CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA – UFSM DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS ENSAIO ACERCA DA ESTRUTURA PRODUTIVA DO SETOR VINÍCOLA DO RIO GRANDE DO SUL: UMA PROPOSIÇÃO METODOLÓGICA (2009) EQUIPE TÉCNICA: Pesquisadores: Dra. Glaucia Angélica Campregnher (Coordenador) Ms. Gabriel Nunes de Oliveira Dr. Clailton Ataídes de Freitas Bolsistas: Paulo Henrique Hoeckel Santa Maria, março de 2011 1 ENSAIO ACERCA DA ESTRUTURA PRODUTIVA DO SETOR VINÍCOLA DO RIO GRANDE DO SUL: UMA PROPOSIÇÃO METODOLÓGICA (2009) Resumo: O presente estudo tem por objetivos retratar o setor vinícola do Rio Grande do Sul a partir de uma amostra composta por 59 empresas. O questionário foi estruturado para contemplar cinco aspectos relacionados ao processo de produção de vinho: o tamanho das vinícolas, os tipos de vinhos produzidos, o estoque de capital, o custo de produção e a receita gerada. Com relação ao primeiro aspecto, ficou visível que a predomina no Estado as micro vinícolas com mais de 90% das empresas. Além disso, foi diagnosticada uma grande ociosidade do capital, em média de 50%. Com relação a diferença de tamanho das vinícolas notou-se que os investimentos imobilizados em prédios, máquinas e equipamentos foram muito altos, superando R$ 1,2 milhões para o caso das micros vinícolas e de R$ 30 milhões quando se trata grandes. Quando o foco da pesquisa se voltou para os custos de produção, notou-se pouca variabilidade de custos para algumas subcategorias do Básico Popular. Entretanto, as oscilações de custos se tornaram bem mais pronunciadas para os casos do Ícone. A taxa de conversão da uva em vinho de mesa é em média de 1,3 kg por litro. Finalmente, o estimou-se que o setor vinícola do Rio Grande do Sul gerou de renda agregada de, aproximadamente, R$ 960 milhões no ano da amostra. Palavras-chave: categorias e subcategorias de vinho, setor vinícola, custo de produção do vinho. Abstract: 2 1 INTRODUÇÃO Em razão dos fatores edafo-climáticos e culturais predomina no país o cultivo de uvas americanas e híbridas, sendo as vitis vinifera exploradas em menor escala. Dessa forma, grande parte do vinho nacional utiliza matéria-prima não apropriada para a produção de vinhos de alta qualidade. Essa, talvez seja, a grande limitação do vinho fabricado no Brasil. No entanto, nota-se um grande esforço empreendido pelo setor, nos últimos anos, em busca da melhoria da qualidade do vinho nacional. Isso ocorreu, principalmente, a partir da década de 90, com a abertura da economia brasileira, o que fez a importação de vinho crescer substancialmente, especialmente, na última década. Esse argumento é condizente com Rosa et al. (2006). Segundo esses autores, o agronegócio do vinho vem sofrendo os efeitos do progressivo processo de globalização e internacionalização de mercados. Nota-se que no setor de bebidas brasileiro, mais diretamente no segmento de vinhos, está ocorrendo um crescente incremento dos produtos importados, os quais estão se firmando no mercado nacional , juntando-se à marcas importadas já populares no mercado de vinho. Este fato é ainda mais significativo quando se trata dos vinhos considerados finos e de qualidade superior aos convencionais de mesa. Apesar do lado perverso da exposição desse mercado à competitividade internacional, existe um fator positivo do processo de abertura do setor, pois, a competição dos vinho nacional aos similares importados força as vinícolas a buscarem aumentar qualidade dos seus produtos através de aprimoramento tecnológico nos processos produtivos, bem como a busca de redução de custos capaz de garantir preços mais competitivos. Diante dessa realidade conjuntural, as empresas que atuam em estruturas de mercado competitivas, como as do setor vitivinícola, devem se tornar cada vez mais eficientes para fazer frente aos similares importados. Assim, o controle mais sistemático dos custos de produção, por parte das mesmas, tende a se converter num dos principais elementos de aumento de eficiência. Isso significa que saber identificar, dimensionar e apropriar adequadamente, cada um dos itens do custo total possibilita o maior controle da situação financeira da empresa, diagnosticando possíveis pontos de estrangulamentos financeiros. Além do mais, uma análise criteriosa dos custos de produção torna-se fundamental na avaliação da rentabilidade econômica das vinícolas, pois, se a receita obtida com a venda da produção se mantiver abaixo do custo de produção, por longo tempo, situação econômica dessas vinícolas pode-se tornar insustentável. Por essa razão, o adequado conhecimento dos custos de produção evita que ocorram subdimensionamentos dos mesmos, o que poderá retratar uma situação falsamente favorável. Além disso, estratégias podem ser adotadas para minimizar os 3 custos com insumos, cujo peso tenha maior expressão na estrutura de custo das vinícolas, principalmente, utilizando-se de sistemas de cooperação como compras em conjunto. Além do olhar clínico sobre os custos, a racionalização do processo de produção – com a introdução de novos produtos, que visam ao atendimento de fatias específicas de mercado, ou mesmo com a adoção de novas tecnologias podem tornam as empresas mais eficientes. Apesar da importância desse setor em termos sociais e culturais, não se tem no estado da arte no Brasil, nenhuma pesquisa que buscou estimar os custos de produção dos principais tipos de vinho1. Nesse sentido, espera-se com a consecução dessa pesquisa preencher essa lacuna teórica e assim, contribuir não apenas com o debate acadêmico, mas, principalmente, com a demanda do setor, que até o presente momento não dispõe de informações científicas sobre qual o custo de se produzir vinho no Rio Grande do Sul. Diante desse pano de fundo, delineiam-se como objetivos: i) classificar por tamanho e identificar a capacidade ociosa das vinícolas; ii) identificar as categorias e subcategorias dos vinhos produzidos pela vinícolas pesquisadas; iii) analisar o volume médio e total de produção de vinho de cada categoria e subcategoria de vinho; iv) levantar os preço médio das subcategorias de vinho na região de abrangência da pesquisa; v) estimar o estoque de capital das vinícolas classificadas por tamanho; vi) definir os custos médios de produção das subcategorias de vinho pesquisados; vii) analisar a rentabilidade obtida por subcategorias de vinho; viii) calcular os coeficientes financeiros e técnicos das vinícolas amostradas classificadas por tamanho, ix) identificar a taxa de conversão de uva por litro de vinho por tamanho das vinícolas. x) apurar os resultados financeiros das vinícolas classificadas por tamanho. Este estudo esta dividido em seis seções, sendo a primeira constituída pela presente introdução; a Seção 2 expõe os fundamentos teóricos dos custos de produção; na Seção 3 tem-se a descrição da metodologia proposta para a apropriação dos itens dos custos de produção; na Seção 4 estão reunidos os resultados da pesquisa; na Seção 5 são apresentados e discutidos a renda estimada do setor vinícola no Rio Grande do Sul e, finalmente na Seção 6 são apresentados as principais conclusões desta pesquisa. 1 Estes serão definidos na Seção 3. 4 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO Dado que o setor vinícola não apresenta particularidades no que diz respeito ao processos de amortização de capital, adotamos a hipótese mais simples: a de que o estoque de capital tende a se desgastar linearmente a medida que uma maior quantidade de vinho é produzida. A justificativa teórica para tal hipótese advém da função de produção que se segue: Qi f X 1 , X 2 , X 3 (2.1) em que Qi é o volume total de produção de vinho, incluindo todas as categorias subcategorias de vinho produzido pela vinícola; X1 corresponde ao conjunto de insumos variáveis, X2 representa o insumo fixo estoque de capital e X3 os demais insumos indiretos. Por definição, uma função de produção (2.1) explicita o padrão de transformação de insumos e capital em produto. Tal função especifica a quantidade máxima de vinho que se consegue produzir, dado a combinação dos fatores de produção fixo, variável e a tecnologia. Assim, para se aumentar a produção de vinho consome-se maiores quantidades de X1 e X3, além de desgastar mais rapidamente X2. A apropriação dos custos relativos aos insumos representados por X3, no custo total, está detalhada na subseção seguinte. Já com relação a X2 entende-se que os processos de utilização e desgaste do estoque de capital não se alteram substancialmente na produção das diferentes subcategorias de vinho, sendo a apropriação dos custos relativos ao estoque de capital feita através da depreciação linear, também, tratada no subitem seguinte. O custo total de produção (CT) pode ser definido como a soma do montante gasto com garrafas, uva, mão-de-obra, energia, transportes, produtos enológicos entre outros, os quais são agrupados e recebem a denominação de custos variáveis, ou custos diretos (CV), correspondendo à variável X1 da equação (2.1); mais os custos fixos, ou indireto (CF), relacionados às despesas administrativas e com a depreciação do capital, correspondendo às variáveis X3 e X2, respectivamente. Assim, os custos variáveis (X1) são apropriados, ou incorporados diretamente ao produto, quando o processo de produção é levado a cabo. Ao passo que os insumo fixos X2 e X3 são custos incorridos independentes do volume de produção. As estruturas de custos, ao serem divididas pela quantidade produzida, geram o custo total médio de uma determinada categoria ou subcategoria de vinho pesquisado. No que diz respeito ao insumo X2 procedimento adotado para que se alcance essa finalidade é distribuir uniformemente o desgaste desse capital por cada unidade produzida. Isso é feito, considerando o tempo de vida útil do estoque de capital, o valor desse capital imobilizado e 5 a quantidade produzida no ano t. De posse dessas informações, pode-se calcular o valor depreciado, anualmente, por unidade produzida. A depreciação adequadamente apropriada na estrutura de custos de produção, ao final da vida útil do capital, garante a substituição do mesmo sem comprometer o ponto de equilíbrio econômico-financeiro da empresa. Na seção seguinte, faz-se a formalização para se calcular a depreciação do capital das vinícolas. 6 3 METODOLOGIA 3.1 Caracterização da amostra A região de abrangência do presente estudo compreende a população das vinícolas do Estado do Rio Grande do Sul, especializada na produção de vinho de mesa e viníferas. Ao todo essa população é composta por 660 unidades produtoras de vinho, legalmente constituídas. GLAUCIA PEDIR AO PAIVA UM MAPA DA REGIÃO. No Rio Grande do Sul os dados foram levantados em três regiões, a saber: a Região da Serra Gaúcha, principal produtora de vinho no estado, sendo selecionados os seguintes municípios: Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Flores da Cunha, Garibaldi, Nova Pádua, São Marcos, Cotiporã, Antônio Prado, Farroupilha, Veranópolis, Monte Belo do Sul; na Região Centro o município de Santa Maria e na Região Fronteira Oeste o município de Santana do Livramento. Ao todo, foram treze municípios pesquisados para a constituição da base de dados. Como todos os elementos da população são conhecidos, recorre-se as técnicas da amostragem probabilística para a seleção da amostra. Esse tipo de amostragem implica em um sorteio com regras previamente determinadas. No presente caso, baseando-se no conhecimento técnico dos autores da pesquisa, e por entrevistas com especialista nessa área, procedeu-se a seleção da amostra, obtida a partir das 660 empresas do setor, através da seguinte fórmula2: A n' 1 n'1 N (3.1) em que A é o tamanho da amostra selecionada; N é o tamanho da população; p são informações a priori sobre a característica da população3; sendo que n’ é gerado através da equação: 2 z n' p1 p , e (3.2) em que z é o nível de 95% de confiança, o que resulta no valor crítico de 1,96; e e é a probabilidade de erro que no presente caso foi definido em 5%. Considerando tais informações, a amostra ficou constituída por 59 vinícolas. Cabe ressaltar, que o processo de seleção das empresas a serem entrevistadas foi aleatório, combinado com a disposição dos empresários em responder o questionário. As empresas foram despersonalizadas através da utilização de um código4. 2 Essa fórmula é apresentada em Botter et al. (1996) e, também, disponível em: www.felipelopes.com. Representa a porcentagem com que determinado fenômeno se verifica, como as informação a priori não estavam disponíveis acerca do valor de p, este é recomendável que se utilize p = 0,5. 4 Essa foi a opção para manter sigilosa todas as fontes de informações. 3 7 A Tabela (3.1) apresenta o intervalo utilizado para a classificação das vinícolas, pelo faturamento das mesmas. Esta classificação é derivada da oficialmente adotado no Brasil pelos órgãos públicos e o setor privado. Cabe ressaltar, que na classificação oficial as médias vinícolas estariam enquadradas no intervalo de faturamento de R$ 10.500.001,00 a R$ 60.000.000,00 e grandes empresas acima de R$ 60.000.001,00. No entanto a realidade do setor exigiu que se adotasse uma classificação mais representativa do mesmo. Então, pelo contato dos autores com a dinâmica deste setor, onde reconhecidas grandes vinícolas estariam fora do intervalo de grande pela classificação oficial, resolveu-se adotar uma classificação que se julgou mais representativa. Tabela 3.1 – Classificação das vinícolas gaúchas por faturamento Classificação Valores em reais Micro até 2.400.000,00 Pequena de 2.400.001,00 até 10.500.000,00 Média 10.500.001,00 até 30.000.000 Grande > que 30.000.001,00 Fonte: Adaptada pelos autores a partir da tabela oficial. Uma vez definida a vinícola na amostra, coube ao IBRAVIN o agendamento das entrevistas. Inicialmente, o IBRAVIN esclarecia aos vinicultores os objetivos da pesquisa, por via eletrônica (e-mail) ou telefone. O propósito de se deixar a cargo desse instituto, o contato, se deve ao fato do mesmo ser o representante institucional do setor, diminuindo a resistência dos vinicultores em abrir os dados, especialmente de custos das suas empresas. Cabe ressaltar, que sem a atuação e o empenho do IBRAVIN, dificilmente, ter-se-ia conseguido marcar as entrevistas. Além disso, essa instituição disponibiliza do cadastro atualizado de todos os produtores de vinho legalizados do Rio Grande do Sul, tornando mais produtivo e eficiente a definição da amostra. O questionário, apresentado no Anexo I, em forma de uma grande planilha contempla perguntas objetivas, por exemplo, quanto ao capital amortizado, capacidade potencial de produção, produção efetiva da vinícola, custos fixos e variáveis e preço de venda. Os dois primeiros blocos de questões dizem respeito à vinícola como um todo e os demais se referem à produção de cada vinícola. 3.2) Determinação das categorias de vinho Tendo em vista a grande diversidade de produtos da cadeia vitivinícola Gaúcha, opta-se pela utilização da classificação da Tabela 3.2, que busca traduzir as características físicas, químicas e organolépticas, em agrupamentos relativamente homogêneos, que facilita o processo 8 de comparação e termina por traduzir-se em diferencias de preços mercadológicos5. Esses agrupamentos passam a serem denominados de categorias. Tabela 3.2 – Classificação dos vinhos por categorias Classificação Categorias de vinho A Ícone B Ultra Premium C Super Premium D Premium E Básico Luxo F Básico Semi-Luxo G Básico Popular H Espumante Asti I Espumante Charmat J Espumante Chanpenoise L Filtrado Doce Fonte: Elaborada pelos autores. Cada uma das sete categorias especificadas na Tabela 3.2 é apresentada no mercado em embalagens diferenciadas, apesar do processo de produção de cada uma dessas categorias ser muito parecido, alguns fatores determinam sua diferenciação nas estruturas de custos, como: qualidade da matéria-prima, das embalagens utilizadas o tempo de envelhecimento do vinho entre outros. Essas diferentes embalagens são tratadas, doravante como subcategorias de vinho e estão apresentadas na Tabela 3.3. Tabela 3.3 – Classificação dos vinhos por subcategorias dos vinhos Denominação Subcategorias 5 Esta classificação está sendo proposta pelos autores com base na realidade observada da dinâmica do setor. No entanto, a pedido dos autores foi baseada um parecer técnico de um especialista na área acerca dessa classificação. Esse foi emitido pelo pesquisador Mauro Celso Zanus da Embrapa – Uva e Vinho, cujo parecer na íntegra está a seguir: “Pois que eu saiba esta classificação não é de nenhum organismo oficial, tampouco se refere a qualidade, entendida na visão da ciência da análise sensorial. É uma classificação bastante associada com PREÇOS, com uma hierarquia que cada empresa entende ter. Vinhos ascendentes na escala apresentam, normalmente - mas nem sempre, um maior custo de produção (melhor matéria-prima, rolha, qualidade da garrafa, rótulo,...). Vinhos ícone são aqueles que os enólogos de cada empresa entendem que devam ser os mais caros, por ter maior qualidade das suas características sensoriais- e por outras práticas (ex. foi usada barrica nova) na perspectiva de avaliação do enólogo e dirigentes. Às vezes o vinho ícone é até pior, pois a barrica nova atribuiu um aroma e paladar demasiado intenso da madeira. A jogada principal da pirâmide é atender a diversidade de categorias de consumidores. Também serve para passar ao consumidor, através de referenciais marcantes de preço, uma hierarquia que ajude a JUSTIFICAR preços altos. Em uma degustação completamente às cegas com os consumidores - e não enólogos - a correlação entre vinhos ícones e qualidade percebida seria, possivelmente, baixa.” 9 0 A Granel (não é utilizado vasilhame) 1 Garrafa 750 ml 2 Garrafão 4,6 Litros 3 Garrafa Pet 2 Litros 4 Garrafa Pet 1,5 Litros 5 Garrafa Pet 1 Litro 6 Garrafa Pet 375 ml 7 Beg-in-Box 3 Litros 8 Beg-in-Box 5 Litros 9 Garrafa Pet 3 Litros 10 Garrafa 880 ml 11 Garrafa 660 ml Fonte: Elalaborada pelos autores. * Os vinhos brancos terão o acréscimo da letra minúscula “b” junto à letra maiúscula que define a sua subcategoria, para designar essa nomenclatura, os demais vinhos são tinto. 3.3 Estruturando os custos de produção do vinho 3.3.1 Elementos dos custos de produção do setor vinícola gaúcho A entrevista com os vinicultores se inicia com o levantamento da quantidade efetivamente produzida pela vinícola de todas as categorias e subcategorias de vinho, da capacidade de produção da mesma e do seu estoque de capital estimado. Essas informações são consolidadas através do Quadro 3.4. Essas informações permitem estimar o nível de capacidade ociosa da vinícola. 10 Quadro 3.4 – Discriminação do estoque de capital da vinícola pesquisada. Código da Empresa: 000000 Volume de produção anual em garrafas: 00000 Discriminação Patrimônio Máquinas e equipamentos Prédios Total Estimativa de vida útil das máquinas e equipamentos Estimativa de vida útil das instalações Capacidade de produção anual Depreciação máquinas e equipamentos Depreciação prédios Depreciação total por garrafa Em unidades absolutas. Valor unitário em R$ Total em R$ - - - Fonte: Elaborada pelos autores. Após o preenchimento do quadro acima, a entrevista continua com o preenchimento dos quadros que se seguem. Essas apresentam de forma detalhada todos os elementos das despesas administrativas (Quadro 3.5), as despesas com mão-de-obra (Quadro 3.6) e da estrutura dos custos totais de produção (Quadro 3.7). Conforme se pode notar neste último, trata-se de uma estrutura de custo bem abrangente, para que a mesma possa ser adaptada às diversas categorias e subcategorias de vinho produzido pela vinícola pesquisada. Quadro 3.5 – Despesas administrativas Código da Empresa: 00000 Discriminação Despesas Administrativas Mão-de-obra administrativa Material de expediente Material promocional Energia elétrica Água Telefone Fretes Tratamento de efluentes Representante de vendas Despesas de manutenção de máquinas e equipamentos Feiras Associações Produção anual Em Unidades absolutas Valor unitário anual em R$ Total em R$ - - - 11 Custo administrativo por garrafa - - - Fonte: Elaborada pelos autores. Quadro 3.6 – Mão-de-obra Mão-de-obra fixa do chão de fábrica Mão-de-obra temporária do chão de fábrica Enólogo Quadro 3.7 – Matriz geral para o levantamento dos custos de produção do vinho, em litros. Código da Empresa: 0000: Volume de produção anual em garrafas: 00000 Categoria do vinho:............. Subcategoria:......... Discriminação Custo Variável – Insumos Uva FUNRURAL Garrafas Rolhas Rótulos Caixas Fitas adesivas Papel p/ garrafas Cápsulas SUB-TOTAL Custo Variável – Produtos Enológicos Enzimas Leveduras Ativantes de fermentação SO2/Metabisulfito Estabilizantes Material de limpeza Análises Nitrogênio Terra filtrante Barril de carvalho Taninos SUB-TOTAL Custo Fixo – Outras Depreciação Despesas administrativas Administrativo Em Unidades absolutas - - - Valor unitário anual em R$ - - - Total Em R$ - - - - - 12 Degustação SUB-TOTAL - - TOTAL Receitas Preço médio de venda da garrafa Período de Guarda (em anos) Tempo médio de guarda do produto Custos Médios Custos Médios por Garrafa - - - - Fonte: Elaborada pelos autores. Na parte superior do Quadro 3.6, estão consolidados todos os elementos dos custos variáveis e na inferior os custos fixos. Na primeira coluna estão discriminados todos os itens dos custos de produção. Na segunda coluna tem-se especificado a quantidade total em unidades físicas dos insumos gastos para se produzir o volume total de produção em litros de uma subcategoria específica de vinhos. A terceira coluna apresenta o custo unitário médio de cada um desses insumos. Na última linha da tabela é, então, apurado o custo médio de produção da j-ésima subcategoria pertencente a i-ésima categoria de vinho, relativo à vinícola entrevistada. Conforme se pode verificar no Quadro 3.6, os custos variáveis foram divididos em três grupos: 1) insumos gerais que representa a maior parcela dos custos, 2) os insumos enológicos, e 3) os insumos indiretos. O propósito dessa divisão é simplesmente didático para facilitar a coleta de dados. Além disso, essa desagregação permite fácil visualização, por exemplo, do peso dos impostos totais nos custos de produção. Os subitens 3.3.3 e 3.3.4 define cada um dos elementos de custos apresentados na tabela acima. 3.3.3 Determinação dos custos variáveis - Uva: O insumo uva é a matéria prima fundamental para a produção do vinho. A qualidade do vinho está estreitamente vinculada à variedade da uva e a forma como a mesma é cultivada, através de práticas agronômicas diferenciadas até a determinação da quantidade produzida de uva por hectare. Um outro fator que influência nos custos com esse insumo é a tecnologia disponível para o processamento da uva, implicando em quantidades diferentes para cada litro de vinho produzido. Por exemplo, uma vinícola com uma tecnologia não muito especializada pode requerer 1,4 quilos de uva para cada litro produzido, ao passo que vinícolas com tecnologia mais avançadas conseguem o mesmo nível de produção com 1,3 quilos. Tecnicamente, essa relação é tratada no presente trabalho como taxa de conversão. 13 O preço a ser pago por esse insumo é o praticado no mercado da região de ação da vinícola. Caber ressaltar, que no caso da produção própria de uva é atribuído um preço de oportunidade, qual seja, o valor que essa uva seria negociada no próprio mercado da vinícola. A apropriação do custo da uva para o caso da j-ésimo subcategoria pertencente i-é-sima categoria de vinho é dada por: 59 CMU ji CTU z 1 59 Q z 1 ji (3.4) ji em que CMU ji é custo médio da uva, em reais, da j-ésima subcategoria de vinho, pertencente a iésima categoria; Q ji = é a quantidade total anual produzida em litros dessa j-ésima categoria pertencente a i-ésima categoria; CTU ji = gasto total anual com a uva para se produzir a dessa jésima categoria pertencente a i-ésima categoria; VR ji é volume do recipiente em litros utilizado na subcategoria j, pertencente a i-ésima categoria. - Vasilhames: Esse insumo é a base para a definição das subcategorias presentes no Tabela 3.3. Os custos com recipientes são apropriados de acordo com cada uma das subcategorias, bem como seus complementos específicos, como por exemplo, rolhas, rótulos diferenciados, cápsulas. A razão a seguir especifica a forma como esses insumos sãos apropriado nos custos totais de produção para a i-ésima subcategoria de vinho: CMR ji CTV ji Q ji (3.5) em que CMRji é o custo médio, em reais, do recipiente para j-ésima subcategoria dentro da iésima categoria de vinho; Qji tal como definido anteriormente; CTVji = gasto total, em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho. - Mão-de-obra permanente do chão de fábrica: Este insumo caracteriza-se por ser utilizado durante o ano, seja nas atividades de produção durante a safra (recebimento de uva, produção do vinho, etc...), como em atividades de manutenção da vinícola, movimentação da produção dentro da vinícola e atividades atreladas ao processo de comercialização. A forma como esse custo de produção é apropriado pode ser apresentado como: 14 CMMO ji CTMOPji Q ji (3.6) em que CMMOji é o custo médio da mão-de-obra do chão de fábrica, em reais para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; Qji tal como definido anteriormente; CTMOPji gasto total com mão-de-obra permanente do chão de fábrica ao longo do ano, em reais para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido. - Mão-de-obra temporária do chão de fábrica: Buscando atender a demanda de mão de obra no processo de produção de vinho nos períodos de safra, as vinícolas lançam mão de contratações temporárias para trabalhar no chão de fábrica, principalmente, nos meses de janeiro, fevereiro e março, podendo esse custo ser calculado como: CMMOT ji CTMOTji Q ji (3.7) em que CMMOTji é o custo médio da mão-de-obra temporária do chão de fábrica, em reais para jésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; Qji tal como definido anteriormente; CTMOTji gasto total com mão-de-obra temporária do chão de fábrica utilizadas no período de pico da produção, em reais para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido. É importante ressaltar que os dispêndios com a mão-de-obra permanente e temporária contemplam também todos os encargos sociais (décimo terceiro, férias, previdência social, FGTS, PIS). - Rolhas: A qualidade da rolha utilizada no envaze do vinho, está diretamente relacionada à qualidade do vinho (categoria a que pertence). Apesar do gasto com esse item não ser muito relevante na composição final do custo do vinho, há uma grande variação no preço de mercado da rolha se a mesma for de cortiça pura, com discos ou de plástico, o que acaba influenciado nos custos de produção, principalmente para os vinhos de categorias superiores. Assim, o custo com cada rolha será o próprio gasto na sua aquisição, ou: CRji Preço de mercado da rolha (3.8) em que CRji é o custo apropriado por unidade de recipiente do vinho relativo à rolha. - Rótulos: 15 O propósito do rótulo é identificar o tipo de vinho, a vinícola, a safra, entre outras informações obrigatórias, de acordo com as normas dos órgãos competentes ou que se julgarem necessárias. O dispêndio com esse item é relativamente baixo, uma vez que o vinicultor compra em quantidades suficientes para uma safra. Embora não se espere que o custo com este insumo seja elevado em relação aos demais insumos, os rótulos utilizados nas diversas categorias podem apresentar diferenciais de custos em virtude da capacidade de agregação de valor de uma categoria vis-à-vis outras. Assim, o custo relativo a esse insumo pode ser apropriado como segue: CRTji Preço de mercado do rótulo (3.9) em que CRTji é o custo médio do rótulo. - Caixas: A caixa de papelão serve para garantir a segurança do produto, acomodando os recipientes de forma a preservar a integridade e a qualidade do vinho. Espera-se que os vinhos de categorias superiores utilizem-se de caixas de qualidade mais elevadas, refletindo em maiores custos. Sendo o mesmo apropriado como: CTCX ji CMCX ji Q ji (3.10) em que CMCXji é o custo apropriado, em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTCXji é o custo total, em reais, com caixarias, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; Qji tal como definido anteriormente. - Fita adesiva: Esse material é utilizado para fazer o fechamento da caixa. Informações preliminares indicam que se gasta diferentes quantidades de fitas para cada tipo de caixa, o que é levado em conta no processo de apropriação de custos. Formalmente tem-se: CMFA ji CTRF ji Q ji (3.11) em que CMFAji é o custo médio da fita adesiva apropriado, em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTRFji é o custo total, em reais, com fita adesiva, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; Qji tal como definido anteriormente. - Papel p/ garrafas: 16 A utilização do papel visa a proteção do recipiente, bem como conferir ao vinho maior grau de sofisticação. É utilizado uma folha de papel para cada recipiente. Nem todas as categorias utilizam-se deste insumo, ficando reservada às de maior valor agregado. Formalmente: CPG ji Preço de mercado da folha de papel (3.12) em que CPGL = custo apropriado em reais, com esse insumo, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido. - Cápsulas: As cápsulas são utilizadas para proteger a rolha, identificar o produto e garantir-lhe a inviolabilidade e é encontrada em todos os tipos de vinhos. Pode-se apropriá-lo como segue: CCPji Preço de mercado da cápsula (3.13) em que CCPji é o custo apropriado em reais, com esse insumo, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido. - Água: Esse insumo é utilizado no processo de produção para lavar máquinas, equipamentos, galpões e manter higienizado todo o processo de produção. Adota-se o seguinte critério para a apropriação desse custo: soma-se os gastos totais anuais com água de toda a vinícola e divide-se pelo volume total de produção da mesma e pondera-se pelo volume do recipiente em questão. Mais formalmente tem-se: CMAG ji CTAGano VR ji Q (3.14) em que CMAGji é o custo médio da água em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTAGano é o custo total anual com água, em reais, incorrido pela vinícola; Q é o volume total de produção da vinícola em litros; VRji como definido anteriormente. - Gás carbônico: Utiliza-se esse insumo no preenchimento dos espaços vazios dos tanques e autoclaves, bem como gaseificação dos filtrados doce. A forma como tal insumo é apropriado na estrutura de custa é dada por: CGG ji CGGano VR ji Q (3.15) 17 em que CGGji é o custo médio do gás carbono em reais, para j-ésima subcategoria dentro da ésima categoria de vinho produzido; CGGano é o custo total anual da vínícola com tal insumo, em reais. - Frete: O custo com frente seria o dispêndio corresponde ao transporte do vinho, em caminhões da unidade de produção até o mercado, podendo ser em veículos próprios ou de terceiros. Para a apropriação desse custo, soma-se os gastos totais anuais com fretes de toda a vinícola e divide-se pelo volume total de produção da mesma, ponderando-se pelo volume do recipiente em questão. Matematicamente esse custo é calculado através da seguinte razão: CMF ji CTF ano VR ji Q (3.16) em que CMFji é o custo médio do frete em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTFano é o custo total anual com frete, em reais, incorrido pela vinícola; Q e VRji como definidos anteriormente. - Tratamento de efluentes: As leis ambientais exigem que todo o resíduo gerado no processo de produção de vinho deve ser tratado. Os principais resíduos resultantes são: água utilizada no processo de limpeza que carrega resíduos de matéria-orgânica, resíduos químicos, bem como o ajuste de PH. CMTE ji CTTE ano VR ji Q (3.17) em que CMTEji é o custo médio do tratamento de efluentes, em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTTEano é o custo total anual com esta operação, em reais, incorrido pela vinícola; Q e VRji como definidos anteriormente. - Energia elétrica: Esse insumo é a base da força que movimenta as máquinas e os equipamentos, geração de frio para controlar o processo de fermentação do vinho, ilumina os galpões e pátio da empresa e, também, é consumida no escritório da vinícola. Adota-se o seguinte critério para a apropriação desse custo: somam-se os gastos totais anuais com energia elétrica de toda a vinícola e divide-se pelo volume total de produção da mesma e pondera-se pelo volume do recipiente em questão. CME ji CTEano VR ji Q (3.18) 18 em que CMEji é o custo médio da energia elétrica em reais, para j-ésima subcategoria dentro da iésima categoria de vinho produzido; CTEano é o custo total anual com energia elétrica, em reais, incorrido pela vinícola; Q é o volume total de produção da vinícola em litros; VRji como definido anteriormente. - Custo de tercerização: O custo de tercerização corresponde ao gasto realizado pelas vinícolas por contratar serviços de terceiros, como: manutenção de máquinas e equipamentos.. Formalmente tem-se: CTER ji CTERano VR ji Q (3.19) em que CTERji é o custo de tercerização, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTERano é o custo total anual com esse item de custo, em reais, incorrido pela vinícola; Q é o volume total de produção da vinícola em litros; VRji como definido anteriormente. - Insumos e análise enológicas Os insumos agregam as enzimas, ativantes de fermentação, SO2/metabisulfito e estabilizante, nitrogênio, terra filtrante, taninos, bem como as análises enológicas. De acordo com as informações preliminares, a maior parte dos vinicultores tem uma estimativa do quanto se gasta com tais insumos enológicos para se produzir um determinado volume de produção. O propósito desses insumos é de melhorar o processo de fermentação natural, corrigir defeitos no produto e conferir características desejáveis. Quanto às análises, são realizadas por amostragem e servem para se controlar a qualidade do vinho. Essas, em alguns casos, são realizadas na própria vinícola quando as mesmas possuem laboratório. Quando não for esse o caso, são encaminhadas para os laboratórios terceirizados e, cada amostra analisada representa um custo para o vinicultor. Por essa razão, a opção aqui foi levantar essa informação de forma agregada. Matematicamente, tem-se: CMIE ji CTIE ji Q ji VR ji (3.20) em que CMIEji é o custo médio com esses insumos apropriados, em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTIEji é o custo total, em reais, com tais insumos, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; Qji tal como definido anteriormente. - Açúcar: 19 O açúcar é utilizado no processo de fermentação do vinho, quando a matéria-prima (uva) não atinge o grau de glicose necessária para o processo de fermentação (chaptalização), bem como na produção da subcategoria vinho doce e semi-seco. Cabe ressaltar que se trata de uma técnica que em um futuro próximo deverá ser abolida, sendo compensada com técnicas de produção de uva mais aprimoradas. O gasto por unidade de litro produzido vai depender do tipo de vinho produzido. Para cada uma das categorias e subcategorias a apropriação desse custo é feita utilizando-se da razão: 59 CMAÇ ji CTAÇ z 1 ji (3.21) 59 Q z 1 ji em que CMAÇji é o custo médio com esses insumos apropriados, em reais, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; CTAÇji é o custo total, em reais, com tais insumos, para j-ésima subcategoria dentro da i-ésima categoria de vinho produzido; Qji tal como definido anteriormente. - Material de limpeza: Esse componente de custo refere-se a todo o dispêndio com detergente, sabões, palhas de aço, desinfetantes, material de controle de pragas, entre outros para que tanques, máquinas e equipamentos se mantenham higienizados. Adota-se o seguinte critério para a apropriação desse custo: somam-se os gastos totais anuais com tais materiais de toda a vinícola e divide-se pelo volume total de produção da mesma e pondera-se pelo volume do recipiente em questão. Mais formalmente tem-se: CMML ji CTMLano VR ji Q (3.22) em que CMMLji é o custo médio desses insumos, em reais, para j-ésima subcategoria dentro da iésima categoria de vinho produzido; CTMLano é o custo total anual com os matérias de limpeza, em reais, incorrido pela vinícola; Q é o volume total de produção da vinícola em litros; VRji como definido anteriormente. - Barril de carvalho: O barril de carvalho é utilizado para o envelhecimento do vinho. Tecnicamente, o tempo de guarda confere características ao vinho, que resulta em agregação de valor. A apropriação deste custo leva em consideração a vida útil do barril de carvalho e a quantidade de litros 20 processados neste intervalo de tempo. Nesse sentido, o custo com o barril é contemplado na estrutura de custo variáveis, utilizados em alguns vinhos finos, com base na seguinte razão: CMBC ji CTBC Qp VR ji (3.23) em que CMBC ji é o custo médio do barril de carvalho da j-esima subcategoria de vinho da iésima categoria de vinho; CTBC é o custo total do barril de carvalho; Qp é a quantidade de litros de vinho processados no lapso de tempo de vida útil do barril; VRji como definido anteriormente. Com relação aos tributos não foram considerados na presente pesquisa, tendo em vista que não existe uma padronização no enquadramento tributário por parte das vinícolas, tendo em vista que cada escritório de contabilidade, prestador de serviço às vinícolas, adotam fiscais distintos do próprio enquadramento tributário. 3.3.4 Determinação dos custos fixos - Depreciação do capital: O levantamento patrimonial da empresa é feito através do preenchimento da Tabela 3.1, apresentado anteriormente, que discrimina as estimativas em reais, do capital empregado em máquinas, equipamentos e prédios, bem como o tempo de vida útil dos mesmos. Pode-se definir depreciação como sendo a perda ou redução de valor do capital (móveis, utensílios, máquinas, equipamentos, veículos, ferramentas e demais ativos imobilizados) pelo desgaste ou pela obsolescência tecnológica. Ou de outra forma, é a transformação ao longo do tempo dos estoques dos ativos fixos em custos de produção. No entanto, a depreciação não representa uma saída efetiva de caixa, no sentido de que a empresa não desembolsa pela despesa de depreciação, como o faz para o pagamento das outras despesas variáveis, mas isso não significa que o capital amortizado não deva estar contemplado nos custos de produção do vinho. A apropriação do estoque de capital nos custos totais de produção se dá através de estimativas de depreciação desse capital. Há várias maneiras de se calcular essa depreciação, conforme analisa Iudícibus; Martins; Gelbcke (2007)6. No entanto, se utiliza o método da depreciação linear, por ser mais coerente com a realidade do setor. A depreciação linear por litro de vinho (DL), pode ser calculada através da equação a seguir: 6 Iudícibus, S.; Martins E; Gelbcke, E. R. (2007). Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. Adaptada à legislação societária e fiscal até 31/12/06. 7.ed. São Paulo: Atlas, 2007. 21 VEp VEme VUp VUme DM ji VR ji Q Q (3.24) em que VEme é o valor estimado das máquinas e equipamentos VUme = tempo de vida útil das máquinas e equipamentos; VEp é o valor estimado dos prédios e galpões; VUp = tempo de vida útil dos prédios e galpões; Q é a soma anual da produção de vinho da vinícola. - Mão-de-obra administrativa: Trata-se dos dispêndios com mão-de-obra com a finalidade de controlar a produção, os níveis de estoque, comprar insumos e materiais, prestar serviço contábil e assessorias etc. Esse custo pode ser apropriado como: CMMAD ji CTMADano VR ji Q (3.25) em que CMMADji é o custo médio da mão-de-obra administrativa da j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTMADano é o custo total desta mão de obra para a empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. É importante salientar que quando o proprietário divide o seu tempo de trabalho, entre a administração da vinícola e/ou chão de fábrica, é solicitado que o mesmo estime qual seria o salário que deveria ser pago, pelo número de horas trabalhadas, a um funcionário para a realização da sua tarefa na parte administrativa. O mesmo critério vale também para o tempo de trabalho dedicado ao chão de fábrica, mas nesse caso o custo com esse trabalho onera os insumos variáveis. - Material de expediente: Refere-se a todo o tipo de material para manter a parte administrativa funcionando de forma eficiente. Compõe a lista desses materiais: cartucho para impressora, papel para impressão, bloco de anotação, clips, grampos, pastas para arquivos e outros que não estejam contemplados diretamente no processo de produção. Esse custo é apropriado da seguinte maneira: CMMEX ji CTMEX ano VR ji Q (3.26) em que CMMEXji é o custo médio com estes materiais apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTMEX ano é o custo total com esse insumo incorrido pela empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. - Material promocional: 22 Compreende todos os gastos realizados pela vinícola para divulgar o produto e atrair os consumidores. Entre esses materiais cabe destacar: folhetos, outdoors, anúncio em televisão, rádio, jornais e revistas, banners, brindes como chaveiros, calendários, canetas entre outros. Da mesma forma que o anterior, o cômputo desses custos é anual e o rateio é pelo volume total de produção de vinho, como segue: CMPji CTPano VR ji Q (3.27) em que CMPji é o custo médio com estes materiais apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTPano é o custo total com esse insumo incorrido pela empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. - Telefone: Refere-se aos gastos com chamada local e interurbana, fixo e móvel. Esse custo é rateado pelo volume total de produção de vinho, o que resulta no custo médio dado por: CMTEL ji CTTELano VR ji Q (3.28) em que CMTELji é o custo médio com telefones apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTTELano é o custo total com esse insumo incorrido pela empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. - Representante de vendas: São gastos provenientes das comissões por venda do vinho fora da vinícola realizada por terceiros. Esse custo é apropriado como segue: CMRV ji CTRVano VR ji Q (3.29) em que CMRVji é o custo médio com estes profissionais apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTRVano é o custo total com item incorrido pela empresa no ano; Q e VRji como definidos anteriormente. - Despesas de manutenção de máquinas e equipamentos: Refere-se aos gastos realizados para que as máquinas e equipamentos funcionem adequadamente e aumente seu tempo de vida útil, podendo esses custos serem apropriados como: CMDM ji CTDM ano VR ji Q (3.30) 23 em que CMDMji é o custo médio com tais despesas apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTDM ano é o custo total com esse item incorrido pela empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. 40) Enólogo: Trata-se do custo com o responsável pelos aspectos tecnológicos e de qualidade do vinho, sendo que pode ser um profissional pertencente a própria família do vinicultor como também um terceiro contratado. Porém em ambos os casos, são valorados a sua remuneração e computado nos custos de produção. Esse custo estimado é apropriado no custo total como: CMEN ji CTEN ano VR ji Q (3.31) em que CMENji é o custo médio com este profissional apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTEN ano é o custo total com esse item incorrido pela empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. - Degustação: Assim como os demais materiais promocionais, a degustação é mais um apelo de marketing para divulgar o vinho no mercado e atrair consumidores. Esse custo é apropriado como: CMDE ji CTDEano VR ji Q (3.32) em que CMDEji é o custo médio com degustação apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTDEano é o custo total com esse item incorrido pela empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. - Feiras: Como no caso do item anterior, as feiras regionais e nacionais têm, também, o propósito de popularizar a marca junto aos consumidores e aumentar as vendas do vinho ao longo do ano. Apropria-se tal custo como: CMFE ji CTFEano VR ji Q (3.33) em que CMFEji é o custo médio com feiras apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da iésima categoria de vinho; CTFEano é o custo total com esse item incorrido pela empresa no ano.; Q e VRji como definidos anteriormente. 24 - Associações: Normalmente, a vinícola participa de uma ou mais associações, seja de classe, ou de caráter territorial cujas finalidades podem ser de reivindicação e posicionamento político no que tange as questões do setor vinícola, como também podem se prestar para ações mais econômicas, como compras conjunta de insumos e/ou administração de Indicações de Procedências (IPs). O custo com essas anuidades é rateado pelo volume produzido pela vinícola como segue: CMA ji CTAano VR ji Q (3.34) em que CMAji é o custo médio com associações apropriados pela j-esima subcategoria de vinho da i-ésima categoria de vinho; CTAano é o custo total com as anuidades incorrido pela empresa no ano; Q e VRji como definidos anteriormente. 44) Seguros: São gastos realizados pela vinícola para minimizar riscos de perdas em decorrência de incêndio, acidentes de trabalho, furtos e acidentes de trânsito, seguro de máquina, equipamentos e instalações. Esse custo pode ser apropriados como: CSEG ji CSEGano VR ji Q (3.35) em que CSEGji é o custo médio com seguro desagregado pela j-esima subcategoria de vinho da iésima categoria de vinho; CSEGano é o custo total com esse item incorrido pela empresa no ano. 3.4 Metodologia de apuração dos custos médios de produção do vinho De posse das informações dos custos de produção das vinícolas entrevistadas, é possível calcular o custo médio de produção para a j-ésima subcategoria pertencente a i-ésima categoria de vinho. Isso é feito separando da amostra todas as vinícolas que produzem o vinho categoria i estratificado em subcategorias j. Então, o custo médio de produção do vinho da subcategoria j na categoria i, resulta da média aritmética dos custos de produção de todas as vinícolas que pertençam a este grupo. No entanto, se espera – com base no conhecimento dos autores sobre como o setor é estruturado – que a quantidade produzida do vinho ji varie muito de vinícola para vinícola. Dessa forma, o custo médio desse vinho é ponderado pela produção média de cada vinícola. Essa ponderação se faz necessária não “porque” se pressupõe que a escala reduza os custos, mas porque se pressupõe que a escala afeta os custos. imagine que se ingressasse em deseconomias de escala. a ponderação seria igualmente necessária. Isso ocorre porque os custos 25 fixos são diluídos mais rapidamente no processo de produção e, parte dos insumos variáveis tende a se tornar mais produtivo. Com isso, se chega aos custos médios de produção do grupo ji como especificado através da equação a seguir: 59 CME ji CT Q v 1 ji (3.36) ji em que CMEji é o custo médio do vinho ji; Q ji é o volume de produção do vinho tipo ji da vésima vinícola pertencentes ao grupo ji; CT ji é o custo de produção do vinho tipo ji da v-ésima vinícola pertencentes ao grupo ji; n é o número de vinícolas que produz o vinho tipo ji. 3.5 Estimativa do faturamento do setor vinícola do Rio Grande do Sul Considerando que a amostra realizada seja representativa do setor, então, a partir das 59 entrevistas, pode-se estimar o faturamento do setor vinícola do Rio Grande do Sul, já que existem informações oficiais acerca do volume de produção em litros comercializado para os vinhos de mesa, fino e espumantes para a população7 da vinícolas do Rio Grande do Sul – 2004 até 2008, mas sem estratificação do produto por categorias e subcategorias. Como esse dado é relevante para o cálculo do faturamento do setor propõe-se calculá-lo a partir de informações obtidas na amostra. Assim, o faturamento do setor segue os passos abaixo descritos: i) O cálculo do preço médio do vinho ji nas 59 vinícolas pesquisada é resultante do faturamento amostral do vinho ji dividido pela quantidade amostral de vinho ji. Formalmente: A P ji R Q A ji A ji (3.38) A onde, P ji é a preço médio amostra do vinho ji; R jiA é a receita total com o vinho ji para cada uma das vinícolas da amostra; Q jiA é a quantidade total amostral de vinho ji produzido por cada vinícola da amostra; O sobrescrito A indica dados amostrais e o subescrito ji o tipo de vinho. ii) Obtém-se o coeficiente de participação amostral de cada categoria i na subcategoria j da seguinte forma: 7 Ao todo essa população é composta por 660 empresas. 26 CPjiA Q A ji (3.39) QiA onde, CPjiA é o coeficiente de participação em termos amostrais de cada categoria i na subcategoria j; QiA é a quantidade produzida da categoria i na amostra. iii) Tendo a média de produção de vinhos de mesa e fino para cada uma das vinícolas da população (N) no período de 2004 a 2008, procede-se o somatório das mesmas, o qual pode ser obtido como segue: iii.1) Volume médio de vinho de mesa comercializado para a v-ézima vinícola: 660 VM v VM v 1 vt t (3.40) onde: VM v é o volume médio de vinho de mesa comercializado pela vinícola v ao longo do período de 2004 a 2008; v representa cada uma das 660 vinícolas que compõe a população; t representa o numero de anos da série temporal compreendida entre 2004 a 2008; iii.2) Volume médio de vinho fino comercializado para a v-ézima vinícola: 660 VFv VF vt v 1 t (3.41) onde, VFv é o volume médio de vinho fino comercializado pela vinícolav v ao longo do período de 2004 a 2008; iii.3) Volume geral de vinho de mesa comercializado: VM VM v (3.42) onde: VM é a soma das médias comercializadas de vinhos de mesa pelas v-ésimas vinícolas; iii.4) Volume geral de vinho fino comercializado: VF VFv (3.43) onde: CF é a soma das médias de vinhos finos comercializadas pelas v-ésimas vinícolas; 27 iv) Tendo o total comercializado de vinhos de mesa e finos, pode-se calcular o faturamento do setor, dado por: FS VM .CPji .Pji VF .CPji .Pji (3.44) Onde, FS é a faturamento estimado do setor vinícola do Rio Grande do Sul, sendo esse a proxy do valor bruto da produção do setor. 3.6 Estimativa do faturamento das vinícolas Pode-se chegar ao faturamento de cada uma das vinícolas, recorrendo-se as equações (3.38) a (3.38) e reespecificando a equação (3.44): FZ CM .CP .P CF .CP .P z ji ji z ji ji (3.45) onde: FZ é o faturamento total da vinícola pesquisada 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 Considerações gerais sobre a amostra coletada Conforme ressaltado na Seção 3, Foram entrevistadas 59 vinícolas de diferentes dimensões. O tamanho da vinícola determinou o tempo despendido na aplicação dos instrumentos de coleta de informações. O tempo de duração média de cada entrevista foi de 4 horas, chegando a 8 horas no caso das grandes vinícolas. O período de coleta de dados foi de junho de 2009 a janeiro de 2010. Esse período foi marcadamente adverso para o setor vinícola gaúcho, pois, segundo dados do IBRAVIN, havia 400 milhões de litros de vinho estocados nas vinícolas, corresponde a uma safra de vinho. Isso, em parte, ajuda a explicar ociosidade do capital retratada na próxima seção, somando-se a isso a oferta de vinhos importados sejam eles legais e/ou contrabadeados. Cabe ressaltar, que não se sabia a priori a classificação quanto ao tamanho das vinícolas, o que só foi feito após o término da pesquisa e a consolidação dos dados coletados. Além disso, com base nas informações oficiais (IBRAVIN), há sete vinícola de grande porte no Rio Grande do Sul, segundo a classificação detalhada anteriormente. Sendo assim, de forma aleatória foram selecionadas três dessas vinícolas, sendo duas delas cooperativas e uma não cooperativa. O foco da produção dessas empresas foi distinto, uma vez que as cooperativas processavam grandes quantidades de vinho a granel, mais de 75,48% da produção, a outra empresa não produzia esse tipo de vinho. 28 Os levantamentos foram realizados tomando por base (2008/2009) o último ano, pois afora as vinícolas mais estruturadas, as escriturações contábeis são realizadas em cadernetas de anotações. Desta forma, trabalhar com um ano próximo é mais factível pela pronta e precisa disponibilidade de informações. O ano da coleta não foi atípico, quanto às condições meteorológicas, diferentemente do ano (2004/2005) que houve período de seca. Dessa forma, pode-se constatar que um número significativo de vinícolas pesquisadas não faz o tratamento adequado dos seus custos de produção nos moldes que recomenda a teoria econômica e procedimentos contábeis. Isso implica em, muitas vezes, desconhecimento por parte do vinicultor o quanto efetivamente está se gastando para se produzir um determinado tipo de vinho. 4.2 ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA 4.2.1 Identificação das vinícolas por tamanho A primeira coluna da Tabela 4.1 apresenta a classificação das vinícolas por tamanho, conforme destacado na Seção 3.1. Na segunda coluna dessa tabela tem-se o número de vinícolas que compõe cada uma das classificações das vinícolas por tamanho. Cabe destacar que esse número é calculado a partir da equação (3.45), já que essa informação não se encontrava disponível em nenhuma fonte pesquisada. Tabela 4.1 Classificação por tamanho e identificação da capacidade ociosa das vinícolas Número de vinícolas n Classificação população* (N) Número de Em vinícolas na Em Capacidade ociosa (%) amostra (%) Em termos (%) (n) Micro 603 91,36 43 72,88 79,01 Pequena 41 6,21 10 16,95 51,14 Média 9 1,36 3 5,08 70,04 Grande 7 1,06 3 5,08 25,43 Total 660 100 59 100 50,25 Fonte: Elaborada pelos autores. *Utilizando-se da Equação (3.45) Conforme se pode visualizar na tabela acima, 91,36% das vinícolas gaúchas enquadram-se na categoria de micro empresa. Isso indica que os faturamentos das mesmas, de acordo com as estimativas realizadas, não ultrapassam os R$ 2,4 milhões ao ano. Isso permite caracterizar o setor com forte predominância de microempresas. 29 Quando se compara os dados amostrais com os da amostra verifica-se que do total das 59 vinícolas pesquisadas 43 delas foram enquadradas como micro, em termos percentuais essa proporção representa 72,88% da amostra. Neste caso, a amostra distancia-se da população em, aproximadamente, 20%. Cabe ressaltar o porquê desse viés: dado a não existência de informações a priori do faturamento de cada vinícola da população recorreu-se aos dados amostrais para definição de coeficientes, já ressaltados anteriormente, os quais possibilitaram estimar o faturamento de cada vinícola e seu posterior enquadramento em categorias. Portanto, a variável de controle que seria o faturamento das vinícolas só se viabilizou porque havia informações amostrais. A Tabela 4.1 revela, também, que o maior nível de capacidade ociosa está nas pequenas e médias vinícolas, com 79% e 70%, respectivamente. No entanto, segundo as informações obtidas juntos aos vinicultores e enólogos, no momento das entrevistas, existe um nível de ociosidade técnica estimada em 10%, mantida com o intuito de se efetuarem operações, como a movimentação de produto dentro da própria vinícola (trasfega). Se for deduzida da capacidade ociosa média, essa ociosidade técnica chega-se a um nível de ociosidade geral do estoque de capital de, aproximadamente, 40%. O alto nível de ociosidade de estoque de capital no setor como um todo pode estar associado a pelo menos a três motivos: i) o nível de capacidade potencial é estimada pelo entrevistado superestimando ou subestimando a mesma, de acordo com convenções sociais; ii) o setor é estruturalmente sazonal e como no ano de 2009 foi de crise no setor, afetando essas empresas de forma mais decisiva; iii) há limitações em utilizar o estoque de capital em outras alternativas econômicamente viável; iv) superdimensionamento da estrutura produtiva. 4.2.2 As categorias e subcategorias de vinhos produzidos. Definida a vinícola a ser entrevistada, não se sabia de ante mão quais as categorias e subcategorias de vinhos a mesma produzia. Sendo assim, o perfil da produção só se tornou conhecido a posteriori. Com o intuito de apresentar o padrão da diversificação do processo produtivo das vinícolas entrevistadas consolidou-se a Tabela 4.2. Tabela 4.2 – Identificação das categorias e subcategorias dos vinhos produzidos pelas vinícolas pesquisadas Número de Categorias Subcategorias empresas entrevistadas Ícone Garrafa de 0,75 l. 8 Número de empresas entrevistadas em (%) 13,56 30 Ultra Premium Garrafa de 0,75 l. 9 15,25 Super Premium Garrafa de 0,75 l. 12 20,34 Premium Garrafa de 0,75 l. 19 32,20 Básico Luxo Garrafa de 0,75 l. 25 42,37 Básico Semi-luxo Garrafa de 0,75 l. 18 30,51 Garrafão 4,6 l., PET 2 l., bag-in-box de 3l. e 5 l., 19 32,20 Charmat Garrafa de 0,75 l. 17 28,81 Asti Garrafa de 0,75 l. 18 30,51 Champenoise Garrafa de 0,75 l. 13 22,03 Filtrado Doce Garrafa de 0,75 l. 3 5,08 46 77,97 23 38,98 Demais Básico Semiluxo Garrafão de 4,6 l., garrafas de 2 l., garrafa de 0,75 Básico Popular l., garrafa PET 1 l., garrafa PET 1,5l. e garrafa PET 2 l. A granel Fonte: elaborados pelos autores. Na terceira coluna da tabela supra citada apresenta-se o número de empresas entrevistadas por subcategoria de vinho. Assim, das 59 vinícolas da amostra, em 46 delas se produz o tipo Básico Popular, em 25 delas o Básico Luxo e em 51 vinícolas algum tipo de espumante, com forte predomínio das categorias Asti e Charmat. A categoria Filtrado Doce aparecem em apenas 3 empresas mais com grande volume de produção, conforme é mostrado a seguir. Na Tabela 4.2 pode-se verificar que cerca de 80% das vinícolas produz alguma subcategoria de vinho básico popular. Entre as subcategorias constata-se que são produzidos sete tipos de Básico Popular, variando de garrafas de 0,75 l. ao vinho a granel. Com relação a esse último, se trata de um produto de pouca agregação de valor e que é revendido às outras empresas para servir de matéria-prima no preparo do próprio vinho de mesa e de bebidas derivadas do vinho como coquetéis e sangrias. Nesse caso, verifica-se que 40% das vinícolas produzem esse tipo de o vinho. De acordo com a Tabela 4.2 verifica-se, também, que para o caso das categorias intermediárias 42% das vinícolas produz a Básico Luxo e mais de 30% produz algum tipo de Semi-luxo. Assim, há forte predominância no setor vinícola gaúcho dos vinhos básicos populares (a granel ou engarrafados) e viníferas, Básicos Semi-Luxo e Luxo. No entanto, nota-se que as vinícolas especializadas nas categorias de vinho consideradas top of line se reduz substancialmente, e essa tendência vai se acentuando à medida que vai se aproximando do topo da pirâmide, já que a pesquisa revelou que cerca de 20% das vinícolas entrevistadas produz o vinho 31 Super-Premium esse número se reduz para 15,25% e 13,15% para as subcategorias UltraPremium e Ícone, respectivamente. Em termos dos vinhos das categorias superiores, como os três da Premium e mais o Ícone é perceptível a redução do número de vinícolas especializada na produção dos mesmos, exceto para o caso da subcategoria espumante, a qual é analisada com mais propriedade logo a seguir. O leitor pode visualizar que apenas 13,56% das empresas da amostra produz o vinho Ícone e a medida que se afasta do topo da pirâmide o número de vinícolas tende a aumentar para as demais subcategorias de vinho (Tabela 4.2). Pode-se explicar o fenômeno supra destacado por três ângulos: Primeiro, o mercado consumidor brasileiro é fortemente concentrado em vinhos de mesa de baixo preço. O mercado interno para vinhos de alta agregação de valor é muito restrito 8, o que, por sua vez, pode sofrer mudança no médio prazo por aumento na renda média das famílias. Segundo, os vinhos mais “nobres” exigem maiores gastos com a uva; com rótulos, rolhas, na cura ou envelhecimento do vinho, entre outras, requerendo, por parte do vinicultor, além de mais dispêndio no processo de produção maior nível de amortização de investimento. Terceiro, a concentração desse setor nos mercados de vinhos mais populares, se deve à maior oferta interna histórica da matéria-prima básica, as uvas americanas e hibridas. Uma outra informação relevante da Tabela 4.2 diz respeito ao segmento dos espumantes (Charmat, Asti, Champenoise) e frisantes (Filtrado Doce). Esses produtos estão presentes em cerca de 30% das vinícolas entrevistadas, incidência muito parecida à verificada com os vinhos intermediários, como os que se enquadram na categoria luxo. Cabe destacar, que os espumantes Asti e Charmat são os principais do segmento, pois, representam 30,51% e 28,81%, respectivamente das empresas amostradas. Um fato curioso se refere ao número reduzido de vinícolas que produzem o Filtrado Doce, o tipo de frisante mais popular ofertado no mercado, dado o seu preço competitivo e a necessidade de grandes estruturas de varejo para a sua comercialização. 4.2.3 Estratificação da produção por categorias de vinho Os resultados discutidos na subseção anterior podem ser analisados, também, sob o ponto de vista da produção. A Tabela 4.3 revela que foram produzidos cerca de 98 milhões de litros de vinho pelas vinícolas pesquisadas no ano safra da amostra. Desse total, aproximadamente, 69 milhões de litros é do tipo Básico Popular a Granel, o que representa perto de 70% de todo o 8 Para maior aprofundamento do tema ver Loiva (GLAUCIA COMPLETAR), 32 vinho produzido pelas vinícolas amostradas, sendo que 30 milhões de litros foram engarrafados, ou 30% do volume de produção. Do total de vinho engarrafado, cerca de 68% é embalado em uma das seis subcategorias do Básico Popular, sendo o restante viníferas em uma das dez subcategorias mais o Filtrado Doce. O vinho Filtrado Doce com 7% de participação na produção revela um dado curioso, pois, conforme discutido anteriormente, na amostra selecionada se tem um número reduzido de vinícolas que produz essa categoria de vinho, mas o volume de produção conjunta dessas superam os 2 milhões de litros, ou em média 704 mil litros por vinícola. Esse volume médio de produção é bem superior ao grupo de vinícolas que se destinam a produzir o Básico Popular, cuja média se situa em 437 mil litros, conforme a Tabela 4.3. Tabela 4.3 - Volume médio e total de produção de vinho de cada categoria e subcategoria de vinho Categorias Produção total Em (litros) Média por Vinícola Participação Participação Produtora Engarrafados no Total Em (litros) Em (%) Em (%) Ícone 81.370,00 10.171,25 0,2755 0,0828 Ultra Premium 102.333,00 11,370,33 0,3464 0,1041 Super Premium 282.055,00 23,504,58 0,9548 0,2869 Premium 1,044.026,00 54.948,74 3,5343 1,0618 Básico Luxo 1.672.606,60 59.735,95 5,6622 1,7010 Básico Semi-Luxo 1.093.590,50 43.743,62 3,7021 1,1122 Charmat 1.407.211,00 82.777,12 4,7637 1,4311 Asti 1.285.057,50 71.392,08 4,3502 1,3069 Champenoise 346.357,00 26.642,85 1,1725 0,3522 Filtrado Doce 2.113.076,30 704.358,77 7,1533 2,1490 Básico Popular 20.112.339,70 437.224,78 68,0851 20.4543 Básico Popular Granel 68.787.937,30 2.990.779,88 - 69,9577 Produção Total engarrafados 29.540.022,60 Produção Total 98.327.959,90 Fonte: Elaboração própria. Em geral, os dados da Tabela 4.3 revelam com mais propriedade o perfil da produção do setor vinícola do Rio Grande do Sul. Ao agregar os volumes produzidos das subcategorias Básico Popular nota-se que esses representam mais de 90% da produção gaúcha de vinho na amostra selecionada. As subcategorias dos espumantes e frisantes em torno de 5% no total, ou 17,44% no total engarrafados. Os vinhos intermediários – categorias Básico Luxo e Semi-luxo – em torno de 3% no total produzido, ou cerca de 9% no total engarrafados. Em termos relativos vê-se a pouca 33 expressividade, em termos de produção dos vinhos do topo da pirâmide, os quais não chegam a representar 0,5% no total da produção, ou pouco mais de 1,5% nos engarrafados. Olhando somente os dados da Tabela 4.3 de forma precipitada poder-se-ia concluir que as três categorias dos vinhos Premium (Ultra Premium, Super Premium e Premium) e a Ícone tem pouquíssima relevância econômica para o setor vinícola do Rio Grande do Sul. Contudo, conforme é mostrado na subseção seguinte esses vinhos têm alta agregação de valor, pois atendem fatias específicas do mercado com consumidores com rendas altas e que exigem vinhos mais sofisticados, tanto em termos da qualidade do vinho quanto da forma de apresentação dos mesmos como embalagens, rolhas, condicionamento entre outros e, que por essa razão estão dispostos a pagar preços diferenciados por tais produtos. 4.2.4 Preços de comercialização por categoria e subcategoria de vinho Uma das perguntas presentes no questionário era por quanto foi vendido, em média, as subcategorias de vinhos produzidos na vinícola. Os desvio-padrão, preços mínimos, médios, máximos de comercialização estão apresentados na Tabela 4.4. Tabela 4.4 – Preços das subcategorias de vinho na região de abrangência da pesquisa Categorias/Subcategorias Ícone em garrafa de de 0,75 l. Ultra Premium em garrafa de de 0,75 l. Super Premium em garrafa de de 0,75 l. Premium em garrafa de de 0,75 l. Básico Luxo em garrafa de 0,75 l. Básico Luxo-em garrafa 0,75 l Branco Básico Semi-Luxo em garrafa 0,75 l. Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 3 l. Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 5 l Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 3 l Branco Básico Semi-Luxo em Bag-in-box de 5 l Branco Básico Popular em Garrafão de 4,6 l Básico Popular em Garrafas PET 2l Básico Popular em Garrafa de 0,75 l Básico Popular em Garrafa PET 1,5 l Básico Popular em Bag-in-box de 5 l Básico Popular a Granel Espumante Charmat 0,75 l Espumante Asti 0,75 l Espumante Champenoise 0,75 l Filtrado Doce 0,66 l Desvio-padrão (D) PMin Observado PMédio Observado PMáx Observado 10,03 6,82 1,28 4,86 1,79 3,56 3,28 5,49 8,08 4,72 9,13 2,90 2,06 1,02 0,92 7,08 0,16 2,16 1,66 5,18 0,36 29,00 13,00 20,00 7,36 17,00 4,00 4,50 18,00 19,00 12,00 15,00 7,00 3,20 2,72 3,00 12,50 0,53 8,17 10,17 15,00 3,17 41,10 24,00 22,00 15,18 20,50 10,50 9,75 24,91 33,68 17,50 25,00 12,50 6,12 4,58 4,54 22,00 0,85 12,59 13,09 23,75 3,49 53,81 35,00 24,00 23,00 24,00 17,00 15,00 31,81 48,35 23,00 35,00 18,00 9,03 6,44 6,08 31,50 1,20 17,00 16,00 32,50 3,80 Fonte: Elaborado pelos autores. A Tabela acima revela que o vinho Básico Popular a Granel foi comercializado a menos de R$1,00 o litro, como esse tipo de vinho representa a maior parcela do vinho produzido pelas 34 vinícolas pesquisadas, então, pode-se dizer que apesar dos 100 milhões de litros de vinho produzidos, houve pouca agregação de valor ao produto final. Pelas características inerentes ao vinho à Granel, nota-se que não há alteração substancial dos preços de comercialização do mesmo, entre as vinícolas amostradas, já que o desvio-padrão dos preços é de R$0,06. Na categoria Básico Popular engarrafado nota-se oscilações de preços bem mais marcantes, se comparado ao Granel. Por exemplo, o Básico Popular Bag-in-box de 5 litros foi vendido em média por R$ 22,00, mas pode ser encontrado a venda por um preço mínimo de R$ 12,50 e o máximo de R$ 31,50, resultando em um desvio-padrão de R$7,08 – o maior verificado nessa categoria. Com relação ao vinho Básico Popular Garrafão de 4,6 l. verifica-se que o mesmo foi comercializado, em média, por R$ 12,50 a unidade, mas foi encontrado, também, por preços que variam de no mínimo de R$ 7,00 ao máximo de R$ 18,00 a unidade. Essa substancial diferença de preços de comercialização resulta no segundo maior desvio padrão (R$2,9) dessa categoria de vinho. Esse padrão de forte oscilação nos preços foi, também, verificado em outras categorias, como a Básico Luxo, Premium e Ícone. Nota-se que para a categoria Básico Semi-Luxo predomina altos desvios-padrão nos preços, sendo que o menor desvio é o da subcategoria Básico Semi-Luxo 0,75 l, com desvio-padrão igual a R$3,28. No entanto, para o caso da Básico SemiLuxo Bag-in-box de 5 l Branco o preço médio observado é de R$ 25,00, mas em algumas vinícolas esse vinho chegou a ser comercializado por de R$ 15,00 e em outras por R$ 35,00, o que gerou um desvio-padrão de R$9,13, o segundo maior desvio entre todas as subcategorias analisadas (Tabela 4.4). A categoria/subcategorias Ícone é que apresentou o maior desvio-padrão nos preços de R$10,03. As oito vinícolas entrevistadas que produziam esse tipo de vinho (Tabela 4.2), venderam-no, em média, por R$ 41,00, tendo uma variação de R$ 29,00 a R$ 53,81. O grande diferencial de preço dessa subcategoria de vinho tem relação estreita com os custos de alguns insumos diferenciados como (rolhas, garrafas, rótulos, embalagens entre outros) e com o trabalho de marketing realizado pelas empresas responsável pelo posicionamento do produto no mercado. No que diz respeito à matéria-prima uva não se verificou significativas variações de preços que possam justificar diferenciação de qualidade por trás das disparidades de preços. 4.2.5 Estoque de capital das vinícolas pesquisadas As dimensões das vinícolas, em termos do capital total amortizado, estão retratadas na Tabela 4.5. Visualiza-se certa proporção de recursos que as vinícolas, em média, amortizaram em 35 máquinas e equipamentos e prédios. A distribuição mais eqüitativa do capital foi verificada no caso das grandes vinícolas que dos R$ 30 milhões do capital amortizado em torno de R$ 15 milhões estão empregados em máquinas e equipamentos e o restante na infra-estrutura de prédios. Essa distribuição está de certa forma presente nas pequenas e micros vinícolas. Contudo, no caso das micro há maior amortização em máquinas e equipamentos – conforme esperado – já que esses acabam sendo superestimados nessas empresas devido à sua escala de produção. Isso é, a falta no mercado de máquinas e equipamentos mais apropriados aos níveis de produção dessas vinícolas levam-nas a adquirir esses bens com capacidade de produção muito superior à sua própria capacidade de processamento ao longo do ano. O problema de se ter estoque de capital superdimensionado na empresa é que a depreciação desse é um dos elementos dos custos de produção. Nesse sentido, há perda de competitividade por parte dessas empresas no mercado. GLAUCIA COLOCAR NOTA DE RODAPÉ Tabela 4.5 – Estimativas do estoque de capital das vinícolas classificadas por tamanho Média de máquinas e Média de máquinas e Média de Média de Total do estoque de equipamentos equipamentos prédios prédios capital (Em R$) (Em %) (Em R$) (Em %) (Em R$) Grande 15.137.700,00 50,85 14.631.003,33 49,15 29.768.703,33 Média 4.690.432,02 41,62 6.856.003,3 59,37 11.546.435,35 Pequena 1.462.248,74 51,78 1.361.767,8 48,22 2.824.016,57 Micro 673.887,24 55,48 540.788,13 44,52 1.214.675,37 Dimensão Fonte: Compilação própria. Uma informação interessante, que merece ser analisada é o caso das médias vinícolas, em que, aproximadamente, 60% do capital foram amortizados em prédios. É possível que esse fenômeno esteja ocorrendo, dado a própria expansão não planejada das vinícolas, levando ao superdimensionamento da estrutura civil. Com relação a diferença de tamanho das vinícolas, Tabela 4.5, vê-se que o estoque de capital estimado médio das grandes vinícolas é de R$ 30 milhões. Esse número é cerca de 25 vezes superior ao da micro vinícolas e quase 3 vezes maior que as médias vinícolas. Na seção 4.10 faz-se uma análise comparativa da estrutura patrimonial com a produção efetivas dessas empresas. De qualquer forma, independente do tamanho das vinícolas os investimentos imobilizados em prédios, máquinas e equipamentos é muito alto. Por exemplo, no caso de uma micro vinícola, 36 exige-se um aporte de capital médio estimado em R$ 1,2 milhões, esse número atinge a cifra de R$ 11,5 milhões e de R$ 30 milhões, quando se trata, respectivamente, de médias e grandes empresas (Tabela 4.5). 4.2.6 Consolidação dos custos de produção para subcategorias e categorias de vinho As informações sobre custos mínimos, médios e máximos de produção de todas as subcategorias de vinho pesquisadas estão disponibilizadas na Tabela 4.6. Tabela 4.6 – Custos médios de produção das subcategorias de vinho pesquisados Custo mínimo Custo médio Custo máximo (R$) (R$) (R$) Ícone em garrafa de de 0,75 l. 7,28 15,58 30,06 7,15 Ultra Premium em garrafa de de 0,75 l. 4,14 6,95 17,59 4,28 Super Premium em garrafa de de 0,75 l. 4,27 8,73 16,71 4,50 Premium em garrafa de de 0,75 l. 3,48 5,43 14,28 2,31 Básico Luxo em garrafa de 0,75 l. 1,75 5,83 13,95 2,91 Básico Luxo-em garrafa 0,75 l Branco 3,92 6,36 8,56 2,32 Básico Semi-Luxo em garrafa 0,75 l. 2,62 4,64 13,22 2,50 Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 3 l. 7,63 16,43 26,13 7,08 Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 5 l 7,99 19,29 41,42 9,61 Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 3 l Branco 7,13 18,05 25,20 7,13 Básico Semi-Luxo em Bag-in-box de 5 l Branco 9,50 20,44 28,95 8,20 Básico Popular em Garrafão de 4,6 l 5,30 10,70 28,01 5,42 Básico Popular em Garrafas PET 2l. 2,36 4,36 10,43 2,11 Básico Popular em Garrafa de 0,75 l 1,66 2,61 5,35 0,83 Básico Popular em Garrafa PET 1,5 l 2,04 2,70 3,94 0,63 Básico Popular em Bag-in-box de 5 l. 7,31 15,55 23,43 6,40 Básico Popular a Granel 0,64 1,33 1,91 0,36 Espumante Charmat 0,75 l 3,47 7,00 13,55 2,47 Espumante Asti 0,75 l 3,16 7,25 14,99 2,93 Espumante Champenoise 0,75 l 5,64 10,79 16,47 3,57 Filtrado Doce 0,66 l 2,26 3,40 5,60 1,90 Subcategorias Desvio-padrão Fonte: Elaboração própria. Uma informação interessante da Tabela 4.6 é a pouca variabilidade de custos de produção – com desvio padrão inferior a um – de algumas subcategorias de vinho, como é o caso do Básico Popular em Garrafa PET 1,5 l, cujo desvio-padrão é de R$ 0,63; Básico Popular em Garrafa de 0,75 l. com desvio-padrão de R$ 0,83, Básico Popular a Granel com R$ 0,36. Isso ocorre em razão desses produtos serem ofertadados em mercados populares já consolidados. Dessa forma, as vinícolas procuram estruturar seus custos para serem compatível com o preço do vinho já 37 determinado. Por outro lado as demais subcategorias carcterizam-se por buscarem algum tipo de diferenciação, o que implica em estruturas de custos diferenciadas, de forma a conferir a estas subcategorias características implícitas que possibilitem a conquista de mercados específicos, o que resulta em diferenças significativas custos (desvio-padão), como por exemplo o ícone que em uma vinícola teve um custo de R$ 7,28 e em outra vinícola de R$ 30,06. resultando em um desvio-padrão de R$ 7,15. 4.2.7 Margem líquida por subcategoria de vinho A tabela a seguir apresenta a margem líquida das subcategorias de vinho, que consiste no preço médio de venda (Tabela 4.4) deduzido dos custos médios de produção (Tabela 4.6), incluindo-se nesses os custos variáveis, e a sua respectiva proporção dos custos fixos. Trata-se de um indicador de lucratividade entre as subcategorias. Conforme se pode observar na Tabela 4.7, as quatro maiores margem se encontram nas categorias Ícone, Ultra Premium, Básico Luxo em garrafa de 0,75 l. e o Básico Semi-Luxo bagin-box de 5. Por outro lado, as subcategorias que apresentaram margens negativas foram Básico Semi-Luxo Bag-in-Box de 3 l. branco, Básico Popular a Granel e Filtrado Doce. Tabela 4.7 – Apuração da margem líquida das subcategorias de vinhos pesquisados Categorias/Subcategorias Ícone em garrafa de de 0,75 l. Ultra Premium em garrafa de de 0,75 l. Super Premium em garrafa de de 0,75 l. Premium em garrafa de de 0,75 l. Básico Luxo em garrafa de 0,75 l. Básico Luxo-em garrafa 0,75 l Branco Básico Semi-Luxo em garrafa 0,75 l. Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 3 l. Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 5 l Básico Semi-Luxo em Bag-in-box 3 l Branco Básico Semi-Luxo em Bag-in-box de 5 l Branco Básico Popular em Garrafão de 4,6 l Básico Popular em Garrafas PET 2l Básico Popular em Garrafa de 0,75 l Básico Popular em Garrafa PET 1,5 l Básico Popular em Bag-in-box de 5 l Básico Popular a Granel Espumante Charmat 0,75 l Espumante Asti 0,75 l Espumante Champenoise 0,75 l Filtrado Doce 0,66 l Margem líquida em (R$) 25,52 17,05 13,27 9,75 14,67 4,14 5,11 8,48 14,39 -0,55 4,56 1,80 1,76 1,97 1,84 6,45 -0,50 5,59 5,84 12,96 0,09 Fonte: Elaborado pelos autores. Cabe ressaltar, que embora ocorram prejuízos no processo de comercialização das subcategorias supracitadas, é importante ressaltar que não há como produzir apenas os vinhos que 38 geram mais lucro. Primeiro, devido a insuficiência de mercado para essas categorias de vinho e, segundo há necessidade de amortizar elevados custos fixos presentes nas vinícolas. Assim, esses vinhos são responsáveis pelo carregamento de grande parte dos custos fixos da vinícola, o que torna racional a continuidade da produção, com vistas a deprimir a capacidade ociosa e manter a sanidade econômica e financeira da empresa. Entretanto, há que se refletir sobre posicionamento estratégico deste produto dentro da vinícola, visando reverter essa situação desfavorável. 4.2.8 Análise operacional do setor vinícola gaúcho Os coeficientes operacionais apresentados na Tabela 4.8 têm por propósito retratar a eficiência das vinícolas pesquisadas na gestão dos seus recursos. A forma como estão estruturados tais coeficientes permite comparar os processos de produção das mesmas. Tabela 4.8 – Coeficientes operacionais das vinícolas amostradas classificadas por tamanho Tamanho da vinícola (medido pelo faturamento em R$) Razão Custo com mão-de-obra(R$)/Custo total com mão-de-obra(R$)/valor total Média‡ Pequena Micro 0,2147 0,1513 0,1339 0,1259 0,2116 0,0836 0,0914 0,0964 1,3795 1,1940 1,7023 0,7977 0,2835 0,3084 0,4246 0,4410 da produção(R$) Custo Grande da produção(R$) Valor da produção de vinho (R$)/estoque de capital (R$) Custo com a uva(R$)/Custo total de produção(R$) Fonte: Elaboração própria. ‡ Cabe ressaltar que na amostra selecionada, nenhuma das vinícolas classificadas como média produzia o vinho Básico Popular a Granel. O primeiro coeficiente calculado, segunda linha da Tabela 4.8, retrata o quanto representa os gastos das vinícolas com a mão-de-obra no custo total de produção. Quanto mais elevado for essa razão, maior o peso desse insumo no custo total. Pode-se vislumbrar que o gasto relativo com a mão-de-obra não variou muito entre as vinícolas, exceto para o caso da Grande, que teve um dispêncio maior com tal insumo. Essas informações contrariam ao esperado, pois, a priori se acreditava que as grandes vinícolas fossem mais capital intensivo, e as micro e pequenas tivessem, proporcionalmente, mais gasto com o trabalho. No entanto, a discrepância nessa razão, pode ser explicada pelo fato de que nas Micro, Pequenas e Médias vinícolas, boa parte do trabalho seja desempenhado pelo próprio vinicultor e por seus familiares. Nesse caso, foi solicitado que o entrevistado estimasse a possível remuneração desse trabalho familiar. Assim, acredita-se que essas horas de trabalho dos próprio vinicultor e dos seus familiares estejam sub-remunerados, fato esse que é mitidado nas Grandes pelo rigor da legislação trabalhista. Outro fato que pode ter provocado este viés é a maior 39 estrutura burocrática das grande vinícolas, exigindo mais horas de trabalho na parte administrativa, devido a maior complexidade das suas operações. A segunda linha retrata a participação do insumo mão-de-obra em relação ao valor total da produção. Assim, quanto menor a razão maior a capacidade de geração de valor em cima do fator trabalho, ou mais eficiente é a mão-de-obra da escala produtiva. A interpretação mecânica desse coeficiente é que, para gerar R$ 1,00 de faturamento bruto, as vinícolas, independentes do tamanho, gastaram em torno de R$ 0,085 com a mão-de-obra. Isso implica que o custo do fator trabalho tende a ser relativamente semelhante nos várias escalas de produção, exceto para grande que essa razão é de R$ 0,21. A explicação para tal discrepância na pode ter a mesma origem do indicador anterior. A quarta linha da Tabela 4.8 espelha o que se poderia denominar a “produtividade financeira do capital”, ou a capacidade que cada unidade de capital tem em gerar receita para a vinícola. Dessa forma, quanto maior esse coeficiente mais eficiente se apresenta a vinícola em questão. Conforme essa tabela, a pequena vinícola gera um valor da produção 70% acima dos custos, a micro 79% e a média 19%, enquanto a grande gera 38% acima dos custos de produção. Uma outra maneira de interpretar esse coeficiente seria em termos monetários, isto é, para o caso da pequena vinícola tem-se um de retorno R$ 1,70 de valor da produção para cada unidade de capital amortizado. A sexta linha da tabela apura o quanto o principal insumo (uva) representa no custo total de produção das vinícolas. Desta forma, tem-se que para as grandes vinícolas, o custo dessa matéria-prima representa 28% do custo total, ao passo que as demais este percentual está entre 30% e 44%. O menor índice verificado nas grandes vinícolas, pode ser atribuído ao maior volume de uva adquirido por essas grandes vinícolas, ou ao processo de fidelidade dos associados, no caso das cooperativas. 4.2.8 Avaliação da taxa de conversão da uva em vinho A tabela a seguir retrata quanto de uva são requeridos para cada litro de vinho produzido. A taxa de conversão da uva em vinho de mesa é de 1,3, ou seja, para se produzir 1 litro de vinho de mesa, em média, as vinícolas estão utilizando 1,3 kg. de uva. No presente caso, as pequenas e as grandes vinícolas foram as mais eficientes, conseguindo produzir 1 litro de vinho a partir de 1,32 kg. e 1,33 kg., respectivamente; ao passo que as micros se apresentaram menos eficientes processando 1,35 kg. de uva para produzir 1 litro de vinho. Tabela 4.9 - Taxa de conversão de uva por litro de vinho por tamanho das vinícolas 40 Vinho de mesa Vinho vinífera Taxa de conversão (Em kg.) Taxa de conversão (Em kg.) Grande 1,3300 1,3833 Média 1,3467 1,3833 Pequena 1,3150 1,4070 Micro 1,3512 1,4491 Tamanho da Vinícola Fonte: Elaborada pelos autores. As diferenças nas taxas não são significativas em pequenos volumes de produção, mas quando se processa grandes quantidades de uva diferenças nas taxas de conversão tendem afetar a rentabilidade das empresas. Para ver isso mais claramente considera-se, por exemplo, que fossem produzidos 10.000 litros de vinho numa grande e numa pequena vinícola. No caso da grande seriam requisitados 13.300 kg. de uva, mas se essa mesma quantidade fosse produzida numa micro vinícola deveriam ser processada 13.512 kg. de uva. Isso resulta em 212 kg, ou 159 litros de vinho. Em termos relativos significa que a micro vinícola teve perda de 1,6% vis-à-vis a grande. Contudo, quando se trata de vinho vinífera a diferença na taxa de conversão aumentou um pouco. Enquanto as médias e grandes vinícolas converteram 1,38 kg. de uva em 1 litro de vinho, as micros e pequenas conseguiram extrair 1 litro de vinho de 1,45 kg. e 1,41 kg. de uva, respectivamente. A diferença nas taxas são agora bem mais importante. Retornemos com aquele volume hipotético de 10.000 litros de vinhos. As grandes e médias iriam utilizar 13.833 kg. de uva, enquanto as micros e pequenas 14.491 kg. e 14.070 kg. A diferença na taxa implica que as micros estariam utilizando 658 kg e as pequenas 237 kg de uva a mais que as médias e grandes para produzir a mesma quantidade de vinho. Nesse caso a perda de eficiência é de cerca de 476 litros de vinho, ou 4,76% para o caso das micros e de 171 litros de vinho, 1,71% para as pequenas. 4.2.9 Análise dos custos de produção por subcategorias de vinho A Tabela 4.10 objetiva demonstrar a composição de custos de cada subcategoria de vinho. Para tanto os custos foram decompostos em suas unidades, a saber: custo com uva (matériaprima), vasilhame, rolha, unidade de identificação (rótulo, caixa e capsulas), energia, fretes, mãode-obra, outros custos variáveis (produtos enológicos, etc...), material de expediente e outros custos fixos. Nas colunas ao lado dos respectivos custos de cada subcategoria, tem-se a participação que cada um desses itens de custo sobre o custo total desta mesma subcategoria. Tabela 4.10. Participação dos custos dos insumos no custo total por cada subcategoria de vinho 41 Categoria/Subcategoria Insumos Ícone Garrafa 0,75l Uva Ultra Premium %T Garraf a 0,75l 2,35 14,89 Vasilhame 2.79 Rolha 2,41 Rót.+Caixa+Cap. Super Premium %T Garrafa 0,75l 1,29 23,50 17,61 0,90 15,23 0,51 5.66 35,80 Energia 0,39 Fretes Salário(M-D-O) Premium %T Garrafa 0,75l 1,32 21,52 16,31 0,86 9,30 0,36 0,52 9,37 2,45 0,18 0,15 0,94 1.42 8,95 O.C. Variáveis 0.29 Materiais de expediente 0.05 O.C. Fixos Custo médio unitário Básico luxo %T Garrafa 0,75l %T 1,41 30,18 1,44 25.41 13,95 0,82 17,47 0,90 15,90 5,83 0,30 6,35 0,31 5.41 0,54 8,85 0,39 8,41 0,44 7,82 3,34 0,22 3,52 0,12 2,66 0,14 2.53 0,07 1,23 0,13 2,05 0,13 2,78 0,55 9.63 0,78 14,12 1,07 17,49 0,72 15,39 1,34 23,66 1,86 0,77 13,98 0,94 15,27 0,41 8,85 0,15 2,69 0,31 0,13 2,29 0,31 5,00 0,09 1,97 0,07 1,26 0.31 1,97 0,36 6,56 0,40 6,51 0,28 5,95 0,32 5,69 15,82 100,00 5,50 100 6,13 100 4,68 100 5,68 100 Categoria/Subcategoria Insumos Básico Semi-luxo Básico Semi-luxo Básico Semi-luxo Básico Popular Básico Popular Garrafa 0,75l %T Bag-inbox 3 l %T Bag-in-box 5l %T Garrafa 0,75l %T Garrafão 4,6 l %T Uva 1,13 38,26 3,77 27,90 6,08 31,11 0,71 31,22 2,72 34.45 Vasilhame 0.71 23,94 3,52 26,07 3,98 20,36 0,52 23,02 1,89 23,94 Rolha 0,09 2,94 - - - - 0,06 2,79 0,08 1.07 Rót.+Caixa+Cáp. 0.16 5,32 0,33 2,47 0,54 2,75 0,14 6,22 0,44 5,59 Energia 0,04 1,48 0,12 0,89 0,16 0,83 0,07 3,25 0,11 1.36 Fretes 0,09 3,01 0,55 4,09 1,28 6,57 0,08 3,42 0,54 6.86 Salário(M-D-O) O.C. Variáveis 0,36 0,03 12,31 1,08 2,69 0,95 19,94 7,02 4,36 0,87 22,30 4,43 0,36 0,04 16,09 1,78 1,36 0,29 17,20 3,63 Materiais de expediente 0,09 2,96 0,65 4,79 1,00 5,12 0,09 4,18 0,16 2,02 O.C. Fixos 0,26 8,69 0,92 6,83 1,28 6,53 0,18 8,04 0,31 3,90 100 13,50 100 19,54 100 2,26 100 7,89 100 2,96 Custo médio unitário Fonte: Elaborada pelos autores. Destaca-se na tabela o peso relativo da uva nas diversas subcategorias, onde o preço não diverge significativamente de uma para outra, mas diverge no peso interno que tem em cada uma das respectivas subcategorias. Por exemplo, excetuando-se o Ícone, cujo preço da matéria-prima (uva) ser de R$2,35, nas subcategorias premium(s) e básico luxo, o preço da uva, centra-se entre R$ 1,29 e R$ 1,44. Também, os itens de engarrafamento e identificação não apresentam variações significativas. O que leva a refletir quais os fatores que determinam preços de mercado diferenciados para cada uma destas subcategorias. Já no que tange ao Básico Popular, em vasilhame de 0,75 litros, o custo com a uva é mais significativo (R$ 0,71 em média) em comparação ao custo com uva para garrafão, que proporcionalizando para garrafa de 0,75 litros, tem-se R$ 0,44. O que significa uma redução de 38% do gasto em matéria-prima (uva), o que pode resultar em um produto com qualidade inferior. 42 Raciocínio análogo pode ser realizado em relação ao básico semi-luxo, onde em garrafa de 0,75 litros é gasto R$ 1,13 em uva e no Bag-in-box de 3 litros R$ 0,94, ao passo que em Bag-in-box de 5 litros é gasto com a uva R$ 0,91. 4.2.10 Consolidação dos resultados aperacionais por tamanho de produção A Tabela 4.11 resume as principais informações relativas às receitas obtidas pelas vinícolas na comercialização das diversas subcategorias de vinho e os principais itens de custos envolvidos no processo de produção do vinho. Tabela 4.11 – Resultados operacionais por tamanho das vinícolas, dados amostrais (em R$) Tamanho da vinícola Itens Grande Receita Total média Custo Total médio Margem Líquida média Média Pequena Micro 41,064,972.45 13,786,210.78 4,807,343.30 968,976.21 40,470,129.02 7,614,095.56 3,281,968.29 741,949.44 594,843.43 6,172,115.22 1,525,375.01 227,026.77 Fonte: Elaborada pelos autores. As receitas totais média estimadas pelas três grandes vinícolas amostrada, conforme Tabela 4.11, somaram cerca R$ 41 milhões, ao passo que seu custo total médio soma aproximadamente R$ 40 milhões chegando à margem líquida de aproximadamente R$ 594 mil. Conforme ressaltado anteriormente, o ano da pesquisa (2009) foi atípico, o que no caso das duas cooperativas componentes do grupo das grande vinícolas, teve um impacto, dado a comercialização do vinho a granel ter sido realizada por valores muito baixo (R$0,80 o litro). Caso este vinho a granel fosse comercializado pelo seu preço histórico, ao redor de R$ 1,20, este resultado teria sido de aproximamente R$ 5 milhões médio para cada vinícola pertencente a este grupo. Em tempo, lembramos que na amostra das médias não encontramos vinícolas que produzissem vinho a granel, sendo sua margem líquida média de aproximadamente R$ 6 milhões. Já as pequenas e as micro vinícolas tem suas margens líquida médias de R$ 1,5 milhões e de R$ 227 mil, respectivamente. 5 RENDA ESTIMADA DO SETOR VINÍCOLA GAÚCHO O ANEXO 1 trás a receita estimada pelas 660 vinícolas legalmente contituídas no Rio Grande do Sul. Esse anexo foi calculado utilizando-se os dados oficiais do volume de produção total ao longo de uma série histórica (2004 a 2008) de cada uma das vinícolas. Como se tem a média de produção de cada vinícola, mas tais informações não estavam desagregadas por 43 subcategoria do vinho. Isto é, não se tinha informações oficiais sobre o quanto cada vinícola efetivamente comercializava, por exemplo, do vinho Ícone, Básico Popular etc. No entanto, essas informações estavam disponíveis na amostra, então, cruzando os dados amostrais com os oficiais e recorrendo à equação (3.45), consegue-se estimar o faturamento do setor vinícola do Rio Grande do Sul. O montante de renda estimada anual para esse setor foi de cerca de R$ 960 milhões. O PIB industrial é de R$ 46 bilhões, então, o setor vinícola, representa, aproximadamente, 2,08% do Valor Adiciondo Bruto setor industrial do Rio Grande do Sul, no ano de 2008. Isso demonstra a importância econômica da produção de vinho para economia gaúcha e, pelo número de vinícolas existentes, mais importante se torna para a Região da Serra. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES O presente estudo tinha por objetivos retratar o setor vinícola do Rio Grande do Sul a partir de uma amostra composta por 59 empresas – classificadas como grande, média, pequena e micros vinícolas. Pode-se dizer que o questionário foi estruturado para contemplar cinco aspectos relacionados ao processo de produção de vinho: o tamanho das vinícolas, os tipos de vinhos produzidos, o estoque de capital, os custo de produção, bem como os preços por subcategorias de vinhos e as estimativas da renda gerada no setor vinícola gaúcho. A partir das informações levantadas foi possível identificar as vinícolas classificadas por tamanho; classificar os vinho por categorias e subcategorias; estruturar as quantidades produzidas das subcategorias de vinho pesquisados; definir os preços das subcategorias; estimar o estoque de capital das vinícolas classificadas por tamanho, bem como a osciosidade deste capital; consolidar os custos médios de produção por subcategorias de vinho; apurar as margens líquidas geradas por cada subcategoria de vinho, definir alguns coeficientes operacionais, identificar a participação dos principais insumos nos custos totais por subcategorias de vinho e calcular os resultados operacionais por tamanho das vinícolas. Com relação ao primeiro aspecto, ficou visível que a população de vinícolas do Rio Grande do Sul é predominantemente de micro vinícolas – faturamento de R$ 2,4 milhões ao ano – com mais de 90% das empresas enquadradas nessa categoria. Essa informação por si só não seria um indicador de deficiência do setor, no entanto, foi diagnosticada uma grande ociosidade do capital, em média de 50%, chegando a quase 80% de ociosidade justamente naquele tipo de empresas que predomina no estado. 44 Em relação ao tipo de vinho predominante no setor, verificou-se que cerca de 80% das vinícolas produz alguma subcategoria de Básico Popular. Para o caso das categorias intermediárias pouco mais de 40% das vinícolas produz a Básico Luxo e cerca de 30% algum tipo de Semi-luxo. Nesse sentido, pode-se dizer que há predomínio no setor vinícola gaúcho dos vinhos populares e intermediários básicos quer sejam eles a granel ou engarrafados, uma vez que as vinícolas especializadas nas categorias de vinho consideradas top of line se reduz substancialmente e essa tendência vai se acentuando à medida que vai se aproximando do topo da pirâmide. No que diz respeito ao segmento dos espumantes e frisantes, esses estão presentes em cerca de 30% das vinícolas entrevistadas. Em termos do preço de comercialização média das subcategorias de vinhos pesquisadas, notou-se que o vinho Básico a Granel foi comercializado a menos de R$1,00 o litro no período de 2009. Uma característica marcante desse vinho é o pequeno desvio-padrão dos preços, levando a concluir que não há alteração significativa nos mesmos entre as vinícolas, diferentemente do Básico Popular engarrafado, em que oscilações de preços chegaram a mais de 150%. Essa forte oscilação foi, também, verificada em outras categorias, como a Básico Luxo, Premium e Ícone. Com relação a diferença de tamanho das vinícolas, mensurado pelo montante de capital amortizado em máquinas, equipamentos e prédios, notou-se que uma grande vinícolas amortizou um montante de capital vinte e cinco vezes superior ao da micro vinícolas e quase três vezes maior que as médias vinícolas. Essa diferença é também muito grande quando se compara médias e micros, já que as primeiras têm quase dez vezes mais capital amortizado do que as micro vinícolas. Contudo, os investimentos imobilizados em prédios, máquinas e equipamentos foram muito altos, superando R$ 1,2 milhões para o caso das micros vinícolas e de R$ 30 milhões quando se trata grandes. As oscilações de custos se tornaram bem mais pronunciadas para o caso do Ícone, ao passo que os Premium, luxo e Semi-Luxo, os custos tendem a uma equidade. Nesses casos, os diferenciais de preço praticados, justificam-se mais por estratégias de mercado do que por definição dos custos de produção. Como as demais subcategorias de vinho apresentaram substanciais diferenças de custos de produção, pode-se concluir que as vinícolas operam com padrão tecnológico distinto e diferentes estratégias de diferenciação de produto e na compra de insumos em grandes quantidades, o que não se verifica no caso das pequenas e micro vinícolas. No tocante aos indicadores operacionais, o que mais chamou a atenção é a intensividade da utilização da mão-de-obra nas grandes vinícolas, o que pode ter sua origem no fato de que as 45 grandes possuem uma estrutura burocrática mais dilatada para fazer frente a maior complexidade de suas operações, ao passo que as demais categorias de vinícola, tem neste item um situação obscura, uma vez que boa parte da mão de obra é familiar e sua menssuração é difícil. A taxa média de conversão da uva em vinho de mesa é em média de 1,3. Isso significa que para se produzir 1 litro de vinho de mesa foram necessários 1,3 kg. de uva. As pequenas e as grandes vinícolas foram as mais eficientes. Notou-se que mesmo sendo pequena diferença nas taxas de conversão entre as escalas de produção quando se tem grande volume de produção, essa tende afetar resultado das empresas. E, finalmente, estimou-se que o setor vinícola do Rio Grande do Sul, composto por 660 empresas, gerou de renda pouco mais de R$ 960 milhões no ano da amostra. Trata-se, portanto, de uma cifra importante, especialmente, no momento de crise que passa, atualmente, a vinicultura brasileira que está sendo sufocada pela concorrência predatória dos vinhos importados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOTTER, D. A.; et al. Noções de estatística. Instituto de Matemática e Estatística – USP, 1996, 231p. IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho). Disponível em: http://www.ibravin.org.br/. Acesso: 21 de junho de 2010. ROSA, S. E. S.; COSENZA, J. P.; LEÃO, L. T. S. Panorama do setor de bebidas no Brasil. In: BNDES Setorial, n.23, p. 101-150. Rio de Jeaneiro: BNDES, 2006. 46 ANEXO 1: Receita estimada pela população das vinícolas do Rio Grande do Sul. Código Mesa Embalado Mesa A Granel Vinífera Embalada Vinífera A Granel Espumantes Totais 1 - - 134.71 - - 134.71 2 33.28 - 134.71 - - 167.99 3 - - 181.85 - - 181.85 4 198.51 - - - - 198.51 5 179.59 - 121.24 - - 300.83 6 525.47 - - - - 525.47 7 617.72 - 11.23 - - 628.94 8 761.93 - - - - 761.93 9 284.92 - 496.17 - - 781.09 10 - - 821.71 - - 821.71 11 875.78 - - - - 875.78 12 - - 910.40 - - 910.40 13 - - 1,010.30 - - 1,010.30 14 1,020.58 - - - - 1,020.58 15 579.18 - 502.91 - - 1,082.09 16 - - - 1,166.67 - 1,166.67 17 1,215.59 - - - - 1,215.59 18 3.50 - 1,292.07 - - 1,295.57 19 - 1,395.07 - - - 1,395.07 20 - 1,422.97 - - - 1,422.97 21 1,470.15 - 157.16 - - 1,627.31 22 1,511.89 - 115.62 - - 1,627.52 23 - - 1,836.51 - - 1,836.51 24 973.29 - 1,083.27 - - 2,056.56 25 - 2,078.65 - - - 2,078.65 26 - 2,092.60 - - - 2,092.60 27 - - 2,096.94 - - 2,096.94 28 1,430.59 - 707.21 - - 2,137.80 29 1,327.69 - 1,138.28 - - 2,465.96 30 - - 2,485.35 - - 2,485.35 31 2,612.28 - - - - 2,612.28 32 2,690.35 - - - - 2,690.35 33 - 2,894.76 - - - 2,894.76 34 - - 2,988.26 - - 2,988.26 35 - - 3,121.84 - - 3,121.84 36 - 3,264.46 - - - 3,264.46 37 2,906.96 - 278.40 - 122.37 3,307.72 38 1,412.05 - 1,918.46 - - 3,330.51 39 - 3,348.16 - - - 3,348.16 40 1,731.42 - 1,011.99 - 764.79 3,508.20 41 1,418.18 - 2,029.59 - 311.32 3,759.10 42 - 3,906.19 - - - 3,906.19 43 - 3,906.19 - - - 3,906.19 44 - 3,989.89 - - - 3,989.89 45 - - 4,046.83 - - 4,046.83 46 5.25 - 1,256.59 - 2,825.24 4,087.09 47 1,425.19 - 2,842.89 - - 4,268.08 48 4,295.42 - - - - 4,295.42 49 4,362.57 - - - - 4,362.57 50 4,356.14 - 41.09 - - 4,397.23 51 - - 1,543.52 - 2,941.99 4,485.51 47 52 - - 4,505.96 - - 4,505.96 53 - 4,631.62 - - - 4,631.62 54 - - 3,943.56 - 700.47 4,644.03 55 - - 4,898.29 - - 4,898.29 56 - - 5,025.70 - - 5,025.70 57 5,537.81 - - - - 5,537.81 58 - 5,859.28 - - - 5,859.28 59 - 5,901.13 - - - 5,901.13 60 - 5,915.08 - - - 5,915.08 61 - 5,942.98 - - - 5,942.98 62 6,305.64 - - - - 6,305.64 63 3,945.93 - 2,583.35 - - 6,529.28 64 5,448.30 1,243.00 - - - 6,691.31 65 - 6,806.25 - - - 6,806.25 66 153.09 - 4,189.40 - 2,614.89 6,957.37 67 6,991.66 - - - - 6,991.66 68 7,203.60 - - - - 7,203.60 69 - 7,324.10 - - - 7,324.10 70 - - 7,400.48 - - 7,400.48 71 - 8,202.99 - - - 8,202.99 72 - 8,299.25 - - - 8,299.25 73 - 8,314.60 - - - 8,314.60 74 - 8,535.02 - - - 8,535.02 75 8,537.95 - - - - 8,537.95 76 - 8,816.82 - - - 8,816.82 77 2,304.48 6,863.73 - - - 9,168.20 78 5,593.39 - 3,637.10 - - 9,230.49 79 - 9,249.29 - - - 9,249.29 80 693.04 - 1,820.79 7,000.00 - 9,513.83 81 - 9,570.16 - - - 9,570.16 82 - 9,591.08 - - - 9,591.08 83 - 9,709.66 - - - 9,709.66 84 - - 9,950.38 - - 9,950.38 85 268.57 9,821.27 - - - 10,089.84 86 482.85 9,709.66 276.15 - - 10,468.66 87 - - 7,416.76 - 3,113.22 10,529.97 88 - - 8,468.49 2,135.00 - 10,603.49 89 - 10,658.31 - - - 10,658.31 90 - 11,160.53 - - - 11,160.53 91 11,282.42 - - - - 11,282.42 92 - 11,481.40 - - - 11,481.40 93 11,591.28 - - - - 11,591.28 94 - 11,732.51 - - - 11,732.51 95 - 11,913.87 - - - 11,913.87 96 - 12,011.52 - - - 12,011.52 97 - 12,011.52 - - - 12,011.52 98 5,901.14 6,138.29 - - - 12,039.43 99 - 12,695.11 - - - 12,695.11 100 11,584.89 - 1,121.89 - - 12,706.78 101 - 12,757.88 - - - 12,757.88 102 - 12,834.61 - - - 12,834.61 103 13,085.94 - - - - 13,085.94 104 - 13,124.79 - - - 13,124.79 48 105 3,615.11 - 9,016.18 - 535.12 13,166.42 106 - 13,336.84 - - - 13,336.84 107 - 13,811.16 - - - 13,811.16 108 13,879.52 - - - - 13,879.52 109 10,872.63 697.53 1,560.81 - 859.97 13,990.93 110 - 14,076.22 - - - 14,076.22 111 - 14,229.68 - - - 14,229.68 112 - 14,313.38 - - - 14,313.38 113 - - 14,507.08 - - 14,507.08 114 - - 14,656.15 - - 14,656.15 115 680.83 - 14,146.51 - - 14,827.34 116 14,625.72 - 257.63 - - 14,883.34 117 15,304.01 - - - - 15,304.01 118 - 15,380.61 - - - 15,380.61 119 - 15,499.19 - - - 15,499.19 120 - 15,582.89 - - - 15,582.89 121 - 15,624.75 - - - 15,624.75 122 - 15,727.98 - - - 15,727.98 123 - 15,889.81 - - - 15,889.81 124 - 15,973.51 - - - 15,973.51 125 5,862.02 - 10,156.93 - 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- 1,260,578.82 589 180,236.71 23,618.48 1,080,305.00 - 32,520.45 1,316,680.63 590 1,035,641.41 - 8,458.59 - 277,773.41 1,321,873.40 591 - - 1,307,921.97 - 45,164.97 1,353,086.94 592 - - 1,039,820.63 - 318,793.25 1,358,613.88 593 - 59,401.94 851,019.63 3,644.67 543,974.70 1,458,040.94 594 41,823.88 1,425,799.99 170.63 - - 1,467,794.49 595 1,471,071.96 - - - - 1,471,071.96 596 - 1,446,260.45 - 26,530.00 - 1,472,790.45 597 236,856.20 1,155,080.32 90,360.71 - 36,228.21 1,518,525.44 598 - 1,726,782.13 - - - 1,726,782.13 599 - 1,868,218.87 - - - 1,868,218.87 600 115,561.74 - 1,778,729.36 - - 1,894,291.10 601 1,886,385.03 2,064.70 58,432.12 - - 1,946,881.85 602 1,073,763.56 930,965.65 190,071.54 1,866.67 - 2,196,667.42 603 1,952,942.61 245,650.87 25,780.73 - - 2,224,374.21 604 - 1,972,995.21 346,300.45 898.33 113,985.56 2,434,179.56 605 - 2,044,698.99 280,344.95 17,500.00 112,853.53 2,455,397.47 606 - - 762,375.90 - 1,725,890.17 2,488,266.07 607 4,084.94 1,797,516.48 596,987.12 9,738.87 100,798.14 2,509,125.55 608 2,501,078.45 - 34,900.37 - - 2,535,978.82 609 132.39 2,552,858.30 962.03 - 2,466.86 2,556,419.59 610 - - 1,935,470.95 - 642,170.70 2,577,641.64 611 330,079.09 2,306,766.73 - - - 2,636,845.82 612 2,585,298.10 73,017.79 5,500.55 - - 2,663,816.44 613 1,809,622.52 205,510.34 738,723.19 49.00 - 2,753,905.05 614 1,622,924.42 213,242.92 604,886.33 39,564.47 289,367.19 2,769,985.32 615 2,267,664.54 131,847.75 349,291.06 - 36,477.96 2,785,281.32 616 2,291,560.92 488,227.02 19,145.05 - - 2,798,932.99 617 2,345,271.07 328,726.53 162,097.48 - 57,569.61 2,893,664.69 618 - - 1,671,516.48 12,833.33 1,295,000.35 2,979,350.17 619 2,463,340.40 529,310.61 37,439.94 46.67 - 3,030,137.62 620 311,911.84 143,203.59 2,413,958.44 - 261,631.75 3,130,705.63 621 125,472.85 2,355,188.79 29,285.59 735,690.67 - 3,245,637.90 622 - 3,313,816.25 - - - 3,313,816.25 623 3,363,044.13 63,398.80 30,580.64 - 13,138.54 3,470,162.12 624 403,887.41 - 1,855,331.54 43,929.67 1,444,134.16 3,747,282.77 625 191,298.57 - 3,489,958.87 - 210,398.52 3,891,655.96 626 3,877,658.31 83,980.92 - - - 3,961,639.24 627 174,258.68 3,639,323.67 183,304.85 - 110,148.28 4,107,035.47 628 4,199,316.00 - - - - 4,199,316.00 629 721,734.52 2,830,772.18 603,922.86 49,000.00 - 4,205,429.57 630 - 4,307,891.93 - - - 4,307,891.93 631 4,303,850.49 7,812.37 153,216.97 - - 4,464,879.83 632 - - 4,566,742.13 - - 4,566,742.13 633 1,009,687.15 3,710,317.91 39,403.79 - - 4,759,408.85 634 - 1,319,105.29 - 3,893,286.83 - 5,212,392.12 58 635 4,228,878.81 991,328.10 324,726.47 10,220.00 - 5,555,153.38 636 5,204,890.20 55,020.03 767,888.71 - 83,204.24 6,111,003.19 637 1,196,589.82 - 2,917,999.98 942.67 2,690,850.44 6,806,382.91 638 - 7,138,197.04 - - - 7,138,197.04 639 4,696,017.29 - 980,530.77 - 2,071,856.46 7,748,404.52 640 156,037.62 706,112.99 7,530,093.39 83,753.13 - 8,475,997.14 641 5,454,192.17 3,036,903.75 320,765.78 - 146,792.99 8,958,654.70 642 2,316,215.83 6,120,468.46 927,893.96 13,539.17 798,095.34 10,176,212.75 643 5,321,117.69 79,657.47 2,318,727.24 107,750.30 2,360,239.12 10,187,491.82 644 4,791,611.12 3,107,111.59 2,443,368.12 28,886.67 - 10,370,977.50 645 386,682.04 6,871,259.83 3,140,597.07 242,422.37 375,625.84 11,016,587.13 646 10,738,032.81 1,836,718.96 355,090.88 - 110,127.93 13,039,970.58 647 7,846,864.48 219,171.95 3,626,767.03 70,000.00 2,089,904.80 13,852,708.27 648 18,081,059.98 50,543.27 243,927.96 - 31,837.20 18,407,368.41 649 412,904.65 - 4,405,177.64 - 13,997,041.11 18,815,123.40 650 740,797.80 - 13,985,940.66 - 4,428,988.94 19,155,727.40 651 17,656,901.79 1,197,776.34 287,884.97 - 84,212.02 19,226,775.12 652 16,931,080.23 13,113.63 1,964,645.83 - 1,124,049.74 20,032,889.43 653 8,352,491.46 1,274,795.88 8,787,215.13 61,600.00 4,301,021.31 22,777,123.78 654 9,853,561.16 2,160,541.14 10,034,875.71 83,043.33 15,684,574.48 37,816,595.82 655 35,096,889.37 2,089,915.47 4,999,052.62 98,770.00 5,588.09 42,290,215.55 656 - - 20,073,743.20 - 23,571,314.66 43,645,057.86 657 - - 37,854,431.22 191,403.33 5,751,964.65 43,797,799.20 658 - - 48,405,765.22 96,926.67 88,176.63 48,590,868.53 659 18,824,843.50 - 62,211,374.72 - 56,977,430.66 138,013,648.88 660 36,988,169.15 5,182,799.62 84,113,281.93 1,702,340.50 24,335,179.90 152,321,771.10 285,929,852.05 127,127,261.53 365,280,870.59 8,228,234.93 173,702,531.37 960,268,750.47 Fonte: Elaborada pelos autores a partir de dados do IBRAVIN e da pesquisa realizada. 59