0 UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEAg – DEPARTAMENTO DE ESTUDOS AGRÁRIOS CURSO DE AGRONOMIA DIFERENTES TIPOS DE TRATAMENTOS DE SEMENTES PARA A CULTURA DA SOJA (Glycine max L.) TIAGO HAMMEL PIAS Ijuí – RS 2014 1 TIAGO HAMMEL PIAS DIFERENTES TIPOS DE TRATAMENTOS DE SEMENTES PARA A CULTURA DA SOJA (Glycine max L.) Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Agronomia do Departamento de Estudos Agrários da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheiro Agrônomo. Orientador: Prof. MSc. Luiz Volney Mattos Viau Ijuí – RS 2014 2 Dedico este trabalho à minha família, meus amigos e professores, que de uma forma ou outra me auxiliaram, me incentivaram e acreditaram no meu potencial para construção desta caminhada acadêmica. 3 AGRADECIMENTOS À Deus pela oportunidade de estar vivo e realizar mais este sonho. À minha família, que é o meu alicerce, com quem sempre pude contar, diante das dificuldades encontradas em minha caminhada e que sempre me incentivou a nunca desistir dos meus sonhos. À minha noiva, meu porto seguro, por sempre estar do meu lado, me incentivando, me apoiando e também por me compreender nos momentos difíceis. Obrigada por sempre confiar em mim e fazer parte da minha vida. Ao meu orientador Luiz Volney Mattos Viau, com quem tive o privilégio de conviver e aprender com seus imensos conhecimentos, bem como contar com sua dedicação e disponibilidade. À todos que de uma forma ou outra colaboraram durante a trajetória de construção deste trabalho, meu muito obrigado. 4 DIFERENTES TIPOS DE TRATAMENTOS DE SEMENTES PARA A CULTURA DA SOJA (Glycine max L.) Tiago Hammel Pias Orientador: Prof. MSc. Luiz Volney Mattos Viau RESUMO O trabalho avaliou o efeito do tratamento de semente de soja constituído de: 1. Vitavax + Thiran; 2. Testemunha; 3. Vitavax + Thiran + CoMo + inoculante; 4. Vitavax + Thiran + inoculante; 5. Vitavax + Thiran + CoMo. O experimento foi instalado no campo experimental da Sementes Hammel, Coronel Bicaco RS, em um delineamento de blocos ao acaso com 3 repetições em parcelas constituídas de 5 linhas de 10 metros de comprimento. As variáveis analisadas foram Rendimento de Grãos (kg/ha), Massa Média de Grãos (MMG g), Número de Legumes Planta (NLP), Número de Grãos por Legume (NGL), Rendimento Biológico Aparente (RBA kg/ha), Rendimento de Palha (kg/ha) e Índice de Colheita (%), com os dados submetidos a análise de variância pelo programa Assistat 7.7 Beta e aplicação do Teste de Tukey a 5% de probabilidade para detectar diferenças entre médias de tratamentos. Os resultados permitem concluir que a aplicação de Vitavax + Thiran + CoMo + inoculante proporcionou maior rendimento de grãos (3918 kg/ha) e incremento na massa média de grãos, número de legumes por planta, número de grãos por legume, rendimento biológico aparente e no rendimento de palha. Palavras-chaves: Glycine max. Cobalto. Molibdênio. Tratamento de Semente. 5 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Descrição da cultivar ................................................................................. 21 Quadro 2: Relação às doenças .................................................................................. 21 Quadro 3: Características da cultivar ......................................................................... 21 6 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Quadrado médio para rendimento de grãos (kg/ha), massa média de grãos (MMG g), número de legumes por planta (NLP), número de grãos por legume (NGL), rendimento biológico aparente (RBA kg/ha), rendimento de palha (kg/ha) e índice de colheita (%) da soja cultivar FPS ANTARES, submetida ao tratamento de semente. SEMENTES HAMMEL, Coronel Bicaco, RS, 2014 ............. 24 Tabela 2: Rendimento de grãos (kg/ha), massa média de grãos (MMG g), número de legumes por planta (NLP), número de grãos por legume (NGL), rendimento biológico aparente (RBA kg/ha), rendimento de palha (kg/ha) e índice de colheita (%) da soja cultivar FPS ANTARES, submetida ao tratamento de semente. SEMENTES HAMMEL, Coronel Bicaco, RS, 2014 .................................................... 25 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 8 1 REVISÃO DA LITERATURA .................................................................................. 10 1.1 A CULTURA DA SOJA: ASPECTOS GERAIS ..................................................... 10 1.2 IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES DA SOJA.......................... 11 1.3 TRATAMENTO QUÍMICO .................................................................................... 12 1.3.1 Vitavax-Thiram 200 SC .................................................................................... 13 1.4 TRATAMENTO COM MICRONUTRIENTES........................................................ 14 1.4.1 Molibdênio ....................................................................................................... 14 1.4.2 Cobalto ............................................................................................................. 15 1.4.3 Inoculante Turfoso Bradyrhizobium japonicum ........................................... 16 2 MATERIAIS E MÉTODOS ...................................................................................... 19 2.1 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL ......................................................................... 19 2.2 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL .................................................................... 19 2.3 CARACTERÍSTICA DA CULTIVAR ESTUDADA ................................................. 20 2.4 VARIÁVEIS ESTUDADAS.................................................................................... 21 2.4.1 Número de Legumes por Planta (NLP) .......................................................... 21 2.4.2 Número de Grãos por Legume (NGL) ............................................................ 22 2.4.3 Massa Média de Grãos (MMG)........................................................................ 22 2.4.4 Rendimento Biológico Aparente (RBA) ......................................................... 22 2.4.5 Rendimento de Palha (RP).............................................................................. 22 2.4.6 Rendimento de Grãos (RG) ............................................................................ 22 2.4.7 Índice de Colheita (IC) ..................................................................................... 22 2.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA ...................................................................................... 23 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................................ 24 CONCLUSÃO ............................................................................................................ 27 REFERÊNCIAS .......................................................................................................... 28 ANEXOS .................................................................................................................... 32 8 INTRODUÇÃO O uso de defensivos agrícolas no tratamento de sementes confere à planta condições de defesa, o que possibilita maior potencial para o desenvolvimento inicial da cultura. O controle de pragas e doenças que atacam a soja é realizado desde o início de seu ciclo com uso de defensivos no tratamento de sementes, sendo essa uma prática amplamente adotada e que se mostra eficiente (MARTINS; BOTTON; CARBONARI, 1996). A pesquisa científica e a descoberta de novas tecnologias são ferramentas fundamentais para elevar a eficiência e a rentabilidade no campo. Dentro destas ferramentas, há alguns métodos que garantem maior desempenho e produtividade na cultura da soja, sendo uma delas o uso de micronutrientes como o molibdênio (Mo), essencial para cultura, e o cobalto (Co), elemento químico essencial para as bactérias, se associam às raízes, agindo beneficamente, fixando o nitrogênio atmosférico. A adubação é um fator determinante da produtividade e representa um percentual significativo no custo de produção da cultura. Em função disso, seu cultivo se torna mais viável economicamente pela capacidade de fixação biológica do nitrogênio que esta cultura apresenta. Caso contrário, seriam necessários aproximadamente 240 kg ha-1 de N para uma produção esperada de grão de 3.000 kg ha-1, o que causaria aumento expressivo no custo de produção (HUNGRIA; CAMPO; MENDES, 2001). A soja apresenta elevada capacidade de suprir suas necessidades nutricionais em nitrogênio por meio da fixação biológica do N2, graças ao estabelecimento da associação simbiótica entre essa leguminosa e a bactéria do gênero Bradyrhizobium, por intermédio do complexo enzimático da nitrogenase. As 9 quantidades de molibdênio requeridas pelas plantas são pequenas e sua aplicação via semente constitui-se uma das formas mais práticas e eficazes de adubação (CAMPO; LANTMANN, 1998). O cobalto também influencia a absorção de nitrogênio por via simbiótica porque faz parte da estrutura das vitaminas B12, necessárias à síntese de leghemoglobina, que determina a atividade dos nódulos. As quantidades de molibdênio requeridas pelas plantas são pequenas e sua aplicação via semente constitui-se uma das formas mais práticas e eficazes de adubação. O molibdênio não tem ocasionado toxicidade ao Bradyrhizobium japonicum quando aplicado nas sementes antes do inoculante, por ocasião da semeadura da soja (CAMPO; LANTMANN, 1998). As principais fontes de molibdênio são o molibdato de sódio e de amônio, o ácido molíbdico e o trióxido de molibdênio. Para a fixação biológica do N2 em soja, essas quatro fontes de molibdênio têm sido tão úteis quanto os produtos comerciais (ALBINO; CAMPO, 2001). Através da adução com molibdênio na soja no Brasil tem-se obtido respostas variáveis. Foram realizadas diversas pesquisas em diferentes condições de solo e clima, não foi observado nenhum aumento no rendimento de grãos ou de matéria seca de soja com a aplicação de molibdênio na soja. Porém em outras pesquisas de produtividade de soja com a aplicação de Mo foram significativas, ou seja, obteve-se resultado no rendimento de grãos (MARCONDES; CAIRES, 2005). Resultados obtidos em todas as regiões onde a soja é cultivada mostram que a aplicação de fertilizantes nitrogenados minerais no plantio ou cobertura, em qualquer estágio de desenvolvimento da planta, em sistemas de plantio direto ou convencional, não aumenta a produtividade da soja. O presente trabalho teve como objetivo avaliar os tratamentos de sementes na cultura da soja, tendo em vista determinar o efeito de diferentes produtos na proteção das sementes e sua resposta no rendimento de grãos. 10 1 REVISÃO DA LITERATURA 1.1 A CULTURA DA SOJA: ASPECTOS GERAIS A soja (Glycine max) cultivada em muitas regiões do mundo, é muito diferente dos ancestrais que lhe deram origem: espécies de plantas rasteiras que se desenvolviam na costa leste da Ásia, principalmente ao longo do Rio Amarelo, na China. Sua evolução começou com o aparecimento de plantas oriundas de cruzamentos naturais, entre duas espécies de soja selvagem, que foram domesticadas e melhoradas por cientistas da antiga China. Sua importância na dieta alimentar da antiga civilização chinesa era tal, que a soja, juntamente com o trigo, o arroz, o centeio e o milheto, era considerada um grão sagrado, com direito a cerimoniais ritualísticos na época da semeadura e da colheita (EMBRAPA, 2003). Conforme dados da EMBRAPA (2003), a soja pertence à classe das dicotiledôneas, família leguminosa e subfamília Papilionoides. A espécie cultivada é a Glycine max Merril. O sistema radicular é pivotante, com a raiz principal bem desenvolvida e raízes secundárias em grande número, ricas em nódulo de bactérias Rhizobium japonicum fixadoras de nitrogênio atmosférico. A soja é a cultura agrícola brasileira que mais cresceu nas últimas três décadas e corresponde a 49% da área plantada em grãos do país. O aumento da produtividade está associado aos avanços tecnológicos, ao manejo e eficiência dos produtores. O grão é componente essencial na fabricação de ração animal e com uso crescente na alimentação. O cultivo de soja no Brasil se orienta por um padrão ambientalmente responsável, ou seja, com o uso de práticas de agricultura sustentável, como o sistema integração-lavoura-pecuária e a utilização da técnica do plantio direto. São técnicas que permitem o uso intensivo da terra e com menor impacto ambiental, o que reduz a pressão pela abertura de novas áreas e contribui para a preservação do meio ambiente. A soja também se constitui em alternativa para a fabricação do biodiesel, combustível capaz de reduzir em 78% a emissão dos gases causadores do efeito estufa na atmosfera. 11 1.2 IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO DE SEMENTES DA SOJA A cultura da soja está sujeita, durante todo o seu ciclo, ao ataque de diferentes espécies de patógenos. Desde a implantação da cultura, a ação de fungos de solo pode causar falhas na lavoura, por estas infectarem as sementes após o plantio, raízes após a germinação e parte aérea das plântulas após a emergência, sendo evidente na fase em que a planta em formação está mais suscetível a danos e morte (BAUDET; PESKE, 2007). Tratamento de sementes, no sentido amplo, é a aplicação de processos e substâncias que preservem ou aperfeiçoem o desempenho das sementes, permitindo que as culturas expressem todo seu potencial genético. Inclui a aplicação de defensivos (fungicidas e inseticidas), produtos biológicos, inoculantes, estimulantes, micronutrientes, etc. ou a submissão a tratamento térmico ou outros processos físicos. No sentido mais restrito, refere-se à aplicação de produtos químicos eficientes contra fitopatógenos (MENTEN; MORAES, 2010). A eficiência do tratamento de sementes visando o controle de patógenos (doenças) depende do tipo e localização do patógeno, do vigor da semente e da disponibilidade de substâncias e processos adequados (MENTEN; MORAES, 2010; QUEIROGA et al., 2012). O tratamento de sementes de soja tem por objetivos principais erradicar ou reduzir, aos mais baixos níveis possíveis, os fungos presentes nas sementes; proporcionar a proteção das sementes e plântulas contra fungos do solo e, eventualmente, da parte aérea, na fase inicial do seu desenvolvimento, promover condições de uniformidade na germinação e emergência; evitar o desenvolvimento de epidemias no campo; proporcionar maior sustentabilidade à cultura pela redução de riscos na fase de implantação da lavoura e promover o estabelecimento inicial da lavoura com uma população ideal de plantas (FRANÇA NETO, 2009). No Brasil, praticamente 100% das sementes de soja são tratadas com fungicidas, 30% com inseticidas e 50% com micronutrientes com objetivo de proteger o estabelecimento no campo ou até mesmo o seu desenvolvimento vegetativo. Para a escolha de qual produto deve ser utilizado no tratamento deve-se levar em consideração a segurança ambiental e toxicológica do mesmo, associada a garantir uma proteção eficaz contra um amplo espectro de patógenos e a um custo benefício interessante ao produtor (JULIATTI, 2010). 12 1.3 TRATAMENTO QUÍMICO Nos últimos 20 anos, o tratamento de sementes com fungicidas saiu do patamar de 5% para 100% em culturas como soja e milho, e nos últimos anos vem crescendo o uso desta ferramenta em outros grãos como arroz, trigo, feijão e em sementes de batata. Atualmente, os fungicidas utilizados pertencem a vários grupos químicos desde o das carboximidas até nos grupos químicos mais recentes como as estrobilurinas e triazóis (JULIATTI, 2010). Novas doenças ou a sua rápida disseminação no território nacional como a ferrugem asiática causada pela Phakopsora pachyrhizi e o mofo branco causado por Sclerotinia sclerotiorum tem exigido que os fungicidas utilizados em sementes possam gerar um efeito preventivo residual inicial, evitando ou dificultando o estabelecimento da doença, assim como o tratamento da semente, visando o controle do inóculo inicial transmitido através da própria semente infectada (BAUDET; PESKE, 2007; JULIATTI, 2010). O tratamento de sementes de soja tem por objetivos principais erradicar ou reduzir, aos mais baixos níveis possíveis, os fungos presentes nas sementes; proporcionar a proteção das sementes e plântulas contra fungos do solo e, eventualmente, da parte aérea, na fase inicial do seu desenvolvimento, promover condições de uniformidade na germinação e emergência; evitar o desenvolvimento de epidemias no campo; proporcionar maior sustentabilidade à cultura pela redução de riscos na fase de implantação da lavoura e promover o estabelecimento inicial da lavoura com uma população ideal de plantas (FRANÇA NETO, 2009). As tecnologias de recobrimento de sementes e formulação têm permitido a mistura de fungicidas de diferentes grupos químicos, inclusive mistura também com inseticidas em uma única formulação, visando atingir o complexo de pragas e doenças que nos últimos 30 anos aumentaram consideravelmente. A mistura de fungicidas de diferentes modos de ação tem sido recomendada permitindo aumentar o número de alvos a serem controlados e o manejo de resistência prolongando o tempo de vida dos ativos (MENTEN; MORAES, 2010; JULIATTI, 2010). Apesar do reconhecido benefício que o tratamento de sementes agrega ao controle doenças e pragas, alguns trabalhos mostraram que mesmo na ausência ou em baixos níveis de organismos nocivos à cultura, o tratamento de sementes tem melhorando o estabelecimento da mesma, com aumento de vigor de plantas, 13 repercutindo de maneira positiva no rendimento de grãos (MARTINS; BOTTON; CARBONARI, 1996; RAGA et al., 2000; SILOTO et al., 2000; CECCON et al., 2004). 1.3.1 Vitavax-Thiram 200 SC O Vitavax-Thiram 200 SC é um fungicida com apresentação em solução concentrada, cujo princípio ativo é 5,6-dihydro-2-methyl-1,4-oxathi-ine-3- carboxanilide (Carboxina), 200 g/L (20% m/v); Tetramethylthiuram disulfide (Tiram), 200 g/L (20% m/v); e Etileno Glicol, 249 g/L (24,9% m/v). Este produto pertence à classe dos fungicidas sistêmicos e de contato para tratamento de sementes do grupo químico Carboxanilida (Carboxina) e Dimetilditiocarbamato (Tiram) (PANDOLFO, 2007; DUPONT, 2012). A carboxina inibe a cadeia respiratória dos fungos bloqueando o transporte de elétrons através da inibição do complexo II, a succinato-UQ redutase. O Tiram não tem seu modo de ação muito claro, mas envolve danos ao citocromo P-450 acompanhado do aumento da atividade da heme-oxigenase (DUPONT, 2012). A apresentação em solução concentrada permite diluição em diferentes dosagens de acordo com a finalidade de aplicação. A dose recomendada para o tratamento de sementes de soja é 250 a 300 mL/100 kg de semente (PANDOLFO, 2007). O Vitavax-Thiram 200 SC pertence à classe toxicológica IV – Pouco Tóxico, de acordo com a legislação em vigor para uso de agrotóxicos (PANDOLFO, 2007). A toxicidade aguda demonstrou ser alta, em nível experimental, quando no teste de irritação/corrosão ocular provocou opacidade de córnea 1 hora após a exposição. A CL50 inalatória, em nível experimental, provocou notadamente nos animais, andar cambaleante, bradipneia/taquipneia, aumento da salivação e lacrimejamento expressivo. Não tem interação com o DNA e apresentou-se como não mutagênico em animais de laboratório (DUPONT, 2012). A aplicação deve ser feita com equipamentos especialmente desenvolvidos para tratamento de sementes que possibilitem uma distribuição homogênea do produto. Em relação à aplicação no sulco do plantio recomenda-se o uso de pulverizadores costais ou tratorizados (DUPONT, 2012). 14 Para sementes de feijão e soja, o volume total da calda não deve ultrapassar 400 mL de solução por 100 kg de sementes. A semente tratada deve ser usada unicamente para o plantio. Não pode ser usada com alimento, ração ou na produção de óleo (DUPONT, 2012). 1.4 TRATAMENTO COM MICRONUTRIENTES 1.4.1 Molibdênio O molibdênio é um elemento encontrado em toda a crosta terrestre, principalmente em solos provenientes de rochas sedimentares (BATAGLIA; FURLANI; VALADARES, 1975). Porém, sua concentração no solo é sempre baixa, excedendo 0,04% somente em depósitos marinhos (GUPTA; LIPSETT, 1981). Por causa de sua baixa reposição, o Mo tem-se esgotado, tornando-se comum a sua deficiência, principalmente, nos solos de cerrado (SFREDO et al., 1997). Por participar da estrutura e ser ativador de diversas enzimas, o Mo é de fundamental importância a todos os vegetais. Essa importância aumenta no caso da soja, que tem a capacidade de estabelecer simbiose com microrganismos fixadores de N2 pertencentes à família Rhizobiaceae. Esses microrganismos infectam as raízes da soja e formam os nódulos, em cujo interior é sintetizado um complexo enzimático, denominado nitrogenase, que rompe a tripla ligação existente entre os átomos de N que formam a molécula do N2 e utilizam esses átomos para produzir duas moléculas de amônia (NH3), que são fornecidas à planta, para sintetizar os compostos nitrogenados. Segundo Solomonson e Barber (1990), a atividade da enzima nitrato redutase afeta a síntese proteica nas plantas. Uma vez que a enzima rubisco, fixadora do CO2 atmosférico no processo fotossintético, representa cerca de 50% de toda a proteína foliar, espera-se um aumento na atividade da enzima nitrato redutase, em função de diferentes concentrações de molibdênio, melhorando a assimilação líquida de CO2 e consequentemente aumentando a taxa de crescimento das plantas. Com o surgimento do problema de deficiência de Mo no solo, tornou-se necessário fornecê-lo à soja através da adubação mineral (SFREDO et al., 1997). A aplicação pode ser feita de diversas formas. No passado, o fornecimento era 15 realizado quando a semente recebia as substâncias necessárias na forma de um pélete que a envolvia (RUSCHEL; ROCHA; PENTEADO, 1970). Nos dias de hoje, essa prática não vem sendo adotada, pois além de diversas formas de aplicação de Mo terem surgidas, o pélete pode dificultar as trocas gasosas da semente. A recomendação atual de aplicação do Mo em soja é via semente antes da aplicação do Bradyrhizobium. Estes produtos à base de Mo podem vir comercialmente na forma de líquidos ou sólidos. Como as quantidades de Mo requeridas pelas plantas são pequenas, a sua aplicação via semente constitui a forma mais prática e eficaz de seu suprimento (GUPTA; LIPSETT; REISENAUER apud VIDOR; PERES, 1988). Não há indicações de que haja toxidez ao Bradyrhizobium, quando a peletização com baixas doses de Mo é feita imediatamente antes da semeadura da soja. Neste caso, ocorrem uma excelente nodulação e aumento na velocidade de crescimento, no número de sementes por vagem e no rendimento de grãos (SFREDO et al., 1997; ROSOLEM, 1982). À medida que se intensificar o cultivo de soja, utilizando variedades altamente produtivas, com técnicas de manejo voltadas para alta produtividade e solos com restrições químicas crescentes, o problema da falta destes nutrientes no solo tendem a aumentar. Como nos diz Sfredo et al. (1997) apesar de não serem totalmente conhecidas a extensão e a importância da deficiência de Mo na produtividade da soja, o problema existe. 1.4.2 Cobalto O cobalto é um nutriente absorvido pelas raízes como Co2+, considerado móvel no floema. Contudo, quando aplicado via foliar, é parcialmente móvel. O Co é essencial para a fixação do N2, pois participa na síntese de cobamida e da leghemoglobina nos nódulos (EMBRAPA, 2003). O cobalto também influencia a absorção de nitrogênio por via simbiótica porque faz parte da estrutura das vitaminas B12, necessárias à síntese de leghemoglobina, que determina a atividade dos nódulos (SOMASEGARAN; HOBEN, 1994). Para o cultivo da soja no Estado do Paraná, as indicações técnicas eram para aplicação de 1 a 5 g ha-1 de Co (EMBRAPA SOJA, 1996) e, atualmente, recomendase de 2 a 3 g ha-1 de Co (EMBRAPA SOJA, 2004) via semente, com produtos de alta 16 solubilidade. As principais fontes de cobalto são o cloreto, o sulfato e o nitrato de cobalto. Apesar da importância do cobalto ao processo de fixação simbiótica do N2, existem dúvidas a respeito da necessidade de sua aplicação para se obter elevado rendimento de grãos de soja. Há evidências de respostas positivas da aplicação de cobalto na fixação biológica do N2 e na produtividade da soja quando a planta está bem suprida de molibdênio (CAMPO; HUNGRIA, 2002). Existem no mercado diversos produtos comerciais que contém molibdênio e cobalto em concentrações variáveis, quase sempre na proporção 10:1 (Mo:Co). Apesar da importância do cobalto ao processo de fixação simbiótica do N2, existem dúvidas a respeito da necessidade de sua aplicação para se obter elevado rendimento de grãos de soja. Há evidências de respostas positivas da aplicação de cobalto na fixação biológica do N2 e na produtividade da soja quando a planta está bem suprida de molibdênio (CAMPO; HUNGRIA, 2002), mas os trabalhos da literatura não têm demonstrado que isso seja verdadeiro (CAMPO; LANTMANN, 1998; SFREDO et al., 1997). Além disso, não são bem conhecidas às doses de cobalto, aplicadas via semente, que poderiam causar efeitos tóxicos para a cultura da soja. 1.4.3 Inoculante Turfoso Bradyrhizobium japonicum A cultura da soja, devido a carga de proteína presente em seus grãos, apresentando um teor médio de 6,5% em seus grãos, necessita de uma grande quantidade de N para o seu desenvolvimento. Segundo Hungria, Campo e Mendes (2001) seriam necessários aproximadamente 240 kg ha-1 de N para uma produção esperada de grão de 3.000 kg ha-1, o que causaria aumento expressivo no custo de produção. Esta fonte de fornecimento pode ser dada de varias formas, entre elas podemos destacar o solo, principalmente pela decomposição da matéria orgânica; a fixação não biológica, resultante de descargas elétricas, combustão e vulcanismo e através do processo de fixação biológica do nitrogênio atmosférico (N2). A fixação biológica é um processo realizado por diversas espécies de bactérias que habitam o solo. Estas bactérias possuem uma enzima chamada dinitrogenase, na qual é capaz de romper a tripla ligação do N2 atmosférico e provocar a sua redução até amônia (NH3), a mesma forma obtida no processo 17 industrial. As bactérias se associam a diversas plantas em diferentes graus de especificidade levando à classificação como bactérias associativas, endofíticas ou simbióticas. No caso da soja, bactérias que pertencem ao gênero Bradyrhizobium se associam simbioticamente às plantas, formando estruturas especializadas nas raízes da soja, chamadas nódulos, nos quais ocorre o processo chamado de fixação biológica. A inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium, é uma importante ferramenta para o acréscimo dos nódulos no sistema radicular da cultura da soja. Torna-se uma prática indispensável em área de primeiro ano de cultivo da cultura da soja, não deixando de ser essencial para áreas com maior número de cultivos. Quando a inoculação é feita na semente de soja, a nodulação inicial ocorre nos primeiros pêlos radiculares (DART, 1977) e degenera-se antes da completa formação de grãos – processo esse que ocorre no período crítico de demanda de nitrogênio pela planta de soja (VARGAS; PERES; SUHET, 1982). Os nódulos formados posteriormente nas raízes, em solo com população estabelecida de rizóbio, prolongam o período de FBN na soja (CIAFARDINI; BARBIERI, 1987). Independentemente da forma de aplicação do inoculante, sabe-se que os ganhos em produtividade decorrentes da inoculação, em áreas já cultivadas anteriormente com soja, são menos expressivos do que os obtidos em solos de primeiro ano (CAMPOS; GNATTA, 2006). Não obstante, têm-se observado ganhos médios de 4,5% no rendimento de grãos com a inoculação em áreas já cultivadas com essa leguminosa (EMBRAPA, 2003). Como a soja é uma leguminosa introduzida e uma das poucas espécies que se associam com Bradyrhizobium japonicum, é pouco provável a ocorrência natural dessa bactéria em solos ainda não cultivados com soja. Entretanto, apesar da dificuldade de estabelecimento de novas estirpes de rizóbio em relação às nativas do solo (DUNINGAN et al., 1984), há possibilidade de que algumas das estirpes introduzidas no solo, juntamente com as sementes ou por meio de inoculação artificial, sobrevivam e se naturalizem (LIMA; LOPES; LEMOS, 1998). A aplicação de inoculante no sulco, junto à semeadura da soja em SPD, poderia resultar no incremento da nodulação, pois posicionaria o rizóbio de forma mais concentrada e ao alcance das raízes, logo após a emergência da plântula (VOSS, 2002). 18 Os inoculantes à base de turfa, cujo pH é previamente corrigido a 6,5-7,0, tem sido utilizados há anos no brasil e no exterior, mostrando excelentes resultados. Dentre outros, é o melhor veiculo para o rizóbio, visto que a turfa é rica em matéria orgânica, resultante da decomposição de restos vegetais, portanto uma fonte importante de nutrientes para as bactérias. Deste modo, a turfa deve apresentar textura fina, baixo teor de argila e isenta de areia e partículas grosseiras. Devido a sua s características, a turfa fornece proteção física às bactérias e por sua capacidade de retenção de umidade, permite maior sobrevivência em condições de deficiência hídrica, bem como sob temperaturas elevadas. A dose de inoculante turfoso utilizada deve ser adequada as características fornecidas pelo fabricante. 19 2 MATERIAIS E MÉTODOS 2.1 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL O presente trabalho foi desenvolvido na área experimental das sementes Hammel, localizada em Coronel Bicaco, RS, geograficamente a 27º42'53.05" de latitude S e 53º37'45.84" de longitude e uma altitude próxima a 238 m. O solo da unidade experimental se caracteriza por um Latossolo Vermelho Distroférrico Típico. Apresenta um perfil profundo, bem drenado, coloração vermelha-escuro, com altos teores de argila e predominância de argilominerais 1:1 e óxi-hidróxidos de ferro e alumínio (SANTOS, 2006). De acordo com a classificação climática de Köeppen, o clima da região se enquadra na descrição de Cfa (subtropical úmido), com ocorrência de verões quentes e sem ocorrência de estiagens prolongadas (KUINCHTNER; BURIOL, 2001). Apresenta ainda invernos frios e úmidos, com ocorrência frequente de geadas. Os meses de janeiro e fevereiro são os meses mais quentes do ano, com temperatura superior a 22ºC, enquanto em junho e julho são os meses mais frios do ano, com temperatura superior a 3ºC. Frente ao volume de pluviosidade, apresenta normalmente volumes próximos a 1600 mm anuais, com ocorrência de maiores precipitações no inverno. A área na qual foi instalado o experimento tem o sistema de semeadura direta consolidada, implantado sobre o precedente cultural de trigo (Triticum spp.) de forma que promova condições mais similares frente a um sistema de cultivo empregado pelos agricultores da região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. 2.2 DELINEAMENTO EXPERIMENTAL Os estudos foram realizados de outubro de 2013 a abril de 2014, correspondendo à safra agrícola 2013/2014, com delineamento de blocos ao acaso com cinco repetições. As unidades experimentais são parcelas de cinco fileiras com 10 metros de comprimento e o espaçamento entre fileiras de 0,52 m, sendo considerada a parcela útil às três fileiras centrais. 20 A semeadura foi realizada no mês de novembro, com dessecação utilizando 2 LTs. de Gramoxone (PARAQUAT) associado a 120 Gr de Clorimurom (CLORIMUROM-ETÍLICO). Em um primeiro processo foram demarcadas as linhas de semeadura e a adubação foi segundo os resultados da análise de solo, num processo realizado no sulco de semeadura com o uso de uma semeadeira mecânica para plantio direto com espaçamento entre linha de 0,53 m, a vácuo, juntamente com semeadura da cultura. Foram utilizadas doze sementes por metro linear, numa profundidade de 4 a 5 cm, a cultivar utilizada é a FPS Antares com hábito de crescimento indeterminado, ciclo médio, com grupo de maturação 6.8. No experimento foram empregados os seguintes tratamentos: T1: Vitavax + Tiram T2: Testemunha T3: Vitavax + Tiram + CoMo + Inoculante T4: Vitavax + Tiram + Inoculante T5: Vitavax + Tiram + CoMo O controle de insetos e moléstias foi realizado de acordo com o nível de dano de cada espécie, através de pulverizações de moléculas químicas de efeito significativo. Neste contexto, foram feitas 5 aplicações de fungicidas utilizando os seguintes ativos: (TRIFLOXISTROBINA + PROTIOCONAZOL), (FLUXAPIROXADE + PIRACLOSTROBINA), (AZOXISTROBINA + CIPROCONAZOL), alternados durante o ciclo da cultura. Já para o controle de Pragas foram utilizados os ativos METOMIL, (LAMBDA-CIALOTRINA + CHLORANTRANILIPROLE), além de um agente biológico Bacullus thutingiensis, var. kurstaki, linhagem HD-1. Já o controle de plantas invasoras foi realizado através de pulverização realizada 30 DAE utilizando 2 Lts de Gliphosate. 2.3 CARACTERÍSTICA DA CULTIVAR ESTUDADA A cultivar utilizada no experimento foi a FPS Antares, lançamento da safra 2012/13, que tem como característica o entre nós mais curto, o que permite um número maior de vagens por planta. 21 Quadro 1: Descrição da cultivar Ciclo Grupo de Maturação Estatura da Planta Hábito de Crescimento Acamamento Cor da Pubescência Cor da Flor Médio 6.8 Alta Indeterminado Resistente Cinza Roxa Quadro 2: Relação às doenças Oídio Cancro da Haste Podridão Parda da Haste Fitóftora Nematóide de Galhas Nematóide de Cisto Mancha Olho de Rã Moderadamente Suscetível Resistente Sem Informação Resistente Suscetível Suscertível Moderadamente Resistente Quadro 3: Características da cultivar Densidade de Plantio Época de Semeadura RS Peso de mil sementes Área de adaptação Fertilidade Indicações 20-28 Pl/m² 25/10 – 10/10 161 gramas RS, PR, SP, MS e GO Exigência média a alta Estabilidade e rusticidade 2.4 VARIÁVEIS ESTUDADAS Foram avaliados os caracteres de interesse agronômico: Número de Legumes por Planta (NLP), Número de Grãos por Legume (NGL), Massa Média de Grãos (MMG), Rendimento Biológico Aparente (RBA), Rendimento de Palha (RP), Índice de Colheita (IC) e Rendimento de Grãos (RG). 2.4.1 Número de Legumes por Planta (NLP) Para esta variável foram utilizadas cinco plantas de cada repetição, em cada tratamento, onde foram contados os número de legumes em cada planta e após submetido a análise de médias. 22 2.4.2 Número de Grãos por Legume (NGL) Após a contagem da variável NLP, foram contados o número de grãos em cada planta, dividindo-os pelo número de legumes. 2.4.3 Massa Média de Grãos (MMG) Aleatoriamente foram separados 1000 grãos de cada amostra e realizado a pesagem para posterior obtenção do resultado da variável. 2.4.4 Rendimento Biológico Aparente (RBA) Nesta análise foram somados os valores referentes ao rendimento de palha e rendimento de grãos, obtendo-se resultados do RBA em kg/ha. 2.4.5 Rendimento de Palha (RP) Para a obtenção dos valores referentes ao rendimento de palha, foram pesadas cinco plantas de cada repetição dos tratamentos subtraindo a massa de grãos. Após, foram transformados estes valores para kg/ha. 2.4.6 Rendimento de Grãos (RG) Para análise de rendimento de grãos, foram colhidas 3 linhas de 10 metros de comprimento nas parcelas, trilhadas utilizando trilhadora mecânica, pesado a massa de grãos convertendo os dados para kg/ha. 2.4.7 Índice de Colheita (IC) Obtido pela relação entre a produção de grãos e pelo rendimento biológico aparente multiplicado por 100 (dado em percentagem). 23 2.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA Os dados foram submetidos à análise de variância para detecção dos efeitos de tratamentos. Foi utilizado o programa Assistat 7.7 Beta e para avaliar as diferenças entre médias de tratamentos usou-se o Teste Tukey a 5% de probabilidade. 24 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES A análise de variância através do quadrado médio dos caracteres avaliados quando a soja foi submetida a diferentes tratamentos de sementes mostrou variação para Rendimento de Grãos (kg/ha), Massa Média de Grãos (MMG g), Número de Legumes por Planta (NLP), Número de Grãos por Legume (NGL), Rendimento Biológico Aparente (RBA kg/ha), Rendimento de Palha (kg/ha) e Índice de Colheita (%), conforme pode ser visualizado na Tabela 1. Os coeficientes de variação são considerados baixos indicando a alta precisão na coleta dos respectivos dados. Tabela 1: Quadrado médio para rendimento de grãos (kg/ha), massa média de grãos (MMG g), número de legumes por planta (NLP), número de grãos por legume (NGL), rendimento biológico aparente (RBA kg/ha), rendimento de palha (kg/ha) e índice de colheita (%) da soja cultivar FPS ANTARES, submetida ao tratamento de semente. SEMENTES HAMMEL, Coronel Bicaco, RS, 2014 CAUSA DE VARIAÇÃO RG (kg/ha) QM. TRATAMENTO 306081 ** CV% 1 MMG (g) 1061 ** 2 NLP (n) 518** 2 NGL (n) 0.48 ** 7 RBA (kg/ha) 55729756 ** 3 PALHA (kg/ha) 48484722 ** 3 IC (%) 84 ** **Significativo ao nível de 1 % de Probabilidade. CV% Coeficiente de Variação. 3 Para rendimento de grãos, o tratamento constituído de Vitavax + Thiran + CoMo + inoculante apresentou maior valor para o caráter (3918 kg/ha) sendo estatisticamente superior aos demais. A testemunha foi o tratamento que apresentou o menor rendimento de grãos com 3223 kg/ha. O mesmo tratamento influenciou de forma significativa na massa média de grãos, número de legumes por planta, número de grãos por legume, rendimento biológico aparente e na produção de palha conforme podemos observar na Tabela 2. O caráter índice de colheita apresentou 25 média estatisticamente inferior aos demais quando a soja recebeu o tratamento composto por Vitavax + Thiran + CoMo + inoculante. Os tratamentos Vitavax + Thiran + inoculante e Vitavax + Thiran + CoMo apresentaram rendimento de grãos estatisticamente iguais com 3590 kg/ha e 3570 kg/ha, respectivamente, se diferenciando do tratamento Vitavax +Thiram (3513 kg/ha) e da testemunha (3223 kg/ha). Tabela 2: Rendimento de grãos (kg/ha), massa média de grãos (MMG g), número de legumes por planta (NLP), número de grãos por legume (NGL), rendimento biológico aparente (RBA kg/ha), rendimento de palha (kg/ha) e índice de colheita (%) da soja cultivar FPS ANTARES, submetida ao tratamento de semente. SEMENTES HAMMEL, Coronel Bicaco, RS, 2014. TRATAMENTO RG (kg/ha) 3918 a MMG (g) 134 a NVP (u) NGV (u) RBA PALHA IC% 79 a 2,66 a 19341 a 15423 a 20 c Vitavax + Thiram + Inoculante 3590 b 126 b 57 c 2,44 ab 12637 c 9046 c 28 a Vitavax + Thiram + CoMo 3570 b 122 c 63 b 2,34 b 14643 b 11074 b 24 b Vitavax + Thiram 3513 c 122 c 57 c 2,2 b 11966 d 8452 d 30 a Testemunha 3223 d 96 d 53 d 1,82 c 10885 e 7662 e 30 a MÉDIA 3563 120 62 2,3 13894 10332 26 CV% 1 2 2 7,2 2 3 3 Vitavax + Thiram + CoMo + Inoculante Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade. ROCHA et al., (1997), realizaram experimentos a campo e em laboratório para avaliar o tratamento de sementes de soja, na Universidade Federal de Goiás – Go, testando várias combinações com Tiram, observando que houve elevação significativa na população de plantas e na produtividade de grãos de soja. Por outro lado, trabalho realizado em Lavras-MG, com Vitavax + Tiram, apesar de alterarem significativamente o estande inicial e final de plantas, não proporcionaram aumento no rendimento de grãos, quando a soja foi submetida a quatro períodos de seca (RESENDE et. al., 2003). 26 Com relação a resposta no rendimento de grãos e componentes avaliados em trabalhos, resultados semelhantes foram obtidos com a aplicação de Co e Mo, na soja, por BÁRBARO et. al. (2013); TIRITAN et. al., (2007) e CRIS, et. al., (2005), evidenciando aumento no rendimento de grãos de soja, quando o Co e Mo foram aplicados via sementes ou via foliar em V5. A inoculação da soja com Bradyrhizobium japonicum tem evidenciado comportamento variável para rendimento de grãos. SANTOS NETO, et. al., (2013) encontrou diferença em produtividade quando a soja foi inoculada comparando com a oleaginosa não inoculada. Incremento no rendimento de grãos também foi obtido por BÁRBARO et. al., (2013); BÁRBARO, et. al., (2013). Não foi encontrado efeito no rendimento de grãos em soja inoculada em trabalho conduzido por CRIS, et. al., (2005). 27 CONCLUSÃO O tratamento de semente composto por Vitavax + Thiran + CoMo + inoculante proporcionou maior ganho no rendimento de grãos de soja (3918 kg/ha) e incrementou significativamente na massa media de grãos, número de legumes por planta, número de grãos por lggegume, rendimento biológico aparente e produção de palha. A associação do Co e Mo com inoculante demostrou ser um prática viável agronomicamente. 28 REFERÊNCIAS ALBINO, U. B.; CAMPO, R. J. Efeito de fontes e doses de molibdênio na sobrevivência do Bradyrhizobium e na fixação biológica de nitrogênio em soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 36, n. 3, p. 527-534, 2001. BATAGLIA, O. C.; FURLANI, P. R.; VALADARES, J. M. A. S. O molibdênio em solos do Estado de São Paulo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 15., 1975, Campinas. Anais. 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