Ministério da Saúde
Fundação Oswaldo Cruz
Escola Nacional de Saúde Pública
AIDS EM MULHERES NO RIO DE JANEIRO:
O Limite da Certeza em Duas Técnicas Complementares de Análise
por
Jeane Glaucia Tomazelli
Tese apresentada com vistas à obtenção do Título de Mestre em Ciências na área
de Saúde Pública.
Orientadores:
Dina Czeresnia
Christovam Barcellos
Rio de Janeiro, julho de 2001
“O correr da vida embrulha tudo... a vida é assim: esquenta, esfria, aperta e
daí afrouxa... sossega e depois desinquieta... o que ela quer da gente é
coragem” (Guimarães Rosa)
i
AGRADECIMENTOS
Aos meus orientadores, Dina Czeresnia e Christovam Barcellos, pelos
ensinamentos, críticas e sugestões durante todo processo de construção
desta dissertação.
À Celina Porto e à equipe do Núcleo DST/AIDS do CSEGSF pela
colaboração e dedicação dispensada.
À Else do CSEGSF pela disponibilização das informações do Complexo de
Manguinhos.
À Cosme Marcelo Furtado, pela orientação estatística.
À Anke, e a toda turma do mestrado, pelo apoio e pelo estímulo.
À Maria Angêla e Ivanise pela ajuda e paciência no processo de edição dos
mapas.
À Claudia e a todos os meus amigos que estiveram ao meu lado dando força,
carinho e acreditando na construção deste trabalho.
E às mulheres do grupo de soropositivos do CSEGSF que possibilitaram o
desenvolvimento da segunda etapa desta dissertação.
ii
RESUMO
Foi realizado um estudo da configuração da epidemia de AIDS em mulheres
no Rio de Janeiro utilizando duas técnicas de estudo. Na primeira etapa foi
realizada uma análise espacial dos casos notificados ao Sistema de
Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no período de 1982 a 1997.
Na segunda etapa foi aplicado um questionário a um grupo de mulheres
soropositivas atendidas em uma região identificada, na primeira etapa, como
característica dos processos de feminização e pauperização da epidemia de
AIDS. Os resultados obtidos na análise espacial demonstraram um processo
diferenciado na difusão da epidemia entre as mulheres e os homens. O nível
de escolaridade das pessoas com AIDS foi menor do que o da população
geral e os casos femininos apresentaram uma escolaridade menor que a dos
casos masculinos. Observou-se também o processo de feminização da
epidemia através da redução da razão H/M, uma maior proporção de
mulheres com categoria de exposição ignorada e com nível de escolaridade
ignorada em relação aos homens. A análise dos questionários permitiu
aprofundar o estudo e conhecer a fragilidade da informação, considerada a
partir das incertezas e da dificuldade de obtenção de dados confiáveis em um
tema complexo e estigmatizado como a AIDS e seus modos de transmissão.
Os resultados encontrados, apesar de não poderem ser generalizados por
não representarem uma amostra, apontam para a diversidade de postura
destas mulheres diante da condição de soropositividade.
Palavras-Chaves:
HIV/AIDS;
Mulheres;
Brasil;
Vulnerabilidade;
Geoprocesamento
iii
ABSTRACT
A study about the configuration of epidemic of AIDS in women was
accomplished in Rio de Janeiro and it was make of two techniques of study.
At the first stage was accomplished a spatial analysis of the notified cases to
the “Sistema de Informação de Agravos de Notificação” (SINAN) in a period
from 1982 to 1997. At the second stage was applied a questionary to a group
of women with AIDS who were attended t a identified region, at the first stage,
as characteristic of the process of epidemic of AIDS in women and poor
people. The results obtained in the spatial analysis demonstrated a
differentiated process to a diffusion of epidemic between women and men.
The level of schooling of the people with AIDS was smaller than masculine
cases. The process of epidemic in women was also observed through
reduction of H/M reason, the biggest proportion of women with category of
ignored exposition and with level of ignored schooling to relation to men. The
analysis of the questionaries permitted to make a profund study and to know a
fragility of information considered to uncertainty and difficult of procurement of
trustful data in a complex and marked theme as AIDS and kinds of
transmission. The results which were found, in spite of can’t be generalized to
not to represent a sample, show a diversity of attitude of these women as
carried of HIV virus
Key Words: HIV/AIDS; Women; Brazil; Vulnerability; Geoprocessing
iv
PAG
SUMÁRIO
RESUMO
iii
ABSTRACT
iv
SUMÁRIO
v
LISTA DE GRÁFICOS
vi
LISTA DE MAPAS
vii
LISTA DE QUADRO E TABELAS
viii
APRESENTAÇÃO
CAPÍTULOS
1. Revisão Bibliográfica
1.2. Aspectos Espaciais da Epidemia
1.2.2. Conceito de Interação
1.3. Vulnerabilidade
2
9
11
12
2. Metodologia Análise Espacial
2.1. Considerações sobre a Análise Espacial
2.1.1. A Unidade de Análise
2.2. Fontes de Dados
2.2.1. Considerações Sobre o SINAN
2.3. Variáveis
2.4. Construção dos Indicadores
2.5. Indicadores
2.6. Base Cartográfica
2.7. Instrumentos
2.8. Estratégias de Análise
13
13
14
15
15
17
18
20
21
24
24
3. Resultados
Espacial
25
e
Discussão
–
1
Análise
4. Metodologia Entrevistas
4.1. O CSEGSF
4.1.1. O núcleo de DST/AIDS
4.2. Seleção das Participantes
4.3. Instrumento: Questionário
4.4. Aplicação dos Questionários
4.5. Variáveis
54
54
57
57
58
60
60
5. Resultado e Discussão - Entrevistas
63
6. Conclusões
85
7. Referências Bibliográficas
8. Anexos
89
96
v
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICOS
3.1. Distribuição do Total de Casos de AIDS Notificados no Município
PAG
26
do Rio de Janeiro Segundo Ano Epidemiológico, 1982-1999
3.2. Casos de AIDS em Mulheres e em Homens 15-59 Anos no
29
Município do Rio de Janeiro Segundo o Ano Epidemiológico
3.3. Distribuição dos Casos de AIDS Segundo Sexo, Faixa Etária e
30
Ano Epidemiológico
3.4. Crescimento da AIDS em Mulheres Segundo os Períodos nos
34
Bairros Vizinhos aos Dois Núcleos de Maior Incidência
3.5. Percentual dos Casos de AIDS de 15-59 Anos no Município do
46
Rio de Janeiro Segundo Sexo e Escolaridade – Período 1982-1997
3.6. Distribuição dos Casos de AIDS, 15-59 Anos, Segundo Sexo,
47
Escolaridade e Ano Epidemiológico - Município do Rio de Janeiro,
1982-1997
5.1. Histograma do Tempo Transcorrido entre o Diagnóstico de
68
Soropositividade e a Entrevista
5.1.Uso e Freqüência de Drogas
80
5.2. Quantidade de Parceiros Sexuais
81
vi
LISTA DE MAPAS
MAPAS
PAG
2.1. Localização dos Bairros do Município do Rio de Janeiro
22
3.1. Taxa de Incidência dos Casos de AIDS Notificados em Mulheres
35
ao Longo dos Períodos - Município do Rio de Janeiro
3.2. Taxa de Incidência dos Casos de AIDS Notificados em Homens
36
ao Longo dos Períodos - Município do Rio de Janeiro
3.3. Proporção de Chefes de Domicílio com Renda Superior a 10
37
Salários Mínimos
3.4. Densidade Demográfica
38
3.5. Razão de Casos de AIDS entre Homens e Mulheres - Município
41
do Rio de Janeiro
3.6. Percentual de Casos de AIDS em Homens e Mulheres com
44
Categoria de Exposição Ignorada - Município do Rio de Janeiro –
1982-1997
3.7. Percentual de Pessoas com Escolaridade até a 4ª Série -
50
Município do Rio de Janeiro
3.8. Coeficiente de Mortalidade por AIDS - Município do Rio de
53
Janeiro – 1982-1997
3.9. Coeficiente de Letalidade por AIDS - Município do Rio de Janeiro
53
– 1982-1997
4.1. Complexo de Manguinhos
56
vii
LISTA DE QUADRO E TABELAS
QUADRO E TABELAS
PAG
QUADRO 1. Bairros do Município do Rio de Janeiro
23
2.1. População Residente no Município do Rio de Janeiro por Sexo
18
segundo Ano, Período 1980-1996
2.2. Razão de Crescimento do Sexo Masculino e Feminino no
19
Município do Rio de Janeiro, 1980-1991 e 1991-1996
3.1. Distribuição de Todos os Casos Notificados de AIDS no Município
25
do Rio de Janeiro Segundo a Variável Sexo no Período de 1982-1999
3.2. Distribuição dos Casos Notificados de AIDS com Faixa Etária de
26
15 a 59 Anos no Município do Rio de Janeiro Segundo a Variável
Sexo no Período de 1982 a 1997
3.3. Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos,
28
Segundo Sexo, Períodos e Ano Epidemiológico
3.4. Distribuição de Casos de AIDS em Homens e Mulheres Segundo
29
Faixa Etária
3.5. Análise Descritiva da Variável Idade – Mulheres, 15-59 Anos –
31
Município do Rio de Janeiro
3.6. Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo, 1982-1997
42
3.7. Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo e Período
42
Tabela 3.8. Categoria de Transmissão Ignorada em Mulheres
43
Segundo Período
Tabela 3.9. Categoria de Transmissão Ignorada em Homens Segundo
43
Período
3.10. Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos,
46
Segundo Sexo e Escolaridade Período 1982-1997 – Município do Rio
de Janeiro
3.11. Distribuição dos Casos de AIDS em Mulheres e Homens de 15-
47
59 Anos Segundo Período e Escolaridade
4.1.Composição do Complexo de Manguinhos
55
4.2. Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS e
57
Entrevistadas Segundo Local de Residência
viii
4.3. Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS Não
58
Entrevistadas Segundo Local de Residência
5.1. Estatística Descritiva das Variáveis Relacionadas à Idade
63
5.2. Distribuição das Variáveis Sócio-culturais e Demográficas
65
5.3. Distribuição das Variáveis Situação de Trabalho e Profissão
66
5.4. Distribuição da Variável Renda Mensal
67
5.5. Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico
67
5.6. Distribuição da Variável Tempo de Informe do Diagnóstico
68
5.7. Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico em Mulheres com
69
até 24 Meses de Diagnóstico
5.8. Distribuição das Variáveis sobre Testagem Sorológica e Forma de
Contaminação,
Soropositividade
do
Parceiro
e
Relato
72
da
Soropositividade
5.9. Distribuição das Variáveis Precaução e Forma de Precaução
73
5.10. Relação entre as Variáveis Precaução e Parceiro Atual HIV
74
5.11. Distribuição das Variáveis sobre Acometimento por DST e
76
Informação sobre Contaminação em função do Número de Parceiros
e Uso de Camisinha
5.12. Distribuição das Variáveis sobre Conhecimento acerca dos
77
Direitos de Pessoas Soropositivas
5.13. Distribuição das Variáveis sobre Lazer e Apoio
78
5.14. Distribuição das Variáveis Relacionadas à Percepção do Estado
79
de Saúde e ao Tratamento
5.15. Mudanças na Vida e na Vida Sexual depois do Diagnóstico
82
ix
Apresentação
O objetivo deste trabalho foi estudar a configuração da AIDS em mulheres no
município do Rio de Janeiro. Para este propósito foram utilizadas duas
técnicas complementares: análise espacial dos dados do SINAN (Sistema de
Informação de Agravos de Notificação) e a aplicação de questionários
individuais em mulheres soropositivas atendidas no CSEGSF (Centro Saúde
Escola Germano Sinval Faria) da ENSP/FIOCRUZ.
O primeiro capítulo é uma revisão bibliográfica sobre a realidade da epidemia
de AIDS especificamente em mulheres. Os capítulos 2 e 3 contêm
respectivamente a metodologia e os resultados encontrados na análise
espacial. Nesta análise dos casos de AIDS notificados foi possível observar o
processo de feminização e pauperização da epidemia no município do Rio de
Janeiro, atingindo predominantemente as Zonas Norte e Oeste e destacandose também dois núcleos de maior incidência de casos femininos. A
localização de um dos núcleos sugeriu a oportunidade do desenvolvimento
da etapa complementar, mediante a aplicação de um questionário.
Os capítulos 4 e 5 apresentam a metodologia e os resultados desta outra
etapa do trabalho. No capítulo 6 foram apontadas as conclusões e
considerações sobre os resultados e técnicas utilizadas.
1
1 - Revisão Bibliográfica
A epidemia de AIDS foi detectada inicialmente entre 1979 e 1981 com a
identificação de casos, em grupos específicos, de infecção por Pneumocystis
carinii e Sarcoma de kaposi (Mansur et al.,1981) e, desde então, vem sendo
intensamente estudada no mundo inteiro.
Identificada inicialmente em homens homossexuais, a questão da opção
sexual direcionou o conhecimento sobre a epidemia, a doença foi vinculada
diretamente à sexualidade e especificamente à homossexualidade masculina.
Apesar da discriminação e aspectos negativos vinculados a atitudes
preconceituosas e de rejeição, a AIDS tendeu historicamente a ser buscada e
investigada neste grupo. Ativistas de movimentos gays organizaram-se,
articularam-se politicamente, adquiriram espaço e formaram organizações
não governamentais de enfrentamento da epidemia (Camargo Jr, 1995). A
organização deste segmento populacional produziu maior proteção às suas
práticas, através de mudanças de comportamentos e atitudes.
O conhecimento sobre a epidemia passou por uma série de transformações
desde a identificação do HIV como agente etiológico da doença em 1985 e a
posterior elaboração progressiva de novos critérios de classificação clínica,
de diagnóstico e desenvolvimento de recursos terapêuticos.
O perfil da epidemia, ao longo de duas décadas, mostrou-se marcado por
diversas configurações que evidenciaram o seu aspecto dinâmico. A
delimitação da epidemia a grupos específicos tendeu cada vez mais a se
diluir. No Brasil, a AIDS vem atingindo diferenciadamente distintos segmentos
populacionais (Landmann & Bastos, 2000). O reconhecimento destas
distintas dinâmicas ampliou a discussão e a análise sobre o risco de
transmissão e contaminação pelo vírus da AIDS. Tornou-se necessário
analisar interações sociais cada vez mais complexas e reavaliar as práticas
preventivas, considerando-se a presença de novos fatores para o aumento da
transmissão do HIV (Bastos et al, 1995).
As
interações
que
se
estabelecem
entre
os
diversos
segmentos
populacionais além de diferenciadas são seletivas. As medidas de
2
autoproteção relacionam-se de forma distinta com estes segmentos e com o
seu nível sócio-econômico. Nem todo risco potencial se transforma em risco
efetivo. Quem encontra-se sob maior risco, pessoas que têm muitos parceiros
e sempre usam preservativos ou pessoas envolvidas em relações estáveis
que não adotam sempre, ou com freqüência, o seu uso?
Tanto no Brasil, como no resto do mundo, a epidemia deslocou-se dos
homossexuais urbanos com alta escolaridade e usuários de drogas injetáveis
para grupos heterossexuais de menor faixa etária, para o sexo feminino, para
segmentos com baixo nível de escolaridade, além de disseminar-se nos
municípios brasileiros (MS, CN-DST/AIDS, 2000).
O primeiro caso de AIDS feminino foi diagnosticado no ano de 1983 no Brasil
e a proporção de casos de AIDS entre homens e mulheres, que era de 16/1
em 1984 passou para 2/1 em 1999 (MS, Bol. Epd, 1999; MS, CN-DST/AIDS,
2000). Essa tendência de crescimento da epidemia nas mulheres vem sendo
descrita como processo de feminização da AIDS e é verificada em todos os
grupos etários.
No Estado de São Paulo, a AIDS foi a principal causa de morte entre
mulheres
na
faixa
etária
de
20
a
34
anos
no
ano
de
1992
(OMS/ONUSIDA,1998). No período de 1993 à 1996, a AIDS manteve-se
como a primeira causa de morte em mulheres de 15-49 anos no município de
São Paulo (MS, Bol. Epd. S. Paulo, 1997; Diniz e Villela, 1999), enquanto no
município do Rio de Janeiro no ano de 1994, tornou-se a terceira causa de
morte em mulheres de 25-34 anos (Lowndes et all, 1997 apud Giffin &
Lowndes, 1999).
A distribuição de casos de AIDS por faixa etária apresenta peculiaridades. O
maior número de casos femininos concentra-se na faixa etária de 20-34 anos
de idade, compreendendo 55% dos casos (MS, 1999). A AIDS vem atingindo
segmentos populacionais mais jovens. Em muitos locais no mundo os casos
novos de infecção ocorrem em pessoas entre 15 e 24 anos de idade e muitos
dos casos diagnosticados na faixa etária de 20-29 anos foram decorrentes de
infecção ocorrida na adolescência (Ribeiro, 1998; OMS/ONUSIDA, 1998;
3
Santos e Santos, 1999). Neste grupo, dentre as mulheres, há predomínio da
transmissão heterossexual, onde 40% infectaram-se através de parceiros
usuário de drogas injetáveis - UDIs (MS, 1999; Santos e Santos, 1999).
O aumento do número de casos entre as adolescentes é acentuado.
Atualmente a proporção menino/menina infectado é 1/1, enquanto em 1984
haviam 8 meninos infectados e nenhuma menina. (Assis, 1995 apud Ribeiro,
1998). As mulheres jovens estão expostas a um risco maior de infecção pelo
HIV devido a imaturidade do aparelho genital. Soma-se isto à maior
vulnerabilidade biológica à infecção pelo HIV nas mulheres de forma geral: a
própria anatomia sexual e suscetibilidade à infecção pelo HIV devido à
infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que muitas vezes apresentamse assintomáticas (Landmann & Bastos, 2000). Os adolescentes são mais
vulneráveis a infecção, além dos aspectos citados acima, por assumirem
comportamentos sexuais de maior risco, apesar do uso de preservativos
entre eles ser superior à média geral (Ministério da Saúde, 1999).
A transmissão sexual apresenta-se como principal modo de transmissão da
AIDS, correspondendo a mais da metade do total de casos registrados desde
1980 (MS, s/d, Castilho e Landmann, 1988).
No período de 1980 até março de 1999, 51% dos casos de AIDS
diagnosticados em mulheres correspondiam à infecção por relações
heterossexuais, 18% por uso de drogas injetáveis e 4,8% por transfusão de
sangue (MS, 1999).
No Brasil o processo de feminização da epidemia é concomitante ao de
pauperização, ou seja, o aumento de casos em mulheres acompanha a
expansão da epidemia para os grupos sociais mais pobres, sendo este
aspecto relevante em sociedades heterogêneas como no Brasil.
A magnitude do processo de pauperização da epidemia deve ser analisada
cuidadosamente, uma vez que é inferida através do nível de escolaridade das
fichas de notificação. As pessoas que acorrem mais aos serviços públicos
são pertencentes a grupos mais pobres, com acesso diferenciado aos anti-
4
retrovirais. Estas podem apresentar tempo menor entre a infecção e o
adoecimento que outros segmentos sociais (Landman & Bastos, 2000).
De qualquer forma, a análise de dados de notificação tem demonstrado que a
epidemia de AIDS no Brasil teve início em segmentos sociais de maior
escolaridade
e
vem
escolaridade.
Enquanto
disseminando-se
no
início
da
para
segmentos
epidemia
a
de
menor
doença
atingia
predominantemente pessoas com nível de escolaridade secundário ou
universitário, atualmente 60% dos casos são de pessoas que possuem até o
nível primário (OMS/ONUSIDA, 1998; MS, CN-DST/AIDS, 1998; Marques et
al, 1999).
A distribuição dos casos notificados de acordo com a escolaridade não é
homogênea nas regiões do país, existindo um risco maior de infecção para
homens e mulheres com menor nível de escolaridade na região Sudeste e
Centro-Oeste. Essa disseminação, na região Sudeste, pode ser associada
proporcionalmente ao declínio da participação da categoria homossexual,
(como mencionado anteriormente) e ao aumento da categoria de transmissão
usuário de drogas injetáveis, vinculados, respectivamente, a segmentos
populacionais de maior e menor escolaridade (Fonseca et al., 2000).
O uso de drogas injetáveis vem assumindo relevância como causa
associada. Em alguns estados brasileiros a relação entre infecção pelo vírus
do HIV e o uso de drogas injetáveis cresceu de 2,7% em 1985 para 18,2%
em 1990. Na região Sudeste verifica-se ocorrência predominante de
notificação de casos em usuário de drogas, sendo que no estado de São
Paulo, assim como Santa Catarina na região Sul, o uso de drogas injetáveis
é, em muitas regiões, responsável por cerca de 60% dos casos (MS, Bol.
Epdl, 1997; Cruz, 1999; MS, 1997; Marques et al, 1999).
A crescente participação de usuários de droga injetáveis e o aumento no
número de casos de AIDS em mulheres começou a ser destacada em 1989.
Nesta fase, as mulheres infectadas eram identificadas como usuárias de
drogas ou prostitutas e parceiras de UDIs. Em 1990 inicia-se uma distinção
entre estes dois grupos, com conseqüente incremento de casos entre
mulheres identificadas como parceiras de UDIs (Diniz e Villela, 1999). Dentre
o total de casos de AIDS diagnosticados em mulheres, 36% são decorrentes
5
do uso de drogas injetáveis realizado por elas ou por seus companheiros
(MS, CN-DST/AIDS 1999; 1998).
A heterossexualização da AIDS é apontada a partir da redução da razão de
sexo e do aumento na subcategoria de transmissão heterossexual, porém
esta pressuposição deve ser avaliada cuidadosamente: Castilho apontou que
33,4% das mulheres diagnosticadas no período de 1988-1992 eram usuárias
de drogas (Castilho et al, 1994). No estado de São Paulo no período de 19801991 aproximadamente 31,7% dos casos de AIDS em mulheres foram
decorrentes de transmissão heterossexual e 41,5% do uso de drogas
intravenosas (Goldestein, 1994).
Parker e Camargo (2000) divergem desta interpretação considerando a
realidade atual. Analisando os casos de AIDS notificados em mulheres em
1998/1999 destacam que 63,7% dos casos notificados em mulheres se
referiam a categoria de transmissão sexual e 8,8% a casos em mulheres
usuárias de drogas injetáveis.
Estas interpretações divergentes chamam atenção para a complexidade da
epidemia e dos comportamentos envolvidos na sua transmissão. Rompe-se,
cada vez mais, com concepções estáticas acerca da epidemia de AIDS,
reconhecendo-se a dificuldade de classificar os casos segundo categorias de
transmissão, que se evidenciam muitas vezes superpostas. Tende-se à
superestimar ou subestimar uma categoria ou outra, de acordo com a
interpretação assumida.
A possibilidade da transmissão heterossexual ser superestimada é
questionada nos casos masculinos, tendo em vista a dificuldade de se revelar
práticas sexuais estigmatizadas como o homossexualismo. A similaridade
entre características clínicas e sócio-demográficas de casos de AIDS em
homens heterossexuais e homens homossexuais é um indicativo de que isto
possa estar acontecendo (Castilho et al, 1991). Além disso, homens que
fazem
sexo
com
homens
podem
autodefinir-se
heterossexuais
por
identificarem sua sexualidade mediante o critério de atividade ou passividade
(Parker, 1994, Goldstein, 1994).
6
De qualquer forma, mesmo considerando essas dificuldades na classificação
das formas de transmissão dos casos de AIDS, não há como deixar de
constatar a evidência de um processo de heterossexualização da epidemia.
Este processo tornou as mulheres muito mais expostas, apesar dos estudos
a elas dirigidos terem sido mais escassos.
A mudanças no perfil da epidemia, indicando um incremento dos casos em
mulheres, se fizeram notar desde 1986, mas somente em 1990 setores
responsáveis reconheceram esta nova dinâmica. O conhecimento da AIDS
feminina tendeu a ser construído preferencialmente mediante um viés – o das
mulheres em fase de reprodução. As campanhas preventivas foram
desenvolvidas
tendo
como
referencial
este
perfil
de
mulher.
A
soropositividade é detectada, na maioria das vezes, apenas quando grávidas
ou então quando ocorre morte ou adoecimento de filhos ou companheiros. De
outra forma, elas só sabem de seu diagnóstico e recebem tratamento quando
adoecem, e mesmo assim é mais provável um diagnóstico tardio. Percebe-se
que o conceito grupo de risco ainda exerce influência sobre o diagnóstico:
mulheres que identificam-se, ou são identificadas pelo profissional de saúde,
como pertencentes a grupos de risco tendem a ser diagnosticadas mais cedo,
enquanto as mulheres que não se identificam – e por isso solicitam menos o
serviço de investigação - e não são identificadas dentro deste modelo tendem
a ter um diagnóstico mais tardio. É importante considerar que sendo o
diagnóstico tardio, menos eficaz é a terapêutica e menor a sobrevida e a
qualidade de vida (Barbosa, 1996; Vermelho, 1999; Diniz e Villela 1999).
Assim, o conceito de grupo de risco acaba conduzindo à subnotificação ou
atraso de notificação. A dificuldade de diagnóstico da AIDS em mulheres
fornece indícios de que a subnotificação neste grupo é maior do que em
outros grupos. Isto alerta para a possibilidade de um processo de feminização
ainda mais acentuado do que o indicado pelos dados oficiais.
Desta forma, ao analisar o conjunto de informações é importante ter presente
a dimensão da subnotificação dos casos. No Brasil a notificação de um caso
de AIDS ocorre, freqüentemente, em função do óbito. Somente 49% dos
casos diagnosticados são notificados em um prazo de até 6 meses, enquanto
7
10% dos casos diagnosticados levam 4 anos ou mais para serem notificados
(Castilho e Landmann, 1998).
A rede de saúde capta de forma diferenciada os casos, ocasionando
variações na notificação. Os erros nos dados dos casos notificados ocorrem
de forma enviesada, por fatores sociais e econômicos (Parker et all, 1994;
Parker e Camargo, 2000). O período de latência da doença também está
envolvido na distorção da informação: o momento em que uma pessoa sabese caso pode situar-se muito distante temporalmente da ocorrência da
infecção, dificultando a lembrança da história de contaminação (viés de
memória). A transmissão da AIDS vincula-se a dimensões da vida muito
íntimas e subjetivas, que são investidas de medo, culpa e estigma.
Apresentam-se como questões o nível em que as pessoas se sentem
confiantes para falar de condutas nesse plano e como dimensionar a
veracidade das informações.
A forma de se construir o conhecimento acerca da AIDS em mulheres pode
estar subestimando nuanças importantes. A dificuldade de discriminar melhor
as informações, a superposição de categorias de transmissão e os limites do
sistema de informação causam distorções. As análises baseadas nos bancos
de dados de notificação são insuficientes para compreender mais
profundamente o processo epidêmico.
Evidencia-se a necessidade de discriminar melhor quem são essas mulheres
em suas características culturais, sociais, econômicas, comportamentais e
intersubjetivas no sentido de buscar apreender como estas dimensões se
articulam e propiciam o crescimento da epidemia entre as mulheres.
1.2 Aspectos Espaciais da Epidemia
A epidemia de AIDS tem revelado uma modalidade de propagação
diferenciada nas diversas comunidades e áreas geográficas de um país e no
mundo (OMS/ONUSIDA, 1998).
No Brasil a epidemia surgiu na região Sudeste, onde os primeiros casos
foram diagnosticados, na cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro. Desde
8
então a AIDS vem difundindo-se para outras regiões, mantendo ainda taxas
de incidência elevadas nas duas primeiras metrópoles. Atualmente alguns
municípios de pequeno porte já apresentam sua taxa de incidência
quadruplicada (Castilho e Landmann, 2000).
Os municípios do Brasil considerados mais pobres têm apresentado um
maior incremento das taxas de incidência no tempo enquanto nas cidades
grandes, com exceção da região Sul, têm se verificado uma redução na
velocidade do crescimento. Nas cidades grandes observa-se o aumento do
número de casos de transmissão heterossexual à medida que decresce o
número de casos de transmissão homossexual/bissexual. Quanto aos
municípios médios e pequenos há uma predominância nas categorias de
transmissão usuários de drogas injetáveis e heterossexuais, respectivamente.
A região Sudeste tem apresentado maior tendência à estabilidade da
epidemia, com o menor ritmo de crescimento (Landmann & Bastos, 2000).
Grangeiro (1994) observou no comportamento da epidemia em São Paulo um
estreito vínculo com as condições materiais e objetivas que cada estrato
populacional possui. Através do estabelecimento de regiões homogêneas
para AIDS, formadas pela agregação de áreas administrativas cujo
comportamento da epidemia segundo categorias de transmissão e evolução
anual foi parecido, observou que áreas mais centrais apresentaram a partir
de 1990 queda no número absoluto de casos enquanto áreas periféricas
indicaram crescimento. Regiões que aparentemente apresentaram piores
condições de vida mostraram a partir de 1988 aumento dos casos através da
transmissão heterossexual e do uso de drogas injetáveis.
No
município
do
Rio
de
Janeiro,
a
AIDS
também
encontra-se
heterogeneamente distribuída, apresentando deslocamento da Zona Sul e
área central da cidade para Zona Norte e Oeste no período de 1991 a 1995
(Cruz, 1999), áreas consideradas mais pobres, o que corrobora a
característica de pauperização da epidemia.
Observa-se assim que a tendência de pauperização da AIDS obedece uma
tendência geral de doenças infecciosas de tornarem-se predominante em
segmentos sociais mais desfavorecidos/vulneráveis (Granjeiro, 1994) e
constata-se que houve, e que está havendo, um deslocamento da epidemia
9
dentro do que se denominou grupos característicos; se antes era
predominante em homens homossexuais com maior nível educacional,
econômico e residentes nos centros metropolitanos, agora é crescente a
relevância nos heterossexuais com menor nível de escolaridade e renda.
A dinâmica da epidemia tem apontado para o seu caráter global e
simultaneamente local, referindo-se a comunidades específicas. Deve ser
compreendida
como
produto
de
diferentes
culturas,
dos
diversos
comportamentos e do agente infeccioso (Bastos e Coutinho, 1999). Ela é
multideterminada e por isso é necessário que se desenvolvam análises em
diversos níveis, compreendendo variáveis biológicas, do psiquismo individual,
da estrutura sócio-econômica e das diversas culturas. Isto possibilita
compreender a real e complexa dinâmica da epidemia e estabelecer uma
fundamentação
mais
realista
das
ações
preventivas
e
terapêuticas
(Landmann & Bastos, 2000).
1.2.2 – Conceito de Interação
A transmissão da AIDS ocorre, então, mediante aspectos plurideterminados.
Os estudos epidemiológicos que abordam a dinâmica da epidemia segundo a
organização do espaço consideram esta plurideterminação por meio do
conceito de interação. Este, expressa a dinâmica social específica que se
estabelece através da circulação de pessoas e mercadorias, formando redes
de interação. No estudo da difusão das epidemias, o conceito de interação
permite uma abordagem mais complexa que o de grupos de risco. Diferentes
indivíduos e grupos sociais participam de forma diferenciada de redes de
interação social estabelecendo um caráter de direcionalidade e seletividade à
10
difusão em cada situação, determinando uma dinâmica peculiar e uma
configuração espacial específica (Barcellos e Bastos, 1996; 1995). O conceito
de mobilidade assume importante valor junto ao conceito de interação social
na compreensão da epidemia. Em se tratando de doença transmitida
sexualmente, a mobilidade exerce sua influência aumentando a taxa de
contatos sociais (Sabroza et al, 1992)
Os estudos a respeito da epidemia de AIDS trouxeram uma contribuição
importante para as análises da relação entre espaço e produção de doenças.
Pensar na questão da AIDS implica integrar e analisar aspectos biológicos,
socio-econômicos, culturais, intersubjetivos e simbólicos que estão presentes
no seu processo de difusão (Czeresnia e Ribeiro, 2000).
Esta concepção que busca integrar um conjunto de aspectos que interagem
produzindo uma dinâmica passível de ser apreendida espacialmente remete
ao conceito de vulnerabilidade
1.3 – Vulnerabilidade
A idéia de vulnerabilidade emergiu das lacunas e deficiências dos discursos e
das análises de risco tradicionais buscando aumentar o poder explicativo e
compreensivo da dinâmica da epidemia.
Ela não constitui um conceito fechado, pois integra múltiplas dimensões que
se articulam em um contexto específico, e que dizem respeito a uma situação
singular, seja a de um indivíduo, grupo social, cidade, país, etc.
Vulnerabilidade ao HIV/AIDS refere-se a natureza e aos graus diversos de
suscetibilidade, à infecção, adoecimento ou morte pelo HIV segundo
dimensões sociais, institucionais, individuais e intersubjetivas. Permite
analisar as condições de vida que favorecem a exposição, contribuindo para
11
a elaboração de alternativas reais de prevenção e intervenção (Ayres et al,
1999; Luz & Silva, 1999).
A alta vulnerabilidade ao HIV é determinada, de certa forma, por situações de
vida que ultrapassam comportamentos escolhidos (Diniz e Villela, 1999).
A eclosão da epidemia de AIDS em segmentos de maior vulnerabilidade - as
mulheres, os jovens, os mais pobres, dentre outros segmentos, fortemente
atingidos – têm sido também descrita como uma tendência geral das doenças
de pauperizar-se dada a distribuição desigual de recursos políticos, jurídicos,
econômicos e cultural entre gêneros, faixas etárias, grupos étnicos,
segmentos sociais e países (Ayres, 1999).
O Brasil é um país que apresenta intensa desigualdade sócio-econômica e
demográficas em sua população, o que acaba caracterizando grupos
populacionais com diferentes vulnerabilidades e probabilidades de se
infectarem pelo HIV (Parker e Camargo, 2000).
12
2 – Metodologia – Análise Espacial
Foi realizado um estudo ecológico para analisar a distribuição espacial da
incidência dos casos notificados de AIDS em mulheres, de 15 a 59 anos de
idade, no município do Rio de Janeiro, ocorridos no período entre 1982 e
1997. Utilizou-se análise espacial como técnica de manipulação de dados e o
bairro como unidade de análise.
2.1 – Considerações sobre a Análise Espacial
Análise espacial é a manipulação de dados, muitas vezes envolvendo
técnicas estatísticas, com objetivo de compreender a relação entre
determinado grupo social no espaço, o ambiente e a sociedade a partir da
integração de informações diversas com referências espaciais (Barcellos,
2000). É uma das técnicas de tratamento de dados geográficos inserida no
geoprocessamento.
O geoprocessamento é um conjunto de tecnologias de coleta, tratamento,
manipulação, e exibição de informações geográficas, como o sensoriamento
remoto, a digitalização de dados e os Sistemas de Informação Geográficas –
SIG (Santos et al, 2000; Barcellos e Bastos, 1996)
Os métodos da estatística espacial aliado às técnicas de geoprocessamento
agregam valor aos mapas que, além de meio de visualização e comunicação
de um conjunto de dados, passam a constituir instrumento da análise
espacial.
Estabelecendo-se as características da população e a sua localização é
possível, através da visualização das informações nos mapas, criar hipóteses
e questionamentos sobre agravos à saúde, reconhecendo-se áreas mais
vulneráveis (Santos et al, 2000).
O processo de mapeamento produz representações do contexto geográfico
de forma simplificada e reduzida. Compreende-se a escala como sendo a
13
razão entre uma medida efetuada sobre o mapa e sua medida real na
superfície terrestre. As escalas apresentam características específicas:
quanto menor a unidade de análise, maior será a escala e consequentemente
maior o nível de detalhamento do mapa.
A
unidade
de
análise
escolhida
deve
ter
homogeneidade
interna,
pressupondo-se a inexistência de diferenças espaciais no interior dessa
unidade, e heterogeneidade externa, ressaltando as diferenças entre as
unidades de análise. A escolha da escala exerce influência na interpretação
dos resultados da análise espacial. Estudos realizados sobre um mesmo
tema podem produzir resultados diferentes, dependendo da escala de análise
adotada. Cada escala irá mostrar um determinante de saúde dominante, uma
vez que seu nível de detalhamento coloca em evidência um conteúdo
inerente a cada unidade de agregação (Barcellos e Bastos, 1996).
2.1.1 – A Unidade de Análise
A escala de análise estabelece a unidade territorial mínima de agregação dos
dados e a área de abrangência do estudo. Neste estudo a escala adotada foi
a de bairros do município do Rio de Janeiro, a unidade de análise foi o bairro
e a área de abrangência do estudo envolve o município do Rio de Janeiro.
Adotando-se o bairro como unidade de análise, ressaltam-se os diferenciais
internos da cidade, evidenciando processos sociais e epidemiológicos que
ocorrem
dentro
da
cidade,
principalmente os aspectos ligados ao
comportamento. Nessa escala se manifestam fatores do cotidiano já que os
principais deslocamentos diários entre locais de moradia, de trabalho e de
lazer são em geral estabelecidos dentro do bairro ou entre bairros. Outro
aspecto importante que emerge dessa escala é o reflexo das desigualdades
sociais sobre o acesso aos serviços, infra-estrutura urbana, perfis de renda.
Estes processos podem não ser percebidos em escalas menores, por
exemplo, na escala nacional, que utiliza o município como unidade de
análise. Dentro das cidades, principalmente dos países periféricos, coexistem
14
grandes diferenciais sociais, manifestados não só pela renda mas também
condições de moradia. O reconhecimento desses contrastes intra-urbanos
permite que se ressalte o perfil social da cidade e seus possíveis reflexos
sobre as condições de saúde da população.
O espaço não deve ser compreendido simplesmente como o lugar onde
ocorrem os eventos de saúde. Deve se entendido como um conjunto interrelacionado de elementos sociais, econômicos, culturais e ambientais. É
necessário estabelecer as diferenças entre as unidades de análise e sua
relação com a estrutura espacial onde se insere. Isso é possível através da
análise das variáveis como extensão territorial, características sócioeconômicas e densidade demográfica, caracterizando situações nas quais
ocorrem os eventos de saúde.
2.2 - Fontes de Dados
Foi utilizado o banco de dados de AIDS do Sistema de Informação de
Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizado pelo Programa de DST/AIDS
da Secretaria Municipal de Saúde com todos os casos de AIDS notificados no
município do Rio de Janeiro, relativos ao período de 1982 a 1999. Entretanto,
os dois últimos anos, 1998 e 1999, foram desconsiderados devido ao atraso
de notificação.
2.2.1 - Considerações sobre o SINAN
Em 1993 o SINAN, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, foi
implantado no município do Rio de Janeiro e o sistema de vigilância de AIDS,
notificação e investigação de DST/AIDS, deixou de ser responsabilidade do
Estado passando a ser uma atribuição do município. As informações
produzidas pelo sistema de informação são pautadas em uma ficha de
15
notificação/investigação dos casos confirmados1, composta por campos de
dados de identificação do indivíduo e campos mais específicos (anexo 1). Um
indivíduo caso, soropositivo, que não atenda aos critérios de classificação
estabelecidos são excluídos do sistema de notificação.
A ficha de notificação nem sempre é adequadamente preenchida,
ocasionando perda de informações. Cruz (1999) realizou trabalho de
levantamento e atualização da base de dados do SINAN, (Rio de Janeiro) no
período de 1985-95, das variáveis: ano de diagnóstico, sexo, idade, bairro de
residência, categoria de exposição e escolaridade. Distinguiu que a má
qualidade dos dados das variáveis bairro e ocupação ocorriam em função do
não preenchimento destes dados, enquanto as variáveis categoria de
exposição e escolaridade eram preenchidas como ‘informação ignorada’.
Após o ano de 1993, observou uma melhoria nas informações relativas à
bairro de residência e ocupação. Isto pode ter sido decorrente da implantação
do SINAN no município. Contudo, ocorreram também perdas em função da
conversão do sistema. A autora destacou a importância da informação
ignorada a respeito do modo de transmissão, que é especialmente relevante
na categoria heterossexual, sem histórico de comportamento de risco dos
parceiros. Informações ignoradas referentes a este campo podem ter
diversos sentidos: pode ser ignorada por desconhecimento desse dado por
parte do informante; por ser uma resposta sem informação por falta de
investigação ou por ser uma resposta preenchida incorretamente e recusada
pelo sistema na etapa de crítica de dados e então classificada como
ignorada.
Outro aspecto relevante nas fichas de notificação, é que embora exista no
canto superior direito um campo para preenchimento, se a mulher é ou não
gestante, não existe codificação para esta informação no sistema.
1
São critérios adotados pelo Ministério da Saúde (1998) para definição de casos de AIDS em
indivíduos com 13 anos de idade ou mais: 1- CDC Modificado (evidência laboratorial da infecção pelo
HIV + diagnóstico de doenças indicativas de AIDS ou evidência laboratorial de imunodeficiência); 2Rio de Janeiro/Caracas (evidência laboratorial da infecção pelo HIV + Σ de pelo menos 10 pontos, de
acordo com uma escala de sinais, sintomas ou doenças); 3- Critério Excepcional CDC (ausência de
evidência laboratorial da infecção pelo HIV + diagnóstico definitivo de determinadas doenças
indicativas de imunodeficiência); 4- Critério Excepcional Óbito (menção de AIDS em algum campo da
DO + investigação epidemiológica inconclusiva); 5- Critério Excepcional ARC -Complexo
Relacionado à AIDS- + Óbito (paciente em acompanhamento apresentando ARC + Óbito de causa não
externa).
16
Além disso, a ficha de notificação contempla poucas variáveis sócioeconômicas e não abrange informações relevantes como a cor ou a etnia
(Parker e Camargo Jr, 2000).
2.3 – Variáveis
As variáveis abordadas neste estudo foram:
bairro: unidade do município onde reside o caso notificado
escolaridade: grau de instrução (analfabeto, 1ª a 4ª série, 5ª a 8ª série, 2º
grau, superior e ignorado)
idade: idade
ano epidemiológico: ano epidemiológico (1982 a 1997)
sexo: sexo (masculino, feminino)
situação atual: situação atual (vivo, morto e ignorado)
faixa etária: intervalo de idade comum a um grupo (15-24 anos, 25-34 anos,
35-44 anos e 45-59 anos)
período: intervalo de tempo comum a um grupo (1982-1988, 1989-1993 e
1994-1997)
As variáveis faixa etária e período resultaram, respectivamente, da
categorização das variáveis idade e ano epidemiológico.
As variáveis foram analisadas em função da variável período. Os períodos
estabelecidos foram 1982-1988, 1989-1993 e 1994-1997. A delimitação dos
períodos foi estabelecida após análise exploratória da freqüência da epidemia
nas mulheres. O início e fim de cada período foi definido segundo mudanças
mais marcantes no incremento da notificação de casos em mulheres.
17
2.4. – Construção dos indicadores
Os indicadores foram calculados a partir das variáveis do SINAN, dados do
IBGE e da população adscrita para o estudo, por bairros do município do Rio
de Janeiro.
Foi necessário estimar a população dos bairros para os anos compreendidos
nos períodos estudados para o cálculo de alguns indicadores. Como eram
conhecidos os valores de população somente para os anos em que foram
realizados censos demográficos (1980, 1991 e 1996) e estes anos não
correspondiam ao meio do período (1982-1988, 1989-1993 e 1994-1997), foi
necessário o uso de técnicas de interpolação para estimar a população
masculina e feminina em cada ano. Para escolher qual o melhor método para
estimar o crescimento da população do município de Rio de Janeiro,
considerando que a unidade de análise do estudo foi bairro, analisou-se o
crescimento populacional do município a partir dos dados do censo de 1980,
1991 e 1996. Observou-se que o crescimento foi não linear, apresentando
uma redução em seu crescimento entre 1991 e 1996 – Tabela 1.
TABELA 2.1 - População Residente no Município do Rio de Janeiro por
Sexo segundo Ano, Período 1980-1996
Homens
Mulheres
Total
Ano
1980* 2.433.718 2.656.982 5.090.700
1981
2.445.279 2.675.589 5.120.868
1982
2.459.355 2.698.243 5.157.598
1983
2.473.479 2.720.980 5.194.459
1984
2.487.562 2.743.653 5.231.215
1985
2.501.605 2.766.252 5.267.857
1986
2.515.515 2.788.643 5.304.158
1987
2.529.230 2.810.713 5.339.943
1988
2.542.654 2.832.332 5.374.986
1989
2.555.737 2.853.383 5.409.120
1990
2.568.500 2.873.924 5.442.424
1991* 2.583.192 2.897.576 5.480.768
1992
2.587.840 2.905.763 5.493.603
1993
2.614.423 2.932.607 5.547.030
1994
2.637.838 2.958.874 5.596.712
1995
2.660.675 2.984.491 5.645.166
1996* 2.608.818 2.942.720 5.551.538
* População segundo os censos demográficos do IBGE
Fonte: Datasus (http://www.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?ibge/poprj.def)
18
A seguir calculou-se a taxa de crescimento populacional para homens e
mulheres no município do Rio de Janeiro. A taxa anual de crescimento
masculina entre 1980-1991 foi de 0,543% e entre 1991-1996 foi de 0,198%
enquanto a taxa de crescimento feminina em 1980-1991 foi de 0,791% e
entre 1991-1996 foi de 0,310%. A taxa de crescimento populacional feminina
no município do Rio de Janeiro foi maior do que a masculina nos dois
segmentos, como pode ser observada na Tabela 2.2.
Optou-se, então, por estimar a população através do modelo de crescimento
geométrico.
TABELA 2.2 – Razão de Crescimento do Sexo Masculino e Feminino no
Município do Rio De Janeiro, 1980-1991 e 1991-1996
Ano
Pop.Masculina
Taxa de crescimento (%)
Pop.Feminina
Taxa de crescimento(%)
1980
1991
2.433.718
2.583.192
0,543
2.656.982
2.897.576
0,791
1996
2.608.818
0,198
2.942.720
0,310
Para o cálculo das taxas de incidência, os denominadores foram estimados a
partir
de
interpolações
geométricas
das
populações
dos
Censos
Demográficos de 19802 (IBGE, 1983) e 1991 (IBGE, 1993), bem como da
contagem da População de 1996 (IBGE, 1997) obtidos na Home Page do
Datasus (2000).
Utilizando-se a população de homens e mulheres do censo de 1991 e de
1996 calculou-se a taxa de crescimento de homens e mulheres de 15 a 59
anos nos bairros, aplicando-se a taxa de crescimento por sexo do município
(anexo2). Foram estimados, dessa forma, as populações de 15 a 59 anos de
idade por sexo e bairro para os período de 1982 a 2000, com exceção dos
anos censitários.
2
Como não dispúnhamos de dados do censo de 1980 com relação a população dos bairro extrapolamos
a estimativa de 1991 neste sentido.
19
2.5 – Indicadores
•
Taxa de incidência:
casos de AIDS ocorridos entre 15-59 anos no
período, por sexo, ocorridos nos bairros do município do Rio de Janeiro
em relação a população estimada para o período, por sexo nos bairros.
•
Percentual de casos de AIDS com categoria de exposição ignorada:
casos de AIDS com categoria de exposição ignorada ocorridos entre 1559 anos no período 1982-1997 nos bairros do município do Rio de
Janeiro, por sexo, em relação ao total de casos ocorridos no mesmo
período, por sexo nos bairros.
•
Razão de sexo: todos os casos de AIDS em homens ocorridos entre 1559 anos nos bairros do município do Rio de Janeiro, por período em
relação a todos os casos de AIDS em mulheres 15-59 anos por período
nos bairros.
•
Percentual de escolaridade até 4ª série: número de chefes de família
com escolaridade até 4ª série por bairro em relação ao número total de
chefes de família, por bairro, utilizando o censo de 1991.
•
Percentual de mulheres com AIDS com escolaridade até 4ª série:
casos de mulheres com AIDS com escolaridade até 4ª série por bairro em
relação ao total de mulheres com AIDS por bairro.
•
Percentual de homens com AIDS com escolaridade até 4ª série:
casos de homens com AIDS com escolaridade até 4ª série por bairro em
relação ao total de homens com AIDS por bairro.
•
Coeficiente de letalidade: número de óbitos por AIDS ocorridos nos
bairros do município do Rio de Janeiro no período entre 1982 e 1997 em
20
relação ao total de casos de AIDS ocorridos no mesmo período nos
bairros.
•
Coeficiente de mortalidade por AIDS: número de óbitos por AIDS
ocorridos nos bairros do município do Rio de Janeiro no período entre
1982 e 1997 em relação a população geral dos bairros utilizando o censo
de 1991
•
Densidade demográfica3: população residente nos bairros do município
do Rio de Janeiro (censo de 1991) em relação a área do bairro em Km².
•
Proporção de chefes de domicílio com renda superior a 10 salários
mínimos: números de chefe de domicílios com renda superior a 10
salários mínimos em relação ao total de chefes de domicílios
2.6 – Base Cartográfica
A base utilizada neste estudo foi cedida pelo Departamento de Informações
em Saúde, do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz DIS/CICT/FIOCRUZ.
O município do Rio de Janeiro é composto por 153 bairros, distribuídos
conforme mostra o Mapa 2.1
3
Os indicadores densidade populacional e proporção de chefes de domicílio com renda superior a 10
salários mínimos foram fornecidos pelo DIS/CICT/FIOCRUZ.
21
2.7 – Instrumentos
Para análise dos dados foi utilizado o programa estatístico SPSS para
Windows versão 8.0, Excell e o MAPINFO
2.8 – Estratégias de Análise
A distribuição espacial da AIDS em mulheres foi analisada utilizando
indicadores no nível de agregação dos bairros buscando compreender a
dinâmica da epidemia. Considerando que quanto menor a unidade de
análise, maior será a escala e maior o nível de detalhamento do mapa,
pretendeu-se destacar e evidenciar os determinantes de saúde dominantes
neste nível de análise.
Os mapas foram produzidos a partir do local de residência dos casos e não
necessariamente representam o local onde ocorreu a infecção. As
informações observadas espacialmente foram consideradas importantes na
medida em que traduziram, de qualquer forma, informações sobre o perfil dos
casos notificados residentes na unidade de análise.
24
3 - Resultados e Discussão - Análise Espacial
Na análise dos dados buscou-se estabelecer e discriminar relações entre as
variáveis e os casos notificados de AIDS femininos estudados. Os casos de
AIDS masculinos foram utilizados como parâmetro(s) para dimensionar a
epidemia nas mulheres nos dados analisados.
Verificou-se que dos 19660 casos notificados, que integram o banco de
dados do SINAN até setembro de 1999, 15340 são masculinos e 4314
femininos.
Tabela 3.1: Distribuição de Todos os Casos Notificados de AIDS no
Município do Rio de Janeiro Segundo a Variável Sexo no Período de
1982 a 1999
Casos masculinos
Casos Femininos
Perdas
Total
Frequência Absoluta (n)
15.340
4.314
6
19.660
Frequência Relativa
78,03 %
21,94 %
0 ,03 %
100,00 %
Fonte: SINAN
O Gráfico 3.1 mostra a distribuição dos casos de AIDS por sexo e ano de
notificação, excluídas as perdas por sexo ignorado. Pode-se observar um
decréscimo no total de casos nos anos de 1998 e, mais acentuadamente, em
1999. Isto se deve provavelmente ao atraso da notificação. Considerando
que este número de casos não corresponde ao total de casos notificados
nesses anos, optou-se por exclui-los, estabelecendo-se o período de análise
entre 1982-1997.
25
Gráfico 3.1: Distribuição do Total de Casos de AIDS Notificados no
Município do Rio de Janeiro Segundo Ano Epidemiológico, 1982-1999
3000
2000
Frequência
1000
s exo
mulher
homem
0
82
84
83
86
85
88
87
90
89
92
91
94
93
96
95
98
97
99
O total de casos notificados estudados passou então para 16016, sendo
12760 casos masculinos e 3253 casos femininos, como mostra a Tabela 3.2
abaixo:
Tabela 3.2: Distribuição dos Casos Notificados de AIDS com Faixa Etária
de 15 a 59 Anos no Município do Rio de Janeiro Segundo a Variável
Sexo no Período de 1982 a 1997
Casos Masculinos
Casos Femininos
Perdas
Total
Frequência Absoluta (n)
12.760
3.253
3
16.016
Frequência Relativa
79,67 %
20,31 %
0,02 %
100,00 %
Fonte: SINAN
26
A Tabela 3.3 apresenta todos casos masculinos e femininos notificados
segundo o ano epidemiológico. Delimitou-se três períodos de estudo: 19821988, 1989-1993 e 1994-1997. Estes períodos caracterizam o crescimento da
epidemia entre as mulheres. No primeiro período, o número de casos em
mulheres apesar de crescente, é ainda incipiente. A partir de 1988, o número
de casos torna-se mais expressivo e, no terceiro período constata-se um
incremento na tendência de crescimento dos casos. O crescimento da
epidemia entre os homens continuou maior do que nas mulheres durante o
segundo período, 1989 e 1993, mas já é possível observar no final deste
período - no ano de 1993 - o início de uma oscilação no crescimento da
incidência de casos notificados de AIDS em homens. No terceiro período
detecta-se uma tendência à estabilização do crescimento da AIDS entre os
homens, enquanto nas mulheres observa-se uma expansão (Gráfico 3.2).
27
Tabela 3.3: Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos, segundo Sexo, Períodos e Ano
Epidemiológico
1º período
2ºperíodo
3º período
Ano
epidem.
Homens
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
Total
3
7
30
98
216
493
613
850
970
1025
1251
1148
1605
1359
1557
1535
12760
Mulheres
0
0
3
8
27
38
99
141
141
159
273
285
430
430
532
687
3253
Total
3
7
33
106
243
531
712
991
1111
1184
1524
1433
2035
1789
2089
2222
16013
Fonte: SINAN – excluídas 3 perdas por sexo ignorado
Gráfico 3.2: Casos de AIDS em Mulheres e em Homens 15-59 Anos no
Município do Rio de Janeiro Segundo o Ano Epidemiológico
2000
Frequência
1000
sexo
h omem
0
mulher
82
84
86
88
90
92
94
96
A no epidemiológico
Analisando-se a distribuição dos casos por sexo e faixa etária, Tabela 3.4,
verifica-se uma concentração dos casos femininos e masculinos na faixa de
25-34 anos, seguidos da faixa 35-44 anos. O Gráfico 3.3 mostra que estas
duas faixas etárias são as que têm apresentado uma maior tendência de
crescimento: mulheres na faixa etária 25-34 anos a partir de 1987 e os
homens desde 1985 com uma oscilação no crescimento entre 1993 e 1997.
Tabela 3.4: Distribuição de Casos de AIDS em Homens e Mulheres
Segundo Faixa Etária
Faixa Etária
15_24
25_34
35_44
45_59
Feminino
405
1270
1019
559
3253
Masculino
12,5%
39,0%
31,3%
17,2%
100%
1012
5067
4470
2211
12760
Total
7,9%
39,7%
35,0%
17,3%
100,0%
1417
6337
5489
2770
16013
8,8%
39,6%
34,3%
17,3%
100%
Fonte: SINAN
29
Gráfico 3.3: Distribuição dos Casos de AIDS Segundo Sexo, Faixa Etária
e Ano Epidemiológico
800
700
Mulheres
600
500
400
Faixa etária
Frequência
300
15_24
200
25_34
100
35_44
0
45_59
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
Ano epidemiológico
800
700
Homens
600
500
400
Faixa etária
Frequência
300
15_24
200
25_34
100
35_44
0
45_59
82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97
Ano epidemiológico
30
A Tabela 3.5 mostra a idade média dos casos femininos. Pode se observar
que a variação da idade média foi pouco expressiva durante os períodos
estudados com desvio padrão próximo de dez.
Tabela 3.5: Análise Descritiva da Variável Idade – Mulheres, 15-59 Anos
– Município do Rio de Janeiro
Variável
Idade (todos períodos)
Média
Mediana
Moda
Desvio padrão
Estatísticas
N=3253
35,9
34
30
9,46
Idade (período 82-88)
Média
Mediana
Moda
Desvio padrão
N=175
33,97
32
37
10,07
Idade (período 89-93)
Média
Mediana
Moda
Desvio padrão
N=999
35,6
34
25
9,72
Idade (período 94-97)
Média
Mediana
Moda
Desvio padrão
N=2079
35,19
34
31
9,28
Fonte: SINAN
Os Mapas 3.1 e 3.2 mostram, respectivamente, a evolução da incidência dos
casos notificados de AIDS em mulheres e em homens, 15-59 anos, no
município do Rio de Janeiro segundo os períodos.
Para compreender o sentido do deslocamento da epidemia dentro do
município, foi utilizada na análise dos mapas, a terminologia dos pontos
cardeais (Norte, Sul, Leste e Oeste) e colaterais (Nordeste, Sudeste,
Sudoeste e Noroeste)3. Já para fazer referência aos bairros e conjunto de
bairros, utilizou-se a terminologia usual de Zona Sul e Norte. Por exemplo,
Copacabana e Botafogo são designados de bairros da Zona Sul, agregam
pessoas com maior nível sócio-econômico, embora em seu interior coexistam
fortes diferenciais devido principalmente à inserção de favelas. Buscou-se
3
No decorrer do texto a referência a estes pontos será sempre realizada pela abreviatura padronizada
(N, S, L, O, NE, SE, SO e NO).
31
assim evitar a confusão entre o conjunto de bairros tradicionalmente
apontados como socialmente abastados - Zona Sul - e sua localização
geográfica, neste caso a região sudeste do município.
Pode-se observar no Mapa 3.1 o aumento da incidência dos casos
notificados de AIDS em mulheres e a sua difusão pelo município. No primeiro
período, 1982-1988, se evidencia a origem de casos em bairros das regiões
centro e norte vinculada a um aspecto difuso, enquanto o segundo e terceiro
período marcam o aumento da incidência e a disseminação da epidemia por
todo município. A configuração do terceiro período sugere uma tendência de
crescimento da epidemia pelo município no sentido L-O em bairros que vão
se caracterizando por apresentar uma incidência mais acentuada. Os bairros
da Zona Oeste, assim como da Zona Norte, são bairros que apresentam
condições materiais de vida mais precária (Cruz,1999), como pode ser
evidenciado pela comparação com o mapa de renda de chefes de família
Mapa 3.3. O crescimento na epidemia nestas regiões poderia estar também,
então, vinculado ao processo de pauperização da epidemia no município
(Landmann & Bastos, 2000). Todavia, existem também bairros na chamada
Zona Sul, como Botafogo, com aumento da incidência nos dois últimos
períodos.
No Mapa 3.2 pode-se observar a disseminação dos casos masculinos. A
epidemia surge de forma mais acentuada em bairros do Centro e da Zona Sul
do município. Esses bairros apresentam alta incidência também no segundo
e terceiro períodos. Esta configuração da epidemia é condizente com o seu
surgimento, que atingiu inicialmente homossexuais de maior poder aquisitivo,
residentes em bairros da Zona Sul (Mapa 3.3). A epidemia nos homens
sugere, segundo análise do terceiro período, uma tendência de difusão pelo
município no sentido SE-N, com bairros de alta incidência também da Zona
Leste (Centro da cidade).
Comparando os dois mapas (3.1 e 3.2) pode-se observar que a epidemia de
AIDS nos homens, no segundo e terceiro período, apresenta nos bairros
Saúde e Cidade Universitária uma incidência de casos notificados superior a
maior taxa de incidência das mulheres em qualquer período. Estes bairros
apresentaram-se com baixa densidade demográfica, o que pode justificar as
32
elevas taxas4 (Mapa 3.4). Pode-se também observar no terceiro período que
os bairros que apresentam maior incidência nas mulheres - Centro, Catumbi,
Santo Cristo, Estácio, Saúde, Bonsuceso e Vila da Penha - foram os que
apresentam para os homens uma incidência em um nível imediatamente
acima, com exceção para os bairros do Caju e Barra de Guaratiba, os quais
apresentaram taxa de incidência feminina superior à masculina. Barra de
Guaratiba apresentou poucos casos e baixa densidade demográfica (Mapa
3.4). Caju foi classificado com baixa densidade demográfica, porém com um
número expressivo de casos (anexo 3).
Pode-se caracterizar através da localização geográfica dos bairros, dois
núcleos de maior incidência de AIDS em mulheres. O primeiro núcleo
formado pelos bairros: Centro, Catumbi, Santo Cristo, Estácio e Saúde, e o
segundo núcleo formado pelos bairros: Bonsucesso, Caju e Cidade
Universitária (que teve alta incidência, porém poucos casos). Como pode ser
observado no Mapa 2.1, estes núcleos estão situados, de acordo com a
divisão do município do Rio de Janeiro em zonas nas Zonas Centro/Portuária
e Norte, respectivamente.
Estes núcleos fazem limites com outros bairros que apresentaram também
aumento da incidência de casos de AIDS femininos. O primeiro núcleo
fazendo limite com os bairros: Cidade Nova e Santa Tereza na Zona
Centro/Portuária, Gloria e Catete na Zona Sul e Rio Comprido, Praça da
Bandeira na Zona Norte. O segundo núcleo próximo aos bairros Manguinhos,
São Cristovão, Benfica, Higienópolis e Del Castilho na Zona Norte.
Analisando estes bairros vizinhos podemos observar no Gráfico 3.4 que todos
apresentam tendência de crescimento, o que sugere futuramente a ampliação
dos núcleos 1 e 2.
4
Na análise dos mapas, oscilações acentuadas nas taxas dos bairros ao longo dos períodos devem ser
conseqüências prováveis da flutuação estatística da ocorrência de casos em populações pequenas, como
é o caso de Camorim nos Mapas 3.1 e 3.2, que conta com uma população de apenas 145 pessoas,
segundo censo de 1991, e 3 casos (Anexo 3).
33
Gráfico 3.4: Crescimento da AIDS em Mulheres Segundo os Períodos
nos Bairros Vizinhos aos Dois Núcleos de Maior Incidência
taxas
Bairros Vizinhos ao 1º núcleo
50,0
CIDADE NOVA
40,0
RIO COMPRIDO
30,0
SANTA TERESA
20,0
10,0
GLORIA
0,0
CATETE
1
2
3
PRACA DA
BANDEIRA
períodos
taxas
Bairros Vizinhos ao 2º Núcleo
50,0
SAO
CRISTOVAO
40,0
BENFICA
30,0
HIGIANOPOLIS
20,0
10,0
DEL CASTILHO
0,0
1
2
períodos
3
INHAUMA
MANGUINHOS
34
A incidência masculina em níveis imediatamente acima das mulheres nos
bairros citados acima sugere que a via heterossexual, pode ter sido um modo
principal de transmissão.
Assim, apesar do processo de heterossexualização da AIDS, observa-se que
as epidemias entre homens e mulheres apresentam tendências de difusão
diferentes no município, quando se poderia esperar que casos femininos
fossem acompanhados por casos masculinos
Ainda que se constate o processo de feminização com o crescimento da
epidemia
nas
anteriormente,
mulheres,
em
termos
os
homens
absolutos,
continuam
o
sendo
segmento
como
predominante
dito
e
provavelmente o “polo difusor” da epidemia.
Considerando os processos de heterossexualização e feminização da
epidemia e que a construção dos indicadores se referem ao local de
residência dos casos, não expressando necessariamente o local de infecção,
surgem indagações relativas ao estabelecimentos de contatos efetivos que
possibilitem a disseminação da transmissão do vírus da AIDS que se
contextualiza espacialmente diferenciada entre homens e mulheres. Na
realidade, a análise espacial não conseguirá apontar as condições de
infecção do indivíduo. O local onde se deu a infecção não é passível de ser
avaliada com os dados individuais que estão disponíveis nos bancos de
dados. Construir mapas situando o local de residência dos casos permite
relacionar estes dados com variáveis sociais, econômicas e ambientais.
Como as práticas sexuais são mediadas de forma importante por estes
aspectos a análise espacial é um recurso para conhecer a epidemia. Contudo
os limites que se evidenciam nesse nível de análise sugerem a necessidade
de que outras técnicas complementares sejam utilizadas para que se
elucidem aspectos que não são passíveis de serem visualizados através de
mapas.
39
O Mapa 3.5 estabelece a razão de casos de AIDS entre homens e mulheres
(H/M) e a sua dinâmica nos três períodos. As área em branco no mapa
representam bairros que não tiveram casos masculinos ou femininos no
período.
Pode-se observar a redução razão H/M ao longo dos períodos. No início da
epidemia, a maior parte dos bairros apresentava razão de 4 ou mais. Bairros
da Zona Sul com grande incidência de casos apresentavam razão H/M
superior a 10. No último período, observa-se uma tendência de diminuição
dessa razão, com vários bairros apresentando uma razão H/M de 4 ou
menos.
Bairros da Zona Sul e o Centro permaneceram com razões de casos alta,
corroborando o predomínio de casos masculinos nestes bairros ao longo de
todos os períodos e condizente com o perfil inicial da epidemia
A Cidade Universitária e Saúde apresentaram aumento da razão H/M,
opondo-se a tendência observada no processo de feminização. Ou seja,
estes bairros apresentaram alta taxa de incidência em todos os períodos para
os homens e para as mulheres (Mapas 3.1 e 3.2), com uma razão H/M
crescente ao longo dos períodos. Isso demonstra o aumento do número de
casos masculinos notificados, sobrepondo-se ao crescimento de casos
femininos. Estes bairros, como citado anteriormente, apresentaram baixa
densidade demográfica e em termos absolutos a Cidade Universitária
apresentou um registro de casos notificados pouco expressivo enquanto a
Saúde teve um registro considerável (Anexo 3).
A razão de casos H/M também aumentou para os bairros: Alto da Boa Vista,
Jardim América, Pechincha, Cachambi e Maria da Graça. Os bairros Alto da
Boa Vista, Pechincha e Maria da Graça apresentam baixa densidade
demográfica (Mapa 3.4) e uma notificação de casos femininos em todo
período estudado inferior a 6. Jardim América e Cachambi apresentaram alta
densidade demográfica e notificação feminina superior a 10 (Anexo 3).
40
O Mapa 3.6 mostra o percentual de casos de AIDS com categoria de
exposição ignorada segundo o sexo durante todo período de análise, 19821997. A proporção de mulheres com categoria de exposição ignorada é, em
geral, maior do que a dos homens. Esta diferença de percentual é maior nas
áreas Norte e Oeste do município. Casos de homem com categoria de
exposição ignorada apresentaram-se menos freqüentes e com um caráter
mais difuso.
Vargem Grande e a Vila Militar foram bairros que apresentaram elevado
percentual de categoria de transmissão ignorada tanto para homem como
para mulher. Contudo, foram bairros com poucos casos notificados, como
pode se observar no Anexo 3.
A Tabela 3.6 apresenta a proporção da categoria de transmissão ignorada
em homens e mulheres no período estudado.
Tabela 3.6: Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo, 19821997
Homens
%
Mulheres
%
3796
29,7
1384
42,5
Não Ignorados
8964
70,3
1869
57,5
Total
12760
100
3253
100
Ignorados
Fonte:SINAN
Quando analisa-se o aumento da categoria de transmissão ignorada ao longo
dos períodos, Tabela 3.7, verifica-se aumento para as mulheres e redução
para os homens.
Tabela 3.7: Categoria de Transmissão Ignorada Segundo Sexo e Período
Período
82-88
89-93
94-97
Feminino
35
11,3%
314
19,5%
1035
31,7%
Masculino
275
88,7%
1294
80,5%
2227
68,3%
total
310
100%
1608
100%
3262
100%
Fonte:SINAN
42
Analisando-se o crescimento da categoria de transmissão ignorada nos três
períodos entre as mulheres observa-se que este crescimento foi próximo de
50% no terceiro período – tabela 3.8 – enquanto entre os homens foi de
36,8% – tabela 3.9.
Tanto entre homens quanto entre mulheres o modo de transmissão ignorado
aumentou ao longo do tempo, sendo mais acentuado nas mulheres.
Tabela 3.8: Categoria de Transmissão Ignorada em Mulheres Segundo
Período
Período
82-88
89-93
94-97
Categoria ignorada
35
20,0%
314
31,4%
1035
49,8%
Outras categorias
140
80,0%
685
68,6%
1044
50,2%
total
310
100%
1608
100%
3262
100%
Fonte:SINAN
Tabela 3.9: Categoria de Transmissão Ignorada em Homens Segundo
Período
Período
82-88
89-93
94-97
Categoria ignorada
275
18,8%
1294
24,7%
2227
36,8%
Outras categorias
1185
81,2%
3950
75,3%
3829
63,2%
total
1460
100%
5244
100%
6056
100%
Fonte:SINAN
43
Além do processo de crescimento da epidemia de AIDS entre as mulheres,
constata-se que o meio de transmissão do vírus dentre elas é mais
desconhecido e que esta tendência vem se acentuando ao longo do tempo.
A concentração de casos com categoria de exposição ignorada em bairros
nas áreas Oeste e Norte, que são áreas mais pobres, pode mostrar um nível
insatisfatório de atenção a esses casos. Além disso, como os casos
femininos podem permanecer vários anos sem diagnóstico, a defasagem de
tempo entre a exposição e a notificação pode prejudicar a qualidade da
informação sobre a forma de infecção, o que pode ser agravado em áreas
pobres da cidade, sem serviços de saúde ou acesso à informação.
Por outro lado, outra pergunta que se apresenta é se a maior proporção da
categoria de exposição ignorada em mulheres está relacionado ao aumento
da casos em mulheres pobres ou se está vinculado ao próprio fato de ser
mulher. Será que essa diferença de proporção confirma o fato de que as
mulheres em relação aos homens do mesmo estrato social tem uma pior
qualidade de assistência, diagnóstico e tratamento? Ou será que as
mulheres, em maior proporção, desconhecem elas próprias a forma como se
contaminaram?
A análise da distribuição dos casos notificados de AIDS segundo sexo e
escolaridade (Tabela 3.10 e Gráfico 3.5) mostrou a concentração de casos,
tanto entre homens quanto entre mulheres, no nível 1ª à 4ª série, o que
aponta para a baixa escolaridade da maior parte dos casos. Este dado está
de acordo com a literatura que aponta para a pauperização da epidemia
inferida a partir do baixo nível de escolaridade.
A partir do nível de escolaridade 5ª à 8ª série observa-se, para ambos sexos,
uma redução no número de casos. Chama atenção o nível de escolaridade
ignorado, superior a ¼ do total, sendo 28,5% para as mulheres e de 25,5%
para os homens, o que demonstra uma má qualidade desse dado e a
insuficiência da investigação dos casos.
45
Tabela 3.10: Distribuição dos Casos Notificados de AIDS, 15-59 Anos,
Segundo Sexo e Escolaridade Período 1982-1997 – Município do Rio de
Janeiro
Feminino
Analfabeto
1ª até 4ª série
5ª até 8ª série
2º grau
Superior
Ignorados
Total
Fonte: SINAN
n
150
1367
512
259
39
962
3253
Masculino
%
4,6
42,0
15,7
8,0
1,2
28,5
100,0
n
231
3704
2643
2263
663
3256
12760
%
1,8
29,0
20,7
17,7
5,2
25,5
100,0
Gráfico 3.5: Percentual dos Casos de AIDS de 15-59 Anos no Município
do Rio de Janeiro Segundo Sexo e Escolaridade – Período 1982-1997
4000
3000
Frequência
2000
sexo
1000
homem
mulher
0
analf abeto
5º até 8º série
1º até 4º série
2º grau
superior
ignorados
escolaridade
Analisando-se como o nível de escolaridade evoluiu ao longo do tempo
observa-se que a partir de 1993 o nível de escolaridade superior tendeu a
zero, sendo a freqüência para mulheres e homens no período 1994-1997 de
zero e 1 caso, respectivamente, como observa-se na Tabela 3.11 e no
Gráfico 3.6. O percentual de casos femininos com escolaridade 1ª à 4ª série
foi superior ao percentual masculino em todos os períodos assim como o
nível de escolaridade ignorado.
46
Tabela 3.11: Distribuição dos Casos de AIDS em Mulheres e Homens de
15-59 Anos Segundo Período e Escolaridade
mulher
Escolaridade
82-88
Analfabeto
1ª até 4ª série
5ª até 8ª série
2º grau
Superior
Ignorado
Total
homem
89-93
94-97
82-88
89-93
94-97
4
34
112
12
69
150
(2,3%)
(3,4%)
(5,4%)
(0,8%)
(1,3%)
(2,5%)
54
355
958
313
1244
2147
(30,9%)
(35,5%)
(46,1%)
(21,4%)
(23,7%)
(35,5%)
22
154
336
240
991
1412
(12,6%)
(15,4%)
(16,2%)
(16,4%)
(18,9%)
(23,3%)
23
113
123
306
1034
923
(13,1%)
(11,3%)
(5,9%)
(21,0%)
(19,7%)
(15,2%)
7
32
-
130
532
1
(4,0%)
(3,2%)
(8,9%)
(10,1%)
(0,%)
65
311
550
459
1374
1423
(37,1)
(31,1%)
(26,5%)
(31,4%)
(26,2%)
(23,5%)
175
999
2079
1460
5244
6056
(100%)
(100%)
(100%)
(100%)
(100%)
(100%)
Fonte: SINAN
Gráfico 3.6: Distribuição dos Casos de AIDS, 15-59 Anos, Segundo
Sexo, Escolaridade e Ano Epidemiológico - Município do Rio de Janeiro,
1982-1997.
700
600
feminino
500
escolaridade
400
analf abeto
1º até 4º série
300
5º até 8º série
Frequência
200
2º grau
100
superior
0
ignorados
84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97
Ano epidemiológico
47
700
masculino
600
500
escolaridade
400
analfabeto
1º até 4º s érie
300
5º até 8º s érie
Frequência
200
2º grau
100
superior
0
82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97
ignorados
Ano epidemiológico
Comparando os Gráficos 3.5 e 3.6 pode-se observar que além da
concentração de casos no nível 1ª à 4ª série, existe uma tendência de
crescimento deste segmento tanto nas mulheres quanto nos homens.
O Mapa 3.7 mostra a distribuição e o percentual do nível de escolaridade até
4ª série na população geral (segundo dados do censo), homens e mulheres
com AIDS.
Assim como o padrão de renda, observa-se que na população geral (dados
do censo demográfico de 1991) as melhores condições de escolaridade
concentram-se na Zona Sul da cidade, sendo menores na Zona Oeste. O
Centro e os bairros da Zona Norte apresentam níveis intermediários de
escolaridade.
O nível de escolaridade dos casos notificados de AIDS em mulheres
apresentou-se muito baixo, com um percentual de escolaridade até 4ª série,
48
acima de 60% em vários bairros. Destacam-se um dos núcleos – segundo
núcleo – e alguns bairros da Zona Norte com percentual superior a 80%.
Já nos casos notificados de AIDS em homens observa-se que este
percentual fica, no geral, compreendido entre 20% e 60% e que a
escolaridade dos casos é maior na Zona Sul. Observa-se também que na
Zona Oeste estão localizados os casos com nível de escolaridade baixa.
Pode-se observar que as pessoas com AIDS possuem, proporcionalmente,
uma escolaridade menor do que a
população em geral. Além disso, a
escolaridade dos casos de AIDS em mulheres é, em geral, menor do que a
dos casos de AIDS masculinos.
Os bairros hachurados foram excluídos da análise espacial realizada, a partir
da adoção do critério de exclusão de bairros com menos de 8 casos de AIDS
notificados como residentes no local. Buscou-se assim evitar uma
classificação errônea pautada na ocorrência de poucos casos
49
A escolaridade é um indicador utilizado na análise de dados epidemiológicos
para se aferir sobre a condição sócio-econômica da população: baixos níveis
educacionais são relacionados com estratos sociais mais pobres.
Landmann & Bastos (2000) destacam a possibilidade de erro ao se afirmar
um processo de pauperização da epidemia de AIDS baseada somente no
aumento de casos em camadas populacionais mais pobres. Estes segmentos
possuem pior acesso aos novos recursos terapêuticos, o que faz com que
casos de HIV nesta camada evoluam mais rapidamente para AIDS. Desta
forma,
a
baixa
escolaridade
dos
casos
pode
não
corresponder
necessariamente a mesma da situação de transmissão da epidemia, sendo
necessário estabelecer uma distinção entre pauperização dos casos
notificados e de transmissão da epidemia.
Além dos recursos terapêuticos, o diagnóstico e tratamento também influem
na dinâmica e evolução da epidemia e as mulheres ainda apresentam um
diagnóstico tardio (Diniz e Villela, 1999). O diagnóstico ocorrendo num
processo avançado da infecção conduziria também a uma evolução mais
rápida para a AIDS. Análise da categoria de transmissão ignorada, e do nível
de escolaridade ignorado indicam que a investigação epidemiológica pode
estar sendo mais negligente junto às mulheres.
A maior proporção de mulheres com categoria de exposição ignorada e com
nível de escolaridade ignorada em relação aos homens, indica que a
investigação dos casos femininos é de pior qualidade. A escolaridade não é
uma informação difícil de se obter, opondo-se as limitações em se
estabelecer a categoria de exposição. Logo, a maior proporção de ignorados
em mulheres, quanto a categoria de exposição e a escolaridade, sugere que
isto seja conseqüência provável da condição social destas mulheres.
Nos Mapas 3.6 e 3.7, pode-se observar a concentração da categoria de
exposição ignorada e de escolaridade até 4ª série, em geral, nas regiões
mais pobres do município, Mapa 3.3, corroborando a implicação da condição
social na investigação dos casos.
51
O Mapa 3.8 mostra a mortalidade por AIDS no município. Os bairros da Zona
Sul, e bairros da região norte do município, além da região leste do município
apresentaram os maiores coeficientes. A região Oeste do município, no geral,
apresentou menor índice de mortalidade. Este resultado pode estar
relacionado à disseminação da epidemia pelo município, com início na Zona
Sul e propagação por todo município, atingindo mais recentemente a região
Oeste.
O Mapa 3.9 apresenta a letalidade por AIDS no município no período 19821997. Os bairros da Zona Sul apresentaram baixos coeficientes de letalidade
enquanto a Zona Norte e parte da Zona Oeste apresentaram-se com maiores
coeficientes de letalidade. Este resultado pode estar relacionado ao pior
acesso aos medicamentos da população destas regiões como citado
anteriormente
52
4 – Metodologia – Aplicação Questionários
Foi realizado um estudo com grupo de mulheres soropositivas do Centro
Saúde Escola Germano Sinval Faria vinculado à ENSP/Fiocruz. O CSEGSF
tem um programa específico que atende pessoas soropositivas para AIDS, o
Núcleo de DST/AIDS.
O CSEGSF fica localizado no bairro de Manguinhos, que apresentou
crescimento da taxa de incidência de AIDS em mulheres no período 19821997. Este bairro compõe vizinhança com um dos núcleos identificados
previamente na análise espacial como de maior incidência de AIDS em
mulheres. A localização do CSEGSF em área de crescimento da epidemia
em mulheres e a existência do núcleo de atendimento a pessoas
soropositivas possibilitou a realização de um estudo complementar no grupo
de mulheres soropositivas do Centro de Saúde Escola da ENSP/ Fiocruz,
através do levantamento de dados primários por meio de um questionário.
Este trabalho foi elaborado em conjunto com os profissionais que coordenam
este programa com o objetivo de, conhecendo melhor o perfil dessas
mulheres, aprofundar a compreensão sobre os processos de feminização e
pauperização da AIDS no município.
4.1 - O Centro Saúde Escola Germano Sinval Faria
Foi criado no ano de 1968, integrando o projeto docente da Escola Nacional
de Saúde Pública (ENSP). Objetiva prestar serviços de saúde à população
circunvizinha e servir à ENSP como local de prática para ensino e pesquisa.
O Centro de Saúde trabalha com uma área geográfica delimitada, no bairro
de Manguinhos, atendendo no geral, grupos sociais de baixa renda
(Bittencourt, S et al). O Complexo de Manguinhos fica localizado na Zona
Norte do município do Rio de Janeiro, IV Distrito Sanitário (antiga AP 3.1), X
54
R.A. (Ramos). É composto de três conjuntos habitacionais e oito favelas,
como pode ser observado na tabela abaixo.
Tabela 4.1: Composição do Complexo de Manguinhos
ÁREA
RA
BAIRRO
CPH 2
Comum. Agrícola de Higienópolis
Conj. Hab. Ex-Combatentes
Conj. Hab. Nelson Mandela
Conj. Hab. Samora Machel
Parque Carlos Chagas
Parque João Goulart
Parque Oswaldo Cruz
Mandela de Pedra*
Vila Turismo
Vila União
Vila Verde
Total
Total
Fonte: CSEGSF
Xª
Xª
XIIª
Xª
Xª
Xª
Xª
Xª
Xª
Xª
XIIª
Xª
Manguinhos
Bonsucesso
Manguinhos
Jacaré
Manguinhos
Manguinhos
Manguinhos
Manguinhos
Manguinhos
Manguinhos
Jacaré
Bonsucesso
ANO DE
OCUPAÇÃO
1961
1989
1941
1951
1901
1994
1951
1951
1990
ANO DE
CADASTRO
1982
1992
1981
1982
1981
1981
1981
1992
POPULAÇÃO
3188
1516
1284
3463
175
1666
4554
3021
2000
5536
1292
236
27931
ATUALIZAÇÃO DA
POPULAÇÃO*
2766**
1026**
555**
2112**
196**
1666**
2533*
2953**
2828*
6093**
1175**
Removida
23903***
28684***
ATENÇÃO: * Dados do cadastramento do PSF/CSEGSF, 2000
ATENÇÃO: **Dados da contagem populacional da FIBGE/1996
ATENÇÃO:*** Sabe-se que a população de Manguinhos cresceu entre 1996 e 2000, portanto trabalhou-se
com um aumento de 20%
A população atendida pela unidade é prioritariamente habitante de favelas e
conjuntos habitacionais dos bairros de Manguinhos, Jacaré e Bonsucesso.
Segundo o censo demográfico de 1991, esses bairros tinham uma população
total de 170.957. A unidade atenderia, portanto, cerca de 16,8% da
população total dos bairros.
A distribuição das favelas e dos complexos habitacionais que compõem o
complexo de Manguinhos pode ser visto no Mapa 4.1
55
MAPA 4.1 - Complexo de Manguinhos
Complexo de Manguinhos
Favelas e Conjuntos Habitacionais
Total de habitantes – aproximadamente 30.000
Rio Faria
BONSUCESSO
Legenda
D
os
.d
Av
.
Av
s
i co
r át
oc
em
s il
B ra
FIO CRUZ
Av
.S
ub
ur b
an
a
Ri o
F
ari a
MANGUINHOS
é
al
do
C
un
ha
r
Jac a
Rio
C
an
N
Rios e Canais
FIOCRUZ
Ensp
Met rô
Linha Férr ea/RFFSA
Ro dov ias Federais
Ro dov ias Es taduais
Ro dov ias Mu nicipais
Ru as
Fav elas e Conjun tos Habitacion ais
CHP-2
Co m. Ag r.de Higieno polis
Co nj. Hab . Ex-Comb at entes
Co nj. Hab . Nelson Mandela
Co nj. Hab . Samora Machel
Parq ue Car lo s Chagas
Parq ue Joao Goulart
Parq ue Osw ald o Cr uz
Vila Tu rismo
Vila Uniao
Vila Verde
Mandela de Pedra
JACARÉ
N
250
Fon te :
Fonte: SIG-CSEGSF
0
250
500 Meters
Mapa Topográfico da LIGHT, escala de 1:5.000, Mapa do Cadastro de Favelas do IPLANRIO, escala 1:2.000,1990 e Caderneta dos recenseadores da FIBGE, 1991.
56
Autores:
Maria Cristina Botelho Figueiredo
Else Bartholdy Gribel
4.1.1 - O Núcleo de DST/AIDS
Este Núcleo existe desde 1996 e tem como objetivo para além da assistência,
o estabelecimento de trocas entre a comunidade e o serviço de saúde, a
sensibilização permanente dos profissionais que prestam assistência a este
grupo e a promoção à saúde através do estímulo a participação em trabalhos
comunitários e associações ou grupos (Porto e Vargas, 2000). O número de
pacientes atendidos pelo programa DST/AIDS na fase em que este trabalho
se desenvolveu era de 120, dos quais 60 eram mulheres.
4.2 - Seleção dos Participantes
Das 60 mulheres soropositivas atendidas no programa do CSEGSF, 48
mulheres responderam ao questionário.
Tabela 4.2: Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS
e Entrevistadas Segundo Local de Residência
Residentes no Município do Rio de Janeiro
Freqüência
Complexo de Manguinhos
27
São Cristovão
1
Benfica
2
Bonsucesso
2
Ramos
1
Olaria
1
Higienópolis
2
Jacaré
2
Irajá
2
Quintino
1
Residentes fora do Município do Rio de Janeiro
São João de Meriti
2
Duque de Caxias
2
Magé
1
Queimados
1
Maúa (Praia de Mauá)
1
Total
48
%
56,2
29,2
14,6
100
57
A maior parte destas mulheres (56,2%) residia no Complexo de Manguinhos,
14 mulheres (29,2%) residiam em outros bairros do município e 7 mulheres
(14,6) residiam fora do município do Rio de Janeiro. As mulheres
soropositivas que residiam fora do município do Rio de Janeiro foram
excluídas da análise5. As mulheres residentes fora da área de abrangência
do Complexo de Manguinhos foram incluídas tendo em vista a expansão da
epidemia na Zona Norte do município e considerando, no geral, uma
homogeneidade nas características sócio-econômicas desta população.
Desta forma, foram analisadas 41 questionários.
Do total de mulheres que formavam o grupo original - 60 mulheres - as 12
perdas ocorreram pelos seguintes motivos: 1 recusou-se a participar, 4 não
puderam participar devido ao estado de saúde em que se encontravam ou
em função do trabalho, 7 não compareceram ao Centro de Saúde durante o
período de realização das entrevistas e/ou não foram localizadas.
Tabela 4.3: Distribuição das Mulheres Atendidas pelo Núcleo DST/AIDS
Não Entrevistadas Segundo Local de Residência
Complexo Manguinos
Jacarezinho
Maria da Graça
Sem endereço atualizado
Total
Frequência
7
1
1
3
12
4.3 - Instrumento: Questionário
O questionário foi desenvolvido buscando apreender dados quantitativos e
discriminar
melhor
algumas
variáveis.
Foi
composto
por
questões
predominantemente fechadas, formadas por perguntas de múltipla escolha.
Algumas informações foram registradas através de perguntas abertas e por
observações da autora da pesquisa que aplicou todos os questionários.
5
Embora estas mulheres façam parte das estatísticas do município do Rio de Janeiro, sendo casos
notificados ao SINAN, optou-se por não inclui-las no estudo considerando o local de moradia.
58
Buscou-se detectar as inconsistências no discurso, contradições de dados e
falas que se repetiam.
A elaboração do questionário buscou contemplar não só os aspectos de
interesse desta pesquisa como também dos profissionais do programa de
AIDS do Centro de Saúde.
O questionário envolveu os seguintes aspectos (anexo 4):
•
Parte 1: Características Individuais – características sócio-econômicas
•
Parte 2: Conhecimento da Condição Sorológica - nível de conhecimento e
forma de relacionamento com sua condição.
•
Parte 3: Informação e Sexualidade - fonte e qualidade de informação
sobre AIDS e sexualidade.
•
Parte 4: Conhecimento Sobre Direitos – conhecimento sobre os direitos
dos soropositivos.
•
Parte 5: Percepção e Cuidados com a Saúde – adesão ao tratamento
•
Parte 6: Expectativas e Mudanças
Na elaboração deste instrumento utilizou-se como referência um questionário
aplicado em estudo sobre vulnerabilidade em mulheres jovens (Sanches,
1999) e um questionário aplicado em mulheres soropositivas (Paiva et al,
1996).
Foi realizado um pré-teste, em duas pessoas soropositivas do grupo. Após o
pré-teste o instrumento foi reavaliado pela pesquisadora juntamente com a
equipe do núcleo DST/AIDS, e algumas alterações foram efetuadas,
chegando-se a um modelo final.
A análise das variáveis que compõem o questionário foi realizada através do
SPSS for Windows versão 8.0
59
4.4 - Aplicação dos Questionários
As entrevistas realizaram-se no período entre 1/08/2000 e 6/11/2000. O
contato com as mulheres foi feito através de busca no agendamento médico
e/ou dos exames onde identificava-se a paciente, dia e horário de
atendimento. A própria equipe do núcleo de DST/AIDS apresentou a proposta
da entrevista, na qual seria aplicado o questionário. Foi explicado a natureza
e os objetivos da entrevista e todas as participantes consentiram conforme
assinatura de termo próprio. A aplicação do questionário foi padronizada: a
pesquisadora iniciava a entrevista após esclarecimento do objetivo da
pesquisa e assinatura do termo de consentimento. Cada item do questionário
foi lido e respeitada a seqüência das opções de resposta. Os itens eram
relidos quando a entrevistada não tinha certeza de qual era a melhor opção
ou quando não compreendia a questão. Após a leitura da questão, algumas
entrevistadas já davam a resposta, sem que a pesquisadora lesse as
alternativas. Nestes casos, a pesquisadora marcava diretamente a opção
citada pela entrevistada. Além disso, as falas que surgiram espontaneamente
às questões perguntadas foram anotadas, buscando-se não interferir na
forma de expressão das mulheres entrevistadas.
Para ampliar o numero de entrevistas, uma vez que nem sempre conseguiuse estabelecer contato através dos agendamentos, recorreu-se a telegramas
e visitas domiciliares, realizadas pela equipe do CSEGSF.
4.5 - Variáveis
dataent: data da entrevista
duração: duração da entrevista
idade: idade
60
corpdr6: cor (branca; morena; negra)
estado: local onde nasceu
bairro: local onde reside
sitconj: situação conjugal (as categorias desta variável foram reagrupadas em
parceiro: fixo; eventual; sem parceiro)
relig: qual a religião
iprelig: importância da religião na vida
escol: escolaridade
atuempr: atualmente trabalhando
redmens: renda mensal individual
redmenf: renda mensal da família
pvivired: quantidade de pessoas que vivem com a renda mensal
filhos: tem filhos
qtfilhos: quantidade de filhos
hivfilh1: filho mais novo HIV positivo
qntmhiv: há quanto tempo se sabe soropositiva
idadiag: idade ao diagnóstico
antexam: situação de realização do exame
penshiv: já havia pensado que poderia ser soropositiva
recrelt: situação ao receber o resultado do exame
tjvirus: como acha que se contaminou
parchiv: parceiro atual é soropositivo
contar: contou para alguém sobre o diagnóstico
parceir: contou para o parceiro
precauc: faz uso de algum método de precaução com o parceiro
ist: ter tido alguma DST
idrela: idade que tinha quando teve primeira relação sexual
qtsparc: número de parceiros sexuais que já teve
infoesc: informação esclarecedora
acredit: número de parceiros aumenta o risco de pegar o vírus da AIDS
ransnd: o vírus da AIDS pode ser transmitido por uma pessoa que não
aparenta estar doente
6
as categorias de cor foram definidas em três grupos, buscando reduzir o erro da medida devido a falta
61
condon: camisinha previne a transmissão do vírus da AIDS
parcris: pessoas que sempre usam preservativos e têm muitos parceiros
sexuais, têm maior risco de pegar o vírus da AIDS
diraux: conhecimento do direito de pedir auxílio doença
dirtran: conhecimento do direito de ter passe transporte
dirdem: conhecimento do direito de não ser demitido por ser soropositivo
dirsig: conhecimento do direito de manter sigilo sobre sua condição
estsd: percepção sobre o estado de saúde
tomedic: toma medicação indicada
usomed: uso dos medicamentos
altern: tratamento alternativo
altrat: método de tratamento e ajuda
qtdalco: uso e frequência de bebidas alcóolicas
qtdmac: uso e frequência de maconha
cocaína: uso e frequência de cocaína
crack: uso e frequência de crack
qtdcoc: uso e frequência de cocaína injetada na veia
seringa: uso e frequência de seringa compartilhada
desabaf: necessidade de desabafar
conselh: necessidade de conselho
distr: necessidade de distração
ajuda: necessidade e ajuda
estvise: mudança na vida sexual
mudvida: mudança na vida
de consenso, quando o instrumento for utilizado por entrevistadores diferentes.
62
5 – Resultados e Discussão - Entrevistas
A análise espacial dos casos de AIDS do município do Rio de Janeiro,
evidenciou a área de Manguinhos como uma das mais características do
fenômeno de pauperização e feminização da epidemia. O crescimento da
AIDS em mulheres neste bairro acentuou-se ao longo dos períodos. Entre
1994-1997 a razão de casos H/M ficou entre 1.2 à 3 e o percentual de baixa
escolaridade - até 4ª série - foi dos mais acentuados, para ambos os sexos7.
Essa evidência ressaltou a oportunidade de um estudo complementar para
aprofundar o conhecimento sobre a expansão da epidemia de AIDS em
mulheres e sobre os processos de feminização e pauperização.
Foram aplicados 41 questionários, com um tempo de realização médio de
36,10 minutos. Do total de mulheres abordadas três não souberam dizer a
idade que tinham. A idade informada variou de 15 a 56 anos e a média de
idade das mulheres que forneceram esta informação foi de 36,11 anos.
Comparando a idade informada das mulheres na época da aplicação do
questionário com a idade ao diagnóstico observou-se que a idade média
passou para 32,50 anos, como pode ser observado na Tabela 5.1. A idade
média da primeira relação sexual foi 18 anos.
Tabela 5.1: Estatística Descritiva das Variáveis Relacionadas à Idade
Idade
N
Média
Mediana
Moda
Desvio padrão
7
Estatísticas
38
36,1
36
36
11,0
Idade ao diagnóstico
N
Média
Mediana
Moda
Desvio padrão
Estatísticas
38
32,5
31,5
23
9,3
Idade 1ª relação sexual
N
Média
Mediana
Moda
Desvio padrão
Estatísticas
41
18,0
15
13 e 15
11,9
O crescimento da epidemia de AIDS no bairro de Manguinhos pode ser visto no Gráfico 3.4, página
34, enquanto a razão de casos entre H/M e o percentual de baixa escolaridade nos Mapas 3.5 e 3.7,
respectivamente nas páginas 41 e 50.
63
Observa-se na Tabela 5.2 que a maioria das mulheres (75,6%) era natural do
Estado do Rio de Janeiro e 24,4% provenientes de outros Estados.
A escolaridade no geral foi baixa, com 51,2% dos casos com grau de
instrução até 4ª série. Com relação a situação conjugal, as entrevistadas
informaram possuir parceiro fixo (53,7%) ou estar sem parceiro (43,9%).
A maioria destas mulheres tem filhos (82,9%), sendo que 14,7% tiveram o
filho mais novo HIV positivo e 5,9% não souberam informar a situação
diagnóstica do filho por não terem realizados o exame nestes. Do total de
mulheres 8 (19,5%) entrevistadas tiveram o diagnóstico de soropositividade
no pré-natal ou parto.
A importância da religião na vida destas mulheres mostrou-se extremamente
acentuada com um percentual de respostas de 95,1% entre as opções muito
importante (61,0%) e importante (34,1%). As religiões mais citadas foram a
católica (43,9%) e a evangélica/crente/protestante (36,6%).
Algumas das mulheres entrevistadas relacionaram o diagnóstico de
soropositividade a uma maior valorização da religião nas suas vidas.
M1, 23 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (exame de rotina para inserção de DIU) –
após diagnóstico informou que passou a freqüentar a religião. Passou a se cuidar mais, se
dar mais valor.
M2, não soube informar a idade, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e médico pediu o exame)
- entrou para igreja quando soube do resultado. “Não foi pelo amor, foi pela dor.” A
entrevistada informou também que acredita que vai ser curada pela igreja.
64
Tabela 5.2: Distribuição das Variáveis Sócio-culturais e Demográficas
Variável
N
%
Bahia
1
2,4
Ceará
3
7,3
Minas Gerais
2
4,9
Paraíba
2
4,9
Rio de Janeiro
31
75,6
Estado
Rio Grande do Norte
2
4,9
Total
41
100
Branca
17
41,5
Mulata
7
17,1
Negra
17
41,5
Total
41
100
Cor Padronizada
Escolaridade
Analfabeto
3
7,3
1ª até 4ª série
18
43,9
5ª até 8ª série
15
36,6
2º grau
4
9,8
3º grau
1
2,4
41
100
Fixo
22
53,7
Eventual
1
2,4
Sem parceiro
18
43,9
Total
41
100
18
43,9
Total
Parceiro
Religião
Católico
Espírita
1
2,4
Evangélica/crente/protestante
15
36,6
Umbanda/candomblé
1
2,4
Outras
1
2,4
não tem religião
5
12,2
Total
41
100
muito importante
25
61,0
Importante
14
34,1
pouco importante
1
2,4
nada importante
1
2,4
Total
41
100
Sim
34
82,9
Não
7
17,1
Total
41
100
Sim
5
14,7
Não
27
79,4
não sabe
2
5,9
Total
41
100
Importância da religião
Filho
Filho mais novo HIV
65
Como pode-se observar na Tabela 5.3 do total de mulheres entrevistadas
41,5% estavam desempregadas no momento em que as entrevistas foram
realizadas e 9,8% nunca trabalharam. Dentre as mulheres que trabalharam
as
ocupações
mais
citadas
foram
doméstica/faxineira
(32,5%),
servente/auxiliar de serviços gerais (17,5%) e costureira (12,5%). No
preenchimento desta variável no questionário constatou-se que uma
entrevistada disse ser manicura e segundo informações obtidas junto à
profissionais da equipe do serviço de saúde tratava-se de uma profissional do
sexo. Este detalhe nos remete à dificuldade de obtenção de um dado
confiável quando a pergunta envolve aspectos que as pessoas preferem não
revelar e nos faz refletir sobre a fragilidade das informações relativas a um
tema tão complexo e estigmatizado que a epidemia de AIDS trás a tona.
Tabela 5.3: Distribuição das Variáveis Situação de Trabalho e Profissão
Variável
Atualmente empregado
sim/emprego
sim/bico
não/desempregado
não/aposentado
nunca trabalhou
não/encostado
Total
Profissão (ocupação)
doméstica/faxineira
costureira
servente/aux. serviços gerais
caixa
cobradora de ônibus
manicura
secretária/aux. adm/atendente tel.
camareira/arrumadeira
lancheira/cozinheira
aprendiz de bolseira
dedetizadora
gráfica
contabilidade
agente comunitária de saúde
Total de ocupações citadas
N
%
9
5
17
3
4
3
41
22
12,2
41,5
7,3
9,8
7,3
100
13
5
7
2
1
1
3
2
1
1
1
1
1
1
40
32,5
12,5
17,5
5,0
2,5
2,5
7,5
5,0
2,5
2,5
2,5
2,5
2,5
2,5
100
A análise da renda mensal individual e familiar, na Tabela 5.4, mostrou que a
maior
parte
das
entrevistadas,
53,7%
e
51,2%
respectivamente,
apresentaram renda de até 2 salários mínimos – menos de 1 salário mínimo e
de 1 a 2 salários mínimos. A média de pessoas que vivem com a renda
66
mensal da família foi de 3,5 (N=40)8. Outro aspecto relevante em relação à
renda é que 41,5% das entrevistadas relataram não possuir nenhuma fonte
de renda individual e 12,2% não ter nenhuma renda mensal familiar.
Tabela 5.4: Distribuição da Variável Renda Mensal
nenhuma fonte de renda
menos de 1 sm
de 1 a 2 sm
de 2,5 a 3,5 sm
de 4 a 5 sm
mais de 5 sm
não sabe
Total
Renda mensal da
entrevistada
N
%
17
41,5
4
9,8
18
43,9
2
4,9
41
100,0
Renda mensal da família
N
5
2
19
6
4
3
2
41
%
12,2
4,9
46,3
14,6
9,8
7,3
4,9
100,0
Com relação a forma como ficaram sabendo de sua condição de
soropositividade, a maior parte das mulheres (46,3%) soube do diagnóstico
porque adoeceu, como pode ser observado na Tabela 5.5.
Tabela 5.5: Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico
9
Informe do diagnóstico
N
%
pré-natal/parto
8
7,3
Adoeceu
19
46,3
parceiro adoeceu
8
19,5
exame de rotina
3
19,5
filho adoeceu
1
2,4
doou sangue
2
4,9
Total
41
100
O intervalo de tempo transcorrido desde o diagnóstico de soropositividade até
a época da aplicação do questionário variou de 1 mês à 10 anos como pode
ser observado no Gráfico 5.1 abaixo.
8
Uma das entrevistadas não soube informar a renda mensal da família, ocasionando um N=40.
duas entrevistadas informaram que o exame foi solicitado pelo médico junto à outros exames de
rotina e uma entrevistada especificou que foi na rotina de exames para inserção do DIU.
9
67
Gráfico 5.1: Histograma do Tempo Transcorrido entre o Diagnóstico de
Soropositividade e a Aplicação do Questionário
16
14
12
10
8
Frequência
6
4
Mediana = 24
Desv io padrão = 39,3
Média = 42,0
2
N = 39
0
10,2
28,6
47,1
65,5
83,9
102,4
120,8
tempo que sabe do diagnóstico (meses)
Observa-se que muitas mulheres (51,2%) souberam do diagnóstico em um
intervalo de tempo de até 24 meses. Duas entrevistadas não souberam
informar há quanto tempo souberam da condição de soropositividade, Tabela
5.6.
Tabela 5.6: Distribuição da Variável Tempo de Informe do Diagnóstico
Tempo de diagnóstico
N
%
Até 24 meses
21
51,2
25 meses ou +
18
43,9
Não souberam informar
2
4,9
Total
41
100,0
Analisando as situações em que as mulheres souberam do diagnóstico em
um intervalo de tempo de até 24 meses, tabela 5.7, observa-se que a maioria
(33,3%) soube no pré-natal/parto, 28,6% porque adoeceu e 19,0% porque o
parceiro adoeceu. Estes dados estão de acordo com a literatura onde as
mulheres só sabem do seu diagnóstico por adoecimento delas, dos
68
companheiros, dos filhos ou por ocasião do pré-natal/parto (Barbosa, 1996;
Vermelho, 1999).
Tabela 5.7: Distribuição da Variável Informe do Diagnóstico em Mulheres
com até 24 Meses de Diagnóstico
Informe do Diagnóstico
N
%
pré-natal/parto
7
33,3
adoeceu
6
28,6
parceiro adoeceu
4
19,0
exame de sangue
1
4,8
filho adoeceu
1
4,8
doou sangue
2
9,5
Total
21
100,0
Como pode ser observado na Tabela 5.8, mais da metade das entrevistadas
(51,2%) informou não ter tido nenhum tipo de aconselhamento na época em
que foi realizado o teste para avaliar a condição sorológica enquanto 46,3%
relatou ter recebido algum tipo de orientação - médico conversou bastante
(26,8%) ou um pouco (19,5%).
A situação diagnóstica foi comunicada na maior parte dos casos pelo médico
(70,7%) e foi avaliada pelas entrevistadas como uma atitude positiva no
sentido de ajuda-las. A maioria destas mulheres (73,2%) não cogitava que
poderia ser soropositivas e 82,9% compartilhou a informação com alguém ao
receber o diagnóstico. 29,3% das entrevistadas não comunicaram ao parceiro
sobre o seu estado de soropositividade. Este silêncio que se estabelece na
parceria ressalta a importância de se refletir sobre a falta de comunicação
entre parceiros. A maior parte das entrevistadas (48,3%) respondeu supor
que foram contaminadas pelo parceiro - transmissão heterossexual – e 17,1%
pelo parceiro anterior.
As
histórias
abaixo
evidenciam
situações
onde
a
condição
de
soropositividade foi omitida do parceiro:
69
M3, 45 anos, casada, diagnosticada há 9 anos (parceiro adoeceu de AIDS e médico pediu o
exame) - Não contou para o atual parceiro que é soropositiva, mas acha que ele sabe. Acha
que o parceiro também é soropositivo e que já era antes de estar com ela.
M4, 22 anos, sem parceiro, diagnosticada há 2 anos (parceiro adoeceu de AIDS e médico
pediu o exame) - Quando ficou sabendo de sua soropositividade estava separada do marido
que era HIV positivo. No início pensou em se matar. Depois pensou na filha. Já pensou
também em parar de tomar medicamentos. Não tem parceiro fixo. Mas depois do marido,
que foi o primeiro parceiro sexual, teve cerca de 10 parceiros com os quais afirmou ter usado
camisinha, tendo, essa, em algumas situações, estourado. Nunca falou para eles sobre sua
condição. Diz que se souberem ninguém vai querer ficar, nem dar beijo.
M5, 36 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (adoeceu e médico pediu o exame) – “é uma
coisa particular, não conta para ninguém pois ninguém vai ajudar mesmo”. Não sabe se o
parceiro é soropositivo.
Verifica-se que muitas mulheres (41,5%) estavam sem parceiro na época da
aplicação do questionário (Tabela 5.8). Foi possível constatar que pelo
menos 19,5% das entrevistadas relataram ter aberto mão da vida sexual
desde o diagnóstico, não tendo mais parceiro, como pode ser observar
através dos relatos abaixo:
M6, não sabia informar a idade nem tempo de diagnóstico, (adoeceu e médico pediu o
exame) - não tem parceiro. Quando soube do diagnóstico não arranjou mais ninguém Fica
com medo de arrumar outra pessoa e quando este ficar sabendo se afastar.
M7, 39 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico pediu o exame) Quando soube do diagnóstico já estava só e desde então está só.
M8, 44 anos, sem parceiro, diagnosticada há 9 anos (ficou sabendo que a outra mulher do
marido estava internada com AIDS. Perguntou ao marido e ele negou. Foi então fazer o
teste) - Desde que soube do resultado não teve mais ninguém.
A atitude destas mulheres perante a condição de soropositividade é portanto
diferenciada. A condição de soropositividade interfere na vida sexual destas
70
mulheres de uma forma diferente. Se por um lado algumas mulheres não
abriram mão da vida sexual, mesmo tendo que omitir seu estado ao parceiro,
por outro lado, muitas mulheres afirmaram estar sem parceiro na época das
entrevistas pelo mesmo motivo.
Se a maioria das mulheres (60,9%) informou que o meio de contaminação foi
o parceiro10, 31,7% não souberam informar a forma de contaminação.
Destaca-se a oportunidade de comparar esta proporção com os 42,5% de
mulheres com categoria de transmissão ignorada nos dados do SINAN
analisados. Isto, em parte, responde ao questionamento formulado no
capítulo 3 evidenciando como a maior proporção de categoria de transmissão
ignorada em mulheres é porque elas próprias desconhecem a forma de
contaminação. Assim, esta dificuldade não diz respeito só ao mau
preenchimento das fichas de notificação, mas relaciona-se também à
dificuldade destas mulheres de relatar sua situação e de desconhecê-la,
apesar de ter se contaminado. Esta incerteza foi uma presença constante
mesmo naquelas mulheres que informaram que se contaminaram através dos
parceiros como pode ser observado pelos registros realizados durante a
entrevista comparadas com a opção de resposta, do questionário, parceiro foi
o meio de contaminação:
M9, 55 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico pediu exame) acha que o parceiro morreu de AIDS, não tem certeza. - o parceiro além de ter tido outras
mulheres também usava drogas
M10, 21 anos, parceiro eventual, diagnosticada há 8 meses (pré-natal) - o parceiro anterior
queria transar de camisinha. Não sabe dizer se ele era positivo. Ele fazia uso de drogas e
tinha muitas mulheres.
10
Conjunto de respostas da variável meio de contaminação, na Tabela 5.8, que envolvem o parceiro ou
o parceiro anterior.
71
M7, 39 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico pediu exame) - não
sabe se o parceiro “do qual se contaminou” era positivo. Quando soube do diagnóstico já
estava só.
M11, 48 anos, sem parceiro, diagnosticada há 9 anos (adoeceu e médico pediu exame)- A
entrevistada afirma ter se contaminado através do seu primeiro companheiro do qual está
separada há muitos anos. Contudo não referiu em nenhum momento que ele estava
infectado. Teve outros parceiros após a separação.
M12, 36 anos, casada, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e médico pediu exame) - mudou o
relacionamento com o parceiro. Não sabe se ele é positivo. Ele tem outra mulher, não sabe
se essa outra mulher também é positiva. Discutem sobre como a entrevistada se
contaminou. Diminuíram o número de relações sexuais.
M5, 36 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (adoeceu e médico pediu exame) – informou
que foi o ex-parceiro que a contaminou (mas ele não fez exame). A entrevistada diz que tem
certeza de que ele é soropositivo pelo fato dele ter sugerido que ela fosse ao médico ver o
que tinha. Ao mesmo tempo informou também que ela “ bebia muito, saía com um e outro e
foi assim que pegou a doença”.
19,5% das mulheres entrevistadas não sabiam informar a situação sorológica
dos companheiros, 22,0% possuem parceiros soropositivos e 17,1%
parceiros não soropositivos como pode ser observado na Tabela 5.8.
Tabela 5.8: Distribuição das Variáveis sobre Testagem Sorológica,
Forma de Contaminação, Soropositividade do Parceiro e Relato da
Soropositividade
Variável
Realização do exame
médico conversou bastante sobre o teste
médico conversou um pouco sobre o teste
não teve aconselhamento
médico conversou pouco, mas não sabia
Total
Antes do exame já tinha pensado ser HIV
não se aplica
Sim
Não
Total
Situação ao receber o resultado do exame
recebeu do médico e ele procurou ajudar
recebeu do médico e se sentiu maltratada
recebeu do médico que encaminhou para outro profissional
N
%
11
8
21
1
41
26,8
19,5
51,2
2,4
100
1
10
30
41
2,4
24,4
73,2
100
29
3
3
70,7
7,3
7,3
72
recebeu de outro profissional que procurou te ajudar
recebeu do médico e achou que não maltratou nem ajudou
Total
Contou para alguém
Sim
Não
soube junto com amigo/alguém da família
Total
Contou para o parceiro
não se aplica (sem parceiro)
Sim
Não
Total
Meio de contaminação
se infectou em transfusão
o parceiro usava drogas
marido/namorado teve outras parceiras mulheres
marido/namorado teve outros parceiros, não sabe se homem
ou mulher
parceiro a contaminou/não sabe como ele pegou
fez uso de drogas injetáveis
parceiro anterior a este a contaminou
Outros
não sabe
Total
Parceiro atual é HIV
não tem parceiro/não se aplica
Sim
Não
não sabe
Total
3
3
41
7,3
7,3
100
34
3
4
41
82,9
7,3
9,8
100
9
20
12
41
22
48,8
29,3
100
1
1
14
2
2,4
2,4
34,1
4,9
1
1
7
1
13
41
2,4
2,4
17,1
2,4
31,7
100
17
9
7
8
41
41,5
22,0
17,1
19,5
100
Com relação a prevenção 48,8% das mulheres informaram não ter parceiro
ou não manter relações sexuais com este. Entre as que possuem parceiros
11 (52,4%) informaram usar todas as vezes camisinha nas relações sexuais e
4 mulheres (19,0%) soropositivas com parceiros soronegativos informaram
não usar camisinha nas relações sexuais.
Tabela 5.9: Distribuição das Variáveis Precaução e Forma de Precaução
Variável
N
%
21
20
41
51,2
48,8
100
2
11
2
1
4
1
21
9,5
51,2
9,5
4,8
19,0
4,8
100
Precaução
Sim
Não se aplica
Total
Forma de Precaução
camisinha raramente
camisinha todas as vezes
camisinha na maioria das vezes
sexo sem penetração
não
não, os 2 são positivos
Total
73
Na Tabela 5.10 observa-se que duas mulheres com parceiros soropositivos
responderam à questão precaução não se aplica à ela e uma outra
entrevistada com parceiro soronegativo apresentou a mesma resposta à
questão prevenção. Três entrevistadas informaram que desconheciam a
condição sorológica do companheiro e não usavam métodos de prevenção.
Analisou-se
a
situação
de
cada
uma
dessas
mulheres
buscando
compreender o discurso que se vinculava a esta resposta.
Tabela 5.10: Relação entre as Variáveis Precaução e Parceiro Atual HIV
Parceiro atual
é HIV
Precaução
não se aplica
não tem
parceiro/não
se aplica
sim
não
não sabe
Total
•
sim, camisinha
todas as vezes
17
Sim,
camisinha
raramente
-
2
1
20
2
2
Total
sim, sexo
sem
penetração
-
não
-
sim, camisinha
na maioria das
vezes
-
-
Não, os 2
são
positivos
-
17
4
2
5
11
2
2
1
1
1
3
4
1
1
9
7
8
41
Parceiro HIV e precaução não se aplica:
M13, 36 anos, casada, diagnosticada há 6 anos (parceiro adoeceu de AIDS e o médico
solicitou o exame) e desde então não manteve mais relações sexuais com o marido.
M14, 36 anos, casada, diagnosticada há 1 mês (parceiro adoeceu de AIDS e o médico
solicitou o exame), contudo não mantêm relações sexuais com o marido há 1 ano.
•
Parceiro soronegativo e precaução não se aplica:
M15, 26 anos, parceiro fixo, diagnosticada há 4 anos (adoeceu e fizeram o exame sem
avisar). Possui um namorado e ainda não manteve relações sexuais com ele.
•
Parceiro com condição sorológica desconhecida e ausência de métodos
de precaução:
74
M16, 39 anos, casada, diagnosticada há 9 anos (exame de sangue de rotina). Quando
descobriu que era soropositiva já estava com o atual parceiro. Só contou a situação
sorológica para ele porque ela adoeceu. Embora ele tenha feito o exame e o resultado tenha
sido negativo a entrevistada acha que ele também é soropositivo.
M17, 34 anos, casada, diagnosticada há 5 anos (exame pré-natal). Em relação a forma de
infecção acha que foi através do marido que teve outras parceiras. Por outro lado, destaca
que ela não teve só este parceiro e não sabe da condição sorológica do marido.
M12, 36 anos, casada, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e o médico solicitou o exame).
Acha que se infectou com parceiro anterior.
•
Parceiro soronegativo e não usa precaução
M18, 29 anos, casada, diagnosticada há 1 ano (pré-natal) - o parceiro é soronegativo e não
gosta de usar preservativo. “Diz que nele não pega”
A maioria das mulheres informou ter o conhecimento do uso da camisinha
para prevenir a AIDS: 82,9% informaram que o uso da camisinha previne a
infecção, 9,8% acharam que não previne e 7,3% não souberam informar
(tabela 5.11). Existe uma proporção grande de dúvida desta eficácia. 35,3%
das mulheres que informaram que o uso da camisinha previne a infecção
destacaram que a prevenção não é 100%, pois a camisinha pode estourar.
Desta forma, foi comum escutar respostas do tipo “previne, desde que a
camisinha não fure”, “é um risco. Só pega se furar” e “previne até certo ponto,
se não estourar”.
O uso sistemático da camisinha vinculado ao aumento do risco de infecção
quando se tem muitos parceiros sexuais apresentou uma proporção de
respostas expressivas: 46,3% acharam que ter muitos parceiros mesmo
usando camisinha aumenta o risco de infecção enquanto 41,5% acharam que
não. Destacam-se alguns dos argumentos à resposta:
75
M19, 46 anos, casada, diagnosticada há 1 ano (doou sangue)- acha que quando se tem
muitos parceiros se cuida mais.
M20, 32 anos, casada, diagnosticada há 1 ano e 6 meses (adoeceu e solicitou ao médico o
exame) – “Ter muitos parceiros e o aumento do risco de pegar AIDS é relativo. Tem nada a
ver. Depende dos parceiros. Com os ex-namorados nunca usei camisinha e não me
contaminei através deles” (pediu a todos que fizessem o exame depois que soube de seu
resultado e deu negativo. Acha que se contaminou do atual marido, que tinha uma mulher
antes de se casar com ela que era HIV).
Em relação à pergunta sobre doença sexualmente transmissível 22,0% das
mulheres informaram ter tido alguma DST. O não reconhecimento da AIDS
como uma DST foi marcante. Apenas uma entrevistada expressou a
identidade da AIDS como uma DST:
M21, 25 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (filho adoeceu e médico solicitou o exame) –
respondeu à pergunta já teve alguma DST: “só está”.
A avaliação das informações sobre AIDS foi considerada por 41,5% das
mulheres como esclarecedora e insuficiente por 29,3% (até certo ponto e não
sabe). A proporção de respostas não se aplica (7,3%) são de mulheres que
informaram que não haviam lido ou escutado alguma sobre AIDS até o
diagnóstico ou próximo a este. A quantidade de parceiros sexuais foi referida
como um fator que aumenta o risco de infecção (95,1%) e todas concordaram
que o vírus pode ser transmitido por uma pessoa que não aparenta estar
doente.
Tabela 5.11:Distribuição das Variáveis sobre Acometimento por DST e
Informação sobre Contaminação em Função do Número de Parceiros e
Uso de Camisinha
Variável
DST
N
%
76
Sim
Não
Total
9
32
22,0
78,0
41
100
Informação esclarecedora
não se aplica
3
Sim
17
Não
3
até certo ponto
12
não sabe
6
Total
41
Muitos parceiros aumenta o risco
sim
39
não
1
não sabe
1
Total
41
Camisinha previne
sim
34
não
4
não sabe
3
Total
41
Usar sempre camisinha e ter muitos parceiros, significa ter maior risco
sim
19
não
17
não sabe
5
Total
41
7,3
41,5
7,3
29,3
14,6
100
95,1
2,4
2,4
100
82,9
9,8
7,3
100
46,3
41,5
12,2
100
Mais da metade das entrevistadas demonstrou ter conhecimento sobre
direitos relacionados à questão do sigilo da condição sorológica (92,7%) e
direito ao passe transporte (95,1%). Mas a proporção de desconhecimento
sobre alguns direitos também foi expressiva: 43,9% informaram que não
sabiam que tinham direito a pedir auxílio doença caso estivessem
trabalhando e 31,7% não sabiam que tinham direito a não ser demitidas por
serem soropositivas, Tabela 5.12.
Tabela 5.12:Distribuição das Variáveis sobre Conhecimento acerca dos
Direitos de Pessoas Soropositivas
Variável
Direito a pedir auxílio
sim
não
Total
Direito a passe transporte
sim
não
Total
Direito a não ser demitido por ser soropositiva
sim
não
Total
Direito a sigilo
sim
não
Total
N
%
23
18
41
56,1
43,9
100
39
2
41
95,1
4,9
100
28
13
41
68,3
31,7
100
38
3
41
92,7
7,3
100
77
Muitas mulheres informaram ter tido oportunidade suficiente para desabafar
(31,7%). Contudo foram expressivos os comentários de 12,2% das
entrevistadas sobre a necessidade de falar mais sobre a doença.
M9, 55 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico solicitou o exame)
– informou que “fica atras de alguém para conversar, desabafar, por isso fica atrás do
“serviço”. A entrevistada disse que gosta de conversar, de falar sobre a doença, mas não tem
com quem conversar.
M22, 15 anos, sem parceiro, diagnosticada há 1 mês (pré-natal)– “a única pessoa com quem
desabafo é Deus.”
Nas respostas à questão conselho 34,1% das entrevistadas informaram que
gostariam de receber mais conselhos (muito mais e um pouco mais). 39,1%
informaram que gostariam de ter tido mais distração11 e 31,7% tiveram
distração suficiente. Com relação a receber ajuda, 53,7% informaram que
gostariam de ter recebido mais ajuda e 29,3% acham que receberam ajuda
suficiente - Tabela 5.13.
Tabela 5.13: Distribuição das Variáveis sobre Lazer e Apoio
Variável
Desabafar
muito mais oportunidade
um pouco mais de oportunidade
foi suficiente
não teve oportunidade
é difícil pensar nisso
nunca pensou sobre isso
Total
Conselho
muito mais conselho
um pouco mais de conselho
teve conselho suficiente
é difícil pensar sobre isso
é indiferente
nunca pensou sobre isso
Total
Distração
mais oportunidade
11
N
%
9
3
13
3
5
8
41
22,0
7,3
31,7
7,3
12,2
19,5
100,0
6
8
7
3
5
12
41
14,6
19,5
17,1
7,3
12,2
29,3
100,0
12
29,3
Embora não se tenha determinado para as entrevistadas o que seria distração ou ajuda, estes termos
foram compreendidos na análise como lazer e apoio, respectivamente.
78
um pouco mais de oportunidade
teve distração suficiente
é difícil pensar nisso
é indiferente
nunca pensou sobre isso
Total
Ajuda
muito mais
um pouco mais
teve ajuda suficiente
nunca pensou nisso
Total
4
13
2
3
7
41
9,8
31,7
4,9
7,3
17,1
100,0
9
13
12
7
41
22,0
31,7
29,3
17,1
100,0
O estado de saúde foi percebido pela maioria como bom ou ótimo (78,1%) e
por 19,5% como não muito bom. A proporção de mulheres que toma
medicamento foi de 82,9% enquanto 4,9% optou por não tomar. Um grupo de
mulheres (12,2%) não tomava medicamentos porque ainda não havia sido
recomendado – Tabela 5.14.
M23, 24 anos, casada, diagnosticada há 1 ano e 7 meses (doou sangue) - Só tomou o
medicamento uma vez. Parou o tratamento e nunca mais retornou
Todas entrevistadas informaram não automedicar-se e 31,7% informaram a
utilização de métodos alternativos. Todas mulheres que informaram utilizar
método alternativo citaram unicamente a oração como este método.
Tabela 5.14: Distribuição das Variáveis Relacionadas à Percepção do
Estado de Saúde e ao Tratamento
Variável
Estado de saúde
Ótimo
Bom
não muito bom
Ruim
Total
Uso de medicação
Sim
Não
o médico não indicou
Total
Regularidade do uso de medicamentos
não se aplica (não foi indicado)
toma raramente
toma as vezes
toma regularmente
toma sempre
optou por não tomar a medicação
Total
Toma medicamento alternativo
Sim
Não
Total
Métodos alternativos de tratamento/ajuda
Sim
Não
N
%
15
17
8
1
41
36,6
41,5
19,5
2,4
100
34
2
5
41
82,9
4,9
12,2
100
6
1
2
7
23
2
41
14,6
2,4
4,9
17,1
56,1
4,9
100
5
36
41
12,2
87,8
100
13
28
31,7
68,3
79
Total
41
100
61% das entrevistadas afirmaram ingerir bebida alcóolica. Quanto ao uso de
drogas 9,7% das entrevistadas afirmaram usar maconha e também 9,7%
cocaína como pode ser observado no Gráfico 5.3. Todas as entrevistadas
informaram não fazer uso de seringa compartilhada, crack e cocaína injetada.
Gráfico 5.2: Uso e Freqüência de Drogas
uso de álcool
+ de uma por semana
4,9%
não se aplica
39,0%
+/- 1 v ez por semana
36,6%
menos de 1 v ez por mês
1 a 3 v ezes por mês
7,3%
12,2%
uso de maconha
+ de 1 vez por semana
7,3%
menos de 1 vez por mês
2,4%
não se aplica
90,2%
80
+ de 1 vez por semana
2,4%
+/- 1 vez por semana
4,9%
menos de 1vez por mês
uso de cocaína
2,4%
não se aplica
90,2%
Em relação a quantidade de parceiros sexuais que tiveram até aquele
momento 24,4% das entrevistadas não souberam informar, como pode ser
observado no gráfico 5.3.
Gráfico 5.3: Quantidade de parceiros sexuais
12
24,4%
22,2%
10
8
14,6%
12,2%
6
7,3%
4
Mulheres
4,9%
4,9%
4,9%
2,4% 2,4%
2
0
1
3
2
5
4
7
6
10
8
não sabe
quantidade de parceiros
A maior parte das mulheres informou que houve mudança na vida (65,9%) e
mudança na vida sexual (68,3%) após o diagnóstico.
81
Tabela 5.15: Mudanças na Vida e na Vida Sexual depois do Diagnóstico
Mudança na vida
Mudança na vida
sexual
N
%
N
%
Sim
27
65,9
28
68,3
Não
14
34,1
12
29,3
Sim, mas não devido ao diagnóstico
Total
-
-
1
2,4
41
100
41
100
Algumas mulheres responderam que a condição de soropositividade não
trouxe mudanças em suas vida. Foi possível observar contradições na fala
destas mulheres, como mostram os exemplos abaixo:
M25, 52 anos, sem parceiro, diagnosticada há 4 anos (exame de sangue de rotina) – “Nada
mudou. Esqueço que tô soropositiva, não quero pensar sobre isso. Toco a vida
normalmente.” Embora tenha dito que nada mudou, a entrevistada disse que não tem mais
parceiro. Sente falta de alguém (mas que ela está chata mesmo e que por isso fica só).
M14, 43 anos, casada, diagnosticada há 1 mês (parceiro adoeceu e médico solicitou o
exame) –“ nada mudou. Agora sinto-me mais forte. Tem dia que bate tristeza...Continuo
cuidando do marido. Ele não conversa, não tem postura de amigo, não reconhece.” A
entrevistada informou também que não tem relação sexual há mais de um ano.
Mesmo mudanças envolvendo aspectos positivos não foram percebidos
como mudanças, como mostra a fala abaixo:
M24, 25 anos, parceiro fixo, diagnosticada há 2 anos (parceiro adoeceu) - embora tenha dito
que nada mudou em sua vida após o diagnóstico, disse que “se mudou foi para melhor. Acho
que aproveito a vida mais que as outras pessoas”
82
Foram apontadas como mudanças a falta de alegria, o retraimento,
insegurança, depressão, cansaço, falta de vontade de viver, falta de saúde,
medo do preconceito, ausência e medo de ter relações sexuais.
M26, 49 anos, sem parceiro, diagnosticada há 10 anos (adoeceu e médico solicitou o exame)
- passou a ter medo e deixou de ter relações sexuais. Sentiu muita mudança.
M4, 22 anos, sem parceiro, diagnosticada há 2 anos (parceiro adoeceu e médico solicitou
exame) - Mudou porque fica com medo de sair com as pessoas e passar a doença. Sabe
que tem, que pode passar e não pode contar
M27, 37 anos, casada, diagnosticada há 4 anos (adoeceu e serviço de saúde fez exame sem
avisar) - Tudo. Com relação a sexo não tem mais a vontade que tinha. Pensar que tem isso
entristece
O preconceito:
M28, 48 anos, casada, diagnosticada há 3 anos ( adoeceu e médico pediu exame)- “Muita. A
maneira de pensar, de agir, o conceito de vida. As expectativas de vida. Avalia se vale a
pena comprar ou não as coisas. Vive muito em função dos problemas mesmo que não
queira, vive-se em função dele”. Os filhos controlam muito no sentido de que outras pessoas
não saibam sobre a condição da mãe
M2, não soube informar a idade, diagnosticada há 3 anos (adoeceu e médico pediu o exame)
- ficou muito abalada. Só faltou se matar. Sente-se desgostosa. Depois que ficou sabendo
disso nem sai mais na rua. Sentiu-se humilhada
M23, 24 anos, casada, diagnosticada há 1 ano e 7 meses (doou sangue) - depois que ficou
sabendo que era soropositiva vive cada dia como se fosse o último. Quando soube do
resultado deu a filha para mãe. Não tem vontade de nada. Ficou fria. Quer ficar sozinha. Não
admite que ninguém goste dela, se isolou.
M18, 29 anos, casada diagnosticada há 1 ano (pré-natal) - nada mudou. Fica um pouco
diferente, mais insegura, mas tem que continuar. As vezes quer olhar para trás e se imaginar
sem isso, mas...
83
M21, 25 anos, casada, diagnosticada há 2 anos (filho adoeceu e médico solicitou o exame) No começo ficou muito chorona. Também por causa da filha: sabendo que ela estava doente
e que não poderia fazer nada. Medo dos irmãos descobrirem. Mesmo lendo livro que falava
sobre a AIDS, pegou. Lamentou que “a gente pensa que não vai acontecer com a gente”
84
6 – Conclusões
A utilização da análise espacial como técnica para estudar a configuração da
epidemia de AIDS em mulheres no município do Rio de Janeiro a partir dos
casos de AIDS notificados ao SINAN possibilitou relacionar os casos de AIDS,
localizados segundo o local de residência, com indicadores sociais e
econômicos. As redes de trocas que se estabeleceram, produzindo as
diferenças visualizadas nos mapas, não puderam ser respondidas através da
análise espacial.
A oportunidade da aplicação do questionário em mulheres que residem em uma
área característica dos processos de feminização e pauperização – adjacências
do núcleo 2 - possibilitou conhecer melhor as condições de vida que
favoreceram a exposição. Embora não se possa generalizar os resultados
encontrados por não se tratar de uma amostra representativa, eles indicaram a
necessidade de se compreender as mulheres em sua diversidade: mulheres
predominantemente de baixa renda, baixa escolaridade, com filhos, porém com
“estratégias
de
enfrentamento”
da
condição
de
soropositividade
muito
diferenciadas.
A análise espacial mostrou que o crescimento da epidemia de AIDS em
mulheres além de estar se acentuando, apresenta um processo de difusão
diferenciado dentro do município, atingindo principalmente bairros da Zona Norte
e Oeste. Foi possível também visualizar 2 núcleos de maior incidência de AIDS
em mulheres: um núcleo localizado na Zona Centro/Portuária e outro na Zona
Norte. A análise da incidência de AIDS em mulheres em bairros vizinhos à estes
núcleos mostrou uma tendência de crescimento da epidemia sugerindo uma
ampliação progressiva dos mesmos.
Apesar do crescimento entre as mulheres, a epidemia de AIDS ainda é bem
maior nos homens. A difusão da AIDS em homens no município do Rio de
85
Janeiro apresenta um deslocamento da Zona Sul para Zona Norte do município
com alta incidência também no Centro da cidade, atingindo a Zona Oeste com
taxas de incidência superiores a feminina.
O processo de disseminação da epidemia para as regiões Oeste e Norte do
município, regiões com condições de vida mais precárias, atingindo grupos
sociais menos favorecidos, está de acordo com estudos que mostraram o
aumento de casos de AIDS em regiões mais pobres (Granjeiro, 1994).
A análise do percentual de escolaridade permitiu visualizar o processo de
pauperização dos casos notificados e a concentração de um maior percentual de
baixa escolaridade (até 4ª série) na Zona Norte e Oeste do município.
A escolaridade dos casos de AIDS, femininos e masculinos, mostrou-se menor
que a da população geral com uma tendência de queda desta escolaridade. A
escolaridade dos casos em mulheres foi menor do que a dos casos em homens
e além disso entre as mulheres apareceu uma tendência de aumento na
proporção de casos com a escolaridade ignorada.
A ignorância acerca da forma de transmissão é proporcionalmente mais
freqüente nas mulheres do que nos homens. Observou-se que esta categoria
vem aumentando mais para as mulheres do que para os homens. No geral, nas
mulheres há uma maior proporção de casos com modo de transmissão ignorado
nas regiões Norte e Oeste do município.
A maior proporção de ignorados no modo de transmissão e na escolaridade de
casos notificados em mulheres e a configuração espacial mostrando uma
predominância destas ocorrências na Zona Norte e Oeste sugere que a
investigação dos casos femininos seja de pior qualidade.
A maior proporção de casos de AIDS notificados em homens e mulheres ocorreu
na faixa etária 25–34 anos, grupo etário com crescimento mais intenso na
incidência de casos. Este grupo etário tem sido apresentado pela literatura como
o que concentra maior número de casos femininos e que vem apresentando
86
maior incidência de óbitos em mulheres (MS, 1999; OMS/ONUSIDA, 1998; Diniz
e Villela, 1999).
A razão de casos entre H/M foi maior na Zona Sul e Centro, bairros onde foram
detectados os primeiros casos da doença. Foi possível observar, no geral, uma
predominância marcada por uma razão H/M de até 4. O processo de
feminização atinge todo o município do Rio de Janeiro.
A análise dos questionários aplicados ao grupo de mulheres soropositivas do
CSEGSF mostrou tratar-se de um grupo caracteristicamente de baixa renda,
com uma concentração de casos com escolaridade até 4ª série, sendo
expressiva também a proporção de casos com escolaridade de 5ª a 8ª série.
A proporção de mulheres que informou não ter tido nenhum tipo de
aconselhamento na época em que foi realizado o exame de soropositividade foi
acentuado, indicando a pouca atenção dispensada a elas.
A maior parte das mulheres soube do diagnóstico porque adoeceu. Mais da
metade das mulheres entrevistadas soube do diagnóstico há menos de 2 anos, a
maioria devido ao pré-natal/parto. Estes dados corroboram a literatura: as
mulheres tendem a conhecer o seu diagnóstico no pré-natal/parto, quando elas
adoecem ou quando adoecem seus companheiros e filhos (Barbosa, 1996;
Vermelho, 1999). Apesar das campanhas de prevenção da AIDS, não parece
estar ocorrendo mudanças significativas na percepção de risco destas mulheres.
O grupo de mulheres que respondeu ao questionário apresentou também
atitudes diferenciadas em relação a vida sexual após o diagnóstico, umas
optaram pela abstinência e outras mantiveram uma vida sexual.
A falta de conhecimento da condição de sorológica do companheiro em algumas
relações ressaltou a falta de comunicação entre parceiros. Em algumas
situações esta falta de comunicação não interrompeu o relacionamento sexual,
que nem sempre é acompanhado do uso da camisinha, nem mesmo do
esclarecimento ao companheiro da condição de soropositividade.
87
A maioria das mulheres reconheceu o uso da camisinha como forma de
prevenção da AIDS, embora muitas tenham feito ressalvas a sua eficácia. O uso
da camisinha também foi referido como uma prática destas mulheres. Contudo
informações junto à equipe DST/AIDS do CSEGSF mostraram que esta
informação não é muito confiável, pois poucas mulheres do grupo utilizam
sistematicamente o serviço de distribuição gratuita de camisinha da unidade de
saúde. Além disso, 5 mulheres do grupo realizaram teste de gravidez após o
término da aplicação dos questionários, estando 3 delas grávidas.
Constatou-se a falta de clareza das mulheres sobre o modo com que se
contaminaram, (31,7%) afirmaram não saber e, além disso, evidenciou-se esta
incerteza também na fala de algumas mulheres que responderam terem sido
contaminadas pelos parceiros. Este resultado sugere que a maior proporção de
casos de transmissão ignorada em mulheres na análise dos dados do SINAN,
não é apenas por mau preenchimento da ficha ou pior qualidade do
atendimento, mas também pelo desconhecimento das próprias mulheres a esse
respeito.
O estudo mostrou que a difusão da AIDS apresenta uma realidade distinta entre
homens e mulheres. As mulheres apresentaram desvantagens na qualidade dos
dados registrados. Observou-se que esta fragilidade da informação relacionouse a uma pior qualidade da investigação dos casos femininos, ao
desconhecimento por elas próprias da forma de contaminação e da dificuldade
de se falar sobre a AIDS.
88
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95
ANEXOS
96
Anexo 2.1 - Taxa de Crescimento Populacional no Município do Rio de Janeiro
Homens - Todas as Idades
Pop.1980
5086570
Total
Bairro
SAUDE
GAMBOA
SANTO CRISTO
CAJU
CENTRO
CATUMBI
RIO COMPRIDO
CIDADE NOVA
ESTACIO
SAO CRISTOVAO
MANGUEIRA
BENFICA
PAQUETA
SANTA TERESA
FLAMENGO
GLORIA
LARANJEIRAS
CATETE
COSME VELHO
BOTAFOGO
HUMAITA
URCA
LEME
COPACABANA
IPANEMA
LEBLON
LAGOA
JARDIM BOTANICO
GAVEA
VIDIGAL
SAO CONRADO
PRACA DA BANDEIRA
TIJUCA
ALTO DA BOA VISTA
MARACANA
VILA ISABEL
ANDARAI
GRAJAU
MANGUINHOS
BONSUCESSO
RAMOS
OLARIA
PENHA
PENHA CIRCULAR
BRAS DE PINA
CORDOVIL
PARADA DE LUCAS
VIGARIO GERAL
JARDIM AMERICA
HIGIANOPOLIS
JACARE
MARIA DA GRACA
DEL CASTILHO
Código
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
53
1979
2448
8191
8173
8711
35454
5881
22299
7893
5014
25118
13556
11501
5036
23124
25560
2232
21378
11089
1644
35778
7831
5210
6515
62758
22172
25358
8643
9293
25835
5502
3919
7165
85369
5518
15009
40617
23068
25681
21283
23632
49313
31873
36612
20688
31074
25333
12117
21201
17053
11070
29095
6475
12063
1980
2329
7921
7955
8704
34269
5874
22037
7436
5264
24711
13022
11309
4576
22947
25417
2348
21396
11019
1747
35762
7769
5044
6467
62921
22078
25094
8714
9240
26080
5524
3968
6900
84489
5446
14822
40351
22727
25060
21700
24000
49424
31704
36379
20759
30827
25116
12017
20885
16693
10806
28630
6247
11700
1981
2215
7659
7744
8697
33123
5867
21778
7006
5526
24311
12509
11120
4157
22772
25274
2470
21414
10949
1856
35746
7707
4882
6420
63085
21985
24833
8785
9187
26327
5547
4018
6646
83617
5376
14637
40086
22391
24454
22125
24373
49536
31535
36147
20831
30582
24900
11919
20574
16341
10549
28172
6027
11348
1982
2108
7406
7538
8691
32016
5859
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LINS DE VASCONCELOS
MEIER
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CACHAMBI
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AGUA SANTA
ENCANTADO
PIEDADE
ABOLICAO
PILARES
VILA KOSMOS
VICENTE DE CARVALHO
VILA DA PENHA
VISTA ALEGRE
IRAJA
COLEGIO
CAMPINHO
QUINTINO
CAVALCANTI
ENGENHEIRO LEAL
CASCADURA
MADUREIRA
VAZ LOBO
TURIACU
ROCHA MIRANDA
HONORIO GURGEL
OSWALDO CRUZ
BENTO RIBEIRO
MARECHAL HERMES
RIBEIRA
ZUMBI
CACUIA
PITANGUEIRAS
PRAIA DA BANDEIRA
COCOTA
BANCARIOS
FREGUESIA
JARDIM GUANABARA
JARDIM CARIOCA
TAUA
MONERO
PORTUGUESA
GALEAO
CIDADE UNIVERSITARIA
GUADALUPE
ANCHIETA
PARQUE ANCHIETA
RICARDO DE ALBUQUERQUE
COELHO NETO
ACARI
BARROS FILHO
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11389
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3441
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7942
828
20856
20219
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10702
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4275
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5876
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20233
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2022
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813
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1991
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12970
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25017
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19313
22053
4570
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13839
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11005
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11081
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811
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1992
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12857
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6134
5988
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16873
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9755
19164
21734
4437
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20891
5801
13579
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12026
3931
47386
13708
4266
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19034
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16588
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1502
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4135
6395
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2187
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13455
11038
15003
3028
10521
8658
809
20936
23005
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12071
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10909
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1993
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15322
23705
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19042
10749
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4183
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3092
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13409
10994
15003
2980
10523
8752
806
20946
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12254
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10979
8610
1994
30212
12633
9854
3318
4754
5859
6020
21399
16823
23420
9973
18869
21109
4182
7528
20535
5547
13073
8253
12081
11943
4017
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4321
14627
6711
2816
15203
23500
6142
7921
19050
10624
16515
21336
22233
1515
912
4231
6305
3052
2237
5556
8176
13363
10951
15004
2933
10526
8847
804
20956
23760
12489
12440
16305
11049
8535
Bairro
COSTA BARROS
PAVUNA
JACAREPAGUA
ANIL
GARDENIA AZUL
CIDADE DE DEUS
CURICICA
FREGUESIA (JACAREPAGUA)
PECHINCHA
TAQUARA
TANQUE
PRACA SECA
VILA VALQUEIRE
JOA
ITANHANGA
BARRA DA TIJUCA
CAMORIM
VARGEM PEQUENA
VARGEM GRANDE
RECREIO DOS BANDEIRANTES
GRUMARI
DEODORO
VILA MILITAR
CAMPO DOS AFONSOS
JARDIM SULACAP
MAGALHAES BASTOS
REALENGO
PADRE MIGUEL
BANGU
SENADOR CAMARA
SANTISSIMO
CAMPO GRANDE
SENADOR VASCONCELOS
INHOAIBA
COSMOS
PACIENCIA
SANTA CRUZ
SEPETIBA
GUARATIBA
BARRA DE GUARATIBA
PEDRA DE GUARATIBA
POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS)
Código
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
1979
1781
35010
20442
6350
2367
20809
7067
20158
15060
45852
16722
23075
12699
414
3224
17093
3
339
2550
3395
49
6671
4610
1767
3336
11044
77617
29449
78898
43909
9858
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19185
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1980
1994
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12746
415
3327
17982
4
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50
6572
4732
1673
3424
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8184
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10645
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1464
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2663
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416
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18918
5
442
2672
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51
6473
4857
1585
3513
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8388
11226
24305
20346
53305
10822
16086
1510
2879
1982
2497
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22611
6829
2825
20131
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7
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51
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111262
8598
11817
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20952
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1557
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1983
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6997
2996
19910
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14512
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15841
23692
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3657
20939
9
576
2799
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1421
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10573
112012
8812
12439
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17551
1606
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1984
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14378
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23849
12936
419
3774
22028
12
657
2865
4717
53
6187
5251
1346
3796
11129
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10759
112767
9032
13094
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22219
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11374
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1656
3070
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3894
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16
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54
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5390
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9257
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22881
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1707
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39475
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7525
3576
19262
8847
21845
14114
43697
15211
24166
13033
421
4019
24381
20
856
3002
5380
54
6004
5532
1207
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11164
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29469
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45795
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114292
9488
14508
25029
23563
63118
11758
20002
1761
3205
1987
4384
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3793
19050
9135
22098
13984
43397
15007
24326
13081
422
4147
25650
26
977
3073
5746
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CAJU
CENTRO
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RIO COMPRIDO
CIDADE NOVA
ESTACIO
SAO CRISTOVAO
MANGUEIRA
BENFICA
PAQUETA
SANTA TERESA
FLAMENGO
GLORIA
LARANJEIRAS
CATETE
COSME VELHO
BOTAFOGO
HUMAITA
URCA
LEME
COPACABANA
IPANEMA
LEBLON
LAGOA
JARDIM BOTANICO
GAVEA
VIDIGAL
SAO CONRADO
PRACA DA BANDEIRA
TIJUCA
ALTO DA BOA VISTA
MARACANA
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ANDARAI
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MANGUINHOS
BONSUCESSO
RAMOS
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PENHA CIRCULAR
BRAS DE PINA
CORDOVIL
PARADA DE LUCAS
VIGARIO GERAL
JARDIM AMERICA
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MARIA DA GRACA
DEL CASTILHO
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Bairro
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ENGENHO DA RAINHA
TOMAS COELHO
SAO FRANCISCO XAVIER
ROCHA
RIACHUELO
SAMPAIO
ENGENHO NOVO
LINS DE VASCONCELOS
MEIER
TODOS OS SANTOS
CACHAMBI
ENGENHO DE DENTRO
AGUA SANTA
ENCANTADO
PIEDADE
ABOLICAO
PILARES
VILA KOSMOS
VICENTE DE CARVALHO
VILA DA PENHA
VISTA ALEGRE
IRAJA
COLEGIO
CAMPINHO
QUINTINO
CAVALCANTI
ENGENHEIRO LEAL
CASCADURA
MADUREIRA
VAZ LOBO
TURIACU
ROCHA MIRANDA
HONORIO GURGEL
OSWALDO CRUZ
BENTO RIBEIRO
MARECHAL HERMES
RIBEIRA
ZUMBI
CACUIA
PITANGUEIRAS
PRAIA DA BANDEIRA
COCOTA
BANCARIOS
FREGUESIA
JARDIM GUANABARA
JARDIM CARIOCA
TAUA
MONERO
PORTUGUESA
GALEAO
CIDADE UNIVERSITARIA
GUADALUPE
ANCHIETA
PARQUE ANCHIETA
RICARDO DE ALBUQUERQUE
COELHO NETO
ACARI
BARROS FILHO
Código
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1999
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10537
2772
5043
5223
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21035
16700
20983
10542
18150
19624
3607
6713
19673
4959
11889
8079
10841
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4240
44598
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4462
13519
6550
2930
14620
22503
5866
7921
19090
10018
16333
19884
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1548
1079
4480
6085
2856
2366
5923
8518
13136
10739
15007
2708
10537
9338
792
21006
25756
12675
13412
15623
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2000
27972
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10679
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5105
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18010
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19098
9901
16297
19606
21677
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1115
4532
6042
2819
2393
5999
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10539
9439
790
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13615
15490
11480
8096
taxa cresc 91-96
0,987
0,991
1,013
0,965
1,012
0,977
1,003
0,997
0,999
0,978
1,011
0,992
0,986
0,971
0,977
0,991
0,978
0,981
0,996
0,979
0,997
1,011
0,991
1,009
1,006
0,984
0,995
1,008
0,992
0,991
0,991
1,000
1,000
0,988
0,998
0,986
0,996
1,004
1,034
1,012
0,993
0,987
1,011
1,013
1,008
0,997
0,996
1,000
0,984
1,000
1,011
0,997
1,000
1,016
1,003
1,015
0,991
1,006
0,991
Bairro
COSTA BARROS
PAVUNA
JACAREPAGUA
ANIL
GARDENIA AZUL
CIDADE DE DEUS
CURICICA
FREGUESIA (JACAREPAGUA)
PECHINCHA
TAQUARA
TANQUE
PRACA SECA
VILA VALQUEIRE
JOA
ITANHANGA
BARRA DA TIJUCA
CAMORIM
VARGEM PEQUENA
VARGEM GRANDE
RECREIO DOS BANDEIRANTES
GRUMARI
DEODORO
VILA MILITAR
CAMPO DOS AFONSOS
JARDIM SULACAP
MAGALHAES BASTOS
REALENGO
PADRE MIGUEL
BANGU
SENADOR CAMARA
SANTISSIMO
CAMPO GRANDE
SENADOR VASCONCELOS
INHOAIBA
COSMOS
PACIENCIA
SANTA CRUZ
SEPETIBA
GUARATIBA
BARRA DE GUARATIBA
PEDRA DE GUARATIBA
POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS)
Código
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
1995
10790
46064
35004
9360
6077
17440
11808
24223
12985
41074
13467
25645
13474
430
5335
38491
213
2811
3703
9727
61
5242
6993
740
5041
11320
80306
29494
107820
48339
13041
121417
11844
23020
26388
30691
85553
13650
29608
2322
3889
1996
12076
46861
36201
9590
6446
17248
12193
24503
12865
40793
13286
25815
13524
431
5506
40494
277
3208
3790
10388
62
5164
7177
701
5173
11337
80477
29497
109945
48630
13271
122235
12139
24232
26543
31606
88493
13878
30927
2394
3974
2608229
1997
13515
47672
37439
9825
6837
17059
12591
24786
12746
40513
13107
25986
13574
432
5682
42601
360
3661
3879
11094
63
5087
7366
664
5308
11354
80648
29500
112112
48923
13505
123059
12442
25507
26699
32548
91534
14110
32305
2469
4060
1998
15125
48496
38719
10067
7252
16871
13001
25072
12629
40236
12931
26158
13624
433
5864
44819
467
4178
3971
11849
64
5011
7561
629
5447
11372
80820
29503
114322
49218
13743
123889
12752
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26857
33518
94681
14346
33743
2546
4149
1999
16928
49335
40042
10314
7692
16686
13425
25362
12512
39960
12757
26331
13675
434
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47151
607
4768
4065
12655
65
4936
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595
5589
11390
80993
29505
116575
49514
13986
124724
13070
28263
27015
34517
97935
14586
35246
2625
4239
2000
18945
50189
41411
10567
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16503
13862
25655
12397
39686
12586
26506
13726
435
6245
49605
788
5442
4160
13515
65
4862
7965
564
5735
11407
81165
29508
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125565
13396
29751
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14830
36816
2707
4331
taxa cresc 91-96
1,119
1,017
1,034
1,025
1,061
0,989
1,033
1,012
0,991
0,993
0,987
1,007
1,004
1,002
1,032
1,052
1,299
1,141
1,024
1,068
1,013
0,985
1,026
0,947
1,026
1,002
1,002
1,000
1,020
1,006
1,018
1,007
1,025
1,053
1,006
1,030
1,034
1,017
1,045
1,031
1,022
Anexo 2.2 - Taxa de Crescimento Populacional no Município do Rio de Janeiro
Mulheres - Todas as Idades
Pop.1980
5086570
Total
Bairro
SAUDE
GAMBOA
SANTO CRISTO
CAJU
CENTRO
CATUMBI
RIO COMPRIDO
CIDADE NOVA
ESTACIO
SAO CRISTOVAO
MANGUEIRA
BENFICA
PAQUETA
SANTA TERESA
FLAMENGO
GLORIA
LARANJEIRAS
CATETE
COSME VELHO
BOTAFOGO
HUMAITA
URCA
LEME
COPACABANA
IPANEMA
LEBLON
LAGOA
JARDIM BOTANICO
GAVEA
VIDIGAL
SAO CONRADO
PRACA DA BANDEIRA
TIJUCA
ALTO DA BOA VISTA
MARACANA
VILA ISABEL
ANDARAI
GRAJAU
MANGUINHOS
BONSUCESSO
RAMOS
OLARIA
PENHA
PENHA CIRCULAR
BRAS DE PINA
CORDOVIL
PARADA DE LUCAS
VIGARIO GERAL
JARDIM AMERICA
HIGIANOPOLIS
JACARE
MARIA DA GRACA
DEL CASTILHO
Código
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
53
1979
1910
8689
8229
8443
35086
6424
26031
7840
3181
27484
13859
12664
5083
24336
36182
2735
28555
13151
2142
46374
9838
6208
8579
90914
29008
30268
9779
11319
27711
5944
4576
7590
105047
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48038
28533
29609
21897
25363
53507
34542
39778
22778
34145
24991
12496
21798
16980
12141
28119
7472
12413
1980
1844
8429
8061
8489
34167
6448
25748
7405
3407
27011
13389
12465
4631
24262
35873
2889
28503
13116
2253
46239
9772
6021
8518
90853
28850
30033
9866
11241
27974
5956
4618
7388
104169
6598
17866
47823
28105
28989
22348
25777
53564
34484
39639
22915
33950
24989
12445
21562
16729
11900
27871
7210
12142
1981
1781
8176
7897
8534
33273
6472
25468
6995
3649
26545
12935
12270
4220
24188
35567
3051
28451
13082
2370
46104
9706
5839
8458
90792
28694
29799
9954
11164
28239
5968
4660
7191
103297
6474
17669
47610
27683
28383
22807
26196
53621
34426
39501
23052
33756
24987
12394
21328
16481
11665
27625
6957
11877
1982
1720
7931
7736
8581
32402
6495
25191
6608
3908
26087
12497
12078
3844
24115
35264
3221
28399
13047
2494
45969
9640
5662
8398
90731
28538
29568
10042
11087
28507
5980
4702
6999
102433
6354
17475
47397
27267
27789
23276
26623
53678
34368
39363
23190
33563
24985
12343
21097
16237
11434
27381
6713
11617
Pop.1991
5480768
1983
1661
7694
7578
8627
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6519
24917
6241
4186
25637
12073
11889
3503
24041
34963
3402
28348
13013
2623
45835
9575
5491
8339
90670
28383
29338
10132
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28778
5992
4745
6813
101576
6235
17282
47186
26857
27207
23754
27056
53735
34310
39226
23329
33372
24983
12293
20868
15997
11208
27139
6478
11363
1984
1604
7463
7424
8674
30727
6543
24646
5896
4483
25195
11664
11703
3191
23968
34665
3592
28296
12979
2760
45701
9510
5325
8280
90610
28229
29110
10222
10935
29050
6004
4788
6632
100726
6119
17092
46975
26454
26638
24243
27497
53792
34253
39090
23469
33181
24980
12243
20641
15760
10987
26899
6250
11115
Razão total:
1985
1549
7240
7273
8720
29923
6567
24377
5569
4802
24761
11269
11520
2908
23895
34369
3794
28245
12944
2903
45568
9446
5164
8222
90549
28076
28884
10313
10859
29326
6016
4832
6455
99883
6005
16904
46766
26057
26081
24741
27945
53849
34195
38953
23610
32992
24978
12193
20417
15527
10769
26661
6031
10872
1986
1496
7023
7124
8768
29140
6591
24112
5260
5143
24334
10887
11339
2649
23822
34076
4006
28193
12910
3054
45435
9382
5008
8164
90488
27924
28660
10404
10784
29604
6028
4875
6283
99048
5893
16718
46557
25665
25535
25250
28400
53907
34137
38818
23752
32803
24976
12143
20196
15297
10556
26426
5820
10634
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RICARDO DE ALBUQUERQUE
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14095
4245
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1990
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19613
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9373
24345
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9517
14282
14092
4308
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14502
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18111
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19198
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974
4378
7008
3621
2568
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11923
16164
3527
11973
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23791
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1991
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10729
4299
5544
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6750
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19673
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24162
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16091
9528
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14089
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5154
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18168
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19185
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1655
995
4420
6939
3583
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15188
11945
16211
3483
12007
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795
23583
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18520
11537
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1992
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14689
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4162
5597
7614
6822
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19733
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11926
22794
25489
3524
8962
23980
6741
15894
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13755
14086
4439
54538
14889
5159
17591
7644
3049
18003
27379
7188
8815
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12036
19172
25080
24855
1676
1016
4462
6870
3545
2576
5770
8713
15182
11967
16258
3440
12041
9087
794
23625
24605
13229
13060
18397
11607
9101
1993
32932
14564
11031
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5651
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6895
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19793
29932
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14083
4505
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21386
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19159
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24840
1697
1038
4505
6802
3508
2580
5853
8812
15175
11989
16305
3397
12076
9177
794
23667
25023
13345
13261
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11677
9035
1994
32589
14440
11185
3902
5705
7289
6969
25654
19853
29294
12203
22632
24864
3326
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23622
6496
15506
9560
13247
14081
4573
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15287
5170
17086
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3109
17678
27061
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8891
21430
11858
19147
24590
24824
1718
1060
4548
6735
3471
2583
5937
8912
15169
12011
16353
3355
12111
9268
793
23709
25447
13461
13465
18155
11748
8969
Bairro
COSTA BARROS
PAVUNA
JACAREPAGUA
ANIL
GARDENIA AZUL
CIDADE DE DEUS
CURICICA
FREGUESIA (JACAREPAGUA)
PECHINCHA
TAQUARA
TANQUE
PRACA SECA
VILA VALQUEIRE
JOA
ITANHANGA
BARRA DA TIJUCA
CAMORIM
VARGEM PEQUENA
VARGEM GRANDE
RECREIO DOS BANDEIRANTES
GRUMARI
DEODORO
VILA MILITAR
CAMPO DOS AFONSOS
JARDIM SULACAP
MAGALHAES BASTOS
REALENGO
PADRE MIGUEL
BANGU
SENADOR CAMARA
SANTISSIMO
CAMPO GRANDE
SENADOR VASCONCELOS
INHOAIBA
COSMOS
PACIENCIA
SANTA CRUZ
SEPETIBA
GUARATIBA
BARRA DE GUARATIBA
PEDRA DE GUARATIBA
POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS)
Código
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
1979
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47982
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2944
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6
370
2271
2770
49
7040
4573
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3657
11177
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1980
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7
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50
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13
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11457
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1984
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16
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2615
4044
53
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117338
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1545
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1985
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20
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15850
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3845
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24
912
2766
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54
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19524
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46892
15714
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30
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37
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Bairro
SAUDE
GAMBOA
SANTO CRISTO
CAJU
CENTRO
CATUMBI
RIO COMPRIDO
CIDADE NOVA
ESTACIO
SAO CRISTOVAO
MANGUEIRA
BENFICA
PAQUETA
SANTA TERESA
FLAMENGO
GLORIA
LARANJEIRAS
CATETE
COSME VELHO
BOTAFOGO
HUMAITA
URCA
LEME
COPACABANA
IPANEMA
LEBLON
LAGOA
JARDIM BOTANICO
GAVEA
VIDIGAL
SAO CONRADO
PRACA DA BANDEIRA
TIJUCA
ALTO DA BOA VISTA
MARACANA
VILA ISABEL
ANDARAI
GRAJAU
MANGUINHOS
BONSUCESSO
RAMOS
OLARIA
PENHA
PENHA CIRCULAR
BRAS DE PINA
CORDOVIL
PARADA DE LUCAS
VIGARIO GERAL
JARDIM AMERICA
HIGIANOPOLIS
JACARE
MARIA DA GRACA
DEL CASTILHO
Código
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
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21
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Bairro
INHAUMA
ENGENHO DA RAINHA
TOMAS COELHO
SAO FRANCISCO XAVIER
ROCHA
RIACHUELO
SAMPAIO
ENGENHO NOVO
LINS DE VASCONCELOS
MEIER
TODOS OS SANTOS
CACHAMBI
ENGENHO DE DENTRO
AGUA SANTA
ENCANTADO
PIEDADE
ABOLICAO
PILARES
VILA KOSMOS
VICENTE DE CARVALHO
VILA DA PENHA
VISTA ALEGRE
IRAJA
COLEGIO
CAMPINHO
QUINTINO
CAVALCANTI
ENGENHEIRO LEAL
CASCADURA
MADUREIRA
VAZ LOBO
TURIACU
ROCHA MIRANDA
HONORIO GURGEL
OSWALDO CRUZ
BENTO RIBEIRO
MARECHAL HERMES
RIBEIRA
ZUMBI
CACUIA
PITANGUEIRAS
PRAIA DA BANDEIRA
COCOTA
BANCARIOS
FREGUESIA
JARDIM GUANABARA
JARDIM CARIOCA
TAUA
MONERO
PORTUGUESA
GALEAO
CIDADE UNIVERSITARIA
GUADALUPE
ANCHIETA
PARQUE ANCHIETA
RICARDO DE ALBUQUERQUE
COELHO NETO
ACARI
BARROS FILHO
Código
54
55
56
57
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1,006
0,993
Bairro
COSTA BARROS
PAVUNA
JACAREPAGUA
ANIL
GARDENIA AZUL
CIDADE DE DEUS
CURICICA
FREGUESIA (JACAREPAGUA)
PECHINCHA
TAQUARA
TANQUE
PRACA SECA
VILA VALQUEIRE
JOA
ITANHANGA
BARRA DA TIJUCA
CAMORIM
VARGEM PEQUENA
VARGEM GRANDE
RECREIO DOS BANDEIRANTES
GRUMARI
DEODORO
VILA MILITAR
CAMPO DOS AFONSOS
JARDIM SULACAP
MAGALHAES BASTOS
REALENGO
PADRE MIGUEL
BANGU
SENADOR CAMARA
SANTISSIMO
CAMPO GRANDE
SENADOR VASCONCELOS
INHOAIBA
COSMOS
PACIENCIA
SANTA CRUZ
SEPETIBA
GUARATIBA
BARRA DE GUARATIBA
PEDRA DE GUARATIBA
POPULAÇÃO TOTAL (CENSOS)
Código
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
1995
11593
50333
35847
10098
6262
19251
12529
27137
15063
45826
14670
29828
15197
377
5418
39952
163
2908
3565
9295
63
5742
7407
735
5440
12339
88160
32716
114344
51335
13448
129971
12767
24077
27572
32146
90476
14431
29214
2238
4057
1996
13012
51338
36959
10355
6610
19072
12949
27473
14994
45695
14544
29941
15304
372
5629
42208
202
3308
3667
10026
64
5669
7634
723
5577
12416
88612
32790
116444
51779
13712
131185
13111
25408
27777
33167
93769
14735
30552
2315
4145
2941598
1997
14604
52363
38105
10619
6978
18895
13383
27813
14926
45564
14419
30054
15412
367
5848
44591
250
3763
3772
10814
65
5597
7868
712
5717
12493
89066
32865
118582
52227
13982
132410
13464
26812
27984
34221
97182
15046
31951
2394
4235
1998
16391
53409
39287
10889
7366
18720
13832
28157
14857
45433
14296
30168
15521
362
6075
47109
309
4280
3880
11664
66
5526
8108
700
5861
12571
89523
32939
120760
52678
14257
133647
13827
28295
28192
35308
100720
15363
33415
2476
4328
1999
18397
54476
40506
11167
7775
18546
14296
28506
14790
45303
14174
30282
15631
358
6311
49770
382
4869
3991
12581
67
5456
8356
689
6008
12648
89982
33014
122978
53134
14537
134895
14199
29859
28402
36430
104386
15686
34945
2561
4422
2000
20648
55564
41762
11451
8208
18374
14776
28859
14722
45173
14052
30397
15742
353
6556
52580
472
5538
4105
13570
68
5387
8612
678
6159
12727
90443
33089
125236
53594
14823
136155
14581
31509
28613
37588
108186
16017
36545
2649
4519
taxa cresc 91-96
1,122
1,020
1,031
1,025
1,056
0,991
1,034
1,012
0,995
0,997
0,991
1,004
1,007
0,987
1,039
1,056
1,236
1,138
1,029
1,079
1,016
0,987
1,031
0,984
1,025
1,006
1,005
1,002
1,018
1,009
1,020
1,009
1,027
1,055
1,007
1,032
1,036
1,021
1,046
1,034
1,022
ANEXO 3
Distribuição de Casos e Taxas de Incidência de AIDS por Bairro do Município do
Rio de Janeiro, Segundo o Período
NOME DO BAIRRO
SAUDE
GAMBOA
SANTO CRISTO
CAJU
CENTRO
CATUMBI
RIO COMPRIDO
CIDADE NOVA
ESTACIO
SAO CRISTOVAO
MANGUEIRA
BENFICA
PAQUETA
SANTA TERESA
FLAMENGO
GLORIA
LARANJEIRAS
CATETE
COSME VELHO
BOTAFOGO
HUMAITA
URCA
LEME
COPACABANA
IPANEMA
LEBLON
LAGOA
JARDIM BOTANICO
GAVEA
VIDIGAL
SAO CONRADO
PRACA DA BANDEIRA
TIJUCA
ALTO DA BOA VISTA
MARACANA
VILA ISABEL
ANDARAI
GRAJAU
MANGUINHOS
BONSUCESSO
RAMOS
OLARIA
PENHA
PENHA CIRCULAR
BRAS DE PINA
CORDOVIL
PARADA DE LUCAS
VIGARIO GERAL
JARDIM AMERICA
HIGIANOPOLIS
JACARE
MARIA DA GRACA
DEL CASTILHO
INHAUMA
ENGENHO DA RAINHA
TOMAS COELHO
SAO FRANCISCO XAVIER
ROCHA
COD CASHTOT CASMTOT TXHP1 TXHP2
TXHP3 TXMP1 TXMP2 TXMP3
1
78
23
67,2
593,6 1162,2
70,2
218,4
248,5
2
6
0
3,4
17,2
16,7
0,0
0,0
0,0
3
74
26
16,3
150,1
181,6
6,2
19,5
93,7
4
26
17
5,4
30,2
47,3
0,0
7,4
49,4
5
718
84
67,5
403,4
402,7
2,2
40,2
58,3
6
52
27
23,6
110,9
111,5
3,5
28,6
87,9
7
118
41
14,7
73,1
94,1
0,0
18,7
33,9
8
27
8
15,4
54,0
50,6
3,8
14,9
36,2
9
141
52
33,2
156,5
127,4
13,6
44,5
73,1
10
181
38
26,5
84,8
133,7
1,8
14,3
36,7
11
31
9
6,6
31,6
112,5
0,0
0,0
30,9
12
58
20
19,3
59,9
89,8
0,0
12,0
32,3
13
3
3
8,3
20,8
0,0
0,0
39,2
37,4
14
123
45
13,8
67,9
87,8
2,7
18,0
29,4
15
260
29
44,9
136,5
115,0
1,3
11,8
16,6
16
115
16
78,0
359,8
285,1
11,9
42,0
35,3
17
140
21
22,8
73,7
84,6
1,6
6,7
12,7
18
123
25
30,2
149,1
154,1
6,8
14,6
30,7
19
39
5
28,6
92,9
176,8
7,7
8,0
0,0
20
373
64
34,6
127,3
137,4
1,9
10,1
23,8
21
44
5
11,6
47,0
132,8
0,0
3,4
13,1
22
20
5
15,6
106,6
38,6
0,0
36,9
0,0
23
46
6
7,3
117,5
124,2
0,0
8,3
10,7
24
1146
151
51,6
223,6
237,4
2,0
16,5
29,7
25
202
22
28,6
114,6
142,3
0,8
8,1
17,7
26
180
21
25,5
95,0
113,8
1,5
3,3
20,2
27
53
7
27,7
64,5
59,2
0,0
7,9
12,7
28
58
13
12,2
91,7
81,4
2,0
5,8
37,3
29
91
27
13,3
39,2
39,6
2,2
6,8
14,0
30
25
7
7,9
53,7
79,0
0,0
5,0
31,2
31
47
13
45,0
97,4
145,7
8,4
22,4
33,6
32
28
13
26,4
53,0
98,1
3,4
16,9
31,8
33
552
128
21,9
75,3
110,5
1,6
10,7
26,0
34
18
5
4,3
13,1
78,2
0,0
6,0
8,2
35
45
12
9,8
39,6
65,5
0,0
10,0
13,1
36
170
49
10,9
65,9
58,0
2,4
9,6
18,3
37
59
23
6,3
42,1
45,5
1,7
7,8
19,1
38
105
33
15,4
61,8
90,9
1,7
15,3
24,8
39
66
35
3,9
13,4
53,1
0,9
4,6
33,1
40
339
102
21,9
124,1
195,5
3,3
18,8
71,4
41
135
52
4,5
29,1
38,3
0,0
7,0
17,4
42
110
28
7,0
31,6
66,5
0,0
8,1
18,1
43
232
67
10,9
80,6
114,5
3,5
12,4
35,7
44
43
9
8,4
28,9
23,1
0,0
3,8
4,6
45
89
26
10,5
47,1
32,7
0,0
4,8
19,8
46
81
22
4,5
40,2
59,2
0,0
2,5
20,1
47
25
8
2,0
32,0
45,2
0,0
5,3
16,8
48
42
7
1,2
30,8
36,4
0,0
0,0
13,1
49
48
10
6,0
38,4
69,3
0,0
2,2
5,8
50
34
12
0,0
56,9
58,2
0,0
12,9
30,8
51
53
20
1,7
26,5
41,0
0,0
5,1
16,5
52
27
6
26,0
75,2
110,5
0,0
19,4
9,5
53
40
17
11,4
42,2
93,5
0,0
10,1
41,7
54
68
31
2,0
21,5
38,0
0,0
3,8
21,2
55
16
6
3,3
7,3
18,9
0,0
0,0
8,1
56
28
7
4,9
22,0
33,3
2,1
0,0
16,1
57
12
3
0,0
59,8
37,7
0,0
14,5
10,4
58
23
8
5,3
61,9
73,4
0,0
17,4
20,8
RIACHUELO
SAMPAIO
ENGENHO NOVO
LINS DE VASCONCELOS
MEIER
TODOS OS SANTOS
CACHAMBI
ENGENHO DE DENTRO
AGUA SANTA
ENCANTADO
PIEDADE
ABOLICAO
PILARES
VILA KOSMOS
VICENTE DE CARVALHO
VILA DA PENHA
VISTA ALEGRE
IRAJA
COLEGIO
CAMPINHO
QUINTINO
CAVALCANTI
ENGENHEIRO LEAL
CASCADURA
MADUREIRA
VAZ LOBO
TURIACU
ROCHA MIRANDA
HONORIO GURGEL
OSWALDO CRUZ
BENTO RIBEIRO
MARECHAL HERMES
RIBEIRA
ZUMBI
CACUIA
PITANGUEIRAS
PRAIA DA BANDEIRA
COCOTA
BANCARIOS
FREGUESIA
JARDIM GUANABARA
JARDIM CARIOCA
TAUA
MONERO
PORTUGUESA
GALEAO
CIDADE UNIVERSITARIA
GUADALUPE
ANCHIETA
PARQUE ANCHIETA
RICARDO DE ALBUQUERQUE
COELHO NETO
ACARI
BARROS FILHO
COSTA BARROS
PAVUNA
JACAREPAGUA
ANIL
GARDENIA AZUL
CIDADE DE DEUS
CURICICA
FREGUESIA (JACAREPAGUA)
PECHINCHA
TAQUARA
TANQUE
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
76
77
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
90
91
92
93
94
95
96
97
98
99
100
101
102
103
104
105
106
107
108
109
110
111
112
113
114
115
116
117
118
119
120
121
122
123
32
15
78
75
187
20
87
109
18
30
90
38
74
16
41
100
49
181
20
30
50
27
0
75
150
55
6
85
33
55
75
78
7
8
41
6
6
24
28
21
41
5
14
14
32
21
19
93
73
4
38
34
37
15
30
110
309
14
16
50
45
54
17
116
23
9
8
32
19
49
4
18
20
5
16
25
9
17
1
16
38
13
42
10
7
19
12
0
18
41
12
2
28
13
16
27
18
0
1
9
0
0
2
8
4
17
2
4
5
7
5
3
42
37
0
23
13
15
5
14
37
80
6
8
24
15
10
3
36
11
12,6
8,0
4,1
12,2
20,7
2,3
5,4
12,1
3,4
7,3
6,1
10,0
10,3
0,0
6,2
17,8
33,6
7,5
1,8
33,2
1,3
3,2
0,0
12,6
12,4
16,1
0,0
5,9
1,9
6,5
6,5
4,9
0,0
96,4
17,1
0,0
19,1
45,5
13,7
2,9
6,3
0,0
0,0
12,6
8,5
5,7
26,7
11,8
3,4
0,0
0,0
1,2
4,6
0,0
0,0
4,6
24,4
0,0
13,2
3,6
5,3
1,0
0,0
3,0
2,9
55,9
22,2
33,9
59,5
82,5
29,6
50,9
58,4
45,8
39,2
38,9
69,3
66,8
31,1
24,6
91,4
132,3
48,8
16,9
74,6
53,6
45,8
0,0
57,7
80,0
104,7
0,0
41,3
26,0
38,5
46,6
41,9
62,6
184,0
104,2
9,6
9,6
149,0
41,3
46,1
27,1
5,5
12,6
58,1
41,4
18,7
266,7
34,6
32,9
4,9
37,3
21,6
25,0
3,6
37,4
30,8
154,2
10,9
32,6
24,9
27,4
34,4
9,2
29,6
11,2
91,6
34,2
73,0
60,4
131,4
28,1
76,2
79,9
40,9
65,3
66,1
110,6
91,0
34,6
64,5
125,7
140,0
54,1
26,1
90,6
58,1
58,5
0,0
77,4
93,7
148,8
15,5
84,5
72,2
57,8
45,1
62,3
102,4
0,0
167,8
24,7
0,0
124,0
118,4
32,4
51,5
7,1
20,9
65,0
33,2
35,6
530,9
82,5
49,9
6,1
49,8
32,8
91,2
56,5
67,2
34,8
111,3
40,6
43,8
56,2
82,5
33,0
33,0
50,6
47,5
0,0
0,0
2,6
1,2
1,3
1,8
0,0
1,6
0,0
0,0
0,9
0,0
0,0
0,0
0,0
4,5
5,1
0,4
5,1
4,4
1,2
2,8
0,0
2,4
1,6
2,9
0,0
2,1
3,6
2,2
0,8
0,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2,7
1,4
0,0
0,0
0,0
1,8
0,0
0,0
1,9
1,0
0,0
1,9
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
4,3
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,5
0,0
8,1
19,3
8,5
1,6
9,1
2,4
13,3
6,1
15,9
24,1
11,7
13,6
9,9
0,0
15,7
16,9
32,5
6,2
6,6
6,1
1,8
4,1
0,0
3,5
14,9
8,4
0,0
7,4
2,6
11,0
9,8
5,1
0,0
0,0
6,8
0,0
0,0
12,4
16,6
3,6
7,8
0,0
3,8
16,5
2,5
3,5
39,2
15,8
14,4
0,0
12,2
8,1
14,4
10,3
17,2
6,6
22,0
13,1
6,2
7,9
13,8
5,8
2,0
5,3
6,1
33,7
23,0
26,4
18,1
37,6
0,0
8,5
17,6
34,0
28,6
20,1
30,7
23,7
0,0
24,4
50,3
38,0
13,7
7,8
22,8
28,4
26,8
0,0
30,0
22,0
21,3
0,0
25,5
20,2
5,9
17,6
7,9
0,0
37,4
40,8
0,0
0,0
0,0
19,4
8,5
19,4
3,2
4,7
21,9
9,3
12,7
49,2
31,0
25,8
0,0
34,1
12,5
24,6
8,9
16,0
14,4
42,5
7,3
30,4
35,0
29,8
4,1
2,5
18,3
8,0
PRACA SECA
VILA VALQUEIRE
JOA
ITANHANGA
BARRA DA TIJUCA
CAMORIM
VARGEM PEQUENA
VARGEM GRANDE
RECREIO DOS ANDEIRANTES
GRUMARI
DEODORO
VILA MILITAR
CAMPO DOS AFONSOS
JARDIM SULACAP
MAGALHAES BASTOS
REALENGO
PADRE MIGUEL
BANGU
SENADOR CAMARA
SANTISSIMO
CAMPO GRANDE
SENADOR VASCONCELOS
INHOAIBA
COSMOS
PACIENCIA
SANTA CRUZ
SEPETIBA
GUARATIBA
BARRA DE GUARATIBA
PEDRA DE GUARATIBA
124
125
126
127
128
129
130
131
132
133
134
135
136
137
138
139
140
141
142
143
144
145
146
147
148
149
150
151
152
153
53
79
1
7
104
2
2
3
36
0
14
3
1
15
41
212
111
248
77
42
337
2
14
22
39
160
32
13
6
20
16
15
0
2
19
1
1
1
7
0
13
1
0
8
8
113
26
67
20
15
112
0
7
5
18
68
13
7
5
5
1,9
10,1
0,0
0,0
12,5
0,0
0,0
0,0
8,7
0,0
3,6
0,0
0,0
0,0
4,1
6,0
7,0
4,0
2,5
8,3
4,4
0,0
1,7
0,0
1,0
3,1
2,1
1,2
0,0
7,7
22,7
78,3
64,7
12,9
37,8
733,3
19,5
19,7
49,3
0,0
44,2
9,8
31,1
13,9
42,3
28,2
40,1
25,6
17,1
33,9
29,7
6,0
3,5
7,6
10,9
17,0
37,1
6,6
46,0
66,0
38,3
90,6
0,0
14,0
34,9
0,0
13,5
11,1
45,9
0,0
37,0
5,4
0,0
85,3
49,0
39,3
60,9
36,7
27,5
48,2
47,1
0,0
15,7
19,9
23,9
33,0
30,7
8,1
33,4
64,2
0,0
0,0
0,0
5,9
0,9
0,0
0,0
0,0
5,1
0,0
3,5
0,0
0,0
0,0
0,0
1,9
0,7
0,7
0,0
0,0
0,6
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
2,2
6,2
0,0
0,0
2,7
375,1
0,0
0,0
13,6
0,0
21,2
0,0
0,0
12,6
7,8
7,6
5,0
4,0
3,9
5,0
6,8
0,0
1,7
1,2
3,4
5,9
15,0
0,0
16,0
8,6
16,0
19,9
0,0
0,0
8,7
0,0
0,0
11,4
4,0
0,0
28,0
5,1
0,0
21,1
9,5
27,8
13,5
11,3
8,5
17,3
17,2
0,0
4,9
5,8
12,4
12,6
8,5
4,1
51,7
39,1
ANEXO 4
QUESTIONÁRIO
Código do entrevistado:______________
Entrevistador:______________________
Início________
Duração __________ (em minutos)
Data da entrevista:____________
Local da entrevista:___________
Término______
duracao FFF
Parte 1 – Características Individuais:
1a – Idade: ______________ (em anos)
1b - Data de nascimento _____/_____/_____
2 – cor referida__________________________ ( 1 ) branca
idade FF
datanasc FF FF FFFF
( 2 ) mulata
3 – Sexo
( 1 ) Masculino
( 2 ) Feminino
( 3 ) negra
corpdr F
sexo F
4 - Você nasceu onde: (cidade e estado – sigla)
________________________________________
estado FF
5a – Local de Residência: (rua e bairro – instruir sobre a importância da veracidade das informações)
__________________________________________________________
bairro FFF
5b – Há quanto tempo reside nessa cidade? (tempo em anos que reside no Rio e tempo que reside no
bairro)
temprro FF
tempcid FF
5c - Você mora numa:
( 1 ) casa
( 2 ) apartamento
( 3 ) barraco
( 4 ) quarto
( 5 ) casa de apoio
( 6 ) outro
Especificar: _________________________________________
6 – Situação Conjugal:
( 1 ) casado(a)/morando com parceiro(a) regular
( 2 ) divorciado(a)/separado(a) com parceiros eventuais
( 3 ) namora ou caso fixo
( 4 ) divorciado(a)/separado(a) sem parceiro
( 5 ) viuvo(a) de AIDS com nova(o) parceira (o)
( 6 ) viúvo(a) de AIDS sem parceira (o)
( 7 ) viúvo(a) – outros motivos – sem parceiro
( 8 ) solteiro(a)/ separado(a) sem parceiro
( 9 ) vários parceiros (solteiro(a)/viuvo(a)/separado(a))
( 10 ) viúvo(a) – outros motivos – com parceiro regular
mora F
sitconj FF
7a – Qual sua religião?
( 1 ) católico
( 2 ) espírita
( 3 ) evangélica/crente/protestante
( 4 ) umbanda/candomblé
( 5 ) outras - Especificar: _________________________________________
( 6 ) não tenho religião
7b – Qual a importância da religião em sua vida?
( 1 ) muito importante
( 2 ) importante
( 3 ) pouco importante
( 4 ) nada importante
8 – Escolaridade
( 1 ) analfabeto
( 2 ) 1ª até 4ª série (completo e incompleto)
( 3 ) 5ª até 8ª série (completo e incompleto)
( 4 ) 2º grau (completo e incompleto)
( 5 ) 3º grau (completo e incompleto)
relig F
iprelig F
escol F
9a – Qual sua profissão?
_____________________________________________________
9b – Quais outras atividades você acha que faz bem?
_____________________________________________________
10a – Atualmente você esta empregado?
( 1 ) sim/emprego
( 2 ) sim/bico
( 3 ) não/desempregado(a)
( 4 ) não/aposentado(a)
( 5 ) nunca trabalhou
( 6) não/encostado(a)
10b – No momento você está trabalhando em que?
( 1 ) do lar/ dona de casa/nunca trabalhei
( 2 ) doméstica/diarista
( 3 ) profissional do sexo
( 4 ) técnico/superior (univ)
( 5 ) gerente/empresário
( 6 ) no comércio (balcão/caixa/bazar)
( 7 ) escritório
( 8 ) serviços (beleza, costura, etc)
( 9 ) industria (operário)
( 10 ) recepcionista/ telefonista
( 11 ) outras - Especificar: _________________________________________
( 12 ) não está trabalhando
10c – Se empregado, você está com carteira assinada, recebendo seus direitos?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 0 ) não se aplica
atuempr F
atutrab FF
cartass F
11a – Qual sua renda mensal? Valor Referido:_______________ (depois categorizar)
( 1 ) nenhuma fonte de renda
( 2 ) menos de 1 s.m.
( 3 ) de 1 a 2 s.m.
( 4 ) de 2,5 a 3,5 s.m.
( 5 ) de 4 a 5 s.m.
( 6 ) mais de 5 s.m.
( 90 ) não sabe
redmens FF
11b – Qual a renda mensal de sua família? (instruir que a renda mensal familiar representa todo dinheiro
recebido por todos da casa) Valor Referido:_______________ (depois categorizar)
( 1 ) nenhuma fonte de renda
( 2 ) menos de 1 s.m.
redmenf FF
( 3 ) de 1 a 2 s.m.
( 4 ) de 2,5 a 3,5 s.m.
( 5 ) de 4 a 5 s.m.
( 6 ) mais de 5 s.m.
( 90 ) não sabe
Especificar se existem pessoas na família que não compartilham a renda: ( 1 ) sim
psncred F
( 2 ) não
11c – Quantas pessoas vivem com essa renda?
pvivred FF
11d – Qual a contribuição do entrevistado para a renda familiar? ____________% (não perguntar – dado
para tabulação)
poredf FFF
12a – Você tem filhos?
( 1 ) sim
( 2 ) não
filhos F
12b – Quantos filhos você tem?
12c – idade em meses
sexo
moram com vc - HIV+
( 1 ) masculino
( 1 ) sim ( 1 ) sim
( 2 ) feminino
( 2 ) não ( 2 ) não
( 1 ) masculino
( 1 ) sim ( 1 ) sim
( 2 ) feminino
( 2 ) não ( 2 ) não
( 1 ) masculino
( 1 ) sim ( 1 ) sim
( 2 ) feminino
( 2 ) não ( 2 ) não
( 1 ) masculino
( 1 ) sim ( 1 ) sim
( 2 ) feminino
( 2 ) não ( 2 ) não
qtfilh FF
(código 90 para não sabe)
12c. Filho 1
idade
sexo
moram com você?
HIV +
( 1 ) masculino
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 2 ) feminino
( 2 ) não
( 2 ) não
idafilh1 FF
sexfilh1 F
movfilh1 F
hivfilh1 FF
Filho 2
idade
sexo
moram com você?
HIV +
( 1 ) masculino
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 2 ) feminino
( 2 ) não
( 2 ) não
idafilh2 FF
sexfilh2 F
movfilh2 F
hivfilh2 FF
Filho 3
idade
idafilh3 FF
sexo
moram com você?
HIV +
Filho 4
idade
sexo
moram com você?
HIV +
( 1 ) masculino
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) masculino
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 2 ) feminino
( 2 ) não
( 2 ) não
sexfilh3 F
movfilh3 F
hivfilh3 FF
( 2 ) feminino
( 2 ) não
( 2 ) não
idafilh4 FF
sexfilh4 F
movfilh4 F
hivfilh4 FF
13 - De quantas pessoas você cuida? (comida, roupa, limpeza, doença)-código 70 p/nenhum qntcuid FF
14 - Quantas e quais pessoas cuidam de você? -código 70 p/nenhum
_____________________________________________________________
qntvoc FF
Parte 2 – Conhecimento da Condição Sorológica
15a – Há quanto tempo você sabe que é HIV+ ?
(em meses)
15b – Qual era sua idade ao diagnóstico? (em anos)
15c – Como você ficou sabendo que era HIV ?
situação e o médico pediu
ficou doente
(1) sim (1) sim
(2) não (2) não
parceiro(a) fez o teste
(1) sim (1) sim
(2) não (2) não
parceiro(a) adoeceu de AIDS (1) sim (1) sim
(2) não (2) não
teve uma DST
(1) sim (1) sim
(2) não (2) não
fez exame de sangue, rotina (1) sim (1) sim
(2) não (2) não
filho ficou doente
(1)sim
(1) sim
(2) não (2) não
pré-natal / parto
(1) sim (1) sim
(2) não (2) não
firma exigiu
(1) sim (1) sim
(2) não (2) não
doou sangue
(1) sim (1) sim
(2) não (2) não
ficou doente
parceiro(a) fez o teste
parceiro(a) adoeceu de AIDS
teve uma DST
fez exame de sangue, rotina
filho ficou doente
pré-natal
firma exigiu
doou sangue
o médico pediu
foi a 1 centro testagem
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
qntmhiv FFF
idadiag FF
Foi a 1 centro testagem
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
( 2 ) não
Fizeram o teste sem avisar
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
(1) sim
(2) não
doente F
parctest F
parcaids F
dst F
exsangue F
filhdoen F
prenatal F
firma F
doousang F
medico F
centro F
fizeram o teste sem avisar
( 1 ) sim
( 2 ) não
16 - Antes de fazer o exame você:
( 1 ) teve uma sessão de conversa c/ um profissional só sobre o teste
( 2 ) uma sessão de grupo sobre o teste
( 3 ) o médico conversou bastante com você
( 4 ) o médico conversou um pouco com você
( 5 ) não teve nenhum aconselhamento
( 6 ) outro Especificar:____________________________________
( 7 ) o médico conversou bastante com você, mas você não sabia que ia fazer o teste
( 8 ) o médico conversou um pouco com você, mas você não sabia que ia fazer o teste
17a – Você antes de fazer o teste já tinha pensado que podia ser positivo(a)?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 0 ) não se aplica
testesem F
antexam F
penshivF
17b–Porque? _______________________________________________________
__________________________________________________________________
18a – Você teve dificuldade para vir buscar o resultado?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 0 ) não se aplica
difrest F
18b - Por que? ___________________________________________________________
19 - Ao receber o resultado:
( 1 ) recebeu o resultado do médico e ele procurou ajudar
( 2 ) recebeu o resultado do médico e se sentiu mal tratada
( 3 ) recebeu o resultado do médico que encaminhou para uma consulta c/ um outro
profissional de saúde/psicólogo
( 4 ) recebeu de um outro profissional que a maltratou
( 5 ) recebeu de um outro profissional que procurou te ajudar
( 6 ) recebeu uma carta/ no laboratório
( 7 ) recebeu o resultado do médico e achou que ele não procurou ajudar e nem maltratou
recrelt F
20a - Depois que você recebeu o resultado do exame, você contou para alguém?
contar F
( 1 ) sim
( 2 ) não. Passe p/ a questão 20c ( 3 ) soube junto com amigo(a)/alguém da família
20 b. Para quem vc contou? Quanto tempo vc levou para contar (meses)? para não se aplica código (0) e
contou imediatamente código (777)
contar para amigo(a)
( 1 ) sim
( 2 ) não
amigo F
tepamig FFF
contar para alguém da família ( 1 ) sim
( 2 ) não
família F
tepfaml FFF
contar para parceiro(a)
( 1 ) sim
( 2 ) não
parceir F
tepparc FFF
contar para filhos
( 1 ) sim
( 2 ) não
cotfilh F
tepfilh FFF
20 c – Quem mais você procurou e quanto tempo levou? - para não se aplica código (0) e contou
imediatamente código (777)
procurar um grupo/instituição de apoio
( 1 ) sim ( 2 ) não grupo F
tepgrup FFF
procurar conselhos de um profissional de saúde ( 1 ) sim ( 2 ) não consel F
tepcons FFF
começar seu acompanhamento/tratamento
( 1 ) sim ( 2 ) não
ctrat F
inctrat FFF
20 d – Por que levou esse tempo para começar seu acompanhamento/tratamento?
_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
21
Qual apoio procurou
Onde sentiu-se apoiado(a)
profissional de saúde
igreja/ religião
grupo AIDS
família
amigos
outro - Especificar
nenhum
Qual apoio procurou?
profissional de saúde
igreja/ religião
grupo AIDS
família
amigos
outro
nenhum
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
( 1 ) sim
(70)
( 2 ) Não
( 2 ) Não
( 2 ) Não
( 2 ) Não
( 2 ) Não
( 2 ) Não
( 0 ) Não se aplica
Onde sentiu-se apoiado(a)? - código ( 0 ) para não se aplica
profissional de saúde ( 1 ) sim
( 2 ) Não
igreja/ religião
( 1 ) sim
( 2 ) Não
grupo AIDS
( 1 ) sim
( 2 ) Não
família
( 1 ) sim
( 2 ) Não
amigos
( 1 ) sim
( 2 ) Não
outro
( 1 ) sim
( 2 ) Não
nenhum
(70)
22 – Qual você acha que foi o caminho do vírus até você?
( 1 ) se infectou em transfusão
( 2 ) o(a) parceiro(a) se infectou em transfusão
( 3 ) o(a) parceiro(a) usava drogas
( 4 ) marido/namorado teve outros parceiros homens
( 5 ) marido/namorado teve outros parceiras mulheres
( 6 ) marido/namorado teve outros parceiros, não sabe se homem ou mulher
( 7 ) parceiro(a) a(o) contaminou/ não sabe como ele(a) pegou
( 8 ) fez uso de drogas injetáveis
( 9 ) teve muitos parceiros
( 10 ) parceiro(a) anterior a este a(o) infectou
( 11 ) com profissionais do sexo
( 12 ) em relações homossexuais
( 90 ) não sabe
profsaud F
igreja F
graids F
apfamil F
apamig F
outro F
nenhum FF
dprofsau F
digrej F
dgraid F
dapfami F
dapami F
doutro F
nenhum FF
tjvirus FF
Parte 3 – Informação e Sexualidade
23 – Seu parceiro(a) atual é HIV+?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 90 ) não sabe
( 0 ) não tem parceiro(a)/ não se aplica
24 – Você e seu parceiro(a) usam algum tipo de precaução contra o HIV? Qual?
( 1 ) sim, camisinha raramente
parchiv FF
precauç F
( 2 ) sim, camisinha todas as vezes
( 3 ) sim, camisinha na maioria das vezes
( 4 ) sim, fazemos sexo sem penetração
( 5 ) não
( 6 ) não, somos os dois HIV positivos
( 0 ) não se aplica
25 - Você já teve alguma doença sexualmente transmissível?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 90 ) não sabe
dst FF
26 – Que idade você tinha quando você teve sua primeira relação sexual? (em anos)
27 – Quantos parceiros sexuais você teve até hoje?
(
)Exatos ou mais ou menos
(90) não sabe
28 – Você costuma ouvir rádio, assistir televisão ou ler jornal:
ouvir rádio
assistir televisão
todo os dias
1
1
na maioria dos dias
2
2
pelo menos 1 vez
3
3
por semana
menos de 1 vez por
4
4
semana
Nunca
5
5
ler jornal
1
2
3
4
idrela FF
qtsparc FF
radio F
tv F
jornal F
5
29 – Você já havia escutado ou lido alguma coisa sobre HIV ou AIDS antes do diagnóstico em:
rádio
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinfor FF
jornal
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinfoj FF
televisão
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinftv FF
folhetos ou panfletos
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinfp FF
em conversa com familiares ou amigos
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinff FF
no trabalho
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinft FF
na escola
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinfes FF
nos serviços de saúde
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinfsd FF
na igreja
( 1 ) sim
( 2 ) não
meinfig FF
outros
( 1 ) sim
( 2 ) não
Especificar: ___________________
meinfot FF
não havia escutado ou lido alguma coisa sobre AIDS
( 1 ) sim
( 2 ) não
nmeinf FF
30 – As informações foram esclarecedoras?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 3 ) até certo ponto
( 90 ) não sabe
( 0 ) não se aplica
31 – Você conhece/conheceu alguém com AIDS, fora os do serviço de saúde?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 3 ) não está certo
infoesc FF
conhpes F
32 – Você acredita que:
a – Ter muitos parceiros sexuais aumenta o risco de pegar o vírus da AIDS?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 90 ) não sabe
b – O vírus da AIDS pode ser transmitido por uma pessoa que não aparenta estar doente?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 90 ) não sabe
c – Preservativos (camisinha) previnem a transmissão do vírus da AIDS?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 90 ) não sabe
acredit FF
ransnd FF
condom FF
d – Pessoas que sempre usam preservativos e têm muitos parceiros sexuais, têm maior risco de pegar o
vírus da AIDS?
parcris FF
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 90 ) não sabe
Parte 4 – Conhecimento Sobre Direitos:
33 - Você tem algum tipo de convênio médico?
( 1 ) sim
( 2 ) não
conven F
34 - Quanto tempo você espera para ser atendida no CSEGSF pelo: - código (0) para não se aplica
muito tempo razoável/aceitável pouco tempo
seu médico
1
2
3
temed F
ginecologista
1
2
3
temginc F
psicólogo
1
2
3
tempsi F
outro___________
1
2
3
temoutr F
35 – Você sabia que você tem direito a
trocar de médico se sentir necessidade
ter acesso a protocolos
ter acesso a exames
pedir auxílio doença
passe transporte
sim
1
1
1
1
1
não
2
2
2
2
2
dirmed F
dirprot F
direxam F
diraux F
dirtran F
36 – Você sabia que também tem direitos a:
Não ser demitido por ser soropositivo
Manter sigilo sobre sua condição
Outros serviços - ONGs
Sim
1
1
1
Não
2
2
2
dirdem F
dirsig F
dirserv F
Parte 5 – Percepção e Cuidados com a Saúde:
37 – Em termos gerais como você descreveria seu estado de saúde:
( 1 ) ótimo
( 2 ) bom ( 3 ) não muito bom ( 4 ) ruim
estsd F
38– Você tomou/toma alguma medicação indicada pelo seu médico?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 3 ) o médico não indicou
tomedic F
39 – Como você avalia o uso de seus medicamentos:
usomed F
( 1 ) toma raramente
( 2 ) toma as vezes
( 3 ) toma regularmente
( 4 ) toma freqüentemente
( 5 ) toma sempre
( 6 ) optou por não tomar a medicação
( 0 ) não se aplica
40 – Você fez algum tratamento alternativo/caseiro para AIDS:
( 1 ) sim
( 2 ) não
altern F
41 – Tomou/toma alguma medicação de farmácia por conta própria para AIDS?
( 1 ) sim - Quem recomendou? _______________________ ( 2 ) não
42 – Está usando outros métodos de tratamento e ajuda? (oração, remédios espirituais, etc )
( 1 ) sim
( 2 ) não
43 - Nos últimos 30 dias você fez uso: código (0) para não se aplica
menos de 1 1 a 3 vezes +/- 1 vez por + de 1 vez
vez por mês
por mês
semana
por semana
alcool
1
2
3
4
automed F
altrat F
qtdalco F
maconha
1
2
3
4
qtdmac F
cocaina
injetada veia
compartilhou
seringas
cocaina
cheirada
crack
cocaina fum.
1
2
3
4
qtdcoc F
1
2
3
4
seringa F
1
2
3
4
cocaina F
1
2
3
4
crack F
44 - Durante o mês passado você queria ter tido:
( 1 ) muito mais oportunidades de falar, de desabafar
( 2 ) um pouco mais de oportunidades de desabafar
( 3 ) foi suficiente as oportunidades que teve de desabafar
( 4 ) não teve oportunidade de desabafar, mas gostaria de ter tido
( 5 ) é difícil pensar nisso
( 6 ) é indiferente
( 7 ) nunca pensou sobre isso
desabf F
Parte 6 – Expectativas e Mudanças:
45 - No mês passado você queria ter tido:
( 1 ) muito mais conselho
( 2 ) um pouco mais de conselho
( 3 ) teve conselho suficiente
( 4 ) é difícil pensar nisso
( 5 ) é indiferente
( 6 ) nunca pensou sobre isso
46 - Durante o mês passado você queria ter tido:
conselh F
distr F
( 1 ) mais oportunidades de juntar-se com as pessoas para se distrair
( 2 ) um pouco mais de oportunidades de juntar-se com pessoas para se distrair
( 3 ) teve distração suficiente com as pessoas
( 4 ) é difícil pensar nisso
( 5 ) é indiferente
( 6 ) nunca pensou sobre isso
47 - Durante o mês passado você queria ter tido:
( 1 ) muito mais ajuda
( 2 ) um pouco mais de ajuda
( 3 ) teve ajuda suficiente
( 4 ) é difícil pensar nisso
( 5 ) é indiferente
( 6 ) nunca pensou sobre isso
ajuda F
48 – Você mudou seu estilo de vida sexual, de algum modo, ou tomou alguma decisão sobre sexo, após
seu diagnóstico?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 3 ) alguma mudança mas não por causa da AIDS
estvise F
49 – Se SIM, como mudou? (código (0) para não se aplica e código (90) para não sabe)
diminuindo o número de parceiros
( 1 ) sim
( 2 ) não
mudnpar FF
procurando conhecer melhor as pessoas antes de fazer sexo com elas ( 1 ) sim
( 2 ) não conhpes FF
usando preservativos
( 1 ) sim
( 2 ) não
usacond FF
não tendo relações sexuais
( 1 ) sim
( 2 ) não
nrelsex FF
tendo somente um parceiro sexual
( 1 ) sim
( 2 ) não
soumpar FF
se abstendo de algumas práticas sexuais ( 1 ) sim
( 2 ) não
… .abster FF
Especificar_____________________
outras mudanças
( 1 ) sim
( 2 ) não
outmud FF
diminuindo o número de relações sexuais ( 1 ) sim
( 2 ) não
dimnrel FF
50 – Alguma coisa mudou em sua vida após o diagnóstico?
( 1 ) sim
( 2 ) não
( 3 ) alguma mudança mas não por causa do diagnóstico
mudvida F
51 – O que mudou?
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_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
OBS:
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_____________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
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