II Simpósio Baiano de Educação Ambiental
25 a 27 de Setembro de 2008
Cruz das Almas
Levantamento etnobotânico e etnofarmacológico de plantas medicinais no município de Cruz das
Almas 1
OLIVEIRA, A. R. M. F2, REIS, R. O3, SILVA, F4, MARTINS, G. N5.
1
Parte das Atividades do PROJETO ERVAS – Ervanários do Recôncavo de Valorização da Agricultura
Familiar e da Saúde Edital 36/CNPQ.
2
Aluna de graduação do Centro Ciências Agrárias da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia,
CCAB/UFRB/BA;
3
Enfermeira, Estagiária do Posto de Saúde Família/PSF da UFRB/BA,
4
Profa. Adjunta do CCAAB/UFRB. [email protected]
5
Pesquisadora CNPQ/UFRB
Resumo: A Organização Mundial da Saúde estima que 80% da população, de algum modo, utilizam
plantas medicinais como medicamentos. Calcula-se também que 25.000 espécies de plantas sejam
utilizadas nas preparações dos medicamentos da medicina tradicional. Este trabalho teve por objetivo
realizar o levantamento etnobotânico e etnofarmacológico de plantas medicinais utilizadas pela
comunidade de Cruz das Almas e resgatar ao conhecimento das comunidades envolvidas em relação ao
uso das plantas como medicamento. Na obtenção de dados foram utilizados questionários semiestruturados. Os resultados demonstram que a maioria dos entrevistados faz uso de plantas medicinais no
tratamento de doenças. As plantas mais citadas foram respectivamente: erva cidreira de arbusto (Lippia
alba L.), boldo (Plectranthus barbatus Benth.), capim santo (Cymbopogon citratus Staupf) e erva doce
(Foeniculum vulgaris L.). As plantas eram utilizadas pelos informantes para diversas sintomatologias,
sendo as mais comuns: insônia e cansaço, dor de estômago, diarréia, cefaléia e gripe. A origem do uso de
plantas medicinais no tratamento de doenças, na maioria, foi através dos familiares, por transmissão do
conhecimento tradicional. A maioria dos informantes utiliza plantas medicinais no tratamento de doenças,
respaldado pelo conhecimento tradicional e pela crença no poder curativo das plantas medicinais.
Palavras chaves: conhecimento tradicional, plantas medicinais
Introdução
O uso de plantas medicinais tem sido considerado prática consagrada em épocas diversas da
história humana, cujo acúmulo de informações, obtido por meio de diversos povos, representa milênios de
história e conhecimento tradicional (ALMASSY et al, 2007). Plantas medicinais podem ser definidas
como sendo, todo vegetal que contém em um ou vários de seus órgãos substâncias que podem ser
empregadas com fins terapêuticos ou precursores de substâncias utilizadas para tais fins (AKISUE, 2005).
Considerando que, a utilização de plantas medicinais está em crescente aumento, este trabalho teve por
objetivo realizar o levantamento etnobotânico e etnofarmacológico de plantas medicinais utilizadas no
município de Cruz das Almas.
Material e Métodos
Na coleta de dados, utilizou-se questionários semi-estruturados, contendo dezesseis perguntas
abertas. Foram realizadas 119 entrevistas e os informantes foram: comerciantes, profissionais de saúde e
moradores de Cruz das Almas, funcionários, professores e estudantes da UFRB (Campus de Cruz das
Almas).
Resultados e Discussão
Os resultados demonstram que a maioria dos entrevistados (79,8%), faz uso de plantas
medicinais no tratamento de doenças (Figura 1).
Utiliza
Não utiliza
20,20%
79,80%
Figura 1 Uso de plantas medicinais no tratamento de doenças na
cidade de Cruz das Almas - BA.
Resultado semelhante foi verificado por Neto et al (2004), ao entrevistarem 240 famílias nas
cidades de Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Cachoeira, Muritiba, Feira de Santana e Itaberaba,
onde 60% preferem utilizar remédios homeopáticos.
Foram citadas 49 plantas medicinais durante a realização da pesquisa (Figura 2), entretanto, as
plantas mais citadas foram respectivamente: erva cidreira de arbusto (Lippia alba L.) (65 vezes), boldo
(Plectranthus barbatus Benth.) (57 vezes), capim santo (Cymbopogon citratus Staupf) (40 vezes) e erva
doce (17 vezes) (Foeniculum vulgaris L.).
Figura 2 Lista das plantas medicinais citadas pelos moradores da cidade de Cruz das Almas-BA.
FAMÍLIA
NOME POPULAR
NOME CIENTÍFICO
ANNONACEAE
Graviola
Annona muricata
BORAGINÁCEAE
Maria milagrosa
Confrei
Cordia verbenacea
Symphytum officinallis L.
BROMELIACEAE
Abacaxi
Ananas comosus L. Merr
CELASTRACEAE
Espinheira santa
Maytenus ilicifolia Mart
CHENOPODIACEAE
Mastruz
Chenopodium ambrosoides L.
COMPOSITAE
Anador
Losna
Calêndula
Guaco
Assa peixe branco
Picão
Carqueja
Alumã
Camomila
Artemísia vulgaris L.
Artemisia absinthirum
Callendula officinalis
Mikania glomerata Spreng
Cacalia óptica
Bidens pilosa Linn
Baccharis triptera
Vernonia condensata Baker
Chamomila recutita L.
Nasturtium officinale R.Br
CRUCIFERAE
Agrião
Nasturtium officinale R.Br
EUPHORBIACEAE
Quebra pedra
Phyllanthus niruri L
Ocimum sp.
LAMIACEAE
Alfavaca
Cordão de são Francisco
Manjeroma
Alecrim
Manjericão
Poejo
Boldo
Hortelã
Melissa
Alfazema
Ocimum sp.
Leonotis nepetifolia
Origanum majorana
Rosmarinus officinalis
Ocimum basilicum L.
Mentha pulegium L
Plectranthus barbatus Benth
Mentha sp.
Melissa officinalis L.
Lavandula angustifólia Mill
LAURACEAE
Canela
Cinnamomum zeylanicum Breyn
LEGUMINOSAS
Sena
Senna uniflora (P. Miller) Irwin & Barneby
LILIÁCEAE
Babosa
Cebola branca
Alho
Aloe vera (L.) Burm. F.
Allium cepa L.
Allium sativum L.
MELASTOMATACEAE
Canela de velho
Miconia albicans Stewd.
MIRISTICAEAE
Noz moscada
Myristica fragans Houtt
MORACEAE
Amora
Monis alba
MYRTÁCEAE
Eucalipto
Pitanga
Eucalyptus globulus
Eugenia uniflora L.
OXALIDACEAE
Biri-biri
Averrhoa bilimbi L
PIPERACEAE
Alfavaquinha de cobra
Peperomia pellucida Kunth
POACEAE
Capim santo
Cymbopogon citratus Stapf
PUNICACEAE
Romã
Punica granatum
RUBIACEAE
Jenipapo
Genipa Americana L
RUTACEAE
Limão
Arruda
Citrus limonum
Ruta sativa
SOLANACEAE
Manacá
Brunfelsia uniflora (Pohl) D. Don
UMBELIFERAE
Erva doce
Foeniculum vulgaris L
VERBENACEAE
Erva cidreira
Lippia alba N. E. Brown
ZINGIBERACEAE
Gengibre
Cana de macaco
Zingiber officinalis Roscoe
Costus spicatus (Jacq.) Sw
Obs: Identificação científica por LORENZI e MATOS (2002).
Pôde-se observar que, dentre as espécies citadas pelos informantes cerca de 30% são originárias
da América do Sul, e 12,2% são nativas do Brasil.
Rodrigues e Guedes (2006), em trabalho realizado na comunidade da Sapucaia em Cruz das
Almas, registraram que as plantas mais utilizadas pela comunidade foram respectivamente: erva cidreira
(Lippia alba L.), tranchagem (Plantago major), capeba (Pothomorphe umbellata Miq), água de elefante
(Alpinia especiosa K. Schum) e picão (Bidens pilosa Linn.).
As plantas eram utilizadas pelos informantes para diversas sintomatologias, sendo as seguintes as
mais comuns: insônia e cansaço (45 vezes), dor de estômago (33 vezes), diarréia (34 vezes), cefaléia (22
vezes) e gripe (20 vezes). Silva et al., (2007), observaram na comunidade rural de “Pindoba” em Mutuípe
- BA, que as doenças mais comuns na comunidade eram: gripe, pressão alta, diabetes, infecção urinária,
reumatismo, sendo comum à citação de plantas medicinais de uso tradicional como estratégia de
tratamento destes problemas.
A origem do uso de plantas medicinais no tratamento de doenças, na maioria, foi através dos
familiares (74,8), por transmissão do conhecimento tradicional. A forma de utilização que predomina é o
chá (infusão e decocção) (94%). Os informantes acreditam que o uso de plantas medicinais pode levar a
cura de algumas sintomatologias.
Conclusões
Conclui-se que a maioria dos informantes utiliza plantas medicinais no tratamento de doenças,
respaldado pelo conhecimento tradicional e pela crença no poder curativo das plantas medicinais. Sugerese, então, a realização de pesquisas no sentido de resgatar o conhecimento de plantas medicinais nativas
do Recôncavo Baiano.
Literatura citada
AKISUE, G. Fundamentos de farmacobotânica. Editora Atheneu, 2ª edição São Paulo, 2005, pág 157.
ALMASSY Jr, A. Curso sobre cultivo agroecológico de plantas medicinais. Cruz das Almas – BA.
Gráfica Nova civilização, 2007. 96 p.
BRANDÃO NETO, M. de O. et al. Cura por meio das plantas medicinais. In: Seminário Estudantil de
Pesquisa. Anais. Cruz das Almas, Faculdade Maria Milza, 2004. p.95-97.
LORENZI, H.; MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil, nativas e exóticas. Instituto Plantarum,
Nova Odessa/SP, 2002. 512p.
RODRIGUES, A.C.C.; GUEDES, M.L.S. Utilização de plantas medicinais no povoado Sapucaia, Cruz
das Almas – Bahia. Revista Brasileira de Plantas Medicinais. V.8, n.21, p. 1-7, 2006.
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