade dos dados da realidade, o aluno encontra-se em momento de síncrese, os dados aparecem de forma difusa. É função da escola e do professor organizar esses dados constatados e descritos pelo aluno para que o mesmo possa formar sistemas e relacionar: semelhanças e diferenças. 2º Ciclo: 4ª à 6ª séries do fundamental – Inicia-se a sistematização do conhecimento, confronto com os dados da realidade e o pensamento. São estabelecidas relações complexas e dependências, considerando o social. Salto qualitativo começa a estabelecer generalizações. 3º ciclo: 7ª e 8ª séries do ensino fundamental – È ampliado o referencial dos conceitos e conhecimentos. O aluno toma consciência da teoria e a leitura teórica da realidade. Salto qualitativo: Reorganiza e identifica os dados da realidade através do pensamento teórico. 4º Ciclo: 1ª, 2ª e 3ª séries do ensino médio – Aprofundamento da sistematização do conhecimento, reflexão sobre o objeto. O aluno começa a perceber compreender e explicar que há propriedades comuns e regulares nos objetos. Analisadas as caracterizações e peculiaridades de cada ciclo, o assunto assume e aponta para outra direção, tratando agora do projeto político pedagógico da escola e quais intenções ou direções seguir, diante disso o educador ou o professor embasado na concepção Crítico-Superadora, deixa claro e nítido qual o projeto de sociedade e de homem que acredita. Qual a classe social e interesses que defende. E quais valores, ética e moral procura desenvolver com sua prática pedagógica (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p.15). Ao definir sua posição, convicções e atitudes, o professor que atua abalizado na concepção proposta, ou pedagogia emergente denominada: Crítico-Superadora. Terão condutas protecionistas quanto às classes sociais mais populares e trabalhadoras, seus interesses sociais, educacionais e pedagógicos. Almejando transformar a sociedade e construindo a hegemonia popular (COLETIVO DE AUTORES, 1992 p. 14). Confrontando-se com as classes dominantes ou as elites, estabelecendo uma crise, conflito ou ideologias antagônicas. Crise esta que originou novas propostas pedagógicas educacionais, que estão em discussão (Ciclos e Séries). Percebesse que as questões políticas e os interesses das classes sociais trabalhadoras são enfatizados com grande conotação e destaque nesta concepção pedagógica. Os ideais e as abordagens didáticas e metodológicas que se pretende incutir e instigar nos professores, ao abraçar como proposta, uma escola pública de qualidade terá como referencia e características 30 o formato: “democrática, universal, gratuita, obrigatória, laica e unitária, resultado de um projeto coletivo e adequado em relação aos seus equipamentos materiais e espaços físicos” (Pimenta e Gonçalves, 1990:85-7) Avaliadas suas propostas (Concepção Crítico – Superadora), concluímos que a principal característica do currículo organizado em ciclos é a simultaneidade (COLETIVO DE AUTORES, 1992) a totalidade dos conhecimentos e conteúdos. Construídos historicamente pelo homem em todo mundo, incorporados e reavaliados constantemente dentro do contexto social e sua significação pedagógica. Este significado pedagógico é posto em reflexão na escola e deve atender as necessidades dos alunos dentro de sua condição econômica, realidade (mundo que vive e atua) e sua classe social. Discute essa perspectiva que outro fator preponderante ao selecionar os conteúdos e distribuí-los nos ciclos de aprendizagem é acompanhar a capacidade cognitiva dos alunos (individualidade biológica), ou seja, selecionar conteúdos que estejam adequados a realidadedinâmica e concreta do mundo do aluno (COLETIVO DE AUTORES, p.62) e seu potencial cognitivo. Com práticas coerentes respeitando suas experiências e conhecimentos dentro das possibilidades desenvolvidas e construídas com os saberes adquiridos, enquanto sujeito histórico. Há contrapontos que necessitam serem debatidos nessa perspectiva, como o principio curricular da simultaneidade dos conteúdos e os conhecimentos tratados nos ciclos escolares que são características importantes nesta abordagem pedagógica. O confronto com o etapismo ou unidades que são características da organização seriadas gera um conflito ou uma discussão quanto à distribuição dos conteúdos. Na organização seriada o aluno aprende os conteúdos dentro de uma sequência de conhecimentos: na 1ª série conteúdo A, na 2ª série conteúdo B e na 3ª série conteúdo C e assim sucessivamente, confrontando com a organização cíclica que seleciona os conteúdos e trata-os de uma forma que em todos os níveis escolares esses conteúdos evoluam de maneira espiralada e simultânea. COLETIVO DE AUTORES (1992, p.22.) afirma que: A fragmentação, a elasticidade, a unilateralidade, a terminalidade, a linearilidade e o etapismo, princípios da lógica formal, são nesta concepção de currículo ampliado, confrontados com os princípios da lógica dialética: totalidade, movimento, mudança qualitativa e contradição que informam os princípios curriculares aqui abordados. A partir da efetivação da Organização dos Ciclos de escolarização proposto pela concepção Crítico- Superadora. O professor terá subsídios, direções e possibilidades para elaborar, organizar, sistematizar e selecionar os conteúdos. Distribuir os conteúdos nos ciclos e no processo de aprendizagem de acordo com os critérios, características e fundamentações dessa concepção aqui abordada. Socializando e transpondo pedagogicamente aos alunos os conteúdos: Jogos, Danças, Ginástica, Esporte e Lutas. Fundamentado e seguindo a proposta do livro: Coletivo de autores. 31 Há mais pontos a tratar e discutir, entre eles, é relevante debater como essa concepção aborda o tempo pedagógico para o processo de apropriação do saber e dos conhecimentos e conteúdos, denominados nesta abordagem pedagógica de cultura corporal. Definidos (conteúdos) nos currículos escolares de Educação Física, entre eles: Jogos danças, esportes, ginástica e lutas; é possível observar que o tempo pedagógico ou o tempo escolar para transpor esses conteúdos e estruturá-los no programa de ensino será fundamentado em três princípios: 1) Quais os conteúdos tratados na disciplina. 2) Qual o tempo necessário para o processo de retenção do conhecimento. 3) Quais procedimentos metodológicos e didáticos para ensinar..(COLETIVO DE AUTORES,1992, p.41). Ainda quanto ao tempo pedagógico para aquisição de conteúdos e ao lançar os conteúdos da disciplina Educação Física nas séries, observamos que a ordem ou sequência dos conhecimentos não impõe rigor quanto a sua transposição didática como cita: Coletivo De Autores “Dizer ordem arbitrária significa que não há uma ordem rígida para organizar o programa, colocando primeiro o jogo, segundo a dança etc. O professor pode dar a ordem necessária aos interesses da turma ou também tratar deles simultaneamente.“ Coletivo De Autores (1992. p. 44). Concluso e ratificando assim a proposta curricular de organização (cíclica) do pensamento sobre o conhecimento (COLETIVO DE AUTORES, 1992). E o tratamento dado aos conteúdos (conhecimentos) de ensino, assim como os saberes escolares - são definidos dentro (Ciclos) de características como: simultaneidade, totalidade e espiralidade. 1.6 Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN, livro7, Educação Fundamental - 1º e 2º ciclos) e os Ciclos de escolarização. O mencionado documento intitulado de PCN serve como instrumento de apoio pedagógico para os professores. Permitem aos professores utilizá-lo como referência para elaborar planejamento de aulas, organizar e sistematizar conteúdos, auxiliar na escolha dos 32 critérios de avaliação, didáticas e metodologias de ensino. Respeitando a sua concepção pedagógica própria e a pluralidade cultural brasileira (PCN, 1997). A discussão sobre os ciclos de escolarização a luz dos Parâmetros Curriculares Nacionais torna-se relevante por ser este um documento utilizado pelos professores da rede pública Estadual e Municipal de ensino de Pernambuco e demais regiões do Brasil, assim posto, é relevante debatê-lo. Caracterizar a Organização escolar cíclica e seus princípios norteadores, diante das proposições apontadas pelos PCN, persistindo, se faz importante. Comumente utilizado pelos professores, os PCN não impõem obrigatoriedade, são flexíveis e adaptados à realidade de cada região, estas são algumas de suas especificidades (PCN 1997). Além disso, os PCN tratam as questões relativas ao processo de reorganização dos ciclos de escolarização descrevendo que os objetivos principais da organização cíclica são de: minimizar problemas de repetência, evasão escolar, flexibilização da seriação e respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos, PCN (livro 1, 1997) A seguir está caracterizada a maneira como se distribuem nas séries, e a configuração e estrutura dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino fundamental I - está organizado da seguinte forma: 1º CICLO 1ª e 2ª Séries 2º CICLO 3ª e 4ª Séries Quadro01 Especificação por Ciclos Vale ressaltar que no quadro acima é mencionado apenas os 1º e o 2º Ciclos do ensino fundamental por ser este o objeto de estudo da pesquisa. Abordaremos em seguida, como estão distribuídos os conteúdos no ensino fundamental, de acordo com os PCN, os mesmos, estão organizados nos ciclos de escolarização em blocos. Os PCN (1997, p.46), afirma: “Os conteúdos estão organizados em três blocos, que deverão ser desenvolvidos ao longo de todo o ensino fundamental, embora no presente documento sejam especificados apenas os conteúdos dos dois primeiros ciclos”. 33 O PCN e seus conteúdos se organizam em ciclos e tratam os conhecimentos de forma flexível e articulada. ”Os blocos de conteúdos articulam-se entre si, tem vários conteúdos em comum, mas guardam especificidades”. (PCN, 1997, p.46). Esportes, jogos, lutas e ginásticas Atividades rítmicas e expressivas Conhecimentos sobre o corpo Quadro 02 Blocos de Conteúdos Os conteúdos selecionados pelos PCN para os 1º e 2º Ciclos, citados acima, procuram demonstrar que para as crianças desta fase (6 a 11 anos) os conteúdos (blocos) devem ser desenvolvidos com caráter de: Ludicidade, brincadeiras, recreação. Espera-se também que desenvolvam as percepções (espaço-temporal) e habilidades motoras, que são capacidades, que devem ser desenvolvidas e permear as aulas de educação Física. Como pode ser observado em alguns parágrafos do documento. Sobre atividades lúdicas, jogos e brincadeiras apresentam os PCN que: “A possibilidade de vivência de situações de socialização e de desfrute de atividades lúdicas, sem caráter utilitário, são essenciais para a saúde” (PCN, livro7, p. 29). Como são observados também, os jogos como conteúdos da Educação Física, através dos PCN e ciclos de escolarização indicam, com respeito à questão da sociabilidade e do brincar que: ”Ocorre uma ampliação da capacidade de brincar: além dos jogos de caráter simbólicos, nos quais as fantasias e os interesses pessoais prevalecem, as crianças começam a praticar jogos coletivos com regras, nos quais tem de se ajustar às restrições de movimentos e interesses pessoais”. (PCN, 1997, p.60). Discutem os PCN que nos ciclos (1ª ao 5º ano) às brincadeiras incluem-se nos conteúdos jogos como: brincadeiras regionais, os jogos de salão, de mesa, de tabuleiro, de rua e as brincadeiras infantis de modo geral. PCN (1997, p.49). Em relação às percepções e esquema corporal o PCN, cita: “Os alunos podem fazer análises simples, percebendo a própria postura e os movimentos em diferentes situações do cotidiano buscando encontrar aqueles mais adequados a cada momento. Todas essas 34 proposições e afirmações citadas no documento, supostamente apresentam benefícios e aspectos relevantes ao tratar da Educação Física nos primeiros ciclos. Ainda quanto às percepções, e para confirmar sua importância, e necessidade de serem trabalhadas, para os PCN (1997, p.73). A construção das noções de espaço e tempo se desenvolverá em conjunto com as aquisições feitas no plano motor, auxiliando, assim, as crianças ampliarem seus esquemas corporais. Foi verificado também que nos conteúdos tratados pelos PCN, as habilidades motoras e capacidades físicas se caracterizam por: estarem contextualizadas em situações significativas e não ser transformados em exercícios mecânicos e automatizados. PCN (1997, p. 62), atendendo assim, as necessidades de movimento das crianças – é o que se acredita. Quanto às expectativas da formação integral do aluno, o bloco de conteúdos dos PCN busca inter-relacionar o caráter da ludicidade, das brincadeiras, das habilidades motoras e das percepções, vinculadas à experiência prática dos alunos, considerando-o como um todo no qual aspectos cognitivos, afetivos e corporais estejam presentes em todas as situações. PCN (1997, p.33). Em suma e concluindo as análises e características, dos PCN, e pontuando que ao fazer a adoção em Organização Cíclica, para os primeiros anos escolares – sugerem os PCN que: “pela flexibilidade que permite, possibilita trabalhar melhor com as diferenças e está plenamente coerente com os fundamentos psicopedagógicos, com a concepção de conhecimentos e da função da escola que estão explicitados no item Fundamentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais” PCN (livro1, 1997, p.61) Finalizando a síntese, de como aborda os conteúdos dentro dos ciclos escolares, no Ensino Fundamental, através do documento intitulado PCN, está posto no parágrafo abaixo uma menção do Ministro da Educação e do Desporto, referente ao documento. “Neste sentido, o propósito do Ministério da Educação e do Desporto, ao consolidar os Parâmetros, é apontar metas de qualidade que ajudem o aluno a enfrentar o mundo atual como cidadão participativo, reflexivo e autônomo, conhecedor de seus direitos e deveres” Paulo Renato Souza – Ministro da Educação e do Desporto (PCN, livro 7, 1997). 35 CAPÍTULO II - Metodologia 2.1 Justificativas Aguçada a preocupação, as dúvidas e as inquietações quanto à Educação Física Escolar, seus significados, objetivos e importância, como componente curricular obrigatório nas escolas - além das matérias clássicas fundadas na cultura letrada como: matemática, ciências, línguas... Despertam interesses e nos motivam a construir um objeto de investigação significante voltado para a área de Educação - especificamente a Educação Física Escolar - e constituir o tema em um problema expressivo com fundamentação teórica, e produto de nossa experiência profissional ao longo do magistério. Procurando atribuir relevância e elevar o status desse objeto, validando esse estudo, no aspecto pessoal, social, político e acadêmico, conforme orienta SOUZA, EDILSON7 (2009, p.10). Designadamente o objeto investigativo, abordado nessa pesquisa - a Educação Física no 1º e 2º ciclos escolares - tratará dos propósitos, importâncias, finalidades e objetivos, quanto ao 1º e 2º Ciclos de escolarização (1º ao 5º ano) do Ensino Fundamental. Direcionado e análogo, especificamente as práticas pedagógicas da Escola Nova Divinéa como referência do estudo, escola está que pertence a Rede Pública Estadual de Ensino (PE). Moreira, Pereira e Lopes (2009) são os autores que abrem, através de seus conceitos, e fundamentam as primeiras justificativas. Após e diante das prerrogativas citadas nos parágrafos acima, os autores apontam sobre o objeto a ser estudado, e afirmam que: “A Educação Física Infantil deveria ser uma das maiores preocupações das instituições educacionais, uma vez que é nela que a criança deverá ter o start, o início na descoberta e exploração do mundo que a cerca” (p.120, grifo nosso). Ainda tratando do objeto, e abalizando os propósitos, e razões quanto à importância da Educação Física Infantil no Ensino Fundamental, ou Educação Básica (1º e 2º ciclos) - João Batista Freire (1994, p. 80 e 81), alega e afirma sobre a relevância da disciplina, que: “todos – tanto os professores de Educação Física como os demais - são unânimes em afirmá-la”. 7 Disponível no livro: Histórias e memórias da educação em Pernambuco/ organizador Edilson Fernandes de Souza (Professor, Drº. da Universidade Federal de Pernambuco, Professor do programa de Pós – Graduação em Educação da UFPE, e desenvolve pesquisa e orientação no núcleo de teoria e História). – Recife: 2009. UFPE. 36 Por estar envolvido nesse contexto (atividades físicas e esportes) há muito tempo, e as experiências próprias na área, a principal razão e justificativa para realizar a pesquisa, residem no fato de ponderarmos que a Educação Física, revela-se como uma das disciplinas mais significativas no âmbito escolar, enquanto componente curricular obrigatório nas escolas, e não, uma mera atividade da prática pela prática. Perante isso, buscamos desvendar, como procedem as possibilidades educativas da Educação Física, em particular no Ensino Fundamental I, e na escola da Rede Pública de Ensino, Nova Divinéa - suas abordagens pedagógicas, e construção expressiva de seus conteúdos, buscando debater os proveitos dessa disciplina na Educação Infantil. A Educação Física é uma disciplina diferenciada, em comparação com as outras disciplinas do currículo, por algumas razões, como: comumente as aulas são fora do ambiente de sala de aula (habitualmente realizadas em quadras, ginásios, pátios, salas de ginásticas, campos, etc..), o que não impede sua realização nas salas de aula, e trabalhar corpo e mente, assim como, as outras disciplinas também podem fazer. Não desconsiderando, mas ressaltando que cada disciplina tem suas especificidades. Essa disciplina por sua vez, proporciona em seus conteúdos e conhecimentos, aprendizagens relevantes (motoras, cognitivas e afetivas) indispensáveis e fundamentais para esse nível e faixa etária de escolarização das crianças (1º ao 5º ano/6 a 12 anos, aproximadamente), fase em que as crianças estão construindo e desenvolvendo as habilidades motoras e psicomotoras, esquema corporal, estruturação temporal e espacial, e noções de lateralidade... Inseridas no contexto lúdico, do jogo e do brincar – característica particular dessa faixa etária - enfim, o potencial motriz, afetivo e cognitivo é muito acentuado e estimulado nessa fase infantil. Para fundamentar esse parágrafo, Daolio (2004), afirma: (...) em João batista freire, o conceito de desenvolvimento é, sem dúvida, ampliado, uma vez que o autor sem negar o aspecto motor, ressalta o desenvolvimento cognitivo e afetivo (p. 63, grifo nosso). (...) o autor enfatiza como tarefa da educação física o desenvolvimento das habilidades motoras, porém num contexto de jogo e de brinquedo, desenvolvidas a partir do universo da cultura infantil que a criança possui (p.24, grifo nosso). (...) Segundo ele um planejamento de educação física deve partir do universo lúdico tão familiar à criança (p.63, grifo nosso). Para confirmar os argumentos e conceitos que estão sendo citados, e referenciados, e avançar, buscaremos mais subsídios e informações para embasar a pesquisa. João Batista Freire (1994) traz mais uma contribuição que pode supostamente colaborar nas justificativas, 37 quanto à importância da disciplina ao tratar do desenvolvimento e das benesses da Educação Física nas primeiras séries de escolarização, declara o autor que: Pois uma coisa é o inquestionável benefício da atividade física no desenvolvimento de uma criança; outra é verificar como esse benefício acontece dentro da escola. As atividades da escola não são exatamente as mesmas que as crianças fazem fora dela – as linguagens adquirem, então, conotações específicas. (p.81. grifo nosso). Mais produções necessitam ser analisadas para fundamentar, e justificar o trabalho, entre essas produções, estão Matos e Neira (2009), afirmam os autores que nessa etapa do desenvolvimento da inteligência (06 a 08 anos), o sujeito apresenta ainda uma grande dependência das “ações físicas”, inclusive porque o pensamento permanecerá sendo precedido por elas, em qualquer situação. Sobre a dependência das “ações físicas” - João Batista Freire (1994, p.76), ressalta que: “na primeira infância, a ação corporal ainda predomina sobre a ação mental. A criança apenas começou a aprender a pensar, quando, em ação corporal, já deveria ser especialista”. Considerando o pressuposto e fato, que a Educação Física é indispensável às crianças. Externasse o pensamento que se hipoteticamente as crianças experimentarem ou vivenciarem aulas de Educação Física no 1º e 2º ciclos, terão uma base, formação (desenvolvimento motor) ou ainda um embasamento de conhecimentos significativos para desenvolver, que servirão para o prosseguimento de conteúdos e habilidades no transcorrer de sua vida escolar, e também, na vida fora da escola. Correlacionados com a alfabetização, por exemplo: quem tiver uma boa base, qualidade ao aprender, a ler, e escrever terá mais chances de prosperar na vida escolar. Afirma João Batista Freire (1994, p.112, grifo nosso) que: “Além de constituir um importante alicerce para a cultura adulta, as atividades culturais infantis comportam um espaço livre de pressões adultas para o exercício de componentes não “bem- aceitos” pelos mais velhos”. Ainda no campo das conjecturas e do empirismo, é pressuposto que, o aluno que teve a chance de conhecer e desempenhar (vivenciar) os conteúdos da Educação Física no 1º e 2º ciclos, ao chegar no 3º e 4º ciclos sentirá menos dificuldades que aqueles que não tiveram experiência com as práticas da Educação Física. Concomitantemente a essa idéia, Freire (1994) afirma que, os alunos que tiverem a oportunidade de tomarem parte dessas aulas, poderão ter mais benefícios quanto aos conhecimentos da disciplina, do que aqueles que não tiverem essa oportunidade. Dentro desse contexto que discute o acesso as aulas de Educação Física, a continuidade e progressão de conteúdos, já foi debatido no capitulo que trata da 38 Organização em séries e em Ciclos, e é importante abordar que, segundo Agnes Dulcinéia,et.al (2009) a Organização Cíclica, em um de seus objetivos, cita a continuidade dos conteúdos como importante para o desenvolvimento individual dos alunos, esse desenvolvimento se processa continuamente, e deve ser respeitado - característica importante da Organização em Ciclos. Abalizados os conceitos e raciocínios que fundamentam e justificam a pesquisa, em virtude das opiniões e propostas apresentadas até agora, nos levam a crer que estar baseado em autores especialistas na área é essencial. Entre esses especialistas, Moreira, Pereira e Lopes (2009), discutem sobre a temática, e a significância do prosseguimento e continuidade de seus conteúdos, como também, ganhos futuros para a vida dos alunos, através das práticas desenvolvidas nas escolas, que: As práticas desenvolvidas nas aulas de Educação Física Escolar para crianças de até 10 anos de idade, correspondem às experiências essenciais para a solidificação dos aspectos primordiais constituintes da vida futura dos alunos, portanto, quanto melhor forem organizados, mais significativos serão (p.116). Mais uma justificativa, que nos instigam a realizar essa pesquisa, está na preocupação e inquietação, quanto ao fato do pouco interesse e procura por parte dos professores da Rede Pública de Pernambuco em lecionar Educação Física no 1º e 2º ciclos escolares8. Uma grande parte dos professores da Rede Pública de Ensino opta por lecionar para as turmas do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e Ensino Médio. Estando então a Educação Física inserida no currículo escolar, CAPARROZ (2007) questiona que contribuição a Educação Física tem trazido na perspectiva de lhe conferir uma identidade e legitimidade enquanto componente curricular nas escolas - compondo mais uma disciplina da grade curricular - a Educação Física decididamente ingressou na escola – e ao entrar na escola, e mais especificamente nos primeiros ciclos escolares, motiva e aguça a intenção do estudo que é investigar a importância da Educação Física nos ciclos. Souza Junior (2007, p.82), afirma que: “num sentido geral e abstrato, que o componente currículo representa a dimensão cultural e cognitiva do ensino, englobando, seus 8 Uma prova e fundamentação dessa realidade podem ser mensuradas, na turma de Pós – Graduação de Especialização em Educação Física Escolar, em curso na Universidade Federal de Pernambuco, 2009 – em um universo de 44 alunos (professores), apenas 02 lecionam para esse nível escolar. Dados obtidos na Gerência Regional de Educação Metropolitana Sul (GRE Metro- sul), vinculada à Secretaria de Educação de Pernambuco (SEDUCE- PE), onde está situada essa escola, informam que: existe mais de 100 escolas no GRE METRO-SUL, só que menos de 10% dessas escolas oferecem ou possuem em seus quadros, professores dessa disciplina interessados e dispostos em lecionar aulas para esse grau escolar. 39 conteúdos, saberes, competências, símbolos e valores”. Caparroz (2007, p.77), por sua vez, considera que “a expressão componente curricular é sinônima de matéria escolar, matéria de ensino e identifica os conteúdos do currículo”. A partir de todas essas justificativas, considerações, e confirmando que a Educação Física está institucionalizada como componente curricular, e faz parte do currículo como disciplina indispensável nas escolas, retorno ao assunto sobre a preocupação, as competências e a “importância da Educação Física Escolar” – com o intento de investigar e discutir de que maneira tem sido tratada a Educação Física nas escolas públicas, quais conteúdos são pertinentes a faixa etária em questão, quais objetivos alcançar, o que ensinar e como ensinar. Essas parecem ser algumas preocupações importantes dessa área do conhecimento, assim como, qual sua relevância enquanto disciplina do componente curricular – definindo e persistindo no fato de ter a Educação Física no 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental como objeto de estudo a ser desenvolvido em nosso trabalho e pesquisa. A fundamentação teórica central de análise, que discute a Educação Física como componente curricular importante nas escolas públicas estará fundada na obra do professor João Batista Freire9 – Educação de Corpo Inteiro (1994). Embasar o trabalho neste autor é relevante por tratar especificamente da temática, como também, o objeto de investigação (1º e 2º Ciclos escolares), relacionando o desenvolvimento das habilidades motoras das crianças através das práticas pedagógicas, voltado para o Ensino Fundamental Infantil (1º ao 5º ano) – um professor que exige que se respeite a atividade da criança. Agrupado a esse referencial teórico embasamos o estudo nas propostas de Evandro Carlos Moreira10 e Vilma Leni Nista- Piccolo11- O Quê e Como Ensinar Educação Física na Escola (2009), onde a idéia básica é a busca da legitimidade da Educação Física, e uma 9 João Batista Freire – licenciado em Educação Física pela Faculdade de Educação Física de Santo André, Doutor em Psicologia Escolar na USP – No seu livro Educação de Corpo Inteiro – debate a teoria e prática da Educação Física na infância (1º ao 5º ano). 10 Evandro Carlos Moreira, licenciado em Educação Física – Faculdades Integradas de Santo André/ FEFISA, Doutor em Educação Física – UNICAMP. Em seu livro “O quê e como ensinar Educação Física na Escola”, trata da legitimação da Educação Física e seu valor no processo formativo. 11 Vilma Leni Nista – Piccolo, licenciada em Educação Física – Pontifícia Universidade Católica de Campinas / PUCCAMP, Doutora em Psicologia Educacional – Universidade Estadual de Campinas/ UNICAMP, organizou e construiu a obra “O quê e como ensinar Educação Física na Escola”, que trata da legitimação da Educação Física e seu valor no processo formativo. 40 Educação Física de valor no processo formativo, que transcenda a prática pela prática e que corresponda ao processo educacional como um todo. Para confirmar a inclusão da disciplina nos currículos, vamos nos ater a lei, está determinada na legislação brasileira, especificamente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LBDEN - Lei nº 9.39412 de dezembro de 1996, que a Educação Física é componente curricular da Educação Básica. Imposta por vias legais necessita ser legitimada e como diz Souza Junior (2007, p.90) “superar o status de marginalidade assumido e dedicado à Educação Física no interior do currículo escolar e procurar seu reconhecimento por meio de uma prática pedagógica que permita o cumprimento do papel da Educação Física no âmbito escolar”. Ainda quanto à problemática de legitimar, superar status de marginalidade e valorização da disciplina Educação Física e suas implicações, Toledo, Velardi e Nista – Piccolo (2009) cita que: “Alguns estudiosos sobre o assunto dizem que o desafio maior é encontrar meios para promover a Educação Física diante das outras áreas”. (p. 21) Se compararmos a Educação Física com as outras disciplinas, ou traçar paralelos, é notório observar que a Educação Física, possui interesses comuns às demais disciplinas; e esses interesses, são procurar atingir objetivos e funções que possibilitem desenvolver as potencialidades e formação do ser humano, destaca (GALLARDO; OLIVEIRA, 1998) 13 . Revelar a significância da Educação Física na escola e alocá-la em patamares e status mais elevados, são motores, motivos e justificativas para impulsionar os avanços e pesquisas quanto a esse objeto – as aulas de Educação Física, no Ensino Fundamental - a ser desenvolvido e discutido por intelectuais, especialistas e estudiosos da área, e o mais significante, valorizarem e validarem sua importância nos currículos escolares. Em relação ainda a comparação as demais disciplinas, especificamente no ensino básico e Fundamental, ou autores Freire e Scaglia (2003, apud, Moreira, Pereira e Lopes, 2009) entendem que: para atingir este status e equipararem-se as demais disciplinas “é necessário identificar, definir e explicitar o quê se ensina, pois enquanto não tiver um discurso coerente e convincente, permanecerá nesse estado atual de marginalidade e diferenças. (p.119, grifo nosso). 12 BRASIL, Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação, Nacional, in diário Oficial da União, Ano CXXXIV, nº 248, 23.12.96. 13 Autores do livro: “Didática de Educação Física”, que trata da criança em movimento, o jogo, prazer e transformação, São Paulo, 1998. 41 Como justificativa pessoal e motivo para realizar essa pesquisa, destaco o interesse em abordar o tema e desenvolver um estudo nessa área (Educação Física – 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental), porque sou professor da Escola Nova Divinéa há dezessete anos, e acredito que um dos principais objetivos da Educação Física nesses ciclos, é propiciar a educação e a aprendizagem de seus conteúdos pelo movimento das crianças – como meio e fim pedagógicos - o desenvolvimento das capacidades motoras e psicomotoras (Concepção Psicomotora) 14 . Perseverando no motivo particular para realizar o trabalho, enfatizo a intenção de discutir a real importância da Educação Física nesse ciclo escolar, fundamentado nessa concepção, onde a idéia é o desenvolvimento das crianças, através das habilidades motoras, embasado na abordagem de João Batista Freire (1994), que afirma: As habilidades motoras precisam ser desenvolvidas sem dúvida, mas devem estar claro quais serão as consequências disso do ponto de vista cognitivo, social e afetivo. Sem se tornar uma disciplina auxiliar de outras, a atividade da Educação Física precisa garantir que, de fato as ações físicas e as noções lógico-matemáticas que a criança usará nas atividades escolares e fora da escola possam se estruturar adequadamente. (p.24, grifo nosso) Como já foi discutido anteriormente são poucas ou raras as escolas públicas da Rede Estadual que oferecem a disciplina Educação Física no 1º e 2º ciclos escolares. Ter a oportunidade ou acesso aos conhecimentos dessa disciplina traria benefícios, ou não, as crianças de 06 a 10 anos de idade? A discussão dessa pergunta fundamenta mais uma razão e motivo para abordar e debater se é ou não indispensável ter aulas de Educação Física nestes ciclos escolares. Supostamente as crianças que tiverem oportunidade de ter os conteúdos da disciplina nesses ciclos poderão ter conhecimentos prévios da disciplina ao chegar aos outros ciclos escolares, como também potencializando e desenvolvendo as habilidades motoras, cognitivas e afetivas, ratificando o pensamento de João Batista freire (1994), que ao se posicionar e tratar sobre o assunto afirma que “se tiver a oportunidade de participar dessas aulas será melhor do que ficar sem elas” (Freire, 1989, apud Moreira, Nista- Piccolo, 2009, p.112) A propósito de ter acesso as aulas de Educação Física e seus respectivos benefícios Nista-Picocolo, et.al (2009) defendem que “Quanto maior e melhor o aproveitamento de um conhecimento, maior serão as possibilidades de apropriação dele para situações, dentro e fora da escola” (p.51). Nesse caso os conhecimentos aos quais se pretende desenvolver, e 14 Concepção Psicomotora: Que tem no desenvolvimento motor e no desenvolvimento das habilidades motoras sua principal particularidade e finalidade, considerando isto a base de qualquer conhecimento – sem precisar impor às crianças uma linguagem corporal que lhe é estranha. 42 acrescentar a educação das crianças são os conteúdos da disciplina, direcionados para crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Estando oficialmente a disciplina incluída no currículo, e dessa forma, com condições de oferecer seus conteúdos e acrescimentos às crianças, constitui dizer que o respeito às características biológicas e o desenvolvimento motor devem ser respeitados, postos em prática e ampliados, sendo este, um dos objetivos importantes da disciplina, e mais um aspecto importante, que se espera da disciplina, e que se justifique, releve, fortaleça e ponham a Educação Física em lugar de destaque nos currículos escolares. Prosseguindo com o raciocínio desses autores (Nista - Picollo e Toledo, 2009) eles destacam que: os procedimentos gerais ou específicos da disciplina possuem dois componentes complementares que são o motriz e o cognitivo, esses componentes identificam-se como ações internas e externas, baseadas em destrezas motoras e habilidades ou estratégias cognitivas, respectivamente, nunca excludentes (p.51). Incluir a disciplina Educação Física no currículo escolar parece ser tão importante quanto abranger as outras disciplinas do currículo como a História, a matemática, as línguas, entre outras, isso quer dizer que todas as disciplinas possuem sua importância e seu significado no currículo escolar. Cabe aos professores dar a dimensão e a relevância quanto às necessidades das crianças e jovens em sua formação. Vieira (1999) considera ser necessário a todos os professores ter de forma clara e definida a especificidade de cada área, em proporções equivalentes, e em todas as disciplinas – especificamente nesse estudo a Educação Física - para auxiliar, significativamente na formação do futuro cidadão. Averiguado o que foi dito por vários especialistas da área, na esfera da Educação Física Escolar (1º e 2º ciclos), a intenção é intensificar as discussões formadas e fundamentadas pelo meio acadêmico especializado (bibliografia) a respeito do tema em estudo, e confrontar, relacionar e comparar com a prática pedagógica realizada e desenvolvida na Escola Nova Divinéa, onde a intenção é desenvolver as práticas pedagógicas alinhavadas à Concepção Psicomotora, fundada na obra: Educação de Corpo Inteiro, de João Batista Freire (1994) Acreditando assim, que os professores que lecionam Educação Física no Ensino Fundamental (1º e 2º ciclos) devem sempre estar estimulados e instigados a refletir, defender, destacar e avançar nas discussões acerca da importância das aulas de Educação Física para crianças nessa etapa de escolarização, visto que são poucas as escolas que oferecem a 43 disciplina nessa fase escolar no ensino público estadual (PE), como já foi discutido antes. Diminuindo assim o campo de trabalho para os professores nessa área. E principalmente porque o tema já vem sendo discutido e abordado por diversos autores e analisado pela literatura especifica, conforme atesta Edilson Souza (2009, p.13) “Parece contraditório, mas uma pesquisa científica pressupõe sempre uma memória do que já foi dito sobre o tema.” Justificasse nessa pesquisa, e através da mesma, destacar as competências e a importância da Educação Física nos domínios e espaços formais de educação (escolas), onde as práticas da referida disciplina se sucedem, esse é um dos intuitos ao qual se pretende investigar e discutir. Portanto ao colocar em evidência, e situar o local onde se realizam as práticas pedagógicas de Educação Física nessa escola (Escola nova Divinéa) - estabelecerá um elo ou uma interligação, entre a prática pedagógica da escola e as teorias, concepções e fundamentações das produções acadêmicas especializadas publicadas, e mais conceituadas da literatura específica. Toledo, Velardi e Nista - Piccolo (2009) declara que os estudos das práticas pedagógicas em seu espaço de concretude, possibilitem: Escrever sobre fatos do cotidiano da escola exige um conhecimento mais aprofundado sobre aspectos que acontecem no ambiente escolar, ou seja, que se tenha vivenciado esse espaço educacional. Para identificar quais obstáculos que impedem a sua dinâmica, é preciso mais do que isso, pois é imprescindível estudar suas possibilidades, analisar suas necessidades e interpretar o seu contexto (p.21) Outro aspecto posto em discussão, e motivo para se ter precaução e prudência por parte dos professores, reside no pressuposto que a Educação Infantil ou as primeiras séries do Ensino Fundamental é o primeiro contato e a primeira experiência das crianças com a disciplina Educação Física, possivelmente as reações, retenções e rejeições dos alunos serão de responsabilidade do professor que coordenara as primeiras atividades e transposições didáticas de conteúdos para essas crianças em forma de aula de Educação Física, ou seja, os primeiros encaminhamentos pedagógicos – selecionados e sistematizados - o “start” da disciplina Educação Física com intervenção do professor. Carlos Moreira (2009) considera que: a Educação Infantil e as primeiras séries do Ensino fundamental não devem ser o momento de preparação e iniciação de manifestações culturais esportivas, mas o local para a formação corporal suficiente adequada para que o indivíduo, dentro de suas condições, escolha a forma como quer movimentar-se. (p.119) 44 Isso expressa que a preocupação com os conteúdos a serem selecionados e sistematizados15, garantirá ou não o sucesso das práticas pedagógicas nas primeiras séries dos Ciclos de escolarização. O comprometimento e a competência do professor serão fundamentais para o sucesso dos saberes construídos pedagogicamente. Confirmando esse raciocínio, e fundamentando quais podem ser os principais desafios do professor, Toledo, Velardi e Nista – Picoolo (2009), afirmam que; O desafio maior do professor é mudar a visão sobre os potenciais da criança. É o professor que precisa instrumentalizar este processo de transmissão do saber, tornando-o relevante para a vida dos alunos. É ele que deve se preocupar com o oferecimento de propostas que atendam às necessidades básicas de movimento do aluno e desenvolver os conteúdos adequados á faixa etária com que trabalha, sem estar em descompasso com os conhecimentos e as expectativas deles, e com seus ideais (p.23) Ao debater sobre os primeiros contatos com a disciplina e os conteúdos a serem selecionados e sistematizados, é preciso ter cuidados e saber distribuir os devidos conteúdos as faixas etárias, e aplicá-los de maneira adequada, Oliveira (2004) afirma que; é necessário compreender com urgência, que a Educação Física adota na escola um perfil pedagógico formativo e informativo, independente da faixa etária a que se aplica. Formativa, pois favorece o desenvolvimento biopsicossocial do individuo, informativa , uma vez que contribui para a compreensão de elementos ligados à transmissão e produção do conhecimento relacionado ao movimento, objeto de estudo da disciplina ( Oliveira 2004, apud, Moreira, Pereira, Lopes, 2009, p.119- 120) Selecionados, organizados e aplicados os conteúdos de maneira apropriada e com intenções específicas de atender às necessidades das crianças, Souza Junior (2007) diz que será possível proporcionar às mesmas um aprendizado mais elaborado e reflexivo sobre as dimensões da cultura humana e as experiências corporais pessoais.16 15 Go Tani (1988) defende a idéia de que, na Educação Física escolar, seu conteúdo deve ser proposto obedecendo a uma seqüência normal existente nos processos de crescimento, desenvolvimento e aprendizagem motora, e cabe ao professor orientar e sistematizar o seu ensino, respeitando as características inerentes a cada faixa etária. Soares et al. (1992), na elaboração dos ciclos de escolarização, demonstraram sua preocupações na organização, sistematização e distribuição dos conteúdos dentro do tempo pedagogicamente necessário para o aprendizado, não se vinculando a etapas de ensino, pois os autores compreendem que é possível trabalhar com ciclos diferentes ao mesmo tempo. (PAES, 1996, p. 57). A compreensão das concepções pedagógicas é fundamental para a concretização do procedimento de seleção, organização e sistematização dos conteúdos a serem tematizados e transpostos didaticamente em formato de aulas, aos alunos (BRACHT, 2005 e SAVIANI, 2007) 16 As experiências corporais pessoais são aquelas desenvolvidas a partir do universo da cultura infantil que a criança possui, preservando a tradição de jogos e brinquedos corporais presentes nas crianças, sem precisar impor às crianças uma linguagem corporal que lhe é estranha. As habilidades, jogos ou brinquedos, desenvolvidos fora da escola, são diferentes dos desenvolvidos nas aulas de educação física, nesse caso, haverá intervenção pedagógica e objetivos determinados. Os PCN, sobre experiências corporais pessoais, enfatizam que ao ingressar na escola, as crianças já tem uma série de conhecimentos sobre o movimento e o corpo, frutos de experiência pessoal, das vivências dentro do grupo social em que estão inseridas e das informações veiculadas pelos meios de comunicação. 45 Finalizadas as justificativas quanto à importância da Educação Física nos primeiros ciclos escolares, e os motivos que nos levaram a realizar essa pesquisa, é relevante analisar como a concepção oficial do Governo Estadual aborda a temática. Quando tratamos de conteúdos, sua organização e sistematização são importantes e justificáveis discutirmos a perspectiva Crítico – Superadora por ser esta a abordagem pedagógica eleita para subsidiar e direcionar os princípios norteadores da Educação Física na Rede Estadual Oficial de Ensino de Pernambuco17. A perspectiva Crítico – Superadora ao inserir o modelo dos Ciclos, caracterizá-los e distribuí-los nas séries, e no currículo escolar através de sua política pedagógica educacional, busca condições para que o sistema de seriação seja totalmente superado como sugere o Coletivo de Autores (1992, p.23). Apresentando, para tanto, um estudo detalhado dos ciclos de escolarização. A importância de discorrer, caracterizar e distinguir a distribuição das séries nos Ciclos de escolarização propostas pelo livro Coletivo de Autores (1992) é fundamental, por ser este o objeto de estudo em pauta. Haverá um capítulo (A Organização em Ciclos e Séries) que tratará especificamente da Organização em Ciclos - debateremos as origens dos ciclos e confrontaremos a Organização Cíclica versus Organização Seriada – assim como, já especificamos anteriormente, discutiremos os Ciclos de escolarização na Educação Física a partir das propostas apontadas pelo livro Coletivo de Autores. Outro ponto em comum e presente, quando tratamos da Educação Física nos ciclos escolares, é o caráter da ludicidade - brincadeiras e recreação - aspectos inerentes a cultura infantil e marcadamente intrínseca a essa fase de desenvolvimento – o lúdico – ao versar sobre o tema: Ciclos Escolares na Educação Física do Ensino Fundamental, as brincadeiras, a diversão, a ludicidade e a recreação são características que iram permear está fase de desenvolvimento das crianças e que tornasse relevante ser discutido. Para abalizar o parágrafo acima, João Batista Freire (1994) cita que: Sendo assim, não faz sentido escolher-se aleatoriamente qualquer atividade para na hora da Educação Física, divertir a criança. O aspecto diversão é obrigatório numa aula de Educação Física, mas as atividades devem ser 17 O Governo de Miguel Arraes (1987-1990), através da Secretaria de Educação, apresentou uma nova proposta curricular de organização do pensamento sobre o conhecimento. Representando um esforço de teorização, da organização curricular em Ciclos de Escolarização Básica e aponta para a necessidade de rever o sistema de seriação. 46 escolhidas, entre outros motivos, porque o professor é capaz de compreender seus efeitos sobre o desenvolvimento. Se puder fazer isso, ele será capaz de variá-la, de modo à sempre acrescentar ao aprendido algo que ainda não o foi. (p, 135, grifo nosso) Um dos fatores característicos e importantes que está ligado inteiramente às crianças é o “brincar”, direcionando as propostas e metodologias de aula ao Lúdico, que devem estar alinhados aos conteúdos e a mediação do professor. Toledo, Eliana (2009) sobre o assunto afirma: “A busca de situações prazerosas é o ponto chave, que norteia o direcionamento dos conteúdos e a maneira de desenvolvê-los”. (p.91) Justificando nossa atenção e ênfase para o tema “Ludicidade”, e fundamentando esse pensamento, Giovanina Olivier (2003), declara que: Reconhecer o lúdico é reconhecer a especificidade da infância; permitir que as crianças sejam crianças e vivam como crianças; é ocupar-se do presente, porque o futuro dele decorre; é redescobrir a corporeidade ao invés de dicotomizar o homem em corpo e alma. (p.23 e 24) Suposto que o desenvolvimento humano e especificamente o das crianças deve atender a todas as dimensões e formação integral, quanto a aspectos físicos, cognitivos, afetivos, sociais, motores – isso significa dizer que a Educação Física justifica sua inclusão no currículo escolar por trabalhar corpo e mente – enquanto as outras disciplinas priorizam mais a mente (cognitivo). João Batista Freie (1994) descreve sobre a dicotomização entre corpo e alma, que ao ingressar na escola o aluno deve ser matriculado cognitivamente (mente) e também matricular o seu corpo. Acredita o autor que a Educação Física deve se preocupar com uma educação de corpo inteiro. 2.2 Ação Investigativa O presente trabalho foi organizado adotando uma abordagem qualitativa de pesquisa, as técnicas e procedimentos utilizados estão compostos pelos seguintes métodos: método de procedimento descritivo, método de procedimento bibliográfico e método de estudo de caso. A maior parte da investigação foi descritiva, e com características de uma análise bibliográfica. A opção de usar o método descritivo e o método bibliográfico foi escolhida por ser o procedimento que reúne as melhores possibilidades e condições de realizar o trabalho, e oferece recursos que permitiram facilitar a obtenção de fontes e dados precisos sobre a temática, assim como, esse método facilita o acesso aos livros, textos, dissertações, teses e outros. Esses documentos estão disponíveis em bibliotecas e internet, favorecendo e simplificando a logística quanto a: consultas, informações, pesquisas e documentos. Como 47 fonte de dados e informações foram selecionadas produções da literatura pedagógica da Educação Física, que apresentassem de forma direta e especificas propostas sobre a importância da Educação Física nos primeiros ciclos escolares do ensino fundamental. Para fundamentar a escolha desse método, Mattos, Rossetto e Blecher afirmam que: O método bibliográfico procura explicar um problema a partir de referências teóricas e/ou revisão de literatura de obras e documentos. Em qualquer pesquisa, exige-se revisão de literatura, que permite conhecer, compreender e analisar os conhecimentos culturais e científicos sobre o assunto, tema ou problema investigado. Pode ser realizada de forma independente, constituindo uma pesquisa cientifica. (2008, p.38) A seleção do material bibliográfico (revisão de literatura), que serviu como fonte dos dados da pesquisa a ser investigada, partiu de escolhas fundamentadas em autores que trouxessem informações significativas e expressivas em: opiniões, idéias, conceitos e valores, referentes à Educação Física Escolar no 1º e 2º Ciclos. Sobre o método descritivo, Mattos, Rossetto e Blecher (2008), ressaltam que a característica principal desse procedimento é observar, registrar, descrever e correlacionar fatos e fenômenos, sem mudar sua forma, buscando descobrir com exatidão a frequência em que um fenômeno acontece e sua analogia com outros fatores. Diante da vasta bibliografia e obras que compõem a literatura pedagógica da Educação Física, nesse segmento – selecionamos obras, em que concepções e conceitos estivessem diretamente relacionados à temática da pesquisa, nesse sentido foram selecionados algumas das produções que tivessem mais representatividade na área, tendo em vista a impossibilidade de discutir o acervo total de obras disponíveis a esse tema. O procedimento para selecionar a bibliografia, foi coletar obras e material bibliográfico diversificado e em vários formatos, entre eles: livros, dissertações, internet, revistas especializadas, apostilas e teses da literatura específica. Diante dessa seleção de material didático, esses recursos serão utilizados como fontes de estudo e investigação, proporcionando assim, a análise da Educação Física nos primeiros ciclos escolares, pelos seus devidos autores e suas respectivas concepções pedagógicas, a partir das décadas de 1980, 1990, e 2000, até os dias atuais e que abordassem a temática em questão. As obras que compuseram a pesquisa bibliográfica e foram selecionadas para a continuidade do trabalho, estiveram presentes nas produções de: Coletivo de Autores (1992), Go Tani e Colaboradores (1988), João Batista Freire (1994), Souza Junior (2007), Agnes 48 Dulcinéa et al (2009), Evandro C Moreira e Vilma L Nista-Piccolo (2009), Jocimar Daólio (2004), Caparroz (1997), estes foram os principais autores que estiveram presentes no estudo, entre outros. A ação investigativa inicial do trabalho, ou a primeira etapa, destinou-se e trouxe nas introduções e justificativas, a descrição, os conceitos, as proposições e discussões de alguns especialistas selecionados na bibliografia que compõem a pesquisa, ou seja, uma breve analise teórica - dos problemas, dificuldades, e acrescimentos da Educação Física nos primeiros anos iniciais da escolaridade, enquanto componente curricular - mediada pelos autores já citados nas justificativas e metodologia. Nessa parte do trabalho, foram alegados, os motivos pessoais do autor para a realização da pesquisa, como também a delimitação do assunto a ser tratado, A Importância da Educação Física no 1º e 2º Ciclos, direcionados a Rede Pública de Ensino, especificamente A Escola Nova Divinéa A análise da bibliografia que fundamenta a pesquisa procurou coletar dessas obras, os dados a serem descritos e analisados. Posteriormente discorrer e caracterizar o que foi dito pelos autores específicos da área, e relacionar e discutir suas propostas, proposições e intenções direcionadas a Educação Física no 1º e 2º ciclos escolares, do ensino público. Buscando a construção significativa desse objeto e constituí-lo em um problema - por ora empírico – e apontar sugestões, e contribuir com intuito de minimizar as questões referentes aos problemas encontrados na pesquisa, tornando-se um estudo relevante para a comunidade especifica (professores da rede pública) e científica da área. Ponderando e fundamentando as teorias e discussões ao objeto de estudo, com a intenção de extrairmos conclusões significativas ao final da pesquisa. Na segunda etapa, ou no capítulo, que fundamenta a pesquisa será caracterizado a Organização Escolar Seriada e suas particularidades, assim como, se caracterizará a Organização Escolar em Ciclos e suas preposições e propostas para o 1º e 2º ciclos de escolarização. Nessa etapa também se tratara das origens dos Ciclos. No mesmo capítulo, confrontaremos a Organização em séries e a Organização em ciclos. Além disso, discutiremos as propostas, e como a perspectiva Crítico – Superadora, embasada no livro Coletivo de Autores (1992), orienta e distribui os ciclos de escolarização. A abordagem Crítico – Superadora por meio de seu livro “Coletivo de autores” é intitulada a perspectiva educacional oficial do Governo do Estado de Pernambuco, que fundamenta as práticas pedagógicas da disciplina Educação Física. Razão pela qual discutiremos suas características e importância. 49 Na fase final desse tópico foi discutido os Parâmetros Curriculares Nacionais que subsidiam e regem as práticas pedagógicas dos professores de Educação Física do Estado de Pernambuco, e demais regiões do Brasil, debateremos como os PCN, contribuem se distribuem e se organizam nos ciclos de escolarização (1º e 2º ciclos). A terceira etapa se dedicará a descrever como se desenvolvem as práticas pedagógicas e dinâmicas de aulas da Escola Nova Divinéa, e quais contribuições e benefícios que essas aulas podem acrescentar no desenvolvimento e educação das crianças, onde está pressuposto que através dessas práticas pedagógicas se procure diminuir a distancia entre teoria e prática. Nessa etapa, o método utilizado para desenvolver a pesquisa foi o método de estudo de caso, esse procedimento segundo Mattos, Rossetto e Blecher (2008), indica que: Estuda um determinado individuo família ou grupo, para investigar aspectos variados ou um evento especifico da amostra. Um único caso é estudado com profundidade e holisticamente (de maneira integral) no contexto de sua realidade, para alcançar maior compreensão de casos similares. (p.35) O processo de exposição das aulas na Escola Nova Divinéa, prossegue verificando-se qual a forma de atuação, qual a metodologia e logística usadas nas aulas, qual a estrutura e recursos materiais oferecidos na escola, e como a direção e funcionários atuam como co autores participativos nas aulas. Há também nesse capitulo uma breve análise das concepções pedagógicas, a partir dos anos de 1980, onde o foco maior está em discutir com mais proeminência a concepção Psicomotrista, por está estar mais envolvida no contexto da pesquisa, e trazer dados importantes para as conclusões do trabalho. E por fim relacionar a prática da escola Nova Divinéa, ao autor que mais se identifica ou que está mais próximo das concepções pedagógicas e educacionais das práticas desenvolvidas nessa escola, analisadas e caracterizadas na pesquisa. Nessa fase, expusemos fotos que demonstram as características das aulas desenvolvidas nessa unidade escolar, confirmando assim, as peculiaridades das intervenções e práticas pedagógicas. Além disso, selecionaram-se três professores e uma diretora para concederem entrevistas, em forma de depoimentos. O intento dessas entrevistas tem como proeminência verificar através de seus relatos a importância e benefícios da Educação Física nessa unidade escolar e relacionar ou confrontar as práticas pedagógicas com a análise dos especialistas e autores que estiveram presentes na pesquisa. Almejasse que através das entrevistas, se alcance 50 os objetivos a que se dispõe o trabalho, e que os dados colhidos nesses depoimentos ofereçam comprovações, subsídios e benefícios que consolidem a importância da Educação Física na escola Nova Divinéa, nos primeiros ciclos. Para os entrevistados foram inicialmente apresentados os objetivos aos quais se pretendia na pesquisa, que estava sendo cumprida. Após essas preliminares e esclarecer quais os objetivos das entrevistas e do trabalho, procurou-se deixar que os professores entrevistados expusessem livremente suas considerações e opiniões sobre a importância e benefícios das práticas pedagógicas na escola Nova Divinéa. A seleção dos entrevistados constou de quatro professoras da escola, com formação de nível superior, que atuam no Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano), as professoras lecionam respectivamente no 1º ano, 3º ano e 4º ano, a última delas a ser entrevistada, no momento exerce o cargo de diretora adjunta. Com o emprego dessa reunião de técnicas e procedimentos, o próximo passo será analisar as entrevistas das professoras e relacionar o que foi descrito por elas com o objetivo do estudo, que consiste nessa fase em averiguar a importância das aulas de Educação Física na Escola Nova Dívinéa, confirmando ou não os benefícios das aulas de Educação Física nessa unidade escolar. Supondo que as considerações e ponderações das entrevistas trarão importantes dados, sentidos e significados a pesquisa, posteriormente esses dados serão discutidos nas conclusões do trabalho. Na quarta etapa, haverá um capitulo que tratará dos benefícios oferecidos pela disciplina aos alunos, ao terem acesso às aulas no 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental, direcionado a Rede Pública de Ensino, fundamentado nas análises dos autores e dos dados obtidos nas etapas anteriores. Os dados dessa etapa do trabalho foram extraídos da bibliografia selecionada, e já apresentada nos parágrafos anteriores. As considerações finais e conclusões serão expostas pelo autor da pesquisa, abalizadas e fundamentadas no texto e estudo realizados nos capítulos que se sucederam e explicitaram os problemas abrangidos e apresentados, quanto a Educação Física no Ensino Fundamental Infantil, 1º ao 5º ano, relacionando os benefícios e vantagens, ou não, das práticas pedagógicas nesses ciclos escolares, na escola Nova Divinéa e nas escolas públicas do estado de Pernambuco – quando a temática tratar da “Importância da Educação Física no 1º e 2º Ciclos Escolares do Ensino Fundamental. 51 2.3 Objetivos O objetivo geral dessa pesquisa é investigar a importância da disciplina Educação Física nos primeiros anos da vida escolar das crianças, especificamente a Educação Física no 1º e 2º Ciclos que representam as turmas do 1º ao 5º ano da Educação Fundamental Infantil. Entre os objetivos específicos estão: É objetivo, tratar das origens dos Ciclos Escolares, analisar as teorias das Organizações em ciclos escolares, e caracterizar e descrever a Organização em Séries e a Organização em Ciclos, estabelecendo suas diferenças e minúcias através do confronto entre Ciclos x Séries. Foi objetivo, averiguar os benefícios do acesso as aulas de Educação Física no 1º e 2º Ciclos da Educação Básica, focados por estudiosos da literatura especifica da área. Analisar as produções teóricas da literatura especializada, fundamentalmente direcionada à Educação Física Escolar, voltadas ao 1º e 2º ciclos escolares do Ensino Fundamental e suas propostas e intenções quanto a estes mesmos Ciclos de Escolarização e sua importância enquanto componente curricular das escolas públicas do estado de Pernambuco. Debater as propostas apontadas pelo livro Coletivo de autores (1992), quanto aos Ciclos de Escolarização na Educação Física e sua distribuição e organização do Ensino Fundamental, notadamente no que se refere à sua adequação a realidade pernambucana. Expor e ponderar de que forma acontecem e são abordadas as aulas de Educação Física (práticas pedagógicas) na Escola Nova Divinéa - conteúdos, objetivos, logísticos... E sua importância enquanto componente curricular, e quais benefícios a disciplina pode oferecer ou não oferecer aos alunos quanto a sua formação e educação. Relacionar ao autor, ou que concepção pedagógica da bibliografia e literatura as práticas pedagógicas desenvolvidas na Escola Nova Divinéa se alinham ou se acomodam, fundamentando suas práticas, este é um objetivo ao qual o estudo se direciona. CAPÍTULO III - Sobre a Escola Nova Divinéa. 3.1 Caracterização da Escola 52 A Escola Nova Divinéa, pertence à Rede Estadual de Ensino e localiza-se na Região Metropolitana de Recife, no bairro de Cajueiro Seco, do Município de Jaboatão dos Guararapes, à Rua da Saudade nº 65, a qual atende às comunidades do próprio bairro, dos bairros adjacentes: Jardim Piedade, Cajueiro Seco, Nova Divinéa, Barra de Jangada, Candeias, Piedade, e municípios vizinhos. A clientela dessa escola, em sua maioria apresenta baixo poder aquisitivo, percebendo de um salário mínimo ou menos que um salário mínimo, e vivendo de subemprego ou biscates, mas que possui um potencial significativo de habilidades. Esta Unidade de Ensino iniciou suas atividades educacionais em 1984, inicialmente no prédio cedido pela Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, a mesma é autorizada oficialmente para funcionar com o cadastro sob o Nº E. 106.041; Portaria do Ato de Funcionamento 138 D. O. de 18.04.1984 na modalidade de Ensino Fundamental de 1º ao 5º ano ( 1º e 2º Ciclos). Com a crescente demanda de alunos, a Escola iniciou o funcionamento do E.J.A nos níveis de alfabetização de adultos Fase I, e Fase II – implantação em 2007( correspondendo de 1º ao 9º ano), ampliando a quantidade de vagas, se atendeu a comunidade . Ensino Fundamental 6º ao 9º ano (noturno) implantação em 2007. A Escola contempla, também, o projeto “SE LIGA”. O estabelecimento é de pequeno porte, tem aproximadamente 500 alunos matriculados, comportando 06 salas de aula permanentes, 01 sala de direção, 01 sala de professores, 01 sala de secretaria, 01 laboratório de informática em pleno funcionamento, com 09 computadores. Consta também de 01 cozinha, 01 dispensa (para guardar a merenda escolar); área de refeitório, 01 banheiro para os professores e direção e demais funcionários. 04 banheiros de alunos, sendo: 02 masculinos e 02 femininos. Pátio externo com estacionamento, e 01 portão de entrada. O corpo docente compreende 14 professores, são efetivos, no que se refere à formação destes, 07 são Pedagogos, 05 Normais Médios (cursando o curso Progrape), 01 Educação Física, 01 Licenciatura em Historia. Em atividades técnicas, a Escola dispõe de profissionais exercendo as funções de gestor escolar, diretor adjunto, coordenador pedagógico e secretário. Há 01 Educador de Apoio atendendo ao 1º, 2º e 3º turno. Os serviços administrativos são realizados por 02 53 assistentes educacionais que lidam com a documentação do corpo discente, 01 merendeira e 05 auxiliares de serviços gerais. A escola possui Conselho Escolar, Conselho de Classe e Unidade Executora, assim como participa dos programas do FUNDESCOLA, tais como PDDE (Programa de Dinheiro Direto na Escola) e PDE (Plano de Desenvolvimento da Escola) / PME (Plano de Melhoria da Escola). Desde o momento que a Escola começou a participar desses convênios, a mesma cresceu adquirindo bens materiais e de consumo para abrilhantar a prática pedagógica. A carga horária de aulas destinada à disciplina Educação Física, nessa unidade escolar corresponde a 200 horas aulas, contemplando os turnos da manhã e tarde. A faixa etária dos alunos começa a partir dos 06 anos de idade, podendo ir até os 13 anos; alunos estes já fora da faixa etária de ensino, do 1º ao 5º ano, as turmas são mistas e as aulas são realizadas dentro da grade de ensino. Normalmente as aulas de Educação Física para o 1º e 2º Ciclos são realizadas no horário regular (turno), assim como a composição das turmas é de características mistas, atributo importante para que todos possam participar das aulas – totalidade dos alunos, quanto à presença. Ao tratar dessa característica, Coletivo de Autores (1992) -proposta oficial do Estadopropõem, quanto às aulas nesses ciclos que: As aulas são dadas no horário regular do turno em que o aluno freqüenta a escola. A normatização escolar vigente não corresponde a essa visão e chega inclusive a se colocar como obstáculo à concretude das propostas pedagógicas avançadas. Basta recordar o exemplo dado sobre as dispensas das aulas de Educação Física para o aluno trabalhador, vista como amparo legal. (p. 29, grifo nosso) Comumente a escola pública, mais especificamente a educação pública estadual, tem sido questionada quanto à qualidade da educação que oferece à população, especificamente crianças, adolescentes e jovens, como também quanto às condições de trabalho (estrutura, recursos, procedimentos didáticos e pedagógicos) que disponibilizam aos alunos, comunidade e professores. Os problemas são diversos, contudo o governo tenta tomar medidas para amenizar a qualidade da educação. Essas medidas e problemas serão tratados nos parágrafos seguintes. Fátima Alves (2009, p.5), comenta que um dos grandes problemas da educação brasileira refere-se às altas taxas de reprovação e abandono dos estudantes da escola. O autor Souza Junior (2007), estudioso da área confirma, citando que a organização em ciclos de 54 aprendizagem surge como uma possibilidade de combater os altos índices de reprovação e evasão escolar. É relevante citarmos que a adoção do Sistema de Ciclos, coloca em discussão que: Os ciclos repensam o ensino da escola, das ações didáticas das avaliações dos saberes; mudam as concepções e práticas pedagógicas; tem a chance de contribuir para a diminuição do desperdício de recursos financeiros, causado pelo alto índice de reprovação; solicitam maior destinação de recursos; mudam a atitude dos pais. (SILVA E DAVIS, apud MAINARDES, 2001, citado em SOUZA JUNIOR, 2002, p. 90) Persistindo quanto às questões e problemas ocorridos nas escolas públicas e educação pública, os PCN se posicionam e discutem sobre o assunto da organização dos ciclos e suas dificuldades, indicando que os propósitos principais da Organização Cíclica são de, minimizar problemas de repetência, evasão escolar, flexibilização da seriação e respeito aos diferentes ritmos de aprendizagem dos alunos. Os PCN ao fazer a adoção em ciclos, sugerem que: pela flexibilidade que permite, possibilita trabalhar melhor com as diferenças e está plenamente coerente com os fundamentos psicopedagógicos, com a concepção de conhecimentos e da função da escola que estão explicitados no item Fundamento dos Parâmetros Curriculares Nacionais PCN (livro1, 1997, p. 61) Nesse sentido e contexto, algumas medidas do governo para atingir índices melhores, já estão sendo tomadas, no que concerne a: reprovação, evasão escolar, desestimulando pais e alunos18... Se os objetivos estão sendo alcançados ou não, é outra questão... Enfim o objetivo é melhorar o desenvolvimento da educação básica, e a qualidade do ensino (condições), ou seja, melhorar os índices do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), atingir metas e objetivos que o Governo estipula e sugere as escolas públicas. Motivo pelo qual supostamente, impulsionou professores, coordenadores, funcionários e gestores a se empenharem mais nas atividades pedagógicas e administrativas da escola para corrigir falhas e aprimorar o desempenho educacional (pedagógico) e logístico (administrativo), ou seja, alcançar índices melhores quanto ao IDEB. 18 O governo Federal ao avaliar o desempenho dos estudantes brasileiros, estabelece metas e objetivos para as escolas atingirem e avançarem na melhora e condições de ensino na rede pública. O Governo do Estado de Pernambuco no ano de 2009 propôs as escolas atingir um índice estabelecido pelo PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação Básica), através da prova Brasil e do sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), caso a escola alcance o índice proposto pela Secretaria de Educação, a escola será contemplada com um bônus financeiro. Esta foi uma medida encontrada pelo Governo de estimular ou “pressionar” a melhoria da qualidade da gestão e o desempenho de professores, coordenadores, funcionários e serventes. 55 É Destacado como respeitável o fato da Escola Nova Divinéa ter avançado quanto à melhora de sua educação, como também as condições de trabalho oferecidas aos professores, atingindo metas e números importantes que comprovam sua evolução e progressos educacionais. Fundamentado nos índices do IDEB (índice de Desenvolvimento da Educação Básica), onde a escola atingiu um percentil equivalente a 3,8%, na Prova Brasil, superando o percentual a qual lhe foi proposto 3,5% - mais detalhado no parágrafo abaixo. A Secretaria de Educação de Pernambuco estipulou o indicador ou um índice de percentual (IDEB), através do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação Básica), propondo às escolas públicas atingir um indicador específico (x%) para cada unidade escolar, a meta da Escola Nova Divinéa foi estipulada, para alcançar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 3,5%, avaliação feita e registrada pelo SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) por meio da Prova Brasil. A escola conseguiu superar esse percentual, chegando aos 3,8%, alcançando 100% das metas estipuladas, sendo apreciada com um bônus financeiro – Gestores, professores, administrativos e funcionários. A justificativa e principal razão para a análise das práticas desenvolvidas nas aulas de Educação Física da escola Nova Divinéa advém do fato de analisarmos algumas minúcias que são particulares e especificas da escola, e que comumente não são observadas em outras unidades escolares, situações e características próprias que são evidenciadas, e que gostaria de destacar e elencar, através desse trabalho investigativo. Ao expor essas características, notadamente observasse como a Educação Física pode ser importante, e colaborar para a educação, formação integral e aprendizagem dos conteúdos relevantes da disciplina, como componente curricular indispensável. A seguir, estão postas e elencadas algumas características importantes que permeiam a Educação Física na escola Nova Divinéa: - As aulas são dentro da grade de ensino (turno), portanto todos os alunos participam, não há evasão de alunos nas aulas. No sentido de frequencia, totalidade da turma – 100% da turma vivenciam as atividades pedagógicas propostas. - As aulas se realizam no pátio coberto da escola, portanto as intempéries não são pretextos para a não realização das aulas. 56 Imagem I- Escola Nova Divinéa,aula de Educação Física, realizada em novembro de 2009. - As aulas são mistas, não há problemas relativos às questões de gênero nem preconceitos quanto ao fato. Imagem II – Escola Nova Divinéa, início de uma aula de Educação Física, para o ensino fundamental I, realizada em novembro de 2009. 57 - Os recursos materiais são poucos, mas não impedem que as aulas se realizem com normalidade. Imagem III - Utilização de materiais didáticos alternativos, aula realizada em novembro de 2009. - A equipe gestora, demais professores e funcionários, apóiam a dinâmica e o andamento das aulas e logística. O apoio ao qual me refiro no item acima é importante no andamento das aulas pelo envolvimento e suporte que recebo das demais professoras e funcionários em geral. No caso das professoras, a ajuda e o apoio quanto à disciplina, a ordem e organização na hora de ir para aula, como também mostrarem aos alunos a importância de participarem das aulas de Educação Física e os seus benefícios (assunto que será tratado posteriormente, de forma mais detalhada), assim como exigir e motivar os alunos a freqüentarem as aulas sem discriminação ou exclusão, conversar e trocar informações sobre o perfil dos alunos problemáticos ou não problemáticos (cognitivos, afetivos, relações sociais e convívio), troca de informações quanto ao desempenho, participação nas aulas e avaliações. As questões de caráter interdisciplinar também são valorizadas, no sentido de auxiliar nos conteúdos de outras disciplinas (Português, matemática, ciências...), com intuito de colaborar na alfabetização (um dos principais objetivos da educação infantil) dos alunos, mas deixando claro que a Educação Física, quanto a seus propósitos e objetivos não se justifica por ser uma disciplina auxiliar e sim procura justificar-se por si mesma e pelos conteúdos que a mesma desenvolve. Freire (1994), sobre a interdisciplinaridade cita que: 58 Antes de mais nada, seria necessário descaracterizar o valor utilitário da Educação Física. Esta não pode justificar sua existência com base na possibilidade de auxiliar o aprendizado dos conteúdos de outras matérias (p.182). (...) A Importância de demonstrar as relações entre os conteúdos da disciplina Educação Física e os das demais disciplinas reside, não na sua importância como meio auxiliar daquelas, mas na identificação de pontos comuns do conhecimento e na dependência que corpo e mente ação e compreensão, possuem entre si (p.183) Quanto aos funcionários o respaldo é importante, na medida em que os mesmos colaboram para manter o pátio apto, para a realização das aulas – considerando o pátio como espaço de aula, sala de aula, onde se realizam as práticas pedagógicas - sempre limpo e em condições de uso. Não permitem invasão de pessoas (segurança) estranhas ao local da aula ou da própria escola, ajudam na preservação e conservação do material didático, enfim a colaboração é plena, para que a logística permita um bom andamento das aulas de Educação Física; bem como das demais disciplinas. - A composição do horário, a flexibilidade, o bom relacionamento com a direção e a coordenação, facilitam e permitem uma prática pedagógica sem maiores problemas. A exigência da gestão, é o comprometimento do professor com suas atribuições, assim como, esse bom relacionamento envolve a compreensão das contribuições formativas do cidadão em sua integralidade. Os problemas (didáticos, pedagógicos ou de normas) que porventura aparecem, são resolvidos com a direção e coordenação em reuniões, conversas e troca de opiniões. As divergências são tratadas e resolvidas geralmente em comum acordo, sem maiores dificuldades ou constrangimentos. - Os alunos participam das aulas devidamente uniformizados. Imagem IV – Aula com caráter de recreação e brincadeira realizada em novembro de 2009. 59 - As professoras colaboram na disciplina e na logística quando acontecem às aulas em suas turmas, há também troca de informações sobre os conteúdos e questões interdisciplinares, e pontos comuns do conhecimento, entre as disciplinas. Item já comentado acima. - As turmas não são totalmente homogêneas quanto à faixa etária, mas não encontramos problemas no decorrer das aulas. Por exemplo: podemos encontrar alunos no 5º ano com variações de idade de 10 anos a 13 ou 14 anos, alunos estes fora de faixa etária mais que não causam problemas quanto ao desempenho cognitivo ou motor e conteúdos transpostos, talvez a maior dificuldade seja quanto à parte de relacionamento (afetivo) por alguns serem maiores do que os outros e tenham a intenção de dominarem os menores, serem os líderes. Problemas estes que acontecem em casos isolados e que tentamos resolver com sabedoria e bom censo. Talvez nas outras disciplinas o problema de alunos fora da faixa de idade (distorção, idade/série) e também questões de indisciplina dos alunos, possa causar maiores transtornos quanto ao desempenho dos alunos fora de faixa etária. É ressalvado e constatado que alunos com idades mais avançadas em turmas de 4º e 5º ano, que ainda não consigam ler nem escrever, possam prejudicar o seu comportamento e o dos colegas, por merecer maior atenção dos professores, prejudicando, assim, o rendimento e a evolução das práticas pedagógicas e didáticas do professor. Com a intenção de resolver essas questões, foram criados pelo Governo os projetos “SE LIGA” e “ACELERA ”19, propiciando e almejando ser esta uma alternativa de melhorar o desempenho escolar dos alunos. Enfim relatadas as principais peculiaridades das práticas dessa escola; há mais destaques ou características da escola que poderíamos elencar ou colocar em evidência, porém, a caracterização exposta acima já aponta particularidades relevantes que fazem a 19 Criado em 1997, o Programa Acelera Brasil, introduz na rede educacional uma cultura de gestão eficaz, focada em resultados, e que combate os principais problemas do sistema de ensino. A história do ensino em Pernambuco mudou de rumo desde que o estado adotou o Programa Se Liga como política pública em 2003. Os Projetos “Se Liga” e “Acelera” tem como objetivo combater os principais problemas do sistema de ensino: os baixos níveis de aprendizagem, a repetência e a distorção idade/série. Que não diferem da realidade nacional e são referentes à rede pública de ensino (estadual e municipais) O projeto “Se liga”, que combate o analfabetismo nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental, e o “Acelera”, voltado para reduzir a distorção de idade/série, a partir da aceleração da aprendizagem. 60 qualidade e condições (estrutura e recursos) das aulas em nossa escola atingirem níveis satisfatórios quanto à inclusão, logística das aulas e funcionamento da disciplina em geral. Voltando a tratar dos problemas que permeiam e perduram em dificultar as práticas da Educação Física na escola pública, é suposto e muito debatido, de maneira quase unânime pelos professores da disciplina e outros especialistas da área - assim como é relevante dar ênfase ao assunto - argumentar que um dos maiores problemas ou o maior problema que está presente nas aulas de Educação Física, é o fato das aulas não acontecerem dentro da grade de ensino (turno), Essa situação tem como conseqüência a evasão nas aulas e a “auto – exclusão” dos alunos da disciplina. Esvaziando as turmas, ou agrupando alunos de faixas etárias e séries diferentes para compor as turmas, conseqüentemente a disciplina perde sua credibilidade e seu valor, causando transtornos e dificuldades aos professores e alunos quanto a sua legitimidade e status. Como já trouxemos antes, este é um problema que não ocorre no 1º e 2º ciclos escolares (as aulas são realizadas no próprio turno), este é mais um importante indicativo significante, para firmar a relevância da Educação Física na educação infantil, trazendo um grande e importante benefício pra esse nível escolar que é o atendimento dos alunos na sua totalidade. Assunto relevante que será tratado nas conclusões deste estudo. Supostamente quanto mais alunos participarem das aulas, mais a disciplina se legitima e sai da marginalidade. Concluindo a justificativa e os modos, quanto à forma que são desenvolvidas as práticas das aulas de Educação Física na escola Nova Divinéa; e reafirmando que a Educação Física pode contribuir e ser favorável como também importante para a formação motora, cognitiva, afetiva e estimular os potenciais das crianças, como também pressupostamente podem trazer resultados que possam de alguma forma colaborar e determinar mudanças significativas de comportamento (aprendizagem). Analisaremos a seguir quais as possibilidades de conteúdos a serem tratadas e transpostas didaticamente aos alunos, tendências, suas abordagens e as propostas de objetivos para o nível escolar em análise – 1º e 2º ciclos de escolarização. 61 3.2 Práticas pedagógicas desenvolvidas na Escola Nova Divinéa, e sua proposta para a Educação Física nos Ciclos do Ensino Fundamental I. Ao apresentar este capítulo, perpassa o interesse em justificar a importância das práticas e intervenções pedagógicas da disciplina Educação Física na Escola Nova Divinéa, por ponderar que os problemas e dificuldades habituais dessa disciplina, ou seja, as más condições de funcionamento e a dinâmica das aulas de educação Física nas escolas públicas, comumente não são freqüentes nessa unidade escolar. Após descrever, analisar e discutir a ação educativa da prática da Educação Física nessa escola, através deste capitulo, será debatido se essas ações e dinâmicas da disciplina oferecem procedimentos significativos e bem sucedidos quanto a objetivos, finalidades e intenções, quando trata da Educação Física e suas práticas, assim como sua importância no 1º e 2º Ciclos de escolarização. Possivelmente, a análise das práticas pedagógicas da Educação Física nessa Unidade Escolar, possa colaborar de maneira expressiva, ou oferecer subsídios para avanços, na qualidade da educação, no Ensino Fundamental Infantil (1º ao 5º ano) nessa especialidade, e servir como parâmetro para as práticas dessa disciplina na Educação Estadual Pública (PE) O conceito ao qual pretendesse estabelecer como referência, está consolidado na condição e característica intrínseca e importante das crianças, nessa fase escolar, 06 a 12 anos de idade, que são brincar e se movimentar, e que supostamente são apropriados e essenciais a elas, e devem ser desenvolvidos e explorados nas práticas educativas e pedagógicas da Educação física, esperasse que essas características das crianças sejam desenvolvidas através do movimento, o desenvolvimento motor, as habilidades motoras, os jogos e as brincadeiras. Aproximando assim, as práticas pedagógicas da Educação Física dessa escola a esses objetos – citados acima - e adequando-os no conceito que pressupostamente podem estar alinhados e juntos a essas Perspectivas, que são a Perspectiva Psicomotora20 e a Desenvolvimentista21 - não é intenção, delimitar concepções a serem adotadas, porém buscar justapor ou diminuir distâncias entre teoria e prática, entre essas perspectivas difundidas produções surgidas na década de 1980. 20 Psicomotora, defendida por Freire (1994) se fundamenta basicamente nas teorias psicológicas de aprendizagem de Piaget. Que tem no desenvolvimento motor sua principal particularidade, considerando isto a base de qualquer conhecimento. 21 Desenvolvimentista, é primordialmente fundada na biologia – Go Tani (1988) defende a idéia de que, na Educação Física escolar, seu conteúdo deve ser proposto obedecendo a uma seqüência normal existente nos processos de crescimento, desenvolvimento e aprendizagem motora, e cabe ao professor orientar e sistematizar o seu ensino, respeitando as características inerentes a cada faixa etária. 62 Partindo da proposição desses argumentos, desenvolver e organizar esses conhecimentos são tarefas possíveis, assim como, aproximar duas perspectivas distintas, pode ser aceitável, as mesmas possuem alguns pontos em comum, entre os quais, está suposto que as duas perspectivas apresentem como prioridade à aprendizagem das habilidades motoras, e essas habilidades constituem-se em aspecto relevante a essa faixa etária. Sobre essa possibilidade, Freire, Santos e Oliveira (2004, p. 9) afirmam: (...) Com isso, a tarefa de organizar o conhecimento da Educação Física para possibilitar a aprendizagem de habilidades motoras pode ser realizada sem dificuldades. Além disso, essa prioridade é adequada às características da faixa etária que freqüenta os anos iniciais da escolarização, como evidenciado por Go Tani e grupo (1988) e Freire et al(1998) Analisada a citação acima, concluísse que a preocupação e intenção destas Perspectivas, não têm como objetivo colocar em discussão o conceito de cultura, mas sim, considerar o “movimento” objeto de estudo da Educação Física, e analisar o desenvolvimento das “habilidades motoras” como um dos objetivos importantes da disciplina, em contraposição a Perspectiva oficial adotada pelo Governo do Estado de Pernambuco – Crítico – Superadora, que assegura ser a Educação Física a disciplina responsável por pedagogizar os temas da Cultura Corporal. O estudioso da área, Jocimar Daolio (2004), ao analisar a Educação Física e o conceito de cultura, respectivamente conexo a Concepção Psicomotora - cita em sua obra que: João Batista Freire não se propõe a discutir o conceito de cultura, embora utilize a expressão com freqüência, quase sempre destacando a riqueza da cultura infantil, repleta de jogos e brincadeiras (p.63) (...) Ainda que o autor se refira à educação para a democracia, percebe-se que o movimento dessa educação é de dentro para fora, partindo do indivíduo e não da cultura ou da sociedade. Essa visão perpassa todo o livro, alcançando a questão dos conteúdos a serem tratados nas aulas. Os jogos e brinquedos, tão lembrados como parte da cultura infantil (... p.25) A cultura infantil própria às crianças – sua capacidade para brincar, jogar e fantasiar – corresponderia à ordem natural humana e a escola tradicional corresponderia à ordem social (... p.28) Na sua própria produção e obra Jocimar Daolio (2004. p.2), afirma que “a “cultura” é o principal conceito para a Educação física, porque todas as manifestações corporais humanas são geradas na dinâmica cultural, desde os primórdios da evolução até hoje” Porém, há um contraponto, ou outros conceitos que não podem deixar de serem discutidos, João Batista Freire discute a cultura como representação da riqueza da cultura infantil, repleta de jogos e brinquedos, como já foi citado no parágrafo anterior. É relevante 63 citar outro autor e sua proposta, Lourenço Filho22 (1959), que deve ser considerado e respeitado, afirma que: (...) não se pode tratar de questões da pedagogia atual sem que se fale de jogo e atividades livres. Como hoje observam graves filósofos, a cultura humana brota do jogo como jogo, e nele, e só por ele, vem a desenvolver-se. Pelo menos, o jogo é anterior a qualquer construção da cultura, o que demonstra que por ele é que se manifestam as forças criadoras do homem. (p. 79-80, grifo nosso). Os embates entre concepções educacionais e conceitos de cultura, relativos ao desenvolvimento das crianças precisam ser debatidos e ficarem claros, quanto as suas diferenças e conceitos. Kuhlmann Jr. (2000) é mais um autor que discute que o movimento ou o desenvolvimento natural da criança antecede a cultura, o autor cita que; (...) Desde Froebel, que se inspirou em idéias pedagógicas formuladas anteriormente, a história da educação infantil anuncia propostas que dizem acompanhar ou favorecer o desenvolvimento natural da criança. Ao isolar a criança, como único elemento da relação pedagógica, se esquece do quanto o adulto determina as condições no interior da instituição de educação infantil. Aqui, a Experiência da criança, o seu desenvolvimento, que também é natural e biológico, se “descola” das raízes históricas, culturais e sociais em que acontece. (p. 15, grifo nosso) A partir desses afrontes entre tendências pedagógicas, ponderamos que as possibilidades de tendências pedagógicas são amplas, dificultando e aumentando assim, a responsabilidade do professor ao eleger uma abordagem como referência as suas práticas, por vezes colocando o mesmo em situações de ambigüidades, ou mesmo, colocando-o em xeque ao fazer suas escolhas – assunto que será tratado com mais detalhes no decorrer dessa pesquisa. Ressalvando que, a intenção central da pesquisa não é discutir tendências pedagógicas, e sim, a importância da Educação Física no ensino Fundamental Infantil. No primeiro parágrafo desse apontamento são citados os problemas e dificuldades nas aulas de Educação Física, entre os quais estão as condições de funcionamento e estrutura escolar. É certo que esses problemas e dificuldades que são considerados corriqueiros, e elencados e debatidos pela maior parte dos professores da Rede Pública Estadual de Pernambuco, são causadores dos contratempos e obstáculos que impedem sua dinâmica, ou seja, transposição didática e aulas de Educação Física nas escolas públicas, entre essas 22 A relevância de se buscar idéias em autores mais antigos é valida, no sentido de contrastar suas propostas com a dos autores mais modernos e confrontar seus conceitos, não podemos desconsiderar aquilo que foi dito por autores mais anosos, está citação de Lourenço Filho, foi proferida em conferência na Escola Nacional de Belas – Artes, na abertura da II semana de Estudos, promovida pelo comitê Nacional da Organização Mundial de Educação Pré- Escolar. 64 dificuldades estão: evasão nas aulas de Educação Física, aulas no contra turno (grade), escassez de recursos materiais, falta de apoio da gestão da escola, excesso de alunos nas turmas, turmas mistas, espaço físico, tempo de duração das aulas, status e marginalidade da disciplina, entre outros que poderíamos citar. Para garantir e embasar a obtenção de alguns desses dados, autores citam que: Claudia Fernandes (2002) refere-se a esses problemas e dificuldades, denominando-os de: “condições escolares”, a mesma afirma que: (...) entendidas aqui como os fatores que dizem respeito ao funcionamento da escola bem como o seu projeto pedagógico: os recursos tecnológicos e de infra- estrutura, os recursos humanos (professores, coordenadores, supervisores, diretores, orientadores, auxiliares, etc.), a estruturação e viabilização do projeto pedagógico (reuniões, estudos), o desenvolvimento profissional, a organização do tempo e espaço escolar (grades horárias, formação de turmas, etc.). As questões referentes às condições escolares foram incluídas por conta de sua relevância para se entender o funcionamento da escola em ciclos (p. 2,3) Ainda quanto aos problemas e dificuldades (condições de funcionamento escolar) na disciplina, informações e conceitos acerca dos conhecimentos contemplados nesta área. Toledo, Velardi e Nista – Piccolo (2009, p.40), assegura: Talvez nem todos sejam relevantes ou possíveis de serem ensinados no ensino fundamental, devido e diferentes questões, como número e tempo de duração das aulas, expectativas dos alunos e da direção, condições materiais etc. ( Grifo nosso) Dito quais são alguns dos problemas e dificuldades mais comuns nas práticas pedagógicas da Educação Física, prosseguimos, expondo como se desenvolve a disciplina na Escola Nova Divinéa. É finalidade, mostrar como a referida escola, procura tornar mínimos esses problemas nesta unidade, ou espaço escolar, como transcorrem as aulas na escola e quais condições de trabalho são oferecidas à disciplina pela gestão da escola, visando avançar e aprimorar a qualidade da educação, das aulas e da aprendizagem significativa, para as crianças. 3.3 Conteúdos abordados na Escola Nova Divinéa, e as concepções pedagógicas que mais se aproximam do objetivo e objeto pedagógico da disciplina, nessa unidade escolar. Diante das possibilidades e estrutura que a escola oferece, procurasse adequar os conteúdos que são considerados importantes, respeitando-se os objetivos políticos – 65 pedagógicos da escola para a disciplina Educação Física. Esses conteúdos são desenvolvidos, buscando aproximar-se as produções de Go Tani e grupo (1988), e João Batista Freire (1994) o primeiro fundamenta sua concepção e objeto de estudo, embasado no estudo “do movimento” e desenvolvimento das crianças; o segundo está embasado no conceito do estudo “pelo movimento”, não se distancia de Go tani e sua perspectiva - mas pontuando que há diferenças conceituais em suas produções. Freire, ao abordar a Educação Física para o Ensino Fundamental, tendo o movimento como objeto, busca o desenvolvimento das habilidades motoras, abarcando como principais conteúdos em suas práticas os jogos e as brincadeiras. Essas duas produções citadas acima fundamentam as práticas nessa escola. Analisando a produção de Go Tani e grupo, Daolio (2004), declara que: Dessa forma, os autores definem como objetivo inicial para a educação física escolar propiciar à criança aquisição de habilidades motoras básicas, a fim de que seja facilitado a ela o aprendizado posterior das habilidades consideradas mais complexas. A definição dos conteúdos a serem desenvolvidos e das estratégias de ensino a serem utilizadas vai depender justamente dos indicativos oriundos dos processos biológicos de crescimento e desenvolvimento motor, uma vez que todas as crianças passam pelas mesmas fases de desenvolvimento, podendo apenas haver variações na velocidade desse processo (p. 16). Estabelecendo nesta questão, sobre as perspectivas pedagógicas e suas ideologias, um contraponto importante, baseado no fato do Governo de Pernambuco instituir como concepção educacional a perspectiva Crítico – Superadora23, alinhavada a Matriz Curricular do Estado, como também, sugeridos e indicados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), fundamentados na política educacional do Estado, considerando as intencionalidades do presente Governo para o setor educacional, Os Conteúdos abordados e definidos pela concepção Crítico – Superadora – são os temas da Cultura Corporal: Jogos, Ginástica, esporte, Dança e Lutas, que notadamente tem pequena aproximação com o objeto das perspectivas Psicomotoras e Desenvolvimentistas. Constituindo assim, um litígio, grande problema e responsabilidades para o professor – delimitar e eleger Concepções. 23 A secretaria de Educação de Pernambuco, durante o governo de Miguel Arraes (1987- 1990), apresentou uma nova proposta curricular de organização do pensamento sobre o conhecimento. Representa um esforço de teorização que privilegia a organização curricular em Ciclos de Escolarização Básica. A Concepção Crítico – Superadora está embasada no discurso de justiça social no contexto de sua prática, onde o professor tem o papel de orientar a leitura da realidade e o aluno de forma crítica, constatar, interpretar, compreender e explicar. Enfatiza a luta de classes pelo poder – hegemonia. 66 Isso não significa dizer que os professores da rede pública de Pernambuco tenham que adotar essa concepção pedagógica (Crítico – Superadora) como fonte obrigatória e única para fundamentar suas práticas pedagógicas, na construção dos conhecimentos para o ensino Fundamental infantil, as possibilidades de abordagens, concepções, conceitos e perspectivas são amplas e diversificadas. A partir da preferência pela Perspectiva Psicomotora para fundamentar as práticas da escola Nova Divinéa, logicamente os conteúdos dessa abordagem serão conduzidos e transmitidos pedagogicamente para os alunos, visto que o movimento e o desenvolvimento motor são as características essenciais que devem ser valorizados desenvolvidos nessa escola. É válido afirmar que a Concepção Desenvolvimentista tem pequena aproximação com a Concepção Psicomotora. Mediante a isso, é importante não deixar dúvidas, que as Perspectivas Psicomotora e a Desenvolvimentista são embasadas em conceitos diferenciados, embora tenham algumas aproximações com a psicomotricidade, apresentem distanciamentos teleológicos distintos. Mencionando que, por conta das referências que as embasam, as propostas de compreensão da Educação Física em si mesma, tem origens em várias áreas do conhecimento, como a sociologia, a antropologia, a filosofia, a psicologia, a saúde, etc., das quais algumas têm em comum a definição da cultura corporal como objeto de estudo apenas. Voltando a temática - Importância da Educação Física no Ensino Fundamental Infantil – as ações físicas no Ensino fundamental são consideradas por alguns autores características importantes e prioridade para esse nível escolar, onde o pensamento permanecerá sendo precedido pelas ações corporais. Matos e Neira (2008) citam que nesta etapa o sujeito apresenta uma grande dependência das “ações físicas”. Freire (1994, p.76) Afirma que, as ações corporais predominam sobre a ação mental. A não inclusão, ou opção em nossas práticas, pela Concepção oficial do Governo do Estado, e o argumento para ratificação dessa escolha, está embasado talvez na discordância de seus princípios, conceitos e políticas pedagógicas, como também, essa preferência pode limitar a atuação do professor em trabalhar e transpor uma única perspectiva, reduzindo as possibilidades das crianças de vivenciarem conteúdos fundamentais a essa fase escolar, que não são contemplados por está perspectiva - onde fundamenta suas teorias no discurso de justiça social; a luta entre as classes pelo poder (hegemonia, capitalista); e aponta que o professor tem o papel de orientar a leitura da realidade, e o aluno de forma crítica, constatar, interpretar, compreender e explicar os dados dessa realidade. 67 Supostamente alunos semi- analfabetos - a maioria mal lêem e escrevem nesses ciclos, fazer revolução na escola e superar classes dominantes, torna-se inexeqüível, assim como, constatar, interpretar, compreender e explicar os fatos da realidade mal sabendo ler e escrever, parece estar fora da realidade educacional das escolas públicas atuais. A seguir serão minudenciadas, as possibilidades de abordagens pedagógicas, suas produções literárias e teóricas, e como surgiram a partir dos anos de 1980, assim como debater a preferência do professor por uma proposta pedagógica. 3.4 Breve análise das abordagens pedagógicas das décadas de 1980 e 1990, e a opção do professor por seguir uma delas. Com relação às abordagens pedagógicas e concepções emergentes da década de 1980, CAPARROZ (2007, p.141), expõe que, a produção literária e teórica dos anos de 1980, e a crise de identidade que se instalara na Educação Física, levaram os autores dessa década a sugerirem e indicarem propostas, e novas concepções pedagógicas que buscassem saídas para superar a condição de disciplina marginalizada que se encontrava enquanto componente curricular, e fazer uma crítica ou prestar contas ao passado, fazendo referência as influências e tendências, militarista, médicas e higienistas – abrindo assim uma discussão importante sobre sua verdadeira identidade e especificidades. CAPARROZ (2007) entende que a partir dos anos de 1980, essas novas abordagens e conceitos de Educação Física, abrem discussões importantes, aumentando as produções cientificas nessa área e os debates sobre o verdadeiro papel social da Educação Física Escolar. CAPARROZ (2007) afirma que: houve a incorporação de mais um componente que teria como preocupação fundamental a atividade física, ou seja, o movimento, o corpo, isto é, a cultura corporal (aquilo que o homem faz e pensa sobre o seu próprio corpo) entrou na escola. E ao adentrar a escola, constitui-se, assim como as demais áreas da cultura por ela incorporada, em componente curricular (p. 76). Abrindo assim a discussão e dando evidência à necessidade e importância do professor se fundamentar na concepção pedagógica que define como parâmetro em suas práticas, conceitos, e conteúdos que acredita, e que lhe são oportunos, adequando-os as suas convicções, enquanto educador, defendendo e confiando na abordagem que orienta os princípios e objetivos que o mesmo pensa ser a função da Educação Física no espaço escolar. 68 A multiplicidade de tendências pedagógicas pode colocar o professor em uma verdadeira encruzilhada teórica – metodológica situação real e conflitante – ao mesmo tempo em que o professor, nesse caso, não pode desconsiderar os pressupostos teóricos – metodológicos da Matriz Curricular adotada como oficial. Está posto nesse momento uma situação contraditória e confusa. Sem dúvidas selecionar e sistematizar conteúdos, e eleger uma concepção para referenciar as práticas a serem desenvolvidas é tarefa árdua e difícil para o professor, como já citamos em parágrafos anteriores, deixando muitas vezes o professor em situações conflitantes e ambíguas, ou seja, fazer escolhas quanto a tendências pedagógicas requer conhecimento, discernimento e compreensão das propostas e produções teóricas das últimas décadas. O conceito de cultura no contexto da Educação Física, e a ambigüidade que esses conceitos estabelecem, confunde os professores na hora em que tem que optar e selecionar e sistematizar conteúdos, Jocimar Daolio (2004) analisa essa condição indicando que: Bracht busca auxílio no filósofo argentino C. Cullen, quando este afirma que a educação física encontra-se numa encruzilhada: “[...] culturalizar o corpo e troná-lo semelhante (reprimindo sua singularidade) ou desculturalizar o corpo e reduzi-lo à diferença. Ou, dito de outra forma, “[...] como culturalizar sem desnaturalizar? ”(p.41) Pontuando que o professor deve seguir uma tendência pedagógica; em algumas oportunidades pode até mesclar os objetivos das várias tendências- analisando que a opção de “mesclar” tendências pedagógicas, no caso da Educação Física, não deva ser o processo mais viável, não por razão dos objetivos a que se dedica, mas, basicamente, por conta das referências que as embasa - mas essa particularidade deve ser tratado com bom censo e prudência e em horas apropriadas ou adequadas, como cita Tardif (2000), muitos professores, mesclam tendências educacionais por conta de situações que se apresentam e, para as quais os professores utilizam-se dos conhecimentos construídos na experiência. Apesar de não parecer o método mais viável – mesclar tendências – os PCN se posicionam quanto a essa questão afirmando que: As tendências pedagógicas que se firmam nas escolas brasileiras, públicas e privadas, na maioria dos casos não aparecem em forma pura, mas com características particulares, muitas vezes mesclando aspectos de mais de uma linha pedagógica (PCN, 1997, p.39, grifo nosso) Elencar e citar a principal característica das abordagens nas últimas duas décadas é elucidativo e importante no sentido que o professor deve alinhavar suas idéias e filosofia as características oferecidas pelas propostas, que são amplas, de concepções pedagógicas, 69 optando assim, por uma concepção para abalizar seus conceitos para a disciplina – uma das mais importantes incumbências e responsabilidades do professor- como já foi discutido anteriormente. As tendências pedagógicas surgidas a partir dos anos 1980 estão caracterizadas a seguir: *Psicomotricidade, que tem no desenvolvimento motor sua principal particularidade e finalidade, considerando isto a base de qualquer conhecimento. *Desenvolvimentista, desenvolver as habilidades motoras básicas, no qual o movimento é meio e fim da Educação Física, e a aula devem, então, solicitar o aprendizado do movimento. *Critico- Superadora, Embasado no discurso de justiça social no contexto de sua prática, onde o professor tem o papel de orientar a leitura da realidade e o aluno de forma critica, constata, interpreta, compreende e explica, e tem como objetivo desenvolver os temas que fazem parte da cultura do homem - Cultura Corporal. *Concepção da Educação Física Plural, aborda o movimento humano enquanto técnica construída culturalmente, os movimentos são expressões resultantes da história do corpo, valorizados independentes de modelos considerados certos ou errados *Construtivista, abordagem em que o conhecimento provoca uma ação sobre o mundo, que vai transformando os esquemas de conhecimento, sendo que os jogos e brincadeiras são considerados os mais perfeitos instrumentos para o ensino. *Crítico – emancipatória, Embasada na possibilidade de ensinar os esportes pela transformação didática – pedagógico, a educação contribuindo para a reflexão crítica e emancipatória das crianças, adolescentes e jovens. *Aptidão Física e saúde Renovadora, a base é a fisiologia, abordam conceitos e princípios teóricos quanto à adoção de hábitos saudáveis de atividades físicas ao longo de toda vida. Qualidade de vida. *Parâmetros Curriculares Nacionais mesclam as diversas correntes; jogos cooperativos, que defende a cooperação em detrimento da competição na escola, que irá 70 influenciar a vida social dos indivíduos, respeitando concepções pedagógicas próprias e a pluralidade cultural brasileira. Caracterizadas as diversas abordagens, retorno ao argumento de que o professor terá grande culpabilidade ao adotar uma concepção para orientar os caminhos e direções que o mesmo deseja empregar, para atingir os objetivos da proposta selecionada (por ele, professor, e o projeto político – pedagógico da escola) como fundamental em seus propósitos para a disciplina – Educação Física. Essa responsabilidade passa pelo entendimento principal, de se pôr como um causador que consiga superar barreiras comuns do setor educacional, que saiba selecionar e desenvolver conteúdos que sejam significativos para a Educação Infantil no 1º e 2º ciclos e para o presente e futuro dos alunos. Analisadas e avaliadas as propostas das concepções abordadas, concluímos que a Concepção Psicomotora está mais próxima e contígua das propostas metodológicas da Escola Nova Divinéa, ao constatar que: a menor distância entre teoria x prática está presente nesta abordagem. A opção por uma abordagem em detrimento de outra, nesse caso, a abordagem oficial do estado (Crítico – Superadora), diferenciasse e fundamenta-se em objetos distintos abordados pelas duas perspectivas: uma está embasada no movimento “biológico” e a outra no movimento como linguagem (Cultura Corporal), respectivamente. Isso significa dizer que a realidade e as possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem nessa idade escolar, estão propensas e direcionadas às ações físicas, percepções, capacidades motoras e habilidades básicas fundamentais, como correr, saltar, equilibrar-se entre outras, assim como esse conceito que fomenta o estudo, que está análogo ao livro: Educação de Corpo Inteiro (1994). Enfatizando que as perspectivas Desenvolvimentistas e Psicomotoras estão aqui reunidas, mas é notório que as mesmas são distintas e tem poucos pontos em comum, estão relativamente próximas, análogas, como já foi ressaltado – mas existem distanciamentos teleológicos – todavia é certo que suas propostas retratam a linguagem das crianças, o cotidiano na escola, as atividades práticas sugeridas são compatíveis com a concretude das escolas, e as necessidades das crianças. Os autores falam a linguagem do professor e das crianças, a realidade da teoria x prática estão próximas, e como já foi referido antes o movimento é o meio e o fim nas aulas de Educação Física. Como prontamente foi tratado e discutido em outros parágrafos deste estudo. 71 Fundamentando esse raciocínio e argumento, cito o livro “O que e Como Ensinar Educação Física na Escola24 (2009), de Moreira, Carlos e Nista- Piccolo, que afirmam, em sua própria obra, que as possibilidades de conteúdos devem ser abertas e flexíveis. Não devem ser impostas, nem únicas. Importante ressaltar que são “sugestões” de organização e desenvolvimento de conteúdos, pautados nas concepções apresentadas na primeira parte desta obra, e que, portanto, não devem ser entendidas como únicas possibilidades, ou mesmo um “engessamento”, impedindo a construção de um trabalho que resguarde as questões regionais, as especificidades de cada localidade que esta obra alcançar. (p. 132, grifo nosso). Aceito todas essas considerações e proposições sobre abordagens pedagógicas, a seguir serão indicadas propostas de conteúdos temáticos, importantes da Educação Infantil independente de concepção, tendências, abordagens ou perspectivas discutidas - que acreditamos serem necessários e significativos para os alunos nesta escola e que devem estar incluídos nos conteúdos do 1º ao 5º ano escolar, embasados em Moreira e Nista – Piccolo (2009), que destacam a organização e escolha desses conteúdos, como essenciais a esse nível escolar. Sendo assim (...) a partir desse momento sugestões de organização e aplicação de conteúdos que não devem deixar de fazer parte da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental, uma vez, que favorecerão o envolvimento da criança com as diversas manifestações corporais e com isso potencializar o seu desenvolvimento. (p, 132) Isso significa dizer, que compete aos professores assumirem uma proposta pedagógica que se identifique e se amolde as suas convicções, ideais, filosofia, propostas educacionais e teleológicas, e que cidadão pretende formar. Porém, como trazem Moreira, Carlos e NistaPiccolo (2009), o professor não deve ser privado, engessado, ou ficar restrito a uma única possibilidade de construir um trabalho que resguarde as questões regionais e as especificidades, e realidades de cada escola ou localidade. Aproximando às práticas da escola Nova Divinéa, a concepção Psicomotora é importante fundamentar e complementar esse conceito, acreditando que os conteúdos 24 Essa obra tem como idéia básica a busca pela legitimidade da área e de um conhecimento que atendesse ao novo paradigma idealizado – o de uma Educação Física como componente curricular de “valor” no processo formativo, que transcendesse a prática pela prática e que pudesse corresponder ao processo educacional como um todo. Esta obra trata de questões atuais da educação como um todo, ou seja, discute e apresenta encaminhamentos de como o professor pode se entender significativo no processo educacional, chamando a atenção para a sua responsabilidade acadêmico –profissional de se apresentar como um profissional que tem a função de contribuir no processo formativo integral de nossas futuras gerações. 72 propostos por essa concepção desenvolvam seus objetivos. Sobre essa concepção e seus objetivos Moreira e Nista – Piccolo (2009) declaram que: Assim, é importante considerar que na Educação Infantil o objetivo específico das aulas de educação Física deve ser estimular a criança de maneira que alcance as habilidades motoras fundamentais. Com isso, possibilitaremos a criação de um acervo motor mínimo às crianças, servindo como base às habilidades mais elaboradas posteriormente (p, 121, grifo meu). Alguns dos Conteúdos tratados na escola e algumas das inúmeras possibilidades existentes no trabalho da Educação Física, estarão postos a seguir, pontuando que a criatividade do professor e suas metodologias são importantes ao direcionar os conteúdos da disciplina, e as temáticas que podem vir a serem desenvolvidos na Educação infantil. Moreira, Pereira e Lopes (2009, p. 136), afirmam sobre a criatividade do professor que: (...) o investimento em criatividade é suficiente para o professor diversificar as possibilidades de movimentação a partir da proposta de despertar ou aprimorar uma habilidade básica do ser humano. Isso quer dizer que o professor precisa planejar suas atividades, explorando ao máximo o que cada uma delas oferece. 3.5 Seleção de conteúdos pertinentes aos primeiros Ciclos de Escolarização, indicados por especialistas da área. A seguir estão relacionados sugestões de conteúdos que são consenso entre professores e especialistas da área, e supostamente importantes e pertinentes aos alunos com idades relativas ao Ensino Fundamental Infantil, não apontando, muito menos impondo tendências pedagógicas, além disso, não delimitando conteúdos específicos a serem adotados - a opção é do professor - ao delimitar conteúdos corremos riscos, isto denota, por si mesmo, uma impossibilidade de se trabalhar as várias perspectivas existentes, cada professor irá defender a tendência que julgar pertinente aos seus princípios; insistindo – sugestão de conteúdos importantes e conexos para esses ciclos. Estes conteúdos sugeridos estão condizentes com as propostas de Moreira, et al (2009), que indica os Jogos e as brincadeiras ( conteúdos da Perspectiva Psicomotora) como conteúdos próprios da infância, e que a partir de circunstâncias prazerosas as crianças poderão ser dirigidas ao aprendizado, respeitando o universo a que pertencem, o contexto social, 73 cultural, permeado pela ludicidade, criatividade e espontaneidade. Entre os conteúdos recomendados estão: - Habilidades motoras básicas: que podem ser desenvolvidas nos conteúdos dos jogos e brincadeiras, habilidades locomotoras, manipulativas, e estabilizadoras. – Valências físicas: equilíbrio, ritmo, resistência, coordenação motora, agilidade, força, flexibilidade. – Conhecimento Corporal: Segmentos corporais, tônus muscular, esquema corporal, noções de lateralidade, estruturação temporal, espacial e óculo-manual. - Brincadeiras populares: Pega-pega, morto-vivo, pular corda, pular elástico, amarelinha, bolinha de gude, cada macaco no seu galho ou cada um no seu quadrado - Jogos Simbólicos: imitações, dramatização ou sessão historiada, pequenos jogos com definição de diferentes papeis - Jogos de construção: Elaboração com materiais diversos (latas, cabos de vassoura, cadeiras, baldes, giz, etc...) possibilitando a criação de alternativas de utilização dos espaços e matérias presentes nas aulas, e os recursos e estrutura oferecida pela escola. - Jogos com regras definidas pelo professor e Jogos com discussão e adaptações realizadas pelos alunos: Queimado, Futebol, Atletismo (corridas e saltos), Voleibol. - Jogos Recreativos ou Atividades Recreativas: Circuito de brincadeiras e habilidades motoras, confecção de brinquedos e materiais alternativos para as aulas. Observados esses conteúdos, duas questões são importantes para analisar, o que ensinar? E como ensinar? São perguntas freqüentes que fazem parte do cotidiano do professor e da disciplina Educação Física. A gama de conteúdos, o repertório de atividades e os temas a serem desenvolvidos no ensino infantil são múltiplos, não podem deixar duvidas quanto a seus objetivos e especificidades, e a importância dos mesmos, nas aulas de Educação Física. As dúvidas quanto à legitimidade e o reconhecimento da Educação Física, e sua importância para as crianças são bastante discutidos, mas é irrefutável seu valor e significado enquanto disciplina curricular obrigatória nas escolas públicas, assim como a importância do professor é fundamental para o processo de ensino - aprendizagem, e com isso, obter sucesso, reconhecimento e resultados - o professor precisa selecionar e sistematizar conteúdos que atendam as necessidades básicas de movimento dos alunos, respeitando o potencial e capacidades individuais de cada um, do mesmo modo que, os conteúdos se adéquem a faixa 74 etária dos alunos e esteja em sintonia com os conhecimentos dos mesmos e suas expectativas, e também a sua saúde. Na unidade escolar (Nova Divinéa) e espaço escolar em questão, esses fatores são supostamente contemplados, respeitando as devidas extensões e dimensões que a disciplina oferece em suas intencionalidades e objetivos. Nos próximos parágrafos a discussão é referente às características correspondentes aos anos iniciais das crianças na fase escolar, criança esta bem próxima de brincadeira - sinônimo imediato - quando pensamos em criança - no imaginário popular - pensa-se em movimento, diversão, brincar, recreação, lúdico, alegria, espontâneo, todas essas características estão bem perto de ser sinônimos da criança e suas atitudes, sendo essas particularidades inseparáveis a essa fase. Como podemos então elaborar e selecionar conteúdos que não acolham a essas características peculiares, particulares e especiais das crianças, seria um contra senso buscar outros caminhos e direções que não abrangessem as necessidades básicas de movimento e brincadeiras das crianças. Relacionar as crianças ao movimento, a brincadeira, a linguagem corporal vivenciadas com alegria e satisfação, significa que: criança è movimento, criança é brincar. A expressão corporal e a necessidade de se movimentar são propriedades respeitáveis e a essência das crianças na Educação Infantil, é a linguagem de referencia nessa fase, portanto, essas características devem ser exploradas, trabalhadas e vivenciadas na escola, almejasse que estas características sejam desenvolvidas nas escolas públicas e nessa unidade escolar, em questão. Sobre o assunto acima, Ayoub (2001, p.57), traz que: A riqueza de possibilidades da linguagem corporal revela um universo a ser vivenciado, conhecido, desfrutado, com prazer e alegria. Criança é quase sinônimo de movimento; movimentando-se ela se descobre, descobre o outro, descobre o mundo a sua volta e suas múltiplas linguagens. Criança é sinônimo de brincar; brincando ela se descobre, descobre o outro, descobre o mundo à sua volta e suas múltiplas linguagens. Descobrir, descobrir-se. Todas essas ponderações, considerações, citações e referimentos citados, estão sendo ditos pra consolidar e fundamentar os conceitos que podem tornar possíveis as possibilidades de atingir objetivos significativos e que atendam as necessidades básicas de movimento das crianças do 1º ao 5º do Ensino Fundamental, da Escola Nova Divinéa, e do ensino Estadual Público, volto a insistir – o movimento como objeto da disciplina-Concepção Psicomotrista. Ponderando sobre esses conceitos, de maneira suposta, acreditasse que um dos propósitos básicos na Educação Infantil, 1º ao 5º ano, principalmente na escola pública, sem dúvida é alfabetizar os alunos, ou seja, chegar aos próximos anos ou séries (6º ao 9º), sabendo 75 ler e escrever. Habitualmente na escola pública o aluno chega a estas séries com leitura e escrita muito limitadas. Estabelecendo uma relação e analogia com a disciplina Educação Física, o “alfabetizar” nesse sentido, de maneira suposta seria usar a expressão corporal, o movimento, como meio de “alfabetizar”, desenvolver as habilidades motoras das crianças através do movimento, das ações motoras, ou seja, desenvolver as capacidades motoras, as destrezas, as percepções, os primeiros movimentos, as habilidades básicas de movimento de uma criança, enfim esse processo poderia ser considerado como a “alfabetização” do movimento, coordenadas e com intervenção pedagógica do professor de Educação Física. Não chegando a conclusões categóricas, nem a verdades absolutas, mas sugerindo que os conceitos e métodos pedagógicos da Educação Física na escola Nova Divinéa, “alfabetizam”, a partir dos movimentos das crianças usando a linguagem corporal e as expressões corporais, ampliando e aperfeiçoando os movimentos (continuidade para os próximos ciclos, habilidades mais elaboradas) através dos conteúdos propostos e transpostos em situação de aula, com intervenção do professor, com a função de mediar e facilitar o processo ensino- aprendizagem. Se este termo “alfabetizar” pode ser empregado ou ter validade na disciplina Educação Física, é uma questão a ser discutida, estando correto ou não, existindo relevância ou não, está aberta a discussão quanto a essa teoria - de confrontar a alfabetização no sentido da palavra, que significa: ensinar a ler e escrever, com a nossa disciplina, que tem o movimento como um dos objetos de estudo a ser desenvolvido pedagogicamente. A relação estabelecida ou análoga seria no sentido de alfabetizar as crianças utilizando como meio e fim alguns dos conteúdos importantes da disciplina, os movimentos, as habilidades básicas e as expressões corporais, preparando e aprimorando as ações, habilidades motoras e os gestos com a intenção dos alunos conquistarem uma base ou alicerce de movimentos que facilitaram o desempenho motor para os ciclos subseqüentes, ciclos estes que rotineiramente, determinam e são marcados pela presença dos Esportes como conteúdos específicos e predominantes do 6º ao 9º ano. Firmo este raciocínio ou conceito de alfabetizar na disciplina Educação Física, trazendo da bibliografia especifica, e fazendo referência ao que a estudiosa professora, Eliana Ayoub (2001), argumenta em seu texto: 76 A Educação Física na Educação Infantil pode configurar-se como um espaço em que a criança brinque com a linguagem corporal, com o corpo, com o movimento, alfabetizando-se nessa linguagem (...). Alfabetizar-se nas múltiplas linguagens do mundo e da sua cultura (p.57, grifo meu). Eliana Ayoub (2001) alega, além disso, quanto à alfabetização na Educação Infantil que: A contribuição da Educação Física na Educação Infantil, “(...) para ser relevante e justificada, precisa auxiliar na leitura do mundo por parte das crianças com as quais trabalha, partindo do pressuposto da construção de si mesmo no decorrer desse processo de “alfabetização” (Grupo de Estudos Ampliado de Educação Física, 1996, p. 51, grifo meu). 3.6 Os professores da Escola – depoimentos, ponderações, conceitos e os significados da Educação Física no 1º e 2º ciclos escolares Uma das grandes vantagens da escola Nova Divinéa possuir um único professor, para a disciplina, são as possibilidades de avanços significativos na continuidade e prosseguimento de conteúdos, favorecendo a construção e retenção dos conhecimentos e habilidades, logo que, os alunos estarão vivenciando os conteúdos com o mesmo professor, e a ininterrupção das aulas nas séries seguintes, beneficiaram o caráter e características simultâneas, de totalidade e continuidade, como já foi tratado e discutido no capitulo referente a Ciclos e Séries. Para consolidar esse raciocínio, é dito, segundo a especialista nessa área, Agnes Dulcinéa, et, al (2009), que o respeito às diferenças individuais (biológicas) e ao tempo pedagógico para retenção de conhecimentos, e o processo de assimilação do saberes propostos, são considerados, não há uma rigidez quanto à transposição didática dos conteúdos, confirmando assim a proposta curricular de Organização em Ciclos. Analisada a bibliografia especifica referente ao tema, nos deparamos em, Souza Junior (2007), ao tratar da temática do prosseguimento dos conteúdos e da Organização em Ciclos, o autor sugere que o tempo deve ser mais bem aproveitado, como também, uma melhor repartição de conteúdos, mediante agrupamento, aproximação e continuidade, essas características norteiam as práticas pedagógicas e educativas em nossa unidade escolar. Em relação à necessidade de movimento das crianças, encontramos na bibliografia, João batista Freire (1994, p.81), que declara “Assusta-me ver crianças sentadas durante horas 77 em um banco escolar”, coloca em discussão o autor, o tempo que as crianças ficam privadas de exercer aquilo que lhe é mais característico e simbólico, o movimento, prosseguindo suas considerações, João Batista Freire cita que: O movimento, no caso, seria um instrumento utilizável para facilitar a aprendizagem de conteúdos mais diretamente ligados ao aspecto cognitivo, de modo que correr, saltar, arremessar, girar, por exemplo, poderiam ser úteis à aprendizagem da leitura, da matemática e assim por diante (p. 83). Comumente as crianças passam em torno de quatro horas, sentadas em suas carteiras, assistindo aulas e cumprindo tarefas, para crianças de 06 anos a 10 anos de idade, essa condição não deve ser prazerosa, muito menos agradável e estimulante a essa faixa etária, como já mencionamos antes, essa fase ou faixa de idade é marcada pelas ações físicas, propriedade acentuada nas crianças. Tomando como base as afirmações trazidas, a professora Mônica j. Santos, da escola Nova Divinéa – 4º ano, do 1º Ciclo, cita em seu depoimento sobre o momento da aula de Educação Física que: (...) A Educação Física ajuda também a criança a liberar durante a aula suas energias físicas muitas vezes acumuladas pela longa jornada de atividades diária que tem, este momento ela aproveita para se exercitar, aprender e brincar e se tornar um cidadão saudável e consciente de seu papel na sociedade como um todo, respeitando as diferenças e limites, seus e dos outros (... grifo nosso) Como o objetivo da pesquisa é demonstrar a importância da Educação Física nos Ciclos escolares (1º e 2º), é relevante discutirmos e saber as ponderações, as idéias e o que pensam os professores da escola, relativo à temática – Educação Física no 1º e 2º Ciclos Escolares. A mesma professora referida acima, sobre a temática discorre em sua fala que, (...) É importante para o desenvolvimento cognitivo, psicomotor; pois através das atividades realizadas durante as aulas o aluno desenvolve com mais eficiência a coordenação motora e sua percepção de espaço, noções de direita e esquerda para localizar-se em seu espaço físico desenvolvendo o senso de respeito, com os outros (...) Estas são ponderações já discutidas e analisadas, que confirmam o significado e competências constituídas e abarcadas em nossos princípios e concepções, que ambicionamos pra nossos alunos e consolidamos como proposta pedagógica em nossa escola. Ao ser 78 questionado sobre a importância da Educação Física nos ciclos escolares na escola Nova Divinéa, a professora Edna da silva, do 3º ano do 1º ciclo, indica sobre a temática que: (...) A Educação Física é uma disciplina muito significativa para os alunos no 1º e 2º Ciclos de Escolarização. Apesar de não fazer parte da grade curricular e não ser oferecida em todas as unidades de ensino, a mesma é de relevante importância para o desenvolvimento das crianças; pois, através da Educação Física as crianças passam a aprender regras de convivência; identificar e demonstrar atitudes e valores como respeito, cooperação, participação, colaboração, trabalho em equipe; identificar as diversas partes do corpo e compreender o seu funcionamento nas atividades do corpo humano; vivenciar atividades lúdicas que favoreçam o desenvolvimento da lateralidade, do equilíbrio, das diversas formas de percepção e coordenação. Com relação à vivência da disciplina Educação Física na Escola Nova Divinéa, considero bastante positiva, por integrar todos os aspectos acima citados (...) No discurso da professora é levantada uma questão importante, quando a mesma cita em sua fala que , a Educação Física é muito importante, apesar de não fazer parte da grade curricular do 1º e 2º ciclos, e não ser oferecidas em todas as unidades de ensino, privando os alunos de se apropriarem dos conhecimentos e conteúdos oferecidos pela disciplina, corroborando e confirmando o conceito de que a Educação Física é muito significativa e importante nesses ciclos escolares, impondo assim relevância ao nosso objeto de estudo. A diretora adjunta da Escola Nova Divinéa também contribui para o estudo ao fazer suas considerações sobre a disciplina, e suas intencionalidades e significados, nas séries iniciais do Ensino Fundamental, pontuando que: (...) Nas séries iniciais (1º ao 5º ano) do ensino fundamental, a Educação Física é de particular importância, uma vez que o objetivo pedagógico da disciplina estar voltado à construção da cidadania do educando, quando vivência situações de socialização através dos jogos,cultivar bons hábitos de higiene e alimentação, favorece a construção de uma atitude de repúdio a violência e ao preconceito. Na nossa escola as crianças gostam da disciplina, participam ativamente de maneira espontânea e positiva da execução dos exercícios proposto, o que favorece o seu desenvolvimento físico e mental, professora Verônica de Brito (...). 79 Para finalizar as considerações sobre as competências da Educação Física na Escola Nova Divinéa, apresento as ponderações da professora Ana Maria da Silva, responsável pelos primeiros encaminhamentos pedagógicos e educacionais das crianças na vida escolar, por ser esta professora do 1º ano (alfabetização) do 1º ciclo do Ensino Fundamental, ou seja, o primeiro contato que as crianças tem com a escola e as disciplinas do currículo, e em especial o primeiro contato e experiência com a Educação física. (...) É de grande valia a prática da Educação Física para os alunos do 1º e 2º Ciclos de escolarização, pois visa o conhecimento das partes do corpo e o seu funcionamento, o desenvolvimento das noções de lateralidade e equilíbrio nas diversas formas de percepção e coordenação. Respeito às regras, demonstração de atitudes e valores como respeito e cooperação, relacionando às atividades de Educação Física com a promoção a saúde, física e mental – professora Ana Maria da Silva (...) Finalizo assim, as exposições e ponderações sobre as práticas pedagógicas vivenciadas e desenvolvidas na Escola Nova Divinéa, explicitando e discutindo suas competências, valor, importância, e real significado enquanto disciplina do componente curricular obrigatório nas escolas públicas. CAPÍTULO IV - Os Benefícios do acesso às aulas de Educação Física no 1º e 2º Ciclos da Educação Fundamental Infantil. 80 Essa etapa apresenta como objetivo principal, destacar os benefícios que o acesso as aulas de Educação Física podem oferecer as crianças no 1º e 2º Ciclos Escolares do Ensino Fundamental. Esta fase, a ser apresentada, e sua respectiva análise estão fundamentadas em resultados de trabalhos referentes ao confronto da Educação Física organizada em Séries e Ciclos, como também, em produções expressivas nessa área, elaboradas por autores estudiosos de currículos nessa disciplina. Um dos documentos que será analisado indica e aponta benefícios relevantes quanto ao acesso às aulas de Educação Física, que podem ser desenvolvidos nessa disciplina, direcionados aos primeiros ciclos escolares. Estes benefícios estão relatados, nos estudos e na obra dos autores: Elisabete dos Santos Freire25 e José Guilmar Mariz de Oliveira26. Essa pesquisa foi desenvolvida em 2004, e tem a finalidade de verificar as características, os benefícios e os valores do conhecimento desta disciplina, a serem aprendidos, desenvolvidos e estudados nas aulas de Educação Física, para os quatro anos iniciais do Ensino Fundamental. Para desenvolver a investigação, os autores analisaram algumas obras da literatura específica da área, entre essas produções estão selecionadas para o estudo: Castellani Filho (1995), Daolio (1995, 1996), Freire (1997), Soares et al (1992), Resende e Soares (1996), Tanie et al (1988), Gallahue (1987), Borsari (1980), PCN, Brasil (1997). Os autores classificaram os elementos do conhecimento em categorias, para sistematizar a análise, essas categorias foram divididas em três grandes blocos de conhecimento, segundo a classificação indicada por Coll (1997), que são: conceituais procedimentais e atitudinal. O conhecimento conceitual se refere aos conceitos, princípios e fatos, por sua vez o conhecimento procedimental tratara das habilidades, técnicas e destrezas e por fim o conhecimento atitudinal aborda as normas, as atitudes e os valores. Analisadas as obras especificas da área, Freire e Oliveira (2004), tiveram a preocupação de caracterizar os objetivos, significados e sentidos de cada abordagem e os conteúdos respectivos aos conhecimentos da Educação Física escolar. As obras avaliadas no 25 26 Professora da Universidade são Judas Tadeu e Universidade Presbiteriana Mackenzie. Professor do Instituto de Cinesiologia Humana de São Paulo – ICHsp. 81 estudo apresentaram características distintas quanto aos objetivos e a organização do trabalho e práticas pedagógicas a ser desenvolvido nas aulas de Educação Física. Confrontadas as similaridades e distinções dessas abordagens, optaram Freire e Oliveira (2004), por selecionar e identificar as três principais abordagens, segundo eles, as mais importantes da Educação Física, diferençadas entre elas, em que as mesmas apresentam enfoques distinguidos entre um conhecimento sobre outro, como analisa Darido (1998). A primeira abordagem a ser avaliada está nas produções de Tani et al (1988) e Gallahue (1987). O objetivo principal dessa abordagem está relacionado à aprendizagem dos conhecimentos relativos a procedimentos, assim, a finalidade especifica desse componente curricular é o desenvolvimento motor, portanto, não há preocupação com aspectos históricos e culturais do aluno. Os conhecimentos atitudinais não são elucidados, nem referenciados nessa abordagem. Quanto ao conhecimento conceitual dessa proposta as intenções estão direcionadas às estruturas perceptivo-motoras oferecendo subsídios indispensáveis para a efetivação do movimento. Na segunda abordagem, que está estabelecida na obra de Freire (1997), é diagnosticada uma grande preocupação, está preocupação está voltada para as peculiaridades do desenvolvimento da criança, que estão direcionados ao desenvolvimento integral do aluno. Nesta abordagem há uma maior evidência para os conhecimentos conceituais, não tão específicos da Educação Física como as noções de classificação, seriação e ordenação, onde o autor dessa abordagem considera ser o movimento: o meio e o fim para se conseguir o desenvolvimento integral do aluno. A terceira abordagem está baseada nas produções de Soares et al (1992),Daolio (1995), Resende e Soares (1996) e Castellani Filho (1995), a preocupação desses autores está identificada com o caráter histórico e cultural da execução dos movimentos. Debatem os mesmos que o movimento e o desenvolvimento motor será um meio para permitir aos alunos uma compreensão crítica da sociedade. Além disso, asseguram que o conhecimento a ser aprendido nas aulas de Educação Física não é o movimento humano, mas sim os temas da cultura corporal. Resumidas as propostas elegidas, e após as análises das abordagens em pauta e suas respectivas produções, concluíram os autores (Freire e Oliveira, 2004). Que os benefícios relevantes para as crianças, ao ter acesso às aulas de Educação Física, referentes aos 82 conhecimentos de caráter procedimental, a serem aprendidos e devidamente adequados aos primeiros ciclos de escolarização do Ensino Fundamental são: 1. Aprendizagem de habilidades motoras a) Básicas: arremessar, saltar. Correr, receber, rebater, quicar, chutar, andar, girar, rolar, entre outras, procurando criar o máximo de variações possíveis na realização do movimento, com ou sem objetos. b) Culturalmente determinadas, que são realizadas dentro de manifestações culturais estabelecidas como jogos, modalidades esportivas, danças, lutas e ginástica. 2. Desenvolvimento de capacidades perceptivo-motoras como antecipação, localização espaço-temporal, lateralidade, percepção auditiva, tátil e visual 3. Desenvolvimento de capacidades físicas e motoras, como: força, velocidade equilíbrio, agilidade e outras. É consenso entre os autores que após as análises dos procedimentos propostos, foi observado que todos asseguraram a necessidade de priorizar a aprendizagem das habilidades motoras nos anos iniciais do ensino fundamental. Sobre essa questão, Daolio (1995, 1996), destacou a importância da aprendizagem de uma “base motora” para as crianças posteriormente exercitarem atividades mais complexas como a dança, o jogo e o esporte. Por sua vez, Tani et al (1988), ao focalizar a aprendizagem de habilidades básicas no 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental, avaliza : “(...) habilidades básicas são importantes para a aprendizagem de todas as habilidades especificas ou culturalmente determinadas, requisitadas no trabalho, na vida social, enfim, na vida das pessoas (...), (p.89)”. Abreviando as propostas e as análises das produções e abordagens selecionadas, assim como, os conhecimentos e benefícios de caráter conceitual. Estão elencados abaixo os benefícios de caráter conceituais considerados importantes pelos autores e pertinentes nas práticas pedagógicas da disciplina para os anos iniciais do Ensino Fundamental, entre eles estão: 1. Conhecimento de si mesmo, suas possibilidades de movimento e limitações. 2. O corpo e as alterações fisiológicas causadas pelo exercício e seus benefícios para a saúde. 83 3. Características das atividades e suas exigências específicas: formas de realização, as regras dos jogos ou modalidades esportivas, a relação espaço-tempo, ritmo, velocidade, intensidade, fluidez. 4. Análise da realização de movimentos culturalmente determinados em sua própria localidade, na mídia e em seus companheiros. 5. Os aspectos de historicidade e as características sociais do movimento humano. Avaliados os documentos escolhidos, verificou-se que os autores apresentaram referencias sobre conhecimentos relativos a conceitos, princípios e fatos que precisam ser estudados, mas não estão devidamente especificados ou elucidados, mas que devem ser aprendidos pelos alunos nos primeiros ciclos, verificou-se ainda que as obras analisadas dêem conotações diferentes sobre esses conhecimentos. Castellani Fillho (1995) argumenta que além de dominar o “saber fazer”, é preciso que o aluno compreenda como o esporte aparece em seu cotidiano. Foi observado que, as descrições dos conhecimentos conceituais aparecem de forma muito resumida e superficial, como grandes blocos temáticos sem um detalhamento das estruturas que os compõe. Freire (1997) aborda que os alunos consigam compreender a refletir sobre as estruturas envolvidas na realização das atividades. Porém não há a discussão de quais podem ser essas estruturas envolvidas. O resumo das propostas avaliadas, que trarão acrescimentos para as crianças na disciplina Educação Física, referentes ao campo dos conhecimentos atitudinais, nos primeiros anos do Ensino fundamental estão postos a seguir: 1. Aprendizagem de valores e atitudes gerais como: responsabilidade, solidariedade, respeito, cooperação, sociabilidade, disciplina, organização, autoconfiança, autocontrole, incentivar a participação dos colegas, não discriminação dos colegas, companheirismo, auto-conceito positivo, ser criativo, entre outros. 2. Perceber e aceitar regras como necessárias ao convívio. 3. Participar de forma autônoma, espontânea das atividades motoras. 4. Valorizar e apreciar as atividades motoras, percebendo-as como um recurso para usufruto do tempo disponível, ou mesmo como algo belo, participando delas ou apenas assistindo-as. 5. Buscar utilizar-se de movimentos não prejudiciais nas situações do cotidiano. 6. Perceber sensações afetivas envolvidas na realização dos movimentos. 84 Nas produções de Soares et al (1992) e PCN (1997) não foram abordados, muito menos discutidos as intenções dos autores quanto a relevância dos conhecimentos atitudinais ou valores específicos da área de Educação Física, mas sim valores e atitudes que são comum a todas as disciplinas do currículo. Em Tani et al (1988), Castellani Filho ( 1995) e Daolio (1995, 1996), esse autores, do mesmo modo, não discutem a propostas de caráter atitudinal, com a intensidade que poderia merecer. Concluíram os autores, Freire e Oliveira (2004) que é necessário realizar análises mais enraizadas sobre os conhecimentos atitudinais na Educação Física Escolar. Finalizadas as análises de cada categoria de conhecimentos, Freire e Oliveira (2004), chegaram às seguintes conclusões: Percebe-se nas propostas que os conhecimentos conexos a fatos, princípios, conceitos, procedimentos, normas, atitudes e valores a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física, compõem um currículo relevante para a disciplina - sem dúvidas. Porém é proeminente realçar que esses elementos, continuamente não estão especificamente paralelos ao movimento humano – quando este está designado como objeto de estudo da disciplina. Porém há um contraponto que precisa ser registrado, quando tratam, os autores dos objetos de estudo em cada abordagem, uma abordagem pedagógica traz o movimento como objeto; e a outra traz a cultura corporal como objeto pedagogizavel, Freire e Oliveira (2004), quando enfatizam as abordagens que situam a cultura corporal, como objeto da Educação Física, mencionam que, os conteúdos da Educação Física Escolar viabilizados pela disciplina nessa abordagem são: Jogos, Ginástica, Danças, Esportes e Lutas - que valorizam os aspectos históricos e culturais. Porém, apontam os mesmos, que se tenha a clareza necessária sobre quais elementos presentes nessas manifestações culturais são relevantes para a Educação Física Escolar, de modo que cada manifestação pode ser considerada como fenômeno cultural específicos, oferecendo características particulares que as distinguem. Completam os elaboradores do documento (investigação), citando que essas manifestações culturais podem ser de interesse de outras disciplinas com a História e a Geografia, por exemplo. Do mesmo jeito que a Dança pode ser tema da Educação Física e da Educação Artística. 85 Os autores enfatizam em suas conclusões, que cada obra discutida procurou especificar uma parte ou uma área do conhecimento (conceitual, procedimental, e atitudinal) da Educação Física Escolar em detrimento de outras, por conseguinte afirmam os autores que: (...) Dessa forma, ao optar por uma delas, deixando de lado outras, o professor estará limitando a seu aluno o acesso ao conhecimento da Educação Física. Nessa perspectiva, se entende que a tentativa de integração entre as diferentes propostas pode permitir uma visualização mais completa de todo esse conhecimento. Embora existam muitas diferenças entre as abordagens da Educação Física Escolar, essas diferenças não as tornam incompatíveis ou mutuamente excludentes. Ao contrário, uma proposta pode complementar as outras, ou seja, ao serem integradas podem fazer com que a Educação Física seja vista de forma mais completa. Darido (1998), defendendo essa idéia, afirma que a busca de acordos para a integração das diferentes abordagens é responsabilidade de todos. Freire e Oliveira (2004, p. 148, 149) Persistem os autores e debatem ainda sobre o fato das habilidades motoras, serem o foco central dos benefícios proporcionado as crianças nos anos iniciais da escola. Em analogia a esse argumento, destacam os mesmos nas conclusões do estudo (FREIRE E OLIVEIRA 2004), ao se posicionarem sobre o assunto que: (...) a aprendizagem das labilidades motoras possui aspectos positivos, à medida que propiciou a produção de uma grande quantidade de conhecimentos sobre esse tipo de aprendizagem em decorrência da profundidade das análises realizadas. Com isso, a tarefa de organizar o conhecimento da Educação Física para possibilitar a aprendizagem de habilidades motoras pode ser realizada sem dificuldades. Além disso, essa prioridade é adequada às características da faixa etária que freqüenta os anos iniciais da escolarização, como evidenciado por Tani (1991), Tani et al (1988) e Freire et al (1998). (p. 149). A próxima produção que será analisada, igualmente e paralelamente, apresenta à preocupação e finalidade de discutir os múltiplos benefícios do acesso as aulas da disciplina Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental – especificamente o 1º e 2º ciclos escolares (1º ao 5º ano). Essa obra foi organizada por: Moreira, Carlos e Nista- Piccolo (2009), e tem como titulo: “O quê e como Ensinar Educação Física na escola”. Nessa obra os artífices enfatizam que os objetivos importantes na Educação Infantil, que possam colaborar com benefícios as crianças através das aulas de Educação Física, perpassam pela necessidade de se estimular as mesmas, para que obtenham as habilidades motoras fundamentais, a partir de modelos de condutas motoras observáveis. Por conseguinte citam os autores que as aulas de Educação Física devem adequar situações em que as crianças 86 possam se movimentar pelos espaços, com caráter de exploração e experimentação, para uma melhor aplicação e construção dessas habilidades motoras, para o seu desenvolvimento e sua formação. (Moreira, Carlos et al 2009). Ainda, sobre o argumento da necessidade de se obter habilidades motoras básicas nos anos iniciais escolares, consideram os causadores dessa obra que as crianças na Educação Infantil criem um acervo de habilidades motoras que servirão de alicerce as habilidades mais complexas e elaboradas posteriormente, próximo ciclos, ou seja, benefícios futuros, na escola, como na vida. Moreira, Carlos et al (2009), apontam que as aulas dessa disciplina, devem ser permeadas pelo caráter de prazer e ludicidade. Brincar é propriedade particular nos anos iniciais das crianças na escola, a partir de regras e somados aos diversos materiais e condições estruturais disponíveis, antecipadamente colocadas como recursos nas práticas pedagógicas, entre os colegas e o professor, essas características também são benesses que o acesso as aulas de educação Física proporcionam as crianças. Uma questão importante que discutem os estudiosos em currículos, para que aulas de Educação Física proporcionem benfeitorias aos alunos, é que aulas não devem exclusivamente ser direcionadas a dimensão procedimental, o fazer pelo fazer, mas sim um “fazer” com significados formativos, que potencializem do mesmo modo as dimensões atitudinais e conceituais. É preciso que se respeite a convivência social, a afetividade, o respeito às normas e ao próximo, entre outros. Finalizam os autores, afirmando que se deve buscar a formação integral. Nos primeiros Ciclos de Escolarização, Moreira, Carlos e Nista-Piccolo (2009), apontam que as características da Educação Infantil são distinguidas, nesse caso, os especialistas ponderam que os níveis de desenvolvimento motor, afetivo, cognitivo e social são mais adiantados, ou seja, implicando nesse caso mais atenção, cuidado, paciência, e respeito a cada aluno e sua individualidade biológica. Na inclusão dos benefícios para os primeiros ciclos escolares, sugerem os estudiosos do tema que não é hora de se especializar uma ou outra habilidade, mas sim instituir analogias entre o que foi conquistado, ajustando com o que se pretende adquirir. Por exemplo, combinar as habilidades básicas de correr e de saltar, relacionando ao atletismo. Isso significa dizer que não devamos especializar, mas oportunizar que todos vivenciem as diversas habilidades, ou 87 seja, generalizar, por conseguinte, relacionar essa vivencia com a praticidade de outros esportes a outras ocasiões do dia a dia. Prosseguindo com as questões que implicam em benfeitorias as crianças nas aulas de Educação Física e seus acrescimentos para as crianças nos primeiros ciclos, como está sendo discutido com mais ênfase neste capitulo, supostamente podemos acreditar que não restam dúvidas quanto à relevância da disciplina como componente curricular. A partir desse argumento, e levantando a hipótese das crianças não terem acesso as aulas de Educação física, a carência dessas aulas traria perdas significativas aos alunos, como é comentado por Moreira, Carlos et al (2009), na afirmação abaixo: A ausência de aulas de Educação Física pode incorrer num atraso na aquisição de certas habilidades das crianças. Esse é um fato muito comum, visto a não existência de aulas de Educação Física nessa fase, ou até mesmo professores especialistas, durante a Educação Infantil. Ainda que minimamente, a oportunidade do contato das crianças com experiências motoras diversas, permite uma ampliação em seu acervo motor preparandoas para a fase seguinte: combinação e aperfeiçoamento dos movimentos. (p.127) Isso significa dizer, que existe razão significativa para que a Educação Física permaneça nos currículos escolares e que através do desenvolvimento das habilidades motoras, justifica-se o seu ingresso nas escolas, e que se ponham em prática as diferentes manifestações corporais expressivas aos anos iniciais da escolarização, como, as brincadeiras, os jogos populares, as danças, as ginásticas, as lutas, dentre outras possibilidades. Essas possibilidades seguramente trariam acrescimentos significativos a qualquer criança nos anos inicias da escola. É a consolidação e uso das habilidades motoras com significação cultural. Quando se oferece oportunidades às crianças de participarem das aulas de Educação Física, é pressuposto que benefícios expressivos surgirão, Grespan (2002), Freire e Scaglia (2003), a partir desse argumento, afirmam que as aulas dessa disciplina precisam proporcionar diferentes formas de organização, solução de problemas, sentimentos, autocontrole, desenvolver regras e normas para diferentes atividades. Buscando estratégias que aumentem atitudes de cooperação e participação, a partir da criação e do respeito às regras, diferenças, potencialidades e limites individuais. Estão postas nessas posições mais fatores positivos que justificam as aulas de Educação Física. Moreira, Carlos et al (2009), distinguem que na Educação Infantil, o que as crianças dessa faixa etária mais gostam de fazer é brincar, sobretudo com os colegas e grupo. Concluso 88 que, brincar origina benefícios aos alunos, e essas mesmas brincadeiras permitem aos alunos um contato físico e social, fortalecendo as relações e ampliando o sentimento da identidade infantil. Proporcionando confiança, beneficia assim, a obtenção de liderança, cooperação, representação de papéis e execução de regras. Condutas afetivas que podem ser construídas, através da disciplina e essenciais a qualquer criança. Os múltiplos benefícios das aulas de Educação Física contidos e citados nesta obra finalizam estas análises, mais as intenções capitais desses especialistas e suas investigações quanto às ricas possibilidades que as aulas de Educação Física e a disciplina podem oferecer aos alunos, no contexto de Jogos e Brincadeiras, se sucedem e não acabam aqui. Simplificam, sintetizam e concluem os autores que os Jogos e Brincadeiras, são próprios da infância, originando benefícios as crianças e conduzindo-as ao aprendizado. Levando-nos a acreditar que a disciplina que trata de Jogos e Brincadeiras como conteúdo a ser pedagogizado, com intervenção do professor é a Educação Física - a partir de situações prazerosas, sempre considerando o universo a que compete, o contexto social, cultural, afetivo, permeado pela ludicidade, descoberta, criatividade e espontaneidade. Retornando ao capitulo que identificou as características e diferenças entre as Organizações em ciclos e a Organização em séries, prontamente vamos discutir quais os benefícios que podem ser considerados relevantes as crianças, quando transportados ao contexto de Organizações Seriadas e Cíclicas em paralelo as aulas de Educação Física. Visto que algumas dessas informações já foram discutidas no capitulo citado acima. O Governo do Estado através da Secretaria de Educação indicou a Perspectiva CríticoSuperadora como proposta pedagógica oficial do Ensino Público para a disciplina Educação Física. Por conseguinte estabeleceu que a proposta curricular de ensino abraçada para a disciplina, é a Organização escolar em Ciclos, diante dessa opção pela Organização em ciclos, conferir o que os especialistas em currículo nessa área, atribuem como benefícios dessa Organização aos alunos é imprescindível. Um dos estudiosos selecionados para discutir o tema, Souza Junior (2007), apresenta que na proposta curricular em Ciclos as características que possam trazer possíveis benefícios para os alunos são: que o tempo escolar deve ser mais bem aproveitado, considerando assim que cada aluno tem o seu tempo e ritmo de aprendizagem, sugere ainda o autor que deve haver uma melhor distribuição dos conteúdos, mediante agrupamento, aproximação e continuidade. Concluísse que a partir dessas características citadas pelo autor, às capacidades 89 biológicas e psicológicas individuais dos alunos são respeitadas – considera o autor que todas essas prerrogativas supostamente implicam como benefícios “que todos possam aprender” Agnes Dulcinéa et al (2009), outra especialista da área, por sua vez, destaca que a Organização em Ciclos, não só para a disciplina Educação Física mais para as demais disciplinas, indicam benefícios relevantes para o sistema educacional e aprendizagem do alunado, entre esses aspectos estão: na Organização em Ciclos a educação é idealizada como formadora de sujeitos; o espaço e tempos escolares são organizados segundo as etapas de desenvolvimento do educando; o tempo e o ritmo de aprendizagem não é rígido, é organizado de forma que haja respeito ao desenvolvimento individual do educando; a esse processo continuo de desenvolvimento nomeasse Ciclos de Vida. Ainda quanto à forma de Organização em Ciclos a autora aponta que o papel do educador está baseado no compromisso com a formação de sujeitos autônomos, participantes da vida e cidadãos responsáveis. Não poderia ficar a margem desse estudo a perspectiva que dita às diretrizes da disciplina Educação Física na Rede Pública do Estado – a concepção Crítico – Superadora, que traz na obra Coletivo de Autores (1992) seus conceitos e propostas para os ciclos escolares. Analisadas suas propostas e benefícios para os primeiros ciclos escolares encontramos várias implicações, a seguir serão elencadas algumas de suas principais proposições: Coletivo de Autores (1992) aborda que a principal característica da Organização em Ciclos é a “simultaneidade” e a “totalidade” dos conhecimentos. Enfatiza os autores que devam ser respeitados a capacidade cognitiva dos alunos, respeito à individualidade biológica, ou seja, selecionar conteúdos que estejam adequados a realidade do mundo dos alunos. Como indica a abordagem Critico- Superadora os conteúdos de ensino ampliam-se no pensamento de forma espiralada, dessa forma o aluno tem mais tempo para reter os conhecimentos, já que as etapas não são tão rígidas quanto à unidade, bi-mestre e semestres – estes supostamente são um dos grandes benefícios da Organização em Ciclos. Outro beneficio importante citado pelos estudiosos (consenso) em currículos e suas formas, é que o currículo em forma de Ciclos através de seus conceitos e particularidades, supostamente pode melhorar o desempenho escolar dos alunos, diminuírem a evasão escolar e a reprovação. Evitando, assim, desperdício de verbas públicas, retenção dos alunos nas 90 mesmas séries, congestionando as escolas, conseqüentemente diminuindo vagas na Rede Pública, evitando também a desmotivação de pais e alunos. Concluindo o texto, e analisando a propostas de vários autores é extremamente oportuno discutir os supostos, consideráveis e múltiplos benefícios que a disciplina Educação Física pode proporcionar as crianças, quando as mesmas tiverem a chance de ter acesso a suas aulas. 91 CONCLUSÕES Podemos constatar através dos dados coletados nas referencias teóricas elegidas para fundamentar essa pesquisa, que as informações e elementos analisados confirmam um pensamento que já se anunciava em consequência de nossas práticas educacionais. Na verdade, foi das inquietações deles decorrentes que tivemos a intenção de realizar essa pesquisa e divulgar seus resultados e propostas, dando assim sustentação ao conceito que acreditávamos para a disciplina, aproximando deste modo, a teoria com a prática. Esse conceito faz reverência às características e propriedades intrínsecas das crianças nessa fase escolar (06 a 11anos), que são a necessidade de se movimentar e brincar, ou seja, os primeiros anos das crianças na escola são determinados pelas “ações físicas”. Matos e Neira (2009) abordam que o pensamento será precedido pelas ações físicas em qualquer situação, isso significa que dizer que nos primeiros ciclos escolares a ação corporal predomina sobre a ação mental. Creio que esse conceito é fundamental e importante para o 1º e 2º ciclos escolares. Não haveria motivos assim, para seguir em outra direção, há que se desenvolver essa particularidade tão evidente e peculiar, as crianças. Acredito que uma das finalidades dos estudiosos da área (Educação Física Escolar) é poder diminuir as distâncias, ou procurar minimizar as diferenças entre teoria e prática, o que é publicado; assim como, os conceitos e proposições apresentados pelos estudiosos da área, por muitas vezes está longe da realidade que encontramos nas escolas, por isso creio que se a teoria e a prática estiverem cada vez mais próximas as chances de termos uma Educação Física de qualidade, e que atenda as necessidades e anseios das crianças, serão muito maiores. Nesse sentido, o mais prudente e sensato é que de desenvolva e se valorize o movimento, as habilidades motoras e as valências físicas nas aulas de Educação Física para esse nível escolar. Aproximando assim a teoria que empregamos a prática que é realizada em nossas aulas. Avaliados os autores e as produções designadas para essa pesquisa, verificamos que a menor distância entre teoria e prática está na concepção Psicomotora, de João Batista Freire (1994), que fundamenta seu conceito em desenvolver as habilidades motoras através do movimento, dentro do contexto de brincadeiras e jogos, a partir do universo da cultura infantil 92 que a criança possui, contemplando assim, e ao mesmo tempo atendendo aos anseios e necessidades das crianças nessa fase escolar. Necessidades essas, que concluímos serem as mais importantes para o 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental I. Concluo então que a principal questão aqui não é discutir a cultura, cultura corporal de movimento, cultura corporal ou cultura de movimento. Enquanto esses debates se alongam e se ampliam, não há avanços significativos, nem se chega a conclusões definitivas ou a consenso, sobre qual concepção eleger para fundamentar as práticas pedagógicas das aulas de Educação Física. Os protagonistas das aulas de Educação Física são as crianças, esse fato sim é consenso, então a partir desse conceito, certamente devemos valorizar, e priorizar aquilo que as crianças trazem com elas desde pequenas, e que são conhecedores, que é o brincar e se movimentar. A capacidade de brincar, fantasiar, se movimentar e jogar é uma condição intrínseca da criança, a cultura infantil é própria da criança, já a cultura tradicional e popular é produzida pelo homem, a sociedade, a família e a escola, através da história. Mas a experiência e o desenvolvimento natural da criança não estão atrelados a raízes históricas, culturais e sociais e sim a sua condição biológica e natural, solidificando assim nossas conclusões, referentes aos conceitos eleitos para permear as práticas educacionais no 1º e 2º ciclos. Sobre os Ciclos escolares e suas formas de organização, as conclusões observadas, são que as Organizações em Séries e Ciclos, possuem suas especificidades e diferenças, e cada uma delas traz vantagens e desvantagens ao aprendizado dos alunos. A intenção principal não é discutir qual a melhor forma de Organização, e sim discutir a Organização Escolar que mais se adéqua a cada realidade e a cada escola. Autores e estudiosos do tema não chegam ao consenso de eleger uma organização, em detrimento da outra, mas sim, indicam as possibilidades e particularidades que cada uma proporciona. É definido e consenso, apenas que a Organização em Ciclos surgiu para combater ou minimizar as reprovações, evasão escolar e congestionamento de alunos nas escolas. A Escola Nova Divinéa que serve como lócus de investigação para análises de suas práticas na pesquisa, nos leva a uma conclusão especifica sobre a Organização em Ciclos. No caso, essa Organização apresenta vantagens aos nossos alunos, pelo seguinte motivo: como a Organização em Ciclos indica aproximação, agrupamento e continuidade, essas características colaboram com a dinâmica de nossas aulas, devido à escola só ter um professor para a disciplina, assim os alunos têm a oportunidade de conviver com o mesmo professor durante 93 todo o 1º e 2º ciclo, o que beneficia a retenção de conhecimentos, o desenvolvimento das habilidades e o respeito ao ritmo de aprendizagem de cada um. O professor passa a conhecer melhor os alunos ao longo dos anos, identificando assim, as dificuldades e facilidades dos mesmos, e dessa forma pode planejar e sistematizar conteúdos e estratégias de aulas que atendam as necessidades e anseios das crianças, assim como, a aprendizagem tornasse bastante significativa. Insisto: Enquanto à distância ou o muro que existe entre teoria e prática não forem minimizados ou diminuídos, dificuldades, questionamentos, incertezas e credibilidade quanto à disciplina sempre serão postos em debates, discussões e contestações, quanto a sua importância. Quando optamos por expor as práticas e a dinâmica das aulas dessa escola, a intenção e objetivo foram mostrar que com comprometimento, criatividade do professor e o apoio da equipe pedagógica e gestora da escola, diversos problemas e dificuldades habituais enfrentados pela disciplina, podem ser minimizados. Ao descrever como acontecem as aulas nessa escola, ao expor imagens e colher depoimentos de professores, a finalidade é mostrar como é importante a disciplina Educação Física no currículo escolar. Demonstrando dessa forma como é possível dar dinâmica as aulas sem muitos recursos e estrutura, advertindo que, é fundamental respeitar, adotar e seguir uma filosofia especifica de trabalho, ou seja, uma Concepção Pedagógica. Analisadas as aulas de Educação Física na Escola Nova Divinéa, as alternativas e as conclusões são extraídas e apresentadas. Deixando claro que o objetivo principal é minimizar os problemas mais comuns enfrentados pela disciplina no âmbito escolar, entre tais constatações algumas são as mais importantes como; - É fundamental para a Educação Física, em todos os ciclos que as aulas sejam no turno regular de ensino, enquanto isso não for definitivo a disciplina continuara na marginalidade, em nossa escola as aulas são no turno regular, conclusão: todos participam. - Com a possibilidade de se ter um pátio coberto ou uma sala de aula, é possível realizar as práticas da disciplina. Ver imagens, capitulo 3 - Aulas mistas não trazem dificuldades, e sim sociabilidade, união e inclusão -Materiais alternativos não impedem que as aulas práticas se desenvolvam com naturalidade e eficiência. Ver imagens, capitulo 3 94 - Apoio, união e integração entre professor, gestão, equipe pedagógica e funcionários são fundamentais para o sucesso da disciplina. - O professor se fundamentar em uma concepção pedagógica em que acredita, e defender suas propostas e filosofias são fundamentais. Em nosso caso especificamente a prioridade é desenvolver as habilidades motoras através dos Jogos e Brincadeiras, além disso, desenvolver as percepções, esquema corporal, lateralidade e as valências físicas. - As descrições das dinâmicas de aulas, as imagens e os depoimentos dão suporte e solidificam como é importante a disciplina na escola e no currículo escolar, e também indicam alternativas para minimizar problemas habituais da disciplina e comprovar suas práticas. Divulgados esses dados, fatos e argumentos, asseguro que a escola Nova Divinéa atende as necessidades básicas das crianças no 1º e 2º ciclos, assim como, contempla os objetivos e propostas que nos propusemos a realizar, dentro da filosofia e concepções educacionais que adotamos e acreditamos. Definida a proposta que tem por prioridade e objetivo para a Educação Física nos primeiros ciclos, o desenvolvimento das habilidades motoras e o movimento. Concluo que a Educação Física através de suas praticas pedagógicas realizadas na escola Nova Divinéa, tem a função de alfabetizar as crianças para os movimentos e pelos movimentos, ou seja, aprimorar os gestos motores e habilidades, utilizando-se da linguagem corporal e expressões corporais, e diante disso os alunos alfabetizarem-se e adquirirem uma base motora para os ciclos adjacentes. Nesses próximos ciclos (3º e 4º), habitualmente são desenvolvidos os conteúdos técnicos e esportivos da disciplina. Eliana Ayoub (2001) é uma das autoras estudadas, que dá suporte a esse conceito de alfabetizar as crianças através da linguagem corporal, através do corpo, através do movimento. Cita a autora que as crianças alfabetizam-se nessa linguagem. Assim como as crianças devem aprender a ler e escrever nos primeiros ciclos, creio que essas mesmas crianças devem também aprender, ampliar e aperfeiçoar gestos e movimentos, ressaltando que as dificuldades para esse aprendizado dos movimentos serão mais simples, ou mais prazerosos, do que aprender a leitura e a escrita, já que em ações físicas as crianças são especialistas, e tudo que é feito com prazer e espontâneo as chances de sucesso sempre serão maiores e eficazes. 95 Alfabetizar as crianças pelo movimento e para o movimento, especialmente direcionado aos primeiros ciclos escolares é um conceito ou teoria que precisa ser mais aprofundado e discutido pelos estudiosos da área, essa discussão a meu ver, só ampliará e trará benefícios e avanços para a disciplina e fundamentalmente para o aprendizado e educação dos alunos. O Governo do Estado (PE) adotou a Perspectiva Critico – Superadora para subsidiar as políticas pedagógicas, as diretrizes e os princípios que regem a Educação Física na Rede Pública de Ensino. Como o objetivo é investigar a importância da Educação Física nos primeiros ciclos, direcionado a escola pública, e notadamente como não aderimos a essa Perspectiva em nossas práticas e conceitos, por divergirmos em vários aspectos, idéias e filosofias de sua proposta, faz-se necessário então proferir nossas considerações e conclusões sobre essa opção. Coletivo de Autores (1992) adota a postura de priorizar e defender os interesses sociais, políticos e educacionais direcionados para a classe trabalhadora, e com essa proposta superar as classes sociais mais altas, ou “elites”, com essa filosofia de educação seria necessária a existência de várias “Educações Físicas” para vários tipos de escola, com objetivos diferentes, para atender as diversas camadas sociais; uma Educação Física para a classe trabalhadora, outra para a classe média e por fim uma Educação Física para a classe mais bem sucedida da sociedade, que é a classe que a Perspectiva deseja superar, chamando-a de classe hegemônica, seguindo esse princípio o professor que atua em uma escola pública terá condutas diferentes do que o professor que atua na escola privada. Conclusão; haveria assim a necessidade do professor adotar concepções diferentes para cada tipo de escola. O sensato seria que uma concepção pedagógica abarcasse todas as configurações de instituições escolares sejam públicas ou privadas, e todas as classes sociais. A Perspectiva Crítico – Superadora aborda em seus princípios que a Educação Física tem por objetivo pedagogizar os temas da cultura corporal construído ao longo dos anos pelo homem e pela sociedade. Mas o contraponto que destaco, é que antes de adquirir ou absorver qualquer tipo de cultura, e a partir dela (cultura) desenvolver qualquer tipo de conhecimento ou conteúdos, a criança naturalmente e biologicamente já traz consigo a necessidade de se movimentar e brincar, que lhe é peculiar e intrínseco. Finalizo, acreditando que antes de se discutir e debater quais os temas da cultura corporal a serem pedagogizados entre eles: os jogos, a ginástica, os esportes, a dança e as lutas, a preocupação e a prioridade deva ser 96 respeitar, valorizar e colocar em prática as particularidades mais importantes dos alunos nessa fase, como já foi repetido mais de uma vez que são: brincar e se movimentar – objetos de estudo da Perspectiva Psicomotora. Quem vive a realidade do dia a dia e está na sala de aula da escola pública, sabem quais são as verdadeiras condições e o nível de aprendizagem dos alunos. Infelizmente nos primeiros ciclos escolares são poucos os alunos que saem do 5º ano do ensino fundamental I, dominando a leitura e a escrita, diante desse fato concreto, fica difícil imaginar e idealizar que crianças semi-analfabetas, critiquem, constatem, interpretem e compreendam os dados da realidade como preconiza Coletivo de autores (1992), além disso, essa proposta pedagógica acredita que esses alunos superem a hegemonia das classes dominantes e façam a revolução na escola, são idéias, propostas e argumentos de quem não vive a realidade da educação pública e da escola pública, e como já argumentei antes, a teoria neste caso está muito longe da prática, e como o objetivo é diminuir essa distância, essa perspectiva não atende aos objetivos que preconizamos. Encerradas essas questões, avançaremos a seguir para as últimas conclusões do trabalho, que está diretamente relacionado ao tema e objeto de estudo da pesquisa - A Importância da Educação Física no 1º e 2º Ciclos Escolares. É obvio que, se a Educação Física é importante para as crianças dos primeiros ciclos escolares, certamente essas aulas trazem benefícios a esses alunos, e esses benefícios causam aprendizagens relevantes e significativas na vida dessas crianças, mudando comportamentos, construindo valores e desenvolvendo a educação integral. É certo que sem a oportunidade ao acesso as aulas de Educação Física, perdem os alunos que acabam passando o Ensino Fundamental I sem ter contato com a disciplina, e deixam de usufruir dos benefícios que a mesma proporciona, e perde o professor que terá seu mercado de trabalho reduzido, devido à escassez de aulas oferecidas nas unidades de ensino para esses ciclos. Postos esses argumentos, a apreciação final, perpassa pela análise do que os autores selecionados na investigação apontam como as principais benesses da Educação Física, para esses ciclos. Seguramente a Educação Física é uma disciplina que tem a intenção e a preocupação maior, em ensinar as crianças a realizarem movimentos e habilidades motoras com eficácia, 97 mas além de realizar essas atividades, é importante destacar, o “como fazer”, que nesse caso seria a parte procedimental e a parte motriz da disciplina, estamos dessa forma situando os benefícios motores da disciplina, contudo a disciplina é especial e diferenciada, e traz benefícios relevantes para as crianças, procurando contemplar as três dimensões do conhecimento, e mediante esse processo buscar a educação integral. Essas três áreas do conhecimento que são a motora a cognitiva e a afetiva, certamente trazem benefícios significativos aos alunos. É importante então saber, como fazer (motor), porque está fazendo (cognitivo) e os valores que isso significa (afetivo). Dito isso, e após analisar a literatura pedagógica da área, verificamos que os benefícios mais relevantes ao ter acesso às aulas de Educação Física, e a essa área do conhecimento são: Benefícios Psicomotores: - Desenvolver habilidades motoras como: Saltar, correr, girar, rolar, andar, rebater, quicar, trepar, com ou sem ajuda de materiais didáticos (bolas, aros,cordas) - Cultura própria infantil: brincadeiras, jogos e movimentos. - Esquema corporal: Percepções, óculo - manual, espaço – temporal, lateralidade, identificar as partes do corpo. - Desenvolver as valências físicas: agilidade, velocidade, força, resistência, equilíbrio, ritmo, coordenação. Benefícios Cognitivos - Conhecer e avaliar as próprias limitações e possibilidades individuais de movimento, até onde ir, segurança. -Noções de fisiologia, biologia, o que o exercício físico causa em nosso corpo, quais as adaptações fisiológicas trazidas pela atividade física, quais os benefícios a saúde, como o exercício pode melhorar a qualidade de vida, intensidade e esforço - Como, e para que usar as regras dos jogos e atividades, relacionando a vida diária. - A mídia e suas influências, quais as atividades e jogos realizados na comunidade e fora delas, preservar os costumes locais e tradição. - A história dos movimentos, jogos, brincadeiras, onde surgiu. 98 Benefícios Afetivos -Respeitar valores como: solidariedade, cooperação, sociabilidade, disciplina, autoconfiança, autocontrole, não discriminar, incentivar, organização. -Ter a consciência de que as regras são fundamentais para o convívio. - Despertar a espontaneidade, a autonomia para tomar decisões, bom censo e prudência. -Perceber que atividade motora pode ser útil fora da escola, utilizando-a no tempo de lazer, ou assistindo jogos e eventos. As produções que fundamentam a pesquisa, que são: João Batista Freire (1994) e Moreira, Carlos e Nista – Piccolo (2009) traz em suas obras, quanto aos benefícios da disciplina que: a prioridade e o respeito às habilidades motoras, aos movimentos, as brincadeiras e aos jogos devem ser resguardados, e a partir desse principio e características essenciais das crianças, as aulas de Educação Física se desenvolvam nessa direção e contexto. Esse é o foco central da pesquisa, que procura estabelecer coerência com aquilo que a criança é, e com aquilo que a criança precisa – movimento e brincar. As chances desses conceitos e concepções darem resultados e contemplar as necessidades das crianças são grandes e reais, pelo simples motivo das crianças serem profundos especialistas e conhecedores de brincadeiras e movimentos, e se esses fatores e aspectos forem envoltos em situações de ludicidade, alegria e prazer, que são também peculiaridades e naturais dessa idade, os conteúdos da disciplina Educação Física certamente terão significância, tornando-a importante e fundamental, não só para o 1º e 2º ciclos, como para todos os ciclos escolares. 99 REFÊRENCIAS Agnes, Dulcinéia. et. al. Organização seriada e sua transição para a organização em ciclos: análise na perspectiva dos professores. Disponível em <htpp:// www.fae.ufmg.br/caderno/backup/artigosX.doc > acesso em novembro de 2009. Alves, Fátima. Organização do ensino fundamental em ciclos: contextos e desafios. Disponível em <http://www.educacao.ufrj.br/revista/indice/.../org_ensino_fund.pdf> acesso em 05/09/2009. Ayoub, Eliana. 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