UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL
DACEC – DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS,
ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO DE COOPERATIVAS
Gestão da Sustentabilidade Ambiental no Cooperativismo: O caso da
Cooperativa Mista São Luiz Ltda - Coopermil
Elias Giese1
Pedro Luís Büttenbender2
Resumo
Este artigo visa estudar a importância e o comprometimento da Coopermil com os
recursos naturais e meio ambiente diante da atualidade. A evolução da sociedade industrial,
agrícola, tecnológica, e deixando em segundo plano a preocupação com a agressão a natureza
ou com a própria escassez dos recursos naturais. Referenciado em conceitos sobre o
desenvolvimento, desenvolvimento sustentável e sustentabilidade relacionadas as práticas do
cooperativismo. Desta Forma por meio do estudo buscam-se apresentar o Cooperativismo
como alternativa real, viável e necessária para o atingimento da sustentabilidade, por meio da
organização social capaz de promover o equilíbrio necessário para as práticas do
desenvolvimento sustentável. Como caso específico baseado na Cooperativa Mista São Luiz
Ltda. - Coopermil com sede em Santa Rosa/RS.
Palavras-chave: cooperativismo, meio ambiente, gestão de resíduos, desenvolvimento
sustentável.
1. Introdução
A questão do desenvolvimento sustentável em busca da sustentabilidade está cada vez
mais à tona e realmente necessário, presente em discursos e projetos de empresas/cooperativas
que se sensibilizaram e buscam alternativas para crescimento e desenvolvimento equilibrado.
Discursos esses que devem sair da teoria, e serem efetivadas na prática, que bons projetos
representem boas ações efetivas para a sociedade e meio ambiente.
O presente artigo tem como objetivo estudar a gestão ambiental no cooperativismo,
1
Pós-Graduado do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Gestão de Cooperativas. UNIJUI – Universidade
Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. [email protected]
2
Doutor em Administração. Professor Orientador e Coordenador do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em
Gestão de Cooperativas. DACEC/UNIJUI – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
Convênio Sescoop/RS [email protected]
como objetivos específicos a gestão de resíduos na Cooperativa Mista São Luiz Ltda, a busca
do desenvolvimento sustentável ao atingimento da sustentabilidade na Coopermil e de como a
gestão ambiental no cooperativismo pode contribuir para a proteção dos recursos naturais na
sua área de atuação. A grande quantidade de resíduos gerados por diferentes processos vem
sendo cada vez mais preocupante no que diz respeito aos impactos ou danos que possam
causar. De como pequenas ações podem fazer a diferença para não comprometer o futuro do
planeta e seus recursos naturais, medidas essas, exemplificadas no ambiente cooperativo, que
o presente estudo aborda como objetivo específico a gestão de resíduos derivados dos
processos de industrialização, armazenamento e comercialização de diversos produtos na
Coopermil.
Vários estudos anteriores foram realizados sobre o cooperativismo e seus aportes ao
desenvolvimento sustentável, destacando Büttenbender (2011 e 2010), Buttenbender e outros
(2010), Hofler e Buttenbender¨(2010). Também estudos que exploram o tema específico da
gestão da sustentabilidade no âmbito agropecuário, como enfatizado por Veiga (2005),
Abramovay e Veiga (1997).
Os conceitos de cooperativismo, meio ambiente, recursos naturais, desenvolvimento
sustentável, sustentabilidade possuem fortes laços de interligação, os quais permitem a
identificação de diversas características comuns em termos de objetivos e interações. Nestes
conceitos podem ser identificados elementos que demonstram uma preocupação com o
estabelecimento de relações de equilíbrio entre agentes que interagem economicamente e
socialmente em um mesmo ambiente.
Entender um pouco mais sobre o sistema cooperativista é entender como uma grande
rede de interesses e objetivos comuns pode ser formada e mantida por um grupo de agentes
que possuem necessidades e desejos específicos. É entender como estas relações são
constituídas e mantidas na constante busca de geração de valor a partir da rede de relações
sociais e do atingimento de metas que permitam um crescimento conjunto justo, sustentável e
equilibrado.
Importante também ressaltar o conceito de meio ambiente, que frequentemente
aborda-se sua pronuncia, mas acaba-se talvez não valorizando o quão enorme é sua
abrangência ou englobamento, envolve todas as coisas vivas e não-vivas que ocorrem na
Terra, ou em alguma região dela, que afetam os ecossistemas e a vida dos humanos. Meio
ambiente também compreende recursos e fenômenos físicos como ar, água e clima, assim
como energia, radiação, descarga elétrica, e magnetismo, ou seja, os recursos naturais
indispensáveis para a sobrevivência humana.
Entender um pouco mais sobre os conceitos de desenvolvimento sustentável e
sustentabilidade é entender porque ambos exigem um alto grau de envolvimento e porque
necessitam ser constantemente perseguidos em prol da melhoria de vida das gerações
presentes e da preservação das oportunidades para as gerações futuras.
O Artigo é composto de sete capítulos, sendo este o primeiro, o segundo trata do
referencial teórico. O terceiro da metodologia, o quarto capítulo da descrição e análise dos
dados. O quinto refere-se às propostas, o sexto das conclusões do estudo, e o sétimo capítulo
trata da bibliografia.
2 Referencial Teórico
2.1Cooperativismo
Segundo Simão e Bandeira (2014) o cooperativismo é uma evolução do termo
associativismo, o qual surgiu nas sociedades mais remotas pela necessidade de se encontrar
soluções para ameaças e problemas comuns a determinados grupos de indivíduos. De acordo
com De Plácido e Silva (2000), a palavra cooperativa deriva do latim cooperativus, de
cooperari, que significa cooperar, colaborar, trabalho com os outros.
Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB, 2014), o cooperativismo
surgiu em 1844 na cidade de Manchester, a partir da constituição de uma associação livre de
trabalhadores por um grupo de tecelões do bairro de Rochdale. Surge então na Inglaterra a
primeira cooperativa do mundo, inicialmente denominada de Sociedades dos Probos
Pioneiros de Rochdale e que somente em 1852 passou a ser chamada de Cooperativa de
Rochdale. Nesta mesma época surgiram na França às primeiras cooperativas operárias de
produção e na Alemanha as primeiras cooperativas de crédito. Logo depois surgem em vários
países as primeiras uniões, federações e confederações de cooperativas, as quais
proporcionaram as condições necessárias para a articulação da constituição de uma entidade
internacional para a representação do cooperativismo, a Aliança Cooperativa Internacional
(ACI).
No Brasil o cooperativismo surge logo no início do período da colonização
portuguesa, passando por um período de quase esquecimento durante o período da escravidão
e sendo reavivado durante o surgimento do Movimento Cooperativista Brasileiro no final do
século XIX, onde diversas classes profissionais entre funcionários públicos, profissionais
liberais e operários passaram a adotar o modelo cooperativista como alternativa para inserção
e defesa dos seus interesses junto ao mercado. Em 1902 surgiram às primeiras cooperativas de
crédito no Rio Grande do Sul e logo em seguida, em 1906, surgiram às primeiras cooperativas
agropecuárias idealizadas por produtores rurais, as quais mais tarde propagaram-se por
diversos estados do Brasil. Muitas destas cooperativas surgiram através de processos
migratórios internos, a exemplo das correntes de migração gaúcha para diversos estados
brasileiros e de processos migratórios externos, originados em outros países como a
Alemanha, Holanda e Itália. A Aliança Cooperativa Internacional (ACI), fundada em 1895,
congrega 657 mil cooperativas ao redor do mundo com mais de 780 milhões de cooperados e
tem como principais objetivos a promoção do sistema cooperativista ao redor do mundo e a
defesa dos valores e princípios do cooperativismo. No Brasil o órgão máximo de
representação das cooperativas em nível nacional é a Organização das Cooperativas
Brasileiras (OCB). Criada em 1969, a OCB surgiu como alternativa para a unificação das
duas entidades nacionais até então existentes: a Associação Brasileira de Cooperativas
(ABCOOP) e a União Nacional de Cooperativas (UNASCO). Com a regulamentação da lei
5.764/71, que rege as atividades do cooperativismo, a OCB passou a ser reconhecida em
termos legais como órgão técnico-consultivo do governo, tendo como um dos seus principais
objetivos a congregação das organizações estaduais de cooperativas (OCE). Em termos
mundiais, a OCB está vinculada a Organização das Cooperativas da América (OCA) e a
Aliança Cooperativa Internacional (ACI), esta última com sede em Genebra (Suíça). Com a
realização do Congresso Mundial da Aliança Cooperativa Internacional na cidade de
Manchester em 1955, surge a primeira definição oficial para o termo cooperativa: Cooperativa
é uma associação autônoma de pessoas, unidas voluntariamente, para atender as suas
necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais comuns, através de uma empresa
coletiva e democraticamente controlada. Neste mesmo evento foram definidos os valores
cooperativistas, os quais se baseiam na auto-ajuda, responsabilidade própria, democracia,
igualdade, equidade e solidariedade. Seguindo a tradição de seus fundadores, os membros das
cooperativas acreditam nos valores éticos da honestidade, transparência, responsabilidade
social e preocupação com o seu semelhante.
De acordo com OCB (2014) os princípios cooperativos são as linhas orientadoras
através das quais as cooperativas levam seus valores à prática. Ao todo, sete grandes
princípios definem os valores do sistema cooperativista e norteiam as cooperativas para a
busca da aplicação prática:
Primeiro Princípio: Adesão voluntária e livre: as cooperativas são organizações
voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as
responsabilidades como membros, sem discriminações de sexo, sociais, raciais,
políticas e religiosas.
• Segundo Princípio - Gestão democrática e livre: as cooperativas são organizações
democráticas, controladas pelos seus membros, que participam ativamente na
formulação das suas políticas e na tomada de decisões. Os homens e as mulheres,
eleitos como representantes dos demais membros, são responsáveis perante estes.
Nas cooperativas de primeiro grau os membros têm igual direito de voto (um
membro, um voto); as cooperativas de grau superior são também organizadas de
maneira democrática.
• Terceiro Princípio - Participação econômica dos membros: os membros
contribuem equitativamente para o capital das suas cooperativas e controlam-no
democraticamente. Parte desse capital é, normalmente, propriedade comum da
cooperativa. Os membros recebem habitualmente, se houver, uma remuneração
limitada ao capital integralizado, como condição de sua adesão. Os membros
destinam os excedentes para o desenvolvimento das suas cooperativas,
benefícios aos membros na proporção das suas transações com a cooperativa
ou apoio a outras atividades aprovadas pelos membros cooperados.
• Quarto Princípio - Autonomia e independência: as cooperativas são organizações
autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus membros. Se firmarem
acordos com outras organizações, incluindo instituições públicas, ou recorrerem a
capital externo, devem fazê-lo em condições que assegurem o controle democrático
pelos seus membros e mantenham a autonomia da cooperativa.
• Quinto Princípio - Educação, formação e informação: as cooperativas promovem a
educação e a formação dos seus membros, dos representantes eleitos e dos
trabalhadores, de forma que estes possam contribuir, eficazmente, para o
desenvolvimento das suas cooperativas. Informam o público em geral,
particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as vantagens
da cooperação.
• Sexto Princípio – Intercooperação: as cooperativas servem de forma mais eficaz os
seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo, trabalhando em
conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais.
• Sétimo Princípio - Interesse pela comunidade: as cooperativas trabalham para o
desenvolvimento sustentado das suas comunidades através de políticas provadas
pelos membros.
Desta forma, é possível definir que uma cooperativa é uma associação autônoma de
pessoas que se unem, voluntariamente para satisfazer aspirações e necessidades econômicas,
sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e
democraticamente gerida.
Segundo o site Brasil Cooperativo (www.brasilcooperativo.coop.br) o ano de 2012,
além de ser o Ano da Energia Sustentável para Todos, é o Ano Internacional das Cooperativas,
proclamado em Assembleia Geral das Nações Unidas. O propósito é reconhecer a importância
das cooperativas na promoção do desenvolvimento socioeconômico para milhões e milhões
de pessoas em todo o mundo. O setor cooperativo no mundo tem aproximadamente 800
milhões de membros, gerando mais de 100 milhões de postos de trabalho. Ainda, as
estatísticas são bastante positivas: as cooperativas são responsáveis por 99% da produção de
leite na Noruega, Nova Zelândia e Estados Unidos e por 50% da agricultura no Brasil; cerca
de 71% das pescas na Coréia vem das cooperativas.
•
2.2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, GESTÃO AMBIENTAL,
SUSTENTABILIDADE
Sabe-se que o planeta está à beira de um colapso. As mudanças climáticas, a escassez
de recursos e a produção insuficiente de alimentos para uma população que cresce
desenfreadamente, poderão nos levar a tragédias inimagináveis. Alguns indicadores
demonstram que a pobreza mundial está diminuindo, mas a distribuição da renda segue
desigual. A partir desses pressupostos, acalma-se a preocupação prioritária com o
desenvolvimento econômico e direciona-se a preocupação como o desenvolvimento
sustentável.
Os conceitos de desenvolvimento sustentável, gestão ambiental e sustentabilidade são
relativamente novos e derivam do conceito original de desenvolvimento. Corroborando com
Simão e Bandeira (2014), e Caiden e Caravantes (1988), o desenvolvimento em sua forma
original referia-se a um processo de revelação, de esclarecimento ou de descoberta; alguma
coisa que anteriormente estava oculta ou secreta e que estava sendo devidamente revelada
dentro do seu devido tempo. De acordo com os autores, com o tempo, o significado de
desenvolvimento evoluiu de forma a conquistar uma dimensão de valor, ou seja, se fazia
necessário além da revelação, que o resultado obtido fosse melhor com vistas ao progresso.
Desta forma, as organizações sociais passaram a ser continuamente melhoradas e
aperfeiçoadas, numa busca incessante de resolver os mistérios da organização humana. A
ideologia evolutiva do desenvolvimento passou a dominar o pensamento ocidental,
expandindo-se também para além do ocidente por meio da colonização e educação ocidentais.
Como definiram Caiden e Caravantes (1988, p.21), “quem quer que se colocasse no caminho
do progresso deveria ser afastado ou esmagado”.
Para Sachs (2004) a reflexão sobre desenvolvimento tal como se conhece hoje,
começou nos anos 40, no contexto da preparação dos anteprojetos para a reconstrução da
periferia devastada da Europa no pós-guerra. Segundo o autor, o trabalho da primeira geração
de economistas do desenvolvimento foi inspirado na cultura econômica dominante da época,
que pregava a prioridade do pleno emprego, a importância do estado de bem-estar, a
necessidade de planejamento e a intervenção do Estado nos assuntos econômicos para corrigir
a miopia e a insensibilidade social dos mercados.
Sachs (2004) ressalta importantes contribuições de pesquisadores na busca da
construção de um conceito mais completo sobre o desenvolvimento. Nos anos 60, Kalecki e
Seers estiveram entre os primeiros economistas a afirmar a necessidade de analisar o
desenvolvimento econômico não só em termos do crescimento do PIB (Produto Interno
Bruto), mas também em termos de emprego. Mais tarde nos anos 90, uma importante
reconceituação foi definida onde o desenvolvimento pode ser redefinido em termos da
universalização e o exercício efetivo de todos os direitos humanos: políticos, civis e cívicos;
econômicos, sociais e culturais; bem como direitos coletivos ao desenvolvimento e ao
ambiente. O desenvolvimento sempre esteve relacionado a uma visão de progresso. Por meio
da aplicação de um questionável conceito de progresso, o homem acabou por promover atos
incompatíveis com as ideias originais de desenvolvimento. Em busca do poder e da riqueza, o
homem promoveu um grande desenvolvimento econômico e um sistema capitalista de caráter
concentrador e excludente, desequilibrando profundamente as suas relações com as dimensões
social e ambiental, tão necessárias para a promoção do real desenvolvimento.
As primeiras discussões acerca dos conceitos sobre desenvolvimento sustentável e
sustentabilidade surgiram oficialmente no final da década de 1960, quando os primeiros
reflexos do desequilíbrio ocasionado pelo modelo econômico vigente tornaram-se mais
perceptíveis. Nesta época, em razão dos fortes abalos econômicos sofridos pela crise mundial
de petróleo, iniciou-se um processo de reflexão em relação aos limites finitos dos recursos
naturais e a gravidade dos problemas ambientais ocasionados pelo crescimento desenfreado.
Neste mesmo período, os conceitos e crenças sobre o progresso e o desenvolvimento
baseado no contínuo crescimento das demandas de mercados começaram a ser questionados,
demonstrando claramente que o modelo capitalista não contemplava em sua plenitude todos
os aspectos exigidos em termos econômicos, sociais e ambientais.
Em razão do surgimento de uma sucessão de crises, principalmente de caráter
ambiental, surgem às primeiras grandes plenárias mundiais voltadas para discutir o modelo de
desenvolvimento econômico vigente e a sua relação com os recursos naturais disponíveis.
Neste intuito, em 1968, um grupo composto por cientistas, industriais e políticos funda o
Clube de Roma, com o objetivo de analisar os limites do crescimento econômico levando em
conta a disponibilidade de uso e regeneração dos recursos naturais.
De acordo com Ferreira e Viola (1996), em 1972, Dennis L. Meadows e um grupo de
pesquisadores publicam um estudo denominado “Os Limites do Crescimento”, onde fica
evidenciada a necessidade de congelar o crescimento da população global e do capital
industrial para se evitar um colapso da disponibilidade de recursos naturais dentro dos
próximos cem anos. Neste mesmo estudo, o grupo de Meadows rediscutiu a tese de Malthus
sobre o crescimento zero, pela qual se propunha o atingimento de uma estabilidade econômica
e ecológica através da tese do crescimento zero, representando com isso uma forte crítica às
teorias que até então defendiam o crescimento contínuo.
Para Vargas (2002), em 1973, o canadense Maurice Strong idealizou pela primeira vez
o conceito de ecodesenvolvimento como concepção alternativa para o desenvolvimento. Por
meio da abordagem ecodesenvolvimentista, o problema ambiental passou a ser entendido
como um subproduto de um padrão de desenvolvimento e que o processo de desenvolvimento
somente seria possível pelo equacionamento do trinômio formado pela eficiência econômica,
pela equidade social e pelo equilíbrio ecológico. Uma importante contribuição à comunidade
científica por meio do delineamento de seis aspectos necessários para o pleno atingimento do
desenvolvimento: a) a satisfação das necessidades básicas; b) a solidariedade com as gerações
futuras; c) a participação da população envolvida; d) a preservação dos recursos naturais e do
meio ambiente em geral; e) a elaboração de um sistema social que garanta o emprego,
segurança social e respeito a outras culturas e f) programas de educação.
Ainda segundo Vargas (2002), mais tarde, em 1974, é publicada a Declaração de
Cocoyok, onde a principal hipótese defendida é a de que não existe somente um mínimo de
recursos necessários para o bem-estar do indivíduo, mas que existe também um máximo. Em
1975 é publicado o Relatório Dag-Hammarskjöld onde é abordada a problemática do
desenvolvimento desenfreado e da degradação ecológica dele resultante.
Ainda corroborando com Vargas (2002) a abordagem ecodesenvolvimentista,
desenvolvida por Maurice Strong, contribui significativamente para a primeira abordagem
realizada sobre o desenvolvimento sustentável em 1979, durante a conferência de Estocolmo.
Porém a definição mais significativa e politicamente aceita para desenvolvimento sustentável
surge somente em 1987, publicado nas Nações Unidas. Nele o conceito de desenvolvimento
sustentável foi definido como sendo o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do
presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações poderem satisfazer suas próprias
necessidades. Neste relatório foram efetuadas diversas reflexões no contexto social,
econômico e ecológico em escala global, valorizando a relação de interdependência entre
estes elementos. Durante os estudos foram propostas diversas medidas para a busca do
desenvolvimento em condições de equilíbrio: controle do crescimento populacional, garantia
de produção de alimentos a longo prazo, preservação dos recursos naturais, redução nos níveis
de consumo de energia, desenvolvimento de pesquisas no campo de fontes energéticas
renováveis, adequação da produção industrial com base em tecnologias ecologicamente
adaptadas, controle da urbanização desenfreada, melhor adequação da relação cidade-campo e
satisfação das necessidades básicas das populações mais carentes.
Ainda segundo o site Brasil Cooperativo (www.brasilcooperativo.coop.br) mais
recentemente, em 1992, a ONU realizou uma nova conferência sobre meio ambiente e
desenvolvimento na cidade do Rio de Janeiro, popularmente conhecida com o ECO 92. O
evento utilizou como referência para os seus trabalhos as definições contidas no Relatório de
Brundtland e teve como principais objetivos o estabelecimento de mecanismos para
transferência de tecnologia não poluente para países subdesenvolvidos, examinar formas de
incorporar critérios e regras ambientais ao processo de desenvolvimento, estabelecer um
sistema de cooperação internacional para prever ameaças ambientais, prestar socorro em
casos emergenciais e reavaliar o sistema de organismos da ONU voltados para o meio
ambiente. Um dos principais avanços obtidos durante a realização da conferência, segundo os
críticos, foi à inserção dos temas socioeconômicos e ambientais na pauta de preocupações da
maioria dos governos e populações ao redor do mundo.
Apesar de todas as discussões terem abordado com grande ênfase a dimensão
ambiental em função dos recursos naturais serem finitos e fundamentais para a sustentação
das economias mundiais, as demais dimensões englobadas pelos conceitos de
desenvolvimento sustentável e de sustentabilidade também foram amplamente discutidas. A
dimensão econômica por se tratar da principal preocupação mundial em termos de
sobrevivência e manutenção do sistema capitalista, a dimensão social por representar
implicações diretas principalmente nas questões econômicas e ambientais, a dimensão cultural
por ser o principal meio para se atingir a sensibilização das grandes massas em termos de
assimilação de novos padrões de comportamento, a dimensão política pelo poder de prover e
estimular a busca de novos caminhos para o desenvolvimento e a dimensão espacial em
termos de tentar determinar a carga máxima permitida para a ocupação dos territórios com
forma de permitir a sistemática recuperação dos recursos naturais para possibilitar novos
ciclos de utilização.
Com base nas discussões anteriormente relatadas, pode-se concluir que o
desenvolvimento sustentável é na realidade um processo meio, voltado para o atingimento de
um objetivo fim: a sustentabilidade. Logo é possível definir o desenvolvimento sustentável
como sendo um processo intermediário para a busca da manutenção contínua do ambiente
onde se vive, onde a relação de equilíbrio entre as dimensões ambiental, econômica, social,
cultural, política e espacial deva ser sempre perseguida com vistas a atingir um estado de
equilíbrio constante, denominado sustentabilidade. Gestão Ambiental, como uma estrutura
organizacional, que visa o planejamento, a responsabilidade com o meio ambiente, tendo
implantação e procedimentos capazes de desenvolver práticas de produção devem seguir as
normas padrões de qualidade ambiental regulamentada pela ISO 14000 (ABNT, 1996).
2.3 GESTÃO AMBIENTAL EM COOPERATIVAS
No âmbito da gestão ambiental em cooperativas a temática é recente. Explorado por
Simão e Bandeira (2014), estes revelam a trajetória de evolução do tema no âmbito das
cooperativas agropecuárias.
Os resíduos gerados nas atividades desenvolvidas no setor produtivo, ou propriamente
as embalagens ou materiais contaminados da comercialização de produtos como fertilizantes,
agrotóxicos, óleos lubrificantes, combustíveis de uma cooperativa podem gerar impactos
ambientais significativos. Os resíduos gerados nos processos de beneficiamento e embalagem
de grãos, oriundos das cascas e mesmo dos processos de esmagamentos/trituração, necessitam
de gerenciamento e/ou tratamento adequado, podendo ser utilizados ou reaproveitados na
produção de alimentos ou rações para animais ou ainda como fonte de energia para a geração
de calor. Caso a produção de energia ocorra pela queima de lenha, é possível reduzir esse
consumo mediante a queima de substâncias residuais produzidas durante o processo
(ALMEIDA, 2006).
De acordo com a NBR ISO 14004 (ABNT, 1996), toda e qualquer empresa e/ou
cooperativa que visa seguir os princípios de um gerenciamento ambiental deve atender e se
enquadrar em requisitos, como relacionados a seguir:
• Priorizar um desenvolvimento sustentável, garantindo um sistema de produção sem perder
o foco da gestão ambiental na empresa;
• Integrar todas as políticas e as práticas ambientais;
• Buscar alternativas de melhoria do desenvolvimento tecnológico e ambiental;
• Educar e motivar o quadro corporativo da empresa, com constantes capacitações, de
maneira a responsabilizar e direcionar uma política ambiental adequada às normas
vigentes, que sirvam como comprometimento dentro e fora da empresa;
• Manter sempre o foco no sistema de Gestão Ambiental, procurando sempre inovar e
desenvolver as ideias que vierem a colocar em prática;
• Escolher métodos e práticas de modo a utilizar o uso correto de produtos e equipamentos;
• Buscar sempre tecnologias avançadas que visam um menor impacto possível diante da
linha de produção;
• Implantar convênios com universidades ou centros de pesquisa, com objetivo de trocar
ideias e projetos visando à qualidade e o emprego de novas tecnologias;
• Capacitar funcionários, bem como desenvolver planos de emergências para possíveis
riscos ou danos ambientais.
Para a implantação de um programa de monitoramento e capacitação de uma
cooperativa, devem ser analisados qual o objetivo e tipo de empreendimento, bem como o
risco em que este oferece aos colaboradores. Observados o objetivo e as necessidades da
cooperativa/empresa, devem ser implantadas normas que visam a segurança, o controle de
qualidade, o aperfeiçoamento das habilidades e a motivação dos colaboradores e demais
integrantes do seu quadro corporativo. O processo de gestão ambiental na cooperativa, bem
como o desenvolvimento sustentável, aborda não apenas aspectos físicos, mas também
aspectos sociais e políticos. Nas duas últimas décadas, os acidentes e impactos ambientais
decorrentes vem crescendo de forma desordenada, onde essas questões têm exercido uma
maior influência nos custos econômicos, assim, a proteção do meio ambiente tem se tornado
um importante campo de atuação para governos, indústrias, grupos sociais e indivíduos.
3 Procedimentos Metodológicos
A presente pesquisa caracteriza-se, quanto aos fins, com estudo de caso (Yin, 2001),
de natureza quali-quantitativo, exploratório. Quanto aos meios, caracteriza-se com pesquisa
de campo, documental, bibliográfica, observação direta (Demo,2006), verificação de campo.
Como fontes diretas citam-se os registros e documentos da Coopermil, arquivos e sistemas de
informações internas. Também a realização de entrevistas e conversas internas com a
Diretoria e Gestores da Coopermil. Para as entrevistas utilizou-se um questionário
semiestruturado, com base nos objetivos geral e específicos da pesquisa. Fontes indiretas são
citadas as observações diretas e a pesquisa participante (DEMO, 2004).
A pesquisa é um procedimento racional e sistemático que tem por objetivo apresentar
respostas aos problemas que são propostos e faz-se necessária quando não se dispõe de
informações suficientes para responder ao problema (GIL, 2002). A metodologia básica que
deu origem a este artigo resultou de alguns conceitos específicos. Quanto a pesquisa
exploratória, segundo Richardson (1989, p. 281) “a pesquisa exploratória procura conhecer as
características de um fenômeno para procurar explicações das causas e consequências de dito
fenômeno” .Por exemplo, estudar as reações de um grupo de consumidores ao lançamento de
um novo produto, ou então descobrir quais as variáveis que são avaliadas pelo consumidor na
escolha ou na preferência de determinada marca. “Ela visa prover o pesquisador de um maior
conhecimento sobre o tema ou problema de pesquisa em perspectiva. Por isso é apropriada
para os primeiros estágios da investigação, quando a familiaridade, o conhecimento e a
compreensão do fenômeno por parte do pesquisador são geralmente insuficientes ou
inexistentes” (MATTAR, 1994, p. 84).
Os dados foram coletados no período de Julho de 2014 a abril de 2015, agregadas as
informações resultantes das fontes indiretas. As fontes indiretas que se referenciam desde
2008, ou seja, ao longo do período de vínculo profissional na Coopermil. Após a coleta de
dados, que foram de forma quantitativa e qualitativa, os mesmos foram sistematizados e
analisados, dando-se em conta os fundamentos teóricos e as observações de campo.
A partir da análise, o tema foi descrito conforme conta no capítulo quatro.
4. Descrição e Análise dos Dados
4.1 O Cooperativismo como alternativa para o atingimento da sustentabilidade
Por sua definição segundo Simão e Bandeira (2014), valores e princípios, o sistema
cooperativista é considerado como um importante instrumento para a dinamização da
economia de um país, estado ou município, seja pela forma de interação junto a outros agentes
de mercado ou pela política de distribuição de resultados que possibilita uma melhor
distribuição equitativa de renda onde quem produz mais recebe mais.
No contexto social, as cooperativas se caracterizam como importantes mecanismos
para distribuição equitativa de renda em termos regionais, perpetuando o ciclo econômico
dentro das regiões onde estão inseridas, gerando mais emprego e renda em pequenas e médias
localidades no interior do Estado. Logo o conceito de responsabilidade é historicamente
exercido pelo sistema cooperativista desde a sua origem, através da aplicação dos princípios e
valores do cooperativismo nos quais as preocupações com as dimensões econômica, social,
cultural, política, ambiental e espacial são orientadas para a manutenção do bom
funcionamento da rede de relacionamentos dos agentes envolvidos. O modelo cooperativista
prima pelo desenvolvimento do capital humano, base da constituição de força de trabalho
necessária para o pleno desenvolvimento das atividades econômicas. No modelo
cooperativista o capital financeiro produzido em uma determinada localidade retorna para os
seus cooperados na forma de investimentos em sua própria cooperativa ou por meio de uma
política de distribuição de resultados. Já no modelo tradicional de empresas, o capital
financeiro produzido retorna de forma concentrada nas mãos dos investidores, os quais
dependendo do interesse podem determinar a sua aplicação em negócios ou localidades
diferentes daquelas onde o capital foi originalmente produzido. Tal situação dá origem aos
fluxos de capitais especulativos, sujeitos às regras de mercado que determinam a realização de
investimentos em negócios que proporcionem uma maior rentabilidade, independentemente
do estabelecimento de um compromisso mais sério com o desenvolvimento da comunidade ou
região onde os recursos serão aplicados.
Em um modelo organizacional baseado em princípios cooperativistas, o foco principal
é o capital social, diferente do modelo organizacional tradicional caracterizado pelas empresas
onde o capital financeiro exerce fortes influências em relação à forma de funcionamento da
organização. No quadro 1, estas diferenças podem ser claramente identificadas.
QUADRO 1 - COOPERATIVA E EMPRESA TRADICIONAL
Cooperativa
É uma sociedade de pessoas
Tem como objetivo a prestação de serviços aos associados
Número ilimitado de associados
Controle democrático – um homem, um voto
Assembleia: baseado no número de associados
Não é permitida a transferência das quotas-partes a
terceiros
Operações do associado com a cooperativa.
Empresa Tradicional
É uma sociedade de capital
Objetivo principal: lucro
Número limitado acionistas
Cada ação, um voto
Assembleia: base no capital
Transferências das ações a terceiros; estranhos à
sociedade
Dividendo proporcional ao valor das ações.
FONTE: Organização de Cooperativas Brasileiras (OCB, 2014)
Pela legislação brasileira, as cooperativas são classificadas como sociedades simples,
em contrapartida com as demais sociedades que atuam com objetos econômicos. Não obstante
isso se deve considerar que as sociedades cooperativas podem ser entendidas como empresas
econômicas uma vez que essa terminologia se presta, em sentido amplo, a designar uma
estrutura organizada em meios e processos produtivos (empresa).
Os resultados obtidos através das atividades cooperativistas dão uma real noção sobre
a sua importância e participação no contexto do desenvolvimento econômico e social do país.
A OCB (OCB, 2014) está presente em 26 estados brasileiros e no Distrito Federal e em
dezembro de 2005 contava com 7.518 cooperativas associadas distribuídas nos 13 ramos de
atividades, com aproximadamente 6,7 milhões de associados e 199 mil empregados. Segundo
a OCB, o faturamento anual das cooperativas dos diversos ramos de atividade é da ordem de
R$ 100 bilhões de reais e as exportações giram em torno de US$ 2 bilhões de dólares.
Somente o ramo agropecuário representa 20% do total das cooperativas existentes, sendo
estas responsáveis por cerca de 40% da produção agrícola nacional e por 62% dos empregos
diretos gerados no ramo cooperativista, números que demonstram a força e a importância do
cooperativismo para o desenvolvimento econômico e a inclusão social de uma grande parcela
da população brasileira, principalmente em cidades do interior.
Exemplo e o caso específico do estudo trata-se da Cooperativa Mista São Luiz Ltda. –
Coopermil, com sede em Santa Rosa / Rs e atualmente presidida pelo Sr. Joel Antônio
Capeletti. A Cooperativa Mista São Luiz Ltda, foi fundada em 27 de agosto de 1955, na
localidade de Cinquentenário, então distrito de Santa Rosa, hoje município de Tuparendi - RS.
Inicialmente contou com a participação de 47 associados, todos ligados à agricultura.
A Cooperativa nasceu com a necessidade de organização dos produtores rurais, face às
dificuldades de comercialização existentes na época, principalmente na suinicultura e porque
os agricultores viam no cooperativismo a melhor forma de gestão para a pequena propriedade.
Por ser uma cooperativa e acreditar nos princípios do cooperativismo, a Coopermil desde sua
concepção, cultiva o ideal de crescimento lento, mas sólido, efetivo e planejado,
acompanhando os rumos da economia e do mercado, em benefício ao seu associado e por
isso, com o consentimento do mesmo.
A primeira sede da Cooperativa foi instalada em uma pequena casa na localidade de
Cinquentenário e a primeira filial foi constituída na comunidade de Nova Esperança,
município de Tucunduva-RS. A primeira sede foi ampliada nos anos 60 incluindo o
funcionamento de loja, escritório e depósito para mercadorias.
Já no início da década de 70, em 1971, buscando o crescimento, a Cooperativa abriu
sua filial em Santa Rosa, onde logo foi instalada a Sede Administrativa, dada a facilidade de
acesso, comunicação e a centralização de controles. Com isso, o quadro social da cooperativa
duplicou-se, ampliando também o número de colaboradores para a tender as novas demandas.
Aos poucos a cooperativa foi expandindo, aproveitando as oportunidades presentes no
cenário regional, ampliando sua área territorial de atuação, diversificando seus negócios,
crescendo com responsabilidade e conquistando a credibilidade que mantém-se ao longo das
décadas.
Figura 1 - Área de atuação da Coopermil
Fonte: Coopermil
A Coopermil atualmente é composta de 8 ramos de negócio:
4.1.1 - Agropecuária:
Com 13 lojas, as lojas Agropecuárias Coopermil, atendem as necessidades do produtor
rural através das lojas agropecuárias, facilitando a aquisição de produtos como, ferragens,
máquinas, implementos agrícolas, onde, além da comercialização dos insumos agrícolas, o
produtor cliente e associado podem usufruir dos benefícios relativos à transferência de
tecnologia realizada através do conhecimento da equipe técnica da cooperativa.
4.1.2 - Grãos: A agricultura é uma das principais atividades econômicas do Rio
Grande do Sul. Para facilitar o trabalho do agricultor, a Coopermil possui 14 Unidades de
Recebimento de Grãos - Soja, Milho e Trigo - distribuídas em toda a região Noroeste do
estado.Com a capacidade total de armazenagem de grãos equivalente a 2.390.000 (dois
milhões, trezentos e noventa mil) sacas de grãos, a cooperativa garante aos produtores a
estocagem da sua produção com qualidade e segurança. Os armazéns da cooperativa seguem
os padrões de controle de qualidade de armazenagem de grãos e são certificados por empresas
certificadoras independentes.
4.1.3 - Leite: Com uma infraestrutura completa e orientação profissional
especializada, para garantir um produto de qualidade desde a origem na produção até à
entrega nas indústrias processadoras. Atuando ininterruptamente no mercado de leite desde
1980, a Coopermil possui uma Unidade de Recebimento e Resfriamento de Leite, localizada
em Guia Lopes - Santa Rosa, com capacidade de recebimento para 250.000 litros por dia,
certificada nos padrões das Boas Práticas de Fabricação (BPF). A Coopermil também é
associada e fornecedora de leite do sistema CCGL (Cooperativa Central Gaúcha Ltda), que
possui a indústria para Leite em Pó, instalada no município de Cruz Alta - RS.
4.1.4 - Postos de Combustível: A cooperativa opera com seis Postos de Combustíveis,
os Postos Coopermil oferecem a garantia de produtos de qualidade das marcas Ipiranga e
Petrobrás.
4.1.5 - Processamento de Grãos: Incorporada à Coopermil em 2013, a Indústria
Processadora de Grãos localizada em Cruz Alta é um dos mais novos empreendimentos da
cooperativa. A incorporação da indústria aos negócios da cooperativa foi realizada com o
propósito de garantir a industrialização da produção dos associados, e também a
diversificação dos negócios no setor industrial somando-se à fábrica de rações, além de
contribuir com ampliação da área geográfica de atuação da Coopermil. Os grãos são
aproveitados na sua totalidade, pois o óleo extraído é comercializado às empresas de biodiesel
e o farelo é destinado à fabricação de produtos de nutrição animal na região, inclusive
servindo de matéria prima à Fábrica de Rações da Coopermil.
4.1.6 - Rações: A Cooperativa atua na produção e comercialização de produtos de
qualidade através dos produtos de Nutrição Animal, ente eles as Rações Coopermil das
marcas Bovimil, Suimil e Avemil e Minerais e Núcleos da marca Nutrimil, indicados para a
alimentação do rebanho bovino, suíno e aves. Os produtos de Nutrição Animal fabricados pela
Coopermil seguem rigoroso controle de qualidade, desde a seleção da matéria-prima (milho,
farelo de soja e trigo, entre outros) utilizada na composição das fórmulas de rações até a
finalização do processo e embalagem. Além disso, a Coopermil possui uma sólida parceria
com a empresa VACCINAR, que contribui com a experiência, transferência de tecnologia e
conhecimento técnico para a elaboração das fórmulas dos produtos.
4.1.7 - Sementes: produz e comercializa sementes de alto padrão, com classificação
por tamanho nas peneiras e já adaptadas às exigências do plantio de precisão, propiciando
plantas fortes e saudáveis, gerando maior rentabilidade aos associados e clientes. Nesta linha
de atuação, em parceria com a Embrapa, Fundação Pró-Semente de Passo Fundo e CCGL
TEC de Cruz Alta, são desenvolvidas pesquisas de novas sementes de soja e trigo, bem como
são mantidas parcerias com empresas produtoras de semente como Syngenta, Brasmax entre
outras. A Coopermil possui um moderno Centro de Tratamento Industrial de Sementes, onde
as mesmas são selecionadas e tratadas com produtos específicos para o controle de pragas e
doenças, evitando a exposição do produtor aos agroquímicos e contribuindo com a diminuição
de embalagens no meio rural.
4.1.8 - Supermercados: Com a marca Super São Luiz, os 13 supermercados da
Coopermil estão distribuídos em toda a sua área de atuação, facilitando a aquisição de
produtos para o produtor rural e também inserindo clientes urbanos no seu meio. O
comprometimento e a seriedade com que a cooperativa atua nos demais negócios também se
refletem nos supermercados, com a parceria fortalecida com as melhores marcas
distribuidoras para o varejo, carnes de procedência certificada, frutas selecionadas e produtos
de padaria e outros perecíveis cuidadosamente expostos para preservar o sabor e a saúde dos
consumidores.
A Coopermil conta com mais de 900 colaboradores diretos, trabalhando em toda
estrutura, e forma um quadro com mais de cinco mil associados em toda a região. Atualmente
apresenta um projeto de controle de responsabilidade ambiental e desenvolvimento
sustentável, um profissional específico na função de técnico/gestor ambiental coordenando a
área com apoio de todos gerentes e coordenadores de unidades, setor de marketing além de
todos os colaboradores que de alguma maneira acabam se envolvendo no processo de uma
cooperativa comprometida com o meio ambiente.
A Coopermil tem destinação adequada para materiais ou resíduos contaminados
classificados em grau de risco que possam gerar alguma agressão a natureza. Resíduos estes
derivados de moegas, unidades de recebimento de grãos, indústria processadora de grãos,
fábrica de rações, postos de combustíveis, agropecuárias, dentre outras. Materiais esses
classificados como, palha, cinzas, impurezas, lodo de barro, resíduos, filtro lubrificante, filtro
de ar, resíduo têxtil, óleo lubrificante usado, embalagens de óleo lubrificante e de agrotóxicos/
inseticidas.
Tornou-se imperativo a preservação ambiental. Não é mais uma luta apenas para
ambientalistas e ecologistas, mas para todos os seres humanos e inclusive as cooperativas que
tem como intuito o bem comum e geral de seus associados, nada mais justo e encantador do
que dar o exemplo no cenário de proteção e preservação do solo e de seus recursos que tanto
produz e da sobrevivência para as famílias. Embora tenham ocorrido diversas iniciativas na
última década, está-se chegando a um ponto crítico. Se não forem intensificadas as ações para
promover a preservação ambiental, a vida no planeta Terra estará cada vez mais
comprometida, seja das gerações futuras de humanos e ou dos demais seres vivos.
4.2 Gestão de resíduos ambientais na Coopermil
Os resíduos provenientes dos processos rotineiros das unidades de recebimento de
grãos são potenciais geradores de impactos ambientais; uma vez que suas concentrações em
excesso podem causar poluição ambiental e possível impactos ao meio ambiente, e assim o
processo de Gestão ambiental se faz cada vez mais necessário, gerenciando resíduos,
diminuindo impactos e reduzindo custos ao agregar a utilização de outras fontes de energia
como esses resíduos, substituindo outros materiais, como a lenha, na sua totalidade para a
secagem dos grãos, processo esse que ainda não está em prática mas que a Cooperativa
Coopermil tem como projeto. Importante iniciativa e principal tema do estudo, é a destinação
correta tanto dos resíduos como das embalagens e materiais contaminados com substancias
nocivas a natureza.
No presente estudo relacionam-se todas as áreas de atuação da Coopermil, visitando-se
no mínimo uma unidade de cada ramo de negócio das anteriormente citadas. Com exceção da
indústria processadora de grãos que possui um sistema gestão ambiental própria, apesar de
não se visitar a unidade, constam os relatórios da gestão de resíduos no presente estudo. A
seguir estão relacionados os inventários de resíduos da rede de postos de combustíveis na sua
totalidade no período de Janeiro a Dezembro de 2014. Resíduos específicos de posto de
combustível, como, filtro lubrificante, filtro de ar, resíduo têxtil (estopa), lodo, óleo
lubrificante usado, embalagens. Materiais esses classificados em grau de risco, estado físico,
acondicionamento, destinação, identificação de empresa coletora licenciada e autorizada e
quantidade. Conforme levantamento no estudo, todos resíduos são destinados a empresas de
recolhimento e destinação licenciadas como, a MB engenharia meio ambiente, Geab logística
Ltda, IPS Indústria Petroquímica do Sul, todas as empresas conceituadas. O detalhamento
quantitativo do inventário de resíduos, seu enquadramento e destinação, são detalhados nas
figuras de 2 a 8, observando-se os indicadores de cada uma das filiais dos postos de
combustíveis.
Figura 2 - Posto Coopermil – Filial BR 472 Santa Rosa
Fonte: Coopermil
Os filtros lubrificantes são resíduos provenientes da troca de óleo de veículos que se
substitui por um novo descartando o usado, e dessa forma acumulando-se numa quantia de
90m³ durante o período dos 12 meses de 2014 na filial Posto Coopermil Br 472, conforme
consta na figura 2.
Figura 3 – Posto Coopermil - filial Av. Inhacorá 307 Santa Rosa
Fonte: Coopermil
A filial da Av. Inhacorá, levando em consideração somente um item, teve uma
destinação de 1,92m³ de filtros de ar, substituído na manutenção de veículos efetuada no posto
de combustível.
Figura 4 – Posto Coopermil – filial Av. Expedicionário Weber Santa Rosa
Fonte: Coopermil
A unidade Posto Coopermil localizada na avenida Expedicionário Weber teve um
acumulado de 1.100 litros de óleo lubrificante usado durante o ano de 2014 entregue a
empresa LW lubrificantes para destinação correta, conforme apresentado na figura 4.
Figura 5 – Posto Coopermil – Filial RS 307 Santa Rosa
Fonte: Coopermil
Resíduo têxtil ou estopa, utilizado em postos de combustível principalmente para
absorver óleo, utilizado na seção de lubrificação ou na própria pista de abastecimento.
Material esse considerado contaminado justamente pela absorção do óleo lubrificante. Item
citado na figura 5, o Posto Coopermil localizado na Rs 307 entregou 0,60m³ durante o ano de
2014.
Figura 6 – Posto Coopermil – Filial Avenida Rio Branco 91 Santa Rosa
Fonte: Coopermil
A quantidade de resíduos acumulados varia conforme a venda e manutenções
efetuadas, conforme a figura 6 do Posto Coopermil situado na Avenida Rio Branco que teve
uma quantidade menor de resíduo entregue as empresas coletoras porém mesmo a quantidade
sendo pequena foi devidamente destinada.
Figura 7 – Posto Coopermil – Filial Santo Cristo
Fonte: Coopermil
Conforme figura 7, o Posto Coopermil filial de Santo Cristo entregou 200 litros de
óleo lubrificante acumulado de janeiro a dezembro de 2014.
Figura 8 – Posto Coopermil – Filial Avenida Inhacorá 607 Santa Rosa
Fonte: Coopermil
O resíduo, embalagem contaminada trata-se das embalagens principalmente de óleo
lubrificante que conforme item na figura 8, a filial em questão destinou 9,5 kg de resíduo
durante o ano de 2014.
Somando-se apenas o item óleo usado, durante o exercício de 2014 da rede de Postos
Coopermil, foram recolhidos 19.040 litros, quantidade essa se não fosse corretamente
destinada ou simplesmente depositada no solo, basicamente não se tem noção da enorme
agressão que faria no meio ambiente e o tamanho das consequências.
Os inventários de resíduos das Unidades recebimento de grãos/armazéns, plataforma
de leite, dentre outras, são descritas nas figuras 9 a 15, observado o período de Janeiro a
Dezembro de 2014.
Figura 9 – Armazém Coopermil Giruá centro
Fonte: Coopermil
Figura 10 – Graneleiro Coopermil Santo Cristo
Fonte: Coopermil
Figura 11 – Armazém Coopermil Candeia
Fonte: Coopermil
Figura 12 – Graneleiro e Depósito Coopermil cruzeiro
Fonte: Coopermil
Figura 13 – Graneleiro Coopermil Dr. Mauricio Cardoso
Fonte: Coopermil
Figura 14 – Graneleiro Mato Grande
Fonte: Coopermil
Figura 15 – Plataforma de Leite
Fonte: Coopermil
Nas figuras 9 a 15 está citado a quantia de resíduos acumulados no período de janeiro
a dezembro de 2014, nas diversas unidades da Coopermil, resíduos resultantes dos trabalhos
executados, resíduos específicos como, cinzas, palhas, lodo de barro, impurezas e embalagens
de agrotóxicos. Cada qual tendo sua destinação apropriada conforme citados nas imagens
apresentadas.
A Coopermil desde 1992 possui uma área de 10,5 hectares de terra como base
experimental localizada na RS 342 km 2 em Santa Rosa. A Área Experimental Coopermil foi
criada com o objetivo principal de validar os processos produtivos nas condições
edafoclimáticas (clima e solo) da Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, visando o
aumento da produtividade e renda dos associados, nas principais culturas de grãos, onde
também se destaca a importância a proteção do meio ambiente e se destinou uma área da base
experimental para deposito de resíduos contaminados indicados para tal destinação como
palhas e cinzas. Na área de depósito de resíduo encontram-se plantadas árvores de eucalipto,
justamente como norma ambiental para melhor absorção dessa parte de resíduos evitando
assim um o contamínio do solo e não comprometendo outras quaisquer áreas.
No estudo foi verificado que vários procedimentos podem causar alterações que geram
aspectos ambientais, potenciais causadores de impactos significativos, assim, a implantação
de medidas de sustentabilidade ambiental, visando o atendimento à legislação vigente no país
e no Rio Grande do Sul, bem como a melhoria contínua do desempenho ambiental da
empresa, são medidas obrigatórias para assegurar que não sejam verificadas não
conformidades em todos os processamentos da Cooperativa.
Exemplo de modelo para outras cooperativas e empresas do ramo agrícola, mas
ressaltando que os desafios ainda são muitos para o atingimento da sustentabilidade ambiental
e para uma rotina de trabalho ecologicamente correta. Nota-se atualmente de forma geral, que
já existe uma preocupação voltada para o tema da sustentabilidade ambiental das cooperativas
não somente gaúchas, mas sim de todo o mundo. Onde não somente por iniciativa das
Cooperativas, mas também de pelo fato da legislação em vigor estar mais rigorosa ao tema em
questão.
5. Propostas para Aprimorar a Gestão Ambiental na Coopermil
Frente ao estudo realizado, se expressa um conjunto de perguntas para aprimorar a
gestão ambiental na Coopermil.
• A proteção dos recursos naturais é um dever de toda sociedade, a partir desse
pressuposto, a Coopermil pode desenvolver ações que evidencie para população
regional a conscientização do tema.
• Futuras iniciativas oriundas da Coopermil para manter um sistema de gestão ambiental
eficiente e atualizado com a legislação em vigor.
• Buscar alternativas e sugestões com o quadro de colaboradores e associados da
Cooperativa para ações de desenvolvimento ambiental cada vez mais eficaz.
• Programas de visitas a Cooperativas e empresas do ramo agrícola a fim de basear-se
em novas ideias e compartilhar experiências da gestão de resíduos.
• O desenvolvimento de estudo ou pesquisa para um possível reaproveitamento de
resíduos que se torne viável em algum processo na Cooperativa.
6. Conclusão
Um futuro repleto de incertezas em relação às verdadeiras condições existentes para a
perpetuação da vida no nosso planeta remete a uma urgente reflexão para a busca de soluções
e práticas sustentáveis capazes de proporcionar o surgimento de um novo paradigma
desenvolvimentista. Necessitamos voltar os olhos e mentes para a busca de alternativas que
possibilitem assegurar plenas condições de sobrevivência das gerações atuais e
consequentemente das gerações futuras.
Negar este compromisso com a busca de alternativas e práticas que garantam a
sobrevivência da espécie humana é antecipar o atingimento de um estágio mais crítico e de
difícil solução. É assumir uma condição de omissão, permitindo com esta geração seja
condenada pelas gerações futuras como sendo a que nada ou pouco fez para o real
atingimento da sustentabilidade.
Este artigo buscou demonstrar por meio do exemplo do cooperativismo que ainda há
alternativas para o atingimento da sustentabilidade. Isto não significa que o cooperativismo
seja imune à falhas, porém o seu exemplo retrata com fidelidade que ainda há alternativas que
priorizem outros aspectos de desenvolvimento além do econômico.
O presente estudo teve como qualidade e facilidade no atingimento do objetivo o fato
do autor ser membro da cooperativa em questão, e vivenciando muito proximamente a gestão
dos projetos voltados a sustentabilidade ambiental. Comprova-se a partir do estudo a prática
concreta evidenciada nos relatórios apresentados por parte da Coopermil, visando garantir e
aprimorar os mecanismos de gestão da sustentabilidade ambiental.
Frente ao estudo realizado permanece o conjunto das demais práticas que vem sendo
desenvolvidas pela Coopermil quanto ao impacto positivo ou negativo na gestão ambiental,
porém o mapeamento das demais atividades está além do escopo deste estudo, outro aspecto
que suscita a problematização futura é de como acontecem programas e ações de gestão
ambiental em outras cooperativas agropecuárias atuantes na macrorregião ou no próprio
estado do Rio Grande do Sul. Outro tema sugestivo abrange a forma que a gestão ambiental e
a sustentabilidade ambiental estão presentes no sistema cooperativo e nos demais segmentos
cooperativos atuantes no estado, Brasil e no mundo.
O presente artigo teve como importância demonstrar as práticas da cooperativa com
vistas ao desenvolvimento da região de atuação da Coopermil da sustentabilidade ambiental
do futuro da vida na região e no planeta.
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