ALCAR - Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia
4º Encontro do Núcleo Gaúcho de História da Mídia
São Borja, RS - 14 e 15 de maio de 2012
A Construção da Imagem Institucional através dos Festivais de Música Nativista –
O Caso de Cruz Alta e a Coxilha Nativista1
Laura Dia da Costa Dutra2
Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul.
RESUMO
Por apreciar a “Coxilha Nativista de Cruz Alta”, este trabalho busca investigar as
maneiras de arquitetar uma imagem e uma identidade através de um evento que provoca
em uma pesquisa para conduzir os acontecimentos para um lado de melhorar o sistema
da comunicação e as visões que a mídia dá para tal festival, aproveitando para
aprofundar o conhecimento na área, na vida acadêmica e divulgando para os meios que
não tem acesso a esse segmento da cultura, compreendendo o processo de construção e
fortalecimento da imagem institucional do município de Cruz Alta.
PALAVRAS-CHAVE:
História do festival.
Construção;
Identidade;
Fortalecimento;
Comunicação;
Introdução
Ao fazer um estudo de caso, torna-se necessário ressaltar aspectos importantes e
ligados à comunicação antes de falar especificamente o objeto analisado.
Logo no início, é necessário tratar de uma visão de comunicação em uma forma
social e de excelência, partindo para diferenciar instituição de organização em
comunicação, nos instrumentos, finalidade, propaganda e pesquisa, abrindo espaço para
a imagem e a identidade, chegando à opinião pública e a mídia. Estratégia em um
trabalho de Relações Públicas é algo fundamental, organizando as funções e políticas
conforme suas respectivas abrangências para chegar especificamente ao caso de um dos
maiores festivais de música nativista do Estado.
Mas antes de começar a articular sobre Coxilha Nativista é essencial apresentar
seu município sede, que durante o mês de julho é destaque no cenário musical nativista.
Cruz Alta está localizada no Planalto Médio, região central do Rio Grande do
Sul, com um relevo chamado de coxilha, numa altitude de 450 metros. Tem em sua rede
hidrográfica como principais cursos de água os rios Conceição, Ingaí, Ivaí e Potiribú. O
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Trabalho apresentado no 4º Encontro do Núcleo Gaúcho de História da Mídia – ALCAR RS
Acadêmica de Comunicação Social – Relações Públicas, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM),
[email protected]
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clima do município é subtropical, a região é caracterizada como fria, sendo freqüentes
as geadas e nevoeiros no inverno.
A cidade abriga diversas atrações turísticas como a Fundação Erico Veríssimo, o
Monumento de Fátima, o Parque Integrado de Exposição, o Balneário Lajeado da Cruz
e o Monumento Lenda da Panelinha, sendo também sede de grandes eventos como o
Carnaval Regional em fevereiro, a Coxilha Nativista em julho, o Festival Internacional
do Folclore em agosto, a Romaria de Nossa Senhora de Fátima e a Feira Nacional do
Trigo em outubro e o Natal Iluminado em dezembro.
O município conta com um forte sistema de comunicação, com emissoras de
rádio, um canal de televisão e diversos jornais em circulação.
A história oficial de Cruz Alta originou-se de uma pousada de tropeiros e
carreteiros, bandeirantes paulistas que por volta dos séculos XVII e XVIII que passaram
pelo local para saquear as reduções jesuíticas e levar os índios como escravos e o gado
para comercializar nas feiras de Sorocaba, em São Paulo.
Cruz Alta é uma cidade de origem luso-guarani que acolheu várias etnias,
embora seja um lugar que predomine a descendência lusa, segundo Schettert (1993,
p.17).
A história de Cruz Alta evoluiu em um contexto social, econômico, político e
cultural, onde se originou a Coxilha Nativista no ano de 1981, que teve como
idealizador o então Secretário de Turismo, Divulgação e Relações Públicas da época,
Antonio Augusto Sampaio da Silva, filho do prefeito em exercício, Humberto Ferreira
da Silva.
É o primeiro festival de música gauchesca que se realiza no município, que
perdura por mais de trinta anos sem interrupções e, com a participação de grandes
expressões da arte e cultura do gênero.
A Coxilha Nativista já se consolidou como um festival que reproduz os símbolos
da identidade regional em temáticas variadas através dos compositores.
Justificativa
A justificativa deste estudo está baseada na necessidade de traduzir valores
importantes para se construir à cultura. O desejo de investigar as maneiras de construir
uma imagem e uma identidade através de um evento influi de modo que a pesquisa se
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direcione para o lado de melhorar o sistema da comunicação e as visões que a mídia dá
para tal festival.
Acrescentando ainda que como maior motivação para realizar este estudo, é o
enriquecimento do acervo do Memorial da Coxilha Nativista, além de poder contribuir
para melhorar alguns aspectos, através da inclusão desta pesquisa como material
disponível e acessível, junto a outras fontes de pesquisa.
E, Azambuja (2005, p.15) reforça que o festival em pauta tornou-se um veículo
de mensagens e conceitos como um valioso instrumento disposto para levantar as
informações.
Metodologia
Os procedimentos metodológicos para este trabalho definidos a partir da coleta e
seleção de dados específicos, sendo realizado um estudo de caso, a partir da presença
desde os primeiros movimentos para organizar o evento até seu término.
Vendo que necessário uma pesquisa de opinião e outra de satisfação com os
públicos durante o festival, além de fazer uma observação dos participantes, para após
comparar as opiniões, juntamente com uma pesquisa documental pública e particular. E
Minayo (1994, p.69) diz:
“estabelecer uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou
não os pressupostos da pesquisa e/ou responder às questões
formuladas e ampliar o conhecimento do assunto pesquisado,
articulando-o ao contexto cultural do qual se faz parte”.
Então, utilizando métodos e técnicas de pesquisa de revisão bibliográfica,
entrevistas individuais e grupais e análise de vídeos, filmes, fotografias e diversos
materiais impressos relacionados ao tema, para construir um raciocínio lógico
acompanhando o desenvolvimento da pesquisa.
Desenvolvimento
A revisão de literatura para a organização deste trabalho foi baseada em uma
revisão bibliográfica e alguns levantamentos de definições e conceitos, sendo
constituído através de alguns princípios formadores de um conjunto de ideias coerentes
ao tema escolhido.
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A consulta bibliográfica possibilitou uma visão geral estando aliada a construção
de uma série de conceitos articulados que darão sustentação e compreensão dos
problemas da pesquisa. Inicia-se através de um panorama geral sobre o conceito de
comunicação, que, é provocado por uma contínua formulação de teorias que dependem
de um dinamismo intenso indispensável que é mantenedor de certa coerência nos
conceitos, ainda mais quando o objetivo é estabelecer marcos em futuras incursões
resultantes de ações vindas de uma série de elementos que podemos simplificar os
fenômenos formadores da comunicação social.
Uma comunicação excelente tem como suporte, segundo Kunsch (1997, p.112)
citando Frederic T. Halperin: “o valor que a alta direção de uma organização lhe atribui;
o papel e o comportamento do responsável por ela e; a cultura corporativa da
organização”. Revela-se também como atividade de Relações Públicas, posicionando-se
em uma função contextual de organização que integra as áreas de comunicação que vai
facilitar a administração estratégica capaz de desenvolver uma estrutura dinâmica
flexível com objetivos estratégicos, acreditando que os valores de um programa de
comunicação devem ser avaliados exatamente em sua eficácia que procura harmonizar
os objetivos da organização com a expectativa dos públicos.
Estudando a visão de diversos pesquisadores, se esclarece conceito básico em
relação às organizações que a diferencia de instituições, que são sinônimos de um
agrupamento social. Pereiras (1988, p.10) sintetiza as diferenças do sociólogo
americano Philip Selznick:
“as instituições como organizações que incorporam normas e valores
considerados valiosos para seus membros e para a sociedade”, ao
passo que “as organizações criadas com o fim específico de cumprir
uma tarefa são chamadas de organização instrumentais”
E, ao ser citado o pensamento de diversos autores que colocaram o seu ponto de
vista diante os termos diferenciais de instituição e organização, podemos considerar a
possibilidade de que o mais importante é colocar a organização em um papel que
depende da sociedade assumindo características institucionais.
Na composição direta da formação da comunicação, a comunicação institucional
é a responsável por estar no meio de uma gestão estratégica das relações públicas que
constroem e formam a imagem e a identidade de uma organização estando ligada aos
aspectos corporativos institucionais. A comunicação institucional através do Relações
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Públicas que prioriza aspectos ligados a missão, visão e valores que vão contribuir no
desenvolvimento institucional, implicando em conhecer e compartilhar esses atributos e
não fazer apenas uma divulgação de marcas, mostra ser formada por instrumentos de
formatação de imagem perante a sociedade.
Trabalhar as finalidades e os aspectos institucionais de uma organização,
segundo Kunsch (2003, p.119) “visa basicamente criar uma personalidade para a
organização”, e através de métodos de divulgações podem ser construídos os
instrumentos que serão utilizados pelos Relações Públicas, utilizando da propaganda
institucional, que é um instrumento integrante da comunicação, que propõe-se a
divulgar as realidades das organizações, transmitindo e fixando a personalidade e os
conceitos construtivos, onde cada ação deve ser planejada através de uma pesquisa
sendo institucional possível de construir um diagnóstico corporativo coerente a
aplicação adequada de formas e instrumentos metodológicos relacionados.
Ao falar de imagem, nota-se que está fortemente ligada ao mundo do
corporativismo, e que tem a ver com o imaginário das pessoas que conhecem e
administram a questão de imagem, pelo simples fato de ser um desafio em saber
conduzir dentro do contexto institucional.
Tratando de representar a imagem, não há dúvidas de que na atualidade todos
participam da cultura das imagens que constroem e representam a mídia, onde a noção
de imagem está partilhada a um sentido capaz de mediar o sujeito da realidade. Segundo
Azambuja (2005, p.55):
“a imagem é uma linguagem utilizada pela mídia que cumpre a
função de informar, vender, comprar ou promover e entretenimento,
através da televisão, revistas ou de outdoors, onde são criadas e
multiplicadas as representações. A noção de imagem está ligada a de
imitação da realidade que ela reflete, numa relação de passividade,
pois se limita a reproduzi-la, expressando uma visão estática do
processo de significação; em contraste, a representação é ativa,
produzindo além de objetos, sujeitos que atuam no processo de
desvendamento, compreensão e construção do conhecimento, com a
finalidade de regular o modo de pensar e agir das pessoas”.
Então, imagem é aquela representação simples, incluindo fragilidade,
sensibilidade e instabilidade, que apesar da interação é um fenômeno que tem grandes
possibilidades de exercer influências diante a um variado público.
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Não se pode tratar de imagem sem falar de identidade, pois é o que projeta a
personalidade da instituição, organizando a estrutura institucional, seu estatuto, o
histórico e a sua trajetória, referindo-se às importâncias fundamentais e a características
conferidas às organizações pelos seus públicos. Kunsch (2003, p.174) diz que: “a
construção de uma imagem positiva e de uma identidade corporativa forte passa por
uma coerência entre o comportamento institucional e a sua comunicação integrada”.
Então, ao formar a identidade, pode-se representar através de características que
definirão as suas diferenças.
Tanto a imagem quanto a identidade como já foram citadas, são influenciadoras
na opinião pública, então logo após identificar os públicos e Andrade (1993, p.90)
afirma que:
“deve-se procurar conhecer as aspirações, atitudes e opiniões desses
grupos, mediante constantes pesquisas e análises, para se saber o
que pensam e esperam da instituição e para apreciar também os seus
comportamentos em fase das diretrizes e políticas traçadas pela
organização”.
Fortes (2003, p. 95) mostra que não se pode prescindir do interesse dos
conhecimentos em relação a todos os problemas dos públicos, mas afirma que os
resultados de uma pesquisa fornecem sustentabilidade para um processo de Relações
Públicas.
Por isso, não há dúvidas de que cabe às relações públicas conduzir
estrategicamente a comunicação diante dos públicos, agindo não de forma isolada, mas
em perfeita sinergia com o mundo comunicacional. Porque definir Relações Públicas
está condicionado ao raciocínio da capacidade de cada um julgar o conceito de opinião
pública, a concepção de democracia que constitui as correntes de opinião e a
possibilidade de influir nestas correntes.
As relações públicas dentro da comunicação organizacional agregam valores que
vão facilitar as finalidades e as políticas que vão traçar m plano adequado repleto de
conhecimentos teóricos e científicos, mostrando que o desconhecimento a até a
ignorância das possibilidades de abrangência das relações públicas dificultam um maior
entendimento.
E, partindo para estudar um caso específico, inicia-se por um lado onde o
gauchismo ligado à identidade regional, que segundo Nunes (1982), é necessário um
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termo que conjuga costumes, hábitos e expressões relativas ao gaúcho, mostrando a
manifestação intensa das “coisas nativas”, onde a identidade coletiva vai obedecer um
sistema de valores e interesses.
Em uma visão de Golin (2004, p. 20): a identidade do sul-rio-grandense deveria
ser produto de uma escolha, na pós-modernidade, com possibilidade de inovação.
Mostra que os conceitos não foram constituídos espontaneamente, pois o gauchismo
manifesta-se através do movimento organizado, chamado de Movimento Tradicionalista
Gaúcho.
Então, dando início aos ciclos de festivais, o Nativismo com intuito de
preservação da abertura à constituição de novas identidades sociais. “Os festivais
nativistas iniciaram como propósito de veicular a cultura através da música gauchesca,
na qualidade de guardiões do gauchismo, mobilizando multidões, na maioria jovens que
passam a admirar e reproduzir essa ideologia”, destaca Golin (1983, p.110).
Os ambientes de festival são propícios à integração de músicos e compositores,
possibilitam também uma inversão no comportamento social porque favorecem a
promoção cultural que visa o social e o político, as formas de expressar a identidade
gaúcha, revelam novos talentos, passando por uma série de argumentos chegando até a
ser instrumento da crítica social.
E, o surgimento em 1981 da “Coxilha Nativista”, que foi inspirado na Califórnia
da Canção Nativa de Uruguaiana, surgiu de forma a motivar a comunidade regional em
relação às “coisas nativas”. Esse evento já vem sendo realizado há mais de três décadas
divulgando um gênero popular denominado de “música gauchesca” produzida no Rio
Grande do Sul. É um festival consolidado no Estado, e embora nativista não absorveu
ideias do Movimento Nativista, que sai do âmbito musical.
Conclusão
Esse artigo permite a divulgação de aspectos históricos com a relevância desta
pesquisa se faz sentir na medida em que permite trazer à tona o universo da imagem,
para impulsionar a reflexão sobre a sua construção.
Nos ensinamentos de Minayo (1996, p. 237-238) sobre conclusões de pesquisas,
encontra-se a seguinte assertiva “[...] o resultado e a produção de conhecimento são
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aproximadamente da realidade social, o produto final de uma pesquisa e sempre
provisório, [...] é sempre um ponto de vista a respeito de objeto”.
Acredita-se que este estudo possa colaborar para a caracterização da construção
da imagem institucional e da identidade do Município de Cruz Alta através da Coxilha
Nativista, que ainda mostra de uma forma velada, por não ter sido objeto de indagação e
de aprofundamento científico em outras pesquisas.
REFERÊNCIAS
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BAUER, Martin W. e GASKEL, George. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Um
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NUNES, Zeno Cardoso & NUNES, Rui Cardoso. Dicionário de regionalismo do Rio Grande
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PEREIRA, Maria José L. Bretas. Mudança nas instituições. São Paulo: Nobel, 1988.
POYARES, Walter. Imagem pública. Glória para uns, ruína para outros. 2ª Edição. São Paulo:
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SCHETTERT, Ivan Soares. Cruz Alta como surgiu e evoluiu. Porto Alegre: Editora Palloti,
1993.
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