CURSO DE ENFERMAGEM
ARTIGO DE REVISÃO
CÂNCER DO COLO UTERINO ORIGINADO PELO PAPILOMAVÍRUS HUMANO (HPV):
PREVENÇÃO, EVOLUÇÃO E TRATAMENTO
CERVICAL CANCER ARISING BY HUMAN PAPILLOMAVIRUS (HPV): PREVENTION, TREATMENT AND
EVOLUTION
Danielle Christina da Silva de Paiva1, Mayra Miranda do Amaral1, Waldimeire Silva de Souza Santos1, Sara Delfino da Silva2
1 Alunas do Curso de Enfermagem
2 Especialista em Obstetrícia
Resumo
Introdução: O câncer do colo do útero, também conhecido como câncer cervical é uma doença de desenvolvimento lento que pode
cursar sem sintomas em fase inicial e evoluir para quadros mais severos. Tendo como principal fator de risco para a doença a infecção
pelo Papilomavírus Humano (HPV). Objetivo: Identificar a incidência do câncer do colo uterino originado pelo HPV entre as mulheres,
nas regiões brasileiras. Abordando sistematicamente o tratamento, prevenção e suas complicações. Materiais e Métodos: Trata-se de
uma revisão sistemática de literatura, de cunho exploratório, qualitativo e bibliográfico o que dizer levantamento de dados, e métodos
estatísticos, pois fornece uma descrição quantitativa da sociedade acometida pelo HPV, bem como a evolução da doença.
Resultados: o câncer de colo de útero é o segundo tipo mais comum entre as mulheres com aproximadamente 530 mil novos casos
por ano no mundo, sendo responsável por 274 mil óbitos, de mulheres por ano. No ano de 2007 este tipo de câncer representou a
quarta causa de morte em mulheres (4.691 óbitos). Considerações Finais: Através da pesquisa realizada comprovou-se que a região
Norte no período do ano de 2007 obteve uma maior incidência de câncer do colo uterino. Em uma análise comparada ás outras
regiões, Centro Oeste e Nordeste ocuparam a segunda posição respectivamente e é o terceiro mais incidente na região sudeste e Sul.
Palavras-Chaves: Câncer cervical; prevenção, tratamento do HPV.
Abstract
Introduction: Cancer of the cervix, also known as cervical cancer is a disease of slow development that can attend without symptoms
in early stage and develop into more severe frames. As the main risk factor for the disease is infection by the human papillomavirus
(HPV). Objective: To identify the incidence of cervical cancer originated HPV among women in Brazilian regions. Systematically
addressing the treating, preventing and its complications. Materials and Methods: This is a revision Systematic literature, exploratory,
qualitative nature and bibliographical what to say data collection, and statistical methods, it provides a quantitative description of society
affected by HPV, as well as disease evolution. Results: cervical cancer is the second common type among women with approximately
530 thousand new cases per year worldwide, being responsible for 274 thousand deaths women per year. In the year 2007 this type of
cancer represented the the fourth cause of death in women (4.691 deaths). Final Considerations: Through the research conducted it
was proved that Northern region in the period of the year 2007 obtained a higher incidence of cervical cancer. On one analysis
compared to the other regions, Midwest and Northeast took second place respectively, and is the third most incident the Southeast and
South.
Key words: Cervical cancer; prevention and treatment of HPV.
Contato: [email protected]
Introdução
De acordo com Brasil (2011) o câncer do
colo do útero, também conhecido como câncer
cervical é uma doença de desenvolvimento lento
que pode cursar sem sintomas em fase inicial e
evoluir para quadros mais severos. É o segundo
tipo de câncer mais comum entre as mulheres,
excetuando-se os casos de câncer de pele não
melanoma.
Segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), o principal fator de risco para a doença é
a infecção pelo vírus do Papilomavírus Humano
(HPV).
O HPV por sua vez, é um vírus que infecta
as células epiteliais da pele e da mucosa,
causando diversos tipos de lesões como a
verruga
comum
e
a
verruga
genital
(condilomatose). É considerado a principal DST
(doença sexualmente transmissível) de etiologia
viral sendo associado em 90% dos casos de
câncer do colo do útero, segundo (BRASIL,
2001).
De acordo com BRATS (Boletim Brasileiro
de Avaliação de Tecnologias em Saúde, 2011)
atualmente existem mais de 100 tipos de HPV
identificados com diferentes sequências de DNA,
porém aproximadamente 15 predominam nos
órgãos genitais e são considerados de alto risco
oncogênico. Ele pode ser divido em dois grupos:
baixo risco e alto risco oncogênico. Os de baixo
risco quase nunca são encontrados em câncer
invasivos, por outro lado, os de alto risco são os
mais frequentes associados aos tumores
Zampirolo (2007) classifica os tipos 6, 11,
42, 43, 44, 54, 61, 70, 72, 81 como os de baixo
risco ou benigno e estão associados com lesão
intra-epitelial escamosa de baixo grau. Os tipos 6
e 11 são os mais comum que provocam
condilomas (crescimentos verrugosos na vulva).
Os condilomas raramente são pré-malignos,
entretanto constituem uma manifestação externa
do vírus.
Por outro lado, Bragagnolo (2010)
relaciona à lesão intra-epitelial escamosa de alto
grau e carcinoma cervical sendo os tipos: 16, 18,
31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66, 68, 73 e
82. Todavia os tipos de HPV 16 e 18 estão
relacionados com aproximadamente 70% dos
casos de câncer cervical invasivo e mais de 90%
das lesões intra-epiteliais graves.
Sendo assim, segundo BRATS (2011),
aproximadamente 75% das pessoas que iniciam
a vida sexual torna-se infectado em algum
momento ao longo da vida.
Entretanto apesar do HPV ser um
importante fator de risco para o desenvolvimento
do câncer de colo uterino ele não é o suficiente,
sendo necessário a sua associação com outros
fatores de risco que contribuem de forma
significativa para o desenvolvimento dessa
patologia (PINTO, 2012).
Todavia uma vez que há lesões (verrugas
genitais externas) o tratamento consiste na
aplicação tópica do ácido tricloroacético, além de
injeções de interferom administradas por um
médico. Os agentes tópicos que podem ser
aplicados pelas pacientes nas lesões externas
incluem o podofilox e o emiquimod. O
eletrocautério e a terapia com laser constituem
terapias alternativas que podem ser indicadas
com um grande número ou área de verrugas.
Comumente, o tratamento erradica as verrugas
perineais ou condilomas. No entanto, elas podem
resolver de maneira espontânea, ou seja, sem
tratamento, podendo também reincidir mesmo
com o tratamento. (BRUNNER E SUDDARTH,
2009, p. 1.410). Outra forma de tratamento que
pode ser utilizado é a conização do colo uterino
que poderá ser feita através de cirurgia
tradicional, de alta frequência ou por laser
(BASTOS, 2006, p. 283).
De acordo com Pinto (2012) as principais
formas de prevenção contra o câncer de colo
uterino são: o exame Citopatológico, também
conhecido como Papanicolaou e a vacina contra
o HPV que deve ser realizada antes do inicio da
atividade sexual. Atualmente duas vacinas foram
aprovadas no Brasil: a vacina quadrivalente que
oferece proteção contra os tipos de HPV 6, 11,
16, 18 e a bivalente que oferece proteção contra
os tipos 16 e 18. Ambas são administradas em
três doses, por via intramuscular e segundo
estudos a vacina quadrivalente oferece proteção
por 5 anos, porém, a duração real da proteção só
será confirmada após a vacina ser utilizada por
vários anos.
Brasil (2009 e 2011) aponta que as taxas
de incidência estimada e de mortalidade no Brasil
apresentam valores intermediários em relação
aos países em desenvolvimento, porém são
elevadas quando comparadas as de países
desenvolvidos com programas de detecção
precoce bem estruturado. Com aproximadamente
530 mil casos novos por ano no mundo, sendo
responsável pelo óbito de 274 mil mulheres por
ano.
Objetivo e justificativa Identificar a
incidência do câncer do colo uterino originado
pelo HPV entre as mulheres, nas regiões
brasileiras. Com isso o estudo desta temática
torna-se relevante, principalmente por se tratar de
um agravo que pode ser evitado, e por contribuir
para coibir os índices de câncer de colo do útero,
que aumenta consideravelmente a cada ano.
Dessa forma Brasil (2006) diz que o
enfermeiro tem como papel fundamental as ações
preventivas tais como: o atendimento eficiente e
humanizado, proporcionando uma troca de
conhecimento e confiança, mobilizando a mulher
a cuidar de si mesma, deixando os tabus, fazendo
com que essa consulta seja realizada da forma
completa sempre com intuito de proporcionar o
bem estar da mesma.
Materiais e Métodos
Delineamento e caracterização do
estudo: Trata-se de uma revisão sistemática de
literatura, de cunho exploratório, qualitativo e
bibliográfico o que dizer levantamento de dados,
e métodos estatísticos, pois fornece uma
descrição quantitativa da sociedade acometida
pelo HPV, bem como a evolução da doença.
Amostra: Os instrumentos utilizados para
a elaboração deste estudo foram obtidos por meio
dos dados disponíveis em: livros e materiais
publicados em artigos científicos através de
dados eletrônicos Scielo, LILASC, BIREME,
Ministério da Saúde, (INCA). Do período de 2000
a 2013.
Critérios de inclusão: Foram utilizados
como descritores na busca de artigos: fator
principal do câncer do colo uterino, relação do
HPV e o câncer cervical, vacina contra o HPV,
biologia molecular do HPV, tratamento e
prevenção do HPV.
Critérios de exclusão: Sendo critérios de
exclusão os artigos que tratam do HPV como
DST de modo geral, a prevalência do HPV em
homens e câncer cervical decorrente de outros
fatores.
Resultados
De acordo com Brasil (2011) o câncer de
colo de útero é o segundo tipo mais comum entre
as mulheres com aproximadamente 530 mil
novos casos por ano no mundo, sendo
responsável por 274 mil óbitos, de mulheres por
ano.
No ano de 2007 este tipo de câncer
representou a quarta causa de morte em
mulheres (4691 óbitos), com taxa bruta de
mortalidade 4,71\100 mil mulheres. Na análise
regional no Brasil, o câncer de colo do útero se
destaca como o primeiro mais incidente na região
norte, com 23 casos por 100 mil mulheres. Nas
regiões Centro-Oeste e Nordeste ocupam o
segundo lugar com taxas de 20\100 mil e 18\100
mil respectivamente, é o terceiro mais incidente
na região Sudeste (21\100 mil) e Sul (16\100 mil).
câncer do colo do útero foi responsável por 4,9%
dos óbitos por câncer, percentual correspondente
a quinta e sexta posição respectivamente.
(BRASIL, 2011).
Taxa de mortalidade de Câncer do colo do
útero por 100 mil mulheres nas regiões
brasileiras em 2007
Nº de mortes por 100 mil
Região Brasileira
mulheres
Norte
8,6
Nordeste
5,7
Centro-oeste
6,1
Sul
4,2
Sudeste
3,8
Incidência de Câncer do colo do Útero por
Região Brasileira
Nº de casos por
Região Brasileira
100 mil mulheres
Norte
23
Nordeste
18
Centro-oeste
20
Sul
16
Sudeste
21
Brasil (2011).
A infecção pelo HPV é muito comum
estima-se que cerca de 80% das mulheres ativas
sexualmente irão adquiri-la ao longo de suas
vidas. Aproximadamente 291 milhões de
mulheres no mundo são portadoras de HPV. O
câncer de colo uterino foi responsável por
aproximadamente 260 mil mortes no mundo em
2005 sendo 80% delas em países em
desenvolvimento. (BRASIL, 2011).
Discussão
Brasil (2011).
Quanto ás taxas de mortalidade a região
norte apresenta os maiores valores do país, com
taxa padronizada pela população mundial de 8,6
mortes por 100 mil mulheres em 2007 e neste
mesmo ano estão ás regiões Centro-Oeste (6,1\
100 mil), Nordeste (5,7\100 mil) Sul (4,2\100 mil)
e Sudeste (3,8\100 mil).
Costa (2011) observa que os fatores,
geográficos, culturais, a baixa escolaridade,
condição
sócio-econômica
desfavorável,
dificuldade de acesso aos serviços de saúde para
detecção ou tratamento da doença e insuficiência
dos serviços, são características do grande índice
de câncer na região norte. Em 2007 as mortes
por câncer de colo uterino representaram 15% de
todos os óbitos em mulheres ocupando o primeiro
lugar. No nordeste ocuparam o segundo lugar
(9%) e no Centro-Oeste o terceiro (8,9%). Tanto
no Sudeste quanto na região Sul o câncer o
Muitas doenças estudadas atualmente
causadas por vírus já foram descritas na
antiguidade, porém somente no século XX
através de métodos cientifico e tecnológico houve
a possibilidade de caracterizar esses patógenos.
A utilização da microscopia eletrônica e o cultivo
de células foi um grande avanço na virologia
como, por exemplo, a descoberta do HPV como o
agente etiológico de verrugas retiradas de
papilomas da pele. O HPV pertence à família
Papillomaviridae, gênero Papillamavírus, espécie
Human papillomavírus e são patógenos
responsáveis pelo desenvolvimento de tumores
benignos e malignos de pele e mucosa.
(CAMARA, 2003).
Desse modo Rivore (2006) aponta que
existem fortes evidências clinicas e experimental
que o HPV tem um papel fundamental no
desenvolvimento e crescimento do câncer
cervical. Por ser segundo Leto (2011) um vírus de
DNA que apresenta tropismo por células
escamosas epiteliais capazes de ocasionar
infecção na pele e nas mucosas.
De acordo com Camara (2003) o ciclo
biológico do HPV tem inicio quando há fissuras no
epitélio escamoso possibilitando a penetração
das partículas virais nas células das camadas
profundas. O virion que consiste em uma capa
protéica o capsídeo, e também as partículas virais
é o responsável por entrar nas células pela
interação das proteínas com os receptores
específicos da superfície celular.
Segundo Rivoire (2006) antes disso o ciclo
biológico normal ocorre por quatro estágios.
Iniciando com a fase G1 (Gap 1) que corresponde
o aumento do tamanho da célula e a preparação
para copiar seu DNA. A copia é chamada de S
(síntese) e permite que a célula duplique seus
cromossomos.
Após
a
replicação
dos
cromossomos, inicia a fase G2 (Gap 2) onde a
célula prepara-se para a faze M (mitose) fase
essa que a célula-mãe aumenta e divide no meio
para produzir duas células-filhas, para começar o
novo ciclo. Porém o ciclo pode parar
temporariamente ou definitivamente, pois na
passagem da fase G1/S ocorre uma checagem
controlada
pela
via
pRb
(proteína
do
retinoblastoma) que tem a função de regular o
negativo do ciclo celular. Por outro lado quando
ocorre a copia incorreta do DNA durante a S
ocorre à parada do crescimento e apoptose
induzidos pelo gene p53.
Camara (2003) aponta que a proteína E7
atua
estimulando
a
proliferação
dos
queratinócitos infectados e na associação com o
pRb responsável por controlar a proliferação
celular. Enquanto a proteína E6 interfere na
regulação do ciclo celular ligando-se a proteína
supressora de tumor p53 induzindo sua
degradação. Rivore (2006) aponta que a proteína
p53 por sua vez tem varias funções, uma delas é
auxiliar no inicio da apoptose, uma vez inativa por
mutações é reduzido a chance das células
geneticamente danificadas serem eliminadas,
iniciando
dessa
forma
um
processo
carcinogênico.
Neoplasia Intra-Epiteliai Cervical-NIC
Segundo Brasil (2011) o Câncer do colo do
útero é precedido por uma longa fase de doenças
pré-invasiva denominadas de neoplasia intraepitelial cervical (NIC). Sobretudo somente em
1967 que Richart propôs que todas as lesões
neoplásicas intra-epiteliais independente de seu
grau seria determinada como neoplasia intraepitelial cervical, abreviada na forma de NIC.
(LEOPOLDE; GOMPEL, 2006, p. 90).
De acordo com Bastos (2006, p. 281) NIC é
um conjunto de alterações caracterizadas por
células atipias do epitélio do colo uterino de
acordo com seu grau de acometimento, sendo
classificada da seguinte forma: NIC I, NIC II e NIC
III.
NIC I são atipias celulares que se limitam
ao terço do epitélio mais próximo da camada
basal, NIC II são atipias celulares presente em
dois terço do epitélio e a NIC III ou carcinoma “in
situ” são as que não ultrapassam a camada basal
porem altera toda espessura do epitélio.
No inicio Richart subdividiu as lesões em
três grupos, contudo após a introdução do
Sistema de Bethesda ele alterou e dividiu as
lesões em dois grupos: NIC de baixo grau e NIC
de alto grau (LEOPOLDE; GOMPEL, 2006, p. 95).
De acordo com Bastos (2006, p. 282) as lesões
intra-epitelial de baixo grau (LSIL) passaram a
serem NIC I e os condilomas, e as lesões intraepitelial de alto grau (HSIL) englobaram os NIC II
e NIC III.
O sistema de Bethesada é um método de
classificação citológica dos esfregaços genitais
proposto por um grupo de especialistas em 1988,
com intuito de uniformizar a termologia para
laudos citológicos para reduzir as dúvidas e
diagnósticos entre alterações celulares benignas
e realmente atípicas. (BRASIL, 2011)
Bastos (2006, p. 280-281) ressalta que o
principal agente das NIC é o HPV levando em
consideração que ele esta presente em cerca de
90% dos casos de câncer do colo do útero.
Entretanto além da infecção virótica é
fundamental a observação de cervicite crônica,
pois o ectrópio endocervical inflamado contém a
terceira mucosa e as metaplasia que são áreas
onde originam os carcinomas epidermóides do
colo uterino. Não existem sinais e sintomas
característicos de NIC, sendo ela uma lesão
inicial e sintomática, que pode evoluir para
carcinoma de colo uterino e só então será
assintomática sendo rastreada através da
colposcopia e Papanicolau.
Sendo assim os esfregaços obtidos nas
portadoras der NIC I são caracterizados por
células escamosas discarióticas superficiais e
intermediárias, as quais apresentam núcleos
aumentados e hipercromáticos. Um dos
componentes importantes das lesões de baixo
grau são as áreas de onde descamam os
coilocitos, células consideradas patognomônicas
da infecção do HPV. Dessa forma é importante
ressaltar que 20% a 30% das pacientes com
diagnósticos citológicos de lesões de baixo grau,
uma vez que é realizada a biópsia cervical revela
a presença de uma lesão de alto grau.
Tipos de HPV
De acordo com Pinto (2012) a maior parte
das doenças sexualmente relacionadas ao HPV
se deve aos isotipos 6, 11, 16 e 18. Os isotipos 6
e 11 são classificados como de baixo risco
oncológico, são responsáveis por 90% dos casos
de verrugas genitais e por parte dos casos de
neoplasia intraepitelial de baixo grau em colo de
útero e vulva. As lesões que poderão evoluir para
o câncer de colo uterino são causadas pelos vírus
de alto risco oncogênico.
Entre os sorotipos de alto potencial
oncológico Borsatto (2011) e Bragognolo (2010)
apontam que os tipos 16 e 18 são responsáveis
por 70% de todos os cânceres cervicais.
Prevenção e diagnóstico do HPV e câncer
Segundo Queiroz (2005) a prevenção e o
diagnóstico precoce da infecção pelo HPV é
essencial para que haja o controle desta doença.
O que pode ser alcançado através de um trabalho
realizado com eficiência pela enfermagem.
De acordo com Almeida (2006) quanto
mais precoce for á prevenção, diagnóstico e o
início do tratamento, maior será a chance de
reduzir a morbidade e a mortalidade decorrentes
das neoplasias do colo. Descrevendo assim
vários métodos de diagnóstico para a infecção
por HPV, desde o diagnóstico clínico até os de
biologia molecular, sendo que estes são utilizados
para identificação dos diferentes tipos de HPV em
lesões subclínicas e até em estados latentes da
infecção. Como também dados de anamnese,
exame físico, exame de citologia oncológica
cervicovaginal, colposcopia e biópsia.
A colpocitologia oncológica ou exame de
papanicolaou é o método de rastreamento
escolhido em grande número de países para
detecção das lesões percussoras de câncer de
colo uterino ou NIC. (BASTOS, 2006, p. 282).
A efetividade da detecção precoce do
câncer do colo do útero por meio do exame de
Papanicolaou, associada ao tratamento deste
câncer em seus estágios iniciais, tem resultado
em uma redução das taxas de incidência de
câncer cervical invasor que pode chegar a 90%,
quando o rastreamento apresenta boa cobertura
(80%, segundo a Organização Mundial da Saúde
- OMS) e é realizado dentro dos padrões de
qualidade (BRASIL, 2011).
A classificação mais conhecida da citologia
oncológica é a de papanicolaou, que divide o
resultado em cinco classes: I, II, III, IV E V.
(BASTOS, 2006, p. 281-283).
Segundo Brasil (2011) em 1988 o
Ministério da Saúde, por meio do Instituto
Nacional de Câncer, e definiu que, no Brasil, o
exame colpocitopatológico deveria ser realizado
em mulheres de 25 a 60 anos de idade, ou que já
tivessem tido atividade sexual mesmo antes desta
faixa de idade, uma vez por ano e, após 2
exames anuais consecutivos negativos, a cada 3
anos.
Pinto (2012) aponta que os métodos das
lesões induzidas por HPV são morfológicas e
incluem o exame clínico, a colposcopia, a
citologia oncológica e a histologia. Pois segundo
Fernandes (2011) em relação à classificação
histológica, aproximadamente 90% a 93% dos
cânceres cervicais são de células escamosas e
de
7%
a
10%
representadas
pelo
adenocarcinoma. Mais de 80% dos cânceres que
invadem o colo do uterino ocorre como evolução
de uma neoplasia intraepitelial escamosa (NIC)
ou glandular (adenocarcinoma in situ) cervical
anterior. Esta evolução é caracterizada como
lenta, na maioria das vezes, sendo que 30% a
70% das lesões in situ não tratadas evoluem para
câncer num período de 10 a 12 anos.
Por outro lado a identificação da infecção
por HPV inclui os métodos biológicos, como as
hibridizações moleculares de ácidos nucléicos,
tipo Southern Blot, captura de híbridos, hibridação
in situ e reação em cadeia de polimerase (PCR).
(PINTO, 2012).
De acordo com Almeida (2006) Existe a
necessidade de tratar o parceiro sexual das
mulheres, uma vez que, quando este é acometido
pelo HPV, se constitui em fonte de transmissão,
de recidivas ou de resistência ao tratamento.
Formas de tratamento
Nenhum tratamento possui a capacidade
de erradicar o HPV, pois o objetivo do tratamento
é a remoção da lesão, a melhora clínica e evitar a
transmissão do vírus. Não existe tratamento ideal,
mas alguns autores apresentam alternativas de
tratamento para lesões clínicas e sub-clínicas.
Sugerindo que lesões cervicais induzidas de
baixo grau (HPV/NIC 1) não necessitam de
propedêutica e tratamentos agressivos e orienta
repetir a coleta em 6 meses. Já as mulheres com
NIC 2 e 3 deveriam ser adequadamente tratadas
pelo alto risco de transformação para lesão
cancerosa invasiva. (ALMEIDA, 2006). Em casos
em que a colpocitologia encontra a presença de
LSIL ou atipias de significado indeterminado em
células escamosas (Atypical Squamous Cells of
ndeterminated Significance - ASCUS), a
indicação da colposcolpia pode ser adiada,
principalmente
quando
existir
processo
inflamatório. (BRASIL, 2006).
Segundo Brasil (2011) nos casos de
diagnostico por AGUS (Atypical Glandular Cells of
Undetermined Significance) as pacientes devem
ser
encaminhadas
para
a
colposcopia.
Realizando dessa forma a coleta do material para
citologia do canal cervical. Podendo também ser
recomendado à avaliação endometrial com
ultrassonografia ou estudo anatomapatológico em
pacientes com idade acima de 35 anos. Abaixo
dessa idade é recomendável só em casos de
sangramento uterino anormal. No momento da
colposcopia se for encontrado qualquer
altereação deverá ser realizado a biópsia. Caso a
citologia sugerir doença escamosa ou for negativa
deverá seguir recomendações para o diagnóstico
obtido pela biópsia ou pela nova citologia.
Portanto se a citologia for realizada no
mesmo momento da colposcopia e resultado for
negativa deverá ser seguida com citologia
semestral, e só após dois anos com exames
semestrais normais a paciente passa a retomar
ao rastreio trienal.
De acordo com Bastos (2006, p. 283) A
taxa de regressão espontânea chega a 80% dos
casos. Caso a lesão persista após um ano de
acompanhamento esta pode ser retirada através
de alça diatérmica, (biópsia). Outra conduta que
também pode ser empregada é a destruição do
local da lesão através de métodos químicos (p.
ex. ácido tricloroacético a 90%) ou térmicos
(diatermocalterização).
Nadal (2004) aponta que existem várias
formas de tratamento podendo ser através de
medicações tópicas como: ácido tricloroacético
(ATA), eficiente para lesões de mucosa. O
Fluorouracil (5.FU) é eficaz porém causa
desconforto,
inflamação.
A
podofilina
é
padronizada e segura, porém o seu uso é
contraindicada para mucosas. O tratamento pode
ser também através de criocirurgias, excisão
cirúrgicas e fulguração mais utilizada para
pacientes
com
verrugas
grandes.
Independentemente da escolha do tratamento o
objetivo é evitar recidivas e o surgimento de
neoplasias.
De acordo com Bastos (2006, p. 282-283)
as lesões de alto grau possui alto potencial de
evolução para câncer. Por este motivo deve ser
retirada
cirurgicamente
no momento
do
diagnóstico. A conização do colo uterino poderá
ser feita através de cirurgia tradicional, de alta
frequência ou por laser. A cirurgia de alta
frequência é a primeira escolha pelas menores
taxas de complicações imediatas e tardias, com a
mesma eficiência da cirurgia tradicional e custo
baixo.
Segundo Frigatto (2003) a radioterapia
também é indicada, pois se refere a um
tratamento localizado. Sendo o tipo mais utilizado
para o câncer de colo uterino, podendo ser
associada ou não à cirurgia. Já a quimioterapia,
consiste em um tratamento sistêmico. A
radioterapia por sua vez pode ser realizada de
duas formas: a externa, denominada teleterapia
onde o feixe de radiação ionizante é apontado
para a região-alvo do corpo, e a interna,
braquiterapia que corresponde à radiação
direcionada ao local mais próximo, do órgão que
foi acometido ou dentro do mesmo.
De acordo com Fernandes (2011) o
carcinoma invasor inicial pode ser tratado de
forma eficaz tanto com a radioterapia quanto
cirurgicamente. A cirurgia radical consiste em
histerectomia total com a retirada dos
paramétrios, terço superior da vagina e
linfadenectomia
pélvica.
Dessa
forma a
quimioterapia com frequência utilizada como
tratamento adjuvante à radioterapia pode possuir
uma grande eficácia juntos. Pois a quimioterapia
potencializa os efeitos da radioterapia e torna
mais eficiente o processo de combate à célula
tumoral.
Vacina contra HPV
Segundo Pinto (2008) as vacinas são
instrumentos de prevenção primária ou são
consideradas terapêuticas, quando induzem a
regressão de lesões precursoras e a remissão do
câncer.As vacinas profiláticas possuem estudos
mais avançados, sendo utilizadas em seres
humanos estão disponíveis dois tipos a bivalente
que atua sobre os sorotipos virais 16 e 18 e a
quadrivalente que atua contra os tipos 6, 11, 16,
18. Para os outros tipos não existe vacina
profilática. A vacina quadrivalente está licenciada
pela FDA e pela Agência europeia para avaliação
de produtos medicinais (EMEA) desde 2006,
sendo utilizada em mais de 80 países. A bivalente
ainda não foi licenciada, estando em fase final de
testes clínicos. Ela foi aprovada para a vacinação
de mulheres entre 9 e 26 anos, é recomendada
que a vacina seja administrada entre 11 e 12
anos de idade. É ideal que a sua administração
seja realizada antes da primeira relação sexual.
Dados mostram que a vacinação em
meninas jovens apresentam 100% de eficácia
sem nenhum evento adverso grave, meninas que
não foram infectadas por nenhum tipo de HPV
terão maiores benefícios.
De acordo com Brasil (2013) a vacina que
será distribuída gratuitamente pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) na campanha de vacinação de
2014 é a quadrivalente protegerá contra quatro
tipos de vírus (6, 11, 16, 18) será utilizada em
meninas na faixa etária de 9 a 13 anos. É
administrada por via intramuscular 0,5 ml em três
doses. Neste ano adolescentes de 11 aos 13
anos receberão duas doses, a primeira ou dose
inicial e a segunda dose que será administrada 6
meses após a primeira. A terceira deverá ser
aplicada após cinco anos da aplicação da dose
inicial. A partir do ano de 2015 a vacinação se
iniciará para as adolescentes de 9 a 11 anos.
Os testes foram realizados no músculo
deltóide e vasto lateral. Nesses locais a vacina
alcança os vasos linfáticos locais fazendo com
que ocorra produção de grande quantidade de
anticorpos neutralizantes. A sua eficácia em
outros locais não foi constatada e, portanto, não
deve ser utilizada em outros músculos.
Pinto (2008) aponta que a vacina bivalente
foi aprovada para uso em meninas e mulheres na
faixa etária de 9 a 26 anos. Essa é administrada
por via intramuscular e o seu volume de
administração é de 0,5ml, é a administrada em
três doses. A primeira dose pode ser
administrada em na data escolhida, a 2º dose 30
dias após e a 3º dose 180 dias após a primeira.
De acordo com Barsatto (2011) após a sua
administração é recomendado observar o
paciente durante 15 minutos, devido o risco de
síncope podendo ocorrer principalmente em
adolescentes e adultos jovens. Essa vacina é
contra-indicada em casos que a paciente
apresente hipersensibilidade aos componentes da
vacina. Há risco de reações alérgicas a vacinação
em pessoas que apresentam alergia ao fungo
encontrado na composição da vacina.
No caso dos efeitos adversos sistêmicos os
mais observados foram febre, náusea, diarreia,
vômito, tontura, dor de dente, infecção do trato
respiratório, indisposição, artralgia, insônia e
congestão nasal. Todos eles são considerados de
intensidade leve ou moderados.
Considerações finais
Através da pesquisa realizada comprovouse que a região Norte no período do ano de 2007
obteve uma maior incidência de câncer do colo
uterino. Em uma análise comparada ás outras
regiões, Centro Oeste e Nordeste ocuparam a
segunda posição respectivamente e é o terceiro
mais incidente na região sudeste e Sul.
Sobretudo em 2005 o Ministério da Saúde
lançou a Política Nacional de Atenção
Oncológica, que estabeleceu o controle do câncer
do colo do útero, como componente fundamental
a ser previsto nos planos estaduais e municipais
de saúde.
Desse modo o plano de ação para o
controle do câncer de colo, propôs seis diretrizes
estratégicas: Aumento de cobertura da população
alvo, garantia da qualidade, fortalecimento do
sistema de informação, desenvolvimento de
capacitações, estratégia de mobilização social e
desenvolvimento de pesquisas.
A importância da detecção precoce das
neoplasias foi reafirmada no Pacto pela Saúde
por meios de indicadores e metas a serem
alcançados nos estados e municípios visando à
melhoria do desempenho das ações prioritárias
da agenda sanitária nacional. (BRASIL, 2011).
Sendo assim as unidades de atenção
Primária à saúde (UAPS) são consideradas uma
abertura para o usuário no sistema de saúde.
Dessa forma o enfermeiro é importante integrante
da equipe multiprofissional da estratégia saúde da
Família (ESF).
Pois exercem ações exclusivas de sua
competência, administrativas e educativas
através da relação com as usuárias, visando à
redução de tabus, mitos e preconceitos e
buscando convencer e esclarecer a população
feminina sobre os benefícios da prevenção. Para
o planejamento das atividades e estratégias, são
consideradas e respeitadas às particularidades
regionais. Para uma melhor atuação no exercício
da prevenção e promoção da saúde.
Dessa forma o enfermeiro tem como papel
prioritário a realização do exame de Papanicolaou
como estratégia de redução dos danos, a partir
da detecção precoce da doença e em
consequência disso à melhoria da qualidade de
vida das mulheres. Todavia Costa (2009) aponta
que a enfermagem está intimamente relacionada
à magnitude dessa patologia, pois tem como
principais funções promover e prevenir os
agravos das doenças, juntamente com a
educação em saúde, através de palestras, visitas
domiciliares, ou seja, realizar trabalho preventivo
junto à comunidade e o Ministério da Saúde,
esclarecendo dúvidas, o que contribuirá para uma
possível detecção precoce da doença e adesão
ao tratamento quando houver a necessidade.
Agradecimentos
Agradecemos em primeiro lugar a Deus,
pois o que seria de nós sem Ele? Aos nossos
pais, irmãos e a toda nossa família que, com
muito carinho e apoio, não mediram esforços para
que nós chegássemos até aqui. À Orientadora
(Sara Delfino da Silva) pela paciência na
orientação e incentivo que tornaram possível a
conclusão deste Trabalho de Conclusão de
Curso-TCC. A todos os professores do curso, que
foram tão importantes em nossa vida acadêmica
e no desenvolvimento deste trabalho. Aos amigos
e colegas, pelo incentivo e pelo apoio constantes.
O nosso muito obrigado!
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câncer do colo uterino originado pelo papilomavírus humano (hpv)