QUEM É O CUIDADOR SOCIAL E QUAL É O SEU PAPEL? Ana Pimentel Barbosa PROJETO FINAL SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ESPECIALISTA EM GESTÃO DO CONHECIMENTO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL. Aprovado por: ________________________________________________ Prof. Marcos do Couto Bezerra Cavalcanti, D. Sc. ________________________________________________ Prof. Paulo Josef Hirsch, D. Sc. ________________________________________________ Prof. André Pereira, D. Sc. ________________________________________________ Prof. Serafim Fortes Paz, D. Sc. RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL DEZEMBRO DE 2009 FICHA CATALOGRÁFICA BARBOSA, ANA PIMENTEL Quem é o Cuidador Social e qual é o seu papel? / Ana Pimentel Barbosa – Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2009. XII, 110 p. 29,7 cm Orientador: Paulo Josef Hirsch Especialização (Projeto Final) – UFRJ/ COPPE/ Programa de Engenharia de Produção, 2009. Referências Bibliográficas: p. 108-110. 1. Cuidado social 2. Cuidador social 3. Mapeamento de competências I. Hirsch, Paulo Josef. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia de Produção. III. Quem é o Cuidador Social e qual é o seu papel? ii Agradecimentos Aos professores do MBKM, que nos possibilitaram a construção de muitos conhecimentos, ao longo do curso. Ao Prof. Marcos Cavalcanti, que sempre estimulou a busca por conhecimento e crescimento profissional, valorizando as nossas produções e os nossos passos. Ao meu Orientador, Prof. Paulo Josef Hirsch, que conseguiu “dar um norte” ao presente trabalho, sempre guiando o rumo do mesmo na melhor direção. À Mestre Doris Fonseca, pela valiosa contribuição durante o curso e, especialmente, durante o processo de produção deste trabalho. Também pela sua generosidade em doar o seu tempo e compartilhar o seu conhecimento, mesmo nos momentos de quase impossibilidade. Ao Prof. Sergio Lins, pela contribuição durante o curso e numa das fases do processo de produção deste trabalho, que foi fundamental. À Paula Salgado, que sempre coordenou o curso com muita competência e compreensão, ajudando-nos em todos os momentos. Ao Prof. Serafim Fortes Paz, que aceitou ser o parecerista do meu trabalho, mesmo com toda a falta de tempo, e o fez com muita competência e generosidade. Ao meu irmão, Emanuel Pimentel Barbosa, que sempre estimulou os meus estudos e que contribuiu bastante com os seus conhecimentos de estatística, quando da aplicação da pesquisa que consta no apêndice deste trabalho. À amiga Terezinha Monteiro Martinez, que vislumbrou, há muitos anos, o atual universo do cuidado e que muito contribuiu para a realização deste trabalho. Aos colegas de FURNAS Centrais Elétricas, que contribuíram de alguma forma com a pesquisa realizada, em especial, aos estagiários supervisionados pela Terezinha Martinez. iii À Izabel Carolina Tonini Caldas, diretora do Comitê FURNAS da Ação da Cidadania, que autorizou a realização da pesquisa numa das turmas de cuidadores. À minha terapeuta, Therezinha Rezende, que muito contribuiu – e continua contribuindo – para o meu crescimento pessoal e profissional, fazendo-me descobrir forças para enfrentar os desafios e orientando-me no caminho que tenho a percorrer. Às cuidadoras Clarisse e Martha, que cuidam da minha mãe com competência, amor e carinho, sem as quais, eu não teria a tranquilidade necessária para concluir este trabalho. Aos cuidadores – que foram meus alunos ou não – que, de alguma, contribuíram para a realização deste trabalho. A todos aqueles que torceram e continuam torcendo por mim. Muito obrigada! Ana Pimentel Barbosa iv Dedicatória Dedico este trabalho a minha mãe, Aziza João, principal motivo da minha escolha do tema deste trabalho. Ela que, antes, cuidou de mim, hoje, é cuidada por mim. A vida é assim: repleta de cuidados. Ana Pimentel Barbosa v Resumo do Projeto Final apresentado à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para obtenção do grau de Especialista em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial. QUEM É O CUIDADOR SOCIAL E QUAL É O SEU PAPEL? Ana Pimentel Barbosa Dezembro/2009 Orientador: Prof. Paulo Josef Hirsch, D. Sc Programa: Engenharia de Produção Este trabalho estuda os fatores que têm contribuído para o aumento da demanda por cuidado, especialmente no contexto brasileiro, e o consequente surgimento do cuidador social como uma alternativa de atendimento à referida demanda. Procura investigar e definir quem é o cuidador social e qual o seu papel neste contexto. Analisa os impasses gerados por causa do surgimento deste novo personagem, investigando as possíveis causas destes impasses. Ao final, é proposto um modelo cujo objetivo é criar uma identidade da ocupação de cuidador social. Palavras Chaves: Competência – Cuidado – Cuidador Social – Envelhecimento. vi Abstract of Final Project presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of specialist in Knowledge Management and Business Intelligence. WHO IS THE CAREGIVER SOCIAL AND WHAT IS YOUR ROLE? Ana Pimentel Barbosa Novembro/2009 Advisor: Prof. Paulo Josef Hirsch, D. Sc. Department: Industrial Engineering This work studies the factors that have contributed to the increased demand for care, especially in the Brazilian context, and the consequent emergence of social caregiver as an alternative service to that demand. It investigates and establishes who the social caregiver is and what their role he is. Analyzes the impasses generated because of the emergence of this new character, investigating the possible causes of this impasses. In the end, is proposes a model whose objective is to create an identity of the occupation of social caregiver. Key-words: Competence – Care – Social Caregiver – Aging. vii SUMÁRIO 1. Introdução/Contextualização: ............................................................................... 01 1.1. Demanda por cuidado....................................................................................... 01 1.2. Atendimento domiciliar ou Instituição asilar: eis a questão............................... 06 1.3. Os cuidadores sociais estão preparados para atender à atual demanda por cuidado?............................................................................................................ 09 2. Referencial teórico: ................................................................................................ 13 2.1. O que é cuidado? ............................................................................................. 13 2.2. O que é uma ocupação?................................................................................... 14 2.3. O que é a ocupação de Cuidador/Cuidador Social?......................................... 15 2.4. A ocupação de Cuidador Social e a profissão de Enfermagem ..................... 18 2.5. O que são competências? ................................................................................ 20 3. Diagnóstico: ............................................................................................................ 26 4. Modelo para o Mapeamento das competências da ocupação de Cuidador Social: .......................................................................................................................... 32 5. Conclusões e Recomendações:............................................................................ 36 Apêndice I – Análise da pesquisa 1 – Cuidadores Sociais..................................... 39 Apêndice II – Análise da pesquisa 2 – Contratantes de Cuidadores Sociais ....... 52 Apêndice III – Análise da pesquisa 3 – Profissionais que lidam com Cuidadores Sociais ......................................................................................................................... 58 Gráficos ....................................................................................................................... 64 Tabelas ........................................................................................................................ 83 Bibliografia ................................................................................................................ 108 viii ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Perfil dos Cuidadores – SEXO....................................................................... Gráfico 2 – Perfil dos Cuidadores – IDADE...................................................................... Gráfico 3 – Perfil dos Cuidadores – ESCOLARIDADE..................................................... Gráfico 4 – Perfil dos Cuidadores – RELIGIÃO................................................................ Gráfico 5 – Perfil dos Cuidadores – Se trabalha como cuidador.................................... Gráfico 6 – Perfil dos Cuidadores – Há quanto tempo trabalha como cuidador............. Gráfico 7– Perfil dos Cuidadores – saúde ...................................................................... Gráfico 8 – Perfil dos Cuidadores – Problemas de saúde.............................................. Gráfico 9 – Experiência do Cuidador antes do curso ....................................................... Gráfico 10 – Experiência para exercer a ocupação de cuidador...................................... Gráfico 11 – Se o Cuidador pretende continuar estudando ............................................. Gráfico 12 – Se o Cuidador tem o hábito de ler/estudar por conta própria ...................... Gráfico 13 – Se o Cuidador costuma trocar ideias/experiências com outros cuidadores Gráfico 14 – O que levou o Cuidador a escolher tal ocupação ........................................ Gráfico 15 – Principais dificuldades do Cuidador para exercer tal ocupação (gráfico resumo da pergunta 18, tabela 8)................................................................ Gráfico 16 – Valores éticos citados pelos Cuidadores ..................................................... Gráfico 17 – Outros (valores éticos citados pelos Cuidadores)........................................ Gráfico 18 – Perfil da pessoa cuidada – Sexo.................................................................. Gráfico 19 – Perfil da pessoa cuidada – faixa etária ........................................................ Gráfico 20 – Perfil da pessoa cuidada – principais dificuldades apresentadas................ Gráfico 21 – Perfil dos contratantes – Sexo ..................................................................... Gráfico 22 – Perfil dos contratantes – Idade .................................................................... Gráfico 23 – Perfil dos contratantes – Escolaridade......................................................... Gráfico 24 – Perfil dos familiares (de contratantes) sendo cuidados – Idade .................. Gráfico 25 – Perfil dos familiares (de contratantes) sendo cuidados – Saúde ................. Gráfico 26 – Forma de contratação do cuidador .............................................................. Gráfico 27 – Dificuldades na contratação do cuidador, relatadas pela família................. Gráfico 28 – Se o contratante sabe quais são as atribuições do cuidador....................... Gráfico 29 – Se o contratante sabe diferenciar as atribuições do cuidador ..................... Gráfico 30 – Se o contratante considera que os conhecimentos e habilidades do cuidador são suficientes para exercer a ocupação...................................... Gráfico 31 – Valores que o contratante considera imprescindíveis a um bom cuidador.. ix Gráfico 32 – Perfil dos profissionais – profissão............................................................... Gráfico 33 – Perfil dos profissionais – escolaridade......................................................... Gráfico 34 – Perfil dos profissionais – tempo de trabalho na área do cuidado ................ Gráfico 35 – Valores imprescindíveis a um bom cuidador, segundo os profissionais...... Gráfico 36 – Opinião dos profissionais quanto à escolaridade mínima do cuidador ........ Gráfico 37 – Se a ocupação de cuidador tem suas atribuições bem definidas ................ x ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 – Complemento da pergunta 11 ........................................................................ Tabela 2 – Porque os cuidadores pretendem continuar estudando ................................. Tabela 3 – Como costumam trocar ideias/experiências com outros cuidadores ............. Tabela 4 – Motivo para tornar-se cuidador....................................................................... Tabela 5 – Outros motivos para tornar-se cuidador ......................................................... Tabela 6 – Do que os cuidadores mais gostam na sua ocupação ................................... Tabela 7 – Do que os cuidadores menos gostam na sua ocupação................................ Tabela 8 – Principais dificuldades do cuidador para exercer a ocupação........................ Tabela 9 – Resumo das respostas da pergunta 18 (tabela 8).......................................... Tabela 10 – Valores indispensáveis a um bom cuidador ................................................. Tabela 11 – Dados da tabela 10 resumidos ..................................................................... Tabela 12 – Perfil da pessoa cuidada. (NI = Não informado)........................................... Tabela 13 – Síntese dados da tabela 12 .......................................................................... Tabela 14 – Principais atribuições exercidas pelos cuidadores ....................................... Tabela 15 – Escolaridade dos contratantes ..................................................................... Tabela 16 – Principais dificuldades apresentadas pelas pessoas cuidadas .................... Tabela 17 – Perfil familiar cuidado – Idade ...................................................................... Tabela 19 – Dificuldades enfrentadas para a contratação de um cuidador ..................... Tabela 20 – Porque contratou um cuidador (em vez de enfermeiro ou familiar cuidar)... Tabela 21 – Como o contratante soube quais são as atribuições do Cuidador ............... Tabela 22 – Principais responsabilidades atribuídas ao Cuidador................................... Tabela 23 – Resumo da tabela 22 – Responsabilidades do Cuidador............................. Tabela 24 – O que os contratantes acham que falta aos cuidadores .............................. Tabela 25 – Valores que o contratante considera imprescindíveis a um bom cuidador .. Tabela 26 – Perfil dos profissionais – profissão ............................................................... Tabela 27 – Perfil dos profissionais – escolaridade ......................................................... Tabela 28 – Tempo que trabalha com a temática do cuidado.......................................... Tabela 29 – Principais problemas nas relações cuidador/pessoa cuidada ...................... Tabela 30 – Principais problemas nas relações cuidador/familiares da pessoa cuidada. Tabela 31 – Opinião dos profissionais sobre os conhecimentos imprescindíveis a um bom cuidador ............................................................................................... Tabela 32 – Opinião dos profissionais sobre as habilidades imprescindíveis a um bom cuidador ....................................................................................................... xi Tabela 33 – Opinião dos profissionais sobre os valores imprescindíveis a um bom cuidador ....................................................................................................... Tabela 34 – Resumo tabela 33......................................................................................... Tabela 35 – Escolaridade mínima cuidador ..................................................................... xii INTRODUÇÃO 1.1. Demanda por cuidado: No atual cenário mundial e – no caso mais específico, que será analisado, no Brasil – pode-se notar que diferentes fatores têm contribuído para o aumento da demanda por cuidado, especialmente para a parcela mais idosa da população. O primeiro desses fatores, diz respeito ao envelhecimento populacional, que vem aumentando significativamente nas últimas décadas. Segundo (KALACHE, 1987, p.201): “O envelhecimento da população mundial é um fenômeno novo ao qual mesmo os países mais ricos e poderosos ainda estão tentando se adaptar. O que era no passado privilégio de alguns poucos passou a ser uma experiência de um número crescente de pessoas em todo o mundo. Envelhecer no final deste século já não é proeza reservada a uma pequena parcela da população.” Nota-se, portanto, que este primeiro fator que está sendo analisado: o envelhecimento populacional, afeta a todos, indiscriminadamente. Cada país vem tentando adaptar-se a essa nova realidade de formas diferentes. A grande questão parece residir justamente aí, isto é, na forma como cada país sentirá os efeitos do envelhecimento e as possíveis soluções que cada um encontrará. Pesquisando sobre o envelhecimento no Brasil, depara-se com números bastante expressivos e que tendem a aumentar, conforme apontam os dados do IBGE (2009): “O índice de envelhecimento aponta para mudanças na estrutura etária da população brasileira. Em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos existem 24,7 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro muda e para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172,7 idosos.” Tais dados mostram que, no Brasil, a população idosa, dentro de 40 anos, será bem maior do que a população de crianças, jovens e adultos com idade inferior a 65 anos. Este aumento da expectativa de vida é decorrente dos avanços da medicina e das melhorias nas condições gerais de vida da população e, segundo o IBGE (2009), “repercutem no sentido de elevar a média de vida do brasileiro (expectativa de vida ao nascer) de 45,5 anos de idade, em 1940, para 72,7 anos, em 2008, ou seja, mais 27,2 anos de vida.” Ainda segundo a projeção feita pelo IBGE (2009), “o país continuará galgando anos na vida média de sua população, alcançando em 2050 o patamar de 81,29 anos, basicamente o mesmo nível atual da Islândia (81,80), Hong Kong, China (82,20) e Japão (82,60).” O que se pode perceber, diante destes últimos dados apresentados, é que a expectativa de vida no Brasil deverá alcançar, no decorrer dos próximos quarenta anos, índices bem mais elevados que os atuais, o que exigirá mudanças significativas nas atuais estruturas de apoio e de cuidado à pessoa idosa, dentre outras mudanças que não nos cabem analisar, no momento, como a necessidade de uma reforma previdenciária, melhoria das condições da saúde pública, por exemplo. Os estudos e dados apresentados até o momento já nos dão um panorama da situação atual e fazem projeções para o futuro, dando-nos a possibilidade de prever que tipos de mudanças podem advir etc. Até aqui, o foco foi a questão do envelhecimento populacional, mas como comentado, há outros fatores responsáveis pela atual demanda por cuidados. Alguns dos fatores importantíssimos são mencionados por CAMARANO (2007), no texto: “Como na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, o envelhecimento da população brasileira tem sido acompanhado pelo envelhecimento da própria população idosa e por transformações acentuadas nos arranjos familiares. Desde os anos 1970, essa sociedade tem assistido a uma queda acelerada na fecundidade e na mortalidade nas várias idades, a mudanças no padrão de nupcialidade, expressa pelo adiamento na idade de se casar, pelo aumento no número de separações, de recasamentos e o incremento na proporção de pessoas que nunca se casam. Isto ocorre concomitantemente ao aumento generalizado da escolaridade feminina, à inserção maciça das mulheres no mercado de trabalho e a modificações nos sistemas de valores. Essas modificações podem enfraquecer os laços de solidariedade intergeracionais e já estão resultando em transformações nas formas de apoio à população idosa.” (p. 169) grifo nosso As transformações no cenário populacional brasileiro, conforme pontua historicamente CAMARANO, acima, revelam que diversos fatores contribuíram para a mudança nas formas de apoio à população idosa, conforme grifamos acima. Analisaremos cada um destes fatores. O IBGE (2009) aponta que “A fecundidade no Brasil foi diminuindo ao longo dos anos, basicamente como consequência das transformações ocorridas na sociedade brasileira, de modo geral, e na própria família, de maneira mais particular. (...) já apresentam estimativas que colocam a fecundidade feminina no Brasil abaixo do nível de reposição das Gerações (1,95 filho por mulher).” Isto significa que os nascimentos não estão sendo suficientes para repor as futuras gerações. Aliando-se este fato ao aumento da população idosa, pode-se 2 verificar que “O país caminha velozmente rumo a um perfil demográfico cada vez mais envelhecido” (IBGE, 2009). Percebe-se que o perfil da família brasileira vem mudando, nas últimas décadas, pois a emancipação da mulher e o aumento de sua escolaridade e ingresso no mercado de trabalho reduziram a disponibilidade da mesma para o cuidado dos filhos – uma vez que a tarefa de cuidar, historicamente, sempre foi atribuída à mulher. Esta nova geração de mulheres, portanto, não dispõe mais do tempo que outrora as mulheres dispunham para as tarefas domésticas. Tal fato e o aumento do custo de vida, nas últimas décadas, justificam a redução da taxa de fecundidade no Brasil. Embora ainda haja outros fatores, como citado por alguns autores, tal questão não será aprofundada aqui. Nota-se que a disponibilidade da família, especialmente da mulher – como dissemos acima – para o cuidado dos demais familiares e da casa foi reduzida, ao longo das últimas décadas. Paralelamente, como analisado no início deste trabalho, vem ocorrendo o aumento da expectativa de vida. As questões até aqui discutidas, de certa forma, podem ser resumidas no texto de CAMARANO (2007): “As perspectivas para o futuro próximo são de crescimento a taxas elevadas da população idosa e ‘muito idosa’, provocado pela entrada da coorte dos baby boomers na última fase de vida (elderly boomers) e pela redução da mortalidade nas idades avançadas. Apesar de esse crescimento estar acompanhado por uma melhora das condições de saúde desse segmento populacional, o número de idosos com fragilidades físicas e / ou mentais tende a aumentar. Além de mais numerosa, essa nova coorte será composta por mulheres com um perfil diferenciado das atuais idosas. Serão mais escolarizadas, mais engajadas no mercado de trabalho e com menor número de filhos, características compatíveis com o fato de fazerem parte da coorte que participou da revolução sexual e familiar ocorrida a partir de meados da década de 1960. Em síntese, esperase que aumente o número de idosos dependentes de cuidados e que a oferta de cuidadores familiares se reduza.” (p. 170) (grifo nosso) Torna-se evidente que houve um aumento da população idosa e muito idosa e, ao mesmo tempo, uma redução da oferta de cuidadores familiares. Este paradoxo que se apresenta como resultado das transformações sociais anteriormente abordadas leva-nos à seguinte reflexão proposta por (CAMARANO, 2007, p.170): “Isso levanta a questão de quem oferecerá cuidados para esse grupo populacional: a família ou as instituições? A resistência em instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) não é uma prática comum nos países do hemisfério Sul. Historicamente, as instituições têm sido vistas com resistência e preconceito, tradicionalmente como ‘depósito de idosos’, como lugar de 3 exclusão, dominação e isolamento ou simplesmente ‘um lugar para morrer’ (Novaes, 2003). Em geral, as famílias que decidem pela institucionalização de seus idosos são vistas como praticando o abandono e tendem a experimentar forte sentimento de culpa. Os idosos de hoje nasceram numa época em que o papel da família (em especial, o da mulher) como a cuidadora dos membros dependentes era claramente estabelecido nos contratos de gênero e intergeracionais, resultando numa expectativa elevada por parte dos idosos de receberem o cuidado familiar.” (grifo nosso) O questionamento acima leva-nos à procura por respostas capazes de satisfazer esta difícil questão. Se, por um lado, a família apresenta pouca disponibilidade para prover os cuidados necessários aos idosos, por outro, surge a necessidade de provimento de tais cuidados por parte de instituições do Estado e por parte do mercado. Conforme (CAMARANO, 2007, p.174): “À medida que a família se torna cada vez menos disponível para desempenhar o papel de cuidadora de seus dependentes, crescem as demandas para que o Estado e o mercado ampliem o seu escopo de atuação.” (grifo nosso) A mesma autora também afirma que “A maior participação da mulher no mercado de trabalho, a fecundidade mais baixa e as mudanças na nupcialidade estão alterando a oferta de cuidadores.” (p. 173) (grifo nosso) Também concorda com essa opinião YAMADA (2006) ao afirmar que “A inserção da mulher no mercado de trabalho e a diminuição das taxas de natalidade vêm provocando uma redução no número de pessoas disponíveis na família para assumir o cuidado domiciliar de idosos dependentes.” (p.669) grifo nosso Nota-se, portanto, a partir das reflexões e estudos apresentados neste trabalho, até aqui, que houve um expressivo aumento da demanda por cuidado para suprir a indisponibilidade familiar. Especialmente de cuidado para pessoas idosas. E, especificamente pelo que afirma Camarano, há necessidade de o Estado ampliar seu escopo de atuação, ou seja, oferecer formas de atendimento a tal demanda. Mas, conforme já mencionado, as instituições asilares têm sido vistas com resistência e preconceito e como lugar de exclusão, isolamento etc. A grande questão passa a ser, agora, se os idosos devem ser acolhidos por instituições asilares – públicas ou privadas – ou haveria outra alternativa? Vejamos, neste momento, o que nos diz a legislação brasileira sobre essa questão, através da citação de CAMARANO e PASINATO (2004): 4 “No Brasil, a Constituição Federal de 1988 preconiza o atendimento aos idosos em seus domicílios como preferencial, em detrimento do atendimento proporcionado por instituições residenciais. Tal princípio também foi expresso na Política Nacional do Idoso (PNI) de 1994. A despeito dessas recomendações e do consenso entre os especialistas de que a manutenção do idoso em ambientes familiares é mais adequada para o seu bem-estar, reconhece-se a necessidade de estabelecer políticas públicas que possibilitem a modalidade de atendimento institucional a determinados idosos (Camarano e Pasinato, 2004).” (p.171) grifo nosso Reforçando o que a Constituição Federal preconiza e o que – segundo os autores acima, seria “consenso entre os especialistas”, a solução mais adequada seria manter os idosos em seus domicílios – também temos “O Estatuto do Idoso, sancionado em 2003, reforça a legislação anterior no que diz respeito ao cuidado do idoso, priorizando também o seu atendimento no interior da família, em detrimento do atendimento asilar.” (p.171) Antes de continuarmos as reflexões acerca da institucionalização ou não do idoso, cabe-nos diferenciar o idoso independente daquele que é considerado dependente, uma vez que as necessidades de atendimento e cuidados são diferenciadas. Para tal, encontram-se subsídios nos artigos de Úrsula Karsch, “Idosos dependentes: famílias e cuidadores” (2003) e de YAMADA, “Aspectos éticos envolvidos na assistência a idosos dependentes e seus cuidadores” (2006). Para melhor diferenciação, pode-se recorrer a KARSCH (2003, p.862) que explica: “O envelhecimento é considerado um fenômeno natural e processual que transforma pessoas adultas, saudáveis, produtivas e independentes em pessoas frágeis, vulneráveis, dependentes e muitas vezes acometidos de doenças crônicas e degenerativas que são as principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade do idoso em todas as regiões do mundo, inclusive nos países em desenvolvimento (OPAS, 2005).” Sendo considerado um fenômeno natural, entende-se que ser idoso não significa ser dependente. Há idosos que têm algum tipo de doença que não os torna dependentes, pois fazem praticamente todas as suas atividades de vida diária (AVD) normalmente, sem necessidade de auxílio. Há os idosos que – conforme menciona Karsch – são acometidos por doenças crônicas e degenerativas (que, não raro, levam à incapacidade) e, neste caso, tornam-se dependentes. Para estes últimos, há especial necessidade de cuidados, que serão realizados pela família ou por outros 5 meios, como instituições públicas ou privadas ou pela contratação de um enfermeiro ou de um cuidador, conforme o caso. KARSCH (2003, p. 862) também afirma que: “Estudos revelam que cerca de 40% dos indivíduos com 65 anos ou mais de idade precisam de algum tipo de ajuda para realizar pelo menos uma tarefa como fazer compras, cuidar das finanças, preparar refeições e limpar a casa. Uma parcela menor (10%) requer auxílio para realizar tarefas básicas, como tomar banho, vestir-se, ir ao banheiro, alimentar-se, sentar e levantar de cadeiras e camas, segundo Medina (1998). Estes dados remetem à preocupação por mais de 6 milhões de pessoas e famílias, e a um e meio milhão de idosos gravemente fragilizados no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2001 (IBGE, 2002).” Conforme estudos e pesquisas apontados acima, pode-se notar que uma parcela considerável dos idosos precisa de ajuda para a realização de suas atividades de vida diária (AVD). Nestes casos, um cuidador – seja ele um familiar ou não – pode dar conta do atendimento a tais necessidades. Tal número torna-se mais significativo se observado o total no Brasil, apontado pelo IBGE. Nota-se, portanto, que existe hoje uma grande demanda por cuidado e que a mesma tende a crescer nos próximos anos e décadas. Para o atendimento dessa demanda crescente, entende-se que é necessário que o Estado amplie o seu escopo de atuação, como mencionado anteriormente, e que outras formas de atendimento sejam criadas e / ou aprimoradas. Pergunta-se, então: estaria o Estado preparado para o atendimento de tal demanda? Ainda que haja uma infraestrutura pública para tal atendimento, esta seria a opção mais adequada? 1.2. Atendimento domiciliar ou Instituição asilar: eis a questão. Discutiu-se acerca do questionamento sobre quais seriam as melhores formas de atendimento ao idoso dependente. Em tal discussão, constatou-se que é “consenso entre os especialistas”, que a solução mais adequada seria manter os idosos em seus domicílios, em detrimento do atendimento por instituições asilares. Além disso, tanto a Constituição Federal, quanto o Estatuto do Idoso entendem que a manutenção do idoso em seu domicílio seria a opção preferencial e mais adequada ao seu bem estar. 6 Assim, reiterando tal discussão, segundo YAMADA (2006): “Muitas vezes em situações de dependência ou enfermidade, a assistência domiciliar é a melhor opção para a recuperação do idoso. Neste caso, os riscos de infecções secundárias, estresse e distúrbios psicoemocionais são menores do que o observado em ambiente hospitalar. Entretanto a manutenção do paciente em domicílio exige que familiares, especialmente cônjuges e filhos, assumam o cuidado, o que pode exigir a reorganização familiar.” (p.669) Pode-se constatar que o autor acima referenciado também defende a mesma opinião que os autores anteriormente citados, no que diz respeito à preferência pelo atendimento e cuidados domiciliares. Mas também já ficou evidenciado, no decorrer deste estudo, que as mudanças ocorridas na sociedade mudaram muito o perfil da família brasileira, que não dispõe de tempo e condições gerais para dispensar cuidados aos seus idosos. Desta forma, em muitos casos, mesmo havendo uma “reorganização familiar”, como propõe o autor acima, nem sempre é possível afastar a possibilidade de asilamento do idoso, pois a família não consegue dar conta de tais cuidados. Com relação a isto, KARSCH (2003) levanta importante questão: “Cuidar do idoso em casa é, com certeza, uma situação que deve ser preservada e estimulada; todavia, cuidar de um indivíduo idoso e incapacitado durante 24 horas sem pausa não é tarefa para uma mulher sozinha, geralmente com mais de 50 anos, sem apoios nem serviços que possam atender às suas necessidades, e sem uma política de proteção para o desempenho deste papel. Em países mais desenvolvidos, em que o envelhecimento populacional foi mais lento e recebeu mais atenção durante décadas, foi construída uma rede de organizações maiores e menores, que se define como community care, e cujo grande objetivo é manter o idoso em sua casa oferecendo suportes para a família e o cuidador.” (p.863) Como se sabe, a tarefa de cuidar, historicamente, é atribuída à mulher. No texto acima, a autora evidencia a necessidade de apoio – mesmo quando algum familiar cuida do idoso, no domicílio – de forma que o mesmo não fique sobrecarregado. A autora também menciona o tipo de apoio existente em países mais desenvolvidos, que oferecem suporte para a família e o cuidador. No Brasil, a realidade é bem diferente daquela existente nos países desenvolvidos e, diferentemente dos mesmos, também, o envelhecimento populacional ocorreu de forma bem mais acelerada. 7 Portanto, o entendimento geral é que “Por motivos vários, como a redução de custo da assistência hospitalar e institucional aos idosos incapacitados, a atual tendência, em muitos países e no Brasil, é indicar a permanência dos idosos incapacitados em suas casas sob os cuidados de sua família.” (Karsch, 2003, p.862) Pelos motivos já expostos, e pelo que afirma Karsch, acima, nota-se que – seja porque as instituições públicas ainda não estão preparadas para suprir a atual demanda por cuidado; seja porque o sistema se saúde no Brasil precisa melhorar; seja porque ainda há grande preconceito com relação ao asilamento; seja porque é melhor para o bem estar do idoso, seja qual for o motivo – a principal recomendação é a manutenção do idoso sob os cuidados da família. A mesma autora ainda ressalta que “A freqüência das doenças crônicas e a longevidade atual dos brasileiros são as duas principais causas do crescimento das taxas de idosos portadores de incapacidades. A prevenção das doenças crônicas e degenerativas, a assistência à saúde dos idosos dependentes e o suporte aos cuidadores familiares representam novos desafios para o sistema de saúde instalado no Brasil.” (p. 862) Com relação à questão do asilamento ou não do idoso, CALDAS (2003) também se expressa a respeito, dizendo: “No Brasil, a Política Nacional de Saúde do Idoso (Brasil, 1999), reconhecendo a importância da parceria entre os profissionais de saúde e as pessoas que cuidam dos idosos, aponta que essa parceria deverá possibilitar a sistematização das tarefas a serem realizadas no próprio domicílio, privilegiando-se aquelas relacionadas à promoção da saúde, à prevenção de incapacidades e à manutenção da capacidade funcional do idoso dependente e do seu cuidador, evitando-se assim, na medida do possível, hospitalizações, asilamento e outras formas de segregação e isolamento.” Diante do exposto neste trabalho, até o momento, pode-se perceber que a realidade brasileira é bastante diferente da existente em outros países, como já foi dito. Nela, há novos desafios que precisam ser superados. Pergunta-se, então, quem vai cuidar dos nossos velhos? Diante das questões analisadas e do contexto em que estamos vivendo, no qual passou a existir uma crescente demanda por cuidado em nossa sociedade, teve origem uma nova função/ocupação: a do CUIDADOR SOCIAL, profissional contratado 8 pela família para exercer os cuidados básicos e apoio às atividades de vida diária do idoso ou de qualquer pessoa – não necessariamente idosa. Sendo ainda recente, a função de “Cuidador” ainda é considerada como ocupação pela CBO - Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho, Emprego e Renda, não tendo reconhecimento como profissão. Observa-se, também, que o surgimento desta nova função/ocupação como possível solução e / ou minimização quanto ao atendimento da demanda existente e o crescimento contínuo de tal demanda fizeram crescer, paralelamente, a procura por tal ocupação por parte das pessoas, como forma de reinserção no mercado de trabalho. 1.3. Os cuidadores sociais estão preparados para atender à atual demanda por cuidado? Conforme já discutido anteriormente, mas cabe reforçar, no atual cenário brasileiro, “em virtude do aumento expressivo da população idosa em nosso país e a mudança estrutural da família contemporânea, surge a necessidade do cuidador domiciliário de idosos no mercado de trabalho.” (CHAVES, 2009). Reiterando tal demanda por cuidado, DUARTE (2006) também explica: “Uma das conseqüências dessas alterações foi o aumento expressivo, na comunidade, de pessoas com incapacidades (física, mental e/ou social), de diferentes níveis e com graus variáveis de dependência requerendo o auxílio temporário ou permanente de outras pessoas para continuarem a viver em suas moradias. A essas pessoas denominamos “cuidadores”. (p.37) grifo nosso CHAVES (2009) complementa o que disse anteriormente relatando saber que “(...) os cuidadores já estão desempenhando suas funções, mas com que qualidade e em que condições esse serviço está sendo prestado aos idosos? Os cuidadores possuem capacitação para tal função? Quem são essas pessoas que exercem a atividade de cuidadores domiciliários?” (CHAVES, 2009) grifo nosso Nota-se que os questionamentos apresentados no início deste capítulo também são compartilhados por outros como, por exemplo, MELLO (2008), que – referindo-se ao questionário de seu estudo – constatou que “As respostas indicaram que a maioria dos cuidadores tem a idéia de que seu cuidado depende da experiência que eles têm com os idosos, ignorando a necessidade de qualificação para tal função.” (p.267) grifo nosso 9 Conforme aponta o autor acima, para a maioria dos cuidadores, a qualidade do cuidado realizado é algo definido tão somente pela experiência. Evidentemente, não se pode ignorar a importância do conhecimento que pode ser elaborado e construído através da experiência, mas não se pode concordar que para o exercício da ocupação de cuidador não seja necessária a realização de uma boa capacitação. Para o cuidador, portanto, estar preparado para exercer tal ocupação – cujas atribuições ainda não estão devidamente descritas, apontadas – é ter experiência, é saber fazer um conjunto de tarefas com as quais ele já está familiarizado, acostumado a fazer, muitos deles, há muito tempo. Como perguntado anteriormente, “mas com que qualidade?”. Segundo o mesmo estudo, o autor destaca que “Por outro lado, poucos cuidadores, os com maior grau de escolaridade, demonstraram em suas falas a necessidade de uma preparação adequada para o cuidado de idosos, enfatizando sempre a importância de estar preparado para lidar com as doenças da velhice.” (MELLO, 2008, p. 267) grifo nosso Evidencia-se - com a análise do autor, na citação acima – que os cuidadores cujo grau de escolaridade é maior são justamente aqueles que têm o entendimento de que é necessário ter conhecimento e qualificação para o exercício da ocupação de cuidador e, evidentemente, de qualquer outra ocupação. Nota-se, ainda, que os demais cuidadores – com menor grau de escolaridade – segundo o referido estudo, atribuem demasiado valor à experiência, em detrimento do conhecimento. Seria, o “saber-fazer”, adquirido pela experiência, sobrepondo-se ao conhecimento, ou seja, ao “saber” capaz de oferecer embasamento à prática profissional. Referindo-se à pesquisa que realizou, MELLO (2008) destaca que: “Em relação ao treinamento para cuidar de idosos constatou-se que 7% (3) dos cuidadores são treinados para tal função e que 93,0% (40) dos cuidadores não tem treinamento para cuidar de idosos.” (CHAVES, 2009) O resultado da pesquisa, apresentado acima, mostra que a maioria dos cuidadores entrevistados não realizou treinamento/capacitação para o exercício da referida ocupação. O fato de a maioria dos cuidadores não ter realizado treinamento/capacitação leva-nos a concluir que os mesmos estão exercendo tal ocupação baseados apenas na experiência, como já foi dito, e no senso comum. 10 Com relação a isso, LACERDA (2008) alerta: “Para realizar o cuidado no domicílio é preciso ter conhecimento técnico e científico (e não um conhecimento do senso comum) para atender as necessidades do paciente.” (p.344) Segundo o mesmo autor: “O cuidado domiciliar tem gerado um mercado de trabalho informal composto por pessoas leigas que cuidam de forma, às vezes, pouco efetiva e com baixa qualidade.” (p.343) A questão reforçada pelo autor acima, também compartilhada pelos autores anteriormente citados, leva-nos a identificar uma grande preocupação com relação à qualidade do trabalho desenvolvido pelo cuidador e à falta de preocupação do mesmo com a sua própria capacitação para o exercício da referida ocupação. Somando-se às questões já apontadas (falta de preparo/capacitação adequada para o exercício da ocupação, excessiva valorização da experiência por parte dos cuidadores etc.), nota-se que o surgimento do cuidador no mercado, a partir da demanda identificada, passou a gerar uma espécie de estranhamento por parte de outras ocupações/profissões: os profissionais de enfermagem e os empregados domésticos (ocupam-se dos afazeres domésticos, limpeza da casa etc.). De modo geral, pode-se notar que o cuidador é comumente confundido com o profissional “empregado doméstico” e/ou com o profissional de enfermagem. Inclusive, os órgãos de classe, representativos das profissões citadas, têm se manifestado contrários ao reconhecimento da função/ocupação de cuidador como profissão porque entendem e alegam que as atribuições do cuidador são atribuições de suas respectivas áreas profissionais. Há cerca de dez anos, o autor deste trabalho leciona em turmas de cuidadores sociais – muitos destes, aliás, são ex-empregados domésticos – e tem ouvido depoimentos que reiteram tal questão. São comuns as queixas com relação aos limites da ocupação de cada um. Percebe-se, nitidamente, que as atribuições dos cuidadores não estão claras, não estão definidas, provocando, assim, o estranhamento anteriormente mencionado. Os profissionais de enfermagem têm suas atribuições bem definidas e, inclusive, reconhecimento como profissão. Os profissionais domésticos também já têm um reconhecimento como ocupação e atribuições definidas. Pode-se entender, portanto, que o foco da questão, isto é, o principal problema é que as atribuições dos cuidadores sociais não estão devidamente definidas, fazendo com que a referida ocupação seja confundida com outras. Não há, portanto, uma identidade da ocupação de cuidador social que lhe permita ser diferenciada das 11 demais ocupações. Não estando claras tais atribuições, torna-se difícil, também, uma capacitação adequada para o exercício da referida ocupação. Assim, na busca por uma possível solução para o problema identificado, nos próximos capítulos, tal questão será aprofundada. 12 2. REFERENCIAL TEÓRICO - CONCEITUAÇÕES 2.1. O que é Cuidado? Para que se possam entender melhor as questões aqui abordadas e, especialmente, entender o papel do cuidador, faz-se necessário conceituar o cuidado. Primeiramente, recorrendo-se ao dicionário AURÉLIO (1986), podem-se encontrar os seguintes significados para a palavra cuidado: “Atenção, precaução, cautela, diligência, desvelo, zelo, encargo, responsabilidade”, dentre outras. Para uma reflexão mais aprofundada acerca do significado da palavra cuidado, cabe recorrer à definição de BOFF (1999), na qual ele diz: “O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.” (p. 33) BOFF (1999) também afirma que “(...) o ser humano é um ser de cuidado, mais ainda, sua essência se encontra no cuidado. Colocar cuidado em tudo o que projeta e faz, eis a característica singular do ser humano.” (p. 35) Analisando as afirmações de BOFF, acima, pode-se entender o “cuidado” como sendo algo inerente ao ser humano e, justamente, aquilo que o diferencia de outros seres fazendo-o verdadeiramente humano. Para ele, cuidar representa uma atitude, uma forma de ser na qual um ser humano preocupa-se com o outro, dando-lhe atenção, ocupando-se do outro e preocupando-se com o outro. Refletindo sobre a filologia da palavra cuidado, BOFF esclarece: “Outros derivam cuidado de cogitare-cogitatus e de sua corruptela coyedar, coidar, cuidar. O sentido de cogitarecogitatus é o mesmo de cura: cogitar, pensar, colocar atenção, mostrar interesse, revelar uma atitude de desvelo e de preocupação. O cuidado somente surge quando a existência de alguém tem importância para mim. Passo então a dedicar-me a ele; disponho-me a participar de seu destino, de suas buscas, de seus sofrimentos e de seus sucessos, enfim, de sua vida.” (p. 91) 13 E ele conclui: “Cuidado significa então desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção, bom trato.” (p. 91) Para o autor, cuidado inclui duas significações básicas, ou seja, além de significar solicitude e atenção para com o outro, também significa preocupação, pois a pessoa que tem cuidado tem um envolvimento afetivo com o outro e, portanto, preocupa-se com ele. BOFF (1999) vai mais além e afirma que: “Os dois significados básicos colhidos da filologia nos confirmam a idéia de que o cuidado é mais do que um ato singular ou uma virtude ao lado de outras. É um modo de ser, isto é, a forma como a pessoa humana se estrutura e se realiza no mundo com os outros. Melhor ainda: é um modo de ser-nomundo que funda as relações que se estabelecem com todas as coisas.” (p. 92) Portanto, cuidado pode significar uma forma de existir e conviver, ou seja, relacionar-se com todas as coisas que existem no mundo. Seria, então, a nossa atitude perante o mundo. As reflexões feitas aqui a respeito do conceito de cuidado levam-nos ao entendimento de cuidado na esfera humana e social, abrangendo todas as áreas de conhecimento. Ele se insere em todas as áreas e, ao mesmo tempo, não pode ser “exclusividade” desta ou daquela área de conhecimento. 2.2. O que é uma ocupação? Segundo o dicionário AURÉLIO (1986), a palavra ocupação significa: ato de ocupar-se, trabalhar em algo; atividade, serviço ou trabalho manual ou intelectual realizado por um período de tempo mais ou menos longo; dentre outros significados similares a estes. O Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, disponibiliza a versão atual da Classificação Brasileira de Ocupações - CBO, que foi instituída pela portaria ministerial nº 397, de 9 de outubro de 2002. (Site MTE, 2009) Segundo informações obtidas no site do MTE (2009), a Classificação Brasileira de Ocupações – CBO: “(...) tem por finalidade a identificação das ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios junto aos registros administrativos e domiciliares. Os efeitos de uniformização pretendida pela Classificação Brasileira de 14 Ocupações são de ordem administrativa e não se estendem às relações de trabalho. Já a regulamentação da profissão, diferentemente da CBO é realizada por meio de lei, cuja apreciação é feita pelo Congresso Nacional, por meio de seus Deputados e Senadores, e levada à sanção do Presidente da República.” A atual versão da CBO vem substituir a anterior, publicada em 1994. Conforme consta no site do MTE (2009): “Desde a sua primeira edição, em 1982, a CBO sofreu alterações pontuais, sem modificações estruturais e metodológicas. A edição 2002 utiliza uma nova metodologia de classificação e faz a revisão e atualização completas de seu conteúdo.” A CBO é o documento que identifica, nomeia, atribui códigos e descreve as características das ocupações existentes no mercado de trabalho brasileiro. Segundo a CBO, por exemplo, o código da ocupação de Cuidador é 5162 (Cuidadores de crianças, jovens, adultos e idosos) e faz parte de uma “família” ou conjunto de outras ocupações similares. Especificamente, a ocupação de cuidador de idosos tem o código 5162 – 10. Conforme site do MTE (2009), “A nova versão contém as ocupações do mercado brasileiro, organizadas e descritas por famílias. Cada família constitui um conjunto de ocupações similares correspondente a um domínio de trabalho mais amplo que aquele da ocupação.” Também consta no referido site a informação de que a nova versão da CBO passou por um novo método de descrição o qual “... pressupõe o desenvolvimento do trabalho por meio de comitês de profissionais que atuam nas famílias, partindo-se da premissa de que a melhor descrição é aquela feita por quem exerce efetivamente cada ocupação.” (grifo nosso) É de fundamental importância a participação daqueles que efetivamente exercem as respectivas ocupações na reformulação das descrições das ocupações, pois, de fato, são aqueles que melhor conhecem aquilo que fazem. 2.3. O que é a ocupação de cuidador/cuidador social? Conforme o atual CBO, Livro 1 (2002), a descrição sumária da referida ocupação é: “Cuidam de bebês, crianças, jovens, adultos e idosos, a partir de objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos, 15 zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida.” Conforme o mesmo documento (CBO, Livro 1, 2002), o código da ocupação de cuidador é “5162-10 Cuidador de idosos - Cuidador de pessoas idosas e dependentes, Cuidador de idosos institucional, Acompanhante de idosos, Cuidador de idosos domiciliar, Gero-sitter”. Objetivando aprofundar a definição sobre a referida ocupação, texto abaixo resume muito bem o que realmente acontece com relação à referida ocupação. Em tal artigo, denominado “Cuidadores: heróis anônimos do cotidiano”, MENDES (1998) explica que: “No Brasil há poucos estudos sobre cuidadores domiciliares, pois esse personagem é ainda desconhecido no cenário público. A referência para pesquisadores brasileiros, nessa área, tem sido a literatura internacional que trata da questão em sociedades diferentes da brasileira. Nos países desenvolvidos, os cuidados domiciliares já são visíveis e considerados como necessidade social, portanto, estão inscritos na esfera pública.” (p.171) Reiterando o que Mendes explica acima, KARSCH (1998) afirma que: “A figura do cuidador, alvo de estudos e pesquisas em outros países, tem sido ignorada no Brasil: pelo governo, na falta de estruturas para o auxílio de seu trabalho; pela família, devido à baixa valorização dessa função (muitas vezes concentrada em uma só pessoa)...” (p.22) Nota-se, portanto, conforme expressão dos autores acima referenciados, que no Brasil, ainda há poucos estudos sobre a ocupação de cuidador. A maioria dos textos encontrados, inclusive, refere-se mais ao cuidador familiar, ou seja, à pessoa que – tendo um familiar acometido por alguma doença que o torne dependente – passa a cuidar do mesmo. Conforme MENDES (1998): “O cuidar como atividade envolve um conjunto de ações absorventes: administrar remédios, assegurar uma dieta alimentar, efetuar a higiene pessoal, pentear o cabelo, escovar os dentes, cortar as unhas, dar banho, fazer a toalete, vestir, despir, locomover de um lugar para o outro (quarto/sala, quarto/banheiro), subir escada, sentar, levantar, deitar e realizar exercícios motores complementares à fisioterapia.” Entende-se, então, resumidamente, que o cuidador (seja um familiar ou alguém contratado para o desempenho de tal ocupação) é aquela pessoa que cuida de outra – que, na maioria das vezes, encontra-se em alguma situação de dependência – auxiliando na realização de atividades diárias, como as descritas acima. 16 Na concepção de CALDAS (1998), os cuidadores seriam classificados em “formais” e “informais”, conforme descreve: “Os cuidadores secundários seriam os familiares, voluntários e profissionais, que prestam atividades complementares. Usa-se a denominação cuidador formal (principal ou secundário) para o profissional contratado (atendente de enfermagem, acompanhante, empregada doméstica etc.) e de cuidador informal, usualmente, para os familiares, amigos e voluntários da comunidade.” (p.11) grifo nosso Embora numa descrição mais geral a autora faça referência ao termo “cuidador formal”, quando o descreve e caracteriza como “profissional contratado”, inclui em tal categoria os profissionais de enfermagem, os que a mesma denomina “acompanhantes” e os empregados domésticos. O que se pode notar é que a autora – como a maioria dos autores – não estende a sua análise acerca do papel desta nova categoria profissional em expansão: os cuidadores sociais. Estes são vistos como meros “acompanhantes”. Aliás, o foco da maioria dos estudos, com já foi dito, tem sido os cuidadores familiares. Em virtude disto, buscou-se apoio em outros autores que entendem o papel do cuidador numa esfera mais abrangente: social e humana. Assim, neste trabalho, optou-se por adotar a terminologia “cuidador social”, com base na definição de MARTINEZ (2009), que coordena o “Programa Cuidador Social” – que se destina à formação de cuidadores – do Comitê FURNAS da Ação da Cidadania, em parceria com FURNAS Centrais Elétricas. Segundo a autora: “O entendimento de cuidador social na equipe do programa é resultado tanto da experiência quanto do conjunto da literatura sobre envelhecer e cuidado. Assim o cuidador social é aquela pessoa que tem compreensão da realidade e conseqüências sociais do envelhecer, em especial, que está preparada para auxiliar as pessoas em suas necessidades cotidianas enquanto sujeito envelhecido, e que a partir daí se coloca disponível para respeitar o idoso em sua condição e atender com mais qualidade à demanda do cuidado, qualquer que seja ela, e que se identifique com o ato – humano e social – de cuidar.” (p.105) grifo nosso O autor deste estudo também entende a dimensão social do trabalho do cuidador e, por isso, destaca acima o que menciona Martinez, pois também entende 17 que a ocupação de cuidador encontra-se na esfera humana e social e não exclusivamente na área da saúde. Considera-se, inclusive, que a qualidade de vida proporcionada ou facilitada pelo cuidador pode refletir-se, evidentemente, na melhora da saúde da pessoa cuidada. O papel do cuidador acaba sendo, muitas vezes, de interlocutor. Tal papel de interlocução é mencionado por MARTINEZ (2009), quando a autora afirma que: “O cuidador social se torna uma pessoa fundamental no cuidado e/ou acompanhamento de uma pessoa com algum grau de dependência, doença ou que simplesmente necessita de auxílio nas atividades diárias. Ao compreender a dimensão humana e social de seu trabalho, poderá se transformar no melhor meio de comunicação entre o idoso, a família e/ou a equipe de saúde.” (p.110) grifo nosso Naquilo que diz respeito ao relacionamento do cuidador com a equipe de saúde, cabe, ainda, destacar o que comenta MARTINEZ (2009): “O cuidador muitas vezes acaba invisível aos olhos da sociedade, ora confundido como empregado doméstico, ora como profissional de enfermagem, não sendo atingida ainda a real compreensão de seu trabalho de apoio ao idoso, devido à falta de informação da família e da sociedade.” (p. 111) grifo nosso Com relação ao grifo acima, ou seja, a questão da não compreensão por parte da sociedade sobre o real papel do cuidador e com o fato de tal ocupação ser confundida com outras ocupações, especialmente com aquelas da área de enfermagem, pode-se notar que reside justamente aí a raiz do problema. Desta forma, tal discussão será aprofundada a seguir. 2.4. A ocupação de Cuidador Social e a profissão de Enfermagem: No Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, a ocupação de enfermeiro tem no CBO (2002) o código: 3222 – “Técnicos e auxiliares de enfermagem que cuidam de pessoas de elevado grau de dependência.” (grifo nosso) Embora pareça evidente que a ocupação do cuidador – ainda não reconhecida como profissão – já tenha uma credencial do próprio MTE, uma vez que tem um CBO e o consequente reconhecimento como ocupação, sendo diferenciada, portanto, da ocupação de enfermagem (que tem outro código CBO), na prática, ocorrem alguns 18 conflitos, conforme já citado. Para que melhor sejam compreendidos tais conflitos, foram pesquisados alguns autores – bastante críticos, inclusive, com relação a tal questão – conforme segue. Além das questões apontadas anteriormente, LACERDA (2008), no texto abaixo, menciona a possível ilegalidade do exercício da profissão de enfermagem por parte de alguns cuidadores. Segundo o autor: “(...) os cuidadores informais aprendem a realizar procedimentos com enfermeiros ou auxiliares de enfermagem que atuam no cuidado domiciliar, e muitas vezes treinam uma pessoa para dar seqüência ao cuidado, pois a família não tem condições financeiras para manter um cuidado especializado. Este pode ser um familiar ou uma pessoa contratada pela família que não está cientificamente e nem tecnicamente capacitada. Essa situação colabora para o surgimento do cuidador informal que exercerá indevidamente e ilegalmente a profissão de Enfermagem.” (p.344) grifo nosso Chamaram à atenção as questões levantadas pelos autores aqui citados, especialmente por LACERDA (2008), pois a principal delas refere-se ao fato dos cuidadores estarem exercendo o que seria “a profissão de enfermagem”. Nota-se, portanto, uma falta de clareza e de diferenciação entre as atribuições da ocupação/profissão de enfermagem e das atribuições que podem ser exercidas pelo cuidador, ou seja, do que compete ao mesmo. LACERDA (2008), também destaca que “Como as demais profissões de livre exercício no país, a Enfermagem está regulamentada por uma lei que estabelece quem pode exercer legalmente essa profissão, e quais as qualificações necessárias: a Lei nº 7.498, denominada Lei do Exercício Profissional de Enfermagem. Nela, efetivamente, nem mesmo os técnicos e auxiliares de enfermagem poderiam prestar serviços no domicílio, como profissionais autônomos, sem uma supervisão direta ou indireta do enfermeiro.” (p.344-345) O referido autor refere-se, evidentemente, àqueles cuidadores que estariam exercendo atribuições que são inerentes à profissão de enfermagem. Neste caso, obviamente, seria uma ilegalidade tal exercício, ainda que não proposital, mas por ignorância. Sobre isso, LACERDA (2008) ressalta que “Os cuidadores informais que prestam algum tipo de cuidado no domicílio, em sua maioria não têm conhecimento de que estão exercendo ilegalmente atividades de enfermagem. 19 Dentre os 22 entrevistados, mais da metade não tem nenhum conhecimento ou nunca ouviu falar sobre os aspectos legais envolvidos em sua prática.” (p.350) LACERDA (2008), por outro lado, também reconhece que “O cuidador é a pessoa que se envolve no processo de cuidar do outro, com qualidades pessoais de forte traço de amor, mas, ainda, é relevante e necessário considerar quais as conexões dessa atividade com a categoria da profissão de Enfermagem, e quais as implicações éticas advêm do direito do cidadão por um atendimento seguro e justo.” (p.348) Assim, evidencia-se que o âmago da questão – a essência do problema – reside no fato de a ocupação de cuidador ainda não ter devidamente definidos os seus limites e possibilidades, ou seja, o que compete de fato a tal ocupação: quais as atribuições do cuidador, quais os conhecimentos que o mesmo deve possuir para o exercício da mesma e, ainda, quais valores éticos ele deve ter. Objetivando trazer mais elementos que possam contribuir para a clarificação das questões aqui propostas, além do “diálogo” realizado com alguns autores – especialistas no tema deste trabalho – também foram realizadas três pesquisas (que são apresentadas nos apêndices I, II e III) com aqueles que vivenciam (na prática) as questões discutidas neste estudo. Como bem comenta (CHAVES, 2009): “A falta de pesquisas nesta área de conhecimento agrava, ainda mais, a debilidade do serviço de cuidar, pois não sabemos quem são os cuidadores, quais são suas necessidades e dificuldades. Com o incremento das pesquisas poderemos, com base em dados brasileiros, sugerir políticas de saúde voltadas para essa problemática.” Será possível, a partir de mais estudos e pesquisas no campo do cuidar, chegar-se a um consenso no qual o Cuidador Social terá clareza do espaço que pode ocupar, sendo que os principais beneficiados serão aqueles que precisarem de cuidado. 2.5. O que são COMPETÊNCIAS? 20 Foram pesquisados alguns autores, estudiosos do referido tema, de modo que pudessem ser apresentados, neste capítulo, alguns conceitos de competência, conforme a seguir: De acordo com Fleury (2002), tal tema teve origem em 1973, com a publicação do artigo Testing for competence rather than inteligence, que significa “testar a competência em vez da inteligência), de autoria de David McClelland, renomado psicólogo da Universidade de Harvard. Ainda conforme Fleury (2002), McClelland define competências como características pessoais que podem levar a um melhor desempenho, a uma performance superior. Essas características pessoais seriam aptidões (talento natural), habilidades (aplicação prática de um talento existente) e conhecimento (o saber necessário para a realização de algo). Segundo Dutra (2004) e também Fleury (2002), as competências humanas podem ser entendidas como um conjunto de conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser), que geraria uma melhor capacidade de “entrega”, por parte das pessoas de uma organização. Para Le Boterf (2003, p.40), “A competência é uma disposição para agir de modo pertinente em relação a uma situação específica”. Ela seria resultante da combinação de recursos pessoais (conhecimentos, habilidades, qualidades, experiências, capacidades cognitivas, recursos emocionais etc.) com os recursos do meio (livros, tecnologia, bancos de dados, relacionamentos etc.). Para este autor, “O profissional não é aquele que possui conhecimentos ou habilidades, mas aquele que sabe mobilizá-los em um contexto profissional”. (p.48) grifo nosso Segundo Le Boterf (2003), o profissional não pode saber tudo. O que ele precisa, de fato, é “... saber mobilizar na hora certa não somente seus próprios conhecimentos e habilidades, mas também os de suas redes profissionais.” (p.53) Com o que Le Boterf chama de “recursos do meio”, acima mencionado, o indivíduo pode complementar os seus recursos pessoais, quando não possuir todos os saberes de que precisa para a realização de determinada ação. A competência consiste, justamente, em saber combinar esses recursos para produzir uma ação competente. Para ele, “O saber combinatório está no centro de todas as competências.” (LE BOTERF, 2003, p.13). Resende (2004) propõe a classificação das competências em: competências pessoais, competências Essenciais e Estratégicas, Competências de Gestão e Competências Organizacionais. Focaremos, neste trabalho, as que ele denomina 21 “competências pessoais”, uma vez que nosso objetivo aqui não é estudar o ambiente corporativo. Assim, conforme Resende (2004, p.32), “Competências pessoais reúnem as aptidões, as habilidades, os comportamentos (posturas) manifestos, e ainda o domínio e aplicação de conhecimentos”. Também há outra definição do mesmo autor que explica: “Competência é aplicação de conhecimentos, experiências, habilidades, características pessoais, valores (cabe aqui o “e/ou”), com obtenção de resultados práticos ou alcance de objetivos.” (RESENDE, 2008, p.62) (grifo nosso) De acordo com Resende (2008, p.41 e 42, respectivamente), “A habilidade destina-se a qualificar formas ou maneiras mais permanentes de aplicar conhecimentos, ainda que diferentes...” ou então, “De forma bem simples, podemos definir habilidades como uma maneira melhor de agir, aplicar conhecimentos, expressar-se, fazer as coisas.” A aptidão, segundo Resende (2008, p.42): “É o único dos três componentes da competência – no sentido amplo – que é inato, que se ‘nasce com’. Ou seja, já nascemos com as aptidões. Ou pelo menos com a tendência ou vocação para tê-las.” Segundo ele, as aptidões se dividem em três tipos: Mentais (inteligência abstrata, raciocínio lógico, raciocínio espacial, memória etc.), Emocionais (alegria, tristeza, amor, saudade, compaixão, empatia etc.) e Físicas (visão, olfato, sensibilidade tátil, reflexo, resistência ao cansaço etc.). Segundo o autor, “Conhecimentos e habilidades são adquiridos ou desenvolvidos após o nascimento. Aptidões são geneticamente herdadas e depois desenvolvidas.” (RESENDE, 2008, p.42) O conceito de competência surgido na literatura francesa nos anos 90 procurou ir além do conceito de qualificação. Um de seus mais expressivos autores, Philippe Zarifian (2008) define competência como: “A competência profissional é uma combinação de conhecimentos, de saber-fazer, de experiências e comportamentos que se exerce em um contexto preciso. Ela é constatada quando de sua utilização em situação profissional, a partir da qual é passível de validação. Compete então à empresa identificá-la e fazê-la evoluir.” (p.66) Para Zarifian (2008) a competência diz respeito à competência de um individuo (não é a qualificação de um emprego, de uma função) e ela se manifesta e também é avaliada quando mobilizada em uma situação profissional, ou seja, a forma como o indivíduo enfrenta essa situação está na essência da competência do mesmo. 22 Nota-se que na concepção de Zarifian, competência está relacionada à capacidade do indivíduo de tomar iniciativas e de ir além daquilo que está “prescrito”, “determinado”, de compreender e ter o domínio das situações novas com as quais se depara no trabalho e, especialmente, de assumir responsabilidade sobre elas. A concepção de competência de Zarifian (2008) é apoiada em três formulações: Primeira: “A competência é “o tomar iniciativa” e “o assumir responsabilidade” do indivíduo diante de situações profissionais com as quais se depara.” (p.68); Segunda: “A competência é um entendimento prático de situações que se apóia em conhecimentos adquiridos e os transforma na medida em que aumenta a diversidade das situações” (p.72); Terceira: “A competência é a faculdade de mobilizar redes de atores em torno das mesmas situações, é a faculdade de fazer com que esses atores compartilhem as implicações de suas ações, é fazê-los assumir áreas de co-responsabilidade.(p. 74)” Serão descritas, a seguir, as três formulações acima mencionadas: Na primeira formulação, pode-se perceber que há uma mudança fundamental na organização do trabalho, que é a não-prescrição, ou seja, o espaço para a autonomia e para a “automobilização do indivíduo”, como diz o autor. Para ele, cada palavra “tem importância em si mesma”, conforme explicado abaixo: Assumir: para o autor, a competência “é assumida”, pois ela é resultado de um “procedimento pessoal do indivíduo”, uma vez que o mesmo aceita assumir determinada situação de trabalho e, principalmente, ser responsável por ela. Tomar iniciativa: a palavra iniciativa deriva do verbo iniciar e quer dizer começar alguma coisa. Portanto, tomar iniciativa é uma ação que modifica algo que já existe. Então, pode-se inferir que ela também pode significar “introduzir algo novo”, começar alguma coisa ou, ainda, criar. Zarifian (2008) elucida o acima com o seguinte exemplo: “devo enfrentar um problema-qualidade já identificado. Tomo a iniciativa de aplicar tal procedimento, em vez de outro, em função da experiência que tenho desse tipo de situação, e do conhecimento de procedimentos possíveis que posso mobilizar. Assumir responsabilidade: a palavra responsabilidade vem do latim spondere, que significa responder por. No campo profissional, significa que o 23 empregado/trabalhador responde pelas iniciativas tomadas e pelas consequências das mesmas. Segundo Zarifian (2008), “A responsabilidade é, sem dúvida, a contrapartida da autonomia e da descentralização das tomadas de decisão. Não se trata mais de executar ordens (de cuja pertinência não nos sentimos responsáveis), mas de assumir em pessoa a responsabilidade pela avaliação da situação, pela iniciativa que pode exigir e pelos efeitos que vão decorrer dessa situação.” Ele continua “E essa responsabilidade é particularmente importante na medida em que toca outros humanos.” (p.70) (grifo nosso) Nota-se a preocupação do autor em diferenciar a responsabilidade sobre coisas da responsabilidade relacionada a seres humanos. No caso do trabalho do cuidador – que lida intimamente com seres humanos – tal destaque dado à responsabilidade é muito importante. Sobre situações: “(...) o comportamento em uma situação não é, nunca, efetivamente prescritível: não se pode prescrever o comportamento que o indivíduo deve adotar porque este comportamento faz intrinsecamente parte da situação. Da mesma maneira que não se pode separar o trabalho da pessoa que o realiza, não se pode separar a situação do sujeito que a enfrenta.” (ZARIFIAN, 2008, p.71) Na segunda formulação: “... não se trata de empregar um conhecimento prévio, mas de saber mobilizá-lo judiciosamente em função da situação. É por esse motivo que a dimensão puramente cognitiva deve ser associada à dimensão compreensiva. Entender uma situação é saber avaliá-la levando em conta “comportamentos” de seus constituintes, sejam eles materiais (máquinas) ou humanos.” (ZARIFIAN, 2008, p.72) Segundo o autor, essa “dimensão compreensiva” atinge seu maior alcance na interação social, quando o indivíduo tem que interpretar comportamentos humanos “à luz da compreensão, mesmo parcial, das razões que os motivam.” Que se apóia em conhecimentos adquiridos: segundo o autor, para haver o exercício da competência é preciso que haja conhecimentos adquiridos em situações anteriores que poderão ser mobilizados em novas situações de trabalho. “É preciso então admitir uma dimensão de incerteza constante nos conhecimentos possuídos, e permanecer sempre aberto a contestações e a novas aprendizagens.” (p.73) E os transforma: Para Zarifian (2008, p.73), “... para que a bagagem de conhecimentos do indivíduo se transforme e aumente é preciso que a situação com 24 que ele se defronta tenha sido plenamente explorada do ponto de vista do que há a aprender com ela.” Quanto maior for a diversidade das situações, mais intensamente serão modificados os conhecimentos: “O indivíduo aprende melhor e mais rápido na medida em que deve fazer em face de situações variadas.” (ZARIFIAN 2008, p.73) A constante desestabilização dos esquemas cognitivos já adquiridos (que estão acomodados) permite que o indivíduo esteja aberto à aprendizagem do novo. E a terceira formulação: mobilizar redes de atores: situações mais complexas tendem a exceder as competências de um único indivíduo. Exige, portanto, que cada indivíduo “precise de competências que não possui e de auxílios que se baseiam na solidariedade da ação, auxílios que corroborarão eticamente suas tomadas de iniciativa.” (ZARIFIAN 2008, p.74) Quando um indivíduo percebe que uma situação mais complexa extrapola as suas competências, ele deve buscar o auxílio daqueles que possam dividir com ele a solução para aquela situação, deve buscar a complementação das suas competências no outro, através de redes sociais. Compartilhar as implicações de uma situação: “(...) Participar das implicações de uma situação profissional possibilita dar um sentido coletivo às ações, sentido que por si só remete a um futuro comum.” (ZARIFIAN 2008, p.74) Assumir campos de co-responsabilidade: já foi mencionada a importância do “assumir responsabilidade” para definir a competência. “Apesar disso, as exigências das redes de ajuda mútua e as intervenções coletivas em torno de situações de evento, assim como a participação nas implicações de atividades profissionais, colocam a questão da co-responsabilidade.” (ZARIFIAN 2008, p.74) De maneira geral, os conceitos de competência – brevemente apresentados aqui, exceto o último, que foi mais detalhado – têm pontos comuns, são complementares ou divergem bastante em alguns pontos. Para fundamentar a proposta de mapeamento de competências da ocupação de cuidador social apresentada neste trabalho, foram combinados alguns dos conceitos apresentados. 25 3. DIAGNÓSTICO: No primeiro capítulo deste trabalho, foi contextualizada a temática do cuidado no cenário brasileiro atual e foram realizadas reflexões sobre algumas questões que revelam o surgimento e crescente aumento da demanda por cuidadores sociais, a partir dos estudos de diversos autores e de dados estatísticos de entidades oficiais. A partir daí, no mesmo capítulo, foram levantados alguns questionamentos – baseado em autores como CHAVES (2009), que questiona, por exemplo, a qualidade e as condições em que a prestação de serviços de cuidado social vem sendo prestados, se os cuidadores possuem capacitação adequada para tal função, quem são essas pessoas que exercem a atividade de cuidadores domiciliários etc.; e MELLO (2008) que contesta o fato da maioria dos cuidadores entenderem que seu cuidado depende somente da experiência, ignorando, desta forma, a necessidade de qualificação para o exercício de tal função. Convém, ainda, destacar o que LACERDA (2008) adverte com relação ao fato de haver necessidade de conhecimento técnico e científico (e não somente um conhecimento do senso comum) para o exercício dos cuidados domiciliares. Segundo o mesmo, “O cuidado domiciliar tem gerado um mercado de trabalho informal composto por pessoas leigas que cuidam de forma, às vezes, pouco efetiva e com baixa qualidade.” Ainda no primeiro capítulo, diante do que expressam os autores citados no mesmo, comentou-se que o surgimento do cuidador no mercado, a partir da demanda identificada, passou a gerar uma espécie de estranhamento por parte de outras ocupações/profissões: os profissionais de enfermagem e os empregados domésticos. Até o momento, podemos identificar dois problemas bastante importantes neste contexto: a evidente falta de capacitação do cuidador para o exercício da referida ocupação e esse estranhamento entre ocupações. Pensava-se que até aí já havia sido identificado “O problema”. Ainda não. Os dois citados são, apenas, segundo este diagnóstico, consequências do problema que pode ser a raiz da questão. Para fundamentar este diagnóstico, além dos estudos teóricos citados, realizou-se um estudo, composto por três pesquisas com as pessoas que vivenciam o cotidiano do cuidado (prática): cuidadores, contratantes de cuidadores e profissionais (assistentes sociais, pedagogos, psicólogos, professores que atuam em cursos de cuidadores e estagiários de serviço social, cujo campo de estágio é relacionado ao trabalho do cuidador). 26 Com relação à falta de capacitação dos cuidadores: Em tal estudo foi perguntado aos cuidadores (pesquisa 1): Você acha que a experiência era suficiente para exercer a ocupação? Esta pergunta foi respondida por 78% (36) do total de 46 participantes, pois 10 pessoas (22%) não responderam (gráficos 9 e 10). Analisando qualitativamente as respostas dos questionários, verifica-se que os 24 respondentes (52%) que declararam “sim” na pergunta nº 10, ou seja, que tinham experiência como cuidador antes de iniciar o curso atual, são os mesmos respondentes que declararam “não” na pergunta nº 11, ou seja, que acham que a experiência que possuíam não era suficiente para exercer a ocupação de cuidador. O que se pode apreender de tais dados, é que estes 52%, embora já estivessem trabalhando como cuidadores e, portanto, tendo alguma experiência (65% da turma tem experiência, que varia de 2 meses a 21 anos), reconhecem que somente tal experiência não é suficiente para o exercício da ocupação de cuidador. Para os que responderam “não”, foi perguntado: o que você acha que faltou? Conforme tabela 1, verifica-se que um dos respondentes, embora bastante resumido, expressou bem a sua opinião e, talvez, a de todos: “faltou tudo”. Na fala dos demais, em sua maioria, notam-se expressões sinônimas e/ou semelhantes, todas relativas à necessidade de aprendizado, tais como: conhecimento, informação (provavelmente querendo dizer conhecimento), técnica, aprender a, preparo, esclarecimento, saber, conhecer etc. Um deles expressou “o conhecimento que com o curso estou tendo agora”. Isto é, ele – assim como os demais – reconhece que somente agora (que estão fazendo um curso) estão encontrando o que “estava faltando”: conhecimento. Ao serem consultadas algumas pessoas que contratam cuidadores (pesquisa 2), perguntamos: Quais as principais dificuldades que se enfrenta ao ter que contratar um Cuidador, em sua opinião? Ao serem analisados os relatos constantes na tabela 19, que se encontram classificados e resumidos no gráfico 27, pode-se verificar que as principais dificuldades apontadas pelos contratantes com relação ao momento em que se precisa contratar um cuidador para cuidar de um familiar resumem-se em 5 principais fatores (vide pesquisa). Dentre eles: “dificuldade para conseguir um cuidador realmente capacitado para o exercício da referida ocupação” e, ainda, “imposição de rotinas e outros por parte do cuidador chocando-se com as orientações 27 da família”. Este último também mostra um despreparo por parte do cuidador. (grifo nosso) Os profissionais (pesquisa 3), conforme tabela 35 e gráfico 36, perguntados sobre “qual deveria ser a escolaridade mínima necessária para um cuidador exercer tal ocupação”: 77% (10) dos profissionais responderam que o mínimo necessário deveria ser o ensino fundamental completo. Dois (cerca de 15%) responderam que deveria ser o ensino médio completo e um não respondeu (cerca de 8%). Este é outro fator importante relacionado à questão da falta de capacitação, pois há a necessidade de uma boa capacitação específica, mas para a realização da mesma é preciso que se exija um pré-requisito mínimo em termos de escolaridade. Sabe-se que uma pessoa pouco escolarizada não costuma dominar alguns conhecimentos imprescindíveis ao aprendizado de outros conhecimentos um pouco mais complexos. Um bom exemplo é o conhecimento da língua portuguesa. Se um aluno não é capaz de ler e escrever com certa competência, não apreenderá com facilidade conhecimentos através da leitura de textos, por exemplo. Portanto, ao ser exigido, no mínimo, o ensino fundamental completo, entende-se que o aluno será capaz de realizar a leitura de um texto de pouca complexidade, ao menos. Com relação ao estranhamento entre profissões: No capítulo segundo deste trabalho, MARTINEZ (2009) afirma que o cuidador “(...) ora confundido como empregado doméstico, ora como profissional de enfermagem (...) devido à falta de informação da família e da sociedade.” (grifo nosso) A autora acima, com certeza, aborda a questão com bastante conhecimento de causa, uma vez que coordena programa de cuidadores sociais, há cerca de quinze anos, lidando diariamente com as questões que aqui estamos abordando. No capítulo segundo, também é citado LACERDA (2008), segundo o qual os cuidadores estariam exercendo o que seria “a profissão de enfermagem”. Nota-se, portanto, uma falta de clareza e de diferenciação entre as atribuições da ocupação/profissão de enfermagem e das atribuições que podem ser exercidas pelo cuidador, ou seja, do que compete ao mesmo. Também foi perguntado aos profissionais entrevistados (pesquisa 3) se os mesmos consideram que a ocupação de cuidador está bem definida, suas atribuições bem identificadas (diferenciada das ocupações de enfermeiro e empregado doméstico, 28 por exemplo) e o obtido como resposta foi (vide gráfico 37): sete profissionais (54%) responderam que NÃO. Um deles, inclusive, fez questão de mencionar que “esse é o grande problema” (grifo nosso). Seis profissionais (46%) responderam que SIM, sendo que um deles afirmou: “porém ainda falta socializar tais diferenciações, para que as pessoas não confundam”. (grifo nosso) O autor deste trabalho também entende que “esse é o grande problema”, isto é: como a ocupação de cuidador ainda não está bem definida, com suas atribuições devidamente e claramente definidas e, portanto, diferenciadas de outras ocupações afins (profissionais de enfermagem ou empregados domésticos) há o que é chamado neste trabalho de estranhamento. Portanto, os atritos existentes são somente consequência do principal problema, que é aquele que se encontra na raiz da questão e, por isso, não é facilmente percebido (conforme figura 1, abaixo). Figura 1 – Identificação da raiz do problema. Falta de capacitação do cuidador; Estranhamento entre ocupações; Conflitos entre cuidadores e familiares etc. “Superfície” Necessidade de diferenciação entre as atribuições da ocupação de cuidador de outras atribuições O que está neste nível, ou seja, abaixo da “superfície”, seria a “raiz do problema”. 29 Para reiterar este diagnóstico, no qual é identificada a “raiz do problema”, além do que já foi mencionado nos capítulos anteriores e está sendo analisado neste capítulo, a nossa pesquisa 3 apresenta: Os profissionais, perguntados “quais os principais problemas que os mesmos identificam como sendo os mais impactantes nas relações cuidador/pessoa cuidada” (conforme a tabela 29), responderam: “ausência de preparo”, “falta de preparo técnico para o desempenho da referida ocupação”, “falta de técnica em alguns momentos com pacientes que necessitem de um cuidado mais específico”, “falta de conhecimento para tratar o cuidado em situações mais complexas”, “desconhecimento/falta de qualificação”. Evidencia-se, mais uma vez, com estes depoimentos, que existe um “despreparo dos cuidadores”, de modo geral, para o exercício da referida ocupação. O “despreparo” também é atribuído aos familiares, pela “não compreensão da família sobre funções do cuidador”, isto é, pelo fato de a mesma desconhecer quais são as atribuições do cuidador. Por sua vez, há relato de que o principal problema estaria relacionado à “postura do cuidador, o cuidador não sabe os seus limites na casa do cuidado”. Pode-se entender que tais problemas podem ser decorrentes, dentre outros motivos, de “preconceitos”, “problemas comportamentais”, “problemas éticos”, “diferenças culturais envolvendo valores, crenças”. Perguntado aos profissionais, quais os principais problemas que eles identificam como sendo os mais impactantes nas relações cuidador/familiar da pessoa cuidada, conforme depoimentos constantes na tabela 30, observa-se que a maioria (62%), ou seja, 8 dentre os 13 profissionais entrevistados (vide grifo nosso na referida tabela), apontaram o “desconhecimento das atribuições que cabem ao cuidador (por parte do mesmo e da família)” e “conflitos de função do cuidador x enfermagem” como os principais problemas identificados como sendo os mais impactantes nas relações cuidador/familiar da pessoa cuidada. Também foram apontados outros problemas, conforme pode ser verificado na mencionada pesquisa, no apêndice deste trabalho. Com tudo isso, parece bastante claro que a “raiz do problema”, é a necessidade de diferenciação entre as atribuições da ocupação de cuidador de outras atribuições. Para que se possa fazer essa diferenciação, ou seja, tornar claro quais são as atribuições que cabem ao cuidador, dentre outras coisas, é necessário identificar a 30 ocupação de cuidador social – terminologia adotada neste trabalho – isto é, CRIAR UMA IDENTIDADE PARA A REFERIDA OCUPAÇÃO. Para tal, o autor deste estudo propõe, no próximo capítulo, um modelo que poderá viabilizar esta identificação da ocupação de cuidador social, de forma que se possa, senão resolver, ao menos, minimizar as consequências decorrentes desta falta de identificação, conforme discutido ao longo deste trabalho e, especialmente, neste capítulo. 31 4. MODELO PARA O MAPEAMENTO DAS COMPETÊNCIAS DA OCUPAÇÃO DE CUIDADOR SOCIAL: Pretende-se propor, neste capítulo, um modelo de mapeamento de competências para a ocupação de Cuidador Social, visando criar uma identidade para a referida ocupação. Foram elencados alguns conceitos de competência no item 2.5 deste estudo. O modelo de mapeamento de competências que será apresentado é baseado numa combinação de tais concepções de competência, especialmente dos conceitos abaixo destacados (cujos grifos são da autora deste estudo): 9 De Philippe Zarifian (2008): “A competência profissional é uma combinação de conhecimentos, de saber-fazer, de experiências e comportamentos que se exerce em um contexto preciso.” (p.66) 9 A maioria dos autores refere-se ao conhecido CHA (conhecimentos, habilidades e atitudes). Dutra (2004) e Fleury (2002) representam alguns destes e definem competências como: “(...) um conjunto de conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser), que geraria uma melhor capacidade de “entrega”, por parte das pessoas de uma organização. 9 De Le Boterf (2003), destacou-se, especialmente, que a competência seria uma “combinação de recursos pessoais com os recursos do meio”. Para este autor, “O profissional não é aquele que possui conhecimentos ou habilidades, mas aquele que sabe mobilizá-los em um contexto profissional”. (p.48) 9 De Resende (2008), destaca-se: “Competência é aplicação de conhecimentos, experiências, habilidades, características pessoais, valores (...).” Assim, com base nas concepções estudadas, a autora deste trabalho apresenta, a seguir, um modelo de mapeamento de competências que foi pensado para a realização de um levantamento das competências necessárias ao cuidador social para a realização do seu trabalho. Embora tal modelo tenha sido criado com tal intuito, nada impede – pelo contrário – que o mesmo seja utilizado para outras ocupações/profissões. 32 MODELO “CHAVE”: V H C A E Modelo denominado CHAVE (por Ana Pimentel Barbosa) CONHECIMENTOS HABILIDADES ATITUDES VALORES EXPERIÊNCIAS 33 Os elementos constituintes das COMPETÊNCIAS, segundo o MODELO “CHAVE” proposto neste trabalho, conforme QUADRO abaixo: Quadro CHAVE para o mapeamento de competências (por Ana Pimentel Barbosa) CONHECIMENTOS HABILIDADES ATITUDES VALORES EXPERIÊNCIA (saber - saber) (saber - fazer) (iniciativa do fazer) (princípios do fazer) (repetições do fazer) Posicionamento pessoal, forma como age, Comportamento Princípios que norteiam o fazer, aquilo no que acredito, que julgo importante, que valorizo Quantas vezes determinada ação foi realizada (se posso fazê-la sozinho, com acompanhamento eventual ou sempre) O que eu tenho que buscar de informação Conhecimentos explícitos O saber colocado em prática Conhecimento tácito (Motivação) CONHECIMENTOS (saber-saber): dizem respeito aos conhecimentos explícitos. Representa tudo o que é necessário buscar de informação para o aprendizado sobre determinado assunto; para saber/conhecer sobre algo. Segundo BOSCHI (2009), conhecimento é “(...) toda informação ou significado que esteja sistematizado ou desenvolvido numa linguagem.” HABILIDADES (saber-fazer): dizem respeito aos conhecimentos tácitos. É o saber colocado em prática. Tendo-se como conceito de habilidade, como bem definido por BOSCHI (2009): “Chama-se “HABILIDADE” a utilização mental ou física do conhecimento.” Ela explica que “A habilidade pode ser desenvolvida” e que “o processo de desenvolvimento de habilidade é o exercício e sua repetição.” ATITUDES (iniciativa do fazer): dizem respeito ao nosso posicionamento pessoal, ao nosso comportamento, à forma como agimos e, também, às nossas motivações. As nossas atitudes estão intimamente ligadas aos nossos valores, uma vez que somos movidos (o que motiva as nossas ações) por aquilo em que acreditamos, por aquilo que valorizamos. 34 VALORES (princípios do fazer): são os princípios que norteiam o fazer, ou seja, as nossas ações, portanto, as nossas atitudes. Conforme THUMS (2003): “Valor é tudo aquilo a que atribuímos algum significado pessoal e que é reconhecido dentro do ambiente coletivo.” De acordo com o mesmo autor: “O que mais fazemos na vida é valorar, preferir as coisas (...). Todos nós estabelecemos um conjunto de valores como essenciais em toda a ação que desencadeamos. Temos nossas preferências, nossos desejos, nossos caprichos, nossas orientações.” EXPERIÊNCIA (repetições do fazer): Quantas vezes determinada ação foi realizada (se pode ser feita sem auxílio, com acompanhamento eventual ou sempre). “Quanto mais praticamos, maior a probabilidade de sermos mais precisos e acertarmos e de obtermos melhores resultados nas demandas que exigem aquela habilidade.” BOSCHI (2009) 35 5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Algumas conclusões as quais foi possível chegar, ao final deste trabalho: No atual cenário mundial, diferentes fatores têm contribuído para o aumento da demanda por cuidado, especialmente para a parcela mais idosa da população. O envelhecimento populacional vem aumentando significativamente nas últimas décadas e tende a aumentar, nos próximos anos. Cada país vem tentando adaptar-se a essa nova realidade de formas diferentes, como é o caso do Brasil. A grande questão parece residir na forma como cada país sentirá os efeitos do envelhecimento e as possíveis soluções que cada um encontrará. Estimam-se, para os próximos quarenta anos, índices bem mais elevados que os atuais, o que exigirá mudanças significativas nas atuais estruturas de apoio e de cuidado à pessoa idosa. A disponibilidade da família, especialmente da mulher, para o cuidado dos demais familiares, tende a reduzir cada vez mais. Como é previsto um grande aumento do número de idosos dependentes de cuidados e a redução da oferta de cuidadores familiares, haverá grande demanda por cuidado no Brasil e no mundo. Há, portanto, necessidade de que o Estado amplie o seu escopo de atuação para o atendimento da demanda por cuidado, que as empresas passem a se preocupar com tais questões (assim como o foi quando a mulher passou a ingressar mais maciçamente no mercado de trabalho e as empresas passaram a oferecer benefícios com auxílio creche e/ou creches no próprio local de trabalho) e que o mercado prepare profissionais para o atendimento de tal demanda. É “consenso entre os especialistas”, que a solução mais adequada seria manter os idosos em seus domicílios, em detrimento do atendimento por instituições asilares. Mas as instituições públicas ainda não estão preparadas para suprir a atual demanda por cuidado. No Brasil há poucos estudos sobre cuidadores domiciliares. A referência para pesquisadores brasileiros tem sido a literatura internacional que trata da questão em 36 sociedades diferentes da brasileira, o que torna mais difícil a realização de estudos sobre a presente temática. É inegável a importância e a necessidade da realização de uma boa capacitação para o exercício da ocupação de cuidador, bem como de qualquer profissão. Assim sendo, há a necessidade de conhecimento técnico e científico (e não somente um conhecimento do senso comum) para o exercício da ocupação de cuidador. Os cuidadores, que acham que a experiência que possuem é suficiente para exercer a ocupação de cuidador. Há necessidade de estabelecimento de uma escolaridade mínima necessária para um cuidador exercer tal ocupação. Conforme pesquisa realizada (apêndice) e o que os estudos apontam, pode-se concluir que o ensino fundamental completo (para o exercício de cuidados básicos) seria o mínimo necessário para a realização de um curso de capacitação como cuidador e conseqüente exercício de tal atividade. Concluiu-se, também, fato que também pode ser verificado na pesquisa realizada (apêndice), que há falta de informação da família e da sociedade em geral sobre as atribuições que cabem ao cuidador. Os próprios cuidadores desconhecem os limites de suas atribuições. Tendo chegado a tais conclusões, a autora deste estudo tem as seguintes recomendações a fazer: RECOMENDAÇÕES: 1. Ao GOVERNO: Políticas públicas voltadas para o atendimento da crescente demanda por cuidado, especialmente para a camada menos favorecida da população, que não tem condições de prover cuidados, nem contratar um cuidador. Tão ou mais importante que o reconhecimento da ocupação de cuidador como profissão é dar-lhe uma identidade, identificando as atribuições que lhe cabem, ou seja, qual o seu verdadeiro papel. 2. Aos CURSOS DE FORMAÇÃO DE CUIDADORES: Que tenham a preocupação de formar cuidadores conscientes da responsabilidade do seu papel; elaborem seus programas de capacitação exigindo um pré-requisito mínimo de escolaridade 37 de ensino fundamental (para cuidados básicos) e maior escolaridade para o atendimento de cuidados que exijam maior estudo; que utilizem o modelo de mapeamento de competências proposto neste trabalho (ou modelo semelhante). 3. Aos PROFESSORES DE CURSOS DE CUIDADORES: Que estudem aprofundadamente as questões que envolvem o cuidado no Brasil e desenvolvam pesquisas voltadas para a busca de soluções para os problemas brasileiros, neste contexto, uma vez que vimos utilizando a literatura internacional que trata da questão em sociedades diferentes da nossa. Também é importante que desenvolvam suas aulas baseadas nas reais necessidades de capacitação de um cuidador e, sempre, tenham a preocupação com o desenvolvimento de valores éticos para o trabalho do cuidador. 4. Aos CONTRATANTES DE CUIDADORES: Não queiram perfeição, pois a mesma não existe. O cuidador “perfeito” é aquele no qual se pode confiar; que tem valores éticos nos quais as suas atitudes são baseadas e tratam o seu familiar (cuidado) com respeito, carinho, dedicação, paciência etc. Procurem, sempre, buscar referências da pessoa que vai contratar; deixe que a pessoa a ser cuidada participe da escolha do profissional que cuidará dele; busque informações, procure conhecer as reais atribuições do cuidador para não exigir além do que ele pode/deve fazer. 5. Aos CUIDADORES: Estudem muito. Aprendam tudo que possa contribuir para a realização de um trabalho cada vez melhor. No cenário atual, no qual o conhecimento é extremamente importante e bastante valorizado, é um valioso bem e no qual há uma crescente demanda por cuidado, conquistará tal mercado aquele que tiver mais conhecimentos, habilidades e experiências, além de atitudes embasadas por valores éticos. Convém lembrar, também, que para cuidar de alguém é preciso que se esteja bem e, para isso, é preciso cuidar-se. Portanto, cuidem da saúde e procurem fazer exercícios, além de buscar ajuda (orientações, apoio psicológico etc.), quando necessário. 38 APÊNDICE I: Análise da Pesquisa 1 – Cuidadores Sociais: Perfil do Cuidador: 1. Sexo: Masculino = 2 (4%) Feminino = 44 (96%) Análise: Assim como em outras pesquisas sobre a temática em questão, nota-se a predominância das mulheres no exercício da ocupação de cuidador. Conforme gráfico1, dos 46 cuidadores pesquisados, 96% (44) são mulheres e somente 4% (2) homens. 2. Idade: 15 - 29 5 30 - 39 10 40 - 49 16 50 - 59 11 60 - 69 1 > 70 0 Não respondeu 3 Análise: Com relação à idade dos cuidadores, conforme gráfico2 e tabela resumo do mesmo, acima, nota-se que a grande maioria dos cuidadores encontra-se na faixa etária entre 30 e 59 anos. 3. Escolaridade: Ensino fundamental incompleto = 10 (22%) Ensino fundamental completo = 5 (11%) Ensino médio incompleto = 9 (20%) Ensino médio completo = 7 (15%) Ensino técnico incompleto = 3 (6%) Ensino técnico completo = 7 (15%) 39 Ensino superior incompleto = 4 (9%) Ensino superior completo = 1 (2%) Análise: Com relação à escolaridade dos cuidadores, ao analisarmos o gráfico3, podemos perceber que 22% (10) declararam ter o ensino fundamental incompleto e que 11% (5) afirmam ter o ensino fundamental completo. Podemos verificar que estes dois percentuais somados totalizam um terço dos cuidadores pesquisados, ou seja, 33% (15). Ao procedermos a uma análise contextual, ou seja, observando a escolaridade informada pelos cuidadores respondentes e a qualidade da escrita dos mesmos na pesquisa como um todo, notamos que muitos – senão a maioria – podem ser considerados analfabetos funcionais, pois fica evidente a dificuldade dos mesmos para entender um texto bastante simples. 4. Qual a sua religião? Católica = 10 (22%) Espírita = 4 (9%) Evangélica = 19 (41%) Budista = 1 (2%) Afirmaram não ter religião = 6 (13%) Não responderam = 6 (13%) Análise: No que diz respeito à religião, o gráfico_4 mostra-nos a predominância de cuidadores evangélicos (41%), seguido de católicos declarados (22%), espíritas (9%) e budistas (2%). Seis cuidadores declararam não ter religião (13%) e outros seis (13%) optaram por não declarar a sua opção religiosa. 5. Trabalha como Cuidador ATUALMENTE? Sim = 30 (65%) Não = 15 (33%) NR = 1 (2%) Análise: A maioria da turma – 30 alunos (65%) – já trabalha como cuidador. Apenas 15 (33%) não trabalham na ocupação e 1 (2%) não respondeu. Notamos – em alguns anos atuando na formação de cuidadores – que é bastante comum o cuidador começar a exercer a ocupação e, depois, ao sentir dificuldades para desempenhar as 40 suas funções, procurar alguma capacitação, o que explica, ao menos em parte, o que nos mostra o resultado do gráfico5 acima, ou seja, o “fazer” precedendo o “saber”. 6. Há quanto tempo trabalha como Cuidador? Responderam = 34 NR = 12 Análise: Conforme acima, dos 46 participantes da pesquisa, somente 34 (cerca de 75%) responderam esta pergunta. Os outros 12 (cerca de 25%) não responderam. Dentre aqueles que responderam a esta pergunta (34), a experiência na função de cuidador varia entre 2 (dois) meses e 21 anos. Conforme gráfico6, somente 6 cuidadores estão há menos de 1 (um) ano na referida função; 17 (de 1 – 5 anos); 9 (de 6 – 10 anos) e outros dois têm, respectivamente, 12 e 21 anos de exercício na referida função. Nota-se, portanto, que a maioria encontra-se na faixa de um a cinco anos de experiência. 7. Você tem algum problema de saúde? Sim = 11 (26%) Não = 33 (70%) NR = 2 (4%) Análise: Conforme gráfico7, a maioria dos respondentes (70%) declarou não ter problema de saúde. Dentre os 11 (26% do total) que declararam ter algum problema de saúde, 5 (45%) sofrem de hipertensão; os outros 6 (55%) têm as seguintes doenças: diabetes, arritmia, asma, rinite/sinusite, febre reumática e estenose mitral (2). 8. Você cuida de si mesmo? Sim = 42 Não = 2 NR = 2 Análise: Conforme gráfico8, a grande maioria (42) dos respondentes declarou que cuida de si mesmo. Apenas 2 declararam que não se cuidam e outros 2 não responderam. Ao serem perguntados “de que forma” realizavam esse autocuidado, todos responderam que frequentam médicos e fazem exames regularmente, praticam 41 exercícios, têm lazer, alimentam-se bem, fazem dieta etc. Embora os dados (quantificados) acima apontem um “excelente resultado em termos de autocuidado”, numa análise qualitativa, embasada nos muitos anos em que vimos observando e ouvindo os relatos dos cuidadores, podemos inferir que tais dados não refletem a realidade da maioria dos cuidadores que cursaram as turmas anteriores (universo estudado). EDUCAÇÃO: 9. Você realizou algum curso para trabalhar como Cuidador? Sim = 16 Não = 0 Estou cursando = 46 Análise: Todos os respondentes (100%) estão frequentando as aulas em um curso de capacitação de cuidadores. Destes, apenas 16 alunos (26%) já haviam realizado algum outro curso. Portanto, a maioria (74%) que está iniciando o curso atual não possuía curso anteriormente. Isto significa que esta maioria já estava trabalhando sem qualquer formação para o exercício da ocupação de cuidador. 10. Você possuía experiência como cuidador antes do curso? Sim = 24 Não = 12 NR = 10 * Se sim, responder a pergunta 11. 11. Você acha que a experiência era suficiente para exercer a ocupação? Sim =12 Não = 24 NR = 10 Análise: As perguntas de número 10 e 11 foram respondidas por somente 78% (36) do total de 46 participantes, pois 10 pessoas (22%) não responderam a ambas as perguntas. (gráficos 9 e 10). Analisando qualitativamente as respostas dos questionários, verifica-se que os 24 respondentes (52%) que declararam “sim” na pergunta nº 10, ou seja, que tinham experiência como cuidador antes de iniciar o curso atual, são os mesmos 42 respondentes que declararam “não” na pergunta nº 11, ou seja, que acham que a experiência que possuíam não era suficiente para exercer a ocupação de cuidador. O que se pode apreender de tais dados, é que estes 52%, embora já estivessem trabalhando como cuidadores e, portanto, tendo alguma experiência (65% da turma tem experiência, que varia de 2 meses a 21 anos), reconhecem que somente tal experiência não é suficiente para o exercício da ocupação de cuidador. Assim, observa-se que ocorreu o processo inverso com relação aqueles que responderam “não” (12 pessoas) na pergunta número 10 e “sim” na pergunta de número 11, ou seja: aqueles 26% (12) ainda que não tenham experiência acham que ter experiência “seria” suficiente para exercer a ocupação de cuidador. Destacamos, ainda, que a pergunta número 11 deveria ser respondida somente por aqueles que respondessem “sim” à pergunta número 10. Para os que responderam “não”, perguntamos: o que você acha que faltou? Dentre os que deveriam responder (24), 4 não responderam. Conforme tabela 1, verifica-se que um dos respondentes, embora bastante resumido, expressou bem a sua opinião e, talvez, a de todos: “faltou tudo”. Na fala dos demais, em sua maioria, notam-se expressões sinônimas e/ou semelhantes, todas relativas a necessidade de aprendizado (conforme grifo nosso, acima), tais como: conhecimento, informação (provavelmente querendo dizer conhecimento), técnica, aprender a, preparo, esclarecimento, saber, conhecer etc. Um deles expressou “o conhecimento que com o curso estou tendo agora”. Isto é, ele – assim como os demais – reconhece que somente agora estão encontrando o que “estava faltando”: conhecimento. 12. Você pretende continuar estudando? Sim = 45 Não = 1 Análise: Os números acima são bastante representativos, pois dos 46 participantes da pesquisa, 45 (98%) responderam que “sim”. (Gráfico 11) Análise: As respostas da tabela 2 revelam que a maioria reconhece a importância do conhecimento. Cerca de 20 respostas abordam, de forma mais geral, a importãncia do conhecimento para o aprimoramento pessoal e profissional, como, por exemplo, as respostas número 2, 25 e 34 acima. Algumas respostas revelam uma preocupação em 43 buscar os estudos, o conhecimento para alcançar algum objetivo específico, como as respostas 1, 13 e 18, dentre outras. Há os que se utilizaram de algumas frases feitas: 4, 17, 29 e 31. O que mais chamou a nossa atenção foi o fato de pouco mais de 10% (5) dos respondentes desta pergunta terem dado respostas que se relacionam de forma mais direta e clara com a ocupação de cuidador. São elas as respostas: 7, 22, 28, 32 e 36 acima. Nestas respostas pode-se observar uma preocupação em buscar mais aprimoramento para exercer melhor a atividade atual (de cuidador). 13. Você costuma ler, estudar por conta própria? Sim = 43 Não = 1 NR = 2 Análise: Conforme os números acima, a maioria (94%) afirma que costuma ler e estudar por conta própria. Apenas 1 pessoa (2%) confessou o contrário e 2 pessoas (4%) não responderam. (Gráfico 12) Embora os números expressos apontem um expressivo interesse pela leitura, realizando uma análise qualitativa, a partir da leitura e análise das respostas, não nos pareceu que a maioria tivesse, de fato, tal hábito, uma vez que notamos certo grau de dificuldade para entender as perguntas e formular algumas respostas. 14. Você costuma trocar ideias/experiências com outros cuidadores? Sim = 36 (78%) Não = 6 (13%) NR = 4 (9%) > Vide gráfico 13 Se responder sim, diga como. Perguntados COMO costumam trocar ideias/experiências com outros cuidadores, dos 36 que responderam “sim” (78%) na pergunta 14, somente 19 responderam a esta questão, como pode ser visto na tabela 3. Análise: Ao observarmos a tabela 3, podemos notar que os cuidadores procuraram aprender com a experiência do outro. Apesar deste tipo de prática ser bastante válida, como disse um dos respondentes “cada idoso cada familiar age diferente um do outro” 44 e, portanto, nem sempre a “receita” ou a “dica” de um caso semelhante servirá para solucionar o problema de outra situação. O conhecimento aliado à experiência é que proporcionarão um trabalho profissional. A OCUPAÇÃO DE CUIDADOR: 15. O que o levou a se tornar um cuidador? Análise: Assim, ao analisarmos a tabela 4 e o gráfico 14, verifica-se que o maior percentual (41%) é composto por aqueles que dizem ter se identificado com o que a ocupação exige. Notamos que muitos daqueles que alegam outros motivos (tabela 5, abaixo), na verdade, têm uma identificação com a ocupação e acreditam que os recursos que eles já têm são suficientes para exercê-la e vislumbram na mesma tal oportunidade. Embora 22% tenham apresentado “outros motivos” para a escolha da ocupação de cuidador, analisando a tabela 5, percebe-se que os motivos alegados remetem à identificação dos mesmos com referida ocupação, ou seja, com o fato de gostar de cuidar do outro. Os que queriam deixar a ocupação/profissão anterior (3) representam 6% do total. Mas, ao observarmos o que dizem na tabela 5, abaixo, notamos que outros respondentes referem-se às profissões que já têm e percebem na ocupação de cuidador uma espécie de “prolongamento”, visto que está ocorrendo um aumento da demanda por cuidado. No entanto, não marcaram tal opção (constante da tabela 4). Ainda na tabela 4, vemos que somente 1 pessoa (2%) afirmou que “achou que ganharia mais dinheiro como cuidador”. Mas na tabela 5, abaixo, mais duas pessoas afirmam que a escolha seria para “Aumentar minha renda” e “Como adquirir melhores salários”. Enfim, o que nos parece claro é que, provavelmente, vários motivos (às vezes, um em especial) são responsáveis pelas respectivas escolhas pela ocupação de cuidador. Na verdade, tal escolha costuma ser decorrente de uma combinação de fatores e motivações pessoais. O que nos parece claro, também e mais uma vez, é que a maioria das pessoas enxerga tal ocupação mais como uma – vamos chamar assim – “possibilidade fácil”. O que precisamos sempre ressaltar é a importância da necessidade de uma capacitação, de um preparo para o exercício da ocupação de cuidador. Por mais que se tenha “vocação”, amor ao próximo, vontade de ajudar o outro etc. 45 16. Do que você mais gosta na atividade de Cuidador? Análise: Ao observarmos as respostas da tabela 6, notamos claramente que quase totalidade dos que responderam a esta pergunta deram respostas mais subjetivas, relativas ao relacionamento, ao afeto e ao vínculo existente com a pessoa cuidada, ao aprendizado que têm ao conviver e cuidar de idosos, ao fato de poderem proporcionar amor e carinho a alguém etc. Este tipo de depoimento também ocorre nas aulas que realizamos e esta pesquisa somente “reforça” e confirmando que, de modo geral, as pessoas procuram esta ocupação pelo seu “lado” mais idealizado. É evidente que os laços mencionados costumam ser muito fortes e verdadeiros. Mas nem sempre o são. O risco de idealizarmos demais algo é que nos decepcionemos mais rapidamente quando a “realidade” ou o “lado” menos interessante da questão se apresenta diante de nós, que é do que trata a próxima pergunta. 17. Do que você menos gosta na atividade de Cuidador? Análise: Ao observarmos a tabela 7, notamos que 3 respondentes declararam que não há do que não gostem na ocupação. Outros 4 referem-se a atividades inerentes ao dia-a-dia, ou seja, atividades como auxiliar no banho etc. Em aproximadamente 48% das respostas acima, pode-se perceber que, de uma forma ou de outra, há uma crítica à família/contratante. Seja por alguma situação presenciada com relação ao idoso, da qual o cuidador não concorda e/ou não gostou e sente-se impotente diante da mesma, seja por “intromissões” ou porque a família não está cumprindo o seu papel. Numa das respostas, comenta-se o “desgaste psicológico” decorrente do trabalho na referida ocupação. Tal desgaste é relativamente, uma vez que envolve o cuidado com o outro, relações delicadas, preocupações etc. Mas ele pode ser ainda maior se as partes envolvidas não estiverem preparadas para este tipo de relacionamento e de situação. Houve uma resposta relativa ao fato de a velhice “não ser bem aceita pelos idosos”. Há vários fatores que podem contribuir para isto. Um deles, segundo nosso entendimento, é a forma como os idosos são tratados. Se ele é maltratado, sofre agressões e/ou discriminações, não é ouvido etc., certamente não aceitará a sua condição. 46 Por fim, uma pessoa relata que o que não gosta na ocupação é ter que exercer a atividade de secretária do "lar". Sobre esta questão já comentamos anteriormente, neste mesmo capítulo, mas nunca é demais debatermos tal questão. Como é sabido por todos, “secretária do lar” é o nome “alternativo” dado à empregada doméstica. Embora nesta pesquisa somente uma pessoa tenha feito tal relato, tem sido bastante comuns as reclamações por parte de cuidadores – segundo nossa experiência de sala de aula, durante dez anos – com relação ao fato de serem contratados como cuidadores e exercerem também a função de empregados domésticos. Entendemos que isto geralmente ocorre porque não estão claras para as partes – cuidador e contratante – quais são as atribuições que cabem ao cuidador. 18. Quais as principais dificuldades que você encontra para exercer a ocupação de Cuidador? Podemos classificar e resumir os dados da tabela 8 nos 6 (seis) “tipos” abaixo: Resumo das respostas da pergunta 18 (tabela 8) Quantos Percentual Não encontram dificuldade 11 31% Atribuem a algum problema relacionado à família 16 44% Falta de preparo para o exercício da função 1 3% Alguma dificuldade relacionada à pessoa cuidada 4 11% Residir longe do local de trabalho 1 3% Outros motivos 3 8% Tabela 9 – Resumo das respostas da pergunta 18 (tabela 8). Análise: Ao observarmos as tabelas 8 e 9, bem como o gráfico 15, notamos que dos 36 cuidadores que responderam a esta pergunta, a maioria (44%) atribui à família as dificuldades encontradas para o exercício da ocupação. As “queixas” dos cuidadores variam desde a falta de providências por parte da mesma com relação à compra de medicamentos e outros materiais necessários para os cuidados até questões relativas à falta de valorização do trabalho do cuidador, problemas de relacionamento em geral e “intromissões” da família no trabalho do cuidador. 47 Conforme acima, 11 cuidadores (31%) que responderam a esta pergunta declararam que não têm dificuldades para o exercício da referida ocupação. Outros 4 cuidadores (11%) atribuem a dificuldade de trabalho com a pessoa que está sendo cuidada. Notamos que estes quatro cuidadores cuidam, justamente, de pessoas que apresentam algum tipo de “dificuldade” um pouco mais complexa, tais como: paciente agressivo ou com algum distúrbio mental, sem autonomia, acamado etc. Dentre estes quatro, um menciona que devido à dificuldade apresentada pela pessoa cuidada, sem autonomia ele “não sabe se está agradando”. É perceptível, neste caso, a necessidade que o cuidador tem de ter um feedback, isto é, um retorno, saber se o seu trabalho está agradando, especialmente por parte da pessoa que está sendo cuidada. Apenas um (3%) ressaltou “a dificuldade... quando você nâo tem o curso e os conhecimentos para exercer essa função”, reconhecendo que há necessidade de preparo para tal exercício. Outro cuidador (3%) ressaltou a dificuldade quando o mesmo reside longe do local de trabalho. Os três cuidadores (8%) que responderam a pergunta em tela, detacaram motivos vários, como remuneração, passagem, “tempo” (provavelmente querendo referir-se à falta do mesmo) e uma pessoa declarou que se sente mais “à vontade” numa clínica do que na casa da pessoa. Com relação a estas três últimas dificuldades apontadas, embora representados aqui por uma “minoria”, temos conhecimento de que as questões relativas a remuneração (salário) e dinheiro da passagem têm sido comentadas, exaustivamente, em sala de aula, pois é uma reclamação comum por parte do cuidador. Mas este problema costuma ser decorrente da falta de objetividade e clareza no momento em que as partes envolvidas realizam o trato (formal ou informal) sobre o que cabe ao cuidador realizar e respectiva remuneração. Também costuma haver problemas com relação aos custos com transporte do cuidador, pois os mesmos geralmente residem longe do local de trabalho e o custo acaba sendo superior ao esperado pelo contratante. 19. Quais os principais valores que você considera importantes e indispensáveis para ser um bom cuidador? Análise: Ao observarmos as tabelas 10 e 11 e gráficos 16 e 17, podemos notar que – dentre os valores apontados pelos cuidadores entrevistados como os mais importantes 48 e indispensáveis para ser um bom cuidador – os mais citados foram: “paciência” (15 citações), seguido de “responsabilidade” (12 citações) e “honestidade” (11 citações). Estes valores, que são indispensáveis a qualquer pessoa, no exercício de qualquer profissão, são muito relevantes para o exercício da ocupação de cuidador. Tal ocupação exige muita responsabilidade e paciência, pois se trata de cuidar de outra pessoa – que geralmente se encontra em condições de dependência e/ou com algum tipo de fragilidade. A maioria destes cuidados costuma ocorrer no domicílio da pessoa cuidada e, portanto, esta pessoa e sua casa ficam “expostas” ao abrigar alguém que, em princípio, é um “estranho”. Um dos valores éticos mais valorizados, em função desta questão é a honestidade. Nota-se um aspecto curioso – mas que não nos surpreende, uma vez que lidamos há muitos anos com estas questões e os números acima são, na verdade, uma constatação – que é o fato de os valores que vem logo em seguida como os mais citados pelos cuidadores (10 e 8 citações, respectivamente) foram: amor e carinho. Na verdade, “amor” e “carinho” não são “valores éticos”, mas se relacionam a sentimento e manifestação do mesmo. Em todas as turmas, vimos observando o que os números acima apontam, ou seja, uma grande valorização dos aspectos “emocionais”, geralmente, mais valorizados por eles do que os aspectos éticos, de fato. Vemos, na tabela 11, as palavras que foram mencionadas por 6 cuidadores, cada uma: pontualidade, respeito, “saber ouvir” e ética. O respeito é, realmente, um valor muito importante. Consideramos que o mesmo é a base de qualquer relacionamento; portanto, fundamental ao cuidador. Ética – que representa, na verdade, o conjunto dos valores de uma pessoa – foi citada por 6 cuidadores. Após as palavras acima, apontadas pelos cuidadores como “valores” e que foram as mais citadas pelos mesmos, temos (vide tabela 11), a seguir, as demais palavras – algumas são, de fato, “valores”, outras poderíamos chamar de qualidades ou características pessoais, outras se referem a traços de personalidade etc. De qualquer forma, todas têm sua importância e, na verdade, podem complementar-se, de forma que a realização do trabalho como cuidador seja o melhor possível. Estas outras palavras citadas foram (entre parênteses, a quantidade de vezes em que tal palavra ou expressão foi citada): Atencioso (4), Educação (4), Comprometimento (3), Disciplina (3), Gostar do que faz (3), Calma/calmo (2), Cumprir deveres (2), Dedicação (2), Discrição (2), Sensibilidade (2), Sinceridade (2), Tolerância (2), Afetividade (1), Agilidade (1), Amabilidade (1), Amor pela profissão (1), Amorosa (1), 49 Bom humor (1), Caráter (1), Compreensão (1), Criatividade (1), Dedicação (1), Determinação (1), Fidelidade (1), Generosidade (1), Gostar de si (1), Humildade (1), Limpeza (1), Organização (1), Ser atencioso (1), Ser correto (1), verdadeira (1). A ATUAÇÃO DO CUIDADOR: 20. Qual o sexo, idade e dificuldade apresentada pela pessoa que você cuida atualmente? Análise: Dentre as 30 pessoas que informaram que estão trabalhando atualmente como cuidadores, 17 responderam à pergunta 20, acima. Conforme tabela 13, o perfil das pessoas cuidadas é o seguinte: o número de mulheres (13) representa mais de três vezes (77%) o número de homens (4), que corresponde a 23% do total, conforme gráfico 18. Com relação à faixa etária (gráfico 19), temos a maioria (53%) situada entre 80-89, tendo 2 pessoas na faixa acima dos 90. Estas duas faixas etárias (dos considerados muito idosos) somam 11 pessoas, ou seja, 65% do total. Quanto aos demais, somente um está na faixa abaixo dos 70 anos, quatro entre 71-79 e um não informou a idade da pessoa de quem cuida. Quanto às dificuldades apresentadas (problemas de saúde) pelas pessoas cuidadas, verifica-se na tabela 13 e no gráfico 20 que aquelas mais recorrentes são as seqüelas de AVC (Acidente Vascular Cerebral), falta de memória e impossibilidade de andar (3 citações cada). Estes problemas são seguidos por dificuldades de locomoção, problemas psiquiátricos e Alzheimer (2 citações cada). Hipertensão, diabetes, demência (não especificada) e fraturas são citadas uma vez cada. Cabe ressaltar que – conforme tabela 12 – há pessoas que apresentam, ao mesmo tempo, mais de uma das dificuldades aqui citadas. 21. Quais são as suas principais atribuições como Cuidador, no atual trabalho? Análise: Na tabela 14, dentre as atribuições elencadas pelos respondentes (algumas não são propriamente “atribuições” e, por isso, não mencionaremos a seguir) podemos citar: Dar carinho, dar banho, cuidar da alimentação, dar remédios, cuidar do quarto (deixálo sempre limpo e a cadeira de rodas), cuidar da higiene da paciente, cuidar da roupa, 50 trocar fraldas, sair para passear, conversar, fazer caminhadas, cortar cabelo, cuidar das unhas, marcar e levar a idosa ao médico (consultas médicas e odontológicas), estimular as "lembranças", fazer companhia, falar com médico, auxiliar na locomoção, observar o idoso, organizar o dia da paciente, “tentar fazer com que ele jogue comigo”. Além destas atribuições, também citamos duas ditas por cuidadores que preferiram “resumir” todas as suas atribuições em uma frase. São elas: “A minha função é tudo que se refere as necessidades do meu cuidado” e “Desempenho minhas tarefas e faço a cuidada se sentir bem comigo”. Entendemos que as atribuições aqui mencionadas fazem parte daquelas que podem ser exercidas por um cuidador – preferencialmente preparado para tal ocupação. Não identificamos, dentre as atribuições citadas, alguma para a qual haja qualquer impedimento quanto a sua realização. Apesar dos relatos acima, durante alguns anos trabalhando com cuidadores, em diversas turmas de diferentes cursos de capacitação, temos ouvido relatos de cuidadores que têm dúvidas quanto às atribuições inerentes a sua ocupação. Sempre que isto ocorre, procuramos orientá-los a realizar somente as atribuições que lhe cabem. 51 APÊNDICE II: Análise da Pesquisa 2 – Contratantes de Cuidadores Sociais: Perfil do Contratante: 1. Sexo: Feminino = 4 Masculino = 5 Análise: Conforme gráfico 21, dentre os contratantes de cuidadores pesquisados, 56% (5) são homens e 44% (4) são mulheres. 2. Idade: Análise: Conforme mostra o gráfico 22, a maioria (67%) dos contratantes pesquisados encontra-se na faixa etária acima dos 50 anos. Somente 33% estão na faixa etária entre 40 e 50 e nenhum abaixo dos 40 anos. 3. Escolaridade: Ensino Técnico Completo 1 Ensino Superior Incompleto 3 Ensino Superior Completo 4 Pós Graduação 1 Tabela 15 – Escolaridade dos contratantes. Análise: Conforme tabela 15 e gráfico 23, podemos verificar que a maioria (4) dos contratantes (45%) tem curso superior completo, 33% (3) têm curso superior incompleto, 11% (1) ensino técnico completo e 11% (1) tem pós graduação. 4. Você contratou um Cuidador para cuidar de quem? Qual a idade e dificuldade apresentada pela pessoa a ser cuidada? Menos de 50 1 51-59 0 52 60-69 1 70-79 0 80-89 3 Acima dos 90 3 NI 1 Tabela 17 – Perfil familiar cuidado – Idade. Análise: Conforme tabela 16, verificamos que 100% dos familiares (dos contratantes) que estão sendo cuidados são do sexo feminino (8 mães e uma esposa de contratante). A faixa etária das pessoas cuidadas, conforme tabela 17 e gráfico 24, é a seguinte: 11% (1) com menos de 50 anos, 11% (1) entre 60-69 anos, 1 (11%) contratante não informou a idade da pessoa cuidada os outros 67% estão nas seguintes faixas etárias: 34% (3) entre 80-89 anos e 33% acima dos 90 anos. Verificase, portanto, que a maioria é composta por pessoas consideradas muito idosas. Análise: Conforme tabela 16 e gráfico 25, verificamos que os familiares de contratantes estão necessitando de cuidados em função das seguintes dificuldades e/ou problemas de saúde relatados pelos contratantes, ressaltando que alguns apresentam mais de uma doença, dentre as que citamos a seguir: seqüelas de AVC (3) e seqüelas de fraturas/quedas (2). Os demais problemas de saúde relatados são: alzheimer (1), depressão (1), diabetes (1), dificuldades de andar (1), “dificuldades naturais da idade” (1), hipertensão (1), problema cardíaco (1) e TOC – transtorno obsessivo compulsivo (1). Se compararmos os dados acima com os da tabela 13 da pesquisa de cuidadores, constataremos que os problemas de saúde relatados são, praticamente, os mesmos. 5. De que forma você contratou o Cuidador? Indicação de alguém (familiar, amigo, colega ou conhecido) 1 Indicação de alguma Instituição (Agência ou Cooperativa) 4 Outro (Programa de Cuidadores da empresa em que trabalham) 4 Tabela 18 – Forma de contratação do cuidador. Análise: Conforme tabela 18 e gráfico 26 verificamos que 44,44% dos contratantes (utilizaram-se do cadastro de cuidadores oferecido pela empresa onde trabalham, 53 outros 44,44% tiveram indicação de alguma instituição e 11,11% contratou um cuidador por indicação de alguém (familiar, amigo, colega ou conhecido). 6. Quais as principais dificuldades que se enfrenta ao ter que contratar um Cuidador, em sua opinião? Análise: Ao analisarmos os relatos constantes na tabela 19, que se encontram classificados e resumidos no gráfico 27, podemos verificar que as principais dificuldades apontadas pelos contratantes com relação ao momento em que se precisa contratar um cuidador para cuidar de um familiar resumem-se em 5 principais fatores: preocupação com o fato de deixar uma pessoa estranha dentro de casa, cuidando de um ente querido (3), dificuldade para conseguir um cuidador realmente capacitado para o exercício da referida ocupação (2), desconhecimento do histórico do cuidador (1), dificuldade de aceitação por parte da própria pessoa a ser cuidada (1) e imposição de rotinas e outros por parte do cuidador chocando-se com as orientações da família (1). Dois contratantes relataram não ter sido difícil porque a empresa na qual trabalham tem um cadastro de cuidadores e indicou os mesmos quando precisou. 7. Por que você contratou um Cuidador, em vez de alguém da família assumir os cuidados ou contratar um profissional de enfermagem? Análise: Os relatos constantes da tabela 20 apontam que os principais motivos que levaram os contratantes a contratar os serviços de um cuidador, em vez de realizar tais cuidados e/ou contratar um profissional de enfermagem para realizá-los foram: indisponibilidade de tempo do próprio contratante e dos demais familiares, julgarem que o cuidador “é um profissional preparado para esta situação”. Alegaram, ainda, que um “enfermeiro tem um custo muito mais alto” ou ainda que “não foi necessário um profissional de enfermagem”, visto que “a relação custo X benefício atende as necessidades dos envolvidos”. O que se pode entender, diante das declarações dos contratantes é que as atribuições para as quais os cuidadores foram contratados podem ser desempenhadas pelos mesmos, não havendo a necessidade de contratar um profissional de enfermagem, cujo custo seria maior. Além disso, tais atribuições (descritas nas respostas da pergunta 10) podem ser exercidas pelo cuidador, o que torna a relação custo x benefício mais viável para o contratante. 54 8. Você considera que tem um bom relacionamento com o cuidador? Sim = Não = A que você atribuiria tal fato? (pergunta não aplicada) 9. Você sabe quais as atribuições que cabem ao Cuidador? Sim = 8 Não = 1 Se respondeu sim, de que forma você passou a saber? Análise: Segundo dados do gráfico 28, verifica-se que 89% (8) dos contratantes declararam que sabem quais as atribuições que cabem ao Cuidador. Somente 11% (1) declararam não saber. Aqueles que disseram que sabem quais as atribuições que cabem ao cuidador, quando perguntados “de que forma passaram a saber”, todos, em geral, conforme tabela 21, responderam que buscaram informações em leituras, cursos, programa de cuidador na empresa, profissionais do serviço social, trocas com outros contratantes que já vivenciavam situação semelhante etc. 10. Quais são as principais responsabilidades atribuídas ao Cuidador contratado por você? Análise: Conforme relatos constantes da tabela 22 – classificados e resumidos na tabela 23 –, verifica-se que existem muitas atribuições que cabem aos cuidadores (e que variam de caso para caso) e, dentre as atribuições e responsabilidades citadas pelos contratantes, as que mais foram mencionadas pelos mesmos são: dar medicações (6), cuidar da higiene em geral (6), preparar e servir a alimentação (5), auxiliar na locomoção (3), auxiliar no banho (2), registrar as ocorrências diárias (2), conversar com a pessoa cuidada (2) e observar o comportamento da pessoa cuidada (2). Outras 17 atribuições foram citadas (1 vez cada uma), conforme mostra a tabela 9. 11. Você consegue diferenciar bem a função do Cuidador daquelas exercidas pelos profissionais de enfermagem e empregado doméstico? Sim = 9 Não = 0 55 Das atribuições de enfermagem e empregados domésticos. Análise: Conforme gráfico 29 comprova, todos (100% ) os contratantes pesquisados declararam que sabem diferenciar as atribuições do cuidador das atribuições de enfermagem e empregados domésticos. 12. Você acha que os conhecimentos e habilidades que o cuidador possui são suficientes para o exercício da referida função? Sim = 5 Não = 4 Se respondeu NÃO, o que você acha que “está faltando”? “Qualquer pessoa, no exercício profissional, não é completo. Ao cuidador, seria bom exercitar, por vezes, respeito, não necessariamente todos, a paciência e a tolerância, dentro dos limites possíveis e adequados, algumas noções de respeito e higiene.” “Utilizamos o serviço de dois Cuidadores com formações diferentes, com isto tivemos problemas com uma das Cuidadoras que não tinha o treinamento adequado.” “Habilidade em que sentido? A experiência de cada um é determinante, esta será o diferencial. O conhecimento, acho, que se vê, mas a habilidade pode variar.” “Reciclagem constante, independente das orientações basais. Deve estar sempre preparado para lidar com os diferentes pacientes.” Tabela 24 – O que os contratantes acham que falta aos cuidadores (grifo nosso) Análise: Conforme mostra o gráfico 30, 56% (5) dos contratantes declararam que consideram que os conhecimentos e habilidades do cuidador são suficientes para exercer a referida ocupação. Já 44% (4) responderam que não. Segundo estes últimos, ao serem perguntados sobre o que “estaria faltando” aos cuidadores para exercerem a referida ocupação, responderam (conforme tabela 24) que o que falta é: paciência, tolerância, respeito, noções de higiene, treinamento adequado/”reciclagem constante”, e que o cuidador deveria “estar sempre preparado para lidar com os diferentes pacientes” grifo nosso). 56 13. Quais os principais valores que você considera importantes e indispensáveis para um bom cuidador? Análise: Conforme tabela 25 e gráfico 31, podemos verificar que os valores que ganharam maior destaque foram: paciência, responsabilidade e ética (que, na verdade, é o conjunto dos nossos valores). Palavras como “carinho” e “ser atencioso” foram consideradas pelos contratantes como valores. Num sentido mais genérico da palavra, fazendo uma análise mais qualitativa da questão, podemos entender que se trata do “valor” que as pessoas atribuem ao “carinho” e ao fato das pessoas serem “atenciosas”. Este último termo, geralmente, resume aquela pessoa que é cuidadosa, tem paciência etc. Outras palavras mencionadas (23), citadas uma vez cada, também refletem a preocupação que as pessoas têm com os valores do outro, ou seja, que o outro tenha valores éticos, que seja confiável etc., de modo que tenhamos mais tranqüilidade para deixar nossos familiares sob a responsabilidade dos mesmos. 57 APÊNDICE III: Análise da Pesquisa 3 – Profissionais que lidam com Cuidadores Sociais: 1. Perfil dos Profissionais – Profissão: Análise: Conforme tabela 26 e gráfico 32, dentre os 13 profissionais entrevistados, temos: assistentes sociais (39%), estudantes/estagiários de serviço social (38%), pedagoga (8%) e professores universitários (15%). 2. Perfil dos Profissionais – Grau de escolaridade: Análise: Com relação à escolaridade dos profissionais entrevistados (que realizam trabalho relacionado ao cuidado e cuidadores), de acordo com a tabela 27 e o gráfico 33, temos: 15% (2) com doutorado, 15% (2) com pós-graduação, 31% (4) com curso superior completo e 39% (5) cursando o ensino superior (estudantes/estagiários). 3. Há quanto tempo realiza algum trabalho relacionado à temática do cuidado? Análise: Com relação ao tempo em que os profissionais atuam na área do cuidado, conforme tabela 28 e gráfico 34, temos: 62% (8) que têm até 5 anos de experiência, 15% (2) têm entre 6 e 10 anos de experiência, 8% (1) têm entre 11 e 15 anos de experiência e 15% (2) têm entre 16 e 20 anos de experiência. Observando estes dados, vemos 38% destes profissionais estão atuando na referida área de 6 a 20 anos. Todos os 13 profissionais entrevistados (100%) lidam com as questões relativas ao cuidado diariamente. Têm, portanto, uma experiência relacionada à temática do cuidado que deve ser considerada. Alguns destes profissionais têm uma ou mais publicações e são muito respeitados nas suas respectivas áreas de atuação. Temos, dentre eles, professores de universidades públicas, empregados de empresas estatais e estudantes/estagiários (todos) de universidades públicas. 4. Que tipo de trabalho você realiza (relacionado ao cuidado)? Análise: Dentre os profissionais entrevistados, encontramos estudantes universitários, que são estagiários de serviço social, e assistentes sociais que atuam em empresa 58 realizando entrevistas sociais com cuidadores e solicitantes de cuidadores, encaminhamento de cuidadores, visitas domiciliares, acompanhamento das atividades realizadas pelosos cuidadores, atendimento a familiares, acompanhamento dos alunos da turma de cuidadores, dentre outras atividades. Também temos outros profissionais que são responsáveis por projetos voltados ao publico idoso e na formação de cuidadores para lidarem com as questões do cuidado, outros que organizam e coordenam cursos de capacitação de Cuidadores, professores que são coordenadores de cursos de preparação de cuidadores e outros profissionais que lidam com questões relacionadas ao campo da Gerontologia, que prestam assessoria a entidades diversas, lecionam em cursos de cuidadores e de gerontologia no Rio de Janeiro e em outras localidades, assessoria pedagógica, professores de ética, gerontologia, relações familiares etc. Temos, também, profissional responsável pela coordenação técnica de Programa Social de Cuidadores. 5. Quais os principais problemas que você identifica como sendo os mais impactantes nas relações cuidador/pessoa cuidada? Análise: Analisando a tabela 29 – cujos depoimentos se referem a profissionais que, como vimos, atuam diariamente com as questões aqui debatidas – notamos que os principais problemas identificados pelos mesmos como sendo os mais impactantes nas relações cuidador/pessoa cuidada foram: “ausência de preparo”, “falta de preparo técnico para o desempenho da referida ocupação”, “falta de técnica em alguns momentos com pacientes que necessitem de um cuidado mais específico”, “falta de conhecimento para tratar o cuidado em situações mais complexas”, “desconhecimento/falta de qualificação”. Evidencia-se, com estes depoimentos, que existe um “despreparo dos cuidadores”, de modo geral, para o exercício da referida ocupação. O “despreparo” também é atribuído aos familiares, pela “não compreensão da família sobre funções do cuidador”, isto é, pelo fato de a mesma desconhecer quais são as atribuições do cuidador. Por sua vez, há relato de que o principal problema estaria relacionado à “postura do cuidador, o cuidador não sabe os seus limites na casa do cuidado”. Podemos entender que tais problemas podem ser decorrentes, dentre outros motivos, de “preconceitos”, “problemas comportamentais”, “problemas éticos”, “diferenças culturais envolvendo valores, crenças”. Segundo relato, também existe, por parte do cuidador, “demonstração de insatisfação do trabalho”, além de “conflitos”, “intervenção da família” no trabalho do cuidador (talvez por não confiar plenamente no 59 trabalho do mesmo e/ou desconhecer o que cabe ao mesmo). Além de tudo isto, temos a falta de empatia de ambos os lados – cuidadores e familiares. 6. Quais os principais problemas que você identifica como sendo os mais impactantes nas relações cuidador/familiar da pessoa cuidada? Análise: Conforme depoimentos constantes na tabela 30, observa-se que a maioria (62%), ou seja, 8 dentre os 13 profissionais entrevistados (vide grifo nosso na referida tabela), apontaram o “desconhecimento das atribuições que cabem ao cuidador (por parte do mesmo e da família)” e “conflitos de função do cuidador x enfermagem” como os principais problemas identificados como sendo os mais impactantes nas relações cuidador/familiar da pessoa cuidada. Também foram apontados problemas relacionados à “dificuldade quanto à remuneração já que a ocupação não tem valor tabelado”, “falta de clareza e de objetividade no momento da contratação, preconceito e falta de valores éticos, dificultando o diálogo e o entendimento entre as partes envolvidas”. Outros problemas foram relatados e dizem respeito ao excesso de intimidade por parte do cuidador, que desconhece, muitas vezes, quais são os limites de sua atuação; intromissão da família no trabalho do cuidador; falta de ética; preconceitos etc. 7. Quais os principais Conhecimentos (conhecer/saber) que você considera imprescindíveis a um bom cuidador? Análise: De acordo com os profissionais (vide tabela 31), os principais Conhecimentos (conhecer/saber) que os mesmos consideram imprescindíveis a um bom cuidador, são (entre parênteses, o número de vezes em que tal conhecimento foi citado): • Conhecimento sobre ética e posturas profissionais do cuidador (4). • Conhecer a história da pessoa que está sendo cuidada para melhor compreendê-la (3). • Conhecer os alimentos básicos e a importância de cada um para a saúde – noções de nutrição (3). • O conhecimento de suas atribuições como cuidador (3). • Saber noções básicas sobre o processo de envelhecimento humano para melhor entender os idosos (3). 60 • Ter conhecimento do manejo técnico com o idoso nas atividades de vida diária – AVD (3). • Conhecer sobre as diferentes relações familiares, sem preconceitos (2). • Conhecimento para estimular a pessoa cuidada visando a sua melhoria, autonomia e independência (2). • Higiene de pessoas acamadas (troca de fralda, banho no leito). (2) • Saber ler e escrever (2). • Auxílio na locomoção de pessoas debilitadas (1). • Conhecer a técnica para realizar a mudança de decúbito (1). • Conhecer o ser humano na sua totalidade (1). • Direitos da pessoa idosa (1). • Estudos sobre Leonardo Boff (1). • Estudos sobre Psicologia (1). • Orientações básicas de saúde e prevenção (1). • Orientações trabalhistas (1). • Primeiros socorros na prestação do cuidado (1). • Saber identificar os sintomas da depressão (1). • Saber o que são escaras e como evitá-las (1). • Saber questões relativas a determinadas enfermidades (Alzheimer, Parkinson, etc.) (1) 8. Quais as principais Habilidades (saber fazer) que você considera imprescindíveis a um bom cuidador? 61 Análise: De acordo com os profissionais (vide tabela 32), as principais Habilidades (saber fazer) que os mesmos consideram imprescindíveis a um bom cuidador, são (entre parênteses, o número de vezes em que tal habilidade foi citada): • Saber auxiliar na locomoção/manuseio da pessoa (leito, cadeira de rodas ou na higiênica etc.). (8) • Saber a técnica do banho e da higiene. (5) • Saber preparar e servir as refeições (4) • Saber trocar fraldas. (4) • Saber estimular a autonomia da pessoa cuidada. (3) • Habilidade de cuidar da limpeza do ambiente no qual vive a pessoa cuidada. (2) • Saber dar auxílio às atividades da vida diária da pessoa cuidada. (2) • Saber desenvolver um bom relacionamento com o cuidado e com a família (interagir). (2) • Ser flexível no relacionamento com a pessoa cuidada e seus familiares. (2) • Compreender as necessidades (aparentes ou não) da pessoa cuidada (linguagem corporal). (2) • Ter capacidade de relacionamento. (2) • Ter responsabilidade no manejo de medicações. (2) • Saber dar alimentação via sonda. (1) • Saber escutar para compreender as necessidades da pessoa cuidada. (1) • Saber medir/verificar pressão (aparelho digital). (1) • Saber perceber sinais de dificuldades ou de mudanças físicas e humorais na pessoa cuidada. (1) • Saber proporcionar à pessoa cuidada a oportunidade de socialização. (1) • Saber respeitar os espaços e posições da família. (1) 62 9. Quais os principais Valores (ser) que você considera imprescindíveis a um bom cuidador? Análise: Conforme tabelas 33 e 34 e gráfico 35, os valores mais apontados pelos profissionais como “imprescindíveis a um bom cuidador” foram: respeito (6), paciência (5), ética (5), honestidade (4) e integridade (3). Também foram citados: Comprometimento (2), Responsabilidade (2) e Educação (2). Os demais, mencionados uma vez cada um, foram: Empatia, Cooperação, Interação, Compreensão, Altruísmo e Disponibilidade. 10. Em sua opinião, qual deveria ser a escolaridade mínima necessária para um cuidador exercer tal ocupação? Análise: Conforme tabela 35 e gráfico 36, perguntados “qual deveria ser a escolaridade mínima necessária para um cuidador exercer tal ocupação”, 77% (10) dos profissionais responderam que o mínimo necessário deveria ser o ensino fundamental completo. Dois (cerca de 15%) responderam que deveria ser o ensino médio completo e um não respondeu (cerca de 8%). 11. Você considera que a ocupação de cuidador está bem definida, suas atribuições bem identificadas (diferenciada das ocupações de enfermeiro e empregado doméstico, por exemplo)? Análise: Segundo dados do gráfico 37, sete profissionais (54%) responderam que NÃO. Um deles, inclusive, fez questão de mencionar que “esse é o grande problema” (grifo nosso). Seis profissionais (46%) responderam que SIM, sendo que um deles afirmou: “porém ainda falta socializar tais diferenciações, para que as pessoas não confundam”. (grifo nosso) 63 GRÁFICOS: Gráfico 1 – Perfil dos Cuidadores – SEXO Gráfico 2 – Perfil dos Cuidadores – IDADE. 64 Gráfico 3 – Perfil dos Cuidadores – ESCOLARIDADE Gráfico 4 – Perfil dos Cuidadores – RELIGIÃO 65 Gráfico 5 – Perfil dos Cuidadores – Se trabalha como cuidador. Gráfico 6 – Perfil dos Cuidadores – Há quanto tempo trabalha como cuidador. 66 Gráfico 7– Perfil dos Cuidadores – saúde. Gráfico 8 – Perfil dos Cuidadores – Problemas de saúde. 67 Gráfico 9 – Experiência do Cuidador antes do curso. Gráfico 10 – Experiência para exercer a ocupação de cuidador. 68 Gráfico 11 – Se o Cuidador pretende continuar estudando. Gráfico 12 – Se o Cuidador tem o hábito de ler/estudar por conta própria. 69 Gráfico 13 – Se o Cuidador costuma trocar ideias/experiências com outros cuidadores. Gráfico 14 – O que levou o Cuidador a escolher tal ocupação. 70 Gráfico 15 – Principais dificuldades do Cuidador para exercer tal ocupação (gráfico resumo da pergunta 18, tabela 8). Gráfico 16 – Valores éticos citados pelos Cuidadores. 71 Gráfico 17 – Outros (valores éticos citados pelos Cuidadores). Gráfico 18 –Perfil da pessoa cuidada – Sexo 72 Gráfico 19 – Perfil da pessoa cuidada – faixa etária. Gráfico 20 – Perfil da pessoa cuidada – principais dificuldades apresentadas. 73 Gráfico 21 – Perfil dos contratantes – Sexo Gráfico 22– Perfil dos contratantes – Idade 74 Gráfico 23 – Perfil dos contratantes – Escolaridade Gráfico 24 – Perfil dos familiares (de contratantes) sendo cuidados – Idade. 75 Gráfico 25 – Perfil dos familiares (de contratantes) sendo cuidados – Saúde. Gráfico 26 – Forma de contratação do cuidador. 76 Gráfico 27 – Dificuldades na contratação do cuidador, relatadas pela família. Gráfico 28 – Se o contratante sabe quais são as atribuições do cuidador. 77 Gráfico 29 – Se o contratante sabe diferenciar as atribuições do cuidador Gráfico 30 – Se o contratante considera que os conhecimentos e habilidades do cuidador são suficientes para exercer a ocupação. 78 Gráfico 31 – Valores que o contratante considera imprescindíveis a um bom cuidador. Perfil dos profissionais - profissão 15% Assistente Social 8% 39% Estudante/estagiário Pedagoga Professor Universitário 38% Gráfico 32: Perfil dos profissionais – profissão 79 Perfil dos profissionais - escolaridade Doutorado 15% 15% Ensino Superior Completo Ensino Superior Incompleto 31% 39% Pós Graduação Completa Gráfico 33 - Perfil dos profissionais – escolaridade. Perfil dos profissionais tempo de trabalho na área do cuidado 15% 8% Até 5 anos de 6 a 10 anos de 11 a 15 anos 15% 62% de 16 a 20 anos Gráfico 34 - Perfil dos profissionais – tempo de trabalho na área do cuidado. 80 Valores imprescindíveis ao cuidador (segundo os profissionais) disponibilidade. altruísm o Com preensão Interação Cooperação Em patia Educação Responsabilidade Com prom etim ento Integridade Honestidade Ética Paciência Respeito 0 1 2 3 4 5 6 7 Gráfico 35 – Valores imprescindíveis a um bom cuidador, segundo os profissionais. 81 Qual deveria ser a escolaridade mínima para o exercício da ocupação de cuidador 8% 15% 77% Ensino Fundamental Completo Ensino Médio Completo Não respondeu Gráfico 36 – Opinião dos profissionais quanto à escolaridade mínima do cuidador. Se a ocupação de cuidador tem suas atribuições bem definidas, na opinião dos profissionais 6; 46% 7; 54% Não Sim Gráfico 37 – Se a ocupação de cuidador tem suas atribuições bem definidas. 82 TABELAS: Tabela 1 – Complemento da pergunta 11. 1. “Quase tudo” 2. “mais técnica, criatividade "um" "cuidar" com mais responsabilidade” 3. “muita coisa: tirar o cuidado da cama, alimentação, dar remédio, ouvir o cuidado” 4. “falta bastante informação” 5. “falta bastante informação” 6. “eu sempre trabalhei e nunca falhei” 7. “percepção de comportamento” 8. “faltou a parte em que algumas tarefas em relação ao cuidador que deve ser feita” 9. “aprender a cuidar de um idoso com alzheimer agressivo” 10. “me faltou várias coisas, as quais só agora estou tendo conhecimento” 11. “o conhecimento que com o curso estou tendo agora” 12. “faltava prática” 13. “mais prática, um curso igual a este de furnas” 14. “faltou mais experiência mais preparo e esclarecimento sobre o cuidador” 15. “faltava mais conhecimento e pessoas (profissionais) capacitadas e envolvidas no trato com idosos” 16. “mais prática, conhecimento, mais jeito, enfim, cada hora as coisas mudam” 17. “faltava a informação sobre diversas áreas, como gerontologia, fisioterapia, que eu desconhecia” 18. “tudo na área de alimentação e ética, gerontologia” 19. “mais conhecimento e entendimento para lidar com as mudanças de temperamento da paciente” 20. “acho que preciso conhecer mais pacientes senis, saber como lidar com determinadas situações que o trabalho nos oferece” Tabela 2 – Porque os cuidadores pretendem continuar estudando. 1. “Pretendo cursar uma faculdade de psicologia” 2. “Porque o conhecimento é muito importante” 3. “Gosto muito” 83 4. “Porque hoje em dia sem o estudo não vamos a lugar nenhum” 5. “Porque é sempre bom estar bem informado” 6. “porque para tornar uma nova ocupação” 7. “me aprimorar mais” 8. “quero melhorar minha vida e aprender mais ter conhecimento” 9. “mais experiência” 10. “para aprimoramento” 11. “gostei muito das informações e quero melhorar no dia a dia” 12. “para adquirir experiência para um futuro melhor” 13. “eu quero completar meu estudo” 14. “pretendo fazer faculdade” 15. “estou muito cansada” 16. “fazer a diferença é sempre bom” 17. “aprender nunca é demais” 18. “porque eu preciso de mais conhecimento e para ensinar os meus filho na hora do dever de casa” 19. “porque quero crescer profissionalmente” 20. “porque é sempre bom se especializar” 21. “quanto mais experiente, melhor” 22. “para adquirir conhecimento, para poder cuidar ainda melhor” 23. “porque é muito bom ter a teoria e a prática” 24. “eu quero aprender mais em tudo” 25. “sempre é bom adquirir mais conhecimentos, saber mais se atualizar’ 26. “a cada dia nós aprendemos mais” 27. “quero me informar e ter novas experiências” 28. “tudo que se relacione à idoso me interessa” 29. “é tudo que não se pode tirar de nós, é o nosso saber” 30. “eu quero te mais conhecimento” 31. “o saber não ocupa espaço. É bom se atualizar” 32. “quero conhecer mais, através do curso de técnico de enfermagem” 33. “tenho muita falha” 84 34. “o conhecimento abre portas de emprego” 35. “aprender é sempre ter o que oferecer” 36. “quero evoluir no que exerço” 37. “através do conhecimento você pode se tornar melhor” 38. “todos nós em todas as profissões precisamos nos atualizar” 39. “porque quero ter maior conhecimento e com crianças também” 40. “para melhorar o meu conhecimento” 41. “porque quanto mais conhecimento melhor trabalhamos” 42. “acho que posso me especializar mais” Tabela 3 – Como costumam trocar ideias/experiências com outros cuidadores. 1. “Falando como nos comportamos, nos plantões, das enfermidades dos pacientes.” 2. “Dependendo das ideias, não acho ético, comentários” 3. “Converso com cuidadores do curso. Ouço as histórias que todos carregam e debato nas aulas. Obs.: quando pode debater eu debato” 4. “Procuro ter sempre contato com minhas colegas e trocas ideias, fatos curiosos que ocorrem durante o trabalho” 5. “O que eu tenho de dúvidas nós nos juntamos e tiramos nossas dúvidas” 6. “Experiências” 7. “Ex. experiências de algo que quero aprender e não sei a outra colega às vezes sabe e me ensina. Ou de pessoas até mesmo de nível superior que pode me ensinar alguma coisa que eu possa fazer” 8. “Trocamos o conhecimento as experiências” 9. “Perguntando sobre fatos vivenciados” 10. “Perguntando sobre os fatos do dia dia” 11. “Rotina, carga horária, salário, experiências, etc.” 12. “Através das aulas, filmes e etc.” 13. “Como lidar com outras doenças, como lidar com outras famílias, cada paciente tem o seu histórico e só na prática com cada um que eu poder fazer o meu trabalho bem feito” 14. “Contar o tipo de comportamento, do paciente e manobras, conforto, alimentação etc.” 85 15. “Como conversar com o idoso nas horas vagas, as sopas e nas horas de trocar as fraldas colocar um absorvente se for mulher etc.” 16. “Como exemplo pacientes com patologias diferentes das que eu estou trabalhando no momento, cada idoso cada familiar age diferente um do outro” 17. “Conversamos e aprendemos com outras pessoas cuidadoras sobre dicas e até como se falar, entrar no mundo do Alzheimer” 18. “Procuro sempre descobrir novas ideias, e procuro sempre saber se estou agindo certo no meu serviço de cuidadora” 19. “Procuro ficar atenta nas aulas e tirar dúvidas em sala. Como gosto muito de pessoas idosas e meu marido é idoso. Converso bastante para buscar conhecimentos que ainda não tenho. Obs.: suas limitações” Tabela 4 – Motivo para tornar-se cuidador. Opções apresentadas: Resp. Percentual Queria deixar a ocupação/profissão anterior 3 6% Achou que ganharia mais dinheiro como cuidador 1 2% Viu que o mercado de trabalho estava demandando tal serviço 4 9% Identificou-se com o que tal ocupação exige 19 41% Outro motivo (qual? vide respostas abaixo) 10 22% Não responderam 9 20% Tabela 5 – Outros motivos para tornar-se cuidador. “Bom. Com esse novo aprendizado eu poderei ajudar pessoas que necessitam e poderei tratar do meu avô.” “Estava fora do mercado de trabalho há muito tempo, fiquei desquitada e preciso trabalhar” “Como adquirir melhores salarios” “Aumentar minha renda” “Quando eu me formei em auxiliar de enfermagem em 1988 tinha uma dificuldade enorme e falta de profissional” “Já possuir o curso de enfermagem, e já estava na área de saúde” 86 “Comecei trabalhando com reabilitação e esses pacientes eram a maioria senis fiquei com eles durante 1 ano 6 meses” “Sempre me sentir bem, em cuidar do meu semelhante” “Sempre gostei de cuidar” “Eu gosto muito de cuidar de outra pessoa com muito amor e carinho etc.” “Deus me encaminhou uma pessoa que eu a amo e ela ficou muito dependente de mim hoje eu adotei e cuido dela, ela tem 78 anos” “Estava desempregada e a atividade me conquistou” “A falta de amor, o descaso, eu futuramente vou precisar de cuidados especiais” “Sempre gostei desde criança de conversar com pessoas de mais idade” Tabela 6 – Do que os cuidadores mais gostam na sua ocupação. 1. “Por gostar do que faço, não tem o que mais gosto ou que menos gosto” 2. “Da experiência das diferenças” 3. “De poder ser útil e da troca de experiência entre eu e o idoso” 4. “De conversar com eles, porque até tem coisas que a gente aprende com eles” 5. “É o companheirismo, e carinho que trocamos” 6. “Do tipo de ocupação pois me identifico com a função” 7. “De cuidar da paciente, de dar a máxima atenção, de dar carinho” 8. “Conversar, ouvir histórias” 9. “Trabalhar para melhorar a qualidade de vida de alguém” 10. “Proporcionar um bem estar ao idoso com amor e carinho” 11. “Que assinasse a carteira” 12. “Do vínculo que se constrói” 13. “Dar atenção ao paciente, carinho, cuidar” 14. “Gosto porque o idoso ele é sincero meigo e principalmente sábio” 15. “Ouvir as experiências de vida de cada idoso” 16. “É quando eles passam a experiência deles para nós, é passar com eles e eles contar as mocidade deles para nós etc.” 17. “O idoso nos ensina a ter mais prazer com a idade e as facilidades que ela me proporciona nesse momento” 87 18. “Saber que posso estar ajudando alguém” 19. “Quando chego na casa do cuidado e ganho o bom dia, um lindo e verdadeiro sorriso do meu cuidado” 20. “Para mim tudo, porque procuro fazer com muita atenção e carinho” Tabela 7 – Do que os cuidadores menos gostam na sua ocupação. 1. “Não têm” 2. “Nada” 3. “Em algum "casos" ter que exercer a atividade de secretária do "lar".” 4. “De saber que a velhice nunca é bem aceita pelos idosos” 5. “É ter que acordar de 1 em 1 hora a noite para colocar ela para fazer xixi” 6. “De ver às vezes o cuidado passando por algo e que eu não posso fazer nada para mudar aquela situação” 7. “Quando a família atrapalha o nosso trabalho” 8. “Hora do banho” 9. “Da intromissão da família no trabalho do cuidador” 10. “Intromissão familiar” 11. “Eu gosto de tudo” 12. “Às vezes exige um desgaste psicológico muito grande” 13. “Quando a paciente tem mal de alzheimer e esquece tudo ou troca” 14. “Quando as outras pessoas veem a profissão descuidado, invisível” 15. “Quando a família não presta os devidos cuidados pedidos pelo cuidador, para o maior conforto e segurança do idoso” 16. “É quando eles fazem malcriações para nós, quando a gente vai dar comida, o banho, e quando o contratante fica olhando a gente com discriminação, pensando que vamos agridir os idosos” 17. “Quando o idoso sente necessidade de se alimentar e não tem comida para ele, tudo controlado sendo que o dinheiro é dele. Vive uma vida às vezes com dificuldade como se fosse baixa renda” 18. “Quando o idoso é rebelde, agressivo” 19. “Quando não vejo carinho dos parentes do meu cuidado, com o mesmo” 88 Tabela 8 – Principais dificuldades do cuidador para exercer a ocupação. 1. “não encontro dificuldades” 2. “É o meu primeiro trabalho até o momento não encontrei dificuldades” 3. “os familiares; tem que haver diálogo, e posições na sua área manter um campo aberto para o diálogo aberto, e objetivo” 4. “A dificuldade maior não é encontrada com os idosos, e sim com a família noto que alguns não se interessam por eles (idosos)” 5. “Às vezes em tenho dificuldades com os parentes, porque todos querem dar opiniões diferentes e a gente fica numa saia justa” 6. “para mim nenhuma” 7. “a família: mudança de hábitos do paciente é minha também. Quando há necessidade de adequar a casa a nova situação” 8. “família, falta de material que se pede e a família às vezes ignora” 9. “quando a família ignora quando falta alguns medicamentos do idoso” 10. “ainda não achei dificuldade” 11. “dificuldade de estar na casa da pessoa. Me sinto mais a vontade em clínicas” 12. “toda rotina com cuidado e mais atenção” 13. “até agora tudo tem sido bom e até mesmo um desafio” 14. “ajuda da família às vezes um não se empenha no seu dia a dia, dando uma palavra de conforto” 15. “a dificuldade influi quando você nâo tem o curso e os conhecimentos para exercer essa função” 16. “até agora não tive grandes dificuldades mas em relação a remuneração e passagem encontramos dificuldades de modo geral” 17. “a distância da minha casa até a casa do cuidado” 18. “graças a deus até o momento não tenho nada a reclamar” 19. “ainda não passei algum tipo de dificuldade. Mas no meu ponto de vista seria a pessoa sendo cuidada precisando de algo que a família não providencia” 20. “não tenho diculdade” 21. “a compreensão dos familiares para como o idoso. A falta de atenção para o idoso a falta de carinho” 22. “quando nós encontramos o idoso agressivo” 23. “quando o paciente tem distúrbio mental, ou acamado, e muito mais etc.” 24. “o relacionamento com a família” 89 25. “o tempo” 26. “é quando o paciente não tem autonomia, porque você não sabe se está agradando ou não” 27. “como sempre a família” 28. “não encontro dificuldades, o que eu não sei, procuro estudar e conhecer melhor não suporto permanecer com dúvidas” 29. “com a família mas eu faço tudo para me dar bem com eles” 30. “não encontro dificuldades” 31. “no momento não senti nenhuma dificuldade significativa” 32. “as pessoas que lhe contratam não valorizam o trabalho que é lindo” 33. “administrar as crises de família em torno do paciente” 34. “nenhuma” 35. “a família” 36. “a falta de valorização das famílias por causa de alguns cuidadores que entram na profissão” Tabela 9 – Resumo das respostas da pergunta 18 (tabela 8). Resumo das respostas da pergunta 18 (tabela 8) Quantos Percentual Não encontram dificuldade 11 31% Atribuem a algum problema relacionado à família 16 44% Falta de preparo para o exercício da função 1 3% Alguma dificuldade relacionada à pessoa cuidada 4 11% Residir longe do local de trabalho 1 3% Outros motivos 3 8% Tabela 10 – Valores indispensáveis a um bom cuidador. 1. “Amor no que faz e muita ética e fundamental” 2. “Saber dos direitos e deveres respeitar as limitações do idoso e realizar um bom trabalho com amor e carinho. E não esquecer da ética profissional.” 3. “Ser paciente, criativo, generosidade, gostar de si, e humildade” 4. “Honestidade ser carinhoso, paciente saber ouvir, ter total atenção no que se faz” 5. “Ter disciplina, honestidade, paciência saber ouvir o idoso” 6. “Paciência, amor” 90 7. “Ser honesta, paciente, responsável” 8. “Estar preparado para saber fazer as coisas certas” 9. “Honestidade, responsabilidade, respeito, pontualidade” 10. “Disciplina, cumprir os horários está disponíveis as necessidades do idoso” 11. “Disciplina e horário” 12. “Importante e dar carinho, tratar bem” 13. “Dedicação, ética, comprometimento, responsabilidade e sensibilidade” 14. “Anotar o relatório, tudo quanto a rotina ainda mais o que mexe com dinheiro” 15. “Responsável, limpa, bem cuidada, ágil, calma” 16. “Gostar do que faz, dar valor as pessoas qu cuida, ser honesto, pontual e paciente nos momentos mais difíceis” 17. “Os valores que eu considero é não lever as minhas religiões para a casa do idoso a minha educação etc.” 18. “A educação na casa do familiar (do idoso) seu temperamento, e amável. Bastante limpo e organizado pois isso ajuda muito. E ter amor pela profissão” 19. “Paciência, bom humor, sensibilidade, atencioso” 20. “Ser carinhosa e amar de coração o que faz” 21. “Ser responsável, carinhoso, atencioso, correta, cumprir deveres e obrigações etc.” 22. “Ser calmo, educado, bom ouvinte, ter muita paciência e gostar muito do que faz” 23. “Conhecer o ambiente onde ele vive procurar se entender com os familiares e fazer tudo. Certo ou pelo menos tentar gostar do que estou fazendo” 24. “Ser paciente, tolerância, honestidade. Pontualidade, sinceridade, atenção, ser carinhoso.” 25. “Honestidade, responsabilidade, carinho, respeito” 26. “Saber se valorizar como cuidador, saber se identificar ao entrar na casa da família e não mexer em nada que não lhe diz respeito” 27. “São vários valores, mas para mim o mais importante é o amor” 28. “Paciência, determinação, comprometimento” 29. “É saber o quanto nós somos importantes, necessárias no seu dia após dia” 30. “Total dedicação respeito, carinho, amor, compreensão, saber ouvir sempre etc.” 31. “Ética, responsabilidades, honestidade ou seja compromisso” 91 32. “Total paciência e amor, dar valor a pessoa que você está cuidando, dar tudo de si para cuidar bem” 33. “Caráter, responsável, paciência” 34. “Paciência, amor, responsabilidade, discrição” 35. “Responsabilidade e amor” 36. “EDUCAÇÃO, RESPEITO, SABER OUVIR, GOSTAR DO QUE FAZ” 37. “Ser paciente, e colocar em prática os conhecimentos que aprendeu no curso” 38. “Paciência, honestidade, fidelidade, responsabilidade, cumprir os deveres” 39. “Ética, sinceridade, afetividade e honestidade” 40. “Ser ética, verdadeira, ser amorosa, ser responsável, honestidade, pontual e tolerante” 41. “Saber ouvir, estar atento as dificuldades do idoso, saber as limitações do cuidador, quais são as suas tarefas, direitos e deveres, não se envolver em confusões e comentários difamadores 42. “Dar mais atenção ao paciente e aos seus valores” Tabela 11 – Dados da tabela 10 resumidos. Valores, segundo os cuidadores Quantos Paciência 15 Responsabilidade 12 Honestidade 11 Amor 10 Carinho 8 Pontualidade 6 Respeito 6 Saber ouvir 6 Ética 6 Atencioso 4 Educação 4 Comprometimento 3 Disciplina 3 Gostar do que faz 3 Calma/calmo 2 Cumprir deveres 2 92 Dedicação 2 Discrição 2 Sensibilidade 2 Sinceridade 2 Tolerância 2 Afetividade 1 Agilidade 1 Amabilidade 1 Amor pela profissão 1 Amorosa 1 Bom humor 1 Caráter 1 Compreensão 1 Criatividade 1 Dedicação 1 Determinação 1 Fidelidade 1 Generosidade 1 Gostar de si 1 Humildade 1 Limpeza 1 Organização 1 Ser atencioso 1 Ser correto 1 Verdadeira 1 Tabela 12 – Perfil da pessoa cuidada. (NI = Não informado) Sexo pessoa cuidada Idade Dificuldade apresentada pela pessoa cuidada Masculino NI Falta de memória/dif. Locomoção Masculino 71 Não anda/cadeirante Feminino 81 Não anda/cadeirante Feminino 79 NI Feminino 49 NI 93 Dificuldade de locomoção, Alzheimer, Feminino 95 AVC Feminino 85 Fratura de vértebras Feminino 94 Problemas mentais Feminino 80 AVC Feminino 83 Falta de memória Feminino 77 Problema psiquiátrico Hipertensão, diabetes, cadeirante, falta Masculino 85 memória Feminino 81 AVC Feminino 86 Demência Masculino 83 Alzheimer Feminino 77 NI Feminino 87 NI Tabela 13 – Síntese dados da tabela 12. Sexo Dificuldade Feminino 13 Sequelas de AVC 3 Masculino 4 Alzheimer 2 Demência 1 Hipertensão 1 Diabetes 1 Idade Falta de memória 3 Até 70 Não anos 1 anda/cadeirante 3 Problema 71 - 79 4 psiquiátrico 2 80 - 89 9 Fraturas 1 Dificuldade Acima 90 2 locomoção 2 NI 1 NI 4 Tabela 14 – Principais atribuições exercidas pelos cuidadores. 94 1. “Oferecer muito carinho, paciência, pois e uma pessoa muito deprimida” 2. “Dou banho, cuido da alimentação remédios e fico 24h a disposição dele” 3. “No momento estou desempregada” 4. “Cuidar da higiene da paciente, cuidar da roupa, cuidar das refeições, cuidar do quarto, deixá-lo sempre limpo e a cadeira de rodas” 5. “Cuido da higiene, da alimentação, administro os medicamentos, troca de fralda, sair para passear etc.” 6. “Horário da medicação á noite” 7. “Não cuido mas desta pessoa” 8. “Cuido dela, do remédio, da comida, do banho, converso” 9. “Administrar remédios, marcar e levar a idosa ao médico, auxiliar e estimular as "lembranças". Fazer companhia fazer caminhadas” 10. “Fazer toda a higiene, dar almoço, cortar cabelo, cuidar das unhas, falar com médico, enfim, cuido de tudo dela” 11. “Alimentação, troca de fralda, médico, banho, locomoção, medicação” 12. “É ficar no meu lugar, observar o meu idoso ter postura” 13. “Dar a dieta medicação, organizar o dia da paciente, como por ex. a hora do almoço e as medicações, as trocas de fraldas, higiene pessoal, consultas médicas-odontológicas” 14. “Dar o remédio, no horário certo, ter muita paciência porque é um período de experiência, tentar fazer com que ele jogue comigo para que ele possa se soltar mais e ter confiança em mim” 15. “A minha função é tudo que se refere as necessidades do meu cuidado” 16. “Desempenho minhas tarefas e faço a cuidada se sentir bem comigo” Tabela 15 – Escolaridade dos contratantes. Ensino Técnico Completo 1 Ensino Superior Incompleto 3 Ensino Superior Completo 4 Pós Graduação 1 Tabela 16 – Principais dificuldades apresentadas pelas pessoas cuidadas. Mãe, 82, seqüela de AVC. Mãe, 65, AVC isquêmico. 95 Mãe, idade NI, operou os dois fêmures (fratura). Esposa, AVC isquêmico, aos 48 anos. Mãe, 86 anos, dificuldades naturais devido à idade. Mãe, 90 anos, com diagnóstico de Alzheimer. Mãe, 90 anos, após uma queda ficou sem condições de permanecer sozinha. Mãe, 87 anos, diabete, hipertensão, uso de marca-passo e dificuldade no andar. Mãe, 92 anos, sofre de TOC, dificuldade de articular os pensamentos, crises de depressão e irritação. Tabela 17 – Perfil familiar cuidado – Idade. Menos de 50 1 51-59 0 60-69 1 70-79 0 80-89 3 Acima dos 90 3 NI 1 Tabela 18 – Forma de contratação do cuidador. Indicação de alguém (familiar, amigo, colega ou conhecido) 1 Indicação de alguma Instituição (Agência ou Cooperativa) 4 Outro (Programa de Cuidadores da empresa em que trabalham) 4 Tabela 19– Dificuldades enfrentadas para a contratação de um cuidador. “Encontrar pessoas capacitadas para o atendimento de um paciente com as características do cuidado em referência (sequela de AVC)” “Receio de entregar um ente querido nas mãos de um estranho, mesmo que acompanhado de perto.” “Ser educada, saber ouvir, ser observadora, ser paciente, ter jogo de cintura, ser limpa.” (a cuidadora) 96 “Financeira-cultural, por vezes o cuidador interpõe os seus conhecimentos pessoais aos da família, como hábitos.” “A aceitação por parte da pessoa a ser cuidada” “A principal dificuldade foi convencer a minha irmã em aceitar outras pessoas, a princípio estranhas, para ajudar no cuidado da mamãe.” “Como já existe na empresa este serviço, não foi difícil, se tivesse que procurar alguém com todas as aptidões de cuidador seria complicado.” “Não saber o histórico devido da pessoa. A falta de conhecimento (referências) sobre a pessoa que afinal de contas irá frequentar a sua casa. Acho que só uma entrevista é pouco.” “Saber da sua índole, atribuições, de gostar do que faz.” Tabela 20 – Porque contratou um cuidador (em vez de enfermeiro ou familiar cuidar). “Além da empresa em que trabalho possuir reembolso para tal finalidade, não há familiar disponível para desempenhar tal função, bem como, a relação custo X benefício atende as necessidades dos envolvidos.” “Porque todos os filhos trabalham e ela necessita de acompanhamento 24h por dia. Enfermeiro tem um custo muito mais alto.” “Trabalho das 8h às 17h. Na família existem mais três filhos ...também trabalham e possuem família, e o cuidador é preparado para ser cuidador...”. “O cuidador é um profissional preparado para esta situação de fragilidade do paciente. Não disponho de familiar para esta situação e não foi necessário um profissional de enfermagem.” “Falta de disponibilidades.” “Devido ao avanço da “DA” em minha mãe, é a necessidade de um maior cuidador e a limitação de parentes envolvidos no cuidado da mamãe, foi preciso contratar o cuidador.” “Por ser uma pessoa preparada a atuar com idosos...” 97 “No momento não havia total disponibilidade de familiares. Porém, entendo até que uma pessoa de fora, sem envolvimento emocional, facilita todo o processo do cuidado.” “Porque não posso tal pessoa na família para executar tal dificuldade (atividade).” Tabela 21 – Como o contratante soube quais são as atribuições do Cuidador. Através de leituras; relacionamento com outros profissionais que lidam com as questões que envolvem o cuidado domiciliar. Pelo serviço social da empresa, onde meu marido trabalha. “Quando me vi neste lugar de responsável por uma mãe de 91 anos me vi na necessidade de ampliar mais meus conhecimentos e me inscrevi no curso de cuidador oferecido pela empresa.” “Por meio do projeto cuidador social.” (da empresa onde trabalha). “Lendo, estudando, fazendo cursos e participando de palestras sobre o tema.” “Através do manual sobre como lidar com idosos.” “Através de conversas e na busca de maior conhecimento sobre o Programa de Cuidador da empresa.” “Convivo diariamente com a execução de tal atitude, pois o gestor do programa de Cuidador faz parte da equipe multidisciplinar que pertenço.” Tabela 22 – Principais responsabilidades atribuídas ao Cuidador. “Auxílio no banho; troca de fralda; vestir e despir; ministrar medicação; preparar e servir a alimentação; mudança de decúbito; higiene em geral; higiene do ambiente; anotar as ocorrências diárias; manejo das cadeiras higiênica e de rodas.” “Todas inerentes ao cargo” “Ser observador com a pessoa cuidada, ser comunicativa, ser carinhoso, cautelosa com medicação (alimentação, os horários específicos).” “Acompanhar minha esposa às suas atividades externas, como consultas médicas de rotina, fisioterapia, breves passeios. Estar presente no decorrer dos dias, mesmo que 98 a presença seja o simples silêncio. Conversa em geral para o desenvolvimento e relacionamento.” “Acompanhar na sua locomoção, verificar medicação a ser administrada.” “Ajudar a se locomover, ajudar na higiene, dar os remédios fornecidos por um dos familiares, ajudar na alimentação, estimular a comunicação.” “Realizar as atividades básicas como higiene, locomoção, alimentação. Valorizar sua linguagem, ouvir, dar carinho, afeto, atenção. Estimular sua autoconfiança, conservar as roupas limpas, ambientes arejados, dar a medicação sem supervisão médica. Manter registradas em caderno as ocorrências diárias. Observar o comportamento do idoso e, principalmente, respeitar os horários.” “Dar medicações nos horários estabelecidos, banho etc. Não impor a sua vontade no dia a dia e sim perceber a maior demanda do dia, como conversar, apurar a higiene, horários das refeições. A cada dia surge uma “não” conduta, além das que necessitem frequência e disciplina.” “Acompanhar as atividades de vida diária, criar estilo de vida e a própria qualidade de vida.” Tabela 23 – Resumo da tabela 22 – Responsabilidades do Cuidador. Dar medicações 6 Higiene em geral 6 Preparar e servir a alimentação 5 Auxiliar na locomoção 3 Auxílio no banho 2 Registrar as ocorrências diárias 2 Conversar com a pessoa cuidada 2 Observar o comportamento do idoso 2 Acompanhar as atividades de vida diária 1 Acompanhar às atividades externas 1 Conservar os ambientes arejados 1 Auxiliar no vestir e despir 1 Conservar as roupas limpas 1 99 Manejar as cadeiras higiênica e de rodas 1 Mudança de decúbito 1 Trocar fralda 1 Respeitar os horários das medicações, refeições etc. 1 Estimular a comunicação 1 Ouvir 1 Valorizar sua linguagem 1 Dar carinho/afeto 1 Dar atenção 1 Estimular sua autoconfiança 1 Ser carinhoso 1 Ser comunicativa 1 Tabela 24 – O que os contratantes acham que falta aos cuidadores (grifo nosso) “Qualquer pessoa, no exercício profissional, não é completo. Ao cuidador, seria bom exercitar, por vezes, respeito, não necessariamente todos, a paciência e a tolerância, dentro dos limites possíveis e adequados, algumas noções de respeito e higiene.” “Utilizamos o serviço de dois Cuidadores com formações diferentes, com isto tivemos problemas com uma das Cuidadoras que não tinha o treinamento adequado.” “Habilidade em que sentido? A experiência de cada um é determinante, esta será o diferencial. O conhecimento, acho, que se vê, mas a habilidade pode variar.” “Reciclagem constante, independente das orientações basais. Deve estar sempre preparado para lidar com os diferentes pacientes.” Tabela 25 – Valores que o contratante considera imprescindíveis a um bom cuidador. “Empatia; respeito; honestidade; confiança; responsabilidade; paciência.” “Paciência, carinho e disciplina.” “Ser zeloso; ser paciente; ser carinhoso; ser observador; ter jogo de cintura; ser cauteloso; ser comunicativo; ser atencioso.” 100 “Bom senso, para todos nós (eu me incluo). A boa vontade e o desejo de preservar o próximo.” “Ter responsabilidade e (entender) compreender a pessoa assistida.” “Ética, humanismo e responsabilidade com a ferramenta de seu trabalho que é um ser humano frágil.” “Valorizar sua linguagem, ouvir, dar carinho, afeto, atenção. Estimular sua autoconfiança.” “Não levar para o lado pessoal quando um idoso provocar ou coisa parecida, ou seja, imparcialidade. Depois, o máximo de calma e paciência.” Compromisso, ética, moral, índole, educação. Tabela 26 – Perfil dos profissionais – profissão Assistente Social 5 Estudante/estagiário 5 Pedagoga 1 Professor Universitário 2 Tabela 27 - Perfil dos profissionais – escolaridade. Doutorado 2 Ensino Superior Completo 4 Ensino Superior Incompleto 5 Pós Graduação Completa 2 Tabela 28 - Tempo que trabalha com a temática do cuidado. Até 5 anos 8 de 6 a 10 anos 2 de 11 a 15 anos 1 de 16 a 20 anos 2 Tabela 29 – principais problemas nas relações cuidador/pessoa cuidada. “Distanciamento entre um e outro e no caso dos que vão atuar com idosos diria que são fortes os preconceitos com relação ao envelhecimento e a velhice. Os ageismos 101 se fazem presente na relação. Ausência de preparo para atuar com a diversidade de quadros da velhice. A infantilização dos mesmos.” “Os problemas mais incidentes que ouvimos em nossos atendimentos em relação ao cuidador são os problemas comportamentais, atrasos, demonstração de insatisfação do trabalho acarretando assim uma alteração no estado de saúde da pessoa cuidada.” “O despreparo dos cuidadores e dos familiares, em especial, pela falta de regulamentação na realização de Cursos de Preparação, inclusive de conteúdo interdisciplinar mínimo e na falta de trabalho sistemático no acompanhamento dos cuidadores.” “Falta de preparo técnico para o desempenho da referida ocupação, desconhecimento das fragilidades do idoso nesta fase da vida, falta de empatia (saber colocar-se no lugar do outro), de respeito e de comprometimento.” “Conflitos familiares, problemas éticos, problemas comportamentais; não compreensão da família sobre funções do cuidador.” “Conflitos e não compreensão, por parte do cuidador, das necessidades da pessoa cuidada.” “A intervenção da família no processo de trabalho entre o cuidador e a pessoa cuidada.” “A inaptidão do cuidador para as necessidades da pessoa, seja por desconhecimento/falta de qualificação, desinteresse ou por somente querer um trabalho.” “A pessoa cuidada e o cuidador estabelecem uma relação de confiança e ajuda mútua; descobrir pontos de afinidade no relacionamento que sempre envolve culturas diferenciadas; adaptação à rotina da pessoa cuidada e aos poucos verificar as mudanças necessárias em prol da saúde do sujeito cuidado.” “Diferenças culturais envolvendo valores, crenças e modo de ser e estar no mundo. Tais diferenças (“choque de”) resultam na dificuldade de adaptação entre cuidador/pessoa cuidada e requer um maior acompanhamento.” “Postura do cuidador, o cuidador não sabe os seus limites na casa do cuidado, se mete em tudo, se coloca como membro da família. Também ser desatento ao cuidado com o idoso. Não percebe o que dá satisfação ao idoso ex. dar um bom banho, fazer com capricho o alimento do idoso.” “A falta de técnica em alguns momentos com pacientes que necessitem de um cuidado mais específico como Alzheimer.” 102 “Falta de conhecimento para tratar o cuidado em situações mais complexas.” Tabela 30 - principais problemas nas relações cuidador/familiares da pessoa cuidada. “A exacerbada fragilização dos idosos e não separação entre um envelhecimento normal e o patológico.” “O principal problema é o não reconhecimento das reais funções do cuidador na residência e na hora da contratação não acertar de maneira objetiva o tipo de plantão, o salário e as funções que deverão ser desenvolvidas pelo cuidador.” Não respondeu. “Desconhecimento das atribuições que cabem ao cuidador (por parte do mesmo e da família), falta de clareza e de objetividade no momento da contratação, preconceito e falta de valores éticos, dificultando o diálogo e o entendimento entre as partes envolvidas.” “Conflitos de função do cuidador x enfermagem; postura ética; preconceitos sociais.” “Falta de clareza, por parte dos solicitantes, das atribuições do cuidador; “choque” de valores.” “O familiar querendo interferir no trabalho do cuidador; o familiar deixar toda responsabilidade na mão do cuidador; o familiar não cumprir com sua palavra.” “A intimidade algumas vezes adquirida interfere nas relações de trabalho.” “A família entender o real papel do cuidador; a dificuldade quanto à remuneração já que a ocupação não tem valor tabelado; adequação quanto aos hábitos e rotinas familiares.” “Dificuldades: em compreender as atribuições do cuidador, relacionadas à relação trabalhista (carga horária, folgas, passagens etc.), em compreender que o cuidador não substitui o familiar em suas responsabilidades.” “Na hora de acertar o serviço não deixar claro o que se deseja receber e o que se compromete em fazer. A família tem dificuldades de entender o trabalho do cuidador, até onde a família pode cobrar. O familiar tem dificuldades de separar o profissional do cuidado e suas atribuições.” “Muitos, tais como a privacidade da família, histórias, relatos de situações completamente diferentes; intimidade (esquecendo que a casa é seu ambiente de trabalho).” 103 “A falta da ética em relação ao contrato de trabalho da família para o cuidador.” Tabela 31 – Opinião dos profissionais sobre os conhecimentos imprescindíveis a um bom cuidador. “Conhecer o ser humano na sua totalidade, um ser que pensa, sofre e tem sentimentos.” “Realizar treinamento para que agregue teoria a sua prática, conhecer a estória da pessoa que será cuidada, sempre tentar se atualizar com novas técnicas para melhor lidar com a pessoa que necessita de cuidados diários e tentar fazer a diferença no atendimento que está realizando, pois já que a pessoa se disponibilizou a trabalhar como cuidadora deve realizar o seu trabalho com comprometimento e tentar ser uma pessoa que faça a diferença na vida do cuidado.” “Aspectos humanos e noções de cuidado; orientações básicas de saúde, prevenção, primeiros socorros na prestação do cuidado tanto em nível de higiene quanto de atenção as demais necessidades da pessoa cuidada; valorização da pessoa cuidada e estímulo a participação, decisão, autonomia e independência; ética e relações cuidador x familiares; orientações trabalhistas.” “Saber noções básicas sobre o processo de envelhecimento para melhor entender os idosos, saber ler e escrever, conhecer os alimentos básicos e a importância de cada um para a saúde, conhecer a história da pessoa que está sendo cuidada para melhor compreendê-la, saber o que são escaras e como evitá-las e conhecer a técnica para realizar a mudança de decúbito.” “Ter conhecimento do cuidar; ter conhecimento da ética do cuidador; ter conhecimento do envelhecimento social; ter conhecimento do manejo técnico com o idoso nas atividades de vida diária; ter comprometimento com o idoso ou seja participar de cursos especializados.” “Apreensão sobre as atribuições relativas ao processo de trabalho do cuidador; conceito ampliado sobre cuidador; conhecimento sobre ética e posturas profissionais do cuidador.” “Estudos sobre Leonardo Boff; ética profissional; nutrição; psicologia.” “A higiene de pessoas acamadas (troca de fralda, banho no leito), o auxílio na locomoção de pessoas debilitadas.” 104 “Conhecer sobre as diferentes relações familiares, sem preconceitos; saber operacionalizar o cuidado com técnicas seguras e eficazes e não de forma leiga. Ex. banho de leito, troca de fraldas; deter algum conhecimento para elaborar estratégias que estimulem o idoso ou a pessoa cuidada visando a sua melhoria, autonomia e independência futura e/ou gradual.” “Sobre o processo de envelhecimento humano e suas consequências biopsicossociais, questões relativas a determinadas enfermidades (Alzheimer, Parkinson, etc.), direitos da pessoa idosa.” “Nutricionais – a nutrição é muito importante e saber identificar os sintomas da depressão é reconhecer quando um idoso deseja ou não se alimentar, pois comer é prazeroso, dá alegria, sentimento de saciado. Quando um idoso começa a rejeitar a comida é sinal que algo não vai bem, a alegria foi embora, o prazer em se alimentar, de sentir o gosto, o paladar das comidas, acaba. Então ele começa a se entregar a depressão isso significa que ele perdeu o prazer de viver, de sentir prazer... O desejo na verdade é o de morrer.” “O conhecimento de suas atribuições como cuidador, saber ler e escrever, conhecer o universo do idoso que pode apresentar resistência para ser cuidado, alucinações, agressividade... E para tais situações é essencial técnica; paciência e criatividade.” “Técnicas referentes a ocupação de cuidador, paciência, ética e comprometimento.” Tabela 32 – Opinião dos profissionais sobre as habilidades imprescindíveis a um bom cuidador. Depende do tipo de cuidados a serem exercidos, se as tarefas demandadas são de um enfermeiro ou de um cuidador social. Ter habilidade para proporcionar a autonomia da pessoa cuidada, saber trocar fraldas, movimentar a pessoa no leito, colocar e tirar a pessoa cuidada na cadeira de rodas ou higiênica, proporcionar a pessoa cuidada a oportunidade de socialização e cuidar da limpeza do local onde a pessoa cuidada fica a maior parte do tempo, caso o paciente resida sozinho saber preparar as refeições e principalmente ser pro ativo. Respeito e atenção à pessoa do cuidado. Imprescindível qualidade na realização das ações do cuidado (higiene, alimentação, medicação) e apreensão quanto aos sinais de dificuldades ou de mudanças físicas e humorais na pessoa cuidada. Saber trocar fraldas, ter habilidade para auxiliar na locomoção da pessoa (leito, cadeira de rodas ou na higiênica), ter habilidade para dar banho, cuidar da limpeza do 105 ambiente no qual vive a pessoa cuidada, caso o paciente resida sozinho, saber preparar e servir as refeições. Realizar atividades de vida diária com o idoso; capacidade de relacionamento; facilidade de flexibilização; interação (estabelecimento); confiança (estabelecimento); manejo de conflitos frente as situações do cotidiano Compreensão das necessidades (aparentes ou não) da pessoa cuidada; competência na supervisão e auxílio às atividades da vida diária da pessoa cuidada; capacidade de desenvolver a autonomia e desenvolvimento da pessoa cuidada Troca de fraldas; trabalhar com acamados; medir pressão (aparelho digital); fazer comida; alimentação via sonda Escutar para compreender as necessidades, que ultrapassam as físicas; comunicação; e interesse em conhecer a história de vida da pessoa de quem cuida Saber se relacionar; saber respeitar os espaços e posições da família; operacionalizar as técnicas necessárias para higienização da pessoa cuidada; apoiar na mobilidade e locomoção Considero imprescindível o conhecimento prático: saber trocar fraldas; realizar a transição leito/cadeira; contribuir no estímulo à autonomia; compreender a linguagem corporal da pessoa cuidada; ter responsabilidade no manejo de medicações; ser flexível no relacionamento com a pessoa cuidada e seus familiares Saber pegar no idoso, deslocá-lo de um lado para outro, sem machucá-lo é importantíssimo! Cuidar da sua higiene é deixá-lo confortável e feliz, limpo, cheiroso. Ser um cuidador caprichoso. Deve saber ter a técnica do manuseio do idoso; a técnica do banho e da higiene. Técnicas necessárias para desenvolver um bom relacionamento com o cuidado. Tabela 33 – Opinião dos profissionais sobre os valores imprescindíveis a um bom cuidador. Paciência, determinação e disponibilidade. Ser íntegro e ter respeito por si e pelos outros. Respeito integral à pessoa humana, tratando-a com dignidade em qualquer situação, idade, comprometimento físico ou mental, graus de incapacidades e doenças. Reconhecer sempre na pessoa do cuidado um ser humano e com direitos humanos e sociais a serem resguardados. Respeito, empatia, honestidade, responsabilidade, comprometimento e paciência. 106 Ética, educação Cooperação; interação; altruísmo; compreensão Não respondeu Respeito e honestidade Ética; paciência; inteligência para pensar estratégias; amor para efetuar o cuidado; preocupação também com o auto-cuidado Respeito (abrange as diferenças étnicas, sexuais, culturais etc.); integridade; responsabilidade Respeito, educação, integridade: ética Honestidade, ético e paciente. Paciência, ética, comprometimento, honestidade. Tabela 34 – Resumo tabela 33. Respeito 6 Paciência 5 Ética 5 Honestidade 4 Integridade 3 Comprometimento 2 Responsabilidade 2 Educação 2 Empatia 1 Cooperação 1 Interação 1 Compreensão 1 Altruísmo 1 Disponibilidade. 1 Tabela 35 – Escolaridade mínima cuidador. Ensino Fundamental Completo 10 Ensino Médio Completo 2 Não respondeu 1 107 BIBLIOGRAFIA: BOFF, Leonardo. Saber Cuidar: ética do humano – compaixão pela terra. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999. BOSCHI, Luciana. 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