EXPLORANDO O SOFTWARE WINPLOT EM CONTEÚDOS DE MATEMÁTICA DO ENSINO MÉDIO Afonso Luis Souza Faria1; Marcio Demetrius Martinez2 Bolsista do Programa de IC-Jr-MS (FUNDECT/CNPQ), UEMS, Unidade Universitária de Nova Andradina; E-mail:[email protected] 2Professor do Curso de Matemática da UEMS, Unidade Universitária Nova Andradina; Email: [email protected] 1 Resumo: O propósito deste trabalho foi analisar a eficiência do software Winplot como importante ferramenta de ensino e aprendizagem em conteúdos de Matemática do Ensino Médio. De um modo mais específico, o objetivo foi analisar o possível uso do Winplot como ferramenta promotora da interatividade aluno-aluno, aluno-professor e aluno-máquina de modo que o aluno pesquisador pudesse, além de aprender sobre o conteúdo matemático, também desenvolver habilidades como criatividade e autonomia. Para esta pesquisa, elaboramos uma seqüência didática e aplicamos à alunos do Ensino Médio. Verificamos que as construções de algumas curvas planas, variando os valores reais de parâmetros em suas equações ou expressões, por meio de animações, permitem aos alunos observarem os efeitos geométricos provocados pela sua variação, favorecendo o entendimento de parâmetro na noção de funções e geometria analítica. Palavras-chave: plano cartesiano. funções. geometria analítica. parâmetro. software Abstract: The purpose of this work was to analyze the efficiency of the software Winplot as an important teaching and learning tool with Mathematics’ subjects in High School. In a more specific way, the objective was to analyze the possible use of Winplot as a promoter tool in the interaction between student-student, student-teacher and student-machine, so that the researcher student would be able not only to learn on mathematical subjects, but also develop skills as creativity and autonomy. To come out this research, we elaborated a didactic sequence and we applied it to High School students. We have verified that the constructions of some plane curves, varying the real values of parameters in their equations or expressions, through animated gifs, allow the students to observe the geometric effects caused by their variation, favoring the understanding of parameter in the notion of functions and analytical geometry. Key-words: cartesian plane. functions. analytical geometry. parameter. software Introdução: Esta comunicação científica é parte de um projeto de iniciação científica júnior IC-JrMS (FUNDECT/CNPQ) desenvolvido no curso de Matemática da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul tendo como objetivo explorar um simulador gráfico proporcionando assim mais um recurso de apoio ao estudo de funções e geometria analítica no ensino médio. São conhecidas as dificuldades que muitos alunos apresentam na real compreensão de conceitos e definições matemáticos. Entre as razões do insucesso na aprendizagem são apontados métodos de ensinos desajustados das teorias de aprendizagem mais recentes, assim como a falta de meios pedagógicos modernos. Aos alunos são apontados desmotivação, desenvolvimento insuficiente cognitivo e deficiente preparação matemática. Para combater este insucesso faz-se crescente e diversificado estudo do uso do computador no ensino de Matemática como complemento ajustado às dificuldades específicas dos alunos. Assim o uso de um simulador gráfico possibilita o desenvolvimento da capacidade de abstração e associação de idéias, contribuindo no desenvolvimento do senso crítico, tornando importuna a simples memorização por parte do estudante, despertando-lhe um maior interesse, favorecendo assim, a construção do conhecimento. Utilizamos o software de domínio público WINPLOT, o qual foi desenvolvido por Richard Parris, da Phillips Exeter Academy. Trata-se de um programa gráfico de propósito geral, permitindo o traçado e animação de gráficos em 2D e em 3D, através de diferentes tipos de equações (explícitas, implícitas, paramétricas e outras). Possui interface disponível em língua portuguesa e simples de manipular, possui também inúmeros recursos e ainda assim é pequeno, cabendo em um disquete. O uso imaginativo do Winplot para alunos do ensino médio é uma contribuição poderosa para solidificar idéias e a simples possibilidade de movimentar curvas pela variação controlada de parâmetros e coeficientes constitui um recurso pedagógico de alcance ilimitado não somente para o estudante, mas também para o próprio professor. O propósito desta pesquisa foi analisar a contribuição do Winplot para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem de funções reais e geometria analítica e usar esse software como ferramenta promotora da interatividade aluno-aluno, aluno-professor e alunomáquina de modo que o aluno possa, além de aprender sobre o conteúdo matemático, também desenvolver habilidades como criticidade, criatividade e autonomia. Esta pesquisa foi aplicada à alunos do terceiro ano do Ensino Médio, buscando verificar o enfoque crítico que levasse à autonomia de aprendizagem desses alunos. A escolha desta série justificou-se basicamente pelo fato de eles já terem estudado as principais funções reais, e por terem começado a estudar equações de planos, circunferências e cônicas em Geometria Analítica. O experimento se deu no laboratório de informática da UEMS de Nova Andradina, buscando verificar o enfoque crítico que levasse a autonomia de aprendizagem do aluno. Metodologia: A metodologia de pesquisa utilizada se baseou na Engenharia Didática que vem sendo muito utilizada na área de Educação Matemática por abordar a concepção, realização, observação e análise de seqüências de ensino, procurando associar a prática docente à pesquisa. Distinguimos quatro fases no processo da Metodologia da Engenharia Didática: as análises preliminares; a concepção e análise a priori de experiências didático-pedagógicas; experimentação, implementação da experiência ou aplicação da seqüência didática; e finalmente, a análise posteriori e validação da experiência. Fundamentando-se nesta metodologia, elaboramos e aplicamos uma seqüência didática e posterior análise dos dados coletados. Com estes resultados foram feitas conclusões da pesquisa, bem como os caminhos que ela sugere para o ensino e aprendizagem de equações paramétricas em geometria Analítica e o conceito de parâmetro e coeficientes nas funções reais. A seqüência didática foi dividida em três sessões: • SESSÃO I: plano cartesiano, construção e animação de pontos e segmentos; • SESSÃO II: funções lineares, quadráticas, exponenciais, logarítmicas, modulares e animações com variação de parâmetros e coeficientes; • SESSÃO III: Geometria Analítica: parametrização de retas e parábolas, circunferências e cônicas e animações. Nestas atividades, o pesquisador assumiu o papel de professor e contou com o auxílio de um observador monitor. Por nós, foram realizadas intervenções locais como esclarecimentos sobre eventuais dificuldades ou erros apresentados em relação ao uso do Winplot e da teoria matemática explorada. Apresentamos a seguir algumas atividades destas sessões, e apenas para a SESSÃO I, uma análise a priori destas atividades desenvolvidas no software Winplot. Resultados e Discussão: 1 Plano Cartesiano Essa seção tem como objetivo a representação gráfica dos pontos do plano cartesiano de acordo com as suas respectivas coordenadas, a parametrização de um dos pontos e a identificação entre as construções de pontos (de modo discreto) e o alinhamento destes utilizará como recurso a noção de par ordenado, plano cartesiano, parâmetro, representação de pontos e criação de segmentos. A geometria analítica em duas dimensões usa a álgebra para descrever figuras planas e suas propriedades. O principal recurso dessa geometria é o plano cartesiano determinado por duas retas reais perpendiculares, horizontal e vertical. No plano cartesiano, cada ponto está univocamente associado a um par ordenado, onde o primeiro e segundo elemento denotam respectivamente a abscissa (ou projeção do ponto no eixo horizontal) e a ordenada (ou projeção do ponto no eixo vertical). Assim, os elementos do par ordenado constituem as coordenadas do ponto no plano cartesiano e o par de eixos tem o nome de eixos coordenados. Pontos sobre o eixo horizontal apresentam ordenada nula. Reciprocamente, pontos sobre o eixo vertical apresentam abscissa nula. Um conjunto de pontos que obedecem a um certo quesito tem o nome de lugar geométrico. Em geometria analítica, quesitos que definem figuras planas bidimensionais são descritos por sentenças a duas variáveis, x e y. Exemplo: a sentença que explicita a propriedade comum a todos os pontos do eixo Ox das abscissas é y = 0, pois todos os pontos pertencentes a esse eixo apresentam y = 0. Dizemos então que a equação do eixo Ox é y = 0. Do mesmo modo, a equação do eixo Oy é x=0. Assim, chamamos de equação de uma curva à sentença matemática que explicita a propriedade comum a todos os seus pontos e essa sentença relata, normalmente, a relação entre as variáveis x e y que são as coordenadas dos pontos da curva. As atividades seguintes fazem parte da SESSÃO I, que tem como objetivo a representação gráfica dos pontos no plano cartesiano de acordo com as suas respectivas coordenadas, a parametrização de um dos pontos e a identificação entre as construções de pontos (modo discreto) e o alinhamento destes. Utilizamos como recurso a noção de par ordenado, plano cartesiano, parâmetro e a representação de pontos. 1.1 Estudo do ponto 1.1.1 Para criar um ponto qualquer utilize os comandos Equação → Ponto → (x,y)... Digite os valores para X e Y e clique em OK. 1.1.2 Para calcular a distância entre dois pontos deve-se plotar o primeiro ponto e clicar em Dupli para plotar um segundo ponto, mas sem apagar a fonte. Em seguida utilize os comandos Dois → Distâncias... Na seqüência, seleciona os pontos e clica-se em distância. 1.1.3 Animação de pontos: Podemos animar um ponto no Winplot desde que ele esteja definido por parâmetros. Atividade 1: Plote os pontos A(1,2), B(2,3), C(2,1), D(-3,0) e E(-4,-3). Observando a representação de pontos no registro gráfico é possível verificar o alinhamento de 3 pontos? Para verificar clique em Inventário → Editar e reescreva as coordenadas do ponto A(1+t,2+t). Observe que ao clicar em OK temos o ponto A(1,2). Que valor assumiu a letra t? A solução está correta: Sim, t = 0. Para obter essa solução deve-se observar que dos cinco pontos apresentados apenas três destes estão alinhados. Segundo, ao adicionar um parâmetro às coordenadas do ponto A, obtém no plano cartesiano do Winplot a representação do ponto A(1,2), logo o parâmetro t adicionado vale 0. Figura 1: Representação para as Atividades 1 e 2 Atividade 2: Em Anim, Parâmetros A-W, escolha a letra T, ao abrir uma nova janela movimente a barra a barra de Rolagem. Perguntas: Descreva o que vocês observaram na tela? Qual o valor de T para obter o ponto B? E o ponto E? Uma descrição correta: Observamos um ponto se movendo como trajetória de uma curva, no caso, uma reta, ou, que o ponto móvel assume a posição dos pontos B e E que pertencem ao alinhamento de pontos. Uma descrição incorreta: Apenas um ponto se movimentando. Neste caso não fazem uma reflexão sobre as atividades anteriores. Nesta atividade proposta, primeiramente utilizam como recurso a adição do parâmetro t no ponto A(1+t,2+t) e animação deste parâmetro tornando-o um ponto móvel validam outros pontos que estão alinhados com o ponto A(1,2). A interpretação global entre os registros de representação do tipo algébrico, numérico ou gráfico facilita o entendimento do ponto móvel como trajetória de uma curva, no caso a reta. Solução correta: para obter o ponto B, T = 1 e para obter o ponto E, T= -5. Uma solução incorreta ocorrerá se apresentarem quaisquer outros valores para T em ambos os pontos que não sejam os valores corretos por meio de cálculos errados. Nestas atividades os valores de T devem ser calculados pelo método dedutivo, por substituição ou por tabelas. Atividade 3: Faça um ponto deslizar sobre a função “2x²” sem sair do traçado. Primeiro será preciso plotar o gráfico da função e para isso use os comandos Janela → 2 dim → Equação → Explícita. A seguir, em uma nova tela, digite sua expressão no campo f(x) = (ao invés de 2x², digite 2x^2) e em seguida, como feito anteriormente, digite o ponto com coordenadas x=a e y=2a^2, conforme Figura 2 abaixo. Figura 2 : Valores do ponto no Winplot Observe bem os valores dados para x e y, para que o ponto não saia do traçado. No início o ponto ficará na coordenada (0,0), mas ao definirmos os parâmetros ele deslizará sobre o gráfico. 2 Funções As atividades seguintes fazem parte da SESSÃO II que envolve o trabalho com funções lineares, quadráticas, exponenciais, logarítmicas, modulares e animações com variação de parâmetros e coeficientes; 2.1 Funções Afins 2.1.1 Definição: Toda função do tipo , é denominada função polinomial do primeiro grau ou função afim. 2.1.2 Plotar o gráfico de uma função afim no Winplot. 1) Use os comandos Janela → 2 dim → Equação → Explícita. 2) Digite sua equação no campo f(x) = e se quiser um intervalo específico defina os valores para x mín e x max, clique em travar intervalo e em OK. Atividade 4: Plote a equação , no intervalo -2 ≤ x ≤ 2. Figura 3 : Gráfico de f(x)=2x-1, -2 ≤ x ≤ 2 2.1.3 A janela do inventário: A janela apresenta os seguintes recursos: 1. Editar: Nesta opção é possível modificar a fórmula da função, determinar um novo intervalo, alterar a cor ou a espessura do traço. 2. Apagar: Elimina uma equação selecionada do inventário. 3. Dupli: Duplica a função selecionada. 4. Copiar: Copia a fórmula da equação. 5. Derivar: O programa gera o gráfico da derivada da função. 6. Nome: Útil quando se trabalha com muitas funções. 7. Mostrar gráfico: Oculta ou mostra o gráfico. 8. Mostrar equação: Exibe a sentença da função no gráfico. 9. Família: converte a equação em uma família de curvas ou pontos. 10. Tabela: Exibe uma tabela com valores da função dentro do intervalo plotado. 2.2 Função definida por mais de uma sentença. 2.2.1 Plotar o gráfico de uma função definida por mais de uma sentença no Winplot: Para visualizar o gráfico de uma função definida por mais de uma lei basta digitar no campo f(x) = joinx(lei 1| a, lei 2| b,..., lei n). O Winplot interpreta lei 1 no intervalo x < a, a lei 2 no intervalo a < x < b e assim sucessivamente. Atividade 5: A Receita Federal divulgou a seguinte tabela progressiva para cálculo anual do imposto de renda de pessoa física: Tabela 1: Tabela progressiva para cálculo anual de imposto de renda para pessoa física. Base de cálculo em R$ Alíquota em % Parcela a reduzir do imposto em R$ Até 12.696,00 Acima de 12.696,01 até 25.380,00 Acima de 25.380,00 0,0 15,0 27,5 0,00 1.904,40 5.076,90 De acordo com a tabela acima, se a renda anual de um cidadão é imposto anual reais, então o a pagar pode ser descrito pela função: Figura 4: Gráfico de f(x) 2. 3 Sistemas de equações: 2.3.1 Plotar um sistema de equações no Winplot: Para construir um sistema devemos primeiro construir duas funções na mesma tela de gráficos, para isso construiremos a primeira função e usaremos o comando dupli do inventário para construirmos a segunda, mas sem apagar a fonte. Para encontrar os pontos de interseção dos gráficos de duas funções entre em dois e a seguir em interseções. Caso haja mais de um ponto de interseção basta clicar em prox interseção. No gráfico aparecerá a marcação no ponto correspondente. Para marcar os pontos de interseção nos gráficos, devemos clicar em marcar ponto. 2.4 Coeficiente angular da reta ou taxa de variação da função afim. 2.4.1 Sejam uma função definida por , variando a constante em IR obtemos retas diferentes. Veja qual a mudança ocorrida nessa reta utilizando o Winplot, utilizando e variando de -2 a 2. 1) Utilize os comandos Janela → 2 dim → Equação → Explícita; 2) Digite e clique em OK. 3) utilize os comandos Anim → Parâmetros A-W...; 4) Escolha o parâmetro A, digite -2 e clique em def L, em seguida digite 2 e clique em def R, role a barra, clique em auto rev ou em auto cícl. 2.5 Coeficiente linear da reta que é gráfico de uma função afim. 2.5.1 Sejam uma função definida por , variando a constante em IR obtemos retas distintas. Veja qual a mudança ocorrida nessa reta utilizando o Winplot, utilizando e variando de -2 a 2. Utilize os passos do exemplo anterior. Figura 5: Famílias de retas 2.6 Funções Quadráticas 2.6.1 Definição: Toda função do tipo , é denominada função polinomial do 2º grau ou função quadrática. 2.6.2 Plotar o gráfico de uma função afim no winplot: 1) Use os mesmos comandos da função afim. 2) Ao invés de x², use x^2. Atividade 6: Plote a equação no intervalo de -3 ≤ x ≤ 3. Figura 6: Parábola da Atividade 6 Obs: Use a tecla page up para aumentar o zoom e a tecla page down para diminuí-lo. Use também as setas para enquadrar melhor o gráfico. 2.6.3 Variação dos coeficientes de uma função quadrática: 1) Plote o gráfico da equação e varie de -2 a 2. O que acontece? 2) Plote o gráfico da equação e varie de -3 a 3. O que acontece? 3) Plote o gráfico da equação e varie de -4 a 4. O que acontece? Obs: Utilize os mesmos comandos usados na função afim para animação. 2.6.4 O vértice da parábola que é gráfico de uma função quadrática: 1) O vértice é calculado pelas fórmulas 2) Se e , em que . tiver , será o ponto máximo e será o valor máximo da tiver , será o ponto mínimo e será o valor mínimo da função . 3) Se finção . 4) Você pode verificar se achou e corretamente através do Winplot, usando os comandos Um → Extremos... Atividade 7: Ache o ponto mínimo de e o ponto máximo de , em seguida confira seus resultados com os do Winplot. 2.6.5 Zeros de uma função quadrática: 1) Zero ou raiz da função quadrática é o ponto onde o gráfico toca o eixo X. Uma função quadrática pode ter nenhuma, uma ou duas raízes. 2) O zero de uma função quadrática é calculado pela fórmula: onde . 3) Se a equação terá dois zeros, se a equação terá um zero e se a equação não terá nenhum zero (não tocará o eixo X). 4) No Winplot o zero de uma função é calculado com os comandos Um → Zeros... Clique em próximo para ver se há outro zero. Para marcar o ponto no gráfico permanentemente clique em marcar ponto. Atividade 8: Calcule o ponto (ou pontos) onde a equação eixo X. Confira seu resultado com o do Winplot. 2. 7 Funções exponenciais 2.7.1 Sendo um número real e um número inteiro, tem-se que: toca o 2.7.2 Plotar uma equação exponencial no Winplot: 1) Use os comandos Janela → 2 dim → Equação → Explícita. 2) Em f(x)= digite ax^n. 2.8 Funções logarítmicas 2.8.1 Definição: Sejam base o expoente e números reais positivos e tal que . Chama-se logaritmo de . Em símbolos: na . 2.8.2 Plotar gráfico de uma equação logarítmica no Winplot: 1) Use os comandos Janela → 2 dim → Equação → Explícita. 2) Digite em f(x)=, log(x), considerando logaritmo de x na base 10 ou log(b,x), para considerar logaritmo de x na base b. 2.9 Relação entre as funções 2.9.1 A função e é a inversa da função simétricos em relação a reta e por isto seus gráficos são . Atividade 9: Plote os gráficos (utilizando o comando dupl) e faça Figura 7: Gráficos 2.10 Função modular . , todos na mesma janela variar de 0 a 4. Observe o que acontece. y = 2 x , y = x, y = log 2 x , respectivamente 2.10.1 Definição: Considere no eixo real de origem Chama-se módulo de x, e indica-se por um ponto A de abscissa x , a distância entre os pontos A e : logo 2.10.2 Plotar o gráfico de uma função logarítmica no Winplot: 1) Use os comandos Janela → 2 dim → Equação → Explícita. 2) Em f(x)= digite abs(f(x)). Atividade 10: Plote o gráfico das funções e . Qual a diferença entre eles? 2.11 Translação de gráficos 2.11.1 Definição: Transladar um gráfico significa mudar sua posição no plano cartesiano, fazendo um deslocamento na horizontal e/ ou na vertical. Para isso basta trocar, na equação, x por (x+a) e/ ou y por (y+b), onde a e b são números reais. Podemos tomar também “a e b” como parâmetros e fazer suas variações. Trocando x por (x+a) ou y por (y+b) resulta em uma translação do gráfico, Trocando x por ax ou y por ay observamos uma expansão ou contração do gráfico na horizontal ou vertical. 2.11.2 Comandos no Winplot: 1) Use os comandos Um → Transladar... 2) Aparecerá a caixa Transladar por [a,b] 3) Atribuindo valores para “a” o gráfico se deslocará no eixo X (valores positivos se deslocará para a direita, valores negativos para a esquerda), atribuindo valores para “b” o gráfico se deslocará no eixo Y (valores positivos para cima e valores negativos para baixo). Obs.: Para transladar um gráfico você deve primeiro plotá-lo. Figura 8: Translação das funções y = x− a e y− a= x respectivamente para a = -2, -1, 0, 1, 2. 2.12 Miscelânia: Construção/Animação de Curvas Utilizando a Forma Paramétrica Nesta parte final de funções trabalhamos essencialmente com equações na forma paramétrica. Estas equações permitem escrever funções y=f(x), por exemplo, em uma forma x=t, y=f(t), com a vantagem que poderemos controlar a ação de t mediante um novo parâmetro, chamando parâmetro de animação. Dividimos esta tarefa em duas sub-partes: 2.12.1 Curvas que iniciam na origem dos eixos coordenados. Dada uma função y = f ( x), a ≤ x ≤ b, podemos inserir um parãmetro k de animação para visualizar seu traço. Para isso, devemos utilizar suas equações na forma para métrica. Fazendo x=t, temos y=f(x)=f(t). Logo as equações paramétrica dessa curva ficam: x(t ) = t y (t ) = f (t ), a ≤ t ≤ b. O caso mais simples ocorre quando queremos animar uma curva y=f(x), iniciando a animação na origem O(0,0). Isto corresponde a iniciar a animação em t=0. Atividade 11: Faça a animação de y = x 2 ,0 ≤ x ≤ 2. x(t ) = t Equações paramétricas: 2 y (t ) = t ,0 ≤ t ≤ 2. x(t ) = kt No menu Equação → Paramétrica, digite 2 e escolha o intervalo 0<t<2. y (t ) = (kt ) Em seguida, no menu Anim, selecione o parâmetro k e ajuste-o para variar de 0 (def L) até 1 (def R). x (t ) = t Figura 9: Animação gráfica da equação paramétrica 2 y (t ) = t Atividade 12: Faça a animação de y = sen x, 0 ≤ x ≤ 2π . x(t ) = t Equações paramétricas: y (t ) = sin(t ), 0 ≤ t ≤ 2π . x(t ) = kt No menu Equação → Paramétrica, digite e escolha o intervalo 0<t<2pi. y (t ) = sin( kt ) x (t ) = t y (t ) = sen (t ) Figura 10: Animação gráfica da equação paramétrica 2.12.2 Curvas que iniciam em um ponto qualquer do plano. Atividade 13: Faça uma animação do segmento que liga os pontos P(-2,4) a Q(3,9). Lembremos que as equações paramétricas de uma reta que passa por um ponto P( x0 y 0 ) são dadas por x (t ) = x 0 + at y (t ) = y 0 + bt , t ∈ ℜ em que v = (a,b) é um vetor diretor desta reta. Assim, as equações do segmento que liga os pontos P( x0 y 0 ) x(t ) = x 0 + ( x1 − x 0 )t . y (t ) = y 0 + ( y1 − y 0 )t , 0 ≤ t ≤ 1 a Q(3,9): a Q( x1 y1 ) são: Daí temos a equação do segmento que liga os pontos P(-2,4) x (t ) = − 2 + 5t y (t ) = 4 + 5t , 0 ≤ t ≤ 1. Figura 11: Animação gráfica da reta que liga os pontos P(-2,4) a Q(3,9). Atividade 14: Construir a animação simultânea do segmento e da parábola y = x 2 , no intervalo − 2 ≤ x ≤ 3. Dessa forma; teremos: 1) Animação do segmento: x (t ) = − 2 + 5kt y (t ) = 4 + 5kt , 0 ≤ t ≤ 1. x(t ) = kt 2) Animação da parábola: Fazendo agora o parâmetro 2 y (t ) = (− 2 + k (t + 2)) ,− 2 ≤ t ≤ 3. k variar entre 0 e 1 teremos a seguinte animação. Figura 12: Animação gráfica simultânea do segmento e da parábola y = x 2 , − 2 ≤ x ≤ 3. 3 Geometria Analítica As atividades seguintes fazem parte da SESSÃO III, que tem como objetivo fornecer uma breve introdução em alguns conteúdos de Geometria Analítica, a saber, circunferências, elipses, parábolas e hipérboles e ilustrá-los com animações gráficas. A geometria analítica, também chamada geometria de coordenadas e que antigamente recebia o nome de geometria cartesiana, é o estudo da geometria através dos princípios da álgebra. Em geral, é usado o sistema de coordenadas cartesianas para manipular equações para planos, retas, curvas e círculos, geralmente em duas dimensões, mas por vezes também em três ou mais dimensões. As atividades propostas nessa seção visam trabalhar com a Geometria Analítica plana, especialmente no que se refere à animação de parâmetros e coeficientes nas equações de circunferências e cônicas. Elas também poderão servir de base para outras animações, que poderão ser aplicadas no estudo de outros tópicos da Geometria Analítica plana ou espacial. 3.1 A Circunferência Na Geometria Euclidiana, uma circunferência é o lugar geométrico de todos os pontos de um plano que estão a uma certa distância, chamada raio, de um certo ponto, chamado centro. Num sistema de coordenadas cartesianas, uma circunferência pode ser descrita pela equação geral (x – a)² + (y - b)² = r², onde os pontos (a, b) são o centro da circunferência e r é o raio da circunferência. Atividade 15: Plote uma circunferência de raio 2 e centro no ponto O(2,-1). Para isso use os comandos Janela → 2 dim → Equação → Implícita. A seguir no menu curva implícita, entre com a expressão (x-2)^2+(y+1)^2=4 e a seguir OK. Figura 13: Circunferência centrada no ponto O(2,-1) e raio 2. 3.2 Elipse A elipse é o lugar geométrico dos pontos de um plano cuja soma das distâncias a dois pontos fixos (focos) desse plano é constante. A elipse com eixos paralelos aos eixos coordenados, tem como equação geral ( x − m) 2 ( y − n) 2 + = 1, onde a2 b2 os ponto (m,n) é o centro da elipse e a e b são dois parâmetros que definem os eixos maior e menor da elipse. A equação na forma reduzida da elipse é animação da elipse de equação 2 x2 y2 + 2 = 1. 2 a b A Figura 14 mostra uma 2 x y + = 1. 16 9 Figura 14: Animação da elipse de equação reduzida centrada na origem com raio maior 4 e menor 3. Atividade 16: Utilizando os mesmos comandos da Atividade 15, plote a elipse de centro de origem no ponto (-1,2), raio menor 2 e raio maior 3. 3.3 Hipérbole A hipérbole é o conjunto dos pontos de um plano cuja diferença das distâncias, em valor absoluto, a dois pontos fixos (focos) desse plano é constante. A equação na forma reduzida da hipérbole é hipérbole de equação 2 x2 y2 − 2 = 1. 2 a b A Figura 15 mostra a 2 x y − = 1. 9 4 Figura 15: Hipérbole de centro na origem e focos sobre o eixo x 3.4 Parábola A parábola é o lugar geométrico dos pontos de um plano eqüidistantes de um ponto fixo (foco) e de uma reta fixa desse plano. Seja F(p,0) o foco da parábola e r uma reta paralela ao eixo y, ou seja r: x = -p. Um ponto P(x,y) está na parábola se e somente d(P,F)=d(P,r). Neste caso, sua equação é dada por y 2 = 4 px. Escolhendo outros sistemas de coordenadas, é claro que a equação da parábola muda. Por exemplo, se F(-p,0) e r: x = p, y 2 = − 4 px . Se F(0, p) e r: y = -p, y = F(0,-p) e r: y = p, y = − 1 2 x . Se 4p 1 2 x . 4p Atividade 17: Faça uma animação das diferentes equações da parábola variando o parâmetro p. Conclusões: Ao término da fase de aplicação do projeto percebeu-se que os alunos continuavam motivados e persistentes. A dependência dos alunos pela figura do professor e do monitor foi gradativamente diminuindo à medida que eles foram conhecendo melhor o software e a dinâmica da aula. Os questionamentos passaram a ser menos simplistas e as assertivas mais seguras. Percebeu-se que o uso de ferramentas como o Winplot podem auxiliar, de fato, na compreensão das transformações gráficas, pois além da visualização rápida, permitiram que os alunos trabalhassem com animações, recurso difícil de se fazer em ambiente lápis e papel. Essas animações fizeram com que os alunos percebessem a importância do genérico e do efeito imediato no gráfico, à medida que parâmetros e coeficientes iam sendo alterados. A utilização da Engenharia Didática como metodologia mostrou-se eficiente já que forneceu passos organizados e coerentes ao desenvolvimento e aplicação da seqüência, partindo da teoria á prática. De um modo geral, essa pesquisa confirmou as hipóteses iniciais, de que o uso de computadores é atrativo aos alunos do Ensino Médio e que pelo seu uso poderia facilitar a aprendizagem. Também, quando existe uma aplicação motivadora abre-se espaço para a discussão e o aluno pode efetivamente participar do processo de construção de seu próprio conhecimento. Agradecimentos: Agradecemos pelo apoio ao Programa ICJr-MS (FUNDECT/CNPQ) de Bolsas de Iniciação Científica e de Extensão Universitária Júnior no Estado de Mato Grosso do Sul e a UEMS, Unidade Universitária de Nova Andradina. Referências: Borba, M. C., Penteado, M. G. 2003. Informática e educação matemática. Belo HorizonteMG, Ed. Autêntica, 99p. Pais, L. C. 2002. Educação escolar e as tecnologias da informática. Belo Horizonte-MG, Ed. Autêntica, 165p. Silva, C. R. 2006. Explorando equações cartesianas e paramétricas em um ambiente informático. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 254 p. Utilizando o winplot no ensino médio. Disponível http://www.edumatec.mat.ufrgs.br/atividades_diversas/trabalho_winplot/index.htm em: (último acesso em 13/08/2009). Winplot. Disponível em: http://math.exeter.edu/rparris/winplot.html (último acesso em 13/08/2009).