UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO ENGENHARIA AGRONÔMICA
Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a
promoverem as transformações futuras”
PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA SEMEADA EM
DIFERENTES ÉPOCAS E DENSIDADES POPULACIONAIS
WAGNER VITORASSI
Foz do Iguaçu - PR
2012
WAGNER VITORASSI
PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA SEMEADA EM
DIFERENTES ÉPOCAS E DENSIDADES POPULACIONAIS
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica das Cataratas
(UDC), como requisito para obtenção
do grau de Engenheiro Agrônomo.
Prof(a). Orientador(a): Herbert Nacke
Foz do Iguaçu – PR
2012
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA SEMEADA EM DIFERENTES
ÉPOCAS E DENSIDADES POPULACIONAIS
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
ENGENHEIRO AGRÔNOMO
Acadêmico(a): Wagner Vitorassi
Orientadora: Ms. Herbert Nacke
Nota Final
Banca Examinadora:
Prof(ª). Dr a Elisangela Ferruci Carolino
Prof(ª). Me. Fabiane Cristina Gusatto
Foz do Iguaçu, 19 de dezembro de 2012.
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meus pais que sempre estiveram presentes durante minha
caminhada em busca dos meus ideais, me proporcionando alegrias e consolo nos
momentos difíceis.
AGRADECIMENTOS
A meus pais Dovenir e Nadir, pela compreensão, pelos incentivos, pelo
apoio financeiro e sentimental e principalmente por acreditarem do que sou capaz.
A meu professor e orientador Msc Herbert Nacke, pela atenção, estimulo,
dedição e colaboração na realização deste trabalho.
A empresa AB Agrobrasil e colaboradores, por disponibilizarem a área
para realização do experimento, por todo o apoio e conhecimento recebido durante a
realização do estágio e do projeto realizado.
VITORASSI, Wagner. Produtividade da cultura da soja semeada em diferentes
épocas e densidades populacionais. Foz do Iguaçu, 2012. Projeto de Trabalho
Final de Graduação - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
A soja é uma cultura de grande importância mundial, devido a sua ampla
possibilidade de uso, com isso o mundo inteiro vem buscando alternativas para
aumentar a produção desta oleaginosa e sua rentabilidade. Para atender esses
requisitos é necessário que a lavoura de soja obedeça a alguns parâmetros
como plantio em época e número de plantas por metro linear recomendado por
cada variedade evitando assim perdas de produção ocasionadas por pequenas
falhas no plantio ou por excesso de plantas. Desta forma, o objetivo deste
trabalho foi avaliar a diferenciação na produtividade da soja DON MARIO 7.0 i
RR no ano agrícola de 2011/2012 submetida à diferentes épocas e densidades
de plantio. Para tanto utilizou-se um delineamento em esquema fatorial 4X2,
composto por duas épocas de plantio e quatro densidades populacionais. As
variáveis avaliadas foram o número de vagens por planta (VP), número de grãos
por vagem (GV), altura de inserção da primeira vagem (AV), altura da planta no
momento da colheita (AP), massa de 100 grãos (M100) e produtividade. Os
resultados demonstram que houve efeito significativo entre as épocas para VP,
AV, AP, M100 e produtividade, sendo que para as densidades o efeito
significativo ocorreu apenas para AV e AP. Por meio dos resultados obtidos
pode-se concluir que o plantio em época adequada possui forte influência com a
produção da cultura da soja, de modo que o mesmo dever ser realizado com o
intuito de evitar a coincidência dos períodos de estresse com os estádios de
maior suscetibilidade da cultura.
Palavras-Chave: Glycine max L.; semeadura, população, época de plantio.
VITORASSI, Wagner. Yield of soybeans planted at different times and densities. Foz
do Iguacu, 2012. Project to Completion of Course Work - Faculdade Dinâmica de
Cataratas.
ABSTRACT
Soybean is an important crop worldwide, due to its widest possible use, thus the
whole world is looking for alternatives to increase production and profitability of this
oilseed. To meet these requirements it is necessary for the soybean crop must
conform to certain parameters such as planting time and number of plants per linear
meter for each variety recommended avoiding production losses caused by glitches
in excess or by planting plants. Thus, the objective of this study was to evaluate the
differences in soybean yield DON MARIO i 7.0 RR in the agricultural year 2011/2012
subject to different ages and densities. For this we used a randomized factorial 4X2,
composed of two planting dates and four densities. The variables evaluated were the
number of pods per plant (VP), number of seeds per pod (GV), height of first pod
(AV), plant height at harvest (AP), weight of 100 grains (M100 ) and productivity. The
results demonstrate that significant effects between seasons for VP, AV, AP, M100
and productivity, and for the densities significant effect was observed only for AV and
AP. By the results obtained it can be concluded that the planting time has a strong
influence on the production of soybean, so that the same must be done in order to
prevent the coincidence of the periods of stress stages of greater susceptibility of the
crop.
Keywords: Glycine max L.; seeding, population, planting date.
SUMÁRIO
1 Introdução ............................................................................................................... 8
2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 10
2.1 ORIGEM, DISTRIBUIÇÃO E ASPECTOS BOTÂNICOS CULTURA DA SOJA 10
2.2 CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS E UTILIDADES DA CULTURA DA SOJA
.................................................................................................................................. 12
2.3 IMPORTÂNCIA DA CULTURA DA SOJA .......................................................... 13
2.3.1 NO MUNDO ..................................................................................................... 13
2.3.2 NO BRASIL ...................................................................................................... 14
2.3.3 NO PARANÁ .................................................................................................... 16
2.4
FATORES
QUE
INTERFEREM
NO
DESENVOLVIMENTO
E
NA
PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA ........................................................... 17
2.5 DENSIDADE POPULACIONAL NA CULTURA DA SOJA ................................ 20
2.6 ÉPOCA DE PLANTIO DA CULTURA DA SOJA ................................................ 26
3 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 31
3.2 DELINEAMENTO ................................................................................................ 32
3.3 ESCOLHA DA VARIEDADE E DAS ÉPOCAS DE PLANTIO .............................. 33
3.4 FERTILIZAÇÃO E MARCAÇÃO DAS LINHAS DE PLANTIO ............................. 33
3.5 SEMEADURA...................................................................................................... 34
3.6 MANEJOS DA CULTURA ( CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS, INSETOS E
DOENÇAS) ............................................................................................................... 35
3.7 DIAS APÓS SEMEADURA PARA ATINGIR FLORESCIMENTO E COLHEITA . 36
3.8 VARIÁVEIS AVALIADAS E ANÁLISE ESTATÍSTICA ......................................... 37
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 39
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 44
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 45
1 Introdução
A cultura da soja (Glycine max (L.) Merrill) é reconhecida como uma das
mais antigas culturas plantadas no mundo. Tendo sua origem a milhares de anos na
China mais precisamente na costa Leste da Ásia através de cruzamentos naturais
de espécies de soja selvagem de porte rasteiro, passando a ser domesticada pelos
chineses há aproximadamente cinco mil anos e ocupando a posição de grão
sagrado juntamente a outros grãos.
Hoje a soja é cultivada comercialmente em praticamente todo o mundo,
sendo uma cultura de grande importância no Produto Interno Bruto (PIB) de vários
países. Essa importância da cultura da soja no mercado internacional se deve as
enumeras possibilidades de utilização do grão, tendo como exemplo a utilização nas
indústrias de óleos vegetais tanto comestíveis como combustíveis, a produção de
alimentos e rações devido aos altos teores de proteínas. No Brasil a cultura
representa a maior parcela de área plantada no cenário agrícola e tem um grande
número de colaboradores durante as várias etapas que a cultura percorre desde o
plantio até a industrialização.
A cultura da soja é uma oleaginosa que se adapta muito bem em
clima temperado úmido, possuindo boa capacidade de compensar perdas de
produção decorridas por pequenas falhas que ocorrem no plantio. Sendo que
um plantio falho pode reduzir os rendimentos, ao passo que um plantio com alta
população pode provocar acamamento e causar consideráveis perdas de
produção.
O desenvolvimento correto e adequado da planta requer, além da
quantidade adequada de sementes, atenção do produtor para as técnicas de
plantio, como profundidade de semeadura de 3 à 5 cm que é onde a semente
encontra a melhor condição para emergência regular das plantas.
Sendo também de grande importância a observação do espaçamento
entre linha e número de sementes a ser colocada por ha, procedendo o plantio à
uma velocidade moderada para que haja melhor uniformidade na distribuição de
sementes, levando-se em conta também um bom manejo cultural.
9
Sabendo-se atualmente, que para se atingir uma a boa produtividade
depende em parte da condição do solo e do clima, e mais ainda do cuidado e
técnicas aplicadas pelo produtor durante o ciclo da cultura.
Desta forma é importante que a lavoura, de modo geral, apresente
uma mesma densidade de plantas por metro linear, lembrando que os números
de plantas recomendados por metro linear variam de acordo com as regiões e
variedades
a
serem
plantadas
devido
às
características
botânicas
e
morfológicas de cada variedade.
Em todas as áreas produtoras do Brasil os produtores de soja vêm
buscando o aumento de produção e a redução de custos, visando à maior
lucratividade,
tornando-se
mais
competitivos
no
mercado
nacional
e
internacional. Uma forma de reduzir custos e aumentar a lucratividade é através
da semente, mas para se atingir uma alta eficiência se torna necessário saber
qual a melhor população a ser utilizada para a variedade e região escolhidas.
Frente às necessidades expostas, este trabalho objetivou avaliar o
desempenho da variedade de soja Don Mario 7.0 i RR em diferentes densidades
populacionais
e
diferentes
épocas
de
plantio
da
cultura
da
soja,
conseqüentemente obter resultados que possibilitem a melhor tomada de
decisão nas próximas safras.
10
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 ORIGEM, DISTRIBUIÇÃO E ASPECTOS BOTÂNICOS CULTURA DA SOJA
A soja (Glycine max (L.) Merrill) é de origem chinesa, tendo como
ancestrais a soja selvagem se desenvolviam principalmente em terras úmidas de
baixadas próximas de rios e lagos, sendo uma planta domestica para os chineses
por volta de cinco mil anos, se espalhando pelo continente Asiático e sendo utilizada
como alimento por volta de três mil anos atrás (EMBRAPA SOJA, 2001).
Para alguns autores os primeiros registros da soja foram publicados em
chinês arcaico no livro de Odes, outros dizem que os primeiros registros estão
presentes no livro "Pen Ts’ao Kong Mu" onde eram descritas as plantas da China ao
Imperador Sheng-Nung. Entre o período de 2883 e 2838 a.C. a soja ficava ao lado
do arroz, do trigo, da cevada e do milheto sendo considerados grãos sagrados
(APROSOJA, 2012).
Essa cultura é considerada uma das mais antigas do planeta, sendo
cultivada no Oriente há mais de cinco mil anos, onde era considerado grão sagrado
juntamente com o arroz, centeio, trigo e o milheto com direito a cerimoniais na época
da semeadura e da colheita (GRUNKRAUT, 2012).
Segundo Bonato e Bonato (1987), há vários relatos na literatura chinesa
que a soja era cultivada e utilizada como alimento, muitos anos antes dos registros
serem feitos, sendo que o registro mais antigo que se tem conhecimento esta no
herbário Pen ts' ao Kang um de 2838 a. C. Quanto ao local de origem da soja existe
discordância entre os autores, no entanto todos indicam que é originaria do leste da
Ásia.
A soja cultiva atualmente no mundo apesar de ser muito diferente de suas
ancestrais, teve sua origem através da evolução de cruzamentos naturais entre duas
espécies de soja selvagem de porte rasteiro originarias da China, mais precisamente
na costa leste da Ásia ao longo do Rio Amarelo (EMBRAPA SOJA, 2003).
11
A soja hoje cultivada comercialmente (Glycine max (L.) Merrill) é uma
herbácea que pertence à classe Dicotyledoneae, da ordem Rosales, da família
Leguminosae, subfamília Papilionoideae e do gênero Glycine L. A É uma planta de
grande variabilidade genética tanto no ciclo vegetativo, quanto no reprodutivo, sendo
diretamente influenciados pelo meio ambiente (CISOJA, 2012).
Segundo Heiffig (2002), a soja é uma cultura com alta capacidade de
adaptação às condições ambientais e de manejo, é também uma planta que
tolera bem modificações na morfologia e nos componentes do rendimento.
De acordo com Sanchez (2012), as modificações decorrentes do
manejo e morfologia podem ser feitas em decorrência de fatores como altitude,
latitude, textura do solo, fertilidade do solo, época de semeadura, população de
plantas, espaçamento entre linhas, variedades desde que observadas às
interações existentes entre estes.
Conforme relata o Portal São Francisco (2012), o ciclo total da planta de
soja desde emergência à maturação pode variar de 70 até 200 dias, podendo ser
classificado como precoce, semiprecoce, médio, semitardio e tardio. As variedades
plantadas no Brasil variam o ciclo de 100 até 160 dias e sua altura media é de 60 a
120 cm conforme a variedade e região, tendo alta dependência das condições
climáticas.
Sendo o ciclo total dividido em fase vegetativa que vai desde a
emergência da plântula até o aparecimento das primeiras flores e a fase reprodutiva
que vai do inicio da floração até a maturação, a planta produz um número muito
maior de flores do que ela realmente converte efetivamente em vagens (ROCHA,
2012).
O Centro de Inteligência da Soja, também ressalva que as cultivares
plantadas no Brasil oscilam a altura conforme as condições ambientais da região,
podendo apresentar três tipos de crescimento correlacionados com o porte da planta
classificados como: indeterminado, semideterminado e determinado (CISOJA, 2012).
A planta de soja tem seu desenvolvimento influenciado pelo foto período do
dia, podendo apresentar queda na produção devido ao foto período mais curto durante
o ciclo vegetativo da planta induzindo o florescimento precoce (ROCHA, 2009).
O início da floração começa geralmente quando a planta apresenta de 10
a 12 folhas trifolioladas, aparecendo racemos com 2 até 35 flores medindo de 3 até
8 mm de diâmetro nos botões axilares (NUNES, 2011).
12
Entretanto alguns melhoristas retardam o florescimento através de
técnicas que aumentam o período juvenil da planta, permitindo o maior crescimento
da planta antes da floração. Esse fato ocorre devido à planta de soja não iniciar a
floração mesmo sendo induzida ao fotoperíodo negativo durante o seu período
juvenil (CISOJA, 2012).
As flores podem ser de cor branca, púrpura diluída ou roxa. A soja é uma
planta que se autofecunda não precisando de outra planta para fazer fecundação
cruzada, ou seja, é uma planta autógama, mas a polinização cruzada pode ocorrer
através de insetos principalmente abelhas que levam o pólen de uma planta para
outra, a taxa de fecundação cruzada é baixa, sendo menor que 1%. (CISOJA, 2012).
As vagens da soja medem de 2 até 7cm, são um pouco arqueadas,
possuem pelos, são formadas por duas valvas de um carpelo simples, variado a cor
conforme o estágio da planta e abrigam de 1 até 5 sementes. As sementes são lisas
podendo apresentar as seguintes formas: ovais, globosas ou elípticas; podem
apresentar cores: amarela, preta ou verde; o hilo pode ser na cor marrom, preto ou
cinza (NUNES, 2012).
2.2 CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS E UTILIDADES DA CULTURA DA SOJA
Segundo Ribeiro (2007), a soja tem uma grande expressão na economia
no Brasil e no mundo, esse fato não se deve apenas ao seu valor como grão
comercial, mas também pelas inúmeras possibilidades de utilização devido aos altos
teores de proteína e óleo.
De acordo com Missão (2006), o óleo vegetal e seu subproduto, o farelo,
são as formas mais conhecidas de utilização da soja. A soja na forma de grãos
inteiros pode ser consumida assada ou tostada ingerida com broto, faz parte
também da produção de leite de soja, sobremesas de soja, iogurte de soja, sorvete
de soja, tempeh, missô, tofu e molho de soja sendo este um líquido marrom e
saboroso, obtido através da fermentação dos grãos.
Apesar de o Brasil ser o segundo maior produto de soja do mundo, a
maior utilização do grão na indústria de alimentos é principalmente na produção de
embutidos, bolachas e chocolates. Aproximadamente 72% do total de grãos
13
produzidos são transformados em farelo que é utilizado como fonte protéica de
rações para suínos e aves (FUNDAÇÃO MERIDIONAL, 2012).
Através de parcerias, a Embrapa Soja com seus especialistas ministram
cursos para transferências de técnicas que tornam a soja um produto mais
saboroso, incentivando a utilização da soja na alimentação da população, já que o
grão possui proteínas de alta qualidade e compostos que tem uma ação potencial na
prevenção de inúmeras doenças e na recuperação da saúde (FUNDAÇÃO
MERIDIONAL, 2012).
2.3 IMPORTÂNCIA DA CULTURA DA SOJA
2.3.1 NO MUNDO
Segundo a Aprosoja (2012) a produção de soja ficou restrita somente à
China após o final da guerra entre China e o Japão em torno de 1894. E mesmo
sendo conhecida e consumida no Oriente por milhares de anos, só chegou a Europa
no final do século XV sendo implantada nos jardins botânicos da Inglaterra, França e
Alemanha como curiosidade. A partir de então começou a atenção das indústrias
mundiais pelo teor de proteína e de óleo presente no grão apenas na segunda
década do século XX. Seu cultivo teve tentativas de introdução comercial na Rússia,
Inglaterra e Alemanha, no entanto essas tentativas não obtiveram sucesso devido ao
clima desfavorável.
De acordo com dados da Fundação Meridional, a soja passou a ser
cultivada comercialmente pelos Estados Unidos no começo do século XX, a partir
daí começou o desenvolvimento das primeiras cultivares comerciais e havendo um
crescimento acelerado na produção desse grão (FUNDAÇÃO MERIDIONAL, 2012).
Conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
(USDA), as safras de 2001 e 2002 somaram uma produção mundial de soja de 184
milhões de toneladas, sendo que o Brasil foi responsável pela produção de 43,5
milhões de toneladas, ou seja, 23,6% da produção mundial, tornando-se o segundo
14
maior produtor mundial de soja ficando atrás somente dos Estados Unidos
(EMBRAPA SOJA, 2003).
Em 2001/2002, segundo dados do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA), a produção mundial de soja somou 184 milhões de
toneladas, cujo total o Brasil responsabilizou-se por 43,5 milhões (23,6% da
produção), figurando em segundo lugar entre os grandes produtores globais, atrás,
apenas, dos EUA Em 2003 foram produzidas 194 milhões de toneladas de soja,
sendo que o Brasil foi responsável pela produção de 52 milhões de toneladas, ou
seja, 26,8% da produção mundial, continuando como o segundo maior produtor
mundial (EMBRAPA SOJA, 2003).
De lá para cá a produtividade foi aumentando significativamente. Na safra
2010/2011, no mundo foram produzidas 263,7 milhões de toneladas dessa
oleaginosa em uma área total de 103,5 milhões de hectares, sendo que destes,
135,7 milhões de toneladas foram produzidas na America do Sul em 47,5 milhões de
hectares de área plantada. Os Estados Unidos produziu 90,6 milhões de toneladas,
utilizando uma área plantada de 31,0 milhões de hectares, com uma produtividade
média de 2.922 kg/ha, sendo o país de maior produção mundial de soja (EMBRAPA
SOJA, 2012).
2.3.2 NO BRASIL
De acordo com dados da Embrapa Soja (2003), a cultura da soja chegou
ao Brasil em 1882 através dos Estados Unidos, quando foram realizados os
primeiros estudos de avaliação de cultivares vindas daquele país pelo professor
Gustavo Dutra da Escola de Agronomia da Bahia. Em Campinas no estado de São
Paulo em 1891, foram realizados testes de adaptação de cultivares no Instituto
Agronômico de Campinas semelhante aos realizados por Dutra. Entre 1900 e 1901,
aconteceu a primeira distribuição de sementes de soja para agricultores paulistas
promovida pelo Instituto Agronômico de Campinas, onde a cultura encontrou
condições efetivas para se desenvolver devido as semelhanças climáticas com o sul
dos EUA, país de origem do material genético utilizado no Brasil (EMBRAPA SOJA,
2003).
15
Porém, essa cultivar só foi oficialmente introduzida no Brasil no ano de
1914 no estado do Rio Grande do Sul, onde encontrou melhor adaptabilidade. Sua
expansão pelo país se deu a partir dos anos 70 ocasionada pela demanda do
mercado internacional e pelo interesse crescente da indústria de óleo (FUNDAÇÃO
MERIDIONAL, 2012).
A partir de meados dos anos de 1970, houve uma explosão nos preços e
os agricultores e o próprio governo brasileiro foram incentivados a ampliar as
lavouras com essa cultura. A partir disso passou-se a investir em processo de
tecnológico liderado pela EMBRAPA para adaptação da cultura ás condições
climáticas do país, tendo em vista que a safra teria como vantagem o escoamento
durante a entre safra norte americana, época que os preços atingem maiores
cotações (PIROLLA e BENTO 2008).
O crescimento explosivo da produção ocorrido na região Sul se repetiu na
região tropical do Brasil nas décadas de 80 e 90. Da produção nacional de soja, o
centro-oeste em 1970 era responsável por menos de 2%, passando para 20% em
1980, superou os 40% em 1990 e estava próximo dos 60% em 2003, tendendo a
ocupar maior espaço a cada nova safra. O Mato Grosso com as transformações do
cenário da soja passou de produtor marginal para líder nacional de produção e de
produtividade de soja. Nas ultimas três décadas a soja foi à única cultura a ter um
crescimento expressivo da área cultivada (SOUZA JUNIOR, 2006).
Segundo a Embrapa Soja (2003), a soja foi uma grande responsável pela
implantação de novas comunidades no Brasil Central, fazendo crescer cidades no
vazio dos Cerrados, transformando os pequenos centros urbanos existentes em
metrópoles, através da abertura de fronteiras levando progresso e desenvolvimento
a uma região despovoada e desvalorizada.
Sendo o Brasil o país que apresenta as melhores condições de aumentar
a produção e prover o aumento tão esperado da demanda mundial, fica difícil não
acreditar positivamente na produção futura da soja brasileira. Diferentemente dos
EUA, China e Índia onde suas fronteiras agrícolas estão praticamente esgotadas,
sendo que para aumentar a produção de soja é necessário diminuir outros cultivos.
O Brasil apenas nos cerrados do centro-oeste possui mais de 50 milhões hectares
de terras virgens e aptas para serem incorporadas no processo produtivo da soja, e
a Argentina tendo capacidade de aumentar sua área cultivada no em dez milhões de
hectares (SOUZA, 2007).
16
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB,
2012), na safra de soja 2010/2011 o Brasil atingiu uma produção de 75,32 milhões
de toneladas, em 24,18 milhões de hectares de área plantada, com uma
produtividade de 3.115 kg/ha. Na safra de soja 2011/2012, o Brasil obteve uma
produção de 66,38 milhões de toneladas, numa área plantada de 25,04 milhões de
hectares, alcançando uma produtividade de 2.651 kg/ha.
Segundo o Ministério da Agricultura (2012), a soja foi a cultura agrícola
que mais cresceu no Brasil nas ultima e hoje corresponde a 49% da área plantada
em grãos no país. Essa cultura também possui um ótimo aumento de produtividade
devido aos avanços tecnológicos e ao manejo eficiente dos produtores.
Segundo Cadorin (2012), o Brasil ocupa uma posição de destaque no
mercado internacional da soja- segundo lugar no ranking mundial, tendo reforçado
recentemente a sua importância não apenas como matéria prima na produção de
alimentos, mas também por ser responsável por mais de 80% da produção do
biodiesel brasileiro estando inserida no programa de agroenergia. Sendo a soja
atualmente considerada a base da economia do agronegócio brasileiro e
principalmente do estado do Mato Grosso.
2.3.3 NO PARANÁ
No estado do Paraná a soja chegou como lavoura comercial em meados
dos anos 50, sendo cultivada anteriormente quase como curiosidade. O cultivo
ocorria em poucas e pequenas lavouras que destinavam sua produção para
consumo domestico e alimentação de animais, o total da produção paranaense não
ultrapassava as 60 toneladas. No inicio do cultivo da soja no sul do Paraná foi uma
alternativa para rotação de cultura com o arroz sequeiro que após algumas safras
apareciam grandes infestações de gramíneas invasoras de difícil controle, sendo a
soja uma leguminosa de folhas largas ficava mais fácil a eliminação das plantas
invasoras (EMBRAPA SOJA, 2003).
Sabendo-se que a soja tinha mercado externo garantido e preços
compensadores e desanimados com o café devido a segunda grande geada
ocorrida em 1955, os cafeicultores buscaram na soja uma alternativa que pudesse
17
ser rentável, já que dois anos antes só obtiveram frustrações com o plantio de outros
grãos. A área do Paraná cultivada com soja passou de 43 hectares em 1954, para
1.922 hectares em 1955 e 5.253 hectares em 1956. (SOUZA JUNIOR, 2006).
Segundo Embrapa Soja (2003), no Paraná as pesquisas com a cultura da
soja tiveram inicio em meados dos anos 60 através da parceria da Secretaria de
Agricultura do Estado, do Instituto de Pesquisa Instituto de Relações Internacionais
(IRI) e Ministério da Agricultura, tendo como finalidade a avaliação de cultivares
introduzidas no estado que fossem principalmente de origem do sul dos EUA/ Em
1974 a pesquisa foi incrementada significativamente com criação do Instituto
Agronômico do Paraná pela Embrapa Soja em 1975. Atualmente o Estado conta
com a maior equipe de pesquisadores de soja do país e a maior do mundo tropical,
sendo responsável por alimentar uma extensa Rede Nacional de Melhoramento
Genético de Soja com o desenvolvimento do germoplasma básico.
A partir de 1950 a produtividade no estado vem aumentando
significativamente tendo saltado de 8 mil
toneladas no anos 1960 para, 10,94
milhões de toneladas na safra 2011/2012. (CONAB, 2012)
2.4
FATORES
QUE
INTERFEREM
NO
DESENVOLVIMENTO
E
NA
PRODUTIVIDADE DA CULTURA DA SOJA
Os fatores determinantes para uma adequada instalação da lavoura de
soja estão diretamente ligados à época de semeadura, as operações de semeadura,
as características das cultivares utilizadas, a qualidade das sementes e a
distribuição dos fatores climáticos que são responsáveis pela distribuição das
chuvas, umidade e temperatura do solo, determinando a melhor época de
semeadura (EMBRAPA SOJA, 2010).
Cada cultivar de soja possui um fotoperíodo critico, o qual é responsável
pelo desenvolvimento adequado da planta, favorecendo a expansão da haste
principal, dos galhos laterais e na altura de inserção de vagens, que são os
principais fatores de obtenção de altas produtividades. Um dos fatores que mais
interferem no rendimento da soja é a época de semeadura, por determinar o tempo
de exposição da cultura à variações dos fatores climáticos, deixando a soja sujeita a
18
alterações fisiológicas e morfológicas, quando suas exigências não forem atendidas,
pois a espécie é termo e fotossensível. Também estando relacionados a essas
características das plantas a cultivar utilizada, a fertilidade do solo e a população de
plantas (MONDINI et al, 2001).
As cultivares soja apresentam diferenças quanto à sensibilidade à época
de semeadura. Semeaduras realizadas em outubro com cultivares precoces em
regiões de altas temperaturas, baixa fertilidade do solo e verão seco, podem resultar
em não fechamento entre linhas, plantas de porte baixo, competição com plantadas
daninhas e dificuldade na colheita (GARCIA, 2007).
Essa situação será mais acentuada em anos que no final de novembro e
inicio de dezembro ocorrer veranicos, fenômeno comum em aproximadamente 50%
dos anos no norte do Paraná. A falta de umidade e elevação da temperatura
ocasionam a redução do porte das plantas devido à antecipação do florescimento
(FRANÇA NETO et al, 2007).
Segundo Embrapa Soja (2004), a cultura da soja pode ter sua produção
reduzida em até 20 sacos/alqueires, se a semeadura for realizada de 5 a 10 dias
antes da época recomendada.
Segundo Mondini et al (2001), um dos principais fatores ambientais
atuantes na distribuição natural das plantas, no sucesso e na adaptação das culturas
agrícolas é a temperatura. Em regiões que a temperatura média do mês mais quente
fique abaixo de 20 ºC, a emergência e o desenvolvimento vegetativo podem sofrer
atraso. Já temperaturas acima dos 30 ºC podem ocasionar redução na emergência,
menor atividade fotossintética e inibição na nodulação. O comprometimento do
crescimento, a elevada taxa de abortamento de flores e vagens podem ocorrem em
regiões onde a temperatura ultrapasse os 40 ºC.
Para semeadura da soja a temperatura média adequada, vai de 20 ºC a
30 ºC, mas para uma emergência rápida e uniforme a temperatura ideal é de 25 ºC.
Já temperaturas médias do solo inferiores a 18 ºC podem resultar em reduções
drásticas nos índices de emergência e tornar esses processos mais lentos, essa
temperatura pode ocorre em semeadura antes da época indica. Também deve ser
ter em mente que temperaturas maiores que 40 ºC podem trazer prejuízos a cultura
(BARZOTTO et al, 2012).
Em temperaturas menores ou iguais a 10ºC o crescimento vegetativo da
soja é pequeno ou nulo, sendo que a floração só é induzida com a ocorrência de
19
temperaturas acima de 13 ºC. Já a ocorrência de temperatura muito elevadas
ocasionam a floração precoce, que se ocorrer paralelamente à escassez hídrica
podem ocasionar a diminuição na altura de planta de forma grave (FRANÇA NETO
et al, 2007).
A ocorrência de temperaturas acima de 40 ºC juntamente com a
ocorrência de déficits hídricos ocasiona efeitos adversos na taxa de crescimento,
provocam distúrbios na floração, diminuem a capacidade de retenção de vagens e
podem acelerar a maturação da planta de soja. Já altas temperaturas associadas a
períodos de alta umidade, contribuem para a diminuição da qualidade da semente,
mas quando tem ocorrência de altas temperaturas juntamente com baixa umidade a
semente fica predisposta a danos mecânicos durante a colheita (BARZOTTO et al,
2012).
A umidade do solo tem grande importância para germinação das
sementes e para desenvolvimento das plantas, sendo que a deficiência hídrica no
período vegetativo provoca redução de crescimento, da atividade fotossintética e da
fixação de nitrogênio. Já a escassez de chuvas na fase reprodutiva é mais
prejudicial, pois provoca o abortamento de flores e vagens (GARCIA et al. 2007).
O período reprodutivo da cultura da soja é o período mais critico para a
planta em relação à exigência de água, sendo que a umidade favorável nesse
período garante altos rendimentos. O rendimento da cultura também pode ser
afetado por falta de umidade após a emergência das plantas, ponde resultar em
plantas de pequeno porte e acarretar em perdas na colheita (ROCHA, 2012).
Os períodos de desenvolvimento da soja que necessitam de boa
disponibilidade de água são a germinação-emergência e floração-enchimento de
grãos. No período inicial da cultura tanto o déficit quanto o excesso de água
prejudicam a obtenção de uma boa uniformidade populacional da soja (BARROS,
2012).
À medida que as plantas vão se desenvolvendo, a necessidade de água
pela cultura vai aumentando até a floração- enchimento de grãos que é o período de
maior absorção de água pela planta, passando a decrescer após esse período. O
déficit hídrico acentuado no período de floração e enchimento de grãos altera a
fisiologia da planta e consequentemente causa redução no rendimento de grãos
(BARZOTTO et al, 2012).
20
Segundo Garcia et al (2007), a deficiência hídrica no período vegetativo
diminui o porte de planta podem se acentuar esse problema em semeaduras
realizadas fora da época recomendada e sendo agravada se realizada em solos de
baixa fertilidade, essa deficiência também reduz a produção de grãos no período
reprodutivo. Na Região Sul assim como na maioria das regiões produtoras do Brasil,
em anos com ocorrência de seca principalmente de meados de janeiro a março, a
cultura da soja sofre quedas na produtividade.
2.5 DENSIDADE POPULACIONAL NA CULTURA DA SOJA
A soja é uma cultura aceita diferentes populações de plantas por metro
linear. Essas diferentes populações não produzem grandes diferenciações no
rendimento de grãos, porém altera a morfologia da planta (MAEDA, 1983).
Garcia (1992) observou em seus estudos que a maior resposta se deu na
variação nos espaçamento entre fileiras de planta, sendo que o maior rendimento
observado ocorreu com menores espaçamentos. Segundo Peixoto (1999), isso
ocorre devido à compensação da variação do espaço entre plantas.
Berbert e Hamawaki (2012) ressaltam que “a população é fator
determinante para o arranjo das plantas no ambiente de produção” sendo este, nas
culturas de soja, de grande influência no crescimento. Desse modo, o arranjo
populacional torna-se fundamental para um bom desempenho da lavoura.
Porém Nakagawa (1996) salienta que o produtor antes de determinar a
população de plantas a ser lançada na lavoura, deve levar em consideração a
variedade a ser plantada, a fertilidade do solo, a época de plantio, a modalidade de
plantio, espécies de plantas daninhas predominantes e o controle aplicado a elas,
época de semeadura e sistema de manejo de pragas recomendado para a região.
Pellzio et al (2000), observaram que a população de 400.000 plantas por
hectare tem proporcionado as melhores respostas para as diversas características
agronômicas da cultura da soja.
O espaçamento entre linhas na cultura da soja varia de acordo com o
ciclo vegetativo do cultivar. Os cultivares de ciclos precoces são semeados no
espaçamento de 36 a 45 cm. Para os demais cultivares é recomendado o
21
espaçamento de 60 cm que pode ser reduzido para 50 cm se houver atraso do
plantio (BARNI, 1998).
A Embrapa Soja (2001) tem passado algumas informações levando em
conta os avanços nos sistemas de semeadura, destacando que a melhor população
de plantas no plantio da soja fica entorno de 320.000 plantas a 400.000 plantas por
hectare.
Podendo essa população de plantas haver variações de 20% a 30% da
quantia recomendada, para mais ou para menos, dependendo da fertilidade do solo,
da época a ser plantada a cultura, da região e da variedade escolhida, não alterando
significativamente o rendimento de grãos, desde que as plantas sejam distribuídas
uniformemente, sem muitas falhas (EMBRAPA SOJA, 2001).
No estado do Paraná, os espaçamentos entre linhas que melhor se
adaptam ficam entre 40 cm e 50 cm, lembrando que espaçamentos mais estreitos
resultam no fechamento mais rápido da cultura, dificultando o desenvolvimento de
plantas daninhas possibilitando melhor controle dessas plantas, mas por outro lado o
acumulo de plantas em alguns pontos podem provocar o desenvolvimento de planta
mais altas, menos ramificadas, com menor produção individual, propensas ao
acamamento e dificultando as operações de manejo entre linhas. (EMBRAPA,
2003).
Rambo et al (2003), observando cultivares de ciclos semi-precoce,
precoce e semi-tardio, afirmam que as lavouras com espaçamentos reduzidos (20
cm) apresentam maiores rendimentos de grãos.
Os cultivares de ciclo longo e porte alto devem ser utilizados populações
menores para se evitar acamamento, já cultivares de porte baixo e ciclo curto se faz
necessário a utilização de populações mais elevada para se obter melhor
fechamento da cultura. Os espaçamentos entre linhas variam de 40 a 50 cm, a
densidade de plantas geralmente são de 10, 12, 14, 16 ou 18 plantas por metro
linear, em um hectare a densidade recomendada de plantas de 160.000 á 450.000
mil plantas, variando conforme região, fertilidade do solo, variedade utilizada e
época de plantio (EMBRAPA, 2002).
Em trabalho realizado durante os anos das safras de 1983/84, 1984/85 e
1985/86 em uma área no Centro-Sul do estado do Paraná, foi verificado que, a
população de plantas de soja recomendada para o sistema de semeadura
convencional que é de 400.000 plantas por hectare, pode ser utilizado no sistema de
22
semeadura direta. Não havendo redução no rendimento das cultivares estudadas se
comparada as populações de 280.000 e 650.000 plantas por hectare, no entanto a
população deve ser reduzida em áreas favoráveis ao acamamento, podendo ser
utilizadas populações entre 280.000 a 350.000 plantas/ha (GAUDÊNCIO et al.,
1996).
Segundo Linzmeyer Junior et al (2008), em experimento realizado na
Fazenda Experimental do Centro Tecnológico Coopavel localizada no município de
Cascavel no estado do Paraná, utilizando as densidades de 14 e 18 plantas de soja
por metro linear com espaçamento entre linhas de 45 cm, foi observado que os
tratamentos com 14 plantas obtiveram menor altura e maior diâmetro de caule em
relação aos tratamentos de 18 plantas. A densidade de plantas não influenciou
estatisticamente na produtividade e no acamamento.
Em
experimento
conduzido
a
campo
na
Estação
Experimental
Agronômica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul cituada no município de
Eldorado do Sul no estado do Rio Grande do Sul, utilizando espaçamentos entre
linhas de soja de 20 e 40 cm e populações de 20, 30 e 40 plantas de soja por m‫־‬²,
obtiveram maior rendimento na produção na combinação de 20 plantas/ m‫־‬² com
espaçamento de 20 cm entre linhas com produção de 5014 kg/ha‫־‬¹, em comparação
a combinação de 20 plantas/ m‫־‬² com espaçamento de 40 cm que obteve 4322
kg/ha‫־‬¹ de produção (RAMBO et al., 2003).
No experimento realizado no ano agrícola 2008/2009, no campo
experimental do Departamento de Fitotecnia-IA da Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro (UFRRJ), no município de Seropédica estado do Rio de Janeiro, foi
utilizado duas cultivares de soja, distribuídas em blocos casualizados, utilizando
espaçamentos entre linhas de 40, 45 e 50 cm com populações de plantas de 10, 12,
14, 16 e 18 plantas por metro linear. Levando em conta o número de sementes por
planta, houve diferenças entre as combinações em ambas as cultivares, sendo os
menores valores obtidos nas combinações de 40 cm entre linhas com 12 plantas por
metro seguida das combinações de 45 cm entre linhas com 12 plantas por metro
(TORRES JUNIOR et al, 2011).
No experimento realizado na Universidade Estadual Paulista/UNESP, em
Jaboticabal no estado de São Paulo, foram utilizadas as cultivares de soja BRSMG
68 Vencedora e M-SOY 8001, sendo adotado o delineamento experimental de
blocos ao acaso, com populações de 400.000, 340.000, 280.000, 220.000 e 160.000
23
plantas por hectare e espaçamento entre linhas de 43 cm, onde verificaram que a
capacidade de aceitar diferentes densidades é característica de cada cultivar, sendo
que a M-SOY 8001 suportou reduções de até 30% e a BRSMG 68 Vencedora de até
45%, em relação a população de 400.000 plantas por hectare sem ter perdas
estatisticamente significativas. (VASQUEZ, et a., 2008).
A soja possui uma grande plasticidade em relação a arranjos espaciais de
plantas, podendo essas plantas variar entre número de ramificações, altura,
espessura do caule, quantidade de vagens e grãos por planta, de inversamente
proporcional a densidade populacional (GOMES, 2007).
Isso possibilita que na maioria das situações que estejam dentro de uma
faixa considerável de população de plantas e espaçamento entre linhas não ocorra
diferenças significativas de rendimento. Normalmente variações entre 200 e 500 mil
plantas por hectare não influenciam no rendimento de grãos. Com algumas
mudanças ocorridas nos sistemas de cultivo da soja, houve uma redução na
densidade de plantas, passando de 400 mil plantas por hectare na década de 1980,
para aproximadamente 300 mil plantas e depende das condições podendo chegar a
200 mil plantas por hectare nas ultimas safras (MATTIONI et al, 2000).
Em experimento realizado na Fazenda experimental Capim Branco que
pertence à Universidade Federal de Uberlândia, no município de Uberlândia no
estado de Minas Gerais, comparando o efeito de diferentes densidades
populacionais da cultura da soja, na utilização das densidades de 10, 12 e 14
plantas por metro linear e espaçamento de 50 cm entre linhas, observou-se que para
semeadura fora de época, maiores populações de planta tornam-se uma alternativa
mais rentável ao agricultor (BUENO et al, 2008).
Com a realização de um experimento de campo na estação experimental
da Fundação Mato Grosso – Tropical Melhoramento Genético, no município de
Cambé localizado no estado do Paraná, sobre produtividade da cultura de soja em
função da densidade populacional e da porcentagem de cátions (Ca, Mg e K) no
complexo sortivo do solo, com a utilização das densidades de 9 e 18 plantas por
metro linear e com espaçamento entre linhas de 45 cm, observou-se que a redução
da população para 9 plantas por metro linear juntamente ao equilíbrio (em Ca, Mg,
K) de saturação do complexo de troca, aumentaram o rendimento e ganhos na
margem de rentabilidade da cultura da soja, reduzindo em 7% o consumo de
sementes (WATANAB et al, 2005).
24
No ano agrícola de 2000/2001, foi realizado experimento para testar a
influência de época de semeadura e população de plantas sobre características
agronômicas na cultura da soja, realizado na Fazenda experimental Capim Branco
pertencente à Universidade Federal de Uberlândia, no município de Uberlândia no
estado de Minas Gerais. No experimento foram utilizados os níveis de 7, 10, 11, 12,
13, 15, 16, 17, 18 e 21 plantas por metro linear, com utilização de oito cultivares com
quatro níveis de população por cultivar e plantio realizado em 4 épocas com
diferença de 15 dias umas da outras, sendo a primeira planta no dia 30 de outubro
de 2000, observou-se que maiores populações acarretaram em maiores alturas de
plantas na floração e maior índice de acamamento, não apresentando influencia no
rendimento de grãos (KAMORI, 2004).
Na Estação Experimental Presidente Médici (EEPM), pertencente ao
Campus da UNESP de Botucatu, no município de Botucatu estado de São Paulo, foi
conduzido quatro experimentos em condições de campo, sendo dois no ano agrícola
de 1982/83 com semeadura nos dias 23/11 e13/12/82, e dois no ano agrícola
de1983/84 com semeadura nos dias 23/11 e 15/12/83. Foram estudadas três
cultivares utilizando as densidades de 10, 20 e 30 plantas por metro linear com
espaçamento entre linhas de 60 cm. Nas semeaduras de dezembro houve diferença
de produção em função das densidades, sendo que para uma cultivar quanto maior
a densidade menor a produção e para outra cultivar a menor densidade resultou em
maior produção (NAKAGAWA et al, 1996).
No ano agrícola de 1997/98, na cidade de Gurupi no estado do Tocantins,
foi conduzido na Estação Experimental da UNITINS o trabalho sobre avaliação do
comportamento de cultivares de soja em diferentes populações de plantas. Nesse
trabalho foram utilizadas as populações de 200, 300, 400, 500, 600 e 700 mil plantas
por hectare, sendo elas avaliadas juntamente a duas cultivares. Os maiores
rendimentos de produção foram obtidos nas maiores populações nas populações de
400 e 500 mil plantas por hectare, e as menores produções foram constatadas nas
populações de 200 e 300 mil plantas por hectare, esse resultados foram obtidos em
ambas as cultivares (ROCHA et al., 2001).
No ensaio conduzido na área experimental das Faculdades Associadas
de Uberaba (FAZU-FUNDAGRI), no ano agrícola de 2008/2009, em Uberaba no
estado de Minas Gerais, para avaliação de genótipos de soja em diferentes épocas
de plantio e densidade de semeadura, com quatro linhagens resistentes ao glifosato,
25
com plantio realizado nos dias11/11/08 e 26/11/08, utilizando as densidades de 8, 10
e 12 plantas por metro linear na semeadura, ou seja, 180, 200 e 240 mil plantas por
hectare e com espaçamento de 50 cm entre linhas, observaram que houve
diminuição na altura das plantas na floração, na maturação e quantia de dias para
maturação da segunda época comparando-se à primeira. Com o atraso de quinze
dias na semeadura ocorreu um aumento na altura de inserção da 1ª vagem. O
rendimento e o peso de 100 grãos não foram influenciados pelo genótipo, época de
plantio e densidade de plantas, já o número de vagens por planta teve influencia
tanto do genótipo, quanto da densidade (FERREIRA JUNIOR et al, 2010).
Na Fazenda Capim Branco, pertencente à Universidade Federal de
Uberlândia, no município de Uberlândia, estado de Minas Gerais, foi realizado no
período de outubro de 2001 a maio de 2002 o ensaio de genótipos de soja em
quatro épocas de semeadura e populações de plantas, utilizando 15 cultivares,
distribuídas em 4 épocas de plantio, com as densidades de 250, 300, 350 e 400 mil
plantas por hectare e espaçamentos de 45 cm entre linhas. Nos plantios realizados
em 24/10 e 09/11 as maiores populações obtiveram maiores rendimentos, já nas
outras duas épocas as populações de 250 e 300 mil plantas ha‫־‬¹ apresentaram os
valores mais elevados de produtividade na maioria dos genótipos utilizados
(ANDRADE et al, 2010).
Segundo Peixoto et al, (2000), foram instalados e conduzidos três
experimentos individuais e independentes na área experimental da Escola Superior
de Agricultura "Luiz de Queiroz", município de Piracicaba, no estado de São Paulo,
com diferentes épocas de semeadura e densidade de plantas de soja onde se
avaliou os componentes da produção e rendimento de grãos. Os experimentos
foram e implantados em três épocas de semeadura, cada uma com três cultivares,
com as densidades de 10, 20 e 30 plantas por metro linear com espaçamento entre
linhas de 50 cm, sendo realizados três repetições para cada experimento. Através
de resultados obtidos na colheita verificou-se que o fator densidade não resultou em
efeitos significativos nas três épocas, demonstrando que a soja é capaz de
compensar perdas através do aumento de produção por planta quando for utilizado
nível de população menor que o recomendado.
Segundo Rossi (2012) no trabalho instalado e conduzido no ano agrícola
de 2010/2011 em colaboração com a Embrapa Soja, no Laboratório de Análise de
Sementes do Departamento de Produção Vegetal- Setor Agricultura (DPV-A) e na
26
área da Fazenda Experimental Lageado pertencentes à Universidade Estadual
Paulista (UNESP), Campus de Botucatu no estado de São Paulo, foram utilizadas
três cultivares, cada uma com três níveis de vigor, com populações de 7, 12 e 17
plantas por metro linear com espaçamentos de 45 cm entre linhas. Foi observado
que com a elevação da densidade de plantas houve redução no número de vagens
por planta e um aumento significativo na produção de sementes, observou-se
também que quando os fatores edafoclimáticos estão adequados aos exigidos pela
cultura as plantas oriundas de sementes de baixo vigor não acarretam perdas
significativas na produtividade.
Observou-se no decorrer desta pesquisa que os resultados obtidos em
estudos que avaliam o espaçamento entre linhas apresentam divergências, sendo
que alguns autores afirmam que espaçamentos menores entre linhas apresentam
melhor produtividade e outros afirmam que a variação entre os espaçamentos não
produzem grande diferenças. Desse modo, a realização de estudos que avaliam a
produtividade em relação a diferentes níveis de populações torna-se necessário,
pois, a produtividade em relação a esses fatores poder ser diferentes de região para
região.
2.6 ÉPOCA DE PLANTIO DA CULTURA DA SOJA
Afirma Peixoto et al (2000), que no cultivo da soja existe grande
variabilidade entre os cultivares. Essa variação é observada tanto em relação à
sensibilidade da época de semeadura quanto às mudanças na região de cultivo
(latitudes).
De acordo com Garcia (1992), a soja é uma cultura que apresenta
sensibilidade, em relação à época de semeadura e às mudanças na região de
cultivo, principalmente quanto à latitude. Essa sensibilidade é muito importante nos
casos em que o produtor necessite semear mais cedo ou mais tarde, da mesma
maneira em novas regiões que irão iniciar o cultivo da soja.
Costa e Pendleton (2008) observaram em seus estudos que a soja é uma
planta sensível ao comprimento do dia, tendo cada variedade um fotoperiodo critico
27
para seu desenvolvimento, por isso tem sua produtividade afeta drasticamente pela
época de plantio.
Ressalta Peixoto (1999), que a semeadura em época não adequada
provoca pouco crescimento das plantas, dificultando a colheita mecânica e
produzindo elevação nas perdas na colheita. Estas características estão também
relacionadas com a população e os cultivares e dependem das condições
bioclimáticas, principalmente foto período, temperatura e precipitação pluvial.
Para os casos de semeadura tardia, Barni e Bergamachi (1998),
recomendam o aumento da população e a diminuição do espaçamento entre linhas
para reduzir os problemas ocasionados pelo redução do período vegetativo, como
pela antecipação da semeadura, onde a temperatura baixa tende a reduzir o
crescimento das plantas.
De acordo com Câmara (1998), a melhor época semeadura da soja em
qualquer região apta ao seu cultivo situa-se entre 30 (21 de novembro) e 45 dias (6
de novembro) que antecedem o solstício de verão (21 de dezembro), pois possibilita
tempo suficiente para o desenvolvimento da planta em relação a altura e porte
compatíveis com elevada produtividade e colheita mecânica.
No Paraná, a época recomendada para a semeadura da maioria das
variedades de soja cultivadas no Estado vai de 15 de outubro a 15 de dezembro.
Para a maioria dos anos e maior parte das cultivares, os maiores rendimento e
melhores resultados de altura adequada de planta são obtidos em semeaduras
realizadas entre o final do mês de outubro a final do mês de novembro, já as
semeaduras realizadas na primeira quinzena do mês de dezembro apresentam
maior porte e menor rendimento, em semeaduras na primeira quinzena de outubro
realizadas em algumas áreas é possível a obtenção de alto rendimento e de plantas
de porte adequado (EMBRAPA SOJA, 2002).
Na região Norte do Paraná quando se deseja fazer safrinha de milho após
a soja, deve se evitar o plantio de cultivar de soja precoce antes de 20 de outubro.
Em anos com ocorrência de veranicos é comum nos primeiros 10 a 20 dias de
dezembro não ter condições favoráveis de umidade para se realizar o plantio, por
isso as semeadoras devem estar reguladas antecipadamente para se aproveitar
bem o período indicado a cada boa chuva (EMBRAPA, SOJA 2004).
Segundo Kamori et al. (2004) no ano agrícola 2000/2001, no município de
Uberlândia no estado de Minas Gerais, observou-se que a semeadura realizada no
28
dia 15 de dezembro proporcionou menores
alturas de plantas na maioria das
cultivares de soja avaliadas e provocou uma quebra de produtividade em relação a
semeadura de 30 de outubro de 37,13% a menos, essa quebra ocorreu
principalmente nas cultivares de ciclo mais curto.
Segundo Ferreira Junior et al, (2010), em experimento com plantio
realizado nos dias 11 de novembro de 2008 e 26 de novembro de 2008, realizado na
área experimental das Faculdades Associadas de Uberaba, observou-se redução na
altura das plantas durante a floração , na maturação e ocorreu antecipação na
maturação da segunda época em relação à primeira.
No ano agrícola de 2001/2002, na Fazenda Capim Branco no município
de Uberlândia em Minas Gerais, foram estudadas as épocas de plantio realizadas
nos dias 24/10/2001, 09/11/2001, 30/11/2001 e 20/12/2001. Nesse estudo observouse que os maiores rendimentos foram obtidos nas semeaduras realizadas nos dias
24/10 e 09/11/2001, havendo uma redução significativa no rendimento de grãos
quando realizada no dia 20/12/2001 (ANDRADE, 2010).
Através de dados obtidos em três experimentos de soja instalados e
conduzidos de formas individuais e independentes, no município de Piracicaba em
São Paulo, na área experimental da Escola Superior de Agricultura "Luiz de
Queiroz", sendo utilizadas as épocas de 12/11, 19/12 e 18/03 para realização da
semeadura da cultura da soja, (PEIXOTO et al., 2000) concluiu que a época da
semeadura influencia diretamente no rendimento de grãos.
Segundo Garcia (2007) a semeaduras realizadas fora das épocas mais
indicadas para cada região podem interferir no porte, ciclo, aumentar perdas na
colheita e diminuir rendimento das plantas, devido as variações dos fatores
climáticos limitantes. Tendo como melhor épocas de semeadura, aquela que
permite, na maioria dos anos, que a implantação e o desenvolvimento da lavoura
ocorram em condições propicia de umidade e temperatura, conforme a cultura exige.
O melhor período de semeadura da soja na maioria das regiões produtoras é
quando as chuvas da primavera repuserem a umidade do solo e a temperatura for
favorável a germinação e emergência das plântulas no decorrer de 5 a 7 dias após o
plantio e que na maioria dos anos haja umidade para o desenvolvimento das plantas
tornando a atividade economicamente viável.
Na Região Centro-Sul, a indicação de época de semeadura para maioria
das cultivares fica entre 15 de outubro e 15 de novembro, sendo obtidos os
29
melhores resultados de altura de planta e rendimento, na maioria dos anos em
semeaduras realizadas de final de outubro a final de novembro. O menor porte de
planta e maiores rendimentos de modo geral é obtido em semeadura realizadas no
mês de outubro se comparado ao mês de dezembro, mas deve se tomar cuidado ao
semear cultivares de ciclo precoce no mês de outubro, pois podem resultar em
plantas de porte baixo e no não fechamento das entre linhas, podendo acarretar em
competição com as plantas daninhas principalmente em anos de ocorrência de
veranicos durante o período vegetativo da cultura. Já nos estados de Santa Catarina
e Rio Grande do Sul, a época de semeadura vai da primeira quinzena de outubro ao
final de dezembro, com indicação feita por município (GARCIA, 2007).
A escolha da época de semeadura da cultura da soja se da através de
alguns fatores ambientais como umidade do solo, temperatura e fotoperíodo que
possibilitem a planta um ambiente propicio para desenvolver seu potencial produtivo.
Por isso torna-se necessário conhecer o ambiente de produção, a resposta de
cultivares a esse ambiente e saber quais a melhores praticas de condução
permitindo definir com segurança as combinações que permitem alcançar maiores
produtividades na instalação da cultura da soja. Em semeaduras antecipadas deve
evitar a utilização de cultivares de ciclo precoce, pois essas condições podem
ocasionar redução no porte da planta, baixa inserção da primeira vagem e perdas na
colheita (MONDINI et al, 2001).
Apesar de a semeadura antecipada ser uma prática que possibilita a
realização da segunda safra e comercialização antecipada podendo vender a
produção com preços mais elevados, é importante saber os riscos que a
antecipação da semeadura possa trazem ao desenvolvimento da cultura através de
temperaturas e umidade abaixo das satisfatórias, que podem retardar a emergência
das plântulas deixando-as expostas à ação de fitopatógenos existentes no solo
(GUARECHI et al, 2008).
Alguns fatores como, por exemplo, o mau gerenciamento dos trabalhos,
desproporcionalidade de quantidade e rendimento de semeadoras com área a ser
plantada e atraso das chuvas podem ocasionar a semeadura da cultura da soja após
a época recomendada, deixando a cultura predisposta a ataques de percevejos
vindos da áreas semeadas nos períodos recomendados e com seu desenvolvimento
comprometido devido a diminuição do número de dias longo. Em semeadura a ser
realizada após a época recomendada, deve-se optar por cultivares de ciclo médio ou
30
tentar efetuar a semeadura até a primeira quinzena de dezembro (MONDINI, et al.,
2001).
A época de semeadura contribui para a definição da duração do ciclo,
altura da planta e produção de grãos, devido à exposição das plantas as variações
dos fatores climáticos. Onde semeaduras realizadas antes de novembro tendem a
alongar o ciclo e semeaduras realizadas posteriormente tem seu ciclo encurtado.
Devendo levar em conta que semeaduras antecipadas ou posteriores a época
recomendada acarretam na redução do porte e no menor rendimento das plantas. A
duração do ciclo e a variação da altura de planta por efeito da época de semeadura
da cultura da soja se diferem entre locais, anos e cultivares utilizadas (GARCIA,
1992).
Conforme as condições locais e das cultivares utilizada, a semeadura
poderá ser realizada antes da segunda quinzena de outubro ou até depois da
primeira quinzena de dezembro, lembrando que a ocorrência de deficiência hídrica
durante a fase vegetativa e reprodutiva pode acarretar em alturas indesejáveis das
plantas na maturação, podendo também a altura de plantas ser mais acentuada me
semeaduras antecipadas ou tardias e com maior agravante em solo de baixa
fertilidade (STREIT, 2009).
Cada cultivar de soja responde de uma maneira à época de semeadura
que é submetida, esse fato pode estar ligado em função da duração do ciclo, da
sensibilidade ao fotoperíodo, do tempo que dura o período juvenil e do hábito de
crescimento da cultivar. Cultivares com períodos juvenis menores e muito sensíveis
à época de semeadura, quando semeadas mais cedo podem apresentar porte
abaixo do adequado (OLIVEIRA, 2010).
Segundo Garcia (1991) semeaduras de início de outubro recomenda-se a
utilização de cultivares de crescimento indeterminado, pois em semeadura que
dispõe de solos de boa fertilidade e tiver boas condições de umidade e temperatura
a partir de meados de setembro, essas cultivares tem apresentado altos
rendimentos e altura adequada de planta. Essa prática é muito utilizada em regiões
do país onde visam o plantio da segunda safra com a cultura do milho.
31
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O experimento foi instalado e conduzido no ano agrícola de 2011/2012 no
município de Santa Terezinha de Itaipu-PR localizada na Região Oeste do estado,
no Campo Experimental AB Agrobrasil cujas coordenadas geográficas são 25º 28’
27,02’’ S e 54º 28’ 32,65’’ O, com altitude média de 286 m, situado na propriedade
do Sr. Valtair Tripiana, ao lado direito da rodovia BR 277 no Km 717 em sentido
Oeste. Segundo Köppen, o clima do local é classificado como subtropical (Cfa), com
verões quentes apresentando tendência a maiores concentrações de chuva nesta
época e não apresenta estação de seca definida durante o ano. Conforme dados da
Embrapa (2006), o solo da região é classificado como Latossolo Vermelho distrófico
(LVd), apresentando solos profundos, com alta fertilidade e aptidão agrícola. O
campo experimental trabalha com sistema de plantio direto na palha com rotação de
cultura, utilizado como rotação as culturas de soja, aveia e milho.
Vista panorâmica da localização da propriedade do Sr Valtair Tripiana. (Figura 1).
32
LEGENDA:
___Propriedade do Sr Valtair Tripiana
___Campo Experimental AB Agrobrasil
___Área do Experimento
Figura 1: Localização da propriedade do Sr Valtair Tripiana, Campo Experimental AB Agrobrasil e
área do experimento.
Fonte: Adaptado do Google Earth, 2012.
3.2 DELINEAMENTO
O delineamento experimental utilizado neste experimento foi o de blocos
casualizados (DBC) em esquema fatorial de 4X2, com seis repetições, sendo os
fatores constituídos por quatro diferentes densidades de plantas (10 pl m‫־‬¹, 12 pl
m‫־‬¹, 14 pl m‫־‬¹ e 16 pl m‫־‬¹) e duas épocas de plantio, totalizando em 8 tratamentos e
48 parcelas experimentais.
Cada parcela de avaliação do experimento foi constituída de quatro
linhas de semeadura, com espaçamento de 0,45 m e comprimento de 4,0 m.
Como parcela útil, foram utilizados 1,5 m‫־‬¹ de cada uma das duas linhas
centrais,
desconsiderando
1,25m
das
extremidades
como
bordadura,
proporcionando uma área útil de 3 m‫־‬¹ (1,35 m²). As parcelas foram distribuídas
33
no campo experimental sendo separadas por um corredor central com largura de
3,4 m para evitar amassamento e facilitar o manejo da cultura com o auxilio de um
pulverizador autopropelido e os demais corredores com 0,9 m entre as parcelas.
3.3 ESCOLHA DA VARIEDADE E DAS ÉPOCAS DE PLANTIO
A variedade escolhida foi a Don Mario 7.0 i RR – Brasmax,
popularmente conhecida como Magna. Sendo escolhida por ser uma variedade
que se adapta muito bem ao sistema de soja precoce e devido aos bons
resultados obtidos na região nos últimas safras.
As épocas de plantio foram determinadas pela empresa AB
Agrobrasil, devido à implantação de todo campo experimental obedecer às
mesmas épocas de plantio para facilitar os manejos culturais, seguindo a
liberação das épocas de plantio conforme o vazio sanitário da região.
3.4 FERTILIZAÇÃO E MARCAÇÃO DAS LINHAS DE PLANTIO
A marcação e a fertilização das linhas de plantio foram realizadas no dia
25 de setembro 2011, com o auxilio de uma plantadeira de plantio direto de 13
linhas com espaçamento de 0,45 m entre linhas, da marca PLANTICENTER e
tracionada por um trator agrícola de 150 cavalos de potência da marca New
Holland modelo TM150 ambos de propriedade do Sr. Valtair Viapiana.
Para fertilização do campo foi utilizado 352 kg ha‫־‬¹ do fertilizante
Heringer FH SOJA NPK 2+18+12+0,3 Boro+0,2 Zinco, aplicado a uma
profundidade media de 7 cm.
34
3.5 SEMEADURA
Para realização da semeadura foram utilizadas sementes da variedade
Don Mario 7.0 i RR – Brasmax de peneira 5.5 mm e com índice de germinação
mínima de 85%. As sementes foram tratadas com uma solução de 100 ml de
CARBOXIN+TIRAM/40 kg de semente para o controle de fungos, 20 gramas de
FIPRONIL/40 kg de semente para controle de insetos e 100 ml de Inoculante
(Bactérias Bradyrhizobium japonicum, concentração de 5 x 109 rizóbios por mL) para
40 kg de semente para aumentar a nodulação de rizóbios na planta melhorando a
absorção de nitrogênio.
A semeadura procedeu-se da mesma maneira para as duas épocas
avaliadas. Sendo a primeira época de plantio realizada no dia 26 de setembro
de 2011 e a segunda época no dia 16 de outubro de 2011.
O plantio foi realizado manualmente, sendo feita a abertura dos sulcos
com o auxilio de uma enxada em forma de “V” possibilitando a abertura a uma
profundidade média de 5 cm. As sementes foram depositadas no solo a uma
profundidade de 5 cm em quantidade três vezes maior que a população de
plantas desejadas por tratamento, através da utilização de uma régua (figura 2)
para cada tratamento, tendo espaçamentos diferentes conforme a população
utilizada por tratamento para se obter uma distribuição homogênea dentro da
parcela. Posteriormente os sulcos foram cobertos com auxilio de uma enxada
normal e compactados com o auxílio de um carrinho de mão.
O raleio das plantas foi realizado de forma manual para se atingir a
população de plantas desejadas por parcela, ocorrendo no dia 21 de outubro de
2011 nas parcelas plantadas na primeira época e no dia 05 de novembro de
2011 nas parcelas de segunda época.
35
Figura 2: Régua utilizada para depositar as sementes no solo.
3.6 MANEJOS DA CULTURA ( CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS, INSETOS E
DOENÇAS)
Os
lotes
foram
acompanhados
semanalmente
observando-se
o
desenvolvimento vegetativo, a incidência de pragas e doenças e o aparecimento de
plantas daninhas fazendo o controle assim que necessário. As aplicações de
fungicidas, herbicidas e inseticidas foram realizadas com um pulverizador
autopropelido da marca Montana, sendo aplicadas nas duas épocas no mesmo dia.
No dia 23 de setembro de 2011, foi realizada dessecação e limpeza do campo para
o plantio através da aplicação de uma calda de 200L/ha -1para controle de plantas
daninhas, composta por água + 30 g ha-1 de diclosulam + 1L ha-1 de 2,4D + 3L ha-1
de glifosato.
A primeira aplicação no campo depois do plantio foi realizada no dia 17 de
outubro de 2011, sendo aplicado para o controle de plantas daninhas uma calda de
200 L ha-1 constituída por água + 2 L ha-1 de glifosato + 1L ha-1 de óleo vegetal.
No dia 01 de novembro de 2011, foi realizada a segunda aplicação no campo depois
do plantio, sendo está para controle de plantas daninhas, doenças (Cercospora) e
de insetos (Lagarta- Anticarsia). Nesta aplicação foi utilizado uma calda de 200L ha-1
36
composta por 0,4L ha-1 de carbendazim + 1kg ha-1 de acefato + 2L ha-1 de glifosato
+ 1L ha-1 de óleo vegetal.
A terceira aplicação foi realizada no dia 25 de novembro de 2011, para
controle de lagarta Falsa-Medideira (Pseudoplusia includens) e controle da ferrugem
asiática (Phakopsora sp). Sendo utilizado uma calda de 200 L ha-1 composta por
água + 100 g ha-1 de diflubenzuron + 0,3 L ha-1 de picoxistrobina+ciproconazol + 1 L
ha-1 de adjuvante + 1L ha-1 de óleo vegetal.
Na aplicação realizada dia 26 de dezembro de 2011, para controle de
percevejo verde (Nezar viridula), lagarta Falsa- Madideira e ferrugem asiática foi
utilizada uma calda de 200 L ha-1 composta por 0,3 L ha-1 de tiametoxam+lambda
cialotrina + 0,3 L ha-1 azoxistrobina+ciproconazole + água.
A ultima aplicação foi realizada no dia 11 de janeiro de 2012, sendo esta
apenas para controle do percevejo verde. A calda utilizada foi de 200 L ha-1
composta por 0,3 L ha-1 de tiametoxam+lambda cialotrina + água.
3.7 DIAS APÓS SEMEADURA PARA ATINGIR FLORESCIMENTO E COLHEITA
A emergência completa das plântulas dos tratamentos de primeira
época ocorreu no dia 11 de outubro 2011, ou seja, 15 dias após o plantio devido
a escassez de umidade ocorrida durante este período. Nos tratamentos de
segunda época, a emergência completa das plântulas ocorreu no dia 26 de
outubro de 2011, apenas 10 dias após o plantio devido a presença de umidade
suficiente para germinação e emergência das plântulas.
O inicio do florescimento das parcelas da primeira época ocorreu 45
dias após o plantio, iniciando-se no dia 05 de novembro de 2011, Já nas
parcelas de segunda época, o florescimento começou no dia 19 de novembro de
2011, ou seja, 34 dias após o plantio.
As parcelas de primeira época chegaram ao ponto de colheita 137
dias após o plantio, ou seja, no dia 10 de fevereiro de 2012, sendo realizada a
colheita no mesmo dia durante o período matutino. Já as parcelas de segunda
época do experimento chegaram ao ponto de colheita no dia 25 de fevereiro de
37
2012, ou seja, 132 dias após o plantio, sendo realizada a colheita no mesmo dia
durante o período matutino.
3.8 VARIÁVEIS AVALIADAS E ANÁLISE ESTATÍSTICA
As variáveis avaliadas foram altura de inserção da primeira vagem, altura
de planta no momento da colheita, quantidade de vagens por planta, numero de
grãos por vagem, massa de 100 grãos e produtividade media por parcela.
Altura de inserção da primeira vagem – com o auxilio de uma régua
foram realizadas 8 medições de altura de inserção da primeira vagem na área útil de
cada parcela, sendo calculado posteriormente a média da parcela.
Altura de planta no momento da colheita – no momento da colheita
com a utilização de uma trena foram realizadas 8 medições de plantas na área útil
de cada parcela para posterior calculo da média por parcela.
Quantidade de vagens por planta – foi realizada a contagem
separadamente de todas as vagens de 1, 2, 3 e 4 grãos presente em todas as
plantas colhidas na área útil de cada parcela, para chegar a quantidade de vagens
por planta foram somadas todas a vagens e divididas pela quantia de plantas
presentes na parcela.
Número de grãos por vagem – o número de grãos por vagens foi obtido
através de programa estático onde utilizou-se a produção, a massa de 100 grãos e o
numero total de vagens por parcela.
Massa de 100 grãos – a massa de 100 grãos foi obtida através da
contagem dos grãos com o auxilio de um instrumento de contagem e posteriormente
pesados em uma balança de precisão, tendo o resultado expresso em gramas.
Sendo realizado esse procedimento em todas as parcelas.
Produtividade média por parcela – A produtividade de cada parcela foi
obtida através da pesagem realizada em balança de precisão, utilizando o volume
total de grãos colhidos na área útil das parcelas.
Análise Estatística.
Os resultados obtidos nas avaliações realizadas foram submetidos a
análise de variância a 5 e 1% de probabilidade pelo teste F de Fischer em caso de
38
efeito significativo e não significativo. As médias foram comparadas pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade. Foi realizada ainda a correlação de Pearson para
verificação da relação entre as variáveis avaliadas, sendo que em todos os testes
utilizou-se o programa estatístico Genes.
3.9 ÍNDICE PLUVIOMÉTRICO
Conforme dados da Cooperativa Agroindustrial Lar Unidade de Santa
Terezinha de Itaipu (2011/2012), durante a safra de soja 2011/2012 no território
pertencente à cidade de Santa Terezinha de Itaipu/PR houve uma grande variação
no índice pluviométrico. Sendo os meses de outubro e novembro os de maior índice
pluviométrico, já as menores ocorrências de precipitações pluviométricas ficaram
nos meses de dezembro e janeiro. Na figura 3 podendo observar uma queda brusca
de outubro a janeiro no índice pluviométrico.
Figura 3: Índice pluviométrico da cidade de Santa Terezinha de Itaipu, setembro de 2011 a fevereiro
de 2012.
39
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Através da análise dos resultados obtidos de vagens por planta, grãos por
vagem, altura de inserção da primeira vagem, altura de planta na colheita, massa de
100 grãos e produtividade (Tabela 1) é possível observar que houve resultados
significativos e não significativos.
Tabela 1: Analise de variância de VP – vagens por planta; GV – grãos por vagem;
AV – altura de inserção da primeira vagem; AP – altura de planta no momento da
colheita; M100 – massa de 100 grãos;
Época
VP
GV
AV
AP
M100
Produtividade
cm
cm
g
kg ha
-1
1
34,41 a
2,47 a
11,75 b
83,42 b
19,79 a
3734,53 a
2
24,91 b
2,47 a
13,69 a
94,43 a
16,25 b
2222,00 b
D.M.S.
4,29
0,09
0,73
2,54
1,20
460,25
Fc época
80,99**
114,37**
309.31**
143,86**
178,27**
NS
0
Densidade
1
30,74
2,47 a
11,43 c
85,2 c
18,10 a
3100,66 a
2
30,26
2,50 a
12,1 c
86,58 bc
17,87 a
3058,87 a
3
27,87
2,48 a
13,18 b
89,74 b
18,00 a
2792,58 a
4
29,78
2,44 a
14,18 a
94,18 a
18,10 a
2960,94 a
D.M.S.
5,70
0,12
0,98
3,38
1,59
611,29
44,81**
40,43**
Fc densidade
1,42
NS
1,02
NS
Fc épocaXdensidade
0,39
NS
0,00045
C.V. (%)
12,33
NS
3,18
0,29
NS
4,92
NS
0,82
2,44
NS
1,46
NS
0,32
0,13
0,09
5,66
NS
NS
13,18
D.M.S. – diferença mínima significativa pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade; * - significativo a
5% de probabilidade pelo teste F de Fischer; ** - significativo a 1% de probabilidade pelo teste F de
Fischer; NS – não significativo pelo teste F de Fischer.
Na análise de variância do número de vagens por planta, observou-se
diferença significativa em relação às épocas de plantio, fato que pode ter ocorrido
devido ao período de escassez de chuvas na região.
Nas parcelas de plantio de segunda época houve redução no número de
vagens por planta devido ao abortamento de flores e vagens ocasionado pela maior
incidência de seca no período reprodutivo em relação às parcelas de primeira época.
Este fato é comprovado por Garcia et al (2007), onde afirma que a escassez de
40
chuvas na fase reprodutiva é mais prejudicial, pois provoca o abortamento de flores
e vagens. Segundo Barzotto et al. (2012), o déficit hídrico acentuado no período de
floração e enchimento de grãos altera a fisiologia da planta.
Distúrbios na floração e diminuição na capacidade de retenção de vagens
são efeitos causados nas plantas devido à ocorrência de déficits hídricos juntamente
com temperaturas acima de 40 ºC (BARZOTTO et al, 2012). Segundo Mondini et al.
(2001), a taxa elevada de abortamento de flores e vagens podem ocorrer onde a
temperatura ultrapasse os 40 ºC.
Já o número de vagens por planta em relação à densidade de planta não
apresentou diferença estatística significativa, divergindo de alguns autores. Segundo
Gomes (2007), a quantidade de vagens e grãos por planta é inversamente
proporcional a densidade populacional. O número de vagens por planta tem
influencia tanto do genótipo, quanto da densidade (FERREIRA JUNIOR et al., 2010).
Rossi (2012) observou que com a elevação da densidade de plantas houve redução
no numero de vagens por planta.
O numero de grãos por vagem (Tabela 1) se manteve praticamente
constante, não havendo diferenças estatisticamente significativas em função da
época de plantio e da densidade populacional. Segundo Nunes (2010), as vagens
devem abrigar de 1 até 5 sementes conforme as características da variedade.
A altura de inserção da primeira vagem (Tabela 1) sofreu grande variação
estatística tanto em função da época quanto em função da densidade populacional,
mas quando avaliado época juntamente com a densidade não houve diferença
significativa. As parcelas de plantio de segunda época obtiveram maior altura de
inserção da primeira vagem em relação à primeira época, esse fato pode ser
resultado de maior ocorrência de chuvas no período vegetativo da segunda época
do que na primeira. Ferreira Junior et al. (2010) obteve resultados semelhantes,
onde com o atraso de quinze dias na semeadura ocorreu um aumento na altura da
inserção da primeira vagem.
Segundo Mondini et al, (2001) cada cultivar de soja possui um fotoperíodo
critico, o qual tem influencia direta no desenvolvimento da planta e na altura de
inserção da primeira vagem. Dessa forma recomenda evitar a utilização de cultivares
de ciclo precoce, pois podem ocasionar redução no porte de planta, diminuição na
altura de inserção da primeira vagem e ocasionar perdas na colheita.
41
A altura de planta no momento da colheita (Tabela 1) obteve grande
diferença estática em relação à época e a densidade quando analisadas
separadamente, já quando analisadas juntas ai a diferença não foi significativa. Em
relação à maior altura das plantas no momento da colheita ter ocorrido em parcelas
de maior densidade, sabe-se que é de característica da cultura da soja a disputa
entre as plantas pela luz, sendo assim quanto maior a densidade mais as plantas
vão crescer tentando se sobressair umas as outras em busca da luz.
Já a altura de planta no momento da colheita foi influenciada pela época
devido as ocorrência de chuva durante o período vegetativo de ambas as épocas,
sendo que as parcelas de plantio de primeira época sofreram um pouco com a seca
e as de segunda época não tiveram o mesmo problema, obtendo assim a maior
altura de planta. Outro agravante foi à semeadura antecipada da primeira época em
relação ao recomendado para essa variedade.
A deficiência hídrica no período vegetativo planta provoca redução do
crescimento, da atividade fotossintética e da taxa de fixação de nitrogênio pela
planta, podendo ser agravados esses problemas se a semeadura for realizada fora
de época (GARCIA et al. 2007).
Segundo Berbert e Hamawaki (2011), a população exercer grande
influencia no crescimento das plantas de soja, sendo um fator determinante para o
arranjo das plantas no ambiente de produção. Linzmeyer Junior et al, (2008),
obtiveram resultados semelhantes aos obtidos nesse experimento, tendo eles
trabalhado com densidades de 14 e 18 plantas de soja por metro linear, obtendo
menor altura e maior diâmetro de caule no tratamento com menor densidade.
A massa de 100 grãos (Tabela 1) não obteve diferença significativa em
relação à densidade de plantas e apresentou grande diferença estatisticamente
significativa em relação à época de plantio, sendo esta diferença influenciada pela
ocorrência de maiores precipitações hídrica durante a fase de enchimento de grãos
da primeira época e menores precipitações durante a fase de enchimento de grãos
da segunda época, o que ocasionou menor peso na massa de grãos.
Segundo Barzotto et al (2012) a necessidade de água pela cultura da soja
vai aumentando conforme seu desenvolvimento, chegando a máxima absorção de
água pela planta no período de floração- enchimento de grão, passando a decrescer
após esse período.
42
Ferreira Junior et al, (2010) obtiveram resultado diferente ao desse experimento em
relação a influencia da época de plantio no peso de 100 grãos e tendo resultado
semelhante no critério de densidade de plantas, onde relata que o peso de 100
grãos não e o rendimento na foram influenciados pelo genótipo, época de plantio e
densidade de plantas.
A produtividade foi calculada em quilos por hectare, obtendo-se no
experimento uma diferença significativa em relação às épocas, sendo que a primeira
época obteve uma produtividade bem acima da segunda. Essa diferença é resultado
da falta de chuva no período de enchimento de grãos das parcelas de segunda
época, ocasionando assim o abortamento de vagens e a redução do peso da massa
de grãos. Segundo Barzotto et al, (2012) o déficit hídrico acentuado no período de
enchimento de grãos altera a fisiologia da planta e conseqüentemente causa
redução no rendimento de grãos.
Já Peixoto et al, (2000), demonstram que a densidade de plantas não
resultou em efeitos significativos para as três épocas utilizadas, sendo a planta de
soja capaz de compensar perdas quando a população for menor que a
recomendada. A Embrapa Soja (2001), afirma que variação de 20% a 30% para
mais ou para menos do que a população recomendada, dependendo da fertilidade
do solo e da época não alteram significativamente o rendimento.
Em
relação
às
densidades
utilizadas
não
houve
diferença
estatisticamente significativa, mesmo assim pode se observar a ocorrência de
produção mais elevada no tratamento de menor densidade, seguindo dos
tratamentos com densidades de 12, 16 e 14 plantas por metro linear.
Resultados semelhantes foram encontrados por Kamori (2004), que em
seu experimento não encontrou diferença no rendimento de grãos com a utilização
de maiores populações, Ferreira Junior et al (2010) observou em seu experimento
que o rendimento de grãos também não foi influenciado pelas diferentes densidades
de plantas utilizadas, Linzmeyer Junior et al, (2008) também não obteve diferença
estatística na produtividade em função da densidade.
Já Watanab et al, (2005), constataram em seu experimento que a redução
da população de plantas juntamente ao equilíbrio de saturação do complexo de
troca, aumentam o rendimento e rentabilidade da cultura da soja.
Diferentemente dos resultados encontrados por Rocha et al, (2001) que
obteve maiores rendimentos com a utilização de maiores populações em ambas as
43
cultivares utilizadas, Bueno et al, (2008) em plantio fora de época obteve maior
rentabilidade em seu experimento com a utilização de maiores populações de
plantas.
Andrade et al, (2010) com a utilização de quatros épocas obtiveram
melhores rendimentos de grãos com a utilização de populações mais elevadas nas
duas primeiras épocas e com populações menores nas outras duas épocas.
Vasquez et al, (2008) verificou que a capacidade de redução da população de
plantas sem afetar o rendimento é dependente da cultivar utilizada.
Através do teste de correlação de Person e da análise dos resultados
(Tabela 2), foi possível verificar qual variável está diretamente ligada à outra.
Tabela 2: Tabela de correlação de Person.
Variável
VP
GV
AV
GV
-0,0469
AV
NS
AP
NS
-0,5305
NS
-0,5908
M100
NS
-0,4157
NS
0,9886**
NS
0,0937
NS
-0,6431
NS
-0,5423
0,1073
-0,6934
-0,8884
0,9885**
0,2239
AP
Produtividade
NS
0,3305
NS
NS
NS
NS
M100
0,0072
A variável vagens por planta (VP) possui relação significativa e positiva
com a produtividade, ou seja, conforme aumenta-se o número de vagens por planta,
aumenta-se a produtividade da cultura. Isto é um efeito lógico, uma vez que quanto
maior o número de vagens, a tendência é de que seja maior a produtividade. Essa
variável não possui relação significativa com as outras variáveis de modo que, não
interfere no numero de grãos por vagem, na altura de inserção da primeira vagem,
na atura de planta na colheita e na massa de 100 grãos por serem variáveis ligadas
ao genótipo da planta e aos fatores climáticos.
A altura de inserção da primeira vagem (AV) relaciona-se positivamente
com a altura de plantas, resultado que também é esperado, uma vez que quanto
maior for a planta, maior a tendência de altura de inserção da primeira vagem, sendo
este um fator de grande importância na colheita já que plantas com vagens muito
próximas ao solo acarretam em perdas na colheita devido a colheitadeira fazer o
corte da planta muitas vezes acima das primeiras vagens.
44
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da analise das variáveis utilizadas foi possível observar que as
plantas sofreram com a incidência de seca na região, principalmente no período de
enchimento de grão durante o mês de janeiro o que reduziu a produção das parcelas
de segunda época em relação às parcelas de primeira época.
Pode-se também afirmar que a incidência de menor índice pluviométrico
durante a fase vegetativa das parcelas de primeira época influenciou no
desenvolvimento das plantas, acarretando em menor altura de inserção da primeira
vagem e na menor altura de planta na colheita em relação às parcelas de segunda
época.
Em relação às diferentes densidades utilizadas foi possível verificar que
as plantas são capazes de compensar perdas decorrentes de populações menores
que o recomendado através de maior número de ramificações e vagens por planta.
Mas deve se tomar cuidado com a variedade a ser plantada, pois não são todas as
variedades que permitem a redução de população devido as características
fisiológicas de cada uma, muitas vezes não sendo capazes de compensar essas
perdas devido a baixa capacidade da planta emitir ramificações devido as
características da variedade.
Desse modo, para se obter bons resultados na cultura da soja, se faz
necessária a utilização de variedades recomendadas para a região, a realização do
plantio em época e densidade recomendada para tal variedade, o manejo correto da
cultura e ter incidência de fatores climáticos favoráveis.
45
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Produtividade da Cultura da Soja Semeada em Diferentes Épocas e