Ministério da Saúde Fundação Oswaldo Cruz Escola Nacional de Saúde Pública AIDS EM MULHERES NO RIO DE JANEIRO: O Limite da Certeza em Duas Técnicas Complementares de Análise por Jeane Glaucia Tomazelli Tese apresentada com vistas à obtenção do Título de Mestre em Ciências na área de Saúde Pública. Orientadores: Dina Czeresnia Christovam Barcellos Rio de Janeiro, julho de 2001 “O correr da vida embrulha tudo... a vida é assim: esquenta, esfria, aperta e daí afrouxa... sossega e depois desinquieta... o que ela quer da gente é coragem” (Guimarães Rosa) i AGRADECIMENTOS Aos meus orientadores, Dina Czeresnia e Christovam Barcellos, pelos ensinamentos, críticas e sugestões durante todo processo de construção desta dissertação. À Celina Porto e à equipe do Núcleo DST/AIDS do CSEGSF pela colaboração e dedicação dispensada. À Else do CSEGSF pela disponibilização das informações do Complexo de Manguinhos. À Cosme Marcelo Furtado, pela orientação estatística. À Anke, e a toda turma do mestrado, pelo apoio e pelo estímulo. À Maria Angêla e Ivanise pela ajuda e paciência no processo de edição dos mapas. À Claudia e a todos os meus amigos que estiveram ao meu lado dando força, carinho e acreditando na construção deste trabalho. E às mulheres do grupo de soropositivos do CSEGSF que possibilitaram o desenvolvimento da segunda etapa desta dissertação. ii RESUMO Foi realizado um estudo da configuração da epidemia de AIDS em mulheres no Rio de Janeiro utilizando duas técnicas de estudo. Na primeira etapa foi realizada uma análise espacial dos casos notificados ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no período de 1982 a 1997. Na segunda etapa foi aplicado um questionário a um grupo de mulheres soropositivas atendidas em uma região identificada, na primeira etapa, como característica dos processos de feminização e pauperização da epidemia de AIDS. Os resultados obtidos na análise espacial demonstraram um processo diferenciado na difusão da epidemia entre as mulheres e os homens. O nível de escolaridade das pessoas com AIDS foi menor do que o da população geral e os casos femininos apresentaram uma escolaridade menor que a dos casos masculinos. Observou-se também o processo de feminização da epidemia através da redução da razão H/M, uma maior proporção de mulheres com categoria de exposição ignorada e com nível de escolaridade ignorada em relação aos homens. A análise dos questionários permitiu aprofundar o estudo e conhecer a fragilidade da informação, considerada a partir das incertezas e da dificuldade de obtenção de dados confiáveis em um tema complexo e estigmatizado como a AIDS e seus modos de transmissão. Os resultados encontrados, apesar de não poderem ser generalizados por não representarem uma amostra, apontam para a diversidade de postura destas mulheres diante da condição de soropositividade. Palavras-Chaves: HIV/AIDS; Mulheres; Brasil; Vulnerabilidade; Geoprocesamento iii ABSTRACT A study about the configuration of epidemic of AIDS in women was accomplished in Rio de Janeiro and it was make of two techniques of study. At the first stage was accomplished a spatial analysis of the notified cases to the “Sistema de Informação de Agravos de Notificação” (SINAN) in a period from 1982 to 1997. At the second stage was applied a questionary to a group of women with AIDS who were attended t a identified region, at the first stage, as characteristic of the process of epidemic of AIDS in women and poor people. The results obtained in the spatial analysis demonstrated a differentiated process to a diffusion of epidemic between women and men. The level of schooling of the people with AIDS was smaller than masculine cases. The process of epidemic in women was also observed through reduction of H/M reason, the biggest proportion of women with category of ignored exposition and with level of ignored schooling to relation to men. The analysis of the questionaries permitted to make a profund study and to know a fragility of information considered to uncertainty and difficult of procurement of trustful data in a complex and marked theme as AIDS and kinds of transmission. The results which were found, in spite of can’t be generalized to not to represent a sample, show a diversity of attitude of these women as carried of HIV virus Key Words: HIV/AIDS; Women; Brazil; Vulnerability; Geoprocessing iv PAG SUMÁRIO RESUMO iii ABSTRACT iv SUMÁRIO v LISTA DE GRÁFICOS vi LISTA DE MAPAS vii LISTA DE QUADRO E TABELAS viii APRESENTAÇÃO CAPÍTULOS 1. Revisão Bibliográfica 1.2. Aspectos Espaciais da Epidemia 1.2.2. Conceito de Interação 1.3. Vulnerabilidade 2 9 11 12 2. Metodologia Análise Espacial 2.1. Considerações sobre a Análise Espacial 2.1.1. A Unidade de Análise 2.2. Fontes de Dados 2.2.1. Considerações Sobre o SINAN 2.3. Variáveis 2.4. Construção dos Indicadores 2.5. Indicadores 2.6. Base Cartográfica 2.7. Instrumentos 2.8. Estratégias de Análise 13 13 14 15 15 17 18 20 21 24 24 3. Resultados Espacial 25 e Discussão – 1 Análise 4. Metodologia Entrevistas 4.1. O CSEGSF 4.1.1. O núcleo de DST/AIDS 4.2. Seleção das Participantes 4.3. Instrumento: Questionário 4.4. Aplicação dos Questionários 4.5. Variáveis 54 54 57 57 58 60 60 5. Resultado e Discussão - Entrevistas 63 6. Conclusões 85 7. Referências Bibliográficas 8. Anexos 89 96 v LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICOS 3.1. Distribuição do Total de Casos de AIDS Notificados no Município PAG 26 do Rio de Janeiro Segundo Ano Epidemiológico, 1982-1999 3.2. Casos de AIDS em Mulheres e em Homens 15-59 Anos no 29 Município do Rio de Janeiro Segundo o Ano Epidemiológico 3.3. Distribuição dos Casos de AIDS Segundo Sexo, Faixa Etária e 30 Ano Epidemiológico 3.4. Crescimento da AIDS em Mulheres Segundo os Períodos nos 34 Bairros Vizinhos aos Dois Núcleos de Maior Incidência 3.5. Percentual dos Casos de AIDS de 15-59 Anos no Município do 46 Rio de Janeiro Segundo Sexo e Escolaridade – Período 1982-1997 3.6. Distribuição dos Casos de AIDS, 15-59 Anos, Segundo Sexo, 47 Escolaridade e Ano Epidemiológico - Município do Rio de Janeiro, 1982-1997 5.1. Histograma do Tempo Transcorrido entre o Diagnóstico de 68 Soropositividade e a Entrevista 5.1.Uso e Freqüência de Drogas 80 5.2. Quantidade de Parceiros Sexuais 81 vi LISTA DE MAPAS MAPAS PAG 2.1. Localização dos Bairros do Município do Rio de Janeiro 22 3.1. Taxa de Incidência dos Casos de AIDS Notificados em Mulheres 35 ao Longo dos Períodos - Município do Rio de Janeiro 3.2. Taxa de Incidência dos Casos de AIDS Notificados em Homens 36 ao Longo dos Períodos - Município do Rio de Janeiro 3.3. Proporção de Chefes de Domicílio com Renda Superior a 10 37 Salários Mínimos 3.4. Densidade Demográfica 38 3.5. Razão de Casos de AIDS entre Homens e Mulheres - Município 41 do Rio de Janeiro 3.6. Percentual de Casos de AIDS em Homens e Mulheres com 44 Categoria de Exposição Ignorada - Município do Rio de Janeiro – 1982-1997 3.7. Percentual de Pessoas com Escolaridade até a 4ª Série - 50 Município do Rio de Janeiro 3.8. Coeficiente de Mortalidade por AIDS - Município do Rio de 53 Janeiro – 1982-1997 3.9. Coeficiente de Letalidade por AIDS - Município do Rio de Janeiro 53 – 1982-1997 4.1. Complexo de Manguinhos 56 vii LISTA DE QUADRO E TABELAS QUADRO E TABELAS PAG QUADRO 1. Bairros do Município do Rio de Janeiro 23 2.1. População Residente no Município do Rio de Janeiro por Sexo 18 segundo Ano, Período 1980-1996 2.2. Razão de Crescimento do Sexo Masculino e Feminino no 19 Município do Rio de Janeiro, 1980-1991 e 1991-1996 3.1. Distribuição de Todos os Casos Notificados de AIDS no Município 25 do Rio de Janeiro Segundo a Variável Sexo no Período de 1982-1999 3.2. Distribuição dos Casos Notificados de AIDS com Faixa Etária de 26 15 a 59 Anos no Município do Rio de Janeiro Segundo a Variável Sexo no Período de 1982 a 1997 3.3. Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos, 28 Segundo Sexo, Períodos e Ano Epidemiológico 3.4. Distribuição de Casos de AIDS em Homens e Mulheres Segundo 29 Faixa Etária 3.5. Análise Descritiva da Variável Idade – Mulheres, 15-59 Anos – 31 Município do Rio de Janeiro 3.6. Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo, 1982-1997 42 3.7. Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo e Período 42 Tabela 3.8. Categoria de Transmissão Ignorada em Mulheres 43 Segundo Período Tabela 3.9. Categoria de Transmissão Ignorada em Homens Segundo 43 Período 3.10. Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos, 46 Segundo Sexo e Escolaridade Período 1982-1997 – Município do Rio de Janeiro 3.11. Distribuição dos Casos de AIDS em Mulheres e Homens de 15- 47 59 Anos Segundo Período e Escolaridade 4.1.Composição do Complexo de Manguinhos 55 4.2. Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS e 57 Entrevistadas Segundo Local de Residência viii 4.3. Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS Não 58 Entrevistadas Segundo Local de Residência 5.1. Estatística Descritiva das Variáveis Relacionadas à Idade 63 5.2. Distribuição das Variáveis Sócio-culturais e Demográficas 65 5.3. Distribuição das Variáveis Situação de Trabalho e Profissão 66 5.4. Distribuição da Variável Renda Mensal 67 5.5. Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico 67 5.6. Distribuição da Variável Tempo de Informe do Diagnóstico 68 5.7. Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico em Mulheres com 69 até 24 Meses de Diagnóstico 5.8. Distribuição das Variáveis sobre Testagem Sorológica e Forma de Contaminação, Soropositividade do Parceiro e Relato 72 da Soropositividade 5.9. Distribuição das Variáveis Precaução e Forma de Precaução 73 5.10. Relação entre as Variáveis Precaução e Parceiro Atual HIV 74 5.11. Distribuição das Variáveis sobre Acometimento por DST e 76 Informação sobre Contaminação em função do Número de Parceiros e Uso de Camisinha 5.12. Distribuição das Variáveis sobre Conhecimento acerca dos 77 Direitos de Pessoas Soropositivas 5.13. Distribuição das Variáveis sobre Lazer e Apoio 78 5.14. Distribuição das Variáveis Relacionadas à Percepção do Estado 79 de Saúde e ao Tratamento 5.15. Mudanças na Vida e na Vida Sexual depois do Diagnóstico 82 ix Apresentação O objetivo deste trabalho foi estudar a configuração da AIDS em mulheres no município do Rio de Janeiro. Para este propósito foram utilizadas duas técnicas complementares: análise espacial dos dados do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e a aplicação de questionários individuais em mulheres soropositivas atendidas no CSEGSF (Centro Saúde Escola Germano Sinval Faria) da ENSP/FIOCRUZ. O primeiro capítulo é uma revisão bibliográfica sobre a realidade da epidemia de AIDS especificamente em mulheres. Os capítulos 2 e 3 contêm respectivamente a metodologia e os resultados encontrados na análise espacial. Nesta análise dos casos de AIDS notificados foi possível observar o processo de feminização e pauperização da epidemia no município do Rio de Janeiro, atingindo predominantemente as Zonas Norte e Oeste e destacandose também dois núcleos de maior incidência de casos femininos. A localização de um dos núcleos sugeriu a oportunidade do desenvolvimento da etapa complementar, mediante a aplicação de um questionário. Os capítulos 4 e 5 apresentam a metodologia e os resultados desta outra etapa do trabalho. No capítulo 6 foram apontadas as conclusões e considerações sobre os resultados e técnicas utilizadas. 1 1 - Revisão Bibliográfica A epidemia de AIDS foi detectada inicialmente entre 1979 e 1981 com a identificação de casos, em grupos específicos, de infecção por Pneumocystis carinii e Sarcoma de kaposi (Mansur et al.,1981) e, desde então, vem sendo intensamente estudada no mundo inteiro. Identificada inicialmente em homens homossexuais, a questão da opção sexual direcionou o conhecimento sobre a epidemia, a doença foi vinculada diretamente à sexualidade e especificamente à homossexualidade masculina. Apesar da discriminação e aspectos negativos vinculados a atitudes preconceituosas e de rejeição, a AIDS tendeu historicamente a ser buscada e investigada neste grupo. Ativistas de movimentos gays organizaram-se, articularam-se politicamente, adquiriram espaço e formaram organizações não governamentais de enfrentamento da epidemia (Camargo Jr, 1995). A organização deste segmento populacional produziu maior proteção às suas práticas, através de mudanças de comportamentos e atitudes. O conhecimento sobre a epidemia passou por uma série de transformações desde a identificação do HIV como agente etiológico da doença em 1985 e a posterior elaboração progressiva de novos critérios de classificação clínica, de diagnóstico e desenvolvimento de recursos terapêuticos. O perfil da epidemia, ao longo de duas décadas, mostrou-se marcado por diversas configurações que evidenciaram o seu aspecto dinâmico. A delimitação da epidemia a grupos específicos tendeu cada vez mais a se diluir. No Brasil, a AIDS vem atingindo diferenciadamente distintos segmentos populacionais (Landmann & Bastos, 2000). O reconhecimento destas distintas dinâmicas ampliou a discussão e a análise sobre o risco de transmissão e contaminação pelo vírus da AIDS. Tornou-se necessário analisar interações sociais cada vez mais complexas e reavaliar as práticas preventivas, considerando-se a presença de novos fatores para o aumento da transmissão do HIV (Bastos et al, 1995). As interações que se estabelecem entre os diversos segmentos populacionais além de diferenciadas são seletivas. As medidas de 2 autoproteção relacionam-se de forma distinta com estes segmentos e com o seu nível sócio-econômico. Nem todo risco potencial se transforma em risco efetivo. Quem encontra-se sob maior risco, pessoas que têm muitos parceiros e sempre usam preservativos ou pessoas envolvidas em relações estáveis que não adotam sempre, ou com freqüência, o seu uso? Tanto no Brasil, como no resto do mundo, a epidemia deslocou-se dos homossexuais urbanos com alta escolaridade e usuários de drogas injetáveis para grupos heterossexuais de menor faixa etária, para o sexo feminino, para segmentos com baixo nível de escolaridade, além de disseminar-se nos municípios brasileiros (MS, CN-DST/AIDS, 2000). O primeiro caso de AIDS feminino foi diagnosticado no ano de 1983 no Brasil e a proporção de casos de AIDS entre homens e mulheres, que era de 16/1 em 1984 passou para 2/1 em 1999 (MS, Bol. Epd, 1999; MS, CN-DST/AIDS, 2000). Essa tendência de crescimento da epidemia nas mulheres vem sendo descrita como processo de feminização da AIDS e é verificada em todos os grupos etários. No Estado de São Paulo, a AIDS foi a principal causa de morte entre mulheres na faixa etária de 20 a 34 anos no ano de 1992 (OMS/ONUSIDA,1998). No período de 1993 à 1996, a AIDS manteve-se como a primeira causa de morte em mulheres de 15-49 anos no município de São Paulo (MS, Bol. Epd. S. Paulo, 1997; Diniz e Villela, 1999), enquanto no município do Rio de Janeiro no ano de 1994, tornou-se a terceira causa de morte em mulheres de 25-34 anos (Lowndes et all, 1997 apud Giffin & Lowndes, 1999). A distribuição de casos de AIDS por faixa etária apresenta peculiaridades. O maior número de casos femininos concentra-se na faixa etária de 20-34 anos de idade, compreendendo 55% dos casos (MS, 1999). A AIDS vem atingindo segmentos populacionais mais jovens. Em muitos locais no mundo os casos novos de infecção ocorrem em pessoas entre 15 e 24 anos de idade e muitos dos casos diagnosticados na faixa etária de 20-29 anos foram decorrentes de infecção ocorrida na adolescência (Ribeiro, 1998; OMS/ONUSIDA, 1998; 3 Santos e Santos, 1999). Neste grupo, dentre as mulheres, há predomínio da transmissão heterossexual, onde 40% infectaram-se através de parceiros usuário de drogas injetáveis - UDIs (MS, 1999; Santos e Santos, 1999). O aumento do número de casos entre as adolescentes é acentuado. Atualmente a proporção menino/menina infectado é 1/1, enquanto em 1984 haviam 8 meninos infectados e nenhuma menina. (Assis, 1995 apud Ribeiro, 1998). As mulheres jovens estão expostas a um risco maior de infecção pelo HIV devido a imaturidade do aparelho genital. Soma-se isto à maior vulnerabilidade biológica à infecção pelo HIV nas mulheres de forma geral: a própria anatomia sexual e suscetibilidade à infecção pelo HIV devido à infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que muitas vezes apresentamse assintomáticas (Landmann & Bastos, 2000). Os adolescentes são mais vulneráveis a infecção, além dos aspectos citados acima, por assumirem comportamentos sexuais de maior risco, apesar do uso de preservativos entre eles ser superior à média geral (Ministério da Saúde, 1999). A transmissão sexual apresenta-se como principal modo de transmissão da AIDS, correspondendo a mais da metade do total de casos registrados desde 1980 (MS, s/d, Castilho e Landmann, 1988). No período de 1980 até março de 1999, 51% dos casos de AIDS diagnosticados em mulheres correspondiam à infecção por relações heterossexuais, 18% por uso de drogas injetáveis e 4,8% por transfusão de sangue (MS, 1999). No Brasil o processo de feminização da epidemia é concomitante ao de pauperização, ou seja, o aumento de casos em mulheres acompanha a expansão da epidemia para os grupos sociais mais pobres, sendo este aspecto relevante em sociedades heterogêneas como no Brasil. A magnitude do processo de pauperização da epidemia deve ser analisada cuidadosamente, uma vez que é inferida através do nível de escolaridade das fichas de notificação. As pessoas que acorrem mais aos serviços públicos são pertencentes a grupos mais pobres, com acesso diferenciado aos anti- 4 retrovirais. Estas podem apresentar tempo menor entre a infecção e o adoecimento que outros segmentos sociais (Landman & Bastos, 2000). De qualquer forma, a análise de dados de notificação tem demonstrado que a epidemia de AIDS no Brasil teve início em segmentos sociais de maior escolaridade e vem escolaridade. Enquanto disseminando-se no início da para segmentos epidemia a de menor doença atingia predominantemente pessoas com nível de escolaridade secundário ou universitário, atualmente 60% dos casos são de pessoas que possuem até o nível primário (OMS/ONUSIDA, 1998; MS, CN-DST/AIDS, 1998; Marques et al, 1999). A distribuição dos casos notificados de acordo com a escolaridade não é homogênea nas regiões do país, existindo um risco maior de infecção para homens e mulheres com menor nível de escolaridade na região Sudeste e Centro-Oeste. Essa disseminação, na região Sudeste, pode ser associada proporcionalmente ao declínio da participação da categoria homossexual, (como mencionado anteriormente) e ao aumento da categoria de transmissão usuário de drogas injetáveis, vinculados, respectivamente, a segmentos populacionais de maior e menor escolaridade (Fonseca et al., 2000). O uso de drogas injetáveis vem assumindo relevância como causa associada. Em alguns estados brasileiros a relação entre infecção pelo vírus do HIV e o uso de drogas injetáveis cresceu de 2,7% em 1985 para 18,2% em 1990. Na região Sudeste verifica-se ocorrência predominante de notificação de casos em usuário de drogas, sendo que no estado de São Paulo, assim como Santa Catarina na região Sul, o uso de drogas injetáveis é, em muitas regiões, responsável por cerca de 60% dos casos (MS, Bol. Epdl, 1997; Cruz, 1999; MS, 1997; Marques et al, 1999). A crescente participação de usuários de droga injetáveis e o aumento no número de casos de AIDS em mulheres começou a ser destacada em 1989. Nesta fase, as mulheres infectadas eram identificadas como usuárias de drogas ou prostitutas e parceiras de UDIs. Em 1990 inicia-se uma distinção entre estes dois grupos, com conseqüente incremento de casos entre mulheres identificadas como parceiras de UDIs (Diniz e Villela, 1999). Dentre o total de casos de AIDS diagnosticados em mulheres, 36% são decorrentes 5 do uso de drogas injetáveis realizado por elas ou por seus companheiros (MS, CN-DST/AIDS 1999; 1998). A heterossexualização da AIDS é apontada a partir da redução da razão de sexo e do aumento na subcategoria de transmissão heterossexual, porém esta pressuposição deve ser avaliada cuidadosamente: Castilho apontou que 33,4% das mulheres diagnosticadas no período de 1988-1992 eram usuárias de drogas (Castilho et al, 1994). No estado de São Paulo no período de 19801991 aproximadamente 31,7% dos casos de AIDS em mulheres foram decorrentes de transmissão heterossexual e 41,5% do uso de drogas intravenosas (Goldestein, 1994). Parker e Camargo (2000) divergem desta interpretação considerando a realidade atual. Analisando os casos de AIDS notificados em mulheres em 1998/1999 destacam que 63,7% dos casos notificados em mulheres se referiam a categoria de transmissão sexual e 8,8% a casos em mulheres usuárias de drogas injetáveis. Estas interpretações divergentes chamam atenção para a complexidade da epidemia e dos comportamentos envolvidos na sua transmissão. Rompe-se, cada vez mais, com concepções estáticas acerca da epidemia de AIDS, reconhecendo-se a dificuldade de classificar os casos segundo categorias de transmissão, que se evidenciam muitas vezes superpostas. Tende-se à superestimar ou subestimar uma categoria ou outra, de acordo com a interpretação assumida. A possibilidade da transmissão heterossexual ser superestimada é questionada nos casos masculinos, tendo em vista a dificuldade de se revelar práticas sexuais estigmatizadas como o homossexualismo. A similaridade entre características clínicas e sócio-demográficas de casos de AIDS em homens heterossexuais e homens homossexuais é um indicativo de que isto possa estar acontecendo (Castilho et al, 1991). Além disso, homens que fazem sexo com homens podem autodefinir-se heterossexuais por identificarem sua sexualidade mediante o critério de atividade ou passividade (Parker, 1994, Goldstein, 1994). 6 De qualquer forma, mesmo considerando essas dificuldades na classificação das formas de transmissão dos casos de AIDS, não há como deixar de constatar a evidência de um processo de heterossexualização da epidemia. Este processo tornou as mulheres muito mais expostas, apesar dos estudos a elas dirigidos terem sido mais escassos. A mudanças no perfil da epidemia, indicando um incremento dos casos em mulheres, se fizeram notar desde 1986, mas somente em 1990 setores responsáveis reconheceram esta nova dinâmica. O conhecimento da AIDS feminina tendeu a ser construído preferencialmente mediante um viés – o das mulheres em fase de reprodução. As campanhas preventivas foram desenvolvidas tendo como referencial este perfil de mulher. A soropositividade é detectada, na maioria das vezes, apenas quando grávidas ou então quando ocorre morte ou adoecimento de filhos ou companheiros. De outra forma, elas só sabem de seu diagnóstico e recebem tratamento quando adoecem, e mesmo assim é mais provável um diagnóstico tardio. Percebe-se que o conceito grupo de risco ainda exerce influência sobre o diagnóstico: mulheres que identificam-se, ou são identificadas pelo profissional de saúde, como pertencentes a grupos de risco tendem a ser diagnosticadas mais cedo, enquanto as mulheres que não se identificam – e por isso solicitam menos o serviço de investigação - e não são identificadas dentro deste modelo tendem a ter um diagnóstico mais tardio. É importante considerar que sendo o diagnóstico tardio, menos eficaz é a terapêutica e menor a sobrevida e a qualidade de vida (Barbosa, 1996; Vermelho, 1999; Diniz e Villela 1999). Assim, o conceito de grupo de risco acaba conduzindo à subnotificação ou atraso de notificação. A dificuldade de diagnóstico da AIDS em mulheres fornece indícios de que a subnotificação neste grupo é maior do que em outros grupos. Isto alerta para a possibilidade de um processo de feminização ainda mais acentuado do que o indicado pelos dados oficiais. Desta forma, ao analisar o conjunto de informações é importante ter presente a dimensão da subnotificação dos casos. No Brasil a notificação de um caso de AIDS ocorre, freqüentemente, em função do óbito. Somente 49% dos casos diagnosticados são notificados em um prazo de até 6 meses, enquanto 7 10% dos casos diagnosticados levam 4 anos ou mais para serem notificados (Castilho e Landmann, 1998). A rede de saúde capta de forma diferenciada os casos, ocasionando variações na notificação. Os erros nos dados dos casos notificados ocorrem de forma enviesada, por fatores sociais e econômicos (Parker et all, 1994; Parker e Camargo, 2000). O período de latência da doença também está envolvido na distorção da informação: o momento em que uma pessoa sabese caso pode situar-se muito distante temporalmente da ocorrência da infecção, dificultando a lembrança da história de contaminação (viés de memória). A transmissão da AIDS vincula-se a dimensões da vida muito íntimas e subjetivas, que são investidas de medo, culpa e estigma. Apresentam-se como questões o nível em que as pessoas se sentem confiantes para falar de condutas nesse plano e como dimensionar a veracidade das informações. A forma de se construir o conhecimento acerca da AIDS em mulheres pode estar subestimando nuanças importantes. A dificuldade de discriminar melhor as informações, a superposição de categorias de transmissão e os limites do sistema de informação causam distorções. As análises baseadas nos bancos de dados de notificação são insuficientes para compreender mais profundamente o processo epidêmico. Evidencia-se a necessidade de discriminar melhor quem são essas mulheres em suas características culturais, sociais, econômicas, comportamentais e intersubjetivas no sentido de buscar apreender como estas dimensões se articulam e propiciam o crescimento da epidemia entre as mulheres. 1.2 Aspectos Espaciais da Epidemia A epidemia de AIDS tem revelado uma modalidade de propagação diferenciada nas diversas comunidades e áreas geográficas de um país e no mundo (OMS/ONUSIDA, 1998). No Brasil a epidemia surgiu na região Sudeste, onde os primeiros casos foram diagnosticados, na cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro. Desde 8 então a AIDS vem difundindo-se para outras regiões, mantendo ainda taxas de incidência elevadas nas duas primeiras metrópoles. Atualmente alguns municípios de pequeno porte já apresentam sua taxa de incidência quadruplicada (Castilho e Landmann, 2000). Os municípios do Brasil considerados mais pobres têm apresentado um maior incremento das taxas de incidência no tempo enquanto nas cidades grandes, com exceção da região Sul, têm se verificado uma redução na velocidade do crescimento. Nas cidades grandes observa-se o aumento do número de casos de transmissão heterossexual à medida que decresce o número de casos de transmissão homossexual/bissexual. Quanto aos municípios médios e pequenos há uma predominância nas categorias de transmissão usuários de drogas injetáveis e heterossexuais, respectivamente. A região Sudeste tem apresentado maior tendência à estabilidade da epidemia, com o menor ritmo de crescimento (Landmann & Bastos, 2000). Grangeiro (1994) observou no comportamento da epidemia em São Paulo um estreito vínculo com as condições materiais e objetivas que cada estrato populacional possui. Através do estabelecimento de regiões homogêneas para AIDS, formadas pela agregação de áreas administrativas cujo comportamento da epidemia segundo categorias de transmissão e evolução anual foi parecido, observou que áreas mais centrais apresentaram a partir de 1990 queda no número absoluto de casos enquanto áreas periféricas indicaram crescimento. Regiões que aparentemente apresentaram piores condições de vida mostraram a partir de 1988 aumento dos casos através da transmissão heterossexual e do uso de drogas injetáveis. No município do Rio de Janeiro, a AIDS também encontra-se heterogeneamente distribuída, apresentando deslocamento da Zona Sul e área central da cidade para Zona Norte e Oeste no período de 1991 a 1995 (Cruz, 1999), áreas consideradas mais pobres, o que corrobora a característica de pauperização da epidemia. Observa-se assim que a tendência de pauperização da AIDS obedece uma tendência geral de doenças infecciosas de tornarem-se predominante em segmentos sociais mais desfavorecidos/vulneráveis (Granjeiro, 1994) e constata-se que houve, e que está havendo, um deslocamento da epidemia 9 dentro do que se denominou grupos característicos; se antes era predominante em homens homossexuais com maior nível educacional, econômico e residentes nos centros metropolitanos, agora é crescente a relevância nos heterossexuais com menor nível de escolaridade e renda. A dinâmica da epidemia tem apontado para o seu caráter global e simultaneamente local, referindo-se a comunidades específicas. Deve ser compreendida como produto de diferentes culturas, dos diversos comportamentos e do agente infeccioso (Bastos e Coutinho, 1999). Ela é multideterminada e por isso é necessário que se desenvolvam análises em diversos níveis, compreendendo variáveis biológicas, do psiquismo individual, da estrutura sócio-econômica e das diversas culturas. Isto possibilita compreender a real e complexa dinâmica da epidemia e estabelecer uma fundamentação mais realista das ações preventivas e terapêuticas (Landmann & Bastos, 2000). 1.2.2 – Conceito de Interação A transmissão da AIDS ocorre, então, mediante aspectos plurideterminados. Os estudos epidemiológicos que abordam a dinâmica da epidemia segundo a organização do espaço consideram esta plurideterminação por meio do conceito de interação. Este, expressa a dinâmica social específica que se estabelece através da circulação de pessoas e mercadorias, formando redes de interação. No estudo da difusão das epidemias, o conceito de interação permite uma abordagem mais complexa que o de grupos de risco. Diferentes indivíduos e grupos sociais participam de forma diferenciada de redes de interação social estabelecendo um caráter de direcionalidade e seletividade à 10 difusão em cada situação, determinando uma dinâmica peculiar e uma configuração espacial específica (Barcellos e Bastos, 1996; 1995). O conceito de mobilidade assume importante valor junto ao conceito de interação social na compreensão da epidemia. Em se tratando de doença transmitida sexualmente, a mobilidade exerce sua influência aumentando a taxa de contatos sociais (Sabroza et al, 1992) Os estudos a respeito da epidemia de AIDS trouxeram uma contribuição importante para as análises da relação entre espaço e produção de doenças. Pensar na questão da AIDS implica integrar e analisar aspectos biológicos, socio-econômicos, culturais, intersubjetivos e simbólicos que estão presentes no seu processo de difusão (Czeresnia e Ribeiro, 2000). Esta concepção que busca integrar um conjunto de aspectos que interagem produzindo uma dinâmica passível de ser apreendida espacialmente remete ao conceito de vulnerabilidade 1.3 – Vulnerabilidade A idéia de vulnerabilidade emergiu das lacunas e deficiências dos discursos e das análises de risco tradicionais buscando aumentar o poder explicativo e compreensivo da dinâmica da epidemia. Ela não constitui um conceito fechado, pois integra múltiplas dimensões que se articulam em um contexto específico, e que dizem respeito a uma situação singular, seja a de um indivíduo, grupo social, cidade, país, etc. Vulnerabilidade ao HIV/AIDS refere-se a natureza e aos graus diversos de suscetibilidade, à infecção, adoecimento ou morte pelo HIV segundo dimensões sociais, institucionais, individuais e intersubjetivas. Permite analisar as condições de vida que favorecem a exposição, contribuindo para 11 a elaboração de alternativas reais de prevenção e intervenção (Ayres et al, 1999; Luz & Silva, 1999). A alta vulnerabilidade ao HIV é determinada, de certa forma, por situações de vida que ultrapassam comportamentos escolhidos (Diniz e Villela, 1999). A eclosão da epidemia de AIDS em segmentos de maior vulnerabilidade - as mulheres, os jovens, os mais pobres, dentre outros segmentos, fortemente atingidos – têm sido também descrita como uma tendência geral das doenças de pauperizar-se dada a distribuição desigual de recursos políticos, jurídicos, econômicos e cultural entre gêneros, faixas etárias, grupos étnicos, segmentos sociais e países (Ayres, 1999). O Brasil é um país que apresenta intensa desigualdade sócio-econômica e demográficas em sua população, o que acaba caracterizando grupos populacionais com diferentes vulnerabilidades e probabilidades de se infectarem pelo HIV (Parker e Camargo, 2000). 12 2 – Metodologia – Análise Espacial Foi realizado um estudo ecológico para analisar a distribuição espacial da incidência dos casos notificados de AIDS em mulheres, de 15 a 59 anos de idade, no município do Rio de Janeiro, ocorridos no período entre 1982 e 1997. Utilizou-se análise espacial como técnica de manipulação de dados e o bairro como unidade de análise. 2.1 – Considerações sobre a Análise Espacial Análise espacial é a manipulação de dados, muitas vezes envolvendo técnicas estatísticas, com objetivo de compreender a relação entre determinado grupo social no espaço, o ambiente e a sociedade a partir da integração de informações diversas com referências espaciais (Barcellos, 2000). É uma das técnicas de tratamento de dados geográficos inserida no geoprocessamento. O geoprocessamento é um conjunto de tecnologias de coleta, tratamento, manipulação, e exibição de informações geográficas, como o sensoriamento remoto, a digitalização de dados e os Sistemas de Informação Geográficas – SIG (Santos et al, 2000; Barcellos e Bastos, 1996) Os métodos da estatística espacial aliado às técnicas de geoprocessamento agregam valor aos mapas que, além de meio de visualização e comunicação de um conjunto de dados, passam a constituir instrumento da análise espacial. Estabelecendo-se as características da população e a sua localização é possível, através da visualização das informações nos mapas, criar hipóteses e questionamentos sobre agravos à saúde, reconhecendo-se áreas mais vulneráveis (Santos et al, 2000). O processo de mapeamento produz representações do contexto geográfico de forma simplificada e reduzida. Compreende-se a escala como sendo a 13 razão entre uma medida efetuada sobre o mapa e sua medida real na superfície terrestre. As escalas apresentam características específicas: quanto menor a unidade de análise, maior será a escala e consequentemente maior o nível de detalhamento do mapa. A unidade de análise escolhida deve ter homogeneidade interna, pressupondo-se a inexistência de diferenças espaciais no interior dessa unidade, e heterogeneidade externa, ressaltando as diferenças entre as unidades de análise. A escolha da escala exerce influência na interpretação dos resultados da análise espacial. Estudos realizados sobre um mesmo tema podem produzir resultados diferentes, dependendo da escala de análise adotada. Cada escala irá mostrar um determinante de saúde dominante, uma vez que seu nível de detalhamento coloca em evidência um conteúdo inerente a cada unidade de agregação (Barcellos e Bastos, 1996). 2.1.1 – A Unidade de Análise A escala de análise estabelece a unidade territorial mínima de agregação dos dados e a área de abrangência do estudo. Neste estudo a escala adotada foi a de bairros do município do Rio de Janeiro, a unidade de análise foi o bairro e a área de abrangência do estudo envolve o município do Rio de Janeiro. Adotando-se o bairro como unidade de análise, ressaltam-se os diferenciais internos da cidade, evidenciando processos sociais e epidemiológicos que ocorrem dentro da cidade, principalmente os aspectos ligados ao comportamento. Nessa escala se manifestam fatores do cotidiano já que os principais deslocamentos diários entre locais de moradia, de trabalho e de lazer são em geral estabelecidos dentro do bairro ou entre bairros. Outro aspecto importante que emerge dessa escala é o reflexo das desigualdades sociais sobre o acesso aos serviços, infra-estrutura urbana, perfis de renda. Estes processos podem não ser percebidos em escalas menores, por exemplo, na escala nacional, que utiliza o município como unidade de análise. Dentro das cidades, principalmente dos países periféricos, coexistem 14 grandes diferenciais sociais, manifestados não só pela renda mas também condições de moradia. O reconhecimento desses contrastes intra-urbanos permite que se ressalte o perfil social da cidade e seus possíveis reflexos sobre as condições de saúde da população. O espaço não deve ser compreendido simplesmente como o lugar onde ocorrem os eventos de saúde. Deve se entendido como um conjunto interrelacionado de elementos sociais, econômicos, culturais e ambientais. É necessário estabelecer as diferenças entre as unidades de análise e sua relação com a estrutura espacial onde se insere. Isso é possível através da análise das variáveis como extensão territorial, características sócioeconômicas e densidade demográfica, caracterizando situações nas quais ocorrem os eventos de saúde. 2.2 - Fontes de Dados Foi utilizado o banco de dados de AIDS do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizado pelo Programa de DST/AIDS da Secretaria Municipal de Saúde com todos os casos de AIDS notificados no município do Rio de Janeiro, relativos ao período de 1982 a 1999. Entretanto, os dois últimos anos, 1998 e 1999, foram desconsiderados devido ao atraso de notificação. 2.2.1 - Considerações sobre o SINAN Em 1993 o SINAN, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, foi implantado no município do Rio de Janeiro e o sistema de vigilância de AIDS, notificação e investigação de DST/AIDS, deixou de ser responsabilidade do Estado passando a ser uma atribuição do município. As informações produzidas pelo sistema de informação são pautadas em uma ficha de 15 notificação/investigação dos casos confirmados1, composta por campos de dados de identificação do indivíduo e campos mais específicos (anexo 1). Um indivíduo caso, soropositivo, que não atenda aos critérios de classificação estabelecidos são excluídos do sistema de notificação. A ficha de notificação nem sempre é adequadamente preenchida, ocasionando perda de informações. Cruz (1999) realizou trabalho de levantamento e atualização da base de dados do SINAN, (Rio de Janeiro) no período de 1985-95, das variáveis: ano de diagnóstico, sexo, idade, bairro de residência, categoria de exposição e escolaridade. Distinguiu que a má qualidade dos dados das variáveis bairro e ocupação ocorriam em função do não preenchimento destes dados, enquanto as variáveis categoria de exposição e escolaridade eram preenchidas como ‘informação ignorada’. Após o ano de 1993, observou uma melhoria nas informações relativas à bairro de residência e ocupação. Isto pode ter sido decorrente da implantação do SINAN no município. Contudo, ocorreram também perdas em função da conversão do sistema. A autora destacou a importância da informação ignorada a respeito do modo de transmissão, que é especialmente relevante na categoria heterossexual, sem histórico de comportamento de risco dos parceiros. Informações ignoradas referentes a este campo podem ter diversos sentidos: pode ser ignorada por desconhecimento desse dado por parte do informante; por ser uma resposta sem informação por falta de investigação ou por ser uma resposta preenchida incorretamente e recusada pelo sistema na etapa de crítica de dados e então classificada como ignorada. Outro aspecto relevante nas fichas de notificação, é que embora exista no canto superior direito um campo para preenchimento, se a mulher é ou não gestante, não existe codificação para esta informação no sistema. 1 São critérios adotados pelo Ministério da Saúde (1998) para definição de casos de AIDS em indivíduos com 13 anos de idade ou mais: 1- CDC Modificado (evidência laboratorial da infecção pelo HIV + diagnóstico de doenças indicativas de AIDS ou evidência laboratorial de imunodeficiência); 2Rio de Janeiro/Caracas (evidência laboratorial da infecção pelo HIV + Σ de pelo menos 10 pontos, de acordo com uma escala de sinais, sintomas ou doenças); 3- Critério Excepcional CDC (ausência de evidência laboratorial da infecção pelo HIV + diagnóstico definitivo de determinadas doenças indicativas de imunodeficiência); 4- Critério Excepcional Óbito (menção de AIDS em algum campo da DO + investigação epidemiológica inconclusiva); 5- Critério Excepcional ARC -Complexo Relacionado à AIDS- + Óbito (paciente em acompanhamento apresentando ARC + Óbito de causa não externa). 16 Além disso, a ficha de notificação contempla poucas variáveis sócioeconômicas e não abrange informações relevantes como a cor ou a etnia (Parker e Camargo Jr, 2000). 2.3 – Variáveis As variáveis abordadas neste estudo foram: bairro: unidade do município onde reside o caso notificado escolaridade: grau de instrução (analfabeto, 1ª a 4ª série, 5ª a 8ª série, 2º grau, superior e ignorado) idade: idade ano epidemiológico: ano epidemiológico (1982 a 1997) sexo: sexo (masculino, feminino) situação atual: situação atual (vivo, morto e ignorado) faixa etária: intervalo de idade comum a um grupo (15-24 anos, 25-34 anos, 35-44 anos e 45-59 anos) período: intervalo de tempo comum a um grupo (1982-1988, 1989-1993 e 1994-1997) As variáveis faixa etária e período resultaram, respectivamente, da categorização das variáveis idade e ano epidemiológico. As variáveis foram analisadas em função da variável período. Os períodos estabelecidos foram 1982-1988, 1989-1993 e 1994-1997. A delimitação dos períodos foi estabelecida após análise exploratória da freqüência da epidemia nas mulheres. O início e fim de cada período foi definido segundo mudanças mais marcantes no incremento da notificação de casos em mulheres. 17 2.4. – Construção dos indicadores Os indicadores foram calculados a partir das variáveis do SINAN, dados do IBGE e da população adscrita para o estudo, por bairros do município do Rio de Janeiro. Foi necessário estimar a população dos bairros para os anos compreendidos nos períodos estudados para o cálculo de alguns indicadores. Como eram conhecidos os valores de população somente para os anos em que foram realizados censos demográficos (1980, 1991 e 1996) e estes anos não correspondiam ao meio do período (1982-1988, 1989-1993 e 1994-1997), foi necessário o uso de técnicas de interpolação para estimar a população masculina e feminina em cada ano. Para escolher qual o melhor método para estimar o crescimento da população do município de Rio de Janeiro, considerando que a unidade de análise do estudo foi bairro, analisou-se o crescimento populacional do município a partir dos dados do censo de 1980, 1991 e 1996. Observou-se que o crescimento foi não linear, apresentando uma redução em seu crescimento entre 1991 e 1996 – Tabela 1. TABELA 2.1 - População Residente no Município do Rio de Janeiro por Sexo segundo Ano, Período 1980-1996 Homens Mulheres Total Ano 1980* 2.433.718 2.656.982 5.090.700 1981 2.445.279 2.675.589 5.120.868 1982 2.459.355 2.698.243 5.157.598 1983 2.473.479 2.720.980 5.194.459 1984 2.487.562 2.743.653 5.231.215 1985 2.501.605 2.766.252 5.267.857 1986 2.515.515 2.788.643 5.304.158 1987 2.529.230 2.810.713 5.339.943 1988 2.542.654 2.832.332 5.374.986 1989 2.555.737 2.853.383 5.409.120 1990 2.568.500 2.873.924 5.442.424 1991* 2.583.192 2.897.576 5.480.768 1992 2.587.840 2.905.763 5.493.603 1993 2.614.423 2.932.607 5.547.030 1994 2.637.838 2.958.874 5.596.712 1995 2.660.675 2.984.491 5.645.166 1996* 2.608.818 2.942.720 5.551.538 * População segundo os censos demográficos do IBGE Fonte: Datasus (http://www.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?ibge/poprj.def) 18 A seguir calculou-se a taxa de crescimento populacional para homens e mulheres no município do Rio de Janeiro. A taxa anual de crescimento masculina entre 1980-1991 foi de 0,543% e entre 1991-1996 foi de 0,198% enquanto a taxa de crescimento feminina em 1980-1991 foi de 0,791% e entre 1991-1996 foi de 0,310%. A taxa de crescimento populacional feminina no município do Rio de Janeiro foi maior do que a masculina nos dois segmentos, como pode ser observada na Tabela 2.2. Optou-se, então, por estimar a população através do modelo de crescimento geométrico. TABELA 2.2 – Razão de Crescimento do Sexo Masculino e Feminino no Município do Rio De Janeiro, 1980-1991 e 1991-1996 Ano Pop.Masculina Taxa de crescimento (%) Pop.Feminina Taxa de crescimento(%) 1980 1991 2.433.718 2.583.192 0,543 2.656.982 2.897.576 0,791 1996 2.608.818 0,198 2.942.720 0,310 Para o cálculo das taxas de incidência, os denominadores foram estimados a partir de interpolações geométricas das populações dos Censos Demográficos de 19802 (IBGE, 1983) e 1991 (IBGE, 1993), bem como da contagem da População de 1996 (IBGE, 1997) obtidos na Home Page do Datasus (2000). Utilizando-se a população de homens e mulheres do censo de 1991 e de 1996 calculou-se a taxa de crescimento de homens e mulheres de 15 a 59 anos nos bairros, aplicando-se a taxa de crescimento por sexo do município (anexo2). Foram estimados, dessa forma, as populações de 15 a 59 anos de idade por sexo e bairro para os período de 1982 a 2000, com exceção dos anos censitários. 2 Como não dispúnhamos de dados do censo de 1980 com relação a população dos bairro extrapolamos a estimativa de 1991 neste sentido. 19 2.5 – Indicadores • Taxa de incidência: casos de AIDS ocorridos entre 15-59 anos no período, por sexo, ocorridos nos bairros do município do Rio de Janeiro em relação a população estimada para o período, por sexo nos bairros. • Percentual de casos de AIDS com categoria de exposição ignorada: casos de AIDS com categoria de exposição ignorada ocorridos entre 1559 anos no período 1982-1997 nos bairros do município do Rio de Janeiro, por sexo, em relação ao total de casos ocorridos no mesmo período, por sexo nos bairros. • Razão de sexo: todos os casos de AIDS em homens ocorridos entre 1559 anos nos bairros do município do Rio de Janeiro, por período em relação a todos os casos de AIDS em mulheres 15-59 anos por período nos bairros. • Percentual de escolaridade até 4ª série: número de chefes de família com escolaridade até 4ª série por bairro em relação ao número total de chefes de família, por bairro, utilizando o censo de 1991. • Percentual de mulheres com AIDS com escolaridade até 4ª série: casos de mulheres com AIDS com escolaridade até 4ª série por bairro em relação ao total de mulheres com AIDS por bairro. • Percentual de homens com AIDS com escolaridade até 4ª série: casos de homens com AIDS com escolaridade até 4ª série por bairro em relação ao total de homens com AIDS por bairro. • Coeficiente de letalidade: número de óbitos por AIDS ocorridos nos bairros do município do Rio de Janeiro no período entre 1982 e 1997 em 20 relação ao total de casos de AIDS ocorridos no mesmo período nos bairros. • Coeficiente de mortalidade por AIDS: número de óbitos por AIDS ocorridos nos bairros do município do Rio de Janeiro no período entre 1982 e 1997 em relação a população geral dos bairros utilizando o censo de 1991 • Densidade demográfica3: população residente nos bairros do município do Rio de Janeiro (censo de 1991) em relação a área do bairro em Km². • Proporção de chefes de domicílio com renda superior a 10 salários mínimos: números de chefe de domicílios com renda superior a 10 salários mínimos em relação ao total de chefes de domicílios 2.6 – Base Cartográfica A base utilizada neste estudo foi cedida pelo Departamento de Informações em Saúde, do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz DIS/CICT/FIOCRUZ. O município do Rio de Janeiro é composto por 153 bairros, distribuídos conforme mostra o Mapa 2.1 3 Os indicadores densidade populacional e proporção de chefes de domicílio com renda superior a 10 salários mínimos foram fornecidos pelo DIS/CICT/FIOCRUZ. 21 2.7 – Instrumentos Para análise dos dados foi utilizado o programa estatístico SPSS para Windows versão 8.0, Excell e o MAPINFO 2.8 – Estratégias de Análise A distribuição espacial da AIDS em mulheres foi analisada utilizando indicadores no nível de agregação dos bairros buscando compreender a dinâmica da epidemia. Considerando que quanto menor a unidade de análise, maior será a escala e maior o nível de detalhamento do mapa, pretendeu-se destacar e evidenciar os determinantes de saúde dominantes neste nível de análise. Os mapas foram produzidos a partir do local de residência dos casos e não necessariamente representam o local onde ocorreu a infecção. As informações observadas espacialmente foram consideradas importantes na medida em que traduziram, de qualquer forma, informações sobre o perfil dos casos notificados residentes na unidade de análise. 24 3 - Resultados e Discussão - Análise Espacial Na análise dos dados buscou-se estabelecer e discriminar relações entre as variáveis e os casos notificados de AIDS femininos estudados. Os casos de AIDS masculinos foram utilizados como parâmetro(s) para dimensionar a epidemia nas mulheres nos dados analisados. Verificou-se que dos 19660 casos notificados, que integram o banco de dados do SINAN até setembro de 1999, 15340 são masculinos e 4314 femininos. Tabela 3.1: Distribuição de Todos os Casos Notificados de AIDS no Município do Rio de Janeiro Segundo a Variável Sexo no Período de 1982 a 1999 Casos masculinos Casos Femininos Perdas Total Frequência Absoluta (n) 15.340 4.314 6 19.660 Frequência Relativa 78,03 % 21,94 % 0 ,03 % 100,00 % Fonte: SINAN O Gráfico 3.1 mostra a distribuição dos casos de AIDS por sexo e ano de notificação, excluídas as perdas por sexo ignorado. Pode-se observar um decréscimo no total de casos nos anos de 1998 e, mais acentuadamente, em 1999. Isto se deve provavelmente ao atraso da notificação. Considerando que este número de casos não corresponde ao total de casos notificados nesses anos, optou-se por exclui-los, estabelecendo-se o período de análise entre 1982-1997. 25 Gráfico 3.1: Distribuição do Total de Casos de AIDS Notificados no Município do Rio de Janeiro Segundo Ano Epidemiológico, 1982-1999 3000 2000 Frequência 1000 s exo mulher homem 0 82 84 83 86 85 88 87 90 89 92 91 94 93 96 95 98 97 99 O total de casos notificados estudados passou então para 16016, sendo 12760 casos masculinos e 3253 casos femininos, como mostra a Tabela 3.2 abaixo: Tabela 3.2: Distribuição dos Casos Notificados de AIDS com Faixa Etária de 15 a 59 Anos no Município do Rio de Janeiro Segundo a Variável Sexo no Período de 1982 a 1997 Casos Masculinos Casos Femininos Perdas Total Frequência Absoluta (n) 12.760 3.253 3 16.016 Frequência Relativa 79,67 % 20,31 % 0,02 % 100,00 % Fonte: SINAN 26 A Tabela 3.3 apresenta todos casos masculinos e femininos notificados segundo o ano epidemiológico. Delimitou-se três períodos de estudo: 19821988, 1989-1993 e 1994-1997. Estes períodos caracterizam o crescimento da epidemia entre as mulheres. No primeiro período, o número de casos em mulheres apesar de crescente, é ainda incipiente. A partir de 1988, o número de casos torna-se mais expressivo e, no terceiro período constata-se um incremento na tendência de crescimento dos casos. O crescimento da epidemia entre os homens continuou maior do que nas mulheres durante o segundo período, 1989 e 1993, mas já é possível observar no final deste período - no ano de 1993 - o início de uma oscilação no crescimento da incidência de casos notificados de AIDS em homens. No terceiro período detecta-se uma tendência à estabilização do crescimento da AIDS entre os homens, enquanto nas mulheres observa-se uma expansão (Gráfico 3.2). 27 Tabela 3.3: Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos, segundo Sexo, Períodos e Ano Epidemiológico 1º período 2ºperíodo 3º período Ano epidem. Homens 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 Total 3 7 30 98 216 493 613 850 970 1025 1251 1148 1605 1359 1557 1535 12760 Mulheres 0 0 3 8 27 38 99 141 141 159 273 285 430 430 532 687 3253 Total 3 7 33 106 243 531 712 991 1111 1184 1524 1433 2035 1789 2089 2222 16013 Fonte: SINAN – excluídas 3 perdas por sexo ignorado Gráfico 3.2: Casos de AIDS em Mulheres e em Homens 15-59 Anos no Município do Rio de Janeiro Segundo o Ano Epidemiológico 2000 Frequência 1000 sexo h omem 0 mulher 82 84 86 88 90 92 94 96 A no epidemiológico Analisando-se a distribuição dos casos por sexo e faixa etária, Tabela 3.4, verifica-se uma concentração dos casos femininos e masculinos na faixa de 25-34 anos, seguidos da faixa 35-44 anos. O Gráfico 3.3 mostra que estas duas faixas etárias são as que têm apresentado uma maior tendência de crescimento: mulheres na faixa etária 25-34 anos a partir de 1987 e os homens desde 1985 com uma oscilação no crescimento entre 1993 e 1997. Tabela 3.4: Distribuição de Casos de AIDS em Homens e Mulheres Segundo Faixa Etária Faixa Etária 15_24 25_34 35_44 45_59 Feminino 405 1270 1019 559 3253 Masculino 12,5% 39,0% 31,3% 17,2% 100% 1012 5067 4470 2211 12760 Total 7,9% 39,7% 35,0% 17,3% 100,0% 1417 6337 5489 2770 16013 8,8% 39,6% 34,3% 17,3% 100% Fonte: SINAN 29 Gráfico 3.3: Distribuição dos Casos de AIDS Segundo Sexo, Faixa Etária e Ano Epidemiológico 800 700 Mulheres 600 500 400 Faixa etária Frequência 300 15_24 200 25_34 100 35_44 0 45_59 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 Ano epidemiológico 800 700 Homens 600 500 400 Faixa etária Frequência 300 15_24 200 25_34 100 35_44 0 45_59 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 Ano epidemiológico 30 A Tabela 3.5 mostra a idade média dos casos femininos. Pode se observar que a variação da idade média foi pouco expressiva durante os períodos estudados com desvio padrão próximo de dez. Tabela 3.5: Análise Descritiva da Variável Idade – Mulheres, 15-59 Anos – Município do Rio de Janeiro Variável Idade (todos períodos) Média Mediana Moda Desvio padrão Estatísticas N=3253 35,9 34 30 9,46 Idade (período 82-88) Média Mediana Moda Desvio padrão N=175 33,97 32 37 10,07 Idade (período 89-93) Média Mediana Moda Desvio padrão N=999 35,6 34 25 9,72 Idade (período 94-97) Média Mediana Moda Desvio padrão N=2079 35,19 34 31 9,28 Fonte: SINAN Os Mapas 3.1 e 3.2 mostram, respectivamente, a evolução da incidência dos casos notificados de AIDS em mulheres e em homens, 15-59 anos, no município do Rio de Janeiro segundo os períodos. Para compreender o sentido do deslocamento da epidemia dentro do município, foi utilizada na análise dos mapas, a terminologia dos pontos cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste) e colaterais (Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Noroeste)3. Já para fazer referência aos bairros e conjunto de bairros, utilizou-se a terminologia usual de Zona Sul e Norte. Por exemplo, Copacabana e Botafogo são designados de bairros da Zona Sul, agregam pessoas com maior nível sócio-econômico, embora em seu interior coexistam fortes diferenciais devido principalmente à inserção de favelas. Buscou-se 3 No decorrer do texto a referência a estes pontos será sempre realizada pela abreviatura padronizada (N, S, L, O, NE, SE, SO e NO). 31 assim evitar a confusão entre o conjunto de bairros tradicionalmente apontados como socialmente abastados - Zona Sul - e sua localização geográfica, neste caso a região sudeste do município. Pode-se observar no Mapa 3.1 o aumento da incidência dos casos notificados de AIDS em mulheres e a sua difusão pelo município. No primeiro período, 1982-1988, se evidencia a origem de casos em bairros das regiões centro e norte vinculada a um aspecto difuso, enquanto o segundo e terceiro período marcam o aumento da incidência e a disseminação da epidemia por todo município. A configuração do terceiro período sugere uma tendência de crescimento da epidemia pelo município no sentido L-O em bairros que vão se caracterizando por apresentar uma incidência mais acentuada. Os bairros da Zona Oeste, assim como da Zona Norte, são bairros que apresentam condições materiais de vida mais precária (Cruz,1999), como pode ser evidenciado pela comparação com o mapa de renda de chefes de família Mapa 3.3. O crescimento na epidemia nestas regiões poderia estar também, então, vinculado ao processo de pauperização da epidemia no município (Landmann & Bastos, 2000). Todavia, existem também bairros na chamada Zona Sul, como Botafogo, com aumento da incidência nos dois últimos períodos. No Mapa 3.2 pode-se observar a disseminação dos casos masculinos. A epidemia surge de forma mais acentuada em bairros do Centro e da Zona Sul do município. Esses bairros apresentam alta incidência também no segundo e terceiro períodos. Esta configuração da epidemia é condizente com o seu surgimento, que atingiu inicialmente homossexuais de maior poder aquisitivo, residentes em bairros da Zona Sul (Mapa 3.3). A epidemia nos homens sugere, segundo análise do terceiro período, uma tendência de difusão pelo município no sentido SE-N, com bairros de alta incidência também da Zona Leste (Centro da cidade). Comparando os dois mapas (3.1 e 3.2) pode-se observar que a epidemia de AIDS nos homens, no segundo e terceiro período, apresenta nos bairros Saúde e Cidade Universitária uma incidência de casos notificados superior a maior taxa de incidência das mulheres em qualquer período. Estes bairros apresentaram-se com baixa densidade demográfica, o que pode justificar as 32 elevas taxas4 (Mapa 3.4). Pode-se também observar no terceiro período que os bairros que apresentam maior incidência nas mulheres - Centro, Catumbi, Santo Cristo, Estácio, Saúde, Bonsuceso e Vila da Penha - foram os que apresentam para os homens uma incidência em um nível imediatamente acima, com exceção para os bairros do Caju e Barra de Guaratiba, os quais apresentaram taxa de incidência feminina superior à masculina. Barra de Guaratiba apresentou poucos casos e baixa densidade demográfica (Mapa 3.4). Caju foi classificado com baixa densidade demográfica, porém com um número expressivo de casos (anexo 3). Pode-se caracterizar através da localização geográfica dos bairros, dois núcleos de maior incidência de AIDS em mulheres. O primeiro núcleo formado pelos bairros: Centro, Catumbi, Santo Cristo, Estácio e Saúde, e o segundo núcleo formado pelos bairros: Bonsucesso, Caju e Cidade Universitária (que teve alta incidência, porém poucos casos). Como pode ser observado no Mapa 2.1, estes núcleos estão situados, de acordo com a divisão do município do Rio de Janeiro em zonas nas Zonas Centro/Portuária e Norte, respectivamente. Estes núcleos fazem limites com outros bairros que apresentaram também aumento da incidência de casos de AIDS femininos. O primeiro núcleo fazendo limite com os bairros: Cidade Nova e Santa Tereza na Zona Centro/Portuária, Gloria e Catete na Zona Sul e Rio Comprido, Praça da Bandeira na Zona Norte. O segundo núcleo próximo aos bairros Manguinhos, São Cristovão, Benfica, Higienópolis e Del Castilho na Zona Norte. Analisando estes bairros vizinhos podemos observar no Gráfico 3.4 que todos apresentam tendência de crescimento, o que sugere futuramente a ampliação dos núcleos 1 e 2. 4 Na análise dos mapas, oscilações acentuadas nas taxas dos bairros ao longo dos períodos devem ser conseqüências prováveis da flutuação estatística da ocorrência de casos em populações pequenas, como é o caso de Camorim nos Mapas 3.1 e 3.2, que conta com uma população de apenas 145 pessoas, segundo censo de 1991, e 3 casos (Anexo 3). 33 Gráfico 3.4: Crescimento da AIDS em Mulheres Segundo os Períodos nos Bairros Vizinhos aos Dois Núcleos de Maior Incidência taxas Bairros Vizinhos ao 1º núcleo 50,0 CIDADE NOVA 40,0 RIO COMPRIDO 30,0 SANTA TERESA 20,0 10,0 GLORIA 0,0 CATETE 1 2 3 PRACA DA BANDEIRA períodos taxas Bairros Vizinhos ao 2º Núcleo 50,0 SAO CRISTOVAO 40,0 BENFICA 30,0 HIGIANOPOLIS 20,0 10,0 DEL CASTILHO 0,0 1 2 períodos 3 INHAUMA MANGUINHOS 34 A incidência masculina em níveis imediatamente acima das mulheres nos bairros citados acima sugere que a via heterossexual, pode ter sido um modo principal de transmissão. Assim, apesar do processo de heterossexualização da AIDS, observa-se que as epidemias entre homens e mulheres apresentam tendências de difusão diferentes no município, quando se poderia esperar que casos femininos fossem acompanhados por casos masculinos Ainda que se constate o processo de feminização com o crescimento da epidemia nas anteriormente, mulheres, em termos os homens absolutos, continuam o sendo segmento como predominante dito e provavelmente o “polo difusor” da epidemia. Considerando os processos de heterossexualização e feminização da epidemia e que a construção dos indicadores se referem ao local de residência dos casos, não expressando necessariamente o local de infecção, surgem indagações relativas ao estabelecimentos de contatos efetivos que possibilitem a disseminação da transmissão do vírus da AIDS que se contextualiza espacialmente diferenciada entre homens e mulheres. Na realidade, a análise espacial não conseguirá apontar as condições de infecção do indivíduo. O local onde se deu a infecção não é passível de ser avaliada com os dados individuais que estão disponíveis nos bancos de dados. Construir mapas situando o local de residência dos casos permite relacionar estes dados com variáveis sociais, econômicas e ambientais. Como as práticas sexuais são mediadas de forma importante por estes aspectos a análise espacial é um recurso para conhecer a epidemia. Contudo os limites que se evidenciam nesse nível de análise sugerem a necessidade de que outras técnicas complementares sejam utilizadas para que se elucidem aspectos que não são passíveis de serem visualizados através de mapas. 39 O Mapa 3.5 estabelece a razão de casos de AIDS entre homens e mulheres (H/M) e a sua dinâmica nos três períodos. As área em branco no mapa representam bairros que não tiveram casos masculinos ou femininos no período. Pode-se observar a redução razão H/M ao longo dos períodos. No início da epidemia, a maior parte dos bairros apresentava razão de 4 ou mais. Bairros da Zona Sul com grande incidência de casos apresentavam razão H/M superior a 10. No último período, observa-se uma tendência de diminuição dessa razão, com vários bairros apresentando uma razão H/M de 4 ou menos. Bairros da Zona Sul e o Centro permaneceram com razões de casos alta, corroborando o predomínio de casos masculinos nestes bairros ao longo de todos os períodos e condizente com o perfil inicial da epidemia A Cidade Universitária e Saúde apresentaram aumento da razão H/M, opondo-se a tendência observada no processo de feminização. Ou seja, estes bairros apresentaram alta taxa de incidência em todos os períodos para os homens e para as mulheres (Mapas 3.1 e 3.2), com uma razão H/M crescente ao longo dos períodos. Isso demonstra o aumento do número de casos masculinos notificados, sobrepondo-se ao crescimento de casos femininos. Estes bairros, como citado anteriormente, apresentaram baixa densidade demográfica e em termos absolutos a Cidade Universitária apresentou um registro de casos notificados pouco expressivo enquanto a Saúde teve um registro considerável (Anexo 3). A razão de casos H/M também aumentou para os bairros: Alto da Boa Vista, Jardim América, Pechincha, Cachambi e Maria da Graça. Os bairros Alto da Boa Vista, Pechincha e Maria da Graça apresentam baixa densidade demográfica (Mapa 3.4) e uma notificação de casos femininos em todo período estudado inferior a 6. Jardim América e Cachambi apresentaram alta densidade demográfica e notificação feminina superior a 10 (Anexo 3). 40 O Mapa 3.6 mostra o percentual de casos de AIDS com categoria de exposição ignorada segundo o sexo durante todo período de análise, 19821997. A proporção de mulheres com categoria de exposição ignorada é, em geral, maior do que a dos homens. Esta diferença de percentual é maior nas áreas Norte e Oeste do município. Casos de homem com categoria de exposição ignorada apresentaram-se menos freqüentes e com um caráter mais difuso. Vargem Grande e a Vila Militar foram bairros que apresentaram elevado percentual de categoria de transmissão ignorada tanto para homem como para mulher. Contudo, foram bairros com poucos casos notificados, como pode se observar no Anexo 3. A Tabela 3.6 apresenta a proporção da categoria de transmissão ignorada em homens e mulheres no período estudado. Tabela 3.6: Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo, 19821997 Homens % Mulheres % 3796 29,7 1384 42,5 Não Ignorados 8964 70,3 1869 57,5 Total 12760 100 3253 100 Ignorados Fonte:SINAN Quando analisa-se o aumento da categoria de transmissão ignorada ao longo dos períodos, Tabela 3.7, verifica-se aumento para as mulheres e redução para os homens. Tabela 3.7: Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo e Período Período 82-88 89-93 94-97 Feminino 35 11,3% 314 19,5% 1035 31,7% Masculino 275 88,7% 1294 80,5% 2227 68,3% total 310 100% 1608 100% 3262 100% Fonte:SINAN 42 Analisando-se o crescimento da categoria de transmissão ignorada nos três períodos entre as mulheres observa-se que este crescimento foi próximo de 50% no terceiro período – tabela 3.8 – enquanto entre os homens foi de 36,8% – tabela 3.9. Tanto entre homens quanto entre mulheres o modo de transmissão ignorado aumentou ao longo do tempo, sendo mais acentuado nas mulheres. Tabela 3.8: Categoria de Transmissão Ignorada em Mulheres Segundo Período Período 82-88 89-93 94-97 Categoria ignorada 35 20,0% 314 31,4% 1035 49,8% Outras categorias 140 80,0% 685 68,6% 1044 50,2% total 310 100% 1608 100% 3262 100% Fonte:SINAN Tabela 3.9: Categoria de Transmissão Ignorada em Homens Segundo Período Período 82-88 89-93 94-97 Categoria ignorada 275 18,8% 1294 24,7% 2227 36,8% Outras categorias 1185 81,2% 3950 75,3% 3829 63,2% total 1460 100% 5244 100% 6056 100% Fonte:SINAN 43 Além do processo de crescimento da epidemia de AIDS entre as mulheres, constata-se que o meio de transmissão do vírus dentre elas é mais desconhecido e que esta tendência vem se acentuando ao longo do tempo. A concentração de casos com categoria de exposição ignorada em bairros nas áreas Oeste e Norte, que são áreas mais pobres, pode mostrar um nível insatisfatório de atenção a esses casos. Além disso, como os casos femininos podem permanecer vários anos sem diagnóstico, a defasagem de tempo entre a exposição e a notificação pode prejudicar a qualidade da informação sobre a forma de infecção, o que pode ser agravado em áreas pobres da cidade, sem serviços de saúde ou acesso à informação. Por outro lado, outra pergunta que se apresenta é se a maior proporção da categoria de exposição ignorada em mulheres está relacionado ao aumento da casos em mulheres pobres ou se está vinculado ao próprio fato de ser mulher. Será que essa diferença de proporção confirma o fato de que as mulheres em relação aos homens do mesmo estrato social tem uma pior qualidade de assistência, diagnóstico e tratamento? Ou será que as mulheres, em maior proporção, desconhecem elas próprias a forma como se contaminaram? A análise da distribuição dos casos notificados de AIDS segundo sexo e escolaridade (Tabela 3.10 e Gráfico 3.5) mostrou a concentração de casos, tanto entre homens quanto entre mulheres, no nível 1ª à 4ª série, o que aponta para a baixa escolaridade da maior parte dos casos. Este dado está de acordo com a literatura que aponta para a pauperização da epidemia inferida a partir do baixo nível de escolaridade. A partir do nível de escolaridade 5ª à 8ª série observa-se, para ambos sexos, uma redução no número de casos. Chama atenção o nível de escolaridade ignorado, superior a ¼ do total, sendo 28,5% para as mulheres e de 25,5% para os homens, o que demonstra uma má qualidade desse dado e a insuficiência da investigação dos casos. 45 Tabela 3.10: Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos, Segundo Sexo e Escolaridade Período 1982-1997 – Município do Rio de Janeiro Feminino Analfabeto 1ª até 4ª série 5ª até 8ª série 2º grau Superior Ignorados Total Fonte: SINAN n 150 1367 512 259 39 962 3253 Masculino % 4,6 42,0 15,7 8,0 1,2 28,5 100,0 n 231 3704 2643 2263 663 3256 12760 % 1,8 29,0 20,7 17,7 5,2 25,5 100,0 Gráfico 3.5: Percentual dos Casos de AIDS de 15-59 Anos no Município do Rio de Janeiro Segundo Sexo e Escolaridade – Período 1982-1997 4000 3000 Frequência 2000 sexo 1000 homem mulher 0 analf abeto 5º até 8º série 1º até 4º série 2º grau superior ignorados escolaridade Analisando-se como o nível de escolaridade evoluiu ao longo do tempo observa-se que a partir de 1993 o nível de escolaridade superior tendeu a zero, sendo a freqüência para mulheres e homens no período 1994-1997 de zero e 1 caso, respectivamente, como observa-se na Tabela 3.11 e no Gráfico 3.6. O percentual de casos femininos com escolaridade 1ª à 4ª série foi superior ao percentual masculino em todos os períodos assim como o nível de escolaridade ignorado. 46 Tabela 3.11: Distribuição dos Casos de AIDS em Mulheres e Homens de 15-59 Anos Segundo Período e Escolaridade mulher Escolaridade 82-88 Analfabeto 1ª até 4ª série 5ª até 8ª série 2º grau Superior Ignorado Total homem 89-93 94-97 82-88 89-93 94-97 4 34 112 12 69 150 (2,3%) (3,4%) (5,4%) (0,8%) (1,3%) (2,5%) 54 355 958 313 1244 2147 (30,9%) (35,5%) (46,1%) (21,4%) (23,7%) (35,5%) 22 154 336 240 991 1412 (12,6%) (15,4%) (16,2%) (16,4%) (18,9%) (23,3%) 23 113 123 306 1034 923 (13,1%) (11,3%) (5,9%) (21,0%) (19,7%) (15,2%) 7 32 - 130 532 1 (4,0%) (3,2%) (8,9%) (10,1%) (0,%) 65 311 550 459 1374 1423 (37,1) (31,1%) (26,5%) (31,4%) (26,2%) (23,5%) 175 999 2079 1460 5244 6056 (100%) (100%) (100%) (100%) (100%) (100%) Fonte: SINAN Gráfico 3.6: Distribuição dos Casos de AIDS, 15-59 Anos, Segundo Sexo, Escolaridade e Ano Epidemiológico - Município do Rio de Janeiro, 1982-1997. 700 600 feminino 500 escolaridade 400 analf abeto 1º até 4º série 300 5º até 8º série Frequência 200 2º grau 100 superior 0 ignorados 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 Ano epidemiológico 47 700 masculino 600 500 escolaridade 400 analfabeto 1º até 4º s érie 300 5º até 8º s érie Frequência 200 2º grau 100 superior 0 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 ignorados Ano epidemiológico Comparando os Gráficos 3.5 e 3.6 pode-se observar que além da concentração de casos no nível 1ª à 4ª série, existe uma tendência de crescimento deste segmento tanto nas mulheres quanto nos homens. O Mapa 3.7 mostra a distribuição e o percentual do nível de escolaridade até 4ª série na população geral (segundo dados do censo), homens e mulheres com AIDS. Assim como o padrão de renda, observa-se que na população geral (dados do censo demográfico de 1991) as melhores condições de escolaridade concentram-se na Zona Sul da cidade, sendo menores na Zona Oeste. O Centro e os bairros da Zona Norte apresentam níveis intermediários de escolaridade. O nível de escolaridade dos casos notificados de AIDS em mulheres apresentou-se muito baixo, com um percentual de escolaridade até 4ª série, 48 acima de 60% em vários bairros. Destacam-se um dos núcleos – segundo núcleo – e alguns bairros da Zona Norte com percentual superior a 80%. Já nos casos notificados de AIDS em homens observa-se que este percentual fica, no geral, compreendido entre 20% e 60% e que a escolaridade dos casos é maior na Zona Sul. Observa-se também que na Zona Oeste estão localizados os casos com nível de escolaridade baixa. Pode-se observar que as pessoas com AIDS possuem, proporcionalmente, uma escolaridade menor do que a população em geral. Além disso, a escolaridade dos casos de AIDS em mulheres é, em geral, menor do que a dos casos de AIDS masculinos. Os bairros hachurados foram excluídos da análise espacial realizada, a partir da adoção do critério de exclusão de bairros com menos de 8 casos de AIDS notificados como residentes no local. Buscou-se assim evitar uma classificação errônea pautada na ocorrência de poucos casos 49 A escolaridade é um indicador utilizado na análise de dados epidemiológicos para se aferir sobre a condição sócio-econômica da população: baixos níveis educacionais são relacionados com estratos sociais mais pobres. Landmann & Bastos (2000) destacam a possibilidade de erro ao se afirmar um processo de pauperização da epidemia de AIDS baseada somente no aumento de casos em camadas populacionais mais pobres. Estes segmentos possuem pior acesso aos novos recursos terapêuticos, o que faz com que casos de HIV nesta camada evoluam mais rapidamente para AIDS. Desta forma, a baixa escolaridade dos casos pode não corresponder necessariamente a mesma da situação de transmissão da epidemia, sendo necessário estabelecer uma distinção entre pauperização dos casos notificados e de transmissão da epidemia. Além dos recursos terapêuticos, o diagnóstico e tratamento também influem na dinâmica e evolução da epidemia e as mulheres ainda apresentam um diagnóstico tardio (Diniz e Villela, 1999). O diagnóstico ocorrendo num processo avançado da infecção conduziria também a uma evolução mais rápida para a AIDS. Análise da categoria de transmissão ignorada, e do nível de escolaridade ignorado indicam que a investigação epidemiológica pode estar sendo mais negligente junto às mulheres. A maior proporção de mulheres com categoria de exposição ignorada e com nível de escolaridade ignorada em relação aos homens, indica que a investigação dos casos femininos é de pior qualidade. A escolaridade não é uma informação difícil de se obter, opondo-se as limitações em se estabelecer a categoria de exposição. Logo, a maior proporção de ignorados em mulheres, quanto a categoria de exposição e a escolaridade, sugere que isto seja conseqüência provável da condição social destas mulheres. Nos Mapas 3.6 e 3.7, pode-se observar a concentração da categoria de exposição ignorada e de escolaridade até 4ª série, em geral, nas regiões mais pobres do município, Mapa 3.3, corroborando a implicação da condição social na investigação dos casos. 51 O Mapa 3.8 mostra a mortalidade por AIDS no município. Os bairros da Zona Sul, e bairros da região norte do município, além da região leste do município apresentaram os maiores coeficientes. A região Oeste do município, no geral, apresentou menor índice de mortalidade. Este resultado pode estar relacionado à disseminação da epidemia pelo município, com início na Zona Sul e propagação por todo município, atingindo mais recentemente a região Oeste. O Mapa 3.9 apresenta a letalidade por AIDS no município no período 19821997. Os bairros da Zona Sul apresentaram baixos coeficientes de letalidade enquanto a Zona Norte e parte da Zona Oeste apresentaram-se com maiores coeficientes de letalidade. Este resultado pode estar relacionado ao pior acesso aos medicamentos da população destas regiões como citado anteriormente 52 4 – Metodologia – Aplicação Questionários Foi realizado um estudo com grupo de mulheres soropositivas do Centro Saúde Escola Germano Sinval Faria vinculado à ENSP/Fiocruz. O CSEGSF tem um programa específico que atende pessoas soropositivas para AIDS, o Núcleo de DST/AIDS. O CSEGSF fica localizado no bairro de Manguinhos, que apresentou crescimento da taxa de incidência de AIDS em mulheres no período 19821997. Este bairro compõe vizinhança com um dos núcleos identificados previamente na análise espacial como de maior incidência de AIDS em mulheres. A localização do CSEGSF em área de crescimento da epidemia em mulheres e a existência do núcleo de atendimento a pessoas soropositivas possibilitou a realização de um estudo complementar no grupo de mulheres soropositivas do Centro de Saúde Escola da ENSP/ Fiocruz, através do levantamento de dados primários por meio de um questionário. Este trabalho foi elaborado em conjunto com os profissionais que coordenam este programa com o objetivo de, conhecendo melhor o perfil dessas mulheres, aprofundar a compreensão sobre os processos de feminização e pauperização da AIDS no município. 4.1 - O Centro Saúde Escola Germano Sinval Faria Foi criado no ano de 1968, integrando o projeto docente da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). Objetiva prestar serviços de saúde à população circunvizinha e servir à ENSP como local de prática para ensino e pesquisa. O Centro de Saúde trabalha com uma área geográfica delimitada, no bairro de Manguinhos, atendendo no geral, grupos sociais de baixa renda (Bittencourt, S et al). O Complexo de Manguinhos fica localizado na Zona Norte do município do Rio de Janeiro, IV Distrito Sanitário (antiga AP 3.1), X 54 R.A. (Ramos). É composto de três conjuntos habitacionais e oito favelas, como pode ser observado na tabela abaixo. Tabela 4.1: Composição do Complexo de Manguinhos ÁREA RA BAIRRO CPH 2 Comum. Agrícola de Higienópolis Conj. Hab. Ex-Combatentes Conj. Hab. Nelson Mandela Conj. Hab. Samora Machel Parque Carlos Chagas Parque João Goulart Parque Oswaldo Cruz Mandela de Pedra* Vila Turismo Vila União Vila Verde Total Total Fonte: CSEGSF Xª Xª XIIª Xª Xª Xª Xª Xª Xª Xª XIIª Xª Manguinhos Bonsucesso Manguinhos Jacaré Manguinhos Manguinhos Manguinhos Manguinhos Manguinhos Manguinhos Jacaré Bonsucesso ANO DE OCUPAÇÃO 1961 1989 1941 1951 1901 1994 1951 1951 1990 ANO DE CADASTRO 1982 1992 1981 1982 1981 1981 1981 1992 POPULAÇÃO 3188 1516 1284 3463 175 1666 4554 3021 2000 5536 1292 236 27931 ATUALIZAÇÃO DA POPULAÇÃO* 2766** 1026** 555** 2112** 196** 1666** 2533* 2953** 2828* 6093** 1175** Removida 23903*** 28684*** ATENÇÃO: * Dados do cadastramento do PSF/CSEGSF, 2000 ATENÇÃO: **Dados da contagem populacional da FIBGE/1996 ATENÇÃO:*** Sabe-se que a população de Manguinhos cresceu entre 1996 e 2000, portanto trabalhou-se com um aumento de 20% A população atendida pela unidade é prioritariamente habitante de favelas e conjuntos habitacionais dos bairros de Manguinhos, Jacaré e Bonsucesso. Segundo o censo demográfico de 1991, esses bairros tinham uma população total de 170.957. A unidade atenderia, portanto, cerca de 16,8% da população total dos bairros. A distribuição das favelas e dos complexos habitacionais que compõem o complexo de Manguinhos pode ser visto no Mapa 4.1 55 MAPA 4.1 - Complexo de Manguinhos Complexo de Manguinhos Favelas e Conjuntos Habitacionais Total de habitantes – aproximadamente 30.000 Rio Faria BONSUCESSO Legenda D os .d Av . Av s i co r át oc em s il B ra FIO CRUZ Av .S ub ur b an a Ri o F ari a MANGUINHOS é al do C un ha r Jac a Rio C an N Rios e Canais FIOCRUZ Ensp Met rô Linha Férr ea/RFFSA Ro dov ias Federais Ro dov ias Es taduais Ro dov ias Mu nicipais Ru as Fav elas e Conjun tos Habitacion ais CHP-2 Co m. Ag r.de Higieno polis Co nj. Hab . Ex-Comb at entes Co nj. Hab . Nelson Mandela Co nj. Hab . Samora Machel Parq ue Car lo s Chagas Parq ue Joao Goulart Parq ue Osw ald o Cr uz Vila Tu rismo Vila Uniao Vila Verde Mandela de Pedra JACARÉ N 250 Fon te : Fonte: SIG-CSEGSF 0 250 500 Meters Mapa Topográfico da LIGHT, escala de 1:5.000, Mapa do Cadastro de Favelas do IPLANRIO, escala 1:2.000,1990 e Caderneta dos recenseadores da FIBGE, 1991. 56 Autores: Maria Cristina Botelho Figueiredo Else Bartholdy Gribel 4.1.1 - O Núcleo de DST/AIDS Este Núcleo existe desde 1996 e tem como objetivo para além da assistência, o estabelecimento de trocas entre a comunidade e o serviço de saúde, a sensibilização permanente dos profissionais que prestam assistência a este grupo e a promoção à saúde através do estímulo a participação em trabalhos comunitários e associações ou grupos (Porto e Vargas, 2000). O número de pacientes atendidos pelo programa DST/AIDS na fase em que este trabalho se desenvolveu era de 120, dos quais 60 eram mulheres. 4.2 - Seleção dos Participantes Das 60 mulheres soropositivas atendidas no programa do CSEGSF, 48 mulheres responderam ao questionário. Tabela 4.2: Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS e Entrevistadas Segundo Local de Residência Residentes no Município do Rio de Janeiro Freqüência Complexo de Manguinhos 27 São Cristovão 1 Benfica 2 Bonsucesso 2 Ramos 1 Olaria 1 Higienópolis 2 Jacaré 2 Irajá 2 Quintino 1 Residentes fora do Município do Rio de Janeiro São João de Meriti 2 Duque de Caxias 2 Magé 1 Queimados 1 Maúa (Praia de Mauá) 1 Total 48 % 56,2 29,2 14,6 100 57 A maior parte destas mulheres (56,2%) residia no Complexo de Manguinhos, 14 mulheres (29,2%) residiam em outros bairros do município e 7 mulheres (14,6) residiam fora do município do Rio de Janeiro. As mulheres soropositivas que residiam fora do município do Rio de Janeiro foram excluídas da análise5. As mulheres residentes fora da área de abrangência do Complexo de Manguinhos foram incluídas tendo em vista a expansão da epidemia na Zona Norte do município e considerando, no geral, uma homogeneidade nas características sócio-econômicas desta população. Desta forma, foram analisadas 41 questionários. Do total de mulheres que formavam o grupo original - 60 mulheres - as 12 perdas ocorreram pelos seguintes motivos: 1 recusou-se a participar, 4 não puderam participar devido ao estado de saúde em que se encontravam ou em função do trabalho, 7 não compareceram ao Centro de Saúde durante o período de realização das entrevistas e/ou não foram localizadas. Tabela 4.3: Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS Não Entrevistadas Segundo Local de Residência Complexo Manguinos Jacarezinho Maria da Graça Sem endereço atualizado Total Frequência 7 1 1 3 12 4.3 - Instrumento: Questionário O questionário foi desenvolvido buscando apreender dados quantitativos e discriminar melhor algumas variáveis. Foi composto por questões predominantemente fechadas, formadas por perguntas de múltipla escolha. Algumas informações foram registradas através de perguntas abertas e por observações da autora da pesquisa que aplicou todos os questionários. 5 Embora estas mulheres façam parte das estatísticas do município do Rio de Janeiro, sendo casos notificados ao SINAN, optou-se por não inclui-las no estudo considerando o local de moradia. 58 Buscou-se detectar as inconsistências no discurso, contradições de dados e falas que se repetiam. A elaboração do questionário buscou contemplar não só os aspectos de interesse desta pesquisa como também dos profissionais do programa de AIDS do Centro de Saúde. O questionário envolveu os seguintes aspectos (anexo 4): • Parte 1: Características Individuais – características sócio-econômicas • Parte 2: Conhecimento da Condição Sorológica - nível de conhecimento e forma de relacionamento com sua condição. • Parte 3: Informação e Sexualidade - fonte e qualidade de informação sobre AIDS e sexualidade. • Parte 4: Conhecimento Sobre Direitos – conhecimento sobre os direitos dos soropositivos. • Parte 5: Percepção e Cuidados com a Saúde – adesão ao tratamento • Parte 6: Expectativas e Mudanças Na elaboração deste instrumento utilizou-se como referência um questionário aplicado em estudo sobre vulnerabilidade em mulheres jovens (Sanches, 1999) e um questionário aplicado em mulheres soropositivas (Paiva et al, 1996). Foi realizado um pré-teste, em duas pessoas soropositivas do grupo. Após o pré-teste o instrumento foi reavaliado pela pesquisadora juntamente com a equipe do núcleo DST/AIDS, e algumas alterações foram efetuadas, chegando-se a um modelo final. A análise das variáveis que compõem o questionário foi realizada através do SPSS for Windows versão 8.0 59 4.4 - Aplicação dos Questionários As entrevistas realizaram-se no período entre 1/08/2000 e 6/11/2000. O contato com as mulheres foi feito através de busca no agendamento médico e/ou dos exames onde identificava-se a paciente, dia e horário de atendimento. A própria equipe do núcleo de DST/AIDS apresentou a proposta da entrevista, na qual seria aplicado o questionário. Foi explicado a natureza e os objetivos da entrevista e todas as participantes consentiram conforme assinatura de termo próprio. A aplicação do questionário foi padronizada: a pesquisadora iniciava a entrevista após esclarecimento do objetivo da pesquisa e assinatura do termo de consentimento. Cada item do questionário foi lido e respeitada a seqüência das opções de resposta. Os itens eram relidos quando a entrevistada não tinha certeza de qual era a melhor opção ou quando não compreendia a questão. Após a leitura da questão, algumas entrevistadas já davam a resposta, sem que a pesquisadora lesse as alternativas. Nestes casos, a pesquisadora marcava diretamente a opção citada pela entrevistada. Além disso, as falas que surgiram espontaneamente às questões perguntadas foram anotadas, buscando-se não interferir na forma de expressão das mulheres entrevistadas. Para ampliar o numero de entrevistas, uma vez que nem sempre conseguiuse estabelecer contato através dos agendamentos, recorreu-se a telegramas e visitas domiciliares, realizadas pela equipe do CSEGSF. 4.5 - Variáveis dataent: data da entrevista duração: duração da entrevista idade: idade 60 corpdr6: cor (branca; morena; negra) estado: local onde nasceu bairro: local onde reside sitconj: situação conjugal (as categorias desta variável foram reagrupadas em parceiro: fixo; eventual; sem parceiro) relig: qual a religião iprelig: importância da religião na vida escol: escolaridade atuempr: atualmente trabalhando redmens: renda mensal individual redmenf: renda mensal da família pvivired: quantidade de pessoas que vivem com a renda mensal filhos: tem filhos qtfilhos: quantidade de filhos hivfilh1: filho mais novo HIV positivo qntmhiv: há quanto tempo se sabe soropositiva idadiag: idade ao diagnóstico antexam: situação de realização do exame penshiv: já havia pensado que poderia ser soropositiva recrelt: situação ao receber o resultado do exame tjvirus: como acha que se contaminou parchiv: parceiro atual é soropositivo contar: contou para alguém sobre o diagnóstico parceir: contou para o parceiro precauc: faz uso de algum método de precaução com o parceiro ist: ter tido alguma DST idrela: idade que tinha quando teve primeira relação sexual qtsparc: número de parceiros sexuais que já teve infoesc: informação esclarecedora acredit: número de parceiros aumenta o risco de pegar o vírus da AIDS ransnd: o vírus da AIDS pode ser transmitido por uma pessoa que não aparenta estar doente 6 as categorias de cor foram definidas em três grupos, buscando reduzir o erro da medida devido a falta 61 condon: camisinha previne a transmissão do vírus da AIDS parcris: pessoas que sempre usam preservativos e têm muitos parceiros sexuais, têm maior risco de pegar o vírus da AIDS diraux: conhecimento do direito de pedir auxílio doença dirtran: conhecimento do direito de ter passe transporte dirdem: conhecimento do direito de não ser demitido por ser soropositivo dirsig: conhecimento do direito de manter sigilo sobre sua condição estsd: percepção sobre o estado de saúde tomedic: toma medicação indicada usomed: uso dos medicamentos altern: tratamento alternativo altrat: método de tratamento e ajuda qtdalco: uso e frequência de bebidas alcóolicas qtdmac: uso e frequência de maconha cocaína: uso e frequência de cocaína crack: uso e frequência de crack qtdcoc: uso e frequência de cocaína injetada na veia seringa: uso e frequência de seringa compartilhada desabaf: necessidade de desabafar conselh: necessidade de conselho distr: necessidade de distração ajuda: necessidade e ajuda estvise: mudança na vida sexual mudvida: mudança na vida de consenso, quando o instrumento for utilizado por entrevistadores diferentes. 62 5 – Resultados e Discussão - Entrevistas A análise espacial dos casos de AIDS do município do Rio de Janeiro, evidenciou a área de Manguinhos como uma das mais características do fenômeno de pauperização e feminização da epidemia. O crescimento da AIDS em mulheres neste bairro acentuou-se ao longo dos períodos. Entre 1994-1997 a razão de casos H/M ficou entre 1.2 à 3 e o percentual de baixa escolaridade - até 4ª série - foi dos mais acentuados, para ambos os sexos7. Essa evidência ressaltou a oportunidade de um estudo complementar para aprofundar o conhecimento sobre a expansão da epidemia de AIDS em mulheres e sobre os processos de feminização e pauperização. Foram aplicados 41 questionários, com um tempo de realização médio de 36,10 minutos. Do total de mulheres abordadas três não souberam dizer a idade que tinham. A idade informada variou de 15 a 56 anos e a média de idade das mulheres que forneceram esta informação foi de 36,11 anos. Comparando a idade informada das mulheres na época da aplicação do questionário com a idade ao diagnóstico observou-se que a idade média passou para 32,50 anos, como pode ser observado na Tabela 5.1. A idade média da primeira relação sexual foi 18 anos. Tabela 5.1: Estatística Descritiva das Variáveis Relacionadas à Idade Idade N Média Mediana Moda Desvio padrão 7 Estatísticas 38 36,1 36 36 11,0 Idade ao diagnóstico N Média Mediana Moda Desvio padrão Estatísticas 38 32,5 31,5 23 9,3 Idade 1ª relação sexual N Média Mediana Moda Desvio padrão Estatísticas 41 18,0 15 13 e 15 11,9 O crescimento da epidemia de AIDS no bairro de Manguinhos pode ser visto no Gráfico 3.4, página 34, enquanto a razão de casos entre H/M e o percentual de baixa escolaridade nos Mapas 3.5 e 3.7, respectivamente nas páginas 41 e 50. 63 Observa-se na Tabela 5.2 que a maioria das mulheres (75,6%) era natural do Estado do Rio de Janeiro e 24,4% provenientes de outros Estados. A escolaridade no geral foi baixa, com 51,2% dos casos com grau de instrução até 4ª série. Com relação a situação conjugal, as entrevistadas informaram possuir parceiro fixo (53,7%) ou estar sem parceiro (43,9%). A maioria destas mulheres tem filhos (82,9%), sendo que 14,7% tiveram o filho mais novo HIV positivo e 5,9% não souberam informar a situação diagnóstica do filho por não terem realizados o exame nestes. Do total de mulheres 8 (19,5%) entrevistadas tiveram o diagnóstico de soropositividade no pré-natal ou parto. A importância da religião na vida destas mulheres mostrou-se extremamente acentuada com um percentual de respostas de 95,1% entre as opções muito importante (61,0%) e importante (34,1%). As religiões mais citadas foram a católica (43,9%) e a evangélica/crente/protestante (36,6%). Algumas das mulheres entrevistadas relacionaram o diagnóstico de soropositividade a uma maior valorização da religião nas suas vidas. M1, 23 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (exame de rotina para inserção de DIU) – após diagnóstico informou que passou a freqüentar a religião. Passou a se cuidar mais, se dar mais valor. M2, não soube informar a idade, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e médico pediu o exame) - entrou para igreja quando soube do resultado. “Não foi pelo amor, foi pela dor.” A entrevistada informou também que acredita que vai ser curada pela igreja. 64 Tabela 5.2: Distribuição das Variáveis Sócio-culturais e Demográficas Variável N % Bahia 1 2,4 Ceará 3 7,3 Minas Gerais 2 4,9 Paraíba 2 4,9 Rio de Janeiro 31 75,6 Estado Rio Grande do Norte 2 4,9 Total 41 100 Branca 17 41,5 Mulata 7 17,1 Negra 17 41,5 Total 41 100 Cor Padronizada Escolaridade Analfabeto 3 7,3 1ª até 4ª série 18 43,9 5ª até 8ª série 15 36,6 2º grau 4 9,8 3º grau 1 2,4 41 100 Fixo 22 53,7 Eventual 1 2,4 Sem parceiro 18 43,9 Total 41 100 18 43,9 Total Parceiro Religião Católico Espírita 1 2,4 Evangélica/crente/protestante 15 36,6 Umbanda/candomblé 1 2,4 Outras 1 2,4 não tem religião 5 12,2 Total 41 100 muito importante 25 61,0 Importante 14 34,1 pouco importante 1 2,4 nada importante 1 2,4 Total 41 100 Sim 34 82,9 Não 7 17,1 Total 41 100 Sim 5 14,7 Não 27 79,4 não sabe 2 5,9 Total 41 100 Importância da religião Filho Filho mais novo HIV 65 Como pode-se observar na Tabela 5.3 do total de mulheres entrevistadas 41,5% estavam desempregadas no momento em que as entrevistas foram realizadas e 9,8% nunca trabalharam. Dentre as mulheres que trabalharam as ocupações mais citadas foram doméstica/faxineira (32,5%), servente/auxiliar de serviços gerais (17,5%) e costureira (12,5%). No preenchimento desta variável no questionário constatou-se que uma entrevistada disse ser manicura e segundo informações obtidas junto à profissionais da equipe do serviço de saúde tratava-se de uma profissional do sexo. Este detalhe nos remete à dificuldade de obtenção de um dado confiável quando a pergunta envolve aspectos que as pessoas preferem não revelar e nos faz refletir sobre a fragilidade das informações relativas a um tema tão complexo e estigmatizado que a epidemia de AIDS trás a tona. Tabela 5.3: Distribuição das Variáveis Situação de Trabalho e Profissão Variável Atualmente empregado sim/emprego sim/bico não/desempregado não/aposentado nunca trabalhou não/encostado Total Profissão (ocupação) doméstica/faxineira costureira servente/aux. serviços gerais caixa cobradora de ônibus manicura secretária/aux. adm/atendente tel. camareira/arrumadeira lancheira/cozinheira aprendiz de bolseira dedetizadora gráfica contabilidade agente comunitária de saúde Total de ocupações citadas N % 9 5 17 3 4 3 41 22 12,2 41,5 7,3 9,8 7,3 100 13 5 7 2 1 1 3 2 1 1 1 1 1 1 40 32,5 12,5 17,5 5,0 2,5 2,5 7,5 5,0 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 100 A análise da renda mensal individual e familiar, na Tabela 5.4, mostrou que a maior parte das entrevistadas, 53,7% e 51,2% respectivamente, apresentaram renda de até 2 salários mínimos – menos de 1 salário mínimo e de 1 a 2 salários mínimos. A média de pessoas que vivem com a renda 66 mensal da família foi de 3,5 (N=40)8. Outro aspecto relevante em relação à renda é que 41,5% das entrevistadas relataram não possuir nenhuma fonte de renda individual e 12,2% não ter nenhuma renda mensal familiar. Tabela 5.4: Distribuição da Variável Renda Mensal nenhuma fonte de renda menos de 1 sm de 1 a 2 sm de 2,5 a 3,5 sm de 4 a 5 sm mais de 5 sm não sabe Total Renda mensal da entrevistada N % 17 41,5 4 9,8 18 43,9 2 4,9 41 100,0 Renda mensal da família N 5 2 19 6 4 3 2 41 % 12,2 4,9 46,3 14,6 9,8 7,3 4,9 100,0 Com relação a forma como ficaram sabendo de sua condição de soropositividade, a maior parte das mulheres (46,3%) soube do diagnóstico porque adoeceu, como pode ser observado na Tabela 5.5. Tabela 5.5: Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico 9 Informe do diagnóstico N % pré-natal/parto 8 7,3 Adoeceu 19 46,3 parceiro adoeceu 8 19,5 exame de rotina 3 19,5 filho adoeceu 1 2,4 doou sangue 2 4,9 Total 41 100 O intervalo de tempo transcorrido desde o diagnóstico de soropositividade até a época da aplicação do questionário variou de 1 mês à 10 anos como pode ser observado no Gráfico 5.1 abaixo. 8 Uma das entrevistadas não soube informar a renda mensal da família, ocasionando um N=40. duas entrevistadas informaram que o exame foi solicitado pelo médico junto à outros exames de rotina e uma entrevistada especificou que foi na rotina de exames para inserção do DIU. 9 67 Gráfico 5.1: Histograma do Tempo Transcorrido entre o Diagnóstico de Soropositividade e a Aplicação do Questionário 16 14 12 10 8 Frequência 6 4 Mediana = 24 Desv io padrão = 39,3 Média = 42,0 2 N = 39 0 10,2 28,6 47,1 65,5 83,9 102,4 120,8 tempo que sabe do diagnóstico (meses) Observa-se que muitas mulheres (51,2%) souberam do diagnóstico em um intervalo de tempo de até 24 meses. Duas entrevistadas não souberam informar há quanto tempo souberam da condição de soropositividade, Tabela 5.6. Tabela 5.6: Distribuição da Variável Tempo de Informe do Diagnóstico Tempo de diagnóstico N % Até 24 meses 21 51,2 25 meses ou + 18 43,9 Não souberam informar 2 4,9 Total 41 100,0 Analisando as situações em que as mulheres souberam do diagnóstico em um intervalo de tempo de até 24 meses, tabela 5.7, observa-se que a maioria (33,3%) soube no pré-natal/parto, 28,6% porque adoeceu e 19,0% porque o parceiro adoeceu. Estes dados estão de acordo com a literatura onde as mulheres só sabem do seu diagnóstico por adoecimento delas, dos 68 companheiros, dos filhos ou por ocasião do pré-natal/parto (Barbosa, 1996; Vermelho, 1999). Tabela 5.7: Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico em Mulheres com até 24 Meses de Diagnóstico Informe do Diagnóstico N % pré-natal/parto 7 33,3 adoeceu 6 28,6 parceiro adoeceu 4 19,0 exame de sangue 1 4,8 filho adoeceu 1 4,8 doou sangue 2 9,5 Total 21 100,0 Como pode ser observado na Tabela 5.8, mais da metade das entrevistadas (51,2%) informou não ter tido nenhum tipo de aconselhamento na época em que foi realizado o teste para avaliar a condição sorológica enquanto 46,3% relatou ter recebido algum tipo de orientação - médico conversou bastante (26,8%) ou um pouco (19,5%). A situação diagnóstica foi comunicada na maior parte dos casos pelo médico (70,7%) e foi avaliada pelas entrevistadas como uma atitude positiva no sentido de ajuda-las. A maioria destas mulheres (73,2%) não cogitava que poderia ser soropositivas e 82,9% compartilhou a informação com alguém ao receber o diagnóstico. 29,3% das entrevistadas não comunicaram ao parceiro sobre o seu estado de soropositividade. Este silêncio que se estabelece na parceria ressalta a importância de se refletir sobre a falta de comunicação entre parceiros. A maior parte das entrevistadas (48,3%) respondeu supor que foram contaminadas pelo parceiro - transmissão heterossexual – e 17,1% pelo parceiro anterior. As histórias abaixo evidenciam situações onde a condição de soropositividade foi omitida do parceiro: 69 M3, 45 anos, casada, diagnosticada há 9 anos (parceiro adoeceu de AIDS e médico pediu o exame) - Não contou para o atual parceiro que é soropositiva, mas acha que ele sabe. Acha que o parceiro também é soropositivo e que já era antes de estar com ela. M4, 22 anos, sem parceiro, diagnosticada há 2 anos (parceiro adoeceu de AIDS e médico pediu o exame) - Quando ficou sabendo de sua soropositividade estava separada do marido que era HIV positivo. No início pensou em se matar. Depois pensou na filha. Já pensou também em parar de tomar medicamentos. Não tem parceiro fixo. Mas depois do marido, que foi o primeiro parceiro sexual, teve cerca de 10 parceiros com os quais afirmou ter usado camisinha, tendo, essa, em algumas situações, estourado. Nunca falou para eles sobre sua condição. Diz que se souberem ninguém vai querer ficar, nem dar beijo. M5, 36 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (adoeceu e médico pediu o exame) – “é uma coisa particular, não conta para ninguém pois ninguém vai ajudar mesmo”. Não sabe se o parceiro é soropositivo. Verifica-se que muitas mulheres (41,5%) estavam sem parceiro na época da aplicação do questionário (Tabela 5.8). Foi possível constatar que pelo menos 19,5% das entrevistadas relataram ter aberto mão da vida sexual desde o diagnóstico, não tendo mais parceiro, como pode ser observar através dos relatos abaixo: M6, não sabia informar a idade nem tempo de diagnóstico, (adoeceu e médico pediu o exame) - não tem parceiro. Quando soube do diagnóstico não arranjou mais ninguém Fica com medo de arrumar outra pessoa e quando este ficar sabendo se afastar. M7, 39 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico pediu o exame) Quando soube do diagnóstico já estava só e desde então está só. M8, 44 anos, sem parceiro, diagnosticada há 9 anos (ficou sabendo que a outra mulher do marido estava internada com AIDS. Perguntou ao marido e ele negou. Foi então fazer o teste) - Desde que soube do resultado não teve mais ninguém. A atitude destas mulheres perante a condição de soropositividade é portanto diferenciada. A condição de soropositividade interfere na vida sexual destas 70 mulheres de uma forma diferente. Se por um lado algumas mulheres não abriram mão da vida sexual, mesmo tendo que omitir seu estado ao parceiro, por outro lado, muitas mulheres afirmaram estar sem parceiro na época das entrevistas pelo mesmo motivo. Se a maioria das mulheres (60,9%) informou que o meio de contaminação foi o parceiro10, 31,7% não souberam informar a forma de contaminação. Destaca-se a oportunidade de comparar esta proporção com os 42,5% de mulheres com categoria de transmissão ignorada nos dados do SINAN analisados. Isto, em parte, responde ao questionamento formulado no capítulo 3 evidenciando como a maior proporção de categoria de transmissão ignorada em mulheres é porque elas próprias desconhecem a forma de contaminação. Assim, esta dificuldade não diz respeito só ao mau preenchimento das fichas de notificação, mas relaciona-se também à dificuldade destas mulheres de relatar sua situação e de desconhecê-la, apesar de ter se contaminado. Esta incerteza foi uma presença constante mesmo naquelas mulheres que informaram que se contaminaram através dos parceiros como pode ser observado pelos registros realizados durante a entrevista comparadas com a opção de resposta, do questionário, parceiro foi o meio de contaminação: M9, 55 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico pediu exame) acha que o parceiro morreu de AIDS, não tem certeza. - o parceiro além de ter tido outras mulheres também usava drogas M10, 21 anos, parceiro eventual, diagnosticada há 8 meses (pré-natal) - o parceiro anterior queria transar de camisinha. Não sabe dizer se ele era positivo. Ele fazia uso de drogas e tinha muitas mulheres. 10 Conjunto de respostas da variável meio de contaminação, na Tabela 5.8, que envolvem o parceiro ou o parceiro anterior. 71 M7, 39 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico pediu exame) - não sabe se o parceiro “do qual se contaminou” era positivo. Quando soube do diagnóstico já estava só. M11, 48 anos, sem parceiro, diagnosticada há 9 anos (adoeceu e médico pediu exame)- A entrevistada afirma ter se contaminado através do seu primeiro companheiro do qual está separada há muitos anos. Contudo não referiu em nenhum momento que ele estava infectado. Teve outros parceiros após a separação. M12, 36 anos, casada, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e médico pediu exame) - mudou o relacionamento com o parceiro. Não sabe se ele é positivo. Ele tem outra mulher, não sabe se essa outra mulher também é positiva. Discutem sobre como a entrevistada se contaminou. Diminuíram o número de relações sexuais. M5, 36 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (adoeceu e médico pediu exame) – informou que foi o ex-parceiro que a contaminou (mas ele não fez exame). A entrevistada diz que tem certeza de que ele é soropositivo pelo fato dele ter sugerido que ela fosse ao médico ver o que tinha. Ao mesmo tempo informou também que ela “ bebia muito, saía com um e outro e foi assim que pegou a doença”. 19,5% das mulheres entrevistadas não sabiam informar a situação sorológica dos companheiros, 22,0% possuem parceiros soropositivos e 17,1% parceiros não soropositivos como pode ser observado na Tabela 5.8. Tabela 5.8: Distribuição das Variáveis sobre Testagem Sorológica, Forma de Contaminação, Soropositividade do Parceiro e Relato da Soropositividade Variável Realização do exame médico conversou bastante sobre o teste médico conversou um pouco sobre o teste não teve aconselhamento médico conversou pouco, mas não sabia Total Antes do exame já tinha pensado ser HIV não se aplica Sim Não Total Situação ao receber o resultado do exame recebeu do médico e ele procurou ajudar recebeu do médico e se sentiu maltratada recebeu do médico que encaminhou para outro profissional N % 11 8 21 1 41 26,8 19,5 51,2 2,4 100 1 10 30 41 2,4 24,4 73,2 100 29 3 3 70,7 7,3 7,3 72 recebeu de outro profissional que procurou te ajudar recebeu do médico e achou que não maltratou nem ajudou Total Contou para alguém Sim Não soube junto com amigo/alguém da família Total Contou para o parceiro não se aplica (sem parceiro) Sim Não Total Meio de contaminação se infectou em transfusão o parceiro usava drogas marido/namorado teve outras parceiras mulheres marido/namorado teve outros parceiros, não sabe se homem ou mulher parceiro a contaminou/não sabe como ele pegou fez uso de drogas injetáveis parceiro anterior a este a contaminou Outros não sabe Total Parceiro atual é HIV não tem parceiro/não se aplica Sim Não não sabe Total 3 3 41 7,3 7,3 100 34 3 4 41 82,9 7,3 9,8 100 9 20 12 41 22 48,8 29,3 100 1 1 14 2 2,4 2,4 34,1 4,9 1 1 7 1 13 41 2,4 2,4 17,1 2,4 31,7 100 17 9 7 8 41 41,5 22,0 17,1 19,5 100 Com relação a prevenção 48,8% das mulheres informaram não ter parceiro ou não manter relações sexuais com este. Entre as que possuem parceiros 11 (52,4%) informaram usar todas as vezes camisinha nas relações sexuais e 4 mulheres (19,0%) soropositivas com parceiros soronegativos informaram não usar camisinha nas relações sexuais. Tabela 5.9: Distribuição das Variáveis Precaução e Forma de Precaução Variável N % 21 20 41 51,2 48,8 100 2 11 2 1 4 1 21 9,5 51,2 9,5 4,8 19,0 4,8 100 Precaução Sim Não se aplica Total Forma de Precaução camisinha raramente camisinha todas as vezes camisinha na maioria das vezes sexo sem penetração não não, os 2 são positivos Total 73 Na Tabela 5.10 observa-se que duas mulheres com parceiros soropositivos responderam à questão precaução não se aplica à ela e uma outra entrevistada com parceiro soronegativo apresentou a mesma resposta à questão prevenção. Três entrevistadas informaram que desconheciam a condição sorológica do companheiro e não usavam métodos de prevenção. Analisou-se a situação de cada uma dessas mulheres buscando compreender o discurso que se vinculava a esta resposta. Tabela 5.10: Relação entre as Variáveis Precaução e Parceiro Atual HIV Parceiro atual é HIV Precaução não se aplica não tem parceiro/não se aplica sim não não sabe Total • sim, camisinha todas as vezes 17 Sim, camisinha raramente - 2 1 20 2 2 Total sim, sexo sem penetração - não - sim, camisinha na maioria das vezes - - Não, os 2 são positivos - 17 4 2 5 11 2 2 1 1 1 3 4 1 1 9 7 8 41 Parceiro HIV e precaução não se aplica: M13, 36 anos, casada, diagnosticada há 6 anos (parceiro adoeceu de AIDS e o médico solicitou o exame) e desde então não manteve mais relações sexuais com o marido. M14, 36 anos, casada, diagnosticada há 1 mês (parceiro adoeceu de AIDS e o médico solicitou o exame), contudo não mantêm relações sexuais com o marido há 1 ano. • Parceiro soronegativo e precaução não se aplica: M15, 26 anos, parceiro fixo, diagnosticada há 4 anos (adoeceu e fizeram o exame sem avisar). Possui um namorado e ainda não manteve relações sexuais com ele. • Parceiro com condição sorológica desconhecida e ausência de métodos de precaução: 74 M16, 39 anos, casada, diagnosticada há 9 anos (exame de sangue de rotina). Quando descobriu que era soropositiva já estava com o atual parceiro. Só contou a situação sorológica para ele porque ela adoeceu. Embora ele tenha feito o exame e o resultado tenha sido negativo a entrevistada acha que ele também é soropositivo. M17, 34 anos, casada, diagnosticada há 5 anos (exame pré-natal). Em relação a forma de infecção acha que foi através do marido que teve outras parceiras. Por outro lado, destaca que ela não teve só este parceiro e não sabe da condição sorológica do marido. M12, 36 anos, casada, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e o médico solicitou o exame). Acha que se infectou com parceiro anterior. • Parceiro soronegativo e não usa precaução M18, 29 anos, casada, diagnosticada há 1 ano (pré-natal) - o parceiro é soronegativo e não gosta de usar preservativo. “Diz que nele não pega” A maioria das mulheres informou ter o conhecimento do uso da camisinha para prevenir a AIDS: 82,9% informaram que o uso da camisinha previne a infecção, 9,8% acharam que não previne e 7,3% não souberam informar (tabela 5.11). Existe uma proporção grande de dúvida desta eficácia. 35,3% das mulheres que informaram que o uso da camisinha previne a infecção destacaram que a prevenção não é 100%, pois a camisinha pode estourar. Desta forma, foi comum escutar respostas do tipo “previne, desde que a camisinha não fure”, “é um risco. Só pega se furar” e “previne até certo ponto, se não estourar”. O uso sistemático da camisinha vinculado ao aumento do risco de infecção quando se tem muitos parceiros sexuais apresentou uma proporção de respostas expressivas: 46,3% acharam que ter muitos parceiros mesmo usando camisinha aumenta o risco de infecção enquanto 41,5% acharam que não. Destacam-se alguns dos argumentos à resposta: 75 M19, 46 anos, casada, diagnosticada há 1 ano (doou sangue)- acha que quando se tem muitos parceiros se cuida mais. M20, 32 anos, casada, diagnosticada há 1 ano e 6 meses (adoeceu e solicitou ao médico o exame) – “Ter muitos parceiros e o aumento do risco de pegar AIDS é relativo. Tem nada a ver. Depende dos parceiros. Com os ex-namorados nunca usei camisinha e não me contaminei através deles” (pediu a todos que fizessem o exame depois que soube de seu resultado e deu negativo. Acha que se contaminou do atual marido, que tinha uma mulher antes de se casar com ela que era HIV). Em relação à pergunta sobre doença sexualmente transmissível 22,0% das mulheres informaram ter tido alguma DST. O não reconhecimento da AIDS como uma DST foi marcante. Apenas uma entrevistada expressou a identidade da AIDS como uma DST: M21, 25 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (filho adoeceu e médico solicitou o exame) – respondeu à pergunta já teve alguma DST: “só está”. A avaliação das informações sobre AIDS foi considerada por 41,5% das mulheres como esclarecedora e insuficiente por 29,3% (até certo ponto e não sabe). A proporção de respostas não se aplica (7,3%) são de mulheres que informaram que não haviam lido ou escutado alguma sobre AIDS até o diagnóstico ou próximo a este. A quantidade de parceiros sexuais foi referida como um fator que aumenta o risco de infecção (95,1%) e todas concordaram que o vírus pode ser transmitido por uma pessoa que não aparenta estar doente. Tabela 5.11:Distribuição das Variáveis sobre Acometimento por DST e Informação sobre Contaminação em Função do Número de Parceiros e Uso de Camisinha Variável DST N % 76 Sim Não Total 9 32 22,0 78,0 41 100 Informação esclarecedora não se aplica 3 Sim 17 Não 3 até certo ponto 12 não sabe 6 Total 41 Muitos parceiros aumenta o risco sim 39 não 1 não sabe 1 Total 41 Camisinha previne sim 34 não 4 não sabe 3 Total 41 Usar sempre camisinha e ter muitos parceiros, significa ter maior risco sim 19 não 17 não sabe 5 Total 41 7,3 41,5 7,3 29,3 14,6 100 95,1 2,4 2,4 100 82,9 9,8 7,3 100 46,3 41,5 12,2 100 Mais da metade das entrevistadas demonstrou ter conhecimento sobre direitos relacionados à questão do sigilo da condição sorológica (92,7%) e direito ao passe transporte (95,1%). Mas a proporção de desconhecimento sobre alguns direitos também foi expressiva: 43,9% informaram que não sabiam que tinham direito a pedir auxílio doença caso estivessem trabalhando e 31,7% não sabiam que tinham direito a não ser demitidas por serem soropositivas, Tabela 5.12. Tabela 5.12:Distribuição das Variáveis sobre Conhecimento acerca dos Direitos de Pessoas Soropositivas Variável Direito a pedir auxílio sim não Total Direito a passe transporte sim não Total Direito a não ser demitido por ser soropositiva sim não Total Direito a sigilo sim não Total N % 23 18 41 56,1 43,9 100 39 2 41 95,1 4,9 100 28 13 41 68,3 31,7 100 38 3 41 92,7 7,3 100 77 Muitas mulheres informaram ter tido oportunidade suficiente para desabafar (31,7%). Contudo foram expressivos os comentários de 12,2% das entrevistadas sobre a necessidade de falar mais sobre a doença. M9, 55 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico solicitou o exame) – informou que “fica atras de alguém para conversar, desabafar, por isso fica atrás do “serviço”. A entrevistada disse que gosta de conversar, de falar sobre a doença, mas não tem com quem conversar. M22, 15 anos, sem parceiro, diagnosticada há 1 mês (pré-natal)– “a única pessoa com quem desabafo é Deus.” Nas respostas à questão conselho 34,1% das entrevistadas informaram que gostariam de receber mais conselhos (muito mais e um pouco mais). 39,1% informaram que gostariam de ter tido mais distração11 e 31,7% tiveram distração suficiente. Com relação a receber ajuda, 53,7% informaram que gostariam de ter recebido mais ajuda e 29,3% acham que receberam ajuda suficiente - Tabela 5.13. Tabela 5.13: Distribuição das Variáveis sobre Lazer e Apoio Variável Desabafar muito mais oportunidade um pouco mais de oportunidade foi suficiente não teve oportunidade é difícil pensar nisso nunca pensou sobre isso Total Conselho muito mais conselho um pouco mais de conselho teve conselho suficiente é difícil pensar sobre isso é indiferente nunca pensou sobre isso Total Distração mais oportunidade 11 N % 9 3 13 3 5 8 41 22,0 7,3 31,7 7,3 12,2 19,5 100,0 6 8 7 3 5 12 41 14,6 19,5 17,1 7,3 12,2 29,3 100,0 12 29,3 Embora não se tenha determinado para as entrevistadas o que seria distração ou ajuda, estes termos foram compreendidos na análise como lazer e apoio, respectivamente. 78 um pouco mais de oportunidade teve distração suficiente é difícil pensar nisso é indiferente nunca pensou sobre isso Total Ajuda muito mais um pouco mais teve ajuda suficiente nunca pensou nisso Total 4 13 2 3 7 41 9,8 31,7 4,9 7,3 17,1 100,0 9 13 12 7 41 22,0 31,7 29,3 17,1 100,0 O estado de saúde foi percebido pela maioria como bom ou ótimo (78,1%) e por 19,5% como não muito bom. A proporção de mulheres que toma medicamento foi de 82,9% enquanto 4,9% optou por não tomar. Um grupo de mulheres (12,2%) não tomava medicamentos porque ainda não havia sido recomendado – Tabela 5.14. M23, 24 anos, casada, diagnosticada há 1 ano e 7 meses (doou sangue) - Só tomou o medicamento uma vez. Parou o tratamento e nunca mais retornou Todas entrevistadas informaram não automedicar-se e 31,7% informaram a utilização de métodos alternativos. Todas mulheres que informaram utilizar método alternativo citaram unicamente a oração como este método. Tabela 5.14: Distribuição das Variáveis Relacionadas à Percepção do Estado de Saúde e ao Tratamento Variável Estado de saúde Ótimo Bom não muito bom Ruim Total Uso de medicação Sim Não o médico não indicou Total Regularidade do uso de medicamentos não se aplica (não foi indicado) toma raramente toma as vezes toma regularmente toma sempre optou por não tomar a medicação Total Toma medicamento alternativo Sim Não Total Métodos alternativos de tratamento/ajuda Sim Não N % 15 17 8 1 41 36,6 41,5 19,5 2,4 100 34 2 5 41 82,9 4,9 12,2 100 6 1 2 7 23 2 41 14,6 2,4 4,9 17,1 56,1 4,9 100 5 36 41 12,2 87,8 100 13 28 31,7 68,3 79 Total 41 100 61% das entrevistadas afirmaram ingerir bebida alcóolica. Quanto ao uso de drogas 9,7% das entrevistadas afirmaram usar maconha e também 9,7% cocaína como pode ser observado no Gráfico 5.3. Todas as entrevistadas informaram não fazer uso de seringa compartilhada, crack e cocaína injetada. Gráfico 5.2: Uso e Freqüência de Drogas uso de álcool + de uma por semana 4,9% não se aplica 39,0% +/- 1 v ez por semana 36,6% menos de 1 v ez por mês 1 a 3 v ezes por mês 7,3% 12,2% uso de maconha + de 1 vez por semana 7,3% menos de 1 vez por mês 2,4% não se aplica 90,2% 80 + de 1 vez por semana 2,4% +/- 1 vez por semana 4,9% menos de 1vez por mês uso de cocaína 2,4% não se aplica 90,2% Em relação a quantidade de parceiros sexuais que tiveram até aquele momento 24,4% das entrevistadas não souberam informar, como pode ser observado no gráfico 5.3. Gráfico 5.3: Quantidade de parceiros sexuais 12 24,4% 22,2% 10 8 14,6% 12,2% 6 7,3% 4 Mulheres 4,9% 4,9% 4,9% 2,4% 2,4% 2 0 1 3 2 5 4 7 6 10 8 não sabe quantidade de parceiros A maior parte das mulheres informou que houve mudança na vida (65,9%) e mudança na vida sexual (68,3%) após o diagnóstico. 81 Tabela 5.15: Mudanças na Vida e na Vida Sexual depois do Diagnóstico Mudança na vida Mudança na vida sexual N % N % Sim 27 65,9 28 68,3 Não 14 34,1 12 29,3 Sim, mas não devido ao diagnóstico Total - - 1 2,4 41 100 41 100 Algumas mulheres responderam que a condição de soropositividade não trouxe mudanças em suas vida. Foi possível observar contradições na fala destas mulheres, como mostram os exemplos abaixo: M25, 52 anos, sem parceiro, diagnosticada há 4 anos (exame de sangue de rotina) – “Nada mudou. Esqueço que tô soropositiva, não quero pensar sobre isso. Toco a vida normalmente.” Embora tenha dito que nada mudou, a entrevistada disse que não tem mais parceiro. Sente falta de alguém (mas que ela está chata mesmo e que por isso fica só). M14, 43 anos, casada, diagnosticada há 1 mês (parceiro adoeceu e médico solicitou o exame) –“ nada mudou. Agora sinto-me mais forte. Tem dia que bate tristeza...Continuo cuidando do marido. Ele não conversa, não tem postura de amigo, não reconhece.” A entrevistada informou também que não tem relação sexual há mais de um ano. Mesmo mudanças envolvendo aspectos positivos não foram percebidos como mudanças, como mostra a fala abaixo: M24, 25 anos, parceiro fixo, diagnosticada há 2 anos (parceiro adoeceu) - embora tenha dito que nada mudou em sua vida após o diagnóstico, disse que “se mudou foi para melhor. Acho que aproveito a vida mais que as outras pessoas” 82 Foram apontadas como mudanças a falta de alegria, o retraimento, insegurança, depressão, cansaço, falta de vontade de viver, falta de saúde, medo do preconceito, ausência e medo de ter relações sexuais. M26, 49 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico solicitou o exame) - passou a ter medo e deixou de ter relações sexuais. Sentiu muita mudança. M4, 22 anos, sem parceiro, diagnosticada há 2 anos (parceiro adoeceu e médico solicitou exame) - Mudou porque fica com medo de sair com as pessoas e passar a doença. Sabe que tem, que pode passar e não pode contar M27, 37 anos, casada, diagnosticada há 4 anos (adoeceu e serviço de saúde fez exame sem avisar) - Tudo. Com relação a sexo não tem mais a vontade que tinha. Pensar que tem isso entristece O preconceito: M28, 48 anos, casada, diagnosticada há 3 anos ( adoeceu e médico pediu exame)- “Muita. A maneira de pensar, de agir, o conceito de vida. As expectativas de vida. Avalia se vale a pena comprar ou não as coisas. Vive muito em função dos problemas mesmo que não queira, vive-se em função dele”. Os filhos controlam muito no sentido de que outras pessoas não saibam sobre a condição da mãe M2, não soube informar a idade, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e médico pediu o exame) - ficou muito abalada. Só faltou se matar. Sente-se desgostosa. Depois que ficou sabendo disso nem sai mais na rua. Sentiu-se humilhada M23, 24 anos, casada, diagnosticada há 1 ano e 7 meses (doou sangue) - depois que ficou sabendo que era soropositiva vive cada dia como se fosse o último. Quando soube do resultado deu a filha para mãe. Não tem vontade de nada. Ficou fria. Quer ficar sozinha. Não admite que ninguém goste dela, se isolou. M18, 29 anos, casada diagnosticada há 1 ano (pré-natal) - nada mudou. Fica um pouco diferente, mais insegura, mas tem que continuar. As vezes quer olhar para trás e se imaginar sem isso, mas... 83 M21, 25 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (filho adoeceu e médico solicitou o exame) No começo ficou muito chorona. Também por causa da filha: sabendo que ela estava doente e que não poderia fazer nada. Medo dos irmãos descobrirem. Mesmo lendo livro que falava sobre a AIDS, pegou. Lamentou que “a gente pensa que não vai acontecer com a gente” 84 6 – Conclusões A utilização da análise espacial como técnica para estudar a configuração da epidemia de AIDS em mulheres no município do Rio de Janeiro a partir dos casos de AIDS notificados ao SINAN possibilitou relacionar os casos de AIDS, localizados segundo o local de residência, com indicadores sociais e econômicos. As redes de trocas que se estabeleceram, produzindo as diferenças visualizadas nos mapas, não puderam ser respondidas através da análise espacial. A oportunidade da aplicação do questionário em mulheres que residem em uma área característica dos processos de feminização e pauperização – adjacências do núcleo 2 - possibilitou conhecer melhor as condições de vida que favoreceram a exposição. Embora não se possa generalizar os resultados encontrados por não se tratar de uma amostra representativa, eles indicaram a necessidade de se compreender as mulheres em sua diversidade: mulheres predominantemente de baixa renda, baixa escolaridade, com filhos, porém com “estratégias de enfrentamento” da condição de soropositividade muito diferenciadas. A análise espacial mostrou que o crescimento da epidemia de AIDS em mulheres além de estar se acentuando, apresenta um processo de difusão diferenciado dentro do município, atingindo principalmente bairros da Zona Norte e Oeste. Foi possível também visualizar 2 núcleos de maior incidência de AIDS em mulheres: um núcleo localizado na Zona Centro/Portuária e outro na Zona Norte. A análise da incidência de AIDS em mulheres em bairros vizinhos à estes núcleos mostrou uma tendência de crescimento da epidemia sugerindo uma ampliação progressiva dos mesmos. Apesar do crescimento entre as mulheres, a epidemia de AIDS ainda é bem maior nos homens. A difusão da AIDS em homens no município do Rio de 85 Janeiro apresenta um deslocamento da Zona Sul para Zona Norte do município com alta incidência também no Centro da cidade, atingindo a Zona Oeste com taxas de incidência superiores a feminina. O processo de disseminação da epidemia para as regiões Oeste e Norte do município, regiões com condições de vida mais precárias, atingindo grupos sociais menos favorecidos, está de acordo com estudos que mostraram o aumento de casos de AIDS em regiões mais pobres (Granjeiro, 1994). A análise do percentual de escolaridade permitiu visualizar o processo de pauperização dos casos notificados e a concentração de um maior percentual de baixa escolaridade (até 4ª série) na Zona Norte e Oeste do município. A escolaridade dos casos de AIDS, femininos e masculinos, mostrou-se menor que a da população geral com uma tendência de queda desta escolaridade. A escolaridade dos casos em mulheres foi menor do que a dos casos em homens e além disso entre as mulheres apareceu uma tendência de aumento na proporção de casos com a escolaridade ignorada. A ignorância acerca da forma de transmissão é proporcionalmente mais freqüente nas mulheres do que nos homens. Observou-se que esta categoria vem aumentando mais para as mulheres do que para os homens. No geral, nas mulheres há uma maior proporção de casos com modo de transmissão ignorado nas regiões Norte e Oeste do município. A maior proporção de ignorados no modo de transmissão e na escolaridade de casos notificados em mulheres e a configuração espacial mostrando uma predominância destas ocorrências na Zona Norte e Oeste sugere que a investigação dos casos femininos seja de pior qualidade. A maior proporção de casos de AIDS notificados em homens e mulheres ocorreu na faixa etária 25–34 anos, grupo etário com crescimento mais intenso na incidência de casos. Este grupo etário tem sido apresentado pela literatura como o que concentra maior número de casos femininos e que vem apresentando 86 maior incidência de óbitos em mulheres (MS, 1999; OMS/ONUSIDA, 1998; Diniz e Villela, 1999). A razão de casos entre H/M foi maior na Zona Sul e Centro, bairros onde foram detectados os primeiros casos da doença. Foi possível observar, no geral, uma predominância marcada por uma razão H/M de até 4. O processo de feminização atinge todo o município do Rio de Janeiro. A análise dos questionários aplicados ao grupo de mulheres soropositivas do CSEGSF mostrou tratar-se de um grupo caracteristicamente de baixa renda, com uma concentração de casos com escolaridade até 4ª série, sendo expressiva também a proporção de casos com escolaridade de 5ª a 8ª série. A proporção de mulheres que informou não ter tido nenhum tipo de aconselhamento na época em que foi realizado o exame de soropositividade foi acentuado, indicando a pouca atenção dispensada a elas. A maior parte das mulheres soube do diagnóstico porque adoeceu. Mais da metade das mulheres entrevistadas soube do diagnóstico há menos de 2 anos, a maioria devido ao pré-natal/parto. Estes dados corroboram a literatura: as mulheres tendem a conhecer o seu diagnóstico no pré-natal/parto, quando elas adoecem ou quando adoecem seus companheiros e filhos (Barbosa, 1996; Vermelho, 1999). Apesar das campanhas de prevenção da AIDS, não parece estar ocorrendo mudanças significativas na percepção de risco destas mulheres. O grupo de mulheres que respondeu ao questionário apresentou também atitudes diferenciadas em relação a vida sexual após o diagnóstico, umas optaram pela abstinência e outras mantiveram uma vida sexual. A falta de conhecimento da condição de sorológica do companheiro em algumas relações ressaltou a falta de comunicação entre parceiros. Em algumas situações esta falta de comunicação não interrompeu o relacionamento sexual, que nem sempre é acompanhado do uso da camisinha, nem mesmo do esclarecimento ao companheiro da condição de soropositividade. 87 A maioria das mulheres reconheceu o uso da camisinha como forma de prevenção da AIDS, embora muitas tenham feito ressalvas a sua eficácia. O uso da camisinha também foi referido como uma prática destas mulheres. Contudo informações junto à equipe DST/AIDS do CSEGSF mostraram que esta informação não é muito confiável, pois poucas mulheres do grupo utilizam sistematicamente o serviço de distribuição gratuita de camisinha da unidade de saúde. Além disso, 5 mulheres do grupo realizaram teste de gravidez após o término da aplicação dos questionários, estando 3 delas grávidas. Constatou-se a falta de clareza das mulheres sobre o modo com que se contaminaram, (31,7%) afirmaram não saber e, além disso, evidenciou-se esta incerteza também na fala de algumas mulheres que responderam terem sido contaminadas pelos parceiros. Este resultado sugere que a maior proporção de casos de transmissão ignorada em mulheres na análise dos dados do SINAN, não é apenas por mau preenchimento da ficha ou pior qualidade do atendimento, mas também pelo desconhecimento das próprias mulheres a esse respeito. O estudo mostrou que a difusão da AIDS apresenta uma realidade distinta entre homens e mulheres. As mulheres apresentaram desvantagens na qualidade dos dados registrados. Observou-se que esta fragilidade da informação relacionouse a uma pior qualidade da investigação dos casos femininos, ao desconhecimento por elas próprias da forma de contaminação e da dificuldade de se falar sobre a AIDS. 88 Referências Bibliográficas AYRES, J. R. C. M.; JUNIOR, I. F. & CALAZANS, G. J., 1999. 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Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15(2):369-379. 95 ANEXOS 96 Anexo 2.1 - Taxa de Crescimento Populacional no Município do Rio de Janeiro Homens - Todas as Idades Pop.1980 5086570 Total Bairro SAUDE GAMBOA SANTO CRISTO CAJU CENTRO CATUMBI RIO COMPRIDO CIDADE NOVA ESTACIO SAO CRISTOVAO MANGUEIRA BENFICA PAQUETA SANTA TERESA FLAMENGO GLORIA LARANJEIRAS CATETE COSME VELHO BOTAFOGO HUMAITA URCA LEME COPACABANA IPANEMA LEBLON LAGOA JARDIM BOTANICO GAVEA VIDIGAL SAO CONRADO PRACA DA BANDEIRA TIJUCA ALTO DA BOA VISTA MARACANA VILA ISABEL ANDARAI GRAJAU MANGUINHOS BONSUCESSO RAMOS OLARIA PENHA PENHA CIRCULAR BRAS DE PINA CORDOVIL PARADA DE LUCAS VIGARIO GERAL JARDIM AMERICA HIGIANOPOLIS JACARE MARIA DA GRACA DEL CASTILHO Código 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 1979 2448 8191 8173 8711 35454 5881 22299 7893 5014 25118 13556 11501 5036 23124 25560 2232 21378 11089 1644 35778 7831 5210 6515 62758 22172 25358 8643 9293 25835 5502 3919 7165 85369 5518 15009 40617 23068 25681 21283 23632 49313 31873 36612 20688 31074 25333 12117 21201 17053 11070 29095 6475 12063 1980 2329 7921 7955 8704 34269 5874 22037 7436 5264 24711 13022 11309 4576 22947 25417 2348 21396 11019 1747 35762 7769 5044 6467 62921 22078 25094 8714 9240 26080 5524 3968 6900 84489 5446 14822 40351 22727 25060 21700 24000 49424 31704 36379 20759 30827 25116 12017 20885 16693 10806 28630 6247 11700 1981 2215 7659 7744 8697 33123 5867 21778 7006 5526 24311 12509 11120 4157 22772 25274 2470 21414 10949 1856 35746 7707 4882 6420 63085 21985 24833 8785 9187 26327 5547 4018 6646 83617 5376 14637 40086 22391 24454 22125 24373 49536 31535 36147 20831 30582 24900 11919 20574 16341 10549 28172 6027 11348 1982 2108 7406 7538 8691 32016 5859 21521 6600 5801 23918 12016 10934 3777 22598 25132 2599 21432 10880 1973 35729 7645 4726 6373 63249 21892 24574 8857 9135 26577 5570 4069 6400 82754 5307 14455 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24056 11532 19375 15007 9580 26414 5222 10041 1986 1726 6476 6767 8663 27944 5830 20526 5199 7047 22407 10230 10220 2574 21916 24574 3184 21504 10608 2516 35665 7404 4150 6190 63910 21523 23567 9150 8929 27598 5663 4278 5507 79392 5038 13749 38789 20783 21638 24379 26330 50099 30706 35010 21192 29388 23849 11438 19087 14691 9351 25992 5039 9739 1980-1991 1991-1996 1987 1642 6262 6587 8656 27010 5823 20284 4898 7398 22044 9827 10049 2339 21749 24436 3350 21522 10541 2674 35649 7345 4018 6145 64076 21431 23322 9225 8878 27860 5687 4332 5304 78573 4973 13578 38534 20476 21115 24856 26739 50213 30543 34787 21265 29155 23645 11344 18802 14381 9129 25576 4861 9445 1,05430 1,00198 1988 1562 6055 6411 8649 26107 5816 20045 4614 7766 21687 9440 9881 2125 21583 24299 3524 21541 10475 2841 35633 7287 3889 6100 64243 21340 23079 9300 8828 28124 5711 4386 5108 77762 4909 13409 38281 20173 20604 25343 27155 50327 30381 34565 21339 28923 23442 11251 18522 14078 8911 25168 4690 9161 1989 1486 5855 6241 8643 25234 5808 19810 4347 8153 21336 9068 9715 1931 21418 24163 3708 21559 10409 3019 35617 7229 3765 6056 64410 21250 22839 9376 8778 28390 5734 4441 4919 76960 4845 13242 38030 19875 20106 25840 27578 50440 30219 34344 21412 28694 23240 11158 18247 13782 8699 24765 4525 8885 1990 1414 5662 6075 8636 24390 5801 19576 4095 8560 20991 8710 9553 1754 21254 24028 3901 21577 10343 3209 35601 7171 3645 6012 64578 21160 22601 9453 8728 28659 5758 4497 4738 76166 4783 13077 37781 19581 19620 26346 28007 50555 30059 34126 21486 28466 23041 11067 17975 13491 8492 24369 4366 8618 1991 1345 5475 5913 8629 23575 5794 19346 3858 8986 20651 8367 9393 1594 21092 23893 4104 21595 10278 3410 35585 7114 3528 5968 64746 21070 22366 9530 8678 28931 5782 4554 4563 75380 4721 12914 37533 19291 19146 26862 28443 50669 29899 33908 21560 28240 22843 10976 17707 13207 8290 23980 4212 8358 1992 1280 5294 5756 8622 22787 5787 19118 3635 9434 20317 8037 9236 1448 20931 23759 4318 21613 10213 3624 35569 7057 3415 5925 64915 20981 22133 9608 8629 29205 5806 4611 4395 74602 4660 12753 37287 19006 18683 27388 28886 50784 29740 33692 21634 28016 22647 10886 17443 12929 8093 23597 4064 8106 1993 1217 5119 5602 8615 22025 5780 18893 3424 9904 19988 7720 9081 1316 20771 23626 4543 21631 10149 3851 35553 7001 3306 5881 65083 20892 21903 9686 8580 29482 5830 4669 4232 73833 4600 12594 37042 18725 18232 27925 29335 50899 29582 33477 21709 27794 22452 10797 17183 12656 7900 23220 3921 7862 1994 1158 4950 5453 8609 21289 5772 18671 3226 10397 19664 7416 8929 1196 20613 23494 4779 21650 10085 4093 35537 6945 3200 5839 65253 20803 21675 9766 8531 29761 5854 4728 4076 73071 4540 12438 36799 18448 17791 28472 29792 51014 29425 33264 21784 27573 22260 10708 16928 12390 7712 22849 3783 7625 Bairro INHAUMA ENGENHO DA RAINHA TOMAS COELHO SAO FRANCISCO XAVIER ROCHA RIACHUELO SAMPAIO ENGENHO NOVO LINS DE VASCONCELOS MEIER TODOS OS SANTOS CACHAMBI ENGENHO DE DENTRO AGUA SANTA ENCANTADO PIEDADE ABOLICAO PILARES VILA KOSMOS VICENTE DE CARVALHO VILA DA PENHA VISTA ALEGRE IRAJA COLEGIO CAMPINHO QUINTINO CAVALCANTI ENGENHEIRO LEAL CASCADURA MADUREIRA VAZ LOBO TURIACU ROCHA MIRANDA HONORIO GURGEL OSWALDO CRUZ BENTO RIBEIRO MARECHAL HERMES RIBEIRA ZUMBI CACUIA PITANGUEIRAS PRAIA DA BANDEIRA COCOTA BANCARIOS FREGUESIA JARDIM GUANABARA JARDIM CARIOCA TAUA MONERO PORTUGUESA GALEAO CIDADE UNIVERSITARIA GUADALUPE ANCHIETA PARQUE ANCHIETA RICARDO DE ALBUQUERQUE COELHO NETO ACARI BARROS FILHO Código 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 1979 36627 14411 8060 5689 3983 8269 5782 22530 17199 32569 8445 21198 26271 6516 10616 23357 7764 17379 8801 16718 12580 3416 53034 12164 3925 18527 7217 2501 17096 26767 7051 7921 18930 12672 17073 26361 23685 1419 550 3563 7011 3721 1890 4586 7229 14067 11615 14995 3727 10493 7524 841 20806 18652 11948 9927 18536 10042 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GARDENIA AZUL CIDADE DE DEUS CURICICA FREGUESIA (JACAREPAGUA) PECHINCHA TAQUARA TANQUE PRACA SECA VILA VALQUEIRE JOA ITANHANGA BARRA DA TIJUCA CAMORIM VARGEM PEQUENA VARGEM GRANDE RECREIO DOS BANDEIRANTES GRUMARI DEODORO VILA MILITAR CAMPO DOS AFONSOS JARDIM SULACAP MAGALHAES BASTOS REALENGO PADRE MIGUEL BANGU SENADOR CAMARA SANTISSIMO CAMPO GRANDE SENADOR VASCONCELOS INHOAIBA COSMOS PACIENCIA SANTA CRUZ SEPETIBA GUARATIBA BARRA DE GUARATIBA PEDRA DE GUARATIBA POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS) Código 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 1979 1781 35010 20442 6350 2367 20809 7067 20158 15060 45852 16722 23075 12699 414 3224 17093 3 339 2550 3395 49 6671 4610 1767 3336 11044 77617 29449 78898 43909 9858 109042 7985 10131 24021 19185 49822 10470 14744 1420 2757 1980 1994 35615 21141 6506 2511 20581 7298 20391 14921 45538 16498 23228 12746 415 3327 17982 4 387 2610 3626 50 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1,009 1,004 1,013 0,963 0,990 0,987 0,988 0,993 0,985 0,976 1,020 1,016 1,002 0,995 0,994 1,003 0,992 0,991 0,992 0,985 0,979 0,976 0,984 0,965 0,970 Bairro INHAUMA ENGENHO DA RAINHA TOMAS COELHO SAO FRANCISCO XAVIER ROCHA RIACHUELO SAMPAIO ENGENHO NOVO LINS DE VASCONCELOS MEIER TODOS OS SANTOS CACHAMBI ENGENHO DE DENTRO AGUA SANTA ENCANTADO PIEDADE ABOLICAO PILARES VILA KOSMOS VICENTE DE CARVALHO VILA DA PENHA VISTA ALEGRE IRAJA COLEGIO CAMPINHO QUINTINO CAVALCANTI ENGENHEIRO LEAL CASCADURA MADUREIRA VAZ LOBO TURIACU ROCHA MIRANDA HONORIO GURGEL OSWALDO CRUZ BENTO RIBEIRO MARECHAL HERMES RIBEIRA ZUMBI CACUIA PITANGUEIRAS PRAIA DA BANDEIRA COCOTA BANCARIOS FREGUESIA JARDIM GUANABARA JARDIM CARIOCA TAUA MONERO PORTUGUESA GALEAO CIDADE UNIVERSITARIA GUADALUPE ANCHIETA PARQUE ANCHIETA RICARDO DE ALBUQUERQUE COELHO NETO ACARI BARROS FILHO Código 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 1995 29826 12522 9987 3201 4811 5726 6037 21326 16799 22911 10085 18723 20803 4060 7358 20360 5424 12827 8218 11822 11902 4061 46170 14092 4349 14398 6678 2838 15085 23297 6086 7921 19058 10500 16478 21038 22139 1521 943 4280 6260 3012 2262 5628 8243 13317 10909 15004 2887 10528 8943 801 20966 24146 12526 12629 16167 11120 8460 1996 29446 12413 10122 3088 4868 5596 6053 21253 16774 22413 10197 18578 20502 3942 7191 20186 5304 12586 8183 11569 11861 4105 45772 14222 4377 14173 6646 2861 14967 23096 6030 7921 19066 10377 16442 20743 22046 1528 975 4329 6216 2972 2288 5700 8311 13272 10866 15005 2841 10530 9040 799 20976 24539 12563 12820 16029 11191 8386 1997 29070 12305 10259 2979 4926 5469 6069 21180 16749 21926 10311 18434 20205 3827 7028 20014 5186 12349 8148 11321 11820 4150 45377 14353 4405 13951 6614 2884 14850 22896 5975 7921 19074 10256 16406 20453 21953 1535 1008 4379 6172 2933 2314 5773 8379 13227 10824 15006 2796 10532 9138 797 20986 24938 12600 13014 15893 11263 8313 1998 28700 12197 10397 2874 4984 5345 6086 21108 16725 21449 10426 18292 19913 3716 6869 19842 5071 12117 8113 11079 11779 4195 44986 14486 4433 13733 6582 2907 14735 22699 5920 7921 19082 10136 16369 20166 21861 1541 1043 4429 6129 2894 2340 5848 8448 13181 10781 15006 2752 10534 9237 794 20996 25344 12637 13212 15757 11335 8240 1999 28334 12090 10537 2772 5043 5223 6102 21035 16700 20983 10542 18150 19624 3607 6713 19673 4959 11889 8079 10841 11739 4240 44598 14620 4462 13519 6550 2930 14620 22503 5866 7921 19090 10018 16333 19884 21769 1548 1079 4480 6085 2856 2366 5923 8518 13136 10739 15007 2708 10537 9338 792 21006 25756 12675 13412 15623 11407 8168 2000 27972 11985 10679 2674 5103 5105 6119 20963 16675 20526 10659 18010 19340 3502 6561 19505 4849 11666 8044 10609 11698 4286 44213 14755 4491 13307 6518 2953 14506 22308 5812 7921 19098 9901 16297 19606 21677 1555 1115 4532 6042 2819 2393 5999 8588 13092 10697 15007 2665 10539 9439 790 21016 26175 12712 13615 15490 11480 8096 taxa cresc 91-96 0,987 0,991 1,013 0,965 1,012 0,977 1,003 0,997 0,999 0,978 1,011 0,992 0,986 0,971 0,977 0,991 0,978 0,981 0,996 0,979 0,997 1,011 0,991 1,009 1,006 0,984 0,995 1,008 0,992 0,991 0,991 1,000 1,000 0,988 0,998 0,986 0,996 1,004 1,034 1,012 0,993 0,987 1,011 1,013 1,008 0,997 0,996 1,000 0,984 1,000 1,011 0,997 1,000 1,016 1,003 1,015 0,991 1,006 0,991 Bairro COSTA BARROS PAVUNA JACAREPAGUA ANIL GARDENIA AZUL CIDADE DE DEUS CURICICA FREGUESIA (JACAREPAGUA) PECHINCHA TAQUARA TANQUE PRACA SECA VILA VALQUEIRE JOA ITANHANGA BARRA DA TIJUCA CAMORIM VARGEM PEQUENA VARGEM GRANDE RECREIO DOS BANDEIRANTES GRUMARI DEODORO VILA MILITAR CAMPO DOS AFONSOS JARDIM SULACAP MAGALHAES BASTOS REALENGO PADRE MIGUEL BANGU SENADOR CAMARA SANTISSIMO CAMPO GRANDE SENADOR VASCONCELOS INHOAIBA COSMOS PACIENCIA SANTA CRUZ SEPETIBA GUARATIBA BARRA DE GUARATIBA PEDRA DE GUARATIBA POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS) Código 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 1995 10790 46064 35004 9360 6077 17440 11808 24223 12985 41074 13467 25645 13474 430 5335 38491 213 2811 3703 9727 61 5242 6993 740 5041 11320 80306 29494 107820 48339 13041 121417 11844 23020 26388 30691 85553 13650 29608 2322 3889 1996 12076 46861 36201 9590 6446 17248 12193 24503 12865 40793 13286 25815 13524 431 5506 40494 277 3208 3790 10388 62 5164 7177 701 5173 11337 80477 29497 109945 48630 13271 122235 12139 24232 26543 31606 88493 13878 30927 2394 3974 2608229 1997 13515 47672 37439 9825 6837 17059 12591 24786 12746 40513 13107 25986 13574 432 5682 42601 360 3661 3879 11094 63 5087 7366 664 5308 11354 80648 29500 112112 48923 13505 123059 12442 25507 26699 32548 91534 14110 32305 2469 4060 1998 15125 48496 38719 10067 7252 16871 13001 25072 12629 40236 12931 26158 13624 433 5864 44819 467 4178 3971 11849 64 5011 7561 629 5447 11372 80820 29503 114322 49218 13743 123889 12752 26850 26857 33518 94681 14346 33743 2546 4149 1999 16928 49335 40042 10314 7692 16686 13425 25362 12512 39960 12757 26331 13675 434 6051 47151 607 4768 4065 12655 65 4936 7760 595 5589 11390 80993 29505 116575 49514 13986 124724 13070 28263 27015 34517 97935 14586 35246 2625 4239 2000 18945 50189 41411 10567 8159 16503 13862 25655 12397 39686 12586 26506 13726 435 6245 49605 788 5442 4160 13515 65 4862 7965 564 5735 11407 81165 29508 118873 49813 14232 125565 13396 29751 27174 35545 101301 14830 36816 2707 4331 taxa cresc 91-96 1,119 1,017 1,034 1,025 1,061 0,989 1,033 1,012 0,991 0,993 0,987 1,007 1,004 1,002 1,032 1,052 1,299 1,141 1,024 1,068 1,013 0,985 1,026 0,947 1,026 1,002 1,002 1,000 1,020 1,006 1,018 1,007 1,025 1,053 1,006 1,030 1,034 1,017 1,045 1,031 1,022 Anexo 2.2 - Taxa de Crescimento Populacional no Município do Rio de Janeiro Mulheres - Todas as Idades Pop.1980 5086570 Total Bairro SAUDE GAMBOA SANTO CRISTO CAJU CENTRO CATUMBI RIO COMPRIDO CIDADE NOVA ESTACIO SAO CRISTOVAO MANGUEIRA BENFICA PAQUETA SANTA TERESA FLAMENGO GLORIA LARANJEIRAS CATETE COSME VELHO BOTAFOGO HUMAITA URCA LEME COPACABANA IPANEMA LEBLON LAGOA JARDIM BOTANICO GAVEA VIDIGAL SAO CONRADO PRACA DA BANDEIRA TIJUCA ALTO DA BOA VISTA MARACANA VILA ISABEL ANDARAI GRAJAU MANGUINHOS BONSUCESSO RAMOS OLARIA PENHA PENHA CIRCULAR BRAS DE PINA CORDOVIL PARADA DE LUCAS VIGARIO GERAL JARDIM AMERICA HIGIANOPOLIS JACARE MARIA DA GRACA DEL CASTILHO Código 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 1979 1910 8689 8229 8443 35086 6424 26031 7840 3181 27484 13859 12664 5083 24336 36182 2735 28555 13151 2142 46374 9838 6208 8579 90914 29008 30268 9779 11319 27711 5944 4576 7590 105047 6723 18065 48038 28533 29609 21897 25363 53507 34542 39778 22778 34145 24991 12496 21798 16980 12141 28119 7472 12413 1980 1844 8429 8061 8489 34167 6448 25748 7405 3407 27011 13389 12465 4631 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BANDEIRANTES GRUMARI DEODORO VILA MILITAR CAMPO DOS AFONSOS JARDIM SULACAP MAGALHAES BASTOS REALENGO PADRE MIGUEL BANGU SENADOR CAMARA SANTISSIMO CAMPO GRANDE SENADOR VASCONCELOS INHOAIBA COSMOS PACIENCIA SANTA CRUZ SEPETIBA GUARATIBA BARRA DE GUARATIBA PEDRA DE GUARATIBA POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS) Código 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 1979 1828 36681 21988 6752 2634 22347 7391 22288 16207 47982 16834 28079 13576 464 2944 16590 6 370 2271 2770 49 7040 4573 948 3657 11177 81234 31549 85461 44728 9848 112009 8346 10180 24487 19488 51061 10337 14270 1305 2872 1980 2052 37414 22670 6924 2781 22140 7638 22564 16133 47844 16689 28186 13672 458 3058 17526 7 421 2336 2988 49 6951 4713 933 3749 11246 81650 31621 87030 45115 10042 113055 8571 10742 24669 20107 52920 10555 14923 1350 2935 1981 2303 38161 23373 7100 2935 21934 7895 22844 16059 47707 16546 28292 13768 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RAINHA TOMAS COELHO SAO FRANCISCO XAVIER ROCHA RIACHUELO SAMPAIO ENGENHO NOVO LINS DE VASCONCELOS MEIER TODOS OS SANTOS CACHAMBI ENGENHO DE DENTRO AGUA SANTA ENCANTADO PIEDADE ABOLICAO PILARES VILA KOSMOS VICENTE DE CARVALHO VILA DA PENHA VISTA ALEGRE IRAJA COLEGIO CAMPINHO QUINTINO CAVALCANTI ENGENHEIRO LEAL CASCADURA MADUREIRA VAZ LOBO TURIACU ROCHA MIRANDA HONORIO GURGEL OSWALDO CRUZ BENTO RIBEIRO MARECHAL HERMES RIBEIRA ZUMBI CACUIA PITANGUEIRAS PRAIA DA BANDEIRA COCOTA BANCARIOS FREGUESIA JARDIM GUANABARA JARDIM CARIOCA TAUA MONERO PORTUGUESA GALEAO CIDADE UNIVERSITARIA GUADALUPE ANCHIETA PARQUE ANCHIETA RICARDO DE ALBUQUERQUE COELHO NETO ACARI BARROS FILHO Código 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 1995 32249 14316 11341 3778 5760 7132 7044 25559 19913 28669 12344 22552 24558 3231 8379 23444 6377 15316 9571 13000 14078 4641 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0,981 1,000 1,015 0,995 1,013 1,001 0,986 0,991 1,010 0,991 0,994 0,996 1,004 1,002 0,993 0,999 0,990 0,999 1,012 1,021 1,010 0,990 0,989 1,001 1,014 1,011 1,000 1,002 1,003 0,988 1,003 1,010 0,999 1,002 1,017 1,009 1,015 0,993 1,006 0,993 Bairro COSTA BARROS PAVUNA JACAREPAGUA ANIL GARDENIA AZUL CIDADE DE DEUS CURICICA FREGUESIA (JACAREPAGUA) PECHINCHA TAQUARA TANQUE PRACA SECA VILA VALQUEIRE JOA ITANHANGA BARRA DA TIJUCA CAMORIM VARGEM PEQUENA VARGEM GRANDE RECREIO DOS BANDEIRANTES GRUMARI DEODORO VILA MILITAR CAMPO DOS AFONSOS JARDIM SULACAP MAGALHAES BASTOS REALENGO PADRE MIGUEL BANGU SENADOR CAMARA SANTISSIMO CAMPO GRANDE SENADOR VASCONCELOS INHOAIBA COSMOS PACIENCIA SANTA CRUZ SEPETIBA GUARATIBA BARRA DE GUARATIBA PEDRA DE GUARATIBA POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS) Código 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 1995 11593 50333 35847 10098 6262 19251 12529 27137 15063 45826 14670 29828 15197 377 5418 39952 163 2908 3565 9295 63 5742 7407 735 5440 12339 88160 32716 114344 51335 13448 129971 12767 24077 27572 32146 90476 14431 29214 2238 4057 1996 13012 51338 36959 10355 6610 19072 12949 27473 14994 45695 14544 29941 15304 372 5629 42208 202 3308 3667 10026 64 5669 7634 723 5577 12416 88612 32790 116444 51779 13712 131185 13111 25408 27777 33167 93769 14735 30552 2315 4145 2941598 1997 14604 52363 38105 10619 6978 18895 13383 27813 14926 45564 14419 30054 15412 367 5848 44591 250 3763 3772 10814 65 5597 7868 712 5717 12493 89066 32865 118582 52227 13982 132410 13464 26812 27984 34221 97182 15046 31951 2394 4235 1998 16391 53409 39287 10889 7366 18720 13832 28157 14857 45433 14296 30168 15521 362 6075 47109 309 4280 3880 11664 66 5526 8108 700 5861 12571 89523 32939 120760 52678 14257 133647 13827 28295 28192 35308 100720 15363 33415 2476 4328 1999 18397 54476 40506 11167 7775 18546 14296 28506 14790 45303 14174 30282 15631 358 6311 49770 382 4869 3991 12581 67 5456 8356 689 6008 12648 89982 33014 122978 53134 14537 134895 14199 29859 28402 36430 104386 15686 34945 2561 4422 2000 20648 55564 41762 11451 8208 18374 14776 28859 14722 45173 14052 30397 15742 353 6556 52580 472 5538 4105 13570 68 5387 8612 678 6159 12727 90443 33089 125236 53594 14823 136155 14581 31509 28613 37588 108186 16017 36545 2649 4519 taxa cresc 91-96 1,122 1,020 1,031 1,025 1,056 0,991 1,034 1,012 0,995 0,997 0,991 1,004 1,007 0,987 1,039 1,056 1,236 1,138 1,029 1,079 1,016 0,987 1,031 0,984 1,025 1,006 1,005 1,002 1,018 1,009 1,020 1,009 1,027 1,055 1,007 1,032 1,036 1,021 1,046 1,034 1,022 ANEXO 3 Distribuição de Casos e Taxas de Incidência de AIDS por Bairro do Município do Rio de Janeiro, Segundo o Período NOME DO BAIRRO SAUDE GAMBOA SANTO CRISTO CAJU CENTRO CATUMBI RIO COMPRIDO CIDADE NOVA ESTACIO SAO CRISTOVAO MANGUEIRA BENFICA PAQUETA SANTA TERESA FLAMENGO GLORIA LARANJEIRAS CATETE COSME VELHO BOTAFOGO HUMAITA URCA LEME COPACABANA IPANEMA LEBLON LAGOA JARDIM BOTANICO GAVEA VIDIGAL SAO CONRADO PRACA DA BANDEIRA TIJUCA ALTO DA BOA VISTA MARACANA VILA ISABEL ANDARAI GRAJAU MANGUINHOS BONSUCESSO RAMOS OLARIA PENHA PENHA CIRCULAR BRAS DE PINA CORDOVIL PARADA DE LUCAS VIGARIO GERAL JARDIM AMERICA HIGIANOPOLIS JACARE MARIA DA GRACA DEL CASTILHO INHAUMA ENGENHO DA RAINHA TOMAS COELHO SAO FRANCISCO XAVIER ROCHA COD CASHTOT CASMTOT TXHP1 TXHP2 TXHP3 TXMP1 TXMP2 TXMP3 1 78 23 67,2 593,6 1162,2 70,2 218,4 248,5 2 6 0 3,4 17,2 16,7 0,0 0,0 0,0 3 74 26 16,3 150,1 181,6 6,2 19,5 93,7 4 26 17 5,4 30,2 47,3 0,0 7,4 49,4 5 718 84 67,5 403,4 402,7 2,2 40,2 58,3 6 52 27 23,6 110,9 111,5 3,5 28,6 87,9 7 118 41 14,7 73,1 94,1 0,0 18,7 33,9 8 27 8 15,4 54,0 50,6 3,8 14,9 36,2 9 141 52 33,2 156,5 127,4 13,6 44,5 73,1 10 181 38 26,5 84,8 133,7 1,8 14,3 36,7 11 31 9 6,6 31,6 112,5 0,0 0,0 30,9 12 58 20 19,3 59,9 89,8 0,0 12,0 32,3 13 3 3 8,3 20,8 0,0 0,0 39,2 37,4 14 123 45 13,8 67,9 87,8 2,7 18,0 29,4 15 260 29 44,9 136,5 115,0 1,3 11,8 16,6 16 115 16 78,0 359,8 285,1 11,9 42,0 35,3 17 140 21 22,8 73,7 84,6 1,6 6,7 12,7 18 123 25 30,2 149,1 154,1 6,8 14,6 30,7 19 39 5 28,6 92,9 176,8 7,7 8,0 0,0 20 373 64 34,6 127,3 137,4 1,9 10,1 23,8 21 44 5 11,6 47,0 132,8 0,0 3,4 13,1 22 20 5 15,6 106,6 38,6 0,0 36,9 0,0 23 46 6 7,3 117,5 124,2 0,0 8,3 10,7 24 1146 151 51,6 223,6 237,4 2,0 16,5 29,7 25 202 22 28,6 114,6 142,3 0,8 8,1 17,7 26 180 21 25,5 95,0 113,8 1,5 3,3 20,2 27 53 7 27,7 64,5 59,2 0,0 7,9 12,7 28 58 13 12,2 91,7 81,4 2,0 5,8 37,3 29 91 27 13,3 39,2 39,6 2,2 6,8 14,0 30 25 7 7,9 53,7 79,0 0,0 5,0 31,2 31 47 13 45,0 97,4 145,7 8,4 22,4 33,6 32 28 13 26,4 53,0 98,1 3,4 16,9 31,8 33 552 128 21,9 75,3 110,5 1,6 10,7 26,0 34 18 5 4,3 13,1 78,2 0,0 6,0 8,2 35 45 12 9,8 39,6 65,5 0,0 10,0 13,1 36 170 49 10,9 65,9 58,0 2,4 9,6 18,3 37 59 23 6,3 42,1 45,5 1,7 7,8 19,1 38 105 33 15,4 61,8 90,9 1,7 15,3 24,8 39 66 35 3,9 13,4 53,1 0,9 4,6 33,1 40 339 102 21,9 124,1 195,5 3,3 18,8 71,4 41 135 52 4,5 29,1 38,3 0,0 7,0 17,4 42 110 28 7,0 31,6 66,5 0,0 8,1 18,1 43 232 67 10,9 80,6 114,5 3,5 12,4 35,7 44 43 9 8,4 28,9 23,1 0,0 3,8 4,6 45 89 26 10,5 47,1 32,7 0,0 4,8 19,8 46 81 22 4,5 40,2 59,2 0,0 2,5 20,1 47 25 8 2,0 32,0 45,2 0,0 5,3 16,8 48 42 7 1,2 30,8 36,4 0,0 0,0 13,1 49 48 10 6,0 38,4 69,3 0,0 2,2 5,8 50 34 12 0,0 56,9 58,2 0,0 12,9 30,8 51 53 20 1,7 26,5 41,0 0,0 5,1 16,5 52 27 6 26,0 75,2 110,5 0,0 19,4 9,5 53 40 17 11,4 42,2 93,5 0,0 10,1 41,7 54 68 31 2,0 21,5 38,0 0,0 3,8 21,2 55 16 6 3,3 7,3 18,9 0,0 0,0 8,1 56 28 7 4,9 22,0 33,3 2,1 0,0 16,1 57 12 3 0,0 59,8 37,7 0,0 14,5 10,4 58 23 8 5,3 61,9 73,4 0,0 17,4 20,8 RIACHUELO SAMPAIO ENGENHO NOVO LINS DE VASCONCELOS MEIER TODOS OS SANTOS CACHAMBI ENGENHO DE DENTRO AGUA SANTA ENCANTADO PIEDADE ABOLICAO PILARES VILA KOSMOS VICENTE DE CARVALHO VILA DA PENHA VISTA ALEGRE IRAJA COLEGIO CAMPINHO QUINTINO CAVALCANTI ENGENHEIRO LEAL CASCADURA MADUREIRA VAZ LOBO TURIACU ROCHA MIRANDA HONORIO GURGEL OSWALDO CRUZ BENTO RIBEIRO MARECHAL HERMES RIBEIRA ZUMBI CACUIA PITANGUEIRAS PRAIA DA BANDEIRA COCOTA BANCARIOS FREGUESIA JARDIM GUANABARA JARDIM CARIOCA TAUA MONERO PORTUGUESA GALEAO CIDADE UNIVERSITARIA GUADALUPE ANCHIETA PARQUE ANCHIETA RICARDO DE ALBUQUERQUE COELHO NETO ACARI BARROS FILHO COSTA BARROS PAVUNA JACAREPAGUA ANIL GARDENIA AZUL CIDADE DE DEUS CURICICA FREGUESIA (JACAREPAGUA) PECHINCHA TAQUARA TANQUE 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 32 15 78 75 187 20 87 109 18 30 90 38 74 16 41 100 49 181 20 30 50 27 0 75 150 55 6 85 33 55 75 78 7 8 41 6 6 24 28 21 41 5 14 14 32 21 19 93 73 4 38 34 37 15 30 110 309 14 16 50 45 54 17 116 23 9 8 32 19 49 4 18 20 5 16 25 9 17 1 16 38 13 42 10 7 19 12 0 18 41 12 2 28 13 16 27 18 0 1 9 0 0 2 8 4 17 2 4 5 7 5 3 42 37 0 23 13 15 5 14 37 80 6 8 24 15 10 3 36 11 12,6 8,0 4,1 12,2 20,7 2,3 5,4 12,1 3,4 7,3 6,1 10,0 10,3 0,0 6,2 17,8 33,6 7,5 1,8 33,2 1,3 3,2 0,0 12,6 12,4 16,1 0,0 5,9 1,9 6,5 6,5 4,9 0,0 96,4 17,1 0,0 19,1 45,5 13,7 2,9 6,3 0,0 0,0 12,6 8,5 5,7 26,7 11,8 3,4 0,0 0,0 1,2 4,6 0,0 0,0 4,6 24,4 0,0 13,2 3,6 5,3 1,0 0,0 3,0 2,9 55,9 22,2 33,9 59,5 82,5 29,6 50,9 58,4 45,8 39,2 38,9 69,3 66,8 31,1 24,6 91,4 132,3 48,8 16,9 74,6 53,6 45,8 0,0 57,7 80,0 104,7 0,0 41,3 26,0 38,5 46,6 41,9 62,6 184,0 104,2 9,6 9,6 149,0 41,3 46,1 27,1 5,5 12,6 58,1 41,4 18,7 266,7 34,6 32,9 4,9 37,3 21,6 25,0 3,6 37,4 30,8 154,2 10,9 32,6 24,9 27,4 34,4 9,2 29,6 11,2 91,6 34,2 73,0 60,4 131,4 28,1 76,2 79,9 40,9 65,3 66,1 110,6 91,0 34,6 64,5 125,7 140,0 54,1 26,1 90,6 58,1 58,5 0,0 77,4 93,7 148,8 15,5 84,5 72,2 57,8 45,1 62,3 102,4 0,0 167,8 24,7 0,0 124,0 118,4 32,4 51,5 7,1 20,9 65,0 33,2 35,6 530,9 82,5 49,9 6,1 49,8 32,8 91,2 56,5 67,2 34,8 111,3 40,6 43,8 56,2 82,5 33,0 33,0 50,6 47,5 0,0 0,0 2,6 1,2 1,3 1,8 0,0 1,6 0,0 0,0 0,9 0,0 0,0 0,0 0,0 4,5 5,1 0,4 5,1 4,4 1,2 2,8 0,0 2,4 1,6 2,9 0,0 2,1 3,6 2,2 0,8 0,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 2,7 1,4 0,0 0,0 0,0 1,8 0,0 0,0 1,9 1,0 0,0 1,9 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 4,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,5 0,0 8,1 19,3 8,5 1,6 9,1 2,4 13,3 6,1 15,9 24,1 11,7 13,6 9,9 0,0 15,7 16,9 32,5 6,2 6,6 6,1 1,8 4,1 0,0 3,5 14,9 8,4 0,0 7,4 2,6 11,0 9,8 5,1 0,0 0,0 6,8 0,0 0,0 12,4 16,6 3,6 7,8 0,0 3,8 16,5 2,5 3,5 39,2 15,8 14,4 0,0 12,2 8,1 14,4 10,3 17,2 6,6 22,0 13,1 6,2 7,9 13,8 5,8 2,0 5,3 6,1 33,7 23,0 26,4 18,1 37,6 0,0 8,5 17,6 34,0 28,6 20,1 30,7 23,7 0,0 24,4 50,3 38,0 13,7 7,8 22,8 28,4 26,8 0,0 30,0 22,0 21,3 0,0 25,5 20,2 5,9 17,6 7,9 0,0 37,4 40,8 0,0 0,0 0,0 19,4 8,5 19,4 3,2 4,7 21,9 9,3 12,7 49,2 31,0 25,8 0,0 34,1 12,5 24,6 8,9 16,0 14,4 42,5 7,3 30,4 35,0 29,8 4,1 2,5 18,3 8,0 PRACA SECA VILA VALQUEIRE JOA ITANHANGA BARRA DA TIJUCA CAMORIM VARGEM PEQUENA VARGEM GRANDE RECREIO DOS ANDEIRANTES GRUMARI DEODORO VILA MILITAR CAMPO DOS AFONSOS JARDIM SULACAP MAGALHAES BASTOS REALENGO PADRE MIGUEL BANGU SENADOR CAMARA SANTISSIMO CAMPO GRANDE SENADOR VASCONCELOS INHOAIBA COSMOS PACIENCIA SANTA CRUZ SEPETIBA GUARATIBA BARRA DE GUARATIBA PEDRA DE GUARATIBA 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 53 79 1 7 104 2 2 3 36 0 14 3 1 15 41 212 111 248 77 42 337 2 14 22 39 160 32 13 6 20 16 15 0 2 19 1 1 1 7 0 13 1 0 8 8 113 26 67 20 15 112 0 7 5 18 68 13 7 5 5 1,9 10,1 0,0 0,0 12,5 0,0 0,0 0,0 8,7 0,0 3,6 0,0 0,0 0,0 4,1 6,0 7,0 4,0 2,5 8,3 4,4 0,0 1,7 0,0 1,0 3,1 2,1 1,2 0,0 7,7 22,7 78,3 64,7 12,9 37,8 733,3 19,5 19,7 49,3 0,0 44,2 9,8 31,1 13,9 42,3 28,2 40,1 25,6 17,1 33,9 29,7 6,0 3,5 7,6 10,9 17,0 37,1 6,6 46,0 66,0 38,3 90,6 0,0 14,0 34,9 0,0 13,5 11,1 45,9 0,0 37,0 5,4 0,0 85,3 49,0 39,3 60,9 36,7 27,5 48,2 47,1 0,0 15,7 19,9 23,9 33,0 30,7 8,1 33,4 64,2 0,0 0,0 0,0 5,9 0,9 0,0 0,0 0,0 5,1 0,0 3,5 0,0 0,0 0,0 0,0 1,9 0,7 0,7 0,0 0,0 0,6 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 2,2 6,2 0,0 0,0 2,7 375,1 0,0 0,0 13,6 0,0 21,2 0,0 0,0 12,6 7,8 7,6 5,0 4,0 3,9 5,0 6,8 0,0 1,7 1,2 3,4 5,9 15,0 0,0 16,0 8,6 16,0 19,9 0,0 0,0 8,7 0,0 0,0 11,4 4,0 0,0 28,0 5,1 0,0 21,1 9,5 27,8 13,5 11,3 8,5 17,3 17,2 0,0 4,9 5,8 12,4 12,6 8,5 4,1 51,7 39,1 ANEXO 4 QUESTIONÁRIO Código do entrevistado:______________ Entrevistador:______________________ Início________ Duração __________ (em minutos) Data da entrevista:____________ Local da entrevista:___________ Término______ duracao FFF Parte 1 – Características Individuais: 1a – Idade: ______________ (em anos) 1b - Data de nascimento _____/_____/_____ 2 – cor referida__________________________ ( 1 ) branca idade FF datanasc FF FF FFFF ( 2 ) mulata 3 – Sexo ( 1 ) Masculino ( 2 ) Feminino ( 3 ) negra corpdr F sexo F 4 - Você nasceu onde: (cidade e estado – sigla) ________________________________________ estado FF 5a – Local de Residência: (rua e bairro – instruir sobre a importância da veracidade das informações) __________________________________________________________ bairro FFF 5b – Há quanto tempo reside nessa cidade? (tempo em anos que reside no Rio e tempo que reside no bairro) temprro FF tempcid FF 5c - Você mora numa: ( 1 ) casa ( 2 ) apartamento ( 3 ) barraco ( 4 ) quarto ( 5 ) casa de apoio ( 6 ) outro Especificar: _________________________________________ 6 – Situação Conjugal: ( 1 ) casado(a)/morando com parceiro(a) regular ( 2 ) divorciado(a)/separado(a) com parceiros eventuais ( 3 ) namora ou caso fixo ( 4 ) divorciado(a)/separado(a) sem parceiro ( 5 ) viuvo(a) de AIDS com nova(o) parceira (o) ( 6 ) viúvo(a) de AIDS sem parceira (o) ( 7 ) viúvo(a) – outros motivos – sem parceiro ( 8 ) solteiro(a)/ separado(a) sem parceiro ( 9 ) vários parceiros (solteiro(a)/viuvo(a)/separado(a)) ( 10 ) viúvo(a) – outros motivos – com parceiro regular mora F sitconj FF 7a – Qual sua religião? ( 1 ) católico ( 2 ) espírita ( 3 ) evangélica/crente/protestante ( 4 ) umbanda/candomblé ( 5 ) outras - Especificar: _________________________________________ ( 6 ) não tenho religião 7b – Qual a importância da religião em sua vida? ( 1 ) muito importante ( 2 ) importante ( 3 ) pouco importante ( 4 ) nada importante 8 – Escolaridade ( 1 ) analfabeto ( 2 ) 1ª até 4ª série (completo e incompleto) ( 3 ) 5ª até 8ª série (completo e incompleto) ( 4 ) 2º grau (completo e incompleto) ( 5 ) 3º grau (completo e incompleto) relig F iprelig F escol F 9a – Qual sua profissão? _____________________________________________________ 9b – Quais outras atividades você acha que faz bem? _____________________________________________________ 10a – Atualmente você esta empregado? ( 1 ) sim/emprego ( 2 ) sim/bico ( 3 ) não/desempregado(a) ( 4 ) não/aposentado(a) ( 5 ) nunca trabalhou ( 6) não/encostado(a) 10b – No momento você está trabalhando em que? ( 1 ) do lar/ dona de casa/nunca trabalhei ( 2 ) doméstica/diarista ( 3 ) profissional do sexo ( 4 ) técnico/superior (univ) ( 5 ) gerente/empresário ( 6 ) no comércio (balcão/caixa/bazar) ( 7 ) escritório ( 8 ) serviços (beleza, costura, etc) ( 9 ) industria (operário) ( 10 ) recepcionista/ telefonista ( 11 ) outras - Especificar: _________________________________________ ( 12 ) não está trabalhando 10c – Se empregado, você está com carteira assinada, recebendo seus direitos? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 0 ) não se aplica atuempr F atutrab FF cartass F 11a – Qual sua renda mensal? Valor Referido:_______________ (depois categorizar) ( 1 ) nenhuma fonte de renda ( 2 ) menos de 1 s.m. ( 3 ) de 1 a 2 s.m. ( 4 ) de 2,5 a 3,5 s.m. ( 5 ) de 4 a 5 s.m. ( 6 ) mais de 5 s.m. ( 90 ) não sabe redmens FF 11b – Qual a renda mensal de sua família? (instruir que a renda mensal familiar representa todo dinheiro recebido por todos da casa) Valor Referido:_______________ (depois categorizar) ( 1 ) nenhuma fonte de renda ( 2 ) menos de 1 s.m. redmenf FF ( 3 ) de 1 a 2 s.m. ( 4 ) de 2,5 a 3,5 s.m. ( 5 ) de 4 a 5 s.m. ( 6 ) mais de 5 s.m. ( 90 ) não sabe Especificar se existem pessoas na família que não compartilham a renda: ( 1 ) sim psncred F ( 2 ) não 11c – Quantas pessoas vivem com essa renda? pvivred FF 11d – Qual a contribuição do entrevistado para a renda familiar? ____________% (não perguntar – dado para tabulação) poredf FFF 12a – Você tem filhos? ( 1 ) sim ( 2 ) não filhos F 12b – Quantos filhos você tem? 12c – idade em meses sexo moram com vc - HIV+ ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não qtfilh FF (código 90 para não sabe) 12c. Filho 1 idade sexo moram com você? HIV + ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não idafilh1 FF sexfilh1 F movfilh1 F hivfilh1 FF Filho 2 idade sexo moram com você? HIV + ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não idafilh2 FF sexfilh2 F movfilh2 F hivfilh2 FF Filho 3 idade idafilh3 FF sexo moram com você? HIV + Filho 4 idade sexo moram com você? HIV + ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) masculino ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não sexfilh3 F movfilh3 F hivfilh3 FF ( 2 ) feminino ( 2 ) não ( 2 ) não idafilh4 FF sexfilh4 F movfilh4 F hivfilh4 FF 13 - De quantas pessoas você cuida? (comida, roupa, limpeza, doença)-código 70 p/nenhum qntcuid FF 14 - Quantas e quais pessoas cuidam de você? -código 70 p/nenhum _____________________________________________________________ qntvoc FF Parte 2 – Conhecimento da Condição Sorológica 15a – Há quanto tempo você sabe que é HIV+ ? (em meses) 15b – Qual era sua idade ao diagnóstico? (em anos) 15c – Como você ficou sabendo que era HIV ? situação e o médico pediu ficou doente (1) sim (1) sim (2) não (2) não parceiro(a) fez o teste (1) sim (1) sim (2) não (2) não parceiro(a) adoeceu de AIDS (1) sim (1) sim (2) não (2) não teve uma DST (1) sim (1) sim (2) não (2) não fez exame de sangue, rotina (1) sim (1) sim (2) não (2) não filho ficou doente (1)sim (1) sim (2) não (2) não pré-natal / parto (1) sim (1) sim (2) não (2) não firma exigiu (1) sim (1) sim (2) não (2) não doou sangue (1) sim (1) sim (2) não (2) não ficou doente parceiro(a) fez o teste parceiro(a) adoeceu de AIDS teve uma DST fez exame de sangue, rotina filho ficou doente pré-natal firma exigiu doou sangue o médico pediu foi a 1 centro testagem ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim qntmhiv FFF idadiag FF Foi a 1 centro testagem (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não ( 2 ) não Fizeram o teste sem avisar (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não (1) sim (2) não doente F parctest F parcaids F dst F exsangue F filhdoen F prenatal F firma F doousang F medico F centro F fizeram o teste sem avisar ( 1 ) sim ( 2 ) não 16 - Antes de fazer o exame você: ( 1 ) teve uma sessão de conversa c/ um profissional só sobre o teste ( 2 ) uma sessão de grupo sobre o teste ( 3 ) o médico conversou bastante com você ( 4 ) o médico conversou um pouco com você ( 5 ) não teve nenhum aconselhamento ( 6 ) outro Especificar:____________________________________ ( 7 ) o médico conversou bastante com você, mas você não sabia que ia fazer o teste ( 8 ) o médico conversou um pouco com você, mas você não sabia que ia fazer o teste 17a – Você antes de fazer o teste já tinha pensado que podia ser positivo(a)? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 0 ) não se aplica testesem F antexam F penshivF 17b–Porque? _______________________________________________________ __________________________________________________________________ 18a – Você teve dificuldade para vir buscar o resultado? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 0 ) não se aplica difrest F 18b - Por que? ___________________________________________________________ 19 - Ao receber o resultado: ( 1 ) recebeu o resultado do médico e ele procurou ajudar ( 2 ) recebeu o resultado do médico e se sentiu mal tratada ( 3 ) recebeu o resultado do médico que encaminhou para uma consulta c/ um outro profissional de saúde/psicólogo ( 4 ) recebeu de um outro profissional que a maltratou ( 5 ) recebeu de um outro profissional que procurou te ajudar ( 6 ) recebeu uma carta/ no laboratório ( 7 ) recebeu o resultado do médico e achou que ele não procurou ajudar e nem maltratou recrelt F 20a - Depois que você recebeu o resultado do exame, você contou para alguém? contar F ( 1 ) sim ( 2 ) não. Passe p/ a questão 20c ( 3 ) soube junto com amigo(a)/alguém da família 20 b. Para quem vc contou? Quanto tempo vc levou para contar (meses)? para não se aplica código (0) e contou imediatamente código (777) contar para amigo(a) ( 1 ) sim ( 2 ) não amigo F tepamig FFF contar para alguém da família ( 1 ) sim ( 2 ) não família F tepfaml FFF contar para parceiro(a) ( 1 ) sim ( 2 ) não parceir F tepparc FFF contar para filhos ( 1 ) sim ( 2 ) não cotfilh F tepfilh FFF 20 c – Quem mais você procurou e quanto tempo levou? - para não se aplica código (0) e contou imediatamente código (777) procurar um grupo/instituição de apoio ( 1 ) sim ( 2 ) não grupo F tepgrup FFF procurar conselhos de um profissional de saúde ( 1 ) sim ( 2 ) não consel F tepcons FFF começar seu acompanhamento/tratamento ( 1 ) sim ( 2 ) não ctrat F inctrat FFF 20 d – Por que levou esse tempo para começar seu acompanhamento/tratamento? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 21 Qual apoio procurou Onde sentiu-se apoiado(a) profissional de saúde igreja/ religião grupo AIDS família amigos outro - Especificar nenhum Qual apoio procurou? profissional de saúde igreja/ religião grupo AIDS família amigos outro nenhum ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim ( 1 ) sim (70) ( 2 ) Não ( 2 ) Não ( 2 ) Não ( 2 ) Não ( 2 ) Não ( 2 ) Não ( 0 ) Não se aplica Onde sentiu-se apoiado(a)? - código ( 0 ) para não se aplica profissional de saúde ( 1 ) sim ( 2 ) Não igreja/ religião ( 1 ) sim ( 2 ) Não grupo AIDS ( 1 ) sim ( 2 ) Não família ( 1 ) sim ( 2 ) Não amigos ( 1 ) sim ( 2 ) Não outro ( 1 ) sim ( 2 ) Não nenhum (70) 22 – Qual você acha que foi o caminho do vírus até você? ( 1 ) se infectou em transfusão ( 2 ) o(a) parceiro(a) se infectou em transfusão ( 3 ) o(a) parceiro(a) usava drogas ( 4 ) marido/namorado teve outros parceiros homens ( 5 ) marido/namorado teve outros parceiras mulheres ( 6 ) marido/namorado teve outros parceiros, não sabe se homem ou mulher ( 7 ) parceiro(a) a(o) contaminou/ não sabe como ele(a) pegou ( 8 ) fez uso de drogas injetáveis ( 9 ) teve muitos parceiros ( 10 ) parceiro(a) anterior a este a(o) infectou ( 11 ) com profissionais do sexo ( 12 ) em relações homossexuais ( 90 ) não sabe profsaud F igreja F graids F apfamil F apamig F outro F nenhum FF dprofsau F digrej F dgraid F dapfami F dapami F doutro F nenhum FF tjvirus FF Parte 3 – Informação e Sexualidade 23 – Seu parceiro(a) atual é HIV+? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 90 ) não sabe ( 0 ) não tem parceiro(a)/ não se aplica 24 – Você e seu parceiro(a) usam algum tipo de precaução contra o HIV? Qual? ( 1 ) sim, camisinha raramente parchiv FF precauç F ( 2 ) sim, camisinha todas as vezes ( 3 ) sim, camisinha na maioria das vezes ( 4 ) sim, fazemos sexo sem penetração ( 5 ) não ( 6 ) não, somos os dois HIV positivos ( 0 ) não se aplica 25 - Você já teve alguma doença sexualmente transmissível? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 90 ) não sabe dst FF 26 – Que idade você tinha quando você teve sua primeira relação sexual? (em anos) 27 – Quantos parceiros sexuais você teve até hoje? ( )Exatos ou mais ou menos (90) não sabe 28 – Você costuma ouvir rádio, assistir televisão ou ler jornal: ouvir rádio assistir televisão todo os dias 1 1 na maioria dos dias 2 2 pelo menos 1 vez 3 3 por semana menos de 1 vez por 4 4 semana Nunca 5 5 ler jornal 1 2 3 4 idrela FF qtsparc FF radio F tv F jornal F 5 29 – Você já havia escutado ou lido alguma coisa sobre HIV ou AIDS antes do diagnóstico em: rádio ( 1 ) sim ( 2 ) não meinfor FF jornal ( 1 ) sim ( 2 ) não meinfoj FF televisão ( 1 ) sim ( 2 ) não meinftv FF folhetos ou panfletos ( 1 ) sim ( 2 ) não meinfp FF em conversa com familiares ou amigos ( 1 ) sim ( 2 ) não meinff FF no trabalho ( 1 ) sim ( 2 ) não meinft FF na escola ( 1 ) sim ( 2 ) não meinfes FF nos serviços de saúde ( 1 ) sim ( 2 ) não meinfsd FF na igreja ( 1 ) sim ( 2 ) não meinfig FF outros ( 1 ) sim ( 2 ) não Especificar: ___________________ meinfot FF não havia escutado ou lido alguma coisa sobre AIDS ( 1 ) sim ( 2 ) não nmeinf FF 30 – As informações foram esclarecedoras? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 3 ) até certo ponto ( 90 ) não sabe ( 0 ) não se aplica 31 – Você conhece/conheceu alguém com AIDS, fora os do serviço de saúde? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 3 ) não está certo infoesc FF conhpes F 32 – Você acredita que: a – Ter muitos parceiros sexuais aumenta o risco de pegar o vírus da AIDS? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 90 ) não sabe b – O vírus da AIDS pode ser transmitido por uma pessoa que não aparenta estar doente? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 90 ) não sabe c – Preservativos (camisinha) previnem a transmissão do vírus da AIDS? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 90 ) não sabe acredit FF ransnd FF condom FF d – Pessoas que sempre usam preservativos e têm muitos parceiros sexuais, têm maior risco de pegar o vírus da AIDS? parcris FF ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 90 ) não sabe Parte 4 – Conhecimento Sobre Direitos: 33 - Você tem algum tipo de convênio médico? ( 1 ) sim ( 2 ) não conven F 34 - Quanto tempo você espera para ser atendida no CSEGSF pelo: - código (0) para não se aplica muito tempo razoável/aceitável pouco tempo seu médico 1 2 3 temed F ginecologista 1 2 3 temginc F psicólogo 1 2 3 tempsi F outro___________ 1 2 3 temoutr F 35 – Você sabia que você tem direito a trocar de médico se sentir necessidade ter acesso a protocolos ter acesso a exames pedir auxílio doença passe transporte sim 1 1 1 1 1 não 2 2 2 2 2 dirmed F dirprot F direxam F diraux F dirtran F 36 – Você sabia que também tem direitos a: Não ser demitido por ser soropositivo Manter sigilo sobre sua condição Outros serviços - ONGs Sim 1 1 1 Não 2 2 2 dirdem F dirsig F dirserv F Parte 5 – Percepção e Cuidados com a Saúde: 37 – Em termos gerais como você descreveria seu estado de saúde: ( 1 ) ótimo ( 2 ) bom ( 3 ) não muito bom ( 4 ) ruim estsd F 38– Você tomou/toma alguma medicação indicada pelo seu médico? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 3 ) o médico não indicou tomedic F 39 – Como você avalia o uso de seus medicamentos: usomed F ( 1 ) toma raramente ( 2 ) toma as vezes ( 3 ) toma regularmente ( 4 ) toma freqüentemente ( 5 ) toma sempre ( 6 ) optou por não tomar a medicação ( 0 ) não se aplica 40 – Você fez algum tratamento alternativo/caseiro para AIDS: ( 1 ) sim ( 2 ) não altern F 41 – Tomou/toma alguma medicação de farmácia por conta própria para AIDS? ( 1 ) sim - Quem recomendou? _______________________ ( 2 ) não 42 – Está usando outros métodos de tratamento e ajuda? (oração, remédios espirituais, etc ) ( 1 ) sim ( 2 ) não 43 - Nos últimos 30 dias você fez uso: código (0) para não se aplica menos de 1 1 a 3 vezes +/- 1 vez por + de 1 vez vez por mês por mês semana por semana alcool 1 2 3 4 automed F altrat F qtdalco F maconha 1 2 3 4 qtdmac F cocaina injetada veia compartilhou seringas cocaina cheirada crack cocaina fum. 1 2 3 4 qtdcoc F 1 2 3 4 seringa F 1 2 3 4 cocaina F 1 2 3 4 crack F 44 - Durante o mês passado você queria ter tido: ( 1 ) muito mais oportunidades de falar, de desabafar ( 2 ) um pouco mais de oportunidades de desabafar ( 3 ) foi suficiente as oportunidades que teve de desabafar ( 4 ) não teve oportunidade de desabafar, mas gostaria de ter tido ( 5 ) é difícil pensar nisso ( 6 ) é indiferente ( 7 ) nunca pensou sobre isso desabf F Parte 6 – Expectativas e Mudanças: 45 - No mês passado você queria ter tido: ( 1 ) muito mais conselho ( 2 ) um pouco mais de conselho ( 3 ) teve conselho suficiente ( 4 ) é difícil pensar nisso ( 5 ) é indiferente ( 6 ) nunca pensou sobre isso 46 - Durante o mês passado você queria ter tido: conselh F distr F ( 1 ) mais oportunidades de juntar-se com as pessoas para se distrair ( 2 ) um pouco mais de oportunidades de juntar-se com pessoas para se distrair ( 3 ) teve distração suficiente com as pessoas ( 4 ) é difícil pensar nisso ( 5 ) é indiferente ( 6 ) nunca pensou sobre isso 47 - Durante o mês passado você queria ter tido: ( 1 ) muito mais ajuda ( 2 ) um pouco mais de ajuda ( 3 ) teve ajuda suficiente ( 4 ) é difícil pensar nisso ( 5 ) é indiferente ( 6 ) nunca pensou sobre isso ajuda F 48 – Você mudou seu estilo de vida sexual, de algum modo, ou tomou alguma decisão sobre sexo, após seu diagnóstico? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 3 ) alguma mudança mas não por causa da AIDS estvise F 49 – Se SIM, como mudou? (código (0) para não se aplica e código (90) para não sabe) diminuindo o número de parceiros ( 1 ) sim ( 2 ) não mudnpar FF procurando conhecer melhor as pessoas antes de fazer sexo com elas ( 1 ) sim ( 2 ) não conhpes FF usando preservativos ( 1 ) sim ( 2 ) não usacond FF não tendo relações sexuais ( 1 ) sim ( 2 ) não nrelsex FF tendo somente um parceiro sexual ( 1 ) sim ( 2 ) não soumpar FF se abstendo de algumas práticas sexuais ( 1 ) sim ( 2 ) não … .abster FF Especificar_____________________ outras mudanças ( 1 ) sim ( 2 ) não outmud FF diminuindo o número de relações sexuais ( 1 ) sim ( 2 ) não dimnrel FF 50 – Alguma coisa mudou em sua vida após o diagnóstico? ( 1 ) sim ( 2 ) não ( 3 ) alguma mudança mas não por causa do diagnóstico mudvida F 51 – O que mudou? _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ OBS: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________